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POLÍTICA

ECONOMIA

EDUCAÇÃO

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 33 - JANEIRO/2011 - R$ 5,00 www.documentoreservado.com.br

AGRONEGÓCIO

TURISMO

SAÚDE

SEGURANÇA

TECNOLOGIA

Jeito Rossoni Tão logo assumiu a Presidência da AL, Valdir Rossoni deixou claro que não admitirá concessões em sua administração Articulações Apesar de ainda distante, a disputa pela Prefeitura de Curitiba já começa a ser articulada, até com possíveis chapas

Como viver 1OO anos ou mais

Para se atingir a longevidade é preciso apenas alguns cuidados básicos de saúde, como boa alimentação, exercícios físicos e abolir o estresse

am a ger e h c i R es de nto na bas õ ç a c i me Ind ntenta o c s e d


editorial expediente Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Coordenação Geral e Edição Silvio Oricolli Redação Norma Corrêa, Pedro Ribeiro, Silvio Oricolli e Lucian Haro Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Ajir Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo) Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 33 - JANEIRO/2011

É

Viver mais de 1OO anos e com saúde

possível, sim, viver mais de 100 anos ou, quem sabe, mais de 120 anos. Embora dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 mostram que estão aumentando no País as pessoas com mais de 100 anos de idade, fomos buscar explicações para este fenômeno no meio científico. O cardiologista Constantino Costantini, dono do Hospital Cardiológico Costantini, diz que as pessoas podem chegar e passar de um século de vida e, o mais importante, com qualidade de vida. Para ele, são necessários alguns cuidados básicos com a saúde, que devem começar bem cedo, ou seja, já na adolescência. Para se ter boa saúde e longevidade é preciso atenção para os riscos cardiovasculares provocados pelo estresse, alimentação descontrolada e falta de exercícios físicos. O estresse, na sua avaliação científica, é a “mola mestre para desarranjar todo o organismo, que leva o indivíduo a se alimentar de forma incorreta, a não fazer exercícios, ou quando faz, o faz de forma errada e a aumentar o peso”. Diante de um quadro como esse, avalia, começa a aparecer todos os fatores de risco que levam à “doença arteriosclerose, ou seja, não apenas do coração, mas o envelhecimento das artérias e, consequentemente, de todo o corpo”. Estudo da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), aponta que hoje no Brasil, 250 mil pessoas são acometidas pela morte súbita por ano. O estilo de vida pode ser um dos fatores mais importantes para a pessoa desenvolver problema do coração. A maior causa de morte súbita são as chamadas arritmias, ou seja, as alterações dos batimentos cardíacos. As doenças cardiovasculares estão entre os males que mais matam no mundo. No entanto, entre 30% a 40% destas mortes poderiam ser evitadas apenas com mudanças de hábitos. As doenças do coração são causadas por fatores físicos, emocionais e principalmente pelo estilo de vida do paciente, por isso são chamadas de multifatoriais. Estresse, alimentação inadequada, hipertensão e diabetes são apenas algumas das causas de doenças cardiovasculares como infarto, aneurismas e derrame cerebral. Portanto, não existem milagres. É só ter cuidados com a saúde, fazendo exatamente o que recomendam os médicos para se ter vida longa e boa saúde. Costantino diz que pretende viver até os 90 anos. Já o empresário Joel Malucelli quer chegar um pouco além, até os 95 anos. Tanto o médico como o seu paciente, neste caso, fazem direitinho a lição de casa. Exercícios, alimentação sadia, controles de colesterol, não fumam e bebem apenas socialmente. Pedro Ribeiro

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índice 06

50

COMEÇO QUENTE Nada será como antes na Assembleia Legislativa. É o que promete o novo presidente da Casa, o tucano Valdir Rossoni, que trocou toda direçăo do Legislativo e convocou a PM para garantir a segurança dos deputados

BOA GESTĂO Centrado no Plano de Governo da Prefeitura de Curitiba, o ICI tem desenvolvidos açőes que visam aprimorar a eficięncia na gestăo municipal e, assim, que resulte em uma cidade cada vez melhor para a populaçăo

34 NECESSIDADE A Regiăo Metropolitana de Londrina, com 11 municípios, está prestes a ter um terminal rodoviário e um amplo estacionamento regional. Estas seriam as primeiras açőes do Governo Richa naquela regiăo

15 RUÍDO NA BASE O governador Beto Richa, nem bem tomou pé da situaçăo na administraçăo estadual e já se depara com focos de descontentes entre os aliados, por conta de algumas indicaçőes para o primeiro escalăo

20 JÁ COMEÇOU As atençőes políticas já se voltam para as eleiçőes municipais, que serăo realizadas em 2012. E, mesmo antecipadas, as articulaçőes já se avolumam, grupos já estăo se formando inclusive com possíveis candidatos

38 EFICIĘNCIA E RENDA Governo promete açőes urgentes para corresponder ŕ expectativa e premiar a eficięncia do produtor: o fortalecimento da atividade rural, da pesquisa ŕ comercializaçăo, para garantir mais renda e qualidade de vida no campo

44 BELOS DIAS Sol, praia, diversăo e, sobretudo, segurança. Os veranistas tęm tudo para ficarem satisfeitos com a jornada nas praias paranaenses, pelo menos no que diz respeito ŕ segurança, mantida pela Operaçăo Viva o Verăo

52 COLEÇĂO PRIMOROSA As produçőes e tendęncias de quase 100 marcas paranaenses para o inverno 2011 serăo mostradas durante seis dias no Paraná Business Collection, a partir do dia 14, no Centro de Convençőes da Fiep, em Curitiba

56 ESTÁ CHEGANDO Ruas, clubes, bares. O clima de Carnaval já começa a tomar conta de Curitiba. O litoral também se prepara para receber os foliőes. Mas a alegria năo é privilégio só dos adeptos dessa festa: há outras opçőes para o período

26 VIVA A VIDA Muitos sonham viver para sempre por aqui. Se a eternidade năo é dom terreno, prolongar a existęncia pode ser uma tarefa possível ao homem. É o que mostram especialistas, que indicam o caminho para isso

48 PRÓ-CIDADĂO A Celepar tem como uma das metas atuais auxiliar as prefeituras a melhorar a prestaçăo dos serviços públicos, valendo-se inclusive da TI. Com isso, pretende contribuir para o bom atendimento ao cidadăo

60 AGONIZANTE Morretes paga conta alta por causa de desentendimentos políticos que estăo levando ao fim o único hospital da cidade. Enquanto isso, o cidadăo tem de ir a outras cidades para conseguir assistęncia hospitalar

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sintonia fina

Conversa de político

O coordenador da Regiăo Metropolitana de Londrina, Victor Hugo Dantas, na melhor das intençőes, pede a um cidadăo, referęncias sobre fulano de tal. “É gente da melhor qualidade. É gente da melhor espécie. Gente fina, mesmo. Mas... se puder evitar é melhor...”, respondeu com um sorriso amarelo. Quer dizer: nesse caso fica o dito pelo năo dito ou procura-se uma terceira opiniăo. Coisas de londrinenses, sempre com um pé atrás.

Trem esquisito

Anésio Ribeiro, mineiro e ex-caminhoneiro, meu pai, completou em agosto de 2010, 80 anos de idade. Para ele, năo tem tempo ruim, toma o ônibus na Rodoviária de Curitiba e desce para Morretes, onde fica sozinho durante uma ou duas semanas. Dia desses pergunto ao velho Anésio se ele năo tem tomado uma pinguinha de aperitivo? Năo, responde, mas tenho bebido um negócio aí que deixa a gente com as ideias meio atrapalhadas! Acabou com a minha garrafa de Absinto.

República Charuto

Depois da “República de Porto Belo”, surge agora o “Charuto do Bourbon”. Quem quiser conversar – ou apenas ver – o staff do Governo Beto Richa após o expediente de trabalho, é só dar um pulinho no Hotel Bourbon e procurar a sala de charutos. Entre umas baforadas e outras, lá sempre marcam presença Fernando Ghignone, da Sanepar, Ivan Bonilha, da PGE, Juracy Barbosa Sobrinho, da Agęncia de Fomento, e muitos outros.

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Lambança do pescador Que lambança aprontou o deputado tucano, Nelson Garcia, neste início de governo tucano. Ao invés de apenas pescar, acabou criando caso para o governador e a base de apoio do governo na Assembleia Legislativa, sugerindo sua própria candidatura ŕ presidęncia da Casa, em disputa contra o presidente do partido, Valdir Rossoni. Teve que desmentir a intençăo, embora há quem confirme que esta intençăo era verdadeira.

Nem eira nem beira

Quem está a um passo de deixar o PSDB é o ex-deputado federal, Gustavo Fruet. Candidatíssimo ŕ Prefeitura de Curitiba, enfrenta reaçőes dentro do próprio partido, devido a acordos firmados com o atual prefeito e candidato ŕ reeleiçăo, Luciano Ducci (PSB). Fruet já ameaçou debandar para o PMDB, mas tem também, a reaçăo do senador Roberto Requiăo. Uma liderança que se perde na matemática política paranaense.


Pedro Ribeiro

Pancadaria no crematório

Baixaria em um crematório da capital. Enquanto uma família aguardava os procedimentos para a cremaçăo de um corpo, entra no recinto um cidadăo, exaltado, intitulando-se da Polícia Federal, esbravejando o porque da demora, já que ele também, precisava usar o ambiente para o mesmo fim. Já aborrecidos e tristes com a morte precoce de uma pessoa da família, houve reaçăo e o pau comeu próximo ao forno e acabou na rua, com roupas rasgadas, carros amassados e o “federal” com roxo no olho.

Principado do ócio

Grito de Carnaval ŕs margens do Rio Nhundiaquara, no Porto de Cima, em Morretes. A banda, que mais lembra a Polaca, de Curitiba, sairá no Bondinho do Miranda até o centro da cidade ao som da marcha... “Meu principado do ócio/ ŕ sombra do Marumbi. Meu principado querido, năo vivo longe de ti”. Ŕ frente da confusăo, eles, como sempre: Dante Mendonça, Jaime Lechinski, Vitamina, Geraldo Bolda, Solda e Aldo Malucelli. Promete levar multidőes ŕ reta do Porto.

O susto e a liçăo

Manequinho é um sujeito boa praça que mora no Alto da XV. Recém-separado, inventou para o patrăo um servicinho externo no meio da tarde para um “namoro” rápido. Rápida consulta na parte de acompanhantes dos classificados de um jornal. Ansioso, concentrou-se no primeiro nome que o atraiu – Roberta – e no número do celular, valor, cinquentăo, tudo bem. Toca a campainha e atende um travesti de 1,90m, forte, vestido a caráter para ocasiăo. O namorador reclama e diz que combinou com uma mulher, ao que é alertado de que o anúncio é bem claro: “Roberta. Boneca”. Pagou, saiu de fininho, meio correndo para chegar logo ao trabalho. Pálido, justificou aos colegas que havia levado uma “dura” de um agente da Receita Federal.

Pneu furado

Bar do Padre

No folclórico Bar do Padre, onde continua a aparecer gente de todas as raças, cor e os tipos mais esquisitos do planeta, a vida é de fantasia. Por lá circulam, o apresentador Ratinho, poeta Nilson Monteiro, “Guevara”, Náutilo, Bufrem, entre delegados, cientistas, políticos, jornalistas, operários, professores e muitos bębados, é claro. Tem um, apelidado de Camarăo, que até hoje, nunca recusou um gole. Até que precisou ir ao médico, pela primeira vez na vida, carregado pela mulher. Quando o doutor lhe perguntou se bebia, a resposta foi de bate-pronto: “o que o senhor tiver!”

O furto de estepes de carros virou muito comum em Curitiba. Assim, todo o cuidado é pouco e vale até mesmo para quem é acostumado a deixar o carro em estacionamentos pagos. Sempre é bom dar uma espiadinha, ainda mais para quem faz uso de serviços de “valets”. Há poucos dias a polícia descobriu que funcionários de um desses serviços, acumpliciados com outras pessoas, lesavam clientes de barzinhos do Hugo Lange. Um “pit-stop” entre a casa noturna e o estacionamento permitia a retirada do pneu, numa manobra que a maioria, por ser carrőes e novos, raramente percebia.

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política

A

Nas entranhas

Assembleia Legislativa viveu, nos dois primeiros dias de fevereiro, situações que vão marcar para sempre a história do Legislativo paranaense. As horas passavam tranquilas na terça-feira (1º), até a posse dos deputados, no plenário da Casa, que foi palco de situações inusitadas. Em dois dias, tudo o que não se podia imaginar aconteceu. Ex-presidente e presidente da Casa, preferiram usar os microfones da tribuna para destilar veneno e mágoas, tudo, claro, embutido nas entrelinhas. Também se viu de tudo nesses dias, desde a ocupação do prédio da AL por policiais militares, até a apreensão de armas e aparelhos de interceptação telefônica. Não faltaram, também, acusações e denúncias. Era a cerimônia de posse dos 54 deputados – da 17ª legislatura, que vai até o dia 31 de janeiro de 2015 –, e a eleição da mesa executiva, no dia 1º. No dia 2 houve a abertura oficial dos trabalhos legislativos, quando o governador Beto Richa (PSDB) fez discurso sobre as ações que pretende implementar no seu primeiro ano no comando do Estado. O deputado Nelson Justus (DEM), que até a abertura dos trabalhos do dia 1º exercia a presidência da Assembleia Legislativa, agiu de forma incomum quando pediu que o deputado Caíto Quintana (PMDB) presidisse a sessão para que pudesse usar a tribuna. Foi a sua despedida. Mesmo tentando mostrar descontração, “vou falar da tribuna para ir me acostumando”, ele saudou os novos deputados, os que foram reeleitos, os que não se reelegeram por terem sido rejeitados nas urnas ou por decisão própria, e falou sobre a importância de um mandato parlamentar. “Um mandato está dentro do Estado Democrático de Direito e é a expressão máxima da vontade popular. Então, cabe a cada um de

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Monstro está apenas ferido A administração Valdir Rossoni, na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, não deverá ser confortável. Muitos espinhos, pedras e principalmente cascas de bananas serão jogados ao longo do caminho. Seu estilo irônico e agressivo poderá lhe custar caro em uma jornada que será vigiada pelos próprios parlamentares e policiada pela imprensa, principalmente aquela que feriu de morte o monstro, colocando seus administradores no paredão. O que se viu foi um Legislativo frágil perante seu poder junto ao povo. Desacreditada, a Assembleia Legislativa precisa de um choque de gestão. Choque este dado pelo deputado e novo presidente, Valdir Rossoni, que enfrentou o poder paralelo dominado pelos seguranças da Casa. Até quando terá forças para suportar as garras desse grande monstro, é a pergunta que todos fazem. (Pedro Ribeiro)


Norma Corrêa

Fotos: Nani Góis

do poder

Deputados são empossados sob o signo da transformação, conforme promete o deputado Valdir Rossoni, ao assumir a presidência da Assembleia Legislativa, pressagiando limpeza intensa nas profundezas da Casa

rou uma “pessoa de bigode”, a Hitler, que teria sido um dos algozes por ocasião das denúncias que pipocaram diariamente nos veículos da RPC, jornal e televisão.

Placa de covarde

Solenidade de posse dos 14 diretores da AL

nós, honrarmos cada voto obtido”, disse. A partir daí todo o discurso foi mais um desabafo de quem passou por um período difícil, para dizer o mínimo, com denúncias de irregularidades na administração da Assembleia Legislativa. “Existem pessoas menos inteligentes, que atacam os princípios basilares da representação popular”, disparou, e compa-

”Aqui a boa imprensa sempre foi bem recebida. A boa, não aquela que vende serviço a qualquer preço, porque são gananciosos. Não foram poucas as erratas publicadas no dia seguinte, para corrigir equívocos de um jornalista laureado que, infelizmente, enterrou o seu prêmio, para receber uma placa de covarde. Esse mesmo jornalista laureado admitiu que a matéria estava errada, mas, justificou dizendo que quem tem juízo obedece ordens superiores. Nós fomos bodes expiatórios, mas saímos dessa situação limpos, por fora e por dentro”, desabafou, dizendo que a diretoria presidida por ele, tomou posse em 2007, “mas para os jornais sensacionalistas, parece que estamos à frente do Legislativo desde a década de 80”. Disse que deixa a presidência com o sentimento do dever cumprido e garante que entrega a Assembleia mais transparente e mais encaminhada para a nova diretoria. A insistência das vaias fez com que o deputado Caíto Quintana interrompesse o orador para dizer: “Quem não se sentir bem aqui dentro, por favor, que procure outros locais para ficar, mas respeitem o orador”. E conseguiu o silêncio. Justus continuou desejando boa sorte aos novos integrantes da mesa diretiva. “Tenho a convicção que Rossoni e os demais componentes da diretoria da Casa concluirão esse trabalho que começamos”. Mais adiante, afirmou que nunca imperou “nenhuma ditadura nesta Casa. Por isso vamos colaborar com a Justiça (sobre as denúncias de

irregularidades). Confiamos na Justiça. E mais ainda: a história e a Justiça tratarão de mostrar a verdade”, afirmou.

Parlamentares não serão reféns de poder paralelo Antes de começar a eleição da mesa executiva, o deputado Valdir Rossoni também usou a tribuna e abusou da ironia para dizer que seria econômico nas palavras, para poder usar a energia economizada para dar continuidade ao trabalho iniciado por Nelson Justus. “Estou ansioso. Não para ser presidente, mas para começar um trabalho de mudanças na Casa, para resgatar o respeito perdido no Legislativo. Não seremos reféns de ninguém nesta Casa, porque os senhores foram escolhidos pelo povo. E não há força ou ameaça que me faça seguir outro caminho”, afirmou. E lembrou a última eleição em que houve bate-chapa, e ironicamente, uma chapa era encabeçada por Nelson Justus e a outra por ele, Rossoni. Isso foi em 1999, e houve eleição extemporânea em razão do falecimento de Anibal Khoury, o Buda, eterno presidente da Assembleia Legislativa. “Perdi as eleições para o Nelson Justus, mas, minutos depois, estabelecemos trégua para o bem do Paraná”, recordou.

