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Junho, 2005 Número Zero

Política

Alair Corrêa: “PTB? Saí antes”

Capa

22 Além das belas praias, a região investe no turismo cultural e histórico.

O fogo cerrado que corre solto em Brasília influenciou a política 9 em Cabo Frio Emprego

Há vagas para médicos Hospital Geral de Arraial do Cabo preci11 sa de pediatras Arraial do Cabo

Meio Ambiene ameaçado Ibama adverte Porto do Forno e impede exportação de minério 13 Rio das Ostras

Rio das Ostras vai implantar a Regularização 16 Fundiária

Desenvolvimento

Especial

Nas asas do crescimento

Crise de Identidade na prefeitura de 33 Búzios

Obras vão ampliar pista do aeroporto para receber aeronaves de 29 maior porte Saneamento

Armação dos Búzios

Pousadas, hotéis e residências de Geribá perdem a visão do mar com a proliferação de 15 quiosques

A região precisa trabalhar unida 36

Prolagos quer Macaé mais 10 anos de concessão 32 Centro de convenções de Macaé

5 Marcelo Llévenes “O furto de energia atrapalha o nosso trabalho”

Comércio

Sinônimo de bons negócios 37

17 10 Perguntas

Esporte

Luiz Paulo Conde

Crianças aprendem sobre os perigos do mar 41

São Pedro da Aldeia

Viajar de Van e Kombi em São Pedro agora é 20 legal

27 Rio Una está morrendo

Capa: Por do sol na Praia da Baleia. Foto de Walmor Freitas.


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TR

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Marcelo Llévenes

“O furto de energia atrapalha o nosso trabalho” Walmor Freitas xperiência ele tem de sobra. É graduado em economia e engenharia comercial, com pós-graduação em finanças, marketing e gestão de pessoas. Há 18 anos trabalhando no grupo Endesa, o chileno Marcelo Llévenes confessou estar confiante no crescimento econômico do Brasil mas também disse estar surpreso com o volume de furto de energia nos 66 municípios servidos pela Ampla da qual é presidente desde julho de 2004. “E muito furto de energia. Isso atrapalha demais nosso trabalho” disse Llévenes que desde 2002 também ocupa o cargo de presidente do Grupo Endesa -controlador da Ampla- no Brasil. É casado, pai de três filhos e tem 41 anos. No grupo já ocupou importantes cargos na Chilectra (Chile), na Edesur (Argentina), Edelnor (Peru) e Codensa (Colômbia). Simpático e simples começou esta entrevista no gabinete do prefeito Paulo Lobo, em São Pedro da Aldeia acompanhado pelo secretário de Minas, Energia e Indústria Naval do Estado, Wagner Victer. Depois, visitou a Casa da Flôr e prometeu estudar um projeto para iluminar o prédio histórico.

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Marcelo Llévenes Presidente da AMPLA

Quais os investimentos da empresa para os 66 municípios? A Ampla irá investir este ano R$ 240 milhões em melhorias na rede elétrica, com destaque para a construção da subestação de Macaé, no combate ao furto de energia, no atendimento comercial e na capacitação de pessoal. E quanto será investido na Região dos Lagos ? A Ampla vem realizando constantes investimentos na região. Inaugurou em janeiro uma nova Linha de Transmissão, que liga as subestações de Porto do Carro-Rocha Leão, aumentando em 50 % a capacidade do fornecimento na Região dos Lagos. E para este ano, está prevista a construção da subestação de Imboassica, em Macaé. Esta nova Linha de Transmissão Porto do Carro-Rocha Leão inaugurada em janeiro atende quantos clientes ? Esta nova Linha de Transmissão, de 138kV, beneficiou 1,7 milhão de pessoas em 12 cidades e mobilizou a mão-de-obra de 120 profissionais na sua construção. Quais foram as cidades beneficiadas? O projeto abrange os municípios de Araruama, Arraial do Cabo, Armação dos Búzios, Cabo Frio, Carapebus, Casimiro de Abreu, Iguaba, Macaé, Quissamã, Silva Jardim, Saquarema e São Pedro da Aldeia. Esta Linha de Transmissão tem 41 Km de extensão e passou por 145 propriedades. Houve uma preocupação da Ampla com o meio ambiente ? Com certeza. Para preservar o meio ambiente, a Ampla evitou cortes e podas de árvores durante o lançamento dos cabos aéreos entre os vãos das 106 torres. A altura das estruturas varia de 17 a 35 metros e os cabos ficam acima das copas das árvores, numa distância mínima de 4,40 metros, dentro dos princípios do desenvolvimento sustentável. O senhor comentou que este ano será inaugurada uma nova subestação em Macaé. Conte um

CIDADE, CIDADE, Junho Julho de de 2005 2005

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E N pouco sobre o projeto. A nova subestação se chamará Imboassica (pois fica próximo à Lagoa de Imboassica), e terá investimentos na ordem de R$ 20 milhões. Além da subestação, que terá potência final de 66,6 MVA (dois transformadores de 33,3 MVA), o projeto prevê a construção de uma Linha de Transmissão em 138kV, com cerca de 13 quilômetros de extensão. Como esta nova subestação de Macaé ajudará no fornecimento da Região dos Lagos? Diretamente, ela beneficiará 64 mil clientes de Macaé e Rio das Ostras. Além disso, aliviará o carregamento do sistema de transmissão, responsável pelo suprimento à Região dos Lagos. Como a população poderá sentir a melhoria dos serviços de energia? A população já está sentindo. Na virada do Ano Novo e no Carnaval, apesar do forte aumento de consumo de energia, não houve registro de interrupção de fornecimento por sobrecarga do sistema da Ampla. E sobre os apagões de janeiro que atingiram o Rio e parte do Espírito Santo? Estes incidentes verificados em janeiro foram provocados por defeitos no sistema de Transmissão de Furnas, alheios à responsabilidade da Ampla. A Região dos Lagos tem energia para receber indústrias ? Claro. A rede elétrica da Ampla tem capacidade hoje para garantir o crescimento de consumo de energia na região nos próximos cinco anos. Como os investidores terão certeza de que poderão contar com energia sem problemas em toda a Região dos Lagos? Atualmente, a demanda máxima do consumo de energia, em épocas de revéillon, corresponde a cerca de 70% da capacidade instalada do sistema elétrico da Ampla na região. Sabemos que existe o problema de furto de energia na região. Como a companhia vem lidando com este problema? 6

Marcelo Llévenes A Ampla amarga, anualmente, com um prejuízo de R$ 250 milhões por conta do furto de energia. Para combater o problema, a empresa tem atuado em três frentes: megaoperações de fiscalização; ações sociais de conscientização sobre o uso eficiente de energia; e construção de uma rede mais moderna, à prova de furto de energia, a Rede Ampla. Quais os resultados obtidos com essas fiscalizações? Nos últimos quatro meses, a Ampla realizou mais de 70 mil fiscalizações a comércios e residências no Plano Verão. Os alvos principais foram as áreas de veraneio - Região dos Lagos e Costa Verde - devido ao crescimento do índice de furto de energia nesses locais nessa época do ano. Para se ter uma idéia, só nos três primeiros meses deste ano, 10 pessoas foram presas e realizados perto de 300 Registros de Ocorrência por conta desse crime. Existe alguma forma de evitar essa prática ? A Ampla acredita que uma maneira de se evitar o furto é conscientizando a população sobre o uso eficiente da energia a partir de atividades educativas para todas as faixas etárias. Promovemos palestras, oficinas para donas de casa, projeto de apoio ao corporativismo e à geração de renda, eventos SuperAção, gincanas de conhecimento, entre outros. Além disso, estamos investindo numa nova rede, a Rede Ampla, mais moderna e à prova de furto de energia.

Como é esta nova Rede Ampla ? Já investimos R$ 40 milhões no projeto da Rede Ampla, atendendo cerca de 100 mil clientes. Este ano, serão atendidos mais 120 mil clientes com o novo sistema, que eleva a rede de Baixa Tensão para uma altura de dez metros, perto da Média Tensão, fora do alcance das pessoas. Neste projeto, prevê-se ainda a instalação de concentradores de CIDADE, Julho de 2005

A nova subestação, em Macaé, terá investimentos na ordem de R$ 20 milhões e programas de combate aos furtos de energia.

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telemedição no alto dos postes. Estes dados são transmitidos via telefonia celular para o banco de dados da Ampla, permitindo o corte e a religação de clientes à distância. Como resolver a Taxa de Iluminação Pública ? A cobrança da Taxa de Iluminação Pública (CIP) foi autorizada pela Emenda Constitucional nº39 de 2002, que


estabelece que os municípios e o Distrito Federal podem instituir contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Cada município aprova, através de sua Lei Orgânica, a cobrança dessa taxa. A Ampla, neste caso, é um mero agente arrecadador. Ou seja, a distribuidora repassa o valor cobrado, através das contas, às prefeituras. A Ampla tem como fiscalizar a aplicação do dinheiro arrecadado pela taxa? Não faz parte das atribuições da Ampla fiscalizar a aplicação de qualquer recurso por parte das prefeituras. A Ampla é uma empresa privada que presta serviços públicos de distribuição de energia a 2,2 milhões de clientes e não é responsável pela Iluminação Pública. Isto é uma responsabilidade dos municípios, conforme determina a Constituição Federal. Esta regra vale para todas as distribuidoras do país.

A Ampla repassa às prefeituras o valor cobrado pela Taxa de iluminação Pública. Não faz parte das atribuições da empresa fiscalizar a aplicação dos recursos.

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Francisco Damasceno franciscodamasceno@hotmail.com

Licitação Finalmente o Tribunal de Contas do Estado (TCE), autorizou a licitação das 49 linhas do município de Macaé. Segundo o Secretário Municipal de Transportes, Fernando Magalhães, a prefeitura dispunha de um cronograma de ações, que foi interrompido até que o impasse com o TCE não fosse resolvido. As empresas que vencerem a licitação terão de colocar ônibus novos, com ar condicionado, passando pelos pontos de 10 em dez minutos, seja qual for o trajeto. O novo sistema de transportes que será implantado em Macaé prevê, ainda, que o passageiro circule por toda a cidade pagando apenas uma passagem.

Exercício simulado

O prefeito de Rio das Ostras Carlos Augusto Baltazar com Sheyla Senis Menezes, Secretária de Comunicação.

A Petrobrás continua realizando simulados de emergênca, com o objetivo de aumentar a segurança nas plataformas, e treinar seu pessoal para o caso da ocorrência de vazamentos. Na última semana foi realizado o exercício envolvendo a plataforma de Pampo, localizada na área sul da Bacia de Campos.

Preparando o futuro Macaé serve de inspiração para o restante do Estado com a implantação do Complexo Pólo Universitário, onde as obras da Universidade Municipal de Macaé estão em andamento. Com um custo estimado em R$ 13 milhões, a UMM vai revolucionar a cultura local, abrindo as portas para um futuro de oportunidades no desenvolvimento da região.

Sofrimento Quem precisa estudar ou trabalhar em Macaé e mora em cidades vizinhas é submetido, diariamente, a um sofrimento desnecessário, fruto da displicência de algumas companhias de ônibus. Em Carapebus, por exemplo, alguns moradores já chegaram a perder seus empregos porque a empresa que faz a linha para Macaé não respeita o horário, Alunos da Uned-Macaé que residem em Rio, das Ostras, Barra de São João e Cabo Frio também reclamam que os ônibus não param e costumam atrasar e quebrar. Atenção, Detro, está mais que na hora de se tomar providências. 8

Adelício José, Presidente da Acia/Cabo Frio

José Ricardo, Secretário de Finanças / São Pedro CIDADE, Julho de 2005

820 AM em nova fase A rádio 820 Am de Macaé em nova fase está inaugurando um novo formato na grade de programação. A emissora, com nova potência pretende atingir Além de Macaé e Região Serrana, Rio das Ostras, Búzios, Carapebus, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Araruama. No projeto, contratações de novos locutores, um jornalismo mais vibrante com notícias locais nacionais e internacionais. Medida inteligente foi a permanência do Radialista Eraldo Manhães na chefia do esporte da emissora.


