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FICHA TÉCNICA renováveis magazine 8 4º trimestre de 2011 Director Cláudio Monteiro cdm@fe.up.pt Corpo Editorial Coordenador Editorial: João Miranda T. +351 225 899 628 j.miranda@renovaveismagazine.pt Director Comercial: Júlio Almeida T. +351 225 899 626 j.almeida@renovaveismagazine.pt Chefe de Redacção: Helena Paulino h.paulino@renovaveismagazine.pt Assessoria Ricardo Silva r.silva@renovaveismagazine.pt Design avawise em colaboração com Publindústria, Lda. Webdesign Martino Magalhães m.magalhaes@renovaveismagazine.pt Assinaturas T. +351 220 104 872 assinaturas@engebook.com www.engebook.com Conselho Redactorial Alexandre Fernandes (Adene) Álvaro Rodrigues (FEUP/Inegi) Ana Estanqueiro (LNEG) António Joyce (LNEG) António Sá da Costa (Apren) António Lobo Gonçalves (EDP RENOVÁVEIS) João Abel Peças Lopes (FEUP/Inesc) João Bernardo (DGEG) Joaquim Borges Gouveia (UA) José Carlos Quadrado (ISEL) Nuno Moreira (UTAD) Maria Teresa Ponce Leão (FEUP/LNEG) Rui Castro (IST) Colaboração Cláudio Monteiro, Ana Malheiro, Maria Manuel Costa, Luís Fernandes, Jorge Mafalda, Paulo Luz, Maria João Rodrigues, João Crispim, Rui Castro, Teresa Ponce de Leão, João de Jesus Ferreira, Hélder Correia, Rui Azevedo, Gonçalo Pinheiro Torres, Mariana Lemos, João Nuno Teixeira, Vicente Leite, José Batista, Orlando Rodrigues, Manuel Vieira Lopes, S. Saraiva, R. Melício, J. P. S. Catalão, J. C. O. Matias, Carlos Cabrita, Henrik Arleving, Filipe Cunha Viana, Alexandre Cruz, David Gallardo, Filipe Pereira, António Sérgio Silva, João Miranda, Helena Paulino Tiragem 5.000 Exemplares Periodicidade Trimestral Redacção, Edição e Administração CIE – Comunicação e Imprensa Especializada, Lda.® Grupo Publindústria Tel.: +351 225 899 626/8 . Fax: +351 225 899 629 geral@cie-comunicacao.pt . www.cie-comunicacao.pt Propriedade Publindústria – Produção de Comunicação, Lda. Empresa Jornalística Registo n.º 243 163 Praça da Corujeira, 38 . Apartado 3825 4300-144 Porto Tel.: +351 225 899 620 . Fax: +351 225 899 629 Publicação Periódica Registo n.º 125808 INPI Registo n.º 452220 ISSN: 1647-6255 Os artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.

renováveis magazine revista técnico-profissional de energias renováveis

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editorial Aproveitamento das vantagens da mini-produção fotovoltaica

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espaço opinião Cão que ladra tem que morder...

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espaço qualidade O marketing interno na perspectiva da gestão de recursos humanos Melhorar ou não melhorar? (2.ª parte)

12 coluna riscos renováveis Inovando Hoje, garantimos o Amanhã 14 coluna vozes do mercado Mini-produção – a alternativa renovável! 16 notícias 34 36 40 44 48 52 56 58

dossier mini-geração Mini-geração: quo vadis? Mini-geração em Portugal: que perspectivas? Enquadramento e perspectivas da mini-produção de electricidade A viabilidade técnica e económica da mini-geração A mini-produção fotovoltaica “Mini-produção” de electricidade – novo regime jurídico “Terreno apto procura recurso para se renovar”

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entrevista “A eficiência energética é principalmente a utilização de energias provenientes de fontes renováveis” – Deodato Vicente, Director-Geral da Weidmüller Portugal “As energias renováveis podem ser aplicadas para benefício de todos” – Nuno Andrade, Gestor de Negócios de Renováveis da Metalogalva “Compromisso de oferecer aos clientes serviços que respondam às suas necessidades” – David Alonso, Director Geral da DASOLUZ

72 investigação e tecnologia Casas em movimento, uma nova geração de casas auto-sustentáveis 76 mundo académico VERCampus – campus de energias renováveis 82 86

artigo técnico Que inversor devo escolher? Instalação de micro-geração fotovoltaica – caso de estudo

90 Geradores eléctricos na nuvem case-study 92 Descrição técnica de uma mini-geração fotovoltaica na Universidade de Aveiro reportagem 98 Formação da Donauer sobre instalação fotovoltaica produtiva na Concreta|Endiel 100 IBC SOLAR apresenta módulo solar estético e eficiente 102 104 108 112 116 120 112 124 128 132 134 136 140 142

informação técnico-comercial KOSTAL Solar Electric Ibérica: uma perspectiva de futuro fotovoltaico, grandes novidades em termos de produtos DEGERenergie expande a sua posição como líder de mercado mundial SMA Solar – escolha de um inversor para a mini-geração Decidir estruturas de alumínio da Extrusal Pro Solar, porquê? Aproveitamento do máximo potencial da energia fotovoltaica em instalações sobre coberturas industriais com IBC Solar Sistemas fotovoltaicos – solução completa OLFLEX SOLAR® da POLICABOS SCHOTT Solar melhora a eficiência dos tubos receptores CSP PAIRAN, parceiro para as soluções globais de sistemas fotovoltaicos Aplicação de renováveis na reabilitação de edifícios – soluções Chatron Miniprodução ERP: sistema fotovoltaico com o melhor rendimento, fiabilidade e garantia Produtos CALEFFI BIOMASS Sistemas fotovoltaicos devidamente protegidos Schüco apresenta nova geração de tecnologia de capa fina no Porto MECASOLAR fornece 11,5 MW para instalações fotovoltaicas

144 produtos e tecnologias 156 renováveis em casa Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos de venda à rede 162 barómetro das renováveis 164 bibliografia 166 calendário de eventos 168 links

Errata ao Artigo Técnico – “Pequenas Centrais hidro-eléctricas em Portugal: passado, presente e futuro”, de Lara Ferreira e António Sá da Costa. Os autores vêm corrigir um erro de não ter sido incluído na lista de referências duas importantes fontes de informação para a redacção do artigo “Pequenas Centrais Hidroeléctricas em Portugal: passado, presente e futuro”, publicado na edição 7 (3.º trimestre de 2011) da Renováveis Magazine: o artigo “Produção de Energia em Pequenos Aproveitamentos Hidroeléctricos. A Experiência das Últimas Décadas em Portugal”, da autoria do Eng.º António Eira Leitão e co-autoria da Eng.ª Maria Manuela Portela, e a apresentação também realizada pelo Eng.º António Eira Leitão no Encontro Nacional de Engenharia Civil, organizado pela Ordem dos Engenheiros e pela FEUP, em Maio de 2011, intitulada “As Energias Renováveis. Estratégia Nacional para o Desenvolvimento das Mini-Hídricas. Intenções e Realidade”. Pelo facto apresentamos as nossas desculpas.

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editorial

Aproveitamento das vantagens da mini-produção fotovoltaica A competitividade das fontes renováveis está no aproveitamento das pequenas vantagens que cada tecnologia nos oferece. Cláudio Monteiro Director

A tecnologia fotovoltaica (FV) é certamente a mais modular das tecnologias. O custo da tecnologia (€/kW) é praticamente o mesmo, seja em pequenos sistemas domésticos de alguns kW ou seja em grandes centrais de dezenas de MW. Isto tem como implicação que os custos de produção (€/kWh) sejam apenas um pouco superiores para o caso dos pequenos sistemas ligados em Baixa Tensão (BT). Mas, embora os custos específicos sejam semelhantes, o mesmo já não podemos dizer do valor que esta energia tem para o sistema eléctrico. Na verdade, o valor é proporcional ao custo da eletricidade em cada um dos níveis de tensão. Com a estrutura tarifária atual, a energia fornecida em BT custa cerca de 40% mais que a energia fornecida em MT. Será justo demitir que a energia fotovoltaica produzida em BT também tenha um valor 40% superior ao da energia produzida em MT. Assim, a mini-produção injetada em BT apresenta várias vantagens para as instalações de consumo: reduz as perdas na rede, em especial as perdas nos transformadores existentes, e evita os custos da instalação de um novo transformador, bem como as correspondentes perdas dos trânsitos para montante. A Lei da mini-produção prevê que, para os consumidores de energia eléctrica alimentados em Média Tensão, com contagem de energia em Baixa Tensão, a ligação da mini-produção possa ser feita em Baixa Tensão, a montante do contador de consumo, instalando um quadro eléctrico próprio. Uma grande parte das instalações, com potencial para instalar mini-produção, têm contagem em MT, o que obriga a alterações da contagem, só permitidas pelo operador da rede de distribuição para postos de transformação com potências inferior a 630 kVA. Este é, na verdade, um entrave incompreensível, no país das “smartcities” e dos “smartmeeters”, somos incapazes de criar uma solução de contagem capaz de calcular a diferença entre um medição de produção em baixa e uma medição agregada em média. Poderíamos mesmo ir mais longe, criando soluções inteligentes de medição agregando múltiplas unidades de produção FV dispersas pela instalação de consumo, com grandes vantagens para grandes instalações alimentados em MT, com vários edifícios e com pequenos espaços dispersos para instalar os FV. Soluções deste tipo, de efetivo “smartmeetering”, poderiam poupar 20% dos custo da instalação FV devido à instalação de um novo PT, poupar 3% nas perdas do transformador de consumo e rede BT, e evitar 3% de desperdício da energia no transformador dedicado da instalação FV. Não há dúvida que necessitamos de pôr a criatividade e a engenharia ao serviço da eficácia, especialmente agora que foi reduzida a tarifa de referência da mini-produção e da micro-geração. Cláudio Monteiro, Director

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espaço opinião

Cão que ladra tem que morder...

Poder-se-á dizer que o sucesso ou insucesso na concretização de uma determinada medida ou política depende mais da capacidade efectiva de a fazer cumprir do que da bondade da medida ou da boa vontade dos seus destinatários.

Ana Malheiro, Advogada

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O sector das energias renováveis é disto um bom exemplo. Durante quase 10 anos, a política europeia para as energias renováveis não fez grandes progressos em larga medida porque a Directiva em vigor (Directiva 2001/77/EC) não impunha aos Estados Membros metas de produção legalmente vinculantes, mas simplesmente metas indicativas. Juridicamente a Comissão Europeia estava assim impossibilitada de interpor uma acção junto do Tribunal de Justiça da União Europeia por incumprimento pelo Estado Membro das metas definidas na Directiva. Por esta razão, em 2009 a Comissão anunciou ter dado início a 61 procedimentos de infracção contra vários Estados Membros por incumprimento de vários aspectos “menores” da Directiva 2001/77/EC. Quem conheça a prática da Comissão em termos de processos de infracção contra Estados Membros saberá que este é um número excepcionalmente elevado de procedimentos que envolve um elevado investimento em termos de tempo e recursos humanos. O objectivo último da Comissão não era porém o de condenar ou eventualmente multar Estados Membros incumpridores, mas antes ganhar aquilo que em Bruxelas se designa por “capital de queixa” junto dos Estados Membros, isto é, do Conselho Europeu. Ao reunir um grande número de razões de queixa relativamente aos Estados Membros em matéria de energias renováveis, quando a Comissão apresentou a proposta de lei para a segunda Directiva das Energias Renováveis, o Conselho – que juntamente com o Parlamento Europeu tem o poder para adoptar as propostas legislativas da Comissão – tinha poucos argumentos para recusar aceitar a imposição de metas legalmente vinculante. E assim foi que, em Abril de 2009 foi adoptada a nova Directiva para as energias renováveis (Directiva 2009/28/CE) desta feita com metas legalmente vinculantes. Nos termos da nova Directiva, se as metas não forem cumpridas pelos Estados Membros, a Comissão pode iniciar procedimentos de infracção junto do Tribunal de Justiça que por sua vez, pode impor multas aos Estados Membros incumpridores. Um outro exemplo da importância de munir a Comissão Europeia de instrumentos adequados para fazer respeitar as suas iniciativas é a recente proposta da Comissão para uma Directiva para a Eficiência Energética.

Como é sabido, o objectivo inicial da Comissão nesta matéria era o de estabelecer objectivos legalmente vinculantes que, da mesma forma que no domínio das energias renováveis, obrigasse os Estados Membros ao cumprimento de metas concretas – nomeadamente a reduzir em 20% o consumo energético da UE previsto para 2020. Porém, depois de ter consultado informalmente o Conselho, a Comissão acabou por ter de voltar atrás. Na sua proposta, recentemente publicada, a Comissão propõe que os Estados Membros sejam obrigados a instituir sistemas de poupança de energia, nomeadamente obrigando os distribuidores de energia a poupar anualmente 1,5% do volume de energia vendido; e, obrigando os organismos públicos a adquirir edifícios, produtos e serviços energeticamente eficientes.

O objectivo último da Comissão (...) era ganhar aquilo que em Bruxelas se designa por “capital de queixa” junto dos Estados Membros

Não questionando o mérito destas propostas, escusado será dizer que não são medidas especialmente ambiciosas. Ainda assim, a actual presidência polaca do Conselho já fez informar a Comissão Europeia ser avessa a qualquer tipo de objectivos legalmente vinculantes. Isto é, o Conselho Europeu proclama que a eficiência energética é uma prioridade da União Europeia, mas na hora de assumir compromissos, assobia para o lado... Assim não dá! Cão que ladra, tem que morder...


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o marketing interno na perspectiva da gestão de recursos humanos A importância crescente dada à satisfação dos Clientes é, cada vez mais uma necessidade. Falo em necessidade, porque durante algum tempo, poderia ter sido entendida como opção, estratégia, orientação. Em gestão de pessoas, também devemos abordar os “recursos humanos” como Clientes, digo devemos pois, na minha opinião, julgo que será o enquadramento mais adequado que lhes podemos atribuir. “Conseguir oferecer produtos e serviços que maximizem a satisfação dos Clientes e, de preferência, exceder as suas expectativas oferecendo mais do que o Cliente espera, é sem dúvida, uma condição base para o sucesso empresarial. Dada a forte componente intangível que nos dias de hoje envolve a comercialização de produtos ou serviços, a vantagem competitiva das empresas não se situa, portanto, apenas no produto ou serviços que transacciona, mas sim, fundamentalmente, no valor acrescentado que este traz.” (Câmara, Guerra, Rodrigues, p.807)

Maria Manuel Costa, mane1976@hotmail.com

Tendo tido uma evolução considerável até aos dias de hoje, o marketing interno ou endomarketing afigura-se como uma ferramenta de gestão pertinente para as organizações, ainda mais, num cenário de crise mundial, de drama, de recessão e de um aumento excessivo de medidas de contenção. Conceptualmente definimos o marketing interno como: uma metodologia de gestão que através de meios, métodos e técnicas tem por objectivo atrair, reter e desenvolver os Clientes Internos (colaboradores das empresas), satisfazendo as suas necessidades e possibilitando-lhes a flexibilidade necessária para se adaptarem com eficácia às exigências da envolvente geral e do Marketing Externo em particular. Estes métodos ou técnicas quando são colocados em prática têm como pano de fundo duas vertentes fundamentais: • Todas as medidas e intervenções em gestão de recursos humanos entroncam numa permanente análise da envolvente e, da integração efectiva com as estratégias que a Empresa precisa para actuar sobre o meio e se adaptar aos Clientes Externos; • Total respeito pelo Homem, pelas suas características e pela sua forma actual de se relacionar com o trabalho, tratando-o como Cliente Interno. É de facto possível implementar e usar ferramentas que nos permitam passar ao Cliente Interno uma preocupação com a sua satisfação, alcançando desta forma uma atitude e uma orientação do meu Cliente Interno para a satisfação e orientação do Cliente Externo. Quando se apresentam as funções como produtos, ou um plano de comunicação como um serviço que pode ser usado pelo colaborador, estamos a aplicar uma pequena “incisão” na mente desse colaborador e, o sinal que este recebe é o de que, alguém está atento, alguém está orientado para o manter satisfeito e preferencialmente em exceder as expectativas que este tem. Sobre o marketing interno muito há a dizer, e será adequado fazê-lo em formato de “gota a gota” para que se perceba a sua mais-valia e aplicabilidade.

