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Sexta-feira, 3 de junho de 2011

Geração conectada


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3 de junho de 2011 Editorial

Educação para competir Em tempos de mercado altamente competitivo, que desafia o Brasil a despontar mais frente a nações desenvolvidas, é indispensável que a educação seja prioridade número um. Por causa deste cenário, falado pelos quatro cantos do País, muitos brasileiros correm contra o relógio para não ficar para trás. O mercado de ensino à distância é uma mostra disso. Atualmente, são 3 milhões de matriculados contra 800 em 2007 na área. Se casada com o perfil do aluno, a modalidade é vantajosa. Afinal, estudar não tem idade. Sem tempo para esperar, o mercado empregador chora a falta de mão de obra recémsaída do banco da escola, em todas as áreas. Nas instituições com cursos técnicos, a absorção antes mesmo de o aluno receber o diploma é quase 100%. Nas universidades, a busca é igual ou maior. Assim, diante da carência, as escolas tentam adequar o currículo com as necessidades do mercado. Com isso, há estabelecimentos que oferecem até ensino de língua estrangeira para bebês. Que venha mais educação, mas com qualidade.

Disciplina e determinação são essenciais Lígia incentivou Cinthia a seguir o seu exemplo

missão de passar no vestibular de uma

A importante universidade é considera-

da por muitos estudantes algo quase impossível sem ajuda de cursinho ou professores particulares. Mas há quem resolva encarar o desafio sozinho, com disciplina e determinação, e se deu bem. Doutoranda de Físico-Química na USP, Lígia Passos Maia, 22 anos, conta que, no último ano do colégio, conseguiu se organizar a ponto de diminuir suas atividades de lazer para dedicar todas as tardes, inclusive os finais de semana, para o estudo. “Eu sabia que eu precisava dar o máximo de mim para no ano seguinte não ter de passar por tudo aquilo novamente”, afirma Lígia, que mora em Santo André. Segundo a estudante, uma das primeiras coisas que fez foi procurar o programa da prova da Fuvest, fazer uma lista de temas e depois dividi-los, mês a mês. A partir disso, conseguiu estabelecer metas e compreender quais disciplinas tinha mais dificuldade. “Quando você vai fazer uma prova precisa ter noção do que exatamente sabe, pois assim você fica bem mais seguro e dirige a atenção para aquilo que, certamente, saberá

Rua Álvares de Azevedo, 210 – Centro – Santo André - Tel.: 4427-7800 www.reporterdiario.com.br

resolver”, afirma Lígia, aprovada no curso de Química já na primeira tentativa. Para o diretor do Curso Objetivo, de Santo André, Maurício Fraçon, o desafio para quem decide estudar sozinho é fazer planejamento e ter autodisciplina. “A pessoa tem de ter uma disciplina fantástica e saber identificar quais são os materiais de qualidade que vão auxiliá-la”, explica. Família é motivação A conquista de Lígia incentivou as duas irmãs a seguirem o caminho. A irmã gêmea, Daniela, cursa Matemática na USP, e a mais nova, Cinthia, de 18 anos, acaba de ingressar no curso de Contabilidade na mesma universidade, também sem fazer cursinho.

“Desde crianças nossos pais sempre nos incentivaram muito a estudar, acompanhavam de perto e estavam sempre dispostos a nos ajudar nas lições, se orgulha Cínthia. Para as irmãs, boa aliada para quem quer estudar por conta própria é a Internet. “Facilita bastante; eu assistia muitos vídeos de professores ou disponibilizados em sites de cursinhos; basta saber identificar o que realmente é bom”, explica Cínthia. Para o diretor do Objetivo, alguns cursos na Internet auxiliam e têm conteúdo satisfatório. “No entanto, o cursinho é um atalho e agiliza a aprendizagem. Uma dica, na falta de dinheiro, é começar o ano estudando sozinho e depois fazer apenas alguns meses do cursinho para revisar”, ensina Fraçon.

DICAS PARA ESTUDAR SOZINHO Antes de tudo se conheça, descubra qual tipo de memória você tem (visual ou auditiva) e como tem mais facilidade de aprender. Bibliotecas municipais são ótimos ambientes para quem tem dificuldade de concentração. Treine muito com simulados, para ganhar resistência física e experiência.

