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Casamento entre aviação e pecuária Um perfil de Mário de Almeida Franco


Edição da capa: Marcelo Borges Imagens da capa: Arquivo Público e arquivo pessoal da família Fotos: Arquivo Público de Uberaba, arquivo do Aeroporto de Uberaba, arquivo da ABCZ e arquivo pessoal da família e do piloto Felipe Walter Manzi Contato: iarinha.16@hotmail.com


Iara Rodrigues de Oliveira Universidade de Uberaba Curso de Comunicação Social Habilitação de Jornalismo

Casamento entre aviação e pecuária Um perfil de Mário de Almeida Franco

Projeto Experimental de Conclusão de Curso na categoria Livro-Reportagem

Orientadora: Professora mestre Cíntia Cerqueira Cunha

Uberaba-MG Dezembro - 2011


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação – CIP (Brasil) Catalogação na Fonte

O48c

Oliveira, Iara Rodrigues de Casamento entre aviação e pecuária: um perfil de Mário de Almeida Franco / Iara Rodrigues de Oliveira. -- 2011 116 f.: il. Livro reportagem (Projeto experimental de Trabalho de Conclusão de Curso)

1. Franco, Mário de Almeida, 1910-1974 - Biografia. 2. Pecuária. 3. Aviação. I. Título. CDD: 920


Dedicatória Dedico este trabalho primeiramente a Deus por me dar força, em todos os momentos, durante minha trajetória como estudante. Dedico este livro aos meus familiares. Em especial, à minha mãe. Graças a ela tive a oportunidade de ter uma formação superior. Ao meu Amor, pelo companheirismo. Também dedico esta obra ao meu pai e aos meus avós maternos e paternos. Onde eles estiverem, tenho a certeza que estão orgulhosos desta minha conquista.


Agradecimentos Neste espaço aproveito para agradecer, de forma

geral,

a

todas

as

pessoas

que

se

empenharam em me ajudar para que fosse possível concluir esta obra. Muitas pessoas estiveram presentes na construção desta história, por isso, não vou enumerar todas, por receio de cometer o deslize de deixar alguém de fora. Agradeço a Deus por ter zelado por mim durante essa etapa da vida. À minha família, em especial à minha mãe, por ser minha companheira e estar sempre ao meu lado dando amor, carinho e incentivo. Ao meu Amor, pelo apoio, dedicação e paciência nesta trajetória. Aos

professores

que

incentivaram

e

apoiaram o tema que escolhi para investir neste livro. Entre eles, André Azevedo, por disponibilizar material de pesquisa. Em especial à minha orientadora,

Cíntia

Cunha,

pelos

paciência e atenção ao meu trabalho.

conselhos,


Aos

entrevistados,

pelas

informações

preciosas que me confidenciaram. Em especial aos familiares de Mário Franco, que me receberam na Fazenda São Geraldo de portas abertas para conversar sobre o Mário Franco. Aos funcionários do Arquivo Público de Uberaba, por me cederem arquivo fotográfico e orientarem minhas pesquisas em revistas e jornais. Também

agradeço

ao

Gustavo

Scussel,

do

Aeroporto de Uberaba, e ao fotógrafo Maurício Farias, da ABCZ, por me fornecerem arquivo fotográfico. Por fim, meu muito obrigado a todos que de alguma forma torceram pelo meu sucesso na conclusão deste livro. E o agradecimento especial desta obra vai para Mário de Almeida Franco, que acredito que esteve ao meu lado no desenrolar deste trabalho.


Prefácio Antes de embarcar neste projeto, já tinha em mente fazer um trabalho que contribuísse para preservação da memória da cidade. Em minha trajetória como estudante de Jornalismo, sempre quis reviver alguma história para que no futuro as pessoas pudessem conhecê-la. Se não existirem pessoas que se preocupem em registrar esses tipos de histórias, corre-se o risco de elas se perderem com o passar do tempo. Pesquisando sobre a aviação na cidade, eu conheci alguns acontecimentos que envolvem o nome “Mário de Almeida Franco” e decidi alçar voo na vida dele como pecuarista e aviador. Neste livro, você, leitor, vai fazer uma viagem pela época em que Mário viveu em Uberaba e conhecer o casamento que Franco fez entre a aviação e a pecuária.

Iara Rodrigues


Índice As asas e o cupim ---------------------------------------- 10 Voos movidos pela pecuária ------------------------- 16 O pecuarista ------------------------------------------------ 26 Contato com a pecuária ------------------------------- 31 Participação no agronegócio ------------------------- 41 O aviador ---------------------------------------------------- 57 Paixão por aviação ------------------------------------- 66 Aeroporto de Uberaba --------------------------------- 75 Nome permanente na história de Uberaba ----- 88 A Comenda ----------------------------------------------- 97 Homenagem na entrada do saguão --------------- 99 A sala virtual -------------------------------------------- 103 Posfácio --------------------------------------------------- 109 Bibliografia ----------------------------------------------- 113


Capítulo 1

As asas e o cupim A bordo de um avião, para as pessoas que sobrevoavam Uberaba, era possível visualizar uma pequena mostra do cerrado brasileiro, o solo coberto por gramíneas com árvores de troncos retorcidos espaçadas entre si. Além da vegetação, verificavam-se poucas residências coalhadas em meio à imensidão do verde dos pastos. Havia exemplares de gado de elite das raças Indubrasil, nelore, guzerá, entre outros. Cidade pecuarista, Uberaba tem, a partir da década de 30, o aeroporto como uma das portas de entrada para a cidade. A estação era pequena, o aeroporto se resumia a uma casa de madeira, um hangar (galpão para guardar avião) e muita grama ao redor da pista de pouso, que não era ainda nem pavimentada. As pessoas se aglomeravam do lado de fora da casa enquanto aguardavam os voos. Para a época, o aeroporto de Uberaba era o 10


terceiro mais

importante do Brasil, perdendo

apenas para o Rio de Janeiro e São Paulo. Foto: Arquivo Público

Um dos primeiros registros fotográficos do Campo de Aviação de Uberaba

Neste cenário, o avião “Uberaba”, da marca “Stinson”,

modelo

105,

de

propriedade

do

pecuarista Mário de Almeida Franco, se preparava para pousar em Uberaba que, naquela época, contava com pouco mais de 33 mil habitantes. A bordo deste pequeno avião havia três tripulantes (capacidade aeronave):

máxima duas

comportada

pessoas

e um

por animal.

essa No 11


comando do avião, um piloto contratado, ao lado o pecuarista Mário Franco e na parte traseira, uma “valiosa bezerra” da raça Indubrasil. Esse fato,

até

então

inédito

para

os

uberabenses, ocorreu no dia 26 de abril de 1940. O avião pousou no aeroporto de Uberaba às 16 horas levantando poeira da pista. Ao desligar a aeronave, a

hélice

para,

os

tripulantes

descem

e

desembarcam a bezerra de pouco mais de um mês de vida. Uma matéria do extinto jornal Lavoura e Comércio afirma que o fato causou surpresa a todas as pessoas que estavam no aeroporto, por ser

a

primeira

vez

que

os

uberabenses

presenciaram o transporte de um animal em um pequeno avião particular. Mário Franco havia comprado o animal do “abastado criador” Cassiano Lemos Junior. A bezerra cortou os ares triangulinos na viagem de Araxá a Uberaba que durou menos de uma hora. Já

em

solo

uberabense,

após

o

desembarque, o pecuarista transportou a bezerra 12


para o seu “coupé Lincoln” particular. Naquele tempo, os carros ainda não tinham se popularizado, e a cidade de Uberaba contava com cerca de 600 automóveis. A bezerra “Indubrasil” pôde desfrutar de um passeio de carro conversível com partida do aeroporto até a região central da cidade, a cerca de cinco quilômetros de distância. No percurso, o “Coupé Lincoln” azul circulou com a capota branca de lona abaixada. O automóvel dividia as ruas com charretes, cavalos e carros Ford, os mais comuns da época. O carro de Mário sacolejava ao passar pelas ruas calçadas com pedras em paralelepípedos. As pessoas que estavam nas calçadas naquele momento, com olhos arregalados, admiravam a arrojada iniciativa, se virando para quem estivesse mais próximo para fazer algum comentário. O pecuarista levou a pequena “grã-fina” até a redação do Jornal Lavoura e Comércio. Os jornalistas saíram da redação e foram até a porta do jornal para ver o animal dentro do veículo. 13


“Tivemos a oportunidade de ver o magnífico exemplar „Indubrasil‟, que vinha de cortar os ares triangulinos, como uma autêntica „gran-fina‟ (sic)...”. Os repórteres trocaram informações com Mário Franco e, na manhã seguinte, o fato virou notícia com o título: O avião “Uberaba” transportou de Araxá a esta cidade uma bezerra. Após

esse

episódio,

ocorreram

outros

transportes de gado com aparato da aviação. Registros fotográficos mostram um dos primeiros transportes de gado adulto feito na cidade, em 1948, oito anos depois da iniciativa de Mário Franco. Nesta experiência, o gado foi transportado no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para o governador do Acre, Luís Silvestre Gomes Coelho. Na ocasião, o gado foi transportado até o aeroporto em um caminhão pequeno das Indústrias “Santos Guido e filhos Ltda.” O caminhão foi estacionado de ré, para a carroceria ficar em frente a uma das portas do grande avião. Com tábuas de madeira, foi improvisada uma rampa para levar o 14


animal para dentro do avião. Alguns homens esperavam na entrada do avião, enquanto outros estavam dentro do caminhão, ajudando a embarcar o gado. Distintos senhores de terno, alguns até engravatados,

estavam

perto

do

avião

e

observavam atentos o embarque dos animais. No interior da aeronave, cada animal tinha um espaço para ele destinado. Os bovinos foram organizados no corredor em três filas indianas e ficaram dentro de gaiolas de madeira separados uns dos outros. Foi desta forma que permaneceram por algumas horas e subiram rumo ao norte do país.

15


Foto: Arquivo Público

Primeiro embarque de gado de porte realizado em Uberaba, oito anos após a experiência de Mário Franco

O pecuarista Mário Franco foi quem puxou a fila para essa prática. Depois destas experiências com transporte de gado em vias aéreas, vieram outras. Voos movidos pela pecuária Na cidade triangulina, dita capital do zebu, acontecia a VI Exposição Agropecuária. Eram 10 horas e quinze minutos do dia 07 de maio de 1940 quando pousa no aeroporto de Uberaba o avião 16


“Raposo Tavares”, conduzido pelo aviador Renato Pedroso. Nesta aeronave estava o diretor dos Diários Associados, Assis Chateaubriand. Após uma hora e vinte cinco minutos de viagem,

ele

foi

recebido

no

aeroporto

por

fazendeiros e homens renomados na cidade, entre eles o presidente da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, José de Souza Prata, e o diretor do Jornal Lavoura e Comércio, Quintiliano Jardim. Do

aeroporto,

o

“ilustre

visitante”

foi

conduzido até a feira de gado, visitou os estandes, apreciou os animais. Da exposição, foi levado pra conhecer o Jockey Club e também a “Fazenda Cascata” do anfitrião da visita, o fazendeiro Joaquim Machado Borges. Depois de quatro horas

na cidade,

o

jornalista e sua comitiva retornaram ao aeroporto. Às duas e quarenta da tarde, o avião levantou voo rumo a São Paulo, com escala na pequena cidade de Araxá, para visitar o então presidente Getúlio Vargas. 17


Os anfitriões fizeram o possível para causar a melhor impressão possível. “E essas impressões, dentro de poucas horas, o Brasil todo conhecerá, através dos 16 grandes órgãos de sua poderosa organização jornalística”, publicou o Jornal Lavoura e Comércio. A resposta de Assis Chateaubriand de fato veio em um artigo redigido de próprio punho e publicado pelas organizações que a ele pertenciam. O jornalista percebeu que havia uma relação entre aviação e pecuária e em suas palavras disse que os bovinos deveriam ser exaltados como os “introdutores diplomáticos do progresso aéreo” desta

região.

