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Capa

ambiental e 28 Guerra imobiliária no topo de Búzios

www.revistacidade.com.br Junho, 2007 Número 14

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O perigo mora em casa Casos de dengue aumentam em Cabo Frio

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Tem uns querendo construir, e outros querendo preservar

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Política Orçamento em discussão Cada deputado tem direito a alocar até R$ 600 mil, para projetos de seu interesse, no primeiro orçamento da administração Sérgio Cabral Vela 9.º Festival UFRJmar é sucesso na Praia das Palmeiras Meio Ambiente Convivendo com a natureza Eles são o reduto de espécies nativas da fauna e da flora e, sob o título de Unidades de Conservação, são considerados a categoria que oferece a maior possibilidade de uso pelo público em geral. Os Parques Municipais são patrimônios naturais que representam ecossistemas de importante valor ecológico, paisagístico e cultural.

O badalado balneário enfrenta o crescimento desordenado e contradições sobre ocupação em áreas de preservação permanente

16 Macaé Brasil Offshore Setor petrolífero mundial tem encontro marcado em Macaé Desenvolvimento Asas pra que te quero A partir de julho, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio poderá receber aeronaves de todos os tamanhos e origens

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Álcalis em debate na Alerj Especial Tambores do jongo ecoam em Cabo Frio Antiga e encantadora dança de escravos pede passagem na Região dos Lagos Indústria Ambientes com exclusividade Indústria moveleira de Cabo Frio une o talento local com eficiência e qualidade

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Cultura Música de gente grande

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Opinião Morro de São João, o marco da região!

34 Região Pesca só para não profissionais

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Capa: Filmers 9900 / Gonzalo. Colagem de Alexandre da Silva

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Educação Mudando o padrão Secretaria de Educação de Cabo Frio tem o maior orçamento do município e investe em nova estrutura para as escolas municipais

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Cyl Farney Catarino de Sá

Búzios e Cabo Frio estão disputando um campeonato. Estão concorrendo para ver quem depreda mais

Niete Martinez / Fotos PapiPress

botânico, com nome de galã-cantor da bossa nova, pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, não anda nada satisfeito com os descaminhos das questões ambientais na Região dos Lagos. Para Cyl Farney, a corrida turística desenfreada vem descaracterizando os ambientes naturais dos municípios com destaque para Armação dos Búzios e Cabo Frio, que guardam hoje muito pouco de sua rara vegetação nativa (as florestas secas sobre os morros e baixadas, e as restingas mais diversificadas do país) tendo praticamente apenas as três áreas que estão aos cuidados da Marinha do Brasil, preservadas integralmente. Doutor em Ecologia pela UFRJ, pesquisador do JBRJ no Programa Zona Costeira, com trabalho focalizado na região denominada “Centro de Diversidade de Plantas Cabo Frio”, Cyl revolta-se especialmente contra empreendimentos, que chegam com promessas de desenvolvimento sustentável, e acabam utilizando mão-deobra temporária engrossando periferias sem infra-estrutura básica e destruindo a paisagem natural local, justamente o produto de venda desses empreendedores. Para ele, nenhuma APA criada na Região dos Lagos é respeitada, o que faz com que duvide da eficácia da criação dessas áreas, e aponta como solução a intervenção do governo federal, já que as esferas estadual e municipal são ineficientes na proteção desses locais.

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Cyl Farney Catarino de Sá Botânico, pesquisador do JBRJ, doutor em Ecologia

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Nossa vegetação típica é claramente diferenciada. Existe um motivo para isso? “Aqui chove muito pouco, então as plantas respondem a essas características. Por exemplo, a vegetação dos morros e baixadas dessa área de baixa pluviosidade, além de guardar uma flora especial, cresce sobre solo muito raso e pedregoso, e não cresce muito. Eventualmente tem uma árvore um pouco maior aqui ou ali, mas aqui em Cabo Frio (Morro do Mico, Piaçava) essas florestas apresentam altura média entre 5 e 7 m. As plantas também são de diâmetros pequenos e crescem muito ramificadas desde o solo ou próximo. Esse fenômeno é característico apenas desta região? “Não, isso é uma característica relacionado ao clima. Esse padrão pode se repetir em outros locais, como por exemplo na caatinga. Mas das espécies que aqui existem poucas se repetem lá. Na minha Tese de Doutorado, descobri que 10% dessa flora têm relações com a Caatinga. O vento nordeste, também ajuda a moldar a vegetação e dar esse formato. Choveu muito em janeiro, você olha para os morros agora, eles ainda estão verdes. Pode voltar em agosto, que já vai estar tudo acinzentado. Aqui as plantas estão adaptadas a essas intempéries. Nas áreas oceânicas, as condições são outras, porque além disso estão embaixo do vento frontal, então não tem como desenvolver floresta. São aqueles locais mais abrigados do vento nordeste, onde a vegetação é adensada, atarracada, anã e responde aquelas características, com as mesmas espécies que são peculiares. Por exemplo, tem um cacto muito bonito, azulado que é endêmico daqui, só ocorre de Arraial a Búzios (Pilosocereus ulei). Só existe aqui. É um cacto belíssimo. Quando você passa pela frente da Ilha do Japonês por exemplo, eles estão do lado esquerdo no morro.” Qual a quantidade de plantas que o senhor tem catalogadas, e que são endêmicas desta região? “Existem algumas espécies endêmicas. Tem mais ou menos umas vinte plantas dessa região, incluindo também algumas de restinga, as que estão nos morros, como pau-brasil, que é uma planta rara, e que tem muito aqui em Cabo Frio. Quer dizer, tem muito entre aspas, em muitas áreas ela 6

não existe mais. Há outras espécies endêmicas, que não são conhecidas pela população, são mais conhecidas na esfera dos pesquisadores. Podemos dizer que esta região é tão rica como áreas da Serra dos Órgãos, apesar do ambiente seco daqui. Listamos mais de 500 espécies até o momento para as florestas secas e mais de 800 para as restingas, e entre estas existem aquelas que conseguem viver nos dois locais.” Como está sendo tratada essa questão? “É desesperador! Terminei uma Tese de Doutorado em fevereiro de 2006, e um capítulo desta tese abordou a questão da conservação. Todas as unidades de conser-

Esta região é tão rica como áreas da Serra dos Órgãos, apesar do ambiente seco daqui

Se a Ilha de Cabo Frio não tivesse a Marinha tomando conta , já tinham feito uma ponte para atravessar o Boqueirão, e faziam um eco-resort por lá vação que existem aqui, que é um lugar conhecido como Centro de Diversidade de Plantas, reconhecido a nível mundial, e um dos 14 mais importantes do Brasil, são falhas. Temos dois tipos de categorias de unidades de conservação: as de proteção integral e as que chamam de uso sustentável. Essa categoria é um perigo, porque não existe nada funcionando que tenha sido conhecido como sustentável até hoje. Tenho uma colega que diz que é mais fácil um camelo passar num buraco de agulha do que uma unidade de uso sustentável do CIDADE, Junho de 2007

tipo APA (área de preservação ambiental) dar certo. Nós temos aqui três APAs estaduais na Região: Sapeatiba, criada em 1990, Massambaba, de 1986, e a do Pau Brasil, criada recentemente. Uma área riquíssima do ponto de vista da flora, da fauna, arqueológico, paleontológico e geológico e que não tem nada protegido de fato. A proteção e o desenvolvimento sustentável devem levar em conta essas coisas, e não, utilizar todas as áreas para recreação e destacar essas riquezas como se fosse parte de um parque de diversões” Como estão essas APAs? “Estão mal. O Jardim Botânico faz parte do conselho gestor da APA do Pau Brasil, e eu tive o prazer, ou o desprazer, não sei mais, de emitir um parecer justificando a necessidade de sua criação, não sei se fiz um bem ou um mal. E aí entra essa história do mega-empreendimento em cima desta unidade de conservação, onde uma zona de ocupação controlada foi delimitada num local onde não existe nenhuma alteração imprópria. Isso é uma perversidade muito grande, e aponta para uma questão moral grave, que dispensa outros comentários. A pessoa que trabalhou fazendo a elaboração do plano de manejo para essa área também é a pessoa que assina o Estudo de Impacto Ambiental para o empreendimento. Na análise do Estudo de Impacto Ambiental o Jardim Botânico verificou que não foi apresentado um mapeamento da vegetação, então como opinar ? Como dizer se tal ou qual local da área seja de uma ZOC ou de uma APP é alterada ? No momento em que o Conselho se reúne regularmente para discutir o zoneamento chegam demandas de toda a sorte e ordem, eu espero que daqui para frente consigamos andar com a revisão e trabalharmos com metodologia e não como um balcão de atendimento e de aprovações de interesses. Só foi realizada uma única reunião da Câmara de Revisão do Zoneamento em 2006, às vésperas da audiência pública do Loteamento Reserva Peró. Enfim, não existe nada preservado de fato. O fato é que essas áreas ainda não foram ocupadas, e precisamos cuidar delas o mais rápido que pudermos” O senhor acha que falta educação ambiental? “Falta educação política. Falta visão de conjunto. Falta visão de município . O que


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sobrou de mata nessa região são fragmentos muito pequenos e que devem ser cuidados o mais rapidamente possível pois deverão sumir nos canaviais inevitáveis da corrida do etanol para abastecer a Agrisa. Por exemplo, vamos voltar para a orla. O que sobrou do município de Cabo Frio, tirando Unamar, onde existe uma área muito grande da Marinha e a Ilha de Cabo Frio e outras ilhas litorâneas, essas são as unidades de conservação. Não tem ninguém morando lá. O maior predador seria a construção civil? “Certo. Se a Ilha de Cabo Frio não tivesse a Marinha tomando conta , já tinham feito uma ponte para atravessar o Boqueirão e faziam um eco-resort por lá. Se é que já não pensaram na idéia faraônica! Ou na Ilha do Papagaio, ou na Ilha da Âncora. Então, na questão da orla, o único pedaço de praia nativa do município está entre as Conchas e o Peró. Dispor dessa área para ocupação é passar um atestado de burrice aos munícipes de Cabo Frio, é privar o município de uma das mais belas e ricas paisagens do sudeste do Brasil, cujas imagens podem ser vendidas nas propagandas do município. Existem diversas áreas próximas e que podem ser ocupadas por resorts, ilhas da fantasia, hotéis e que não terão impacto direto sobre os remanescentes de flora e fauna. Este é o desafio - um desses empreendimentos transformar uma área degradada de fato, e Cabo Frio têm várias, num oásis e explorar isso como um fato, um ganho. É claro que isso pode ser feito num local do centro nervoso de Cabo Frio desde que o empreendedor adquira diversos imóveis do centro da cidade. Mas, os impactos serão outros (trânsito por exemplo!) e dar emprego de fato aos munícipes” A prefeitura de Búzios, autorizou um desmembramento em área tombada pelo Inepac, na Praia do Forno. O que vai acontecer com aquela vegetação, considerada rara? “Para o município, será uma perda enorme. Para o país idem, porque a gente está permitindo que uma vegetação muita rara, patrimônio do povo brasileiro seja dilapidado, jogado fora, em nome do direito privado. Que direito é esse ?” É possível transplantar essa vegetação? “Não! Não com a diversidade que existe. Não tem tecnologia nem dinheiro para isso. Eles querem pegar meia dúzia de espécies, e não é só isso. Tem o aspecto vi8

sual, cultural. Você chega numa encosta daquela que visitamos com o Inepac, o DRM, IBAMA…E perde o fôlego! Vendem o transplante de árvores e arbustos como solução. Veja o resultado ocorrido com o transplante mudas numa encosta da Praia do Forno: despencou tudo na rua ! Ficou um belo serviço na paisagem!” O que tem de peculiaridade nessa área específica? “Tem a ocorrência dessa espécie de cacto, tem outras espécies endêmicas, e a

Todas as unidades de conservação que existem aqui um lugar conhecido como Centro de Diversidade de Plantas, reconhecido a nível mundial, e um dos 14 mais importantes do Brasil - são falhas

Usar a paisagem disponível é muito fácil, difícil é criar a paisagem fisionomia local que é marcada pelos ventos, é o conjunto paisagístico. Você chega num lugar daqueles e fica assim… Caramba !!! Essa coisa, não tem como medir o valor! O valor daquela área é o que ela é por si só. Quanto vale uma área com rochas de 2,5 bilhões de anos que testemunhou a abertura do oceano atlântico? Para o prefeito nada, para o secretário nada, para o governador nada e talvez para o presiCIDADE, Junho de 2007

dente da república nada, mas para a humanidade vale muito.” Não se tem conhecimento, na região, de nenhuma ação de educação específica sobre as nossas plantas. É um defeito nosso ou é geral? “Não sei das iniciativas locais. Talvez a gente esteja pecando. De que forma a gente poderia ajudar mais? Eu sempre me coloco em disponibilidade para falar em escolas, grupos, assim como o pessoal do DRM tem feito. Por vezes, a gente fica meio desanimado, quando volta aqui, depois de três, quatro meses, e as mudanças são tão drásticas que dá vontade de mudar de local de trabalho. E é o que tenho feito, estou colocando meu foco de trabalho em outras áreas do sudeste do Brasil, mas nada é mais diversificado no litoral brasileiro do que esta região onde as florestas estacionais que vinham do interior terminavam aqui. Você ficou meio desencantado? “Não é isso. O Brasil tem um litoral muito grande, mas essa política de turismo é um troço muito perverso. Que negócio de turismo é esse que destrói toda uma cultura local e impõe seu gosto, sua arquitetura, sua comida? Hoje eu vi algo bacana. Estava trabalhando lá no Arraial e encontrei dois caras, já adultos, que estavam catando cambuí, que é uma frutinha local, que pouca gente conhece. Essas pessoas estavam coletando um material num local que eles descobriram há pouco tempo. Aqui nessa restinga existe essa cultura, de pegar o cambuí, a pitanga. Então, uma série de informações culturais estão sendo perdidas com esse excesso de turismo. Estive há pouco tempo no norte da Bahia, e fiquei espantado com o litoral, com os mega-resorts (Costa do Sauípe, Iberostar, Vile Galé, Village Imabssahy e por aí vai). O Brasil não precisa disso, é coisa de gente deslumbrada. E isso está modificando a paisagem daquela área? “Muda tudo. Porque o cara chega num determinado local, compra uma área enorme de terra, tira todo mundo dali, ou, se não tem gente, o discurso é a promoção de desenvolvimento sustentável . A estratégia é contratar por seis meses, depois sai mandando sistematicamente embora, e esses trabalhadores vão engrossar as periferias marginalizadas, porque a mão de obra necessária para esses resorts é qualificada, de outro lugar.”


