__MAIN_TEXT__
feature-image

Page 1

Revista bimestral | nº 5 | AGOSTO 2014

pág’s 8/9

Agente da felicidade

pág’s 10/11

O poder do sorriso

pág’s 12/13

Simplesmente estar

pág 14

Postura e humor

quem é quem?

direitos reservados

Prazer da felicidade

catarina Gouveia

pág’s 16/17

Exercício com prazer

pág’s 18

Uma aparência de felicidade

pág 30

Info Flashes

pág 33

(des)olhar

pág 34

Olhar atento

pág 37

Seleção Musical

pág 54

“Shot” cultural

pág 55

Filme

pág 55

Pedro Chagas Freitas

pág’s 58/59

Aprender a ser feliz

pág’s 20/21

Leva-me a viajar... pág’s 48/52

“Nunca me senti deslumbrada mas preocupo-me em deslumbrar” Pág’s 22/29 Outros mundos...

Outros mundos...

Viagens ao património severense

Tânia no Dubai pág’s 42/45

“Querido diário não sei que dia é hoje ou que horas são.”

pág’s 46/47

Dicas para Poupar

pág 38

Contrados celebrados à distância

pág 39

Salários em atraso

pág’s 40/41

Surge a ambição de materializar um espaço comum de leitura, aprendizagem, enriquecimento e saber. Um sítio físico que espelhe em palavras e ideias o panorama atual e as preocupações que o acompanham, apontando possíveis caminhos e alternativas. Surge a sua Rés ago./set. 2014 VISTA...porque o saber é a melhor forma de prevenção, de combate e de ajuda ao próximo. Desfrute, boas leituras! revista | Rés Vista 01


Ajude-nos a quebrar o anonimato, fortaleça a nossa identidade. Damos o nosso rosto pelas pessoas, dê o seu por nós.

Pe. Licínio Manuel Figueiredo Cardoso Presidente da Direção & Diretor Técnico

Contactos

Correio eletrónico

Site

234 552 232

geral@mariadagloria.org

www.mariadagloria.org

02 | ago./set. 2014

NIB 003507770000112943031

revista | Rés Vista design | rui pires da silva


Licínio Cardoso

Diretora científica | Coordenadora

Bárbara da Silva Costa

Conceção gráfica e design

Saúde e Bem-Estar

Índice

Diretor executivo

O prazer da felicidade Agente da felicidade Falar sem voz e ler sem palavras O tempo de simplesmente estar A postura e o humor Exercício com prazer

Educação

Aprender a ser feliz

Quem é Quem? Catarina Gouveia

Rui Pires da Silva

Paginação e finalização para online

Ana Filipa Soares

Uma aparência de felicidade Info Flashes (des)Olhar sobre... Olhar atento de...

Gestão Financeira

Dicas para poupar Contratos celebrados à distância Salários em atraso

Revisão

Mª Madalena T. da Silva

Colaboradores:

Ângela Amaral David Nóbrega Dina Marli Nóbrega Diogo Veiga Elsa Nóbrega Feliciano Angélico Isabel Policarpo Jorge Freitas Luís Couto Luís Silva Nuno Antunes Mário Silva Pedro Chagas Freitas Predro Gouveia Ricardo Fonseca Ricardo Tavares Silvia Rodrigues Tatiana Couto

Propriedade:

ago./set. 2014

Atualidade e Sociedade

Outros Mundos...

Tânia no Dubai Viagens ao património severense Leva-me a viajar

Aculturar

Seleção Musical “Shot” cultural Filme Pedro Chagas Freitas

Fotogaleria

Pontos de felicidade

pág. 8

pág. 10 pág. 12

pág. 14

pág. 16 pág. 18

pág. 20

pág. 22

pág. 30 pág. 33 pág. 34 pág. 37

pág. 38

pág. 39 pág. 40

pág. 42

pág. 46 pág. 48

pág. 54 pág. 55 pág. 55 pág. 58

pág. 62

Nota de redação: relativamente ao acordo ortográfico, a Rés Vista respeita a opção dos seus colaboradores

revista | Rés Vista 03


E

ditorial

Pe. Licínio Cardoso Pres. direção do CSP Maria da Glória Professor bibliotecário Diretor do jornal Terras do Vouga Diretor Executivo da Rés Vista

04 | ago./set. 2014

Os sete sapatos sujos No verão muitos optam por andar descalços. Faz bem… Há lugares por esse mundo fora em que é preciso descalçar-se para poder entrar e participar. Conheço algumas histórias de sapatos, mas fiquei encantado com a proposta de Mia Couto, médico e biólogo moçambicano, que numa interessante “oração de sapiência” no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique apresentou este curioso trabalho intitulado “Os sete sapatos sujos”. Para não entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos, diz o escritor, é preciso descalçar na soleira da porta dos tempos novos “sete sapatos sujos.” 1º- A ideia de que as culpas são sempre dos outros. Eis uma boa sugestão de reflexão para banqueiros e políticos. 2º- A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho. Para quem pensa que a vida só é feita de direitos e esquece os seus deveres. 3º- O preconceito de que quem crítica é um inimigo. Aos que não entendem o valor das palavras e a força que elas encerram 4º- A ideia de que mudar as palavras muda a realidade. O mal nunca pode ser bom. 5º- A vergonha de ser pobre e o culto das aparências. As coisas fúteis podem ser mais prejudiciais que as inúteis. 6º- A passividade perante a injustiça. Em quase todas as periferias da existência existe este sapato sujo. 7º- A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros. Não é só coisa de adolescente Mia Couto diz que encontrou mais “sapatos sujos” que urge descalçar, mas apresentou apenas estes sete. Resta-nos descalçar pelo menos estes sete...mas também pode haver um esforço acrescido e descalçar outros… O verão é mesmo um tempo ótimo para descalçar tanta coisa inútil desta vida.

revista | Rés Vista


E

ditorial

Drª. Bárbara Costa Psicóloga clínica do CSP Maria da Glória Diretora Científica da Rés Vista

ago./set. 2014

Quem te disse que quero ser feliz? Todos nós procuramos incansavelmente o mesmo desfecho, bem ao género da ‘grand finale’ parisiense: felicidade pura, palpitante e revitalizante. Na linha do horizonte, perspetiva longitudinal de vida, assuma-se o cliché. Casal com evidentes rugas de expressão, de mão dada, passo trôpego. Os filhos, os netos, a união e a alegria familiar. O conforto e o sossego de uma vida, que em idade jovem trabalharam para conquistar e usufruir. Se limparmos esta imagem com sopros de realidade, percebemos que a felicidade clássica, e por consequente mais pura e leal, não habita no hoje. Tudo esmorece que nem os castelos de cartas da nossa infância. A felicidade considera-se uma junção de momentos, um balanço em que o prato pende para o sorriso e para o bem-estar. Constrói-se e solidifica-se calmamente, sente-se e ressente-se, vive-se e revive-se. Agora predomina o ter, o querer e o já, nem se sentiu, nem se conheceu, já se tem. As prioridades invertem-se e surge o evidente e consequente vazio, tudo o que vem repentinamente e sem fundamento, rapidamente se quebra e vai. E de tudo se abdica por prazer de meio momento, e tudo se perde numa vida por inconsequências de uma tarde quente. O comportamento humano, criteriosamente estudado por cognitivistas e comportamentalistas, para obtenção de níveis máximos de felicidade deve seguir uma linha piramidal ascendente – autoria de Maslow, sem que haja inversão dos seus conteúdos. Na base da pirâmide moram as necessidades fisiológicas, tais como alimentação, água e restantes bens essenciais. A estas, seguem-se as necessidades de segurança (trabalho, estabilidade financeira), relacionamento (social, familiar e íntimo), auto perceção (autoestima, autoconceito) e realização pessoal (criatividade, resolução de problemas). Os meus pais inculcaram-me, quase que em modo salazarista, os três patamares iniciais da pirâmide e eu aprendi a priorizar a minha vida de forma intransigente. Cresci a saber e a ser dependente de mim mesma. Haja mais pais como os meus, que nunca me deram tudo quanto podiam, mas só e apenas o meramente essencial. O resto do caminho, fi-lo eu. Se sabes o que te faz feliz, não te desvies do teu caminho por prazeres fáceis e efémeros, de curta duração. Se sabes o que precisas de conquistar, não adies, traça os alicerces do teu percurso e luta. A felicidade não é no já, é antes no ontem, no hoje e no amanhã. Quem disse que era fácil? É para audazes, por isso nem todos são felizes. Uns por não querer, outros por não saber o que é e o que se sente e outros ainda por preguiça e ausência de força mental. revista | Rés Vista 05


Felicidade, um bem maior que se quer alcançar, que se quer possuir.

Felicidade, qualquer luz que nos encandeia, que nos prende e faz brilhar

06 | ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista


Felicidade, o que é? Perguntámos a várias pessoas, de diferentes idades, o que é a felicidade. Perguntámos também como são as pessoas felizes, como não é possível ser feliz e do que precisamos para o ser. Ficámos surpreendidos com as respostas. Espreite! Recolha feita por Margarida Cardoso Encontre as diferentes opiniões ao longo da Rés Vista. Folheie-nos, mas faça-o com gosto!

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 07


Saúde e Bem-Estar

O Prazer da Felicidade

David Nóbrega Licenciado em ciências da saúde Faculdade de medicina, U. Coimbra

A capacidade de um ser vivo sentir prazer ou aversão é uma característica que reside em circuitos neuronais, uma arma poderosa que o cérebro detém, e que é transversal a todos os mamíferos. É portanto, um mecanismo importante sob o ponto de vista evolucional; por outras palavras, ajuda-nos a sobreviver. Por exemplo, sabemos, através da olfação se um determinado alimento será fonte de degustação prazerosa, ou se por outro lado, a sua qualidade já se deteriorou a tal ponto que seria, além de intragável, potencialmente nefasto para a saúde. E qual a relação então do prazer e a felicidade? Neste contexto convém tentar definir prazer, dada a significância da palavra no dia-a-dia. Vamos aqui defini-la como o mecanismo biológico, em termos de circuitos neuronais que produz uma recompensa, e está associada a imperativos de sobrevivência e procriação. Qualquer ser (sendo os mamíferos os mais estudados) tem como batuta da sua existência este mecanismo de recompensa. Contudo, o ser humano, como ser eminentemente social, complexo, e único, tem uma definição mais fina a regular a sua existência: felicidade. Esta não será meramente uma soma de recompensas (sensações prazerosas), mas sim uma integração consciente de todas as suas vivências prazerosas, isto é: um balanço entre aquilo que desejamos e aquilo que experienciamos sob a forma da tal recompensa. De realçar que uma das questões que se impõe é de entre os mecanismos a nível cerebral de “querer, desejar algo”, e os circuitos referentes ao “gostar de algo, ter prazer” são intrincados, de difícil ou virtual dissociação, mas são distintos! Ou seja, podemos desejar algo que não nos dá prazer e podemos ter a recompensa prazerosa com algo que não desejámos ou perseguimos. E aqui, podemos destacar por exemplo, os fenómenos aditivos: em que em determinado ponto, um indivíduo procura uma substância que já não causa o prazer procurado.

08 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


DR

Saúde e Bem-Estar

Em suma, todos estes mecanismos de “desejo” e “recompensa” continuam em estudo, nomeadamente a nível da imagiologia funcional do cérebro, e à medida que se vai conhecendo melhor o seu funcionamento, poderão surgir respostas sobre como podemos potenciar a felicidade, para a qual no fundo estamos pré-programados. Em jeito de conclusão, realço dois pontos importantes: primeiro, como ser social, a valorização das relações interpessoais satisfatórias é uma esfera importante na busca da felicidade, e em segundo que nem tudo o que desejamos nos faz ter prazer, e logo, dificilmente nos fará felizes.

