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Capa

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www.revistacidade.com.br

O que é a Reserva Peró?

Agosto, 2007 Número 16

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Inbox Ibascaf tem novo presidente

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Meio Ambiente O poder nas mãos das prefeituras

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Opinião A tranquilidade da pesca predatória

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Arrail do Cabo Álcalis negocia U$ 78 milhões com o BNDES

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Macaé A vez do mar Mais uma polêmica do IBGE: o mar avança ou a cidade afunda? Nutrição Doença Celíaca x Síndrome de Down

Política Quem vai ficar com a bicicleta? A disputa pela prefeitura da cidade de Cabo Frio esquentou e já lançou sua primeira figura de marketing: a bicicleta.

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Especial Inventar é preciso “Navegar é preciso”. O verso é do poeta português Fernando Pessoa, mas se enquadraria com perfeição na poética vida de um certo chileno que há 40 anos escolheu o Brasil como pátria. E o mar como inspiração.

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Entretenimento Uma história de sucesso Entrando em sua quinta edição, o Festival de Esquetes de Cabo Frio, surpreende a todos e até aos que, por pura curiosidade, resolvem prestigiar o evento

Esporte Sonhando alto Depois de entrar para a história do futsal da cidade com a conquista, no dia 3 de junho, do primeiro título de campeão carioca, o time adulto de Cabo Frio agora sonha alto com as próximas competições

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Ponto de Vista DNA de mexilhão

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Livros Pérolas aos poucos

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Artigo A Traição

Capa: Dunas do Pero - Cabo Frio/RJ Foto de César Valente

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Reynaldo Rocha Barros

De nada servirão as diretrizes aprovadas pelos planos diretores se os municípios não tratarem de aprovar as novas regras que vão garantir o desenvolvimento urbano sustentável

Renato Silveira

Divulgação Crea-RJ

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eynaldo Rocha Barros é carioca do Cachambi, casado, 50 anos. Técnico de Eletrotécnica, Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho . Respeitado nas entidades de classe, nos órgãos governamentais e nas instituições de ensino, é conhecido em todas as fileiras do Sistema Confea/Crea, onde participa ativamente há mais de 10 anos, sendo um dos mentores das transformações que marcaram o desenvolvimento da instituição, quer como Conselheiro, Secretário, Tesoureiro ou Vice-Presidente do Conselho. Perito Judicial Cível, Trabalhista e Ambiental. Coordenador e professor dos Cursos de Perícias Judiciais da Sobes (Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança). Docente da PUC, consultor técnico de empresas, ex-presidente da Sobes-Rio. Eleito, por voto direto, para a sua presidência do Conselho, em 2002, Reynaldo Barros assim permanece, após vencer a segunda eleição. Preocupado com as questões ambientais da Região dos Lagos, com as quais mostrou estar antenado, citando problemas como o da Lagoa de Araruama, Reynaldo não deixa de lado temas como ética e o aumento do número de falsos profissionais que invadem o mercado, causando riscos e danos, tanto aos engenheiros e arquitetos quanto à população. Prestes a lançar o livro “”Energia para um novo mundo”, na 64ª Semana Oficial de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Reynaldo defendeu a construção da Usina Angra 3, por acreditar que se trata de uma fonte de energia limpa.

Reynaldo Rocha Barros Presidente do Crea-RJ

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TA Reynaldo Rocha Barros

O que é o Crea-RJ e qual a sua função? O Crea-RJ, é uma autarquia dotada de personalidade jurídica de direito público, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro e jurisdição em todo o estado sendo composto pelo presidente e pelos conselheiros regionais, representantes de instituições de ensino superior e entidades de classe, cujo terço é renovado, anualmente. O Crea-RJ exerce o papel institucional de primeira e segunda instância, verifica, orienta e fiscaliza o exercício profissional com a missão de defender a sociedade da prática ilegal das profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, visando a ser reconhecido pelos profissionais do Sistema e pela sociedade como instituição de excelência por sua atuação ágil, íntegra e eficiência, através de um excelente atendimento aos profissionais e a sociedade, participação e comprometimento com os resultados organizacionais e de capacitação técnica. Quais as principais dificuldades encontradas pelo Crea na Região? A Regional Leste é muito ampla e com atividades que variam de município para município. São 14 municípios com características diversas. Alguns têm como atividade principal o turismo e a construção civil, como é o caso de Armação de Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Araruama e Saquarema. Já os municípios de Macaé e Rio das Ostras estão focados nas atividades petrolíferas, industriais e suas ramificações. Essas atividades resultam em grande número de empresas e profissionais estrangeiros atuando na região, com pouco ou nenhum conhecimento da Legislação vigente. Nosso trabalho envolve ,além da fiscalização, a conscientização das empresas contratantes, como a Petrobras , da obrigatoriedade de cumprimento à legislação e contratação de empresas e profissionais capacitados para cada serviço. Nos municípios com atividade turística intensa, existem muitos loteamentos, muitos deles irregulares, e a ocupação urbana também é intensa. As regularizações das construções devem obedecer às leis municipais de uso do solo e ao código de obras respeitando o determinado nos Planos Diretores. Estamos acompanhando este desenvolvimento junto às Prefeituras e outros órgãos. A atuação da fiscalização tem sido de grande importância na orientação sobre os 6

riscos na falta de um profissional habilitado, valorizando assim a atuação dos nossos profissionais na região, em todas as áreas. Como o Conselho lida com as questões éticas e o exercício ilegal da profissão? Em tese, ética e profissionalismo deveriam ser palavras indissociáveis. A primeira dá conta dos princípios e valores que regem a conduta do homem. A outra, diz respeito à gestão da profissão, à maneira íntegra e honesta de exercê-la. O sentido dessa palavra está fundamentalmente ligado à ética, à moral dos bons costumes. No entanto, a prática tem mostrado uma realidade diferente, ainda mais quando a nação em questão é o Brasil. As atividades ilegais que assolam a área de engenharia é uma questão a se refletir e discutir. Nos últimos anos, o exercício ile-

Com as obras de interligação da Lagoa com mar, pode haver risco de piorar a balneabilidade das praias locais, como é o caso da dragagem do Canal Itajuru, em Cabo Frio, que pode colocar em risco a Praia do Forte gal da profissão tem crescido consideravelmente. No nível fiscalizatório, ela deve ser combatida através de mecanismos eficazes. Para ajudar a mudar esse cenário, está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6.699/2002, que transforma o exercício ilegal das profissões de engenheiro, arquiteto, agrônomo, geólogo, geógrafo e meteorologista em crime punível com penas de prisão por até dois anos. Ao endurecer a punição, a proposta representa uma importante barreira para conter o avanço de maus profissionais que, aproveitandose do registro no Crea, muitas vezes, “vendem” suas assinaturas para legitimar projetos ou obras executados por leigos. A prática, conhecida como acobertamento, é muito comum no Rio de Janeiro e representa grau máximo de risco para as construções. Para coibir esse tipo de ação e valorizar os profissionais, o Crea-RJ tem realizado uma fiscalização rigorosa. Outro tipo de acobertamento é o que permite que profissionais estrangeiros atuCIDADE, Agosto de 2007

em no país. Sem visto de trabalho, muitos agem ilegalmente com o apoio de escritórios e colegas de profissão. Isso torna o mercado de trabalho ainda mais saturado, já que os estrangeiros tiram vagas dos brasileiros. Em tempos de globalização, a abertura internacional é inevitável. No entanto, os estrangeiros devem seguir a legislação brasileira e se registrar no sistema Crea/ Confea. Somente desta forma contribuirão com impostos e serão responsáveis pelo trabalho que realizam. Nesse sentido, o sistema Crea/Confea tem a missão maior da fiscalização do exercício profissional, garantindo os interesses sociais e humanos decorrentes das realizações de empreendimentos nas áreas da engenharia, arquitetura e agronomia. Como é feito o acompanhamento do que é executado nas cidades da região? Os municípios têm sido acompanhados, pela Coordenação Regional Leste do Crea, através dos seus planos diretores e código de obras. O momento é de parcerias com os órgãos municipais e ambientais e Ministério Público, para que haja crescimento ordenado, respeitando as leis ambientais, as áreas de preservação e o código de ética. A acessibilidade está sendo implantada, com o auxílio do Crea-RJ, através de palestras que orientam os setores de licenciamento das Prefeituras e da fiscalização. O Crea tem visitado, também, as empresas orientando-as a respeito da regularidade profissional e destacando essas empresas no mercado de trabalho através do acervo técnico. A área tecnológica está sendo beneficiada com o trabalho intenso de orientação aos profissionais e empresas, bem como aos empreendedores da região. O Crea-RJ tem estimulado os fóruns regionais e promovendo debates de relevância para a Região. Após o processo de modernização da infra-estrutura do Conselho está sendo implantado um conceito de gestão descentralizada que visa melhorar o atendimento do Crea-RJ. Serão criadas seis Coordenações Regionais, que promoverão ações articuladas entre os municípios de uma mesma região. A Coordenação Regional Leste , implantada desde Outubro/2006, vem facilitando a vida dos profissionais registrados, agilizando processos e otimizando a fiscalização. O Crea-RJ tem trabalhado de acordo com o perfil econômico e social de cada região.


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TA Reynaldo Rocha Barros

Um dos nossos maiores problemas tem sido a questão ambiental ? Como o Conselho vê esse tema na Região dos Lagos? E os sítios arqueológicos? Dentro da área ambiental na Região dos Lagos, o Crea-RJ tem demonstrado preocupação com relação à questão sanitária da região. O problema da poluição e eutroficação (explosão de algas, com degradação da qualidade das águas naturais devido a nutrientes lançados nos corpos hídricos) da Lagoa de Araruama é preocupante. As soluções para o esgotamento sanitário que vêm sendo implantadas não estão sendo efetivas. Com as obras de interligação da Lagoa com mar, pode haver risco de piorar a balneabilidade das praias locais, como é o caso da dragagem do Canal de Itajuru, em Cabo Frio, que pode colocar em risco a Praia do Forte. É importante que se implante na região um programa permanente e representativo de monitoramento ambiental, para se ter um diagnóstico preciso da degradação hídrica na região, e se buscar soluções emergenciais e de baixo custo, incluindo o reuso dos esgotos, para garantir a recuperação e preservação dos corpos hídricos locais (rios, lagoas e praias). Deve-se ter também um monitoramento permanente do uso e ocupação do solo (através, por exemplo de imagens de satélite em tempo real) para se avaliar e coibir as ocupações irregulares na região, com riscos de desmatamentos e de degradação de áreas de preservação ambiental. Os códigos municipais estão adequados aos novos tempos? A expressão “Código de Obras”, na verdade, trata da legislação de uso e ocupação do solo, que inclui os seguintes assuntos: licenciamento e fiscalização das construções, parcelamento do solo, instalação de máquinas motores e equipamentos, zoneamento e também as posturas municipais (ou controle das atividades econômicas), através da concessão de alvarás de estabelecimento. Deve incluir, ainda, o controle ambiental e a proteção do patrimônio histórico, artístico, paisagístico e arqueológico. Acontece que tais assuntos têm sido tratados conforme legislações antigas na maioria - ou quase a totalidade - dos municípios. Daí a importância dos novos planos diretores que foram aprovados até o mês de outubro passado, exatamente, para adequar, entre outras questões, o controle do uso e ocupação do solo com a novida8

de do licenciamento ambiental que, apesar de ser de competência federal ou estadual, agora, deverá contar também com a participação municipal, de acordo com proposta do secretário estadual do Ambiente. Para que o plano diretor possa ter eficácia social que se espera dele, os municípios deverão, em curto prazo, promover a sua regulamentação, através da aprovação dos regulamentos que tratam destes temas acima relacionados. De nada servirão as diretrizes aprovadas pelos planos diretores se os municípios não tratarem de aprovar as novas regras que vão garantir o desenvolvimento urbano sustentável. Como funciona o CREA na região? A coordenadora da regional leste que reúne 14 municípios do estado (de Quissamã à Saquarema) vem realizando plantões em todas as inspetorias da região, com o objetivo de atender pessoalmente aos

Em tese, ética e profissionalismo deveriam ser palavras indissociáveis profissionais e representantes de empresas registradas no Conselho. Algum evento importante agendado no Conselho? Na semana que vai de 15 a 18 de agosto o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Confea, e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do estado do Rio de Janeiro, Crea-RJ, realizam a 64ª Semana Oficial de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, a SOEAA. Este ano, o evento acontece no Rio de Janeiro, no novo Centro de Convenções da cidade, o Rio Cidade Nova Convention Center. O que é a SOEAA? A SOEAA reúne anualmente um grande número de profissionais da área tecnológica de todo o país. Ano passado, a 63ª edição, que aconteceu em Maceió, contou com a participação de dois mil participantes, e, este ano, a expectativa é que cerca de quatro mil profissionais compareçam ao evento. O objetivo é promover debates, cursos e conferências relacionadas às atividades do Sistema Confea / Crea, promover o aperfeiçoamento e o desenvolvimento tecnológico, além de rodadas de negócios para aproximação entre clientes e forCIDADE, Agosto de 2007

necedores da cadeia produtiva da área tecnológica. O senhor lançará o livro “Energia para um novo mundo”, na 64ª SOEAA. Do que ele trata? O livro traça um panorama da busca por novas fontes de energia, discutindo também a questão do fim do petróleo. A intenção da publicação é fomentar de forma produtiva a discussão sobre as mudanças na matriz energética brasileira. O livro começa no século XVI, quando a produção de açúcar dá início ao desenvolvimento da indústria sucroalcooleira no Brasil. Daí em diante, tem-se uma visão abrangente do desenvolvimento do Proálcool, das pesquisas que resultaram nos biocombustíveis e temse um prognóstico do futuro de um mundo sem petróleo e cada vez mais dependente de fontes renováveis de energia. Fiz questão de dar especial ênfase ao papel dos pesquisadores que possibilitaram todas essas mudanças. O trabalho de engenheiros, agrônomos e técnicos foi essencial, por exemplo, para o desenvolvimento dos carros flex, que deram novo fôlego à produção do etanol brasileiro. Falando em energia, qual a sua opinião sobre a retomada das obras de Angra 3? A nova usina, prevista no Plano Decenal de Energia Elétrica para o período 20062015, vai adicionar ao sistema elétrico nacional mais 1.350 megawatts a partir de 2013 - a mesma capacidade da usina Angra 2. Além de ser uma tecnologia segura, sem riscos ambientais, é um investimento necessário para o atendimento do consumo no país nos próximos anos. O que o CreaRJ defende vai além da auto-suficiência no domínio do ciclo nuclear. Para o Brasil , esse projeto energético soma-se à riqueza intelectual conquistada pelos profissionais. Defendemos não só a geração de empregos, mas a utilização plena da nossa engenharia para a capacitação de profissionais brasileiros na construção e operação de centrais nucleares no país e no mundo. Temos um patrimônio tecnológico disponível em pouquíssimos países e devemos aproveitá-lo. Estamos convictos de que Angra 3, dentro de um conjunto de projetos de geração elétrica, é vital para a sustentabilidade das cidades e fundamental para a solução das questões urbanas. E mais do que isso; cumpre todos os requisitos ligados à política ambiental, além de propiciar energia limpa e segurança energética em médio prazo.


