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Informatibola é o único projeto de Jaú incluído na Lei Estadual do Incentivo do Desporto. Página 5

REPÚBLICA JAHUENSE Ano I - Nº 3 - Jaú, sábado, 7 de junho de 2014

PRÉ-CAMPANHA

Lampião pode tirar time de campo

E-mail: jornalrepublicajahuense@gmail.com

Copa do Mundo dos protestos

O vereador Carlos Alberto Lampião Bigliazzi Magon (PV) está meio desanimado com a pré-candidatura a deputado estadual. O seu partido tem a opção de lançar mais dois nomes. Hoje tem uma pré-convenção em Araraquara. Página 4 A lendária banda de reggae Tribo de Jah vai abrir o 23º Festival de Inverno e promete um show dançante. Segundo o site oficial do grupo, o evento está marcado para o dia 19 de julho, no Parque Rio Jaú. Página 10

A Copa do Mundo da FIFA no Brasil está criando expectativas. No país do futebol, onde as crianças sonham em ser jogadores, a pátria das chuteiras está em alerta. Se a seleção brasileira ganhar a Copa, muito bem, caso contrário, vai ser a maior bola fora política. Fala-se em protestos fora dos campos. “ESPELHO” traz a entrevista com o empresário Sílvio Masiero Neto Maseiro, que se diz radicalmente contra a Copa. Para ele, os jauenses devem assistir aos jogos, mas Jaú não vai entrar no clima, nem da competição e nem das manifestações, entretanto, as reivindicações por saúde, educação, segurança vão acontecer pelo país afora. “Vai ser um protesto contra a Copa e o governo. Eu acho que nós estamos no começo de uma revolução (...) Acho que a bagunça vai ser grande e, finalmente, o Brasil vai ter como gritar”. Polêmico, Masiero ainda espeta a política local. Páginas 6 e 7


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EDITORIAL

Dedo na ferida

Entra ano, sai ano, as indústrias dos calçados passam por crises. A cidade fica em estado de alerta, fechamento de fábricas e demissão de funcionários entram na pauta do cidadão jauense. E os argumentos são sempre os mesmos, o valor do dólar, a baixa qualificação da mão de obra e o sempre vilão do setor, o sapato importado da China. Um relatório do Programa Brasil Próximo, realizado pela FATEC de Jaú e professores da UNIARA, UNESP-Araraquara e UFSCar, junto com a Prefeitura, traz um diagnóstico interessante sobre o perfil do setor calçadista. A pesquisa mostra que 50% dos sócios não têm experiência no ramo. E o mais preocupante é que 75% dos entrevistados admitiram não ter qualificação para a gestão, reconhecendo a fragilidade para a capacitação, sobretudo em finanças e custos. Mais de 70% das fábricas têm até 50 funcionários, mas a metade disso tem entre 20 empregados (21%) e 10 trabalhadores (14%). Ou seja, 30% são empresas consideradas de maior porte, acima de 50 pessoas, um terço destas tem mais que 100 postos de trabalho. O perfil do diagnóstico revela que quase 60% só comercializam seus produtos somente no Estado de São Paulo, sendo que um pouco mais de 20% só vendem na região de Jaú. Apenas 10% vendem para outros Estados e outros 10% para exportação. Agora a pergunta que não

quer calar: como estão se saindo nesta crise esses 20% de empresas que vendem calçados para todo o Brasil e exportam? Ainda segundo este estudo, a Prefeitura está organizando duas Incubadoras de Empresas, uma especializada no setor calçadista no perímetro urbano e outra mista no distrito de Potunduva Pelo que se nota, embora louvável, é meio tardia a instalação de incubadoras para o setor calçadista, uma vez que, segundo mostra o relatório, a maioria dos empresários não estava preparada. Jaú, sua economia e seus cidadãos não podem ficar a mercê dessas crises sazonais. O problema não é somente desta administração. Qualquer produtor rural, aplicador em bolsa de valores ou empresário de visão sabem que o negócio é diversificar o investimento. Já passou do tempo de abrir o leque das possibilidades, buscar novas empresas e discutir novamente o plano diretor. O município tenta crescer na contramão. É necessário olhar na direção do Tietê. A rodovia comandante João Ribeiro de Barros, próximo a Pederneiras, está virando um corredor de empresas. Jaú precisa colocar em prática projetos que desde 1998 estão engavetados e investir em portos, estaleiros e marinas. São coisas que atraem investidores, negócios e transforma a crise financeira da cidade em adversidades setoriais, que empresários melhores preparados sabem enfrentar.

ARTIGO

Emprego após os 4.0 Existe sim preconceito para contratar profissionais com mais idade, aqueles trabalhadores que procuram emprego após os 40 anos. Preconceito este que vem enraizado do século passado, ainda na cultura industrial. Porém, hoje vivemos uma sociedade de serviços, uma sociedade da informação. Podemos citar algumas barreiras que o profissional com mais idade deve enfrentar, como o conceito de que o mais antigo já acumulou dinheiro suficiente e que não precisa trabalhar; o fato de um profissional mais sênior não aceitar ordem de um chefe mais jovem; da probabilidade do currículo do profissional mais maduro ser maior em qualificação e experiência do que a vaga exige; a inverdade de que trabalhador mais maduro não tem energia ou tem problemas de saúde; e ainda, pasme, de que não são ágeis mentalmente. Porém, a longevidade do brasileiro é uma realidade, o homem ou mulher acima dos 40 pode, sim, encontrar uma nova ocupação, um novo desafio, assim todos os preconceitos citados no parágrafo anterior são desculpas ultrapassadas.

