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CIDADE, Novembro de 2008

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CADERNO ESPECIAL CABO FRIO História, sol e belezas naturais são os atrativos da Capital da Região dos Lagos

www.revistacidade.com.br Novembro, 2008 Número 31

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Panorama...........................10 Petrobras Cultural destina 42,3 milhões.....11 Assistencialismo a Bandeira que elege........12 2ª Mostra de Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras ...........15 Xô mosquitos! ..................42 Empreendedores Musicais .............................43 Troca-troca na ALERJ .....44 FÓRUM UNIVERSITÁRIO Mostra faculdade para alunos do Ensino Médio .........................45

Livros ...................................47

28 CRAS, uma porta para a emancipação social

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CAFÉ DO TRABALHADOR sistema delivery e 30 mil kits por mês

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Bonita por natureza

A volta dos Garotinho

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Ex-governadora Rosinha é a primeira prefeita eleita em Campos

Capa: Cabo Frio - Vista do Forte São Mateus (Foto de PapiPress)

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38 Restaurantes se adequam às novas exigências do mercado CIDADE, Novembro de 2008

DESTINO CABO FRIO

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O número de turistas que visitam Cabo Frio aumentou em 20% nos últimos três anos


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Marcos da Rocha Mendes

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Na vida você colhe o que planta. Nós plantamos o benefício ao cidadão e colhemos dele, nas urnas, 14 mil votos de diferença sobre o segundo colocado Tatiana Grynberg

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MARCOS MENDES Prefeito de Cabo Frio

Niete Martinez

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ara o médico cabo-friense Marcos da Rocha Mendes, chamado por todos de Marquinho, reeleito prefeito de Cabo Frio, este é um momento de superação. Vivendo, até aqui, quase sempre à sombra de mitos, sendo o primeiro deles o próprio pai, Wilson Mendes, político carismático que deixou marcas profundas e um legado de lutas ideológicas e, posteriormente, o deputado estadual Alair Corrêa, de quem foi vice-prefeito, Marquinho nem por isso tem uma história de problemas eleitorais. Pelo contrario, “venci todas as eleições que disputei”, afirma categórico. Mais uma vez vitorioso, atribui sua conquista a Deus e promete governar mantendo os programas sociais que o reelegeram e que também são a causa dos problemas jurídicos enfrentados durante o pleito e que lhe renderam até mesmo uma cassação em primeira instância, da qual precisou recorrer. Marquinho fala da sua trajetória política e declara ser a geração de emprego o maior desafio de seu segundo mandato. CIDADE, Novembro de 2008

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TA Marcos da Rocha Mendes

Como o senhor se sente tendo vencido o mito Alair Corrêa? Eu diria que é um momento histórico para a cidade de Cabo Frio e para mim também. Nós que, há um ano, tínhamos um quadro aparentemente irreversível onde as pesquisas nos colocavam com 12 %, contra 67 % daquele que era considerado um mito na cidade, um político com 35 anos de vida pública, três vezes prefeito, deputado por duas vezes, vereador, e considerado por muitos, e até mesmo por ele próprio, imbatível em qualquer pleito eleitoral. Há um ano nós assumimos a posição de candidato a prefeito com a certeza de que nós poderíamos mostrar à população que não existe candidatura imbatível, existe sim trabalho desenvolvido, e foi isso o que fizemos. Começamos a mostrar para a população tudo aquilo que realizamos em três anos e meio de mandato, e a população começou a entender e colocar na balança as diferenças administrativas, e pôde notar que o nosso governo se diferenciava em tudo do governo anterior, principalmente em relação ao respeito ao cidadão, na sua totalidade. E quando eu digo cidadão, eu falo da pessoa que mora no centro da cidade e da pessoa que vive na periferia. O povo entendeu que o nosso governo estava, e está, realizando um governo diferenciado, que olha e faz todas as suas ações levando benefício para o cidadão, e mais do que isso, foi o único governo da historia de Cabo Frio que começou a se preocupar com os projetos sociais. Esses projetos sociais acabaram por ser a sua glória e castigo, já que se transformaram em voto, mas também motivaram muitas ações de seus adversários, que o acusam de uso eleitoral dos mesmos. Quais são, afinal, esses projetos? São muitos, a começar pela escola técnica profissionalizante, que não existia em um município de mais de 300 anos para qualificar os seus cidadãos. E agora estamos trazendo o CEFET, que é um avanço, e que será inaugurado no mês que vem, e que é um ganho muito grande em termos de qualificação, e que vai ser a nossa Universidade Pública Federal, tão sonhada por todos nós. Nós criamos o projeto social revolucionário que é a Passagem a 1 real, levando benefício diretamente ao trabalhador que pagava R$ 2,10 e hoje paga R$ 1,00. Esse projeto é tão importante que foi utilizado na campanha de segundo turno da 6

prefeita eleita e ex-governadora Rosinha, que me ligou e disse que esse foi o ponto alto da sua campanha. E o povo entendeu que esse projeto é um projeto desenvolvido pelo nosso governo e que está na realidade favorecendo este cidadão que mais necessita do poder público e que foi por anos e anos discriminado. Nós criamos o Café do Trabalhador onde são distribuídos mais de 1.000 cafés diariamente para o trabalhador que ia trabalhar de barriga vazia. Nós criamos o projeto Alimentando Cidadão, onde são distribuídas 5.000 cestas básicas de forma criteriosa para a população que ainda

O grande desafio, agora, é a questão do emprego hoje enfrenta o sério problema da fome. Além disso, criamos o projeto Compra Solidária, onde nós absorvemos parte da produção rural do município. Ainda não na sua totalidade, coisa que vamos fazer no próximo mandato. Esta produção é absorvida nas escolas. É um projeto inovador

O candidato que foi derrotado não reconhece que foi derrotado por uma diferença de 14 mil votos! Não foram 2 mil ou 5 mil votos, foram 14 mil! É inquestionável a vontade popular. E a vontade popular é soberana. criado pela secretaria da Agricultura, e que não deixa de ser um projeto social. Tem também os CRAS (Centro de Referencia da Ação Social), que as pessoas pensam que é um projeto do governo federal. Não, este é um projeto em parceria com o governo federal. O governo entra com 1 milhão e a prefeitura de Cabo Frio com 8 milhões. Então, é um projeto municipal, com a ajuda do governo federal. O CRAS, o Programa de Assistência Integral as Famílias (PAIFs) e outros, são programas que nós vamos continuar implantando. São estes projetos CIDADE, Novembro de 2008

que têm levado o cidadão a entender que o nosso governo é diferenciado. O povo sabe diferenciar os governos. A prepotência ficou pra trás, hoje existe um prefeito que é gente, que ouve as associações dos moradores, que atende, que sabe receber críticas, que não é o dono da verdade e que entende que governar é abrir o governo para a participação popular. Eu digo a seguinte: na vida você colhe o que planta. Nós plantamos o benefício ao cidadão e colhemos dele, nas urnas, 14 mil votos de diferença para o segundo colocado. Nós tivemos quase 50 % dos votos. Apesar disso sua vitória está sendo contestada. A que o senhor atribui essa polêmica? A polêmica criada é choro de perdedor. Eu me lembro muito bem em 1992 onde nós fomos vencedores com José Bonifácio, que ganhou por uma diferença de uns 500 votos do Alair Corrêa, que ele ficava dizendo que o Zé Bonifácio não seria diplomado e não seria empossado. A mesma história de agora. O que me deixou surpreso na eleição do Rio, uma metrópole, cuja eleição foi decidida com uma diferença de apenas 1% dos votos a favor de Eduardo Paes, foi ver a primeira atitude do Gabeira que ligou para ele e se colocou à disposição para colaborar com o município do Rio de Janeiro. A Marta Suplicy, derrotada, assumiu o mesmo papel. Em Cabo Frio, eu espero que o deputado Alair Corrêa assuma o seu papel de deputado, para ajudar o povo de Cabo Fio e de todo o Estado do Rio. E mais do que isso, que ele entenda que foi derrotado nas urnas, o povo o derrotou. Se juntarmos os nossos votos mais os dos nossos adversários, tirando a candidatura dele, é possível ver que hoje, 70% da população não quer Alair Corrêa como prefeito de Cabo Frio. Na eleição, ele enganou e mentiu para aqueles que estavam ligados à sua candidatura e para o povo, falando que ele estava na frente nas pesquisas. E ele já sabia que eu ia ganhar a eleição. Então, ele enganou o povo e está enganado novamente de forma irresponsável dizendo que eu não vou assumir. E a posição que ele deveria adotar é a posição de um derrotado de forma digna se colocando a disposição da cidade de Cabo Frio. Como o senhor se sente com essa situação? Eu me sinto, desculpa a expressão, indignado, com a situação política existente em Cabo Frio hoje, em que o candidato que foi derrotado não reconhece que foi derro-


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TA Marcos da Rocha Mendes

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tado por uma diferença de 14 mil votos! Não foram 2 mil ou 5 mil votos, foram 14 mil! É inquestionável a vontade popular. E a vontade popular é soberana. Primeiro vieram com a história de vírus nas urnas, haja vírus para 14 mil votos, né? Depois vieram com a história de que nós teríamos a nossa candidatura impugnada, a nossa diplomação cassada. A minha posição é que nós vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, respeitando, entrando com a nossa defesa, com os nossos recursos, porque é direito do juiz fazer qualquer tipo de ação, e é nosso direito nos defender. O senhor acha que a justiça está sendo justa? Eu acho que isso o povo é que tem que julgar e eu tenho que obedecer. Justiça a gente tem que obedecer. Não pode questionar. Eu acho, particularmente, que o processo foi muito tumultuado, nunca ocorreu um processo jurídico tão tumultuado como está ocorrendo hoje em Cabo Frio. Eu tenho 16 anos de vida pública, já fui vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito, deputado estadual

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e prefeito, e eu nunca presenciei o que eu estou presenciando aqui. Se você for colocar na balança é de se estranhar ter 100 processos contra Marquinho Mendes e 5 contra os meus adversários. Porque todos utilizaram o espaço da cidade para fazer a propaganda igualmente e eu considero

Nunca ocorreu um processo jurídico (eleitoral) tão tumultuado como está ocorrendo hoje em Cabo Frio que a nossa propaganda eleitoral foi feita de forma regular. Porque o nosso adversário fez da mesma forma. Por que só eu estou sendo penalizado? Mas eu não sou advogado, eu sou médico e a gente tem que respeitar a justiça. Nós já entramos com recurso e vamos ganhar no Tribunal Regional Eleitoral, não tenho dúvida,

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porque isso não tem fundamento. Eu só acho que as pessoas e a justiça têm que respeitar a vontade popular. Os derrotados têm que respeitar a vontade popular, e está bem clara essa vontade. O deputado derrotado não reconheceu que o povo não quer mais ele como prefeito de Cabo Frio. Ele tem que entender é que agora ele tem que completar o resto do seu mandato de mais dois anos e fazer o que ele não fez nos dois anos iniciais do mandato, que é ajudar a população de Cabo Frio. Passado o período eleitoral emergem novas lideranças, e o senhor é um delas. Quais as características dessa nova corrente política liderada pelo senhor? A grande característica da minha liderança política é ser descentralizador. É reconhecer que eu não sou o dono de verdade e que a vitória não pode ser construída por um candidato e sim por um grupo político. Eu nunca perdi uma eleição sequer que tenha participado. E você pode me perguntar: é mérito seu? Não, é mérito meu também, porque eu sou um trabalhador, mas se eu não tivesse um grupo político e pessoas que


acreditam em mim eu não seria vitorioso. E eu vou continuar líder porque eu reconheço que não sou o dono da verdade. O líder é aquele que entende que a liderança deve ser assumida, mas respeitando aqueles que estão ao ser redor. A sua política seria, então, de cooperação? Sem dúvida, eu sou um político vencedor, isso porque eu governo para todos, e já dei demonstração disso no nosso governo. A Bolsa de Estudo e a Bolsa Transporte, por exemplo, no governo passado, era dada para os apadrinhados do prefeito. Muitos deles não precisavam, mas o prefeito dava. Hoje nós damos para quem precisa, eu nem sei pra quem são dadas, só sei que é pra quem necessita. Existe critério, existe uma justiça. Eu tenho colocado como prioridade na minha vida, principalmente, a procura pela justiça social, e vou continuar desta forma.

era doido em querer disputar uma eleição contra o mito Alair Corrêa, tendo 12 % contra 67% da preferência dos votos dele. Como foi essa virada? A virada foi, respeitando todas as convicções religiosas, uma virada de Deus. Eu estava passando um momento muito difícil na minha vida, de doença, e naquele momento me aproximei muito de Deus e Ele mudou a minha vida em todos os aspectos. Deus me tirou lá do fundo do poço, me levantou e me deu a vitória. Eu fui o instrumento Dele e fiz a minha parte, trabalhei como ninguém, percorri todos os bairros de Cabo Frio, caminhei todos os dias junto com um grupo de pessoas que acreditaram em mim.