Ainda

completou

o

raciocínio

explicitando o fato de o café ter introduzido as ferrovias Mogiana e Paulista e o gado ser o responsável pelas malhas aéreas da região de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. Desta forma, a existência de um aeroporto em Uberaba desde a década de 1930 se justifica devido à economia pecuária. A aviação na cidade 18


sempre se manteve mais por conta de voos particulares movidos pelo agronegócio. “A aviação vive ainda por causa dos pecuaristas. Os aviões que toda vida existiram na cidade eram de pecuaristas. Eu ainda estou voando hoje e sempre voei pra pecuarista”, confirma Felipe Walter Manzi, piloto na ativa desde 1972. Os pecuaristas, como Mário Franco, viajam por causa da venda de gado e também para engordar

o gado com

os

olhos

propriedades fora de Uberaba.

em

outras

“Dificilmente, o

Mário usava o avião particular pra fazer voos pra atender o lado político dele, pelo menos não que eu saiba disso. Então, utilizava o avião mais pra compra e venda de bois. Eles criavam gado de raça. Então, os compradores e os procuradores de animal de primeira linha vinham pra Uberaba e iam à procura deles, pra fazer compras sofisticadas”, conta o comandante Joel da Silveira Reis, que fazia voos

esporádicos

para

a Organização Mário

Franco. 19


Mário Franco era um homem que possuía fazendas e aviões e mesclava o negócio com a paixão. Ele tinha sempre um avião para percorrer as fazendas e também um campo de pouso em todas elas. Franco ia de uma fazenda a outra e, quando chegava ao destino, aproveitava antes do pouso para sobrevoar e observar o gado de elite das alturas. Já em terra firme, levava a aeronave para dentro do hangar, local onde ela permanecia até o aviador resolver ir para outra propriedade. Mário Franco constantemente voava para os países

vizinhos

para

exportar

gado.

Nestas

viagens, o avião particular ficava guardado no hangar e ele optava por companhias aéreas. Ele voava deste jeito por questão de segurança. Como possuía aviões de pequeno porte, não confiava neles para fazer voos longos e muito menos atravessar oceanos.

O relógio marcava 10 horas da manhã. Quem estivesse próximo ao aeroporto de Uberaba 20


podia ver o pouso de uma aeronave da Varig. A linha ficou ativa por décadas e cobria a rota de São Paulo a Belém do Pará. O avião fazia escalas em Uberaba, Uberlândia, Goiânia, Brasília, Imperatriz e Marabá. Quem partia de Uberaba e tinha como destino a cidade de Belém fazia uma longa viagem desfrutando a vista aérea. A rota completa tinha duração média de oito horas e vinte minutos. Os assentos destas aeronaves eram, em grande parte, ocupados por pecuaristas que tinham propriedades no Norte do país. O avião “Avro” deu início a esta linha com capacidade máxima de 30 passageiros.

Frequentemente,

essa

máquina

voadora saía abarrotada de gente. Com o passar dos tempos, a aeronave foi trocada por outra conhecida como “Electra”, com 88 lugares.

Na

sequência, com o início da era dos jatos, vieram os Boeings 737. A capacidade de passageiros dobrou e, pelo fato de a procura não ser equivalente à oferta, o voo da Varig acabou extinto.

21


“Essa aviação sempre quem mantinha eram os fazendeiros que tinham fazenda lá pra cima. Depois que parou esse voo, eles todos compraram os aviões e começaram a fazer voos próprios”, interpreta Manzi. Com passaram

avião a

particular,

decolar

e

os

fazendeiros

aterrissar

em

suas

propriedades, de ponta a ponta do país. Além de reduzir o tempo de viagem, ter um avião próprio como meio de transporte sai mais em conta. O sargento aeronáutico, Sebastião Eustáquio Rocha, calcula que pessoas que têm outras fazendas também possuem um campo de pouso em cada uma. Além de poderem se locomover de uma região a outra quando necessitam, não acumulam gastos

com

passagem

aérea,

apenas

com

combustível para a aeronave.

Em

meses

especialmente

em

de

exposição

maio,

quando

de

gado,

ocorre

a

tradicional “Expozebu”, o pátio do Aeroporto de 22


Uberaba – Mário de Almeida Franco exibe aviões de diversos tamanhos e modelos. Da grade que separa a área do aeroporto com a avenida Nenê Sabino é possível ver os pilotos manobrarem as aeronaves para estacionar. Cria-se uma fila de máquinas de voar. Os pecuaristas que chegam por último muitas vezes ficam sem lugar onde deixar a aeronave. Foto: Arquivo do Aeroporto de Uberaba

Vista aérea do pátio do aeroporto de Uberaba na década de 90 em época de exposição de gado

O aeroporto fica pequeno para comportar o estacionamento

de

tantas

aeronaves.

O 23


comandante Reis trabalhou como controlador de voos

no

aeroporto

congestionamento

de

local

e

aeronaves

relembra

o

nacionais

e

estrangeiras na época da “Festa do Zebu”: “Na minha época, a gente organizava da seguinte maneira: verificava os aviões que precisavam pernoitar e ficar estacionados aqui durante a exposição e destinava um lugar mais especial só pra eles. Isso para eles não prejudicarem o tráfego de

outras

aeronaves

que

vinham

trazer

passageiros e decolar. Houve épocas, inclusive, em que tivemos que utilizar o aeroporto de Uberlândia para atender a demanda de voos que existia aqui por causa da pecuária”. O sargento Eustáquio Rocha completa essa história. “Ocorreu de pessoas pousarem lá em Uberlândia, deixarem o avião lá e virem de carro de lá pra cá ou então até pousavam aqui, o comandante deixava os passageiros e ia pra Uberlândia. O avião ficava lá. Pra pousar não tem problema, o problema é não ter lugar onde colocar 24


a aeronave. Aí, quando precisava, ligava pro comandante, o comandante decolava de lå, vinha aqui buscar o pessoal e ia embora.�

25


Capítulo 2

O pecuarista Quando criança, Mário Franco via os pais lidando com pés de café. Filho de cafeicultores, conheceu esta atividade como mantenedora da família. Os pés de café são plantados em linhas paralelas e nascem com caules verdes que em pouco tempo dão lugar a troncos marrons, dotados de folhas firmes. A plantação leva até cinco anos para dar frutos. Em fase adulta, o cafeeiro pode chegar a cinco metros de altura. O garoto acompanhava todo o processo durante meses. Ele via os pés florirem, os galhos encherem de grãos verdinhos e, por fim, estes grãos ficarem avermelhados e serem colhidos. O fruto era um dos mais cultivados no Estado de São Paulo, no século XX. Foram as lavouras cafeeiras que

permitiram

que

vários

fazendeiros

se

tornassem até presidentes da República naquela época. 26


Mário nasceu na cidade paulista de Ribeirão Preto, em cinco de agosto de 1910, e na década seguinte veio estudar em Uberaba. Os pais, Itagiba Augusto Franco e Ida Almeida Franco, atraídos pelo prestígio do Colégio Diocesano de Uberaba, mandaram o filho para a cidade interiorana para dedicar-se aos estudos. Naquela época, muitos alunos vinham de longe para estudar no colégio, como ocorreu com Mário Franco. Quem estudava no Marista podia entrar direto em qualquer curso superior do Brasil sem ter de fazer vestibular, tamanho era o prestígio do sistema de ensino dos Irmãos Marista.

Mário chega a Uberaba e encontra uma cidade pequena, com ruas sem calçamento. Em tempo de chuva, era barro por todo lado. As grandes avenidas, Santos Dumont, Santa Beatriz, Guilherme Ferreira, e até mesmo a principal avenida local, a Leopoldino de Oliveira, eram córregos de fundo de quintal, sem urbanização. 27


Com o calor, o córrego soltava um odor fétido no centro da cidade. Para completar, o esgoto era ao ar livre. Por outro lado, o colégio possuía boa estrutura. A instituição escolar ficava em uma área com mais de 10 hectares a apenas um quilometro da praça central. O ambiente arborizado continha blocos de dois e três andares sustentados por extensos

pilares

arredondados.

Passarelas

e

varandas foram construídas para ligar um edifício a outro. No Marista, Mário cursa o Ginásio e convive com filhos de criadores de gado. Entre eles, estava Afrânio Machado Borges, filho de Rodolfo Machado Borges, de família dedicada à criação de zebu. Nos intervalos entre uma aula e outra, eles conversam e surge então o convite para conhecer a fazenda de Rodolfo Machado Borges. A partir deste dia, nos feriados, Mário passa a visitar a propriedade do pecuarista.

28


Nos pastos, exemplares de gado Indubrasil, raça proveniente de cruzamento entre as raças gir, nelore e guzerá. Gado de elevado porte, musculoso e

“orelhudo”.

Esta

última

característica

era

considerável naquela época. Os bezerros eram escolhidos pelo tamanho das orelhas. Quanto maiores, melhor. Nos dias em que passava na fazenda dos Borges, Mário vivenciava o manejo e a lida diária de uma fazenda de gado de elite. Foi ali que o jovem Mário teve seus primeiros contatos com a pecuária e aquele trabalho despertou a atenção dele. Nos anos 20, ainda ocorriam comitivas chefiadas por pecuaristas uberabenses para buscar zebu diretamente da Índia. Mário Franco pegou esse clima de importação de gado. Mas com a conclusão dos estudos, o ribeirão-pretano teve de dar um até logo à capital do zebu. De volta à cidade paulista, Franco trabalhou alguns anos com os pais no plantio do café e 29


aprendeu mais a profissão de cafeicultor. Neste meio tempo, ficou órfão de mãe e no ano de 1934 decidiu retornar de vez para cidade mineira onde havia estudado. A princípio, Mário levou as malas para o Hotel Central, um casarão a uma quadra da praça Rui Barbosa. O hotel localizava-se na rua Coronel Manoel Borges, próximo à esquina da rua Major Eustáquio. Em poucos dias, Franco entra em contato com proprietários de terra da região e arrenda uma fazenda de café de Nonô Prata (João Prata Júnior), criador de raças zebuínas. Mário resolve que nesta área iria dar continuidade à tradição dos pais. O paulista pulava da cama do hotel com o nascer do sol e rumava para o cafezal. Ele passava o dia cuidando dos pés de café e, ao entardecer, retornava para o quarto de hotel. No dia seguinte, era a mesma coisa: acordava cedo e ia para fazenda e só retornava no final do dia. Virou rotina. Mas esse ritmo não agradava muito o jovem que 30


em pouco tempo deixou a lida com café e entrou em outro negócio.

Contato com a pecuária Por volta de 1935, invernistas do Estado de São Paulo vinham a Uberaba à procura de zebuínos. Eles percorriam o centro da cidade e indagavam uns e outros sobre onde encontrar gado para compra. Mário escutou comentários do tipo quando andava pela cidade e ideias começaram a martelar na cabeça dele. A realidade era que o mercado pecuário estava aquecido, havia muita procura por zebuínos. A raça passava por um período áureo que foi de 1935 a 1945. Mário, sempre muito antenado, aproveitou esse momento e embarcou nesta nova experiência. Com o dinheiro do plantio de café, ele comprou a “Chácara da Manteiga” que abrangia a área onde hoje é a sede da Universidade de 31


Uberaba, em frente ao aeroporto local e que margeava a avenida Santa Beatriz até a rua São Sebastião, no centro da cidade. Com apenas 25 anos, o jovem compra bezerros de fazendeiros próximos ao rio Tijuco, no município de Uberaba e os leva para pastar na “Chácara da Manteiga”. O gado engordava na extensa área de pastos e lá mesmo era negociado com os invernistas. Entre eles estavam Antônio de Moura Andrade, Marinho Lutz e Toninho Barros, irmão do político Ademar de Barros. Esses homens eram donos de frigoríficos no Estado de São Paulo. Eles vinham em Uberaba exclusivamente

para

arrumar

zebuínos

para

revender nos frigoríficos. O local da chácara era estratégico. Os invernistas desembarcavam no aeroporto e, ao sair da estação, davam de cara com o gado de Mário Franco.

