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MEUS PASSOS... MEUS PASSOS... um doce deleite ! um doce deleite !

Hélio Sabino Rulli

Hélio Sabino Rulli


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UM DIA Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim... O que valeu a pena! Mário Quintana


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SUMÁRIO 1.

UM DIA

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2.

FAZENDO O MELHOR

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3.

MEUS PÉS

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4.

DO INÍCIO AO FIM

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5.

MEUS PASSOS...

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6.

MODÉSTIA ÀS FAVAS...

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7.

DEDICATÓRIA

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8.

POR HERANÇA

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9.

EM MEMÓRIA

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10. MINHAS MEMÓRIAS

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11.

SHUMMY, “o cachorro” !

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12. ESSÊNCIA

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13. MEU TESTAMENTO

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14. MEUS PAIS E MEUS MEIO IRMÃOS

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15. FORÇA, HONRA E DETERMINAÇÃO

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16. MINHA MÃE, UM EXEMPLO

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17. RECORRENDO A UMA ENCICLOPÉDIA

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18. CATANDO ALGODÃO

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19. RANCHARIA

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5 20. AVANHADAVA

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21. VARJÃO

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22. A PESCARIA

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23. O FACÃO

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24. O CIGARRO DE CHOCOLATE

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25. A VOLTA

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26. ATROPELEI UM CAMINHÃO

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27. MARCAS E CICATRIZES

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28. A SANFONA VERMELHA

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29. MEU CASAMENTO

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30. CASADOS PARA SEMPRE

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31. REBECA

86

32. RENNIELLI

89

33. RIANN PATRICK

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34. BÊNÇÃOS DO SENHOR !

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35. HÉLIO, O QUE ?

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36. CRISE 1

100

37. CRISE 2

101

38. QUANTOS ANOS VOCÊ TEM VOVÔ

102

39. MEU NETO ROMEO

107

40. TIMÓTEO

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6 41. ACIR

110

42. EXPERIÊNCIA

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43. MEU IRMÃO JOÃO CARLOS

116

44. MINHA VIDA PROFISSIONAL

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45. MINHA FORMAÇÃO

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46. CURSOS E SEMINÁRIOS

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47. CURRÍCULO

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48. OS MEUS PÉS

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49. PERFUME

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50. ALFREDO ROSSETTI

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51. A LUZ

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52. MARISTELA BRUNINI

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53. CONTO CONTIGO

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54. “RIA SE PUDER”...

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55. LITORINA

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56. O COPO QUEBRADO

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57. PAIXÃO POR CINEMA

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58. JOÃO BUGRE

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59. PRIMEIRAS MÚSICAS

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60. PROCISSÃO...

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61. O ENGRAXATE

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7 62. DOIS DE NOVEMBRO

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63. DOMINGO É DIA DE...

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64. HOTEL SÃO JOSÉ

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65. A PROFESSORA TEREZINHA

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66. GIBIS

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67. CORINTHIANS

190

68. JOSÉ DONIZETE RULLI

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69. MARGARIDA

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70. O “REI PELÉ”, EM 1969

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71. O VIOLÃO VERDE

202

72. DEU NO JORNAL DE JUNDIAÍ

204

73. AMÉRICA FUTEBOL CLUBE

209

74. NOVATOS EM DESFILE

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75. PARQUE CELESTE

219

76. ERA DIA DOS NAMORADOS

222

77. PARA NÃO PASSAR EM BRANCO...

225

78. O CIRCO

226

79. A FANFARRA DO SENAC

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80. A PRIMEIRA IPIB EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

231

81. MINHA MELHOR ORAÇÃO...

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82. LEIA UM LIVRO

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8 83. IRAN PEREIRA DA COSTA NEVES

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84. CONJUNTOS MUSICAIS

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85. OS FESTIVAIS DAS LINDAS CANÇÕES

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86. AS OLIUMPÍADAS

250

87. FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA

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88. EM SÃO PAULO, FAZENDO O MELHOR !

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89. CORAÇÃO DE LUTO

254

90. A VOLTA

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91. A SOUZA CRUZ

259

92. FÁCIL, MAS, DIFÍCIL...

262

93. MEU FUSCA 58 !

267

94. ASSIM MORREU MEU FORTE PAI, EM 1982...

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95. UM SHOW DE CHITÃOZINHO E XORORÓ

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96. FALTAVA UMA LÂMPADA

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97. A CHÁCARA

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98. SAMARITANO

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99. GRAFISMO

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100. MEMORIAL

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101. SARA NOSSA TERRA

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102. EUROPA

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103. RECOMEÇO...

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9 104. RC LEILÕES

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105. TCHUPPI...

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106. LEMBRANÇAS !

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107. O DIFÍCIL CAMINHO DE VOLTA...

304

108. POR ONDE ANDEI VIVENDO A VIDA

307

109. VIVER A VIDA

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FAZENDO O MELHOR !

Neste trabalho estarei me esforçando por fazer e apresentar o melhor, dando também o melhor de mim, doando-me a ele, até porque tenho aprendido que embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e estabelecer um novo fim. A qualquer tempo então, posso fazer o melhor, ainda melhor, aprendendo sempre que melhor do que falar mal é fazer bem...


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MEUS PÉS

Inicialmente seria este o nome deste meu modesto livro. Há mais adiante, um pequeno trecho em que retratarei o assunto. Já há muitos anos eu vinha pensando no tema, até porque sempre tive com os meus pés, excessivos cuidados, diria eu. Mas, o principal cuidado, além, evidentemente de mantê-los sempre bem limpos, apresentáveis e quando possível perfumados, era de fazer com que eles pudessem me manter em pé.

Cumprindo esta importante função, há “apenas” uma outra, por demais importante para eles, que é a de andar... Assim, como eu vou onde os meus pés me levam, achei bastante apropriado mudar o nome do livro para MEUS PASSOS e iniciar, desta forma a minha caminhada para escrever a minha história...


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DO INÍCIO AO FIM

Não sabia como começar este livro, mas, decidi iniciar pela minha história. Aliás, como muitas histórias, esta é mais uma que agora eu não sei é como vai terminar, nem a do livro e nem a da minha vida... Uma coisa eu sei, haverá um final e será o melhor, principalmente porque será como Deus quiser! Eu creio também que entre os túmulos e os livros existe uma diferença de extremidades, que pode ser dita num trocadilho assim: os túmulos são portas que se fecham e nunca mais se abrem e os livros são portas que se abrem e nunca mais se fecham.


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MEUS PASSOS...

Existem acontecimentos dos quais eu não me lembro, exatamente porque nunca os esquecí. Falar de todos os meus passos, porém, é bastante difícil, senão impossível. Lembrar com detalhes, dos primeiros, só no imaginário, ou com a ajuda de alguém. Dos próximos e dos últimos, só Deus pode torná-los presentes, mas, em mim o desejo de recebê-los. A fé! Importa muito saber que hoje estou dando os meus passos e de forma muito agradecida ao Pai! Ele sabe. Conhecí, há muitos anos, por volta de 1978, o “Trio Parada Dura”, de música sertaneja “classe A”, composto por Mangabinha, Cleone e Barrerito. Passados os anos, em pleno sucesso da carreira do trio, após um grave acidente aeroviário, alguns daqueles passos foram interrompidos tragicamente, justamente os do principal vocalista do trio, que mesmo sem conseguir mais andar, continua cantando e principalmente, caminhando, até hoje... sem os passos, porém... “Onde Estão Os Meus Passos” (composição de Barrerito)


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“Meus amigos, se nesse momento, alguns de voces, me perguntassem onde estão os meus passos, eu não saberia dizer, mas, em nome de DEUS, eu agradeço e peço, que cada fã, cada amigo, cada irmão, dê um passo por mim, porque eu não sei, onde estão os meus passos...”

Viver era o que eu mais sabia

Andei para cumprir meu destino

Eu brincava eu corria, pelos palcos da vida E voltei a ser menino, não encontro saída

Meus passos se afastaram de mim

Com eles foram minhas vontades

Mas eu posso ouvir, e sentir os meus passos Minha paz de verdade e eu fiquei aqui

Meus passos, onde estão os meus passos

Meu Deus um pedido eu queria fazer

Que esqueceram meu corpo, que é levado nos braços Se um dia o Senhor me atender, devolva meus passos


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Eu sei que o caminho é comprido

Meus pés se afastaram do chão

Tenho tantos amigos, que a fé me eleva Mas o meu coração segue andando esta Terra...

É muito bom saber valorizar, enquanto tenho e posso, os meus passos, pedindo a Deus que me conceda esta graça, grata e graciosa, de tê-los, se possível, até o fim da minha vida!


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MODÉSTIA ÀS FAVAS... Para se tentar escrever um livro, é preciso antes, ter lido muitos! Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura! Mário Quintana


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DEDICATÓRIA Dedico este livro aos meus pés sem os quais eu não teria ido a lugar algum. Também preciso lembrar principalmente de quem me colocou em pé, através da concepção da vida, Um Deus Maravilhoso que a TUDO criou e sem O qual eu não teria vindo sequer a existir. As outras pessoas todas foram instrumentos dEle para que movimentos fossem feitos a meu favor. Meu pai e minha mãe aos quais eu devo, desde o nascimento, o primeiro respirar, a primeira alimentação e tantas outras mais. Os sagrados ensinamentos, os limites estabelecidos, os princípios (se não fossem eles, os princípios, tudo, talvez tivesse sido em vão), mas, sobretudo, os primeiros passos, que nortearam a minha boa caminhada e não pararam de andar até hoje. Eu não vou parar por nada! Nada me fará também retroceder! De Moizéth, a primeira e única esposa, de Rebeca, a primogênita, de Romeo, também o primeiro de outros netos que ainda virão. Da minha linda e querida princesa Rennielli, do meu campeão Riann Patrick, do Acir e do Timóteo, que são amorosos, companheiros, razões da segurança e da felicidade


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plena das minhas filhas, tornando-se também meus filhos! Presenças ricas na minha vida! São tantas pessoas, tantos pés, tantos passos… Todos vindo em minha direção, me ajudando a caminhar. Dos bastante queridos sogros Moisés Mielgo Gonçalves e Judith da Silva Gonçalves, que já há muitos anos tornaram-se também meus pais, aos cunhados Diléa, Marilza, Vany, Júlio César, Cláudio, Celso e Heraldo, tantos sobrinhos, meus oito irmãos de sangue e tantos outros “mais chegados que irmãos”. Todos, por mim amados! Quantos amigos… Uns mais presentes, outros mais distantes. Onde estão alguns tão queridos e tão especiais? Uns se foram, outros partiram para sempre, para a Glória. Que Deus os tenha em bom lugar! Tenho hoje, depois de tanta caminhada, muitos bens. Bens preciosos! Nenhum mercantil, nenhum que eu possa usar como moeda de troca, mas, bens que foram garimpados sob o suor dos passos cansados dos meus pés, machucados pelo tempo. O ponto inicial desta descoberta em caminhar, avançando sempre é que eu descobri que não posso mais ficar sentado à beira do caminho.

Vou-me embora!

Em algum lugar vou chegar e enfim descan-


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sarei… Nas páginas que se desdobrarão ante os seus olhos, vou contar muito da minha história, dedicada hoje a Jesus, o Meu bem maior! Há muitos momentos do livro que eu quero mesmo que você ria da situação e ria de mim, se necessário for. Chore também comigo, sem nenhum constrangimento, mas, faça uma boa leitura, é o meu desejo. HÉLIO RULLI


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POR HERANÇA

Aos meus três filhos queridos Rebeca, Rennielli e Riann Patrick, para que tenham algum registro da história da minha vida. Quisera eu deixar a eles algo valioso, que os tornasse, por exemplo, herdeiros de uma grande fortuna financeira ou de algum bem capital que pudesse garantir-lhes sustento e sobrevivência, pelo menos. Tenho me esforçado bastante, mas, tem sido muito difícil, confesso. Graças a Deus e para a glória dEle, nós todos pudemos viver com certo conforto e nada nos faltou. Meu maior esforço tem sido para não decepcioná-los nunca. Talvez, isto eu consiga! Ufa! O que deixo, porém, vale muito mais, penso eu. Valores como princípios, honestidade, ética moral e conduta, no mínimo, irrepreensíveis. Confesso que o bem mais precioso quem ganhou fui eu... A mãe de vocês, Moizéth, é sem dúvida, o bem mais caro que eu consegui durante toda a minha vida. Deixo-lhes muito de mim neste livro, sobretudo, o desafio que persigo, legado que me foi deixado pela minha mãe...


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Façam o melhor porque “as coisas findas,  muito mais que lindas,  estas ficarão” ! (Carlos Drummond de Andrade)


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EM MEMÓRIA

Da minha mãe e do meu pai, cujas lembranças serão apagadas, somente quando os meus olhos também se fecharem.

Muita saudade...


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MINHAS MEMÓRIAS

É bastante provável que além de auto-biográfico, este projeto venha a se tornar um livro de emoções, onde eu narro praticamente a totalidade da minha existência. Assim, é meu desejo sim, que os amigos e familiares, todos os que puderem, adquiram esta “obra” para guardarem como uma lembrança minha. Quando possível, usem-me como exemplo, não necessariamente bom, pois aprender com os erros, ainda que com os meus, pode ser também uma sábia decisão.


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SHUMMY

“o cachorro”!

Durante toda a minha vida, tive sempre um animal de estimação. Quando pequeno, tivemos a “pitica”, depois a “lila”, uma cachorrinha pequinês, linda e cega dos dois olhos. Só andava em círculos, mas, adaptava-se sempre as nossas novas moradias. Tivemos muitos macacos, um de cada vêz, claro. Destes macacos pregos, que viviam presos na coleira, para não escaparem e aprontarem, como gostavam de fazer. Sempre se chamavam “chicos”. Um barato! Tivemos gatos e cachorros aos montes. Numa certa ocasião, quando morávamos na chácara, em Campinas (Indaiatuba), chegamos a ter 17 cachorros, pois só de um lindo casal de “sheepdog” (Priscila da TV Colosso), nasceram 10 de uma só vêz. Já tínhamos outros 5! O “Brian”, o “Snoopy”, o “Pluto” e tantos outros cachorros, são inesquecíveis. Amigos e dóceis companheiros! Hoje eu tenho um cãozinho, que é um poodle bem pequeno, preto e muito lindo, diga-se de passagem. Muito educado. Muito tranqüilo. Ele me adotou, mas, não é fiel só a mim, ele ama a todos os lá de casa e os que chegam. Shummy é muito


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especial! Só falta falar, embora já tenhamos tida a impressão, eu, a Rebeca e o Acir, de que ele até já falou... Uma coisa é certa, o Shummy é, de fato, um cachorro amigo e muito querido, que merece ser lembrado como participante da minha história!


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ESSÊNCIA

O DOCE DE LEITE, um doce deleite!

Quando eu tinha 17 anos sai de casa, onde morava com meus pais em São José do Rio Preto e fui para São Paulo, “tentar a vida”, ter experiência solo, trabalhar e estudar, literalmente fora de casa. Já em São Paulo, trabalhei num só lugar, numa fábrica muito famosa e portanto, muito boa, a Hevea S/A., Indústria de Plásticos, onde fui de Controlador de Estoques (Kardexista) de Matéria Prima a Assistente de Custos. Estudei também numa só escola, no CIE-E, o Centro de Integração Empresa-Escola, onde me formei, inclusive, em Técnico de Administração de Empresas. Além de dormir de vez em quando na casa de um inesquecível amigo chamado Salvador Omar Martinez Gouveia, na Pompéia, eu morei em 3 lugares diferentes, em todos, tendo sido sempre muito bem acolhido. Na casa de minha irmã Maria do Carmo, em Guarapiranga, na casa de um outro super amigo da época, Carlos Roberto, o “Beck”, em Jabaquara.

Porém, inicialmente, morei em Santo Ama-


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ro, na casa do meu primo José Roberto Rulli e de sua mãe, minha querida e saudosa tia Maria. Entre os episódios tantos que lá aconteceram, houve um do qual eu não pude me esquecer jamais. Após o trabalho e as aulas na escola, eu chegava bem tarde, já bem próximo da madrugada. Eu andava muito a pé, até para economizar. Sempre fazia muito frio, chovia ou garoava e eu entrava “em casa” nas pontas dos pés descalços, para não acordar minha tia. Raramente usava o banheiro para não fazer barulho, algumas vezes eu já vinha, inclusive, “de dentes escovados” e o banho ficava para algumas horas depois, antes das 6:00 horas, naturalmente, após um pequeno sono, no sofá da sala, sempre iniciado por um choro, de saudade da minha mãe, principalmente. Naquela noite, porém, foi diferente. Embora eu tenha chegado da mesma forma e disposto a cumprir o mesmo ritual de todas as noites, eu estava com muita sede e com muita fome... Pendurei o paletó numa cadeira, retirei e guardei na minha mala a roupa suja e coloquei o meu pijaminha de flanela. Fui andando no escuro e bem devagarinho até a cozinha, decidido a me saciar. Abri a geladeira e dei de cara com uma tigela de vidro enorme, com uma grande colher mergulhada dentro dela. Era um doce de leite cremoso, maravilhoso, bem corado, que estava esperando por mim.


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Não pensei duas vezes e apanhei uma grande colher lotada de doce, arreganhando a minha pequena boca o mais que eu pude, para caber a colher, destas quase do tamanho de uma escumadeira de arroz... Tão logo eu fechei a boca em torno da colher, prestes a engolir o doce, ouvi passos vindo em minha direção... Eu sabia que em menos de 3 segundos, minha tia estaria ali, ao meu lado. Não titubeei, até porque não daria tempo, numa rápida ação, mergulhei novamente a colher na tigela, fechei a geladeira e engoli, sentindo, então o gosto daquilo que não era doce de leite, era “gordura de porco”... Eu não pude fazer nenhum comentário com a minha tia, que apenas me cumprimentou amavelmente. Durante o resto da madrugada eu tive verdadeiros calafrios, meu estômago e meu intestino, principalmente, viveram, quem sabe os seus piores momentos. Minha fome e minha sede passaram. Procurei, com muita dificuldade não ir ao banheiro. Sai de casa o mais cedo possível e quando cheguei à fábrica, onde havia um enorme vestiário com banheiros para funcionários, eu me deliciei, me aliviando por todos os lados. Decorridos quase 40 anos, até hoje eu me arrepio quando me lembro daquele infausto ocorrido, mas, confesso que também a experiência vivida,


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serviu para que eu crescesse e fosse aprendendo que mesmo as situações constrangedoras como aquela, podem transformar rapidamente uma tigela de gordura, num doce deleite, muito mais saboroso do que um doce de leite! Foi muito triste aquela noite e os dias que a sucederam, mas, hoje acho muita graça do episódio, até porque rir é o melhor remédio!


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MEU TESTAMENTO...

Um dia, num determinado momento, um médico comprovará que o meu cérebro deixou de funcionar e que, definitivamente, minha vida neste mundo chegou ao seu final. Quando isto acontecer, não diga que eu me encontro no meu leito de morte. Estarei no meu leito de vida, portanto, peço que o meu corpo seja doado para contribuir de forma que os outros seres humanos tenham uma vida melhor, mesmo sendo meu desejo ser, após a morte, cremado, no que sobrar de mim, já que o meu máximo, eu quero que seja doado. Dá os meus olhos ao que jamais tenha contemplado o amanhecer, que não tenha visto o rosto de uma criança ou, nos olhos de uma mulher, a luz do amor, como eu vi. Dá o meu coração a alguma pessoa cujo coração só lhe tenha valido intermináveis dias de sofrimento. Dá o meu sangue ao adolescente resgatado de seu automóvel em ruínas, a fim de que possa viver até poder ver seus netos brincando ao seu lado, como eu vejo hoje o meu. Dá os meus rins ao enfermo, que deve recorrer a uma máquina para viver de uma semana à out-


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ra, pois embora eu ainda tenha “algumas pedrinhas” neles (cálculos renais), eles funcionam muito bem e se me deram algum trabalho, foi muito pouco diante do quanto me ajudaram, filtrando o meu puro sangue! Para que um garoto paralítico possa andar, toma toda a totalidade de meus ossos, todos os meus músculos, as fibras e os nervos todos do meu corpo. Mexam em todos os recantos do meu cérebro. Se for necessário, tomem as minhas células e façam com que se desenvolvam, de modo que, algum dia, um garoto sem fala consiga gritar com entusiasmo ao assistir ou fazer um gol, como eu sempre fiz e gostei! Que por conta da doação, uma garotinha surda possa ouvir o repicar da chuva contra o vidro da janela, o que meu irmão Luís Antonio, com certeza não ouviu. O que sobrar do meu corpo, entrega ao fogo para cremação e lança as cinzas, ao vento, para contribuir com o crescimento das flores. Se sobrar algo para ser enterrado, que sejam os meus erros, as minhas fraquezas e todas as minhas agressões contra o meu próximo. Se você, por acaso quiser se lembrar de mim, faça uma boa obra, brinque, sorria, conte uma piada ou diga alguma palavra bondosa ao que tenha necessidade de você.


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Ajude sempre ao próximo, em qualquer circunstância... Com amor, a qualquer tempo, com a satisfação do dever cumprido! HELINHO, para sempre!


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MEUS PAIS E MEUS MEIO IRMÃOS,

QUE HOJE ME SÃO INTEIROS

Meu pai, um italiano alto, forte e lindo, de olhos azuis esverdeados, de quem eu herdei o nome e tudo mais, mas, não a beleza, infelizmente. Ele se chamava Hélio Rulli, nasceu na cidade de Jaboticabal, Estado de São Paulo, no dia 24 de Agosto de 1912 e morreu em 08 de Abril de 1983, sendo sepultado, em São José do Rio Preto. Viveu uma grande aventura de 71 anos, apenas! Foi casado em primeiras núpcias com uma senhora muito simpática chamada Assunta, que eu tive o privilégio de conhecer. Tiveram juntos três filhos maravilhosos, que são meus meio irmãos: Antenor, Adirce e Nair, todos muito queridos. Meu bisavô, Eugênio Eusébio Rulli, originário da cidade de Como, próximo a Milão, no norte da Itália, partiu de lá, por volta de 1870, juntamente com mais dois irmãos, com destino à América do Sul. Tinha também duas irmãs, que foram para a Algéria, no norte da África, com casamentos arranjados. Ao chegarem em Santos, meu bisavô Eugênio e um de seus irmãos desembarcaram, indo um para São Paulo, Capital, para trabalhar na Indústria, de onde, provavelmente surgiram as Empresas Industriais de metalurgia e plásticos


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“Rulli & Rulli” e “Rulli-Standard”. O outro, justamente meu bisavô, dedicou-se à cultura do café, na região de Monte Alto, interior de São Paulo. Um terceiro irmão seguiu para a Argentina e há alguns descendentes já localizados via internet, tendo sido um deles, defensor da Seleção de Futebol Argentina, nos mundiais de 1978 e 1982. Desta forma Os Rulli’s se espalharam, da Itália para outras nações, o que vale dizer que todo descendente de um Rulli, de alguma forma, é meu parente próximo, mesmo os distantes. Meu avô João Carlos Rulli e minha avó Maria Maréga Rulli tiveram onze filhos: José, Adoniro, Mário, Octávio, Ricardo, Orestes, Sétimo, Hélio (meu pai), Ana, Aparecida e Lucia, além do “Tio” Dionísio, um primo, por eles todos adotados como irmão, de tão querido que era. Como diz meu irmão João Carlos, somos Brasileiros com 100% de sangue Europeu, sendo 75% Italiano e 25% Português, do meu avô Sabino Fernandes, ora, pois, pois! Minha igualmente linda mãe, Antonia dos Santos Fernandes, também é de Jaboticabal, onde nasceu em 18 de Fevereiro de 1918, falecendo em 18 de Novembro de 1974, em São José do Rio Preto, com apenas 56 anos de idade, tendo sido sepultada em sua terra natal, onde desejava, ao lado de sua mãe. Ela era carinhosamente chamada de “Nica”


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por meus tios e minha avó Marta Meróllo Fernandes, dos meus quatro avós, a única que conhecí em vida, pois de meu avô, que embora eu não tenha conhecido, juntamente com alguns outros primos, herdamos com muito orgulho o seu nome, uma vêz que ele se chamava Sabino Fernandes. Meus avós maternos, Marta e Sabino, também tiveram onze filhos. Minha mãe Antonia (Nica), minhas tias Alice, Rosa, Laura, Etelvina (Bina) e Albertina, meus tios José, Luís e Antonio, além de uma primeira Alice que morreu com meningite, com apenas um ano e meio e Terezinha que acometida de sarampo, morreu aos quatro anos de idade. Alice, casada com Milton, tornaram-se também meus queridos padrinhos. Ela florista, ele carvoeiro, moravam na Rua Juca Quito, N.o 1.000, também em Jaboticabal. Jamais vou me esquecer daquela casa tão acolhedora, rodeada por tantas flores, entre as quais, rosas perfumadas. Visitei, com minha mãe, várias vezes a minha avó Marta em Jaboticabal, no Bairro Alto, onde ela morava numa chácara com meu tio José, minha tia Cida e meus primos, tão queridos, a Fátima, o Toninho Sabino, a Martinha, a Rosinha e o Luiz Carlos. Chegávamos sempre de ônibus, na Rodoviária, defronte ao Mercado Municipal, onde vovó tinha uma banca de frutas, verduras e legumes


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e também na Feira, onde meu Tio José vendia os produtos plantados e colhidos na própria chácara, que também servia a cidade, como aterro sanitário, sendo com isto, bastante adubada e fértil em suas terras repletas de árvores frutíferas, entre as quais muita jabuticaba, manga, abil, abacate, cajá, uva, banana, além de centenas de canteiros com alfaces e demais verduras e legumes... Minha mãe também teve um primeiro marido, um senhor simpático chamado Romeu, com quem tive um engraçado e único contato, mas, que me marcou como uma boa recordação. Por parte de mãe, meus aqui chamados “meio irmãos”, são a Maria do Carmo e a Silvia Sidney, duas outras grandes paixões que tenho. Estes meus primeiros cinco irmãos são muito chegados e muito especiais. Só lamento ter estado poucas vezes (umas cinco, talvez), com o Antenor, de Birigui e com a Nair, umas três vezes, mas, por falta de oportunidade mesmo, pois Nair, por exemplo, mora em Maracajú, no Mato Grosso, próximo ao Paraguai, onde estive uma vêz. Já a Adirce, que mora em Indaiatuba, a Silvia, em Jundiaí e a Maria, em São Paulo, são as irmãs com as quais eu tive sempre mais contato. As que mais tiveram que me suportar, digo. São oito, ao todo, os irmãos queridos que tenho, quatro irmãs e quatro irmãos, sendo eu o


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nono deles e na linhagem de nascimento o sétimo filho, o número “7”, de Hélio Rulli e Antonia Fernandes.


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FORÇA, HONRA E DETERMINAÇÃO Quem somos é quem nós fomos! Tenho muito orgulho dos meus antepassados e desejo honrá-los, indo muito mais além do que eles foram, pois com certeza, o que eu desejo para a minha descendência foi também o que desejaram a mim...


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MINHA MÃE, UM EXEMPLO

Ela sempre foi muita ativa, dinâmica e atuante, muito trabalhadora, uma mulher extraordinária! De olhar sério e expressão firme, de pequena estatura, mas, valente, guerreira e “brava” em tudo o que fazia. Tinha medo de encará-la, nutrindo por ela sempre, um profundo respeito, obediência, mas, acima de tudo muita admiração e amor! Me ensinou a ser homem, me ensinou a ser o que eu sou. Me lembro que aprendi a ler e a escrever na escola, porém, o verdadeiro sentido da escrita, da formação das frases, foi minha mãe, mesmo sem saber, quem me ensinou. Quando nos separamos, certa vez, ela me escrevia TODOS os dias, me obrigando (com amor e jeito) a responder as suas cartas todas. Em algumas semanas eram 10 cartas. Eu as escrevia com cópia carbonada, temendo o extravio, mesmo diante da eficiência dos nossos correios. Tenho muitas delas guardadas até hoje. Há muito o que falar da minha linda mãezinha e o farei em alguns outros capítulos deste livro, citando-a sempre como um exemplo! A vocês, cujas mães são vivas, curtam com elas cada momento. Digam a elas o quanto são amadas, importantes e se for o caso, por algum erro


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cometido, peçam perdão. Eu fiz isto tudo e também pedi perdão, mas, não obtive resposta, porque túmulos não falam... Dela, ficaram as lembranças, a gratidão e a saudade... Todas bem vivas dentro de mim !


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RECORRENDO A UMA “ENCICLOPÉDIA” Por razões óbvias, até por ter sido o meu primeiro irmão, isto é, o primogênito da 2.ª geração dos meus pais, precisei buscar ajuda dele, do João Carlos, quando juntos, puxamos pela nossa memória, alguns episódios lembrados por mim e detalhados por ele. Por reconhecimento e justiça, registro aqui, um agradecimento muito especial a esta verdadeira enciclopédia ambulante!


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CATANDO ALGODÃO

Por volta de 1960, morávamos numa cidade chamada Avanhandava, no Estado de São Paulo. Uma cidade muita pacata, que como toda pequena cidade interiorana, cresce, quando cresce, em torno de uma bela pracinha ornamentada com belas plantas e árvores podadas artisticamente, formando um belo jardim florido, que normalmente cerca um pequeno coreto, onde nas tardes de finais de semana, principalmente, tradicionais músicos civis e militares, formam uma bandinha e alegram a praça que fica defronte a Igreja da Matriz, a Católica, de onde se avista de um lado, normalmente na esquina, as Casas Pernambucanas, na outra o Banco do Brasil e no meio da quadra, o Posto de Saúde. Quase toda cidadezinha é assim. Neste jardim, onde se podia ganhar pipocas de um velho pipoqueiro, eu brincava de salva-pegas ou de pique esconde com outras crianças muito pobres como eu. Muitas noites, depois da missa, eu podia deitar num daqueles bancos doados por comerciantes e famílias ou ficar em pé sobre um deles, lendo os dizeres do anúncio, escrito sob os meus pés pequenos e frios, descalços... Foi nesta época que meu pai e minha mãe se separaram, por alguma razão, por pouco tempo, porém. Que pena! Ele foi embora, deixando minha


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mãe com três filhos, eu com 5, João Carlos com 9 e Luís Antônio, até então caçula, com 2. Uma barra! Levantávamos as 3 ou 4 horas da manhã, para “catar algodão”, eu e a minha mãe. Além de ir também com minha mãe catar algodão, João Carlos se virava como podia engraxando sapatos naquela mesma praça e em outros lugares do pequeno comércio, onde arrumou ainda um serviço de servente de pedreiro. Do resultado do seu honrado trabalho, dependia a comida dele e do pequeno Luís Antônio, no dia a dia, em todos os dias, durante longos meses. Arrastar aqueles pesados sacos de algodão pelo carreador, em meio aquela plantação linda de algodão, alva como a neve, até o trator e a balança, era para mim motivo de muita alegria e de muito orgulho, que só deixavam de existir quando, no final do dia, a tardinha, eu tinha que tirar os carrapichos grudados na roupa feita de chita ou de saco de farinha de trigo, que minha mãe costurava para mim. De dentro do meu velho sapatão, eu tirava muita terra, terra esta que muitas vezes refrescava, alimentando de sabedoria os meus pés cansados. Na fila, bebendo água na moringa de barro e saciando a minha sede, eu me lembro da minha mãe, com os cabelos presos e cobertos por um pano, que também envolvia o seu pescoço, lhe protegen-


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do do sol bastante quente. Seu semblante triste, seu rosto suado e sujo pela poeira do trabalho, mas, de cara limpa, ela ia e me levava à luta, me ensinando, de fato, a caminhar os primeiros passos. O relógio da matriz, marcava 17 ou 18 horas, quando o caminhão carregado de trabalhadores de todas as idades, exaustos, encostava na praça, a mesma praça que no domingo a noite me recebia e tudo, de novo, ia acontecer... Catar algodão aos 5 anos de idade, durante um bom tempo, em companhia da minha amada mãe, pouca gente hoje acredita, ou sabe o que é isto, mas, eu vivi esta belíssima e rica experiência!


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RANCHARIA No centro de Rancharia, do jardim da praça arborizada da Igreja Matriz, eu podia avistar numa das esquinas uma grande loja de quatro portas de ferro, onde se lia Dragão dos Tecidos. Era de uma senhora, cujo nome não me recordo, mas, que eu chamava de madrinha, porque era mesmo, de fato, o seu afilhado... Nesta loja minha mãe comprava tecidos de chita ou mescla “fiado”, para fazer, ela mesma as nossas roupas. Nesta saudosa cidade de Rancharia, que tinha praticamente as mesmas características de Avanhadava, nós também moramos duas vezes. O sítio dos meus tios Orlando Casagrande e Aparecida Rosa Rulli, que era irmã do meu pai, onde também moramos, não era muito distante da cidade. Há alguns detalhes que poderia nos fazer localizá-lo hoje, pois para chegarmos lá, saindo de Rancharia, passávamos de carroça sobre os trilhos da estrada de ferro e defronte ao cemitério. Tínhamos como vizinhos e amigos a família Bidin. Nos fundos do “nosso” sítio, eram as muitas terras de uma grande empresa, talvez a Anglo ou a Swift, o fato é que não nos lembramos, mas, lembramos sim, que eram bem protegidas por inúmeros jagunços, chamados homens sem lei.

Lá,neste sítio,aconteceram fatos inesquecíveis


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em minha vida. Vem de lá a marca principal que tenho na testa, por conta de um “pinico” que me atingiu e creio, a que tenho registro, foi o primeiro instrumento usado para me abrir a cabeça, literalmente. Crueldade? Não, não foi. A partir deste episódio, fiquei mesmo, espertíssimo! Foi lá também que eu e meu irmão João Carlos, enterramos perto do riacho, num pequeno e improvisado caixão de madeira, nossa linda cachorrinha, a “Pitica”, uma vira latas, preta e branca, querida e especial, companheira... Deste sítio, íamos à cavalo, quando podíamos, à escola, nossa primeira escola, uma Escola Rural onde meu irmão concluiu o 4.º ano. Ela ficava num outro lugar, logo após a Fazenda do Geraldo Fava. Nem sempre dava para ir à cavalo, a verdade é que na maioria das vezes nós íamos à pé e eu ia era de bicão, pois nem matriculado estava, por conta da minha pouca idade. Me lembro que nem sempre levávamos merenda e que íamos descalços para economizar e não sujar os sapatões, calçando-os somente quando íamos subir os degraus da escola, recomendações dos nossos pais. Vem desta época, duas outras lembranças, uma delas, foi o primeiro sintoma que senti, quando voltava sozinho da escola, não pude mais andar, pois senti uma dor muito forte numa das pernas, como se fosse uma insuportável câimbra, mas, era


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por conta de um problema congênito na coluna vertebral, cujas vértebras L4 e L5 foram operadas muito mais tarde, somente em 1989, já em Campinas, depois de muito sofrimento. Naquele dia, depois de horas e horas me procurando, meu irmão e meu pai me encontraram sob um pé de café e me levaram para casa. A outra marca, ocorreu naquela “sala de aula” em que tudo era de madeira, inclusive as canetas que nem todos usavam, eu me atrevi a molhar a pena de uma delas num recipiente apropriado de vidro (tinteiro), cheio de tinta azul. Ao me assustar com a professora, bati com a mão na pena e tenho até hoje, na palma da minha mão direita, bem no centro, um ponto azul, que é uma prova daquele “bonito”, importante e significativo acidente. Inesquecível momento! Também numa outra oportunidade, certo dia, numa repentina e fortíssima tempestade de verão, “o dia virou noite”. Estávamos bem longe de casa, num campo aberto, bastante devastado, não tendo para onde correr e onde se abrigar, ficamos, nós dois, eu e o meu irmão, desesperados. Parecia o fim do mundo em nossa imaginação! Enfim o mundo não acabou naquele dia e nós sobrevivemos àquele grande susto. Apesar de assustados, tínhamos que continuar a vida com a nossa rotina de todos os dias naquele horário, por volta das duas horas da tarde, voltarmos lá para apartar o gado, chamando-


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os pelos seus nomes próprios, com que eram “apelidados” e recolhendo-os ao curral. Um dos maiores prazeres que tínhamos de voltar àquelas pastagens, é que bem longe dali, depois de um riozinho refrescante, ainda havia um pé de tangerina. Um só, carregadinho, que só nós conhecíamos. Na verdade era o nosso “pé de laranja lima”, tamanha a doçura de suas tangerinas. Quanta saudade! Como é que se pode sentir saudade de tempos assim, tão difíceis? A única resposta que eu encontro é que a exemplo daquelas tangerinas, minha vida sempre foi constituída de recordações tão doces e marcantes, que me trazem saudade de tempos que se foram e não voltam mais. Tempos de momentos importantes na formação do meu caráter, estabelecendo dentro da minha personalidade forte, os meus princípios e os meus valores. Não fossem os tempos difíceis, provavelmente eu não valorizaria tudo o que sou e tenho hoje e muito menos teria força suficiente para combater e vencer os desafios constantes. Mas, vem lá do sitio da tia Cida, em Rancharia, algumas boas lembranças, como o da “minha” bonita égua Boneca. Claro que não era minha, mas, eu a tratava como se fosse, pois ela também tinha por mim muita afeição.


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Uma das mais belas lembranças que temos, eu e o meu irmão Carlos, principalmente ele, é a do “Rio do Peixe”, onde íamos pescar, mais por necessidade do que por esporte, mas, com certeza, por muito prazer, na segura companhia do nosso pai Hélio Rulli, que também foi um bom pescador!