E o que podemos esperar do seu segundo mandato? Vamos ter que encarar este segundo mandato de uma forma diferente do priQual é a verdadeira história do seu meiro. Hoje nós vivemos uma crise munrompimento com o deputado Alair Corrêa? dial na economia que já esta afetando os O senhor havia se comprometido a apoiánossos recursos. O barril do petróleo que lo? era cotado a R$ 135,00 hoje está R$ 60,00. Não, ele queria arrumar uma justifica- Conseqüentemente nós vamos ter uma quetiva para a posição dele porque se consi- da significativa na receita dos royalties do derava imbatível. Ele já petróleo. Mas, o granse considerava prefeito, de desafio, agora, é a aclamado pela populaquestão do emprego. O povo sabe ção e ele falou assim: Nós vamos entrar num diferenciar os “eu não tenho adversáquadro de recessão, governos. A rio”, e me subestimou. onde o desemprego Ele tinha certeza da sua vai aumentar muito e prepotência ficou vitoria, só esqueceu o nosso maior desapra trás. de contar com o povo. fio é de implementar Foi por isso que ele se uma política capaz de lançou candidato. Ele absorver isto com o inestava certo da vitoria só que se esqueceu centivo à iniciativa privada, ter investimende combinar com o povo daqui da terra, os tos, criar uma nova lei de incentivo fiscal cabo-frienses. Nós tínhamos um projeto para atrair novos investidores para a cidade para a cidade e disso eu não me arrependo. para que a gente possa gerar emprego para Mas, eu provei, mais uma vez, que tenho a nossa população. O grande desafio se luz própria. Provamos nas urnas que so- chama geração de empregos. mos independentes, politicamente. Eu me Eu quero falar para Cabo Frio que lembro que as pessoas falavam que em 92 a cidade pode contar, e como sempre Marquinho foi eleito vereador por que o contou, com o meu esforço, com a minha pai o elegeu. Marquinho foi presidente da dedicação e com o meu trabalho cada vez Câmara, porque o pai o ajudou, Marquinho mais. Eu gostaria de lembrar as palavras foi vice-prefeito, porque Alair venceu as de uma cantora gospel que se chama eleições. Marquinho foi deputado, porque Beatriz, que canta um hino que fala que Alair foi deputado. Essas pessoas foram a “glória da segunda casa será maior do importantes? Claro que sim, mas se não que a da primeira”, e eu quero dizer para tivesse o meu trabalho, o trabalho de um a população da minha terra que o nosso homem determinado, porque eu sou de- segundo mandato será infinitamente terminado e luto pela realização dos meus melhor do que o nosso primeiro, porque projetos e sonhos, eu não teria chegado lá. os erros cometidos serão corrigidos e os Há um ano atrás as pessoas falavam que eu acertos permanecerão. CIDADE, Novembro de 2008

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Panorama INCLUSÃO SOCIAL

CULTURA

Cerca de 500 representantes de todo o estado estiveram em Rio das Ostras entre os dias 17 e 19 de outubro, para o V Congresso Estadual das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do Estado do Rio de Janeiro. O evento, que teve o apoio da Prefeitura de Rio das Ostras, aconteceu no Colégio Municipal América Abdalla, em Nova Esperança, e o tema foi Inclusão Social e Educacional – Desafios e Superação. De acordo com a presidente da APAE em Rio das Ostras, Débora Dutra, o município foi privilegiado por sediar o encontro. “O evento é muito importante para Rio das Ostras, pois fortalece nosso movimento, que é um dos mais recentes do estado”, conta Débora. Durante o encontro também foi realizado o 5º Fórum Estadual de Autodefensores. A aluna da APAE de Rio das Ostras, Cibele Monteo, ficou entre os quatro alunos que disputaram a vaga para representar o estado como autodefensor.

ARQUEOLOGIA

Rebeca Bruno

Obra da natureza

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Cezar Fernandes

V Congresso Estadual das APAEs

No sábado, dia 19, foi promovida uma mesa redonda com o tema “Diferentes Olhares sobre a deficiência e a política de educação inclusiva” e três palestras: “60 anos dos Direitos Humanos: Falar de inclusão é reiterar uma idéia sexagenária”, “O olhar da universidade sobre política da educação inclusiva” e o “Posicionamento do Movimento Apaeano em relação à educação inclusiva”. À noite, os alunos e representantes das entidades participaram de um baile de comemoração. No domingo, dia 19, a mesa redonda teve como tema “Com a palavra... a família: dialogando e trocando experiências”. Também foram realizadas duas palestras: “Família: sentimentos, desafios, viver e envelhecer com qualidade” e “Reflexões sobre a Autodefensoria e a pessoa com deficiência”.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) esteve em Armação dos Búzios no dia 16 de outubro último, para avaliar a possível descoberta de um sítio arqueológico, feita pelo arqueólogo José Altamirano. O lugar foi denominado como Sítio Arqueológico Pirâmide das Cobras pelo descobridor por causa das formações sinuosas encontradas nas pedras.

Livro mostra riqueza do litoral norte do Estado Marcel Freitas Foi lançado em Cabo Frio no dia 16 de outubro último, na Casa de Cultura José de Dome, Charitas, o livro A Riqueza vem do Fundo do Mar, obra da editora Caringi. Baseado em pesquisa de Anna Lee, o livro tem texto de Antônio Torres e fotografias de D. João de Orleans e Bragança. Sérgio Caringi, editor da obra, conta que o livro, uma encadernação de luxo patrocinada pela Petrobras, SÉRGIO CARINGI, editor foi idealizado para mostrar a riqueza, as belezas naturais “Nem resorts, nem favelas. e os aspectos culturais das Áreas públicas com projetos cidades localizadas no en- ambientais inteligentes, sustorno da Bacia de Campos. tentáveis e rentáveis. Mas, Para isso, 15 mil km foram para isso é preciso ter vontade percorridos e oito meses de política”, afirma. trabalho foram consumidos Sérgio é crítico também na sua elaboração. quanto a aspectos culturais “O Rio de Janeiro é uma e considera que a falta de cidade maravilhosa, e o inte- uma identidade é um dos rior do Estado também”, diz maiores problemas para o Caringi. desenvolvimento do turismo Além dos aspectos cul- de qualidade na região. “Cabo turais e da riqueza do mar, Frio não tem uma identidade. a obra também é um apelo Das cidades da região a única à conservação do Meio Am- que tem é Búzios”, diz. biente. O editor pondera que Os 2.500 exemplares da exite hoje um “dilema cruel” obra serão distribuidos para quanto à questão da ocupação todas as bibliotecas públicas e de áreas de preservação, e dá escolas, além das livrarias. a sua receita para o problema: Niete Martinez A equipe de técnicos e arqueólogos do Iphan que estiveram vistoriando o lugar concluíram, porém, ter sido precoce intitular o local como um novo sítio arqueológico. De uma trilha sacrificante que sai da Praia da Ferradurinha, chega-se a um lugar conhecido pelos buzianos como Ponta das Poças. São aproximadamente 200 metros de rochas de frente para o mar. Altamirano aponta as marcas

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nas pedras, que ele acredita terem sido produzidas pelos primeiros habitantes da região, como possíveis desenhos de cobras. Para as arqueólogas Jaqueline de Macedo e Ana Cristina Sampaio, as marcas são obras da natureza. Além disso, alguns dos possíveis registros, segundo as técnicas, apresentam imagens de animais que não fazem parte da época proposta. Rebeca Bruno


Sterferson Faria/Petrobrás

Petrobras Cultural destina 42,3 milhões

JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI E JUCA FERREIRA, na cerimônia de lançamento do PPC

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Petrobras lançou no dia 14 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro, a edição 2008/2009 do Programa Petrobras Cultural (PPC), que engloba os editais de seleção pública para projetos culturais. O PPC é o maior programa de patrocínio cultural já lançado no país e sua verba é a maior já destinada por qualquer empresa a um programa de cultura. Para esta primeira fase será destinada uma verba de R$ 42,3 milhões. Estiveram no evento, realizado no Museu de Arte Moderna, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o gerente executivo da Comunicação da Petrobras, Wilson Santarosa, e a gerente de Patrocínios da Petrobras, Eliane Costa. Durante a cerimônia, Wilson Santarosa anunciou que a Petrobras poderá lançar, até o fim do ano, um novo edital de R$ 40 milhões. “Neste momento, a Petrobras assume esse compromisso”, afirmou Santarosa. A comissão de seleção do PPC é formada por um grupo de cinco a sete profissionais que atuam diretamente nos setores da cultura atendidos pelo programa. Eles são convidados pelo Conselho Petrobras Cultural, formado por representantes da Petrobras, do Ministério da Cultura e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom). Essas comissões são renovadas a cada ano e sua composição busca atender à maior diversidade possível de perfis para o julgamento dos projetos. As comissões selecionam os projetos por seu mérito qualitativo. As verbas por Edital Audiovisual - R$ 26,6 milhões Música - R$ 5,6 milhões Artes Cênicas - R$ 7,3 milhões (R$ 14,6 milhões em dois anos) Literatura - R$ 810 mil Cultura Digital - R$ 2 milhões CIDADE, Novembro de 2008

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Política

Assistencialismo Bandeira que elege

Nova composição da Câmara de Veradores de Cabo Frio mostra que o assistencialismo está em alta e candidatos que levantaram essa bandeira foram eleitos, em detrimento de velhos caciques e novas lideranças, que acabaram ficando de fora. Tomás Baggio

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ais do que comprovar a força de um partido ou grupo político, a nova composição da Câmara dos Vereadores de Cabo Frio mostra que o assistencialismo está em alta com o eleitor da cidade. Candidatos como Braz Enfermeiro (PSC) Fabinho da Saúde (PSC) e Rogério do Laboratório (PP), todos novatos, tiveram sucesso prestando serviços aos eleitores. Este último, por exemplo, fez campanha na casa de pacientes que visitava para coletar sangue gratuitamente e, em troca, pedir o voto da família. Ele teve sucesso na empreitada. Com 1.082 votos, Rogério foi o 12º colocado, conquistando a última vaga de vereador.

O mais votado sob suspeita O candidato a vereador mais votado foi Silas Bento (PSDB), com 4.044 votos. Por responder a processo movido pelo Ministério Público, no entanto, seus votos ainda aguardam julgamento para serem, ou não, validado. Até o fechamento desta edição, Silas havia ganhado uma primeira batalha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, fato que o deixou confiante. Mas um recurso movido pelo MP à decisão da Corte prolongou a espera pela decisão final. Se os votos de Silas Bento forem computados, o PSDB pode conquistar mais duas vagas na Casa Legislativa (a do próprio Silas e a do primeiro suplente do partido, o veterano Acyr Rocha). Dentre os vereadores confirmados no cargo, o mais votado foi Alfredo Gonçalves (PPS), com 3.457 votos. Alfredo se destacou por trazer o projeto Viva Vôlei, uma etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, e convocar audiências públicas que discutiram a aplicação da lei que limita 12

Câmara de Vereadores de Cabo Frio

em 30 minutos o tempo máximo de espera por atendimento em uma agência bancária (lei esta que continua sendo descumprida diariamente). Atualmente, ele é o líder da bancada do governo, e está cotado para assumir a presidência da Casa Legislativa, no ano que vem. Em segundo, ficou o também reeleito Aires Bessa (PSDB), com 3.323 votos. Na terceira posição ficou mais um novato, Fernando do Comilão (PSDB), com 2.531 votos, seguido de Rui Machado (PSDB), que conquistou novo mandato com 2.395 votos. Na quinta posição, vem o atual presidente da Câmara, o vereador Luis Geraldo (PPS), que teve 2.302 votos. Na sexta posição, o filho do candidato a prefeito derrotado Alair Corrêa (PMDB). Marcello Corrêa, iniciante na política, recebeu 1.809 votos. A sétima posição ficou reservada ao ex-secretário de Esportes do governo municipal, José Ricardo (PP), com 1.685 votos. Ele renunciou ao cargo de secreCIDADE, Novembro de 2008

tário no dia 26 de março deste ano, sob acusações de superfaturamento e desvio de verba. Seu sucessor, Fernando Henrique, indicado pelo ex-secretário, não paga há três meses o salário dos jogadores do time de futsal profissional, bicampeão carioca da modalidade. Na oitava posição mais um novato, Silvan Escapini (PSC), com 1.622 votos. Na nona está o médico Taylor (PMDB), regresso do governo Toninho Branco, de Armação dos Búzios, onde foi secretário de Saúde. Durante sua gestão, a Câmara local instaurou uma CPI para apurar possíveis irregularidades no setor. Eleito apoiando Alair Corrêa, teve 1.403 votos. A décima posição é de Fabinho da Saúde, com 1.338 votos. A décima primeira vaga ficou com Braz Enfermeiro, que recebeu 1.293 votos. Os mandatos de Braz e do último colocado, Rogério do Laboratório, ainda dependem da decisão sobre os votos de Silas Bento para serem confirmados.


Tatiana Grynberg

LUIS GERALDO Presidente da Câmara de Veradores de Cabo Frio

pode indicar projetos e, além disso, estava atrapalhando um pouco a minha profissão. Sem atrapalhar o meu mandato, pretendo me dedicar um pouco mais à odontologia desta vez”, completou Luis Geraldo. No próximo mandato, o vereador pretende levar adiante projetos como o Centro Municipal de Odontologia, que já foi aprovado pelo plenário, e um programa de prevenção a problemas dentários, conscientizando pais e alunos de escolas municipais. Sobre o atual momento político, com boatos de que o prefeito Marcos Mendes não tomaria posse para novo mandato por problemas na Justiça, o presidente da Câmara lamenta que a Justiça Eleitoral não tenha definido a situação antes do pleito. “Eu só lamento que a vontade soberana do povo esteja sendo questionada dessa maneira. Foi a população que quis e decidiu o resultado das eleições. Acredito, na verdade, que a Justiça Eleitoral tinha que definir tudo isso antes da eleição, respeitando os prazos que ela própria colocou”, opinou.

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FALA, presidente Alheio aos comentários de que a Câmara de Vereadores de Cabo Frio, na legislatura que termina em dezembro, teria produzido pouco, o presidente Luis Geraldo garante que a realidade é o oposto. “Aprovamos muitos projetos de lei, houve muitas indicações e, além disso, demos transparência ao trabalho ao tornar a Câmara mais acessível à população através do nosso site na internet e da transmissão das sessões através da rádio Ave Maria. Fizemos uma gestão diferente”, analisa ele, garantindo que não pretende concorrer ao cargo de presidente em janeiro. “Logo no primeiro mandato, eu fui líder do governo nos dois primeiros anos e presidente da Câmara nos dois últimos. São grandes responsabilidades e considero que me saí bem nas duas. Mas o presidente não


Cartas www.revistacidade.com.br Novembro, 2008

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AROS, VENHO POR MEIO DESTA deixar os meus parabéns pelo excelente trabalho de vocês, que só conheci há pouco, e convidá-los para cobrir o nosso evento nos dia 15 e 16 de novembro aqui em Praia Seca. Será uma honra poder contar com vocês para unirmos forças em prol de nossa linda lagoa!!! Leonardo Mulim Rebello (Araruama/RJ)

Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Reportagens Gustavo Araújo Juliana Vieira Loisa mavignier Mariana Ricci Renato Silveira Rosa School Tomás Baggio Fotografias Ernesto Galiotto Cezar Fernandes Flávio Pettinichi Mariana Ricci PapiPress Tatiana Grynberg Colunistas Danuza Lima Octavio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Quissamã, Campos, Macaé, Rio de Janeiro e Brasília. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. 14

GOSTARIA MUITO DE PODER CONtar com o apoio desse conceituado periódico para divulgar o Distrito de Itaipuaçu, pertencente a Maricá-RJ. Cada vez mais pessoas da cidade do Rio de Janeiro estão transferindo suas residências para Itaipuçu por ser um lugar tranqüilo para viver, com praia e serra e perto da cidade do Rio, fato importante para os que trabalham na capital do Estado. A única queixa que todos nós moradores temos, indubitavelmente, é com relação às vias públicas que sofrem um total descaso das autoridades. Mas dará uma ótima matéria para a revista a divulgação de Itaipuaçu! Pensem com carinho nisso! Obrigada. Katia Moraes (Itaupuaçu - Maricá/RJ) SOU LEITORA DA REVISTA CIDADE E tomei conhecimento desta revista quando comecei a cursar a Faculdade de Turismo, através de pesquisa para assuntos relacionados a turismo. Tenho interesse em assinar a revista futuramente e também adquirir os números atrasados. Quero parabenizar a qualidade de informação que oferece ao seu público. Atenciosamente, Sonia Siqueira (Cabo Frio/RJ) PARABÉNS PELO PRECIOSO TRABAlho jornalístico que tem sido realizado por esta equipe!! Gláucia Quadra (Araruama/RJ)

