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artigo inédito

Avaliação da plasticidade e radiopacidade dos separadores elásticos através de testes físicos de tração e radiográficos Danielle Frota Mendes1, José Euclides Nascimento2, Adriano Francisco de Lucca Facholli2, Maurício de Alencar Casa2, Luciano da Silva Carvalho3, Kikuo Sato3

Introdução: os separadores elásticos são amplamente usados na clínica ortodôntica, em diferentes tamanhos e espessuras. Sua função é promover a separação entre os dentes a serem bandados, mas, quando subgengivalmente perdidos, podem causar problemas periodontais e, em última instância, a extração do dente. Objetivo: preocupados não somente com a sua função, mas também com as suas propriedades, realizou-se esse trabalho experimental, que objetiva avaliar, com um enfoque clínico, a plasticidade e radiopacidade dos separadores elásticos, comumente utilizados na clínica ortodôntica, por meio de testes físicos de tração e radiográficos. Métodos: analisou-se seis diferentes marcas de separadores elásticos, as quais foram divididas em dois grupos: separadores extrudados (American Orthodontics, GH, Morelli Azul e Morelli Verde) e separadores modulares (Abzil, Dentaurum, GAC, Morelli Modular Azul e Morelli Modular Verde). A plasticidade foi avaliada por meio de testes físicos de tração, alongando-se os separadores três vezes o seu diâmetro inicial, enquanto a radiopacidade dos separadores foi avaliada por meio de tomadas radiográficas. Resultados: quando alongados três vezes o diâmetro interno, os separadores extrudados American Orthodontics, GH, Morelli Azul e Morelli Verde e os modulares Dentaurum, Morelli Modular Verde e Morelli Modular Azul tiveram deformação elástica, recuperando seu diâmetro interno. Os separadores modulares Abzil e GAC apresentaram deformação plástica permanente. Com relação à radiopacidade, os separadores Abzil, American Orthodontics, Dentaurum, GAC e GH apresentaram-se radiopacos. Conclusão: correlacionando os resultados concernentes à plasticidade e radiopacidade, os separadores que apresentaram os resultados mais satisfatórios nos dois quesitos foram, dentre os separadores extrudados, American Orthodontics e GH, e, dentre os separadores modulares, GAC e Dentaurum. Palavras-chave: Ortodontia. Elastômeros. Resistência à tração. Radiologia.

Como citar este artigo: Mendes DF, Nascimento JE, Facholli AFL, Casa MA, Carvalho LS, Sato K. Evaluation of plasticity and radiopacity of elastic separators by means of traction tests and radiography. Dental Press J Orthod. 2012 Nov-Dec;17(6):23.e1-10.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo. 1

Especialista em Ortodontia.

2

Professor Assistente do Curso de Especialização em Ortodontia da EAP - APCD Central - São Paulo e Sorocaba.

3

Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da EAP - APCD Central São Paulo.

Enviado em: 29 de outubro de 2008 - Revisado e aceito: 05 de junho de 2012

© 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Endereço para correspondência: Danielle Frota Mendes Rua Melo César, 60 – Cidade dos Funcionários – Fortaleza/CE CEP: 60823-110 – E-mail: dani.frota@terra.com.br

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Avaliação da plasticidade e radiopacidade dos separadores elásticos através de testes físicos de tração e radiográficos

