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LIVRE

revista

ESPAÇO CIENTÍFICO

ISSN 2236-9538 BRASIL, N.9, AGO.-SET., 2012

LEITURA ONLINE GRATUITA

REVISTA DE PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS E RESUMOS DE ALUNOS DE NÍVEL TÉCNICO, SUPERIOR E PROFISSIONAIS DE DIVERSAS ÁREAS DE TODO BRASIL E DIVULGAÇÃO DE DIVERSOS EVENTOS ACADÊMICOS.

Artigos nas áreas das Ciências Biológicas e Saúde, Ciências Humanas e Sociais & Ciências Exatas e da Terra


C ONT ARC OM AAJ UDADAS PE S S OASÉI MPORT ANT E . S E RAAJ UDAC OM QUEE L AS C ONT AM, ÉI MPRE S CI NDÍ VE L .

AABRAL Eéumaa s s oc i a ç ã o1 0 0 %de di c a daàl ut ac on t r aoc â nc e r des a ng ue , c omool i n f omaeal e uc e mi a . E l aof e r e c ea s s i s t ê nc i a p s i c ol óg i c a , j ur í di c aedi v e r s oss e r v i ç osdea poi oquea j uda ma s pe s s oa sae n f r e n t a re s s ade l i c a dadoe nç a . Comoae l a bor a ç ã ode l e i squeg a r a n t e moa c e s s og r a t ui t oac a r í s s i mosme di c a me n t os . P a r ac onnua re s s ei mpor t a n t et r a ba l ho , aABRAL Ec on t ac oms ua doa ç ã o. P or quene s s al ut a , t odaaa j udac ont a .

1 0 0 %DEE S F ORÇ O ONDEHOUVE R 1 %DECHANCE

Ac e s s ewww. a br a l e . or g . bref a ç as uadoa ç ã o.


SUMÁRIO 5

EDITORIAL ARTIGOS Manguezais da Baía de Camamu: que segredos guardam em seu substrato, que riscos correm e como protegê-los Por Joana Fidelis da Paixão

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O espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha-BA Por Fernando de Souza Nunes

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Ergonomia aplicada na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda. de Tubarão/SC Por Muriel Barbosa Felipe

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A Teologia da Prosperidade na Igreja Universal do Reino de Deus Por Fernanda Vendramini Gallo

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A reinvenção da Educação Popular Por Carlos Eduardo Gomes Pereira

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Sistema integrado de gestão em indústria de insumos farmacêuticos Por Adriano Magno D. Fonseca e Antonio Pasqualeto

57

Competitividade & clientividade Por Roberto Rodney Ferreira Junior

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Banco de horas e a sua atual empregabilidade Por Andryus da Silva Cruz

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EVENTOS ACADÊMICOS

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NORMAS PARA PUBLICAÇÃO

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BRASIL, N.9, AGO.-SET., 2012 ISSN 2236-9538


EDITORIAL Nesta edição da Revista Espaço Científico Livre você vai encontrar 08 artigos abordando diferentes áreas, desde temas relacionados a ecologia, ergonomia, religião, pedagogia, gestão, indústria farmacêutica, competitividade e legislação trabalhista. Não deixe de ler também e participar dos diversos eventos acadêmicos divulgados após os artigos. Aqui você vai encontrar congressos e seminários de todo Brasil e das mais variadas áreas. Gostaria de informa também que em breve a equipe da Revista Espaço Científico Livre estará com uma novidade para você escritor, aguarde. Boa leitura. Verano Costa Dutra Editor da Revista Espaço Científico Livre A Revista Espaço Científico Livre é uma publicação nacional disponível para leitura gratuita online à estudantes de escolas técnicas, graduação e profissionais de diferentes áreas. Os textos assinados não apresentam necessariamente, a posição oficial da Revista Espaço Científica Livre, e são de total responsabilidade de seus autores. A Revista Espaço Científico Livre esclarece que os anúncios aqui apresentados são de total responsabilidade de seus anunciantes.

Este conteúdo pode ser publicado livremente, no todo ou em parte, em qualquer mídia, eletrônica ou impressa, desde que a Editora Espaço Científico Livre seja citada como fonte.

As figuras utilizadas nesta edição são provenientes dos sites Stock.XCHNG (http://www.sxc.hu) e Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jules_Verne.jpg). As figuras utilizadas nos artigos são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

BRASIL, N.9, AGO.-SET., 2012 ISSN 2236-9538


COLABORADORES DESTA EDIÇÃO Verano Costa Dutra Editor e revisor – Farmacêutico Industrial, com habilitação em Homeopatia e Mestre em Saúde Coletiva pela UFF – espacocientificolivre@yahoo.com.br Monique D. Rangel Divulgação - Graduanda em Administração na UNIGRANRIO Verônica C.D. Silva Revisão - Pedagoga, Pós-graduanda em Gestão do Trabalho Pedagógico: Orientação, Supervisão e Coordenação pela UNIGRANRIO Fernanda Vendramini Gallo Graduanda em Ciências Sociais pela Adriano Magno D. Fonseca Universidade Estadual de Londrina – UEL Mestre em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Farmacêutica Fernando de Souza Nunes pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás Graduado em Geografia pela Universidade do (PUC-Goiás) e Graduação em Farmácia pela Estado da Bahia – UNEB Universidade Federal de Goiás Joana Fidelis da Paixão Andryus da Silva Cruz Bióloga, Mestre em Ecologia e Doutora em Graduando em Direito pela Universidade Geologia Paulista – UNIP Muriel Barbosa Felipe Antonio Pasqualeto Engenheiro de Segurança do Trabalho Doutor em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa, Engenheiro Roberto Rodney Ferreira Junior Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Graduado em Administração pela Maria. Professor titular da PUC-Goiás Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes e pós-graduado em Contabilidade Carlos Eduardo Gomes Pereira e Gestão Estratégica de Empresas pela Graduado em Pedagogia e Pós-Graduado no Universidade Estadual de Montes Claros – Curso Lato-sensu “Ensino de História e Unimontes, pós-graduado em Logística Ciências Sociais” pela Universidade Federal Empresarial pela UMA-BH e Mestre em Gestão Fluminense – UFF pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD – Portugal


CURSOS ONLINE COM CERTIFICADO http://www.buzzero.com/autores/veranocd

SOBRE O AUTOR DOS CURSOS: Verano Costa Dutra - Farmacêutico e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal Fluminense, possui também habilitação em homeopatia – Editor da Revista Espaço Científico Livre


Manguezais da Baía de Camamu: que segredos guardam em seu substrato, que riscos correm e como protegê-los Joana Fidelis da Paixão Bióloga, Mestre em Ecologia e Doutora em Geologia Salvador, BA E-mail: jopaixao80@gmail.com / joana.paixao@catu.ifbaiano.edu.br

PAIXÃO, J.F. Manguezais da Baía de Camamu: que segredos guardam em seu substrato, que riscos correm e como protegê-los. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 22369538), Brasil, n. 9, p. 09-16, ago.-set., 2012

1. INTRODUÇÃO

A

Baía de Camamu é uma Área de Proteção Ambiental com manguezais de importância econômica e ecológica, que vem sendo pressionada pelo turismo e pela exploração de óleo e gás na plataforma continental adjacente. A produtividade regional em recursos pesqueiros depende desses ecossistemas e os seus sedimentos são fundamentais à proteção da vida marinha. Foram encontradas 38 espécies nos sedimentos da baía e essas informações podem auxiliar o gerenciamento costeiro sustentável. Os manguezais são reconhecidos como ambientes de transição entre o meio terrestre e marinho, considerado ecossistema-chave devido à sua riqueza em recursos naturais e aos serviços ambientais que oferece. Levando-se em conta a valoração de bens e serviços desse ecossistema, os manguezais chegam a apresentar valor três vezes superior àquele da mesma área coberta por florestas tropicais. Devido à sua importância, os manguezais são protegidos de corte pelo Código Florestal e são considerados como Áreas de Preservação Permanente. Embora tenham seu valor reconhecido, aproximadamente 50% desse ecossistema tem sido transformado ou destruído pela atividade humana. Essa estimativa é preocupante ao considerar que o Brasil possui cerca de 25.000 km2 de manguezais. No estado da Bahia, a área ocupada por manguezais deve aproximar-se de 100.000 hectares, com uma população humana diretamente envolvida a esse ecossistema em torno de 95.000 habitantes. Os manguezais da Baía de Camamu estão entre os mais importantes da Bahia em termos de extensão e de significância ecológica, juntamente com os manguezais do extremo sul do estado, além de ainda serem considerados bem preservados. Dos municípios de Valença (na região do baixo-sul) a Mucuri (no extremo sul do estado), a área estimada de cobertura de manguezais é de 70.000 hectares, com destaque para

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os bosques da Baía de Camamu, Canavieiras, Caravelas e Nova Viçosa, em virtude do estado de conservação apresentado. 2. IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA, SOCIAL E ECONÔMICA DOS MANGUEZAIS DA BAÍA DE CAMAMU

A

Baía de Camamu é a quarta maior baía do Brasil (depois das baías de São Marcos, de Todos os Santos e da Guanabara), considerada Área de Proteção Ambiental pelo Decreto Estadual n° 8.175/02 e está inserida em uma região conhecida como Costa do Dendê, no litoral sul baiano. Com uma área superficial de aproximadamente 384 km2, abriga em seu interior um rico ecossistema estuarino, com manguezais de grande potencial pesqueiro, restingas na borda litorânea, remanescentes da mata atlântica e inúmeras ilhas, dentre as quais as mais importantes são as ilhas Grande, Pequena e Âmbar (Figura 1).

Figura 1 – Mapa de localização da Baía de Camamu e dos sítios em que foram coletadas amostras de sedimento para a investigação da distribuição das comunidades de invertebrados macroscópios Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010)

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Na baía, a exploração dos recursos pesqueiros é uma das atividades que mais distribui renda e que mobiliza grande número de famílias na região litorânea. Uma dimensão disso é o fato de que Salvador foi o maior produtor baiano de pescado (10.118,66 toneladas, representando 21,35% da produção estadual) no ano de 2002, seguido por Camamu (com 11,5% da produção estadual) (Figura 2).

Figura 2 – Armadilha para a captura de peixes Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010)

Ainda com relação à pesca, os manguezais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura no mar. Considerando o fato da superfície costeira da Baía de Camamu ser 44% coberta por esse ecossistema, a qualidade desses ambientes está relacionada à produtividade marinha regional e é vital à subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu entorno (Figura 3).

Figura 3 – Armadilha para a captura de peixes Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010)

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Entre os compartimentos dos manguezais que podem ser alvo de estudo, os sedimentos se destacam por formar habitats para uma série de espécies, muitas das quais são diretamente utilizadas para o consumo humano e que também servem como alimento para camarões e peixes. Dessa maneira, a preservação da biota associada aos sedimentos de manguezais deve ser vista como uma extensão necessária à proteção da vida marinha. 3. O PAPEL DOS HABITANTES DOS SEDIMENTOS NA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL

A

s comunidades de organismos que habitam os sedimentos são os grupos mais utilizados na avaliação da qualidade ambiental em regiões costeiras, especialmente os invertebrados macroscópicos. A distribuição no espaço e a abundância desses organismos variam em função de fatores naturais (e.g. tamanho da partícula, oxigênio dissolvido, competição, predação) e interferências humanas (e.g. enriquecimento de nutrientes, contaminação por metais). Esses animais são o principal elo entre o fitoplâncton (microalgas) e os consumidores de níveis superiores nas cadeias alimentares marinhas, de maneira que qualquer distúrbio sobre essas espécies pode desencadear alterações em comunidades dos demais níveis. No sentido de elucidar quais são os invertebrados que vivem nos sedimentos da Baía de Camamu, como se distribuem e qual a sua abundância, foram selecionadas seis localidades (Figura 1, S1-S6) nos manguezais da baía, onde foram coletadas amostras de sedimento, as quais foram submetidas a uma triagem e os organismos retidos nas malhas foram conservados em álcool a 70%, separados por grupos (anelídeos, artrópodes, moluscos etc.) e identificados até o nível de espécie. 4. A RIQUEZA EM ESPÉCIES DE INVERTEBRADOS ABRIGADA PELOS MANGUEZAIS DA BAÍA

F

oram encontrados 581 organismos, distribuídos em 38 espécies, sendo que vermes denominados poliquetas dominaram as amostras. A distribuição das espécies no espaço foi influenciada pelo tamanho do grão dos sedimentos. Em comparação com outras localidades, os invertebrados da Ilha Grande (Figura 1, S1) estão associados a sedimentos com concentrações mais elevadas de metais, e, sobretudo, sedimentos mais arenosos. Uma prova disso é que 103 indivíduos do molusco bivalve Anomalocardia brasiliana (também conhecido como “berbigão”, “vôngole” e “chumbinho”) estavam presentes nas amostras arenosas da Ilha Grande, enquanto um número significativamente menor de indivíduos dessa espécie foi encontrado nos sedimentos mais finos de outras localidades. Principais espécies encontradas nos sedimentos de manguezais da Baía de Camamu (Tabela 1):

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Tabela 1 – Principais espécies (4a) Anomalocardia brasiliana (Bivalvia, Veneridae) é uma espécie amplamente distribuída ao longo da costa brasileira, principalmente em enseadas, baías e estuários. Sua faixa de ocorrência abrange as Índias Ocidentais, o Brasil e o Uruguai. Esse molusco habita áreas protegidas da ação de ondas e de correntes e é utilizado na alimentação humana. Por conta disso tem importância econômica e potencial para o cultivo.

(4b) Neritina virginea (Gastropoda, Neritidae) é um molusco gastrópode de entre-marés, herbívoro, que ocorre em vários estados do país (e.g. Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba). Indivíduos dessa espécie são encontrados em substrato essencialmente lamacento e rico em detritos vegetais, os manguezais.

(4c) Laeonereis culveri (Polychaeta, Nereididae) é uma espécie de vermes anelídeos que vivem em ambientes sujeitos às flutuações das marés e em habitats marinhos costeiros. É um poliqueta amplamente distribuído, que ocorre na Flórida, no Golfo do México, na América Central e na costa leste da América do Sul. É abundante em estuários, salinas, bancos de areia, e em planícies de maré lamacentas.

(4d) Sigambra grubei (Polychaeta, Pilargidae) é uma espécie de verme anelídeo que apresenta antenas longas e tegumento liso. Essa espécie é encontrada no sul do Brasil, na região de Cabo Frio, mas já foi registrada também no extremo sul da Bahia (região de Abrolhos).

(4e) Uca rapax (Malacostraca, Ocypodidae) é uma espécie de crustáceo conhecido como “chamamarés”. Populações dessa espécie são encontradas na zona entre-marés e habitam covas nos sedimentos lamosos desses ambientes. Apesar de não possuir valor econômico, essa espécie contribui na retenção de nutrientes e promove a oxigenação pela atividade de alimentação e escavação de tocas. Os indivíduos dessa espécie mudam a forma do corpo à medida que crescem e apresentam aparência diferenciada entre machos e fêmeas: a quela (“garra”) gigante do macho o distingue da fêmea. Fotos: (WAGNER MAGALHÃES, 2010)

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5. PRINCIPAIS RISCOS IMPOSTOS AOS MANGUEZAIS DA BAÍA DE CAMAMU

D

esde a década de 1980, o acréscimo da população urbana do município de Camamu tem causado problemas para suprir a demanda habitacional, principalmente em áreas de manguezais. Atualmente Camamu é a cidade de maior densidade demográfica e o maior índice de urbanização da baía, enquanto Maraú e Igrapiúna apresentam a maioria de sua população em áreas rurais. O crescimento populacional tem causado aumento na disposição de efluentes domésticos nas águas superficiais, o que é agravado pela ampliação da atividade turística canalizada para os municípios de Maraú (a península de Maraú é o principal destino turístico da baía, com destaque para a vila de Barra Grande) e Camamu. A maricultura, a mineração, o turismo, as embarcações (Figura 4), as atividades agropecuárias também têm potencial para causar a degradação dos ecossistemas costeiros, especialmente os manguezais. Com relação às atividades de mineração, destaca-se a exploração de baritina nas ilhas Grande e Pequena que durou mais de 40 anos e que atualmente está suspensa.

Figura 4 – Pôr do sol em Camamu, visto da baía Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010)

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Figura 5 – Embarcações que fazem o transporte no interior da baía Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010)

Especificamente quanto à mineração de petróleo, em 2007 essa atividade foi iniciada na plataforma continental adjacente à baía, tendo como objetivo a exploração de 9,9 mil barris de petróleo e 110 mil m3 de gás por dia. Em 2005 havia sido iniciada a atividade de extração de gás no campo de Manati, a 10 km da costa. De acordo com o Relatório de Impacto Ambiental, os principais acidentes ambientais seriam vazamentos de óleo diesel em tanques, ruptura de duto e principalmente, a contaminação da água por condensados. Embora a baía não seja área de influência direta desse empreendimento, esse relatório aponta que o blow out é um grande vazamento de condensado que, segundo a modelagem realizada, teria a probabilidade de 80% de atingir a costa da Ilha de Tinharé, situada geograficamente acima da baía. As áreas de risco ambiental da baía foram mapeadas, sendo que a região central e sul são de risco no período de seca, enquanto no período chuvoso seriam atingidas a região central e norte. Entretanto, são diversas as possíveis fontes não acidentais de contaminação por óleo na baía, que incluem troca de óleo de motor, operações de lavagem de tanques e vazamentos de descargas operacionais marítimas. Na baía, esse tipo de contaminação tende a aumentar como consequência do crescente fluxo náutico e da exploração de petróleo. A implantação do trecho Camamu-Itacaré da Rodovia BA 001 contribui para a redução do fluxo náutico da travessia Camamu - Barra Grande, mas a melhoria do acesso à região tende a estimular a demanda pelo consumo de peixes e mariscos, podendo aumentar a viabilidade econômica dos empreendimentos de aquicultura os quais também podem gerar impactos ambientais. Uma série de estudos ambientais pode produzir conhecimentos que auxiliarão no acompanhamento das variações na qualidade ambiental da região costeira da Baía de Camamu e nas tomadas de decisões por medidas preventivas de impactos, a exemplo da investigação foco deste artigo. No entanto, para a salvaguarda desses ecossistemas não basta apenas dispor de informações. É preciso que o gerenciamento costeiro regional discipline a ocupação do solo e estabeleça condições para o uso dos recursos naturais, assegurando que o desenvolvimento de atividades econômicas seja compatível com a preservação ambiental.

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SUGESTÕES PARA LEITURA RIMA BCAM. Relatório de Impacto Ambiental do Bloco BCAM-40. PETROBRAS/GMA Soluções Ambientais/BIODINÂMICA. 2003.

PAIXÃO, J. F., OLIVEIRA, O.M.C., DOMINGUEZ, J.M.L., COELHO, A.C.D., GARCIA, K.S., CARVALHO, G.C., MAGALHÃES, W.F., 2010. Relationship of metal content and bioavailability with benthic macrofauna in Camamu Bay (Bahia, Brazil). Mar. Pollut. Bull., 60, 474481.

SEMARH/HYDROS. Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Hydros Engenharia e Planejamento Ltda. Diagnóstico Ambiental da APA da Baía de Camamu. 2005. Contrato n° 001/2005.

Manguezais da Baía de Camamu: que segredos guardam em seu substrato, que riscos correm e como protegê-los Joana Fidelis da Paixão Bióloga, Mestre em Ecologia e Doutora em Geologia Salvador, BA E-mail: jopaixao80@gmail.com / joana.paixao@catu.ifbaiano.edu.br

PAIXÃO, J.F. Manguezais da Baía de Camamu: que segredos guardam em seu substrato, que riscos correm e como protegê-los. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 22369538), Brasil, n. 9, p. 09-16, ago.-set., 2012

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O espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha-BA Fernando de Souza Nunes Graduado em Geografia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB Serrinha, BA E-mail: fernandodsouzanunes@hotmail.com

NUNES, F.S. O espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha-BA. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 17-35, ago.-set., 2012

RESUMO Apesar das transformações estruturais, temporais e funcionais do espaço público, a praça representa um espaço privilegiado do cidadão protagonizando não somente um ato de aglomeração e sim, de varias manifestações onde as pessoas, usam, apropriam e relacionam-se. Por isso, o objeto de estudo da presente pesquisa é a Praça Morena Bela cuja categoria conceitual paisagem é utilizada para operacionalizar uma leitura geográfica da mesma, na perspectiva do espaço público. O estudo de caso da Praça Morena Bela é abordado a partir do recorte analítico de 1950 até os dias atuais. No entanto a

pesquisa teve como problema: até que ponto a Praça Morena Bela se configura como um espaço público na cidade de Serrinha? E como objetivo geral analisar o uso e a apropriação da Praça Morena Bela pelos seus diversos agentes sociais e se a mesma se configura como espaço público. Utilizou-se como metodologia o indutivo e qualitativo por se tratar de um estudo de caso da Praça Morena Bela. Dentre outros resultados, pontua-se: a Praça Morena Bela é pública, porém, ela encontra-se em processo avançado de privatização devido a sua apropriação.

Palavras-chave: Produção do espaço; agente social; Serrinha ABSTRACT In spite of the structural transformations, storms and functional of the public space, the square represents a privileged space of the citizen playing not only a gathering action and yes, of you vary manifestations where the people, use, they adapt and they link. Therefore, the object of study of the present research is the Beautiful Brunet Square whose category conceptual landscape is used for operates a geographical reading of the same, in the perspective of the

public space. The study of case of the Brunette Beautiful Square is approached starting from the analytical cutting of 1950 to the current days. However the research had as problem: to what extent is the Beautiful Brunet Square configured how a public space in the city of Mountain? And as general objective to analyze the use and the appropriation of the Beautiful Brunet Square for their several social agents and if the same is configured as public space. It was used as methodology the

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inductive and qualitative for treating of a study of case of the Beautiful Brunet Square. Among other results, it is punctuated: the Brunette Beautiful

Square is public; however, she meets in advanced process of privatization due to his/her appropriation.

