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18 OUTUBRO DE 2010 • REPÓRTER LOCAL

ENTREVISTA O que propõe? Eu fazia uma propriedade horizontal: uma parte ficava para a Junta, outra para a Casa do Povo. Cada uma ficava com a sua parte, resolvia-se o impasse, já que temos um conceito de posse muito grande. Como encara a polémica na Casa do Povo? É uma mistura de rivalidade entre pessoas e política. Se for considerado o interesse colectivo, haverá acordo. Se fosse ao Daniel e a outros, tentava um acordo com a Câmara, esquecendo a política e sem querer de saber quem é o autor do projecto. Alguém tem razão? Todos e ninguém. Cada parte quer vincar o poder e quem sai preju dicado é a Casa do Povo e a vila. A Câmara tentou resolver os problemas. Começou por retirar o barraco dos Dadores de Sangue, e depois disso o caminho estava livre, mas instalou-se a disputa. Acha que faz sentido falar do

concelho de Joane, integrando a vila de Ronfe? Em termos administrativos seria uma asneira. Não cabe na cabeça de ninguém criar mais concelhos! Não faria sentido termos duas câmaras num território pequeno! O que as Câmaras devem fazer (no caso a de Guimarães) é descentralizar serviços. É muito positivo existir um posto de correios nas freguesias, onde se possa pagar contas... É contra a Regionalização? Sou a favor, completamente. De viam ser retiradas as competências às CCDR´s e atribuí-las às Câmaras Municipais e de seguida acabar com os governos civis, que não servem para nada, hoje nem para emitir passaportes servem! A descentralização deve começar pelo Governo e depois ser seguida pelas Câmaras, sem que isso signifique criar mais lugares. As pessoas afectas às Câmaras transitariam para os serviços descentralizados.

OPINIÃO

DEMOCRACIA E PARTIDOS sÉRGIO cORTINHAS Os partidos políticos são o principal pilar das democracias contemporâneas. Sendo o principal suporte do funcionamento do sistema democrático é nos partidos políticos que os cidadãos depositam a esperança de uma sociedade, de um país cada vez melhor: cada vez mais livre, cada vez mais justo, cada vez mais solidário, cada vez mais próspero. Mas sabemos que este crédito que em momentos marcantes da nossa história foi concedido aos partidos políticos vai-se esfumando. Os cidadãos, já não acreditam globalmente no sistema político português porque consideram que os partidos, por vezes, e contrariamente àquilo que seria desejável, não são estruturas organizadas para defender fundamentalmente os seus interesses e o interesse colectivo mas os interesses de quem os controla ou gravita à volta dessa estrutura controleira . As taxas de adesão e participação militante baixíssimas, as cada vez mais elevadas taxas de abstenção nas diversas eleições (a que concorrem fundamentalmente partidos políticos), a fraquíssima participação dos cidadãos em Assembleias de Freguesia ou Municipais ou outras actividades políticas, os sucessivos fracassos económicos e sociais dos protagonistas políticos de sempre, a expressão do desencanto face aos políticos e ao sistema político são sinais claros do descrédito

e da falta de confiança dos cidadãos no sistema político em geral e nos partidos em particular. Nos partidos a militância activa, participativa, dá cada vez mais lugar à militância passiva (aquela que apenas aparece em dia de eleições partidárias). Por outro lado, os partidos são cada vez mais estruturas fechadas sobre si mesmas e sobre grupos restritos de militantes/dirigentes que mantêm as portas fechadas à renovação, ao confronto de ideias e projectos e à inovação. Mas o principal motivo do divórcio entre os cidadãos e os partidos políticos são os próprios cidadãos que continuam impávidos e serenos à espera que o próprio sistema se auto-regenere. Puro engano! O sistema político (partidário) português é um sistema fechado e estático com tendência para autoperpetuar a sua estrutura, os seus objectivos, normas e valores. Como tal, a mudança só pode ser exógena – de fora para dentro. Só os cidadãos anónimos que estão cansados deste sistema que tem levado o país à ruína podem ser agentes de mudança . De que forma? Participando na militância partidária e influenciando as decisões e as escolhas dos próprios líderes partidários – quebrando muros e libertando amarras. É apenas uma questão de vontade e, verdade seja dita, muita coragem. Mas é um dos principais caminhos para mudar Portugal.

TULIPA NEGRA

Repórter Local  
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Edição de Outubro do Jornal Repórter Local

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