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AVANHAnDAVA Meu irmão João Carlos, é meu co-autor, nos relatos abaixo. Morávamos em Avanhandava, pela segunda vez, também no interior de São Paulo, numa Fazenda chamada “Boa Esperança”, propriedade de um senhor de nome Odilo Garcia. De lá saímos, voltando para São José do Rio Preto, minha terra natal, em Outubro de 1963, passando antes por Mirassol, onde moramos por bem pouco tempo, nos fundos de uma pensão, próxima à Estação Rodoviária. Em Mirassol, a nossa situação era de penúria, pois várias vezes vimos a nossa mãe revirando o lixo, separando tampas de tomates, cascas de batatas, legumes e verduras, lavando-os e cozinhandoos em uma lata de óleo da marca “Sol Levante”, fazendo-a de panela, sobre alguns tijolos e gravetos acesos. Muitas vezes, era o que tínhamos para comer. Enquanto meu pai tentava ganhar a vida como guarda noturno e porteiro do Hotel São José, em São José do Rio Preto, cidade grande vizinha, meu irmão João Carlos, empregara-se como sorveteiro em Mirassol, mas, durante somente uma semana, pois nas proximidades do matadouro, cerca de uns vinte garotos o cercaram e limparam o seu carrinho, levando também todo o dinheiro da sua féria, até


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então. Mas, muito provavelmente, são de Avanhandava as mais tristes lembranças que guardo na memória. Não deveria, mas, preciso registrar algumas delas. Foi lá, que acidentalmente derrubei meu querido irmão Luís Antonio e ele ficou em coma profundo durante três longos meses. Eu tinha 6 anos e ele apenas 3, quando, após o banho eu tentei carregá-lo do banheiro...

Foi uma tragédia!

Embora eu esteja aqui relatando o ocorrido com profunda tristeza, penso já ter superado em todos estes anos passados, aquele terrível acontecimento que “nos” vitimou a todos. Nascido em 1959, hoje ele tem 51 anos e continua surdo e mudo. Deus nos abençoou tremendamente! Luís é o mais vivo de todos os irmãos, é bastante forte e muito bonito! Eu o amo profundamente! Embora não o veja há mais de 15 anos, recebo sempre suas notícias, muitas vezes através dele mesmo. Em Avanhadava, meu irmão João Carlos, com quem aprendi e herdei por um bom tempo a honrosa profissão de engraxate, arrumou um trabalho na cidade, limpando tijolos de demolições, para reaproveitamento em novas construções. Éramos também, junto com minha mãe “bóias frias”,


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catadores de algodão, excelentes no que fazíamos! Seríamos felizes hoje se não tivéssemos passado o que passamos? Qual seria o sentido de nossa vida se não pudéssemos acumular tanta “experiência”? Teria sido mesmo necessário? Perguntaria você... Mas, o que é a vida senão feita “também” de momentos tristes?

Quer saber?

Valeu a pena!


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VARJÃO Era uma área muito grande alagada pelo famoso rio Tietê. Este rio era, já na época, bastante explorado pela pesca e pelo transporte fluvial. Suas águas levaram para sempre a vida de um homem, amigo de nossa família, conhecido como Xavante, que morreu afogado juntamente com um time inteiro de futebol, numa das maiores tragédias de Avanhadava. Incrívelmente triste e de se acreditar, mas, eu e o meu irmão João Carlos, testemunhamos o fato, ainda crianças, “ajudando” a cavar com as nossas mãozinhas, as covas e enterrá-los no cemitério. Na tristeza de seu funeral, em caixão lacrado, por conta dos demorados dias que se levaram para encontrar seu corpo, momentos que me lembro bem e que me trazem, em grata memória, as boas recordações daquele “índio” tranqüilo e os seus grandes feitos por nós. Me recordo do meu pai como capataz chefe dos peões que desbravavam as margens do rio, ora limpando, ora tirando com as mãos, os peixes (bagres que comíamos assados na brasa) das “locas”, nas paredes dos barrancos, onde eles se alojavam. Na Fazenda Boa Esperança, após as cheias do rio, que transbordava, plantava-se arroz em escala industrial, com colheita já mecanizada, coisa


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de primeiro mundo para a Êpoca. Na seca, o senhor Odilo Garcia vendia o saibro para as cerâmicas da região, que com ele, fabricavam tijolos e telhas.


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A PESCARIA

Morávamos em um casebre, nos fundos da “Fazenda Boa Esperança”, ao lado do “Córrego Fartura”. Fartura era só o nome do rio, pois para nós, “fartava” tudo... Nossa mãe já havia se aproveitado da última fonte de alimentos que tínhamos e no quintal de casa: Um grande pé de abóbora! Primeiro, comíamos abóbora madura, depois, cozida, salgada e doce, salada e finalmente, abobrinha verde, refogada, também como sopa etc... Por fim, veio o próprio pé de abóbora, que hoje muitos acham deliciosa, a chamada “cambuquira”. Para sairmos daquela dieta “aboborífera”, como diria Odorico Paraguaçu, personagem de Paulo Gracindo em “O Bem Amado”, meu irmão João Carlos me chamou para ir pescar. Já no rio, em cima de uma pequena ponte de madeira, ele me ensinava a colocar a minhoca no anzol, como isca, como atirar a linha, sentir a fisgada e puxar. Alguns minutos depois, sentimos que eu havia fisgado algo grande e meu irmão tentou me ajudar, tomando a vara das minhas mãos e com toda técnica que tinha, deu um forte puxão para o alto e em nossa direção. “Aquilo” que estava preso no anzol, soltou-se e caiu sobre nós, que, inocentes, pensávamos ser uma cobra preta... Ao tentar correr,


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enrosquei a cabeça no anzol! Meu irmão, desesperado, não sabia se tirava o anzol espetado na minha cabeça, que sangrava muito ou se me ajudava a fugir da cobra que se debatia em minha direção... Felizmente, meu irmão percebeu que era uma “enguia” e não uma cobra, que se retorcendo pelo chão, conseguiu voltar para as águas do rio e ele pode, finalmente, retirar o anzol da minha cabeça.

Ufa, que sufoco!


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O FACÃO

Em 1958 morávamos em um acampamento, às margens de uma estrada de terra, onde hoje é a Rodovia Washington Luiz, na região de Taquaritinga, São Paulo, num lugar chamado Cambuhy. Minha mãe pediu a meu irmão João Carlos que tomasse conta de mim, então com apenas 3 anos de idade. Segundo relato do meu próprio irmão, ele descuidou-se de mim por um instante e quando olhou em minha direção, eu segurava um facão maior que eu. Ele gritou apavorado com medo que eu me ferisse. Assustado com seu grito, estiquei meu braço direito e segurei o facão com a lâmina para baixo, num instinto de entregar a ele. Quando meu irmão deu um passo em minha direção, sentiu uma dor terrível em seu pé esquerdo, coitado! É que eu, com medo, havia soltado o facão, que “pregou” seu pé no chão de terra. Até hoje ele tem a cicatriz, como lembrança! Embora eu não me lembre deste episódio, meu irmão, peço que me perdoe, mas, também saiba que você não tomou conta de mim, como deveria. Não sei se foi com o mesmo facão ou com um outro, que me aventurando a fazer uma forquilha de estilingue, eu cortei a ponta do dedo indicador da mão esquerda. Embora do dedo mesmo eu tenha perdido só um pedacinho, tenho a marca até hoje, simbolizada por uma unha “rachada ao meio”...


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O CIGARRO DE CHOCOLATE

Como criança, aos cinco anos também pude experimentar o desprazer de colocar um cigarro na boca, embora fosse um cigarrinho fino, quase um doce de chocolate, mas, era também igual a um destes que fazem muito mal à saúde, porque precisam ser acendidos e quando aspirados e “corretamente” tragados, sua fumaça vai direto ao pulmão, suas toxinas vão à corrente sangüínea, causando danos irreversíveis. Porque as pessoas fumavam perto de mim, no caminhão, na carroça ou na praça? Dando-me suas baforadas? Para mim e para outras crianças era e ainda é, uma tentação... Porque as pessoas continuam fumando, mesmo diante de tantas pessoas e perigosamente, mesmo frente as advertências inseridas na própria carteira de cigarros? Agradeço muito a Deus, por nunca ter permitido que eu fumasse e principalmente me viciasse, mesmo tendo trabalhado na Companhia de Cigarros Souza Cruz, a maior e a melhor delas todas, durante aproximadamente 20 anos! Tenho como registro testemunhal e como lembrança de que a Souza Cruz faz uma grande obra, me tendo sido uma grande escola de trabalho


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e de vida e em nenhum momento me influenciou a ser consumidor de seu único malifício, pelo contrário, os benefícios todos que sempre recebí daquela multinacional inglesa, são motivos suficientes para nutrir por ela um profundo agradecimento através das boas lembranças que guardo em minha mente e coração.


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A VOLTA

Algum tempo depois de meu pai ter ido embora e permanecido fora por longos seis meses, por força da necessidade de buscar recursos à nossa possível sobrevivência, eu estava brincando, procurando distrair e alegrar o já acidentado Luís Antônio, que estava voltando de um coma de três meses, num domingo a tarde, quando João Carlos gritou por mim, do portão da casa, no acesso à garagem onde morávamos ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, próximo à Delegacia e a Cadeia, em Avanhadava. Havia um homem de barba comprida e branca, sentado na calçada, chorando muito... Era meu pai! Ele voltou! Voltou para sempre! Que alegria! Daquele domingo de tanta felicidade eu me lembro bem. Saímos de mãos dadas com meu pai e entre tantas coisas boas que me ocorreram, eu comi o meu primeiro pedaço de um delicioso pudim de padaria. Até hoje vejo sua imagem e sinto seu inconfundível sabor... Aquela volta durou mais de 20 anos, até que ele viesse a falecer em 1983. No entanto, meu pai durará para sempre!


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ATROPELEI UM CAMINHÃO

Fazia uns trinta ou quarenta dias que havíamos voltado e desta feita, definitivamente para São José do Rio Preto e meu irmão João Carlos, já tinha descoberto uma das delícias da infância: Pão doce quadrado recheado com creme e côco. Para beber, uma Coca-Cola geladinha, no Bar e Restaurante do José Lara Filho. Estávamos próximos do Natal e o dia do meu irmão como engraxate havia sido bastante compensador, razão pela qual ele me convidou para ir até o outro lado da rua, em “A Paulicéia”, experimentar aquela delícia! Tão logo o garçon “Tostão” entregou-me o pão e a coca, sem esperar pelo meu irmão, saí em disparada porta afora, feliz e radiante, sem pensar no perigo de atravessar a rua... Naquele tempo, a Rua Pedro Amaral tinha um sentido contrário ao de hoje, ou seja, os veículos atravessavam o centro, vindo da Boa Vista, indo em direção à Vila Ercília. Ao atravessar a rua, olhei para a direita, em direção ao “nosso” Hotel São José e não ví um caminhão da Coca-Cola, carregado que se aproximava, mas, que felizmente, brecou “em cima” de mim... Ou melhor, alguns centímetros depois de mim, já que correndo como eu estava, atropelei o caminhão e fiquei preso entre o para-choque di-


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anteiro e a cabine do caminhão já parado... Após muito trabalho, meu pai e meu irmão conseguiram me resgatar dalí, são e salvo, com o pão doce e a Coca-Cola intactos nas mãos, sem largá-los. Até hoje, eu e meu irmão ainda nos lembramos e ouvímos a gozação do saudoso “Tostão” dizendo: “Esse menino gosta tanto de Coca-Cola, que quiz agarrar um caminhão cheio só prá ele...”


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MARCAS E CICATRIZES,

porque os ferimentos sofridos nas batalhas da vida são condecorações que ela nos oferece! De todas as grandes marcas que tenho em meu corpo, há uma cicatriz marcante em minha testa, o nariz fraturado e marcado, que mal respira direito (mas, também não se mete onde não é chamado), alguns buracos em minha cabeça e na coxa esquerda, mais próxima ao joelho, um fabuloso corte cirúrgico em meu braço esquerdo, outro em minha coluna, na parte inferior, atestando uma significativa prótese que envolveu o ilíaco (bacia) e a L4 (uma das duas vértebras “soldadas”), principalmente, além de uma marca dolorida de mutilação em meu punho direito, de onde, para a sobrevivência de movimentos limitados, foram extraídos os ossos do carpo, por lesões causadas pelo mal funcionamento do escafóide, fraturado na minha juventude, jogando futebol de salão e no gol. Marcas são, para mim, bastante diferentes de cicatrizes. A cicatriz nem sempre me faz lembrar de quando e como eu me machuquei, ou me feri. A marca, no entanto, ou fere a alma ou deixa nela um sentimento de realização profundo, algo que nunca mais é apagado. É uma marca patenteada, que me distingue por algo diferente do que eu faço e como faço e do que sou e de como sou...


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Os muitos acidentes ou os problemas chamados congênitos que surgiram, acontecendo ou se complicando durante minhas diversas fases de crescimento, não tiraram a minha paixão pelo esporte, principalmente pelo futebol, até hoje... Naturalmente que tenho outras importantes marcas, registradas através de fatos que nortearam a minha vida e que puderem fazer de mim o que de fato hoje eu sou, não só uma pessoa marcada, mas, para mim e para muitas pessoas que me distinguem, marcante, sem dúvida! Desculpem-me pela falta de modéstia! Pude, porém, registrar uma primeira grande marca que mudou o curso dos meus passos, me fazendo ver a vida sob um novo ângulo e igualmente debaixo de uma nova expectativa. Cristo mudou a minha vida! Isto fez e continua fazendo uma grande diferença! Quem puder que experimente, de forma graciosa e gratuita, entregando a sua vida a Jesus, doando-se minimamente, tendo nEle o próprio exemplo de ter feito o máximo por nós. Ele, verdadeiramente deu-se por mim, por você, num sacrifício de cruz, consumando seu propósito até a morte e vencendo-a na ressurreição.


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Ele levou os nossos pecados todos, as nossas dores e os nossos sofrimentos, ao ressurgir no terceiro dia, sentou-se a direita de Deus Pai, de onde voltará um dia para nos levar para o céu, onde importa-nos estar e com Ele. Quem está em Cristo é nova criatura, pois tudo se passou, tudo se fêz novo, com Ele, por Ele e para Ele, para sempre, porque Ele é tudo em todos e porque para mim, Ele é minha primeira e grande marca! Eu tenho sim, muitas cicatrizes em meu corpo, mas, tenho dentro de mim, a marca de Jesus Cristo!


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A SANFONA VERMELHA

UM PRESENTE DE MEU PAI

Eu tinha 8 anos de idade quando a ganhei de meu pai. Era linda, novinha, vermelha, tinha um case preto, internamente aveludado num forro também vermelho, suas teclas muito brancas e outras muita pretas, lado a lado, como na perfeita harmonia cantada por Paul McCartney e Stevie Wonder, que eu gosto muito em Ebony & Ivory, um belíssimo exemplo de quebra de preconceito racial. Não me lembro de quantos baixos tinha aquela sanfona cheirosa, cuja deliciosa lembrança aromática eu sinto até hoje... Pena, que poucas vezes a usei. Tentei, mas, nunca aprendi. Ela era imponente, profissional, talvez muito grande para mim. Dizem que é preciso talento e dom. Eu não os tinha? Poderiam ter sido desenvolvidos? Ficou a recordação, na memória a saudade e até hoje a dúvida... Lembrança do primeiro investimento, quem sabe, “frustrado”, que meu pai fez em mim.


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MEU CASAMENTO

Em Julho de 1976 eu saí de São José do Rio Preto, rumo ao Rio de Janeiro, acompanhado de 3 grandes e inseparáveis amigos da época, Marco Antônio de Pinho Pasquetto, José Carlos Pinto de Azevedo e Renato Macedo Filici. Formávamos uma banda, denominada de “Grupo IDE”, cujo propósito era visitar a Segunda Igreja Presbiteriana Independente do Rio de Janeiro, no Bairro de Osvaldo Cruz, próximo a Madureira, atendendo a um convite feito pelo então Presidente da Mocidade, o Saulo, endossado pelo Orlando, que havia nos conhecido em nossa cidade, meses atrás. Aquele quarteto se propunha a fazer várias coisas, entre elas, cantar, encenar algumas engraçadas esquetes e testemunhar, como jovens que éramos, uma nova vida em Cristo. Por serem jovens, bonitos e solteiros, os 4 rapazes de River Black City “se achavam” e achavam que tudo podiam conquistar... o mundo, inclusive, anunciando “Boas Novas”. Havia uma música, da qual eu nunca me esqueci, que era o tema do Grupo, baseado no texto bíblico de Jesus, em Marcos 16:15 (“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”), cuja letra é a seguinte:


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“Diz a Bíblia o caminho a seguir É o santo exemplo dado por Jesus, IDE a todos, falai do meu amor, Deus acolhe os seus filhos contra o mal, IDE e pregai. E as últimas palavras do Senhor, Foram ordens aos seus homens de valor, IDE à todos, falai do meu amor, Deus acolhe os seus filhos contra o mal, IDE e pregai. IDE e pregai. IDE e pregai!” Conquistar o mundo, em nome de Jesus, com certeza. Há autoridade suficiente para isso, mas, conquistar pessoas e garotas por nossos próprios méritos, era um ledo engano. Talvez não quiséssemos mesmo, pois estávamos ali com outra finalidade e as cariocas até zoavam muito conosco, principalmente com o nosso jeito caipira de falar. Riam muito da gente, embora


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nos paquerassem muito também. Diziam que eu fui à praia, na Barra da Tijuca e dei minha primeira lambida na água do mar, para saber, se de fato, ela era salgada, mas, não é verdade, foi a segunda, pois a primeira eu já havia dado em Santos, numa viagem anterior. As duas praias tinham mesmo “gosto de sal”. Até hoje, dizem que Moizéth é o fruto da nossa primeira viagem “missionária” ao Rio. Eu a vi pela primeira vez num sábado, quando jogávamos futebol de salão contra o time da mocidade. Ela sumiu, mas, seu irmão Cláudio deu um jeito de me apresentar à sua mãe, que imediatamente me convidou para almoçar em sua casa, na quinta feira, antes de embarcarmos de volta. Foi “amor à primeira vista”. Pelo menos da minha parte. De volta à São José do Rio Preto, não consegui esquecê-la. Sua maneira de falar, de me olhar, de se referir a mim como estúpido ou ixtupido (assim mesmo, como o carioca fala, com “x”), de cantar, de tocar violão... Muito me confortava, enviando e recebendo cartas, cartões postais das cidades por onde eu andava e também ligando para ela uma ou duas vezes em seis ou sete meses. Era muito difícil! Caro. Numa ocasião ela me enviou uma fita cassete gravada também com algumas de suas músicas entre tantas outras, todas significativamente lindas,


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algumas “declarações” de amor, um tanto quanto tímidas. Eu a ouvi milhares de vezes e a tenho guardada até hoje, com depoimentos de suas melhores amigas, a Cristina, que está nos Estados Unidos e Nevinha (Maria das Neves), que temos em saudosa memória, uma vêz que está nos céus, nos braços dO Pai. As três compunham, cantavam, tocavam violão em um Conjunto de 40 Violões chamado “Rosas de Saron”. Elas eram incríveis! Juntas ou separadas, tinham muita força! Em Dezembro de 1976, no dia cinco, aconteceu o Festival da Canção Evangélica de Rio Preto, o FECAERP, que eu organizei e apresentei durante pelo menos 10 anos consecutivos, entre outros Festivais da Federação de Mocidade naquela nossa região da alta Araraquarense e Sudoeste Paulista. Não perdi tempo e incluí Moizéth no jurado técnico, um júri especial de pessoas altamente capazes e profundas conhecedoras de composições musicais em todos os seus níveis. Saiu no jornal Diário da Região... Acertei na mosca. Ela brilhou pelo seu talento cheio de conhecimento, jovialidade e beleza. Estava também completando, naquele dia cinco, dezoito anos. Conquistei-a definitivamente, mesmo porque durante todo o evento, procurei dar tudo de mim. Afinal, estava em estado de graça e tinha razões suficientes, de sobra!


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Começamos a namorar oficialmente naquele dia, ato validado, porém, somente após o consentimento de seu pai, Sr. Moisés, em 01/01/1977, em minha 2.a visita ao Rio de Janeiro e à sua casa, quando colocamos aliança, inclusive e fomos namorar na praia da Barra. Em Abril, Moizéth voltou à minha cidade, quando já estávamos nos preparando para casar. Há muitas pessoas da minha querida e inesquecível Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São José do Rio Preto, que não posso esquecer nunca, pelo carinho com o qual cuidavam de mim e passaram a cuidar de nós. Por tanto, quanto me ajudaram a realizar o meu casamento. Meu eterno Pastor Mathias Quintela de Souza e sua esposa Eloá. Jonas Tabarini e Hélia, aos quais aprendí a chamar de tios, pela grande amizade e relacionamento que eu tinha com o Edson Valêncio Barbosa, meu querido amigo e irmão, sobrinho verdadeiro deles. Seus sábios e oportunos conselhos. Os pais do querido Edson, Pedro Barbosa e Elígia Tabarini, minha amada “madrinha”, tão saudosa em minha grata memória. Finalmente em 28/05/1977 em fui buscar Moizéth para viver comigo e definitivamente. Nos casamos na 2.a Igreja Presbiteriana Independente do Rio de Janeiro, em Osvaldo Cruz, às 19 horas, sob as bênçãos de Deus, impetradas pelos nossos pastores, o meu e o dela, Reverendos Mathias Quintela de


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Souza e Shintyo Brito. Claro que estavam lá como padrinhos, entre tantos outros amigos, Marquinhos, Zé Carlinhos e Renatinho. Venício Rodrigues Bueno, tão querido, tão especial. Um excelente músico, tecladista. Tinha na época 15 anos e foi ao Rio, para fazer a bonita trilha sonora do nosso casamento. Dos meus irmãos, presente somente o caçula Donizete, minha paixão, então com 13 anos de idade. Consolidamos assim, 10 meses de conhecimento e de muito pouco tempo de namoro, uma vez que separados por quase 1.000 Kms., só nos vimos 4 vezes e nos casamos na 5.a, há 33 anos atrás, que serão completados em 2010. Felizes?

Por tudo, por todos, por nós...

somos!


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CASADOS PARA SEMPRE...

Algumas pessoas ainda me perguntam como consigo estar casado há 33 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam à minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. É preciso ser corajosa, como nos disse certa vez um propagandista de rua, em Brasília. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo, pois ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário... Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue: Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei umas três vezes, pelo menos, com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela já deve ter pensada em pegar suas malas mais vezes do que eu.  

O segredo do casamento não é a harmo-


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nia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.     O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistar sua esposa como se fosse um pretendente em potencial?    Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kgs. em um único mês - por que vocês não podem conseguir o mesmo, juntos, mas, sem se separarem, necessariamente?   Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou de apartamento, trocaria seu guardaroupa, os discos, o corte de cabelo etc... Mas tudo isso pode ser feito sem que vocês se separem.


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Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher (ou o mesmo marido) por trinta e três anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você. São seus próprios móveis com a mesma e já desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, o novo bairro, o novo circuito de amigos. Não é preciso um divórcio litigioso para se ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. Não existe essa tal “estabilidade do casamento” nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, sua esposa, seu bairro e seus amigos. Tudo muda... A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas, sa-


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ber mudar juntos esta relação. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto descubra a nova mulher (ou o novo homem) que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com a mesma pessoa. ... Adaptação do texto de Stephen Kanitz, publicado na Revista Veja em 14/09/2005, edição 1922, “O segredo do casamento”.


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REBECA Ela nasceu onze meses após o casamento, sendo, portanto, minha primogênita. Me lembro bem daquela 3.ª Feira, em 10 de Abril, quando então vendedor da Companhia Souza Cruz Indústria e Comércio, eu estava em Paulo de Faria, uma pequena cidade, não muito distante de São José do Rio Preto, interiorzão de São Paulo, mas, como viajava por muitas cidades circunvizinhas, era por lá, pela região, que eu pernoitava. Dormir mesmo, eu dormia pouco, pois já fazia mais de um mês que Moizéth, estava no Rio de Janeiro, para onde foi levada pelo pai, meu querido sogro Moisés, a fim de que pudesse ter uma melhor assistência médica, hospitalar e da própria família. Visitava um cliente, quando o gerente do Banespa me localizou e me deu a notícia: Parabéns, você é pai de uma linda menina! Nosso “neném” havia nascido, era muito linda mesmo e ainda por cima carioca, como a mãe... Não pude me conter e chorei muito, quase explodi de alegria sem igual. Contei para todo mundo, saí andando e falando pelas ruas. Uma loucura... Um “mico” total, diria hoje a Rebeca. O Reverendo Isaías de Souza Maciel e o Reverendo Shintyo Brito, juntamente com meu sogro,


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o Presbítero Moisés Mielgo Gonçalves, foram os responsáveis pelo nascimento, de parto normal, internando Moizéth, de forma bastante graciosa, nas cômodas instalações do Hospital do SASE, em Realengo. A eles todos e principalmente a Deus, toda a minha gratidão! Meu sogro, a meu pedido, a registrou para mim, em meu nome, evidentemente. Que sorte teve ela, pois por mim seria Rebecca Lee Gonçalves Rulli, mas, ficou só no Rebeca, nome que por si só, se explica. Como a de Isaque, ela veio de longe, muito linda e me trouxe muita alegria. Somente muitos dias depois é que fui conhecer minha filha. Antes disso, treze horas de ônibus só de rodovia, pela Pensatur, mas, enfim cheguei ao Rio! Ocorre que ainda era madrugada e eu estava no terminal rodoviário. Um táxi com preço negociado, claro, até Osvaldo Cruz, parada forçada pelo motorista para comer um “angu à baiana”, em Madureira, em frente a escola de samba da Portela. Era sábado, havia festa! Mesmo em meio a tanta ansiedade eu pude saborear, pela fome que sentia, a delícia daquele angu, até hoje apreciado. Enfim a Rua Andrade Araújo, onde estava minha filha, com sua mamãe, na casa dos meus sogros. Não quis que o táxi parasse em frente, preferi descer um pouco antes e saí correndo pela rua, desesperado, o dia estava amanhecendo, mas,


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ainda era noite. Logo no portão ouvi um choro e chorei também, entrei rapidamente, ela estava sendo amamentada e choramos juntos, os três, de muita alegria e com muita emoção.

A vida estava apenas começando...

Nascia uma estrela em meu coração, que até hoje renasce em cada encontro, pois Rebeca é, sem dúvida, dos filhos, a minha primeira alegria! Rebeca é atriz de um grande show chamado vida, em cujo palco ela tem dado, em cada ato, um belíssimo espetáculo!


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RENNIELLI Sete anos depois, em 13 de Março e em São José do Rio Preto, na minha terra natal, nasceu aquela que se somaria a minha alegria, a princesa querida. Com ela foi diferente, pois durante toda a gravidez de Moizéth e até o momento do nascimento eu estive presente. Que felicidade! Preciso confessar que quando fomos fazer a ultra-sonografia, eu tinha a expectativa de que fosse um menino, fiquei com cara de “babaca”, sem graça, mas, instantes depois, descurtí e passei a esperar com todo o meu amor pelo nascimento daquela branquinha, cujas maçãs vermelhas no rosto, são visíveis até hoje. Quando puxei assunto com Moizéth pela primeira vez, ela estava no salão da mocidade, no andar de cima, da igreja, com uma linda criança no colo, ao que lhe perguntei, quem era? Para me intimidar ela respondeu: é minha filha, “Renieli”. Claro que eu não acreditei, pois acreditava mais no meu sonho e 10 meses depois, “aquela Renieli”, que se chama, na verdade René, foi a dama de honra da minha noiva. Nem os nossos melhores amigos sabiam que teríamos uma segunda menina, como filha. Escondemos isto até da amiga mais próxima, a Rosana, que ficou comigo, ao meu lado, no sofá da Materni-


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dade Nossa Senhora da Paz, madrugada a dentro. O médico que acompanhou a gravidez e que fez o parto, foi o Dr. Otávio de Almeida Luz. Logo pela manhã, fui até o berçário e o fato que mais me chamou a atenção foi a “pulseirinha” feita de esparadrapo que estava no meu bebê, com as iniciais RNL. Perguntei imediatamente ao Dr. João Batista, seu pediatra, do que se tratava e ele me respondeu prontamente que era uma identificação, um procedimento do hospital que significava Recém Nascido do Dr. Luz. Confirmava-se o nome da minha filhinha, registrado com dois enes e com dois eles, homenageando nossa colônia italiana, até porque ela é branquela como a maioria dos Rulli´s deveria ser. Naquele dia, havia uma movimentação política intensa em torno do sempre presidente da república, o querido Tancredo Neves, que não teve a oportunidade de exercer seu cargo, para o qual foi eleito. Pouco tempo depois, já crescidinha, aos 3 anos de idade, o presidente Fernando Collor (também com 2 eles) de Melo, numa cerimônia em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, tomou-a dos meus braços e a ergueu aos ares como um troféu, porque ela estava de roxo, sua cor preferida, na campanha presidencial! Rennielli, você, de fato, é um belíssimo troféu! Uma condecoração que Deus nos deu!


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Saímos os quatro da maternidade, Moizéth, Rebeca, eu e Rennielli, em meu fusquinha 73, bege alabastro, em cujo rádio tocava uma das músicas que passei a gostar muito: Iolanda, na voz de Chico Buarque, “de Iolanda”... Chovia muito naquela manhã, inundando de alegria o meu coração!

Os anos passaram-se rapidamente.

Há tantas histórias bonitas e inesquecíveis sobre a Rennielli, quase todas bem vivas em minha mente. Quando tinha mais ou menos cinco anos, ela tinha um “ratinho” imaginário, invisível e o levava para todo o lado. Muitas vezes eu abria a porta do carro “pegava” o ratinho das suas mãozinhas em forma de conchas, com todo o cuidado para não deixá-lo cair, atento às suas recomendações, até que ela descesse... Uma graça! Num determinado dia, quando estávamos ouvindo um noticiário na televisão, uma das minhas cunhadas destacou que homem perfeito como o que estava sendo noticiado não existia. Rennielli levantou-se ofendida e disse em alto e bom som: o meu pai é assim. Emocionado me recolhí feliz e agradecido, mas, de fato, não era e não sou como aquele homem. Tenho cumprido o meu papel de pai, mas, confesso minha filha, ainda te devo e ainda me falta muito...


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Rennielli é bastante séria em tudo o que faz e eu a admiro por isto. Tenho sobre ela testemunhos lindíssimos, por exemplo, de suas idas e participações em Encontros da Comunidade Evangélica, onde mesmo estando com problemas de saúde ela estava presente, servindo. Deus sempre a honrou! Ela é uma mulher abençoada, eternamente menina... minha princesa querida! Ela tem a Bíblia como regra de fé e de prática, verdadeiramente, na mente e no coração. Não só aprendeu o caminho, como o está ensinando aos que são seus, sobretudo, ao seu filho Romeo.


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RIANN PATRICK Mais sete anos passados, Rebeca com 14, Rennielli com 7 e lá vem ele, senhoras e senhores, o esperado filho homem! Riann Patrick nasceu no dia cinco de novembro de 1991, em Campinas, para onde havíamos nos mudado e onde moramos por 13 anos. Um certo dia “briguei” com Deus. Sei que Ele já me perdoou por isso, pois foi pura rebeldia e imaturidade da minha parte. Questionei Deus, sob uma chuva intensa que caía sobre mim, quando trocava o pneu do meu carro, um Chevrolet Opala Marrom, por mim apelidado de “chocolate”. Absolutamente contrariado e revoltado, perguntei a Ele, porque até então não havia me dado um filho homem, que jogasse futebol comigo, pois eu tinha certeza que teria um... No mês seguinte Moizéth me disse que estava grávida e me presenteou com um caminhãozinho e com um bilhete, cuja mensagem dizia: “ enfim, você terá o seu corinthiano, para jogar futebol com você!” Na verdade, a grande festa celebrada naquele dia do seu nascimento, com carrinhos de corrida de fórmula 1, porque o seu nome sugeria e ele vestia, como primeira roupa, um macacão de piloto, com patrocínio e tudo, já havia começado bem antes,


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logo que soubemos da gravidez, pois já tínhamos certeza de que o nosso “prometido” estava a caminho. Nasceu num clima de tamanha alegria na família, que em alguns momentos eu precisei acalmar Rebeca e conter a sua euforia, já dentro da própria Maternidade Campinas. Que festa fizemos! Amigos e parentes vieram de longe para comemorar conosco. Ele foi crescendo e assistia conosco as fitas de vídeo e as fotos da sua própria gestação. Há uma coleção de fotos que fizemos mensalmente de Moizéth, com a mesma roupa (íntima) e no mesmo lugar, para acompanhar o crescimento de sua linda barriga, a medida do grande campeão que ela estava “carregando”. Aos 9 anos, em 2000, ele voltou da Escola, com um bonito cartão onde estava impresso tipograficamente: “Seja qual for o caminho, o importante é contar com os passos firmes do pai”. Ele também escreveu no verso do cartão: “ Papai gosto muito de você e principalmente quando você me leva para jogar bola e tomar sorvete – Eu te amo! ” Enquanto eu agüentei e ele teve paciência, jogamos juntos e muito, por sinal. Ele cresceu e passou a jogar com seus amigos. Joga demais. É um craque!


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Joga de meia atacante, sabe dar dribles desconcertantes, toca bem a bola, faz gols incríveis. Amadureceu. Dizem que ele, mesmo aos 18 anos, está passando da idade, para o futebol... Eu acredito que não, porque acredito nele. Acredito que logo alguém voltará os olhos para ele e descobrirá o seu talento. Ele tem um sonho e está buscando realizálo. Riann quer ser um jogador de futebol. Será e dos bons. Torço para que seja e estou certo que ele será um grande jogador profissional. Quer ir para os Estados Unidos, aliás, está de “malas prontas”, esperando uma oportunidade rumo ao sucesso. Com toda a dificuldade que estamos enfrentando “no momento”, eu não posso impedir que meu filho realize o seu sonho. Riann, após o seu nascimento, “fechamos a fábrica”, principalmente porque entendemos que você encerrou com chave de ouro a nossa produção de filhos maravilhosos. Ao nascer, no dia do aniversário de sua mãe e no mês do meu aniversário, você nos trouxe a certeza de que se Deus permite a continuidade da raça humana, é porque Ele confia em nós homens, Seus filhos. A Bíblia diz que “os filhos são heranças do Senhor”! Para nós, Riann, você é a maior prova do tanto quanto Deus nos tem abençoado. Você, meu querido filho, é uma bênção verdadeira!


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BÊNÇÃOS DO SENHOR!

Os filhos as vezes demoram para nascer, mas nascem e crescem logo. Sem que a gente perceba, um dia eles não cabem mais no nosso colo, em outro dia eles se casam e vão embora de casa. Assim aconteceu com as minhas duas princesas, embora estejamos sempre juntos. Assim espero que aconteça com o Riann Patrick. Que ele vá viver e muito bem a sua vida!

Eles não são meus, são de Deus!

Fui, junto com Moizéth, privilegiado, até sem merecê-los, por tê-los comigo, sob os meus cuidados e educação. São cidadãos da humanidade, a serviço do Pai. Ao ver meus três belos filhos, vejo que eles o são porque refletem a beleza de Cristo e foram criados pela graça de Deus, para sua honra e para sua glória! Verdadeiramente, está biblicamente correta a afirmação já dita anteriormente, de que “os filhos são bênçãos do Senhor”. Vocês, meus filhos, serão sempre abençoados porque sempre foram bênçãos para mim!


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HÉLIO, O QUE?

Isabel, Marta, Ana Lúcia, Márcia e Carlos, são filhos da minha querida irmã Maria do Carmo. Sempre moraram em São Paulo. Houve uma época em que eu morei com eles, por volta de 1973, 1974... quando ainda vivia meu cunhado Geraldino, uma outra grande e inesquecível paixão, um ser humano notável, que apesar do pouco tempo de convivência comigo, me fez tornar um grande admirador seu, principalmente por ter demonstrado sempre o ser humano e grande profissional, como Supervisor de Produção, bom metalúrgico que era. Deixou esta vida para viver uma outra melhor com Deus, com apenas cinqüenta anos de idade. Um homem de caráter! Exemplo de marido e pai exemplar! Marcou profundamente a vida de quem o conheceu, por ter sido o que foi. Eu nunca o esqueci. Nunca o esquecerei! Trabalhava na Catterpilar durante a noite e antes do dia amanhecer ele chegava em casa cantando e brincando alegremente. Muitas vezes trazia uma boa mistura para enriquecer a minha marmita. Eu trabalhava na Hevea durante o dia. Nos raros finais de semana de descanso, curtia meus 5 sobrinhos, pelos quais sou apaixonado até hoje. Íamos à Igreja, aos parques, à feira, onde comprávamos frutas frescas também para um delicioso suco. Certa vêz, por exemplo, quando estava fazendo um da deliciosa tangerina “morgote”, ou “bergamota”,


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como a chama o gaucho, me desentendí com o liquidificador em movimento e quase perdí o dedo indicador da mão esquerda. Um desastre! Aliás este dedo é marcado por acidentes assim. As crianças ficaram condoídas e apavoradas. Claro, fui socorrido e assistido pelo querido Geraldino. Certa vez, por volta de 1990, eu, Moizéth e minhas filhas Rennielli e Rebeca, nos reunimos num sítio em Bom Jesus dos Perdões, próximo a Atibaia, na Rodovia D. Pedro. Um lugar espetacular, no topo de uma montanha! Lá estavam, minha irmã, meus sobrinhos e os seus respectivos agregados, maridos e mulher, outras paixões que tenho, cada um debaixo de um carinho muito especial, Elias Mora Edelbi, um príncipe venezuelano, brasileiro por adoção, fingindo-se de árabe, para conquistar minha princesa Ana – amo muito esses dois!; Davis (que figura maravilhosa!), Roberto e Cida, além de seus filhos e alguns amigos como o Vítor, a Rosana, o Odair, o Tampinha e outros. Que memoráveis dias passamos ali! Inesquecíveis! Durante os dias quentes e ensolarados, jogávamos um divertido futebol e nos refrescávamos e brincávamos muito na piscina, onde as “bostetes”, interpretadas pelas minhas sobrinhas e minha mulher, apresentavam um bem produzido quadro, campeão de audiência, cuja figura principal era eu, claro, o “Hélio Bosta”, que surgia das profundezas das águas da piscina, após ter sido quase afogado por


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elas. Um show bastante esperado por todos, quando eu emergia e dizia: Ôi gente, eu estou aqui! Esta brincadeira era uma alusão ao radialista Elí Correia e a um famoso jornalista global, o hoje renomado político Hélio Costa. Durante o programa, em que eu era por elas vestido de marrom (claro!) e “decorado” com rolos de papel higiênico, haviam os comerciais diversos, como um de pulgas e piolhos, além do de supositórios, com os nomes mais divertidos que a “produção” criava. Todas as noites, haviam brincadeiras, das quais não nos esquecemos até hoje. Ter interpretado o Hélio Bosta para as minhas sobrinhas, foi uma grande realização que eu vivi. Aqueles momentos vividos e revividos com minhas sobrinhas, principalmente, não voltam mais e deixaram muita saudade nas pegadas que deixei... Foi mais um show que a vida me proporcionou!