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É de facto possível implementar e usar ferramentas que nos permitam passar ao Cliente Interno uma preocupação com a sua satisfação, alcançando desta forma uma atitude e uma orientação do meu Cliente Interno para a satisfação e orientação do Cliente Externo


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melhorar ou não melhorar? (2.ª parte) (continuação da última edição)

Luis Fernandes, ProfitAbility Engineers luis.fernandes@ profitabilityengineers.pt

5. Esteja preparado para as resistências e dificuldades Sempre que se propõe uma melhoria, há quem se sinta ameaçado. Algumas pessoas, porque consideram que “alguma coisa estavam a fazer mal”, outros porque não se sentem confortáveis em terrenos desconhecidos (a mudança). Muito se tem dito, nos últimos tempos, sobre a necessidade de se explicarem as medidas de austeridade, enquanto se pedem sacríficios... Da mesma forma, sempre que se pretender alterar a actual forma das “coisas”, deverá esforçar-se para explicar porquê, o quê e como, implementar as alterações necessárias à melhoria projectada. Esforce-se por remover os medos – ou torne a opção “não fazer nada” ainda mais assustadora! Não há nada como um bom “incentivo”, para promover a dinâmica de implentação. Lamentavelmente, há quem ainda pense que o “Lean” (ou o “Six Sigma”) são veículos de redução de efectivos (pois – despedir pessoas)... Há consultores que não conseguem resistir a este apelo – é fácil, os resultados a curto-prazo são visíveis (especialmente em momentos de quebra de actividade)... mas, e depois? Quem, no seu perfeito juízo, irá contribuir com mais ideias, ou sugestões que, em qualquer momento, lhe podem valer um lugar no “subsídio de desemprego” (com sorte... nos dias que correm). Não nos podemos esquecer, ou ignorar, que as sugestões dos operadores são a “mina de ouro” da melhoria contínua! Ou ainda estamos convencidos que os “tocadores de piano” (os Engenheiros sentados em frente aos seus computadores, nos seus gabinetes) são realmente a ‘chave’ da melhoria contínua?! A melhoria contínua (através dos seus veículos preferenciais do “Lean” ou do “Six Sigma”) é apenas uma forma de trabalhar melhor, com menos esforço, de forma mais eficaz – preservando postos de trabalho e, até, aumentando o número de efectivos, através do crescimento orgânico causado pelas melhorias de eficiência em toda a empresa – aumento da competitividade (melhor produto, menores custos, possibilidade de baixar preços sem perda de margem, aumento de volumes, entre outros).

6. São necessários Líderes, e não ‘managers’ Esta é uma discussão que dá “pano para mangas”!!! Sem querer entrar em definições profundas, ou mesmo em polémicas desnecessárias, arrico-me a dizer que o “Gestor” gere a actividade corrente (o estado actual, ou para alguns, o “As-Is”) e o Líder move as pessoas para um estado melhorado (“estado futuro”, ou “To-Be” – há quem lhe chame, meio a brincar, o “Tobias”).

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A mudança, em sede de melhoria contínua (Lean, Six Sigma, Lean Six Sigma, Process Excellence, Process Improvement, entre outros) requer liderança forte, e determinada em alcançar as metas a que se propôs. É de notar que o grau de “líder” não se obtém por hierarquia, nem por promoção funcional – merece-se! Muitas das confusões se devem, com certeza, à utilização incorrecta da designação no dia-a-dia: “O líder do partido....”, o “Líder de equipa”, o “Líder” disto e o “Líder” daquilo. Serão mesmo “Líderes”? Ou serão Gestores? Chefes? Capatazes? Para ter êxito num esforço de melhoria contínua, em qualquer uma das vertentes comerciais adoptadas, é necessário identificar verdadeiros líderes, em todos os níveis da organização, capazes de transformar as “velhas” formas de pensamento, quebrar com os velhos hábitos e implementar uma “nova” forma de ver e fazer as “coisas”. A este respeito, dizia sabiamente Maquiavel (cerca de 1515): “Não existe nada mais difícil de assumir, mais perigoso de conduzir, ou de sucesso mais incerto, do que liderar a introdução de uma nova ordem das ‘coisas’. Porque o inovador tem como inimigos todos os que se deram bem com as ‘velhas’ regras, e acérrimos defensores nos que se podem dar bem com as novas condições.” Há, portanto, que querer quebrar os velhos hábitos – e para isso é necessário saber ensinar. Este é um trabalho, muito importante, dos mais altos responsáveis da organização – identificar líderes, dar-lhes autonomia (com a devida dose de responsabilidade e autoridade) e liderar pelo exemplo. Definitivamente, na melhoria contínua, não funciona o velho ditado que diz “Faz como eu digo, não faças como eu faço”.

7. Esteja preparado para investir – em tempo e pessoas Já o tinha referido, anteriormente – é necessário ensinar novos métodos às pessoas,


coluna riscos renováveis

por Jorge Mafalda jorgemafalda@joaomata.pt

Inovando Hoje, garantimos o Amanhã Dando, de certa forma continuidade ao artigo da RM anterior e aproveitando a corrente inovadora e de incentivo ao mercado segurador, para abrir a novos tipos de risco com que nos deparamos na área das energias renováveis, gostaria de dar aqui o meu modesto contributo, ao abordar um tema que traduz grandes preocupações e que está relacionado com a Disponibilidade dos Equipamentos de produção de energia, nomeadamente nos aerogeradores e painéis fotovoltaícos. Como será fácil compreender, e já foi aflorado no âmbito de outros temas, todos aqueles que estão envolvidos em processos de financiamento por um lado e negociações com potenciais clientes, para fornecimentos de equipamentos, por outro, já perceberam que determinadas exigências contratuais, poderiam ter uma resolução muito mais simples, caso existissem soluções ao nível do mercado segurador. É com esta preocupação, que partilho um desafio que tenho colocado ao mercado segurador e que visa a estruturação de uma cobertura de seguro, no âmbito das perdas de exploração, a qual designei por Seguro de Disponibilidade. — Como todos nós sabemos, a evolução de um projecto obriga a uma análise de risco financeira complexa, quer pela necessidade de suporte financeiro por parte de entidades bancárias, normalmente através de “Project Finance”, quer pelo recurso a capitais próprios. Contudo, em ambos os casos, existem garantias que têm de ser cumpridas, de forma a minimizar o risco, quer das entidades financeiras quer dos accionistas, respectivamente; — Neste enquadramento, poderemos inserir um projecto de unidade de produção de energia de origem renovável, com toda a sua componente técnica e riscos inerentes, quer sejam de origem externa ou de origem interna bem como as perdas de produção/facturação, que daí poderão advir e que afectarão directamente os resultados do promotor, com reflexo no cumprimento das obrigações junto das entidades financiadoras e em muito casos também junto dos clientes; — Tendo como premissas as situações referidas no ponto anterior, isto é: – Financiamento; – Equipamento; – Perdas de Produção. Estamos perante um novo risco, que, conforme já referi, designo de Disponibilidade e que não é mais do que a reunião de alguns tipos de risco, que têm tido enquadramento nos riscos seguráveis, mas de uma forma isolada. 12

Desta forma, passarei a descrever o meu entendimento sobre este tipo de riscos e a sugestão para uma análise conjunta dos mesmos, segundo uma perspectiva de seguro, dado que se pretende garantir a perda de produção/ facturação de uma unidade produtiva, por força de não se ter atingido a disponibilidade inicialmente definida em consequência da falhas do equipamento e que poderão ter origem no seguinte: — Um incumprimento da entidade que tem a obrigação de fazer a operação e manutenção do equipamento / unidade de produção, enquadrando-se esta situação numa Responsabilidade Civil Profissional; — Uma incapacidade do equipamento no cumprimento da curva de potência referida pelo fabricante, enquadrando-se esta situação numa Garantia de Fabricante; — Uma falta de recurso natural, face à média real/estudo, enquadrando-se esta situação numa Causa Natural (Contingência). Naturalmente, hoje em dia todos nós conseguimos interpretar e compreender o facto de um seguro do ramo de Riscos Múltiplos, ter coberturas tão diversas como, Fenómenos da Natureza, Equipamento Electrónico e Responsabilidade Civil. No caso em análise, feitas as devidas ressalvas quanto ao paralelismo e à complexidade das matérias, estamos na presença de três coberturas que poderão ter um tratamento análogo, mas com uma diferença substancial, isto é, não se pretende garantir os danos directos originados pelas situações atrás identificadas, mas unicamente as suas perdas consequenciais, traduzidas pela falta: — de eficiente manutenção; — de performance; — de recurso natural. que consequentemente afectem a disponibilidade do equipamento. Com uma solução deste tipo, que poderia ser subscrita de uma forma isolada ou conjuntamente, de acordo com as regras de subscrição que os seguradores definissem, poder-se-ia, certamente, avançar com um maior incentivo para o futuro desta área, que continua a ser um motor de desenvolvimento da economia. Gostaria ainda de aproveitar a oportunidade, para desejar um bom ano novo a todos e que 2012, seja, de uma vez por todas, o ano zero para uma nova realidade sócio económica, que nos permita avançar de uma forma sustentada e condigna.

Estamos perante um novo risco, que conforme já referi, designo de Disponibilidade, que não é mais do que a reunião de alguns tipos de risco, que têm tido enquadramento nos riscos seguráveis, mas de uma forma isolada.


coluna vozes do mercado por P. Luz Director Comercial para Portugal da Krannich Solar

Mini-produção – a alternativa renovável! Procurando não aprofundar em demasia a caracterização legal ou técnica da mini-produção, que tem sido repetidamente, de formas diversas e interessantes, debatida em inúmeros meios, fá-lo-ei apenas como nota introdutória. A mini-produção representa para o sector das renováveis em Portugal um pequeno salto face ao regime da micro-produção, publicado em 2007 (Decreto-Lei 363/2007) alterado e republicado em 2010 (DecretoLei 118/A), que permite a produção de electricidade através de instalações de pequena e média potência, associadas a um ponto de consumo, alicerçando desta forma o conceito de produtor – consumidor. A mini-produção (Decreto-Lei 34/2011) nasceu como objectivo claro do governo em “afirmar Portugal na liderança global na fileira industrial das energias renováveis, de forte capacidade exportadora”, estando dividida em 3 escalões de potências de ligação: Escalão I até 20 kW inclusive, o escalão II com ligações superiores a 20 kW e inferiores ou iguais a 100 kW e por fim o escalão III com uma potência superior a 100 kW e inferior ou igual a 250 kW. A grande novidade deste regime é a possibilidade de entidades terceiras, quando autorizadas pelo titular da instalação de consumo, instalarem uma unidade de mini-produção naquele local, através de contrato celebrado entre o titular da instalação de consumo e o terceiro interessado. Como requisitos principais surge a obrigatoriedade que o local esteja servido por uma instalação de utilização (consumo efectivo de electricidade no local de instalação), a celebração de um contrato de compra e venda de electricidade com o mesmo comercializador, que a potência de ligação à rede seja até 50% da potência contratada, a produção renovável deverá ser pelo menos o dobro do consumo anual, e é ainda obrigatória a realização de uma auditoria energética em que o retorno da implementação das medidas de eficiência energética seja igual ou inferior a 2 anos no escalão I, 3 anos no escalão II e 4 anos no escalão III. 14

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O registo em cada um dos escalões é realizado na plataforma SRMmini, gerida pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), em www.renovaveisnahora.pt, devendo o pedido de inspecção ser solicitado na mesma plataforma até 6 meses para instalações de baixa tensão, ou 8 para as restantes, 24 meses no caso das mini-hídricas e 16 meses quando se tratarem de regimes jurídicos de contratação pública ou validação de impactes ou incidências ambientais. Para além do inequívoco contributo deste tipo de instalações para o crescimento do sector das renováveis em Portugal, o natural crescimento do emprego, formação, e desenvolvimento do próprio tecido tecnológico luso, constitui ainda a oportunidade no cenário político e económico de encararmos o futuro com maior esperança. Se aproveitarmos como mote a também usual designação das energias renováveis – energias alternativas – podemos perspectivar o desenvolvimento nacional no contexto da energia e sustentabilidade com enorme optimismo. A mini-produção é efectivamente uma oportunidade crucial para o país de caminhar no sentido de cumprir as metas estabelecidas pela união Europeia e previstas na Estratégia Nacional para a Energia (ENE 2020) em sede de produção de energia renovável e redução das emissões CO2, diminuindo desta forma a sua dependência energética exterior, permitindo uma oportunidade aos particulares, instituições e empresas de, produzindo electricidade, criar uma fonte de receita adicional que concomitantemente lhes permite pagar a sua própria factura energética. Como um dos pressupostos de acesso ao regime de mini-produção é a realização de auditorias energéticas, para implementação e medidas com rápidos períodos de amortização, trilhamos simultaneamente a adopção de medidas que nos permitirão a médio prazo afirmar a economia nacional no contexto da competitividade global. Enquanto profissional do sector, e apesar de ter sempre presente a importância da selecção criteriosa e responsável de todos

Paulo Luz Director Comercial para Portugal da Krannich Solar, licenciado em Administração de Empresas e com formação no sector das Energias Renováveis.

os componentes da instalação, com a inevitável e inquestionável monitorização vital para garantir sempre a melhor performance da instalação, olho para a mini-produção como a oportunidade de rentabilização do espaço (através de investimento directo ou contratos celebrados com terceiros), alteração de paradigmas, aproveitamento estratégico de uma das maiores forças que é a nossa localização geográfica e da criação de uma economia e ambiente mais sustentáveis. Este regime permite-nos a cada um enquanto ser social o seu contributo positivo para “tomar consciência das necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades” (in Desenvolvimento Sustentável, de Brundtland). Ao poder político resta-nos pedir a coragem imperativa para garantir a estabilidade necessária ao correcto e natural desenvolvimento do sector, pois este é o único caminho que me apraz acreditar.


dossier mini-geração

mini-geração: quo vadis? Maria João Rodrigues, APISOLAR

mini-geração em Portugal: que perspectivas? João Crispim, REN e Rui Castro, IST

enquadramento e perspectivas da mini-produção de electricidade

a mini-produção fotovoltaica Hélder Correia e Rui Azevedo, Smartwatt

“mini-produção” de electricidade – novo regime jurídico

Teresa Ponce de Leão, LNEG

Gonçalo Pinheiro Torres e Mariana Lemos, Pinheiro Torres, Cabral, Sousa e Sila & Associados, Sociedade de Advogados, R.L.

a viabilidade técnica e económica da mini-geração

“terreno apto procura recurso para se renovar”

João de Jesus Ferreira, Ad Mensuram, Lda.