Adorei, bem merecida a reportagem com o ZEZINHO. Ca Mateus

Caprichos & conchavos

Agora os leitores saberão o que realmente acontece na Câmara. Maurício Oliveira Júnior, presidente da Câmara Municipal de Manhuaçu-MG Jornalismo que justifica o termo quarto poder. O cão de guarda dos leitores e eleitores. Agnello de Mello e Silva, Jornal Dia a Dia News, Jaciara-MT

Músico de rua

No Brasil, ironicamente, há mais artistas (da arte e da sobrevivência) nas ruas e nas redes sociais, do que nos espaços instituídos. Somos um povo com vocação artística e musical, mas deixamos de ensinar música nas escolas, praticamente não temos

espaços públicos e políticas locais ou gerais para realizar apresentações e estimular a formação coletiva... Assim, a arte sobrevive sempre mambembe. Dino Magnoni, professor Unesp-Bauru Gente, é o fim do mundo! A que ponto chegou o salário de um professor que optou por “mendigar” tocando saxofone a dar aulas!!! Um artista que toca esse tipo de música tem formação musical erudita e mereceria estar trabalhando e ganhado para ter uma vida decente, com carteira assinada e todos os direitos. Pobre Brasil que valoriza mais um gol do que uma partitura; mais uma “popozuda” do que um músico de gabarito. Como dói isso! Waldete Cestari, professora Infelizmente vivemos em um país onde o futebol, o funk e a novela têm mais valor, o que para os governantes e muito bom, pois quanto mais ignorante a população, mais fácil de manipular... Olha este músico, ta-

Em Jaú, o profissional oriundo da indústria calçadista, sucroalcooleira ou outra que porventura não o absorva, estudando e com um pouco de esforço pode se adaptar em outro tipo de negócio como o comércio ou mesmo usando seus conhecimentos para um negócio próprio, ainda que comece pequeno. Muitas vezes o profissional mais maduro mira em trabalhar em grandes empresas, mas aí é que está o engano, porque as grandes têm tempo e dinheiro para ensinar, para treinarem os mais jovens. Do contrário, as pequenas e médias empresas são quem busca imediatamente o profissional sênior, pois ele adquiriu ao longo dos anos uma competência fundamental, o saber “apertar o botão” correto e na hora certa. As pequenas e médias não têm tanto tempo e recursos financeiros para treinar e podem contar com a mão de obra preparada e já treinada dos profissionais 4.0, 5.0 e porque não 6.0! Pense nisso, sucesso e até a próxima! Cristiano Borin é consultor de Recursos Humanos e jornalista

BATE-PRONTO:

A economia local está parada ou a cidade está se desenvolvendo? José Roberto Pena, presidente do Sincomércio e diretor da CDL, Sindicato do Comércio Varejista de Jaú e Câmara de Dirigentes Lojistas, respectivamente, diz que não dá mais para ficar esperando o município se desenvolver e sugeriu que se criassem um Conselho de Desenvolvimento Econômico na cidade. Segundo Pena, o momento é propício para crescer, “coisa que não está acontecendo hoje em Jaú”. De acordo com a proposta, esse conselho serviria para discutir a cidade nos próximos anos, “planejando e desenhando ideias para no futuro não ficarmos reclamando. O que a gente quer para Jaú para os próximos 10 anos, para daqui 20 anos? Precisamos criar um ambiente de favorecimento para isso”. A reclamação aconteceu na Câmara de Vereadores na semana passada, quando Pena comentou na Tribuna Livre um levantamento da revista Exame de 100 cidades para se investir em negócios. Jaú não consta neste ranking. Pena disse que Bauru, Araraquara, Botucatu, Araras e outros municípios

Mural REPÚBLICA JAHUENSE Um imortal cantinho

REPÚBLICA JAHUENSE

lentoso; como mendigo de rua ganha mais que um professor; ratificando, até jogador de bola, que muitos não sabem nem escrever, ganha mais que um professor, que é o ápice da minha profissional... João Roberto Castro, professor Na verdade, não é interessante para um governo selecionar as pessoas mais bem qualificadas para oferecer cultura e conhecimento para a população. Enquanto mais pessoas estiverem satisfeitas com pouca coisa, melhor para eles. Cristiano Denardi, farmacêutico bioquímico É, precisa de muita coragem para jogar tudo para o alto e viver uma vida como ela é para certas pessoas... Ir contra o convencional, admiro e respeito, pois ser feliz como a gente imagina custa muita coragem mesmo. Parabéns, músico de rua; gostaria de ter ouvido! Lizete Casella Laurenti

do porte de Jaú estão na lista, “e a nossa cidade que tem grande potencial e é importante na região, não”. O empresário, que há 31 anos está no mercado varejista, afirmou que é triste escutar dos colegas que não vão colocar mais nenhum “tostão, porque não enxergam mais como bom negócio investir em Jaú”.

REPÚBLICA JAHUENSE O jornal República Jahuense é uma publicação de José Arroyo Valero Junior - ME. CNPJ: 08.646.011/0001-55 Editor: Chu Arroyo Diagramação: Petter Paccola Contato: jornalrepublicajahuense@gmail.com 14 99895.8613 O República Jahuense é um jornal distribuído gratuitamente às quartas-feiras. O conteúdo dos textos publicados pelos colaboradores do jornal é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores e não expressa necessariamente a opinião de seus editores. Colunistas e articulistas não possuem qualquer tipo de vínculo empregatício com o jornal.


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CAPRICHOS & CONCHAVOS BARULHO

para usar da palavra livre; eles tremem, eles não discutem”...

Depois que os vereadores Tito Coló e Fernando Frederico questionaram o barulho dos eventos realizados no kartódromo, que também devem ser observados nas festas patrocinadas pelo poder público, o Ministério Público estará de olho no Jahu Fest, onde, nos dias de jogos da Copa do Mundo, acontecerão shows de duas bandas por partidas, num “mega telão e mega palco”, vociferam carros de som anunciando a festa para os torcedores.

SOBRESTAMENTO O vereador Lampião disse que vai começar a pedir sobrestamento dos projetos de lei, se estes continuarem a vir em regime de urgência, alegando que os vereadores não têm tempo suficiente para avaliarem. Sobrestamento é um ato jurídico que permite ganhar tempo até que outras informações sejam prestadas; vencido esse prazo, de no mínimo 15 dias, o projeto de urgência sobresta a pauta, isto é, nenhum outro projeto pode ser votado antes dele.