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C R I S E “1” !

“Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e com os países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita muito mais aos problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis. Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la. “ Albert Einstein

Em situações de crise, CRIE!


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C R I S E “2” !

Estou quase certo que durante toda a minha vida, vivi muito bem, mas, em todas as épocas eu enfrentei a chamada “crise”. Crise no casamento, na família, nas amizades, nos relacionamentos todos, enfim... No trabalho e nas finanças, então, nem se fala! Quem sabe as maiores e muitas vezes as insuportáveis, insuperáveis crises. Quantas vezes me achava “no fundo do poço”, achando que aquela não teria jeito e que jamais iria conseguir me recuperar. Mas, sempre houve um jeito de superação, através da fé, através da determinação e sobretudo criando alternativas que pudessem me fazer, primeiramente respirar e depois dar o primeiro passo... Vinham as outras e eu caminhava. Sempre deu certo e eu sobrevivi a todas elas...

Concluí também que cair faz parte de andar!

Tenho para mim, que sobreviver a uma crise é ser resistente o suficiente para poder suportá-la, depois, é preciso ter coragem para enfrentá-la e força para vencê-la. A mim, a crise sempre me fortaleceu, ou seja, sempre saí dela, melhor do que entrei. Até aqui tem-me ajudado O Senhor, graças a Deus, a Ele, sempre!


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QUANTOS ANOS VOCÊ TEM VOVÔ?

Escrevi este texto para o meu querido neto, Romeo Rulli Gomes, quando ele completou 1 ano, no dia 21 de Julho de 2006, pensando, ao lhe desejar um Feliz Aniversário e orar por ele, que talvez, se ele pudesse, estaria me fazendo a seguinte pergunta: E você vovô, quantos anos tem?

Ao que eu lhe responderia...

... sabe, Romeo, o vovô é do tempo em que não havia computador, muito menos Internet. Antes dos micros, só havia máquina de escrever, não havia sido inventada ainda a caneta bic, por exemplo, mas, haviam umas canetas de madeira, com pena, que era molhada na tinta, no tinteiro, para se escrever. Assim foi o meu primeiro ano de escola, para onde eu ia à cavalo, do sítio onde morávamos. Quando eu cresci e completei 10 anos, já usava bicicleta para ir trabalhar e também já podia datilografar, “à máquina”, com a minha Olivetti Lexicon 80, mesmo sendo “dedógrafo” até hoje. Mas, escrevia quase 100 cartas por dia, uma a uma, pois também não tinham inventado ainda a máquina de xerox. Só haviam carbonos, mas, daqueles bem antigos, que sujavam a mão da gente. Logo depois surgiu o mimeógrafo, quando eu usava carbonos especiais, coloridos, inclusive, para fazer o jornalzinho da mocidade da igreja. Era uma festa!


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Eu sou do tempo em que não havia celular, só telefones comuns, daqueles bem grandes e pesados, de louça e manivela, com disco. Não eram de teclas, muito menos digitais. Para se fazer uma ligação interurbana, gastava-se um dia inteiro e só se podia fazer na telefônica da cidade ou pedindo à telefonista, aguardando-se horas e horas a fio... As ligações quase sempre, não eram completadas... DVD ou Vídeo Cassete, ainda não existiam e ninguém, se quer, sonhava com TV de Tela Plana, Plasma ou LCD. TV à cabo, MTV? Nem pensar! Só matinê às 2 horas da tarde no Cine Rio Preto, na Praça Dom José Marcondes. Quanta criança, quanta gente alegre, para ver o filme do Tarzan ou do Zorro, dos 3 Patetas, do Gordo e o Magro e do Cantinflas. O vovô se lembra de não ter tido televisão quando criança, poucas casas a possuíam e quando tinham era em preto e branco. Colocavamse uns papéis celofanes coloridos na TV, para ficar azul, verde ou vermelho. Mas, muito depois surgiram as coloridas. Que novidade! Todo mundo queria, mas, eram tão caras... Não havia Metrô. Avião? Só se via no céu, muito alto, muito longe, pequeno e de vez em quando. Na minha época, aeroporto era campo de aviação. Haviam as rodoviárias, mas, muito mais conhecida e usada era a Estação, de trem... O vovô é do tempo de andar de bonde, de troleibus, um ônibus elétrico e de litorina, que era parecida com


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um vagão de trem. Nike, Puma, Adidas ou Reef, não! Vovô usava Alpargatas Roda, feitas de pano, de lona, vermelha, verde ou azul, abotoadas do lado, com solas de cordas. Lindas! Depois vieram as Congas, o Kichute e mais tarde, o Rainha, de couro, feito para se jogar Futebol de Salão, com aquela bolinha bem pequena e dura como um coco. Tinha que se chutar “de bico”. Calças da Diesel? Imagine! Meu primeiro jeans foi uma calça rancheira, sempre usada com camisa xadrez e um sapatão que protegia o tornozelo, com sola grossa, de couro, pregada com pregos, que de vez em sempre furava o pé da gente, sendo preciso tirar dos pés e carregar nas costas, também para economizar o solado. Mas, na evolução das calças, surgiu a LEE americana, a pioneira da moda. Vovô teve uma. Mas, o vovô também é do tempo em que se podia dormir com todas as janelas da casa abertas para o vento arejar, pois não existiam aparelhos de ar condicionados e os ventiladores, eram raros. Também, naquela época, os carros podiam ficar abertos e serem deixados em qualquer lugar, pois ninguém mexia, estavam seguros. Era possível andar de carona e dar carona, mesmo na garupa da bicicleta, de se poder confiar em tudo e em todos. Vovô ainda se lembra dos acordos feitos através do “fio de bigode”, por homens honrados, que mantinham suas


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palavras... Do tempo em que se podia nadar nas águas límpidas e claras dos rios, de beber água da torneira, de subir em árvores frutíferas e correr pelos campos floridos e os de futebol, com gramas verdejantes e naturais. De jogar bola na rua ou no campinho, de brincar de pique esconde ou de salva pega, na praça central da cidade, no jardim... Mas, o vovô também é da época em que a gasolina era barata, de campanhas, como a “dei ouro para o bem do Brasil”, das diretas JÁ, dos primeiros planos econômicos, que quase sempre não deram certos, mas, também, de momentos inesquecíveis como os dos Anos Dourados, da Jovem Guarda, do Primeiro Título de Campeão Mundial de Futebol da Seleção Brasileira. O vovô se lembra de ter lutado muito para poder ir à Escola e aprender, em casa, as primeiras letras, à luz da lamparina a querosene, embora já tivesse sido inventado há tempo, a luz elétrica. Mas, que privilégio ter a professora primária, se “apaixonar” por ela. Depois, fazer Admissão, Normal ou Científico, mais tarde o Técnico... Que bom conhecer todo mundo da cidade. Ter tantos amigos diferentes, de tantas famílias, que formavam, na verdade, uma só família... Depois de tantos inventos, histórias e recordações, saudade... Quantos anos, de fato, você acha que eu tenho Romeo?


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Puxa vovô, diria ele. Você deve ter mais de 300 anos... Não, Romeo, o vovô tem apenas 50 anos, “só 50 anos”...

Muito bem vividos!


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MEU NETO ROMEO

Ter um neto é se sentir pai 2 vezes! Quando me tornei pai, entendi o que é ser filho e quando me tornei avô, aprendi, verdadeiramente, o que é ser pai. Posso dizer que com o nascimento do Romeo eu me remocei verdadeiramente. Romeo vai completar 5 anos em 2010 e já é um rapazinho. Tenho aprendido muito com ele, voltando a ser criança, numa excelente experiência... Aliás, voltar a ser criança é algo que todos nós deveríamos tentar, porque nos faz, de fato, renascer, esquecer os problemas do dia a dia e recomeçar a vida, ainda que por breves instantes, no meu caso, incentivado pelo meu querido neto.

Um dia destes, ele me disse:

Vovô, você é um herói!

Ao lhe perguntar porque, ele me respondeu:

Ué, você não é o meu super vovô?

Quem sabe, esta foi uma das maiores emoções pelas quais eu passei... Quero, de uma forma bastante justa, dividir este título com o meu querido consogro Bené Gomes, com o qual também tenho muito apren-


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dido. Bené e Suédna, são os pais do meu genro Timóteo, que me é outra preciosidade.


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TIMÓTEO Verdadeiramente é um homem honrado, de palavra, mesmo porque é seguidor da palavra, A Palavra de Deus. Digno de ter se casado com a minha filha Rennielli, o que me trouxe muita alegria e é para mim, um privilégio! Há muito o que se falar sobre ele, mas, ele não gosta, não curte. O que mais me encanta nele é o seu caráter. Terminou sua faculdade, bacharelando-se em Administração de Empresas, ainda no início de seu casamento, quando morávamos juntos e enquanto aguardávamos pelo nascimento do Romeo. Aprendi a admirá-lo, vendo muito de perto sua dedicação à minha filha, seu cuidado com ela. Sua educação, seus modos, a herança dos seus pais, sempre me fascinaram. Este mesmo cuidado tem sido dispensados por Timóteo e Rennielli ao meu neto Romeo. Verdadeiramente eles sabem educar e criar um filho! Em alguns momentos eu o acho sério demais, mas, o fato é que ele é bastante compenetrado, focado naquilo que faz e que quer. Por esta razão, sabe onde quer chegar e está indo pelo caminho certo. Pode até estar indo lentamente, mas, vai muito longe...Eu sei.


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ACIR Acirzinho ou Acir Filho, é o meu genro mais velho.

Ele é uma preciosidade!

Casou-se com Rebeca e pelo que me consta, aguardou que eu chegasse de uma viagem para oficializar, sob minha permissão, seu namoro com ela. É um cavalheiro, um príncipe! Também consigo enxergar nele, muito dos seus pais e quase tudo de Deus. Acir Pai e Elisabeth também foram pais cuidadosos, que souberam transmitir ao filho, sábios ensinamentos. As mais importantes decisões deste meu genro, sempre acontecem de forma celebrativa, onde ele faz questão absoluta de reunir pessoas e comunicar seus passos, sobretudo, quando há outros envolvidos. Assim foi com seu casamento, quando ele também me consultou, comunicando a decisão tomada com Rebeca. No dia do casamento, durante a cerimônia, Rebeca disse ter pedido a Deus, um homem que amasse mais a Ele, do que a ela e apresentou a todos seu homem! Acir, o escolhido, aquele que Deus reservou para ela.

Tenho aprendido muito com Acir, que é um


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sábio! É um empreendedor bastante calculista, dinâmico e formador de opinião. Amigo e líder de muitos seguidores, tem sempre uma palavra de ânimo e aconselhamento as pessoas tantas que o procuram. Sabe ouvir. Além de genro, também para mim, ele é um amigo mais chegado que um irmão. Acir tem só 31 e eu já tenho 54 anos, mas, o meu sonho é envelhecer ao seu lado, juntamente com minha filha e podermos cuidar, uns dos outros... Dizem as filhas e a família, que eu amo mais aos genros do que a elas. Declaro-me, de fato, apaixonado pelos dois, sem, no entanto, deixar de amar tanto, quanto amo as minhas duas princesas queridas e lindas filhas. Agradeço muito a Deus e agradeço ao Acir e ao Timóteo, pela felicidade que sentem as minhas filhas e pelo privilégio de tê-los em minha vida!


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EXPERIÊNCIA... Qualquer semelhança comigo, no texto abaixo, é mera coincidência. “Caiu” num teste, num destes testes da vida escolar ou profissional, quando todos nós nos deparamos, invariavelmente com um formulário e uma folha de papel de branco, onde se deve escrever uma REDAÇÃO com o seguinte tema:

VOCÊ TEM EXPERIÊNCIA?

Já fiz cócegas em meu irmão só para ele parar de chorar, já me queimei brincando com vela, seguindo a procissão, mas, sem entender de fé. Já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho e até já brinquei de ser bandido e de ser mocinho. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.  Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora. Já passei trote por telefone. Já apertei a campainha e saí correndo.  Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.


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Já sentí o cheiro da grama molhada. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido até hoje. Já raspei o fundo da panela de arroz até porque gosto muito de raspa queimada, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas, descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado para tentar pegar estrelas, já subi em árvore para roubar fruta, já caí da escada de bunda no chão Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei muito sentado no chão do banheiro e à beira do caminho, já fugi de casa para sempre e voltei no outro instante.  Já corri para não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e o alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já fiquei muito triste e sentí tremerem, dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei o meu lugar. 


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Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas, renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas, sempre era um ‘para sempre’ pela metade. Hoje, verdadeiramente me sinto apaixonado para sempre! Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas, descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual é a sua experiência?” Essa pergunta ecoa em minha cabeça: experiência... experiência... Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!


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Agora, gostaria de indagar a quem formula perguntas como essa:Â ExperiĂŞncia? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?


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MEU IRMÃO JOÃO CARLOS

Casados em segundas núpcias, ou no segundo “ajuntamento” que fizeram, meu pai, Hélio Rulli e minha mãe, Antonia Fernandes, tiveram quatro filhos homens e na seguinte ordem: João Carlos; eu, Hélio Sabino; Luís Antônio e José Donizete. Meu irmão João Carlos, o mais velho, a quem dedico este capítulo, sempre foi um modelo profissional e econômico a ser seguido. Antes eu o tivesse feito, muito provavelmente teria sido mais fácil, pois ele sabia como fazer, como ganhar, tinha habilidade com trabalho e com dinheiro. Era bastante econômico. Ele só guardava, eu só gastava... Colecionava gibis, entre outros hobbies, guardando-os com muito carinho, cuidado, de forma organizada, no cofre, inclusive. Eu sempre os achava e causava-lhe problemas... Ele já deve ter me perdoado por estas e por tantas outras travessuras que fiz, há muito tempo. Quantas vezes ele apanhava por mim, na escola. Não que ele fosse um herói neste sentido, mas sim porque eu arrumava as brigas e jogava ele na confusão, tipo “você bate em mim porque eu sou pequeno, porque você não bate no meu irmão? Tem medo dele? “, “meu irmão vai te pegar, você vai ver... ou, “bem que o meu irmão me falou que você é covarde e não é de nada mesmo...”


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João Carlos sempre foi culto, inteligente... Queria ir para a Aeronáutica, mas, foi no Exército, mais precisamente no “Tiro de Guerra” que ele se destacou, servindo e lá permanecendo como instrutor, ensinando por algum tempo.

Um exemplo!

Foi e deve ser até hoje, um excelente fotógrafo. Chegou a exercer, inclusive, com sucesso, a profissão. Mas, me lembro que foi nos Correios que se destacou, lá permanecendo por dezenove anos como um líder da área filatélica, primeiro como Gerente da Agência Filatélica de São José do Rio Preto e posteriormente como Chefe da Assessoria Filatélica do Estado de São Paulo. Simultaneamente, manteve, por dez anos, de 1977 a 1986, uma coluna filatélica no Jornal “A Notícia”. Foi Presidente da Sociedade Filatélica de São José do Rio Preto de 1988 a 1990 e de 1994 a 1996. Antes mesmo de ir para os Correios, ele já havia se tornado um grande colecionador de selos, incentivado pelo primeiro selo que ganhou aos 10 anos, de um querido “tio” chamado José Lara Filho, o “Zequinha”, compadre e amigo de meu pai, padrinho do meu irmão caçula, o Donizete. João Carlos, como filatelista apaixonado viajou muito fazendo palestras, dando aulas, organizando e criando Associações e Sociedades Fila-


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télicas. Como editor e empreendedor ele escreveu livros e fabricou belíssimos álbuns para colecionadores. Em 1991, editou um “Catálogo de Selos do Brasil”, com as fotos e importantes informações sobre todos os selos do Brasil, de 1843 a 1990. Na “1.a Exposição Mundial de Literatura Filatélica”, realizada em 1992, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, o catálogo foi premiado em 2.o Lugar, recebendo, portanto, a medalha de prata. É o autor do manual “Como Colecionar Selos”, em sua 10.a Edição, num total de 250.000 exemplares distribuídos gratuitamente desde 1985. Pode ser consultado pela internet, em: (http:// www.selosefilatelia.com/PastaArtigos/artigo018. html) Fundou há quase 35 anos a BRASELO, através da qual, lançou no mercado maravilhosos álbuns de selos para colecionadores, sobretudo para os iniciantes. Incentivou crianças, participou de pequenas e grandes feiras, colecionando, além dos selos, muitos amigos e admiradores, mestres como o Dr. Plínio Prata Freire de Andrada, por exemplo, de quem eu me lembro bem, um bom homem, de importância relevante e igualmente amante da cultura.

Do casamento de João Carlos com Maria


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Helena, nasceram 3 lindos e igualmente exemplares filhos, Roberto, Alexandre e César, todos, inclusive, meu irmão, tendo o sobrenome transformado em Ruller, por um erro inicial em seu documento original de nascimento, deixando de ser Rulli, mas, nunca deixando de ser um Rulli. Tenho muito orgulho do meu irmão, a quem rendo aqui as minhas homenagens e reafirmarei sempre que ele foi e continua sendo para mim um exemplo, uma inspiração! Esta página da minha vida é para você, meu querido irmão

João Carlos Ruller!


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MINHA VIDA PROFISSIONAL

Durante ela, eu me deparei com pessoas de excelente formação acadêmica, pós-graduadas, com mestrado, doutorado e até dominadores fluentes de outros idiomas. “Meninos” muito bem recomendados por pessoas influentes, mas, que não queriam muito saber do batente de verdade. Topei também, porém, com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal.

Figuras como o Raul.

Eu não conheci o Raul, por exemplo, mas, recebi um email falando dele. O Raul tinha um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Como eu, talvez você também tenha tido uma experiência dessas. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos queriam cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava uma bela capa para o trabalho. Já o nosso amigo Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu pa-


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pel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu. O Pena se formou como o primeiro da turma. E os outros, inclusive o Raul, passaram meio que de carona com o Pena - que, além de dar colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que colassem dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de “paradigma do estudante que enobrece a instituição de ensino”. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma empresa multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul... E como é que o Raul chegou àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que sempre fêz na escola, ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.


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O Raul foi, inclusive, transferido para Miami, onde fica a sede da empresa, tendo ficado, ele mesmo, surpreso com a promoção obtida. Dizia ele que ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E qual era a função dele? Pergunta inócua, porque já era sabido que o Raul “apoiava”, direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até os Estados Unidos para fazer. Porém, num determinado evento, certa vez, o Diretor de Recursos Humanos da empresa do Raul, contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável... ele entendia de gente! Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos seus próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos. E, para melhor explicar o Raul, ele citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: “Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo”. Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, para sempre facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul,  todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio.  


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“Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos, mas, o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes”. Max Gehringer Modéstia à parte mesmo, ao contar esta história eu me sinto “meio parecido com o Raul”, porque se tem algo que eu aprendi durante toda a minha vida foi valorizar as pessoas, não substimando-as, mas, destacando as qualidades e citando os valores que elas têem, ou deveriam ter. Muitos entendem, poucos até me criticam por ser assim... tão vaselina, como me acham e as vezes me chamam, mas, eu não gosto, porque é assim mesmo que eu sou, é o meu jeito de ser, minha maneira de me dirigir às pessoas e de dar trato a vida!

Questão de estilo, do meu estilo.


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MINHA FORMAÇÃO

Além da Escola Rural, onde eu ia para aprender alguma coisa, em companhia de meu irmão, minha primeira escola de verdade, foi a EEPG – Escola Estadual de Primeiro Grau “Dr. Cenobelino de Barros Serra”, em São José do Rio Preto, onde me diplomei e depois fui para o Colégio “Dr. Alberto Andaló”, onde fiz Admissão, que era, um ano de estudos que se fazia necessário antes de ir-se para o Ensino Médio, cujos 3 anos eram distinguidos por Nível Técnico ou Científico. Escolhia-se um dos dois. Também fiz Datilografia, me tornando um excelente dedógrafo, pois até hoje, só consigo, ainda que rapidamente, digitar com dois dedos. Embora eu tenha me formado como Técnico em Contabilidade, Técnico de Escritório e em Técnica de Comércio, pela Escola SENAC “Paiva Meira”, em São José do Rio Preto, foram profissões que nunca assumi, de fato e de direito. Acho que sou meio organizado e entendo um pouco de escritórios. Sou comerciante e negociador, por natureza e não por formação. Contador mesmo, eu sou de histórias, de piadas, de sonhos... Fiz Administração de Empresas em nível técnico, no Centro de Integração Empresa-Escola, o CIE-E, em São Paulo, tornando-me “Auxiliar” e


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também em nível superior na Faculdade D. Pedro II, em São José do Rio Preto, não chegando, porém, a me bacharelar. “Fiz” outras faculdades como Estudos Sociais, Psicologia e Ciências Econômicas, mas, em nenhuma delas me diplomei.


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CURSOS E SEMINÁRIOS

Foram muitos. Incontáveis...

De alguns eu me lembro muito bem, como o NEG Gerencial – USA, patrocinado pela Souza Cruz, no Hotel do Frade, no Rio de Janeiro, durante uma semana inteira. Que semana! Quanto aprendizado! Que bom! Cheguei lá meio 7 e 5 e saí de lá quase 8 e 7, considerando a avaliação de 1 a 10 para a empresa e também para o empregado. Assim, 9 e 1, era, por exemplo, um executivo muito mais voltado para a empresa do que para o empregado. Um tipo “ditador” de normas, de regras. O ideal era o tal de 9 e 9, do equilíbrio altamente positivo. Concluir este curso para mim foi o máximo! Dois colegas saíram em meio ao seminário... Muita pressão. Administração Hospitalar, Técnicas de Entrevistas, tendo sido “doutorado” no assunto pela Souza Cruz, “a nêga véia Dalila”, como a chamavam muitos dos funcionários mais antigos. Como articulista, também fui jornalista sem nunca ter sido, por formação, pois na Direção Administrativa, como Editor e integrante da Assessoria de Imprensa e Comunicação da Igreja Presbi-


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teriana Independente do Brasil, pude trabalhar no Jornal “O Estandarte”, o mais antigo do Brasil, sucessor da Imprensa Evangélica. Trabalhei no Jornal em companhia da jornalista Priscila Dadona e do Rev. Altamiro Carlos Menezes, entre outros. Eles sim, eram e continuam sendo, muito bons! Que honra! Lá eu pude me realizar criando, inovando e entrevistando personalidades, desenvolvendo um trabalho “jornalístico” iniciado desde muito cedo em outros jornais editados nas Igrejas e nos Colégios (Grêmios Recreativos...), criando, inclusive, alguns deles.


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CURRÍCULO...

entre tantas outras, eu pude obter as seguintes experiências profissionais: RULLI COSTA Promotora de Leilões e HRM Serviços de Apoio Administrativo Tenho uma empresa, a HRM, para prestar algum serviço esporádico e recolher impostos, visando minha merecida aposentadoria que até agora não aconteceu, mas, atuo fortemente como Gerente Operacional da RC Leilões que é onde, de fato, pretendo me aposentar um dia, mas, daqui a muitos e muitos anos; DETRAN / RJ. – Programa “Ande Legal” e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro – CET RIO – Programa “Circulando Melhor” 5 anos como Gerente Administrativo Operacional da BEST – Brasília Empresa de Serviços Técnicos Ltda., responsável pela operação de apreensão através de reboques e guarda de veículos em 8 Depósitos, controle, montagem e realização de leilões, com respectivas prestações de contas aos citados órgãos; IGNIS Cosméticos e PLASTIBELO – Indústria de Plásticos


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4 anos como Gerente Administrativo de ambas, localizadas na baixada fluminense, que é reconhecida nacionalmente como pólo da cosmetologia. Projeto e construção de moderna fábrica em Mesquita, além de ter restabelecido forte relacionamento com a FIRJAN e parceria internacional na Itália, em Varese, com a HSA, a maior fábrica de tinturas do mundo. Viagem à Itália e participação de feira específica em Bologna;

Memorial da Cidade do Rio de Janeiro

1 ano como Diretor de Marketing e executivo principal da Grafismo Empreendimentos, responsável pela estratégia de divulgação, treinamento e preparação da equipe de vendas, em prol da construção e do lançamento do primeiro cemitério vertical na estrutura armada de concreto a que se propõe, da América Latina; Hospital Samaritano de Campinas e SEBEC – Sociedade Evangélica Beneficente de Campinas 5 anos como Diretor Administrativo do Hospital e um dos executivos da SEBEC, voltada a assistência e gratuidade dos menos favorecidos, além de mantenedora de um Hospital, uma Creche e um Plano de Saúde. Hospital com 150 leitos, duas UTI´s, sendo uma delas neonatal, um moderno centro cirúrgico e um pronto socorro com cerca de 200 atendimentos dia. Responsável pela criação de um


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anexo chamado Day Hospital, Central Administrativa de Negócios e Praça de Alimentação, entre outros serviços implantados, de cirurgia cardíaca, redução pró obesidade mórbida e diagnósticos como a litotripcia extracorporea, atendimento de capelania, assistência social e psicologia, por exemplos... Pelos serviços e nova imagem, trazidos através do comando de uma dinâmica equipe, de relacionamento e troca de informações com alguns dos melhores hospitais visitados nos EUA, responsável pela incursão do Hospital à época, como referência e um dos principais da cidade de Campinas e região, estimulando e criando o Projeto 2010, para um Hospital modelo em atendimento;

Souza Cruz S/A.

20 anos em funções diversas de liderança, destacando-se como padrão em controle de estoques, em técnicas de entrevistas e treinamento de recursos humanos, organização de depósitos e elaboração de eventos internos promocionais, todos com certificação concedida pela empresa;

Hevea S/A. – Indústria de Plásticos

3 anos como kardexista e controller de matéria prima e assistente de custos, em São Paulo, capital, em distinta empresa do Grupo Holandês FORSA e L’atellier;

América Futebol Clube de São José do Rio


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Preto / SP. 7 anos como Assistente Administrativo do clube, atuando dos 10 aos 17 anos de idade em sua sede social, sendo responsável mesmo em tenra idade, por organização e controle, desde arquivos, viagens da delegação e com ela, por lugares e campeonatos diversos, tanto em São Paulo, quanto em outros Estados, até negociação, contrato e acerto com e na vinda de jogadores.


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OS MEUS PÉS

O nome inicial do meu livro seria este.

Quando falei do livro a uma grande amiga de trabalho, a Dra. Maria Estela de Siqueira, ela se empolgou e me empolgou ainda mais! Conversamos muito sobre o assunto, sobre o cuidado que se deve ter com os pés (e com as mãos) e também muito falamos sobre o meu projeto. Me lembro que mesmo tendo muito cuidado com limpeza e higiene pessoal, foi a Estela quem me ensinou a lavar as mãos da forma correta, demorada e cuidadosamente. Eu já havia aprendido há muito tempo, que tão importante quanto lavar os pés, é secá-los bem! Quanta informação e quanto material Estela me forneceu para enriquecer minha obra! Que riqueza! Quanta paciência e quanta bondade! Por exemplo, quando ela me ensinou o verdadeiro sentido de se libertar os pés, eu pude entender que não basta tirar os sapatos e somente encarar esses heróis de frente, como todos nós fazemos, quase sempre. Nossos pés merecem mais atenção e carinho. Em troca, eles nos dão um bem estar de corpo inteiro, todos os dias...

Gosto muito da palavra caminhar e do sen-


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tido que ela representa! Gosto demais dos meus pés, porque é sobre eles que a minha vida sempre acontece! Quando acordamos pela manhã, botamos o pé para fora da cama e começamos a dar nossos primeiros passos do dia, sem pensarmos no que estamos fazendo. Caminhar é um ato tão natural para a grande maioria de nós, como respirar, falar e comer. Entretanto, caminhar é uma das funções mais complexas do corpo humano. Envolve nada mais, nada menos do que 650 músculos do corpo e cerca de 80% dos 208 ossos que compõem o esqueleto humano. Mas, é sobre o pé – uma estrutura perfeita sustentada por 26 ossos diferentes e 27 articulações – que repousa a grande responsabilidade de fazer com que o caminhar seja harmônico, suave e prazeroso. Uma performance invejável, já que, durante toda a vida, cada um de nós caminha algo em torno de 108 mil quilômetros, o que equivale a 5 voltas a pé, ao redor de toda a terra! O pé foi concebido por Deus para apoiar e equilibrar o corpo sobre o solo, mantendo-o ereto e também para ser uma peça fundamental do processo de locomoção do homem. Sua forma e sua estrutura interna lhe permite atuar como um suporte ou como um pedestal para o corpo, ao mesmo tempo em que, como um sistema de alavancas que o impulsiona durante o ato de caminhar, correr, saltar, serve de elemento amortecedor dos impactos e pressões


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que recebe do solo. É, talvêz, um dos mecanismos vitais do nosso corpo mais negligenciado, graças à sua estrutura perfeita. Quando estamos parados, ou seja, em posição estática, apoiados sobre os nossos dois pés descalços, toda a carga do nosso peso recai sobre os pés. Nesta posição, o calcâneo recebe 57% e o metatarso 43% do peso do corpo. Ao calçarmos um sapato, esta relação vai se modificar à medida em que variar a altura do salto. Assim, se usarmos um salto de apenas 2 cm. de altura, verificaremos que o peso do corpo se distribuirá igualmente sobre as duas extremidades do pé, ou seja, 50% para cada lado. Os pés são a base. São eles que sustentam nossa estrutura, nos permitindo andar, ir para a frente, saltar, pular e correr. Meus pés caminham comigo, aliás, me levam, carregando todo o peso do meu corpo, já há mais de 50 anos. São 77 quilos, distribuídos em 1,74 de altura. Eles enfrentam todo o tipo de terreno, subindo e descendo ladeiras. Para tanto trabalho, o mínimo que podemos fazer por eles é um bom relaxamento. Eles merecem uma ginástica para poderem ficar mais fortes e saudáveis.

É bom que você esteja atento ao que estou


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narrando, porque são informações que se encaixam como luvas para você. Enquanto você se diverte, dança, pratica esportes, trabalha, os seus pés garantem o seu equilíbrio. E você segue em frente, sem se dar conta da intensa operação que envolve 26 ossos, 38 músculos, mais de 100 ligamentos e tendões, tudo perfeitamente arquitetado para funcionar como a base de seus movimentos. Os pés representam nossas raízes e também revelam nossa postura diante da vida! Esses nossos heróis merecem tratamento VIP, não? Para caminhar um único quilômetro, os pés tem que dar cerca de 600 passos. A cada passo, carregam o equivalente ao dobro do peso do corpo. São fortes, mas, também são bastante sensíveis: nas solas dos pés, concentram-se uma infinidade de terminações nervosas que, segundo a medicina oriental, correspondem aos nossos órgãos vitais. Quando estimulados, esses pontos promovem transformações no fluxo de energia do organismo, ajudando a combater distúrbios e restaurar o equilíbrio. Por essas e mais outras, “não tire seus pés da cabeça”. Feitos para pisar na terra, moverem-se à vontade, eles acabaram presos em sapatos. Para compensar tanto aperto, que tal uma boa massa-


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gem? Além do prazer, ela vai lhe dar uma revitalização de corpo inteiro. E já que sapatos são inevitáveis, aprenda a escolher os mais amigos. Como? Siga os conselhos dos ortopedistas. Procure um bom médico, tenha um bom calçado! Quanto a mim, posso dar pela experiência, algumas recomendações: Os sapatos têm de se adaptar aos pés, nunca o contrário. Os saltos exorbitantes, as fôrmas apertadas submetem os seus pés a um enorme sofrimento. Quando o dedão é empurrado para dentro, joanete à vista! Quanto a massagem, você também deveria procurar um profissional da área e se dar, de vez em quando este relaxante e prazeroso presente. Recebendo massagens nos pés, aprendí que o fígado pode ser estimulado, a insônia pode ser combatida, dores de cabeça e de coluna, além de inflamações podem ser eliminadas. Certa vêz, após uma cirurgia, em que eu estava sentindo uma considerável dor, meu médico cirurgião dentista, recomendou-me mergulhar os pés numa bacia com água quente. Foi tiro e queda! Mas, quando você estiver se sentindo muito cansado, ponha seus pés em uma bacia de água fria com sal. Também funciona que é uma beleza! Além de cuidados essenciais, carinho e atenção com seus pés, é bom cuidar também da aparên-


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cia de “caras tão especais” como eles, não? “Faça” as unhas. Use sempre um especialista. Custa tão pouco. Há também como tratar de problemas comuns e evitá-los. A frieira, por exemplo, é causada por fungos e bactérias que se instalam devido à umidade no local, provocando descamação entre os dedos. O tratamento deve ser feito com antifúngicos e antibióticos. O olho-de-peixe é uma mancha endurecida e amarelada causada por vírus. Os médicos usam eletrocoagulação, aplicação de nitrogênio liquido ou laser para curá-lo. Desidrose é alergia ao couro ou a borracha, que provoca coceira e descamação na planta dos pés. É preciso suspender o uso do agente alergênico e aplicar antiinflamatórios no local. Micose é mais ou menos como a frieira, pois sãos os fungos os responsáveis pelo aparecimento de bolhas, descamação e coceira. Antifúngicos são os medicamentos utilizados para curá-la. No entanto, para todo e qualquer tratamento e utilização de medicamentos, você deve procurar um médico. Nunca se auto prescreva ou medique. Chulé? Qual é? Lave e enxugue bem seu pé! Isto feito, deite e relaxe. Travesseiros macios sob eles, pés para cima, cabeça tranqüila e sinta-se como se tivesse, de fato, andando nas nuvens... Esses meus pés! Se não fossem eles, não existiriam


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os meus passos e teria sido um pouco mais difícil escrever a história da minha vida! A vocês, meus queridos pés, os aplausos das minhas igualmente queridas e agradecidas mãos!


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PERFUME Os perfumes, atravessam a noite dos tempos, desde as mais antigas civilizações, servindo tanto para atrair como para agradar. O perfume envolve e seduz, traz à lembrança, lugares, pessoas e situações. Nos dá a sensação de limpeza, de harmonia e nos torna, de fato, mais atraentes. Para conseguir as mesmas essências, perfumistas cruzam o mundo atrás de ingredientes capazes de criar o que muitas vezes não tem preço, o sonho. O perfumista é como um maestro numa orquestra de odores. Ele cheira mais de três mil essências naturais ou sintéticas e guarda cada uma delas em sua memória olfativa. Com talento único combina óleos de frutas, flores, madeiras, especiarias e até chocolate e baunilha, entre outros ingredientes, misturando-os em perfeita harmonia. Os criadores dos perfumes são ao mesmo tempo, pesquisadores e artesãos. Devem combinar centenas de componentes de origem natural e sintética para obter uma nova fragrância. Poderes invisíveis e emoções são liberadas no momento em que o sentimos, nos envolvendo numa nuvem de sonho e de bem-estar. O termo perfume, no livro da Estela, é tomado no seu sentido mais amplo, ou seja, toda e qualquer preparação destinada a perfumar. No


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sentido mais restrito, se designa por perfume a preparação aromática com elevada concentração de essências. É preciso citar que Jesus Cristo tem o perfume restrito de Deus, que em sua amplitude atinge toda a humanidade, razão pela qual o bom cristão deve ser a essência e ter em sí o bom perfume de Cristo, o que é biblicamente correto. O perfume diz muito sobre quem o usa! Quisera eu ser como o sândalo que perfuma o machado que o fere! Estela, querida, como você me disse um dia, de fato, “há sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”. Maria Estela de Siqueira, em 23 de Abril de 2004, dedicou-me com um afetuoso beijo, um exemplar do seu livro Perfume, com as seguintes palavras: “ao querido amigo Hélio um pouco de perfume para alegrar ainda mais os seus passos”. Tenho guardado em minha lembrança e em meu coração seu livro e suas palavras, juntamente com os doces momentos em que convivemos profissionalmente juntos. Nílton Maia, seu esposo e companheiro também me é um amigo muito querido e sempre


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me deu boas contribuições com sua presença e com sua amizade! Ao presentear-me com o livro “Um minuto para mim”, do Spencer Johnson, em 27/11/2002, dedicou-me o seguinte texto: “Amigo Hélio, mesmo com atraso, receba os meus sinceros votos de felicidades por mais um ano de vida”, Nilton. Embora tenha sido muito difícil, tenho procurado estabelecer para mim, um tempo discricionário, de qualidade pessoal. Queridos, vocês também fazem parte desta minha história...