Jornalista responsável: Airton Resende Edição: Aline Bosio e Maria do Socorro Diogo Reportagem: Aline Bosio, Natália Fernandjes, Leandro Amaral, Carolina Neves e Larissa Marçal.

Pegue a resolução de provas anteriores e, se necessário, não hesite em recorrer a conhecidos que possam ter conhecimento a oferecer. Assim que pegar a prova, anote as principais fórmulas no papel para evitar esquecer no decorrer das questões. Fonte: Lígia Passos Maia e Cinthia Passos Maia

Comercial: Claudia Plaza e Alessandra Duran Fotos: Marciel Peres, Carolina Neves e divulgação Projeto Gráfico: Rubens Justo Suporte Operacional: Pedro Diogo Administrativo: Rita de Cássia B. da Silva


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Geração Z pede evolução educacional s nativos digitais, conhecidos como jo-

O vens da geração Z, trazem à tona a necessidade de uma mudança na política educacional. O alerta é da presidente da Associação das Escolas Particulares do ABC, Oswana Famelli. Segundo a educadora, se não houver investimento em tecnologia, as escolas ficarão ultrapassadas, sem capacidade de acompanhar a evolução da sociedade. Bastante familiarizada com a Internet, compartilhamento de arquivos, telefones móveis e aparelhos eletrônicos em geral, a nova geração é representada por jovens que nasceram a partir de 1995. “Essas pessoas enfrentam com naturalidade as mudanças do mundo, são múltiplas, conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo e estão ligadas a tudo o que acontece”, comenta a professora Lina Nakata, da Esags (Escola Superior de Administração e Gestão) de Santo André.

Com a mudança no perfil de aluno, as escolas precisam capacitar professores, investir em tecnologia, lousa digital, computadores e material didático simultâneo, segundo Oswana. “Se trabalharmos direito, no futuro poderemos ter bons resultados com esses alunos que já nascem com espírito inovador”, destaca.

Laís, 7 anos, acha tudo fácil

Lucas, de 3 anos, dá os primeiros passos

Rápidos Em casa também houve mudança, conta Sidnei dos Santos Lopes, técnico em telefonia e pai de Lucas (com três anos) e Laís (com sete anos). “Eles já opinam sobre o que comer, sobre a programação de tevê e

roupas que vão comprar e usar”, comenta. O que mais surpreende Sidnei é a facilidade que os dois têm com produtos eletrônicos. “Têm coisas que nem precisamos ensinar e quando ensinamos uma vez basta”, diz. Para o pai, as crianças da geração Z terão facilidade no mercado profissional, já que

mente por meio de vídeos e exemplos na Internet. “A aula fica muito mais interativa e os alunos mais interessados e exigentes”, afirma o professor, que criou a revista eletrônica ‘Planeta Sustentável’, na qual os estudantes escrevem textos sobre o meio ambiente a partir de sites indicados em sala.

Era uma vez um giz de lousa... Os cadernos, lápis e lousas serão sempre bons aliados do estudante. No entanto, seu uso é cada vez menos frequente. No Instituto Sagrada Família, em Santo André, sistema de netbooks integrados a lousas digitais envolve os alunos numa aula dinâmica, que vai muito além da tradicional lousa cheia de tarefas. A dificuldade de aprendizagem que algumas crianças possuem em sala de aula ganhou novas soluções. Os mais tímidos agora podem realizar questionamentos com os professores apenas acionando um botão. “Facilitou muito para entrarmos em contato com a professora e as aulas ficaram bem mais interessantes”, afirma Gabriel Lima, 10 anos, aluno da 6ª série do ensino fundamental. O novo sistema é parte do Projeto Inovaeduc, da Rede Católica de Ensino, e

estão inseridas tecnologicamente e têm raciocínio rápido. Mas, além de poder se tornarem pessoas frias, pelo fato de se relacionarem muito via redes sociais e não pessoalmente, os pertencentes à geração Z correm o risco de serem superficiais. “O Twitter exige que você transmita uma ideia com até 140 caracteres, e isso representa essa questão”, segundo Lina. Por outro lado, essa é uma geração insegura,que não brinca na rua e que na maioria dos casos nem conhece o vizinho, considera Oswana.