Os compradores

examinavam o gado e já negociavam o preço. Clientes

fiéis,

em muitas

ocasiões

deixavam

reservadas as próximas bezerradas. 32


O negociador tratava de encontrar com os fornecedores próximos ao rio Tijuco para garantir a revenda de gado. Na época, as fêmeas não eram muito valorizadas, mas Mário resolve inovar, decide comprá-las também e consegue revender. Ele também tinha interesse pela barrigada. Era uma forma de garantir comercialização futura. Muitos animais foram revendidos para os invernistas de São Paulo por intermédio de Franco. Com essa compra e venda de gado, ele conseguiu, no ano de 1936, selecionar a própria criação de gado. Começou pelo nelore. Animal musculoso, de porte, com pelagem branca ou cinza-clara, pelos curtos e sedosos. As orelhas são pequenas em formato de concha e a parte interna fica virada para frente. Esses bovinos podem ser de categoria mocha (sem chifre) e o normal com chifres curtos em formato cônico. Possuem cupim e também barbela que balança harmoniosamente quando caminham.

33


O

pecuarista

adquiriu

gado

de

selecionadores da região, entre eles Pedro Nunes, Neca Andrade e Otávio Machado. Nesta época, deixou de morar no hotel e mudou-se para uma república de rapazes na rua Carlos Rodrigues da Cunha, esquina com rua Vigário Silva, a duas quadras da praça central. Dois anos se passaram e Franco deu início então à criação de guzerá. Esse gado tem pelagem que varia do cinza-claro ao cinza-escuro, sendo que os pelos na região da cabeça, pescoço, cupim e parte traseira apresentam-se com coloração mais escura, podendo chegar ao negro. As orelhas são inclinadas, largas e com pontas arredondadas, um pouco maiores que as dos nelores. Possuem cupim em formato semelhante a uma castanha de caju. Os chifres são grandes com as pontas viradas levemente para dentro e para trás. O

guzerá

é

o

único

dos

zebuínos

considerado de dupla aptidão: bom para corte e com potencial leiteiro. Os primeiros animais da raça 34


foram adquiridos da marca 11 de Antoninha Miranda, na região de Uberaba. Depois, vieram animais dos Estados da Bahia e do Rio de Janeiro. As características da raça despertaram a paixão do pecuarista. “O guzerá era o preferido do Mário. Ele deu muito valor nesta raça”, afirma com convicção Olésia Adriano, viúva de Franco. O êxito com as raças nelore e guzerá já era certo. Logo, decide investir também nas raças gir e indubrasil. Com o negócio estabilizado, aos 29 anos de idade o pecuarista forma família com Olésia Adriano. A companheira lhe dá cinco filhos: Aparecida Helena, Mário Fernando, Dulce Helena, Luiz Carlos e o caçula, Mário de Almeida Franco Júnior.

35


Foto: Arquivo ABCZ

Família Franco: Da esquerda para direita. Em pé: Mário de Almeida Franco Junior, Mário Fernando, Luiz Carlos. Sentados: Aparecida Helena, Olésia Adriano, Mário de Almeida Franco e Dulce Helena

O criador de gado fazia questão de escolher pessoalmente seu rebanho. Em novembro de 1968, ele ficou sabendo que o selecionador carioca, Durval Garcia de Menezes, havia importado gado da Índia e iria negociar alguns animais. Mário foi até a fazenda do pecuarista com interesse de adquirir exemplares destes nelores.

36


O carro percorreu uma estrada de terra até a entrada

da

fazenda.

Na

chegada,

ele

foi

recepcionado por um funcionário que iria levá-lo até o curral, local onde o gado estava separado. Em uma ala, os animais do plantel do fazendeiro e, em outra, os animais para negócio. O peão mostrou o gado que estava à venda e Franco escolheu alguns exemplares para compra. Em um canto do curral, havia uma vaca que tinha dado cria de um bezerrinho nelore. O filhote estava com sede de leite. Ele agarrou uma teta da mãe e mamava tranquilamente quando a cena foi vista por Mário Franco. Ele olha para o filhote e resolve perguntar para o negociador: - E aquele bezerro foi trazido da Índia também? – indaga, apontando para o filhote. - De certa forma. Aquele é daquela vaca que veio prenha da Índia. O bezerro nasceu aqui. É filho da vaca Inka com o touro Karvadi. – responde o negociador, enquanto aponta para os pais do bezerro. 37


Mário olhou o animal de cima a baixo, viu que ele tinha potencial para virar campeão e questionou: - Quanto é que querem nele? - Eu tenho impressão que aquele animal não é de negócio. O patrão quer ficar com ele. respondeu o peão. O pecuarista insistiu até que o funcionário ligou para Durval Menezes e expôs a questão. Disse que tinha comprado parte do rebanho que veio da Índia e estava disposto a pagar por aquele animal também. O patrão deu o preço, jogou um valor alto para um bezerro e Mário aceitou. Ele levou a mão no bolso, contou o dinheiro e entregou ao negociador. Pagou pelo gado que tinha comprado e adiantou também o pagamento do bezerro que não poderia ser tirado da mãe ainda. Mário tratou de transportar o gado que comprou e um tempo depois voltou para buscar o bezerro.

38


Quando o bezerro chegou à Fazenda São Geraldo, em Uberaba, Mário chamou os filhos para ver o animal. Parados na porteira do curral, ele diz: - Agora, meus filhos, nós vamos colocar um nome neste bezerro. Luiz Carlos, o quarto filho do pecuarista, responde baixinho: - Onassis, papai. O filho fazia referência ao empresário da marinha mercante, Aristóteles Onassis, que estava no auge naquela época. O magnata permaneceu muitos anos sendo considerado o homem mais rico do mundo e transformou-se em personagem mítico grego. - Pois bem, vai ser batizado como Onassis. – respondeu o pai. O bezerro Onassis foi registrado e tornou-se um touro forte e musculoso, chegando a pesar 956 quilos. “O Onassis foi um grande touro. Ele foi campeão, fez muito sucesso e deixou muita cria”, orgulha-se Olésia Adriano. 39


Sem dúvidas, o título mais importante deste nelore e que encheu Mário de orgulho, o touro conquistou em Goiânia. Onassis foi eleito o campeão da II Exposição Internacional de Nelore, em março de 1973. A edição da revista Veja de 11 de Abril de 1973 narra o desfile que o boi fez ao ser anunciado como campeão: “Com muita dignidade, Onassis caminhou em direção às arquibancadas e parou a 4 metros do público. Havia umas trezentas pessoas de olhos postos nele. Onassis não se intimidou. Baixou e ergueu a cabeça, como que cumprimentando. O público começou a bater palmas e a gritar “Parabéns!” Onassis tornou a baixar e a levantar a cabeça (estaria agradecendo?)”. Onassis foi o touro mais conhecido, mas muitos

animais

da família levaram título de

campeão, entre eles estão Gentil, Impossível, Peruana, Pôster e Faísca, da raça guzerá, e Eldorado, Ventania e Marabá, da raça nelore.

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Participação no agronegócio

Durante 15 anos consecutivos, de 1930 a 1945, Getúlio Vargas ficou na presidência do Brasil. Neste

período,

o

Banco

do

Brasil

oferecia

financiamento à pecuária. Muitos uberabenses entraram nesta onda e começaram a criar gado. “O zebu valorizou extraordinariamente. Era uma febre, só se falava em zebu. Eu ainda peguei um pedaço disso. Todo mundo que era alfaiate largava a alfaiataria,

arrumava

financiamento

e

ia

comercializar zebu”, relembra Guido Bilharinho, advogado e pesquisador. A febre foi passageira. Em 1945, Getúlio sai do poder. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) chega ao fim. E a pecuária entra em crise.

O

Banco do Brasil diminui de súbito “a fortuna rural” destinada aos financiamentos e desencadeia uma quebradeira geral.

A partir dos saldos finais da

exposição de maio de 1946, os pecuaristas notaram com clareza que a situação estava se 41


complicando.

O

preço

do

boi

tinha

caído

bruscamente. Neste contexto, o jornal Lavoura e Comércio parabeniza aqueles pecuaristas que conseguiam se despontar frente à crise, entre eles está um homem claro, de estatura mediana que se demonstra grande nas negociações. “A Exposição de Uberaba é um episódio da batalha do zebú (sic). E neste episódio reponta o valor (...) de Mário de Almeida Franco, no seu dinamismo

inexcedível

e

na

sua

acuidade

extraordinária para as tarefas e os negócios da boa pecuária, o homem que fechou negócios vultosos durante esta exposição, inclusive o animal que foi vendido pelo mais alto preço, o tourinho “Good bye”, vendido por 120 mil cruzeiros ao Sr. Raul Prata, fazendeiro da Bahia”. No ano seguinte, a crise se intensifica, o pecuarista Carlos Tasso Rodrigues da Cunha suplica nas folhas do Lavoura pela união da classe e passa dados da crise: “Somos uma classe de 4 mil criadores e fazendeiros. Deste número, dez por 42


cento não necessita de uma medida enérgica e pronta do governo. Os restantes, isto é, os 90% aguardam

confiantes

um

plano

que

venha

satisfazer as suas reais necessidades”. Os pecuaristas estavam endividados quando aparece um sinal de fumaça: a moratória. A lei dava prazos mais longos para que os pecuaristas pudessem pagar as dívidas, mas para conseguir usufruir

deles

teriam

que

provar

mediante

declaração que tinham a pecuária como principal atividade. A caneta tinteiro ganhava vida nas mãos dos advogados. Ela percorria o papel e desenhava com letras manuscritas as petições de moratória. Os advogados de Uberaba tinham que intensificar os trabalhos

para atender as

necessidades dos

pecuaristas. A moratória passou longe de solucionar o problema. Veio o Reajustamento, que reduziu a dívida

pela

continuavam

metade.

Os

insatisfeitos

pecuaristas e

longos

ainda

anos

se 43


passaram. Getúlio retoma a presidência em 1951 e em uma das propriedades de Mário Franco promete uma solução. O caso só recebe um ponto final em 1954, com o perdão das dívidas. Em 1948, em plena crise do zebu, Mário viaja a negócios para a Venezuela.

No país

tropical, ele desembarca trajando o habitual terno e gravata. Em território venezuelano, Franco trata de fazer contato com o ministro da Agricultura, Raul Leon. Em uma conversa em “portunhol”, consegue negociar a exportação de 500 reprodutores. Foi a primeira de uma série de exportações. Mário usava a comunicação a seu favor. Desde o começo da década de 40, quem folheava alguma revista, entre uma virada de página e outra, podia se deparar com alguma propaganda levando o nome de Mário Franco. Ele mantinha publicidade das

fazendas

em

revistas

até

mesmo

internacionais, já vislumbrando a exportação.

44


Propagandas lançadas pelo pecuarista na revista “Graça e Beleza” em plena década de 40

Em

uma

entrevista

concedida

pelo

pecuarista e aviador ao jornal Lavoura e Comércio, em outubro de 1945, os jornalistas concluem que “a alma do negócio é o segredo... e a propaganda. Paradoxo? Ora, vivam os paradoxos no mais paradoxal dos séculos. O fato é que Mario Franco mantém publicidade permanente das fazendas e especialmente do gado Nelore, que o possui excelente,

incomparável

mesmo,

na

revista

americana „A fazenda‟, publicada por „La Hacienda Company Inc.‟ em Lockport, em Nova York”. 45


Franco tinha tino comercial e era bom com as palavras. Por conta de bons relacionamentos, transformou a Fazenda São Geraldo em palco de decisões políticas. Embaixadores, governadores, secretários

e

presidentes,

quando

vinham

à

Uberaba não deixavam de visitar a fazenda do pecuarista. Era presidentes.

comum

servir

Participavam

banquetes dessas

para

os

ocasiões

diretores da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, alguns pecuaristas amigos da família e os políticos. O salão do segundo andar da casa era palco dos suntuosos eventos. Na mesa, três tipos de taças: de vinho, champanhe e água. Comida mineira não faltava. Pernil, peru, tutu de feijão, arroz e frutas também compunham o cardápio. Todos comiam ao som de músicos da região.