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ALFREDO ROSSETTI

Escritor e poeta. Um dos grandes amigos de todos os outros igualmente grandes que herdei ao trabalhar numa grande empresa como a Souza Cruz, Alfredão me dedicou as seguintes palavras: “Fico feliz em saber que você está escrevendo o livro sobre os seus passos. Esta aventura com a palavra é um dos melhores exercícios que a vida pode nos proporcionar. Estou lhe enviando um poema, A LUZ, que, na minha opinião, tem alguma identificação com você. Pode usá-lo da maneira que achar melhor. É uma grande honra para mim”. Um grande abraço e sucesso com o livro.


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A LUZ Gosto quando vens mansa, sem o gosto da pressa. Vens cálida, chorosa.    Vens como a brisa da manhã que se despertou inteira.   Gosto assim, de corpo, alma leve, folha ao vento. Gosto quando vens direta, mas, passas por céus entre nuvens brancas, como esta sensação de que vens a mim como o dia.

Gosto quando vens enigma, sem aviso, sem palavras que afetem as mãos, sem pele nem flor que rubre o coração. Gosto quando vens alegria, e chegas mantra refrescante, semeando raios de um sol próprio, pequeno calor que não me agita nem me expia. Assim, como um nada, para o qual não se pede som, poema, nenhuma chave, nova estrada.  Quando vens, sequer preciso de mim. Alfredo Rossetti


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MARISTELA BRUNINI

Prima querida, mais que prima, prima irmã, Maristela é filha dos meus padrinhos Milton e Alice, irmã preciosa da minha mãe. Reencontrei Maristela pela internet, após 37 anos de ausência total. Ela continua em Jaboticabal, São Paulo, terra dos meus pais e avós maternos, lugar de gente famosa, como a Luana, das talhas e filtros de barro Piovani, da Universidade de Agronomia. Berço explêndido que muito contribuiu na minha formação na infância e na adolescência, ainda que uma vêz por ano, quando religiosamente para lá me dirigia, em companhia da minha doce mãe, em visitas à minha avó Marta, meus tios e primos e aos meus maravilhosos padrinhos, dos quais eu sempre recebia um presente. O maior presente, quem sabe, foi a convivência com a prima Márcia, a quem eu tenho em saudosa memória, desaparecida que foi prematuramente, ainda que depois de tornar-se adulta. Uma bela mulher, cheia de amor no coração! Morreu jovem, trazendo a todos uma triste e lamentável perda. Durante muitos anos nós nos correspondíamos através dos correios, numa via de mão dupla, com longas cartas de amigos e primos apaixonados que éramos um pelo outro.


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Além da Márcia e da Maristela, Maria Martha, Wilma e Paulo, formavam um admirável quinteto de primos, por mim, inesquecíveis. Presentes de Deus aos meus padrinhos tios, que os repartiram comigo e com tantas outras pessoas que os amam profundamente.


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CONTO CONTIGO Conto contigo para estar comigo, Venha depressa enquanto eu existo, Venha para mim toda sem castigo... Conto contigo, para trazer-me abrigo Aquecer meu coração que anda vazio, Perdido neste mundo que ficou tão frio... Conto contigo, no meu derradeiro exílio, Que fui desterrado para morrer de saudades, Só para sentir como seria feliz contigo...

Roberto de Castro Del’Secchi (Poeta e Antologista) Maristela Brunini, além de muitas outras boas contribuições, envioume este poema, que eu dedico às pessoas especiais que eu amo, usando-o também para enriquecer as páginas do meu livro.


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RIA SE PUDER... Passei parte da minha vida alegrando pessoas com meu jeito de contar e interpretar piadas, usando nomes de meus amigos, transformando-os em “personagens” fictícios destas estórias, que confesso, algumas delas, verdadeiras... Eu gosto de enfeitar as piadas, não consigo contá-las de qualquer jeito. Há piadas longas, mas, há piadas que são bem curtas. Eis uma piada clássica, rápida e objetiva: 1) - A enfermeira entra correndo no consultório e diz: “Doutor, doutor, tem um homem invisível na sala de espera”. O médico responde: “Por favor, diga-lhe que não poderei vê-lo”. Agora, eu poderia contar esta mesma piada assim: “Uma enfermeira – o nome dela era Joyce – sente uma presença estranha na sala de espera. Olha em volta, mas, não vê nada. Arrepiada, pula a mesa, recoloca a cadeira no lugar com cuidado e sai caminhando pelo corredor assustada, até a outra sala, no consultório onde o médico atende. Ela bate à porta, mas, ninguém responde. Ele não está alí. Onde estará o médico? No banheiro, talvez, mas, fazendo o que? E por aí eu vou embora... Sei que muitas vezes estragando a piada, encumpridando-a, mas, na maioria das vezes, enfeitando-a e fazendo, não a piada ser engraçada e sim o meu jeito de con-


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tar, de olhar para as pessoas e envolvê-las na estória. Também preciso de ambiente e de pessoas cativas aos meus contos, razão pela qual, muitas vezes deixo de contá-las para não estragar as piadas e também para não ser inoportuno, sem graça. É preciso ser detalhista e oportunista, nesta arte de “contar piadas”. Saber contar, não é tão difícil quanto fazer as pessoas ouvir atentamente, entender e principalmente rir de uma piada bem contada e melhor interpretada. Quando se consegue, é um show de alegria! Naturalmente que farei um enorme esforço para narrar aqui, aquelas que qualquer pessoa, possa ler (de mamando a caducando), sem se chatear comigo, por achá-las “pesadas” para um livro de emoções. Dificilmente vou conseguir, porém... Assim em homenagem àqueles que me incentivaram a inserir esta parte no livro, passo a contar apenas algumas DAS MELHORES PIADAS POR MIM INTERPRETADAS: 2) - Uma menina estava conversando com a sua professora. A professora disse que era fisicamente impossível que uma baleia engolisse um ser humano porque


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apesar de ser um mamífero muito grande, a sua garganta é muito pequena. A menina afirmou que Jonas foi engolido por uma baleia. Irritada, a professora repetiu que uma baleia não poderia engolir nenhum ser humano; era fisicamente impossível. A menina, então disse: ‘Quando eu morrer e for para o céu, vou perguntar a Jonas’. A professora lhe perguntou: - ‘E o que vai acontecer se Jonas tiver ido par o inferno?’ A menina respondeu: - ‘Aí a senhora pergunta.’ 3) - Uma professora de creche observava as crianças de sua turma desenhando. Ocasionalmente passeava pela sala para ver os trabalhos de cada criança. Quando chegou perto de uma menina que trabalhava intensamente, perguntou a ela o que desenhava.


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A menina respondeu: -’Estou desenhando Deus.’ A professora parou e disse: -’Mas ninguém sabe como é Deus.’ Sem piscar e sem levantar os olhos de seu desenho, a menina respondeu: - ‘Saberão dentro de um minuto’. 4) - Uma honesta menina de sete anos admitiu calmamente aos seus pais que Luís Miguel havia lhe dado um beijo depois da aula. - ‘E como aconteceu isso?’ Perguntou a mãe assustada. - ‘Não foi fácil’, admitiu a pequena senhorita, ‘mas, três colegas minhas me ajudaram a segurá-lo’. 5) - Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura. Olhou para sua mãe e lhe perguntou: - ‘Porque você tem tantos cabelos brancos,


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mamãe?’ A mãe respondeu: - ‘Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me faz triste, um de meus cabelos fica branco.’ A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e logo disse: - ‘Mãe, porque TODOS os cabelos de minha avó estão brancos?’ 6) - Um menino de três anos foi com seu pai ver uma ninhada de gatinhos que havia acabado de nascer. De volta a casa, contou, com excitação, para sua mãe que havia gatinhos e gatinhas. ‘Como você soube disso?’, perguntou a mãe. - ‘Papai os levantou e olhou por baixo’, respondeu o menino. ‘Acho que ali estava a etiqueta’. 7) - Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo. - ‘Imaginem que bonito será quando vocês forem


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grandes e todos disserem: ali está Catarina, é advogada, ou também ‘Este é o Miguel. Agora é médico’. Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala: - ‘E ali está nossa professora. Já morreu, faz muito tempo.’ 8) - Na frente de um grande açougue, estaciona uma Ferrari e seu condutor diz ao açougueiro: Me dê, por favor, 70 quilos de picanha, pois vou fazer um churrasco para os amigos. Após, o motorista de uma BMW pede 50 quilos de alcatra para um churrasco com a família. Logo depois, para um Corcel II com alguns adesivos colados nos vidros, com dizeres tipo “dirigido por mim, rastreado por fofoqueiros”, “a inveja é fogo”, “foi Deus quem me deu” etc... Seu motorista vai logo dizendo: tem asa? O açougueiro sem preconceito e igualmente solícito diz: tenho! Então “voa” véio, que é um assalto. 9) - Certa vez, ao abrir a caixa de coleta, um carteiro se deparou com uma carta que estava descolada. Curioso, ele tirou o papel de dentro e viu uma carta de um menino para o Papai Noel:


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- “Querido Papai Noel, gostaria que o senhor me mandasse R$ 100,00 para eu comprar um presente de natal para minha mãe”. O carteiro bastante sensibilizado com o pedido do menino, acabou juntando todo o dinheiro que tinha, que somava R$ 99,00 e o colocou num envelope. Depois, foi a casa do menino e deixou o envelope debaixo da porta. O carteiro ficou “duro”, mas, muito satisfeito porque tinha realizado o desejo de um menino carente. Um mês depois, o carteiro abriu novamente a tal caixa de coleta e lá estava outra carta do menino para o Papai Noel. Feliz da vida, achando que fosse encontrar uma bonita mensagem de agradecimento, ele abriu a carta e ficou puto da vida com o que o menino escreveu: - “Querido Papai Noel, obrigado por atender meu pedido, mas, da próxima vez, entregue nas minhas mãos, porque eu acho que o filho da mãe do carteiro acabou roubando R$ 1,00 do envelope! 10) – A MALDIÇÃO DO FEIJÃO! Um homem tinha verdadeira paixão por feijão, porém lhe provocava muitos gases, criando situações embaraçosas sempre que o comia. Um dia ele conheceu uma garota e se apaixonou. Mas pensou:   

Ela nunca vai se casar comigo se eu con-


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tinuar desse jeito.      ‘Então fez um sacrifício enorme e deixou de comer feijão.        Pouco tempo depois os dois se casaram. Passados alguns meses, quando ele voltava para casa, seu carro quebrou. Ele telefonou para a esposa e avisou que ia chegar mais tarde, pois voltaria a pé.        No caminho de volta para casa, passou por um restaurante e o aroma maravilhoso do feijão lhe atingiu em cheio.        Como ainda estava distante de casa, pensou que qualquer efeito negativo passaria antes de chegar.        Então entrou e comeu três pratos fundos de feijão.        Durante todo o caminho foi para casa peidando, feliz da vida.         E quando chegou já se sentia bem melhor.           A esposa o encontrou na porta e parecia bastante excitada.         Ela disse:         ‘Querido, o jantar hoje é uma surpresa. ‘Então ela lhe colocou uma venda nos olhos e o levou até a mesa, fazendo-o sentar-se na cabeceira.        Nesse momento, aflito, ele pressentiu que havia


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um novo peido a caminho.      Quando a esposa estava prestes a lhe remover a venda, o telefone tocou e ela foi atender, mas antes o fez prometer que não tiraria a venda enquanto não voltasse. Ele, claro, aproveitou a oportunidade. E, assim que ficou sozinho, jogando seu peso para apenas uma perna, soltou um senhor peido. Não foi apenas alto, mas também longo e picotado.        Parecia um ovo fritando.        Com dificuldade para respirar, devido a venda apertada, ele tateou na mesa procurando um guardanapo e começou a abanar o ar em volta de si, para espantar o cheiro.        Mas, logo em seguida, teve vontade de soltar outro.         Levantou a perna e... RRRRRRRROOOOOOOOUUUUUMMMMMMMM...        Esse, então, soou como um motor a diesel pegando e cheirou ainda pior!        Esperando que o odor se dissipasse, ele voltou a sacudir os braços e o guardanapo, freneticamente, numa animada e ridícula coreografia.        E quando pensou que tudo voltaria ao normal, lá veio a vontade outra vez.        Como ouvia a mulher, lá dentro, continuando


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a falar no telefone, não teve dúvidas: jogou o peso sobre a outra perna e mandou ver.      Desta vez merecia medalha de ouro na categoria.        Enxofre puro.        As janelas vibraram, a louça na mesa sacudiu, e em dez segundos as flores no vaso sobre a mesa estavam mortas.        Ouvido atento a conversa da mulher no telefone, e mantendo a promessa de não tirar a venda, continuou peidando e abanando os braços por mais uns três minutos.        Quando ouviu a mulher se despedir no telefone, já estava totalmente aliviado.        Colocou o guardanapo suavemente no colo, cruzou as mãos sobre ele e chegou a sorrir vitorioso, estampando no rosto a inocência de um anjo.         Então a esposa voltou à sala, pedindo desculpas por ter demorado tanto ao telefone, e lhe perguntou se ele havia tirado a venda e olhado a mesa de jantar.        Quando teve a certeza de que isso não havia acontecido, ela própria lhe removeu a venda e gritou:                 ‘SURPRESAAAA! ‘


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‘E ele, finalmente, deu de cara com doze convidados sentados a mesa para comemorar o seu aniversário! 11) – BRUNELA! Dois amigos estavam numa festa, quando um deles, muito sacana, disse para o outro que ia dar um tapa na cabeça de um careca que estava presente, só para se divertir. Como? Indagou. O cara vai te matar! Veja o tamanho dele. O cara é um gigante! Não, não vai não. Preste a atenção! Chegou bem atrás do careca, deu uma cuspida na mão, esfregou sobre a outra e deu... Foi um estalo geral. Um senhor tapa na nuca do coitado. Brunela, meu amigo, há quanto tempo! Que saudade de você Brunela! Amigo, disse o careca com a cabeça ardendo, eu não sou Brunela nenhum, você está muito enganado! Que enganado, coisa nenhuma Brunela, eu jamais me esqueceria de um amigo tão querido como você. Não, eu não sou o Brunela. E foi saindo de fininho... Passado pouco tempo, o sujeito tornou a dizer: Vou dar outro tapa na cabeça daquele careca! Que isso, cara, você tá louco. Agora não tem desculpa, ele te mata! Mesma repetição da cena anterior, só que agora com mais entusiasmo, um senhor tapa! Brunela, meu querido! Como é que vai a tia Lúcia, sua mãe? Como você está bonito, jovem, elegante!


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Eu jamais me esqueceria você, meu amigo, meu irmão querido! Quantas coisas boas fizemos juntos, não? O careca, em questão, agora com a cabeça pegando fogo, “quase” perdendo a paciência com o maluco, diz: Cara, eu não sou esse tal de Brunela, coisa nenhuma e estou a ponto de não conseguir mais responder por mim... Pedidos de desculpas feitos pelo “engano”, todos voltam aos seus lugares. O “careca” para se prevenir, muda de lugar e vai lá para os fundos do salão, ficando bem escondido, num canto escuro, para evitar problemas. O sujeito, não satisfeito ainda, tendo acompanhado a mudança do nosso personagem central, disse pela terceira vêz ao seu amigo: Quer saber? Vou dar um outro tapa na cabeça do careca. Não, por favor, não faça isto, pois agora não há mais desculpas e o cara te mata, com certeza! Mesmo ritual de sempre, o sujeito aproxima-se sorrateiramente, posiciona-se atrás do careca e desta vêz, porém, com muito mais intensidade, com muito mais força e vontade, ele desfere na nuca do careca um tapa certeiro, caloroso e ardente e vai logo dizendo: Brunela, meu amigão, então você está aqui? Já dei dois tapas na cabeça de um careca lá na frente, pensando que fosse você, seu safado. Que saudade Brunela, finalmente te achei!


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12) – A FREIRA Uma freira caminhava da Igreja para o Convento, por uma rua escura, numa noite fria e chuvosa, quando uma Ferrari vermelha para ao seu lado. No volante daquele carro uma bonita moça lhe oferece uma carona. Embora depois de ter recusado bastante, foi convencida a aceitar e entrou no carro. Nossa, que bonito carro, deve ter lhe custado uma fortuna! Não freira, foi um presente de um amigo, depois de ter saído com ele algumas vezes. Como estava fazendo frio, a moça oferece a freira o seu casaco de vision para lhe aquecer durante o trajeto. Nossa, que agasalho macio, quentinho, cheiroso! Estou até com medo de molhá-lo, pois trata-se de um fino casaco! Não se preocupe freira, foi um presente do meu professor numa noite em que me levou em casa. Se estragar eu ganho outro facilmente. Quando a moça pega em sua bolsa louis vuitton, a freira também a admira e recebe a informação que teria sido um presente recebido de um admirador, numa certa noite. Sem mais perguntas, a freira fica em silêncio e ao descer do carro, defronte ao convento, sobe aquelas escadas frias e escuras, entra em seu humilde aposento, já se preparando para dormir, quando ouve um leve bater na sua porta: toc, toc, toc, toc... Padre Chico, é o senhor? Pega essas suas balinhas de canela e vá para os quintos dos infernos!


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13) - OLGA! Um sujeito todas as vezes que o marido da Olga viajava ele ia fazer uma visitinha para ela. Como combinado, ele batia na janela e chamava suavemente: Olga, Olga, Olga... Um certo dia, o marido não viajou e nem saiu de casa, quando lá chegou o sujeito com suas batidinhas na janela: Olga, Olga, Olga... O marido, um baita de um cidadão 2x2, abre a janela e pergunta o que você quer com a Olga? Ao que ele continua, repetindo: Ó Gás, Ó Gás, Ó Gás... 14 ) – A REVOLTA DOS BICHOS... A Girafa, bastante insatisfeita com seu corpo, pergunta a Deus: Porque eu sou assim, toda desengonçada, pernas longas e pescoço comprido, enfim, esquisita? Não, você foi feita assim, para ter um andar elegante, estar sempre antenada, andar e enxergar por cima, poder comer as folhas mais verdejantes, das árvores mais altas, mais frutíferas. Satisfeita, ela saiu toda, toda... O elefante por sua vêz, disse: comigo não tem explicação, gordo, pesado, desajeitado, cabeçudo, orelhudo e ainda por cima com uma tromba no meio da cara. Sou mesmo horrível! Não é não! Você é de um tamanho sem igual, tem uma memória fantástica, tem um passo suave e ainda por cima, é o único


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dos seres criados, que tem o seu próprio chuveirinho. Lá foi o elefante todo bobo, quando encontrou com a galinha desesperada e gritando com Deus: Comigo não tem conversa, ou diminui o tamanho do ovo ou aumenta a boca do escapamento! 15) – O PAPAGAIO EVANGELISTA Um pastor, famoso pelas suas pregações e apelos, em que milhares de pessoas levantavam suas mãos se convertendo, tinha entre seus seguidores, um papagaio bastante atento a tudo o que se passava, a tudo o que acontecia. Num determinado final de ano, após centenas de apelos em que o papagaio estava presente em todos, o pastor resolveu tirar umas férias, levando o seu papagaio de estimação e lá foram os dois para um cruzeiro marítimo. Em meio a viagem, com o mar totalmente revolto, milhares de pessoas em desespero, o navio tombou e foi afundando... O papagaio, todo molhado voou para o casco do navio virado, (emborcado) e de lá do alto, vendo as pessoas com as suas mãos levantadas, gritando por socorro, ele ia respondendo: Glória a Deus! Pode abaixar a mão meu irmão que eu já ví! Atenção diáconos de plantão! Mais um... Outro lá atrás... Louvado seja O nome do Senhor, Aleluia! Abaixe a mão, meu jovem, abaixe a mão,


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minha senhora, nossos oficiais já irão até aí, anotar seus endereços e eu mesmo irei visitá-los durante a semana. Que bom! Aleluia! Podem abaixar suas mãos! 16) – NA RAMPA! Um sujeito estava andando por uma estrada montado num jegue, quando de repente, o animal empaca. O sujeito puxa pelo cabresto, empurra e nada do jegue voltar a andar. De repente, o homem vê um placa: “Consertam-se jegues”. Ele vai andando até a oficina, procura o responsável e descreve o problema. O mecânico, com seu ajudante, seguem até o local com um caminhão guindaste, guincham o animal e o colocam sobre a carroceria. Chegando na oficina o mecânico grita para o ajudante: Joaquimmm, bota ele na rampa! Feito isto, apanha duas raquetes de madeira e dá uma grande raquetada prensando o saco do jegue, que sai, imediatamente em disparada. O dono do animal, meio assustado, pergunta: E agora? Como é que eu vou pegar meu jegue? Então o dono da oficina grita novamente: Joaquimmm, bota ele na rampa! 17) – ESTE É O CARA! Numa cidade do interior, num país distante, havia


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um lenhador fenomenal, baixinho e miúdo, mas, que diziam, conseguia derrubar dez árvores em apenas dez minutos. A sua fama espalhou-se pelo mundo afora. Em uma entrevista: Quer dizer que você derruba mesmo dez árvores em dez minutos? Às vezes, muito mais em muito menos tempo. Onde foi seu primeiro emprego? No deserto do Saara. Ué?! Mas, lá não tem floresta, árvore nenhuma... Hoje, não mais! 18) – COMEMORANDO Um amigo sentado com outro à mesa de um bar, pergunta: Você está vendo aquela linda mulher lá no balcão, sentada sozinha? Sim estou... Eu me separei dela há sete anos e depois disso, ela nunca mais parou de beber! O outro responde: Não diga bobagem! Ninguém consegue comemorar por tanto tempo assim. 19) – A CAMISOLA DO AMOR A vovó foi visitar sua neta, que acabara de voltar da lua de mel e deparou-se com ela totalmente nua. Menina, vá colocar uma roupa, não fique assim nua andando pela casa! Vovó, eu não estou nua, estou usando “a camisola do amor”, sempre pronta para o meu marido. Gostando da idéia, a vovó, de volta a


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sua casa, fêz a mesma coisa, ou seja, tirou toda sua roupa. O vovô, seu marido, ao entrar em casa, assustado com a cena, foi logo esbravejando... sua velha descarada, você está completamente pelada! Não, meu velho, eu estou vestindo para você, a camisola do amor! Então vá já passar esta camisola, toda enrrugada, toda amassada... 20) – OS DOIS MECÂNICOS DE AVIÃO Trabalhavam no aeroporto do galeão, no Rio de Janeiro e eram especialistas em mecânica de aviões. Um morava em Caxias e o outro em Belford Roxo, porisso, após o final do dia, sempre iam embora juntos, não sem antes de “encherem a cara” num boteco qualquer. Gostavam de uma cachaça. Num determinado dia, sem dinheiro para o aperitivo, resolveram tomar um gole do bom combustível que usavam num avião “a jato”. Beberam juntos uma garrafa e gostaram muito. Na manhã seguinte um liga para o outro e diz: Cara que bebida boa a que tomamos ontem, pois não me embebedou, não me tirou do sério, nem dor de cabeça me deu e ainda me deixou feliz e satisfeito. É, eu sei, respondeu o outro, mas, você já “soltou um pum”? Porque eu acabei de soltar um lá em casa e vim parar aqui em Cuiabá!


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21) – O BÊBADO TREPADO NO POSTE Lá estava ele querendo andar no fio, de um lado para o outro, tentando se equilibrar, quando um guarda começa a ameaçá-lo, gritando, desce senão eu dou um jeito de te derrubar daí. Desce... gritava o policial, esbravejando... Após muita insistência e ameaça o bêbado desce. O guarda foi logo perguntando, quem é você? Ao que o bêbado respondeu, o senhor é louco ou tá mais bêbado que eu? Eu sou aquele que estava lá encima e o senhor mandou descer, ué! 22) - RIQUEZA... “Nunca pensei que a partir dos 50 pudéssemos ter uma riqueza tão grande!    Além de um “filão” de recordações e de uma grande “poupança” acumulada de saudade...     Prata nos cabelos.    Ouro nos dentes.    Pedras nos rins.    Açúcar no sangue.    Chumbo nos pés.    Ferro nas articulações.    Milhões de dores pelo corpo...      E uma fonte inesgotável de gás natural...”


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23) - UM POUCO PARA O SOGRO... Na casa dos sogros, durante a festa de seu casamento, o noivo esconde sob a cama nupcial, uma garrafa de vinho para brindar com a noiva. Ao se fecharem no quarto, sem imaginar que o sogro estava com sua orelha colada a porta, o noivo foi logo dizendo à sua noiva: Querida, esta noite eu vou lhe dar o que você mais gosta! (Oferece-lhe uma taça com um vinho...) Que delícia responde a noiva, por favor coloque um pouquinho mais. Só mais um pouquinho, OK? O pai imaginando o que podia estar acontecendo lá dentro... E ela, a noiva, pedia mais, cada vez mais, ao que o noivo lhe atendia e coloca mais (vinho na taça). Ainda não satisfeita, ela implora, só mais um pouquinho amor! Não, não seja tão gulosa, pois já lhe dei mais da metade, o restante vou dar para o seu pai amanhã pela manhã, antes de viajarmos, pois você sabe que ele também gosta muito. O pai da noiva, desgruda o ouvido da porta e sai correndo em disparada, apavorado... 24) - UMA ONÇA AGRADECIDA... Um sujeito foi caçar e após avistar uma onça feroz, deu vários tiros, mas, errou a pontaria. Jogou a espingarda e saiu em disparada com a onça em seu encalço. Depois de muito correr e sentindo a onça já fungando em seu cangote, ele se lembra de


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Daniel na cova dos leões e de tantos outros personagens bíblicos, assim como de que o homem deve ter domínio sobre os animais. Para bruscamente, se ajoelha e fecha os olhos. Após alguns minutos, ele abre os olhos, olha por entre o vão dos dedos e vê que a onça também está ajoelhada... Oi irmã, ele diz, então a senhora também é crente? Não eu não sou não, mas, sempre agradeço a Deus antes da minha refeição. 25) - TOCA O ENTERRO... Um sujeito estava sendo levado dentro de um caixão pelos seus “amigos”, para o cemitério, onde seria enterrado meio vivo, meio morto, pois era o que desejava, já que não gostava de fazer nada, sem comer já há alguns dias, pois também nada tinha. Ao passarem com o cortejo em frente a casa de um agricultor, que estava na varanda, este lhes disse: Deixa-me dar a este homem uma saca de arroz que colhi, do bom, para que ele possa saciar sua fome! O sujeito de dentro do caixão perguntou – Arroz com casca ou sem casca? Com casca, disse o agricultor. Ah! Então “toca o enterro”, disse o preguiçoso.


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26) - TÁ MIÓZINHO AGORA? O mineirinho estava aguardando a jardineira na estrada, como ela demorava ele entrou num boteco e comeu uma pratada de comida daquelas, para matar sua fome, ficando de barriguinha cheia. Ao entrar no ônibus, notou que só havia meio lugar no banco do corredor, pois quem estava sentado no banco da janela era um baita sujeito, alto, grande, muito forte e gordo, que dormia tranqüilamente. Com os solavancos da condução naquela poeirenta estrada de terra e com o calor que fazia, o estômago do mineiro foi ficando embrulhado e ele não se agüentou e nem tempo teve de chegar a janela, vomitando em cima do grandalhão. Após o desagradável incidente, ele ficou quieto em seu lugarzinho. Quando o vizinho acordou, ele foi logo perguntando: O senhor tá miózinho agora, tá? 27) - PALAVRAS CRUZADAS Uma garota linda e delicada, vestida toda de branco, estudante de medicina, cheirosa e perfumada, após ter se banhado, entra no ônibus para ir à faculdade, senta confortavelmente em um dos bancos, coloca os seus livros sobre o seu colo e começa a preencher uma quadrinha de palavras cruzadas. Vai formando cada uma das palavras... Nome de homem bonito com 5 letras? HÉLIO, ela logo es-


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creve; Um dos melhores times do mundo com 8 letras? FLAMENGO. E por aí ela vai... Nisto, no cais do porto entra um destes grandes estivadores de dois metros de altura por um de largura e ao ver o ônibus lotado, se agarra ao cano de segurança exatamente onde estava a nossa gatinha sentada, ficando literalmente sobre ela. Seus olhos esbugalhados, seu hálito quente com bafo de cachaça, sua roupa malcheirosa pelo trabalho cansativo do dia a dia, aquele calor insuportável e ele derramandose de suor às bicas. Não eram simples gotas, eram grandes pingos daquele suor escuro que caiam sobre a menina, trazendo-lhe um intenso mal estar. Mas, ela procurava se distrair com suas palavras cruzadas. Parava, colocava a mãozinha sob o queixo, pensava um pouquinho e seguia preenchendo, com sabedoria e conhecimento. Outro grande time de futebol, agora com 11 letrinhas? CORINTHIANS. O sujeito, pendurado no cano, com sua barrigona à mostra, aquela cara gorda e feita, esticava os olhos para o livrinho, doido para dar um palpite. Não aguentando mais aquela situação, ela olha para cima e diz: “nojento, feio, sujo e fedido!” Ao que ele responde prontamente: Se for com 2 letrinhas coloca aí o “cê” e o “ú”...


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LITORINA Os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste são testemunhas dos tantos riscos que eu corri, correndo e pulando pelos seus dormentes, até chegar na Estação do Trem, em Avanhadava, só para esperar e ver de perto, parado, um vagão veloz, chamado de “Litorina”. Eu tinha 5 ou 6 anos e esta modalidade de transporte rápido também era novinha. Até hoje sinto seu cheiro, misturado com o cheiro da saudade e do progresso, embora na área férrea, muito pouco, ou quase nada, tenhamos evoluído, exceto pelo Metrô. É lamentável que as estradas de ferro espalhadas pelo Brasil afora e que tanto serviram aos Barões do Café, por exemplo, não sejam exploradas hoje como deveriam ser, trazendo contribuições ao setor de transportes, sobretudo, de passageiros que enfrentam situações desagradáveis em nosso trânsito tão caótico.


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O COPO QUEBRADO

Certo dia, numa das primeiras vezes que entramos num bar, eu e meu irmão João Carlos, foi para pedir um copo d’água e saciar a minha sede. Antes de dar o primeiro gole, o copo americano escorregou das minhas pequenas mãos e eu pude, através do desespero em pagar o prejuízo com dinheiro que eu não tinha, esboçar o meu compulsivo e demorado choro, diante de uma situação para mim, tão embaroçosa. Teria sido a primeira, de muitas outras depois... Triste lembrança!


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PAIXÃO POR CINEMA

Não poderia deixar de registrar, que além do futebol, o cinema sempre me foi uma grande paixão! Desde muito pequeno, na Fazenda Boa Esperança onde moramos, comecei a assistir filmes projetados de forma bastante precária, por pessoas generosas, que para lá se deslocavam um sábado por mês para nos levar alegria e entretenimento. Meus primeiros filmes, no “cinema mudo” me trouxeram personagens inesquecíveis como Cantinflas, Charles Chapplin, Os Três Patetas, O Gordo e O Magro, além da lembrança viva de um maravilhoso e “primeiro filme” completo, de fato, “Marcelino, Pão e Vinho”, todos, evidentemente, em preto e branco.


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JOÃO BUGRE

Jamais vou me esquecer de um episódio que me aconteceu em Santa Fé do Sul, São Paulo, na Fazenda dos meus queridos e saudosos Tios José Rulli e Amélia, quando, em 1959, então com apenas 4 anos de idade, eu e meu irmão João Carlos, estávamos passando uns dias. Este, quem sabe, foi um dos primeiros milagres, dos muitos que se sucederam e por esta razão estou vivo até hoje. Meu Tio José havia adotado um índio de uns 10 anos de idade, para criar, o “João Bugre”. Num determinado dia ele queria que nós comêssemos uma resina que saía das árvores e que era o seu “prato preferido”. Como nós nos recusamos a comer, ele trancou-nos numa fornalha, que logo depois seria acesa, para aquecer a água da caldeira, que movimentava o motor a vapor da serraria da fazenda.

Um horror!

Ficamos os dois muito apavorados, mas, um empregado do meu tio, nos viu e fomos milagrosamente salvos e retirados de lá a tempo, graças a Deus! Aprendemos, porém, que na cultura indígena e outras mais, recusar algo oferecido é uma grande ofensa...


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Após o ocorrido, minha Tia Amélia exigiu que meu Tio José, levasse o João Bugre de volta à sua aldeia na mata, no Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul.


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PRIMEIRAS MÚSICAS

Coração de Luto e O Menino da Porteira, com certeza, não foram as melhores músicas que eu conhecí na época, mas, seguramente foram as duas primeiras que me marcaram e das quais eu tenho tristes recordações, até porque elas são mesmo tristes em suas histórias cantadas, a primeira citada era entoada por Teixeirinha, portanto, triste também de ouvir. Literalmente. Cabe o registro, porque tiveram lá os seus significados...


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PROCISSÃO Eu tinha uma vida de criança caseira, mas, que gostava de brincar em casa, na terra, de casinha e de bonecas, feitas sempre com espiga de milhos. Até que ganhei um caminhãozinho com carroceria para “transporte de boi”. Ele era muito bonito, de madeira e eu gostava de empurrá-lo pela areia da estrada, fazendo seus próprios caminhos, seguidos pelos meus pequeninos passos. Construía cerquinhas de gravetos para os bois não escaparem, onde eles, feitos de sabugos secos de milho e palitos de fórforos, pastavam e aguardavam para serem transportados do “meu sítio” ao matadouro ou para outros sítios de amigos, onde eram trocados por outros animais. As vezes quando podia ou quando escapava da minha mãe, eu brincava na rua. Criança arteira, embora, trabalhadeira. Sempre tinha e respeitava os meus limites. Também era uma muito boa e educada criança. Católico e religioso, destes que desde cedo aprendeu a ir à missa, rezar sete padre nossos e sete ave marias. Fiz a primeira comunhão, fui batizado e tive padrinhos, de “batismo” e de “crisma”, inclusive. Minha Tia Cida e minha querida Mãe, me “obrigavam” a freqüentar a Igreja, onde fui coroinha e carregava o incensário soltando fumaça, todo feliz. Eu


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também usava uma pequena batina, geralmente vermelha, com umas faixas brancas e douradas sobre os ombros e na cintura. Um charme, um prazer, ir entrando da sacristia até o altar escoltando o padre, abrindo o caminho para ele, sentindo aquele inconfundível cheiro de madeira comum às Igrejas. Em Rancharia participei de uma ou outra procissão, sob o sol quente da tarde, cantando aquelas músicas que em sua maioria engrandecem aos santos, que são imagens esculpidas em madeira, barro, gesso ou louça. Em São José do Rio Preto, já como pré adolescente, continuava sendo obrigado a freqüentar as missas dominicais, confessando-me com o padre, mas, muitas vezes a pagar penitência e a cumprir promessas nas diversas procissões anuais, que caminhavam por longas e intermináveis ruas, seguindo andores e queimando velas, sob o calor e o sol forte do entardecer. O cortejo sempre se encerrava na “praça das andorinhas”, a Dom José Marcondes, nas imediações da Catedral, com o padre gritando “Viva Nossa Senhora do Perpétuo Socorro!”, com o povo aplaudindo muito e respondendo Viva!!! É. Eu também estava lá, com as mãozinhas queimadas pelos pingos de vela de parafina que escorriam da minha chama, sempre acesa, esta sim, até hoje...


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O ENGRAXATE

Fui um bom engraxate, mas, carregador de malas, nem tanto. As malas pesavam muito, eram grandes, de todos os tamanhos e formas, estranhas. Machucavam as minhas mãos e as minhas costas. Quando eu conseguia, não antes sem derrubálas, muitas vezes, colocava-as na minha cabeça e caminha por vários quarteirões levando-as, sempre seguidas por passageiros que se hospedavam nas pensões ou hotéis do meu pai. Foram muitos comércios, mas, no máximo, um ou dois de cada vêz. Meu pai era também hoteleiro, sublocando espaços e transformando-os em quartos de dormir e em refeitórios para servir as deliciosas refeições da minha mãe. Que cozinheira ela era! Na cidade de Rio Preto, ou em River Blcak City, como gosto de dizer, moramos em quase todos os bairros. No centro em mais de 10 lugares, seguramente. Sempre com a Pensão do “seu” Hélio. Quando eu chegava com as malas, eram dois os pagamentos, pelo carregamento e pelo agenciamento do hóspede à pensão. O dinheiro? Gastava tudo em figurinhas, gibis e bolinhas de gude, além do famoso martelinho de abacaxí da praça, que era uma delícia! Agora como engraxate, eu era um escândalo! Eu e o meu irmão! Bons! Os Melhores! Nós não explorávamos (não cobrávamos mais caro, dependendo da “cara” do freguês) como alguns faziam e


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não deixávamos esporas (deixando de passar graxa e lustrar o salto, bem atrás do sapato). Eu gostava de passar uma boa graxa com as próprias mãos e nos cantinhos escondidos pela sola e pelo salto, eu passava a escovinha. Depois, jogava uns pinguinhos de água, passava a escova várias vezes e lustrava com um bom pano, que muitas vezes minha mãe preparava para mim, em tiras de algodão ou de flanela. As melhores. Eu gostava muito! Deixava os sapatos dos fregueses como um espelho, onde podia se pentear os cabelos. Me achava um bom engraxate e saía principalmente aos domingos de manhã, para garantir o dinheiro da matinê, do cinema. Minha caixa era também muito bem feita e eu a carregava com orgulho nas costas, encaixando-a em meu ombro. Ela tinha uma tampinha com tramela, dobradiças e era bem fechadinha. Nela eu guardava os apetrechos todos e muito bem arrumados, sempre à mão, fáceis de se encontrar. Graxas Nugget nas cores Preta, “Incolor”, Marrom Claro e Escuro, 2 ou 3 escovas velhas de dentes ou próprias, de madeira, 2 ou 3 escovas e 3 ou 4 panos combinando as cores, para não manchar o sapato do freguês. As vezes eu tinha também tintas ou vernizes para alguns casos raros. Guardava nela também a esperança de ser alguém melhor na vida!