Integração com mundo virtual está presente na sala de aula

Netbooks são conectados a lousas digitais

adotado pioneiramente pelo Instituto em 2010. De acordo com a diretora, Maria Claudina Moreira, por enquanto a tecnologia chegou em apenas duas salas, mas já trouxe resultados positivos. “A partir de 2012, a ideia é ampliar para todo o ensino fundamental I e II”, afirma. Para o professor de Ciência e Educação Religiosa, Michel Batista, o método possibilitou que uma dúvida na aula seja esclarecida rapida-

Ensino é multimídia A integração com o mundo virtual está cada vez mais presente nas escolas. No Colégio Arbos, também em Santo André, todas as salas do 3° ano do ensino médio são multimídias. Segundo o diretor pedagógico, Paulo André Cia, a meta é ampliar essa estrutura em definitivo para as duas primeiras séries do ensino médio em 2012. “Buscamos aplicar a educação tecnológica com objetivo de preparar os alunos para não serem apenas usuários de ferramentas, mas para serem capazes de criar situações e solucionar problemas”, afirma o diretor. Como auxílio na preparação para vestibulares, a Rede Católica de Educação inaugurou o projeto RCE SAT, que transmite aulas interativas via satélite para todas as escolas da rede.


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3 de junho de 2011 Anhanguera - apesar de as inscrições das unidades de São Caetano e Santo André já terem encerrado, é possível agendar a prova presencial até o final de junho. Marcação pode ser pela Internet (www.vestibulares.br) ou telefone 0800 941 4444. A inscrição sai R$ 25. O vestibular pode ser substituído pela nota do ENEM. Esags - o processo seletivo da Escola Superior de Administração e Gestão será dia 19 de junho, com inscrições até dia 16, pelo site (www.esags. edu.br). Os candidatos concorrerão a 150 vagas para a unidade Santo André. A taxa é de R$ 45. Faculdade das Américas (FAM) – as inscrições vão até dia 3 de agosto para Administração, Comunicação, Direito, Pedagogia, Ciências Contábeis, Recursos Humanos e Gestão Financeira, pelo site www.fam2010. com.br . A inscrição sai R$ 20. Telefone 3257-4088. Fainam - na Faculdade Interação Americana, os candidatos poderão fazer inscrição via internet, presencialmente ou via telefone. A taxa de inscrição é de R$ 20 e as provas tradicionais estão marcadas para 27 de agosto. As demais datas estão no site www.fainam.edu.br. Informações no telefone 4128-2130.

Temporada é de inscrição para vestibular Diversas universidades do ABC e da Grande São Paulo estão com inscrições abertas para o processo seletivo de inverno. Confira abaixo informações como período de inscrição, data da prova e taxas. FEI - as inscrições para ao processo seletivo da Fundação Educacional Inaciana vão até 7 de junho, pelo site www.fei.edu.br, com taxa de R$ 50, e nas secretarias da FEI, com taxa de R$ 60. As provas serão dias 11 e 12 de junho. Telefone 0800-190288 ou 4353-2900. Fundação Santo André - o Centro Universitário da Fundação Santo André não realiza processos seletivos no meio do ano. A prova para ingressar na instituição tem data prevista para o dia 21 de novembro. Mais informações pelo telefone 4979-3333 ou pelo site www.fsa.br. Medicina ABC - as inscrições para o processo seletivo da Faculdade de Medicina do ABC só ocorrem em outubro e novembro. Informações sobre bolsas sociais podem ser obtidas pelo telefone 4994-2235. Metodista - A Universidade Metodista de São Paulo inscreve até 28 de junho. Deficientes

e interessados em usar a nota do ENEM têm inscrição até 21 de junho. A prova tradicional será dia 3 de julho, e as digitais 2 e 19 de julho. A taxa da prova tradicional é de R$ 70, a da digital R$ 50. Usuários da nota do ENEM pagam R$ 30. Informações www.metodista.br ou telefone 2464-2222. PUC-SP - as inscrições estão abertas até 14 de junho e podem realizadas pelo site www.vestibular.pucsp.br. A taxa de inscrição é de R$ 120 e a prova está agendada para 19 de junho. Telefone 3670-3344. Unicid - os interessados no vestibular na Universidade Cidade de São Paulo têm até 30 de junho para se inscrever. A prova tradicional será dia 3 de julho, e por agendamento até 2 de julho. Informações pelo site www.unicid.br ou telefone 2178-1212. Uniesp - a União das Instituições Educacio-

