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www.revistacidade.com.br Maio, 2007 Número 13

9 Decretado o fim dos lixões 13 Saneamento enfim

Capa

Iguaba já tem Estação de Tratamento de Esgoto mas ainda não resolveu oproblema dos efluentes Beleza 18 Banho de salão O que os profissionais podem fazer pela sua imagem

28 A Outra Cabo Frio Enquanto o centro da cidade foi reformado e equipado, nos últimos anos, a população de Tamoios continua reclamando e exigindo assistência do governo central. A situação levou os moradores a se reunirem, não para buscar melhorias, mas sim a independência.

22 Prêmio de Tecnologia Social tem parceria com Petrobras São Pedro da Aldeia 23 Transporte sem destino Aldeenses continuam sem ônibus e sem subsecretário de Transporte Publicidade

25 CIDADE fecha parceria com Way

Política O poder das mulheres Elas ainda são minoria na política, mas mostram que têm vontade de lutar para conquistar um espaço maior

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Publicidade Meio Ambiente

Macaé Cidade sempre Verde Primeiro grande evento de educação ambiental do estado acontecerá em maio no Parque da Cidade

35 Entrevista com Carlos Minc, Secretário

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Estadual do Ambiente Armação dos Búzios 36 CREA discute ética em Búzios

38 Uma prova de resistência Transararuma chega à 26ª edição sendo a mais tradicional e divertida regata da região Região 41 Novos prazos para as obras Governador Sérgio Cabral visita Cabo Frio e anuncia entrega do Aeroporto para agosto, e nova RJ-140 para setembro Cultura

Saúde Referência no atendimento à mulher Hospital da Mulher acumula prêmios e oferece dignidade e respeito às pacientes

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42 Mulheres imortais Responsabilidade Social

44 Cidadania com capoeira Projeto social transforma crianças, jovens e adultos através da luta, dança, música e cultura. Capa: Montagem sobre mapa do município de Cabo Frio. Criação e produção: Dudu Mello / Way Publicidade

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34 Denúncia Devastação ambiental em Búzios


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Genilda Cordeiro Baroni

A família, por muito boa que seja, na realidade exclui o idoso, isso quando não o explora

Niete Martinez

advogada de 68 anos, Genilda Cordeiro Baroni, tem pique de 22. Concedeu esta entrevista, por telefone, entre mil atividades do seu dia-a-dia, que envolvem as funções de mãe, de profissional e de presidente de uma entidade que congrega mais de 500 Clubes em todo o Brasil, a Associação Brasileira dos Clubes de Melhor Idade (Abcmi). Entre os muitos afazeres, sua agenda, no dia da entrevista, ainda incluía cabeleireiro, manicure e a visita a um gato, hospitalizado por causa de um cálculo renal, e mais a preparação das malas para uma viagem a Salvador no dia seguinte, onde recepcionou uma delegação portuguesa para a preparação do 11º Encontro Luso Brasileiro de Turismo Senior, que este ano esta sendo realizado em Vitória, e que a cidade de Salvador está tentando captar para 2009.

Arquivo pessoal

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GENILDA CORDEIRO BARONI

Presidente da Associação Brasileira dos Clubes de Melhor Idade (Abcmi)

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TA Genilda Cordeiro Baroni

O que é um Clube de Melhor Idade? O Clube de Melhor Idade é um programa de governo que está inserido na Política Nacional do Idoso e que foi criado pela Embratur nos seus áureos tempos, porque hoje a Embratur só cuida do turismo externo, e o turismo interno está por conta do Ministério do Turismo, que levou quatro anos pensando o que era um Clube de Melhor Idade. Mas, agora que mudou o ministro, mudou o governo, nós vamos tentar, toda a Abcmi junto com os presidentes estaduais, uma reunião com o presidente da república e com a ministra para tentar sensibilizá-los, para que retornem ao que era anteriormente.

gente pensa que essas coisas compram o amor de um neto. A gente coloca isso bem claro:Vovó não é babá. Isso quando a filha não enche a casa da vó com os netos para ela tomar conta, enquanto ela fica saracoteando.

“Nós temos o maior respeito pelos homens que participam, porque eles estão rompendo barreiras.”

Quando foi criado o programa? Foi criado em 1989. Foi a era maior. Quem criou mesmo foi o Caio Pompeu, de São Paulo, mas aí a Embratur gostou, achou bonito, implantou e tomava conta. Ela gerenciava o programa, que consistia em criar núcleos de idosos em cada estado. Fazendo três Clubes, a gente poderia criar uma Associação. Nesses Clubes as reuniões são semanais. No nosso caso, a gente se preocupa muito com a prevenção, então não trabalhamos só com os muito idosos, é partir de cinqüenta anos.

Os Clubes de Melhor Idade se tornaram um filão de mercado para o Turismo, como a senhora vê isso? Eu vejo muita exploração. O que tem de atravessador no mercado levando os idosos para passeios que não são adequados, é uma barbaridade. Para você ter uma idéia, o idoso não pode viajar à noite. À noite o idoso tem que estar na sua cama, dormindo. Reunião de Clube de Melhor Idade é até as seis horas, no máximo. Cinco e meia encerramse as atividades, para que às seis horas todo mundo possa ir para suas casas. Mas, o idoso se deixa explorar. É muito ingênuo e teimoso. Os Clubes recebem muitos convites. Quais os critérios para aceitar ou não um convite? Toda reunião tem quatro, cinco convites, ofertas de passeios, panfletagem. No nosso Clube, e quando eu fui presidente estadual, ninguém fazia isso onde eu estivesse. Se chegassem oferecendo passeio, eu pedia para deixar o papel para ver depois. Se a saída da excursão era às 19 horas, acabou, o papel ía para o lixo. Eu não posso deixar meus idosos viajarem à noite, em estradas mal sinalizadas, escuras, correndo risco de acidente.

Quantos Clubes existem no Brasil Aproximadamente uns quinhentos. Apenas três estados do Brasil não têm Clubes. Os demais, todos têm. Qual é o objetivo do Clube da Melhor Idade? Nosso objetivo é tirar o idoso do isolamento, porque todo idoso é carente. Seja rico ou pobre. Carente de afeto, de carinho. Você pode ver que a família, por muito boa que seja, na realidade exclui o idoso, isso quando não o explora. Porque os maiores exploradores do idoso é a própria família. No Clube, fazemos um trabalho de elevação da auto-estima, onde o idoso vai vendo as coisas por si mesmo.Vai entendendo se está agindo certo, ou se está se punindo. Se está, na realidade, muitas vezes tentando comprar o afeto dos netos com presentes caros, viagens ao exterior. Muita

lho manual, dali a pouco estão ensinando. É impressionante a mudança.

Arquivo pessoal

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“Não existe um projeto voltado para o idoso neste país. Quem faz é a sociedade civil.” O Clube influencia na mudança de mentalidade dos idosos? Total, total. É antes e depois do Clube. Pergunte a quem entrou. Elas chegam totalmente deprimidas, não conversam, ficam nos cantos, macambúzias, mal conseguem balbuciar o nome. Muitas chegam que não conseguem nem pegar numa agulha, mas quando vêem outra fazendo algum traba-

Existem períodos do ano em que os idosos preferem viajar ? Nós dos Clubes da Melhor Idade temos por princípio viajar apenas na baixa estação. Até porque os hotéis são mais baratos, estão vazios e a gente tem maior atenção. O idoso não pode estar no meio de multidão. Eu acho um absurdo um grupo de idoso ir à Festa do Peão Boiadeiro lá em Barretos, por exemplo. Aquilo lá é festa de idoso? Quais os pré-requisitos para atrair esse público? Essa pergunta é difícil de responder. O que tem Raposo, por exemplo? É uma cidadezinha do interior do estado do Rio de Janeiro que vive lotada. Porque oferece o

A gente não se preocupa com preço, nós queremos é qualidade 6

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bucolismo dos tempos áureos da nossa juventude. Aquela coisa de roça mesmo, porque nós fomos criados, não foi nessa vida louca de hoje. Nós fomos criados naquela calma, casa com quintal imenso, subindo em árvore. Raposo é uma coisa que lembra a nossa infância, é pequena, bucólica e come-se bem. A alimentação é um pré-requisito? Sim. Uma boa alimentação. A cidade que melhor se come no Brasil é São Lourenço, em Minas. Quer comer até arrebentar pelas costas como cigarra? Vá para São Lourenço. Nós gostamos de comer bem. A gente não se preocupa com preço, nós queremos é qualidade. Quando se gasta numa excursão? Vou dizer por mim. Só saio da minha casa com as passagens compradas e pagas. Na viagem, se vejo alguma coisa que acho que vai agradar a minha filha, ou um neto, eu compro. Todo mundo faz a mesma coisa. Tem uns que compram até para os filhos dos vizinhos. È um consumismo desenfreado. A primeira vez que fomos para a Europa em grupo, eu mesma precisei comprar outra mala. Uma colega comprou cinco quilos de ouro em Portugal. Nosso ônibus não é ônibus, é um cargueiro! Cabo Frio está realizando em maio o Mês da Melhor Idade, a senhora vai participar? Não. Não recebemos nenhum comunicado. É pena, porque já temos um evento , de 25 a 30 de Maio, o 10º Congresso Brasileiro dos Clubes de Melhor Idade e o 9º Encontro Luso brasileiro de Turismo Sênior, aqui em Vitória. O evento deve reunir 2.000 pessoas, no Centro de Turismo de Praia Formosa. Esse Encontro Luso Brasileiro é realizado um ano no Brasil e outro em Portugal. Este ano será aqui em Vitória, ano que vem será em Portugal e para 2009, Salvador está tentando captar. As mulheres são maioria nos Clubes? 90%. Os homens são machistas. É machismo puro. O homem não quer ser velho. Na concepção deles ser velho é ser brocha. Então eles não querem ser velhos nunca. É pura vaidade. Nós não, não estamos nem ligando. Se a gente está se sentido muito pelancuda, faz uma plástica, estica.

Levanta o peito, faz uma “lipo” na barriga. Agora, o homem não, fica dando uma de macho, e por isso morre cedo. E quando vão procurar uma mulher vão procurar uma gatinha de vinte anos. Aí, além de morrer cedo, ainda morrem chifrudos. Por isso, os homens participam muito pouco. Os que participam dos Clubes são raríssimos e são queridíssimos por nós. Nós temos o maior respeito pelos homens que participam, por-

educar nossos filhos. O homem é o retrato do que a mulher era no passado. Mas chega a um ponto em que a mulher descobre que está errada e muda. O homem não, é um bicho igual ao gato, não gosta de mudança. A mulher é diferente. Por causa da maternidade, não quer morrer, não quer deixar os filhos. Se der uma dor de barriga, a gente vai logo no médico. O homem não, só vai ao médico quando já está quase morrendo. Por isso a maioria dos homens não consegue chegar à velhice com saúde. Arquivo pessoal

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“As grandes empresas que investem em projetos de Responsabilidade Social só contemplam crianças, adolescentes e portadores de deficiência. Para o idoso não tem nada.” que eles estão rompendo barreiras. E os poucos que vão, vão com as mulheres. É um fenômeno que deveria ser melhor estudado. Os especialistas em comportamento humano deveriam estudar esse fenômeno, porque o homem é muito refratário aos movimentos que congregam idosos. Eles não suportam. É o medo de ser tratado como velho e, consequentemente, como brocha. E porque a mulher aceita melhor essa questão da idade? Nós mulheres nascemos para ser mãe. Nós criamos os homens. E ao criá-los, nos tornamos diferentes. Apesar de que o machismo é culpa nossa, que não soubemos

Quais os maiores problemas que o movimento encontra? A falta de políticas públicas para o idoso. Não existe um projeto voltado para o idoso neste país. Quem faz é a sociedade civil. O governo não faz a parte dele. Nós é que estamos fazendo a parte dele. Cada hora eles inventam uma moda. Hoje eu li no jornal que as pensões vão ser cortadas em 50%. É falta de respeito e de política pública para com os idosos. As grandes empresas que investem em projetos de Responsabilidade Social só contemplam crianças, adolescentes e portadores de deficiência. Para o idoso não tem nada. Depois deste evento vamos procurar os deputados para propor a criação de um projeto de lei para que as empresas tenham incentivos para fazer projetos para atender os idosos.

Quem ajuda então? Somos nós. É a sociedade civil. Somos um bando de abnegados, pois é um trabalho sem fins lucrativos, somos voluntários e trabalhamos noite e dia. Nosso estatuto é cruel, e quem é da diretoria da Abcmi não pode receber nenhum centavo, temos que tirar dinheiro do nosso bolso, muitas vezes. Mande um recado para as mulheres de Cabo Frio. Agradeço à revista CIDADE pela oportunidade desta entrevista e gostaria de dizer as mulheres de Cabo Frio, que elas são felizes, porque têm uma prefeitura que está se preocupando com elas. Porque aqui, no meu estado (Espírito Santo), não tem isso não. Aqui são as mulheres de alguns prefeitos que tomam iniciativas isoladas. Mas, são as mulheres, as primeiras-damas que fazem, não as prefeituras.

Nosso objetivo é tirar o idoso do isolamento, porque todo idoso é carente. Seja rico ou pobre 8

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Decretado o fim dos lixões Cristiane Zotich epois de muitas promessas e discussões, a Região dos Lagos está prestes a ter o primeiro Aterro Sanitário regional. Localizado em área particular de 170 mil m², na Estrada do Alecrim, em São Pedro da Aldeia, de propriedade da empresa carioca Dois Arcos, o Aterro atenderá a nove municípios (Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Araruama, Iguaba Grande, Armação dos Búzios, Saquarema, Casimiro de Abreu e Silva Jardim) recolhendo e tratando mais de 500 toneladas de lixo produzidas, diariamente, nessas cidades. A construção está orçada em R$ 8 milhões. O biólogo do CILSJ (Consórcio Intermunicipal Lagos São João), Mário Flávio informou que “o Aterro está em uma área privilegiada, sem lençóis freáticos e cursos de água por perto. Falta pouco para concluir o projeto. Já temos o licenciamento ambiental e as obras estão avançadas”. Agora, segundo ele, um novo edital deverá ser feito, para que outras empresas se interessem em investir em novas unidades. “O Aterro tem o objetivo de extinguir os malefícios causados ao Meio Ambiente, e quanto mais aterros tivermos, maiores as chances de preservarmos os recursos naturais dos municípios” explicou. Mário Flávio lembrou, também, a importância da criação de Usinas de Reciclagem após o início das atividades do Aterro Sanitário. “É muito importante que cada cidade construa sua usina para tratar parte do lixo produzido”. Os custos, segundo ele, não ficam por conta apenas dos municípios. “A construção é feita com recursos dos governos municipal e estadual. O Estado incentiva a construção dessas usinas com o projeto “PróLixo”, destinando cerca de R$ 200 mil para cada município beneficiado”. Além de reduzir os custos no tratamento do lixo, as Usinas de Reciclagem podem aumentar a vida útil do Aterro, que é de cerca de 16 anos, para 20. Além de ser responsável pela implantação do projeto, a empresa Dois Arcos deverá também construir unidades de transferência nos municípios mais distantes do local, para abrigar e levar o lixo dessas localidades até São Pedro da Aldeia, e recuperar a área onde hoje é o lixão aldeense.