Aquela caixa de engraxar sapatos, também era


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um brinquedo que as vezes eu quebrava, descendo pela longa escadaria da estação, das portas do Hotel São José até as barraquinhas de frutas, nas paradas dos ônibus, onde, hoje, construiu-se a Estação Rodoviária, defronte a Estação da FEPASA. Quantas recordações eu tenho daquela grande escada! As vezes era a saída, outras vezes era a chegada, até que um dia, dando lugar ao progresso, ela é que se foi para nunca mais voltar. Só na imaginação e na saudade...


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DOIS DE NOVEMBRO

É feriado nacional. É o “dia de finados”, quando as pessoas vivas lembram-se dos seus mortos e se dirigem aos cemitérios para acenderem suas velas. Quando criança, eu esperava por este dia para vender, na porta do cemitério, além de velas, caixas de jabuticaba e fatias de melancia, frutas frescas que espantavam o calor e me traziam sempre uns trocados, resultados dos bons lucros pelo cansativo trabalho.


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DOMINGO É DIA DE...

Na música de Roberto Carlos, eu encontro um grande significado para o que escrevo neste capítulo: “Eu me lembro com saudade o tempo que passou, o tempo passa de repente, mas, em mim deixou belas tardes de domingo, quantas alegrias, belos sonhos, belos dias...” O domingo já teve diversos significados para mim, nas diversas fases da minha vida. Claro que também em outros dias da semana, mas, era no domingo que eu cumpria uma das minhas obrigações, a de “catar capim” para os coelhos (lebres) lá de casa, armazenando um bom estoque de alimento para os bichinhos. Nós chegamos a ter ninhadas e ninhadas deles. Dia de feira livre, daquelas em que se vendem de tudo, mas, principalmente frutas frescas e legumes de muito boa qualidade, como alface, almeirão, mandioca, laranja, tangerina. Nas cidades pequenas do interior de São Paulo, eles são colhidos momentos antes de serem vendidos. Uma maravilha! Nas feiras, em São José do Rio Preto, eu vendia “pintinhos” (ou “pintainhos”, como eram chamados). Fazia a maior propaganda para vender até 2 caixas dos “bichinhos”, que eram até coloridos artificialmente para se atrair os consumidores,


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geralmente crianças. Que maldade faziam com os bichinhos e com as crianças Na feira de domingo, eu já vendí queijo do bom, com doce de leite, acompanhando o seu João Ferreira da Silva, pai da Marisa. Íamos de carroça, no “expresso beiço mole”, como dizia ele, um grande barato! Domingo era dia de matinê, no Cine Rio Preto! Domingo a tarde, era dia de andar de bicicleta, quando eu pedalava muito para chegar em qualquer lugar, bem longe de casa, com uma turma de amigos. Íamos “roubar” laranjas de um velho pomar, íamos nadar nos rios, íamos jogar bola. Frequentávamos a “piscina redonda”, o clube de campo, andávamos pelos campos repletos de gabiroba na “segunda baixada”. Quantos riscos, quanto perigo, de quantas armadilhas Deus pode ter me livrado... Domingo, até hoje, é dia de comer pastel na feira e normalmente do japonêz. Aqui no Rio de Janeiro não, aqui eu vou à feira comer o pastel do “Amigão”, na praça do Ó, na Barra da Tijuca, porque sou muito bem atendido e o pastel, de fato, é muito melhor! Ele tem “orgulho de ser brasileiro”, como eu e como anuncia a frase estampada nos bonitos uniformes de toda a sua grande equipe de funcionários. O “amigão” de todos os clientes, além do seu trabalho, orgulha-se também da esposa, dos 2 filhos e dos 5 netos.

Aprendí um dia, em 1972, que Domingo era


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o dia do Senhor! Como era verdade. Era dia de eu freqüentar e assiduamente a Escola Bíblica Dominical, que tão bem me fêz e aos meus filhos. Aprendí com o tempo que “o dia do Senhor” são todos os dias, mas, desaprendí a ir na Igreja aos domingos, sobretudo, na Escola Dominical. Que pena! Os dias estão passando muito rapidamente e os domingos também estão se acabando, indo todos embora...


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HOTEL SÃO JOSÉ

Logo que chegamos em São José do Rio Preto, vindos de Mirassol, meu pai tornou-se o arrendatário do Hotel São José. Ele ficava defronte ao Hotel Rio Preto, logo após a subida da grande escadaria da estação. Um ponto extraordinário, onde meu pai ganhou um bom dinheiro, sem dúvida e de onde nos reequilibramos e nos mantivemos por muito tempo. Nas proximidades, lugares que eu jamais vou me esquecer, como a Paulicéia, a banca de jornais e revistas do Dão, o Hotel Rio Branco, o Bar Paulista, o Bar do Andaló, o Hotel Nossa Senhora da Aparecida, a agência de veículos Germano Sestini, a Circular Santa Luzia, as Casas Rignani, a grande agência dos Correios, onde meu irmão João Carlos trabalhou, a Padaria Rio Preto e tantos outros estabelecimentos comerciais. Mas, em nosso Hotel ou em outros próximos é que se hospedavam e eu conhecí pessoalmente, em alguns casos fazendo com eles boa amizade, Chitãozinho e Xororó (ainda crianças), Tião Carreiro e Pardinho, Barnabé, Professor Benedito, o ventríluquo e tantas outras importantes personalidades. A minha lembrança maior do Hotel, porém, vem da minha mãe, me ensinando a varrer, a limpar os banheiros e a arrumar as camas, que precisa-


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vam ficar impecáveis. Alí, eu ainda com oito anos de idade e ela praticamente “me obrigando”, me ensinando a “fazer o melhor”, com horários fixos e variáveis pré estabelecidos e tarefas diárias determinadas. Aprendi e para toda a vida que fazer o melhor é o mínimo necessário, para se viver muito melhor!


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A PROFESSORA TEREZINHA

Não foi a primeira, foi o do quarto ano, mas, talvez tenha sido a minha melhor professora. Fui seu aluno, também não o melhor, quando estudava no “Grupo Escolar” Cenobelino de Barros Serra, lá em São José do Rio Preto. Ela tinha alguns hábitos muito interessantes. Não dava muita conversa para pai e mãe de aluno, porque “achava” que eles não sabiam educar os filhos. Não admitia atrasos de forma alguma e era sempre a primeira a entrar na sala. Os retardatários (quando haviam, o que era muito difícil), sempre eram punidos com brincadeirinhas “sem graça” ou castigos dos mais diversos. Já naquela época ela era uma senhora de uns cinqüenta anos. Tinha uma maquiagem bastante carregada, usava sempre batom, na maioria das vezes vermelho, tinha os cabelos clareados em tom de um loiro quase branco e se vestia muito bem. Muito elegante! Ao descrevê-la agora, me faz lembrar um pouco a apresentadora Hebe Camargo. Era bastante severa com todos. Chegou a me dar algumas reguadas e até a me humilhar, mas, sempre me levantava o moral e dos demais colegas. Sua classe era só de homens. Quando não eram, ela os tornava homens! Casada com um militar, tão bravo quanto ela, morava alí mesmo perto da escola. Era comum le-


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var um dos seus alunos para os afazeres domésticos, com o único objetivo de ensiná-los a aprender melhor os estudos da escola e principalmente da escola da vida. Quanto palavrão falava aquela mulher! Mas, quanto respeito todos tinham por ela! Da diretora, ao corpo docente e principalmente os seus e os demais alunos. Ninguém se atrevia a falar mal dela perto de um de nós. Era briga na certa. Todos os terceiros anos da escola, temiam, mas, desejavam “passar de ano” e terem a felicidade de serem seus alunos. Nem todos conseguiam. Eu conseguí... É com muito carinho, boa lembrança e eterna gratidão que cito aqui a Professora Terezinha, homenageando nela, todos os professores que tive na vida!


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GIBIS Assim chamávamos as revistas em quadrinhos do Fantasma, Mandrake, Roy Rogers, Zorro, Cavaleiro Negro, Hanz e Fritz – os sobrinhos do capitão, Recruta Zero, O Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas etc... Eu levava um montão deles para trocar, na entrada do Cine Rio Preto, na fila, nas imperdíveis matinês aos domingos, das 10 ou das 14 horas. Delícia também era assistir aqueles filmes do Tarzan, do Cantinflas ou do Mazzaropi, sentar ao lado de uma garotinha e tentar pegar na mãozinha dela no escuro, o que quase sempre não dava certo...


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CORINTHIANS Desde criança, antes dos 10 anos de idade, eu me tornei corinthiano. E gosto mesmo de futebol, embora tenha pelo América de São José do Rio Preto, pelo Corinthians e pelo Flamengo, não necessariamente nesta ordem, total predileção. Muito cedo, aos 9 anos, eu fui para o América e me transformei num torcedor fanático, destes que acompanhavam o time para todos os lugares onde ele jogava, pela facilidade que tinha de ir com a delegação. As cores do América, principalmente o “vermelho” sempre me fascinaram! Um vermelho vivo, lindo, um vermelho ferrari. Mas, o Corinthians também sempre foi um time do meu coração! Me lembro de um jogo em Rio Preto, em que o meu América perdeu por 4 a 0, com 2 golaços de Rivelino, o reizinho do parque, do Parque São Jorge, em São Paulo, de onde é o Corinthians. Muitos foram os jogadores que conhecí e admirei no timão, tornando-me conhecido ou amigo de alguns deles, chegando a ser chamado de filho do Rivelino e até tendo este “apelido” de Rivelino, quando joguei no Colorado do Parque Celeste, em minha cidade natal. Pena que nunca tenha jogado como ele, até tentei...


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Nenhum corinthiano tornou-se tão meu amigo como o Marcelinho “carioca”, que freqüentou minha casa em muitas reuniões sociais, de estudos bíblicos e oração. Estivemos juntos em “sua” ilha em Angra dos Reis e em sua casa em Atibaia, mas, estaremos sempre juntos pelo amor ao Corinthians. Enquanto eu nascia, em 1955, soube mais tarde, claro, que o Corinthians vencia o concurso de “O mais querido do Brasil”. Embora não seja mais um assíduo freqüentador de estádios, estes anos todos eu tenho assistido o Corinthians a ganhar muitos títulos, do Paulista, ao Mundial de Clubes. Itailson da Cunha, um querido e inesquecível amigo corinthiano, que trabalhou comigo no Hospital Samaritano, em Campinas, dedicou-me um dia, em 22/12/1997, o livro de Juca Kfouri, “Paixão e Glória”, retratando a histórias e os grandes feitos, até então, do Corinthians, depois e até hoje, vieram mais glórias... Tenho este livro guardado entre valores inestimáveis, mas, tenho o Itailson guardado no meu coração, dentro do peito. Ser corinthiano é sofrer o ano inteiro, já dizia Gilberto Gil, mas, há maior sabor do que o de se obter vitória após o sofrimento? Com certeza, a vitória suada traz muito mais prazer!

“ Salve o Corinthians, o campeão dos


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campeões, eternamente dentro dos nossos corações! Salve o Corinthians, de tradições e glórias mil, tú és o orgulho dos desportistas do Brasil! Teu passado é uma bandeira, teu presente uma lição, figuras entre os primeiros do nosso esporte bretão. Corinthians grande, sempre altaneiro, és do Brasil, o clube mais brasileiro! ” É a letra do hino oficial do coringão, cantado hoje por toda a nação corinthiana, a segunda maior torcida do Brasil. A primeira é a do Flamengo, pena que a terceira não seja a do meu América!


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JOSÉ DONIZETE RULLI

é o meu irmão caçula. Tenho para com ele, a responsabilidade dele ter me escolhido como seu irmão preferido, embora, como eu, nutra por todos os demais irmãos uma grande paixão. Ele é 8 anos mais novo que eu, portanto, quando nenen e quando criança, eu cuidava dele, o agradando e o protegendo de tudo e de todos. Sempre me vem a mente uma cena, de quando retornei de uma viagem que fiz à Tupã, onde passei gostosas férias na Fazenda dos meus tios José Bazzo e Ana Rulli, usufruindo da companhia da Idalina Bazzo e seus irmãos, meus primos queridos. Quando me avistou virando a esquina, Donizete, então com 4 anos, abriu o portão de nossa casa, na Vila Diniz e veio correndo ao meu encontro, chorando muito, tamanha a saudade que estava sentindo. Me agarrou pelas pernas e não me largou mais. Naquele finalzinho de tarde e até dormirmos juntos, ficamos abraçados e ele me chamando de “Hiéhié”, pois era assim que ele se referia a mim, antes de aprender a me chamar de “Helinho”. Quando ele se tornou adolescente e jovem, eu não pude cuidar dele! Infelizmente... Foi justamente quando mamãe faleceu, num infausto acontecimento. Quem sabe, o momento, a época em que ele mais precisava de mim, eu não estava “presente”,


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literalmente. Morava em São Paulo, havia escolhido cuidar de mim e mesmo voltando para São José do Rio Preto, não pude, por razões diversas, acompanhar o meu irmão, trazendo-o para junto de mim. Sempre se declarou “meu fã”, mesmo sem imaginar a paixão que eu nutria por ele, a preocupação e o cuidado, ainda que “distante”. Eu o amo muito também! Ainda assim, aos trancos e barrancos, ele tornou-se um homem. Um grande homem, destes que para todo o momento ruim existe uma expectativa boa. Ele sempre transforma limões em limonadas e em todos os instantes, mesmo na desgraça ele é uma graça! É piadista por natureza e palhaço por profissão. Seu estado de espírito o fêz assim e é assim que ele vive, alegrando as pessoas, trazendo risos à todas as idades, de “mamando a caducando”. Não deve haver ninguém que não goste do meu irmão, pois ele é um show man, um encanto! Uma graça de Deus! Vive com fé, pela graça, fazendo graça. Assim, ele será “eterno”, no bom sentido da lembrança. Sua sobrevivência financeira vem de ser propagandista de produtos e de fazer “palhaçadas”, de contar piadas tão bem, como ninguém. Aprendí com ele as melhores anedotas. Tem um jeito especial de contar, de conversar, de cativar as pessoas. Executa muitos serviços como defensor da natureza. É “fiscal” ecológico, realiza trabalhos beneme-


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rentes, destes de ação social, na maioria das vezes voluntariamente, sem que lhe peçam. Quisera eu, ter o Donizete comigo todos os dias! Não há um ano em que faço aniversário que ele não me liga. Me liga em datas especiais, como no dia dos pais, no Natal e no Ano Novo. Me liga sempre que pode, quase todos os meses. É porque eu o amo profundamente, que não poderia deixar de registrar a minha admiração, o meu respeito, o meu carinho e a minha gratidão ao Donizete, por ele gostar tanto de mim...


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MARGARIDA Foi o nome que eu escolhi para “batizar” minha primeira bicicleta. Eu a tratava muito bem, engraxando sua corrente, limpando seus cubos e os dentes de suas engrenagens, lavando-a com querosene e polindo a sua pintura. As vezes até a enfeitava, com manoplas e pingentes coloridos, para-barros etc... Tinha paralamas niquelados e até uma pequena garupeira, onde eu carregava meus cadernos e livros, meus papéis de trabalho, numa pasta de documentos e meus pertences pessoais. Trabalhava o dia todo com ela, de sol a sol e a noite íamos juntos à escola, onde ela ficava estacionada, no pátio, me esperando. Ela era licenciada, com placa e tudo, uma exigência da época, da Prefeitura, onde era registrado o meu nome, endereço e o número do quadro (chassi) da bicicleta. Era muito linda! Nas cores vinho e prata, da época em que todos chamavam bicicleta de “magrela”, a minha tinha nome e parece até que tinha coração, pois me entendia ao ouvir calada as batidas do meu, pulsando forte a cada pedalada, ofegante pelo cansaço da extenuante subida. Sobre ela, eu cantava, chorava, ria e gritava, comemorando cada conquista. Nas grandes e perigosas descidas da Vila


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Santa Cruz ou da Boa Vista para o Centro da cidade em Rio Preto, eu soltava as mãos do guidon, abria os braços e a deixava me conduzir, confiante, sem me preocupar com os perigos que corria. Sofrí três grandes e significativos acidentes com ela. Certa vêz, descendo uma ladeira, não conseguí sobrepor a um obstáculo, tamanha era a minha velocidade, que a manopla se partiu e a ferragem exposta do lado esquerdo do guidon, me rasgou a calça e perfurou minha coxa esquerda, logo acima do joelho, causando-me hemorragia e dores terríveis em todo o corpo, por causa de múltiplas escoriações que sofrí. Numa outra ocasião, fui atropelado por um carro, defronte a Farmácia Brasília, na Rua General Glicério, esquina com a Rua Jorge Tibiriça. No choque, a Margarida foi para um lado e eu para o outro, arremessado de cabeça contra uma destas placas que usam como “tapumes” para proteger as pessoas de obras de construções e reformas. Claro que passei rapidamente pela farmácia, mas, depois fui encaminhado a um lugar que freqüentava com bastante assiduidade, o Pronto Socorro Municipal de São José do Rio Preto. Quantos pontos na cabeça, principalmente, eu levei alí naquele lugar. O terceiro acidente foi mais cômico do que trágico, mas, quase me levou por parada cardiorespiratória, disseram-me depois. Isto mesmo! Foi terrível, pois perdí o fôlego por alguns instantes e achei que não voltaria. O fato deu-se quando em estava descendo


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velozmente por uma das ruas da cidade, cantando alegremente e um bendito marimbondo ou uma abelha, entrou pela minha boca com a mesma velocidade e ferroou a minha garganta. Acreditem! Desta feita, não caí da bicicleta, parei. Sentí na hora, a dor, o gosto amargo do fel e o inchaço latejante que me fechou imediatamente a garganta e a respiração, com tamanha intensidade que fiquei paralisado. Andei sem rumo, sem saber o que fazer e a quem recorrer. Meu pescoço, meu rosto, enfim, meu corpo, experimentaram sensações que me fizeram delirar, até que recobrei os sentidos todos e aos poucos fui voltando... Terminei a descida a pé, empurrando a Margarida, sem acreditar, eu mesmo, no que acabara de acontecer comigo. Momentos trágicos estes vividos com a Margarida, que era sempre tão reformada como eu! Mas, foram tão poucos, diante de tantos outros maravilhosos que vivi nesta época, principalmente os meus passeios dominicais com ela, às piscinas do América e Redonda, aos campos de futebol e aos campos floridos e frutíferos de doces gabirobas, na segunda baixada, aos rios e aos pomares carregados. Tempo muito bom e muito bem vivido! Com ela eu aprendi a ganhar a vida como cobrador dos sócios do América. Com ela eu conquistei o mundo, no mundo em que vivia, de son-


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hos e fantasias! Vivi com Margarida uma grande aventura, desde que a comprei com o meu próprio dinheiro em 1966, até que ela “também” se foi, roubada um dia por alguém sim, que não tinha coração...


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O “REI PELÉ”, EM 1969...

Eu já havia estado duas vezes com o Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé, quando ele jogou pelo Santos contra o meu América, no Estádio “Mário Alves Mendonça”, em São José do Rio Preto e eu era o “mascote” do vermelhinho da Vila Santa Cruz. Na primeira vêz ele me deu muitos conselhos, incluindo o de me incentivar a formar um time de garotos pequenos como eu, na época chamado de “dente de leite”. Na segunda, quando assistí, de dentro do gramado, atrás do gol, a derrota do América para o Santos, por 3x2, mesmo após estar vencendo por 2x0 até aos 40 minutos do 2.o tempo, sendo os 3 gols do Santos feitos nos 5 minutos finais do jogo, por Edú, Pelé e Toninho. Nosso bom centroavante Gildo e outros jogadores do América ficaram sentados no meio do campo inconformados, eles choravam muito... Uma tarde inesquecívelmente triste para o América! Consta nos anais da sua história... Desta feita, em nosso terceiro encontro, ele já tinha feito o seu milésimo gol, no Maracanã, batendo, num penalti, o goleiro Andrada, do Vasco da Gama. Os correios haviam lançado, em 1969, um selo comemorativo em homenagem ao “milésimo gol de Pelé”, do qual meu irmão João Carlos con-


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seguiu adquirir uma folha com 25 selos. Meu querido irmão me pediu que conseguisse dele apenas um autógrafo sobre os selos e para tanto, entregou a mim toda cartela, me municiando ainda com uma prancheta e uma caneta “silva pen” de ponta porosa, na cor preta. Ao voltar para casa, no final daquele domingo, após o jogo, entreguei ao meu irmão a folha de selos com um “autógrafo” muito melhor do que a encomenda... Pois como detalhista que ainda continuo sendo, relatei a ele como conseguira o feito. Entrei no vestiário do Santos, mesmo com o meu uniforme do América e encontrei Pelé deitado sobre uma mesa (maca), recebendo massagem nas pernas. Pedí a ele se seria possível dar um autógrafo para o meu irmão, que além de Santista e seu fã, era também colecionador de selos. Incrível como ele foi atencioso comigo e até me reconheceu das vezes anteriores. Perguntou pelo nome do meu irmão e diante da minha resposta, caprichou, abrangendo todos os 25 selos: “Para o João Carlos, do amigo Edson Arantes do Nascimento - Pelé”. É uma jóia rara, pessoal e intransferível, que meu irmão conserva até hoje.


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O VIOLÃO VERDE

Minha irmã Silvia num determinado dia da minha adolescência me presenteou com um violão. Um belíssimo violão verde! Ele era, de fato, muito lindo e significativo também no recado que ela estava me dando naquele dia e no desafio que a vida estava, uma vêz mais me oferecendo através da música. Aprendi a afiná-lo com alguma dificuldade, cheguei a tocar uma ou outra nota, mas, não aprendi a tocar com toda a suavidade e harmonia, dedilhando as cordas como tão bem fazem Moizéth e meu querido sogro Moisés. Talvez, se comigo ainda estivesse aquele violão, estaria ele encostado num canto, sem merecer a dedicação que todo o instrumento musical merece e deve ter. Ao escrever sobre o episódio, o faço com duas intenções, a primeira é a de agradecer a minha querida irmã, por um presente tão especial e importante como o meu inesquecível “violão verde”.

Muito obrigado Silvia!

A segunda, tão importante quanto, é de desafiar a todas as pessoas que forem agraciadas com presentes como eu fui, através da “minha sanfona vermelha” pelo meu inesquecível pai e o “meu violão verde”, da minha querida irmã, para que “des-


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cubram” os seus talentos musicais a todo custo, com muita persistência, pois eu acho que não insisti o suficiente, como deveria...


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Deu no Jornal de JUNDIAÍ:

Um Minuto de silêncio pelo PESCADOR DE ILUSÕES! Benvindo  Correa Genda gostava de pescar na companhia de filhos e netos. “Se filho de peixe, peixinho é, neto de pescador, pescador será”. Embora nunca tenha dito isso, o carreteiro Benvindo Correa Genda parecia acreditar no ditado acima, especialmente nessa versão. “Ele pescou até um mês antes de morrer, sempre levando a tiracolo um filho, neto ou bisneto”, conta Célia Regina Villani Genda, sexta dos oito filhos que Benvindo teve com dona Sílvia, sua mulher por 57 anos. De acordo com Célia, ele pescava mesmo contra a vontade da família, que temia o problema de pressão que ele tinha. A filha conta também que o pai viajava muito por causa da profissão, o que fez dele um homem caseiro nas horas vagas. “Jamais vamos nos esquecer das nossas partidas de truco noturnas, sempre muito divertidas”, diz.

Corinthiano, mas, não “roxo” como a maio-


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ria, assistia futebol só quando não tinha nada para fazer, ou quando o tempo não estava bom para pescaria. Ele sempre foi um homem de muita fé, romeiro até! Depois de cuidar dos oito filhos, Benvindo se alegrava em criar os netos. O mais novo, Thiago, de 5 anos, morava com ele. “Meu pai adorava a companhia do neto e da Nina, sua cachorrinha de estimação”, afirma Célia. Benvindo morreu no último dia 20, por causa de problemas respiratórios e nos rins. Ele tinha quase 76 anos. De 23.03.1933 à 20.01.2009 BENVINDO deixou muita saudade… Embora eu o tenha visitado no Hospital, em seu leito de enfermidade e morte, indo-se..., guardo dele a imagem da saúde e da alegria, uma lembrança maravilhosa do que ele sempre foi em vida. Um


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homem de muito equilíbrio. Ponderado, simples e muito educado! Um japonezinho pequeno, de baixa estatura, mas, um homem gigante em tudo o que foi, um tudo o que fazia. Quisera ter feito a ele, esta homenagem em vida, mas, ele sempre soube o quanto eu o admirava, razão pela qual jamais vou esquecê-lo. Estava sempre pronto a ajudar, a servir ao próximo. Há pouco tempo atrás, quando eu fazia uma viagem de Campinas ao Rio de Janeiro, passando por sua casa em Jundiaí, para uma visita rápida, ele, prontamente, após detectar um problema, consertou meu carro, juntamente com um amigo mecânico, evitando que eu continuasse sob riscos de algum acidente.

Um pequeno notável!

Tenho-o em grata memória! Benvindo sempre foi muito querido por mim e por todos que o conheceram. Me lembro de muitas histórias em que ele era o personagem principal, com sua bondade, carinho e amor pelos que o cercavam. Minha mãe e meu pai o apreciavam muito, admiravam o que fazia, seu trabalho, a família tão bonita que ele formou com minha irmã Silvia Sidney. Quando morávamos em São José do Rio Preto, ele era motorista de caminhão de boi, do Expresso Boiadeiro. Como viajava! Eram dias, semanas, meses, longe de casa...


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Mudando-se para Jundiaí, seu trabalho no Frigorífico Guapeva, era praticamente o mesmo. Me recordo que num determinado ano, fomos passar o natal na sua casa, em Jundiaí e ele nos levou para conhecer uma plantação de uvas, convidados que fomos pela Dona Deolinda, dona de um vinhedo, em Vinhedo, próximo a Valinhos, entre Campinas e Jundiaí. Na cabine, Benvindo, minhas duas irmãs Silvia e Maria, juntamente com minha mãe. Todos nós, os demais, na carroceria do seu caminhão de boi, quando eu e o Luís, que éramos adolescentes, começamos a brigar e não só eu, mas, todos, fomos atingidos em cheio pelo que havia disponível para o Luís jogar e descarregar a sua raiva. Estrume de vaca... O pobre do Geraldino tentando apartar a briga, se “embosteando” todo e tendo que dar explicações à sua senhora (minha irmã) depois sobre o ocorrido...

Que confusão!

Alegria era uma marca registrada de todos nós, principalmente quando estávamos juntos. Daquele dia e de outras datas festivas, me lembro bem. Dos assados, dos pães, macarronadas, manjares de côco com ameixa, abacaxí com vinho e outras guloseimas, todas feitas com amor pelas boas e dadivosas mãos das minhas irmãs e da minha mãe, tão queridas e tão especiais!

Silvia, filhos, netos, bisnetos e demais famil-


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iares, recebam de Deus, o conforto aos seus corações entristecidos pela ausência, mas, sintam-se felizes ao saber, com certeza, de que Benvindo fêz muito bem feito, tudo o que tinha para fazer. Ele está no melhor lugar, em que qualquer um de nós poderia estar. Nos braços do Pai!

Lá, ele também foi muito benvindo...


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AMÉRICA FUTEBOL CLUBE

Em Julho de 1965 eu comecei a trabalhar no América de São José do Rio Preto, em São Paulo, tendo sido registrado em minha “Carteira de Trabalho do Menor”, somente em 22 de Novembro de 1968, um dia após completar 13 anos de idade. Foi lá, que ganhei de um dos diretores o apelido carinhoso de Esquilo ou Esquilinho, por conta do meu pequeno tamanho e também, como bom prato que sempre fui, pois eu passava o dia todo roendo... Eu trabalhava na sede administrativa que ficava no centro da cidade, no 4.o andar de um Edifício, em cima das Casas Brasileiras, defronte as Lojas Americanas, na esquina da Rua Siqueira Campos com a Rua General Glicério. O telefone era 1946, ano da fundação do clube. Como me lembro! Como do primeiro emprego de “carteira assinada” ninguém esquece e nem do primeiro time, há muitas histórias que eu vou relatar sobre esta grande paixão que eu carrego em meu coração, motivo pela qual, talvez, minha cor preferida seja a vermelha. Num sábado a tarde, pedí ao meu irmão João Carlos para ir me ajudar a limpar a sala de reuniões do clube, que seria utilizada pela diretoria naquela noite. Quando chegamos para abrir a porta da sala,


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ficamos aterrorizados, ambos de “cabelo em pé” (e olha que tínhamos muito cabelo), pois a porta estava praticamente destruída, dando sinais de que havia sido violentamente arrombada! Saímos em disparada, em direção a residência do Diretor Administrativo e Assessor Jurídico, o Dr. Althayr de Araujo Nantes, que morava no início da Boa Vista, a uns 50 metros da Avenida Bady Bassitt. Relatamos, ofegantes, o ocorrido, ao que ele nos disse, calmamente, que iria conosco até a sede do América, afim de verificar... Estranhamos a calma com que o Dr. Althayr reagiu e a forma lenta como ele caminhava ao nosso lado, mas, julgou meu irmão, naquele momento, que a causa era a sua obesidade. Ele era um homem “forte”! Lá chegando, ele mesmo examinou todo o interior da sala e concluiu que nada havia sido roubado. Mas, a porta Dr. Althayr, perguntamos nós? Sorrindo, calmamente, ele confessou: Fui eu, ontém, pois havia perdido a chave! Muito do que sei, aprendi com aquele homem extraordinário, o Dr. Althayr de Araujo Nantes, cujo nome eu jamais me esquecí, tendo-o também em mui grata e saudosa memória. Ele me ensinou a trabalhar, a ter boas maneiras, embora eu não as tenha até hoje, mas, deveria...

Eu fazia para ele, as ligações interurbanas


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para a Federação Paulista de Futebol e outras, na própria Companhia Telefônica Riopretense, pelas quais, muitas vezes, esperávamos um dia inteiro para que se “completassem”. Uma loucura! Eu era o cobrador dos sócios especiais, diretores e conselheiros, carteira azul do clube. Era eu também, que comprava as passagens de trem (cabines gilda) para o Presidente e outros viajarem até São Paulo, afim de negociarem contratos com jogadores e clubes. Na minha galeria de nomes especiais da diretoria, do conselho deliberativo e administradores do América, com os quais trabalhei, lembro-me sempre de Benedito Teixeira, o Birigui, Aluizio Cherubini, Homero Heitor Colombini, Ivan do Valle Rollemberg, Hélcio de Barros, Antonio “Zaia” Tarraf, Nelson Marques Alves, “Muca”, Ennio Góes, Ary Martha... Trabalhei duro, de contínuo a secretário administrativo do clube durante 7 anos, até 1972. Fui apontador de horários de jogadores, viajando com o time por todo o estado de São Paulo, pelo campeonato paulista e fora dele. Estive em todos os estádios. Do Corinthians, a “fazendinha”, no Parque São Jorge, quando também me apaixonei ainda mais pelo “timão”, ao Jardim Suspenso do Palmeiras, no Parque Antártica, o da Prudentina, em Presidente Prudente. Foram tantos... Sempre com o vermelhinho da Vila Santa Cruz. Que ônibus bonito nós tínhamos! Como eram bonitas as nossas idas e vin-


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das! Os fogos, as comemorações, os jogadores. A piscina do América, muito freqüentada por mim, principalmente aos Sábados e Domingos a tarde. Minha mãe era sócia e eu seu dependente. Nosso título patrimonial era o de número 5695, nunca me esquecí. Ela também era líder (presidente) de torcida organizada, usava uniforme e tudo. Quando eu jogava, dizia alguns “amigos corneteiros”, ela mastigava o alambrado. Mas, eu também estava lá, presente na inauguração da nova sede social e administrativa do clube. Saímos das “Casas Brasileiras” e fomos trabalhar em nossa casa, sob as Arquibancadas Sociais do Estádio “Mário Alves Mendonça”. Um show! Para os jogos em casa, eu buscava as 3 bolas Dribles brancas, nas Lojas Buzzini, toda semana, as vezes 2 vezes na semana. Antes das brancas, elas eram marrons e chamavam-se “bolas de capotão”. Cheguei a conhecê-las novas e “pessoalmente”. Controlava também as compras de tênis e de chuteiras, de uniformes. Nesta época não havia patrocínios ainda. Tinha pelo mordomo oficial do time, o Sr. Juvenil Moreira, um profundo respeito e admiração. Pelo seu trabalho em cuidar e separar o material dos atletas. Gostava muito do massagista Antonio Sutto, o “Nico” e do seu auxiliar o Maurício Brione, o “Risada”. Inesquecíveis! Havia ainda, entre tantos personagens folclóricos e ilustres o Osvaldo Bertolino e o compadre Ambrósio,


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bons jogadores, bons profissionais, contadores de histórias, que já estavam se aposentando naquela época. Figuras tão queridas e tão especiais... Conhecí tantos jogadores, mesmo sendo um garoto, eu era amigo deles. Me convidavam para sair com eles após os jogos e quase sempre na “Bambina”, um bom restaurante. Até de adversários do América eu gostava e me relacionava bem. Conhecí gente como Leão, Leivinha, Fogueira, Alfredo Mostarda, Caravetti, Marco Aurélio, os irmãos Bazzani e Bazzaninho, Didi, Ferreira, técnicos como João Leal Neto, Vail Pelegrinete Motta e Wilson Francisco Alves. Todos eram meus amigos. Estive também com Ademir da Guia, Rivelino, Ado, Coutinho, Pelé e tantos outros. Guardo até hoje, além das recordações da mente, muitas fotos com eles... Neuri, Manoel, Adelson, Nelson e Severo; Motta e Raul; Jota Alves, Cardoso, Gildo e Caravetti, era, por exemplo uma formação do América para enfrentar o todo poderoso Santos, que tinha em sua escalação, nada mais, nada menos do que: Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Manoel Maria, Douglas, Pelé e Edú. Naquele domingo a tarde, na década de 60, no estádio super lotado, o barulho era interrompi-


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do pela chamada de Samy Goraib, que anunciava: Atenção! Massas Ymas (Samy ao contrário) vai informar... Além das escalações, ele ia informando sobre as outras partidas que simultaneamente aconteciam em outros lugares, como no Morumbí, no Parque Antártica. Foi ele, através dos serviços de alto falante do Mário Alves Mendonça, que numa daquelas tardes de domingo, enquanto jogavam América e Palmeiras, anunciou o primeiro gol de Mirandinha (ex América) para o Corinthians, contra o Santos, na Vila Belmiro.

Como não me lembrar, não sentir saudade?

Com 13 anos de idade eu fui a Belo Horizonte sozinho, na Federação Mineira de Futebol, levando documentos e cheques assinados, preenchidos, para trazer o ponta esquerda “Canhoto” para o América. Eu o acompanhei a São Paulo, onde nos encontramos no Hotel Jóia, com o Dr. Althayr e depois chegamos juntos em Rio Preto. Fiz tudo direitinho. Foi uma festa! Saiu no jornal, dei entrevista na Rádio Independência. Uma glória! Fui mascote do time, quando menorzinho, até os 12 anos, depois, incentivado pelo próprio Pelé, numa das raras vezes em que estive com ele, integrei e ajudei a formar a primeira equipe “dente de leite” do América, comandada pela técnico Cornélio Góes, “seu Néio”. Claro que eu era o titular da camisa 9 ou da 8, mas, jogava bem até... Depois


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fui para o infanto-juvenil e no amador cheguei a jogar meio tempo só. Que pena! Certa vêz, quando o América foi jogar em Ituverava, fiquei na reserva, no banco, embora sem entrar em campo, com o nome de outro jogador. É porque o time estava incompleto e precisava cumprir a tabela de jogos amistosos assumidos Por esta e por tantas outras razões é que eu sou apaixonado por futebol e tenho no América, a minha primeira e grande paixão!


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NOVATOS EM DESFILE Havia um programa na Rádio Rio Preto, PRB8, que era apresentado todo domingo, às 10:00 horas da manhã, pelo Lázaro de Souza. Chamavase “Novatos em Desfile”. Eu estava lá, sempre cantando as músicas (modinhas) do Roberto Carlos, do Wanderley Cardoso, do Erasmo Carlos, de Leno e Lilian, dos Vips, do Paulo Diniz, do Nílton César e dos Incríveis, entre outros sucessos da época, sempre acompanhado pelo bom Conjunto “The Lonely Boys”. Uns garotos cabeludos, adorados pelas meninas. A propósito, um dos maiores sucessos da época, que eu cantava e com sucesso, era a música dos Incríveis “Era um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling’s Stones...”, além de “Eu te amo...”, do Roberto Carlos. O programa tinha uma grande audiência. Era fantástico! Da rádio, éramos escalados para gravar alguns “gingles”, ir aos colégios acompanhar o Lazinho de Souza, em apresentações comemorativas e festivas aos sábados a noite, principalmente. Há alguns nomes de colegas cantores mirins que até hoje me lembro, Marcos Francisco, Edvaldo Martins, Wagner Camilo... Todos muito bons! Quem sabe, era eu o menos expressivo, mas, cantava muito bem e também era muito aplaudido.