Ernesto Galiotto

Política

QUEM VAI FICAR COM A BICICLETA? A disputa pela prefeitura da cidade de Cabo Frio esquentou e já lançou sua primeira figura de marketing: a bicicleta. Mas é claro que não estamos falando de uma bicicleta qualquer. O objeto em questão é um potente veículo com selim confortável, pedais movidos a petróleo e guidão (ou seria caneta?) que comanda o destino de muita gente. Quem der as próximas pedaladas vai interferir na vida de 160 mil pessoas, e administrar um orçamento superior a 400 milhões de reais por ano. Quatro cabofrienses se preparam para a corrida: Marcos da Rocha Mendes, Alair Francisco Corrêa, Janio dos Santos Mendes e Paulo César da Guia.

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Marconi Castro

MARCOS MENDES Prefeito de Cabo Frio

Divulgação Alerj

Quem é Marquinho, é Marquinho. Quem não é, é contra Marquinho

ALAIR CORRÊA Deputado Estadual

Lançamento de sua candidatura precipitou a divisão do grupo

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Tomás Baggio

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omparar a prefeitura com uma bicicleta, sonho de presente de muitas crianças, foi a forma que o prefeito Marcos Mendes (PMDB) encontrou para ilustrar o comportamento do deputado estadual Alair Corrêa (PMDB). Nas últimas semanas, os ex-companheiros se atacaram mutuamente e já caminham em lados opostos. A brincadeira, feita pelo prefeito, em entrevista coletiva à imprensa, deixou o deputado de saia justa. Ao ser perguntado sobre as conversas para a sucessão, Mendes ironizou: “Lembram daquela propaganda que o garotinho mandava bilhetinhos pro pai dizendo eu quero uma Caloi, eu quero uma Caloi? Desde que assumi a prefeitura, estou recebendo esses bilhetinhos. O deputado e meu grande amigo Alair Corrêa teve 80 mil votos e deveria honrá-los atuando na Assembléia pelos próximos quatro anos, mas a vontade de ganhar a Caloi é tão grande que com cinco meses ele já mudou de idéia”. A corrida eleitoral em Cabo Frio começou no dia 12 de julho, quando Alair Corrêa convocou uma entrevista coletiva para confirmar a sua candidatura à prefeitura da cidade. O deputado pertencia ao mesmo grupo político de Marcos Mendes, mas resolveu seguir rumo próprio alegando que tem o “mesmo sonho” do prefeito. O grupo foi formado em 1996, quando Alair conquistou a prefeitura tendo como discurso um plano de governo que duraria 20 anos. Na época não havia a reeleição, instituição criada na metade do mandato de Corrêa, que decidiu então se candidatar à reeleição, vencendo mais uma vez. No último pleito, Marcos Mendes foi o candidato deste grupo político, de quem esperava receber o apoio nas eleições do ano que vem. Mas Alair, que já demonstrava aos apoiadores mais próximos a vontade de se candidatar novamente, formalizou a decisão dizendo que o faz em nome do povo que, segundo ele, pede sua volta a todo momento. “Sempre deixei claro que o meu apoio ao Marquinho só seria consolidado se ele estivesse bem nas pesquisas, o que não aconteceu. Tive uma conversa com Marquinho e ele me liberou para ser candidato. Estou fazendo isso porque os meus eleitores estavam órfãos”, declarou Alair. O deputado falou sobre a disputa dentro do PMDB, e disse que vai mudar de partido caso o processo de escolha interna o desfavoreça. “Eu tenho o Democratas e o Marquinho tem o PSDB. Um dos dois pode mudar de partido”, disse o deputado. A resposta veio exatos sete dias depois.


Foi a vez do prefeito Marcos Mendes reunir a imprensa e também vereadores, secretários do governo e uma enorme claque de populares para confirmar sua candidatura à reeleição. Ele respondeu com firmeza as perguntas dos jornalistas da região, algumas delas desconcertantes, e declarou que se sente “muito incomodado” com o comportamento de Alair, que segundo ele, está fazendo campanha para a prefeitura desde o primeiro dia do atual governo, fato que considerou “injusto”. “Não existe a menor possibilidade de retirar a minha candidatura. Chegou a hora da decisão. Quem é Marquinho, é Marquinho. Quem não é, é contra Marquinho”, desafiou o prefeito, quando perguntado sobre os cargos da prefeitura ocupados por aliados de Alair. Na coletiva, ao lado do presidente do diretório municipal do PMDB, Hugo Cecílio, Mendes descartou a possibilidade de deixar a legenda, e disse ter “certeza” que vai ganhar a vaga do partido para a disputa municipal. “Eu não liberei o Alair para lançar candidatura, como foi dito. Ele se auto-libe-

rou, e tem todo o direito de ser candidato. Agora eu pergunto, será que isso é justo? Eu acho que não, e estou certo que o deputado vai refletir e brevemente anunciará seu apoio a mim. Estão dizendo por aí que “amigo sempre volta”. Mas amigo que é amigo não volta, permanece junto”, afirmou, reGuerra de coletivas ferindo-se ao slogan da campanha de O prefeito lotou Alair Corrêa. o Clube Tamoyo O que Marcos Mendes chamou de hora da decisão, chegou no dia 28 de julho. O prefeito exonerou nove aliaO vereador Acyr Rocha (PMDB), tio e dos de Alair, entre eles o irmão do deputado, Axiles Corrêa, ex-presidente do Institu- aliado do prefeito Marcos Mendes, encato de Benefícios e Assistência aos Servi- rou as mudanças como “naturais”. “Nenhuma surpresa quanto às demisdores Municipais de Cabo Frio (Ibascaf); Edinho Ferrô, ex-subsecretário de Integra- sões. Essas pessoas exerciam cargos de ção Administrativa; Edson Leonardes, ex- confiança e não estão dispostas a se alisubsecretário de Desenvolvimento, Indús- nhar com o prefeito. Sem dúvida, ainda existria e Comércio; Renata Rágila Calderim, tem outros nomes que podem jogar contra esposa do locutor esportivo Sidnei Mari- o governo e isso deve ser resolvido”, afirnho, ex-subsecretária de Comunicação e mou Acyr. No dia 01de agosto o deputado Valtenci Silveira, diretor da Lagos Tv, que deu o troco. Em entrevista ao Lagos Jorestava lotado na diretoria do Ibascaf, entre nal, veículo do qual é presidente, responoutras pessoas. No lugar de Axiles, assu- deu às demissões, chamando o prefeito de “ingrato e traidor”. miu o médico ortopedista Roberto Pillar.

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PapiPress

Política


Política

VEREADOR JANIO MENDES

PAULO CÉSAR DA GUIA

Minha candidatura vai contra esse sistema

A briga deles não é pelo povo de Cabo Frio. É uma briga por poder e dinheiro

Janio: contra o sistema Ex-aliados na última campanha municipal, os prefeitáveis Janio Mendes (PDT) e Paulo César (PTB) reafirmaram, em entrevista exclusiva, a disposição de se candida-

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tarem ao cargo. Ambos rejeitam conversas com o atual prefeito Marcos Mendes e o deputado estadual Alair Corrêa, mas abrem espaço para uma nova aliança que repita a união de 2004. Os dois oferecem a vaga de vice. O vereador Janio Mendes encara com

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desdém a briga entre o prefeito e Alair. Para ele, tudo não passa de um teatro que seria levado até os instantes finais, para que uma nova união se forme, mais tarde, em torno do mais cotado. “Isso é mais uma farsa com o objetivo de confundir a opinião pública e atrair a


atenção para os dois. O candidato deles será definido pelas pesquisas, vai ser quem estiver melhor. No final, eles estarão juntos”, afirmou Janio. A candidatura a prefeito, ele diz, foi colocada para quebrar um longo período de “ostentação e enriquecimento ilícito”. Janio garante que está despreocupado com as candidaturas oponentes, e já elegeu o adversário a ser batido. “Minha candidatura vai contra esse sistema que tem funcionários fantasmas, obras superfaturadas, enfim, uma cultura de corrupção que faz com que o município perca sua capacidade de investimentos. Hoje, Cabo Frio tem quatro mil funcionários fantasmas, e perde cerca de 80 milhões de reais por ano para a corrupção. Isso significa 20% do orçamento municipal”, disparou o vereador de oposição. Na campanha, ele vai apresentar um projeto de enxugamento da máquina para a utilização dos recursos em investimentos. Janio Mendes fala em valorização do servidor público, grande reforma no sistema de educação (com escolas em tempo integral já no primeiro ano de governo) e implantação do “maior programa de saúde pública já visto nesta cidade”. Sobre alianças, o vereador garante que está disposto a conversar, somente com Paulo César. “Temos uma vaga de vice na nossa chapa”, lembrou ele.

Paulo Cesar chama projeto de “chavismo” Com 55 mil votos na última eleição, em 2006, quando tornou-se suplente de deputado federal pelo PTB, o ex-vereador Paulo César garante que não lhe cabe ser vice de nenhum candidato. Seu projeto é unificar a oposição dando a vaga de vice em sua chapa ao PDT. Paulo Cesar diz que ele e Janio Mendes têm a mesma linha de pensamento, e que espera tê-lo ao lado para lutar contra o que chama de “chavismo”. “Tenho certeza que a oposição vai caminhar junta para interromper esse programa que privilegia um único grupo e um único pensamento que lembra o chavismo. Assim como Hugo Chaves (presidente da Venezuela), o ex-prefeito (Alair Corrêa) veio com esse projeto de 20 anos, 30 anos, como se em Cabo Frio não houvessem outros políticos e idealistas capazes de governar a cidade. Isso é antidemocrático”, declarou Paulo Cesar.

Ele considera o atual governo semelhante à gestão anterior e diz que seu foco principal será nos projetos sociais. No entanto, pensa que o programa de governo é pouco importante durante a campanha. “Minha prioridade não é o plano de governo, e sim o projeto político eleitoral. Não adianta plano de governo sem planejamento para ganhar a eleição”, assegurou Paulo Cesar, enumerando os investimentos em educação, inclusão digital e esportes como forma de diminuir as diferenças sociais. “Os outros políticos só olham para a massa carente quando precisam se eleger e depois dão prioridade à classe elitizada. O que eles chamam de ‘formadores de opinião’ são os que freqüentam os gabinetes enquanto o povo fica de fora”. O ex-vereador e suplente de deputado chamou o desentendimento entre o prefeito e Alair Corrêa de “briga de poder” e “disputa entre criador e criatura”. A princípio, ele rechaçou qualquer possibilidade de compor com o prefeito, como chegou a ser ventilado nos bastidores da política cabofriense, mas depois cogitou uma possibilidade. “A briga deles não é pelo povo de Cabo Frio. É uma briga por poder e dinheiro. Isso é um problema deles, e meu nome não pode ser colocado neste balaio”, alfinetou, para depois cogitar uma possibilidade de aliança. “Não cabe ao atual prefeito ser vice de ninguém, como não cabe a mim nem ao Alair Corrêa. Mas se o Marquinho retirar a candidatura e me apoiar para voltar em 2012, podemos entrar num acordo”. Paulo Cesar também denuncia superfaturamento, irregularidades nas licitações e funcionários fantasmas no atual governo, e considera a utilização dos royalties do petróleo “uma verdadeira festa”. “O dinheiro do petróleo deve ser usado para preparar a cidade. Precisamos de uma política de saneamento e de preservação do meio ambiente. Antes, havia uma cota para ser utilizada em meio ambiente, agora o verde está em segundo plano”. A gestão ambiental é uma das maiores críticas que Paulo Cesar faz ao atual governo. Ele fez questão de destacar que é contra o projeto Reserva Peró. “Não é destruindo dez milhões de metros quadrados de área verde que vamos criar empregos. Sou contra o Reserva Peró, porque é um modelo de desenvolvimento que eu e meu grupo não acreditamos”. CIDADE, Agosto de 2007

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Cartas www.revistacidade.com.br Agosto, 2007

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ORO EM CONTAGEM, MINAS Gerais, e tenho parentes que moram em Cabo Frio e me mandam a revista Cidade pelo correio. Achei o máximo ter uma revista contando as novidades dai, com a qualidade de vocês. Parabéns! Adoro Cabo Frio e sempre que vou fico mais apaixonada ainda. Agora estou acompanhando o desenvolvimento que a cidade está tendo através das reportagens da revista, que vejo sempre na internet também. Quero dar os parabéns pela idéia de colocar a FOTO DO DIA. Adoro ver as imagens de Cabo Frio e queria sugerir colocar um link só para fotos da Região dos Lagos. Que Tal? Um abraço Maria da Graça Moreira (Contagem / MG)

Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Reportagens Martinho Santafé Juliana Vieira Octávio Perelló Renato Silveira Thiago Freitas Tomás Baggio Vanessa Campos Fotografias Cesar Valente Filmers 9900 PapiPress Colunista Octávio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Tiragem 5.000 exemplares Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Macaé, Rio de Janeiro e Brasília.

