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www.revistacidade.com.br Abril, 2007 Número 12

Búzios na raia Na Seletiva Pré Olímpica 2007 de Búzios, desabafos e consciência ambiental dos que precisam da natureza para dar continuidade ao esporte da Vela

São Pedro da Aldeia

9 Começou a corrida Oito nomes estão na disputa para saber quem será candidato a prefeito em São Pedro da Aldeia

13 Cabo Frio promove acessibilidade Turismo

15 Alta estação o ano inteiro Cabo Frio investe para diminuir a diferença entre verão e inverno

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Arraial do Cabo

18 Sucupira Fluminense Disputas pessoais, mandos, desmandos e denúncias marcam a história política de Arraial do Cabo Cabo Frio

Política Fala Governador “Quero ser lembrado como alguém que melhorou a saúde, a educação e a segurança da população”

21 Desenhista da natureza Artesão transforma plantas em arte nas ruas de Cabo Frio

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Meio Ambiente Embargado Construção da Avenida Litorânea, em Cabo Frio, sofre embargo do IPHAN

24 Arte solidária Artistas doam obras para primeiro Leilão Beneficente de Artes e Antiguidades Armação dos Búzios

25 Pedido embargo do Breezes 38 Petrobras e presidente da Ompetro reunidos São Pedro da Aldeia 40 Uma nova Câmara em São Pedro Novo presidente decreta corte nos gastos para alcançar economia de mais de 50%

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Cultura A vida pelos livros

Tamoios 44 Rumo à Independência? Apresentado na Alerj Projeto de Lei pedindo a emancipação de Tamoios, Segundo Distrito de Cabo Frio Capa: Alessandro Pascolato - Classe STAR 5º colocado na Seletiva Pré-Olímpica 2007 Foto de Majo / Filmers 9900

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CIDADE, Abril de 2007

Responsabilidade Social Esperança na ponta dos pés Alunos do Balé na Comunidade se equilibram para driblar a falta de oportunidades e realizar seus sonhos

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Marcos da Rocha Mendes

O candidato é Marquinho Mendes, com o apoio de Alair Correa

Marconi Castro

Niete Martinez

eu nome é Marcos da Rocha Mendes, mas todos o chamam de Marquinho Mendes. Filho do ex-funcionário da Álcalis, Wilson Mendes, político de grande tradição e prestígio na cidade de Cabo frio e um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), no ano de 1945. Marquinho entrou para a política sob influência do pai, que concorreu, em 1962, à prefeitura de Cabo Frio, sendo derrotado, para mais tarde ser eleito deputado estadual. Médico ortopedista por formação, em 1992 foi eleito vereador em Cabo Frio pelo PDT, mas em 1996 mudou de partido para concorrer pelo PSDB, ao lado de Alair Corrêa, a vice-prefeito da cidade, por dois mandatos, até que em 2004 foi eleito prefeito da cidade, agora pelo PMDB. A experiência como médico o levou a adotar um olhar mais humanista sobre a administração pública. Bom ouvinte, gosta de distribuir responsabilidades e não centraliza decisões.

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Marcos da Rocha Mendes Prefeito de Cabo Frio

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TA Marcos da Rocha Mendes

Como está sendo administrar Cabo Frio, depois de 8 anos como vice. Ficou mais fácil? Eu me preparei para este momento. Eu iniciei a minha vida pública como todo mundo deveria iniciar. Comecei como vereador, fui presidente da Câmara, fui viceprefeito, fui deputado estadual e hoje eu sou prefeito. Todos esses cargos que eu exerci, que o povo me deu, eu digo que foi um aprendizado, para que eu pudesse chegar ao Executivo com experiência. E hoje eu me sinto com uma experiência muito grande, e é por essa razão que estamos fazendo o governo que estamos fazendo, com a aceitação popular, que as pesquisas têm demonstrado. Devido a essa experiência adquirida nesses anos no Legislativo e também do Executivo, como vice-prefeito, hoje nós temos um conhecimento muito grande da máquina administrativa Isso foi importante, mas quero afirmar que a avaliação positiva do meu governo não se deve só a isso. Eu quero deixar bem claro que nós temos uma equipe de trabalho, pois não se governa sozinho. Eu não conseguiria fazer nada sozinho. O senhor tem dois irmãos em cargos de decisão na prefeitura. Como é essa relação familiar dentro da administração pública? São dois excelentes secretários, como os demais. Eu acho que administrar é saber escolher, e nas pastas principais, nas secretarias que consideramos – não desmerecendo as demais, mas algumas têm maior importância que outras – nós escolhemos pessoas de nossa confiança total. Não significa que outras pessoas não o sejam. E nossos irmãos, e eu não me arrependo de tê-los nomeado, vêm desenvolvendo um excelente trabalho. Eu questiono, muitas vezes, a questão do nepotismo. As pessoas falam, colocar irmãos, primos. Eu sou a favor, desde que sejam pessoas de confiança e competentes, elas têm que participar. Assim, nós temos dois irmãos que participam ativamente do governo, são competentes e têm demonstrado isso no dia-a-dia Seu governo adotou postura diferente da antiga administração, dando mais ênfase ao cidadão do que a obras. Por quê? 6

Eu diria que a obra tem que existir, como está existindo. São obras em todos os lugares do município, em todos os bairros. Em dois anos nós já realizamos muito. Mas, o mais importante é que, primeiro, elas são realizadas com qualidade, e segundo, o cidadão precisa ser favorecido por elas, por isso é “a cidade para o cidadão”. Todas as ações têm que favorecer o cidadão, por isso colocamos esse slogan. O cidadão tem que ter prioridade não só nas obras, mas em todas as ações. Cabo Frio está vendo surgir nas ruas e praças uma nova identidade visual. Quem está pensando a nova estrutura urbana da cidade dentro da sua administração?

senvolvido os projetos que o prefeito encaminha de uma forma muito carinhosa, com muito amor. Eu cobro qualidade. Tem que ser! Eu cobro a qualidade e o desenvolvimento do projeto, e o tempero, eu digo que o tempero, para que as obras tenham a qualidade das que estamos realizando, não basta fazer a obra, tem que colocar o carinho e o amor. Esse é que é o tempero. Como o senhor vê a questão da preservação ambiental, com a chegada dos grandes empreendimentos, como a Reserva Peró. É possível preservar e crescer ao mesmo tempo? É possível, e nós vamos demonstrar isso. Estamos crescendo e, ao mesmo tempo, valorizando e preservando o meio ambiente. Nunca se investiu tanto em meio ambiente como estamos fazendo. A Reserva Peró é um mega empreendimento que será revolucionário na questão da geração de emprego e tenho certeza que vamos ter esse empreendimento sem agredir o meio ambiente. Então, é possível ter os grandes empreendimentos, preservando o meio ambiente. Ricardo Valle

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Eu me sentiria honrado em ter o apoio de Paulo César na minha candidatura A mudança não é apenas visual, mas também na forma de administrar. Eu faço uma administração democrática. Eu ouço. Não sou ditador e não sou dono da verdade. Eu divido responsabilidades e ouço. Ouço as Associações de Moradores, os secretários, as comunidades, os vereadores, e é dessa forma que estamos crescendo e fazendo uma administração diferente. Nós temos vários secretários, todos muito competentes. Essas pessoas têm deCIDADE, Abril de 2007

Qual a sua visão para a cidade de Cabo Frio? Fala-se em aumento de gabarito. Enquanto eu for prefeito não haverá alteração de gabarito. Para o futuro eu não posso responder. O fato da manutenção do gabarito já significa que nós queremos manter a cidade como ela é. A manutenção significa que queremos fazer com que a cidade cresça respeitando o que ela foi no passado. Então nós devemos manter o gabarito como está hoje por respeito à nossa cidade e seus moradores. Exceto no que diga respeito à rede hoteleira, que nós precisamos incentivar. Como fazer para melhorar a rede hoteleira e incentivar o turismo? As ações de turismo não são isoladas. Elas se completam. Não se pode ter um bom parque hoteleiro e não ter acesso à cidade, como também não adianta ter um excelente acesso sem um parque hoteleiro. Então as coisas têm que vir ao mesmo tempo. O que o governo tem feito é provocar um Turismo de qualidade no objetivo de atrair hotéis, investimentos. Porque nin-


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guém quer colocar um hotel numa cidade que não receba turistas para gastar. Haja vista o Club Méd que está vindo, e outros que virão. Então, nós pensamos em mudar isso trabalhando tudo ao mesmo tempo: acesso fácil, aeroporto, estrada, uma cidade limpa e organizada, um bom calendário de eventos e uma boa rede hoteleira. Como ficam as pequenas pousadas com a chegada dos grandes hotéis? Não há competição, eu não vejo assim. O mega hotel traz o seu turista, que nem sempre fica no dele. Numa cidade como Cabo Frio que vive de sol e mar, muito mais que de outra atração, tem espaço para todo empreendimento que seja qualificado, não precisa ser cinco estrelas, aliás nós até não buscamos isso. Um hotel de padrão médio, de padrão quatro estrelas, é um hotel que nos interessa muito. Mas há espaço para todo um mix de hotéis, porque Cabo Frio é uma cidade com vários atrativos, e tem promovido a busca de um Turismo qualificado. O que nós temos discutido muito, dentro da resposta conceitual de como nosso governo vê isso, é que nós entendemos o Turismo como uma atividade econômica, e sendo uma atividade econômica, nós queremos atrair pessoas que venham gastar dinheiro aqui, para gerar emprego aqui, para gerar renda para as pessoas que moram aqui. Essa é a nossa grande meta, e nós estamos conseguindo. Ambientalistas reclamam da pouca verba destinada para a secretaria de Meio Ambiente, apenas 500 mil para este ano. O que se pode fazer com esse valor? Nós temos feito muito pelo meio ambiente. Não é pouco dinheiro, essa verba é apenas para o funcionamento da secretaria. Os projetos são financiados pela secretaria de Obras. O exemplo maior é o Dor-

mitório das Garças. Só ali, foram gastos um milhão e trezentos mil reais.

Todas as escolas serão informatizadas neste ano de 2007

O senhor está satisfeito com o sistema escolar do município? Temos uma pesquisa do IBOPE , que pesquisou todo o setor educacional, uma pesquisa qualitativa, e detectamos que o ensino em nossa cidade é de ótima qualidade. Nós hoje damos uniforme, seguro escolar, transporte gratuito. E além da verba federal, ainda investimos para complementação da merenda escolar. O maior orçamento da prefeitura é a Educação. Oitenta milhões só na Educação. Nós construímos oito grandes novas escolas. Cada escola , um milhão e meio de reais.

Seu grupo político é o mesmo do deputado Alair Corrêa? Existe algum acordo formal para a próxima eleição, ou pode haver disputa entre o senhor e ele para saber quem é o candidato? Nosso grupo é o mesmo e nós temos um acordo em favor de Cabo Frio. O candidato sou eu, com o apoio do deputado Alair Corrêa. Alair vai ser meu cabo eleitoral, e nós vamos ser candidato a prefeito ano que vem, com o apoio de Alair, e vamos vencer a eleição.

E a informatização nas escolas? Todas as escolas serão informatizadas neste ano de 2007.

O deputado sempre afirma que o candidato será aquele que estiver melhor na pesquisa. O senhor confirma? Eu tenho certeza absoluta que o pre-

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TA Marcos da Rocha Mendes

feito Marquinho Mendes tem a prioridade na candidatura e está fazendo um excelente governo. O candidato é Marquinho Mendes, com o apoio de Alair Correa. Fala-se em um acordo entre o senhor e Paulo César da Guia, virtual candidato a prefeito nas próximas eleições. O que existe de verdade nisso? Eu me sentiria honrado em ter o apoio de Paulo César na minha candidatura, porque como eu, é um cabo-friense que quer o melhor para Cabo Frio e eu me sentiria muito honrado em ter o seu apoio na minha candidatura ano que vem. Torço muito para que isso aconteça.

Não só Cabo frio, mas todos os municípios que estão temporariamente contando com essa receita, precisam trabalhar para o futuro, e a prefeitura de Cabo Frio, está pensando nisso, investindo, gerando

Enquanto eu for prefeito não haverá alteração de gabarito PapiPress

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Áreas da Praia do Forte, sofrerem intervenção dos órgãos ambientais. Como o senhor vê a atuação desses órgãos, e o que vai acontecer nesses locais? As áreas estão cercadas e nós já estamos fazendo o replantio, na Duna já se vê o resultado. Ao lado, nós temos um grande projeto para aquela área do Lido, mas está parado. Museu, restaurante, praça, um mega-projeto. A Av. Litorânea é um projeto antigo que tem esbarrado justamente em questões ambientais. Seu governo pretende realizar a obra? Sim, mas está embargada pelo Iphan. Eu não diria que os ambientalistas estão engessando Cabo Frio, na realidade não estão colaborando. E eu preciso que eles pensem na nossa cidade, porque ninguém ama mais a cidade do que eu. Então, eu não vou fazer nada quer venha a prejudicar Cabo Frio. A prefeitura de Cabo Frio já está pensando no fim da receita gerada pelos royalteis do petróleo?

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Nós entendemos o Turismo como uma atividade econômica oportunidades de emprego. Estamos fazendo investimentos na estrutura turística. A gente não pode pensar em outra indústria que não seja o Turismo. Como atrair e manter grandes investidores preservando o meio ambiente? Tem dois tipos de investidor. O que vem para fazer um empreendimento e vai em-

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bora, e os que vêm para ficar. Esse investidor que vem para ficar, por exemplo, na área do aeroporto, são empresas que vão se desenvolver ali, que vão, não só gerar emprego, mas ficar aqui e, de repente, investir mais na cidade. E tem os investidores que são sazonais. O cara que vem, faz um empreendimento, acabou, vendeu e vai embora. Quanto à preservação, nós temos que nos preocupar, mas é preciso avaliar melhor essas questões. Nós temos, infelizmente, um aterro sanitário que já deveria estar pronto, e porque foi descoberta a possibilidade de existir um sítio arqueológico no local, em Campos Novos, está parado. Já estamos há três anos tentando encontrar outro lugar e não conseguimos. Eu acho que precisa haver uma avaliação do que é realmente um sítio arqueológico interessante, que mereça um estudo, um investimento. E outros que não tão nobres. Porque se você for procurar pela cidade sempre vai encontrar um osso de alguém que morreu há um trilhão de anos atrás, então fica difícil. Se cada caquinho de barro que encontrar, achar que é um vaso préhistórico, não vai mais ter lugar para construir. Diariamente pessoas formam filas na prefeitura a procura de emprego, como resolver isso? Infelizmente não podemos resolver o problema de todos. Cabo Frio é um imã de pobreza. É a capital da Região dos Lagos e para cá vem gente de todo lugar. Não temos condição de dar emprego para todo mundo. Só vamos atender esse povo, criando desenvolvimento na área de Turismo, que é a melhor forma de criar emprego em Cabo Frio. Não existe outra saída. Não é uma solução rápida, é uma solução lenta, mas é a única solução.


