Page 2

02

Jaú, 07 de Junho de 2014

EDITORIAL

Dedo na ferida

Entra ano, sai ano, as indústrias dos calçados passam por crises. A cidade fica em estado de alerta, fechamento de fábricas e demissão de funcionários entram na pauta do cidadão jauense. E os argumentos são sempre os mesmos, o valor do dólar, a baixa qualificação da mão de obra e o sempre vilão do setor, o sapato importado da China. Um relatório do Programa Brasil Próximo, realizado pela FATEC de Jaú e professores da UNIARA, UNESP-Araraquara e UFSCar, junto com a Prefeitura, traz um diagnóstico interessante sobre o perfil do setor calçadista. A pesquisa mostra que 50% dos sócios não têm experiência no ramo. E o mais preocupante é que 75% dos entrevistados admitiram não ter qualificação para a gestão, reconhecendo a fragilidade para a capacitação, sobretudo em finanças e custos. Mais de 70% das fábricas têm até 50 funcionários, mas a metade disso tem entre 20 empregados (21%) e 10 trabalhadores (14%). Ou seja, 30% são empresas consideradas de maior porte, acima de 50 pessoas, um terço destas tem mais que 100 postos de trabalho. O perfil do diagnóstico revela que quase 60% só comercializam seus produtos somente no Estado de São Paulo, sendo que um pouco mais de 20% só vendem na região de Jaú. Apenas 10% vendem para outros Estados e outros 10% para exportação. Agora a pergunta que não

quer calar: como estão se saindo nesta crise esses 20% de empresas que vendem calçados para todo o Brasil e exportam? Ainda segundo este estudo, a Prefeitura está organizando duas Incubadoras de Empresas, uma especializada no setor calçadista no perímetro urbano e outra mista no distrito de Potunduva Pelo que se nota, embora louvável, é meio tardia a instalação de incubadoras para o setor calçadista, uma vez que, segundo mostra o relatório, a maioria dos empresários não estava preparada. Jaú, sua economia e seus cidadãos não podem ficar a mercê dessas crises sazonais. O problema não é somente desta administração. Qualquer produtor rural, aplicador em bolsa de valores ou empresário de visão sabem que o negócio é diversificar o investimento. Já passou do tempo de abrir o leque das possibilidades, buscar novas empresas e discutir novamente o plano diretor. O município tenta crescer na contramão. É necessário olhar na direção do Tietê. A rodovia comandante João Ribeiro de Barros, próximo a Pederneiras, está virando um corredor de empresas. Jaú precisa colocar em prática projetos que desde 1998 estão engavetados e investir em portos, estaleiros e marinas. São coisas que atraem investidores, negócios e transforma a crise financeira da cidade em adversidades setoriais, que empresários melhores preparados sabem enfrentar.

ARTIGO

Emprego após os 4.0 Existe sim preconceito para contratar profissionais com mais idade, aqueles trabalhadores que procuram emprego após os 40 anos. Preconceito este que vem enraizado do século passado, ainda na cultura industrial. Porém, hoje vivemos uma sociedade de serviços, uma sociedade da informação. Podemos citar algumas barreiras que o profissional com mais idade deve enfrentar, como o conceito de que o mais antigo já acumulou dinheiro suficiente e que não precisa trabalhar; o fato de um profissional mais sênior não aceitar ordem de um chefe mais jovem; da probabilidade do currículo do profissional mais maduro ser maior em qualificação e experiência do que a vaga exige; a inverdade de que trabalhador mais maduro não tem energia ou tem problemas de saúde; e ainda, pasme, de que não são ágeis mentalmente. Porém, a longevidade do brasileiro é uma realidade, o homem ou mulher acima dos 40 pode, sim, encontrar uma nova ocupação, um novo desafio, assim todos os preconceitos citados no parágrafo anterior são desculpas ultrapassadas.

Adorei, bem merecida a reportagem com o ZEZINHO. Ca Mateus

Caprichos & conchavos

Agora os leitores saberão o que realmente acontece na Câmara. Maurício Oliveira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Manhuaçu-MG Jornalismo que justifica o termo quarto poder. O cão de guarda dos leitores e eleitores. Agnello de Mello e Silva, Jornal Dia a Dia News, Jaciara-MT