nais do Estado de São Paulo, que tem campi em Santo André e Diadema, inscreve até 3 de junho. A taxa é R$ 40 e a prova será dia 5. Acessar o site www.uniesp.br ou comparecer nas secretarias: em Diadema, à avenida Alda, 831; e em Santo André, rua Delfim Moreira, 40. Uninove - as inscrições para a Universidade Nove de Julho estão abertas até 4 de junho pelo site www.uninove.br, nos campi vila Maria, Memorial, Vergueiro e Santo Amaro, no terminal de ônibus Santo Amaro e na estação São Joaquim. A taxa é de R$ 5. UNIP - a Universidade Paulista disponibilizou 10 datas para fazer a prova tradicional do segundo semestre, até o final de junho. As inscrições podem ser feitas pelo site www.unip.br ou direto nos campi da UNIP, colégios e cursinhos autorizados. A nota do ENEM pode ser utilizada, mediante cópia autenticada do Boletim Individual de Notas. Telefone 0800 010 9000. USCS - a Universidade de São Caetano do Sul inscreve para o processo seletivo até dia 15 de junho pela Internet (www.uscs.edu.br) e até dia 16 no campus I (avenida Goiás, 3.400) e campus II (rua Santo Antônio, 50). A taxa é de R$ 40 e a prova será dia 18 de junho. Telefones 4239-3299 e 4239-3304.


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Ensino do segundo idioma na infância deve ser lúdico prender idiomas estrangeiros é regra

A número um para o profissional crescer no competitivo mercado de trabalho. Por isso, além das tradicionais escolas privadas já ensinarem até mandarim, o ensino bilíngue, em que os alunos aprendem a conviver com dois idiomas desde o ensino infantil, está em alta. Para não errar, a dica de especialistas é optar por uma instituição que ofereça aulas dinâmicas e lúdicas, e professores atualizados, já que o aprendizado formal (parte escrita) é indicado apenas para crianças em fase de alfabetização na língua mãe. No ABC, o Pueri Domus São Caetano oferece aulas de inglês para alunos a partir do ensino maternal, ou seja, para crianças com idade a partir de um ano e meio. As atividades, incluídas na grade curricular de aulas, estimulam as crianças a associar o idioma a ações do cotidiano, segundo Sandra Marins Santoni, diretora do colégio. “O segundo idioma na educação infantil já é exigência dos pais, porque sabem que é preciso”, comenta. Marcelo Furlin, professor e especialista em Língua Portuguesa e Literatura da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) explica que, com a Internet, as crianças ficam expostas a uma série de informações e o inglês está presente em seu dia a dia. Assim, quando a criança chega à escola, o ensino, no caso do inglês, não pode partir do zero. A sala de aula tem de acompanhar o ritmo e o professor e livro didático têm de ser adequados. Para Furlin, quanto mais cedo a criança entra em contato com novo idioma maior é a facilidade do aprendizado. “Do ponto de vista fisiológico, a criança está pronta para aprender naturalmente. Em termos de desenvolvimento, não vê problemas em errar como o adulto. O universo do adulto tem outras preocupações, já o da criança não”, destaca, o professor. Experiência positiva Frequentar uma escola de inglês dos nove aos 15 anos foi importante para Daniela Gonçalves (22), estudante de jornalismo, em Santo André. “Todos os estágios que fiz até agora exigiam inglês e me dei bem por isso”, conta. Daniela considera que foi o período certo para aprender. “Na época,

Para especialistas, quanto mais cedo entrar em contato com novo idioma, mais fácil é o aprendizado não tinha muitas obrigações e estava numa ótima fase para absorver informações. Hoje, estudo e trabalho, por isso, o tempo para cursar outro idioma é curto”, destaca. Estímulos ao cérebro O ensino do idioma estrangeiro para crianças deve ser lúdico, segundo Rubens Wajnsztejn, neuropediatra e coordenador do Núcleo Especializado em Aprendizagem da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Para o especialista, a parte oral do idioma pode ser aprendida até mesmo em casa, desde que não haja problemas com a linguagem da criança. “Já a parte escrita deve começar apenas depois dos quatro anos. É interessante que a criança passe pelo aprendizado formal em sua língua mãe primeiro”, observa. Wajnsztejn destaca que a introdução do conteúdo, como música, arte, sons, idiomas e demais atividades, representam estímulos ao cérebro. “Brincar, correr, jogar videogame. Tudo isso estimula as áreas do cérebro, algo extremamente positivo”, completa, ao explicar que o processo de aprendizagem infantil é o de decodificação, a construção de informações.