Celso Gabriel

São Pedro da Aldeia

Vista áera do centro de São Pedro da Aldeia / RJ

COMEÇOU A CORRIDA Renato Silveira Fotos Cesar Valente á três eleições consecutivas (1996, 2000 e 2004) a população de São Pedro da Aldeia assiste a uma disputa eleitoral polarizada entre o atual chefe do Executivo Paulo Lobo e o ex-prefeito Carlindo Filho. Esse embate, no entanto, após a reeleição de Paulo Lobo, não se repetirá em 2008, abrindo, pela primeira vez, em mais de dez anos, um leque de opções ao eleitor aldeense. Até agora, já são oito précandidatos, sendo que alguns admitem abrir mão de suas candidaturas em prol de outro mais bem colocado nas pesquisas, caso de Carlindo e do também ex-prefeito Iédio Rosa.

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Oito nomes estão na disputa para saber quem será candidato a prefeito em São Pedro da Aldeia

O desgaste natural de mais de seis anos no poder da atual administração, somado ao fato de ser bastante conhecido da população, vem fazendo com que Carlindo Filho, o Carlindinho (sem partido) como é conhecido na cidade, largue na frente nas pesquisas internas (não registradas). O exprefeito encara o fato com naturalidade, e afirma que seu maior trunfo é a maturidade. “Levando em conta que administrei São Pedro (Carlindo foi prefeito entre 1996 e 2000) com um orçamento de R$ 12 milhões e hoje a cidade conta com quase R$ 80 milhões, posso dizer que não houve a tal falta de sucesso apregoada pelos meus adversários. Cometi erros, como todo mundo, mas agora estou mais maduro e pronto CIDADE, Abril de 2007

pra voltar a administrar a minha cidade, priorizando o desenvolvimento econômico, social, cultural e político”, afirmou, lembrando que terá no deputado federal Alair Corrêa e no governador Sérgio Cabral Filho, bons aliados. Mas a candidatura de Carlindo pode balançar diante de um acordo com o exprefeito e ex-deputado Iédio Rosa (também sem partido). Ambos vêm afirmando que abrem mão de suas candidaturas em nome do outro, caso não estejam bem nas pesquisas. Iédio afirma que lançou sua pré-candidatura por estar decepcionado com Paulo Lobo, a quem apoiou na última eleição, e que até há bem pouco tempo, vinha participando das reuniões políticas de seu gru9


São Pedro da Aldeia

Carlindo Filho Carlindinho

Cometi erros, como todo mundo, mas agora estou mais maduro e pronto pra voltar a administrar a minha cidade

Francisco Marcos Moreira Pinto Marquinho da Trecu’s

Nossas prioridades são o funcionalismo público, a Saúde e a Educação

po. Para ele, o atual prefeito jogava para a platéia quando falava das dívidas herdadas do governo Carlindo, pois realizou muito mais no primeiro mandato que no segundo. “Dá pra concluir que quem deixou dívidas foi ele para ele mesmo. O cara tem medo de abrir o hospital, que já está pronto, não valoriza o servidor, parece que tem medo de administrar. O servidor será, com certeza, minha prioridade”, disse ele. Candidata pela terceira vez ao governo municipal, Sandra Coelho, a Sandra de Badú (também sem partido), aposta na sensibilidade feminina para disputar a eleição. Acostumada a fazer campanhas sem muitos recursos, acredita que a criatividade resolve os problemas financeiros, tanto da cidade quanto da disputa eleitoral. 10

Cláudio Vasque Chumbinho

Sou um nome da nova geração e minha candidatura está aí para ficar

“A mulher é mãe, e só ela tem a capacidade de administrar a cidade com o cuidado que ela merece. A questão social aqui é complicada, o povo precisa de Saúde, Educação, transporte coletivo, estamos sem ônibus ainda, precisamos resgatar nossos valores culturais, o turismo de qualidade”, aflige-se.

Disputa pelo apoio do prefeito Na complicada disputa interna para saber quem será o candidato apoiado pelo atual prefeito, o vice nos dois mandatos de Paulo Lobo, Edmilson Bittencourt (PMDB), acredita ser o mais capacitado devido à sua larga experiência no Legislativo e Executivo. “Fui vereador por três mandatos, viceprefeito em dois, mas não é só isso. Posso CIDADE, Abril de 2007

Hildegardo Milagres

Acho que a cidade precisa de um choque de gestão, e estou pronto para esse desafio

afirmar, sem medo de errar, que fui o vice que mais trabalhou na história de São Pedro da Aldeia. Além disso, tenho excelentes relacionamentos nos Governos Federal e Estadual. Acho que com isso me credencio para ser um bom prefeito para minha cidade”, acredita. O atual presidente da Câmara Aldeense, Cláudio Vasque Chumbinho (PSDB), mais conhecido pelo último sobrenome, embora esteja na linha dos aliados do prefeito, afirma que sua candidatura é irreversível, e que poderá sim, ser a terceira via sonhada por uma boa parte dos eleitores. “Já estou com meu grupo organizando a campanha, com diversas reuniões acontecendo quinzenalmente. Em pouco tempo, já recebi o prêmio da Fundação Juscelino Kubistchek como o vereador mais atu-


Iédio Rosa

O cara tem medo de abrir o hospital, que já está pronto, não valoriza o servidor, parece que tem medo de administrar

Edmilson Bittencourt

Posso afirmar, sem medo de errar, que fui o vice que mais trabalhou na história de São Pedro da Aldeia

ante do município, e na presidência da Câmara, diminuí uma série de gastos, o que já pode ser sentidos por todos. Sou um nome da nova geração e minha candidatura está aí para ficar”, aposta. Outro nome bastante cogitado para a próxima eleição é o do ex-secretário de Obras Hildegardo Milagres (PMDB). Sua experiência em sucessivas administrações, como a dos ex-prefeitos Dárcio Leão, Iédio Rosa, do atual Paulo Lobo e dois mandatos como vereador, segundo ele, são seus trunfos na disputa eleitoral. “É claro que gostaria do apoio do governo, mas minha candidatura independe disso. Tenho certeza de que sou tecnicamente o mais bem preparado, conheço os problemas e as virtudes de São Pedro como ninguém. Acho que a cidade precisa de um

Edmundo Ramos

Sandra Coelho Sandra de Badú

A mulher é mãe, e só ela tem a capacidade de administrar a cidade com o cuidado que ela merece

choque de gestão, e estou pronto para esse desafio”, afirmou. O ex-presidente da Câmara, Francisco Marcos Moreira Pinto (PSB), o Marquinho da Trecu’s aposta na boa votação nas últimas eleições, quando candidatou-se a uma vaga na Assembléia Legislativa e obteve 20% dos votos válidos em São Pedro da Aldeia, para obter a vaga de candidato com apoio governamental. Mas afirma também não abrir mão de sua candidatura. “Tenho chances reais de vitória, a última eleição e as pesquisas mostram isso. Vamos em breve começar as reuniões de trabalho, que terão o nome “São Pedro é nosso”, onde lançaremos a plataforma para governar São Pedro. Nossas prioridades são o funcionalismo público, a Saúde e a Educação”, garante. CIDADE, Abril de 2007

Tenho vontade de ser prefeito de São Pedro, cidade onde nasci

O ex-secretário de Saúde Edmundo Ramos (PT), embora na oposição, também pleiteia sua candidatura. Sua situação jurídica é complicada, pois é primo de primeiro grau do prefeito, e a Lei da Reeleição prevê impedimento neste caso. A situação está sendo discutida no partido. “A situação jurídica quem vai resolver é a Justiça. Caso não possa mesmo ser candidato, estamos discutindo o nome de Josué Lima, uma liderança do Bairro São João, e eu seria seu vice. O fato é que tenho vontade de ser prefeito de São Pedro, cidade onde nasci, trabalhei como médico, fui vereador, secretário de Saúde, e tenho projetos democráticos para a melhoria da qualidade de vida da população” declara. 11


São Pedro da Aldeia Marconi Castro

Paulo Lobo ainda indeciso

Estamos aguardando um consenso entre os pré-candidatos para uma definição que possa reunir as forças progressistas

Prefeito Paulo Lobo prefeito Paulo Lobo Ainda não decidiu a quem dar apoio na eleição de 2008. Com uma série de précandidatos e alguns trunfos na maga, o ex-prefeito falou com exclusividade à CIDADE sobre eleição, apoios e outros temas.

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O senhor anunciou que após o carnaval se pronunciaria sobre candidatura à sucessão. Alguma decisão nesse sentido? Ainda não. Estamos aguardando um consenso entre os pré-candidatos para uma definição que possa reunir as forças progressistas de São Pedro da Aldeia. Uma vez estabelecido o consenso, o candidato escolhido terá todo o apoio do grupo para iniciar sua caminhada. Embora não haja pesquisas divulgadas, sabemos que há um favoritismo do nome do ex-prefeito Carlindo Filho, um notório adversário político do seu grupo. Alguma estratégia para mudar esse quadro? Como aconteceu na última eleição, nosso povo saberá avaliar as propostas e projetos para São Pedro da Aldeia. Quem conhece o candidato da oposição já viu esse filme e sabe bem título: “O seu passado condena”. Não foi por acaso que uma pes12

quisa da Revista Isto É, em 2000, indicou o ex-prefeito como o segundo pior prefeito do Estado do Rio de Janeiro. O ex-prefeito Iédio Rosa está anunciando alinhamento com Carlindo. Houve alguma espécie de rompimento com ele? Nas reuniões do grupo, Iédio sempre foi considerado um pré-candidato com ótimas chances. Suas declarações na imprensa, de que ele prefere ser um secretário de Carlindo, nos surpreendeu. A opção foi muito precoce e uma decisão exclusiva dele. Há um desgaste natural de sua administração após mais de 6 anos de mandato. Como pretende reverter esse quadro até 2008? Estamos definindo os últimos projetos para iniciarmos a divulgação de nossas ações. São Pedro é quase tão grande quanto Cabo Frio, tem a metade da população e um orçamento sete vezes menor, por conta dos royalties de Petróleo. Não sobra quase nada para investir em propaganda, porém, obras não faltam para mostrar à população. Em breve, faremos ações de conscientização e divulgação desse trabalho que a prefeitura realiza fazendo uma São Pedro da Aldeia cada dia melhor. CIDADE, Abril de 2007


INBOX Secom / Cabo Frio

Cabo Frio promove acessibilidade omo parte da Campanha Municipal de Acessibilidade, que tem o objetivo dar visibilidade à causa da pessoa portadora de deficiência na sociedade em geral, a prefeitura de Cabo Frio através das secretarias de Educação, Promoção Social e Saúde, realizou, no dia 21 de março, no Teatro Municipal,a palestra “Acessibilidade aos Espaços Urbanos e Arquitetônicos”. Participou como palestrante Regina Cohen, que é arquiteta, cadeirante, doutora em Psicologia de Comunidade e Ecologia Social e coordenadora do Núcleo Pró-Acesso da UFRJ. Também falou sobre o assunto a professora Cristiane Rose de Siqueira Duarte – arquiteta e doutora em Geografia pela UFRJ. Regina Cohen conheceu os principais espaços públicos de Cabo Frio, entre eles o píer de passageiros de transatlânticos e a sede da Prefeitura, onde foi instalado recentemente um elevador exclusivo para pessoas com deficiências. Regina Cohen é considerada uma das maiores referências nacionais sobre o assunto, tendo regressado recentemente de uma temporada de 20 dias nos EUA ministrando palestras sobre o tema. A Associação de Arquitetos e Engenheiros de Cabo Frio, a Associação Comercial, a

Dr Antônio Pedro, Professora Cristiane Rose, Dr José Roberto Rocha, Regina Cohen e Paulo Massa

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Associação dos Construtores e o Sindicato dos Comerciantes estiveram presentes ao evento. Segundo os especialistas, “O que caracteriza uma pessoa com deficiência não é a falta de visão, de audição, de um braço ou de uma perna ou uma estrutura mental dife-

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rente, nem somente falhas no andar ou no ficar de pé que se traduzem em dificuldades. A pessoa com deficiência também é aquela que se encontra desarmada diante de situações da vida cotidiana” . Secom / Cabo Frio

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Cartas www.revistacidade.com.br Abril, 2007

ATENDE OS REQUISITOS CITADOS EM meu texto /“Só chefes, nenhum índio”/, publicado nesta revista na edição de fevereiro, tendo um secretário-excutivo vitalício, o Dr. Firmino, rapaz competente e esforçado, mas que, na entrevista, por telefone, repete o que vem dizendo há uns 10 anos. O Consórcio é algo esquisito, nem legal nem legítimo, situando-se entre os poderes municipal e estadual, não previsto na Constituição. Ao descrevê-lo como um grupo(?), ONG(?), seja lá o que for, que \“Cumpre o seu papel ao conseguir articular e fazer com que as instituições encarregadas apliquem recursos integrando os projetos em prol de um resultado comum, sem que qualquer desses recursos tenha que passar pelo Consórcio\”, infere-se que essa articulação envolve os poderes executivo e legislativo municipais, órgãos estaduais e federais. É poderoso. Ernesto Lindgren (Palmeiras - Cabo Frio/RJ)

Publicação Mensal NSMartinez Editora ME CNPJ: 08.409.118/0001-80 Redação e Administração Praia das Palmeiras, nº 22 Palmeiras – Cabo Frio – RJ CEP: 28.912-015 cidade@revistacidade.com.br Diretora Responsável Niete Martinez niete@revistacidade.com.br Editor de Texto Gustavo Mahedra gustavomahedra@terra.com.br Reportagens Cristiane Zotich Graciele Soares Juliana Vieira Renato Silveira Cristiane Oliveira Octávio Perelló Fotografias Cesar Valente Filmers 9900 Marconi Castro PapiPress Colunista Octávio Perelló Produção Gráfica Alexandre da Silva alecabofrio@oi.com.br Comercial Patrícia Cardinot Tel: (22) 9815-3518 paticardinot@ig.com.br Armação dos Búzios Ângela Barroso Tels: (22) 2620-8960 / 9221-3718 angelabarroso743@hotmail.com Impressão Ediouro Gráfica e Editora S.A Tiragem 5.000 exemplares Distribuição Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Macaé, Rio de Janeiro e Brasília. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. 14

NO DIA 29 DE MARÇO, AQUI, NA IGREja Brasileira, Diocese de Cabo Frio como sede e na Região dos Lagos, como forum de reconhecimento, vamos realizar o 1º Encontro Interdiocesano, bispos e padres da Região Sudeste, do Brasil, tratando, setorizadamente, da releitura dos estatuto da Igreja Brasileira, face o XIX Concílio Nacional, em Brasília, no mês de junho de 2007. Razão pela qual, precisamos de mostrar um jornal de vanguarda desta cidade, e já que sou seu leitor e simpatizante, para tal, precisamos de 30 exemplares, como brinde, para assim divulgar esta visão e perspectiva da região. Paz e Bem! Dom Alvaro Rosa (Bispo de Cabo Frio da ICAB - 17 Municípios Fluminenses) AO CONHECER A REVISTA CIDADE, pude constatar que vocês estão fazendo um trabalho de muita competência e profissionalismo. Sou Bibliotecária do CEM Professora Marli Capp em Cabo Frio, que recebe este exemplar e gostaria de parabenizá-los por essa diagramação com conteúdos tão importantes preoculpados em esclarecer o que o público precisa saber. Beatriz Vasconcellos (Bia Designer biavasconcellosr@hotmail.com)