Diogo (9 anos) - “Eu sou feliz quando brinco com os outros.” Pilar (12 anos) - “Felicidade é quando uma pessoa está feliz porque gosta de alguém e essa pessoa também gosta, quando nos fazem favores. Não dá para ser feliz se me puserem a chorar ou fizerem maldades.” ago./set. 2014

Recolha feita por Margarida Cardoso revista | Rés Vista 09


Saúde e Bem-Estar

O enfermeiro como agente de Felicidade

Ricardo Fonseca Licenciado em enfermagem Mestre em cuidados paliativos

A enfermagem é caracterizada como a nobre arte de cuidar, sendo o enfermeiro “gente que cuida de gente”, como dizia Florence Nightingale, uma das fundadoras da enfermagem. A enfermagem caracteriza-se pelos cuidados holísticos definidos como práticas que se concentram na cura da pessoa como um todo através da unidade de corpo, mente, emoção, espírito e ambiente, onde os enfermeiros se tornam parceiros terapêuticos com as pessoas que cuidam. Nesta parceria de cuidados, um dos aspectos muito importantes a ter em conta é a promoção da felicidade. A felicidade, no que diz respeito à sua significância, tem muitos significados, sendo que têm em comum as ideias da serenidade, satisfação, bem-estar e equilíbrio físico, mental e espiritual, tendo assim uma componente holística. O enfermeiro surge assim como agente de felicidade, pois os seus cuidados têm como objetivos a promoção do bem-estar e da saúde, a prevenção da doença, o controlo dos sintomas associados à doença, a autonomização do cliente, entre outros, sendo que a felicidade é um factor transversal a todos estes momentos. Por vezes costuma-se ouvir que ser feliz é ser saudável, porém mesmo quando afetados por uma

10 | ago./set. 2014

doença podemos ser felizes e compete aos enfermeiros promoveram a felicidade junto dos seus clientes, sabendo que estarão a contribuir para um processo de recuperação mais célere a todos os níveis quer físicos quer mentais. Quando confrontadas com um processo de doença, as pessoas têm tendência para se sentirem tristes, frustrados, angustiados sem qualquer réstia de felicidade e consequentemente de esperança e é este um dos momentos onde o enfermeiro deve estar mais atento para poder actuar. No decorrer do processo de doença há momentos para se sentir felicidade como cada minimização de sintomas, cada dia de melhoria clínica, as visitas de familiares e amigos, os sorrisos e toque dos profissionais de saúde e muitas vezes os silêncios partilhados entre olhares cúmplices. Existem sempre motivos para sentir e promover a felicidade, através da realização de actividades lúdicas como por exemplo a musicoterapia, através de conversas com tempo e disponibilidade, escutando atentamente o que o cliente tem para dizer. Para muitos clientes, o ser Escutado é motivo de felicidade, tal como os sorrisos que recebem e o afagar da mão. Compete a cada enfermeiro conhecer a pessoa que cuida, perceber o que o faz feliz, o que significa revista | Rés Vista


a felicidade, o que precisa para ser feliz. A título de exemplo, proponho a realização de uma actividade, que pode ser realizada com cada utente: numa folha escreve-se como título a seguinte questão “O que me faz bem?”, desenha-se uma tabela com três colunas onde se escreve Pessoas, Locais e Actividades. Pede-se ao cliente que escreva ou escrevemos por eles se for necessário, esses nomes referindo que quando se sentirem menos felizes, olhem e leiam a tabela recordando as pessoas, os locais e as actividades que lhes fazem bem, ou seja, que os tornam mais felizes. São pequenos e simples exercícios como este que estão ao alcance de cada enfermeiro para promoveram a felicidade, enaltecendo a relação privilegiada que têm com o cliente e fortalecendo a relação terapêutica. A felicidade partilha-se, contagia-se e o primeiro passo para um enfermeiro se tornar um genuíno agente da felicidade, é compreender, reconhecer o

DR

Saúde e Bem-Estar

que o faz feliz e o que pode fazer para ser mais feliz e assim proporcionar, enaltecer ou recuperar a felicidade daquela pessoa que cuida. Cuidar é dar atenção a alguém, é zelar por alguém e ao mesmo tempo é proporcionar e partilhar a verdadeira e tão singela Felicidade.

Adriana (7 anos) - “Não dá para eu ser feliz se fizer asneiras.” Nuno (10 anos) - “Pfff... Não sei! a felicidade é estarmos contentes porque temos amigos. Fico feliz quando os pais me dizem que sim.”

Recolha feita por Margarida Cardoso

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 11


Saúde e Bem-Estar

Falar sem voz e ler sem palavras o poder do sorriso

Ângela Amaral Mestre em psicologia clínica

A mais nobre das artes projeta-se pela simplicidade e humanismo com que identificamos, recebemos e expressamos emoções. Se a arte é partilha, o sorriso é um modo sublime e distinto de comunicarmos sem o recurso à voz e às palavras. Transmitimos informações referentes a nós mesmos, ao nosso estado de humor e permitimos interpretações múltiplas acerca dos motivos e consequências inerentes a um sorriso, uma mesma resposta emocional que envolve uma panóplia de causas possíveis. Uma forma de expressão com um poder imenso que associamos a uma das dimensões e objetivos vitais mais ansiado por cada e todo o ser humano: a felicidade. A existência humana constrói-se e desenvolve-se de forma contínua, à qual se

12 | ago./set. 2014

encontra inerente uma necessidade acrescida de mudança e de adaptação face aos desafios e à mutabilidade do próprio ser humano e do contexto socioeconómico em que o mesmo se insere. Se é certo que as mudanças envolvem necessidade de adaptação, as mesmas serão mais ajustadas quando encaradas de forma favorável e positiva. De forma fulcral, o ajustamento individual e relacional potencia-se e cada ser humano, independentemente dos seus valores e pressupostos vitais anseia uma felicidade ideal, progressiva consumando, deste modo, os objetivos a que se propõe. Neste sentido, importa mencionar que a Psicologia positiva se centra na análise dos aspetos positivos da vida humana, como a felicidade, bem-estar e a promoção desenvolvimental inerente ao ser humano que potencia as suas áreas de bom funcionamento, identificando e valorizando as qualidades. Assim, este domínio da psicologia centra-se nos pontos positivos e indutores de força interna e de capacidades intrínsecas ao ser Humano, potenciando e estimulando o investimento face às suas qualidades idiossincráticas que traduzem cada ser Humano, num ser único e especial. Cada pessoa assume uma essência repleta de potencialidades, embora, por vezes, negligencie algumas das suas áreas fortes de funcionamento. A componente motivacional e a capacidade de aprender a gostar de si na sua multidimensionalidade e a nutrir a sua autoestima, assumem-se como fatores protetores face a eventuais quadros psicopatológicos, promovendo concomitantemente o adequado ajustamento individual, particularmente a felicidade. A literatura aponta para fatores que potenciam os níveis de felici-

revista | Rés Vista


DR

Saúde e Bem-Estar

dade, bem-estar e qualidade de vida, nomeadamente os amigos íntimos e presentes na vida da pessoa, o envolvimento em atividades para o desenvolvimento pessoal e relacional, o estabelecimento de uma relação familiar de apoio e o desenvolvimento das próprias capacidades/ potencialidades, assim como as ajustadas e saudáveis relações laborais. ago./set. 2014

A temática da felicidade encontra alicerces na abordagem do Coaching, uma forma de auxílio no processo de mudança e no alcance dos objetivos desejados, através da identificação e aplicação de forças e competências pessoais. Por seu turno, a capacidade de se adaptar e de superar, de forma ajustada, os desafios e as situações indutoras de stress, tende a ser um fator promotor da felicidade e concomitantemente, um indutor do sorriso humano. O sorriso, é assim uma potencialidade inerente à condição humana, uma forma sublime e peculiar de nos expressarmos sem voz e sem palavras. É uma expressão facial que demonstra e traduz emoções positivas ou negativas e que nos possibilita demonstrar e partilhar afetos, exercendo a arte de se ser Pessoa.

revista | Rés Vista 13


Saúde e Bem-Estar

O tempo de simplesmente estar Isabel Policarpo

Hoje toda a gente acha que tem que mostrar e dizer o quão exausto e ocupado anda. de ser bem-sucedido. Mas não é fácil viver como se estivéssemos sempre perante alguma emergência ou uma qualquer catástrofe. Acresce que o colocar do foco na produção, no constante fazer, não permite tempo suficiente para pensar, falar, descansar, sentir, sonhar ou simplesmente divagar e brincar com ideias. Não sei onde exatamente onde nos conduzirá esta nova forma de “escravatura”, mas temo que nos leve para longe de nós e nos afaste da capacidade para desenvolvermos relacionamentos e/ou novas ideias. Cada um de nós é responsável por dar o primeiro passo e fazer diferente. Criar mais tempo para si e para os outros, significa uma mudança em toda a nossa cultura e na forma de pensar sobre o que é bom e o que não é bom. Estas férias vou quebrar o meu ciclo e substituir a lógica do fazer, pela do dar simplesmente tempo para estar. E você?

DR

Tudo o que seja estar menos de dez ou doze horas no local de trabalho é mal visto e entendido como um sinal de preguiça, irresponsabilidade e falta de empenho. Até mesmo nas férias temos de estar alegremente ocupados e quem não está só pode ser um pobre coitado. Hoje todos nós acreditamos que para sermos realmente bons e dedicados, temos de andar a correr de um lado para o outro. Correr e ter múltiplos afazeres diários é motivo de orgulho e sinónimo

14 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 15

fotografia | rui pires da silva

SaĂşde e Bem-Estar


Saúde e Bem-Estar

A postura e o humor

Tatiana Couto Licenciada em fisioterapia Mestre em gerontologia Pós graduada em fisioterapia em unidade de cuidados intensivos

A má postura altera os níveis de humor e pode causar depressão - Pesquisas recentes sugerem que adquirir uma posição corporal mais ereta aumenta as taxas de felicidade e energia de forma imediata! Estima-se que a grande maioria da população mundial, cerca de 85%, sofre de dores na coluna. Uma das principais causas para provocar estas espondiloalgias são as doenças degenerativas da coluna vertebral como as espondiloartroses, espondilodiscartroses e espondilolisteses que podem dar origem às discopatias (protrusões e hérnias discais) como a compressão do nervo ciático, uma das mais comuns radiculopatias e que geram enorme incapacidade e dependência para muitas pessoas. Além das doenças degenerativas, a má postura constitui uma causa severa das dores na coluna. As atividades de vida diária (AVD´s), tais como: a ma-

neira de se sentar; de se deitar e dormir – normalmente, os colchões estão em inconformidade com o peso corporal; carregar determinados pesos; a própria condução do automóvel; o uso exagerado de saltos altos; a prática de exercícios físicos inadequados, ou mesmo a não realização destes - sedentarismo -, podem estar associadas à má postura, pois tendemos a realizar estas e outras tarefas com mais consumo energético

e com compensações musculares desnecessárias. Ressalto que as dores na coluna também podem gerar más posturas, uma vez que ao sentir dor adotamos uma posição/ postura antálgica como proteção e segurança no ponto de vista da pessoa que tem algum quadro álgico e assim atenuar a dor. A depressão é também uma das doenças que influenciam a má postura. Apesar de pouco difundida, é uma causa de caráter psicológico mas com o mesmo grau de importância. Na depressão, as alterações do humor e do sono, bem como o cansaço acabam por desencadear uma alteração na curvatura fisiológica chamada cifose, aumentando esta curvatura, daí o nome hipercifose, para além de gerar rotações internas das articulações escapulo-umerais, prostração da cabeça entre outras, desfazendo o princípio de correção DR

16 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Saúde e Bem-Estar postural criado por Philippe Souchard que seria o metaforizar uma boa e correta postura à semelhança de sermos erguidos por um fio de prumo a partir da cabeça. Estudos recentes têm vindo a comprovar que a má postura também pode ser geradora de depressão, o que coloca o problema num ciclo vicioso, ou seja, a depressão como causadora de má postura e a má postura a provocar a depressão. Na Universidade Federal de São Francisco, Califórnia, recrutaram 110 pessoas e fizeram-nas caminhar com os ombros para frente e depois com as costas retas. Minutos depois, pediram-lhes que dissessem como se sentiam, apontando níveis de energia e relatando se se sentiam deprimidos. Os resultados deste estudo mostraram que os voluntários ficaram mais descontentes e deprimidos após caminhar com as costas curvadas, mas que melhoraram de humor imediatamente após adquirirem melhor postura. É cada vez maior o número de evidências de que ter uma boa postura pode trazer enormes benefícios à saúde e ao estado de espírito. A melhor forma de ficar “direito” é manter as orelhas sobre os ombros, os ombros sobre os quadris e os quadris sobre os joelhos. A pesquisa sugere que os sentimentos depressivos podem ser revertidos com um trabalho de correção da postura que ensina uma posição mais ereta. Além destes fatores, a falta de massa muscular e de alongamento, aliados à obesidade, ao sedentarismo e à fadiga muscular levam à perda das curvaturas fisiológicas da coluna e dessa foma desencadeiam patologias como hiperlordoses, hipercifoses, escolioses, e daí a importância de se ter uma musculatura preparada para suportar as atividades do dia a dia. Um dos tratamentos mais indicados é o método de RPG (Reeducação Postural Global), para o qual é necessário o acompanhamento de um fisioterapeuta durante as sessões. Dependendo do diagnóstico cinesiofuncional, o fisioterapeuta, na sua avaliação, especificando o verdadeiro motivo da dor, seja ela muscular, neural ou articular, poderá optar por outros tratamentos como o Pilates e o RCV (Reequilíbrio da Coluna Vertebral) onde são realizados exercícios de estabilização segmentar vertebral. Lembre-se que quando alguém nos diz para levantar os ombros e a cabeça para melhorar o humor, tem toda uma razão de ser e estar!