Santo André inova com inglês na rede Desde maio, cerca de 18 mil alunos da rede de ensino fundamental de Santo André passaram a ter uma aula de inglês, com 50 minutos de duração por semana, como parte do programa Formadores do Saber, que prevê a introdução de segundo idioma no cotidiano das crianças. O programa é aplicado por 27 monitores tutores, alunos de pós-graduação ou MBA da FSA (Fundação Santo André), escolhidos por

seleção pública. Para o programa funcionar foram distribuídos kits com livro da editora Pearson Longman e um CD-Rom, e para os monitores um manual do professor, DVD, kit de flashcards, kit de posters, dois CDs de áudio e um CD-Rom. O material conta com recursos visuais, atividades educativas, músicas e brincadeiras. “Tudo pra deixar as aulas dinâmicas”, resume Kátia Lapate, integrante da Secretaria de Educação de Santo André.


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Adesão ao ensino à distância é forte alta de tempo ou o caos do trânsito não é mais desculpa para quem quer aprimorar o estudo ou aprofundar a qualificação. De 2000 para cá, a chamada EAD (educação à distância) cresceu 45 mil% em números de alunos no Brasil. Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), em 2007, eram 800 mil alunos matriculados no País. O número saltou para 3 milhões em apenas três anos. Apesar do avanço numérico indiscutível, muita gente no mercado de trabalho ainda torce o nariz ou fica com o pé atrás quando o dono do diploma conta que usou a nova modalidade de ensino. Para os desavisados, no entanto, é bom lembrar que o decreto 5622/05 dá garantias sobre a validade do EAD. “Os diplomas e certificados de cursos e programas à distância, expedidos por instituições credenciadas e registradas na forma da lei, terão validade nacional”, diz o artigo 5º. “Existem sim preconceito e barreira, mas à medida que o aluno começa a mostrar resultados isso muda”, diz Adriana Barroso de Azevedo, coordenadora do Núcleo de EAD da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo). Segundo Adriana, alguns editais de concursos que não previam o ingresso desses formados foram suspensos. A coordenadora cita que, atualmente, os cursos de EAD são mais fiscalizados pelo MEC do que os presenciais, e, por isso, a qualidade é seguida à risca. Para quem mora longe de uma universidade ou não pode ir à aula todos os dias, a educação à distância pode ser ideal. Em 2000, 13 cursos superiores reuniam 1.758 alunos. Atualmente existem cerca de 1,8 mil cursos de graduação e pós-graduação lato sensu com mais de 800 mil alunos matriculados, segundo a Abed (Associação Brasileira de Educação à Distância). A modalidade de ensino usa ambientes virtuais, chats, fóruns e e-mails para unir professores e turmas. As experiências com o método começaram no início do século 20, com cursos profissionalizantes por carta, rádio e, mais tarde, pela TV. Só com a Internet e a banda larga se tornaram viáveis na graduação e pós-graduação.

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Dicas O documento Referências de Qualidades para a Educação Superior à Distância, do Mi-

Dá para conciliar tudo, diz corretor Valter Borges (foto), 38 anos, casado e pai de dois filhos, de três e oito anos, conta que é possível conciliar trabalho, estudo e família. Corretor de seguros, habilitado desde 1992, é professor de Sociologia, no ensino médio da rede pública estadual e, ainda, edita um jornal bimestral. Foi pela falta de tempo que Borges resolveu ingressar no EAD. Um amigo que sabia da sua ansiedade em ter um curso superior o indicou a opção. Assim, em 1996 Borges ingressou na primeira turma do EAD de Teologia da UMESP. “Com a flexibilidade do EAD, que não compromete a qualidade do ensino, consigo encaixar os horários sem afetar meu relacionamento com a família e o trabalho”, afirma. O corretor destaca que, mesmo sem a presença física na sala de aula – que ocorre uma vez por semana – é necessário cumprir atividades curriculares (leitura, nistério da Educação, indica o que é preciso saber antes de se matricular. Entre as dicas estão verificar os métodos de ensino da universidade; tecnologias usadas; tipos de material didático utilizado; de interação disponíveis, tempo que o tutor leva para responder às dúvidas, entre outras. Outra medida é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi fiscalizada. Para isso, basta pesquisar no site siead.mec.gov.br que traz as instituições com graduação e pós-graduação lato sensu à distância. Além disso, as próprias redes sociais são um termômetro com opiniões e discussões sobre os cursos. No ABC, a Metodista é a única credenciada a oferecer cursos. Existem, no entanto, alguns polos de centros educacionais do Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro que estão na região. Para muitos, além da flexibilidade de agenda, o EAD é atraente no bolso. Os cursos, em média, são 30% mais econômicos do que os presenciais.