PARABÉNS A TODOS QUE PARTICIPAM da organização dessa maravilhosa revista. As matérias são excelentes e tudo na revista é de muito bom gosto. Tenho grande interesse de morar em Cabo Frio e trabalhar com vocês. Então tomei a liberdade de enviar o meu currículo, já visto que estou terminando o meu curso de comunicação Social (Jornalismo) em junho. Um abraço a vocês. Agnaldo Silva (por e-mail) COMO A REVISTA CIDADE SEMPRE tem matérias educativas e tem ajudado muita gente com os trabalhos na escola, eu queria sugerir fazer uma sobre a história do sal aqui na Região dos Lagos. Como foi que começou tudo e porque está acabando. Jefferson Valentim (estudante - por e-mail) MORO EM JUIZ DE FORA E COMPREI a Revista Cidade aí em Cabo Frio. Gostei demais das matérias e vou fazer uma assinatura para sempre ficar sabendo das novidades. Por que vocês não fazem uma reportagem com as pessoas de Juiz de Fora que passam as férias e feriados aí em Cabo Frio? Já tem bastante gente que conhece a revista e todo mundo vai adorar. Parabéns e continuem assim para sempre! Joana Pimenta (Prefessora - Juiz de Fora/MG)

Cartas para o Editor Praia das Palmeiras, 22 - Palmeiras, Cabo Frio/RJ - Cep: 28.912-015 E-mail:cartas@revistacidade.com.br CIDADE, Abril de 2007


Turismo

Alta estação o ano inteiro Cabo Frio investe para diminuir a diferença entre verão e inverno

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ficialmente o verão terminou no último dia vinte de março, mas na prática, pelo menos em Cabo Frio, comerciantes afirmam: não existe mais diferença entre a baixa e alta temporada. Segundo eles, os investimentos feitos no setor de Turismo têm diminuído a diferença entre as temporadas, levando tranqüilidade aos empresários da cidade, que agora conseguem lucrar o ano inteiro. Presidente da Associação Comercial de Cabo Frio, Adelício José dos Santos informou que nos últimos anos o movimento na baixa estação melhorou bastante. “Março sempre foi um mês muito fraco, mas hoje temos um movimento ótimo. Tenho notado que, nos fins de semana, restaurantes estão lotados, com filas na porta. Isso porque o longo período entre os verões está diminuindo, sendo amenizado”, explica. O secretário de Turismo, Gustavo Beranger também pensa o mesmo. “Realmente não existe mais essa diferença porque estamos trabalhando nosso calendário de eventos de outra maneira. No primeiro semestre temos vários eventos, e estamos definindo o mês de maio como o Mês da Terceira Idade. No segundo semestre já temos eventos consagrados como a Festa Portuguesa, o Festival Internacional de Dança e a partir deste ano, a Mostra de Filmes”. Para Gustavo, a diversificação das atividades apresentadas no calendário contribuem para que Cabo Frio seja uma cidade com movimento durante todo o ano, e não mais apenas no verão. “Não temos como acabar totalmente com esta diferença, mas ela pode e está diminuindo”. Como exemplo, ele citou a Disney. “Nos meses de junho, junho e agosto, que é verão nos Estados Unidos, a Disney está lotada, com filas quilométricas, mas nas outras épocas do ano o movimento continua existindo, mas em proporções bem menores”.

Na carona do aeroporto Ainda segundo o secretário de Turismo, “além do novo calendário de eventos, Cabo Frio vai diminuir ainda mais essa diferença entre baixa e alta temporada com a reinauguração do Aeroporto, prevista para o final de março”. Gustavo lembra que a ampliação da pista permitirá novos vôos, que diminuirão distâncias hoje consideradas grandes porque só podem ser feitas de carro ou ônibus. “Quem mora em Brasília ou São Paulo, por exemplo, não pode vir a Cabo Frio num fim de semana porque se perde muito tempo de carro ou ônibus. Com o Aeroporto essa distância diminui muito. Em uma hora, quem mora em São Paulo estará aqui, e em uma hora e meia quem mora em Brasília. Então, isso nos permitirá diminuir, ainda mais, essa diferença entre baixa e alta temporada, porque a cidade terá visitantes o ano todo”. Marconi Castro

Cristiane Zotich

GUSTAVO BERANGER Secretário de Turismo de Cabo Frio

Não temos como acabar totalmente com esta diferença, mas ela pode e está diminuindo CIDADE, Abril de 2007

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Divulgação

Política

Governador Sérgio Cabral Filho

FALA GOVERNADOR “Quero ser lembrado como alguém que melhorou a saúde, a educação e a segurança da população” Juliana Vieira os 43 anos Sérgio Cabral Filho é eleito Governador do Estado do Rio de Janeiro com 5.129.064 votos. Sua história na política começou cedo quando em 1982 assumiu o posto de articulador da campanha de seu pai, o também jornalista Sérgio Cabral, que disputava uma vaga na Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro. Cinco anos depois ocupou o primeiro posto na vida pública, o de diretor de operações da TurisRio, a companhia de turismo do Governo do Estado. Em 1990, quando tinha apenas 27 anos, Sérgio Cabral Filho disputou sua primeira eleição e se tornou deputado estadual pelo PSDB com 12 mil votos. Em 1994 foi reeleito, desta vez com 168 mil votos. O trabalho na ALERJ - Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - se transformou na melhor vitrine para Cabral que no mesmo ano foi eleito presidente da ALERJ pela primeira vez.

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Em 1996, disputou a Prefeitura da capital, mas foi derrotado no segundo turno por Luiz Paulo Conde, seu atual secretário de Cultura. Quatro anos mais tarde, já em 1998, ele é reeleito deputado estadual e conquista também o título de maior votação de um deputado estadual desde 1975 com nada mais, nada menos que 380 mil votos. Na época ficou conhecido também como o político mais votado do Brasil. Mais uma vez se manteve no cargo mais poderoso da Assembléia Legislativa que é a presidência. Do Palácio Tiradentes - sede da ALERJ - ele seguiu para o Senado Federal em Brasília quando em 2002 foi eleito senador da República pelo Estado do Rio de Janeiro superando por cerca de um milhão de votos o então senador Marcelo Crivella. Casado com a advogada Adriana Ancelmo e pai de cinco filhos, o governador Sérgio Cabral Filho conversou com CIDADE em sua residência oficial, o Palácio Laranjeiras, e falou sobre a presença de municípios fluminenses na lista dos mais violentos do Brasil, sobre drogas e sobre os desejos para o futuro.

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Botelho

Recentemente foi divulgada uma lista dos 50 municípios mais violentos do Brasil para jovens de 15 a 24 anos, como o senhor avalia a presença de cidades fluminenses neste mapa da violência? Este é um tema que vem preocupando o Governo desde o primeiro dia de trabalho. Nós temos que fazer ações permanentes e o que são ações permanentes? É a construção de delegacias dignas e o aumento do efetivo nas ruas. Macaé, por exemplo, viveu momentos de terror devido à violência. O que a população macaense pode esperar de ação do Governo Estadual? Infelizmente nos últimos anos o Governo do Estado e a Prefeitura de Macaé não se falaram, mas isso acabou. Estamos em diálogo permanente para melhorar a qualidade de vida de uma cidade tão importante como Macaé. O acontecimento (referindose à Operação Morpheu da Polícia Federal em Macaé) foi muito positivo porque nós acabamos com um laboratório de cocaína. Eu posso garantir, sem maiores detalhes que faremos operações muito importantes em Macaé. A população macaense conta com o Governo do Estado, nós vamos trabalhar em conjunto. Estamos a apenas dois meses no governo e infelizmente este é um problema que vem se avolumando nos últimos anos, mas nós vamos resolver. Eu posso dar garantia à população que nós vamos resolver este problema em Macaé. Um assunto que vem causando muita polêmica foi a sua declaração em relação às drogas leves, o senhor acredita que com a legalização da maconha a violência possa diminuir? Este não é um assunto apenas do Rio de Janeiro e nem do Brasil. O que eu fiz como homem público Qualquer policial foi provocar um debate para a gente fazer uma análienvolvido com ilegalidade se. Eu, por exemplo, sou pai e como pai, não quero e com criminosos será que um filho meu use drogas. O que eu quero é que a banido e será processado população, sobretudo as autoridades até internaciopara ser preso porque é nais, comecem a fazer uma reflexão se está valendo bandido também a pena esse grau de proibição porque o que isso provoca é a luta pela venda. Se houvesse junto da proibição o final do consumo, maravilha, mas não é versos será banido e será processado para ser preso porque é bandidade. Proíbe-se o consumo de drogas mas infelizmente ainda há do também. Nós temos é que prestigiar os bons policiais que é a um grande contingente de pessoas que mesmo sabendo que as grande maioria da corporação, tanto na polícia civil quanto na drogas matam, elas continuam querendo usar. Nos Estados Unipolícia militar. A grande maioria é de gente séria, de gente hodos, na década de 30, proibiram o consumo de álcool porque o nesta, de gente trabalhadora que quer fazer o bem para a comuálcool também mata, o álcool também é uma droga . Os amerinidade. Aquele que não presta tem que ser afastado da polícia e canos dizem que o que aconteceu foi a criação do Al Capone, responder criminalmente por isso. das máfias, da corrupção na polícia, da morte de pessoas inocentes. Então o fato é que nós temos que discutir isso mas não só os Que mensagem o senhor deixaria, neste momento, para os políticos, as autoridades da ciência, da saúde, da psiquiatria, da cidadãos do interior do Estado do Rio de Janeiro? Em especial para neurologia. Discutir esse assunto e verificar uma solução porque Macaé, apontada como uma das cidades mais violentas do país? esse modelo que os Estados Unidos lideram, da proibição absoQue a partir do nosso governo Macaé tem governo . Um goluta, tem matado milhões de pessoas a bala. Por exemplo, no Rio verno parceiro, um governo amigo que vai trabalhar em conjunde Janeiro o consumo de drogas pesadas matou 585 pessoas no to . Nós vamos trabalhar juntos, é como se diz, a solução é muita ano passado e no entanto a briga pelo comércio da droga, que transpiração para que a gente possa ter um bom resultado. envolve a compra de armas clandestinas, mata milhares de joComo o senhor deseja ser lembrado ao fim do seu mandato como vens no Rio de Janeiro. Governador do Estado do Rio de Janeiro? Como alguém que melhorou a saúde, a educação e a seguMas o Rio de Janeiro também está muito associado à participação rança da população. Eu acho que esses são os três princípios de policiais no tráfico. básicos do poder público para fazer o bem da população. Qualquer policial envolvido com ilegalidade e com criminoCIDADE, Abril de 2007

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Marconi Castro

PRAINHA Arraial do Cabo / RJ

SUCUPIRA FLUMINENSE S

e o escritor Dias Gomes ainda fosse vivo, certamente criaria uma novela inspirada na história política de Arraial do Cabo. Autor de um clássico da teledramaturgia – O Bem Amado (1973) -, ele narrava a estória de uma cidade fictícia do interior da Bahia (Sucupira) onde o prefeito (Odorico Paraguaçu) fazia de tudo para inaugurar o cemitério municipal. Em Arraial, Dias contaria outra versão: a história real de um decreto assinado pelo prefeito Henrique Melman (PDT), em 2006, que proibia qualquer tipo de morte na cidade por falta de vaga no cemitério. O curioso documento ainda determinava pagamento de multa a quem desobedecesse à lei. Além disso, o enredo dessa nova Sucupira da Região dos Lagos, emancipada de Cabo Frio em 1985, e com população esti18

mada em 26.842 habitantes (IBGE/2006), seria recheado de muitas intrigas e confusões, com direito à escândalos e ocorrências policiais; acusações de pedofilia contra funcionários do governo, e até mesmo armações políticas para antecipar a eleição da nova presidência da Câmara numa tentativa frustrada de garantir a cassação do prefeito. E a partir daí, a confusão é cada vez maior. Tudo o que qualquer pessoa pode achar impossível de acontecer num cenário político, acontece em Arraial do Cabo. A mais recente confusão aconteceu quando o prefeito Henrique Melman (PDT), anunciou que precisaria se ausentar da cidade por alguns dias para tratamento de saúde nos Estados Unidos. Sem vice-prefeito desde que José Bonifácio deixou o governo para ficar alguns meses na Assembléia Legislativa, assumindo uma vaga de suplente, Melman não teve outra opção a não ser CIDADE, Abril de 2007

Piolho contesta

Mas, Piolho tem apresentado outra versão dos fatos na imprensa. “Não demiti ninguém. Foram os funcionários públicos que pediram exoneração num total de dezessete secretários e quase trezentos cargos comissionados”. Segundo ele, apenas o secretário de Fazenda e o responsável pelo setor de Informática foram demitidos “porque não quiseram passar para a nova administração a senha que dá acesso às informações oficiais da Prefeitura nos computadores”. Em todas as entrevistas que concedeu, Piolho considerou estranho, ainda, o fato de “ninguém ter pedido exoneração no Porto do Forno, porque lá está a galinha de ovos de ouro”. Com a exoneração dos secretários e cargos comissionados, Piolho teria anunciado aumento salarial de dez por cento para os servidores do município. “Sem esses cargos, sobrará dinheiro em caixa para conceder este aumento”, defendeu. Mas o prefeito Henrique Melman deu outra versão. Segundo ele, “não houve sobra nenhuma de dinheiro porque ele gastou mais de cem mil reais em eventos, e o rombo só não foi maior porque voltei antes do tempo: meu retorno estava previsto para o dia 20 de março, mas cheguei na cidade no dia 5”. Melman ainda acusa Piolho de ter desperdiçado dinheiro público. “Foram gastos com propaganda e esporte, além de ter

Disputas pessoais, mandos, desmandos e denúncias marcam a história política de Arraial do Cabo Cristiane Zotich

entregar a cidade nas mãos de Walter Félix Cardoso Júnior (sem partido), o Piolho, vereador que até meados do ano era da bancada do governo, mas mudou de lado, segundo colegas do Legislativo, através de uma manobra para garantir a cadeira de presidente da Câmara. Quando se ausentou da cidade, no dia dezesseis de fevereiro, Henrique Melman tinha no governo duzentos e vinte cargos comissionados. “Mas todos, sem exceção, foram demitidos cinco dias depois pelo então prefeito Piolho, durante ponto facultativo na cidade. Todos pensavam que retornariam aos seus setores no dia vinte e seis, mas foram pegos de surpresa”, comentou o prefeito cabista.


