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Profession Artiste A Arte do Transformismo em Portugal

Fernando Branquinho Colecção Liquidimages.eu Vol V


Título _ Title Profession Artiste Autor _ Author Fernando Branquinho Colecção _ Collection Colecção Liquidimages.eu _ Vol V ................................................................................................................................................................................ Editora _ Publisher Mindaffair Direcção & Coordenação Editorial _ Editor & Coordenator Jorge Pinto Guedes Design|Produção _ Production & Design Marcelo Vaz Peixoto @ MindAffair Lda Textos _ Texts Lia Pereira Tradução _ Translation Ana Ventura Data de Publicação _ Release Date Outubro 2013 ISBN ... ................................................................................................................................................................................ www.almalusa.org © Copyright. Todos os direitos reservados _ © Copyright. All rights reserved.


Retrato de Fernando Branquinho © Jorge Velez

6 | Colecção Liquidimages.eu | Fernando Branquinho

Sometimes it is the subject that chooses us, and that is the case with this book. Every day there is a debate in my mind about the inclusion or exclusion of one of the features of primary perception inherent to our condition as human beings: the tendency to, in same occasions when we face a new situation, evaluate and judge. We ascribe a number of adjectives to some people, in order to classify and organise them in our mind, as if it was an archive. The expression of opinions on people, things and events that come before us, that constant need to label and archive, weaken and reduce our ability to look and feel beyond what is perceptible from our peripheral vision. This practice conditions our ability to make impartial judgments and to take decisions based on them; it is in fact impossible to judge without understanding and to understand without knowing. This line of thought of mine, in life as in photography, leads me to constantly explore themes that are unknown to me and which I do not understand as an object of my photography work. For the most part, I have no connection with these subjects. Moreover, in a first stage, to photograph is to know, and then to understand. As to judge … that is for fools. Returning to the beginning, I think it was in this railway of thought that “Profession Artiste” took me as passenger in an eighteen-month trip stopping at thirty stations, as many as the artists who were photographed. Of course many other just as important stations remained unvisited, maybe in an upcoming trip…

Por vezes é o tema que nos escolhe, e este livro é um desses casos. Diariamente, debatome nos meus pensamentos com a inclusão ou exclusão de um dos elementos de percepção primária inerentes à nossa condição como seres humanos: a tendência de, em algumas ocasiões em que nos deparamos com uma nova situação, avaliarmos e julgarmos. Atribuímos a alguém um rol de adjectivos, de forma a classificá-los e arrumá-los na nossa mente, como se de um arquivo se tratasse. A emissão de opiniões sobre pessoas, coisas e acontecimentos que se nos apresentam, esta constante necessidade de rotular e arquivar, debilitam e reduzem a nossa capacidade de olhar e sentir para além do que é perceptível na nossa visão periférica. Esta prática limita a nossa aptidão de imparcialmente fazer juízos e a partir deles tomar decisões; é-nos de facto impossível julgar sem compreender e compreender sem conhecer. Esta minha linha de pensamento, na vida como na fotografia, guia-me de modo incessante a indagar temas que desconheço e não compreendo como objecto da minha fotografia. Com estes assuntos, na sua maioria, não tenho qualquer tipo de ligação. Aliás, numa primeira fase, fotografar é conhecer, para depois compreender, e quanto ao julgar… isso fica para os tolos. Voltando ao início, é nesta via-férrea de pensamento que acredito que “Profession Artiste” me acolheu como seu passageiro numa viagem de 18 meses percorrida entre trinta estações, tantas quanto os artistas fotografados. É certo que muitas outras igualmente importantes ficaram por visitar, quem sabe numa próxima viagem…

I am interested in people for what they truly are, and that is what I try to do in my trialand-error experience: capture their deepest essence. In this case, both photography and female impersonators share the purpose of creating and generating emotions. Therefore, that level of emotional involvement between the photographer and the person being photographed is intrinsic and visible in the images produced.

As pessoas interessam-me pelo que genuinamente são, e é isso que, na minha persistência de tentativa/erro, tento fazer: captar o seu mais profundo âmago. Neste caso, tanto a fotografia como o transformismo partilham o propósito de criar e gerar emoções. Logo, esse nível de envolvimento emocional entre fotógrafo e fotografado é intrínseco e visível nas imagens produzidas.

Although for some people this book’s theme may seem unconventional and controversial, for others it is certainly simplistic as to the range of information it contains. Much more could be said and photographed. Of one thing I am certain: I wouldn’t photograph the same way and the words wouldn’t be the same either. However, it is only intended to be a book, staying away as much as possible from sexual connotations, viewing female impersonators as any other performer whose sexual tendencies or choices are free and personal choices and, above all, do not interfere with the art they represent.