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Política

O PODER DAS MULHERES Elas ainda são minoria na política, mas mostram que têm vontade de lutar para conquistar um espaço maior

A mulher é mãe, é família. Não se deixa envolver por qualquer coisa. Por isso, nesses escândalos todos, os envolvidos são sempre os homens, porque as mulheres são mais responsáveis

Não enfrento nenhuma resistência por parte dos colegas pelo fato de ser mulher. Muito pelo contrário, acho que até ajuda

VEREADORA CARLA CELESTE Arraial do Cabo

VEREADOR RUTH SCHUINDT Cabo Frio

Cristiane Zotich / Fotos PapiPress

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uem é que nunca ouviu frases do tipo: “lugar de mulher é na cozinha”, “mulher no volante, perigo constante”, “mulher só serve para pilotar fogão”? Hoje, em pleno século XXI, ainda existe quem pensa assim, mas aos poucos as mulheres vão dando seu recado, e embora ainda ganhem bem menos que os homens, já começam a ocupar cargos e funções que num passado, não muito distante, pertenciam apenas aos homens. 10

Quem um dia iria imaginar que um dos Estados mais visitados no Brasil (o Rio de Janeiro) teria uma mulher governadora? Foram quatro anos sob o comando de Rosinha Matheus. Elas também ocuparam prefeituras, como Solange Almeida, ex-prefeita de Rio Bonito. Nas Câmaras Municipais, aos poucos elas ocupam seu espaço. Atualmente a Região dos Lagos possui apenas duas mulheres na função de vereadora: Ruth Schuindt (PDT) em Cabo Frio, e Carla Celeste Suzana Moreira (PC do B) em Arraial do Cabo. Mas muitas já ocuparam essa função. CIDADE, Maio de 2007

Assim como o fato de serem mulheres, Ruth e Carla têm um outro ponto em comum: são novatas na política. A primeira era comerciante antes de se aventurar como vereadora, e a segunda, funcionária pública na área de educação. Mas os motivos que as levaram para a vida pública são bem diferentes. “Meu irmão (Leaquim Schuindt) era vereador em Cabo Frio quando foi assassinado. O sonho dele era ver o bairro onde morava (Jardim Esperança) urbanizado, com qualidade de vida para a população. Por isso entrei para a política: para tornar o sonho dele realidade”, co-


mentou Ruth, que entre seus projetos tem a solicitação de construção de creches em bairros carentes “para que as mulheres possam trabalhar e ter onde deixar seus filhos”. Carla entrou para a política com o ideal de lutar pela família dos marítimos. “Minha primeira eleição perdi por 54 votos (foram 196 votos válidos). Nesta última fui eleita com 322 votos. Como meu marido é marítimo, sempre busquei trabalhar pela família desses profissionais, beneficiando também as mulheres, e não somente elas.

Mulheres, sim. Feministas, não Embora lutem, de alguma maneira, para beneficiar a mulher, tanto Ruth como Carla fazem questão de dizer que não são feministas. “Vejo com orgulho o crescimento da mulher em alguns setores, mas acho que ainda não está como devia. Mesmo assim, não sou feminista. Acho que a gente está conquistando o espaço merecido aos poucos”, comentou Carla. A vereadora cabista lembra, ainda, que a mulher possui algumas qualidades que podem ser boas em alguns momentos, e ruins em outros. “A mulher é muito positiva, fala o que sente, não faz jogo duplo. Para algumas coisas isso é bom, mas na política, por exemplo, isso é ruim, porque o homem joga sempre. A mulher é mãe, é família. Não se deixa envolver por qualquer coisa. Por isso que nesses escândalos todos, os envolvidos são sempre os homens, porque as mulheres são mais responsáveis”.

Nada de preconceito Embora sejam minoria em todos os lugares, Carla Celeste e Ruth Schuindt garantem que não enfrentam preconceito junto aos colegas do legislativo, nem mesmo junto à população. “De forma nenhuma.

Não enfrento nenhuma resistência por parte dos colegas pelo fato de ser mulher. Muito pelo contrário, acho que até ajuda, porque é mais difícil a mulher receber um “não” do que um homem. Sem contar que recebo muitas mensagens de apoio por parte da população”, contou Ruth. “Por mais turbulenta que seja a política em Arraial do Cabo, minha relação com o resto da Casa é a melhor possível”, completou Carla, que termina este ano a faculdade de Direito. “Meu sonho é ser delegada. E, quem sabe, a primeira prefeita de Arraial do Cabo”.

Política cor de rosa As vereadoras Carla Celeste e Ruth Schuindt representam uma mudança sucessiva que vem acontecendo na política brasileira. Antes da mulher ter direito ao voto (1932) o Brasil elegeu sua primeira mulher prefeita. Foi em 1928, quando o Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, conseguiu uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. Elas foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages - RN.

A partir do direito ao voto, a mulher foi conquistando, aos poucos, um espaço cada vez maior na política. Nas eleições para a Assembléia Constituinte, em 1933, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz. Quarenta e um anos depois, na Argentina, Izabel Perón torna-se a primeira mulher presidente. Cinco anos depois, no Brasil, Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de senadora, por falecimento do titular da vaga. Mas só em 1990 foi eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG. Em 1994 Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998, mesmo ano em que a senadora Benedita da Silva e tornase a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional. Em 2003, Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula no dia 1º de janeiro. Hoje, no poder, existem no Brasil três governadoras (Ana Júlia /PA; Vilma Faria / RN; Yeda Crussius /RS); quatro senadoras (Rosalba Ciarlini /RN; Maria do Carmo/ SE; Kátia Abreu /TO e Marisa Serrano /RS); 43 deputadas federais, sendo seis do Estado do Rio de Janeiro (Andréia Zito, Cida Diogo, Marina Magessi, Solange Almeida, Solange Amaral e Suely); 11 deputadas estaduais pelo Rio de Janeiro (Aparecida Gama, Beatriz Santos, Cidinha Campos, Graça Pereira, Renata do Posto, Sheila Gama, Graça Matos, Inês Pandeló, Jane Cozzolino, Sula do Carmo e Waldeth Brasiel), e 418 prefeitas eleitas em todo o país, sendo 90 na Região Sudeste e apenas seis no estado do Rio de Janeiro: Maria Lúcia (Belford Roxo), Núbia Cozzolino (Magé), Carla Machado (São João da Barra), Saudade Braga (Nova Friburgo), Lúcia de Fátima (Paty do Alferes) e Maria Aparecida Panisset (São Gonçalo).

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Ascom/Prolagos

ETE de Iguaba

SANEAMENTO ENFIM Iguaba já tem Estação de Tratamento de Esgoto mas ainda não resolveu oproblema dos efluentes Renato Silveira sonho ainda não começou. Por isso, a Estação de Tratamento de Esgoto de Iguaba Grande, em funcionamento desde o dia 26 de março (o prazo estipulado pelo Ministério Público extinguia-se no dia seguinte), ainda está lançando seus efluentes na Lagoa de Araruama, mais precisamente na Praia do Popeye. A menina dos olhos da população e do governo iguabense é, sem dúvidas, o projeto de transposição desses dejetos para a Zona Rural do município, onde serão utilizados para irrigação e perenização do Rio Una. Enquanto isso não acontece, a ETE, que trata até agora 54% do esgoto doméstico da cidade (o contrato de concessão da Prolagos prevê o tratamento de 70%) começou a funcionar, ainda em fase de testes. Nessa fase, os efluentes lançados têm cerca de 90% de pureza. Após os testes, o índice salta para 98%. “Nesse período, todo o material colhido é analisado, testado, porque a Estação ainda não trabalha com matéria-prima própria. O lodo inicial ainda é produzido em São Pedro da Aldeia e importado para cá”, explicou Adriana Pereira, da Assessoria de Comunicação da Prolagos.

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Segundo a assessora, a ETE de Iguaba é a mais moderna da Região dos Lagos, e faz o tratamento terciário do esgoto, deixando a de Cabo Frio, maior cidade, isolada no seu tratamento primário assistido. “A ETE de Iguaba opera com tratamento terciário, como a de São Pedro da Aldeia. Além de ser tratamento biológico , que numa linguagem simples, quer dizer que as próprias bactérias vão depurando o esgoto. A estação iguabense se destaca pela modernidade, pois utiliza desinfecção com lâmpadas com raios ultravioletas”, explicou. A transposição dos efluentes para a Zona Rural já está acertada, mas por enquanto, a verba de R$ 3 milhões liberada pela Agência Nacional de Águas (ANA) dos quais R$ 1,5 milhões serão para a mudança e o restante para dragagem do Canal Itajuru, ainda não chegou aos cofres do Consórcio Ambiental Lagos São João, que executará a obra. Para a assessora da Prolagos, a mudança do local do despejo não é problema para a concessionária. “ Embora a Prolagos tenha licença para despejar o esgoto na Lagoa Araruama, assim que a transposição para o Una estiver pronta, o efluente será redirecionado. CIDADE, Maio de 2007

Hoje, na verdade, a Prolagos vai devolver à Lagoa o efluente tratado. Antes de entrar em operação, o esgoto seguia sem tratamento algum para a lagoa”, enfatiza Adriana. O diretor de Meio Ambiente da prefeitura iguabense, Waldemir Pereira, explica que o problema para a liberação da verba da ANA encontra-se na Caixa Econômica Federal (CEF), que ainda não entregou as exigências, sempre rigorosas. “Estamos aguardando a entrega desses documentos para sairmos da burocracia e iniciarmos a obra. A ETE entrou em funcionamento, ainda em fase de testes, devido aos prazos, mas com certeza estaremos logo, logo, lançando esses efluentes na Zona Rural”, explicou. Waldemir conta que a briga atual do governo municipal é a ampliação do contrato de concessão com a Prolagos, que prevê o tratamento do esgoto de 70% das residências. “A luta agora é para que a cidade tenha 100% do esgoto doméstico tratado. O contrato de concessão foi feito em outro período, agora a realidade é outra, precisamos que não haja nenhuma espécie de poluição lançada na lagoa, para sua plena recuperação”, afirmou o diretor. 13


Cartas www.revistacidade.com.br Maio, 2007

Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Editor de Texto Gustavo Mahedra gustavomahedra@terra.com.br Reportagens Cristiane Zotich Graciele Soares Juliana Vieira Luigi do Valle Martinho Santafé Renato Silveira Tomás Baggio Octávio Perelló Fotografias Cesar Valente Filmers 9900 PapiPress Colunista Octávio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Comercial Patrícia Cardinot Tel: (22) 9815-3518 paticardinot@ig.com.br Armação dos Búzios Ângela Barroso Tels: (22) 2620-8960 / 9221-3718 angelabarroso743@hotmail.com Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Tiragem 5.000 exemplares Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Macaé, Rio de Janeiro e Brasília. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. 14

É IMPORTANTE COLOCAR QUE CONtinuo apreciando a revista Cidade como a melhor que já aconteceu na Região dos Lagos. Nossa cidade está crescendo, podemos considerá-la de porte médio; ela é rica, tem condições de constantes melhorias e aperfeiçoamentos no quesito servir ao cidadão. Há alguns espaços a serem preenchidos. Sugiro à prefeitura local: 1. Coleta de lixo seletiva - com campanha de orientação ao cidadão - promovendo abertura de capos de trabalhos no processamento do material reciclável, com a consequente ELIMINAÇÃO do lixão da Baía Formosa que é um descaso dos responsáveis pelo setor na cidade! 2. Revisão das alternativas de tráfego pelas ruas cen-

trais. Há algumas décadas não tínhamos o trânsito local e fora de temporada que temos hoje. Os acessos são limitados e todos convergem à R.Teixeira e Souza, é absurdo em horário de grande movimentação de automóveis - já temos até “rush” - e/ou verão! - Colocação de placas de direção ( mão, contramão, etc) em todos os acessos. É incrível achar que o turísta saiba que a Rua X seja mão única de direção há 30 anos!! - Nos grande cruzamentos, fazer rotatórias, a grande solução para reduzir o número de acidentes em cruzamentos! - EDUCAR a população fazendo campanhas através dos meios de comunicação sobre o correto uso e obediência às leis de trânsito direcionada para os ciclistas que constantemente nos atropelam e/ou assustam rodando em qualquer direção, velocidade e lugar ! Educação no trânsito divulgada pela tv, rádios e jornais locais. Proponho um espaço em sua revista para este tipo de cobranças da população. Roseli Richopo. (Cabo Frio)

SEM DÚVIDA O NÚMERO 12 REPRESENta um importante marco, porque a partir daí é que as publicações ficam consolidadas, em todos os aspectos. Antes mesmo, era fácil prever. Na edição deste mês, além da qualidade e diversidade dos temas abordados, cumpre destacar o espaço Opinião. Ernesto Galiotto abordou muito bem a questão do Canal Itajuru, cuja poluição acaba atingindo outros pontos, inclusive na orla. Ernesto Vianna (Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro)

FIQUEI SURPRESO COM A REPORTAGEM na edição de abril sobre os ”prefeitáveis” de São Pedro da Aldeia. Antes de qualquer coisa quero parabenizar essa revista pela iniciativa. Contudo creio que os senhores não estão informados sobre a situação do PT de São Pedro da Aldeia - que é muito diferente do que relatou o filiado que foi entrevistado. Temos dois pré-candidatos a Prefeito: o Josué Lima e eu. Já fui candidato a Prefeito pelo PT no ano 2000, atualmente sou membro da Executiva Municipal e luto pela minha candidaturta em 2008. Solicito que me seja dado um espaço para que, assim como os outros pré-candidatos, possa expor resumidamente os motivos que levaram-me a disputar o cargo. Prof. Marcos Salaibe (São Pedro da Aldeia)

PRIMEIRAMENTE QUERO PARABENIZAR pela Revista e o excelente trabalho que está sendo realizado. Sou um dos pré-candidatos a prefeito do município de São Pedro da Aldeia, tive o meu nome citado por Dr Edmundo Ramos na matéria sob titulo “São Pedro - 8 nomes na corrida” Josué Lima (São Pedro da Aldeia/RJ) LI A MATÉRIA/ENTREVISTA COM O SEcretário Firmino. Gostaria que os Srs. falassem a ele da retirada de dois bancos de areia que existem na enseada Maracanã, os quais em 2002 quando relatei ao mesmo que os retirando aumentaria o fluxo de água, me foi enviado por e-mail que no mais tardar final de 2003, seria retirado; bem como o marnel da Yamagata que já não serve mais. Sugeri que não seria necessário fazer bota fora da areia e sim criar uma praia na antiga salina maracanã desativada, e quanto às pedras do marnel que fossem colocadas na pedreira desativada no morro dos milagres de onde saíram. Alexandre Cruz (São Pedro da Aldeia) CIDADE, Maio de 2007

GOSTARIA DE AGRADECER A MATÉRIA feita pela jornalista Cristiane Zotich - Glauco Brasil. Muito obrigado. Queremos parabenizar a revista pelas fotos, diagramação e assuntos variados e pela forma inteligente de ser passado para nós leitores. Parabéns a todos, é uma revista muito simpática e agradável de ler. Desejamos a vocês sucesso e progresso. Toda vez que precisar de informações para a revista estamos disponíveis a vocês. Glauco Brasil (Artesão e paisagista) Luciana Avelino (Pedagoga e Adm.)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br


Cristiane Zotich

10 P e r g u n t a s

A Região dos Lagos mudou. Antes era sazonal, agora existem atividades o ano inteiro.