Maior amigo Rossoni não esconde que não é simpático, mas “isso não é concurso de miss simpatia”, é o seu jeito, “o jeito Rossoni de ser”. Disse que a lealdade aos paranaenses deve prevalecer e que ele tem uma grande vantagem sobre os demais: já foi líder do Governo e líder da oposição. “Quando me sentar na cadeira da presidência, saberei como agir, porque já estive nos dois lados”. E lembrou uma situação em que ocupava a liderança da oposição. “Quando o governo

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política

Valdir Rossoni, presidente da Assembleia Legislativa e Beto Richa, governador do Paraná

fazia licitação para a compra de equipamentos para o programa tratores solidários, procurei o líder do Governo, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), e falei que aquela licitação estava viciada. Romanelli, então, procurou o governador Roberto Requião, que tomou providências e comprou os tratores mais baratos do País”, recordou. Rossoni disse também que tem grandes amigos na Casa, mas o seu maior amigo é o regimento interno, que rege as ações no Legislativo paranaense. “Quero honrar esta Casa como presidente. Tenho 30 anos de vida pública, mas, fui submetido a uma situação que não precisava. Todas as medidas que tomaremos será para transformarmos o Legislativo estadual do Paraná no melhor do País, daqui a seis meses. Confiem e acreditem nesta proposta”, disse, ao afirmar que vai “interiorizar” a Casa, para implantar um sistema diferenciado visando discutir o orçamento. “Vamos em busca do debate com a sociedade paranaense para que participe das discussões sobre o orçamento”, promete. E, depois de agradecer ao “Nelsinho” (Nelson Garcia, do PSDB, que teria lançado seu nome para concorrer com Rossoni pela presidência

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da Casa, e desistiu dias antes da eleição), completou o discurso, afirmando que a Assembleia não tem mais tempo. “O trabalho tem que começar amanhã”, pontuou. Depois, ainda sob a batuta do deputado Nelson Justus, houve a eleição da mesa executiva. Era chapa única – a Liberdade – e, não fosse pelas seis abstenções da bancada do PT, que decidiu não apoiar o grupo liderado por Rossoni, o resultado seria unânime. Foram 47 votos favoráveis, nenhum contra e as seis abstenções do PT.

Truculência Devidamente eleito e empossado, Valdir Rossoni, a partir daí, deu o tom de como será a sua administração, prometendo “arrumar” a Casa “custe o que custar”, em seis meses. E já avisou que não vai adiantar fazer “beicinho” e reclamar. “Hoje (1º), enfrentamos uma situação que qualquer parlamentar não precisava enfrentar dentro da Casa, simplesmente porque adotei um critério justo”, disse, fazendo mistério de ameaça que teria sofrido por conta das mudanças que pretende implantar na AL. Conforme outro deputado, três seguran-

ças e o presidente do Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Legislativo), Edenilson Carlos Ferry, o “Toca”, mostraram para Rossoni os revólveres na cintura e exigiram que não houvesse demissões e que não interferisse no pagamento da URV (Unidade Real de Valor). Como resposta, o novo presidente enumerou o que pretende fazer: recadastramento dos funcionários, cuja presença será conferida por sistema digital; contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para fazer auditoria em todas as aposentadorias, já que surgiram denúncias apontando para a possibilidade de haver aposentadorias irregulares, “arrumadas por debaixo dos panos”; a FGV também vai auditar a legalidade da efetivação de todos os funcionários e, se houver irregularidades, haverá demissões; a FGV vai fazer auditoria nos pagamentos da URV aos funcionários, já que os números são elevados, como o pagamento de R$ 1,6 milhão ao mês e, em quatro anos, esse valor terá chegado aos R$ 76 milhões; já foram pagos cerca de R$ 20 milhões, numa primeira etapa. “Alguns dizem que o que estou assumindo é uma missão, outros preferem dizer que é desafio, mas eu afirmo que estou tendo a oportunidade única de fazer o que devo fazer”, afirmou, ao alertar aos demais deputados: “Não me procurem para pedir favores, ou para proteger alguém, me procurem para dar sugestões para tornar essa Casa ainda mais transparente e que tenhamos orgulho de sermos deputados.”

Composiçăo da mesa executiva Presidente:Valdir Rossoni (PSDB); 1ş vice-presidente: Artagăo Júnior (PMDB); 2ş vice-presidente: Augustinho Zucchi (PDT); 3ş vice-presidente: Douglas Fabrício (PPS); 1ş secretário: Plauto Miró Guimarăes (DEM); 2ş secretário: Reni Pereira (PSB); 3ş secretário: Stephanes Júnior (PMDB); 4ş secretário: Gilson de Souza (PSB); 5ş secretário: Fábio Camargo (PTB)


O

Legislativo sitiado

menino pobre, nascido numa pequena cidade chamada Empossado, que ia de chinelo para a escola, e dividia um ovo com os irmãos e os pais para não passar fome, disse que vai usar mão de ferro para comandar os destinos da AL. A primeira medida de Rossoni como presidente do Legislativo paranaense surpreendeu todo mundo, quando pediu, via ofício ao governador Beto Richa (PSDB), a disponibilização de policiais militares para garantir a segurança da Casa. Pediu e foi atendido. À 1 hora do dia 2, a Policia Militar (PM) ocupou a Assembleia Legislativa do Paraná. Cerca de 150 policiais isolaram a sede do Legislativo, em atenção à determinação do governador tucano. As ruas no entorno foram fechadas, e só as viaturas da polícia podiam passar. No documento encaminhado ao Palácio das Araucárias, Rossoni disse que a segurança dos deputados estava ameaçada e que o policiamento era para “garantir incolumidade desta Alep a partir da 0h do dia 2 de fevereiro por tempo indeterminado”. Entre 1 e 8 horas, ninguém podia entrar no prédio, o que foi liberado no horário do expediente que começa às 8 horas. “Éramos reféns de alguns seguranças da Casa”, disse o presidente, em entrevista ao telejornal Bom Dia Paraná, da RPC TV.

Caixas pretas O governador Beto Richa disse que autorizou a ocupação da Assembleia Legislativa pela Polícia Militar, porque avaliou que a medida era necessária. Segundo Richa, é praxe em muitos estados que a PM faça a segurança de órgãos estaduais. “Essa é uma medida moralizadora e de transparência que a sociedade aguarda há muito tempo”, explicou. Ele disse que vai manter uma parceria com o Poder Legislativo e dar todo suporte

Cerca de 150 policiais militares ocuparam o prédio da Assembleia Legislativa a pedido do novo presidente

para fazer as transformações necessárias e abrir algumas “caixas pretas”, que assombram o Estado há anos. Certamente, a novidade mexeu com as pessoas e, durante o dia o trabalho não foi normal. Muitos funcionários fizeram questão de acompanhar a ação da polícia, ao invés de se ocupar com seus afazeres. Durante a chegada dos policiais, alguns seguranças da Casa faziam a guarda. Toca reclamou de truculência da PM e diz que os seguranças da Casa teriam sido “humilhados” na ocupação. Durante a madrugada, 30 policiais do Batalhão de Choque vasculharam as dependências da Assembleia Legislativa e, segundo in-

Nelson Justus usa a tribuna para se despedir da presidência da AL

formações extraoficiais, uma arma teria sido apreendida com um dos seguranças. Edenilson Carlos Ferry, o Toca, segurança da Casa que preside o Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), garantiu que nenhum segurança anda armado na Assembleia. Os funcionários da segurança só puderam entrar acompanhados de PMs, para retirar os pertences pessoais. Ainda na entrevista ao telejornal Bom Dia Paraná, da RPC TV, Rossoni contou que, além das ameaças que sofreu momentos antes da eleição e posse na presidência, ele teria antecipado a ocupação, porque causou estranheza o fato de algumas luzes do prédio estarem acesas. “Todos os andares da Assembleia permaneciam com as luzes apagadas nos dias anteriores e ontem (1º), bem o andar que tem a documentação da Assembleia estava com as luzes acesas”, contou. No entanto, Rossoni disse que não sabia se os documentos foram retirados do local, mas que não havia necessidade alguma de os seguranças estarem no prédio à noite, porque eram funcionários comissiona-

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política

tos comprovando que Rossoni seria responsável por contratações de funcionários “fantasmas”, com altos salários, além de ter supostamente recebido dinheiro para sua campanha, de empresas que prestariam serviços ao Legislativo.

Cofre aberto

A polícia encontrou uma arma calibre 38, envelopes lacrados e um bloqueador de escuta telefônica no cofre do Departamento de Segurança da Assembleia Legislativa

dos, que já haviam sido exonerados, e que uma empresa terceirizada é responsável pela segurança noturna.

policiais é cuidar do povo. Para ele, o pedido de ocupação da PM pelo presidente da Assembleia aconteceu em retaliação às denúncias dos funcionários contra ele. “Quem comandou a Assembleia sempre foi ele [Rossoni]. Eu nunca fui primeiro secretário. Os dados irregulares praticados dentro da Assembléia foram cometidos por Valdir Rossoni”, disse, ao afirmar que tem documen-

Houve tensão também, no início da tarde quando a polícia encontrou uma arma calibre 38, com capacidade para cinco projéteis, envelopes lacrados e um bloqueador de escuta telefônica no cofre do Departamento de Segurança da Assembleia Legislativa. A busca foi determinada pelo presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), e comandada pelo tenente-coronel da Polícia Militar, Arildo Luis Dias, que também comandou a ocupação do prédio, e teve a presença da imprensa e do primeiro secretário, deputado Plauto Miró (DEM). O presidente do Sindilegis tentou obstruir o trabalho e retardar a ação. Toca se recusou a entregar as chaves do cofre, que foi aberto com a presteza do trabalho de um chaveiro. Não há confirmação de registro da arma, e nem sobre a origem do fornecimento do bloqueador de escutas telefônicas. Além do Boletim de Ocorrência, a Polícia Militar apreendeu todo o

Primeiras denúncias Toca chegou pouco depois da ocupação da PM e acusou Rossoni de usar a policia para apreender documentos com supostas denúncias, que estariam guardados no setor de segurança. “Isso aqui é uma ditadura”, disse, ao acusar Rossoni de manter, pelo menos, quatro funcionários em seu gabinete com salários superiores aos dos deputados. Sobre a denúncia de Toca, o novo presidente respondeu que o Ministério Público tem total liberdade para apurar o caso. O Sindilegis ingressou com um mandado de segurança no plantão judiciário, pedindo a retirada dos agentes da polícia e a reintegração dos seguranças a seus postos de trabalho. O sindicato alega que é inconstitucional a PM cuidar da segurança da Assembleia e que a função dos

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Primeiro secretário, Plauto Miró e o presidente Valdir Rossoni na posse dos novos diretores


Richa critica ex-governadores que atrasaram o Estado

material encontrado e iniciou uma investigação sobre possíveis irregularidades. Toca disse que o revólver encontrado no cofre pertence a um segurança estatutário da Assembleia, mas não revelou a identidade da pessoa. Sobre os dois bloqueadores de interceptações telefônicas, ele disse que os seguranças receberam os aparelhos da antiga administração da Casa, para evitar que conversas fossem interceptadas na região, e que o alcance dos bloqueadores era pequeno e se restringia à região da sala da segurança. Por sua vez, o Tenente-Coronel Arildo Luis Dias informou, pouco tempo depois que a situação na Assembleia Legislativa estava voltando ao normal. Segundo ele, foram 150 policiais militares que ocuparam a AL, mas, na manhã seguinte (3), o número foi reduzido para 30. O comandante disse ainda que a presença da PM, para fazer a segurança da Assembleia, é permanente enquanto o deputado Valdir Rossoni estiver na presidência da Casa.

Gabinete Militar O Gabinete Militar que está em fase de implantação na Assembleia Legislativa, será coordenado pelo Tenente-Coronel Arildo Luis Dias. “Vamos verificar se será por meio de um decreto legislativo ou um projeto de resolução, mas a criação do Gabinete Militar já está definida”, avisou Rossoni. “A segurança agora será feita durante 24 horas do dia, o que não acontecia anteriormente. Ontem à noite (1º), por uma excepcionalidade, os seguranças estavam na Assembleia, por isso a Polícia Militar ocupou a Casa antes do previsto. Eles tinham mais poder do que muitos deputados e agora caberá à polícia fazer a segurança”, disse. O presidente reforçou que não vai ceder às pressões dos funcionários que ocupavam os cargos de segurança da Assembleia e que foram exonerados no dia 31 de janeiro. “A exoneração de todos os cargos em comissão é determinada por lei. Assim, a nova presidência tem condições de contratar ou não

Em meio ŕs novidades geradas em menos de 24 horas, o discurso do governador Beto Richa (PSDB), que participou da solenidade de abertura oficial dos trabalhos legislativos pode năo ter tido o impacto que muitos esperavam. Ele discursou, como é praxe, para dizer quais săo as metas do seu Governo para 2011, além de como foram os primeiros dias no comando do Estado. Richa começou destacando o bom relacionamento que espera manter com o Legislativo paranaense, ao respeitar as prerrogativas da Casa, a exemplo do que aconteceu quando era prefeito de Curitiba. “É nesse sentido que a implantaçăo das políticas públicas de nossa iniciativa buscará sempre ser antecedida de amplo debate com os senhores e senhoras deputadas”, disse o governador, adiantando que, da mesma forma, deve buscar a cooperaçăo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público (MP). “Isso contribuirá para que jamais nos afastemos dos princípios constitucionais que regem a administraçăo pública (legalidade, moralidade, publicidade, eficięncia e impessoalidade)”, disse, ao anunciar que, a exemplo do que fez quando prefeito de Curitiba, já adotou o Brasăo do Estado do Paraná como marca permanente para identificar bens públicos, programas de governo e publicaçőes oficiais. “Nunca tive a necessidade de impor qualquer marca pessoal. Ac0redito que essa decisăo é mais uma demonstraçăo de respeito com o povo do Paraná. No futuro, sem a necessidade de substituiçăo de marcas pessoais, os governadores poderăo economizar o dinheiro público, porque năo terăo que substituir siBeto Richa faz discurso na nais e logomarcas que governantes fazem questăo Governador abertura dos trabalhos legislativos de produzir, como se isso pudesse torná-los mais capazes ou mais adorados pelo povo”, informou.

Austeridade Richa também chamou a atençăo para o que considera alguns avanços conquistados nos primeiros 30 dias do seu governo, como os investimentos em educaçăo, com a contrataçăo emergencial de professores, e o projeto de ampliaçăo e modernizaçăo dos Portos de Paranaguá e Antonina, com investimentos de R$ 1 bilhăo. O governador tucano também falou sobre a situaçăo que encontrou no Estado, tăo logo assumiu, e o que fez e está fazendo para reverter o quadro. “Já na primeira semana de trabalho – porque năo temos tempo a perder, depois dos conhecidos problemas dos últimos anos – tomei as primeiras providęncias para reconstruir a capacidade de investimento do Estado. Suspendemos os pagamentos pelo prazo de 90 dias e começamos a cortar em 15% os gastos correntes. Foram medidas ditadas pela lógica da prudęncia e da austeridade. E impostas por dificuldades que nos foram legadas. Mas, tivemos o cuidado de salvaguardar os setores que constituem as nossas prioridades: educaçăo, saúde, segurança e proteçăo social mantęm os níveis originalmente previstos em suas respectivas rubricas orçamentárias”, explicou. E, por fim, disse que quer aperfeiçoar a política de transferęncia de renda, com soluçőes que busquem emancipar as famílias menos favorecidas, com propostas para melhoria da qualidade da educaçăo, da saúde, segurança pública e do desenvolvimento social. “Năo me acobertarei no manto da soberba para negar os avanços passados. Deus me poupou do sentimento da presunçăo: sei que a história năo começou no último dia 1ş de janeiro”, acrescentou para explicar que dará continuidade a programas implantados no governo anterior, ao invés de criticar.

Pręmio aos suplentes Duilio Genari e Welter Os suplentes de deputado, Élton Welter (PT) e Duílio Genari (PP), ambos com base política no município de Toledo e regiăo, foram empossados ao final da tarde do dia 2, no gabinete da presidęncia da Assembleia Legislativa. Eles văo ocupar as cadeiras vagas com o afastamento dos deputados Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) e Durval Amaral (DEM), que se licenciaram da Casa para poder integrar o secretariado do governador Beto Richa (PSDB). A posse dos novos deputados aconteceu depois do impasse judicial que envolveu também os suplentes Gilberto Martin (PMDB) e Sabino Pícolo (DEM), uma vez que o Tribunal de Justiça (TJ-PR) chegou a conceder uma liminar em mandado de segurança movido por Martin, segundo entendimento de que as vagas pertenceriam aos partidos e năo ŕs coligaçőes partidárias que concorreram nas últimas eleiçőes. A decisăo liminar foi, no entanto, revista pelo próprio TJ, prevalecendo a tese de que a vaga deve caber mesmo ŕs coligaçőes.

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esses funcionários. Iremos contratar dentro da nossa visão administrativa. Aqui, tem gente que se acha o dono da Casa, e a Assembleia é dos paranaenses, não podemos admitir abusos”, avisou.

Gráfica é lacrada e atos serão impressos na Imprensa Oficial Ao arregaçar as mangas para a limpeza da AL, o primeiro ato da nova Comissão Executiva da Assembleia Legislativa foi transferir para a Imprensa Oficial do Estado a publicação de seus Diários Oficiais. A decisão foi anunciada pelo presidente Valdir Rossoni (PSDB), em cerimônia pública realizada na tarde do dia 2 de fevereiro, no hall da Casa, e implicou no fechamento da grá-

Novos diretores Diretor-geral: Benoni Constante Mafrin Procurador-geral: Luiz Carlos Caldas Diretora de Assistęncia ao Plenário: Lucília Felicidade Dias Diretor Legislativo: Mauro Ribeiro Borges Diretor Financeiro: Sérgio Brun (Administrador de empresas) Diretor de Pessoal: Bruno Perozin Garofani (Advogado) Diretor Administrativo: Altair Carlos Daru (Analista de Sistemas) Diretor de Apoio Técnico: Cleber Augusto Cavalli (Contabilista) Secretária Geral da Presidęncia: Lydia Montani (Advogada) Assessora de Comunicaçăo da presidęncia: Sonia Bettina Maschke (Relaçőes Públicas) Coordenaçăo de Divulgaçăo da Assembleia: Hudson José (Jornalista) Chefe de Gabinete da Presidęncia: Eduardo Paim (Administrador de Empresas) Gabinete Militar da Presidęncia: Arildo Luis Dias (Tenente-coronel) Procuradores: Pedro de Noronha da Costa Bispo e Fábio Bertoli Esmanhotto

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fica própria, que foi lacrada ainda de madrugada. Esta é a medida mais efetiva adotada pelo Legislativo no sentido de dar ampla publicidade aos seus atos desde as denúncias que envolveram o Poder no ano passado e que estão sendo apuradas pelo Ministério Público. De acordo com o presidente da Casa, a providência reforça o objetivo de implementar a política de transparência adotada pela Assembléia, ao mesmo tempo em que atende os anseios éticos da sociedade paranaense e dá ao Parlamento a autoridade e credibilidade necessárias à sua função de fiscalização da administração pública: “Com isso estamos enterrando de vez os famigerados atos secretos, que tanto comprometeram a imagem da Assembleia”, comemorou Rossoni. Mesmo ciente dos desafios que terá pela frente, ele considera este mais um passo na direção de uma nova era, “em que nós nos orgulharemos de ser deputados e o Paraná se orgulhará dos deputados que elegeu”. Segundo a assessoria da Casa, a partir de agora, os atos legislativos, depois de digitalizados nos setores específicos da Casa, serão encaminhados, via internet, para o site da Imprensa Oficial. Tanto a geração, quanto o recebimento dos documentos são garantidos por uma certificação digital, ou seja, tanto quem envia como quem recebe, tem uma assinatura digital, confirmando a autenticidade do material. Uma vez no site da Imprensa Oficial, o documento fica à disposição da sociedade para consultas no endereço www.imprensaoficial.pr.gov.br e também no link que será implantado no site da Assembleia Legislativa (www.alep.pr.gov.br). Segundo o diretor da Imprensa Oficial, jornalista Ivens Pacheco, depois de receber o material encaminhado pela Assembléia, a Imprensa Oficial tem condições de disponibilizá-lo no site num prazo de aproximadamente duas horas. O novo procedimento começa no mesmo dia em que foi anunciado, dia 2 de fevereiro, com a publicação dos atos referentes à posse dos deputados e à eleição da Mesa Executiva.