Ganhei alguns pequenos festivais, cantando


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a música dos Incríveis, de quem eu era fã, cantava “Pingos de Amor”, do Paulo Diniz, “Debaixo dos Caracóis...”, do Roberto Carlos e principalmente “Sentado à beira de um caminho...”, do Erasmo Carlos, músicas que me emocionavam muito, mexiam comigo, me deixavam triste e me faziam chorar muito. Certa vêz cheguei a uma final representando o SENAC, com outros dois finalistas, na escolha da “mais bela voz colegial”. Perdí, cantando o tema de Romeo e Julieta. Ainda ouço a minha própria voz naquela noite, cantando uma bela versão da música do famoso filme: “Deve existir um bom lugar só para nós, cheio de amor, cheio de explendor, um bom lugar para viver a vida que eu sonhei viver só com você...”, diria eu até hoje. O Wagner e o Edvaldo me venceram. Venceram bem, porque cantaram melhor que eu, reconheço. Eu os admirava! O tempo passou, o programa acabou, veio um outro, num outro auditório. Era animado pelo Itamar Pascoal, na Rádio Difusora, também em São José do Rio Preto. Este programa tinha o patrocínio de uma pequena Indústria de Sorvetes, a Crevita. Emprestei a minha voz, para, juntamente com uma das meninas cantoras do programa, gravar um comercial, assim cantado: “Meninos e meninas vamos todos saborear, o sorvete da Crevita, no programa do Itamar. O Crevita é prá frente, é um sorvete bem legal, ainda mais na Difusora que não precisa pagar”.


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Crescí e tomei outro rumo!

Mais de 40 anos se passaram, mas, cantar num programa de auditório e num pátio de um colégio, tendo a voz levada pelas ondas do rádio, também foi uma experiência que me marcou muito.


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PARQUE CELESTE

Vem deste bairro de São José do Rio Preto, também muito boas recordações da minha adolescência. Eu jogava no Colorado Futebol Clube e no time, o meu apelido era “Rivelino”, evidentemente não pelo futebol que jogava, mas, por “gozação” dos colegas, pela camisa 10 que eu usava, por ser corinthiano e também por que estive com o “reizinho do parque” (Parque São Jorge, do Corinthians, em São Paulo), nas diversas vezes em que ele esteve jogando contra o América. Fazer o que, se agora, eu mesmo era o reizinho do parque... ...do Parque Celeste! Sempre gostei muito de futebol. De jogar, de assistir e de torcer. Americano roxo, de ofício, mas, tão apaixonado pelo vermelhinho da Vila Santa Cruz, que nem contra o Corinthians meu coração balançava. Nesta época, além de colecionar figurinhas, preenchendo álbuns e álbuns, eu colecionava “marcas de cigarros”. Tinha centenas e centenas delas. Uma estupidêz! O que eu mais colecionava, porém, eram flâmulas e camisas de clubes de futebol. Tinha de todos os times do Campeonato Paulista da Divisão Especial. Me lembro que numa


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oportunidade eu pedí à Portuguesa (Associação Portuguesa de Esportes), a “lusa do canindé”, que me enviasse uma camisa. Fui atendido. Me enviaram como presente, pelo correio, uma camisa oficial, branca, com destaques em vermelho e verde, a número 11, do Rodrigues, um ponta esquerda muito bom que estava, inclusive viajando com o igualmente bom time da Portuguesa pela Europa. Infelizmente, a correspondência com a camisa, a flâmula e os outros presentes foi violada e Hitler Fett, um jornalista e radialista da Independência, troféu gandula do interior do Estado de São Paulo, não deixou barato. Falou na Rádio e escreveu num dos Jornais da cidade. Foi manchete estampada a minha “reclamação contra os correios”. Sabendo do ocorrido, o próprio Presidente da Portuguesa me enviou uma carta e naturalmente, com todos os presentes novamente. Isto tudo aconteceu enquanto eu morava no Parque Celeste, nos “meus anos dourados”! Aos domingos pela manhã eu me levantava bem cedo e ia (de bicicleta) para a Rádio Rio Preto, onde soltava a voz no Programa Novatos em Desfile. Quando eu voltava, minha mãe me esperava no portão e com um gostoso almoço! Bem ao lado da minha casa, morava ROSELÍ, uma garota linda, que gostava de me ouvir cantar, o que eu fazia todos os dias, debaixo do chuveiro, além dos domingos na Rádio. Eram os meus ensaios...


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Ela também me esperava no portão, para me ver chegar, para me ver passar todos os dias. Que encanto de menina era aquela! Exercia um fascínio sobre mim. Embora fossemos apaixonados um pelo outro, nunca namoramos, pois ela e eu, tínhamos muito medo do pai dela e do ciúme da minha mãe, além de sermos bastante novos, para qualquer tipo de envolvimento, na época. Nos olhávamos muito, nos cumprimentávamos com um simples “ôi” e até conversávamos envergonhados, mas, nunca passou disso. Depois de adultos, nos reencontramos, quando acidentalmente eu a reconhecí em seu local de trabalho, no Diário da Região, onde fui fazer um teste e ela trabalhava já há muitos anos, aliás, lá permanecendo até 2009. Nunca mais nos vimos, mas, nos correspondemos por email até hoje. Ela me é uma boa amiga! Expondo aqui a minha primeira paixão, estou relembrando um tempo da mais pura inocência e tenho a autorização dela para isto. Quando ela estiver lendo o que estou narrando, peço a ela que receba este relato com a sinceridade da minha grata lembrança, por ter me proporcionado aos 12, 13 anos, momentos de bastante ternura! A tempo de eu publicar, sabendo desta minha simples homenagem, ela dedicou-me as seguintes palavras: “Nem sempre saudade é aquilo que fica de algo que não ficou, pois você permanece vivo nas lembranças dos melhores momentos da minha vida”.  Beijos. Roselí Silva


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ERA DIA DOS NAMORADOS...

Em Junho de 1970, eu trabalhava “prá fora” já haviam 5 anos, além de ajudar em casa com algumas tarefas. Tinha o meu próprio dinheirinho até para um presentinho naquele dia dos namorados, mas, namorada mesmo eu não tinha! Algumas coisas boas estavam para acontecer. O Brasil seria Tri Campeão do Mundo no México, sendo o primeiro gol, do primeiro jogo, dele, Rivelino! Um petardo que quase furou a rede do gol defendido pelo goleirão da Tchecoeslováquia. O caminho estava aberto. Ninguém mais seguraria aquela seleção de “90 milhões em ação, prá frente Brasil!” Era o hino oficial da nação, cantado aos quatro cantos do mundo. Todos comemoravam de alguma forma. Assisti aquele jogo na calçada de uma vizinha na Vila Diniz, olhando entre e sobre algumas outras cabeças, do lado de fora da janela, numa pequena televisão preta e branca, daquelas que se colocavam na tela, pedaços de papéis coloridos, azul, vermelho e verde. Um horror! Mas ví o jogo todinho e depois saí correndo pelas ruas, feliz pela vitória de 4x1. Em meio as comemorações, havia um lugar no centro de São José do Rio Preto, na Rua Bernardino de Campos, pouco acima do Cine São Paulo, a esquerda de quem sobe e ao lado da Ótica Santa


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Luzia, chamado Café Conte. Os casais jovenzinhos de namorados iam para lá. Era novo, pois tinha sido recentemente inaugurado, onde era servido um “café com chantilly”. O café era forte e bem quente, para poder derreter o denso creme que era servido a parte ou sobre o café. Uma delícia! Eu queria tanto saborear um, mas, também queria tanto conquistar uma namorada, quem sabe alí, naquele romântico a apropriado lugar... Durante a semana fui na “Só Calças” e tratei de comprar uma calça branca de cintura baixa, com uma boca de sino bem grande, para usar com uma camisa curta branca, com delicadas florzinhas que minha mãe havia me dado. Linda camisa! Meu sapato era um “cavalo de aço” azul e branco, com sola e salto altos, emborrachados em branco e o cinto colorido, foi um presente do Jair da Rosa dos Passos, um zagueiro do Flamengo do Rio, que jogava no América. Um show! Eu estava, acreditem, “na moda”, tirando onda... Foi assim, nesta pinta e com meus cabelos longos e bem tratados que eu fui para o “meu café”. Lá chegando, tratei de me acomodar no balcão, sentando num banco alto, de frente para o público, de forma a chamar a atenção de todos. Estava, de fato, em destaque. Peguei minha carteira e pedí logo o meu café com creme e dos grandes. Quando fui servido e ao levantar aquela grande xícara para o primeiro e saboroso gole, ela escapou da minha


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mão, ou melhor, um fato inusitado aconteceu, ela “descolou da asa”, batendo primeiro no meu peito, depois na minha coxa e no meu joelho, espatifando-se, finalmente no chão e espirrando café bem quente em todos os que estavam ao meu redor. Imaginem como todos me olharam e o que me falaram? Quanto a mim, enrubrecido e envergonhado pelo incidente, com muita raiva mesmo, só me restava uma coisa, já que nem desculpas eu me lembrava de pedir. Olhar para o vazio que era imenso e mergulhar, uma vêz mais, numa profunda tristeza pelo ocorrido e por não ter conseguido uma namorada num dia tão especial! Quem riu muito de mim naquele momento, não imagina o quanto eu rio hoje da situação que fiquei, mas que a todos também deixei... ... melados. Meio que debruçado sob o balcão, eu ainda podia observar os meus dois dedos fechados em torno da asa da xícara, que ficou na minha mão...


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PARA NÃO PASSAR EM BRANCO...

Não há um dia sequer da minha vida que eu gostaria que fosse esquecido, mas, houve tempo em que fiz algumas coisas de que POUCO me valeram, a não ser acumular alguma experiência para que não voltasse a fazer, talvez! Estive envolvido com o Carnaval, saindo pela “Gato Preto”, descendo a Rua Bernardino de Campos e fazendo estripulias à frente daquela “Escola” de Samba, tocava surdo também na “Império do PEC (Palestra Esporte Clube)”. Joguei futebol, por quem fui campeão e freqüentei, embora que poucas vezes, o CEUCA (Centro Espírita de Umbanda Caboclo Araribóia). Freqüentava as matinés de carnaval do Clube dos Bancários, dos Comerciários, em cima do Cine Rio Preto. Jamais me envolveria com bebidas e drogas, mas, estive por um fio, correndo riscos desnecessários, razão pela qual, cabe aqui apenas o registro de uma página da minha vida que poderia sim, ter passado em branco...


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O CIRCO

Ela surgiu quando trabalhávamos juntos no América, eu e a mãe dela, dona Conceição Gonçalves da Silva, uma senhora maravilhosa que eu guardo em saudosa memória, por tanto bem que me fêz, me aconselhando e cuidando de mim com todo o carinho, como uma mãe faz a um filho. Ela, de fato, me admirava muito, a ponto de permitir que eu viesse a namorar sua filha, Marisa Ferreira da Silva. Me apaixonei por ela e por toda a sua família! Até hoje eu não tenho certeza se foi bem um namoro. Acho que foi... Com seu João, seu pai, eu ia à feira vender queijos e deliciosos doces, em companhia de meus amigos inseparáveis, seus irmãos Carlos e Nelson, com os quais eu jogava muita bola (de futebol), além de bolinha de gude, que chamávamos de “burca”. Triângulo, pirâmide, trapézio, “casinhas”, ou “mata mata”. Eu tanto “rapelava”, como era “rapelado” (ganhava ou perdia as bolinhas de vidro) pela molecada. Era muito bom! Márcia era a caçula dos quatro irmãos, quase um nenen naquela época em que eu e Marisa, tínhamos 15 anos. Além do fato marcante de ter sido ela a minha primeira namorada, vários outros aconteceram, mas, há um inesquecível, do qual eu jamais vou me esquecer.


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Além das brincadeiras dançantes aos sábados, haviam os circos. Circos maravilhosos! Eram chamados de Circo Teatro Aliambra, Circo do Piquito (um palhaço muito engraçado mesmo) e tantos outros, que as vezes, faziam temporadas próximo de nossas casas, na Vila Imperial, em São José do Rio Preto. Era uma festa! Numa ocasião, marquei com Marisa para me encontrar com ela “dentro do circo”, na arquibancada, onde ela guardaria o meu lugar. Ao sair de casa, minha mãe me fez levar o guarda-chuva, porque havia possibilidade de uma “precipitação” naquela noite. Como conselho de mãe não se deve discutir, atendí prontamente. Lá chegando, embora o circo estivesse lotado, pude avistar Marisa e suas duas grandes amigas Betinha e Carminha, bem no alto sentadinha, me esperando. Com dificuldade, conseguí chegar quase na última “tábua” onde me acomodei confortavelmente, colocando os meus pés na tábua de baixo. Bastaram, no máximo dez minutos, após eu ter me sentado, quando um “educado cidadão” para se sentar à minha frente, abaixo, empurrou meus dois pés e pumba, me “precipitei” lá do alto, com guarda-chuva e tudo, na presença da minha amada, suas melhores amigas e de tantos “amigos” que se faziam presentes naquele circo, presenciando sim, este primeiro e grande espetáculo.


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A casa veio abaixo! Eu também. Literalmente. Por “sorte”, os cachorros que vigiavam o circo impedindo penetras e os chamados “furadores de lona”, não me pegaram, senão o estrago teria sido ainda bem maior. Ainda assim, rasgado, sujo e esfolado, saí dalí mancando, chorando e com muita vergonha.

Que “mico”!


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A FANFARRA DO SENAC

Estudei no SENAC de São José do Rio Preto, a Escola Técnica de Comércio “Paiva Meira”, onde me formei em “práticas de comércio e de escritório”, onde tentei ser datilógrafo, mas, o que conseguí e sou até hoje, foi me tornar um excelente dedógrafo, extremamente ágil e destes que só usam dois dedos. Do SENAC, além da formação escolar, guardei muito boas lembranças. O Diretor da escola, o Prof. Octacílio Alves de Almeida. Que mestre! Que homem íntegro! Como eram sábios os seus ensinamentos. Nós os alunos, nos apresentávamos como voluntários para participar da fanfarra. Ensaiávamos muito para tocar na parada de Sete de Setembro. Quando passávamos desfilando defronte ao palanque principal, instalado próximo a Prefeitura Municipal, na Avenida Alberto Andaló, era uma glória! Nossa fanfarra tinha uma linda garota que ia a frente fazendo acrobacias e malabarismos. Era chamada de “baliza” e de fato, chamava a atenção, nos apresentando e abrindo a passagem para o “nosso desfile”. De blusões azuis, com “pingentes” dourados, calças brancas e sapatos pretos, impecavelmente lustrados, lá vínhamos nós pela avenida, representando nossa escola com muito orgulho. Os cor-


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neteiros arrebentavam, faziam o público vibrar e a gente se arrepiar de tanta emoção. Tataratatá, tataratatá, tataratatá, chiquebumbum... Era isto. Eu tocava caixa ou repique e com toda certeza, não era tão bom no que fazia, mas, com que emoção eu fazia, tocando lá atrás daquela belíssima fanfarra, como que encerrando as comemorações da celebração da independência. Além de princípios educacionais equilibrados, o SENAC me formou como um homem de consciência cidadã, me trazendo sempre à lembrança a declaração de amor que repito sempre pelo meu país.

Eu te amo meu Brasil, eu te amo!


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A PRIMEIRA IPIB EM

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Foi a porta de entrada para o meu ingresso em Novembro de 1972, na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e para onde devo voltar um dia, quem sabe, pois lá permaneci durante 28 anos, até Julho de 2000. Me lembro que o Wagner Camilo me abordou numa mesa de sinuca na piscina do América Futebol Clube num sábado, me convidando para ir já no outro dia à Escola Dominical. Fui e por lá fiquei! O Rev. Mathias Quintela de Souza era o Pastor da Igreja. Que grande homem sempre foi aquele servo de Deus! Que palavra e quanta sabedoria! Para mim, um mestre, um pai. Cuidou, de fato, de mim! Naquele mesmo mês fui a um congresso, denominado de Congresso Rural e Regional da Mocidade, no Recanto Peniel e lá conheci o Rev. Messias Anacleto Rosa, um dos maiores, se não o maior pregador do Evangelho que eu já ví. Com que firmeza, eloquência e santidade ele falava e vivia o que pregava. Além dele, centenas de outros jovens, a grande maioria, de amigos, até hoje. Os pastores citados, preciosos amigos e irmãos, como


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Edson Valêncio Barbosa, seus pais e tios, tão queridos e tão especiais na minha vida; Silvia Henrique de Carvalho (tão linda!), seus pais Samuel e Cândida; Vânia Aparecida Marques, sua irmã Telma e seus pais João e Idelma; Kátia Regina Pasquetto, os irmãos Alberto e Kátia Katerna; Samuel Leme da Rocha, Solanginha Massuia, seu irmão Júnior e seus pais Maria e Argemiro, meu grande e nunca mais visto amigo, Anésio Massuia (“Pantera”), Ademir, Arnaldo, Ademar, os Massuias todos, enfim...; Urbes Messias de Lima, Neuselí Belucci Menoia, Jayro Cerqueira Leite Junior (como eu gostaria de estar sempre ao lado dele, tudo teria sido muito mais fácil) e sua esposa Nely; Elisabete Silveira Mendes (foi minha querida noiva e com a qual quase me casei), Pedro Egi, Dirce, sua saudosa irmã; Suely Navarro Pereira, Márcia Liberato de Andrade (um encanto de pessoa, a quem sempre admirei), Marilena Escamilha, José Hélio de Souza, suas irmãs Maria Lúcia, Miriam e seu irmão Lélis Jr., seus pais Lélis e Maria de Souza (também minha segunda mãe); Joel, Osvaldo, Antonio Luiz de Oliveira, o saudoso “Tim Maia”. O Rev. Altamiro Carlos Menezes, Neusa e seus filhos Viviane, Simone e Thiago. Anos mais tarde, já em Campinas, o casal abençoado de Presbíteros Luís Ribeiro da Silva e sua esposa Maria Angélica, verdadeiros irmãos e amigos tão próximos e tão queridos, servos fiéis, servidores que são na Igreja Presbiteriana Independente de Canaan, em Campinas. Urbano e Nadir,


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Zacarias e Terezinha, seus filhos; Arnaldo Berenguel e Matilde, César e Raquel, Paulinho e Valnei; Presbítero Salatiel e família; meu pastor e mestre, Rev. Calvino Camargo e Marlene, suas filhas, sobretudo, a Mariana, contemporânea do meu filho, por terem nascido quase juntos; Dona Vicentina e família; meu sempre amigo e irmão, o Presbítero, Dr. José Heitor Albuquerque Rebecca, uma paixão, uma bênção! Uma das pessoas mais incríveis que Deus colocou em minha vida. Os pastores citados e estes amigos todos, entre tantos, que de tantos, fica difícil citá-los, me levaram ao maior de todos, ao Inseparável Amigo, que verdadeiramente tem me suportado em amor...

Jesus Cristo!

Na IPIB, primeiramente na 1.a e depois na 2.a de Rio Preto, mudando-me para Campinas, na 2.a e depois na Vila Ipê, ocupei cargos que só pela graça de Deus, consegui serví-lO, fazendo-o sempre com muito zelo e alguma competência. Fui professor de escola dominical das crianças aos adultos, formado pela APEC e por tantos outros seminários de ensino e ministração; superintendente, presidente, secretário executivo. diretor e coordenador de associações internas, como a UMPI, os Jovens Casais, a Federação de Mocidade (FEMA), a própria Confederação, onde fui assessor. Como bom presbiteriano independente, mas, pela Coroa Real do Salvador, sempre fui bastante atuante e


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pude trabalhar, com muita honra, como Presbítero, na Vice Presidência do Conselho. Como Secretário no Presbitério, no Sínodo Ocidental e no próprio Supremo Concílio, onde enquanto representante, pude ser Assessor de Imprensa e Comunicação da Presidência. Ter sido articulista, Diretor Administrativo do Jornal “O Estandarte”, da IPIB, o mais antigo jornal evangélico do País, marcou uma época de mudanças na minha vida e na do jornal, quando o seu layout foi totalmente mudado e as cores, finalmente introduzidas, quebrando-se um paradígma de que a tradição e o conservadorismo não pode, em nenhum momento se contrapor a inovação. Durante a minha caminhada, alguns jornais locais e regionais foram sendo criados, assim como em alguns pude também trabalhar e dar alguma ajuda, como o Informativo Araraquarense, o de Campinas, o JUMPIColor, o Hora Certa etc... Como é doce ter combatido o bom combate. Há uma satisfação enorme no dever cumprido, mas, há tanto ainda o que se fazer, que me faz voltar sempre a refletir e a me perguntar... Como?

Há algo que eu tenho dito...

“ Eis me aqui Senhor, usa-me a mim! ”


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MINHA MELHOR ORAÇÃO...

Talvez seja aquela que eu ainda vá fazer, por alguém ou por mim, porque eu também creio que o melhor estará sempre por acontecer! Ela acontecerá antes da minha morte... A oração do Pai Nosso, abaixo descrita, o sermão do monte (Mateus 5, 6 e 7), o Salmo 23, do Bom Pastor; a oração sacerdotal de Jesus ( João 17), A paixão e a morte de Cristo ( João 13 a 21), O natal de Jesus (Lucas 2), os 10 mandamentos (Êxodo 20 e Deuteronômio 5), além da descida do Espírito Santo (Atos 2), são textos e mensagens que sempre falaram alto ao meu coração. Entre as diversas formas de se comunicar com Deus, há duas delas, que tenho como das mais importantes: a leitura da Bíblia, para que Deus fale comigo e a oração, para que eu fale com Ele! As orações como as de Daví, a de Jabez e as do próprio Senhor Jesus, são modelos mais do que eficazes que nos foram deixadas através das Escrituras Sagradas, mas, não há orações como as do coração, do meu e do seu... “ ... quando orar, entra no teu quarto, fecha a porta e fala com O Teu Pai em secreto e Ele te ouvirá! ” (Mateus 6:5)


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“ Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome; venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje e perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas, livra-nos do mal, pois Teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém! ” (Mateus 5:9 a 13) “ Jabez invocou a Deus dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a Tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu tudo o que havia sido pedido. ” (I Crônicas 4:10) Nos 150 Salmos, podemos encontrar cânticos maravilhosos e modelos extraordinários de orações e súplicas, muitos, senão todos, me tocam profundamente e me enlevam espiritualmente, muito além de onde eu poderia chegar. O Salmo 139, porém, é um capítulo a parte. Um dos meus preferidos! As Escrituras Sagradas contidas na Bíblia, farão sempre dela uma espécie de “manual do fabricante”, com as recomendações do Próprio Criador e com a receita de como tudo foi feito. Sabemos que 40 homens, mais ou menos, TODOS inspirados por Deus, escreveram a Bíblia, durante aproximadamente 1.600 anos. A grande mensagem do Antigo Testamento é de que “Cristo virá!” e a


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do Novo Testamento é de que “Ele veio, mas, voltará!”. O maior capítulo da Bíblia é o Salmo 119, o menor o 117 e o do meio, a metade exata da Bíblia é o 118. Uma boa curiosidade e também, quem sabe, um grande ensinamento de Deus para nós é de que antes do Salmo 118 há 594 capítulos e depois dele mais 594. A soma dos dois é 1.188 e assim, quando abrimos a Bíblia no Salmo 118:8 lemos: “É melhor buscar refúgio nO Senhor, do que nos homens!” Tenho entendido então de que estar no centro da Bíblia, é estar no centro de tudo, no centro da vida e principalmente, no centro da vontade de Deus. Por estas e por tantas outras razões, é que eu creio no poder da Palavra de Deus, como dizia sempre o Rev. Orlando Braidotti. Por crer na Palavra dO Pai, é que eu creio na minha melhor oração!


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LEIA UM LIVRO

Por maior dificuldade que você tenha, você deve ler! Os livros ainda são caros no Brasil, mas, vale a pena investir em você através da leitura, até porque, se você não puder adquirir um livro novo, há vendedores de livros nas ruas, há boas livrarias chamadas “sebos” e há também, pessoas generosas querendo presentear você com um bom livro. Basta escolher! Uma grande leitora de livros, a Pastora Elisabeth Siqueira, a mãe do Acir Filho, disse-me um dia, de forma muito amorosa e sábia, que os livros não mudam o mundo, os livros mudam os homens, os homens mudam o mundo... Recentemente, precisei inventariar minha biblioteca e contabilizei os meus livros. Eram 785! A maioria deles eu doei, até porque boa parte deles me foram dados por amigos, como presente também. Não posso afirmar que os lí todos, mas, a grande maioria sim e alguns deles mais do que uma vêz, além de outros que já passaram pelas minhas mãos. Lí a Bíblia de capa a capa seis vezes e a estou lendo pela sétima, algumas delas sublinhando versículos e estudando trechos para um melhor entendimento e memorização. Confesso que a cada leitura, eu recebo os ensinamentos de Deus, através


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da Sua Palavra, em seus sessenta e seis livros, alguns de difícil compreensão, dos gêneros mais diversos. Afinal, se a Bíblia é o melhor de todos os livros, até por ser o livro mais lido do mundo, é porque ela é uma grande enciclopédia, cujos livros todos foram escritos pelos dedos de Deus, principalmente as tábuas da lei, também conhecida como os dez mandamentos! Tenho um depoimento pessoal que registrei na minha principal Bíblia, onde pude relatar o que segue: “ A leitura da Bíblia iniciada em 27/02/2001, foi concluída em 23/06/2001, portanto, em 116 dias, quando foram lidos em média, por dia, 10 capítulos ou 269 versículos; 1 livro a cada 2 dias. Fascinante! Cada vêz mais, por seus feitos extraordinariamente maravilhosos, é que eu creio no poder da Palavra de Deus! ”

Leia a Bíblia!


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IRAN PEREIRA DA COSTA NEVES

UM DOCE REENCONTRO...

Conhecí o Iran em 1972, acho. Eu tinha 17 anos, ele um pouquinho só a mais. Eu tentava me firmar como primeiro reserva do Zé Vicente, um grande centroavante do quase “amador” (pois éramos todos aspirantes, nascidos no dente de leite) do América. Iran era o titular absoluto e craque do Rio Preto. Naquela tarde, na preliminar de um importante jogo de futebol no Estádio do RIOPRETÃO. Aliás, participei da inauguração do Estádio Anísio Haddad, do Rio Preto Esporte Clube, poucos anos antes, em 1968. Aquele co-irmão, mas, rival do América era o temido “jacaré do couro duro d’oeste”. Mas, quanto ao meu querido Iran, estávamos frente a frente pela primeira vêz, disputando o chamado “derby” entre os dois times. Nos chocamos num lance comum no futebol e o Iran levou a pior, abrindo a cabeça (supercílios). Deste episódio, já há quase 40 anos, nós não nos esquecemos nunca mais, pois foi o nosso primeiro “encontro”! Em toda a trajetória de nosso relacionamento, não me lembro de nenhum desencontro com este amigo tão querido. É verdade que moramos bem distantes desde 1987, mas, nunca nos esquecemos, estamos sempre nos falando, de alguma forma. Nossa amizade sempre foi preservada, temos man-


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tido contato e principalmente vivas as lembranças. Quando nos reencontramos pela primeira vêz, no Conjunto Vocal e Instrumental Horizontes de Vida, na Segunda Igreja Presbiteriana Independente de São José do Rio Preto, após aquele acidente no futebol, chegamos de lugares diferentes, mas, entramos pela mesma porta que nos trouxe, uma Nova Vida em Cristo, que, aliás, era o tema musical daquele inesquecível grupo, formado por vinte e poucas pessoas, que tocavam, cantavam e vibravam testemunhando e pregando a fé. Foi, de fato, um “doce reencontro”, desta feita do mesmo lado, no mesmo time. Como músico e compositor, ele criou belíssimas composições, algumas delas guardadas nas lembranças de minha memória e coração, três delas, Meu Rei é Jesus Cristo, Misericórdia e Convite, gravadas no “long play” do Horizontes de Vida, “A Nova Canção”, juntamente com outras músicas de Josué Nunes da Silva, nosso grande maestro, de Itamar Lucinda de Paula e de Moizéth Gonçalves Rulli, minha amada esposa e companheira, que além deste, teve participações em outros CD’s, em Campinas e Rio de Janeiro, tendo sido um deles, o “Pelas Ruas”, exclusivo seu. Moizéth me concedeu ainda um santo orgulho, uma alegria particular, de se classificar e de vencer muitos festivais da música gospel.


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No Horizontes de Vida, além de mim, faziam parte: Josué (Guitarra, Percussão, Arranjos e Líder Principal), Iran (Guitarra, Arranjos e Percussão), Caubí (Baixo), Dante (Bateria), Venício (Piano e Teclados), Moizéth (Violão, Guitarra e Arranjos), Kátia, Lídia, Miriam, Rosana, Rosemeire, Sebastiana, Cláudia, Elda, Itamar, Rosinha, Maria Augusta, Sara, Sílvia, Olga, Cláudio, Elí, Vergílio, Abimael, Ismael, Joab, Lucas, Serginho e Edinho. Já houve um reencontro emocionante e comemorativo deste maravilhoso grupo, quem dera, pudesse haver um outro! Preciso destacar aqui todas as pessoas que estão citadas, como amigos que influenciaram de alguma forma, a minha vida. A incrível Rosana, especial, eterna e querida amiga, a Rosinha, Rosa Maria Ferrari, esposa do Gê, o Josué Nunes da Silva, ele próprio, além da Elda e do Venício Rodrigues Bueno, do Serginho, o Adair Sérgio Eduardo Camargo, que nasceram para oferecer Assistência Social e para servir ao próximo, sobretudo, as crianças pobres e necessitadas, carentes de amor. Haviam, na época inúmeros núcleos assistenciais, em muitas comunidades carentes, em que a benemerência era praticada, sob a coordenação destas pessoas queridas. Serginho, saudoso e inesquecível amigo e irmão, engenheiro elétrico, vereador e secretário municipal, coordenador e líder nato, em todas as instâncias da Igreja Presbiteriana Independente do


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Brasil, nós o guardamos todos em grata memória. Quanto ao Iran, constituiu uma linda família e está morando hoje em Campo Grande, Capital do Estado do Mato Grosso do Sul e eu no Rio de Janeiro, mas, qual é a distância que separa quem gosta de estar sempre juntos? Hoje ele é um jurista renomado, cuja maior preocupação é “administrar a liberdade que lhe é confiada pelo peso da balança da justiça, uma vêz que a reconstrução da verdade, muitas vezes baseia-se em versões e não necessariamente de fatos”, depoimento que ele mesmo me enviou. Integra o Colégio de Procuradores da Defensoria Pública, com atuação na área criminal junto aos Tribunais Superiores de Brasília (STJ e STF), e, notadamente, no Tribunal do Júri, em cujo plenário já fez mais de 500 sustentações orais ao longo de sua carreira, sempre na defesa intransigente daqueles que não possuem condições econômico-financeiras para constituirem advogado particular e terem acesso à Justiça, uma missão de Sísifo, como já teve ocasião de me confidenciar, em franco e espontâneo desabafo, aquilo que, para ele, “passa pela reconstrução utópica da verdade fática, categoria que, por integrar o patrimônio do pretérito, torna a verdade redutível, tão somente, a meras versões, tornando sempre atual e incontestável o dito bíblico de que ‘nossas justiças são como trapos de imundície’ (Is.64:6)”.


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Ao transmitir na íntegra suas intelectuais palavras, reafirmo sempre que é uma das pessoas mais espetaculares que eu conhecí durante toda a minha vida. Inteligente, culto, sábio, porém extremamente simples. Nunca se importou com sua aparência pessoal, trazendo-nos, inclusive, problemas com isso. Me lembro do nosso uniforme no Conjunto Horizontes de Vida, com o qual ele não apresentava a menor preocupação, se estava amarrotado ou com as barras das calças curtas. As vezes o surpreendíamos mostrando suas meias, uma de cada cor, claro. Ao não se importar com ele, nos dava sábias lições, importantes ensinamentos. Sempre foi um belíssimo homem, destes pelos quais as mulheres suspiram. Um gênio que sempre tinha alguma coisa a dizer, sobre qualquer assunto. Ter sido amigo e ter tido amigos como os aqui citados, foi um privilégio concedido por Deus! Hoje, estão todos distantes, mas, manter algumas destas amizades até hoje, é poder ter contado com a compreensão deles, segurando um relacionamento tão duradouro, superando dificuldades em todos os tempos vividos, longe ou próximos um do outro.

Amigos, vocês os serão para sempre!


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Muito obrigado por terem existido em minha vida! Estejam onde estiverem, saibam que eu os amo profundamente!


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CONJUNTOS MUSICAIS...

Eu tinha uma verdadeira fascinação por Beatles, Rolling Stones, Carpentters, Abba, Incríveis, Renato e seus Blue Caps além de orquestras maravilhosas como Ray Connif, Paul Maurriah, Franck Pourcel e depois os fabulosos evangélicos: Jovens da Verdade, Vencedores por Cristo (deles, eu cantava todas), Os Ligados... Mas, minha paixão pela música, aliada ao meu bom senso de planejar e organizar “as coisas”, despertaram em mim, logo que cheguei à Igreja, uma vontade muito grande de criar e participar de conjuntos musicais, corais e bandas. Muito me realizei fazendo o que tanto gostava! Além de cantar em três bons corais, o da primeira, o da segunda de São José do Rio Preto e o da Vila Ipê, em Campinas. Sob as batutas das professoras Hélia Tabarini, Lídia Nunes da Silva e Iaci do Valle Nogueira, grandes regentes às quais eu rendo minhas homenagens e gratidão por toda a paciência que sempre tiveram nos ensaios, afinando a minha voz e preparando-me como tenor para as celebrações dominicais, as cantatas especiais da páscoa e do natal, entre outras tantas. Com as pastas portando as partituras ou não, mas, impecáveis em nossas batas vermelhas ou azuis, nós íamos a encontros de corais, viajávamos


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e a sintonia das vozes, sincronizadas harmônicamente, qual canto gregoriano era o que mais me fascinava! Foram muitos também, os grupos vocais e instrumentais em que participei sempre com muita motivação e alegria. “Parados em Cristo”, “Lugar ao Sol”, “H2O”, “Grupo Nova Razão”, “Grupo IDE”, “Horizontes de Vida”, “Grupo IKTUS”... Em São Paulo, Capital, formei uma dupla para poucas e rápidas apresentações nas igrejas, em suas noites de sociabilidade, era o “H2O”, que era uma água mesmo, embora Heu e o Omar, os 2, fazíamos esquetes muito engraçadas e interessantes para entreter e alegrar a rapaziada, como “a estátua da praça”, em que no final eu a lavava, dando um banho nele. Em seguida, fundamos o Grupo Nova Razão, partindo para as nossas viagens e apresentações em cruzadas evangelísticas em igrejas e cidades diversas. Salvador Omar Martinez Gouveia, Milson Nunes de Andrade Júnior, seu irmão Marcos, Renato, Márcio e eu, éramos felizes e realizados no que fazíamos. Enquanto cantávamos e falávamos sobre a nova vida em Cristo, na composição de Josué Nunes da Silva, Salvador Omar pintava belos quadros que ao final do trabalho era oferecido a uma das pessoas presentes. Em Apiaí e Iguape, no Vale do Ribeira, momentos emocionantes com crianças órfãs, numa missão especial da Igreja Batista.


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Com o Grupo IDE, conquistei, sobretudo e definitivamente, o meu amadurecimento e aquele que seria estabelecido como meu futuro familiar. Já com a família constituída, no Conjunto Horizontes de Vida, também viajamos muito, gravamos um disco com as nossas próprias músicas e realizamos muitos sonhos! De todos os conjuntos musicais sinto saudade, de cada um deles, tenho uma doce recordação, um lugar especial no meu coração! Das lindas canções entoadas e dos amigos inesquecíveis, lembranças do passado, presentes hoje e sempre na minha vida! “A gente sabe que o tempo vai passar e que o presente sempre se tornará passado, mas, tudo isso é amenizado quando a gente ama os amigos, aí sim podemos afirmar que haverá futuro!” Com carinho, sempre, Wal de Paula, a queridíssima Wanderlene, minha eterna, portanto, inesquecível amiga, que desde os bons tempos do nosso Grupo IKTUS encontrou uma verdadeira razão prá cantar!


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OS FESTIVAIS DAS LINDAS CANÇÕES

Como eu lia fácil, gostava muito de cantar, de organizar e a partir de então, despertado pela preparação que a Igreja me deu, de apresentar, vieram os Festivais. Os festivais das lindas canções... Durante aproximadamente 10 anos, em todos os anos, organizávamos, tanto na JERP, a Juventude Evangélica Riopretense, quanto na FEMA, a Federação Evangélica da Mocidade da Araraquarense, grandes Festivais de Canções. Eles eram muito aguardados pela juventude que se preparava de forma exemplar para concorrer ou assistir, mas, quanta participação! Eram muito bonitos e revelavam tantos talentos! O da JERP, o mais concorrido deles, chamava-se FECAERP, o “Festival da Canção Evangélica Riopretense”, agregava os jovens em torno de uma só nota, num coro único, interdenominacional, isto é, de todas as Igrejas, mas, do mesmo Cristo! Presbiterianos, Batistas, Metodistas, Assembleianos e uma Igreja tão querida e especial, denominada de “Maravilhas de Jesus”, sempre participavam das reuniões mensais e dos festivais inesquecíveis, que revelaram as mais lindas canções!


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AS OLIUMPÍADAS

Além dos festivais, dos congressos regionais, dos encontros, dos acampamentos e dos retiros espirituais, todos bastante concorridos, criamos também as oliUMPÍadas, homenageando a nossa “União da Mocidade Presbiteriana Independente”, a UMPI. Nesta maratona esportiva, haviam várias modalidades em que as representações das Igrejas participavam, com suas mocidades vibrantes. A região da Araraquarense era praticamente composta por cidades às margens da ferrovia do mesmo nome, que mais tarde virou a FEPASA, Ferrovia Paulista S/A. Isto facilitava muito o deslocamento acessível a todos, através dos trens de Santa Fé do Sul à Araraquara, onde, certa vêz, nos utilizamos das excelentes instalações do Gigantão, nas proximidades da Fonte Luminosa. O trem, passando por Jales, Fernandópolis, Votuporanga, Mirassol, São José do Rio Preto, Catanduva e dezenas de outras cidades, arregimentava centenas de jovens umpistas, que iam cantando alegremente estrada de ferro a fora, unidos no mesmo ideal, pela Coroa Real do Salvador! “Mocidade sempre avante, ao trabalho de Jesus; no Evangelho sê gigante e no mundo sê a luz; levanta e resplandece e proclama a salvação; avante nunca cess-


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es, pois terás o galardão. Com firmeza e alegria, louva sempre ao Teu Senhor; tendo Cristo em companhia, tens também o seu amor; levanta e resplandece e proclama a salvação; avante nunca cesses, pois terás o galardão!” “Ninguém despreze a tua mocidade, mas, se exemplo dos fiéis!” O hino oficial da Mocidade Presbiteriana Independente do Brasil e o seu moto, também oficial, estão selados em meu coração e em minha memória e jamais serão esquecidos. O versículo 1, do capítulo 12, do livro de Eclesiastes registra a importância do seu significado: “Lembra-te do Teu Criador nos dias da tua mocidade...” Me lembro sim dos dias, daquele tempo e dEle, O Criador eu não me esquecerei jamais!