6. Qual era o crime mais comum durante o seu primeiro comando? E agora? Antes o problema eram as drogas. Hoje continua, mas aliado ao homicídio, até porque, o tráfico é o responsável pela maioria dos crimes registrados hoje. Algumas vezes são brigas entre traficantes, mas apuramos que a maioria dos homicídios têm ligação com o tráfico de drogas. César Valente

Com 32 anos de carreira militar (entre exército e Polícia Militar), o tenentecoronel Adilson Oliveira do Nascimento acaba de entrar para a história do 25º Batalhão de Polícia Militar: ele é o primeiro ex-comandante a retornar à corporação. O primeiro comando aconteceu entre maio de 2002 e maio de 2005, e o segundo começou no dia cinco de fevereiro último.

1. O que mudou na Região dos Lagos entre o seu primeiro comando e o atual? Aumentou a criminalidade, mas isso não foi só na Região dos Lagos. Aconteceu em todo o interior do Estado. Já houve redução no número de homic��dios, aumentamos o número de prisões e apreensão de drogas e armas (100 foram apreendidas só este ano). O problema é que não temos nenhum instrumento que nos diga quantos crimes evitamos com essas prisões e apreensões, mas foram muitos. 2. Quando começará a ser discutido o Plano de Verão? Não costumamos fazer discussões. A cada ano fazemos um relatório que serve de base para melhoria no ano seguinte. Verificamos onde houve falhas e onde podemos melhorar. Mas não existe uma data para que isso seja feito. Até porque a Região dos Lagos mudou. Antes era sazonal, sendo o verão a época em que mais se necessitava de reforço. Agora existem atividades o ano inteiro. Tivemos a Semana Santa que contou com reforços no policiamento em 90 policiais, que foram distribuídos na orla, canal e eventos religiosos. Com o policiamento motorizado também garantimos a segurança da cidade. 3. O número de homens e equipamentos do Batalhão é suficiente? Não. Embora tenhamos 40 homens a mais, tivemos o afastamento de alguns policiais que foram fazer curso de sargento. Cobrimos sete municípios da Região dos Lagos. Depois que retornamos, conseguimos retornar com o policiamento a pé em dupla, chamado de “Cosme e Damião”. São oito duplas no Centro de Cabo Frio. E temos a esperança de receber novos equipamentos. É uma promessa do governo do Estado por causa do Pan-americano. E se Cabo Frio for aprovada para receber atletas, teremos ainda

7. Existe algum crime que se destaque mais? Acho que as coisas melhoraram. Antes existia um crime muito comum chamado de “saidinha de banco”, e que hoje diminuiu. O problema é que os bandidos mudaram a maneira de agir. Antes eles atacavam na porta dos bancos. Hoje, esperam a vítima se afastar mais. 8. Qual a determinação do governador Sérgio Cabral para a Região dos Lagos? Intensificar o trabalho de combate e prevenção ao crime, para que não atinja os níveis registrados nos grandes centros. Por conta disso, já participamos de um Fórum em Friburgo, porque as cidades do interior possuem algumas semelhanças, e é importante que trabalhemos todos juntos contra a criminalidade. E neste trabalho é importante a participação da população através do nosso disque-denúncia (22) 2643-0190.

Tenente-coronel Adilson do Nascimento retorna ao comando do 25º BPM o apoio de policiamento de outros batalhões do interior, como acontece na alta temporada. 4. O curso de formação de soldados no 25º vai continuar? Foi dada a continuidade ao curso pelo comandante anterior. Na verdade fomos nós quem preparamos tudo e solicitamos a vinda do curso. Inclusive deixamos as salas de aula preparadas. Já estávamos inseridos nesta programação, e vamos continuar com o projeto, sim. 5. Quais outros projetos o senhor pretende retornar ao 25º? Todos, principalmente o Conselho Comunitário de Segurança, porque é fundamental que a PM esteja junto da população. São Pedro da Aldeia e Araruama deram continuidade ao projeto. Só Cabo Frio parou. CIDADE, Maio de 2007

9. Há pouco tempo discutia-se a unificação das polícias. O senhor acha que isso é a solução? Não vejo isso como possibilidade de acontecer. Tem que ser integração, e não unificação. Tem que haver um trabalho do batalhão e das delegacias trocando informações. A unificação implica cultura, e não estamos preparados para isso ainda. 10. Hoje o seu batalhão cuida de sete cidades. É possível cobrir tudo de maneira eficiente? Não. Por isso existe um projeto para dividir a unidade. No passado era apenas um comando no interior, que depois foi dividido em Paraíba, Lagos e Norte Fluminense. Mas a tendência é de que haja um novo desmembramento, criando, talvez, um novo batalhão na área de Araruama, que ficaria responsável por Saquarema, Araruama e Iguaba Grande, e o de Cabo Frio ficaria com Búzios, São Pedro, Cabo Frio e Arraial do Cabo. 15


Robson Maia

Macaé

Parque da Cidade Macaé/RJ

MACAÉ SEMPRE VERDE Primeiro grande evento de educação ambiental do estado acontecerá em maio no Parque da Cidade Martinho Santa Fé

primeira feira de educação ambiental do Estado do Rio de Janeiro – Macaé Sempre Verde – vai ser realizada no Parque da Cidade, no bairro Praia Campista, entre os dias 21 e 26 de maio. O evento já faz parte do calendário definitivo da cidade e deve atrair um público de cerca de 100 mil pessoas, entre estudantes da rede

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municipal e particular de ensino e público em geral. O tema terá como foco os recursos hídricos: “Água para toda a vida”. Fóruns, ciclos de palestras, estandes interativos e shows musicais completam a programação do evento que tem como organizador a Empresa Portal Eventos, a mesma que promove a Feira do Verde, em Vitória, no Espírito Santo, que está na XVII edição. A Feira Macaé Sempre Verde tem parceria da prefeitura, através de uma coCIDADE, Maio de 2007

missão formada pelas secretarias de Meio Ambiente (Semma), Educação (Semed), Saúde (Semusa), Esporte e Lazer (Semel) e Fundação Macaé de Cultura (FMC). Diversas instituições e Organizações não governamentais (Ongs) ligadas ao meio ambiente, como o Comitê de Bacias, a Superintendência de Rios e Lagos (Serla), Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambi-


Robson Maia

ente (Anamma), estão sendo convidadas a participarem da feira. Assim como empresas e instituições estabelecidas na região, onde elas poderão focar todas as suas ações em relação ao meio ambiente e à responsabilidade social.

Educação ambiental O objetivo da feira é ressaltar a importância da educação ambiental para a adequação da sociedade em relação às questões da preservação do meio ambiente. Durante o dia serão realizadas programações lúdicas educacionais voltadas para os alunos de toda a rede de ensino da região, e à noite, para todo o público. Nas visitas monitoradas, os professores irão explicar aos alunos a importância da preservação dos recursos hídricos e falar sobre questões ambientais, como os cuidados com o lixo. O evento será realizado num local central da cidade, de fácil acesso. Nossa intenção é atingir os jovens que são o futuro do planeta, chamando a atenção para as ameaças que podem contaminar as nossas águas. Os estandes serão programados com o intuito de transmitir os conceitos de educação ambiental e sustentável de forma interativa, dinâmica e criativa, agregando importantes informações sobre os ecossistemas da região, destaca o secretário de Meio Ambiente, Fernando Marcelo Tavares.

FERNANDO MARCELO TAVARES secretário de Meio Ambiente de Macaé

Nossa intenção é atingir os jovens que são o futuro do planeta, chamando a atenção para as ameaças que podem contaminar as nossas águas A feira terá dois auditórios, um estande da prefeitura de Macaé, praça de alimentação com quatro restaurantes e cerca de 100 estandes – para patrocinadores, artesanatos, jogos lúdicos – além de uma maquete retratando a Bacia Hidrografia do Rio Macaé. Uma tenda cultural será montada no Parque da Cidade para shows de músi-

cos locais e regionais e apresentação de trabalhos dos estudantes. - A Feira Sempre Verde é uma atividade concreta que mostra a preocupação da prefeitura de Macaé com a preservação e a educação ambiental. Se cada um fizer a sua parte, nós vamos minimizar os problemas relacionados ao meio ambiente e garantir um lugar melhor de se viver para as futuras gerações, completa Fernando Marcelo Tavares. “Água para toda a vida” – O tema foi escolhido pela importância dentro do quadro mundial atual. As ameaças de desabastecimento para as populações e a economia, é real. “São necessárias ações de recuperação de mananciais através de plantio de matas ciliares e nascentes, e de uma ação educativa permanente que possa garantir a oferta e a qualidade deste insumo vital no futuro”, finaliza o secretário de Meio Ambiente. O biólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Macaé, Guilherme Sardenberg, observa que a cidade ainda não criou uma cultura de integração entre as empresas e a comunidade e que essa feira também tem o objetivo de ser uma ponte entre a população e essas empresas, modificando a mentalidade das novas gerações que estão crescendo. “Além disso, Macaé quer promover políticas e ações consistentes para mudar as perspectivas que não são nada otimistas”, disse.

Até que seja elaborado o Plano de Manejo definitivo, o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Macaé vai regulamentar as regras de visitação do Arquipélago de Sant´Anna, considerado uma das maiores riquezas ambientais do município. Foi formada uma Câmara Técnica para discutir as normas de visitação propostas pela Secretaria de Meio Ambiente. “Nossa intenção é promover visitas de eco-turismo, ou

Rômulo Campos

Arquipélago de Sant´Anna terá visitas monitoradas

Arquipélago de Sant’Anna é um santuário natural.

seja, passeios guiados com foco na educação ambiental, mostrando também a importância histórica das ilhas. Serão visitas técnicas e educa-

tivas”, disse o secretário Fernando Marcelo. Entre as normas apresentadas estão a limitação do número de visitantes nas ilhas, a de-

CIDADE, Maio de 2007

terminação de dias e horários para passeios e a identificação das pessoas que desembarcam nas ilhas. O secretário lembra que o Arquipélago foi transformado em Parque Municipal e em Área de Proteção Ambiental (APA) em 1989, depois de uma mobilização de ambientalistas contra a implantação de uma monobóia da Petrobras nas imediações das ilhas. “Toda a população se mobilizou contra a monobóia, que não tinha autorização ambiental”, disse Fernando Marcelo, que na época participou do movimento liderado pela Associação Macaense de Defesa Ambiental (AMDA) 17


Divulgação

Beleza

BANHO DE SALÃO O que os profissionais podem fazer pela sua imagem Rubia Duarte Hair Design Espaço e conforto para cuidar da beleza

Cuidar da beleza, nem sempre é fácil. As mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho, mas triplicaram a jornada diária: filho, casa, emprego. Para algumas, cuidar do visual ficou em último plano. Mas, cuidar da aparência é fundamental, mesmo que o tempo não colabore. O cartão de visitas de uma mulher é, sem dúvida, os cabelos. O clima quente de Cabo Frio, a praia e o vento são os principais vilões para danificá-los. E quando o cabelo chega ao ponto em que não adianta cortar e pintar porque as cutículas estão abertas, então chegou a hora de procurar um especialista. A Hair Design Rúbia Duarte, proprietária do salão que leva o seu nome, indica uma reconstrução capilar para esses casos, que custa cerca de R$60,00. “Da mesma forma que se cuida do corpo, se cuida do cabelo. Ele precisa de nutrição e reconstrução, a pessoa com o cabelo saudável pode fazer reflexos e coloração”, diz Rúbia. Para os cabelos ondulados, a especialista indica uma cauterização. “Ela devolve as proteínas aos fios e faz com que ele reduza o volume. O que faz com que o cabelo fique alto é a falta de líquidos, e essas proteínas devolvem os líquidos ao cabelo”. Foi o tempo em que salão de beleza só cuidava dos cabelos, pés e mãos. O Rúbia Duarte Hair Design também oferece tratamento para o corpo. A novidade no mercado é a Endermoterapia Vibratória. Ela reduz medidas, recupera a musculatura e modela o corpo, estimulando a circulação. Outra opção é a Estata, que auxilia no processo de emagrecimento, combate à celulite e a flacidez. E, para quem quer pegar um bronzeado sem correr riscos, nada melhor do que um banho de lua, que além de clarear os pelos, também nutre. Cada sessão sai por cerca de R$50,00.

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PapiPress

Graciele Soares

RÚBIA DUARTE

Da mesma forma que se cuida do corpo, se cuida do cabelo

CIDADE, Maio de 2007


Saúde

Referência no atendimento à mulher Hospital da Mulher acumula prêmios e oferece dignidade e respeito às pacientes Cristiane Zotich / Fotos: PapiPress

Dizem que a mulher é o sexo frágil”. Há quem não acredite nesta música, e a considere apenas um clichê. Mas para a direção do Hospital da Mulher, em Cabo Frio, a frase é levada à sério, mas sem ser considerada piegas. Inau-

gurado em novembro de 2002, ele é hoje o hospital público municipal de referência na Região dos Lagos em qualidade de atendimento à mulher. São cirurgias ginecológicas, partos e diversos serviços fundamentais à saúde da mulher. Na direção desde a fundação, a pediatra neo-natologista, Maria Rosalice Oliveira de Almeida, informou que o diferencial do local é CIDADE, Maio de 2007

o atendimento humanizado à mulher, através do treinamento de todos os funcionários. “Aqui a mulher não se sente num hospital. Temos uma atmosfera de casa, e nossos funcionários são orientados para serem solícitos e gentis com as pacientes. Geralmente não se vê isso em outros hospitais, mesmo nos particulares”. 19


Saúde Para garantir a qualidade, que gerou diversos prêmios ao hospital, noventa por cento do quadro de funcionários é composto por mulheres. “Ao todo temos trezentos funcionários. Os homens atuam apenas nas áreas de manutenção: guaritas e Guardas Municipais. Também temos médicos, porque esses não podem ser contratados por sexo. Mas as mulheres são a maioria: enfermeiras, motoristas, maqueiras... E isso é importante porque as próprias pacientes se sentem mais a vontade, até mesmo por conta da intimidade delas, que fica exposta. Além do mais, muitas já passaram pela maternidade, e sabem que a mulher fica mais frágil e precisa de mais atenção neste momento”.

Convênios garantem atendimento completo Com o objetivo de atender na parte ginecológica e obstétrica, o Hospital da Mulher possui no primeiro andar todo o atendimento ginecológico (útero, ovários, mama...). No segundo pavimento existem quarenta leitos de alojamento conjunto para obstetrícia (mãe e bebê). “São oito leitos para bebês que nascem doentes; o pré-parto com cinco leitos e acompanhante; o centro cirúrgico com três salas e outras duas maiores”. Durante a internação na parte de obstetrícia, as mães recebem a visita do Comitê de Apoio ao Aleitamento Materno, que passa por todas as enfermarias mostrando a importância do aleitamento materno até os dois anos de idade, no mínimo. “Também temos enfermarias separadas por tipos de internação: adolescentes grávidas, pacientes com caso de aborto (forçado ou espontâneo), mães que perdem os bebês, gestantes, parto normal, cesária e enfermaria de pré-alta (onde ficam mãe e bebê, depois que a criança deixa o setor de neonatologia, para receber aleitamento materno)”. Para as mães que passam por problemas mais graves e precisam de atendimento em uma UTI, foi assinado um convênio com o Hospital Santa Isabel, em Cabo Frio. “Para os bebês temos uma unidade que atende bem o neo-natal, mas também temos convênio com o Estado, porque este tipo de atendimento é obrigação estadual”.

Atendimento humanizado A preocupação com a mulher é uma constante, mesmo após a alta. “Temos o projeto ‘Cegonha – Volta ao lar com segurança’. Nossas pacientes são levadas para 20

casa através de ambulâncias do hospital. Em algumas maternidades algumas mulheres voltam pra casa na garupa de uma bicicleta. Aqui elas voltam com dignidade”, disse Rosalice.