Embora para alguns o tema deste livro possa ser inédito e controverso, para outros será sem dúvida redutor na amplitude de informação que contém. Muito mais haveria para dizer e fotografar. Fica uma certeza: não o voltaria a fotografar da mesma forma, nem as palavras seriam as mesmas. No entanto, apenas pretende ser livro, afastandose sempre que possível de conotações sexuais, encarando os transformistas como qualquer outro performer cujas tendências ou escolhas sexuais sejam escolhas livres e pessoais e, acima de tudo, não interfiram com a arte que representam.

The images were produced in a context of performance and artistic dramatisation, outside their comfort zone, in a neutral space, against a sterile white background. Away from the stage and with no audience, it was in fact a great challenge for all the female impersonators.

As imagens foram produzidas num contexto de performance e dramatização artística, fora da sua zona de conforto, em local neutro, sob um estéril fundo branco. Longe dos palcos e com ausência de público, este foi deveras um grande desafio para todos os transformistas.

Dedicated to EVERYONE

Dedico a TODOS

Nature is perfect in its imperfections and makes no distinctions …

A natureza é perfeita nas suas imperfeições e não faz distinções…

To love without judging

Amar sem julgar

...................................................................................... Fernando Branquinho

...................................................................................... Fernando Branquinho


Passam trinta minutos da meia-noite. No exíguo camarim de um bar, instantes antes do momento mágico que constitui a subida ao plateau, o bulício é um ataque aos sentidos: há purpurinas pelo ar, tecidos brilhantes que espelham a confusão de cores e texturas, um cheiro a laca que inquieta e dá o sinal. O espetáculo de transformismo, no qual um homem se transforma em mulher, por via de um talento para as artes de palco e da paixão por uma diva musical, está prestes a começar. A ansiedade é uma velha amiga destes artistas, transformados em mulheres esbeltas por corpetes apertados, metamorfoseados em heroínas do palco com uma pequena grande ajuda de roupas exuberantes e maquilhagens imperscrutáveis. Faltam quinze minutos para a uma da manhã: as luzes do bar apagam-se e o plateau ilumina-se com a presença do transformista, um homem suficientemente corajoso para revelar a outra personagem que habita em si, que o anima. Aos primeiros acordes da canção escolhida para abrir o espetáculo, as inibições esvaem-se e a missão deste performer cumpre-se: já não é homem nem mulher, é uma fantasia que, perante o espanto de quem se senta na plateia, ganha vida. E, em plena liberdade, levanta voo. Não há dois transformistas iguais: se uns buscam o ideal de perfeição feminina, valorizando a beleza imaculada e recorrendo, para alcançar tal objetivo, a todo o tipo de soluções estéticas, outros preferem conservar as suas feições masculinas e interpretar, dessa forma, o modelo a que escolhem dar vida. Há sempre uma figura que norteia o seu caminho – regra geral, estes artistas, que se distinguem dos travestis pela vocação de palco e pelo conceito de espetáculo, admiram e procuram seguir as pisadas de uma grande diva, da música ou do cinema. Amália, Tina Turner, Madonna, Donna Summer ou, em anos mais recentes, Lady Gaga, Britney Spears, Rihanna ou Mariza são alguns dos ícones que os inspiram, na hora da criação. Ora dramático e excessivo, ora polvilhando o público e a sua própria pessoa de apontamentos de humor, o verdadeiro transformista é, contudo, mais do que um simples imitador. Quando sobe ao palco, nessa hora de metamorfose e ilusão, transporta consigo o peso da preparação e introspeção. Os melhores profissionais, e estamos em crer que este livro oferece retratos de alguns dos mais exímios praticantes desta arte em Portugal, não se limitam a macaquear os tiques das suas heroínas, mas sim a vestir-lhes a pele. E, para tal, necessitam de conhecer o seu âmago, sentir-lhes a alma, amá-las de uma forma que é, simultaneamente, platónica e ardente. Só assim quem assiste aos espetáculos – e a procura é cada vez mais transversal, causando furor, também, em bares heterossexuais – pode acreditar que quem está ali, à sua frente, é um artista sério, empenhado em dar o seu melhor para entreter, divertir e emocionar. A preparação destes homens não é só mental e psicológica. A produção visual é um aspeto determinante no sucesso destas prestações, contemplando guarda-roupa, maquilhagem, cabelos e mesmo alguns truques ou próteses, de forma a dotar o performer de seios volumosos ou nádegas generosas. Em Portugal, há transformistas de todas as idades e também de todos os estratos sociais, dependendo das suas posses as maquias que podem despender por fatiota. Nalguns casos, cada produção (incluindo roupa, acessórios e demais artifícios) pode custar várias centenas de euros; noutros, os performers aprendem a costurar ou contam com a ajuda das mães, amigas e «madrinhas» (suas mentoras), confecionando os seus próprios vestidos. Bebendo muita inspiração do teatro de revista, dos espetáculos de cabaré e do universo burlesco, os nossos heróis apostam forte numa imagem glamourosa e chamativa; muitos são verdadeiros mestres da auto maquilhagem, fazendo dos seus rostos telas livres para uma pintura segura e criativa. As mulheres que estes homens transportam para palco começam, em boa parte, a nascer nos camarins, onde as barbas são feitas, as caras libertas de qualquer sombra ou imperfeição e, muitas vezes, as sobrancelhas eliminadas e substituídas por traços firmes e elegantes, que redesenham a expressão. Essencial é, também, o aspeto do cabelo: usando perucas sintéticas ou naturais, cujo preço pode ascender às várias centenas de euros, os artistas dão mais um passo rumo à personagem que, minutos mais tarde, hão de encarnar em público. A música é outro dos pilares em que assenta o espetáculo de transformismo. Antes de cada interpretação, os performers estudam os vídeos das suas cantoras favoritas incontáveis vezes, aprendendo a letra das canções, absorvendo a sua postura em palco, 8 | Colecção Liquidimages.eu | Fernando Branquinho

