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“As pessoas estão querendo parar o tempo, estão usando recursos estéticos e cirúrgicos para bloquear um processo natural da vida.”

/A Moda na Mídia e no Social/ Fui um adolescente como qualquer outro com todas as dificuldades possíveis deste período. Os anos se passaram e comecei a me perceber cada vez melhor. Eu que tinha todos os complexos fui vendo meus diferenciais que tanto me incomodavam se tornarem minhas características mais marcantes. Com muito trabalho, fui melhorando meu corpo sempre pensando em tê-lo saudável. Um dia aprendi a ouvir minha respiração e isso me fez reaprender a ouvir o meu corpo e seus sinais.

/Fause Haten/

Cada dia me sinto melhor e mais confiante e assim percebi que essa mudança também aconteceu na forma que o mundo me vê. Me sinto mais forte, mais belo, mais sensível e percebo que o mundo me sente assim. Hoje, sou um profissional, um homem admirado, uma pessoa amada e olho ao meu redor e tenho vontade de falar para as pessoas: - Eu gosto de mim como sou! Sendo um estilista de moda e em contato com a vaidade das pessoas, sinto que o mundo está vivendo um mal muito sério e generalizado: a infelicidade e a insatisfação.

/Saiba mais sobre Fause Haten/ Considerado um dos mais importantes estilistas brasileiros. Suas inspirações são distintas: as pessoas, as artes, a noite, todo e qualquer elemento cotidiano toma forma através das mãos de Fause. Já desfilou em Nova York e Milão, para onde levou sua moda sensual e sofisticadamente artesanal. Esse DNA somado à figura forte do estilista em seu próprio país elevou Fause à internacionalização de sua marca. A cada coleção Fause Haten consegue fazer o mais difícil: surpreender. Seu público, a crítica e suas exigentes clientes acompanham uma trajetória de sucesso que no auge de sua maturidade criativa ele considera um aprendizado.

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Vejo pessoas de todas as idades, altura ou peso, infelizes com o que têm ou são. Percebo uma preocupação em se ter beleza e não saúde. Quero dizer às pessoas, e principalmente aos jovens, que “as diferenças fazem a beleza da humanidade, que pertencer a um grupo e ser mais um não é a solução dos

problemas...”. Algo que tenhamos diferente daquilo que é “padrão” deve e pode ser valorizado e não escondido ou disfarçado. Grandes mulheres tinham o nariz grande, mulheres elegantes, belas, amadas, admiradas: Maria Callas, Paloma Picasso, Diana Vreeland. Usaram cabelos importantes, batons vibrantes, olhos negros, roupas vistosas. A grande descoberta... a beleza do mundo, está na diferença! Na singularidade! Seios fartos, grandes pernas, cabelos volumosos, bocas grandes, gordinhas sexy, baixinhas, VIVA a diferença! 1, 2, 3, 16, 21, 33, 42... contar os anos de vida, acredito que seja o início de todo o problema. Essa contagem estabelece fases, define início, meio e fim. Não é necessário. Vivemos em um mundo onde tudo é possível, onde claramente ninguém sabe o dia de amanhã nem para o indivíduo, nem para o planeta. 47? Nem parece... 52? Nossa, você está ótimo... E daí? Vivemos em transformação. O espermatozóide encontra o óvulo e o transforma. Surge O Ser! Um ser singular, um ser que não será igual a mais nenhum no mundo, e que vai passar a vida se transformando. As transformações são sempre muito bem-vindas. O primeiro dente, os primeiros passos, a puberdade, os músculos, a criança se torna homem e mulher. E aí começa... E dizem que o tempo deveria parar, que deveríamos permanecer

jovens, que deveríamos estar sempre felizes. Do que percebo, as pessoas estão querendo parar o tempo, estão usando recursos estéticos e cirúrgicos para bloquear um processo natural da vida. E estão ficando sem vida, plastificados, sem identidade, sem desfrutar as maravilhas que o tempo traz. E dizem... Mas eu quero permanecer forte e viril. Não quero ser como meus pais que aos 50 anos eram senhores e senhoras. Qual o problema? A experiência de vida vem com a sabedoria, a calma, a segurança, quem foi que disse que as transformações da vida após os 40 anos não são mais maravilhosas do que as da adolescência? Quem foi que disse que a idade está associada à falta de vigor ou de saúde? O mundo se acostumou a ver o idoso em asilos à espera da morte. Os cabelos brancos eram sinal de velhice, e a velhice, sinal da morte, portanto os cabelos brancos deviam ser escondidos. Mas o mundo mudou... a expectativa de vida aumentou. Hoje, os 40 anos são o auge da vida de uma pessoa. Os 50 são uma idade iluminada. Os 60 carregam uma grande sabedoria. Os 70 a liberdade. Hoje olho essas pessoas e penso no quanto viveram e o quanto conhecem da vida. Quero chegar ao ano 2050 sem somar quantos anos vivi... Quero apenas ter a deliciosa sensação da sabedoria, da experiência, da tranqüilidade e da falta de ansiedade.

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Think and Love - 1ª edição  

1ª edição da revista Think and Love

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