46


Foto: Arquivo família Franco

Jantar realizado para o presidente Getúlio Vargas na Fazenda São Geraldo

Com apenas 23 anos, Mário teve o primeiro contato com Getúlio Vargas. O jovem foi com o pai e um grupo de cafeicultores conversar com o presidente. No ano de 1932, tinha ocorrido a revolução

Constitucionalista,

um

movimento

armado para derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas. Mário estava meio sem jeito em volta de vários senhores e decide ficar quieto em um canto, mas foi notado pelo presidente, que pergunta a um dos homens presentes: 47


- Quem é esse rapaz? O homem vira meio indignado por ter notado o rapaz e diz: - Esse jovem? Mário viu aquilo e respondeu duro: - Sou quem lutou contra o senhor na revolução do ano passado. Ainda julgo que lutei por um bom ideal. Vargas sorri e prossegue a reunião. Na despedida, o presidente faz um convite para Franco. - Quando quiser, pode voltar informalmente. Terei prazer em conversar contigo. Seis meses depois, Mário vai ao Rio e resolve fazer

uma visita

ao presidente. Em

entrevista nas páginas amarelas da Veja de junho de 1973, Mário conta com suas palavras essa história. “Ele teve a gentileza de me receber particularmente,

imediatamente

e cordialmente.

Conversamos sobre café e outras coisas mais. E

48


nos tornamos grandes amigos. Essa amizade perdurou até o fim da vida dele.” Foto: Arquivo ABCZ

Getúlio Vargas na tradicional visita à Fazenda São Geraldo, em companhia de Mário Franco

Getúlio Vargas sai do poder em 1945, mas retorna à Presidência em 1951. Naquele ano, a convite do presidente, Franco se muda para a capital do Brasil que na época era o Rio de Janeiro. No período em que esteve fora, não deixava de vir a Uberaba pelo menos uma vez por mês. Mário

49


tinha convicção no ditado: “O olho do dono é que engorda a boiada”. O pecuarista não teve nenhuma participação oficial no governo. Mas participou de algumas negociações e era uma espécie de conselheiro pessoal do presidente. “Sempre que surgia alguma dificuldade o presidente mandava me chamar ou eu aparecia

espontaneamente.

Conversávamos,

trocávamos ideias e ele me ouvia muito a respeito de pecuária e agricultura. Estava sempre me consultando”, revela Mário à Veja. No governo Getúlio foi criada a Comissão Federal de Abastecimento e Preços (COFAP), que comprava produtos para o consumo do povo. “O Mário, por ser muito amigo do Getúlio, tornou-se comprador pra abastecer essa COFAP”, relembra Mário Cruvinel Borges, julgador de exposições. Certa vez, no ano de 1953, houve falta de carne no Brasil. Mário foi encarregado de conseguir carne no Paraguai e na Argentina. No Paraguai, ele entrou em contato com o presidente Frederico 50


Chaves, que prontamente atendeu ao pedido. Na Argentina, não foi tão fácil. Juan Domingo Perón, presidente do país naquela época, só recebeu o brasileiro depois de muita insistência. Quando

conseguiu

ser

recebido

pelo

presidente, entregou uma carta confidencial de Getúlio Vargas. Perón pegou a carta, abriu, leu e só assim atendeu ao pedido. “Ele vendeu trigo e carne congelada, na quantidade solicitada pelo governo brasileiro,

apesar

de

a

Argentina

ter

compromisso com outros países”, conta Franco à Veja. Este episódio não foi o único que teve intervenção

do

pecuarista

em

negociações

internacionais. Ainda no período em que Eurico Gaspar Dutra ficou na Presidência (1945-1951), um grupo de criadores exportou gado para o México, mas

os

animais

foram

barrados.

Mário

foi

procurado. - Exportamos 500 cabeças de gado pro México e o gado está preso numa ilha, em 51


observação,

mas

a

tal

autorização

para

desembarcar no continente não sai. Precisamos de sua ajuda! - Afirma, aflito, um dos criadores. - Calma! Num instante faço uns telefonemas e descubro o que está ocorrendo. Pouco depois, Mário dá a notícia aos criadores. - O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Pawley Jr., é quem está amarrando tudo. Vou conversar pessoalmente com ele. Mário, sempre bem relacionado, convida Israel

Pinheiro,

presidente

da

Comissão

de

Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, e Apolônio Sales, ministro da Agricultura, para irem com ele conversar com o embaixador. “Ele nos recebeu malissimamente. Disse que um grupo de brasileiros sem escrúpulos, aliado a mexicanos também sem escrúpulo, tinha enviado um gado com aftosa para o México. E que esse gado voltaria para o Brasil ou seria incinerado”, reclama Mário Franco na matéria da Veja. 52


Os

políticos

que

acompanhavam

Mário

preferiram não discutir o assunto. Mário tinha um temperamento diferente deles e o sangue subiu à cabeça quando ouviu aquelas duras palavras do embaixador. Antes de sair, ele intima: - O gado vai descer de qualquer maneira. O próximo passo foi procurar o presidente Dutra e pedir seu apoio. Expôs a questão para ele. Franco afirmou que se o gado não entrasse estaria liquidada a pecuária nacional que já estava em crise e as exportações brasileiras cairiam a zero. Dutra escuta em silêncio e retruca: - Mas nós não podemos mandar na casa dos outros. - Eu já pensei numa solução. Sugiro que telegrame imediatamente ao Truman, nos Estados Unidos, e também ao presidente do México, Miguel Alemán, pedindo a colaboração deles no sentido de fazer o gado entrar no continente. A sugestão foi acatada e três dias depois o gado entrou no país. Na mesma época, ocorreu 53


uma onda de aftosa no México. “Os acusados foram os bois de tourada que tinham vindo da Espanha naquela mesma época. Mesmo assim, o Brasil

tomou

providências:

enviou

vacinas

e

veterinários ao México. E tudo acabou bem”, Mário finaliza a história.

No ano de 1965, acreditando na força do zebu, Mário funda, juntamente com representantes da Venezuela, México, Colômbia e Estados Unidos, a Confederação Inter-Americana de Ganaderos (Ciaga). A entidade vinha para integrar a América na difusão e melhoramento de rebanho através de aprimoramento da área zootécnica. Um ano antes de falecer, a revista Veja de 11 de abril de 1973 afirma que o pecuarista era dono do maior plantel de gado nelore do Brasil (4.000 vacas registradas). Porém, nem todos os bovinos estavam contabilizados nestes números, por não terem registro. “Um animal, para ter

54


registro, precisa ser bom, ter raça definida”, confidencia Mário Cruvinel. O julgador também atuou como diretor do registro genealógico e relembra de uma ocasião em que foi pessoalmente registrar bois para o Mário Franco. Na época, Franco tinha se desentendido com alguns técnicos do registro. Eles tinham ido a uma

de

suas

propriedades

para

lavrar

os

documentos, mas por não registrarem tantos animais quanto ele esperava, o pecuarista teria discutido com os técnicos. A atitude deles foi virar as costas e ir embora sem fazer registro algum. Chateado com o acontecido, Franco foi atrás do xará, que se propôs a ir pessoalmente fazer os registros, com uma condição: - Se você quiser fazer um acordo comigo, eu vou registrar o gado, mas com um compromisso. Você não vai aparecer no curral enquanto eu faço meu trabalho. Franco topou.

No

dia seguinte,

Mário

Cruvinel vai então ao curral e começa a avaliar o 55


gado. O animal escolhido é amarrado enquanto o marcador de ferro é aquecido. Quando o marcador toma uma tonalidade vermelho reluzente é retirado do carvão que o aquece. Em contato com o couro do animal, o marcador em chamas produz uma fumaça que sobe alto e o boi dá um mugido. O processo se repete número por número até completar a numeração daquele animal. Se tiver três dígitos, o animal é carimbado três vezes. Mário Cruvinel,

com

auxílio

de

outros

homens, desempenhava o trabalho, quando Mário aparece na porta da casa da fazenda com um copo de uísque na mão. Vai até o curral dar uma espiada no trabalho e brinca com Mário Cruvinel: - Ihh, mas você tá judiando demais. Após a brincadeira, Franco não dá mais nenhum palpite no trabalho, vira as costas e volta pra casa, cumprindo o combinado. Pouco tempo depois,

Mário

Cruvinel

conclui

o

serviço,

registrando apenas os animais que julgava estarem dentro dos padrões da raça, e vai embora. 56


Capítulo 3

O aviador Uma rua de terra no interior de Minas Gerais. De um lado, um pasto verdinho para a criação de gado. De outro, o campo de aviação de Uberaba. Era final da década de 30, os pássaros cantavam nas

árvores

e

desafiavam

o

ar

em

voos

panorâmicos, enquanto as vacas caminhavam pelo pasto selecionando a grama. O barulho dos animais era um dos poucos sons que se ouvia na fazenda, até que o silêncio era quebrado pelo barulho de um motor. Da

“Chácara

da

Manteiga”,

o

jovem

pecuarista Mário de Almeida Franco avistava entre as nuvens uma máquina de voar. A cena se repetia constantemente. O jovem estava na lida diária com o gado e, de repente, ouvia o urro do motor. Quando podia, Mário parava o trabalho para admirar o pouso daquele avião que se aproximava do campo de aviação.

Quando o avião batia as 57


rodas no solo da pista, se não fosse tempo de chuva, o pecuarista sabia. A poeira levantava alto. A partir desta ocasião, Mário teve os primeiros contatos com a invenção de Santos Dumont. Por sinal, o pai da aviação morou durante muitos anos na cidade natal de Franco, Ribeirão Preto. Mas foi no interior de Minas que o ribeirãopretano alçou voo. Em Uberaba, ele se descobre um entusiasta da aviação que no Brasil ainda mal tinha decolado. “Eu tenho impressão que já era uma coisa nata”, comenta Olésia Adriano sobre essa paixão do marido. O pecuarista tomou gosto pela arte de voar e logo manteve contato com os pilotos e o pessoal do campo de aviação. Entre uma conversa e outra, adquire o primeiro avião e resolve aprender a pilotar. Tarefa difícil naqueles tempos. Uberaba ainda não contava com uma escola de aviação, mas Franco já desejava que a cidade dispusesse desta instituição de ensino. No ano de 1938, 58


juntamente

com

pessoas

interessadas

pelo

progresso aeronáutico na região, Mário Franco incentivou a fundação do Aeroclube de Uberaba. No dia 31 de outubro daquele ano o desejo dele foi concretizado. Quando o aeroclube local abriu as portas, o país contava com cerca de 50 escolas neste ramo. Existia praticamente um aeroclube por Estado, com exceção do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, que tinham três ou quatro. Dois anos depois, surge a “Campanha Nacional da Aviação”, por iniciativa de Assis Chateaubriand e do ministro da Aeronáutica, Joaquim

Pedro

Salgado

Filho.

A

campanha

consistia em doar aviões de porte médio e pequeno para aeroclubes de todo território brasileiro. A iniciativa fez com que o número de instituições deste caráter engordasse, com a fundação de 300 escolas de aviação. Na ocasião, o aeroclube da cidade chegou a receber aviões desta campanha.

