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5ª Edição

Março 2012


Editorial Esta revista que algumas pessoas têm a sorte de possuir no formato de papel só é possível graças à ajuda dos mesmos de sempre. Já várias pessoas nos disseram que gostavam de ter as edições impressas, no entanto quantas dessas pessoas é que nos ajudaram monetariamente para que isso fosse possível? Com o aumento do IVA e o respectivo aumento do custo de vida, também o custo das impressões é mais caro. Acredito que estas palavras não surtirão nenhuma mudança na forma de estar das pessoas porque somos demasiados egoístas para nos preocupar com o trabalho dos outros.

Para aqueles que se dão ao trabalho de se deslocar às nossas febradas para conviver, divertir e apoiar, a Resistance Magazine gostaríamos de dizer que existimos por vós. E continuaremos a existir enquanto houver alguém que queira uma revista de opinião livre e saída periódica. Não nos podemos esquecer da preciosa ajuda do NEDF, que nos têm apoiado desde que o novo mandato começou. A todos vós um obrigado e até à próxima edição. Esta revista, devido à sua variadissima fonte de autores, deixou ao critério de cada um a utilização (ou não) do novo acordo ortográfico.

Table of contents

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ENEF2012_Carlos Henriques

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3DS_André Carvalheira

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2º Encontro internacional de bioengenharia_Pedro Vaz

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Bundlr_Sérgio Santos

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Observar o Green_Miguel Fiolhais

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Estado estacionário_João Anastácio Sousa

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Coimbra! Quem estudou ainda lá vive_Ana Costa e Silva

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A game(r) review_Guilherme Simões

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16 frames por segundo

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78 rotações por minuto

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Estado excitado_Débora Duarte

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Crónicas

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Da física para a arquitetura_João Pedro Ferreira

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Interrail_Frederico Borges

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Mãe, já sei cozinhar_Tiago Balhau

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ENEF 2012(3) Carlos Henriques

O Encontro Nacional de Estudantes de Física 2012 realizou-se de 17 a 19 de Fevereiro na sublime cidade de Évora. Como representantes de Coimbra, Frederico Borges, Joana Faria, Pedro Silva, João Pedro (o arquitecto) e eu metemos as malas na bagageira e fizemo-nos à estrada. A viagem de ida foi rápida, no entanto, os malefícios da noite anterior ditaram que nos atrasássemos e, com muita pena nossa, perdêssemos as duas primeiras palestras. A óptima comida alentejana rapidamente nos animou da enorme perda. No final do dia, deslocámo-nos a Fronteira para conhecer o Observatório Astronómico. Com o nosso arcaico instinto de navegadores rapidamente identificámos a Estrela Polar e aprendemos algumas curiosidades do céu nocturno. Depois, visto a noite ser uma criança, tentámos conhecer a vida nocturna eborense, mas àquela hora (3 AM) o retrato de uma cidade pacata seria a única lembrança que levaríamos para a cama. A manhã seguinte foi passada na cama a tentar esquecer a desilusão da noite anterior. Portanto ainda não seria desta que assistiríamos a uma das palestras agendadas. O nosso infortúnio não ficou por aí. No início da tarde, um café com finos a 0,60€ bem em frente à universidade acorrentou-nos impedindo mais uma vez que assistíssemos às palestras. Seguidamente o ENEF presenteounos com uma visita guiada pela cidade, a qual foi muito interessante, até ficarmos retidos num tasco a petiscar algumas iguarias tradicionais e a degustar um ótimo maduro alentejano. Liberalitas Julia (assim chamada no tempo dos Romanos) foi classificada pela UNESCO como património Mundial, sendo o Templo de Diana o seu maior emblema. Durante aqueles 3 dias

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deliciámo-nos com a variedade arquitetónica de monumentos e com o encanto das construções tipicamente alentejanas. À noite tivemos direito a um jantar alentejano seguido de um concerto de música experimental onde o vocalista declamava poemas de forma pujante. No entanto, essa noite seria marcada pela nossa entrada na SHE. A Sociedade Harmonia Eborense materializa-se através de um local onde as pessoas que o frequentam respeitam-se mutuamente e convivem de forma consonante. Tudo começou quando vagueávamos pela cidade noturna como se de um deserto se tratasse. Um edifício muito velho e rudimentar, cuja porta tinha pouco mais de um metro de altura, seria o nosso oásis. À entrada fizemo-nos sócios e, mal subimos, ficámos maravilhados com aquele espaço. Havia um concerto numa sala, uma TV noutra, outra tinha matraquilhos e bilhar, e no terraço uma grande esplanada onde podíamos socializar. As pessoas que ali estavam eram de todos os géneros e super simpáticas. Além disso a bebida era a mais barata. É impossível explicar por palavras a magnificência daquele lugar. Esta foi talvez a melhor recordação que todos nós trouxemos do ENEF 2012. E 2013? Bem, para o ano vai ser o melhor ENEF de sempre, ou não seria ele realizado por nós na Cidade dos Estudantes. Exactamente: foi decidido em Assembleia que o próximo ENEF será realizado por nós (os cinco que falei em cima) em Coimbra - no qual já estamos a trabalhar e agradecemos toda a vossa ajuda e sugestões. E assim nos despedimos na cerimónia de encerramento trazendo na bagagem a pesada responsabilidade e esperança de um próximo ENEF que aquelas pessoas nos confiaram.

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André Carvalheira Já alguma vez durante uma aula pensaste porque é que estavas a aprender aquilo? Não parece ter qualquer interesse, nem vês nenhuma aplicação prática, o que torna tudo mais chato ainda. Acho que já aconteceu a todos… E se pudesses dar uma espreitadela depois destes 13 ou 14 anos a estudar, e realmente aprender fazendo? Foi esta a oportunidade que tive. Durante três dias juntei-me a mais 39 jovens empreendedores com muita vontade de fazer algo, mentores experientes, com diferentes percursos e visões, muito café e uma organização impecável. O evento começou dia 24 pela hora de almoço. Durante cerca de duas horas, as várias pessoas, divididas em grupos, puderam conhecer-se um pouco, trocar ideias e sentirse mais à vontade. Depois de uns dedos de conversa e algumas ideias já reveladas, os participantes que, além da vontade de trabalhar, também levaram uma ideia de negócio, apresentaramna a todos. Houve uma votação entre os participantes e, das dez ideias apresentadas, foram votadas as cinco melhores. Os participantes dividiram-se pelas cinco ideias escolhidas e, depois de encher a barriga, as ideias começaram a ser

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trabalhadas entre os grupos. Ao longo dos três dias essas ideias foram amadurecendo com a preciosa ajuda dos mentores, do café e da privação de sono. O background dos empreendedores era multidisciplinar e abrangia todas as áreas necessárias à criação de uma empresa, e as suas faixas etárias variavam entre estudantes do primeiro ano a doutorados. Acima de tudo, o conceito do 3 Day Startup assenta na cooperação entre todos e não numa competição entre equipas. Todas elas têm a real possibilidade de sair dali com uma startup criada, não é apenas uma simulação. O conceito tem a sua origem no Texas e, a partir de 12 eventos anteriores, já foram criadas 14 empresas com um financiamento de 4 milhões de dólares por ano e, para além dessas, outras 7 empresas foram acolhidas por algumas das melhores incubadoras do mundo. O grande momento chegou, e, depois de quase 40 horas úteis de entrega aos projetos, várias ideias muito interessantes foram apresentadas aos investidores: Lazy U – uma plataforma on-line que permite aumentar a eficiência de um campus universitário pela troca de favores entre estudantes, aproveitando o fluxo destes dentro do campus; UrbanFlow – uma aplicação que se propõe acabar com as esperas pelo autocarro, fazendo uso de dados fornecidos pela comunidade para ter um mapa em tempo real da localização dos vários autocarros; Go Challenge Me – um site que leva os vídeos virais para outro nível, permitindo a criação de competições de tudo e mais alguma coisa, com vídeos entre o Brutal e o Cómico; Brand Lovers Party – Uma empresa que dá a oportunidade a qualquer um que prove merecer, de ter a sua festa patrocinada pela sua marca preferida, sem pagar um único cêntimo; Pick your University – Uma plataforma do estilo exames.org que disponibiliza informação informal, cedida por

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alunos, de forma a facilitar a escolha da universidade ou o sítio para fazer Erasmus com base em critérios como praxe, ambiente e qualidade de ensino. Agora resta esperar uns tempos. Pode ser que num futuro próximo ouças falar de uma destas startup’s pensadas, criadas em Portugal e compostas maioritariamente por portugueses (tinha que haver um americano e um açoriano para estragar tudo!). No pior dos casos tive uma aproximação bem real ao mundo empresarial e aprendi coisas como: Duas cabeças pensam melhor que uma! Através do networking e do brainstorming criam-se, testam-se e validam-se ou descartam-se milhares de ideias. Dá-se o verdadeiro milagre da multiplicação. Mil vão para o lixo mas uma é muito boa. A planificação é importante mas só na rua e a falar com pessoas validas a tua ideia! Podes passar dias e dias a ter ideias fantásticas e formular teorias perfeitas mas isso não te garante nada. Há vários exemplos de muito boas ideias que não resultaram e más ideias que resultam lindamente. Já ouviste falar da pulseira do equilíbrio? Vais ter muito trabalho e errar, tentar de outra forma e errar, tentar novamente e voltar a errar outra vez. No fim vais errar melhor! Muitas horas seguidas a programar e o efeito do programa não ser o desejado, ou muitas horas na rua a fazer perguntas para depois chegar à conclusão que são inconclusivas, pois as perguntas anteriores influenciavam a resposta das seguintes. São situações frustrantes, sim. Mas finalizámos um protótipo de um site e validámos as nossas ideias junto de muita gente. ( Erro + Persistência = Sucesso!) Quando tens duas opções escolhe aquela que te assusta mais! Falar inglês não é o meu forte, embora tenha noção que é muito importante. Tive receio de não conseguir dar o meu máximo quando escolhi juntar-me ao grupo que tinha um americano, pois não ia exprimir tão bem as minhas ideias em inglês. Fui-me desenrascando e qual não é a minha surpresa quando passado 5 horas a fluidez com me exprimia era completamente diferente. Dei por mim a falar com portugueses em inglês! Há muitas pessoas que, embora já estejam bem na vida, estão dispostas a disponibilizar do seu tempo para te ajudar a evoluir. Não é conversa da treta para parecer bem, tens é que fazer por isso! Um dos mentores gostou tanto do ambiente do 3DS que