TRABALHO COMO CORRETORA DE imóveis, e devido às reportagens de qualidade da revista me interessei em adquirir uma assinatura da mesma. Aproveito a oportunidade para parabenizá-los pelo modo de redação exercido (imparcial). Com certeza esta é uma revista que faz a diferença em nosso meio! Informação de qualidade! Preservando e buscando uma vida mais responsável, num mundo repleto de desigualdades. Sucesso!! Gisele Sá (Cabo Frio/RJ) VENHO ATRAVÉS DESTA, PRIMEIRAmente parabenizar essa digna revista pelo trabalho que vem realizando com a divulgação das cidades do interior do estado do Rio de Janeiro. Em segundo lugar, queria apresentar uma sugestão para a realização de uma reportagem abordando a questão da violência crescente na cidade de Cabo Frio. Temos assistido cenas chocantes que antes só podíamos pensar que acontecia nas cidades grandes. Como aconteceu recentemente, quando o tráfi co de um bairro impôs um toque de recolher em outro. Em plena Cabo Frio! Dois dias depois, mais uma tragédia: assassinato no bairro Itajuru. Já se comenta, é acerto de contas. Ora, isso é coisa de cidade grande, não de Cabo Frio. Ou é? Onde está a polícia? Elvira Guerra Jacob (Cabo Frio/RJ) AO LER O ÚLTIMO NÚMERO DESSA ótima revista dei com uma resenha do meu livro, queria agradecer a publicação e especialmente ao Octavio Perelló pelas palavras amáveis e incentivadoras com que distinguiu o meu trabalho. Com meus votos de contínuo sucesso Bento Ribeiro Dantas (Armação dos Búzios/RJ)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br CIDADE, Novembro de 2008


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2ª Mostra de Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras

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e 8 a 23 de novembro acontece a 2ª edição da Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras. Este ano, serão exibidos 50 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, em quatro pontos da cidade: PURO, CineRitz Holiday, Núcleo Artes, Terapias e Ofícios e praça São Pedro. Haverá ainda três debates durante a mostra e uma mesa redonda no dia 20 de novembro, com realizadores do documentário Quilombo, feito em Casimiro de Abreu, e a presidente da Fundação Cultural do município, Sônia Cardoso. Além de toda a programação gratuita, moradores de Rio das Ostras poderão participar de uma oficina de fotografia. A Oficina de Arte e Técnica Papo Fotográfico, que há 10 anos é desenvolvida pelo fotógrafo Maurício Rocha, em Rio das Ostras, terá uma edição especial – a última do ano – dentro da 2ª Mostra do Filme Ambiental e Etnográfico de Rio das Ostras.

Inscrições As inscrições – gratuitas - serão feitas no Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO), no dia 10 de novembro. Serão oferecidas 15 vagas. Pode se inscrever qualquer pessoa que resida em Rio das Ostras, sem limite de idade. Das 15 vagas, três serão reservadas para jovens que tenham entre 12 e 15 anos de idade. É necessário que os alunos tenham câmera fotográfica, digital ou analógica, para uso durante a oficina. A oficina terá aulas teóricas e práticas. Os encontros acontecerão nos dias 11, 12, 13 e 14 de novembro, no PURO. Como resultado do curso, os participantes organizarão uma exposição com as fotos produzidas durante a Oficina. Leonor Bianchi CIDADE, Novembro de 2008

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A VOLTA dos Garotinho

Antônio Leudo

Campos dos Goytacazes CAMPOS Maior cidade do interior do Estado espera paz na polítca

Ex-governadora Rosinha é a primeira prefeita eleita em Campos Gustavo Araújo

O

s Garotinho estão de volta à cidade que os projetou politicamente. No dia 1º de janeiro de 2009, exatamente dois anos depois de deixar o governo do estado, Rosinha Garotinho (PMDB) assumirá a Prefeitura de Campos. Depois de ter sido a primeira governadora eleita do Rio de Janeiro, ela também entrará para a história como a primeira prefeita da maior cidade do interior fluminense, com uma população de 430 mil habitantes e um orçamento que, para o ano que vem, beira a casa dos R$ 2 bilhões. A vitória de Rosinha na eleição municipal deste ano começou a ser construída no primeiro turno, quando ela venceu com 118.245 votos (45,82%), enquanto seu principal adversário, o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), teve 108.210 votos (41,93%). Os dois partiram para o segundo turno numa campanha com direito a muitas trocas de acusações. Enquanto Arnaldo tentou vincular o nome da adversária ao ex-prefeito e ex-governador Anthony Garotinho, Rosinha fez questão de lembrar que o atual prefeito, Alexandre Mocaiber, teve o apoio de Arnaldo. Em jogo, estavam principalmente os 30.638 votos dados no primeiro turno à Professora Odete Rocha (PCdoB) e ao ex-deputado federal Paulo Feijó (PSDB). Feijó apoiou Rosinha. Odete se declarou neutra, mas a juventude de seu partido cerrou fileiras com a peemedebista, que ficou com a maior fatia e sagrou-se vencedora do segundo turno com 135.955 votos (54,47%). Arnaldo Vianna teve 16

113.638 votos (45,53%). No começo da noite de domingo, 26 de outubro, o bairro da Lapa, onde moram os ex-governadores, foi ocupado por milhares de eleitores com camisas e bandeiras rosa, cor que dominou a campanha vitoriosa. Professora, radialista, mãe de nove filhos, Rosângela Barros Assed — seu nome de batismo — nasceu em Itaperuna, mas mudou-se para Campos quando tinha apenas 4 anos de idade. Na juventude, fez teatro amador. E foi nos palcos que conheceu o líder estudantil Anthony William Matheus de Oliveira, que como radialista, mais tarde adotaria o apelido Garotinho e enveredaria pelo campo da política. Casados, tiveram quatro filhos e adotaram outros cinco. Aos 45 anos de idade, Rosinha já tem duas netas — Lyvia e Júlia, filhas de Aparecida, sua filha mais velha. “A gente agora tem que botar o pé no chão e começar a trabalhar, porque vamos encontrar muita dificuldade pela frente”, disse a prefeita eleita em sua primeira entrevista, pouco antes de comemorar a vitória num trio elétrico. Segundo ela, a prioridade do novo governo será o combate à corrupção. Rosinha prometeu reduzir os salários dela, do vice-prefeito e dos vereadores. Sobre os milhares de servidores contratados irregularmente no final do governo Arnaldo Vianna, em 2004, e mantidos por Alexandre Mocaiber nos últimos quatro anos, que agora começam a ser demitidos por ordem judicial, Rosinha foi enfática: “Quem trabalha não tem o que temer. Mas a boquinha vai acabar”, disse, referindo-se a supersalários de mais de R$ 9 mil que recheiam a folha de pagamento da prefeitura. A vitória de Rosinha responde a uma CIDADE, Novembro de 2008

pergunta recorrente nos meios políticos: Garotinho ainda tem força? Passadas as eleições municipais, a resposta é sim. Contando com o apoio declarado de vários prefeitos — atuais e eleitos — no interior do estado do Rio, o ex-governador mostrou que continua vivo, mesmo depois de ter sido preterido pelo PMDB na eleição presidencial de 2006, ter perdido a eleição passada em Campos (quando apoiou Geraldo Pudim para prefeito) e ver sua popularidade despencar após escândalos de corrupção no governo do estado e uma mal explicada greve de fome. Desta vez, a história foi diferente: Garotinho elegeu a filha Clarissa, vereadora mais votada do PMDB na cidade do Rio de Janeiro, e, embora tenha aparecido pouco na campanha da mulher, não é difícil supor que ele dará as cartas na Prefeitura de Campos a partir de 1º de janeiro. Retomar seu reduto eleitoral era uma


Antonio Leudo

ROSINHA

Vamos encontrar muita dificuldade pela frente

questão de vida ou morte para os Garotinho, que desde 2002 viviam às turras com seu antigo aliado Arnaldo Vianna. Na eleição municipal de 2004, Arnaldo apoiou Carlos Alberto Campista à prefeitura. Campista ganhou, mas teve o registro cassado por crime eleitoral poucos meses depois. Nova eleição marcada, Arnaldo apoiou Alexandre Mocaiber, que está concluindo seu mandato. O que ele não contava era com a fraquíssima atuação de Mocaiber como chefe do Executivo, comprovada por uma recente pesquisa na qual 49% da população consideram seu governo péssimo. No começo do ano, Mocaiber ficou um mês afastado por denúncias de corrupção no seu governo, fruto de um processo que levou à cadeia vários de seus colaboradores mais diretos (alguns continuam presos até hoje). Em sua campanha, Arnaldo tentou desvincular-se do afilhado político. Mas ele

próprio teve seus problemas com a Justiça: algumas das contas de sua administração foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o que culminou com a cassação de seu registro três vezes por parte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por unanimidade. No primeiro turno, em decorrência deste problema, Arnaldo não teve seus votos computados. Um recurso interposto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o recolocou de volta na disputa, mas a incerteza sobre se ele assumiria a prefeitura caso vencesse foi fatal na reta final da campanha — fato amplamente explorado por Rosinha em seu programa eleitoral. Faltando alguns dias para a votação no segundo turno, dois debates entre os candidatos exibiram um Arnaldo Vianna desgastado, mais preocupado em se justificar, afirmando que era candidato, do CIDADE, Novembro de 2008

que em apresentar propostas de governo. No debate da TV Record, sete dias antes do pleito, o ex-prefeito cometeu um erro estratégico, ao criticar a ponte construída em Campos por Rosinha quando ela era governadora. Ao defender que sua localização foi mal escolhida, Arnaldo disse que a ponte liga o nada ao lugar nenhum. O que ele chamou de lugar nenhum é Guarus, o 2º distrito de Campos, região com cerca de 150 mil habitantes. Pegou tão mal que o candidato pedetista gastou mais alguns dias de sua campanha tentando explicar que a tal ponte que liga o nada ao lugar nenhum não fica em Campos, e sim em Resende, no Sul Fluminense. Não colou. E foi justamente em Guarus que Arnaldo amargou sua maior derrota nas urnas. Eleição perdida, o ex-prefeito promete continuar fazendo oposição aos Garotinho — para quem, pelo menos desta vez, ficou tudo cor-de-rosa. 17


ESPECIAL DE CABO FRIO

BERÇO DE UMA CIVILIZAÇÃO Os milênios e séculos passados em Cabo Frio constituem uma saga fascinante de bandos nômades primitivos, guerreiros tupinambás e navegantes franceses e portugueses que escreveram tanto as honrosas quanto as deploráveis páginas desta história. Resgatar e valorizar tal trajetória requer, acima de tudo, coragem para enfrentar e discernir verdades e mentiras.

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CIDADE, Novembro de 2008


Marconi Castro

FONTE DO ITAJURU รšnica fonte de รกgua potรกvel na Restinga

CIDADE, Novembro de 2008

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ESPECIAL DE CABO FRIO

Dos primeiros povos nômades à mitológica presença dos tupinambás Octavio Perelló

O

s primeiros habitantes de Cabo Frio não poderiam imaginar o seu perfil no futuro. O paraíso que apareceu nos mapas do século XVI teria abrigado povos primitivos anteriores aos bravos tupinambás. Há cerca de seis mil anos famílias nômades chegavam e saíam em canoas pelo mar, em busca de pesca, caça e coleta de moluscos. Os vestígios encontrados em sambaquis na barra da Lagoa de Araruama e em sítios no entorno do Canal do Itajuru indicam sucessivas presenças de povos indígenas nesta região que, possivelmente há 1.800 anos, seria conquistada por guerreiros tupinambás. Alguns relatos tomam estes por selvagens, outros dão conta de que a sua adaptação ao lugar teria sido melhor do que a dos bandos nômades pioneiros, por serem dotados de maior presteza com as artes de domínio à época. Por essa visão, os tupinambás teriam adquirido grande intimidade com a lagoa e os mares costeiros, tornando os frutos do mar a sua base alimentar e aproveitando a diversidade silvestre para a horticultura. Em especial, prezavam um tipo de pimenta gigante, e sal cristalizado, usados como ricos ingredientes na arte de temperar e conservar alimentos.

O lugar e seus encantos nas denominações dos mais antigos Apesar da confusão com os nomes tupis-guaranis, estudos etimológicos esclarecem os significados. A autodenominação das tribos se dava com relação aos locais em que viviam. Os tupinambás no Rio de Janeiro, os tupiniquins no Espírito Santo e os tupinaés em São Paulo. Tamoios é um termo que vem depois, como uma denominação dada pelos tupiniquins aos tupinambás, significando os mais antigos. Para os tupinambás a denominação desta terra seria Terra de Gecay, numa alusão ao tempero produzido com pimenta e sal. Segundo Abel Beranger, é provável que a denominação de Cabo Frio date da viagem de Gonçalo Coelho em 1504 (a mesma de Américo Vespúcio, em 1503/1504). O nome teria surgido pela primeira vez no mapa de Kunstmann III, em 1506, talvez pelo contraste sentido pelos navegantes - região fria em zona quente. Outro pesquisador oferece a possibilidade de que a corrente fria, que ainda hoje corta o Cabo Frio e o Arraial do Cabo (ex-distrito de Cabo Frio), tenha surpreendido os navegantes. Segundo Márcio Werneck, esta particularidade, na verdade uma corrente de águas frias que parte das PapiPress

DUNA BOA VISTA Índícios de acampamentos indígenas de pesca 20

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Malvinas e vem cortando a costa, não teria passado despercebida aos hábeis navegantes habituados às variações marítimas e justificaria melhor a origem do Cabo Frio, notadamente por não se tratar de eminente região fria.

