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“Do momento em que acordamos ao momento em que vamos dormir estamos em contato com a tecnologia. E isso tende a aumentar exponencialmente com a ajuda da miniaturização.”

/The book is in the table/

/Leandro Cruz de Paula/ /Saiba mais sobre Leandro Cruz de Paula/ Leandro Cruz de Paula assume a Gerência de Vendas do MSN Brasil. O executivo é formado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, com MBA pela University of Pittsburgh - Katz Business School e, atualmente, também é professor de Marketing do curso de MBA da ESPM. Leandro foi Diretor Geral da G2 do Brasil, agência do grupo Grey/ WPP, implementou os escritórios da StarMedia no Brasil e foi responsável pela área comercial da Rede de Rádios Transamérica.

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Responda depressa: o que é tecnologia? Se consultarmos a Wikipedia encontraremos essa definição: “É um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento.” É uma definição que abrange bastante coisa. Se pensarmos assim, uma simples mesa pode ser tecnologia, pois envolve o conhecimento técnico do marceneiro e as ferramentas e processos para ser produzida. Além disso, boa parte das mesas que usamos hoje em dia é de algum tipo de compensado de madeira, portanto um “material criado” para tal fim. Esta é a definição, ou pelo menos uma delas. Mas a verdade é que não é assim que pensamos em tecnologia. Geralmente associamos o termo tecnologia a algo avançado, que envolva chips, telas de LCD, metais compostos de ligas ultramodernas e leves, fibras-óticas e muito outros elementos. Quando pensamos em tecnologia, principalmente a geração que cresceu assistindo aos Jetsons, pensamos em uma categoria à parte de produtos. Um grupo de coisas produzidas por cientistas e engenheiros em laboratórios avançados para fazer coisas que simples mortais não conseguiriam sem auxílio. À medida que as novas gerações já nascem com todas essas facilidades incorporadas ao seu dia-a-dia, o entendimento do que é tecnologia muda. A Microsoft conduziu recentemente uma pesquisa em 10 países, incluindo o Brasil, e perguntou a jovens como eles interagiam com a tecnologia. Em vez de discussões entusiasmadas, a resposta que veio dos grupos de discussão foi uma série de caras de interrogação. “Como assim, tecnologia?” perguntavam eles. Ao serem

“introduzidos” a um conceito próximo ao que tentei explicar no parágrafo anterior eles respondiam: “Ah, essas coisas...”. O que para nós é tecnologia, para eles são simplesmente “coisas”. O que identificamos nessa pesquisa é que essa divisão entre o que é tecnologia e o resto não acontece para essa nova geração, que já no berço teve seus choros e mamadas monitorados por “babás-eletrônicas” com vídeo. Os fabricantes de produtos de tecnologia gostam de usar o termo ubiqüidade, que designa a qualidade de estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Essa é a forma como a tecnologia já está sendo entregue e é assim que devemos pensá-la daqui pra frente. Uma forma ubíqua. Quer ver? Hoje em dia já se vendem mais câmeras digitais embutidas em celulares do que separadas. Quer um exemplo ainda mais simples? Poucos motoristas atualmente sabem o que é ou para que serve um carburador. Isso acontece porque os carros vêm com injeção eletrônica, uma tecnologia que faz com que a experiência de usar um carro seja muito mais tranqüila e agradável do que quando os motores tinham carburadores. Você podia até não saber o que era um carburador, mas sabia que existia e estava dentro do motor, mesmo que fosse para ter o que culpar quando seu carro engasgasse por estar frio ou com sujeira no motor.

em que acordamos ao momento em que vamos dormir estamos em contato com a tecnologia. E isso tende a aumentar exponencialmente com a ajuda da miniaturização, processadores mais rápidos e leves, telas sensíveis ao toque, softwares capazes de reconhecer linguagens não “tecladas” ou faladas, como também expressões faciais ou movimentos do corpo, entre outras coisas. Algumas empresas combinam essas novas tecnologias e lançam produtos inovadores a partir da soma, às vezes inusitada, de várias inovações. Um exemplo disso é o Segway, aquele “patinete” motorizado que se mantém em pé graças a vários giroscópios embutidos em sua estrutura. Ou mesmo o iPhone, que consegue eliminar o teclado em benefício de uma enorme tela, ao usar várias tecnologias de reconhecimento dos movimentos dos dedos. Outro exemplo é o Surface, uma mesa apresentada recentemente pela Microsoft que não só interage com os movimentos das mãos, como também reconhece vários objetos colocados sobre ela, de cartões de crédito e câmeras digitais a drinks em um bar. A promessa do Surface é a de redefinir a forma como pensamos em computação hoje em dia. Adeus ao conjunto monitor, teclado e CPU. Bem-vinda a era da ubiqüidade, em que até sua parede pode ter tecnologia suficiente para que você possa falar com as paredes sem parecer louco. Se imaginarmos as aplicações possíveis para essa tecnologia é fácil pensar em arquitetos desenvolvendo seus projetos, pessoas brincando com suas fotos, jogos de tabuleiro surgindo como num passe de mágica ou mesmo aulas em que todo o material didático aparece na própria superfície da mesa. Talvez no futuro aquela famosa aula de inglês tenha que ser alterada para “The Book is IN the table”.

A tecnologia embutida nos mais diversos produtos demonstra que os jovens entrevistados na pesquisa estavam certos ao se surpreenderem com a pergunta. Interagir com tecnologia é viver. Do momento

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Think and Love - 1ª edição  

1ª edição da revista Think and Love

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