João Nuno Teixeira

© Lance Cheung

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dossier mini-geração

mini-geração: quo vadis?

Maria João Rodrigues Presidente da APISOLAR para a Energia Solar Fotovoltaica presidente@apisolar.pt

O que é o regime da Mini-geração? O Regime da Mini-geração é o mais recente regime de incentivo à produção de electricidade solar em vigor em Portugal. O Decreto-Lei 34/2011, de 8 de Março, regula esta actividade e estende as gamas de potências elegíveis para acesso a regime bonificado de tarifa face ao Regime da Micro-geração, enquanto seguindo filosofias procedimentais semelhantes. A mini-geração consubstancia, à semelhança do Regime da Micro-geração, um mecanismo de gestão da procura, tendo igualmente associado a implementação de medidas de eficiência energética. Este regime orienta-se essencialmente para o mercado empresarial (industrial e serviços), complementando o da micro-geração, orientado para o mercado residencial. No Regime da Mini-geração a potência máxima instalável é de 250 kW, sendo aplicável a contratos de consumo em baixa e média tensão. A potência máxima instalável por um potencial mini-produtor está sujeita a duas restrições: não poderá ultrapassar 50% da potência contratada na instalação de consumo; e a energia gerada não poderá ultrapassar duas vezes a energia consumida no ano anterior ao ínicio de exploração da instalação de produção. A tarifa bonificada na Mini-geração estruturase em 3 escalões distintos. No Escalão I, cor36

respondente a instalações de produção até 20 kW, a tarifa é fixa. No Escalão II, referente a instalações de produção até 100 kW, e no Escalão III, referente a instalações de produção até 250 kW, os produtores estão sujeitos a leilão de tarifa, embora independente entre Escalões (ou seja, a competição entre instalações está restrita a cada Escalão). No ano de 2011, a tarifa fixa do Escalão I, e a base de licitação dos Escalões II e III é de 25 cEUR/kWh, aplicável durante 15 anos, sem actualização de inflacção. A tarifa é revista em baixa anualmente, em 7%, para novos licenciamentos. A diferenciação entre Escalões ocorre igualmente ao nível de exigência em termos de implementação de medidas de eficiência energética: no Escalão I, é obrigatória a implementação de todas as medidas com período de retorno simples de 2 anos; no Escalão II de 3 anos; e no Escalão III de 4 anos. No Regime da Mini-geração é possível recorrer a modelos de investimento por terceiros, partilhados ou não, de acordo com uma filosofia de investimento por Empresas de Serviços Energéticos (ESE). O objectivo inscrito na Estratégia Nacional para a Energia (ENE 2020), aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros 29/2010 de 15 de Abril, para a realização de instalações de mini-geração até 2020, é

de 500 MW, resultando numa quota anual de 50 MW. Não obstante, para o ano de 2011 a quota foi estabelecida em 45 MW, distribuída pelos três Escalões de modo não uniforme (vide “Implementação”).

Como se processam os leilões de tarifa? Um candidato a mini-produtor nos Escalões II e III deve aceder ao portal Renováveis na Hora e proceder à inscrição da sua instalação. Nesse momento indica qual o desconto de tarifa que oferece à base de licitação em vigor. Em cada Escalão, separadamente, as inscrições são seriadas por ordem decrescente de desconto. No último dia útil de cada mês é realizada a atribuição de licenças. As licenças são atribuidas de acordo com a seriação de desconto de tarifa até à potência máxima disponível por mês, quota esta que é estabelecida no início de cada ano fiscal pela Direcção-Geral de Energia e Geologia. As instalações às quais é atribuída licença beneficiam da tarifa resultante do mais baixo desconto de tarifa oferecido numa determinada sessão (última instalação da lista de inscrições à qual é atribuída a licença).

Implementação Foram realizadas, até 30 de Setembro de 2011, três sessões de atribuição de licenças


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mini-geração em Portugal: que perspectivas?

A 8 de Março do presente ano surgiu um novo Decreto-Lei (DL), essencialmente com a finalidade de criar e regular um regime bonificado de venda de energia obtida com base em fontes de energia renovável – a mini-geração. Este regime diferencia-se fundamentalmente do criado ao abrigo do DL n.º 363/2007, para a micro-geração, pela sua permissão de ligação de potências superiores. Este artigo visa clarificar o regime agora criado e o respectivo enquadramento na política energética nacional, tecendo ainda algumas considerações sobre a respectiva aplicabilidade em face do actual panorama económico do país. João Crispim, REN Rui Castro, IST jmmcrispim@gmail.com, rcastro@ist.utl.pt

A 15 de Abril de 2010, uma resolução do Conselho de Ministros estabelece que Portugal deve assegurar uma posição “entre os 5 líderes europeus ao nível dos objectivos em matéria de energia renovável em 2020”, afirmando “Portugal na liderança global na fileira industrial das energias renováveis, de forte capacidade exportadora”. Nesse sentido, e em sequência do trabalho desenvolvido pelo anterior governo, foi desenvolvida uma “Estratégia Nacional para a Energia”, com o horizonte de 2020 (ENE 2020). Os pilares para a estratégia definida, sucintamente descritos, foram: • Reduzir a dependência energética do país para 74% até 2020; • Garantir que a produção de 31% do consumo de energia final tenha origem em fontes renováveis; 40

• Aumentar a eficiência energética; • Criar riqueza através do desenvolvimento de um cluster industrial ligado à pro-dução de energia, assegurando a produção de conhecimento, emprego e alteração da balança exportadora; • Criar condições para o cumprimento de metas de redução de emissões estabelecidas. O grande enfoque colocado nas energias renováveis provém, desde logo, do facto de não serem conhecidas reservas de combustíveis fósseis na área territorial de Portugal, bem como deste ser um país com um potencial muito significativo nesta área. Aliadas às questões de recursos, surgem naturalmente questões sobre a necessidade de diversificar o mix energético, garantindo um maior nível de segurança de abastecimento.

Dentro da exploração de fontes de energia renováveis, reconhece-se que a base de produção assenta fundamentalmente na produção eólica e hídrica, pelo que se verificou a necessidade de apostar também na produção descentralizada de pequena potência, como forma de combater potenciais dificuldades de gestão de rede de transporte e adiar o respectivo aumento de capacidade, potenciando ganhos de eficiência por produção localizada face ao consumo, bem como forma de incentivar à eficiência energética. Como factor não desprezável, refere-se o vector de crescimento de capacidade de geração de conhecimento exportável, procurando que a aposta que viesse a ser efectuada em outras fontes de energia renovável fosse potenciadora de criação de clusters em volta de laboratórios de investigação e desenvolvimento.


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© Kostya Kisleyko

enquadramento e perspectivas da mini-produção de electricidade

Teresa Ponce de Leão LNEG teresa.leao@lneg.pt

1. Introdução A micro-geração consiste na produção de energia eléctrica de forma dispersa ou distribuída, por oposição à centralizada, em pequena escala a partir de fontes variadas de energia primária e de diferentes tecnologias de transformação. A micro-geração pode ou não estar ligada à rede eléctrica de distribuição. O acentuado crescimento do número de fontes de produção dispersa ou descentralizada em pequena escala ligadas à rede de distribuição traduz-se num factor de introdução de incertezas nas injecções na rede. Os produtores independentes são entidades autónomas e independentes que produzem energia eléctrica de forma não controlável pela entidade distribuidora. Os que dependem de energias renováveis produzem em função das condições naturais. Estas condições implicam a necessidade de modelizar, de forma a permitir a sua consideração em estudos de planeamento, a potência disponível por parte destes produtores. 44

2. Enquadramento Nacional A produção distribuída ou dispersa como era designada nos anos noventa é a micro e mini-geração da actualidade que foi impulsionada por um lado pela queda de custos por unidade de potência – resultado da evolução tecnológica. Por outro lado, com vista a mitigar a dependência da energia fóssil importada do País e para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, dados os compromissos nacionais face ao Protocolo de Quioto. Para acelerar o investimento em energias renováveis endógenas foram criados incentivos tarifários bastante apelativos ao investimento nesta forma de produção. A produção a partir de energias renováveis nos anos 2000 teve o seu grande sucesso na produção em larga escala em particular na grande eólica em que se perspectivou fomentar investimentos que viessem esgotar o potencial eólico sustentável – potencial calculado a partir das disponibilidades nacionais do recurso cruzadas com as restrições territoriais, ambientais e técnicas (rede). No en-

tanto já em finais de 2001 o Programa E4 – Eficiência Energética e Energia Endógena [2], previa a promoção da micro-geração eólica e fotovoltaica a partir de fontes de energia renováveis, em particular na sua integração em edifícios, e iniciava a revisão de legislação anterior [3] no sentido de permitir e regular essas aplicações. Em Portugal o grande momento da proliferação dos pequenos sistemas surgiu no lanaçamento da mediada “Renováveis na Hora” [4]. O Decreto-Lei 363/2007, de 2 de Novembro de 2007, avançou com um regime simplificado de micro-produção (até 3,68 kW), acessível a particulares, que entrou em vigor em 2 de Fevereiro de 2008 com um enorme sucesso. As regras eram bastante claras, a tarifa era interessante e a interacção com a Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG) estava facilitada através de uma plataforma electrónica. O período de retorno do investimento esperado situava-se tipicamente entre 5 e 6 anos, enquanto o horizonte de funcionamento estava na zona


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a viabilidade técnica e económica da mini-geração

O Decreto-Lei n.º 34/2011 de 8 de Março vem estabelecer o regime jurídico aplicável à produção de electricidade por intermédio de instalações de pequena potência designadas por unidades de miniprodução. Antes de fazer alguns comentários sobre a miniprodução de energia eléctrica, é importante deixar, aqui, a minha opinião sobre os preços da energia e sobre a política energética em Portugal. João de Jesus Ferreira Engenheiro Electrotécnico (IST) CEO da Ad Mensuram, Lda. jesus.ferreira@energyconsulting.com.pt

O programa do XVIII Governo Constitucional estabelece que um dos objectivos para Portugal deve ser «liderar a revolução energética» através de diversas metas, entre as quais «afirmar Portugal na liderança global na fileira industrial das energias renováveis, de forte capacidade exportadora», e apostando na produção descentralizada de energia, simplificando os processos e procedimentos, facilitando a adesão dos cidadãos, empresas e outras entidades. Estes objectivos idealistas e utópicos constituem no mínimo, propaganda política sem reflexos positivos na economia real de Portugal. Antes pelo contrário. Esta política tem agravado de forma insustentável o preço da energia eléctrica, sem quaisquer benefícios futuros para o consumidor. O Decreto-Lei n.º 34/2011 de 8 de Março vem estabelecer o regime jurídico aplicá48

vel à produção de electricidade por intermédio de instalações de pequena potência designadas por unidades de mini-produção. Antes de fazer alguns comentários sobre a mini-produção de energia eléctrica, é importante deixar, aqui, a minha opinião sobre os preços da energia e sobre a política energética em Portugal.

Os Preços da Energia Os preços da energia devem ser reais e transparentes, reflectindo todos os custos envolvidos desde a sua produção até à sua comercialização junto do consumidor final: • Custos de investimento; • Custos de produção; • Custos de transporte; • Custos de distribuição; • Custos de manutenção e exploração • Custos ambientais; • Entre outros.

Na realidade, em Portugal, os preços da energia não reflectem aqueles custos reais, em alguns casos. Os preços dos combustíveis líquidos (refinados), por exemplo, são estabelecidos, normalmente, em função dos preços nos mercados internacionais (quando dá jeito), contendo alguma dose de especulação. Os preços da energia eléctrica incluem uma grande componente que serve para pagar os subsídios às empresas (e particulares) que exploram sistemas de produção com recurso às energias renováveis, como são os casos da produção eólica e fotovoltaica. De realçar que o valor da remuneração do kWh eléctrico, vendido à rede nacional, produzido pelos vários sistemas não deveria ser subsidiado como o é o produzido pelas “renováveis”. Este deveria ser calculado tendo em consideração o real valor que a energia eléctrica tem para o sistema eléctrico nacio-


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a mini-produção fotovoltaica Com a aprovação do Decreto-Lei n.º 34/2011 de 8 de Março, relativo à Mini-geração, as expectativas em torno deste Regime eram bastantes altas e legítimas, o Mercado aguardava por este DL há bastante tempo, mas como estarão os Players a reagir? Tentaremos responder a essas e outras questões. Hélder Correia e Rui Azevedo Business Developer e Project Manager na Smartwatt {helder.correia, rui.azevedo}@smartwatt.pt

I. Análise Mercado Mini-geração Fim de Outubro, fim do Ano, e a Mini-geração já começou? Vamos tentar responder a esta e outras questões... O Decreto-Lei é de Março, as candidaturas e atribuição de licenças em regime FIFO (First In First Out) no escalão I (<20 kW) e em regime de Leilão nos escalões II (< 100 kW) e III (< 250 kW) iniciaram-se em Junho, continuaram em Julho e Setembro e prolongar-se-ão em Outubro e Novembro, tendo a seguinte distribuição: Cotas Anuais Disponíveis (QAD) Sessões

Potência MW

Junho

Escalão

I

II

III

8

2,25

2,9

2,85

Julho

9,25

2,25

3,5

3,5

Setembro

9,25

2,25

3,5

3,5

Sub-total *

26,5

6,75

9,9

9,85

Outubro

9,25

2,25

3,5

3,5

Novembro

9,25

2,25

3,5

3,5

Total

45

11,25

16,9

16,85

* Potência atribuída no Período de Junho a Setembro.