59


Mário Franco está entre os fundadores do Aeroclube de Uberaba e também foi um dos primeiros presidentes que a instituição teve. Ele participou do quadro diretor por mais de uma vez. Chegou a ser presidente e vice-presidente da escola de aviação. Nesta instituição, também tirou o brevê (habilitação para pilotar).

Antes mesmo de conseguir a carteira para pilotar, Franco já desafiava o ar em um pequeno avião. Durante o curso de pilotagem, o jovem se dirigia todas as tardes até o aeroclube. Para os primeiros passos, levava um caderno e, enquanto observava as explicações do professor, ele e os futuros pilotos da turma faziam anotações do curso teórico. Passada esta fase, chegaram as aulas práticas. Antes de entrar no avião de instrução, o aluno e o professor checam as condições externas da aeronave. Só após esse procedimento, podem entrar no avião. Mário, como aluno, vai no banco da 60


frente, enquanto o instrutor fica no banco traseiro. Eles verificam todos os instrumentos do painel do avião. O próximo passo é ligar a aeronave, conduzila até uma das laterais do campo de aviação, adquirir velocidade e decolar. Já no alto, Mário treina tudo que deve fazer no ar e retorna para o campo de Uberaba. Nos próximos dias, ele repete nas aulas os mesmos passos até o momento da prova que o habilita como aviador. O jornal vespertino Lavoura e Comércio prontificou-se a parabenizar o novo aviador na edição do dia 15 de outubro de 1942. “Entre os moços que conseguiram o „brevet‟ de aviador pelo Aero Clube de Uberaba, nas últimas provas aqui realizadas, encontra-se o Sr. Mario de Almeida Franco, grande industrial, criador e proprietário em Uberaba. O

brevetamento do evoluído moço

merece destaque não só pelas suas marcantes qualidades pessoais, mas muito especialmente

61


pelos assinalados serviços que prestou e ainda vem prestando ao Aero Clube de nossa terra.” Embora o jornal tenha trazido esta notícia em 1942, o site da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária)

expõe

que Mário

Franco habilitou-se em 1938. A esposa, Olésia Adriano, lembra-se que antes de se casarem, em 1939, ele já frequentava o aeroclube. Apesar de dizer que não é muito boa em guardar datas, ela fornece a mesma informação que a Infraero quanto ao ano em que Mário teria retirado o brevê. O

jovem

aviador

buscava

aperfeiçoar

sempre os conhecimentos como piloto. Ao receber a habilitação para voar, Mário já contava com cerca de quatrocentas horas de voo. Grande parte destas horas o piloto adquiriu no avião particular. A mesma matéria do extinto jornal fala da pista de pouso que ele tinha na chácara Bela Vista, próximo à rotatória do Parque de Exposição Fernando Costa. “Aficionado da aviação, construiu em sua fazenda um moderno campo de aterrissagem, e á 62


sua propaganda e ao seu trabalho se deve o motivo de muitos dos nossos homens de negócio e pecuaristas possuírem, também, as suas pistas para aviões, o que constitui um grande passo para o progresso da aeronáutica em nossa região.”

Com o brevê em mãos, quando o piloto volta do primeiro voo solo é tradição no meio aeronáutico ser recepcionado com um generoso banho de óleo de motor. O piloto Felipe Walter Manzi conquistou o brevê em 1972 e relembra do acontecido que ficou registrado através de fotografias em preto e branco. Assim que o avião pousa próximo ao aeroclube, o piloto é recebido por companheiros que o aguardavam já preparados para o banho. Os colegas o retiram do avião, tiram a roupa dele, deixando apenas a sunga, e o carregam para dentro de uma grande forma. Um dos colegas traz um balde de 20 litros cheio de óleo negro e despeja todo conteúdo na cabeça de Manzi. O líquido

63


escorre pelo corpo até os chegar aos pés e ser aparado pela forma. Com o corpo engordurado, o piloto posa para fotos com os companheiros. Após o ritual, alguns colegas o ajudam a retirar o excesso do óleo com auxílio de estopa e querosene. O restante do produto só mesmo com um bom banho de água e sabão. Manzi acredita que o Mário Franco tenha passado por situação parecida, pois quando ele tirou o brevê o banho de óleo já era tradição antiga. Em 2011, na cidade de Uberaba os formandos no aeroclube ainda são “batizados” com óleo. Mas há cidades em que o banho é só com água e há ainda outros locais onde se utiliza barro como matériaprima da divertida recepção ao novo piloto.

64


Fotos: Arquivo pessoal piloto Manzi

O piloto Manzi é recebido com um generoso banho de óleo ao retornar do primeiro voo solo

No dia 15 de janeiro de 1943, em uma reunião que teve início às 19 horas, Franco foi empossado como vice pelo presidente reeleito, capitão Cristovam Lima. O presidente era eleito por sócios do clube e cabia a ele escolher os membros da diretoria. O consultor do Aeroclube, José Mendonça, deu início à cerimônia. Mendonça discorreu sobre a atuação do militar no mandato anterior frente à 65


instituição aeronáutica. Como resposta, Cristovam Lima subiu ao palco do auditório em que se encontravam, empossou o quadro diretor e expôs o plano para a gestão. Na opinião do jornal Lavoura e Comércio, “um dos fatos mais importantes da reunião de ontem foi sem dúvida a inscrição dos dez candidatos às bolsas gratuitas de piloto que cada aero clube do Brasil está habilitado a dar”.

Paixão por aviação Desde que entrou em contato com a aviação, Mário não deixou de ter um avião particular. Ele mantinha paralelamente a paixão por aviação com os negócios. Além de cuidar do rebanho, o pecuarista investiu o dinheiro em aquisição de propriedades. No final da década de 30, Franco ainda fazia negócios de venda de gado com o invernista, Antonio de Moura Andrade. Ele era representante 66


da empresa norte-americana Stinson no Brasil. O invernista acabou convencendo o aviador a trocar o avião por um Stinson 105. Mário guardava a aeronave na Chácara Bela Vista. Nesta propriedade, ele mantinha criação de gado e reservou uma área onde construiu dois hangares e também uma pista de aterrissagem. No ano de 1940, inovou ao comprar uma fazenda beira-rio em Conceição das Alagoas. Enquanto outros pecuaristas compravam fazendas próximas à cidade, ele resolveu expandir as propriedades na beira do rio Grande e adquiriu a Fazenda Boa Sorte. Tratou logo de fazer um campo de pouso na fazenda

e,

sempre

que

precisava

visitar

a

propriedade, ele retirava o Stinson do hangar e alçava voo. O aviador tinha o costume de percorrer a fazenda de avião. Do alto, ele observava o contraste entre o verde dos pastos com o azul vivo do

rio

Grande.

Ele

percorria

também

as

propriedades que ficavam no outro lado da margem 67


do rio. O pecuarista sempre admirava estas fazendas que eram de Edmundo Arantes. Ele ficou conhecendo as propriedades por outra perspectiva, que nem o dono conhecia. De cima para baixo avistava de forma panorâmica a casa da fazenda, o curral, o gado, o rio, tinha ideia da extensão das terras e, inclusive, notava os níveis do solo. Mário conhecia o vizinho e um dia, ao desembarcar na Boa Sorte, resolveu visitá-lo. O aviador foi convidado a entrar e, entre um assunto e outro, surge o tema aviação e Edmundo faz uma pergunta: - É você quem anda percorrendo as minhas fazendas de avião? - É...Sou eu sim, responde Mário. - Já faz um tempo que venho observando que passa o mesmo avião sobrevoando baixo as minhas propriedades. Outro dia notei que pousou na outra margem do rio.

68


Edmundo

matutou

pra

lembrar

quem

poderia ser e só naquela ocasião teve oportunidade de descobrir. Os dois riem e Mário, convicto, faz uma afirmação: - Tem uma coisa. Se algum dia o senhor tiver a intenção de vender as

fazendas

eu sou

candidato. Me avise que fazemos negócio. Algum tempo se passou, vieram outros encontros até que, em 1942, Franco conseguiu adquirir de Edmundo Arantes as fazendas Paraíso, Cana-Brava e Água Limpa, todas juntas. Ele continuou a sobrevoar aquela região, mas sabia que agora admirava suas próprias terras. A aquisição de propriedades não parou por aí. Em 1945, grande feito para Franco foi comprar a Fazenda São Geraldo, que se tornou a menina dos seus

olhos.

recepcionou

Nesta pessoas

fazenda, ilustres:

o

pecuarista presidentes,

ministros, governadores, embaixadores... Ainda em 2011, a família torna real um slogan da época do Mário Franco: “Vir a Uberaba e não conhecer a 69


Fazenda São Geraldo é o mesmo que ir ao Vaticano e não ver o papa”. Já

posteriormente

à

aquisição

das

propriedades, quando sobrevoava a cidade de Uberaba, o aviador notou que a cidade vinha se aproximando

do

parque

de

exposições

e,

consequentemente, de suas terras. Aproveitando a oportunidade, logo se empenhou em vender lotes. O primeiro loteamento organizado por Mário Franco transformou a “Chácara da Manteiga” em Vila Santa Maria. A princípio, o loteamento era distante dos bairros da cidade e separado pelo córrego da avenida Santa Beatriz. Mário não teve dúvida: precisava ligar o loteamento na cidade. Ele solucionou o problema com a construção de uma ponte que ligava o loteamento às propriedades de Lamartine Rosa, que tinha acesso às casas já existentes na cidade.

70


Para conseguir compradores, Franco utilizou uma ferramenta que já dominava: a propaganda. Ele anunciava nos jornais locais a venda de terrenos na vila Santa Maria à vista ou parcelada em até 40 vezes.

Em 1947, Mário Franco foi candidato a vereador de Uberaba pelo

PTB

Trabalhista

(Partido Brasileiro).

A vitória do partido foi massacrante.

Os

correligionários

elegeram

o

prefeito Boulanger Pucci e ainda levaram para a Câmara de Vereadores oito, dos 15 vereadores eleitos no ano. Entre eles estava Mário de Almeida Franco. Entre 1947 e 1950, Jerônimo Coimbra Bueno, então governador de Goiás, comprou um avião de propriedade do político italiano Benito Mussolini, figura chave para a criação do fascismo 71


italiano, que era uma doutrina totalitária. O governador conhecia Mário Franco, sabia da paixão por aviação e propôs um negócio a ele. Por telefone, fez o primeiro contato com o pecuarista, que viajou prontamente para Goiânia para resolver a negociação. Ao desembarcar no Estado de Goiás, Jerônimo tratou de levá-lo para ver o avião. Mário fez um giro em volta da máquina voadora para analisar a lataria. Em seguida, ele entrou no avião e verificou a cabine e os assentos. Era um avião de porte que necessitava de piloto e co-piloto. O governador aguardou a vistoria feita pelo aviador, que se demonstrou interessado pela aeronave, mas só depois começou a negociação. - Eu estou querendo melhorar a pecuária aqui de Goiás e preciso de touros reprodutores. Conheço os animais que você lida e tenho interesse em negociar o avião em troca de alguns tourinhos. – expõe Jerônimo.

72


Mário questiona quantos animais seriam necessários para pagar o avião. O governador lança uma quantidade. Mário negocia e acabam confirmando

a

troca.

Com

a

negociação

confirmada, Mário Franco contrata um piloto norteamericano para trazer o avião do Estado de Goiás até Uberaba. O piloto morou um tempo na cidade mineira para comandar o avião, mas logo resolveu ir embora. Mário procurou outros pilotos, mas como era um avião grande, necessitava de tripulantes experientes e era difícil arrumar gente qualificada aqui na região. “O Mário não ficou muito tempo com esse avião e já resolveu passar pra frente. Ficou um negócio dispendioso”, relembra a viúva do aviador. O norte-americano não foi o único piloto que Mário contratou para fazer voos para ele. Com o passar dos anos, o pecuarista-aviador ficou com receio de pilotar sozinho e arrumou novatos que precisavam aumentar horas de voo para pilotar os 73


aviões dele. Franco chegou a pagar o curso de pilotagem para alguns rapazes que não tinham condições financeiras e depois, em troca, o jovem piloto fazia alguns voos para ele.