Isaura (8 anos) - “As pessoas são felizes quando têm amigos. Não dá para ser feliz se nos baterem ou se formos maus para os outros.” | Laura (11 anos) - “A felicidade é quando estamos contentes e nos sentimos bem com, por exemplo, alguma coisa que aconteceu de bom na nossa vida.” ago./set. 2014

Recolha feita por Margarida Cardoso revista | Rés Vista 17


Saúde e Bem-Estar

Exercício com prazer Diogo Veiga Professor de Educação Física

O exercício físico é um verdadeiro tónico corporal e mental, um medicamento natural para combater estados depressivos e aumentar o bem estar. A ciência comprova-o, o exercício físico liberta no cérebro endorfina, serotonina e cortisol. O cortisol, na sua forma sintética (medicamentos) é usado como um anti-inflamatório no combate a alergias, artrite reumatoide e alguns tipos de cancro. Durante a prática de exercício físico os níveis são aumentados de forma natural. A serotonina é um neurotransmissor, ou seja, ajuda nas conexões entre neurónios. Esta substância é responsável pela regulação do ritmo cardíaco, sono e apetite. Pessoas com depressão têm baixos níveis de serotonina. O exercício físico ajuda na produção de serotonina, uma razão para ser aconselhado como forma de tratamento de depressões. A endorfina é também um neurotransmissor e é considerada a hormona do prazer, quando libertada provoca uma sensação de bem estar e euforia. O exercio fisico é uma das formas que mais faz aumentar esta substancia no nosso organismo. Como é claro, não precisamos conhecer estas explicações cientificas, basta sentir os efeitos destas substâncias e para isso é suficiente que a prática de exercício físico seja regular. Como já referido nos artigos anteriores, o ideal é pelo menos três vezes por semana sair de casa para fazer uma caminhada, uma corrida, andar de bicicleta ou ir ao ginásio e os efeitos no nosso bem estar físico e mental são imediatos. Não há uma atividade física especifica para o aumento do bem estar, pratique o que mais gosta, de preferência ao ar livre. Para pessoas mais agitadas, atividades como pilates ou yoga podem funcionar bem. Para os menos agitados correr, andar de bicicleta ou nadar serão ótimos exercícios. Nesta altura do ano, as idas à praia podem ser uma boa oportunidade de praticar exercício físico, caminhar ou correr à beira mar. Pensar nisso já nos deixa com uma sensação de bem estar.

18 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Saúde e Bem-Estar “Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo, sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito, não se pode ser muito feliz. A verdade miguel esteves cardoso

fotografia | bárbara costa

é quase sempre triste.”

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 19


Educação

Aprender a ser feliz

Elsa Nóbrega Professora primária Mestre em psicologia da educação

Ser feliz é uma atitude que pode ser aprendida e treinada por todas as pessoas independentemente da sua personalidade, do seu passado, dos seus traumas ou das suas crenças. A felicidade é um processo que pode e deve ser incentivado através de pequenas ações diárias, como o carinho, a partilha, que proporcionem satisfação e autorrealização. O psiquiatra Edward Hallowell, autor de The Childhood Roots of Adult, defende que as crianças mimadas demais ou poupadas de todo tipo de desconforto emocional têm mais probabilidade de virem a ser adolescentes rezingões e descontentes, em suma, infelizes. Então, como ajudar a criar e manter a alegria? A felicidade é contagiante, estar com pessoas bem-dispostas e otimistas faz com que tenhamos sentimentos semelhantes. Os mais novos aprendem por observação e imitação, e não fazem o que lhes dizemos, mas sim reproduzem as ações, as atitudes dos pais e daqueles que estão à sua volta. É importante que os pais tenham a coragem para mudar os seus defeitos, exaltando assim as suas qualidades, para que deem melhores exemplos. Para além disso devem cultivar as boas relações sociais, evitando o isolamento, pois uma vida feliz é uma partilha não só entre a família, mas também com amigos e outras pessoas que tragam sentimentos positivos. O sentimento de pertença, a ligação afetiva com os pais e com aqueles com quem convivem mais intimamente são as raízes e a rede de segurança da criança para toda a vida. Esta precisa ser amada incondicionalmente pelos pais, no entanto dever-se-á também realçar a importância dos laços entre os membros da família mais alargada. É essencial que saiba que existe um lugar onde está segura, para onde pode sempre voltar. Um lugar onde se sente apoiada, reconhecida, apreciada, onde pode falar abertamente dos seus desejos e fracassos. Os miúdos precisam de se sentir parte integrante da escola e do seu grupo de amigos. Os laços emocionais criados pelo sentimento de pertença são a base para uma vida preenchida, feliz e autorrealizada. Corpo são, criança feliz – O dormir bem, fazer exercício físico e uma alimentação saudável são elementos essenciais para o bem-estar de qualquer pessoa, e das crianças em especial. Brincar fá-las felizes! O tempo livre não deve ser demasiado programado e regulado. Os mais pequenos precisam de momentos para fazerem simplesmente o que lhes apetece, mesmo que seja não fazer nada. Enquanto joga e brinca com os outros, a criança expressa e desenvolve a sua criatividade e talentos de forma livre e espontânea. Cultivar a resiliência, enfrentar e superar as adversidades e acreditar que é possível ultrapassá-las. É normal sentir medo, tristeza e raiva, mas é essencial aprender a lidar com as frustrações, aprender que as atitudes têm consequências e que não podemos fazer tudo o que nos apetece. É necessário deixar que as crianças enfrentem as dificuldades, procurem as soluções, isso faz com que desenvolvam a capacidade de lidar com os problemas. A felicidade não se resume à ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles (Albert Einstein). Da prática e da repetição da tarefa vem a mestria, o saber fazer e o fazer bem. Ao desenvolver uma nova competência, como tocar piano, desenhar, resolver um problema matemático ou fazer construções, a criança sente-se realizada e com

20 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Educação

ago./set. 2014

direitos reservados

motivação extra para enfrentar novos desafios. Esse sentimento de realização cria uma sensação de satisfação pessoal, uma atitude pró-ativa de “consigo fazer” e uma predisposição para arriscar e experimentar ou fazer coisas novas. Proporcionar experiências fora da área de conforto é fundamental. Pais e professores devem assegurar que os miúdos sejam permanentemente desafiados e incentivados a participar em novas atividades. Experimentar algo diferente, relacionar-se com diversos grupos, vivenciar realidades diversas. É nesta multiplicidade que a criança encontra o seu caminho e descobre as suas preferências e aptidões, realizando-se. O reconhecimento, o reforço positivo, a aprovação e apoio continuado dos pais, professores e colegas relativos a um trabalho ou uma tarefa realizada com sucesso ou esforço, reforça a ligação emocional da criança com os outros e incentiva-a a fazer mais e melhor. Focar nos assuntos positivos, naquilo que realmente interessa e não dar importância excessiva aos dramas. Mostrar gratidão pelas coisas que nos são oferecidas livremente e que em princípio tomamos como garantidas. Dizer obrigado, é mais do que ser bem-educado. É ser grato pelo que temos. Podemos ajudar as crianças a serem otimistas, a verem oportunidades nas adversidades, o copo meio cheio em vez de meio vazio. Ensinar a serem felizes com o que têm, em vez de ficarem tristes com o que não têm. Pais, professores, famílias e comunidade têm um papel decisivo na educação e na transmissão de valores aos mais pequenos. Este contributo é precioso para tornar as pessoas mais felizes e realizadas e em harmonia consigo próprias e com os outros. Respeitar os outros e procurar ser respeitado, saber perdoar, não guardar rancores, sorrir, ajudar os outros, tornar as outras pessoas felizes, seja através de ações de caridade ou apenas um ato de bondade, para além de nos fazer sentir bem é também um caminho para a nossa própria felicidade.

revista | Rés Vista 21


S

onhar - uma característica inata e tipicamente humana, mobilizadora, motivadora e inspiradora. A dimensão de cada sonho e a sua exequibilidade irá depender da pessoa que o sonha e da forma como o acarinha e fomenta em cada dia. Uma infância vivida até aos 10 anos no Porto, mudando-se posteriormente para Santa Maria da Feira, o seu lar de aconchego, a terra que a viu crescer e na qual criou os laços emocionais mais fortes, as raízes mais sólidas: família e amigos de toda uma vida. Fez-se mulher, a vida assim o impôs. Com um punhado de sonhos embrulhados em garra, vê a sua vida mudar de rumo ao vencer o concurso FHM, sendo capa de uma das revistas mais vendidas em Portugal. Estudante de Psicologia, na mística Universidade de Coimbra, das mais conceituadas e com uma média de acesso elevado, adia um sonho, para se dedicar a um outro. Inicia a sua carreira como modelo, consolidando-se também na arte da representação, como atriz. Uma presença cada vez mais presente no panorama português, prima pela beleza arrebatadora, mas também pela postura singular, marcada pela humildade, elegância e descrição. Um nome, uma história, um percurso, uma aprendizagem.

Catarina Gouveia 22 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 23

direitos reservados

Quem ĂŠ Quem?


Quem é Quem? Recuemos no tempo. Quais os sorrisos e as lágrimas que marcaram a tua infância? O sorriso mais puro da minha infância pertence, sem dúvida alguma, ao momento em que tomei conhecimento do nascimento do meu irmão, Diogo. Sempre fui uma criança muito feliz e comunicativa contudo, sendo filha única e já com 7 anos de idade, comecei a sentir um grande desejo de ter um irmão/ irmã. Lembro-me perfeitamente que, na altura, foi uma tomada de decisão bem ponderada, pelos meus pais mas que felizmente, se tornou real. Vivi o momento mais triste da minha infância, quando me confrontei com a morte pela primeira vez, com a perda da minha querida avó Rosa, a minha avó materna. Como é habitual, a morte é um assunto muito pouco abordado na nossa sociedade, é com grande dificuldade que os adultos explicam às crianças, aquilo que eles próprios consideram inexplicável. Foi uma fase recheada de dúvidas existenciais que, com o apoio e suporte dos meus pais, consegui ultrapassar e acabei por adquirir uma melhor compreensão sobre o conceito de morte.

Os primeiros anos marcam-nos de forma profunda, quer por abundância, quer por escassez de emoções, de experiências e de situações. Que marcas felizes ou mais amargas carregas contigo? Da minha infância, tenho muitas memórias felizes! Recordo, com especial carinho, as férias que eram passadas em casa dos meus padrinhos, num meio rural. Sentia-me sempre muito entusiasmada quando se começava a aproximar o período das férias escolares. Sabia que se avizinhavam dias com muita alegria, repletos de experiências que não usufruía com regularidade. Desde dar comida às galinhas, regar as hortas, passar horas na eira a brincar sozinha, ajudar a minha madrinha nos cozinhados, são detalhes que me marcaram de um forma muito positiva e que espero, um dia, conseguir proporcionar estas vivências tão genuínas aos meus filhos. É com uma enorme satisfação que, ao responder a esta pergunta, me apercebo da criança afortunada que fui. Não me consigo recordar de um dia de ‘chuva’, todos os dias foram brilhantes.

24 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista fotografia | rui pires da silva


Algum dia desejaste uma vida melhor ou sonhaste poder melhorar a vida daqueles que te são importantes? Sem dúvida. No período em que estava a finalizar o ensino secundário, a situação financeira da minha família agravou-se e como se adivinhava, pelo menos fazia parte dos meus objetivos a curto prazo, com o meu ingresso num curso superior, começámos a prever, naturalmente, algumas dificuldades. Todavia, não hesito em atribuir, às dificuldades que passei, a força que me impulsionou a procurar outras saídas. Isto é, os problemas com que me deparei foram enfrentados como oportunidades de me tornar melhor, enquanto futura profissional e sobretudo, enquanto pessoa. Foi essa ambição, de proporcionar uma vida que oferecesse melhores condições à minha família, que me conduziu até à pequena carreira que construí, até hoje. Acredito profundamente que, as situações mais difíceis que vivemos, vêm ao nosso encontro para aprendermos a lição que mais precisamos de aprender nessa fase particular da nossa evolução, enquanto pessoa. Recordo-me, nos claustros da faculdade, da tua presença sorridente, agradável e meiga. Que poder tem a psicologia na tua vida, de que forma se tornaram aliadas e amigas inseparáveis? Obrigada, fico feliz em saber. A magia de explorar os recantos mais profundos do pensamento humano, sempre me fascinou. Foi esse fascínio que tornou óbvia a presença da Psicologia, no meu caminho. Como escreveu Herman Hessse, em Demian: «Cada Homem tinha apenas uma vocação genuína: descobrir o caminho que o levava a si próprio». Todos temos uma alma dentro de nós, um lugar bem fundo dentro de nós, que pura direitos reservados

e simplesmente, conhece o nosso potencial, o nosso dom, às vezes, adormecido. Desde há muito tempo e com consciência disso, que me permiti mergulhar bem fundo dentro de mim, de forma a compreender quem sou verdadeiramente. Sempre soube que a psicologia era uma paixão, profundamente inscrita em mim.

