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ISSN 2176-9451

Volume 16, Number 3, May / June 2011

VersĂŁo em portuguĂŞs Dental Press International


v. 16, no. 3

Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):1-164

May/June 2011

ISSN 2176-9451


EDITOR CHEFE Jorge Faber

Eustáquio Araújo UnB - DF - Brasil

Univ. de Saint Louis - EUA

Fabrício Pinelli Valarelli

UNINGÁ - PR - Brasil UMESP - SP - Brasil

Fernando César Torres EDITORA ASSOCIADA Telma Martins de Araujo

Giovana Rembowski Casaccia UFBA - BA - Brasil

Gisele Moraes Abrahão

UERJ - RJ - Brasil UFF - RJ - Brasil

Glaucio Serra Guimarães EDITORES ADJUNTOS

Guilherme Janson

Daniela Gamba Garib Fernanda Angelieri Matheus Melo Pithon

HRAC/FOB-USP - SP - Brasil USP - SP - Brasil UESB - BA - Brasil

EDITOR ADJUNTO (Odontologia baseada em evidências) David Normando

UFPA - PA - Brasil

EDITORA ADJUNTA

ULBRA-Torres - RS - Brasil

Gustavo Hauber Gameiro

UFRGS - RS - Brasil

Haroldo R. Albuquerque Jr.

UNIFOR - CE - Brasil UNICID - SP - Brasil

Helio Scavone Júnior Henri Menezes Kobayashi

UNICID - SP - Brasil

Hiroshi Maruo

PUC-PR - PR - Brasil

Hugo Cesar P. M. Caracas

UNB - DF - Brasil

Jesús Fernández Sánchez

Univ. de Madrid - Madrid - Espanha

Jonas Capelli Junior

UERJ - RJ - Brasil

José Antônio Bósio

Univ. de Marquette - Milwaukee - EUA

José Augusto Mendes Miguel

(revisão língua inglesa) Flávia Artese

FOB-USP - SP - Brasil

Guilherme Pessôa Cerveira

(artigos online)

UERJ - RJ - Brasil

José Fernando Castanha Henriques José Nelson Mucha

PUBLISHER Laurindo Z. Furquim

UFRGS - RS - Brasil

José Vinicius B. Maciel

PUC-PR - PR - Brasil

Julia Cristina de Andrade Vitral CONSELHO EDITORIAL CIENTÍFICO Adilson Luiz Ramos Danilo Furquim Siqueira Maria F. Martins-Ortiz

Júlia Harfin UEM - PR - Brasil

Júlio de Araújo Gurgel

UNICID - SP - Brasil

Julio Pedra e Cal Neto

ACOPEM - SP - Brasil

FOB-USP - SP - Brasil UFF - RJ - Brasil

Karina Maria S. de Freitas

UNINGÁ - PR - Brasil

Larry White

AAO - Dallas - EUA

Leandro Silva Marques

Ortodontia

Leopoldino Capelozza Filho

UNINCOR - MG - Brasil

Leniana Santos Neves

Adriana de Alcântara Cury-Saramago Adriano de Castro Aldrieli Regina Ambrósio Alexandre Trindade Motta Ana Carla R. Nahás Scocate Ana Maria Bolognese Andre Wilson Machado Antônio C. O. Ruellas Armando Yukio Saga Arno Locks Ary dos Santos-Pinto

Univ. de Illinois - Chicago - EUA UFF - RJ - Brasil UCB - DF - Brasil SOEPAR - PR - Brasil UFF - RJ - Brasil UNICID - SP - Brasil UFRJ - RJ - Brasil

Liliana Ávila Maltagliati Luciana Abrão Malta

Clín. Partic. - SP - Brasil

Luciana Baptista Pereira Abi-Ramia Luciana Rougemont Squeff

PUC-RS - RS - Brasil

Luís Antônio de Arruda Aidar Luiz G. Gandini Jr.

FOB-USP - SP - Brasil

Luiz Sérgio Carreiro

UEL - PR - Brasil

Marcelo Bichat P. de Arruda

UFMS - MS - Brasil UFJF - MG - Brasil

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Univ. de Oslo - Noruega

Márcio Rodrigues de Almeida

Bruno D'Aurea Furquim

Clín. Partic. – PR - Brasil

Marco Antônio de O. Almeida Marcos Alan V. Bittencourt

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Camilo Aquino Melgaço

UFMG – MG - Brasil

Carla D'Agostini Derech

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Carla Karina S. Carvalho

ABO – DF - Brasil

Maria Carolina Bandeira Macena

Carlos A. Estevanel Tavares

ABO – RS - Brasil

Maria Perpétua Mota Freitas

Célia Regina Maio Pinzan Vercelino Christian Viezzer Clarice Nishio Cristiane Canavarro Eduardo C. Almada Santos Eduardo Franzotti Sant'Anna Eduardo Silveira Ferreira Enio Tonani Mazzieiro

UNIMEP - SP - Brasil UERJ - RJ - Brasil UFBA - BA - Brasil

Camila Alessandra Pazzini

Cauby Maia Chaves Junior

UNISANTA - SP - Brasil FOAR-UNESP - SP - Brasil

Björn U. Zachrisson

Carlos Martins Coelho

UERJ - RJ - Brasil UFRJ - RJ - Brasil

Luciane M. de Menezes

UFRJ - RJ - Brasil

FOAR/UNESP – SP - Brasil

USC - SP - Brasil PUC-MG - MG - Brasil

Luiz Filiphe Canuto

ABO – PR - Brasil

UFVJM - MG - Brasil HRAC/USP - SP - Brasil

Lívia Barbosa Loriato

UFBA - BA - Brasil

UFSC – SC - Brasil

Clín. Partic. - SP - Brasil

Univ. de Maimonides - Buenos Aires - Argentina

Consultores EDITORIAIS

Adriana C. da Silveira

UERJ - RJ - Brasil FOB-USP - SP - Brasil UFF - RJ - Brasil

José Renato Prietsch UEM - PR - Brasil

Clín. Partic. - RS - Brasil

Marcos Augusto Lenza

UFG-GO - Brasil

Maria C. Thomé Pacheco

UFES - ES - Brasil FOP-UPE - PB - Brasil ULBRA - RS - Brasil

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Marília Teixeira Costa

UFG - GO - Brasil

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Marinho Del Santo Jr.

Clín. Partic. - SP - Brasil

FOB-USP – SP - Brasil UFRGS – RS - Brasil Univ. de Montreal - Canadá UERJ – RJ - Brasil FOA/UNESP - SP - Brasil UFRJ - RJ - Brasil UFRGS - RS - Brasil PUC-MG - MG - Brasil

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Univ. Médica e Odontológica de Tokyo - Japão

Mônica T. de Souza Araújo Orlando M. Tanaka Oswaldo V. Vilella

UFRJ - RJ - Brasil PUC-PR - PR - Brasil UFF - RJ - Brasil

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Clín. Partic. - DF - Brasil

Patricia Valeria Milanezi Alves

Clín. Partic. - RS - Brasil

Pedro Paulo Gondim Renata C. F. R. de Castro

UFPE - PE - Brasil UMESP - SP - Brasil


Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin

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Disfunção da ATM

Ricardo Machado Cruz

UNIP - DF - Brasil

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Paulo César Conti

UFJF - MG - Brasil

Robert W. Farinazzo Vitral Roberto Justus

Univ. Tecn. do México – México

Roberto Rocha

UFSC - SC - Brasil

Rodrigo César Santiago

UFJF - MG - Brasil

Rodrigo Hermont Cançado Rolf M. Faltin

UNINGÁ - PR - Brasil Clín. Partic. - SP - Brasil FOB-USP - SP - Brasil

Tarcila Triviño Weber José da Silva Ursi Wellington Pacheco

Fonoaudiologia Esther M. G. Bianchini

CEFAC-FCMSC - SP - Brasil

Implantologia Carlos E. Francischone

FOB-USP - SP - Brasil

UFPA - PA - Brasil

Sávio R. Lemos Prado Sérgio Estelita

CTA - SP - Brasil FOB-USP - SP - Brasil

UMESP - SP - Brasil FOSJC/UNESP - SP - Brasil

Ortopedia Dentofacial Dayse Urias

Clín. Partic. - PR - Brasil

Kurt Faltin Jr.

UNIP - SP - Brasil

PUC-MG - MG - Brasil Periodontia

Biologia e Patologia Bucal

Maurício G. Araújo

Alberto Consolaro

UEM - PR - Brasil

FOB-USP - SP - Brasil

Edvaldo Antonio R. Rosa

PUC - PR - Brasil

Prótese

Victor Elias Arana-Chavez

USP - SP - Brasil

Marco Antonio Bottino

UNESP-SJC - SP - Brasil

Sidney Kina

Clín. Partic. - PR - Brasil

Bioquímica e Cariologia Marília Afonso Rabelo Buzalaf

FOB-USP - SP - Brasil

Radiologia Rejane Faria Ribeiro-Rotta

UFG - GO - Brasil

Cirurgia Ortognática Eduardo Sant’Ana

FOB/USP - SP - Brasil

COLABORADORES CIENTÍFICOS

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Adriana C. P. Sant’Ana

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Liogi Iwaki Filho

UEM - PR - Brasil

Ana Carla J. Pereira

UNICOR - MG - Brasil

Rogério Zambonato

Clín. Partic. - DF - Brasil

Luiz Roberto Capella

Waldemar Daudt Polido

Clín. Partic. - RS - Brasil

Mário Taba Jr.

CRO - SP - Brasil FORP - USP - Brasil

Dentística Maria Fidela L. Navarro

FOB-USP - SP - Brasil

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-9451) é continuação da Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial (ISSN 1415-5419).

Indexação:

O Dental Press Journal of Orthodontics (ISSN 2176-

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9451) é uma publicação bimestral da Dental Press International. Av. Euclides da Cunha, 1.718 - Zona 5 - CEP 87.015-180 - Maringá / PR - Fone/Fax: (0xx44) 3031-9818

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Diretora: Teresa R. D'Aurea Furquim - Diretor Editorial: Bruno D’Aurea Furquim - Diretor de marketing: Fernando Marson - Analista da informação: Carlos Alexandre Venancio - PRODUTOR EDITORIAL: Júnior Bianco - Diagramação: Fernando Truculo Evangelista - Gildásio Oliveira Reis Júnior - Tatiane Comochena - Revisão/COPYDESK: Ronis Furquim Siqueira - TRATAMENTO DE IMAGENS: Andrés Sebastián - Biblioteca/NORMALIZAÇÃO: Simone Lima Lopes Rafael - Banco de Dados: Adriana Azevedo Vasconcelos - submissão de artigos: Roberta Baltazar de Oliveira - Cursos e Eventos: Ana Claudia da Silva - Rachel Furquim Scattolin - INTERNET: Edmar Baladeli - Financeiro: Roseli Martins - Comercial: Roseneide Martins Garcia - EXPEDIÇÃO: Diego Moraes - JORNALISMO: Beatriz Lemes - Secretaria: Rosane Aparecida Albino.

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desde 2008

desde 2008

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Dental Press Journal of Orthodontics v. 1, n. 1 (set./out. 1996) - . -- Maringá : Dental Press International, 1996 Bimestral ISSN 2176-9451 1. Ortodontia - Perióidico. I. Dental Press International.

CDD 617.643005


Sumário

2

6

Editorial

19

Calendário de Eventos / Events Calendar

20

Acontecimentos / News

22

O que há de novo na Odontologia / What’s new in Dentistry

25

Insight Ortodôntico / Orthodontic Insight

32

Entrevista com James A. McNamara Jr. / Interview

Artigos Online / Online Articles

54

Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática

Imaging from temporomandibular joint during orthodontic treatment: a systematic review Eduardo Machado, Renésio Armindo Grehs, Paulo Afonso Cunali

57

Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro

Cytotoxicity of electric spot welding: an in vitro study Rogério Lacerda dos Santos, Matheus Melo Pithon, Leonard Euler A. G. Nascimento, Fernanda Otaviano Martins, Maria Teresa Villela Romanos, Matilde da Cunha G. Nojima, Lincoln Issamu Nojima, Antônio Carlos de Oliveira Ruellas

12

Estudos clínicos randomizados Estudos longitudinais sem randomização

Gráfico 1 - Delineamento dos estudos.

60

Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de

tubos ortodônticos em molares

In vitro study of shear bond strength in direct bonding of orthodontic molar tubes Célia Regina Maio Pinzan Vercelino, Arnaldo Pinzan, Júlio de Araújo Gurgel, Fausto Silva Bramante, Luciana Maio Pinzan

Artigos Inéditos / Original Articles

63

Avaliação da idade óssea em crianças de 9 a 12 anos de idade na cidade de Manaus-AM

Evaluation of the bone age in 9-12 years old children in Manaus-AM city Wilson Maia de Oliveira Junior, Julio Wilson Vigorito, Carlos Eduardo Nossa Tuma

70

Efeitos do tratamento da Classe II divisão 1 em pacientes dolicofaciais tratados segundo a Terapia Bioprogressiva (AEB cervical e arco base inferior), com ênfase no controle vertical

Treatment effects on Class II division 1 high angle patients treated according to the Bioprogressive therapy (cervical headgear and lower utility arch), with emphasis on vertical control Viviane Santini Tamburús, João Sarmento Pereira Neto, Vânia Célia Vieira de Siqueira, Weber Luiz Tamburús


Sumário

79

Análise da correlação entre a angulação (mesiodistal) dos caninos e a inclinação (vestibulolingual) dos incisivos

Analysis of the correlation between mesiodistal angulation of canines and labiolingual inclination of incisors Amanda Sayuri Cardoso Ohashi, Karen Costa Guedes do Nascimento, David Normando

87

Avaliação da resistência ao cisalhamento de braquetes da técnica lingual colados sobre superfície cerâmica

Evaluation of shear strength of lingual brackets bonded to ceramic surfaces Michele Balestrin Imakami, Karyna Martins Valle-Corotti, Paulo Eduardo Guedes Carvalho, Ana Carla Raphaelli Nahás Scocate

95

Educação e motivação em saúde bucal – prevenindo doenças e promovendo saúde em pacientes sob tratamento ortodôntico

Education and motivation in oral health – preventing disease and promoting health in patients undergoing orthodontic treatment Priscila Ariede Petinuci Bardal, Kelly Polido Kaneshiro Olympio, José Roberto de Magalhães Bastos, José Fernando Castanha Henriques, Marília Afonso Rabelo Buzalaf

103

Análises microbiológicas de alicates ortodônticos

Microbiological analysis of orthodontic pliers Fabiane Azeredo, Luciane Macedo de Menezes, Renata Medina da Silva, Susana Maria Deon Rizzatto, Gisela Gressler Garcia, Karen Revers

113

Avaliação cefalométrica dos efeitos do aparelho de protração mandibular (APM) associado à aparatologia fixa em relação às estruturas esqueléticas em pacientes portadores de má oclusão Classe II, 1ª divisão

Cephalometric evaluation of the effects of the joint use of a mandibular protraction appliance (MPA) and a fixed orthodontic appliance on the skeletal structures of patients with Angle Class II, division 1 malocclusion Emmanuelle Medeiros de Araújo, Rildo Medeiros Matoso, Alexandre Magno Negreiros Diógenes, Kenio Costa Lima

125

Caso Clínico BBO / BBO Case Report

Má oclusão Classe II, 2ª divisão de Angle, tratada com exodontias de dentes permanentes

Angle Class II, division 2 malocclusion treated with extraction of permanent teeth Sílvio Luís Dalagnol

136

Tópico Especial / Special Article Critérios para o diagnóstico e tratamento estável da mordida aberta anterior Criteria for diagnosing and treating anterior open bite with stability Alderico Artese, Stephanie Drummond, Juliana Mendes do Nascimento, Flavia Artese

162

Normas para publicação / Information for authors


Editorial

Planejar é preciso, correr perigo não é preciso do diagnóstico das mordidas abertas anteriores, permitindo um planejamento de tratamento realmente focado na etiologia do problema. A palestrante, Dra. Flávia Artese, mostrava o trabalho desenvolvido por seu pai, Prof. Alderico Artese, enquanto nós, audientes, nos encantávamos com as insólitas revelações do trabalho. É incrível que, na era de fantásticos diagnósticos por imagem e exames sofisticadíssimos, uma nova forma de diagnóstico — e para um problema tão antigo — seja trazida à baila pelas mãos da observação crítica e da inteligência aguçada. O trabalho foi condensado para a seção Tópico Especial desse número. Nesse artigo observase que a falta de consenso sobre a etiologia da mordida aberta anterior originou tratamentos variados, o que provavelmente explica o alto índice de instabilidade pós-tratamento dessa má oclusão. E mais, ele oferece critérios de diagnóstico e tratamento da mordida aberta baseados nas diferentes posturas de língua. Algo tão claro que choca o fato de ninguém ter percebido isso antes. Novamente: planos são nada, planejamento é tudo. Mas como podemos planejar se sequer entendemos a causa do problema? Sugiro fortemente a leitura desse artigo, que marcará a literatura sobre essa que é uma das anomalias de mais difícil correção.

Ao longo de anos orbitando assuntos na fronteira das possibilidades ortodônticas, várias vezes respondi perguntas sobre os riscos dos tratamentos. Isso se iniciou junto com as primeiras aulas sobre ancoragem esquelética, há cerca de quinze anos. Olhos preocupados se atentavam — e ainda se atentam — para novas formas de tratar. É de se esperar essa preocupação, pois aqueles que são responsáveis têm receio de, com um novo tratamento, não atingir o resultado esperado. Isso é especialmente verdadeiro quando estamos à volta com tratamentos complexos, que envolvem novas etapas ou mais conhecimento. Mas será que necessariamente esses tratamentos oferecem maiores riscos? É provável, vá lá, mas não sempre. Porém, para dar uma melhor resposta para essa pergunta, é muito importante esclarecer que existe uma grande diferença entre “correr perigo” e “correr risco”. Essa diferença é denominada planejamento. Planejar envolve identificar exatamente o problema; compreender sua evolução e as consequências da sua não solução; estabelecer diferentes cenários de resolução e optar por um, de forma consciente; e, por fim, registrar passo a passo as ações que serão executadas. Na Segunda Guerra Mundial, o maior comandante das Forças Aliadas, general Dwight Eisenhower, uma vez disse: “Planos são nada, planejamento é tudo”. Os novos recursos para o planejamento não se esgotam, e recentemente testemunhei um excelente exemplo disso. Em um congresso, assisti uma apresentação que está entre as melhores que já vi. Ela tratava de uma nova perspectiva

Dental Press J Orthod

Boa leitura. Jorge Faber Editor-chefe faber@dentalpress.com.br

6

2011 May-June;16(3):6


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10 | 11 | 12 | NOV | 2011 | CENTRO DE CONGRESSOS DE LISBOA | PORTUGAL

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Uma programação científica voltada Uma programação científica voltada para a prática avançada da Ortodontia para a prática Funcional avançada da e da Ortopedia dosOrtodontia Maxilares. e da Ortopedia Funcional dos Maxilares. A scientific agenda focused on the advanced practice of Orthodontics andonthe A scientific agenda focused theFunctional advanced practice of Orthodontics the Functional Orthopedics of the and Maxillaries. Orthopedics of the Maxillaries.

15 a 17 de setembro • 2011 • Anhembi • São Paulo

15 a 17 setembro • 2011 • Anhembi SãoPaulo, PauloBrazil September 15de thru 17, Anhembi Convention Center,• Sao September 15 thru 17, Anhembi Convention Center, Sao Paulo, Brazil

Módulo/module 1: Finalização ortodôntica: estética e oclusão / Orthodontic completion: esthetics and occlusion Módulo/module 1:: Finalização ortodôntica: estética oclusão Weber / Orthodontic completion: esthetics and occlusion Ministradores/ lecturers Ana Carla Nahás; Flávio VellinieFerreira; Ursi; Flavio Cotrim-Ferreira Ministradores/lecturers: Ana Carla Nahás; Flávio Vellini Ferreira; Weber Ursi; Flavio Cotrim-Ferreira

Módulo/module 2: Tratamento ortodôntico de más-oclusões assimétricas / Orthodontic treatment of bad asymmetric occlusions Módulo/module 2:: Tratamento de más-oclusões assimétricas / Orthodontic Ministradores/ lecturers Arno Locks;ortodôntico Marcos Janson; Maurício Sakima; Guilherme Jansontreatment of bad asymmetric occlusions Ministradores/lecturers: Arno Locks; Marcos Janson; Maurício Sakima; Guilherme Janson

Módulo/module 3: O estado da arte na Ortodontia – filosofia de tratamento ortodôntico MBT – uma Ortodontia ao alcance de todos / Módulo/module 3: O estado da arte na Ortodontia – filosofia de tratamento ortodôntico MBT – uma Ortodontia ao alcance de todos / The state-of-the-art in Orthodontics – philosophy treatment––Orthodontics Orthodontics that everyone afford The state-of-the-art in Orthodontics – philosophyofofthe theMBT MBT orthodontic orthodontic treatment that everyone cancan afford Ministradores/ lecturers : Ricardo Moresca; Reginaldo Zanelato Trevisi; Cristina Domingues; Hugo Trevisi Ministradores/lecturers: Ricardo Moresca; Reginaldo Zanelato Trevisi; Cristina Domingues; Hugo Trevisi

module 4: Disgenesias: visão basesbiológicas biológicaspara paracompreensão, compreensão, orientação e tratamento Módulo/ Módulo/ module 4: Disgenesias: visãocontemporânea contemporâneado do diagnóstico; diagnóstico; bases orientação e tratamento / / Dysgenesis, contemporary vision of the diagnosis; guidanceand andtreatment treatment Dysgenesis, contemporary vision of the diagnosis;biological biologicalbases basesfor for understanding, understanding, guidance Ministradores/ lecturers : Alberto Consolaro; Cardoso;Leopoldino LeopoldinoCapelozza Capelozza Filho Ministradores/ lecturers : Alberto Consolaro;Daniela DanielaGarib; Garib;Maurício Maurício Cardoso; Filho

s ces ela 0cp 700 7p0la y cpolemtpele d ted dm lryeaco a d 0 a 2 e 3 lr 20 a

3

Um encontro para quem é Mais. Participe. Virada de preço em 3/6. Um encontro para quem é Mais. Participe. Virada de preço em 3/6. A meeting for someone who is More. Participate. Enrollment fee will change on June 3rd.

A meeting for someone who is More. Participate. Enrollment fee will change on June 3rd. Programação científica completa e adesões on-line / Complete scientific agenda and on-line enrollments

Programação científica completa ewww.ortociencia.com.br/ortonews adesões on-line / Complete scientific agenda and on-line enrollments

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Informações adicionais e adesões / Additional information and enrollments

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2168-3400e (Camila – ortonews@ortociencia.com.br  55 11adicionais Informações adesõesAdrieli) / Additional information and enrollments Realização Apoio  55 11 2168-3400 (Camila Adrieli) – ortonews@ortociencia.com.br Realization

Realização Realization

Institutional Support

Apoio

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Calendário

Eventos

de

2º Congresso Internacional MBT Data: 25, 26 e 27 de agosto de 2011 Local: Abzil - São José do Rio Preto /SP Informações: (18) 3222-4285 cursos@trevisi.com.br

15º Encontro AOA - “De Volta Para o Seu Futuro” Data: 26 e 27 de agosto de 2011 Local: Hotel Fazenda Salto Grande - Araraquara / SP Informações: (16) 3397-4924 gestos@gestos.com.br

2º CIOMT – Congresso Internacional de Odontologia de Mato Grosso Data: 15, 16 e 17 de setembro de 2011 Local: Hotel Fazenda Mato Grosso - Cuiabá / MT Informações: (65) 3321-4428 / 3624-5212 www.ipeodonto.com.br

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8º Congresso da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial Data: 12 a 15 de outubro de 2011 Local: Belo Horizonte / MG Informações: www.congressoabor2011.com.br/

twitter.com/abormg

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Congresso Internacional de Ortodontia, Implantodontia e Cirurgia Ortognática Data: 4 e 5 de novembro de 2011 Local: Vale do Paraíba / SP Informações: (11) 4368-5678

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XX Congresso OMD (Ordem dos Médicos Dentistas) Data: 10, 11 e 12 de novembro de 2011 Local: Centro de Congressos de Lisboa - Portugal Informações: www.omd.pt/congresso

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1º Congresso Internacional FASURGS - Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia e Ortodontia Data: 12, 13 e 14 de novembro de 2011 Local: FASURGS - Passo Fundo / RS Informações: (54) 3312-4121 www.fasurgs.edu.br/congresso

Dental Press J Orthod

19

2011 May-June;16(3):19


A c o n t ec i m e n t o s

Congresso AAO Chicago 2011 A Dental Press esteve presente no 111° Congresso da AAO (Associação Americana de Ortodontistas), que foi realizado entre os dias 13 e 17 de maio em Chicago (EUA). Durante o evento, a Editora apresentou a versão do Dental Press Journal of Orthodontics para iPad, a primeira revista do segmento para tablets.

Drs. Vincent Kokich, Rachel Furquim, Teresa Furquim e Adilson Ramos.

Drs. Patricia e Márcio Almeida Rodrigues.

Drs. Merian L. de Moura e Ertty Silva.

Drs. Telma Martins de Araújo e Carlos Vogel.

Drs. Rachel Furquim, Kurt Faltin Jr. e Merian L. de Moura.

Drs. Guilherme Janson, Tassiana Simão, Ajalmar e Nair Maia.

Drs. Teresa Furquim, Larry White e Rachel Furquim.

Drs. Will A. Andrews, Thiene e David Normando.

Dr. Marcos Janson.

Board Brasileiro em reunião com o Board Americano, em Chicago Durante o Congresso da AAO, em Chicago/ EUA, na manhã de segunda-feira, 16 de maio, no Hotel Península, foi realizada uma reunião histórica. O encontro entre diretores e ex-presidentes do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO) e diretores do American Board of Orthodontics (ABO). Na pauta da reunião, a discussão sobre as razões para a certificação do Board, entre elas a elevação da qualidade dos tratamentos e a proteção do público. Foi uma oportunidade extremamente positiva, com vários questionamentos e a promessa de apoio, em todos os sentidos, da ABO para a consolidação e aprimoramento do Board Brasileiro. Dental Press J Orthod

20

Participaram da reunião: presidente do ABO, Barry S. Briss; presidente do BBO, Ademir Roberto Brunetto. Os diretores: Deocleciano da Silva Carvalho, Sadí Flávio Horst, Eustáquio Afonso Araújo, Roberto Rocha, Carlos Alberto Estevanell Tavares, Jonas Capelli Junior, Roberto Carlos Bodart Brandão, além dos ex-presidentes Roberto Mário Amaral Lima Filho, Carlos Jorge Vogel, José Nelson Mucha e Telma Martins de Araújo. 2011 May-June;16(3):20-1


Acontecimentos

7º Encontro Abzil/ 3M de Ortodontia Individualizada Foi realizado em Belém (PA), entre os dias 26 e 28 de maio, o 7º Encontro de Ortodontia Individualizada, com a presença dos palestrantes Leopoldino Capelozza Filho, Laurindo Furquim, Jesus M. Pinheiro Jr., Silvia Braga Reis, Sérgio Luiz de Azevedo Silva, José Valladares Neto e David Normando. O Prof. Capelozza apresentou o livro “Metas Terapêuticas Individualizadas”, sua segunda publicação pela editora Dental Press.

Dra. Diana A. Athayde Fernandes com o Dr. Leopoldino Capelozza.

Dras. Thiene Normando e Sílvia Reis.

Organizadores e professores do evento.

Dra. Mielli Teixeira e Silva ao lado da Dra. Mara Sandra Ferrais Tobias.

Drs. Eduardo Maranhão, Eurico Correia, Jesus Maués P. Junior e Theodorico Neto.

Drs. Adriana V. M. da Silva e Edilson da Silva.

Dras. Hellen G. A. Santos e Lucyana Azevedo.

Dras. Roberta F. Marbá e Renata B. Neri.

Dr. Leopoldino Capelozza autografando livro para a Dra. Carolina Lima.

Dras. Marília Guimarães e Fernanda Pinheiro.

Drs. Murilo Neves e Rafael Simas.

Drs. Iara Reis, Yuri Sasai, Laurindo Furquim e Socene Veloso.

Dental Press J Orthod

21

2011 May-June;16(3):20-1


O

que há de novo na

Odontologia

A cefalometria é um importante preditor de Distúrbios Respiratórios do Sono em crianças Jorge Faber*, Flávia Velasque**

As crianças com DRS foram caracterizadas por uma mandíbula mais curta (P = 0,001) e com inclinação aumentada em relação ao plano palatal (P = 0,01). A altura facial anterior era aumentada em relação aos controles (P = 0,019), bem como a altura facial inferior (P = 0,005). O palato mole era mais longo (P = 0,018) e espesso (P = 0,002). As vias aéreas tinham menor diâmetro aos níveis da naso e orofaringe, porém maior diâmetro da orofaringe ao nível da base da língua (P = 0,011). A posição do osso hioide era mais inferior (P < 0,001), e os ângulos craniocervicais maiores, quando comparados com o grupo controle sem obstrução. Quando divididos em subgrupos conforme a gravidade da doença, crianças com AOS desviaram significativamente das crianças do grupo controle, especialmente nas variáveis da orofaringe. Crianças com SRVAS e ronco também desviaram dos controles, porém os subgrupos com obstrução não foram confiavelmente distinguidos uns dos outros pelas medidas cefalométricas. Uma análise de regressão logística mostrou que SRVAS e AOS estão associadas com a diminuição do diâmetro faringeano no nível das adenoides e da extremidade da úvula, com o aumento do diâmetro no nível da base da língua, e possuem palato mole espesso. Além disso, há um posicionamento anteriorizado da maxila em relação à base do crânio.

Os Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS) têm sido estudados e tratados há muito tempo em adultos, porém pouca atenção tem sido dada às crianças, que podem apresentar DRS tão graves quanto os adultos. Esses problemas merecem muita atenção dos responsáveis e dos profissionais que têm a oportunidade de tratá-los durante a infância, pois as consequências para o dia-a-dia, como menor rendimento escolar e hiperatividade, podem ter profundo impacto na formação do indivíduo, além, é claro, da repercussão na saúde. Devido à relevância do problema, pesquisadores avaliaram as características cefalométricas de crianças com DRS1. A cefalometria é uma importante ferramenta na morfometria da face e está disponível em praticamente todo o mundo. A amostra incluiu 70 crianças (34 meninos e 36 meninas, média de idade 7,3±1,72 anos) com ronco habitual e sintomas de distúrbio obstrutivo do sono por mais de 6 meses. Com base nos achados da polissonografia noturna, os indivíduos foram subdivididos em grupos de 26 crianças com diagnósticos de apneia obstrutiva do sono (AOS), 17 com sinais da síndrome de resistência das vias aéreas superiores (SRVAS), e 27 com ronco. Um grupo controle de 70 crianças sem obstrução, pareadas por idade e sexo, foi selecionado. Radiografias laterais do crânio foram realizadas e cefalogramas foram traçados e medidos.

* Professor Adjunto de Ortodontia – Universidade de Brasília. ** Ortodontista e Odontopediatra em clínica privada.

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Insight Ortodôntico

Reabsorção óssea à distância na movimentação ortodôntica: quando se inicia e o como ocorre a reorganização periodontal Alberto Consolaro*, Lysete Berriel Cardoso**, Angela Mitie Otta Kinoshita***, Leda Aparecida Francischone***, Milton Santamaria Jr****, Ana Carolina Cuzuol Fracalossi*****, Vanessa Bernardini Maldonado******

e potencialidade de extrapolação de resultados. Melhorar esse modelo implica em aperfeiçoar esta fonte de conhecimentos sobre a biologia da movimentação dentária induzida3,10. Em geral, nos primeiros trabalhos os tempos experimentais se estendiam até o quinto ou sétimo dia7,8,9,13. Depois desse período, quais eram os fenômenos teciduais nas raízes do primeiro molar superior murino submetidas a forças intensas e nas quais apresentava-se reabsorção óssea à distância? Havia questionamentos que os trabalhos anteriores4,6,10,11 nesse modelo não responderam, como: » As reabsorções radiculares associadas ao movimento dentário experimentalmente induzido estão mais relacionadas à reabsorção óssea frontal ou à reabsorção óssea à distância? » Em que tempo as áreas de hialinização são eliminadas e o ligamento periodontal inicia seu processo de reorganização? » Quando e como ocorre a substituição da cortical óssea alveolar reabsorvida para reinserir o ligamento periodontal? » As áreas hialinizadas do tecido conjuntivo são fagocitadas, reabsorvidas ou circunscritas? » Em que locais a reabsorção radicular ocorre em relação às áreas hialinas: imediatamente próximos ou distantes das áreas hialinas?

A movimentação dentária induzida por aparelhos ortodônticos constitui-se em um dos procedimentos terapêuticos mais aplicados na clínica odontológica. A procura da estética e da funcionalidade bucal e dentária requer o tratamento ortodôntico, o qual, muito frequentemente, está associado às reabsorções radiculares — que podem, em situação extrema, levar à perda dentária e/ou ao comprometimento periodontal. O conhecimento da biologia da movimentação dentária induzida implica em reconhecer os fenômenos teciduais, celulares e moleculares a cada dia de sua evolução. Assim, poder-se-á interferir de forma segura e consciente com medicação, procedimentos e intervenções para otimizar o tratamento ortodôntico e o conforto do paciente, reduzir as reabsorções radiculares ou evitá-las e, ainda, viabilizar o tratamento ortodôntico para pacientes sistemicamente comprometidos. O modelo experimental de movimentação dentária induzida de Heller e Nanda5 está universalmente consagrado3,10 pela sua utilização na maioria das pesquisas sobre o assunto, em decorrência da viabilidade de extrapolação dos resultados para a clínica ortodôntica (Fig. 1). Quanto maior a padronização e detalhamento desse modelo experimental, maior será sua aplicabilidade

Como citar este artigo: Consolaro A, Cardoso LB, Kinoshita AMO, Francischone LA, Santamaria Jr M, Fracalossi ACC, Maldonado VB. Reabsorção óssea à distância na movimentação ortodôntica: quando se inicia e o como ocorre a reorganização periodontal. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):25-31.

* ** *** **** ***** ******

Professor Titular da FOB e da Pós-graduação da FORP-USP. Professora de Histologia da Faculdade Anhanguera de Bauru. Professora da Universidade Sagrado Coração - Programa de Biologia Oral. Professor da Universidade de Araras – Programa de Ortodontia. Mestre em Patologia Bucal pela FOB e Doutora pela UNIFESP. Mestre em Odontopediatria pela FORP-USP.

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Consolaro A, Cardoso LB, Kinoshita AMO, Francischone LA, Santamaria Jr M, Fracalossi ACC, Maldonado VB

vimento ortodôntico, quando induzido por forças leves/moderadas, ocorre na superfície da cortical óssea alveolar em frente à área de compressão do ligamento periodontal, sendo, por isso, denominada reabsorção óssea frontal. Na reabsorção óssea à distância, a cortical óssea alveolar está sendo solapada em suas ligações com o osso vizinho e subjacente, pela ação de numerosas unidades osteorremodeladoras. As reabsorções radiculares estão ativas e ocorrendo em maior extensão, afetando a dentina mais profundamente. 4. Aos 9 dias de movimentação dentária induzida com forças intensas, as áreas hialinas já foram e continuam sendo parcialmente reabsorvidas (Fig. 7, 8). O ligamento periodontal está se reorganizando. A cortical óssea alveolar solapada mostra apenas sinais isolados de sua existência anterior, pois está sendo reformada completamente. As reabsorções radiculares ainda estavam ocorrendo ativamente.

Considerações finais Nas conclusões do referido trabalho, verificouse que: 1. Aos 3 dias de movimentação dentária induzida por forças intensas, a reabsorção óssea à distância ainda não se iniciou na maioria dos espécimes examinados, mas em alguns notavam-se discretos focos com unidades osteorremodeladoras instaladas (Fig. 4). 2. Apenas aos 5 dias havia clastos de unidades osteorremodeladoras instaladas nas superfícies ósseas circunvizinhas e na periferia das áreas hialinas. Nesse período, a reabsorção radicular ainda era incipiente e limitada ao cemento (Fig. 5). 3. Aos 7 dias, a reabsorção óssea à distância ocorre plenamente nas superfícies das trabéculas e cortical alveolar, mas distantes e subjacentes à cortical óssea alveolar associada ao segmento do ligamento periodontal hialinizado (Fig. 6). A reabsorção óssea no mo-

Referências 1.

2.

3. 4.

5. 6.

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Endereço para correspondência Alberto Consolaro E-mail: consolaro@uol.com.br

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Entrevista

Uma entrevista com

James A. McNamara Jr. • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Graduado em Odontologia e Ortodontia pela University of California, San Francisco. Doutor em Anatomia pela University of Michigan. Professor da Cadeira Thomas M. e Doris Graber, no Departamento de Ortodontia e Odontopediatria - University of Michigan. Professor de Biologia Celular e Desenvolvimento - University of Michigan. Professor Pesquisador no Centro para Crescimento e Desenvolvimento Humano na University of Michigan. Autor do livro “Orthodontics and Dentofacial Orthopedics”. Prêmio Milo Hellman Research (AAO - 1973). Conferencista E. Sheldon Friel (Sociedade Europeia de Ortodontia - 1979). Prêmio Jacob A. Salzmann (AAO - 1994). Prêmio James E. Brophy (AAO - 2001). Conferencista Valentine Mershon (AAO - 2002). Prêmio Albert H. Ketcham (AAO - 2008). Diplomado pelo American Board of Orthodontics - ABO. Fellow do American College of Dentists. Ex-Presidente da Edward H. Angle Society of Orthodontists - Midwest. Editor-Chefe da série “Craniofacial Growth Monograph” - publicada pela University of Michigan. Mais de 250 artigos publicados. Escreveu, editou ou contribuiu com mais de 68 livros. Ministrou cursos e conferências em 37 países.

Conheci James A. McNamara Jr. no final dos anos 70, quando nós dois nos tornamos membros efetivos da Edward H. Angle Society of Orthodontists - Midwest. Jim é um dos membros mais ativos, sempre procurando romper fronteiras com trabalhos novos. Nestes mais de 30 anos, eu o vi sendo agraciado com todos os prêmios e honrarias existentes no campo da Ortodontia. Conhecendo sua capacidade e persistência, tenho certeza de que, se no futuro forem instituídos outros prêmios, Jim estará lá para, com todo mérito, conquistá-los. É afortunado por possuir uma família que o apoia e incentiva: sua mulher Charlene, que o acompanha em todas as viagens, e Laurie, sua filha e colega, hoje sócia em sua clínica. Além da Ortodontia, é apaixonado por golfe e fotografia. Meus sinceros agradecimentos aos colegas Bernardo Quiroga Souki, José Maurício de Barros Vieira, Roberto Mario Amaral Lima Filho, Weber Ursi e Carlos Alexandre Câmara, que aceitaram o convite para elaborar perguntas que facilitaram o desenvolvimento do roteiro desta entrevista. Espero que os leitores experimentem o mesmo prazer e satisfação que eu senti ao ler as respostas. Jim conseguiu mostrar o crescimento e amadurecimento de sua carreira clínica, baseado em evidências científicas, com uma clareza e simplicidade que o fazem, além de clínico e pesquisador emérito, um dos melhores conferencistas da atualidade. Agradeço à Dental Press pela oportunidade de conduzir esta entrevista e desejo a todos uma boa leitura. Carlos Jorge Vogel

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McNamara JA Jr

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Entrevista

51. Baccetti T, Franchi L, McNamara JA Jr, Tollaro I. Early dentofacial features of Class II malocclusion: a longitudinal study from the deciduous through the mixed dentition. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997;111:502-9. 52. Arya BS, Savara BS, Thomas DR. Prediction of first molar occlusion. Am J Orthod. 1973;63:610-21. 53. Bishara SE, Hoppens BJ, Jakobsen JR, Kohout FJ. Changes in the molar relationship between the deciduous and permanent dentitions: a longitudinal study. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1988;93:19-28. 54. Volk T, Sadowsky C, BeGole EA, Boice P. Rapid palatal expansion for spontaneous Class II correction. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2010;137:310-5. 55. Hilgers JJ. The pendulum appliance for Class II noncompliance therapy. J Clin Orthod. 1992;26:706-14. 56. Hilgers JJ. The pendulum appliance: An update. Clin Impressions. 1993:15-17. 57. Sung JH, Kyung HM, Bae SM, Park HS, Kwon OW, McNamara JA Jr. Microimplants in orthodontics. Daegu: Dentos; 2006. 58. Ponitz RJ. Invisible retainers. Am J Orthod. 1971;59:266-72. 59. McNamara JA, Kramer KL, Jeunker JP. Invisible retainers. J Clin Orthod. 1985;19:570-8. 60. Covey SR. The seven habits of highly effective people. New York: Simon and Schuster; 1989. 61. Stock GM, McNamara JA Jr, Baccetti T. The efficacy of two finishing protocols in the quality of orthodontic treatment outcome. Am J Orthod Dentofacial Orthop. in press. 62. Fränkel R. Maxillary retrusion in Class III and treatment with the function corrector III. Rep Congr Eur Orthod Soc. 1970:249-59. 63. Berkman ME, Haerian A, McNamara JA Jr. Interarch maxillary molar distalization appliances for Class II correction: an overview. J Clin Orthod. 2008;42:35-42.

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McNamara JA Jr

Bernardo Quiroga Souki

José Maurício de Barros Vieira

- Especialista em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto - USP. - Especialista em Ortodontia pela PUC Minas. - Mestre em Odontopediatria pela UFMG. - Doutor em Ciências da Saúde pela UFMG. - Professor Adjunto III do Curso de Mestrado em Ortodontia da PUC Minas.

- Mestre e Especialista em Ortodontia pela PUC Minas. - Professor Adjunto III do Curso de Mestrado em Ortodontia da PUC Minas. - Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial. - Ex-Presidente da ABOR-MG.

Carlos Alexandre Câmara

Roberto Mario Amaral Lima Filho

- Especialista em Ortodontia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ. - Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial. - Consultor Científico da Revista Dental Press de Estética.

- Pós-graduado em Ortodontia pela Universidade de Illinois, Chicago, EUA. - Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. - Diplomado pelo American Board of Orthodontics – ABO. - Membro da Edward H. Angle Society of Orthodontists Midwest. - Ex-Diretor Presidente do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial – BBO. - Autor do livro “Ortodontia: Arte e Ciência”.

Carlos Jorge Vogel Weber Ursi - Pós-graduado em Ortodontia pela University of Illinois, Chicago, EUA. - Doutor pela Universidade de São Paulo – USP. - Membro da Edward H. Angle Society of Orthodontists – Midwest. - Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial – BBO. - Ex-Diretor Presidente do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial – BBO.

- Mestrado e Doutorado pela Universidade de São Paulo – USP, Bauru. - Professor Livre-Docente pela UNESP – São José dos Campos. - Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia – APCD / São José dos Campos. - Editor Interino – Revista Clínica de Ortodontia Dental Press.

Endereço para correspondência James A. McNamara Jr. mcnamara@umich.edu

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Artigo Online*

Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática Eduardo Machado**, Renésio Armindo Grehs***, Paulo Afonso Cunali****

Resumo Introdução: a evolução da Imaginologia na Odontologia propiciou uma série de vantagens

para o diagnóstico e elaboração de planos de tratamento em diversas especialidades. Exames como ressonância magnética nuclear, tomografia computadorizada e tomografia volumétrica Cone Beam, bem como métodos de reconstrução em 3D, permitiram analisar de forma precisa estruturas orofaciais. Aliado a esse fato, com a realização de estudos clínicos com metodologias e desenhos adequados, pode-se avaliar os efeitos do tratamento ortodôntico sobre a articulação temporomandibular (ATM). Objetivo: esse trabalho, através de uma revisão sistemática de literatura, teve como objetivo analisar a inter-relação entre o tratamento ortodôntico e a ATM, verificando se a Ortodontia acarreta alguma alteração das estruturas internas da ATM. Métodos: levantamento em bases de pesquisa (MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs e BBO), entre os anos de 1966 e 2009, com enfoque em estudos clínicos randomizados, estudos longitudinais prospectivos não randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises. Resultados: após a aplicação dos critérios de inclusão, chegou-se a 14 artigos, sendo que 2 eram estudos clínicos randomizados e 12 eram estudos longitudinais sem critérios de randomização. Conclusões: pela análise da literatura, conclui-se que a realização do tratamento ortodôntico não ocorre à custa de posicionamentos não fisiológicos do côndilo e disco articular. Algumas mecânicas podem acarretar remodelações dos componentes ósseos articulares. Palavras-chave: Articulação temporomandibular. Síndrome da disfunção da articulação temporomandibular. Transtornos da articulação temporomandibular. Ortodontia. Imagem por ressonância Magnética. Tomografia.

Como citar este artigo: Machado E, Grehs RA, Cunali PA. Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):54-6.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Especialista em Disfunções Temporomandibulares (DTM) e Dor Orofacial pela UFPR. Graduado em Odontologia pela UFSM. *** Doutor em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UNESP/Araraquara – SP. Professor dos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Odontologia da UFSM. **** Doutor em Ciências pela UNIFESP. Professor dos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Odontologia da UFPR. Coordenador do Curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial da UFPR.

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Resumo do editor Os efeitos do tratamento ortodôntico sobre a Articulação Temporomandibular (ATM) é tema de dúvidas e discussões até os dias atuais. Muitas dessas dúvidas persistem em virtude da utilização de exames radiográficos convencionais, os quais apresentam limitações. Com o advento de exames de imagens com especificidade, sensibilidade e maior precisão na reprodução das estruturas anatômicas articulares, tais como a ressonância magnética nuclear (RMN), tomografia computadorizada (TC) e tomografia volumétrica Cone Beam (TVCB), bem como métodos de reconstrução em 3D, essa inter-relação pode ser avaliada com maior exatidão. A proposta dos autores com esse artigo foi analisar, dentro de um contexto de uma Odontologia baseada em evidências científicas, quais as implicações que a Ortodontia acarreta na ATM e, especificamente, verificar quais as modificações na posição condilar e do disco articular, bem como alterações morfológicas articulares que ocorrem devido ao tratamento ortodôntico. Para tal, foi realizada busca nas bases de dados MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs e BBO, no período compreendido de 1966 a fevereiro de 2009. Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram: estudos baseados em imagens de RMN, TC e/ou TVCB,

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que avaliaram os efeitos do tratamento ortodôntico na ATM; estudos clínicos randomizados (RCTs), estudos longitudinais prospectivos não randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises; estudos em que o tratamento ortodôntico já estivesse finalizado nas amostras analisadas; estudos escritos nos idiomas inglês e espanhol. Após a aplicação dos critérios de inclusão se obteve 14 estudos, sendo 2 estudos clínicos randomizados e 12 estudos longitudinais sem critérios de randomização. Entre os estudos selecionados, 11 eram baseados em imagens de ressonância magnética; e 3, em imagens de tomografia computadorizada. Os autores concluem, com a realização dessa revisão sistemática, que a Ortodontia, quando utilizada de forma correta, não acarreta efeitos adversos à ATM. Ainda, a aplicação de forças durante determinadas mecânicas ortodônticas, especialmente situações ortopédicas, pode acarretar alterações no crescimento condilar e em estruturas ósseas da ATM. Os autores finalizam o artigo salientando que é necessária a realização de novos estudos clínicos randomizados, de natureza longitudinal e intervencionista, para que se determinem associações causais mais precisas, dentro de um contexto de uma Odontologia Baseada em Evidências Científicas.

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Ainda, se faz necessário ressaltar que as evidências científicas apontam que o tratamento ortodôntico não consiste em uma forma de prevenção nem de tratamento para sinais e sintomas de DTM. Frente a pacientes com DTM, a opção de tratamento recai sobre terapêuticas conservadoras, minimamente invasivas e reversíveis.

Questões aos autores 1) O fato da maioria dos artigos ter utilizado aparelhos ortopédicos nos faz pensar que o tratamento realizado tenha sido executado em pacientes em crescimento. Com isso, pergunto: Em paciente adulto, os resultados seriam os mesmos? Em estudos envolvendo pacientes adultos nos quais foi realizado acompanhamento por exames de imagens, também foi verificado que o correto relacionamento oclusal pós-tratamento ortodôntico não foi obtido às custas de alterações no complexo côndilo-disco articular. A esses resultados baseados em exames de imagens, somam-se os achados de estudos clínicos, os quais também forneceram evidências de que a Ortodontia não consiste em uma forma de desencadeamento, prevenção e tratamento para Disfunções Temporomandibulares (DTM).

3) Quais seriam as maiores dificuldades em se realizar um estudo clínico controlado randomizado avaliando a inter-relação entre DTM e tratamento ortodôntico? Já é consenso na literatura que protocolos de tratamento para Disfunções Temporomandibulares devem ser pautados em terapêuticas conservadoras, reversíveis e minimamente invasivas. Dessa forma, a realização de estudos clínicos randomizados esbarra em limitações éticas e práticas, pois alguns participantes deixariam de receber um tratamento benéfico, além do que algumas situações não podem ser pesquisadas com essa metodologia. Assim, terapias que alterem de forma irreversível o padrão oclusal, como a Ortodontia, iriam prover ao paciente um tratamento que não apresenta embasamento científico que o sustente, e que alteraria a oclusão de forma irreversível, sendo que os tratamentos conservadores disponíveis apresentam efetividade no controle e tratamento das DTM.

2) Na discussão do artigo, vocês citam que, em alguns casos de DTM, uma melhora pode ser obtida em decorrência do tratamento ortodôntico. A que se deve essa melhora? É importante ser salientado que os achados desses estudos são apenas sugestivos, visto que o objetivo primário dos estudos não era avaliar a Ortodontia como possível opção terapêutica para DTM.

Endereço para correspondência Eduardo Machado Rua Francisco Trevisan 20, Nossa Sra. de Lourdes CEP: 97.050-230 - Santa Maria / RS E-mail: machado.rs@bol.com.br

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Artigo Inédito

Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática Eduardo Machado*, Renésio Armindo Grehs**, Paulo Afonso Cunali***

Resumo Introdução: a evolução da Imaginologia na Odontologia propiciou uma série de vantagens

para o diagnóstico e elaboração de planos de tratamento em diversas especialidades. Exames como ressonância magnética nuclear, tomografia computadorizada e tomografia volumétrica Cone Beam, bem como métodos de reconstrução em 3D, permitiram analisar de forma precisa estruturas orofaciais. Aliado a esse fato, com a realização de estudos clínicos com metodologias e desenhos adequados, pode-se avaliar os efeitos do tratamento ortodôntico sobre a articulação temporomandibular (ATM). Objetivo: esse trabalho, através de uma revisão sistemática de literatura, teve como objetivo analisar a inter-relação entre o tratamento ortodôntico e a ATM, verificando se a Ortodontia acarreta alguma alteração das estruturas internas da ATM. Métodos: levantamento em bases de pesquisa (MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs e BBO), entre os anos de 1966 e 2009, com enfoque em estudos clínicos randomizados, estudos longitudinais prospectivos não randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises. Resultados: após a aplicação dos critérios de inclusão, chegou-se a 14 artigos, sendo que 2 eram estudos clínicos randomizados e 12 eram estudos longitudinais sem critérios de randomização. Conclusões: pela análise da literatura, conclui-se que a realização do tratamento ortodôntico não ocorre à custa de posicionamentos não fisiológicos do côndilo e disco articular. Algumas mecânicas podem acarretar remodelações dos componentes ósseos articulares. Palavras-chave: Articulação temporomandibular. Síndrome da disfunção da articulação temporomandibular. Transtornos da articulação temporomandibular. Ortodontia. Imagem por ressonância Magnética. Tomografia.

INTRODUÇÃO Os efeitos do tratamento ortodôntico sobre a articulação temporomandibular (ATM) ainda são tema de dúvidas e discussões. A utilização de exa-

mes complementares sempre foi uma constante na avaliação dessa inter-relação, sendo os exames radiográficos convencionais muito utilizados para avaliar as implicações do tratamento ortodôntico

Como citar este artigo: Machado E, Grehs RA, Cunali PA. Imaginologia da articulação temporomandibular durante o tratamento ortodôntico: uma revisão sistemática. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):54.e1-7.

* Especialista em Disfunções Temporomandibulares (DTM) e Dor Orofacial pela UFPR. Graduado em Odontologia pela UFSM. ** Doutor em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UNESP/Araraquara – SP. Professor dos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Odontologia da UFSM. *** Doutor em Ciências pela UNIFESP. Professor dos Cursos de Graduação e Pós-graduação em Odontologia da UFPR. Coordenador do Curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial da UFPR.

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houvesse alguma discordância entre os resultados dos revisores, um terceiro avaliador realizava a leitura do artigo completo. Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram: » Estudos baseados em imagens de ressonância magnética nuclear (RMN), tomografia computadorizada (TC) e/ou tomografia volumétrica Cone Beam, que avaliaram os efeitos do tratamento ortodôntico na ATM. Estudos baseados somente em eletromiografias, cefalometrias e radiografias convencionais foram excluídos, bem como estudos que envolviam cirurgia ortognática. » Estudos clínicos randomizados (RCTs), estudos longitudinais prospectivos não randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises. » Estudos em que o tratamento ortodôntico já estivesse finalizado nas amostras analisadas. » Estudos escritos nos idiomas inglês e espanhol, e publicados entre 1966 e fevereiro de 2009. Dessa forma, foram excluídos estudos transversais, relatos de caso clínico, série de casos, revisões simples e opiniões de autores, bem como estudos no qual o tratamento ortodôntico ainda não tivesse sido concluído.

sobre a ATM. Porém, essa modalidade de exame de imagem apresenta limitações, pois a ATM é uma das estruturas do corpo humano mais difícil de ser bem visualizada radiograficamente, devido às sobreposições de várias estruturas ósseas adjacentes. Assim, os efeitos da Ortodontia sobre as estruturas da ATM ainda permanecem controversos. Com o advento de exames imaginológicos com especificidade, sensibilidade e maior precisão na reprodução das estruturas anatômicas articulares — tais como ressonância magnética nuclear (RMN), tomografia computadorizada e tomografia volumétrica Cone Beam, bem como métodos de reconstrução em 3D —, essa inter-relação pode ser avaliada com maior exatidão. Somado a esse fato, teve-se a realização de estudos clínicos com desenhos e critérios metodológicos mais rigorosos, gerando maiores índices de evidências. Dessa forma, o objetivo geral desse estudo, através da revisão sistemática da literatura, foi analisar, dentro de um contexto de uma Odontologia baseada em evidências científicas, quais as implicações que a Ortodontia acarreta na ATM; e, especificamente, verificar quais as modificações na posição do côndilo e do disco articular, bem como as alterações morfológicas articulares que ocorrem devido ao tratamento ortodôntico.   MATERIAL E MÉTODOS Foi realizada uma busca computadorizada nas bases de dados MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs e BBO no período compreendido de 1966 a fevereiro de 2009. Os descritores de pesquisa utilizados foram “orthodontics”, “orthodontic treatment”, “temporomandibular disorder”, “temporomandibular joint”, “craniomandibular disorder”, “tmd”, “tmj”, “magnetic resonance imaging” e “tomography”, os quais foram cruzados nos mecanismos de busca. A lista inicial de artigos foi submetida à revisão por dois avaliadores, que aplicaram critérios de inclusão para determinar a amostra final de artigos, que foram avaliados pelo seu título e resumo. Caso

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RESULTADOS Após a aplicação dos critérios de inclusão, obtiveram-se 14 estudos, sendo o índice Kappa de concordância entre os revisores igual a 1,00. Desses estudos, 2 eram estudos clínicos randomizados e 12 eram estudos longitudinais sem critérios de randomização (Gráf. 1). Entre os estudos selecionados, 11 eram baseados em imagens de ressonância magnética e 3 em imagens de tomografia computadorizada, conforme demonstra o Gráfico 2. Nenhum estudo selecionado utilizou a tomografia volumétrica Cone Beam para avaliação da ATM. A amostra de artigos selecionados pelos critérios metodológicos da revisão sistemática está disponível no Quadro 1.

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2

3

12 11

Estudos clínicos randomizados

Imagens de ressonância magnética

Estudos longitudinais sem randomização

Imagens de tomografia computadorizada

Gráfico 2 - Características dos estudos.

Gráfico 1 - Delineamento dos estudos.

quadro 1 - Estudos baseados em exames de imagens de ressonância magnética, tomografia computadorizada e/ou tomografia volumétrica Cone Beam. Autores

Ano de Publicação

Desenho

Tamanho da amostra

Exame imaginológico

Aparelhagem ortodôntica utilizada

Alterações na ATM

Major et al.23

1997

P, L

35 tt

TC

F

Aumento EA An

Ruf, Pancherz26

1998

P, L

15 tt

IRM

Herbst

Remodelação condilar e da fossa glenoide

Ruf, Pancherz27

1999

P, L

39 tt

IRM

Herbst

Remodelação condilar e da fossa glenoide

Carlton, Nanda6

2002

P, L

106 tt

TC

F, AF

Sem efeitos adversos

Franco et al.9

2002

RCT

28 tt 28 não tt

IRM

AF

Sem efeitos adversos

Gokalp, Kurt12

2005

P, L

13 tt 7 não tt

IRM

Me

Remodelação condilar

Kinzinger et al.21

2006

P, L

20 tt

IRM

AF

Sem efeitos adversos

Kinzinger et al.22

2006

P, L

20 tt

IRM

AF

Sem efeitos adversos

Kinzinger et al.19

2006

P, L

15 tt

IRM

AF

Sem efeitos adversos

Kinzinger et al.20

2007

P, L

20 tt

IRM

AF

Sem efeitos adversos

Arici et al.3

2008

RCT

30 tt 30 não tt

TC

AF

Alterações nos EA, An e Po

Arat et al.1

2008

P, L

18 tt

IRM

F (ERM)

Sem efeitos adversos

Arat et al.2

2008

P, L

18 tt

IRM

F (ERM)

Sem efeitos adversos

Wadhawan et al.30

2008

P, L

12 tt

IRM

F, AF

Sem efeitos adversos

L= longitudinal, P= prospectivo, RCT= estudo clínico randomizado, tt= tratamento, IRM= imagem de ressonância magnética, TC= tomografia computadorizada, F= aparelhos fixos, AF= aparelhos funcionais, Me= mentoneira, EA= espaço articular, An= anterior, Po= posterior, ERM= expansão rápida da maxila.

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moles e determinação da posição do disco articular da ATM17, permitindo informações sobre a posição, função e forma desse disco e condições dos tecidos musculares e ligamentos, além da avaliação da severidade de várias afecções: traumas, artrites, artroses e degeneração neoplásica10. Já a tomografia volumétrica de feixes cônicos (Cone Beam) permite a visualização de estruturas de dimensões reduzidas com um mínimo de exposição à radiação para o paciente e menor tempo operacional, em relação à TC. Essa modalidade de imagem tem emprego diverso, auxiliando no diagnóstico e elaboração do plano de tratamento em diferentes especialidades odontológicas29. A tomografia Cone Beam é de relevante importância no diagnóstico, localização e reconstrução de imagens tomográficas com excelente precisão, auxiliando nas decisões terapêuticas4. Clinicamente, as evidências científicas apontam para uma tendência de não associação do tratamento ortodôntico com as Disfunções Temporomandibulares (DTM), ou seja, a Ortodontia não aumenta a prevalência de sinais e sintomas de DTM, com estudos longitudinais e experimental-intervencionistas7,8,13,14,15,16,25, bem como revisão sistemática24 e meta-análise18, atestando isso. Já através da análise de exames de imagem, de acordo com os critérios metodológicos adotados por esse estudo, verifica-se que a movimentação ortodôntica não acarreta efeitos adversos para a ATM6,9,19-22. A revisão sistemática da literatura demonstra que o correto relacionamento oclusal entre os dentes não ocasionou uma mudança na posição fisiológica dos côndilos e dos discos articulares na ATM quando analisados exames de RMN e TC19,21,22, sendo que, em alguns casos de DTM, uma melhora pode ser obtida em decorrência do tratamento ortodôntico9,19,22. Alguns estudos verificaram uma alteração da posição condilar3 e alterações dos volumes dos espaços articulares anterior e posterior3,23 devido à mecânica ortodôntica aplicada. Além disso, a utilização de mentoneira acarretou

DISCUSSÃO Torna-se cada vez mais importante analisar a literatura corrente de uma maneira crítica e rigorosa, de modo a verificar-se qual o nível de evidência científica que a informação gera. A aplicação de critérios metodológicos de pesquisa — como cálculo amostral, randomização, calibragem, cegamento e controle de fatores envolvidos — é extremamente importante para qualificar o nível de evidência gerada. E essas informações devem estar disponíveis para a apreciação e discussão do leitor28. Atualmente, o acesso a informações científicas encontra-se disponível por meio das mais diferentes formas. Devido a essa facilidade, o conhecimento acerca da hierarquia dos níveis de evidência científica é essencial para avaliar a qualidade do estudo em questão. Assim, metaanálises, revisões sistemáticas e estudos clínicos randomizados ganham papel de destaque. Estar atento a esse fato é importante, visto que a grande maioria dos artigos publicados em periódicos brasileiros corresponde a estudos de baixo potencial de aplicação clínica direta. A ressonância magnética (RMN) e a tomografia computadorizada (TC) são métodos com maior acurácia diagnóstica em comparação à radiologia convencional, em virtude da maior resolução anatômica que proporcionam. A TC é o método ideal para a avaliação das estruturas ósseas, ao passo que a RMN possibilita o estudo de partes moles, incluindo o disco intra-articular. Os dois métodos frequentemente se completam no estudo das anormalidades das ATMs, constituindo-se em importantes instrumentos no diagnóstico diferencial das diversas doenças dessa região11. A TC é o exame de escolha para avaliar as estruturas ósseas da ATM, principalmente para o diagnóstico de fraturas, deformações articulares, anquiloses e tumores. Não há superposição de qualquer outra estrutura, permitindo a avaliação da qualidade e densidade óssea5. Da mesma forma, a RMN é o padrão-ouro para a representação dos tecidos

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avaliação não invasiva podem tornar-se possíveis na rotina clínica ortodôntica20. Através dessas modalidades de exames, aliadas ao conhecimento científico, o diagnóstico e a decisão terapêutica podem ser pautados e baseados em evidências, de modo a propiciar-se o tratamento mais adequado e seguro para o paciente. CONCLUSÕES » Pela revisão sistemática da literatura, verificase que o correto relacionamento oclusal, em decorrência do tratamento ortodôntico, não é obtido às custas de um posicionamento não fisiológico tanto do côndilo quanto do disco articular. Assim, a Ortodontia, quando utilizada de forma correta, não acarreta efeitos adversos à ATM. » A aplicação de forças durante determinadas mecânicas ortodônticas, especialmente situações ortopédicas, pode acarretar alterações no crescimento condilar e em estruturas ósseas da ATM. Assim, a aplicação da mecânica deve ser realizada de forma adequada e deve-se ter conhecimento acerca dessas repercussões. » Em alguns estudos, através da análise de exames de imagens, observou-se que houve melhoras em situações de DTM preexistentes no início da terapia ortodôntica. Porém, esses dados são apenas sugestivos, necessitando-se de mais estudos clínicos randomizados para se obter conclusões mais precisas. » É necessária a realização de novos estudos clínicos randomizados, de natureza longitudinal e intervencionista, para que se determinem associações causais mais precisas, dentro de um contexto de uma Odontologia Baseada em Evidências Científicas.

uma alteração morfológica no crescimento condilar, que pose estar associada à correção da má oclusão esquelética juntamente com a remodelação na mandíbula12, assim como o aparelho de Herbst26,27. A aplicação de diferentes mecânicas ortodônticas não acarretou posicionamentos incorretos do complexo côndilo-disco articular. Mecânica de elásticos6,23, aparelhos extrabucais6, expansões rápidas da maxila com disjuntor de Haas1,2, aparelho funcional de Frankel9, Bionator30, aparelhos funcionais ortopédicos fixos20,21,22, Twin Block30 e aparelho funcional de avanço mandibular19 não causaram alterações no posicionamento fisiológico do côndilo e disco articular, sendo que a realização de protocolos de exodontia, ou não, também não alterou essa situação6,23. Grandes geradores de evidências científicas, os estudos clínicos randomizados foram encontrados em baixo número nessa revisão sistemática: apenas dois estudos3,9. Esse fato está associado a dificuldades na realização desse tipo de estudo em pacientes submetidos a tratamento ortodôntico, devido a questões éticas e práticas18. Da mesma forma, não foram selecionadas meta-análises e revisões sistemáticas, após a aplicação dos critérios de inclusão. É importante salientar-se que todos os estudos selecionados apresentavam caráter de avaliação longitudinal, que é o desenho de estudo ideal para a verificação de fatores de risco, devido ao seu componente temporal28. A utilização de exames de imagem — TC, tomografia volumétrica Cone Beam e RMN — na prática ortodôntica, não somente para a avaliação da parte oclusal, mas também para estruturas adjacentes, tende a se tornar uma ferramenta bastante útil. Através da reconstrução 3D das superfícies do côndilo e suas sobreposições, visualizações detalhadas de mecanismos adaptativos e sua

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Imaging from temporomandibular joint during orthodontic treatment: a systematic review Abstract Introduction: The evolution of imaging in dentistry has provided several advantages for the diagnosis and development of treatment plans in various dental specialties. Examinations as nuclear magnetic resonance, computed tomography and Cone Beam volumetric tomography, as well as 3D reconstruction methods, have enabled a precise analysis of orofacial structures. Allied to this fact, the effects of orthodontic treatment on temporomandibular joint (TMJ) could be evaluated with the accomplishment of clinical studies with appropriate designs and methodologies. Objective: This study, a systematic literature review, had the objective of analyzing the interrelation between orthodontic treatment and TMJ, verifying if orthodontic treatment causes changes in the internal structures of TMJ. Methods: Survey in research bases MEDLINE, Cochrane, EMBASE, Pubmed, Lilacs and BBO, between the years of 1966 and 2009, with focus in randomized clinical trials, longitudinal prospective nonrandomized studies, systematic reviews and metaanalysis. Results: After application of the inclusion criteria 14 articles were selected, 2 were randomized clinical trials and 12 longitudinal nonrandomized studies. Conclusions: According to the literature analysis, the data concludes that orthodontic treatment does not occur at the expense of unphysiological disc-condyle position. Some orthodontic mechanics may cause remodeling of articular bone components. Keywords: Temporomandibular joint. Temporomandibular joint dysfunction syndrome. Temporomandibular joint disorders. Orthodontics. Magnetic resonance imaging. Tomography.

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Enviado em: fevereiro de 2009 Revisado e aceito: maio de 2010

Endereço para correspondência Eduardo Machado Rua Francisco Trevisan 20, Nossa Sra. de Lourdes CEP: 97.050-230 - Santa Maria / RS E-mail: machado.rs@bol.com.br

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Artigo Online*

Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro Rogério Lacerda dos Santos**, Matheus Melo Pithon***, Leonard Euler A. G. Nascimento****, Fernanda Otaviano Martins*****, Maria Teresa Villela Romanos******, Matilde da Cunha G. Nojima*******, Lincoln Issamu Nojima*******, Antônio Carlos de Oliveira Ruellas*******

Resumo Objetivo: o processo de solda envolve íons metálicos capazes de provocar lise celular. Dian-

te disso, o objetivo deste estudo foi testar a hipótese de que existe citotoxicidade entre diferentes tipos de ligas (CrNi, TMA, NiTi) utilizadas em Ortodontia, submetidas à solda elétrica a ponto. Métodos: três tipos de ligas foram avaliados neste estudo. Foram confeccionados 36 corpos de prova, 6 para cada combinação entre os fios, divididos em 6 grupos — grupo AA (aço com aço), grupo AT (aço com TMA), grupo AN (aço com NiTi), grupo TT (TMA com TMA), grupo TN (TMA com NiTi) e grupo NN (NiTi com NiTi) — que foram submetidos à solda a ponto para avaliação quanto ao possível efeito citotóxico nos tecidos bucais. Previamente, os corpos de prova foram limpos com álcool isopropílico e esterilizados em luz ultravioleta. O ensaio de citotoxicidade foi realizado utilizando-se cultura de células (linhagem L929, fibroblastos de camundongos), submetida ao teste para células viáveis em vermelho neutro (“dye-uptake”) no tempo de 24h. A análise de variância e comparação múltipla (ANOVA) e teste de Tukey foram utilizados (p< 0,05). Resultados: os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos experimentais (P> 0,05). Foi observada maior viabilidade celular no grupo TT, seguido dos grupos AT, TN, AA, NA e NN. Conclusão: pôde-se evidenciar que solda em fios de liga de NiTi causaram maior quantidade de lise celular. Soldas elétricas a ponto demonstraram pequena capacidade de causar lise celular. Palavras-chave: Toxicidade. Técnicas de cultura de células. Soldagem em Odontologia. Como citar este artigo: Santos RL, Pithon MM, Nascimento LEAG, Martins FO, Romanos MTV, Nojima MCG, Nojima LI, Ruellas ACO. Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):57-9.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Especialista em Ortodontia pela Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL. Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professor Adjunto da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. *** Especialista em Ortodontia pela Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL. Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Professor Auxiliar de Ortodontia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. **** Doutorando em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. ***** Graduada em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estagiária do Instituto de Microbiologia Prof. Paulo de Góes - UFRJ. ****** Doutora em Ciências (Microbiologia e Imunologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. ******* Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professor Adjunto de Ortodontia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

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Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro

Resumo do editor Alguns estudos demonstraram que a solda de prata, largamente empregada em Ortodontia, possui algum potencial citotóxico. Diante desse fato, a opção clínica recai sobre a solda a ponto, com a finalidade de união de acessórios e fios ortodônticos para a obtenção da mecânica ortodôntica desejada. Assim, o objetivo deste estudo consistiu em avaliar o potencial citotóxico da soldagem a ponto realizada entre fios de aço inoxidável, de níquel-titânio (NiTi) e titâniomolibdênio (TMA). A partir de fios retangulares (0,019” x 0,025”) soldados entre si, por meio da máquina de soldagem elétrica a ponto, foram confeccionados seis corpos de prova para cada um dos seguintes grupos: AA (aço/aço); AT (aço/ TMA); AN (aço/NiTi); TT (TMA/TMA); TN (TMA/NiTi) e NN (NiTi/NiTi). Para o controle positivo, empregou-se amálgama de cobre; para o negativo, vidro; e como controle de célula, células não expostas a nenhum material. Como controle negativo de cada material, foram utilizados

cilindros de aço inoxidável, níquel-titânio e TMA. Após a esterilização com luz ultravioleta, os espécimes foram expostos durante 24h ao meio de cultura de células L929, ou seja, fibroblastos de camundongos. A citotoxicidade foi avaliada por meio do teste para células viáveis do vermelho neutro (“dye-uptake”). Os dados foram submetidos à Análise de Variância, seguida do teste de comparações múltiplas de Tukey (p<0,05). Os resultados mostraram que nenhum dos corpos de prova submetidos à solda a ponto demonstrou citotoxicidade. Verificou-se diferença estatisticamente significativa somente entre os grupos NN (níquel-titânio) e o controle de célula. Portanto, não se verificou um potencial citotóxico da solda a ponto realizada entre fios de aço inoxidável, de níquel-titânio e TMA. Todavia, o grupo composto somente por liga de níquel-titânio apresentou maior citotoxicidade em relação às células não expostas (controle de célula), provavelmente em decorrência da acentuada quantidade de níquel existente nesse tipo de liga.

Questões aos autores

classificar esses materiais, além de orientar o profissional na escolha de materiais com melhores características biológicas.

1) Estudos avaliando a citotoxicidade e genotoxicidade de materiais utilizados na Ortodontia não são comuns, apesar do emprego de diferentes materiais, no tratamento ortodôntico, por um tempo relativamente longo e em íntimo contato com a mucosa bucal. Frente a isso, qual a importância da realização de estudos como esse? Nos últimos anos, a quantidade de estudos de citotoxicidade de materiais ortodônticos tem sido cada vez mais expressiva. Isso representa um grande avanço científico na área, pois não basta um material ter boas características físicas, mecânicas, estéticas, entre outras. Ele deve também ser inerte aos tecidos bucais. A realização de estudos que visem identificar os materiais que possuem capacidade de causar dano celular possibilitará

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2) Verificou-se, nesse estudo, um maior potencial citotóxico da liga de níquel-titânio em relação ao grupo de controle de célula. Esse fato poderia contribuir para uma possível participação da liga NiTi no processo de carcinogênese? O intuito de realizar esse estudo com soldas a ponto surgiu a partir da evidenciação de que a solda de prata tem demonstrado significativo caráter citotóxico. A “World Health Organization International Agency for Research on Cancer” e o “United States National Toxicology Program” têm considerado o cádmio, o cobre, a prata e o zinco, componentes da solda de prata, como metais com potencial carcinogênico em humanos. O presente estudo

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Santos RL, Pithon MM, Nascimento LEAG, Martins FO, Romanos MTV, Nojima MCG, Nojima LI, Ruellas ACO

evidenciou que a solda a ponto entre ligas de NiTi apresentou a menor viabilidade celular, mas dentro de valores aceitáveis, ou seja, viabilidade acima de 80%. Somente materiais ortodônticos que apresentem uma viabilidade menor que 50% devem ser desestimulados para uso clínico. O níquel é conhecido por seu potencial alergênico, e pode ter relação com a menor viabilidade apresentada por esse grupo. Estudos de David, Lobner1 e Eliades et al.2 salientaram que não há evidência clara de que exista relação direta entre a citotoxicidade e o níquel. Porém, achados de Sestini et al.3 evidenciaram que o níquel e o cromo causam diminuição da atividade celular. A participação do níquel no processo de carcinogênese ainda necessita de esclarecimentos, mas esse material parece apresentar papel potencializador pouco significativo, e que depende da duração e quantidade que entra em contato com as células da cavidade bucal.

melhor estética, o que representa menor liberação de íons de caráter citotóxico, além de facilitar o polimento quando necessário, e certamente existe uma relação direta entre a liberação desses íons e os resultados apresentados nesse estudo. Uma das condições fundamentais para a utilização de materiais metálicos no meio bucal é que esses resistam à ação corrosiva da saliva, bem como às variações de pH e temperatura. Um dos materiais de uso ortodôntico muito suscetível à corrosão são as soldas à prata. Além disso, a utilização dessa solda para a união de fios ortodônticos tem demonstrado a liberação de íons metálicos com caráter citotóxico, reflexo, em parte, do polimento da mesma, que nem sempre é satisfatório, o que facilita a liberação desses íons. Sendo assim, a solda a ponto tem sido utilizada como uma alternativa viável e segura em Ortodontia.

3) Diante dos resultados encontrados, os autores consideram a solda a ponto um procedimento ortodôntico seguro em termos biológicos? A solda elétrica a ponto demonstrou ser um procedimento prático, rápido e, com as máquinas atuais, tem apresentado boa resistência, o que é fundamental. Os fios ortodônticos após a solda a ponto apresentam-se mais limpos e com

Referências 1. David A, Lobner D. In vitro cytotoxicity of orthodontic archwires in cortical cell cultures. Eur J Orthod. 2004 Aug;26(4):421-6. 2. Eliades T, Pratsinis H, Kletsas D, Eliades G, Makou M. Characterization and cytotoxicity of ions released from stainless steel and nickel-titanium orthodontic alloys. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2004 Jan;125(1):24-9. 3. Sestini S, Notarantonio L, Cerboni B, Alessandrini C, Fimiani M, Nannelli P, et al. In vitro toxicity evaluation of silver soldering, electrical resistance, and laser welding of orthodontic wires. Eur J Orthod. 2006 Dec;28(6):567-72.

Endereço para correspondência Antônio Carlos de Oliveira Ruellas Av. Professor Rodolpho Paulo Rocco, 325 - Ilha do Fundão CEP: 21.941-617 - Rio de Janeiro / RJ E-mail: antonioruellas@yahoo.com.br

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Artigo Inédito

Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro Rogério Lacerda dos Santos*, Matheus Melo Pithon**, Leonard Euler A. G. Nascimento***, Fernanda Otaviano Martins****, Maria Teresa Villela Romanos*****, Matilde da Cunha G. Nojima******, Lincoln Issamu Nojima******, Antônio Carlos de Oliveira Ruellas******

Resumo Objetivo: o processo de solda envolve íons metálicos capazes de provocar lise celular. Dian-

te disso, o objetivo deste estudo foi testar a hipótese de que existe citotoxicidade entre diferentes tipos de ligas (CrNi, TMA, NiTi) utilizadas em Ortodontia, submetidas à solda elétrica a ponto. Métodos: três tipos de ligas foram avaliados neste estudo. Foram confeccionados 36 corpos de prova, 6 para cada combinação entre os fios, divididos em 6 grupos — grupo AA (aço com aço), grupo AT (aço com TMA), grupo AN (aço com NiTi), grupo TT (TMA com TMA), grupo TN (TMA com NiTi) e grupo NN (NiTi com NiTi) — que foram submetidos à solda a ponto para avaliação quanto ao possível efeito citotóxico nos tecidos bucais. Previamente, os corpos de prova foram limpos com álcool isopropílico e esterilizados em luz ultravioleta. O ensaio de citotoxicidade foi realizado utilizando-se cultura de células (linhagem L929, fibroblastos de camundongos), submetida ao teste para células viáveis em vermelho neutro (“dye-uptake”) no tempo de 24h. A análise de variância e comparação múltipla (ANOVA) e teste de Tukey foram utilizados (p< 0,05). Resultados: os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos experimentais (P> 0,05). Foi observada maior viabilidade celular no grupo TT, seguido dos grupos AT, TN, AA, NA e NN. Conclusão: pôde-se evidenciar que solda em fios de liga de NiTi causaram maior quantidade de lise celular. Soldas elétricas a ponto demonstraram pequena capacidade de causar lise celular. Palavras-chave: Toxicidade. Técnicas de cultura de células. Soldagem em Odontologia.

Como citar este artigo: Santos RL, Pithon MM, Nascimento LEAG, Martins FO, Romanos MTV, Nojima MCG, Nojima LI, Ruellas ACO. Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):57.e1-6.

* Especialista em Ortodontia pela Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL. Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professor Adjunto da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. ** Especialista em Ortodontia pela Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL. Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Professor Auxiliar de Ortodontia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. *** Doutorando em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. **** Graduada em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estagiária do Instituto de Microbiologia Prof. Paulo de Góes - UFRJ. ***** Doutora em Ciências (Microbiologia e Imunologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. ****** Mestre e Doutor em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professor Adjunto de Ortodontia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

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Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro

Diante da comprovada citotoxicidade apresentada pelas soldas à prata, outras formas de união isentas de íons metálicos provenientes da solda de prata vêm sendo utilizadas, com intuito de diminuir os efeitos citotóxicos. O objetivo do presente estudo foi testar a hipótese de que existe citotoxicidade entre diferentes tipos de ligas (CrNi, TMA, NiTi) submetidas à solda elétrica a ponto utilizada em Ortodontia.

INTRODUÇÃO A maioria das ligas metálicas utilizadas em Ortodontia apresenta composição similar à do aço inoxidável (18/8, i.e., 18% de cromo e 8% de níquel), sendo que muitos dispositivos como máscaras faciais, anéis ortodônticos e braquetes utilizam algum tipo de solda no processo de confecção. Pesquisas têm mostrado que alguns íons podem ser liberados pela solda13,17,22,26,27,28, cuja exposição pode determinar uma variedade de efeitos adversos com alterações tóxicas diretas, de forma aguda ou de forma crônica1. A World Health Organization - International Agency for Research on Cancer e o United States National Toxicology Program têm considerado o cádmio, o cobre, a prata e o zinco, componentes da solda de prata, como metais com potencial carcinogênico em humanos1. No entanto, a solda é largamente utilizada, na prática ortodôntica, com intuito de auxiliar a movimentação dentária. A solda elétrica a ponto é uma solda que apresenta menor tempo de confecção, facilidade de trabalho, custo inferior, higiene e estética favoráveis5. Porém, esse tipo de solda tem sido evitado, devido à pouca resistência mecânica apresentada quando comparado à solda de prata14. Para obtenção de qualidade na solda a ponto, são fatores que devem ser considerados: o tipo de máquina de solda, o formato dos eletrodos e a liga do fio utilizado7. A máquina de solda a ponto foi introduzida no mercado em 1934 e, atualmente, há relato de máquinas que propõem a obtenção de soldas resistentes a partir de funções que permitem uma adequada fusão dos materiais, diminuição da presença de óxidos que podem enfraquecer a união entre os fios, além de ausência de calor em torno dos contatos dos eletrodos, o que possibilita que fios de diferentes tipos de ligas mantenham suas características mecânicas. O uso da liga de aço inoxidável (CrNi) predominou na Ortodontia durante décadas; mas, com o advento de novas ligas metálicas, tornou-se diversificado o universo de fios disponíveis com características de soldabilidade.

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MATERIAL E MÉTODOS Cultura de células Para a realização desse estudo, foi utilizada a cultura de células L929 (fibroblastos de camundongos) obtida do American Type Culture Collection (ATCC, Rockville, MD, EUA), mantidas em Meio Mínimo Essencial de Eagle (MEMEagle) (Cultilab, Campinas, Brasil) acrescido de 0,03mg/ml de glutamina (Sigma, St. Louis, Missouri), 50µg/ml de garamicina (Schering Plough, Kenilworth, New Jersey), 2,5mg/ml de fungizona (Bristol-Myers-Squibb, New York, EUA), solução de bicarbonato de sódio a 0,25% (Merck, Darmstadt, Germany), HEPES 10mM (Sigma, St. Louis, Missouri) e 10% de soro fetal bovino (Cultilab, Campinas, Brasil) e mantida a 37°C em ambiente contendo 5% de CO2. Confecção dos corpos de prova Três diferentes tipos de ligas foram avaliados nesse estudo. Os corpos de prova foram confeccionados com fios retangulares (0,019” x 0,025”), cortados em segmentos de 25mm, que foram soldados utilizando-se combinações entre os fios (Morelli, Sorocaba, São Paulo, Brasil) de aço inoxidável (CrNi); níquel-titânio (NiTi) e titânio-molibdênio (TMA). Para a execução da soldagem entre os dois segmentos de fios, os mesmos foram colocados sobrepostos em forma de “X”, levados à máquina de soldagem elétrica a ponto (SMP- Super Micro Ponto 3000, Kernit, Indaiatuba, São Paulo, Brasil) e submetidos a um único ponto de solda, regulado na potência de 30W para todas as amostras.

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foi determinado através da técnica “dye-uptake”, descrita por Neyndorff et al.16, com pequenas modificações. Após 24 horas de incubação, foram adicionados 100µl de vermelho neutro a 0,01% (Sigma, St. Louis, Missouri, EUA), em meio de cultura, em cada poço das microplacas e essas foram incubadas a 37ºC por 3 horas para penetração do corante vital nas células vivas. Passado esse período, após desprezar o corante, foram adicionados 100µl de solução de formaldeído (Reagen) a 4% em PBS (NaCl 130mM; KCl 2mM; Na2HPO4 2H2O 6mM; K2HPO4 1mM, pH 7,2) por 5 minutos, para promover a fixação das células às placas. Em seguida, para a extração do corante, foram adicionados 100µl de uma solução de ácido acético (Vetec, Rio de Janeiro, Brasil) a 1% com metanol (Reagen, Rio de Janeiro, Brasil) a 50%. Após 20 minutos, a leitura da densidade óptica dos grupos experimentais e controles positivo e negativo foi realizada em espectrofotômetro (BioTek, Winooski, Vermont, EUA) em um comprimento de onda de 492nm (λ = 492nm). As análises estatísticas foram realizadas com auxílio do programa SPSS 13.0 (SPSS Inc.,Chicago, Illinois, EUA). Os dados foram comparados pela análise de variância (ANOVA) e, em seguida, teste de Tukey para avaliação entre grupos, com confiabilidade ao nível de 0,05 de significância.

Para cada solda realizada, as extremidades dos eletrodos foram limpas com uma lixa d’água de granulação 400 (3M, Sumaré, São Paulo, Brasil). Foram confeccionados 36 corpos de prova, 6 para cada combinação entre os fios, divididos em: grupo AA (aço com aço), grupo AT (aço com TMA), grupo AN (aço com NiTi), grupo TT (TMA com TMA), grupo TN (TMA com NiTi) e grupo NN (NiTi com NiTi). Após a solda, todos os espécimes foram limpos com álcool isopropílico e, em seguida, esterilizados por exposição à luz ultravioleta (Labconco, Kansas, Missouri, EUA) durante 30 minutos para cada superfície do corpo de prova, assim como os controles positivo e negativo. A confecção dos corpos de prova e a execução da solda foram realizadas por um único operador. Controles Para verificar a resposta celular frente aos extremos, outros seis grupos foram inseridos: grupo CC (controle de célula), no qual as células não foram expostas a nenhum material; grupo C+ (controle positivo), constituído de um cilindro de amálgama de cobre (Pratic NG 2, Vigodent, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil); grupo C- (controle negativo), constituído por cilindro de vidro; e os grupos C- (aço), C- (TMA), C- (NiTi) (controles negativos, respectivamente, dos seguintes fios: aço inoxidável, TMA e NiTi), que ficaram em contato com as células.

RESULTADOS Os resultados demonstraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos experimentais (AA, AT, AN, TT, TN e NN) (P>0,05). Houve diferença estatisticamente significativa entre o grupo CC e o grupo NN (P<0,05). Foi observada maior viabilidade celular no grupo TT, seguido dos grupos AT, TN, AA, NA e NN (Tab. 1). Pôde-se evidenciar que a liga TMA apresentou maior viabilidade celular do que as ligas de aço e NiTi, o mesmo sendo demonstrado pelos controles negativos dessas respectivas ligas que não receberam solda (Tab. 1).

Ensaio de citotoxicidade dos materiais Após esterilização, as 6 amostras de cada material foram colocadas em placas de 24 poços contendo meio de cultura (MEM) (Cultilab, Campinas, São Paulo, Brasil). Após 24h, o meio de cultura foi coletado e avaliado quanto à toxicidade para as células L929. Os sobrenadantes foram colocados, em triplicata, em placa de 96 poços contendo monocamada confluente de L929 e incubados por 24 horas a 37ºC em ambiente contendo 5% de CO2. Terminado o tempo de incubação, o efeito na viabilidade celular

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alcalinos ou ácidos4,8, bem como às variações de pH e de temperatura. Um dos materiais de uso ortodôntico muito suscetível à corrosão são as soldas à prata10, material que é utilizado quando deseja-se unir ligas de aço inoxidável ou outros tipos de ligas para a confecção de aparelhos ortodônticos. Ao serem analisados os aspectos biológicos da solda à prata, os resultados sugerem que, ao contrário do que tem sido rotina na prática ortodôntica, o uso da solda à prata deve ser indicado com parcimônia para permanecer no meio bucal18,19. Baseado nessa premissa, tem-se buscado utilizar outras formas de soldas27,28, isentas dos íons metálicos provenientes da solda à prata13,17,22,26,27,28, como a solda elétrica a ponto. O presente estudo foi realizado no intuito de averiguar o comportamento das ligas de CrNi, NiTi e TMA submetidas à solda a ponto frente à cultura de fibroblastos. A utilização de cultura de células vem sendo adotada como parte de uma série de testes recomendados para avaliar o comportamento biológico dos materiais a serem colocados em contato com tecidos humanos. Nesse estudo utilizou-se o amálgama de cobre como controle positivo, por ser comprovadamente citotóxico23, e o vidro como controle negativo — necessários para a validação dos resultados. Os achados do presente estudo demonstraram baixa citotoxicidade celular dos grupos experimentais quando comparados aos grupos controle de célula e ao grupo controle negativo; exceto o grupo NN, que apresentou diferença estatisticamente significativa com o grupo controle de célula (p<0,05). Tal resultado pode ser justificado pela alta presença de níquel nesse tipo de liga, se comparado aos outros tipos de ligas avaliadas. O percentual de níquel nos braquetes, fios e aparelhos auxiliares usados em Ortodontia varia de 8% (como no aço inoxidável) até mais de 50% (como no caso do níquel-titânio)9,20. O níquel é conhecido por seu potencial alergênico11,21,25. Estima-se que 4,5% a 28,5% da população têm hipersensibilidade ao níquel3,12,21,24. O sexo feminino apresenta maior prevalência de alergia ao

tabela 1 - Técnica Dye-uptake. Descrição estatística para densidade óptica dos grupos experimentais (n=6). Tempo (24 h) Grupos

N

CC

Média

Mediana

DP

Células Viáveis (%)

6

1,107a

0,989

0,119

100,0

C+

6

0,377

0,349

0,076

34,1

C-

6

1,098

0,991

0,129

99,2

C- (aço)

6

1,052

0,960

0,076

95,1

C- (TMA)

6

1,092

0,946

0,139

98,8

C- (NiTi)

6

0,919

0,859

0,116

83,1

AA

6

0,927a

0,889

0,129

83,8

AT

6

0,994a

0,917

0,115

89,8

AN

6

0,897

a

0,829

0,123

81,1

TT

6

1,039

a

0,963

0,137

93,9

TN

6

0,943

a

0,891

0,125

85,2

NN

6

0,787

b

0,721

0,113

71,1

Valores seguidos por letras iguais não apresentam diferença estatisticamente significativa (p>0,05) (DP= Desvio-padrão).

DISCUSSÃO A maioria dos materiais ortodônticos apresenta algum tipo de interação com o ambiente, o que pode comprometer sua utilização, devido à deterioração de suas propriedades mecânicas e físicas ou de sua aparência. Um dos processos de degradação é a corrosão15. A corrosão de metais que ocorre na boca é, principalmente, do tipo eletrolítica, devido à interação de duas ligas, o que gera corrosão galvânica15. Os íons liberados pelo processo de corrosão têm o potencial de interagir com os tecidos por meio de diferentes mecanismos. As reações biológicas acontecem pela interação do íon liberado com uma molécula do hospedeiro, sendo a composição da liga de fundamental importância. Os efeitos causados no organismo aparecem devido à influência do íon sobre os mecanismos de adesão bacteriana, por toxicidade, efeitos subtóxicos ou alergia aos íons metálicos liberados15. Uma das condições fundamentais para a utilização de materiais metálicos no meio bucal é que esses resistam à ação corrosiva da saliva e de alimentos

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Santos RL, Pithon MM, Nascimento LEAG, Martins FO, Romanos MTV, Nojima MCG, Nojima LI, Ruellas ACO

níquel, na proporção de 10 mulheres para cada homem 21. Diante da presença nos aparelhos ortodônticos de íons metálicos como o níquel, esse tem sido associado a reações de hipersensibilidade em Ortodontia2. Os grupos NN e AN demonstraram maior citotoxicidade quando comparados aos grupos que possuíam titânio-molibdênio. Porém, quando avaliados os controles negativos C- (NiTi) e C- (aço), que não receberam solda, essas ligas causaram baixa quantidade de lise celular. Todos os grupos submetidos à solda apresentaram maior quantidade de lise celular se comparados aos seus respectivos controles, o que sugere a liberação de íons metálicos capazes de causar lise celular, como o níquel, durante o processo de fusão entre os fios. Diante da citotoxicidade observada nos grupos avaliados, parece existir uma relação entre a quantidade de níquel presente nas ligas e a quantidade de lise celular causada pelas mesmas. Para David, Lobner6 e Eliades et al.9, não há evidência clara de que exista relação direta entre a citotoxicidade e o níquel, porém os achados de Sestini et al.27 evi-

denciaram que o níquel e o cromo causaram diminuição da atividade celular. Apesar da avaliação in vitro não simular um meio bucal, faz-se necessário não julgá-lo clinicamente inertes. Os resultados desse trabalho estão de acordo com os de Sestini et al.27, que avaliaram duas ligas diferentes submetidas à solda a ponto e concluíram que ambas foram bem toleradas por diferentes tipos celulares, incluindo fibroblastos e osteoblastos, o que concorda também com os achados de Vande Vannet et al.28 O sucesso na clínica ortodôntica não envolve somente o domínio da técnica corretiva para atingir a oclusão dentária ideal, mas exige também materiais que sejam inertes ao meio bucal. CONCLUSÕES Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que soldas elétricas a ponto mostraram pequena capacidade de provocar lise celular, sendo que as soldas envolvendo fios de liga de NiTi causaram menor viabilidade celular, e as envolvendo fios de liga de TMA causaram maior viabilidade celular.

Cytotoxicity of electric spot welding: an in vitro study Abstract Objective: The welding process involves metal ions capable of causing cell lysis. In view of this fact, the aim of this study was to test the hypothesis that cytotoxicity is present in different types of alloys (CrNi, TMA, NiTi) commonly used in orthodontic practice when these alloys are subjected to electric spot welding. Methods: Three types of alloys were evaluated in this study. Thirty-six test specimens were fabricated, 6 for each wire combination, and divided into 6 groups: Group SS (stainless steel), Group ST (steel with TMA), Group SN (steel with NiTi), Group TT (TMA with TMA), Group TN group (TMA with NiTi) and Group NN (NiTi with NiTi). All groups were subjected to spot welding and assessed in terms of their potential cytotoxicity to oral tissues. The specimens were first cleaned with isopropyl alcohol and sterilized with ultraviolet light (UV). A cytotoxicity assay was performed using cultured cells (strain L929, mouse fibroblast cells), which were tested for viable cells in neutral red dye-uptake over 24 hours. Analysis of variance and multiple comparison (ANOVA), as well as Tukey test were employed (p<0.05). Results: The results showed no statistically significant difference between experimental groups (P>0.05). Cell viability was higher in the TT group, followed by groups ST, TN, SS, NS and NN. Conclusions: It became evident that the welding of NiTi alloy wires caused a greater amount of cell lysis. Electric spot welding was found to cause little cell lysis. Keywords: Toxicity. Cell culture techniques. Welding in dentistry.

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Citotoxicidade de soldas elétricas a ponto: estudo in vitro

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Enviado em: fevereiro de 2009 Revisado e aceito: outubro de 2009

Endereço para correspondência Antônio Carlos de Oliveira Ruellas Av. Professor Rodolpho Paulo Rocco, 325 - Ilha do Fundão CEP: 21.941-617 - Rio de Janeiro / RJ E-mail: antonioruellas@yahoo.com.br

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Artigo Online*

Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de tubos ortodônticos em molares Célia Regina Maio Pinzan Vercelino**, Arnaldo Pinzan***, Júlio de Araújo Gurgel****, Fausto Silva Bramante*****, Luciana Maio Pinzan******

Resumo Introdução: apesar da colagem direta despender menor tempo clínico, com maior preser-

vação da integridade gengival, ainda hoje se observa uma alta incidência de bandagem dos molares. Portanto, torna-se interessante a idealização de recursos para o aumento da eficiência desse procedimento para dentes submetidos a maiores impactos mastigatórios, como, por exemplo, os molares. Objetivo: esse estudo teve o propósito de avaliar se a resistência à adesão com a aplicação de uma camada de resina adicional na região oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade do procedimento de colagem direta de tubos em molares. Métodos: selecionou-se uma amostra composta por 40 terceiros molares inferiores, que foram aleatoriamente divididos em 2 grupos: Grupo 1 — colagem direta convencional, seguida pela aplicação de uma camada de resina na oclusal da interface tubo/dente; e Grupo 2 — colagem direta convencional. O teste de resistência ao cisalhamento foi realizado 24 horas após a colagem, utilizando-se uma máquina de ensaio universal, operando a uma velocidade de 0,5mm/min. Os resultados foram analisados por meio do teste t independente. Resultados: os valores médios obtidos nos testes de cisalhamento foram: 17,08MPa para o Grupo 1 e 12,60MPa para o Grupo 2. O Grupo 1 apresentou uma resistência ao cisalhamento estatisticamente significativa mais alta do que o Grupo 2. Conclusão: a aplicação de uma camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade da adesão do procedimento de colagem direta de tubos ortodônticos em molares. Palavras-chave: Colagem dentária. Resistência ao cisalhamento. Dente molar. Como citar este artigo: Vercelino CRMP, Pinzan A, Gurgel JA, Bramante FS, Pinzan LM. Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de tubos ortodônticos em molares. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):60-2.

* Acesse www.dentalpress.com.br/revistas para ler o artigo na íntegra.

** Doutorado em Ortodontia pela FOB/USP. Professora do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). *** Livre docente em Ortodontia pela FOB/USP. Professor Associado do departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. **** Doutor em Ortodontia pela FOB/USP. Coordenador e professor do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). ***** Doutor em Ortodontia pela FOB/USP. Professor do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). Professor Assistente Doutor do Curso de Fonoaudiologia da FFC – UNESP/Marília. ****** Aluna do curso de especialização em Ortodontia da APCD Bauru/SP.

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de resina composta na interface oclusal tubo/dente, fotopolimerizada durante 10 segundos; Grupo 2 – colagem dos tubos de forma convencional, utilizando a mesma resina, fotopolimerizada inicialmente durante 20 segundos, e, decorridos 40 segundos, realizou-se nova fotopolimerização por 10 segundos. Os corpos de prova foram armazenados em água destilada a 37°C, durante 24h. A seguir, iniciaramse os testes de cisalhamento em máquina universal (Emic, São José dos Pinhais, Brasil). As resistências adesivas dos grupos foram comparadas por meio do teste t independente (p<0,05). Verificou-se que no Grupo 1, onde foi inserida uma camada adicional de resina composta para a colagem dos tubos, a resistência ao cisalhamento apresentou-se maior, de forma estatisticamente significativa em relação ao Grupo 2, com colagem convencional dos tubos. Com isso, os autores concluem que a inserção de uma camada adicional de resina composta na interface oclusal dente/tubo aumenta a resistência adesiva dos tubos colados nos dentes posteriores, em decorrência provavelmente da maior área de contato entre a resina e o dente.

Resumo do editor A colagem direta de acessórios nos dentes posteriores possui como principais vantagens em relação à bandagem: o menor tempo clínico; maior preservação dos tecidos periodontais, devido à facilidade de higienização e à preservação das distâncias biológicas; e a não necessidade da separação interdentária prévia. Entretanto, devido à incidência de maiores forças mastigatórias na região posterior, observa-se um índice relativamente alto de falhas na colagem, o que explica uma grande prevalência da bandagem dos dentes posteriores nos consultórios ortodônticos. Com vistas a aumentar a eficácia dos tubos colados nos dentes posteriores, o presente estudo se propôs a avaliar se a inserção de uma camada adicional de resina na interface tubo/ dente (por oclusal) poderia aumentar sua resistência adesiva. Foram avaliados 40 terceiros molares inferiores, divididos em dois grupos, sendo: Grupo 1 – tubos colados de maneira convencional, com o emprego da resina Transbond XT (3M Unitek, Monrovia, EUA), fotopolimerizada por 20 segundos, seguida da aplicação de uma camada adicional

Questões aos autores 1) No presente estudo, observou-se que a inserção de uma camada adicional de resina composta promoveu um aumento na resistência adesiva de tubos colados em molares inferiores. Os autores recomendariam a realização do mesmo procedimento durante a colagem de acessórios nos molares superiores? Por quê? Sim, recomendamos a realização do mesmo procedimento nos molares superiores. Inclusive, recentemente, essa proposta para a colagem direta de tubos em molares foi testada clinicamente por uma de nossas alunas do curso de mestrado

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em Ortodontia da Uniceuma. O estudo foi do tipo Split-mouth, no qual 84 molares superiores e inferiores selecionados foram aleatoriamente divididos em dois grupos: sendo que, em um deles, aplicou-se uma camada de resina na porção oclusal da interface tubo/dente e, no outro, foi realizada somente a colagem direta convencional. O desempenho clínico foi acompanhado durante 1 ano. Os resultados demonstraram que a aplicação da camada de resina adicional na interface tubo/dente aumentou a longevidade clínica dos tubos colados, tanto em molares superiores como nos inferiores.

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ocorrência de interferências oclusais. Essa checagem pode ser realizada também após o procedimento, utilizando-se uma fita articular.

2) Estudos laboratoriais fornecem muitas informações clínicas, contudo, muitas vezes, torna-se difícil a reprodução exata do complexo ambiente bucal, com as variações de pH, temperatura, além das diferentes forças a que os acessórios ortodônticos estão expostos. Dessa forma, quais seriam os fatores a serem considerados clinicamente quando da aplicação da camada adicional de resina na interface oclusal tubo/dente recomendada na presente pesquisa? Na clínica, alguns fatores devem ser avaliados para se tomar a decisão entre bandar ou colar os molares. Deve-se considerar a qualidade do material adesivo, o substrato (amálgama, resina, porcelana, esmalte, ligas metálicas), as necessidades clínicas (tipo de movimento, altura da coroa clínica, necessidade de instalação de dispositivos de ancoragem) e, também, a idade do paciente. Se a opção recair sobre a colagem direta, utilizando-se o método proposto, recomenda-se quantificar o material adesivo de forma a não interferir na relação oclusal entre os molares superiores e inferiores, e não obstruir o espaço destinado à amarração por meio de amarrilhos ou elásticos, no caso da utilização de tubos conversíveis. Clinicamente, indica-se que, após a aplicação do reforço, solicite-se que o paciente oclua algumas vezes previamente à fotopolimerização da resina, a fim de evitar a

3) Clinicamente, uma das maiores dificuldades em se colar acessórios nos dentes posteriores consiste no acúmulo excessivo de saliva nessa região, o que interfere de maneira crucial no sucesso do procedimento. Quais as possíveis soluções clínicas para esse problema? Realizamos, frequentemente, a colagem direta de tubos nos molares e, sinceramente, não observamos grandes diferenças no acúmulo de saliva na região dos molares em relação aos segundos pré-molares que são, rotineiramente, colados na prática ortodôntica. Além de um isolamento relativo adequado, sugerimos que os molares sejam colados um por vez, ou seja, cola-se o molar de um dos lados e, depois, do outro lado. Somente após finalizado o procedimento de colagem dos tubos, cola-se os acessórios nos outros dentes, ou seja, inicia-se a colagem de posterior para anterior. Além disso, recomendamos que o procedimento seja realizado com a ajuda de uma auxiliar odontológica e com a utilização do sugador com bomba a vácuo. Normalmente, solicitamos que o paciente incline a cabeça para o lado contrário ao do dente a ser colado, o que diminui o acúmulo de saliva na região.

Endereço para correspondência Célia Regina Maio Pinzan Vercelino Alameda dos Sabiás, 58 CEP: 18.550-000 - Boituva / SP E-mail: cepinzan@hotmail.com

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Artigo Inédito

Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de tubos ortodônticos em molares Célia Regina Maio Pinzan Vercelino*, Arnaldo Pinzan**, Júlio de Araújo Gurgel***, Fausto Silva Bramante****, Luciana Maio Pinzan*****

Resumo Introdução: apesar da colagem direta despender menor tempo clínico, com maior preser-

vação da integridade gengival, ainda hoje se observa uma alta incidência de bandagem dos molares. Portanto, torna-se interessante a idealização de recursos para o aumento da eficiência desse procedimento para dentes submetidos a maiores impactos mastigatórios, como, por exemplo, os molares. Objetivo: esse estudo teve o propósito de avaliar se a resistência à adesão com a aplicação de uma camada de resina adicional na região oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade do procedimento de colagem direta de tubos em molares. Métodos: selecionou-se uma amostra composta por 40 terceiros molares inferiores, que foram aleatoriamente divididos em 2 grupos: Grupo 1 — colagem direta convencional, seguida pela aplicação de uma camada de resina na oclusal da interface tubo/dente; e Grupo 2 — colagem direta convencional. O teste de resistência ao cisalhamento foi realizado 24 horas após a colagem, utilizando-se uma máquina de ensaio universal, operando a uma velocidade de 0,5mm/min. Os resultados foram analisados por meio do teste t independente. Resultados: os valores médios obtidos nos testes de cisalhamento foram: 17,08MPa para o Grupo 1 e 12,60MPa para o Grupo 2. O Grupo 1 apresentou uma resistência ao cisalhamento estatisticamente significativa mais alta do que o Grupo 2. Conclusão: a aplicação de uma camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade da adesão do procedimento de colagem direta de tubos ortodônticos em molares. Palavras-chave: Colagem dentária. Resistência ao cisalhamento. Dente molar.

INTRODUÇÃO Na atualidade, há uma preocupação incessante com a eficiência clínica dos procedimentos realizados na clínica ortodôntica. Tanto os orto-

dontistas, como os pacientes e seus responsáveis, ensejam pela obtenção dos melhores resultados no menor tempo de tratamento. Entre os fatores que influenciam no tempo de tratamento, deve-se

Como citar este artigo: Vercelino CRMP, Pinzan A, Gurgel JA, Bramante FS, Pinzan LM. Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de tubos ortodônticos em molares. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):60.e1-8.

* Doutorado em Ortodontia pela FOB/USP. Professora do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). ** Livre docente em Ortodontia pela FOB/USP. Professor Associado do departamento de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. *** Doutor em Ortodontia pela FOB/USP. Coordenador e professor do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). **** Doutor em Ortodontia pela FOB/USP. Professor do Mestrado em Odontologia, área de concentração Ortodontia do UNICEUMA (São Luís, MA). Professor Assistente Doutor do Curso de Fonoaudiologia da FFC – UNESP/Marília. ***** Aluna do curso de especialização em Ortodontia da APCD Bauru/SP.

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culdade em se manter um isolamento adequado da região, adaptação inadequada da base do acessório à face dentária, aos maiores esforços mastigatórios, diferentes tempos de condicionamento ácido e a variações individuais relacionadas à composição do esmalte8,18. Entretanto, atualmente — com a evolução dos adesivos4,16,17 e das bases dos acessórios11 ortodônticos para colagem direta e cientes dos benefícios deste procedimento —, torna-se interessante a idealização de recursos para o aumento da eficiência da colagem tradicional para dentes submetidos a maiores impactos mastigatórios (como, por exemplo, os molares inferiores). Na literatura revisada, apenas um estudo avaliou in vitro uma abordagem alternativa para a redução da porcentagem de falhas da colagem direta de molares6. Johnston e McSherry6 avaliaram o efeito do jateamento com óxido de alumínio nas bases dos tubos e, a partir dos resultados obtidos, concluíram que não houve um aumento significativo na resistência adesiva. Portanto, o presente estudo foi delineado com o propósito de avaliar se a resistência à adesão pela aplicação de uma camada de resina adicional na região oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade do procedimento de colagem direta.

considerar a recolagem dos acessórios e também a recimentação das bandas. Muitas vezes, os procedimentos frequentes de recolagem e/ou recimentação dos acessórios impossibilita o avanço da mecanoterapia, colaborando para um maior tempo de tratamento, além de maiores custos e tempo de atendimento clínico12. Em muitos casos, opta-se pelo procedimento de bandagem, principalmente, dos molares e segundos pré-molares inferiores a fim de evitar a necessidade de se recolar acessórios nessas regiões. Entretanto, sabe-se que a colagem direta, possibilita um menor tempo clínico, visto que não há necessidade de separação prévia e também da adaptação das bandas. Além disso, quando o procedimento de bandagem não é meticulosamente realizado, pode-se causar danos aos tecidos periodontais (invasão das distâncias biológicas)2 e/ou dentários (infiltração na interface dente/banda). A literatura contemporânea sugere a colagem de todos os dentes, sendo importante avaliar o grau de dificuldade da má oclusão do paciente e a necessidade do uso de aparelhos de ancoragem17. No mercado já se encontram disponíveis tubos rebaixados para molares inferiores, possibilitando um ganho de 2mm de espaço vertical na área de intercuspidação dos dentes posteriores17. A colagem direta de molares — apesar das vantagens em relação ao conforto, aos danos periodontais e ao tempo clínico — não é realizada frequentemente durante a terapia ortodôntica fixa. Uma pesquisa realizada nos EUA demonstrou, em 2002, uma maior frequência de molares bandados em comparação aos colados7. Esse fato, provavelmente, encontra-se relacionado aos estudos que avaliaram a colagem de tubos e demonstraram menor adesividade8 e maior porcentagem de falha clínica3 do que nos braquetes colados mais anteriormente na arcada. Os tubos colados em molares com resina química3,18 ou fotopolimerizável9,10 demonstraram porcentagem de falha superior a 14%. De acordo com os autores, esses resultados podem estar relacionados à difi-

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MATERIAL E MÉTODOS Para a realização do estudo, selecionou-se uma amostra composta por 40 terceiros molares inferiores hígidos com indicação de remoção cirúrgica. Os dentes foram obtidos em uma clínica particular, e foram limpos e armazenados em cloramina T a 1%. Em seguida, o material foi incluído em anéis de PVC rígido com resina acrílica, de tal forma que apenas as coroas ficassem expostas. Na inclusão, as superfícies vestibulares das coroas foram posicionadas perpendicularmente à base do troquel, com o auxílio de um esquadro de acrílico em ângulo de 90º, com o intuito de possibilitar o correto ensaio mecânico. Após a polimerização da resina, todos os conjuntos foram armazenados em água destilada.

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te, Ribeirão Preto, SP, Brasil, potência 10VA), com intensidade de luz aferida por um radiômetro (Demetron Research Corp.) de 450mW/cm2, por um intervalo de tempo de 20 segundos, conforme orientações do fabricante. Inicialmente, a colagem direta foi realizada da mesma forma para os dois grupos. No Grupo 1, imediatamente após a colagem direta convencional, aplicou-se uma camada de resina adicional na interface tubo/dente. Para a padronização da quantidade de resina aplicada, foi utilizada uma espátula metálica. Na extremidade dessa espátula foi confeccionada uma marcação a 2mm e a bisnaga da Transbond XT foi pressionada até o preenchimento da espátula à linha demarcada (Fig. 1). A resina foi, então, aplicada na interface tubo/dente com o auxílio de um pincel embebido no adesivo, seguida pela fotopolimerização por mais 10 segundos (Fig. 2, 3, 4). Optou-se por utilizar 10 segundos de fotopolimerização sobre o reforço, pois a luz incindiu diretamente sobre a resina adicional e, de acordo com as normas do fabricante, esse é o tempo de fotopolimerização recomendado quando se utilizam braquetes estéticos que permitem a iluminação direta do material de colagem.

Os corpos de prova foram aleatoriamente divididos em 2 grupos, de acordo com os diferentes protocolos de colagem: Grupo 1 — colagem direta convencional com posterior aplicação de uma camada de resina na oclusal da interface tubo/ dente e fotopolimerização de mais 10 segundos sobre o reforço; Grupo 2 — colagem direta convencional, seguida pela aplicação de mais 10 segundos de fotopolimerização com a luz incidindo sobre a oclusal dos dentes. Visando a padronização, todos os procedimentos foram realizados por um único ortodontista. Previamente à colagem direta, foi realizada a profilaxia da face vestibular do dente com o auxílio de taça de borracha e pedra-pomes extrafina, seguida pelo enxágue com água e secagem com jato de ar. Em seguida, os dentes foram submetidos ao condicionamento com ácido fosfórico a 37% em gel, por 30 segundos e rinsagem e secagem do esmalte. No Grupo 1, a área submetida ao condicionamento ácido foi maior, visto que havia a necessidade do condicionamento da região onde o reforço de resina seria aplicado. Prosseguiu-se com a aplicação do primer Transbond XT (3M Unitek Orthodontic Products, Monrovia CA, EUA) e a colagem direta dos tubos (Morelli Ortodontia, Sorocaba SP, Brasil), com área de 13,6mm2, utilizando-se a resina fotopolimerizável Transbond XT (3M Unitek Orthodontic Products, Monrovia CA, EUA). Os tubos ficaram armazenados em suas embalagens até a realização do experimento e o manuseio foi realizado com pinça específica para colagem, para que não ocorresse nenhum tipo de contaminação que pudesse afetar os resultados obtidos. A resina foi aplicada sobre a base dos tubos e, então, o conjunto foi levado em posição. Os tubos foram posicionados no centro da face vestibular e, depois, pressionados firmemente para a obtenção de uma camada fina do material de colagem. Os excessos foram cuidadosamente removidos, com o auxílio de uma sonda exploradora, antes da fotopolimerização, que foi realizada com um fotopolimerizador (Ultraled Dabi Atlan-

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Figura 1 - Padronização da quantidade de resina adicional aplicada na região oclusal da interface tubo/dente no Grupo 1.

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Figura 2 - Aplicação da resina na região oclusal da interface tubo/dente no Grupo 1.

Figura 3 - Assentamento da resina aplicada na região oclusal da interface tubo/dente com o auxílio de um pincel embebido no adesivo.

No Grupo 2 (Fig. 5), após a colagem direta convencional, aguardou-se um intervalo de tempo de 40 segundos, para então incidir a luz do fotopolimerizador por oclusal por mais 10 segundos, visto que o tempo total de fotopolimerização do grupo experimental foi de 30 segundos. O tempo de 40 segundos foi determinado a partir do tempo médio para a aplicação do reforço no Grupo 1. Após a colagem, os corpos de prova foram armazenados em água destilada e mantidos em estufa durante 24 horas, à temperatura de 37ºC. Após esse período, os conjuntos foram submetidos aos testes de cisalhamento em uma máquina universal (EMIC, linha DL, série 385, São José dos Pinhais, PR, Brasil) operando a uma velocidade de 0,5mm/min (Fig. 6). Os resultados obtidos em kilogramaforça (kgf) foram transformados em Newtons e divididos pela área da base do tubo, fornecendo os resultados em MPa. Os resultados, obtidos em MPa, foram registrados pelo computador da máquina de ensaios quando da descolagem dos braquetes. Procedeu-se com a estatística descritiva: médias, desvios-padrão (DP), medianas e valores mínimo e máximo. Os resultados foram analisados por meio do test t independente de Student. O nível de significância adotado foi de 5%.

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Figura 4 - Corpo de prova do Grupo 1: colagem direta convencional seguida pela aplicação de uma camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/dente.

Figura 5 - Corpo-de-prova do Grupo 2: colagem direta convencional, seguida por um tempo adicional de fotopolimerização de 10 segundos.

RESULTADOS A Tabela 1 apresenta os valores das médias, desvios-padrão (DP), medianas e valores mínimo e máximo, em MPa e em kilogramaforça (Kgf) no momento da descolagem dos tubos. O Grupo 1 apresentou uma resistência ao cisalhamento mais alta do que o Grupo 2, com significância estatística (Tab. 2).

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Vercelino CRMP, Pinzan A, Gurgel JA, Bramante FS, Pinzan LM

tabela 1 - Médias, desvios-padrão (DP), medianas, valores mínimo e máximo em MPa e em kilogramaforça (Kgf) para os dois grupos. Grupo 1

Média

Grupo 2

MPa

Kgf

MPa

Kgf

17,08

23,69

12,60

17,48

DP

3,28

4,55

1,97

2,74

Mediana

16,35

22,66

13,1

18,16

Mínimo

11,68

16,2

8,38

11,63

Máximo

24,54

34,03

15,68

21,75

tabela 2 - Comparação entre os grupos (teste t independente).

Média(MPa)

Grupo 1

Grupo 2

p

17,08

12,60

0,00*

*Estatisticamente significativo (p< 0,05).

a bandagem dos molares apresente maior eficácia do que a colagem direta desses dentes. Apenas, Boyd e Baumrind2, ao realizar um estudo longitudinal a fim de avaliar clinicamente o periodonto de molares bandados e colados, verificaram que os molares superiores bandados apresentaram maior falha clínica do que os colados e a situação inversa foi verificada para os molares inferiores. Com a evolução dos materiais para colagem direta em Ortodontia, atualmente parece mais importante focar os procedimentos clínicos do que aumentar a resistência à adesão dos materiais disponíveis. Portanto, o propósito desse estudo foi o de verificar se a aplicação de uma camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/ dente aumenta a qualidade da adesão dos tubos ortodônticos em molares. Para isso, foram realizados ensaios laboratoriais em dois grupos: no Grupo 1, experimental, foi aplicada a camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/dente; e no Grupo 2, controle, após a colagem direta convencional, a interface tubo/dente foi fotopolimerizada por mais 10 segundos. O tempo adicional de fotopolimerização foi aplicado ao Grupo 2 a fim de eliminar a variável relacionada ao tempo de fotopolimerização, visto que o tempo total do Grupo 1, após a aplicação do reforço foi de 30 segundos.

Figura 6 - Posicionamento do dispositivo para o teste de cisalhamento.

DISCUSSÃO A Ortodontia, como ciência, tem apresentado um avanço inquestionável nas últimas décadas. As evoluções dos materiais para colagem direta e cimentação, das ligas metálicas dos fios ortodônticos, dos acessórios ortodônticos, das técnicas, da mecânica e dos dispositivos para ancoragem têm sido de extrema relevância para a execução dos tratamentos. Entretanto, apesar de todos esses aperfeiçoamentos, há décadas a maioria dos ortodontistas tem bandado os molares em vez de realizar a colagem direta dos tubos ortodônticos7. Na literatura, há evidências de que os tubos colados aos molares apresentam maior falha clínica quando comparados aos acessórios colados mais anteriormente na arcada10,18. Porém, torna-se imprescindível ressaltar que os dentes posteriores são submetidos a maiores esforços mastigatórios15 e, portanto, seria justificável a ocorrência de maior porcentual de falhas clínicas nessa região. Observa-se também que não há estudos clínicos que comprovem que

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Estudo in vitro da resistência ao cisalhamento da colagem direta de tubos ortodônticos em molares

De acordo com a teoria de resistência dos materiais, quando uma força é aplicada a um corpo (tubo), que se encontra fixado em outro elemento (dente) utilizando-se um material adesivo (resina), a tensão (T) é calculada por meio da força aplicada (F) dividida pela área de contato (A) (T=F/A). Considerando-se que a resina é o material com a menor tensão para ruptura entre os elementos envolvidos, para aumentar a resistência adesiva do conjunto tubo/resina/dente deve-se aumentar a sua área. Portanto, com esse propósito, foi aplicado o reforço de resina (Fig. 7). A partir dos resultados obtidos, foi possível verificar uma maior resistência adesiva para o Grupo 1, com uma diferença estatisticamente significativa em relação ao Grupo 2 (Tab. 1, 2). A camada adicional de resina criou uma área de contato adicional entre o dente e o tubo e, portanto, a força aplicada foi dividida por uma área mais extensa, com melhores resultados para esse grupo. O valor médio obtido para o Grupo 2 (controle) encontra-se próximo aos resultados obtidos por Knoll et al.8, que observaram uma resistência adesiva de 11±4MPa; e por Bishara et al.1, que encontraram um valor médio de 11,8±4,1MPa. Após a conclusão do presente estudo, um terceiro grupo foi delineado, sendo que os dentes receberam apenas a colagem direta convencional dos tubos, com o tempo total de fotopolimerização de 20 segundos. Os resultados obtidos demonstraram existir diferença estatisticamente significativa em relação ao grupo que recebeu o reforço durante a colagem, porém foram similares ao grupo que recebeu o tempo adicional de 10 segundos de fotopolimerização14. Proffit et al.15 demonstraram que, em faces equilibradas, os dentes posteriores encontram-se submetidos a maiores esforços mastigatórios, com forças exercidas em torno de 30kg. No presente estudo, a força média, em kilogramaforça, no momento da descolagem dos tubos no Grupo 1 foi de 23,69kgf (Tab. 1), encontrando-se mais próxima do valor descrito por Proffit et al.15 do que a obtida no Grupo 2 (17,48kgf) (Tab. 1).

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Figura 7 - A) colagem direta convencional; B) aumento da área da resina a fim de aumentar a resistência adesiva do conjunto tubo/resina/dente.

Como grande parte dos fatores envolvidos no procedimento de colagem direta de tubos em molares não podem ser alterados pelo ortodontista (salivação, dificuldade de acesso para o procedimento de colagem, falta de uniformidade da face vestibular e da espessura da camada de resina, idade inicial do paciente e ocorrência de interferências oclusais)9, esse método alternativo para a execução desse procedimento clínico parece aumentar a qualidade da colagem direta dos tubos ortodônticos. Além disso, Pandis et al.10 — ao avaliar in vivo tubos colados em molares, por meio do método convencional de colagem, com adesivo autocondicionante e resina Transbond XT — observaram que a primeira falha foi observada, em média, após 23 meses (20 a 26 meses). No presente estudo, como o grupo com o reforço de resina apresentou uma melhor resistência à adesão do que o grupo com colagem convencional, provavelmente o tempo para a observação da falha clínica seja superior a esse período, quando, então, a maioria dos tratamentos ortodônticos já se encontram finalizados. Apesar dos materiais adesivos apresentarem uma rugosidade superficial que favorece o acúmulo de placa18, a região onde a camada de resina adicional foi aplicada pode ser facilmente higienizada pelo paciente e controlada nas consultas pelo profissional, além de localizar-se

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lores aceitáveis de resistência dos acessórios ortodônticos obtidos por meio de ensaios mecânicos. A quantidade de camada de resina adicional empregada nessa pesquisa in vitro representa um valor fixo para comparação entre os grupos. Baseando-se nos resultados encontrados, pode-se inferir que essa quantidade de resina mostrou-se eficaz para o aumento da resistência ao cisalhamento. Contudo, para utilização clínica desse método, recomenda-se quantificar o material adesivo de forma a não interferir na relação oclusal entre os molares superiores e inferiores. Uma investigação clínica está sendo desenvolvida para verificar os achados desse estudo laboratorial, pois durante a colagem não houve o empecilho da contaminação por saliva e a dificuldade do posicionamento dos tubos na região posterior. Portanto, os resultados laboratoriais podem ser melhores do que uma pesquisa clínica poderia obter. Porém, os dois grupos estavam livres dessas variáveis e o grupo com reforço apresentou melhores resultados.

distante da gengiva marginal, não causando danos aos tecidos periodontais. Para se tomar a decisão entre bandar ou colar os molares, diversos fatores devem ser avaliados, como a qualidade do material adesivo disponível para a colagem direta, o substrato (amálgama, resina, porcelana, esmalte, ligas metálicas) e as necessidades clínicas (tipo de movimento, altura da coroa clínica, necessidade de instalação de dispositivos de ancoragem)2,17,18. Após uma análise criteriosa desses fatores, se a opção recair sobre a colagem direta, o método proposto no presente estudo parece aumentar a sua efetividade. O índice de adesivo remanescente não foi calculado, pois o objetivo desse estudo foi avaliar uma nova abordagem para a colagem dos tubos ortodônticos nos molares, e não avaliar o sistema adesivo. Apesar dos altos valores obtidos nesse estudo, em apenas um espécime foi observada a fratura do esmalte durante a descolagem dos tubos. A fratura ocorreu no dente que obteve o valor mais alto durante os testes de cisalhamento (34,03kgf, 24,54MPa, Tab. 1). Entretanto, torna-se importante enfatizar que estudos recentes que compararam a resistência adesiva in vivo e in vitro demonstraram que os valores obtidos in vivo apresentaramse significativamente menores do que os obtidos in vitro5,13. A partir dos resultados obtidos, Penido et al.13 ressaltam a importância de se avaliar os va-

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CONCLUSÃO Os resultados encontrados permitiram concluir que a aplicação de uma camada adicional de resina na oclusal da interface tubo/dente aumenta a qualidade da adesão do procedimento de colagem direta de tubos ortodônticos em molares.

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Artigo Inédito

Avaliação da idade óssea em crianças de 9 a 12 anos de idade na cidade de Manaus-AM Wilson Maia de Oliveira Junior*, Julio Wilson Vigorito**, Carlos Eduardo Nossa Tuma***

Resumo Objetivo: o presente estudo teve como objetivo avaliar a idade óssea pelo método de Greu-

lich & Pyle (1959) e o período do crescimento puberal, de acordo com o trabalho de Martins (1979). Métodos: utilizaram-se radiografias de mão e punho de 201 crianças amazonenses, sendo 103 do sexo masculino e 98 do feminino, com idades cronológicas de 9 a 12 anos. Para análise estatística, utilizou-se o teste de qui-quadrado com nível de significância em 5% (p<0,05). Resultados e Conclusões: as crianças do sexo feminino, em relação às do sexo masculino, encontravam-se mais adiantadas em todas as fases do crescimento esquelético, para as idades estudadas, estando 50% das meninas no pico do crescimento puberal, enquanto apenas 11,6% dos meninos estavam na mesma fase. As idades do início e pico do surto de crescimento puberal foram mais precoces nas meninas (10,1±0,7 e 11,1±0,8 anos, respectivamente) do que nos meninos (11,4±0,7 e 12,3±0,4 anos, respectivamente). As meninas apresentaram uma maior porcentagem de maturação precoce do que os meninos (41,8% e 5,8%, respectivamente); enquanto a maturação tardia foi mais prevalente nos meninos (38,8%) do que nas meninas (11,2%). A idade óssea média dos meninos foi de 10,4±1,7 anos e das meninas, 11,7±1,8 anos, para o grupo estudado. Palavras-chave: Crescimento e desenvolvimento. Puberdade. Maturidade sexual.

INTRODUÇÃO Dois terços dos casos tratados ortodonticamente incluem más oclusões onde o crescimento e desenvolvimento desempenham papel preponderante no êxito ou fracasso da mecanoterapia, influenciando diretamente na escolha de mecânicas extrabucais, aparelhos funcionais, necessidade de extrações e até mesmo de cirurgia ortognática. A compreensão dos eventos relacionados ao crescimento é de grande importância para os ortodontistas, já que os estágios de

maturação têm influência decisiva no diagnóstico, plano e duração do tratamento, e prognóstico de uma má oclusão13. Sendo assim, a individualização do padrão de crescimento de cada paciente é fundamental para o êxito dos tratamentos ortodônticos. Existem várias idades biológicas — como a idade óssea, idade morfológica, idade de caráter sexual secundário, idade da menarca e idade dentária — que foram propostas para determinar a idade fisiológica18, sendo possível fazer-se uma estimativa de

Como citar este artigo: Oliveira Junior WM, Vigorito JW, Tuma CEN. Avaliação da idade óssea em crianças de 9 a 12 anos de idade na cidade de Manaus-AM. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):63-9.

* Especialista em Ortopedia Craniofacial e Mestre em Ortodontia pela USP. Professor Assistente de Ortodontia e Oclusão da UFAM. ** Professor Titular de Ortodontia da FO-USP. Coordenador dos Cursos de Pós-graduação em nível de mestrado e doutorado da FO-USP. *** Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela UFAM. Mestre em Ortodontia pela São Leopoldo Mandic. Professor de Ortodontia da UEA.

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Oliveira Junior WM, Vigorito JW, Tuma CEN

Evaluation of the bone age in 9-12 years old children in Manaus-AM city Abstract Objective: This study evaluated the bone age using the Greulich & Pyle method (1959) and pubertal growth according to the study conducted by Martins (1979). Methods: Hand and wrist radiographs of 201 children (103 boys) aged 9 to 12 years living in Amazonas were analyzed. A chi-square test was used for statistical analysis at a level of significance of 5% (p<0.05). Results and Conclusions: Girls were at more advanced stages in all phases of skeletal growth than boys for the ages under study; 50% of the girls had reached pubertal growth peak, whereas only 11.6% of the boys were in the same stage. The beginning and the peak of the pubertal growth spurt occurred earlier among girls (10.1 ± 0.7 and 11.1 ± 0.8 years) than among boys (11.4 ± 0.7 and 12.3 ± 0.4 years). Early maturation was more frequent among girls than among boys (41.8% vs. 5.8%), and late maturation was more prevalent among boys (38.8% vs. 11.2%). Mean bone age in the group of boys was 10.4 ± 1.7 years, and in the group of girls, 11.7 ± 1.8 years. Keywords: Growth and development. Puberty. Sexual maturation.

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Enviado em: janeiro de 2008 Revisado e aceito: outubro de 2008

Endereço para correspondência Wilson Maia O. Jr Rua 6, 192, Conj. Castelo Branco - Parque Dez CEP: 69.055-240 - Manaus / AM E-mail: ortomaia@gmail.com

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Artigo Inédito

Efeitos do tratamento da Classe II divisão 1 em pacientes dolicofaciais tratados segundo a Terapia Bioprogressiva (AEB cervical e arco base inferior), com ênfase no controle vertical Viviane Santini Tamburús*, João Sarmento Pereira Neto**, Vânia Célia Vieira de Siqueira***, Weber Luiz Tamburús****

Resumo Objetivo: o presente estudo investigou o controle vertical e os efeitos do tratamento ortodôntico em pacientes dolicofaciais, empregando o AEB cervical e o arco base inferior. Métodos:

foi realizada a avaliação cefalométrica de 26 pacientes dolicofaciais com Classe II, divisão 1, idade média de 114 meses. O tratamento ortodôntico envolveu a utilização do AEB cervical na arcada superior e arco base na arcada inferior, até a obtenção da chave de oclusão normal dos molares, e finalizado segundo a Terapia Bioprogressiva, com duração média de 56 meses. Foram avaliados os valores de FMA, SN.GoGn, ANB, Fg-S, S-FPm, comprimento maxilar, comprimento mandibular, AFP (altura facial posterior), AFA (altura facial anterior), IAF (índice de altura facial), ângulo do plano oclusal, ângulo do plano palatino, QT (queixo total), LS (lábio superior) e ângulo Z. Resultados: o tratamento promoveu estabilidade dos planos mandibular, oclusal e palatino. Ocorreu a correção anteroposterior das bases apicais, verificada pela redução significativa da grandeza ANB. A maxila apresentou um suave deslocamento anterior, com um suave aumento da dimensão anteroposterior. A mandíbula apresentou melhora de seu posicionamento em relação à base do crânio e sua dimensão anteroposterior aumentou significativamente. As alturas faciais posterior e anterior permaneceram em equilíbrio, não alterando significativamente o IAF. O perfil tegumentar apresentou melhora significativa. Conclusão: o tratamento realizado promoveu a correção das bases apicais, com controle dos planos horizontais e das alturas faciais, sendo efetivo no controle vertical. Palavras-chave: Aparelhos de tração extrabucal cervical. Cefalometria. Ortodontia. Controle vertical. Má oclusão. Classe II divisão 1.

Como citar este artigo: Tamburús VS, Pereira Neto JS, Siqueira VCV, Tamburús WL. Efeitos do tratamento da Classe II divisão 1 em pacientes dolicofaciais tratados segundo a Terapia Bioprogressiva (AEB cervical e arco base inferior), com ênfase no controle vertical. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):70-8. * Professora e Coordenadora do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial da Associação Odontológica de Ribeirão Preto (AORP). ** Professor Doutor Assistente da Área de Ortodontia da FOP/UNICAMP. *** Professora Doutora Adjunta da disciplina de Ortodontia da FOP/UNICAMP. **** Professor do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial da Associação Odontológica de Ribeirão Preto (AORP). Professor do Centro de Estudos de Ricketts.

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significativamente o perfil. Houve, também, controle dos planos horizontais e das alturas faciais, verificado pelas mudanças ocorridas nos ângulos FMA, SN.GoGn, ângulo do plano oclusal, ângulo do plano palatino e IAF, mostrando que o tratamento ortodôntico foi efetivo no controle vertical. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho foi uma avaliação retrospectiva realizada para obtenção do título de mestre em Ortodontia da FOP/UNICAMP. A ideia de sua realização veio da experiência clínica de vários anos de bons resultados obtidos com a metodologia aplicada pelos Drs. Clóvis Roberto Teixeira e Weber Luiz Tamburús. Como foram encontrados apenas dois trabalhos na literatura internacional que relatam o tratamento da má oclusão de Classe II, divisão 1, com o AEB cervical e arco base inferior, fazem-se necessárias mais pesquisas para que se comprove e explique todas as modificações ocorridas.

mento ortodôntico (Tab. 3), os pacientes possuíam um valor médio do ângulo Z diminuído, confirmando um perfil convexo. Um dos objetivos do tratamento ortodôntico centraliza-se no aumento desse ângulo, tornando os perfis dos pacientes mais harmoniosos. Os resultados do presente estudo mostraram que o ângulo Z aumentou significativamente (8,33±5,16º e P<0,001), devido principalmente ao crescimento mandibular expressivo ocorrido, com média final de 70,31±6,49º, valor próximo dos valores normais verificados em pacientes com perfis harmoniosos13,20. CONCLUSÕES De acordo com a metodologia utilizada e com os resultados obtidos com o tratamento das más oclusões de Classe II, divisão 1, em pacientes dolicofaciais, pode-se concluir que houve correção das bases apicais da má oclusão de Classe II, divisão 1, verificada pela redução significativa do ângulo ANB, devida principalmente ao crescimento expressivo do comprimento mandibular, restrição ou redirecionamento do crescimento maxilar pelo uso do AEB cervical do tipo Kloehn, melhorando

Agradecimentos Ao Dr. Clóvis Roberto Teixeira, pela colaboração com esse trabalho.

Treatment effects on Class II division 1 high angle patients treated according to the Bioprogressive therapy (cervical headgear and lower utility arch), with emphasis on vertical control Abstract Objective: This study investigated vertical control and the effects of orthodontic treatment on dolichofacial patients, using cervical headgear (CHG) and lower utility arch. Methods: Cephalometric assessment of 26 dolichofacial patients with Class II, division 1, and mean age of 114 months. Orthodontic treatment involved the use of cervical headgear (CHG) in the maxillary arch, lower utility arch in the mandibular arch until normal occlusion of the molars was obtained and finished in accordance with Bioprogressive therapy, with a mean duration of 56 months. The values of FMA, SN.GoGn, ANB, Fg-S, S-FPm, maxillary length, mandibular length, posterior facial height (PFH), anterior facial height (AFH), facial height index (FHI), occlusal plane angle (OPA), palatal plane angle (PPA), total chin (TC), upper lip (UL) and Z angle were evaluated. Results: The results showed that treatment promoted stability of the mandibular, occlusal and palatal planes. Anteroposterior correction of the apical bases occurred, verified by the significant reduction in the variable ANB. The maxilla presented slight anterior displacement and increase in the anteroposterior dimension. The mandible presented improvement in its position in relation to the cranial base and its anteroposterior dimension increased significantly. The posterior and anterior facial heights remained in equilibrium, with no significant alteration in FHI. The tegumental profile presented significant improvement. Conclusion: The treatment performed produced correction of the apical basis with control of the horizontal planes and facial heights, and was effective for vertical control. Keywords: Extraoral cervical traction appliances. Cephalometry. Orthodontics. Vertical control. Malocclusion. Class II, Division 1.

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Efeitos do tratamento da Classe II divisão 1 em pacientes dolicofaciais tratados segundo a Terapia Bioprogressiva (AEB cervical e arco base inferior), com ênfase no controle vertical

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Enviado em: julho de 2008 Revisado e aceito: fevereiro de 2009

Endereço para correspondência Viviane Santini Tamburús Rua Visconde de Inhaúma, nº 580, sala 611 - Centro CEP: 14.010-100 - Ribeirão Preto / SP E-mail: vicatamburus@hotmail.com

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Artigo Inédito

Análise da correlação entre a angulação (mesiodistal) dos caninos e a inclinação (vestibulolingual) dos incisivos Amanda Sayuri Cardoso Ohashi*, Karen Costa Guedes do Nascimento*, David Normando**

Resumo Objetivo: avaliar o nível de correlação entre a angulação dos caninos e a inclinação dos incisivos. Métodos: a angulação mesiodistal dos caninos e a inclinação vestibulolingual dos

incisivos foram obtidas em um programa digital gráfico (Imagetool®), a partir de fotografias padronizadas dos modelos de 60 pacientes. A inclinação dos incisivos foi, ainda, avaliada pela cefalometria lateral. Resultados: o erro casual mostrou uma variação em torno de 2° nas medidas feitas nos modelos (1,8–2,5º), enquanto o erro sistemático, avaliado pela teste de correlação intraclasse, revelou uma excelente reprodutibilidade para ambos os métodos empregados (p<0,001, r=0,84–0,96). Testes de correlação linear revelaram uma correlação positiva significativa entre a angulação dos caninos e a inclinação dos incisivos para a arcada superior (r=0,3, p<0,05), e mais significativa para a arcada inferior (r=0,46–0,51, p<0,001), quando ambas foram mensuradas nos modelos. Entretanto, quando a inclinação dos incisivos foi examinada pela cefalometria, o nível de correlação foi estatisticamente insignificante para os incisivos superiores (r=-0,06–0,21, p>0,05) e variou bastante na arcada inferior (r=0,14–0,50), dependendo da grandeza correlacionada. Conclusão: ratifica-se a introdução de mudanças na angulação dos caninos com o intuito de acompanhar as compensações observadas na inclinação dos incisivos, principalmente na arcada inferior. Palavras-chave: Má oclusão. Caninos, angulação. Incisivos, inclinação.

INTRODUÇÃO As inclinações e angulações dentárias são objetos de estudo na Ortodontia há muito tempo. Em 1928, Angle3 sistematizou o tratamento ortodôntico, desenvolvendo o aparelho Edgewise (arco de canto), onde as inclinações e angulações dentárias eram definidas a partir de dobras nos arcos

de nivelamento, conforme inseridos nas canaletas dos braquetes. O estudo de Andrews1, publicado em 1972, examinou em profundidade as características de normalidade da oclusão ótima natural, e sistematizou seis características comuns aos modelos examinados. O autor criou, então, “As Seis Chaves

Como citar este artigo: Ohashi ASC, Nascimento KCG, Normando D. Análise da correlação entre a angulação (mesiodistal) dos caninos e a inclinação (vestibulolingual) dos incisivos. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):79-86.

* Cirurgiã-dentista estagiária da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará. ** Doutor em Ortodontia pela UERJ. Mestre em Clínica Integrada pela FOUSP. Especialista em Ortodontia pela PROFIS-USP/Bauru. Professor da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UFPA e Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-PA.

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Avaliação da resistência ao cisalhamento de braquetes da técnica lingual colados sobre superfície cerâmica

Evaluation of shear strength of lingual brackets bonded to ceramic surfaces Abstract Objective: The aim of this study was to evaluate the shear strength of lingual metal brackets (American Orthodontics) bonded to ceramic veneers. Methods: A total of 40 specimens were divided into four groups of 10, according to bonding material and ceramics preparation: Group I - Sondhi Rapid-Set resin and Hydrofluoric acid, Group II - Sondhi Rapid-Set resin and aluminum oxide, Group III - Transbond XT resin and Hydrofluoric acid, and Group IV - Transbond XT resin and aluminum oxide. Prior to bonding, the brackets were prepared with heavy-duty resin base (Z-250) and the ceramic veneers were treated with silane. The shear test was conducted with a Kratos testing machine at a speed of 0.5 mm/min. Results: The results were statistically analyzed by the Tukey test (p<0.05) and showed a statistically significant difference between groups I (2.77 MPa) and IV (6.00 MPa), and between groups III (3.33 MPa) and IV. Conclusion: In conclusion, the bonding of lingual brackets to ceramic surfaces exhibited greater shear strength when aluminum oxide was used in association with the two resins utilized in this study, although Transbond XT showed greater shear strength than Sondhi Rapid-Set. Keywords: Bonding. Ceramic surface. Orthodontics. Lingual brackets.

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Enviado em: maio de 2007 Revisado e aceito: novembro de 2007

Endereço para correspondência Michele Balestrin Imakami Avenida Vila Rica, 6 - Centro CEP: 87.250-000 - Peabiru / PR E-mail: michele_bales@oi.com.br

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Artigo Inédito

Educação e motivação em saúde bucal – prevenindo doenças e promovendo saúde em pacientes sob tratamento ortodôntico Priscila Ariede Petinuci Bardal*, Kelly Polido Kaneshiro Olympio*, José Roberto de Magalhães Bastos**, José Fernando Castanha Henriques**, Marília Afonso Rabelo Buzalaf***

Resumo Introdução: os cirurgiões-dentistas têm a responsabilidade de prevenir doenças, minimizar ris-

cos e promover saúde. Os pacientes também precisam ser despertados sobre o seu papel nos cuidados com a saúde bucal. No caso de pacientes em tratamento ortodôntico, é particularmente difícil manter uma higiene bucal satisfatória devido à presença de bandas, fios e ligaduras. Torna-se, então, indispensável a instituição de métodos preventivos de motivação e orientação para o controle mecânico da placa dentária. Objetivo: verificar os efeitos de ações educativas, preventivas e motivacionais sobre a saúde bucal de pacientes em tratamento ortodôntico fixo. Métodos: os participantes receberam gratuitamente dentifrício e escova dental durante todo o estudo e instruções sobre higiene bucal foram fornecidas e reforçadas no decorrer dos 6 meses da pesquisa. Foram realizados exames clínicos baseline e após 6, 12 e 24 semanas, para verificação dos índices de Placa, Gengival e Sangramento. Resultados: as condições de saúde bucal dos participantes, que inicialmente eram insatisfatórias, melhoraram significativamente no decorrer do estudo, considerando-se todos os índices. As ações preventivas, educativas e motivacionais realizadas foram estatisticamente eficazes na melhora da saúde bucal dos pacientes ortodônticos. Conclusões: a promoção de saúde e a prevenção de doenças devem fazer parte do atendimento que os ortodontistas direcionam aos seus pacientes, sendo que a orientação e motivação quanto aos cuidados com a saúde bucal devem estar presentes antes e durante o tratamento. Palavras-chave: Prevenção. Educação. Motivação. Ortodontia. Saúde bucal.

INTRODUÇÃO A Odontologia Preventiva tem se destacado na área da saúde. Os cuidados com a saúde bucal têm ido além de aspectos estéticos. No novo paradigma de saúde, se desperta uma maior

consciência sobre a necessidade de se manter uma saúde bucal satisfatória que, por sua vez, é refletida na saúde geral. Os profissionais da saúde têm a responsabilidade de atuar na prevenção de doenças, minimizando

Como citar este artigo: Bardal PAP, Olympio KPK, Bastos JRM, Henriques JFC, Buzalaf MAR. Educação e motivação em saúde bucal – prevenindo doenças e promovendo saúde em pacientes sob tratamento ortodôntico. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):95-102.

* Mestre em Ortodontia e Odontologia em Saúde Coletiva, opção Odontologia em Saúde Coletiva, FOB-USP. Doutora em Saúde Pública, FSP-USP. ** Professor Titular do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, FOB-USP. *** Professor Titular de Departamento de Ciências Biológicas, FOB-USP.

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Bardal PAP, Olympio KPK, Bastos JRM, Henriques JFC, Buzalaf MAR

Education and motivation in oral health - preventing disease and promoting health in patients undergoing orthodontic treatment Abstract Introduction: It is incumbent upon dentists to prevent disease, minimize risks and promote health. Patients also need to be made aware of their role in oral health care. Patients undergoing orthodontic treatment find it particularly difficult to maintain satisfactory oral hygiene owing to the presence of bands, wires and ligatures. It is therefore crucial to establish preventive motivation and guidance methods to ensure mechanical control of dental plaque. Objectives: This study investigated the effects of educational, preventive and motivational actions on the oral health of patients undergoing fixed orthodontic treatment. Methods: Participants received free toothpaste and toothbrushes throughout the study and instructions on oral hygiene were provided and reinforced throughout the six months of research. Physical examination was performed at baseline and after 6, 12 and 24 weeks for verification of plaque, gingival and bleeding indices. Results: Initially, the oral hygiene of participants was inadequate. During the study, significant improvement in oral health occurred in all indices. Preventive, educational and motivational actions undertaken in this study were statistically effective in improving the oral health of orthodontic patients. Conclusion: Health promotion and disease prevention should be part and parcel of the care provided by orthodontists directly to their patients whereas oral health care guidance and motivation should be provided before and during treatment. Keywords: Prevention. Education. Motivation. Orthodontics. Oral health.

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Educação e motivação em saúde bucal – prevenindo doenças e promovendo saúde em pacientes sob tratamento ortodôntico

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Enviado em: novembro de 2006 Revisado e aceito: junho de 2008

Endereço para correspondência Priscila Ariede Petinuci Bardal Rua Paes Leme, 1-41 CEP: 17.013-180 - Bauru / SP E-mail: priscilabardal@yahoo.com

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Artigo Inédito

Análises microbiológicas de alicates ortodônticos Fabiane Azeredo*, Luciane Macedo de Menezes**, Renata Medina da Silva***, Susana Maria Deon Rizzatto****, Gisela Gressler Garcia*****, Karen Revers******

Resumo Objetivo: avaliar a contaminação bacteriana presente na ponta ativa de alicates ortodônticos utilizados no meio acadêmico. Métodos: selecionou-se 34 alicates, 17 do modelo 347

e 17 do modelo 139. O grupo controle foi composto por 3 alicates de cada modelo, previamente autoclavados. Os alicates do grupo experimental, após o uso, foram imersos em 10ml do meio de cultura líquido Brain-Heart Infusion (BHI) por 2 minutos, seguido de cultivo a 37°C (24 a 48h) e semeadura (duplicata) em diferentes meios de cultura sólidos à base de ágar, para detecção e identificação de agentes microbianos. Resultados: as análises microbiológicas revelaram contaminação em ambos os tipos de alicates ortodônticos. Observaram-se variadas formas bacterianas, predominando estafilococos e cocos isolados gram-positivos. Os alicates removedores de anéis apresentaram maiores índices de contaminação, com médias entre 2,83 x 109 e 6,25 x 109 UFC/ml, variando de acordo com o tipo de meio de cultura. Os alicates 139 também continham bactérias da microbiota bucal, com variações entre 1,33 x 108 e 6,93 x 109 UFC/ml, sendo que a maior média obtida refere-se ao meio de cultura próprio para desenvolvimento de estafilococos, indicando, em certos casos, presença da espécie Staphylococcus aureus, microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal normal, sendo comumente encontrados na cavidade nasal e superfícies epiteliais das mãos. Conclusão: constatou-se que os alicates ortodônticos apresentam-se contaminados, como qualquer outro instrumental odontológico, após serem empregados em atendimentos clínicos. Em razão disso, há necessidade de submetê-los previamente aos procedimentos de esterilização após cada utilização em pacientes. Palavras-chave: Instrumentos odontológicos. Ortodontia. Controle de infecção. Contaminação. Microbiologia.

Como citar este artigo: Azeredo F, Menezes LM, Silva RM, Rizzatto SMD, Garcia GG, Revers K. Análises microbiológicas de alicates ortodônticos. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):103-12.

* Aluna do curso de Extensão em Ortodontia da Faculdade de Odontologia da PUCRS. ** Mestre em Ortodontia pela UFRJ. Doutora em Ortodontia pela UFRJ. Professora da Disciplina de Ortodontia da PUCRS. *** Mestre em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS. Doutora em Microbiologia pela USP. Professora de Microbiologia da Faculdade de Biociências da PUCRS. **** Mestre em Ortodontia pela PUCRS. Professora da Disciplina de Ortodontia da PUCRS. ***** Aluna do curso de graduação em Ciências Biológicas da PUCRS. ****** Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Unoesc / São Miguel do Oeste. Especialista em Microbiologia Aplicada pela Unoesc.

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Azeredo F, Menezes LM, Silva RM, Rizzatto SMD, Garcia GG, Revers K

medidas corretas de biossegurança em todos os atendimentos, como forma de impedir a propagação de infecções5.

Um agravante da transmissibilidade do HBV é a sua alta resistência e seu alto grau de infecciosidade, tendo se mostrado infectante por até seis meses à temperatura ambiente, e por até sete dias quando exposto a superfícies4,10. Em um volume de sangue menor que 0,00000001ml, o vírus da hepatite B é potencialmente infectante por 7 dias depois de seco10. Os resultados obtidos nesse experimento demonstraram grande contaminação presente nos alicates ortodônticos; e que, por meio da utilização de instrumentais contaminados, diversos tipos de microrganismos podem ser transmitidos entre indivíduos. Esse fato é verdadeiramente relevante, tendo em vista que imensas quantidades de bactérias, e especialmente de partículas virais, são secretadas nos fluidos bucais, considerando que pequena quantidade de saliva tem potencial para ocasionar enfermidades graves como a hepatite B. Portanto, a disseminação de vírus não pode ser descartada, embora esse trabalho tenha se direcionado à identificação de bactérias contaminantes. Prevenir e controlar a infecção cruzada no consultório odontológico são hoje exigências e direitos do paciente. Dessa forma, é essencial que haja conscientização para que aconteçam mudanças na conduta dos profissionais, levando-os a adotar

CONCLUSÃO O presente trabalho revelou a presença de grande contaminação bacteriana em ambos os tipos de alicates ortodônticos selecionados para o experimento. Por meio dos dados obtidos, conclui-se que os alicates removedores de anéis apresentam maior contaminação, possivelmente devido ao seu contato direto com estruturas e tecidos intrabucais. Os alicates 139 também mostraram elevada contaminação por bactérias da microbiota bucal, porém a média de UFC/ml foi relativamente maior nas culturas de Ágar Chapman, um meio próprio para desenvolvimento de estafilococos, que são microrganismos que não habitam a cavidade bucal, mas, sim, as superfícies da pele humana e mucosa nasal. Dessa forma, foi possível constatar que os procedimentos de desinfecção adotados estão sendo pouco efetivos na redução da contaminação, sugerindose a adoção de medidas mais eficazes no controle de infecção, para evitar a disseminação de microrganismos entre os pacientes e, também, entre os pacientes e os integrantes da equipe ortodôntica.

Microbiological analysis of orthodontic pliers Abstract Objective: To evaluate bacterial contamination in the active tip of orthodontic pliers used in an academic setting. Methods: Thirty-four pliers were selected: 17 debonding pliers and 17 model 139 pliers. The control group was composed of 3 previously autoclaved pliers of each model. After use, the pliers in the experimental group were immersed in 10 ml of brain-heart infusion (BHI) culture medium for 2 minutes, incubated at 37º C for 24 to 48 h and seeded in duplicates in different agar-based solid culture media to detect and identify microbial agents. Results: Microbiological analyses revealed that there was contamination in both types of orthodontic pliers. Several bacteria were detected, predominantly staphylococcus and isolated Gram-positive (G+) cocci. The debonding pliers had a greater contamination rate and mean values of 2.83 x 109 and 6.25 x 109 CFU/ml, with variations according to the type of culture medium. The 139 pliers also had all types of bacteria from the oral microbiota at values that ranged from 1.33 x 108 to 6.93 x 109 CFU/ml. The highest mean value was found in the medium to grow staphylococci, which confirmed, in certain cases, the presence of Staphylococcus aureus, which are not part of the normal oral microbiota but are usually found in the nasal cavity and on the skin of the hands. Conclusion: Orthodontic pliers were contaminated as any other dental instrument after use in clinical situations. Therefore, they should undergo sterilization after each use in patients. Keywords: Dental instruments. Orthodontics. Infection control. Contamination. Microbiology.

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Análises microbiológicas de alicates ortodônticos

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Enviado em: dezembro de 2007 Revisado e aceito: outubro de 2008

Endereço para correspondência Fabiane Azeredo Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Faculdade de Odontologia – Departamento de Ortodontia Av. Ipiranga, 6681 CEP: 90.619-900 – Porto Alegre / RS E-mail: fabianeazeredo@hotmail.com

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Artigo Inédito

Avaliação cefalométrica dos efeitos do aparelho de protração mandibular (APM) associado à aparatologia fixa em relação às estruturas esqueléticas em pacientes portadores de má oclusão Classe II, 1ª divisão Emmanuelle Medeiros de Araújo*, Rildo Medeiros Matoso**, Alexandre Magno Negreiros Diógenes***, Kenio Costa Lima****

Resumo Objetivo: este estudo objetivou avaliar as respostas cefalométricas esqueléticas provocadas pelo Aparelho de Protração Mandibular, em jovens brasileiros portadores de má oclusão Classe II, 1ª divisão, associado à Ortodontia corretiva fixa. Métodos: a amostra consistiu de 56 telerradiografias em norma lateral de 28 pacientes, sendo 16 do sexo feminino e 12 do masculino. A idade inicial média foi de 13,06 anos e o período médio da terapia com o APM foi de 14,43 meses. As telerradiografias laterais foram obtidas antes e após o tratamento, tendo sido comparadas por dois examinadores calibrados para identificar as alterações esqueléticas do APM, utilizando-se 16 grandezas cefalométricas lineares e angulares. Algumas variáveis independentes (idade do paciente, sexo, padrão facial, modelo de APM, tempo total de uso do aparelho, arco usado durante a terapia com APM e técnica ortodôntica utilizada) foram consideradas e associadas às referidas grandezas, no intuito de demonstrar a influência dessas variáveis sobre as grandezas As respostas ao tratamento foram analisadas e comparadas pelos testes Wilcoxon Signed Ranks e Mann-Whitney para um nível de significância de 5%. Resultados: os resultados mostraram uma restrição no deslocamento anterior da maxila, um aumento na protrusão mandibular, uma melhora no relacionamento anteroposterior das bases ósseas e estabilidade do plano mandibular em relação à base do crânio. Observou-se, ainda, influência das variáveis idade, padrão facial e tipo de APM utilizado. Conclusões: o APM consistiu numa alternativa eficaz no tratamento da má oclusão de Classe II, 1ª divisão, propiciando alterações do componente esquelético com resultados clínicos satisfatórios. Palavras-chave: Cefalometria. Aparelhos ortodônticos funcionais. Má oclusão Classe II de Angle. Aparelho de protração mandibular. Como citar este artigo: Araújo EM, Matoso RM, Diógenes AMN, Lima KC. Avaliação cefalométrica dos efeitos do aparelho de protração mandibular (APM) associado à aparatologia fixa em relação às estruturas esqueléticas em pacientes portadores de má oclusão Classe II, 1ª divisão. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):113-24. * Especialista em Ortodontia pela ABO-EAP/RN. ** Mestre em Ortodontia pela USP. Professor-coordenador da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Odontologia da UFRN. Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-EAP/RN. *** Especialista em Ortodontia pela ABO-EAP/RN. **** Professor do Departamento de Odontologia e dos Programas de Pós-graduação em Odontologia e Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN.

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Araújo EM, Matoso RM, Diógenes AMN, Lima KC

incluindo avaliação de variáveis que poderiam influenciar os resultados.

4. Não influenciou no crescimento vertical mandibular, uma vez que as variáveis angulares estudadas não mostraram comportamento significativo pós-tratamento (SN.PP, SN.GoGn, SN.GoMe). Entretanto, as alturas faciais anteriores e posteriores aumentaram de maneira significativa, apesar do ângulo do plano mandibular ter permanecido estável, sofreu influência das variáveis idade (a amostra encontrava-se dentro do surto de crescimento), padrão facial (o dolicofacial sofreu alterações mais favoráveis) e do tipo de APM utilizado (influência atribuída, provavelmente, à maior rigidez exercida pelos tipos 1 e 2).

CONCLUSÕES Diante da metodologia empregada e dos resultados obtidos, pode-se concluir que: 1. O tratamento com o APM atuou na restrição do deslocamento maxilar anterior, com diminuição do SNA. 2. Influenciou o posicionamento mais anterior da mandíbula (SNB, Go-Gn, B-FHp e Pog-FHp). 3. Apresentou efetividade na redução da convexidade facial e correção da relação maxilomandibular.

Cephalometric evaluation of the effects of the joint use of a mandibular protraction appliance (MPA) and a fixed orthodontic appliance on the skeletal structures of patients with Angle Class II, division 1 malocclusion Abstract Objective: This study aimed to perform a cephalometric evaluation of the skeletal responses triggered by the joint use of a mandibular protraction appliance (MPA) and a fixed orthodontic appliance for correction of Class II, division 1 malocclusion in young Brazilian patients. Methods: The sample consisted of 56 lateral cephalograms of 28 patients (16 women and 12 men). The initial mean age was 13.06 years and mean duration of therapy with MPA was 14.43 months. The lateral radiographs were obtained before and after treatment and were compared by two calibrated examiners to identify the skeletal changes induced by the MPA using 16 linear and angular cephalometric measures. Some independent variables (patient age, gender, facial pattern, MPA model, total use time, archwire and technique used during therapy with MPA) were considered and related to those measures in order to demonstrate the influence of these variables on them. Responses to treatment were analyzed and compared by the Wilcoxon Signed Ranks test and Mann-Whitney test at a significance level of 5%. Results: The results showed restricted anterior displacement of the maxilla, increased mandibular protrusion, improved anteroposterior relationship of the basal bones and stability of the mandibular plane relative to the cranial base. The influence of variables age, facial pattern and MPA type was also noted. Conclusions: MPA proved an effective alternative in the treatment of Class II, division 1 malocclusion, inducing changes in the skeletal component with satisfactory clinical results. Keywords: Cephalometry. Functional orthodontic appliances. Angle Class II malocclusion. Mandibular protraction appliance.

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Avaliação cefalométrica dos efeitos do aparelho de protração mandibular (APM) associado à aparatologia fixa em relação às estruturas esqueléticas em pacientes portadores de má oclusão Classe II, 1ª divisão

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Enviado em: setembro de 2007 Revisado e aceito: fevereiro de 2009

Endereço para correspondência Emmanuelle Medeiros de Araújo Av. Lima e Silva, 1611, sala 206 - Lagoa Nova CEP: 59.075-710 - Natal / RN E-mail: emmanuelle_rn@hotmail.com

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Caso Clínico BBO

Má oclusão Classe II, 2ª divisão de Angle, tratada com exodontias de dentes permanentes* Sílvio Luís Dalagnol**

Resumo

Este artigo relata o tratamento ortodôntico de uma paciente do sexo feminino, adulta, portadora de uma má oclusão Classe II, 2ª divisão de Angle, com terceiros molares superiores inclusos, bolsa periodontal, recessões gengivais e desgastes dentários. A paciente foi tratada com exodontia dos segundos pré-molares superiores e controle de ancoragem. Este caso foi apresentado à Diretoria do Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO), representando a categoria Livre Escolha, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Diplomado pelo BBO. Palavras-chave: Má oclusão de Angle Classe II. Extração dentária. Ortodontia corretiva.

oclusão Classe II, 2ª divisão de Angle, característico apinhamento superior e pequeno apinhamento inferior, com espaço mesial ao dente 46, associado à prótese pequena em relação ao dente homólogo. Margens gengivais superiores desniveladas, discretas recessões gengivais nos dentes 14, 22, 23 e 24, e plano oclusal alterado. Os incisivos centrais superiores se apresentavam retruídos, retroinclinados e com desgastes acentuados, enquanto os laterais se encontravam projetados e com anatomia disforme. Os segundos pré-molares superiores possuíam restaurações e tamanho desproporcional em relação aos demais dentes. A relação entre os caninos superiores e inferiores era de topo, a sobremordida acentuada e existia desvio funcional da posição de relação cêntrica (RC) para a de máxima intercuspidação habitual (MIH). A linha mediana superior estava desviada para a direita, em relação ao plano sagital mediano, e a inferior para a esquerda (Fig. 1, 2).

HISTÓRIA E ETIOLOGIA A paciente, motivada pelo periodontista, procurou tratamento ortodôntico aos 28 anos de idade. Apresentava, como queixa principal, a deficiência na estética dentária. Sua história médica não era relevante. Contudo, sua história dentária, relatada pelo periodontista, envolvia bolsa periodontal na mesial do primeiro molar inferior direito (46), recessões gengivais em diversos dentes, desgastes dentários e indicação de exodontia dos terceiros molares superiores inclusos. DIAGNÓSTICO Na avaliação facial, a paciente apresentava perfil harmonioso, tendendo a côncavo, com lábios retruídos, leve assimetria facial, com a mandíbula desviada para a esquerda e maior exposição gengival do lado direito, durante o sorriso (Fig. 1). Quanto ao padrão dentário, apresentava má

Como citar este artigo: Dalagnol SL. Má oclusão Classe II, 2ª divisão de Angle, tratada com exodontias de dentes permanentes. Dental Press J Orthod. 2011 MayJune;16(3):125-35.

* Relato de caso clínico, categoria Livre Escolha, aprovado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial (BBO). ** Mestre em Ortodontia pela UFRJ e Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

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da maxila, associada à retração acentuada dos incisivos laterais superiores, que serviam de apoio para os lábios no início do tratamento, devem ter provocado a pequena retrusão dos lábios, tornando o perfil mais côncavo. Conforme pode ser observado nos exames de controle (Fig. 10-14), o sorriso melhorou, o perfil manteve-se harmonioso e a oclusão permaneceu estável, confirmando que os objetivos do tratamento foram alcançados.

devido ao tamanho e condição clínica dos segundos pré-molares, optou-se pelas exodontias dos mesmos, sabendo-se que essa escolha iria dificultar a ancoragem. Na avaliação da sobreposição total (Fig. 14), pode-se observar a manutenção do padrão esquelético e as alterações do padrão dentário e do perfil facial. A remodelação óssea provocada pela correção da inclinação dos incisivos superiores, que pode ser observada na sobreposição parcial

Angle Class II, division 2 malocclusion treated with extraction of permanent teeth Abstract This study describes the orthodontic treatment of a woman with Angle Class II, division 2 malocclusion, impacted maxillary third molars, periodontal pocket, gingival recession and tooth wear. Treatment consisted of extraction of maxillary second premolars and anchorage control. This case was presented to the Committee of the Brazilian Board of Orthodontics and Facial Orthopedics (BBO) in the Free Case category as part of the requisites to obtain the BBO Diploma. Keywords: Angle Class II malocclusion. Adult. Impacted tooth. Periodontal pocket. Tooth extraction. Orthodontic anchorage.

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Enviado em: abril de 2011 Revisado e aceito: maio 2011

Endereço para correspondência Sílvio Luís Dalagnol Av. Batel, 1230, Cj. 706, Batel CEP: 80.420-906 - Curitiba / PR E-mail: silvio@dalagnolortodontia.com.br

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T ó p i c o E s p ec i a l

Critérios para o diagnóstico e tratamento estável da mordida aberta anterior Alderico Artese*, Stephanie Drummond**, Juliana Mendes do Nascimento***, Flavia Artese****

Resumo Introdução: dentre as más oclusões, a mordida aberta anterior é considerada uma das ano-

malias de mais difícil correção, sobretudo no que se refere à sua estabilidade. A literatura possui inúmeros trabalhos sobre o tema, porém com informações controversas e conflitantes. As discordâncias ocorrem desde a definição do que é a mordida aberta, passando por seus fatores etiológicos, até os possíveis tipos de tratamentos. Provavelmente, a falta de consenso sobre a etiologia da mordida aberta anterior originou tratamentos diversificados, o que pode explicar o alto índice de instabilidade pós-tratamento dessa má oclusão. Objetivo: rever os conceitos de etiologia, tratamento e estabilidade da mordida aberta anterior e apresentar critérios para o diagnóstico e tratamento dessa má oclusão, baseados em sua etiologia, e exemplificados por casos tratados e estáveis em longo prazo. Palavras-chave: Mordida aberta. Etiologia. Tratamento. Estabilidade.

INTRODUÇÃO O termo “mordida aberta” foi utilizado pela primeira vez por Caravelli, em 1842, como uma classificação distinta de má oclusão1, a qual pode ser definida de formas diferentes2. Alguns autores consideram mordida aberta, ou tendência à mordida aberta, quando a sobremordida é menor do que aquela considerada normal. Outros consideram mordida aberta as relações incisais de topo. Outros, ainda, especificam que há necessidade de falta de contato incisal para se diagnosticar uma mordida aberta. Por uma questão semântica, e por estar de acordo com o maior número de definições na literatura2,3,4,5, consideramos a mordida aberta

anterior (MAA) como a ausência de contato incisal dos dentes anteriores em relação cêntrica. Devido a essas diferentes definições para a MAA, a sua prevalência varia consideravelmente entre estudos, dependendo da definição escolhida pelo autor. A prevalência na população varia entre 1,5% e 11%6. O fator idade, no entanto, afeta essa prevalência, uma vez que os hábitos de sucção diminuem com a idade, assim como há um amadurecimento da função oral. Aos 6 anos de idade, 4,2% apresentam MAA, enquanto que aos 14 anos, a prevalência diminui para 2,5%2. Em americanos, observou-se diferenças de prevalência de acordo com a etnia, sendo de 3,5%

Como citar este artigo: Artese A, Drummond S, Nascimento JM, Artese F. Critérios para o diagnóstico e tratamento estável da mordida aberta anterior. Dental Press J Orthod. 2011 May-June;16(3):136-61.

* MSc em Ortodontia pela University of Washington, Professor Adjunto de Ortodontia da UFRJ (Aposentado). ** Especialista e Mestranda em Ortodontia pela UERJ. *** Especialista em Ortodontia pela UERJ. **** Mestre e Doutora em Ortodontia pela UFRJ. Professora Adjunta de Ortodontia da UERJ. Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia e Ortopedia Facial.

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Critérios para o diagnóstico e tratamento estável da mordida aberta anterior

A partir dessas características o tratamento é escolhido, podendo ser impedidor ou direcionador da língua. Uma vez corrigida a postura da língua, o fator etiológico é debelado e a estabilidade do tratamento garantida. Os estudos clínicos sobre MAA são, em geral, modelos experimentais de caso-controle com amostras pequenas e ausência de grupo controle. Isso faz com que as informações que se têm sobre essa má oclusão sejam incompletas e, portanto, inconclusivas. Mais estudos devem ser realizados, principalmente reavaliando a postura da língua e o aspecto do crescimento hiperdivergente da face como fator etiológico da MAA.

considerações finais A dificuldade na obtenção de resultados estáveis para a correção da MAA pode ser justificada a partir do desconhecimento de sua verdadeira etiologia. A postura da língua em repouso não é muito considerada nos tratamentos da MAA. Algumas evidências sugerem que a postura da língua pode ser um dos mais importantes fatores etiológicos da MAA. Portanto, ela deve ser analisada e tratada quando é anormal. Não existe apenas uma posição de repouso de língua, ela pode se posicionar de forma mais alta ou mais baixa, gerando mordidas abertas com diferentes características morfológicas e severidades.

Criteria for diagnosing and treating anterior open bite with stability Abstract Introduction: Anterior open bite is considered a malocclusion that still defies correction, especially in terms of stability. The literature reports numerous studies on the subject but with controversial and conflicting information. Disagreement revolves around the definition of open bite, its etiological factors and available treatments. It is probably due to a lack of consensus over the etiology of anterior open bite that a wide range of treatments has emerged, which may explain the high rate of instability following the treatment of this malocclusion. Objective: Review the concepts of etiology, treatment and stability of anterior open bite and present criteria for diagnosing and treating this malocclusion based on its etiology, and provide examples of treated cases that have remained stable in the long term. Keywords: Open bite. Etiology. Treatment. Stability.

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Artese A, Drummond S, Nascimento JM, Artese F

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Enviado em: abril de 2011 Revisado e aceito: maio 2011

Endereço para correspondência Flavia Artese Rua Santa Clara, 75/1110 CEP: 22.041-011 - Copacabana / RJ E-mail: flaviaartese@gmail.com

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N ormas

de apresentação de originais

— O Dental Press Journal of Orthodontics publica artigos de investigação científica, revisões significativas, relatos de casos clínicos e de técnicas, comunicações breves e outros materiais relacionados à Ortodontia e Ortopedia Facial.

formatação Dos MANUSCRITOS — Submeta os artigos através do site: www.dentalpressjournals.com — Organize sua apresentação como descrito a seguir:

— O Dental Press Journal of Orthodontics utiliza o Sistema de Gestão de Publicação, um sistema online de submissão e avaliação de trabalhos. Para submeter novos trabalhos visite o site: www.dentalpressjournals.com

1. Página de título — deve conter título em português e inglês, resumo e abstract, palavras-chave e keywords. — não inclua informações relativas aos autores, por exemplo: nomes completos dos autores, títulos acadêmicos, afiliações institucionais e/ou cargos administrativos. Elas deverão ser incluídas apenas nos campos específicos no site de submissão de artigos. Assim, essas informações não estarão disponíveis para os revisores.

— Outros tipos de correspondência poderão ser enviados para: Dental Press International Av. Euclides da Cunha 1718, Zona 5 CEP: 87.015-180, Maringá/PR Tel.: (44) 3031-9818 E-mail: artigos@dentalpress.com.br

2. Resumo/Abstract — os resumos estruturados, em português e inglês, de 250 palavras ou menos são os preferidos. — os resumos estruturados devem conter as seções: INTRODUÇÃO, com a proposição do estudo; MÉTODOS, descrevendo como o mesmo foi realizado; RESULTADOS, descrevendo os resultados primários; e CONCLUSÕES, relatando o que os autores concluíram dos resultados, além das implicações clínicas. — os resumos devem ser acompanhados de 3 a 5 palavras-chave, ou descritores, também em português e em inglês, as quais devem ser adequadas conforme o MeSH/DeCS.

— As declarações e opiniões expressas pelo(s) autor(es) não necessariamente correspondem às do(s) editor(es) ou publisher, os quais não assumirão qualquer responsabilidade pelas mesmas. Nem o(s) editor(es) nem o publisher garantem ou endossam qualquer produto ou serviço anunciado nesta publicação ou alegação feita por seus respectivos fabricantes. Cada leitor deve determinar se deve agir conforme as informações contidas nesta publicação. A Revista ou as empresas patrocinadoras não serão responsáveis por qualquer dano advindo da publicação de informações errôneas.

3. Texto — o texto deve ser organizado nas seguintes seções: Introdução, Material e Métodos, Resultados, Discussão, Conclusões, Referências, e Legendas das figuras. — os textos devem ter o número máximo de 4.000 palavras, incluindo legendas das figuras, resumo, abstract e referências. — envie as figuras em arquivos separados (ver logo abaixo). — também insira as legendas das figuras no corpo do texto, para orientar a montagem final do artigo.

— Os trabalhos apresentados devem ser inéditos e não publicados ou submetidos para publicação em outra revista. Os manuscritos serão analisados pelo editor e consultores, e estão sujeitos a revisão editorial. Os autores devem seguir as orientações descritas adiante. ORIENTAÇÕES PARA SUBMISSÃO Dos MANUSCRITOS — Os trabalhos devem, preferencialmente, ser escritos em língua inglesa.

4. Figuras — as imagens digitais devem ser no formato JPG ou TIF, em CMYK ou tons de cinza, com pelo menos 7 cm de largura e 300 dpis de resolução. — as imagens devem ser enviadas em arquivos independentes. — se uma figura já foi publicada anteriormente, sua legenda deve dar todo o crédito à fonte original. — todas as figuras devem ser citadas no texto.

— Apesar de ser oficialmente publicado em inglês, o Dental Press Journal of Orthodontics conta ainda com sua versão em língua portuguesa. Por isso serão aceitas, também, submissões de artigos em português. — Nesse caso, após terem sido avaliados e aprovados, os autores deverão enviar a versão em inglês de seus trabalhos. — Essa versão será submetida à aprovação do Conselho Editorial e deverá apresentar adequada qualidade vernacular.

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N ormas

de apresentação de originais

— as referências devem ser identificadas no texto por números arábicos sobrescritos e numeradas na ordem em que são citadas no texto. — as abreviações dos títulos dos periódicos devem ser normalizadas de acordo com as publicações “Index Medicus” e “Index to Dental Literature”. — a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores; as mesmas devem conter todos os dados necessários à sua identificação. — as referências devem ser apresentadas no final do texto obedecendo às Normas Vancouver (http:// www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements. html). — utilize os exemplos a seguir:

5. Gráficos e traçados cefalométricos — devem ser enviados os arquivos contendo as versões originais dos gráficos e traçados, nos programas que foram utilizados para sua confecção. — não é recomendado o envio dos mesmos apenas em formato de imagem bitmap (não editável). — os desenhos enviados podem ser melhorados ou redesenhados pela produção da revista, a critério do Corpo Editorial. 6. Tabelas — as tabelas devem ser autoexplicativas e devem complementar, e não duplicar o texto. — devem ser numeradas com algarismos arábicos, na ordem em que são mencionadas no texto. — forneça um breve título para cada uma. — se uma tabela tiver sido publicada anteriormente, inclua uma nota de rodapé dando crédito à fonte original. — apresente as tabelas como arquivo de texto (Word ou Excel, por exemplo), e não como elemento gráfico (imagem não editável).

Artigos com até seis autores Sterrett JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B, Russell CM. Width/length ratios of normal clinical crowns of the maxillary anterior dentition in man. J Clin Periodontol. 1999 Mar;26(3):153-7. Artigos com mais de seis autores De Munck J, Van Landuyt K, Peumans M, Poitevin A, Lambrechts P, Braem M, et al. A critical review of the durability of adhesion to tooth tissue: methods and results. J Dent Res. 2005 Feb;84(2):118-32.

7. Comitês de Ética — Os artigos devem, se aplicável, fazer referência a pareceres de Comitês de Ética. 8. Declarações exigidas Todos os manuscritos devem ser acompanhados das seguintes declarações, a serem preenchidas no momento da submissão do artigo: — Cessão de Direitos Autorais Transferindo todos os direitos autorais do manuscrito para a Dental Press International, caso o trabalho seja publicado. — Conflito de Interesse Caso exista qualquer tipo de interesse dos autores para com o objeto de pesquisa do trabalho, esse deve ser explicitado. — Proteção aos Direitos Humanos e de Animais Caso se aplique, informar o cumprimento das recomendações dos organismos internacionais de proteção e da Declaração de Helsinki, acatando os padrões éticos do comitê responsável por experimentação humana/animal. — Consentimento Informado Os pacientes têm direito à privacidade que não deve ser violada sem um consentimento informado.

Capítulo de livro Kina S. Preparos dentários com finalidade protética. In: Kina S, Brugnera A. Invisível: restaurações estéticas cerâmicas. Maringá: Dental Press; 2007. cap. 6, p. 223-301. Capítulo de livro com editor Breedlove GK, Schorfheide AM. Adolescent pregnancy. 2nd ed. Wieczorek RR, editor. White Plains (NY): March of Dimes Education Services; 2001. Dissertação, tese e trabalho de conclusão de curso Beltrami LER. Braquetes com sulcos retentivos na base, colados clinicamente e removidos em laboratórios por testes de tração, cisalhamento e torção [dissertação]. Bauru (SP): Universidade de São Paulo; 1990. Formato eletrônico Câmara CALP. Estética em Ortodontia: Diagramas de Referências Estéticas Dentárias (DRED) e Faciais (DREF). Rev Dental Press Ortod Ortop Facial. 2006 nov-dez;11(6):130-56. [Acesso 2008 Jun 12]. Disponível em: www.scielo.br/pdf/dpress/v11n6/ a15v11n6.pdf.

9. Referências — todos os artigos citados no texto devem constar na lista de referências. — todas as referências listadas devem ser citadas no texto. — com o objetivo de facilitar a leitura do texto, as referências serão citadas no texto apenas indicando a sua numeração.

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* Para submeter novos trabalhos acesse o site: www.dentalpressjournals.com

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C omunicado

aos

A utores

e

C onsultores - R egistro

de

E nsaios C línicos

primários de ensaios clínicos são: www.actr.org.au (Australian Clinical

1. O registro de ensaios clínicos Os ensaios clínicos se encontram entre as melhores evidências

Trials Registry), www.clinicaltrials.gov e http://isrctn.org (Internatio-

para tomada de decisões clínicas. Considera-se ensaio clínico todo pro-

nal Standard Randomised Controlled Trial Number Register (ISRC-

jeto de pesquisa com pacientes que seja prospectivo, nos quais exista

TN). Os registros nacionais estão sendo criados e, na medida do possí-

intervenção clínica ou medicamentosa com objetivo de comparação de

vel, os ensaios clínicos registrados nos mesmos serão direcionados para

causa/efeito entre os grupos estudados e que, potencialmente, possa ter

os recomendados pela OMS. A OMS propõe um conjunto mínimo de informações que devem

interferência sobre a saúde dos envolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os ensaios clí-

ser registradas sobre cada ensaio, como: número único de identificação,

nicos controlados aleatórios e os ensaios clínicos devem ser notificados

data de registro do ensaio, identidades secundárias, fontes de financia-

e registrados antes de serem iniciados.

mento e suporte material, principal patrocinador, outros patrocinado-

O registro desses ensaios tem sido proposto com o intuito de

res, contato para dúvidas do público, contato para dúvidas científicas,

identificar todos os ensaios clínicos em execução e seus respectivos

título público do estudo, título científico, países de recrutamento, pro-

resultados, uma vez que nem todos são publicados em revistas cien-

blemas de saúde estudados, intervenções, critérios de inclusão e ex-

tíficas; preservar a saúde dos indivíduos que aderem ao estudo como

clusão, tipo de estudo, data de recrutamento do primeiro voluntário,

pacientes; bem como impulsionar a comunicação e a cooperação de

tamanho pretendido da amostra, status do recrutamento e medidas de

instituições de pesquisa entre si e com as parcelas da sociedade com

resultados primárias e secundárias. Atualmente, a Rede de Colaboradores está organizada em três

interesse em um assunto específico. Adicionalmente, o registro permite

categorias:

reconhecer as lacunas no conhecimento existentes em diferentes áreas,

- Registros Primários: cumprem com os requisitos mínimos e

observar tendências no campo dos estudos e identificar os especialistas

contribuem para o Portal;

nos assuntos. Reconhecendo a importância dessas iniciativas e para que as revis-

- Registros Parceiros: cumprem com os requisitos mínimos, mas

tas da América Latina e Caribe sigam recomendações e padrões inter-

enviam os dados para o Portal somente através de parceria com um dos Registros Primários;

nacionais de qualidade, a BIREME recomendou aos editores de revistas

- Registros Potenciais: em processo de validação pela Secretaria

científicas da área da saúde indexadas na Scientific Library Electronic

do Portal, ainda não contribuem para o Portal.

Online (SciELO) e na LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) que tornem públicas estas exigências e seu contexto. Assim como na base MEDLINE, foram in-

3. Posicionamento do Dental Press Journal of Orthodontics

cluídos campos específicos na LILACS e SciELO para o número de

O DENTAL PRESS JOURNAL OF ORTHODONTICS apoia

registro de ensaios clínicos dos artigos publicados nas revistas da área

as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial

da saúde.

da Saúde - OMS (http://www.who.int/ictrp/en/) e do International

Ao mesmo tempo, o International Committee of Medical Jour-

Committee of Medical Journal Editors – ICMJE (http://www.wame.

nal Editors (ICMJE) sugeriu aos editores de revistas científicas que

org/wamestmt.htm#trialreg e http://www.icmje.org/clin_trialup.htm),

exijam dos autores o número de registro no momento da submissão

reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divul-

de trabalhos. O registro dos ensaios clínicos pode ser feito em um dos

gação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso

Registros de Ensaios Clínicos validados pela OMS e ICMJE, cujos en-

aberto. Sendo assim, seguindo as orientações da BIREME/OPAS/OMS

dereços estão disponíveis no site do ICMJE. Para que sejam validados,

para a indexação de periódicos na LILACS e SciELO, somente serão

os Registros de Ensaios Clínicos devem seguir um conjunto de critérios

aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham

estabelecidos pela OMS.

recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos, validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE, cujos endereços estão disponíveis no site do ICMJE: http://www.icmje.

2. Portal para divulgação e registro dos ensaios

org/faq.pdf. O número de identificação deverá ser registrado ao final

A OMS, com objetivo de fornecer maior visibilidade aos Registros

do resumo.

de Ensaios Clínicos validados, lançou o portal WHO Clinical Trial Se-

Consequentemente, recomendamos aos autores que procedam o

arch Portal (http://www.who.int/ictrp/network/en/index.html), com

registro dos ensaios clínicos antes do início de sua execução.

interface que permite busca simultânea em diversas bases. A pesquisa, nesse portal, pode ser feita por palavras, pelo título dos ensaios clínicos ou pelo número de identificação. O resultado mostra todos os ensaios existentes, em diferentes fases de execução, com enlaces para a descrição completa no Registro Primário de Ensaios Clínicos corres-

Atenciosamente,

pondente. A qualidade da informação disponível nesse portal é garantida pelos produtores dos Registros de Ensaios Clínicos que integram a rede recém-criada pela OMS: WHO Network of Collaborating Clinical

Jorge Faber, CD, MS, Dr

Trial Registers. Essa rede permitirá o intercâmbio entre os produtores

Editor do Dental Press Journal of Orthodontics

dos Registros de Ensaios Clínicos para a definição de boas práticas e

ISSN 2176-9451

controles de qualidade. Os sites para que possam ser feitos os registros

E-mail: faber@dentalpress.com.br

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Revista Dental Press Journal Of Ortodontics - PT

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