INTRODUÇÃO O uso de separadores na clínica ortodôntica se dá de modo bastante frequente, visto que a bandagem dos molares superiores e inferiores constitui, na maioria dos casos, o ponto de partida do tratamento ortodôntico. Existem, basicamente, três tipos de separadores: o fio de latão, a mola de fio ortodôntico (ou aço inoxidável), e os separadores elásticos. Essa pesquisa direcionou-se a esses últimos, por serem de uso mais rotineiro nos consultórios, de fácil aplicação, manuseio e armazenagem. Existem relatos na literatura de casos de periodontites localizadas decorrentes da perda de separadores elásticos no espaço subgengival, o que pode acarretar sérios problemas, como a reabsorção vertical do osso alveolar e, também, perda das fibras e ligamentos periodontais. Pelos motivos acima expostos é que se considera tão importante que o separador elástico seja radiopaco, podendo ser localizado por uma radiografia periapical da área em que foi anteriormente posicionado. Nesse trabalho experimental, testou-se seis marcas, entre nacionais e importadas, a saber, Abzil, American Orthodontics, Dentaurum, GAC, GH e Morelli; das quais foram avaliadas sua radiopacidade e, também, por meio de testes físicos de tração, a plasticidade dos separadores elásticos. Há poucos trabalhos sobre separadores elásticos na literatura. Os estudos publicados sobre elastômeros normalmente relatam o comportamento físico das cadeias elásticas, as quais, embora sejam compostas pelo mesmo material dos separadores elásticos, têm aplicação clínica bem diferente1. “Elastômero” é um termo geral que engloba os materiais macromoleculares que, após uma deformação

substancial, retorna rapidamente às suas dimensões originais2. O primeiro material conhecido como borracha (ou caucho, de “kautchuc”, palavra de idioma indígena do alto Amazonas) é o poli-isopreno, látex, recolhido da seiva da árvore Hevea brasiliensis, sendo por tal fato conhecido como borracha natural7. A borracha natural foi o primeiro elastômero conhecido e utilizado em escala industrial até 19271,2,5. Os primeiros elásticos utilizados na Ortodontia por Baker, Angle e Case, no início do século XX, eram derivados da borracha natural e possuíam excelente resistência à fadiga e à propagação de fendas, elevada resiliência, reduzida histerese e aderência eficaz aos metais7. Por histerese, entende-se o fenômeno observado em corpos elásticos sujeitos a esforço, em que esses não recuperam pronta e totalmente sua forma primitiva após cessar o esforço elástico, resultando numa leve deformação, que pode ser permanente. A borracha natural não tinha muita utilidade até a descoberta da vulcanização, atribuída a Charles Goodyear, nos Estados Unidos, e a Thomas Hancock, na Inglaterra, aumentando vertiginosamente o uso da borracha natural1,2,3,11,18,19. Com a grande utilização dos elastômeros, foram desenvolvidos por petroquímicos, em 1920, os elastômeros sintéticos ou polímeros de borracha sintética1,2. Borracha sintética é o conjunto de compostos produzidos com a finalidade de reproduzir as propriedades da borracha natural11. A vulcanização consiste na formação de ligações cruzadas nas moléculas do polímero individual, convertendo um emaranhamento viscoso de moléculas com longas cadeias numa rede elástica tridimensional, unindo quimicamente (por meio da reticulação) essas moléculas em

Figura 1 - Representação esquemática das cadeias longas de polímero antes e depois das ligações cruzadas, transformando o emaranhado de moléculas em uma rede elástica tridimensional.