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FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA

Além das grandes alegrias vividas e das partidas de futebol de salão disputadas naquela cidade, tornei-me sócio da Associação Ferroviária de Esportes, por seu clube, por suas piscinas, mas, também pelo seu time de futebol, nas suas cores branca e vinho grená quase avermelhado que muito me lembrava, o meu América. Tornar-me associado da Ferroviária, foi uma das formas de filiar-me cada vêz mais a cidade de Araraquara, a “Morada do Sol”, como é chamada. Fui atraído para aquela cidade pelos encantos da minha noiva e por amigos inesquecíveis, que também de lá saiam para disputar jogos em campeonatos de futsal comigo em outros lugares, como em certa época em que o José Hélio, o melhor goleiro de futebol de salão que já conhecí e Pedro Egi, o melhor atacante, foram, por mim inscritos em São José do Rio Preto e para lá se deslocavam, só para me prestigiar. Ela, principalmente e eles também, fizeram uma grande diferença na minha vida!


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EM SÃO PAULO, FAZENDO O MELHOR!

Foi um grande momento, uma grande experiência, viver em São Paulo, longe dos meus pais, dos meus irmãos e da minha cidade, da qual eu pensava nunca mais fosse sair. Lá, eu trabalhava na Hevea S/A., Indústria de Plásticos, trabalhava duro. Me dedicava à exaustão e me alimentava muito mal. Me recordo que num determinado dia, após ter sido internado com um quadro de infecção alimentar, preocupada comigo, minha mãe me telefonou e foi logo perguntando: Meu filho, o que é que você está fazendo aí em São Paulo e tão longe de casa, de mim? Ao que lhe respondí sem titubear: Mãe, eu estou fazendo o melhor! Penso que era tudo o que ela gostaria de ouvir e de saber, pois “fazer o melhor” foi o que ela sempre me ensinou. Assim, com a sua aprovação em pude continuar em São Paulo, levando a vida, até que a morte a levou, não para sempre, porém...


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CORAÇÃO DE LUTO

Me lembro que um amigo querido, um irmão presbítero de São José do Rio Preto, o Argemiro Massuia, na tarde de 18 de Novembro de 1974, foi portador da notícia que eu jamais imaginei poder ouvir um dia... Helinho, sua mãe faleceu! Naquela noite em que viajávamos de ônibus, eu, meu saudoso e querido cunhado Geraldino, minha irmã Maria do Carmo e meus sobrinhos Carlos, Márcia, Ana, Marta e Isabel, através da Viação Cometa, de São Paulo à São José do Rio Preto, num rádio portátil de um passageiro qualquer, eu ouvia a música entoada por Caetano Veloso: “Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito...” e ainda uma outra que dizia: “...aproveitou o silêncio da madrugada e sem dizer nada...” Um filme retrocedia imagens em minha mente e me traziam à memória, a lembrança dos anos todos vividos com aquela mulher maravilhosa que me ensinou tudo o que eu sabia até então. Princípios e Valores. Elementares! Eu estava perdendo um pouco da grande riqueza que eu havia acumulado. Minha mãe jaz, inerte alí naquele caixão em que me deparei com ela pela última vêz...


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Atendendo a um desejo seu, nós a levamos para Jaboticabal, onde ela foi sepultada ao lado de sua mãe, minha avó Marta, que também havia morrido um ano antes. Da voz pouco conhecida hoje, de Teixeirinha, vem o significado de sua famosa canção, “Coração de Luto”: “O maior golpe do mundo, que eu tive em minha vida foi quando..., de fato,... perder minha mãe querida...” Enquanto eu vivia longe dela, ela vivia sempre perto de mim, cuidando de mim. Um ano antes, ela preparou o meu quarto para me receber, no dia do meu aniversário, com flores e presentes especiais, perfumes e comidas, dos que eu mais gostava. Certa ocasião, o meu amigo José Carlos Pinto de Azevedo, indo à São Paulo, me levou, enviado por ela, presentes e algum dinheiro que ela ganhou, lavando roupas para fora. Dois dias após seu sepultamento, no dia do meu aniversário, em 21 de Novembro, pude receber uma correntinha com uma medalha, que ela estava pagando a prestação para me presentear. Alegria pelo gesto, muita tristeza pela ausência. Fez falta. Continua fazendo até hoje, muita falta! Enquanto viveu e até após ter morrido, ela me deixou marcas e ensinamentos profundos, registrando o quanto lutou por mim, para me tornar


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melhor. Assim morreu minha doce mãezinha, “fazendo o melhor” por mim...


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A VOLTA

Enquanto estive em São Paulo muito perdí, para muito ganhar, mas, muito mesmo aprendí. De volta para São José do Rio Preto, com o objetivo de ficar perto do meu pai e dos meus irmãos “órfãos”, não pude realizar totalmente o que pretendia, pois embora morássemos juntos, estávamos sempre “ocupados” em outras atividades, senão o da companhia e apoio uns para com os outros, principalmente eu. Recomecei com o trabalho duro e com as prazerosas atividades na Igreja. Assumí papéis de liderança em ambas as áreas. Na área profissional, com a finalidade de desenvolver meu aprendizado e formação, tornei-me, sem muito sucesso, o Gerente Geral de uma rede de lojas (duas, além de um grande depósito), chamado de Mercantil Fáccio Materiais para Construções Ltda. É bastante provável que venha desta época a minha descoberta como líder, apresentando-me de forma natural e voluntária ou sendo chamado e escolhido para coordenar situações e “entrar em frias”. Muito legal! Sou fascinado por estar à frente de pessoas, servindo-as, nunca “na frente” e acima delas. Me recordo que num determinado dia, após o culto na igreja, todos os meus liderados, minha


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mocidade querida e tão linda, me acompanhou até um destes carrinhos de cachorro quente, nas esquinas das Ruas Voluntários de São Paulo com Silva Jardim, defronte as escadas do Sindicato, onde nos sentávamos e conversávamos muito. Era só alegria! Naquela noite, a alegria maior estava por vir, pois conseguindo o troquinho do lanche de cada um dos meninos e das meninas, eu me serví do mais saboroso dos pães com salsichas alí existentes. Me preparando para comê-lo e sendo observado por todos, levei-o à boca e quando dei a primeira mordida, a salsicha espirrou do pão, pulando, literalmente para o meio da rua. Fiquei só com aquele pão lambuzado de maionese nas mãos, com a cara de palhaço que até hoje tenho. Foram muitas risadas mesmo, algumas até de pena e dó, mas, foram. Nem as piadas por mim contadas seguidamente, como sempre faço, serviram para que o episódio fosse esquecido por meses. Ainda bem que eu era o líder! Meio atrapalhado, mas, era... Era também a minha marca e eu tinha voltado “para ficar”, recuperando um pouco da minha alegria!


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A SOUZA CRUZ

Em 1975 após ter distribuído alguns curriculuns, fui chamado para testes e entrevistas naquela onde trabalhei por quase 20 anos, a Companhia Souza Cruz Indústria e Comércio, cuja razão social foi alterada umas três vezes, enquanto eu lá estava, mas, cujo propósito sempre foi o mesmo, “fabricar e comercializar cigarros”. Porém, felizmente, não era só isto que aquela grande empresa fazia e deve continuar fazendo até hoje. Ela fabricava profissionais. Ela possibilitava que sonhos fossem transformados em realidade. Ela trazia grandes contribuições e fazia muitas obras sociais ao país e, seguramente, além da maior, foi uma das empresas mais honestas e justas em que trabalhei. Garoto de 20 anos, quando cheguei para concorrer a uma vaga de vendedor, em entrevista com um gerente chamado Sérgio Pizzani, ele foi logo me dizendo: Hélio, tenho em meu pulso este belíssimo, moderno e valioso relógio suiço, da marca Rolex, do qual não abro mão. Ele sentado, eu em pé, acompanhado de um Coordenador de Vendas chamado Carlos Roberto de Souza, abriu sua gaveta, apanhou um relógio velho, todo esculhambado e pediu que o vendesse a ele. Com toda a formalidade que até hoje me acompanha, “infelizmente”, eu me apresentei e lhe disse sem pestanejar: Seu Sérgio, eu gostaria de lhe ofertar por um bom preço, este reló-


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gio mais antigo, porém, preciso e funcional, para que o senhor use no dia a dia e tenha para as suas ocasiões especiais, conservando por muito mais tempo, esta raridade que o senhor ostenta, presente de sua esposa. Só me desliguei da Souza Cruz, por desejo próprio, em 1994... Enquanto lá estive, recebí alguns prêmios de vendas e por outras atividades realizadas, mas, o mais importante é que fui colecionando amigos, todos muito queridos, embora a maioria deles eu já não veja há muitos anos e nem saiba onde está. Tantos acontecimentos, tantas lembranças, tantos nomes: Nílton Pinheiro de Macedo, Ermínio José Pires Otero, meu encarregado de estoques – quanta saudade!; José Augusto Estuqui, Gersimino Brazolim, José Wilson Bandeira e Flaiter Aione De Marchi, todos já falecidos. Roque Benedito Pereira, Flávio Modesto, Carlos Wilson Dias, José Acácio Novaes, Luiz Devanir Dianni, Maurino Guidoni, Antonio Carlos Pina, Jobson Alves dos Santos e Josete, amigos de sempre e para sempre!; Arnaldo Romão, o “caprichoso”; seu José, Walter, Dorival “filtro”, Arnaldo Santanna, Paulo César e Viena; José Roberto Baesso, Antonio Carlos e Ângela; Newton Carlos Lucianelli, Serginho, José Angelo Pacola, Hidielse Flávio Mauri, Adair Zago, Oséas e Abimael Nunes da Silva; Francisco Venezuela, Dorival Maldonado e Regis; Eder Angelo Pelicano – amigo e mestre, o


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melhor vendedor que eu já conhecí em toda minha vida, pois onde ele não conseguia vender, ninguém o faria. Antonio Carlos Tarossi, Paulo Roberto Paiva, Carlos Augusto Carnelossi, Eleno Batista Scafi, Bruno Buzzolini, Laudemir Antonio Crepaldi e sua família, incluindo o seu Antonio, o “Guarda”; Celso Caldas, de quem guardo até hoje os bilhetes e os memorandos com suas mensagens encorajadoras. Que amigo!; Alfredo Rossetti – maravilhoso! Um poeta. Capítulo especial neste meu modesto livro; Benito Biasini, Roderlei Generalli, Antonio Carlos Cherubin, Flávio, Luiz Carlos Teixeira Gimenez, Orlei Arrabal, Marcos Madureira, Antonio Carlos Fernandes, Luís Francisco Esher Romeo, José Carlos Cegato, Giancarlo Colaiocco, Américo Fernandes, Eugênio Becegatto, Elmo Maretti – como eu o admirava e às suas histórias tão engraçadas e tão enriquecedoras. Marisa, que me indicou ao recrutamento inicial, Cidinha, Regina Márcia, Selma, Ana Cristina, Stela Maris, Marise Balduíno, Wagner, Cláudia... Há tantos nomes, tantas pessoas queridas que me ajudaram a acertar “os passos”, que talvez eu não devesse citar os que aqui foram citados, só para não cometer injustiça com aqueles cujos nomes e fatos ocorridos, sempre me vem a mente, mas, que neste momento eu me esqueço. Mas, é só neste momento, pois voces são sempre lembrados e a todos voces serei eternamente grato, por terem cruzado o meu caminho e feito uma grande diferença na minha vida!


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FÁCIL, MAS, DIFÍCIL...

Embora o meu salário fosse Cr$ 2.501,00 (cruzeiros) e o aluguel da casinha onde fomos morar em 1977, quando me casei, Cr$ 1.500,00; tudo era muito fácil, muito tranqüilo, pois nós nos amávamos muito e por esta razão, éramos, também já naquele início, muito felizes, apesar das dificuldades! Mesmo trabalhando na Souza Cruz, em alguns dias, quando saía um pouco mais cedo, eu conseguia alguns carros para lavar numa fonte que jorrava muita água de um grande registro, no “Palácio das Águas”, em São José do Rio Preto. Dava para ganhar uns bons trocados em troca de muito trabalho e de pouco investimento, até que um belo dia, fui surpreendido pelo guardião do local, que juntamente com a polícia, me deram um belo pega e eu quase me dei mal, mas ficou só no susto, no pequeno prejuízo do material que deixei para trás e no encerramento de uma pequena receita que me garantia o pão, o leite da semana e as vezes até um cineminha no sábado. Quando eu era Auxiliar de Vendas, era também uma espécie de substituto geral. Certa vêz, atendendo a um pedido do gerente, fiquei no depósito num sábado para fazer umas tarefas burocráticas, num quadro geográfico que mapeava todos os cli-


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entes da região. Um grande e muito querido amigo, deixou a chave de seu belo Fusca comigo, para que eu o abastecesse, pois naquela época os postos de gasolina fechavam ao meio dia e não abriam aos domingos. Por volta de umas dez horas, aproveitei para ir comprar um material de escritório que precisava para concluir o trabalho que fazia e fui de carro, para, evidentemente abastece-lo. Descendo a Rua Bernardino de Campos, no centro da cidade, em meio a um grande trânsito de veículos, mas, principalmente de pessoas, bem na movimentada esquina com a Rua Silva Jardim, eu batí violentamente com um Opala novo, arrebentando com os dois carros, indo parar quase dentro das Casas Bueno, ficando prensado entre a calçada e o poste, mas, graças ao Bom Deus, não machucando ninguém e nem a mim. Os carros, porém, eu precisei pagar. Me lembro que só o Opala ficou em R$ 5.000,00 pagos em duas parcelas... Como foi constrangedor devolver o carro do meu amigo mais tarde, abastecido como ele queria, mas todo amassado como ele, seguramente não desejava, mas, entendeu como ninguém e até me consolou. Como foi triste dar a notícia à minha esposa, grávida da Rebeca, já de seis meses aproximadamente. Superamos juntos, sobrevivemos, prosperamos... Em minhas viagens, que nos três primeiros anos do meu casamento, muitas vezes aconteciam de Domingo a tarde, quando me deslocava ao ponto


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da substituição hospedando-me em um hotel, até o Sábado, também a tarde quando retornava para minha casa, eram dias de sofrimento e saudade, longe de casa, da minha esposa, com quem eu era recém casado. Em compensação, eram dias de realização profissional e de muita aventura, viajando pelos campos, pelas fazendas, através daquelas estradas que serviam as mais diversas regiões do interior do Estado de São Paulo, que progredia a olhos vistos. Quantas cidades pequenas e bonitas, receptivas e acolhedoras, de gente tão hospitaleira e generosa. Usinas Hidrelétricas importantes, gigantescas e imponentes cresciam nos Rios Grandes e Tietês, enquanto eu usufria daquelas imagens tão espetacularmente maravilhosas. Quantas lembranças e quantas histórias! Destes lugares, eu podia trazer para casa, muitos alimentos que me eram ofertados por clientes amigos, que tanto gostavam e confiavam em mim. Quantidades enormes de arroz, feijão, laranja, café do bom, puro, torrado e moído na hora, milho verde, queijos, doces caseiros e até ovos, carnes e peixes frescos. Bebidas nos dias festivos, principalmente nos finais de ano. Muitos clientes me acenavam na estrada, da roça em que lavravam, plantavam e colhiam seus alimentos. Com gestos que eu entendia, sabia que quando eu chegasse em seus pequenos estabelecimentos comerciais, era só levantar ou abrir a porta encostada que em algum lugar eu encontraria o dinheiro ou uma folha de cheque assinada. Era só emitir a Nota Fiscal, deixar


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a mercadoria e levar o pagamento comigo. As vezes havia uma mulher ou uma criança, recomendados a me servirem um café com bolinho de chuva ou com pão quentinho, com manteiga pura, destes feitos em casa. Eu era o “Souza Cruz”, uma personalidade importante! Quando eu passava pela estrada, ou chegava nos lugarejos, quase sempre pontual, até acertavam-se os relógios. Era um barato! Que tempo bom, dentro de um tempo preciso! Na parte difícil do trabalho, nos grandes centros urbanos haviam bêbados nos bares e nas calçadas que eu freqüentava, além de prostitutas, mesmo porque até as zonas de baixo meretrício eu precisava atender. Procurava ser amigo de todos, respeitandoos como seres humanos. Num determinado dia, por exemplo, passei com a Kombi da empresa sobre o pé do “Suelí”, um homossexual, causando-lhe uma luxação e um grande problema para mim, mas, por conta do meu bom relacionamento com aquelas pessoas, fui por ele perdoado e nem se quer ameaçado, pois ele era muito agressivo e perigoso. Ufa! O mesmo não aconteceu quando estávamos saindo da cidade de Mirassolândia, o já falecido motorista Bandeira e eu. Pois ao soltar um rojão em frente a casa do prefeito eleito, de dentro da Kombi novinha que a empresa havia nos dado para trabalhar, o mesmo saiu para baixo, queimando “só”


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os tapetes de borracha sob os nossos pés, não trazendo-nos problemas mais sérios. Porém, ao perceber o que poderia acontecer, meu companheiro abandonou o volante do veículo em movimento, embora que bastante devagar, mas, com a cabine cheia de fumaça e eu com a cabeça cheia de preocupação e desespero. Parada a Kombi, restou-nos seguir viagem, sentindo aquele cheiro horrível de borracha queimada e pólvora. Reparado o pequeno prejuízo causado, agradecí a Deus por não ter nos acontecido o pior. Apesar de “artes” como esta, que considero acidentes de percurso, sempre fui muito dedicado ao que fazia e considero que fui um bom empregado daquela multinacional enquanto lá estive e admirador dela até hoje, pelas razões já narradas neste livro. Como vendedor pude ganhar alguns concursos, desde Circulador de Ar a Placas Homenageativas, além de prêmios em dinheiro. Depois, tornei-me Encarregado, Coordenador e Supervisor, gerenciando sempre projetos, depósitos e unidades, modéstia a parte, com muita competência. O maior de todos os prêmios, porém, foi o da experiência adquirida! É muito gostoso relembrar estas histórias todas, vividas em uma caminhada difícil, que tornouse tão fácil, por ter me trazido tanto prazer...


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MEU FUSCA 58!

Sempre gostei e ainda gosto, admirando quando vejo um, desta linha de carros em que se enfileiravam Fusquinha e Fuscões, 1.200, 1.300, 1.300 L, 1.500 e por aí afora. Tive vários deles, de várias cores, todos muito bonitos. Ora era um bege alabastro, ora era um vermelho ferrari, sempre impecáveis! As rodas de magnésio e os pneus de talas largas, além do som, tinham que ser de primeira. E sempre eram... Em 1978 eu tinha um fusca 1958, velho e ruím que só ele, apesar de ser um “Fusca”, um eterno recordista de vendas da Volkswagem. Aquele era de amargar de feio. Vidrinho oval atrás, quebra vento antifuncional, limpador de parabrisas improvisado com arame e assoalho enferrujado, eram apenas algumas das qualidades do Helibório (meus carros, invariavelmente tinham um nome). Numa repentina ação entre amigos, resolvemos fazer uma rifa dele, com mil números a serem sorteados e pela loteria federal. Qual foi a minha surpresa ao descobrir que 3 dias antes do sorteio, não havia sido vendido “pelos amigos” nem 50 números. Saí correndo e avisando a todos, devolvendo o dinheiro dos poucos que haviam sido pagos, que a rifa estava cancelada. Apenas 3 (três) desconhecidos eu não localizei, mas, “joguei com a sorte”, afinal 997 números estavam na minha mão. Perdí...

Era um domingo bem de manhã, quando um


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destes homens guarda-roupas, semelhante ao grande Sérgio Lorosa, que trabalhava no “matadouro” da cidade bateu palmas no portão da minha casa no “Costa do Sol” e me disse: Vim buscar o fuquinha que eu ganhei no sorteio de ontém... Quase tive um troço quando vi o sujeito, mas, ele também quase teve um pior quando viu o “automóvel” que tinha que levar...

Empurrando, claro!


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ASSIM MORREU MEU FORTE PAI, EM 1982... em abril, num dia útil da semana, tombou um gigante! Hélio Rulli, era um homem valente, bonito da cabeça aos pés e com um coração extraordinário. Com seus olhos azuis esverdeados, quão dois faróis que sempre iluminaram o meu caminho, do alto dos seus 1,90 aproximadamente ele me olhava firme e quando raramente bravo, até porque ele era sempre brincalhão, me chamava pelo nome, o seu mesmo nome, que ousou por em mim. Na maioria das vezes, porém, ele se dirigia a mim, chamando-me de filho ou pelo carinhoso diminutivo Helinho, que sempre me engrandecia e muito me engrandece até hoje! Meu pai morreu na Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto, onde estava hospitalizado já havia dias, constatada como causa da sua morte, arteriosclerose cerebral. Na verdade, eu percebi que logo após o falecimento da minha mãe, em 1974, meu querido pai foi aos poucos se enfraquecendo, embora nunca tenha deixado de lutar e de procurar ser feliz. Nunca mais teve, porém, a mesma saúde. Ele descansou dos últimos dias terminais de sofrimento, deixando uma bandeira de desbravador, seu legado maior, para eu carregar honrosamente, ostentando-a tremulante em minhas mãos e na força do “meu nome”.


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Quando ele se foi, fiquei com a certeza de que era preciso continuar perseverando em busca de grandes conquistas. Honrar com dignidade o “nome do meu pai” não é tarefa para um fraco! Aconteça o que acontecer, eu sempre vou continuar...


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UM SHOW DE CHITÃOZINHO E XORORÓ

Não poderia nunca faltar em meu livro algo que me desse a honra de valorizar a amizade e a admiração que tenho pela maior dupla sertaneja do Brasil. Sou fã incondicional deles, além de nutrir e de ter mantido os laços de carinho e respeito, pela família toda, mas, sobretudo, por Xororó, meu querido Durval de Lima, de quem sou amigo pessoal, pela bondade e generosidade dele em me conceder esta honra. Já não o vejo há algum tempo, no entanto, tenho me suportado na saudade e nas vezes em que o assisto em programas diversos. Por minha iniciativa, fazendo justiça ao que eles representam para a cidade de Campinas, onde até hoje estão, receberam das mãos do DD. Presidente da Câmara Municipal, também meu particular amigo, o sempre querido Romeu Santini, o título nobre de “cidadãos campineiros”, numa sessão honrosa em cujo momento solene e bonito, eu também estive presente e fui homenageado pela bondade e generosidade dos três. Eles são Paranaenses de Astorga e de Rondon, onde inclusive nasceu Durval. A história de vida deles também é triste, embora muito linda e vale a pena ser pesquisada... Durval tem como lembrança, de que embora o dia da morte de seu pai, tenha sido o mais triste, foi para a dupla, a banda e todo seu pessoal, o dia de maior segurança e cui-


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dado, fatos que o fêz sentir que algo não estrava bem. Rosária, Nilva, Ricardo, Tiãozinho, Maurício, Maurí, José (Chitãozinho) e Durval (Xororó), são os 8 irmãos da “família Lima”. Os filhos de dona Arací se casaram e geraram outros muitos filhos, quantos agregados e netos maravilhosos deram àquela mulher tão meiga, humilde e carinhosa. Simples, como eles todos são, aliás. Gilson, Sandra, Adriana, Andréa, Clarice, Noelí, Adenair, genro e noras; Sandy, Júnior, Allison, Aline, Marcieli, são apenas alguns dos nomes dos netos que me vem à mente. Citoos como lindas lembranças dos tempos das muitas festas em que pude participar com eles, no meio deles, indo a muitos shows de Chitãozinho & Xororó, Sandy & Junior e Maurício e Maurí, em São José do Rio Preto, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Campinas e Região Uma honra! Embora a nossa aproximação e amizade tenha começado na época do Hospital Samaritano, em Campinas, conhecí a dupla em São José do Rio Preto, quando ainda eram pequenos. Menores ainda do que são, mas, que já demonstravam o quanto cresceriam, o quanto seriam grandes, conhecidos e respeitados internacionalmente. Eles se hospedavam no Hotel Rio Branco, do seu Osvaldo, bem pertinho do Hotel São José, do meu pai. De tanto ir para aquelas bandas, em suas muitas apresentações, Xororó casou-se com a riopretense Noelí, filha de


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Mariazinha e de Zé do Rancho, um dos melhores, se não o melhor violeiro do Brasil. Além de tantas canções que eu gosto muito, destaco “Fio de Cabelo”, “Fogão de Lenha” e “Rancho Fundo”, porém, uma das que mais me tocam é “Fotografia”. “Galopeira”, por exemplo, interpretada por Xororó, cujo tom poucos alcançam, mas, que ninguém consegue imitar, sempre me emociona, não só pelo que conheço dele e me traz muitas emoções das vezes que estivemos juntos conversando, trocando informações e idéias. Numa ocasião, convidei uma amiga para irmos a um show no carro de um amigo e ela quase teve um ataque quando descobriu que o “amigo” e nosso motorista era o querido Durval de Lima, que nos conduziu até o seu camarim e ao próprio palco, em Jaguariúna, de onde assistimos sua belíssima apresentação, com o irmão José. Kátia, até hoje deve ter esta história como uma recordação marcante em sua vida. Anos atrás, ainda em São José do Rio Preto, logo após terem “estourado” com “Fio de Cabelo”, Moizéth, eu e a Ana Lúcia, minha querida sobrinha, fomos ao Ginásio lotado do Palestra Esporte Clube e ao sairmos fomos a uma lanchonete, “comemorarmos o show”. Lá chegando, ao levantar uma mesa metálica para melhor nos acomodarmos, havia no interior dos pés da mesa, muita água enferrujada, que claro, caiu sobre mim, me lambuzando


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da cabeça aos pÊs, encerrando assim aquela inusitada noite, com um leve toque de mais uma das minhas muitas trapalhadas, que sempre engraçadas, terminavam com muito riso.


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FALTAVA UMA LÂMPADA

Logo após eu me mudar para Campinas, em 1987, fui convidado a voltar a São José do Rio Preto, mais precisamente em Fronteira, às margens do Rio Grande, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, para fazer palestras e também ajudar na realização de um Encontro de Casais. Um local maravilhoso, numa casa assobradada que era cercada por um lindo gramado, cuja extensão ia até a beira d’água. Osní e Mercedes, os hospedeiros, ouviam de mim histórias em que “eu me classificava” como um azarado. É claro, que corretamente, eles me chamavam a atenção e diziam quanta sorte eu tinha de ser o que era (o que sou). Após minha palestra, num sábado a noite, resolvemos todos brincar, relembrando antigas cantigas de roda. Que alegria! Apesar de ser uma noite de verão, em que nós todos estávamos de bermuda, camiseta e chinelo, o sereno caia de mansinho, tornando a relva refrescante, com aquele cheirinho suave e gostoso de grama molhada. Muito bom estar descalço como eu e alguns amigos, literalmente de “pés no chão”! Que bonito efeito causava, aqueles gestos de palmas e danças, coordenados por mim, claro. Para iluminar todo o terreno, Osní havia colocado um enorme pendente (em alguns lugares chamado de gambiarra) com centenas de lâmpadas. Mais de ses-


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senta pessoas explodiram de rir, quando num bater de palmas e de levantar as mãos, dois dos meus dedos encaixaram-se como uma luva, num bocal, onde “faltava uma lâmpada”. Fiquei lá grudado levando choque por alguns instantes, antes de ser jogado ao chão, enquanto alguns “amigos”, como o Flores, não sabiam o que fazer, mas, choravam de tanto rir... Moizéth, minha esposa, rapidamente se dirigiu ao Osní e à Mercedes dizendo: “Falem agora que ele que não é azarado, que ele tem muita sorte...” Como é engraçado hoje, lembrar da tragédia daquele dia!


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A CHÁCARA

Ela ficava em Campinas, próximo ao Jardim Brasil, Helvétia, um maravilhoso bairro de suíços, no qual participávamos de suas festas anuais. Sua localização é praticamente na divisa com Indaiatuba. Compramos o terreno de aproximadamente 5.000 m2. e alí fizemos a nossa casa, plantamos árvores frutíferas, das quais pudemos saborear muitos dos seus frutos. O grande barato é que além de poder gramá-la todinha com as nossas próprias mãos e arborizá-la, cultivamos um bosque e criamos galinhas, patos e até porcos. Tínhamos lindos chinchilas e muitos cachorros. Só numa ocasião chegamos a ter 19, sendo vira-latas, poodles, pastores, um dog alemão, o inesquecível “Pluto” e cheepdog’s (Priscila da TV Colosso). Tive vários cachorros amigos e praticamente nenhum amigo cachorro. Viver alí naquele lugar durante 6 anos foi um presente de Deus! Um show! Invariavelmente aos sábados, saíamos, eu e Moizéth, para uma caminhada de quase 10 quilômetros, passando por estradinhas de terra, pesqueiro, pés de jabuticabas, floradas de eucaliptos, fazendas e riozinhos. Quando chegávamos, após uma boa chuveirada, havia um bom almoço, partidas de sinuca e descanso em alguma de nossas muitas redes espelhadas pela nossa varanda, onde


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havia também uma bela churrasqueira, que era usada constantemente. Anualmente, enquanto lá moramos, realizávamos um Junho, a “Festa do Brejo Alegre”, tradicional no calendário de muitos amigos, numa demonstração do quanto éramos felizes alí naquele nosso lugar. Só nos mudamos de lá em 1999, após termos sido assaltados pelas mãos armadas de uma quadrilha de bandidos covardes, que levou praticamente “tudo” o que tínhamos. Carros, eletrodomésticos diversos, roupas, brinquedos, comida etc... Não levou, porém, o que ainda temos de mais rico e precioso, que é a nossa vida, a nossa mente e a nossa capacidade de raciocinar e construir tudo de novo, o que sempre conseguimos, nos superando, pela graça, pela bondade e pela misericórdia de Deus, constantes!


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SAMARITANO Quando fui gentilmente levado pelas mãos do Dr. Heitor Rebecca para ser o Assessor e logo depois, o Diretor Executivo da SEBEC, a Sociedade Evangélica Beneficente de Campinas, eu não poderia esperar, mas, obtive o reconhecimento do próprio corpo clínico do Hospital, me levando ao ser o Diretor Administrativo do Hospital Samaritano. Mas, enfim, ao me reconhecerem, deixaram-me extremamente honrado e agradecido, transformando-me no ”elio” de ligação entre ambas as diretorias, na difícil tarefa de ser o mordomo, administrando o que não era meu, como se meu fosse. Importante função, que ostentei com a humildade de ser o primeiro a servir e a cuidar das tarefas menos importantes, do que as que faziam os aproximadamente 400 funcionários e centenas de médicos, além dos “efetivos”, que de alguma forma “freqüentavam” o hospital. Para isto, montei uma boa equipe, sem ter se quer admitido alguém que fosse da minha confiança, acreditando que a administração que sucedi fazia um bom trabalho. Acabei me dando muito bem, porque o competente Administrador Hospitalar, o Gerente Wilson Costa, as Enfermeiras Mônica, Elenice, Beatriz, Lidiana, Ana Maria, Isabel, Izaura, Vera Sandy, além dos igualmente grandes profissionais de outras áreas como Maria do Carmo, Itailson, Nelson


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Franco, Regina, Mara, Carlos, Rev. Altamiro, Cidinha, Thelma, Dra. Elza, Fátima, Janete, Angelo e Rubens; além dos Drs. Lísias Castilho, Helena e Afonso Celso, como Diretores Técnico e Clínicos, continuaram a fazer o que sempre fizeram, um trabalho de alto nível, que sempre levou o nome do Hospital Evangélico Samaritano de Campinas, a patamares mais altos. Entre outros tantos, elejo os Drs. César Augusto Amin Sanged e Ciro Lucena, como seres humanos e profissionais notáveis. Pelo Hospital estive nos Estados Unidos com o Dr. Sigurd Braun Weilbach, Arnaldo Silva e Selma – (o filho e a nora de Ozires Silva, Ministro de Estado, Presidente da EMBRAER e cuja apresentação, pela grandiosidade do seu nome, é, no momento, dispensada) – visitando um dos maiores construtores de hospitais ao redor do mundo, Dr. David Garrit, em Kay Biscayne, na Flórida, onde fui, recebido por ele mesmo, em sua majestosa cobertura. Garrit, patrocinou e empresariou com muito sucesso, nada mais, nada menos, do que Evander Holyfield e Mike Tyson. Importando informações para o Samaritano, estive em alguns dos melhores hospitais dos EUA, entre eles o Bocca Ratoon, o hospital do campo e o Jackson Memorial, em Miami, um hospital para politraumatizados. Não consegui “trazer” uma ressonância magnética e nem patrocínio como gostaria, mas, o que eu trouxe ressoou pelos corredores do


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nosso hospital, melhorando ainda mais a sua boa imagem de limpeza, higiene e organização. Pudemos ouvir isto quando recebemos a ilustre visita do próprio David Garrit, meses depois. Derrubamos os nossos muros, expandimos os nossos jardins e passamos para níveis ainda melhores de conceito junto a comunidade de Campinas e da própria UNIMED, nossa maior “cliente”. Embora tenhamos lançado em 1998 o “Projeto 2010” para a construção de um novo e necessário hospital, não conseguimos, porém, realizá-lo, mesmo porque uma instituição hospitalar deve ser muito maior do que o prédio que a abriga! Acometido de um edema cerebral, pude ser atendido pelo próprio corpo clínico, através dos Drs. Luciano e Ciro Lucena, aos quais sou bastante agradecido, pelo cuidado e competência de ambos, na oportunidade desnecessária em que experimentei também as boas acomodações daquele que esteve entre os 3 primeiros no ranking dos 32 hospitais existentes em Campinas, em 1998.


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GRAFISMO Nossa empresa nasceu sob o talento de Moizéth, como fotógrafa e vídeomacker e inicialmente chamava-se “Grafismo Foto e Vídeo”. Quantos casamentos, aniversários e formaturas ela realizou, tendo como companheira e sócia, a igualmente super talentosa e determinada Wanderlene de Paula, a “Wal”, tão querida e tão especial! Moizéth, já em “carreira solo”, mas, com o apoio irrestrito da Wal, criou seu belo espaço em Campinas, inaugurando um bom estúdio com os mais requintados e necessários equipamentos, segregados em áreas de fino acabamento e decoração, que incluíam queda d’água no espaço externo do pequeno shopping empresarial, até o fundo infinito para as imagens, internamente, em uma das salas. Para a inauguração, presença de algumas autoridades e de amigos, todos os mais íntimos, os mais chegados, os mais queridos, Moizéth ofereceu um cocktail naquele encanto de lugar, cujas atividades só foram interrompidas com a nossa transferência para o Rio de Janeiro. Já no Rio, “contratado” como Diretor de Marketing, nos utilizamos da Grafismo Campinas Comercial e Empreendimentos Ltda. e partimos para a formação e preparação da Equipe de Vendas do “Memorial da Cidade do Rio de Janeiro”.


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MEMORIAL Chegando ao Rio de Janeiro, trazido que fui pelo Dr. Heitor Rebecca, sendo recomendado ao Dr. José Orlando Gândara também pelo próprio Xororó, assumí o desafio de “vender” o memorial, sobretudo, às igrejas evangélicas. O então “projeto” de um cemitério vertical, denominado “Memorial da Cidade do Rio de Janeiro”, que tinha como “sócios”, além de Heitor e José Orlando, também Leon Danan e Fernando. Embora não tenhamos obtido o sucesso esperado na época, por razões diversas, sabemos que hoje, a construção, enfim, está acontecendo e vai de vento em popa. Estou certo de que consequentemente as vendas serão coroadas de êxito! Em nossas andanças por todos os lados da região fluminense, visitando muito mais de duas mil igrejas tradicionais conservadoras ou não, pentecostais e neo pentecostais, nos deparamos com a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, na Barra da Tijuca. Já havia conhecido numa reunião de ministros e pastores, a na OMEP, o Bispo Francisco de Almeida, então presidente da Sara Nossa Terra no Rio de Janeiro. Servo de Deus! Que homem espetacular continua sendo ele, até hoje, pois ainda desfruto da sua amizade e carinho, embora não faça


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mais parte do seu rol de membros. Muito ajudou a mim e a minha famĂ­lia.

Sou-lhe muito grato!