Seguindo a linha do pai, o filho mais velho, Mário Fernando Adriano Franco, também retirou brevê

e

desbravou

os

céus,

até

mesmo

estrangeiros. Em certa ocasião, viajou com um piloto da família para os Estados Unidos. Mário Franco havia enviado o filho na fábrica da “Cessna Aircraft Company” para buscar um avião Cessna 210. O avião tem asas altas e comporta seis passageiros com o piloto. Os dois brasileiros chegaram à cidade de Wichita, no Kansas, e foram até a fábrica comprar o avião. Com o negócio fechado, decolaram rumo ao Brasil. Mário Fernando veio pilotando a aeronave novinha em companhia de Vadinho, que era piloto também.

74


Pelas janelas do monomotor puderam ver várias cidades, fazendas, rios e até mesmo o oceano

Atlântico.

Algumas

horas

depois,

desembarcaram em Uberaba e Mário Franco pôde apreciar a mais nova aquisição.

Aeroporto de Uberaba A história do aeroporto de Uberaba começa a ser escrita ainda na década de 30, antes mesmo de Mário Franco mudar-se definitivamente para a cidade. Guilherme de Oliveira Ferreira estava à frente da prefeitura naquela época. Tudo começou no mandato deste homem que batiza uma das principais avenidas do município. Em 1932, o prefeito tratou de arrumar equipamentos e mão-deobra para terraplanar o local onde foi instalado o campo de aviação. Depois de suados meses de empenho, os peões de obra conseguem deixar a terra do local plana. O lugar para pouso de pequenos aviões 75


estava pronto, mas se manteve deserto por um tempo. Em quatro de novembro de 1933, ocorre a fundação da Vasp (Viação Aérea de São Paulo). Guilherme

Ferreira

toma

conhecimento

da

existência da nova companhia e solicita que ela venha operar voos em Uberaba. No mesmo ano, a empresa

paulista

envia

um

comunicado

confirmando ao prefeito que acataria ao pedido. No mesmo ano que Mário Franco retorna ao solo mineiro, os habitantes da pequena cidade interiorana veem o início das atividades do campo de aviação. Em abril de 1934, cerca de 100 pessoas

entre homens, mulheres

e crianças

aguardam ansiosas o primeiro pouso do bimotor “Monospar”, de quatro lugares, da Vasp. Senhoras de vestidos ou saias longas na altura da canela e sapatinhos de salto baixo, homens de terno e gravata, na maioria, borboleta, e crianças

que

também

trajam

roupa

social

esperavam no local, quando vislumbram entre as nuvens a aeronave se aproximar da pista de pouso. 76


Com o pequeno avião em solo uberabense, a multidão se posiciona na frente dele e ocupa toda a extensão das asas, de ponta a ponta da aeronave. A lente de uma máquina fotográfica imortaliza o dia em que a Vasp inicia a operação de uma linha aérea entre Uberaba e São Paulo, com escala em Ribeirão Preto, três vezes por semana. Foto: Arquivo Público

Primeiro voo da Vasp em Uberaba

Em 23 de maio de 1935, o local de pousos e decolagens recebe o nome de “Campo de Aviação Santos Dumont”, de acordo com o Decreto Municipal

660.

No

mês

seguinte,

foi 77


providenciada a inauguração do aeródromo, do hangar e do bar, recém-construídos pela prefeitura. O jornal Gazeta de Uberaba do dia 16 de junho de 1935 anunciou o acontecimento. Às dez horas da manhã, “representantes do governo do Estado, das autoridades locais, da Imprensa e dos diretores da <<Vasp>> e comandante da aviação militar” viram a bênção do ambiente pelo frei Dom Luís Maria de Santana. No dia da inauguração, além da bênção, as pessoas presentes saborearam churrasco de vitela e assistiram a uma partida de voleibol das moças estudantes da Escola Normal. Mais tarde, eles viram

no céu

um show

proporcionado pela

esquadrilha comandada pelo coronel Eduardo Gomes. Durante o evento, os ouvidos ainda puderam apreciar melodias de uma orquestra local e também da banda do 4º B.C. (atual Batalhão de Polícia Militar).

78


Foto: Arquivo do Aeroporto de Uberaba

Hangar inaugurado em 1935 no campo de Aviação de Uberaba

Apenas dois anos após a inauguração, o hangar, construído em madeira, com telha de zinco, não resistiu a uma forte ventania que passou por Uberaba em 1937 e danificou a construção, reparada no mesmo ano. Em 1940, foi a vez de o aeroporto passar pela primeira reforma. “Esse aeroporto nosso aqui já foi mexido, renovado mais de 10 vezes. Cada época, mexem em alguma coisa na estação. Na pista, não mexem. O que precisava fazer de melhoramento na pista, 79


não fazem”, protesta o piloto Felipe Walter Manzi. Depois de uma breve pausa, reflete melhor e reconsidera, explicando, com termos técnicos, que a ampliação da pista já não é mais possível porque a cidade cresceu em volta dela. No começo da década de 40, a cidade contava com três linhas aéreas e viu a chegada da quarta. A companhia “Linhas Aéreas Paulistas” tinha sido recém-criada e pediu apoio para operar em Uberaba. Neste período, o transporte aéreo era tido como símbolo de riqueza. Na cidade mineira, a empresa implantou a principal linha de suas rotas aéreas ligando Uberaba a São Paulo, Uberlândia e Goiânia. “Além de um serviço de taxi-aereo (sic) para serviços rápidos e um serviço de emergência para médicos executados com aviões ambulância”, expõe o Jornal Lavoura e Comércio de 4 de dezembro de 1944. O

periódico daquela edição chegou

a

enumerar alguns pecuaristas que apoiaram a chegada da nova companhia. Entre os nomes da 80


lista está Mário de Almeida Franco. Referindo-se a todas as pessoas citadas, o jornal interpreta que elas ofereceram “mostras de sua larga visão, deram inteiro apoio a esse momentoso empreendimento, colaborando assim, para o desenvolvimento da aviação comercial em nossa pátria”. No início da década de 50, vários homens são designados para atuar em uma construção no aeródromo de Uberaba. Com a área definida, fazem o alicerce e levantam as paredes com tijolos deixando, em todo entorno do prédio, espaços para inúmeras pequeninas janelinhas. Os tijolos ganham um acabamento com uma mistura de areia, água e cimento. Por fim, a parede lisa recebe uma mão de tinta branca. Nas portas de vidro da entrada, quatro pilares em forma de V sustentam uma cobertura e dão o tom da arquitetura empregada. Desta construção nasce o terminal de passageiros que mantém a mesma base até os dias atuais. No ano de 1958, o então prefeito da cidade, Artur de Mello 81


Teixeira, doou o campo de aviação para o Ministério da Aeronáutica. Foto: Arquivo Aeroporto de Uberaba

Vista externa do aeroporto na década de 50, com o prédio principal recém-construído

Ainda na década de 50, Mário Franco viu a Fazenda São Geraldo ser dividida pela BR 050. Com a separação das terras, Mário resolve lotear uma das partes para construção do bairro Parque das Américas. O bairro foi inaugurado na abertura da exposição de gado em maio de 1959, pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek. A Fazenda São Geraldo fazia divisa com o campo de aviação que possuía uma pista pequena 82


que não comportava pouso de aeronaves de grande porte. A paixão por aviação motivou Franco a doar um pedaço de suas terras para que a pista de pouso fosse aumentada, proporcionado assim o acesso de aviões grandes à cidade. Com

uma

área

maior,

terminal

de

passageiros e uma pista ampliada e recémpavimentada, em novembro de 1959, o campo de pousos foi elevado a aeroporto e passou a designar-se “Aeroporto Santos Dumont”.

A história do aeroporto de Uberaba é escrita com altos e baixos. Na década de 60, no período do governo militar, a população viu o auge da aviação local. Em 1960, a cidade tinha exatos 87.833 habitantes e todo dia alguns aviões desciam em solo uberabense. Diversas empresas aéreas atuavam

na

cidade.

“Eu

me

lembro...

As

companhias que operavam aqui que eram a Vasp, a Varig, a Real, as Aerovias Brasil, a Cruzeiro, a Votec e a Panair...”, rememora o piloto Manzi. 83


Já em 13 de junho de 1980, o prefeito Silvério Cartafina Filho decretou a Lei Municipal nº 3006 determinando que o aeroporto de Uberaba passasse a se chamar “Mário de Almeida Franco”. A

justificativa

veio

no

artigo

primeiro:

“em

homenagem à memória desse cidadão que, em vida, prestou relevantes serviços ao Município”. No mesmo ano, o aeroporto deixa de ser administrado pelo DAC (Departamento da Aviação Civil)

e

a

Infraero

(Empresa

Brasileira

de

Infraestrutura Aeroportuária) assume o comando. A empresa trata de modernizar o sistema operacional, administrativo e de segurança. Entre outras coisas, instala a torre de controle, o sistema de navegação aérea e um farol rotativo e modifica o terminal de passageiros. No ano de 2007, passa a ser oficial o nome já adotado pela Prefeitura Municipal para o aeroporto. “O nome de um aeroporto só pode ser dado pelo governo federal. Então não adianta, por exemplo, a Câmara aprovar o nome porque o 84


aeroporto é federal, no caso do aeroporto de Uberaba”,

esclarece

o

sargento

aeronáutico

Eustáquio Rocha. Em setembro de 2007, o vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, assinou a papelada validando o Projeto de Lei nº 5.847, de 2005, de autoria do deputado Aelton Freitas. O Jornal da Manhã, de 28 de setembro de 2007, explica as exigências para determinar o nome de um aeroporto. “De acordo com a lei 1.909, de 21 de julho de 1953, que dispõe sobre a denominação dos aeroportos e aeródromos nacionais, „os aeroportos brasileiros terão em geral a denominação das próprias cidades, vilas ou povoados em que se encontrem‟. A lei abre uma brecha, entretanto. Diz que, „sempre mediante lei especial para cada caso, poderá um aeroporto ou um aeródromo ter a designação de um nome de brasileiro que tenha prestado relevante serviço à causa da aviação‟.”

85


A movimentação intensa no saguão do aeroporto se manteve por alguns anos, mas reduziu muito. Com o passar dos tempos, as companhias foram largando de operar voos em Uberaba. De 2007 a 2010, três companhias aéreas deixaram de atuar na cidade. A Air Minas e a Pantanal faziam a linha entre Uberaba e Guarulhos e a Ocean Air decolava rumo à capital paulista. “O poder público não tem condições de obrigar uma empresa particular de operar aqui. As companhias

aéreas

que

fazem

pesquisa

de

mercado e manifestam interesse em atuar em determinada cidade”, confessa o superintendente do aeroporto de Uberaba, João Itacir Freitas. Em 2011, a cidade, com aproximadamente 300 mil habitantes, conta com operação de apenas duas companhias aéreas: a Azul e a Trip. A Azul começou as atividades em abril deste ano. Estas empresas

disponibilizam

Araguaína,

Araxá,

voos

diretos

Belo Horizonte,

para

Campinas,

86


Brasília e Uberlândia e faz conexões para mais 91 destinos. “O

que

faz

o

aeroporto

desenvolver,

necessariamente, é o desenvolvimento da cidade”, pondera Itacir. Deste modo, as empresas aéreas escolhem as cidades que vão operar visando tão somente o lucro e ultimamente a aviação da cidade acaba não decolando.

87


Capítulo 4

Nome permanente na história de Uberaba Desde a chegada em Minas Gerais, Mário Franco escreveu seu nome na história de Uberaba. Ele não limitou suas atividades e interesses apenas às

suas

propriedades.

