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BELO HORIZONTE

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Agosto de 2016

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ANO i

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NÚMERO 1

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Distribuição gratuita

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www.resumofotografico.com

Lambe-lambe as possibilidades da fotografia de rua Antonio Mozeto

O lambe-lambe é uma poderosa intervenção urbana. Conheça o coletivo paulista que tem explorado essa linguagem e o resultado de uma oficina de fotografia de rua oferecida durante o festival Fotógrafos em Ouro Preto e Mariana. Página 4

Veja também algumas dicas práticas para você fazer o seu lambe-lambe e colar pela cidade. Página 8

Lambe-lambe realizado durante a oficina Fotografia de Rua, no Sesc Campinas (SP)

Entrevista

Conversamos com João Marcos Rosa, fotógrafo da revista National Geographic Brasil, que falou um pouco sobre a importância do registro documental para a preservação da vida selvagem. Página 6

What the Duck

Veja as divertidas tiras em quadrinhos de Aaron Johnson sobre um pato que decidiu aventurar-se no universo da fotografia. Página 2


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Editorial

RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

6 anos de Resumo Fotográfico No mês passado, o Resumo Fotográfico completou seis anos online. Já são mais de 3500 publicações no ar e quase 40 mil seguidores no Facebook. Recentemente batemos nosso recorde de visualizações no site, com um pico de mais de 300 mil acessos somente no mês de maio deste ano. Uma das novidades nesse último ano foi a reformulação do Concurso Fotografia de Casamento (que já realizávamos desde 2012, em parceria com a Editora Photos) com a criação de uma identidade própria, surgindo assim o Prêmio Foto Hera. Outra novidade foi a criação do nosso perfil no Pinterest, aumentando a conexão do conteúdo publicado em nosso site e agregando outros, distribuídos em galerias das mais diversas temáticas relacionadas a fotografia. Ao longo desses seis anos no ar, tenho percebido como é difícil manter um site atualizado com tanto conteúdo e tão pouco apoio.

Durante esse período testemunhei sites independentes de destaque serem retirados do ar, como o Fotocolagem, Fotografe uma Ideia, Fotógrafo Amador, entre outros. Apesar das dificuldades, sigo acreditando neste projeto, tanto que iniciamos uma nova etapa, que é a publicação impressa. Para esta edição, acompanhamos o trabalho de fotografia lambe-lambe realizado em uma oficina no festival Fotógrafos em Ouro Preto e Mariana, que aconteceu no começo deste mês. Além disso, publicamos algumas dicas práticas para quem quer começar a colar suas fotos pela cidade. Também entrevistamos João Marcos Rosa, fotógrafo da National Geographic Brasil que teve seu trabalho exposto na Inglaterra, no mês passado e falou um pouco sobre o seu começo na fotografia e a importância do registro documental para a preservação ambiental. Espero que tenhamos no meio impresso a mesma aceitação que temos tido no meio digital e que venham muitas outras edições. Um grande abraço e boa leitura!

ISSO SIM É ARTE.

O RESUMO FOTOGRÁFICO é uma publicação independente, de cunho informativo e com distribuição gratuita. Editor Cid Costa Neto Colaboradores Alan Marques Alex Ribeiro Carol França Ingrid Mitsue Diagramação Cid Costa Neto Revisão de texto Ianá Costa Site www.resumofotografico.com Email contato@resumofotografico.com Impressão Gráfica O Lutador Praça Padre Júlio Maria, 01 - Planalto Belo Horizonte / MG

Cid Costa Neto (Editor) cidcostaneto@resumofotografico.com

Colabore: Se você gosta de escrever e, assim como nós, também é apaixonado por fotografia e tem interesse em compartilhar e divulgar informações relacionadas a essa prática, entre em contato e candidate-se a ser um colaborador.

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RESUMO FOTOGRÁFICO Rua Deputado André de Almeida, 551 - 3º andar Belo Horizonte / MG / CEP: 31330-530 www.resumofotografico.com

A HABILIDADE E IMAGINAÇÃO NA SUA CRIAÇÃO FALAM COMIGO DE UMA MANEIRA QUE NENHUM OUTRO FOTÓGRAFO FEZ.