Novo serviço Para complementar o atendimento à mulher, foi criado o SOS Amparo à Mulher. “O objetivo do serviço é prestar atendimento à mulher vítima de violência sexual. Quando a vítima vem ao hospital, fazemos uma bateria de exames, incluindo teste rápido de gravidez, medicação para doenças sexualmente transmissíveis e antiretroviral, para detecção da Aids. Mas é importante que a mulher nos procure o mais rápido possível. Se puder, nas primeiras vinte e quatro horas, no máximo setenta e duas, para que possamos evitar o pior”, explicou a diretora do hospital. Rosalice lembrou, ainda, que embora seja um serviço importante, ele é pouco procurado. “Existem mais casos de violência sexual do que aqueles que chegam aqui. A mulher não precisa registrar queixa na delegacia para ser atendida. É importante que ela nos procure o mais rápido possível para que possamos ajudála”.

Liramar F. da Silva com a prematura Natiele Aprendendo a amamentar

Muitos partos, diversos prêmios Ao todo, o hospital tem cerca de quinhentas internações por mês. Dessas, trezentas são partos. Muitos de adolescentes. Em 2003, do total de partos registrados, 17,6% foram de adolescentes. Em 2004 foram 18,3%. Em 2005, 19,4% e em 2006 ,18,3%. Outro número alarmante é o de curetagem após aborto - “a maioria provocada”, segundo a diretora: foram 18,7% em 2003, 15,2% em 2004, 15,9% em 2005 e 18,3% em 2006. O Hospital da Mulher especializou-se também em acumular prêmios. É quase um por ano. “ Com um ano de fundação recebemos da Unicef/ OMS o título de “Amigo da Criança”, pelo incentivo ao aleitamento materno. Em 2006 ficamos em primeiro lugar no Prêmio Leila Diniz, oferecido pela Alerj, através da Comissão de Direitos da Mulher, onde concorríamos com mais de 20 maternidades do Estado. Em 2004 fomos indicados para o Prêmio Gauba Araújo e ao prêmio Atendimento Nota 10. Também tivemos indicação ao Prêmio ‘Humaniza SUS’ pelo projeto “Cegonha”, além de outros prêmios”. CIDADE, Maio de 2007

Dra. Maria Rosalice Oliveira Almeida


Mamães voltam para casa com conforto e segurança

Enfermarias amplas

OUTROS SERVIÇOS Estamos preparados para oferecer o melhor atendimento à mulher na Região dos Lagos

Cartório de Registro Civil Funciona dentro do Hospital para que as crianças deixem o local devidamente registradas, gratuitamente. Aos Olhos do Pai Circuito interno de TV para que os parentes e o pai conheçam a criança assim que ela nasce. Pousada da Mamãe As mães ficam hospedadas acompanhando o bebê em tratamento. Atendimento Psicológico Três psicólogas se revezam, diariamente, atendendo as pacientes.

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INBOX

Prêmio de Tecnologia Social tem parceria com Petrobras edição 2007 do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social vai premiar com R$ 400 mil tecnologias sociais que resolvam questões relativas à água, alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, renda e saúde. As inscrições para o Prêmio, que podem ser realizadas até 15 de junho, estão abertas às empresas públicas, governos municipais e estaduais, instituições de educação, institutos e organizações não governamentais (ONGs). A quarta edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social é realizada em parceria com a Petrobras, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e a KPMG Auditores Independentes.

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A premiação foi criada para identificar e difundir tecnologias sociais. O conceito compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social. Somente serão certificadas e concorrerão às premiações, tecnologias sociais já implementadas, com resultados comprovados e sem fins comerciais. Etapas – A edição de 2007 do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social concederá oito premiações, das quais cinco para a categoria “Região” – um para cada região geográfica do país –, um para a categoria “Aproveitamento/tratamento de rejeitos/resíduos/efluentes de processos produtivos”, um para a categoria “Direitos da Criança e Adolescente” e um para a categoria “Gestão de Recursos Hídricos”. O Prêmio é dividido em três etapas. Todas as inscrições participam da primeira, a certificação. As certificadas, além de

CIDADE, Maio de 2007

concorrer à etapa seguinte, de seleção, integram o Banco de Tecnologias Sociais e recebem o Certificado de Tecnologia Social conferido pela Fundação Banco do Brasil, Unesco e Petrobras. Na etapa de seleção, após análises de mérito, efetividade e resultado, as três tecnologias com maior pontuação, por categoria, vão ao julgamento final e recebem o troféu “Finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social – edição 2007”. As tecnologias finalistas selecionadas na etapa anterior serão analisadas segundo novos critérios: inovação, exemplaridade, transformação social e potencial de reaplicabilidade. A que obtiver a maior pontuação média, em cada categoria, será declarada vencedora. As oito instituições responsáveis pelas tecnologias sociais vencedoras vão receber R$ 50 mil, cada, para utilizar em atividades de expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da tecnologia social vencedora.


São Pedro da Aldeia

Transporte sem destino Marconi Castro

Aldeenses continuam sem ônibus e sem sub-secretário de Transporte Cristiane Zotich anunciado início das operações do transporte público em São Pedro da Aldeia para o dia 1º de Abril acabou fazendo jus à data. Arrastam-se, como em novela mexicana, os capítulos da história do transporte público na cidade. Desde que a Auto Viação São Pedro abandonou a concessão, há quase dois anos, a população (principalmente idosos e estudantes) virou refém do transporte alternativo, que foi autorizado pela prefeitura e cassado por ela no ano passado, depois de uma frustrada tentativa de greve para aumentar o preço das tarifas. Para tentar resolver o problema, e depois de algumas tentativas frustradas, a prefeitura conseguiu realizar uma licitação, em novembro último, sendo vencedora a empresa Auto Viação Opala, que tinha 90 dias para começar a operar. Mas até agora não possui, sequer, uma frota montada. Na onda de confusões, o sub-secretário de Transportes, Manuel Soares, pediu demissão. Quase dois meses depois, ainda não existe ninguém ocupando a vaga deixada por ele. Estudantes e idosos são obrigados a pagar passagem nas Kombis que continuam fazendo o transporte de passageiros, e não garantem a gratuidade obrigatória para essas categorias. Apesar de não terem mais permissão para trabalhar, as kombis e vans continuam trafegando, com a conivência da prefeitura. “Se impedirmos o trabalho delas, a população fica a pé”, informa o prefeito Paulo Lobo. “A Auto Viação Opala está com problemas. A empresa comprou os veículos, mas eles ainda não foram entregues. Por isso demos mais um prazo, de 40 dias, para que ela apresente toda a frota pronta para entrar em operação”, completou Lobo, contradizendo informações dadas por ele, anteriormente, de que os ônibus estavam sendo apenas adesivados para entrar em atividade.

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Kombis ainda são a única alternativa de transporte

A Auto Viação Opala está com problemas. A empresa comprou os veículos, mas eles ainda não foram entregues. Por isso demos mais um prazo, de 40 dias, para que ela apresente toda a frota pronta para entrar em operação Marconi Castro

PREFEITO PAULO LOBO

Edital exigia frota O edital de licitação previa alguns quesitos para declarar a empresa vencedora, um deles, o principal, era o menor preço de tarifa. A Auto Viação Opala apresentou pasCIDADE, Maio de 2007

sagem a R$ 1,40 e venceu a licitação, embora não estivesse adequada às outras exigências do edital, como ter uma frota composta e em condições de atuar na cidade num prazo máximo de 90 dias. Mesmo assim, a empresa ganhou o direito de atuar na cidade. “Buscar outra licitação é complicado. Tentamos várias antes desta e não aparecia ninguém”, comentou Lobo. Na licitação em que a Opala participou e venceu concorreram outras três empresas. “Mas nenhuma tinha potencial”, segundo Paulo Lobo. “Não podemos simplesmente cassar a Opala e dar vez à segunda colocada. Isso é ilegal. Se tivermos que abrir mão desta empresa, seremos obrigados a fazer nova licitação, e isso daria muita dor de cabeça. Por isso decidimos ampliar, mais uma vez, o prazo para que a Opala se instale na cidade”. Enquanto isso, a vaga deixada pelo subsecretário Manuel Soares continua vazia. Primeiro o prefeito Paulo Lobo informou que estaria escolhendo um novo nome para assumir a pasta na semana seguinte à demissão (no mês de março). Agora existem rumores na prefeitura de que a sub-secretaria será extinta, sendo transformada em diretoria de Transportes, ligada à sub-secretaria de Segurança Pública, pasta atualmente ocupada por Paulo César Martins. 23


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CIDADE, Maio de 2007


Divulgação / Way Publicidade

Publicidade

CIDADE fecha parceria com Way Publicidade Da Redação “Fazer uma revista é fácil. Difícil é fazer, junto com ela, o papel de Agência de Propaganda, para poder atender à necessidade dos anunciantes”. Essa é, ou era, a realidade vivida pela publicitária Niete Martinez, diretora da Revista CIDADE, que optou por terceirizar o problema.

DUDU MELLO

Desenvolvemos todo o material de comunicação do cliente

PapiPress

Diante da demanda crescente, e da friense que começou a carreira produzindo constatação de que o mercado ainda não jingles. “Já produzimos mais de cento e trinassimiliou a cultura dos grandes centros, ta jingles para clientes como Tia maluca, onde os anunciantes de médio porte para Lanna Drumond, Sparrow Center, sem concima não abrem mão da assessoria de uma tar a política”. Depois de fazer sucesso com Agência profissional para a seus Jinjles, Dudu sentiu que formulação de seus anúncios, podia ir mais longe. Dono de a revista CIDADE fechou parum talento multifacetado, coceria com a Way Publicidade meçou a criar campanhas pu(www.waypublicidade.com.br), blicitárias completas envolpara poder atender seus anunvendo peças para TV, Rádio, e ciantes, impondo um padrão mídia impressa. de qualidade nas mensagens. “Nós partimos de uma idéia “O ideal é que cada anuncentral e dali desenvolvemos ciante tenha a sua Agência de todo o material de comunicaPropaganda. Mas, como nem ção do cliente com a mesma sempre isso é possível, essa linguagem. Foi o que fizemos foi a maneira que encontramos para a Sensualité, onde desenNIETE MARTINEZ para solucionar o problema e volvemos um trabalho de coO ideal é que dar qualidade aos anúncios da municação completo”. todo revista. E para isso, contamos, Os resultados não demoanunciante agora, com o talento de Dudu raram para aparecer, a carteira Mello e da equipe da Way Pude clientes da Way cresceu a tenha sua blicidade, que passam a responto de exigir mudanças. Agência de ponder pela formulação de toDudu já pensa em mudar sua Propaganda dos os anúncios a serem veiestrutura, hoje instalada na ciculados na revista, exceto aqueles que já dade de São Pedro da Aldeia, para Cabo vêm prontos, através de alguma das boas Frio. “A maioria dos clientes se encontra Agências do mercado”, explica a diretora. aqui, e isso vai aumentar a velocidade no Eduardo Marcelo de Mello Silva, co- atendimento, o que representa mais qualinhecido como Dudu Mello, é um cabo- dade para o cliente.” CIDADE, Maio de 2007

GLOBAL GLOBAL

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A OUTRA CABO FRIO Juliana Vieira

Do petróleo retirado de águas cabo-frienses, 75% está em área que pertence ao Segundo Distrito. O equivalente a, aproximadamente, setenta milhões dos mais de noventa que Cabo Frio arrecada anualmente, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Só que a distribuição de obras e serviços, comandada pelo Primeiro Distrito, não corresponde a essa proporção. Enquanto o centro da cidade foi reformado e equipado, nos últimos anos, a população de Tamoios continua reclamando e exigindo assistência do governo central. A situação levou os moradores a se reunirem, não para buscar melhorias, mas sim a independência. 28

CIDADE, Maio de 2007


Capa

César Valente

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projeto de lei nº 216/2007, de autoria do deputado estadual Paulo Ramos (PDT) que pretendia fazer de Tamoios, Segundo Distrito de Cabo Frio, um município, foi um dos mais polêmicos que já tramitaram na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e dividiu opiniões transformando o plenário da Assembléia em um verdadeiro ringue. A iniciativa de Ramos não foi à frente, e ele teve esta certeza no dia 10 de abril quando membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) deram o parecer negativo à iniciativa, alegando que o projeto era inconstitucional. Apresentado em 20 de março deste ano, o projeto naufragou já na primeira das Comissões onde deveria ser analisado. A novidade já não vinha agradando os deputados da Região dos Lagos que não viam com bons olhos a sua aprovação, mas nem isso diminuía o entusiasmo do deputado Paulo Ramos. Ele contou à CIDADE que desde o ano passado participava de reuniões com os moradores de Tamoios. “Quando compareço é uma manifestação tão contundente que não dá para acreditar que exista alguém contra”, disse antes do parecer negativo da CCJ. Depois de ver seu projeto de lei ir por água abaixo, o deputado deu a entender que já sabia que a proposta de emancipar Tamoios poderia ser considerada inconstitucional. “Eu só queria trazer o debate ao Plenário, para que não ficasse restrito à Comissão de Constituição e Justiça”, afirmou Ramos em um discurso inflamado no dia 11 de abril. Não houve como passar despercebida a batalha que foi travada na Alerj pelos deputados Paulo Ramos e Alair Correa (PMDB). O ex-prefeito de Cabo Frio, que também é membro titular da CCJ, foi o primeiro parlamentar a demonstrar seu descontentamento com a proposta apresentada. “Eu pensei que demoraria mais uns dois, três anos para conseguir uma grande vitória, mas com a ajuda de homens de bem que integram a Comissão de Constituição e Justiça vimos a justiça prevalecer nesta Casa”, comemorou o peemedebista. Antes de tomar conhecimento do parecer da CCJ — a Comissão mais poderosa da Alerj e que tem o deputado Paulo Melo (PMDB) como presidente — Paulo Ramos chegou a fazer insinuações contra Alair. “ Quem é contra deve fazer encontros para mobilizar todos os contrários a esta decisão. Eu quero ver o contra-cheque dos que são contra a emancipação de Tamoios”, alfinetou ele.