BARULHINHO

INIMAGINÁVEL

Coló falou que o prefeito é uma pessoa inteligente e sensata.

PROMESSA “Os shows vão acontecer antes e depois do futebol. Antes das 22h terminam. Sobre os decibéis, a gente respeita a lei... O som vai estar no limite tolerável, dentro das normas”, diz Gustavo Pizzolio, diretor de Cultura, que ainda adiantou: “o prefeito Rafael Agostini ofereceu aos kartistas um novo local para fazer o kartódromo”.

RUÍDO A patuléia, que quase sempre nunca tem lazer, pode ter a festa da torcida embargada. Acontece que em Bauru, no Vitória Régia, que é próximo ao Centrinho (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo), sempre tem eventos musicais, o último foi a Virada Paulista, e nunca teve problemas com “barulhos”, haja vista que os shows sempre terminam antes das 22h.

MANOBRA Os representantes da Câmara Voluntária de Jahu, mesmo não comparecendo nas sessões, conforme prometeram, continuam se mobilizando e exercendo a cidadania. Denunciam, via facebook, que entraram em votação novos projetos de urgência e “desta vez houve manobra com uma Sessão Extraordinária no mesmo dia, para aprovar em segunda discussão os mesmos projetos que alguns vereadores nem tiveram tempo de ler”.

O elogio se deve à promessa de Rafael Agostini de doar um terreno para ampliar o CEEJA (Centro de Educação de Jovens de Adultos), que promove o acesso ao ensino para maiores de 18 anos que queiram concluir o Ensino Fundamental e Médio, com uma estrutura didático-pedagógica diferenciada. O CEEJA de Jaú funciona no antigo prédio do CEFAM.

PROBLEMA SEU O vereador Wagner Brasil de Barros disse que recebeu uma resposta da Casa Civil do Governo de São Paulo dizendo que simplesmente não podem mais fazer o asfalto que liga o distrito de Potunduva ao Parque do Frei Galvão, na margem direita do Rio Tietê. “Não tem problemas de vicinais vigentes, e que as estradas vicinais municipais são de responsabilidades do município”, foi a argumentação da administração Alckmin, segundo Brasil de Barros.

PROBLEMA DE ALCKMIN Mas no ano passado, dia 20 de setembro, o governador Geraldo Alckmin esteve em Barra Bonita e anunciou que ia pavimentar esta estrada.

FLORES PRA VOCÊ

ESVAZIAMENTO “Vale ressaltar que enquanto havia questionamento lá nas sessões, esse tipo de manobra não ocorria. Desta maneira, ficou clara a intenção da mudança do horário das sessões e o esvaziamento do plenário”, diz nota na página da Câmara Voluntária.

MANIFESTAÇÃO

O vereador Lucas Flores passou um pito num colega de oposição, sem medo da faixa preta, dizendo que ele tem o dever sim de questionar, mas com responsabilidade, não podendo “levantar lebre que não possa provar, e você sabe que muitas vezes, a primeira impressão é a que fica, e o senhor, como uma autoridade nessa cidade, quando ocupa essa tribuna, investida de seu cargo de vereador, às vezes diz algumas coisas que não são verdades e o povo está ouvindo, não podemos colocar coisas sem o caráter da veracidade”.

Mas houve manifestação, sim, só que mais light. Os voluntários da APAJA - Associação Protetora dos Animais de Jaú foram acompanhar um aumento de verba entidade.

VOLTA Sobre o pessoal da Câmara Voluntária, Lampião acha que eles estão cobertos de razão, “não estão falando mentiras, não, doa em quem doer, até de mim chegaram a falar, e parabéns para eles”. Mas o vereador acha que os representantes da Câmara Voluntária deveriam voltar a acompanhar as sessões. “Com eles aqui, a base do governo fica com vergonha e a maioria nem levanta


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REPÚBLICA JAHUENSE

EXPECTATIVA

Lampião está desanimado com pré-candidatura a deputado estadual O vereador do PV ainda virou a apontaria para o exdeputado federal jauense do seu partido, José Paulo Toffano. Ele já se declarou pela Ivana Camarinha, précandidata a estadual por Pederneiras, da microrregião de Bauru. “É uma pena, porque é um cara de Jaú e vai apoiar uma pessoa de outra cidade”.

Lampião pode decidir hoje a sua participação nas eleições de 2014 O vereador Carlos Alberto Lampião Bigliazzi Magon (PV) está meio desanimado com a pré-candidatura a deputado estadual. O vereador do PV, que também é empresário da comunicação, afirmou que não existe consenso político em Jaú e nem no seu próprio partido, que tem a opção de lançar, além do próprio Lampião, o ex-prefeito Osvaldo Franceschi Júnior e Pedro Z., na disputa de uma cadeira à Assembleia Legislativa. Hoje tem uma pré-convenção do PV em Araraquara e dia 15 tem a convenção em São Paulo. “Estou forte, estou aí, mas vou ser sincero, diminuiu em 60% a minha vontade de ser pré-candidato. A précampanha estava a mil por hora, mas agora está estacionada. Além de você brigar na cidade pelos votos e tentar um consenso, a gente tá tendo dificuldade no próprio partido, então é difícil”, desabafou Lampião. De acordo com o pré-candida-

to, numa pesquisa encomendada, o seu nome era o terceiro mais lembrado para uma cadeira na assembleia, atrás do ex -prefeito João Sanzovo e do vereador Fernando Frederico. Ele acredita que oito candidatos da cidade disputarão as eleições de 2014, além, é claro, dos chamados paraquedistas. “Muitos candidatos só vão sair por causa dos partidos, mas, com todo respeito, eles não tem chances, com exceção do Osvaldo, não têm experiência política”. Ainda de acordo com o Lampião, uma campanha gira em torno de R$ 300 mil. “Com R$ 200 mil não dá nem para brincar, nem saia de casa”, aconselha. O vereador do PV ainda virou a apontaria para o ex-deputado federal jauense do seu partido, José Paulo Toffano. Ele já se declarou pela Ivana Camarinha, pré-candidata a estadual por Pederneiras, da microrregião de Bauru. “É uma pena, porque é um cara de Jaú e vai apoiar uma pessoa de outra cidade, tudo