análise de textos, vídeos, resenhas, pesquisas e laudas de textos), que segundo o planejamento somam aproximadamente 20 horas semanais extraclasse. Atualmente, Valter cursa a segunda faculdade. Gostou tanto do EAD em Teologia que agora faz EAD na área de Ciências Sociais. “Isso já me permitiu ser selecionado no Processo Simplificado para Professores do Estado, concurso feito ano passado”, reforça. E não para por aí. Valter ainda quer fazer EAD voltado à Filosofia, além de ingressar no mestrado em Educação. Para quem quer seguir o exemplo, ele dá a receita. “É preciso muita disciplina, pois a facilidade de estar em casa, estudando, pode fazer a pessoa se acomodar e não entregar os trabalhos no prazo. Porém, a cada trabalho são exigidas mais pesquisa e leitura, o que nos capacita a fazer textos cada vez melhores”, conclui. Comprometimento Adriana Barroso de Azevedo destaca que, apesar da flexibilidade no planejamento do estudo, o aluno não pode deixar para pensar no EAD só na aula presencial, normalmente uma vez por semana. “O maior desafio é o comprometimento em entender o processo. Depende da sistemática do estudo e do trabalho. Temos alguns encontros presenciais, mas não pode se limitar a isso. A produção é individual e a dinâmica é diferente”, destaca. No EAD, diz, o aluno que é afetivo e mais desenvolvido por meio das atividades em grupo tem certa dificuldade, pois a maioria das tarefas é desenvolvida individualmente. Porém, segundo Adriana, o próprio perfil do aluno contribui para esse comprometimento. “O aluno que procura esse tipo de ensino busca melhoria de formação ou até mesmo uma segunda faculdade. Por isso, são mais adultos, trabalhadores, casados e que procuram cursos que permitam flexibilidade de horário e locomoção”, explica.

Curso técnico tem alta inserção no mercado Não existe receita pronta que possa garantir o emprego, mas alguns instrumentos praticamente chancelam o passaporte no mercado de trabalho. Um deles é o ensino técnico. Suely Magini, diretora da ETEC (Escola Técnica Estadual) Júlio de Mesquita, em Santo André, conta que 77% dos matriculados entram no mercado profissional até a formação. “O objetivo do curso técnico é exatamente este”, ressalta. Para Suely, as empresas necessitam de profissionais qualificados em diversas profissões e os cursos técnicos têm esse foco. O salário médio destes alunos, diz, varia entre dois e quatro salários mínimos. A ETEC andreense oferece a integração do técnico ao ensino médio e a realização conjunta dos dois cursos. Atualmente a unidade possui 2,9 mil estudantes que já atuam ou estão a caminho do mercado de trabalho. A escola oferece 10 cursos técnicos, além das extensões. Edificações e Mecatrônica são os mais concorridos.

Estudante conseguiu emprego em seis meses Cláudia Aparecida Monteiro, 32 anos, queria aprimorar a qualificação profissional. Como não tinha curso superior e queria melhorar o orçamento doméstico, mantido com o salário de teleoperadora, Cláudia decidiu fazer o ensino técnico. Em 2009, ingressou no curso de Logística, que tem duração de três semestres. Antes mesmo do fim do primeiro semestre, já estava empregada na área. “Fiz cadastro em algumas empresas da área e fui chamada”, vibra a estudante que trabalha na Barra Funda, em São Paulo e ganha 30% mais. Claúdia terminou o curso em 2010 e tem planos. “Quero fazer agora Contabilidade, que me ajudará muito, pois está relacionado também à Logística”, diz. Mãe de uma menina de 11 anos, Cláudia sonha ver a filha no ensino médio, incrementado por curso técnico, pois acredita que tem futuro.