Keywords: Production of space; a social worker; Serrinha

1. INTRODUÇÃO

O

uso e a apropriação das praças, ao longo das últimas décadas têm mudado significativamente em todo o Brasil. A praça, apesar das mudanças e transformações estruturais, temporais e funcionais, ainda representa um espaço privilegiado do cidadão por ser não somente uma escala de aglomeração e sim um local onde as pessoas, independentemente dos conflitos do uso e apropriação, relacionam-se, trocam e conhecem culturas, configurando-se como um espaço de manifestação dos povos e classes. Na cidade de Serrinha, considera-se a existência de uma multiplicidade de praças; no entanto, a Praça Astrogilda Paiva Guimarães, mais conhecida como Praça Morena Bela, localizada especificamente no bairro do Ginásio, será o objeto de estudo da presente pesquisa, onde a categoria conceitual paisagem (reveladora dos diferentes usos e apropriações da praça), é utilizada para operacionalizar uma leitura geográfica da mesma, na perspectiva do espaço público. Este trabalho justifica-se pelo número reduzido de pesquisas acerca dessa praça e, principalmente, de espaços públicos de fato como palco e cenário da ação, mobilização e articulação da sociedade e do cidadão percebidos pela paisagem geográfica. A maioria das praças brasileiras têm como principal destaque em suas paisagens a presença de igrejas (em muitos casos Católicas, simbolizando a sua influência), comércio, poder público (a sede da prefeitura e fórum de justiça) e bancos. Mas a Praça Morena Bela é diferente da maioria das praças de que se tem conhecimento. Em torno dela não há Igreja Católica, sede da prefeitura ou fórum, porém, nesta mesma localidade foi implantada o primeiro Ginásio Regional do Nordeste no interior do estado. É esse diferencial que desperta para a construção da presente pesquisa, porque outros fatores justificam a existência e a funcionalidade desta praça em especial, como o que ela representa para a população da cidade onde está inserida. O estudo de caso da Praça Morena Bela é um recorte analítico de meados da década de 1950 até os dias atuais, devido à implantação do Colégio Ginasial, o que representa um marco histórico e geográfico para a cidade. Nesse contexto, a referida pesquisa tem como problema: até que ponto a Praça Morena Bela se configura como um espaço público na cidade de Serrinha? Esta pesquisa tem como objetivos gerais analisar o uso e a apropriação da praça Morena Bela pelos seus diversos agentes sociais e verificar se a mesma se configura como espaço público. A metodologia para atingir os objetivos propostos da referida pesquisa tem como método de abordagem um estudo indutivo e qualitativo, por se tratar de um estudo de caso do espaço da Praça Morena Bela.

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2. PAISAGEM

“A

discussão sobre paisagem é antiga na geografia e, desde o século XIX, a paisagem vem sendo discutida para se entender as relações sociais e naturais em um determinado espaço” (SCHIER 2003, p. 80). Ainda Schier (...) “a paisagem enquanto conceito expressa uma multiplicidade de maneiras de abordagem”. Por outro lado, a paisagem, enquanto categoria de analise da Geografia, abrange o maior número de funções devido à complexidade da vida social conforme o objeto a ser estudado ou o olhar do geógrafo. Aproximando-se da realidade vivida pela maioria das pessoas que têm na paisagem uma mera vista ou visão de um lugar. A paisagem é o conjunto de objetos que nosso corpo alcança e identifica. O jardim, a rua, o conjunto de casas que temos à nossa frente, como simples pedestres. Uma fração mais extensa de espaço, que a nossa vista alcança do alto de um edifício. O que vemos de um avião que voa a mil metros de altura é uma paisagem, como a que apreendemos numa extensão ainda mais vasta, quando de uma altura maior. A paisagem é o nosso horizonte, estejamos onde estivermos (SANTOS, 2008, p. 84).

Tendo em vista o entendimento de que a paisagem pode ser vista como todo o horizonte que se vê, o referido autor traduz a forma como o ser humano entende a paisagem a partir dos sentidos. Por isso, a visão que se tem da paisagem revela uma subjetividade própria do indivíduo na sua forma de produzir espaço. Tal pensamento de Milton Santos é condizente com a realidade, porque cores, odores, sons, dentre outros, são vistos de forma individual pelo cidadão que se apropria da praça. Ao mesmo tempo em que se observa a paisagem de uma perspectiva, ela traduz o resultado consequente da sua funcionalidade, forma e estrutura num espaço-tempo processual. As paisagens vão surgindo na medida em que os homens vão vivendo e produzindo as suas vidas. As paisagens locais, na maioria das vezes, fazem parte das vidas particulares das pessoas que vivem no lugar. Portanto, agrega-se a essas paisagens, além de um olhar afetivo, um sentido estético capaz de marcar no imaginário das pessoas a identidade do lugar. Existem paisagens que são artificiais, quer dizer, transformadas pelo homem, e as naturais, que não sofreram interferência do homem. A paisagem não se cria de uma só vez, mas por acréscimos, substituições; a lógica pela qual se fez um objeto no passado era a lógica da produção daquele momento. Uma paisagem é uma escrita sobre a outra, é um conjunto de objetos que têm idades diferentes, é uma herança de muitos diferentes momentos. (...) Assim, a paisagem é uma herança de muitos momentos, já passados, o que levou Lênin a dizer que a grande cidade é uma herança do capitalismo e veio para ficar, devendo os planejadores do futuro levar em conta essa realidade (SANTOS, 2008, p. 73).

Entre outras palavras, pode-se afirmar que a paisagem, por meio da ação processual humana, é resultado de transformações de diversos momentos cujo objeto pode ser naturalizado pelo tempo atual e ser na verdade característico de um tempo passado. Vale salientar que, tendo em vista a paisagem ser uma escrita sobre outro(s) conjunto(s) de objetos diferentes, herdados do processo de construção material de

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objetos corporificado e social, ela não é algo estático, sem interação com o meio e o contexto global. Mas para chegar a este pensamento. Faz-se necessário, uma distinção entre trabalho vivo e trabalho morto pois: A paisagem não é dada para todo o sempre, é objeto de mudanças. É um resultado de adições sucessivas. É uma espécie de marca da história do trabalho, das técnicas. Por isso ela própria é parcialmente trabalho morto, porque é formada por elementos naturais e artificiais. A natureza natural não é trabalho. Já o seu oposto, a natureza artificial, resulta de trabalho vivo sobre trabalho morto. (...) As casas, a rua, os rios canalizados, o metrô etc. são resultados do trabalho corporificado em objetos culturais. Não faz mal repetir: suscetível a mudanças irregulares ao longo do tempo, a paisagem é um conjunto de formas heterogêneas, de idades diferentes, pedaços de tempos históricos representativos das diversas maneiras de produzir as coisas, de construir o espaço (SANTOS, 2008, p. 74-75).

Esclarecido a diferença clara entre trabalho vivo e morte na compreensão daquilo que resulta a paisagem, a construção e produção da mesma, dentro da dinâmica do tempo no espaço, seja ele lento ou rápido, é fruto das articulações políticas, econômica, culturais e processuais no contexto urbano segundo Santos (2008). Tal afirmação norteia a presente pesquisa sob o olhar da técnica na construção material do espaço, visto que: Na ciência geografia, a paisagem é um conjunto de estruturas socioespaciais de um determinado local, que permite uma espécie de interatividades entre si e o homem, que a “percebe” por meio de seus sentidos, principalmente a visão. (...) É comum que as pessoas considerem como paisagem apenas uma soma de diversos elementos naturais, como montanha, rios e florestas, mas há as que são formadas pela intervenção humana, responsável pela criação de edificações, plantações, casas, pontes, ruas e afins (MACHADO, 2008 p. 54).

Dessa forma, pode-se classificar a paisagem em duas formas: natural – em que os elementos naturais encontram-se em maior destaque nas abordagens, tendo em vista dificilmente encontrarem-se ambientes ditos naturais que não tenham passado pela interferência do homens, como um planalto onde se vê no topo uma torre de celular e a paisagem; e artificial – como a cidade, dentre outros. A paisagem é um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais; é formada por frações de ambas, seja quanto ao tamanho, volume, cor, utilidade, ou por qualquer outro critério. A paisagem é sempre heterogênea. A vida em sociedade supõe uma multiplicidade de funções, e quanto maior o número destas, maior a diversidade de formas e de atores. Quanto mais complexa a vida social, tanto mais nos distanciamos de um mundo natural e nos endereçamos a um mundo artificial (SANTOS, 2008, p. 71).

Todavia, para o senso comum, a paisagem artificial pode ser considerada como natural, não no sentido em que a palavra está conceituada, mas na sua repetição no espaço e no seu convívio costumeiro com o tipo da paisagem. Portanto, a paisagem, dentro de sua dinamicidade temporal e espacial, apresenta-se num estágio definido no início de sua formação por ser algo de fácil destaque na natureza, no entanto, quando essa natureza passa a ser transformada ao longo do

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tempo resultando numa paisagem mais artificial, ela passa a ser incorporada e percebida pelas pessoas como algo “normal” ou “natural” no convívio socioespacial. 2.1. ESPAÇO PÚBLICO

O

livro de Oliveira; et.al (2008) discute espaço público também em decorrência da polissemia dos conceitos. São muitas as propostas conceituais sobre espaço público, mas, sobre suas primeiras manifestações conceituais na: teoria política clássica, incorporada ao inconsciente coletivo das sociedades, o espaço público era equivalente ao espaço da liberdade dos cidadãos, no qual estes exerciam sua capacidade de participação crítica na gestão dos assuntos comuns, sob o princípio da deliberação; um espaço que se opunha, portanto, ao espaço privado regido pela dominação do poder (...). O universo corporativo não precisa mais se opor ao espaço e à sociedade, como acontecia com a arquitetura modernista; ele se apropriou do controle direto do espaço social circundante (DUPAS, 2005, p. 37-38).

Nota-se, na citação, que este mesmo espaço se contrapõe ao privado, ao dominado pelo poder. E, com o passar dos séculos, o espaço público – especificamente as praças – torna-se dominado pelas organizações de estratégias autônomas, os quais usam do seu poder de influência para que o espaço público seja, na verdade, algo voltado aos interesses de uma classe econômica e politicamente forte. Tal forma de dominação e apropriação do que é público exige que esse público seja repensado e: Se for certo que o adjetivo “público” diz respeito a uma acessibilidade generalizada e irrestrita, um espaço acessível a todos deve significar, por outro lado, algo mais do que simples acesso físico a espaço “aberto” de uso coletivo (SERPA, 2007, p. 16).

Mas, se o desafio é pensar espaço público de modo amplo, deve-se pensar que a esfera pública tem como uma de suas principais funcionalidades permitir que os sujeitos sociais que dela se apropriam saibam conviver de modo coletivo, permitindo e respeitando o contato com o outro, visto que: A esfera pública não se restringe apenas aos espaços concretos de circulação e repartição de fluxos, nem aos espaços materiais de consumo, lazer e diversão. É a esfera pública que nos reúne na companhia uns dos outros, mas é ela também que evita que colidamos uns com os outros. O difícil em suportar a sociedade de massas não é tanto a quantidade de gente que ela abarca, mas o fato de que o mundo perdeu literalmente a força de juntar essa imensa quantidade de indivíduos, relacionando-se e separando-os dialeticamente (SERPA: 2008, p. 409).

Apesar de os espaços públicos estarem diminuindo ou se transformando em espaços privados, provavelmente isso reflete a mudança de valores na sociedade e sua capacidade de percepção e conscientização política e social do que é viver em um espaço onde todos, coletivamente, têm o direito de usufruir. Percebe-se que o espaço público evita que as pessoas venham a colidir umas com as outras no sentido de desrespeitar o direito que o outro tem de estar na praça, cuja capacidade é de agregar indivíduos que se relacionam e o fato de não viver isolado e separado reforça a noção de cidadania. No entanto:

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A soma de processos de apropriação de um coletivo de indivíduos não é suficiente para legitimar a noção de espaço público. Nos “novos” e “requalificados” espaços públicos urbanos ao redor do mundo, as práticas espaciais inscrevem-se em um processo de “territorialização do espaço”. Em verdade, os usuários privatizam o espaço público através de ereção de barreiras simbólicas, por vezes invisíveis. O espaço público transforma-se, portanto, em uma justaposição de espaços privatizados; ele não é partilhado, mas, sobretudo, dividido entre os diferentes grupos. [Consequentemente], a acessibilidade não é mais generalizada, mas limitada e controlada simbolicamente. Falta interação entre esses territórios, percebidos (e utilizados) como uma maneira de neutralizar o “outro” em um espaço que é acessível a todos. Os usuários do espaço contribuem assim para amplificação da esfera privada no espaço público, fazendo emergir uma sorte de estranhamento mútuo de territórios privados, expostos, no entanto, a uma visibilidade completa. (JOSEPH, 1998 apud SERPA, 2008, p. 410).

Se a apropriação coletiva de indivíduos não é suficiente para legitimar o espaço público, a territorialização do espaço (fruto em muitos casos da ideologia capitalista de tornar tudo consumível) torna-o um bem de uso privado e dividido por parte dos diferentes grupos tornando a acessibilidade controlada simbolicamente, havendo estranhamento e disputa de controle por parte dos grupos sociais. O espaço deixa de ser uma articulação da ação política para ser o palco do privado, segundo a lógica do capital. Por isso faz-se necessário entender e distinguir claramente o que é público e privado, posto que o elemento que caracteriza o espaço – ou especificamente a praça – é justamente a sua finalidade: Diferença entre público e privado: o substantivo público, neste texto, é entendido como todo bem ou serviço que serve para o uso de todos. Já o privado, equivale a todo bem ou serviço pertencente ou prestado por uma pessoa ou entidade (empresa, associação, etc.) cujos resultados interessam essencialmente a essa pessoa ou entidade (SPÓSITO, 2004, p. 34). Levando-se em conta o dever de diferenciar conceitualmente espaço público e privado para o entendimento de um bem de uso coletivo sem perder de vista as contradições da produção e apropriação desse espaço, Serpa (2007) entende: o espaço público como o espaço da ação política, ou ao menos, da possibilidade da ação política na contemporaneidade, como mercadoria para o consumo de poucos, dentro da lógica de reprodução e reprodução do sistema capitalista na escala mundial. Ou seja, ainda que seja público, poucos se beneficiam desse espaço teoricamente comum a todos (SERPA,2007, p. 9).

Em outros trabalhos, Serpa atesta que essa apropriação, produção, acesso e consumo, na lógica capitalista, é desigual: Essa característica fundamental contrasta, nas cidades contemporâneas, com o processo de incorporação dos espaços públicos urbanos como mercadorias para o consumo de poucos, dentro da lógica de produção e reprodução do sistema capitalista na

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escala mundial. Ou seja, ainda que sejam adjetivados como públicos, poucos se beneficiam desses espaços teoricamente comuns a todos (SERPA, 2008, p. 405).

A variedade de definições sobre o que seja espaço público faz com o que o tema seja extremamente complexo no sentido de adotar uma definição. Para tanto, adoto a expressão, sugerida por Abrahão de “espaço público urbano” “para identificar os espaços tradicionais de uso comum das cidades, como as ruas, praças, largos e avenidas” incluindo também os parques públicos, diferenciando-se, assim, do uso do termo espaço público como esfera pública. Espaço público urbano, nesse sentido, implica a existência de um suporte material, um espaço concreto cuja apropriação coletiva lhe dá o caráter de lugar de vida pública. (AGOSTINHO, 2008, p.48).

Ora, o termo espaço público urbano (que conta agora com o urbano para definir a sua manifestação na cidade), apesar de caracterizar espaços tradicionais de uso comum, somente acrescenta um item daquilo que é discutido, pois, por ser de uso amplo da sociedade e das pessoas para os seus variados interesses, automaticamente o espaço assume uma materialidade da produção humana no contexto urbano. 2.2. PRAÇA

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que significa o termo praça, não somente no sentido teórico como na prática? O dicionário Priberam declara que praça é um lugar público, largo, cercado de edifícios. Ela pode designar outras conotações como mercado, feira, leilão e pode ser também praça de armas e praça de guerra, no sentido de fazer referência à participação de brasileiros ou alguém ilustre numa guerra. Seja como for, a praça apresenta funções em comum, como proporcionar convivência e recreação para os agentes que dela se apropriam ou à utilizam. Vale ressaltar que a noção de praça varia de população para população ou conforme a cultura de cada povo ou lugar. O sugimento da palavra praça, é antigo, e de origem latina, igual a pláteia (caminho largo, rua espaçosa e larga), considerada por muitos como um espaço democrático, coletivo. Os usuários são anônimos, indeterminados e os bens são coletivamente utilizados por todos os seus membros: as cidades dos povos ameríndios ou latinoamericanos – os Maias, já delineavam uma praça de caráter muito simbólico que funcional, habitada por deuses ou quem os representasse (imperador, corte, sacerdotes), sendo ponto de encontro do povo apenas para as cerimônias religiosas. (PINHEIRO, 1999, p.7).

Para os gregos, havia a ágora, que se localizava no centro das suas cidades, e que servia para o encontro dos cidadãos ao ar livre. A ágora era influênciada pela arquitetura e nela realizavam-se as seguintes atividades: reunião das assembléias políticas e dos tribunais e lugar de ensino dialogal dos filósofos e não de serviços religiosos que estavam resevados a arcópoles: A ideia de que as cidades têm uma esfera pública, pertencem à coletividade e por ela usada, e uma esfera privada, cuja posse e manutenção respondem aos interesses de um ou mais indivíduos específicos, é bastante antiga, definindo-se plenamente na cultura grega durante a Antiguidade. Para os gregos, ágora era o espaço que, na polis, representava o espírito público desejado pela

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coletividade. Era o espaço de exercício da cidadania. Nesse período, limite entre os espaços públicos e os privados era bem claro (OLIVEIRA; COELHO; CORREIA, 2008, p. 436).

Dessa forma, percebe-se que a cultura ocidental herdou, através da Ágora, a noção de que a praça além de ser pública, é algo coletivo. Também na antiguidade, surgiu a noção de privado enquanto posse subordinado a interesses de um ou mais grupos. Se na ágora grega traduzia aquilo que seria o exercício da cidadania, uma democracia direta, um lugar para a discussão do bem em comum (política) entre aqueles que poderiam se chamar de cidadãos, na Roma Antiga, o Fórum romano representava em si mesmo a monumentalidade do Estado, sendo que o indivíduo que por ele passasse estava espacialmente subordinado aos enormes prédios públicos que o configuravam. Diferenciava-se da Ágora na medida em que “o espaço de discussão não mais era a praça pública, aberta, mas o espaço fechado dos edifícios, cuja penetração era mais restrita” de acordo com (PINHEIRO, 1999, p.8).

Com a influência da religião Católica nos valores e costumes da sociedade durante a Idade Média, as praças barrocas obedeciam ao espírito contra-reformista: Elas se aglutinavam em torno das catedrais que se encontravam fora dos limites da cidade, pois, as praças centrais das cidades medievais eram consideradas de caráter profano: são revelações arquitetônicas das origens burguesas da cidade, em geral dominadas pelo seu principal palácio governamental, tratadas de forma paisagística. A partir de um determinado contexto, a típica praça das cidades brasileiras se caracteriza por ser bastante ocupada por vegetação e arborização, estando intimamente ligada ao ajardinamento, ao verde e estruturada em largos. A Praça costuma possuir equipamentos recreativos e contemplativos: como playgrounds, recantos para estar, equipamentos para ginástica e cooper, bancos, mesas, etc. Sua configuração está associado ao desenvolvimento da cidade como fator decisivo dos centros urbanos e das sociedades capitalistas. Portanto, não deve existir exclusividades ou privilégios na sua utilização, motivo pelo qual a praça adiquire um carater comunitário. Em outras palavras, praça é um lugar público, grande, largo, em alguns casos rodeada por edifícios, útil para embelezar uma cidade ou bairro, e onde melhor circula o ar devido à presença das árvores. Surgem também modelos mundiais que estabelecem outra visão urbanística para as grandes cidades que crescem cada vez mais. As pessoas perdem os espaços de lazer e a convivência espacial para o consumismo em shoppings centeres, lan house, cafés, restaurantes, bares e praças de alimentação. Com isso, o local público deixa de ser o espaço de convívio, perdendo força como espaço simbólico. Apesar de a praça ter grande dimensão morfológica, em muitas cidades e também nas capitais brasileiras ela se transforma em um espaço vazio, desarticulado do cotidiano urbano, o que a faz deserta e apenas ocupada em situações muito especiais (a depender de cada indivíduo), tornando-se uma das justificativas para o poder público querer privatizá-las, por entender ser dispendioso para os cofres públicos manter uma praça com recursos próprios. Na praça, podem acontecer manifestações públicas, comemorações, manifestações religiosas, artísticas e culturais, protestos, lazer, diversão, encontros, comércio,

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práticas esportivas, etc. Assim, a praça deveria valorizar o pedestre em detrimento dos carros; porém, supõe-se esta não é uma regra. 3. PROCESSOS ESPACIAIS ANTECEDENTES DA PRAÇA or meio de entrevista com o Sr. Edmundo Bacelar – Presidente do Museu Pró Memória de Serrinha –, foi possível constatar que a área onde atualmente se localiza o Colégio Estadual Rubem Nogueira e a Praça Morena Bela era uma fazenda. No entanto, não há registros de quem era o proprietário dessas terras.

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Dos poucos registros de que se tem conhecimento, em meados da década de 1920, o terreno passou a ser propriedade do Governo do Estado por meio da Secretaria de Agricultura dando início a uma nova função àquele espaço, que modificou a paisagem local com a implantação do Projeto de Sericicultura ou Bicho-da-Seda. A Estação Experimental de Sericicultura de Serrinha foi criada por decreto de n.º9.670, no dia 13 de agosto de 1935. “A construção ocorreu entre os anos de 1935 a 1937, sob a responsabilidade do engenheiro Orlando Teixeira e custou aproximadamente 800.000$000 (oitocentos mil contos de réis), sendo concluída no início do ano de 1938 conforme” (PINHEIRO, 1999, p. 13). Após a construção da Estação de Sericicultura (figura 3), “a seca atingiu a cidade na década de 1930 e fez com que o prédio fosse ocupado pelo serviço de cereais e leguminosas” (PINHEIRO, 1999, p. 13). Para falar da implantação do Ginásio, o relato do serrinhense Rubem Nogueira, falecido no mês de janeiro de 2010, expõe em detalhes aquilo que seria um marco processual da educação no município de Serrinha e da Bahia. Em 1948, nenhuma cidade do interior da Bahia tinha ginásio público estadual. Na Capital, funcionava o Ginásio da Bahia, único estabelecimento de ensino secundário mantido pelo governo do Estado. Conhecedor das necessidades das regiões baianas no particular da prestação gratuita do ensino médio, e pondo em prática ideia alimentada na Campanha eleitoral de 1946, elaborei um projeto de lei, criando os primeiros ginásios estaduais no interior, segundo um critério de localização regional. Assim, o do Nordeste situava-se em Serrinha; o do Sudoeste, em Jequié; os do Sul, em Itabuna e Canavieiras; e o do sertão, em Caetité. O de Serrinha deveria funcionar no prédio da antiga Estação Experimental de Sericicultura, serviço que já não existia mais. (...) Três meses após, graças ao empenho que tive, no dia 14 de dezembro de 1948, o meu projeto era convertido na Lei nº130, sancionada pelo Governador Otávio Mangabeira. Mas, só em março de 1952, no governo Regis Pacheco e vencidas algumas dificuldades burocráticas, o Ginásio de Serrinha, com a denominação de Ginásio Regional do Nordeste, foi o primeiro a instalar-se e funcionar (NOGUEIRA, 1997, p. 269).

Apesar de a Bahia ter implantado as escolas ginasiais relativamente tarde (1952), em Serrinha houve muita oposição ao projeto-lei por parte do deputado André Negreiros Falcão – primeiro prefeito eleito do município de Serrinha, que fez várias articulações no sentido de impedir a instalação da mesma. Mas, tais escolas tinham como objetivo atender a uma demanda de crianças que desejavam continuar estudando, pois a maioria das famílias não tinham condições financeiras para mudar-se para a capital (pois exigia um nível de renda maior), e pleitearem uma vaga na universidade – privilégio da elite local.

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Nesse contexto, o processo de interiorização da educação no interior do estado expressava todo um conflito entre as elites regionais do estado que denota relações de poder conforme Castro; et.al (2005). A (Figura 1) mostra o Colégio Ginasial após a sua inauguração, no ano de 1960. Essa nova função permite o surgimento de um conjunto de outras formas como as inúmeras casas residenciais e, mais tarde, comerciais.

Figura 1 – Colégio Ginasial após a inauguração, na década de 1960, hoje Colégio Estadual Rubem Nogueira – Serrinha Fonte: (MUSEU PRÓ MEMÓRIA DE SERRINHA, 1960)

3.1. PROCESSOS ESPACIAIS DA PRAÇA MORENA BELA NA ATUALIDADE

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sta discussão aborda o surgimento da Praça Morena Bela como um marco da paisagem da mesma para o surgimento da praça e as implicações da gestão de alguns ex-prefeitos como: Antonio Josevaldo da Silva Lima no ato da criação, Paulino Alexandre Santana (Popó) e Tânia de Freitas Mota Lomes. Antes da construção da praça em frente ao Colégio Ginasial Figura 4, existia um grande largo com um solo de textura vermelha chamado pelos serrinhenses de “selão”. Nele, os estudantes, até meados da década de 1980, jogavam bola ou praticavam alguma atividade esportiva desenvolvida pelos professores do Colégio (Figura 2). Em períodos de verão, a grande queixa dos moradores e frequentadores era a poeira vinda do largo; e no inverno, o maior problema para estudantes e professores era a lama.

Figura 2 – Colégio Estadual Rubem Nogueira na década de 1980, antes da construção da Praça Morena Bela na cidade de Serrinha Fonte: (MUSEU PRÓ MEMÓRIA DE SERRINHA, 1980)

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Na noite de 04 de novembro de 1988 (seu aniversário) o prefeito do município de Serrinha entre 1983 a 1988, Antônio Josevaldo da Silva Lima, inaugurou uma das principais obras de sua gestão aonde funcionava o largo do Ginásio: a Praça Astrogilda Paiva Guimarães: mais conhecida como Morena Bela. Atualmente, as ruas que dão acesso a Praça Morena Bela são: Rua Abdon Costa, Avenida Luiz Viana Filho, Rua André Negreiros Falcão (ex-deputado estadual e primeiro prefeito de Serrinha), Avenida do Imperador, Rua Manoel Chileno, Rua Reginaldo Ribeiro e Avenida Mário Andreazza. Em entrevista, Josevaldo Lima justificou que a inauguração da praça no dia do seu aniversário se deu num período eleitoral: por conta do meu sucessor, Paulino Alexandre Santana (Popó), cair nas pesquisas de intenção de voto devido ao vício de bebida alcoólica e descrédito com a população. Como a praça estava há mais de quatro anos em reforma e para mostrar que o meu sucessor era confiável, montei uma equipe para assessorar a administração de Paulino e mostrar que ele estaria acompanhado de minha pessoa, demonstrando à população a minha influência. De fato, pude perceber que, com a inauguração da praça após o dia 04/11/1988, nós estávamos ganhando 300 votos por dia. Com investimento em publicidade da praça, Serrinha começou a atrair gente de outras cidades, devido à praça ser o maior logradouro da região feita com verba pública dos cofres do município. E no final, Popó foi reeleito como desejávamos (LIMA, 2010).

A praça foi batizada de Astrogilda Paiva Guimarães por se tratar de uma homenagem à professora de Português, uma das primeiras professoras a comporem o quadro de docentes do antigo Colégio Regional do Nordeste (Colégio Estadual Rubem Nogueira) criadas em 19 de março de 1952 (FRANCO, 2008, p. 403) e da Escola Normal de Serrinha instalada em 17 de março de 1956 (FRANCO, 2008 p. 407) respectivamente o primeiro colégio ginasial e técnico normal do interior da Bahia. Todavia, por meio da pesquisa documental, constatou-se que o prevalecimento do nome “Morena Bela” ocorreu devido a uma homenagem feita por parte dos arquitetos e planejadores às morenas de Serrinha como “as mais belas e bonitas de toda a região” (PINHEIRO, 1999, p.16). Após a construção da Praça Morena Bela, os jovens elegeram-na como um novo ponto de encontro dos seus pares, visto que, antes, essa aglomeração acontecia na Praça Luiz Nogueira, localizada no centro da cidade. Porém, moradores relataram em entrevista que o prefeito da época, Josevaldo Lima, deixou essa última praça sem iluminação por muito tempo para valorizar a recéminaugurada Praça Morena Bela. Diferente de muitas praças que se localizam em frente a Igrejas Católicas, a Morena Bela é ainda considerada uma praça moderna devido ao seu planejamento e modelo arquitetônico construído sobre um terreno baldio. A obra custou cerca de Cz$ 100 mil cruzados aos cofres públicos e foi idealizada pelo ex-prefeito Josevaldo Lima que, posteriormente, passou o lay aos técnicos Mário Besteck, Corinto Sarno, Eduardo Jobim, Jussara Bacelar e Fernando Lima para executarem a obra (PINHEIRO, 1999, p. 16).

A construção da praça, embora reforçado o discurso político com verdadeiras propagandas eleitoreiras aos olhos das classes mais populares que se vislumbraram

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diante da obra, foi suficiente para o Sr. Josevaldo reeleger Popó como o seu sucessor nas eleições municipais. No governo de Paulino Santana, no início da década de 1990, a praça, anos após a sua inauguração, passou por um período de decadência não somente por falta de políticas públicas, mas do não cumprimento de obrigações institucionais como limpeza, manutenção dos aparelhos da praça, iluminação e segurança. Todavia, segundo os agentes entrevistados, constatou-se que o período de deterioração da praça ocorreu no governo de Paulino Alexandre Santana (Popó), devido a uma prática comum a gestores que, ao assumem o posto de prefeito do município com o apoio de Josevaldo Lima, não mantém, zelam ou dão continuidade a algum projeto ou obra que tenha sido realizado em governos passados pertencentes a grupos políticos adversários ou aliados do atual gestor. Notou-se através da paisagem do local que, após a construção e inauguração da praça, em 1988, o número de estabelecimentos comerciais em torno da mesma aumentou consideravelmente nos últimos anos e o preço imobiliário do bairro é considerado alto, levando-se em conta os agentes modeladores que se apropriaram das referidas áreas, conforme constatou-se por meio de entrevista e investigação sobre o perfil dos moradores. No ano de 2008, a ex-prefeita Tânia de Freitas Lomes, que assumiu o governo após dois anos de mandato de Claudionor Ferreira da Silva (Ferreirinha), afastado por motivos de saúde, implementou algumas reformas na praça (Figura 3) alterando ainda mais as características da estrutura do seu projeto inicial e da paisagem. Foram demolidos a concha acústica, que tinha como funcionalidade a realização de apresentações de eventos, para dar maior visibilidade ao prédio do Colégio Estadual Rubem Nogueira, e a área do cercado, para a construção de um ponto de alimentação dentro da praça ou quiosque (medida para favorecer os donos dos traillers que estavam localizados no entorno da praça, cuja presença era questionada pelos moradores, à população em geral e aos frequentadores). Nova iluminação com luz térrea foi colocado para dar destaque às árvores da praça, e foi feito o conserto da fonte luminosa e da casa de bonecas.

Figura 3 – Praça Morena Bela nos dias atuais na cidade de Serrinha – 2010 Fonte: (ELABORAÇÃO PRÓPRIA, 2010) No caso dos antigos traillers que foram removidos para a construção dos quiosques ou boxes na Praça, verificou-se que o poder público municipal por meio do PDDU – Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (2003) – tem a prerrogativa de, por meio dos poderes municipais constituídos, conceder licença de uso de solo e espaço para

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proprietários e comerciantes locais, não sendo permitida a sua venda e transferência sem autorização dos órgãos que o regulamentem, e por se tratar de um terreno de uso público. 4. AVALIAÇÃO, CONCEPÇÕES E PERCEPÇÕES DOS AGENTES PRODUTORES DA PRAÇA

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endo em vista conhecer na empiria e por meio de conceitos científicos a definição entre público e privado, partiu-se para a pergunta: os agentes aceitariam a ideia de privatizar a praça ou transferir a sua administração para o capital privado? E conforme o (Quadro 1), observa-se que no R1, 91% dos agentes são contrários à ideia de privatizar ou transferir a administração da praça para qualquer empresa privada, apresentando como justificativa o fato de ser algo comum a todos; e no R 2, 9% dos entrevistados colocaram-se favoráveis à transferência da administração para melhorar a praça. Quadro 1 – Opinião dos agentes sociais quanto a privatizar, transferir a administração para empresa privada ou não da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha – 2010 Síntese das respostas Frequência R1 – Não, porque a privatização não permite que todas as pessoas tenham acesso, e sim somente o grupo ao qual pertence. Não consigo imaginar, ver 39 pessoas que trafegam na praça tendo que um dia pagar para frequentar a Praça Morena Bela (transeunte). R2 – Para mim, tanto faz; se for para melhorar a praça, ótimo (comerciante). 4 Fonte: (PESQUISA DE CAMPO, 2010) Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

Outro dado que se faz essencial para atingir os objetivos da presente pesquisa é saber, em ordem de relevância, qual a principal praça da cidade de Serrinha. Observando a (Tabela 1), percebe-se que 54% dos entrevistados consideram a Praça Luiz Nogueira como a de maior relevância para a cidade, seguida da Praça Morena Bela, com 32%, e da Praça Miguel Carneiro, com 14%. Tabela 1 – A principal Praça da cidade de Serrinha em ordem de relevância segundo os agentes sociais entrevistados – 2010 Síntese das respostas Frequência Percentual % Praça Luiz Nogueira 23 53 Praça Morena Bela 14 33 Praça Miguel Carneiro 6 14 Fonte: (PESQUISA DE CAMPO, 2010) Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

Para se entender a produção do espaço da Praça Morena Bela e sua evolução, na perspectiva da paisagem torna-se necessário interpretar as principais funções e apropriações partindo da empiria, da percepção dos agentes como algo muito mais voltado ao conhecimento por meio dos sentidos do senso comum. São diversos os usos e apropriações da Praça Morena Bela como um determinado contexto social que resulta nas tarefas desempenhadas por determinadas formas espaciais, as quais cumprem tarefas que se chamam de funcionalidade. Enquanto a forma é o aspecto visível do objeto, a função constitui uma tarefa, atividade ou papel a ser desempenhado pelo objeto na dinâmica da estrutura que se refere à maneira pela qual os objetos estão interligados entre si, sendo ela invisível, subjacente à forma.

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Com base nos usos, funções e apropriações, as seguintes questões foram apresentadas no formulário para obtenção das respectivas respostas, desta vez, levando-se em conta o percentual da síntese das respostas: Quadro 2 – Função ou dimensão que a Praça Morena Bela contempla segundo os agentes sociais da cidade de Serrinha – 2010 Síntese das respostas R1 – Lazer e entretenimento – Por causa do grande fluxo ou bares e lanchonetes que se concentram nela, afinal, é a única coisa que se tem de “lazer” na cidade (transeunte). R2 – Cultural – faz parte da cultura e história do povo serrinhense devido à ausência e falta de lazer, sendo esta a única opção (comerciante). R3 – Econômica – A nossa cidade ainda é “pobre” em espaços culturais como cinema, centro de cultura, etc.; restando as praças, bares, pizzarias para o lazer, que acaba tendo um fim econômico para os donos destes lugares (funcionário público). R4 – Política – espaço de ação e reivindicação de direitos (funcionário público). Não responderam Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

No (Quadro 2), os agentes sociais, em sua maioria na Resposta 1 (58%), entendem que a maior dimensão da praça é o lazer e o entretenimento; porém, um transeunte revela uma das maiores deficiências da cidade, que é a falta de opções culturais, restando os bares na praça como forma de sociabilidade. Em segundo lugar; empatadas com 18% cada, a dimensão cultural (Resposta 2) revelando a deficiência de atividades culturais por parte do poder público e a econômica (Resposta 3), pelos mesmos motivos. Todavia, na Resposta 4, a dimensão política ficou em ultimo lugar, com 4%, o que denota que os agentes não veem a praça como meio de articulação, de reivindicação e dos movimentos sociais. o espaço público como o espaço da ação política, ou ao menos, da possibilidade da ação política na contemporaneidade, como mercadoria para o consumo de poucos, dentro da lógica de reprodução e reprodução do sistema capitalista na escala mundial. Ou seja, ainda que seja público, poucos se beneficiam desse espaço teoricamente comum a todos (SERPA,2007, p. 9).

Dessa forma, no quadro 6, assim como acontece em diversos contextos urbanos, constata-se também que a Praça Morena Bela foi sujeitada aos interesses capitalista de transformar um bem em comum em mercadoria através da resposta 1 2 e 3, entendidas como algo natural e desejada pelos agentes. E tal afirmação justifica-se devido a respostas 4 ser apresentada em último plano pelos agentes podendo ser uma alienação quanto a simbologia do que seja espaço público. Mas, para entender melhor as formas de uso e apropriação da Praça Morena Bela, foi perguntado aos entrevistados (Tabela 2) quais os eventos que mais solicitam a praça durante o ano. E como resposta, observou-se que os eventos que mais solicitam a praça são os festejos da Vaquejada, com 56% de frequência, seguidos dos festejos natalinos e de final de ano, com 28% e, por último, as festas juninas, com 16%. A utilização desses dados justifica que a Praça Morena Bela é utilizada e apropriada em diferentes temporalidades e formas, facilitando a compreensão da temática do espaço público.

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Tabela 2 – Eventos da cidade de Serrinha, que mais solicitam a Praça Morena Bela segundo os agentes sociais – 2010 Síntese das respostas Frequência Percentual % Vaquejada 24 56% Festas natalinas e de final de ano 12 28% Festas Juninas 7 16% Fonte: (PESQUISA DE CAMPO, 2010) Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

Portanto, vale salientar mais uma vez que a Praça Morena Bela é vista como espaço de mercantilização da vida, do consumo e mais um espaço da alienação da lógica capitalista do que um espaço dos embates políticos e de reivindicação. O (Quadro 3), concepção de espaço público por parte dos agentes, mostra que, na Resposta 1, os entrevistados pensam espaço público como algo aberto ao povo, muito mais voltado ao acesso livre, não importando outras diferenças; e na Reposta 2, os agentes entenderam-no como espaço de vivências e de livre acesso sem necessidade de pagamento para desfruta-lo. Quadro 3 – Concepção de espaço público segundo os agentes sociais da Praça Morena Bela na cidade de Serrinha – 2010 Síntese das respostas R1 – É uma área que pode ser utilizada por todos (transeunte). R2 – É um espaço de vivência, onde todas as pessoas têm a liberdade de ir e vir, sem a necessidade nem a obrigação de pagar por isto (funcionário público). Fonte: (PESQUISA DE CAMPO, 2010) Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

Mas qual a diferença entre uma e outra resposta? Na Resposta 1, percebe-se que os entrevistados entendem a praça como algo que as pessoas podem utilizar sem limitações: vê “a diferença e desigualdade vão se articular no processo de apropriação espacial, definindo uma acessibilidade que é, sobretudo, simbólica” (SERPA, 2007, p. 10). Ainda sobre o (Quadro 3), a Resposta 2 inclui duas questões complexas e muito subjetivas: vivência e liberdade. Vivência, acredita-se ser devido ao espaço público estar próximo do conceito de lugar, de pertencimento, de memórias subjetivas; e liberdade como o espaço das várias e ilimitadas manifestações, não havendo restrição se o sujeito dorme no banco da praça, faz atividade física, joga dominó, namora ou reivindica direitos. E, no final, ainda acrescenta a questão de não pagar para ter acesso, referindo-se a determinados locais privados ou de lazer onde o sujeito paga para ter acesso ao consumo, como os parques de vaquejada da cidade. Por isso, Serpa (2008) vem afirmar que o termo público, apesar de um acesso irrestrito a todos significa algo muito mais amplo do que um mero acesso físico a espaços ditos abertos e coletivos. Se for certo que o adjetivo “público” diz respeito a uma acessibilidade generalizada e irrestrita, um espaço acessível a todos deve significar, por outro lado, algo mais do que o simples acesso físico a espaços “abertos” de uso coletivo (SERPA: 2008, p. 407).

Este mesmo espaço não deve ser pensado somente como de acesso irrestrito, não pagar para ter acesso, e sim como o verdadeiro placo da ação política, mediante à prática da cidadania e da valorização do sujeito enquanto principal agente dessa cidadania que deve ser coletiva e social.

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No (Quadro 4), Resposta 1, o comerciante define espaço privado como particular, aquele em que pode haver pagamento para ter acesso, como casas de shows, dentre outros. A Resposta 2, um transeunte aponta que espaço privado é de uso restrito, com regras de acesso partindo da vivência subjetiva e concreta da casa, como o exemplo ilustrado. Quadro 4 – Concepção de espaço privado segundos os agentes sociais da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha – 2010 Síntese das respostas R1 – É um espaço particular onde a circulação das pessoas é restrita podendo haver imposição de pagamento financeiro para isto (comerciante). R2 – É o espaço restrito a algumas pessoas; há regras para o acesso e uso, tem que ter permissão para isso. A minha casa é um espaço privado para o restante da sociedade (transeunte). Fonte: (PESQUISA DE CAMPO, 2010) Elaboração: (FERNANDO DE SOUZA NUNES, 2010)

Ainda sobre espaço privado, o contexto de sua delimitação perpassa pela história político-administrativa do Brasil onde a essência da delimitação de espaços públicos, nas cidades, deve ser entendida na lógica de sua definição como resultado e resultante da propriedade privada. Como o espaço público é definido pelo Estado capitalista é necessário aprofundar o conhecimento do Estado, entender o aparato estatal, para compreender a desigualdade e diferentes socioespaciais (OLIVEIRA, COELHO, CORREA: 2008, p. 419).

Portanto o espaço público no Brasil foi delimitado a partir do privado, por meio do código jurídico estabelecido por grupos políticos dominantes. Outro exemplo disso são as Capitanias hereditárias que deram origem as sesmarias (propriedade privada), em seguida os municípios e por último o espaço público. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

N

este item, por meio do processo metodológico para a obtenção dos resultados da presente pesquisa, foi possível compreender e responder aos problemas, questões norteadoras e objetivos desta pesquisa sobre o espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela na cidade de Serrinha-BA. O que está sendo abordado é uma praça inaugurada no final dos anos de 1980 (trabalho vivo), sobre o que era somente uma propriedade rural (forma e trabalho morto imposto sobre a natureza) – segundo Santos (2008) –, à frente de um prédio construído ainda na década de 1920 para atender a produção de sericicultura que, por fatores históricos e políticos, tanto para a Bahia como para a cidade, instalou a primeira escola ginasial no interior do estado, equivalente hoje ao ensino fundamental, cuja paisagem é suscetível a mudanças. A Praça Morena Bela é uma propriedade pública, porque ela é um bem pertencente ao Poder Municipal que estende o seu uso, consumo e acessibilidade a várias pessoas, servindo a todos, sob o processo de produção que interessa a todas as pessoas. Ela não é a principal praça da cidade, todavia, perpassa por um processo de centralização por causa do seu dinamismo particular percebido na paisagem geográfica possuindo também, forte identidade com os agentes que frequentam a praça revelada como lugar.

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Porém, mediante: discussão teórica dos conceitos de espaço público e paisagem e praça nos capítulos da pesquisa; analise processual da praça que resulta da atual configuração espacial da paisagem; identificação dos agentes construtores da mesma; funcionalidades e percepções do espaço; Apesar de a praça ter uma conotação de ideia pública, o uso por parte dos agentes sociais e modeladores acaba por ressignificar a noção de público, pois cada um a utiliza sem levar em conta o acesso de outras pessoas e ela encontra-se em processo avançado de privatização devido ao resultado da apropriação por parte dos mototaxistas no entorno da praça, dos comerciantes que, por meio do PDDU e dispositivos jurídicos da prefeitura, ganharam o direito de ocupar os quiosques dentro do perímetro da praça. A Praça Morena Bela é usada de múltiplas formas e apresenta-se vinculada ao cotidiano dos estudantes que a frequentam por estarem próximas das escolas para fins de namoro e diversão, dos funcionários públicos que usam para se deslocar para o trabalho, moradores e transeuntes que usam a praça para o lazer familiar e a noite nas diversas sociabilidades como eventos festivos e manifestações culturais que mais solicita a Praça Morena como a vaquejada. Diferente dos comerciantes que se apropriam da praça ao ocupar os quiosques da praça como instrumento de trabalho. Tais exemplos de funcionalidades implicam nas diferentes formas de uso e apropriação vistos na paisagem da Praça Morena Bela. Ainda na presente pesquisa, a paisagem da Praça Morena Bela é diferente, e ela não se repete no contexto urbano, por ser um espaço aberto para as relações humanas no cotidiano e por ser social sendo importante para a população serrinhense, porém ela se destaca menos em relação à Praça Luiz Nogueira – localizada no centro da cidade –, onde iniciou-se o processo de formação urbana da mesma e concentra os serviços de maior relevância para o município como bancos, e comércio, prefeitura e outros serviços. A paisagem da Praça Morena Bela mostra uma realidade espacial fruto de vários processos sociais, e sua relação com o espaço é voltado ao uso e apropriação da mesma. Além de ser formada, é um conjunto e resultado heterogêneo de formas naturais e artificiais que vão desde a presença de árvores em torno da mesma até os bares, equipamentos de lazer para crianças, dentre outros, que fazem parte da vida particular de muitas pessoas que vivem no bairro ou na cidade, devido à afetividade presente na memória das pessoas. Por isso, os conceitos de paisagem e espaço público foram importantes não somente para operacionalizar a presente pesquisa e sim, responder se a Praça Morena Bela de fato é pública ou não e se ela passa por um processo de privatização. Todavia, com as mudanças ocorridas na praça a fim de atender à lógica do capital e do mercado, o que se chamava de espaço do cidadão vem se tornando o espaço do consumo e o consumo do espaço, porque o sujeito deixa de ser cidadão ao se apropriar da praça para ser consumidor do espaço. Conforme vista da paisagem da Praça Morena Bela, as ações de reforma da praça e a substituição de alguns equipamentos de lazer e entretenimento por áreas de venda de lanches para alocar os comerciantes que se apropriavam de locais indevidos ao redor da praça sem autorização da Prefeitura demonstram que a praça se tornou um mero espaço de consumo. Essas mudanças na paisagem ao longo do tempo na localidade onde hoje está construída a Praça Morena Bela, o Colégio Estadual Rubem Nogueira e residências

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são frutos das articulações políticas daqueles que, com o voto da população, implementaram obras que contribuíram para que Serrinha, décadas depois, fosse classificada como urbana por atrair residências e pessoas para o centro, os quais perpassam pelos movimentos/tempos rápidos do processo de urbanização da cidade. Percebe-se, também, que os agentes construtores da Praça Morena Bela, entendemna como acessibilidade ilimitada, coletiva, aberta, podendo entrar, estar e sair na hora que bem desejarem. No entanto, uma de suas funções, além desta que se apresenta na paisagem, é a de favorecer o lazer e o entretenimento a população. Por mais que as pessoas se utilizem dessa praça, morar ou comprar uma casa em torno ou próxima a ela é somente um privilégio por parte daqueles que podem consumi-la. Basta às classes populares experimentarem uma ideia de acessibilidade cidadã. Em outras palavras, a Praça Morena Bela é um espaço vivido, porque as pessoas incorporaram a Praça no seu cotidiano; e é um espaço percebido, a partir do momento em que os agentes sociais não se veem isolados no espaço público, mas de modo coletivo, social; e pelo senso comum, pertencente a todos. É também um espaço produzido, devido ao modo como as pessoas usam o espaço produzindo e reproduzindo os seus valores, costumes e modos de relacionamento. E por último, é um espaço concebido porque cada pessoa tem uma visão subjetiva de como observa, entende e pensa a praça.