O encontro das civilizações A necessidade de expansão dos cabos ultramarinos no mundo mercantilista atraiu portugueses, franceses e ingleses em busca do cobiçado pau-brasil. A esta cobiça se contrapuseram os bravos tupinambás que vinham assombrando as naus portuguesas. Segundo pesquisadores a rivalidade indígena levou à aliança lusa-tupiniquim contra os tupinambás da região, o que culminaria no massacre destes e no distanciamento PapiPress

PEDRAS SULCADAS Origem desconhecida


PapiPress

PapiPress

FORTE SÃO MATEUS Testemunha da história recente

de sua memória na segunda metade do século XVI. A “Confederação dos tamoios” fixou-se na história colonial da cidade e sobreviveu aos dias atuais. Liderados pelo grande chefe Cunhambebe na região que hoje se localiza entre Ubatuba e Angra dos Reis, e em Cabo Frio sob a batuta do líder local Guaxará, os tupinambás seriam tristes protagonistas da “Guerra de Cabo Frio”, quando mais de dez mil índios teriam sido assassinados e 1,5 mil tornados prisioneiros.

O que revelam os vestígios arqueológicos

IGREJA DE SÃO BENEDITO Retrato do Brasil Colônia

céu sob a forma de pedras sagradas para serem venerados pelos povos. Em “A escrita pré-histórica do Brasil”, Alfredo Brandão supõe se tratar de traços de civilizações primitivas. Koch Gruenberg e Alfredo de Carvalho, como lembra Abel Beranger, acusam linhas sem idéia preconcebida. Beranger defende que os traços podem significar guia, marcos, a exemplo das interpretações de Stradelli sobre certas pedras no alto Uapés e Rio Negro. Um parecer da década de 1980, assinado pelas arqueólogas do Museu Nacional Maria da Conceição Beltrão e Lina Kneip, defende tratar-se o local de oficina lítica.

Mas a questão não foi encerrada. A possibilidade das pedras sulcadas originarem-se de chuva de meteoritos, como apontam alguns geólogos e pesquisadores, pode aproximar o lendário da ciência. Não é difícil imaginar os índios assistindo à queda dos corpos celestes e construindo as suas interpretações aos mistérios da vida, sob um cenário de mar, lagoa e restinga de um lado, e de outro a extensa margem continental. Difícil é compreender como uma história tão rica navegue à deriva, sem que grandes e definitivos gestos garantam sua sobrevivência no futuro.

O que restou de arquitetura jesuítica é pouco, mas revela a eliminação da cultura tupinambá. Quantos aos vestígios arqueológicos, há na Praia do Forte, mais precisamente no Morro dos Índios e na Duna Boa Vista, ambos próximos ao Forte São Mateus, indícios de acampamentos de pesca e coleta de moluscos. A Fonte do Itajuru e Morro da Guia se destacam. O primeiro por ter sido a única forma de abastecimento de água potável disponível na restinga, e o segundo por compor o sítio mais importante da região e um dos mais relevantes do Brasil préhistórico, onde repousa o complexo de blocos de granito, com linhas riscadas e sutis depressões circulares, as pedras sulcadas que dão vida a muitas versões. A lenda o considera santuário da mitologia tupinambá, onde os índios cultuavam histórias de heróis feiticeiros que ao morrer se transformavam em estrelas que caíam do CIDADE, Novembro de 2008

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A Galope

Ernesto Galiotto

DESENVOLVIMENTO

O crescimento populacional nas cidades do interior do estado do Rio de Janeiro tem surpreendido tanto os moradores quanto o Poder Público. Rosa School

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CARLOS VITOR MENDES Secretário de Governo

A mola-mestra do nosso governo é investir no cidadão PapiPress

Tatiana Grynberg

E

m Cabo Frio a situação não é diferente. Em 1997 a cidade tinha 90 mil habitantes. Em 2005 eram 159.685 moradores, de acordo com dados do IBGE. O ritmo de crescimento aumentou muito nos últimos anos. Atualmente a população da cidade é quase o dobro do que era há 11 anos, de acordo com estimativas do governo municipal. Felizmente o PIB por habitante tem aumentado, assim como o índice de emprego, mas o êxodo de habitantes das grandes cidades em direção a Cabo Frio cria desafios que devem ser enfrentados pelo governo municipal. Mais moradores significam necessidade de mais escolas, creches, unidades de saúde, melhor ordenamento no trânsito, mais vagas para carros principalmente no centro da cidade e melhor infra-estrutura nas periferias. Se Cabo Frio não crescer ordenadamente a tendência é que o município passe a enfrentar problemas que não existiam quando a cidade ainda era considerada de pequeno porte. O próprio secretário municipal de Indústria e Comércio, Ricardo Azevedo, vê com preocupação este crescimento. “Cabo Frio vem crescendo rápido demais. A média de crescimento populacional do Brasil é de 1,5% ao ano. Em Cabo Frio este crescimento é de 6%. A demanda por emprego tem aumentado muito”, informou Ricardo Azevedo. De acordo com o IBGE, em 1999, Cabo Frio ocupava o 226º lugar na classificação do PIB por habitante e em 2000 subiu para o 115º lugar. Em 2003, o município já havia saltado para 65º lugar em relação a outros municípios brasileiros. Com relação ao nível de emprego, a cidade tem fechado os últimos anos com saldos positivos principalmente por conta da expansão no mercado imobiliário, mas vale ressaltar que alguns setores fecharam no negativo. De acordo com o Ministério do Trabalho, até junho de 2008, a construção civil foi o setor da economia que mais empregou no ano e registrou um crescimento de 21% em contratações. O mesmo aconteceu no ano passado quando o número de empregos no setor registrou aumento de 28,55%, seguido pelo comércio com aumento de 9,65% e o setor de serviços com 6,57%. O Ministério do Trabalho registrou um aumento total na oferta de empregos formais em 2007 em Cabo Frio de 7,98%, o equivalente a 1.800 novos empregos. Em 2006 o setor que mais empregou foi o de serviços de utilidades públicas com um aumento de 13,01%. O número de empregos no comércio cresceu 5,03%. E em terceiro lugar o setor que mais empregou, há dois anos, foi o de serviços, + 4,96%.


Primeiro vieram os royalties do e como conseqüência, crescimento populacional e desenvolvimento sem planejapetróleo mento, o que transformou Cabo Frio, quase uma vila há poucos anos, em uma cidade de porte médio (159 mil habitantes segundo estimativa do IBGE/2005), vibrante e com todos os problemas dos aglomerados urbanos modernos. Se em muitos locais se agravam os problemas de ocupação do solo, saneamento, violência, por outro, novas luzes começam a surgir no horizonte. E agora, parece que muito mais está por vir. Depois do aeroporto, a promessa da construção de um centro de convenções, a vinda do Club Med e a instalação de cursos de pós-graduação da UERJ, cursos do CEFET e da UFRJ são algumas das novidades previstas para os próximos anos que prometem alavancar ainda mais o progresso da cidade. Qualificar a mão-de-obra, criar empregos, atrair investimentos e estimular o empreendedorismo são algumas das metas destacadas pelo secretário municipal de Governo, Carlos Vitor da Rocha Mendes, a serem desenvolvidas para estimular a economia municipal. E todo este cenário, se bem aproveitado pelo poder público, pode gerar o maior de todos os benefícios: diminuir a dependência dos royalties do petróleo. Segundo o secretário Carlos Vitor, a vinda de novos investimentos e a abertura de novas empresas significam mais ICMS, ISS e mais receita para o município. De acordo com o secretário de Turismo de Cabo Frio, Gustavo Beranger, o atual governo já conseguiu diminuir em 10% a dependência dos royalties do petróleo com o aumento na arrecadação. Segundo ele, 54% da receita da prefeitura eram de royalties. “Atualmente este percentual baixou para 44%”.

VISTA AÉREA de Cabo Frio

Ascom/CF

Diminuir a dependência dos Royalties

PRAÇA SANTO ANTÔNIO Centro de Cabo Frio

RICARDO AZEVEDO Secretário de Indústria e Comércio

A média de crescimento populacional do Brasil é de 1,5% ao ano. Em Cabo Frio este crescimento é de 6%

O secretário de Governo vai mais além, e diz que pretende baixar esta dependência para valores entre 20% e 30%. Como as expectativas apontam para grandes investimentos, a meta pode se tornar possível. O Club Med é um exemplo de empreendimento que deve engordar a receita do município com impostos. De acordo com o presidente do Club Med para a América Latina, Janyck Doudet, “em termos de tributos, o Club Med normalmente se torna um dos maiores recolhedores de impostos da região, além de contribuir na geração de empreendimentos de suporte a operações”. Além disso, o aeroporto internacional de Cabo Frio que já vem gerando receitas com o recebimento de cargas, deverá ter esse potencial ampliado com o projeto que a prefeitura tem de criar um pólo industrial na área. Carlos Vitor lembra que para estimular pequenos e médios investidores a prefeitura deve criar no final do próximo ano o Fundecaf (Fundo de Desenvolvimento de Cabo Frio), uma espécie de banco popular para incentivar investimentos em empresas de até R$ 1 milhão. Outra atividade que a prefeitura pretende incentivar é a pesca. Para isso, a indústria da pesca vai ganhar um local específico que facilite o beneficiamento e a exportação do pescado. Segundo o secretário o município está elaborando um novo Plano Diretor em substituição ao antigo de 1970, já inteiramente defasado. Para a periferia, de acordo com Carlos Vitor, a intenção é trabalhar a infra-estrutura básica melhorando a educação, o transporte, a saúde, habitação e o saneamento. “A mola-mestra do nosso governo é investir no cidadão de Cabo Frio. Com emprego, educação e serviços públicos o cidadão de Cabo Frio vai crescer junto com cidade”, afirma. CIDADE, Novembro de 2008

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COMÉRCIO PapiPress

EM ALTA O Rosa School

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desenvolvimento de Cabo Frio também pode ser percebido no comércio. O vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio (Acia), Eduardo Rosa, estima

Comércio no centro de Cabo Frio

um aumento de 40% no número de estabelecimentos comerciais da cidade nos últimos cinco anos. Este crescimento no comércio de Cabo Frio pode ser percebido também através do aumento no número


de consultas feitas pelos comerciantes ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Em setembro de 2008 foram feitas 4.617 consultas ao SPC, 21% a mais que no mesmo período do ano passado. Apesar dos grandes shoppings ainda não terem chegado ao município, é fácil perceber a mudança no setor, com oferta de serviços e produtos mais diversificados e com a instalação de grandes lojas de rede. “São números positivos que indicam o crescimento no comércio de Cabo Frio. Um exemplo é o meu ramo, o de madeireira. Há cinco anos existiam seis na cidade, hoje são 15 lojas do tipo”, afirmou Eduardo Rosa. Crescimento na concorrência, ganho para o consumidor. Por outro lado os comerciantes vêem com preocupação a chegada de grandes empreendimentos à cidade. Eduardo Rosa acha que a Prefeitura deveria criar mecanismos que incentivassem os grandes empreendedores a consumir os produtos locais. “Estão para ser construídos na cidade pelo menos dois shoppings e um grande resort. Já temos grandes construtoras de fora de Cabo Frio trabalhando na cidade. Corremos o risco de não termos

nenhum benefício com estas construções. O empresariado local quer participar mais destes grandes investimentos. A prefeitura poderia, por exemplo, dar descontos no IPTU destes grandes empreendimentos se eles consumirem no nosso comércio”. Apesar da maré de boas notícias, muitos comerciantes ainda sofrem com a sazonalidade. Na baixa temporada alguns segmentos sofrem queda nas vendas de 40% a 50%, de acordo com a Acia. “Nós percebemos uma grande melhora, mas a prefeitura ainda pode desenvolver mais atividades fora da temporada. Muitos comerciantes ainda dependem da alta temporada”, diz ele. Para incrementar ainda mais o comércio o vice-presidente da Acia sugere que sejam criados outros incentivos ao consumo e a criação de cooperativas para desenvolver a mão-de-obra local.

Mariana Ricci

EDUARDO ROSA Vice-presidente da ACIA

O empresariado local quer participar mais destes grandes investimentos

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ESPECIAL DE CABO FRIO

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Texto e fotos: Loisa Mavignier

UM passo à frente

A

s histórias se parecem. Um cotidiano de luta, necessidades materiais, psicológicas e existenciais. Cidadãos brasileiros, castigados pela trajetória socioeconômica, pela falta de capacitação e de oportunidades de trabalho. Perfil que por si só desequilibra famílias formando uma barreira, supostamente, intransponível para a sobrevivência. Um quadro difícil de mudar sem um árduo trabalho, mas não impossível. É acreditando nessa possibilidade que centenas de pessoas batem à porta do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), em Cabo Frio, à procura do apoio necessário para manter de pé a dignidade e encontrar meios para continuar percorrendo a trilha, ainda esburacada, que leva à plena cidadania. Muitos já estão a caminho; outros aprendendo a andar, mas todos querem essa estrada saneada na Região dos Lagos e no país.

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Três histórias, diferentes destinos, uma mesma realidade Roberta Bernardo Conceição, 27 anos, se reveza todos os dias com o marido Cristiano Pereira Gomes, 32 anos, para abrir a mini lanchonete no bairro Monte Alegre. Um negócio pequenininho, onde os moradores compram bolos e salgados quentinhos feitos por ela. Com dois filhos de 4 e 8 anos, ambos freqüentando escolas municipais – a creche Maria Emília e a Escola Municipal Aquires, no mesmo bairro, o casal, que sobrevivia do verão, vendendo bebidas na praia, está confiante no micro negócio. Um passo possibilitado pelo curso de Panificação

feito por ela no CRAS Monte Alegre. “Abri por intuito porque fora do verão não tenho onde trabalhar. Vendo bem. Com o dinheiro que entra dos salgados já reponho algumas mercadorias, compro frutas para as crianças e o rendimento ajuda na manutenção da casa”, diz Roberta, exibindo um largo sorriso. Ela continua no curso de Panificação para se aprimorar. Antes fez o curso de bordado, mas se identificou mais com a produção de pães. Mesmo, mesmo assim, continua bordando peças por encomenda o que lhe rende mais um dinheirinho.

ROBERTA E CRISTIANO, confiantes na venda dos salgados Delciana Baptista Ramos, 28 anos, hoje é uma especialista no artesanato com jornal. Há mais de dois anos ela freqüenta a oficina do CRAS no Manoel Corrêa. Exemplo de perseverança e de quem sabe aproveitar a “linha e o anzol” para pescar o próprio sustento, uniu forças com o marido trabalhador braçal, e com a venda do artesanato, comprou um terreno à prestação por R$ 1.500. Com quatro filhos, eles perceberam a necessidade de ampliar um pouco a casinha onde vivem no alto do bairro Manoel Corrêa. “Vinha para o CRAS durante o dia e ainda levava material para fazer em casa para produzir mais. Não tinha hora para

parar, trabalhava até de madrugada. A vontade de ganhar aquele dinheiro com meu suor era muito grande. Oferecia as peças para as pessoas no bairro. Fomos pagando o terreno por quinzena e, às vezes, ainda dava para pagar a conta de luz e outras coisinhas. Hoje o terreno já está murado”, diz, com orgulho, enquanto as peças secam no pequeno quintal conquistado pela família. Delciana não parou aí. Está trabalhando muito para garantir o Natal para os filhos. Além disso, ela recebe R$ 112, 00 do Bolsa Família; a filha de 11 anos faz balé no mesmo CRAS, e um dos filhos está na creche da Escola Municipal Manoel Mendes.