HENRIQUE MELMAN

Em apenas 15 dias, voltamos atrás em dois anos Marconi Castro

praticamente dobrado o pagamento da firma que recolhe o lixo na cidade. Em apenas 15 dias, voltamos atrás em dois anos”. Com o retorno de Melman, todos os cargos nomeados por Piolho foram exonerados, e os secretários que haviam deixado a prefeitura junto com os funcionários comissionados ligados ao governo, foram renomeados. Outro escândalo que surgiu através do episódio, foi a denúncia feita por Piolho a respeito da falta da merenda escolar, que não estaria sendo entregue pelos fornecedores. “A merenda foi licitada e comprada em três estabelecimentos comerciais. Os fornecedores confirmaram que foram proibidos de fornecer alimentos para as escolas até o dia vinte de março”, afirmou. Mas para Melman, isso não passa de mais uma armação do presidente da Câmara. “Essa pessoa conseguiu, em quinze dias, fazer uma calamidade na cidade. Nunca, em seis anos de governo, faltou merenda nas escolas de Arraial, e tenho documentos que comprovam isso”. Apesar de toda essa confusão, Melman, que deve se ausentar novamente do governo apenas daqui a um ano e meio para realização de novos exames médicos, diz que não pretende tomar nenhuma medida legal contra o vereador, “mas vou comunicar ao Tribunal de Contas todas essas irregularidades praticadas por ele. O que aconteceu serviu para mostrar ao povo de Arraial o que será a cidade se na próxima eleição derem a vitória para Andinho, primo de Piolho, e verdadeiro prefeito por trás das cortinas durante este curto período”. Advogado do prefeito Henrique Melman, Sérgio Luis da Silva Santos, disse que ainda é muito cedo para saber se será necessário adotar qualquer tipo de medida legal contra o presidente da Câmara cabista. “Estamos em fase de verificação dos fatos para saber se ele, de fato, fez alguma

Arquivo

Arraial do Cabo

WALTER FÉLIX CARDOSO JÚNIOR PIOLHO

Os fornecedores confirmaram que foram proibidos de fornecer alimentos para as escolas até o dia vinte de março

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coisa que mereça atuação jurídica. Temos que agir com bastante cautela”, comentou. Sérgio informou que a secretaria de Fazenda já iniciou um levantamento minucioso de todos os gastos realizados na cidade durante a curta passagem de Piolho pelo governo. “Com relação ao aumento salarial anunciado por ele, não temos nada a fazer porque, de fato, ele não aconteceu: ficou só no alarde. Sobre o pagamento da empresa de lixo, recebemos duas faturas: uma no valor normal de R$ 49 mil e outra de R$ 42 mil, que embora tenha sido atestada pelo então secretário de Obras e Serviços Públicos de Piolho, o senhor Jamil, não foi paga, e não será, até que seja comprovado se houve algum tipo de trabalho extra que justifique esse pagamento”. Outro ponto que, segundo Sérgio Luis, está sendo analisado, são os gastos de Piolho com publicidade. “Todas essas denúncias que o então prefeito apresentou na televisão também foram encaminhadas por ele ao Ministério Público, que instaurou inquérito administrativo. Já tive um primeiro contato com o promotor Murilo Bustamante, que está investigando tudo: tanto Melman como Piolho, porque a administração pública é uma só. O que ele quer saber é se houve algum abuso por parte de Melman, ou excesso no alardeio por parte do Piolho. Se a Justiça entender que houve excessos por parte do presidente da Câmara, acredito que ele seja obrigado, sim, a devolver aos cofres o dinheiro gasto com essa publicidade, que ainda não sabemos quanto custou aos cofres públicos”. Se tudo der certo, Sérgio Luis acredita que em trinta dias o Ministério Público se pronuncie sobre o caso. O advogado de Piolho, identificado apenas como Sérgio, também foi insistentemente procurado pela reportagem de CIDADE, mas não foi localizado.

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Cabo Frio

Desenhista da natureza

Artesão transforma plantas em arte nas ruas de Cabo Frio Cristiane Zotich Quem visita hoje a Praia do Forte e compara com fotos de tempos atrás, vai notar que alguma coisa está diferente na paisagem. Ela está mais verde. Plantas nativas da região como jacarés, agaves, ipoméias, saião, babosa, bromélias entre outras, dão um novo colorido a um dos principais cartões postais da cidade.

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GLAUCO BRASIL

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Cabo Frio

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existentes na região, pau-brasil, ipês amarelos e brancos, algodão da restinga e mais um monte de espécies nativas”.

Em defesa das amendoeiras Outro projeto parecido desenvolvido por Glauco, através da Secaf, foi o jardim que até pouco tempo existia em frente à Auto Viação 1001, na Avenida Teixeira e Souza. “Quando a secretaria de Planejamento começou a executar a obra de urbanização da Avenida Júlia Kubitschek, não

sam problemas. As raízes também são grandes, e quebram as calçadas e prejudicam toda a parte de drenagem, que teve que ser refeita nesta obra de urbanização do local”. Mas nenhum desses argumentos apresentados parece convencer Glauco de que a retirada dessas árvores foi a solução ideal. “As amendoeiras podem ser podadas para que não fiquem com a raiz tão grande. É como se fosse um bonsai. Não era preciso destruí-las. E as folhas são excelente como adubo. Toda hora passa o pessoal da varrição e cata as folhas. Elas podem ser reaproveitadas. Só espero que no lugar dessas amendoeiras sejam colocadas plantas nativas como Ipês, por exemplo”. Marconi Castro

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responsável por isso é o artesão Glauco Brasil. Amante da natureza, Glauco é funcionário da Secaf, uma autarquia do governo de Cabo Frio, e atua no setor de Parques e Jardins. Além de fazer belas gravuras em couro, ele também é um exímio desenhista da natureza. Glauco é paulista de nascimento - “nasci em Presidente Prudente” -, e há trinta e cinco anos atua como profissional na área de artesanato, fazendo pirogravura (desenhos em couro). Ele é fundador da Feira Hippie de Ipanema (1968), e descobriu a paixão pelo paisagismo quando morou numa colônia japonesa, em São Paulo, aos doze anos de idade. “Na verdade descobri o artesanato e o paisagismo ao mesmo tempo. Minha mãe dava aulas de Português para os Nisseis (filhos de japoneses), e com isso vivi muito do cotidiano deles. Aprendi a arte deles, a cultivar plantas, fazer bonsais e iquebanas, e também jardins”. Nos anos setenta, Glauco descobriu Cabo Frio, e caminhando pela cidade fez dois grandes amigos: Antonio Gastão e Teodoro. Com os dois, o paisagista descobriu a riqueza da cidade. “Teodoro vendia orquídeas na feira onde funciona hoje a feirinha hippie, na Praia do Forte. E com ele conheci as restingas de Cabo Frio, lugares onde havia cobras, brejos, nascentes de água”. Nesses passeios com Teodoro, Glauco também conheceu árvores nativas da região. “Pegávamos sementes e jogávamos pelos cantos fazendo mudas de cambuínha, guriri , um tipo de palmeira que dá fruto e que tem em grande quantidade na estrada para Arraial do Cabo”, conta. No ano de 1996 Glauco Brasil foi chamado pelo então prefeito Alair Corrêa para trabalhar com paisagismo. “No primeiro ano de governo tivemos muito trabalho para limpar a cidade, os terrenos baldios, tudo. Só depois começamos a plantar. E eu era muito amigo de Márcio (Corrêa, filho de Alair, morto em acidente de carro há quase três anos), que me pedia para colocar na cidade plantas que atraíssem passarinhos, como uma forma de homenagear o avô dele, Zé Curica, pai de Juseth Corrêa, mulher de Alair. E aí criamos o projeto do trevo da Joaquim Nogueira com tudo o que existe na restinga: cambuínha, bajuru, araçá, aroeira, pitanga, pitanga baia, gabiroba, todos os oito tipos de bromélias

Nova cara para a Litorânea

GLAUCO BRASIL

As amendoeiras podem ser podadas para que não fiquem com a raiz tão grande. É como se fosse um bonsai sei por que mandaram retirar o projeto paisagístico do local. Então fui lá com minha equipe e retirei mais de 300 plantas, uma delas que foi plantada a pedido de Carlos Alberto Galvão – o Catuca – como homenagem à Victorino Carriço: um bouganville roxo que nunca deixou de florir. O restante foi plantado por mim e Zé Curica em homenagem à Teodoro”. Glauco também afirmou não entender o motivo que levou à secretaria de Planejamento de Cabo Frio a retirar as amendoeiras que ficavam no canteiro central desta mesma avenida. Segundo o secretário de Obras, Carlos Santana, as árvores foram retiradas porque prejudicavam a drenagem. “As amendoeiras dão sombra muito boa, mas não são ideais para área urbana. Quando as folhas caem, por serem muito grandes, elas vedam os ralos e cauCIDADE, Abril de 2007

O mais recente projeto desenvolvido por Glauco através do setor de Parques e Jardins, é o paisagismo da Avenida Litorânea. “Estamos com 95% do projeto pronto. Algumas plantas que foram retiradas do canteiro em frente a 1001 foram levadas para a Litorânea”. Segundo Glauco, no local está sendo feito trabalho de recuperação externa de um quilômetro de dunas com mais de 35 mil mudas diversas. “São lantanas, bouganvilles, bromélias, ipoméias, cactos, jacarés, pau-brasil, ipês...” Aliás, o investimento em arborização é um trabalho que Glauco faz questão de destacar no governo municipal. “Quando se plantam essas espécies nativas, se resgata a história da cidade. O guriri, por exemplo, nós comemos apenas a carne externa. Mas os sambaquianos (pessoas que viveram no litoral há mais de cinco mil anos) quebravam a casca e também comiam o fruto de dentro”. Desde o governo Alair Corrêa, o paisagista lembra que foram plantadas em Cabo Frio “mais de um milhão de mudas por toda a cidade. Está tudo documentado pela Rede Globo, Rede Record, TV Cultura, que acompanharam muitos desses trabalhos desenvolvidos na cidade. No Morro do Telégrafo foram mais de 30 mil mudas que já começam a florescer. No Jardim Excelsior plantamos muitos ipês e íris de restinga. A secretaria de Meio Ambiente também está começando a trabalhar voltada para isso. Então, a política de arborização da cidade caminha na direção certa, dentro do possível”.


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Praia do Forte: em busca do verde e da sombra

Amendoeiras da praça da rodoviária em Cabo Frio. Sombra generosa e podas inteligentes

Av Júlia Kubitscheck: opção por paisagismo que não privilegia áreas de sombra CIDADE, Abril de 2007

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Artistas doam obras para primeiro Leilão Beneficente de Artes e Antiguidades Octavio Perelló novar é uma constante atitude nas artes. Não fugindo à regra, vinte artistas doaram obras para o 1º. Leilão de Artes e Antiguidades de Cabo Frio, evento de caráter filantrópico, beneficente ao projeto OMDA – Obra Missionária de Apoio. O leilão será realizado na Charitas – Casa de Cultura José de Dome, no dia 26 de abril, às 19 horas. Para a ocasião virá, como voluntário, um renomado leiloeiro do Rio de Janeiro. A intenção do evento é arrecadar fundos para ajudar na construção da sede do OMDA na Estrada Velha de Búzios, onde serão oferecidos, entre outras atividades, cursos profissionalizantes para jovens carentes, em especial os oriundos da Creche Tia Maria. No dia 25 de abril o público já poderá conhecer as obras em exposição no

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Charitas. Os artistas participantes são Ivan Morini, Gladis Reveillou, Regina Dutra, Dora Portugal, Virgílio Castro, Tereza Mac Leon, Carlos Mendonça, Tiíta Machado, Foureaux e Cássia, Josafá, Lair Gago (in memoriam), Jorge Cerqueira, Roberto Pessôa, Mauro Guedes, Jurandir, Paulo Pley, Paula Zibemberg, Beth Michel, Vinícius Santiago, Maria Bandeira, que doaram pinturas e esculturas de sua safra. Peças de antiguidades, como mobiliário e objetos de decoração, também foram doados. A classe artística tem tradição em apoio a causas importantes. O genial pintor espanhol Pablo Picasso marcou a década de 1940 com a pomba branca que ilustrava o layout da Campanha pela Paz. Em Cabo Frio, Carlos Scliar, outro genial pintor que participou de ações semelhantes em vários continentes, dedicou-se a ajudar movimentos sociais que se preocupavam com a preservação do patrimônio cultural e ambiental.

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Arte solidária

LÉLIA PARANHOS Coordenadora do Projeto ONDA O Leilão de Artes e Antiguidades beneficente ao Projeto OMDA conta com o empenho das coordenadoras Lélia Paranhos e Lílian Campos e de personalidades como Marina Massari, Joelma Fidalgo, Nilza Michelot, Ligia Calvo, Gustavo Machado, entre outros. Com preocupações humanitárias em suas atividades, o Projeto OMDA contabiliza inúmeras ações em prol das comunidades carentes da região, levando apoio a muitas famílias.


Obras em ritmo acelerado

Armaçãodos Búzios

Pedido embargo do Breezes Niete Martinez Fotos PapiPress Ministério Público (MP) Tutela Coletiva Núcleo de Cabo Frio ajuizou ação civil pública contra a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), a Plarcon Engenharia S.A e outros proprietários de unidades do loteamento Nova Geribá, situado em Tucuns, Búzios. Os promotores de Justiça, Murilo Bustamante e Denise da Silva Vidal pedem a imediata paralisação das obras e vendas do empreendimento SuperClubs Breezes, além da proibição do início de obras nos demais lotes do empreendimento. Com base em informações e dados apurados em 1999 e 2006, os promotores concluíram que as licenças ambientais foram concedidas irregularmente pela Feema. Segundo o MP, a Feema não atendeu a determinação legal que exige a preservação permanente da vegetação de restinga fixadora de dunas, assim como os princípios básicos de responsabilidade ambiental. A anulação dos atos de concessão das licenças de instalação no loteamento inviabilizaria, assim, a implantação de outros empreendimentos em seus respectivos lotes, incluindo-se aí o lote destinado ao resort Super Clubs Breezes Búzios, que se encontra em fase de instalação. Segundo os promotores, o fato do órgão ambiental não ter levado em consideração a caracterização ambiental do local

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durante o processo de licenciamento, assim como a ausência de explicação para isso, justificam a anulação das licenças. A ação inclui, além da Feema e da Plarcon Engenharia, o Município de Búzios, as empresas Sernambiguara Imóveis Ltda, Marsol Empreendimentos E Participações S.A, Dumila Empreendimentos e Participações Ltda., Quinze De Maio Incorporação Imobiliária Ltda., San José Imobiliá-

da obra. O magistrado foi acompanhado por engenheiros que esclareceram as diversas indagações acerca do funcionamento do canteiro de obras, e dos processos de preservação da vegetação nativa existente no local. Os construtores afirmaram ao Juiz que área próxima às dunas, hoje cercada e já em processo de construção, já estava extremamente degrada, e que o acesso à praia não está sendo impedido, por que as cercas instaladas no local são de fácil remoção.

FEEMA notifica empreendimento

Ambientalistas instalaram placas para proteger as dunas ria Ltda., e as pessoas físicas de Miguel Alberto Goldin, José Antônio Verbicário Carim, Ângela Avellar Coelho de Souza, Maria Cristina Pinto Filipecki, Eduardo Seabra Fagundes, Humberto Grangeiro Schmidt, Miriam Fernandez Diniz, Afonso Eurico Kuernez, Ricardo Barcellos Sobral e Roberto Zanotta.