Como

homem

empreendedor que era, promoveu loteamentos dos bairros Santa Maria, Parque das Américas e também em Delta. Foi nome presente na fundação do Aeroclube de Uberaba, do centro Espírita Vicente de Paulo, do Instituto de Cegos do Brasil Central, do Uberaba Tênis Clube e do Uberaba Country Clube. Mário

Franco

também

foi

um

dos

responsáveis pela vinda do médium Chico Xavier para Uberaba. O pecuarista e o espírita se conheceram na cidade mineira de Pedro Leopoldo. Chico Xavier trabalhava na “Fazenda Modelo”, de propriedade do Ministério da Agricultura. Em uma exposição de gado, o médium ficou encarregado de 88


levar os animais para a balança e tomar nota do peso. Por intermédio do administrador da “Fazenda Modelo”, Rômulo Joviano, Mário foi apresentado a Chico Xavier. O pecuarista tinha admiração pelo líder espírita. No ano de 1959, Chico foi aposentado por invalidez, devido a uma doença nos olhos que não tinha cura. Nesta ocasião, ele muda para Uberaba e é apoiado por Mário Franco. O espírita não aceitava ajuda em dinheiro, mas “aqui o Mário ajudava o Chico com o que podia. Deu terrenos, ajudou a construiu casa. E o Chico foi uma grande pessoa aqui em Uberaba”, afirma Olésia Adriano.

O primeiro agradecimento pelo trabalho desenvolvido pelo “uberabense de coração” veio do Exterior, através de uma condecoração. Em 1966, dezoito anos após a primeira exportação de gado para a Venezuela, o presidente da república do país, Raúl Leoni Otero (1964 – 1969), homenageou

89


Franco com a Condecoração da Ordem Francisco de Miranda.

Fac-símile do certificado recebido por Franco na Venezuela

90


O militar venezuelano Francisco de Miranda lutou pela independência das colônias espanholas na América Latina, isso nos anos iniciais do século XIX. No começo do século seguinte, em 1934, a Venezuela criou uma medalha com o nome dele e, cinco anos depois, a comenda foi elaborada para reconhecer

serviços

prestados

à ciência,

ao

progresso do país e também para agradecer por méritos pendentes junto à nação venezuelana. Mário Franco recebeu essa condecoração, e o certificado conferido a ele, em 23 de março de 1966, foi exposto pela família na sala principal da Fazenda São Geraldo. Na sede da casa, há duas salas revestidas por vitrines onde se encontram centenas de taças, troféus

e medalhas

que

representam décadas de dedicação à pecuária. No “Palácio de Miraflores”, em Caracas, capital do país, Franco recebeu uma placa de oitenta milímetros de diâmetro, em forma de estrela, juntamente com o certificado. A placa é levemente arredondada, convexa, formada por 48 91


raios em linha reta. Oito pontas são maiores e separam raios que são proporcionalmente menores entre si. No centro da estrela, um círculo prata com 30 milímetros de diâmetro e, dentro deste círculo, há outro em cor vermelha que apresenta, com letras douradas, a inscrição “Francisco de Miranda”. Para cada categoria da condecoração há uma

forma

de

ostentação.

O

brasileiro,

na

cerimônia, assumiu a placa pendurada ao pescoço, com uma fita amarela de dois centímetros de largura.

No ano de 1971, um susto para familiares e amigos do pecuarista-aviador: ele adoece. O coração não era mais o mesmo. Mário Franco chegou a ter derrame e foi necessária uma ponte de safena. “Ele fez quatro safenas. Não obedecia muito o que

era necessário. Ele

era meio

extravagante, mas ficou meio desanimado e muito triste. Não gostava de andar mais devido à

92


preocupação com a saúde. Ele ainda viveu um ano e 10 meses”, relembra Olésia Adriano. Certa vez, após o pecuarista se submeter à última cirurgia, ele estava com a esposa na Fazenda São Geraldo. Os dois conversavam e balançavam juntos em um banco de madeira na varanda. Entre uma palavra e outra trocada pelo casal, um peão solta o gado guzerá do curral. Os animais passam em frente à casa, enquanto Mário se levanta e caminha para próximo da escada que dá acesso ao local onde estavam os animais da raça mais apreciada pelo criador. Olésia também se levanta e aproxima-se do marido, que vira para a esposa e lamenta: - Pois é, Olésia. Depois que eu consegui o que eu queria estou neste estado. - Que estado? – questiona Olésia. - Eu não vou longe. Você sabe disso. - Ora, Mário, que bobagem. Eu posso ir primeiro que você. Isso de idade não tem importância. 93


Mário fica pensativo, dá mais uma olhada no gado e se dirige novamente à esposa, com um pedido: - Se eu falecer fora de Uberaba, você me traz pra sepultar aqui? - Mário, você está se sentindo assim, mas eu posso ir primeiro. Agora, só tem uma coisa: se eu morrer aqui, você me leva pro Rio de Janeiro? Eu quero ser sepultada no cemitério São João Batista, mas você me põe lá na úúúúltima gaveta do muro que eu quero ver aquele movimentão da cidade. – brinca a esposa para descontrair e tentar animá-lo. Olésia consegue então arrancar um sorriso e um comentário do pecuarista: - Mas você é muito vaidosa, hein? Olésia

responde

com

um

sorriso

de

cumplicidade.

Franco estava com 64 anos de idade quando teve uma trombose. O pecuarista-aviador estava na Fazenda São Geraldo e os familiares o levaram 94


para se tratar no Rio de Janeiro. Ele foi entregue aos cuidados do Dr. Magalhães Gomes. “Fizemos de tudo, mas não teve jeito. Daí 15 dias ele faleceu”, lamenta a viúva. No dia 09 de julho de 1974, Mário morre no Rio de Janeiro. Olésia Adriano atende ao pedido do ribeirão-pretano e traz o corpo para ser sepultado em Uberaba, cidade em que ele fez a vida e contribuiu para o desenvolvimento local.

Após a morte, vieram as homenagens. A primeira partiu dos familiares. O precursor da família Franco era do signo de leão e admirava o grande felino. No Palácio de Monroe, no Rio de Janeiro, dois leões em mármore enfeitavam a escadaria do monumento. Mário, quando ia ao Rio, sempre passava em frente ao palácio e parava para admirar os leões. Franco sonhava em ter aqueles leões na escadaria da casa da Fazenda São Geraldo. Em 1976, dois anos após sua morte, os filhos ficaram 95


sabendo que o palácio seria demolido. O filho Luiz Carlos foi com a mãe para arrematar as esculturas de sete toneladas cada uma e trazer para Uberaba. A partir daquele ano, quem chega à casa da Fazenda São Geraldo é saudado primeiramente pelos dois animais no pé da escadaria, um de cada lado dos degraus.

Palácio de Monroe - Rio - demolido em 1976

A retirada dos leões do palácio foi registrado pelas lentes do “O Globo”

96


Foto: Iara Rodrigues

Leões em sua nova moradia, na entrada da casa da Fazenda São Geraldo, em Uberaba

A Comenda Em vida, Mário de Almeida Franco foi à Venezuela receber uma condecoração que levava o nome de Francisco de Miranda. Décadas após da morte do pecuarista, da mesma forma que ocorreu com Francisco de Miranda, o nome de Franco foi empregado em uma comenda que homenageia pessoas físicas e jurídicas que se destacam no 97


município de Uberaba. A comenda abrange quatro segmentos: agrário ou pecuário, industrial ou comercial, social ou de valores humanos e político ou diplomático. A Comenda Mário de Almeida Franco foi instituída pelo ex-vereador Noé Maia, de acordo com a Resolução Municipal 1.864, de 24 de maio de 2002. Desde então, anualmente é realizada solenidade para confiar a honraria a personalidades que se destacaram em algum dos segmentos da condecoração. Na noite da outorga, o presidente da câmara sobe ao palco do auditório e, após um discurso, entrega um certificado e uma medalha de bronze, com

seis

centímetros

de

diâmetro,

ao

homenageado. A peça leva estampado o rosto de Mário Franco no centro e, ao redor da reprodução, lê-se: “Câmara Municipal de Uberaba – Comenda Mário de Almeida Franco”. A medalha fica presa a uma fita verde com três centímetros e meio de largura em tecido de 98


seda. Com a placa pendurada no pescoço, aquele que recebe a homenagem faz o discurso de agradecimento, enquanto são disparados vários flashes. Depois, vem a pose para a foto principal, com o certificado em mãos, junto ao presidente da Câmara Municipal. A honraria concede há dez anos o título de comendador a pessoas de alguns segmentos, entre eles, políticos, advogados, pecuaristas, policiais, secretários,

religiosos,

integram

lista

a

escritores...

fundações,

Também

cooperativas

e

empresas privadas.

Homenagem na entrada do saguão Após o aeroporto passar a ter oficialmente o nome do pecuarista-aviador, a Infraero fez uma reforma na estação aeroportuária. Eles colocaram uma cobertura lateral em vidro azul, entre a rua que dá acesso ao saguão e o gramado em frente à entrada. Na grama, foi colocada uma placa vertical 99


cinza claro, de base retangular e ponta em forma de triângulo retângulo. Na forma geométrica está escrito verticalmente com letras azuis “Aeroporto de Uberaba – MG Mário de Almeida Franco”, dividido em

duas

linhas.

Na

parte

triangular

ficam

estampados o símbolo e o nome da empresa que administra o aeroporto. Foto: Arquivo Aeroporto de Uberaba

Após várias reformas, esta é a nova fachada do Aeroporto de Uberaba – Mário de Almeida Franco

Neste cenário, na tarde do dia 10 de setembro de 2010, a Infraero promoveu uma cerimônia para homenagear Mário Franco por meio 100


da arte. O evento ocorreu entre a cobertura lateral e a entrada do saguão. A empresa impediu o tráfego de veículos na rua coberta que dá acesso ao terminal

de

passageiros.

Na

pista,

onde

normalmente trafegam veículos para embarque e desembarque, foram colocadas cadeiras para os convidados e o passeio foi feito de palco, onde também ficaram os familiares. O evento contou com a presença da viúva do homenageado,

Olésia

Adriano;

dos

filhos,

Aparecida Helena, Dulce Helena, Mário Fernando e Mário Júnior; de funcionários da Infraero, de autoridades políticas, de pilotos, de sargentos aeronáuticos e também de alguns populares. O aeroporto tem quatro portas de vidro que dão acesso ao saguão. Entre elas, um pano cobria uma peça que seria inaugurada após alguns discursos em homenagem a Mário Franco. O superintendente do aeroporto de Uberaba, João Itacir Freitas, focou seu discurso no impulso que um

101


aeroporto dá para uma cidade e enalteceu a figura que dá nome ao aeroporto. O prefeito em exercício, Paulo Mesquita, agradeceu

aos

familiares

a

contribuição

do

pecuarista para a cidade. Dulce Franco retribuiu o agradecimento rapidamente e solicitou que o advogado Marco Antônio de Figueiredo falasse em nome da família. O advogado comentou o acontecimento em artigo publicado pelo Jornal da Manhã do dia 13 de setembro

de

2010.

“(...)

foi confirmado

por

unanimidade nos discursos e pronunciamentos proferidos, que Mário de Almeida Franco sempre foi um empreendedor, um reformador e revolucionário em suas ideias para a época em que viveu, realizando

mudanças

fundamentais

no

setor

aeronáutico, social e empresarial, com destaque à agropecuária, buscando criar mudanças sistêmicas e melhorias saudáveis.” Após os discursos, Olésia foi convidada a retirar o pano que cobria a peça e as pessoas 102


presentes puderam ver o busto de Mário Franco confeccionado em bronze para homenagear o pecuarista-aviador. A partir daquele dia, a obra artística fica exposta na entrada do saguão. Quem embarca ou desembarca no aeroporto de Uberaba é saudado pelo patrono da aviação local. Na mesma

ocasião,

a

Infraero

oportunidade para realizar

aproveitou

a

a primeira mostra

fotográfica do aeroporto.