O senhor acha que nosso destino poderá ser esse? “Acho que o município tem de saber para onde quer caminhar. A cabeça de Cabo Frio está no aeroporto. A grande aposta é que o aeroporto vai mudar Cabo Frio. Ele pode ser uma estratégia para o desenvolvimento. Por que tem que ser igual a Acapulco, Malibu? Por que não pode ser do jeito Cabo Frio? Por que insistem em colocar coqueiros da Bahia na Praia do Forte? Dá pena de ver aqueles coqueiros lá. Aqui é um local onde as árvores não são muito generosas, são baixas. Isto é falta de educação, falta de cultura, falta de leitura e de observação além de senso crítico e busca de informações nos locais corretos. Qual a cidade com mais problemas ambientais? “Búzios e Cabo Frio estão disputando um campeonato. Estão concorrendo para ver quem depreda mais. Búzios tem uma área muito menor, mas só tem doze anos

de história, e já está concorrendo para atingir tudo aquilo que Cabo Frio fez em 500 anos. Estão se empenhando ao máximo em destruir tudo o que há de interessante. Por que encontram animais, jacarés, cobras, no meio na rua? Será que é porque não so-

A pessoa que manda destruir uma floresta tem como expectativa de vida, no máximo cem anos. Não deveria ter o poder de destruir algo que deveria ficar para sempre brou nenhuma área alagada por lá? A Praia de Manguinhos foi toda cercada, murada, desmatada, cheia de espécies ameaçadas de extinção. Parece um condomínio de Miami. Tiraram toda a mata, mas ninguém vê, porque está murado. É impressionante também como a gente não consegue enquadrar esses administradores que dão essas autorizações.”

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A legislação é fraca para coibir essas ações? “Eu acho que sim. A pessoa que está num cargo público que tem o poder de decisão de mandar destruir uma floresta em nome do direito privado, essa criatura, que tem como expectativa de vida de no máximo cem anos, não deveria ter o poder de destruir algo que deveria ficar para sempre. Usar a paisagem disponível é muito fácil, difícil é criar a paisagem, aí ninguém quer. O MAC (Museu de Arte Contemporânea), em Niterói, é muito bonito sim! O MAC ou a paisagem ? Tire a paisagem, e o MAC fica sendo o MAC simplesmente.” O senhor acha que deveríamos ter mais áreas tombadas? “Sim! Porque se depender de nossas autoridades, não vai sobrar pedra sobre pedra.” Colaboração: Renato Silveira

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O PERIGO MORA EM CASA

Graciele Soares m surto de dengue preocupa o poder público e os moradores de Cabo Frio. Do início de janeiro deste ano até o dia 18 de maio foram registrados 636 casos de dengue clássica na cidade. No mesmo período do ano passado, o número foi bem menor: 111 casos. De acordo com a chefe da Saúde Coletiva, Dra. Sandra Browne, desde 1996 (quando aconteceu a maior epidemia de dengue na cidade, com 4.500 casos registrados) a situação nunca foi tão grave.

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Combater Segundo o biólogo e diretor da Vigilância Sanitária, Geraldo Lima, 38% das casas do município são de veranistas e permanecem fechadas. Os moradores da cidade, que impedem a vistoria dos agentes de saúde, também são obstáculos. De acordo com o diretor, um esquema foi montado para tentar diminuir os focos do mosquito. “Nosso intuito é combater a larva do mosquito, porque a fase adulta do Aedes aegypti, é difícil de combater”, diz Geraldo. Em Cabo Frio, oito equipes visitam as casas, com o intuito de vistoriar, tratar e orientar os moradores. Seis agentes

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de saúde também fiscalizam pontos estratégicos, onde a incidência é maior, como por exemplo: cemitérios e ferros velhos. Além destes profissionais, três grupos trabalham em locais de difícil acesso como telhados e duas pessoas aplicam o fumacê (fumaça composta de óleo mineral e veneno) manualmente, em locais onde haja denúncia. Ainda segundo o biólogo, dois carros fumacês, trabalham por escalas nas ruas da cidade. Outra alternativa criada pela Vigilância Sanitária foi fazer uma campanha de conscientização nas escolas estaduais, municipais e particulares. “Distribuímos panfletos explicativos e conversamos com os estudantes. Eles são grandes formadores de opinião e influenciam nas atitudes dos pais”, afirma o Diretor.

O mosquito De acordo com o biólogo, o mosquito pode voar mais de 400 metros. A fêmea sobrevive até 45 dias e é capaz de pôr até 1000 ovos. Até a fase adulta, ela leva de 7 a 14 dias.

A doença A doença é classifica de duas formas: a dengue clássica e a dengue hemorrágica.

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Divulgação

Casos de dengue aumentam em Cabo Frio

A dengue clássica tem duração de cinco a sete dias, mas, o período de restabelecimento pode durar semanas. De acordo com a Dra. Sandra Browne, algumas das manifestações clínicas mais comuns são: febre alta, dor de cabeça e muscular, dor óssea, perda de apetite, abatimento, náuseas, vômitos, coceira e exantema (pintas vermelhas pelo corpo). Podem ocorrer também hemorragias. Ainda de acordo com a médica, algumas manifestações dependem da idade. “A dengue hemorrágica tem os sintomas semelhantes ao da dengue clássica, mas com agravamento. As manifestações hemorrágicas são internas e externas, além de colapso circulatório. Este tipo de dengue pode levar ao óbito entre 12 e 24 horas, ou a uma recuperação rápida”, diz a Médica. Em casos como estes, o indicado é procurar o pronto socorro imediatamente e fazer todos os exames indicados pelo médico.


Tem uns querendo construir, e outros querendo preservar Juliana Vieira

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MARCELO HADDAD

Eu gosto de prezar a lei

Papipress

Secretário de Meio Ambiente de Armação de Búzios, Marcelo Haddad, conversou com CIDADE durante o 3º Encontro da ANAMMA - Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente - que aconteceu em Niterói no dia 23 de maio. Quando perguntado de sua posição sobre possíveis propostas para alterações na Resolução 303 do CONAMA, ele afirmou que esta é uma das leis que mais sofreu questionamentos e que não vê possibilidades de mudanças no momento. “A resolução é conseqüência de uma lei federal, não é uma coisa que um secretário ou um conjunto de secretários de meio ambiente vá mudar, isso já foi exaustivamente discutido. A questão do Código Florestal é muito sólida. A Resolução 303 é uma lei antiga mas que está bem atualizada nos dias de hoje.” Quando questionado se a resolução atendia ao município de Armação dos Búzios ele fez questão em destacar que “a lei não é para atender a uma secretaria de uma determinada cidade e sim aos bens de terceiros. Foi redigida em 1965 quando não tinha uma pressão tão grande quanto a questão do meio ambiente, mas que hoje é uma realidade”. Marcelo Haddad também foi categórico ao falar sobre o que vem acontecendo em Armação dos Búzios. “Nós estamos tendo muitas pressões, o que é natural, isso faz parte do jogo. Tem uns querendo construir, tem outros querendo preservar. Se tem uma lei, eu gosto de prezar a lei. No dia que tiver outra lei, eu vou prezar”, concluiu.

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Política

Ascom/Alerj

Orçamento em Cada deputado tem direito a alocar até R$ 600 mil para projetos de seu interesse, no primeiro orçamento da administração Sérgio Cabral Juliana Vieira

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GLAUCO LOPES

Rafael Wallace / Alerj

Emendas atendem a quase todas as cidades do Estado

PAULO MELO 78 emendas 12

eterminar onde e como o Governo do Estado deverá empregar suas verbas e dotações é a tarefa que os 70 deputados estaduais desempenharam entre 21 e 25 de maio. Foram apenas cinco dias para que os parlamentares elaborassem e apresentassem emendas ao projeto original da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), enviado à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) , pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). A elaboração da LDO 2008 chegou com um complicador a mais: um recado de Sérgio Cabral lembrando que o governo passa por uma situação financeira difícil e que, por conta disso, manterá uma política fiscal rigorosa em todo seu mandato. Por outro lado o presidente da Comissão de Orçamento, Finanças, Fiscalização Financeira e Controles da Alerj, deputado Edson Albertassi (PMDB), assegura que a atual proposta do Poder Executivo não apresenta mudanças significativas em relação aos orçamentos apresentados pela ex-governadora Rosinha. Este ano marca a estréia de Sérgio Cabral como elaborador do orçamento estadual. O governador voltou a enumerar como prioridades as áreas de educação, segurança pública, saúde, saneamento básico e meio ambiente, mas isso não garante que os deputados estaduais se limitem a essas áreas. Afinal, este é um dos momentos em que os parlamentares podem e fazem emendas que possam beneficiar suas bases eleitorais. Em 2006, por exemplo, os deputados da Região dos Lagos, Paulo Melo (PMDB) e Glauco Lopes (PSDB), apresentaram 93 e 639 emendas à LDO, respectivamente. Já o ex-deputado José Bonifácio não apresentou nenhuma. Um levantamento realizado pela própria ALERJ mostrou que a realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro fez com que os deputados elegessem o esporte como prioridade, com CIDADE, Junho de 2007

a construção de quadras poliesportivas e campos de grama sintética ficando no topo das emendas, seguida pela construção de creches.

Expectativa para as novas emendas A apresentação de emendas é um momento aguardado pelos deputados, tanto que eles encaram a sua elaboração de maneira distinta. O tucano Glauco Lopes, que ostentou o título de recordista durante dois anos, conta que tem uma equipe que trabalha exclusivamente nas emendas . “Não sou deputado de uma cidade só e por isso minhas emendas atendem a quase todas as cidades do Estado. Para que isto aconteça de maneira eficaz, ouço prefeitos, câmaras de vereadores e população, afinal ninguém melhor para conhecer as dificuldades dos seus municípios que as pessoas que residem nele “, contou Glauco Lopes. O ex-prefeito de Cabo Frio, Alair Corrêa (PMDB), declara que também realizará as emendas de acordo com os pedidos de prefeitos. Quando procurado por CIDADE, o deputado informou que já havia enviado correspondência a prefeitos de 12 municípios solicitando suas reivindicações. Os 12 municípios que serão agraciados por Alair Corrêa são, segundo o parlamentar, os locais onde ele teve a maior concentração de votos. Da Região dos Lagos estarão na lista de emendas de Alair os municípios de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Arraial do Cabo.

Paulo Melo na liderança Faltando três dias para o início do prazo estabelecido pela Alerj para receber as emendas, o deputado Paulo Melo era o único a ter todas as suas prontas. As 78 emendas de Melo beneficiam os municípios de Araruama, São Pedro da Aldeia, Maricá, Saquarema, Armação dos Búzios e Iguaba Grande. Para Saquarema foram destinadas 21 emendas, para Araruama foram 20, Iguaba Grande 17, Armação dos


César Valente

discussão Búzios 12 e 4 para Maricá e São Pedro da Aldeia. Vale destacar o pedido de implantação de um quartel da Polícia Militar em Armação dos Búzios, a construção de uma escola-pólo na zona rural de Iguaba Grande, obras de drenagem com construção de galerias no bairro Porto do Carro em São Pedro da Aldeia, a ampliação e reforma do Hospital Regional de Araruama, a construção de um terminal rodoviário em Saquarema e ainda o desenvolvimento de ações voltadas para a despoluição da Lagoa de Araruama, benéfica para toda a região.

Acordo garantiu R$ 600 mil para cada deputado

Governador SÉRGIO CABRAL FILHO

Primeiro orçamento prioriza educação, segurança pública, saúde, saneamento básico e meio ambiente César Valente

Em 2006 os deputados fizeram um acordo com a, na época, equipe de transição do governador eleito, Sérgio Cabral, que destinou uma verba de R$ 600 mil para cada um dos 70 deputados apresentarem emendas. Com o acordo, os deputados foram responsáveis pelo gasto de R$ 42 milhões do orçamento do Estado em 2007 . Segundo a Alerj, os municípios que mais receberam emendas foram Rio de Janeiro, com 161 emendas, Macaé, com 90, e Nova Iguaçu, com 67. Uma curiosidade é que no ano passado, 13 parlamentares não apresentaram nenhuma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias, dos 13 a maioria não se reelegeu. Apenas Alessandro Molon (PT) e Noel de Carvalho (PMDB) - hoje Secretário de Estado de Habitação conseguiram êxito nas urnas e fugiram à regra.