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 25

direitos reservados


Quem é Quem?

Os teus primeiros passos num mundo mediático e de exposição. Recordaste como os sentiste e viveste? Oportunidades, indecisão, certezas, nervosismo… Foi uma fase de mudança mas intuitivamente sabia que estava exatamente onde devia estar, no caminho da minha vida. Apresentei-me humildemente neste mercado, com verdadeiro empenho em prestar o melhor de mim, em tornar-me o mais disponível e recetível possível, em construir relações, em ganhar sem que ninguém tivesse que perder. Naturalmente, vivia com alguma insegurança e com receio de não conseguir corresponder às expectativas que estavam a depositar em mim. Os meus erros ofereceram-me, sem dúvida um terreno muito fértil para o meu crescimento profissional e também pessoal, enquanto que os meus pequenos êxitos, encheram o meu coração com a certeza que estava a viver a minha vida em consonância com aquilo que me realiza, verdadeiramente. Singraste como modelo e atriz. É um mundo deslumbrante e que deslumbra? Nunca me senti deslumbrada mas preocupo-me em deslumbrar, principalmente quem aposta em mim! A minha energia e atenção é totalmente direcionada para o meu desempenho. Só isso é que me preocupa. Há um grande elo familiar. Uma vontade persistente em manter e conciliar os laços emocionais que foste construindo até à data. Como se acalmam as saudades e se conciliam agendas? Vivo no meu coração e tenho consciência plena que as minhas ligações familiares, são o principal pilar da minha vida. Diariamente, é fundamental que haja sempre algum tempo, para dedicar às pessoas que amo. Dessa forma, o telemóvel e o Skype foram-se tornando cada vez mais indispensáveis, no meu dia-a-dia.

26 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Quem é Quem?

direitos reservados

Os meus erros ofereceram-me, sem dúvida um terreno muito fértil para o meu crescimento profissional e também pessoal, enquanto que os meus pequenos êxitos, encheram o meu coração com a certeza que estava a viver a minha vida em consonância com aquilo que me realiza, verdadeiramente.

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 27


Quem é Quem? És uma pessoa de toques, gestos puros e apreciadora da beleza natural. Quais os elementos da natureza e os bens materiais que te promovem bem-estar e satisfação? O que te faz feliz? Há uma frase, que desconheço o autor, que expressa na sua plenitude, o bonito sentimento que nutro pela Natureza: “O meu coração está afinado pela tranquilidade que o silêncio da Natureza inspira”. Comungar com a Natureza, num parque, numa floresta, numa praia, preenche-me, O que me faz feliz? Viver feliz é viver num estado de consciente e inesgotável gratidão. Os pequenos prazeres da vida, deixam de ser garantidos e passam a ser desfrutados e saboreados. É isso que me faz feliz. Agradecer o facto de ter comida no meu frigorífico, apreciar a minha saúde, são alguns exemplos. Infelizmente, o meu telemóvel é o único bem material que eu não dispensaria. Há algum pedido de desculpas por fazer ou pelo qual esperas? Há espaço para arrependimentos? Há tristezas que a agitação dos dias faz esquecer ou desvalorizar? Da mesma maneira que preciso de fazer, também espero. Não há arrependimentos, tudo na vida acontece por uma razão. Tudo o que aconteceu no caminho da minha vida tinha de acontecer. Gosto de pensar que a vida é uma escola de crescimento e todas as tristezas, promoveram o meu crescimento pessoal. Nada dura muito tempo, nem o muito bom, nem o muito mau. Que sonho já concretizaste que antes te seria impossível de realizar? Comprar o meu próprio carro. Poder oferecer uma viagem ao meu irmão. Tornar-me financeiramente independente. Tornar-me um Ser Humano melhor. O que te ensinou a vida, neste percurso de ascensão, que jamais esquecerás? Ensinou-me a preocupar-me mais com o serviço altruísta, em vez de com a autogratificação e a encarar a vida como uma fantástica escola de crescimento. O que ainda sentes em ti imensa vontade de conquistar e ser? Acima de tudo, sinto a necessidade de deixar uma marca no mundo e de fazer a minha quota-parte para ajudar a construir um mundo mais humano, feliz e saudável.

28 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


DR

DR DR

DR

DR

Quem é Quem?

Um livro: ‘Sou Feliz’, Bronnie Ware Um filme: Para a Minha Irmã Uma música: Não Chore Meu Amor- Natiruts Um desporto: Natação DR

O sorriso mais bonito: O da minha mãe O que é indispensável: Amor O que não tolera: Falta de Respeito O maior medo: Morte de alguém querido Uma missão de vida: Amar Cronologia Profissional: 2007|capa da revista FHM; 2009|sessão fotográfica revista J, jornal O Jogo; 2009|participação em “Morangos com Açúcar – Férias de Verão VI”; 2009|participação em “Destino Imortal”; 2010|capa da revista Maxmen; 2010|participação em “Espírito Indomável”; 2011|participação na mini série “O amor é um sonho”; 2011|participação no telefilme “A regra de três”; 2011-2012|participação em “Doce Tentação”; 2013|participação em “Destinos Cruzados”.

ago./set. 2014

fotografia | rui pires da silva

revista | Rés Vista 29 direitos reservados


fotografia | bárbara costa

Atualidade e Sociedade

Destaque

Uma aparência de felicidade

Dina Marli Nóbrega Estudante de comunicação, cultura e organizações U. Madeira

São muitos aqueles que dedicaram a vida ao mundo das artes, quer seja ela representação, música ou dança. Os que atingem o patamar mais elevado, a fama, levam consigo o peso da responsabilidade de agradar aos seus fãs, e ao mesmo tempo a necessidade de manter o nível em todas as suas ações e produções. O mínimo deslize faz com que os artistas sejam alvo de críticas, que pouco têm de construtivas, sendo a pressão social exercida. As luxuosidades e excentricidades dos cantores e atores mais conhecidos de Hollywood fazem com que as suas vidas sejam, aparentemente, um sonho. Mas são exatamente isso, aparências. O mundo das celebridades consome quem nele vive, no entanto, isso não transparece para o público, que, ao ver a vida social, os sorrisos capturados nas fotografias e os ocasionais e diversificados namoros, não se consegue aperceber da amargura realmente sentida por aqueles que se encontram na ribalta. Vejamos o caso dos comediantes stand-up. O Jornal Britânico de Psicologia realizou um estudo em que se concluiu que estes possuem “traços de personalidade altamente psicóticos”. Robin Williams é um dos mais recentes exemplos daqueles que são consumidos pela indústria cinematográfica. Proporcionou sorrisos, gargalhadas e momentos de muita animação, intercalados por alguns momentos mais sérios. Nada faria prever que este comediante tivesse uma depressão tão grave ao ponto de querer por termo à vida, ou seria expectável? Afirmava que a comédia era o seu escape, no entanto, acabou por ser a razão pela qual partiu deste mundo. O seu historial de drogas, álcool e antigas depressões seriam já um sinal de alarme. A solidão no meio de uma multidão é das piores sensações que se pode sentir, aliando-se isso à pressão da média, a equação resultante é explosiva. O ator não era o único, John Belushi e Chris Farley tiveram o mesmo destino, mas por um suicídio prolongado, o uso excessivo de substâncias que faziam com que desvanecessem lentamente. Pôr fim à vida de uma maneira “imediata” seria algo impensável, pois faria vir ao de cima a debilidade e escuridão pelas quais passavam. O efeito é o mesmo que o do suicídio, mas o impacto social é diferente, recordando alguém querido por todos, que teve a infelicidade de ser vítima de um terrível acidente. Alguns artistas decidem acabar com a própria vida enquanto o público ainda se lembra da sua existência. A tensão do meio leva aos atos mais estapafúrdios para que se seja o melhor, o mais comentado, requisitado e até mesmo o mais exótico, por vezes nem sempre no bom sentido. Não precisamos de retroceder muito no tempo, vejamos a “cantora” Miley Cyrus. A sua necessidade de se afirmar como uma mulher adulta, levou-a a fazer coisas pouco retas. O facto é que conseguiu captar a atenção de muitos, mas a que custo? Claro, será ótimo anos mais tarde ser recordada por aquela que, entre ursinhos e arco-íris, se apresentou ao mundo com bodys e outfits minúsculos, com a famosa língua de fora em figurinhas deploráveis, em vez de ser lembrada como sendo uma cantora de excelente voz, que o poderia ser não estivesse a rapariga vendida à vida de celebridade. Idolatrados pelo seu sucesso e dinheiro, os entertainers não são apenas fontes de animação, por detrás das câmaras e cortinas existem pessoas. As carências monetárias até podem ser poucas, mas psicologicamente são muito frágeis. A infelicidade é pois, o elevado preço a pagar pela fama.

30 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 31


32 | ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista


Atualidade e Sociedade

Info Flashes

por

Dina Marli Nóbrega

Emídio Rangel morre de doença prolongada

O conceituado jornalista estaria a receber tratamentos no Hospital Egas Moniz há já alguns meses devido a uma reincidência do cancro na bexiga. O ex-diretor da SIC acabou por não resistir, falecendo na última quarta-feira, com 66 anos de idade. Emídio Rangel, nascido em Angola, licenciou-se em História mas a sua carreira iniciou-se na área da Comunicação, no seu país de origem, na Rádio Club de Huíla. O seu percurso por Portugal começou na RDP, sendo depois um dos fundadores da TSF assumindo três anos depois a liderança do canal televisivo SIC. Foi também diretor-geral da RTP. O seu último passo a nível profissional, não chegou a concretizar-se, a criação de um novo grupo de informação, afastando-se então da ribalta por motivos de saúde.

Vazio deixado por Robin Williams no mundo da comédia

No dia 11 de agosto, uma notícia entristeceu o mundo do cinema e comédia, assim como os fãs, quando se depararam com o precoce desaparecimento do ator. As circunstâncias da sua morte apontavam para suicídio, o que mais tarde foi confirmado pelas autoridades norte-americanas. Aos 63 anos, Robin Williams foi encontrado morto, em Tiburon, onde habitava, com um cinto à volta do pescoço, tendo sido o enforcamento a causa de morte. O protagonista de filmes de renome como o “Bom dia, Vietname” e “Papá para sempre” estava a ser tratado devido a uma profunda depressão, tendo já historial de drogas e álcool e passagens por centros de reabilitação.

Substâncias cancerígenas presentes na Colgate

Um dos produtos da marca contém triclosan, substância que segundo estudos norte-americanos recentes, referidos pela Bloomberg, está ligada ao aparecimento do cancro. Estas conclusões surgiram devido ao registo de malformações de fetos de ratos que foram expostos àquela matéria. Este agente antisséptico está presente na Colgate Total. A produtora, confrontada com o assunto, relembra que a pasta dentífrica foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) em 1997. Esta informou que triclosan não é perigoso para a população, e ainda afirma que, apesar destes efeitos nos animais, estes poderão não se manifestar nos humanos. A substância está proibida na União Europeia desde 2010 em cosméticos e materiais em contacto com comida. Apenas poderão ter, em níveis nunca acima dos 0,3%, os elixires bucais, sabonetes, pós faciais e pastas de dentes.

Criança tira fotografia com cabeça decapitada

Uma imagem está a criar polémica e indignar pessoas por todo o mundo. Khaled Sharrouf colocou no Twitter, dia 8, uma fotografia do filho, sorridente, a segurar uma cabeça decapitada de um soldado sírio. O autor da publicação, pai da criança, aparentava estar deveras entusiasmado, afirmando na descrição “Este é o meu rapaz!”. O terrorista terá publicado muitas mais captações arrepiantes. Numa outra, pousa com os seus alegados três filhos, de armas na mão frente à bandeira islâmica, do qual fazem parte os jihadistas radicais. O australiano tem passado criminoso, tendo sido já detido por planear vários atentados. As autoridades do seu país, após a denúncia das imagens, procederam à emissão de um mandado de captura do terrorista.