Na porta do Céu ou na beira do precipício O dia 2 de fevereiro ainda guardava outras emoções. No início da tarde, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), assinou o decreto de nomeação dos novos diretores da Casa, em cerimônia pública inédita, realizada no hall de entrada do prédio administrativo. Com uma canetada, e de uma só vez, Rossoni mudou todo quadro diretivo da AL. Foi por meio dessas nomeações que, segundo Rossoni, começaram a colocar em prática o propósito de construir um Poder Legislativo “forte, digno e de respeito”. Ao cumprimentar os novos diretores, o deputado procurou tranquilizar os servidores da Casa, que considera fiéis cumpridores de suas obrigações funcionais. “Àqueles que trabalham e que querem crescer, digo que estamos chegando à porta do céu. Aos que não trabalham, aviso simplesmente que estão à beira do precipício”, emendou. À imprensa, o tucano disse que não vai ceder às pressões das pessoas que ocupavam os cargos de segurança da AL, e que foram exonerados no dia 31, pela gestão anterior, presidida pelo deputado Nelson Justus (DEM). “A exoneração de todos os cargos em comissão é determinada por lei. Desta forma, a nova presidência tem condições de contratar ou não esses funcionários. Iremos contratar dentro da nossa visão administrativa. Aqui tem gente que se acha o dono da Casa, e a Assembleia é dos paranaenses, não podemos admitir abusos”, avisou. Segundo o presidente, além de dominar os abusos, a troca de seguranças em cargos comissionados por policiais militares, também trará economia aos cofres públicos. “Teremos mais eficiência e vamos gastar menos e também vamos seguir um modelo que existe em todo o Brasil. Em todos os outros estados a segurança das assembléias legislativas é feita pela polícia militar. A exceção era o Paraná”, avaliou, ressaltando que é “hora de mudança, de sangue novo, hora de oxigenar e dar vida nova à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná”.


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Norma Corrêa

Estranhos no ninho confrontam postura O

que é uma boa administração? A resposta óbvia é aquela em que as expectativas do eleitor sejam alcançadas ou até superadas pelo político que foi eleito, assumindo determinados “compromissos” com o cidadão. Ou seja, o eleito cumpre o que combinou com o eleitor. Simples assim! Mas funciona de imediato? Geralmente, a tradição manda que se dêem um tempo aos novatos, até que eles se ajustem nas cadeiras e consigam andar com as próprias pernas. No Paraná, os eleitores deram o seu voto de confiança ao governador Beto Richa (PSDB), que foi eleito em cima de muitas expectativas: imagem de bom administrador nos anos que esteve à frente da Prefeitura de Curitiba e a administração do pai, José Richa, considerada uma das melhores no Estado. Costuma-se usar os 100 primeiros dias como termômetro de como será a administração futura. Richa está longe de completar 100 dias de governo, mas já é possível ter uma ideia de como será para o Paraná sob a gerência tucana. Com apenas uma semana no comando do Governo, Richa foi cobrado pela nomeação de Ezequias Moreira Rodrigues como diretor de Relações com Investi----dores da Sanepar, uma vez que responde a dois processos movidos pelo Ministério Público: peculato e improbidade administrativa, por conta de ter influído na contratação de sua sogra, Verônica Durau, como funcionária na Assembleia Legislativa, segundo argumento do MP. Conforme a denúncia, Verônica, que admitiu que

A entrada de algumas pessoas estranhas no ninho da chamada cota da coligação no Governo Richa causa ruído na base interna dos tucanos e faz o governador passar por teste difícil no início da gestão

O governador Beto Richa foi eleito com o histórico de ter feito uma boa administração na Prefeitura de Curitiba

nunca trabalhou na AL, teria recebido R$ 539,4 mil por 11 anos, até o caso ser descoberto, em 2007. Rodrigues agiu com rapidez e devolveu o dinheiro aos cofres públicos. “Ele [Ezequias Rodrigues] reconheceu o erro e pagou por ele. Nesses casos, sempre me refiro a uma citação bíblica que fala de perdoar o pecador e não o pecado”, justificou o governador, adiantando que Rodrigues é funcionário de carreira da Sanepar, “competente e não foi condenado ainda. Então, não serei eu a fazer um juízo de valor”. Ao afirmar que perdoa o pecador, mas não o pecado, Richa declarou que

será “intransigente” com a corrupção, mas que está disposto a aceitar pessoas envolvidas em escândalos que tenham pago pelos “erros”. Além de Rodrigues, há quem afirme que o novo governador foi complacente ao escolher o advogado Nelson Cordeiro Justus, filho do deputado Nelson Justus, que até o dia 31 respondia pela presidência da Assembleia Legislativa, para a direção de Relações Institucionais e Comunitárias da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Dizem que Richa foi inoculado pelo vírus do “deixa-pra-lá”. Justus, o que foi acolhido na Cohapar estaria

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Ezequias Moreira Rodrigues pagou um preço muito alto por seu desleixo em relação à contratação da sogra

sendo investigado também pelo Ministério Público, num caso que envolve a suspeita de improbidade administrativa. “Fiquei sabendo pelos jornais que ele está sendo investigado... Não há nada comprovado contra ele, que também é um funcionário competente. Na minha administração, serei intransigente com a corrupção... Se houver algum indício de ilegalidade, irei apurar e os culpados serão punidos com a lei”, voltou a argumentar o governador. Por aí dá para imaginar como foram as primeiras semanas de Beto Richa como con-

Quando o governo erra, quem sofre é a população. Tadeu Veneri

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dutor da política paranaense. A nomeação do deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) como titular da Secretaria do Trabalho e Emprego deixou muita gente descontente, como o conselheiro do Tribunal de Contas, Hermas Brandão, que acusa o peemedebista de ter se infiltrado no Norte Pioneiro para cabular vo-

tos, prejudicando o seu filho, Hermas Brandão Filho (PSDB) que, mesmo com a “interferência”, foi eleito para a Assembleia Legislativa. Essa seria a causa, conforme especulações feitas nos primeiros dias de janeiro, de uma rebelião de deputados contra o indicado do governador para presidir a AL, o deputado Valdir Rossoni (PSDB). A avaliação era de que Hermas Brandão, que também presidiu o Legislativo paranaense, estaria por trás do lançamento da candidatura do outro tucano, deputado Nelson Garcia, para a presidência da Casa. Seria um batechapa dentro da base governista. Foi um blefe, que durou quase o mês de janeiro inteiro. As elucubrações em torno do assunto espantam. Nelson Garcia, o mesmo que ocupou também a Secretaria de Trabalho e Emprego, no Governo Requião, seria o único a causar esse tipo de constrangimento. Ele ficou esse tempo todo “incomunicável”, o que lhe rendeu o apelido de deputado pescador. Poucos dias antes da eleição para a presidência da AL, por meio de nota oficial, o deputado disse que não seria mais candidato ao cargo.


No centro da maioria dos descontentamentos neste início de governo estão as pressões para cargos de diretorias de estatais e outros postos menos visíveis, que partem de todos os cantos. Richa responde em tom alto, afirmando que não tem pressa e que não é “agência do Sine”. Essa insatisfação foi detectada por um levantamento feito pelo Paraná Pesquisas, entre os dias 11 e 13 de janeiro. De acordo com o Instituto, o governador começou o mandato com avaliação positiva de 64%. A aprovação do tucano pode ser explicada pela imagem de bom administrador herdada dos anos à frente da Prefeitura de Curitiba. No entanto, 10% dos curitibanos avaliaram negativamente o Governo Beto Richa, por conta da escolha de secretários “pouco confiáveis e com reputação política suspeita”. Para o deputado Tadeu Veneri (PT), a eleição de Beto Richa para o Governo do Estado é uma situação que se repete há 40 anos. “Estou na expectativa de que Beto Richa não compactue com o que está acontecendo no Porto de Paranaguá (desvio de grãos, fraudes em licitações e outras denúncias que levaram dez pessoas à prisão, na Operação Dallas, da Polícia Federal). É uma situação aviltante para todo mundo. Espero que ele não ‘perdoe’ os envolvidos nos escândalos em Paranaguá”, disparou, ao acrescentar que “o governador Beto Richa vai ter uma situação objetiva para cumprir, agora, aquilo que foi prometido no final do ano passado: A Defensoria Pública, que foi aprovada na Assembleia Legislativa, mas teve a votação suspensa a pedido do governador, com o compromisso de retomar o assunto tão logo assumisse o Governo”, lembrou. Para Veneri, o grande desafio de Richa, porém, é conviver com as suas contradições, e cita o ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, além de ter abri-

O deputado Luiz Cláudio Romanelli, que foi líder do Governo Requião na Assembleia Legislativa, agora ocupa a Secretaria do Trabalho

gado nas asas do Governo, filhos e netos de deputados. “São pessoas sem qualificação, mas que, por um arranjo político, conseguiram um cargo para se encostar, como o filho de Nelson Justus (Nelson Cordeiro Justus), que está na Cohapar”, atirou, reafirmando a necessidade de resolver os problemas, “nas suas entranhas”, referindo-se ao lançamento de Nelson Garcia para bater chapa com Valdir Rossoni, os dois do mesmo partido, o PSDB. “Sinceramente, torço para que o Governo de Beto Richa dê certo, porque quando o governo erra, quem sofre é a população”, avaliou. Outro que não escondeu a insatisfação com as nomeações que Richa fez para ocupar as Secretarias, foi o deputado Osmar Bertoldi (DEM). Para ele, houve uma “desfiguração da corrente política que elegeu Beto Richa”. Ele chegou a dizer que deixará a bancada governista, uma vez que o DEM fez parte da grande aliança que elegeu o tucano, preferindo ser “independente” na nova configuração da AL. Segundo Bertoldi, Richa foi eleito, já no primeiro turno, não apenas com seus próprios votos, mas também porque

representava o eleitorado que ansiava pelo fim da era Requião. Porém, uma das primeiras medidas do tucano no poder, “foi prestigiar exatamente representantes históricos da era Requião, como Romanelli, que foi líder do Governo Requião na Assembleia Legislativa”. Ele enumerou, ainda, casos de nepotismo que ele pensava que haveria apenas no Governo Requião, mas que se repete no Governo Richa. O deputado condenou a perda do que chama de “identidade política” de Richa, por causa das “composições heterodoxas e o fisiologismo explícito que se multiplicam no governo. Há mais acomodações com fins de cooptação do que compromissos de caráter programático”.

Cobranças Nestes primeiros dias, o Governo Beto Richa inaugurou também uma fase de cobranças de vários setores do funcionalismo público. Além dos professores, que aguardam o aumento de 27%, compromisso da campanha eleitoral, os policiais civis e militares também esperam as prometidas melhorias salariais. A PEC do subsídio, que ficou

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famosa por implantar o subsídio como forma de remuneração dos policiais e bombeiros militares. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 64, aprovada no ano passado na Assembleia Legislativa, promulgada e publicada em Diário Oficial do Estado, diz que o governador tem um prazo de 180 dias, depois da promulgação para implantar o subsídio como remuneração dos policiais, por meio de uma lei ordinária. O prazo vale para a exigência do curso superior para o ingresso na carreira de policial. Assim, Richa tem até o final de abril para regulamentar e iniciar a nova forma de remuneração dos policiais, que pode dar um ganho adicional de 25% dos salários desses profissionais.

Primeiras medidas Tão logo foi empossado no cargo maior do Paraná, Beto Richa determinou um corte nas despesas de custeio no Estado, visando racionalizar os gastos e bloquear qualquer espécie de desperdício na máquina pública estadual. A meta inicial é reduzir em pelo menos 15% os gastos, esperando gerar uma economia de cerca de R$ 480 milhões em um ano. Para ele, este é o primeiro passo para recuperar a capacidade de investimentos do Estado, “que hoje está bastante debilitada”. Segundo o governo, as medidas não afetarão investimentos nem os serviços prestados em áreas essenciais, como saúde, educação e segurança pública. Além disso, Richa declarou moratória de no mínimo 90 dias, com o objetivo de revisar a situação financeira do Estado e analisar as ordens de pagamento e serviços expedidas pelo governo anterior. A decisão foi tomada depois de uma reunião com o secretariado, onde a situação em que o Estado foi encontrado foi exposta e foram anunciadas medidas para a parte financeira do Estado. Na

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Desfiguração da corrente política que elegeu Beto Richa. Osmar Bertoldi

oportunidade, foi anunciada a realização de uma auditoria completa nas contas do Governo, para avaliar todas as pendências que foram deixadas pela administração peemedebista (Roberto Requião e Orlando Pessuti). No entanto, as despesas obrigatórias, como a folha de pagamento dos funcionários, continuarão a ser pagas normalmente. Também, o governador anunciou medidas para as áreas de segurança e saúde. Richa determinou ao secretário de Segurança, Rei-

naldo de Almeida Cezar, a adoção de medidas para reduzir os índices de criminalidade no Paraná. Na área de saúde, Richa aprovou o início de um plano emergencial de combate à dengue. Neste setor, o secretário Michele Caputo Neto, disse ainda que a Secretaria de Saúde vive uma situação financeira bastante grave e que, por isso, ainda precisa ser feita uma equalização orçamentária. Ele contou que recebeu a Secretaria com débitos junto à prestadores de serviços da área hospitalar e ambulatorial de R$ 55 milhões e outros R$ 100 milhões em recursos que estavam empenhados e foram cancelados, para a compra de insumos, equipamentos e investimentos. “Com ajustes que são possíveis, o governador Beto Richa, já determinou o cumprimento pleno da Emenda Constitucional 29 e essa medida por si só garante os recursos para que possamos ter capacidade de investimento”, disse. E para os secretários e presidentes das autarquias foram distribuídas cartilhas com o bê-a-bá de leis e diretrizes da administração pública. A intenção é que haja o mínimo de erros. Richa disse que a cartilha serve para que todos os ordenadores de despesa tenham conhecimento pleno do que pode ser feito e observem as normas e exigências da administração estadual. A cartilha feita pela equipe do secretário especial de Controle Interno do Paraná, Mauro Munhoz, traz toda legislação referente à ordenação de despesas, contratação de pessoal, os princípios constitucionais que regem a administração pública, como a legalidade, a moralidade, a publicidade, a eficiência e a impessoalidade. Aborda ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei das Licitações, a Lei da Improbidade Administrativa e a Lei de Crimes Fiscais, bem como as penalidades pertinentes a atos de improbidade administrativa.


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Antecipando As eleições municipais ainda estão distantes, mas a sucessão à Prefeitura de Curitiba foi antecipada e já se formam grupos e nomes são escolhidos para a disputa

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em bem as urnas esfriaram, depois de outubro do ano passado, e as eleições municipais de 2012 já estão nas ruas. O grande mote é a disputa pela Prefeitura de Curitiba que, se forem confirmadas as tendências, já tem seis candidatos a candidatos que sonham com a eleição para o cargo, além, é claro, do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), que ocupou a vaga deixada por Beto Richa (PSDB). No PMDB, o deputado estadual Stephanes Júnior e o ex-deputado federal, Marcelo Almeida, querem disputar o cargo, sem contar que até o senador Roberto Requião já foi citado como provável candidato. E ainda há outros pretendentes, como o deputado federal Ratinho Júnior, do PSC; o petista Tadeu Veneri; o ex-deputado federal, Gustavo Fruet, do PSDB, além do PSB, com o atual prefeito Luciano Ducci, que certamente vai concorrer à reeleição. Se esta configuração sobreviver às negociações até junho de 2012, não há dúvidas que a eleição para a Prefeitura de Curitiba será marcada por fortes emoções. O grande nó da questão está na possibilidade da disputa colocar frente a frente, Fruet e Ducci. Essa seria mais uma questão política

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2O12

a ser resolvida pelo governador Beto Richa. Primeiro, Fruet é do ninho tucano e administrar a Capital, como seu pai, Maurício Fruet, é um sonho antigo. E ele está animado, apostando nos 646.886 votos que obteve apenas em Curitiba, quando disputou uma vaga ao Senado, em 2010. E foi essa votação que faz

dele um candidato natural à sucessão de Luciano Ducci. O ex-deputado, que passou janeiro inacessível, teria até recusado nomeação para secretarias no Estado, para se dedicar à campanha que, segundo dizem, começa em março próximo, quando for feita a convenção no PSDB para renovação dos diretórios. Mas,


Norma Corrêa

do outro lado da trincheira, estaria Ducci, que foi vice de Richa na Prefeitura e que também é um candidato natural à reeleição. Os dois devem travar uma batalha interna para disputar o apoio indispensável do governador tucano. Aquele que for ungido e receber as bênçãos de Richa, sairá na frente e com munição suficiente e fôlego para chegar até outubro de 2012 como favorito. Enquanto Ducci diz que não, Fruet acredita que tem todas as condições de ser o escolhido. Enquanto as especulações ganham destaque nas rodas políticas, alguns mais dedicados se empenham em mover as peças “certas” para ganhar a dianteira na disputa. Nos últimos dias de janeiro, chamou a atenção a mobilização do deputado Stephanes Júnior, que quer a destituição da atual diretoria do diretório do PMDB de Curitiba, presidido por Doático Santos, braço direito e esquerdo do senador Roberto Requião. A intenção, dizem, é tirar do partido todo o grupo que é olho e ouvido do ex-governador peemedebista e que poderia atrapalhar a intenção de lançar candidato próprio à Prefeitura de Curitiba. O afastamento de requianistas de carteirinha do partido teria a função de, nada mais, nada menos, promover o retorno de Gustavo Fruet para o PMDB, de onde saiu em 2004, depois de ser

O prefeito Luciano Ducci ao lado de Beto Richa: laços de amizade de longa data

preterido em favor do petista Ângelo Vanhoni, numa aliança alinhavada pelos irmãos Requião. Alegando que o partido passa por um período de estagnação, Stephanes Junior quer lançar seu nome como uma opção do PMDB na disputa pela Prefeitura no ano que vem, mas não descartou outras possibilidades, como uma aliança com o PSB, de Ducci, e ao movimento para atrair o Fruet para se filiar, de novo, ao PMDB. Tanto que disse que quer disputar o cargo, mas se o tucano retornar ao

partido, ele abre mão da disputa, por acreditar que agora é hora de Fruet. Fazendo cara de paisagem para o motim que se instalou no PMDB, pela dissolução do diretório municipal, Doático Santos procura se manter à margem da polêmica. Ele diz estar mais preocupado com a preparação do congresso do PMDB de Curitiba, para o dia 29 de março, aniversário da cidade, quando vai aproveitar para fazer um recadastramento dos filiados ativos. E também admitiu a possibilidade do retorno de Fruet ou da aproximação com Ducci, em função da aliança nacional. Mas, como é do seu feitio, lança uma ideia, no mínimo, excêntrica, para a candidatura própria: Roberto Requião sairia candidato a prefeito tendo como vice o deputado federal Ângelo Vanhoni (PT). “Hoje eles podem não querer, mas cabe à base popular convencê-los”, afirma. O raciocínio é que, vencendo a eleição em Curitiba, Requião teria condições de disputar, em 2014, mais um mandato de governador. Seria o quarto mandato, aos 73 anos de idade. Gustavo Fruet e Beto Richa: amigos e companheiros de partido

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política

O deputado federal Ratinho Júnior desponta entre os potenciais candidatos à Prefeitura de Curitiba

o foco da gestão, que sempre tem sido muito bem avaliada pelos curitibanos, em percentuais consideráveis (entre 76% a 80% de aprovação). Segundo Ducci, isso é resposta do empenho em se fazer uma boa administração, que começou com Richa. “Nós tivemos um bom começo, fomos brindados com uma boa equipe, com secretários excepcionais, dispostos ao trabalho. E os resultados estão aí, à mostra”, afirma. Quem também acha que ainda é prematura a discussão sobre a sucessão na Prefeitura de Curitiba, é o deputado Ademar Traiano, líder de Beto Richa, na Assembleia Legislativa. “Política é um processo dinâmico e fazer qualquer avaliação, agora, é cair no vazio”, avalia. O deputado também aposta na versão de uma chapa formada com Ducci e Fruet, com o argumento de quem sempre esteve junto, “que continue junto”, defendendo a unidade das forças que dão sustentação política ao governador Richa.

Processo ainda incipiente Ducci e Fruet juntos Enquanto diz que não tem compromisso de apoio do governador Richa para a eleição de 2012, o prefeito Ducci não descarta a possibilidade de uma aliança com os tucanos, desde que ele seja o candidato a prefeito e Fruet, vice-prefeito. “Eu e o Beto não entramos na discussão de 2012. Tenho dito que estou tranquilo a esse respeito. Mas acho essa uma discussão prematura e seria, até, falta de respeito da minha parte com os demais (candidatos a candidatos à Prefeitura). Antecipar essa discussão seria uma receita para dar errado a gestão. Antes de 2012, tem 2011, e nós temos muito trabalho pela frente”, argumenta Ducci, afirmando, no entanto, que sempre conta com Richa, em razão da amizade, dando o tom de que espera apoio do amigo para concorrer à reeleição. O prefeito diz ainda que não pode perder

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Já pelos lados do PT, a única certeza, por enquanto, é que o partido vai disputar as elei-

ções com candidato próprio. Para o deputado Tadeu Veneri, o processo para a disputa pela Prefeitura de Curitiba, ainda é embrionário. Mas pretende, novamente, colocar o seu nome para um debate interno, com a possibilidade de disputar a cadeira hoje ocupada por Ducci. “Ninguém é candidato sozinho. Uma candidatura só tem sucesso se for consolidada com a força da união partidária. Mas acredito que o debate sobre Curitiba deve ser retomado pelo PT, em razão da série de desafios que afloram, como a violência e a desigualdade social, além da necessidade da integração completa da Região Metropolitana de Curitiba”, adianta, dizendo ainda que é preciso renovação na Prefeitura, onde “só mudam os nomes, mas o grupo é o mesmo há 40 anos”. Veneri afirma que tem muita consideração por Fruet, afirmando que ele teve atuação excelente na Câmara Federal, mas diz que o tucano pode encontrar dificuldades por ter se mantido à distância nas discussões sobre Curitiba. “Nunca vi o Gustavo fazer um debate sobre o orçamento participativo para a Capital, por exemplo. A leitura que faço é que

O presidente do diretório do PMDB de Curitiba, Doático Santos, está na corda bamba


Gustavo não tem o perfil para administrar a cidade”, avalia. Para ele, o PT tem obrigação de apresentar um candidato para a Prefeitura, com o benefício desse representante do partido poder contar com o apoio do Governo Federal, e especialmente do ex-presidente Lula, que promete se dedicar em tempo integral a eleger prefeitos do PT País afora.

As 13 metas para 2012 No Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), o desembargador Irajá Hilgenberg Prestes Mattar, que assumiu a presidência da Corte no dia 1º de fevereiro, diz que é normal o tribunal se antecipar às eleições, porque os juízes não trabalham com a improvisação. Segundo ele, antes, porém, a nova direção se propôs a cumprir 13 metas em 2011, para preparar as eleições de 2012. E citou as prioridades: construção de mais 14 fóruns eleitorais no Estado, sendo que já foram inaugurados 21 unidades, que agilizam o trabalho e melhoram o atendimento aos eleitores; ampliação dos novos sistemas de informática – criada por funcionários do próprio TRE-PR – que melhoram a comunicação, dispensando toneladas de papel gasto com comunicados internos. A intenção é ampliar em mais 5,6 mil pontos o novo sistema pelo Estado. Estas são algumas das medidas que, segundo o desembargador devem contribuir para acelerar e melhorar os trabalhos no Tribunal. Mattar, que causou polêmica ao conceder liminares proibindo a divulgação de pesquisas, a pedido da coligação do então candidato ao Governo do Estado, Beto Richa (PSDB), comemora o fato de os resultados das urnas não terem “batido” com os dados apresentados pelos institutos de pesquisas. “Nós fomos alvo de comentários desairosos, mas o nosso entendimento era que tecnicamente as pesquisas estavam erradas e tínhamos razão”, avalia. Para ilustrar sua análise, ele citou o fato de

O deputado estadual Stephanes Júnior também quer ser prefeito de Curitiba

a pesquisa Ibope ter dado ao então candidato ao Senado, Roberto Requião (PMDB), 10,3% das intenções de voto à frente do oponente, Gustavo Fruet (PSDB), porém, as urnas mostraram uma diferença entre os dois de apenas 2%. Para Mattar, que defende a “pesquisa informativa”, os institutos de pesquisas estavam “mandando” nas eleições. “Por essa razão, resolvemos agir e, dentro da lei, usamos a técnica como argumento para impedir que os abu-

sos continuassem e sofremos muito com essa situação. O assunto teve grande repercussão, mas o Paraná mostrou que estava certo”, diz, ao informar que, agora, na entressafra eleitoral, as pesquisas estão liberadas, sem a necessidade da aprovação do Tribunal. Mas, a partir de 2012, os institutos de pesquisas serão obrigados, conforme prevê a legislação, a registrar os levantamentos na 1ª Zona Eleitoral, em Curitiba. O desembargador Irajá Hilgenberg Prestes Mattar já começou a trabalhar para as eleições de 2012

O senador Roberto Requião também figura na lista dos prefeituráveis

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Prefeito Luizăo destaca o desenvolvimento de Pinhais nos dois últimos anos Cidade que completa 19 anos em março possui grandes potencialidades O prefeito Luizăo Goulart (PT) iniciou seu trabalho em 2009 com a missăo de levar ŕ populaçăo os serviços que até entăo năo tinham acesso e também dar uma nova identidade ao município, através de seu desenvolvimento econômico e sustentável. Hoje, com as açőes executadas, a atual gestăo municipal já conseguiu realizar mais de 80% do Plano de Governo, previsto para ser executado em todo o mandato, além de por em prática outros projetos. “Em todas as açőes procuramos atender o anseio da comunidade, dando prioridade para as obras que levam mais qualidade de vida para as pessoas”, acentuou o prefeito.

Hospital e Maternidade

Já no inicio do mandato, a administraçăo municipal reabriu o Hospital e Maternidade e, com isso, o município passou a contar com um lugar onde as măes podem dar ŕ luz os seus filhos. Com Centro Cirúrgico e atendimento especializado, desde abril de 2010, a equipe médica do hospital já realizou mais de 900 partos.

Bosque Municipal

Outra grande açăo da prefeitura que deu impacto ao município foi a implantaçăo do Bosque Municipal. Inaugurado em setembro, o local é hoje a principal referęncia de lazer e entretenimento para a populaçăo local. “Ficamos completamente encantados com o novo bosque, moramos há mais de 20 anos em Pinhais e sempre quando queríamos passear com a família tínhamos que ir para Curitiba. Agora é diferente, o Bosque é ótimo”. Este foi o

Bosque Municipal inaugurado em setembro de 2010 é hoje a principal opçăo de lazer na cidade

comentário de Luís Paulo de Souza, frequentador assíduo do bosque em companhia da esposa e seus dois filhos.

As pessoas

A satisfaçăo da comunidade está evidente em Pinhais. Năo só por causa das obras de asfalto, que foram ampliados expressivamente por todos os bairros da cidade, mas também devido ao atendimento pessoal, que agora é feito de forma especializada e articulada. Os Centros de Referęncia em Assistęncia Social (Cras) foram melhores equipados; as equipes do Programa Saúde da Família foram ampliadas, os progra-

mas sociais do Governo Federal, como o Projovem Trabalhador e o Projovem Adolescente foram implantados e, por isso, o atendimento consegue chegar a quem interessa.

40 km de asfalto

O asfalto é uma das prioridades na opiniăo dos moradores. Por isso, em 2010, a prefeitura ampliou expressivamente a capacidade de asfaltar a cidade. Por todos os bairros, a pavimentaçăo está levando mais qualidade de vida para a comunidade. Em menos de dois anos, a prefeitura está conseguindo asfaltar cerca de 40 quilômetros de ruas.

Guarda Municipal

Prefeito Luizăo durante o recente lançamento da segunda etapa do PAC Pinhais

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Em dezembro, Pinhais passou a contar com o trabalho da Guarda Municipal pelas ruas da cidade. Hoje, a Guarda oferece o trabalho de policiamento preventivo na cidade. “Nós queremos uma cidade mais segura, mais próspera, as pessoas precisam sentir-se bem onde vivem. Pinhais é uma cidade muito boa e que a cada dia está se tornando referęncia para a Regiăo Metropolitana e também para o Paraná”, concluiu o prefeito Luizăo.


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saĂşde

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Como


Pedro Ribeiro

É

possível viver 100 anos ou mais com qualidade de vida? A resposta para esta pergunta, tão atual nos dias de hoje, foi dada há 20 anos, durante um congresso médico em Brasília, pelo cardiologista Radi Macruz. “Eu dizia que o homem nasceu para viver 120 anos e morre mais cedo porque nós fazemos com que ele morra, pela alimentação, falta de exercício, estresse, uma série de outras coisas”, pontuou o cientista. Hoje, passados duas décadas, quem responde ao mesmo questionamento é o cardiologista Constantino Costantini, do Hospital Cardiológico Costantini: “Sim, é possível viver mais de 100 anos e a receita é a mesma dada pelo médico Radi Macruz, do qual sou discípulo.” O homem pode viver 120 ou 150 anos e tem gente vivendo com essa idade, assinala Macruz, em depoimento ao “Memorial Incor”. Segundo ele, “esse é o nosso ponto de referência. Se analisarmos uma pessoa que conseguiu chegar aos 150 anos, poderemos chegar a

uma conclusão como isso aconteceu. Depende de corrigir a parte genética dele. Então, ele vai morrer assim definhando, vai acabando, vai acabando, acabando, acabando, acaba... as células dizem assim: ‘Eu não quero mais viver’.” Costantini, que cuida do seu coração como cuida dos corações de seus pacientes, chama a atenção para os riscos cardiovasculares provocados pelo estresse, alimentação descontrolada e falta de exercícios físicos. O estresse, na sua avaliação científica, é a “mola mestre para desarranjar todo o organismo. O estresse leva o indivíduo a se alimentar de forma incorreta, a não fazer exercícios, ou quando faz, o faz de forma errada e a aumentar o peso”. Ele avalia que, diante de um quadro como esse, começa a aparecer todos os fatores de risco que levam à “doença arteriosclerose, ou seja, não apenas do coração, mas o envelhecimento das artérias e, consequentemente, de todo o corpo”. Costantini diz que as pessoas têm vonta-

“Se minha cabeça estiver bem, por que eu vou morrer? Se o corpo não sofre, por que eu vou morrer? Se eu tenho alimento, por que eu vou morrer? Se eu tenho casa, por que eu vou morrer?” Professor Radi Macruz

viver 12O anos

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saúde

Constantini recomenda;

É muito bom um cochilo de 4O minutos após o almoço, fazer exercícios diariamente, não fumar e beber socialmente, além de evitar o estresse.

de de viver até 120 anos. Para isso é preciso começar a ter os cuidados básicos desde cedo. É como uma aposentadoria. Para se ter uma boa renda aos 50 anos de idade, é preciso começar a economizar desde cedo. Macruz também afirma: “Se minha cabeça estiver bem, por que eu vou morrer? Se o corpo não sofre, por que eu vou morrer? Se eu tenho alimento, por que eu vou morrer? Se eu tenho casa, por que eu vou morrer?

Capitalismo desgraçado O cientista de 85 anos de idade, com idéias marxistas, também acusa a sociedade pelos problemas porque passam algumas das nações menos desenvolvidas. Segundo ele, todos dizem que a África sofre de fome. “Sofre de fome por causa do capitalismo desgraçado que nós temos, que não vê o homem, vê o dinheiro. E

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tem essa filosofia: ‘Bom, que exista uma seleção natural, os mais fracos que morram. Aqueles que não forem capazes de criar o seu próprio alimento, então que morram’. Medicina sem humanismo não é medicina, é biologia ou é engenharia. Quer dizer, engenharia humana ou biologia”, pontua. Em seu livro “Matemática da Arquitetura Humana – V = k • ET – Idiometria Humana – Novos Rumos da Normalidade”, o professor Radi Macruz busca aproximar a medicina da matemática, demonstrando que é possível definir melhor os padrões de normalidade e compreender de forma mais adequada o funcionamento do corpo humano quando guiados pelas regras da matemática. O que é normal? O que é normalidade? Na obra, ele mistura filosofia e ciência, matemática e biologia, arquitetura e medicina na explicação exata do


Morte súbita no Brasil

Males que mais matam Outro estudo revela que as doenças cardiovasculares estăo entre os males que mais matam no mundo. No entanto, 30% a 40% destas mortes poderiam ser evitadas apenas com mudanças de hábitos. As doenças do coraçăo săo causadas por fatores físicos, emocionais e principalmente pelo estilo de vida do paciente, por isso săo chamadas de multifatoriais. Estresse, alimentaçăo inadequada, hipertensăo e diabetes săo apenas algumas das causas de doenças cardiovasculares como infarto, aneurismas e derrame cerebral. Os problemas cardíacos săo sempre consequęncias de algum desequilíbrio no organismo. Como em muitos casos săo silenciosos, muita gente tem alteraçőes e năo sabe. O ideal é rastrear alguns fatores determinantes na hora da prevençăo como hereditariedade, hipertensăo e hábitos de vida. Os remédios funcionam, mas sozinhos năo fazem milagre.

De acordo com estudo da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), 250 mil pessoas săo acometidas pela morte súbita por ano no Brasil. O estilo de vida pode ser um dos fatores mais importantes para a pessoa desenvolver problema do coraçăo. A maior causa de morte súbita săo as chamadas arritmias, ou seja, as alteraçőes dos batimentos cardíacos. Apenas alguns tipos de arritmias, podem levar a morte súbita.

Sintomas de uma arritmia cardíaca:

O coraçăo bate muito rápido, algumas vezes em descompasso ou mesmo muito devagar; Dor ou sensaçăo de desconforto no peito; Sensaçăo de aperto no pescoço, falta de ar ou respiraçăo ofegante; Tonturas seguidas ou năo de sensaçăo de desmaio; Palpitaçőes.

que significa normal e normalidade, o que tratar, quando tratar e por que tratar. “Dê-me a altura do indivíduo e dar-vos hei o homem ideal”, afirma Macruz, explicando que, a partir daí, vai procurar saber qual a variável fundamental que determina todas as outras variáveis do corpo humano e encontrará a altura. Pela altura “eu dou mil variáveis suas. Se uma pessoa tiver, ou se me disserem que tal indivíduo tem 1,70 metros, eu digo: Tem pressão arterial, pressões de todas as cavidades cardíacas, tamanho do coração, tamanho das câmaras...”

Lições para a vida O cardiologista Constantino Costantini diz que assistiu à dezenas de palestras do professor Macruz e lembra quando afirmou, na década de 70, que iria viver 100 anos porque seu colesterol, na época, era de 120, quando já se

Malucelli: “quero viver até os 95 anos de idade e jogar futebol até os 75. Para chegar lá, faço direitinho a lição de casa”

falava em 280 e hoje se fala em 200. Por isso, alerta sobre a importância de se investir na

máquina humana desde cedo, controlando a glicemia, colesterol bom, ruim e total, prati-

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saúde

Fatores de Risco de doenças cardíacas

Săo condiçőes que predispőem uma pessoa a maior risco de desenvolver doenças do coraçăo e dos vasos. Existem diversos fatores de risco para doenças cardiovasculares, os quais podem ser divididos em imutáveis e mutáveis.

Fatores imutáveis:

Săo os que năo podemos mudar e por isso năo podemos tratá-los. Săo eles: Hereditários: Os filhos de pessoas com doenças cardiovasculares tęm uma maior propensăo para desenvolver doenças desse grupo. Pessoas de pele negra săo mais propensas a hipertensăo arterial e nelas costuma ter um curso mais severo. Idade: Quatro entre cincos pessoas acometidas de doenças cardiovasculares tęm mais de 65 anos. Entre as mulheres idosas, as que tiverem um ataque cardíaco terăo chance dupla de morrer em poucas semanas. Sexo: Os homens tęm maiores chances de ter um ataque cardíaco e os seus ataques ocorrem numa faixa etária menor. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa das mulheres aumenta, ela nunca é tăo elevada como a dos homens.