Acusações contra a CCJ

Rua central de Tamoios Segundo Distrito de Cabo Frio

A Comissão de Constituição e Justiça tem a competência de apreciar todos os projetos que tramitam na Assembléia Legislativa antes que eles sejam votados em plenário. Paulo Ramos tornou a tarde do dia 10 de abril em uma das mais quentes já assistidas no plenário Barbosa Lima Sobrinho. Ele acusou os deputados Paulo Melo e Alair Corrêa de terem lhe dado uma “pernada” ao antecipar a reunião da CCJ para avaliar a constitucionalidade do projeto que pedia a emancipação de Tamoios. “Sempre imaginei que numa Casa Legislativa devêssemos nos orientar pelo confronto das idéias, da sustentação política. Não poderia imaginar que o Sr. Deputado Alair Corrêa pudesse ter procedido da forma como procedeu. Não vou dizer que o Sr. Deputado Alair Corrêa tenha agido com esperteza, agiu com a falsa malandragem que não enriquece o parlamento estadual”, esbravejou Ramos. A resposta, em defesa de Alair foi dada primeiramente pelo presidente da CCJ, Paulo Melo. “Acho que houve um grande mal-entendido, com a maior sinceridade, porque na ocasião em que V. Exa. me ligou eu estava indo para Brasília para a posse Ministro Lupi. Eu retirei de pauta e não houve nenhum contratempo. Ontem eu mesmo fui avisar a V. Exa. e à sua secretária. Acho que não foi esperteza, foi um mal-entendido”, retrucou Melo em plenário. Não satisfeito Paulo Ramos se alterou e não pensou duas vezes ao afirmar que “depois de um embate desagradabilíssimo na Comissão de Constituição e Justiça não houve mal-entendido, houve malandragem mesmo”. A troca de farpas não terminava ali, desta vez o canhão chamado Paulo Ramos foi apontado em direção ao ex-prefeito cabo-friense. Até as contas da Prefeitura de Cabo Frio foram alvo das citações do parlamentar. CIDADE, Maio de 2007

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Fabiano Veneza

Capa

PAULO RAMOS

Na propaganda de Cabo Frio Paulonunca Ramosfalam do segundo “Os moradores lembram édeocomo Rio das Ostras era e de como está agora,” distrito. Tamoios primo

pobre de Cabo Frio

Início do Assunto Mas como nasceu a idéia de emancipar o segundo distrito de Cabo Frio? Foi esta a primeira pergunta que o deputado Paulo Ramos respondeu à CIDADE. “O assunto veio até mim pelos moradores porque eu era presidente da Comissão de Assuntos Municipais da ALERJ”, esclarece ele que reconheceu já ter passado por Tamoios mesmo sem saber que se tratava de um distrito cabo-friense. “Quando ia a Rio das Ostras ou a Arraial do Cabo e passava por Tamoios, eu nunca imaginava que estivesse passando por Cabo Frio. Eu achava que Ta30

moios era de Casimiro de Abreu”, declarou. Paulo Ramos é taxativo ao declarar que não encontrou, em Tamoios, ninguém contrário à emancipação. “Os moradores lembram de como Rio das Ostras era e de como está agora,” argumenta referindo-se ao cres-

A população não precisa de Sabino O ex-prefeito de Rio das Ostras e atu- cipação”, afirmou o secretário. “Percebi a al secretário estadual de Trabalho e Ren- convicção dos moradores pela emancipada, Alcebíades Sabino, foi apontado ção, não fui eu e nem o deputado Paulo como o precursor do “movimento eman- Ramos. Nunca me coloquei nesta posição,” cipa- cionista”. Um que declarou aos qua- explicou. tro cantos sua insatisfação Quanto ao assunto o secom a atitude de Sabino foi cretário não tem dúvidas ao Alair Corrêa. “Na última eleiressaltar que os moradores ção, o deputado e secretáde Tamoios se espelham no rio de Trabalho, Sr. Sabino, que aconteceu com Rio das trouxe o movimento de Ostras. “O que vejo em emancipação para nos tirar Tamoios é o que via em Rio o nosso último distrito”, das Ostras, eles têm esse dedisse ele. sejo. O sentimento de O secretário Sabino esTamoios hoje é o mesmo que clareceu e afirmou que esRio das Ostras tinha há 16 teve em Tamoios para uma anos. Pode demorar muito ALCEBÍADES SABINO reunião a convite de uma tempo, mas quando esse dePode demorar escola de samba e foi sursejo está na população não muito tempo, mas preendido ao chegar ao lotem jeito. A população não quando esse desejo precisa de Sabino, nem de cal com a enorme quantidaestá na população de de pessoas que o aguarninguém, porque ela já sabe davam. “Nem conhecia o o que quer”, finalizou ele. não tem jeito projeto de lei do deputado Alcebíades Sabino ainda Paulo Ramos, para mim seria um encon- destacou que durante a reunião em Tamoios tro apenas com a diretoria da escola”, foi informado que Tamoios não fazia parte contou Sabino. do mapa turístico de Cabo Frio. “Em uma Para ele o convite surgiu devido a sua rápida busca no site da Prefeitura de Cabo posição como presidente da então Co- Frio não foi possível encontrar nada sobre missão Pró-Emancipação de Rio de Os- Tamoios no mapa turístico do município. tras, há 16 anos. “Fui lá apenas para ex- Não há menção do segundo distrito”, conplicar como se faz todo processo de eman- tou. Arquivo

“O Deputado Alair Corrêa distribuiu uma belíssima revista enaltecendo, por justos motivos, Cabo Frio. Aliás, é uma belíssima revista, impressa em papel de primeira, todo colorido. Não sei quantos exemplares foram impressos, mas acredito que essa propaganda tenha sido paga com recursos públicos. A própria revista distribuída pelo Sr. Deputado Alair Corrêa é o principal atestado do abandono vivido pela população de Tamoios”, disparou referindo-se a uma revista feita como uma espécie de prestação de contas pouco antes de Alair deixar a Prefeitura de Cabo Frio, em seu último mandato. Alair Corrêa bem que tentou responder às acusações, porém não havia mais tempo para se inscrever e discursar naquela tarde de 11 de abril. Como último recado Paulo Ramos causou mal estar ao afirmar que “ele (Alair) futuramente será novamente candidato a prefeito, mas estou convencido de que, sendo candidato a prefeito, o Deputado Alair Corrêa será rechaçado no distrito de Tamoios. Vamos esperar que haja pelo menos uma disputa democrática em Cabo Frio e que a população de Tamoios possa contribuir para a eleição de outro candidato”.

cimento do município após sua emancipação 15 anos atrás. E ele não pára por aí. “Compreendo as razões, mas não os argumentos do deputado Alair Corrêa. O sentimento de amor por Cabo Frio é confrontante com o que a população de Tamoios quer. Os prefeitos nunca deram atenção a Tamoios. Não havia nem agência bancária e só agora vai ter Correios”, declara Paulo Ramos. O autor do projeto que mexeu com os nervos de muita gente também critica ações turísticas que são realizadas no primeiro distrito. “Na propaganda de Cabo Frio nunca falam do segundo distrito. Tamoios é o primo pobre de Cabo Frio”, desabafa. Apesar da derrota na CCJ, a Comissão Pró-Emancipação de Tamoios não se deu por vencida. Já no dia 26 de Abril, entregava um ofício a todos os deputados convidando-os para o "Encontro pela Emancipação de Tamoios", com data marcada para o dia 11 de maio.

CIDADE, Maio de 2007


César Valente

O movimento de emancipação está arquivado Para o deputado estadual e ex-prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa, a emancipação do Segundo Distrito de Cabo Frio representaria a falência do município. O deputado também se defende das acusações de que não teria feito os investimentos necessários no local, provocando com isso o surgimento do sentimento separatista. A população de Tamoios se queixa de abandono e alega injustiça na aplicação dos recursos provenientes dos royalties do petróleo. Qual o critério usado para a aplicação desses repasses durante os oito anos de sua gestão como prefeito de Cabo Frio? Enquanto estive a frente da Prefeitura de Cabo Frio, investimos e muito no 2º Distrito. Construímos uma orla de 6 Kms, com pedras portuguesas e quiosques, enquanto no 1º Distrito, em diversas praias somamos 2,5 Km. Sem esquecer que ao assumir a prefeitura, Tamoios era um verdadeiro lixão. Inicialmente resolvi esse problema e passamos então a investir com a colocação de 400 super-postes a fim de que reduzíssemos o índice de atro-

pelamentos, até então alto no local. Construímos o Hospital de Tamoios e o PAM de Santo Antônio, visando maior conforto dos moradores que apenas em casos especiais precisam deslocar-se para atendimento médico. Colocamos água em Santo Antônio e pavimentamos várias ruas. Também construímos a Escola Professora Marli Capp, para atender aos jovens que até então precisavam vir para o 1º Distrito cursar o Ensino Médio e a Escola Lucilea Silveira. É importante ressaltar que o Ensino Médio é competência do Estado. Na sua visão, o que representará para o município de Cabo Frio a emancipação do Segundo Distrito? Verdadeiramente não representará. Representaria a falência do nosso município; causando um verdadeiro caos em todos os âmbitos da sociedade. Não conseguiríamos manter os hospitais, prejudicando nossa população e a da redondeza que atualmente é atendida em Cabo Frio. Temos 75 escolas e não poderíamos arcar com todas as despesas; teríamos várias crianças fora das salas de aula, o que causaria um transtor-

ALAIR CORRÊA

A Emancipação de Tamoios representará a falência do nosso município no social. A circulação do dinheiro seria reduzida ao extremo e nossos comércios não sobreviveriam. Atualmente a Prefeitura de Cabo Frio auxilia dois mil universitários com bolsas de estudo, o que seria inviável; sendo assim, muitos teriam que deixar seus cursos. Como deputado, o senhor tem projetos de melhorias e incentivos ao desenvolvimento para o local? Quais? Tentar junto a Prolagos, a extensão das tubulações de água para todas as residências. Me reunir com os emancipacionistas para projetar um novo distrito a partir do novo momento. O movimento de emancipação está arquivado.

Um Município com 70 km² Se a emancipação do distrito de Tamoios fosse aprovada pelos deputados estaduais e sancionada pelo Governo do Estado, Cabo Frio passaria a ser uma das menores cidades do Estado do Rio de Janeiro com apenas 70 km² de extensão, atrás apenas de Armação dos Búzios com 69 km² e Iguaba Grande com 54 km². Os dados são do recente levantamento feito pelo IBGE em 2006. Na Região dos Lagos, Cabo Frio ficaria menor que Arraial do Cabo, que tem 152 km², Rio das Ostras com 231 km², São Pedro da Aldeia com 340 km², Saquarema com 355 km² e Araruama com 634 km².

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César Valente

Capa

SEM DIVISÃO O

Discrição No governo de Cabo Frio, o assunto é tratado com discrição. O prefeito Marcos da Rocha Mendes (PMDB) evitou falar do assunto enquanto o processo tramitava na Alerj, mas declarou, com exclusividade à CIDADE, que não está preocupado com uma solicitação “da minoria”, e que o projeto “não vai vingar”. “Estamos investindo mais de trinta e sete milhões de reais em obras apenas neste ano. Coisa que nenhum prefeito fez. Além disso, o projeto (de emancipação) é inconstitucional. Por isso tenho certeza que não vai vingar”. Entre as últimas obras inaguradas pela prefeitura, estão as unidades do Banco do Brasil, Correios, Sebrae e Acia (Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio), além de um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). O presidente da Câmara de Vereadores, Luis Geraldo (PPS), vai além, e diz que o sentimento de revolta, por parte dos moradores de Tamoios, será “atenuado”, pelas realizações do governo atual. 32

Na boca do povo Não se fala em outra coisa nas ruas do Distrito de Tamoios. Em bares, praças, escolas e nos pontos de ônibus, o assunto é sempre a emancipação. Na visão da maioCIDADE, Maio de 2007

MARCOS MENDES Prefeito de Cabo Frio

Trinta e sete milhões de reais em obras apenas neste ano César Valente

processo de emancipação do Segundo Distrito de Cabo Frio foi arquivado na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas a luta pela independência continua em Tamoios. Nas ruas, os moradores se mostram cada vez mais interessados em discutir o tema e, entre as lideranças do Grupo Emancipação Já, o sentimento é de vitória. “Não nos sentimos derrotados, pelo contrário. A emancipação não veio mas as obras chegaram”, diz o presidente do grupo Jorge Mariano Pereira Filho, o Katespero. Ele garante que o processo não chegou ao fim, e que terá a ajuda de deputados estaduais para levar o sonho adiante. “Nunca contei com o Paulo Ramos (PDT – deputado que protocolou o pedido de emancipação na Alerj). Ele quer apenas se promover politicamente. Tenho contato com outros deputados, mas prefiro não dizer os nomes para não atrapalhar a negociação”.

“Foi uma escolha deste grupo político que a urbanização começasse pelo centro da cidade. As obras que estão sendo feitas agora fazem parte do cronograma que estava previsto”, disse, afinando o discurso com o do deputado estadual Alair Corrêa (PMDB). Para Luis Geraldo, a partilha da cidade, como foi proposta pelos emancipacionistas, prejudicaria o Primeiro Distrito que, segundo ele, consome aproximadamente 80% da receita municipal. “A estrutura que foi montada no centro da cidade consome quase 80% da receita. E mais de 70% dos royalties do petróleo vêm da área territorial em que fica o Segundo Distrito. A separação, como foi proposta, deixaria o centro sem condições financeiras de se sustentar”, alegou o presidente da Câmara. O vereador Jânio Mendes (PDT), de oposição ao governo, tem outra visão. Ele é a primeira autoridade com cargo público a dizer que o processo de emancipação de Tamoios é “irreversível”, e que a cidade deve se preparar para a separação. “A população de Tamoios deve amadurecer a idéia e tem alguns passos a seguir. Primeiro, precisa eleger vereadores e construir lideranças do local, que estarão à frente de uma futura administração de Tamoios. Assim os cabo-frienses irão se adaptar à idéia da divisão do município”, declarou, acrescentando que defende uma redistribuição territorial. “Cabo Frio deve manter uma área rural. Minha proposta é que o limite da cidade vá até a RJ-106, próximo ao Rio Una, com Maria Joaquina no nosso território”. Sobre royalties, Jânio pensa que o fim desse repasse deve ser tratado como uma realidade. “Os royalties vão acabar sim, porque o petróleo é uma riqueza finita, e não pela emancipação de Tamoios. Precisamos pensar em Cabo Frio com fontes alternativas de riqueza”.

DALVO CUNHA JORDÃO

Essa discussão está fazendo muito bem para nós, porque antes ninguém ligava para o bairro César Valente

Tomás Baggio

VANDA FÉLIX

Não faço nada em Cabo Frio. Para mim, aquilo é o fim do mundo


Marconi Castro

César Valente

Precisamos pensar em Cabo Frio com fontes alternativas de riqueza

César Valente

VEREADOR JÂNIO MENDES

A reivindicação é justa, porque os governos anteriores nos deixaram abandonados

César Valente

ALMIR NAVAL Presidente da Amba

JORGE MARIANO PEREIRA FILHO Katespero

Não nos sentimos derrotados, pelo contrário. A emancipação não veio mas as obras chegaram

MARCELA GUIMARÃES

Precisamos de uma faculdade CIDADE, Maio de 2007

ria dos moradores, essa seria a solução para os problemas que enfrentam, mesmo sem saber, ao certo, como a independência poderia ajudá-los. Muitos citam o exemplo de Rio das Ostras, e sonham com um futuro semelhante. É o caso da aposentada Vanda Félix, que nasceu e sempre viveu em Aquárius, o maior bairro do Distrito de Tamoios. Ela considera Cabo Frio “o fim do mundo”. Diz que é muito difícil chegar no centro, e, quando precisa de serviços públicos, como atendimento de saúde, vai a Rio das Ostras ou Macaé. “Não faço nada em Cabo Frio. Para mim, aquilo é o fim do mundo. Sempre que preciso de algum atendimento de saúde vou a Rio das Ostras ou Macaé. Por isso quero a separação total. Sonho em ter os serviços que preciso na minha cidade”. Para o presidente da Associação de Moradores do Bairro Aquárius (Amba), Almir Naval, o movimento foi causado por um sentimento de “abandono”, causado, segundo ele, pela atuação de governos anteriores. “Como presidente de uma ONG, acho melhor não externar uma posição sobre o assunto. Mas a reivindicação é justa, porque os governos anteriores nos deixaram abandonados. Principalmente o de Alair, que teve os royalties mas não fez obras aqui”, afirma Naval. A estudante Marcela Guimarães, de 17 anos, quer ver Tamoios independente de Cabo Frio. Ela diz que não agüenta ver o contraste entre o centro da cidade e o Segundo Distrito, e faz um pedido aos governantes. “Precisamos de uma faculdade” diz, pensando num futuro próximo. O comerciante Celso Carlos Nunes discorda da separação. Na opinião dele, Tamoios não tem estrutura para se manter como cidade. Ele questiona sobre a forma que o local teria para se manter financeiramente e ilustra com um exemplo: “Quando o filho sai de casa tem que ter condições de fazer tudo sozinho”. O aposentado Dalvo Cunha Jordão tem a mesma opinião que Celso. Ele pensa que Tamoios não poderia dar um passo tão largo, mas considera a discussão sobre o assunto positiva. “Essa discussão está fazendo muito bem para nós, porque antes ninguém ligava para o bairro. Agora, as pessoas estão se interessando sobre o que acontece por aqui”, acredita. 33


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Topo de morro é Área de Preservação Permanente (APP), segundo o Código Florestal Brasileiro - Lei 4.771 de 15/09/1965, artigo 2º, inciso d. Regulamentada pelo inciso V, do artigo 3º da resolução 303 do CONAMA, de 20/03/2002.