Descarrilamento de comboio

Na Suiça, perto do local de esqui de St. Moritz, um deslizamento de terras fez com que, um comboio descarrilasse. Ao que tudo indica, o meio de transporte realizou uma paragem de emergência inesperada, e fez com que uma das suas carruagens caísse na ravina e outras duas ficassem penduradas. Os passageiros foram removidos cinco ago./set. 2014daquela que tombou. A tragédia, que se deu na quarta dia 13 pela tarde, feriu sete pessoas, encontrando-se revista | Rés Vista 33 delas em estado grave.


Falemos do sentido da vida e dos sentimentos.

Vamos percorrendo os dias, os meses, os anos. Acontecem encontros e desencontros. Conhecemos pessoas, aprendemos a desconhecer outras. Sofremos agradáveis surpresas, pessoas que nos cativam surpreendentemente, mas também nos deparamos com incríveis desilusões, inesperadas, tremendas. Possuímos em nós, fruto da nossa experiência de vida a bagagem que nos permite perceber a hora de avançar, recuar, resistir e permanecer. Somos incrivelmente e humanamente dotados de esfera emocional, por vezes esquecemo-nos dela no trato dos e com os outros, mas sentimo-la de forma voraz na pele quando da primeira pessoa se trata. E isto é a delícia do viver, o seguir em frente, com a cabeça mais erguida ou mais recolhida, mas seguindo, indo, tentando, procurando. Sabendo que, mesmo que nos apontem críticas, estão comigo e connosco, porque disto se trata o gostar. Estar. Não concordando, não comungando da mesma opinião, mas respeitando, percebendo que podemos ter gostos comuns que nos aproximam, outros que são oposições marcadas, mas que não nos afastam, só estendem uma barreira de respeito e bem-querer. E é isto viver na atualidade e na sociedade. Saber gerir, saber estar, saber lidar. Aquela maturidade que nos permite integrar em diferentes grupos, em diferentes contextos, em diferentes paisagens e em diferentes mundos que nem belo exemplo da globalização atual. Porque reconhecemos onde estamos, para onde queremos ir e de quem gostamos.

34 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 35


fotografia | david nóbrega

“Amor não se conjuga no passado, ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente.”

fernando pessoa

36 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


O olhar atento de Nuno Antunes Dicas para promover uma parentalidade positiva! 1) Envolva-se. Participe nas atividades do seu filho/a. Promova a partilha. Conte histórias de quando era mais novo, do seu dia, da família. Mostre-se interessado por ele/ela, pergunte-lhe como foi o seu dia, do que gostou mais ou menos, mas respeite o seu espaço e individualidade. Desenvolva uma relação de vinculação segura e positiva; 2) Preste particular atenção ao que o/a rodeia, em particular do mundo do seu filho. Escute-o atentamente. Procure compreender o melhor possível o que o motiva, entusiasma, desinteressa, incomoda. Procure compreender o mundo através dos seus olhos. Coloque-se “nos sapatos” dele e procure analisar como ele experiencia, compreende e interpreta determinadas vivências; 3) Saiba pedir ajuda. É importante saber pedir ajuda ao seu filho ou a outros elementos. Ser pai/mãe é uma tarefa extremamente difícil, em particular com todas as exigências do dia-a-dia. Peça ajuda para a realização de uma tarefa ou atividade. Explique claramente o que pretende, o seu objetivo e motive a criança para a sua realização. Peça ajuda a amigos, familiares e outros elementos quando necessário. E claro, nunca esqueça os profissionais; 4) Seja um modelo de referência nos seus comportamentos, atitudes, crenças e valores. A aprendizagem infantil faz-se, em boa parte, através do que se visualiza as figuras de referência (pais ou principais cuidadores) fazerem; 5) Ensine e aplique técnicas de reforço e extinção a comportamentos, não à personalidade. Reforce comportamentos positivos. Diminua, retire ou puna comportamentos negativos. Não desenvolva na criança uma associação entre comportamentos e personalidade. Uma criança que se suja a brincar na rua, quando lhe foi pedido para ficar em casa, teve uma atitude incorreta, mas não é “porca” nem “má”; 6) Promova um estilo de comunicação recíproco e efetivo que promova a autoconfiança da criança, o que potencia uma relação de proximidade e de partilha, embora exija muito do cuidador; 7) Supervisione e discipline de forma clara, consistente e firme. Desde bebé, defina e execute regras claras, simples e com sistema de recompensas e castigos. Diga quais os comportamentos desejáveis e indesejáveis e explique o porquê, conforme a idade desenvolvimental do seu filho. Não ceda a choros, birras, tentativas de manipulação ou de o colocar em causa. Pratique uma coparentalidade coesa e consistente. Quando necessário, dialogue e procure soluções alternativas que todos aprovem; 8) Defina horários. Definir horários é extremamente importante para um salutar desenvolvimento da criança. Desde o horário de acordar até à hora de comer, brincar ou fazer as atividades de casa, o estabelecimento mental de regras e horários pela criança promove competências cognitivas, sociais, comportamentais e biológicas; 9) Seja um exemplo a seguir. Em tudo. Seja um modelo de referência de atitudes, comportamentos, crenças e valores para o/a seu/sua filho/a. As crianças aprendem mais facilmente assim e modelam o seu comportamento ao seu enquanto figura de referência; 10) Dedique, TODOS OS DIAS, tempo ao seu filho/a. Desde a partilha do dia de cada um dos presentes quando estão juntos numa atividade e/ou refeição, aos indispensáveis “15 minutos de mimos e brincadeiras”, até à realização de uma atividade em conjunto, invista diariamente no seu bem mais valioso, o/a seu/sua filho/a. ago./set. 2014

revista | Rés Vista 37


Gestão Financeira

Dicas Úteis

Como poupar em casa sem gastar muito dinheiro!

Ana Martins

Gestora de conteúdos web

Existem imensas empresas cujos contactos para o apoio ao cliente, pedido de informações, adesão a um serviço, etc… são números de telefone começados por 707 (designados pela Portugal Telecom como números únicos). Sabia que ligar para números de telefone começados por 707 tem um custo muito mais elevado do que uma simples chamada local? Estamos a falar de valores que vão entre os 10 e os 30 cêntimos por minuto consoante a origem da chamada (telefone fixo ou móvel)! E na maioria dos casos, as entidades nem sequer se dignam a informar o valor a pagar pela chamada, o que leva muita gente a acreditar que se trata de um número gratuito. Os custos das chamadas para estes números parece estar sempre rodeado de muito secretismo. Não confunda os prefixos dos números de telefone! É habitual existir alguma confusão em redor dos números de telefone com prefixos 707, 800 e 808. Repare nas diferenças de custo das chamadas para esses números: Número Verde (800): chamadas totalmente gratuitas… use e abuse! Número Azul (808): custo de chamada local. Número Único (707): um roubo… humm, desculpem… , chamada de valor acrescentado cujo custo é totalmente suportado por quem telefona. Apenas a título de curiosidade, encontrei na página de contactos de uma companhia de seguros, uma situação interessante! Repare nos números de telefone para participação de sinistros nessa seguradora: Pelo menos puseram o cliente a pagar pelo telefonema… E agora? Já pensou em quantas vezes precisou de ligar para números de telefone com prefixo 707… e quanto tempo ainda o deixaram a ouvir música antes de lhe atenderem a chamada…? Pense seriamente nesta questão e talvez começe por poupar algum dinheiro evitando telefonar para estes números.

38 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Gestão Financeira

NOVAS REGRAS PARA OS CONTRATOS CELEBRADOS À DISTÂNCIA Luís Silva Licenciado em economia

A 13 de julho entraram em

mudanças. Em Portugal, desde

artigo 13º, excetuam-se os casos

vigor as novas regras aplicáveis

1996, que se aplica a regra dos 14

em que o fornecedor acorde em

aos contratos celebrados à dis-

dias para o respetivo exercício,

suportar esse custo ou quando o

tância e aos contratos celebrados

contudo, com este diploma, esse

consumidor não tenha sido in-

fora do estabelecimento comer-

prazo passou também a ser ex-

formado, previamente, do dever

cial. O Decreto-Lei n.º 24/2014

tensível a outros Estados-Mem-

de suportar os respetivos custos

é a transposição da diretiva eu-

bros, cuja média, anteriormente,

de devolução.

ropeia n.º 2011/83/EU que pro-

se fixava apenas nos 7 dias.

move a transparência das práti-

determina

zação do cumprimento do dis-

cas comerciais e a salvaguarda

que, em caso de direito de livre

posto no Decreto-Lei e a ins-

dos interesses dos consumido-

resolução, o consumidor terá

trução dos respetivos processos

res, comuns a todos os Estados

de pagar um montante propor-

de contraordenação competem

Membros.

cional ao serviço prestado, caso

à ASAE – Autoridade de Segu-

pretenda a prestação imediata

rança Alimentar e Económica –

de serviços.

cujo produto das coimas aplica-

Das principais alterações deste novo diploma, reforça-se, des-

O

Decreto-Lei

Deve-se referir que a fiscali-

de logo, a obrigatoriedade das

Para facilitar o exercício de li-

das revertam 60% para o Estado

empresas na disponibilização de

vre resolução, o fornecedor deve

e 40% para a entidade que pro-

informação pré-contratual clara

anexar ao contrato um formulá-

ceder à instrução do processo e

e completa aos consumidores

rio específico, legalmente apro-

à aplicação da respetiva coima.

para que possam decidir - de

vado, para os devidos efeitos.

Com este novo diploma, os

forma esclarecida e consciente

Quanto à devolução de pro-

cidadãos podem agora desfrutar

- a contratação do produto ou

dutos, este novo diploma, es-

dos mesmos direitos indepen-

serviço.

clarece que o consumidor, em

dentemente do país da União

Salienta-se também que o

caso de exercício do direito de

Europeia onde façam as suas

direito de livre resolução, mais

livre resolução, suporte os cus-

compras e dispõem, antes de ad-

conhecido por direito de arre-

tos da sua devolução. Contudo,

quirir bens e serviços, de toda a

pendimento, é objeto de grandes

de acordo com o número 2 do

sua informação.

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 39


Gestão Financeira

Salários em atraso: o que fazer?

Silvia Rodrigues Licenciada em recursos humanos

Na atualidade, além das noticiadas dificuldades de empregabilidade, as reduções salariais através de aumentos de impostos e sucessivos atrasos no pagamento das remunerações tornam-se, cada vez mais, uma constante agravando significativamente a sustentabilidade dos trabalhadores na atual conjuntura económica. Desde logo, em caso de inspecção voluntária ou por denúncia, o ACT pode determinar a existência de contra-ordenações por redução salarial fora dos casos legalmente admitidos e/ou ausência de pagamento pontual das remunerações por facto alheio aos trabalhadores, aplicando as correspondentes coimas cujo valor variará em função do volume de negócios do empregador e do seu grau de culpa (negligência ou dolo). Para contestar e/ou evitar o prolongamento de tais situações, vamos referir medidas de ação que podem ser adotadas pelos trabalhadores. Importa ainda clarificar que perante as medidas que vamos apresentar, os subsídios de Natal e de Férias não são tidos em conta, isto é, perante a Lei estas são consideradas como um crédito por vencer mas não como um salário em atraso, e caso a entidade empregadora pague uma % do ordenado em atraso, dependendo do Juiz do Tribunal do Trabalho, este pode entender que a empresa já não se encontra/ou encontra com a retribuição em falta. 1. Suspensão Contrato Trabalho No caso de falta de pagamento pontual da retribuição por período de 15 dias (ou inferior caso o empregador declare por escrito que prevê que não vai pagar a retribuição em dívida até ao termo daquele prazo), o trabalhador pode suspender o contrato de trabalho (art. 294.º, n.º 3, e 325.º, n.º 1, do CT). Durante a suspensão, mantêm-se os direitos, deveres e garantias das partes que não pressuponham a efetiva prestação de trabalho, contando-se o tempo de suspensão para efeitos de antiguidade (arts. 295.º, n.ºs 1 e 2, do CT). O trabalhador pode exercer outra atividade remunerada durante a suspensão do contrato de trabalho, com respeito do dever de lealdade ao empregador originário (art. 326.º do CT). Para o efeito, a Lei obriga o trabalhador a comunicar ao empregador, por escrito, a suspensão do contrato com uma antecedência mínima de 8 dias em relação à data de início da suspensão. De igual modo, tem de comunicar a suspensão, por escrito, à Autoridade para as Condições do Trabalho, que disponibiliza para o efeito um formulário próprio. Segundo o decreto-lei 105/2009 publicado em Diário da República, os trabalhadores que suspendam o contrato de trabalho por falta de pagamento do salário têm direito a receber prestações de desemprego durante o período da suspensão.

