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“Desenvolvimento econômico E sustentabilidade não podem ser modismo, mas podem, e também são, uma questão dA moda.”

/A sustentabilidade nas passarelas/ O planeta está em alerta. Basta ligar a TV, passar a vista em um jornal ou simplesmente colocar os pés para fora de casa para perceber que, como diria Caetano Veloso “alguma coisa está fora da ordem”. Religiosos ou céticos, não há como não ver (e sentir na pele) que a natureza está cobrando o preço pelo seu uso indiscriminado. Somos lembrados a todo momento sobre a importância da conscientização e atuação cotidiana para reverter ou, ao menos, minimizar a atual situação climática do planeta. Alguns acreditam que “é tarde demais”, mas há quem não fique estático a um mundo que não pára de se transformar, quem não se conforme com a massiva e constante destruição da natureza, abismo social e falta de participação dos cidadãos no futuro do planeta. Para muitos, tudo isso pode ser considerado “piegas” e “modismo”, mas há quem acredite na mudança como questão de sobrevivência. Desenvolvimento econômico e sustentabilidade não podem ser modismo, mas podem, e também são, uma questão da moda. Em todo o mundo vemos (bons) exemplos de projetos de sustentabilidade vinculados à moda, da novidade “I’m not a plastic bag”, a chamada “bolsa verde”, uma bolsa de compras lançada pela estilista Anya Hindmarch, em Londres, com a finalidade de diminuir o uso da sacola plástica, até a criação da marca Red, pelo líder da banda U2, Bono Vox, e empresas como a American Express, GAP e Giorgio Armani, que revertem parte de sua receita para financiar o

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combate à Aids na África. No Brasil, muito tem sido feito no mercado da moda em prol da sustentabilidade do planeta. Um dos projetos pioneiros e de maior repercussão foi a criação da organização e-brigade, movimento de combate à desinformação ambiental que nasceu a partir de uma iniciativa do estilista, empresário e diretor de criação da Osklen, Oskar Metsavaht, em 2000, junto com biólogos, ambientalistas, artistas plásticos, designers, entre outros profissionais e pessoas com preocupação em comum que se uniram contra a degradação do meio ambiente. Inspirado na atuação do e-brigade, de combate à desinformação, surgiu o Instituto e, que vai além da conscientização ambiental e adota o paradigma de “desenvolvimento humano sustentável” proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Neste sentido, o Instituto e se propõe a divulgar opções de visão sustentável, que perpassa o dia-a-dia das pessoas, fazendo com que a pauta da sustentabilidade ultrapasse as questões ambientais e ganhe impacto no cotidiano. Um dos projetos de maior visibilidade e, por isso mesmo, de maior impacto social, do Instituto e é o e-fabrics, que tem como foco identificar para o mercado matérias-primas (tecidos e materiais) utilizadas pela indústria têxtil e produtores de moda em geral. Utilizar a moda como veículo de conscientização é o grande mérito do Instituto e, por meio do e-fabrics.

Esta ampla pesquisa de identificação de material de origem sustentável relaciona os mais diversos materiais, que possuem em sua essência produtiva critérios que compatibilizam o manejo e a utilização racional da natureza, gestão de resíduos ou até mesmo preservação cultural de nossas etnias e tradições de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas do norte ao sul do país, de forma a se identificar um caminho concreto para um consumo mais racional em prol do desenvolvimento sustentável do planeta. Hoje o e-fabrics conta com mais de 15 diferentes categorias de materiais de origens recicladas, orgânicas, naturais e/ou artesanais, dentre elas: malhas, sedas e lãs artesanais, couro vegetal treetap, couros de animais de origem controlada, látex da amazônia, materiais de pet reciclados,biopolímeros,tecidos tingidos com pigmentos naturais, entre outros. O Instituto e, no seu papel de comunicar à sociedade novas alternativas de consumo consciente, elaborou critérios de avaliação destes materiais e de suas comunidades ou indústrias de origem, com o objetivo de transmitir sua avaliação sobre estes materiais aliada a uma comunicação e design apurado que os tornem objetos de desejo.

Glória Coelho, Reinaldo Lourenço, Fause Haten, Tereza Santos, Huis Clos, Samuel Cirnansck, Lino Villaventura, Alessandra Silveira e Mário Queiroz - mostraram criações produzidas com tecidos fornecidos por empresas, vilarejos ou agricultores que respeitam as normas de sustentabilidade. A prova de que é possível ser criativo, obter bons resultados estéticos e ter responsabilidade com o meio ambiente. O e-fabrics oferece ao mercado de moda a opção de trabalhar com tecidos e materiais que respeitam a biodiversidade brasileira, divulga e contribui para o escoamento da produção de artesãos e indústrias conscientes e, por fim, desperta no consumidor o desejo de adquirir produtos ecologicamente e/ou socialmente corretos com reconhecido apelo estético. Um exemplo a ser seguido e que nunca deve sair de moda.

Foi assim que, na última edição de inverno do São Paulo Fashion Week, em janeiro deste ano, o desenvolvedor e principal nome do Instituto e, Oskar Metsavaht, colocou na passarela do principal evento brasileiro de moda, e nos corpos das mais belas modelos, a questão da preservação ambiental por meio do desfile da Osklen. Muito além de atingir o consumidor de moda, Oskar e o Instituto e alcançaram os “produtores” de moda, no SPFW, com o Espaço e, onde 12 estilistas de renome como Alexandre Herchcovitch, Patrícia Viera, Osklen,

A imagem do Oskar da capa e as imagens desse artigo fazem parte do documentário “e-fabrics”, produzido pela BL Prooductions e disponível no site thinkandlove.com.br

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Think and Love - 1ª edição  

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