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. 14

O PREFEITO DE CABO FRIO ALEGOU falta de verba (R$ 23.000,00) para não trazer a tocha olímpica para a cidade. Contenção de despesa. Alguns números. População da cidade: +- 160.000 habitantes. Orçamento ano 2007: R$ 450.000.000,00 (Quatrocentos e cinqüenta milhões). Funcionalismo público: Quatorze mil, sendo quatro mil funcionários fantasmas. Palavras do único vereador oposicionista (Jânio Mendes). Em Alagoas e Brasília temos bois, em Belém temos sapo e em Cabo Frio temos AVESTRUZ. O ex-prefeito, atualmente deputado estadual, campeão de processos judiciais (O GLOBO), enricou com a sua criação de avestruz. Sendo hoje um próspero empresário, com jornal , estação de televisão, etc...Trabalhou muito, sendo vereador, prefeito, deputado e, segundo suas palavras, é advogado.Um verdadeiro prodígio. O nome dele é Alair Correa. Um verdadeiro estadista da estirpe de Lula, Maluf , Renan Canalheiros, Roriz, Sarney e o pai de todos, ACM. Cabo Frio possui 36 secretários municipais (salário:R$8.000.00) e 32 sub-secretários com salário de R$6.000.00. Viva Cabo Frio! De dez grandes obras feitas em Cabo Frio, onze foram ganhas pela Oriente e pela Mc2. Um prodígio de deixar a nobre construtora Guatamo no chinelo. Pedro Batalha (Portinho – Cabo Frio / RJ) JÁ QUE A REVISTA DE VOCÊS GOSTA de falar de meio ambiente quero convidar a reportagem para visitar as áreas invadidas na Restinga de Massambaba, em Monte Alto e Figueira, em Arraial do Cabo, onde deveria ser um parque municipal. Fernando Alencar ( Monte Alto - Arraial do Cabo / RJ)

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ESTIVE EM BÚZIOS HÁ UM MÊS E FIquei impressionado com o descaso da prefeitura com a cidade. Não é possível que um lugar tão importante para o turismo do Brasil esteja sendo tratado dessa maneira. Fico pensando se não tem nenhum vereador para tomar uma atitude em favor da cidade. Ou então, os outros prefeitos da região poderiam se juntar e ajudar o prefeito de Búzios a administrar o balneário, pois ele é muito importante para o conjunto da região. O que eu vi, foi só lixo, esgoto escorrendo na rua, mau cheiro, ruas cobertas de lama quando chove, não tem ônibus, as escolas estão quebradas, o hospital não funciona. Será que ninguém está vendo isso? Será que Búzios aguenta mais dois anos assim? Agostinho de Sá (Flamengo / Rio de Janeiro - RJ) ATÉ QUE ENFIM O PREFEITO DE CABO Frio Marquinho Mendes reaguiu às provocações do deputado Alair Corrêa. Confesso que pensei que ele estava morto , ou quase, de tanta apatia! Foi muito feliz a comparação que ele fez dizendo que desde que assumiu que ele vive encontrando bilhetinhos do Alair dizendo que quer ser prefeito, como naquele antigo camercial de bicicleta: “Papai, não esqueça da minha Calói” . Graças a Deus sabemos agora que ele também notava o que todo mundo via. Francisco de Assis Nogueira ( Cabo Frio/RJ)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br


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Ibascaf tem novo presidente

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médico ortopedista Roberto Pillar é o novo presidente do Instituto de Benefícios e Assistência aos Servidores Municipais de Cabo Frio, Ibascaf. Pillar substitui o técnico em administração, Axiles Corrêa, que presidia a autarquia desde 2005. O processo de modernização do Ibascaf começou em 1997, quando o médico assumiu a presidência da entidade pela primeira vez. Para Pillar, “o Ibascaf é um grande ganho social para os servidores e o prefeito Marcos Mendes vem cumprindo rigorosamente os repasses dos descontos dos mesmos, o que permite melhor administração do fundo previdenciário, que possui boa reserva de caixa”, disse Pillar, que ressaltou a marca da administração municipal voltada para os benefícios ao cidadão. Pillar disse ainda que o Ibascaf não atende pedidos políticos de vereadores porque a entidade serve cerca de nove mil segurados, sendo 3.338 titulares e demais dependentes. O prefeito Marcos Mendes disse que Pillar assume o Ibascaf porque já tem experiência no setor e vai alavancar o Programa de Assistência Social e Médico-Hospital (PASMH), que tem como principal objetivo prestar assistência médico-hospitalar e odontológica aos servidores municipais contribuintes. “Nosso governo é voltado para a melhoria de qualidade de vida do cidadão. Todo esforço é sempre nesse sentido e o médico Roberto Pillar é um dos grandes incentivadores desse modelo de gestão”, disse o prefeito. Ascom

ROBERTO PILLAR Presidente do Ibascaf

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Marconi Castro

Praia do Peró - APA do Pau Brasil Cabo Frio/RJ

O poder nas mãos das prefeituras Juliana Vieira

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altando poucos dias para que os deputados estaduais iniciassem o recesso parlamentar de um mês, o governador Sérgio Cabral (PMDB) elaborou um pacotão do meio ambiente. Foram projetos de leis encaminhados e votados na Alerj – Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – e decretos assinados pelo próprio Poder Executivo. No dia em que se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de junho, o governador assinou o decreto nº 40.793 que 16

vem dando o que falar. Nele, que ocupou as páginas 01 e 02 do Diário Oficial do último 06 de junho, ficou estabelecida a descentralização da fiscalização e do licenciamento ambiental no Estado do Rio. A novidade mexeu em um terreno preocupante: a preservação do meio ambiente. O que muda com este decreto? Qual o papel da Feema — Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente — a partir de agora? Foram estes questionamentos que o Secretário Estadual de Ambiente, Carlos Minc (PT), respondeu à CIDADE. Na entrevista o Secretário aliou expressões como “desenvolvimento”, “agilidaCIDADE, Agosto de 2007

de”, “respeito ao meio ambiente” e “geração de postos de trabalho”. Segundo Minc, a assinatura do decreto representa uma mudança de postura. Ele vai ainda mais longe e afirma que o decreto contribuirá para diminuir o número de processos que até então se empilhavam na Feema. “Nossa filosofia é destravar o desenvolvimento, desde que a preservação ambiental esteja garantida, ou seja, dar agilidade à demanda empresarial, descentralizando e aprimorando as atividades de licenciamento e fiscalização, de forma, a garantir o respeito ao meio ambiente”, garante Minc. O decreto nº 40.793 estabelece convê-


Divulgação

nios entre Estado e Municípios nos casos de licenciamento ambiental cujo impacto seja restrito aos limites territoriais municipais e classificados como de pequeno potencial poluidor. Porém para que tal convênio seja efetuado o Estado impôs regras. A primeira delas é que compete ao Estado o licenciamento dos empreendimentos; o decreto também deixa claro que, mesmo com a realização do convênio, o Estado não fica impedido de exercer seu poder de polícia ambiental quando caracterizada a omissão do município no desempenho da atividade de licenciamento e fiscalização. Outra particularidade do novo decreto, no caso de firmado o convênio, é a obrigatoriedade que os órgãos ou entidades ambientais municipais terão em apresentar, a cada dois meses, o cadastro georeferenciado das atividades juntamente com as cópias das licenças ambientais outorgadas. No artigo 6º do decreto outra novidade: “as despesas financeiras e econômicas decorrentes da execução dos convênios deverão correr à conta de dotações próprias de cada um dos municípios”.

César Valente

Meio Ambiente

SÉRGIO CABRAL FILHO Governador

CARLOS MINC Secretário Estadual do Ambiente

O fortalecimento do meio ambiente está casado com o desenvolvimento econômico

Nossa filosofia é destravar o desenvolvimento, desde que a preservação ambiental esteja garantida

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Meio Ambiente Minc acredita que com os convênios as Prefeituras adotarão uma nova característica, a agilidade. “Os municípios capacitados passarão a conceder licenciamentos de atividades de menor impacto ambiental como prédios e postos de gasolina que hoje estão na Feema na mesma pilha de siderúrgicas, tornando mais lento o trabalho de licenciamento. A medida também incentiva a geração de postos de trabalho, pois, com a descentralização as Prefeituras terão de contratar pessoal para o trabalho”, garante. O secretário fala em “municípios capacitados” e quando diz isso se baseia no artigo 5º do decreto onde se estabeleceu as seguintes condições para a celebração do convênio: que os municípios possuam corpo técnico especializado, que tenham implantado e em funcionamento o Conselho Municipal de Meio Ambiente, que possuam legislação própria disciplinando o licenciamento e sanções administrativas pelo seu descumprimento, que o município com mais de 20.000 habitantes possua Plano Diretor ou lei de diretrizes urbanas aqueles com população igual ou inferior a 20.000 habitantes e finalmente que tenha implantado o Fundo Municipal de Meio Ambiente. Mesmo estando em vigor há três meses apenas as prefeituras do Rio de Janeiro, de Nova Iguaçu, de Niterói e de Duque de Caxias já estabeleceram o convênio para o repasse do controle do licenciamento de atividades de impacto local.

Qual será o papel da Feema? Criada através do decreto-lei nº 39 de 24 de março de 1975, a Feema, que se tor-

nou o primeiro órgão ambiental do Brasil, continuará responsável pelo licenciamento, controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras, porém sua atuação será direcionada a tudo aquilo que for considerado de grande potencial poluidor, conforme prevê o Artigo 1º do decreto assinado por Cabral. Segundo o secretário Carlos Minc, a Feema ficará encarregada de analisar e conceder licenciamento ambiental para grandes empreendimentos e citou o Comperj — Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro — como exemplo. A Secretaria de Estado do Ambiente anunciou à CIDADE que criará o Inea — Instituto Estadual do Ambiente — até o fim do ano. O Inea será uma agência ambiental que reunirá os atuais órgãos ligados à Secretaria, que hoje são Feema, Serla e IEF — Instituto Estadual de Florestas. O Inea dependerá da aprovação dos deputados estaduais. A tarefa não será difícil já que os parlamentares não demonstraram resistência aos demais projetos ambientais encaminhados pelo Governo do Estado à Alerj pouco antes do recesso. O que pedia a criação do Zoneamento Ecológico-Econômico por exemplo, gerou muita discussão em plenário mas mesmo assim 39 deputados votaram a favor, 11 contra e 1 se absteve. “Mesmo antes da aprovação do Inea nossa filosofia tem sido agilizar no que for possível o trabalho dos atuais órgãos ambientais. A Serla, por exemplo, concedeu em janeiro passado 111 outorgas de água para empresas públicas e privadas, como a AmBev, Eletrobrás e Cedae, que passarão agora a pagar pelo uso da água. A título de comparação, nos últimos 15 anos anterio-

res foram concedidas apenas 106 outorgas”, declarou Minc.

Unanimidade Com a assinatura do decreto, garante Sérgio Cabral, “melhorará o controle ambiental”. O governador destacou, no ato da assinatura, que no Estado do Rio “o fortalecimento do meio-ambiente está casado com o desenvolvimento econômico”. Para o líder do governo na Alerj, deputado estadual Paulo Melo (PMDB), “o decreto permite a descentralização da fiscalização ambiental permitindo que o Estado se concentre nos grandes poluidores e os municípios possam ficar com os pequenos poluidores otimizando os recursos financeiros e humanos no Estado”. Para o deputado estadual Glauco Lopes (PSDB) a iniciativa do governador Sérgio Cabral merece destaque. “Me lembro de como o ex-prefeito de Macaé, Silvio Lopes, sofreu para conseguir licenças. Era muita burocracia e quem sempre saía perdendo era a população, com este decreto assinado, tudo será diferente para os 92 municípios fluminenses”, declarou fazendo alusão a seu pai e hoje deputado federal pelo PSDB. Mais um que engrossa a lista dos que aprovaram a iniciativa do governador é o deputado estadual Alair Corrêa (PMDB). “É sempre louvável quando se resolvem descentralizar processos administrativos e de fiscalização, a razão é simples: quem fiscaliza deve estar o mais próximo possível da situação em pauta”, disse Alair frisando que “assim a questão ambiental, que afeta um município e que provoca algum tipo de dano, não pode ser decidida a quilômetros de distância do problema”.

Alerj retoma os trabalhos após recesso Juliana Vieira

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pós um mês de recesso parlamentar a Alerj - Assembléia Legislativa Estado do Rio de Janeiro - retoma os trabalhos nesta quarta-feira (01/08). Na quarta-feira, mais de 20 projetos de lei e de resolução, além de indicações

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legislativas, passarão pelo crivo dos deputados, dentre os quais se destaca o de autoria do Poder Executivo que amplia as opções de órgãos que terão que dar informações sobre bens e negócios dos contribuintes ao Fisco Estadual. Se aprovado, o projeto de lei 526/07 estenderá às empresas administradoras de shopping centers e de car-

tões de crédito e débito, empresas de informática e profissionais autônomos a obrigação de apresentarem dados, quando solicitados, sobre contribuintes que estejam sendo investigados. Destaque para os projetos de lei com temas relativos ao direito do consumidor como o que pretende fazer com que hospitais, clínicas e casas de

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saúde sejam multados caso recebam representantes comerciais em horários que causem atrasos às consultas e ao atendimento dos pacientes. Será votado também o projeto que estabelece que placas clonadas deverão ser substituídas, sem custo extra, pelo Detran-RJ.