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SARA NOSSA TERRA

Por esta amada igreja, eu tenho a maior admiração, respeito e sobretudo, gratidão! É bastante provável que eu tenha sido levado a atender um chamado que não tivesse (?), mas, ainda assim, pelo crescimento obtido e por quão grande continua sendo a seara de campos verdejantes, floridos e com frutos a serem colhidos, eu “atendí”, sendo elevado à função honrosa de Pastor, consagrado em Brasília, desempenhando, enquanto pude, a responsabilidade de conduzir pessoas. Não pude, porém, continuar meu ministério e somente Deus sabe porque... A Ele, toda honra, glória, louvor e “prestação de contas”! Não posso, de forma alguma, deixar de citar algumas pessoas tão importantes na minha vida, sendo ajudadores, discipuladores e acima de tudo, amigos e irmãos de verdade! Sempre que nomes são citados, corre-se o risco de nomes serem esquecidos. Registro, antecipadamente, meus pedidos de desculpas se tamanha injustiça for cometida! Além do querido Bispo Francisco e sua esposa, a Bispa Ana Maria Almeida, há o maravilhoso Pastor Erlie Lenz César Filho, que sempre me incentivou a escrever e sua querida esposa, a Pastora Cláudia Elisa, que serão sempre meus pastores, tamanha a gratidão, o respeito e o carinho que sinto


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por eles. Quanta paciência sempre tiveram comigo. Quanta bondade e generosidade existem naqueles dois corações. Do pai dele, o Dr. Erlie Lenz César, um homem extraordinário, o grande testemunho de sua fé e dos milagres de Deus em sua vida, escritos em seu livro “O que Deus fêz por mim, pode fazer por você”. Eu os amo profundamente! Também o Pastor Wellington, o Pastor Francisco Ivan, a Pastora Maria Marques, com quem, inclusive, trabalhei profissionalmente na própria igreja, com os igualmente queridos Hélio, meu xará Helinho e Elielma. Quanto amor e quanta gratidão tenho no meu coração. Preciso destacar meus queridos Luiz Cabral e Helena, Luiz Lenz e Tina, Marcelo Schettini, que figura marcante e inesquecível; Roberto Moysés, que me acolheu e me ajudou com sua mão amiga. Marco Antonio e Marcela, o que chegaram a fazer por nós! Que cena inesquecível aquela do carrinho lotado de compras à nossa porta. Que amigos queridos! Pacífico e Marilene, que me suportam em amor e com amizade sincera até hoje. Eu também os amo profundamente! Quantos outros amigos tão especiais, tão grandes e que sempre me incentivaram. Neusí e Pantera, donos da Ignis Cosméticos e da Plastibelo, onde trabalhei como Gerente Administrativo. Além da gratidão por terem me amparado e me empregado, fica o registro contínuo da minha torcida para que eles prosperem cada vez mais, ob-


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tendo o sucesso que merecem ter! Márcia Zucco, Samuel e Marisa, Marcos e Joyce, Carlos e Marlene, Antonio e Nice, Paulo e Tereza, Valentin e Lenita, Fábio Andrey e Carla, Alcides e Rachel, Carlos e Érika, Elisabeth e Rudy, “Bibi” e Waguinho, Carlos Rios, Luz Mary e Paula, Nely, Jorge e Silvia, Odir e Rosana, Joseph e Sônia... de quantos não estou me lembrando agora, todos tão queridos! Uns me impulsionaram, outros me puxaram para cima, para o alto; todos, porém, caminharam comigo e com a minha família, durante os 5 anos em que estive sob a cobertura espiritual desta amada igreja, cujas lembranças são vivas e estarão comigo para sempre!

Obrigado Sara Nossa Terra!


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EUROPA Se todas as experiências que eu vivi, conto neste livro, imaginem se não iria contar sobre o prazer indescritível que senti, quando viajei pela Europa? Foi entre Março e Abril de 2004. Um “esculacho” de bom! Estava em companhia de Neusí Pantera e Alexandre Gomes, em nome da Ignis Cosméticos, até porque a viagem foi patrocinada pela HSA, uma das maiores fabricantes de tinturas para cabelos que existem no mundo, cujo presidente Sr. Zanzi e um de seus Diretores no Brasil, Sr. Conrado, nos receberam e cuidaram de nós, pessoalmente. Gratidão! Muita gratidão a eles e a IGNIS! Passamos rapidamente por MADRI, onde o avião fêz escala, alí nos deixando por algumas horas, tanto na ida, quanto na volta. Havia um clima de terror, atenção e alerta, ou seja, a polícia espanhola estava mesmo em estado de choque, em razão de ter sido na semana do atentado em que vitimou muitas pessoas numa estação ferroviária. Como sempre acontece, havia um temor por novos ataques. Quanto a nós, estávamos tranqüilos, em estado de graça! Seguimos para a Itália e fomos hospedados confortavelmente, em VARESE, onde também está


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instalada a HSA. A melhor pizza, os melhores pratos, suculentos e fartos que saboreei, seguramente, foram nesta minha viagem à Itália. Quanto a pizzas, muito mais pela tradição e pelo lugar, porque as do Brás, em São Paulo, são imbatíveis! Após alguns dias de permanência em Varese, viajamos para BOLOGNA, onde cumpriríamos o nosso objetivo principal, que foi o de visitar a COSMOPROF, “a maior feira de cosméticos do mundo”! Nas noites em que lá permanecemos, jantávamos, nos alegrávamos com verdadeiros banquetes de pratos diversos, servidos na própria hospedaria, pela família que era proprietária do Hotel, onde também pernoitávamos em ÍMOLA. De recordação triste, avistávamos dalí mesmo, a “curva tamburello” onde Ayrton Senna se vitimou fatalmente, tendo sua vida ceifada em 01/05/1994, numa irreparável perda para o mundo. Logo ele, que vinha dirigindo à perfeição e literalmente, com perfeição! Deixou para o mundo o legado da garra e da determinação, mas, sobretudo, o da honestidade. “Ah, se Senna não corre mais no domingo, não há mais domingo”, como diria uma música italiana... Deus, porém, sabe de todas as coisas e também porque o chamou correndo para Ele!

De volta em VARESE, mais visitas à linda


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e bem instalada fábrica da HSA, ao comércio local de cosméticos, conhecendo o mercado, as tendências e as pessoas, seus hábitos e costumes. As casas noturnas fecham cedo, sobretudo, os bares e os restaurantes. Mesmo durante o dia, há poucas crianças e jovens “nas ruas”, pelo menos, pois foi o que percebí. Sua população “mais amadurecida”, no entanto, lê muito, notadamente nas ruas, nos pontos de embarques e falam muito (alto). A cultura italiana também é rica em sua tradição culinária, musicalidade e romantismo!

São felizes!

Com objetivos parecidos de estudo sobre o mercado, fomos à MILÃO, onde desembarcamos na praça DUOMO. Da turísticamente procurada igreja central, às lindas, luxuosas e decoradas lojas, com suas vitrines atraentes. Se a moda estava em alta, o euro também, mas, tudo muito bonito de se ver e de se aprender, de se guardar na memória para não esquecer jamais! Naturalmente que não poderíamos deixar de ir à SUÍÇA, comer, saboreando o seu famoso chocolate. Assim fizemos, indo à LUGANO. Sentados em uma aconchegante e aquecida chocolateria, pois estava muito mais frio naquele dia, do que nos demais, bebemos um chocolate quente, de calda grossa e saborosa, observando o lago quase congelado e bem ao fundo, os alpes, “os alpes suiços”, sua cordil-


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heira, a neve... Dá para esquecer? Não. Claro que não! Me lembro de tudo, mas, sobretudo, da “minha” Itália querida, a terra dos meus ancestrais!


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RECOMEÇO... foram tantos e em tantos momentos os meus recomeços, que reflito sobre porque necessariamente eles tem acontecido. Como diz a letra da igualmente bonita canção do meu genro Timóteo, “começar de novo, aprender a viver...” De fato, recomeçar é tentar viver a vida melhor. Aliás, para me confortar, vejo que as pessoas quase sempre são assim, instáveis... ou pouco estáveis. Quanto a mim, sobre os 2 (dois) assuntos que aqui quero discorrer, me considero bastante estável! Getúlio Vargas, um de nossos presidentes da república, em pleno exercício de seu mandato e função, antes de suicidar-se escreveu: “Saio da vida e entro para a história...” Lamentável fim, triste e impossível “recomeço”! Lá atrás, em Outubro de 1998, com um super beijo, a Ana Maria, esposa do Wilson Costa, bons e queridos amigos, pode me dedicar algumas frases da poesia de Renato Russo, que eu aproprio agora a este meu capítulo. Escreveu-me ela: – “Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra


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e vê que o destino é um só. Para que esperar, se podemos começar tudo de novo, agora mesmo? O sol nasce para todos, só não sabe quem não quer...” Como eu havia saído da IPIB, minha amada Igreja Presbiteriana Independente, após 28 anos, para ingressar na Sara Terra, onde permanecí 6 e de onde “precisei” sair; também saí da IGNIS, onde trabalhava, após 5, mas, para escrever uma outra história. Estes, de fato, foram 2 recomeços até então não resolvidos, ou ainda indefinidos, melhor me expressando. Conhecí uma pessoa extraordinária e quem me dera poder usufruir da sua amizade até hoje, pois, com certeza sempre me foi um bom amigo e companheiro. Seu nome, Acir Joaquim da Costa, pai do meu querido genro. Eu o conhecí pouco antes do casamento de Rebeca com o Acir Filho e logo senti por ele, o “amor a primeira vista”! No início de 2005 fui dar uma volta de carro com Moizéth, até São José do Rio Preto, passando por São Paulo, Campinas e também em Penedo, no retorno ao Rio de Janeiro. Estávamos em Campinas, à procura de um trabalho, quando recebi uma ligação do amado Acir, me pedindo que em minha volta ao Rio, o procurasse. Feito isto, dias depois, comecei a trabalhar no Acir Leiloeiro, de onde,


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após 3 meses apenas, fui transferido para o Projeto Ande Legal, da BEST, indicado pelo meu próprio genro, aprovado pelo Dr. Honório e “liberado” pelo Acir, que aliás eram todos os três, parceiros no Projeto, na época. Como me ajudaram os três, sobretudo, o Acir Pai, que de consongro um do outro, fêz com que nos tornássemos amigos em todas as horas. Estivemos juntos em momentos muito especiais, todos eles memoráveis e sempre proporcionados por ele e pela sempre cuidadosa e querida Soraya. O desafio do Projeto Ande Legal, que na verdade tornou-se um Programa da BEST e do DETRAN, foi e continua sendo muito grande. Fácil de ser implantado, uma vêz apresentado como uma solução às inadimplências de recolhimento de tributos, uma fonte segura de arrecadação aos cofres públicos. Difícil, porém, de mantê-lo, por razões diversas, mas, praticamente impossível de se encerrar a bom termo, dada a complexidade de assuntos pendentes, principalmente no “Encontro de Contas” do DETRAN com a BEST. Estou lá, até hoje com o Dr. Honório, em meio a todo o emaranhado de dificuldades, embora o contrato de apreensão (remoção) e guarda dos veículos por parte da BEST, encerrou-se já há quase 2 anos. O Projeto idealizado por Acir Filho que veio a tornar-se o Programa Ande Legal, realizou um belo trabalho naquilo que se propôs e pessoas como Vítor Roxo, Washington,


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Sidney Leão, Márcio, William, Heraldo, Alexandre Cadengo, Cláudio, Fabiano, Eduardo Mafra, Rogério Gomes, Roselí, Maíra, os principais líderes, em nome dos quais homenageio a todos os demais, por eles comandados. Tenho no Dr. Honório Pereira de Carvalho, um bom amigo, um forte aliado contra os embates da vida. Admiro o seu espírito de luta, sua força, garra e determinação, mas, acima de tudo a paz e a tranquilidade que tem e que transmite. É um guerreiro em busca de soluções e de entendimentos. É certo de que venceremos! De todas as pessoas queridas que estiveram conosco no chamado “processo de finalização”, preciso destacar algumas bastante especiais, entre elas, Alex, Paulo César, Ivana, Ana Paula e Marco Antonio, além de uma, em especial, que tem estado conosco até hoje, apesar de todas as dificuldades passadas. Trata-se da querida Fabiana Nascimento – “até o fim!”, é a minha simples homenagem. Muito Obrigado! Estou trabalhando com meus genros Acir Filho e Timóteo, na RC Leilões, como um de seus gerentes e com a responsabilidade de fazer com que o Operacional aconteça, dentro de um novo e criativo modelo de prestação de serviços, implantado por eles, sob suas lideranças e pela espetacular equipe que montaram, onde eu sou das peças, quem


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sabe a menor, mas, igualmente importante e muito feliz pelo que faz! Da Sara Nossa Terra, que tão bem me acolheu e cuidou de mim e onde servia como Pastor e junto a Rede de Casais, liderado pelos Pastores Erlie Lenz César Filho e Cláudia Elisa, também saí e fui atuar em outro campo ministerial, que eu mesmo e o Acir Pai criamos, a “Comunidade Cristã MAANAIM”, que foi fundada para cumprir propósitos e realizar sonhos, principalmente os do meu querido Acir, que pelas suas sempre boas intenções e atitudes, considero um homem do coração de Deus! Há o sítio Maanaim e havia também no coração de dona Aída e seu Ataíde, seus pais, o desejo de fazer sempre mais pelo Evangelho de Cristo. Exemplos de servos e de vida, sempre foram eles! Ao fundar a Maanaim, nós os homenageamos em vida, realizando batismos, encontros, reuniões, eventos e celebrações a serviço do Reino daquEle que nos chamou. A igreja não prosperou por razões diversas e alheias a minha vontade, mas, como Deus é O Senhor de todo o propósito, a Ele sempre me submetí de forma a que exercesse o controle e pudesse determinar sempre novos rumos à minha vida. A todos aqueles que estiveram conosco nesta peleja, a nossa eterna gratidão!


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RC LEILÕES Esta empresa chama-se Rulli Costa e é promotora de leilões. De pequenos e de grandes leilões. De leilões presenciais como muitas outras empresas, mas, de leilões pela internet, como poucas. Você pode conferir, acessando o site www.rcleiloes.com. br Embora ela tenha também o meu sobrenome, pertence ao meu genro Acir Costa Filho, que associou o nome de sua esposa Rebeca ao seu e fundou a empresa já há quase 5 anos. Timóteo Gomes, meu outro genro é hoje sócio do Acir. Além desta, há algumas outras razões pelas quais eu me apaixonei pela RC, mas, a principal delas é a sua proposta desafiadora de crescer sustentada por princípios morais e éticos. Se ter princípios já credita a empresa como um bom lugar para se trabalhar, a capacidade administrativa e a competência de uma equipe de jovens profissionais tem feito uma grande diferença na RC, que vem conquistando cada vêz mais, espaço no mercado. Há um notável crescimento da empresa e ela vai crescer ainda muito mais. Eu estou nela e nela pretendo permanecer até quando me for permitido!


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TCHUPPI... Um dos chavões que tenho é usar esta “palavra” que eu mesmo criei, denominada “tchuppi” para facilitar o meu entendimento sobre algum assunto, no envio de um email, para encerrar alguma conversa ou mesmo para demonstrar a agilidade com a qual farei esta ou aquela tarefa...

É mesmo coisa de maluco. É “tchuppi”!

Tenho alguns grandes e queridos amigos lá no trabalho, muito mais malucos do que eu, que criaram o “rap do tchuppi” e jogaram na internet, no youtube. É um sucesso para quem me conhece e conhece a história! Ocorre que apenas a imagem que aparece no vídeo é minha, pois quem canta é um gozador que me imita com tanta perfeição, que até a mim, me engana, as vezes. Como eles foram e são muito carinhosos comigo, fazendo esta e outras homenagens, como a criação do São Helinho, que também foi divulgada (miseráveis!) na internet e em vários momentos, como na abertura da reunião semestral da RC Leilões, em Abril de 2010, minha participação jocosa nos seus intervalos etc..., desejo aqui citá-los como exemplos de amigos, filhos queridos e considerados que são por mim. Eu os amo e os respeito como os seres humanos e profissionais maravilhosos que são!


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Derivaldo Ferraz, um palhaço muito querido, meu consolo é de que ele, como eu tenho dito, é muito mais feio que eu. Sinceramente, como artista na arte de imitar pessoas, ele tem muitos personagens e é uma das pessoas que me são muito caras. Um dia ele ainda aparece num destes programas de televisão, fazendo muito sucesso e se consagrando definitivamente! Arthur Amiune. Que garoto maravilhoso! Inteligente, sábio, gênio, chegando a ser até meio “nerd”, no bom sentido da coisa se é que assim pode ser dito. Um profissional da tecnologia da informação, da criação, do design, da arte... Sua última peça, dirigida à perfeição, por ele mesmo, foi uma verdadeira obra prima sobre o nascimento de Cristo, contado por quem sempre esteve lá, uma estrela; foi um sucesso! Assisti 2 vezes e queria ter visto mais “Escrito nas Estrelas”, pois além dos bons personagens criados, interpretados por gente do ramo, do musical, do cenário e do figurino, todos encantadores, seu diretor me fêz a gentileza de durante o espetáculo, em alto e bom som, criar um momento especial em que os atores bradaram um “tchuppi”, entendí que homenageando a minha presença no auditório. O Arthur para mim é um exemplo de formação, educação e cultura. Vai levantar voô a qualquer momento, já está taxiando na pista. Danilo Matioli, provavelmente é aquele que está mais próximo de mim no trabalho e conse-


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quentemente no dia a dia. Um amigo querido e de muita qualidade! Considero-o doutorado nas atividades que desenvolve, além da sua formação em psicologia clínica e em técnicas de análise e desenvolvimento de soluções aos problemas, fazendo-o sempre com muita dedicação, carinho e competência. Um homem formado, bonito, mas, um menino de coração, quase um garoto de calças curtas. Sua esposa Daniela deve ter dele, um santo orgulho, pelo tanto que ele a ama e cuida dela! Bruno Cruz. Amo este cara, porque o admiro muito! Tem inteligência rara, por ser amante da música, da arte, da cultura e da natureza. Pesquisador incansável na busca de soluções de problemas. Este sim, usa “calças curtas” até hoje. Um maluco beleza, que se vê logo ter sido bastante transformado pela presença de Deus em sua vida. Vai mudar muito mais, porque vem crescendo em todos os sentidos. Quem viver, verá! Além destes meus quatro homenageados, há os seus seguidores. Uns ajudam, outros incentivam e outros só aplaudem e rí, na maioria das vezes de mim, é claro, mas, eu os amo tanto que sempre acabo entrando na pilha, até porque tudo que fazem é pelo amor e respeito que nutrem por mim. Portanto; Luíza Araújo, Guilherme Siqueira, Ismael Felipe, Dan, Rafael Melo, Lucas, Rafael Meirelles, Flávio, Grazielle, Flávia, Michelle, Már-


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cia, Cláudia Cândido, Ana Lúcia, Felippe, Décio Jr., Gilvan, Betinho, Peterson, Marcos Paulo, Ivanilson, Jardel, Luiz Paulo, Deivson, Marco Aurélio, Iran, Juliana, Alice, Fabiana, Sandro, Alexandre e tantos outros que deveriam ser citados, saibam que voces são pessoas maravilhosas, companheiros espetaculares, que estão fazendo a minha vida valer cada vêz mais a pena! Preciso dedicar a vocês um pensamento máximo que existe, que diz: “Trabalhem como se tudo dependesse de voces e orem como se tudo só dependesse de Deus, mas, sejam sérios e façam o melhor possível, como se fosse hoje o último dia, a última oportunidade que voces todos terão na vida!” Vamos brincar e vamos brindar, mas, sejamos todos muito sérios na arte de trabalhar e vamos todos para o céu, que é o que importa!

Muito Obrigado!

Tchuppi...


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LEMBRANÇAS! Não há palavras ou mensagens que possam expressar a saudade das minhas doces lembranças. Eu sempre as sentirei e posso encontrá-las a qualquer momento, em algum lugar do passado.

Esquecer é deixar de viver!

Ao ler Fernão Capelo Gaivota e outros de autores do gênero, descobrí que se longe é um lugar que não existe, é porque estaremos sempre juntos quando desejarmos...

(eta!, diria eu, de forma contemplativa!)

Não há nenhuma razão, nenhum motivo que justifique apagar os doces momentos... Lugares, distâncias e pessoas, podem se aproximar na velocidade do tempo que une o presente ao passado. O futuro a Deus pertence, mas, se assim desejarmos estaremos lá. Palavras o vento sopra, desfaz e leva, inclusive estas que aqui foram escritas, mas, sentimento fica gravado no coração. Mas, a bem da verdade, liderado por Edilson Botelho, integrei em Campinas um seleto grupo denominado “Homens de Palavra...” Embora como eu tenho dito que tudo passa e portanto, tudo muda, o tempo não leva, não apaga!


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Esquecer é deixar de viver!

Como meu bem de valor maior, carregarei para sempre no peito as experiências vividas, porque foram transformadas em grandes recordações e saudade...


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O DIFÍCIL CAMINHO DE VOLTA...

já destaquei em alguns trechos passados que o reinício de tudo, o recomeçar de novo, ou um benvindo de volta, como diz Pedro Bial, é sempre mais difícil. Me vejo, em muitos momentos à margem da estrada da vida ou ainda “sentado a beira de um caminho”, o que não posso e não devo fazer, pois caminhar e ir à luta é bastante necessário. Mas, ainda assim, nesta linha, estou tentando transmitir como é complicado reconquistar o que já foi conquistado um dia. Seria necessário citar muitas áreas da minha vida, para avaliar em que estágio estou em cada uma delas. Há sonhos por serem realizados, há paixões mal resolvidas, há muitos projetos que não saíram ou nem foram para o papel, assim como há projetos inacabados... Estejam certos de que eles todos serão concluídos, um dia! Já ouvi alguém dizer que “abandonei a Deus”, o que não é verdade, até pela impossibilidade de se conseguir um feito desastroso como este. Como se isto fosse possível e fácil assim, como numa relação qualquer, em que um abandona o outro...

Deus, no entanto, jamais me abandonaria!


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Pode ser até que eu tenha me cansado de tantos compromissos assumidos com igrejas, dos problemas burocráticos, das discussões evasivas, dos desentendimentos por causa da causa, quando todos devem estar unidos em torno dela. Também me cansei de tantos cargos, quando o que mais quero é o da posse da minha salvação. Na minha Igreja Presbiteriana Independente do Brasil eu aprendí (ou não), que uma vêz salvo, salvo para sempre; na igualmente querida Sara Nossa Terra, aprendi (ou não) que é preciso fazer a manutenção da fé, renovando cada vez mais o “meu” espírito e me consagrando a todo instante. Verdadeiramente, estou de fato, convertido no Evangelho de Cristo e convencido de que precisamos todos estar em comunhão no Espírito, trabalhando pela obra, evangelizando e dando testemunho da nova vida que temos vivido nEle, por Ele e para Ele. Esta é, quem sabe, a única razão para eu estar ligado a uma igreja, na congregação dos santos, em plena comunhão, me alimentando da Palavra e no exercício da fé! O fato é que avaliando de onde eu parti, muito progredi, fui longe, mas quero ir mais além e irei, com certeza! Com este livro, que daqui a pouco você estará fechando para reabrir um dia, ou para nunca mais ler, eu quero reafirmar o meu propósito de voltar


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ao começo, renascendo, no difícil caminho de volta, disto você pode ter certeza, pois “a esperança morre um minuto depois de nós...” (Sobral Pinto), conforme me disse o Dr. José Carlos Correa Portugal, meu dentista e querido amigo.


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POR ONDE ANDEI, VIVENDO A VIDA

A vida era muito difícil e meus pais tentavam acertar, mas, nos mudávamos muito, não parávamos em lugar algum. Para registro e melhor entendimento, dedico o encerramento deste livro a uma cronologia de por onde andaram os meus pés, onde foram dados os meus passos todos desde que vim ao mundo e até hoje... 1955 – Em São José do Rio Preto, onde nasci em 21 de Novembro, em uma casa próxima ao Palestra Esporte Clube, na Rua General Glicério, embora meu pai tivesse arrendado o Hotel Aparecida, na Rua Voluntários de São Paulo, ao lado do Bar e Restaurante “A Paulicéia”, próximo a Estação Ferroviária e da grande escadaria da Estação Rodoviária, que na verdade, na época, eram apenas os “pontos de ônibus” das diversas linhas intermunicipais e interestaduais, que haviam, juntamente com muitas barraquinhas de frutas frescas; 1958 – Em Taquaritinga, numa área rural, onde meu pai trabalhava como capataz de uma turma de madeireiros, encarregados de derrubar uma floresta e limpar a área para uma empresa estrangeira. Hoje, aquela propriedade as margens da Rodovia Washington Luiz, chama-se “Cambuhy”;


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1959 – Em Bauru, mais precisamente em um sítio muito mal-cheiroso, entre Bauru e Piratininga. Só então fui registrado, no cartório de registro de nascimentos, em Piratininga, até por conta da necessidade que tive de um atendimento médico, uma vêz que ao passar sobre um terreno com cinzas macias, que aparentemente estavam frias, cobriam, na verdade, brasas vivas, escondendo-os como uma armadilha, queimando gravemente os meus dois pés. Do incidente bastante dolorido tenho uma pequena e charmosa marquinha vermelha na sola do pé direito, parecida com um pequeno pezinho, simbolizando uma tragédia, mas, viajando comigo pelo tempo, como a me lembrar do importante significado e da responsabilidade que tenho de cuidar dos meus pés, para melhor caminhar com eles nos meus passos constantes... Foi lá também, neste mesmo sítio, neste ano de 59, que nasceu meu irmão Luís Antônio; 1960 e 1961 – Rancharia, Avanhadava, Rancharia, Avanhadava – ui, ui, ui!...; 1962 – Em Araçatuba, onde meu irmão João Carlos havia nascido, quando lá moraram em 1953, numa área rural chamada “Guatambú”, hoje um condomínio de luxo. Desta feita, de volta, comigo e o pequenino Luís, meu pai trabalhava no “Frigorí-


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fico Tião Maia”, cujos donos eram o Tião Maia e João Belchior Marques Goulart, o “Jango”, que foi Presidente da República de 1961 a 1964. Morávamos na última casa, de uma fileira de 4 casas, localizada nos fundos, à direita do frigorífico, bem próximo aos trilhos abandonados de uma estrada de ferro desativada, que passava nos fundos do Frigorífico Tião Maia, antes de cruzar o Rio Baguacú. Naqueles trilhos eu perdí, achando horas depois, o único dinheiro que tínhamos e que minha mãe me entregara para ir comprar, de uma senhora, vizinha distante, uma panela de ferro para cozinhar nossos alimentos. Que barra eu enfrentei naquele final de tarde... Me lembro também que alí naquele frigorífico uma caldeira explodiu, causando um grande pânico a todos e me assustando muito; Depois voltamos para Avanhadava, de onde fomos para Mirassol e finalmente, o nosso retorno “definitivo” para São José do Rio Preto, porque meu pai recebeu um convite do Sr. José Lara Filho, a quem conhecia desde 1954, para ser seu sócio no Hotel São José. Nos mudamos em Outubro de 1963, quando eu já tinha quase 8 anos e não havia ainda conseguido fazer o primeiro ano escolar; 1963 – Em São José do Rio Preto, onde estudei e trabalhei muito mesmo, desde engraxate a carregador de malas. Embora eu tenha ingressado no América Futebol Clube aos 9 anos e meio, em Julho de 1965, obtive meu primeiro registro em


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Carteira, aos 13 anos, em 22 de Novembro de 1968, onde permanecí até aos 17, quando saí em 1972 e fui para a capital do meu Estado; 1972 à 1974 – sozinho em São Paulo, trabalhando e estudando; 1975 – Voltei para São José do Rio Preto, onde tentei me encaixar profissionalmente em alguns lugares, mas, trabalhei forte e de fato, como Gerente Geral da Mercantil Fáccio Materiais para Construções Ltda., uma pequena “rede” com 2 ou 3 lojas e depósitos na cidade. Logo após, após os concursos e testes que fiz na Embratel, na Força e Luz e na Souza Cruz, fui admitido pela Souza Cruz, onde permaneci por quase 20 anos, lá ocupando vários cargos e funções. Uma grande empresa-escola! 1987 – Em Campinas, para onde fui transferido pela Souza Cruz, para assumir, na época, o maior depósito do Brasil, que também, com a minha ajuda, se transformou no melhor, pois obtinha resultados expressivos e sucessivos em controle, administração e níveis de estoques, com targets muito próximos dos desafios impostos. Lá permanecí até 1994, quando, levado pelas mãos do fabuloso Dr. Heitor Rebecca, ingressei no Hospital Evangélico Samaritano de Campinas, trabalhando-o e trabalhando nele durante 6 anos;

2000 – No Rio de Janeiro.


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Cheguei ao Rio, trazendo Moizéth de volta, na virada do século, do milênio, onde estou até hoje, apaixonado pela cidade maravilhosa, pelas suas praias e pelas suas belezas naturais, pela sua gente, pelo trabalho, mas, não pelo trânsito, caótico tal qual o da capital paulista, guardadas as devidas proporções, mas, igualmente terrível. 2010 – Continuo aqui e o Rio de Janeiro continua lindo!


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VIVER A VIDA

Me lembro, com certo arrependimento que falava em morrer precocemente aos 40 anos. Uma estupidêz! Estou chegando aos 55, em 21 de Novembro de 2010 e irei muito mais além, com certeza e pela graça de Deus! Há uma novela da Globo, que vem sendo apresentada diariamente em seu horário nobre, chamada “Viver a Vida”, cujo autor, o Manoel Carlos, tem sido muito feliz uma vêz mais em abordar o tema do preconceito, mas, sobretudo, em dar oportunidade às pessoas acometidas de infaustos acontecimentos a darem um depoimento no final de cada capítulo, sobre as suas limitações e as barreiras que foram ultrapassadas, os sonhos que foram realizados. Se a glamourosa novela das 8 tem sido, uma vêz mais sucesso, eu não estou bem certo, até porque não a acompanho “muito”, mas, seu escritor e diretores acertam na mosca, quando a mesclam, inserindo nela testemunhos de pessoas que estão sobrevivendo os obstáculos que lhe foram impostos pela vida. A nós todos, onde hoje eu me incluo, envelhecer é um milagre, um sonho e também uma sentença cruel. Nossos poetas românticos, por exemplo, almejavam a vida curta, cravejada de muita tosse, e olhos fundos, aureolados de acentuadas


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olheiras. E, quando a vida se estendia, sentiam-se traídos pelo destino, envergonhados diante da posteridade. Eu estou com apenas 54 anos e enquanto estou escrevendo este capítulo, num domingo, dia 04/10/2009, “já envergonhado”, confesso, me lembrei que lí, durante a semana que passou, um artigo a respeito da longevidade e também as notícias sobre a saúde do reconhecidamente grande, o arquiteto Oscar Niemeyer, que está perto dos 102 anos e recupera-se bem de uma cirurgia à qual foi submetido. Porém, precisamos levar em consideração, por exemplo, que a maior expressão da raça humana, O filho de Deus que tudo pode, Jesus Cristo, morreu aos 33 anos, prematuramente, de forma dramática e injusta, embora tenha sido para que fosse cumprida a vontade dO Pai. Tenho o entendimento de que esta foi a única e provavelmente a última forma de Deus alcançar o homem. Consta, que um destes poetas românticos, aos 22 anos, preocupado com a hora final que tardava a soar, declarava-se com 20 anos, afim de ampliar a chance de ser colhido ainda na juventude. Acabou não desapontando ninguém, nem a sí próprio, pois foi ceifado aos 23 anos de idade. Não fosse o fim precoce de seus autores, a maior parte da poesia romântica não teria sido escrita. A maior e a melhor, porque em toda a obra de


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Álvares de Azevedo poucos poemas se comparam à beleza de Se Eu Morresse Amanhã. O poeta deu seu último suspiro aos 20 anos. Assim também se foram para sempre Castro Alves, com 24, Casimiro de Abreu, com 21 e Junqueira Freire, com 22. Já Fagundes Varela, contrariando a tendência de sua época, partiu aos 33 e Gonçalves Dias, morreu como um ancião, aos 41 anos de idade. Diz Manoel Carlos que estas são histórias do século XIX, quando viver não estava na moda. Hoje, mais do que viver simplesmente, esta na moda a alegria de viver. De viver bem e largamente. Deus tem permitido à ciência fazer grandes progressos, ampliando o nosso tempo no mundo, colocando ao nosso alcance novos recursos para uma existência mais saudável. A vida ganhou em qualidade, prorrogando a juventude, sem com isso perder os benefícios da longevidade benvinda, que nos encontra com a cabeça boa e os cinco sentidos bem conservados. E é o que temos visto todos os dias, se não cada vêz mais jovens, cada vêz menos velhas. A idéia do amor à vida e à felicidade em qualquer idade não é nova, mas, por muito tempo esteve camuflada por outra idéia, a de que o prazer é patrimônio da juventude. Não é. Vale lembrar, uma reflexão de Sófocles, feita já há mais de 2.400 anos antes de Cristo: “Ninguém ama tanto a vida como


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a pessoa que envelhece”! Como sinais exteriores, o jeans, a bermuda, a camiseta e o tênis deixaram de ser uso exclusivo de jovens e foram incorporados por gente de todas as idades, homens e mulheres, numa democratização dos costumes. E até as tatuagens podem ser vistas em muitos senhores e senhoras, os mesmos que não gostam de ser chamados de tios e tias e muito menos de senhor e de senhora, pelos amigos dos filhos, dos netos e enfim, por todos. A medicina corretiva avança, a cosmética, expande-se. Nunca se falou tanto em nutrição e até proliferam as cheias academias de ginásticas e há ainda cada vêz mais adeptos às caminhadas e corridas de rua. As mulheres são as que melhor conquistaram uma infraestrutura hormonal e emocional. Cresceram. Ocuparam mais espaços! São elas que vivem, hoje, com mais intensidade e que desfrutam maior prestígio social e profissional. São principalmente as que amam com mais entrega e desprendimento, generosas na oferta do prazer, mas, que também não abrem mão de uma reciprocidade que lhe dê a mesma satisfação. Não dão, trocam. Não se oferecem, conquistam. REGINA BRETT, uma americana de Cleaveland, OHIO, aos 90 anos e para celebrar o envelhecer, escreveu 45 lições que a vida lhe ensinou:


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“A vida não é justa, mas, ainda é boa; Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo; A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém; Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais irão. Mantenha contato; Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês; Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar; Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho; Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta; Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário; Quando se trata de chocolate, resistência é em vão; Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente; Está tudo bem em seus filhos te verem chorar; Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles; Se um relacionamento tem que ser um segredo, você


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não deveria estar nele; Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas, não se preocupe, Deus nunca pisca; Respire bem fundo. Isso acalma a mente; Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso; O que não te mata, realmente te torna mais forte; Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas, a segunda só depende de você e mais ninguém; Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite “não” como resposta; Acenda velas, coloque lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial!; Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...; Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo; O órgão sexual mais importante é o cérebro; Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você; Encare cada “chamado” desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?; Sempre escolha a vida;


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Perdoe tudo de todos; O que as outras pessoas pensam de você não é da sua conta; O tempo cura quase tudo. De tempo; Independentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar; Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...; Acredite em milagres; Deus te ama por causa quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer; Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora; Envelhecer é melhor do que morrer jovem; Seus filhos só tem uma infância; Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou; Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares; Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta; Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa;


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O melhor está por vir; Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça; Produza; A vida não vem embrulhada em um laço, mas, ainda é um presente.” Outra mulher que eu conheço, por exemplo, que é a cidade do Rio de Janeiro, onde moro, conquistou esta semana o direito de hospedar as Olimpíadas em 2016, vencendo as outras finalistas Chicago, Tóquio e Madri, na disputa de oferecer o melhor para receber em troca a vitória obtida. A primeira, diria eu. O anúncio foi feito em Köpenhagem, na Dinamarca, numa 6.a Feira, dia 02/10/2009, precisamente as 13:51 horas. Emocionante! Uma grande conquista, de fato! O Rio e o Brasil, estão em festa! Há uma enorme expectativa de crescimento e sobretudo de melhorias, de soluções, em 6 anos, tendo sendo dado o início já. Eu e minha família estamos fazendo planos, dando a nossa contribuição, mas, pensando também, em nosso crescimento em uma avalanche de oportunidades que se aproximam. Mas, estarei lá? Com certeza! Desejo, sonho, logo estarei, porque as coisas sempre acontecem quando eu acredito que acontecerão!


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Respeito, porém, as determinações de Deus, me submetendo a Ele e aos Seus planos para com a minha vida, a Seu tempo. Se há, porém um pedido que faço a Deus nesta hora é de que Ele me permita viver a vida, vivendo para servir, com a melhor qualidade de vida que me for possível, “pois afinal se todos morrem, cada um tem o direito de escolher a maneira como gostaria de ser lembrado!” A guerra só termina para os que morrem, os sobreviventes sempre terão dificuldade para recomeçar a vida, razão pela qual cada um de nós, sempre e em qualquer situação precisa encontrar forças, para superar dificuldades e renascer das profundezas, ainda que das cinzas, mesmo chegando as raias do sacrifício. Caminhando com os meus próprios pés, entre escombros ou pujantes e novas construções, entre os campos ou jardins floridos, nas ruas ou nas estradas da vida, estarei sempre acertando os meus passos, no compasso das batidas do meu coração...

Não desisto, nunca.

Forever! HÉLIO SABINO RULLI


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POR HERANÇA

Aos meus três filhos queridos Rebeca, Rennielli e Riann Patrick, para que tenham algum registro da história da minha vida. Quisera eu deixar a eles algo valioso, que os tornasse, por exemplo, herdeiros de uma grande fortuna financeira ou de algum bem capital que pudesse garantirlhes sustento e sobrevivência, pelo menos. Confesso que o bem mais precioso quem ganhou fui eu... A mãe de vocês, Moizéth, é sem dúvida, o bem mais caro que eu consegui durante toda a minha vida. Deixo-lhes muito de mim neste livro, sobretudo, o desafio que persigo, legado que me foi deixado pela minha mãe... Façam o melhor porque “as coisas findas,  muito mais que lindas,  estas ficarão” !

(Carlos Drummond de Andrade)

Meus Passos  

Não sabia como começar este livro, mas, decidi iniciar pela minha história. Aliás, como muitas histórias, esta é mais uma que agora eu não...

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