Até ao momento estariam disponíveis 26,5 MW. Há um/dois anos, este cenário parecia muito pouco ambicioso, conservador até, tendo em conta o potencial solar do País e a procura em torno destes sistemas de produção de energia, alavancado pelo sucesso da Micro-geração, pela “onda verde”, pelas rentabilidades geradas e pela facilidade de acesso a financiamento. Augurava-se um grande sucesso para este Regime. Analisando a realidade em termos de atribuição de potência no período, constata-se que, face às QAD, a oferta excedeu largamente 52

a procura, fixando as tarifas do Leilão (escalão II e III) nos 249,9 €/ MWh, tendo sido atribuídos apenas 35%, 31% e 62% do total, para os escalões I, II e III. Esta realidade merece uma reflexão por parte de todos os Players deste mercado (Estado, DGEG, Associações do sector, Empresas e até potenciais clientes), que não está a funcionar. Licenças Atribuídas (LA) Escalão

Sessões

Potência MW

I

II

III

Junho

3,50

1,04

0,85

1,61

Julho

4,77

0,53

1,00

3,23

Setembro

3,30

0,79

1,23

1,29

Total

11,57

2,36

3,08

6,14

Após algumas reflexões concluímos que as principais razões para o insucesso (sim insucesso, porque só foram atribuídas 44% das cotas e ainda veremos quanto será efectivamente instalado) estão relacionadas com a credibilidade do Regime da Mini-geração face ao contexto actual do País. Existem dúvidas quanto ao cumprimento do pagamento da tarifa atribuída durante o período contratualizado (15 anos) entre Produtor e Comercializador. E até as Instituições de Crédito têm relutância em financiar este tipo de investimento, também por essa razão; aliando a isto, entre outras, a contra-informação que existe sobre as (des)vantagens das Renováveis e a falta de histórico no País deste tipo de instalações, faz com que as empresas do sector e os posto de trabalhos envolvidos (cerca de 50.000) se questionem se estão ou não no mercado certo! O histórico existente em termos de potências atribuídas, permitenos traçar o perfil de cada escalão, na tabela seguinte. Pode-se extrair que os escalões estão de certa forma ajustados com a realidade, havendo espaço para instalações maiores em cada um deles;


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“mini-produção” de electricidade – novo regime jurídico

Análise do novo regime jurídico da actividade de pequena produção descentralizada de electricidade, regulado pelo Decreto-Lei n.º 34/2011, de 08 de Março, com destaque para os aspectos mais relevantes como as condições de acesso à actividade, os direitos e deveres do produtor e os regimes remuneratórios e sancionatórios. Gonçalo Pinheiro Torres, Mariana Lemos gmpt@ptcs.pt, mgl@ptcs.pt Advogados da Pinheiro Torres, Cabral, Sousa e Sila & Associados, Sociedade de Advogados, R.L.

Pelo Decreto-Lei n.º 34/2011, de 08 de Março, o Governo português procedeu à revogação do Decreto-Lei n.º 68/2002, de 25 de Março, relativo ao regime da pequena produção de electricidade para auto-consumo, aprovando, em sua substituição, o regime jurídico de produção de electricidade a partir de recursos renováveis, por intermédio de instalações de pequena potência designadas por unidades de mini-produção. Ficou, todavia, expressamente salvaguardada a continuação da aplicação do Decreto-Lei ora revogado às instalações de produção de electricidade licenciadas no âmbito desse regime jurídico. Nos termos do novo regime, a “mini-produção” de energia é entendida como a actividade de pequena escala de produção descentralizada de electricidade, recorrendo, para tal, a recursos renováveis e entregando, contra remuneração, electricidade à rede pública, na condição de que exista um 56

consumo efectivo de electricidade no local da instalação. Por unidade de mini-produção deve entender-se a instalação de produção de electricidade, a partir de energias renováveis, baseada numa só tecnologia de produção cuja potência de ligação à rede seja igual ou inferior a 250 KW. Para exercer a actividade de mini-produção de electricidade é necessário o preenchimento cumulativo, à data do pedido de registo, dos seguintes requisitos: a) dispôr de uma instalação de utilização de energia eléctrica e ser titular de um contrato de compra e venda de electricidade, em execução, celebrado com um comercializador; b) a unidade de mini-produção ser instalada no local servido pela instalação eléctrica de utilização; c) a potência de ligação da unidade de mini-produção não ser superior a 50% da potência contratada no contrato atrás referido; d) a energia consumida na instalação de utilização ser igual ou superior a 50% da energia produzida pela unidade de mini-produção.

A violação dos dois últimos requisitos constitui contra-ordenação punível com coima de € 250 a € 3.740, no caso de pessoas singulares e de € 500 a € 44.800,00, no caso de pessoas colectivas. Estabeleceu-se ainda que o acesso à actividade de mini-produção depende de registo e subsequente obtenção de certificado de exploração da instalação, sendo que, a cada unidade de mini-produção apenas poderá corresponder um registo e não são cumuláveis registos relativos a unidades de micro-produção e de mini-produção. O pedido de registo de uma unidade de mini-produção está sujeito ao pagamento de uma taxa. A entidade titular de um registo para produção de electricidade por intermédio de uma unidade de mini-produção, é denominada produtor. Note-se que pode ainda ser produtor de electricidade, por intermédio de uma unidade de produção, nas condições atrás referidas, uma entidade terceira, que seja autorizada pelo titular do contrato.


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“terreno apto procura recurso para se renovar”

© Google Earth

A actualização do cadastro assume uma importância vital na contratação e legalização dos terrenos, bem como na logística para melhor aproveitar o recurso seja eólico, solar ou outro. Algumas perplexidades e limitações urgem identificar, o que se fará no presente artigo, de modo a auxiliar os agentes envolvidos nas energias renováveis. João Nuno Teixeira Advogado e Pós Graduado em Energias Renováveis joaonunoteixeira-10155@adv.oa.pt

É um dado incontornável que não existe aproveitamento do recurso eólico, solar ou outro se não estiver bem definido o local onde se vai instalar o parque, seja eólico, solar ou outro. Não interessa desenvolver um parque, se não se definir e identificar com muita segurança o terreno sobre onde vai assentar materialmente todo o projecto, bem como os proprietários do mesmo. O proprietário goza de modo pleno e exclusivo dos direitos de uso, fruição e disposição das coisas que lhe pertencem, dentro dos limites da lei e com a observância das restrições por ela impostas – 1305.º do Código Civil. Isto é, do terreno onde se pretende instalar o parque. No entanto, nem sempre o proprietário sabe bem qual o artigo da matriz nas finanças, a inscrição e descrição no registo predial, bem como da realidade física concreta, dita cadastral. E mesmo que saiba, muitas vezes existem insanáveis contradições. Regiões despovoadas, populações envelhecidas e de baixa instrução não ajudam. So58

bretudo quando uma grande parcela dos aproveitamentos eólicos ficam em Serras e os aproveitamentos solares em planícies do interior de Portugal. Por isso, não adianta diagnosticar num dado local se existe recurso renovável susceptível de um bom aproveitamento, seleccionar a área do parque e áreas logísticas adjacentes, se o proprietário ou proprietários não identificarem plenamente o limite das parcelas, as confrontações, o tipo de ocupação do terrenos, as construções existentes, os ónus e encargos sobre o prédio, e outros. Ou de todo não se identificar o proprietário. O promotor do projecto pode ter que realizar os doze trabalhos de Hércules e ter o risco de se tornar um trabalho de Sísifo, se na altura da contratação e posteriores registos obrigatórios, se não tiver os sujeitos e sobretudo o objecto dos vários contratos, compra e venda, superfície, arrendamento... – consoante o fim e a natureza jurídica da relação contratual que se pretende estabelecer – plenamente e objectivamente delimitados. Por isso, este trabalho deve ser iniciado o mais

cedo possível. Para evitar complicações, adiamentos e surpresas no arranque de qualquer projecto. Até porque a má identificação do objecto e sujeitos da contratação, ou seja, se for instalado parte do parque numa parcela de terreno que não pertence ao proprietário que assinou o contrato ou se de todo não ter esse alegado proprietário legitimidade para assinar o quer que seja, pode levar a devastadoras consequências económicas e financeiras para o projecto assente numa das fontes de energia renovável disponíveis. Desde logo esse outro proprietário perturbado no domínio que tem sobre os terrenos pode reagir com os meios que a lei lhe fornece. Na medida em que o seu direito tenha natureza exclusiva, o proprietário tem a faculdade de reagir contra quaisquer actos de terceiro que o violem, nomeadamente através de meios extrajudiciais – Acção directa (Artigos 336.º e 1314.º do Código Civil) e legítima defesa (Artigo 337.º do Código Civil) – e dos meios judiciais, nomeadamente valendo-se da acção de prevenção contra o dano, nos casos em que seja admitida (Exemplo do artigo 1347.º do Código Civil),


entrevista

Deodato Vicente, Director-Geral da Weidmüller Portugal em entrevista à Renováveis Magazine fala sobre o que prevê que o futuro das energias renováveis trará ao mercado. E quais os objectivos do seu novo desafio: ser Presidente do Conselho da Secção de Importadores/Fabricantes da Divisão de Material Eléctrico da AGEFE, e do grupo que aí foi criado, dedicado às energias renováveis!

“a eficiência energética é principalmente a utilização de energias provenientes de fontes renováveis” por Helena Paulino

renováveis magazine (rm): Foi eleito em 2011, Presidente do Conselho da Secção de Importadores/Fabricantes da Divisão de Material Eléctrico. Considera que este foi um voto de confiança por parte dos membros da AGEFE e, consequentemente, dos principais responsáveis pelas empresas do mercado? Deodato Taborda Vicente (DTV): Antes de mais esta eleição deve-se a um honroso convite do anterior presidente Dr. Mário Chaves, pessoa por quem nutro uma especial simpatia e admiração. Mas acima de tudo esta eleição deve-se ao bom trabalho que este grupo de pessoas, que pertence a duas secções e ao conselho de divisão do material elétrico, tem vindo a desenvolver na AGEFE em prol das empresas do sector. Este trabalho reveste-se agora de uma im60

portância acrescida devido ao difícil período que o país e o sector eléctrico em particular estão a passar. Estamos a trabalhar no sentido de ajudar as empresas do sector a ultrapassar as dificuldades. Com este objectivo, irão ser brevemente anunciadas uma série de parcerias e iniciativas que contribuirão, de forma decisiva, para que as empresas do sector estejam melhor preparadas e reforçadas no futuro. rm: Na Secção pela qual é responsável na AGEFE foi criado o Grupo de trabalho “Energias Renováveis”, pelo qual também é responsável. Porque surgiu este grupo e quais os objectivos que lhe estão inerentes? DTV: A ideia que presidiu à constituição de grupos de trabalho das energias renováveis, bem como o da mobilidade eléctrica da efi-

ciência energética e da iluminação insere-se no plano que referi. Ou seja, actualmente existem novas oportunidades de negócio a que o sector deve estar atento. Não podemos repetir erros do passado em que deixamos para outras empresas muitas das valências técnicas que foram introduzidas nos edifícios e nas instalações eléctricas em geral. Recordo por exemplo, os casos da Domótica, da segurança da climatização, em que as empresas nomeadamente, os distribuidores tradicionais do sector eléctrico foram completamente ultrapassados por empresas de outros sectores. Nas energias renováveis existem muitas oportunidades e muitos problemas e o objectivo deste grupo de trabalho é exactamente identificar essas oportunidades e problemas para que as empresas do nosso


entrevista

A Metalogalva é uma empresa 100% nacional que aposta cada vez mais no desenvolvimento de equipamentos para instalações de energia solar. A “renováveis magazine” falou com o Eng.º Nuno Andrade, Gestor de Negócios de Renováveis, e inquiriu como se sente a empresa perante a actual realidade das energias alternativas, sobretudo no que diz respeito a inovações tecnológicas.

“as energias renováveis podem ser aplicadas para benefício de todos” NOTA: Entrevista concedida antes de serem conhecidas as tarifas que irão vigorar em 2012.

por Helena Paulino

renováveis magazine (rm): Qual o percurso da Metalogalva até aos dias de hoje, e o que tem feito ao longo dos anos? Nuno Andrade (NA): A Metalogalva foi fundada em 1971, tendo então uma área fabril de cerca de 500 m2, 3 funcionários e uma facturação anual equivalente a 1.500 euros. Capaz de uma dinâmica de crescimento imprimida pelos sócios fundadores, Adelino Santos Silva e Joaquim Santos Silva, é actualmente uma empresa com grande implantação nacional, estando a sua internacionalização em curso. Já desenvolveu e formalizou o seu Sistema de Garantia da Qualidade, tendo sido certificada, segundo a norma NP EN ISO 9002 em Fevereiro de 2000 e NP EN ISO 9001 em Dezembro, o que foi determinante para manter o sucesso da empresa, num mercado cada vez mais selectivo. Actualmente a empresa comporta três unidades industriais que ocupam uma área to64

tal de 44.000 m2, numa área bruta total de 160.000 m2, tendo ao serviço mais de 400 colaboradores. As unidades destinadas ao fabrico de construções metálicas dispõem de uma capacidade total de produção de 3.000 toneladas/mês. A unidade industrial destinada à galvanização, armazenamento de produtos acabados e expedição dispõe de uma unidade de galvanização por imersão a quente com capacidade instalada de 5.000 toneladas/mês para peças de médio e grande porte, e uma unidade de galvanização com centrifugação, para componentes de pequena dimensão. A facturação na ordem dos 40 milhões de euros resulta da constante evolução tecnológica e aumento produtivo, para o que muito contribuiu a fidelidade e parceria dos seus clientes. rm: A Metalogalva esteve presente, em Junho, na Intersolar, na Alemanha. Como

correu essa presença numa das maiores feiras de tecnologia fotovoltaica a nível internacional? NA: A participação na Intersolar foi a rampa de lançamento da Metalogalva neste sector a nível internacional. O saldo foi bastante positivo, pois sendo uma empresa desconhecida neste sector, a curiosidade dos visitantes foi enorme no sentido de conhecerem as nossas soluções. Esta feira foi também importante pelo facto de estarmos a expôr no mercado líder europeu em potência instalada e desenvolvimento tecnológico, e como tal pretendíamos dar um sinal bastante forte de que podemos competir com os melhores. O retorno deste investimento foi imediato, pois alguns dos contactos efectuados já se traduziram em encomendas no mercado europeu e estamos também em negociações com empresas do Médio Oriente. Convêm salientar que a In-


entrevista

A DASOLUZ já é um nome incontornável no mercado da energia renovável em Portugal. David Alonso explicou como chegaram ao sucesso actual, quais os pilares que permitem à DASOLUZ continuar na vanguarda do seu sector. Os seguidores solares DASOLUZ vieram para ficar, segundo contou à “renováveis magazine”.