Devastação ambiental em Búzios Ricardo d’Ângelo paraíso já não é mais o mesmo. Onde antes existia um cacto endêmico agora surgirá uma mansão. Onde antes se avistava o perfil de uma aldeia de pescadores, agora se verá um telhado. Onde antes era passagem para um dos melhores pesqueiros da cidade, agora será uma linda piscina, de um azul que combine com o mar. Os ambientalistas, os pescadores, os técnicos, e o povo em geral, olham, e garantem se tratar de topo de morro. Os construtores, sacarão o artigo XIII da resolução 303 do CONAMA, para comprovar que se trata de Área Urbana Consolidada. Questionados, os responsáveis preferem se refugiar no providencial silêncio que embala o berço da impunidade. Laudos para todos os gostos, pareceres, nada a opor, licenças provisórias, direito de protocolo, projetos de gaveta, obras relâmpago, cartasconsulta, ação cautelar. O meio ambiente, na cidade de Armação dos Búzios, deixou de ser um caso de simples interpretação visual, para se transformar em um emaranhado de possibilidades técnicas e advocatícias, onde tudo é possível, já que cada um escolhe a definição que quer dar ao lugar onde deseja construir. Assim, Áreas de Proteção Permanente são covardemente invadidas e se transformam em residências unifamiliares com mais de 1.000m², ou loteamentos, onde se usa como atrativo para a venda dos lotes, o apelo: "Ao lado de Área de Proteção".

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Obra sem licença ambiental em topo de morro no bairro da Ferradura, em Búzios. Fotos cedidas pelo agente regional da Feema, Carlos Alberto Muniz, que fez o auto de constatação da irregularidade.

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Meio Ambiente Com a criação de uma agência ambiental, reunindo Feema, IEF e Serla, simplificaremos os procedimentos, com mais agilidade e menos corrupção localizada Niete Martinez partir deste ano, o sistema de licencimanto ambiental deixará de ser competência exclusiva da Feema (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente). O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, explica as razões da mudança e diz que o trabalho de dragagem na Lagoa de Araruma já retornou. Acompanhe a entrevista exclusiva.

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tomadas de imediato, com o intuito de melhorar os planos de emergência, a ampliação do monitoramento sistemático e o atendimento à saúde. Reunimos com a Agência Reguladora de Energia e Saneamento para a liberação de recursos, antecipando a conclusão do saneamento da Lagoa de Araruama e da Bacia do Rio São João de vinte para cinco anos. Solicitei rapidez na aprovação de proposta da Pró-Lagos e Águas de Juturnaíba quanto à liberação de R$ 77 milhões destinados às obras de saneamento. O pleito decorre da mais recente mortandade de peixes ocorrida na Lagoa de Araruama, na Região dos Lagos. Os processos, que possibilitam a aplicação destes recursos pelas concessionárias, estão sendo analisados pela Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio de Janeiro) desde agosto do ano passado. As concessionárias necessitam da aprovação da agência para iniciar a aplicação dos recursos o quanto antes em obras de saneamento na Região dos Lagos, como a construção de redes coletoras e Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). Em Cabo Frio, nós estamos ampliando o trecho que liga o Canal do Itajuru à Lagoa de Araruama, embaixo da nova ponte. Isso permitirá renovar a água da lagoa em cerca de 80% e o aumento da profundidade do trecho facilitará a navegação de embarcações maiores. O trabalho de dragagem foi retomado pela Serla, órgão da Secretaria do Ambiente.

Divulgação

Como será o trabalho de licenciamento ambiental, a partir da implantação da parceria entre a Feema com o IEF (Instituto Estadual de Florestas)? Haverá um esvaziamento da Feema? Uma das principais atuações da secretaria vem sendo a reestruturação dos órgãos ambientais que estão sucateados e desmotivados. Com o nosso projeto de criação de uma agência ambiental, reunindo os órgãos ligados à secretaria – Feema, IEF e Serla (Superintendencia Estadual de Rios e Lagoas) –, o O senhor anunciou a implantação do Programa de Educação que deverá ocorrer até o final do ano, simplificaremos os proceAmbiental nas escolas públicas. Como é, e quando começará a dimentos, com mais agilidade e menos corrupção localizada. funcionar nas escolas do interior do estado? Não tem sentido haver três licenciamentos, três fiscalizações, Estamos investindo na integração com as secretarias de três bibliotecas, três divisões de educação ambiental. Educação e de Ciência e Tecnologia paA partir da realização de concurso ra implementar a Lei de Educação público para 100 técnicos, direcionando CARLOS MINC Ambiental em todas as escolas públiboa parte para as seis agências regio- Secretário Estadual do Ambiente cas estaduais em que cada uma adotanais do interior que estamos criando e rá rios, encostas e implantará a rereforçando, poderemos desconcentrar ciclagem de lixo. No próximo dia 25 (do os órgãos e atuar diretamente junto aos mês de abril), estarei lançando, na Uerj ecossistemas. Ao desconcentrar a fisca(Universidade Estadual do Rio de Jalização e o controle, trabalharemos junneiro), o Programa de Educação Amto aos municípios de forma integrada. biental nas escolas públicas. O objetiPor decretos e convênios, passaremos vo é formar, aproximadamente, 600 propara as prefeituras que estejam capacifessores, por ano, em educação amtadas todos os licenciamentos de ativibiental, para atuar nas escolas da rede dades de menor impacto ambiental, pública estadual. É fundamental que como prédios e postos de gasolina que haja uma mudança de comportamento hoje estão na Feema na mesma pilha que das pessoas no que diz respeito à preas siderúrgicas, tornando mais lento o servação da natureza, e isso deve cotrabalho de licenciamento. A idéia é de meçar nas escolas. É por isso que que a Feema fique encarregada apenas estamos lançando esse programa. A de analisar licenciamentos ambientais idéia é de que os alunos aprendam, na para grandes empreendimentos como, prática, como é importante preservar a por exemplo, os que serão concedidos natureza, evitando queimadas, desmapara a instalação do Complexo Petrotamentos e construções irregulares em químico do Rio de Janeiro (Comperj). áreas de preservação ambiental. Não se O senhor tem conhecimento dos trata de mais uma matéria de decoreba problemas ambientais que continuam a de quadro negro. A idéia é de que as afetar a Lagoa de Araruama? escolas adotem uma encosta, uma lagoa, construam um horto, ensinem as Nesse começo de gestão, me depacrianças a fazer brinquedos com materei com muitos acidentes ambientais rial reciclável. Enfim, será uma disciplicomo o da empresa Bayer S.A, na Baixana mais lúdica. da Fluminense, e decisões estão sendo CIDADE, Maio de 2007

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PapiPress

Armação dos Búzios

CREA discute Ética em Búzios

Luigi do Valle om o objetivo de preservar a cidade de Armação dos Búzios e fazer com que o exercício profissional seja praticado com respeito e eficiência, o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), através de sua Coordenação Regional Leste, promoveu no dia 18 de abril um seminário sobre Ética Profissional e Sustentabilidade. O evento que aconteceu no Centro de Convenções do Hotel Atlântico e contou com a presença do presidente do órgão, Reynaldo Barros, do secretário de Meio Ambiente de Búzios, engenheiro Marcelo Haddad, inspetores da região, geógrafos e diversos associados, mostrou, através de nove palestras, temas de interesse relevante para região. A primeira palestra, ministrada pelo geógrafo do Departamento de Recursos Minerais (DRM), Antonio Soares da Silva,

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tratou de um tema de suma importância para a preservação ambiental da cidade de Búzios: a proteção das áreas de Costões Rochosos. Segundo Antonio Soares, a beleza da península de Búzios e suas características ambientais, fazem com que o município seja um dos mais importantes pólos turísticos do país. No entanto, uma visão equivocada desse turismo e a falta de limites à ocupação humana, colocam sob constante ameaça a preservação desses patrimônios naturais. De acordo com o geógrafo, um importante trabalho de mapeamento das áreas de proteção permanente (APP) foi feito no ano de 2003, a pedido do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), visando a salvaguarda de duas áreas tombadas pelo instituto e áreas de Costões Rochosos. “As rochas desta área têm um valor científico inestimável, pois registram parte da história evolutiva. Trata-se de um museu natural que precisa ser CIDADE, Maio de 2007

visitado pelas futuras gerações”, disse. No encontro, o presidente do CREA, Reynaldo Barros, falou da ocupação desordenada e da favelização das cidades, como um grave problema do Brasil que deve ser resolvido o mais rápido possível. “Estamos vendo o crescimento desordenado das cidades, um processo de criação de conglomerados urbanos que não possuem a mínima estrutura de saneamento básico, moradia adequada, entre outras coisas. Precisamos reavaliar nossa função, exercer nosso trabalho, para que possamos construir um espaço urbano, que garanta qualidade de vida a todos”, ressaltou. Segundo a coordenadora da Regional Leste do CREA, a arquiteta Jussara Lemos, o primeiro encontro regional foi realizado em Búzios porque existe um grande interesse em se preservar a área geográfica da cidade e mostrar que o exercício profissional dos engenheiros e arquitetos devem


Descentralização Visando dinamizar os atendimentos para uma melhor fiscalização nas regiões do interior do estado, o CREA iniciou um processo de descentralização, ao criar a Primeira Coordenação Regional. Segundo a coordenadora Jussara Lemos, o principal objetivo é focar nos problemas profissio-

Filmers 9900/majo

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Precisamos reavaliar nossa função, exercer nosso trabalho, para que possamos construir um espaço urbano, que garanta qualidade de vida a todos REYNALDO BARROS presidente do CREA/RJ

Começamos com Búzios porque permanece uma grande dificuldade de entendimento com os profissionais da cidade. Existe um conflito do licenciamento, uma falta de conhecimento de toda a legislação.

Filmers 9900/majo

ser feitos com ética. “Começamos com Búzios porque permanece uma grande dificuldade de entendimento com os profissionais da cidade. Existe um conflito do licenciamento, uma falta de conhecimento de toda a legislação. Então a nossa preocupação é de preservar Búzios e fazer com que as rotinas profissionais sejam exercitadas com eficiência”, disse Jussara Lemos. Um dos temas mais debatidos no encontro foi a respeito da manifestação pública dos profissionais do CREA que resultou na elaboração da Carta de Rio das Ostras em outubro de 2006. Segundo o Inspetor de Búzios, engenheiro Francisco Salles, a carta foi um documento desenvolvido em uma reunião do CREA realizada na cidade de Rio das Ostras, aonde inspetores de diversos municípios denunciaram uma série de facilitações que os profissionais, sejam de cargo de confiança ou concursados, dispõem quando trabalham dentro de uma prefeitura. De acordo com o inspetor Salles, esses profissionais que exercem cargo público nas prefeituras, lotados na Secretaria de Planejamento, recebem projetos, analisam e o aprovam, ou seja, ele faz e ele próprio aprova. “Assim fica muito fácil. Agora, se um engenheiro de fora da prefeitura faz um projeto, um montante de burocracias são exigidas, demorando o licenciamento do projeto. E necessário ter o mínino de ética para fazer as coisas”, reclamou o inspetor.

JUSSARA LEMOS Cordenadora da Regional Leste do CREA, a arquiteta

Se um engenheiro de fora da prefeitura faz um projeto, um montante de burocracias são exigidas, demorando o licenciamento do projeto. E necessário ter o mínino de ética para fazer as coisas FRANCISCO SALLES Engenheiro nais da Região, no cumprimento da legislação e no atendimento a sociedade. Além de proporcionar maior autonomia aos inspetores regionais. De acordo com a coordenadora, a Regional Leste atende aos municípios de Rio das Ostras, Cabo Frio, Armação dos Búzios, Macaé e Araruama. “Em todo o estado do Rio de Janeiro, os muni-

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cípios são muito diferenciados. Não temos como criar uma coordenação para cada município do estado. Mas, pelo menos, ao criar uma regional para um grupamento de municípios que tivessem mais ou menos a mesma perspectiva, estamos criando uma maior proximidade dos profissionais com a sociedade”, ressaltou.

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Pedro Campos

Uma prova de resistência Transararuma chega à 26ª edição sendo a mais tradicional e divertida regata da região Pedro Campos nicialmente, não passava de uma brincadeira entre windsurfistas, promovida na praia das Palmeiras, em Cabo Frio. Por causa das estacas, fincadas por pescadores, os organizadores optaram por transferir o evento para Araruama. Numa roda de amigos,o dr.Milton Menezes Araújo idealizou a regata ligando os dois pontos, (Araruama – Cabo Frio) cobrindo toda a extensão da lagoa, e ele mesmo, num carnaval, inaugurou a regata, que passou a se chamar Transararuama.

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A regata conta com 3 pontos de partida: Cabo Frio, de onde larga a classe lazer. Araruama, de onde partem os barcos da classe optimist, e São Pedro da Aldeia, de onde saem as demais embarcações inscritas. O sistema de largadas equaliza os diferentes desempenhos dos barcos, que completam o percurso em 6 horas. Segundo Gyorgy Szendrodi, “os organizadores adotam um caráter liberal

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quanto às classes inscritas.E, desde que hajam 3 inscritos de determinada categoria, a mesma já se torna premiável”. Na 26ª edição, o velejador Marco Antônio chegou em primeiro lugar. Em segundo ficou Thamiris Barbosa, ambos à bordo de optimists. E, em terceiro lugar, chegou Ayrton Von Suhsten, velejando em um hobie cat.


Descomplicando Walter Luiz e Solange Plácido é o que se pode chamar de casal descomplicado. Casados há onze anos, os dois trabalham juntos como despachantes, resolvendo todos aqueles problemas que não temos paciência para encarar . A boa performance do casal não é por acaso. Walter tem 25 anos de experiência no setor. Começou com o pai , em 1982, e agora continua a atividade com Solange.

Gente Fotos: Filmers 9900/Majo e PapiPress

Ié, Ié.. Um dos maiores sucessos do rádio cabo-friense, e regional, está de volta. Ariel Vilanova, o comunicador que explodia, literalmente, as linhas telefônicas de Arraial do Cabo com o seu imbatível “Sucesso dos Bairros”, transmitido pela Rádio Litoral , agora toma conta da noite da Ondas FM.

80 anos O professor Leodegário A de Azevedo Filho, comemorou seus oitenta anos com amigos e familiares em sua casa nas Palmeiras, em Cabo Frio. Professor Emérito da UERJ e presidente da Academia Brasileira de Filologia, o professor Leodegário é considerado pela crítica especializada como o maior estudioso da obra de Camões. O prefessor tem mais de 70 livros publicados e é quase um cabo-friense. Frequentador de Cabo Frio desde 1944, mantém uma casa na cidade, onde sempre passa os fins de semana. Receita para se manter jovem? “Ter a mente sempre ocupada”, ensina.