aquilo que ele pregava lá trás, que tinha que ter o consenso, que favorecia ele, agora sim, que era hora de ter consenso na cidade, ele vai apoiar gente de fora”. HÁ UM LAMPIÃO NO FIM DO TÚNEL O vereador Lampião pode até desistir da pré-candidatura a deputado estadual, mas do seu sonho de ser prefeito, não. “Essa minha campanha, se eu sair, não tem nada a ver com a prefeitura. Mas eu tenho um sonho, sim, de ser prefeito. Estou me preparando para isso há mais de 30 anos e se eu for prefeito um dia, atendo o povo na rua, não vou fugir do cidadão. Não vou falar os cinco dias da semana, mas uma vez por semana eu coloco a mesa do prefeito na rua, na frente da Prefeitura, com secretários e tudo para tentar resolver os problemas”. Segundo o vereador, há 31 anos que ele está na Prefeitura e sempre acompanhou as sessões da Câmara. Ele é fun-

cionário público e está no terceiro mandato. “Mas eu costumo falar que é o quarto, porque antes eu fui eleito presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais de Jaú”. Para ele, a cidade precisa voltar a crescer. “Jaú está com uma defasagem desde o governo João Sanzovo, do Paulo Sérgio, do Osvaldo e o próprio Rafael agora, que não dá incentivo. Vou dar um exemplo, a Dubom sorveteria, hoje virou uma fábrica, está num prédio alugado, está necessitando de um terreno para fazer um barracão, está gerando quase 100 empregos, Jaú não oferece um terreno simples, de mil metros, para um empresário, como vai atrair indústrias”? Lampião afirma que está na hora de um trabalho político sério, com os empresários. “Jaú não está entre as 100 cidades para se investir, isso é vergonhoso, que tem empresa hoje está mais para fechar do que para continuar aqui, mudar para outra cidade que dá incentivo. Eu trouxe, há um mês, um panfleto de Dois Córregos que está chamando os empresários, com terreno, tudo separadinho, tudo bonitinho”. O vereador lembra que tem o famoso 8º distrito industrial, que não sai do papel. “Eu acho que a cidade precisaria crescer para o lado do distrito de Potunduva, para o lado do rio, a cidade do outro lado de lá, se você quiser ir para lá, eles oferecem um terreno, de no mínimo 5 mil m², isenção de IPTU, isenção de outros impostos, e o que Jaú oferece hoje”?


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Formigão faz trabalho de formiguinha

Ronaldo Formigão anuncia a inclusão do projeto na Lei Estadual do Incentivo ao Desporto O vereador Ronaldo Formigão (DEM) realiza um trabalho de formiguinha com crianças e adolescentes através do Projeto Informatibola, que agora foi reconhecido pelo Governo do Estado de São Paulo. O Projeto Informatibola é um serviço voluntário de proteção social básica e tem como missão contribuir para a educação das crianças e adolescentes dos bairros onde o mesmo atua, buscando desenvolver ações que vão ao encontro direto do aumento do nível cultural e social das crianças e adolescentes que participam do projeto, através da informática e das atividades de esporte educacional. Há 15 dias, em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin entregou certificado que autoriza o Informatibola captar recursos de até 3% do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – das empresas de Jaú, que podem abater 100% do valor doado ao projeto. No final de 2013, Ronaldo Formigão inscreveu o Projeto Informatibola da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Pedro Ometto na lei Estadual do Incentivo do Desporto. Este projeto específico é para um centro de treinamento de futebol no Pedro Ometto, um de futsal no Nova Jaú e outro futsal no Orlando Ometto e é para atender 180 crianças, 60 em cada bairro.

A Lei Estadual do Incentivo ao Desporto é um dos programas da Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude (SELJ) do Estado de São Paulo e possibilita as empresas, prefeituras, instituições, associações de todo o Estado apoiar projetos esportivos elaborados pela sociedade civil organizada, por meio de patrocínio ou doação financeira provenientes da renúncia de ICMS por parte do Estado. Ou seja, o Estado abre mão de parte de sua arrecadação do imposto para que as Pessoas Jurídicas possam investir diretamente esses recursos em projetos esportivos como o Informatibola, aprovado pela SELJ. A Associação de Moradores do Pedro Ometto foi fundada em 2001 pelo vereador Ronaldo Formigão, com atividades de esportes. Projeto Informatibola teve inicio em 2006, onde juntou atividades de esportes e informática. De acordo com o release, o projeto é desenvolvido em 7 bairros periféricos da cidade e atende aproximadamente 700 crianças/ adolescentes. Do Informatibola saiu o jogador Auro Alvarez da Cruz Júnior, que hoje atua no São Paulo F.C. No ano passado ele disputou a Copa do Mundo Sub-2; no mês de abril, Auro foi convocado para disputar as olimpíadas de 2016. Vinícius Ferreira, que joga no Atlético do Paraná

e é atacante da seleção brasileira Sub-15 também saiu do projeto. “Mas o foco é formar cidadãos, fazer com que a criança tenha um bom rendimento na escola e depois nos treinos, ser um bom filho e no futuro um bom profissional. Se for jogador, como alguns poucos são, a gente fica muito feliz. Mas o foco é formar pessoas, é impedir que essas crianças caiam no uso das drogas, no tráfico, porque a gente sabe o quanto sofre uma criança, uma família, vizinhos, uma comunidade inteira quando uma dessas crianças se perde do bom caminho”, explica Formigão. COMO PATROCINAR Para uma empresa poder usufruir como patrocinador, ela deve fazer o seu credenciamento no site da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ). No início do mês seguinte ao do pedido, a SEFAZ verifica se a empresa cumpre os requisitos estabelecidos pela legislação, habilitando-a no sistema. A empresa pode escriturar 100% do valor investido nos projetos como crédito do ICMS referente àquele mês. Ou seja, no caso de investir 3% do valor do ICMS tributado em determinado mês no Informatibola, a empresa terá que pagar apenas os 97% restantes para a Fazenda referente ao mês em questão.