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se separem levemente, entre uma consulta e outra, o suficiente para uma correta bandagem16. Nascimento et al.12 relataram que a fase de maior desconforto durante o tratamento ortodôntico foi durante a separação e que tal desconforto atingiu seu pico 24 horas depois de sua colocação, diminuindo drasticamente no terceiro dia e estando próximo de zero no sexto dia12. Segundo Proffit e Fields16, os três principais métodos usados para a separação dos dentes posteriores são: • Fio de latão — que deve ser retorcido em volta do ponto de contato e deixado em posição por 5 a 7 dias. • Molas de separação — que exercem uma ação de tesoura acima e abaixo do ponto de contato, abrindo o espaço necessário para bandagem em aproximadamente uma semana. • Separadores elásticos — os quais envolvem o ponto de contato, pressionando os dentes por alguns dias para haver a separação. O separador elástico é posicionado com o auxílio de dois segmentos de fio dental, devendo localizar-se uma parte abaixo e a outra parte acima do ponto de contato entre os dentes. Segundo Proffit e Fields16, eles não devem ser deixados em posição por mais de duas semanas. Do ponto de vista do conforto do paciente, devem ser mantidos durante pelo menos três dias e, preferivelmente, durante sete dias, antes da tentativa de bandagem6, período suficiente para promover o afastamento entre os dentes. Por várias vezes, o paciente retorna ao consultório sem o separador elástico. Existem dados na literatura, datados de 1870, onde McQuillin (1870 apud Finkbeiner Rl, Nelson Ls, Killebrew J; 1997) relata danos ao periodonto pelo uso impróprio das ligas de elástico. Com o uso impróprio, a liga elástica pode deslizar para baixo da margem gengival e contribuir para um destacamento baixo e indolor do ligamento periodontal. O resultado é um sulco aprofundado, com eventual perda da sustentação periodontal20. As ligas elásticas gengivalmente submersas servem como corpos estranhos, perpetuando o destacamento do ligamento periodontal do osso alveolar; portanto, os clínicos devem investigar inteiramente o problema, para estarem certos de que todas as ligas de elástico foram removidas e, assim, impedirem danos maiores4. Em vista dos danos causados aos tecidos periodontais pelas ligas elásticas ortodônticas retidas subgengivalmente, Vandersall e Varble21 aconselharam que deveria ser observado um cuidado extremo em seu uso,

vários pontos ao longo da cadeia, com resistência proporcional à quantidade dessas ligações3,9,15,17,18,19 (Fig. 1). O uso de separadores elásticos nos dias atuais está bastante difundido, tanto por sua praticidade no manuseio, quanto por sua armazenagem, fácil aquisição, diferentes tamanhos e preços. O separador elástico tem por função realizar o afastamento entre os dentes, proporcionando, consequentemente, melhor adaptação da banda ao dente e maior conforto ao paciente durante esse procedimento. Há um consenso geral de que a adequada separação entre os dentes é necessária para uma boa adaptação da banda6. Em 1907, Angle discutiu a necessidade de separação dos dentes, utilizando uma ligadura de fio de latão, que era passado sob o contato e, a seguir, sobre o contato, sendo, depois, as extremidades juntamente torcidas com firmeza6. Em 1914, Dalton fixou o espaço entre os dentes por meio de uma fina tira de separação de borracha, porém, advertiu que a borracha deve ser deixada no lugar somente por um dia, pois poderia deslizar através do contato, entrando no espaço interproximal, causando ferimentos na gengiva6. Calvin Case, em 1921, advogou o uso de uma fita de separação, que era um fio de linho encerado e encapado, envolvido em torno do contato. Segundo o autor, a fita deveria ser deixada somente por 24 horas, devendo ser, então, trocada se a separação não fosse suficiente6. Depois, em 1940, Oliver expandiu as razões pelas quais é necessário ter espaço suficiente entre o dente a ser bandado e os dentes próximos, e listou as seguintes razões6: • Reduzir a dor física ao menor grau possível; • Impedir a injúria à estrutura dentária pelo excesso de pressão; • Impedir a injúria ao tecido mole por ter que forçar o material de bandagem em posição; • Reduzir a tensão física e mental do paciente ao levar convenientemente o material de bandagem para a posição; • Impedir a distorção do material de bandagem, não tendo de forçá-lo impropriamente para a posição durante a construção da banda. Embora exista uma variedade de separadores disponíveis, o princípio é o mesmo em cada caso: coloca-se entre os dentes um objeto ou cunha para forçar separá-los o tempo necessário, a fim de ocorrer o movimento dentário inicial, de forma que os dentes

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MATERIAL e MÉTODOS Todos os materiais utilizados, tais como separadores elásticos, películas radiográficas, soluções reveladoras e fixadoras, foram adquiridas diretamente de seus respectivos revendedores, em embalagens fechadas e lacradas, dentro do prazo de validade, e foram acondicionadas de acordo com as especificações dos fabricantes.