Herói da resistência Ruy Borba Filho deu uma demonstração de força e competência ao comemorar os três anos de circulação do jornal Primeira Hora com um mega evento na Fundação Bem Te Vi, no bairro da Rasa, em Búzios. Mais de mil pessoas, entre autoridades, personaliades e o povo da comunidade local, atendida pela Fundação que preside, comparecem em massa para abraçar Ruy, que mostrou, numa noite memorável, toda a força de sua obra social, e seu prestígio junto aos segmentos mais expressivos da sociedade buziana e regional. Verdadeiro herói da resistência aos desmandos públicos e privados, seu jornal tornou-se a voz dos excluídos pelas outras mídias e um “calo” difícil de ser administrado por seus adversários. CIDADE, Maio de 2007

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Novos prazos para as obras

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Região

Governador Sérgio Cabral visita Cabo Frio e anuncia entrega do Aeroporto para agosto, e nova RJ-140 para setembro

epois de meses de adiamento, a obra de duplicação da RJ-140 (que liga São Pedro da Aldeia à Cabo Frio) tem nova data de inauguração: dia seis de setembro, véspera do feriado da Independência do Brasil. O anúncio foi feito pelo governador Sérgio Cabral Filho, que no último dia nove vistoriou a obra de perto. Antes desta visita, o secretário estadual de Obras, Luiz Fernando Pezão, havia anunciado a inauguração para o mês de julho. A idéia, segundo o governador, é inaugurar a RJ-140 com um grande desfile cívico. “A idéia foi do deputado estadual Alair Corrêa, e achamos excelente, principalmente por ocasião da data: véspera do feriado da Independência do Brasil”. As obras de duplicação da pista e construção das pontes da Ponta do Ambrósio e Canal Palmer tinham prazo inicial de inauguração para agosto do ano passado, e por fim até trinta de dezembro último. Mas foram paralisadas em novembro por falta de verba, segundo a ex-governadora Rosinha Matheus. A nova rodovia terá uma extensão de quatorze quilômetros duplicados, acabando com os extensos congestionamentos entre Cabo Frio e São Pedro da Aldeia. A nova ponte sobre o Canal do Itajuru terá quatro pistas (duas em cada sentido), além de vias de pedestres e bicicletas. Haverá, ainda, a ampliação do vão do canal de trinta para trezentos metros, aumentando sua profundidade de um para três metros. Com o alargamento do Canal do Itajuru,

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se espera que a renovação das águas da lagoa chegue a 80%. O aumento da profundidade no local facilitará a navegação de embarcações maiores, incrementando o Turismo. O trabalho de dragagem será feito pela Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), órgão da Secretaria estadual do Ambiente. “Assim, a Lagoa de Araruama será revitalizada, e dois mil novos empregos poderão ser gerados diretamente, além dos indiretos por conta do turismo”, comentou o governador.

Mais Obras O pacote de obras para a região inclui, ainda, um trevo para melhorar os acessos a Búzios e Rio das Ostras, ao lado da Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia. O governo do Estado já gastou R$ 180 milhões com esta obra, e deverá investir mais R$ 38 milhões para a sua conclusão. Na ocasião da visita à Cabo Frio, Cabral também prometeu entregar a obra de ampliação do Aeroporto da cidade: “minha equipe disse que a obra fica pronta em noventa dias, mas não sou tão otimista, e prefiro anunciar a entrega para daqui a cento e vinte dias”, explicou o governador. Embora o dinheiro do governo federal estivesse disponível desde 2004, atrasos na liberação dos recursos prejudicaram o andamento da obra de ampliação do Aeroporto Internacional de Cabo Frio. Na época, a então governadora Rosinha Matheus tentou livrar-se da responsabilidade pelo atraso: “O aeroporto de Cabo Frio é uma responsabilidade do governo federal. O

governo do Estado está fazendo uma fase, uma primeira etapa deste aeroporto, que não é compromisso nem responsabilidade minha. Se ficar pronto, inauguro. Se não ficar, não inauguro”. Também faz parte dos planos do governo estadual a duplicação da RJ-102 (Estrada do Guriri), que recentemente foi pavimentada e é a opção mais rápida entre Cabo Frio e Búzios. A estrada, que começa na Rua dos Biquínis, em Cabo Frio, será o principal acesso a empreendimentos turísticos de luxo, projetados para a área da Praia do Peró, dentre eles, um resort da cadeia do Club Mediterranée. César Valente

Cristiane Zotich

SÉRGIO CABRAL FILHO Governador do Rio de Janeiro

A Lagoa de Araruama será revitalizada, e dois mil novos empregos poderão ser gerados diretamente, além dos indiretos por conta do turismo

“O aeroporto de Cabo Frio é uma responsabilidade do governo federal. O governo do Estado está fazendo uma fase, uma primeira etapa deste aeroporto, que não é compromisso nem responsabilidade minha. Se ficar pronto, inauguro. Se não ficar, não inauguro” ROSINHA MATHEUS CIDADE, Maio de 2007

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Cultura

Mulheres IMORTAIS Transpor Tempo estéril Matéria ácida A trabalhar contra nós (Olímpia Leite)

Octavio Perelló contar pela impressão dos versos acima, da safra da saudosa poetiza e mestra em literatura comparada, temos na contracorrente do teor do poema a eternidade sinalizada na verve literária. Hábil com a navalha que recorta palavras, Olímpia Leite foi cruel na constatação, mas apontou o caminho já traçado por outras mulheres para vencer o tempo: a literatura. Se a passos largos elas ganham mais expressão em diferentes segmentos produtivos da sociedade, sendo cada vez mais comum vê-las em posições de liderança, através das letras há quem tenha se destacado e se tornado imortal. Na França em 1938, a escritora Marguerite Yourcenar foi pioneira, a primeira a entrar para a Academia Francesa de Letras. Na Academia brasileira foi Raquel de Queiroz. Outras tantas vieram depois. Mas quem são as mulheres que se destacaram nas letras cabo-frienses?

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Fardão com decote, por favor! Ao fuçarmos a história recente, esta recende a talentos femininos, da poesia à prosa. Muitas destas mulheres estão ensinando nas escolas, mas rabiscando e teclando nas horas vagas. Demócrito Jônathas de Azevedo, presidente da Academia Cabo-friense de Letras e titular da Academia Brasileira de Médicos Escri42

CIDADE, Maio de 2007

tores tem sua impressão sobre o assunto: “Certamente há mais mulheres que têm papel marcante na cultura da cidade. Dentre estas é provável que muitas boas escritoras estejam escondidas, aguardando oportunidades de serem descobertas.” A primeira mulher a tomar posse na Academia foi a repórter e escritora Sylvia Maria Ribeiro, em sessão solene no Caribe Park Hotel em 1986, com a participação do acadêmico e ex-ministro da Cultura Eduardo Portela. As outras imortais são Lair Gago (in memoriam), Maria Emília, Tati Bueno, Tânia Mara, Claudia Rocha, Maria Luiza Caetano da Fonseca, Maria das Graças Semprini de Abreu e Ivone Louzada, entre jornalistas, escritoras, empresárias e artistas plásticas. As expectativas de novos ingressos giram em torno da educadora Yone Nogueira e da escritora Silvana Lima. Sylvia Maria Ribeiro, a pioneira na Academia Cabo-friense revela sua emoção à época: “No dia em que o Dr. Demócrito me convidou eu fui surpreendida e fiquei muito encabulada com a importância de representar as mulheres na Academia. A mulher ocupa um espaço natural na sociedade pela abrangência das suas ações no trabalho e na vida pessoal. Cheguei a chorar de felicidade pela honra que me ofereceram.” Outras candidatas disputaram e não conseguiram ingressar na Academia, mas o Dr. Demócrito pondera ser próprio de um processo eletivo. E avisa: “outras notáveis aparecerão”, enquanto entrega: “a pesqui-


PapiPress

Marconi Castro

Arquivo pessoal

SYLVIA MARIA RIBEIRO

Cheguei a chorar de felicidade pela honra que me ofereceram

sadora e escritora Mary Damasceno já foi sondada”. A escolha de um novo membro é determinada pela atividade literária ou simplesmente por ser um expoente da vida da sociedade em questão, o que se convencionou como critério em Academias do mundo todo, e que teria sido idéia do primeiro-secretário perpétuo da Academia Brasileira de Letras Joaquim Nabuco, um dos mais aguerridos defensores das idéias abolicionistas, autor de Minha Formação (1900), considerada à época a melhor autobiografia brasileira.

Que sejam eternas por merecimento Os concursos literários têm sido um dos canais para as amantes das letras. A publicação de livros sempre foi tímida e não há suplementos especializados na imprensa local. Há expectativas de que as premiações e as láureas literárias, e quem sabe

CLÁUDIA ROCHA Conciliando medicina e literatura

ações das faculdades sediadas no município garimpem mais talentos e criem alternativas para promover a literatura. Esperar que o poder público criasse uma política editorial, como se costuma aventar, não é de todo ruim, mas não deve ser o único e eternamente esperado caminho. Há experiências de projetos bem sucedidos no âmbito das universidades em muitas cidades, algumas formando editoras competitivas no mercado editorial. Um caminho bom para homens e mulheres, indistintamente.

Marconi Castro

TATI BUENO Jornalista e Imortal

DEMÓCRITO JÔNATHAS DE AZEVEDO presidente da Academia Cabo-friense de Letras

É provável que muitas boas escritoras estejam escondidas, aguardando oportunidades de serem descobertas CIDADE, Maio de 2007

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Responsabilidade Social

CIDADANIA COM CAPOEIRA Projeto social transforma crianças, jovens e adultos através da luta, dança, música e cultura. Graciele Soares/ Fotos de PapiPress Capoeira, herança deixada pelos escravos, é usada no estado do Rio de Janeiro para socializar pessoas. Através do projeto social “Vozes da África”, crianças, jovens e até adultos aprendem a cultura da dança, luta e música. A iniciativa é do Cabo-friense Antônio Carlos Évora Crespo, 45 anos, conhecido entre os alunos e professores como mestre Pingo. O trabalho, que começou em Cabo Frio, com um pequeno grupo de meninos, no ano de 1983, cresceu, e hoje atende cinco mil crianças de várias cidades do estado, como Cabo Frio, São Pedro, Iguaba Grande, São Gonçalo e Nova Friburgo. As aulas de capoeira acontecem duas ou até três vezes por semana. O projeto não tem sede própria em nenhuma cidade. Os alunos acompanham as aulas em escolas públicas, praças e quadras. Para participar as crianças têm que estudar e tirar boas notas na escola. “Nós sempre verificamos as notas delas”, diz o coordenador do Projeto. Um dos alunos do projeto é o cabo-friense Jhonny Castro Campos, 16 anos. Ele participa do projeto a oito anos. “Eu vi os professores jogarem capoeira e isso me deu motivação”, diz o aluno. Jhonny sonha em ser jogador de futebol, mas segundo ele, a capoeira transformou sua vida “A capoeira me fez ser um bom aluno e a não brigar nas ruas”, diz o jovem. Para o coordenador do projeto, seu maior retorno é a satisfação de ver as crianças se tornarem cidadãos. “Vejo as crianças se transformarem em homens e mulheres e sair, ou nem entrar, na marginalidade”.

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Capoeira como instrumento de inclusão social

JOSÉ DA COSTA Mestre Nego Diretor da Federação de Capoeira do Rio de Janeiro

O projeto de mestre Pingo tira as crianças das ruas e insere na sociedade, forma cidadãos

Objetivo Um dos objetivos do projeto é transformar alunos em futuros professores e assim expandir o trabalho. Durante todos estes anos, já foram formados 38 professores. Um deles é Marcos Vinícius dos Santos Peçanha, 25 anos, conhecido entre os capoeiristas como mestre Ranzinza. Segundo ele, recebeu o apelido por ser reclamão e extremamente exigente. Ele começou a freqüentar as aulas com o mestre Pingo há dez anos atrás, e hoje dá aulas para 85 crianças do bairro Itajuru, em Cabo Frio. “A capoeira me ensinou a educação, me desviou dos pensamentos maus do bairro onde moro, que é uma periferia. Quero fazer o mesmo pelas crianças, desencaminhá-las do que é ruim. Meu maior medo é perder um aluno para a marginalidade”. Diz o professor. 44

ANTÔNIO CARLOS ÉVORA CRESPO Mestre Pingo

Vejo as crianças se transformarem em homens e mulheres e sair, ou nem entrar, na marginalidade

CIDADE, Maio de 2007


Dificuldades De acordo com mestre Pingo, o projeto enfrenta dificuldades financeiras. “A comunidade e alguns políticos colaboram, mas mesmo assim, faltam recursos. Nós tivemos um grande padrinho, que foi o falecido deputado estadual Márcio Corrêa. Enquanto ele esteve vivo nos ajudou financeiramente e abriu caminhos para o projeto expandir em todo o estado. O que todos fazem hoje pelo projeto, ele fazia sozinho”, diz o coordenador. Em Cabo Frio, onde o projeto atende perto de mil jovens, mestre Pingo, tem a colaboração da prefeitura para a alimentação e uniforme. Ele ainda deposita suas esperanças em uma subvenção prometida, e até já faz planos com o dinheiro. “Os jovens do projeto de Cabo Frio terão aulas de inglês e espanhol”, diz o capoeirista.

Encontro de Capoeiristas

Exibição de Mestres no Encontro de Capoeiristas R

Na cidade de Cabo Frio acontecem cinco encontros de capoeira anualmente. Neles, se reúnem jovens do projeto de diversos bairros da cidade. Durante o 2º encontro que aconteceu em abril, no Ginásio Poliesportivo Aracy Machado, esteve presente o diretor da Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro, José da Costa, 52 anos, conhecido entre os capoeiristas como mestre Nego. De acordo com mestre Nego, há alguns anos a capoeira era marginalizada, e com muita luta, ela foi conquistando espaço, mas, ainda existem dificuldades. “Brigamos para que a capoeira seja um esporte olímpico, veja só, nem na apresentação do Panamericano, não tem capoeira, cadê o ministro da Cultura? A gente ainda vai quebrar esse tabu”, diz o diretor da Federação. De acordo com mestre Nego, sempre dá para incluir capoeira nos projetos sociais, é muito mais barato que vários esportes, qualquer criança pode treinar. “Um exemplo é este projeto de Mestre Pingo, o projeto é excelente, é formador de pessoas dignas. Ele tira as crianças das ruas e insere na sociedade, forma cidadãos”, diz mestre Nego.