“compromisso de oferecer aos clientes serviços que respondam às suas necessidades” por Helena Paulino

renováveis magazine (rm): Qual o percurso da DASOLUZ desde 2006 até aos dias de hoje? David Alonso (DA): A DASOLUZ Energía Solar é uma empresa espanhola criada no ano de 2006. Nasceu no seio de um grupo de profissionais com uma ampla experiência no campo da electricidade e da manutenção industrial, alargando a sua abrangência à área da energia solar fotovoltaica, e assim surgiu a DASOLUZ Energía Solar, à frente da qual estou com o cargo de Director. Desde o início a DASOLUZ baseia a sua actividade no desenvolvimento da energia solar, desde a sua criação, passando e focando a sua atenção na concepção, fabrico e distribuição de seguidores solares em Espanha. A DASOLUZ apresentou um crescimento muito positivo em termos de facturação, tendo passado de uma facturação de 120 68

mil euros em 2006 para 14 milhões de euros em 2011, além do aumento do número de postos de trabalho e que geram mais de 150 postos de trabalho indirectos. Esta empresa espanhola, em pouco tempo, adquiriu um grande prestígio no mercado espanhol, baseando o seu sucesso no compromisso de oferecer aos clientes serviços que respondam às suas necessidades, além de uma firme aposta no investimento em I&D destinado aos benefícios derivados do desenvolvimento e investigação de novos produtos, numa contínua melhoria dos processos de fabrico e na qualidade dos materiais utilizados nos produtos desenvolvidos. rm: Em termos de expansão mundial, em que países podemos encontrar a DASOLUZ actualmente? DA: O prestígio da DASOLUZ não se cir-

cunscreve apenas ao mercado espanhol, e por isso apostamos mais de 500 mil euros para garantir uma expansão sustentada para outros países, valor esse que acrescentamos aos 230 mil euros investido nestes últimos dois anos. Assim, actualmente a DASOLUZ já se encontra presente em países como Portugal, Itália, Índia, EUA, Canadá, Grécia, Argélia, Jordânia, Mauritânia, França, Alemanha, Líbia, Chipre e Roménia, entre outros. E no futuro queremos trabalhar em locais que estão a ter um forte crescimento, apesar da crise, como o Brasil, China, Costa Rica, África do Sul e Marrocos, permitindo-lhe ter uma quota de mercado significativa fora das nossas fronteiras e a curto prazo. Para isso trabalhamos imenso em colaboração com os nossos distribuidores e colaboradores, participando em inúmeras feiras internacionais de grande prestígio e especializadas no seg-


investigação e tecnologia

casas em movimento, uma nova geração de casas auto-sustentáveis O projecto Casas Em Movimento (CEM) nasceu da ideia de construir uma nova geração de casas que juntasse inovação e sustentabilidade. O conceito procurou conceber uma habitação que reage com a natureza, acompanha o movimento do sol, maximizando os ganhos solares, ao mesmo tempo que cria novos espaços interiores e exteriores para os seus habitantes dando respostas à vida quotidiana do século XXI, através de uma habitação que desenha o percurso do sol e dele se alimenta. Sendo todo o equipamento integrado num belo edifício capaz de interagir com a envolvente. Manuel Vieira Lopes Autor e coordenador do projecto “casas em movimento” casasemmovimento@gmail.com

todas as tecnologias da casa. Servirá também de montra para abrir portas, aos alunos e professores para aí testarem as suas soluções com aplicabilidade no protótipo.

Figura 1 Protótipo “cem/faup” a ser construído na Faculdade de Arquitectura do Porto em 2012/2013.

O projecto “casas em movimento” de autoria de Manuel Vieira Lopes (estudante da Faculdade de Arquitectura do Porto (FAUP) nasceu em 2008 no âmbito do Lidera da Universidade do Porto, dando origem a uma “spin-off ” (casas em movimento, lda.) e estabelecido um protocolo de parceria com a Universidade do Porto. A parceria tem como objectivo garantir a construção do protótipo “cem/faup” no campus da Faculdade de Arquitectura no ano de 2012. Para o desenvolvimento do projecto e realização de estudos especializados foi criada a “equipa casas em movimento” coordenada pelo autor do projecto e constituída por entidades do sistema cientifico e tecnológico: • FAUP (projecto estruturas); • FEUP (projecto eléctrico); • INEGI (sistemas mecânicos de movimento); • INESC (sistemas de automação e controlo); • LNEG (eficiência energética e sustentabilidade). O protótipo “cem/faup” irá reflectir todo o conceito e funcionará como um “laboratório vivo”, servindo como um centro de estudos e de investigação para que sejam testadas e optimizadas 72

No desenvolvimento deste projecto a equipa tem vindo a guiar-se por três princípios. Estes princípios tomam em consideração as condições ecológicas, económicas e sociais actuais e marcam a especificidade e originalidade do edifício. O primeiro princípio a salientar prende-se com a preocupação em vincular o espaço da habitação às mudanças dos seus residentes. Numa era em que a mobilidade das pessoas é mais fácil e rápida que em qualquer outra, tornou-se necessária a existência de uma habitação que mantenha um traço contemporâneo face as necessidades de alterações morfológicas ao longo do seu ciclo de vida o suficiente para se adaptar a todas essas mudanças e transformações e evitar que a casa rapidamente se torne desadequada e seja abandonada. Com isto em mente, o protótipo “cem/faup” está a ser projectado como edifício modular “conceito evolutivo – adição e subtracção de modulos”, o que permite serem acrescentados ou retirados divisões, de acordo com a evolução do agre-


mundo académico

VERCampus – campus de energias renováveis* O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) tem vindo a desenvolver, desde meados de 2007, um projeto designado por VERCampus – Campus Vivo de Energias Renováveis, que visa a implantação no seu Campus Universitário de um “Parque Vivo” dedicado à disseminação de Energias Renováveis: solar fotovoltaica, solar térmica, eólica, hídrica, sistemas híbridos, microredes inteligentes (smart grids), veículos elétricos, biocombustíveis e eficiência energética. O Parque de Energias Renováveis foi concebido para estar aberto à comunidade, através de um conjunto de atividades que vão desde o ensino e formação ao longo da vida até à realização de projetos de transferência de tecnologia e de I&D, passando pela disseminação de fontes renováveis de energia e das tecnologias envolvidas, junto da comunidade envolvente, designadamente, empresas, instituições públicas e privadas e escolas de diferentes níveis de ensino. A designação de “Parque Vivo” pretende realçar que estará permanentemente ativo, com a realização de atividades regulares abertas à comunidade em geral. Vicente Leite1, José Batista2 e Orlando Rodrigues3 Instituto Politécnico de Bragança 1 avtl@ipb.pt, 2jbatista@ipb.pt, 3orlando@ipb.pt

Energia eólica Microprodução com turbinas eólicas No âmbito da energia eólica foram instaladas duas unidades de microprodução com turbinas eólicas FORTIS-Montana nos outrora silos da EPAC, junto ao Campus do IPB. A ligação à rede elétrica foi efetuada no âmbito da microprodução, utilizando, para cada turbina, um inversor monofásico Windy Boy 3800, com potência nominal à saída de 3,8 kW. As turbinas utilizam um gerador síncrono de ímanes permanentes, com potência de 5 kWp, o qual é ligado a um retificador trifásico que é responsável pela conversão eletrónica das tensões alternadas numa tensão contínua, que, por sua vez, é convertida em tensão alternada pelo inversor de tensão. Na maior parte dos casos, o inversor é controlado em corrente fazendo com que a energia injetada na rede seja feita sob a forma de corrente sinusoidal, síncrona com a tensão da rede elétrica de modo a garantir um fator de potência unitário e outros re-

quisitos de qualidade de energia como, por exemplo, a limitação de conteúdo harmónico injetado na rede.

Conjuntamente com as turbinas, foi instalado um sistema de monitorização remota para medida da velocidade do vento e de um amplo conjunto de medidas elétricas como, por exemplo, a energia produzida diariamente e total e a potência instantânea.

Microprodução com turbina eólica integrada em microrede No âmbito de uma microrede elétrica, descrita mais adiante, foi instalada uma pequena unidade de microprodução de energia eólica constituída por uma turbina eólica (Fortis, modelo Passaat), com potência de pico de 1,4 kWp, um retificador equipado com uma resistência de potência para dissipar picos de potência e um inversor eólico SMA Windy Boy 1700. Foi também instalado equipamento de monitorização remota (webbox) e um anemómetro para medida da velocidade do vento.

Figura 1 Microprodução com turbinas eólicas instaladas no edifico dos Silos.

Esta unidade de microprodução eólica foi instalada junto ao edifício da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTiG) para tornar * Texto escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.

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renováveismagazine


artigo técnico

que inversor devo escolher? A gama de módulos fotovoltaicos é praticamente infinita. Felizmente, existe o inversor adequado a cada tecnologia de módulos.

Actualmente, os distribuidores especializados já oferecem milhares de tipos de módulos e todos os dias são lançados novos módulos no mercado. Todos os anos são lançados novos modelos, especialmente na área da tecnologia de película fina, mas também existe uma enorme variedade de inversores. O que pode parecer um duplo dilema no princípio, acaba por ser a solução. De facto, existe um inversor adequado a qualquer tecnologia de módulos existente. SMA Ibérica Tecnologia Solar, S.L.

No entanto, nem sempre é fácil encontrar a combinação correcta entre módulo fotovoltaico e inversor. Os módulos têm simplesmente demasiadas características distintas. Existem diversos tamanhos e classes de potência. São disponibilizados com ou sem armações, em versões flexíveis ou inflexíveis, fabricados com processos cristalinos ou de película fina e também com diversos materiais. Do mesmo modo, também existem vários modelos de inversores fotovoltaicos, que usam diferentes topologias e conceitos. Por esse motivo, encontrará aqui em primeiro lugar um breve resumo das características mais relevantes dos inversores para a compatibilidade dos módulos, assim como para as tecnologias de módulos disponíveis. Posteriormente, iremos focar a nossa atenção nos problemas mais comuns na área 82

dos módulos fotovoltaicos e iremos mostrar uma lista das combinações mais adequadas entre módulos fotovoltaicos e inversores que se destinam a evitar estes problemas; organizada por tecnologia de módulos.

Quais são as características mais relevantes dos inversores? Em termos da compatibilidade de módulos, a distinção entre inversores sem transformador e inversores galvanicamente isolados é provavelmente a mais importante. Graças ao seu isolamento galvânico, os aparelhos com um transformador permitem uma ligação à terra do gerador fotovoltaico, que é necessária para alguns tipos de módulos. Dessa forma, todos os módulos do sistema fotovoltaico mudam para o potencial positivo quando efectuam a ligação à terra do

pólo negativo do sistema fotovoltaico, ou para o potencial negativo quando efectuam a ligação à terra do pólo positivo. Isto nem sempre é possível com inversores sem transformador – pelo menos não com os aparelhos disponíveis actualmente. Neles, o potencial de geração é determinado pela electrónica, geralmente dividida mais ou menos simetricamente entre positivos e negativos. Uma certa percentagem de corrente alternada no lado de CC também é determinada pela electrónica: particularmente as topologias mais eficientes provocam a oscilação do potencial do gerador fotovoltaico em cerca de metade da amplitude da grelha. No entanto, esta oscilação do potencial pode tornar-se num problema, caso os módulos fotovoltaicos possuam uma elevada capacidade parasita; neste caso, podem ocorrer


artigo técnico

instalação de micro-geração fotovoltaica – caso de estudo A micro-geração tem como objectivo a produção de energia eléctrica em pequena escala no local do seu consumo final, através de tecnologias de produção baseadas em sistemas fotovoltaicos. Este trabalho apresenta os dados técnicos de uma instalação de micro-geração fotovoltaica localizada na Covilhã, Portugal. Esta é uma área em Portugal com um excelente recurso solar. É apresentada uma descrição da instalação e os principais componentes do sistema. São apresentados também os valores da produção de energia e o retorno económico da instalação. Palavras-chave: micro-geração, energia fotovoltaica, produção de energia, retorno económico. S. Saraiva, R. Melício, J.P.S. Catalão, J.C.O. Matias, C. Cabrita UBI – Universidade da Beira Interior catalao@ubi.pt

1. Introdução O sistema fotovoltaico converte directamente a energia associada à radiação solar em energia eléctrica. A célula solar é o elemento principal do sistema fotovoltaico. As células solares utilizam como material de base o silício monocristalino ou o silício policristalino e apenas mais recentemente apareceram as células de silício amorfo [1]. As células solares são agrupadas em matrizes e módulos também denominados painéis solares. Uma matriz fotovoltaica pode ser um módulo ou um conjunto de módulos ligados em série ou em paralelo, para formar sistemas fotovoltaicos de valor de potência desejado [1]. Os sistemas fotovoltaicos de pequenos valores de potência estão no âmbito da actividade da micro-geração. A actividade da micro-geração tem como objectivo a produção de energia eléctrica em pequena escala no local do seu consumo final, utilizando sistemas fotovoltaicos ou eólicos. A configuração típica de um sistema de micro-geração fotovoltaica é apresentada na Figura 1. Em Portugal o regime jurídico aplicável à actividade da micro-geração é o Decreto-Lei 86

n.º 118-A/2010 do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento. Este diploma cria as condições para produzir mais energia eléctrica em Baixa Tensão (BT) a pequena escala no local do seu consumo final, define o papel das várias entidades envolvidas na micro-geração, os requisitos para o licenciamento das instalações e o valor da tarifa subsidiada aplicável a cada tecnologia. Cabe destacar no diploma a obrigatoriedade para a generalidade dos comercializadores

Rede Pública (EDP)

Módulos fotovoltaicos

Contador de venda

Contador de compra

Inversor de Rede SMA Sunny Boy

CC CA

Figura 1 Configuração típica de um sistema de microgeração fotovoltaica [2].

comprar a energia eléctrica produzida pelas instalações de micro-geração. Têm acesso à micro-geração todas as entidades, nomeadamente, pessoas, empresas, condomínios e entidades públicas que disponham de um contrato de fornecimento de electricidade em BT e a potência da instalação não seja superior a 50 % da potência contratada. O processo de licenciamento de uma instalação de micro-produção passa pelo registo no website criado pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), criado especialmente para o efeito [3]. Uma vez que a viabilidade do registo é confirmada pela DGEG, o micro-produtor dispõe de quatro meses para proceder à instalação do sistema de micro-geração e requerer a respectiva inspecção, no caso das entidades públicas o prazo é de oito meses. A atribuição do certificado de exploração da instalação e celebração do contrato de compra e venda de electricidade está dependente do resultado da inspecção. Após a obtenção do certificado de exploração, para a ligação da instalação de micro-produção à Rede Eléctrica de Serviço Público (RESP), o micro-produtor deve celebrar um contrato de venda de electricidade com um comercializador.


artigo técnico

geradores eléctricos na nuvem Como a informatização em nuvem torna fácil supervisionar e controlar geradores eléctricos através da web A maioria dos geradores eléctricos é remota por natureza. As turbinas eólicas estão colocadas onde há vento, os painéis solares onde há sol e os geradores de segurança em locais onde há energia constante. Consequentemente, monitorizar e controlar um parque de geradores eléctricos dispersos pode ser uma tarefa árdua, que pode representar numerosas deslocações de manutenção e de inspecções de rotina. Tal não constitui novidade para os proprietários de equipamentos e o conceito de gestão remota é, desde há muito, um tema quente. Contudo, a gestão remota tem estado muitas vezes relacionada com soluções complexas,que exigem investimentos avultados e muitos conhecimentos de TI. Com o surgimento da informatização em nuvem, há uma maneira mais fácil de conseguir um melhor controlo e de gerar substanciais poupanças. Henrik Arleving Director da Linha de Produtos, Gestão Remota HMS Industrial Networks

O que é a informatização em nuvem? O termo informatização em nuvem referese simplesmente à Internet. Deriva da forma como é representada graficamente, tipicamente como um diagrama de nuvem.