40 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Gestão Financeira

Quando termina a suspensão? A suspensão do contrato de trabalho termina: a) Mediante comunicação do trabalhador de que põe termo à suspensão a partir de determinada data; b) Com o pagamento integral das retribuições em dívida e juros de mora; c) Por acordo entre trabalhador e empregador para regularização das retribuições em dívida e juros de mora; d) Em caso de cessação do contrato de trabalho por qualquer dos meios legalmente previstos. 2. Resolução por Justa Causa Além da suspensão do seu contrato de trabalho, é conferida a possibilidade ao trabalhador de optar pela resolução do contrato com justa causa fundada na falta de pagamento pontual da retribuição, independentemente de culpa do empregador. Nos termos do artigo 394.º do Código de Trabalho, considera-se culposa a falta de pagamento pontual da retribuição que se prolongue por período de 60 dias, ou quando o empregador declare por escrito, a pedido do trabalhador, a previsão de não pagamento da retribuição em falta, até ao termo desse prazo. A resolução do contrato de trabalho por este motivo deve ser comunicada por escrito ao empregador, no prazo de 30 dias a contar do termo do período dos 60 dias. A cessação do contrato de trabalho decorrente da resolução por justa causa por iniciativa do trabalhador com base em salários em atraso é considerada uma situação de desemprego involuntário, concedendo direito ao subsídio de desemprego. Ocorrendo justa causa, o trabalhador pode fazer cessar imediatamente o contrato (art. 394.º, n.º 1, do CT). Em caso de ausência de culpa, o trabalhador, sem direito a qualquer indemnização, fica obrigado a efectuar a comunicação de resolução do contrato e com direito ao subsídio de desemprego. 3. E se não recebe há mais de seis meses, o que pode fazer? Sabia que caso a empresa onde trabalha não pague ordenados aos empregados há seis meses, pode accionar o Fundo de Garantia Salarial? O objectivo do Fundo de Garantia Salarial é assegurar o pagamento ao trabalhador de salários, indemnizações resultantes de despedimentos ilícitos ou a sua cessação, quando as entidades empregadoras não os podem pagar por estarem em situação de insolvência ou por se encontrarem numa situação económica difícil.

Em Suma:

1.As autoridades laborais podem determinar a existência de contra-ordenações e aplicar coimas por redução salarial indevida e/ou ausência de pagamento pontual das remunerações. 2.Independentemente de culpa do empregador, o trabalhador pode suspender o contrato de trabalho (deixar de trabalhar) em caso de falta de pagamento pontual da retribuição, ou trabalhador pode optar pela resolução do contrato com justa causa fundada na falta de pagamento pontual da retribuição. 3. Caso a empresa onde trabalha não pague salários, indemnizações resultantes de despedimentos ilícitos ou a sua cessação aos empregados há seis meses, este pode accionar o Fundo de Garantia Salarial. ago./set. 2014

revista | Rés Vista 41


Outros mundos... Tânia Fachada Nome: Tânia Carolina Dos Santos Fachada Idade: 26 anos Localidade de origem: Almalaguês, Coimbra Habilitação: Mestre em Psicologia do Trabalho, Organizações e Recursos Humanos País atual: Dubai, Emirados Árabes Unidos Exercício Profissional: Comissária de Bordo (Aviação)

Que pensamentos e sentires, interrogações e dúvidas te invadem após decisão tomada? Como dizer que vais partir aos teus laços fortes que te querem apenas e só por perto? No meu caso, o facto de já ter vivido fora temporariamente, facilitou de certa forma esta decisão. Já não fui apanhada de surpresa por todas as emoções que podem muito bem tomar conta de nós neste processo e que nos podem inclusive levar a voltar atrás. Já sabes que vais duvidar sempre e interrogares-te se fizeste a decisão certa. Mas também aprendes a sentir-te mais seguro e determinado nas tuas opções, a ‘abraçar’ as suas consequências, não importa de que natureza sejam, e acima de tudo a seguir em frente. Ao mesmo tempo, aprendes que nada é assim tão definitivo e começas a olhar para estas decisões como aquilo que verdadeiramente são: um início em vez de um fim. Apercebes-te de que a vida continua, inevitavelmente, nos sítios e com as pessoas que deixaste. Se por um lado isso reconforta porque sabes que está ‘tudo bem e igual’ e ‘Portugal estará sempre lá’, por outro, a longo prazo, os aniversários, casamentos, mortes ou nascimentos que falhaste, custam imenso. É uma das duras consequências desta escolha e que tens de aprender a aceitar. Mas a vida também acontece connosco e é bom pensarmos nisso e sentirmo-nos orgulhosos daquilo que alcançámos. São decisões que põem à prova a qualidade das relações e a nobreza de cada um. Uma das maiores lições que tiras é a de que os laços que são verdadeiramente importantes e fortes te vão apoiar e vão permanecer não importa onde estejas e o tempo da tua ausência. Vais reencontrá-los eventualmente. Uns estarão exatamente iguais, as conversas serão à volta dos mesmos temas e as gargalhadas terão o mesmo tom. Outros vão mudar porque as pessoas cresceram em caminhos diferentes. E isso pode ser bom, e acrescenta algo de novo, ou mau. Se for mau, foi apenas a vida a encarregar-se de peneirar aquilo que não faz mais sentido.

42 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


O que mais te atrai neste teu novo projeto profissional? Que tipo de diário escreverias ou como o começarias? A entrada de um diário seria muito provavelmente algo do género: ‘…querido diário, não sei que dia é hoje ou que horas são, e também não me lembro de onde acabo de chegar ou para onde vou amanhã. Mas o iphone sabe, as malas estão sempre feitas e eu estou ansiosa por saber o que vou conhecer e aprender amanhã. Beijos, Tânia.’ Foi precisamente este retrato que me atraiu nesta nova vida. A liberdade e ausência de rotina, as viagens e as possibilidades de conhecer novas culturas e pessoas, são sem dúvida fatores muito atrativos para alguém curioso e aventureiro. É uma experiência única que às vezes, penso para mim, é quase perfeita para viver ao atravessar a década dos 20 onde tipicamente tens vontade de viver tanto e tão depressa. De facto, um mês às vezes parece um dia e os voos nunca são iguais, tal como os sítios que, para um olho atento que gosta de registar tudo, nunca são iguais, mesmo aqueles que já visitaste muitas vezes. É uma profissão de esforço físico e mental, que requer alguma disciplina e cuidados com a alimentação, exercício e períodos de descanso. Começas a conhecer melhor o teu corpo e os teus limites físicos e psicológicos. Requer muita inteligência emocional, e acho que é esse um dos principais segredos para gerir os níveis de stress que pode causar. Cada voo é um desafio e uma descoberta. Para além do aspeto pessoal referido, as condições remuneratórias e os benefícios oferecidos são de facto muito aliciantes. Pode ser algo a considerar como carreira pois, pelo menos nesta zona do globo, poderás ter boas perspetivas de progressão e é relativamente fácil obteres uma condição de vida estável e confortável. Por outro lado, pode também ser um bom compasso de espera para refletires, conheceres e decidires-te por outras alternativas de vida, pelo que te permite poupar em termos financeiros e pelas pessoas que conheces e contactos que fazes.

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 43


Que episódios caricatos já guardaste no baú das recordações para, mais tarde, relembrar? Nestes 6 meses já guardo alguns e muitos são causados pelo cansaço extremo que por vezes sentes. Já perdi a conta às vezes que me esqueci do número do quarto de hotel ou as vezes em que ando a vaguear pela cabine do avião a olhar para todas as caras e a tentar reconhecer o passageiro que me pediu o copo de água que levo. Mas as melhores recordações são sempre das pessoas que ajudaste em alguma situação de aperto ou de ansiedade. Não há dúvida que a maior felicidade e satisfação está em ajudar ou pura e simplesmente escutar alguém que precisa. E nem sempre é fácil perceber quem são porque nem sempre o demonstram. Num voo que vinha de Austrália, apercebi-me de uma passageira que me parecia ansiosa, pois olhava para tudo e todos como se precisasse de algo. Dirigi-me até ela e percebi pelo sotaque que era portuguesa. Quando lhe falei na nossa língua a cara dela iluminou-se. Estava ansiosa por fazer uma viagem tão longa, sozinha e não falar inglês. A partir do momento em que percebeu que tinha ali alguém que a compreendia e a podia ajudar, descansou e a viagem foi diferente. Já tive de consolar uma passageira que chorava por ter de deixar o seu país ao ir trabalhar noutro sítio. Também já chorei com a história de vida de uma senhora italiana idosa que escolheu deixar a aldeia e o país onde viveu a vida toda para viver com as irmãs na Austrália por não querer ‘dar mais trabalho aos filhos’. São estas histórias que ficam e que mais tarde com certeza recordarei. Como se combatem as saudades? Que fotografias e recuerdos materiais apaziguam a dor? Muitas vezes não é nada fácil. As saudades acumulam-se e sentimos falta de absolutamente tudo. Das cores, dos cheiros, das vozes, do vento e da chuva, da comida, da familiaridade de uma sociedade e cultura que conhecemos bem e que é muito diferente daquela em que estamos, a qual nos exige uma grande flexibilidade, tolerância e acima de tudo respeito. Vamos atenuando a ansiedade com visitas frequentes a casa, o que no nosso caso felizmente temos alguma facilidade em fazer. O skype disfarça a distância e, não substituindo um abraço ou um beijo, às vezes ajuda. Estou sempre muito presente através da internet e acho que hoje em dia não há grande desculpa para, apesar da distância, irmos estando a par do que se vai passando, tanto com as pessoas que nos são queridas como com o nosso país. Há uma comunidade de portugueses no Dubai já muito grande e a crescer todos os dias. Somos, na minha opinião, um povo muito generoso e que se entre ajuda imenso, pelo que é fácil ter sempre uma ajudinha quando se precisa ou arranjar companhia para os jantares ou saídas pela cidade. No nosso caso, temos também, felizmente, mais facilidade em receber as nossas famílias ou amigos e levá-los a viajar connosco pelo mundo, e isso dá-nos muita satisfação e felicidade.

Dos diferentes recantos do mundo pelos quais voaste, qual aquele que te marcou pelo cheiro, pela cor, pelas gentes, pela tradição? Sem dúvida o Japão. Na Ásia, é um país com uma cultura muito própria e muitíssimo rica que leva tempo a descobrir. Provoca um forte impacto no primeiro contacto e consegues sentir logo aí a complexidade que está subjacente à sociedade e cultura japonesas. É impressionante a organização e o rigor extremos presentes nos mais pequenos detalhes de uma grande cidade como Tóquio, por exemplo. Os japoneses têm um sentido cívico muito forte e é muito interessante observar como a sociedade conseguiu preservar cultura e tradições milenares num dos contextos que sofreu uma das mais rápidas expansões tecnológicas de sempre e que está tão no centro de um mundo cada vez mais globalizado. É um país a descobrir ainda mais e que vai com certeza ser a escolha de muitas das minhas viagens a trabalho e lazer.