DELCIANA no quintal comprado com a venda do artesanato

Maria Cristina Julião da Silva, 51 anos, andava depressiva, chorosa e sem perspectiva de vida. Há sete meses decidiu procurar ajuda no CRAS do Jardim Esperança. Fez um curso de sabonete artesanal e depois o de découpage, técnica de colagem, pintura e textura em caixas de madeira ou MDF. Hoje, a produção de caixinhas já garante a compra da “mistura” (carnes) de parte do mês e também serviu para ocupar o marido aposentado, Maro Alencar Almeida, 63 anos. Sem recursos para comprar material, além do fornecido pelo Centro, ele cata restos de madeira nas marcenarias e faz as caixas que ela

pinta e vende. “Procurei o CRAS como terapia para a depressão. Fiz os cursos e aí virou uma coisa para ajudar em casa. Vendo baratinho, mas vendo tudo. Com o dinheiro vou ao mercado e compro a mistura. Quando recebe o dinheiro dele meu marido compra tudo, mas lá pelo dia 20 acaba e é preciso repor. Com o extra das caixas terminamos o mês”, diz Maria Cristina, feliz em não ficar sem a “mistura” que tanto gosta e bem longe da depressão. A filha dela de 15 anos freqüenta a oficina de dança no mesmo núcleo social MARIA CRISTINA com ajuda do marido Maro produz as caixas... desde 2007. “Quero que ela ocupe a mente”, ressalta a artesã.

a renda extra garante a “mistura” no fim do mês

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

CRAS Uma porta para a emancipação social As histórias de Roberta, Delciana e Maria Cristina mostram que inclusão e responsabilidade social caminham juntas e, se praticadas, geram resultados. Isso quando o Estado, na figura de governos municipal, estadual e federal, se faz presente nas comunidades, não como mera muleta, mas realizando um trabalho integral de recuperação e estímulo da capacidade do ser humano. Com a missão de capacitar e promover a emancipação de pessoas socialmente vulneráveis, de 2005 a 2008, foram criados em Cabo Frio-RJ, seis Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Hoje são 1.800 famílias cadastradas nesses núcleos; e nos últimos quatro anos, cerca de 30 mil pessoas receberam atendimento social emergencial, de acordo com dados do Departamento de Proteção Social Básica (DPSB) do município. Nas oficinas artesanais desenvolvidas nos núcleos de geração de renda, cada um faz a sua parte nos trabalhos em grupo. E o maior valor agregado das peças que nascem nos CRAS, além da beleza, do sabor e da utilidade, é ser a mais pura expressão das comunidades cabo-frienses, que em detrimento da dura realidade, têm a chance de redesenhar o seu próprio destino. Nos projetos de assistência social a Prefeitura de Cabo Frio injetou de 2005 para cá mais de R$ 8,1 milhões, com contrapartida do governo federal de R$ 1,1 milhão, segundo informações do DPSB. A rede deu tão certo que a meta do prefeito de Cabo Frio, Marcos Mendes, é implantar até 2012 mais 10 CRAS nos bairros de maior vulnerabilidade social. “Vamos, inclusive, realizar um censo para quantificar o número de famílias na faixa de vulnerabilidade social no município”, afirma a diretora do Departamento de Proteção Social Básica, Thereza Christina Cariello Mesquita. A variedade, qualidade e originalidade dos produtos que saem das oficinas surpreendem. Nelas se produz de tudo um pouco - tapetes de rejeito de lycra, artesanato em feltro, sabonete e velas decorados, 30

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doces e compotas, chocolate, découpage, patchwork, tear, bonecos, pintura e biscuit na cabaça, pintura em tecido, peças customizadas, panificação, artesanato em jornal e garrafas PET, marcenaria e carpintaria, pintura country, silk, mosaico, culinária e bijuterias em escama de peixe, enfim. É um mundo de cores e formas que dão vida a centenas de vidas. Todo material é fornecido pela prefeitura, que financia a maior parte do programa e seus projetos. “A contrapartida da prefeitura é bem maior do que o governo federal porque aqui os projetos foram sendo ampliados e são mais abrangentes”, enfatiza o secretário de Governo da Prefeitura de Cabo Frio, Carlos Victor da Rocha Mendes. Os moradores das comunidades têm nos CRAS uma extensão de suas casas. Podem sair e voltar quando têm vontade. Alguns entram, fazem os cursos e saem, mas os filhos participam de atividades sócio educativas do ProJovem Adolescente; e os idosos do Feliz Idade. Com o projeto Espaço de Possibilidades, grupos de jovens de 15 a 17 anos freqüentam as oficinas socioeducativas. Atualmente 1.320 freqüentam os núcleos. Nas palestras e dinâmicas em grupo, as novas gerações das comunidades podem trabalhar melhor sua realidade social e desenvolver potenciais criativos. Em 2008 a exposição dos produtos do CRAS, foi intitulada “Cabo Frio, minha terra amada”, numa referência não só aos valores e belezas naturais da terra como também à inclusão dos usuários no cotidiano produtivo da cidade. Nesse verão, a mostra, que acontecerá em dezembro, chega com um diferencial: o olhar antenado de designs e estilistas para o mercado consumidor. A novidade da coleção, que declara amor à cidade, é a integração das oficinas.

Bijuterias de escamas de peixes

Tapeçaria em rejeito de lycra

Aulas de dança ampliam o Espaço de Possibilidades para jovens

Made in CRAS Rompendo fronteiras

Atividades em grupo, uma terapia para os idosos

O cuidado na produção já está rendendo encomendas às oficinas. Um empresário de Angra dos Reis viu nas peças dos CRAS um potencial comercial e passará a vendê-las para os turistas daquele município. A instrutora de customização e assistente social do CRAS Monte Alegre, Lucia Pinto de Oliveira, está satisfeita em ver sua turma ultrapassando as fronteiras do município. “Um grupo que já se formou está tentando criar uma cooperativa. Incentivamos a associação, pois muitas aprendem, mas não se sentem seguras para caminhar sozinhas. O lojista quer quantidade e, juntas, elas

Panificação, aprendizado sem máquina, onde os usuários possam fazer a massa em casa


ganham força e credibilidade no mercado”, explica Lucia. A cada relato de suas trajetórias, usuários dos CRAS levantam uma bandeira simbólica para lembrar que responsabilidade social não cabe só ao Estado, mas é dever de todos. A presença efetiva do poder público na vida das comunidades socialmente vulneráveis, não se resume ao assistencial, também é uma ação preventiva que evita maiores riscos sociais, em benefício de toda a sociedade. A prova

Fábrica de Presentes Uma Fábrica de Presentes será instalada na Mostra de Natal que a Secretaria de Assistência Social fará de 10 a 22 de dezembro, na sede do Charitas, no Centro de Cabo Frio. O público poderá comprar tudo que se produz nos CRAS. A renda integral da venda é para os usuários. A meta da prefeitura é estimular a formação de associações e cooperativas para ter um ritmo maior de produção e comercialização. Para isso, já firmou convênio com o SEBRAE e já está sondando o Banco do

disso é o trabalho paralelo do Centro de Atendimento de Referência Especial (CRES), realizado pelo município em parceria com os governos federal e estadual. É lá que são atendidos os casos de violência, abuso e exploração sexual, medidas socioeducativas, liberdade assistida, prestação de serviços à comunidade, idosos e crianças vítimas de maus tratos e abandono, moradores de rua, risco pessoal e social, violação de direitos, dependência química e vítimas de homofobia. Brasil, de olho no microcrédito para futuras associações dos alunos. “Além de oferecer a mão-de-obra das oficinas para o setor de moda, nossa meta em 2009 é abrir uma loja no Centro de Cabo Frio, criando um espaço permanente para a venda dos produtos que, hoje são comercializados nas mostras ou por encomendas. Isso dará um retorno mais rápido para os usuários e incentivará a formação das associações, que é a nosso objetivo”, ressalta a coordenadora de Geração Trabalho e Renda das oficinas dos CRAS, Sigrid Lima.

No tear, usuárias do CRAS traçam os fios do seu destino

Peças em madeira ‘exportadas’ para loja em Angra dos Reis

Arte com jornal gera renda para muitas usuárias

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

CAFÉ DO TRABALHADOR

sistema delivery e 30 mil kits por mês Tatiana Grynberg

Loisa Mavignier

C

entenas deles começam a chegar de bicicleta, a pé e até em caminhões por volta das 05h30. Praticamente sem reduzir a marcha, pegam o ticket na entrada, seguem para o balcão super higienizado, onde funcionários uniformizados entregam gratuitamente o Kit Café do Trabalhador. O ritmo é industrial, e leva cerca de 30 segundos para que os usuários saiam dali levando um pão com manteiga, em saco plástico selado, e uma garrafinha de café com leite, quente. Uma cena que se repete há cerca de três anos na Av. Wilson Mendes, sentido a ponte

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CIDADE, Novembro de 2008

Fila começa a se formar a partir das 5 horas da manhã

Feliciano Sodré, que leva ao Centro de Cabo Frio. Implantado e custeado com recursos da Prefeitura de Cabo Frio, o Café do trabalhador atende uma demanda média de 1.520 trabalhadores por dia, das 05h00 às 07h30, de 2ª a 6ª feira. São em média 30 mil kits Café do Trabalhador por mês. E por determinação do prefeito Marcos Mendes, com direito a “Bom Dia” na entrega do ticket, na porta, e também do kit café, no balcão. O projeto que hoje custa a prefeitura cerca de R$ 65 a 70 mil mensalmente deu tão certo, que o prefeito já planeja ampliálo para atender os trabalhadores de outros conglomerados de bairros de Cabo Frio.

A afirmação é do secretário municipal de Governo, Carlos Victor da Rocha Mendes. A empresa terceirizada, que presta serviços no Café Municipal, possui sete funcionários, e uma guarda municipal fica a postos para dar segurança ao patrimônio público. “A área do Café do Trabalhador foi desapropriada, planejada e construída com recursos do município. Qualquer trabalhador tem acesso ao Café gratuito. É um sistema delivery. Pega e sai”, explica Carlos Victor. De acordo com Flávio Lages, que junto com Carlos Henrique Silva Guimarães, administra o Café do Trabalhador, antes


Loisa Mavignier

Ritmo industrial 30 segundos para ser atendido

de assumir o gerenciamento do projeto, visitaram um café público semelhante em Bangu-RJ. Mas lá, o café, embora custasse centavos, era pago. “Aqui tem um diferencial, é grátis. E sem burocracia de cadastramento. Eles saem de casa no limite da hora e ninguém quer perder tempo”, ressalta. Segundo dados da gerência, 90% dos trabalhadores beneficiados pelo projeto são da construção civil e chegam à sede de bicicleta. Mas é comum, caminhões de construtoras, lotados de funcionários, passarem para pegar o kit. “Muitos fariam a sua primeira refeição no almoço que levam na marmita para o trabalho. O café garante a primeira alimentação do dia. Isso é gratificante”, diz Flávio

Lages. Ele explica ainda que o trabalhador pode optar apenas pelo café puro, e açúcar ou adoçante. Embora a sede tenha mesas para aqueles que queiram comer ali mesmo, só os trabalhadores noturnos quando voltam para casa pela manhã utilizam essa estrutura. O pedreiro Jorge da Silva Rosa, há mais de um ano passa todos dos dias para pegar o café do Trabalhador. “Não dá tempo de tomar café em casa. Às vezes estou sem dinheiro e o kit ajuda muito”, diz, apressado, na saída do Café do Trabalhador, onde, devido à rapidez do sistema, é difícil até para entrevistar alguém. CIDADE, Novembro de 2008

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MEIO AMBIENTE

Bonita por Nat u Renato Silveira

PapiPress

César Valente

CANAL ITAJURU Esgoto ainda é despejado em suas águas

DUNAS DO PERÓ Beleza ameaçada pela ocupação imobiliária

Beleza ameaçada César Valente

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ompletando 393 anos de fundação e 505 anos de história, Cabo Frio provavelmente trouxe deslumbre aos olhos de seus primeiros visitantes. Dá pra imaginar a cena. Uma natureza exuberante, belíssimas praias, seqüenciadas pelo Canal do Itajuru, formando a Laguna de Araruama. Na década de 60, houve novo “descobrimento” da cidade, com o “boom” da atividade turística, intensificada na década seguinte com a construção da Ponte Rio-Niterói, trazendo um desafio até hoje não muito bem resolvido: como conciliar desenvolvimento urbano com preservação dos bens naturais, afinal de contas nossa maior riqueza e fator de atração de visitantes? Por enquanto, a história parece repetir a de outros “paraísos tropicais”. Alguns “vanguardistas” descobrem o local, que logo vira moda. Em seguida, a especulação imobiliária chega e aos poucos descaracteriza o cenário. E aqueles primeiros a chegar, trocam de destino, e partem para outras praias.

De acordo com o professor Guilherme Borges Fernandez, doutor em geografia, e que recentemente esteve na cidade participando da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, hoje, as belezas naturais de Cabo Frio encontram-se ameaçadas pelo crescimento populacional, que apesar dos esforços governamentais, ainda acontece de forma desordenada. “A vegetação natural da cidade, que é a restinga, já começa a rarear e é encontrada agora em apenas alguns pontos específicos. As dunas no caminho para Arraial do Cabo sofrem com a ocupação da Praia do Foguete, as do Peró têm um projeto de ocupação que se encontra em andamento. Felizmente, a duna-mãe, conhecida como duna preta, hoje encontra-se cercada e parece preservada de futuros ataques. As praias não possuem bocas de esgoto, mas o Canal do Itajuru hoje está poluído, causando reflexo na Praia do Forte, de acordo com o fluxo da maré. Enfim, as belezas naturais da cidade encontram-se ameaçadas”, lamentou.