Ernesto Galiotto

A TRANQUILIDADE DA PESCA PREDATÓRIA

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o dia 21 de Julho, sábado, às 6:30h da manhã, ia passando pela Av. do Contorno – de carro, porque deixara a caminhada para mais tarde – e, como de costume, trazia comigo a máquina fotográfica. Então, reparei nas gaivotas e outras aves, dando seus mergulhos atrás dos peixinhos, e não pude deixar de perceber ali o ritmo da Natureza, provendo a sobrevivência da Natureza. As aves não podem atinar que, enquanto fazem seu repasto, servem de guia na localização do cardume farto para os oportunistas da pesca de arrastão. O flagrante está na imagem acima. É muito preocupante a total facilidade dada à pesca de rede, sem nenhum controle se não estará ocorrendo ilegalidade e crime ambiental, com a captação de peixe fora do padrão, e fora da área permitida. Lá estavam seis embarcações, impunes, com total liberdade de ação para distribuição das redes. Dão até a impressão de que ignoram estarem tirando das águas, junto com o sustento de hoje, também o próprio sustento de amanhã. É revoltante a freqüência com que deparo com esse procedimento, principalmente ao amanhecer e nos dias feriados, pois, os oportunistas sabem que a fiscalização não estará atenta nessas ocasiões, já que pouco ou quase nada faz nos dias úteis. Ando cansado de tanta omissão! Pode ser que existam normas severas no papel, porém, nos mares, onde é ne-

Ernesto Galiotto

OPINIÃO

cessária a averiguação, falta sempre o cumpridor do dever. Por estar com tempo, assisti um pouco como é feito o arrastão. Enquanto prestava atenção nisso, pareceu chegar uma embarcação inflável, com a repressão ao ato. E fui fotografando: antes de ela se aproximar, acompanhando, aproximando-se, passando por entre as embarcações, dando um aceno e... Indo embora! Não foi possível distinguir se a embarcação era de apoio aos pescadores ou da fiscalização. O que ficou clara, é a ligação entre as partes, como mostram as imagens acima. Se na beira da praia, à vista de todo mundo é assim, o que não acontecerá mais distante? Aliás, existem denúncias da região de Caravelas, Tucuns e Emerências de que nem as tartarugas escapam da pesca. E deve ser realidade, pois já flagrei (de avião) muitas embarcações por lá. A impunidade cobra muito caro da Natureza. De quem é a responsabilidade? Do Ibama, da Capitania ou da Guarda Marítima e Ambiental? Os nomes são imponentes, todavia, aparentemente, sem retorno algum. Se fora da água prevalecer a incompetência, inocentes peixes e tartarugas, que já pagam com a vida, poderão sofrer a extinção das espécies. Já abordei este assunto antes. Retomo-o hoje, e continuarei atento. Ernesto Galiotto é ambientalista CIDADE, Agosto de 2007

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Álcalis negocia U$ 78 milhões com o BNDES Vanessa Campos

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á um ano e quatro meses com a produção totalmente estagnada, a Companhia Nacional de Álcalis (CNA), em Arraial do Cabo, negocia, desde o mês passado, um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de US$ 78 milhões. O financiamento, garantiu o vice-presidente da empresa, Emerson Jasmin, seria destinado à implantação de projetos para revitalizar a CNA, que, se aprovados, serão capazes de gerar mais de seis mil empregos diretos e indiretos em toda a Região dos Lagos. Segundo Jasmin, os projetos, ainda sob análise técnica do BNDES, incluem a construção de um pólo industrial entre os municípios de Cabo Frio e Arraial do Cabo, produção de camarão em cativeiro, produção de carbonato de cálcio precipitado, oficinas mecânicas para indústria off-shore e refinaria de sal. Há ainda um contrato assinado com o aeroporto de Cabo Frio para a criação de uma zona alfandegária (1,5 milhões m²) em área alcalina. “Com os recursos do BNDES em mãos, poderemos retomar a Álcalis e iniciar os empreendimentos no prazo de dois anos”, explicou ele. O único entrave ao empréstimo seriam as dívidas fiscais que a Álcalis possui e que correspondem a R$ 292 milhões do total de R$ 450 milhões de déficit que a empresa possui. “Como nenhuma empresa pode pegar um financiamento com o BNDES se tiver com dívidas dessa natureza, estamos resolvendo como equacioná-las”, destacou Jasmin. A solução foi debatida durante uma reunião, há duas semanas, em Brasília, entre representantes da CNA e a executiva do Ministério do Trabalho. “A idéia é pagar a dívida, a longo pra-

Marconi Castro

Arrail do Cabo

zo, com parte do resultado financeiro dos projetos que serão implantados. A Álcalis não é uma empresa falida. Precisamos apenas que o governo federal dê condições de liberar nossos ativos, dando um prazo de carência até que a fábrica volte a funcionar”, afirmou ele. Contudo, se a situação da empresa é delicada, a dos ex-funcionários da Álcalis é ainda pior. Do total de R$ 52 milhões que a Álcalis deve aos alcalinos, R$ 10 milhões correspondem a FGTS não-depositados desde 1995 e R$ 42 milhões são referentes a verbas rescisórias, valores que não têm data para serem pagos. “Ao todo, 623 alcalinos esperam pela grana. Contando com as famílias, são mais de 2,5 mil pessoas que dependem desse dinheiro”, afirmou o representante do Sindicato dos Trabalhadores da Álcalis, Alexandre Santos. O vice-presidente afirma que a dívida trabalhista será paga com a venda de quase dois milhões do total de 11 milhões m² de terras, das quais a Álcalis é proprietária. Jasmin também garante que todos os alcalinos terão prioridade nas vagas de trabalho que serão abertas com a implantação dos projetos com as verbas do BNDES. Segundo ele, a fábrica hoje se mantém com 25 funcionários que trabalham em setores jurídicos, administrativos e de vigilância e a receita atual da empresa está sendo gerada pela venda de equipamentos e maquinários (produtos inservíveis) e com a venda de água carbonata, resultante da diluição de barrilha importada pela empresa. Contudo, o salário pago às duas dezenas de alcalinos ativos, explicou, não corresponde nem a 25% do que recebiam no auge da produção. “Com a Álcalis ainda em atividade, o cargo mais baixo da empresa garantia uma remuneração mensal de R$ 1,3 mil. Por ano, eram mais de R$ 33 milhões injetados na economia regional, principalmente em Arraial do Cabo e Cabo Frio, municípios onde residiam quase 700 alcalinos. Com a estagnação da Álcalis, vimos escolas e estabelecimentos fechando as portas. Houve um enfraquecimento da economia na região”, destacou. CIDADE, Agosto de 2007

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Macaé

A VEZ DO MAR Mais uma polêmica do IBGE: o mar avança ou a cidade afunda? Martinho Santafé

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que em 2006 apontou Macaé como detentor do oitavo maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, baseando-se em cálculos equivocados e atribuindo ao município uma riqueza fictícia e incompatível com sua realidade sócio-econômica, recentemente abriu outra polêmica ao afirmar que a cidade está afundando, independentemente do fenômeno do aquecimento global. Surpreso, o prefeito Riverton Mussi disse que irá contratar um órgão mais especializado no assunto para comprovar ou desmentir a pesquisa, enquanto empresários e a população em geral demonstraram estranheza com o fato, argumentando que não é atribuição do IBGE realizar pesquisas dessa natureza. O órgão afirma que o mar já avançou 15 centímetros em um período inferior a dez anos, atribuindo o fenômeno ao afundamento do litoral. Os empresários do ramo turístico e da construção civil são os mais preocupados, pois se o afundamento do litoral macaense for mesmo verdadeiro, os negócios que se encontram em franca ascensão estarão irremediavelmente ameaçados. Eles lembram que a divulgação do PIB municipal pelo IBGE já causou muitos transtornos, atraindo para a cidade trabalhadores não qualificados de todo o país, agravando o crescimento desordenado e o processo de favelização que já é o maior do Estado. Os cientistas e ambientalistas que atuam em Macaé, por sua vez, argumentam que o avanço do mar sobre áreas urbanas não é um fenômeno recente, e lembram que no Pontal de Atafona, litoral de São João da Barra, o mar destruiu uma aldeia inteira de pescadores a partir da década de 1970 e continua avançando sobre residências construídas por veranistas.

Sem resposta Os técnicos do IBGE e do Departamento de Recursos Minerais (DRM), do governo do Estado que estiveram em Macaé no início e agosto não tinham as explicações técnicas e científicas para justificar a variação do nível do mar na cidade. De acordo com o IBGE, a variação do nível do mar em Macaé chega a 37 milímetros por ano, 22

enquanto a média global é de dois milímetros anuais. O IBGE aponta a necessidade de instalação de um GPS no Porto de Imbetiba para identificar os motivos da elevação. De acordo com o assessor da diretoria de geociências do IBGE, Luiz Paulo Souto, no Porto de Imbetiba, em Macaé, está instalada, há cinco anos, a estação maregráfica, que fornece, em milímetros, os níveis do mar. “Fizemos um estudo para identificar a tendência de elevação do mar nas duas estações em operação há cinco anos. Em Imbituba, Santa Catarina, foram registrados dois milímetros de variação por ano e em Macaé, 37 milímetros”, disse. Souto ressaltou que o IBGE não tem respaldo técnico para pontuar os motivos da elevação. “Pode ser um afundamento da terra ou elevação do mar”, analisou. A gerente da rede maregráfica permanente para geodésia do IBGE, Cláudia Lellis, levantou várias possibilidades para o fenômeno e destacou que os estudos devem continuar para esclarecer o que está acontecendo. - Dentro do valor de 37 milímetros, podem existir várias influências participando, ou seja, esse total pode ser resultado de movimentos do terreno, de acomodação de camadas do solo, de movimento da crosta terrestre, de movimento vertical de rebaixamento e pode ser oriundo de empilhamento de água provocado por fenômenos locais, ventos intensos, questões metereológicas ou até mesmo por apelo ou procedimento que possa modificar a hidrodinâmica, que é o sistema de correntes locais – enumerou a especialista. De acordo com Cláudia, a instalação de um equipamento de GPS é a solução para que sejam identificadas as causas da variação do mar em Macaé acima da média global. “A instalação do GPS será muito importante porque o marégrafo fica em terra e o sensor que mede a variação do nível do mar, em água. Como o marégrafo está fixado em terra, qualquer movimentação da terra influencia o que está sendo registrado da variação do mar. O GPS vai identificar exatamente qual é a movimentação de terra. Em seguida, poderemos separar deste valor o que influencia a movimentação”, explicou. CIDADE, Agosto de 2007

Cidade de Macaé

Ressacas destroem o calçadão na Praia dos Cavaleiros

Mais estudos O diretor de geologia do DRM da secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Francisco Dourado, frisou que somente estudos mais aprofundados vão mostrar o que está ocorrendo, mas está descartada a possibilidade de influência do arranjo do petróleo. “Temos algumas certezas: a variação do nível do mar não tem nenhuma relação com o petróleo. Agora, se existe ou-


Cláudia Barreto João Barreto

acrescentando que o DRM vai dar apoio na área de geologia na instalação do GPS.

Instalação do GPS A gerente da rede maregráfica permanente para geodésia, Cláudia Lellis, afirmou que o IBGE já está em negociação com a Petrobras para instalar o GPS na área do Porto de Imbetiba onde está instalado o marégrafo. “Esperamos instalar o GPS em dois, três meses. Dependemos agora da Petrobras. A expectativa é que até o final do ano esteja funcionando”, disse Cláudia. O coordenador do Plano Diretor, Hermeto Didonet, disponibilizou a prefeitura para agilizar o processo de instalação do GPS. Os técnicos do IBGE e do DRM vieram a Macaé a convite da prefeitura, por meio do Plano Diretor e da secretaria de Governo. “Estamos buscando a informação correta relacionando o município com as mudanças climáticas e o aquecimento global. Precisamos de informações gerenciais”, salientou. Segundo Didonet, a coordenadoria do Plano Diretor acompanha todas as evidências das mudanças climáticas divulgadas em relatórios do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), oriundo da primeira conferência mundial sobre o clima. - Existe um grupo de dois mil cientistas pesquisando o fenômeno das mudanças climáticas, inclusive do aquecimento global, derivado do efeito estufa, que tem no homem seu principal agente, pela emissão do CO2, que ocorre principalmente pela queima de combustíveis fósseis. O mar tem sido um dos aspectos a serem levantados. Agora precisamos ter mais detalhes técnicos sobre a variação do nível do mar, além do estudo marégrafo – comentou. Diversos secretários municipais participaram da reunião com os técnicos do IBGE e do DRM, que lotou o paço municipal da prefeitura.

Cientista discorda

tro fator geológico, precisamos estudar”, disse. Dourado apontou que existe a possibilidade do sistema de deságua dos rios ter influência na variação. “O nível do mar não está subindo nem descendo. Ou a areia está sumindo ou está aparecendo mais. Em Atafona, por exemplo, a praia está diminuindo porque existe uma corrente marinha que retira o segmento. Essa é uma possibilidade a ser estudada”, avaliou o geólogo,

Diretor do Núcleo de Pesquisas Ecológicas de Macaé (Nupem/UFRJ) - que atua no município desde meados da década de 1990 em parceria com a Petrobras e Prefeitura -, professor Francisco Esteves, discorda da metodologia do IBGE e critica o fato de o resultado ter sido divulgado para os veículos de comunicação sem estudos mais detalhados. “A experiência mostra que para se fazer uma afirmação dessa leva-se anos de pesquisas com uma equipe multidisciplinar de cientistas. O IBGE não está credenciado para fazer tais pesquisas, pois é um instituto de demografia, e acho que deve ser mesmo questionado”. Francisco Esteves, que também dirige CIDADE, Agosto de 2007

o Departamento de Limnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acha que o fenômeno verificado no bairro Fronteira, onde o mar continua avançando sobre as casas, “é um problema de falta de vergonha na cara”. Segundo ele, a culpa é da Prefeitura, que nos anos 1970 e 1980 permitiu que a população construísse casas na orla marítima, ignorando que há décadas de marés mais baixas e outras décadas de marés mais altas, quando o mar retoma a faixa de areia que lhe foi tomada. Quanto à divulgação do PIB macaense, ele é taxativo: “Trata-se de um indicador cruel e impossível”.

Mar avança Se o conceito de afundamento da orla marítima tem sido duramente questionado, não se pode negar que o mar continua avançando sobre Macaé. No mês de julho, em três pontos da orla da Praia Campista, a ressaca que começou no dia 28 levou parte da ciclovia e da calçada nas áreas localizadas em frente à AABB, Clube Cidade do Sol e Macaé Palace. Vistoriando o local, o secretário executivo de Obras (Semob), Tadeu Campos, constatou o problema, ouviu moradores e tomou as primeiras providências para solucionar a questão: “Essas são as providências emergenciais, para evitar que o mar leve mais areia e ameace a avenida Atlântica. Depois que a ressaca acabar, vamos trabalhar para aumentar a estacas, fazendo as caixas das mesmas, além de concretar o muro – disse o secretário na ocasião”. Tadeu Campos explicou que a contenção da orla foi feita pela Petrobras em 1999 e início de 2000, com cota e certa garantia porque na área tinha muita areia. Como o mar já levou grande parte da areia, principalmente onde não há vegetação de restinga, a nova contenção terá que ter pelo menos dois metros para ficar abaixo do nível de areia hoje existente. “Vamos buscar a parceria com a Petrobras para refazer o trabalho. Se olharmos a orla, neste local, vemos que cerca de dois metros de altura de areia foi levado pelo mar. Alguns moradores da área nos mostraram pedras que nunca apareceram antes e que agora afloraram na areia. Notamos que o problema se agrava nas áreas onde não há vegetação de restinga, proteção natural da orla. Os moradores também disseram que a região vai sofrer ainda cerca de quase três meses com a ressaca, que aumenta muito nos meses de agosto e setembro”, disse Tadeu Campos, ressaltando a preocupação do prefeito Riverton Mussi com o problema.