Fatores mutáveis:

Săo aqueles sobre os quais podemos influir, mudando, prevenindo ou tratando:

car muito esporte, evitar gorduras em excesso, porque, normalmente, o indivíduo obeso é mais propenso à hipertensão, ao diabetes e ao colesterol alto. “Se o estresse é a mola mestra para desarranjar o corpo humano, o exercício é a base da qualidade de vida.” Costantini também lembra do professor Luiz Décourt que dizia há 40 anos: “Para ser saudável é preciso ter o menor estresse possível.” Viver saudável, como nos orienta o cardiologista Costantini, é não ter estresse e ter vontade para uma melhor qualidade de vida. O próprio médico, formado na Argentina, mas com 22 anos de Santa Casa, em Curitiba, mais 12 anos do Hospital Cardiológico Costantini, recomenda um cochilo de 40 minutos após o almoço, fazer dieta, não fumar, álcool só soci-

Fumo: O risco de um ataque cardíaco num fumante é duas vezes maior do que num năo fumante. O fumante de cigarros tem uma chance duas a quatro vezes maior de morrer subitamente do que um năo fumante. Os fumantes passivos também tęm o risco de um ataque cardíaco aumentado. Colesterol elevado: Os riscos de doença do coraçăo aumentam na medida que os níveis de colesterol estăo mais elevados no sangue. Junto a outros fatores de risco como pressăo arterial elevada e fumo, esse risco é ainda maior. Esse fator de risco é agravado pela idade, sexo e dieta. Pressăo arterial elevada: Para manter a pressăo elevada, o coraçăo realiza um trabalho maior, com isso vai hipertrofiando o músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque. A elevaçăo da pressăo também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral, de lesăo nos rins e de insuficięncia cardíaca. O risco de um ataque num hipertenso aumenta várias vezes, junto com o cigarro, o diabete, a obesidade e o colesterol elevado. Vida sedentária: A falta de atividade física é outro fator de risco para doença das coronárias. Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos tęm um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. Mesmo os exercícios moderados, desde que feitos com regularidade săo benéficos, contudo os mais intensos săo mais indicados. A ativiSe eu pudesse viver novamente a minha vida, dade física também previne a obesidade, a hipertensăo, o na próxima trataria de cometer mais erros. diabetes e abaixa o colesterol. Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais. Obesidade: O excesso de peso tem uma maior probabilidaSeria mais tolo do que tenho sido; na verdade, de de provocar um acidente vascular cerebral ou doença cardíaca, mesmo na ausęncia de outros fatores de risco. A bem poucas coisas levaria a sério. obesidade exige um maior esforço do coraçăo, além de Seria menos higiênico. estar relacionada com doença das coronárias, pressăo arCorreria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, terial, colesterol elevado e diabetes. Diminuir de 5 a 10 subiria mais montanhas, nadaria mais rios. quilos no peso já reduz o risco de doença cardiovascular. Iria a lugares onde nunca fui, Diabete melito: O diabetes é um sério fator de risco para doença cardiovascular. Mesmo se o açúcar no sangue estiver tomaria mais sorvetes e menos lentilhas, sob controle, o diabetes aumenta significativamente o risco teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente com diabetes morrem de complicaçőes cardíacas ou cerebrais cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria. provocadas. Na presença do diabetes, os outros fatores de risco se tornam mais significativos e ameaçadores.

A vida vista pelo

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almente, fazer exercícios e medicamentos, quando necessário. É bom sempre checar a pressão arterial, nível de colesterol, triglicerides e glicemia. Aos 65 anos de idade, Costantini, religioso, avô de 11 netos e produtor de frutas em Porto Amazonas, joga futebol de duas a três vezes por semana, onde participa das “peladas” do Malutrom, faz caminhadas diárias e exercícios regulares, além de se alimentar com muito verde. Depois de relatar suas atividades, diz que pretende chegar aos 90 anos de idade com qualidade de vida. Jogar futebol, até os 70 anos. Uma de suas maiores alegrias, hoje, é poder bater uma bola com o neto de 11 anos. “Para mim, é uma alegria, felicidade pura”, diz. Para mostrar que cuida – e muito

poeta

Quero viver o máximo, mas com qualidade de vida.

Fernando Ghignone

O escritor argentino, Jorge Luis Borges, em seu poema “Instantes”, nos mostra um contraponto de como se deve – ou deveria – viver a vida:

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabes, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se eu voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vida pela frente. Mas vejam, tenho 85 anos e sei que estou morrendo...

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saúde

bem – de seu coração, de sua saúde, tira da gaveta de sua mesa de consultório, os últimos exames, de 18 de janeiro de 2011: colesterol (136); HDL (46); LDL (67) e triglicérides (63). É de dar inveja. Quem está na mesma linha de cuidados com a saúde, é o empresário Joel Malucelli, de 65 anos. Joga futebol três vezes por semana, anda de bicicleta, joga tênis e faz exercícios

físicos, além de se pautar por uma boa alimentação. Revela que quer chegar aos 95 anos de idade e jogar futebol até os 75 anos. Faz exames regulares e tem como cardiologista Constantino Costantini. Fernando Ghignone, 60 anos, presidente da Sanepar, disse à revista Documento Reservado que vem enfrentando, nos últimos meses, uma excessiva carga de trabalho, fruto de

campanha política. Mas nunca deixou de se alimentar saudavelmente, descartando açúcar e sal. Não fuma, bebe socialmente, faz exercícios diários e caminhadas nos finais de semana. Também pratica esporte, principalmente futebol, que joga duas ou três vezes por semana. Faz exames freqüentes, pois pretende chegar ao máximo de longevidade, porém, com qualidade de vida. Seu pai, José Ghignone acaba de completar 90 anos de idade.

Como cuidar de si mesmo para ter qualidade de vida algumas dicas de como ter qualidade de vida para aumentar a longevidade: Dieta - Uma dieta saudável significa a ingestăo de alimentos que possam ser digeridos com facilidade e que năo produzam o depósito de gorduras e açúcares, de preferęncia usando pouco sal e com uma boa quantidade de líquidos, verduras e frutas. Para se ter boa qualidade de vida é preciso descobrir quais săo as necessidades do corpo e da mente, melhorar o estilo de vida, evitar hábitos nocivos, desenvolver uma alimentaçăo sadia, conhecer e controlar os fatores de risco que levam ŕs doenças, adotar medidas de prevençăo de doenças. Representam bem os maus hábitos, o sedentarismo (falta de atividade física), o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade, pois todos aumentam a toxicidade do organismo, já que deterioram as artérias, impedindo a boa oxigenaçăo das células do organismo. O Programa de Educaçăo Médica ŕ Distância de Medicina Familiar e Ambulatorial, da Argentina, nos dá

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Exercícios - Os exercícios físicos favorecem o sono, o apetite, promovem o bom funcionamento dos intestinos, a concentraçăo, ajudam a manter o equilíbrio e a coordenaçăo motora, evitam e reduzem o sobrepeso, aumentam a quantidade cerebral das endorfinas que combatem a depressăo, mas năo devem ser extenuantes. Caminhadas diárias săo as mais recomendadas. Higiene - O desenvolvimento de bons hábitos de higiene inclui banhos diários; escovaçăo dos dentes ao acordar e após as refeiçőes, precedida do uso do fio dental; lavar sempre as măos antes das refeiçőes e após ir ao banheiro; respeitar o corpo em relaçăo aos horários para se alimentar, descansar e dormir.

Resfriados - Aos idosos, evitar as quedas, devido ŕ maior fragilidade óssea e, muitas vezes conseqüęncia de um repouso excessivo. Evitar a exposiçăo ao frio intenso, que favorece o aparecimento de resfriados, gripes etc. Raios solares - Evitar o excesso de sol, principalmente no horário da expansăo dos raios infravermelhos (das 11 ŕs 15 horas – atençăo ao horário de verăo), hidratando e protegendo a pele com produtos confiáveis. Antiestresse - Dos males do Século XXI, um dos mais importantes, pois afeta grande parte da populaçăo ativa, é o estresse. Dores de cabeça, esquecimentos, batimentos cardíacos acelerados, mau humor, choros sem motivo, vontade de sumir, músculos doridos ou măos frias e úmidas podem ser alguns dos sintomas desse mal. Mas diminuir os efeitos năo é impossível, principalmente adotando algumas das medidas anti-stress: 1. Acorde mais cedo: Em vez de começar o dia no meio do maior estresse porque năo tem tempo para fazer nada, experimente levantar-se um bocadinho mais cedo e organizar melhor as suas manhăs. Năo se deixe tentar pelo calorzinho dos cobertores e salte da cama assim que o despertador tocar. Tome um bom café da manhă e um banho relaxante.


Prevenção

Prevenir é o ato pelo qual se procura evitar que algo aconteça. É missăo essencial dos serviços de saúde evitar ou prevenir o aparecimento de doenças.

Níveis de Prevençăo: Primária: compreende a proteçăo e a promoçăo da saúde. Caracteriza-se por medidas de saúde que barram o aparecimento das doenças. Exemplos: a vacinaçăo impede o aparecimento de algumas doenças infecciosas como o sarampo, a rubéola, a poliomielite etc.; a fluoraçăo das águas previne o aparecimento das cáries.

Secundária: compreende o diagnóstico precoce das doenças, ou seja, a doença é descoberta o mais cedo possível, o que permite seu tratamento imediato, diminuindo as complicaçőes e a mortalidade. Neste caso, a doença já está presente, porém, geralmente, de forma assintomática (a pessoa ainda năo sente nada). Exemplos: mamografia e exame preventivo de câncer do colo do útero (Papanicolau).

Terciária: aqui a doença já causou o dano, compreendendo, entăo, a reabilitaçăo. Nem todas as doenças podem ser prevenidas primariamente. Isso vai depender das características da doença, do tratamento existente e dos testes para identificá-la. Estes parâmetros vęm sendo determinados por estudos científicos sérios e que vęm apontando como deve ser a atuaçăo do médico frente ŕs diferentes doenças.

Hospital e Fundação 2. Planeje o seu dia: Tente perceber em que altura do dia a sua produtividade está em alta. Há pessoas que rendem mais de manhă enquanto outras funcionam a 100% mais pela tarde. Escolha o período em que tem mais energia e deixe para essa altura as tarefas de maior responsabilidade ou que exijam maior criatividade. Lembre-se, no entanto, que por mais organizado que seja, existem imprevistos que năo se consegue controlar. 3. Defina prioridades: Năo queira fazer tudo ao mesmo tempo nem queira fazer tudo sozinho. Faça uma listagem das suas reais prioridades e tente cumprí-la. Ponha os assuntos que exigem mais em primeiro lugar, mas tente năo descuidar dos pequenos assuntos que tendem a ficar esquecidos. 4. Saiba dizer năo: Quando se sentir demasiado pressionado tenha a coragem de dizer basta! Se o seu chefe lhe parecer demasiado empenhado em năo o deixar respirar, exigindo-lhe mais e mais trabalho, explique-lhe que, apesar de tentar, năo consegue fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Tente também năo fazer o trabalho dos seus colegas. Sempre que puder ajudar, ajude, mas năo deixe que eles fiquem mal habituados. 5. Crie um bom ambiente: Pensamentos positivos ativam as energias positivas que temos em nós. E depois, simpatia gera simpatia. Elogie, seja prestativo e simpático com os seus colegas.

6. Aprenda a relaxar: Nada melhor do que depois de um dia estafante o poder chegar em casa, sair para caminhar, brincar com as crianças e tomar um longo banho. 7. Mude de rotina: É importante que vocę consiga viver para além do trabalho. Presenteiese após um trabalho complicado. Que tal aquele livro que sempre quis ou aquela camisola caríssima? Deixe o trabalho e seus problemas antes de entrar em casa. 8. Tenha vida social: Tenha uma vida social ativa porque desta maneira vai ser mais fácil de năo pensar nos problemas que deixou para trás no escritório. Vá a festas, ao cinema ou ao teatro. Cultive amizades. 9. Atividade criativa: Utilize os seus tempos livres para se dedicar a uma atividade que puxe pela sua concentraçăo e criatividade. Tendo a sua mente ocupada năo vai ter tempo para pensar nem se chatear com os problemas do dia-a-dia ou do trabalho. A pintura é um bom exemplo.

O Hospital Cardiológico Costantini foi fundado há 12 anos e sua equipe médica realiza, em média, 2,5 mil consultas por męs. Săo feitas perto de 900 angioplastias coronárias e 300 cateterismos por męs, além de dez cirurgias. O hospital já se tornou um referencial na análise, no diagnóstico e no tratamento do infarto agudo do coraçăo. Realizando também um antigo sonho; “Os pacientes sem recursos passaram a ser atendidos através da nossa fundaçăo, completando o desejo de quem foi o maior incentivador deste projeto: meu pai, Costantino Francisco Costantini. Caminhando para o futuro e trabalhando pela vida, eu e toda a equipe do Hospital Cardiológico Costantini estamos de coraçăo aberto e convidamos vocę, para nos visitar e conhecer de perto o nosso trabalho”, diz o médico Costantini. O cardiologista Constantino Costantini diz que pretende chegar aos 90 anos de idade com qualidade de vida. Jogar futebol até os 70 anos, e bater bola com os netos até os 80 anos

10. Melhore a sua vida sexual: Esta é também uma ótima soluçăo para combater o estresse acumulado durante um dia de trabalho. Ter uma vida sexual ativa e saudável é meio caminho andado para se sentir uma pessoa plenamente realizada e, desta forma, sentir-se mais confiante.

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cidades

Benefícios da

integração

Região Metropolitana de Londrina contará com terminal de transporte rodoviário e pátio de estacionamento para acomodar doentes que procuram os hospitais da cidade

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Pedro Ribeiro

A defesa é pelo bem-estar da população da região. Victor Hugo Boselli Dantas

A

construção de um terminal rodoviário de passageiros para integrar o transporte na Região Metropolitana de Londrina, formada por 11 municípios que têm perto de 850 mil habitantes, deverá ser uma das primeiras ações da gestão do governador Beto Richa (PSDB) na região Norte do Estado. Por exemplo, se uma pessoa sai hoje de Ibiporã com destino a Rolândia, ela precisa mudar de ônibus em Londrina e tem de descer em um ponto na rua por falta de um terminal integrado. O engenheiro Victor Hugo Boselli Dantas, representante do Poder Público, como coordenador da Região Metropolitana de Londrina, disse à revista Documento Reservado que está em estudo, também, a edificação de um grande pátio de estacionamento, dotado de infraestrutura básica, com conforto mínimo, para atender as pessoas doentes que se deslocam das cidades vizinhas para Londrina. A partir desse pátio de estacionamento, “estaremos locomovendo os pacientes aos hospitais da cidade com a ajuda de veículos próprios, enfermeiros e assistentes sociais”, adiantou Dantas. Atualmente, segundo ele,

motoristas de vans, kombis, carros oficiais e ônibus ficam aguardando, com seus veículos em pátios de cemitérios, fundos de vales e até em vias duplas, à espera dos pacientes. Não são raras as vezes em que vem um paciente da mesma cidade pela manhã e outro no período da tarde, pontuou. Dantas explicou que essas ações do Governo do Estado só serão efetivamente concretizadas se houver a participação de todos os dirigentes das cidades que compõem a Região Metropolitana de Londrina. Hoje, após oito anos de tentativas, há luz no túnel, disse. “Estamos formando um bloco para termos um canal direto com o governador Beto Richa, independente de cor partidária. A defesa é pelo bemestar da população da região”, ponderou. “Há mais de 50 anos esperamos uma atitude do governo em relação à nossa cidade (Rolândia) e Londrina. Ao longo dos anos só ouvimos conversa fiada e promessas. Agora parece que finalmente, teremos uma liderança com vontade política e acreditamos que haverá integração entre as cidades e o Governo do Estado”, observou o secretário de

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cidades

Desenvolvimento Econômico do Município de Rolândia, Ernesto Benedito Nogueira, ao acrescentar que o contorno do município continua vitimando pessoas, sem que haja solução para o problema. Os problemas que envolvem a Região Metropolitana de Londrina são muitos, lamentou Dantas. Desde o consumo de drogas, principalmente o crack, seguido de violência, o

Ernesto Benedito Nogueira: “agora acreditamos na integração entre as cidades”

transporte metropolitano, o gargalo da rodovia 445. Para tudo, no entanto, tem solução, afirmou. “Vamos trazer para uma reunião aqui, em Londrina, o secretário de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César e o secretário de Infraestrutura, José Richa Filho, para mostrar a eles as necessidades urgentes”, explicou o coordenador. Quem também já esteve em Londrina para um diagnóstico na área da saúde pública foi o secretário de Saúde, Michelle Caputo Neto. O secretário de Segurança, Reinaldo de Almeida César, disse, em reunião em Londrina, que pretende unir todas as polícias, inclusive a Guarda Municipal. Anunciou também, a instalação de um Colégio Militar para atender toda a região. Com isso, “teremos mais policiais nas ruas e formaremos novos militares para atuarem na preservação do patrimônio, na prevenção de roubos, crimes e tráfico de drogas”, afirmou.

Reinaldo de Almeida César: unificação das polícias e criação do Colégio Militar

A exploração e expansão da área industrial, com benefícios, também estão na pauta de reunião dos prefeitos da Região Metropolitana de Londrina. Já teve início uma discussão sobre um projeto para preservação dos mananciais, com controle de aterros sanitários, implantação de matas ciliares e ocupação ordenada do uso do solo.

Trem Pé Vermelho nos trilhos O lendário, histórico, romântico e econômico “Trem Pé Vermelho” retornará aos trilhos. Mais rápido, moderno e confortável, voltará a levar passageiros de Ibiporã a Maringá. Já está em campo uma pesquisa de viabilidade econômica, que está sendo feita por estudantes da Universidade Estadual de Londrina. A ligação ferroviária de 152 quilômetros, cobrirá Paiçandu, Maringá, Sarandi, Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cambé e Londrina e deverá atender a uma população de 2 milhões de passageiros, informa Victor Hugo Dantas.

Logística a floricultores Na Região Metropolitana de Londrina já estão cadastrados 800 produtores de flores. São pequenas propriedades que não contam com logística de comercialização de seus produtos. Um dos projetos da coordenação da região é instalar um terminal na Ceasa, com câmara fria e transporte climático e criar um entreposto de venda para as flores.

Centro para paranormais Dentro do novo conceito de política integrada, os prefeitos da Região Metropolitana de Londrina também pensam em trazer para a região um Centro de Treinamento para Paranormais. “Queremos preparar os jovens especiais da região para participar de competições nacionais e internacionais”, informou Victor Hugo Dantas.

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economia

A

Caminho das

inda sustentando sua economia na atividade rural, o Paraná tem se mantido ao longo do tempo, especialmente nos últimos anos, como o principal produtor de grãos do País. Como não dispõe mais de áreas para expandir a atividade, o Estado tem sido referência em adoção de tecnologias, com ganhos substantivos na produtividade das principais commodities, notadamente a soja e o milho, e também em qualidade de sua produção, incluindo a pecuária. Só para se situar: na safra 2009/10, foram colhidos 32,5 milhões de toneladas de produtos agrícolas, o que representou participação de 21,9% da produção nacional. Este volume também lhe valeu a reconquista da condição de primeiro produtor nacional de grãos. Mas na avaliação do secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, essa questão de posição no ranking nacional, por volume colhido não é o foco principal da política que está sendo implantada pelo Governo Beto Richa. O mais importante é manter a atividade eficiente e competitiva, reduzindo custos e melhorando a renda do produtor. Enfim, gerando riqueza. “Se a agricultura paranaense é muito importante para economia brasileira, é ainda mais para a paranaense, afinal mais de três quartos da economia estadual depende fundamentalmente da dinâmica da agricultura, do seu bom desempenho, pois o comércio e o setor de serviços,

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por exemplo, dependem fundamentalmente do que o campo é capaz de produzir”, diz, ao acrescentar que, o conjunto da atividade, ou seja, juntando-se à produção agropecuária, a florestal, inclusive o processamento da matéria primária, a cadeia participa para a geração de cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e responde por mais de um milhão de empregos. “Portanto, se a atividade rural for mal, toda a economia paranaense tende a ir pelo mesmo caminho”, destaca. Ortigara diz ainda que, apesar do avanço significativo da produtividade média de todas as lavouras e também da pecuária de 15 anos para cá, fruto do melhor trato do solo, da incorporação de tecnologias no processo produtivo, especialmente no que toca ao material genético de melhor qualidade – cita o desempenho da soja, milho e do feijão, que são as grandes lavouras, e também do trigo, “que em 2010, teve um desempenho excepcional, com recorde de produtividade e qualidade adequada às necessidades da indústria - , o produtor rural continua endividado. E isso ocorre, segundo ele, porque o bom desempenho na propriedade não tem a mesma correspondência fora da porteira. Para isso, concorrem vários fatores, a começar pela infraestrutura e logística ineficientes. “Como todos sabem, a agricultura é concorrencial, ou seja, ela não forma preço, que é dado pelo mercado. Por isso, tudo o que for mal fora da porteira é desconto direto na


Sílvio Oricolli

pedras

Governo dispõe de projetos que visam fortalecer a agropecuária, da produção, venda e distribuição, passando pela infraestrutura e logística, até o aumento de renda e melhoria de vida do produtor rural nota fiscal de venda do produto. Por exemplo, a estrada rural esburacada e com atoleiro, que quebra a mola do caminhão e atrasa a entrega, contribui para encarecer o frete”, complementa. E ainda toca em um ponto crucial das rodovias paranaenses, a tarifa de pedágio, que considera excessivamente cara para a economia rural do Paraná, “porque há descontos enormes, via frete, para pagar essa despesa”. Cita ainda como outro ponto de estrangulamento, a baixa capacidade de expedição dos portos, com a formação de filas de caminhões, com navios seguindo viagem com meia carga, com embarcações ao largo, esperando para atracar, ao custo de um dólar a tonelada por dia de espera. “Então tudo isso é subtração de renda do produtor rural”, lamenta O secretário da Agricultura reconhece que há condições para melhorar o desempenho das lavouras dentro das propriedades, como resultado da melhor capacitação técnica e gerencial dos agricultores. Mas vê que há percalços que precisam ser superados para que o produtor possa realmente se viabilizar financeiramente. “No Estado, há muitos exemplos de altíssimas produtividades. E isso mostra que é possível aproximar a produtividade média desses desempenhos. Ocorre que isso será de pouca valia, se não atacarmos as causas da baixa renda no campo, que são os fatores extra propriedades, incluindo os efeitos dos setores cartelizados, como o de fertilizantes e

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economia

dos agrotóxicos, além da carga tributária que incide sobre os combustíveis”, diz.

Qualidade de vida Ortigara diz que o recém-empossado Governo do Paraná assumiu compromisso com a agricultura estadual, com quatro vertentes ou “grandes desafios”. O primeiro é tentar oferecer uma vida melhor para quem vive no campo, considerando que atualmente mais ou menos 15% da população mora no sítio ou em agrupamentos rurais perto das propriedades, sem falar que 350 municípios têm a economia centrada na atividade rural. “E oferecer uma vida melhor a esse pessoal, começa com um programa de habitação rural, que está sendo desenhado, aproveitando subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. E neste sentido, estamos celebrando uma parceria com a Caixa Econômica especialmente para a construção de casas rurais. Mas temos de pensar também em reforma, ampliação, na melhoria das habitações disponíveis e investimentos em saneamento, seja no tratamento de dejetos como o fornecimento de água tratada às comunidades rurais, que têm historicamente sérios problemas de abastecimento, porque qualquer seca compromete o suprimento de água para as pessoas e animais. A idéia, então, é investir junto com a Sanepar na construção de sistemas comunitários de dis-

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tribuição, para que essas pessoas possam ter água encanada de boa qualidade para atender todas as necessidades pessoais e da propriedade”, adianta. Nessa linha, o secretário lembra da necessidade de uma atenção qualificada aos idosos do campo, ao considerar que nas décadas de 1980 e 90 houve forte migração para as áreas urbanas, permanecendo na roça os idosos e eventualmente um dos filhos. “Esses idosos precisam de atenção, por meio de programas especiais, seja na questão de olhar a sua aposentadoria, na construção de centros de convivência, para que, além do lazer e entretenimento, possam ter um local para desenvolver ações para a própria comunidade. Enfim, para que possam ter um fim de vida mais saudável. E também é preciso oferecer capacitação ao jovem que ficou por lá para que seja um agricultor qualificado no futuro imediato”, destaca.

Foco na biodiversidade A segunda linha do desafio do Governo do Estado está ligada à questão da biodiversidade, com o adequado manejo do solo e da água, a redução do impacto do uso de agroquímicos no campo, a eliminação de passivos ambientais da agricultura, com dejetos animais e saldos de agrotóxicos. Para isso é preciso fazer a coleta total de embalagens, proteger as nascentes de água, promover a reposição das áreas de prote-

ção permanente, de acordo com a definição de reserva legal do Código Florestal, enfim, todo um trabalho que vise à melhoria do ambiente, à preservação do patrimônio natural. “E vamos agir fortemente nisso, com o manejo de solo, com apoio a práticas mecânicas ou não de conservação e reposição da fertilidade do solo. O Governo vai implantar uma linha de apoio nessa direção”, adianta.

Fomentar a competitividade O terceiro ponto, que, na avaliação de Ortigara, talvez seja o mais importante, está ligado à competitividade da produção rural paranaense. O que passa por investimentos mais consistentes na pesquisa agrícola de vanguarda. Por exemplo, é intenção inserir os experimentos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) na biotecnologia em busca de melhores soluções para a agricultura. “Sejam pesquisas voltadas para o desenvolvimento de variedades de culturas, melhoria da genética animal e manejo de solo, enfim todo o conjunto de coisas que a ciência e a tecnologia podem oferecer. Por isso, o Iapar terá de reinventar-se, de desenvolver um plano estratégico de pesquisas para os próximos dez ou quinze anos. E também que possa estabelecer relação mais harmoniosa e produtiva com os demais centros de pesquisas, como a Embrapa e o Coodetec, entre outros. Então, o desafio é melhorar a capacidade do Estado em oferecer


apoio técnico aos agricultores, seja diretamente, com a recomposição do quadro técnico da Emater, que necessita hoje de pelo menos 400 profissionais, seja por meio de parcerias indispensáveis com o Sistema S, com o Senar, com o Sebrae, com o valioso corpo técnico das cooperativas e ainda utilizando a estruturas técnicas das secretarias de agricultura de cada município”, explica. Outro ponto importante da competitividade, que será assumido pelo Estado, por meio da Secretaria da Agricultura e suas empresas, e também em parceria com a iniciativa privada, será o desenvolvimento de ações para prevenir ou erradicar pragas e doenças “que inibem a nossa presença no mercado mundial. É o caso da aftosa, que teremos de trabalhar forte ainda nesse ano para oferecer as condições técnicas de eliminar qualquer risco da doença no rebanho e, assim, termos a possibilidade de suspender a vacinação em 2012”, diz o secretário. Ele cita ainda, como desafios, o combate à brucelose bovina, o controle das doenças dos suínos e das que

afetam as aves, especialmente a gripe viária. “Nós temos grandes possibilidades de acessar novos mercados, o que ainda não ocorreu por causa dos entraves da qualidade de produtos, de processos”, lembra. Nesse sentido, será preciso contratar mais veterinários e dar eficiência às barreiras técnicas interestaduais. Uma boa notícia é que, em cumprimento ao compromisso de campanha, o Governo Beto Richa vai criar “a Agência de Defesa Agropecuária, uma tentativa séria de atrair e reter bons profissionais no corpo de defesa sanitária no Paraná, o que não tem sido possível devido ao baixo salário inicial, praticamente a metade do piso salarial das categorias”. Outra questão importante para o setor agropecuário a ser considerada é a agregação de valor à produção, segundo Ortigara. Considerando que há predomínio de pequenas propriedades no Estado – atualmente há cerca de 370 mil, das quais 85% têm menos de 50 hectares de terra -, o produtor de commodities sempre estará às voltas com dificuldades, porque sua participação no preço final do produto é muito pequena. “O desafio, então, é produzir, agregar mais, fazer mais derivados da produção agrícola. Por isso, o Governo do Estado vai instituir a Agência de Desenvolvimento Agropecuário, uma instância ligada ao governador, que vai manejar os instrumentos de fortalecimento da agroindústria, por meio da atração de empresas, com incentivos fiscais, infraestrutura e instalação, e que vai ainda buscar oportunidades comerciais no mundo para a nossa

Se a atividade rural for mal, toda a economia paranaense tende a ir pelo mesmo caminho. Norberto Ortigara

produção. Também haverá a preocupação com o fluxo de crédito adequado às necessidades do setor, por meio do BRDE (Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul), ou via Agência de Fomento, ou diretamente no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), esclarece. Ainda sob o enfoque da agroindústria, o secretário adianta que haverá incentivo a alternativas, com o objetivo de mudar o perfil da posição com outras cadeias: por exemplo, instalar pólo de fruticultura onde for possível e associada a uma agroindústria. “O ExtremoNoroeste do Paraná está pleiteando a instalação de um pólo de frutas tropicais - acerola, manga, abacaxi etc. -, vinculado a uma agroindústria, como alternativa de renda”, destaca, ao dizer

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economia

que o Estado tem deficiências em algumas atividades, como a produção florestal, entre outras, que precisam ser desenvolvidas adequadamente para suprir a demanda do mercado e melhorar a renda e, consequentemente, a qualidade de vida do produtor rural. Outro ponto crucial, que também está tendo a atenção do Governo, refere-se à infraestrutura e logística, que comprometem a renda do produtor. Destaca, nesta questão, a necessidade de reduzir a tarifa do pedágio – “negociar uma tarifa menos onerosa para a produção, sem romper contratos” - e melhorar a eficiência e a eficácia do Porto de Paranaguá, a fim de evitar que os navios deixem o cais de atracação com meia carga. Uma das necessidades é proceder à dragagem permanente dos canais de acesso ao terminal, bem como a construção e ampliação do Cais Oeste. É preciso, assim, ampliar a capacidade de movimentação de contêineres, com vistas a uma nova demanda do porto. “O Paraná não continuará sendo um grande exportador de grãos, pois isso ocorre por concentrarmos o embarque da produção de diversos estados. Mas quando os portos no Norte do País – Belém, Santarém –, contando ainda com a pavimentação da rodovia Cuiabá- Santarém, que deve ficar pronta em dois anos, entrarem em operação, terão capacidade de exportar três vezes mais que Paranaguá. Então temos de pensar

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no processamento de nossa produção para fazer coisas de maior valor agregado. E neste sentido, o porto paranaense terá investimentos para ampliar sua capacidade em operar granéis como álcool e açúcar”, diz. Em relação à infraestrutura, Ortigara diz que o Governo vai criar 60 patrulhas mecanizadas para, junto com os consórcios intermunicipais, oferecer plenas condições de escoamento de produção, com a recuperação e manutenção das estradas rurais. “O benefício é geral, pois melhoram as condições do transporte escolar, facilitam a circulação de veículos de modo geral, enquanto, para a agricultura, contribuem para reduzir custos, melhorar a competitividade e colocar mais dinheiro no bolso do agricultor”, analisa. Ele também cita a necessidade de, no médio prazo, investir em duas ferrovias. Por exemplo, melhorar a condição de operação no trecho Ivaí-Ipiranga, interligando-o à Central do Paraná, que vem do Norte do Estado. E ainda reduzir o preço do frete ferroviário, que atualmente é vinculado ao frete rodoviário, pois “as concessionárias, não usam uma planilha de custos, mas apenas seguem as variações dos preços do sistema rodoviário”. Ortigara cita, como outra necessidade nessa modalidade de transporte, a “necessidade de sair para o nosso mar interno, que é a hidrovia ParanáTietê, até para aproveitar o investimento que São Paulo fará no rio Paranapanema para torná-lo completamente navegável. Aí precisaremos de uma saída, por trem, no trecho Cascavel-Guaíra ou Doutor Camargo-Cianorte até a hidrovia Paraná. Estas são as nossas necessidades. As demais ferrovias, mesmo com todos os clamores regionais, só se justificarão se tiverem cada uma percurso de 600 quilômetros e demanda de pelo menos 5 milhões de toneladas de carga. Por isso, pensamos apenas nesses dois trechos, com o necessário apoio federal para executá-los”, afirma.

Questão do abastecimento Outro aspecto da cadeia produtiva em que o Estado tem de estar mais presente refere-se à distribuição e abastecimento, a ponto de atualmente ter apenas cinco centrais de distribuições, por meio das Ceasas. “A Ceasa vai ser ampliada na medida do possível. Já estamos negociando a possibilidade de instalar uma unidade em Ponta Grossa. E há também o pedido do Sudoeste do Paraná, pois os agricultores precisam de um canal de escoamento para, por exemplo, a produção de hortaliças e frutas. Com isso, eles poderão deixar de escoar laranja para a produção de sucos em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Também temos o desafio de fortalecer uma unidade que foi incentivada pelo governo anterior, em Ivaiporã, e outra, em Umuarama”, acrescenta. Ortigara diz ainda que está nos planos do Governo do Estado a construção de outra grande central de distribuição. Mas não só voltada para abastecer os supermercados, as feiras livres, os hospitais e hotéis da cidade, mas para ser um centro de distribuição de produtos agropecuários, inclusive para o exterior. “Uma estrutura que possa contar com os centros administrativos das empresas, com serviços em seu entorno, desde mecânica, posto de gasolina, hotelaria, enfim, tudo o que precisa uma grande central, como existe em muitos países. Teria de se localizar em entroncamento perto de aeroporto, rodovia, ferrovia. Poderia ser em Curitiba, em Pinhais. Mas isso é um desafio nosso para daqui a alguns anos”, diz.


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segurança

Veraneio seguro Reforço de profissionais envolvidos na segurança de banhistas foi providencial para atender o aumento da demanda nas praias paranaenses

A

Operação Viva o Verão 2010/2011, criada pelo Governo do Estado para, entre outras ações, dar mais segurança aos veranistas que passam a temporada no litoral paranaense, ainda está a um mês de terminar, mas já apresenta números expressivos de combate à criminalidade nas praias, se comparada ao veraneio passado. Dados da Polícia Militar (PM) apontam por exemplo, que somente nos primeiros 30 dias de operação foram atendidas 3,3 mil ocorrências - 80% delas relacionadas ao tráfico de drogas - e que 632 pessoas já foram presas, diferente da realidade de 2009, quando o saldo foi de 432. Quem também tem trabalhado mais são os guarda-vidas, que efetuaram, até o fechamento desta edição, 847 salvamentos no mar, 50% a mais do que no mesmo período da temporada anterior. O número de mortes por afogamento, no entanto, caiu de oito para sete neste ano. As ações no litoral começaram no dia 11 de dezembro (uma semana antes do que geralmente ocorria nas operações anteriores) e seguem até 14 de março, abrangendo os dias da folia de Carnaval. Neste período, o Governo do Estado aguarda a passagem de pelo menos 2 milhões de pessoas pelos municípios de Matinhos, Guaratuba, Guaraqueçaba, Pontal do Paraná, Paranaguá, Morretes e Antonina e oferece aos veranistas, além de atividades de lazer e cultura, um reforço na segurança – são 2,8 mil profissionais entre policiais civis e militares, bombeiros, guarda-vidas e peritos atuando nos balneários das regiões Oeste, Norte e Litoral do Paraná.

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Lucian Haro

Salvamentos

O grupo de 700 bombeiros militares e guarda-vidas, presentes em 102 postos de atendimento no Litoral do Estado estăo trabalhando bastante e realizaram, até o fechamento desta ediçăo, mais de 840 serviços de busca e salvamento no mar, perfazendo a média de 23 atendimentos/ dia. De acordo com o relaçőes públicas do Corpo de Bombeiros do Paraná, capităo Leonardo Mendes dos Santos, os números superam os registrados na operaçăo anterior, quando foram resgatadas 551 pessoas. Segundo ele, a maioria dos veranistas socorridos eram homens jovens e só tiveram que ser resgatados por năo seguirem as recomendaçőes para o banho seguro. “Seguindo o que ocorre em todas as temporadas, a maioria dos resgates na água foi feito a jovens do sexo masculino, que costumeiramente querem arriscar-se mais no mar. As mulheres costumam ser mais cautelosas”, disse. Santos afirmou que o grande motivo dos resgates é o descuido e desatençăo dos próprios banhistas. “Nós realizamos um estudo que estima que 85% dos salvamentos que săo efetuamos poderiam ser evitados pelos próprios banhistas, caso respeitassem a sinalizaçăo e orientaçăo dos guarda-vidas,” enfatizou. Ainda segundo o capităo, as equipes do Corpo de Bombeiros estăo equipadas com lanchas, motos aquáticas (jetskis) e quadricíclos para patrulhamento na areia, além da “ambulancha”, embarcaçăo utilizada em casos graves de afogamentos. Os bombeiros estăo capacitados, também, para atender as ocorręncias de incęndio e de acidentes em terra, com o Siate, e ficaram responsáveis pela distribuiçăo das pulseiras de identificaçăo para crianças na praia.

Recorde superado

Santos afirmou que neste ano foi superado o recorde, que se mantinha há dois anos, no número máximo de salvamentos efetuados em um único dia pelos guarda-vidas. Segundo ele, no dia 1ş de janeiro, 168 pessoas precisaram ser retiradas da água em situaçăo de risco, superando a antiga marca de 100 salvamentos realizados em 2009.

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segurança

Estima-se que sejam gastos, até o final da temporada, cerca de R$ 15 milhões somente em segurança pública. Na área de meio ambiente, por meio do Instituto das Águas, os investimentos chegaram a R$ 12 milhões em obras de limpeza e dragagem dos rios e canais, roçadas e coleta do lixo em todos os municípios e ilhas. Outros R$ 2,4 milhões foram destinados ao atendimento à população na área da saúde, além de R$ 1 milhão que ficou a cargo da Secretaria de Turismo e da Paraná Esporte, para oferecerem opções de lazer aos veranistas. Os valores foram divulgados pelo Governo do Estado.

Quebra do silęncio

De acordo com o subcomandante da PM e coordenador da Operaçăo Viva o Verăo, coronel Júlio Ozga Nóbrega, a perturbaçăo do sossego lidera o registro das ocorręncias no litoral. “Um dos principais focos de atuaçăo da PM nesta temporada tem sido contra a perturbaçăo do sossego, uma contravençăo penal que acaba causando muitos prejuízos aos veranistas que desejam descansar e passear com tranquilidade”, afirma. Segundo ele, o caso mais comum da infraçăo é quando grupos de amigos se reúnem nas praias e ligam o som do carro em um volume excessivo, que incomoda a vizinhança. “O caso pode se agravar ainda mais, quando é associado ao uso de drogas”, acrescenta. Nóbrega revela, porém, que neste ano os delitos mais cometidos no litoral diminuíram, em relaçăo ao ano passado. “Os casos de roubo caíram de 79 na operaçăo anterior para 60 nesta; as invasőes de domicílio, de 53 para 37; os furtos reduziram de 175 para 161 na atual operaçăo; casos de lesőes corporais passaram de 183 no ano passado para 147 agora e ocorręncias de ameaça caíram de 204 para 172”. O coronel afirma, ainda, que além do policiamento ostensivo geral, estăo empenhados - para garantir a tranquilidade e segurança dos veranistas - os efetivos do Batalhăo de Polícia Ambiental – Força Verde (BPAmb-FV), o Batalhăo de Policia Rodoviária (BPRv), o Batalhăo de Polícia de Trânsito A 1Ş Companhia do Batalhăo de Polícia Rodoviária (BPRv) atendeu, (BPTran), o Batalhăo de Operaçőes Especiais entre 17 de dezembro e 18 de janeiro, 129 acidentes que resultaram em (Bope) e o Corpo de Bombeiros. tręs mortes e 53 feridos. No ano passado foram 117 acidentes, com uma vítima fatal e 54 feridos.

Trânsito

Efetivo convocado

Neste ano săo mais de 2,5 mil profissionais entre policiais militares, bombeiros e guarda-vidas, 360 policiais civis, além de peritos e profissionais dos institutos de Criminalística e Médico Legal e 700 veículos oficiais atuando nas principais áreas de veraneio do Estado. A Central da Operaçăo, como ocorreu em anos anteriores, está montada no município de Matinhos.

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Revitalizaçăo dos Eixos Estruturais

de Almirante Tamadaré Em uma parceria da administraçăo do prefeito Vilson Goinski com o Governo do Estado, foi possível a viabilizaçăo de obras que estăo revitalizando as principais vias utilizadas pelo transporte coletivo em Almirante Tamandaré. Drenagem e pavimentaçăo, relocaçăo e ampliaçăo da iluminaçăo pública, construçăo de galeria de águas pluviais, implantaçăo de calçadas para pedestres e ciclistas, além de sinalizaçăo horizontal e vertical, estăo sendo realizadas ao longo da via. A faixa da rua passou de seis para 11 metros de largura. A obra está em fase de conclusăo e, com isso, a populaçăo ganhou avenidas mais largas, bem sinalizadas e com mais segurança, que propiciam maior rapidez em viagens entre terminais de ônibus, da sede do Município, passando pela Grande Cachoeira, até a divisa com Curitiba e uma interligaçăo com o Terminal da Roça Grande, em Colombo).

Av. Domingos Scucato

Os trechos que compreendem a revitalizaçăo săo: Av. Domingos Scucato, Av. Prefeito Antonio Jonhson e Av Francisco Kruger. Estas ruas fazem a ligaçăo da sede do Município com Curitiba (chegando ŕ Av. Anita Garibaldi). Av. Prof. Alberto Piekas, Av. José Milek Filho, Rua Padre Tadeu Diedzik e Av. Nova Serrana. Estas ruas fazem a ligaçăo da Grande Cachoeira no Município de Almirante Tamandaré com Colombo. Os investimentos nestas obras ultrapassa R$ 25 milhőes e beneficiarăo cerca de 65 mil usuários do transporte coletivo, além da populaçăo das regiőes citadas.

Av. José Milek Filho

Av. Prefeito Antonio Johnson

Obras de revitalizaçăo – eixo estrutural da Grande Cachoeira

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tecnologia

Da Redação

Celepar também vai se valer da TI para dar apoio aos processos de decisão no Governo do Estado

A serviço do cidadão M

aior integração com as prefeituras paranaenses na busca de soluções conjuntas para a melhoria dos serviços públicos prestados ao cidadão. Esta é uma das metas da Companhia de Informática do Paraná (Celepar) na gestão Beto Richa. O presidente da empresa, Jacson Leite, afirma que, para o cumprimento destes objetivos, vai pautar as ações no uso inteligente das ferramentas de tecnologia da informação. Para ele, o importante é que as estruturas das administrações públicas possam atender as demandas diárias da população com eficácia, “hoje, uma exigência crescente da sociedade”. Para viabilizar o desafio, a Celepar, num trabalho coordenado pela Secretaria do Planejamento, será a indutora da política de informática do Estado, “voltada às ações de TI (Tecnologia de Informação) que gerem resultados positivos ao governo e aos cidadãos”, destaca. Leite lembra da experiência bem sucedida em Curitiba, quando em 2005, na Assessoria Técnica de Informações (ATI) e, na sequência, de 2006 a 2010, na presidência do Instituto Curitiba de Informática (ICI), coordenou a

implantação de um sistema integrado de informações estratégicas que convergiu na chamada Sala de Situação do Município. São indicadores que ficam à disposição dos administradores municipais. Esta ação da Celepar, de acordo com ele, vem ao encontro do compromisso e da determinação do governador Beto Richa em utilizar a TI como importante instrumento de apoio à operação e tomada de decisão na gestão pública do Governo do Estado. “Como resultado final, teremos uma gestão de qualidade e a certeza do bom atendimento ao cidadão paranaense”, afirma. O presidente da Celepar decidiu adotar o modelo elaborado e implantado na Prefeitura de Curitiba, a Sala de Situação, através da qual os gestores públicos têm acesso aos indicadores dos serviços públicos municipais. “Vamos utilizar a Tecnologia da Informação como importante instrumento de apoio ao processo de tomada de decisão também na administração estadual”, diz. A Sala de Situação administrada pelo ICI, além de concentrar informações estratégicas, mantém uma central de relacionamento com a comunidade, realiza pesquisas e

Teremos uma gestão de qualidade e a certeza do bom atendimento ao cidadão paranaense.

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Jacson Leite

fornece dados atualizados de todas as regiões da capital paranaense. Mesmo sabendo que o “desafio é grande”, Leite está convicto de que este projeto é viável, “a começar pela confiança que deposito na capacidade e na força de trabalho dos nossos profissionais”. A Celepar já agendou apresentações no Centro Integrado de Informações Estratégicas da Prefeitura de Curitiba, no ICI, para as demais estruturas do Governo do Paraná.


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tecnologia

Da Redação

Cidade melhor para a população C

om ações voltadas a uma gestão integrada e alinhada aos objetivos definidos pelo prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, o Instituto de Informática de Curitiba (ICI) prepara para os próximos dois anos, uma série de projetos de interesse da Prefeitura de Curitiba e da população, pautados na premissa de que o grande foco é o Plano de Governo. Renato Rodrigues, diretor-presidente do ICI, disse que o Instituto “estará, como sempre, baseado em eficiência na gestão, resulta-

dos para a população e emprego da tecnologia da informação como plataforma para a realização do Plano de Governo”. “Temos a missão de apoiar todas as secretarias e administrações regionais no sentido de que elas realizem uma gestão integrada e alinhada aos objetivos definidos pelo prefeito”, afirmou Rodrigues. Ele adiantou ainda que o prefeito Luciano Ducci visitará em breve o ICI, com sua equipe, a fim de aprofundar seu conhecimento das soluções de TI desenvolvidas

para a gestão pública de Curitiba. “Eu quero integrar toda a equipe. Todos estão muito motivados. Os próximos anos serão de muitos avanços na cidade. Vamos dar continuidade ao que vem sendo feito e avançar muito mais. Temos várias obras para a Copa do Mundo, financiamentos internacionais e obras com recursos próprios. Tenho certeza de que vamos atingir todas as nossas metas e fazer uma cidade melhor para a população”, acrescentou o presidente do ICI.

Nosso foco está no plano de governo da Prefeitura de Curitiba. Renato Rodrigues

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TURISMO

Férias que agregam conhecimento espiritual Ponta Grossa abrange diversas atividades ligadas ao turismo e ao lazer que agradam todos os públicos. Para quem busca outro tipo de relaxamento nas férias, longe de aventuras em cachoeiras, longas caminhadas ou esportes radicais, pode optar pela busca da paz interior e meditaçăo no Mosteiro da Ressurreiçăo. A vinda dos religiosos – săo beneditinos – para a cidade começou com nove monges de uma abadia (conjunto de monges que vivem sob a direçăo de um abade, uma espécie de bispo) que vieram de Săo Paulo para Ponta Grossa em 1981. O bispo da cidade, ŕ época, os instalou em Vila Velha no santuário mariano (Nossa Senhora Măe da Divina Graça, padroeira da Diocese), ao lado

do conhecido ponto turístico e em terreno pertencente ao Estado do Paraná, cedido em comodato ŕ Cúria diocesana. Em 1983, os monges compraram o próprio terreno e reformaram as casas que existiam no local, a partir dali construíram entăo o Mosteiro da Ressurreiçăo. E foi através das cançőes que, em 1994, o Mosteiro ficou conhecido nacionalmente, devido a programas especiais e reportagens no Brasil e no exterior com o canto gregoriano. A vida do monge é toda alicerçada na fé, experimentando constantemente a morte e Ressurreiçăo em Cristo, com tudo o que isso implica: despojamento, humildade, paz, serviço, alegria, liberdade. Dentro do mosteiro o monge

permanece aberto ŕs necessidades dos homens e ao acolhimento. É livre para encontrar e amar a todos. E quer ser, segundo a vontade de Deus, um instrumento de seu Reino, assim, colocando-se ŕ certa distância da sociedade, livre de suas convençőes e imperativos, o monge entrega-se totalmente ao Cristo e assume uma disciplina cunhada pela sabedoria de uma tradiçăo espiritual que lhe é transmitida por um mestre e uma comunidade. Sendo alguém que busca a Deus, o monge se dispőe a um contínuo e entusiasmado processo de conversăo no dia a dia de sua vida comunitária. A comunidade torna-se a “escola do serviço do Senhor”, reunida em torno de um pai (Abade), sinal de Deus que é Pai. O Mosteiro da Ressurreiçăo abre as portas para a comunidade e atende a inúmeros leigos e religiosos que, como visitantes ou hóspedes, buscam, momentos de recolhimento, oraçăo e direçăo espiritual.

PARA VISITANTES O mosteiro possui uma pequena hospedaria para receber seus visitantes, desde que a hospedagem seja previamente agendada, e uma lojinha em que os monges comercializam alguns produtos artesanais feitos por eles, como conservas, licores, velas, peças em cerâmicas, pinturas em diversos materiais, além de paramentos litúrgicos, livros, CDs e fitas do canto gregoriano.

Horário das oraçőes:

Terça a sábado ŕs 9h, 12h, 14h30, 17h30, 19h Domingo ŕs 4h20, 6h15, 9hs, 12h, 14h30, 17h30 e 19h Tempo previsto: 30min

Horário das missas:

Segunda ŕs 17h30. Terça a sábado ŕs 6h15 e domingo ŕs 10h. Tempo previsto: 1h30

Localizaçăo: O mosteiro está na Colônia Eurídice. O acesso é pela Avenida Souza Naves (BR 376 – sentido Ponta Grossa – Apucarana), no km 9.

Telefone: (0**42) 3228-0043/ 3228.9984 Site: www.ressurreicao.org.br E-mail: mosteiro@interponta.com.br Observaçăo: Na segunda os monges fazem retiro. Fonte : http://www.abadiadaressurreicao.org

Horário de funcionamento da loja de artesanato: Das 9hs ŕs 11h30 e das 15h ŕs 17h.

Entrada: Gratuita.

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moda

Uma mostra primorosa da moda, o Paraná Business Collection reúne em Curitiba mais de 1OO marcas, em fevereiro

O

Estado que já lançou grandes estilistas no cenário fashion nacional – como Icarius de Menezes, atualmente na equipe da italiana Diesel e Érika Ikezili (natural de Cornélio Procópio), que juntamente com os curitibanos Jefferson Kullig e Priscilla Darolt integra os novos talentos do São Paulo Fashion Week – reitera a importância que tem no mercado da moda com a realização do 5º (PBC), um dos principais eventos do setor, no Sul do País. A promoção, que será realizada de 14 a 19 de fevereiro, no Centro de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), em Curitiba, vai apresentar as produções e tendências de quase 100 marcas paranaenses para o inverno 2011. Serão seis dias de intensa programação envolvendo desfiles, Show Room de Negócios, palestras, debates e oficinas de criação. Uma das responsáveis pelo evento, a jornalista Nereide Michel diz que, alinhado às principais tendências do mundo fashion, o Paraná Business Collection ganha força a cada ano e destaca a evolução e o crescimento dos profissionais da moda no Paraná. “A moda gera negócios e absorve uma expressiva mão de obra, que merece ser mostrada a um público maior. E nada mais indicado do que um grande evento

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Celeiro

Martins: “são quase 100 marcas que estarão envolvidas no evento”


Lucian Haro

Fashion Nereide: “dar visibilidade a designers criativos, talentos emergentes e a empresários”

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moda

para dar visibilidade a designers criativos, talentos emergentes e a empresários que investem em qualidade e produtividade das suas coleções. O PBC foi lançado com estes objetivos”, afirma, ao acrescentar que “hoje, estilistas e marcas do Estado já são conhecidos além de nossas fronteiras, devido à repercussão que o evento alcança a cada edição”. Já Paulo Martins, também curador da feira, explica que o Paraná Business Collection se divide em duas ações principais: desfiles e show-room de negócios e nos dois espaços haverá lançamentos de coleções Inverno 2011.

“São quase 100 marcas que estarão envolvidas no evento atraindo o interesse do consumidor e também de compradores que virão dos principais pólos de varejo do País,” afirma. De acordo com ele, entre as novidades da próxima edição do evento, está a adição de um dia a mais na duração da feira (nos outros anos eram realizadas cinco noites de desfiles). “Neste dia a mais, será apresentada uma mostra das criações de 10 jovens estilistas paranaenses e de outros dois estilistas italianos, que são participantes do evento Riccione Moda Itália”, adianta. A feira é realizada pela parceria entre

a FIEP, o SEBRAE/PR e o Conselho Setorial da Indústria do Vestuário no Paraná.

Marcas confirmadas Marcas e estilistas de destaque no cenário fashion paranaense já confirmaram presença na grade de desfiles da 5ª edição do PBC. Grifes como Lafort, All Purpose, picnicdelefante, Joyful, Dhoctos, Sinistra, Ludica, Lady Louca e Yet-Grupo Latreille, além dos estilistas Jefferson Kulig e Silmar Alves, apresentarão as tendências para o inverno 2011 em coleções que aliam qualidade, criatividade e muito estilo.

Conheça o perfil das marcas e estilistas Lafort

Participante de todas as ediçőes do evento, a Lafort é especializada na fabricaçăo de malharia retilínea (tricot) e coleçőes completas em alfaiataria. Fundada em 1964 em Curitiba, a grife é comandada pela empresária Irit Czerny e oferece produçőes que buscam elegância e delicadeza, por meio de cortes únicos e bordados artesanais, voltadas ao público feminino.

All Purpose

Marca do segmento Fashion Urbano de Capanema, no Paraná, a All Purpose nasceu em 2001, e tem como objetivo apresentar roupas que trazem irreveręncia, espontaneidade e ousadia ao público masculino. A All Purpose desfila, pela quarta vez no PBC.

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Picnicdeelefante

Em atividade desde 2005, a picnicdelefante, é comandada pela estilista Isabela Shimuzu. Nascida em Maringá, traz uma proposta romântica, divertida e alegre, com peças modernas e ao mesmo tempo delicadas. Participando pela terceira vez do Paraná Business Collection, a marca tem força no mercado de vendas pela internet e trabalha com processos de fabricaçăo ambientalmente corretos, produzindo também sacolas retornáveis. Também já desfilou no evento Riccione Moda Itália, promovido pela CNAFedermoda.


Do Paraná para o mundo fashion Sem dúvida, um dos nomes mais aguardados para a 5Ş ediçăo do PBC é do estilista Jefferson Kullig. Reconhecido nacional e internacionalmente e há 15 anos no mercado, ele traz para a moda feminina um estilo moderno, contemporâneo e tecnológico de vestir. Sempre presente em editoriais de moda de revistas especializadas, como Elle, Vogue e Marie Claire, Kullig ganhou projeçăo nacional, participando desde 2003, da Săo Paulo Fashion Week com propostas inovadoras e instigantes. Esta é a terceira vez que o design participa do PBC, motivo de grande orgulho para ele. “O Paraná Business Collection já se consolidou como o maior evento de moda do Estado e é citado em mídias nacionais como um dos grandes eventos de moda do calendário brasileiro. Isso reflete de forma positiva o posicionamento da moda paranaense. O Estado do Paraná é um dos grandes polos tęxteis, e isso é inegável ao restante do País”, diz. Quanto ao desfile que será apresentado no PBC, Kullig, que está acostumado a expor suas peças no Brasil e exterior, adianta que tem um cuidado especial em montar a coleçăo e agradar o público de Curitiba, por estar em casa. “O público terá grandes surpresas, como todo ano. É um Kullig: “um desfile que planejo com bastante carinho, afinal de contas, estou na minha cidade”

Joyful

Atender o público feminino que busca uma roupa sofisticada e ecológica. Essa é a proposta da Joyful, marca curitibana lançada em 2009, que traz uma proposta sustentável, por meio da utilizaçăo de tecidos orgânicos tingidos com corantes naturais. A Joyful participa, pela segunda vez, do Paraná Business Collection e é comandada pelo empresário Adilson Filipak.

Silmar Alves

Com grande experięncia no mercado da moda, Silmar Alves já esteve ŕ frente da Vestiária, academia de corte, costura e estilismo, criada em 1994 e também se dedicou a uma linha de alfaiataria do estilista Icarius de Menezes, que trabalha atualmente na Diesel italiana. O estilista leciona nos cursos de moda do Senai, em Curitiba, e já desfilou suas criaçőes em eventos como Fenit, em Săo Paulo, além de ter participado de projetos como o

desfile que planejo com bastante carinho, afinal de contas, estou na minha cidade”, descontrai o estilista. Mesmo sem revelar muitos detalhes, ele deixou escapar que nesta coleçăo vai apostar na versatilidade do punk em tecidos tecnológicos e diferenciados para compor looks modernos e futuristas. Entre as novidades para a próxima estaçăo está também o lançamento de dois tipos diferentes de veludo, mais sofisticados, fabricados pelo próprio estilista. O material estará presente nas calças de alfaiataria, consideradas como coringa pelo designer, que destacam a personalidade forte de uma mulher adepta do estilo rock- and roll. Kullig promete, ainda, surpreender o público com uma paleta de cores bem minimalista: nela reinam o cinza, o preto, o branco, o bege e o offwhite – forte tendęncia já adotada nas passarelas das semanas de moda internacionais.

Dove Body Silk. Ele participou de todas as ediçőes do Paraná Business Collection. A temática paranaense está sempre presente nas coleçőes desfiladas no PBC: o primeiro desfile foi inspirado nos ambientes dos bares curitibanos; no segundo, o criador prestou homenagem ŕ Maria Bueno, ícone da religiosidade em Curitiba; o terceiro desfile contou a história da cidade de Vila Velha; e a quarta, apresentou uma coleçăo que retratou as Cataratas do Iguaçu.

Fábio Bartz

O estilista Fábio Bartz, que começou sua carreira em 2003, desenvolve coleçőes que mesclam influęncias de diferentes expressőes artísticas, como cinema, música, teatro e artes plásticas. Suas criaçőes săo produzidas em escala limitada e vendidas no Brasil e na Argentina. Participando pela quarta vez do Paraná Business Collection, ele tem como público-alvo os jovens e busca trabalhar com tecidos tecnológicos, lavagens e tingimentos.

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cultura

Carnaval nosso

Apesar de começar um pouco mais tarde neste ano, a festa será repleta de atrações. E há opções também para quem não curte muito uma folia

Q

uem ficar em Curitiba durante o feriado de Carnaval, entre 5 e 8 de março, vai poder desfrutar de uma programação que tomará conta das ruas, clubes e bares da cidade, mas sem muita agitação, bem como o bom curitibano gosta. O Carnaval de rua, promovido pela Prefeitura, por meio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), vai contar com o tradicional desfile das escolas de samba na avenida Cândido de Abreu, no sábado (5) e com bailes para crianças e adultos na Rua da Cidadania do Bairro Novo, na segunda (7) e terça-feira (8). Em alguns bares haverá uma programação especial, com horários diferenciados, decorações temáticas e promoções. E ainda há opções de “curtição” para aqueles que preferem valorizar a espiritualidade nos dias da festa. A folia na Cândido de Abreu, no Centro Cívico, começa às 18 horas de sábado com a apresentação dos blocos Afoxé, Derrepent e Rancho das Flores. As escolas do grupo de ascensão (ou Grupo B) desfilam a partir das 20 horas, seguidas pelas escolas do Grupo A, com entrada na avenida prevista para as 22h45. Quem garante a beleza da festa e convida os curitibanos a “caírem” na folia é o presidente da Comissão de Carnaval da FCC, Jociel Tei-

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Leões da Mocidade, Carnaval em Curitiba 2010


Lucian Haro Rancho das Flores, Carnaval em Curitiba 2010

xeira. “A população que não descer para o litoral vai usufruir de um espetáculo grande, bonito, organizado e seguro. Nós esperamos um público total entre 15 mil e 20 mil pessoas, e quem for ao Centro Cívico vai encontrar uma arena bem estruturada e com certeza, vai se divertir muito”, diz. Teixeira afirma que a FCC organizou toda a infraestrutura necessária à realização do desfile, com água, luz, sistema de som, banheiros químicos, barracas da praça de alimentação e arquibancadas. “O público terá várias opções nas arquibancadas, além da capacidade ampliada para três mil pessoas, haverá espaço destinado a idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais” diz. Também serão preparadas dez cabines para os jurados e camarotes para convidados. A entrada no evento é franca e a abertura das arquibancadas será às 17 horas. Já os pequenos têm animação garantida nos bailes que a Prefeitura vai organizar no Ginásio da Rua da Cidadania do Bairro Novo (Rua Tijucas do Sul, 1.700). A programação inclui apresentação de bandas, músicas e brincadeiras na segunda e na terça-feira (7 e 8) sempre das 15 às 19 horas. A partir das 20 horas, no entanto, o espaço fica disponível para os adultos, em bailes que vão até a meia-noite. A expectativa é de que passem pela Rua da Cidadania cerca de 10 mil pessoas entre os dois dias de festa.

Gabaon 2O11 Para quem preferir se dedicar à espiritualidade durante o Carnaval, a Renovação Carismática Católica (RCC) de

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cultura

Bares

Confira lista dos bares da cidade que já fecharam a programaçăo e os horários de funcionamento para o feriado: O Menina dos Olhos do Alto da XV vai funcionar nos horários tradicionais (de terça a sexta das 11h30 ŕs 14 horas e das 16h ŕ meia-noite e nos finais de semana, a partir das 17 horas). A casa fica na Rua Itupava, 694, fone: (41) 3363-8914 e oferece música ao vivo. Abre normalmente no feriado, também, o

Menina dos Olhos do Centro Cívico. A casa está localizada na Rua Manoel Eufrásio, 1.550, fone: (41)3252-9030 e funciona de segunda a sexta a partir das 17 horas e nos finais de semana a partir das 14 horas, com música ao vivo durante a noite. O bar de fronteira EUA/México Mustang Sally é mais uma opçăo para o carnaval curitibano e funciona normalmente no feriado (a partir das 17 horas de domingo a quarta e das 17 ŕs 2 horas na sexta e no sábado). A casa oferece, também, descontos especiais nos petiscos e double drinks de caipirinhas e chopes todos os dias das 17 ŕs 20 horas. A casa fica na Rua Coronel Dulcídio, 517, no Batel, fone: (41)3018-8118. Já o cubano Guantanamera Cocina de Cuba (Rua Coronel Dulcídio, 540) fica fechado na segunda-feira (7), mas abre as portas para quem quiser curtir o carnaval com um tempero caliente na terça-feira (8), das 18 horas até a saída do último cliente. Fone (41) 3039-8118. Para os foliőes admiradores de um bom chope, o Bar da Brahma só năo abrirá as portas no domingo (6). Nos outros dias, o funcionamento começa ŕs 17 horas. O bar fica na Av. Presidente Getulio Vargas, 234, fone: (41) 3026-0700.

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Curitiba vai promover nos dias 4, 5 e 6, no Santuário Nossa Senhora do Equilíbrio (Rua Amadeu Piotto, 4.505, bairro Orleans), o Gabaon. O evento tem cunho evangelizador, expresso por meio de palestras, orações, adoração ao Santíssimo Sacramento, apresentações de grupos de dança, teatro e de bandas católicas e conta ainda, com espaço exclusivo ao público infantil em local próprio. O valor da entrada do evento ainda não foi estipulado, mas a programação começa sempre às 9 horas e termina às 22 horas. No ano passado, mais de 15 mil pessoas passaram pelo Gabaon.

ração na Avenida 29 de abril vai durar cinco dias e deve atrair 500 mil foliões. Os trios elétricos sairão da praia central de Guaratuba e seguirão para o centro da cidade. Neste ano, os participantes poderão festejar até as 4 horas entre os dias 4 e 7 de março. Somente no último dia de festa (8) a programação vai terminar mais cedo, às 2 horas.

No litoral Para os mais sortudos, que já estão com as malas prontas e vão descer para o litoral do Estado, as atividades por lá serão mais intensas. O desfile das escolas de samba do Carnaval de rua de Antonina, o mais popular do Paraná, está marcado para o domingo (6), às 21 horas. São seis escolas que vão passar pela “Avenida do Samba” com seus criativos sambas-enredos, carros alegóricos e alas. Como já ocorreu no ano passado, a festa irá se estender para a Ponta da Pita e para o Mercado Municipal da cidade, onde haverá o “Terreirão do Samba”, aberto a quem quiser participar tocando qualquer ritmo musical como samba, choro ou pagode, bastando inscrever-se no local. A Prefeitura do município espera receber até 40 mil pessoas por dia. Já em Guaratuba e Matinhos, a comemo-

Carnaval em Antonina 2010

Contrapartida

Enquanto muita gente sai de Curitiba e vai em direçăo ŕs praias do Paraná ou de Santa Catarina em busca de agitaçăo, tem turista que procurará a cidade para passar um Carnaval mais “tranquilo”. Para eles, a calmaria e a beleza da capital paranaense parecem compensar o fato de a festa por aqui năo ser uma das mais famosas ou badaladas. De acordo com o Instituto Municipal de Turismo de Curitiba (IMT), em 2009 mais de 65 mil pessoas optaram por passar o feriadăo na cidade. Neste ano, a estimativa de público fica ainda maior, já que o Carnaval se estendeu para o męs de março, prolongando o período de férias.


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agenda Exposições

Pequenos Formatos

Poderá ser vista até o dia 13 de fevereiro, no Museu da Gravura de Curitiba, a exposiçăo “Pequenos Formatos”, uma coletiva de gravuras, desenhos, fotografias, publicaçőes, catálogos e pequenos objetos criados por artistas paranaenses. Informaçőes: (41) 3321-3269 e (41) 3321-3240.

Eussoutro Soumos

Continua aberta até 13 de fevereiro, no Museu da Gravura de Curitiba, a exposiçăo “Eussoutro Soumos”, que reúne artistas que propőem questionamentos sobre o homem contemporâneo. Informaçőes: (41) 3321-3269 e (41) 3321-3240.

Fronteiras: uma jornada pelas Américas

Também até o próximo dia 13 de fevereiro e igualmente no Museu da Gravura de Curitiba poderá ser vista a exposiçăo ”Fronteiras: uma jornada pelas Américas”, de Cleverson Antunes de Oliveira, que mostra em fotografias e vídeos a percepçăo do fotógrafo sobre uma viagem que realizou do Estado do Texas (EUA), passando pelo México e América Central, até chegar ao Brasil. Informaçőes: (41) 3321-3269 e (41) 3321-3240.

Sete Vidas - Muitas Cores

Até o dia 20 de fevereiro, o Espaço VITA Cultural, localizado no Hospital VITA Batel, mantém aberta a mostra “Sete Vidas - Muitas Cores”, do artista plástico André Franco. A exposiçăo é formada por obras que retratam gatos que brincam, descansam, amam e pintam o sete. Informaçőes: (41) 3883-8400.

Obras de Fabrizio Andriani

Até o dia 25 de fevereiro, o artista plástico Fabrizio Andriani expőe 30 telas no Sesc Centro, que expressam principalmente o trabalho e o sofrimento humano. Sua obra foi influenciada por grandes renascentistas, como Brughel, Bosch e Giotto e também histórias em quadrinhos, grafites, RPG e desenhos animados. Informaçőes: (41) 3233-7422

Mosaico de Tinta

Continua aberta no Bar Folha Seca, até 26 de fevereiro, a exposiçăo “Mosaico de Tinta”, da artista plástica e ilustradora Andrea Horn, que apresenta nesta mostra quadros de madeira pintados com tinta latex e finalizados com verniz marítimo. Informaçőes: (41) 3343-5632.

Sinopse

Na Casa Andrade Muricy, poderá ser vista, até 27 de fevereiro, a exposiçăo “Sinopse”, do artista alemăo Gerhard Richter. A mostra é composta por 27 trabalhos sobre a história contemporânea da Alemanha. Săo obras de fotografia-pintura, que representam os anos 60, e pinturas abstratas dos anos 80 e 90. Richter é um dos artistas mais conhecidos internacionalmente, sendo denominado de “artista vivo mais caro”, com obras que podem custar mais de US$ 9 milhőes. Informaçőes: (41) 3321-4798.

De Picasso a Gary Hill

No Museu Oscar Niemayer, permanece aberta até o dia 27 de fevereiro, a exposiçăo “De Picasso a Gary Hill”, com 50 obras de artistas consagrados em todo o mundo, entre eles, Pablo Picasso, Paul Klee, Marc Chagall, Antoni Tŕpies, Salvador Dalí, Alexander Calder, Christian Boltanski, Bruce Nauman e Gary Hill. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Autorretrato

Na Casa Andrade Muricy, a exposiçăo “Autorretrato”, uma ideia da gravurista Andréia Las, poderá ser vista até o dia 27 de fevereiro. A mostra reúne 111 obras feitas por diferentes artistas que utilizaram a técnica de xilogravura na confecçăo das peças. Entre os autores das obras estăo gravuristas, pintores, escultores, grafiteiros, videomakers, performers, a atriz Pagu Leal e a bailarina Juliane Engelhardt. Informaçőes: (41) 3321-4798 e (41) 3321-4786.

Synval Stocchero

O Memorial de Curitiba abriga até o dia 2 de março, a exposiçăo do fotógrafo Synval Stocchero, que reúne 120 imagens de Curitiba no final da década de 1940 até 2007. Informaçőes: (41) 3321-3313.

Magda Frank - Homenagem

Até o dia 13 de março, o Museu Oscar Niemayer mantém aberta a exposiçăo de Magda Frank, uma homenagem ŕ artista que faleceu, aos 96 anos de idade, em 2010. Săo 70 desenhos e 50 esculturas da artista, reunidos minuciosamente pela Casa-Museo Magda Frank, com sede na Argentina. Informaçőes: (41)3350-4400.

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Possíveis Conexőes II

Poderá ser vista até 13 de março, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC), a exposiçăo “Possíveis Conexőes II”, mostra que conta com diversas linguagens de arte, como vídeos, pintura, fotografia, objetos, desenhos e instalaçőes e reúne obras de alunos da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tuiuti (UTP) e Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Informaçőes: (41) 33235328 http://www.mac.pr.gov.br

Vasarely

Até o dia 27 de março, a exposiçăo “Vasarely” continua aberta no Museu Oscar Niemayer. Săo 21 obras de serigrafia do artista Victor Vasarely, um dos fundadores da arte cinética e um dos principais representantes da pop art. As obras săo inspiradas na geometria, física, química e nos avanços tecnológicos, com a intençăo de trazer uma visăo espiritual do mundo. Informaçőes: (41) 3350-4400

Espetáculos

Santa Comédia

Nos dias 12 e 13 de fevereiro, o Teatro Regina Vogue promove o espetáculo “Santa Comédia”, com Marco Zenni, Vitor Hugo e convidados. O stand up comedy diferencia-se por ser o humor de cara limpa, isto é, os humoristas năo utilizam-se de personagens ou figurino para entreter seu público. A apresentaçăo sustenta-se apenas no texto, que é de criaçăo de cada um dos comediantes. Informaçőes: (41) 2101-8292.

Pequenas Caquinhas

Nos dias 18, 19, 20, 25, 26 e 27 de fevereiro o Teatro Regina Vogue recebe o espetáculo “Pequenas Caquinhas”, comédia que năo faz uso de apelaçőes gratuitas – como palavrőes e interaçăo ofensiva com a plateia. Informaçőes: (41) 2101-8292.

Quando a Criança Era Criança

De 5 a 27 de fevereiro, o espetáculo infantil “Quando a Criança Era Criança” fica em cartaz no Teatro Regina Vogue. A peça é uma visăo poética da infância nos dias de hoje. O trabalho mescla, com certa nostalgia, o universo fabuloso e sonhador de um garoto que cresceu viajando com uma trupe mambembe de teatro, aos modernos recursos eletrônicos que invadem a vida das crianças de hoje. Apresentaçőes sábados e domingos, ŕs 16 horas. Informaçőes: (41) 2101-8292.

TPM – Terapia Para Mulheres

Até o dia 27 de fevereiro, o espetáculo “TPM –Terapia Para Mulheres” fica em cartaz no Teatro Cultura. A peça fala do universo feminino contemporâneo: as neuroses, as dúvidas, os hormônios, os relacionamentos em pleno Século 21, onde tudo parece estar a um passo do próximo colapso. Informaçőes: (41) 3224-7581.

A Cigarra e a Formiga

Até o dia 27 de fevereiro, fica em cartaz no Teatro Lala Schneider o espetáculo infantil “A Cigarra e a Formiga”, uma livre adaptaçăo da fábula de Esopo. Cada um desempenhando o seu papel na natureza: a Formiga, a Lagarta, o Grilo, o Vaga-lume, a Abelha, a Borboleta e a Cigarra. Quando chega o inverno, a Cigarra pede abrigo a Formiga que o nega. A moral da história é questionada por um ator, que realça o valor e a importância da Cigarra. Informaçőes: (41) 3232-4499 e (41) 3232-8108

O Servidor de Dois Amos

Até o dia 27 de fevereiro, o espetáculo “O Servidor de Dois Amos” fica em cartaz no Teatro Lala Schneider. A peça foi escrita em 1745 pelo italiano Carlo Goldoni e conta a história do servo Arlequim que trabalha para dois patrőes diferentes. Os amos se odeiam e o servo se aproveita disso para tirar vantagem das desavenças entre os personagens, causando intrigas e situaçőes engraçadas. Informaçőes: (41) 3232-4499 e (41) 3232-8108.

Shows

Manu Chao

No dia 11 de fevereiro, o músico francęs Manu Chao agita o Café Curaçao, em Guaratuba. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Ventania

No dia 19, o cantor e compositor Ventania retorna a Curitiba e se apresenta no Espaço Cult. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Jota Quest

Também no dia 19, a banda mineira Jota Quest realiza show no Café Curaçao, em Guaratuba. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Nazareth

No dia 24, a banda de rock Nazareth se apresenta no Curitiba Master Hall e inicia turnę de divulgaçăo de seu novo CD “Big Dogz” pela América do Sul. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Rise Against

No dia 25 de fevereiro, a banda norte-americana de punk rock Rise Against realiza única apresentaçăo no Curitiba Master Hall. Informaçőes: (41) 3315-0808.

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perfil

N

Marcos Luiz De Bona

Procura-se um deputado

o dia 31 de outubro de 1953, data do aniversário do município de Morretes, no Litoral do Paraná, Marcos Luiz De Bona fez um brilhante discurso durante a inauguração do novo pavilhão do Hospital e Maternidade de Morretes. Presentes ao ato, o governador do Estado, Bento Munhoz da Rocha Netto, e inúmeras personalidades da vida política paranaense. Depois de lembrar dos sacrifícios dos cidadãos morretenses para a edificação de tão grandiosa obra, De Bona, finalizou: “Fazemos ardentes votos de que as altas autoridades e visitantes aqui presentes possam aquilatar o nosso esforço na visita que ora nos fazem, e que continuem a volver suas vistas para este hospital e maternidade, amparandoo moral e materialmente, servindo de estímulo aos que, trabalhando nesta casa pela saúde do povo, querem contribuir para um Brasil mais feliz e mais forte.”

Muito bem. Se De Bona visse a atual situação em que se encontra o hospital, não faria outra coisa a não ser derramar lágrimas. Pois é justamente isso que faz, hoje, dezenas de pessoas que procuram ajuda hospitalar naquele que já foi referência no setor em todo o litoral paranaense. Pasmem! Há mais de dois anos que não nascem mais crianças em Morretes.

As mães, com seus filhos no ventre e prestes a dar a luz, têm que se deslocar para Antonina ou Paranaguá para o internamento. Não há mais leito e o atendimento, apenas de emergência, é feito em condições precárias por médicos e enfermeiros competentes, que não abandonaram a nobre missão de salvar vidas. O Hospital e Maternidade de Morretes morreu. Desentendimentos políticos levaram ao fundo do poço a casa de saúde que, há 60 anos, vinha tratando com dignidade as pessoas necessitadas e doentes. Mais uma vez a política partidária interfere na qualidade de vida das pessoas. E o que faz o prefeito Hamilton de Paula para resolver o problema que ele mesmo criou, ao destituir a atual diretoria mantenedora do hospital e colocar pessoas desqualificadas para assumir a casa de saúde? Se o hospital é municipal, estadual ou federal, não importa. O que é preciso é fazê-lo funcionar para salvar vidas e trazer novas vidas ao mundo. É preciso atitude. Esperamos que algum deputado – isso mesmo, desses deputados que, em épocas de eleições prometem o mundo e o fundo para a população - assuma essa causa, porque temos certeza de que terá o total apoio do governador Beto Richa. Por Pedro Ribeiro

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