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embora só se tenha comprometido a estar presente na sexta à tarde, no dia seguinte chegou antes da organização, às 9h30, e só foi dormir por volta das 4 da manhã. No dia seguinte, estava lá outra vez. Ter experiência é bom mas não te esqueças que estás sempre a aprender! A partir do momento em que alguém é melhor do que tu no que quer que seja podes aprender alguma coisa com essa pessoa. Deves ter a humildade de estar disposto a aprender sempre alguma coisa. Podes ser o melhor do mundo mas se não o mostrares, ninguém vai saber! Chegou a altura do pitch final com os investidores que nunca ouviram falar de ti nem da tua ideia, e tens 10 minutos para os convencer a investir nela. Não vais conseguir explicar tudo. Tens que separar o muito importante do supérfluo, e explicar qual é o teu valor acrescido, ninguém o vai fazer por ti e pode não haver segunda oportunidade. As pessoas com sucesso também são pessoas como tu. Houve uma altura em que souberam menos que tu e tiveram acesso a menos informação que tu, e se calhar não foi assim há tanto tempo como pensas. Só têm uma cabeça, dormem, comem, divertem-se, trabalham e o dia delas também só tem 24 horas. Ensinaram-me em Biologia, no 11º ano, que cada pessoa é 100% consequência do ambiente que a rodeia e 100% expressão génica, mas é mentira. Esqueceram-se de me ensinar que é 1000% aquilo que ela quiser ser. Quem sabe faz, quem não sabe ensina! Se te interessas por um tema, investiga, pesquisa e observa. Depois participa, tenta aplicar e criar algo. Vais ficar surpreendido pelas variáveis que não consideras-te na teoria e até onde consegues chegar. A necessidade aguça o engenho! Nos dias de hoje o canudo para pouco serve. Se não o fazes já, espero ter-te inspirado a fazer outras coisas para além do curso. Vais acabar por desenvolver soft-skills que poderão ser fundamentais como característica diferenciadora no futuro. Pelo meio diverteste, cresces e conheces muitas pessoas interessantes.Por fim, tenho que agradecer à jeKnowledge por possibilitar o evento, aos mentores e a todos os outros estudantes empreendedores que geraram discussão, ideias, vida e dinamismo nesta nossa cidade. E tu, o que tens feito ultimamente?

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2º Encontro Nacional de Bioengenharia Pedro Vaz Matemática, Química, Física e Biologia, as bases da engenharia do futuro. Decorreu de 23 a 25 de Fevereiro o 2º Encontro Nacional de Bioengenharia que reuniu vários intervenientes de renome em diversas áreas de atuação da Engenharia Biomédica. Depois de uma breve introdução institucional por parte do Reitor da Universidade de Coimbra, o Chairman da conferência Prof. Dr. Carlos Geraldes deu início aos trabalhos e, ao longo da mesma, foi desempenhando um papel fundamental nas discussões críticas geradas ao redor dos papers e projectos apresentados durante os 3 dias do encontro. Este evento foi organizado, de forma exemplar, pela Universidade de Coimbra, nas pessoas do Prof. Miguel Morgado e Prof. Rui Bernardes, em parceria com o IEEE e o Núcleo de Estudantes do Departamento de Física. No primeiro dia, as temáticas discutidas variaram desde os progressos em aplicações bioquímicas de nanopartículas até ao desenvolvimento de novos biomateriais. Dia 24, segundo dia do meeting, os assuntos abordados estiveram relacionados com o processamento de imagem e a aplicação de modelos matemáticos no melhoramento e reconstrução de imagens médicas. O convidado de honra, Dr. Karol Mikula, demonstrou técnicas de segmentação avançadas para o estudo embriológico de peixes zebra. A sua apresentação conseguiu empolgar a plateia quando foram mostrados os resultados da investigação. Os modelos de equações diferenciais da sua equipa permitiram segmentar e delinear milhares de células do embrião de peixe zebra, reconstruindo a sua árvore celular e permitindo o acompanhamento e migração de determinados grupos de células ao longo do desenvolvimento embrionário. No último

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dia do encontro, a vertente mais clínica da bioengenharia foi apresentada expondo novas técnicas de imagiologia médica. O contributo da Engenharia Biomédica foi altamente realçado, tanto no desenvolvimento de Hardware como de Software, pelos chefes de serviço dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Dr. J. Pedroso Lima e Dr. Caseiro Alves. À margem da reunião, foram também apresentados os posters relativos aos resultados intermédios dos alunos de projecto do 5º ano do MIEB. Sem tanta projecção como em anos anteriores, mas apresentando trabalhos de excelente qualidade, mais de 50 posters foram exibidos ao longo dos 3 dias de conferência. Foi assim perdida, devido à falta de adesão de alunos dos primeiros anos, uma magnífica oportunidade para os estudantes mais jovens poderem conhecer melhor quais os campos práticos de acções da biomedicina e esclarecerem muitas das dúvidas que ainda possam ter. Uma possível repetição da mostra de posters no Departamento de Física seria uma possível solução para expor ao resto da comunidade estudantil o que de melhor se faz em bioengenharia. Uma das mensagens finais para todos os participantes, extremamente realçada por vários oradores, foi a necessidade de aglutinar as valências da Engenharia e Medicina para formar equipas multidisciplinares capazes de resolver os problemas mais complexos. Apenas desta forma é possível integrar os conhecimentos das diversas áreas produzindo material científico de referência a nível internacional. Ao contrário do que se possa pensar, Portugal tem melhorado as suas condições para praticar investigação científica. Estas evoluções permitem que muitos trabalhos realizados “cá dentro” adquiram importância mundial.

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Sérgio Santos Boa tarde. Fala-nos um pouco de ti.

O meu nome é Sérgio Santos, morei em Penela mas agora estou Coimbra. Tirei a licenciatura e mestrado em Engenharia Informática na Universidade de Coimbra. Ao mesmo tempo, fui sempre arranjando mais que fazer. Trabalhei em part-time em duas empresas de TI, uma delas a WIT-Software de Coimbra, estive em duas bolsas de investigação em áreas diferentes, redes de sensores sem-fios e processamento de bio-sinais, e desde o meu 3º ano de curso comecei a trabalhar na jeKnowledge, a júnior empresa da FCTUC. Neste momento, estou a trabalhar a tempo inteiro na minha própria empresa, “Bundlr”. Fala-nos um pouco do “Bundlr”. O que é, como começou, e para onde caminha. Ao me aproximar do último ano de curso, onde tenho de escolher um estágio para realizar, verifiquei que não tinha muita vontade para fazer um estágio numa empresa ou um estágio de investigação. Já tinha experimentado ambas, mas sempre me atraiu mais trabalhar nas minhas próprias ideias. Durante um evento na FCTUC, eu e o Filipe Batista, um colega meu de faculdade e da jeKnowledge, tivemos a ideia que se veio tornar no Bundlr: criar uma ferramenta para organizar manualmente conteúdo online em páginas temáticas. Consegui convencer um professor meu a orientar-me num estágio auto-proposto, e pude assim desenvolver o Bundlr no passado ano lectivo. Neste momento, o Bundlr já foi lançado e pode ser utilizado por qualquer pessoa em http:// gobundlr.com, já conseguimos investidores para nos financiar o desenvolvimento, e estamos a trabalhar para tornar o serviço num negócio rentável.

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Como recém graduado, o que achaste do curso e da universidade em geral. Cumpriu as tuas expectativas? Como estás agora no “Bundlr”, achas que o curso te deu as competências e a motivação para este novo projecto? Acho que cumpriu as minhas expectativas, especialmente a dar-me as bases necessárias para rapidamente assimilar qualquer tecnologia que precise. Isso não quer dizer que tenha aprendido tudo o que irei precisar saber. Por exemplo, o curso não inclui praticamente nada em termos de desenvolvimento web, a área em que estou agora a trabalhar. Em termos de motivação, trabalhar nos nossos próprios projectos não é algo esperado por parte da Universidade, temos sempre de o fazer nos nossos poucos tempos livres que sobram. A vantagem de poder fazer um estágio auto-proposto é óptima, mas desenvolver as nossas próprias ideias durante o curso poderia ser algo mais incentivado. No entanto, gostava de referir a grande vantagem do curso e da Universidade, para além de nos dar as competências que precisamos. Essa vantagem são as pessoas que conhecemos, com quem trabalhamos, quer sejam do mesmo curso ou não. Foi assim que encontrei a pessoa com quem criei a empresa. É algo muito importante e que deve ser valorizado. Que falta nas Universidades para mais casos de sucesso como o Bundlr ? Ou será um problema dos alunos? Não acredito que seja um problema dos alunos. Os nossos alunos são tão bons ou melhores que em Universidades por todo o mundo. É uma questão de termos mais exemplos perto de nós. À medida que mais empresas vão sendo criadas por alunos, e que as vitórias que conquistam sejam divulgadas, a realidade vai mudando. Quanto mais somos expostos a um

ambiente empreendedor, mais dispostos estaremos a criar e a empreender. É “fácil” aceder a investimento neste momento em Portugal? Existe muito dinheiro disponível para investir em projectos inovadores e cada vez mais eventos que juntam investidores e pessoas com ideias de negócio. Não quer dizer que seja fácil conseguir investimento, continua a ser necessário demonstrar iniciativa e ser persistente. Mas a falta de investimento em novos projectos deixa de ser uma desculpa para não criarmos uma empresa. A perspectiva de criar um emprego está ao alcance de todos? Já existem condições e apoios para quem quer criar a própria empresa. Eu acredito que as pessoas não nascem empreendedoras, vão aprendendo a sê-lo ambiente que as rodeia. Provavelmente nem todos irão ter sucesso, e algumas pessoas poderão estar mais à vontade trabalhando para outros, mas passa a ser uma escolha pessoal se temos vontade suficiente para criar algo nosso. Tens algum conselho para colegas que queiram criar o seu próprio emprego? O conselho que considero mais importante, especialmente do ponto de vista de um engenheiro, é sair do laboratório e falar com outras pessoas. Falar com colegas que pensam criar ou já criaram empresas. Falar com os especialistas e com empresas da nossa área à procura de oportunidade de negócio. Partilhar a nossa ideia de negócio com o máximo de pessoas possível que nos possam ajudar a melhorá-la. As grandes oportunidades raramente surgem enquanto estamos sentados à frente do computador :)