Providências O prefeito determinou que a Semob e a Defesa Civil monitorem diariamente a área, 23


Macaé para proteção dos moradores e residências. O secretário executivo de Obras lembrou que o IBGE divulgou estudos sobre medidor instalado na Praia de Imbetiba, indicando que o mar subiu 15 centímetros na orla de Macaé. “Estudos já mostraram que quando o mar sobe um metro, avança um quilômetro na orla. Se a região subiu 15 centímetros, teoricamente já perdemos 50 metros de orla. Os problemas que vêm acontecendo na Barra e Fronteira mostram que realmente o mar vem avançando na orla macaense. Para solucionar a questão, vamos solicitar o apoio dos governos federal e estadual para realizarem estudos que mostrem a possibilidade de serem construídos quebra-mares na orla”. De acordo com o secretário, já existe um projeto para construir arrecifes metálicos para amortecer o crescimento das ondas na orla da Praia Campista, mas o projeto não é

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da prefeitura e que ainda não tem como avaliar a viabilidade do mesmo. “Como o problema vem se agravando, alguma coisa tem que ser feita e vamos aprofundar os estudos dessa área, para buscarmos a melhor solução”, falou Tadeu Campos.

Solução definitiva Sobre o muro de contenção, Tadeu Campos voltou a falar que a intervenção é emergencial, mas informou que o município começa a pensar numa solução definitiva para conter o avanço do mar. Para o secretário, a solução seria a construção de um quebra-mar acompanhando toda a orla, aproveitando para construir um porto, para pequenas e médias embarcações. “Esse é o meu pensamento, mas quanto custa isso? Sozinho, o município não tem condições de arcar com o custo de uma obra desse porte. Seria necessária a parceria com os

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governos federal e estadual e com a iniciativa privada, uma parceria público-privada - observou acrescentando que a construção do quebra-mar, o município protegeria toda orla e, o porto traria desenvolvimento maior para Macaé, aumentando a receita e geração de mais empregos” O secretário executivo de Obras observa que muitos falam no que o município recebe de royalties, mas poucos sabem quanto custa manter um município desse porte. “A cada ano, os investimentos em infra-estrutura diminuem porque aumenta o emprego da receita na parte social, já que Macaé é uma cidade que cresce a cada dia. Os focos presentes mudam depressa e planejar a médio e longo prazo é difícil. Nós trabalhamos contra o tempo, apagando incêndios aqui e ali e o município exige que se comece a planejar a Macaé para daqui a 15, 20 anos”, concluiu Tadeu Campos.


NUTRIÇÃO

Doença Celíaca x Síndrome de Down Doença Celíaca consiste na inabilidade de digerir glúten, um componente natural de diversos cereais (aveia, centeio, trigo, cevada e seus derivados). Os sintomas mais comuns são dores abdominais, distensão abdominal e diarréia. A doença é inicialmente diagnosticada através de uma dieta de exclusão, ou seja, alguns meses sem ingerir estes cereais seguidos da reintrodução destes alimentos um a um. Na população, a freqüência de Doença Celíaca é de 1 em cada 2.000 nascimentos, isto é, 0,05%. Porém muitos estudos confirmam uma alta prevalência de Doença Celíaca entre crianças com Síndrome de Down. A ocorrência é de 1 em cada 14 nascimentos, isto é, 7%. A dificuldade em identificar as manifestações clínicas da doença celíaca pode levar ao diagnóstico tardio da doença e, portanto, à demora no início do tratamento. O não-tratamento da doença em longo prazo envolve impactos permanentes no crescimento e desenvolvimento; defeitos de formação dentária; osteoporose; aumento do risco de cânceres malignos, causando danos no desenvolvimento escolar e no trabalho desses indivíduos. A criança com Síndrome de Down já está exposta a riscos no crescimento e desenvolvimento adequados, devido às alterações metabólicas características da síndrome, e ainda é considerada um dos maiores grupos de risco para a Doença Celíaca. Considerando a alta prevalência existente e a gravidade das conseqüências que a Doença Celíaca não-diagnosticada e, portanto, não-tratada pode gerar em crianças com Síndrome de Down, é fundamental a atualização dos profissionais de saúde que lidam com este grupo acerca do conhecimento cientifico produzido até os dias de hoje a fim de possibilitar uma conduta mais criteriosa no tratamento de crianças com Síndrome de Down com risco para desenvolverem Doença Celíaca.

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DANUZA LIMA é nutricionista

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O que é a Reserva Peró? Quase todo mundo já ouviu falar sobre a possível chegada do Club Mediterraneé em Cabo Frio. Essa marca, mais que consolidada no jet-set internacional, sinônimo de qualidade em hotelaria estilo resort, que promete chegar à cidade gerando empregos e alavancando, enfim, o ainda incipiente turismo local, porém, não virá sozinha. O mega empreendimento, chamado Reserva Peró, idealizado por Ricardo Amaral, da Agenco, pretende ocupar mais de quatro milhões de metros quadrados de uma área conhecida como APA do Pau Brasil com dois hotéis resorts (o segundo seria o Sheraton), quatro hotéis boutique; três villages, com casas de dois pavimentos, loteamentos residenciais, campo de golfe, centros hípicos e esportivo; área comercial, com lojas e restaurantes, hortos e um Centro de Desenvolvimento Sustentável. Renato Silveira tamanho do projeto e o local onde será executado vêm deixando de cabelo em pé os ambientalistas da região, especialmente os membros do Conselho Gestor da APA do Pau Brasil, uma entidade criada apenas para fins consultivos, que está se mobilizando para, senão barrar de vez o empreendimento, ao menos torná-lo compatível com a delicadeza daquele ambiente, uma área de restinga, com dunas (que são candidatas a uma das sete maravilhas do Rio de Janeiro), alagados e vegetação endêmica. Uma das maiores queixas dos ambientalistas diz respeito ao desconhecimento do que realmente será executado por lá. Segundo o ex-secretário de Meio Ambiente e membro do Conselho, Juarez Lopes, o projeto não foi devidamente discutido com o grupo criado para gerir a APA. “O Conselho vem se sentindo desprestigiado, e há pessoas insatisfeitas com todo esse processo, pensando inclusive em sair.

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ROSANE VARGAS secretária de Planejamento

Para o tipo de turistas que se hospedarão nos hotéis e comprarão lotes, tal padrão (de preservação ambiental) é importante

Não sou contra o projeto, acho que o Club Méd é bem vindo, mas tudo tem de ser bem analisado” queixou-se.

Insatisfação no Conselho E foi no intuito de discutir e conhecer melhor o projeto, que o Conselho Gestor reuniu-se no último dia 27 na sede da OAB. O clima de insatisfação era total, e a maioria dos presentes afirmava ser toda a área escolhida pela Agenco uma Área de Preservação Permanente – APP, portanto, não edificável. “Essa questão é muito séria, porque existem ali elementos de APP, e o laudo do grupo de apoio do Ministério Público aponta para isso. Por isso, a plenária aprovou que acompanhemos o parecer desse grupo que apontou a necessidade de mudanças no projeto. Estamos aguardando a audiência pública convocada pelo Ministério Público (N.da R. – ela aconteceu no dia 1º de agosto, após o fechamento dessa edição), para conhecermos o novo projeto” contou Juarez. Outra decisão do Conselho foi a de sugerir a suspensão do licenciamento prévio concedido pela Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente – FEEMA – ao empreendimento, embora tal documento, de acordo com João Batista Dias, diretor de planejamento ambiental da entidade, não signifique autorização para início das obras.

RICARDO AMARAL

A adequação do projeto dará ainda mais qualidade e resultará numa maior confiança por parte dos futuros compradores “A licença prévia não autoriza nenhum tipo de intervenção, apenas aponta preliminarmente que a atividade não é incompatível com o local. As obras só poderão ser iniciadas após o cumprimento das exigências” afirmou.

Exigências do MP E não foram poucas as exigências feitas pelo Ministério Público. Dentre elas, a mudança nos locais de algumas edificações, aumento da área do horto, cancelamento de construção de algumas unidades, do loteamento e do campo de golfe.

Maquete digital do Club Méd

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CIDADE, Agosto de 2007

Na audiência, convocada pelo Ministério Público pelo promotor no núcleo de Cabo Frio, Murilo Bustamante, que cuida de nada menos do que oito ações públicas referentes ao Reserva Peró, o objetivo foi exatamente de mostrar as modificações sugeridas pelo grupo de apoio ao MP no encontro anterior, que aconteceu no dia 26 de novembro do ano passado, já cumpridas pela empresa no novo projeto. “O objetivo do encontro é o de esclarecer a comunidade local acerca das alterações procedidas no projeto Reserva Peró,


JUAREZ LOPES Membro do Conselho Gestor

Não sou contra o projeto, acho que o Club Méd é bem vindo, mas tudo tem de ser bem analisado

MURILO BUSTAMENTE Promotor de Justiça

O objetivo da audiência é o de esclarecer a comunidade local acerca das alterações procedidas no projeto Reserva Peró e aprofundar a apuração da compatibilidade ambiental do empreendimento” explicou o promotor. A grita dos ambientalistas, com o apoio do Ministério Público, parece que vem dando certo. A Agenco vem tentando adequar o projeto às exigências. Para o arquiteto Ricardo Amaral, isso significa perdas e ganhos. “Se de um lado amargamos prejuízos financeiros, por outro, a adequação do projeto dará ainda mais qualidade e resultará numa maior confiança por parte dos futuros compradores” apostou.

Discurso preservacionista Embora sejam olhados com desconfiança pelos ambientalistas, os empreendedores tem discurso com viés preservacionista. No resumo do projeto, estão lá os princípios ambientais, tais como manutenção de corredores para migração de fauna; construções sobre pilotis, com o objetivo de preservar as correntes eólicas, além da vegetação existente e da que será replantada; programa de manejo de flora com reflorestamento de espécies nativas; proteção das dunas, entre outros. Mas, de acordo com Juarez Lopes, todo

esse esforço poder ser inútil se a lei federal for aplicada. Segundo ele, o próprio conceito de resort cai por terra se o limite de distância da praia para construção for seguido. “ Um resort precisa estar perto da praia, e isso realmente não será possível. A lei exige 300 metros de distância para construção” afirmou. Já para Rosane Vargas, secretária de Planejamento da prefeitura cabo-friense, o limite imposto é menor. Segundo ela, a faixa edificável fica a 100 metros da costa. Na sua visão, o Reserva Peró tem exatamente

Mapa da ocupação da área pelos empreendimetos do Projeto Reserva Peró

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Capa Projeto grandioso

como conceito a preservação ambiental. “É um conceito a ser vendido. Para o tipo de turistas que se hospedarão nos hotéis e comprarão lotes, tal padrão é importante. E a prefeitura se preocupa com isso, e o projeto ainda se encontra em aná-

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lise na minha secretaria, na Procuradoria Geral e na secretaria de Meio Ambiente” informou.

Adequando o projeto Dentro disso, segundo seus empreen-

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dedores, o Reserva Peró pretende seguir o conceito arquitetônico característico da região, uma releitura do barroco brasileiro feita pelos pescadores locais, tornando as edificações mais integradas ao ambiente local. “Além disso, estamos adequando o projeto de forma a manter os corredores de migração da fauna para locais como o Morro da Piaçava e a Serra das Emerenças, e com a criação do Centro de Desenvolvimento Sustentável. Vamos também organizar e implementar todo o programa de proteção das dunas, das mudas das espécies nativas, além da valorizar os bens arqueológicos e ambientais” informou Ricardo Amaral. Além de vender o “peixe” ecológico, o Reserva Peró tenta ganhar a confiança da população anunciando a geração de 16.500 empregos,com um programa de capacitação de mão de obra, tanto para a construção quanto para a operação. “Dá pra prever um incremento na promoção do turismo local,com um up-grade no mercado turístico” festejou o empreendedor.


APA do Pau Brasil Tomás Baggio Área de Proteção Ambiental (APA) do Pau Brasil foi criada em 23 de dezembro de 2002, por decreto assinado pela então governadora Benedita da Silva (PT).

A

São seis praias e seis ilhas protegidas em 100 Km2 de área que vai desde o Canal Itajuru, em Cabo Frio, até o canto direito da Praia de Tucuns, em Búzios. Estão incluídas na APA as praias Brava, das Conchas, Peró, Caravelas, José Gonçalves e Tucuns, além das ilhas Comprida, Redonda, dos Pa-

pagaios, Dois Irmãos, Capões e Emerências (ilha e ilhotas) e as dunas do Peró. O corredor ecológico de Mata Atlântica vai das ilhas, em alto mar, até a estrada Cabo FrioBúzios. O decreto foi feito às pressas. O plano de utilização da APA, que antecedeu o Pla-