PapiPress

t ureza Lagoa em fase de recuperação

GUILHERME BORGES FERNANDEZ, geógrafo

As belezas naturais da cidade encontram-se ameaçadas

Guilherme cita o arquipélago de Fernando de Noronha com exemplo de destino turístico com ocupação racional e sugere que políticas semelhantes devam ser adotadas em Cabo Frio, principalmente em locais de APP (Áreas de Preservação Permanente), com dunas. “As dunas não podem sofrer nenhum tipo de ocupação devido a sua própria natureza. Temos em Cabo Frio o cenário perfeito para a sua formação, ventos constantes na direção nordeste, grande quantidade de areia oriunda do mar e muita área de expansão. Ocupar área de dunas fere a legislação ambiental e pode ser prejudicial até mesmo para seus ocupantes, pois o movimento de areia é constante”, informou. Guilherme, que desenvolveu seu projeto analisando a costa local, de Cabo Frio a Búzios, sugere que, para manter Cabo Frio uma cidade ainda interessante para seus visitantes, que se respeite a lei ambiental vigente no país. “Não precisa de muita coisa. Basta que sejam respeitadas as leis preservacionistas. Acho que Cabo Frio pode se desenvolver turística e urbanisticamente utilizando áreas degradadas como salinas desativadas, pois não tenho dúvidas que o destino final delas será mesmo a ocupação. Assim, poderemos salvar o que restou da restinga e manter as dunas intactas”, explicou.

Mas nem só de dunas, restingas e praias se resumem as belezas naturais de Cabo Frio. A Laguna de Araruama, chamada erroneamente de lagoa pela quase totalidade de seus habitantes, sofreu com a ocupação imobiliária e todo o esgoto da cidade era (uma parte ainda é) canalizado “in natura” para as suas águas. Hoje, o lado direito do canal Itajuru, em cabo Frio já trata seu esgoto, em tempo seco (quando chove muito, ele é lançado na lagoa de uma vez só, causando problemas como mortandade de peixes), e o lado esquerdo em breve terá seu esgoto recolhido e levado para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que está sendo construída no bairro Jardim Esperança, e que prevê

o lançamento de seus efluentes não mais na lagoa e sim no Rio Una.

Rio Una Pouco conhecido pela grande maioria da população, o Rio Una sofre hoje com problemas de perenização (seu curso não é completo, em alguns locais ele não existe mais). Descrito no livro “O Homem e a Restinga” de Alberto Lamego, como um rio que apresentava “imensas planícies embrejadas”, sofreu com a drenagem desses brejos pelo DNOS em 1940, o que modificou radicalmente seu curso. De acordo com estudos do Consórcio Ambiental Lagos São João, o lançamento dos efluentes da ETE do Jardim Esperança no seu leito, ao invés de trazer problemas, poderá ser a solução para o rio.

DORMITÓRIO DAS GARÇAS César Valente

Um Parque Municipal para preservar o manguezal na Lagoa de Araruama

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T URISMO

DESTINO CABO FRIO O número de turistas que visitam Cabo Frio aumentou em 20% nos últimos três anos, segundo dados do governo municipal. E não é preciso muito esforço para perceber o desenvolvimento do setor e alguns dos motivos que levaram a esta melhora. Rosa School

A

duplicação da RJ-106, estrada que liga a ViaLagos (principal via de acesso a Região dos Lagos) à cidade, a ampliação do aeroporto municipal e a inclusão de Cabo Frio no roteiro dos transatlânticos são os mais evidentes. Mas o governo municipal garante que outras ações ajudaram a trazer mais turistas e a encontrar o caminho para o tão almejado “turismo de qualidade”. “O que mudou em Cabo Frio foi o conceito de turismo”. A afirmação é do secretário municipal de Turismo de Cabo Frio, Gustavo Beranger. Para ele, mudar o perfil do turismo na cidade significa gerar mais renda e emprego para a população

local. Combater a sazonalidade foi um desafio enfrentado por vários governos apesar de muitos prefeitos saberem que a receita poderia estar na criação de um calendário de eventos durante todo o ano, priorizando a baixa temporada.

Cabo Frio como marca Gustavo Beranger acredita que o pontapé inicial para a mudança foi dado exatamente com o sucesso da primeira Festa Portuguesa em 2005. De lá para cá várias festas foram organizadas nos meses que seriam de fraco movimento de turistas e passaram a fazer parte do calendário municipal. Além da Festa Portuguesa, estão na quarta edição eventos como o Festival de Dança, o Festival de Mariscos do Peró e o Festival de Camarão da Praia do Siqueira, todos criados para atrair turistas na baixa temporada. Mas esses eventos

GUSTAVO BERANGER Secretário de Turismo

O que mudou em Cabo Frio foi o conceito de turismo

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CIDADE, Novembro de 2008

não teriam tanto sucesso se não tivessem sido divulgados. Sabendo da importância da propaganda, a Prefeitura gastou nada menos que seis milhões de reais em três anos e meio com a divulgação da marca Cabo Frio e de todos os atrativos da cidade em eventos como feiras e congressos. “Divulgamos Cabo Frio em mais de 50 encontros de turismo e negócios”, ressaltou Beranger.

Descentralização das atrações Outra ação da prefeitura foi a descentralização dos eventos. A praia do Forte e o centro da cidade deixaram de ser o palco principal para as atrações. “A construção do centro de eventos e da Morada do Samba levaram os grandes eventos para outras áreas da cidade e permitiram que o centro e a Praia do Forte passassem a ter um pouco mais de tranqüilidade no dia-adia”, explicou o secretário.


PapiPress

Dentro dessa orientação, pela primeira vez um bairro popular foi agraciado com a inclusão de um evento no calendário municipal: a Festa Nordestina, que é realizada no Jardim Esperança. A prefeitura também investiu na construção de um ginásio poliesportivo em Tamoios, no segundo distrito, para a realização de grandes eventos também para os moradores da área rural. “A intenção é descentralizar as festas e fazer com que os moradores de outros bairros também usufruam dos eventos e dos ganhos que eles proporcionam”, diz o secretário.

“Turismo é tudo” Beranger lembra, entretanto, que “turismo não é só festa, turismo é tudo”. Segundo ele, os turistas gostam de encontrar uma cidade limpa, organizada, com infra-estrutura e segurança. “Por isso visitam e voltam a Cabo Frio”. De acordo com ele, o governo atual dobrou o efetivo da Guarda Municipal e conta hoje com 750 guardas. “Além disso, devolvemos aos banhistas uma praia do Forte livre de quiosques e protegida”. Segundo o secretário, foram retirados 165 quiosques da

areia de um dos mais bonitos cartões postais da Região dos Lagos. A melhoria no acesso à cidade através da melhoria das estradas e da ampliação do aeroporto também foi decisiva para o desenvolvimento. O aeroporto internacional de Cabo Frio se tornou o segundo maior do Estado do Rio de Janeiro e pode receber “qualquer avião de grande porte, inclusive, é claro, vôos internacionais”. A inclusão de Cabo Frio no roteiro dos transatlânticos é considerada mais uma prova de que o perfil do turismo na cidade está diferente. Apesar de alguns considerarem que o visitante que chega a Cabo Frio de navio pouco gasta na cidade, por passar apenas algumas horas em terra, a novidade foi festejada pelo Poder Público. Desde 2005, Cabo Frio, segundo Gustavo Beranger, recebe em média 20 transatlânticos durante a alta temporada. Nesta temporada a previsão é de que 14 navios façam escala na cidade trazendo mais de 27 mil pessoas. Calcula-se que cada um destes turistas gaste em média R$200 em cada visita, mas o melhor para o turismo é a expectativa de que este visitante volte à cidade em outra ocasião. “É uma espécie de vitrine. O turista conhece rapidamente, gosta da cidade e volta para ficar mais tempo e até recomenda a amigos. Este é o turista que nos interessa muito”, acredita o secretário, lembrando que a cidade já recebe um dos transatlânticos mais luxuosos do mundo o Splendour of the Seas. A única ressalva feita pelo secretário é a falta de um porto protegido em Cabo Frio. Como os navios

têm que parar em alto mar algumas vezes a parada tem que ser cancelada quando as condições não são boas. “No ano passado três navios tiveram que seguir viagem por causa das condições do mar”, lembrou.

Novas ações Para incremento ao turismo, o Poder Público municipal pretende construir, ainda em 2009, um centro de convenções. O projeto conta com US$ 7,5 milhões vindos do Prodetur (Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo) e uma área às margens da lagoa de Araruama, na estrada dos Passageiros, uma das principais vias de acesso a cidade, já está reservada. “A área para a construção já foi desapropriada e paga”, ressalta Gustavo Beranger. Outra novidade é a intenção de transformar Cabo Frio na cidade da Música Popular Brasileira. A idéia é escolher um mês e neste período trazer várias atrações da MPB para a cidade. Para os amantes do estilo, o secretário adianta que “deve ser em maio”. Com o aumento no número de turistas a rede hoteleira, que ainda é pequena, precisa também se aperfeiçoar. Atualmente a cidade conta com seis mil leitos em hotéis e pousadas, mas a prefeitura pretende criar incentivos para o incremento do setor. Adequar a lei de incentivos fiscais de 2001 à nova realidade também está nos planos da prefeitura. “A lei incentiva grandes empreendimentos e vamos passar a estimular os de médio porte, e também a reforma dos estabelecimentos já existentes”, afirma.

Calçadão da Praia do Forte CIDADE, Novembro de 2008

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GASTRONOMIA

A estrutura se renova

Picolino e Tia Maluca, de cara nova, se adequam às novas exigências do mercado Renato Silveira Fotos Tatiana Grynberg

TIA MALUCA Reforma para ficar com jeito de casa de praia

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emplo da boemia cabo-friense há algum tempo, o Boulevard Canal tornou-se também o point da gastronomia. Traçando uma linha divisória imaginária, percebe-se nitidamente que a partir do Shopping do Canal até a esquina do ponto de taxi, há uma vocação para as noitadas. Do outro lado, uma série de restaurantes faz a alegria de quem quer apenas desfrutar de um bom prato ao lado da família, parceiro(a) e amigos. Dentro dessa variada gama de opções, a cidade foi premiada com a reforma de dois desses estabelecimentos, os tradicionalíssimos Tia Maluca e Picolino, que vão encarar a alta temporada com cara nova, mas mantendo a excelência de seus serviços. Com 30 anos de tradição, as mudanças no restaurante Picolino, hoje dirigido pela chef Denise Linhares, a princípio causaram polêmica na cidade. Muita gente achou que o prédio, que apesar do estilo colonial, não era tombado por nenhum órgão municipal, estadual ou federal, seria descaracterizado, e o pior, a cozinha passaria por transformações que trariam perda de qualidade. A nova proprietária não se abateu com as críticas e tocou seu projeto, segundo ela, mais do que necessário para manter o restaurante em funcionamento. De acordo com Denise, a cozinha estava defasada, até mesmo no sentido de atender às normas da Vigilância Sanitária e as instalações em si eram problemáticas, devido ao tempo de construção do prédio. “Pegamos o Picolino no final do ano passado e trabalhamos nele daquele jeito mesmo, até para vermos aonde tinha que ser mexido. Terminado o verão, iniciamos as reformas mantendo o compromisso com os funcionários de readmiti-los após o término da obra, exatamente o tempo deles receberem o seguro-desemprego e retornarem. Hoje temos uma cozinha mais ampla, mantivemos os pratos que fizeram a história do restaurante e para quem faz


PICOLINO Mudanças preservaram a beleza do estilo arquitetônico e a qualidade do cardápio

RESTAURANTE DO ZE Sem reformas para servir a picanha mais famosa da cidade questão do formato antigo, mantivemos um espaço que chamamos de “salão colonial”. Na parte de cima, tudo novo”, explicou a chef. Para Denise, o importante é manter a freqüência dos chamados habitués do Picolino e, ao mesmo tempo, atrair novos clientes de uma Cabo Frio que vem mudando a

cada dia. Foi também necessário destruir o mito de que ali é um lugar caro. “Tenho certeza que o preço do Picolino está totalmente dentro dos padrões de um restaurante do seu nível, com atendimento exclusivo e pratos de qualidade, com especialidade em frutos do mar e carnes nobres. Hoje, estamos trazendo para cá uma

clientela também mais jovem, que olhava o restaurante com olhos de “aí não posso pagar”. Temos o bar, onde o cliente não se sente na obrigação de jantar e muitas vezes ele acaba entrando e comendo. A idéia é ser um lugar onde as pessoas passem a noite e não apenas comam e vão embora”, garante Denise.

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GASTRONOMIA MILTON ROBERTO

O Tia Maluca é um point etílicogastronômicopolítico-artístico de Cabo Frio

LABADEE Uma das referências gastronômicas do Boulevard Canal, investiu em 2007 numa adega com vinhos finos para uma clientela requintada DENISE LINHARES

Para quem faz questão do formato antigo, mantivemos um espaço que chamamos de “salão colonial”. Na parte de cima, tudo novo

Segundo ela, o Picolino trabalha com as mesmas 300 opções de cardápio montado pelos antigos proprietários, mas o menu é bem mais reduzido, dando a oportunidade ao cliente de “montar” seu prato. “Mantivemos os molhos, mudamos alguns peixes, inserimos novas carnes, tiramos a picanha, porque acho que aqui não é o caso desse prato, e na minha avaliação, desde que reabrimos em agosto, estamos tendo sucesso. O restaurante ainda está sendo montado, não temos ainda tudo que idealizamos, mas até o final do ano, quando o movimento vai aumentar bastante, estará tudo pronto”, afirmou. 40

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Tia Maluca e sua casa de praia Quando Milton Roberto, o careca mais famoso do Boulevard Canal e, quem sabe, até de toda Cabo Frio abriu, há dez anos, o seu empreendimento gastronômico chamado de Tia Maluca, ele tinha apenas duas portas. Várias reformas vieram até esta última que manteve o restaurante fechado por 51 dias. De acordo com Milton, que freqüentemente pode ser visto sentado em uma das mesas ao ar livre montadas no calçadão oposto do Boulevard Canal, a idéia de seu arquiteto foi fazer do Tia Maluca uma espécie de casa de praia. Do lado de fora, pouca mudança, devido a padronização em vigor no local. “Durante os 51 dias de obra, meu tapume expunha uma obra do artista local Torres do Cabo. No lado de dentro do restaurante há uma exposição permanente de arte. Acho que o Tia Maluca é isso, um point etílico-gastronômico-político-artístico de Cabo Frio”, festejou. Em relação à cozinha, nenhuma novidade, a não ser no espaço físico. Segundo Milton, seus clientes estranhariam qualquer novidade ou mudança. O carro-chefe continua sendo a picanha na tábua, mas ele gostaria que isso fosse revisto. “Tenho uma larga opção de pratos em frutos do mar, mas as pessoas, ao verem o prato de picanha passar, acabam optando por ele”, conta, para em seguida fazer o teste com o repórter, chamando o garçom para responder a pergunta “qual o carrochefe da casa”. A resposta veio de primeira: picanha.