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Observar o Green Miguel Fiolhais O Green Flash (ou Brilho Verde em português) é um fenómeno óptico que ocorre durante os últimos instantes do pôr-do-sol, quando os raios de Sol nos chegam com cor verde. Este efeito é devido ao fenómeno da dispersão da luz, que consiste na separação dos vários comprimentos de onda da luz composta quando esta incide em alguns materiais. Nestes materiais, o índice de refracção (razão entre a velocidade da luz no vácuo e a velocidade da luz no meio) depende da frequência da onda electromagnética, ou seja, cada componente espectral da luz tem uma velocidade de fase diferente e, por consequência, de acordo com a lei de Snell, é refractada numa direcção diferente causando o efeito de arcoíris. Este fenómeno é bem conhecido e perceptível em materiais como o vidro, tal como no caso do famoso prisma. Mas também ocorre no ar, originando a mudança de cor do Sol e da Lua para tons avermelhados junto ao horizonte, e claro, originando o Green Flash. Quanto maior for a frequência da onda, mais acentuada será a refracção, o que permite que os raios verdes sejam mais refractados do que os vermelhos e possam chegar aos nossos olhos na parte final do pôr-dosol. Por vezes pode ocorrer um brilho azul ou até violeta, no entanto, raramente se observa este efeito porque a luz com estes comprimentos de onda menores interage fortemente com as moléculas dos constituintes do ar (daí o céu ser azul). O Green Flash não é um fenómeno raro de se

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observar se as condições certas estiverem reunidas. O local ideal para observar o Green Flash é junto ao mar, num dia de céu limpo, quando o Sol se põe no oceano. Apesar de se conseguir observar da praia, uma posição mais elevada é recomendável, seja em cima de uma duna ou num edifício alto junto ao mar. O Green Flash pode até ser observado de avião ou de balão, desde que haja um horizonte baixo e distante. No entanto, o Green Flash apenas dura entre 1 a 2 segundos, o que limita muito a sua observação a olho nu. A primeira regra a seguir é esta: se o Sol estiver muito brilhante para se poder olhar confortavelmente, nunca se deve fazê-lo directamente ou através de instrumentos ópticos (binóculos, lentes fotográficas, telescópios, etc.), uma vez que tal pode causar danos irreversíveis na vista. Além disso, uma observação demasiadamente antecipada do pôrdo-sol activa os receptores da retina sensíveis ao vermelho, o que pode inibir a visualização do brilho verde. Uma boa alternativa, é fotografar o Green Flash. Para tal, recomenda-se como equipamento mínimo uma lente de 300 mm montada numa câmara com abertura de 35 mm estabilizada num tripé. Dado que a luminosidade diminui gradualmente com o pôr-do-sol, e para evitar olhar através da lente, convém definir previamente a melhor abertura para o momento final (que pode ser afinada praticando), ou então, deixar em automático nas primeiras tentativas. Finalmente, disparar várias vezes para obter uma boa sucessão de fotografias. O Green Flash é muitas vezes apresentado como um mito, como um mistério da ciência ou como um fenómeno extremamente raro que apenas alguns sortudos conseguem ver. De facto, ele é bem real, a sua causa é conhecida, e ainda acrescenta uns breves segundos de romantismo ao pôr-do-sol.

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Estado estacionário

FUNCHAL João Anastácio Sousa

Comida, sotaque e futebol Para quem pensava que este texto seria sobre a Madeira: acertou! Mas se pensam que vou gabar exaustivamente as bonitas paisagens, a nossa gastronomia, o bom tempo e as dezenas de eventos que consomem milhões de euros por ano, enganam-se! A história da cidade remonta há mais de 500 anos atrás, quando colonos portugueses se fixaram num ‘anfiteatro’, uma bela baía onde o funcho era abundante, dando até origem ao nome da cidade do Funchal. Hoje, é uma cidade moderna, com cerca de 104 000 habitantes. Na verdade é que somos um povo muito peculiar… e no que diz respeito à comida e sotaque, ainda pior. A minha primeira grande missão em solo continental foi comunicar. E eis que chego eu todo contente ao continente e, sabendo que não havia espetada nem milho frito, não me quis armar em esquisito e pedi (na minha inocência) um “filhete” – o homem não me quis servir porque, aparentemente não se servem “filhetes” em Coimbra, mas apenas filetes! A partir deste dia, os “filhetes” nunca mais tiveram o mesmo sabor (lá se foram as minhas melhores memórias de infância). Não estou aqui para fazer um texto para falar mal do sotaque madeirense (afinal de contas eu sou da Madeira, embora às vezes não me perceba a mim próprio quando falo em voz alta) porque, para falar a verdade, o povo madeirense é macho! Não só por lá se comerem douradas em vez de rabanadas (cá para mim, rabanadas é nome de actividade extracurricular cujo professor é o Claúdio Ramos), ou se fazer uma bebida em que mistura aguardente com mel… e se mexe com o caralhinho! A cidade do Funchal dos dias de hoje é muito diferente do Funchal da época dos Descobrimentos e do funcho. Na verdade, esta cidade moderna, cosmopolita e rejuvenescida é famosa pelos restaurantes de luxo, pelos incríveis hotéis de 5 estrelas, pelo constante clima ameno, e claro, pela sua mais famosa exportação – o futebolista internacional Cristiano Ronaldo … e bananas. Mas não é só aqui que o futebol desta ilha se faz notar, principalmente quando aliado ao sotaque que

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também traz as suas vantagens: pode não se conseguir comer, mas é possível ver futebol em paz. Para começar, os árbitros nunca saem da nossa ilha ofendidos: “macaque”, “bandide”, “gatune” e “cachorre” até podem parecer elogios (escrito conseguese perceber o seu significado, mas falado parece uma música cigana). Pela mesma razão, eu penso que quando uma equipa joga contra o Nacional ou o Marítimo não há discussões entre jogadores – ou se houver só há briga de um dos lados (duvido muito que os jogadores continentais percebam uma palavra do que se diz por lá!); se bem que, a maioria dos jogadores destes dois clubes são brasileiros – o que nos remete para uma questão importante: Será que eles imitam o sotaque madeirense em campo para chamar nomes aos adversários? Não me parece, porque senão o resultado seria uma coisa tipo Pepe: o único jogador que conheço que tenta imitar o sotaque português de Portugal (e aí, em vez de insultos, iriam apenas sobrar cabeças de jogadores ao longo do relvado). Por fim, queria deixar uma sugestão: bebam muita poncha que a paisagem da ilha fica ainda mais bonita…

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Coimbra! Quem lá estudou, ainda lá vive. Ana Costa e Silva

Estudar em Coimbra é uma experiência ímpar e inexplicável e só quem por lá passou o compreenderá. Costumo dizer que será muito difícil para alguém trocar de Universidade quando é colocado em Coimbra, porque o sentimento que invade um estudante entranha-se até às profundezas do seu íntimo, e nada se pode fazer contra toda esta emoção. Eu já tentei por variadas razões, nomeadamente, pelo sentimento anti-estudantil que muitos, em determinadas alturas do ano (e todos sabem do que estou a falar) também por variados motivos (alguns bastante compreensíveis), manifestam. Sempre que passo pela Rua Sofia, não posso deixar de lembrar aquela rapariga da aldeia muito remota, acabada de chegar de uma viagem bastante atribulada e de várias horas, pois tivera de apanhar dois autocarros, depois de ter enfrentado uma caminhada de meia hora até à primeira paragem. E com que vaidade e prazer vestia aquele traje académico com que tanto sonhara! Depois, vem o Arco de Almedina e aquela escadaria, vezes sem conta subida e descida, mas sempre com valentia encarada. Era como se representasse todo o sacrifício que daria valor ao resultado. Vale a pena o esforço investido, dos que lá estão e daqueles que o tornam possível. Um pouco acima, vem a Sé Velha com o seu amplo recinto. Adivinharse-á, é claro, aquilo que faz lembrar: toda a magia que reveste a Serenata Coimbrã. A sensação da capa quentinha faz esquecer todo o desconforto do chão que por muitos é pisado. E o momento

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foi mágico e continua a sê-lo. Claro que há o vómito daqueles que não aguentam a bebida e o aperto existente no recinto, há o espectáculo desagradável dos que usam os cantos, nem sempre muito recônditos, para aliviar as suas necessidades, mas toda aquela atmosfera encantadora faz esquecer esses pequenos detalhes. Aquela canção da despedida ouvida em silêncio (quase total) prende-nos para sempre. As lágrimas dos que estão perto de partir e dos que já lá não estão teimam em cair. A saudade invade-nos o corpo e a alma! E depois são aquelas capas no ar, as fitas multicolores e o grito que não é arrancado a ferros, mas brota com toda a força, porque se torna imperioso soltá-lo. E, após mais um esforço a subir, chegamos ao recinto universitário. A Porta Férrea, muitas vezes atravessada para ir a Direito (ver a malta do sexo oposto), a Biblioteca, algumas vezes visitada (não tantas quanto devia, mas… é que há tantas prioridades!), as Físicas e as Químicas, mais recordadas pelas filas da cantina (e dos “golpes” irritantes), a Faculdade de Medicina, cujo cheiro a formol ainda vive nas narinas de quem por lá (esporadicamente) passou, e, finalmente, a Faculdade de Letras, que, naturalmente, ou não a tivesse eu frequentado, foi palco de amizades, convívio, galhofa, risotas, conhecimento (exatamente por esta ordem)… Já lá não estou, fisicamente, mas, podem crer, uma parte (não visível, é certo) de mim estará para sempre gravada naquelas paredes e nas ruas percorridas da cidade, à qual a minha vida para sempre pertencerá.