Mapa de zoneamento

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Capa no de Manejo, ficou pronto nos nove me- servar vegetação nativa existente e proises que Benedita governou o estado. Ela biu uso hoteleiro e a implantação de quaera vice de Anthony Garotinho, que dei- dras esportivas e de piscinas em área de xou o cargo para ser candidato à Presidên- dunas móveis. Nas reuniões do Conselho, o espírito é cia da República. “Quando a Benedita chegou no cargo, de revolta. Os membros dizem que descoo pedido para a construção do Club Med nhecem o projeto Reserva Peró, e que a já estava correndo. O grupo que entrou na área escolhida para o empreendimento tem secretaria de Meio Ambiente do Estado viu características de Área de Proteção Permaa importância do local e decidiu criar a APA. nente (APP), onde a construção é proibiO decreto foi assinado nos últimos dias, da. “O problema é que as áreas onde a consno apagar das luzes do governo”, conta Eduardo Pimenta, chefe da Guarda Maríti- trução é totalmente proibida não foram dema e Ambiental de Cabo Frio, que fez os limitadas. Existem áreas dentro da APA com características de ZOC (Zona de Ocupaprimeiros estudos do local. Segundo Pimenta, a ocorrência de pau- ção Controlada) e de APP”, diz o ex-secretário de Meio Ambiente brasil, sítios arqueológide Cabo Frio Juarez Locos, plantas endêmicas, pes, membro do Conseo fenômeno da ressurlho que tem caráter congência e o baixo índice sultivo. pluviométrico tornam a Para ele, a falta de inregião especial em tervestimentos em estudos mos ecológicos. Ele diz técnicos e científicos que as regras implemencausa o descontrole sotadas pelo decreto de cribre o local. No próximo ação da APA são impordia 08, a sede da 20ª tantes para o controle, subseção da Ordem dos principalmente no que Advogados do Brasil diz respeito à ocupação. (OAB), em Cabo Frio, vai A favelização e a falta de receber mais uma reuregras são os maiores nião da Câmara Temática problemas, na opinião de de Zoneamento do ConPimenta. selho Gestor da APA. “Sou favorável aos O decreto de criação empreendimentos, desda APA do Pau Brasil de que haja o controle EDUARDO PIMENTA considera “o valor inessobre a retirada das veNão adianta proibir timável representado getações. Não adianta os empreendimentos e pelo patrimônio natural proibir os empreendideixar as construções da Mata Atlântica, em mentos e deixar as consirregulares tomarem especial os últimos rematruções irregulares tomaconta nescentes de pau-brasil, rem conta”, opina Eduarlocalizado nos Municípido Pimenta, dizendo que falta fiscalização na área. Para ele, o Proje- os de Búzios e Cabo Frio”. O documento to Reserva Peró será aprovado “com mui- diz que a área guarda os últimos exemplares da vegetação florestal que cobria a platas restrições”. As modificações no Projeto Reserva nície fluminense, e destaca elementos da Peró já começaram. Na última reunião do flora e da fauna nativas que encontram, ali, Conselho Gestor da APA do Pau Brasil, no refúgio e alimentação essenciais para a sofim do mês passado, a Fundação Estadual brevivência. Para disciplinar a ocupação do solo e de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) enviou documento com modificações (veja do exercício as atividades que causam a quadro ao lado). A Feema qualificou a área degradação do meio-ambiente, a APA do como “frágil”, com dunas, restinga e brejo, Pau Brasil ficou dividida em seis zonas: entre outras características. A Fundação duas de Preservação da Vida Silvestre, uma ordenou o reposicionamento do Hotel de Conservação da Vida Silvestre, uma de Sheraton em 200 metros para dentro da Influência Ecológica, uma de Uso de costa e 400 metros para o sentido oeste. Aqüiculturas e outra de Ocupação ConTambém retirou lagos artificiais para pre- trolada. 34

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Feema apresenta novo relatório

A Feema apresentou na reunião do Conselho Gestor da Apa do Pau Brasil a terceira versão do que será o projeto Reserva Peró. Atendendo a exigências de órgãos ambientais, além dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, a Fundação fez alterações no projeto original, antes de expedir a Licença Prévia.

O Relatório Área: 4.500.000m2 ao longo de 3,5km da Praia do Peró, em Cabo Frio Empreendimento: Club Med, 4 empreendimentos hoteleiros, campo de golfe, 12 núcleos residenciais (1040 lotes), setor esportivo e de lazer e setor comercial Características: Área frágil com dunas, restinga, brejo, vegetação fixadora de dunas, ALTERAÇÕES RELEVANTES - foi vedado o uso hoteleiro e a implantação de quadras esportivas e de piscinas em área de dunas móveis; - foi preservada vegetação nativa em área onde seria instalado empreendimento hoteleiro criando um corredor ecológico com brejo existente e um horto florestal; - foram alterados projetos originais privilegiando a instalação em áreas degradadas ou baixios sem vegetação - foram suprimidos lagos para preservar vegetação nativa existente - na área do campo de golfe foi modificada a posição dos lotes residenciais de forma a preservar uma área de brejo existente e sua vegetação específica; - uma área do projeto foi suprimida, temporariamente, para que seja melhor estudada a questão do ponto de vista geológico; - a vegetação a ser suprimida será compensada pela produção de novas mudas da mesma espécie - os lagos artificiais projetados tiveram sua área reduzida para haver um contato com a vegetação existente - A não utilização das áreas inseridas no corredor de dunas (mapeadas pela DIVEA/FEEMA) até que sejam apresentados estudos conclusivos sobre os aspectos relacionados à movimentação dos sedimentos arenosos; - O reposicionamento do Hotel Sheraton em 200m para dentro da costa e 400m para o sentido oeste, criando um corredor ecológico com o Brejo localizado no loteamento do golfe; - O reposicionamento do Club Med no terreno, ocupando as áreas degradadas ou baixios sem vegetação, e a supressão dos lagos; - A diminuição da área do estacionamento do Club Med e o seu reposicionamento, a eliminação do Fitness e do seu espelho d´água e a relocação do alojamento dos empregados, criando uma área contígua de vegetação de aproximadamente 20.000m2 no limite oeste da área; - O reposicionamento do Hotel Bangalô Bora-Bora para as áreas sem vegetação e já degradadas, eliminando o campo de futebol society, além das áreas de espelho d´água, bem como a redução da área da sede do hotel; - O reposicionamento do Hotel Bangalô Moorea, com a preservação dos bolsões de vegetação nativa existentes, com 88.000,00 m2 de área; - O reposicionamento do Hotel Boutique 1, situado na ZCVS, com a preservação da área de duna de 5.536,00m2; - A alteração na distribuição dos Bangalôs do Hotel Boutique 2, com a preservação da área de duna de 21.100,00m2; - O reposicionamento dos lotes e dos buracos de golfe do Loteamento do Golfe, com a preservação da área úmida brejosa de 65.000, 00m2; - A eliminação dos loteamentos com parque localizados nos lotes 17 e 18 na ZOC 2p até a apresentação e aprovação pela FEEMA dos estudos de avaliação geológica, levantamentos topográficos planialtimétricos e monitoramento, de maneira a certificar que a área não está classificada como sendo Área de Preservação Permanente (APP); - A reformulação da proposta de criação dos lagos artificiais, com alteração das áreas de seus espelhos d´água e de seu posicionamento, aumentando o contato com a vegetação nativa arbustiva presente; - A eliminação dos dois campos de Pólo e seus respectivos loteamentos; Vejetação: Campomanesia schlechtendaliana (Myrtaceæ), Jacquinia brasiliensis (armillaris) (Theophrastaceæ), Manilkara subsericea (Sapotaceæ), Pouteria grandiflora (Sapotaceæ), Scævola plumieri (Goodeniaceæ) e Syderoxylon brasiliense (Sapotaceæ). Por serem espécies consideradas ameaçadas de extinção e, à exceção de Scævola plumieri, ocorrerem esparsamente nas moitas e manchas de vegetação, conferem, a cada trecho em que ocorrem, a condição de área de preservação permanente o que impede, praticamente que seja feito qualquer tipo de remoção de vegetação. Portanto, é necessário que sejam mantidas íntegras as manchas da cobertura vegetal. CIDADE, Agosto de 2007

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Especial

RICARDO ALBERTO BHURING Engenheiro Naval

Inventar é preciso “Navegar é preciso”. O verso é do poeta português Fernando Pessoa, mas se enquadraria com perfeição na poética vida de um certo chileno que há 40 anos escolheu o Brasil como pátria. E o mar como inspiração. Thiago Freitas Fotos César Valente

N

para ser levado pelos fortes ventos sobre as águas azuis da Região dos Lagos. Difícil? E um submarino feito quase todo em madeira, ou uma canoa cujo desenho permita navegar com facilidade em fortes correntezas? Realmente são tipos de objetos que a mente acostumada ao comum não é capaz de conceber com facilidade. Mas não é esse o caso desse chileno, nascido na cidade de Talca, importado de Hamburgo

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ão raramente chamado de Professor Pardal, Ricardo Alberto Bhuring, 66 anos, é um arquiteto naval que não se contenta, no entanto, em apenas criar barcos. Ele tem mania de inventar coisas. Imaginem duas pranchas de surf se transformando em um pequeno planador,

(Alemanha), que desde 1967 é radicado no Brasil - em Cabo Frio, desde 2000. Trabalhando com arquitetura naval desde a juventude, suas invencionices vão desde barcos, canoas e outros artigos náuticos até o campo das artes plásticas, em que brinca de transformar papel em qualquer tipo de objeto (incluindo barcos); cria rodas feitas de latas de óleo e as fazem se transformar através de uma única linha de


barbante. Da mesma forma criativa, combina cores e formas de chapinhas de garrafas, gerando uma infinidade de impressões para quem observa, estupefato, o poço sem fundo que parece ser essa mente movida pelo inusitado. “Atualmente estou me dedicando à ‘gaivota’, que será uma espécie de planador, feito, basicamente, com duas pranchas de surf. Só espero que funcione e que ande bem rápido pelo mar” - conta Ricardo, ao mesmo tempo em que tenta explicar, quase inutilmente, para a leiga reportagem de CIDADE, o mecanismo de funcionamento do novo invento. Na garagem de casa, a canoa projetada para ir contra a maré é motivo de orgulho para o criador. Sem contar que representa um dos brinquedos favoritos dele. “Quando saio com ela para o mar fico esperando que passe um barco grande para provocar alguma onda, para que eu possa deslizar por ela. É incrível a facilidade que se navega com ela, muito leve e muito estável sobre a água”, explica. Morador do bairro da Ogiva, Ricardo diz que não poderia ter encontrado lugar melhor para abrigar sua natureza de aventureiro e inventor. A casa que comprou praticamente de olho fechado possui duas saídas para o Canal de Itajuru, o que facilita os testes das suas invenções.

do pela vontade de vir tentar a vida no Brasil, atraído, naturalmente, pelo clima, pelas praias e cultura brasileira. Já havia passado pelo país em 1964, a caminho de Santiago do Chile. Mas não chegou a descer do avião. Não por falta de vontade. “Putz! Era 1º de março de 1964, quando o avião parou no aeroporto do Rio. Ou seja, em pleno Golpe Militar. Fiz menção de descer do avião quando fui informado de que

não poderia porque estava havendo uma ‘revolução’. E eu pensando: ‘nunca tinha ouvido falar de que no Brasil existiam guerrilhas”, relembra. O sonho de pisar na Cidade Maravilhosa concretizou-se em 1967, quando em posse de uma proposta de emprego conseguiu o visto para vir morar no país. Para o azar dele, um ano antes da implantação do Ato Inconstitucional 5, o AI-5.

“Gaivota” Um planador feito com duas pranchas de surf

By, By Europa “Lugar melhor para morar eu não poderia ter encontrado. Para quem é apaixonado por mar e por barcos como eu, Cabo Frio é um lugar perfeito”, conta Ricardo, relembrando os momentos que antecederam sua vinda para a Região dos Lagos. Depois de estudar na Inglaterra, e ter sido criado entre a cultura britânica e algumas influências adquiridas em Hamburgo, na Alemanha, Ricardo Sepúlveda foi toma-

Construção da réplica do barco Esmeralda. Projeto orçado em US$ 5 milhões

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Especial

Ricardo em sua oficina

O que já existe não me interessa

“Quando coloquei o pé para fora do avião senti um vapor enorme. Eu de paletó e gravata, comecei a tirar aquela roupa quente, sentindo o corpo molhado, uma sensação maravilhosa. Peguei um taxi e disse, “me leva para um hotel. Em Copacabana”. A decisão de se mudar para Cabo Frio só veio depois de uma longa temporada como cidadão carioca da Urca, assíduo freqüentador da Copacabana e Ipanema dos anos 1970, 80 e 90. Dentro desse período, além de trabalhar em uma empresa que fazia projetos para o setor naval, freqüentou a Escola de Artes Visuais Parque Lage, no Jardim Botânico, fazendo parte da famosa geração artística de 80. Também deu aulas de inglês e se juntou a grupos de

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capoeira que naquela época faziam rodas na rua, em diversos pontos da cidade. “Chegou um dia em que estava em casa, na Urca, de saco cheio daquela vida do Rio, que já estava muito violento, eu morando em apartamento, onde não podia construir meus barcos. Daí pensei: Cabo Frio. É pra lá que eu vou. Já conhecia de visitar, e gostava, então decidi levar minha vida de aposentado por aqui”, completou Ricardo.

O avesso da invenção: a cópia Apesar de não gostar de trabalhar com a fabricação de réplicas, pois como costuma dizer, “o que já existe não me interessa”, Ricardo Sepúlveda está prestes a em-

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barcar, no sentido literal do termo, em uma grande missão naval: reconstruir uma cópia fiel do barco chileno Esmeralda, afundado durante a Guerra do Pacífico, no conflito entre Chile contra Peru e Bolívia, no ano de 1879. O projeto de construção da réplica, o qual irá executar ao lado do irmão, que também é arquiteto naval, está orçado em aproximadamente US$ 5 milhões, dos quais já foram conseguidos US$ 3 milhões. “Será muito trabalhoso, pois é um barco rico em detalhes. Eu e meu irmão, o Mario, vamos construir uma réplica em escala natural desse símbolo de resistência e sacrifício heróicos para os chilenos, que terá 40m de comprimento e museus de história naval integrados. Será erguida no porto de Iquique, no litoral norte do Chile, onde ocorreu o afundamento”, explica Ricardo. Trabalho semelhante a este deve ser feito com outro barco, um Clipper Pamir. Este, de origem americana, é considerado, segundo Ricardo, um dos maiores do mundo. “Este será também uma réplica em escala natural de um dos chamados “clippers del salitre”, últimos dos puro sangue à vela que aportavam obrigatoriamente em Valparaiso, entre 1820 e 1920, nas viagens para Ásia e costa oeste americana. Terá 115m de comprimento e será localizado no novo e remodelado cais do porto daquela cidade”, acrescentou. O barco museu deverá ser inaugurado em 2009, para o bicentenário da independência do Chile.


Cesar Valente

É OURO!

PapiPress

PapiPress

O iatista Maurício Santa Cruz, junto com Alexandre Saldanha, João Carlos Jordão e Daniel Santiago, o Bruschetta Sailing Team, conquistaram a medalha de ouro no Pan Rio 2007, na classe J/24. Santinha, cujos pais moram em Cabo Frio, confirmou o favoritismo conseguindo superar as dificuldades do primeiro dia de competições. “Foram quatro anos de preparação e a vitória foi ainda mais gratificante porque pensamos que nem iríamos competir em razão da contusão do Peninha”, disse Santinha, que já tinha uma medalha de prata conquistada no Pan de Santo Domingo, em 2003.