FORMIGÃO NA TORCIDA Formigão fica emocionado quando fala que do projeto saiu Auro Alvarez da Cruz Júnior, o jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira Sub-20. “O menino começou no Informatibola com 6 anos, quando ele completou 14 anos foi para o Centro de Treinamento de Cotia do São Paulo Futebol Clube (SPFC) e no ano passado disputou a Copa do Mundo pela sub-20”. Auro diz, no site oficial do SPFC, que desde pequeno gostava mais da bola do que qualquer o outro brinquedo; o dia inteiro ele só queria brincar de futebol. “De manhã, tarde e de noite era sempre a mesma coisa. E foi assim que cheguei ao São Paulo. Quando eu vi, já fazia parte das equipes de base”. O projeto é dar oportunidades a essas crianças, temos contato com o São Paulo, Santos e Atlético paranaense, se houver interesse deles, os pais levam e se der certos, parabéns Formigão, que é policial militar reformado, conhece de perto as mazelas da vida e acha que o esporte pode tirar a criança do mau caminho. “Acredito, comprovadamente, que o esporte, não só o futebol, todas as modalidades do esporte, ocupa o tempo da criança; ela vai estar com o seu tempo ocupado, praticando esporte, o esporte traz boa saúde, ensina a criança a ter disciplina, ensina a respeitar o colega, traz cultura, lazer, cidadania”. As crianças para participarem do projeto têm que estar freqüentando a escola e ter idade entre 7 a 17 anos. “O projeto é dar oportunidades às essas crianças, temos contato com o São Paulo, Santos e Atlético paranaense, se houver interesse deles, os pais levam e se der certos, parabéns”, explica. COPA DO MUNDO Formigão torce para que a Seleção do Brasil tenha sucesso: “É o nosso país, ‘né’?, mas estou um pouco temeroso”. Se a seleção não for campeã, teme pela segurança. “Mesmo que o Brasil vá bem, acho que vai haver manifestações e espero que não ocorra tanta violência. Mas Jaú é uma cidade pacífica, não vai entrar nessa onda de protestos”. Para ele a Copa está estranha, está parada. “Estou sentindo que o povo brasileiro, quando anunciou a Copa do Mundo ficou feliz, só que depois vieram as construções dos estádios da Copa, onde a forma como foram construídas, fazendo um custo e depois fazendo aditamentos volumosos, monstruosos, esses aditamentos trouxeram uma desconfiança muito grande, aí o povo brasileiro começou a sentir falta de investimento em saúde, educação, segurança... O povo sentiu uma falta de investimento em atendimento básico e um gasto exagerado em estádios, foi aí que gerou um descontentamento, uma desconfiança”, finaliza Formigão.


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ESPELHO

É preciso olhar para o outro lado do rio O empresário e instrutor de voo a vela, Silvio Masiero Neto Masiero, é contra a realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil porque o futebol é pura enganação, não ensina nada às crianças e a FIFA quer eternizar a escravidão, haja vista que os jogadores são vendidos como mercadoria. O jauense ainda falou sobre protestos, política local e afirmou que Jaú, se quiser se desenvolver, precisa enxergar o que está acontecendo do outro lado do Tietê. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. Na rede social você tem se postado contra a realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, por quê? Sempre fui contra, desde moleque sempre achei que isso é manipulação das massas, e daí, em função disso, o governo faz o que quer. O futebol é o ópio do povo, o álcool do governo, que vendem nas escolas... Sou contra o futebol, o evento da Copa do Mundo no Brasil, acho o futebol a maior enganação. O futebol não tira as crianças do mau caminho? Imagine, você vê aí esses clubes todos afundados em corrupção, isso daí é uma maquiagem, “ah, nós vamos tirar as crianças da rua para levar para o campo de futebol” e não ensina nada, a violência

enorme nas arquibancadas, jogando privadas na cabeça, vai ensinar o quê? Você é da terra que é um celeiro de jogadores para o futebol profissional, como você é contra? Eu sou da terra onde proibiram o Pelé de nadar na piscina do clube, então é um antagonismo. Eu sou contra a Copa, eu acho que o pessoal da FIFA, eles querem eternizar a escravidão, pura manipulação dos países do terceiro mundo, emergentes. Você vai falar, mas na Europa tem... Mas na Europa o cara ganha 5 mil euros, paga 30 euros para entrar no clube, não representa nada. Nós aqui, quanto custa à entrada? O pessoal vai lá e tem aquilo como uma diversão, dá dó.

O que você diz sobre as reformas dos estádios? Essas obras para se realizar a Copa vão deixar a maior conta, maior despesa. Quanto não custa para manter um negócio desse ai? Estão destruindo os estádios que fizeram na África do Sul, virou elefante branco, não tem o porquê de estar lá... Mas aqui no Brasil, os estádios vão ser de multiúso, para shows etc? Conversa furada, vão viver de shows agora? Ainda se enchesse de milho, de trigo, uns silos... Essa Copa aqui no país não deixou o brasileiro no clima? Jaú não se vestiu de verde-amarelo, você acha que o jauense vai apoiar a Copa?

Eu acho que o jauense, apesar de assistir o jogo, não vai entrar no clima. Eu acho que o Brasil deu uma esfriada com a história da Copa das Confederações, o Brasil inteiro, todo o mundo ficou em clima de protestos, com os 20 centavos de aumento das passagens de ônibus urbanos, aí virou para essa história da Copa, saúde, educação, mobilização urbana. Acho que na Copa os protestos voltam. Protestos contra a Copa ou contra a política? Vai ser um protesto contra a Copa e político. Eu acho que nós estamos no começo de uma revolução, porque demora a cair a ficha aqui no Brasil. Mas isso daí parece que está meio


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ESPELHO engasgado, eu falo por mim e pelo que ouço e leio, acho que a bagunça vai ser grande e, finalmente, o Brasil vai ter como gritar. Agora no Congresso, estão querendo aprovar uma lei correndo contra o manifesto, um absurdo isso. A Anistia Internacional já deu maior ferrada, já mandou recado: “Ô, ‘peralá’, vai aprovar isso”?

