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14 OUTUBRO DE 2010 • REPÓRTER LOCAL

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Participação cívica Miguel Azevedo

Membro da Comissão Política do Núcleo de Joane do PSD

A participação das pessoas nas actividades das associações parece vir a diminuír ao longo do tempo. Basta ver as assistências dos jogos do GD Joane, a participação nos vários festivais de folclore e festas religiosas da freguesia ou o número de atletas do último Famalicão/ Vermoim-Joane. Há, contudo, excepções que provam que é possível inverter esta tendência. Exemplo muito positivo foi a manifestação de vitalidade demonstrada na II Feira Rural de Joane. Já aqui escrevi que as assembleias de freguesia têm deficit de participação. Elenquei algumas razõ es e atribuí responsabilidade

ao presidente da Assembleia de Freguesia e ao PS de Joane. Não retiro uma vírgula. Pode fazer-se mais e muito há a fazer, mas não chega. É necessário que as pessoas tenham vontade e estejam dispostas a participar. Recentemente estive envolvido na organização e participei num colóquio-debate promovido por um partido onde se discutia o seu p ap e l nas au t arqu i as l o c ai s . D i scussão interessante e participada mas também uma demonstração de relativamente baixa adesão popu lar. É certo que era organizado por um partido, e os partidos, como sabemos, são cada vez menos bem vistos pelos cidadãos. Embora custe a perceber porquê, essa discussão fica para mais tarde. Para já concentremo-nos na constatação de que existe baixa participação cívica. Gostava de ver esta tendência invertida. Gostava de ver uma maior participação dos cidadãos nas discussões em torno dos assuntos de interesse da freguesia. Só assim conseguiremos promover um desenvolvimento

“Desafio a Junta de Joane a reservar 5% do orçamento à participação dos Joanenes”

verdadeiramente sustentado. Vários instrumentos podem ser valorizados como forma de aumentar e melhorar a participação cívica de todos nós. Isto depende do poder político mas também das populações. O esforço é conjunto e os benefícios serão comuns. Um mecanismo relativamente recente de participação cívica é a implementação dos orçamentos p a rt i c i p a t i vo s . E s t e s o rç a m e n t o s permitem que qualquer pessoa apresente projectos que considere serem úteis e benéficos, sendo realizada de seguida uma votação para encontrar o projecto “vence -

dor” e, portanto, a ser executado. No fundo é um concurso de ideias que, além de proporcionar um meio inovador de participação popular e de aumentar o “poder” da sociedade civil, constitui um forte auxílio à classe política. Ou seja, os cidadãos, além de identificarem os problemas, são convidados também a propôr soluções. É uma forma de os políticos alterarem a maneira como se relacionam com as pessoas, e é, simultâneamente, uma forma de levar as pessoas a participar. Gostava, por isso, de desafiar a Junta de Freguesia de Joane a inovar e, já para o próximo orçamento de 2011, reservar 5% do orçamento à participação dos Joanenes. Estou confiante que daí sairão ideias muito interessantes e que isso contribuirá para o desenvolvimento e coesão social, para aproximação e reforço das relações entre poder político e a sociedade civil. A freguesia de Joane é de todos e com o trabalho de todos beneficiaremos todos. Porque não experimentar?

Orçamento de Estado ou orçamento do Estádio (GDJ)? Luís Santos

Membro da Junta de Freguesia de Joane | PS

Ao que parece o Orçamento do Estado (OE) vai chumbar na Assembleia da República. Aprovem ou chumbem o que me apetece dizer é que acabem com esta discussão. Estou tão farto, mas tão farto dos t e l e j o r n a i s , d o s d e b a t e s t e l e v i s ivos, dos comentadores políticos, da política, dos políticos…. Sabem a sensação de quando enjoamos de uma determinada comida que após isso só o cheiro já nos incomoda? É exactamente o que sinto sobre esta interminável novela do OE. Se já estávamos deprimidos agora estamos em depressão profunda. Entramos em coma. Mas numa análise mais calma e ponderada temo que a não aprovação do OE e, em particular, a

não implementação de medidas eficazes de combate à situação crónica do défice orçamental, poderá originar um agravamento do risco do país impondo-lhe um maior custo no acesso ao crédito, resultando isso mesmo num aumento das taxas de juro e, eventualmente, acentuar a queda das bolsas, a deterioração da economia… Enfim, um verdadeiro cataclismo. Esperemos que não. Mudando de assunto, gostaria de partilhar convosco algumas ideias que tenho sobre o futuro do Grupo Desportivo de Joane GDJ), clube de que fui dirigente vários anos e do qual sou sócio. Lemos frequen temente, nos jornais, que muitos clubes à nossa volta têm convertido os seus recintos desportivos em pisos sintéticos. Ainda a semana passada li na imprensa local que o Brito irá inaugurar o novo piso no pr óximo mês de Dezembro. Vários amigos meus me têm falado maravilhas do campo do Ruivães. É inevitável que o GDJ faça esta adaptação. Entre ter um mau relvado natural e um sintético de qualidade, a decisão é fácil

“O Grupo Desportivo de Joane terá que ser gradualmente menos competição e mais formação”

de tomar. Mas as vantagens não acabam aqui. Os diversos escalões de formação que o GDJ tem, assim como as escolinhas, podiam de uma forma articulada e organizada usar este recinto para os seus jogos e treinos. O actual parque desportivo tem condições mais que suficientes para receber um novo piso sintético, não havendo necessidade de se deslocar para terrenos nas imediações. Talvez um dia isso venha a acontecer, mas pareceme que num curto-médio prazo qualquer projecto de deslocação do

parque desportivo, e consequente construção de um novo recinto, não terá acolhimento nem verbas necessárias para a sua construção. Mas podemos transformar e melhorar o que temos. O GDJ terá que ser gradualmente menos competição e mais formação. E digo-o mesmo em relação à sua equipa principal. Poderia ser formada por atletas vindos ou não da formação, com disponibilidade para treinar depois das aulas ou do trabalho. O escalão ou divisão em que participaria não seria o mais importante. O importante era criar no clube uma identidade própria e um bairrismo que outrora existiu. Era bom que os atletas fossem da terra, ou pelo menos das terras que nos são próximas. A tarefa do GDJ e dos outros clubes à nossa volta é formar atletas não para serem “craques” da bola mas para serem pessoas a quem o desporto ensinou princípios, regras, solidariedade e camaradagem. Depois deste tempo todo em “sen tido”, e mesmo sem a autorização devida, vou passar à forma “a descansar”, se me é permitido.

Repórter Local  

Edição de Outubro do Jornal Repórter Local