Próximo Passo Para a concretização das emendas, além da LDO, será necessário aprovar, também, a LOA - Lei de Orçamento Anual - o que acontece no segundo semestre do ano. Em relação à LDO, a Lei não trata de verbas e sim das necessidades. O deputado Glauco Lopes informa que “o importante, nesta fase, é lembrar das carências que o município pode ter”. Só na próxima fase, quando a LOA for apresentada, é que caberá apresentar os projetos especificados, as áreas beneficiadas e as verbas necessárias. Aí começa tudo de novo ...

ALAIR CORRÊA Atenção aos prefeitos CIDADE, Junho de 2007

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Vela

9.º Festival UFRJmar é sucesso na Praia das Palmeiras Texto e Fotos PapiPress

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conteceu de 22 a 25 de maio a 9.ª edição do Festival UFRJmar, realizado pela Universidade Federal do Rio de

Janeiro. Mais de 550 alunos, 150 técnicos e professores dos mais diversos cursos e unidades da UFRJ levaram à comunidade de Cabo Frio inúmeras atividades, que aconteceram em 3 pólos distintos: Praia do

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Forte, Praia das Palmeiras e Segundo Distrito A Praia das Palmeiras confirmou a vocação do lugar para eventos dessa natureza, superando as expectativas de partici-


pação de público. Todas as oficinas ficaram todo o tempo cheias. Tainá Peçanha Tavares, 12 anos, aluna do Colégio Santos Anjos Custódio veio velejar. Apesar do frio, enfrentou a fila para experimentar o esporte junto com as colegas. Gabriela de Souza, que nunca tinha velejado, confessou estar “morrendo de medo”, mas mesmo assim quis participar: “vou assim mesmo, tem instrutor”, confiou. Claudia Gondin da Fonseca , estudante do quarto ano de Engenharia Naval, Coordenadora da oficina de vela do pólo das Palmeiras, diz que Cabo frio já faz parte do roteiro do Festival, que acontece de seis em seis meses. “Aqui o projeto é sempre muito bem recebido, por isso sempre incluímos a cidade”, diz. A estudante também elogiou a localização do pólo na Praia das Palmeiras. “Antes a gente velejava na Ilha do Japonês, mas não tinha muita participação popular, era muito fraco por ser de difícil acesso. Aqui é melhor. Tem espaço para a infra-estrutura, dá para colocar várias atividades, venta bastante e não tem onda. É muito bom. Aqui todo mundo vem e os colégios participam”, explica a Coordenadora.

Oficinas ficaram cheias durante os três dias do Festival CLÁUDIA GONDIN FONSECA Coordenadora da oficina de vela

Caiaque

Aqui todo mundo vem

Recreação

Artesanato

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BRASIL OFFSHORE

Cézar Fernandes

Macaé

Setor petrolífero mundial tem encontro marcado em Macaé Martinho Santafé om a presença confirmada do governador Sérgio Cabral, a Feira e Conferência Internacional da Indústria Offshore de Petróleo e Gás – a Brasil Offshore, evento que inseriu Macaé no cenário petrolífero mundial – será promovida de 19 a 22 de junho no Macaé Centro. Consolidada como a terceira maior feira de óleo e gás do mundo, a Brasil Offshore chega em sua quarta edição com expectativa de superar os números de 2005, quando 508 expositores participaram da feira, que ocupou um espaço de 24.175 metros quadrados no Macaé Centro e contou com 35.950 visitantes. Neste ano, a área de exposição será ampliada para 27 mil metros quadrados e terá um dia a mais e uma hora a mais por dia. Organizada pela Media Group do Brasil (MG do Brasil), com apoio da prefeitura de Macaé, a feira vai reunir todas as multinacionais do petróleo e gás que operam no Brasil, terá conferências organizadas pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e rodadas de negócios promovidas pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). De acordo com o secretário de Indústria, Comércio, Desenvolvimento e Energia, Alexandre Gurgel, a prefeitura de Macaé vai montar um estande que contextualiza o município como a capital nacional do petróleo, para mostrar as potencialidades da cidade para o arranjo produtivo do petróleo e gás, e fora dele. Todas as gigantes multinacionais do petróleo e gás já confirmaram presença na Brasil Offshore como Petrobras, Schlumberger, Tenaris Confab, Vetco, Baker Hughes. Comitivas internacionais também estarão presentes como a Câmara de Comércio Alemã e sua similar escocesa. “Já temos presente, como expositores empresas da Noruega, China, França, Alemanha, EUA, Reino Unido, entre outras - informa o Diretor da Media Group do Brasil, Eric Henderson.

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Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho (Macaé Centro)

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Nas conferências, haverá um enriquecimento na programação do conteúdo técnico e na abrangência da qualidade das palestras nacionais e internacionais. Já as rodadas de negócios serão uma oportunidade para que empresas de porte médio e pequeno façam negócios com âncoras do mercado. - O petróleo é a mola mestra da economia do município e a principal matriz energética. Somos a capital nacional do petróleo e a Brasil Offshore reúne empresas da indústria offshore de petróleo e gás, entre fabricantes, fornecedoras e importadoras de produtos e serviços relacionados ao setor – observou o prefeito Riverton Mussi. Segundo Riverton, a grande importância da feira é que seu foco é voltado para a operação. “Na Brasil Offshore, o empresário faz bons negócios, pois está dentro de um grande canteiro de produção com

ênfase no negócio. Além disso, a feira vai aumentar a arrecadação no comércio, não só no impacto direto, mas indireto, à medida que novas empresas passam a estabelecer parcerias com o município”, disse. O secretário Alexandre Gurgel, ressaltou que a Brasil Offshore tem garantido a Macaé uma referência de pólo de desenvolvimento regional. “ A feira beneficia a cidade com a chegada de novas empresas, novas oportunidades de geração de emprego e renda, além da movimentação da rede hoteleira, de restaurantes, e toda a cadeia produtiva de serviços”, ressaltaram Gurgel.

Riu Porto Filho

Programação melhor

RIVERTON MUSSI - Prefeito de Macáe

Na Brasil Offshore, o empresário faz bons negócios, pois está dentro de um grande canteiro de produção

Brasil Offshore une poder público e setor produtivo A primeira edição da Brasil Offshore foi realizada em junho de 2001, na área externa da Unidade de Ensino Descentralizada de Macaé (Uned), ligada ao Cefet-Campos. Na época, o relacionamento do poder público municipal com representantes dos setores produtivos e de serviços da área de petróleo era bastante precário. O apoio da Prefeitura ao evento e os contatos mantidos com empresários durante a feira serviram para estreitar as relações com a área empresarial, fato que ainda rende bons frutos para a cidade. Um deles surgiu na forma do Centro de Convenções “Jornalista Roberto Marinho” (Macaé Centro), o segundo do Rio de Janeiro em dimensões, só suplantado pelo Riocentro. Na verdade, o Macaé Centro foi construído em função da Brasil Offshore, pois sem um local apropriado a segunda edição da

feira poderia ir para o Rio de Janeiro ou Vitória. Por outro lado, os organizadores acertaram o alvo quando escolheram a cidade para sediar o evento, pois aqui estão os gerentes da Petrobras que definem o que a estatal vai ou não comprar para manter suas plataformas operando. É uma feira essencialmente de negócios, enquanto a Rio Oil & Gás serve mais como vitrine de produtos e marcas. Outra conseqüência do evento foi o vertiginoso crescimento da rede hoteleira em Macaé, que passou a ser a maior do interior fluminense. Meses antes da feira, todas as vagas dos principais hotéis já estão reservadas. Além disso, a Brasil Offshore movimenta milhões de dólares na cidade, afetando positivamente o comércio de bares e restaurantes.

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Cartas www.revistacidade.com.br Junho, 2007

Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Reportagens Graciele Soares Juliana Vieira Juliana Latosinski Loisa Mavignier Martinho Santafé Renato Silveira Thiago Freitas Tomás Baggio Octávio Perelló Fotografias Cesar Valente Filmers 9900 PapiPress Colunista Octávio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Publicidade Patrícia Cardinot Tel: (22) 9815-3518 paticardinot@ig.com.br Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Tiragem 5.000 exemplares Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Macaé, Rio de Janeiro e Brasília. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. 18

MUITO OPORTUNA A DISCUSSÃO SOBRE O SEGUNDO Distrito de Cabo Frio. Quem mora em Cabo Frio não sabe que o lugar existe e quem mora aqui não vai a Cabo Frio nunca, a menos que precise resolver alguma coisa na prefeitura. Porque o povo do lugar, quando precisa de alguma coisa, sempre vai para Casimiro ou Rio das Ostras. Já estava na hora dos governos tomarem alguma providência para atender a população que é cabo-fiense e não recebe nada das benfeitorias que são feitas no centro da cidade. O antigo prefeito gastava todo o dinheiro dos royalties, que só existem por causa da orla de Tamoios e Santo Antônio, no centro e com shows e nunca fez nada pela população daqui. Nem as praias do lugar, que são a fonte de todo esse montão de dinheiro, aparecem no site da prefeitura. É como se o lugar não existisse. Agora vemos algumas obras, mas não chega nem perto do que o bairro precisa. Algemiro Martins Santana (Santo Anônio - Cabo Frio/RJ)

ACABO DE ESCREVER UMA CARTA À Ouvidoria da Prefeitura Muncipal de Cabo Frio sugerindo uma campanha de educação no trânsito em nossa cidade. Propus que ela seja veiculada através de todos os meios de comunicação - jornais, revistas, televisão, rádio - e, principalmente nas escolas públicas e particulares de todos os graus. A locomoção louvável, saudável, econômica e totalmente dentro da conservação do meio ambiente por meio da bicicleta, é também um fator de desproteção total para os pedestres e motoristas. Andam todos na contra mão, nas calçadas, nos calçadões, colocando em risco até mesmo suas próprias vidas ao não praticarem as regras básicas de trânsito. Duvido que algum motorista desta cidade não tenha levado, no mínimo um susto com algum ciclista vindo na contramão. Vamos lançar uma campanha de proteção à vida! Roseli Davila (Cabo Frio / RJ)

PARABÉNS PELO SUCESSO QUE A REvista Cidade esta fazendo. Sinal de um excelentre trabalho de equipe e competência de seus profissionais. Dany Cozzi (Cabo Frio)

FIQUEI LISONJEADA AO VER MINHA foto estampada em sua tão conceituada revista, mas lamento informar que eu Cláudia Márcia da S. Guimarães Rocha não sou a pessoa que a matéria diz, pois não concilio Medicina e Literatura, (o único médico da minha casa é o meu esposo). Sou uma simples Gerente de uma clinica ortopédica em Cabo Frio e estou terminando minha faculdade de Fisioterapia na Universidade Veiga de Almeida, que faz parte da minha caminhada como missionária G12 e Presidente do Projeto OMDA, tão conhecido por V. Sa.. Cláudia Márcia da S. Guimarães Rocha (Cabo Frio / RJ)

SORRIA! Embora a vida não lhe dê prazer Sorria! para assim sobreviver Sorria! Entre pedras e espinhos Sorria! Mesmo se estiver sozinho Sorria! Na escuridaão e na luz Em qualquer situação O mistério do sorriso É o pulsar do Coração Jorge Fernando (Palmeiras - Cabo Frio / RJ)

COMO VOCÊS DÃO MUITA ATENÇÃO ao Meio Ambiente eu queria pedir que a revista Cidade fizesse uma matéria sobre o lixão de Baía Formosa. Os prefeitos sempre prometem que vão fazer aterro sanitário e nunca cumprem. Enquanto isso os moradores das proximidades do lixão sofrem com o mau cheiro que exala de lá. Muitas crianças e também os idosos da redondeza estão com problemas respiratórios por causa disso e ninguém toma uma providência. Agradeço se publicar esta carta e desculpe falar assim. Valdeci Almeida da Silva (Cabo Frio/RJ)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br CIDADE, Junho de 2007


Desenvolvimento

ASAS PRA QUE TE QUERO

A partir de julho, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio poderรก receber aeronaves de todos os tamanhos e origens, e promete ser um pรณlo de desenvolvimento para toda a regiรฃo

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Desenvolvimento Especialistas costumam dizer que uma das maiores qualidades de uma cidade turística é ter bons acessos. Nos últimos anos, a Região dos Lagos se esforçou para facilitar a chegada dos visitantes, através de melhores estradas e receptivo para os transatlânticos. Agora, Cabo Frio se prepara para inaugurar a segunda maior pista de pouso do Estado do Rio de Janeiro.

Tomás Baggio a pista antiga, de 1.700 metros de comprimento por 30 metros de largura, a dificuldade dos aviões era decolar com o tanque de combustível cheio. Os 2.560 metros de comprimento por 45 metros de largura, nas medidas atuais, são suficientes para o impulso necessário, e as negociações para a chegada de vôos nacionais e internacionais estão em plena atividade. A Gol Linhas Aéreas já montou guichê e confirmou a linha Buenos Aires Cabo Frio, que vai chegar uma vez por semana. Outra linha confirmada é a Belo Horizonte - Cabo Frio, pela Total Linhas Aéreas. Em vista, estão vôos partindo de cidades como São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Santiago do Chile e Lisboa, em Portugal. “Estou levando a novidade para os nossos parceiros no exterior”, diz o secretário de Turismo de Cabo Frio, Gustavo Beranger, que foi à Argentina no final do mês passado. Na opinião de Gustavo, o aeroporto vai aumentar a quantidade de cidades que emitem turistas para a Região dos Lagos em todas as épocas do ano. Hoje, ele diz, os visitantes do final de semana vêm de um raio máximo de 300 quilômetros. “Ninguém quer viajar muitas horas para passar dois dias na cidade. O aeroporto vai permitir que mais pessoas venham de lugares mais distantes. Quem mora no interior de São Paulo, por exemplo, dificilmente vem num fim de semana. Se um vôo de Buenos Aires chega aqui em menos de três horas, isso permite que a pessoa tome o café da manhã em casa e almoce na Praia do Forte”, afirma o secretário. Durante as reformas, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio ganhou novas salas de embarque e desembarque com capacidade para 300 pessoas e segundo andar com lanchonete (snack bar) e restaurante. A área em volta do aeroporto, chamada de Sítio Aeroportuário, passa a ser monitorada por câmeras e seguranças, além de ter seis quilômetros de cercas de proteção. A inauguração será neste mês, mas ainda não tem dia e hora marcados pois depende da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que confirmou presença no evento. 20

César Valente

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CORONEL JORGE SCHETTINI Administrador

Agora vamos triplicar o nosso recebimento de cargas

GUSTAVO BERANGER Secretário de Turismo de Cabo Frio

Estou levando a novidade para os nossos parceiros no exterior

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César calente

Um dos argumentos para a reforma do aeroporto foi torná-lo uma alternativa ao Galeão, no Rio de Janeiro. Hoje, se houver problemas na maior pista do Estado, as aeronaves são direcionadas para São Paulo ou Belo Horizonte, e os passageiros voltam ao Rio por terra. Além disso, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio está localizado entre Macaé e Itaboraí, duas cidades estratégicas na produção do petróleo brasileiro. Ampliar a pista custou trinta milhões de reais, dinheiro que veio da Prefeitura (cinco milhões para a desapropriação das terras da Álcalis), Governo do Estado (seis milhões), Aeronáutica (quatorze milhões) e da empresa administradora Costa do Sol (cinco milhões). “No ano passado, as empresas que operam no aeroporto recolheram vinte e dois milhões de reais em ICMS (imposto que vai para o Governo do Estado) e dois por cento desse valor volta para o município. Isso porque estávamos operando apenas com os aviões de carga”, explica o coronel Jorge Schettini, administrador desde que o aeroporto foi inaugurado. “Agora vamos triplicar o nosso recebimento de cargas”, completa o secretário de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Antônio Carlos Trindade. A aposta é alta. Antônio Carlos diz que o aeroporto vai dar uma “reviravolta no turismo” e que Cabo Frio “vai deslanchar”. “Estamos em contato com empresários portugueses que estão interessados em investir na rede hoteleira. Eles estarão aqui em novembro, para um congresso em Búzios com pernas em Cabo Frio. Queremos negociar uma linha Lisboa - Cabo Frio”, revela Trindade.

UMA PISTA DE 1.700 METROS E UMA CASA Em resumo, este era o Aeroporto de Cabo Frio após oito meses de empreitada, acelerada no último mês, para ser concluída antes da mudança do titular no governo do Estado. A inauguração, no dia 28 de dezembro de 1998, foi seguida pela concessão do aeroporto para a prefeitura, feita pelo Governo do Estado. Dois dias depois, terminava o mandato do então governador Marcelo Alencar. “Havia, sim, um receio de que a chegada do Garotinho (como governador) pudesse atrapalhar esse acordo. Mas depois percebemos que isso não aconteceria. Foi o Garotinho que alfandegou e internacionalizou o aeroporto”, conta Ricardo Azevedo, o Cacá, na época secretário de Projetos Especiais e hoje secretário Obras acelaradas de Comunicação da prefeitura. em 1998 Mas foi por pouco que Cabo Frio conseguiu ampliar a pista do aeroporto. Nos bastidores, políticos e empresários de Macaé tentavam a mesma verba da Aeronáutica, impedida por um problema ambiental: nas proximidades do aeroporto de Macaé existe um mangue em Área de Proteção. CIDADE, Junho de 2007

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Arquivo

Aeroporto de Cabo Frio atenderá toda a Região

Alternativa ao Galeão


Dormitório das Garças - Cabo Frio Santuário em recuperação

Convivendo com a natureza Henrique de Moura, diretor da secretaria, que juntamente com oito estagiários do curso de Biologia, realizou a limpeza do parque e o plantio de mais de oito mil mudas da planta mangue-negro, doadas pela Fundação Educacional Região dos Lagos, que ajudam na retenção da poluição de superfície do canal, com o movimento das marés. Uma outra parceria com a Petrobras realiza o cultivo de outras mudas no Horto Municipal. “Foi um trabalho de “formiguinha”. Quando o projeto de recuperação do parque começou, a paisagem que tínhamos era assustadora, parecia que havia acontecido um incêndio devastador, em nada lembrava o local que servia de abrigo para uma população de cerca de 1.400 garças brancas e outras espécies de pássaros e plantas”, lembra Alcebíades. Em seus 215 mil m², o Parque Municipal Ecológico Dormitório das Garças possui uma importância especial por representar um ecossistema de manguezal situado dentro da maior lagoa hipersalina do planeta em estado permanentemente aberto.

Eles são o reduto de espécies nativas da fauna e da flora e, sob o título de Unidades de Conservação, são considerados a categoria que oferece a maior possibilidade de uso pelo público em geral. Os Parques Municipais são patrimônios naturais que representam ecossistemas de importante valor ecológico, paisagístico e cultural. Juliana Latosinski / Fotos César Valente a data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, o município de Cabo Frio inaugura o Parque Municipal Ecológico Dormitório das Garças, a primeira unidade de conservação da cidade instalada, de fato, pela prefeitura. Alvo de investimentos pelo atual governo municipal, o local, considerado um santuário ecológico, quase desapareceu em função de um processo de degradação ambiental, provocado por uma série de fatores. O principal e talvez o mais grave, é atribuído ao despejo de material químico em função da dragagem do principal canal da Lagoa Araruama, realizada a partir do ano de 2001.

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Águas passadas, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Pesca, Alcebíades Terra. De acordo com ele, desde janeiro de 2005, o parque se tornou objeto do programa de Recuperação Ambiental do município e, desde então, foram tomadas medidas para a estagnação do processo de degradação e realizadas ações para a recuperação do ecossistema do local. “Se existisse uma palavra para definir o resultado que obtivemos com o trabalho realizado no Dormitório das Garças, esta seria dedicação. E claro, vontade política. Sem as duas, não teríamos alcançado nosso objetivo maior, o de devolver à comunidade e à natureza esse santuário ecológico”, declarou o secretário. O trabalho ao qual Alcebíades se refere foi comandado pelo biólogo José CIDADE, Junho de 2007


Meio Ambiente Abriga uma população de cerca de 1.400 garças brancas, uma população de colhereiros (visitantes sazonais), além de mais 39 espécies de aves, como as garças azuis, que estão em extinção e as garças rosas. Ao final da tarde, em bandos, as garças de toda a região chegam ao manguezal para passar a noite. Segundo o secretário, o objetivo da prefeitura é tornar o Parque Dormitório das Garças um pólo permanente de educação ambiental. Um auditório com capacidade para 40 pessoas vai funcionar como um espaço adequado para a realização de cursos e palestras ligadas ao meio ambiente. “Não queremos enfocar, somente, o potencial turístico que este local representa para o município. Vamos realizar um trabalho com a comunidade, especialmente com os alunos de escolas municipais localizadas no entorno, para que os cidadãos conheçam a importância que o parque tem em vários aspectos e a partir disso, passem a monitorá-lo e preservá-lo”, afirmou Alcebíades. Para a revitalização do local, o secretário informou que foram investidos R$ 600 mil na construção da unidade, que conta também com um mirante para se assistir a chegada e a partida das aves, o pórtico, onde os visitantes terão informações técnicas e poderão adquirir lembranças com a marca do Dormitório das Garças; uma sala de administração e dois banheiros com acessibilidade a deficientes físicos.

Mais investimentos Na Região dos Lagos, se o conceito de beleza natural for levado em consideração, não são poucos os lugares que merecem ser tratados como Unidades de Conservação. No entanto, para receberem esse título, essas áreas precisam atender a algumas características, como a relevância ecológica, paisagística e histórica do local e também serem declaradas como tal pelo poder público municipal e receberem o reconhecimento nas esferas estadual e federal. A partir disso, as Unidades de Conservação são distribuídas em diversas categorias de manejo, de acordo com o grau de proteção exigido por cada ecossistema. Em Cabo Frio, o capítulo do Meio Ambiente da Lei Orgânica Municipal, promulgada em 1990, identifica cinco áreas como Unidades de Conservação: Parque Municipal Dormitório das Garças, Parque Municipal da Boca da Barra, Parque Municipal Mico Leão Dourado (2° Distrito), Parque Municipal da Praia do

Forte, Parque Municipal das Dunas e Parque Municipal da Gamboa. Desses, somente o Dormitório das Garças foi realmente implantado, 17 anos após a criação da Lei. “A Lei Orgânica do município descreve de forma abrangente o compromisso do poder público com a preservação do meio ambiente e a recuperação de áreas degradadas. Foi promulgada em cinco de abril de 1990 e ignorada desde então. Inclusive o Fundo Municipal de Meio Ambiente, que, em cumprimento à Constituição Federal, destina entre outras verbas, 20% dos royalties do petróleo para implementação de projetos de recuperação ambiental, e aí se inclui a Educação Ambiental”, critica a ambientalista Margarida Pereira. Embora aplauda o trabalho realizado pela prefeitura no projeto de revitalização do Dormitório das Garças, Margarida ressalta que ainda há muito por ser fazer, especialmente na questão da Educação Ambiental da população. “Pode-se imaginar o que seria ou o que poderá ser Cabo Frio com seus parques delimitados, regulamentados, implementados os planos de manejo e integrados no cotidiano da cidade, em forma de Lazer, Cultura, História, Arqueologia e Ecologia. Além do potencial turístico e da geração de emprego e renda. Isso seria maravilhoso, um ganho para as futuras gerações”, ressaltou ela, acrescentando a importância da difusão da Lei Orgânica municipal para a comunidade. Alcebíades Terra declarou, no entanto, que a prefeitura já possui um plano de ações para contemplar os outros Parques Municipais. Um caso considerado urgente pelo secretário é do Parque da Boca da Barra, que possui uma importância bastante significativa nos aspectos paisagístico e histórico. Além da beleza por ser localizado na entrada do Canal do Itajuru, no local já foram identificados oito sítios arqueológicos. Segundo ele, apesar de ser considerado um Parque Municipal, o local tem proprietários e invasores e vem sofrendo também um processo de degradação por causa do trânsito desordenado de veículos e o uso irregular da área para o lazer. “Não sou radical a ponto de querer impedir que a população freqüente o local. Pelo contrário, sou a favor da utilização do Parque para fins de lazer, mas que isso seja feito de forma organizada, respeitando o meio ambiente do local e não degradando”, disse o secretário de Meio Ambiente. Uma comissão técnica, envolvendo as secretarias de Meio Ambiente, Planejamento, Turismo, a Procuradoria Geral do CIDADE, Junho de 2007

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Parque da Boca da Barra Invasões e mau uso estão degradando o local

Município e entidades como o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a AMA (Associação do Meio Ambiente) Cabo Frio, foi criada para a discussão de um plano de manejo para o Parque Municipal. “Já temos um projeto elaborado pelo arquiteto Rafael Trindade e o objetivo dessa comissão é colocar em prática as ações previstas nele. Entretanto, tomaremos medidas urgentes como a redemarcação da área do Parque o ordenamento do trânsito e estacionamento de veículos no local, para travarmos o processo de degradação”, informou Alcebíades, completando que o que se busca para esta área é uma modalidade de turismo sustentável, sempre em conformidade com a capacidade-suporte do ambiente utilizado. Localizado dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) do Pau Brasil, o Parque Muncipal da Boca da Barra visa a preservação de um ecossistema natural (Mata Atlântica) de grande relevância ecológica e beleza cênica. Seus bens arqueológicos e históricos possibilitam a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, recreação e turismo ecológico. Apresenta uma vegetação com alto grau de endemismo, sendo considerada um dos 14 centros de biodiversidade do Brasil. Nesta região de zona costeira podem ser encontrados: mangues, brejos e restingas, além de significativas populações de pau-brasil. Sobre os morros, uma vegetação característica, só possível devido ao clima único da região e à sua origem geológica.

De olho no segundo distrito O Parque Municipal do Mico Leão Dou24

Secom/Cabo Frio

Meio Ambiente

ALCEBÍADES TERRA - Secretário de Meio Ambiente de Cabo Frio

MARGARIDA PEREIRA - Ambientalista

Quando o projeto (Dormitório das Garças) começou, a paisagem que tínhamos era assustadora

A Lei Orgânica do município foi promulgada em cinco de abril de 1990 e ignorada desde então

rado, no 2° Distrito de Cabo Frio, ainda terá de esperar para receber investimentos da prefeitura. Apesar de ter um plano de manejo pré-formulado, a implantação efetiva do Parque foi adiada pela prefeitura. Alcebíades Terra explica que a área da Unidade terá de ser redermarcada, já que uma parte foi invadida e tornou-se um bairro, com cerca de 2 mil edificações construídas. “Na área restante, existem 80 casas construídas e que deverão ser desapropriadas. Mas, este projeto foi adiado, pelo menos por enquanto, por causa do esvaziamento dos cofres públicos”, concluiu o secretário.

O parque está situado dentro do domínio da Mata Atlântica, apresentando ecossistemas de mangues, matas ciliares, florestas densas e meio lacustre (rios e lagoas). Tem como objetivos a conservação dos mananciais e a proteção da vegetação de Mata Atlântica e toda fauna e flora associadas, especialmente o mico-leão-dourado, espécie com ocorrência restrita a esta região. Ocorrem também nesta área o macaco-bugio, a preguiça de coleira, a borboleta-da-praia, diversas espécies de répteis, peixes e uma avifauna variada. Tem como diferencial grande biodiversidade e um elevado grau de endemismo.

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Guerra ambiental e imobiliรกria no topo de

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O badalado balneário enfrenta o crescimento desordenado e contradições sobre ocupação em áreas de preservação permanente

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Búzios

O Código Municipal do Meio Ambiente de Armação dos Búzios chega à Câmara de Vereadores para análise e votação com a missão de proteger o patrimônio natural e disciplinar a expansão urbana no município. A cidade vive um clima confuso em função das ocupações irregulares e licenças para construções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), como topos de morros e costões rochosos. Ong’s denunciam, o Ministério Público investiga, secretarias municipais assumem posições divergentes e o mercado imobiliário está nervoso com a possibilidade de criação de mais restrições para a construção civil, com a nova lei. Loisa Mavignier á, no momento, em Armação dos Búzios, uma verdadeira ‘guerra’ ambiental e imobiliária provocada pelo crescimento desordenado, agravado em conseqüência da elaboração do Código do Meio Ambiente do Município. O Código, quando aprovado na Câmara de Vereadores, terá a missão de restringir os empreendimentos em áreas de preservação e garantir um desenvolvimento sustentável para o município. De um lado, ambientalistas, entidades e associações levantam a bandeira em defesa do patrimônio natural provocando o Ministério Público Estadual e Federal a investigar supostas construções irregulares nos topos de morros, costões rochosos e Áreas de Preservação Permanente (APP); de outro, o mercado imobiliário especulando e sempre ávido por empreendimentos no município. Na prefeitura o tema ocupação de áreas de preservação e licenças de construção, no momento, parece ser tabu, já que nem o prefeito Antonio Carlos Pereira da Cunha (PMDB), o Toninho Branco, nem os secretários municipais, do Meio Ambiente e Pesca e o de Planejamento, atenderam aos pedidos de entrevista para a revista CIDADE. O Código Municipal do Meio Ambiente encaminhado pelo prefeito Toninho Branco à Câmara de Búzios no dia 04 de maio deste ano, começou a ser analisado pelos vereadores, e, num futuro breve, poderá restringir as construções de imóveis em áreas tombadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac),

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Condomínio em construção na Praia do Forno

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A cidade não pára de atrair novos empreendimentos.. O Plano Diretor de Búzios, aprovado na Câmara no início de 2006, reconhece que é crescente a ocupação desordenada do solo, com invasão de áreas públicas, áreas verdes de proteção ambiental, entre outras. Em meio a tantas controvérsias, as discussões sobre questões ambientais em Búzios agora avançam a passos largos com a intervenção do Ministério Público, a vigilância das organizações não governamentais (ong’s), o tombamento de áreas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a fiscalização da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). E por iniciativas da própria Prefeitura, como a elaboração do Código Ambiental do município. No município, as posições divergentes em relação à ocupação urbana ficam visíveis quando a secretaria do Meio Ambiente cerceia novas obras em APPs, até mesmo em cumprimento à sua atribuição administrativa; e a secretaria de Planejamento Urbano, responsável pela liberação de licenças de construção, incentiva a expansão. Em 2007 o Código Municipal do Meio Ambiente irá disciplinar de uma vez por todas a ocupação em Búzios. O projeto de Lei Complementar levou um ano para chegar à Câmara de Vereadores, após a aprovação do Plano Diretor da Cidade, que estabelecia prazo de noventa dias para isso. Um atraso que, para a oposição ao prefeito no legislativo, teria o objetivo de favorecer o mercado imobiliário. 29


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Vereadores analisam Código Ambiental de Búzios Código irá disciplinar ocupação urbana no balneário Texto e fotos Loisa Mavignier os próximos 60 dias a Câmara de Vereadores de Búzios tem a tarefa de avaliar e votar o Código do Meio Ambiente do Município que, dentre outras atribuições, trata dos princípios, normas e regras relativos à conservação, à defesa, à melhoria, à recuperação e ao controle ambiental na cidade. O código elaborado pela prefeitura e previsto na Lei Orgânica e no Plano Diretor do Município, se aprovado, e devidamente aplicado, poderá não apagar as seqüelas de uma herança distrital sem ou com quase nenhuma restrição ao uso e ocupação do solo, mas, com certeza, dificultará os abusos ambientais nos 8 quilômetros de península, morros e praias buzianas. Com seus 123 capítulos o Código Ambiental chegou ao legislativo em 04 de maio de 2007, exatamente no momento em que a cidade fervilha de denúncias sobre ocupação irregular em Áreas de Preservação Permanente (APP), e quando aprovado pela maioria dos nove vereadores, irá exercer seu poder de polícia urbanística, especialmente quanto ao controle de loteamentos e condomínios; licenciamento e fiscalização de obras públicas e de bens imóveis com bases nas diretrizes da legislação federal do Meio Ambiente. Além de passar pela avaliação das cinco comissões legislativas antes de ir à votação em plenário, o Código será discutido com a comunidade em audiências pú-

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GENILSON DRUMOND - Presidente da Câmara

Nunca houve planejamento e isso fez com que chegássemos a esse ponto blicas, e poderá receber emendas e sofrer alterações. Cada comissão legislativa tem 15 dias, com direito a prorrogação, se necessário, para dar o seu parecer sobre a proposta do Executivo antes de o projeto chegar à redação final. O presidente da Câmara de Búzios, vereador Genilson Drumond de Pina (PMDB), sugere que durante a avaliação legislativa do Código Ambiental nenhuma licença para loteamentos ou construção seja emitida pela prefeitura, por meio das secretarias de Planejamento Urbano e do Meio Ambiente e Pesca. “Nunca houve planejamento e isso fez com que chegássemos a esse ponto”, lamenta ele, referindose às áreas desmatadas, construções em costões, topo de morro e outras ações desordenadas ao longo dos anos. Genilson exemplifica a falta de planejamento urbano citando a praia Rasa, onde os imóveis impedem a visão do mar. Ele reconhece que é difícil bloquear a expansão urbana numa cidade turística atraente como Búzios, mas entende que é preciso fazê-lo “dentro do possível” porque o município não tem estrutura para um crescimento populacional acelerado. “Frear o crescimento é quase impossível. A Câmara sabe da responsabilidade que tem e quer ser o mais justa possível nessa questão. Tem que ter uma definição clara sobre ocupação urbana, até mesmo para conter esse crescimento em benefício do município, dos buzianos e dos turistas, CIDADE, Junho de 2007

já que a cada ano a cidade vai perdendo o seu bem mais precioso que é a beleza natural”, ressalta Genilson.. Segundo o presidente, até o momento, as informações que tem sobre possíveis embargos de obras em áreas de preservação ambiental são extra-oficiais. Ele considera o Plano Diretor de Búzios é um dos “melhores e mais restritivos” do País e acredita que a Lei Complementar do Código Ambiental virá para somar com o município. Mas antes de ser votado será amplamente debatido com as entidades civis e ambientalistas.

Atraso premeditado Em tom mais duro, o vereador Messias Carvalho da Silva (PDT), 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara de Búzios e presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a primeira a avaliar o Código Municipal do Meio Ambiente, diz que o projeto deveria ter chegado ao legislativo há muito tempo, já que o Plano Diretor do município foi aprovado em maio de 2006 e a prefeitura teria um prazo de 90 dias para encaminhá-lo aos vereadores. “Entendo que esse atraso foi premeditado. Precisou de um ano para elaborar o Código Ambiental, por quê?”, alfineta o vereador. O vereador lembra que na época da aprovação do Plano Diretor de Búzios, o Executivo teria defendido o Direito de Protocolo no tocante à construção de imóveis. Ou seja, mesmo aprovada uma lei, uma vez protocolado um projeto imobiliário ele


VEREADOR MESSIAS CARVALHO

Entendo que esse atraso foi premeditado. Precisou de um ano para elaborar o Código Ambiental, por quê?

continuaria valendo em detrimento de futuras restrições legais. “Derrubamos (a Câmara) esse artigo no projeto do Plano Diretor”, afirma Messias, ressaltando que, a questão ambiental é complexa e exigirá uma análise minuciosa dos vereadores. Na avaliação de Messias, além do aspecto ambiental de que trata o Código do Meio Ambiente é preciso analisar as questões de cunho social e o direito de propriedade. O vereador lembra que o Departamento de Recursos Minerais (DRM-RJ) fez o mapeamento técnico dos morros, costões, lagoas, áreas alagadas e dunas de Búzios onde foram apontadas as APPs, estudo que, junto com as leis ambientais federais, e na falta do Código Municipal do Meio Ambiente, já serviria para nortear as ações municipais em relação à ocupação e uso do solo. Na confrontação de mapas, o estudo constatou que a delimitação de topos de morros feita pela prefeitura era bem menor do que a definida pelo DRM. “Em Búzios tem topo de morro com valor imobiliário. O Código vai definir o grau de ocupação que se pode dar a essas áreas. Temos de identificar o que deve per-

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manecer intocado. Vemos muitos empreendimentos em áreas consideradas de preservação, mas oficialmente não podemos quantificar isso sem uma legislação municipal que legitime o que é ou não é APP”, explica Messias. Segundo o entendimento do vereador, “as Áreas de Proteção Permanente, em tese, não pode ser ocupada. Digo, em tese, porque muitas já estão. A situação é complexa, como vamos tratar disso?”, questiona, garantindo ainda que, em meio às divergências, o consenso na Câmara é envolver a sociedade nessa discussão. Na elaboração do Código Municipal do Meio Ambiente de Búzios, a prefeitura tem de considerar – a legislação ambiental federal, com destaque para o capítulo do Meio Ambiente da Constituição Federal; o Código Florestal lei 4771/65 e suas alterações; o decreto 99274/90 que institui a Política Nacional do Meio Ambiente; a lei 6938/81, associada a Resolução CONAMA 237/97, que estabeleceram normas para o licenciamento ambiental; e a lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), lei 9985/2000.

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Capa Área na Praia do Forno, tombada pelo Inepac, onde foi autorizado um loteamento pela prefeitura.

Denúncias e abusos na Armação Renato Silveira / Fotos PapiPress s vésperas da aprovação de seu Código Ambiental, Armação dos Búzios vê-se às voltas com uma série de denúncias de crimes ambientais e ocupações irregulares do solo, deixando claro que sem uma legislação específica e muita fiscalização, o paraíso turístico que atrai milhares de visitantes durante todo o ano pode transformar-se em breve num inferno. E as denúncias de irregularidades vão desde invasão de áreas públicas para construção de pontos comerciais à criação de condomínios em Áreas de Preservação Permanente, as chamadas APPs. Alguns casos já encontramse nas mãos do Poder Judiciário. A luta promete ser longa. O Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural - INEPAC - deu o pontapé inicial denunciando a criação de um “condomínio voluntário” na Praia do Forno em uma APP, numa região considerada não edificável. A denúncia, encaminhada ao Judiciário e Legislativo, já foi objeto de pronunciamento do vereador Alexandre Martins (PDT), mas a situação é mais séria do que aparenta. De acordo com o vereador, além do desrespeito à moratória decretada na cidade, suspendendo os empreendimentos imobiliários por um período, a legislação foi alterada com o intuito de beneficiar o empreendimento, com desrespeito a pareceres de arquitetos do próprio Governo Municipal. “Prepararam uma lei em agosto de 2005, deixando o terreno pronto para que dessem entrada no projeto em dezembro do mesmo ano. A aprovação veio cinco meses depois, mesmo com parecer contrário de técnicos do próprio governo” afirmou o parlamentar. De acordo com o vereador, o tal “parecer contrário” dos arquitetos da prefeitura foram descartados pela assinatura final do secretário de Planejamento, que se valeu da nova lei para aprovar o empreendimento. A briga agora está

À

Área 1

Área 2

Ruy Borba Filho / JPH

Mapa do bairro da Ferradura mostra que as áeras ocupadas estavam destinadas a ruas e jardins.

Obra em topo de morro no bairro da Ferradura, sem licença ambiental.

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na Justiça, para saber qual lei vale mais: a moratória, a APP ou a nova, criada a toque de caixa?

Ferradura Reloteada A invasão de áreas públicas para construção de pousadas e similares também parece estar na ordem do dia da península. Segundo a Associação de Moradores e Caseiros da Praia da Ferradura - AMOCA -, essa é a situação que vem ocorrendo no Condomínio Atlântico, cuja planta inicial, feita à época em que o município ainda era distrito de Cabo Frio, deixou de valer a partir de mudanças feitas em cartório. De acordo com o presidente da entidade, Romero Medeiros, toda uma área pública de mais de 600 mil m2, já deixou de existir, e isso já está sendo cobrado pelo Ministério Público, que acatou a denúncia da associação. “Agora, estão construindo uma pousada que invade, de acordo com a planta inicial, além de uma área pública, que deveria ser destinada a praças e parques, um pedaço da rua e o canteiro lateral. Um verdadeiro abuso. Ainda há um outro pedaço de esquina que virou lote, em padrões menores que os permitidos pela Lei de Zoneamento, que fixou em no mínimo 1.200 m2. O tal terreno tem apenas 896” apontou. Com a ocupação imobiliária dos costões rochosos, Búzios está se transformando numa “favela de ricos”, radicaliza o presidente da Associação Protetora de Afloramento Rochoso e Litorâneo de Búzios – a Aparli-Búzios, também secretário municipal de Habitação, Manuel Eduardo da Silva, o Marreco. Marreco conta que numa noite de lua daquele ano, ele e um amigo tentavam matar um peixe na pedra no costão da Ferradura quando um segurança de uma área, já loteada, confundindo-os com ladrões, teria disparado tiros em sua direção. “Fiquei indignado. O buziano e o turista não têm mais liberdade de acesso a alguns pontos do costão, saíram lotando tudo. Estão privatizando o costão rochoso. Queremos preservar o que temos direito. Não estamos brigando contra as pessoas que querem construir, mas defendendo a natureza como fonte de renda de Búzios, que vive do turismo”, explica.

Com a ocupação imobiliária dos costões rochosos, Búzios está se transformando numa “favela de ricos Manuel Eduardo da Silva - Secretário de Habitação

Àrea 1 Construção de pousada ignora ruas e meio fios

Vereador Alexandre Martins

“Aprovação (do Planejamento), mesmo com pareceres contrários de técnicos do governo municipal”

Romero Medeiros Presidente de AMOCA

“Estão construindo uma pousada sobre área pública”

Área 2 - Ferradura: Esquina é transformada em lote de 896 m² , onde a lei determina metragem mínima de 1.200m² CIDADE, Junho de 2007

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Região

PESCA Só para não profissionais MARLON DA ROCHA GUIMARÃES presidente da Associação de Pescadores Artesanais e Amigos da Praia da Pitória

Fazendo bicos fora da pesca

Praia da Pitória - São Pedro da Aldeia Barcos parados durante o defeso Renato Silveira / Fotos César Valente esde o acidente ambiental ocorrido no mês de janeiro, quando uma brusca baixa de oxigênio na Lagoa de Araruama, provocou a morte de toneladas de peixes de diversas espécies, a situação dos 2.400 pescadores cadastrados na Colônia Z 6, é incerta. Com a proibição da pesca por três meses, muitos estão em situação difícil, já que o seguro-desemprego não foi aplicado nesse caso. A proibição, que vence no dia 8 deste mês, coincidiu com o período de defeso do camarão, o que fez com que Haroldo Pinheiro, presidente da Colônia, tentasse fazer garantir o direito ao seguro utilizando essa lei, mas isso não foi possível. “A informação que recebemos é que o pescador da lagoa não tem direito ao defeso do camarão, o que até ano passado não era verdade. E o pior é que a pesca de linha está liberada informalmente, é só dar uma volta na orla da lagoa para verificar isso. Mas o IBAMA só reprime o pescador profissional”, queixou-se. A pesca amadora na orla é uma realidade. Os praticantes dizem desconhecer a proibição da pesca. É o caso de Pedro (preferiu identificar-se apenas as-

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sim), que praticava seu lazer na maior tranquilidade na orla aldeense. “Não sabia que a pesca estava proibida.Tem bastante peixe na lagoa, não precisavam tomar uma decisão tão radical”, acredita. Os maiores prejudicados com a diversão dos leigos já não sabem mais como agir. De acordo com Marlon da Rocha Guimarães, presidente da Associação de Pescadores Artesanais e Amigos da Praia da Pitória, em São Pedro da Aldeia, muitos já estão saindo com seus barcos à noite, na clandestinidade, para garantir o pão de cada dia. “A gente recomenda para eles não fazerem isso, mas não podemos proibir. Outros, como eu, já estão fazendo bicos fora da pesca, para garantir uma graninha, já que a ajuda do governo não veio”, reclamou. A chefe do escritório regional do Ibama, Lísia Barroso, admite que devido às inúmeras atribuições, sua equipe não dá conta de executar uma fiscalização eficaz na lagoa. - O IBAMA/Cabo Frio fez algumas operações de fiscalização durante o período de vigência deste defeso. Mas com apenas dois fiscais e um analista ambiental, sem uma embarcação apropriada e com treze municípios da Região dos Lagos e das Baixadas Litorâneas, não dá para atender a todas as demandas”, explicou. CIDADE, Junho de 2007

HAROLDO PINHEIRO - presidente da Colônia de Pesca Z-6

O IBAMA só reprime o pescador profissional Arquivo

LÍSIA BARROSO - Chefe do Ibama Cabo Frio

Não dá para atender a todas as demandas


Álcalis em debate na Alerj Juliana Vieira

presidente da Comissão de Trabalho da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT), propôs na sexta-feira (18/5), que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receba os representantes da Companhia Nacional de Álcalis para ouvir uma explanação dos problemas e do plano de saneamento da empresa. O objetivo do parlamentar é facilitar as relações entre o banco e a empresa, que passa por dificuldades financeiras. “A idéia surgiu aqui, durante a audiência pública. Vou ser um intermediário no assunto. O representante da Álcalis terá oportunidade de expor, com a apresentação de números e grá-

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ficos, a real situação dessa empresa tradicional. O encontro no BNDES transmite uma credibilidade política, pois existe uma grande possibilidade do financiamento dessa dívida por parte do BNDES”, afirmou Ramos. Para a reunião marcada para o dia primeiro de junho na sede do BNDES, foram convidados o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), o prefeito de Arraial do Cabo, Henrique Sérgio Melman, o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno. O vice-presidente da Companhia de Álcalis, Emerson Jasmim, considera que sejam necessários U$ 50 milhões para o total saneamento das dívidas da empresa, dinheiro que poderia vir por meio de um empréstimo do BNDES. “O desemprego tem sido muito grande, existem diversas famílias na região que dependem da em-

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presa. Neste primeiro encontro, demos um passo importante na luta desses funcionários”, salientou Jasmim. O representante do BNDES, José Eduardo Pessoa, presente no debate, se dispôs a colaborar com a causa da empresa. “O BNDES está de portas abertas para ouvir os anseios dos funcionários. Nós temos um compromisso com a sociedade. É importante esse debate para saber da possibilidade de ajudar e participar deste reerguimento da empresa”, disse. A Álcalis, fundada em 1943, é a única produtora de barrilha (carbonato de sódio) da América do Sul. Para Paulo Ramos, a privatização da empresa ocorrida em 1992, foi nefasta para a empresa. “Sempre fui contra a privatização. Quando eu vou a Álcalis, eu me lembro da era Vargas. É triste vermos a situação atual”, concluiu Ramos.

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Especial

Tambores do jongo ecoam em Cabo Frio Antiga e encantadora dança de escravos pede passagem na Região dos Lagos Thiago de Freitas través de um amplo trabalho de pesquisa e resgate feito pela Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade (Tribal), uma das mais antigas e populares danças folclóricas do Brasil, o jongo, está voltando à vida em Cabo Frio, onde em outrora já teve raízes fincadas. Ao som dos tradicionais tambores que fazem parte dessa dança, mais de 20 pessoas participaram da última oficina de jongo, promovida em maio pelo grupo, na Casa dos 500 Anos, localizada no bairro Portinho. A oficina foi ministrada por Dona Su, jongueira e viúva de Mestre Darcy, um dos mais importantes percussores do jongo no Rio de Janeiro, em especial no morro da Serrinha, em Madureira, local este onde também nasceu e foi criada Dona Su – menos conhecida como Norma Sueli Pereira Arcanjo. Com 53 anos de idade, 20 deles dedicados ao jongo, Dona Su representa hoje um legado de conhecimentos, deixados pelo marido, sobre essa manifestação cultural, que tem o poder de hipnotizar quem se põe a admirar os toques, cantos e passos que dela são característicos. “É a primeira vez que vejo e achei encantador. A música, os toques dos tambores, a dança como um todo parece nos envolver em uma atmosfera bastante especi-

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al”, diz a técnica em administração, Elisângela Carvalho, de 24 anos, que assistiu à oficina. Para Dona Su, o jongo representa uma arte de resistência devido às origens negras que possui, vinculada à escravos trazidos da África para o Brasil no período colonial. “Sem o jongo, a vida para mim não seria a mesma. É através dele que nos fazemos fortes, mostrando nossa cultura. É uma arte de resistência, de alegria, como gostava de dizer o Darcy. E enquanto tiver sangue correndo nessas veias (aponta para o braço) estarei cantando, tocando e dançando jongo com meus meninos e meninas”, afirmou Dona Su, falando também a respeito do grupo Jongados da Vida, fundado pelo velho jongueiro durante uma oficia de quatro meses, ministrada por ele a alunos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), ligado a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2000. O antropólogo Rodrigo Folhes, de 31 anos, é fruto desse trabalho de Mestre Darcy, e ainda hoje ajuda Dona Su na missão de dar continuidade ao que ele começou. Mestre Darcy morreu em 2001. CIDADE, Junho de 2007

“Acho que o Mestre Darcy deu uma grande contribuição para que essa arte fosse preservada e difundida, conseguindo abrir espaço para ela na sociedade, nos teatros e casas de show etc. Em Cabo Frio, vejo que a Tribal está também fazendo um importante trabalho para trazer de volta algo que já foi tradicional aqui”, analisou Rodrigo, que revelou ainda a melhor lembrança que guarda do antigo mestre jongueiro: “ele tocando tambor, claro ”. Segundo André Amaral, o Gaúcho, que também participou do trabalho de pesquisa da Tribal sobre o jongo - além de outras danças e tradições artísticas, entre elas a ciranda – essa arte já foi, de fato, uma cultura enraizada em Cabo Frio, durando provavelmente do início a meados do século 20. O jongo costumava acontecer em frente ao Convento Nossa Senhora dos Anjos, no Largo de Santo Antônio; outro grupo o realizava no Largo de São Benedito, no bairro Passagem.


Arquivo

Tribal: Agitadores culturais resgatam tradições com alegria e arte “Descobrimos, através do baú do Hilton Massa (escritor de Cabo Frio), que o jongo já foi popular nesses locais. Procuramos um parente de membros de um desses grupos, mas ele não soube falar a respeito”, conta André, acrescentando que o grupo pretende, futuramente, trabalhar na pesquisa e resgate de mais outras danças folclóricas, como o tambor de crioula, o cateretê, tambor de mina entre outras. Uma nova oficina de jongo está prevista para novembro deste ano.

“Saravá, jongueiro velho, dá licença pra eu cantar” Esse é um dos versos de uma cantiga, na qual fica claro o respeito que os mais novos precisam ter pelos mais velhos nas rodas de jongo. Rituais e tradições de uma dança repleta de encantos e misticismos. Os antigos dizem que o jongo é a “dança das almas”. Em volta da fogueira, sempre à noite, os velhos jongueiros eram capazes de realizar encantamentos com os passos misteriosos e os cantos enigmáticos, em linguagem cifrada, compreendidos apenas pelos versados na mandinga. O jongo é tido como irmão mais velho do samba. É uma das mais ricas manifestações da cultura afro-brasileira. Originário dos batuques e danças de roda trazidos

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do Congo e de Angola pelos negros da nação Bantu, o jongo é uma dança comunitária de origem rural que data da época da escravidão e que se espalhou por Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, áreas de marcante presença de escravos bantos. Com a decadência da lavoura cafeeira do Vale do Paraíba e a abolição da escravatura, um grande contingente de negros dirigiu-se para as zonas urbanas da cidade do Rio de Janeiro. Na bagagem, trouxeram a tradição da dança dos ancestrais. Com a especulação imobiliária, a política de higiene sanitária e a reforma urbana da capital federal empreendida pelo prefeito Pereira Passos, no início do século XX, contingentes significativos de negros

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Especial André Amaral

lhos podiam dançar o jongo, pois eram os únicos que conheciam os fundamentos contidos em seus pontos. Nos dias de festa, os jongueiros acendiam uma fogueira e iluminavam o terreiro com tochas. Do outro lado, montavam uma barraca para dançar o “calango”, arrasta-pé ao som de sanfona e pandeiro. Os tambores eram postos junto ao fogo, que aquecia os couros, dando-lhes a afinação necessária para ecoar. Durante a noite, a dança era interrompida quantas vezes fossem necessárias para que os tambores, “roucos”, fossem novamente aquecidos. Os tambores do jongo, feitos de um único tronco de árvore escavado, são chamados de caxambu. O de som mais grave é também chamado de tambu, e o de som mais agudo, candongueiro. A dança do jongo é de roda e costuma ser dançada com os pés descalços. Um casal por vez se dirige ao centro, girando no sentido anti-horário e às vezes ensaiando uma umbigada – no jongo, a umbigada é de longe. A música tematiza situações do cotidiano, cantadas de improviso em relação com pontos tradicionais que são respondidos em coro pelos participantes, numa combinação empolgante de batuque, canto, dança, religiosidade e brincadeira. Pontos de “demanda” e “visaria”, muitos deles centenários, além de improvisos e disputas entre os cantadores, compõem o repertório dos jongueiros, que se alternam com os casais no centro da roda formada a partir da disposição dos tambores.

Tribal apresenta Oficina do Jongo para Cabo Frio

foram expulsos dos cortiços do centro da cidade e subiram os morros. Com eles foi o jongo, para os morros de São Carlos, Mangueira, Salgueiro e Serrinha. Neste último, principal reduto de jongueiros da cidade, nasceu, em 1932, Darcy Monteiro, o Mestre Darcy do Jongo, filho de Pedro Monteiro e da mãe-de-santo e jongueira Vovó Maria Joana Rezadeira. Diz-se que antigamente só os mais ve-

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Gente Colaboração: Maryane Medeiros

Expressivos Anos O aniversariante, Maestro Ruy Capdeville, viveu um dia repleto de comemorações no dia 19 de maio último. Pela amanhã, foi homenageado com a inauguração de uma Escola Municipal que levou o seu nome, na Vila do Sol, em Cabo Frio. Depois, prosseguiu comemorando, e festejou, junto com o seu aniversário de expressivos anos, os 32 anos do Coral Cantavento.

Super Gerente O cabista Damião Teixeira Sobrinho, mais conhecido como Gaguinho, comemora 49 anos a serviço de um dos mais tradicinais clubes de Cabo Frio, o Clube do Canal. Gaguinho, que acompanha a terceira geração de sócios, é o “faz-tudo” do clube.

Boa, redonda, e todo mundo ama A Distribuidora de Bebidas Marbela comemorou seus 20 anos de atividade com um super evento no Clube Costa Azul, em Cabo Frio. Funcionários, diretores, amigos e familiares festejaram, junto com o aniversário da empresa, a chegada da marca Brahma, que passa a ser comercializada pela Marbela, que já detinha a distribuição da Skol, Antártica e Bohemia.

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Novos formatos dão aproveito inteligente aos cantos de armários das cozinhas

Ambientes com exclusividade Indústria moveleira de Cabo Frio une o talento local com eficiência e qualidade Renato Silveira / Fotos César Valente abe aquela cozinha maravilhosa que você viu em um cenário de novela? Ou aquele quarto para o seu filho adolescente, que precisa de muita coisa em pouco espaço? Ou então o sonhado escritório de trabalho, onde se pode juntar o conforto à praticidade? Pois tudo isso está ao seu alcance aqui pertinho, em Cabo Frio, na primeira fábrica de móveis exclusivos da Região dos Lagos, a D&C, cujo proprietário, Ricardo Guadagnin, com 23 anos de indústria moveleira, aposta na exclusividade e na qualidade de seus produtos, para conquistar uma clientela exigente e de bom gosto. Em Cabo Frio há 7 anos, Ricardo conta que a princípio, trabalhava com fábricas famosas como Rudnick e outras, mas há cerca de dois anos descobriu que a Região já necessitava de um trabalho mais exclusivo, com produção caseira e de qualidade. “O nosso cliente procura um diferencial, e aqui ele encontra além disso, a qua-

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lidade dos produtos, tanto no acabamento como no visual, sem falar na rapidez na entrega, o que surpreende a maioria deles”, explicou. Essa rapidez, que faz com que produtos anteriormente entregues com prazos entre 30 e 40 dias, sejam reduzidos para apenas 10 dias úteis, vem agradando a clientela local. “E não é só isso. Além da rapidez na entrega, possibilitada por termos uma fábrica aqui mesmo em Cabo Frio, podemos dar assistência técnica imediata, caso algum problema surja no ambiente solicitado”, festeja Ricardo. Para garantir a rapidez e a qualidade dos produtos da D&C, Ricardo conta com 13 funcionários, além de dois designers, responsáveis pela produção dos ambientes expostos na loja da Teixeira e Souza. “Num programa de computador com perspectiva em 3D, o cliente tem a exata noção de como ficará o ambiente desejado. Além disso, fazemos visitas técnicas ao local, e uma visita exclusiva após a realização do serviço para checarmos o reCIDADE, Junho de 2007

sultado final”, explicou o arquiteto André Luiz de Lacerda. A altas qualidade dos produtos da D&C já chamou a atenção de grupos empresariais como Sebrae e Firjan, que conferiram à indústria o prêmio Top Empresarial conferido à pequenas empresas que se destacam em seu ramo de atividade em nosso Estado. “Consideramos esse prêmio e o nosso crescimento no mercado como resultado de um trabalho que abrange cuidados em todas as áreas. Nosso material de trabalho, por exemplo, é ecologicamente correto. Estamos ampliando nossa divulgação e publicidade, e temos até um site que é o www.lojadec.com.br”, explicou. Toda essa exclusividade e até mesmo o luxo oferecido pela D&C pode assustar o consumidor comum, que imaginará serem os produtos “areia demais para o seu caminhão”. Mas podem relaxar. Além dos preços acessíveis à vista, eles também podem ser parcelados em até 15 vezes, dentro de planos oferecidos pela casa. A garantia é de dois anos.


Indústria

Beliches com novas configurações

A altas qualidade dos produtos já chamou a atenção de grupos empresariais como Sebrae e Firjan, que conferiram à indústria o prêmio Top Empresarial

Quartos projetados para espaço de 3 x 3 metros

Linha de movéis levam em conta os espaços reduzidos das construções modernas, e necesidades do dia-a-dia atual RICARDO GUADAGNIN

Por termos uma fábrica aqui mesmo em Cabo Frio, podemos dar assistência técnica imediata CIDADE, Junho de 2007

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O mesmo padrão para todas as escolas

Mudando o padrão Secretaria de Educação de Cabo Frio tem o maior orçamento do município e investe em nova estrutura para as escolas municipais Renato Silveira / Fotos César Valente om um orçamento de R$ 80 milhões/ano, a Secretaria de Educação de Cabo Frio administra uma verba quase três vezes maior que todo o município de Iguaba Grande (R$ 29 milhões em 2006). Essa quantia, nada desprezível, vem modificando o setor, tanto na parte física, onde está prevista a construção de 8 escolas-padrão (três já estão em funcionamento), quando na parte pedagógica, setor em que o município foi bem avaliado pelo MEC no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico - IDEB - , ficando em 8º lugar em todo o Rio de Janeiro, com a nota 3,9, de um ideal de 6. Suzana Maria dos Santos é diretora da Escola Municipal Manoel Mendes, no Guarani, uma das três do novo padrão já em funcionamento. Voltada para o público pré-escolar, a escola pos-

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sui 9 salas de aula, com 18 turmas divididas em dois turnos, e possui uma infra-estrutura bem diferente da co-irmã do bairro vizinho. “Vim de uma escola em casa alugada, e esse novo padrão é muito bom, com boas salas de aula, um bom refeitório, sala de multiusos para leitura, vídeo e recreação, além de um bom espaço para lazer”, comemora a diretora A Prefeitura de Cabo Frio pretende construir, este ano, 8 escolas no novo padrão. Segundo o secretário de Obras, Carlos Sant’anna, os bairros onde elas funcionarão já estão definidos, e algumas já se encontram em fase final da obra. “São duas no Guarani, uma no Parque Burle, na Boca do Mato, Manoel Corrêa, Jardim Esperança, Jardim Peró, duas no Segundo Distrito” informou, dizendo também que há mais três em fase de projeto.

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Educação uniforme, material escolar e transporte para alguns. Administramos uma rede de 2500 funcionários e 3500 professores. Temos um bom orçamento, mas um custo de manutenção bem alto também. Lembrando que a cada ano recebemos mais 2 mil novos estudantes. Mesmo assim, planejamos para o futuro, e isso já está incluído no Plano Diretor, que todas as escolas do Escolas em prédios município funcionarão em regime alugados estão com os integral, a exemplo da Escola da dias contados Boca do Mato”, informou. Segundo o secretário, aos poucos o município vai se libertar das escolas alugadas, o que não aconteceu ainda porque a política é não deixar nenhum aluno fora de sala de aula. “Temos de obedecer nossa demanda, e por isso necessitamos ainda das escolas alugadas, mas aos poucos vamos construindo nossa rede e sair do aluguel”, afirmou Secom/CaboFrio

Segundo o secretário, já foram realizadas mais de 150 intervenções reformando e ampliando outras escolas da rede. “Vamos construir também um novo Ruy Barbosa, que é uma escola do antigo segundo grau, que mesmo não fazendo parte das obrigações do município, é uma tarefa que o governo abraça com prazer, pois é uma escola tradicional e é a única que atende a esse segmento”, disse Para o secretário de Educação Paulo Massa, que administra a maior verba do município, acima das secretarias de Obras e Saúde, as novas escolas “são apenas um pequeno passo” no salto pretendido para a Educação, em Cabo Frio. “Temos 34 mil alunos na rede, em 75 unidades escolares. Cada um custa cerca de R$ 200 mensais para o município, que é mais ou menos o preço de uma escola particular, incluindo aí

PAULO MASSA - secretário de Educação

SUZANA MARIA DOS SANTOS - diretora da Escola Manoel Mendes

Cada ano recebemos mais 2 mil novos estudantes

Vim de uma escola em casa alugada, e esse novo padrão é muito bom

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CARLOS SANT’ANNA - secretário de obras

Mais de 150 intervenções reformando e ampliando escolas da rede

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Arquivo

Maestro Ângelo Budega Oferecendo a música como opção para meninos e meninas das comunidades

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Cultura

MÚSICA DE GENTE GRANDE bel em Cabo Frio não matou Caim, gerou Alvinho, Ângelo e Alex, músicos como o pai. Das rodas de samba, choro e serestas compartilhadas em família eles iriam guardar a memória musical que lhes alimentaria a profissão. Memória esta que, cercando a hereditariedade, inclui o tio Maestro Jessé, irmão da mãe. Testemunhas não faltam ao talento destes galhos genealógicos. Alvinho residiu na Itália por muitos anos e atualmente roda o Brasil e o mundo como violonista da banda da cantora Alcione, Alex endoidou muito japonês com o seu cavaquinho, e Ângelo, que também deu seus vôos intercontinentais, por muito tempo acalentou um projeto genial em sua terra, o Apanhei-te Cavaquinho, orquestra de cavaquinho e solo de clarineta formada por jovens moradores das comunidades cabo-frienses descobertos pelo ouvido apurado do Maestro Ângelo Budega. Espécie de ramificação espiritual da árvore de Abel, por onde já passaram mais de quatrocentos meninos e meninas, o projeto completa doze anos de existência e conta atualmente com cerca de cem integrantes. O Maestro faz questão de ressaltar que a trajetória é dura: “O Apanhei-te Cavaquinho é fruto de meu pensamento acerca de música, mas principalmente é resultado dos laços de convivência com estes jovens, grandes seres humanos que fui conhecendo e participando de suas realidades, a duras penas possibilitando-lhes receber educação musical aberta, sobretudo formando agentes culturais capazes de lidar com o mundo de forma mais promissora. Além de ter sido criado em ambiente pródigo em música, eu estudei música, mas o que permeia o meu trabalho com o grupo não é a visão matemática da música, que privilegia a técnica e a leitura de partitura em detrimento do desenvolvimento da memória musical que todos temos de forma inata e da criatividade.” Além do incansável empenho pessoal de Ângelo Budega e da colaboração de eventuais apoiadores, o projeto Apanhei-te Cavaquinho contou com o apoio dos governos de José Bonifácio, Alair Corrêa e continua recebendo subvenção do governo do prefeito Marquinho Mendes. Apoio institucional também já partiu de outras esferas como o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que através de seu Museu de Arte Religiosa e Tradicional viabilizou apresentações do Apanhei-te Cavaquinho em sua própria sede e em viagens ao sul do país.

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Com importantes apresentações no currículo, estes precoces virtuoses mostram um sólido repertório que abrange de Villa-Lobos a Ernesto Nazaré, passando por Waldir Azevedo, Pixinguinha, entre outros. Recentemente se apresentaram no Encontro Internacional de Harpas, Rio de Janeiro, em raro espetáculo em que o encontro de harpas e cavaquinho emocionou em interpretações de clássicos de Tom Jobim. Duas integrantes do grupo – a cavaquinista Rafaela Senos, de 12 anos, e a clarinetista Débora Brasil, 16 – participam do quadro Novos Talentos, do Programa da Xuxa, na Rede Globo. Para o maestro Budega, as

conquistas demonstram que vale o esforço e a alegria de ver o Apanhei-te ir e vir. Tem sido uma abertura para aqueles que jamais imaginaram ter alguma perspectiva na vida. O reconhecimento tem a marca do talento do Maestro e dos jovens músicos, que inserem o Apanhei-te em contexto cultural mais amplo. Pela quarta vez consecutiva foram convidados para o Festival Latino Americano de Educação Musical – FLADEM, que este ano será sediado pela cidade de Lima, no Peru – Atenção patrocinadores em busca de boa imagem para os seus negócios! Demarcar o ano de mil novecentos e noventa e cinco como o marco inicial do projeto Apanhei-te Cavaquinho está correto, porém o lastro embrionário é muito anterior. Remonta ao ambiente musical do quintal de Abel, quando os filhos punham os dedos a engatinhar dedilhados nas cordas e iniciavam seus sonhos de ir além com os seus projetos de vida. O Apanhei-te é o projeto de vida do maestro Ângelo Budega. Certamente originada do germe das idéias socialistas a responsabilidade social como se aplica é também escape para aliviar o imposto de renda e ainda rende bom marketing às empresas patrocinadoras. Bom para todas as partes envolvidas. Que assim seja enquanto fomente toda e qualquer manifestação de dignidade humana, seja pela via cultural, esportiva, ou pela assistência social mais direta, tais como os programas de nutrição infantil, de atendimento médico e educacional. No caso do Apanhei-te Cavaquinho houve um trabalho de base. Retirar meninos e meninas do caminho incerto das ruas, como ocorreu inicialmente, e introduzi-los no mundo da música não é tarefa pacífica, há uma boa luta a se travar. O que o Maestro Budega se propôs a fazer é mais que dar aulas de música, é mais que formar um grupo musical, é se aproximar de universos humanos distintos e lidar com as suas carências e potencialidades, sempre buscando o engrandecimento humano através da música. É autêntica responsabilidade social.

Autêntica responsabilidade social

Arquivo

Octavio Perelló

Merecido reconhecimento

APANHEI-TE CAVAQUINHO Mais de quatrocentos jovens já passaram pelo projeto

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Artigo

CARPE DIEM rasileiro, este é seu nome, se aproximou e estendeu o braço, se intrometendo entre os que estavam à sua frente. Colocou o pacote de guardanapos sobre o balcão e perguntou: “Quanto é?”. Só mais tarde se deu conta do silêncio que se seguiu, e se lembra do constrangimento quando a atendente fez a volta no balcão, pegou seu braço, olhou-o nos olhos e perguntou, “Não está vendo estas pessoas à sua frente?”, seguindo com “Vá para o final da fila e aguarde sua vez”. Nos anos em que ficou no país onde teve a experiência - e não importa qual foi - não repetiu o comportamento a que se habituara no Brasil. Entendeu, numa única lição, que havia cometido uma violência, a violência de não respeitar o outrem, de não vê-lo, de ignorá-lo, de agir como se não existisse, como se não tivesse nem mesmo nascido. Se sofresse de amnésia, depois da experiência, teria certeza de que não era um ianomâmi. Brasileiro entendeu que a noção de violência envolve os atos que negam ou tendem a negar a existência de outrem. Para este a sensação é de impotência, a de que sua vida não vale absolutamente nada. A sensação de impotência vendo permanecer impune o que assalta, mata, estupra, engana. A sensação de impotência diante da corrupção endêmica da qual participamos direta ou indiretamente. Quem jamais experimentou a sensação que negue a essência do caráter nacional desse conjunto de indivíduos que se sentem Brasil. Estamos assustados porque há sangue no chão. O fato, porém, é que nada dizíamos, nada dissemos, nada dizemos, quando se trata do Brasileiro que se comporta, numa farmácia, numa padaria, num restaurante, em todos os lugares por onde anda, exatamente como se comportou Brasileiro em país que não o nosso e “se deu mal”. Nada se diz quando se trata do Brasileiro que liga o seu rádio em tal volume que se torna impossível aos seus vizinhos ouvirem o seu, a conversar sem ser necessário elevar a voz. Quando se trata do Brasileiro que, esperto, ocupa a vaga onde alguém pre-

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Ernesto Lindgren tendia estacionar. Quando se trata do Brasileiro que “não está nem ai” para o resto do mundo. Brasileiro, no Brasil, não é mal-educado. É o que sempre foi: violento. Podemos ser pela paz, podemos fazer marchas, promover reuniões, passeatas, contribuir para que ONG´s organizem programas

de assistência aos que necessitam. De fato, somos pela paz, fazemos marchas, contribuímos. Mas isso não nos impede, dia após dia, onde quer que estejamos, de sermos violentos. Estamos assustados porque há sangue no chão. Mas, do que se trata quando muitos se ocupam em fazer apelos para o desarmamento dos espíritos, em apontar culpados, em apontar soluções para uma condição que não tem solução já que estamos sendo o que somos? Há no caráter nacional algo que nos faz assim, carpe diem, aproveitando o dia, aqui e agora. Mas não se pergunte o quê. Não queremos saber, mesmo porque, sabendo, não conseguiremos mudar. Ernesto Lindgren é sociólogo

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Livros Octávio Perelló

Caminho dos Jesuítas A História dos Jesuítas na região e no caminho percorrido por estes, passando pela Serra de Sapiatiba até a Serra do Mar é o tema de Caminho dos Jesuítas (IPEDS, 2007, 50 páginas), da pesquisadora Dalva Mansur, lançado recentemente na Casa de Cultura Gabriel Joaquim dos Santos como parte das comemorações ao 390º Aniversário de São Pedro da Aldeia, Editado em formato de revista, com farta ilustração que reúne mapas antigos e modernos, o livro faz parte do projeto Conhecer para Preservar, que conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, através dos Projetos Demonstrativos (MMA-PDA). O objetivo do projeto é fomentar o turismo ecológico e tem abrangência que transcende a pesquisa e a publicação de livros, pois em breve será lançado o selo Serra de Sapiatiba para chancelar os produtos feitos naquela região como queijo e farinha.

LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS A liberdade de escrever

No Reino dos Contistas

Há livros que se tornam referências. Seja romance, conto, poesia, ensaio, vale o que significa para o público leitor. Erico Veríssimo desfila uma prateleira cheia que marcou a sua promissora carreira. Mas fora dos romances, o escritor está pleno em A Liberdade de Escrever: entrevistas sobre literatura e política; apresentação de Luis Fernando Veríssimo; organização de Maria Glória Bordini (Globo, 1999, 210 páginas). Trata-se de uma compilação de entrevistas concedidas ao longo dos anos, reunindo seu pensamento e suas observações acerca de literatura e política. Um dos raros escritores brasileiros que a exemplo de Jorge Amado pôde viver de literatura, Erico revela facetas surpreendentes, sólidas idéias e grande coragem intelectual e humana. Destaque para a entrevista concedida à Clarice Lispector publicada na revista Manchete em 1967, em que afirma: “Não sou profundo”. Destaque também para as páginas em que são reproduzidos os desenhos e perfis dos seus personagens, que o escritor sistematicamente produzia, revelando um processo peculiar de criação.

Depois do lançamento do ótimo Anotações Durante o Incêndio, Cíntia Moscovich se supera em O Reino das Cebolas (LP&M Pocket, 2002, 114 páginas). Hábil narradora, a escritora gaúcha, que também é romancista, carrega seu texto de significados e chancela o conto como forma de expressão narrativa no momento em que este vem sendo posto à prova, como bem assinala Luis Antonio de Assis Brasil. Quem verdadeiramente aprecia o gênero irá se deparar com o vigor destes contos.

Escreva Certo Os escritores se salvam – entre estes há maior competência para a produção de textos e revisão mais apurada –, os jornalistas nem tanto, pois lutam contra o tempo e incorrem em muitas agressões à gramática. Diante desta triste realidade, há luz no fim do túnel. Em tempos de tantas edições de autoajuda, é bom exaltar quem pretenda ajudar à língua portuguesa. Escreva Certo, de Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd (LP&M Pocket, 2007, 145 páginas), nos presta seu auxílio luxuoso. Na mesma linha de trabalho dos professores Sérgio Nogueira, Pasquale Cipro Neto e Arnaldo Niskier, o livro trata a gramática com seriedade enquanto a disseca de forma lúdica e sem traumas.

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OPINIÃO

Ernesto Galiotto

Ernesto Galiotto

MORRO DE SÃO JOÃO O MARCO DA REGIÃO

Estão aniquilando a Natureza. E as autoridades estão cegas ou fingindo cegueira

á milhares de anos, o Morro de São João era um vulcão, numa ilha. O vulcão se extinguiu, o mar recuou e a Natureza tomou conta, cobrindo-o de Mata Atlântica e, generosamente, ainda desenhou o meandro do Rio São João, a caminho da foz aos pés da ponte que divide os dois municípios: de um lado Barra de São João (Casimiro de Abreu) e, de outro, Tamoios (Cabo Frio). Visto de cima, do ângulo da foto, por detrás do morro percebe-se o ziguezague do famoso rio. Mais distante, ao fundo, o crescimento da região de Tamoios - embora desordenado. Estaria tudo bem, se não houvesse a ganância e a agressiva depredação dos Humanos (bichos não agridem a Natureza). A imagem evidencia que não há lei para esse tipo de oportunismo. As manchas de roças e de edificações, tomando de supetão as escarpas do morro, fingem roças ricas em hortaliças. Pura enganação! São alguns fazendeiros, exterminando a Mata Atlântica para ampliação de pastagem. De onde são esses cidadãos? E quais são as suas desculpas, se existem, para aqueles que deveriam fiscalizar? Alegam que a responsabilidade é empurrada de um para outro, já que, na verdade, nenhum dos órgãos fiscalizadores assume seu objetivo, ou veste a camisa, como deveria fazê-lo. No máximo, cumprem obrigação mínima de funcionários públicos. Perceber a distância da atitude fiscal necessária, não é privilégio da alti-

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tude do Mico-Leão-Voador. A visão da máquina fotográfica, todos têm. Basta dirigirem-se ao local para ver a gravidade da questão. E poderão ver com os detalhes que escapam da lente, pois, a 3.000 pés de altura, é impossível visualizar os cruéis caçadores que percorrem o morro, substituindo o prazer de curtir a Natureza, por criminosos tiros contra a Fauna. Em doze anos sobrevoando esse trecho, percebemos ainda outro aspecto. A parte frontal do morro, vista pela população dos dois distritos, permanece menos agredida, enquanto que na face detrás, como covardes ocultos, estão aniquilando a Natureza. E as autoridades estão cegas ou fingindo cegueira. As agressões têm andamento tão acelerado, que urge imediata ação fiscal, com aplicação das leis ambientais, coibindo, multando e cobrando os responsáveis, além de exigir a completa devolução das áreas degradadas à regeneração da Natureza. Como fiscal gratuito do território, reclamamos explicação do Ibama, das Secretarias de Meio Ambiente, da Serla, da Feema e da Polícia Florestal, sobre o por quê de não haver iniciativa de nenhum desses órgãos, para impedir a destruição do marco sagrado da Região dos Lagos, sua majestade o Morro de São João. Todos nós e a sociedade, merecemos satisfação. Ernesto Galiotto é empresário e ambientalista CIDADE, Junho de 2007


Secom / Rio das Ostras

Jorge Martins / Secom Spa

Resumo Crimes ambientais têm CPI na Alerj Foi instalada, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apuração dos crimes cometidos contra o meio ambiente no Estado. A CPI tem na presidência o deputado André do PV e na vice-presidência o deputado Paulo Melo (PMDB).

Reconhecimento O prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Baltazar, vive seus dias de glória com o reconhecimento público que veio sob a forma de matéria publicada na respeitada Revista Exame da boa gestão dos recursos provenientes dos royalties do petróleo em seu município.

Memória da Loucura

Expulso do PT O ex-vereador de Búzios, Adilson da Rasa, se pergunta: “o que foi que eu fiz?” Por defender uma aliança com o antigo prefeito Mirinho Braga (PDT), para as próximas eleições, contrariando o desejo da direção local do PT, Adilson foi sumariamente expluso do partido, sem direito a defesa. “Eu teria vergonha de ser expluso se estivesse metido em alguma falcatrua, mensalões e outras coisas. Mas, ser expluso por estar discutindo a política da minha cidade, para mim é motivo de orgulho”, declara.

Uenf planeja usar o Enem na seleção de candidatos A Uenf planeja aproveitar os resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no preenchimento de vagas não cobertas pelo Vestibular Estadual. A medida está em discussão no colegiado competente da Universidade, mas quem vai tentar uma vaga na Uenf em 2008 deve se adiantar, porque as inscrições para o Enem já estão abertas — o prazo termina em 15/06. As regras do Vestibular estão mantidas, inclusive o calendário, que prevê inscrições de 11 a 23 de julho para o 2.° Exame de Qualificação. O que está em discussão é a possibilidade de preencher com os primeiros lugares do Enem as vagas remanescentes, após as reclassificações do Estadual.

Transporte Integrado O novo sistema de transporte coletivo, a ser implantado em Cabo Frio, prevê a integração completa do sistema, com a construção de um Terminal de Integração (TI) no bairro Jardim Esperança e a reformulação da Rodoviária Alexis Novellino. O novo sistema permitirá ao usuário sair de qualquer bairro distante e chegar até o centro da cidade pagando apenas uma passagem.

Cabo Frio quer Centro de Convenções

PapiPress

Arquivo

A Escola de Artes de São Pedro da Aldeia, localizada na Casa dos Azulejos, está apresentando a mostra “Memória da Loucura”. A exposição que resgata os últimos 150 anos de trajetória da psiquiatria no Brasil fica em cartaz até o dia 17 de junho. A mostra apresenta um panorama histórico dos tempos imperiais até a Reforma Psiquiátrica, mostrando as diversas formas de tratamento, as personalidades brasileiras mais relevantes na área, as principais correntes estrangeiras que influenciaram nossos psiquiatras e uma seleção de fotografias inéditas dos acervos dos hospitais psiquiátricos do Rio de Janeiro e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e documentos históricos do século XIX, do Hospício de Pedro II.

O prefeito Marcos Mendes está buscando o apoio do governo federal para a construção do Centro de Convenções de Cabo Frio. A obra, estimada em R$ 40 milhões, vai ocupar uma área de 110 mil metros quadrados e será destinado a eventos empresariais e de negócios com foco, também, para os eventos náuticos. O local escolhido foi o bairro das Palmeiras, às margens do Canal do Itajuru e da Lagoa de Araruama.

Arquiteto O arquiteto Francisco Sales, responsável por um grande número de projetos na cidade de Búzios, dentre eles, a nova sede da prefeitura, foi identificado com sendo engenheiro, em nossa edição número 13. Fazemos a correção ao profissional atuante e sempre atento a todas as questões que envolvem o municipio.

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Tamoios vai ganhar delegacia Os moradores do distrito de Tamoios, vão ganhar um posto avançado da Delegacia de Cabo Frio, 126ª DP. A projeção da delegacia vai funcionar num prédio destinado à segurança pública, onde estarão, lado a lado, Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil. 49


G aleria

Óleo sobre tela - 50 x 40 cm

Lazzarini (1920 - 1987) Domênico Lazzarini nasceu na Itália, onde iniciou seus estudos de arte e participou de exposições nas cidades de Pisa, Veneza e Roma. Transferiu-se para o Brasil na década de 50, fixando-se inicialmente em Sorocaba (SP), e se transferindo, posteriormente, para o Rio de Janeiro. Tem obras expostas nos museus de Belas Artes do Rio de Janeiro, de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte. de Curitiba e Montividéo.



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