A sala virtual A homenagem mais recente prestada ao pecuarista foi a atribuição de seu nome à primeira sala do museu virtual da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A sala “Mário de Almeida Franco” foi inaugurada no dia 28 de abril de 2011 no Parque de Exposição Fernando Costa. O ambiente virtual traz a história de todas as exposições realizadas em Uberaba desde 1911. A

103


narrativa foi montada por intermédio de fotografias, atas e jornais e revistas históricos. “O nome de Mário Franco foi escolhido por unanimidade pela diretoria da ABCZ por sua, incontestável,

importância

para

a

pecuária

brasileira. Quando lançamos um projeto inovador de preservação de história na região, que objetiva divulgar como foi construída a saga do zebu – que representa hoje mais de 80% do rebanho nacional queremos homenagear quem ajudou a escrever essa história”, conta o coordenador do projeto, Eduardo Milani, superintendente de Tecnologia de Informação da Associação. Terminais de acesso ao ambiente virtual foram instalados em diversos pontos da sede da ABCZ e também no Museu do Zebu, mas o site (www.abcz.org.br/salavirtual) pode ser acessado na íntegra de qualquer parte do mundo. Por intermédio da internet, qualquer pessoa pode navegar na história das 77 exposições de gado “Expozebu” e também conhecer um pouco sobre Mário Franco, 104


que é lembrado pela instituição como “embaixador do zebu”.

Lançamento No

lançamento

da

Sala

Virtual,

que

aconteceu durante a 77ª ExpoZebu, integrantes da família Franco, entre eles Olésia Adriano e os filhos Dulce, Aparecida Helena e Mário Júnior, estiveram presentes e foram homenageados. A cerimônia foi conduzida pelo mestre de cerimônias Eustáquio Rocha. Na ocasião, também foi lançada a 28ª mostra do Museu do Zebu “Edilson Lamartine Mendes”, com o tema “100 anos da primeira exposição oficial de gado Zebu – um século de melhoramento genético”. Na cerimônia,

várias

autoridades estavam presentes, entre elas, o presidente da ABCZ, Eduardo Biagi; o presidente do conselho curador da Fundação Museu do Zebu, professor Hugo Prata; o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, e o vice-prefeito, Luiz Humberto

105


Dutra; representantes da família Franco, Olésia Adriano, entre outros convidados. A fita inaugural da Sala foi removida pela viúva de Mário Franco. Em um recinto do Museu do Zebu, as paredes estavam cobertas por panos pretos, dando destaque apenas para o chamariz do ambiente: um monitor touch screen com o conteúdo da sala virtual “Mário de Almeida Franco”. Foram feitas demonstrações para o público presente de como navegar pela plataforma. As páginas são de fácil navegabilidade. Na parte superior da tela há uma linha do tempo anual. Ao clicar na data desejada, o internauta é levado para a história da exposição daquele ano e tem acesso a fotografias do evento. Na lateral esquerda observam-se alguns botões de navegação, entre eles está a opção “Mário de Almeida Franco”, que transfere

o

internauta

para

a

biografia

do

pecuarista. O texto é exposto em uma única tela, porém, há o auxílio de uma barra de rolagem para 106


visualizar todo o conteúdo. Na parte superior, encontram-se 10 fotos que se sobrepõem ao toque dos botões “anterior” ou “próximo”. Na maioria das fotografias, Franco aparece junto a autoridades da época. O projeto da “Sala Virtual Mário de Almeida Franco”

é

coordenado

por

Eduardo

Millani,

superintendente de Tecnologia de Informação da ABCZ. A jornalista Faeza Rezende Jacob foi a organizadora das informações lançadas na sala virtual e o layout das páginas ficou por conta de Flávio

Cardoso.

A

organização

do

acervo

fotográfico é de Maurício Farias e a supervisão é do historiador Hugo Prata.

Quase quatro décadas se passaram da morte de Mário Franco e ele ainda continua sendo lembrado e homenageado na cidade. Em vida, ele construiu um nome que entrou para história de Uberaba. “Mário de Almeida Franco” carrega um 107


peso que permanece vivo na comenda, em locais e na lembrança de muita gente. Quando Franco começou a vender gado e a entrar na aviação, nem imaginava aonde iria chegar. A história de vida deste pecuarista-aviador mostra que quando temos uma meta e lutamos para alcançá-la podemos voar alto.

108


Posfácio No primeiro semestre de 2011, a partir de uma

conversa

Andreozzi,

com

resolvi

que

o

professor iria

Anderson

desenvolver

meu

Trabalho de Conclusão de Curso sobre a história da aviação na cidade de Uberaba, por meio de personagens. Em contato com esse tema, conheci um pouco sobre Mário de Almeida Franco e me interessei em fazer um perfil deste homem, abordando o pecuarista e o aviador. Aliei um pouco da história da aviação neste livro, ao contar sobre o aeroporto de Uberaba, mas o foco passou a ser o personagem do perfil. As primeiras informações que tive deste ribeirão-pretano foi de que ele havia doado a área que abriga o aeroporto de Uberaba; tinha feito loteamento dos bairros Santa Maria e Parque das Américas

e,

o

mais

chamativo:

que

havia

transportado uma bezerra de avião e depois percorrido a cidade com o animal em seu carro 109


conversível. Além de saber também que ele era apaixonado por aviação e que foi um dos pecuaristas mais renomados da cidade. A partir daí, eu decidi pesquisar a fundo a vida de Franco e entrei em contato com a família dele. Busquei por pessoas que conheceram Mário Franco e entrevistei outras ligadas à pecuária e à aviação. Juntei uma peça aqui, outra ali e fui montando a história. Outro ponto importante foi a leitura de documentos históricos. Pela internet, tive acesso ao acervo digital da revista Veja e consegui ler duas matérias onde Mário Franco foi entrevistado. Alguns exemplares de jornais antigos eu consegui no Arquivo Público, mas grande parte foi cedida por André

Azevedo,

coordenador

do

curso

de

Comunicação Social da Universidade de Uberaba. Em seu trabalho de doutorado sobre Mário Palmério, ele fotografou páginas do Jornal Lavoura e Comércio e catalogou tudo. Entre os arquivos, havia matérias que contextualizavam a época em 110


que Mário viveu e também algumas reportagens sobre o pecuarista-aviador. O material foi essencial para confrontar e checar as informações que os entrevistados me passaram e também sustentar melhor a história. Eu sou perfeccionista e queria contar tudo nos mínimos detalhes, inclusive as datas, mas encontrei uma

barreira

divergências

neste de

ponto.

datas

e

Houve outras

muitas estavam

incompletas, com apenas o ano ou mesmo apenas a década registrada em algum documento. Minha orientadora, para completar, é detalhista e queria ver precisão em tudo. Busquei paranoicamente a perfeição, mas alguma destas informações e lembranças detalhadas se perderam com o tempo. Tentei resgatar, através dos documentos históricos e de lembranças dos entrevistados, o mais próximo possível da exatidão. Os entrevistados foram fundamentais para o desenvolvimento do trabalho. Agradeço a todos: Olésia Adriano (viúva de Mário Franco), Dulce 111


Franco e Mário Júnior (filhos), Guido Bilharinho (pesquisador),

Sebastião

Eustáquio

Rocha

(sargento aeronáutico, radialista e mestre de cerimônias), Felipe Walter Manzi (piloto), Joel da Silveira Reis (comandante), João Itacir Freitas (superintendente do aeroporto de Uberaba), Mário Cruvinel Borges (julgador de exposições), Hugo Prata (presidente do Museu do Zebu), Ricardo Prieto (fotógrafo), entre outros que me passaram informações ou cederam fotografias. Escrever esse livro-reportagem demandou muita pesquisa, entrevistas e horas queimando os neurônios para escrever de forma literária certos acontecimentos. Mas o resultado valeu a pena cada minuto dedicado a este trabalho. Espero que você, leitor, tenha apreciado a obra e gostado da forma como contei essa história.

112


Bibliografia A BATALHA do Zebu. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 2, 27 maio 1946. ASSIS Chateaubriand. Lavoura Uberaba, p. 1, 8 maio 1940.

e

Comércio,

BILHARINHO, Guido. Uberaba: dois séculos de história: volume 2. Uberaba: Arquivo Público de Uberaba, 2009. CHATEAUBRIAND, Assis. Asas e chifres. In: ______. O pensamento de Assis Chateaubriand: volume 17. Brasília: Fundação Assis Chateaubriand, 1999. p. 149-151. CUNHA, Carlos Tasso Rodrigues da. Unamo-nos, pecuaristas. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 3, 4 mar. 1947. DE SIMPLES palestra a interessantíssima entrevista. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 1, 3 out. 1945. DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005. ECOS da visita do presidente Vargas a Uberaba. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 1, 11 maio 1953. 113


EMPOSSOU-SE a nova diretoria do Aeroclube de Uberaba. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 4, 16 jan. 1943. FIGUEIREDO, Marco Antônio de. Uma homenagem a Mário Franco. Jornal da Manhã, Uberaba, 13 set. 2010. Disponível em: <http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ART ICULISTAS,33917>. Acesso em: 26 out. 2011. FONSECA, André Azevedo. A consagração do Mito Mário Palmério no cenário político do Triângulo Mineiro (1940-1950). 2010. 335f. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Franca, 2010. Disponível em: <http://www.franca.unesp.br/poshistoria/andre_azev edo.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2011. INAUGURA-SE o Aeródromo “Santos Dumond”. Gazeta de Uberaba, Uberaba, 16 jun. 1935. LEY sobre la condecoración “Orden Francisco de Miranda. Gaceta Oficial de los Estados Unidos de Venezuela, Caracas, 14 jul. 1943. Disponível em:<http://venciclopedia.com/index.php?title=Gacet a_Oficial_de_la_Ley_sobre_la_Orden_Francisco_d e_Miranda>. Acesso em: 06 nov. 2011 LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas ampliadas: o livro-reportagem como extensão do Jornalismo e da Literatura. São Paulo: Manole, 2004. 114


MÁRIO de Almeida Franco tirou o “brevet” de aviação. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 3, 15 out. 1942. O AVIÃO “Uberaba” transportou de Araxá a esta cidade uma bezerra. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 4, 27 abr. 1940. O CENTENÁRIO do embaixador do Zebu. Sala Virtual Mário de Almeida Franco. Uberaba: Museu do Zebu, [2010]. Disponível em: <www.abczstat.com.br/SalaVirtual>. Acesso em: 16 de jun. 2011. PARTIDO Trabalhista Brasileiro. Lavoura Comércio, Uberaba, p. 1, 31 out. 1947.

e

REIS, Francisco Marcos; FONSECA, Rodrigo. Uberaba 100 anos de olhares e memórias: Primeiro Século 1856 – 1956. Uberaba: NF Editora, 2009. REZENDE, Eliane Mendonça Marquez de. Uberaba: uma trajetória socioeconômica (18111910). 1983. 99f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1983. SODRÉ, Muniz ; FERRARI, Maria H. Técnica de reportagem: notas sobre a narrativa jornalística. São Paulo: Summus, 1986. 115


UBERABA necessita de maiores facilidades nos seus meios de transporte. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 1, 4 dez. 1944. VILAS BOAS, Sérgio. Perfis e como escrevê-los. São Paulo: Summus, 2003. VITÓRIA total do Partido Trabalhista Brasileiro nas eleições municipais de Uberaba. Lavoura e Comércio, Uberaba, p. 1, 29 nov. 1947.

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Livro-Reportagem 'Casamento entre Aviação e Pecuária'  

Casamento entre aviação e pecuária – um perfil de Mário de Almeida Franco é um livro-reportagem-perfil que retrata Mário Franco como pecuari...

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