“O PT nacional está fadado ao fracasso. O PT local vai para o quiabo também. Este prefeito não emplaca de novo”.

Essa Copa não tem nada de bom para nós? Eu acho que o lado bom da Copa é que vai abrir a caixa de pandora da política do Brasil. E nós temos que gritar, caso contrário não vai acontecer nada. E esta é uma chance para o brasileiro gritar e ser ouvido. A gente grita aqui e nada acontece, pelo menos nós temos essa chance de o mundo escutar. A Copa e esses protestos vão repercutir diretamente nas eleições de 2014? Acho que o PT perde e também acho que o PSDB do Aécio também não decola, o histórico do PSDB, de corrupção. Eu acho que a terceira via é o Campos, ele tem chance de correr por fora, apesar de que não voto em ninguém mais. Você votou nas eleições passadas? Votei no PT em Jaú para tirar o Peruca (apelido do ex-prefeito Osvaldo Franceschi Júnior), daí colocamos o Chupacabra (Rafael Agostini, prefeito atual). O que você diz da administração do PT, nacional e local? O PT nacional está fadado ao fracasso. O PT local vai para o quiabo

“Jaú está precisando de vergonha na cara. O pessoal fica reclamando que a cidade não anda, não sei o quê e não consegue enxergar para o lado de lá do rio, que é Pederneiras. Vai a Pederneiras hoje, a história é outra, a cidade respira progresso”.

panha contra, mas é uma observação. Do que Jaú precisa? Jaú está precisando de vergonha na cara. O pessoal fica reclamando que a cidade não anda, não sei o quê e não consegue enxergar para o lado de lá do rio, que é Pederneiras. Vai a Pederneiras hoje, a história é outra, a cidade respira progresso. Porque Pederneiras percebeu que o rio podia trazer riquezas para a cidade. Estou sabendo que umas firmas de logística de São Paulo compraram uns cinco alqueires, pagaram 12 milhões, para fazer um porto e começar a mexer com container; nunca mais Jaú pega Pederneiras, e Jaú tem o mesmo rio, outra margem...

O que mais você quer falar? Eu já falei bastante, já o mandei o cacete ai... Ah, vá! Já que tem que gritar, grita alto, he he he. Para encerrar, qual seria o esporte ideal para o povo? Eu acho que o esporte bom para a massa seria um que não envolvesse dinheiro, esporte amador, atletismo. Tudo bem, tem o patrocínio e coisa e tal, mas o cara não dá um chute e ganha um rio de dinheiro. Além do que, eu acho que eles, os jogadores, todos são escravos, porque eles são negociados como mercadoria. O jornal República Jahuense procurou entrar em contato com o prefeito e foi informado que ele “um dia conversa com você”.

“Eu acho que nós estamos no começo de uma revolução, porque demora a cair a ficha aqui no Brasil. Mas isso daí parece que está meio engasgado, eu falo por mim e pelo que ouço e leio, acho que a bagunça vai ser grande e, finalmente, o Brasil vai ter como gritar”.

também. Este prefeito não emplaca de novo. O Rafael teve uma chance enorme de fazer a coisa fluir e fazer a coisa andar certo. Só que ele tinha assumido um compromisso com um pessoal antes da eleição, daí ele teve que abraçar gente errada, tem gente errada lá na política com ele e essa gente errada, todo mundo conhece, a cidade é pequena, todo mundo sabe quem é quem na cidade, daí o problema de você abraçar um cara e ir junto com ele, é a identidade que você forma. Como Jaú é pequena, todo mundo vai lembrar-se disso. Isso não é cam-

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REPÚBLICA JAHUENSE

ARTIGO

Telão e bandas fazem a festa do torcedor

A Copa é a Copa

Foto: Arquivo pessoal

JAHU FEST

La Burca, que tem músicas executadas na Europa, toca dia 21 A Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo promove a Jahu Fest para a cidade entrar no clima da Copa do Mundo da FIFA. O evento, que traz o bordão de a maior festa de Jaú, acontecerá entre os dias 12 de junho a 13 de julho, no kartódromo, com transmissões dos jogos do Brasil e shows antes e depois das partidas. Ao todo serão 26 bandas, duas por dia. No local será instalado um palco com um telão e também haverá praça de alimentação. A estrutura ficará por conta de uma parceria entre a prefeitura e uma empresa privada, que tem o mesmo nome do evento. O diretor de cultura Gustavo Pizzolio explica que serão transmitidos todos os jogos do Brasil e nos clássicos que acontecerão nos finais de semana. “Vai ter samba, sertanejo, rock, cada dia um estilo de música”. A ideia do evento é igual ao da Fan Fest, que é a festa oficial da FIFA, também conhecida como festa do torcedor, que acontece nas cidades-sede, onde são transmitidos os jogos da Copa e atividades culturais e de lazer. A Fan Fest surgiu em 2002, durante a Copa da Coreia do Sul, e funcionava como evento de apoio, destinado a animar os torcedores que não conseguiram lugar nos estádios. De acordo com Pizzolio, o cronograma da festa está fechado até as oitavas de final. “Se o Brasil não for para frente, a

gente transmite a semifinal e final”.