A Capoeira

Meninos se tornam mestres, e formam novos grupos

De acordo com o diretor da Federação há uma discordância entre os historiadores. Alguns acreditam que a capoeira começou na África, outros, que começou no Brasil, na Bahia e dali se expandindo para quase todo o mundo. “Eu acredito que os brasileiros ensinaram os africanos a dançarem capoeira”, brinca o diretor da Federação. “Os escravos trabalhavam o dia todo e no final da tarde iam para os terreirões dançar capoeira. Ela era uma luta disfarçada de dança. Os capatazes não conseguiam castigar os negros e nem prendê-los, devido à habilidade que eles tinham com os movimentos, por isso, eles tinham que amarrá-los para castigálos”, diz mestre Pingo. O uniforme completo do capoeirista é chamado de indumentária, e sua alma é o berimbau. Ele é usado para começar e terminar a roda. O atabaque e o pandeiro são os instrumentos básicos usados pelos capoeiristas e as palmas acompanham os instrumentos. As músicas geralmente falam sobre a escravidão, o cotidiano, a mulher e a criança. De acordo com o diretor da Federação, a capoeira é composta por dois estilos: angola que quer dizer jogo rasteiro, bailado e o estilo regional que é o jogo de movimentos rápidos. CIDADE, Maio de 2007

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Artigo 1º DE ABRIL DE 2007 Sou o comandante supremo das Forças Armadas”, anunciou Lula, antes de seguir para o Recife. O repórter poderia ter retrucado, “Eu não sabia”. A coisa soou como “Sabe com quem está falando?”. Que se necessite repetir o que consta da Constituição, mostra que por trás da imagem descontraída que exibe, reina uma insegurança que se manifesta em momentos como o da reunião no dia 23 de março quando, intempestivamente, exigiu uma solução para o caos no transporte aéreo. Não ajudou na discussão das alternativas apresentadas. Está em curso, informalmente, o Pacto Social pelo qual José Sarney tanto batalhou. Tem-se um presidente tão incompetente, mas tão incompetente que não há saída a não ser deixá-lo imaginar que cumpre seu papel enquanto ficamos todos atentos para não deixar a coisa degringolar. Esse fato não seria verdadeiro caso alguém pudesse provar por A+B que comanda a economia. Que reação se pode ter ao resumo da conversa com Bush, “Volto sem nada”? Deverse-ia perguntar, “Nem mesmo uma câmara digital de última geração”? Que dizer da justificativa para suspender as prisões determinadas pelo comandante da FAB, “Não havia controladores militares para substituir os que seriam presos”. É brincadeira? Seria o brigadeiro capaz de fazer a bobagem de prender 18 militares que exercem função crucial sem ter, antes, verificado se poderia substituí-los? É claro que não. A justificativa é mais uma constatação do tipo de presidente que o Brasil tem. 46

Ernesto Lindgren

Essa comédia em que se tornou o desempenho de Lula tem seu capítulo em outros lugares. Por exemplo, a edição de abril desta revista mostra, na seção Opinião, uma foto aérea tirada por Ernesto Galiotto da situação no Canal Itajuru e da invasão do esgoto, sem tratamento, na Praia do Forte. O Ernesto não precisava fazer comentários. A foto basta para que se comece a rir quando se relê a entrevista do secretário-executivo vitalício desse tal Consórcio Ambiental Intermunicipal Lagos-São João, publicada na edição de março. Com funções auto-atribuídas sugere-se poderoso. (Deve-se imaginar o pomposo título sendo anunciado por Lula com sua voz rouca, mas haveria o risco de seus olhos rolarem de vez para dentro da caixa craniana, como ameaçam fazer toda vez que lê alguma coisa. Procuram o quê?). O “troço” tem novo presidente e se 1% do que se anuncia ter feito, faz, ou pretende fazer, fosse verdade, a foto seria muito diferente. A intromissão de Lula no caso das prisões dos militares subverteu os princípios nos quais todas, sem exceção, as forças armadas se assentam: hierarquia e disciplina. Como se sabe, no Brasil, a honra de um militar, se ofendida, é “lavada em sangue”, e se Lula tivesse sido levado a sério, como foi o caso de João Goulart, o Aerolula não teria voltado a Brasília. Mas voltou, fazendo do 1º de abril de 2007 um dia muito especial.

Ernesto Lindgren é sociólogo

CIDADE, Maio de 2007


Livros

Ascom/Cabo Frio

Octávio Perelló

LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS Uma história para pessoas de doze a cento e vinte anos

Abertura da Semana Teixeira e Souza

Ecos de Teixeira e Souza Sabe-se lá que noção de futuro poderia ter o escritor Teixeira e Souza - Poderia ele supor que sua cidade natal lhe renderia homenagens e que destacaria pessoas para entrincheirar a dura batalha de seu reconhecimento como primeiro romancista brasileiro? Quem sabe? O fato é que a Semana Teixeira e Souza de Literatura vem se consolidando como um evento importante para a cultura local, e quiçá ainda o será no plano nacional e internacional. O sinalizador desta possibilidade pode ter ocorrido nesta décima sétima edição, ocasião em que o Prêmio Teixeira e Souza de Literatura teve expressivo número de inscrições em todo o Brasil e até em Portugal, e agraciou autores de outras cidades com as primeiras colocações do concurso nas categorias conto, poesia e dramaturgia, o que certamente acirra a concorrência e eleva a exigência de qualidade. Com atrações de peso, a Semana teve lançamento do livro Humor a La Carte, de autoria do cartunista Ikenga, do jornal O Dia, e debate sobre cartoons com os chargistas Aroeira, de O Dia, e Leonardo Lopes, do jornal Extra, com direito à venda de livros e exposição de charges na Charitas – Casa de Cultura José de Dome. A semana trouxe ainda, entre outras presenças importantes, o rapper e escritor MV Bill, co-autor do livro e do documentário Falcão – Meninos do Tráfico, que fez um honrado show em praça pública no bairro São Cristóvão. Esteja onde estiver, em algum lugar na eternidade, o escritor Teixeira e Souza deve estar satisfeito, não ainda com o reconhecimento nacional, mas com as festividades em Cabo Frio em torno do seu nome e com a oportunidade de ver novos talentos despontando. Porém, um desejo ele pode estar acalentando: que o concurso literário dê o próximo passo e crie o seu projeto editorial. A publicação, em livro, dos textos vencedores chancelará o concurso. CIDADE, Maio de 2007

Obra insólita do ex-editor da revista Cidade, o jornalista, tradutor e escritor Marco Antonio de Carvalho, João e a Bruxa (Princípio, 1991, 48 páginas), como o próprio autor avisa, é um livro para pessoas dos doze aos cento e vinte anos. Com a edição de arte e ilustrações de Waldyr Freitas e capa de Claudia Correa, o livro parte da história de João e Maria, aquela em que eles se perderam no bosque e foram levados por uma bruxa que quis comer o João e depois o prendeu numa gaiola. Para o primo de João, que é o narrador da história, essa história não foi bem contada e durante anos ele alimentou fantasias sobre o que teria acontecido ao primo. Já adultos os primos voltam a se encontrar e então João conta a história de sua iniciação sexual com a bruxa, para deleite do primo e de todos nós, pobres amantes da literatura que também nunca nos convencemos totalmente do ocorrido na toca da bruxa. Tratase de uma grande idéia do autor, escrita com maestria.

Um grande talento feminino para as letras Nesse mês de homenagem às mulheres, faz-se oportuno sugerir a leitura do fantástico primeiro romance de Ana Ferreira, Amadora (Geração Editorial, 2002, 149 páginas). O livro revela a alma feminina comumente não expressada nas palavras. Diz o que muitas mulheres gostariam – e que algumas até já o dizem. De tirar o fôlego! Atrevimento, ironia, bom humor e amoralidade sem qualquer autocensura são ingredientes saborosos e encantadores nesta história. A contar pelo primeiro livro, Ana Ferreira avisou com firmeza a que veio. 47


OPINIÃO

Antonio Roberto Cordeiro

CREA-RJ discute ética e sustentabilidade. Mas, logo em Búzios?

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eixar de incluir, neste especial e importante evento, um espaço para apresentação de denúncias da prática ostensiva de antiética praticada cotidianamente nesta Cidade, é, no mínimo, brincar de faz de conta, delirar numa profunda viajem de mais um evento social de satisfação do ego, brincar com o lúdico, sem compromisso com a seriedade de uma das profissões mais dignas e responsáveis na formação e bem estar da Sociedade Brasileira. A Carta de Búzios – Rio das Ostras, que tem o compromisso de dar um sentido prático, uma diretriz, e construir uma imagem renovada dos profissionais que atuam nesta região, tem que ser atualizada. Para não deixar no campo da retórica e das sutilezas, de interpretações de conveniência, e de interesses de cada um, relaciono um rol de propostas para o recheio da Carta de Buzios: 1- Constituir uma Comissão de Ética , renovada e atuante, tendo como trabalho imediato, apuração dos casos evidentes de falta de ética profissional , a saber: a) Profissionais registrados no CREA, exercendo cargo público na Prefeitura de Armação dos Búzios, lotados na Secretaria de Planejamento, (órgão de licenciamento de projeto), executam e aprovam projetos de sua própria autoria, para clientes da iniciativa privada. Ostensivamente são exibidas placas com nomes desses profissionais (funcionários públicos) à frente das obras. b) A pífia atuação do CREA, na sua área de fiscalização. Apurar a relação das obras submetidas à auto-aprovação e execução sem consulta prévia e aprovação, dos órgãos competentes. Tais obras são dirigidas, projetadas e de responsabilidade de profissionais filiados a este Conselho, portanto, mesmo sendo funcionários públicos, estão sob a égide da ética profissional no cumprimento das Leis maiores, sob ordenamento deste Conselho. Enquadra-se nesse caso, por exemplo, a construção de um heliponto ou

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heliporto em local sem prévia consulta à Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, para então ser submetido aos requisitos de projeto e segurança estabelecidos nas normas do IAC. A falta de ética está no simples descumprimento da ordem, cujo dever de ofício e postura ética com os procedimentos corretos que fundamentam a legalidade e o respeito da Engenharia Nacional, não foram cumpridos pela Secretaria de Obras e de Planejamento. c) Maior participação do CREA nos projetos de engenharia de alto impacto na vida da população buziana . O CREA está apto a lutar em defesa da cidadania e da própria engenharia nacional.É constitucionalmente credenciado, e tecnicamente habilitado a acompanhar as audiências públicas, como sempre foi na história deste Conselho. Portanto, apto a participar como isento observador tecnicamente arbitral da Audiência Pública para licitação da construção do 2º Trecho da Via Azul. Foi, sua ausência na Audiência Publica para apreciação do projeto da Via Azul, um desserviço, uma omissão, um desrespeito ao seu quadro de registrados, falta de empenho, falta de participação e compromisso para com a sociedade altamente dependente dos conhecimentos e aconselhamentos técnicos deste Conselho. 2) Presença efetiva da Ouvidoria Ambiental deste Conselho, para investigação nos assuntos específicos de remanejamento e alteração do espelho d’água das lagoas da Cidade, sem estudo de impacto ambiental. Avaliação da atuação de empregados dos órgãos ambientais na concessão de licenças e execução de trabalhos de alteração de áreas alagadas, com a participação de órgãos governamentais, em áreas de propriedades privadas.

Antonio Roberto Cordeiro (ar.cordeiro @ ig.com.br) Estrada da Tartaruga, nº3 Armação dos Búzios, RJ CIDADE, Maio de 2007


Grandes Escritores em Cabo Frio O escritor Ignácio de Loyola Brandão esteve em Cabo Frio onde participou do Projeto Tim Grandes Escritores, realizando entrevista coletiva para jornalistas e convidados no Teatro Municipal. No concorrido encontro, o escritor destacou o surrealismo presente em seus livros, como uma forma de passar pela censura imposta pela Ditadura Militar. Ignácio de Loiola é o quarto escritor a participar do projeto em Cabo Frio, depois de Marina Colassanti, Affonso Romano e Zuenir Ventira

Petrobras lança combustível para o mercado náutico e de lazer O Diesel Verana, lançado pela Petrobras no dia 03/04, é o único diesel Premium do mercado náutico e possui uma formulação diferenciada e otimizada feita especialmente para atender aos anseios dos usuários de embarcações de lazer, oferecendo o menor nível de emissão de poluentes do mercado náutico, além de melhor desempenho, e maior proteção ao motor.

Four Points by Sheraton na capital nacional do petróleo

A partir de outubro, Cabo Frio vai ter um hospital apenas para as crianças. Anunciado como uma referência em saúde – A unidade adquirida pela Prefeitura (onde antes funcionava um hospital particular), possui modernas instalações, e já se encontra montado e equipado, faltando apenas algumas adaptações necessárias ao atendimento voltado para o público infantil. Localizado na Avenida Adolfo Beranger, no bairro Guarani, o Hospital Municipal da Criança terá à disposição da população três salas de repouso, com cinco leitos cada uma; nove apartamentos individuais, apartamentos com dois leitos, centro cirúrgico, com três salas, além de UTI.

390 anos de história Uma das marcas da cidade de Cabo Frio, o Convento Nossa Senhora dos Anjos, está comemorando 390 anos de história. Em visita à cidade, Carlos Fernando Andrade, superintendente da 6ª Regional do IPHAN, destacou a importância do monumento, não só para a cidade como para o país. “Este Monumento Histórico é muito importante para o Instituto. Além de ter se tornado um dos poucos bens nacionais na cidade, ele vem a se tornar um dos centros de excelência de Cabo Frio” , lembrou o superintendente.

Reconhecida mundialmente como a “capital brasileira do petróleo”, Macaé tem atraído algumas das mais gabaritadas grifes hoteleiras do mundo, como o Four Points by Sheraton, inaugurado em agosto de 2006. Embora tenha no turismo de negócios o seu ponto forte, o Four Points vem apostando no rico patrimônio ambiental, histórico e paisagístico da cidade para incrementar o turismo de lazer. Nos finais de semana, o hotel oferece diárias diferenciadas e pacotes turísticos aos hóspedes que incluem passeios ao Arquipélago de Santana – refúgio de corsários franceses que vinham saquear a nossa costa -, à região serrana macaense e ao Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, também podendo constar visitas às fazendas históricas de Quissamã. Além disso, o Four Points by Sheraton Macaé dispõe de uma variedade de serviços para quem deseja curtir um final de semana inesquecível, começando pela excelência do Restaurante Maral, cuja especialidade é a culinária mediterrânea, mas que também realiza eventos de degustação de comidas típicas do mundo inteiro. Todas as quartas-feiras, acontece o “Botequim do Maral”, com culinária típica dos melhores botecos brasileiros e música ao vivo, sob o comando do chef André Magon. O hotel oferece ainda academia de ginástica, piscina com serviço de bar e restaurante.

CIDADE, Maio de 2007

Ascom/São Pedro

Hospital da Criança

Marconi Castro

Secom/Cabo Frio

Resumo

Justa homenagem O repórter fotográfico Jorge Martins, recebeu na Câmara Municpal de São Pedro da Aldeia, na quinta-feira, 29/03, “Moção de Aplausos” pelos relevantes serviços prestados ao município. A homenagem foi concedida pelos vereadores Cláudio Chumbinho e Otávio Rascão. Em São Pedro da Aldeia, Jorge trabalhou com os prefeitos: Iédio Rosa, Rodolfo Pedrosa, Carlindo Filho e, atualmente, com Paulo Lobo. Durante sua carreira profissional, o “mago das lentes” trabalhou nos jornais “A Notícia”, na cidade de Campos e “O Fluminense”, na sucursal de Cabo Frio, onde também prestou serviços para a prefeitura nos governos de José Bonifácio e Alair Corrêa. A cidade de Araruama também teve o privilégio de ser fotografada por Jorge Martins. Ele atuou, ainda, na produção fotográfica da revista “Municípios em Destaque” e como diretor do jornal “Gol da Torcida”. 49


G aleria

Curral de Peixes - Óleo sobre tela - 61 x 46 cm

Gerson Tavares é pintor e cineasta. Fez curso de pintura na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro conquistando ali uma bolsa de estudos para a Europa, onde morou por cinco anos. Durante sua permanência no exterior, abandonou a pintura, passando a se interessar por cinema. Em 1980 muda-se para Cabo Frio, onde voltou a pintar e mantém seu atelier.



Maio 2007