Política

Alair Corrêa: “PTB? Saí antes” O fogo cerrado que corre solto em Brasília influenciou a política em Cabo Frio. Da Redação ex-prefeito Alair Corrêa que, ao assinar ficha no PTB há dois anos, disse em alto e bom som que ao ingressar no partido fundado por Getúlio Vargas realizava um antigo sonho, disse agora que já havia deixado o PTB muito antes das revelações do deputado federal Roberto Jefferson, apontando a existência do “Mensalão” aos deputados federais como forma de apoiar o governo do PT. “PTB? Saí antes. Já me desliguei” disse Alair. De acordo com as correntes políticas da região, o motivo que levou o ex-prefeito a sair da sigla presidida por Jefferson foi a entrada do médico Paulo Cesar Guia de Almeida, o dr. Paulo Cesar que deixou o PSDB logo após a derrota

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nas eleições para a prefeitura de Cabo Frio. Em horário nobre, Paulo Cesar ocupou por diversos dias a telinha para dizer o quanto estava agradecido e emocionado por assinar ficha no PTB. Agora, o silêncio é total. Nenhum político ligado ao PTB se manifesta. Vale lembrar que em Armação dos Búzios, o vereador Flávio Machado Vieira conquistou seu primeiro mandato através do PTB. E lá, apóia o governo buziano. Em Cabo Frio, Paulo Henrique Corrêa de Sant´Ánna, e Valcy Rodrigues da Silva também se elegeram pelo PTB. Em São Pedro da Aldeia, o vereador Gilson Luiz dos Santos chegou à Câmara com a mesma sigla. CIDADE, Julho de 2005

Todos os vereadores seguem trabalhando e nem comentam que são do partido de Jefferson. A foto que ilustra esta página, ajuda a lembrar que mais de cinco mil pessoas aplaudiram Roberto Jefferson quando o prefeito Alair Corrêa assinou sua filiação. Foi uma grande festa ao estilo de Roberto Jefferson e Alair. Jefferson inclusive ensaiou ser candidato a presidência da República em 2006. Agora, é esperar o resultado das tantas CPIs que deverão ser instaladas.

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Política

Projeto limita propaganda em carro de som Câmara dos Deputados está analisando o Projeto de Lei 4614/04, que cria regras para as propagandas político-eleitorais em carros de som, trios-elétricos e similares. A proposta, da deputada Ann Pontes (PMDB-PA), determina que os veículos deverão ficar vinculados diretamente aos partidos políticos ou coligações partidárias, que controlarão a divulgação de seus candidatos.

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Cada partido poderá usar, de acordo com o texto do projeto, um limite de veículos determinado de acordo com a população do município. Os limites, no quadro, correspondem ao número de veículos que poderão ser usados simultaneamente para cada cargo. Para Ann Pontes, a limitação do número de veículos “além de respeitar a população local impedindo a poluição sonora pelo excesso de propaganda política, respeita o princípio da igualdade entre os candidatos”. A proposta, que tramita em caráter conclusivo, está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Projeto - Está em análise na Câmara o Projeto de Lei 4772/05, do deputado

Roberto Magalhães (PFL-PE), que proíbe agentes públicos federais, estaduais e municipais de realizar propaganda institucional durante eleições, independentemente dos cargos que estejam em disputa. Hoje, apenas os agentes das unidades federativas que têm o cargo em disputa são proibidos de fazer propaganda com recurso da máquina pública. Na opinião do autor da proposta, a legislação abre brechas para o uso de recursos públicos em propaganda eleitoral. “Em uma eleição municipal, por exemplo, a esfera estadual ou federal pode fazer propaganda de interesse dos candidatos que apóia”, afirma. A proposta será analisada pelas comissões técnicas da Casa.

Vereadores trabalham mais Seguindo o exemplo da Câmara de Búzios, os parlamentares cabofriense terão férias reduzidas para 30 dias. A emenda foi aprovada no início de março, proposta pela mesa diretora. O vereador Janio Mendes (PDT) disse que a Câmara de Cabo Frio atendeu o desejo da população. “Não é possível que um trabalhador tenha 28 dias de férias e um vereador 90”. Outra batalha defendida por Janio Mendes é que toda a sessão da Câmara Municipal seja transmitida ao vivo através de emissoras de rádio e televisão. -Fui buscar o entendimento dentro da lei que exige a transmissão ao vivo. O cidadão precisa saber que nós, vereadores, estamos trabalhando sempre, disse Janio, o mais votado na região. O ex-vereador Amaury Valério, que iniciou o movimento da reduçaõ das férias durante seu mandato, comemorou a decisão dos vereadores. -Quem ganha é Cabo Frio. A cidade precisa de uma câmara ágil e trabalhando. Agora é preciso derrubar a remuneração que os vereadores ganham por sessão extra- disse Amaury Em São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo e Iguaba Grande ninguém toca no assunto sobre redução das férias parlamentares. A Alerj também já reduziu as férias dos deputados.

Não é possível que um trabalhador tenha 28 dias de férias e um vereador 90

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CIDADE, Julho de 2005


Emprego ambulatório e serviços de prevenção que irá diminuir os número de atendimentos nas emergências” acredita o secretário. Atraídas pela proposta de morar em uma cidade mais calma as médicas Aline Cabril e Rafaela Videria Lopes, 31 anos, decidiram mudar-se para Arraial do Cabo. Formadas pela UFRJ, há cinco anos, as duas se tornaram colegas e amigas. Há um ano chegou Aline, que foi trabalhar no segundo distrito de Figueira para atender no Posto de Saúde da Família. Depois, desembarcou em Monte Alto, também no PSF, a clínica geral Rafaela. “Resolvi mudar de vida. Aqui não tenho televisão, e posso estudar mais, além de ir a pé para o trabalho ou de ônibus. Mas gosto do contato direto com as pessoas que atendo” disse a médica que morava na Barra da Tijuca. “Esperamos que os médicos se interessem em morar na nossa cidade que é pequena mas acolhedora” disse o prefeito Melman.

Há vagas para médicos

Buzios A médica Rafaela trocou o agito do Rio para viver em Arraial do Cabo Da redação

drão de vida de um médico que mora numa grande cidade. Para trabalhar em Arraial do Cabo, os médicos são contratados por um período de um ano com carteira assinada.

nquanto a taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,8% no primeiro bimestre do ano, conforme o IBGE, Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, RJ, oferece empregos para médicos e não con- Cidade tranquila e acolhedora segue preencher as vagas. pode atrair médicos Faltam três pediatras para completar O prefeito Henrique Melman (PDT) o quadro de plantonistas do Hospital Geral acredita que os médicos em início de carda cidade que tem 83 leitos mas trabalha reira possam se interessar por morar em somente com 30% da capacidade. Arraial do Cabo pela qualidade de vida da “Precisamos de médicos que fixem re- cidade e proximidade com Rio de Janeiro. sidência na cidade para melhor atender os “Os jovens médicos ou até mesmo pacientes, porque hoje os plantonistas mo- aqueles que querem um lugar mais tranqüilo ram em outras cidades e nem sempre apa- para morar podem ficar em Arraial do recem para trabalhar” queiCabo” disse o prefeito. xou-se o pediatra carioca Segundo o Secretário Hospital Geral de Jurandir Varejão,57 anos, de Saúde, apenas dois méArraial do Cabo Secretário de Saúde do mudicos residem na cidade e precisa de pediatras nicípio que mora em Aratrabalham no Programa para plantões com ruama e também trabalha Saúde da Família. salário mensal no Rio. Só no Hospital Geral de R$ 1.500 O secretário entende trabalham 14 médicos clíque a única forma de menicos plantonistas, um mélhorar o serviço no HGAC é aumentar o nú- dico intensivista no plantão de 24horas, um mero de médicos. Entretanto, os profissio- cirurgião, um ortopedista com dois plantões, nais alegam que o salário que pode chegar quatro obstetras, cinco pediatras e seis até R$ 3 mil mensais, mais ajuda de custo anestesistas. de R$ 600 para aluguel, é pouco para o pa“Precisamos de mais médicos para o

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CIDADE, Julho de 2005

O município realizou concurso em 2004 para as áreas de educação e saúde. Foram aprovados 36 médicos.O concurso foi homologado no dia 23 de abril do ano passado. “Através da assesoria de imprensa a secretaria de saúde informou que está convocando os concursados na medida em que haja necessidade de repor pessoal.

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Carta ao Leitor Caro Leitor, Publicação Mensal PapiPress Projetos Especiais Ltda CNPJ: 03.568.617/0001-04 www.revistacidade.com.br Redação e Administração: Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ Tel/Fax: (22) 2647-1586 Email: cidade@mar.com.br Diretora Responsável: Niete Martinez Editor de Jornalismo: Walmor Freitas Colaboração: Mônica Casarin Produção Gráfica: Alexandre da Silva Fotografias: Walmor Freitas Colunista: Francisco Damasceno Marketing e Comercial: Alexandre Manhães (22) 9978-0668 / (22) 2647-1586 Impressão: Ediouro Gráfica e Editora S.A Tiragem: 15.000 exemplares. Desta edição de demonstração Foram impressos 2.000 exemplares. Distribuição: Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.

Apoiada no binário econômico turismo-petróleo, a Costa do Sol movimenta, apenas em arrecadação de royalties de petróleo, perto de meio bilhão de Reais ao ano. Esse poder transformador criou um mercado em expansão acelerada, com características únicas e provocou modificações profundas no perfil do público residente. Nesse novo cenário, ao mesmo tempo em as oportunidades se multiplicam, surge a exigência dos equipamentos necessários para o perfeito funcionamento desse mercado emergente. E um deles, é a publicação de uma revista de interesse geral, que apresente formato gráfico compatível e resuma os acontecimentos mais relevantes do momento, apresentando todos os lados da notícia, sem vínculos de nenhuma espécie com qualquer setor, e com o compromisso de praticar apenas Jornalismo. Para atender a essa reivindicação do mercado, idealizamos a Revista CIDADE, um Veículo para se comunicar de forma seletiva e direta com um público acostumado a receber informação de maneira isenta e inteligente. Um público exigente, informado, e com hábitos de consumo sofisticados. Um público cada vez mais numeroso em nossa região, seja pela vinda de técnicos especializados para trabalhar nas áreas de petróleo e turismo, ou pela própria necessidade de qualificação do público local, para poder lidar com essa nova realidade econômica. A Revista CIDADE conta com a colaboração de um leque de profissionais, entre jornalistas, colunistas, colaboradores e fotógrafos espalhados pelas diversas cidades da Região, o que garante uma perfeita cobertura regional, além de manter convênios com as melhores agências de notícias do país. CIDADE nasce com o objetivo único de informar tudo o que for do interesse do leitor e não se intimidará em surpreender o seu público, sempre que surgir uma oportunidade de ousar. Cordialmente.

Niete Martinez

CIDADE, Julho de 2005


Arraial do Cabo

Meio ambiente ameaçado Ibama adverte Porto do Forno e impede exportação de minério Da redação lém das invasões e degradação das áreas de preservação ambiental, Arraial do Cabo esteve ameaçada pelo trânsito de centenas de caminhões carregados de minério. O Porto do Forno é considerado estratégico por pequenas empresas que querem exportar minério e não conseguem navios em portos maiores, como no Rio, por exemplo. O Ibama negou licença às empresas

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de exportação e advertiu a administração do Porto do Forno sobre os perigos do transporte de minério dentro da cidade. “É a primeira advertência no estado dentro da nova orientação do órgão” explicou Diogo Chevalier, chefe da fiscalização do Ibama-Rio. Alfredo Carvalho, diretor e assessor da presidência da COMAP- Companhia Municipal de Administração Portuária de Arraial do Cabo, disse que o Porto está cumprindo todas as exigências de órgãos CIDADE, Julho de 2005

estaduais e federais para obter a licença ambiental para trabalhar com carga seca de açúcar, sal, peças e equipamentos para as plataformas de petróleo em Macaé e Campos” “O presidente da COMAP, Alexandre Caldas esteve em Brasília para tratar da liberação da documentação. Essa advertência serviu para ficarmos em alerta quanto à especulação dessas empresas que querem exportar minério para a China” disse. 13


Arraial do Cabo Estado não vai autorizar transporte de minério O secretário estadual de Minas, Energia e Indústria Naval, Wagner Victer disse que o estado não vai liberar nenhum carregamento de minério através do porto de Arraial do Cabo. “A vocação de Arraial é turística, tanto que o porto já recebe navios transatlânticos. O negócio dessas pequenas empresas é pura picaretagem. Vamos tomar providências já” disse. Victer disse ainda que faz parte do conselho da Cia. Docas do Rio, que tem assento no Conselho de Autoridade Portuária –CAP do Porto do Forno “Não libero pelo estado e nem pelo porto. Isso é um crime ambiental com a Região dos Lagos.Vamos investigar as empresas que estão tentando usar o Porto do Forno”, disse o secretário que sugeriu às empresas investirem na construção de um porto em São João da Barra, norte-

empresa diz que o minério seria depositado sobre lonas sintéticas para evitar cair no mar e afastar o contato com o sal que também e transportado no mesmo local. O requerimento assinado pelo diretor da empresa José Luiz Rivera Moreira diz ainda que houve entendimento com a Álcalis com sede em Arraial do Cabo sobre a manipulação do minério e a divisão do espaço com o sal e açúcar.

Álcalis nega entendimentos O engenheiro Ênio Costa, diretor da Álcalis disse que não houve nenhum acerto com qualquer empresa no sentido de dividir o espaço do porto. “Existem sim, muitas empresas especulando a possibilidade de fazer o transporte de minério, mas não temos nada oficial. E nem o porto suporta, porque temos apenas um berço para ancoragem de navios. É preciso um novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto –PDZ.

O Porto do Forno

INÍCIO 24 de agosto de 1972 Administração Companhia Municipal de Administração Portuária (Comap) do município de Arraial do Cabo.

ACESSOS RODOVIÁRIO: Rodovias RJ-25, RJ-140 e BR-120, que se conectam à RJ-106, em São Pedro da Aldeia, e à Rodovia BR101. MARÍTIMO: a barra está compreendida entre as ilhas de Cabo Frio e dos Porcos, tem, 1,3 km de largura e profundidade variando de 30 a 50 m. O canal de acesso, com extensão de 1,6 km, possui largura mínima de 70 m e profundidade média de 12m.

INSTALAÇÕES São constituídas por um cais comercial com 200 m de comprimento e mais um cais de 100 m, sobre dolfins, para atracação de navios petroleiros, ambos com profundidade média de 11 m e capacidade para receber navios de até 32.000 tdw. Dispõem de dois pátios de estocagem descobertos, com área total de 18.200 m², destinados a granéis sólidos.

CARGAS MOVIMENTADAS Fiscias do Ibama notificam o Porto do Forno em Arraial do Cabo fluminense. No documento ao qual a reportagem teve acesso, a empresa CRM Assessoria e Projetos Ltda, justifica o pedido de autorização ao Ibama apontando que, os 120 caminhões de minério trafegando diariamente em Arraial do Cabo não trariam prejuízo à cidade e sim ajudariam no desenvolvimento econômico do município. Quanto ao carregamento da carga, a 14

De acordo com o engenheiro, a Álcalis também tem assento no Conselho de Autoridade Portuária –CAP e uma das primeiras exigências para qualquer transação comercial seria a presença de uma empresa operadora portuária. “Todas as nossas operações são realizadas através de uma operadora credenciada, inclusive a rota dos transatlânticos” disse Costa. CIDADE, Julho de 2005

Sal, barrilha e óleo diesel e peças e equipamentos para plataformas de petróleo.

Fontes: Ministério dos Transportes Secretaria Executiva


Armação dos Búzios

Com vista para o... quiosque Da janela de algumas suites da pousada Chez Pitu em Geribá só é possível ver os quisoques que encobrem o mar

Pousadas, hotéis e residências de Geribá perdem a visão do mar com a proliferação de quiosques Da redação reclamação é geral. Com o aumento do número de quiosques na praia de Geribá, comerciantes, hoteleiros e moradores reclamam que perderam a visão do mar, a algazarra aumentou e os hóspedes diminuíram. Na pousada Chez Pitu, uma das mais antigas de Búzios, a gerente Karina Wargert conta que recebe reclamações de hóspedes diariamente sobre mau atendimento e exploração por parte dos ambulantes e quiosqueiros.

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O abuso contra os turistas vai desde a cobrança irregular de consumação para sentar nas cadeiras até o valor absurdo cobrado em bebidas e alimentos. Karina conta que três senhoras russas que mal falavam o inglês ficaram assustadas porque pagaram R$ 90 por três pastéis num quiosque de Geribá. “Fui conversar com o barraqueiro que se defendeu dizendo que havia explicado que cobrara além dos pastéis, o aluguel de mesas e cadeiras. E desde quando você fala CIDADE, Julho de 2005

russo? perguntei. No final de março representantes de associações representativas de Búzios entregaram ao prefeito Toninho Branco (PMDB) um documento apoiando a decisão do Ministério Público Federal -MPF que solicitou à justiça federal a retirada de todos os quiosques das praias de Búzios. “A prefeitura acata a decisão da justiça. Foi muito bom o encontro com todos os representantes da sociedade de Búzios porque queremos governar mantendo sempre o diálogo” disse o prefeito. Em Geribá os oficiais de justiça já lacraram 22 barracas. Mesmo assim, os donos driblam a justiça e continuam trabalhando com isopor na areia e lavando louças em cozinhas improvisadas. A água suja continua sendo jogada nas areias da praia mais famosa de Búzios. 15


Rio das Ostras

Rio das Ostras vai implantar a Regularização Fundiária Costa Azul Rio das Ostras

Da redação ara implantar o Programa de Legalização Fundiária no município, a Prefeitura de Rio das Ostras vai fazer vários convênios, com entidades específicas, visando um melhor desenvolvimento do município. Dentre as instituições que farão convênio com o município estão o ITERJ – Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro; o CREA/RJ – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro e com a Ordem dos Advogados do Brasil com a finalidade de, cada um em suas áreas, assessorar a prefeitura nas questões técnicas, jurídicas e operacionais para implantação do Programa. De acordo com a assessora de Programas Especiais, Rose Salgado, algumas ações já foram tomadas para implantação do programa. “Nossa

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primeira ação será encaminhar o cadastro dos imóveis existente na Secretaria de Fazenda do bairro Nova Esperança para o ITERJ que vai fazer um levantamento geral e comparativo no município. Além disso, elaboramos uma cartilha para esclarecimento à população sobre o objetivo do Programa. Também estão previstas reuniões nas comunidades”, alertou Rose lembrando que a Assessoria de Programas Especiais ficará responsável pela Legalização Fundiária enquanto a Secretaria Extraordinária de Governo – Pro Urbe, é a responsável pela Regularização Urbanística. A Secretaria do Patrimônio da União também será parceira da Prefeitura de Rio das Ostras no programa, tendo em vista que a maior parte da área do bairro Nova Esperança pertence a União. Vale lembrar que a Legalização Fundiária é uma das reivindicações feitas pela comunidade nas reuniões do Orçamento Participativo. CIDADE, Julho de 2005

UFRJ elabora plano de manejo de reserva Representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Prefeitura de Rio das Ostras estão participando das etapas de elaboração do plano de manejo da Reserva Biológica União –Rebio União. A última oficina aconteceu dia 18 de março. Os trabalhos estão sob a coordenação da Universidade Federal do Rio de Janeiro –UFRJ em parceria com a Associação Mico Leão Dourado. Rio das Ostras é um dos municípios, junto com Casimiro de Abreu e Macaé, que abriga esta Unidade de Conservação (UC). Além disso, Rio das Ostras tem uma experiência importante e pioneira na elaboração de planos de manejo, que estabelece o zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área, além dos projetos específicos para a UC. A Reserva Biológica União, criada em 1998, reúne uma área de 3.126 hectares, dos quais dois terços são cobertos por densa Mata Atlântica. A parte mais intacta da Reserva está em solo riostrense. A Rebio União abriga ainda espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão-dourado.

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Luiz Paul o Conde

1- Quais são os investimentos do Estado para o meio ambiente? O Governo Rosinha Garotinho vem investindo, em média, R$ 500 milhões de reais por ano em meio ambiente, destacando-se o controle de poluição de praias e dos corpos d´água em geral, incluído o sistema lagunar de Araruama. Ao final do atual governo, nossos investimentos em ações e realizações ambientais totalizarão R$ 2 bilhões de reais. 2 - E para a Região dos Lagos? A Região dos Lagos vem sendo contemplada com recursos da ordem de R$ 12 milhões oriundos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), além de outros investimentos em obras de melhoria de saneamento e ambiental. Destacamos entre essas obras, a dragagem do Canal do Itajuru, em Cabo Frio, que, somadas ao alargamento da Ponte do Ambrósio, situada na entrada da cidade, permitirão maior e melhor circulação de águas da Lagoa de Araruama, tornando-a inclusive navegável, uma antiga reivindicação da Capitania dos Portos. 3-A Lagoa de Araruama é prioridade de Governo? No contexto das obras programadas e em execução na Região dos Lagos, a Lagoa de Araruama é prioridade. Além das obras de desassoreamento, o projeto de revitalização da Lagoa de Araruama permitirá que o tempo de renovação de suas águas passe dos atuais 300 dias para períodos de 30 a 60 dias apenas. 4 - Como a população sente as melhorias? Além do aspecto visual da lagoa como um todo, a população da Região já pode perceber e usufruir da melhoria da qualidade das praias, conseqüência das obras de saneamento realizadas e ainda em andamento. Hoje, a maioria das praias da Lagoa já apresenta condições próprias para banho. 5 - A Secretaria tem algum projeto de educação ambiental para comunidades carentes? Por intermédio de nossas vinculadas Serla, Feema e IEF a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano desenvolve programas diversos de educação ambiental, não somente junto a comunidades carentes, mas principalmente voltados para alunos e professores de escolas públi-

cas municipais e do Estado. Esses programas contemplam principalmente áreas de realização de obras de saneamento e outras que dependam mais diretamente da colaboração e acompanhamento da população para sua manutenção e conservação. 6 - O senhor anunciou obras na ponte do Ambrósio. Quando começam? A Ponte do Ambrósio será ampliada pelo D.E.R. As negociações para as obras estão em fase final e contribuirão, decisivamente, para tornar a lagoa navegável, o que é também do interesse da Capitania dos Portos.

Luiz Paulo Conde 7 - Quantas estações de tratamento de esgoto estão programadas para a Região dos Lagos? O programa de revitalização da Região dos Lagos prevê a construção de quatro Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). Quando todas estiverem prontas e em pleno funcionamento, 75% dos esgotos da região estarão devidamente tratados. No momento, já está em funcionamento a ETE de Cabo Frio. As demais, Búzios, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande, obras em parceria com o Governo do Estado e Consórcio Pró Lagos, estão funcionando em caráter experimental. 8 - O senhor está conseguindo ultrapassar as barreiras políticas para implementar programas ambientais? Contamos com o decisivo apoio da Governadora Rosinha Garotinho no desenvolvimento de ações e projetos ambientais. Quando há decisão de governo priorizando a questão ambiental, nada pode impedir a concretização de nossos objetivos. É meta CIDADE, Julho de 2005

do Governo do Estado estimular as ações de defesa e controle ambiental de modo a garantir a sustentabilidade do nosso desenvolvimento. 9 - Quanto a Saquarema, como estão as obras de recuperação ambiental? A Lagoa de Saquarema foi recuperada com a abertura do canal permanente (Barra Franca), cujas obras custaram R$ 10,4 milhões e foram entregues à população pela governadora Rosinha Garotinho em maio do ano passado. No entanto, a Lagoa de Saquarema ainda passará por obras de complementação visando sua revitalização. Para isso, já foram liberados R$ 5,5 milhões para sua dragagem, da ponte do centro à ponte do Girau, criando um canal navegável. 10 - Qual é a importância do Comitê da bacia hidrográfica das Lagoas de Araruama e Saquarema e dos Rios São João, Una e das Ostras? Em março o Governo deu um passo importante para a consolidação da política de recursos hídricos do Estado ao efetivar a formação do comitê de gestão da bacia hidrográfica das Lagoas de Araruama e Saquarema e dos Rios São João, Una e das Ostras. Esse comitê tem a função de fazer cumprir, no estado, as premissas estabelecidas pelas leis estadual e federal de recursos hídricos. A Legislação determina que o levantamento e acompanhamento das intervenções necessárias à preservação dos aqüíferos devem ter a participação dos comitês formados em cada bacia por representantes de usuários, de entidades civis e do poder público. Os comitês, responsáveis pela elaboração dos planos de cada bacia hidrográfica, são uma forma de fazer toda a sociedade participar da aplicação dos recursos provenientes do Fundrhi (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), levando em conta sempre as necessidades de recuperação estabelecidas pelos que dependem do uso e captação dos recursos hídricos locais. As fórmulas de cobrança implementadas pela Serla, responsável pela gestão dos recursos hídricos do Estado do Rio, procuram inibir o consumo desordenado e incentivar o saneamento. Quem capta e polui menos, construindo estações de tratamento para reduzir o lançamento de efluentes nos rios e lagoas, terá menor custo pelo uso da água. 17


Gente

Vida nova Leandra, 20 anos, que no dia 04 de março, ficou soterrada por três horas, enquanto o Corpo de Bombeiros tentava retirá-la dos escombros de uma casa, no bairro Campo Redondo, em São Pedro da Aldeia, saiu ilesa do acidente. Para ela, que aniversariou dois dias depois, estar viva foi seu maior presente. “Foi a mão de Deus. Agora quero viver” disse ela que ficou abrigada na casa de um pastor evangélico.

De volta à escola

Hobin hood do Futebol carioca O técnico Paulo Cesar Gusmão, se diverte quando lembra que venceu Flamengo, Fluminense, Vasco e empatou com o Botafogo pelo campeonato estadual dirigindo a Cabofriense. “Sou como Robim Hood, tiro dos grandes para dar aos pequenos” disse em entevista logo após vencer o Vasco da Gama, no Correão. Contratado pelo Botafogo, PC confirmou a performance de pé quente, levando o time ao terceiro lugar no Campeonato Brasileiro. Mas, desentendimentos com a direção do Clube, por conta de atrasos no pagamentos de salários, forçaram a sua saída. 18

O médico cabofriense Paulo Cesar Guia, voltou aos bancos escolares. PC cursa História na Universidade Veiga de Almeida em Cabo Frio. “A história me permite comprender melhor as sociedades e as desigualdades, importantes para o médico” disse o estudante.

CIDADE, Julho de 2005

Trabalho Em equipe

O engenheiro Sérgio Winter tem a difícil missão de organizar todo o segundo distrito de Cabo Frio. A responsabilidade é tanta que foi nomeado sub-prefeito de Tamoios. “Já começamos a mapear todo o local. As secretarias estão integradas para conquistar os resultados mais rápido. É ordem do prefeito Marquinho Mendes” disse Winter.


Frases

Crachá O professor Carlos Alberto Gomes Carvalho levou a sério a ordem do secretário de Educação Paulo Massa e foi um dos primeiros a aderir o uso do crachá em tempo integral. “E para dar mais segurança a todos. A Educação de Cabo Frio tem mais de 2 mil funcionários. Tem que controlar” disse.

“PC Farias... Delúbio faz”.

(Do blog do jornalista Ricardo Noblat)

“O deputado José Bonifácio(PDT) será mais um deputado, junto com Paulo Melo(PMDB) buscando benefícios para nossa região” (Prefeito Marquinho Mendes na festa de seu aniversário após receber abraço de Bonifácio no Costa Azul Iate Clube.)

Jogo de Cena

“Me sinto um cidadão buziano” (O delegado Alessandro Thiers Pinho Alonso, ao deixar a 127ª DP enviou uma carta à comunidade buziana e ao prefeito Tonino Branco agradecendo o carinho de “pai” que recebeu do prefeito.)

Ninguém dirige olhando pelo retrovisor. Para dirigir é preciso olhar para a frente” (Deputado José Bonifácio em um programa de rádio se referindo ao prefeito Marquinho Mendes.)

“Essas feiras são aspiradores de pó. Porque sugam todo o dinheiro dos empresários de Cabo Frio” (Empresário José Henrique candidato a presidente da Acia se referindo as feirinhas que se instalam no verão na cidade.)

Durante um happyhour em Cabo Frio, um senhor de cabelos grisalhos dizia que a briga entre o ex-prefeito Alair Corrêa e o sucessor Marquinho Mendes não passava de promoção pessoal. “Se Alair brigasse de verdade, a primeira coisa a fazer era colocar o cargo de secretário à disposição e pedir a retirada de todos seus parentes do governo. E isso não aconteceu. E ruim de mexer no bolso. É briga de mentira. É, faz sentido.

Perigo

“O nosso evento de verão é o evento norteste” (Gustavo Beranger, em um programa de rádio, explicando a política de investimentos da prefeitura de Cabo Frio para o setor de eventos.)

Que segurança pode oferecer um motorista que dirige um microônibus urbano com dinheiro em uma mão, moedas na outra e fazendo troco? Tudo isso com o veículo em movimento, claro. Com certeza, não é a orientação da empresa.

CIDADE, Julho de 2005

Números

13,5 milhões é quanto vai custar aos cofres do Estado a obra do novo Fórum de Cabo Frio

30 mil processos se arrastam na comarca de Cabo Frio

1,7 milhão de pessoas em 11 cidades serão beneficiadas com a nova estação da Ampla inaugurada no Porto do Carro

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São Pedro da Aldeia

Viajar de Van e Kombi em São Pedro agora é legal Funcionário adesiva uma Kombi para trafegar legalmente em São Pedro

Município aldeense legaliza transporte complementar e cria linhas para todos os bairros Da redação esde março, moradores de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, contam com o transporte complementar feito por Kombis e Vans. Os sessenta veículos das cinco linhas iniciais estão associados a duas cooperativas - a CoopeSPA e CooperPraia - que estão regulamentados pela lei municipal nº 1.820, de 29.12.04, e pelo decreto nº 25, de 9 de março de 2005. São Pedro é o primeiro município da região a regulamentar o transporte complementar. A passagem custa R$ 1,50. O subsecretário de Transporte disse que o município de São Pedro da Aldeia pretende solucionar, não só a deficiência de transporte para a população dos bairros mais afastados do centro, como também o problema do transporte alternativo irregular.

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Idosos e estudantes terão passe livre O sistema de transporte auxiliar garante uma vaga gratuita por viagem para idoso, estudante ou pessoa deficiente nos veículos com até 11 lugares. Nos carros com mais de 11 lugares serão duas (02) vagas gratuitas por viagem. O sistema será fiscalizado pela prefeitura de São Pedro da Aldeia através da subsecretaria de Transporte, com apoio da Guarda Municipal. Os veículos que integram a frota foram padronizados por linhas. Cada linha tem adesivo de cor diferente, permitindo aos usuários o reconhecimento pela cor. Além disso, um selo de vistoria com a foto do condutor e do veículo, possibilita a identificação do carro e o reconhecimento do motorista, que trabalhará uniformizado. CIDADE, Julho de 2005

Transporte alternativo continua proibido O transporte alternativo irregular será coibido pelas Polícias Militar, Rodoviária, pelo Detro e Guarda Municipal. Os veículos ilegais, além de multa, serão apreendidos e recolhidos ao depósito municipal por até 60 dias. Os veículos autorizados têm que atender uma série de exigências para garantir o conforto e a segurança dos passageiros: estar em perfeito estado de conservação, ter ano de fabricação a partir de 2000 e estar sem impedimentos no Detran-RJ.


Região

Prefeitos querem apoio de Lula para combater violência na região Segurança pública é prioridade para prefeitos, além das questões ambientais na região Walmor Freitas refeitos de doze municípios da Região dos Lagos, decidiram pedir apoio do governo federal para combater a violência que está afetando o turismo e o comércio da região. Reunidos em Saquarema, ontem (quinta-feira) no Centro de Treinamento de Vôlei da CBV, os prefeitos deixaram as questões políticas de lado e discutiram problemas comuns que estão crescendo em todos os municípios.Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Araruama, Saquarema, Casemiro de Abreu, Silva Jardim, Maricá, Rio Bonito e Rio das Ostras, sofrem com desemprego, favelização e insegurança. Através de um Fórum de Secretários municipais de segurança vamos discutir um plano de ação para toda a região. Esse diagnóstico será entregue à governadora Rosinha Garotinho, ao secretário Estadual de Segurança, Marcelo Itagiba e ao presidente Lula? disse o prefeito Paulo Lobo, presidente do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, que discute questões de meio ambiente na região. A viagem à Brasília está marcada para o dia 12 de julho. Segundo Paulo

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Lobo, os prefeitos da Região dos Lagos estão seguindo exemplo das cidades que compõem o grande ABC paulista que discutem assuntos através de um consórcio. “Estivemos em São Paulo no início de junho, para aprender como a união dos prefeitos pode dar bons resultados em todos os setores”, disse Lobo. O prefeito de Iguaba Grande, Hugo Canellas Filho lamentou o aumento da violência em sua cidade que tem um dos maiores índices - IDH do estado. “Os assaltos a residências estão aumentando. Tenho reunião com o delegado e comerciantes para saber como direcionar nossas ações para combater a violência. Quando a policia aperta no Rio os bandidos fogem para nossa região.O exemplo é o ex-traficante Robertinho de Lucas que foi assassinado aqui em Araruama”, disse Hugo. Para o prefeito Marquinho Mendes, de Cabo Frio a falta de policiais militares nas ruas contribuiu para aumentar a violência. “Não podemos pensar numa região turística sem segurança. Precisamos efetivamente da Policia Militar nas ruas. Pediremos à governadora o aumento do efetivo dos PMs”, disse Marquinho, que determinou treinamento intenso aos 630 CIDADE, Julho de 2005

Guardas Municipais para apoiar ações da Policia Militar. “Queremos ajudar. Mas os comandantes da PM reclamam que faltam policiais e carros para combater a violência”, lamentou Marquinho. O comandante Cel. Lima Castro do 25º BPM, com sede em Cabo Frio, disse, por telefone, que o efetivo é, sem dúvida, aquém do que precisa para cobrir toda a região dos Lagos. Mas está buscando parcerias com as guardas municipais para ajudar no combate à violência. “Durante o dia as ocorrências são menores e a presença dos guardas municipais colabora muito. À noite, principalmente em Búzios e Cabo Frio aumenta a violência por causa das bebidas e aí coloco mais policiais e carros nas ruas. Toda a sociedade precisa ajudar” disse.

Arraial quer governo federal e estadual para combater invasões O prefeito Henrique Melmann, disse que além do aumento da violência em Arraial do Cabo a prefeitura já encaminhou pedido ao governo estadual e federal para combater as invasões em áreas de preservação ambiental. “Não tenho como controlar. Isso também gera violência, Preciso de ajuda”, disse Melmann, que garantiu estar em Brasília no próximo dia 12. 21


Casa da Flor São Pedro da Aldeia

MUITA HISTÓRIA PARA

Cidades resgatam história, recuperam prédios antigos e focam no turista de mai Da redação s cidades da Região dos Lagos querem ser conhecidas por sua história, cultura e gastronomia internacional. Cabo Frio é a sétima cidade mais antiga do país, segundo historiadores. No turismo, a principal cidade da Região dos Lagos é uma das mais visitadas

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do estado. Emancipada há apenas oito anos, Búzios já é o sétimo destino turístico mais procurado por estrangeiros em todo o Brasil. São Pedro da Aldeia e Arraial do Cabo também têm suas particularidades e querem explorá-las. Com números otimistas Búzios e Cabo Frio prepararam uma programação de olho no visitante de maior poder aquisitivo. CIDADE, Julho de 2005

-Queremos o turista que permaneça mais tempo em nossa cidade e possa também visitar Búzios, Arraial do Cabo e conhecer as belezas de toda a região. Todos saem ganhando- aposta Gustavo Beranger, secretário de Turismo de Cabo Frio. No final de abril as duas cidades lançaram oficialmente seus calendários de eventos. Em Cabo Frio a novidade é a apos-


Capa Em terra firme, o destaque vai para a Festa Portuguesa em outubro, evento dedicado ao intercâmbio cultural entre os dois países. Serão quinze dias com atrações que vão desde a mostra de danças típicas, manifestações religiosas, encenação da chegada de Américo Vespúcio à Cabo Frio e discussões acadêmicas na Universidade Veiga de Almeida. E, claro, muita comida e doces portugueses. -O Embaixador de Portugal no Rio, Antonio Manuel Moreira Tanger Corrêa gostou tanto da idéia que decidiu fazer um prélançamento da festa no Rio- comemora Beranger. Para dezembro, a secretaria de turismo preparou uma semana inteira dedicada aos irmãos mineiros. São pacotes especiais em hotéis e no comércio da cidade que oferecem generosos descontos.

Cabo Frio, Búzios e Arraial desenvolvem Projeto de Turismo

A CONTAR

maior poder aquisitivo ta nos eventos ligados a vocação náutica da cidade. Além do campeonato brasileiro de JetSky no inicio do ano, Cabo Frio sediou em junho o Campeonato Sudeste Brasileiro de Vela classes 420 e 470 na Praia do Forte e no Canal de Itajurú. Em setembro, o World Cup Kite Surf, também na Praia do Forte. Em novembro o Campeonato Brasileiro de Foto-Sub.

Forte São Mateus

CIDADE, Julho de 2005

No final de maio, na Pousada Don Quijote em Búzios, aconteceu o lançamento do Projeto “Caminhos Singulares do Turismo da Região Baixada litorânea” abrangendo os municípios de Cabo Frio, Armação dos Búzios e Arraial do Cabo. A diretora do SEBRAE/RJ Celina Vargas do Amaral, e os secretários de Turismo Gustavo Beranger, Jacob Mureb e Walter Lúcio, falaram para uma platéia de cerca de 150 pessoas da área. A seguir, foi assinado o acordo de parceria. O contrato visa à adoção de uma nova metodologia, a GEOR -Gestão Estratégica Orientada para Resultados. O objetivo é fortalecer o turismo buscando sustentabilidade ( ambiental, cultural, social e econômica) para tornar a região um dos principais pólos de atração turística do país. Os 22 parceiros envolvidos no Projeto, que formam o Comitê Gestor, estudaram o tema durante a realização de 40 horas de oficinas técnicas no mês de maio, no Hotel Acapulco em Cabo Frio. Foram elaboradas 45 ações para serem desenvolvidas até o final de 2005, mas o planejamento prossegue até 2007. Entre as ações, destaque para quatro pilares importantes: “Qualificação e Capacitação”, “Plano de Marketing”, “Infra-estrutura” e “Alianças Estratégicas entre Poder Público, Iniciativa 23


Capa Privada e Entidades de Classes”. Segundo Sérgio Tostes, gerente regional do SEBRAE, o Projeto Caminhos Singulares do Turismo trata de resultados finais e intermediários. Será possível aumentar até dezembro, em 10%, o volume de vendas nas micro e pequenas empresas definidas como público alvo; elevar o fluxo de turistas, aumentar a taxa de permanência do turista e aumentar a taxa de ocupação. O Comitê Gestor de Turismo é formado por representantes dos três municípios: Prefeituras, Associações Comerciais, Associações de Hotéis e Pousadas, Universidades Estácio de Sá e Veiga de Almeida, Vialagos, Auto Viação 1001, TurisRio, Sebrae, Senai, Senac, Caixa Econômica e Banco do Brasil.

Igreja Nossa Senhora Assunção

Cultura e gastronomia sofisticada para público cada vez mais exigente Em Armação dos Búzios, o calendário de eventos da cidade confirmou a programação que vem dando certo há alguns anos organizada e patrocinada por empresas privadas. Mesmo assim, 34 eventos fazem parte do novo calendário oficial da península. As novidades são o Festival de Gastronomia, o Búzios Moda Praia, o MPB e o Búzios Antique Show.

-O calendário de eventos sempre foi um desejo e uma necessidade de todos os comerciantes. Os turistas precisam saber sobre a programação de uma cidade para também programaram suas viagens- disse o empresário Egídio Kettermann, da Pousada Don Quijote que abrigou em seu Centro de Convenções o lançamento oficial do calendário de Búzios. Tanto em Búzios quanto em Cabo Frio a cultura ferve. Na península, qualquer conversa de botequim vira um encontro internacional, já que na cidade vivem harmoni-

osamente cidadãos de mais de 52 nacionalidades. E cada um vive de seu jeito o que torna a pequena aldeia de pescadores numa Torre de Babel light, pois todos se entendem e trabalham cada vez mais para divulgar Búzios. No quesito restaurante, Cabo Frio e Búzios apostam tudo no atendimento e em pratos elaborados por experientes chefs. No Boulevard Canal,em Cabo Frio o visitante pode se deliciar com uma pizza simples ou um filé com fritas até pratos com lagostas, salmão, faisão e a novidades que incluem até pratos com carne de avestruz. Em Búzios mais de trinta restaurantes já ganharam fama mundo afora. É comum ver estampadas em suas paredes fotografias de famosos ao lado de chefs. Mesmo fora do calendário oficial, o turista vai precisar de muito fôlego para conhecer a maioria das belas praias, o roteiro cultural e histórico de Búzios e Cabo Frio.

Casa da Flor em São Pedro da Aldeia

Considerada uma obra prima da arquitetura espontânea no país, a Casa da Flor, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, precisa ser visitada. A casa foi construída a partir de 1912, em São Pedro da Aldeia, por um homem pobre, negro, trabalhador das salinas da região, e que nunca freqüentou uma escola. Entre 1923 e 1985, quando faleTurismo nas dunas ceu, Gabriel Joaquim dos Sande Cabo Frio tos foi embelezando seu lar com materiais recolhidos no lixo doméstico e no refugo das obras civis do local, guiado por sonhos e uma fértil imaginação. Com o objetivo de preservar e divulgar a casa e o trabalho de “Seu” Gabriel, um grupo de admiradores criou, em 1987, a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, hoje Instituto Cultural Casa da Flor, uma entidade civil sem fins lucrativos. Agora, o prefeito Paulo Lobo busca patrocínio de grandes empresas para transformar a Casa da Flor em um verdadeiro espaço cultural da região.


Geral Pesquisa

59% dos brasileiros não sabem o que é democracia Os brasileiros ainda não sabem o que é democracia. Uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apontou que, no Brasil 59% dos entrevistados não sabem qual o significado da palavra democracia. Além disso, 4% não souberam responder. Outros 54% apoiariam um governo autoritário desde que resolvesse os problemas econômicos. Os percentuais são mais elevados do que os encontrados em países como El Salvador, Colômbia e Guatemala. O levantamento indicou ainda que apenas 37% dos brasleiros apóiam a democracia. O percentual é o mais baixo da América Latina, até mesmo levando-se em conta o índice da Bolívia, onde existe um quadro de guerra civil. No Brasil, 56% da população acha que o desenvolvimento econômico é mais importante que a democracia. Apesar dos baixos percentuais e apoio, a democracia continua sendo o melhor sistema de governo para 70% dos brasileiros. Em toda América Latina os que pensam desta maneira somam 68%. Em países como Nicarágua e Costa Rica, o percentual atingie 82%. O levantamento foi realizado em 2002 com 18.522 pessoas de 17 países. A pesquisa revelou outros dados preocupantes. Os brasileiros se mostram divididos quanto ao retorno de um regime autoritário. Somam 42% os que repelem o autoritarismo político sob qualquer forma. A descrença da populçação não se limita à forma de governo. A presidencia da República teve 25% de rejeição. O poder Juciário(25%), o parlamento (23%) e os partidos políticos (14%), aparecem em último lugar em ranking das instituições mais confiáveis. na América Latina.

Redescobrindo a história José Francisco de Moura, doutor em História Da Redação rês anos depois de instalado o curso de História da Universidade Veiga de Almeida em Cabo Frio está mudando a história da Região dos Lagos. Primeiro a ser reconhecido pelo Ministério de Educação e Cultura com aprovação máxima, o curso que tem duração de três anos já atraiu quase mil alunos. “A região têm vocação para a História, que é muito rica. E o curso é muito dinâmico com os alunos interagindo o tempo inteiro. Credito a isso a grande procura”, comemora o coordenador do curso na UVA-campus Cabo Frio, José Francisco

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de Moura, professor e doutor em História. Chicão, como é chamado pelos alunos, diz que o curso de História vai permitir aos estudantes desenvolver atividades ligadas ao turismo histórico-cultural da região. A procura pelo curso de História aumentou tanto que já existem turmas pela manhã, à tarde e à noite com aulas sempre lotadas. A redescoberta da História também ganhou força nas publicações. Em qualquer banca de revistas do país é possível encontrar cerca de dez títulos sobre a História das civilizações. Nunca esteve tão na moda contar e estudar História. 25


Meio Ambiente

Conama aprova separação e tratamento do lixo hospitalar Da redação esíduos de saúde deverão, desde o dia 29 de março, passar por um tratamento antes de serem despejados em aterros sanitários licenciados. O Conama Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou a revisão da resolução 283, de 2001, que trata da separação do lixo hospitalar nos locais onde são gerados e de sua disposição final. As modificações realizadas na resolução 283 asseguram um lugar adequado para os resíduos de saúde. As prefeituras que não tem aterro sanitário, ao invés da incineração, processo de alto custo, poderão colocá-los em um local preparado e devidamente licenciado por um órgão ambiental. Além disso, a quantidade de

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lixo que precisa de tratamento deverá diminuir significativamente. Segundo o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, o Brasil ainda possui problemas na disposição do material contaminado dos serviços de saúde. A idéia, com a resolução, é separar a maior parte do lixo contaminado do lixo comum, reduzindo assim o volume a ser tratado e diminuindo, além do risco para a saúde, o custo na destinação final. “A maior parte dos resíduos contaminados que saem desses estabelecimentos podem ser separados do lixo comum. A destinação final dos resíduos de serviços de saúde é muito cara, porque tem que ser feita ou em locais especiais ou receber

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tratamento adequado, como incineração”, aponta Langone. O diretor do Conama, Nilo Dinis, explicou que atualmente, por orientação da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o lixo hospitalar do grupo A4, considerado de alto risco para o ser humano e para os animais, pode ser colocado em aterros comuns, sem ter que passar por um tratamento especial. De acordo com a resolução do Conama, os geradores de resíduos de serviços de saúde, como hospitais, laboratórios e outros, terão dois anos, da data da publicação no Diário Oficial, para se adequarem as novas exigências. Caberá aos órgãos estaduais e municipais de meio ambiente a fiscalização do cumprimento da resolução. Segundo o médico Luiz Carlos Fonseca, assessor técnico de Ministério da Saúde, a partir da resolução, uma classificação vai orientar a forma de separar e tratar cada tipo de resíduo. “Quanto mais rápido separar o resíduo, menor risco representa para a comunidade, para a saúde individual e coletiva”, disse.


Rio Una morre aos poucos Meio Ambiente

Falta de água impede crescimento agro-pecuário da região Da redação

uma região sem água, onde vivem cerca de 300 mil pessoas, seria natural que houvesse uma grande preocupação da sociedade com a morte de um rio. Porém, não é o que acontece na Região dos Lagos com o rio Una.

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Segundo Aluysio Martins, secretário de meio ambiente de São Pedro da Aldeia, o rio Una, único rio que corta o município, está morrendo. “Hoje o rio Una se encontra poluído e assoreado e, se os governos e a sociedade não se mobilizarem, no futuro iremos derramar um mar de lágrimas de arrependimento”, alerta o secretário. A Região dos Lagos tem duas bacias importantes: a do rio São João e a do 27


Meio Ambiente A esperança de que a sociedade e os “A falta de estrutura no campo e, principalmente, a falta de água, são as res- governantes se mobilizem para salvar o ponsáveis pela diminuição do rebanho e Una, reside, hoje, na atuação do Consórda atividade produtiva no campo”, revela cio Intermunicipal Lagos São João e do recém-criado Comitê das Bacias HidroAluysio Martins. Em 2001, a prefeitura de São Pedro gráficas das Lagoas de Araruama, da Aldeia enviou um projeto ao Ministé- Saquarema e dos Rios São João, Una e Ostras - responsável pelo rio da Agricultura, em gerenciamento dos reBrasília, para a recuperaHoje o rio Una se cursos hídricos da reção do Rio Una. O projeencontra poluído e gião. to, orçado em R$ 5 miassoreado e, se os O Consórcio Interlhões, prevê o dessasmunicipal Lagos São soreamento total do rio, governos e a sociedade João é uma agência que a recuperação da mata não se mobilizarem, no atua em treze cidades na ciliar e a construção de futuro iremos derramar defesa do meio ambienum sistema de irrigação um mar de lágrimas de te. Seu trabalho tem sido para o interior do muniarrependimento decisivo para a melhoria cípio, com a utilização das condições da Lagoa das águas do rio. Porém, até agora não houve solução, previsão ou Araruama e para a implantação do sistema de esgotamento sanitário na região. resposta do Governo Federal. O presidente do consórcio e prefeito “Enviamos também vários projetos ao Estado para a utilização dos recursos do de São Pedro da Aldeia, Paulo Lobo, recoFECAM (Fundação Estadual de Conser- nhece a importância do Una e revela que vação Ambiental) no desassoreamento do está buscando meios e recursos para iniciUna. Solicitamos a Serla que nos ajudas- ar uma operação de salvamento do rio. “É se a fazer um estudo hidrológico do rio. preciso que prefeitos, deputados, autoriPorém, a Serla condicionou sua ajuda a dades estaduais e federais, ambientalistas, um levantamento planialtimétrico, no va- ongs e toda sociedade civil organizada se lor de aproximadamente 100 mil reais, mobilize para salvar o rio Una, viabiliestudo que a prefeitura não dispõe de re- zando o futuro da nossa região”, enfatiza Paulo Lobo. cursos para fazer” explica o secretário.

rio Una. Com aproximadamente 30 km de extensão, o rio Una é formado principalmente pelo rio Godinho, que nasce em Araruama, próximo a Via Lagos, e os rios Conceição e Carijó, ainda no trecho inicial, na zona de colinas. Ingressando na baixada, o rio segue por 23 km, passando pelos municípios de Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Búzios e Cabo Frio, onde atinge sua foz, na praia de Unamar. Durante muito tempo, a falta de água na Região dos Lagos impediu o seu crescimento. A partir de julho de 1998, com os investimentos realizados pela concessionária Prolagos, houve um aumento significativo da captação e tratamento da água. Por falta de um manancial viável, a água produzida pela Prolagos tem de ser captada na represa de Juturnaíba, em Araruama, e “viaja” cerca de 50 km para abastecer cinco cidades da Região dos Lagos. Porém, o contrato de concessão não contempla o abastecimento da Zona Rural dos municípios, impedindo o crescimento da agricultura e da pecuária, que necessitam de água para se desenvolverem. São Pedro da Aldeia possui uma extensa área rural com um rebanho que chegou a ter 24 mil cabeças. O último censo, no entanto, detectou a diminuição do rebanho em 50%.

Serla complementa obras da Lagoa de Saquarema Governadora Rosinha libera mais 8,8 milhões para concluir a obra Da redação O Diário Oficial do dia 31 de março publicou decreto da governadora Rosinha Garotinho autorizando a aplicação de R$ 8.892.024,00 para a complementação das obras de revitalização da Lagoa de Saquarema. Com esses recursos, a Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas/Órgão Gestor de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro), responsável pelas obras, vai dragar o trecho entre a passarela da Lagoa de Fora (Saquarema) até a Ponte do Jirau. Serão construídos também 204 metros de muro de Gabião (contenção) para proteção das margens. Ano passado, a Serla havia conclu28

ído a abertura e dragagem do Canal da Barra Franca. Esse projeto incluiu a construção de um molhe (corrente de pedras) de 329 metros de extensão, na Praia de Itaúna, com o quebra-mar evitando que a força das ondas feche o canal.As pedras criaram uma corrente natural que está possibilitando a oxigenação da água e a troca de nutrientes, renovando a fauna da lagoa. A primeira intervenção (abertura do Canal da Barra Franca) custou R$ 10.120.000,00. Agora o governo do estado libera mais R$ 8.892.000,00, totalizando R$ 19.120.000, investidos na revitalização do complexo lagunar de Saquarema, assegurando sua estabilidade. CIDADE, Julho de 2005


Desenvolvimento

Nas asas do crescimento

Obras vão ampliar pista do aeroporto para receber aeronaves de maior porte Da redação m menos de um ano Cabo Frio terá o segundo maior aeroporto internacional do estado. As obras de ampliação do já começaram com investimento de R$ 16.351.711,36. A unidade terá sua capacidade, assim como as pistas de pouso e decolagem, ampliada para comportar operações com aviões de grande porte e receber vôos charter e cargueiros da América do Norte e da Europa. Atualmente, o Aeroporto de Cabo Frio recebe apenas vôos nacionais e de países da América do Sul, como Chile e Argentina. Para o secretário de Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Cabo Frio, en-

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genheiro Ricardo Valentim Azevedo, o aumento da pista e as reformas no aeroporto marcam definitivamente a entrada da cidade na rota internacional do transporte aéreo. Serão feitas obras para aumentar de 12 mil metros quadrados para 30,4 mil metros quadrados o pátio das aeronaves; construção de nova pista, ligando o pátio das aeronaves à cabeceira central, com dimensões de 333,18m x 23m; aumento da resistência das pistas de pouso e taxiamento; e alargamento da pista de pouso e decolagem, que passará a medir 2.550m x 45m. Construído pelo Governo do Estado em parceria com o Comando da Aeronáutica, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio, inaugurado em dezembro de 1998, tem localização estratégica para o crescimento turístico da Região dos Lagos. Inicialmente administrado pela Prefeitura de Cabo Frio, o aeroporto teve sua operação privatizada em 2001, sob responsabilidade da empresa Costa do Sol Operadora Aeroportuária S/A.

Rota – O secretário de turismo de Cabo Frio, Gustavo Beranger anunciou este mês que a prefeitura já iniciou negociações com companhias aéreas para incluir Cabo Frio na rota dos vôos domésticos pelo menos nos fins de semana. “Com isso vamos atrair outro tipo de turistas que quer mais conforto. Inicialmente estes aviões fariam conexão com o aeroporto Santos Dumont” disse. O secretário estadual de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Humberto Mota, esteve em Cabo Frio participando de uma reunião no aeroporto com empresários e o governo municipal visando atrair mais investidores para o município. Participaram desse encontro, Ricardo Albuquerque, representante da Alphaville Urbanismo; Hélio Cabral, diretor do Codin (Companhia do Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro); Henrique Melman, prefeito de Arraial do Cabo; Ricardo Valentim, secretário de Desenvolvimento de Indústria e Comércio de Cabo Frio, e Carlos Victor da Rocha Mendes, secretário de Governo.

Aeroporto de Cabo Frio é o maior do interior do estado CIDADE, Julho de 2005

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Saneamento

Prolagos quer mais 10 anos de concessão

O presidente da Prolagos Felipe Mendes visita a ETE de São Pedro da Aldeia Da redação Prolagos precisa de mais de dez anos de concessão na Região dos Lagos. A afirmação é de Felipe Mendes presidente da concessionária de água e esgotos que atende cinco municípios da região. Mendes disse que a empresa vai pedir à Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos -ASEP mais 10 anos de concessão. Segundo o presidente o novo prazo serviria para equilibrar o fôlego financeiro da empresa já que a ASEP concedeu apenas 22,6% de reajuste dos 43% solicitados pela concessionária a titulo de equilíbrio contratual dos investimentos realizados pela concessão de 25 anos. O diretor financeiro da Prolagos, Rui Carvalho disse ainda que se os investidores portugueses não aportarem com 6 milhões de Euros a empresa não terá como pagar os 550 empregados nos próximos meses. Além disso, alertou Mendes, se as obras de construção das estações de tratamento forem paralisadas cerca de 400 operários das empreiteiras também ficarão sem trabalho. Pelos cálculos da empresa já foram investidos cerca de 254 milhões de reais

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em seis anos de operação na Região dos Lagos. Em 2003 a Prolagos teve prejuízo de 14 milhões e em 2004 o balanço apontou cerca de 13 milhões no vermelho. Rui Carvalho revelou ainda que a empresa não está tendo a resposta ideal do poder público municipal. Só para exemplificar, o diretor citou que a empresa ainda não tem a titularidade dos terrenos onde construiu as estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Agora a Prolagos vai encaminhar um pedido à Asep e à empresa Price Waterhouse para uma auditoria interna a fim de obter dados oficiais. Com isso, a direção da empresa espera ter elementos consistentes para pedir uma nova revisão de tarifa. “Em três anos os investidores aportaram 130 milhões na empresa através do Banco Central. Nunca conseguimos dinheiro nos bancos brasileiros - disse o diretor financeiro na Prolagos. A Prolagos conseguiu derrubar a liminar onde os juízes de Cabo Frio e Búzios determinavam que a empresa fornecesse água a 100% da população da cidade contrariando o contrato de concessão.


Especial

Crise de Identidade na prefeitura de Búzios Por Mônica Casarin hegando ao poder com a promessa de mudança radical no jeito de administrar Búzios, o governo Toninho Branco chegou ao fim do primeiro semestre afundado em uma crise de identidade. A disputa por poder entre dois grupos de secretários está mexendo com a estrutura de governo e, na semana passada, terminou em agressão física, dentro da Prefeitura, nas barbas do prefeito. Este princípio de motim dentro do primeiro escalão do governo teve como desculpa a ‘importação’ de alguns secretários, ‘filhos’ de Cabo Frio. Porém, é de conhecimento publico que a origem da crise está na disputa interna por poder, entre dois grupos que ajudaram a eleger Toninho Branco: de um lado, empresários buzianos que têm um projeto privado para Búzios; e do outro, políticos regionais que trocam apoio por cargos, criando um tipo de dança de cadeiras nas prefeituras da Região dos Lagos. Estes dois grupos têm agendas diferentes e objetivos antagônicos. Uns esperam, há anos, a oportunidade de implantar projetos de ocupação urbana patrocinados por corporações multinacionais; outros apenas buscam a perpetuação em cargos públicos, aumentando suas influências políticas e seus ‘currais eleitorais’. Essa coalizão de forças, distintas e poderosas, que foi a grande responsável pela eleição de Toninho Branco, começa, cada uma, a cobrar o seu ‘investimento’. Tentam direcionar a administração pública para suas agendas políticas, abrindo um racha no governo que fez o prefeito vacilar. A disputa, que vinha esquentando nas últimas semanas, chegou ao limite depois que o secretário de Turismo, Jacob Mureb, foi agredido com um soco na orelha pelo empresário Nani Mancini, durante uma reunião do secretariado.

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Toninho Branco: Dificuldade com aliados

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Especial curso e a prática. Sobraram disputas internas e faltaram ações concretas. A insatisfação dentro e fora do governo atinge até mesmo a relação do legislativo com o executivo, que até então era íntima. Com a maioria na Câmara, o prefeito conseguiu aprovar alguns projetos de interesse do executivo com facilidade. Entretanto, no último mês, a divergência de agendas empurrou a crise para a Casa do Povo, que passou a colocar empecilhos aos projetos do governo. O vereador Evandro de Oliveira, que é da base governista, chegou a assinar um pedido de CPI para investigar o contrato do executivo com a empresa que presta serviço de limpeza para o município. Isto, na mesma semana em que era convidado para assumir a secretaria Executiva e de Transportes do governo Toninho Branco.

Toninho Branco veio a público dizer que é ele quem manda no governo e não vai aceitar pressões de nenhum lado.

A noticia correu, e Toninho Branco teve que vir a público e dizer que é ele quem manda no governo e não vai aceitar pressões de nenhum lado. A ‘batida na mesa’ do prefeito, porém, não foi muito convincente. Como forma de tentar acalmar os ânimos e retomar o controle dos subordinados; anunciou uma troca de secretariado, que deu mais poder a um dos grupos rebelados. Retirar o chefe de gabinete, Antônio Carlos Trindade, que era até então seu braço direito é sinal de que ele cedeu à pressão. Trindade é amigo pessoal e um dos mentores políticos do prefeito. A sua saída da chefia de gabinete pode fragilizar ainda mais o poder de comando de Toninho Branco; assim como a saída de José Dirceu da Casa Civil, fez com o governo Lula. Se o prefeito não conseguir parar essa disputa interna por poder, corre o risco de ver seu governo afundar ainda mais em uma crise que já começa a irritar a população. Toninho foi eleito com a promessa de mudança, com um discurso que garantia uma revolução no desenvolvimento sócio/econômico de Búzios, e sua modernização. Em seis meses de governo, porém, a realidade mostrou um ‘gap’ entre o dis-

Nani e Jacob Fim da amizade?

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Show

Com a cara de Búzios Walmor Freitas

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Walmor Freitas

leluia. Cabo Frio viveu momentos de Búzios no último Sábado da quaresma. O show do saxofonista Léo Gandelman no largo de São Benedito conseguiu reunir o PIB mais significativo da região. Lotou todos os bares e restaurantes do entorno da praça e deixou claro a vocação que o recanto mais histórico da cidade tem para eventos íntimistas. O local também se transformou numa passarela de gente bonita e de bom gosto. Grupos animados trocavam idéias sobre obras de arte, viagens internacionais, carreiras profissionais e moda. Tudo regado a generosas doses de whisky e bons vinhos. Para ver o saxofonista número um do Brasil, fãs vieram do Rio, de cidades vizinhas e, claro, muita gente de Búzios atrás de um bom programa musical. Até porque, lá na península o show máximo era de axésamba. Argh! Se o projeto do secretário de turismo Gustavo Beranger é de realizar eventos que atraía gente com alto poder aquisitivo, acertou na mosca. Muitas senhoras se diziam surpresas com a noite agradável que incluía a igreja secular aberta e toda iluminada. “Há anos que não saía de casa. Não

dava. Agora sim” comentava uma senho- funk, música baiana e trios elétricos. No ra com um casal que também mora no cen- final, os fãs se aglomeravam atrás do tro de Cabo Frio. camarim. Léo autografou CDs, tirou fo“A noite foi maravilhosa porque ama- tos e até trocou telefones com admiramos tocar e curtir a música, a paz e a energia positiva que vêm de todos vocês. Por isso essa noite foi especial” disse Léo ao se despedir do público, depois de tocar por entre as mesas animando e emocionando a todos. Um show. Acompanhado por músicos competentes, Léo mostrou porque faz sucesso no mundo inteiro. Tocando clássicos da MPB Léo Gandelman faz show no meio do público que com suingue jazzístico, lotou a praça da Passagem o saxofonista brincou, improvisou e conseguiu a proeza de fazer dores e atendeu aos poucos jornalistas o público participar cantando o refrão da que apareceram e entendem sua obra. música Maracatú Atômico entre frases de Detalhe: não foi preciso seguranteclado, bateria, baixo e improvisos no sax. ças truculentos, credenciais pedidas uma Deu certo. semana antes e nem pulseiras obtidas O secretário de cultura Milton através de algum favor político. Ah, os Alencar Jr., revelou que este show marca ambulantes, graças a Deus não apareo início de uma nova era da programação ceram e os banheiros dos restaurantes cultural de Cabo Frio. foram usados apenas pelos clientes, É esperar para ver. Pelo menos já pas- como numa cidade civilizada. samos o primeiro verão sem axé, pagode, Que continue assim.

Faix a Etária finaliza primeiro CD aixa

Há cinco anos na estrada, a banda Faixa Etária passou a ter o interior como o palco predileto. Alexandre Brito (baixo), Fabrício Araújo (bateria), Filiphe

Nunes (guitarra), Gustavo Lima (vocal) e Rodrigo Molina (teclados) já rodaram todo o estado com apresentações aplaudidas pelo público e aprovadas pela crítica. O grupo passou a ser uma espécie de banda oficial dos encontros de motociclistas. O Faixa Etária foi um dos destaques do primeiro festival “Volta Redonda do Rock”. A banda tocou hits do Rock Brasil e algumas músicas internacionais como, por exemplo, clássicos como “Sweet Child O”Mine” (Guns n”Roses) e “Polícia” (Titãs). . O CIDADE, Julho de 2005

grupo, que em janeiro tocou durante duas horas para 30 mil pessoas no Cabofolia 2005, em Cabo Frio, tem um novo integrante: o guitarrista Filiphe Nunes e Souza. O grupo toca dia 24 de abril no Encontro de Motos de São Gonçalo, promovido pelo Moto Clube Carrascos de Ferro. - Serão 13 músicas inéditas e próprias. É uma mistura de estilo que vai de Guns n” Roses a Charlie Brown Jr. Com esta mistura acredito que o Cd terá uma boa aceitação pelo público e pelas rádios — disse o baterista Fabrício. 35


Comércio

Jornalismo

“A região precisa trabalhar unida” Jésus Costa, presidente da Facierj Da redação

presidente da Facierj, Jésus Costa defendeu a união entre as associações e o comércio da região como forma de combater a sazonalidade. Jésus disse que a globalização está unindo empresas e países em busca de soluções práticas para o crescimento em conjunto.

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“Nada mais normal que cidades afins se unam também aliando esforços para atingir um objetivo comum” disse o presidente que visita a região com frequência. Jésus ressaltou também que o estado do Rio é privilegiado porque possui diversas regiões com características totalmente opostas e que ao mesmo tempo se completam. “A Costa do Sol, por exemplo, é belíssima mesmo no inverno. É preciso que o turista venha para a região e desfrute de

“O mesmo turista que visita Cabo Frio, pode visitar Araruama e Búzios que ficará feliz, porque cada município tem sua potencialidade” disse Jésus que incentiva o turismo diversificado e não só de praias. Ele ressaltou a importância de um passeio de barco, passeio pelas Dunas ou passeio pelas praias da Lagoa de Araruama – que é uma das maiores do mundo-. “É importante a união de esforços” .

Praias para todos os gostos “Temos muitas praias que vão desde águas tipo piscina até locais onde se pratica surf e kitesurf” disse Milton Roberto, expresidente da Associação Comercial de Cabo Frio. Milton endossa a posição do presidente da Facierj e disse que também defende a união das associações comerciais e de todo o comércio regional. “Uma coisa agrega a outra. É diversão para toda a família. Os jovens podem aprender, ter auJésus Costa, presidente da Faciearj com las de bodyboarding Milton Roberto (Acia) e José Márcio (Aceb) e a noite a juventude pode agitar na praia todos os atrativos de cada cidade. Por isso, do Forte e depois no Boulevard Canal” disé importante que todas as cidades estejam se Milton que lembrou que Cabo Frio tem inclusive duas modernas salas de cinema de mãos dadas”. Jésus Costa disse ainda que a diver- com programação simultânea às das capisidade da Região dos Lagos é que vai in- tais brasileiras. A cidade, segundo ele, está crementar o turismo em todas as tempo- preparada para receber turistas das classes A e B. radas. 36

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Jornalismo investigativo incomoda governos A jornalista americana Bárbara Crossette, ex-chefe do escritório do jornal New York Times e correspondente da revista Time na Ásia, ministrou palestras no Rio de Janeiro sobre Jornalismo Investigativo e Relações do poder com a Mídia Internacional. O jornalista Walmor Freitas, editor da revista Cidade, foi o único representante da Baixada Litorânea a participar do Seminário. O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. Bárbara exibiu um filme sobre os crimes contra profissionais da imprensa no mundo todo, principalmente na América Latina onde os governos se “incomodam” com as verdades e denúncias publicadas pela imprensa. Durante as mais de quatro horas da apresentação e discussão sobre o tema que aflige os jornalistas do mundo inteiro, não faltaram histórias de como os governantes e empresários manipulam e ameaçam os jornais da capital e, principalmente, os do interior. “A união dos jornalistas é fundamental para o bem do jornalismo sério, investigativo que questione. É isso que a sociedade e o leitor espera ler nos jornais” disse Ms. Crossette que também trabalhou no jornal The Birmingham Post, na Inglaterra. “Quem não tiver coragem e não se sentir bem fazendo jornalismo de verdade, precisa encontrar outra profissão” recomendou a jornalista que trabalha para a Knight International Press e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) criada a partir da morte de Tim Lopes.

Bárbara Crossette entre os jornalistas Walmor Freitas e Yara Cruz


Negôcios

Centro de convenções de Macaé Sinônimo de bons negócios Da redação A única saída para os municípios da Região dos Lagos entraram na rota do rentável turismo de negócios é a construção de centros de convenções. Macaé largou na frente e dois anos depois de inaugurar o Macaé Centro já colhe frutos do investimento. O Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, o Macaé Centro, é o segundo maior do estado, atrás apenas do Rio. Construído em uma área de 110 mil metros quadrados no bairro São José do Barreto, o Macaé Centro ajudou a firmar o nome do município como um dos mais importantes do país. Devido à sua boa infraestrutura, elogiada por grandes multinacionais, o Centro de Convenções sediou a terceira edição da Brasil Offshore, feira que de dois em dois anos reúne em-

grande complexo. São dois pavilhões de exposição, estacionamento para mais de dois mil veículos, amplos auditórios, sala de imprensa, praça de alimentação e estação de tratamento de esgoto própria. O Macaé Centro possui ainda posto médico, posto da Guarda Municipal, posto da Polícia Federal, 14 banheiros com capacidade para 20 pessoas e 12 banheiros para pessoas especiais, além de vestiários. “Temos estrutura para atender eventos de todo

Macaé possui o segundo maior centro de convenções do Estado presas do setor de petróleo de mais de 50 países. E um evento internacional que projeta a cidade para o mundo. Um momento singular para a cidade exibir suas qualidades turísticas. O Macaé Centro é na verdade um

tipo, de pequeno a grande porte, como a Brasil Offshore”, explicou a administradora do Macaé Centro, Maria do Carmo Berdeal Martinez. Em Cabo Frio o projeto para a construção de um centro de convenções já está CIDADE, Julho de 2005

pronto. No papel. Uma dos grandes destaques do programa de governo do então candidato Marquinho Mendes era a construção de um centro de convenções para alavancar o turismo de negócios e gerar empregos. Búzios aproveitou as instalações do ex-Bingo Geribá e nos últimos anos a prefeitura o utilizou como um centro de convenções. A concorrência no entanto é direta com as pousadas e hotéis que também construíram espaços dedicados às palestras, apresentação de cursos e treinamentos de empresas. “É um grande filão comercial” disse o empresário Egídio Kettermann, dono da Pousada Don Quijote um dos primeiros a construir um espaço dedicado ao turismo de negócios. O Hotel The Pearl, um dos mais novos empreendimentos de Búzios inaugurou um centro de convenções para 600 pessoas com evento da BMW. O recém inaugurado hotel Rio Búzios com 64 suítes na praia de João Fernandes também dedicou espaço para encontro empresarial. “Focamos nosso trabalho no turismo de negócios” disse o administrador Márcio Ramos que na Semana Santa trabalhou com turistas europeus. 37


Luiz Firmino Martins Pereira

POR QU QUE, sempre que ocorrem chuvas fortes, o mau cheiro e detritos sólidos voltam a estar presentes na Lagoa de Araruama em áreas consideradas como limpas?

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Quando chove forte, a “capacidade de bombeamento fica comprometida, e faz-se necessário extravasar para a praia o excesso de águas que vêm pelas galerias pluviais, assim sendo o esgoto e detritos alcançam a praia embora bastante diluído pela água da chuva.

excesso de nutrientes presentes no esgoto), trabalhou-se uma alternativa capaz de estancar a curto prazo grandes despejos de esgoto na Lagoa de Araruama, e esta opção foi a implantação de um, ou melhor, vários pequenos cinturões capazes de coletar todo o esgoto que já estava sendo lançado na Lagoa, através de seus canais de drenagem (que escoam as águas de chuva). Esta alternativa se mostrou viável pelo fato 38

de chover pouco na região, e permitiu concentrar os recursos iniciais na construção das Estações de Tratamento de Esgotos (ETE) e neste pontos de interceptação, que chamamos de tomadas de tempo seco. (Falamos aqui de R$ 80 milhões de reais, um dos maiores investimentos per capta hoje do Brasil em saneamento). As tomadas de tempo seco, como a da Praia das Palmeiras, funcionam da seguinte maneira: Todas as drenagens, que antes conduziam esgotos para a praia foram interceptadas e passaram a ser bombeadas para o tratamento nas ETEs, ou seja não chovendo (95% do ano), absolutamente nada vai para a Praia, tudo é tratado, inclusive águas de lavagem e volumes adi-

lobo” tenham sifões, para evitar o mau cheiro que sentimos hoje ao passar perto de um bueiro. Estamos portanto construindo um sistema de longo prazo, com um salto enorme logo de início, que é tratar 100% dos esgotos quando não chove forte. A Lagoa aguentou durante mais de 30 anos recebendo esgotos durante todo ano, agora irá se recuperar rapidamente ficando livre deles na grande maioria do ano.

aguentou mais “deA30Lagoa anos recebendo

m primeiro lugar é preciso entender como está sendo implantado o sistema de tratamento de esgotos da Região. A Região se desenvolveu nos últimos 30 anos, sem que investimentos em infraestrutura sanitária fossem feitos, como aliás ocorre em geral no resto do país. A partir das concessões em 1998 e da criação do Consórcio em 2000, iniciou-se a possibilidade de discussão de um programa de saneamento, que era limitado por dois fatores elementares, dinheiro disponível para investimentos X tempo de implantação do sistema. Levando-se em conta estes dois fatores, somados ao estado caótico da Lagoa de Araruama, “eutrofização de suas águas” (produção excessiva de algas por

esgotos durante o ano inteiro cionais quando a população da região triplica. Como resultado, rapidamente recuperamos a Praia. Entretanto quando chove forte, a capacidade de bombeamento fica comprometida, e faz-se necessário extravasar para a praia o excesso de águas que vêm pelas galerias pluviais, assim sendo o esgoto e detritos alcançam a praia embora bastante diluído pela água da chuva. Deve-se portanto evitar banho nas 24 à 48 horas seguintes a fortes chuvas, e contar com a capacidade de depuração da Lagoa nestas situações. Este é um sistema realista, que é capaz de otimizar os recursos investidos por ora, maximizando os resultados, mas não está pronto, ou seja, nos próximos 19 anos que ainda temos de Concessão, este sistema será aos poucos aperfeiçoado, para que as redes tenham maior eficiência, funcionando somente com esgotos em pontos estratégicos de grandes vazões e mista (através da drenagem) em outras, mas com tubulações adequadas que não comprometam o lençol freático, e onde as “bocas de CIDADE, Julho de 2005

LUIZ FIRMINO MARTINS PEREIRA é Arquiteto Urbanista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Mestre em Ciência Ambiental pela Universidade Federal Fluminense – UFF, e Doutorando em Geografia na Universidade Federal Fluminense – UFF. Funcionário de carreira da FEEMA durante 22 anos, dedicou 15 destes trabalhando na Agência Regional do Órgão na Região dos Lagos. Atualmente é Secretário Executivo do Consórcio Intermunicipal para Gestão Ambiental das Bacias da Região dos Lagos e Rio São João, organismo de bacia, que coordena a articulação dos projetos de gestão e recuperação ambiental da região.


Nossa praia

Praia o ano inteiro Da redação ma das grandes vantagens de quem mora na Região dos Lagos é poder curtir praia o ano todo. Sim, mas que praia se todas são belas e envolventes? perguntam os mais animados. Cada cidade têm seus grupos que escolheram a praia do ano todo. Em Cabo Frio, mesmo no inverno a praia das Conchas dentro de uma área de preservação ambiental é uma das preferidas de quem mora na região. O quiosque Delírio Tropical, no canto direito das Conchas é um dos mais bem freqüentados. No final de semana é comum esbarrar com os secretários municipais de Cabo Frio, jornalistas, intelectuais e gente que curte sempre um bom “papo cabeça” regado a muita cerveja gelada e até uisque.

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Praia das Conchas -Aqui descanso e curto com meus amigos e fico atualizado” diz o engenheiro e professor universitário Paulo Brunner O som do quiosque Delírio Tropical é um caso à parte.Uma rigorosa seleção musical que vai desde baladas da tia Rita Lee até lendárias canções do Creedence Clearwater Revival passando pelo latino Carlos Santana.

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‘É a praia para encontrar os amigos e relaxar” completa o jornalista e publicitário Ricardo Cox que bate ponto mesmo em dias sem sol. O publictário e artista plástico Marcel Figueira classifica a Praia das Conchas como revigorante “Este lugar é o nosso SPA. Não precisa mais nada e é de graça”

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Artigo

Cabofolia será mesmo em janeiro Walmor Freitas De nada adiantou a reclamação dos moradores, das pesquisas entre comerciantes, empresários e religiosos. O Cabofolia será mesmo realizado em janeiro e ponto final. De um lado, parte da sociedade indignada com o evento que produz infinidades de matérias negativas por conta do elevado número de ocorrências policiais, degradação do meio ambiente e loteamento de área pública. Na outra ponta, o interesse dos empresários e políticos que fazem dobradinha há vários anos. Toda a discussão que pautou programas de rádio e tv e ocupou páginas dos jornais locais foi em vão. A oposição nunca percebeu que ela mesma mantém o Cabofolia na mídia o ano inteiro. E de graça. O Cabofolia agradece. Aliás, discutiram sempre o foco errado da questão. A fórmula é simples: o empresário Froilan Moraes enxerga a possibilidade de negócios lucrativos e defende sempre em público que o Cabofolia fora de janeiro é inviável economicamente. Tem toda a razão. Todo artista vai onde o público está, diz a velha canção. E Cabo Frio tem público de sobra para esse tipo de evento em janeiro. É a hora do povão. E tome-lhe shows de axé ,funk e pagodes. Haja ouvidos. Froilan disse que fez shows fora de época e tomou prejuízo de quase 500 mil reais. “Não faço mais” disse ele. Até a proposta da diretoria da Acia é fora da realidade. Querem que o Cabofolia seja transferido de janeiro para outra data. Não pode ser na Semana Santa por motivos óbvios, não pode ser em dezembro e nem na primeira quinzena das férias de julho. Sobra que mês então? Mas isso não importa. O que ninguém discutiu até hoje foi que a empresa ou o empresário Froilan participa ativamente das campanhas políticas como, digamos, cola-

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boradores. Quem patrocina, investe com a certeza de um resultado positivo. Ninguém joga dinheiro fora. Essa é a meta do empresário bem sucedido. E o Cabofolia é um sucesso em custo-benefício. Não há como negar. É só fazer as contas. Os próprios realizadores alerdeiam aos quatro ventos que a micareta atrai cerca de 200 mil pessoas, ou 50 mil a cada noite. Ora, 200 mil por 50 reais em média é coisa em torno de R$ 10 milhões. Os mesmos realizadores garantem que precisam investir 3 milhões com a estrutura e cachês dos artistas. Sobram 7 milhões por ano. Só não se sabe quanto pagam de impostos para o município. Nem a prefeitura diz quanto arrecadou. Logo após a eleição do dia 3 de outubro, o empresário Froilan abraçava os vencedores no restaurante Tia Maluca e dizia “ Graças a Deus investi bem e meus candidatos ganharam; o Toninho Branco (Búzios), Marquinho Mendes e Acyr Rocha. Venci todas. Agora vamos trabalhar muito” comemorava. Algo de errado? Coisa nenhuma. No Brasil é comum as empresas, principalmente construtoras e empresas de transporte coletivo “colaborarem” com as campanhas. Os que têm mais dinheiro investem em dois ou três candidatos. Não perdem nunca. Um bom exemplo é que em plena campanha do desarmamento, empresas fabricantes de armas bancaram campanhas milionárias para presidente, senadores e governadores. Imagina o que acontece no interior? Então teremos Cabofolia sim, pelo menos por mais quatro anos. Ah, só vai mudar de lugar por determinação do Ministério Público Federal. A micareta deverá ser atrás da Sendas ou na área da avenida Henrique Terra que já está demarcada. Não adianta discutir mais nada e nem perder tempo. É só esperar para comprar um abadá em Cabo Frio ou na micareta de Búzios. Walmor Freitas é jornalita


Esporte

É hora de ir para a escola...de surf

Crianças aprendem sobre os perigos do mar Da redação

ifícilmente algum aluno falta à aula ou chega atrasado. Mas os pais precisam dar bronca quando a aula chega do fim. Ninguém que ir embora da aula de surf, claro.

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Criada há mais de um ano pelo surfista cabofriense Wagner Lucas Oliveros de 17 anos, a Escola de Surf de Cabo Frio já conta com 60 alunos com idade entre três e quinze anos. Todos os sábados e domingos pela manhã a Praia do Forte, cartão postal da cidade, fica repleta de crianças que assistem as aulas teóricas e práticas. A carioca Mônica Azevedo Santana,

professora de natação há quase dois anos em Cabo Frio matriculou o filho João Gabriel de apenas três anos e o irmão Matheus de Azevedo,de 10, para aprenderem a pegar onda com segurança. “É bom que desde cedo eles aprendam a respeitar o mar e ainda pratiquem um esporte saudável” disse ela que precisou dar uma pequena bronca para tirar os pequeninos de dentro d´agua. Ao contrário do que a maioria pensa, as aulas para crianças são ministradas nas pranchas grandes. Os pranchões podem chegar até três metros de comprimento. As pequenas pranchas só podem ser usadas por quem já tem prática, ensina o instrutor. Segundo ele, as pranchas maiores dão mais equilíbrio e se mantém mais tempo sobre as onCIDADE, Julho de 2005

das. Os baixinhos sonham em poder comprar todas e de todos os tamanhos. “Já escolhi em diversas lojas e quando minha mãe tiver dinheiro ela vai comprar uma bem grande e de bico” disse o pequeno Matheus. As aulas são teóricas com direito a apostilas. Os alunos também não precisam ter prancha. A escola fornece o material e camisetas. A cada dia, são duas horas de aula. Na parte teórica são explicadas noções de respeito ao mar, como enfrentar fortes ondas e como utilizar a prancha para ajudar a salvar vidas. “Ensinamos os fatores que influenciam no momento do socorro” conta o instrutor que também aluga pranchas para turistas. Os instrutores podem ser encontrados diariamente na Praia do Forte no trecho mais movimentado. É uma boa opção para a garotada. Descansam os pais e meninos e meninas aprendem a surfar em apenas dez aulas.

Vela em Buzios Outra escola bem procurada pelos ‘estudantes’ é a escola de vela em Búzios. O equipamento custa um pouco mais caro, mas as vagas são concorridas. Uma das escolas fica em Manguinhos, que, segundo especialistas, tem raia perfeita em função dos ventos fortes. O vento também é forte em Cabo Frio, na praia do Foguete. Por isso, instrutores de kitesurf elegeram o local para a prática do esporte. O negócio cresceu tanto que a secretaria de turismo já pensa em sediar um campeonato brasileiro da categoria. “Nossa vocação é para esportes náuticos” diz o secretário de Turismo Gustavo Beranger que apostou na competição de jet-sky como forma de abrir a temporada de eventos em águas cabofrienses este ano. “Foi um sucesso e trouxe um turismo de qualidade para nossa cidade, é isso que queremos”, comemora. 41


Torres do Cabo

Fragmento de tela “Barca de Sal”.



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