44 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Viajar é uma forma de vida, uma forma de cultura que pode viciar e ser viciante. Há necessidade de demarcar um fim para permitir outros projetos pessoais? Não necessariamente, porque pode de facto ser a tua opção de vida e aí só tu é que sabes e mais ninguém. Contudo, de forma geral, reconheço que te pode proporcionar um estilo de vida relativamente fácil e muito confortável e daí é sempre difícil sair. Se esta não for a tua escolha profissional, acho que efetivamente é bom teres logo à partida outros projetos ou ires delineando outras alternativas enquanto aqui estiveres. Servem para te guiar e para te fazer trabalhar rumo a algo, porque de outra forma é fácil deixares-te levar e ires ficando. É uma questão de ires estruturando o teu percurso com objetivos curtos e realistas de maneira a atingires aquilo a que te propões e ao mesmo tempo aproveitares o melhor que esta vida tem para oferecer. É necessário irmo-nos preparando e mentalizando para o regresso a uma vida ‘normal’ de maneira a suavizar a transição que, de qualquer forma, pode não ser fácil.

direitos reservados

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 45


VIAGENS AO PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO SEVERENSE Sever do Vouga - Pelourinho

Mário Silva

Licenciado em história Mestre em história moderna Prof. Agr. Escolas de Sever do Vouga Como dissemos no último número da Rés Vista, os pelourinhos, primitivamente chamados de picotas, “simbolizam no território português o trajeto da história dos concelhos e, por isso, são hoje monumentos históricos que, na sua maioria, exibem o gosto artístico da sua arquitetura e decoração”. No caso do granítico pelourinho severense, cuja origem deverá remontar ao século XVI, sabemos que, por meados do século XVIII, terá sido trasladado de Nogueira (antiga sede de concelho que hoje integra a freguesia de Pessegueiro do Vouga) para Sever, sendo reerguido, como era normal, junto à casa da câmara e cadeia comarcã, edifício que durante a última centúria já serviu, entre outras funções, de aquartelamento da GNR e de biblioteca municipal (Tavares, 2014, p. 38). Em 1904, nas palavras de José Luciano de Figueiredo Lobo e Silva e à semelhança do que havia sucedido em muitos outros concelhos, a câmara municipal, “para eterna vergonha de todos nós, resolveu de commum accordo e sem que as suas caras se cobrissem de pejo, consentir na destruição de tal pelourinho, indo algumas d’essas pedras fazer parte d’um insignificante chafariz” (Lobo e Silva, 1906, p. 146). Entretanto, a 11 de outubro de 1933, pelo Decreto-Lei n.º 23.122, foi classificado pelo Estado, à semelhança do pelourinho de Couto de Esteves, como Imóvel de Interesse Público. Transformado num chafariz público, assim permaneceria durante 61 anos, até 1965, altura em que a autarquia deliberou reconstruir a picota, dando-lhe a feição que ainda tem atualmente. Relativamente às peças de granito que constituíam o chafariz, foram retiradas e de novo montadas no largo do município (Ramos, 1998, p. 194). Símbolo do poder municipal, o pelourinho assenta num pódio hexagonal de três degraus de aresta e pequeno plinto com o mesmo formato. Sobre este, funcionando como base da coluna, emerge a mais curiosa peça de todo o conjunto. Trata-se de um bloco troncocónico, mais propriamente talhado em pera ou sino, decorado com quatro folhas de acanto estilizadas, com nítido sabor românico. Daqui irrompe o fuste, de secção sextavada e faces lisas, sobre o qual assenta diretamente o remate, constituído por um paralelepípedo moldurado com o bordo superior ligeiramente abaulado, tendo na face frontal ou pública as armas nacionais (escudo com cinco escudetes, postos em cruz, e bordadura carregada de sete castelos), e uma simples grimpa de ferro, atualmente dobrada para trás. A única peça original do conjunto será o bloco da base, que parece muito arcaico, e que não repugna imaginar invertido, como capitel de um primitivo monumento (Malafaia, 1997). Por fim, e como curiosidade, refira-se que a 29 de abril de 1992, aquando dos 478 anos da conceção da carta de foral ao concelho de Sever, foi colocada em Nogueira, no entroncamento das ruas do Pelourinho e do Fundo de Vila, uma réplica do pelourinho severense (Tavares, 2014, p. 32).

46 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Moldura: trabalho gráfico. Pintura original do prof. Feliciano Angélico, técnica mista - aguarela e desenho à pena e tinta da china

Feliciano Angélico

Licenciado em educação visual e tecnológica Prof. Agr. Escolas de Sever do Vouga ago./set. 2014

revista | Rés Vista 47


Leva-me a viajar... Por Jorge Freitas “Viajar é mudar a roupa da alma…” Pois bem, viajar é algo que muitas pessoas não valorizam mas que para outras é quase uma necessidade. Se viajar é a única coisa em que gastamos dinheiro mas ficamos mais ricos, cá vai a minha sugestão para uma escapadela fora do país, não muito fora do orçamento, que nos fará esquecer um pouco dos stresses e aborrecimentos do dia-a-dia. Barcelona! Barcelona é a maior cidade e a capital da comunidade autónoma da Catalunha, no nordeste da Espanha. É a segunda maior cidade da Espanha e da península Ibérica, depois de Madrid. Possui uma população de cerca de um milhão e meio de habitantes e as razões para ser um local de visita obrigatória na Europa são mais que muitas!

10 boas razões para visitar Barcelona: 1. Cidade do Mediterrâneo – as praias de Barcelona são muito seguras, sendo o mar calmo e com temperaturas que permitem um mergulho entre a Primavera e o Outuno. As praias de Barcelona estendem-se ao longo de 5 km de litoral, aos quais se podem juntar mais de vinte outras, pertencentes às localidades que constituem a cintura metropolitana. Todas as praias têm um passeio marítimo, para passear, patinar, andar de bicicleta ou simplesmente sentar-se para desfrutar do mar. 2. Arquitetura e História - Barcelona é conhecida como capital do modernismo catalão. A cidade, na qual viveu e trabalhou o arquiteto Antoni Gaudí, conta com algumas de suas obras mais relevantes, que atraem a cada ano milhões de visitantes de todo mundo. A mais representativa é a catedral “La Sagrada Família”, que Gaudí deixou inacabada e que ainda continua em contrução. Outras das obras mais conhecidas de Gaudí são o “Park Güell”, a “Casa Milà”, também chamada de “La Pedrera” e a “Casa Batlló”. Além de Gaudí, Barcelona conta com outras jóias do modernismo catalão, como o “Hospital de Sant Pau i Santa Creu” e o “Palácio de Música Catalana”. Barcelona também conta com relevantes obras pertencentes a outros estilos e períodos históricos. Dentro do período medieval, destacam-se, especialmente, as obras góticas que proliferam em seu centro histórico, precisamente denominado Bairro Gótico, como a “Catedral de Barcelona”. 3. Natureza e ar livre – Barcelona é a única cidade major da Europa com praias no centro da cidade. É rica em zonas verdes e parques dos quais o “Park Guell” e o “Parc de la ciutadella” assumem grande destaque. É a cidade ideal para descobrir a pé ou de bicicleta. “La Rambla” é a rua mais famosa de Barcelona. Trata-se de uma ampla avenida liga a “Plaça de Catalunya” à zona marítima da cidade. A parte do meio da rua é pedestre, cercada por árvores e repleta de quiosques, bancas de flores e artistas de rua. 4. Clima - O clima ameno característico de Barcelona faz com que esta seja procurada durante todo o ano. 5. Comida e bebida – Barcelona tem um número enorme de bons restaurantes e bares para todas as carteiras. Mercados como “La Boqueria” fazem as delícias dos turistas pela frescura e qualidade dos produtos. Comparada com outras cidades, Barcelona oferece três vezes mais opções de refeições (por número de habitantes) que cidades como Roma e Paris. “Orchata”, “Mojitos” e “Pinchos” são obrigatórios em Barcelona.

48 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


DR DR

DR

conhecer Barcelona 6. Cultura - Barcelona é sinónimo de cultura. A cidade oferece tantos eventos culturais e atividades que se torna impossível usufruir deles numa só visita. Aqui podemos destacar os espectáculos que tem lugar no “Palácio de Musica Catalana”, o “Museu de Arte Contemporânea de Barcelona”, a “Fundação Joan Miró” e o “Museu Picasso”. A cidade de Barcelona tem vários eventos durante o ano mas há dois que são de destacar: “La diada de St Jordi”, a 23 de Abril em que os casais trocam presentes de acordo com a tradição (um livro para os homens e uma rosa para as mulheres); e “La fiesta de Gràcia”, em Agosto, em que as ruas do bairro de Gràcia ganham vida com uma festa de uma semana onde se concorre para ganhar o prémio de ser a rua melhor decorada. 7. Design e Moda – Barcelona é um ponto de referência no mundo da Moda, Arte, Design gráfico, Media e Design de interiores.

DR

8. Tendências e vanguarda – “Alternativa” sempre foi um adjetivo que descreveu Barcelona. Berço de ideias inovadoras e novos conceitos, esta cidade está sempre na vanguarda – “Barcelona está sempre na moda.” 9. Diversidade e atividade noturna – Barcelona é uma cidade plural, tolerante cujos bairros satisfazem todos os tipo de necessidades e interesses. Marcadamente pluricultural, com imensos artistas de rua e pequenos atleliers de artesanato. Cidade bastante “open mind” e com uma vida noturna bastante rica e diversificada. Bares, discotecas, lounges, beach parties e esplanadas tornam a cidade uma referência na noite europeia. 10. Desporto – Cidade sede dos Jogos Olímpicos de 1992, Barcelona ficou internacionalmente reconhecida no mundo do desporto. O “Estádio Olímpico Lluís Companys” e todo o complexo circundante, em Montjuic, tornou-se um marco da cidade. Uma visita ao grandioso estádio do FC Barcelona torna-se obrigatória para os fãs de futebol.

DR

ago./set. 2014

1. Sagrada Família 2. Fonte Mágica 3. Museu Picasso 4. Las Ramblas 5. Museu do FC Barcelona e estádio Camp Nou 6. Bairro gótico 7. Park Guell 8. Edifícios Modernistas (Casa Batlló, Casa Milá e Casa Amatller) 9. Montjuic e Vila de Poble Espanyol 10.Tibidabo

direitos reservados

DR

TOP 10 BARCELONA:

revista | Rés Vista 49


Leva-me a viajar... Por Jorge Freitas “Vá para fora cá dentro…” Na edição deste mês vamos sugerir uma escapadela para toda a família. Cansados do stresse do trabalho? A época de exames foi complicada? Preciso de umas termas para relaxar? Assim sendo, Melgaço uma boa opção para um fim-de-semana bem diferente, rodeado de natureza e paisagens magníficas, sem esquecer o conforto e a diversão. Melgaço é uma bonita vila, sede do concelho mais a norte de Portugal, inserida numa região montanhosa, banhada pelo Rio Minho, que desde cedo toldou o estilo de vida das populações, que com ele têm uma estreita ligação. Situada na fronteira Espanhola, Melgaço sempre representou um papel defensivo estratégico, sendo palco de vários acontecimentos históricos ao longo dos séculos, tendo a atual localidade se formado à volta do seu Castelo e muralhas. Região verdejante, tipicamente Minhota, de forte e fértil vegetação, onde se fabrica uma das mais sublimes castas de Vinho verde, o famoso Alvarinho, Melgaço orgulha-se do seu bonito património histórico, cultural e arquitectónico, inserido no maravilhoso Parque Nacional da Peneda-Gerês.

NATUREZA Se tivéssemos de atribuir uma cor a Melgaço seria verde. É um concelho rico em áreas verdes onde a ruralidade impera. Pouca população e quase sem indústrias, faz com que o ar seja bastante puro e a sensação de se sentir em paz com o mundo facilmente é conseguida. De fauna e flora muito caraterística, facilmente se conseguem ver raposas, esquilos, cavalos selvagens, lontras bem como espécies de aves e plantas que dificilmente se encontram noutras regiões do país. A vila de Melgaço situa-se num vale, junto ao rio Minho, onde se podem encontrar as grandes plantações de vinho Alvarinho. Na zona da montanha, onde se pode visitar a vila de Castro Laboreiro, há pontes romanas, riachos e cascatas, formações rochosas invulgares e uma flora mais rasteira. No Inverno a neve é muito frequente na zona montanhosa que atinge mais de mil metros de altitude. •Parque de Lamas de Mouro

50 | ago./set. 2014

•Castelo de Castro Laboreiro

•Parque Nacional de Peneda-Gerês

revista | Rés Vista


conhecer Melgaço, Portugal HISTÓRIA, ARTE E CULTURA Apesar de ser um aglomerado pequeno, a vila de Melgaço conta com vários museus e espaços que contam a sua história. A Torre de Menagem, juntamente com as suas muralhas, levam-nos para tempos medievais em que a luta entre Portugueses e Galegos pela posse da “terra mais a norte de Portugal” era bem patente – Lenda de Inês Negra. O Espaço Memória e Fronteira não deixa esquecer o passado de contrabando de bens alimentares com o país vizinho que, em tempo ditatorial, foi o sustento de muitas famílias. Embora Melgaço não tenha tradição em cinema, todo o espólio dum cineasta francês foi doado à autarquia pelo que se pode encontrar uma exposição fascinante onde constam pósters, máquinas de projeção, fitas e outros instrumentos cinematográficos do início do século XX. Outros espaços culturais onde se encontram exposições temporárias podem ser visitados na vila de Melgaço. Núcleo museológico da Torre de Menagem e as Ruínas Arqueológicas da Praça da República Espaço Memória e Fronteira Casa da Cultura Museu do Cinema Núcleo Museológico de Castro Laboreiro

DR

DR

DR

DESPORTO Para os adeptos de desporto e atividades radicais, Melgaço tem muito a oferecer. Dispõe de um complexo desportivo construído para o Euro 2004, o Centro de Estágios Monte de Prado, equipado com estádio relvado, sintético, piscina, mini-golfe, centro hípico, circuito de manutenção, lago bem como um sofisticado clube de saúde onde são feitos tratamentos spa e estética. Há duas empresas que exploram as atividades mais radicais, “Draftzone” e “Melgaço Radical” que proporcionam paintball, slide, rappel, rafting no rio Minho, entre outras. Há, ainda, inúmeros percursos pedestres pela zona ribeirinha ou montanhosa para os adeptos de caminhadas no meio na natureza. No centro da vila, o parque do rio do Porto está equipado com rampas e obstáculos para os praticantes de skate e patinagem.

