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“Novas tecnologias influenciam direta e indiretamente o comportamento e o relacionamento do consumidor com marcas e produtos.”

/A comunicação depois de amanhã/

/Ricardo Cavallini/

/Saiba mais sobre Ricardo Cavallini/ Diretor de Mídia da F/Nazca Saatchi & Saatchi, Ricardo Cavallini é autor do livro “O Marketing Depois de Amanhã”, que fala sobre o impacto da tecnologia sobre o marketing nos próximos 15 anos. É professor do Curso de Extensão de Marketing Direto da Abemd e já prestou consultoria às maiores agências do Brasil. Com mais de 18 anos de experiência em comunicação interativa, foi Diretor de Operações da Euro RSCG 4D, sócio-diretor da Organic, CTO da Trans Burti Network, trabalhou também na Vetor Zero, Globo.com, DM9 e JWT.

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Sinal dos tempos. O videogame com propaganda da Coca-Cola é tão transparente para adolescentes como o ioiô da mesma marca foi para quem é da minha geração. Quem foi criado e treinado para enxergar tecnologia como uma entidade distante pode ter dificuldades para entender os dias atuais. Se você tem um filho com menos de 15 anos, converse com ele. Perceba que, para ele, a tecnologia é tão transparente quanto o ar que respiramos. Para ele, o iPod não é um player de MP3, não é tecnologia, muito menos a revolução da indústria fonográfica. O iPod, para ele, é apenas o iPod. Simples assim. Mas na prática os tempos não mudaram tanto quanto imaginamos, pelo menos não da maneira como gostamos de contar para os mais novos. Geração após geração, a tecnologia sempre foi mudando nossas vidas em pequenos saltos. A televisão da década de 50 e os computadores, algumas décadas mais tarde, são exemplos disso. Se tecnologicamente e culturalmente estamos sempre em uma constante mudança, por que esta sensação de diferença brutal? A diferença não é advinda da tecnologia em si, mas sim da velocidade como ela acontece. Claro, estamos discutindo semântica, pois a velocidade das mudanças é portanto - algo novo. Mas discussões sobre semântica à parte, mesmo tirando o hype, o modismo e o glamour que algumas destas tecnologias ganham na mídia, o importante é que não podemos ignorar este novo cenário. Novas tecnologias influenciam direta

e indiretamente o comportamento e o relacionamento do consumidor com marcas e produtos. Com as mesmas 24 horas por dia, o consumidor divide seu tempo em muito mais mídias que antigamente. E mais: ele passou a ter multitarefa, consumindo várias mídias ao mesmo tempo e, conseqüentemente, prestando muito menos atenção em cada uma delas. O consumidor aprendeu a abstrair as mensagens comerciais padrões. Entender a tecnologia como causadora deste caos é ver o copo meio vazio. O copo meio cheio é enxergar o mundo de possibilidades que a tecnologia abre para marcas se relacionarem com seus clientes de uma maneira mais profunda, interessante e efetiva. Opções com nomes horrorosos como bluetooth, WiMax e RFID tornarão o celular o intermediário entre o consumidor e as marcas, permitindo que os mesmos troquem informações com o ponto-de-venda e a Internet sem necessidade de contato físico. Os mesmos celulares, através da terceira geração e o advento da TV digital, trarão em poucos anos mais 80 ou 100 milhões de consumidores aptos a receber vídeo em qualquer lugar e a qualquer hora do dia. E se estamos falando de TV, vale lembrar que ela não será restrita a um meio ou um aparelho. Apple TV, YouTube, Joost, IPTV, gravadores de vídeo digitais e tantas outras soluções pipocam trazendo para o consumidor um emaranhado de possibilidades e controle sobre o que ele assiste: o que, quando e como

quiser, trazendo um novo significado para o fenômeno conhecido como fragmentação. Segundo o Nielsen, 17,2% dos americanos já têm acesso a um gravador de vídeo digital. Em grandes cidades, como Los Angeles, este número salta para 25,9%. Em outra pesquisa, vemos que apenas 12% destas pessoas não pulam todos ou a maioria dos comerciais através de seus gravadores. Com a entrada de TV digital no Brasil, o cenário se repetirá. Mesmo reconhecendo nossas diferenças, pesquisas como o Net Ratings e a Target Group Index do Ibope mostram que os brasileiros absorvem rapidamente novas tecnologias. Dois exemplos para ilustrar seriam a quantidade de tempo on-line e a característica multitarefa de nossos jovens. Para qualquer ângulo que direcionemos nossos olhares podemos citar um monte destas novidades com nome esdrúxulos, algumas com potencial para mudar o mercado de ponta-cabeça. Lembra do game da Coca-Cola citado no começo do texto? Pois bem, o Wii, novo videogame da Nintendo, bateu recordes de vendas e até hoje, passados 6 meses de seu lançamento, continua não atendendo à demanda. No Japão, quase 50% dos compradores deste videogame não jogavam há mais de 3 anos. Os jogos não são mais um brinquedo de criança, chegaram à massa e estão on-line, possibilitando uma gama de ações antes inviáveis. O Wii está fazendo ao mercado de games o que o iPod fez na indústria fonográfica. Revolução, evolução? A palavra não importa, importa que o cenário mudou e a comunicação também precisa mudar para impactar pessoas de maneira diferente, interativa, criativa. Para conseguir um impacto que tenha capacidade de gerar mobilização do consumidor, o plano de comunicação contemporâneo não pode deixar de lado todas estas manifestações tecnológicas, que vão muito além do tradicional comercial de 30 segundos e já estão completamente inseridas no nosso dia-a-dia. Está na hora de repensarmos nossas ações.

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Think and Love - 1ª edição  

1ª edição da revista Think and Love

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