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FRIDA

KAHLO 1


BIO GRAFIA Magdalena Carmen

Frieda Kahlo y Calderón nasceu em 6 de julho de 1907 na casa de seus pais, conhecida como La Casa Azul (A Casa Azul), em Coyoacán, na época uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México e hoje um distrito. Ela cresceu no período da Revolução Mexicana, que durou de 1910 a 1920,

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convivendo com tiroteios e batalhas entre camponeses. Por esse motivo, ela se dizia “filha da Revolução” e se orgulhava de ter testemunhado os conflitos. “Em 1914, as balas passavam zunindo. Ainda hoje ouço aquele som sibilante extraordinário”, escreveu Kahlo em um trecho de seu diário, presente na biografia de Herrera.

Ela também demonstrava admiração pela mãe, Matilde Kahlo, que ajudava os combatentes famintos com porções de comida. A figura materna e os combates foram importantes para que a relação da artista com seu país natal se tornasse tão forte. Em 1913, com seis anos, Frida contraiu poliomielite, a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida. A poliomielite deixou uma lesão no seu pé direito, pelo que ganhou o apelido de Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Passou a usar calças, depois longas e exóticas saias, que se tornaram uma de suas marcas pessoais. Em 1925, aos 18 anos, aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Então sofreu um grave acidente. Um bonde, no qual viajava, chocou-se com um trem. O pára-choque de um dos veículos perfurou-lhe as costas, causando uma fra-


BIOGRAFIA tura pélvica e hemorragia. Frida ficou muitos meses entre a vida e a morte no hospital, teve que operar diversas partes e reconstruir por inteiro seu corpo, que estava todo perfurado. Tal acidente obrigou-a a usar coletes ortopédicos de diversos materiais, e ela chegou a pintar alguns deles (como o colete de gesso da tela intitulada “A Coluna Partida”). Em 1928, entrou no Partido comunista mexicano e conheceu o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples, num estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México. Em 1938, André Breton qualifica sua obra de surrealista em um ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declarou mais tarde: Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos.

“PENSAVAM QUE EU ERA UMA SURREALISTA. MAS EU NAO ERA. NUNCA PINTEI SONHOS. PINTAVA mINHA PROPRIA REALIDADE.”

Pintava a minha própria realidade. Em 1939, expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943, dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México). Em 1953, a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.

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lguns de seus primeiros trabalhos incluem o Auto-retrato em um vestido de veludo (1926), Retrato de Miguel N. Lira (1927), Retrato de Alicia Galant (1927) e Retrato de minha irmã Cristina (1928). Sempre homenageando e salientando sua cultura, Kahlo se orgulhava de ser mexicana. Depois de se casar pela primeira vez com Diego Rivera, eles embarcaram para uma temporada nos Estados Unidos. A pintora não se sentia confortável por lá e, às vezes, zombava dos norte-americanos, como Herrera retrata no livro com a seguinte frase da mexicana: “Não morro de amores pelos gringos. São chatos e todos têm cara de pão cru (especialmente as mulheres velhas)”. A artista também declarava aversão aos padrões de beleza de Hollywood. Sua marca registrada — o buço e as sobrancelhas espessas e escuras — eram uma forma de contestação,

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além das roupas coloridas, estampadas e floridas que traziam referências dos costumes mexicanos.

“Nao morro de amores pelos gringos. Sao chatos e todos tem cara de pao cru (especialmente as mulheres velhas)”. Apesar de assumir o corpo e vestimentas que fugiam dos moldes da época, Kahlo era cheia de contradições. As saias longas e rodadas — do estilo tehuana, da região de Oaxaca, no Sul do México — eram usadas para esconder a deformidade das pernas (uma era mais curta do

que a outra por sequela da poliomielite). Devido ao acidente que sofreu, ela adquiriu problemas na coluna e precisou vestir, até o dia da morte, corseletes e coletes de gesso que enfeitava com flores, bordados e rendas. De acordo com a autora da biografia, os adereços foram aumentando e ficando mais elaborados à medida que a condição de saúde de Kahlo piorava. “Assim como os autorretratos confirmavam sua existência, as roupas faziam com que a mulher frágil, quase sempre presa à cama, se sentisse mais magnética, mais visível e mais enfaticamente presente como objeto físico no espaço. Paradoxalmente, eram uma máscara e uma moldura. Uma vez que definiam a identida-


de de quem as usava em termos de aparência, as roupas distraiam Frida — e o observador — da dor interior”, escreveu Herrera. O avô e pai da artista eram fotógrafos, o que a influenciou a produzir suas principais obras: os autorretratos. Nas pinturas, ela se retratava de diferentes formas sem medo expor suas dores e vulnerabilidades. “Ao pintar a si mesma sangrando, chorando, aberta ao meio, ela transmutou sua dor em arte com extraordinária franqueza, temperada com humor e fantasia”, relata Herrera no livro. “Sempre específica, afeita a um escopo investigativo mais profundo do que abrangente, a autobiografia em forma de pintura que Frida levou a cabo tem uma força e uma intensidade pecualiares — força que pode causar no observador um desconfortável fascínio.” Kahlo faleceu em 13 de julho de 1954, na mesma cidade em que nasceu. Oito dias antes de morrer, ela escreveu seu nome e a frase “Viva la vida” em seu último quadro, que ganhou o mesmo título. “Na tela, em cujo pano de fundo há um céu azul

brilhante dividido em duas metades, uma mais clara, outro mais escura, há melancias, a fruta mais amada do México, inteiras, cortadas ao meio, divididas em quatro, esculpidas, aos pedaços”, relata Herrera.

“VIVA LA VIDA” “As pinceladas são executadas com muito mais controle do que outras naturezas-mortas tardias de Frida; a composição das formas é solidamente definida. É como se Frida tivesse reunido e concentrado toda a vitalidade que lhe restava a fim de pintar essa última declaração de alegria.”

BIOGRAFIA

Em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta a hipótese de que tenha morrido de overdose (acidental ou não), devido ao grande número de remédios que tomava. Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como “Casa Azul” transforma-se no Museu Frida Kahlo. Frida Kahlo, reconhecida tanto por sua obra quanto por sua vida pessoal, ganha retrospectiva de suas obras, com objetos e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.

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Frida Kahlo  

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Frida Kahlo  

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