Juiz visita canteiro de obras O Juiz da Comarca de Búzios, João Carlos Corrêa, fez uma visita às obras do empreendimento, percorrendo toda a área CIDADE, Abril de 2007

A Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente notificou a empresa Marsol Empreendimentos e Participações S.A, responsável pela construção da obra por descumprimento da restrição 25 da Licença de Instalação – LI Nº FE011386. De acordo com o o agente regional da Feema na Baixada Litorânea, Carlos Alberto Muniz, a construtora responsável pela obra não teria enviado a licença de instalação do chamado bota-fora, que são os entulhos e areia retirados durante a construção. Carlos Alberto Muniz explicou que os construtores aterraram uma pequena lagoa que ficava nos fundos do empreendimento, colocando os entulhos e areia no local. Segundo Muniz, os lençóis freáticos existentes na área podem ser prejudicados por esta ação. O não cumprimento da determinação, pode resultar em multas e até mesmo no embargo do empreendimento. 25


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Búzios sedia a Seletiva Pré Olímpica 2007

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Na Seletiva Pré Olímpica 2007 de Búzios, desabafos e consciência ambiental dos que precisam da natureza para dar continuidade ao esporte da Vela Cristiane Oliveira Fotos Filmers 9900 / Majo or possuir as mesmas características de Cascais, em Portugal, a Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM) escolheu o Centro Olímpico de Vela do Iate Clube de Armação dos Búzios (ICAB), para sediar a Seletiva Pré Olímpica de 2007. Com ventos leste/nordeste, com média geral de 15 nós, e média de pico entre 18 e 20, 56 barcos e 75 velejadores competiram entre os dias 04 e 09 de março em busca de uma vaga na Equipe Permanente de Vela Olímpica (EPVO), a verdadeira seleção brasileira de Vela, que conta com o apoio financeiro e institucional da FBVM. Os primeiros colocados representarão, em julho, o Brasil no Campeonato Mundial da ISAF (Internacional Sailing Federation) em Portugal, garantindo a participação dos membros natos da EPVO, nas classes Star e Laser, medalhistas de ouro nos últimos Jogos de Atenas. Todas as regatas previstas no Aviso de Regata foram realizadas para as classes olímpicas: Star (M), Tornado (aberto), Finn (aberto), Laser Standard (M), Laser Radial (F), 470 (M e F), 49er (aberto), RS;X (M e F). O campeonato apresentou um alto nível técnico, aliado às condições perfeitas de ventos e ondas, que Búzios sempre tem a oferecer. A nata dos velejadores brasileiros esteve presente e a única ausência foi do medalhista Torben Grael, que por estar fazendo campanha em Valência, na Espanha, para a America´s Cup, não pôde fazer dupla com seu proeiro Marcelo Ferreira. Mas o Brasil não tem apenas um mago na Classe Star. Temos também, Alan Adler, campeão mundial e diretor da Vela Brasil que, com Marcelo Ferreira, elevou o nível da disputa ao máximo e só engrandeceu a vitória incontestável da dupla Robert Scheidt e Bruno Prada. Além de Robert e Bruno, outros velejadores também dominaram de forma irrefutável as suas classes e garantiram suas vagas na EPVO. Adriana Kostiw no Laser Radial, Fernanda Oliveira e Isabel Swan no 470 feminino, Alexandre Paradeda e Bernardo Arndt no 470 masculino e Patrícia Castro no RS:X feminino, foram quase perfeitos. No entanto, só um velejador venceu todas as 11 regatas da série, Ricardo Winicki – o Bimba - no RS:X. Bimba estava inspirado e velejando no quintal de sua casa mostrou que, quando reclamou do equipamento no Pré Pan do Rio, não foi desculpa para sua classificação. Na flotilha de altíssimo nível que contou com seu forte concorrente, Paulo Reis de Ilhabela, Dulter Manhães e Albert Carvalho de Búzios e, ainda, mais sete velejadores estrangeiros de peso, Bimba simplesmente arrasou. Na Laser Standard, Bruno Fontes garantiu sua vaga na EPVO mesmo chegando em 2º lugar geral, pois dos 15 barcos que competiram nesta classe, 5 eram de estrangeiros e o sueco Arvid Claeson venceu o campeonato, mas não levou a seletiva. João Signorini é o nosso representante no Finn e a dupla André Fonseca e Rodrigo Duarte, na radical classe 49er. A Classe Tornado, no velocíssimo multicasco, foi a mais emocionante e difícil decisão. A classificação da dupla Bruno Di Bernardi e André Chang chegou junto com a última rajada de vento. A diferença do somatório de pontos perdidos entre os dois primeiros lugares foi de apenas 1 ponto. 15 para os campeões Bruno e André e, 16 para a dupla vice-campeã Luiz Eduardo Adler e Bruno Bethlem.

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Preservar para velejar Reunidos mais uma vez em Búzios, os caciques da Vela mostram sua paixão pela cidade e também a preocupação com o crescimento acelerado e a falta de cuidado com o meio ambiente. Mas, quem conta para vocês como foi a Semana Seletiva Pré Olímpica de 2007, são cinco convidados muito especiais, que falaram com exclusividade para CIDADE. vamos dar um bordo juntos? Bons ventos! O anfitrião do evento, o Comodoro do ICAB, Alain Joullie desabafa O ICAB é um clube pequeno, exclusivamente de Vela. Acredito que, o único no Brasil, uma vez que todos os outros clubes, além da vela são também de Pesca e/ou de barco a motor. O ICAB tem sediado as competições mais importantes da Vela Brasileira e, como todo mundo sabe é o Centro Olímpico de Vela, por ser um local extraordinário e todos os eventos que acontecem aqui são fantásticos. Infelizmente nós não temos o apoio que deveríamos ter da Prefeitura e da Secretaria de Esportes. Talvez eles tenham outras prioridades mas, a meu ver a Vela é um fator importante para o turismo da cidade. Inclusive nós estamos com um grupo grande de velejadores estrangeiros, que estão aqui já há 20 dias treinando com seus técnicos, por causa das condições fantásticas de vento. A falta de apoio das autoridades da Prefeitura é muito grande. No ano passado tivemos o evento Match Race de J24 com recursos financeiros do Clube. Este ano de 2007, este mesmo evento está indo para Cabo Frio, com total apoio da Prefeitura de lá. Búzios está perdendo aquilo que já conquistou e as cidades vizinhas que, também possuem raias com condições favoráveis para sediar estes eventos e, além de tudo têm visão e acreditam que vale a pena investir no turismo esportivo estão acolhendo estes eventos, que estamos deixando de realizar por falta de apoio do Governo atual. Isto é triste! O ICAB durante todos estes anos foi o maior divulgador de Búzios e da melhor raia do Brasil para todo o mundo envolvido com a Vela. Se hoje, tanto os brasileiros quanto os estrangeiros reconhecem que somos a melhor raia do Brasil e uma das melhores do mundo falada por todos, isto se deve aos eventos realizados e sediados pelo ICAB.

Pedro Paulo Petersen – velejador, juiz de regata e presidente da Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro (FEVERJ) O evento aconteceu em excelentes condições tanto técnicas, quanto de ventos. Búzios continua a ser uma das melhores raias do mundo para se velejar. Os velejadores brasileiros são muito capazes e temos ótimos resultados conquistados no exterior. Nós da FEVERJ tentamos dar bastante apoio para os velejadores do Rio. Eu estou sempre presente nos eventos sediados aqui no ICAB e questiono a participação da Prefeitura de Búzios, tanto com apoio financeiro, quanto através da participação física. Estive durante todos esses dias de Seletiva e nenhuma autoridade local se fez presente. A gente sente falta, porque eu acompanho e vejo outras prefeituras da redondeza, como Cabo Frio e Rio das Ostras apoiando o esporte a Vela e se fazendo presente. Eu não sei quanto aos outros esportes, mas em relação a Vela a Prefeitura de Búzios não tem comparecido e gostaríamos que ela chegasse junto com a gente. Eu freqüento Búzios há 25 anos e a cidade se transformou muito. Antigamente quando estávamos velejando e olhávamos do mar para a terra apreciávamos o verde. Ultimamente, a gente vê que as casas estão invadindo as montanhas, principalmente ali, de João Fernandes até a Brava. Existe uma proliferação muito grande de residências, hotéis e pousadas. Eu vejo que a parte verde já sumiu muito. O Meio Ambiente precisa ser preservado.Eu sei que ainda existem problemas de saneamento básico e falta de água no verão. Não sei como é o tratamento de esgoto e eu fico preocupado com o desenvolvimento da cidade. Se não for bem planejada vai se tornar uma cidade grande e sem charme. 30

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Walter Bödenner, técnico de Vela da dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira nos Jogos Olímpicos de Atenas e, atual coordenador técnico de vela da FBVM A cidade de Búzios foi escolhida para sediar a Pré Olímpica, porque nós vamos no início de julho para Cascais onde serão selecionadas 75% das vagas para as olimpíadas. Búzios tem uma raia parecida com a raia de Cascais em termos de força de vento e tipo de mar.A semana aqui em Búzios foi maravilhosa. As frentes frias anunciadas não subiram e tivemos condições perfeitas e ideais para velejar. Na 4ª feira, dia 07/03 tivemos uma reunião com todos os velejadores e os pontos principais da reunião do CTV (Comitê Técnico de Vela), que é um órgão que assessora o presidente da FBVM, foram: a equipe olímpica, o programa de participação em eventos, o PanAmericano e sua formatação e, por último o assunto mais polêmico ou que todos esperavam mais foi sobre a seletiva para Pequim. Foi discutido abertamente a decisão sobre a Seletiva de 2008, que pode ser separada a Classe Star da Laser, para que o Robert Scheidt possa participar das duas seletivas nas duas classes. A primeira vez que vim para Búzios foi há 30 anos atrás e só existiam 4 casas na praia de Geribá.Búzios hoje é uma cidade que está crescendo sem parar e o desenvolvimento está chegando de forma muito rápida nos últimos anos. Como Búzios é uma península, se faz necessário ter cuidados redobrados para não desenvolver de forma predatória. É preciso ter uma boa infra-estrutura, com um bom planejamento e uma consciência ecológica sem agredir a parte física da cidade. Na nossa área, dos esportes náuticos, Búzios ainda continua a ser o paraíso para a Vela. O que vem mudando é o acesso para se chegar ao clube e ao mar. Como a população aumentou muito, são muitos os comércios, muitas construções novas, quebra-molas, muitos carros, engarrafamentos, desvios de trânsitos e com isso, a cidade fica mais complicada e perde o romantismo que tinha. Em termos de Vela o mar está aí, graças a Deus, ainda maravilhoso e sem poluição. Os estrangeiros que aqui estão velejando conosco, nos indagaram, por que Búzios não tem uma Semana como SPA, ou Hyéres, se tem todas as condições perfeitas para o sucesso do evento? Eu particularmente acho que falta um sincronismo maior entre ações governamentais, projetos de incentivo ao esporte, porque o turismo esportivo deixa um legado enorme para a cidade. O que eu não entendo é este turismo de navios que a cidade recebe. Ele vem fica algumas horas, não utiliza os restaurantes, as pousadas e vai embora e, como eles ancoram perto do ICAB, isso chama muito a atenção da gente. Na 4ª feira, tinham dois navios e um deles, por sua posição acabou nos obrigando a afastar a raia de competição e a colocação das bóias para mais longe. Eu fico imaginando o que deve acontecer com as redes dos pescadores e com o fundo do mar já que as praias do Canto e Armação onde eles ancoram deve ter aproximadamente uns 10m de profundidade e o calado destes navios deve ter mais ou menos 6 ou 7m, fora a questão do ferro quando bate no fundo e a corrente, que deve remover toda a vida marinha que lá existe. As grandes agências de turismo não estão preocupadas com o local. Quando aqui deixar de ser um paraíso eles vão descobrir outros locais para levar seus turistas. A idéia de “tudo” pelo desenvolvimento precisa ser repensada!

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Alexandre Paradeda (Xande), velejador da Classe 470, campeão da Seletiva de Búzios 2007 e participante das últimas duas olimpíadas – Sydney e Atenas Venho para Búzios com o maior prazer. Estive aqui durante toda a semana neste paraíso para velejar, com ondas, ventos excelentes, clima quente. Acho que todos esperavam encontrar essas condições. Fomos recepcionados com uma festa maravilhosa no Anexo Bar, no domingo, que passou a ser o nosso point de encontro durante toda a semana. Na quinta-feira, fomos todos para lá para comemorar as conquistas que realizamos e fomos recebidos com muita alegria e a balada foi ótima. A primeira vez que vim para Búzios foi em 1989 e de lá para cá a cidade mudou muito! Ficávamos sempre aqui na Vila dos Pescadores, perto do Clube, era tudo menor e mais simples. Hoje o que me chama muita atenção é a quantidade de carros circulando, de casas, de hotéis e novos empreendimentos que começam a sufocar Búzios. Se as autoridades não tomarem cuidado, essa cidade vai engolir este paraíso!

