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Fotos divulgação

o que você pode fazer em duas temporadas de um seriado”. Com tantas variáveis, fica claro porque não é fácil estar no Olimpo da cultura pop e criar fenômenos como Friends, Seinfeld, Dawson’s Creek, ER, Arquivo X, Barrados no Baile e, hoje em dia, Lost, Heroes ou Grey’s Anatomy. Para conseguir sucessos mundiais é preciso estar duas curvas à frente de todo mundo e captar o rumo dos gostos do público. Afinal, como é que Shondra Rhymes, a criadora de Grey’s Anatomy, consegue se comunicar com uma menina de 19 anos da classe média alta paulistana? Ou ainda, como foi que J.J. Abrams e Damon Lindelof conseguiram criar um programa como Lost, visto por públicos na faixa dos 17, 35 e 66 anos em todo o mundo?

SEX AND THE CITY Poucas séries captaram com perfeição o espírito da mulher de seu tempo. As quatro amigas eram bem diferentes, mas as espectadoras descobriram que tinham um pouquinho de Samantha, de Charlotte, de Miranda e de Carrie em cada uma delas.

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NOVA YORK CONTRA O CRIME A câmera é nervosa, como se fosse um documentário filmado nas ruas de Nova York. Dennis Franz encarnou com perfeição o homem que abre mão dos sonhos por uma profissão que o consome e que o faz receber apenas desprezo da sociedade.

Segmentação. Diga-me que séries tu assistes e te direi quem és. O segredo desses criadores é inventar programas para públicos definidos, seja por faixa etária e gênero, ou mesmo pelas simples preferências pessoais. Grey’s tem um público feminino urbano e jovem enorme. Lost deixa de lado tudo isso, embora tenha um traço ligeiramente masculino, e agrada a quem adora tramas misteriosas. Como define o roteirista Jeffrey Stepakoff, em seu livro “Billion-Dollar Kiss”, sobre a vida de um escritor em Hollywood, se o cinema é o terreno dos diretores, a TV é onde reinam os escritores. E para produzir tantas obras de qualidade correndo contra o tempo e administrando egos de todos os lados é preciso ser meio louco. “Conheci roteiristas que só escreviam pelados, que ficavam fumando charuto no banheiro e ditando piadas para um assistente”, afirma o autor em seu livro. O beijo de um bilhão de dólares ao qual Stepakoff se refere é uma cena da terceira temporada da série Dawson’s Creek, um enorme sucesso internacional, em que a namorada do protagonista beija seu melhor amigo e cria um triângulo amoroso que seria o motor do programa pelos

três anos seguintes. É só a prova de que as séries são tão apaixonantes porque lidam com nossas fantasias e a capacidade de imaginar o que virá a seguir e, ainda assim, sermos surpreendido pelo que surge na tela. Mesmo que seja a mais proverbial das formas de afeto, um simples beijo apaixonado. Basta que nos deixe intrigados, que transforme personagens em uma espécie de família virtual e, claro, nos faça voltar na semana que vem.

/Curiosidade/ Num recente debate no Festival de Cannes (Lions Festival, principal conferência de propaganda do mundo), o roteirista e diretor do Sex and the City, Michael Patrick King, questionado sobre o sucesso do seriado, reforçou que a alma do seu texto foi sempre muito provocativa, mas ao mesmo tempo realista. Comentou também que várias marcas procuraram a equipe de produção para inserirem produtos como merchandising, mas que eles sempre foram altamente fiéis à “vida real” e ao comportamento das personagens. A marca “Manolo” de sapatos, por exemplo, tão citada no seriado, nunca pagou um centavo para aparecer, mas tinha total aderência ao estilo e ao comportamento da Carrie Bradshaw, protagonista da série. Por outro lado, uma bebida vermelha de nome não revelado (seria o Campari?) fez de tudo para entrar no seriado e eles não permitiram, pois, segundo ele, não combinaria com personagens da série que desde o início pediam o “Cosmopolitan”, drink supertradicional em NY, como bebida favorita. Otavio Dias

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Think and Love - 1ª edição  

1ª edição da revista Think and Love

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