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O espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha-BA Fernando de Souza Nunes Graduado em Geografia pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB Serrinha-BA E-mail: fernandodsouzanunes@hotmail.com

NUNES, F.S. O espaço público na dinâmica da paisagem da Praça Morena Bela da cidade de Serrinha-BA. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 17-35, ago.-set., 2012

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Ergonomia aplicada na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda. de Tubarão/SC Muriel Barbosa Felipe Engenheiro de Segurança do Trabalho Tubarão, SC E-mail: mbfelipe@gmail.com

FELIPE, M.B. Ergonomia aplicada na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda. de Tubarão/SC. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 36-43, ago.set., 2012

RESUMO Este case relata a prática e os resultados obtidos na aplicação da ergonomia na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda., situada à Av. Marcolino Martins Cabral, n.º 3827, bairro Passagem, na

cidade de Tubarão, estado de Santa Catarina, onde o tema é constantemente trabalhado entre os colaboradores de todas as funções / departamentos.

1. INTRODUÇÃO

O

s especialistas da área da segurança do trabalho e prevenção de acidentes identificaram cinco (05) grupos de riscos: físico, químico, biológico, ergonômico e de acidentes. Na visão da TransGeraldo, entre os cinco grupos, o ergonômico é o mais severo: se há um ruído elevado (risco físico), há a possibilidade de aplicar um equipamento de proteção coletiva (EPC); transportando a fonte ruidosa para um outro local, enclausurá-la ou, em último caso, usar um protetor auditivo. Se há muita poeira (risco químico) pode ser usada uma máscara apropriada, óculos, protetor facial e o problema será atenuado. Da mesma forma com os riscos biológicos e de acidentes: usam-se os equipamentos de proteção individual (EPI). Os quatro grupos de risco são mensuráveis, visíveis. Já o ergonômico, quando se percebe que o desconforto está grande demais; quando as dores musculares estão insuportáveis, necessitando de um analgésico, normalmente, é tarde para as medidas prevencionistas – deve-se procurar um profissional da área da saúde. A ergonomia pode contribuir para solucionar um grande número de problemas sociais relacionados com a saúde, segurança, conforto e eficiência. Muitos acidentes podem ser causados por erros humanos. Estes incluem acidentes com guindastes, aviões, carros, tarefas domésticas e muitas outras. Analisando-se esses acidentes pode-se chegar a conclusão que são devidos ao relacionamento inadequado entre operadores e suas tarefas. A probabilidade de ocorrência dos acidentes pode ser reduzida quando se consideram adequadamente as capacidades e limitações humanas durante o projeto do trabalho e de seu ambiente (BUL; WEERDMEESTER, 1995, p.15).

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Infelizmente, poucos conhecem o termo ergonomia ou, ainda, seus efeitos e riscos. Em pesquisa realizada na empresa, 100% dos trabalhadores desconheciam a palavra ergonomia¹, o conheceram na TransGeraldo. Os documentos comprovam que desde o ano de 2002 os assuntos relacionados a ergonomia vem sendo trabalhados na empresa. No decorrer deste trabalho, acompanharemos todos os processos, como nas integrações admissionais, plano de treinamento anual e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. 2. APLICAÇÃO DA ERGONOMIA NA EMPRESA TRANSGERALDO 2.1. Histórico da Ergonomia

O

ficialmente, a Ergonomia surgiu a partir da 2ª Guerra Mundial, especificamente, em setembro de 1949, em Oxford (Inglaterra), assim como uma Associação de Pesquisas sobre Ergonomia e uma revista publicada em Londres (Ergonomics). Contudo, se analisarmos, a ergonomia é evidenciada desde o tempo da Pré-história: a partir do momento em que o homem construiu sua primeira arma, utilizou a pedra para preparar sua alimentação, dentre outras situações em que facilitou seu trabalho, nascia, naquele momento, o sentido do termo ergonomia. 2.2. Conceito de Ergonomia O termo Ergonomia provém do grego: ERGO = Trabalho / NOMOS = Regras ou Leis Naturais.

E

m outras palavras, é um conjunto de ciências e tecnologias que buscam a adapta��ão confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho, basicamente procurando adaptar as condições de trabalho às características individuais dos trabalhadores. Para Palmer (1976) a ergonomia é definida como o estudo da relação do homem com o seu ambiente, não apenas o seu meio de trabalho, mas também os seus instrumentos, matérias primas, métodos e organização desse trabalho. 2.3. Aplicação da ergonomia na empresa TransGeraldo empresa TransGeraldo – certificada ISO 9001:2008, traz em sua política da qualidade um tópico relacionado a seus colaboradores: “Buscar através do comprometimento e da capacitação de nossos colaboradores o diferencial na prestação do serviço”. Tendo esta visão, a ergonomia enquadra-se facilmente neste contexto.

A

Em 2005, houve um caso de acidente de trajeto², que resultou em hérnia de disco num motorista. A partir desta data, o tema faz parte das integrações de todas as funções, de treinamentos mensais e faz parte do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Conforme especialistas, consideram-se riscos ergonômicos: esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade, outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico, iluminação inadequada (FELIPE, 2010, p. 10).

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A postura corporal pode ser interpretada como um dos alicerces da ergonomia. Devese cuidar da postura ao sentar, ao caminhar, até mesmo ao se deitar, pois, os efeitos da “má ergonomia” são, na maioria dos casos, cumulativos. A postura correta é fator determinante para a execução de um bom trabalho. Anualmente, são realizados treinamentos com todos os colaboradores sobre o tema, onde são repassadas as formas de prevenção quanto aos riscos ergonômicos: analisar, minimizar e neutralizar (FELIPE, 2010, p. 10).

A empresa TransGeraldo desenvolveu um plano de treinamentos, utilizando imagens com posturas corretas e incorretas, com o objetivo de dar a verdadeira ciência da postura correta no trabalho.

Figura 1 – Motorista – sentado corretamente Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 2 – Motorista – postura incorreta 1 Fonte: (AUTOR, 2010)

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Figura 3 – Motorista – postura incorreta 2 Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 4 – Motorista – postura incorreta 3 Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 5 – Cobrador – postura correta Fonte: (AUTOR, 2010)

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Figura 6 – Cobrador – postura incorreta Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 7 – Cobrador – postura incorreta 2 Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 7 – Cobrador – postura incorreta 3 Fonte: (AUTOR, 2010)

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Figura 8 – Lavação de Veículos – postura correta Fonte: (AUTOR, 2010)

Figura 9 – Lavação de Veículos – postura incorreta Fonte: (AUTOR, 2010)

Gráfico 1 – Pesquisa de campo realizada na empresa TransGeraldo sobre Ergonomia em Dez/2010

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Gráfico 2 – Pesquisa de campo realizada na empresa TransGeraldo sobre Ergonomia em Dez/2010

Gráfico 3 – Pesquisa de campo realizada na empresa TransGeraldo sobre Ergonomia em Dez/2010 3. RESULTADOS

A

ergonomia, por estar presente em todos os ambientes laborais; desde a função de cobrador de ônibus até a alta direção da empresa, deveria ser considerada um risco ambiental e fazer parte do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. Depois do acidente de trajeto, que resultou numa hérnia de disco num motorista, em 2005, até a presente data não há indícios de benefícios concedidos pelo INSS que envolvam problemas na coluna, lesão por esforço repetitivo (LER) ou distúrbios osteomuscular relacionados ao trabalho (DORT). 4. CONCLUSÕES

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esde seu surgimento aos dias atuais, a ergonomia vem acompanhando os avanços da ciência e tecnologia. Se antes, por exemplo, os digitadores ficavam sentados em suas cadeiras fixas, hoje as cadeiras evoluíram: criaram rodas, regulagens de altura, apoio para os braços e mais uma grande variedade de acessórios. Os bancos dos motoristas de ônibus e/ou caminhão, da mesma forma: atualmente, a maioria dessas poltronas possuem regulagens; tanto vertical quanto

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horizontal, amortecedores, etc. Segundo Goldenberg (2007), 80% da população mundial teve, tem ou terá dor lombar durante a vida. As empresas que não se adequarem a esta nova realidade; se não proporcionarem o conforto necessário à realização das atividades profissionais, estarão fadadas ao absenteísmo, desmotivação pessoal e a incapacidade laborativa, seja por doença profissional, doença ocupacional ou acidente de trabalho. Mais que um cumprimento legal, a TransGeraldo acredita que a informação, conhecimento, ergonomia, dentre outras temáticas transcendem a casualidade e aproximam-se da saúde, integridade física e qualidade de vida.

NOTAS 1

Pesquisa de campo realizada na empresa TransGeraldo em dez/2010.

2

Acidente de trajeto: acidente de trabalho que ocorre no trajeto de casa para o trabalho e do trabalho para casa, sem interrupções.

REFERÊNCIAS DUL, J; WEERDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo: Edgard e Lücher, 1995. 147 p.

colocando vírgulas nos mitos. 7.ed. São Paulo: Atheneu, 2007. HENDRICK, H. W. et AL. Global Ergonomics: Proceedings of the Ergonomics Conference, Cape Town, South Africa, 9-11 September 1998. p.3. 947 p.

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Ergonomia aplicada na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda. de Tubarão/SC Muriel Barbosa Felipe Engenheiro de Segurança do Trabalho Tubarão, SC E-mail: mbfelipe@gmail.com

FELIPE, M.B. Ergonomia aplicada na empresa TransGeraldo Transporte Coletivo Ltda. de Tubarão/SC. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 36-43, ago.set., 2012

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A Teologia da Prosperidade na Igreja Universal do Reino de Deus Fernanda Vendramini Gallo Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina – UEL Londrina, PR E-mail: nanda-gallo@hotmail.com

GALLO, F.V. A Teologia da Prosperidade na Igreja Universal do Reino de Deus. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 44-51, ago.-set., 2012

RESUMO Este trabalho consiste em um estudo da Igreja Universal do Reino de Deus, igreja neopentecostal cujo crescimento é um dos mais significativos no Brasil. O estudo foi realizado na cidade de Londrina mediante análise dos dados coletados em campo, uso de material bibliográfico e entrevista com o Bispo da Universal desta cidade. A pesquisa parte do pressuposto que as diversas modificações no campo religioso brasileiro como a desmonopolitização da Igreja Católica, a conquista da liberdade religiosa e sua acentuada pluralidade, permitiram a outras igrejas se expandirem e buscarem legitimidade social e estabelecimento de uma presença institucional. A Igreja Universal do Reino de

Deus é um exemplo de igreja que, por meio da sua influência religiosa e dos seus poderes econômico e político, bem como pela utilização dos meios de comunicação, soube explorar o meio cultural e socioeconômico em que estava inserida, conseguindo consolidar sua organização religiosa e conquistar sua legitimidade social, se destacando como uma das igrejas que mais cresce no Brasil. Deste modo, o objetivo da presente análise é interpretar a construção do discurso iurdiano e da teologia da prosperidade, para entender a atuação desta igreja que a cada dia torna-se mais atraente dentro da diversidade religiosa brasileira e conquista mais fiéis.

Palavras-chave: Sociologia das religiões; Igreja Universal do Reino de Deus; Teologia da Prosperidade

1. NEOPENTECOSTALISMO E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL crescimento do número de evangélicos1 é um elemento significante para a compreensão das várias transformações ocorridas no campo religioso e político brasileiro. A secularização e redemocratização do Estado no Brasil nos séculos XIX e XX e o consequente enfraquecimento do poder da Igreja Católica, bem como a conquista da liberdade religiosa, permitiram a diversas igrejas buscarem espaço e legitimidade dentro da sociedade brasileira2. Destacando o acentuado crescimento das igrejas pentecostais, e, sobretudo, das neopentecostais, que souberam aproveitar dessas diversas modificações e do contexto econômico e social do país.

O

O movimento pentecostal nascido nos Estados Unidos em 1901 modificou completamente o cenário protestante norte-americano. Como nova expressão de religiosidade, o movimento se caracteriza principalmente pela superação de

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dicotomias como sagrado e secular, clero e leigo, temporal e espiritual, por meio da renovação espiritual e participação ativa e comprometida na realidade social (CESAR, 2000). Com as rápidas transformações da sociedade, as religiões tradicionais não conseguem se ajustar as realidades e procuram preservar seus fieis do mundo, fixando um universo fechado e previsível. Suas promessas de salvação são sempre relacionadas ao afastamento do mundo. Com o surgimento do neopentecostalismo isso se modificou. Nesta vertente, ser cristão e conquistar a salvação se caracteriza por viver bem, se libertar do Diabo para prosperar financeiramente, ter saúde e sucesso. Possibilitando às igrejas neopentecostais se relacionarem com os interesses, valores e até prazeres do mundo (MARIANO, 1999). No decorrer dos anos 70 e 80 do século XX, no Brasil, o número de igrejas não católicas e seus adeptos cresceram em grande quantidade. Segundo o IBGE3 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Brasil na década de 1940 eles eram em número de 2,6%, já em 2000 o número era de mais de 26 milhões de pessoas, correspondendo a 15,4%. Entre os anos de 1991 e 2000 o crescimento foi de 4,7% a 5,3% um índice muito maior do que em outros períodos, destacando sua principal expansão no fim do século XX. Os pentecostais possuem um papel importante nesse avanço, desempenhando um crescimento de 8,9% anual. Em Londrina, de acordo com o Projeto Londrina 2000, 59% das instituições são evangélicas, num total de 353 igrejas, média maior que o do próprio Brasil. Dentre elas 177 são pentecostais correspondendo a 42,96% onde 5 delas ou 2,82% são pertencentes a IURD (MUZIO, 2004). A Igreja Universal do Reino de Deus é um exemplo de igreja que, por meio da sua influência religiosa e dos seus poderes econômico e político, bem como pela utilização dos meios de comunicação, soube explorar o meio cultural e socioeconômico em que estava inserida. Conseguindo consolidar sua organização religiosa e conquistar sua legitimidade social, se destacando como uma das igrejas que mais cresce no Brasil. Utilizando de cultos simples e sem roteiro preestabelecido, a Igreja Universal se concentra nos problemas do dia-a-dia. Entra na vida social das pessoas que a frequentam, nas dificuldades e conflitos de maneira que as aflições humanas são amenizadas. A ausência de sentido do cotidiano motiva as pessoas a buscarem seu preenchimento no espaço sagrado, homens e mulheres apagados na sociedade ganham espaço como obreiros, missionários, pastores, a elas é permitido uma reconstrução de sua identidade a partir da religião. Assim como diz Maria das Dores “nos cultos, há muita música, dança, palmas e contato físico: as pessoas se abraçam e se dão as mãos. Isso é extremamente terapêutico para quem está em sofrimento. Mexe com a química corporal, alterando o estado de humor das pessoas” (apud, FIGUEIRA, 2007, p.56). O perfil dos féis é de fácil identificação, de acordo com a socióloga Maria das Dores Machado (apud, FIGUEIRA, 2007, p.53), “a maioria dos fiéis são mulheres, negros e pobres, com baixa escolaridade e renda”, o extrato médio da sociedade ainda se mantém em firmes laços com o catolicismo, se afastando do cristianismo de cunho rigoroso. Porém, mesmo o desenvolvimento do pentecostalismo se encontrar na base da pirâmide social, é importante ressaltar que a pobreza não é a causa fundamental

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do seu crescimento. As igrejas passaram a ser um espaço de vida social, onde grupos antes marginalizados socialmente adquirem um sentimento de pertencimento. Além disso, a influência desses segmentos religiosos como a Igreja Universal, espalha-se por diversos meios como o da comunicação, na política, na assistência social e até mesmo a partir de produtos religiosos. A Igreja Universal - IURD diferente de outras igrejas como a Católica, por exemplo, não oferece ensinamentos doutrinários. Ela oferece a realização dos desejos terrenos por meio de Deus, exibindo de todas as maneiras, testemunhos, milagres, bênçãos e curas. A utilização dos canais de TV e rádio para tais fins funcionam perfeitamente como meio de atração. A influência da IURD se estende para a esfera da vida material indo até o espaço da política. Segundo Ari P. Oro (2003), ela vem produzindo um “efeito mimético” sobre outras igrejas até mesmo as não evangélicas como a católica, onde o desejo de participação destas no poder institucional e sobre o eleitorado é mediado pelo papel desempenhado pela Universal. A IURD ingressou na política em 1986 elegendo um deputado federal e não parou desde ai. Destacando as eleições de 1998 quando elegeu além de 17 federais, 26 deputados estaduais (ORO 2003). A Universal utiliza o modelo coorporativo da “candidatura oficial”, no qual o candidato é lançado a partir do quociente eleitoral do partido e da quantidade de fiéis votantes no local. O discurso para tal fim é voltado para o combate das “forças invisíveis” que atuam na política, onde os políticos corruptos trabalham para forças demoníacas. Tornando necessário aos homens de Deus eleger pessoas boas e tementes para tais cargos. A racionalidade empregada na política para a conscientização e direcionamento dos votos de seus fiéis, é também empregado no espaço simbólico sustentado por crenças e valores. O voto passa a ser guiado pelo compromisso cristão de salvar o país do mau, estabelecendo uma nova moral e ética na política. Os líderes iurdianos afirmam com total convicção que sua igreja por seu notável crescimento é perseguida pelo Estado ainda submisso à Igreja Católica, cabendo aos fiéis votarem nos seus candidatos, pois, somente eles têm o compromisso de defender a igreja e seus interesses. (NUNES, 2006). Na Folha Universal de julho de 2006 (n.746) os fiéis são convidados a lutarem por seus direitos: [...] o povo de Deus tem que ficar atento nas próximas eleições, escolhendo os melhores candidatos. Se ficarmos indiferentes à política e não lutarmos pelos nossos direitos, os corruptos entrarão novamente [...]. Sabemos das perseguições que a Igreja do Senhor Jesus enfrenta, por isso, temos que votar em homens e mulheres de Deus para deputado federal, estadual e governador. [...] Quando tomamos atitudes com sabedoria e votamos em candidatos ungidos com o Espírito Santo, com certeza, a história da política brasileira 4 será outra (NUNES, 2006 ).

A intolerância da IURD com a Igreja Católica em 1995 causou grande polêmica na sociedade brasileira, um dos episódios mais conhecidos é o do pastor que durante um culto chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, com o objetivo de provar que imagens de barro eram incapazes de proporcionar prosperidade e dinheiro para os féis devotos a ela. O que permitiu a José Jorge de Carvalho (1999) ao abordar a aversão a idolatria e a teologia da prosperidade apresentar a sátira que Gilberto Gil (1997) faz através de sua música:

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Ele diz que tem que como abrir o portão do céu Ele promete salvação Ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel Mas não rasga dinheiro, não Não lembra de nada, é louco 5 Mas não rasga dinheiro não.

Falando em dinheiro, sua arrecadação financeira segue a lógica da Teologia da Prosperidade e é feita a partir da persuasão. O dízimo é pedido durante todo o ritual, nas falas do pastor sempre há a acusação do roubo a Deus, pois, o dízimo de acordo com a igreja é a décima parte que Deus - o dono de toda a riqueza - pede de volta para a evangelização. Junto a esta prática vem a crença nos sacrifícios, que nada mais são do que aplicações financeiras. As pessoas são levadas a darem uma grande quantidade de dinheiro para se tornarem sócios de Deus e se privilegiarem de suas bênçãos. Esta relação financeira que se estabelece da liberdade ao fiel de reivindicar as boas promessas feitas por Deus, como vida plena e feliz. Reunindo promessas de prosperidade financeira, saúde, alívio dos sofrimentos e a derrota sobre o Diabo, a teologia da Prosperidade nos Estados Unidos na década de 40 do século XX. Constituindo-se, de fato, como movimento doutrinário na década de 1970, momento em que encontra apoio nos evangélicos carismáticos. A Teologia da Prosperidade realiza uma inversão de valores, reinterpretando e ajustando os ensinamentos bíblicos para a adequação à sociedade de consumo imediato. Se antes o sofrimento glorificava o homem e a sua recompensa era além mundo, agora a valorização se dá na boa vida terrena. Como afirma o bispo da Igreja Universal de Londrina, Paulo Cesar Ribeiro de Andrade, por meio de uma entrevista: nós procuramos mostrar ao povo que Deus... Ele quer que nós tenhamos essa vida abundante, tanto é que Jesus ele diz lá em João 10,10 “eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundancia”. Quer dizer, Ele vem nos trazer vida. No que consiste uma vida abundante? É você ter o melhor, você ter o seu carro zero quilometro [...] Você ter um carro velho quebrando todo dia na rua, poxa, que vida é essa poxa? Meu carro vive quebrando todo o dia... É você olhar para sua família e “lá em casa ta tudo doente”, é você olhar pra sua casa, como que costuma dizer,” chove mais dentro do que fora”. Então peraí, meu Pai é rico, é dono de tudo, Ele diz “minha prata, meu ouro”. E eu, no entanto, vivo uma vida miserável, meu carro quebrando, o meu salário mau da para pagar minhas despesas básicas, eu não tenho um lazer com minha família, eu não tenho uma 6 vida próspera [...] (ANDRADE, 2009).

Bar Ron (1987) afirmou que na visão dos pregadores, “pelo sacrifício vicário de Cristo, a humanidade foi libertada do pecado original e das maldições da lei de Moisés: enfermidade, pobreza e morte espiritual. Desse modo, as bênçãos destinadas por Deus a Abraão e sua descendência- saúde física e riqueza material- tornaram-se disponíveis a todos nesta vida” (Bar Ron, 1987 apud MARIANO, 1999, p. 153). Argumento sustentado pelo bispo Paulo Cesar Ribeiro de Andrade quando questionado sobre como essa teologia surgiu, se foi na Igreja Universal. Nós, é o que eu te falo, temos a base a Bíblia. Então lendo a bíblia, vamo la pro Gêneses, quando Deus pois Adão e Eva no... no jardim do Éden, ele deu a eles tudo o que era necessário para uma vida normal... Tudo o que eles

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necessitavam, eles tinham. Então a partir desse princípio, vamos vendo na bíblia que Deus sempre deu tudo do bom e do melhor pros seu filhos, que crêem nele (ANDRADE, 2009). No Brasil, a Teologia da Prosperidade se desenvolveu nos anos 70 do século XX, destacando-se igrejas como Renascer em Cristo, Cristo Vive, Nova Vida, Internacional da Graça, Igreja Universal do Reino de Deus, e outras mais. Sendo estas duas últimas as que mais dão ênfase à prosperidade financeira. Edir Macedo, líder da Igreja Universal, explica que a relação que desempenhamos com Deus é uma relação de sociedade: “o que nos pertence (nossa vida, nossa força, nosso dinheiro) passa a pertencer a Deus; e o que é d’Ele (as bênçãos, a paz, a felicidade, a alegria, e tudo de bom) passa a nos pertencer” (MACEDO, 1990, p. 86). Deus é um sócio que tem obrigações a cumprir, cabe ao fiel exigi-las. “Comece hoje, agora mesmo, a cobrar dele tudo aquilo que Ele tem prometido [...] O ditado popular de que ‘promessa é dívida’ se aplica também para Deus” (MACEDO, 1990, p.36,54). Nessa relação contratual que se estabelece com Deus, o crente deve ter uma fé inabalável e ser fiel ao dízimo. É o que afirma o Bispo Paulo (ANDRADE, 2009) quando pergunto por que as pessoas de outras religiões não prosperam. Diz ele: porque não usam essa fé que nós usamos. A resposta, essa é a menor resposta que eu tenho pra te dar. Não usam a fé que nós usamos, porque nós acreditamos e usamos a fé. Não, Deus vai fazer e eu creio. Vou ser fiel a ele nos meus dízimos, nas minhas ofertas. E conforme está escrito “daí, e servos-a dado” escrito lá em João [...]

Os pastores alertam que não tem influência sobre a resposta de Deus aos pedidos e seu papel é servir de intermediário para afastar a força do mal para que Sua obra possa se realizar. “Se, se você me perguntar, vou ficar aqui até amanhã dizendo quantas pessoas eu conversei e estavam com espíritos em suas vidas, fazendo-as é... pensar em morte, tirar a vida de alguém, coisas desse gênero.” Afirmam também, que só não prospera aquele que não tem fé, não respeita os ensinamentos da Bíblia e está em relação, mesmo que indireta, com o Diabo. Ou seja, a responsabilidade é sempre do fiel e nunca da Igreja. Muitas pessoas infelizmente vê a situação dificílima e se revolta com Deus, “Deus me deixa nessa vida, Deus não quer [...] Deus não me ama”. Não! A culpa é da pessoa, a pessoa que procurou de uma maneira ou de outra essa vida. Mas quando a pessoa diz não, se Deus quer que eu seja próspero, Deus quer que eu tenha o melhor nessa terra, então eu também quero! Então vai se encaixar, a minha vontade com a de Deus, se eu quero o melhor e ele quer o melhor pra mim, então pronto, juntou a fome com a vontade de comer (ANDRADE, 1999).

O mesmo argumento é utilizado quando questiono falta de prosperidade em fieis da própria Igreja: Eu te respondo com a, com a mesma resposta. Por que não usa essa fé. Porque olha só, existe pessoas e pessoas [...] Há pessoas que dizem assim, não [...] eu me contento, olha eu cheguei na igreja desempregado e tal. To usando como se uma pessoa tivesse falando. Cheguei desempregado na Igreja Universal, doente, perturbado. Poxa

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hoje eu ganho um salário de um mil e 500 reais onde eu trabalho, hoje não me falta saúde, eu to bem. Graças a Deus eu to bem sim. Outros já diz “não, eu quero mais, eu não aceito essa situação, se eu posso ter uma vida arregalada, seu eu posso comer do bom e do melhor, se eu posso conhecer o mundo, conhecer o Brasil do Oiapoque ao Chuí, pois se eu posso ter esse privilégio de levar minha família, eu com esses mil e 500 reais vou fazer isso nunca, mas se eu ganhar 50 mil reais por mês, eu farei (ANDRADE, 2009).

Utilizando dessa estratégia a Igreja Universal evidencia que para firmar o contrato com Deus é necessário o pagamento do dízimo e a realização de ofertas, como forma de provar a fé. Quanto maior a manifestação da fé por meio da oferta, maior a benção recebida. Ou seja, quanto mais se dá, mais se recebe. “É necessário dar o que não se pode dar. O dinheiro que se guarda na poupança para um sonho futuro, esse dinheiro é que tem importância, porque o que é dado por não fazer falta não tem valor para o fiel e muito menos para Deus (Edir Macedo, IstoÉ Senhor, 22.11.89, apud, MARIANO, 1999). As igrejas pentecostais e, sobretudo, a IURD se tornaram grandes empresas lucrativas, Ricardo Mariano afirma que na IURD: Sua organização empresarial, liderada por um governo episcopal centralizado em seu fundador e bispo primaz, se baseia na concentração da gestão administrativa, financeira e patrimonial, na formação de quadros eclesiástico e administrativo profissionalizados, na adoção de estratégias de marketing, na fixação de metas de produtividade para os pastores locais, [...] arrecadação de recursos, num pesado investimento em evangelismo eletrônico, empresas de comunicação e outros negócios que orbitam em torno de atividades da denominação, na abertura de grandes templos e na provisão diária, metódica e sistemática de elevada quantidade de serviços mágico-religiosos (MARIANO, 2003, p. 121).

Em 1998 a Universal possuía mais de três mil templos espalhados em mais de 50 países, como Portugal, Moçambique, Angola, Argentina e a África do Sul, lugares onde conquistou maior aceitação. Significando um aumento de 2600% do número de igrejas em apenas nove anos (MARIANO, 1999). 2. CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

O

Brasil no período colonial e imperial era caracterizado pela união entre o Estado e a Igreja Católica, o que impedia a proliferação de outras instituições religiosas no país. A partir da proclamação da República, e a consequente separação legal-institucional do Estado-Igreja, o cenário religioso nacional passou por significativas mudanças. A Igreja Católica perdeu seu monopólio e o pluralismo religioso ganhou defesa jurídica. O mercado de bens religiosos e a competição religiosa se estabeleceu no século XX e possibilitou às Igrejas como a Universal conquistar espaço e se destacar dentro do campo religioso brasileiro (FIGUEIRA, 2007). A Igreja Universal surgiu em 1977 do século XX no Rio de Janeiro e não parou de crescer desde então. Fundamentada na Teologia da Prosperidade, ela adéqua os ensinamentos religiosos à sociedade de consumo imediato, realizando uma inversão de valores, de maneira que justifica e torna aceitável a atividade comercial religiosa. Na busca por legitimidade a Igreja Universal organizou-se de tal maneira que suas

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influências estenderam-se para além do campo religioso, atingindo a esfera política, assistencial e até mesmo comercial no Brasil e em outros países que foram incorporados em sua estratégia de expansão.

NOTAS 1

De acordo com Maria Figueira, o conceito “evangélico” engloba três tipos de igrejas diferentes. As igrejas Protestantes históricas como a Luterana, Presbiteriana, Metodista e Batista. As igrejas pentecostais como a Congregação Cristã do Brasil, Assembléia de Deus, Brasil para Cristo, Deus é Amor. E por fim, as Neopentecostais como a Igreja Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo e outras (FIGUEIRA, 2007). 2

A pluralidade e concorrência entre as igrejas, porém, consolidou-se de fato na segunda metade do século XX (MARIANO, 2003). 3

IBGE. Censo Demográfico 1940-2000 - Estatísticas do Século XX. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 ago. 2010. 4

Folha Universal, n. 746, de 23 a 29 de julho de 2006 (apud, NUNES, 2006, p.5).

5

GIL, Gilberto. Guerra Santa, do álbum duplo Quanta (Gil 1997).

6

Entrevista concedida a Fernanda Vendramini Gallo para a realização dessa pesquisa em Londrina- PR no dia 11 de dezembro de 2009.

REFERÊNCIAS GIL, Gilberto. Guerra Santa, do álbum duplo Quanta (Gil 1997). IBGE. Censo Demográfico 1940-2000 Estatísticas do Século XX. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 de agosto de 2010.

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GALLO, F.V. A Teologia da Prosperidade na Igreja Universal do Reino de Deus. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 44-51, ago.-set., 2012

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A reinvenção da Educação Popular Carlos Eduardo Gomes Pereira Graduado em Pedagogia e Pós-Graduado no Curso Lato-sensu “Ensino de História e Ciências Sociais” pela Universidade Federal Fluminense – UFF São Gonçalo, RJ E-mail: kadu_gomez@yahoo.com.br

PEREIRA, C.E.G. A reinvenção da Educação Popular. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 52-56, ago.-set., 2012

A

s formas mais contundentes de ações afirmativas no âmbito educacional derivam do avanço do processo democrático brasileiro correspondente do conflito de forças antagônicas políticas e sociais que contribuem para que haja em fatos práticos a existência de modalidades inovadoras de Educação Popular, por exemplo, o contínuo crescimento, mesmo com intempéries, dos Pré-Vestibulares alternativos (no caso, os Populares ou Comunitários, denominação ainda que ambígua, caracterizam formas de acesso de preparação para o vestibular tangentes a massificação dos pré-vestibulares privados oferecidos às classes médias e abastadas). Desta forma, a educação brasileira tenta respirar ares de um progresso que alcance uma ampla democratização de acesso ao desenvolvimento educacional nos seus diversos estágios, ainda mais no que se refere a maciça entrada de heterogêneos grupos sociais nos corredores escolares e universitários uma vez que: [...] podemos criticar a escola realmente existente, mas temos excelentes motivos para dedicar a ela o melhor de nossos esforços e convertê-la numa causa ampla, generosa, democrática. Se soubermos partir da escola que está aí, em vez de descartá-la como verdadeiro espelho embaçado do projeto hegemônico das classes dominantes, se soubermos escapar definitivamente da [ideia] de que uma boa escola- uma escola de qualidade, democrática, de massas, universal, pública e gratuita, ou seja, uma escola republicana- só virá depois que tivermos uma boa sociedade, certamente teremos como reformar a escola (SOARES, 2005: 14).

Assim, os Pré-Vestibulares Populares projetam este intento de não esperar o futuro acontecer ou de ter uma atitude fatalista de reprodutivismo social da escola inspirada na corrente bourdiana, mas conscientes da realidade viva da escola, buscando atalhos que mudem uma filosofia segregadora de educação. Projeto de educação investido pelos Pré-Vestibulares Populares reivindica que todos dentro da sociedade condicionados nas suas limitações e ambições podem agir em prol de um símbolo de escola agregador de um maior grupo de indivíduos presentes nela para alcançar uma população com potencial pedagógico-acadêmico mais desenvolvido, além de chamar a atenção do poder instituído de uma urgente e radical modificação da estrutura educacional. Assim, podendo afetar uma conscientização de reformas no país que ultrapassam o nível educacional, entretanto coligadas a reformulação da própria educação brasileira.

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Portanto, a Educação Popular extrapola uma “era romântica”, isto é, não vê a educação com tábua de salvação da sociedade nem acredita na índole genuinamente pura dos seres humanos das pressões socioeconômicas ou culturais. Então, os Pré-Vestibulares Populares que investem nesta nova visão da Educação Popular amadurecem visões de outros intelectuais (educadores, filósofos, sociólogos) argumentadores da necessidade da transformação de um Brasil-arcaico para um Brasil-contemporâneo, conforme sinaliza Paulo Freire sobre o contraste entre uma sociedade fechada e uma sociedade aberta, afirmando que: Não temíamos afirmar, porém, esta objetividade: que nossa salvação democratizante estaria em nos fazermos uma sociedade homogeneamente aberta...Umas (faz uma definição da sociedade transição e a explicação do Golpe Militar) que pretendiam superar a situação democrática de que ela(demonstração do avanço das forças populares e progressistas) nascia e levar-nos pacificamente às soluções desejadas. Estas forças estavam convencidas, em face da crescente emersão popular e do próprio processo de democratização fundamental instalado na época da transição de que a abertura da sociedade brasileira e sua autonomia se fariam em termos realmente pacíficos... (FREIRE, 1977: 49). [...] sua alienação cultural, de que decorria sua posição de sociedade “reflexa” e a que correspondia uma tarefa alienada e alienante de suas elites. Elites distanciadas do povo. Superpostas à realidade, povo “imerso” no processo, inexistente enquanto capaz de decidir e a quem correspondia a tarefa de quase não ter tarefa (FREIRE, 1977: 47). Também conforme diz Paulo Freire: “situamos a sociedade “fechada” brasileira colonial, escravocrata, sem povo, “reflexa”, antidemocrática”...(FREIRE, 1977: 65).

Logo, as classes populares dão sinais de que persistem na ideia da união dos grupos sociais em prol do alcance dos seus direitos como também se esforçam cada vez mais em se inserir na melhoria de sua qualidade de vida nos diversos setores sociais, pois a sua politização emerge as fronteiras partidárias para liderar um complexo compromisso de vida com o bem-comum do outro num sentido fraternal envolvendo uma legião de pessoas com distintas orientações culturais, políticas, religiosas e outras mais. Desta maneira, os Pré-Vestibulares Populares se associam a outras maneiras das classes populares construírem e obterem conhecimento (inclui-se, também, nesta categoria, a crescente democratização do acesso ao mundo da informática com a proliferação das lan houses nas comunidades e nas suas redondezas), visto que o próprio avanço da tecnologia e a maior facilidade de bens de consumo duráveis propiciou esta mais incisiva reação das pessoas em ambicionarem um progresso menos restrito e limitado. Estas manifestações recentes da Educação Popular traz a tona a discussão sobre a responsabilidade do ensino universitário em ser mais sensível as causas problemáticas da sociedade desmascarando sua neutralidade diante da ampliação de oportunidades educacionais da sociedade brasileira como também uma maior pressão da sociedade civil sobre a sociedade política a fim de que o Estado tome posse de medidas que realmente combatam os desajustes do sistema educacional para que ocorra uma crescente equiparação de acesso ao ensino a todos os brasileiros desde o início do ensino fundamental, passando também pelo ensino médio; independente de sua origem pessoal.

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Entendemos que a ação dos Pré-Vestibulares Populares canalizam que mesmo o país se modernizando, tendo uma presença de alunos no ensino fundamental de quase 100% e o aumento de cursos profissionalizantes de diversas matizes profissionais. Ainda o Brasil, no que se refere à educação, anda em passos vagarosos numa real democratização do acesso aos bens do conhecimento e culturais e do atendimento a uma educação básica, laica, universal e democrática. Se de um lado a sociedade política implementa avanços na educação, a própria sociedade civil luta com suas armas, entretanto a mesma sociedade política que aumentou a população estudantil no ensino fundamental ou estruturou os cursos profissionalizantes do ensino médio, em contrapartida veta as políticas de ação dos Pré-Vestibulares Populares. Exemplificamos esta antítese e, ao mesmo tempo, um paradoxo, na militância dos Pré-Vestibulares para Negros e Carentes e a ação negativa da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro devido a manutenção da proibição dos Pré-Vestibulares Comunitários pelo o atual prefeito Eduardo Paes, ratificando a medida do seu antecessor, César Maia. A militância dos Pré-Vestibulares para Negros e Carentes ilustra esta nova virada das classes populares em fazer valer seu direito de se educar e se instruir para então viver com plenitude a sua cidadania, visto que um cidadão só tem noção do seu estado de sujeito quando pode viver seus deveres e direitos de forma integral, pois a luta pela sua dignidade e sua subjetividade ganha personalidade à medida que permanece na incansável vigília da observância da permanência de acesso (presente, futuro) ao seu bem-estar no contexto econômico, cultural, social e educacional. Desta maneira, os Pré-Vestibulares para Negros e Carentes partem da ideia de que as classes populares não precisam de terceiros para projetar ou contar qual deve ser o rumo de sua história, mas que o público destes pré já possui uma história a ser contada através de sua ação de protagonista, entretanto a continuidade do desenrolar deste novelo de sua história dependerá da sua conduta de comandante do destino de sua própria história. Portanto, os Pré-Vestibulares para Negros e Carentes, como os outros PréVestibulares Populares em geral, sinalizam a necessidade da Educação Popular em acordar a autoestima das classes populares e que o problema não está no conteúdo enciclopédico e clássico, contudo em creditar o potencial de aquisição deste conteúdo às classes populares, logo a questão está na pedagogia e na didática dos donos que detêm o monopólio deste conhecimento oficial acadêmico, então os Pré-Vestibulares Populares ensaiam uma nova história do trajeto da Educação Popular, além de contornar o rumo da pedagogia e da didática do ensino brasileiro em favor das classes populares. Em contrapartida, com esta atitude da prefeitura do Rio de Janeiro, a sociedade política demonstra o eterno embate entre as forças políticas progressistas e as forças políticas conservadoras. Esta medida evidencia a urgência de uma reformulação da mentalidade das classes políticas em relação às classes sociais do nosso país que não podem ter privilégio a continuidade e a permanência de uma educação de qualidade no Brasil. No entanto, esta luta de forças pode significar um ganho para a democracia brasileira com também para a nossa educação, pois as classes populares estão conquistando cada vez mais posição no cenário nacional e demonstram que não se intimidam em relação a surdez política do país em extinguir um modelo de democracia que está mais na projeção do eterno país do futuro do que na ação prática do nosso cotidiano.

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Os Pré-Vestibulares Populares representam um novo capítulo da Educação Popular no Brasil, visto que os princípios da solidariedade social e da democratização da universalização da educação permanecem intactos no coração e na ação dos seus principais atores sociais, pois a chama da verdadeira justiça social e da paz entre os homens continua constantemente acesa no interior das pessoas que enxergam os outros como seus irmãos e companheiros.

NOTAS 1

Alguns teóricos, como Dermeval Saviani, a questão do conteúdo do ensino não está na sua forma em si, mas sim na apropriação do conteúdo por parte dos atores que administram este conteúdo, pois a crítica a ela pode nos levar a um engano de pensar a formulação de um conteúdo pobre e despreparado para as classes populares. Esta linha de pensamento formula as ideias da “Teoria Crítica dos Conteúdos”, visto que, segundo Saviani, a seletividade, a discriminação e o rebaixamento do ensino das classes populares se tornam um crime a educação porque negligencia às classes populares o acesso a um conhecimento de direito a todos importante para a construção do poder de síntese da crítica da sua realidade e da realidade a sua volta. 2

Bourdieu, sociólogo francês, teórico de uma das teorias crítico-reprodutivista; Teoria do Sistema de Ensino como Violência Simbólica, analisou a escola sobre os conceitos do capital cultural e da herança familiar, visto que utiliza estes conceitos para analisar o descompasso entre o tipo de cultura (construção de conhecimento e absorção sistemática do ensino escolar) escolar burguesa e a cultura subjetiva dos alunos que tentam na escola compensar a carência de uma tradição cultural que não faz parte do seu dia-a-dia. Desta forma, segundo Bourdieu, a escola reproduz a realidade da divisão social da sociedade, ou seja, a escola está serviço para manter o status quo da classe hegemônica sobre as demais. 3

Paulo Freire, grande pai da Educação Popular no Brasil, fez, durante toda sua vida, uma forte crítica à educação brasileira. Ele via a educação como o principal caminho para a nossa alfabetização de mundo, pois, para Paulo Freire, alfabetização era a nossa resposta de como nos relacionamos com o ambiente e com as pessoas. Então, ele defendia que a educação deveria estar de acordo com uma mentalidade radical e de promoção de uma sociedade aberta, uma vez que a educação serve para sermos abertos às novas opiniões e visões de mundo e expandir nossa mente em favor de uma democratização ampla e irrestrita. 4

Assim, como Marx, separava a sociedade em dois polos antagônicos; superestrutura e infraestrutura, Gramsci, também, separava em grupos antagônicos, sociedade civil e sociedade política. A sociedade política, conforme Gramsci, compreende as grandes instituições sociais, políticas, culturais e educacionais que manipulam toda a corrente ideológica da sociedade. A sociedade civil corresponde aos desdobramentos das grandes instituições da sociedade, exemplo, as Ongs, as famílias, os indivíduos e as manifestações coletivas sociais paraestatais. No entanto, como a superestrutura e infraestrutura, a sociedade política e a sociedade civil se complementam para que ocorra o controle e o equilíbrio social a fim de que evite um anacronismo sociológico impedindo a anomia social.

REFERÊNCIAS FREIRE, PAULO. Educação como prática da liberdade. Ed: Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977.

SAVIANI, DERMEVAL. Escola e Democracia. Ed: Autores Associados, 36º Ed., São Paulo, 2003.

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SOARES, DORE ROSEMARY. O Estado e a escola. Ed.: Unijuí, RS,

2000.

A reinvenção da Educação Popular Carlos Eduardo Gomes Pereira Graduado em Pedagogia e Pós-Graduado no Curso Lato-sensu “Ensino de História e Ciências Sociais” pela Universidade Federal Fluminense – UFF São Gonçalo, RJ E-mail: kadu_gomez@yahoo.com.br

PEREIRA, C.E.G. A reinvenção da Educação Popular. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 52-56, ago.-set., 2012

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Sistema integrado de gestão em indústria de insumos farmacêuticos Adriano Magno D. Fonseca Mestre em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Farmacêutica pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) e Graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Goiás Goiânia, GO E-mail: amagno10@hotmail.com Antonio Pasqualeto Doutor em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa, Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria. Professor titular da PUC-Goiás Goiânia, GO E-mail: pasqualetto@pucgoias.edu.br

FONSECA, A.M.D.; PASQUALETO, A. Sistema integrado de gestão em indústria de insumos farmacêuticos. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 57-68, ago.-set., 2012

RESUMO A implementação de um Sistema Integrado de Gestão (SIG) para a Indústria de Insumo Farmacêutico, certificada com as Boas Práticas de Fabricação (BPF),usando como

diretrizes as normas NBR ISO 9001:2008, NBR ISO 14001:2004, NBR 16001:2004 e OHSAS 18001:2007, pode ser implantado através de etapas.

Palavras-chave: Sistema de gestão integrado; gestão industrial; responsabilidade social ambiental

1. INTRODUÇÃO

P

ara auxiliar nas transformações do Século XXI, instituições brasileiras e de outros países têm trabalhado para encontrar uma linguagem comum e de fácil acesso para que todos possam se entender quando se tratar de programas de qualidade de produtos e serviços, conservação e proteção do meio ambiente, segurança no trabalho, responsabilidade social entre outros. Essa linguagem comum pode ser encontrada nas normas de referência dos sistemas de gestão, que podem ser integradas. Um sistema integrado de gestão é a combinação de procedimentos e processos, empregados numa organização para implantar suas políticas de gestão e que podem ser mais eficientes para conseguir os objetivos determinados por ela, do que quando há diversos sistemas individuais se sobrepondo. A integração dos sistemas de gestão pode abranger diversos temas, tais como: qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, recursos humanos, controle financeiro, responsabilidade social, dentre outros. No presente trabalho, serão enfocados os aspectos relativos à Gestão de Qualidade (GQ), Gestão Ambiental (GA), Gestão de Responsabilidade Social (GRS) e Gestão de Saúde e Segurança no Trabalho (GSST).

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Uma pesquisa realizada pelo Centro da Qualidade, Segurança e Produtividade para o Brasil e América Latina – entre os meses de maio e julho de 2000, abrangendo 189 empresas certificadas na época no Brasil em conformidade com a norma ISO 14001, sendo que 65 % delas possuíam Sistema de Gestão Integrado, apresenta os benefícios obtidos com a implantação de um sistema integrado (DE CICCO, 2000). Os resultados se encontram elencados a seguir: • • • • • • • •

Reduzir custos de implantação, certificação e manutenção; Evitar duplicação ou triplicação de recursos internos e infraestrutura; Evitar superposição de documentos e reduzir a burocracia; Reduzir a complexidade (entendimento, treinamento etc.); Melhorar a gestão dos processos; Melhorar o desempenho organizacional; Melhorar a satisfação dos clientes; Elevar a imagem da organização.

A mesma pesquisa cita os documentos/elementos unificados, são elas: • • • • • • • • • • •

Controle de documentos e de dados; Registros; Auditorias internas; Treinamentos; Ações corretivas e preventivas; Manual de gestão; Análise crítica pela administração; Aquisição; Monitoramento e medição; Controle de processo; Análise crítica de contrato.

Mesmo com todo o otimismo para a implantação do SIG algumas dificuldades de implantação são citadas pelo mesmo autor a seguir. • • • • • •

Levantamento de quais os Sistemas se aplicam a realidade da organização; Levantamento dos aspectos, impactos, perigos e riscos que a organização irá ter na implantação dos Sistemas; Grande número de reuniões e treinamentos para que todos os departamentos entendam sobre os Sistemas; Alguns conceitos diferentes envolvidos no SIG; Dificuldade na interpretação das normas e nos pontos em comum delas. Dificuldade de romper o conceito de que um sistema é mais importante que o outro.

A pesquisa demonstra que existem mais facilidades que dificuldades na implantação do SIG, sendo mais um fator estimulante para o desenvolvimento desse trabalho. 2. SISTEMAS DE GESTÃO 2.1. Gestão da Qualidade

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ara Paladini (2006), o conceito tradicional de Gestão da Qualidade envolve duas áreas básicas de atuação, primeira no âmbito global e a segunda no âmbito operacional. O âmbito global colabora no esforço da alta administração da empresa em definir as políticas da qualidade, e no âmbito operacional contribui no

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desenvolvimento, na implantação e avaliação dos programas de qualidades. O sistema de gestão da qualidade pode ser implantado em uma empresa através de normas internacionais ou nacionais. Como normas internacionais têm-se a família de norma ISO 9000 criadas pela International Organization for Standardization, ISO. Essa família foi desenvolvida para as instituições de diversos tipos e tamanhos, que desejam implementar e operar uma gestão da qualidade eficaz. Juntas elas formam um conjunto coerente de normas sobre sistema de gestão da qualidade, facilitando a compreensão mútua no comércio nacional e internacional. Como referência nesse trabalho será tomada a Norma NBR ISSO 9001:2008, para um sistema de gestão da qualidade. 2.2. Gestão Ambiental

S

egundo Ruella (2004) as normas internacionais de gestão ambiental emitidas pela ISO, têm por objetivo prover às organizações subsídios para a implementação dos elementos de um sistema de gestão ambiental de forma eficaz, passível de integração com outros sistemas de gestão, de forma a auxiliá-las a alcançar seus objetivos ambientais e econômicos. Como referência dessas normas encontra-se a ISO 14000, que pode ser definida como um conjunto de normas, de caráter voluntário e de padrão internacional, que apresenta os elementos necessários para iniciar, aprimorar e sustentar um Sistema de Gestão Ambiental efetivo. Sendo compatível e aplicável com diferentes estruturas culturais, sociais e organizacionais, com efeitos desejados no mundo inteiro. Em uma organização, a ISO 14000, contribui para minimizar os efeitos nocivos causados pelas suas atividades, no alcance das metas ambientais estipuladas por ela própria, conduzir ao maior cumprimento das legislações ambientais pertinentes a suas atividades, padronizar processos, atender as crescentes expectativas de desempenho ambiental e para assegurar, de forma corrente, a conformidade com os requerimentos nacionais e/ou internacionais. A ISO 14000 apresenta duas normas direcionadas para um Sistema de Gestão Ambiental, são elas a ISO 14001 e a 14004. A ISO 14001 é a única das duas que permite a certificação de um SGA por terceiros (empresas certificadoras), enquanto que a ISO 14004 apresenta característica não certificável, fornecendo relevantes informações para a primeira. Como referência nesse trabalho será tomada a Norma NBR ISO 14001:2004, para um sistema de gestão ambiental. As Normas NBR ISO 14001 definem Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs) como a parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamentos, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental definida pela organização pública ou particular (MARTINS JÚNIOR, 2005, p. 61). 2.3. Gestão da Responsabilidade Social

O

rganizações nacionais e internacionais têm elaborado normas que auxiliam as instituições que desejam implantar programas de responsabilidade sociais de forma documentada e padronizada. Exemplo disso foi a ISO que iniciou em março de 2005, a elaboração de uma norma que ao contrário de suas outras não é para a certificação, mas tem o objetivo de orientar a implantação de programas de responsabilidade social a qualquer instituição, a norma ISO 26000.

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A ISO 26000 é vista como uma das mais importantes iniciativas internacionais no campo das normas de conduta em Responsabilidade Social, tanto pela relevância da entidade que a promove quanto pela amplitude das representações que estão tomando parte da sua elaboração. A futura norma poderá ter impacto sobre as demais iniciativas e ferramentas de gestão em Responsabilidade Social, tais como códigos de conduta, balanço social, indicadores de desempenho socioambiental, entre outras (DIEESE, 2006). A ABNT adiantou-se na normatização e na certificação e em 30 de novembro de 2004 editou a primeira edição da NBR 16001:2004, uma norma de Responsabilidade Social que envolve todo o sistema de gestão organizacional, servindo de referência para as instituições nacionais e internacionais que querem implantar um sistema da gestão da responsabilidade social. Desenvolvida para sanar uma lacuna existente na área de certificação em Responsabilidade Social, é pioneira e a única que pode certificar as organizações que querem ser certificadas com um Sistema de Gestão da Responsabilidade Social. Ela é a referência nesse trabalho. Esta norma tem por objetivo prover às organizações os elementos de um sistema da gestão da responsabilidade social eficaz, passível de integração com outros requisitos de gestão, de forma a auxiliá-las a alcançar seus objetivos relacionados com os aspectos da responsabilidade social. Não se pretendem criar barreiras comerciais não-tarifárias, nem ampliar ou alterar as obrigações legais de uma organização (ABNT NBR 16001, 2004). 2.4. Gestão de Saúde e Segurança no Trabalho

A

s relações entre trabalho e acidentes de trabalho e/ou doenças ocupacionais faz parte da vida e cultura da humanidade já faz tempo. Santana (2006) afirma que não é possível falar em conhecimento sobre saúde do trabalhador sem mencionar o trabalho seminal de Ramazzini que, entre o final do século XVII e começo do século XVIII, escreveu importante tratado sobre doenças ocupacionais, indicando a incorporação de perguntas específicas sobre a ocupação durante a anamnese clínica, antecipando formas de prevenir e tratar enfermidades, como as osteomusculares, ainda prevalentes. Na procura por melhorar a relação entre saúde/segurança/ trabalho, Conde (2003) menciona que um grupo de organismos certificadores entre os quais BSI, BVQI, SGS, entre outros, e entidades nacionais de normalização da Irlanda, Áustria, África do Sul, Espanha e Malásia, reuniram-se em meados de 1998, na Inglaterra para criar a primeira norma passível de certificação de sistemas de gestão da SST de alcance global. Nascendo a Occupation Health and Safety Assessment Series, OHSAS 18001, sendo publicada pela British Standards Institution, BSI, e entrou em vigor em 15 de abril de 1999. A elaboração da OHSAS 18001 foi o avanço para a padronização dos sistemas de gestão de saúde e segurança no trabalho, além de ser harmonizável com normas como a ISO 9001 e ISO 14001. As vantagens relacionadas à implantação de um sistema de gestão de SST baseado no OHSAS 18001 são a diminuições no número de acidentes através da prevenção dos riscos nos locais de trabalho, manutenções e aumento a motivação dos colaboradores, garantir o atendimento às legislações pertinentes a Segurança e Saúde Ocupacional aplicável às atividades da organização e atender as partes interessadas no assunto. Essa norma é utilizada como referência nesse trabalho. Em Relação aos Sistemas de Gestão observou-se que:

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• • • •

• • •

Tem caráter opcional, ou seja, é uma iniciativa da organização em implantar, demonstrando que a cultura de melhoria contínua e satisfação do cliente foram incorporadas a mesma. São auditadas e certificadas por empresas da iniciativa privada. A aplicabilidade é ampla nas diversas atuações das organizações, não se restringe a certas atividades. Os temas das normas elaboradas para a implantação de Sistemas de Gestão possuem abordagens diversificadas como qualidade, meio ambiente, responsabilidade social e saúde e segurança do trabalho entre outros. Contudo cada norma existente abrange um sistema de gestão específico. Requer a participação, o comprometimento, a análise crítica e a disponibilização de recursos da alta direção. Solicita que a as responsabilidades sejam definidas, não especificando quais. Solicita que a alta direção escolha um representante.

3. ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO DO SIG

O

s caminhos a serem percorridos para a implantação de um Sistema Integrado de Gestão são bem distintos. Isso se deve aos diversos fatores que influenciam na hora da decisão como a particularidade da organização, a maneira como será conduzida a implantação, a existência ou não de sistemas de gestão já implantados, a cultura de gestão em vigor na empresa, o planejamento da direção, em relação aos objetivos, prazos e motivações, os recursos financeiros e humanos disponíveis. Soler (2002) afirma que existem diversas formas de implantação de SIG. Tais formatos dependem de características próprias da organização que irá implantá-los. Desta forma, antes da implementação, deve-se definir a forma de desenvolvimento mais adequada e eficiente, que atenda às necessidades da organização. Ressalta-se que o atendimento a tais necessidades não implica necessariamente em um processo formal de certificação, podendo estar restrito apenas a melhorias nos processos e produtos. Labodová (2003) sugere duas maneiras de integração verificadas em organização da Europa: I. Implementação sequencial de sistemas individuais – são combinados, formando o SIG; II. Implementação do SIG, sendo que apenas um sistema engloba todas as áreas. Para essa forma de implementação, a metodologia escolhida está baseada nas teorias da análise de risco, cujo significado pode ser usado como um fator integrador – risco para o meio ambiente, para a saúde e dos empregados e população ao redor e risco de perdas econômicas decorrentes a problemas no produto De Cicco (2003) sugere a implantação de um sistema integrado composta por etapas enumeradas. A proposta de metodologia para a implantação do SIG desse trabalho é baseada na sugestão desse pesquisador. Ela será realizada em 12 etapas, conforme figura, a seguir.

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Etapas para a implantação do SIG 1.ª Etapa – Conduzida pela Alta Direção 2ª Etapa – Identificação dos processos 3ª Etapa - Regulamentação 4.ª Etapa - Análise crítica 5ª Etapa - Determinação 6.ª Etapa - Elaboração 7ª Etapa - Qualificação 8ª Etapa - Documentação 9ª Etapa - Implantação 10ª Etapa - Monitoramento 11ª Etapa - Correções 12ª Etapa - Certificação

Figura 1: As doze etapas para a implantação do SIG

3.1. 1ª Etapa – Conduzida pela Alta Direção

I

dentificação das necessidades e expectativas das partes interessadas no sistema: a alta direção precisa identificar as necessidades e expectativas das partes interessadas e envolvidas com a organização, como os clientes, funcionários, proprietários, fornecedores, comunidade e governos. Esse processo pode ser realizado através de consultoria ou até mesmo por uma pesquisa direta, pois a indústria de Insumo Farmacêutico trabalha com diversos tipos de clientes, fornecedores e colaboradores. Nesse trabalho optou pela implantação de sistemas que abrangem os setores que não são abordados diretamente pela RDC 249. Definição de quais sistemas a organização deseja implantar: com as informações obtidas anteriormente e devido à diversidade de normas existentes a organização necessita definir quais se enquadram melhor no seu perfil e na expectativa de seus clientes. Isso é de fundamental importância para não haver arrependimentos ou a realização de trocas de normas durante o processo de implantação. Uma ação que contribui bastante na escolha de sistemas é consultar empresas certificadoras como o INMETRO, Fundação Vanzolini, SGS do Brasil, Bureau Veritas (BVQI). Escolhidos as normas segue-se adiante. Análise crítica pela alta direção dos sistemas escolhidos: como as normas são de iniciativa da organização, ao contrário da BPF, é importante que a alta direção analise criticamente as normas escolhidas e veja se vão ao encontro com o que desejam e se a empresa possui capacidade e interesse de implantação. Vale ressaltar que cabe a organização, como um todo, dominar bem o sistema e atender todos os itens

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solicitados, desde os mais simples até os mais complexos. Isso será mencionado no próximo momento. Oficialização por parte da diretoria se comprometendo a fornecer apoio e suporte aos sistemas: além de ser solicitado por qualquer norma o comprometimento da alta direção torna fácil o desenvolvimento do processo de implantação e de manutenção do sistema, porque mudanças e gastos ocorrem dentro da organização. Escolha de um coordenador que irá acompanhar o processo da implantação do SIG: após a definição dos sistemas, inicia a escolha do representante da alta direção para acompanhar todos os trabalhos. Esse representante precisa ter credibilidade junto à alta direção e aos colaboradores da organização, conhecimento profundo do assunto, interesse, dedicação e iniciativa. 3.2. 2ª Etapa – Identificação dos processos

I

dentificação de processos da organização: a identificação e a descrição dos processos e sub-processos da organização deve ocorrer para todas as etapas de produção ou serviços, com suas entradas e saídas, os trânsitos dentro da organização, mencionando a capacidade de cada processo e setor, os pontos críticos, os controles de mudanças. Esse processo necessita muita atenção e cuidado, pois ele tem que ser bem detalhado e elaborado, sem dubiedade, sem a omissão de algum processo, pois o mau entendimento do mesmo pode comprometer outras etapas. Nessa etapa a organização começa a definir o conceito de qualidade da organização e a conhecer melhor cada etapa de produção. Nesse momento ainda não é a criação dos Procedimentos Operacionais Padrão, POP´s, pois aqui é apenas para identificar e descrever os processos sem forma legal. Os POP´s são documentos criados por pessoas qualificadas em suas atividades e que possuam uma visão de melhoria das ações onde eles são utilizados. Estabelecer a atual situação da organização: com a identificação de todo o processo da organização o próximo passo é fazer uma análise crítica, de todas as áreas, departamentos, setores, quadro de funcionários e suas qualificações. Esse processo servirá para ver em qual situação a organização se encontra em relação às normas escolhidas e já começarem a estudar quais serão as mudanças ou melhorias que necessitam ser feitas. 3.3. 3ª Etapa – Regulamentação

A

tender todas as legislações e regulamentações pertinentes: com a situação atual bem definida, a organização deverá verificar o atendimento aos requisitos legais vigentes nas esferas municipais, estaduais e federais, relacionados com as suas atividades ou serviços. Caso esteja com pendências legislatórias necessita regularizar. Esse material é facilmente disponibilizado na internet, em literaturas, consultorias, ressaltando que alguns já são do conhecimento da organização quando na instalação e funcionamento dela. 3.4. 4ª Etapa – Análise crítica

A

nálise crítica da organização: é viável ou não: essa é a fase em que a alta direção e o representante escolhido se reúnem e analisam todo o material obtido nas etapas precedentes e estudam a viabilidade da gestão. Essa etapa necessita ser muito bem delineada, examinando a organização de vários ângulos, e como ela irá portar diante dos sistemas escolhidos. A alta direção já pode fazer uma

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análise critica mais profunda da organização e saber se existem condições ou não para a implantação e manutenção das normas e por consequência do SIG. A organização precisa refletir muito porque a resposta dada nesse instante é definitiva para as demais etapas. Sendo viável passa para a etapa a seguir. 3.5. 5ª Etapa – Determinação

D

eterminação da Política: nesta ocasião estabelece a política integrada da organização, partindo dos princípios de cada norma escolhida e do pretendido pela organização, transmitindo uma mensagem clara e coesa com todos os interessados. Nesta ocasião já começa a atender e implantar as normas. Determinação dos objetivos e metas: os objetivos são determinados para atender a política da organização, e as metas são criadas para cada objetivo. Ambos precisam de indicadores mensuráveis de desempenho, que servirão para a avaliação de desempenho do SIG e fornecer dados sobre as operações relacionadas com a gestão. 3.6. 6ª Etapa – Elaboração

E

laboração do Plano de implantação do SIG: o representante da alta direção e os gestores, previamente designados (levando em consideração os que mais conhecem sobre os processos da organização), precisam se reunir para elaborar o plano de implantação do SIG. A primeira fase dessa reunião é para determinar a formação das equipes de trabalho, podendo ser constituída por grupos de processos ou departamentos. Na elaboração do plano serão estipulados os prazos de cada ação. As equipes podem ser dispostas por processo/serviços, setores como o comercial, de desenvolvimento, de produção, logística ou por sistemas. A formação servirá de eixo e direcionamento para saber qual a proximidade ou distância de cada departamento ou setor para o atendimento dos requisitos das normas e do SIG. Essa divisão é muito peculiar a cada organização, pois varia do tamanho dela, mas o principal é conseguir abranger um número maior de áreas sem que um setor atropele o outro e a implantação se torne desgastante para todos. A segunda fase será a qualificação dos gestores e das equipes de trabalho. A qualificação é importante para o melhor entendimento das normas escolhidas e o desenvolvimento das etapas subsequentes. A identificação das possíveis deficiências de cada colaborador em sua função, o interesse e o comprometimento deles com o desenvolvimento do SIG, a realização de auditorias internas e externas, entre outros são os tópicos que devem ser abordados. A qualificação poderá ocorrer dentro ou fora da organização, sendo que é o primeiro gasto significativo para a alta direção. 3.7. 7ª Etapa – Qualificação

Q

ualificação para o SIG: na etapa anterior ocorreu à qualificação dos gestores e das equipes de trabalho, porém para a implantação do SIG é necessário realizar o treinamento e qualificação de todos os colaboradores da organização, nas atividades que eles realizam e sobre as normas do sistema. Em seguida a é elaboração dos procedimentos e documentos onde são realizadas as atividades.

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3.8. 8ª Etapa – Documentação

D

ocumentação do SIG: nessa etapa acontece a elaboração dos documentos do SIG. Eles irão abranger toda a organização desde a estrutura organizacional aos processos e sub-processos identificados na segunda etapa. É a apresentação de forma escrita de tudo o que é feito pela organização, dentro ou fora dela e como consequência elabora-se os Procedimentos Operacionais Padrão. Como os colaboradores já estão mais qualificados e mais conhecedores dos processos e das normas, a criação de POP´s e a elaboração dos documentos não será um trabalho muito penoso e servirá de ajuda para a melhoria da organização como um todo. As normas em sua maioria, no item Requisitos de Documentação já apresentam o que a documentação de um sistema de gestão deve incluir, contudo a seguir propõem-se além dos tópicos das normas, outros tópicos complementares. • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Manual do SIG que mencione as normas escolhidas; Declaração da política de gestão; Declaração documentada que a alta direção se comprometendo com a política do SIG; Organograma da organização; Descrição de cargos e funções, citando as responsabilidades; Treinamentos; Programas de Saúde; Sistema de controle de documentação; Especificações de produtos ou serviços; Procedimentos para Produção/Serviço; Controle em Processo; Controle de Mudança; Reclamação, Recolhimento e Devolução; Autoinspeções da Qualidade; Controle de não conformidades; Ações corretivas e preventivas; Auditorias internas e externas; Meios de Comunicação Interna e Externa.

3.9. 9ª Etapa – Implantação

I

mplantação do SIG: a distribuição dos Procedimentos Operacionais Padrão deverá ocorrer de forma registrada e os colaboradores já têm o compromisso de cumprir e segui-los, pois o não cumprimento é considerado uma não conformidade. Essa é a etapa determinante da implantação do SIG, agora ele já existe na organização. Para uma implantação de êxito é necessário o ajuste entre as esferas administrativas e operacionais, e a organização ser vista como um todo e não segregada por departamentos e/ou setores. Todos os colaboradores devem estar motivados, imbuídos e conscientes das suas responsabilidades, independente do cargo ou função que desempenha.

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3.10. 10ª Etapa – Monitoramento

M

onitoramento e plano de melhorias: o cumprimento dos objetivos, metas, prazos estipulados, execução dos POP´s, melhoria dos processos ou serviços, avaliação dos colaboradores, ajuste da organização com o sistema, satisfação dos clientes, entre outros tópicos criados na documentação do SIG, precisam ser monitorado pela alta direção. Isso é perfeitamente atendida com a realização de auditorias internas. A forma de auditoria, o procedimento, os registros entre outros são bem descritos no item Medição, análise e melhoria das normas escolhidas, entretanto outros itens podem ser acrescidos de acordo com a disponibilidade da organização. Para ter uma opinião externa á organização de como tem sido conduzida a gestão integrada, e manter imparcialidade entre os setores e colaboradores, é possível contratar uma consultoria para avaliar melhor esse processo. Com a auditoria interna, que pode ser feita com o roteiro de auto inspeção proposto no trabalho, a alta direção deverá fazer uma análise critica do SIG e de tudo o que já foi realizado dentro da organização. Esse é o retorno real que ela precisa para verificar se os resultados estão sendo os esperados ou não. Nesse momento o plano de melhorias assegurado na oficialização por parte da diretoria se comprometendo a fornecer apoio e suporte ao sistema deixa o papel e torna-se real. 3.11. 11ª Etapa – Correções

P

lano de correções: as normas escolhidas solicitam ações corretivas para as falhas detectadas. Elas devem ser implantadas e assegurar que a organização não pratique os mesmos erros no futuro. Caso a alta direção tenha optado na etapa anterior por uma consultoria, a mesma irá ajudar nas ações corretivas. 3.12. 12ª Etapa – Certificação

C

ertificação Integrada: depois de todas as etapas anteriores terem sido bem entendidas, implantadas e cumpridas, a organização deve contatar a empresa auditora para certificá-la. Essa decisão deve ser tomada quando a alta direção tiver plena confiança no andamento do SIG. Conde (2003) recomenda como orientação de posturas para os colaboradores durante a auditoria o seguinte: • • • • •

Falar somente o necessário; Responder objetivamente e claramente aos questionamentos do auditor; Localizar rapidamente as evidências solicitadas; Sempre responder com base na documentação pertinente ao SIG; Esclarecimento de dúvidas.

4. CONCLUSÃO

O

estudo analítico dos sistemas de gestão abordados (qualidade, meio ambiente, responsabilidade social e saúde e segurança no trabalho) demonstra que o propósito dessas normas é a melhoria contínua nas áreas em que ela se dedica. A dedicação não pode ser entendida como um fator limitante, pelo contrário, faz o aperfeiçoamento em cada área, fato que tem se tornado comum nas organizações e em profissões.

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Conclui-se que é possível a implantação em etapas de um SIG numa Indústria de Insumo Farmacêutica, já certificada com as Boas Práticas de Fabricação, BPF, tendo como normas de gestão a NBR ISO 9001:2000, NBR ISO 14001:2004, NBR 16001:2004 e OHSAS 18001: 2007.

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DIEESE. Normas de Responsabilidade Social da ISO e da ABNT: subsídios para o movimento sindical. Nota técnica n. 29 julho 2006.

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Sistema integrado de gestão em indústria de insumos farmacêuticos Adriano Magno D. Fonseca Mestre em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Farmacêutica pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) e Graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Goiás Goiânia, GO E-mail: amagno10@hotmail.com Antonio Pasqualeto Doutor em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa, Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria. Professor titular da PUC-Goiás Goiânia, GO E-mail: pasqualetto@pucgoias.edu.br

FONSECA, A.M.D.; PASQUALETO, A. Sistema integrado de gestão em indústria de insumos farmacêuticos. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 57-68, ago.-set., 2012

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Competitividade & clientividade Roberto Rodney Ferreira Junior Graduado em Administração pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes e pós-graduado em Contabilidade e Gestão Estratégica de Empresas pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, pós-graduado em Logística Empresarial pela UMA-BH e Mestre em Gestão pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD - Portugal Montes Claros, MG E-mail: robertorodney@ymail.com / rrodney508@gmail.com

FERREIRA JUNIOR, R.R. Competitividade & clientividade. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 69-78, ago.-set., 2012

RESUMO Pretendeu – se a partir da leitura e entendimento do livro Talentos & Competitividade, Clientividade de César Souza (2001), abordar as questões que em razão da modernidade, da evolução tecnológica e da globalização, tornaram-se fundamentais para as empresas competitivas, empresas de sucesso. É um trabalho, que aborda vários segmentos relacionados à Gestão, incluindo a análise sobre a competitividade, a liderança, o efeito do talento, a criatividade a Área de Recursos Humanos, a carreira do líder e o diagnóstico da clientividade. Tudo isso sob

a visão de César Souza, mas discutido e auxiliado por fundamentações de outros autores que tratam do assunto como: Kotler, Levitt, Mintzberg, Ulrich e Lovelock. Embora haja divergência de opiniões acredita-se que a competitividade hoje exigida das organizações, não se restringe a esse ou aquele diferencial, mas na consubstanciação entre os diversos segmentos, que convergidos para as mesmas ações e objetivos, é capaz de produzir o esperado desenvolvimento com sucesso.

Palavras-chave: Gestão; competitividade; desenvolvimento; talento; clientividade ABSTRACT all based on César Souza’s view, but discussed and assisted by other author’s statements; authors who have already tried an approach on the same issue: Kotler, Levitt, Mintzberg, Ulrich and Lovelock. Although opinions may vary among the authors, it is believed that the competitiveness demanded from current organizations is not limited to any specific differential, but the consolidation among the various

The present article is based on the reading and interpretation of the book Talentos & Competitividade, Clientividade, written by César Souza (2001). It focuses on questions that were generated by modernity, technological development and globalization – factors which have become indispensable for the competitive, successful companies. It is a work that approaches various segments related to management, including the analysis of competitiveness, leadership, the effects of talent and creativity on the Human Resources area, the leader’s career and the diagnosis of the “clientividade”¹,

segments when converted to the same actions and objectives, is capable of producing the expected successful development.

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Keywords: Management, competitiveness, development, talent, clientividade.

1. INTRODUÇÃO ste trabalho centrou-se na interpretação e discussão do livro “Talentos & Competitividade, Clientividade” de autoria de César Souza. O objetivo foi que a partir das interpretações, externar um entendimento de forma crítica, recorrendo a outros autores, para o auxilio da fundamentação. É um assunto bastante amplo, o qual o autor, estudioso do tema, procura abordar com bastante propriedade, consolidando as diversas inferências e vivencias sobre os assuntos empresariais, ressaltando o sucesso por intermédio do talento e da competitividade fortemente exigidos pela modernidade.

E

2. ANALISANDO A COMPETITIVIDADE

U

m dos ideais maiores apresentados por César Souza em sua obra é o de mostrar que toda empresa, ou melhor, toda instituição do mundo organizacional, no seu nascedouro, já nasce preconizando sua sustentabilidade e desenvolvimento. Porém, pensar em desenvolver a instituição continuamente, sem pensar que o tempo e o espaço a cada dia se transformam e se estende se modifica por razões internas e externas; sem pensar que a própria administração vem mudando seu foco no intuito de crescimento, é não pensar como um executivo capaz, ou um gestor adequado aos contornos da modernidade empresarial. Foi-se o tempo em que à estratégia, o marketing e a própria gestão centravam-se na atividade, no segredo ou no produto. O tempo não é mais o de “agora”, pois dentro da concepção desse adjetivo, pode significar “atualmente” ou “presentemente”; o tempo empresarial da modernidade é o de “já”, que representa as decisões imediatas e instantâneas, tanto quanto o de futuro com adequação às forças tecnológicas e globalizastes. (KOTLER, 2002, p.44). Visto isso, percebe-se que o tempo constrói, mas também destrói e, o erro ideológico pode ser fatal e insolvente. Daí perceber que a competitividade, segundo Souza, abdicou-se de si, para dar lugar à “Clientividade”. Sendo toda instituição uma produtora de bens/serviços que devem ser demandados por alguém, é de se entender que se em uma das extremidades do curso produtivo há o produtor mais o produto, na outra extremidade há os que necessitam desse produto, os clientes/consumidores. Então produzir apenas, não é o bastante para o desenvolvimento. O bastante está no seu escoamento, e, mais uma vez, o cliente se manifesta essencial, para o curso desse escoamento produtivo. É nesse aspecto que Souza percebe que entre o produto e o cliente há um espaço bastante substancial que deve ser trabalhado, levando ao seu final, antes do cliente, o chamado diferencial, o “plus” empresarial. Nessa visão interpreta-se que, no curso da produção, há um espaço de trabalho criativo de diferenciais maiores que o da produção efetiva e do que a aquisição do produto. Acredita-se que o livro Talento, Competitividade, Clientividade, idealizado por Souza, dispôs-se a lapidar esse espaço. E, é justamente aí que deve estar inserida a

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preocupação em se produzir com talento e competitividade; de munir seus agentes empresariais de capacidade, qualificação e talento. 3. O TALENTO DIANTE DO COMPETITIVO

N

o que diz respeito ao talento, Souza procura demonstrar que antes de qualquer coisa, a preocupação institucional deve estar voltada para a “reinvenção” da educação corporativa, onde se consolidam de forma ampliada toda uma classe como elementos produtores, ou seja, todos estarão efetivamente associados nos trabalhos “naquele espaço criativo” e serão responsáveis pelo diferencial da empresa; todos devem estabelecer a customização entre a sua criatividade e o objetivo da empresa, visando à qualidade de excelência. Sendo assim, diz Souza “... que chegamos ao fim da Era de T&D. Mais uma vez tornase necessário repensar a educação corporativa em função do somatório de várias circunstâncias.” (2001, p. 27). Entretanto, na busca da qualificação e capacitação dos recursos humanos da empresa, não se pode ter em vista apenas as questões internas, ou não será corporativo. Adicionalmente, o capital intelectual de uma empresa moderna não se limita apenas aos seus talentos internos. Pode e deve também ser cultivados nas relações com fornecedores, sócios, clientes, agentes comunitários e até mesmo com os competidores. Os programas tradicionais de T&D ainda privilegiam o que ocorre dentro das organizações enquanto os verdadeiros resultados são obtidos cada vez mais fora das paredes da empresa (SOUZA, 2001, p.05).

Como se vê a empresa atual e de sucesso é efetivamente relevante à importância dada aos diversos segmentos, que envolvem a empresa denominada “Stakeholders” (grupo de interesse). Nessas considerações, não se poderia deixar de fazer alusão ao que Kotler disse sobre a necessidade das empresas de se preocuparem em saber que as velocidades das mudanças atreladas às evoluções são fator de extrema relevância para a adaptação das empresas que queiram estar preparadas para o enfrentamento da competitividade com eficiência, e declara ainda, que essa “capacidade de mudança é o marco diferencial que lhes garantirá a competência plena e contínua, sem correr o risco de ser mais uma a desaparecer, por não perceber mudanças no próprio mercado e se adequar.” (1999 p.56). Essa visão de mudanças de adequações, imputadas por Souza, no entanto, não se restringe a trabalhar apenas a produção e o produto. Aliás, a ideia transcende a tudo isso, indo esbarrar na própria transcendência tempo-espacial. O tempo de hoje no Brasil, não é o de estado mínimo, mas de um estado menor, marcado pelas privatizações; para as empresas preocupadas em crescer com desenvolvimento, o tempo não é mais de redoma em si mesma, mas o de fusões, aquisições, associações; os negócios, mesmo nos contornos territoriais, estão avizinhados de uma multinacionalização, que não privilegia apenas as megaempresas, mas as de todos os portes, incluindo a informalidade. Daí a necessidade dos lideres

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estarem preparados e capacitados para os enfrentamentos. Souza afirma que “as empresas vencedoras serão aquelas que souberem montar verdadeiras fábricas de líderes” (2001, p.23). 4. OS LÍDERES NA NOVA ORDEM EMPRESARIAL

O

s líderes aqui tratados, não são aqueles que se arma para conduzir subordinados, ou formar preços apenas com olhos nos custos e no faturamento até porque, tratando-se de empresa, de competitividade e de diferencial competitivo, na relação empresa/consumidor, deve-se reconhecer que: [...] para o consumidor, existem mais custos envolvidos do que apenas o monetário. Outros custos incluem: de tempo, energia, custos físicos, mas também valores abstratos como qualidade, satisfação, atendimento, conhecimento, dentre outros. Similarmente, o valor total para o consumidor também vai além da utilidade do produto, incluindo o valor do serviço, o valor pessoal e o valor da imagem. Nesse caso, sugere-se ainda que os preços enviem sinais para o consumidor, se o sinal enviado indicar sacrifícios maiores do que os benefícios obtidos os preços podem repelir o cliente (HOFMAN & BATESON, 1997, pp.154 - 155). A liderança salientada por César Souza é a do líder que no desenvolvimento da sua missão produz resultados. Afinal de contas, o ponto forte de qualquer empresa é aquele em que o resultado é obtido cada vez mais por meios de (super) ação. Então, o líder moderno e efetivo, é aquele que não se prende a “ter” competência e talento, mas de “ser” competente e talentoso. Não basta acumular na sua “gaveta do intelecto” suas habilidades. O líder efetivo age e produz, com olhos no resultado. Certamente isso não se dá apenas por comando, mas por uma conectividade subjetiva e objetiva em que a linha de ligações não deve estar verticalizada para cima ou para baixo, mas em todas as direções, interna e externamente. Esse novo conceito não resulta de formulações abstratas. Ele é fruto de mudanças concretas que estão acontecendo na economia e das exigências práticas trazidas por essas mudanças. No Brasil, a questão se coloca com clareza evidente. As transformações que o mundo corporativo brasileiro vem vivendo todos os dias exigem uma nova forma de pensar sobre como se preparar para ser um líder eficaz. (...) o mercado precisa de pessoas capazes de liderar novos tipos de empresas que passaram a fazer parte do novo cenário empresarial: as empresas pós-privatizadas, aquelas resultantes de fusões e aquisições, e as empresas que estão tentando se internacionalizar (SOUZA, 2001, p. 26).

Sendo assim o perfil do novo líder está vinculado a uma variação de fatos como associação, parcerias e interações que vão além do comando hierárquico interempresarial. O líder de hoje, necessariamente deve ser global e local, o que Souza, por aglutinação, denominou de “líder global”, pois o seu eixo de competência eficaz deve preconizar a competência durável e nesse caso, o eixo se expande, alcançando o eixo negocial, o empreendedor, o técnico profissional, o de habilidades interpessoais e até o eixo do ser humano e da cidadania.

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Dessa maneira, pode-se interpretar que cada vez mais a qualidade de líder, requererá maior quantidade, isto é, “as empresas vencedoras serão aquelas que souberem montar verdadeiras fábricas de líderes.” (SOUZA, 2001, p.31). 5. OS EFEITOS DO TALENTO

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a verdade, o ideal seria que os talentos empresariais fossem como os talentos futebolísticos, todos talentosos em sua posição, mas com um só objetivo: o gol. Para isso, é necessário que o banco de reserva, também seja de talento, que as substituições sejam igualitárias e equivalentes, pois aquele jogador que se desponta com eficiência efetiva, dificilmente será mantido pelo time. Outros times estarão de olhos nele. Assim deve ser a empresa, pois cada nova geração de linha de frente, tem demonstrado ser melhor que anterior o que leva à reflexão de que “os gênios do futuro serão aqueles que conseguirem criar condições para a manifestação da genialidade latente em outras pessoas, pois a criatividade será a matéria-prima básica da hipercompetitividade” (SOUZA, 2001, p. 35). 6. OS ASPECTOS DA CRIATIVIDADE

O

mundo de hoje é um mundo globalizado, é um mundo tecnológico em que a própria tecnologia a cada momento se torna obsoleta, superada por novas tecnologias, talvez num sentido simbólico, mas que se acredita não demorar muito, a figura simbólica da “ideia” da “criatividade” que é sempre representada nos desenhos e figuras das revistas em quadrinho por uma lâmpada, possa vir a aparecer como um “chip” ou coisa mais evoluída num futuro próximo. No que concerne à criatividade, vale ressaltar que há diferenças que não deixam de ser criativas, há modificadores criativos e inventores criativos. A diferença segundo Souza é a transformação que um trabalho pode produzir a partir do “já feito”. A partir desse já feito, outro que cria e modifica, faz nascerem novas elaborações e inovações (2001, p.86). 7. A ÀREA DE RECURSOS HUMANOS NA EMPRESA COMPETITIVA

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assando as considerações à área de Recursos Humanos, em virtude de ser uma área constituída de seres humanos, “os empresários estão finalmente chegando à conclusão de que ainda não inventaram nada melhor do que pessoas para aumentar a competitividade de seus negócios.” (Souza, 2001, p. 46). Souza apropriadamente reconhece que ali se verificam os sucessos e os dilemas, por isso mesmo, instituiu a ARH como sendo “a hora da verdade”. A área funcional de RH está numa encruzilhada. Vive a sua “hora da verdade”. A grande ironia é que no exato momento em que a gestão de talentos ganha proeminência nas empresas, a área de RH está posta em xeque pelo fato de que nem sempre é nítida a sua contribuição para os resultados finais dos negócios. Além disso, a área de RH é percebida atualmente como a menos preparada, quando comparada com outras áreas funcionais ― finanças, vendas, marketing, logística (SOUZA, 2001, p.47).

Não se poderia deixar de criticar tal afirmação do autor, por dois momentos distintos e fundamentados.

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O primeiro momento, a fundamentação, está à luz das palavras do próprio Souza quando diz que “é preciso desmistificar algumas percepções sobre a criatividade”. (...) que “todas as pessoas possuem potencial criativo”. (...) que “algumas são mais adaptadoras, criam em cima de algo já existente. Outras são mais inovadoras e criam coisas realmente novas” (2001, p.55). A ARH, na grande maioria das vezes trabalha em cima de regras, e, isso, muitas vezes, impede a visão de um setor produtivo. Todavia não deixa de procurar o mais adequado e o mais competente, em função do que lhe é solicitado previamente. A esse fato, também é conveniente fazer alusão a Ulrich (1995, p. 07) quando ao prefaciar o seu livro Os Campeões de Recursos Humanos traduz o pensamento de uma série de artigos, editoriais e livros que vêm debatendo o seguinte: “O setor de RH deve ser extinto?”. A essa questão Ulrich responde que “é claro que devemos eliminálo se ele não consegue adicionar valor e impede o desempenho”, mas conclui adiante dizendo “é claro que devemos mantê-lo se ele cria valor ou produz resultados.” (1995 p.79). [...] o redirecionamento do foco das práticas do RH mais sobre a cadeia de valor e menos sobre as atividades no interior da empresa tem implicações profundas. A mudança para um foco no cliente redireciona a atenção, que estava voltada para a empresa, para a cadeia de valor na qual ela está inserida (ULRICH, 1995, p.20).

Um segundo momento a ser observado e, que também se passa a criticar a afirmação de Souza, está baseado nas palavras de Mintzberg, que destaca a ARH no seu livro “Criando Organizações Eficazes”, como uma divisão de assessoria que o autor denomina de “tecnoestrutura”. Na visão de Mintzberg, a qual se considera aqui apropriada, a ARH não está inserida estruturalmente na condição operacional ou produtiva de uma empresa. Ao contrário, é uma instância externa àquela produtiva, e que age na condição de suporte empresarial. Na tecnoestrutura encontramos os analistas (e suas assessorias de auxiliares para apoio), que prestam serviços à organização atuando sobre as tarefas dos outros. Esses analistas estão fora do fluxo de trabalho operacional – mas eles podem o delinear, planejar e alterar, ou ainda treinar os indivíduos que o perfazem, porém, não o executam por si próprios (MINTZBERG, 1995, p. 23).

A essa tecnoestrutura inclui-se a ARH como parceiro e, portanto, não pode ser comparado a outras áreas funcionais e operacionais (finanças, vendas, marketing, logística), como defende Souza. Ainda em auxílio a essas posições, pode-se adicionar o pensamento que, desde a seleção do trabalhador, resta então, à Gestão de Pessoas esforçarem - se para que, em contra partida, esse quadro sinta que a qualidade que produz seja também reconhecida pela empresa numa condição de reciprocidade e parceria, quando a empresa, por intermédio da Gestão de Pessoas, deixa de lado o modelo tradicional de administração de pessoas, para operar numa nova visão de administração com as pessoas (CHIAVENATO, 1999, p.101). Pessoas selecionadas obviamente, que desenvolvam suas tarefas e funções, procurando atender aos objetivos da empresa e, em função disso, sentam-se motivadas ao próprio crescimento, pois a seleção e o desenvolvimento são importantes, não apenas para garantir que pessoas com um conjunto certo de habilidades e experiência sejam contratadas, mas também para ajudá-las a crescer profissionalmente e se preparar para futuras promoções.

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Todavia, excluindo-se a interpretação dada ao que entendemos com certa ponta de ironia citada para o ARH, ainda assim, a mesma tem aspectos apropriados. O autor percebe que todas as rupturas estão tornando obsoletos os pilares básicos consagrados pelos tradicionais conceitos de liderança, motivações e estruturas organizacionais, educações de executivo, planejamento e controle, dentre outros que precisam ser repensados e que é função da gestão. E a esse repensar, inclui-se algum desvirtuamento como: Desconhecimento do verdadeiro negócio da empresa; Descompasso entre a estratégia da empresa e os planos de RH; Maior preocupação com atividades do que com os resultados; Profissionais de RH que comportam - se como caçadores de modismos; Profissionais fechados em si mesmos, com pouca experiência em outras áreas; Falta de visão de conjunto; Atitude passiva, sempre esperando que o alto escalão valorize a área; Profissionais resistentes aos interesses e necessidades da linha de frente. Não obstante, tal desvirtuamento não se pode imputar apenas à ARH, mas à empresa como um todo, até porque, um RH deficiente pode ser considerado como “aquele RH” especificamente, mas não genericamente. Se um profissional não tem talento para assumi-lo, a empresa tem toda a liberdade de substituí-lo, mas não de agravar o setor na pessoa do gestor. No entanto, é sim necessário, que o atual profissional da ARH – ao se transformar não no “gestor de talentos humanos”, como alguns autointitulam, mas no “empresário do capital humano” – evolua para uma posição de co-autoria das estratégias corporativas, atuando em duas funções distintas: gestão da infraestrutura de RH e gestão estratégica de talentos. 8. A CARREIRA DO LÍDER

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etomando as questões de talento, agora vale ressaltar as relações da carreira do líder frente à empresa. A esse aspecto Souza afirma que “mesmo que você decida continuar na folha de pagamento de uma empresa, pare de pensar como assalariado e aja como dono de um negócio – da sua carreira” (2001, p.61). Vê-se daí que uma carreira é efetivamente um empreendimento, que pode ser lucrativo ou insolvente, conforme seja o perfil do indivíduo. Então, como as empresas devem estar prontas para adaptarem-se às modificações advindas e empurradas pela evolução, a carreira também deve estar prontamente voltada para a adaptação e, mesmo modificações e adequações, devem estar continuamente sendo reinventadas, identificando seus desejos e habilidades, fugindo do convencional, realizando potencialidades e criatividades, ou seja, os indivíduos que querem investir na carreira necessitam criar o seu produto – a carreira. Mesmo porque a carreira não é dada, é conquistada. É nessa visão que deve haver a somatória dos anseios subjetivos mais os objetivos, e integrar as competências empresariais com as pessoas. Pois segundo Souza, “competência não é sinônimo de conhecimento. Competente é quem agrega valor com o conhecimento e as habilidades que possui e disponibiliza resultados para o negócio de uma empresa”. (2001, p.69).

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9. O DIAGNÓSTICO DA CLIENTIVIDADE, NA VISÃO DE CÉSAR SOUZA.

C

omo se pôde perceber através das análises anteriores, toda empresa almeja a sustentabilidade, o desenvolvimento e o sucesso, mas para que isso ocorra, tem que se fazer por onde. O sucesso não nasce do vácuo e, como disse um dia Albert Einstein: “o único lugar que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”. Naturalmente, é de se reconhecer que o trabalho citado não é um trabalho passivo e tranquilo, determinado por fórmulas; ele é árduo, espinhoso, mas magnífico quando o resultado é alcançado ou até mesmo superado. É gratificante. Porém, para que a empresa tenha o merecido sucesso, é necessário que tenha meta e tenha foco. Ninguém trabalha por si ou pela coisa que pretende produzir, e sim pelo que essa coisa produzida vai satisfazer. Como o assunto aqui abordado refere-se à empresa, é razoável observar e perceber que como tal, toda “coisa produzida empresarialmente”, tem sua destinação – o cliente. Daí disponibilizar todos os esforços, talentos e criatividade, para que cada cliente esteja efetivamente satisfeito, tornando-se defensor e vendedor do seu produto. É nesse caso, que Souza deixa de pensar na competitividade para pensar na “clientividade”, deixando para os concorrentes a preocupação com a competitividade da empresa que lhe satisfaz. Do contrário, a organização estará fadada ao fenômeno de não perceber o objetivo fim da empresa e cair no que Levitt (1986) chamou de “miopia de marketing”. Vender é alienar o produto ao preço e trocá-lo por dinheiro, mas, saber vender é uma arte. Arte essa que pode criar fidelização e credibilidade se bem trabalhada. Sobre isso Souza determina que “o epicentro das mudanças mais importantes da nova ordem competitiva está localizada na nova postura dos clientes. As empresas brasileiras precisam praticar mais a clientividade como forma de aumentar a competitividade”. (2001, p.83). Segundo o autor, a clientividade consiste na arte de fidelizar clientes, é causar enlevo, imenso prazer, é encantar o cliente através do atendimento e do produto que lhe disponibiliza. É ser empático e reconhecê-lo como primordial. “Cliente não compra apenas produtos, compra também a realização de sonhos”, diz Souza (2001, p.85), e cada vez mais os clientes se tornam mais exigentes e mais conscientes de custos e preços, da qualidade, da integração dos serviços, da distribuição do produto desejado. Na concepção de Clientividade de Souza, ele apresenta uma pirâmide que denomina de “Pirâmide da Clientividade”. No layout simbólico que o autor apresenta, percebe-se que o produto está localizado na área mais ampliada da pirâmide. A interpretação que se faz da simbologia é que o produto em si é o conteúdo de toda a atividade empresarial, é singular em si mesmo, mas é plural no seu desenvolvimento. Observando o curso de produção, entende-se que um produto no seu curso produtivo vai agregando novos valores e transformando-se de conteúdo, para contingente. Ao chegar ao ponto de disponibilização ao cliente esse produto está contornada por outros valores que vão se agregando ao anterior de forma cumulativa, e a cada nova agregação ao produto, é indicada uma nova diferença, e a somatória de todas as diferenças agregadas é que formarão o diferencial. Então é nesse sentido que se trabalha o espaço criativo e de produção do diferencial. É aqui que se encaixam calor humano, cortesia, rapidez, atendimento, segurança, conveniência, qualidade e,

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finalmente alcança-se o resultado – a satisfação do cliente e, por conseguinte, sua fidelização. É nessa perspectiva, que se vislumbra o novo tempo organizacional, quando a empresa descola do tradicionalismo convencional do “dar e receber”, para a inovação do “oferecer e encantar”. Isso é Clientividade. O mundo está cheio de boas ideias, porém, nem todas se despontam por falta de vontade ou de ação do seu idealizador. Muitas nascem nos ideologismos passivos e morrem envelhecidas e desconhecidas nas gavetas ou no próprio esquecimento. Significa dizer que, para que qualquer ideia se desenvolva com eficiência ou não, é preciso colocá-la em prática. Isto é, necessário se faz que sobre ela manifeste a ação do seu propositor, ou de alguém qualificado para tanto. A empresa brasileira é um modelo referencial de “dependência da clientividade”, que sobrevive da efetivação da sua missão: Produzir o relacionamento de pessoas. É, pois, uma missão democrática que não discrimina, não segrega, não classifica, não exclui e, além de tudo, seu custo-benefício supera qualquer outro instrumento de relacionamento. Então, sabendo desse vínculo-pleno da empresa com a clientividade (sócios, fornecedores, clientes, etc.), cabe ao líder validar essa missão empresarial. 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

E

ste estudo é um parecer bibliográfico através do qual se buscou analisar as ideias do autor, teorias e postulados a partir do que explicita sobre empresa, liderança, competitividade, talento e clientividade.

A análise e discussão abordam o desenvolvimento com continuidade a partir do que se estabelece pela nova ordem empresarial, com vista na evolução tecnológica, globalização e, por conseguinte, na necessidade que as partes envolvidas com a empresa, também estejam capacitadas e motivadas às modificações e adequações. Percebeu-se diante do conteúdo explorado que toda empresa é uma produtora de bens e/ou serviços e, como tal, deve estar voltada para o seu objetivo fim que é o cliente. Muito antes de se pensar em produto e atividade. Valendo considerar que entre a produção e o cliente, o espaço de trabalho e de diferencial é bastante ampliado, mas é nesse espaço que é determinada a diferença entre produto e empresa. Constatou-se pelas considerações do autor em estudo, que o diferencial com qualidade efetiva, não se dá senão pelo trabalho e pelo empenho dos envolvidos, mas através de uma liderança capaz, criativa e, porque não dizer democrática. Levando a interpretar que essa liderança emerge do líder que produz resultados, pois é fruto de mudanças concretas que estão acontecendo na economia e nas exigências práticas trazidas pelas mudanças para um líder parceiro, capaz de formar um grupo de talento e criativo.

NOTAS 1

Clientividade: term that refers to the art of surprising the clients, offering them new and differentiated goods and services (SOUZA, 2001).

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REFERÊNCIAS KOTLER, Philip. Marketing para o Século XXI: Como Criar, Conquistar e Dominar Mercados. São Paulo: Futura, 1999.

MINTZBERB, Henry. Criando Organizações Eficazes: Estruturas em Cinco Configurações. Tradução de Cyro Bernardes. São Paulo: Atlas, 1995.

LEVITT, Theodore. Miopia em Marketing. In: Coleção Harvard de Administração. São Paulo: Nova Cultural, 1986.

SOUZA, César. Talentos & Competitividade, Clientividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.

LOVELOCK, Cristopher. Product Plus: Produto + Serviço = Vantagem Competitiva. São Paulo: Makron Books, 1995.

ULRICH, Dave. Os Campeões de Recursos Humanos; Inovando para Obter Melhores Resultados. Tradução de Cid Knipel. São Paulo: Futura, 1998.

Competitividade & clientividade Roberto Rodney Ferreira Junior Graduado em Administração pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes e pós-graduado em Contabilidade e Gestão Estratégica de Empresas pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, pós-graduado em Logística Empresarial pela UMA-BH e Mestre em Gestão pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD - Portugal Montes Claros, MG E-mail: robertorodney@ymail.com / rrodney508@gmail.com

FERREIRA JUNIOR, R.R. Competitividade & clientividade. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 69-78, ago.-set., 2012

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Banco de horas e a sua atual empregabilidade Andryus da Silva Cruz Graduando em Direito pela Universidade Paulista – UNIP Santo André, SP E-mail: andryus@parluto.com.br

CRUZ, A.S. Banco de horas e a sua atual empregabilidade. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 79-XX, ago.-set., 2012

A

Lei 9.601 de 1998, conhecida por flexibilizar alguns direitos trabalhistas, surgiu no nosso ordenamento jurídico, num período de recessão econômica, durante o mandato do, então presidente, Fernando Henrique Cardoso.

Tinha como a principal finalidade, evitar que as empresas demitissem colaboradores e, até mesmo que encerrassem as suas atividades, em virtude do mau momento vivido pelo país. Foi a partir daí, que as empresas puderam extrair mais dos seus colaboradores, através, da sobre jornada de até 2 (duas) hora diárias, sem que tivessem reflexos em suas folhas de pagamento, já que, em regime de compensação ou invés de horas extras, os colaboradores gozavam de descansos na mesma proporção das horas trabalhadas a mais. O banco de horas continua a ser empregado até os dias atuais, no mesmo formato, ou seja, sem redução de jornada, nem de salário. Antes de utilizarem-se do banco de horas, as empresas deverão analisar alguns aspectos prescritos na lei. Para ser reconhecido como legal, o banco horas deverá ser instituído por Convenção (sindicato patronal e sindicato profissional) ou Acordo Coletivo de Trabalho (empresa e sindicato profissional). Já num segundo momento, verificar se a jornada de 10 (dez) horas diárias, limite máximo admitido por lei, será suficiente para atender todas as suas necessidades da empresa. O período de utilização banco de horas não poderá exceder 1 (um) ano, salvo em casos excepcionais. O uso do banco de horas não pode ser habitual. Explica-se. Caso a empresa passe a fazer uso constante do sistema de compensação, o trabalho será remunerado como extraordinário. Deve-se levar em conta que caso ocorra rescisão no contrato de trabalho, as horas sobre jornadas trabalhadas e não compensadas, serão computadas e calculadas como horas extras.

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Se empregado da maneira correta, o banco de horas apresenta-se extremamente vantajoso para o empregador, que deixa de pagar horas extras e pode diminuir seus custos em períodos de menor demanda, e para o empregado, que ganha em qualidade de vida, podendo gozar de folgas sem redução salarial.

Banco de horas e a sua atual empregabilidade Andryus da Silva Cruz Graduando em Direito pela Universidade Paulista – UNIP Santo André, SP E-mail: andryus@parluto.com.br

CRUZ, A.S. Banco de horas e a sua atual empregabilidade. Rev. Esp. Cient. Livre (ISSN 2236-9538), Brasil, n. 9, p. 79-80, ago.-set., 2012

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6º CONGRESSO INTERNACIONAL DE FISIOTERAPIA De 13 a 16 de setembro de 2012. Local: Natal, RN. Maiores informações em: http://www.sbf.org.br/

XXII SIMPÓSIO DE PLANTAS MEDICINAIS DO BRASIL De 18 a 21 de setembro de 2012. Local: Bento Gonçalves, RS. Maiores informações em: http://simposioplantasmedicinais.blogspot.com/

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III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E NUTRACÊUTICAS (3SIPMN) E III CONFERÊNCIA DO INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE FRUTOS TROPICAIS De 14 a 19 de outubro de 2012. Local: Centro de Convenções de Aracaju/SE Maiores informações em: http://www.3ismnp.com.br/

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II CONGRESSO MEIO-NORTE DE MEDICINA LABORATORIAL – II MEDLAB De 20 a 22 de setembro de 2012. Local: Teresina, PI. Maiores informações em: http://www.pesquisapiaui.com.br/medlab/

VI SIMPÓSIO DE ONCOBIOLOGIA De 26 a 28 de setembro de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://www.oncobiologia.bioqmed.ufrj.br/

I SIMPÓSIO DE RESÍDUOS FARMACÊUTICOS Em 27 de setembro de 2012. Local: Niterói, RJ. Maiores informações em: http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/

XXIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA BIOMÉDICA De 01 a 05 de outubro de 2012. Local: Porto de Galinhas, BA. Maiores informações em: http://www.cbeb.com.br

XXXI CONGRESSO BRASILEIRO DE HOMEOPATIA De 13 a 17 de novembro de 2012. Local: Belo Horizonte, MG. Maiores informações em: http://www.congressohomeopatia2012.com.br

10º CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE COLETIVA De 14 a 18 de novembro de 2012. Local: Porto Alegre, RS. Maiores informações em: http://http://www.saudecoletiva2012.com.br

CBIS 2012 - XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA EM SAÚDE De 19 a 23 de novembro de 2012. Local: Curitiba, PR. Maiores informações em: http://www.sbis.org.br/indexframe.html

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EVENTOS ACADÊMICOS: Ciências Exatas e da Terra 5º ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA QUÍMICA De 26 a 28 de agosto de 2012. Local: Maceió, AL. Maiores informações em: http://www.abq.org.br/entequi/

19º CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE De 26 a 29 de agosto de 2012. Local: Belém, PA. Maiores informações em: http://www.congressocfc.org.br/

IV PETROLEUM AND CHEMICAL INDUSTRY CONFERENCE - BRASIL (IV PCIC BR) De 27 a 29 de agosto de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://www.ieee.org.br/pcicbr/index.htm

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO De 03 a 05 de setembro de 2012. Local: Porto Alegre, RS. Maiores informações em: http://www.nneventos.com.br/seminario_internacional/apresentacao.html

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28º CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS De 03 a 06 de setembro de 2012. Local: Campo Grande, MS. Maiores informações em: http://www.congressosbcpd.com.br/

XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E DO NORDESTE (CISO) De 04 a 07 de setembro de 2012. Local: Teresina, PI. Maiores informações em: http://www.sistemasmart.com.br/ciso2012/

XIX CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA QUÍMICA (COBEQ 2012) De 09 a 12 de setembro de 2012. Local: Búzios, RJ. Maiores informações em: http://www.cobeq2012.com.br/

SEEMTEC'2012 - SEMANA DO ENSINO MÉDIO E TÉCNICO DO COTUCA & II MOSTRA DE TRABALHOS DE CURSOS TÉCNICOS De 10 a 13 de setembro de 2012. Local: Centro de Convenções da Unicamp, Campinas, SP. Maiores informações em: seemtec@cotuca.unicamp.br / http://seemtec2012.cotuca.unicamp.br

VIII SEMINÁRIO DA AGROINDÚSTRIA - SEMINAGRO e V JORNADA NACIONAL DA AGROINDÚSTRIA De 11 a 14 de setembro de 2012. Local: UFPB – Campus III – Bananeiras, PB. Maiores informações em: http://www.seminagro.com/

XXXIV CONGRESSO NACIONAL DE MATEMÁTICA APLICADA E COMPUTACIONAL De 17 a 21 de setembro de 2012. Local: Águas de Lindóia, SP. Maiores informações em: http://www.cnmac2012.org.br/

VI ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM AMBIENTE E SOCIEDADE (ANPPAS) De 18 a 21 de setembro de 2012. Local: Belém, PA. Maiores informações em: http://www.anppas.org.br/novosite/index.php?p=oque

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XXXI ENCONTRO REGIONAL DE ENSINO DE ASTRONOMIA De 19 a 22 de setembro de 2012. Local: Foz do Iguaçu, PR. Maiores informações em: http://www.erea.ufscar.br/

XX SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ENGENHARIA AUTOMOTIVA – SIMEA 2012 De 24 a 25 de setembro de 2012. Local: São Paulo, SP. Maiores informações em: http://aea.org.br/v1/ai1ec_event/xx-simposio-internacionalde-engenharia-automotiva-simea-2012/?instance_id=

10º P&D DESIGN - CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN De 10 a 13 de outubro de 2012. Local: São Luís, MA. Maiores informações em: http://www.peddesign2012.ufma.br/home/

52º CONGRESSO BRASILEIRO DE QUÍMICA De 14 a 18 de outubro de 2012. Local: Recife, PE. Maiores informações em: http://www.abq.org.br/cbq/

III CONGRESSO LATINO AMERICANO HABITAT POPULAR De 15 a 17 de outubro de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://http://www.ippur.ufrj.br/ e http://www.iaen.edu.ec/wordpress/

32º ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO (ENEGEP) De 15 a 18 de outubro de 2012. Local: Belém, PA. Maiores informações em: http://www.eneeamb.com/

SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 2012 De 15 a 21 de outubro de 2012. Maiores informações em: http://semanact.mct.gov.br/index.php/content/view/5391.html

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7º ETMQ – ENCONTRO TÉCNICO DE MATERIAIS E QUÍMICA De 24 a 26 de outubro de 2012. Envio de resumos: até 02 de setembro de 2012. Local: Auditório do Centro de Gestão Tecnológica (CGTEC) da COPPE, no Centro de Tecnologia 2 (CT2) da Universidade Federal do Rio de Janeiro – RJ Maiores informações em: https://www.mar.mil.br/ipqm/v.1.0.0/paginas/ETMQ7/index.html

5º CONGRESSO INTERNACIONAL DE INOVAÇÃO De 30 a 31 de outubro de 2012. Local: Porto Alegre, RS. Maiores informações em: http://www.fiergs.org.br/inovacao2012/default.asp

VIII SEMANA DE EXTENSÃO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DO UNIRITTER De 05 a 09 de novembro de 2012. Local: Porto Alegre e Canoas, RS. Maiores informações em: http://www.uniritter.edu.br/eventos/sepesq/viii_sepesq/

VI FECTI - FEIRA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO De 10 a 11 de novembro de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://www.cederj.edu.br/divulgacao/fecti

REUNIÃO BRASILEIRA DE CORRELAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS De 03 a 11 de novembro de 2012. Local: Corumbá, MS. Maiores informações em: http://www.cnps.embrapa.br/rcc/index.html

OLIMPÍADA DO CONHECIMENTO SENAI SESI De 12 a 18 de novembro de 2012. Local: São Paulo, SP. Maiores informações em: http://www.senaiolimpiadas.com.br/

15º CONGRESSO UNIDAS & II CONGRESSO INTERNACIONAL DE GESTÃO EM SAÚDE De 02 a 04 de dezembro de 2012. Local: Salvador, BA. Maiores informações em: pesquisaunidas2011@unidas.org.br / http://www.unidas.org.br/institucional/inst_eventos.php?indice=88&modulo=apresentac ao

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EVENTOS ACADÊMICOS: Ciências Sociais e Humanas 3ª SEMANA DE HISTÓRIA DA UFTM “HISTÓRIA, CULTURA E PODER” De 20 a 24 de agosto de 2012. Local: Uberaba, MG. Maiores informações em: http://www.uftm.edu.br/noticias/ler/codigo/5125

IX - CONGRESSO BRASILEIRO DE ENSINO SUPERIOR A DISTÂNCIA De 19 e 21 de agosto de 2012. Local: Recife, PE. Maiores informações em: http://ww2.ead.ufrpe.br/ead/ESUD_2012/index.html

V ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA De 21 a 24 de agosto de 2012. Local: Caicó, RN. Maiores informações em: http://www.rn.anpuh.org/evento_5eeh.shtml

II CONGRESSO NACIONAL DE DIREITO HOMOAFETIVO De 22 a 24 de agosto de 2012. Local: Recife, PE. Maiores informações em: http://congressodireitohomoafetivo.blogspot.com.br/

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I SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE O BRASIL NA II GUERRA MUNDIAL De 27 a 30 de agosto de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://adesg-an.blogspot.com.br/2012/05/i-seminarionacional-sobre-o-brasil-na.html

I SEMANA ACADÊMICA DA FACULDADE DA AMAZÔNIA OCIDENTAL (FAAO) De 27 a 31 de agosto de 2012. Local: Rio Branco, AC. Maiores informações em: http://faao.hospedagemdesites.ws/?p=1918

4º ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL De 03 a 06 de setembro de 2012. Local: Belém, PA. Maiores informações em: http://www.ufpa.br/cma/eihc_belem/

PROCESSO SELETIVO DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA, DO INHIS – UFU, PARA MESTRADO ACADÊMICO E DOUTORADO De 10 e 14 de setembro de 2012. Local: Uberlândia, MG. Maiores informações em: http://www.ppghis.inhis.ufu.br/

XXII SEMINÁRIO NACIONAL DE PARQUES TECNOLÓGICOS E INCUBADORAS DE EMPRESAS / XX WORKSHOP ANPROTEC De 17 a 21 de setembro de 2012. Local: Foz do Iguaçu, PR. Maiores informações em: http://www.seminarionacional.com.br/2012/

18º CONGRESSO INTERNACIONAL ABED DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (CIAED) De 23 a 26 de setembro de 2012. Local: São Luís, MA. Maiores informações em: http://www.abed.org.br/congresso2012/chamadatc.asp

XVII CONAD – CONGRESSO NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO De 27 a 29 de setembro de 2012. Local: Goiânia, GO. Maiores informações em: http://www.conad.adm.br/

III SIMPÓSIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E XXIII SEMANA DA PEDAGOGIA VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO De 09 a 11 de outubro de 2012. Local: Cascavel, PR. Maiores informações em: http://www.simposionacionaldeeducacao.com.br/

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XIV ENCUENTRO INTERNACIONAL HUMBOLDT - La Hora de la "Desglobalización" De 15 a 19 de outubro de 2012. Local: Las Termas de Río Hondo, Santiago del Estero - Argentina Maiores informações em: http://www.encuentroshumboldt.org/

IV CONGRESSO INTERNACIONAL DO IBDFAM E O IV CONGRESSO DE DIREITO DE FAMÍLIA DO MERCOSUL De 18 a 21 de outubro de 2012. Local: Gramado, RS. Maiores informações em: http://www.ibdfam2012.eventize.com.br/

I CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE PRÁTICAS CLÍNICAS - DIÁLOGO ENTRE A CLINICA E A FILOSOFIA De 24 a 26 de outubro de 2012. Local: Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ Maiores informações em: http://www.ifen.com.br

XIII ENANCIB – ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO De 28 a 31 de outubro de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://www.enancib2012.icict.fiocruz.br

III ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO & I ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA HISTÓRICA De 05 a 10 de novembro de 2012. Local: Rio de Janeiro, RJ. Maiores informações em: http://www.3hpg1gh.net/apres.html

IV ENCONTRO DE PESQUISA EM INCLUSÃO ESCOLAR & II SIMPÓSIO NACIONAL De 28 a 31 de outubro de 2012. Inscrições até 03 de agosto de 2012. Local: Universidade Federal de Sergipe em Aracaju, SE. Maiores informações em: http://www.nupieped.com.br / http://nupiepedufs.blogspot.com.br

III ENCONTRO REGIONAL NORTE E NORDESTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL (ABRAPSO) De 01 a 03 de novembro de 2012. Local: Maceió, AL. Maiores informações em: http://www.encontro2012.nne.abrapso.org.br

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DIRETORIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO EXÉRCITO CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS DE HISTÓRIA MILITAR DO EXÉRCITO

I SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE O BRASIL NA II GUERRA MUNDIAL “70 ANOS DA DECLARAÇÃO DE ESTADO DE BELIGERÂNCIA ENTRE O BRASIL E AS NAÇÕES DO EIXO”

27 A 30 DE AGOSTO DE 2012 - RIO DE JANEIRO, RJ INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO: UNIFORMES E OBJETOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL 27/08/2012 - 17 HORAS LANÇAMENTO DO LIVRO LIBERTADORES! OS HERÓIS DO BRASIL 27/08/2012 - 19 HORAS

EXPOSIÇÃO DE VEÍCULOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL CLUBE DE VEÍCULOS MILITARES ANTIGOS DO RIO DE JANEIRO (CVMARJ) DIVULGAÇÃO DA APROVAÇÃO DE COMUNICAÇÕES LIVRES: 20/06 A 02/07/2012 INSCRIÇÕES ATÉ 31/07/2012

cephimex.divulga@gmail.com

OUVINTES: VALOR TOTAL R$ 60,00 OU R$ 20,00 POR DIA, INCLUINDO ALMOÇO OS CERTIFICADOS SERÃO EMITIDOS SOMENTE COM 70% DE FREQUÊNCIA

LOCAL: MUSEU MILITAR CONDE DE LINHARES AVENIDA PEDRO II, 383 - SÃO CRISTÓVÃO  RIO DE JANEIRO

Arte: JHBRS

PRAZOS DE ENVIO: COMUNICAÇÕES LIVRES - 20/06/2012 ENTREGA DOS TEXTOS - 31/07/2012 PRÉ-REQUISITO PARA A INSCRIÇÃO NO SIMPÓSIO: GRADUAÇÃO


Tema

Qual é a melhor fonte de energia para nosso futuro? Público-alvo

Envio das obras

Estudantes do ensino médio (regular, especial e integrado à educação profissional) das redes pública e privada do Brasil, orientados por professores das escolas

Os trabalhos deverão ser enviados para o e-mail cienciaparatodos@unesco.org.br e os desenhos deverão ser enviados para o endereço:

Categorias

Ciências Naturais da UNESCO SAUS Quadra 05, Bloco H, Lote 6, Ed. IBICT/UNESCO, sala 1004, CEP 70070 - 912, Brasília - DF, Brasil

Trabalho Escrito e Desenho

Prazo para envio

Cerimônia de premiação

3 de setembro de 2012

Será realizada durante as celebrações

Ficha de inscricão

do Dia Mundial da Ciência pela Paz e

As Fichas de Inscrição estão disponíveis no site do Concurso

pelo Desenvolvimento (10 de novembro)

http://eventos.unesco.org.br/diadaciencia cienciaparatodos@unesco.org.br • (061) 2106-3640 /diadaciencia

/diadaciencia


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“A ciência se compõe de erros que, por sua vez, são os passos até a verdade.” Júlio Verne (1828 – 1905)

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Revista Espaço Científico Livre n.09