A vantagem é que pode aceder remotamente a todos os seus ficheiros a partir de qualquer computador, de um telefone ou de outro dispositivo com acesso à Internet.

Registo

Um exemplo de informatização em nuvem é o fornecimento de software como um serviço (SaaS) para distribuir aplicações de software através de um navegador web normal. Tal significa que o software de aplicações do escritório em geral e respectivos dados não estão armazenados no seu PC, mas sim alojados remotamente e são acedidos através da Internet, recorrendo a um navegador web. Utiliza um modelo de negócio diferente, no qual não tem de adquirir o software e o hardware do servidor mas antes os arrenda, pagando apenas quando os utiliza ou pelo volume de dados armazenados. 90

Servidor Principal

Servidor DNS

Como é então que isto está relacionado com a geração eléctrica? A funcionalidade primordial de qualquer gerador eléctrico é que deverá funcionar sempre que for necessário. Contudo, com equipamentos geograficamente dispersos como os geradores eléctricos, pode ser difícil verificar o estado de cada unidade. Observando remotamente parâmetros, como os níveis de combustível, estado da bateria, pressão do óleo, e outros, os engenheiros podem melhorar os tempos de activação e reduzir os custos de manutenção.

Internet

Utilizadores do Website

Uma solução simples poderia ser adicionar um servidor web ao seu gerador, a fim de visualizar os dados através da Internet, embora tal possa deixar a maquinaria vulnerável a piratas informáticos. Contudo, usando o modelo SaaS distribuído através da Nuvem, reduzem-se os riscos e as vulnerabilidades.


case-study

descrição técnica de uma mini-geração fotovoltaica na Universidade de Aveiro A energia solar é a fonte de energia mais abundante na Terra, e Portugal possui excelentes condições para fazer o aproveitamento dessa energia, através da sua conversão em electricidade com o uso de sistemas de conversão de energia fotovoltaicos. A solução para o problema energético português poderá passar também pela produção da própria energia no local onde também é consumida. Uma hipótese possível, que estará à luz das novas regras da mini-geração criadas pelo Governo no Decreto-Lei n.º 34/2011 de 8 de Março 2011 ao alcance do universo de consumidores com contrato com um distribuidor de energia. Antes de mais, convém esclarecer que a mini-geração é a produção descentralizada de electricidade à pequena escala, recorrendo a recursos renováveis e entregando, contra remuneração bonificada, electricidade à rede pública na condição que exista consumo efectivo de electricidade no local da instalação. Filipe Cunha Viana EFACEC Engenharia e Sistemas, S.A. – Unidade Negócio Renováveis filipe.viana@efacec.com

Introdução Os sistemas de mini-geração, para potências de injecção na rede até 250 kW com recurso a sistemas fotovoltaicos podem ser ligados à rede de energia eléctrica, à qual entregam toda a energia que a radiação solar lhes permite produzir, e para este efeito é necessário um inversor(es) que serve(m) de elemento de interface entre os painéis fotovoltaicos e a rede de distribuição, de modo, a adequar as formas de onda das grandezas eléctricas c.c. dos módulos fotovoltaicos, às formas de onda a.c. exigidas pela rede. Assim em resumo, será aproveitar a radiação solar para a produção de energia limpa para vender à rede de distribuição de energia, obtendo benefícios económicos mensais 92

e um contributo para o equilíbrio ambiental do nosso país. A EFACEC é uma entidade instaladora e fabricante de equipamento eléctrico e electrotécnico de reputada competência no sector eléctrico nacional e internacional e possui um vasto leque de referências na área e, em particular, no sector fotovoltaico. Nos últimos anos, a EFACEC projectou e construiu um conjunto alargado de referências no sector fotovoltaico em Portugal, nomeadamente, a Central Fotovoltaica do MARL (6 MW), Central Fotovoltaica do Porto Santo (2 MW), Central Fotovoltaica do Caniçal (6 MW), a ainda, referências em Espanha, França, Índia, República Checa, Eslováquia, Bulgária e Estados Unidos.

Como tal, a EFACEC possui já referências na área da mini-geração, através da aplicação de regulamentos passados e que de ponto vista técnico são semelhantes aos que vão surgir no mercado, sendo exemplo, a central fotovoltaica Parkalgar de 100 kW executada pela EFACEC no Autódromo Internacional do Algarve, ou então, a central fotovoltaica de 100 kW no Monte dos Perdigões em Reguengos de Monsaraz. Tendo em conta que a legislação ainda possui pouco tempo de vigência, não existem ainda muitos sistemas de mini-geração fotovoltaica instalados através da aplicação do Decreto-Lei n.º 34/2011, no entanto, a central fotovoltaica da Universidade de Aveiro com 200 kW instalada também pela EFA-


reportagem

A Donauer organizou um workshop na Concreta|Endiel, no dia 20 de Outubro, dedicado ao tema da Energia Solar. Parceiros da Donauer, como KOSTAL, Bosch Solar Energy e DEGERenergie falaram das suas soluções e inovações e a energia solar foi elevada ao máximo patamar! por Helena Paulino

formação da Donauer sobre instalação fotovoltaica produtiva na Concreta|Endiel Este foi um verdadeiro encontro técnico onde foi abordada a qualidade na instalação solar, os inversores e os painéis solares e ainda os sistemas de seguimento, para além de ser explicada como se realiza uma integração da energia solar térmica em edifícios multifamiliares. A Donauer defende uma filosofia muito exigente que passa por fornecer apenas o melhor, ser competente no apoio ao cliente, e tentando alcançar uma melhoria contínua diariamente. Os clientes e as relações com os fornecedores são um ponto capital. A Donauer defende uma filosofia muito exigente que passa por fornecer apenas o melhor, ser competente no apoio ao cliente, e tentando alcançar uma melhoria contínua diariamente. Os clientes e as relações com os fornecedores são um ponto capital.

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renováveismagazine

Nuno Falcão da Donauer Solar Systems iniciou o workshop com uma pergunta fulcral: para que serve uma instalação solar fotovoltaica? A resposta era simples: produzir electricidade dirigida à produção ou ao consumo próprio. Mas há determinados factores que influenciam a produção de energia solar: as características ambientais, físicas e, obviamente, as características técnicas dos equipamentos. E para assegurar uma boa qualidade numa qualquer instalação solar há

que ter em conta os módulos, inversores e sistemas de montagem. A resposta é, sem dúvida, a qualidade dos equipamentos! No caso dos módulos fotovoltaicos, Nuno Falcão ditou que a sua tecnologia deve ser a mais desenvolvida e estar de acordo com os standards. As características técnicas e mecânicas são elementos fundamentais como a garantia do produto e de produção, e os igualmente importantes testes e seguros. Os inversores devem ter protecção contra sobretensões, garantia e apoio técnico, cer-


reportagem

por Helena Paulino

IBC SOLAR apresenta módulo solar estético e eficiente No passado dia 20 de Outubro, a IBC SOLAR nas instalações da Casa Ferreirinha, em Vila Nova de Gaia, apresentou o seu mais recente módulo fotovoltaico, num encontro onde estiveram presentes Juan Manuel Presa, Country Manager de Portugal da IBC Solar e Ricardo Novaes, Delegado Comercial da IBC Solar para Portugal.

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A IBC SOLAR, juntamente com o seu parceiro COEPTUM, esteve presente na Concreta 2011 – Feira Internacional de Construção e Obras Públicas, que decorreu na cidade invicta de 18 a 22 de Outubro. Paralelamente a esta presença na CONCRETA, esta empresa com 29 anos de experiência e actualmente considerada como uma das maiores integradoras de sistemas de energia solar fotovoltaica do mundo, organizou um encontro na Casa Ferreirinha onde apresentou um novo módulo solar adaptável a edificíos históricos. Ricardo Novaes apresentou aquilo a que chamou “inovação”, o módulo IBC MonoSol 240-245 ET Black, apresentando algumas das suas características. Este é um módulo capaz de suportar grandes cargas de neve e que pode ser utilizado em edifícios históricos protegidos. Ricardo Novaes exaltou que este módulo, além de possuir um perfil fino e células, moldura e placa de fundo em negro o que lhe garante uma elevada integração visual, tem a vantagem de poder ser aplicado de forma económica, fácil e célere. Estas características conferem ao IBC MonoSol 240-245 múltiplas possibilidades de utilização, como residências privadas a projectos de reabilitação urbana e até mesmo

em edifícios históricos e com interesse arquitectónico. Apesar de ter uma aparência discreta, na realidade é um módulo sobejamente resistente, capaz de suportar cargas de neve até 5.400 Pa (5,4 kN/m2). O IBC MonoSol 240 e 245 ET Black cumpre com os mais elevados padrões estéticos e de desempenho, e por isso o seu rendimento encontra-se acima da média graças à sua tecnologia monocristalina com 3 barramentos. Outra das suas vantagens, segundo Ricardo Novaes, passa pela garantia de 10 anos, além de uma garantia de potência linear de 25 anos, com perda de potência inferior a 0,8% anual durante esse mesmo período. Estes são


renováveis em casa

dimensionamento de sistemas fotovoltaicos de venda à rede Pretende-se dimensionar um sistema FV para ligação à rede com uma potência de ligação de P = 3,68 kW, em que o proprietário possui uma área de telhado disponível de 28 m2 (7,0 x 4,0 m). O telhado, não exposto a sombreamentos, está orientado a Sul com uma inclinação de 15º. Filipe Pereira Engenheiro Electrotécnico (ISEP) Professor na Escola Secundária D. Sancho I

1.º Antes de mais devemos analisar as condições de instalação dos locais onde vai ser instalado o sistema FV. Nesta análise deve-se ter em conta o seguinte: • Qual a área disponível para o gerador FV; • Se existem obstáculos e sombreamentos; • Qual o tipo de terreno ou edifício onde irá ser instalado: • Se o telhado onde será instalado, será plano ou inclinado; • Se a localidade onde é instalado, tem uma boa radiação solar.

2.º Escolha do tipo de módulos fotovoltaicos Devemos escolher qual o tipo de módulos FV, isto é, se será do tipo Silício Monocristalino, Policristalino ou Amorfo. Vamos então escolher uns módulos de silício monocristalino, com as seguintes características: • PMÁX. = 175 Wp; • UN = 24 V; • UPMÁX. = 35.7 V; • UOC = 44.0 V; • IPMÁX. = 4.9 A; • ICC = 5.4 A; • Eficiência = 13,9%; • Coeficiente de temperatura da tensão, UOC = - (160±10) mV/° C; • Medidas: 1.584 x 790 x 35 mm.

Efectuando a distribuição dos módulos segundo a largura tem-se: LTELHADO / LMÓDULO = 4,0 / 0,79 = 5,06 m > 5 módulos C TELHADO / CMÓDULO = 7,0 / 1,584 = 4,42 m > 4 módulos Pelo que esta configuração se tem 5 x 4 = 20 < 22. Caso o valor fosse superior à quantidade de módulos calculada poder-se-ia efectuar uma distribuição dos módulos segundo o comprimento. Assim tem-se: LTELHADO / CMÓDULO = 4,0 / 1,584 = 2,53 m > 3 módulos C TELHADO / LMÓDULO = 7,0 / 0,79 = 8,86 > 8 módulos Com esta configuração se tem 3 x 8 = 24 > 22. Pelo que esta configuração não é válida.

4.º Escolha do inversor Aqui deveremos optar apenas por utilizarmos um inversor. Quando estamos perante potências mais elevadas é usual utilizar-se vários inversores fazendo com que a soma da potência deles perfaça a potência total da instalação.

3.º Cálculo do número de módulos FV que a instalação vai ter N = PPFV / PMÁX. = 3800 / 175 = 22 Módulos

A convergência da potência numa só unidade, provoca uma redução da eficiência ao inversor, pelo facto de este encontrar-se a trabalhar com um baixo valor de carga na maior parte do tempo.

Necessitamos agora de verificar qual a configuração geométrica que melhor se acomoda a este número de módulos na superfície de telhado disponível, que se realiza calculando a largura (L) e o comprimento (C) associado a cada uma deles.

Vamos então determinar a potência do inversor. Este valor deverá estar compreendido entre: 0,7 x PPV < PINV. DC < 1,2 x PPV

Sendo assim vem: C TELHADO x LTELHADO = 7,0 x 4,0 m (ATELHADO = 28 m2) CMÓDULO X LMÓDULO = 1,584 x 0,79 m 156

Nota: PPV – Potência gerador fotovoltaico

O valor do inversor deverá estar compreendido de acordo com a gama de valores descritos anteriormente porque: • A eficiência do inversor é alto para cargas elevadas;


renováveis em casa

• O inversor suporta sobrecargas de 20% ou mais; Nota: Os inversores para sistemas autónomos suportam 100% da carga (por

Nota 2: No cálculo anterior, utilizou-se o limite superior do coeficiente de temperatura UOC = - (160 ± 10) mV/º C, que é a situação mais adversa que pode ocorrer.

exemplo, um inversor de 1.000 W suporta 2.000 W durante 2 horas).

• O inversor encontra-se à potência máxima em muito poucas situações. De acordo com o que foi descrito até ao momento, poderemos escolher o inversor SB3800/V com as seguintes características: • PDMÁX. = 4.040 W; • UMÁX. DC = 500 V; • UMPP = 200 V – 400 V; • IPVMAX. = 20 A; • IDCNOMINAL = 16 A; • *ESS – Electronic Solar Switch (desliga quando não existe tensão na rede de distribuição); • Eficiência = 95,6 % (quer dizer que tem 4,4% perdas na potência máxima); • UAC = 220 V – 240 V (este parâmetro deverá ser alterado caso a tensão varia ±10% de 230 V); • fAC = 50 Hz / ±4,5 Hz (amplitude); • PAC MÁX. = 3.680 W; • PAC NOM. = 3.680 W; • Detecção automática da presença de tensão na rede > Desliga quando não existe tensão na rede.

5.º Número máximo de módulos por fileira O número de módulos que o sistema FV terá, será fixado pelo valor da tensão máxima do sistema, isto é, pelo valor da tensão DC máxima permitida para interligar os módulos FV em série e também pelo valor da tensão máxima à entrada do inversor. Caso haja uma falha de tensão na rede, o inversor dispara, e caso estejamos perante um dia com valores de temperatura muito baixas, a tensão em circuito aberto (UOC) nos módulos FV, pode transformar-se num valor muito alto, caso haja um disparo no lado AC do sistema FV. Para solucionarmos este problema, poderemos efectuar o seguinte: • Limitar o número de módulos; • Limitar o valor máximo de tensão da associação em série dos módulos FV. O valor da tensão no módulo FV, com um valor de temperatura de -10º C (UOC a -10º C), é calculado pela seguinte fórmula: UOC (-10º C) = UOC (-10º C) =

(

35º C x ∆U 1– 100

) xU

OC (CTS)

∆U em mV/º C

(-170 X 10 ) ( 1 – 35º C x 100 ) x 44 = 46,63 V -8

Na associação dos módulos FV, existem as seguintes limitações: • Tensão máxima de conexão entre os módulos (1.000 V); • Tensão do módulo com uma temperatura de -10º C, UOC (-10º C) = 46,63 V; • Inversor – UMPP = 200 – 400 V. O número máximo de módulos em série para interligação, é dado por: nMÁX. = (UMÁX. INV.) / UOC (módulo -10º C) = 500 / 46,63 = 11 Nesta situação o ideal seria não ultrapassar os 10 módulos FV ligados em série.

6.º Cálculo do número mínimo de módulos por fileira O número mínimo de módulos FV por fileira será dado pela tensão mínima de funcionamento do inversor. Neste caso: UMIN. INV. = 200 V. A tensão mínima de funcionamento ocorre normalmente quando se atinge a temperatura máxima de funcionamento esperada para 70º C e que pode ser calculado da seguinte forma: UMPP (70º C) =

( 1 – 45º C100x ∆U ) x U

MPP (CTS)

Então vem: UMPP (70º C) =

( 1 – 45º C x100(-150 X 10 ) ) x 35,7 = 33,29 V -8

UMPP (-10º C) = VMPP – 45 x TC (VOC) = 35,7 – 45 x (0,160) = 28,5 V Nota: A escolha do limite inferior do coeficiente de temperatura, UOC , deve-se ao facto de ser o valor mais desfavorável neste caso específico.

No caso de falta de dados para a realização do cálculo anterior, pode considerar-se que o decréscimo da tensão com a temperatura é de aproximadamente 18%. Sendo assim calculava-se da seguinte forma: UMPP (70º C) ≈ 0,82 x UMPP (CTS) Sendo assim, o número de módulos FV que seriam ligados em série, seriam: nMIN. = (UMIN. INV.) / UMPP (70º C) = 200 / 33,29 = 6 Sendo assim, o número mínimo de módulos em série, seria de 6.

Nota 1: No caso de falta de dados para a realização dos cálculos anteriores, pode considerar-se que o aumento da tensão com a temperatura é de aproximadamente 14%. Sendo assim calculava-se da seguinte forma: UOC (-10º C) ≈ 1,14 x UOC (CTS) .

Nota: Deve-se escolher sempre um valor mais alto (por exemplo 7, 8 ou 9) para garantir que tensão mínima de arranque do inversor seja acautelada.

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renováveis em casa

Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos de venda à rede

7.º Cálculo do número de fileiras em paralelo O cálculo do número de fileiras do nosso sistema FV, será determinado pelos seguintes factores: • Corrente máxima por fileira – I MÁX. FIL. = I PMÁX. = I MPP (a 25º C) = 4,9 A; • Corrente máxima do inversor – IMÁX. INV. = 20 A nFILEIRAS =

IMÁX. INV. IPMÁX.

=

Com mais módulos em fileira ocorrem tensões mais elevadas o que significa menores perdas de tensão nas cablagens, daí a razão pela qual se deve adoptar a solução 10x2 (Figura 1).

20 = 4 4,9

O número que este sistema pode ter a nível de fileiras em paralelo é de 4.

8.º Configuração do gerador FV Ao nível da configuração do gerador FV, temos as seguintes limitações calculadas nos passos anteriores: • Número máximo de módulos em série – 10; • Número mínimo de módulos em série – 6; • Número máximo de fileiras – 4. Sabendo que o número total de módulos fotovoltaicos é de 20, vamos adoptar a seguinte configuração do nosso gerador FV: Gerador FV com 2 fileiras de 10 módulos em série, de acordo com o seguinte esquema. Analisemos esta configuração: UMPP (a 70º C) = 11 x 33,29 = 366,19 V > 200 V > Aceitável UOC (a -10º C) = 11 x 41,38 = 455,18 V < 500 V > Aceitável Figura 1 Esquema do gerador FV.

UMPP (a -10º C) = 11 x 28,50 = 313,50 V < 500 V > Aceitável No caso da corrente, para uma fileira será de 4,9 A e para 2 fileiras em série será: 2 x 4,9 = 9,8 A > IDCMÁX. = 20 A > 9,8 A Visto que o valor da corrente gerada fica aquém do valor nominal de corrente de entrada do inversor, dever-se-á adoptar por outra configuração. Conclusão: Esta configuração cumpre os requisitos de tensão e de corrente, logo são soluções admissíveis. De referir que quanto mais módulos houver por fileira, maior será o valor da tensão. Isto significa menores perdas de tensão nas cablagens, razão pela qual se deverá optar pela configuração 11 x 2. A instalação a executar deverá assim ter as seguintes características: • Potência máxima do gerador FV – 3,8 kWp; • Número de módulos – 20 x 175 Wp; • Configuração – 2 Fileiras de 10 módulos cada; • Inversor (central) – PDC NOM = 3,90 kW; PPV MÁX. = 4,04 kW. 158

Na instalação podem ser tomadas as seguintes opções: • Colocação de um díodo de bypass em cada módulo FV, na caixa de ligações. Nota: Normalmente, alguns módulos FV já trazem de fábrica os díodos de bypass. • Colocação de díodos de fileira, isto é, um por cada fileira. Nota: A colocação de díodos de fileira está em desuso, isto porque, se os módulos FV da instalação forem todos iguais, é aconselhável o uso de fusíveis de protecção nos dois lados (positivo e negativo) para protecção contra sobreintensidades. Caso a corrente admissível nas canalizações for 1,25 vezes superior à corrente de curtocircuito do gerador FV, o uso de fusíveis também pode ser suprimido.

Como foi referido atrás, a inclinação dos painéis fotovoltaicos depende da latitude e da zona onde irá ser instalado. No caso de não haver dados suficientes para esse cálculo, podemos considerar a latitude do local como o ângulo de inclinação dos painéis FV. Este valor de latitude pode ser obtido da seguinte forma: • Utilize o Google Maps para navegar até ao local que pretende. Depois de estarmos no local exacto, do qual queremos retirar as coordenadas, clicamos com o botão direito do rato sobre o mesmo e escolhemos a opção “Centrar o Mapa aqui“.


renováveis em casa

• Depois do Mapa centrado, clique em Link, em cima e à direita da página. Agora na caixa que se abre clique no código de cima, e faça copiar, as coordenadas estão ai.

9.º - Cálculo das cablagens e seccionadores nos circuitos em DC Os cabos de fileira são dimensionados da seguinte forma: • Segundo o IEC 60364-7-712: IZ ≥ 1,25 x Icc DC (condições CTS); Nota: IZ – Corrente admissível nos cabos. ∆UCABOS = 1% - Valor admissível nos sistemas fotovoltaicos. • Corrente que percorre a cablagem da fileira: I = IFIL. X 1,25 = 5,4 x 1,25 = 6,75 A; • Secção dos condutores utilizados nas fileiras: S = 4 mm2; • Tipo de condutor: Cabo Radox Solar Wire DC 1 x 4 mm2; Nota: O valor da queda de tensão nos cabos das fileiras depende do comprimento que vai desde o gerador FV e o quadro DC (ou inversor). Quanto maior for a distância, maior terá de ser a secção do cabo a utilizar. Neste caso não serão utilizados fusíveis de protecção DC porque o dimensionamento assim o permite.

• As cores da cablagem de fileiras deverão ser de cor vermelha no positivo e de cor preta no negativo. A nível de seccionadores, o dimensionamento é feito da seguinte maneira: • Abra o bloco de notas do seu Windows ou outro editor de texto qualquer, e cole aí o código. As duas coordenadas que procura, estão nesse, texto como pode ver na figura em baixo.

• Utilizando o cursor do rato e o Enter do PC, isole-as para mais fácil identificação.

Segundo a norma IEC 60364-7-712, temos que instalar um interruptor e corte geral antes do inversor (existem inversores que não necessitam). Este deverá cumprir as seguintes condições: • IGDC. ≥ 1,25 x Icc FV ≥ 2 x 1,25 x 5,4 = 13,5 A > Optar-se por a colocação de um disjuntor DC bipolar de 16 A. Os cabos principais DC (ligação quadro protecção ao inversor) são dimensionados da seguinte forma: • IZ ≥ 1,25 x Icc DC (CTS); • Devem suportar uma corrente I = 2 x IFIL. x 1,25 = 2 x 5,4 x 1,25 = 13,5 A; Nota: O 2x deve-se ao facto de haver um cabo de ida e de volta.

• Secção dos condutores utilizados nas fileiras: S = 4 mm2 – Secção mínima (2,5 mm2); • Tipo de condutor: Cabo Radox Solar Wire DC 1 x 4 mm2;

As coordenadas serão interpretadas do seguinte modo: N 37.14926º – Latitude Por ser um valor positivo equivale a “N” (Norte), se for negativo devemos escolher “S” (Sul) W 8.538233º – Longitude Por ser um valor negativo equivale a “W” (West-Oeste), se for positivo devemos escolher “E” (East-Este) A inclinação do painel irá variar de acordo com o local onde for instalado, variando com a latitude. Quando não existe informação no momento da instalação acerca do ângulo de inclinação, deve utilizarse a inclinação igual a latitude do local. De acordo com os valores e escolhas tomadas pode o projectista definir a configuração adequada e ter muita atenção à cablagem, IEC 60364-7-712, à segurança de pessoas (RTIEBT), norma da EDP, DMA-C62-815/N e toda a legislação que vier a utilizar ao longo do tempo e de acordo com a evolução deste sistema.

Nota: O valor da queda de tensão nos cabos das fileiras depende do comprimento que vai desde o gerador FV e o quadro DC (ou inversor). Quanto maior for a distância, maior terá de ser a secção do cabo a utilizar.

10.º Dimensionamento dos equipamentos ligação à rede Neste sistema FV, iremos utilizar o inversor da SMA 3800 com interruptor à entrada. Assim não necessitamos de possuir um quadro com corte e seccionamento em DC, pois o inversor consegue assegurar estas funções. Do lado AC do inversor, pode-se utilizar um interruptor diferencial do tipo B para o seccionamento e um seccionador fusível de tamanho 10 x 38 mm para corte e protecção na portinhola do sistema FV. Ao nível de equipamentos de seccionamento e corte do lado AC do inversor, utilizaremos: • Instalação de um interruptor diferencial de I∆n ≤ 30mA à saída do inversor; 159


renováveis em casa

Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos de venda à rede

• Instalar um aparelho de protecção omnipolar após o Interruptor diferencial. • 1 Interruptor diferencial de IN = 25A e I ∆n = 30 mA, conforme a seguinte figura;

Figura 2 Interruptor diferencial + Disjuntor (Fonte: KleanEnergie4Life / Selfenergy Solutions).

• 1 Disjuntor com IN = 20 A ou 10 A. Ao nível da cablagem do lado AC do inversor (ligação inversor – portinhola), esta terá as seguintes características: • Corrente IB = 16,52A (I = P/U = 3800/230); • Secção dos condutores – S = 6 mm2 (este valor é o mínimo exigido pelas RTIEBT);

Figura 3 Esquema final de um sistema FV microgeração 3,68 kW para venda à rede.

160

• Tipo de condutor: VV 2 x 6 mm2, H07V-U 2 x 6 mm2 ou VAV 2 x 6 mm2. Ao nível da portinhola – consumidor/produtor, esta deve ser dimensionada tendo em conta as seguintes características (Figura 3): • A portinhola a utilizar deve cumprir a norma EDP, DMA-C62815/N; • I = 100/25 A; • Deve possuir seccionadores-fusível de 10 x 38 mm, com fusíveis de IN = 20 A. 11.º Considerações finais dos sistemas de ligação à rede De acordo com o descrito anteriormente, nos sistemas de microgeração dever-se-á ter em atenção os seguintes aspectos técnicos: • Deve-se utilizar descarregadores de sobretensões à entrada do inversor, quando a canalização é longa; • Com comprimentos iguais ou superiores a 15 m de canalização, deverá existir um descarregador de sobretensões FV antes do interruptor de corte DC; • Deverá ser feita a equipotencialização da estrutura metálica de suporte dos módulos fotovoltaicos bem como dos respectivos caixilhos. A estrutura metálica é considerada como um bom captor de descargas à terra; • Esta equipotencialização com o terminal principal de terras só será possível caso o valor da resistência de terra seja inferior a 10Ω.

Bibliografia • Curso Técnico Instalador de Energia Solar Fotovoltaica, Publindústria 2011.


barómetro das renováveis

barómetro das renováveis setembro 2011 O barómetro das energias renováveis pretende manter informados os nossos leitores sobre a evolução das potências instaladas e das correspondentes produções de energia. A informação apresentada sobre potências instaladas tem como fonte as estatísticas rápidas da DGEG de Março de 2011 e a informação sobre produção tem como fonte a informação de produção diária desagregada disponibilizada no website da REN até 30 de Setembro de 2011. Cláudio Monteiro, com a colaboração de António Sérgio Silva

até setembro as FER aumentaram 7,4%. Durante 2011 o consumo tem diminuído gradualmente, no último trimestre a redução foi de 4,1% relativamente ao período homólogo. No entanto a redução de consumo anual ainda só foi de 0,7%. A fracção de FER (incluindo PRE térmica) durante o último ano foi 58% do consumo. A fracção FER sem a PRE térmica foi 43%, sendo: 25% de hídrica, 17.8% de eólica e 0.5% de fotovoltaico.

No último trimestre, de Julho e Setembro, apesar dos incrementos de potência instalada, continua-se a assistir uma menor fracção de produção renovável, 10% menos relativamente ao trimestre homólogo do ao anterior. Esta redução deve-se a menos 18% de produção na hídrica. Por outro lado a produção eólica já aumentou 27% e a fotovoltaica aumentou 43%, relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior. Para o ano móvel

A potência instalada de Fontes de Energia Renovável (FER), somou 9.688 MW no final de Junho de 2011, crescendo relativamente a Março de 2011 mais 255 MW de eólica, 9.6 MW de fotovoltaica e 9.4 MW de biomassa. Existem atualmente 3.046 MW de potência licenciada por instalar, distribuída da seguinte forma: 429 MW de eólica, 323 MW de biomassa, 139 MW de mini-hídrica e 2.180 MW adicionais das grandes hídricas.

Potência Instalada FER (MW)   (Julho 2010)  Potência Instalada (MW) 

Potência Instalada FER (MW)

Potência Licenciada (MW) 

(Junho 2011)

Potência Instalada FER (MW Potência Instalada FER (MW)   (Outubro 2009) 

16 

Licenciada Licenciada  (Outubro 2009) 

188 

621 

135 

instalada  

Instalada instalada  

Licenciada 

4497 

360 

334 

5000 

3802 

5,6 

5000 

4500 

Grande Hídrica (>10  MW) 

4000  4000  Biomassa (c/ PCH (<= 10 MW) 

Eólica 

119,4 

88 

4500 

3500  3500 

cogeração) 

787  Resíduos Sólidos  Urbanos 

84  106 

58 

Fotovoltaica 

4,2 

22 

787  Biomassa (s/ cogeração) 

Biogás 

Ondas/Marés 

3000  3000  Figura 1 Potência instalada da Fontes de Energias Renováveis (FER) em Junho 2011. Fonte: baseado nas estatísticas rápidas da DGEG. 2500  2500  4515  4515  3455 

2000  2000 

3455 

1500 

1500 

Consumo Mensal

1000 

1000 

500 

500 

(GWh)

0  Grande Hídrica  Eólica  (>10 MW)  Grande Hídrica 

Produção PRE Onda Produção Mensal ( PRE Fotovoltaica  PRE Produção Mensal (GWh)  PRE Fotovoltaica Produçao não renovável  PRE Ondas  PRE Fotovoltaica  PRE Hidráulico  Produção Mensal (GWh)  PRE Hidráulico Produçao não renovável  PRE Ondas  PRE Fotovoltaica  PRE Hidráulico  Albufeira SEP  PR 5500  44% FER  5500  PRE Hidráulico  Produção Mensal (GWh)  Albufeira SEP Produçao não renovável  PRE Ondas  PRE Fotovoltaica  Albufeira SEP  PRE Térmico  Fio Á 5000  44% FER  Produção Mensal (GWh)  5000  PRE Térmico Produçao não renovável  PRE Ondas  PRE Fotovoltaica  5500  PRE Hidráulico  Albufeira SEP  PRE Térmico  Fio Água SEP  44% FER  60% FER  PRE E 4500  47% 5500  Produção Mensal (GWh)  5000  Albufeira SEP  60% FER  4500  Fio Água sep Produçao não renovável  PRE Ondas  PRE Fotovoltaica  PRE Hidráulico  PRE Térmico  Fio Água SEP  PRE Eólico  47% FER  44% FER  Produção não renovável Produçao não renovável 

Eólica 

(>10 MW) 

PRE Ondas PRE Ondas 

Produçao não renovável 

4000 

40% FER  38% FER  35%  33% FER  38% FER  40% FER  3500  5500  35% FER  5000  60% FER  4000  3500  47% FER  44% FER  35% FER  35% 33% FER  40% FER  38% FER  3000  68% FE 5500  35% FER  5000  40% FER  60% FER  47% FER 3500  4500  35% FER  4000  3000  84% FER  44% FER  35% FER  33% FER  40% FER  38% FER  68% FER  5500  35% FER  40% FER  5000 mensalmente4500  55% FER  60% FER  2500  4000  3500  Fonte: baseado na 47% FER  Figura 2 Energia produzida pelas Fontes de Energias Renováveis (FER). informação de produção diária35% FER  disponível 35% FER  no website 84% FER  da REN. 3000  44% FER  40% FER  38% FER  33% FER 2500  68% FER  35% FER  5000  40% FER  55% FER  60% FER  47% FER  4500  35% FER  4000  3500  2000  3000  35% FER  2000  33% FER  2500  40% FER  38% FER  35% FER  60% FER  47% FER  4500  35% FER  40% FER  55% FER  4000  3500  3000  2500  35% FER  1500  2000  33% FER  1500  38% FER  40% FER  162 4000  3500  3000  2500  2000  1500  1000  1000  3500  3000  2500  2000  1500  1000  500  500  3000  2500  2000  1500  1000  500  0  0  2500  2000  1500  1000  500  jan‐09  Fev  Mar  jan‐09 Abr  0  Fev Mai  M

GWh 

PRE Térmico  Fio Água SEP  4000 60% FER  47% FER 

GWh 

4500  Albufeira SEP 

GWh 

5000  PRE Hidráulico  44% FER  4500 

GWh 

5500  PRE Fotovoltaica 

GWh 

PRE Ondas 

GWh 

GWh 

GWh 

Produçao não renovável 

PRE Eólico PRE Eólico 


bibliografia

Curso Técnico Instalador de Energia Solar Fotovoltaica – Inclui CD

€ 26,00

Autores: Filipe Pereira, Manuel Oliveira ISBN: 9789728953782 Editora: Publindústria Páginas: 404 Edição: 2011 Obra em Português Venda online em www.engebook.com

Este manual, a cores, preenche uma lacuna no domínio da formação em energias renováveis. Segue os referenciais da Associação Nacional das Qualificações (ANQ) e do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) responde às necessidades dos seguintes cursos: Curso Profissional “Técnico de Energias Renováveis” – Variante Solar; 522212 – Técnico/a Instalador/a de Sistemas Solares Fotovoltaicos. Com um CD de apoio com powerpoints, tabelas, software e outros materiais necessários às acções de formação, esta obra constitui uma mais-valia para os profissionais do sector, empresas, engenheiros e estudantes de engenharia, sob uma óptica de resolução de problemas de dimensionamento e instalação de sistemas fotovoltaicos. Além disso permite que os formandos procurem, de forma autónoma e crítica, o saber e os conhecimentos relativos a esta área específica – as indústrias – consolidando e sedimentando as competências necessárias para a sua correcta aplicação. Índice: Energia Solar; Sistemas solares fotovoltaicos. Módulos solares fotovoltaicos. Projecto de sistemas solares fotovoltaicos - selecção e dimensionamento. Projecto de sistemas solares fotovoltaicos – Construção. Projectos de sistemas solares fotovoltaicos – Instalação. ANEXO I - Radiação Solar em kWh/m2 em Portugal. ANEXO II - Coordenadas de locais em Portugal Continental. Hiperligações para software de sistemas FV. Bibliografia. Hiperligações de bibliografia

Electrónica XXI

€ 39,95

Autor: Afonso Marques ISBN: 9789728953881 Editora: Publindústria Páginas: 774 Edição: 2011 Obra em Português Venda online em www.engebook.com

É um livro de referência para o formador e para o formando do ensino profissional. De consulta fácil e rápida, tanto por tema como por curso, reúne em si os conteúdos da disciplina de electrónica nas suas diversas variantes, consoante o curso profissional em que se insere. Os cursos que abrange são: Técnico de Instalações Eléctricas EE; Técnico de Electrotecnia EE; Técnico de Electrónica Naval; Técnico de Electrónica e Telecomunicações; Técnico de Electrónica, Áudio, Vídeo e TV; Técnico de Electrónica, Automação e Comando; Técnico de Electrónica, Automação e Computadores; Técnico de Electrónica, Automação e Instrumentação; Técnico de Manutenção. Índice: Corrente eléctrica. Análise de circuitos em corrente contínua. Magnetismo e electromagnetismo. Corrente alternada monofásica. Corrente alternada trifásica. Semicondutores. Transístor bipolar. Transístores J-FET, MOSFET e tiristores. Amplificadores com transístores. Amplificadores operacionais. Osciladores. Electrónica de potência. Sistemas trifásicos. Sistemas de alimentação. Electroquímica, pilhas e acumuladores. Transformadores. Máquinas eléctricas de corrente contínua. Máquinas eléctricas de corrente alternada. Sistemas de numeração. Circuitos lógicos. Descodificadores. Circuitos sequenciais.

AutoCAD Electrical 2011 Fundamentos – DVD

€ 79,95

Autor: Jean Pacher ISBN: ACAD11-EL-F Editora: Render Duração: 153 minutos Edição: 2011 Obra em Português do Brasil Venda online em www.engebook.com

164

Acabou o tempo em que os projectos eléctricos eram demorados e árduos a serem desenvolvidos. O AutoCAD Electrical fornece diversos recursos específicos para o desenvolvimento de esquemas eléctricos, painéis e lista de peças. Aliando a Didáctica da Render e o conhecimento técnico de um profissional certificado Autodesk, o Curso AutoCAD Electrical 2011 Fundamentos ensina como projectar sistemas eléctricos de forma mais rápida e fácil. Com este DVD pode criar projectos eléctricos do início ao fim, personalizando o template, adicionando ladder e componentes, inserindo CLP, definindo fiação monofásica e trifásica, desenvolvendo circuitos, painéis, diagramas e muito mais. Índice: Usar as ferramentas do AutoCAD Electrical 2011, para criação de projectos eléctricos de forma produtiva, fácil e rápida. Conceitos básicos para o desenvolvimento de diagramas e painéis eléctricos no AutoCAD Electrical 2011. Como inserir automaticamente: componentes eléctricos, tags dos componentes, anilhas, régua de borne, fiação, entre outros.


bibliografia

Proteção de Equipamentos Eletrônicos Sensíveis – 2.ª edição

€ 40,95 inclui 10% desconto

PVP € 45,50

Autor: João Mamede Filho ISBN: 9788571945128 Editora: Érica Páginas: 334 Edição: 2010 Obra em Português do Brasil Venda online em www.engebook.com

Destina-se aos estudantes do Curso de Electrotécnica e aos profissionais dedicados a projectos de instalações eléctricas. Apresenta os procedimentos e as ferramentas modernamente utilizados na concepção dos projectos de aterramento e aplicação dos principais dispositivos que ofereçam segurança à operação de equipamentos, abrangendo assuntos como a Qualidade da Energia Eléctrica, Sistema de Aterramento, Malha de Terra, Harmónicos, Campos Electromagnéticos, Fenómenos Transientes, Blindagens Electromagnéticas, Compatibilidade Electromagnética, Aterramento para Equipamentos Electrónicos Sensíveis e Protectores de Transientes. A segunda edição tem várias alterações, actualizações e complementos à implementação dos padrões dos indicadores de continuidade de serviço e dos indicadores de faixa de tensão permissível, do PRODIST (Procedimentos da Distribuição), documentos obrigatórios elaborados pelo NOS, os novos limites de distorção harmónica de corrente e tensão estabelecidos pelo PRODIST e pelo IEEE 519 e dispositivos contra surtos de tensão (DPS). Índice: Qualidade de Energia. Sistemas de Aterramento. Malha de Aterramento. Componentes Harmônicas. Campos Eletromagnéticos. Fenômenos Transientes. Blindagens Eletromagnéticas. Compatibilidade Eletromagnética. Aterramento para Equipamentos Eletrônicos Sensíveis. Protetores de Transientes.

Redes de Energia Eléctrica – Uma análise sistémica – 3.ª edição revista

€ 45,50

Autor: José Pedro Sucena Paiva ISBN: 9789898481061 Editora: IST Press Páginas: 787 Edição: 2011 Obra em Português Venda online em www.engebook.com

Segundo Rui Leuschner Fernandes, Director do Primeiro Gabinete de I&D da EDP, “o texto em causa abrange, com profundidade e extensão, as matérias habitualmente versadas no domínio de Análise, Planeamento e Exploração de Redes, sendo completado com um capítulo actualizado, referente a políticas de Organização e Gestão do Sistema Eléctrico. São de realçar as seguintes qualidades: grande clareza de exposição; manifesto rigor de terminologia e de conceitos utilizados; matéria exposta ilustrada com um vasto conjunto de exemplos numéricos de grande oportunidade... um manual de consulta de elevada utilidade para engenheiros das Empresas de Produção, Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica, assim como para técnicos de Gabinetes de Engenharia e de fabricantes de Equipamento. Não se conhece, editada em Portugal, publicação equivalente nos seus objectivos e no teor das matérias versadas o que realça o interesse e a oportunidade do presente texto.” Outra opinião partiu de Manuel António Matos, Professor Catedrático da FEUP que ressalvou que “é importante cumprimentar o autor por se ter abalançado à produção de uma obra deste tipo, num ambiente onde não há incentivo nem tradição para o fazer. (...) A presente iniciativa vem preencher uma lacuna na bibliografia disponível em língua portuguesa, não apenas para os alunos, mas também para consulta dos técnicos que exercem a sua actividade no sector eléctrico. A sua publicação constituirá, portanto, um marco assinalável no panorama editorial da área, extravasando, com certeza, as fronteiras da Universidade.” Índice: Introdução. Conceitos Básicos. Máquina Síncrona. Transformador e Máquina Assíncrona. Linha Eléctrica de Energia. Trânsito de Energia. Correntes de Curto-Circuito. Controlo de Frequência e de Tensão. Estabilidade Transitória. Sobretensões e Transitórios Electromagnéticos. Transmissão em Corrente Contínua. Elementos de Análise Económica e Financeira. Operação Optimizada. Organização e Gestão do Sistema Eléctrico.

w w w. e n g e boo k . c om 165 a su a l i v r a r i a t é c n i c a !


calendário de eventos

SEMINÁRIOS E CONFERÊNCIAS Designação

Temática

Local

Data

Contacto

Renewable Energy HR

Conferência sobre Energias Renováveis

Londres, Reino Unido

6e7 Dezembro 2011

Green Power Conferences www.greenpowerconferences.com info@greenpowerconferences.com

Wind Turbine Blade Manufacture

Conferência sobre a Construção de Turbinas Eólicas

Dusseldorf, Alemanha

6a8 Dezembro 2011

Applied Market Information Ltd. www.amiplastics.com info@amiplastics.com

Int. Conference on Recent Advances and Challenges in Energy

Conferência sobre as Energias Renováveis

Karnataka, Índia

4a6 Janeiro 2012

Manipal University www.racemit2012.com race2012.mit@gmail.com

World Future Energy Summit 2012

Conferência sobre as Energias Renováveis

Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

16 a 19 Janeiro 2012

Reed Exhibitions www.worldfutureenergysummit.com claude.talj@reedexpo.ae

Renewable UK Health & Safety

Conferência sobre Segurança em Energias Renováveis

Manchester, Reino Unido

1 Fevereiro 2012

Ten Alps www.renewable-uk.com renewableuk@tenalps.com

Designação

Temática

Local

Data

Contacto

Energaia

Feira sobre Energias Renováveis

Montepellier, França

8 a 11 Dezembro 2011

Energaia www.energaia-expo.com ghaddad@enjoy-montepellier.com

Intersolar India

Feira sobre Energia Solar

Bombaim, India

14 a 16 Dezembro 2011

Solar Promotion Int. GmbH www.intersolar.in info@intersolar.in

Interclima + Elec

Salão sobre Climatização e Energia Fotovoltaica

Paris, França

7 a 12 Fevereiro 2012

Reed Exhibition www.interclimaelec.com serge.gauneau@reedexpo.fr

Sinerclima

Salão Internacional de Energia, Refrigeração e Climatização

Batalha, Portugal

29 Fevereiro a 3 Março 2012

Exposalão www.exposalao.pt info@exposalao.pt

Egética

Feira das Energias

Valência, Espanha

29 Fevereiro a 3 Março 2012

Feira de Valência www.egetica-expoenergetica.com ala@egetica-expoenergetica.com

FEIRAS

166 renováveismagazine


links

e2p Energias Endógenas de Portugal base de dados de fontes renováveis de energia O INEGI em conjunto com a APREN reuniram esforços e criaram uma completa e acessível base de dados dos centros electroprodutores de Portugal continental. É um excelente website que se destaca pela simplicidade e funcionalidade.

http://e2p.inegi.up.pt/index.asp

SMA solar Technology Website comercial, mas com muita informação essencial para profissionais do fotovoltaico. As tendências do futuro para novos produtos poder ser aqui encontradas. Entre os muitos produtos pode-se descarregar um novo software de dimensionamento de sistemas fotovoltaicos, o “sunny design”. Também disponibiliza informação de formação muito útil em “SMA Solar Academy”.

www.sma.de/en/

168 renováveismagazine


Resumo renováveis magazine 8