DR

direitos reservados

• Centro de estágios monte de Prado •“Melgaço Radical” •“Draftzone” •Parque do rio do Porto

DR

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 51


conhecer Melgaço, Portugal LAZER O lazer não se resume só a desporto e caminhadas. Melgaço recuperou recentemente aquele que era um dos seus símbolos no início do século XX, as famosas Termas do Peso, agora transformadas num “Medical Spa” indicado para tratamentos de diversas patologias como a Diabetes mellitus, mas também tratamentos fisiátricos, aulas de hidroginástica, sauna, banhos entre outros. Localizadas a 3km do centro da vila, as “Termas do Peso – Medical Spa”, ficam inseridas num parque bastante agradável onde podem ser provadas as “Águas de Melgaço”. Termas do Peso Parque de campismo de Lamas de Mouro

HOTELARIA E RESTAURAÇÃO O turismo de habitação é outro ponto forte de Melgaço. São várias as opções: casinhas típicas de montanha (brandas), recuperadas e com todo o conforto; quintas de turismo rural, como a Quinta do Reguengo; hotéis de charme (Hotel Monte Prado); pousadas (Pousada da Juventude) e estalagens. Melgaço é um roteiro obrigatório para apreciadores e especialistas gastronómicos, já que aqui sobrevivem usos e costumes que conferem aos produtos locais características de requintado e irresistível sabor. A cozinha tradicional desta região é simples mas de grande qualidade, havendo uma relação direta entre os ingredientes colhidos na região e os pratos típicos tradicionais, nomeadamente o cobiçado cabrito assado no forno de cozer o pão, a lampreia com arroz à bordalesa, frita com ovos ou assada, as trutas do Rio Minho abafadas, o sarrabulho, os grelos com rojões, a bola da frigideira, o bolo da pedra, a água d’unto, o bucho doce, as migas doces e os pastéis mimosos. Juntando-lhe o presunto de Fiães e Castro Laboreiro, os diversos enchidos, acompanhados com um vinho Alvarinho, e estão reunidas todas as condições para usufruir de uma refeição magistral.

Hotel Monte Prado

Quinta do Reguengo Pousada da Juventude Restaurante Panorama Restaurante Adega do Sossego

52 | ago./set. 2014

direitos reservados

Solar do Alvarinho

revista | Rés Vista


Ajude-nos a continuar a apoiar cada vez mais pessoas. Desejo efectuar um donativo Mensal | Trimestral

| Semestral

Método de pagamento Débito directo | Visa/MasterCard

ago./set. 2014

| Anual

| Apenas uma vez

| Transferência bancária

| Valor:

| Multibanco

€ | Cheque

Desejo tornar-me Voluntário Por favor preencha o forumlário disponível online www.apav.pt | Mais informações: 707 20 00 77 Envie este cupão para: APAV, Rua José Estêvão nº 135 A, 1150-201 Lisboa

Nome : _______________________________________ Data Nascimento: ___ | ___ |___ | Sexo: M | F Morada: _______________________________________ Localidade:__________ Código Postal: _________ Email: _______________________________________ Telefone: ____________Telemovel: _______________ N.º Contribuinte: _______________________________ revista | Rés Vista

53


A seleção musical por Pedro Gouveia Neste mês o top musical do iTunes voltou com mais uma reviravolta, deixo-vos aqui as 5 músicas mais ouvidas em Portugal e nos Estados Unidos, o centro musical do Mundo: Portugal 1.  Coldplay - A Sky Full of Stars 2.  Milky Chance - Stolen Dance 3.  Enrique Iglesias - Bailando 4.  David Antunes - Não te Quero Mais (feat. Vanessa Silva) 5.  Nico & Vinz – Am I Wrong

Estados Unidos 1.  MAGIC! - Rude 2.  Sam Smith – Stay With Me 3.  Nico & Vinz – Am I Wrong 4.  Ariana Grande – Problem (feat. Iggy Azalea) 5.  Jason Derulo – Wiggle (feat. Snoop Dogg) Consultado a 13/08/2014

Os líderes do top musical do país, na semana em questão, são os Coldplay. Uma banda Inglesa fundada em 1996, que se dedica essencialmente ao Rock alternativo, sendo esta constituída por Chris Martin, Jon Buckland, Guy Barryman e Will Champion. O grupo musical ficou conhecido a nível mundial com o lançamento do single “Yellow” no ano de 2000. Este conjunto de artistas já vendeu mais de 50 milhões de discos em todo o mundo, conquistando também 6 British Awards e 7 Grammy’s. Tendo sido apenas lançado no início deste ano, o single “Sky Full of Stars”, incluído no álbum “Ghost Stories”, já atingiu mais de 21 milhões de visualizações no Youtube e têm sido um êxito de Verão pelo mundo fora. Com o passar dos anos continuam a agradar os ouvintes, que não veem sinais de abrandamento por parte deste fenómeno musical de que fazem parte os Coldplay. No que diz respeito aos Estados Unidos, os Canadianos MAGIC! lideram o top musical do iTunes. Este é um grupo musical muito recente, fundado em 2012. Foi no ano seguinte que lançaram o seu primeiro single “Rude”, o qual está inserido no álbum de estreia “Don’t Kill the Magic”. Dedicam se maioritariamente ao Reggae Fusion, um estilo de música muito peculiar e que agrada especialmente o público mais jovem. Apesar de ainda estarem em fase embrionária, a banda já causou furor nos Estados Unidos e tudo aponta para que tenham um futuro repleto de sucesso. Deixo-vos uma vez mais algumas sugestões musicais. Nesta edição fiquem com a referência de dois grandes compositores portugueses, em forma de tributo a todos os artistas do país que apesar de o merecerem, muitas vezes não têm o devido reconhecimento. Júlio Pereira com o tema “Faro Luso” e para avivar algumas memórias do passado o intemporal Zeca Afonso com o belíssimo tema “Que Amor Não me Engana”. Pedro Gouveia

54 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


Aculturar ”Shot” cultural Aqui estou. Distante do mundo e da vida de sempre, afastado, também, de mim, abraçado por esta floresta tropical, densa e pegajosa que abomino. Sinto-me isolado, só acompanhado pelas saudades, deixo-me “bebendo ao luar”. A minha tristeza já chora lágrimas crisálidas por um País que torna os seus filhos órfãos e, por isso, buscam longe tão só a sobrevivência. Eis-me chegado, pelos “Sinais de Yuanju”, de uma viagem longa e dura. A condição humana foi aterradora para mim e para os demais. O dinheiro é uma promessa fácil. Tudo é pago com o que tenho para ganhar, se não morrer nesta selva. A minha dívida a quem me contrata é a certeza da escravidão

moderna que me atormenta e da qual não vejo saída. É na adversidade que se vê a fibra de que somos feitos. Acreditar em dias melhores darme-á a paz e a energia de que preciso mas nem sei se elas sabem como chegar aqui, onde estou! A hostilidade de quem nasceu cá e toda essa violência que nos toca, deve-se ao ultraje de invadir a sua Terra. Mas, como conviver em harmonia se é o sangue das suas árvores que vendo para quem há de vender a quem vai transformar essa matéria em plástico. A resina é o meu passaporte para voltar à vida, para voltar a casa. Para sair daqui!! Pudera eu voar contigo, Yuanju, e voltar para mim.

Este texto foi inspirado na leitura de “A Selva” de Ferreira de Castro e no conceito da obra musical “Sinais de Yuanju” da autoria de António Ferro, em especial o tema “bebendo ao luar”. Felicidade é aquela lágrima gorda que se soltou numa daquelas quedas de bicicleta. Felicidade é ver aquela mão coberta de algodão em rama embebido num líquido higienizante que limpa as escoriações dos joelhos com tanto ardor quanto o carinho que aconchega e sossega a alma. Felicidade é aquele nada de todos os dias que quisermos sentir.

Luís Couto

O Filme

“Fireflies in The Garden” Por detrás de um retrato de família perfeito, bem ao estilo americano, escondem-se os segredos, as misérias e os pequenos dramas íntimos que se espelham nos quatro cantos de uma casa. Um casal cujos sinais de amor esmoreceram, deterioraram com o tempo e com a ausência de um gostar. O típico homem que ascende na carreira, enquanto a mulher, intelectualmente dotada, se dedica à casa e aos filhos. Destaque para o filho mais velho, um prodígio em quem o pai descarregava a sua própria frustração e desamor, incorrendo em humilhações e maus tratos constantes. Uma mãe, que tentava unir a família, embora percebesse os fragmentos impossíveis de encaixar. Uma mãe que morre num acidente. Uma família que é obrigada a reencontrar-se, a combater um passado, a sofrer por ele, a odiar e a perdoar. Bárbara Costa ago./set. 2014

revista | Rés Vista 55


PRECISAMOS DO SEU SIM. SIM SIM SIM SIM

temos 7 projectos nacionais que apoiam 5 mil pessoas. há idosos que dependem do nosso auxílio. estamos com os grupos mais vulneráveis e excluídos. prestamos acompanhamento a jovens com poucos recursos.

Por todos eles precisamos do seu SIM.

Diga SIM fazendo o seu donativo através do NIB 0035 0551 00009108930 59. Outras formas de ajudar em www.medicosdomundo.pt/como-contribuir ou em www.facebook.com/medicosdomundo (clique em “Donativos”).

Médicos do Mundo, Av. de Ceuta (Sul), Lote 4, Loja 1, 1300-125 Lisboa Tel: 213 619 520 | Fax: 213 619 529 E-mail: mdmp-lisboa@medicosdomundo.pt

56 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


fotografia | carlos martins

“Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.” fernando pessoa

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 57


O suspiro

Q

ue nunca os ouvidos se cansem do suspiro, porque é apenas por ele que para a vida me atiro. Que todos entendam o valor do gemido, que todos sucumbam sob o poder do pedido – e que eu seja o que ama mesmo depois de vencido. E que nenhuma mão desista de dar, e que nenhuma voz desista de acordar – e que eu seja o demente que fica feliz só por poder andar. E que nenhuma palavra se diga para magoar, e que nenhum grito se dê para ferir – e que eu seja o que mesmo desgraçado consegue sorrir. Que ninguém ande por andar, que ninguém desista de querer amar – e que eu seja o que abdica de tudo menos de arriscar. Que ninguém se entregue sem tudo se entregar, que ninguém pare sem pelo menos tentar – e que eu exija fazer o que um dia ousei sonhar. E que nenhuma mulher se deite por dever, e que nenhum homem se ame só por nada mais ter – e que eu seja o que faz do orgasmo uma forma de viver. Que nunca se pense que o prazer é pecado, que nunca se queira ir a menos do que todo o lado – e que eu seja o que faz do “estou-me a vir” o seu fado.

58 | ago./set. 2014

revista | Rés Vista


ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 59


60 | ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista


Naquele roçar vivemos o mundo em segundos, construímos o encaixe

“Procura-me em sítios

perfeito, a junção apoteótica da serenidade do verde e da tempestade da chuva.já onde

fui tua e talvez

Protagonizamos o que não encontramos noutros tantos portos de

me reencontres e fomos leva-nos à busca insaciável, ao abrigo e a recordação do que consumo frenético e à frustação pesarosa.

faças renascer. Não te

Não estás em mais nenhum lado senão em ti mesmo.

prometo a eternidade,

Texto e foto | bárbara costa

mas talvez um qualquer punhado de dias.” texto e fotografia | bárbara costa

ago./set. 2014

revista | Rés Vista 61


Fotogaleria

Tonalidades Pontos de felicidade Ana Filipa Soares Licenciada em comunicação social

Momentos... Insconsciência da felicidade

revista | Rés Vista

fotografia | ana filipa soares

62 | ago./set. 2014

fotografia | ana filipa soares

fotografia | ana filipa soares

fotografia | ana filipa soares


fotografia | ana filipa soares fotografia | ana filipa soares

fotografia | ana filipa soares

fotografia | ana filipa soares

ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista 63


64 | ago./set. 2014

revista | RĂŠs Vista

Profile for Rés Vista

Resvista nº5  

RésVISTA

Resvista nº5  

RésVISTA

Profile for res.vista
Advertisement

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded