Page 1

CIDADE, Junho de 2008

1


2

CIDADE, Junho de 2008


CIDADE, Junho de 2008

3


CAPA

www.revistacidade.com.br Junho, 2008 Número 26

28

VOCAÇÃO ENERGIA

Interior do estado do Rio de Janeiro confirma sua vocação de matriz energética do país. CPI vai pedir indiciamento de prefeito e secretários ...........................8 PANORAMA ..............................................9 Nutrição Conhecendo o tomate ................................... 15

Petróleo

“No pasarás” ............................................ 16

Tropa Ambiental reunida ................... 18 Aulas do IFET começam em agosto 23

10

ALERJ

22

Novos cargos que vão de R$ 3.000,00 a R$ 11.000,00

Frio 36 Cabo vai ao teatro 4

Caos Urbano

A restinga da Massambaba, em Arraial do Cabo, reconhecida como Área de Proteção Ambiental (APA), corre o risco de sumir do mapa.

YÁZIGI no Prêmio Personalidade Cidadania 2008 .................................... 24 Ângela Barroso..................................... 25 OGIVA Cinco andares .......................... 34 Gente ...................................................... 39 A Coruja Falou?!

Filme desenvolvido em Búzios protesta indiretamente contra a destruição das últimas dunas intocadas da Região dos Lagos ........................................................ 40

10 PERGUNTAS

Eisenhower Mariano responde ............... 43

Livros ...................................................... 47 Capa: Trabalhador faz o corte da cana. Foto de Antônio Leudo

CIDADE, Junho de 2008


TA S VI

Tico Santa Cruz

E

R NT

Se você está vendo um crime e cala a boca, então torna-se cúmplice César Valente

E

CARLOS MINC Secretário estadual do Ambiente

Renato Silveira

Q

TICO SANTA CRUZ Vocalista da banda Detonautas

uem não prestava atenção à música do Detonautas Roque Clube, banda que gravou seu primeiro CD em 2002, surpreendeu-se com a aparição espontânea do vocalista Tico Santa Cruz, que após a morte violenta de seu guitarrista Rodrigo Neto, passou não apenas a compôr letras fortes e escrever textos para a internet, mas também a por a mão da massa para a construção de um mundo menos violento. Em sua mais recente apresentação na Região dos Lagos, no aniversário de São Pedro da Aldeia (seu show aconteceu no dia 17 de maio), Tico mostrou porque se transformou num ícone, não apenas da luta contra a violência urbana, mas também no ativismo político. Por várias vezes, parou de cantar para interromper brigas, chamou a atenção de um membro da guarda municipal que aparentemente, ao invés de controlar a confusão, estava prolongando-a, propôs que filhos e familiares de políticos fossem tratados em hospitais públicos e estudassem também em escolas do governo, leu poemas de conteúdo fortíssimo, e, com isso, ganhou a simpatia da maior

parte das 20 mil pessoas que lotavam o Largo da Praça da Matriz naquela cidade. Aliás, propostas polêmicas não faltam no curriculum deste jovem que demonstrou ter algo em falta nos dias de hoje: atitude. Recentemente, durante a polêmica da proibição da chamada Marcha da Maconha, defendeu a legalização da erva, e se colocou à disposição para fazer um exame toxicológico, e que todos os deputados também o fizessem. Além disso, acusou os que são contra a mudança na legislação, de serem a favor do tráfico. Além de toda essa militância, Tico parece seguir o caminho de boa parte dos roqueiros brasileiros: o interesse pelos elementos da música popular brasileira após um início de carreira voltado apenas para o rock’n roll. Quem assistiu ao show, já percebeu essa mudança na música do Detonautas (cujo nome significa uma mistura de detonadores com internautas, já que a banda se conheceu através de salas de bate-papo na web). E quem ler esta entrevista, vai se surpreender com sua verve.

CIDADE, Junho de 2008

5


VIS

TA

E

E

R NT

A morte do guitarrista Rodrigo Neto parece ter sido um divisor de águas na sua carreira. O que mudou a partir daí? A real é a seguinte: quem conhece o Detonautas sabe que essa questão política social sempre esteve sendo debatida entre os fãs, no blog, em todos os lugares. O que aconteceu foi que após a morte do Neto, a imprensa e a mídia passaram a dar um pouco mais de atenção, e perceberam que havia conteúdo no que estava sendo dito, e, com isso, começaram a dar um pouco mais de espaço neste aspecto. Agora, é claro que a morte dele causou um impacto e uma transformação na vida de todos nós, e isso gerou uma série de outras conseqüências. Dentre essas, a abordagem deste tema, potencializado a milhão. Aí acabamos desenvolvendo outro grupo, que é o Voluntários da Pátria, começamos a ir para as ruas, saímos do esquema só de shows e blog, e passamos para uma esfera pública mais abrangente. A luta contra a violência urbana passou a ser uma constante na sua vida. Acredita que ela tenha solução? Solução, conclusão, eu diria que é muito difícil, mas acho que tem como diminuir. Só isso já ofereceria ao cidadão brasileiro e carioca, mais oportunidades. Se num ano, morrem mil pessoas assassinadas numa cidade, e no outro ano, diminui para 300 ou mesmo 700, você está poupando a vida de 300 pessoas. Ações que possam diminuir a violência eu acho que existem, mas elas já deveriam ter sido feitas há muito tempo, que são as questões da educação, das oportunidades, da desigualdade social. Se o consumismo está o tempo inteiro incentivando as pessoas a comprar, comprar e comprar, o cara que tem dinheiro compra, quem não tem ou trabalha se contenta com o que pode comprar, com o salário muitas vezes miserável, ou então vai partir pro crime. O que faz uma pessoa partir pro crime e a outra não, além da questão moral e ética, é o medo do que isso possa repercutir. E muitos jovens já perderam esse medo. Além da violência urbana movida pela criminalidade, temos crimes aparentemente gratuitos acontecendo, como o da menina Izabela Nardoni. Como você enxerga isso? Casos como o da Izabela acontecem todos os dias, só que esse ganhou uma atenção maior da mídia por conta de uma 6

Tico Santa Cruz série de detalhes importantes. É uma família de classe média, é uma menina bonita, branca, quer dizer, comove muito mais a sociedade. Talvez se fosse uma negra jogada do barraco as pessoas não dessem tanta atenção. Então, tem essa questão de explorar esse fato comercialmente falando. Os jornais, a mídia, exploraram isso para ganhar dinheiro, vender jornal e, em outros momentos, ocultar também outras coisas que estão acontecendo na política e economia, que um escândalo como esse ajuda a desviar a atenção.

Pra cobrar do time de futebol vão na casa do presidente, mas pra cobrar da escola do filho, da saúde que não tem...

O rock brasileiro vem perdendo espaço no rádio

No seu blog, você afirmou recentemente que quem era contra a legalização da maconha, seria a favor do tráfico. Dá pra explicar isso melhor? A questão da maconha e das drogas em geral, não é de Saúde Pública, porque se fosse, seria tratada pela medicina. É uma questão econômica e política. E como o dinheiro das drogas rende muitos lucros, e são poucas pessoas que detém esse monopólio, é só uma questão de pensar para quem vai isso, caso seja legalizado. Sabese que no mundo as drogas movimentam em média US$ 3 trilhões por ano, sem impostos, ou seja, esse dinheiro não passa pelo Estado, pelo controle das instituições. Além de ser uma das atividades mais rentáveis do mundo, movimenta a indústria da arma, da segurança privada, do medo, uma série de grupos que ganham com isso. Engraçado é que se você for pegar na ONU, das quatro primeiras substâncias proibidas, CIDADE, Junho de 2008

todas são plantáveis. Ou seja, é também conveniente para a indústria farmacêutica que as pessoas não tenham acesso a essa informação, a esse conhecimento. Muitos dizem que se legalizar vai aumentar o número de usuários. Eu discordo. Acho que aí vamos ter uma dimensão real de quem são os usuários, e aí você vai controlar. Agora se a sociedade quer virar as costas pra esse dinheiro e entregar pro tráfico, aí vai ter de assumir a responsabilidade pela violência. Discute-se muito a legalização da maconha como forma de diminuir a violência. Você acredita nessa possibilidade, ou o pacote teria de ser mais completo? Acho que é uma questão global. Não adianta discutir isso só no Brasil. Se a maconha fosse legalizada aqui, num cenário hipotético, ela ia obviamente render lucros e fazer com que o tráfico perdesse dinheiro. Mas não acredito que isso reduziria a violência como um todo, porque tem a cocaína, o crack, uma série de outras drogas proibidas. Acho que tem de discutir a legalização das drogas globalmente. Porque não adianta legalizar só no Brasil. Aqui iria virar um pólo de turismo de drogas, e aí não vale a pena. Mas como isso é um problema mundial e econômico, essa questão tem de ser discutida. Porque quem escolhe a minha forma de vida sou eu, não o governo. Estou bebendo agora um copo de absyntho, que tem 52% de álcool. Se eu encher a cara dessa bebida e sair dirigindo, vou criar um problema, causar um acidente. Por que o álcool pode, e outras drogas não? O que você achou do episódio da proibição da chamada “Marcha da Maconha” na maioria das capitais brasileiras? Foi censura? Isso é muito fácil. É só mexer no dinheiro de algumas pessoas, de uma minoria que tem o poder e o domínio dessas questões, que rapidamente aparece a censura, as questões morais. A Marcha da Maconha foi proibida, aí teve a Marcha da Família, mas essa trazia uma bandeira do fascismo, aí isso pode. Nesse mesmo episódio, você criticou seus colegas de classe por omissão, e afirmou ter vergonha de pertencer a essa geração. Por que? Acho que a classe artística no Brasil hoje está preocupada só com seu próprio


bolso. Tipo “não vou me meter em questões polêmicas porque não quero perder o emprego, a festa de 15 anos, a coluna VIP que vou sair, a festinha que vou ser convidado”. Embora todo mundo saiba que dentro de qualquer meio, tanto do artístico, como da medicina, do Direito, da imprensa, existem pessoas que usam drogas. Agora o meio artístico é o que está mais exposto a essa questão. Acho uma covardia muito grande, artistas que podem de alguma maneira ajudar a elucidar esses tabus com a sociedade, se trancarem dentro de casa, e não colocarem seus dedos nessa questão. Se você faz uso ou não, não importa, mas se você é artista, é cidadão e usuário, tem o dever de debater isso com a sociedade. Sua militância não se limita à luta contra a violência, e sua indignação também se volta contra a classe política. Como você enxerga a questão da corrupção, talvez um dos maiores males do país? Isso é uma coisa que sempre existiu no Brasil, desde 1500. A própria palavra “brasileiro”, etimologicamente significa traficante de pau-brasil. Então daí você já vê qual é a origem do nosso povo. Fomos uma colônia de exploração, somos um povo que tem uma formação da sociedade que sempre discriminou negros e índios. E aí você vai criando de início esse separatismo, essa exclusão social e econômica. Depois de uma Diretas Já, de um período duro de ditadura, de medo, é uma sociedade que não sabe votar, que não se preocupa com política, que não quer saber quem é o deputado, quem é o vereador, quem é o senador; que vota num presidente e num deputado e senador contra o presidente, totalmente incoerente. Uma sociedade de analfabetos políticos, que bate no peito pra dizer que não se importa com a política, mal sabendo que é a política que determina o que vai acontecer na vida dele. O reflexo do político que representa o povo é a falta de comprometimento desse povo com essas questões; de investigar, de saber quem é, de cobrar. Pra cobrar do time de futebol vão na casa do presidente, mas pra cobrar da escola do filho, da saúde que não tem... Então, para você, o povo tem sua parcela de culpa... É um círculo vicioso. O cara não tem educação, logo não sabe votar. E quem tem, também não está interessado, quer ficar cuidando apenas de si mesmo. Com

isso, sofre as conseqüências, é tudo ação e reação. Como vocalista de uma banda de rock, qual a sua visão atual do rock nacional? Acho que com a internet a música em geral ganhou um terreno fértil para ser trabalhada. O rock brasileiro vem perdendo espaço no rádio. O pop nacional não encontra mais eco nas estações, e a maioria delas, toca música americana. Particularmente, não tenho escutado rock brasileiro. Escuto música brasileira, MPB, samba. Tenho me interessado mais por isso. Essa geração minha veio dessa relação de des-

Cada um usa as armas que tem e como não tenho bunda, uso o verbo

É uma família de classe média (caso Izabela), é uma menina bonita, branca, quer dizer, comove muito mais a sociedade. Talvez se fosse uma negra jogada do barraco as pessoas não dessem tanta atenção

Você organizou um protesto na Alerj contra as altas despesas do Legislativo (e também do Judiciário) no Rio de Janeiro. Você não acha que eles estão cada vez mais insensíveis a esses atos e encastelados no poder e, portanto, tudo acaba sendo inócuo? Inócuo é ficar em casa vendo televisão e reclamando da vida. Faço por que creio que isso sirva para alguma coisa, ainda que para responder uma pergunta numa entrevista. Será que falaríamos de tal assunto se não fossem estes atos? Eles roubam de lá, eu me movo de cá. Parado é que não posso ficar. Se você está vendo um crime e cala a boca então torna-se cúmplice. Como lida com a fama, principalmente agora, quando se tornou uma espécie de ícone na luta contra a violência? Lido com isso como cidadão. Antes de ser artista, de ser ícone, exemplo, qualquer coisa, não me coloco dessa forma, porque sou humano, tenho minhas limitações e cometo meus erros, meus excessos. Não quero me colocar numa posição em que as pessoas me enxerguem como se fosse algo diferente delas. A única diferença é que direciono minha energia, desde muito jovem, para esses questionamentos. Quando eu tinha 20 anos, fiz Ciências Sociais na UFRJ, mas não cheguei a terminar, porque me dediquei à banda. Hoje em dia, com o dinheiro que ganho, consigo reverter isso em filmes, livros e documentários, coisas que me fazem crescer como ser humano.

compromisso com a vida, filhos de pais que viveram a ditadura, cresceram com medo de se manifestar. Aí fica meio restrito aos relacionamentos, da vida conjugal, “vou chorar”. Cada um faz o que quer. A molecada se identifica, e é legal, quando é feito com sinceridade.

Como todo bom carioca, alguma fase de sua vida deve ter sido curtida aqui na Região dos Lagos. Qual a sua relação com a região? Passei minha infância toda aqui, em Iguaba. Tenho uma casa lá, mas não freqüento mais, ela está alugada. Pulava carnaval no Campestre, em Araruama, freqüentava o Popeye. Eu me lembro de coisas muito boas, de minha família, minha avó, dos dias que passei de verão por lá.

Em muitos momentos do show, há uma conversa com o público sobre temas sociais e políticos. Você não teme ser tachado de panfletário? Eu sou panfletário. Eu falo o que penso. Negar isso seria o mesmo que enfiar um short na bunda, rebolar até o chão e dizer que não se quer mostrar o corpo. Cada um usa as armas que tem e como não tenho bunda, uso o verbo.

Conhece a atual situação da Lagoa de Araruama? Não conheço muito bem hoje em dia a questão da poluição da lagoa. Mas vejo que o desenvolvimento chegou, está tudo muito grande. Eu vou hoje em dia muito pra Búzios, mas estou há uns seis meses sem vir. Já vi que essa avenida central (as RJs 106 e 140) está gigantesca. O acesso à Região dos Lagos ficou muito bom.

CIDADE, Junho de 2008

7


CPI vai pedir indiciamento de prefeito e secretários de Búzios Renato Silveira

chment” contra o chefe do Executivo. Segundo o presidente da CPI, vereador chamada CPI do Parafuso, criada no Flávio Machado (PSDB), durante os cinco município de Armação dos Búzios meses de funcionamento, a comissão oupara apurar supostas irregularidades viu o depoimento de todas as autoridades na contratação dos serviços da Oficina Bar- envolvidas no escândalo, com exceção do nato, de Rio Bonito, chega à sua reta final prefeito Toninho Branco, que não apareceu apontando fortes indícios de superfatura- na data marcada. Para ele, o caminho a ser mento, pagamento de serviços não realiza- seguido está bastante nítido. dos e adulteração de documentos oficiais. O “Além de superfaturamento das norelatório final, que será entregue no início tas e do pagamento de serviços jamais deste mês, deve pedir o indiciamento do executados, solicitamos um processo ao prefeito Toninho Branco, do ex-secretário Executivo, que demorou um pouco mais de Governo Henrique DJ, do secretário de do que o razoável pra enviá-lo. Quando a Saúde André Granado e do proprietário da papelada chegou, tivemos a impressão de Barnato, o empresário Roberto Sinionato, que algumas páginas foram adulteradas”, e pode acabar em processo de “impea- afirmou. O relatório, que está sendo preSe comprovada todas essas parado pelo vereador Messias Soares irregularidades, acredito que (PDT), deverá ser encaminhado ao Ministério Público, que, na opinião está aberto o caminho para de Flávio, poderá entrar com proo pedido de cassação do cesso de improbidade administrativa mandato do prefeito. contra o prefeito. “Se comprovada todas essas FLÁVIO MACHADO, vereador

A

8

CIDADE, Junho Maio de CIDADE, de 2008 2008

irregularidades, acredito que está aberto o caminho para o pedido de cassação do mandato do prefeito. O relatório final está sendo preparado e nele, foram reforçadas todas essas suspeitas”, explicou Flávio. A CPI do Parafuso foi criada meio que ao acaso. Em suas rotineiras viagens ao Rio de Janeiro, Flávio estranhou, ao passar pelo município de Rio Bonito, a quantidade de veículos de seu município no pátio da Oficina Barnato. Ao solicitar a documentação referente, suspeitou dos valores das notas fiscais, que apontavam a compra de parafusos pelo valor de R$ 250 a unidade, além de lavagem de um mesmo carro duas vezes na mesma data, a preços diferentes. Mas não é apenas na CPI do Parafuso que o mandato de Toninho Branco está ameaçado. Segundo Flávio, o governo não enviou resposta a um de seus requerimentos, o que ocasionou a abertura de um processo de “impeachment” solicitado por um cidadão. Até o fechamento desta edição, o pedido ainda não havia sido votado.


Panorama CINEMA

ARMAÇÃO DOS BÚZIOS

II Festival de Curta Metragem de Cabo Frio Acontecerá no mês de Junho de 2008, entre os dias 09 e 15 na cidade de Cabo Frio, a segunda edição do “Curta Cabo Frio 2008”. No total aproximadamente 570 filmes, divididos em quatro categorias (Curtas Digitais, Película, Câmera de celular / Fotográfica e Filmes publicitários) foram recebidos pelo Festival. Os curtas são de diversos estados do País. Com destaque para os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Dos inscritos, serão selecionados 90 filmes que participarão da mostra competitiva, que acontecerá no Teatro Municipal de Cabo Frio. Serão apresentadas 4 mostras competitivas e 9 mostras não competitivas.Além disso, são realizadas mostras itinerantes em praças públicas e escolas da rede municipal.O Festival deste anos prestará homenagem ao cineasta Nelson Pereira do Santos, com exibição dos filmes “Rio Zona Norte” e “Brasilia 18%”. Durante o festival, serão realizadas duas oficinas, de realização e roteiro e mesas de debates sobre o tema em universidades locais. Niete Martinez

COMÉRCIO

Feira Forte Aconteceu em Cabo Frio, durante o feriadão de Corpus Christi, a quinta edição da Feira Forte. Mais de 150 estandes, praça de alimentação, setor de náutica e construção, atraíram um público de mais de 100 mil pessoas em 4 dias de evento.

R$ 130.186,04 para desassorear o Canal da Marina Porto Búzios O Canal da Marina Porto Búzios será desassoreado a partir de junho de 2008. A informação foi confirmada, com exclusividade à Cidade, pela Serla, Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas. A obra no Canal já estava nos planos da Secretaria de Ambiente do Estado e a licitação ocorreu no último dia 30 de abril, três empresas concorreram mas a vencedora foi a Cidraem Dragagem Ltda. Segundo a assessoria de imprensa da Serla, o valor do contrato foi fechado em R$ 130.186,04. O processo, nº 100.643/2008, já foi encaminhado para o departamento jurídico da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas. Próximo passo, realização do desassoreamento. Juliana Vieira

POLÍTICA

Os 15 cartões O caso dos cartões bancários envolvendo o deputado estadual Alair Corrêa (PMDB) caminha na Alerj ( Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) porém, ao contrário daquilo que muitos possam apostar, o caso pode nem chegar ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia. Até o fim de maio, pouco mais de um mês após o flagrante ter sido efetuado em uma agência bancária no centro de Cabo Frio, não houve nenhuma denúncia formal do caso e justamente por isso o Conselho de Ética pode passar longe deste caso. O que difere este dos demais casos avaliados e julgados na Alerj recentemente é o fato de que em todos os anteriores houve uma denúncia formal, todas feitas pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Por enquanto a problemática envolvendo o nome do ex-prefeito de Cabo Frio está sendo analisada pela Corregedoria da Assembléia Legislativa que ainda não informou se encaminhará ou não o caso para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. No processo investigatório a Corregedoria já ouviu o deputado Alair Corrêa e algumas testemunhas envolvidas no episódio em Cabo Frio. Diferentemente do Conselho de Ética todos os depoimentos na Corregedoria acontecem à portas fechadas. Os 15 cartões bancários foram encontrados com dois assessores do deputado Alair Corrêa no dia 16 de abril deste ano. Juliana Vieira CIDADE, Junho de 2008

9


Caos urbano Há pouco mais de dez anos, cimento e tijolo começaram a ser jogados em cima de uns dos ecossistemas mais ricos do Estado do Rio de Janeiro. O que era areia branca e fina, virou terra batida e suja. As plantas foram esmagadas por casas e os animais saíram expulsos pelo Homo sapiens. Tudo acompanhado de muito lixo. A restinga da Massambaba, em Arraial do Cabo, uma faixa de vegetação entre a Praia Grande e a Lagoa de Araruama, reconhecida como Área de Proteção Ambiental (APA), corre o risco de sumir do mapa.

10

CIDADE, Junho de 2008


Tomás Baggio Fotos Mariana Ricci

O

INVASÕES na Restinga de Massambaba tranformam Área de Proteção Ambienmtal em bairro popular onde até carnês de IPTU são emitidos

que começou com a criação dos distritos de Monte Alto e Figueira, no meio do caminho entre Arraial e Araruama, tomou proporções alarmantes. Na última década as casas avançaram restinga adentro e algumas estão na beira da praia. Nem mesmo o fenômeno conhecido como “cabeça d’água”, que une as águas do mar e da lagoa por cima da estreita faixa de terra, faz os moradores temerem a natureza. “A última cabeça d’água aconteceu há 10 anos. Foi muito forte e alagou tudo. A área da invasão é o pior lugar, porque é o ponto mais baixo. É exatamente por ali que a água do mar passa até encontrar a lagoa”, explica o biólogo Davi Aguiar. “É por isso que essa região é conhecida como Poças”, completou ele. Além da vegetação de restinga, a APA da Massambaba tem cerca de 20 lagoas costeiras, manguezais, sítios arqueológicos (sambaquis), brejos e floresta de encosta. Entre as plantas, destacam-se as bromélias, os cactos e um imenso orquidário natural. A fauna é igualmente diversificada. Segundo Davi, a restinga da Massambaba possui espécies endêmicas (encontradas somente na região) e raras: “a endemia pode ser local, regional, estadual e por aí vai. Essa restinga tem vários tipos de endemia”. A ocupação desordenada de terras públicas avançou, principalmente, por causa da especulação imobiliária. Cercar uma duna e vender como lote não era problema para os invasores. Segundo o Ministério Público Estadual, a prática seria incentivada pelos próprios políticos da cidade. As primeiras medidas de controle da ocupação no local foram tomadas em 2006, quando o Ministério Público (MP) ordenou o cadastramento de todas as casas, o cancelamento do Imposto Predial, Territorial e Urbano (IPTU), o cercamento da área de risco e a retirada de todas as famílias que moram no ponto mais crítico pela prefeitura de Arraial do Cabo. Em meados daquele ano, a população local assistiu, atônita, a uma audiência pública em que o maior temor foi confirmado: todas as casas dentro da área cercada poderiam ser derrubadas. O cadastramento feito posteriormente reuniu informações de 700 imóveis, que segundo a prefeitura tiveram o IPTU cancelado. Segundo o prefeito Henrique Sérgio Melman (PDT), 400 receberão novamente o carnê e, no caso das 300 casas CIDADE, Junho de 2008

dentro da área cercada, o imposto estaria suspenso. No entanto, diversos imóveis da área em disputa receberam o carnê do IPTU 2008, conforme apurou a reportagem de CIDADE. O prefeito Melman joga a responsabilidade para o Ministério Público. De acordo com o chefe do Executivo cabista, seria do órgão judicial a responsabilidade de retirar as famílias do local. “Nossa parte foi feita, a do Ministério Público eu não sei dizer. Cancelamos os lançamentos, demarcamos a área que pode ser aproveitada e colocamos a cerca. Desapropriei uma área de 800 mil metros quadrados em Pernambuca para fazer casas populares e o MP disse que lá é Área de Proteção Permanente (APP) e que não pode construir. Agora eles que tirem de lá, são umas 300 casas que têm que sair”, declarou Henrique Melman. Para ele, o descontrole com a terra foi causado pela falta de ajuda do governo do Estado no policiamento. “Polícia Florestal só tem pra dizer que existe. Tenho 100 guardas que valem por 30, porque trabalham em regime de escala. Sem cacetete, sem arma, eles não têm nada o que fazer a não ser correr”, afirmou o prefeito de Arraial. O promotor de Justiça Murilo Bustamante contestou a versão de Henrique Melman. Segundo ele, a responsabilidade de retirar as famílias e levá-las para outro local é da prefeitura de Arraial do Cabo. “Isso é uma estupidez. É, no mínimo, desconhecer as funções do poder Executivo. A resolução 396 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) obriga a prefeitura a fazer um Plano de Regularização Fundiária em caso de permanência ou retirada de uma ocupação irregular. É a prefeitura, o poder Executivo, que tem condições de executar a retirada e o reassentamento das famílias em outro local”, rebateu ele, acrescentando: “mas o local não pode ser onde eles ofereceram. Uma área protegida e muito distante, quase em Araruama. Já vi diversas áreas mais próximas e apropriadas para essa remoção. Será que existe algum interesse naquela área tão distante?”, questionou o promotor. Na opinião de Murilo, a prefeitura só tomou providências por ter sido acionada pela Justiça. “Exigimos o cancelamento do IPTU das casas e a prefeitura cumpriu por ordem judicial. O cercamento da área, a fiscalização, tudo veio através de ordem judicial. Ainda conseguimos duas entidades para 11


fazer o cadastro sócio-econômico para a prefeitura. Fizemos audiências públicas, fizemos até mais do que a nossa obrigação. Agora, se a prefeitura não apresentar um projeto executivo de verdade, nada vai andar”, alegou Bustamante.

Incertezas

Construções e lixo nas dunas

12

CIDADE, Junho de 2008

Nada é pior para os moradores do que a angústia e a incerteza. Além de viver em condições precárias, eles temem perder as casas. “Um fala que a gente vai ficar, outro diz que vamos ter que sair. É muito ruim viver sem saber o que vai acontecer amanhã”, diz o motorista Agnaldo Ribeiro, que mora em Monte Alto há nove anos, “Comprei esse terreno baratinho de um invasor. Acho que foi uns R$ 500 na época. Agora eu quero melhorar minha casa mas não posso mexer em nada. Tenho medo de fazer uma reforma e botarem tudo no chão depois”, conta Agnaldo, cuja casa está em uma área de 9,5 metros por 23 metros, dentro do cercamento, mas que recebeu o carnê do IPTU deste ano. A fim de pressionar as autoridades para continuar no local, parte dos moradores fundou a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Cidadania, no fim de 2006. Desde então, diz o presidente da entidade, Abel Porto, o assunto não voltou a ser discutido. “Pretendemos continuar e organizar a nossa situação. Desde que fizemos a Oscip, o doutor Murilo prometeu nos consultar antes de fazer qualquer coisa e está cumprindo. Ele não voltou mais aqui”, afirmou. Ele alega que não sabia da situação ilegal das terras quando construiu a própria casa, há sete anos, e garante que a comercialização de terras parou. “Eu também comprei o meu terreno. Se soubesse que não podia, é claro que não faria isso. Mas aqui nunca teve controle, ninguém tinha dito que não podia construir. Agora, depois da Oscip, não tem ninguém vendendo terra não. Invasor também não tem nenhum. Todos eles já foram embora”, completou Abel, lembrando de “um PM (Policial Militar) que derrubava casa e depois vendia o terreno”. Outro membro da Oscip, Cristiano Ferreira, acredita que a própria comunidade tem condições de preservar o local e “recuperar a natureza”. “Essa invasão, que chamam de invasão, é ordenada sim. A gente orienta as pessoas a não fechar as ruas e não jogar


ABEL PORTO Presidente da Oscip Cidadania

Pretendemos continuar e organizar a nossa situação

AGNALDO RIBEIRO, motorista

Um fala que a gente vai ficar, outro diz que vamos ter que sair. É muito ruim viver sem saber o que vai acontecer amanhã

CRISTIANO FERREIRA Conselho fiscal da Oscip Cidadania

Essa invasão é ordenada sim. Temos a idéia de plantar árvores nativas da restinga, como o coqueiro Polícia Florestal só tem pra dizer que existe. Tenho 100 guardas que valem por 30, porque trabalham em regime de escala. Sem cacetete, sem arma, eles não têm nada o que fazer a não ser correr HENRIQUE MELMAN, prefeito

lixo. Queremos ficar aqui e manter o que ainda não foi degradado. Temos a idéia de plantar árvores nativas da restinga, como o coqueiro (sic). Vamos plantar um monte de coqueiros em torno das ruas”, planeja Cristiano. Segundo ele, a saída dos moradores da área cercada seria ruim para o distrito de Monte Alto.

“O comércio depende desses moradores. Se tirar todo mundo, o comércio vai sofrer, igual está sofrendo em Arraial com a falência da Álcalis. A falha aqui é toda da prefeitura, porque foi omissa e não avisou que não podia construir. Agora a gente só quer continuar com a nossa casinha. É onde a gente mora e não temos para onde ir”, lamentou. CIDADE, Junho de 2008

13


Cartas www.revistacidade.com.br Junho, 2008 Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Reportagens Gustavo Araújo Joice Trindade Juliana Vieira Loisa Mavignier Pedro Barros Duarte Renato Silveira Tomás Baggio Vanessa Campos Fotografia Antônio Leudo César Valente Flávio Pettinichi Mariana Ricci PapiPress Tatiana Grynberg Colunistas Ângela Barroso Danuza Lima Octávio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Quissamã, Carapebus, Campos, Macaé, Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. 14

Q

UERO DAR OS PARABÉNS PARA essa corajosa revista pelo trabalho que tem feito no sentido dar informação imparcial. Ressalto as reportagens sobre as Eleições e extendo meus cumprimentos aos reporteres que escreveram as matérias. Cristina Pereira de Lima (Peró - Cabo Frio/RJ)

COMO LEITORA FIEL E ATENTA DA Revista Cidade, gostaria de fazer um pequeno comentário sobre a edição de abril, especificamente sobre a reportagem “Resgate da Memória”, de Renato Silveira, que ignora a participação da UVA no projeto do IPHAN. A Universidade realizou inscrições em suas instalações, publicou o edital em seu site e tem participado ativamente do projeto. Andréia Gorito (Ascom – UVA/ Cabo Frio/RJ) TODOS NÓS ESTAMOS VENDO O EStado precário em que se encontra a Lagoa de Araruama. E, por que o esgoto, as algas, o mau cheiro voltou para alguns pontos da lagoa? Achei a sua reportagem “Chora Araruama” muito apropriada e deixo os meus parabéns para os jornalistas e fotógrafos da revista que mostraram muito bem o que está acontecendo. Até quando a nossa lagoa vai aguentar? Armando Lentes Barbosa da Costa (Araruama/RJ)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br CIDADE, Junho de 2008

COMO NÓS FAZEMOS TODOS OS ANOS, após exaustivos meses de trabalho, fomos passar uma semana no Resort Caravellas, ficamos lá do dia 18/03/2008 à 25/03/2008, para as pessoas que não conhecem o lugar, ele é maravilhoso, com praia, piscinas, pessoas sempre simpáticas e prontas a nos atender. Quando estamos lá, geralmente passamos a parte da manhã em alguma praia de Búzios e a tarde íamos para a piscina que pertencia ao Resort Caravellas, aonde fazíamos o que mais interessa a um comerciante, consumíamos, e muito. A partir deste ano, a gestão do local, onde está a piscina é da APA PAU BRASIL HOTEL, que, diga-se de passagem, reformou o local e o deixou maravilhoso. Fomos à piscina, eu, minha esposa, meus filhos e meu neto de dois anos. Começamos a nos acomodar nas cadeiras de sol, quando fomos abordados pelo gerente do local, um rapaz rude, de fisionomia fechada que parecia estar bravo, devido ao seu tom de voz e a aspereza de suas colocações. Foi logo informando que o Apa Pau Brasil Hotel, havia comprado aquela área do Resort, e que se não fôssemos hóspedes do Apa Pau Brasil, não poderíamos utilizar aquela área, que era particular. Senhores, as duas áreas, tanto do Resort Caravelas quanto do Apa Pau, são de uso comum, não existe, nem nunca existiu nenhuma divisão entre elas, tanto que, até as fotos dos dois sites (www.apapaubrasil.com/hotel. php e resortcaravelas.com.br/portugues/hotel. php) são as mesmas, e utilizam os mesmos pontos de fotografia. Minha família e eu, não fomos informados de nenhuma forma ou maneira, que aquela área passava a pertencer ao Apa Pau Brasil Hotel. Pergunto aos senhores, viajo mais de setecentos quilômetros, para minha família e eu sermos discriminados? Porque não há informações de que os hospedes do Resort NÃO PODEM, e não são bem vindos, na piscina e no restaurante que SEMPRE usamos? Charles Gaudie-Ley Lobato Soares (por e-mail) GOSTEI MUITO DA MATÉRIA SOBRE constipação intestinal editado na revista cidade º 24, de abril de 2008. Gostei muito da receita laxativa, que eu já tomei dois dias e fez o maior efeito. É um verdadeiro coquetel mesmo. Fiquei livre do chá de sene que só vicia e não resolve o problema. Sandra Cristina Swiech (Rio de Janeiro/RJ) FICO BEM IMPRESSIONADO COM A SItuação em que se encontra o município de Arraial do Cabo. Um lugar tão lindo, com tantas praias de deixar sem fôlego de tão bonitas que são, e onde eu já fui muitas vezes para mergulhar. Dá pena ver tão largado desse jeito! Uanderson Brito (Niterói/RJ)


NUTRIÇÃO

Conhecendo O TOMATE

O

Tomate é uma fruta que contém em sua composição vitaminas C, E, pró-vitamina A, B1 e B3. Apresenta um alto conteúdo de carotenóides como o licopeno, pigmento natural que dá ao tomate sua cor vermelha, sendo também uma fonte interessante de fibras e minerais como o potássio o fósforo. A vitamina C intervém na formação do colágeno, glóbulos vermelhos, ossos e dentes. Favorece a absorção do ferro e aumenta a resistência frente às infecções. A vitamina A é essencial para a visão, o bom estado da pele, cabelo, mucosas, ossos e do sistema imunológico. A vitamina B3 auxilia no funcionamento do sistema digestivo. O potássio é necessário para a transmissão dos impulsos nervosos e para a atividade muscular normal. O alto conteúdo de vitaminas C, E e licopeno fazem do tomate uma im portante fonte de anti-oxidantes, substâncias protetoras do organismo que podem reduzir cânceres, principalmente o de próstata, e doenças cardíacas. O licopeno não é produzido pelo organismo, para isso temos que comer suas fontes. Tomates e derivados aparecem como as maiores fontes de licopeno. O tomate cru apresenta, em média, 30mg de licopeno/kg; o suco ou polpa de tomate cerca de 150mg de licopeno/litro; e o katchup contém em média 100mg/kg. Ou seja, o processamento do tomate aumenta os níveis de licopeno. A adição de uma dose moderada de gordura monoinsaturada facilita o transporte, a absorção e a ação do licopeno no organismo. Portanto, para tornar sua preparação à base de tomates ainda mais saudável, acrescente 1 fio de azeite de oliva no seu molho. Durante muito tempo o tomate foi o culpado por produzir cálculos renais devido ao seu conteúdo de oxalato, porém, sabe-se hoje em dia, que a quantidade de oxalato é muito pequena desmistificando um pouco esse mito. Entretanto, nesses casos, seu médico deve ser consultado antes de consumir tomate. DANUZA LIMA é nutricionista danuza_lima@hotmail.com

CIDADE, Junho de 2008

15


Rafael Wallace

Petróleo

“No pasarás” Juliana Vieira

A

cobiça pelos royalties pertencentes ao Estado do Rio ganhou notoriedade depois que o Senado Federal, no dia 15 de abril, realizou uma Audiência Pública para discutir os critérios de distribuição dos repasses oriundos das atividades de exploração e produção de petróleo. Nesta ocasião muitos senadores, principalmente os paulistas, pleitearam que os royalties, hoje destinados ao Rio, sejam redistribuídos para outros locais. O movimento, iniciado pelo Senador Aloizio Mercadante (PT-SP), provocou uma verdadeira erupção entre as autoridades fluminenses. O Governador Sérgio Cabral (PMDB), por exemplo, já enfraqueceu as intenções do Senador paulista afirmando que “não é um movimento do Congresso”. A posição do governador já ecoa entre os municípios do Estado. A Alerj — Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — também se movimenta em prol dos royalties. A Comissão de Minas e Energia, presidida pelo deputado Glauco Lopes (PSDB), realizou no dia 12 de maio a primeira discussão 16

GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL FILHO

O Rio de Janeiro perde uma fortuna pelo ICMS não ser cobrado na origem e sim no destino

pública sobre o tema no Estado. Prefeitos de Macaé, Quissamã, Casimiro de Abreu, São João da Barra e Guapimirim participaram. Depois da audiência, que também contou com a participação de autoridades da Câmara Federal, do Governo do Estado, da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Alerj dá um exemplo de união suprapartidária e, através da Comissão, comemora 100% de adesão dos parlamentares na composição da Frente Parlamentar “Em Defesa dos Royalties do Petróleo do Estado do Rio de Janeiro”. Sérgio Cabral faz questão de assegurar que o Governo do Estado do Rio está atento às atitudes originárias do senador paulista. “É muito mais um terrorismo que outra coisa, mas nós temos que estar atentos”, alfinetou Cabral. “O assunto é mesmo decisivo para os municípios fluminenses e por isso não vamos deixar de trabalhar neste sentido”, garantiu o deputado Glauco Lopes. Redistribuição é possível? — Para a idéia ser levada adiante só mesmo uma alteração CIDADE, Junho de 2008

na Constituição Federal, fato considerado pelos parlamentares como muito difícil. Durante a Audiência Pública no Senado o diretor de geociências do IBGE (estabelecido pelo Decreto nº 93.189, de 29 de agosto de 1986, como órgão definidor dos critérios para a repartição destes royalties), Luiz Paulo Fortes, contrariou muitos que alegavam privilégios para o Estado do Rio de Janeiro e afirmou que o IBGE utiliza alta precisão em seus critérios e não há nada errado nisto. Receita bilionária — A proposta do Senado de partilha dos royalties faria com que o Estado do Rio perdesse uma receita anual de aproximadamente R$ 12 bilhões. A disputa tem um bom motivo: uma receita bilionária. Só entre os anos 2000 e 2006, por exemplo, as compensações pela exploração petrolífera pularam de R$ 2,9 bilhões para R$ 16,6 bilhões. Desse total, 60% ficaram com os Estados e municípios. Só os governos e municípios fluminenses abocanharam 86% do montante repartido. O Estado do Rio possui 89% das reservas marítimas de petróleo do Brasil, confirmando-se as reservas de Tupi e


Divulgação

SÍLVIO E GLAUCO LOPES Deputados Federal e Estadual (PSDB)

Pai e filho em defesa dos royalties O Estado do Rio de Janeiro possui 89% das reservas marítimas do Brasil, e produz 82% de todo o petróleo consumido no país

Júpiter (cada uma com cerca 8 bilhões de barris) as reservas fluminenses representarão mais de 96% das reservas nacionais e mesmo enquanto estas duas novas reservas não entram em produção o estado ainda assim produz quase 82% de todo petróleo brasileiro. “Vale dizer que hoje o Rio de Janeiro perde uma fortuna pelo ICMS não ser cobrado na origem e sim no destino. Se nós na Constituinte, que vai completar 20 anos em outubro, tivéssemos assegurado o ICMS na origem para o petróleo nós estaríamos arrecadando hoje alguma coisa na ordem de R$ 1 bilhão por mês de ICMS, mas não arrecadamos por uma falha dos nossos congressistas naquela época”, lembrou o Governador. Cabral ainda lembrou que os royalties e a participação especial foram iniciativas compensatórias e que existem no mundo inteiro. “Mexer nisso é uma enorme temeridade. Eu diria como os espanhóis na Guerra Civil: no pasarás”, disse. Governos em Harmonia — “É um Senador isolado de São Paulo que não encontra eco nem no governador José Serra que já me ligou para dizer que eu ficasse tranqüilo porque ele não corrobora com esta tese”, afirmou o governador Sérgio Cabral sobre o movimento iniciado pelo Senador Aloizio Mercadante que tenta abocanhar parte dos royalties pertencentes ao Estado do Rio de Janeiro.

CIDADE, Junho de 2008

17


Meio Ambiente

Mais de 80 técnicos, ambientalistas e usuários avaliam projetos no Comitê de Bacias

Tropa Ambiental reunida Os compromissos com a Região dos Lagos foram reafirmados na posse da nova diretoria do Comitê de Bacias Hidrográficas das lagoas e rios regionais e envolvem dezenas de projetos Texto e fotos de Loisa Mavignier

U

m Parque Estadual da Costa do Sol, integrando unidades de conservação na Região dos Lagos é uma das mais ousadas propostas apresentadas pelo Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), durante reunião de trabalho e posse da nova diretoria do Comitê das Bacias Hidrográficas das Lagoas de Araruama e Saquarema e dos Rios São João e UNA. No encontro no Hotel Serra da Castelhana, em Bacaxá, Saquarema, em 29/04, cerca de 80 integrantes das duas 18

entidades avaliaram as ações ambientais em defesa dos recursos hídricos regionais para os próximos três anos. Pelo projeto, o Parque Estadual da Costa do Sol integraria mais de 20 unidades de conservação em vários municípios. Além disso, o Comitê discutiu o fortalecimento de ações conjugadas entre as prefeituras que integram o CILSJ; a municipalização do licenciamento ambiental; a revitalização lagoa de Araruama; e a criação de um consórcio para a destinação de resíduos sólidos urbanos por Saquarema e Rio Bonito. Na ocasião, o governo estadual, representado no evento pela Fundação Superintendência

CIDADE, Junho de 2008


SERRA DA CASTELHANA

Área de grande valor ecológico, sediou o encontro do Comitê de Bacias

Estadual de Rios e Lagos (Serla), reafirmou a meta de viabilizar o Pacto pelo Saneamento no Estado do Rio de Janeiro ainda este ano, alicerçado no aumento da arrecadação pelo uso da água. Na reunião, técnicos, ambientalistas e representantes governamentais, da sociedade civil organizada e ONG’s deram posse ao secretário do Meio Ambiente de Iguaba Grande, Waldemir Pereira Demaria. Ele assumiu a presidência do Comitê de Bacia tendo como vice-presidente Arnaldo Villa Nova, da ONG Viva lagoa, de São Pedro da Aldeia. Demaria substitui o prefeito de Silva Jardim, Augusto Tinoco, afastado daquela prefeitura por irregularidades. A novidade é que a gestão da presidência no Comitê passa a ser de três anos em vez de dois, e foi criado o cargo de vice-presidente, antes inexistente, de modo a evitar que a instituição fique acéfala em caso de afastamento do presidente. O coordenador de projetos do CILSJ, Mário Flávio Moreira, assume a secretaria executiva substituindo Luis Firmino Martins Pereira. Ele deixou a secretaria, mas não o movimento pelas águas. Firmino sempre encabeçou as ações em defesa dos recursos hídricos na Região dos Lagos, sendo o principal articulador para a formação do Consórcio Lagos São João e do próprio Comitê de

Bacias, e desfralda a mais entusiasta bandeira pela recuperação da Lagoa de Araruama. Em 2009, as duas instituições completarão 10 anos de atividades de demonstram vontade de avançar ainda mais nas questões dos recursos hídricos. Pelo orçamento do CILSJ para 2009, estimado em mais de R$ 785 mil, a Serla deverá injetar, via Consórcio, mais de 400 mil em convênios. Uma injeção de recursos significativa para a instituição. Isso já projetando o aumento da arrecadação pelo uso da água e a consolidação do Pacto pelo Saneamento que prevê a aplicação de 70% dos recursos arrecadados em saneamento para todo o Estado do Rio de Janeiro. Com o compromisso no Comitê reafirmado na posse do triênio, uma simbólica “tropa ambiental” estará à postos de 2008 a 2010 para tratar do destino dos recursos hídricos e outras ações conjugadas nos municípios da Região dos Lagos - com exceção de Rio das Ostras -, incluindo Silva Jardim, Casemiro de Abreu, Cachoeira de Macacu e Rio Bonito. São dezenas de ações a médio e longo prazo focadas na recuperação e preservação de rios e lagoas, Bacias e Microbacias, Áreas de Preservação Ambiental (APAs) e Unidades de Conservação; expansão da rede de água, coleta e tratamento de esgoto

CIDADE, Junho de 2008

19


Meio Ambiente Prefeitos de Araruama, Saquarema e São Pedro da Aldeia, respectivamente, Hugo Canellas, Antonio Peres Alves, e Paulo Lobo integram o Consórcio Lagos São João

Rubens Castellano, diretor da Águas de Juturnaiba, e Felipe Marcondes Ferraz, diretor executivo da Prolagos

na qual serão injetados mais R$ 50 milhões pelas concessionárias até 2010; recuperação e concessão da barragem de Juturnaíba; renaturalização de rios, a exemplo do São João; construção de adutora, e aterro sanitário. Além do trabalho de captação dos recursos necessários para a consolidação dos projetos e programas previstos no Plano de Bacias e aprovados pelo Comitê.

Parque Estadual da Costa do Sol Na série de ações ambientais em andamento ou ainda em fase embrionária uma é ligada a outra, de forma gradativa. Uma ação ambiental consolidada prepara o terreno para um passo maior. A proposta de criação do Parque Estadual da Costa do Sol apresentada por Luis Firmino na reunião, por exemplo, seria viabilizada por meio do CILSJ. Com foco no parque, o Consórcio, por sua vez, realizou com recursos do Projeto de Programas Demonstrativos (PDA-Mata Atlântica), do Ministério do Meio Ambiente, um amplo estudo de mapeamento de topos de morros, áreas de declividade, atualização do zoneamento, ou seja, um diagnóstico

socioambiental e físico desde Saquarema até Cabo Frio; e de Unamar até Rio das Ostras; e ainda o Plano de Manejo da APA da Bacia do Rio São João. “O parque daria um peso maior para essas unidades, do que cada município ter uma pequena unidade. A cerne do trabalho do PDA foi avaliar todas as unidades de conservação existentes. Queremos resgatar essas unidades. São muitas áreas de grande valor ecológico, a exemplo, da Serra da Castelhana”, disse Luis Firmino, referindo-se ao local do evento em Bacaxá. Segundo ele, muitas dessas pequenas unidades de conservação foram criadas pela Lei Orgânica dos Municípios, mas não regulamentadas. A idéia inspirada num modelo canadense de gestão de unidades de conservação integraria todas as pequenas áreas apontadas em estudos realizados pelo CILSJ e o Comitê de Bacia desde a ponta de Arraial do Cabo até Cabo Frio. O Parque teria uma área total de 5.500 hectares, com gestão única, embora setorizadas em seus municípios. A conservação, fiscalização, banco de dados e o

Maurício Muniz, analista ambiental do programa PDA-Mata Atlântica, do Ministério do Meio Ambiente

Nova diretoria do Comitê de Bacias: Vicepresidente Arnaldo Villa Nova e Waldemir Demaria, ao lado do novo secretário executivo do CILSJ, Mário Flávio Moreira

20

CIDADE, Junho de 2008


Marilene Ramos, reafirma Pacto pelo Saneamento no Estado

apoio técnico seriam consorciados. Áreas de visitação turísticas seriam abertas gerando arrecadação. O projeto está sendo encaminhado para análise de viabilidade à Fundação Instituto Estadual de Florestas (IEF). E ainda exigirá do Consórcio mobilização para convencer o governo estadual. De acordo com o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Maurício Barbosa Muniz, a verba de R$ 500 mil destinada para o projeto do CILSJ pelo PDA-Mata Atlântica, zona Leste do estado, foi captada pelo governo federal num banco alemão, a fundo perdido. “Hoje no Rio de Janeiro, incluindo o do Consórcio Lagos São João, temos 20 projetos em execução financiados pelo PDA-Mata Atlântica. E do Nordeste ao Sul do país são mais de 40 milhões de investimentos para projetos de entidades que trabalham para o uso sustentável dos recursos naturais”, ressalta ele.

Interesses comuns O prefeito de Iguaba Grande e presidente do CILSJ, Hugo

Canellas, que participou da reunião junto com os dirigentes de São Pedro da Aldeia, Paulo Lobo, e o de Saquarema, Antonio Peres Alves, fez um apelo aos prefeitos consorciados, que deixarão os cargos no próximo ano, para que batam logo o martelo para fechar as questões pendentes no Consórcio e de interesse comum dos municípios. Em apoio às ações ambientais conjuntas na Região dos Lagos, Canellas defendeu a criação de outros consórcios municipais, como na área de saúde, por exemplo. “É um modelo que está dando certo na nossa região”, disse. Também em foco no Comitê, a adequação das prefeituras para a municipalização do licenciamento ambiental, até hoje, só emitido pela Feema. Para assinar o convênio com o Estado e passar a emitir o licenciamento, no entanto, as prefeituras terão de atender as exigências legais. O município tem de ter: Plano Diretor; Secretaria Municipal do Meio Ambiente; Fundo Municipal do Meio Ambiente, Lei Municipal do Meio Ambiente; Código Municipal do Meio Ambiente; Conselho Municipal do Meio Ambiente. O apoio técnico também será feito de forma consorciada.

Luis Firmino apresenta projeto do Parque Estadual de Unidades de Conservação

CIDADE, Junho de 2008

21


Rafael Wallace

Rafael Wallace

Política

MÁRIO MARQUES Apresentando e retirando emendas JORGE PICCIANI Presidente da Alerj tem a competência para promulgar os Projetos.

ALERJ Novos cargos que vão de R$ 3.000,00 a R$ 11.000,00 Juliana Vieira

D

epois dos escândalos envolvendo auxílio-educação e a contratação de funcionários fantasmas, a Alerj — Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — dá início a uma nova temporada, a de votação e aprovação de projetos delicados. Dois destes projetos, de números 472/2007 e 582/2008, criam novos cargos dentro da Alerj, alguns deles com salários que passam dos R$ 11.000,00 por mês. Todos os novos cargos foram propostos pela Mesa Diretora da Alerj, órgão subordinado à presidência da Assembléia. Três deles são destinados ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e outros dois para Diretores dos Departamentos de Comunicação Social e de Informática. O que mais chama a atenção é que em nenhum dos dois projetos apresentados foi especificado grau de escolaridade exigido para ocupar as vagas ou qualquer outro pré-requisito.

22

Primeira vitória

Copiar e colar

O projeto de resolução que cria os cargos nos Departamentos de Comunicação Social e Informática já conquistou sua primeira vitória na Alerj. Em uma tramitação o projeto está prestes a ser promulgado pelo próprio presidente, Jorge Picciane, já que é uma medida interna e por isso não precisa ser sancionado pelo Governador como um projeto convencional. O projeto foi aprovado, porém não sem antes passar por alguns sustos. Apresentado em 06 de dezembro de 2007 chegou ao plenário para ser votado em primeira discussão em 30 de abril desse ano. A votação foi tranqüila e o projeto passou sem debates. No último dia 05 de maio, o projeto voltou ao plenário para ser votado em segunda discussão e foi aí que recebeu duas emendas do deputado Mário Marques (PSDB). As emendas inviabilizavam totalmente o projeto e por isso se tornaram ameaças reais à sua aprovação. Quatro dias depois de apresentar as emendas o mesmo deputado Mário Marques apresentou um requerimento solicitando a retirada definitiva das emendas de plenário. Sem dificuldades, o projeto foi aprovado em segunda discussão pela maioria dos deputados no dia 14 de maio de 2008. Já o projeto de resolução nº 582/2008, que cria os novos cargos no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, estreou no plenário da Alerj no dia 08 de maio depois de um pedido de “regime de urgência”. O projeto ainda deverá ser votado e aprovado em segunda discussão.

Uma coisa estranha ocorreu com a justificativa dos dois projetos de resolução, ambos possuíam o mesmo texto e a gafe só foi percebida pela Alerj quando os projetos entraram na pauta de votações em plenário. “A alteração da estrutura dos Departamentos de Comunicação Social e de Informática faz-se necessária tendo em vista o aumento da carga laboral. Tais alterações irão melhor distribuir as funções de cada Departamento, aprimorando seus resultados”, é a justificativa dos dois projetos. Ao que tudo indica, foi só copiar e colar.

CIDADE, Junho de 2008

Os novos cargos Projeto de Resolução nº 582/2008 “Cria cargos em Comissão de Assessoria para atender ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj”. 01 Assessor do Conselho de Ética - R$ 5.789,77 01 Assistente do Conselho de Ética - R$ 4.765,74 01 Assessor-Adjunto Administrativo - R$ 3.741,75 Projeto de Resolução nº 472/2007 “Altera a estrutura dos Departamentos de Informática e Comunicação Social e dá outras providências”. 01 Diretor do Departamento de Informática - R$ 11.488,00 01 Diretor do Departamento de Comunicação Social - R$ 11.488,00


PapiPress

Cabo Frio

IFET / CAMPUS LAGOS Prédio, que já abrigou a prefeitura e o fórum, passa por reformas

Aulas do IFET começam em agosto Renato Silveira

N

em bem chegou ao chamado Campus Lagos, uma das maiores novidades na área da educação já mudou de nome. E o que era Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), passou a ser Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFET Fluminense). O início das aulas está marcado para agosto, mas o “vestibular” ainda não tem data marcada, pois as provas só acontecerão após o processo seletivo para a contratação de professores e pessoal administrativo, que acontece neste mês. O Campus Lagos vai funcionar no que antes era chamado “Centrinho”, que já abrigou a sede da prefeitura, o fórum e agora passa por reformas, para o início da nova atividade. De acordo com o diretor da unidade, César Dias, após um levantamento feito nas cidades da Região dos Lagos, chegou-se a um consenso sobre os cursos que serão instalados por aqui “Vamos oferecer vagas para Eletromecânica, Petróleo e Gás e Hotelaria, no nível técnico. Posteriormente, teremos cursos de licenciatura para Química e Física, mas isto depende de alguns ajustes”, informou. Avançando ainda mais na questão da Educação, a direção do IFET planeja instalar na Região dos Lagos cursos de pósgraduação em Meio Ambiente e Turismo,

e, ainda necessitando de adequações no curriculum, a pós na área de Pesca. “São cursos muito importantes para agregarmos valor à realidade da Região dos Lagos. Mas todas essas atividades não devem ocorrer esse ano, talvez no ano que vem”, acredita. O investimento total para a construção do Campus Lagos é de R$ 409 mil, numa área total de 70 mil m2 de terreno de 6 mil m2 de área construída. Mas antes do início das atividades no novo espaço, o IFET, ainda com o nome de CEFET, está funcionando no bairro de São Cristóvão, também em Cabo Frio, com dois laboratórios móveis, que funcionam como sala de aula para cursos básicos de Instalação Elétrica e Informática. “A unidade destinada ao curso de instalações elétricas foi montada com equipamentos de tecnologia avançada, assim como o de Informática, que possibilitou a inclusão digital de cem jovens matriculados”, explicou Dias. A inscrição do concurso para contratação de professores e pessoal de apoio para o Campus Lagos encerrou-se no dia 30 de maio, e as provas acontecerão no dia 15 deste mês. A divulgação do resultado se dará a partir do dia 17, mas os aprovados para o corpo docente passarão por novas etapas classificatórias. CIDADE, Junho de 2008

23


Divulgação

Ricardo Young, presidente do Conselho Deliberativo do Yázigi Internexus, com Maria Emília, Aníbal e Thais Guimarães, do Yázigi Cabo Frio

YÁZIGI no Prêmio Personalidade Cidadania 2008 Vanessa Campos

N

a noite do dia 8 de maio, o Jockey Clube Brasileiro, localizado no Centro do Rio, foi a sede escolhida para a entrega dos títulos aos eleitos no Prêmio “Personalidade Cidadania 2008”, uma homenagem promovida, anualmente, pela Unesco, Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o jornal Folha Dirigida, às personalidades consideradas fundamentais ao desenvolvimento social do Brasil. Dentre os dez agraciados com o prêmio, este ano, está Ricardo Young, presidente do Conselho Deliberativo do Yázigi Internexus e filho do fundador do Instituto de Idiomas, Fernando Silva. Empresário, graduado em Administração Pública pela FGV em São Paulo, Young é também fundador e presidente da Associação Brasileira de Franquias (ABF) e presidente do Instituto Ethos, organização não-governamental que tem como missão principal mobilizar, sensibilizar e ajudar empresas a direcionarem suas ações com responsabilidade social. Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República até dezembro de 2006, o eleito é também conselheiro das organizações Global Reporting Initiative (GRI), em diversos países, como Holanda, Inglaterra e Suíça. Young foi agraciado com o prêmio ao lado de importantes figuras do país, como o arquiteto Oscar Niemeyer, o recémempossado ministro do Meio Ambiente, 24

Carlos Minc, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Em sua quarta edição, o prêmio promovido pelas três instituições já soma 32 personalidades eleitas. Os destaques são escolhidos, a cada ano, por um colégio eleitoral formado por 4.320 personalidades representativas de diversos segmentos da sociedade. Para Maria Emília, diretora do Yázigi Cabo Frio, a escolha de Young como um dos dez agraciados em 2008 coroa seu engajamento em causas sociais e de preservação ambiental. “Além de um carisma incrível, Ricardo Young herdou do pai e da mãe a veia de cidadania. Seu pai, fundador do Yázigi, iniciou projetos no Instituto, voltados para a responsabilidade social e ecologia, quando ainda nem se falava sobre estes conceitos. Para o Yázigi, o Young (que foi presidente do Instituto, há 3 anos) trouxe a expansão das franquias, preocupando-se com o trabalho de sucessão, preparando os filhos dos franqueados para sucedê-los, nos negócios”, explicou a diretora, há 32 anos à frente do Yázigi de Cabo Frio. A franquia, inclusive, acaba de lançar uma campanha para reflorestar o município, com a ajuda dos próprios alunos – principalmente, as crianças – que são incentivados a doar mudas de várias espécies vegetais, para plantio em várias partes da cidade. CIDADE, Junho de 2008


A

2

NGELA Barroso

angela.barroso@yahoo.com.br

1

1 Clemente Magalhães, recebendo por conta do seu aniversário, que foi um acontecimento político social, entre o boa gente, José Marcio Santos e Armando Ehrenfreund. 2 A francesa Emmanuelle Meeus de Clermont Tonnerre, linda de morrer, chiquérrima e bem nascida, é dona do hotel mais luxuosos de Búzios, o Insólito Boutique Spa & Hotel na Praia da Ferradura. 3 Alexia Dechamps fazendo mimo e elogios a atriz Laura Neiva, que participou do filme “A Deriva” rodado em Búzios, contracenando com o ator frances, Vincent Cassel.

3

4 Mike Robertson fez aniversário e recebeu grupo de amigos do Golf. Carlos Gasparian comemorou o seu terceiro lugar no Torneio na festa do Mike. Acir Cumin foi testemunha.

6 4

5 Germania Pisto, Ana Maria Faria e Paty Cumin, golfistas de responsa, amigas e companheiras de Golf, do Mike, no seu aniversário.

5

6 Marcio Arouca e sua amada Lucy recebendo a sociedade buziana para coquetel honestíssimo na Restaurante Primitivo, no Portal da Barra, em Manguinhos.

8

7 Casal afinado, no trabalho e na badalação: Adriana Calçada e Dr. Guilherme Azevedo. Adoraram o evento no Primitivo.

7

8 Os amigos de fé Carlos Povoli, Ricardo Valdívia, Papi e Marcelo, brindando ao novo empreendimento do Marcio Arouca. CIDADE, Junho de 2008

25


26

CIDADE, Junho de 2008


CIDADE, Junho de 2008

27


VOCAÇÃO ENERGIA Ao cair da tarde do dia 24 de junho de 1883, o estado do Rio entrava para os livros de história. Pela primeira vez na América Latina, e segunda no mundo, depois de Nova Iorque, a energia elétrica substituía os lampiões na iluminação pública de uma cidade. A proeza, testemunhada por Dom Pedro II, aconteceu em Campos, cidade cercada por plantações de cana-de-açúcar. A luz vinha de uma termoelética à vapor acionadora de três dínamos com potência de 52 KW, que fornecia energia para 39 lâmpadas de 2.000 velas cada uma.

28

CIDADE, Junho de 2008


Antônio Leudo

Capa Gustavo Araújo / Joice Trindade

P

assados 125 anos, o Rio de Janeiro continua fazendo história; e movendo o Brasil. O petróleo que já existia no subsolo fluminense no tempo de Dom Pedro II agora movimenta milhões de carros, caminhões, ônibus e aviões, molamestra da economia do país. Os canaviais, dos quais se produzia apenas o açúcar e o melaço, também passaram a produzir álcool etílico — o etanol —, cujo enorme potencial como fonte geradora de energia renovável se tornou o centro das discussões mundiais sobre a energia que moverá o mundo num futuro muito próximo.

Emirados fluminenses

Canaviais do Norte Fluminense continuam gerando energia para abastecer o país

CIDADE, Junho de 2008

Com um território correspondente a 0,51% da área total do país, o Rio de Janeiro é responsável por aproximadamente 84% da produção nacional de petróleo. Sua formação geológica num passado distante, quando ainda não existia o homem na face da Terra, propiciou a formação de uma bacia sedimentar rica em óleo e gás, batizada de Bacia de Campos. Atualmente, o subsolo marinho fluminense contribui com cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo e 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia — um resultado que surpreenderia os técnicos da Petrobras que trabalharam na abertura do primeiro poço, no campo de Garoupa, que começou a jorrar em 1977, com a marca de 10 mil barris/dia. E os números na região não param de crescer. Para 2010, com a entrada em operação de novas plataformas na região e o uso de novas tecnologias para aumentar a produção nos campos maduros e chegar à camada pré-sal, projeta-se uma produção de 1,8 milhão de barris de óleo e 34,6 milhões de metros cúbicos de gás a cada 24 horas. Já seria o suficiente para que, se o estado do Rio fosse um país independente, figurasse entre os 20 maiores produtores mundiais. Estes números, no entanto, devem aumentar ainda mais graças à descoberta dos megacampos de Tupi e Júpiter — que, embora localizados na Bacia de Santos, estão no lado de cá da linha imaginária que separa os mares de Rio de Janeiro e São Paulo. Juntos, estes campos têm uma reserva estimada de 8 bilhões de barris de petróleo, que amplia em 50% as reservas já descobertas no Brasil. Na ava29


Banco de Imagens/Petrobras

Rio de Janeiro é responsável por aproximadamente 84% da produção nacional de petróleo

CANA-DE-AÇÚCAR

Segunda matriz energética do país

Capa liação do superintendente de Controle das Participações Governamentais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), José Gutman, quando os dois campos gigantes começarem a ser explorados comercialmente, o Rio será responsável por 96% da produção de petróleo nacional. Não é de se espantar que a Petrobras, cuja sede fica na capital fluminense, tenha sido recentemente avaliada pela consultoria Economática como a terceira empresa de maior valor de mercado nas Américas — ultrapassando a gigante de softwares Microsoft, do bilionário Bill Gates, ficando atrás apenas da petrolífera Exxon Mobil e da montadora de veículos General Motors. Há muitas décadas, o petróleo tem sido o grande propulsor da economia mundial. Nos dias de hoje, segundo dados da Agência Internacional de Energia, ele representa 45% do consumo de energia de todo o mundo. Nos últimos anos, porém, a discussão em torno do ouro negro extrapolou a área econômica e enveredou pelo campo ambiental, devido ao aumento do aquecimento global — em grande parte causado pelo despejo na atmosfera do dióxido de carbono (CO2) gerado pela queima do combustível fóssil nos motores dos carros 30

e nas chaminés das indústrias. Em seu terceiro relatório, apresentado em 2007, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas aponta que os efeitos do aquecimento global podem ser reduzidos se os países investirem em eficiência energética e aprimorarem a tecnologia das energias renováveis.

Plantando energia Em se tratando de energia renovável, o Rio de Janeiro, que já foi o maior produtor brasileiro de cana-de-açúcar, quer voltar a ocupar papel de destaque no cenário nacional, pegando carona no movimento em favor do biocombustível. Embora a atividade sucroalcooleira tenha sofrido retração nas últimas décadas, o estado continua sendo um dos maiores produtores de cana do Brasil. Durante a safra de 2008, estima Geraldo Hayen Coutinho, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), as nove usinas fluminenses devem produzir 130 milhões de litros de álcool, que em grande parte chegarão aos postos de combustível para abastecer uma frota de veículos que não pára de crescer. A cana, diga-se de passagem, passou a CIDADE, Junho de 2008

ser este ano, pela primeira vez na história, a segunda matriz energética do Brasil (16% das fontes usadas no país), superando a energia hidráulica (14,7%) e perdendo somente para o petróleo (36,7%). Este crescimento se deveu principalmente ao aumento da frota de veículos bicombustíveis (flex), que já são maioria dos carros que saem das montadoras brasileiras e devem representar 25% de toda a frota mundial até 2050, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE). De olho nas excelentes perspectivas, o governador Sérgio Cabral lançou, em setembro do ano passado, o Plano Diretor de Agroenergia do Estado, o Rio Agroenergia, que prevê um investimento de R$ 300 milhões para recuperar a produção de cana através da melhoria da infra-estrutura, uso de tecnologia, financiamento e incentivos fiscais. A meta é triplicar a produção de cana nos próximos cinco anos, chegando a 15 milhões de toneladas anuais e resgatando o otimismo reinante nas lavouras durante as décadas de 1970 e 1980, quando o surgimento do Pró-Álcool, financiado pelo governo federal, substituiu em larga escala os combustíveis derivados de petróleo pelo etanol.


Antônio Leudo

Flávio Petinichi

Antônio Leudo

MOAGEM DA CANA

Investimentos de R$ 300 milhões para recuperar a produção

Outro objetivo do governo do estado é atrair 87 empresas produtoras de biocombustível até o ano de 2012, o que elevaria em 46% a produção estadual de álcool e — a melhor parte — seria responsável pela abertura de mais 50 mil postos de trabalho no campo e na indústria. “Vamos recuperar a indústria sucroalcooleira do estado”, garante o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo.

Outras fontes Nos últimos dois anos, o Rio vem investindo também em outras matrizes energéticas para produzir o biocombustível. O município de Carapebus é um dos pioneiros, nas pesquisas com as chamadas oleaginosas — soja, pinhão manso, girassol, amendoim e gergelim. Através de uma parceria com a Pesagro, a Secretaria Municipal de Agricultura vem fazendo o plantio experimental dessas variedades numa área de 2,8 hectares. Por enquanto, vêm se sobressaído as culturas do amendoim e do pinhão manso. As oleaginosas têm uma vantagem sobre a cana-de-açúcar: por serem mais rentosas, podem se tornar uma excelente alternativa aos pequenos produtores rurais, estimulando o surgimen-

SALINAS PEREIRA BASTOS (Arraial do Cabo)

Projeto para instalação da primeira usina de ernergia eólica da Região dos Lagos

to de pequenas cooperativas e colaborando com a fixação do homem do campo. Isso sem falar na possibilidade de consorciar culturas. “Num mesmo pedaço de terra, o agricultor poderá lucrar com as oleaginosas sem abrir mão de cana”, observa o secretário municipal de Agricultura, Arnoldo Almeida, que no mês de julho apresentará os resultados das pesquisas feitas em Carapebus durante um seminário internacional na cidade de Varginha (MG). Na opinião de Arnoldo, o Brasil poderá se tornar a potência energética mundial em pouco tempo, porque dispõe de uma grande quantidade de terras agricultáveis e, ao contrário de outros países, como os Estados Unidos — que produz etanol a partir do milho —, não se envolverá na polêmica sobre o uso de alimentos para produzir energia.

Bons Ventos O futuro da geração de energia não passa apenas pelas lavouras ou pelo subsolo. Ainda este ano, o Rio de Janeiro — único estado do país que gera energia nuclear, através de seu complexo de usinas instaladas no município de Angra dos Reis — também entrará para o seleto grupo de estados produtores de energia eólica. No CIDADE, Junho de 2008

dia 30 de abril, a empresa Siif lançou, no município de São Francisco de Itabapoana, a pedra fundamental de uma usina de geração de energia elétrica à partir dos ventos. Com inauguração prevista para o final do ano, ela terá 17 aerogeradores — gigantescos cataventos com altura entre 80 e 120 metros —, cada um capaz de produzir 1,65 MW de energia. Outro projeto será implantado no município de Arraial do Cabo, com 90 torres aerogeradoras. Os dois projetos somam 163 megawatts e custarão 430 milhões de dólares (cerca de R$ 690 milhões). “Com estes dois projetos, o Rio será o maior produtor de energia eólica do Sudeste. Não temos tanto vento quanto o Nordeste ou o Sul, mas temos um bom potencial a ser explorado”, garante o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno. Apostando na energia eólica, o Rio de Janeiro se coloca mais uma vez na vanguarda mundial, ao lado de países que já utilizam o vento em larga escala, como a Alemanha, Espanha e Estados Unidos, e se enquadra nas regras do Protocolo de Quioto, que estipula uma gradual diminuição na emissão de gases poluentes. Que bons ventos levem o estado, mais uma vez, um passo à frente. 31


Antonio Leudo

Capa

O doce e o amargo da cana

C

onhecida como terra do açúcar e do melado, Campos é o melhor retrato da agroindústria canavieira fluminense. Já teve 24 usinas moendo cana, numa época em que o produto movimentava a economia do país. O município chegou a deter o título de maior produtor mundial de açúcar. Mas décadas seguidas de poucos investimentos nas lavouras, preços em queda e eventuais caprichos da natureza — secas e enchentes — fizeram com que a produção despencasse. Restaram apenas cinco usinas. Se no começo do século passado Campos ajudava o Rio de Janeiro a deter o título de segundo maior produtor do Brasil, atualmente amarga a oitava posição. A repentina mudança de cenário, provocada pela produção cada vez maior de veículos bicombustíveis e a demanda mundial por etanol, é visto pelo setor como a tábua de salvação. A safra de 2008, que começou em abril, deve ser melhor do que a anterior. Pelas previsões da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), 4,2 milhões de toneladas de cana devem passar pelas moendas até o mês de outubro. Em 2007, quando as lavouras ficaram embaixo d’água por causa da enchente que atingiu a Planície Goitacá, foram moídas 3,8 milhões de toneladas. Para piorar, na safra passada o produto não teve bom preço e algumas 32

usinas atrasaram o pagamento aos Não sei fazer outra coisa. O pouco produtores, o que provocou um clima que ganhamos é o nosso ganha-pão de desânimo generalizado. para comprar comida para os bacuris Nos outros estados, onde predoADALTO SANTOS DA SILVA, bóia-fria minam os latifúndios, estas dificuldades seriam superadas com mais facilidade. Não no Rio de Janeiro, onde a 113 pequenos produtores. Em Carapebus, maioria da produção de cana está nas mãos que já chegou a ter 200 produtores e uma de pequenos proprietários de terra. “Isso usina, hoje em ruínas, a Secretaria Munié prejudicial porque, quando se tem um cipal de Agricultura firmou uma parceria grande produtor em crise, ele se recupera com a Federação de Agricultura do Estado na próxima safra. Mas o pequeno produtor do Rio de Janeiro (Faerj) e a Usina Santa não consegue fazer o mesmo, e se ele tiver Cruz, sediada em Campos, e ofereceu aos prejuízo não investirá na próxima safra”, 60 produtores de cana um curso de capacianalisa o presidente da Asflucan, Luiz tação de 16 horas/aula em preparo de solo e plantio. Além de aprender novas técnicas Eduardo Crespo. Neste caso, o poder público costuma para melhorar sua lavoura, os produtores dar uma mãozinha. A Secretaria de Agri- que participaram do curso ganharam mucultura de Campos, por exemplo, mantém das de uma cana de qualidade superior, que uma equipe técnica circulando pelos cana- poderá render uma produtividade de até 90 viais, fazendo o levantamento das peque- toneladas por hectare — a mesma obtida nas propriedades, avaliando as demandas e no estado de São Paulo e o dobro da média oferecendo as condições técnicas necessá- atual da Região Norte Fluminense. rias à melhoria da área. Também está sendo Preço é baixo estudada a possibilidade de se adquirir uma Investir em técnicas e plantas de melhor colheitadeira moderna de cana crua para qualidade ajuda, mas os produtores acham atender aos pequenos produtores. Municípios vizinhos seguem pelo mes- que uma questão é crucial para o setor: a mo caminho. Quissamã, onde funcionou o melhoria no preço da cana. “A crise no primeiro engenho central da América Lati- segmento canavieiro é uma questão sona, criou o Programa de Revitalização da cial”, pondera o presidente do Sindicato Lavoura Canavieira, dando apoio técnico a dos Produtores Rurais de Campos, José CIDADE, Junho de 2008


do Amaral. Em sua opinião, o governo federal deveria enxergar este segmento da economia com mais atenção. “O preço final da produção da indústria canavieira e sucroalcooleira desestimula produtores, usineiros e compradores. Com o atual valor do produto, tudo fica difícil”. Eduardo Crespo, da Asflucan, sugere que a Secretaria Estadual de Agricultura crie mecanismos que garantam um preço mínimo para o produto. “Sabemos como fazer isso, pois o Rio de Janeiro importa 90% do álcool que consome, praticamente todo vindo de São Paulo. Quando a distribuidora fornece o álcool, na nota fiscal vem uma alíquota de 12% de ICMS, e esses 12% que ficam no estado de São Paulo equivalem a R$ 15 por tonelada de cana. Nós temos capacidade para abastecer nosso estado. A nossa proposta é produzir todo o álcool para o Rio de Janeiro, e com esses 12%, que hoje ficam em São Paulo, criar um fundo para que, no caso de uma crise, possa ajudar o produtor”, opina.

Alheio a questões tributárias e sem entender muito bem que história é essa de demanda mundial de etanol, Adalto Santos da Silva também tem suas queixas. Para ele, pouco importa saber que a cana-de-açúcar é uma planta originária da Nova Guiné, que foi introduzida na América pelos prim Brasil cinco vezes mais do que as divisas proporcionadas por todos os outros produtos agrícolas destinados ao mercado externo. Aparentando ter muito mais do que seus 33 anos, Adalto trabalha de sol a sol como bóia-fria. De abril a setembro, ele vive em Campos. Quando a safra acaba no Norte Fluminense, volta para Pernambuco, seu estado natal, onde a moagem está começando. “Não sei fazer outra coisa. O pouco que ganhamos é o nosso ganha-pão para comprar comida para os bacuris”. Pai de quatro filhos, que moram no Nordeste, Adalto mostra as mãos calejadas, fruto de dez anos com a foice na mão, muitas e muitas horas de sol, calor, moradia ruim e alimentação precária no currículo. “Muitos já desistiram, mas é isso que eu sei fazer, né?” Tímido, sem querer mostrar o rosto, o trabalhador rural também fala de política, à sua forma. “O presidente Lula deveria olhar mais pelos trabalhadores da cana e por todo este setor. Somos responsáveis pelo crescimento deste Brasil”. CIDADE, Junho de 2008

33


PapiPress

Cabo Frio

OGIVA

Cinco andares Tomás Baggio

S

e depender da prefeitura de Cabo Frio, o pacato e organizado bairro da Ogiva vai mudar. Com projeto aprovado em regime de urgência na Câmara Municipal, e já sancionado pelo prefeito Marcos Mendes (PSDB), a área deverá receber edifícios de até cinco andares. O projeto, no entanto, não informa como será o impacto no trânsito e no esgoto, nem no fornecimento de água e luz para a população. O Ministério Público estadual também questiona os motivos alegados pelo prefeito ao pedir a aprovação da nova lei. O resultado viabilizará a construção do empreendimento Marina Cabo Frio, que deve ser implantado no local onde, atualmente, está a antiga salina Ypiranga. O pedido para a autorização do empreendimento foi feito ainda no governo anterior, na gestão do ex-prefeito Alair Corrêa (PMDB), através do empresário Lino Cotelo, diretor comercial da Erevan Engenharia. 34

A votação na Câmara Municipal uniu as bancadas do prefeito Marcos Mendes (oito vereadores) e do deputado estadual Alair Corrêa (dois vereadores). Apenas a bancada do PDT, com Jânio Mendes e Rute Schuindt, votou contra a proposta, alegando falta de tempo para análise. O projeto foi encaminhado pelo prefeito e votado pelos vereadores em um só dia. O empresário Peter Dan, que mora na Ogiva, ficou surpreso com a mudança do gabarito no bairro. Segundo ele, faltou planejamento na elaboração do projeto. “Estão tirando a qualidade de vida que o bairro oferece para tentar provocar um crescimento econômico acelerado. E isso não vai acontecer porque o que vão fazer aqui é um residencial populista, um tipo de edificação que só traz veranistas e não moradores”, opinou Peter Dan. Para ele, os impactos de empreendimentos dessa envergaduras serão negativos. “Me preocupa muito o crescimento do tráfego, que atualmente já não suporta CIDADE, Junho de 2008

Bairro com ruas pequenas e casas baixas vai mudar de perfil

o movimento. Sem falar em água, luz, esgoto... Nada disso foi planejado. Como morador do bairro, eu gostaria de discutir esse assunto em alguma audiência pública”, alegou o empresário. No pedido de aprovação, o prefeito Marcos Mendes disse que a mudança no gabarito teria sido discutida em uma audiência pública no ano passado e que, por conta disso, haveria licença da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) para a implatação das novas regras. Convocado pelo vereador Jânio Mendes, o promotor de Justiça Murilo Bustamente foi à sessão legislativa e enviou documento aos vereadores contestando a versão do prefeito. “A audiência pública e a licença da Feema autorizam empreendimentos que tenham o térreo e mais dois andares. O projeto enviado pelo prefeito eleva para um total de cinco andares, o que não existe naquele lado do Canal Itajuru. É uma mudança drástica para ser apreciada em regime de urgência”, considerou Bustamante.


SALINA YPIRANGA Área foi liberada para prédios de cinco andares

CIDADE, Junho de 2008

PETER DAN, morador

Como morador do bairro, eu gostaria de discutir esse assunto em alguma audiência pública Cesar Valente

O líder do governo, vereador Alfredo Gonçalves (PPS), disse que a análise técnica tem que ser feita pela prefeitura. “Aprovamos um pedido do prefeito. Eu não sou técnico, mas confio no parecer técnico da prefeitura. Se alguma coisa estiver errada e prejudicar a população, eu faço uma emenda e a gente refaz o que foi feito”, garantiu Gonçalves. A secretária de Planejamento da prefeitura, arquiteta Rosane Vargas, não falou sobre o assunto. A voz na prefeitura a favor do projeto é do secretário de Governo, Carlos Victor Mendes. “O governo está aberto a qualquer investidor que queira investir na cidade, ajudando a economia, o comércio e a construção civil. Podemos e vamos beneficiar esses empresários, dentro da legalidade, é claro. Neste caso, o empresário nos procurou e nós encaminhamos o projeto”, declarou Carlos Victor.

Arquitetos e Engenheiros da Região dos Lagos (Asaerla), Luciano Silveira, o projeto de construir prédios de cinco andares na Ogiva não é problema. “A Asaerla não é contra o projeto Marina Cabo Frio. Mas é contra a forma como foi feita a mudança. Na nossa opinião, é preciso discutir o zoneamento e o gabarito de toda a cidade, e não de um lugar aqui, outro ali, só quando interessa. Temos que discutir as leis complementares, que estão antigas. O Código de Obras, por exemplo, é da década de 70”, declarou o presidente da Asaerla.

Arquivo

“Aprovamos um pedido do prefeito”

Ele alegou que o pedido de urgência feito pelo Executivo era necessário para “agilizar o processo”. “Pedimos a agilização do processo para acelerar o andamento com as licenças, para que o empresário dê continuidade às análises. Ele ainda terá que conseguir todas as licenças ambientais e fazer novas audiências públicas. Ao final, o projeto da construção será analisado pelo Conselho Municipal do Plano Diretor, que vai decidir se pode ou se não pode construir”, completou o secretário de Governo da prefeitura cabo-friense. Antes mesmo de ter sancionado o projeto, o prefeito Marcos Mendes recebeu notificação do Ministério Público sobre as etapas necessárias para colocar o projeto em votação. “Demos ciência ao prefeito de que ele deveria ter submetido ao Conselho do Plano Diretor antes de enviar o projeto à Câmara. Na falta do Conselho, deveria ter submetido a algum colegiado, equipe técnica ou audiência pública. O projeto precisa ter algum tipo de participação democrática”, explicou o promotor Murilo Bustamante, acrescentando: “toda lei, para ser modificada, deve seguir um rito, um trâmite legal. Se não seguir todas as etapas, a mudança na lei pode ser questionada. Quanto ao empreendimento, só poderá ser impugnado quando houver a licença para construção”. Para o presidente da Associação dos PapiPress

Para o vereador Jânio Mendes, líder da oposição na Câmara, o projeto foi aprovado “ao apagar das luzes”. “Temos que desconfiar desses projetos que são enviados ao apagar das luzes. A população precisa dizer se quer prédios de cinco andares na Gamboa. Não existe estudos de impacto e foi aprovado em um dia só. Uma atitude totalmente irresponsável”, afirmou Jânio.

CARLOS VICTOR MENDES, secretário de Governo

MURILO BUSTAMANTE, Promotor de Justiça

Pedimos a agilização do processo para acelerar o andamento com as licenças

É uma mudança drástica para ser apreciada em regime de urgência 35


Cultura

CABO FRIO VAI AO TEATRO Tomás Baggio Fotos Mariana Ricci

C

om programação variada para agradar todas as tribos, o teatro está se fixando como opção de lazer para moradores e visitantes de Cabo Frio. Nos últimos meses, espetáculos estão lotando o Teatro Municipal até mesmo nos dias de semana, fato que surpreende e empolga os artístas locais. Único espaço de médio porte da cidade (não existe um de grande porte), o local

Pretas Por Ter

36

também recebe eventos de música e dança, além de palestras, seminários e recepções organizadas pela prefeitura. Em 2007, o Teatro Municipal recebeu público superior a 25 mil pessoas nos espetáculos, entre ingressos comprados (19.874) e cortesias distribuidas (5.828). Segundo o diretor da casa, o ator Guilherme Guaral (Foto de “Eu Lírico”), a freqüência chegou a uma média de 5 mil pessoas por mês no ano passado, contando com os eventos que não cobram entrada. “Atualmente, o Teatro é o espaço cultural mais importante da cidade.É usado para tudo, e isso não incomoda. Levantamos

Os Intrusos

CIDADE, Junho de 2008


Bons espetáculos provocam filas inéditas no Teatro de Cabo Frio

a bandeira da diversidade cultural e decidimos abrir espaço para todos”, afirma Guaral. “Fazemos uma enorme ginástica para atender todo mundo. Para se ter uma idéia um espetáculo como o P.I. (Palavras Improvisadas) foi feito na segunda e na terça-feira e foi um sucesso”, completa ele. O público diz que está sentindo a diferença. Para o mergulhador Paulo Grilo, que tem casa há 20 anos em Cabo Frio e mora na cidade há dois, a qualidade dos espetáculos melhorou muito. Antes eu não me interessava muito, mas agora venho sempre ao Teatro. Às vezes eu chego do Rio, onde trabalho, tomo um banho e corro para o Teatro. É uma prova de que, se trouxerem coisas boas, a gente vem assistir”, contou ele. A estudante Bárbara Moraes, de 16 anos, é outra freqüentadora assídua. Para ela, os preços também estão mais acessíveis.

“Venho sempre que há peças interessantes. Acho que a produção dos grupos locais está melhorando muito e os preços estão bem melhores. Isso traz mais gente ao teatro”, acredita ela.

Artístas locais aproveitam a boa fase Para quem faz teatro, a mudança é bem-vinda. A atriz Carol Barros (Foto de “Os Intrusos”), da “Intrusos Companhia Teatral”, diz que aprova a nova fase cultural da cidade. No entanto, ela cobra apoio do público às produções locais. “A grade do teatro está super movimentada e isso é bom. O que a gente precisa, agora, é conscientizar o público a prestigiar as nossas produções. A região é muito rica, tem diversos grupos de teatro, a população deve conhecer melhor e prestigiar esses espetáculos”, opinou Carol. Já o experiente ator Alberto Damit (Foto de “Pretas por Ter”),

P.I. Palavras Improvisadas

Eu Lírico

Projeto 4x4 CIDADE, Junho de 2008

37


Teatro lotado no workshop de bateria

da “Companhia Baiana de Risos”, afirma que a nova fase é fruto do trabalho da classe artística da região. “Quando a gente chega numa cidade e encontra uma boa aceitação, é porque há grupos locais pensando e fazendo a arte no dia-a-dia. Cabo Frio é uma das únicas cidades do Estado em que você chega e encontra a imprensa de portas abertas para o teatro”, considera ele, acrescentando que “falta apoio do poder público”. “O espaço físico deixa um pouco a desejar. Falta um camarim mais confortável, uma estrutura de palco melhor e profissionais qualificados para mantar a estrutura”, completou Damit. O produtor Pablo Alvarez, da PF Produção Cultural, diz que a classe artística de Cabo Frio precisa se profissionalizar. “Muitas vezes o artísta quer fazer tudo porque acha que vai economizar. Só que atuar é uma coisa e produzir é outra. Eu e (Gerson) Farofa fomos os primeiros a fazer produção profissional de teatro em Cabo Frio e não nos arrependemos. Hoje a maioria das produções é de teatro”.

Teatro ganha as ruas de Cabo Frio

38

Teatro de rua também ferve Nem só no Teatro Municipal está a produção artística cabo-friense. Desde o começo do ano, a “Trupe Andarilhos Companhia de Teatro” vai às ruas apresentar o espetáculo “Não Fui Eu”. Segundo o ator e diretor Fábio de Freitas, a receptividade do público é “fantástica”. “É muito bom trabalhar na rua, porque, além das pessoas comparecem pela divulgação, tem aquelas que estão passando, indo trabalhar ou estudar, e também param pra ver. Sem contar que a função política e social do teatro fica muito mais latente quando estamos na rua”, acredita. Para Fábio, as empresas que apoiam o teatro têm muito a ganhar. “No final da peça a gente passa o chapéu mas só bota dinheiro quem quer. Por isso, quando vamos pra rua, já temos parcerias suficientes para sustentar o grupo. Para as empresas também é bom apoiar, porque o nome delas fica ligado à cultura”. CIDADE, Junho de 2008


Tatiana Grynberg

Gente

Workshow Foi no dia 15 de maio, no palco do Teatro Municipal, o workshow de Aquiles Priester, considerado o melhor baterista de rock do Brasil e um dos melhores do mundo. O instrumentista trouxe para Cabo Frio o trabalho já apresentado em várias cidades do Brasil e do exterior, onde fala sobre técnicas e equipamentos, e de sua experiência como músico. No show, o artista foi acompanhado por bases pré-gravadas.

Divulgação

Revelação A cabo-friense Camila Ramos de Souza Silva, 11 anos, só queria aprender a tocar violão para agradar a mãe, que sempre sonhou em vê-la cantando e tocando o instrumento. Assim, conheceu o maestro Ângelo Budega. A voz de Camila acabou impressionando mais o mestre, que seu desejo de aprender a tocar violão. Segundo Budega, Camila já nasceu pronta. “Ela tem uma interpretação brilhante e um timbre harmônico muito bonito”, afirma. O sucesso chegou rápido. Apenas um mês depois do início das aulas, já participou das comerações dos 130 anos de seresta em Conservatória, no final de maio. Em sua curta carreira, já teve a oportunidade de cantar para o pai do Governador Sergio Cabral, no Teatro Municipal de Cabo Frio. “Fiquei só um pouquinho nervosa”, diz. Quanto ao violão, “estou aprendendo”, afirma, mas seu professor adianta: “é melhor cantora que musicista”.

PapiPress

Cabelo & Arte Na sala 101 do Casa Grande, no bairro do Portinho, uma idéia diferente está fazendo a cabeça dos frequentadores do Salão By Hausser. Fernando Hausser resolveu aliar a sua arte de cabelereiro às artes plásticas. Transformou seu salão em espaço de exposição para objetos e quadros. Atualmente, estão expostos os trabalhos da artista plástica Nathalie Borges, que usa papel reciclado e marché para confeccionar móbilies, biombos, oratórios e outros objetos e de Aguinaldo Goes, que espõe seus trabalhos em bambu. Vale a pena conferir!


Cinema

A Coruja Falou?! Filme desenvolvido em Búzios protesta indiretamente contra a destruição das últimas dunas intocadas da Região dos Lagos Pedro Duarte Barros 40

CIDADE, Junho de 2008


Roteiro “hollywoodiano” vira obra original Em conversa com Bo Montenegro, que recebeu a reportagem da Revista CIDADE em sua casa e sede do estúdio “Buzioswood”, em Manguinhos, o cineasta e principal precursor da arte centenária no balneário, contou detalhes sobre o processo de criação, desenvolvimento e conclusão

Jovens atores em ação. Filmagens e edição ficaram por conta da Filmers9900

CORUJA BURAQUEIRA

Uma das inspirações para o curta CIDADE, Junho de 2008

Pedro Barros

O

curta-metragem “A Coruja falou?!”, escrito, dirigido e fotografado no ano passado, em Búzios, pelo cineasta Bo Montenegro, vem emocionando e despertando o senso crítico entre platéias por onde é exibido, já tendo previsão de integrar grandes festivais nacionais e internacionais. Além de muito capricho na produção cênica, a obra, com 30 minutos de duração, possui trilha sonora original e um roteiro envolvente, que trás à tona uma questão muito discutida na Região do Lagos: a ocupação de áreas de dunas para a construção de ambiciosos empreendimentos. Gravado em Tucuns, praia onde está sendo construído o Club Breezes – obra embargada recentemente, o filme narra a aventura de um grupo de amigos, constituído por adolescentes e crianças, que, durante um passeio, encontra uma caixa com escrituras e documentos antigos, enterrada sob as areias de um dos tantos montes de vasto campo de dunas. O material, outrora ali escondido pelo falecido proprietário, garante a posse legal de uma enorme área, até então preservada, lar de espécies únicas, como a coruja Buraqueira, animal nativo que acabou sendo uma das inspirações do autor. Medindo cerca de um palmo, a ave é nativa do local das filmagens e grande motivo de preocupação entre ambientalistas, que temem sua extinção devido à destruição de seu habitat natural.

BO MONTENEGRO

Se você é uma pessoa que participa e está antenada aos temas atuais, você gosta e aprova de seu último Projeto, e falou dos planos e metas em relação ao destino da visionária criação. Bo explicou que sempre escolhe um filme “base/tema” em seus cursos e, neste caso, o modelo escolhido foi o americano ‘The Goonies’. “Na época eu estava formando uma turma infantil e não há nada melhor do que ter como parâmetro um filme de sucesso, que todo mundo gosta”, lembrou. Produzido por Steven Spielberg, no fim da década de 80, o modelo retrata a trajetória de um grupo de crianças que resolve encontrar o esconderijo de um antigo tesouro enterrado, cobiçado por temerosos bandidos. No entanto, os planos mudaram quando, após os primeiros ensaios, o professor se deu conta de que seria melhor trabalhar com um roteiro original, que refletisse uma mensagem mais profunda e próxima da realidade. “Nós pudemos trabalhar com as crianças, com os adolescentes e seus pais; e isso foi ótimo porque houve uma harmonia muito grande. Depois de treinar algumas cenas, reunimos o elenco e decidimos começar a adaptar o “Goonies” para um exercício de cinema, que seria baseado no próprio filme. Foi aí que eu parei e pensei: vai me consumir um tempo e vai ter um custo que é mais negócio fazer um roteiro. E foi desse roteiro que saiu “A Coruja” - disse, frisando que “ela não tem nada a 41


DUNAS DE TUCUNS

Cinema

Pedro Duarte

Habitat da Coruja Buraqueira e cenário das filmagens

ver com o ‘Goonies’. A semelhança está na relação confrontante das crianças com os posseiros e empresários”.

“Encantamentos” e patrocínios Durante as gravações, que duraram quase 20 dias em um ambiente isolado, Bo conta que foi necessário trabalho de equipe e muita concentração, assim como a ajuda especial do Pagé Tony Paixão, indígena que cedeu composições para a trilha sonora e fez “encantamentos”, que atraíram a atenção das curiosas corujas, com técnicas aprendidas em sua tribo. O apoio e investimento de empresas privadas estabelecidas em Búzios também foram primordiais para viabilizar os custos. “Tive a sorte de ter uma trilha sonora muito boa. Não foi feita para o filme, mas o Tony cedeu na mesma hora que eu pedi e ainda foi lá nos ajudar a atrair as corujas. A música foi importante para estimular os atores e a produção, que logo entraram no clima. Outra importante contribuição foi o apoio das empresas, entre elas as escolas Instituto Santa Rosa (ISR) e Canto dos Pássaros, Restaurante do David, Gráfica Matriz, Posto “Esso Búzios”, Vimolagos, Academia do Hotel Pérola, Pousada Axé e Farmácia Gardênia e do nosso produtor, Guilherme Azevedo”, destaca.

Preservação é a inspiração O diretor, que passou mais de 20 anos estudando e exercendo a profissão na capital mundial do Cinema, confessou que se sentiu sensibilizado pela vertente de idéias que defende a preservação das áreas verdes e espécies nativas presentes não só em Búzios, mas em toda a Região dos Lagos. Segundo ele, este foi o motivo para ter delineado em seu “script” uma situação parecida com a realidade existente neste trecho da costa carioca. “Naquele ano, começou a história dos super-empreendimentos e um aumento da degeneração do ecossistema, que é muito frágil. Vendo isso tudo, achei que seria interessante, não colocando o foco em Búzios, mas, de maneira geral, em toda a Região dos Lagos, onde todo mundo conhece o que está acontecendo. Ou seja, os posseiros vendem suas terras para gente de alto 42

poder aquisitivo, que pretende desenvolver projetos de habitação, e o meio ambiente sofre muito com isso”, acusa. Após as primeiras aparições, em sessões pequenas e gradativamente maiores, “A Coruja Falou?!” foi motivo de elogios e aplausos e também críticas. “A reação do público foi altamente positiva. Se você é político ou tem algum envolvimento neste quadro, você vai falar mal e vai ser contra. Mas se você é uma pessoa que participa e está antenada aos temas atuais, você gosta e aprova. Porque a história está muito bem contada. Ela é a realidade. Então, tem um apelo muito grande, é o momento certo para ela e serve de alerta, que, apesar de leve, não deixa de tocar em questões fundamentais”, define Montenegro. A produção e o elenco, formado por muitos “marinheiros de primeira viagem”, se surpreenderam com o resultado final, divulgado pela primeira vez em outubro de 2007. “Nós tínhamos a idéia de que o que tínhamos feito era uma coisa muito boa. Nas primeiras vezes que vimos, a reação da produção e a minha foi: “uau!” Muito legal! Aí fomos fazendo sessões... E a vez que mais me emocionou foi a noite de apresentação do Projeto, onde estiveram presentes pais, amigos e todos que ajudaram na empreitada. E no dia seguinte, ler as palavras no Jornal Primeira Hora: “Um CIDADE, Junho de 2008

hino de amor a Búzios”, em uma manchete, me tocou muito. Porque o que fizemos acaba sendo uma declaração de amor. Pois você descobre, através de um roteiro competente, atores bem treinados, fotografia envolvente e trilha sonora magistral, um lado deslumbrante de Búzios que muita gente não conhece. E o filme terá uma trajetória em função disso”, declara.

Tudo pronto para percorrer o Brasil e o Mundo Sonhos e expectativas não faltam quanto ao futuro da “Coruja buziana”. Ainda neste ano, a produção tem presença marcada nos maiores eventos do gênero no Brasil, como o Festival de Cinema do Rio e São Paulo, além do Festival de Curtametragens de Cabo Frio. No ano que vem, seu vôo é mais alto: há a possibilidade da obra despontar na Europa e, em seguida, nos Estados Unidos. “Os grandes Festivais nacionais, deste ano, qualificam o filme para o ClaremountFerrant e o de Lyon, na França, e o de Dussedorff, na Alemanha, ambos no ano que vem. Se tudo der certo, eles podem levar o filme para um tour no Cinema americano. Pretendemos colocá-lo em Festivais infantis, ecológicos, de Meio Ambiente e aventura... Ou seja, jogar no ventilador passando por esses maiores”, revela.


10 PERGUNTAS

Eisenhower Mariano A carência de ensino, habitação, saúde, transporte público são espécies de violências que produzem outras violências EISENHOWER MARIANO Presidente da OAB/Cabo Frio Tatiana Grynberg

Niete Martinez

1 - Qual o objetivo da Campanha Brasil contra a Violência, lançado pela OAB, e quais as ações programadas para a Região dos Lagos? Certamente que a Campanha Brasil contra a Violência tem como objetivo a deflagração de uma luta árdua e incondicionada contra todos os tipos de violências perpetradas contra as pessoas, o patrimônio público, o ambiente e os padrões éticos e morais brasileiros. E conta com o apoio e a participação de entidades ou instituições como a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a AJUFE (Associação dos Juízes Federais do Brasil), todas de renome nacional e internacional, sempre à postos nos momentos críticos e comprometidas nos grandes eventos econômicos, políticos e sociais.

da sociedade, nisso incluída a prática da otimização ambiental do local de trabalho e remuneratória dos professores, bem como do pessoal de apoio, FOTO CABO FRIOvalendo destacar a importância do ensino técnico ou profiTROFEUS ssionalizante. Habitação, trabalho, segurança, esportes e entretenimento. 3 - A polícia está preparada para lidar com o aumento da violência, que chega até nós vinda dos grandes centros? A polícia brasileira já está entre as melhores. É indispensável que o Estado (União, Estados e Municípios) investa pesadamente na preparação do efetivo, propiciando a capacitação técnica, filosófica e de escolaridade dos servidores, em todos os níveis funcionais. Equipamentos novos e modernos, viaturas e armamentos adequados, com certeza evitaram a perda de competitividade com os agentes do crime. Mas tudo isso, ao que parece, já começa a acontecer, o que é esperançoso. 4 - A violência pode ser contida apenas com ações policiais? Existe alguma ação educativa em curso, com o objetivo de diminuir o problema? “Violência gera violência”, é um dito popular e que assusta. A truculência e a “pirotécnia” pouco ou nada contribuem para a contenção, mas cria revoltas que acabam gerando outras violências.

2 - Em sua opinião, quais são os pontos mais problemáticos para o combate à violência em nossa região? O primeiro deles a merecer pronto e eficaz enfrentamento são os que cinicamente exploram o crime e, sobremodo, os que lucram com a criminalidade. Isso é lamentável. Outro ponto é o que sugere e recomenda a melhor distribuição das riquezas. É necessário adotar políticas públicas voltadas para a melhoria do ensino, notadamente o do ensino público que acolhe a parcela menos favorecida

5 - Quando se fala em violência, a tendência é achar que apenas a violência física deve ser reprimida. E quanto aos demais tipos de violência, como por exemplo a discriminação, eles também CIDADE, Junho de 2008

43


estão sendo abordados na campanha? Com certeza, essa campanha pretende enfrentar todos os tipos de violências, como é o caso da discriminação racial, social, econômica e financeira, de preferências e práticas sexuais, a própria truculência dos agentes e servidores públicos, a exploração de pessoas, a degradação ambiental, o trabalho escravo que persiste e muitos outros. A carência de ensino, habitação, saúde, transporte público são espécies de violências que produzem outras violências. 6 - Existem dados a respeito da violência doméstica contra mulheres e crianças em nossa região? Como o assunto tem sido tratado na Região dos Lagos? As estatísticas policiais, ao nosso ver, são precárias e maquiadas. Mas com toda a certeza, os quantitativos dessas violências contra as mulheres e crianças são potencialmente superiores aos revelados e que destinam-se mais a atender interesses dos governantes. A nossa Vigésima Subseção da OABRJ tem sua atuante CPMA (Comissão

44

Permanente da Mulher Advogada) e que se dedica à defesa das mulheres vítimas de violência doméstica, funcionando à partir da segunda-feira, tanto porque essas violências ocorrem normalmente nos finais de semana, como porque o tempo decorrido se encarrega de arrefecer os ânimos, promovendo a acomodação e o perdão. Já no que diz respeito à criança e ao adolescente, recentemente os casos submetidos à nossa Subseção eram 50% superior aos noticiados pela mídia local. E tomamos conhecimento de muitos outros casos que sequer foram levados ao registro policial, isso por motivos absolutamente inaceitáveis. 7 - Recentemente, casos de assassinatos de homossexuais e também de abuso sexual contra crianças estiveram presentes no noticiário de Cabo Frio. Como o senhor vê essas questões? São casos isolados ou esse tipo de violência já é rotina na região? Temos informações preocupantes. Não são casos isolados. Nem tão simplórios assim como pretendem alguns.

CIDADE, Junho de 2008

Felizmente a grande mídia nacional, ao que se diz, está investindo pesado, inclusive no que diz respeito às pesquisas na região. 8 - O trânsito de Cabo Frio já pode ser considerado um gerador de violência? Sim. É um deles, e cresce a cada dia. 9 - Como o senhor vê ações como as do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Representam uma solução para diminuir a violência? Pode ser. Desde que a sua implementação seja coberta por ações sérias e transparentes. O objetivo é, a toda evidência, o melhor. Demoramos muito e permitimos os avanços dessas violências e criminalidades. 10 - Dentre as cidades da Região dos Lagos, qual a mais violenta? Todas padecem dos efeitos dessa violência, mas Cabo Frio, por ser a maior e onde se concentram os meios de comunicação, acaba revelando essa maior incidência.


Artigo

O teu escândalo por uma manchete!

Octávio Perelló

O

s grandes veículos de comunicação, concentrados nas capitais, freqüentemente demonstram um único interesse jornalístico pelo interior: o escândalo. Sobretudo no eixo Rio - São Paulo, onde estão praticamente os maiores conglomerados. Porém, o setor comercial da grande imprensa tem produtos ocasionais de marketing, projetos editoriais tais como os cadernos de inverno para a região serrana e os cadernos de verão para o litoral, que estampam atrativos turísticos dos municípios, a preços que justamente fortaleceriam comercialmente bravos veículos regionais. Cabe a estes a cobertura do dia-a-dia, com o acompanhamento dos demais acontecimentos que tocam a vida da população que, além de seus prefeitos e vereadores, ajuda a eleger aqueles que sentam no Palácio Guanabara e na Assembléia Legislativa a cada quatro anos. Com as devidas proporções estabelecidas, o jornalismo feito atualmente no interior do Estado do Rio dispõe de ferramentas e profissionais equiparáveis aos das grandes capitais. Porém, fora do grande mercado, patina para se viabilizar. Raros têm sido os exemplos de atividade ininterrupta. Muitos são os

casos em que a viabilidade financeira é determinante na linha editorial, o que, diga-se de passagem, não é “privilégio” da imprensa do interior. A verba oficial dos governos para a publicidade e a comunicação social é disputada aqui e ali. Os mais independentes têm de trabalhar com esforço de conquistar anunciantes de atividades privadas. De maneira geral, no interior do Estado o mercado é aviltado. Os caminhos a serem traçados e as estratégias a serem adotadas para o fortalecimento da atividade jornalística como mercado são perspectivas que se desenham lentamente. Muito mais impulsionadas pela prática – o que não é raro – do que pela tímida expansão dos cursos de comunicação social. Neste contexto, merece registro a atenção que o tema vem recebendo da editoria do Jornal da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. As mais diferentes opiniões, aspectos positivos e negativos, convergentes e divergentes trazem à luz a realidade de uma pequena imprensa que sempre assiste e acompanha o surgimento de fatos que os grandes veículos correm para cobrir quando espocam escândalos. Lidar com o encontro e desencontro de interesses, e ser instrumento de participação direta na vida da população são desafios universais do jornalismo. O mais recomendado seria a grande imprensa e a regional interagirem para gerar maior cobertura e melhor informação: ampliar o interesse da grande imprensa, de forma continuada, para focos de desenvolvimento e demandas sociais fora da capital, e repercutir soluções, muito mais do que o teu escândalo por uma manchete. Com as ferramentas atuais, o caminho é curto e a conexão veloz. São conquistas que terão de ser almejadas para a implantação definitiva de um mercado. Bravos veículos impressos, ainda que muito poucos, têm mostrado a musculatura mais exercitada para a longa jornada, e exibir o devido preparo ao exercer a comunicação social é o que pode determinar um mercado respeitado. Octávio Perelló é jornalista

CIDADE, Junho de 2008

45


Ponto de Vista

Ah, esse cara tem nos consumido Ernesto Lindgren

L

ula acoberta deficiências e limitações e o jeito é ridicularizar os disparates. Foi assim no caso dos preços dos alimentos. Contrariando a ONU, afirmou que os pobres no mundo estão comendo mais. Foi assim sobre o preço da gasolina, incitando os motoristas a denunciarem o aumento. Alheio às gafes atacou a recomendação da ONU de suspender a produção de biocombustíveis, mas visando o alvo errado, os membros do G8. Demagogicamente os critica sobre o álcool, pretendendo ignorar que, por exemplo, nos Estados Unidos não há monopólio estatal. Falta-lhe leitura e talvez não saiba mesmo. O governo não pode impedir que o setor privado use milho, abacaxi ou alho, sendo deste a decisão de comprar nosso álcool ou não. Mistura com a questão dos subsídios, reagindo como o cão latindo embaixo da árvore onde o gato não está. Os Estados Unidos cresceram 0,6% no primeiro trimestre, o dobro do que havia sido previsto para o ano inteiro. O Fed reduziu os juros para 2% alavancando o mercado interno, desvaloriza o dólar para exportar mais e compensar o aumento do preço do petróleo. Promovem uma chacoalhada transformando o mundo num depósito de dólares desvalorizados e que usam para pagar aos bancos estrangeiros o prejuízo de um trilhão de dólares causado pela farra no setor imobiliário. O que compram gera no país de origem uma receita menor. Para o nosso caso, em outubro de 2007, 100 dólares de produtos renderam 200 reais. Em abril deste ano, 165. As reservas internacionais eram de USD165 bilhões em outubro de 2007 e valiam R$330 bilhões. Em abril eram de USD197 bilhões e valiam R$327 bilhões.

46

Lula bate palmas e diz ter a sorte de ser presidente no que chama de “momento mágico”, a promoção do Brasil como país seguro para investimentos. “Confesso que jamais imaginei que pudesse chegar o dia em que os brasileiros passassem a ter preocupação com o ingresso de dólar”, declarou. Só alguém muito tacanho celebra o que acontece: pressiona a desvalorização, os produtos ficam mais caros, exportamos menos, importamos mais, dificulta o pagamento de empréstimo feito em

dólares com cotação pré-fixada. Qual a saída senão aumentar os preços no mercado interno? Teve sorte, sim, sendo eleito para o período de consecução das políticas do governo de FHC, mas deixou a peteca cair não conservando e expandindo as infra-estruturas implantas entre 1995 e 2002. Sujeito à mentalidade estatizante da esquerda se tivesse sido eleito em 1994, o provedor de Internet seria estatal. Teve sorte, sim, não constando da lista dos 40 ladrões, amigos seus, em julgamento no STF. A lista aumenta a cada dia. Até o momento nenhuma crise grave exigiu sua participação. A questão é: se uma ocorrer que recurso próprio usará para decidir? Oremos. ERNESTO LINDGREN é sociólogo

CIDADE, Junho de 2008


Livros

Octávio Perelló O olhar do instante eterno

O que há de valor estético em cada aspecto da natureza, que os efeitos da destruição não apagaram de nossa memória? O que vemos além do caráter econômico dos recursos naturais? O que cabe no instante da visão, da captação de uma imagem, nem sempre está completo. Um olhar ecológico (Uape, 2008, 120 páginas) propõe o ângulo da beleza que deixamos de reparar. Reunindo as obras de Franz Krajcberg, Burle Marx, Vera Patury e o patrimônio ambiental do Jardim Botânico e da Floresta da Tijuca como exemplos de reverência e respeito à natureza, o livro nos conduz a múltiplas reflexões sobre a ecologia e as artes. A visão ecológica precursora de D. João VI e D. Pedro II, que há dois séculos implantaria na cidade do Rio de Janeiro duas grandes áreas de preservação, é abordada nessa obra que tem na foto de capa de Rafael Wallace a mais perfeita tradução de seu conceito.

LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS Crime ecológico na Região dos Lagos? Os problemas sócio-ambientais que afligem as comunidades de pescadores da Lagoa de Araruama dão o mote do romance Morte na Região dos Lagos (Revan, 2003, 256 páginas). Trata-se do último livro da trilogia de suspense forense de Wilson Saad, no qual o autor entremeou personagens fictícios com seus conflitos de sentimentos. A narrativa é instigante – coisa rara em literatura que aborda a realidade –, oferecendo ao leitor um grito de inconformismo permeado de uma bela história de amor.

Manoel de Barros para o público infantil Sobre Manoel de Barros não há o que duvidar: é um dos poetas mais interessantes que surgiram nos últimos tempos. Poeminha em língua de brincar (Record, 2007, 16 páginas) é mais uma prova do valor de sua poesia telúrica e transcendente. Neste livro o poeta pantaneiro se une à sua filha Martha Barros, que transforma seus versos em imagens, e aproxima sua poesia do público infantil. Trata-se de uma imperdível oportunidade de apresentar às crianças a obra originalíssima de um dos mais importantes poetas da literatura brasileira contemporânea.

CIDADE, CIDADE, Junho Maio de de 2008 2008

As pérolas de Stanislaw Não dá para esquecer da grandeza de Stanislaw Ponte Preta. Uma de suas obras marcantes é Rosamundo e os outros (Agir, 2008, 224 páginas), que encerra a trilogia escrita pelo autor para apresentar a sua fictícia e ilustre família, que inclui a inenarrável Tia Zulmira, já abordada nesta coluna. Rosamundo é o primo de coração bondoso, mas também o mais distraído ser da face da terra, que somente aos dez meses se lembrou de nascer. Vale ler as situações hilariantes criadas por Stanislaw para esta criatura que marcou gerações que fizeram do humor a arma mais letal contra os generais de casaca.

47


As infras

Armação dos Búzios

Divulgação

Chico Sales Ernesto Galiotto

OPINIÃO

A

s infras são muitas, e delas o saneamento básico é líder absoluto junto com o tratamento do lixo, até mesmo porque, envolvem a saúde, não só a nossa, como do próprio planeta. Água, sua distribuição, qualidade e monitoramento, também envolvem a saúde. E, se tem água, tem esgoto. Energia, luz e força, são fundamentais se um município quer se desenvolver e ter melhor qualidade de vida. Quando a energia é boa e estável, a geladeira, o freezer, eles não desligam, não se perde a mercadoria. Lâmpadas e aparelhos não queimam, o ar condicionado funciona e o chuveiro também. Aí, os hospedes ficam satisfeitos e voltam. Telefonia e competentes sistemas de comunicação, precisamos sim. Transporte é outro ponto, e se falamos do transporte temos as ruas, calçadas, a sinalização, numeração... Aí o carteiro chega. Uma maravilha! Falando das ruas, me lembrei, já ia até esquecendo das águas pluviais, aquelas que caem do céu, e que quando cai muito, precisam de um bom sistema de drenagem, senão invadem cisternas, casas, alagam as ruas, param o trânsito, saturam as fossas, sumidouros, comprometem todo o sistema de saneamento. Voltamos ao início. Água, saneamento básico, águas pluviais e lixo são prioridades zero. Esse negócio das ruas, quando alagam, ficarem cheias de barro é porque as águas desceram dos morros, desmatados, e não tiveram para onde ir. Os caminhos naturais para as bacias foram interrompidos, impedidos, desviados, e as águas que acabam indo para o mar, vão poluídas. Caso fôssemos não só burros, como insanos, poderíamos concluir que a chuva é a grande culpada pelos problemas mais sérios da tal de infraestrutura do município, coisa dos céus, não da burrice dos homens... Poderíamos ainda colocar que o sistema municipal de saúde, educação e segurança, dentro de sua competência, 48

fazem parte da infra-estrutura de um município. Até este ponto estamos falando dos problemas de infra-estrutura que conhecemos, com os quais topamos todos os dias, problemas reais, físicos que, digase de passagem, não é privilegio só da nossa terra. Mas tem mais, tem outra infra-estrutura necessária e fundamental para o bom funcionamento de um município. A própria administração municipal e seu modelo de gestão, e aí vamos estar falando de eficiência e comprometimento, de saber e capacitação, de um outro tipo de infra-estrutura que estamos carentes. Este outro tipo de infra de que agora falamos, é a que possibilita, dá suporte a que uma ação planejada seja bem executada. Para que as ações, no nível de administração municipal, sejam competentes é necessário uma outra certa infra-estrutura. A infra-estrutura para as ações, o que faz com que uma ação possa dar certo. Essa outra infra a que me refiro tem nome, chama-se planejamento. Pois é, não bastasse todos os problemas com as outras infras, em Búzios temos seríssimos problemas com essa tal infra de planejamento. E aí os problemas com todas as outras infras se tornam praticamente insuperáveis, não fossem as chuvas as culpadas, coisa lá dos céus, que quando caem molham tudo, inclusive, infelizmente... alguns cérebros... Chico Sales Chico Sales é arquiteto, foi diretor executivo do Plano Estratégico de Búzios e consultor pela FGV na elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável. chicoapa@terra.com.br

CIDADE, Junho de 2008

Cabo-friense é campeão Brasileiro de Jiu-Jitsu No sábado, dia 11 de maio, o atleta cabofriense Renato Gomes de Melo Junior, aos 41 anos, sagrou-se Tetracampeão Brasileiro de Jiu-Jitsu, ao derrotar com facilidade seu adversário em apenas um minuto e 40 segundos. Os últimos campeonatos brasileiros vencidos por Renato foram nos anos de 1999, 2000 e 2007. O evento aconteceu no ginásio do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, com organização da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. A próxima meta de Renato é o Campeonato Internacional, que será realizado nos dias 26 e 27 de julho, no Rio de Janeiro.

Helicóptero Agentes da Polícia Rodoviária Federal apreenderam no dia 3 de maio último, um helicóptero transportado por uma carreta na Rodovia Washington Luís, Km 109. Os policiais receberam uma denúncia anônima de que a aeronave estaria sendo transportada irregularmente. O helicóptero de grande porte e fabricação canadense está avaliado, segundo a nota fiscal, em R$ 16,5 milhões. De acordo com a polícia, o aparelho saiu do Aeroporto de Viracopos, em Campinas/SP, com destino a Cabo Frio, na Região dos Lagos.


Resumo PapiPress

Concurso literário A Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana lançou concurso literário, em nível nacional, sobre o tema “A arte de ensinar e arte de aprender’. O concurso é dirigido a universitários e educadores e oferece prêmios que vão de R$ 2.000,00 a R$ 10.000,00 por categoria. As inscrições devem ser feitas somente por via postal, até o dia 30 de Junho, endereçados para Fundação Logosófica, Rua Piauí,742, bairro Funcionários, Belo Horizonte/ MG. Cada candidato só poderá inscrever um único trabalho.

Bicentenário Fabiana Rosa, Blenda Gonçalves, Orminda Mira, Prefeito Marcos Mendes, secretário de Educação Paulo Massa, Vanessa Perdiza, Josy Fernandes e Mariza Brum (Orientadora Educacional e palestrante do evento)

O bicentenário da Imprensa Nacional foi comemorado com homenagens na Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), no dia 20 de maio último. Instalada em 13 de maio de 1808, a Imprensa Nacional foi conseqüência direta da chegada da Corte portuguesa ao Brasil. Dois meses depois de desembarcar na colônia, o então príncipe regente Dom João inaugurava a Imprensa Régia. O órgão era responsável pela publicação de decretos, alvarás e documentos oficiais, sempre com a chancela da família real. Hoje, a Imprensa Nacional publica o Diário Oficial da União e o Diário da Justiça.

III Encontro da Nutrição Escolar

10º UFRJmar Aconteceu entre os dias 13 e 17 de maio a X Edição do Festival UFRJmar. Realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com o apoio da Prefeitura de Cabo Frio, através de sua Secretaria de Educação, o Festival tem como público alvo educadores, universitários, alunos e comunidade. O evento foi realizado no Teatro Municipal, na Casa do Educador, em Escolas Municipais e em mais quatro pólos: Dormitório das Garças, Praia do Forte, Palmeiras e C. E. M. Profª. Marli Capp (Distrito de Tamoios).

Secretária de Meio Ambiente

Novos feriados poderão ser proibidos

Marilene Ramos, que respondia pela presidência da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) assume a secretaria estadual do Ambiente no lugar de Carlos Minc, guindado ao posto de ministro do Meio Ambiente. Doutora em Engenharia Ambiental, professora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, Marilene é especialista em Gestão de Recursos Hidrográficos e Meio Ambiente e já vinha desempenhando um papel importante dentro da Secretaria coordenando diversos projetos do Programa Reconstrução-Rio e do Programa de Despoluição da Baía da Guanabara. Na Região dos Lagos, sua atenção esteve voltada para as questões de saneamento da Lagoa de Araruama.

Foi aprovado pela Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), no dia 07 de maio, o projeto de lei 1.399/08, que pretende acabar com a criação de novos feriados no estado do Rio. Apresentado pelo deputado João Pedro (DEM), o projeto foi acatado em primeira discussão e terá que retornar à pauta em algumas semanas. Segundo seu texto, que foi aprovado com duas emendas de texto da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a criação de datas para homenagear pessoas, santos, profissões e outros temas de interesse comemorativo no estado não implicarão mais na decretação de feriado. O projeto encontrou resistência entre alguns deputados, que julgaram que a proposta cerceia os direitos dos parlamentares. “O projeto tem evidentes méritos, já que nós estamos saturados de tantos feriados. Mas este é um tema de difícil interpretação, pois cerceia um direito, o que o torna discutível do ponto de vista legal”, admitiu o deputado Luiz Paulo (PSDB).

CIDADE, Junho de 2008

Loisa Mavignier

PapiPress

A Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio realizou nos dias 29 e 30 de abril o III Encontro da Nutrição Escolar. O evento foi realizado no Distrito de Tamoios, no Centro Educacional Municipal Professora Marli Capp, dia 29, e no auditório da Universidade Estácio de Sá, no dia 30. Este ano o tema do Encontro foi “A auto-estima nas relações interpessoais”.

49


Galeria

Varal II, série “Varais da Vida” – 76 x 62 cm - Acrílico sobre tela - Janeiro de 2008

SELEMAR VARGAS nasceu em 1960 no Noroeste Fluminense e é moradora da cidade de Cabo Frio, onde cresceu. Formada em piano pelo Conservatório Brasileiro de musica, dedicou-se à musicalização infantil e, mais tarde, à regência e orquestração, formando e dirigindo o Coral Despertar de Cabo Frio, regendo o Coral Marearte de Arraial do Cabo e o Coral da Fundação Getulio Vargas, no Rio de janeiro, durante 10 anos. Começou a expor em Friburgo aconselhada por amigos e pelo artista plástico Dancler, participando de coletivas e realizando uma individual em Arraial do Cabo.


52

CIDADE, Junho de 2008


Junho 2008  

Notícias do interior do estado do Rio de Janeiro, cabo Frio, Búzios,

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you