PROGRAMAÇÃO • 12/06 Grupo Sinhá •13/06 Armada e Otavio Avante e Navarro •14/06 Gato Carteiro e Piratas do Rádio •15/06 Neno Moura e banda e só de campana •17/06 Vambora •19/06 Matahare •20/06 Free e Matheus e voz do samba •21/06 Lady Jane e La Burca •22/06 AME (Djs)

Tenda

•23/06 100 no samba e Pura Juventude

Em 1970, a palavra de ordem da oposição à ditadura era que se torcesse contra a Seleção Brasileira. Foi cumprida? Não, claro. A ordem foi por terra ao primeiro ataque bem-sucedido da Seleção. A cada gol dos Canarinhos, era uma festa nas ruas e, no dia do tricampeonato, o país inteiro se entregou à folia. Isso se explica pelo fato de o Braaasilll!, o país da bola, não poder ser confundido com o país oficial. Sumariamente, no seu espaço, a vitória é função do talento, e ela implica o respeito à lei, enquanto, no país oficial, há muito espaço para toda sorte de desmando, de desrespeito à lei. Toda tentativa de sabotar o Braaasilll! para combater o país oficial, além se ser contrária à nossa imagem , é contrária aos valores que podem transformar o Brasil num país desenvolvido. No jogo, as regras são as mesmas para todos e o jeitinho não existe; a competência é um requisito básico, mas exige que se leve em conta o outro; o indivíduo é tão importante quanto o grupo, a individualide aí se realiza sem que o individualismo possa prevalecer. Por todas essas razões, o jogo tem uma grande função educativa: ensina a respeitar a regra e dá a noção de limite, sem a qual a cidadania não existe. Trata-se de um recurso poderoso na formação das crianças, pois no seu contexto a lei vigora e quem faz pouco dela é sempre punido. O jogo indiretamente ensina a dizer não e a aceitar a negativa. As manifestações contrárias à Copa são contrárias às crianças e é bom lembrar que as despesas com a mesma são maiores do que o previsto originalmente (quatro bilhões e meio), mas esse custo equivale a um mês de gastos com a educação no Brasil. Bastaria este dado para ser mais do que favorável à Copa. Além de ser fundamental para a formação da personalidade, o jogo também existe para suspender a beligerância – as manifestações contra atentam contra o próprio espírito da civilização. Em Olímpia, onde nasceram os jogos olímpicos, todas as hostilidades – inclusive guerras em curso – eram suspensas, instaurava-se a trégua. Qualquer ato que a violasse era considerado criminoso e era devidamente punido. Podemos ser contrários ao que aí está, mas enfrentar o status quo opondose à Copa, além de ser inútil, é um ato masoquista. O mundo inteiro se prepara para assistir aos jogos no país da bola. Como diz Platini, é tão importante para os torcedores virem para a Copa no Brasil quanto para os muçulmanos irem a Meca. Romper a trégua com manifestaço-

Betty Milan é escritora e psicanalista, autora de “O país da bola”, entre outros. Leia e divulgue para o maior número de pessoas.

es políticas é uma forma de barbárie. A hora é de deixar a nossa grande cultura popular acontecer como pode, valendo-se da improvisação para a qual somos treinados desde a infância, fazendo vigorar o nosso brincar e difundindo a alegria de que somos capazes e de que o resto do mundo precisa. De 1995 para cá, o futebol mudou muito. As regras foram alteradas e o jogo se acelerou . O estilo se globalizou, depende menos do jogador do que do técnico e do time. Mas, apesar da globalização, o estilo brasileiro continua a se manifestar. As jogadas de Neymar e as pedaladas de Robinho são a prova disso. Não brincam como Garrincha, porém, como este, se valem do jogo para se divertir e levar o público ao delírio da alegria. Por tudo isso, evocando a tradição ocidental da trégua sagrada, devemos proteger o Campeonato do Mundo e torcer por um jogo limpo como o de Pelé. Exercitava-se em mostrar que mais vale um bom drible do que um chute na canela. Quando jogou pelo Santos contra uma equipe francesa no Parc des Princes, foi atacado por um beque que o chutou indiscriminadamente. Partiu para a luta, aplicando no outro uma série desmoralizante de dribles, fez valer a Moral do Jogo, que exige o jogo para ganhar. Lembrou que, além de vivermos num país onde penamos por causa da injustiça social e da insegurança, somos súditos de uma monarquia da qual ele é o rei.


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QUE NEYMAR, QUE NADA...

Edu é o jogador mais jovem de todas as Copas do Mundo

Edu foi levado para o Santos por indicação de Pelé; Vicente Feola, técnico da seleção, convocou o jauense, que tinha apenas 16 anos

Tiago Pátaro Pavini

Jonas Eduardo Américo, ou simplesmente Edu, nasceu em Jaú no dia 06 de agosto de 1949. Exímio driblador e dono de uma das melhores canhotas do mundo, o ponta esquerda começou cedo no futebol, na época em que se praticava o futebol romântico. Chegou ao Santos por indicação de Pelé com apenas 15 anos de idade. Sua estreia como titular no time da baixada santista foi no dia 17 de março de 1966, em partida válida pelo Torneio Rio São Paulo. Na ocasião, o Santos goleou o carioca Bangu por 4x0, com dois gols de Edu. As belas atuações no campeonato levaram o então técnico da seleção

brasileira, Vicente Feola, a convocar o craque jauense. Edu é o jogador mais jovem da história a participar de uma Copa do Mundo, em 1966, com apenas 16 anos de idade. O recorde é mantido até hoje. Capaz de entortar os adversários com seus dribles, Edu fez história com a camisa santista. Há quem diga que seus marcadores saíam de campo de maca, após levar dribles desconcertantes. Em outubro de 1974, após o último jogo de Pelé com a camisa do Santos, a torcida entoava o coro: “Ei, ei, ei, Edu é o novo rei”. Pelo Santos, atuou de 1966 até 1976, disputando 584 partidas e marcando 183 gols. É o sexto jogador que

mais vestiu a camisa do Santos em toda a história, e o sétimo maior artilheiro do time. É também considerado o melhor ponta esquerda da história do Santos junto com o lendário Pepe. Pelo alvinegro praiano, Edu venceu cinco campeonatos estaduais, Taça Brasil, Roberto Gomes Pedrosa, Rio São Paulo, Recopasulamericana e Recopa Mundial.

Pós Santos

Após deixar o Santos em 1976, Edu teve uma rápida passagem pelo Corinthians, onde venceu o paulista de 1977. Já em 1978, atuando pelo Colorado do Paraná, foi artilheiro do estadual com

oito gols. Seu último clube foi o Dom Bosco, de Mato Grosso, em 1985. Após deixar o futebol, ainda defendeu a seleção brasileira de másters. Na seleção brasileira Edu disputou 54 partidas pela seleção canarinho e marcou 12 gols. Nas eliminatórias para a Copa de 1970, Edu foi considerado o melhor jogador da competição. Mesmo assim, por opção de Zagallo, Edu foi para a Copa do México e não saiu do banco de reservas do time tricampeão. Edu disputou 3 copas do mundo: em 1966 (Inglaterra), 1970 (México) e 1974 (Alemanha).


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FIQUE DE OLHO!

Tribo de Jah abre Festival de Inverno

tar 30 anos de carreira e está trabalhando o novo disco, “Pedra de Salão”, 15º álbum do grupo. Além da sua inquestionável qualidade em tocar o autêntico roots reggae, com suas mensagens de paz, amor, políticas sociais e divinas, a Tribo de Jah também é conhecida por seus integrantes terem deficiência visual. Quatro músicos são cegos e um tem visão parcial. O gru-

po se conheceu numa Escola de Cegos na metade dos anos 80 e é formado por Fauzi Beydoun (voz e guitarra), Zé Orlando (voz), Netto (guitarra), Frazão (teclados), Achiles Rabelo (baixo) e João Rodrigues (bateria). O novo disco “Pedra de Salão” traz de volta a essência da cultura raggae, que segundo Fauzi, o vocalista e líder da banda, tem perdido suas características originais por conta de novas tendências. Pe-

dra, em São Luís do Maranhão, nada mais é do que o reggae do momento, o sucesso que toca nos salões; a “pedra” se dança ‘agarrado’, ou seja, tem que se tirar uma parceira para dançar e quando a pedra é boa mesmo, se vacilar, não fica ninguém sobrando pra dançar. O grupo só passou a se chamar Tribo de Jah no início dos anos 90 e em 1992 lançou o primeiro disco, “Regueiros guerreiros”, sucesso até os dias de hoje. Em 1994, lançou o segundo disco, o LP “Roots reggae”. A banda gravou, em 2001, o importante trabalho “A Bob Marley”, exaltando os 20 anos da morte do cantor e no qual foram incluídas versões em português de suas composições. O CD reuniu 16 músicas, dez delas gravadas ao vivo em show no Bar Opinião, em Porto Alegre. O disco ainda contou com participações especiais: Samuel Rosa (Skank) em “Um só amor”, versão para “One love”; Falcão (vocalista do Rappa) soltou a voz em “Guerra”, versão para “War” e o integrante do Charlie Brown Jr., o cantor Chorão, interpretou “Mundo em confusão” (So much trouble). Em 2003, o grupo lançou no Canecão o CD “Guerreiros da tribo”, pela gravadora Indie Records, disco no qual incluiu “Floradas de amor”, “Neguinho babaçu”, “Povos do terceiro mundo” (versão de Fauzi Beydoun da música do africano TikeJah Fakoly) e ainda a faixa de trabalho “Rainha da sedução”. Em 2008, foi lançado o Refazendo, com algumas releituras de momentos importantes da banda. Com muitas de suas músicas cantadas e gravadas em português, inglês, francês e espanhol, a Tribo de Jah tornou-se referência musical para novas bandas por toda a América, além de países da Europa e da África.

Banda Vision se apresenta hoje no Comunitário

Em Jaú também tem uma banda com história parecida com a da Tribo de Jah. A banda Vision é formada por seis músicos, sendo que quatro são cegos, uma pessoa com 5% de visão e um estrábico. O grupo nasceu dentro da Associação e Movimento de Assistência ao Indivíduo Deficiente de Jaú e Região (Amai - que trabalha com deficientes de todas as vertentes: visual, auditiva e múltipla) e é formado pelo guitarrista Tiago Esquerdo (vocal), tecladista Fábio Leal, percussionista José Donizete Marques, baixista Estevam Rogério (vocal), tecladista solo Iara Silva e pelo baterista Tuca Melges. O baterista e presidente da Amai Tuca Melges diz que “banda, hoje, é bem reconhecida” e já se apresentou na Reatech, feira internacional com produtos para deficientes, que acontece na capital paulista. De acordo com Melges, a ban-

da hoje é chamada pela qualidade que tem, “pois quando tomei posse da entidade, em janeiro do ano passado, percebi músicos de qualidade ali que estavam ociosos e sem o real valor, precisando de um impulso”. O repertório da Vision passeia pelo rock pop de John Lennon, RPM, Jota Quest, Ana Carolina e Seu Jorge, além de axé e forró, já que a banda também acompanha o músico sertanejo Jefferson, com quem já gravou um DVD. A Vision ainda não toca nada da Tribo de Jah, mas informa que já está para “tirar músicas deles”. Ainda de acordo com Melges, os convites começaram a surgir e a cada apresentação, as pessoas percebem a qualidade da banda e se surpreendem com o som. A banda Vision se apresenta hoje, às 14h, no Centro Comunitário. Para o próximo mês já está agendada para uma feira na APAE.

Além da inquestionável qualidade em tocar o autêntico roots reggae, a Tribo de Jah também é conhecida por seus integrantes terem deficiência visual. A lendária banda de reggae Tribo de Jah vai abrir o 23º Festival de Inverno e promete um show dançante. A informação é do diretor de cultura Gustavo Pizzolio. A programação do festival ainda não está fechada. Segundo o site oficial da Tribo de Jah, o evento está marcado para o dia 19 de julho, no Parque Rio Jaú e será aberto ao público. A Tribo de Jah está para comple-

Tuca Melges, presidente da AMAI, que incentivou os colegas


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