Os textos publicados no Resumo Fotográfico são licenciados com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso não-comercial 3.0 Brasil. QUAL A SUA INSPIRAÇÃO?

ANUNCIE AQUI Destaque o nome da sua empresa em nossa publicação. É uma maneira de divulgar seus produtos e serviços para um público selecionado.

© 2006 Aaron Johnson - Tradução: Cid Costa Neto

Para ler todas as tirinhas traduzidas, acesse: www.resumofotografico.com/what-the-duck

tel.: 31 9 8756-4128 publicidade@resumofotografico.com


OPINIÃO

RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

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O futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional Qual é o futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional? A resposta está na Rev. Nacional, de J.R.Duran. É uma publicação feita por um fotógrafo e pensada imageticamente para ser informação visual nutritiva para degustação calma e sem a pressa tão característica desse nosso mundo excitado pela internet e pelos onipresentes mobiles. A ideia para este artigo surgiu ao ler a publicação de Duran e no devaneio, ao tocar com os dedos e com os olhos, diante a beleza estética de uma composição de diagramação, fotografia, textos, impressão e encadernação de um vigor emocionante. Por que digo que a resposta está nessa revista? Primeiro pela qualidade impressionante e pelo posicionamento do Duran em fazer e publicar seu trabalho com a garra que todos nós temos que ter. Alguém pode dizer: “Mas é o Duran!”. Temos que nos inspirar nos exemplos firmes como o dele. Vou colocar aqui exemplos, para mim, do que é o futuro (melhor começar a construí-lo no presente) do fotojornalismo impresso como os livros Poder, Glória e Solidão, de Orlando Brito, Canudos - 100 anos, de Evandro Teixeira, Na Lona, de Rogério Reis,

Vencedores, de Sergio Dutti, Brasília Submersa, de Beto Barata e tantos outros que não se contentam com o limite editorial dos jornais e revistas tradicionais. Talvez, o artigo fique mais claro com uma afirmação direta: temos que cuidar da nossa própria produção e publicação. Quando falo isso, não estou me referindo àquela foto publicada em rede social, onde um círculo restrito de “Likes” pode nos dar a falsa impressão de divulsão. Aqui quero apresentar o exemplo de Duran com a emancipação do fotojornalista e a condensação de seu potencial artístico em uma publicação de caráter independente. O futuro do fotojornalismo está no fotógrafo. Ele é a razão da imagem estar fixada na fração do segundo e eternizada em momento noticioso e/ou mundano. O próximo passo dessa emancipação da imprensa convencional, como meio de divulgação do seu trabalho, é produzir e publicar a própria visão e projetos próprios. O futuro do fotógrafo é entender que ele é uma marca e precisa se posicionar como tal. Como me confidenciou Duran, sobre a existência de sua revista: “eu decidi me dar de presente um jardim secreto, de tinta e papel, onde pudesse me divertir à vontade”.

REPRODUÇÃO

Capa da Rev. Nacional Nº 7

Quer dar a sua opinião? Envie seu artigo de opinião para o nosso email: contato@resumofotografico.com.

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RESUMO FOTOGRÁFICO

por Alan Marques


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ESPECIAL

RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

Lambe-lambe as possibilidades da fotografia de rua Texto: Cid Costa Neto e Ingrid Mitsue Fotos: Alex Ribeiro / Visor Mágico

rio e enxergar um mundo diferente por meio da fotografia. Mônica Silva, 15, moradora do bairro Cabanas que participou da oficina, ficou emocionada ao ver sua foto colada na fachada do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA). Para ela, sem dúvidas, o processo de colagem foi a melhor parte da oficina. Ana Carolina Barbosa, 32, fotógrafa de família e casamentos, também teve suas expectativas cumpridas. Ela acredita que a oficina fez com que sentisse mais facilidade em abordar desconhecidos, além de proporcionar o conhecimento de belas histórias de vida. Nesta edição do evento, as ruas do centro de Mariana anoiteceram com as histórias de personagens da cidade congeladas em suas paredes. Os oficineiros destacaram ainda a importância de fazer a mostra na rua. “É muito interessante porque muitos dos moradores dificilmente vão ter a oportunidade de ver a foto deles em um tamanho tão grande. Aqui é uma avenida principal, é onde todo mundo da cidade passa praticamente, então a ideia é fazer com que esses moradores sejam vistos. Colocar a população da cidade em evidência”, explica Zaniboni.

Na primeira semana deste mês, durante o festival Fotógrafos em Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, imagens em grande formato tomaram as ruas e funcionaram como forma de interação entre moradores, visitantes e as cidades históricas. O lambe-lambe, cartaz com conteúdo artístico colado em espaços públicos, é uma forma já tradicional de intervenção urbana e que tem o poder de despertar as pessoas para determinadas reflexões. Esse foi o meio escolhido para expor o resultado de uma oficina de fotografia de rua oferecida durante o festival. Oficina A proposta da oficina do grupo Fotografia de Rua, de Campinas (SP), é explorar a fotografia de uma maneira inusitada, irreverente e acessível a todos. Aproveitando dessa técnica, a oficina levou os participantes a uma viagem prática da fotografia de rua desde sua concepção, captura, seleção da foto e impressão em lambe-lambe, tendo como universo os bairros populares e a parte histórica da cidade de Mariana. O objetivo da oficina é ampliar o repertório dos participantes mostrando as diversas possibilidades da linguagem fotográfica característica de rua, bem como proporcionar a produção de um ensaio. A oficina foi ministrada pelos fotógrafos Ricardo Lima, Marcos Zaniboni e Diogo Zacarias e teve participação de fotógrafos de diversos estados brasileiros, além de adolescentes que integram o projeto de extensão Nos Bastidores da Notícia: Mídia e Democracia, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Ricardo Lima, 44, mais conhecido como “Lilica“, é o fotógrafo responsável pelo festival de fotografia Hercules

Florence, que acontece desde 2007 em Capinas (SP), e acredita que a fotografia de rua permite a aproximação entre as pessoas. Para ele, o contato do fotógrafo com o público cresce quando ele sai pela cidade disposto a usar lentes curtas e a conversar com o cidadão comum. Dessa forma, as possibilidades de troca de experiências ficam relativamente maiores. O tema desta edição da oficina foi “profissões”. Segundo Lilica, o foco foi mostrar profissões que não estão sendo mais vistas, que estão sendo abandonadas. “Hoje em dia todo mundo

está trabalhando atrás do computador”, analisa. Os participantes percorreram as ruas do centro de Mariana, e também do bairro Cabanas, em busca de registros dos olhares que compõem a rotina da região. Por fim, as fotos foram impressas em papel lambelambe, com comprimento em torno de 1,5 metros, e coladas em tapumes ou diretamente nas paredes. Para Ricardo, as pessoas se completaram quanto ao conhecimento, e até mesmo as diferentes faixas etárias colaboraram para aumentar o repertó-

Festival Fotógrafos em Ouro Preto e Mariana O festival, que era realizado desde 2012 na cidade histórica de Ouro Preto, neste ano incorporou a cidade vizinha de Mariana, que no final de 2015 foi atingida pelo rompimento de uma barragem de minérios, resultando no maior desastre ambiental da história do país. Embora as duas cidades, que já foram capital do estado mineiro, sempre tenham cultivado uma certa rivalidade, essa tragédia estimulou os organizadores do evento a promover esse “encontro” entre elas, nascendo assim o festival Fotógrafos em Ouro Preto e Mariana.


RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

ESPECIAL

O fotógrafo Ricardo Lima, o “Lilica“, conduziu os participantes da oficina de Fotografia de Rua: lambe-lambe, em Mariana

Câmera lambe-lambe: Uma técnica do século passado Marcos Zaniboni, 40, fotógrafo e educador de Pirassununga (SP), levou para a oficina em Mariana uma câmera lambe-lambe do século passado. “Existe um lambe-lambe máquina fotográfica e existe o lambe-lambe de parede. Essa oficina é uma junção dos dois”, explica. A técnica surgiu com fotógrafos anônimos e teve um papel importante na popularização da fotografia. Trabalhando em praças e parques, esses profissionais ambulantes eram procurados para registrarem momentos familiares ou para tirar retratos para documentos. As fotos tiradas são reveladas na hora, pois dentro da caixa de madeira há dois banhos: o revelador e o fixador, onde o fotógrafo manuseia o papel fotográfico, sob proteção de um pano que impede a entrada de luz.

Marcos Zaniboni apresentou a câmera lambe-lambe para os alunos da oficina Fotografia de Rua

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João Marcos Rosa em base de observação montada na copa de uma árvore na Floresta Nacional de Carajás FOTO: Marcus Canuto


ENTREVISTA

RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

João Marcos Rosa

Fotógrafo da National Geographic Brasil destaca a importância do registro documental para a preservação da vida selvagem

N

atural de Belo Horizonte, João Marcos Rosa iniciou sua carreira como fotógrafo profissional em 1998, documentando a cultura e a vida selvagem brasileira. Graduado em jornalismo e pós-graduado em políticas culturais, desde 2004 trabalha para a National Geographic Brasil. Como foi o seu primeiro contato com a fotografia? O meu avô era autodidata em várias coisas, marcenaria, fotografia... Colecionava livros sobre essas coisas e num fim de semana que eu ajudava ele, vi esses livros de fotografia e fiquei interessado naquilo. Foi o meu primeiro contato, vendo livros de técnica fotográfica. Meu avô logo me deu uma câmera. Eu comecei a fotografar com uma Olympus Pen, mas eu percebi que aquela câmera não me dava o controle do que eu estava lendo ali. Tinha alguns ajustes, mas não me dava o controle real. Então eu juntei uma grana, comprei uma Zenit. Aí sim eu tive contato com a técnica fotográfica em si e aquilo pra mim foi a descoberta do universo. Como você escolheu esse segmento na fotografia? Eu morava numa casa muito no meio do mato. Então minha vida era passarinho, raposa, macaco. Esse contato [com a natureza] era muito comum. Eu gostava muito, me sentia mais a vontade lá do que na cidade. Quando entrei na fotografia acho que foi natural que eu buscasse essas coisas que estavam mais próximas de mim. Então eu fotografava as flores da minha mãe, fotografava o riacho que tinha perto de casa, os macacos que iam comer as frutas que a gente deixava. Eu participava de pescarias com o meu pai e fotografava esses lugares. Foi me dando muito gosto fazer os relatos desses lugares. Recentemente você inaugurou duas mostras na Inglaterra. Como surgiu essa oportunidade? O convite surgiu de uma curadora brasileira radicada em Londres, Alicia Bastos. Ela me falou desse projeto do Brazilian Season no Horniman Museum and Gardens, no sul de Londres, e propôs uma mostra. Como eu tenho esse trabalho muito focado na fauna brasileira, com espécies ameaçadas, eu pensei em levar essa história pra ela. A história dos bichos brasileiros, que tivesse um impacto direto. Bichos diferentes, que não são tão comuns para o expectador e que falasse dessa fragilidade. Ela logo topou e nós fizemos a proposta para o museu. No meio desse processo ela me chamou também para o festival Brazilica, sobre arte brasileira, que acontece em Liverpool todos os anos. Muito ligado ao carnaval, mas que eles estão querendo ampliar um pouco mais. Eu levei uma outra exposição chamada “Habitat”, sobre ambientes brasileiros, ecossistemas brasileiros: Amazônia, pantanal, caatinga,

serrado, pampas, Mata Atlântica, mostrando essa diversidade ambiental que tem no Brasil e essa coisa continental. Você tem a Amazônia, o deserto na caatinga e um lugar nos pampas que neva. Quais são as dificuldades mais comuns encontradas quando se propõe fotografar animais selvagens? As maiores dificuldades que eu encontro são logísticas. Chegar, encontrar, dormir. A parte técnica em si, da fotografia, eu já vou com soluções pensadas para alcançar os objetivos que eu tenho e estudo muito os animais antes para saber realmente o que é possível fazer. Eu não tento inventar muito porque sei que o nível de frustração dentro desse tipo de fotografia é muito alto. Eu sei que além de tudo que eu planejo eu vou chegar lá e conseguir executar dez por cento.

Eu acredito naquela máxima de que ‘precisamos conhecer para preservar’. Existe um contato com a comunidade local? Como se dá esse diálogo? Geralmente quem me dá o suporte local são as pessoas que vivem ali. São elas que vão me indicar onde os bichos estão. São as pessoas que eu vou contratar como assistentes ou como guia. Geralmente vou ficar hospedado na casa delas. Sempre prefiro ficar na casa de alguém a montar acampamento no meio do mato ou ficar numa pousada. Se eu puder ficar mais próximo das pessoas que conhecem realmente o bicho ou o lugar, é a minha preferência. Como você vê a importância desses trabalhos para a preservação ambiental? Eu acredito naquela máxima de que “precisamos conhecer para preservar.” Se você não sabe que aquilo existe ou não tem ciência do

risco de que uma espécie ou ambiente está sofrendo, você não está nem aí. A gente vê muito isso nas questões indígenas, com grandes empreendimentos sendo construídos em áreas onde comunidades vivem há séculos e em um estalar de dedos são removidas e colocadas no lugar que der, sem respeito nenhum. Então se esses assuntos não estivessem sendo trazidos à tona, principalmente por mídias independentes, talvez a gente não tivesse ciência. Minha história é muito em cima disso. Trazer conhecimento para as pessoas sobre essas espécies. Mostrar a fragilidade que essas espécies e esses lugares estão e o grau de ameaça que eles sofrem, para que de alguma forma uma ação possa se desdobrar disso. Forçar atores dentro da política para que eles se conscientizem ou se solidarizem com essas causas. Então quando você tem esses trabalhos publicados em revistas de peso, por exemplo, veículos que têm uma influência, com certeza a coisa alcança um nível mais profundo. Você vai ministrar uma oficina no festival Paraty em Foco. Qual é a proposta e o que os participantes podem esperar? A ideia é falar um pouco sobre a construção de narrativas visuais dentro da National Geographic, revista que eu colaboro já há 12 anos. É uma revista icônica dentro da fotografia documental. As pessoas buscam muito conhecimento mas às vezes não encontram como propor uma pauta, como construir uma história, como que acontece esse desenvolvimento. A ideia é desmitificar um pouco esse processo, apresentando histórias que eu já produzi para a revista, falando um pouco sobre os bastidores e também lendo os ensaios dos participantes. A ideia é que os participantes também levem ensaios para que a gente possa comentar e falar de como eles poderiam talvez ser encaixados na National Geographic ou em outras publicações. O que você acha que é mais importante para quem quer seguir nessa área de fotografia de natureza? Eu acredito muito nas conexões. Eu acho que na fotografia de natureza dificilmente você consegue fazer grandes trabalhos sozinho. A gente tem essa coisa do fotógrafo lobo solitário, mas dificilmente eu estou sozinho em campo. Geralmente eu estou junto com uma equipe que está ali estudando uma espécie ou fazendo um trabalho com uma comunidade, alguma coisa que me conduz até aquele lugar, então eu sou um coadjuvante dentro de um projeto. Eu acho que as conexões são o mais importante nesse trabalho.

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TUTORIAL

RESUMO FOTOGRÁFICO - AGOSTO DE 2016

Guia prático de como fazer lambe-lambe Só mesmo colocando a mão na massa para saber o efeito de espalhar suas imagens pelas ruas. Mas antes de sair colando fotos em tudo quanto é canto, dê uma olhada em algumas dicas CID COSTA NETO

Onde vale colar?

O lambe-lambe pode ser fixado com uma solução de cola branca e água

Como preparar seu lambe-lambe Veja algumas dicas de como se preparar para colar suas fotografias pela cidade: Papel O tamanho ideal é a partir do A3, para ficar suficientemente visível e caber mesmo em espaços reduzidos, como postes e lixeiras. Mas você pode considerar formatos maiores se tiver conseguido autorização para colar em um muro grande, por exemplo. O papel não pode ser feito em impressora jato de tinta, se não, durante a aplicação da cola, sua mensagem vai ficar borrada. O melhor são impressoras a laser ou offset. Vale também ir numa gráfica perto da sua casa com o PDF na mão e explicar a finalidade da impressão. Às vezes sai bem mais barato. Além disso, o papel não pode ser muito grosso, para não ficar difícil de colar. O ideal é uma gramatura de 75g/m2 ou 90g/m2.

Cola Há várias maneiras de preparar sua própria cola. As caseiras são feitas com polvilho doce ou farinha de trigo, água e vinagre. No lugar de polvilho, vale usar amido de milho (comercialmente conhecido como maizena), goma para tapioca ou até mesmo farinha de trigo, só precisando acertar a dose. Outra maneira é preparar com cola branca. Para cada duas partes de água, use uma de cola branca escolar líquida. Cada litro de cola branca rende três litros de cola pra lambe. Essa quantidade é suficiente para colar cerca de 200 cartazes no formato A3.

sorvete de dois litros ou qualquer outro recipiente fácil de transportar. O que vale é reaproveitar coisas que você já tenha em casa. Depois de achar o local adequado, basta colocar bastante cola em todas as superfícies. No verso do papel, na superfície onde você vai colar e, depois de aplicar, é bom passar a brocha, rolinho ou esponja por cima do cartaz também. Leve sempre um pano para umedecer com água e limpar o excesso de cola no entorno e eventualmente limpar o chão onde a cola respinga. Esse é um jeito também de evitar sujeira desnecessária.

Como aplicar? Adquira uma brocha, pincel grande ou rolinho de espuma de pintar parede. Valem até essas esponjas macias de lavar louça. Coloque o preparado de cola em uma garrafa pet, balde, pote de

Espalhe por aí Fotografe, compartilhe nas redes sociais, fale sobre isso, convide seus amigos a lamber a cidade com você, estimule as pessoas a participar de forma criativa em debates de relevância pública!

Em espaços públicos, postes, pontes, lixeiras, paredes de locais abandonados e muito degradados em que colar um lambe pode trazer cor e graça para a quantidade de cinza em nossas cidades. Nos espaços privados, como muros e portões, é necessário pedir autorização ao dono ou responsável. Dependendo da mensagem e do dono do muro, o ato de pedir pra colar seu lambe pode ser autorizado e ainda render uma bela conversa. Se a pessoa não topar, respeite. Todos têm o direito de dizer não. Vale lembrar que o lambe é como um adesivo. E a sua cola é feita em geral com água, farinha de trigo ou polvilho, ou ainda com cola branca. Todos os ingredientes possíveis têm pouco potencial de gerar estragos severos e permanentes na superfície colada.

Onde não vale colar? Espaços que contenham sinalização de trânsito ou mesmo informações úteis ao cidadão. Vidros de carro, latarias de carro, vitrines, espaços privados sem autorização, como fachada de casa e lojas, bancos 24 horas, fachadas de prefeituras e orgãos públicos, como o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista e principalmente aquele muro branquinho, recém pintado. A cidade é um espaço em disputa com ideias muitas vezes divergentes sobre a melhor maneira de ocupá-lo. O ato de colar um lambe-lambe deve proporcionar uma conversa saudável sobre qual o modelo de cidade que queremos, e de jeito nenhum gerar mais animosidade nessa disputa de ideias. Fonte: Greenpeace Brasil

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Resumo Fotográfico #1  

Após completar seis anos online, o Resumo Fotográfico ganhou uma versão impressa. O lançamento do jornal em formato tabloide aconteceu no Di...

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