reparando nos mais ínfimos gestos. Ainda que não cantem, fazendo sim mímica sobre canções pré-gravadas, os transformistas são tão mais credíveis e eficazes quanto convencerem o público de que poderiam, efetivamente, ser os intérpretes daquele tema. Toda a preparação e o trabalho de bastidores compensam, quando o entertainer é capaz de comunicar à plateia a mesma emoção que sente ao ver os vídeos ou concertos das suas cantoras prediletas. Como diria Luciano Berta, ator e sociólogo brasileiro especializado em questões de identidade sexual, a diferença entre um artista que faz versões e um transformista é o alcance do afeto e admiração que lhes dispensamos. «Quando vemos um artista cover, idolatramos muito mais o artista “copiado” do que o artista que “copia”. Com o transformismo, idolatramos os dois», escreve, no blogue Memorabiliagay. Nascido em Moçambique, músico de profissão, Fernando Branquinho tem dedicado muita da sua vida à fotografia, que encara como um registo de momentos e emoções, distinto do automatismo da tecnologia. Autodidata assumido, o fotógrafo dedica diariamente grande parte do seu tempo ao estudo da fotografia e encontrou no mundo dos transformistas um fascínio inesperado. Ao entrar, como observador, num universo do qual pouco ou nada conhecia, o autor deste livro ganhou desejo de fotografar cada um dos entertainers que via em palco num cenário «neutro»: o estúdio. Inicialmente, começou por usar o espaço de um amigo, partindo mais tarde para a aquisição de um estúdio próprio, no qual fez um investimento considerável. Desde cedo atraído por objetos de estudo invulgares, deixou-se encantar pela extravagância e, ao mesmo tempo, pelo rigor dos transformistas, que chegavam ao seu estúdio enquanto homens e, minutos mais tardes, se revelavam mulheres exóticas, frente à sua objetiva. Evitar a decadência ou a ridicularização que por vezes se associam ao mundo do transformismo e, ao invés, potencializar a beleza de cada artista foi o seu objetivo. E é assim que os 30 «camaleões», batizados de A a W, desfilam perante os nossos olhos ao longo das 132 páginas deste livro, transformados pela magia da roupa e das luzes em algo diferente daquilo que nasceram, mas revelando com surpreendente candura o seu «eu» mais profundo. Usando, mais uma vez, as palavras de Luciano Berta, trata-se de encontrar a verdade artística por meio do artifício estético, um pouco, diríamos nós, como num número de ilusionismo. Os «antepassados» dos transformistas Ao longo dos 18 meses em que acompanhou os transformistas portugueses, Fernando Branquinho fez amizades e deparou-se, também, com o muro de preconceitos e fobias que continuam a assolar este meio. Contudo, o transformismo está muito longe de ser uma moda ou, pelo menos, uma tendência recente. Ainda que a cultura em torno destes espetáculos se tenha desenvolvido mais na segunda metade do século XX, e em particular na década de 70, à boleia de movimentos sociais como o feminismo e géneros musicais como o disco sound, a História está cheia de relatos de homens que se vestem como mulheres pelas mais variadas razões: bélicas, culturais, religiosas e até desportivas (só no século XX o acesso feminino às Olimpíadas, por exemplo, se generalizou). Basta lembrarmo-nos que durante muito tempo o teatro foi uma ocupação interdita às mulheres. Em Inglaterra, apenas em 1660 uma mulher subiu ao palco para representar. Até então, os papéis femininos eram atribuídos, nas peças de teatro, a jovens rapazes, uma vez que, ao contrário dos homens mais velhos, estes adolescentes mantinham, ainda, vozes relativamente agudas, capazes de serem confundidas com as de mulheres. Curiosamente, na mesma altura, mas no Oriente, a tendência era outra: criado no Japão no início do século XVII, o kabuki, misto de representação e dança, era inicialmente interpretado por homens e mulheres. Devido à conotação desta arte de palco com a prostituição, porém, o kabuki feminino (onna-kabuki) acabou por ser proibido pelo governo, em 1629, sob acusações de ser «demasiado erótico». Os papéis femininos passaram, então, a ser entregues a homens. De origem ainda mais remota, e igualmente oriundo do Japão, o Noh, cruzamento de teatro, música e dança, só na era moderna admitiu, relutantemente, a participação de mulheres. Desde a aurora desta forma de arte, no século XIV, e durante seis séculos, todos os atores, quer interpretassem papéis de homem ou de mulheres, eram masculinos. Apenas em 1948, na ressaca da derrota na II Guerra Mundial,

o Japão reconheceu oficialmente a sua primeira atriz Noh, Kimiko Tsumura. E por falar em conflitos bélicos, na Guerra Civil Americana (1861-1865) muitas foram as mulheres que se fizeram passar por soldados masculinos, combatendo dos dois lados da barricada enquanto homens. Também Joana d’Arc (1412-1431), heroína francesa da Guerra dos 100 Anos, é até hoje alvo de debate na comunidade: usaria roupa de homem para se integrar no meio militar ou por uma questão de orientação sexual? Mas nem todo o transformismo resulta de limitações ao papel das mulheres na sociedade. Na Índia, alguns fiéis do deus hindu Krishna vestem-se de mulher para posarem junto à sua companheira, a deusa Radha, como sinal de devoção. Em Itália, os femmenielli são grupos de homossexuais de feições particularmente femininas, que saem à rua em procissões, uma tradição de aparente origem pagã. Ao invés de serem discriminados, os femmenielli são vistos, na cultura napolitana, como um sinal de boa sorte. E, em Portugal, o Carnaval de Torres Vedras é um dos mais famosos do país devido à tradição das «matrafonas», grupos de homens não particularmente esbeltos ou femininos que desfilam alegremente no cortejo carnavalesco, envergando vestes e perucas de mulher. De natureza satírica, este hábito remonta, segundo testemunho oral recolhido no livro Carnaval de Torres – Uma História com Tradição, ao ano de 1926, e passa por apresentar uma visão masculina, por vezes trocista, do que é ser mulher, e não tanto por uma aproximação à beleza ou ao comportamento feminino. Na literatura clássica e mitologia antiga, não faltam também casos de homens que, pelas mais diversas razões, se vestem de mulher (e também de mulheres que se vestem de homem). Na Grécia Antiga, Aquiles foi mascarado de mulher pela própria mãe, a deusa Tétis, numa tentativa falhada de fazer o filho escapar à participação na Guerra de Troia. No culto a Afrodite, deusa do amor, os fiéis masculinos vestiam-se como mulheres e as mulheres como homens, usando inclusivamente barbas falsas. Além dos motivos bélicos, cerimoniais e religiosos, o transformismo pode nascer, também, de uma dissociação entre a identidade biológica e social do indivíduo. Estudados pelo antropólogo e etnógrafo francês Pierre Clastres (1934 – 1977), os índios Guaiaquis, do Paraguai, praticavam uma divisão de tarefas bem definida, cabendo aos homens caçar e às mulheres colher os alimentos e cuidar das crianças. O símbolo masculino era, assim, o arco, e o feminino o cesto, sendo as crianças educadas nesta dicotomia deste tenra idade. Documentados ficaram dois casos distintos de homens que não cumpriram a sua «missão»: Chachu, que não tinha arco e não sabia caçar, decidiu pegar no cesto e assumir as tarefas das mulheres, sendo alvo de chacota pelo resto da tribo. Já Krembéji optou pela mesma mudança de funções mas, ao deixar crescer o cabelo e assumir um papel sexual passivo para os outros homens da aldeia, passou a ser respeitado como qualquer mulher. Tribo também indígena, mas natural da América do Norte, o Povo de Dois Espíritos praticava a mesma dissociação de identidade biológica e de género, aceitando-se publicamente na comunidade que certos indivíduos tinham dois espíritos (masculino e feminino) a habitar um mesmo corpo. Membros valorizados da sua sociedade, estas pessoas, que não eram necessariamente homossexuais, recebiam tarefas especiais, como as de curandeiro, contador de histórias, xamã ou vidente. Contudo, com a chegada dos colonizadores europeus, o Povo de Dois Espíritos, também chamado de «berdache» (termo considerado polémico e entretanto abandonado pelos estudiosos, por derivar de um termo francês para prostituto), viu a sua prática transgénero aniquilada. Noutro continente, os hijiras adotam, na Índia, no Paquistão e no Bangladesh, a identidade feminina, ainda que tenham nascido homens. No Ocidente, são geralmente equiparados aos eunucos ou hermafroditas, apesar de terem nascido com órgãos sexuais masculinos, mais tarde retirados. Muitas vezes marginalizados pela sociedade, os hijiras surgem mencionados com frequência como exemplo do «Terceiro Sexo», nem masculino nem feminino, categoria que abarca ainda os Fa’afafine da Polinésia (homens que assumem de bom grado a função social das mulheres) e as Virgens Juramentadas dos Balcãs, ou Burrneshas (mulheres que fazem um voto de castidade e vivem como homens). Ainda que o conceito de «Terceiro Sexo» ofereça muita discussão, a Alemanha aprovou em 2013 que crianças hermafroditas possam ser registadas como pertencendo ao sexo «indefinido», criando assim uma alternativa ao masculino e feminino. Com esta legislação, o hermafrodita ganha direito a decidir,

na idade adulta, se quer assumir-se como homem ou mulher, ou continuar a assinalar a opção X, em vez de F ou M, em documentos como passaportes. Elemento central na identidade humana, a sexualidade pode ser ambígua pelas razões mais distintas: no hermafroditismo, o indivíduo nasce com órgão sexuais dos dois sexos. O tema é, ocasionalmente, alvo de debate mediático quando surgem casos como o de Caster Semenya, a corredora sul-africana que, depois de se sagrar campeã nos Campeonatos do Mundo de Atletismo em 2009, foi submetida a um teste para apurar o seu género. Desconfiados dos seus elevados níveis de testosterona, os responsáveis descobriram que Semenya, então com 18 anos, era pseudo-hermafrodita, tendo nascido sem útero ou ovários, mas com testículos ocultos internamente. Depois de muita controvérsia sobre as vantagens que esta condição lhe traria face às outras mulheres, a atleta voltou a competir, ganhando a medalha de prata na competição feminina dos 800 metros, nos Jogos Olímpicos de Londres (2012), e sendo escolhida para transportar a bandeira do seu país, a África do Sul, na cerimónia de abertura do mesmo evento. A pop transforma-se Habitualmente à margem da dissociação permanente dos papéis biológico e social, e distinta da transsexualidade, a prática do transformismo prende-se com propósitos de entretenimento, sempre em público, dotados de um contexto artístico e sem desejo de mudança, nomeadamente cirúrgica, de sexo. O transformista distingue-se também da drag queen, cuja vocação é mais eufórica e generalista, e que não demonstra tanta preocupação com vestir a pele de certo artista, na hora de subir ao palco. Tendo tido um epicentro importante nos Estados Unidos no pós-II Guerra, com a repressão moral do Governo a fomentar a resistência e divulgação do movimento em cidades como Nova Iorque, San Francisco e Chicago, a cultura transformista é, hoje, um fenómeno omnipresente. Na cultura pop ocidental, os exemplos de homens que se vestem como mulheres, sem que a sua orientação seja necessariamente homossexual, são incontáveis. Na música, lendas como David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop ou Freddie Mercury vestiram frequentes vezes a pele do sexo dito fraco; na televisão, os Monty Python encarregavam-se, regra geral, de encarnar todos os papéis, inclusive os de mulheres, ora graciosas (as de Terry Jones) ou mais grotescas (com John Cleese). Em Portugal, tanto Herman José, com personagens marcantes como as da mulher do povo Maximiana, quer a trupe de humoristas Gato Fedorento interpretam com frequência papéis femininos. E o cinema tem um longo historial de nos contar histórias como a de Julie Andrews em Victor Victoria (uma mulher que faz de homem a fazer de mulher), Ed Wood (um dos mais infelizes cineastas de sempre, que admitia usar roupa interior feminina) ou Madame Butterfly, inspirada no caso verídico de Shi Pei-Pu, cantor de ópera e espião chinês que iludiu um diplomata francês, fazendo-se passar por mulher. Como leiga na matéria mas observadora curiosa de todos os fenómenos que refletem a complexidade humana, passar tempo na companhia destas imagens e das histórias que elas nos vão contando tem sido, mais do que revelador, um convite ao pensamento. Teremos todos, dentro de nós, uma persona distinta daquela que mostramos ao mundo? Poderá a libertação ou, pelo menos, a descoberta interna de cada um passar pela partilha do nosso outro eu, que nos complementa? Quanta coragem será necessária para trocar as voltas à sociedade, nesta procura de diferença individual e, ao mesmo tempo, de verdade? Mais do que um livro de fotografias, Profession Artiste: A Arte do Transformismo é um documento de uma era em que, apesar dos constrangimentos que persistem, este tipo de expressão artística e singular é cada vez mais encarado da forma certa: com liberdade. Lia Pereira Nasceu no Grande Porto em 1978 e estudou Comunicação Social, Jornalismo e Crítica Musical em Lisboa, onde vive. Passa os dias a ouvir música, assistir a concertos e escrever sobre esta paixão. Tem uma boa vida, onde cabe também o amor pelas palavras, pelas pessoas e pelos animais.


It’s half past midnight. In the cramped dressing-room of a pub, seconds before the magic moment of stepping onto the stage, the bustle is an attack to the senses: there is glitter powder in the air, shiny fabrics which reflect the confusion of colours and textures, the smell of hairspray that disquiets and gives the signal. The female impersonation show, where a man is transformed into a woman, through his talent for performing arts and his passion for a musical diva, is about to begin. Anxiety is an old friend to these artists, transformed into slender women by tight corsets, metamorphosed into heroines of the stage with a bit of help from exuberant clothes and impenetrable make-up. Fifteen minutes before one in the morning: the lights in the bar are turned off, the stage is lit up and the female impersonator appears, a man brave enough to reveal the other character that lives in him, which animates him. At the first chords of the song chosen to open the show, inhibitions soon disappear and this performer’s mission is accomplished: it is no longer a man or a woman; it is a fantasy that, to the amazement of those who sit in the audience, comes to life. And, in full freedom, it soars. There are not two identical female impersonators: some search for the ideal of female perfection, valuing immaculate beauty and using, for that purpose, all types of aesthetic solutions, others prefer to keep their male features and interpret, in this way, the model they choose to give life to. There is always a figure guiding their way – as a general rule, these artists, who are distinguished from transvestites by their vocation for the stage and concept of spectacle, admire and try to follow in the footsteps of a great music or cinema diva. Amália, Tina Turner, Madonna, Donna Summer or, more recently, Lady Gaga, Britney Spears, Rihanna or Mariza are some of the icons who inspire them, at the moment of creation. Sometimes dramatic and excessive, sometimes throwing notes of humour at the public and at himself, the true female impersonator is however more than a mere imitator. When he steps onto the stage, in that moment of metamorphosis and illusion, he carries with him the weight of preparation and introspection. The best professionals, and we believe this book offers portraits of some of the most accomplished practitioners of this art in Portugal, do not merely imitate their heroines’ tics, but also impersonate them. For that, they need to know their essence, feel their soul, love them in a way that is both Platonic and ardent. Only then those who watch the shows – and demand is increasingly cross-cutting, the spectacle making a splash also in straight pubs – can believe that the person before them is a serious artist, committed to give his best to entertain, amuse and thrill. The preparation of these men is not only mental and psychological. The visual production is a decisive aspect for the success of these performances, covering costume design, make-up, hair and even some tricks and prosthesis, in order to provide the performer with large breasts or generous buttocks. In Portugal, there are female impersonators of all ages and social levels, and the sums they can spend in an outfit depend on their means. In some cases, each production (including clothes, accessories and other artifices) may cost several hundreds of Euros; in other cases, the performers learn to sew or have the help of their mothers, friends and “godmothers” (their mentors), and fabricate their own dresses. Absorbing inspiration from “teatro de revista” (a sort of vaudeville theatre), from the cabaret shows and from the burlesque universe, our heroes strongly invest in a glamorous and attractive image; many of them are true masters in self-make-up, turning their faces into free canvas for a safe and creative painting. The women these men take to the stage begin largely to emerge in the dressing-rooms where they shave, they release their faces from any shade or imperfection and, many times, eliminate their eyebrows and replace them by firm and elegant strokes which redesign the complexion. The appearance of the hair is also essential: wearing synthetic or natural wigs, whose price can rise up to several hundreds of Euros, the artists take another step towards the character they will, a few minutes later, impersonate in public. The music is another pillar of the female impersonation show. Before each interpretation, the performers study the videos of their favourite singers countless times, they 10 | Colecção Liquidimages.eu | Fernando Branquinho

learn the lyrics, absorb the singers’ posture on stage, paying attention to the smallest gestures. Although they do not sing, as they mime over pre-recorded songs, the credibility and efficiency of the female impersonators depend on their capability to convince the public that they could, as a matter of fact, be the interpreters of that song. All the preparation and the backstage work pay off when the entertainer is capable of conveying to the audience the same emotion he feels when he watches the videos or concerts of his favourite singers. As Luciano Berta, Brazilian actor and sociologist specialised in matters relating to sexual identity, would say, the difference between an artist singing versions of songs and a female impersonator is the amount of affection and admiration we have for them. “When we see a cover artist, we idolise much more the ‘copied’ artist than the artist ‘copying’ him. In a female impersonators show, we idolise both”, he wrote on the blog “Memorabiliagay”. Born in Mozambique, Fernando Branquinho, a professional musician, has devoted much of his life to photography, which he envisages as a registration of moments and emotions, distinct from the automatism of technology. An assumed autodidact, the photographer devotes much of his time to the study of photography and found in the female impersonation world an unexpected fascination. By entering, as an observer, a universe he knew little or nothing about, the author of this book acquired the desire to photograph each of the entertainers he saw on stage in a «neutral» scenario: the studio. At first, he used a friend’s space, then he acquired his own studio, which was a significant investment. From an early age attracted by unusual objects of study, he was carried away by the flamboyance and, at the same time, by the accuracy of the female impersonators, who arrived at his studio as men and, minutes later, revealed themselves to be exotic women, in front of his lens. To prevent the decay and the derision sometimes associated with the female impersonation world and to enhance the beauty of each artist were his purpose. And this is how the 30 «chameleons», baptised from A to W, parade before our eyes along the 132 pages of this book, transformed by the magic of the clothes and lights into something different from what they were born, but revealing with a surprising candour their most deep self. Using once again the words of Luciano Berta, it is about finding the artistic truth through the aesthetic artifice, a little like – we would say – a trick of illusionism. The «ancestry» of female impersonators During the 18 months he followed the Portuguese female impersonators, Fernando Branquinho made friends and encountered, too, the wall of prejudices and phobias which still affect this world. However, the female impersonation show is very far from being a recent trend or at least a recent fad. Although the culture around these shows has developed more over the second half of the twentieth century, and in particular in the 70s, catching a ride with social movements such as feminism and musical genres such as disco sound, History is full of stories of men dressing like women for several different reasons: war, culture, religion and even sport (for instance, only in the twentieth century did the access of women to the Olympic Games became widespread). It suffices to remember that for a long time the theatre was an occupation forbidden to women. In England, it was only in 1660 that a woman took the stage to perform. Until then, the female roles in the theatre plays were given to young men, because, unlike older men, these adolescents’ voices were still in a higher pitch and could be taken for women’s voices. Interestingly, at the same time, but in the East, the trend was different: created in Japan in the early seventeenth century, kabuki, a mixture of acting and dancing, was initially performed by men and women. However, because of the association of this performing art with prostitution, female kabuki (onna-kabuki) was eventually forbidden by the government, in 1629, on charges of being «too erotic». Female roles then began to be given to men. Of even a more remote origin, and also originating from Japan, Noh, a mix of theatre, music and dance, reluctantly admitted the participation of women only in the modern era. Since the dawn of this art form, in the fourteenth century, and for

six centuries, all actors, whether they played male or female roles, were men. Only in 1948, during the hangover of defeat in World War II, did Japan officially recognise its first Noh artist, Kimiko Tsumura. Speaking of wars, in the American Civil War (18611865) there were many women posing as male soldiers and combating on both sides of the barricade as men. Also Joahn of Arc (1412-1431), French heroin of the Hundred Years’ War, is until today subject of debate in the community: did she wear men’s clothes to integrate in the military or because of her sexual orientation? However, not all cross dressing is the result of limitations on the role of women in society. In India, some faithful of Hindu god Krishna dress up as a woman to pose next to his partner, goddess Radha, as a sign of devotion. In Italy, the femmenielli are homosexual groups with particular female features, who take to the streets in processions, a tradition seemingly of pagan origin. Instead of being discriminated, the femmenielli are seen, in Neapolitan culture, as a sign of good luck. And, in Portugal, the Carnival of Torres Vedras is one of the most famous in the country due to the tradition of the «matrafonas», groups of men not particularly svelte or feminine who cheerfully take part in the carnival parade, wearing clothes and wigs for women. Satirical in nature, this habit goes back to 1926, according to an oral testimony collected in the book Carnaval de Torres – Uma História com Tradição, in 1926, and involves the presentation of a masculine view, sometimes a mocking one, of what means to be a woman, rather than an approach to the female beauty or behaviour. In classical literature and ancient mythology, there are also a lot of cases of men who, for several different reasons, dress as women (and there are also women who dress as men). In Ancient Greece, Achilles was disguised as a woman by his mother, goddess Thetis, in a failed attempt to prevent her son to be sent off to the Trojan War. In the worship of Aphrodite, the male faithful used to dress as women and women as men, even wearing fake beards. Besides the war, ceremonial and religious reasons, cross dressing may also originate from a dissociation between the biological and social identity of the individual. Studied by French anthropologist and ethnographer Pierre Clastres (1934 – 1977), Guayaki Indians, from Paraguay, had a well-defined division of tasks, being men’s role to hunt and women’s to collect food and take care of children. The male symbol was therefore a bow, and the female symbol was a basket, children being educated in this dichotomy from an early age. Two separate cases of men who have not fulfilled their “mission” were documented: Chachu, who had no bow and could not hunt, decided to grab the basket and take on the tasks of women, becoming a laughingstock for the rest of the tribe. Krembéji opted for the same change of functions too but, by letting his hair grow and playing a passive sexual role with the other men of the village, he came to be respected as any woman. Also an Indian Tribe but from North America, the People of Two Spirits practiced the same dissociation of biological identity and gender; it was publicly accepted in the community that certain individuals had two spirits (male and female) dwelling in the same body. Valued members of their society, these persons, who were not necessarily gays, were entrusted with special tasks, such as those of a healer, story teller, shaman or seer. However, with the arrival of European settlers, the People of Two Spirits, also called «berdache» (a term which was considered controversial and meanwhile abandoned by scholars, because it is derived from a French term for prostitute), saw their transgender practice being suppressed. In another continent, the hijiras adopted, in India, Pakistan and Bangladesh, the female identity, although they were born men. In the West, they are usually compared to eunuchs or hermaphrodites, although they were born with male sex organs, which were later removed. Often marginalised by society, the hijiras are commonly mentioned as an example of the “Third Gender”, neither male nor female, category that also covers the Fa’afafine from Polynesia (men who willingly take on the social role of women) and the Sworn virgins of the Balkans, or Burrneshas (women who make a vow of chastity and live as men). Although the concept of “Third Gender” gives rise to a lot of discussion, Germany approved in 2013 the possibility to register hermaphrodite children as belonging to the “undefined” gender, thus creating an alternative to the male and female genders. With this legislation, the

hermaphrodites earn the right to decide, in adulthood, if they identify themselves as men or women or if they prefer to continue checking the X option, instead of F or M in documents such as passports. A key factor of human identity, sexuality may be ambiguous for several different reasons: in hermaphroditism, an individual is born with sexual organs of both genders. This issue is occasionally the subject of debate in the media, when there are cases like the one involving Caster Semenya, the South African runner who, after being crowned champion in the World Championships in Athletics in 2009, was subjected to gender testing. Suspicious of her high levels of testosterone, the officials discovered that Semenya, who was then 18, was a pseudo-hermaphrodite, having been born with no womb  or ovaries, but with internal testicles. After much controversy about the advantages that this condition gave her over the other women, the athlete competed again and won the silver medal in women’s 800 metres race, in the Olympic Games in London (2012), being also chosen to carry the flag of her country, South Africa, in the opening ceremony of that event. Pop is transformed Usually unrelated to the constant dissociation between biological and social roles, and different from transsexuality, the female impersonation practice aims at entertaining, always with public, in an artistic context and without the wish to change sex, in particular through surgery. The female impersonator also differs from the drag queen, whose vocation is more euphoric and generalist, and who is not so concerned about impersonating a certain artist when the time comes to step onto the stage. Having had a major epicentre in the United States in the post-World War II, with the moral repression from the Government fostering the resistance and dissemination of the movement in cities such as New York, San Francisco and Chicago, the female impersonation culture is today an omnipresent phenomenon. In the western pop culture, the examples of men dressing as women, without necessarily having a homosexual orientation, are countless. In music, legends as David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop and Freddie Mercury have often dressed as the so-called weaker sex; on television, the Monty Python usually played all the roles, including the female ones, sometimes they were graceful women (Terry Jones) or more grotesque women (John Cleese). In Portugal, both Herman José, with remarkable characters as the peasant woman Maximiana, and the group of humourists “Gato Fedorento” often play female roles. And cinema tells us plenty of stories such as that of Julie Andrews in Victor Victoria (a woman playing the role of a man who plays the role of a woman), Ed Wood (one of the most unfortunate film-maker who admitted he wore female underwear) or Madame Butterfly, inspired in the true story of Shi Pei-Pu, a Chinese opera singer and spy who deceived a French diplomat pretending to be a woman. As a lay person on these matters, but as a curious observer of all the phenomena which reflect the human complexity, to spend time with these figures and the stories they tell us, has been more than just revealing – it has been an invitation to think. Do we all have inside of us a persona distinct from the one we show to the world? Can the release or, at least, the internal discovery of each of us depend on the sharing of our other self, one that complements us? How much courage is it necessary to twist society, in this search for individual difference and, at same time, for the truth? More than just a photography book, Profession Artiste: A Arte do Transformismo is a document of an era when, despite the remaining constraints, this type of unique artistic expression is increasingly seen in the right way: with freedom. Lia Pereira Born in Greater Porto in 1978, she studied Mass Media, Journalism and Musical Criticism in Lisbon, where she lives. She spends her time listening to music, attending concerts and writing on this passion of hers. She has a good life, where there is also room for words, for people and for animals.


A g a t h a T o p

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B e l l e D o m i n i c

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Agatha Top – Fabrício Passos Belle Dominic – Domingos Machado Betty Brown – Carlos Tavares Bruno Swayze- Bruno Ferreira Cindy Scrash – João Bastardinho Claudia Fux – Cláudio Santos Claudia Ness – Victor Osório Didi Piaf – Victor Guimarães Emma Strass – Emanuel Rodrigues Jessica Top – Diogo Ribeiro Kina Karvel – Manuel Machado Linda Xenon – António Mendonça Luna – Ricardo Magalhães Melanie Nova – Filipe Gomes Milêva Liw – Luís Rodrigues Nana Bolero – Luís Viegas Nicole Vartin – Bruno Santos Petra Soraya – Pedro Alves Roberta Kinsky – Roberto Eduardo Simone Berget – Bruno Fernandes Suelly Cadillac – Raul Oliveira Sylvie Kass – Miguel Santos Tania Skin – Ricardo Constantino Tula Tharpe – Júnior Mendes Valeria Vanin – Valério Silva Vanessa Queen – Fernando Lourenço Vera Croft – Francisco Almeida Victoria Village – Luís Ventura Wanda Morelli – Alberto Teixeira Yra Top – Jacyr Junior Fernando Branquinho | Colecção Liquidimages.eu | 129


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Profession Artiste - A Arte do Transformismo em Portugal  

Por vezes é o tema que nos escolhe, e este livro é um desses casos. Esta minha linha de pensamento, na vida como na fotografia, guia-me de...

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