até que um meio radiopaco inofensivo pudesse ser incorporado com segurança. Em vista do que foi relatado, a radiopacidade dos materiais dentários é uma propriedade desejável, porque ajuda a detectar radiograficamente restos de materiais que permaneçam nos tecidos bucais ou que possam, inadvertidamente, ter sido engolidos ou, mais seriamente, inalados14. Já existem hoje, disponíveis no mercado, separadores elásticos radiopacos. Várias substâncias podem ser incorporadas durante seu processo de fabricação para torná-los radiopacos. As duas substâncias mais usualmente utilizadas são o bismuto e o bário. A avaliação da radiopacidade dos separadores elásticos é um procedimento complexo, porque a radiopacidade depende, entre outras coisas, da qualidade do feixe de raios X.

GAC

Testes físicos de tração O maquinário utilizado na realização dos testes físicos de tração foi cedido pela Inser (Indústria, Comércio e Serviços Ltda.), situada em Sorocaba, São Paulo, onde foi feita a parte experimental da pesquisa. Os elásticos foram divididos em dois grupos, de acordo com o tipo de processo de fabricação: separadores elásticos modulares — Abzil, Dentaurum, GAC e Morelli

Morelli M. Azul

Morelli M. Verde

Figura 2 - Separadores elásticos do tipo modular.

Abzil © 2012 Dental Press Journal of Orthodontics

Dentaurum 23.e4

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Mendes DF, Nascimento JE, Facholli AFL, Casa MA, Carvalho LS, Sato K

American

GH

Morelli Verde

Morelli Azul

Figura 3 - Separadores elásticos extrudados.

Após ajuste da máquina universal de ensaios por meio dos testes-piloto, deu-se início aos testes de tração com todas as amostras disponíveis. Foram utilizados 10 corpos de prova para cada ensaio, em que cada um deles foi posicionado na máquina de testes uma única vez, executando-se, portanto, somente um teste. Os corpos de prova foram removidos de suas respectivas vias de armazenamento (um por vez) e posicionados verticalmente nas garras da máquina de testes8, onde foram alongados em três vezes o diâmetro interno na máquina universal de ensaios, gerando gráficos no programa Tesc, versão 3.01, com as informações referentes a cada teste realizado. Os corpos de prova, após o teste de alongamento em três vezes o diâmetro interno, foram guardados em saquinhos de plástico, devidamente identificados, para posterior captura no microscópio trinocular Westover. As fotografias foram realizadas após a sequência do alongamento de três vezes o diâmetro interno dos separadores extrudados, procedendo-se, da mesma forma, com os separadores modulares. Essas fotografias continham as medidas do diâmetro interno de 5 corpos de prova, escolhidos aleatoriamente, com a finalidade de compará-las com as fotografias iniciais e obter-se o percentual de deformação dos corpos de prova.

(Azul e Verde); e separadores elásticos extrudados — American Orthodontics, GH e Morelli (Azul e Verde), perfazendo, portanto, um total de 9 amostras (Fig. 2, 3) Foram selecionados, aleatoriamente, 5 corpos de prova de cada amostra, e o diâmetro interno inicial foi aferido com microscópio trinocular Westover e câmera digital Tec Voz, modelo Tec 420, acoplada, com os quais foram tiradas fotografias dos corpos de prova, com as medidas de diâmetro interno ampliadas em 15 vezes, gerando uma média para cada amostra. As condições ambientais no momento da realização dos testes estavam de acordo com a norma alemã DIN, número 13901, item 5.3, subitem 5.3.1, corroborada pela norma ISO/FDIS (The International Organization for Standardization), número 21606, onde os testes devem ser realizados à temperatura ambiente de 23 ± 2°C, com umidade relativa de 50 ± 10% e com uma velocidade de ensaio de 100mm/min8. Antes de realizar o teste de tração, a máquina universal de ensaios Emic, modelo DL-500, foi calibrada com algumas amostras para eliminar possíveis erros e para ajustar parâmetros de alongamento de acordo com o diâmetro interno de cada uma das amostras. O teste realizado foi o de alongamento de três vezes o diâmetro interno dos corpos de prova. Foi utilizada uma célula de carga de 10kg para a realização dos testes.