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EXCLUSIVO

Robert Scheidt, velejador,

MULTI-CAMPEÃO São tantos seus títulos que, se aqui forem descritos precisaremos de uma página inteira. Robert falou com exclusividade para CIDADE. Acompanhe a entrevista concedida à Cristiane Oliveira: Robert, fale sobre a sua decisão em sair da Classe Laser e passar para a Classe Star? “Eu que já vinha velejando de Laser há quinze anos, numa campanha muito intensa e já conquistei quase todos os objetivos que eu tracei para mim na Classe Laser chegou o momento da transição para outra Classe e, a Classe Star eu velejava ocasionalmente. Inclusive a minha estréia em campeonato na Star aconteceu aqui em Búzios em 1998. Então, paralelamente a Laser, eu vinha competindo na Star.Em 2006 eu optei em fazer a mudança e fazer a campanha toda na Europa de Star. Nos tivemos um ano muito bom. Fomos vice-campeões mundiais e vários resultados expressivos na Europa e a decisão foi natural, para tentar a vaga para as Olimpíadas de Pequim na Star. Na Classe Laser eu ainda competi este ano no Pré Pan-Americano e conquistei a vaga para o Pan do Rio. Eu ainda tenho motivação e vontade para ir defender o Brasil em busca de mais uma medalha. No entanto, o meu maior objetivo, o meu foco agora é me preparar bem para a Seletiva Pré Olímpica de 2008 e conquistar a vaga para ir defender o Brasil nas Olimpíadas de Pequim”. Como foi a escolha do seu timoneiro, o Bruno Prada, que velejava na Classe Finn? O Bruno acima de tudo é um grande amigo. Nós já competimos juntos desde garotos na Classe Optimist. Depois velejamos durante 15 anos, cada um na sua classe. Eu acho que ele tem um perfil para velejarmos juntos. Ele tem um biótipo certo para um proeiro de Star, é uma pessoa muito determinada e motivada e está afim de trabalhar duro. Como foi esta Seletiva em Búzios com a participação de sete barcos na Classe Star e você e o Bruno competindo diretamente contra os veteranos e campeões Alan Adler e Marcelo Ferreira? Nós viemos para Búzios sabendo que iríamos ter uma disputa muito acirrada principalmente contra o Alan e o Marcelo, porque é uma dupla muito experiente. Nos dois primeiros dias foi muito difícil e nós ficamos empatados e depois que o vento aumentou nós conseguimos vencer as regatas finais com uma boa margem e, isto mostra que estamos velejando em bom nível, porque superar uma dupla dessas não é fácil. Eu e o Bruno conquistamos muita confiança da maneira como velejamos aqui. As decisões tomadas pela CTV da FBVM em reunião na última 4ª feira, juntamente com todos os atletas das Classes Olímpicas foram favoráveis para você? Essa é uma situação bastante polêmica porque, se separam as eli32

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ROBERT SCHEIDT

É importante que as pessoas tenham consciência que um lugar assim, com essa natureza, precisa ter certos cuidados especiais


minatórias, obviamente as pessoas vão achar que foi para me dar uma chance, para eu me classificar para a Laser. Eu deixei bem claro para todos que o meu objetivo e campanha são para a Classe Star e eu não vou voltar atrás. Agora, se optarem por separar a eliminatória para poder eventualmente, se eu não me classificar na Star e poder pelo menos competir na Laser para tentar me classificar, eu acho que, para os Jogos Olímpicos o Brasil tem que mandar a sua melhor equipe. Se naquele momento eu for o melhor velejador eu vou, se não for eu não vou. A decisão eu deixei na mão deles. Para mim, se decidirem fazer tudo junto, eu nem penso mais nisso e faço a minha campanha pensando só na Star. Agora, se separarem obviamente, que, se eu não me classificar eu vou tentar na Laser. Você é um atleta exemplar, disciplinado, que cuida do seu corpo, mente e alimentação. Treina muito e tem o apelido de alemão nem tanto por ser louro e pela sua ascendência mas, mais por sua determinação. Em época de regata não sai para festas, dorme cedo e é um exemplo a ser seguido por nossas crianças. Como você vê a reação da “Família Vela” caso você venha se classificar em 2008 retirando a vaga dos bi-campeões olímpicos Torben e Marcelo, quando somente uma equipe pode ir disputar os Jogos Olímpicos? Eu vejo a Vela hoje como um esporte muito mais profissional e organizado. Na minha primeira olimpíada, em 1996, somente o Torben e o Lars viviam da Vela e eram profissionais. Hoje em dia, você vê muito mais velejadores vivendo da Vela, como o Bimba, o Xande, o André Fonseca, a Fernanda Oliveira, o Joca, a continuidade do Torben e do Marcelo Ferreira, o meu caso, tem muito mais gente hoje se dedicando muito para conquistar os objetivos e, isso é muito saudável! Lá fora os 20 melhores do mundo de cada Classe só fazem isso, só se dedicam ao esporte. Então, é importante que aqui no Brasil se crie essa estrutura, com velejadores profissionais, porque só assim teremos chances de disputar lá fora e conquistar medalhas para nosso país. Como você vê a intervenção do COB na FBVM? Eu acho que a mudança de gestão na FBVM foi um ótimo passo. A gestão antiga já estava há muito tempo na Federação. Não foi uma má gestão, mas chegou o tempo de mudar. O Lars e o Alan são pessoas corretas para estarem neste posto e eles vão acrescentar muito para a Vela nacional. Eu já senti nesta reunião que o diálogo entre os velejadores e os diretores da Federação foi muito franco e aberto e, eles são excelentes velejadores e conhecem o lado do atleta. A intervenção foi uma maneira de não respaldar a questão de dívidas da Federação. O COB felizmente aceitou essa intervenção e indicou o Carlos Luiz Martins, que foi presidente da Varig, pessoa de altíssimo nível e a gestão esportiva continua na mão de quem realmente entende que é o Lars Grael, o Alan Adler e o Walter Bödenner. Robert, me fale como você vê Búzios. Búzios para mim é um paraíso e um local que precisa ser muito bem cuidado e preservado. É importante que as pessoas tenham consciência que um lugar assim, com essa natureza, precisa ter certos cuidados especiais. Eu também tenho uma preocupação muito grande com Ilha Bela, que é um lugar que eu freqüento desde criança e, que tem uma natureza privilegiada como Búzios. Muitas vezes a gente vê que o turismo, o crescimento e o mercado imobiliário acabam prejudicando as questões ambientais dessas cidades. O crescimento e desenvolvimento de uma cidade são normais? Sim! Mas este crescimento deve ser muito bem pensado e planejado para não prejudicar a natureza e não deixar perder o que hoje ela tem de melhor! CIDADE, Abril de 2007

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Meio Ambiente

PARQUE DAS DUNAS Cabo Frio/RJ

Construção da Avenida Litorânea, em Niete Martinez / Fotos PapiPress

Planejada para ser a meca do novo setor hoteleiro que se pretende implantar em Cabo Frio, onde se prevê até o aumento de gabarito para doze andares, para atender e atrair o segmento, a Avenida Litorânea ainda não saiu do papel, e na sua primeira tentativa para isso, foi embargada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O traçado, que pretende ligar a Praia do Forte à RJ 140 (estrada para Arraial do Cabo), atravessa o Parque das Dunas, uma APP (Área de Preservação Permanente), que não pode sofrer intervenção, segundo legislação Federal.

anoel Vieira, chefe pelo Escritório Técnico do IPHAN em Cabo Frio explicou que a Avenbida será liberada tão logo sejam atendidas as exigências do Iphan e Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural). Acompanhe a entrevista concedida à CIDADE:

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MANOEL VIEIRA - Iphan Cabo Frio

O projeto da Av Litorânea deverá ser aprovado tão logo se cumpram as exigências recentemente apresentadas em conjunto com o INEPAC à Prefeitura Municipal

Por que a Avenida Litorânea foi embargada? No dia 15 fevereiro, a fiscalização do Escritório Técnico do IPHAN em Cabo Frio observou intervenções na Área Tombada da Praia do Forte, em área adjacente ao trecho da Rua 14 que se encontra com a RJ-140 (pista para Arraial do Cabo), tais como serviços de terraplanagem (promovidos por pá mecânica), lançamentos de materiais (areia, manilhas) por caminhões e acerto de terreno para instalação de meiofio. Todas estas intervenções se desenvolveram no interior da referida área tombada sem a anuência de qualquer dos órgãos competentes (IPHAN, IBAMA, INEPAC, Secretaria de Meio Ambiente), causando 34

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impactos paisagísticos e ambientais ao local. Os referidos órgãos foram informados e o INEPAC também expediu ofício à Prefeitura Municipal solicitando a paralisação dos serviços em execução. Elaboramos um relatório com registro fotográfico sobre a infração cometida, que disponibilizamos à revista e a todo o público interessado. Os serviços que seriam realizados unicamente na Rua 14 aconteceram quase que exclusivamente no interior da área tombada. Deixamos claro que obviamente nunca fomos desfavoráveis ao asfaltamento e saneamento da Rua 14, mas sim às atividades que estavam sendo desenvolvidos naquele trecho da área tombada da Praia do Forte, relativa ao Conjunto Paisagístico de Cabo Frio. Depois de estabelecermos um diálogo com a Prefeitura, ficou combinado que para a suspensão do embargo os limites da área tombada da Praia do Forte neste trecho deverão ser cercados para evitar novos óbices e que, de forma alguma, a área tom-


Canteiro de obras está paralizado

Cabo Frio, sofre embargo do IPHAN bada sofrerá novas intervenções sem a autorização dos órgãos competentes. O prefeito de Cabo Frio afirma que os ambientalistas não estão colaborando com a cidade, pois a Av. Litorânea será um enorme benefício e está parada por causa do Iphan. Como o Instituto vê essa afirmação? Primeiramente, cabe esclarecer que o IPHAN é um órgão do Governo Federal que protege o patrimônio nacional e, como tal, não pode ser considerado como ‘ambientalista’. Porém, em nada nos ofende tal afirmação, pois ambientalista significa aquele que se ocupa em preservar no presente os recursos naturais necessários para a garantia da sustentabilidade das gerações futuras, que é uma ocupação fundamental em qualquer tema atual. Sobre a Avenida Litorânea, a afirmação nos surpreende na medida em que o projeto deverá ser aprovado tão logo se cumpram as exigências recentemente apresentadas em conjunto com o INEPAC à Prefeitura Municipal. Segundo informações obtidas em recente reunião com a Secretária Rosane Vieira Vargas, da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, responsável pelo projeto, as modificações solicitadas para o cumprimento das exigências já estão sendo providenciadas. Fui pessoalmente àquela Secretaria e coloquei-me à disposição para colaborar no que for possível. Por outro lado, a Prefeitura não tem colaborado com o patrimônio na cidade. A

reparação dos danos causados à Capela de Nossa Senhora da Guia (que foi pintada com tinta plástica pela Prefeitura, quando deveria ter sido caiada) [1]; o restauro das pedras sulcadas do Morro da Guia (que sofreram aplicação de nata de cimento sobre a sua superfície e laterais pela Prefeitura)[2]; a remoção do mastro instalado ao lado da mesma Capela (que compromete a sua visibilidade)[3], o cumprimento do acordo de retirada das invasões de terras públicas ao redor do Convento de Nossa Senhora dos Anjos[4] e a elaboração do Plano Diretor da Praia do Forte (em atenção a Recomendação dos Ministérios Públicos) [5], já foram solicitados diversas vezes e nunca foram atendidos. Aproveito a oportunidade para informar que recebemos no dia 22 de março a denúncia de que um setor da Prefeitura pintou de branco o Marco Histórico da Sesmaria de São Bento, situado em frente ao Hotel Porto Veleiro. Quais as exigências o Instituto está fazendo para liberar a Avenida? O parecer conjunto do IPHAN e INEPAC possui algumas exigências, dentre as quais gostaria de destacar: Detalhamento das medidas preventivas e mitigadoras que serão adotadas para proteger a área tombada no período de preparação dos terrenos, terraplenagens, movimento de terras, remoção de vegetação, etc; Apresentação de projeto de recomposição paisagística da vegetação nativa, ao longo da faixa de areia, em toda extensão CIDADE, Abril de 2007

da avenida como prioridade à sua implantação; Definição de áreas de estacionamento para moradores e usuários junto aos lotes, considerando a facilitação do acesso aos moradores dos imóveis sem prejudicar o livre trânsito através da ampliação das calçadas junto aos lotes, sempre que possível; Apresentação do projeto executivo detalhado do traçado viário e da urbanização da avenida, com as respectivas intervenções (rampas, acessos, pontos de embarque e desembarque, tratamento paisagístico e equipamentos), devidamente especificadas e indicadas em planta arquitetônica, em escala adequada; Definição dos usos, destinações, equipamentos e tratamento paisagístico, com respectivos projetos detalhados das áreas criadas resultantes dos afastamentos do traçado existente; Modificação dos deques de acesso à orla marítima, evitando tráfego de veículos, e recomposição paisagística; Elaboração de Programa de fiscalização intensiva desse trecho da Praia do Forte. Remanejamento de praça projetada para a altura da Avenida Vereador Manuel Antunes para os terrenos remanescentes dos lotes cortados pela abertura da nova avenida, considerando previamente a transformação destes em áreas públicas. Toda a área de tutela dos órgãos de patrimônio atingida pelo projeto permanecerá tombada após a urbanização. 35


Cultura

Antonio Irivaldo Lira Pinto

A VIDA PELOS LIVROS Octavio Perelló Foto Marconi Castro udo começou com o cumprimento do destino comum a muitos nordestinos: mais um retirante, em busca de oportunidades, rumava em direção ao sudeste. O rapaz predestinado a ser garçom ou peão de obra sobreviveu como bibliopola, isto é, vendedor de livros. Figura constante nos agitos dos baixos Gávea e Leblon, no Rio de Janeiro, Antonio Irivaldo Lira Pinto se diferenciava dos conterrâneos circulando por todos os bares e restaurantes possíveis. Saldo das andanças: vendia cerca de trinta livros por noite, de autores importantes como Dante, Machado de Assis, Euclides da Cunha.

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A vida de comprador e revendedor de livros do sobralense teve início em 1982, ano em que chegou ao Rio, vindo de Fortaleza, e durou até 1989. No trajeto entre o Ceará e o Rio de Janeiro, Lira chegou a participar da Feira Nacional do Livro, em Vitória, Espírito Santo. Na efervescência da abertura democrática participou, dentre outros eventos literários, de alguns movimentos de poesia marginal. Segundo o próprio, o livro lhe foi uma oportunidade de vida.

Sina bate à porta principal e mantém outra aberta Ciente da equação do sonho com a realidade, a sina que tentara evitar se apresentou como sobrevida ao amante dos liCIDADE, Abril de 2007

vros que sempre fora. As experiências em bares e restaurantes cariocas levaram-no a Búzios em 1992 para trabalhar no restaurante Satyricom. E não é com menos interesse que Lira relata estes quinze anos como garçom e barman. “Tornei-me um profissional, preparo cento e trinta e cinco tipos de drinques.” – afirma com a mesma convicção dos trinta livros por noite. “O Pró Vida existe porque o trabalho de garçom bancava.” – garante. Seu depoimento sobre a lida atesta a objetividade a serviço do sonho. Poder sobreviver desta forma permitiu que acalentasse generosa bibliomania, ou seja, o gosto de acumular livros tinha o propósito de não querê-los somente para si, mas de idealizálos em bibliotecas que servissem a comu-


nidades sem acesso à leitura. Nascia a Associação Pró Vida, reconhecida como de utilidade pública municipal em 1999, que fomentou a criação de núcleos de bibliotecas em vários bairros de Búzios.

Números validam trajetória de sucesso Morador de José Gonçalves, bairro ainda com acentuadas características de recanto bucólico próximo ao mar, Lira está construindo há seis anos uma casa de trinta e nove metros quadrados. Vida modesta que por outro lado revela surpreendentes números alcançados quanto se trata de conquistas comunitárias. Os quarenta livros com que iniciou o projeto somam no atual acervo de dezenove mil. O registro de público não é nada normal considerando os parâmetros de interesse pela leitura e pesquisa: setenta e oito mil pessoas, das quais cinqüenta mil estudantes. Do embrião que fora encubado em vários endereços itinerantes ou provisórios resultam sete bibliotecas em funcionamento, distribuídas pelo município nos

bairros de Cem Braças, Centro, São José, José Gonçalves, Cruzeiro, Rasa e Vila Verde, além da participação na criação da biblioteca da Fundação Bem te Ver. Somente a biblioteca de Vila Verde, a sétima unidade do projeto, possui um acervo de mil e quinhentos livros. “O livro é um instrumento de abertura da consciência do ser humano”, conceitua como quem pronunciasse uma oração de agradecimento. O livro foi parceiro e deu uma nova realidade à vida de Lira. O livro tem sido a sua grande história de vida. O livro lhe deu oportunidades.

A oportunidade de tocar projetos Imbuída da intenção de estimular o hábito da leitura, a Associação Pró Vida esteve desde o início envolvida em vários projetos. Norteando-se pelo conceito “O mundo é do tamanho que a gente lê e sente”, não se rendeu às dificuldades, que sempre foram presentes. Entre os anos 2000 e 2004 sustentou firme o projeto Liberdade da Leitura, que aos sábados levava livros profissionalizan-

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tes e de literatura brasileira aos detentos do município. Lira não esconde o desejo de reativá-lo em breve. Para o final de março anuncia o projeto “Passa na praça que o livro te abraça”, com direito a tenda de leitura, luneta, painéis sobre a evolução do homem na terra, e que rodará em todas as praças, com o apoio das secretarias de Educação e Cultura. A prefeitura tem ajudado a Associação com a subvenção de dois mil reais, aprovada pela Câmara, e com vigência até 2009. O aporte financeiro se desdobra em informatização das bibliotecas e se complementa com a participação de seis estagiários que trabalham como instrutores de biblioteca. Convidado a assumir a superintendência de Cultura do município, Lira topou o desafio e hoje dá expediente cuidando destas e outras demandas, como ser responsável pela Feira de Artesanato da Praça Santos Dumont e elaborar o estatuto que regerá a Feira da Praça dos Ossos. Aliás, ossos do ofício que, seja qual for, parece não desviar Lira de dar a vida pelos livros.

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INBOX Divulgação Petrobras

Carlos Eugenio Melro Silva da Resurreição, gerente geral da Unidade de Negócio da Bacia de Campos, e o presidente da Ompetro, Armando Carneiro, prefeito de Quissamã

Petrobras e presidente da Ompetro reunidos gerente geral da Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Campos, UN-BC, Carlos Eugenio Melro Silva da Resurreição recebeu dia 23 de março o novo presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo, Ompetro, o prefeito de Quissamã, Armando Carneiro. O objetivo da reunião foi apresentar a nova gestão da Ompetro e tirar dúvidas quanto à produção de petróleo para os próximos anos. Um dos pontos abordados pelo novo presidente e acordado com a Petrobras foi o fornecimento do cronograma de paradas programadas de produção das unidades para as prefeituras da região, já que as manutenções em plataformas refletem na diminuição do repasse de royalties e participações especiais para as prefeituras.

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“Diante desse cronograma, poderemos nos planejar e administrar melhor os recursos”, disse Armando Carneiro. As previsões de produção para 2007 e para os próximos anos também foram assunto da pauta e a Petrobras se comprometeu a entregar para a Ompetro uma previsão do perfil de produção futura. O gerente geral animou os presentes: “Essa região ainda vai produzir muito petróleo. Nossos netos e bisnetos ainda vão ver a produção de petróleo na região”, afirmou. A Petrobras também se prontificou a organizar, em parceria com a Ompetro, palestras sobre a formação e exploração do petróleo na região nos municípios de abrangência da Bacia de Campos. Assessoria de imprensa Petrobrás UN-BC CIDADE, Abril de 2007


Gente Fotos: PapiPress

Aniversário Gastronômico As amigas Maryane Medeiros e Anita Mureb comemoraram o aniversário conjunto com um verdadeiro circuito gastronômico na casa de Maryane, nas Palmeiras. Churrasco, mocotó, caldo de feijão, frios, sanduíches, bolo. Tinha de tudo, bastava procurar pelo jardim.

Três mandamentos Amar a Deus sobre todas as coisas, ter e ser amigo, e ter confiança em si próprio. “São essas três coisas que mantém a dignidade de um homem”, diz Tia Maria, com a autoridade de quem dedica uma vida inteira à caridade e ao amor ao próximo.

Em forma O ex-deputado e ex-prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio, mostra a boa forma no calçadão da Praia das Palmeiras. Zézinho, como é chamado por todos, está sem mandato no momento, mas não fora da política. Trabalha, agora, pelo seu partido, o PDT.

Na fila do Rui A nomeação do vereador Rui Machado para o cargo de secretário de Integração Municipal criou um fato novo na sede da prefeitura de Cabo Frio: fila na porta do novo secretário. Segundo Rui, uma das suas funções “é fazer uma ponte entre o povo e o prefeito. As pessoas vêm aqui para falar com ele, mas às vezes ele está ocupado, e eu atendo”, explica. Daí, a fila. 39 CIDADE, Abril de 2007


São Pedro da Aldeia

Uma nova Câmara em São Pedro Novo presidente decreta corte nos gastos para alcançar economia de mais de 50%

Área externa da Câmara de Vereadores de São Pedro da Aldeia

Plenário da Câmara

Cristiane Zotich Fotos Cesar Valente Câmara de São Pedro da Aldeia mudou, e segundo os funcionários, para melhor. Desde primeiro janeiro a Casa está sob novo comando, do vereador Cláudio Vasques dos Santos, o Chumbinho (PSDB), que entrou para a política por mero acaso, mas hoje é considerado um dos políticos mais atuantes da cidade, segundo pesquisa da Fundação Juscelino Kubitschek, que o homenageou no último dia trinta com a comenda JK. Casado, pai de três filhos, aos trinta e três anos Chumbinho acumula uma curta trajetória política marcada pelo sucesso. “Sou técnico de informática por profissão, e cuidava desta parte na prefeitura até que um amigo me convidou para entrar para o PDT e concorrer como vereador, há dois anos, porque precisava formar legenda. Entrei, e fui eleito vereador com 1.188 votos, sendo o segundo mais votado da cidade”.

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Cláudio Vasques dos Santos Chumbinho

“A Casa tem funcionado numa harmonia muito boa” 40

CIDADE, Abril de 2007

Foram dois anos como vereador, até que ano passado foi eleito presidente da Casa, sucedendo o vereador Marquinho da Trecu’s. “Estamos há pouco tempo na presidência, mas buscamos fazer o possível para melhorar o funcionamento da Câmara”, garante ele, que já conseguiu promover economia de mais de cinqüenta por cento nos gastos internos.

Contenção de gastos Quando assumiu a Presidência, Chumbinho encontrou a conta de telefone no valor médio de cinco mil reais. “Decretamos corte geral. A Câmara possuía um plano empresa para celular de quatrocentos minutos. Aumentamos para oitocentos, bloqueamos todos os telefones internos, que não fazem mais ligação para celular. A última conta veio mil e oitocentos reais”. Com combustível o corte também foi grande. “Gastávamos cerca de cinco mil também. Hoje pagamos mil e trezentos reais, mas nossa meta é baixar esse valor ainda mais. A Câmara tem apenas um carro,


funcionado numa harmonia muito boa”. Com um orçamento de apenas R$ 241 mil, Chumbinho economiza para fazer novos investimentos. “Fizemos algumas melhorias na sala de telefonia, que está informatizada, mas ainda temos mais pra fazer. Queremos reformar a recepção, pintar a fachada da Câmara, criar nosso site e nossa Assessoria de Comunicação, uniformizar os funcionários e criar crachá de identificação para todos”.

Mudanças agradaram funcionários

que é a gás, por medida de economia. E as viagens nos fins de semana estão proibidas”. O único problema que está em pendência é a questão da conta de luz. “Existe um contrato assinado entre a Câmara e a Ampla que estipula um valor de consumo de energia. Se ultrapassarmos este valor, a

conta vem três vezes maior. Estamos estudando uma forma de contestar esse contrato, porque a conta, que normalmente viria no valor de três mil, está vindo com oito mil reais”. Chumbinho afirma que a Casa está funcionando plenamente. “Temos recebido apoio de todos os vereadores, e a Casa tem

CIDADE, Abril de 2007

As mudanças foram bem-vindas. Uma das funcionárias mais antigas da Câmara, Adriana Santos informou que muita coisa mudou. “Essa nova gestão está muito diferente das anteriores. A Casa está mais organizada, e ficou mais fácil trabalhar”, garantiu. Outra importante mudança feita nesta atual gestão foi a redução da margem de remanejamento do orçamento pela prefeitura, que antes era de cinqüenta por cento, e hoje é de quinze. “E fora o trabalho de presidente, também continuamos atuando como vereador. Este ano aprovamos dois projetos, a criação de rodízios para farmácias 24 horas e do crachá de identificação para todos os funcionários da Prefeitura aldeense, e solicitamos a reabertura do Procon na cidade”. Mas o maior desejo de Chumbinho, como presidente da Casa, “é ver a população participar das nossas sessões. Estamos sempre participando de reuniões em associações de moradores e outras entidades, mas falta a população e essas mesmas entidades participarem das sessões da Câmara, toda terça e quinta, a partir das dezesseis horas”, convidou Chumbinho, que atende no gabinete toda segunda, quarta e sexta.

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Marconi Castro

Esperança na ponta dos pés

Balé na Comunidade em apresentação durante o Festival do Camarão

Alunos do Balé na Comunidade se equilibram para driblar a falta de oportunidades e realizar seus sonhos Graciele Soares ao som da música clássica, que os alunos dançam e repetem inúmeras vezes os mesmos movimentos. A professora, que é bastante exigente, chama a atenção a cada movimento errado. Na pequena sala onde ensaiam, o que não falta na turma é perseverança. O sonho ali é comum a todas: tornar-se uma grande bailarina, e viajar para vários países, principalmente a Rússia, local onde se concentram os maiores bailarinos do mundo. Mas o que essa turma de balé tem de diferente? Para começar, as meninas ensaiam com sapatilhas surradas, as barras para treinar são poucas e o chão do clube, está quebrado. Elas só têm uniformes graças à contribuição de alguns pais e parceiros. A professora ensina balé a duzentos alunos. A maioria não tem condições financeiras para pagar pelas aulas. A idade varia entre seis e vinte e oito anos, e na turma só existem quatro homens. Todos integram o projeto social Balé na Comu-

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nidade, que há quatro anos é coordenado pela professora Ofélia Corvello, que tem um sonho: “Só queria ter um local próprio para dar aulas todos os dias, assim o trabalho cresceria muito mais”, afirma. O presidente do Clube Lions de Cabo Frio, cedeu o local durante dois dias na semana para que as aulas aconteçam.

A dança como resgate social E melhor professora, os alunos não poderiam ter, Ofélia com mais de sessenta anos, esbanja juventude e disposição. São 51 anos de profissão. Ela começou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e depois foi para o Corpo de Baile. Já fez cursos de especialização nos Estados Unidos, Rússia, França e Itália. A intenção do seu projeto é formar bailarinos e ensinar pessoas que querem aprender a dançar, mas não têm dinheiro para pagar as aulas. “Aqui meus alunos aprendem a técnica do balé e mesmo sendo extremamente exigente, consigo dar muito amor a eles. O projeto muda o comportamento deles”, diz a professora. CIDADE, Abril de 2007

Um exemplo é a aluna Paloma Veiga de 13 anos, dançando há três. A mãe não tinha condições de pagar a aula, então apareceu a oportunidade que ela não rejeitou. Este ano, Paloma começa a participar de concursos e, está extremamente empolgada. “Eu ensaio duas horas por dia, fora o alongamento, não sei se tenho chances, mas esperança é o que eu mais tenho”, diz a aluna. De acordo com a diretora do projeto, para ser bailarina é preciso ter disciplina, força de vontade e, se for magra, tem uma vantagem. “A graciosidade é o mais importante, a vida é de muitos sacrifícios, ao final das aulas o corpo está doendo e, às vezes, os dedos do pés sem unha. Tem que ter muita persistência”, brinca a professora.

Promessas A bailarina Caroline Neves de 14 anos, faz balé há um ano e é apontada como uma das revelações de Cabo Frio. De acordo com a professora, se ela continuar se esforçando terá muito sucesso. Ofélia tem


Marconi Castro

Responsabilidade Social

Jovens bailarinas sonham com a fama PROFESSORA OFÉLIA CORVELLO

O projeto muda o comportamento deles PapiPress

alunos premiados no Rio de Janeiro, Brasília e Cabo Frio. Um de seus objetivos também é revelar talentos. “A esperança está aqui nesta sala, nesta geração. O balé é uma dança elitizada, é caro praticar balé. E o pior é que as autoridades ainda não acordaram para o quanto a dança é importante para os jovens”, ressalta. Já o objetivo de Joyce Liziane, 14 anos, é dançar fora do Brasil. No projeto ela aprendeu que a convivência é o mais importante. “Aqui somos muito amigas, e com a tia Ofélia, eu aprendi a querer o melhor para os outros”. Gabriela Miranda, 15 anos, participa do projeto desde o inicio também quer correr mundo. “O ensino aqui é muito rígido, mesmo assim eu nunca desisto. Tia Ofélia me ensinou que perseverar e lutar pelo que eu quero, é o mais importante. Quero me tornar uma grande bailarina e viajar por todo o mundo”, diz a aluna. Este não é o primeiro projeto social criado por Ofélia Corvello. Durante quatro anos ela deu aulas de dança a estudantes da Escola Estadual Miguel Couto em Cabo Frio. Sua vida sempre girou em torno da dança. “O balé é a arte mais linda de todas”, conclui Ofélia. Para participar do projeto, o aluno interessado tem que se submeter a um teste. É nele que será avaliado se ele realmente tem talento para a dança.

CIDADE, Abril de 2007

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Tamoios

César Valente

Rumo à Independência?

TAMOIOS Riqueza vem das águas: pesca e royalties

Apresentado na Alerj Projeto de Lei pedindo a emancipação de Tamoios, Segundo Distrito de Cabo Frio

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Emancipacionista corrige declaração

trito é um verdadeiro canteiro de obras hoje, mas o povo quer é a emancipação”. O também emancipacionista, professor Ailton Zapariglione, afirma que o Distrito possui todos os requisitos exigidos para se emancipar. “Tamoios está a quarenta e cinco kilômetros de Cabo Frio, e para sair de lá para vir a Cabo frio é preciso passar por dentro outro muncípio. Então nós estamos deslocados lá”, explica.

Jorge Mariano Pereira Filho, mais conhecido como Jorge Katespero, procurou a revista CIDADE para corrigir as declarações publicadas na edição de Março. Segundo ele, sua colocação anterior repercutiu mal na comunidade, dando a entender que ele não estaria empenhado na causa. “Quando começamos com o movimento separatista, o primeiro passo foi assim, vamos ver se a gente consegue chamar a atenção do pessoal de Cabo Frio e estamos conseguindo, e também mostrar para a população que nós temos condições de emancipar” Segundo Jorge o movimento chamou a atenção e, a partir daí, a prefeitura coAilton Zapariglione meçou a trabalhar. “O DisCIDADE, Abril de 2007

PapiPress

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deputado estadual Paulo Ramos (PDT) apresentou no último dia 20 de março na ALERJ Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - o Projeto de Lei nº 216/2007 solicitando ao Governo do Estado a emancipação de Tamoios, hoje Segundo Distrito de Cabo Frio. De acordo com o Projeto, “o distrito de Tamoios é responsável por 75% dos royalties de petróleo do município de Cabo Frio, entretanto muito pouco é aplicado em benefício do distrito”. A novidade não vem agradando aos parlamentares da Região, Alair Corrêa (PMDB) já demonstrou sua reprovação ao Projeto em um de seus discursos. Segundo Alair, às vezes a emancipação não acontece a contento da sociedade. “Perdemos para Arraial do Cabo, perdemos para Búzios e se agora perdermos o Segundo Distrito, vamos ficar com apenas 70 quilômetros quadrados”, disse ele. O Projeto, que ainda não pode ser visualizado pelo site da ALERJ, ainda terá que ser avaliado pelas Comissões

de Constituição e Justiça e pela Comissão de Assuntos Municipais e de Desenvolvimento Regional.

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Juliana Vieira / Niete Martinez

Jorge Katespero


Ernesto Galiotto Ernesto Galiotto

OPINIÃO

A interferência do Canal Itajuru na Praia do Forte m 24 de fevereiro, fiz questão de eliminar a dúvida que persistia, para poder responder à indagação da população de Cabo Frio: “A poluição do Canal Itajuru, o revolvimento do solo com a construção da Ponte do Ambrósio e as alterações da Laguna de Araruama interferem na Praia do Forte, ou não?” Obtive a prova cabal dessa interferência com a foto aérea da boca do Canal, mostrando a vazante perturbando completamente a cor da água daquela praia. A força da imagem desfaz a minha dúvida e a dos leitores. Sempre procurei alertar os freqüentadores da Praia, em torno do Forte São Mateus e nas imediações da Duna Dama Preta, sobre a possível interferência da poluição, porque a população que procura aquele canto é de cabo-frienses, que levam as crianças, os idosos e seus convidados. Eu, há anos não mergulho ali. Não é só por desconfiar das análises da água, feitas pelos órgãos competentes, que dizem que a área está própria para o banho. Tomara fosse o que atestam, pois todos torcem para que as praias se mantenham limpas. Acontece que, há anos, sobrevôo a região e, do alto, observo a poluição do Canal Itajuru e da Laguna de Araruama, acompanhando o crescente manilhamento de esgoto, cujas bocas abrem uma nuvem “diferenciada” ao longo das águas do Canal. Tenho exibido essas imagens, alertando que a situação só tem piorado. Tentam justificar, tapar o sol com a peneira e até dizem que não sou técnico no assunto. Nem precisa. Na imagem, o problema está exposto e o flagrante é incontes-

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tável. A lente da máquina capta só a realidade. A cidade e seus arredores têm períodos de superlotação, e o sistema de tratamento de esgoto não é adequado nem eficaz. E, há a chuva, que arrasta tudo de ruim para dentro da Lagoa, alterando a salinidade da água. Não acontece só no centro da cidade. Em todas as ocupações do Peró, Ogiva, Boca do Mato, Jacaré, Jardim Esperança e Porto do Carro, o esgoto é canalizado in-natura diretamente para o Canal. Mais adiante, da Ponta do Ambrósio, até Araruama e Massambaba... tudo igual. Ainda não há solução. Com a Laguna já poluída, os banhistas deslocam-se para as praias do mar aberto. As casas de veraneio, onde quer que estejam, agora são apenas dormitórios. Para desacelerar o manilhamento de esgoto, uma medida prioritária é cercar os morros e áreas verdes, assim inibindo a ocupação desordenada. De outro lado, é necessária a publicação das análises da balneabilidade de nossas praias na mídia, dando conhecimento à população, dos detalhes, senões e poréns, a fim de proteger a decisão de cada um de ir ou não à praia, bem como proteger a saúde dos participantes da hidroginástica da terceira idade. A medida fundamental, no entanto, é cada município que recebe petro-royalty preocupar-se com a correta aplicação das verbas empenhadas. A própria Petrobrás deve rigorosamente verificar a destinação de cada centavo, para garantir que os percentuais designados ao meio ambiente sejam verdadeiramente nele investidos, sem sofrer sangrias para festas. A falsa alegria do carnaval acabou. Esperamos que nossos maiores patrimônios - MAR, PRAIAS, DUNAS e ÁREAS AINDA VERDES - mereçam atenção mais responsável. Do contrário, choraremos todos juntos amanhã. CIDADE, Abril de 2007


Livros Octávio Perelló

O grande deflorador “A mãe estava bem sã. Um dia avisou: – Logo vou faltar. Se preparem os dois. Cuide do seu irmão. Desde menino o irmão bebia. – A mãe não tem nada. – A mãe sabe. A morte é uma planta que nasce no coração. Naquela manhã a moça acordou cedinho. – Que dia lindo para lavar roupa. Pediu a benção para a mãe. Enxada no ombro, foi para a roça com o irmão. Na volta, a velha estava caída a par da cama. Água saía dos olhos.” Eis um trecho de uma pequena obra - prima do conto. Trata-se de O grande deflorador, de Dalton Trevisan (L&PM Pocket, 2002, 104 páginas). Escrita enxuta, histórias aparentemente simplórias, mas estonteantes em desdobramentos, por vezes de enredo, mas principalmente de linguagem. A vida miserável da personagem do conto que dá título ao livro é descrita com crueza, desde sua origem – sobrevivente de um ventre que gerara e perdera sete rebentos –, aos dias atuais de infortúnios de doméstica desempregada e dona de casa massacrada pelo marido brutamonte, de quem ao fugir leva na barriga um filho que também não vinga. Não se trata de narrativa erótica – o título é gancho –, mas tão somente a descrição do Deus que leva tantas vidas de anjinhos humanos. Marca insólita de um autor peculiar que foge de holofotes e fotografias.

LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS LIVROS LEIA MAIS Revelações emocionantes e hilariantes Humor impagável em narrativa confessional. Afinal, estamos falando da agenda de Mário Prata que se transformou no livro Minhas mulheres e meus homens (Objetiva, 1999, 252 páginas). Histórias hilariantes e emocionantes são descritas com indiscrição, mostrando facetas interessantes da vida normal ou não de muita gente importante do mundo das várias artes. A tia que fumou maconha e jurou que não sentia nada enquanto deu, pela primeira vez, a reparar que os riscos no teto formavam ondas do mar é uma amostra do que contém o divertido livro. O ex-estudante de economia, ex-bancário, jornalista e escritor Mário Prata tem fôlego literário que o redime tranquilamente de sua meteórica e conturbada passagem pela autoria da novela global Bang-Bang. Mesmo porque, no pódio televisivo ele assina sucessos como Estúpido Cupido e Dona Beija, entre outros.

Humor judaico Aproveitando a deixa da nota acima, um flanco se abre para Abram Zylbersjztajn e sua genial compilação de piadas. O livro As melhores piadas do humor judaico (Garamond, 2001, 148 páginas), diverte enquanto alimenta a tradição oral do chamado povo de Israel. Por vezes bombástico, é capaz de matar muçulmano de rir. Pai do ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, durante anos o autor se dividiu entre as atividades de comerciante e músico da orquestra sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e uma espécie de animador cultural piadista nos encontros dentro e fora da comunidade judaica. CIDADE, Abril de 2007

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Artigo

Resumo PapiPress

Marina Massari

Na mesa

AMIGO Palavra Superlativa Recebemos de Deus uma família com características genéticas que nos dão a referência da palavra amor e esse laço consangüíneo é irreversível e nos ata uns aos outros na compreensão ou nas discórdias, na alegria ou na dor, mas continua eterno como tudo que nos vem de Deus. Depois, a consciência e a razão em tempo de escolha, nos mostram a porta do caminho onde buscar esse oxigênio puro da vida que são os Amigos; e ao elegêlos o mundo se amplia e sem muros, sem pedras no caminho, sem fronteiras ou distâncias nos tornamos parceiros na grande jornada da vida. O Amigo é aquele que aplaca nossa ira, respeita nosso silêncio e é capaz de cantar uma cantiga para ninar Gente Grande... É aquele que chega sempre de mãos estendidas na hora da queda... É aquele que traz o coração inteiro e se coloca aos nossos pés para que sua amizade seja vista de qualquer ângulo da vida e do tempo... É aquele que “empresta” seus olhos para chorar nossa dor...

Praia das Palmeiras Cabo Frio/RJ

Núcleo da Ascoferj á está funcionando Foi inaugurado, no dia 15 de março, o Núcleo Ascoferj Região dos Lagos. Instalado em Cabo Frio, cidade que abriga o maior número de farmácias e drogarias da Região, o Núcleo vai atender a todas as cidades, de Araruama a Macaé. Na inauguração, estiveram presentes empresários do segmento varejista farmacêutico e autoridades públicas de Cabo Frio, como o sub-secretário de saúde, Luis Carlos de Souza, o secretário de comunicação social, Ricardo Azevedo, e o presidente da Associação Comercial, Industrial e Turística, Ibison Silva Júnior. Durante o evento, o presidente da Ascoferj (Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro), Luis Carlos Marins, apresentou a Associação, destacando os serviços de assessoria jurídica, banco de talentos, cursos e palestras, convênio universitário, entre outros. Para finalizar, os convidados assistiram à palestra da consultora Inês Rocha sobre o cenário atual do varejo farmacêutico. O Núcleo já está em funcionamento na Rua Antônio Feliciano de Almeida, 99, sala 108, Edifício Kyriaki, Centro de Cabo Frio, de 9 às 16h. Farmácias e drogarias interessadas em se associar podem ligar para (22) 2643-6943. Viviane Massi

É sinônimo múltiplo de tudo que a vida tem de melhor... Amigo é riso e é pranto, é força e é colo, é ombro e é abraço, é praia de águas claras, e abrigo das grandes chuvas, e, no entanto, é uma palavra tão simples e tão pequena que se compõe apenas de três vogais e duas consoantes formando o imenso vocábulo que revalida o sentimento da vida... 48

Está na mesa do prefeito Marcos Mendes projeto para implantação da primeira Escola de Esportes Náuticos de Cabo Frio, na Praia das Palmeiras. O projeto, apresentado pela ASCAFER (Associação Cabo-friense de Esportes Radicais), solicita a construção de guarderia para barcos, instalação de toldos, ligação de energia elétrica e água.

Luis Carlos Marins (à esquerda), presidente da Ascoferj, Roberto Lourenço José e Hingreth Linard CIDADE, Abril de 2007

Point O Restaurante Salinas Grill virou point para as cabeças coroadas da cidade de Cabo Frio. Diariamente podem ser encontrados almoçando por lá os empresários mais descados da cidade, além de autoridades dos mais diversos segmentos. Boa comida, estacionamento fácil e preço certo são a receita do sucesso.

Teologia Contemporânea Estão abertas as inscrições para o Curso de Teologia Contemporânea, nível extensão, tratando dos períodos contemporâneo e pós-moderno. O curso é aberto a todos os que apreciam o tema, com ênfase para o cristianismo científico. As incrições podem ser feitas até o dia 14 de Abril na Ferlagos, Av. Júlia Kubitscheck, 80, no Jardim Flamboyant.


10 em Marketing O empresário Aluisio Chaves de Mendonça Pardal, proprietário da Sparrow Center desvendou os mistérios do marketing: produto, preço, ponto de venda e propaganda são suas quatro armas para dominar a concorrência. Com apenas 27 anos, Pardal já foi destaque na Associação Comercial sendo escolhido o mais jovem empresário da cidade, e quer mais.

Mais petróleo A Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Campos (UN-BC) conta, desde o final do mês de janeiro, com mais uma descoberta: o Campo de Maromba, situado a oeste do Campo de Papa-Terra, atualmente em fase de desenvolvimento. Descoberto em 2003 e com comercialidade já declarada à Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Campo de Maromba está em lâmina d’água de 150 a 170 metros de profundidade e possui reservatório com três mil metros abaixo do solo marinho. O volume recuperável existente nas quatro camadas do campo está em torno de 640 milhões de boe (barris de óleo equivalente). O campo será operado em parceria com a empresa Chevron, sendo a Petrobras majoritária (com 70% do projeto) e a operadora responsável.

A Secretaria de Apoio Parlamentar e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Iguaba Grande realizaram em Março o I Seminário de Comunicação do município. O Encontro contou com a participação da professora da PUC e Universidade Carioca Cláudia Chaves, uma das maiores autoridades na teoria e prática da Comunicação Social no Rio de Janeiro. O evento aconteceu no plenário da Câmara Municipal.

Placas de sinalização turística A TurisRio anunciou a instalação de 141 placas de sinalização turística nas regiões Serra Verde Imperial e Região dos Lagos. Ao todo dez municípios serão contemplados: Guapimirim, Nova Friburgo e Petrópolis, Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Barra de São João, Cabo Frio, Rio das Ostras e São Pedro da Aldeia. As novas placas são fabricadas com uma tecnologia desenvolvida recentemente pela 3M, e seguem o padrão das já instaladas em outras regiões do estado.

Dormitório das Garças será aberto ao público A prefeitura de Cabo Frio anunciou a abertura para visitação pública do Parque Dormitório das Garças, à margem da Avenida Wilson Mendes, primeira unidade de conservação ambiental do município . Foram investidos perto de seiscentos mil reais na estrutura do Parque, para a construção de um auditório com capacidade para 40 pessoas, dois banheiros com acessibilidade a deficientes físicos, uma sala de administração e um pórtico. Foi feita, também, uma passarela de madeira de cerca de 500 metros de extensão, para acesso à Ilha do Rato, que serve de lazer nos fins de semana para as comunidades locais. Um mirante está sendo erguido para permitir que os turistas contemplem, em situação privilegiada, o ritual de chegada das aves ao Dormitório das Garças. Os investimentos no parque começaram no primeiro semestre de 2005, com o replantio de 16 mil mudas da planta conhecida por mangue-negro cujas raízes detêm nas margens detritos trazidos pelo movimento das marés. O trabalho prossegue em parceria com a Fundação Educacional Região dos Lagos, que designou nove alunos do curso de biologia para trabalhar na recuperação do mangue.

Ascom/SPA

PapiPress

Secom ! Marconi Castro

Comunicação

Encontro de Maçons Cabo Frio recebeu, pela primeira vez, no dia 24 de março último, um encontro da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro. O evento aconteceu no Tamoyo Esporte Clube, e trouxe para a cidade mais de 1200 maçons, incluindo representantes do departamento feminino da maçonaria e o Grão-Mestre, Waldemar Zveiter.

Hugo Canellas assume presidência do Consórcio Ambiental Lagos São João Prefeitos de 12 municípios, membros de Ong’s e de

CIDADE, Abril de 2007

entidades do Consórcio Ambiental Intermunicipal Lagos – São João (CILSJ) elegeram na segunda-feira, 19/03, a nova presidência para o biênio 2007-2008. O prefeito de Iguaba Grande, Hugo Canellas, foi escolhido por unanimidade e assumirá o posto ocupado pelo prefeito de São Pedro da Aldeia, Paulo Lobo, que estava no cargo há quatro anos. Luis Firmino Martins Pereira continua à frente da secretaria-executiva do Consórcio. 49


G aleria

Desenho a lápis 21 x 29 cm

Júlio César Silveira, 20 anos, é estudante da Escola Estadual Miguel Couto em Cabo Frio. Seu talento para o desenho foi descoberto pelos professores da sua escola.


Revista Cidade - Abril 2007  

Notícias do interior do estado do Rio de Janeiro, Cabo Frio, Búzios