Gente

Cesar Valente

Roberto Van Erven Liberal

Tropa ecologicamente correta Quem visita o Parque das Dunas, em Cabo Frio se surpreende com o que vê. E não estamos nos referindo apenas à paisagem exuberante. Desde agosto de 2006, uma operação conjunta entre a Polícia Militar e a Guarda Ambiental mantém no local um grupo equipado com quadriciclos para acompanhar e dar proteção aos visitantes. Desde então, o número de assaltos a turistas, que era altíssimo, caiu para zero. O soldado PM Cristian, e os guardas ambientais André, Saraiva, Ribas e Veloso (na foto) fazem parte desse grupo e, por iniciativa própria, melhoraram os acessos para carros estabelecendo novos traçados de trilhas e instalando placas indicativas. Também instalaram um poço artesiano com chuveiro para atender aos visitantes. Entusiasmados com o trabalho, vão mais longe: criaram também uma página no Orkut (Duna Mãe de Cabo Frio), para divulgar e ajudar a proteger o local. CIDADE, Agosto de 2007

Da mistura de holandeses, franceses e cearenses, que “tem em todo lugar do mundo”, segundo ele, resultou a personalidade única de um carioca, cidadão do mundo, que igora fronteiras e jamais perde o charme e a simpatia. Liberal é exatamente o que o nome sugere. Gozador, boêmio, tem como filosofia de vida não se meter na vida alheia. Confessa, no entanto, que é um crítico e que faz isso, muitas vezes, de forma cínica. “Eu gozo a mim próprio para poder gozar os outros”, ensina. Casou no México, Uruguai e Espanha , “com mulheres diferentes”, apressa-se em dizer. No Brasil é solteiro, pois não homologou nenhuma dessas uniões. Começou a correr mundo aos 20 anos e não parou mais.Velejou nos lugares mais glamourosos, e pode citar em seu rol de amigos pessoas como, Rubem Braga, Carlinhos Niemeyer, João Saldanha, Joel Monteiro “El Guapo”. E, em Cabo Frio, o amigo que influenciou sua permanência na cidade, Wlander Noronha. Conheceu a cidade que não quer deixar “nem morto”, quando veio trabalhar, no ano de 1958, na implantação do loteamento que resultou no bairro da Ogiva, cuja sigla, poucos sabem, siginifica Organização Geral Imobiliária Várzea Alegre. Depois de ter feito praticamente de tudo, acredita que ainda tenha muita coisa para realizar. “Não sei se estou realizado, mas estou tranquilo.” 39


Da esquerda para direita Em cima: Domingos, Bruno Ciro, Marquinho, Felipe, Alfredo, Arthur, Higita, Wagner e Marcelinho Em baixo: Diogo, Wellington, Conrado, Victor Hugo, Daniel, Thiago, Eric Cabral e Rômulo

Sonhando Alto Depois de entrar para a história do futsal da cidade com a conquista, no dia 3 de junho, do primeiro título de campeão carioca, o time adulto de Cabo Frio agora sonha alto com as próximas competições Vanessa Campos Fotos Cesar Valente

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om o troféu de primeiro lugar no Campeonato Metropolitano 2007, principal competição estadual da modalidade que reúne clubes cariocas consagrados, como Vasco e Flamengo, a equipe repre40

sentante da cidade se classificou para duas competições que também já mudaram os 20 anos de história do futsal de Cabo Frio: pela primeira vez, a cidade participa da Liga Sudeste 2007, representando o estado do Rio junto com Teresópolis, vice no estadual, e a Taça Brasil 2008, segunda principal competição do país, em que CaCIDADE, Agosto de 2007

bo Frio será o único representante carioca. Para o secretário de Esportes de Cabo Frio, José Ricardo Gonçalves, a ótima fase do futsal de Cabo Frio é conseqüência das mudanças implementadas, no final do ano passado, após as amargas derrotas em praticamente todas as competições de 2006. “Elas serviram para rever todo o trabalho


Esporte que estava sendo realizado com o futsal da cidade”, explicou ele. As principais mudanças foram a redução de custos, a implantação de um trabalho profissional de base e a criação de um time unido e entrosado, valorizando a “prata da casa”. “O resultado foi o que a própria torcida pode ver nos jogos: um grupo coeso e unido, empenhado em vencer. Nossa meta agora é continuar o trabalho que levou à conquista do campeonato carioca, contando, inclusive, com o apoio das famílias dos atletas e da torcida cabofriense que chegou a somar 4,5 mil pessoas em jogos no ginásio poliesportivo municipal”, explicou o secretário. Já para o gerente de futsal, Carlos Magno, responsável pela estrutura logística da equipe, a ascensão do futsal da cidade também parece comprovar que “nem sempre o investimento financeiro é fator determinante do sucesso”. Segundo ele, a redução dos custos – em 2006, o governo municipal de Cabo Frio investia R$ 55 mil por mês na modalidade, passando a R$ 30 mil mensais em 2007 – criou uma distância ainda maior, em termos financeiros, de grandes clubes cariocas, como Macaé e Teresópolis, cuja receita mensal chega a R$ 130 mil. Contudo, destacou ele, a diferença (significativa) entre a receita cabofriense e as demais serviu para abrilhantar ainda mais o trabalho realizado em Cabo Frio. “O investimento feito pelo governo atual proporcionou o desenvolvimento do primeiro grupo de futsal profissional da his-

JOSÉ RICARDO GONÇALVES Secretário de Esportes

Nossa meta agora é continuar o trabalho que levou à conquista do campeonato carioca

CIDADE, Agosto de 2007

tória de Cabo Frio, contudo, infelizmente, ainda é baixo, visto que temos muitas despesas com taxas da Federação, alimentação e viagens dos atletas. Por outro lado, vimos que Cabo Frio foi campeão carioca, jogando contra esses grandes clubes, favoritos ao título, que, no final, tiveram um resultado muito aquém do esperado”, destacou ele. Toda a mudança na forma de conduzir o futsal da cidade e, conseqüentemente, a vitória histórica no campeonato de junho afetaram também, positivamente, o público infantil, que hoje demonstra mais interesse pela modalidade esportiva. Segundo o diretor de Esportes da secretaria municipal de Esportes, Ricardo Barreto, o projeto sócio-esportivo Novo Cidadão, direcionado às crianças carentes do município, entre 6 e 15 anos, já conta com 750 novos adeptos da modalidade. “Um mês depois de sermos campeões cariocas já contabilizamos um aumento de 30% nos sete núcleos do projeto onde é oferecido o futsal. Já na escolinha da Associação Atlética Cabofriense (AAC), onde sou professor, a procura, desde junho, aumentou em 50%”.

Herói cabo-friense Para os jogadores, a comissão técnica e a própria torcida, um dos grandes heróis da reestruturação do time atende pelo nome de Sávio Badini, o técnico que vinha acompanhando Cabo Frio desde o final do ano passado. Para o jogador Bruno Regufe, de 23 anos e um dos destaques no campeonato metropolitano, o técnico deu uma lição de humildade à equipe. “O Sávio foi o grande responsável pela união que hoje existe no time. Ele fez com que enxergássemos a importância do trabalho em equipe, fazendo toda a equipe brilhar, sem individualismo”, afirmou ele. Formado em Educação Física pela UFRJ e detentor de mais de dez títulos estaduais e nacionais como assistente técnico do Clube de Regatas Vasco da Gama e técnico do Macaé Sports, Sávio, 33 anos, diz que, quando chegou a Cabo Frio, encontrou “um time perdido e com um trabalho profissional bem longe do ideal”. Para ele, a composição de um time com 70% de atletas nascidos e criados na cidade – dos 21 jogadores, 14 são cabo-frienses – facilitou a união dos atletas, descartando os estrelismos. “O trabalho fica muito mais fácil quando os atletas não criam um ‘racha’ na equi41


Esporte pe, formando pequenos grupos. São apenas sete jogadores de fora que tiveram que se adaptar à cidade e aos jogadores daqui e não o contrário”, afirma ele que, para a tristeza do time e torcida cabofrienses, voltou a comandar o Macaé Sports, desde o final de julho. “A proposta financeira era tentadora”, disse. No seu lugar, está o cabofriense Rodrigo Barreto, ex-técnico do time juvenil da cidade.

Próximas competições Neste ano, a equipe adulta de futsal de Cabo Frio disputa, de agosto a outubro, os Jogos Abertos do Interior (JAI), competição entre equipes do interior do estado, classificatória para os Jogos Abertos Brasileiros (JAB’s), em 2008. Também entre agosto e novembro, a equipe participa do Campeonato Estadual e, em dezembro, da Liga Sudeste. Em fevereiro de 2008, começa a Taça Brasil. A participação de Cabo Frio na Liga Nacional 2008, competição que reúne os melhores times do mundo, deve ser definida nos próximos meses.

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RICARDO BARRETO - Novo técnico

CARLOS MAGNO - Gerente de Futsal

Um mês depois de sermos campeões cariocas já contabilizamos um aumento de 30% nos sete núcleos do projeto

Nem sempre o investimento financeiro é fator determinante do sucesso

CIDADE, Agosto de 2007


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Divulgação

Apresentação durante o Festival de Esquetes de 2006

Uma história de sucesso Entrando em sua quinta edição, o Festival de Esquetes de Cabo Frio, surpreende a todos e até aos que, por pura curiosidade, resolvem prestigiar o evento Renato Silveira

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esde o início da trajetória do projeto idealizado pelo ator e hoje produtor Pablo Alvarez (atualmente, em parceria com Jerson “Farofa”, através da PF Produções, e pela Prefeitura de Cabo Frio, através da Secretaria de Cultura), o que mais impressiona aos espectadores é a qualidade dos esquetes apresentados, seja através dos textos, da atuação, ou da solução de simples problemas como cenários e iluminação. 44

Aliás, a platéia é um espetáculo a parte no festival. Com o teatro lotado todas as noites, o público vibra e participa, tendo também o direito de escolher a sua favorita através do júri popular. A predominância é jovem, mas amantes da arte de todas as idades batem ponto no Teatro Municipal de Cabo Frio durante todo o evento. Os concorrentes, oriundos de diversas partes do Brasil, invadem a página do orkut e o site durante todo o ano buscando informações sobre o festival. A cada edição, mais de 150 textos são enviados à produção, que tem a árdua e agradável tarefa de CIDADE, Agosto de 2007

selecionar os 24 finalistas, que em 2008, se apresentarão nos dias 15, 16, 17 e 18 deste mês, somando-se às festividades de comemoração dos 10 anos do Teatro Municipal, além da festa da padroeira de Cabo Frio, Nossa Senhora da Assunção. O produtor Pablo Alvarez, às vésperas do evento, diz já estar acostumado com a maratona e os contratempos, e nem se estressa mais. Para ele, o festival, que já tem a sua marca, praticamente já acontece no piloto automático, e a equipe de produção é grande. “Temos mais de 40 pessoas trabalhan-


Entretenimento

Divulgação

Cesar Valente

do na produção do festival, com tarefas divididas, não sobrecarregando ninguém. Lógico que eu e o Farofa ralamos mais, mas o trabalho é prazeroso, e o resultado final é sempre positivo”, festejou. Jerson “Farofa”, que começou a trabalhar no festival a partir de sua terceira edição, também já está acostumado com a pressão que antecede o festival e com o excesso de trabalho nos dias do evento. “Abrimos a PF e só trabalhamos com eventos hoje em dia.O Festival de Esquetes tem a nossa marca, mas produzimos hoje uma série de outras coisas, como PABLO E FAROFA festas, shows, peças. Gosto mesTemos mais de 40 pessoas mo de trabalhar na pressão”, afirtrabalhando na produção do festival mou. Nos palcos do festival, em outras edições, já passaram nomes como o do ator Paulo Gustavo, sucesso no Zorra Total, programa humorístico da Rede Globo. Ele acabou ficando amigo da dupla PF, e acha o festival o máximo. “Acho o Festival bastante importante porque dá oportunidade da galera mostrar o seu trabalho, com uma visibilidade bem legal. Afinal num festival os participantes em geral são de vários lugares, dando a oportunidade de conhecer pessoas e trabalhos diferentes. O prêmio é importante como incentivo, afinal todos querem ganhar, mas o mais importante mesmo é participar! Mas PAULO GUSTAVO - ATOR falando mais especificamente do Farofa e Pablo são generosos e Festival de Cabo Frio, acho os carinhosos, fazendo com que os meninos Farofa e Pablo extremaparticipantes se sintam em casa mente generosos e carinhosos com os atores, escritores, diretores e acompanhantes no geral, fazendo com que os participantes se sin- pular e texto original, o festival será estentam em casa!! Sou fã desses dois meninos dido a alguns bairros da cidade, com a reaengajados com o teatro e eventos no geral, lização de oficinas no Segundo Distrito (dia que são responsáveis por tudo que tem de 15), Jardim Esperança (16) e São Cristóvão legal, se referindo a cultura, dentro de Cabo (17). Frio”, elogiou. No último dia do evento (18/08), os partiNeste ano, além da competição, que cipantes do festival vão ter a oportunidade vai premiar as melhores esquetes (desta de participar de diversas oficinas que vão vez, assim como na quarta edição, não ha- acontecer na Casa dos 500 anos, local onde verá uma vencedora e sim três), melhor di- também vai acontecer a festa de confraternireção, ator, atriz, figurino, esquete júri po- zação. Já deixando saudades para 2008! CIDADE, Agosto de 2007

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Ponto de Vista

DNA DE MEXILHÃO

Q

uem inventou o amor/Não fui eu/Não fui eu, não fui eu/Não fui eu nem ninguém, cantava Dorival Caymi. Seria inexplicável, mas não é. É atávico. Hoje se diz que está no DNA, explicando o sentir, o pensar, o agir. Incorpora o componente também encontrado no da craca, do mexilhão, e que se associa à propriedade inerente a todos os seres vivos, o de se organizar. Considerem-se algumas resultantes da propriedade. As fotos são de uma colônia de cracas invadida por mexilhões e de uma cidade no Mediterrâneo. Embaixo da cidade estão as ruínas de outra. É como se fosse uma colônia de mexilhões instalada sobre uma de cracas. Reclamam as cracas, “Esses mexilhões vão acabar com tudo”. Reclamaram os moradores da antiga cidade, “Começaram a construir no morro”. No Rio a primeira galeria do tunel ligando Botafogo a Copacabana foi aberta em 1904 e alargada em 1941. A segunda em 1951. Desde então Copacabana passou por seguidos processos de invasão e sucessão urbana, um fenômeno semelhante ao do que fazem cracas e mexilhões se alternando na ocupação de um mesmo território. Estratos socioeconômicos usam como referência os estratos acima e se inflitram, ocupando seu espaço. A Avenida Prado Junior, em Copacabana, conhecida como “Quilômetro da fome”, ponto de prostituição, do turismo sexual pode dizer para as Rua das Pedras, em Búzios, “Eu sou você amanhã”. O processo de invasão e sucessão urbana é inexorável, acelerado quando a população ocupando uma área, embora de classe econômica acima da que a sucederá, é de nível cultural igual ou menor do que esta. Um indicador desse baixo nível são as comparações desnecessárias usadas para negá-lo. Por exemplo, Búzios é