G e n t e de Cabo Frio Fotos: PapiPress

DRA LUCY CONVOCA A médica infectologista Lucy Helena Sanchez Pires já fez de quase tudo nas secretarias de Saúde da Região dos Lagos. Responsável pela implantação do programa DST/AIDS em Cabo Frio, em 1991, passou a se dedicar ao programa desde então. No Hospital Dia, núcleo da prefeitura criado exclusivamente para atender pacientes com a doença, a médica explica que o programa atende hoje 300 pessoas que usam a estrutura para receberem tratamento. “O tratamento é complexo, são várias aplicações com hora marcada e todo o pessoal é treinado. Todos passam por aqui em algum momento”, conta. Este ano, uma novidade na luta contra a doença: aproveitando o Dia Mundial de Combate à AIDS, que acontece no dia 01 de dezembro, com atividades de dis-

O Prazer de Cantar

tribuição de folhetos e preservativos nas praças, a prefeitura vai lançar uma campanha paralela. O “Fique Sabendo”, que vai se estender por uma semana em todas as unidades de saúde do município. “Estamos dectectando pacientes com a doença em fase avançada da infecção, o que dificulta muito o tratamento. Então, com essa campanha queremos poder antecipar o diagnóstico”, diz . Lucy explica que a campanha será de conscientização, para que a pessoa queira fazer os exames. “Todo o esquema é sempre acompamhado de aconselhamento tanto para a para realização de pré-teste como na fase pós-teste”. Feliz e realizada com o que faz, Lucy declara: “O que mais gosto na vida é lidar como o ser humano, é ajudá-lo a se cuidar”. JORGE FURTADO, o popular Jorginho Piranha, leva a vida a cantar, por puro prazer. Aposentado da Cerj, Jorginho é figura bastante conhecida e querida nos bares da cidade. O músico conta que nunca ganhou a vida cantando. “Canto por prazer”, diz. Levou a afirmação tão a sério que se casou, há 26 anos, com a acordoenista Rute, e sua filha Ivy Furtado segue a trilha dos pais e já canta na noite de Cabo Frio. CIDADE, Novembro de 2008

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L a n ç a m e n to

Casos de dengue lotaram o Hospital de São Pedro da Aldeia em 2007

César Valente

XÔ MOSQUITOS!

do Rio de Janeiro, somente até setembro aconteceram 240.411 casos de dengue em todo nosso território, sendo que 81% deles foram concentrados nas cidades de Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Niterói, Magé, Belfort Roxo, São Gonçalo e Rio de Janeiro. Deste total, houveram 310 óbitos, sendo que 169 tiveram a causa mortis confirmada como oriundas da doença. Embora a Região dos Lagos e boa parte do restante do Estado (ou seja, a maioria das cidades) ocupassem os 19% restantes, ou sejam em absoluta minoria na estatística, a situação por aqui não foi menos grave. Mais próxima do Rio de Janeiro, Araruama, segundo números da Secretaria, foi a recordista, com 1882 casos, seguida por Cabo Frio, com 546; São Pedro da Aldeia, com 546; Búzios, com 81 e Arraial do Cabo com 79 ocorrências registradas. Talvez os números estejam abaixo da realidade, já que muita gente pode ser portadora e não ter a doença manifestada de forma tão violenta e alguns nem chegam a procurar socorro médico, tratando-se em casa mesmo com paracetamol e hidratação. Mas o fato é que todos estão de olho na chegada da estação das chuvas criando a ambiência favorável para a proliferação do indesejável mosquito.

A cor que repele o dengue Foi-se o tempo em que velas de citronela, misturas caseiras, repelentes corporais e consumo de nhame eram as receitas repassadas de mão em mão pela população numa tentativa de evitar a expansão do dengue. Hoje, pensa-se em soluções mais inteligentes, e que podem estar ao alcance de todos.

Renato Silveira

A

população do Rio de Janeiro, às vésperas da chegada do verão, anda assustada com a possível volta de uma epidemia que paralisou a rede pública de Saúde do Estado na última temporada, causando centenas de mortes e milhares de internações. 42

Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o dengue volta a ser tema de reuniões, conversas de esquina e o melhor, de inovações tecnológicas prontas para combater a doença que tanto apavora fluminenses e cariocas. Os números são para deixar mesmo qualquer um de cabelos em pé. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado CIDADE, Novembro de 2008

O


simples ato de pintar a casa pode ser uma delas. A multinacional do ramo de tintas, Sherwin Williams, lançou a novidade na sua linha Metalatex: uma tinta que repele os insetos. Segundo o gerente técnico da empresa no Brasil, José Humberto de Souza, a nova tinta, que tem todas as vantagens ambientais de um produto à base de água, e não de solventes químicos, tem como elemento diferencial um aditivo vegetal que repele insetos como baratas, aranhas, mosquitos e outros. “O produto foi lançado no Chile, onde havia um sério problema com aranhas venenosas. A sua capacidade de ação repele os insetos não através do odor, mas de uma substância que os irrita e impede que eles permaneçam no ambiente”, explicou. De acordo com José Humberto, as vendas do produto no Brasil começam a obter sucesso, representando no momento apenas um pequeno nicho de mercado, mas encontra-se em franca expansão. “A relação custo-benefício para quem adquire o produto é muito positiva e vale lembrar que ela não faz mal à saúde humana e também não mata o inseto, apenas tem o poder de repeli-lo” afirmou, lembrando que a durabilidade do efeito repelente da tinta é de um ano.

PapiPress

M Ú SICA

CLAUDIO VIVIANI

O custo é o equivalente a qualquer produto de qualidade similar

Custo-benefício Em Cabo Frio a novidade pode ser encontrada na loja de tintas Lagotintas. Para o empresário Cláudio Viviani, proprietário da loja, o preço da Metalatex Repelente é totalmente compatível com o mercado e as vendas já começaram a acontecer. “o custo é o equivalente a qualquer produto de qualidade similar, só que com a vantagem de espantar os mosquitos. E só isso já representa uma economia além da melhoria na qualidade de vida, já que não é mais necessário usar inseticidas que muitas vezes fazem mal à saúde”, explica. “Eu moro no último andar de um prédio que são dois apartamentos por andar. Apliquei a tinta no meu e não sofro mais com mosquitos, enquanto meu vizinho continua com esse problema. Posso afirmar que o produto funciona mesmo”, explicou. Apesar das previsões da secretaria de Saúde do Estado sejam de que não haja nova epidemia neste verão, manter os mosquitos longe de nossas vidas com certeza pode ser um bom negócio. CIDADE, Novembro de 2008

Empreendedores Musicais Marconi Castro

Budega leva a experiência do grupo Apanhei-te FOTO CABO FRIO Cavaquinho para TROFEUS II Encontro de Empreendedorismo na Área Musical

A

Escola de Musica do Rio de Janeiro, dentro do projeto Música no Museu, realizou no dia 7 de novembro na Escola de Música da UFRJ, o II Encontro de Empreendedorismo no Meio Musical. Além de discutir os vários aspectos da música a partir do enfoque econômico, como intercâmbios, ensino obrigatório e até patrocínios, o encontro mostrou as experiências vitoriosas de empreendedorismo musical realizadas no interior do Rio de Janeiro. O maestro Ângelo Budega, foi convidado a participar de um painel do encontro relatando sua experiência com grupo Apanhei-te Cavaquinho, criado por ele e que trabalha com crianças carentes em Cabo Frio, apresentando a música como instrumento de inclusão social. Segundo o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, “A cultura constitui, inegavelmente, uma fonte econômica poderosa sendo hoje um dos setores que mais cresce no mundo. Gera empregos, paga bons salários e não esgota a natureza”. 43


Rafael Walace

Política

Troca-troca na ALERJ PALÁCIO TIRADENTES Abriga a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro

Juliana Vieira

Q

uase 190 deputados estaduais foram candidatos nas eleições municipais em todo País. Um levantamento feito nas 26 Assembléias Legislativas do Brasil apontou que 186 dos 1.035 deputados estaduais foram candidatos a prefeito ou a vice-prefeito. Apenas o Legislativo de Roraima não teve nenhum candidato. O maior número percentual de deputados-candidatos aconteceu no Estado do Espírito Santo, onde 12 dos 30 parlamentares foram candidatos. Já no Rio, 23 dos 70 parlamentares concorreram nas eleições municipais. Depois do pleito uma nova ALERJ foi composta. Com a vitória de alguns deputados suas vagas serão ocupadas a partir de 2009 por seus suplentes que ainda terão dois anos de trabalho pela frente. O Estado do Rio de Janeiro conta com 92 municípios, mas em apenas 10 deles — com mais de 200 mil eleitores — poderia haver segundo turno. O fato só ocorreu nas cidades de Petrópolis, Campos dos Goytacazes e Rio de Janeiro. Independente disso, o quadro políticopartidário do Estado está desenhado. O PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos neste ano. O PSDB, que administra 44

três municípios no Estado, em 2009 vai comandar oito. De acordo com a Agência Brasil (órgão vinculado ao Governo Federal), o PMDB se manteve no topo do ranking, ao saltar de 1.053 prefeitos eleitos no primeiro turno de 2004 para 1.195 em 2008. É o partido com maior presença nos municípios. O segundo lugar continua sendo ocupado pelo PSDB que, no entanto, caiu de 861 prefeituras em 2004, para 783 na última eleição.

também o condenou ao pagamento de multa de 50 mil Ufirs (cerca de R$ 53 mil). Depois de comemorar a vitória nas urnas em Itaboraí o deputado estadual Audir Santana (PSC) perdeu o cargo de prefeito eleito para Sérgio Alberto Soares (PP). A candidatura de Soares havia sido impugnada porque teve suas contas rejeitadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na época em que havia sido prefeito de Itaboraí — entre 1989 e 1992.

Mandatos Perdidos

Quem entra e quem sai

Dois dias após o primeiro turno das eleições, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro decretou, por unanimidade, a perda do mandato do deputado estadual Nilton Salomão por infidelidade partidária. Ele assumiu a cadeira em abril de 2008, em decorrência da cassação de Jane Cozzolino. No dia 08 de outubro, sob a acusação de suposta compra de votos na eleição de 2006, o deputado estadual Alcebíades Sabino (PSC) teve seu mandato cassado pelo ministro Eros Graus, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A acusação, de acordo com o TSE, teve como base a apreensão, no dia do pleito, no município de Silva Jardim, de listas com nomes de eleitores, santinhos dos candidatos e a quantia de R$ 3 mil. O TRE

Eleito prefeito de Belford Roxo, Alcides Rolim (PT) sairá e deixará a vaga para Caetano Amado (PR). Já a deputada Sheila Gama (PDT), eleita vice-prefeita em Nova Iguaçu, será substituída pelo missionário Marcos Bezerra Ribeiro Soares (PDT). Pela terceira vez José Camilo Zito (PSDB) foi eleito prefeito de Duque de Caxias, sairá e deixará a vaga para Ademir Alves de Melo. Um outro caso de substituição. Com a cassação de Alcebíades Sabino (PSC), Antônio Pedregal pode retornar à Alerj por ser o primeiro suplente do partido. Outra chegada prevista na Assembléia é a de Paulo Souto, ex-subsecretário do Governo Rosinha, suplente de Nilton Salomão (PMDB).

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E D UCAÇÃO

FÓRUM UNIVERSITÁRIO

Mostra faculdade para alunos do Ensino Médio Laboratório de Anatonia

Texto e fotos Mariana Ricci

Patrícia Barcelos, de 19 anos, explicou: “Eu quero fazer Educação Física e urismo, Serviço Social, Pedagogia adorei os laboratórios e as aulas. Agoe Fisioterapia. Estes foram alguns ra tenho certeza mesmo do que quero dos 12 cursos apresentados a alunos fazer”. Nas palestras, os professores simulado Ensino Médio, da Região dos Lagos, durante o primeiro Fórum Universitário ram o cotidiano profissional, como júris realizado no Campus da Estácio de Sá, e audiências, para aspirantes ao curso de Direito, ou explicaram a diferença de um em Cabo Frio. Durante os três dias de atividades, os peixe macho para um peixe fêmea, para os interessados em estudar visitantes fizeram teste vocaEngenharia da Pesca. cional e tiveram a chance de “Ensinamos o básidescobrir, ou comprovar, o co do básico. Mostramos que a profissão desejada tem quais disciplinas eles terão a oferecer. Além disso, em e porque elas estão na gratodas as salas onde temáticas de de matérias do curso. voltadas para cada curso Existem casos de alunos foram montadas, o aluno era MODESTO GUEDES, que ingressam para a fainformado de como é merca- professor culdade e, quando vêem do de trabalho na região para Mostramos quais a área escolhida. disciplinas eles terão determinada matéria, não entendem porque ela esta A coordenadora admi- e porque elas estão nistrativa do campus, Líbia na grade de matérias na grade e abandonam o curso”, explicou o coordeAlmeida, conta que o Fórum do curso nador do curso de Engeé um desejo antigo da Uninharia de Pesca, professor versidade. Modesto Guedes. “Antes, nós é que íamos Os estudantes que pasàs escolas para apresentar saram a tarde no Cama faculdade. Mas não tinha pus sentiam-se quase que sentido, pois o aluno conuniversitários. A aluna do tinuava sentado na mesma segundo ano do Colégio cadeira, imaginando o que e GABRIELA PINHEIRO Municipal Renato Azevecomo poderia ser a faculdade Fui para as salas do, Gabriela Pinheiro, de que ele gostaria de estudar. ver como é 16 anos, teve um resultado Com o Fórum, matamos a curiosidade deles e os fazemos interagir no teste vocacional para a área de saúde, mas não era o que ela esperava. com aquilo que querem”, explicou. “Quero fazer Petróleo e Gás, mas As perspectivas de cada um sobre o que fazer depois do colégio ficou mais como no teste deu Educação Física ou clara. Foi o que a aluna do terceiro ano Fisioterapia, fui para as salas ver como do Colégio Municipal Renato Azevedo, é”, disse.