Músico de rua

No Brasil, ironicamente, há mais artistas (da arte e da sobrevivência) nas ruas e nas redes sociais, do que nos espaços instituídos. Somos um povo com vocação artística e musical, mas deixamos de ensinar música nas escolas, praticamente não temos

espaços públicos e políticas locais ou gerais para realizar apresentações e estimular a formação coletiva... Assim, a arte sobrevive sempre mambembe. Dino Magnoni, professor Unesp-Bauru Gente, é o fim do mundo! A que ponto chegou o salário de um professor que optou por “mendigar” tocando saxofone a dar aulas!!! Um artista que toca esse tipo de música tem formação musical erudita e mereceria estar trabalhando e ganhado para ter uma vida decente, com carteira assinada e todos os direitos. Pobre Brasil que valoriza mais um gol do que uma partitura; mais uma “popozuda” do que um músico de gabarito. Como dói isso! Waldete Cestari, professora Infelizmente vivemos em um país onde o futebol, o funk e a novela têm mais valor, o que para os governantes e muito bom, pois quanto mais ignorante a população, mais fácil de manipular... Olha este músico, ta-

Em Jaú, o profissional oriundo da indústria calçadista, sucroalcooleira ou outra que porventura não o absorva, estudando e com um pouco de esforço pode se adaptar em outro tipo de negócio como o comércio ou mesmo usando seus conhecimentos para um negócio próprio, ainda que comece pequeno. Muitas vezes o profissional mais maduro mira em trabalhar em grandes empresas, mas aí é que está o engano, porque as grandes têm tempo e dinheiro para ensinar, para treinarem os mais jovens. Do contrário, as pequenas e médias empresas são quem busca imediatamente o profissional sênior, pois ele adquiriu ao longo dos anos uma competência fundamental, o saber “apertar o botão” correto e na hora certa. As pequenas e médias não têm tanto tempo e recursos financeiros para treinar e podem contar com a mão de obra preparada e já treinada dos profissionais 4.0, 5.0 e porque não 6.0! Pense nisso, sucesso e até a próxima! Cristiano Borin é consultor de Recursos Humanos e jornalista

BATE-PRONTO:

A economia local está parada ou a cidade está se desenvolvendo? José Roberto Pena, presidente do Sincomércio e diretor da CDL, Sindicato do Comércio Varejista de Jaú e Câmara de Dirigentes Lojistas, respectivamente, diz que não dá mais para ficar esperando o município se desenvolver e sugeriu que se criassem um Conselho de Desenvolvimento Econômico na cidade. Segundo Pena, o momento é propício para crescer, “coisa que não está acontecendo hoje em Jaú”. De acordo com a proposta, esse conselho serviria para discutir a cidade nos próximos anos, “planejando e desenhando ideias para no futuro não ficarmos reclamando. O que a gente quer para Jaú para os próximos 10 anos, para daqui 20 anos? Precisamos criar um ambiente de favorecimento para isso”. A reclamação aconteceu na Câmara de Vereadores na semana passada, quando Pena comentou na Tribuna Livre um levantamento da revista Exame de 100 cidades para se investir em negócios. Jaú não consta neste ranking. Pena disse que Bauru, Araraquara, Botucatu, Araras e outros municípios

Mural REPÚBLICA JAHUENSE Um imortal cantinho

REPÚBLICA JAHUENSE

lentoso; como mendigo de rua ganha mais que um professor; ratificando, até jogador de bola, que muitos não sabem nem escrever, ganha mais que um professor, que é o ápice da minha profissional... João Roberto Castro, professor Na verdade, não é interessante para um governo selecionar as pessoas mais bem qualificadas para oferecer cultura e conhecimento para a população. Enquanto mais pessoas estiverem satisfeitas com pouca coisa, melhor para eles. Cristiano Denardi, farmacêutico bioquímico É, precisa de muita coragem para jogar tudo para o alto e viver uma vida como ela é para certas pessoas... Ir contra o convencional, admiro e respeito, pois ser feliz como a gente imagina custa muita coragem mesmo. Parabéns, músico de rua; gostaria de ter ouvido! Lizete Casella Laurenti

do porte de Jaú estão na lista, “e a nossa cidade que tem grande potencial e é importante na região, não”. O empresário, que há 31 anos está no mercado varejista, afirmou que é triste escutar dos colegas que não vão colocar mais nenhum “tostão, porque não enxergam mais como bom negócio investir em Jaú”.

REPÚBLICA JAHUENSE O jornal República Jahuense é uma publicação de José Arroyo Valero Junior - ME. CNPJ: 08.646.011/0001-55 Editor: Chu Arroyo Diagramação: Petter Paccola Contato: jornalrepublicajahuense@gmail.com 14 99895.8613 O República Jahuense é um jornal distribuído gratuitamente às quartas-feiras. O conteúdo dos textos publicados pelos colaboradores do jornal é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores e não expressa necessariamente a opinião de seus editores. Colunistas e articulistas não possuem qualquer tipo de vínculo empregatício com o jornal.

Jornal República Jahuense - Edição 3  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you