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Queixas sobre educação caem 9% em Santo André ENEM continua importante O Procon Santo André registrou 126 reclamações relacionadas ao atendimento escolar em estabelecimentos que oferecem desde o ensino de pré até o superior. O número se refere a queixas de consumidores entre 1° de janeiro e 15 de maio de 2011. Apesar da queda de 9,20% em relação a 2010, o número é expressivo para Ana Paula Satcheki, diretora do Procon Santo André. “Não se pode ter problema com a qualidade nos serviços de educação e saúde, que são essenciais”, analisa. Ano passado, durante o período, foram 161 reclamações, 56% relacionadas à cobrança abusiva ou indevida e dúvida sobre cobrança (21%). Neste ano, o Procon recebeu 126 protestos: 30% voltados a problemas com rescisão ou alteração unilateral de contratos, 29% ligados à cobrança indevida ou abusiva e 19% sobre dúvidas sobre cobranças. A dica do Procon é ler o contrato com atenção e tirar todas as dúvidas sobre serviços prestados, obrigações do consumidor, encargos, taxas extras em caso de desligamento e, quando se sentir lesado, procurar o

Procon recomenda obter todas as informações, inclusive rescisão contratual órgão. “O Procon analisa os casos, verifica o contrato e busca conciliação entre as partes”, destaca. Ana Paula ressalta que o terceiro parágrafo do artigo 54 do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor proíbe o uso de letras miúdas em contratos. Cursos livres O ranking de reclamações do Procon Santo André relacionado a cursos livres cres-

ceu. Foram 95 protestos ligados a cursos de informática, alta de 15,85% em relação a 2010, quando foram contabilizados 69. Nas demais modalidades de cursos livres (profissionalizantes, pintura, desenho etc), excluindo informática, foram registrados 101 atendimentos no período, uma alta de 47,44% em relação ao período de janeiro a maio de 2010. Os principais motivos são cobrança indevida ou abusiva, contrato – rescisão/alteração unilateral e vício de qualidade.

Os problemas apresentados pelo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) nos últimos anos não fizeram com que a avaliação caísse no descrédito de professores e estudantes. Em apenas 60 horas da abertura das inscrições, em maio, para a edição 2011, houve mais de um milhão de adesões. Quatorze faculdades já confirmaram o exame como única prova. Para Edmilson Motta, coordenador geral do Curso Pré-Vestibular do Colégio Etapa, o ENEM é a prova mais importante nessa área. “Não tem como o aluno escapar dela”, diz. Motta atribui os erros apontados em anos anteriores à complexidade da distribuição logística e, principalmente, ao número de inscritos. Nem todos os estudantes, no entanto, estão satisfeitos com a formulação e método de aplicação do ENEM. Renata Rocha, estudante de cursinho, diz que falta organização e sobra dor de cabeça. “Tenho a impressão de que eles jogam as questões, não há planejamento”, relata.

Informe Publicitário

Não está faltando nada em sua escola? Como você conduz o processo de Captação e retenção de alunos? Em tempo de comunicação global a propaganda é uma das principais armas, mas o mercado de comunicação oferece uma variedade de opções e além de se gastar muito, não atinge e nem garante a tão esperada matrícula.

As ações pedagógicas realizadas além dos muros da escola beneficiam e despertam o interesse da comunidade, cria uma propaganda boca-a-boca e aciona a imprensa regional.

A Arte & Manha – Marketing Educacional, fundada em 1998, pelos professores Luiz Antonio e Cida Lucena elaboram desde então projetos para se comunicar de forma direta com o consumidor final e utiliza estratégias adequadas, com linguagens diferenciadas para cada faixa etária, contribuindo para a captação e retenção de alunos para todos os segmentos e cursos que a instituição que os contrata oferece.

Não temos dúvidas que a avaliação positiva de um futuro aluno e seus familiares sobre esta instituição de ensino, causa muito mais impacto que qualquer mensagem ou campanha publicitária realizadas nos períodos de matrículas ou processo seletivo. Não importa o tamanho de sua instituição, a Arte & Manha elabora soluções adequadas à sua realidade, critérios e necessidades. Conte conosco!

Hoje anunciar em grandes veículos de comunicação não garante que a mensagem chegue ao público consumidor, por esta razão a Arte & Manha trabalha com um mix, combinando as opções de comunicação com as ações de relacionamento presencial que potencializam os benefícios dos serviços oferecidos, com uma abordagem diversificada.

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O mercado educacional atual nos leva a ter uma nova postura para a captação e retenção de alunos, pois os moldes convencionais, responsáveis basicamente pelas campanhas das épocas dos “Processos Seletivos” das IES e “Matrículas Abertas” das escolas de educação básica, não se sustentam mais. É preciso trabalhar o relacionamento presencial com o público alvo e a comunicação direta para garantir a efetivação da matrícula.


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Estudar não tem idade os 27 anos de idade, Wellington de Oli-

A veira Moraes passa horas mergulhado

nos livros e cadernos, porque sonha se tornar professor de Língua Portuguesa. João da Silva, de 29 anos, dá atenção especial às aulas de Matemática na esperança de um dia entrar na faculdade. Já Antônio Valmir de Lima, de 54 anos, quer mesmo é aprimorar os conhecimentos gerais. Assim como tantos adultos que voltaram à escola, os três têm, em comum, a vontade de estudar, independente da idade. Wellington, Antonio e Valmir são alunos do EJA (Educação de Jovem e Adulto) de Santo André, que tem mais de 3,8 mil matriculados. Além de Santo André, outros municípios do ABC também oferecem alfabetização para jovens e adultos. Em Diadema, 2,2 mil munícipes com mais de 15 anos têm ensino equivalente. “O mais velho tem 87 anos”, conta Cleusa Nilda Ramos, chefe da EJA de Diadema. Para Cleusa, a escrita e a leitura são vitais para a inserção social.

Em Santo André, além do EJA, que equivale do 1º ao 5º ano, e EJA 2, do 6º ao 9º ano, há o programa Brasil Alfabetizado, parceria com o governo federal que alfabetiza moradores em associações de classes e igrejas e constitui preparatório para o EJA 1. Ao todo, são 49 turmas com 880 alunos do Brasil Alfabetizado no município. Particular Além de programas públicos, há opções particulares de ensino na região, como a Universidade Sênior, programa da USCS (Universidade São Caetano do Sul) voltado para pessoas com idade acima de 50 anos. Atualmente, o programa tem 300 alunos matriculados, 85% mulheres e 70% com mais de 55 anos, cujo pré-requisito é ser alfabetizado. Com mensalidade de R$ 76, os alunos têm aulas de música, saúde, segurança, qualidade de vida, informática, redação, arte, história recente e outras matérias.

Força de vontade predomina “Quero concluir o curso, entrar numa faculdade e me tornar professor de Português”, conta Wellington de Oliveira Moraes. O estudante, que está na sétima série, diz que parou de estudar aos 15 anos por causa de doença na família. “Depois comecei a trabalhar e não consegui voltar à escola. Mas, agora pretendo terminar e fazer uma graduação”, diz. João da Silva, natural de Pernambuco, viu nos estudos oporAntônio de Lima foi incentivado pela família tunidade de entrar ao mercado de trabalho. “Sinto falta dos estudos quando Ivete Pelegrino Rosa, professora de Pevou procurar emprego”, conta o aluno, que dagogia da Umesp (Universidade Metodista gosta de Matemática. de São Paulo), diz que não há idade máxima Já Antônio Valmir de Lima voltou a estupara aprender. Com o avanço da idade tamdar para acompanhar a esposa. “Ela estava bém surgem algumas dificuldades de aprencom o tempo ocioso e voltou para a escola. dizado, mas nada que impossibilite uma pesComo não queria ir sozinha, acabou me lesoa, independentemente da idade, de assivando junto”, destaca. “Sempre gostei de ler milar o ensino. “Exercitar a mente é impore estudar, mas acabei parando de frequentar tante, muito útil e só traz benefícios: melhoa escola quando era mais novo e por causa ra a autoestima e ajuda a inserir a pessoa na do trabalho só voltei agora”, conta. sociedade”, destaca a pedagoga.


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3 de junho de 2011 Informe publicitรกrio

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