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A game(r) review

Guilherme Simões 200 anos após a Oblivion Crisis, um período de grande turbulência e guerra, o mundo de Tamriel é um lugar muito diferente daquele deixado pelos jogadores no final de The Elder Scrolls IV. Os intervenientes mais influentes do jogo anterior, os Blades, os Mages e os Thieves, desapareceram ou são agora apenas uma sombra da sua anterior glória. Desta vez o foco da história passou do fantástico para o político com o assassinato do rei de Skyrim, desencadeando uma guerra civil entre aqueles leais ao Império e um bando de rebeldes. Toda esta contenda é, no entanto, logo ofuscada pelo regresso dos dragões a Tamriel que, não surpreendentemente, não se importam em escolher um lado – soldados imperiais e rebeldes sabem-lhes todos ao mesmo. É portanto necessário que os habitantes de Skyrim ponham de lado as suas diferenças para conseguirem sobreviver e combater este inimigo comum. Mas, claro, nunca ninguém pôs de lado as suas diferenças por nada e é por isso que todos se voltam para a única pessoa que as profecias afirmam poder salvá-los. O Dovahkiin. Que, por acaso, és tu! Graças à alma do dragão que habita o teu corpo, é possível gritar na língua dos dragões, o que permite incendiar objectos, congelar coisas, desarmar inimigos, acalmar animais e realizar outras tantas tarefas que de outra forma seriam bastante aborrecidas. Na prática, gritar é uma habilidade de suporte a armas e magia que se vai expandindo à medida que se aprendem novas frases dessa língua, escritas em paredes de cavernas antigas e noutros recantos do mundo. Resumindo, Dovahkiin descobre que ele ou ela é meio-dragão. Ele ou ela tem de parar os dragões. Estes dois factos são praticamente os únicos absolutos. E é inteiramente da responsabilidade do jogador o caminho percorrido pelo herói entre estes 2 pontos. E quão longo será esse caminho. Se há coisa difícil de explicar e quantificar é precisamente o alcance, a ambição e a grandeza do mundo construído pelos estúdios da Bethesda. Quem já jogou um dos seus RPGs anteriores sabe que a história principal é apenas uma pequena parte daquilo que os seus jogos oferecem, e é uma parte que se pode ignorar por completo. A narrativa principal pode ser terminada em menos de 10 horas, dependendo da habilidade do jogador de se manter no caminho certo mas, como muitos argumentariam, não é isso que interessa. Num mundo tão vasto como o de Skyrim, onde há tanto para fazer, a imersão é o objectivo principal. O que começa como um sistema de grutas pode ramificar-se numa cripta em ruínas antes de se abrir numa caverna gelada de beleza surpreendente. Estranhas criaturas, objectos poderosos há muito esquecidos, notas deixadas por antigos habitantes e outros elementos narrativos gentilmente

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indicam o caminho a seguir por estas masmorras, mas explorálas – para descobrir, exactamente, onde se irá acabar – é a recompensa final. Para chegar mais fundo, contudo, o melhor é estar preparado para uma luta. O combate continua a não ser o aspecto mais forte da saga The Elder Scrolls embora tenha melhorado bastante nesta nova iteração. Atacar com uma arma e bloquear com um escudo é um pouco mais táctico embora haja casos em que um inimigo não reaja visivelmente a um ataque por estar ele próprio a meio de uma animação de ataque. Em geral, é um pouco mais fácil perceber-se a distância necessária para se acertar num inimigo mas ainda existe um certo agitar e debater de braços até se conseguir atingir o alvo desejado. A adição de magia e dos já mencionados gritos na língua dos dragões oferece uma maior profundidade ao combate, dando mais opções úteis para o herói se desenvencilhar de situações complicadas. Também é possível jogar com uma vista em terceira pessoa, o que acaba por permitir contornar os problemas dos combates a curta distância e proporcionar algumas animações de combate terrivelmente dramáticas. No entanto, nada é mais cinemático que as persistentes e épicas batalhas contra os dragões. Estes lidam bem com a mudança da paisagem, permanecendo no ar quando precisam e chegando perto quando possível, sem se esquecerem de irem cuspindo fogo pelo meio. Os longos e complicados embates com estas criaturas não podiam ser mais satisfatórios, culminando invariavelmente na colisão do dragão com a terra, onde o seu esqueleto permanece durante todo jogo – um monumento à tua vitória e um testamento da tua força. É por estes momentos, e pela simples magnitude de um mundo que parece não ter fim, que é impossível não recomendar aquele que é provavelmente um dos melhores jogos single-player de todos os tempos.

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16 frames por segundo

Beginners Lançado para os cinemas em 2011, Beginners é um suave drama que retrata a vida de Oliver (Ewan McGregor) após uma serie de eventos que alteram o rumo da sua existência.Uma estrutura baseada numa interpolação entre o presente e flashbacks do passado de Oliver, promove a coerência da história, com as diferentes épocas da sua vida intrinsecamente relacionadas. O presente desenrola-se em 2003 após a morte do seu pai. Oliver, de 38 anos, está numa fase negativa da sua vida, acompanhado por Arthur (o cão do seu falecido pai) quando conhece Anna (Mélanie Laurent). Com o evoluir da relação, é explorada a ligação de Oliver com o seu pai doente (no passado, portanto), que depois do falecimento da sua esposa assume a sua homossexualidade (aos 75 anos). A influência da homossexualidade de Hal na sua vida, e na de Oliver, é uma das forças do filme. Apesar das várias considerações possíveis, a ideia fundamental não dá azo a dúvidas: o amor tem de ser mais forte que os obstáculos. Isso reflectese na maneira como Oliver lida com o pai, e na maneira como Hal devolve a Oliver a esperança no amor. O modo como aborda a sua relação com Anna é produto da sua natureza e das suas inseguranças com o que aprendeu nos últimos momentos do pai. A nível individual, McGregor e Laurent cumprem bem os requisitos e Christopher Plummer (como Hal) tem uma performance notável que lhe vale uma nomeação para um Óscar e aclamação pela crítica. O ambiente de tristeza inerente à doença do pai é acompanhado pelo optimismo e crença na bondade humana, sentimentos que dominam o filme. Aproveitando temas já recorrentes, abordando-os de forma leve e cativante, tornam o filme difícil de deixar a meio.

Gonçalo Louzada

Drive Produzido pelo Dinamarquês em ascensão Nicolas Refn, Drive é um filme de acção que estreou em 2011 no prestigiado Festival de Cinema de Cannes, tendo recebido uma ovação de pé e coroando Refn como Melhor Realizador. Drive descreve a vida de um condutor profissional de automóveis, duplo em produções cinematográficas à luz do dia, e ao mesmo tempo piloto de fugas criminosas pela noite. A estrela é Ryan Gosling, que interpreta o papel do Driver, dando-lhe a profundidade, o mistério e o carisma necessários para que este se torne numa figura de culto. Outra performance aclamada é a de Albert Brooks no papel do gangster Bernie. Um solitário por natureza, Driver não consegue evitar uma atracção platónica por Irene (Carey Mulligan), sua vizinha. Ao mesmo tempo que trabalha na indústria de cinema como duplo, Driver trabalha numa oficina e Shannon (Bryan Cranston), seu patrão, deseja formar uma equipa de corridas de automóveis, aproveitando as capacidades do piloto. Aqui entra em cena Bernie, que seria o investidor no negócio. Mas quando o marido de Irene é libertado da prisão assombrado por dívidas, tudo se complica na vida do protagonista. O clima do filme prima pelo suspense, crescendo em envolvimento com o espectador à medida que o enredo evolui. Mas esta evolução não é linear, sendo polvilhada por escaladas íngremes de intensidade, envolvendo cenas de violência brutal, dignas de um filme “à Tarantino”, e cenas emocionalmente suaves e ricas. Um filme com um ambiente retro, que aliado às boas performances dos actores, e ao ritmo com que a história se desenrola, o transforma num clássico imediato da era moderna do cinema.

Gonçalo Louzada

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RESISTANCE


16 frames por segundo

Ghost rider 2 Nicolas Cage representa o papel de Johnny Blaze, um homem que depois de ter perdido a sua alma num negócio com o diabo, tenta privar a sua maldição do mundo. Nesta luta contante, Johnny Blaze é levado a uma zona remota da Europa ocidental onde uma Seita Secreta da Igreja o recruta para proteger um rapaz especial que tem uma ligação com Roark, o diabo em forma humana. Numa promessa de acabar com a sua maldição, Johnny aceita e deixa sair o cavaleiro para encontrar o rapaz. Nesta busca onde homens lutam contra demónios, acção é o que não falta até porque tudo o que o cavaleiro monta transforma-se numa arma de destruição. Será que Johnny vai conseguir destruir Roark? Ou será que o diabo vai conseguir voltar em plena força para a terra? Um filme empolgante e cheio de acção onde os efeitos especiais não foram poupados e que fará todos os amantes da BD ficarem com água na boca! Neste filme o papel de donzela em apuros é dado à deslumbrante Violante Placido que encarna o papel de mãe em apuros e o papel de fada madrinha, por assim dizer, é atribuído ao actor Idris Elba que dá um toque especial a esta história! Pode-se dizer que vale o bilhete do cinema, mas que não serve para levar a tua namorada uma vez que não vais querer tirar os olhos do ecrã, por isso junta uns amigos e desfruta de 95 minutos de mais uma BD tornada viva pelo mundo do cinema.

Pedro Figueiredo

Hiroshima meu amor Em 1959, o então desconhecido Alain Resnais, apresentou “Hiroshima Meu Amor” no festival de Cannes. Como o tema das bombas atómicas era tabu no EUA e o governo francês não queria agravar as relações diplomáticas, este filme foi impedido de entrar na competição oficial do festival. No entanto, o filme foi apresentado fora da competição, e a aclamação foi tal que venceu o Prémio Especial do Juri e o Prémio da Crítica Internacional. Duas personagens sem nome, um arquitecto japonês e uma actriz francesa, iniciam uma relação física que vai progredindo durante o filme para uma relação mais profunda, devido às experiências semelhantes que ambas as personagens passaram durante a guerra. O arquitecto perdeu a família devido à bomba atómica de Hiroshima, e a actriz o seu primeiro amor (um soldado alemão colocado na sua cidade natal de Nevers). Ambas as personagens possuem cicatrizes profundas na alma mostrando as consequências da guerra nos cidadães inocentes. “Hiroshima Meu Amor”, a par de “Os Quatrocentos Golpes” de François Truffaut, catalizou a “Nouvelle Vague”. Esta forma cinematográfica rompia com a intransigência do cinema de então, abrindo portas a diálogos mais pesados e amoralistas, montagens inesperadas e sem concessões à linearidade narrativa. No caso particular do filme, o argumento foi escrito por Marguerite Duras de forma a dar um maior foco na experiência feminina durante a 2ª Guerra Mundial. A utilização de flashback’s e da voice off para o pensamento são ambas novidades de montagem que espantaram o público de então e apaixonam o público actual. A “Nouvelle Vague” influenciou o Cinema Mundial de tal forma que realizadores comercialmente conhecidos como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola ou George Lucas apresentam características deste estilo cinematográfico.Um filme que qualquer amante do Cinema não pode perder, e que o Eric Rohmer definiu como o melhor filme pós-guerra e o melhor filme do cinema sonoro até então realizado (1959).

Frederico Borges

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78 rotações por minuto

Foster the people Justice Torches

Audio Video Disco

Algures em Setembro/Outubro, o meu Facebook foi invadido por músicas de uns tais Foster The People. Numa investigação mais elaborada pela WWW, percebi de imediato que poderia estar já gerado um hype, talvez justificado, talvez não. Mas como qualquer suposto hype cria curiosidade em saber quais as razões porque alguma coisa está em alta, dediquei um pouco do meu tempo a ouvir o primeiro trabalho de longa duração dos Foster The People, lançado já em finais de Maio do ano passado: Torches. “Helena Beat” e a brilhante, mas já desgastada “Pumped Up Kicks” dão ao álbum um inicio auspicioso, onde o indie, o pop e o electrónico fundem-se perfeitamente. O piano dançável é uma constante em Torches, e ajuda a solarenga “Call It What You Want” a ser um dos momentos mais fortes do álbum. A viciante “Don’t Stop (Color On The Walls)” (facilmente a melhor música do álbum!) cheira a surf e praia, quais Beach Boys. De referir ainda a misteriosa “Waste”, entre outras músicas que complementam o álbum sem destoar (“Houdini”, “Warrant”). Afirmo desde já que não sou fã da nova vaga indie pop, que teima em surgir desde há uns anos para cá, por achar que a qualidade que lhe atribuem é ridiculamente sobrevalorizada (mas isso é conversa para outras alturas). No entanto, fiquei bastante surpreendido com este trabalho. A maior razão para ficar surpreendido com Torches foi o som genuíno que tem, e o sentimento que transmite. Os Foster The People beberam diversas influências, mas não parecem ser apenas mais uns, pois souberam criar a sua própria identidade. Poderá estar aberto o caminho para uma nova referência musical?

João Borba

Quem não conhece, devia conhecer, já que eles são uma referência dentro do género. São franceses, são electro rock e há 5 anos atrás lançaram o seu primeiro álbum – Cross – que além de se tornar um culto, tornou-se um dos álbuns mais marcantes da primeira década do século XXI. A banda também é reconhecida pelos remixes de grande qualidade que fazem (MGMT – Electric Feel, por exemplo). Por isso, quando no início de 2011 surgiu um novo original dos Justice (“Civilization”), num anúncio da Adidas em que Messi é protagonista, desde logo se começou a contagem decrescente para Audio, Video, Disco. Ao ouvir, Audio, Video, Disco parece um álbum de rock progressivo. É isso mesmo, não faz sentido. São electro rock, mas não faz sentido na mesma. Parece um álbum de hard rock progressivo pintado no final dos anos 70 com sintetizadores a servirem de background. E por vezes resulta bem (“Canon”, a deliciosa “On’n’On”, “Newlands”, “Parade”), por vezes resulta mal (“Brainvision”, “Ohio”). Não há hits imediatos como havia em Cross, como era “D.A.N.C.E”, mas há vestígios do ambiente pesado em “Horsepower” e “Helix”. “Audio, Video, Disco” acaba o álbum de uma forma bastante agradável, mas isso só por si estabelece o veredicto final do álbum. E que veredicto? Audio, Video, Disco é um bom álbum. É um álbum que resulta melhor como um todo, do que música a música. Louva-se os Justice pela capacidade que tiveram de montar um álbum com a sua identidade, e referenciarem grande parte dos seus ídolos rock. Mas o sentimento que permanece é que faltou um Danoninho. Ou dois, ou três. Faltou o álbum amadurecer. Ou se calhar falta o álbum amadurecer em nós. Ou se calhar, isto é apenas a opinião de um fã confesso da banda, e que esperava um pouco mais.

João Borba

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78 rotações por minuto

Interpol Turn On The Bright Lights Gonçalo Louzada Interpol. Um nome que já ninguém estranha. Formados em 1997, os Nova-Iorquinos marcaram o regresso à ribalta de uma sonoridade que ganhou espaço no final dos anos 70, sendo inevitável a comparação com Joy Division. O Post-Punk estava pronto a renascer. A sonoridade inconfundível é fusão da voz grave de Paul Banks (impossível não pensar em Ian Curtis, com as devidas limitações a esta comparação), as linhas de guitarra angular e sublime de Daniel Kessler, desconectadas da imaginação de Carlos D, baixista cujo staccato confiante transcende a linearidade de Kessler e Banks (que providencia a guitarra secundária). Sam Fogarino completa com o ritmo mecânico da bateria. Turn On The Bright Lights é o primeiro álbum do grupo, lançado em 2002. Precedido de uma série de EP’s que tiveram tanto de promissor como de underground (nunca tiveram a notoriedade dos lançados pelos conterrâneos The Strokes), esta colectânea de momentos de genialidade tornou-se objecto de culto, figurando em várias listas de melhores álbuns da década. A surpresa de Untitled, o clássico instantâneo Obstacle 1 e a melancolia de NYC abrem as cerimónias. Se a grandiosa NYC permite baixar a pulsação, nem os duzentos sofás de PDA chegam para recuperar da energia que esta entrega. Mantendo a toada, Say Hello To The Angels pede um passo de dança até a exaustão tomar o controlo do corpo, remetendo-o para os anjos. Hands Away abre espaço para respirar, e de repente temos Stella Was A Diver and She Was Always Down a tomar conta das ruas dos sentidos de quem está a ouvir. Quando Stella cai, Roland trata de se levantar, preparando The New, introduzida por um riff grandiosamente atmosférico de baixo. E se faltava alguma peça, Leif Eriksson acaba com as dúvidas e clama este álbum como uma nova linguagem, quebrando fronteiras e anunciando aquilo que se veio a comprovar: nascia uma grande banda de rock nos anos 2000.

The Maccabees Given to the wild Gonçalo Louzada The Maccabees são um quinteto de indie rock proveniente de Londres, com três álbuns lançados. Given To The Wild, está nas bancas desde 9 de Janeiro de 2012, e marca mais uma viragem no som e processo criativo da banda. Given To The Wild tem tanto de espectável como de surpreendente. Uma nova aproximação a nível de composição (menos jam sessions e mais trabalho individual) levou a uma coerência antes não atingida pelos britânicos. Orlando Weeks deu nova cor à sua voz, explorando tons outrora escondidos. Os irmãos White evoluem na sua sintonia entre guitarras dando espaço à bateria e ao baixo na criação de um cocktail de sensações a viver em 50 minutos. Child enceta negociações com um ouvinte já ambientado pela Intro. Nasce lenta, crescendo até a bateria e o baixo subirem uma mudança, provocando uma súbita ânsia e vontade de fechar os olhos desfrutando deste lado selvagem dos The Maccabees. Feel To Follow, das últimas músicas compostas para o álbum, arranha a perfeição. Vibrando em torno das duas guitarras e do ritmo imposto pela bateria, o instrumental final deixa o ouvinte num êxtase induzido por som. Ayla hipnotiza com o seu loop de teclas e Glimmer assume-se como um dos momentos mais sublimes do álbum. Forever I’ve Known faz a transição perfeita para um mar de sons mais agitados mas Heave traz o barco de volta a águas mais calmas, electrificadas à medida que a música se aproxima do final. E aí surge o momento mais pop, mas igualmente brilhante desta obra: Pelican, relembrando antigas sonoridades do grupo. Se a introdução de Went Away acaba por se dissipar ao longo dos minutos, Go seria uma miragem em álbuns anteriores, recorrendo à electrónica para adicionar uma nova textura sonora. Unknown traz de volta um som mais crú do baixo e da guitarra, Slowly One assume um registo mais intimista, preparando Grew Up at Midnight, que sobe degraus de intensidade até um grand finale. E assim termina aquele que provavelmente fará parte de muitas listas de álbuns do ano.

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Estado excitado

Viagens para totós Débora Duarte

Quem nunca disse “um dia vou para África fazer voluntariado” ou “essa cidade é a minha viagem de sonho” levante a mão. Se és desses, podes parar por aqui – este texto não vai ter nada que te interesse. Aos restantes, tudo o que escrevi é baseado na minha (curta) experiência em viagens lowcost dentro da Europa. Pode não resultar para todos os destinos, nem ser adaptável a alguma necessidade de maior conforto.

“a viagem de uma vida (ou uma vida em viagem) com apenas alguns passos...”

#1 «de santo e de louco, todos temos um pouco» Sonhar uma viagem é a coisa mais entusiasmante de sempre: escolher o destino; pesquisar preços; procurar imagens, informações, contactos... E, pouco a pouco, vamos tomando nota das decisões tomadas, dos bilhetes comprados, dos horários definitivos. As datas deixam de ser flexíveis e ganham contornos em letras gordas na agenda: confesso que tenho um prazer especial em responder a convites com um “sim, gostava muito, mas nessa semana vou estar fora!”. Nesta fase não entram desculpas como “não tenho tempo” ou “não tenho dinheiro”. Ponderados os devidos limites (não sou

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tão ingénua que não conheça as necessidades sérias de algumas pessoas – colegas nossos, até), facilmente se arranja uma solução – as datas somos nós que as escolhemos e, se abdicarmos do hotel de 5 estrelas, não é difícil planear uma viagem com um orçamento inferior a 50€. #2 amigos, intercâmbios e couchsurfing Destino – check! bilhetes – check! monumentos e afins – check! quarto – “ups! E agora?” Bem… Não é muito fácil, mas podia ser bem pior! Para manter baixo o nível de custos, depois do preço dos transportes (que, via de regra, é maior quanto maior é a distância percorrida), provavelmente o que mais importa é saber escolher o alojamento. Somos estudantes universitários! Um #2.1 será, obviamente, perguntar a todos os colegas em Erasmus quem tem um cantinho de chão que nos empreste. Quando esta solução não resulte, partimos para o #2.2 – dos grupos em que nos inserimos, por certo algum terá um semelhante no país de destino: então, toca a enviar e-mails para agrupamentos de escuteiros, equipas universitárias de voleibol ou clubes de filatelia. Talvez alguém esteja interessado em trocar experiências, dois dedos de conversa e uma chávena de chá à noite antes de dormir. Acreditem que, acima de tudo, é reconfortante encontrar uma “família” lá fora – em Roma, foi graças a uns conhecidos que me alimentei convenientemente; e, para a minha próxima viagem (Londres), já há um almoço combinado com uma comunidade emigrante portuguesa. É claro que são só exemplos. E que o fazem por me conhecerem de outros contextos (não é só caridadezinha cristã – não se ponham com ideias estranhas!).

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Estado exitado de mão, ou “sobreviver” uma semana a pão-de-forma e fiambre. Nada disso… Qualquer website sobre a cidade que queiram visitar vos dirá tudo isto e muito mais (fora os extensos livros de viagens com todos os conselhos e mais alguns). Vou saltar a parte da viagem em si – até porque esse pedaço da história pertence a quem a vive e de nada adianta usar rotas/ir com ideias pré-definidas porque as nossas serão, seguramente, diferentes; únicas e, por isso mesmo, preferíveis. Não; vou passar já ao regresso: Às memórias que trazemos e queremos partilhar com outros (os mesmos que, passado alguns dias já sabem as nossas histórias de cor, de tanto as ouvirem); as fotografias que passamos horas a ver, enquanto nos rimos sozinhos na sala de estar; a vontade louca de partir novamente. Para mim, “chegar” só faz sentido porque me permite recuperar as forças necessárias para “partir” outra vez. E “partir” significa tanto “correr o mundo”, como “conhecer aquela aldeia a 50km de distância”, como “dar tempo às coisas simples do dia-a-dia”. “Partir” é mudar de vida, encher-me das coisas que não tenho no conforto da rotina; conhecer-me e tornar-me diferente; ser uma pessoa melhor. Alimento esta sede de “viver a sério” com pequeninas coisas. Cada um tem as suas! A minha fé, a família, os estudos… e banalidades como Postcrossing (outro projecto on-line – www. postcrossing.com – este, de troca de postais); cafés, lanches ou minis na varanda do Justiça e Paz com os amigos de sempre; etc… O #2.3 é, para mim, das melhores coisas que a internet nos trouxe – comunicação à escala global. O projecto www.couchsurfing. org permite, gratuitamente, procurar e ser procurado; acolher e ser acolhido. Através de um sistema de referências, vamos sabendo o que os outros couchsurfers acham daquela pessoa que mora naquele sítio para onde vou; ou da outra que vem visitar a minha cidade e pede para pernoitar no meu sofá. A solução ideal para quem, como eu, tem sempre orçamentos bastante curtos, mas quer conhecer ao máximo o local para onde vai. Quem melhor para me explicar como vive um parisiense que alguém que viva em Paris? É claro que sou sempre livre para dizer “não”. Mas a brasileira, a alemã e o polaco que já passaram cá por casa provaram-me que vale a pena conhecer o mundo através deles. E, da mesma forma, em breve estarei em Londres, a tomar o pequeno-almoço com duas inglesas extremamente simpáticas – sem dúvida a melhor forma de descobrir se o cliché dos ovos com bacon é verdadeiro!

Viagens para totós. Não sei quem se lembrou desta colecção de livros. Mas fala muito da minha vida: é nas coisas mais parvas e ridículas que eu sou feliz. E viajar sem mais é, sem dúvida, daquelas coisas com tão pouco sentido, que faz todo o sentido para mim.

#3 «quero chegar para partir» Como podem imaginar, não vou pôr-me para aqui a falar do que devem levar na mochila, dos cuidados a ter por causa de carteiristas e afins. Não vou dizer que quanto menos tralha levarem, menos peso carregam nas costas; nem que é perfeitamente possível enfiar roupa para 7 dias numa bagagem

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Crónica

Viajar no tempo Frederico Borges Há cerca de duas semanas tive a oportunidade de me deslocar ao Observatório Astronómico de Fronteira. A particularidade deste observatório é a fraca poluição luminosa na zona, permitindo observar astros que normalmente são indistinguiveis ao olho humano. No entanto, o mais interessante não é a espectacular beleza espacial, mas a constatação que estou a observar o passado. Todos os astros que observámos contam-nos histórias diferentes do passado como se de uma cebola se tratasse. Quando mais distante se encontra o astro, mais antiga é a história que nos conta, onde podemos perceber a evolução do nosso Universo através da observação. Estive a viajar no tempo, atravessando espaços temporais de centenas de anos-luz sem me aperceber. E que viagem espectacular.Vi estrelas que já não existem, vi galáxias de tamanhos imensuráveis, vi-me a mim mesmo como uma pequena formiga a viver num mundo de Golias. No

entanto, tal como as formigas, é o nosso pequeno trabalho que faz funcionar a “Máquina do Mundo”. A oportunidade de poder viver neste Universo, no único planeta conhecido com vida até agora, é uma oportunidade que não podemos desperdiçar. Temos de aprender e trabalhar para fazer a nossa parte na História do Universo. Não podemos ser uma pedra que atrasa a engrenagem da “Máquina do Mundo”. Temos de ser uma roda dentada, que por mais pequena que seja, esteja a trabalhar em sintonia com a engrenagem total. O ser humano é um animal da hábitos. Assim, temos de compreender o Passado para evitar cometer erros semelhantes no Futuro. As lições que a História nos dá, servem para nós nos compreendermos melhor. No fundo, olhar para o Passado é aprender para o futuro. Assim, aconselhovos a viajarem no tempo, numa noite qualquer porque é uma experiência que não podem perder.

Um senhor que partiu os óculos Pedro silva Boas pessoal! Venho aqui falar do excesso de consumo de álcool na semana académica, nomeadamente no cortejo da queima das fitas. Acho uma vergonha… Não, estou a gozar, seria hipócrita da minha parte afirmar tal coisa. De qualquer maneira, apesar de já ter tido parte em excessos neste dia, não posso deixar de comentar os abusos que se vêem. A ideia para este pequeno texto surgiu quando, numa das minhas visitas à biblioteca do meu departamento, fui confrontado com a seguinte história: uma senhora funcionária contou-me que no cortejo do ano passado

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um senhor idoso que se encontrava ao lado dela foi pedir uma garrafa de água a um dos carros, um indivíduo trajado que lá se encontrava, contrariamente ao que lhe tinha sido pedido, atirou uma lata de cerveja à cara do senhor, partindo-lhe os óculos e, inclusivamente ferindo o mesmo. Digo por experiência própria que é muito mais divertido, para os dois lados, conversar com esses senhores ao invés de os ferir. Também na nossa conversa houve uma troca de impressões quanto à abusiva “humidade” nesse dia, mas quanto a isso, sendo eu uma das pessoas que se molha e que molha os outros, não posso falar

muito. Até poderia dizer aqui que tento não incomodar as pessoas que estão de facto a ver o cortejo, mas apesar da minha vontade de o fazer não posso dizer que o cumpra. Quanto ao caso descrito, faço o seguinte apelo: Molhem-se à vontade (também já o fiz muitas vezes), bebam com moderação, brinquem com quem quer brincar, mas deixem as pessoas que querem ver os filhos, sobrinhos, irmãos ou apenas ver um dos melhores dias do ano, apreciar o cortejo. Já agora, e isto não tem nada a ver com ocupar mais espaço, um grande abraço e um beijinho para a Pati que saiu da equipa de edição. Obrigado por tudo.

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Da Física para a Arquitectura João Pedro Ferreira João Pedro foi (ou é) um colega que era visto a errar pelo departamento de física durante três anos. Agora num novo curso, parece interessante ter uma opinião em retrospectiva, uma visão privilegiada por um conhecimento mais abrangente. Não se enganem pois estamos apenas a falar de espaço geográfico. Uma vez mais, não se deixem enganar pelo autor que fala dele na terceira pessoa se estiver em itálico e que inclusivamente escreve os próprios prólogos.

Será esta uma boa forma de prender a vossa atenção até ao final deste artigo? Terá sido a primeira linha capaz de vos fazer ler esta segunda linha? Enquanto me questiono e formulo por escrito essa mesma questão, acerca de quais serão os vossos níveis de paciência, imagino alguns de vós, num futuro próximo, a dirigir-se a mim apressadamente e a atirar-me uma Resistance à cara com tanta força que talvez consiga ler um ou dois artigos estampados na testa enquanto escovo os dentes. Se chegaram até aqui ficam então a saber: este início demorou 40 minutos a ser escrito, são 21h47m, hoje tive uma laranja à sobremesa e não estou a usar peúgas. O que mais me incomoda no fim disto tudo nem é o exagero na aleatoriedade mas sim o facto de nenhuma delas ser verdade. Se recorro à mentira descarada com tanta facilidade para contornar a dificuldade em escrever pelo menos uma página, ao que é que isto me levará a seguir? ESCREVER

EM CAPS LOCK E TAMANHO DE LETRA 18?? Colocar uma imagem com potencial de

que me assaltam antes de começar o texto. Talvez deva por 5 minutos deixar de escrever apenas sobre mim e aliviar um pouco o colega leitor que se calhar até estava na esperança de ler algo com mais conteúdo. E aqui está: aproveitei estes 5 minutos para ir à casa de banho, é escusado agradecer. Voltando a mim, é mesmo necessário entrar nalgum tema de discussão? Já há, ou deveria haver, nesta revista artigos sobre o departamento, os cursos, a universidade, viagens, política e até gastronomia. Assim sendo, reservei-me no direito de escrever o artigo sobre absolutamente nada. Porque enquanto eu escrevo sobre nada, e vocês lêem sobre nada, estamos ao mesmo tempo a pensar em nada. O que faz deste artigo a melhor leitura de sala de aula! Justificando na mesma frase que as ligações semânticas não são o meu ponto forte, gostaria de dar conta de mais alguns factos que me conseguirão mais meia dúzia de linhas: o tempo que levei a escrever um texto sem sentido era provavelmente suficiente para ler a teoria do meu trabalho de Geometria; quanto aos cinco minutos da tua vida que demoraste a ler isto, só te resta agora lamentá-los; em estatística não comprovada, 40% das vezes uma pizza irá chegar mais depressa do que uma ambulância; um sem abrigo queixa-se a um carteiro que o seu senhorio se recusa a deixá-lo pôr cães de loiça em cima da televisão, ao fim de 20 anos de carreira o mesmo carteiro chega a casa e descobre-se arrumado na gaveta ao lado das restantes cuecas; se tudo correr bem, dia 6 de março será a uma terça-feira este ano. Caros colegas, uma vez mais sinto-me lisonjeado por me solicitarem mas, como vêem, desta vez não tinha paciência para colocar duas vírgulas com o mínimo de sentido. Ainda assim, espero ser a prova de que dá para se divertir mesmo com o texto mais oco. E não, sem segundos sentidos implícitos. Depois de sujeitar o texto a revisão, uma amiga alertou-me para o novo acordo. Confesso que fiquei chocado ao saber da sua existência pois ainda nem sequer tive tempo para me habituar a este. Ah, quanto à Arquitectura, o curso é fixe.

Sem dúvida que uma das vantagens de ter liberdade criativa é o facto de poder gastar metade do espaço com as reflexões

Opá, nem é de todo descabido.. Tem a sua coerência.. Até conseguiu falar de peúgas e cuecas no mesmo texto..!

reflexão mas que em nada tem a ver com o assunto?

www.eusotenhoumblogporqueopedrotambemtem.com RESISTANCE

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Interrail Frederico Borges Para todos aqueles que já o fizeram mas sobretudo para aqueles que ainda não fizeram ou não conhecem esta forma de viajar, decidimos nesta edição partilhar um pouco da experiência de alguém cujos Verões englobam quase obrigatoriamente uma passagem de comboio na carteira. Não percas esta entrevista exclusiva e, se te decidires aventurar, então, boa viagem!

Para começar, explica resumidamente o que é o Interrail. O Interrail é um bilhete de comboio que te permite viajar pelo continente Europeu quase na totalidade. É uma experiência que todas as pessoas deviam fazer para perceberem que o mundo é muito mais complexo do que aquilo que pensamos, e dá-te uma perspectiva melhor das reais necessidades das pessoas. Para qualquer aspirante a viajante é a melhor viajem de começo que se pode fazer: um mês em que estás por tua conta. Vais onde quiseres, comes o que quiseres, dormes onde e quando puderes. É uma experiência enriquecedora em termos pessoais. Não percam uma das oportunidades da vossa vida. Com quem viajar? Grupo de quantas pessoas no máximo? O meu conselho é que viajem sempre com amigos próximos. Viajar é um prazer que devemos ter com aqueles que mais gostamos. E vais estar com essa(s) pessoa(s) 24 horas por dia, portanto convém saberes “à priori” que te dás bem com ela, para que as discussões se resolvam rapidamente e sem ninguém ficar chateado. Em relação ao número de pessoas, não façam um Interrail com

mais de quatro pessoas: tentem conciliar os países e cidades que todos querem ir. Com mais de quatro pessoas já temos demasiados compromissos, já para não falar que também queremos ir àqueles sítios que sempre sonhamos, não? E mais uma coisa, não tenhas medo de ir sozinho… Que bilhetes há e quais as opções mais vantajosas? Global Pass ou One country? Relativamente ao Global Pass, existe a possibilidade de fazer 15, 22 ou 31 dias. Obviamente que quanto mais tempo forem mais caro é o bilhete, mas a relação dias/preço é tanto melhor quanto mais dias forem. Depois de saberem quantos dias vão, devem escolher o Flexi Pass ou o Continuos Pass; no Continuos Pass podem viajar todos os dias durante a duração do bilhete. No Flexi Pass podem andar x dias durante a validade do bilhete. O x depende do preço do bilhete, obviamente. Em relação ao One Country Pass, que nunca realizei, acho-o interessante se quiseres passar uns dias a conhecer um país relativamente grande. E vão sempre faltar sítios para ver em qualquer país que vás. Para mim é uma boa solução se só tiveres 15 dias para viajar. Quais os comboios incluídos no preço de Interrail e que países estão abrangidos? Todos os comboios estão incluídos no bilhete do Interrail, no entanto irás ter de pagar reservas em comboios de alta velocidade ou em alguns comboios nocturnos. Atenção, estas reservas às vezes não são nada baratas: vão de 3 (muito raramente é tão pouco) a 30 euros. Mas precisas de estudar se mais vale a pena pagar 30 euros por um comboio nocturno ou perder 1 dia a chegar ao destino. Porque no Interrail notas muito bem que tempo é dinheiro. Praticamente todos os países da Europa estão incluídos. Até o novo país de Montenegro faz parte. Tirando países como Albânia, Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, Lituânia, Estónia e Letónia . Tirando os autocarros da Suíça, mais nenhum meio de transporte faz parte do Interrail. Mas tens algumas passagens de ferry com desconto.

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Levar tenda/saco-cama? Explicite. Saco-cama, é fundamental para dormir em qualquer sítio que seja, quer seja hostel sem lençóis a um comboio com o ar condicionado ligado ao pólo norte. Tenda, nunca. No meu segundo Interrail levei tenda e foi o meu maior erro. Muito peso e nada fácil de transportar. Se por acaso precisares de tenda para uma caminhada ou assim, facilmente alugas uma por alguns dias.

Onde e com que antecedência adquirir o bilhete? Compras o bilhete em qualquer estação de comboio com serviço de vendas Internacional (existe em Coimbra). E podes comprar o bilhete hoje para começar o Interrail hoje. Não tens qualquer antecedência para comprar o bilhete. Compras um low-cost, já que compensa em tempo/dinheiro e saltas por cima de países que já viste. E começas o bilhete no país que tiveres, qualquer que ele seja. Quanto dinheiro em média é gasto/dia? Pessoalmente gasto em média 20 euros por dia. Comida são 5 euros, prepara-te para comer sandes. Dormida 15, 20 euros (depende muito de país e cidade onde estás.) No total 1200 Euros em cada Interrail com bilhete incluído. Mas o preço do Interrail pode baixar para os 1000 euros se não andares de low cost e não fores aos países terrivelmente caros como Itália e Suíça. Antes de Partir: que tipo de bagagem levar e o que levar nela? Roupa para todos os dias? Que Roupa levar? Obviamente que tens de levar um caracol. Uma mala grande de campismo. Nunca menos de 60 litros. Levas roupa velha e gasta que não te importes de estragar ou esquecer. Levas roupa para alguns dias e sabão azul para a lavares quando estiver suja. Não te podes esquecer de levar um impermeável, chinelos, calças, chapéu e uma sweatshirt. Leva só comida para o primeiro ou segundo dia de viagem até encontrares um supermercado. Canivete, papel higiénico, corda, molas, sabão azul, talheres, almofada de soprar, e taça de cereais inquebrável. São tudo coisas que ajudam a poupar dinheiro e tempo. Em relação aos medicamentos, eu já não levo porque nunca levo aqueles que vou precisar. Mais vale ires a uma farmácia e compras aquilo que realmente precisas. (No meu último Interrail engoli as minhas palavras quando cai às três da manhã enquanto mudava de comboio em Frankfurt e a Joana teve de me tratar com o betadine que transportava à 3 semanas).

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Que documentos pessoais deves levar? Cartão multibanco ou dinheiro? Antes de partires para Interrail sugiro que vás à loja do cidadão fazer o teu cartão de saúde europeu. Este cartão permite que possas ser tratado em qualquer hospital da Europa sem custos adicionais. E mais: o cartão é grátis. Levar o passaporte contigo também é uma boa opção, mas como é relativamente caro a decisão é tua de o levares. Não precisas dele, mas é uma boa safety net. O Cartão multibanco também à uma boa opção porque levantas dinheiro quando quiseres. Nunca aconselho a andares com muito dinheiro na carteira. Em alguns países que não possuem o Euro, podes ter de pagar uma taxa para levantar dinheiro, mas é melhor do que trocares dinheiro vivo. Leva 2 cartões: um com pouco dinheiro e outro com muito dinheiro, por questões de segurança. Faz também o Cartão de Alberguista nas Pousadas da Juventude. Permite que utilizes uma cadeia de hostels de qualidade e baratos. São sempre a minha primeira opção. Portanto leva BI, Cartão da Saúde Europeu, Cartão de Estudante e Cartão de Alberguista. Objectos de valor: maquinas fotográficas, telemóveis, etc. Como e onde os guardar? Conselhos gerais de utilização? Leva máquina fotográfica para guardares em imagem aqueles momentos que não queres esquecer, e o telemóvel barato e com

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muita bateria para poderes ligar para casa para eles saberem de ti. Combinas com a tua família uma hora por dia em que eles te podem ligar e só ligas o telemóvel a essa hora para poupar bateria. E os postais são sempre um toque muito cool da tua parte. De resto, um dispositivo com Internet também é útil para marcares pousadas, ou um mp3 para te ajudar a passar umas horas mortas no comboio; mas já é um luxo à tua escolha. Que outras coisas recomendas (levar) antes de ir? Uma carteira para teres nas calças com pouco dinheiro e o cartão multibanco com pouco dinheiro. Também uma carteira de peito com todos os documentos importantes que levares e o cartão com mais dinheiro; um livro para alimentares a mente e matar tempos mortos; o livro dos comboios, ou seja com todos os horários de comboios na Europa que te ajuda no planeamento da viajem. Mas pergunta sempre nas estações. Definir trajecto antes da viagem ou partir sem nada concreto? Marcar hostels antes de ir? Couch-surfing é aconselhável? Levar mapas/ horários de comboio/ guias das cidades/ guias de conversação de outras línguas? Como ainda não fiz nenhum Interrail sozinho no início discuto sempre com as pessoas que vou os sítios que elas querem de forma a discutirmos mais ou menos os países que vamos visitar. Mas em Interrail partimos sempre sem nada em concreto. É nos postos de turismos e a falar com outros viajantes que conhecemos os locais a que realmente vale pena ir. Portanto, como não sabes onde vais não podes ir com nada planeado. Convém marcar alguns hostels antes de partir, para os primeiros dias e pelo menos para o primeiro fim-de-semana que passares fora. Em relação ao Couch-surfing nunca experimentei nem pretendo fazê-lo. Não gosto de dormir em sítios que não tenho total confiança para dormir descansado. Só é aconselhável levar o mapa de comboios da Europa (que te dão quando compras o bilhete do Interrail) e o livro dos horários

de comboios para te ajudar a planear a viagem. Tudo o resto não vale a pena. É a conheceres por ti próprio as cidades e os países que vês aquilo que realmente vale a pena. E os postos de turismo têm a informação toda que precisas.

Acabaste de chegar a uma cidade nova. Quais as primeiras coisas a fazer? Posto de Turismo. Pedir localizações de pousadas, locais para visitar e supermercados baratos. Onde dormir? Comboio, hostel, estação, ar livre, hotel, parque de campismo? Comboios e hostels são as melhores opções para dormir, já que são seguras e relativamente baratas. Dorme o maior número de horas que conseguires. Fica já a saber que quanto mais popular for a cidade mais cara é a pousada; dormir na estação de comboio nunca: é a pior coisa que te vai acontecer no Interrail. Mas às vezes tem de ser. O meu conselho? Faz directa, dormes quando entrares no comboio. Dormir no comboio é relativamente seguro, contudo mantém os teus documentos contigo a noite toda. Onde comer e o quê? Cozinhar? Enlatados? Sandes, sandes, sandes e mais sandes. Até o MacDonald’s é caro. Quando a pousada tiver cozinha aproveita e faz uma massa qualquer. Compras um daqueles molhos já feitos e um esparguete e está feito… Uma comida de faca e garfo no Interrail?! Um luxo… Locais: Aconselhas cidades principais e capitais ou cidades pequenas? Porquê? Nada assim. Aconselho países. Em vez de conheceres uma cidade aconselho a conheceres um país. Ou seja, vai à capital e vai às cidades pequenas. Informa-te no posto de turismo para ires às cidades pequenas que realmente valem a pena. Eu desloco-me sempre a pé, tirando raras excepções. Dependo do preço. Ficar na periferia é mais barato, mas se tens de pagar deslocamento até lá pode acabar por ficar mais caro. Informa-te nos postos de turismo sobre tudo. Sair à noite: Possível? Com que frequência? Como sair sem se esticar muito? Bares ou discotecas? BIG NO NO. Estás em Interrail. Saíres em cidades que não conheces é perigoso, mas para falar que é aí que vais gastar dinheiro. Deixate da noite e vai dormir para de manhã poderes aproveitar o que a cidade tem para te oferecer. Além de te encarecer a viagem em muito dinheiro. Deixa a noite para Coimbra, é melhor e mais barata.

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Mãe, já sei cozinhar

Tosta Mística em tempos de crise Tiago Balhau

Lista de Ingredientes: 2 fatias de pão de forma; um ovo; duas rodelas de tomate; duas rodelas de cebola; oregãos; pimenta preta; pitada de sal; mostarda; um fio de azeite.

Tempo de preparação: 5 minutos Custo aproximadamente exacto: 0,70 € Calorias: com um pequeno jogging após a digestão deste belíssima iguaria, não são tantas assim..

Modo de Preparação: Depois do fio de azeite colocado na frigideira, a primeira fatia de pão-de-forma, na qual previamente se abriu um orifício no centro, vai ao seu encontro. Passados alguns segundos, o ovo terá de entrar na brincadeira como se de uma peça de puzzle se tratasse. As rodelas de cebola virão trazer a sua personalidade a este snack, o tomate dá-lhe um toque de saúde e cor e não pode deixar de se fazer acompanhar pelos seus companheiros: os orégãos. Lume brando para não deixar queimar, um fio de mostarda, uma pitada de sal, uma pitada de pimenta e chegou a hora de colocar a segunda fatia, intacta, para logo de seguida se dar uma reviravolta nos acontecimentos com ajuda de uma espátula ou utensílio igualmente útil. Alguns segundos depois teremos a nossa tosta. A primeira poderá sair mais queimadinha mas decerto lhe tomarão o gosto. De realçar a versatilidade da coisa. Nota: se não estiver suficientemente bom, compra uma frigideira nova e não uses o esfregão de arame para a lavar!

Ficha técnica Editores: André Silva, Frederico Borges, Joana Faria, Pedro Silva e Rui Nunes. Colaboradores: Catarina Oliveira, Guilherme Simões e Karen Duarte. Revisão: Henrique Miranda, João Domingos, João Pedro Ferreira, Magda Silva, Micael Soares. Design e capa: Pedro Silva e Rui Nunes

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Riddle #1 There are ten people in a house. Everybody wants to make a shake only with people shorter than themselves. Assume that everybody is different in height. How many hand shakes are made? Hint : 1+2+3...+9=45

Riddle #2 Pedro, Joana and Fred were caught stealing so the king sent them to the dungeon. But the king decided to give them a chance. He made them stand in a line and put hats on their heads. He told them that if they answered a riddle, they could go free. Here is the riddle : “Each of you has a hat on your head. You do not know the color of the hat in your own head. If one of you can guess the color of the hat on your head, I will let you go free. But before you answer you must keep standing in this line. You cannot turn around. Here are my only hints : there are only black hats and white hats. At least one hat is black. At least one is white.”Pedro couldn’t see any hats. Joana could see Pedro’s hat but not her own. Fred could see Joana’s hat and Pedro’s hat but not his own. After one minute nobody had solved the riddle. But then a short while later, one of them solved the riddle. Who was it and how did he know?

If you know the answer to the two riddles send it to “resistancemag@gmail. com”. If you are the first with two correct answers you will win a prize.

23by Bruno Agatão Março 2012

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