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equiparada a Cannes e Cabo Frio seria a Miami brasileira. São casos de vice sem versa. Não se percebe haver o risco de alguém, acreditando, dizer para o agente de turismo, “Cancele a viagem. Não vou fazer a maluquice de ir a Miami e depois a Cannes”. A cidade é uma manifestação espontânea e o processo de planejamento, com suas normas, um exercício na busca do que “deve ser”. É a espontaneidade que predomina e não a norma, esta alterada, agredida, “amexilhada”, por aquela. Havendo meio de controlar o que ocorre em Cabo Frio, Búzios e em tantos outros lugares, que se o aplique

em qualquer aglomerado humano designado como favela ou bairro. Resulta da maneira como a espontaneidade se manifesta. Em um na forma de barraco, no outro a casa de tijolos. Num a poça, no outro a piscina, ambas com a mesma finalidade. O sentir é espontâneo, comandando o processo de planejamento e, se no pensar se faz uso de dois neurônios em conflito, do agir resulta cidade como a que se vê na foto. O que se tem em Búzios e Cabo Frio reflete o comportamento de quem o publicitário Washington Olivetto chamou de rico-pobre, “o sujeito que só tem dinheiro, é grosso, não tem cultura, é predatório”. Ocupa os morros e áreas públicas, nele predominando o componente do DNA de mexilhão. Acaba com tudo. Ernesto Lindgren

CIDADE, Agosto de 2007


Livros Octávio Perelló

Pérolas aos poucos Irrevogavelmente ícone da cultura regional, Vitorino Carriço escancarou este ofício pouco provável de se obter o sustento: poeta. Ainda que não houvesse ambiente literário propício, viveu inspirado nas belezas de sua terra e fazia poesia como quem prepara o alimento da vida. Já idoso recitava seus poemas com voz e mãos trêmulas, mas não pelo que aparentava – os sinais da velhice –, mas sim pelo supremo êxtase da palavra encantada, impressão notada pelo poeta e letrista Wally Salomão, parceiro de Caetano Veloso e Gilberto Gil, quando dividiu com o nosso poeta uma mesa de debate literário, em 1983, na Charitas – Casa de Cultura José de Dome, em Cabo Frio. Poeta, membro da União Brasileira de Trovadores, em Niterói, e da Casa do Poeta, em São Paulo, funcionário público, ex-vereador e presidente da Câmara Municipal de Cabo Frio, Vitorino Carriço não é somente o autor do belo hino da cidade. Entre outras músicas e abundante poesia nos legou Vidas Mortas (Gráfica Santa Helena, 1967, 153 páginas). A aparente simplicidade dos versos, permeados de humor mesmo nos lamentos, encerra desconcertantes observações. Digno de maior divulgação, a rara edição de bolso com impactante capa preta não pode faltar a uma séria revisão e inclusão de obras de autores regionais em projetos editoriais e programas de leitura das escolas da região.

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O fino de Drummond

A literatura brasileira convive com a sobrevivência da obra de seus autores mortos e daqueles contemporâneos que se tornaram referências clássicas. Neste cenário não há muita novidade, corroborando que, com raríssimas exceções, os grandes ainda são os mesmos. Alguns aspectos críticos explicam o contexto: 1) a ruptura nunca houve e as pretensas tentativas não passam de modernices que bem poderiam ter permanecido no cerco do diário íntimo de seus autores; 2) certo imbróglio de identidade sul americana que se perdeu tempo buscando, porque não existe, senão na diversidade cultural, e que atrasou saltos brasileiros; 3) desmedido apego a enredos em detrimento do trato da linguagem; 4) excessivo gosto por sucessivas influências internacionais que afetaram a auto-estima produtiva no país; 5) a persistente fragilidade da formação cultural em paradoxo com o espontâneo talento brasileiro. Outros celeiros em desenvolvimento vêm rompendo tais amarras. Vozes da África o comprovam no excelente O Vendedor de Passados (Gryphus, 2005, 199 páginas), do angolano José Eduardo Agualusa. As aventuras de uma personagem que vende passados falsos para empresários, políticos, e demais componentes da emergente burguesia angolana, cidadãos bem-sucedidos, porém sem história, é por si só um grande enredo, sim; mas, além disso, o que Agualusa faz como escritor é acompanhar o ritmo de revelações literárias de seu continente, construindo um texto primoroso, exercitando novos caminhos de linguagem e enobrecendo a literatura africana. CIDADE, Agosto de 2007

Container de biscoito fino é o que pode ser chamado o pequeno grande e único volume da obra completa do poeta Carlos Drummond de Andrade. Concentrado puro, o calhamaço tem – respirem! – mil quinhentos e noventa e nove páginas. Compleição de Bíblia de capa dura, em formato compacto, possibilitado pela extrema finura do papel, o livro em questão é Carlos Drummond de Andrade – Poesia Completa (Nova Aguilar, 2002, 1599 páginas), raríssima obra lançada pelo Bradesco Seguros e Previdência, com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura, dentro do programa do grupo segurador que visa divulgar obras de interesse histórico e cultural, e que a cada ano lança um título de expressão para brindar clientes e amigos. Privilégio de poucos, esta obra completa foi reunida conforme as disposições do autor, e reitera a importância fundamental da obra de Drummond, e não menos da ação de fomento cultural adotado por alguns segmentos do setor empresarial. 47


Artigo

A Traição Miguel Castelo Branco

O

nosso confrade do Je Maintiendrai, que no curto prazo de algumas semanas se impôs como uma das minhas predileções, pela excelência da forma e caudaloso conteúdo erudito que apõe a tudo o que escreve - dedica hoje uma inteligente reflexão ao tema da traição. A traição é tão misteriosa, poderosa e onipresente como a morte, associando-se de forma rude e violenta à gênese da nossa civilização, que começou com a crucificação e morte do seu fundador, traído e vendido por um dos seus. O tema da traição foi brilhantemente abordado por André Thérive (1891-1967) - companheiro de Robert Brasillac e crítico literário do Action Française - num ensaio infelizmente muito pouco lido (Essai sur les Trahisons). É evidente que, depois de Maquiavel e Hobbes, a traição perdeu a ressonância metafísica que a sustentava - o mal como manifestação de privação da verdade - e deslocou-se para a esfera mundana da etiologia da privação moral e física. A traição é um dado do jogo humano e só se desencadeia e manifesta quando a vigilância e desatenção psicológica de quem a sofre torna possível tal atropelo à saudável expectativa de retribuição do bem (moral) pelo bem. Ou seja, só somos traídos por aqueles em quem depositamos a maior confiança. Os grandes traidores estão sempre muito próximos, partilham dos nossos segredos, das nossas fraquezas, dos nossos lamentos. O traidor não é o inimigo. O traidor vive intramuros, pelo que a sua eclosão nos destrói ou magoa profundamente. Nos nossos provérbios, locuções e frases feitas abundam as alusões ao “morder a mão que nos alimenta”, à ingratidão e à traição. Porém, a traição política desenvolve-se num outro patamar. É uma traição pública e inscreve-se num programa de ação que não coloca frente-a-frente dois seres humanos singulares, mas desvela uma inteligência e uma finalidade em que os homens não são mais que instrumentos. O assustador de tudo isto é que, com propriedade, em política a traição é um recurso tão aceitável como a aliança, a proteção

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e a honestidade. Dizia Thérive que, em política, “a traição é uma questão de tempo”. Como muito bem lembra Je Maintiendrai, a traição exige inteligência, pelo que aqueles a quem chamamos de traidores não são, por ausência de inteligência, merecedores desse apodo. São, as mais das vezes, oportunistas, arranjistas e medíocres esperando amoedar uns sestércios. O carácter deslavado da atividade política obriga a mais honesta das criaturas a trair, a desdizer-se, a gorar expectativas. Os grandes profissionais da política são, assim, excelentes traidores. Se as repercussões da traição política ultrapassam o patamar da lealdade para com os companheiros de ideal e passam para um nível superior de deslealdade para com o Estado e a sociedade, então a traição - se vitoriosa - passa a patriotismo. Fazer fé comum com o inimigo, abrir-lhe as portas, deixá-lo tomar a nossa fortaleza, pode transformar a mais abjecta figura num patriota. De exemplos como este está a nossa história cheia ! Acode-me à memória o pobre feitor do latifúndio siciliano do Leopardo. Continuava fiel aos Bourbons, à monarquia de direito divino. Esquecera-se que a nova Itália era Liberal e maçónica. O seu senhor, cioso das vastas propriedade e de um nome de família lembrou-lhe que “os tempos eram outros e que agora o rei estava no norte”. É a traição política em todo o esplendor. Miguel Castelo Branco é articulista e morador de Lisboa, Portugal. CIDADE, Agosto de 2007


Faleceu aos 74 anos de idade, vítima de um câncer de próstata, o mergulhador cabo-friense Gelson Francisco da Costa, conhecido como Gandola. O corpo foi velado no Clube Costa Azul, onde ele integrou a equipe de caça submarina nos anos 60. Gandola participou de competições internacionais na Europa e na América do Sul, representando o Brasil. Foi campeão mundial de caça submarina em 1974, no Chile.

Pedágio Via Lagos mais salgado

A quarta edição do Prêmio Cabo Frio de Comunicação vai distribuir mais de quarenta mil reais em prêmios aos profissionais de Comunicação que se destacaram com trabalhos abrangendo o tema: Cabo Frio: bom para viver, bom para visitar. De acordo com o regulamento disponível no site www.cabofrio.rj.gov.br, serão premiados profissionais nas categorias jornalismo impresso, fotojornalismo, radiojornalismo, video independente, internet, publicidade e também trabalhos experimentais de universitários. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de agosto.

A partir do dia 1º de agosto, o pedágio cobrado pela Concessionária Via Lagos fica mais caro. Nos dias úteis, o valor passa de R$ 7,50 para R$ 8,00 e, nos finais de semana e feriados nacionais, a tarifa passa de R$ 11,50 para R$ 12,30. No ano passado, a tarifa, nos dias úteis, passou de R$ 7,00 a R$ 7,50 e, nos finais de semana e feriados nacionais, de R$ 10,70 para o valor atual, R$ 11,50. O reajuste anual está previsto no contrato de concessão e foi aprovado no dia 10 de julho, em sessão regulatória do Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (AGETRANSP). O contrato está disponível ao internauta pelo site www.agetransp.rj.gov.br.

Auto-atendimento Já estão funcionando, na Secretaria Municipal de Fazenda de Cabo Frio, dois terminais de autoatendimento, onde os contribuintes podem acompanhar processos em andamento e verificar débitos relativos a IPTU, Imposto Sobre Serviços (ISS) e dívida ativa, bem como emitir guias de pagamento. O novo serviço entrou em operação no início de Julho. Para operar os “totens”, como estão sendo chamados os terminais eletrônicos, o contribuinte deve usar como senha seu número de inscrição municipal.

Conselho de Segurança de Cabo Frio tem nova diretoria

Trégua Depois de dois meses paralizados, os funcionários do Ministério da Cultura, onde estão lotados os profissionais do Iphan, entre outros, decidiram fazer uma pausa na movimento. Os grevistas retornaram ao trabalho no dia 30 de agosto, para abrir negociações com o Governo, que se recusava a conversar com a categoria em greve.

A eleição se deu no dia 25 de julho de 2007, na OAB de Cabo Frio, tendo sido eleita por aclamação a chapa única inscrita para disputar o pleito. Presidente : Flavio Fontani Vice-presidente: Anselmo Rodrigues 1º secretário: José Maria 2º secretário: Edmar de Almeida Teixeira Diretor Social: Patrícia Moraes Cardinot Conselho de Ética: Nilson Carmo de Almeida, Ricardo Gomes de Carvalho e José Teixeira da Silva

CIDADE, Agosto de 2007

Vem aí a Av Litorânea O projeto de estender a Av do Contorno até a estrada de Arraial do Cabo, criando uma nova avenida, onde o setor hoteleiro poderá se priviligiar com um gabarito de até 12 andares, está prestes a se tornar realidade. A obra , embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Fevereiro deste ano, poderá ser retomada, uma vez que as exigências quanto às questões urbanisticas foram atendidas, segundo o Iphan. Faltando apenas resolver as questões de recomposição paisagística.

Divulgação

Gandola

40 mil em prêmios para a Comunicação

PapiPress

Marconi Castro

Resumo

Parada gay quer voltar para as ruas As disputas no movimento gay de Cabo Frio, hoje dividido entre os Grupos “Iguais” e Cabo Free”, levaram a prefeitura a criar uma comissão para realização da parada do Orgulho Gay deste ano. A Comissão, formada por duas pessoas de cada um dos grupos e por dois empresários do ramo, indicados pelas lideranças, tem a tarefa de encontrar um formato que agrade a ambas as correntes. A Parada, que acontecia na Praia do Forte, deverá voltar às ruas. O grupo “Iguais” liderado pela jornalista Renata Cristiane indicou a Rua Joaquim Nogueira como alternativa. A data prevista é o dia 09 de setembro. 49


G aleria

"Lembranças de um futuro próximo" - Óleo sobre tela

FESSAL Nasceu em Itaipava , distrito de Petrópolis, em 1985,onde iniciou seu interesse artístico após ver um desenho arquitetônico de uma simples casa. Residindo já na Região dos Lagos, teve um despertar ainda maior pela arte, ao perder seu polegar direito num acidente. Recebeu grandes ensinamentos do artista plástico Reinaldo Caó. Foi convidado aos 19 anos para sua primeira exposição individual, e atualmente, dá aulas de desenho, do clássico ao contemporâneo. Considerado um dos artistas mais promissores da Região, recentemente foi premiado no I Salão de Artes Plásticas de Cabo Frio, com a obra “Lembranças de um futuro próximo”


Agosto 2007  

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