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Avaliação da plasticidade e radiopacidade dos separadores elásticos através de testes físicos de tração e radiográficos

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Teste radiográfico A parte radiográfica desse trabalho experimental foi realizada na Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), regional Sorocaba. Previamente à realização das tomadas radiográficas, foi verificada a data da última calibração da radiação emitida pelo aparelho de raios X, e algumas radiografias de teste foram feitas para ajustar a quantidade de tempo de exposição necessária para as tomadas. A fonte da radiação usada foi uma máquina de raios X dentário com uma filtração total equivalente a 2mm de alumínio. Foram usadas películas periapicais do grupo E. De acordo com Langland e Langlais10, quanto maior a sensibilidade do filme, menor o tempo de radiação necessário para se obter uma radiografia com boa qualidade de contraste. As radiografias foram feitas com os separadores fixados diretamente nas películas radiográficas, utilizando-se fita adesiva. A disposição dos separadores nas radiografias foi feita de forma assimétrica, como a que se apresenta na Figura 4, para não haver possibilidade de erro na identificação de cada separador na radiografia, após serem reveladas. As películas foram expostas por 0,3 segundos em 15mA (miliampéres)

e 75kV (quilovolts). Foi feita uma incidência radiográfica para os separadores extrudados e outra para os separadores modulares (Fig. 4). Após a exposição das películas aos raios X, elas foram reveladas numa câmara escura portátil, sendo observado o devido tempo em cada recipiente, a saber, solução reveladora, água e solução fixadora — seguindo essa sequência. As radiografias periapicais foram analisadas com o auxílio de um negatoscópio, em uma sala escura, com a finalidade de melhorar a acuidade visual na análise da radiopacidade. RESULTADOS Testes físicos de tração Com base nos dados colhidos por meio das fotografias de pré- e pós-alongamento, foi possível avaliar, percentual e milimetricamente, a quantidade de deformação das amostras no alongamento de três vezes o diâmetro interno. Quando alongados três vezes os seus diâmetros internos, os separadores elásticos devem retornar às suas dimensões originais, simulando a realidade clínica durante sua colocação. O diâmetro interno dos separadores nas fotografias é obtido da seguinte forma: tem-se o raio (R), que é calculado através de três pontos marcados por uma cruz, multiplica-se o valor do raio por 2; o resultado é o diâmetro interno do separador elástico.

Extrudados

Separadores elásticos extrudados Dentre os separadores do tipo extrudado, com relação ao alongamento de três vezes o diâmetro interno, os que sofreram maior deformação percentual foram os separadores Morelli Azul, com 103,00%, o que representa cerca de 0,052mm; seguidos pelos separadores da GH, com 100,46% de deformação, o que equivale a 0,009mm. Depois, os separadores da Morelli Verde, com 99,07% de deformação, equivalente a -0,021mm; e, por último, sofrendo a menor deformação, estão os separadores da marca American Orthodontics, com 96,67%, representando cerca de -0,073mm. Alongados os separadores extrudados em três vezes o diâmetro interno, tem-se, em ordem decrescente de plasticidade: American Orthodontics, Morelli Verde, GH e Morelli Azul. Tais resultados asseguram que, mesmo alongados em três vezes o diâmetro interno, os separadores elásticos extrudados não sofreram deformação plástica, pois retornaram às suas dimensões após

American GH Morelli Azul

Morelli Verde

A

Modulares Morelli M. Verde

Abzil Dentaurum GAC

Morelli M. Azul

B

Figura 4 - Fotografias esquemáticas do posicionamento dos separadores elásticos extrudados e modulares nas películas radiográficas periapicais.

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Mendes DF, Nascimento JE, Facholli AFL, Casa MA, Carvalho LS, Sato K

AM

T1

MA

T1

GH

AM

T2

T1

MV

MA

T2

T1

GH

T2

MV

T2

Figura 5 - Separadores extrudados em pré-alongamento (T1) e 3x D.I. (T2). Am = American Orthodontics. MA = Morelli Azul. MV = Morelli Verde.

a tolerância de medida para anéis separadores com até 3mm de diâmetro interno é de ±0,15mm, do que se conclui que as medidas apresentadas pelos separadores extrudados Morelli Verde e American Orthodontics estão dentro do desvio-padrão.

o alongamento e mantiveram suas características e propriedades, estando aptos, pois, a desempenhar sua função na separação dos dentes (Fig. 5). Dois resultados chamam a atenção por serem negativos, o que significa que os separadores, ao serem alongados três vezes o seu diâmetro interno, retornaram 0,021mm (Morelli Verde) e 0,073mm (American Orthodontics) além do que apresentavam originalmente, ficando com o diâmetro interno um pouco menor. Tal evidência não é perceptível a olho nu, só sendo constatada através de fotografias ampliadas 15 vezes. Vale, ainda, ressaltar que os resultados apresentados pelos separadores extrudados Morelli Verde e American Orthodontics devem-se à média feita entre as 5 amostras selecionadas para aferição em microscópio trinocular e, sabe-se que, embora exista um padrão, há diferenças de tamanho das amostras dentro de um mesmo lote, fato que não compromete a validade do trabalho, desde que essas variações estejam dentro do desvio-padrão estipulado pelas normas DIN ou ISO que o fabricante segue. De acordo com a norma DIN,

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Separadores elásticos modulares Com relação ao grupo de separadores elásticos do tipo modular, referente ao alongamento de três vezes o diâmetro interno, foram obtidos os seguintes resultados: Morelli Modular Azul teve 110,75% de deformação, representando cerca de 0,172mm; Abzil sofreu 108,07% de deformação, o equivalente a 0,190mm; Dentaurum apresentou 103,60% de deformação, representando por volta de 0,072mm; GAC teve 102,68% de deformação, o que representa cerca de 0,062mm; e, por fim, Morelli Modular Verde, com 102,08% de deformação, o que equivale a 0,046mm. Apenas as amostras dos separadores modulares Abzil e GAC mostraram leves indícios de deformação plástica que foram detectadas nas imagens captadas pelo microscópio.

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Por “deformação plástica” entende-se a inabilidade do material em retornar à sua forma original. Os separadores elásticos Morelli Modular Verde e Dentaurum retornaram às suas medidas, tendo em vista a tolerância de ±0,15mm indicada pela norma DIN para anéis separadores. O separador Morelli Modular Azul apresentou deformação um pouco além da estipulada pela Norma DIN, mas sem sinais de deformação plástica. O separador elástico Morelli Modular Verde foi o que obteve menor deformação percentual e milimétrica, quando alongado três vezes o diâmetro interno. Quanto à plasticidade, os separadores modulares se dispuseram da seguinte forma: Morelli Modular Verde, Dentaurum, Morelli Modular Azul, GAC e Abzil (Fig. 6). Pelo que pôde ser extraído das informações supracitadas, conclui-se que os separadores do tipo modular apresentaram maiores deformações percentuais e milimétricas do que os do tipo extrudado no alongamento de três vezes o diâmetro interno. Os separadores do tipo modular têm aspecto mais plástico, ao passo que os separadores do tipo extrudado se parecem mais com elásticos (borracha). Por esse motivo, o índice de

deformação, imperceptível a olho nu nos separadores extrudados, é facilmente notável nos separadores modulares, por características como a alteração no formato e marca das garras da máquina universal de ensaios.

Ab

Ab

Den

T1

T2

T1

GAC

GAC

MMA

T1

T2

T1

MMV

T1

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Teste radiográfico A análise das radiografias teve o seguinte resultado: » No grupo dos separadores extrudados, composto pelas marcas American Orthodontics, GH, Morelli Azul e Morelli Verde, apenas os separadores da American Orthodontics e GH apresentaram-se radiograficamente detectáveis (Fig. 7) » No grupo dos separadores modulares, a saber, Abzil, Dentaurum, GAC, Morelli Modular Azul e Morelli Modular Verde, os separadores que apresentaram graus de radiopacidade detectáveis foram Abzil, Dentaurum e GAC (Fig. 8). Sabendo-se da importância da radiopacidade nos separadores elásticos, o único motivo que levaria a desaconselhar seu uso seria o risco de toxicidade; porém, a avaliação da toxicidade dos separadores testados não foi o foco desse trabalho experimental.

Den

T2

MMA

T2

MMV

Figura 6 - Separadores modulares em pré-alongamento (T1) e 3x D.I. (T2). Ab = Abzil; Den = Dentaurum; MMA = Morelli Modular Azul; MMV = Morelli Modular Verde.

T2

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Mendes DF, Nascimento JE, Facholli AFL, Casa MA, Carvalho LS, Sato K

Extrudados

American GH

Modulares Abzil Dentaurum GAC

Morelli Verde

Morelli Azul A

A

B

B

Morelli M. Verde Morelli M. Azul

Figura 7 - Fotografia esquemática do posicionamento dos separadores extrudados na película radiográfica e radiografia periapical desses separadores.

Figura 8 - Fotografia esquemática do posicionamento dos separadores modulares na película radiográfica e radiografia periapical desses separadores.

Correlacionando os resultados concernentes à plasticidade e radiopacidade, os separadores que apresentaram os resultados mais satisfatórios, nos dois quesitos que o presente trabalho se propunha avaliar, foram, dentre os separadores extrudados, American Orthodontics e GH, e, dentre os separadores modulares, GAC e Dentaurum. Há que se pesquisar mais sobre a toxicidade dos materiais utilizados para conferir radiopacidade aos separadores elásticos, haja vista que essa seria a única justificativa de não produzir separadores radiopacos, pois esses não apresentaram alteração em suas propriedades.

2) Em ordem decrescente de plasticidade, quando alongados três vezes o diâmetro interno dos separadores extrudados, temos American Orthodontics, Morelli Verde, GH e Morelli Azul. Com relação ao grupo de separadores elásticos do tipo modular, referente à plasticidade, temos, em ordem decrescente Morelli Modular Verde, Dentaurum, Morelli Modular Azul, GAC e Abzil. 3) Com relação à radiopacidade, os separadores Abzil, American Orthodontics, Dentaurum, GAC e GH apresentaram-se radiopacos. 4) Correlacionando os resultados concernentes à plasticidade e radiopacidade, os separadores que apresentaram os resultados mais satisfatórios nos dois quesitos foram, dentre os separadores extrudados, American Orthodontics e GH, e, dentre os separadores modulares, GAC e Dentaurum. 5) Os separadores elásticos que se apresentaram radiopacos obtiveram resultados compatíveis aos dos separadores não-radiopacos nos testes físicos de tração.

CONCLUSÕES Diante das informações obtidas nesse estudo, pode-se afirmar que: 1) Quando alongados três vezes o diâmetro interno, os separadores extrudados American Orthodontics, GH, Morelli Azul e Morelli Verde e os modulares Dentaurum, Morelli Modular Verde e Morelli Modular Azul tiveram deformação elástica, recuperando seu diâmetro interno. Os separadores modulares Abzil e GAC apresentaram deformação plástica permanente.

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