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Artigo

Anos de descaso... suas dependências serve de alojamento à Guarda Marítima e Ambiental. Outra parte está vazia. O prédio carece de ode parecer redundante dizer que reparos. A Praia do Forte está com suas “a Praia do Forte é o cartão pos- areias, até pouco tempo atrás alvas, tal de Cabo Frio”. As suas águas amarronzada e acinzentada. A quanticristalinas, suas areais imaculadamente dade de microlixo, ou seja, pontas de cibrancas a refletir quase como um espe- garro, lacres de latas, tampas de garrafas, lho a luz do sol, o forte vento nordeste vidros quebrados, entre outros e restos constante e a areia a rangir ao caminhar das demolições dos antigos quiosques dos seus visitantes... Tudo isso por si manifestam a falta de cuidado das autobastaria para que a praia fosse cuidada ridades competentes com a praia. Vale como a um talismã. Mas a sua importân- destacar que o descaso com a Praia do Forte não é de hoje, possui cerca de vinte cia vai além... Cabo Frio, na época em que assim anos, tendo como marco o início do uso era chamada uma área muito mais da praia como palco para grandes shows extensa que o seu atual município, foi na década de 1990. Nenhuma providência efetiva foi toindicada em Mapas antes mesmos que o famoso Rio de Janeiro. “Essa língua de mada por parte do Município no sentido terra, ao mar lançada” (Teixeira e Sousa de se ordenar os usos e ocupações, ainda – “Os Três Dias de Um Noivado), pela que temporárias, na Praia do Forte, messuas idiossincrasias geográficas que a mo com a Recomendação feita conjunconfiguram como península e ponto de tamente pelo Ministério Público Federal inflexão do Sul para o Oeste, era uma e Ministério Público Estadual em 10 de das principais referências a guiar as naus outubro de 2004, como desdobramento que assediavam a costa brasileira nos do Procedimento Administrativo MPF nº 1.30.009.000047/2004-31 e do Inquérito primeiros momentos da Conquista. Civil MPE nº 018/03. Antes disso, deviHoje se completam 4 do principalmente a Vale destacar que o (quatro) anos de tal abundância de alimenRecomendação e a tos que se destacam descaso com a Praia municipalidade segue nessa região costeira do Forte não é de em flagrante ignorânprincipalmente em ra- hoje, possui cerca cia ao recomendado e zão do fenômeno da desrespeito à legislaressurgência, foi um de vinte anos... ção em vigor. dos trechos do litoral Mas hoje há o princípio da responfluminense mais densamente ocupados pelos grupamentos humanos de ca- sabilidade solidária, de modo que o çadores e coletores conhecidos como descaso não pode ser atribuído somente “sambaquianos” que antecederam aos às autoridades: é também do cidadão. tupinambás a cerca de 4 mil anos atrás, É necessária uma mudança no comcomo vemos na Duna Boa Vista e no portamento dos usuários da Praia do Forte, sejam eles turistas, moradores ou Morro do Índio. O Forte São Matheus a guardar a comerciantes, para que esta volte a ter o Boca da Barra, entrada do Canal do Itaju- brilho afetado por anos de uso inadequarú, construído em 1616 por Constantino do. Imprescindível também é que, nesse Menelau para proteger essa região que momento pós eleição, sensibilizemos as era intensamente visitada por franceses novas e antigas autoridades locais eleitas e holandeses, ícone arquitetônico da e cobremos delas a devida atenção ao paisagem da Praia do Forte, parece estar assunto. É preciso que, assim como o ali ainda fazendo sentinela, em favor Forte, guardemos a nossa praia. dessa memória. Mesmo com tudo isso, o Forte São (*) Manoel Vieira é arquiteto e chefe do Ernesto Galiotto é empresário Escritório Técnico do Iphan em Cabo Frio Mateus está hoje abandonado. Parte de Manoel Vieira (*)

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Livros

Octavio Perelló

Mesmo com o advento de novas e modernas mídias o livro ainda é um nobre registro de sobrevivência dos aspectos relevantes da vida de um lugar. Felizmente Cabo Frio teve a atenção de persistentes escribas que lhe fizeram jus a uma história que remonta a do próprio país, assim como a do contato do Novo e Velho Mundo. Para comemorar os 393 anos de fundação deste município, recomendamos hoje e sempre a leitura dos seguintes livros:

DADOS HISTÓRICOS DE CABO FRIO (Abel Beranger, PMCF, 2003, 103 páginas). Trata-se de uma obra pioneira que inspirou tantas outras e ainda hoje não se diminuiu dado o trabalho meticuloso de seu autor, um médico de tradicional família da cidade que se tornou também personagem de sua história.

CABO FRIO: NOSSA TERRA, NOSSA GENTE (Hilton Massa, Flumitur, 1967). Escrita por outro autor-personagem da história da cidade, este livro que passeia pela prosa é também referência para pesquisadores e demais interessados no tema. AMÉRICA DE AMÉRICO – O desencontro de dois mundos em Cabo Frio (1503 – c.1512), incluindo o naufrágio da capitânia de Gonçalo Coelho em Fernando de Noronha (Márcio Werneck, Editora Ágama, 2004, 288 páginas). Fruto de mais de vinte anos de pesquisa, resultou em obra fundamental ao preenchimento de lacunas existentes sobre o período. A LONGA MARCHA – A dominação política da oposição em Cabo Frio após o Golpe de 1964 (José Correia Baptista, Jornal de Sábado, 2007, 172 páginas). Analisa o processo de sucessão de lideranças que governaram a cidade nas últimas décadas, a partir de 1964, apresentando 109 imagens, entre fotos de época e curiosidades como charges e santinhos de campanhas eleitorais. CABO FRIO CONTANDO SUA HISTÓRIA (Célio Mendes Guimarães, Edição do Autor, 2008, 252 páginas). Tendo como embrião de sua formação humana o ambiente musical da Sociedade Musical Santa Helena, o autor vai a seu modo contando a história do município e ajudando na compilação dos seus monumentos históricos. CRÔNICAS (Antônio Terra, PMCF, 2003, 275 páginas). Reúne pérolas da crônica regional escritas por este que tinha um olhar especial sobre a sua gente. Com qualidade para ser universal – pois retrata, acima de tudo, o comportamento de um povo –, o texto do autor é um primor de objetividade, somada a boas pitadas de humor, certa melancolia poética e frases originais e até desconcertantes. O OUTRO CABO FRIO (Luiz Carlos da Cunha Silveira, PMCF, 2006, 264 páginas). Escrito por um carioca freqüentador de Cabo Frio há mais de cinqüenta anos e agora residente na cidade, este livro propõe um olhar diferenciado sobre o lugar, seus aspectos geográficos, históricos e econômicos. Em linguagem direta e original, toca na auto-estima da cidade, diminuída por visões desencontradas no tempo. CIDADE, Novembro de 2008

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Ponto de Vista

Med-Breezes mete bronca Ernesto Lindgren

Pai”, perguntou o indiozinho, “te machucaram?”. “Não meu filho”, respondeu o indiozão. “Explicaram que vieram nas canoas grandes de um lugar que fica onde termina o mar. Se a gente remar até lá, cai. Aqueles panos grandes ajudaram a subir”. “Mas pai”, continuou o indiozinho, olhos arregalados, “e agora?”. “Agora nada”, filho. “Fica tranqüilo e vai ajudar seu irmão a terminar nossas flechas. E olha só. Aquele grandalhão com pés duros me disse que de agora em diante nossa terra é imexível. Garantiu que nunca mais passaremos necessidades. Que vai fazer um monte de ocas grandalhonas, que outras canoas grandes deles irão chegar, que vai ter muito trabalho, que vai mandar uma mensagem para o chefe dele dizendo que vai criar um ambiente de empregabilidade para muitos de nós. Aquele vagabundo MeDá-Um-Dinheiro-Ai que está de olho na sua irmã vai ter que trabalhar”. O indiozinho ouviu o pai e começou a se afastar, cabisbaixo, por um momento voltando sua atenção para uma Maria Farinha que espreitava a praia. Bateu o pé e o bichinho sumiu dentro do buraco na areia. Passou-lhe, então, uma grande dúvida. Parou, voltou-se para o pai e indagou: “Pai, você é empregabilizável?”. A pergunta pegou o indiozão de surpresa. “Aquele grandalhão disse que nossa terra vai se tornar imexível e protegida dos malucos chefiados por Garoto-Pequeno casado com FlôrPequena. Tarados. Disse que haverá empregabilidade, mas é necessário descobrir quem é empregabilizável”. E seguiu a trilha deixada na areia pelos pequenos pés de seu filho. Pisava nas impressões, o sentimento de proteção paterna invadindo-o. “Boa pergunta”,

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refletiu. “Será que sou empregatizável? E se eu não for?”. E fez as contas. “Ao todo somos uns 100 mil. É o que deu quando houve aquele churrasco quando pegamos um cabra do bando do GarotoPequeno. O grandalhão garantiu que haverá empregabilidade para uns 400 na área da boca do canal da Lagoa Rasa do Camarão. E mais para 2600 na construção das ocas grandes e servir água de coco e camarão frito para os nossos novos protetores”. E tem mais, relembrou:

“Será como lá naquela área que uma vez visitei e que chamam de SUAPE”. Ih! O indiozão parou, olhou na direção de SUAPE e gritou: “É mentira!”. E saiu correndo em busca do filho, dos demais membros da tribo. Quase uma hora se passou até que se explicasse. “Conheço SUAPE. De fato é tudo muito bonito, gente fina, excelentes restaurantes, etc., etc. Tudo como aparece na Internet e nas revistas dos pássaros de ferro. Mas quer saber de uma coisa? O que mais vi foram bandos de indiozinhos barrugudinhos que em dia de chuva pedem esmolas nas ruas com a palma da mão pra baixo. É pra não molhar a nota de dois reais que alguém num carro importado dá pra eles fazendo cara feia e dizendo palavrão. Quando construíram SUAPE disseram para os pais deles o que estão dizendo para nós”. Empregabilidade? Uma ova. ERNESTO LINDGREN é sociólogo

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Evelyn, Marjorie e Ana Paula: profissionalismo premiado

Bom Relacionamento A Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Petrobras na Bacia de Campos (UN-BC) foi a vencedora nacional do Prêmio Aberje 2008 – a mais tradicional premiação na área de Comunicação Empresarial no Brasil – na categoria “Comunicação e Relacionamento com a Imprensa”. A vitória do trabalho “Bacia de Campos 30 Anos: Uma Oportunidade de Relacionamento com a Imprensa”, elaborado e coordenado pela equipe de Assessoria de Imprensa da gerência de Comunicação da Unidade, foi anunciada na noite do dia 08 de outubro, na cidade de São Paulo, durante a cerimônia de premiação. O trabalho vencedor apresentou ações de relacionamento desenvolvidas pela Petrobras junto à imprensa da Bacia de Campos ao longo de 2007. Entre os concorrentes na premiação estavam a Embrapa, a Bayer Pharma e a Univale (Universidade do Vale do Paraná). Ao todo, a edição 2008 do prêmio Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial - teve 450 trabalhos inscritos, os quais destacavam ações estratégicas de comunicação de 178 corporações instaladas em todo o país, nas áreas de Gestão de Comunicação e Relacionamento, Gestão de Mídias e Pequenas e Médias Empresas.

Tribal em Mar del Plata O artista plástico, curador e Coordenador da mostra Cine Tribal, Flavio Pettinichi foi convidado pelos responsáveis do 23° Festival Internacional de cine Mar del Plata, Argentina, para participar do evento. O convite acontece graças ao trabalho que vem sendo realizado pela entidade TRIBAL ( Tributo à Arte e à Liberdade) onde Flavio participa, exibindo curtas metragens há mais de 2 anos. O evento acontece entre os dias 7 e 17 de novembro.

Regularização no Sistema DOF

V FESTA PORTUGUESA Programação:

As empresas e pessoas físicas que comercializam produtos e subprodutos florestais no Estado do Rio, e que estão com pendências no Sistema DOF (Documento de Origem Florestal), terão um prazo de 90 dias para se regularizar. A determinação do presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF/RJ), André Ilha, consta da Portaria IEF nº 256, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 16 de outubro. Depois deste prazo, quem não estiver em dia com o sistema poderá ser multado pela fiscalização. A medida atinge empresas como serrarias, madeireiras, lojas de materiais de construção e fábricas de móveis, entre outras.

Quinta-Feira 13/11 PALCO SHOWS 21h - Carlinhos Borges 23h 30min - Ricky Vallen PALCO DANÇA 19h Grupo de Dança de Cabo Frio 19:30 – Jeff e Karina Sexta-Feira 14/11 PALCO SHOWS 21h 30min - Assunção Beranger 23h – Roberta Mossi 24h - Michael Sullivan PALCO DANÇA 19h Grupo de Dança de Cabo Frio

C. Valente

Divulgação Petrobras

RESUMO

Pesca Paralizada O IBAMA publicou Instrução Normativa de n° 220, em 22 de Outubro de 2008, proibindo a pesca na Lagoa de Araruama no período de 15 de outubro a 15 de dezembro. A medida foi tomada considerando a necessidade de um período de paralização em função do recrutamento das espécies de peixes e crustáceos. CIDADE, Novembro de 2008

Sábado 15/11 PALCO SHOWS 21h 30min - Oswaldo Guimarães 23h - Stella 24h - Alyrio Mello PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio 20h - Ranchos Folclóricos - Vasco da Gama 21h - Vinícius Santa Rosa Domingo 16/11 PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio 20h - Ranchos Folclóricos Quinta-Feira 20/11 PALCO SHOWS

21h 30min - Nomenow 23h – Mário Simões 24h - Guilherme Arantes PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio Sexta-Feira 21/11 PALCO SHOWS 21h - Paulinho Kz 23h - Fanfarra 24h - DNA PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio Sábado 22/11 PALCO SHOWS 21h 30min - Balaio Fino 23h - Típicos da Beira 24h - Dr. Low PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio 20h - Ranchos Folclóricos - Almeida Garret 21h - Budega Domingo 23/11 PALCO SHOWS 20h - Fanfarra 21h - Orquestra Tropical PALCO DANÇA 19h - Grupo de Dança de Cabo Frio 20h - Ranchos Folclóricos - Armando Lessa 21h - Grupo de Dança de Cabo Frio

Os shows acontecem no Boulevard Canal, no centro.

Quebra de Decoro A Mesa Diretora da Alerj vai receber a análise da quebra de decoro parlamentar do deputado Natalino Guimarães logo depois do segundo turno das eleições municipais. Quem garante é a Corregedoria da Casa que já examina provas contra Natalino, suspeito de comandar milícia no bairro de Campo Grande, na cidade do Rio. 49


Galeria Fotos de Flávio Pettinichi

LUCIANO MARTINS é natural do Estado do Rio. Começou seus estudos de Arte no ano de 1967 na Associação Fluminense de Belas Artes, sob a orientação da Professora Palmira. Participa de exposições individuais e coletivas e possui obras expostas em quase todo o Brasil, nos Estados Unidos, Inglaterra, Japão. Suíça, Espanha, Argentina entre outros. Em Cabo Frio, mantém um curso de desenho e pintura em seu atelier no Parque Riviera.

“Portas“ - 52x33 cm - Óleo sobre Tela - 1985


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