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A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA Paulo Henrique Pereira Pinto1, Joeslan Rocha Lima¹ e Wilson Gomes de Oliveira¹ e Allan Kardec F. Brandão¹

Resumo: O presente estudo é uma investigação da importância do uso dos recursos tecnológicos no ensino de Geografia e a sua influência no aprendizado dos alunos. Esta pesquisa se refere aos aparelhos tecnológicos presentes em nosso dia-a-dia que podem ser utilizados na escola com o intuito de tornar a aula mais dinâmica e atrativa. Esse trabalho visa verificar se os "novos" recursos tecnológicos oferecem uma boa condição de aprendizado para os alunos. No decorrer do trabalho foi analisada a relação e aceitação dos professores e alunos com esses equipamentos e a forma e freqüência com que são estes utilizados. O ensino de Geografia é um tema muito estudado, no entanto, na prática há uma grande dificuldade de realizar as intervenções propostas. Alguns professores atribuem essa dificuldade à falta de tempo, pois, a carga horária às vezes não é suficiente. Esta pesquisa teve como procedimentos metodológicos a consulta bibliográfica referente ao tema proposto, observações e entrevistas com alguns alunos e professores de Geografia do nível Médio Básico, em escolas públicas de Porto Nacional estado do Tocantins. Os resultados demonstraram que a causa do desuso dos equipamentos tecnológicos em sala de aula foram: falta de tempo; falta de capacitação dos professores; o pouco conhecimento de uso dos materiais e a falta de acesso aos equipamentos pela escola. Após as análises concluiu-se que a maior dificuldade na aplicação desses novos métodos de ensino nas escolas é a falta de incentivo e capacitação do professor. Palavras-chave: ensino de geografia; recursos tecnológicos.

INTRODUÇÃO Este trabalho procura destacar a necessidade de investigar de que forma ocorre utilização de 1 Graduando do Curso de Geografia da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Porto Nacional – TO. Rua 03, Quadra 17, s/n - Jardim dos Ipês, Porto Nacional, Tocantins, Brasil. E-mail: paulogeographer@yahoo.com.br 881


materiais tecnológicos como recursos didáticos e sua importância para o ensino de Geografia no nível Médio Básico. Centrado em uma análise a respeito do tema proposto, o presente estudo visa contribuir para o ensino de Geografia, pois, através desse esforço pretende-se destacar os problemas que afetam a didática no que se refere à utilização dos recursos tecnológicos como meios de apoio aos professores de Geografia na promoção de melhorias para a educação. Ao tratar dos “novos” recursos didáticos, o presente estudo se refere em especial aos aparelhos tecnológicos presentes em nosso dia-a-dia, que podem ser utilizados na escola com o intuito de tornar a aula mais dinâmica e atrativa. São eles: TV, aparelhos de DVD, vídeo cassete e som, com ênfase para o computador com internet e o data-show. Ao utilizar-se a palavra “novos” entre aspas para citar esses aparelhos, considera-se que, nenhum desses é de fato novo, pois, já estão inseridos em nosso cotidiano a bastante tempo, porém se tornam novos ao referir-se à realidade de algumas unidades escolares, onde ainda não se encontram inseridos. Esta análise se fundamenta no estudo de autores que abordam as diversas relações entre a didática, o ensino e as novas tecnologias da informação. Alguns deles como: Kenski (1996) e Roig (1997), possuem trabalhos relacionados à importância da renovação e/ou adequação da didática às modificações pelas quais passa a sociedade no que diz respeito às inovações tecnológicas. Segundo Kenski (1996), o modelo de escola criada pelas influencias da sociedade tradicional, criou ideologias a respeito da didática, atribuindo ao professor o papel de principal fonte do conhecimento, e aos alunos apenas a obrigação de assimilar tudo o que este diz. De modo que, a repetição mecânica de conteúdos e textos tornou-se uma característica muito marcante desse tipo de ensino tradicional. Para Kenski (1996), este modelo tradicional transformou a escola em: Nada muito além de livros e cadernos, da lousa (ou quadro-negro, verde ou branco...) e do giz. O professor apresenta oralmente o assunto, escreve na lousa alguns apontamentos; os alunos, com atenção flutuante, copiam o que está escrito, fazem leituras de textos, sentam-se separadamente e permanecem em silencio a maior parte do tempo (sei que não é sempre assim, mas essa é a turma ideal para muitos professores). Ao menor movimento dos alunos ou tentativas de conversas paralelas o professor grita: Silêncio! Desse jeito eu não posso dar aula. (KENSKI, 1996, p. 130)

Assim, percebe-se que, essa transmissão mecânica de conteúdos no ensino da geografia, não permite que o aluno tenha uma visão crítica e, a capacidade de perceber as relações sociais na construção do espaço geográfico. 882


Outra característica da formação tradicional é a forte valorização apenas do que é apresentado oralmente ou a da forma escrita, o que dificulta mais ainda a inserção dos recursos principalmente os áudio visuais. Neste sentido, Kenski (1996), considera que: Na verdade, somos todos da geração alfabética – da aprendizagem por meio do texto escrito, do livro do artigo. Somos analfabetos para a leitura de imagens, dos sons. Queremos e valorizamos apenas um segmento do conhecimento aquele que vem através da palavra oral ou, mais ainda, escrita. Transformamos tudo em texto: palestras, músicas, fotos, gráficos. Precisamos de legendas para “ver” uma fotografia em um jornal ou revista. Precisamos da letra para “sentir” uma música. Precisamos da palavra dita ou escrita para mostrar nosso sentimento, nossa sensibilidade, nosso amor. (KENSKI, 1996, p. 132).

Na verdade, o que talvez possa ser considerado como causa dessa valorização, é a formação dos professores. Pois, quando a maioria concluiu sua formação, o acesso aos equipamentos tecnológicos era muito restrito, por isso a dificuldade de lidar e aceitar a utilização destes na prática do ensino de Geografia. A autora citada acima ressalta que, no dia-a-dia os alunos e também os professores estão rodeados pelas informações oferecidas através das inovações tecnológicas que estão inseridas de uma forma totalmente ativa em nosso cotidiano. Ou seja, a maioria dos alunos tem em casa uma TV, um som, um a aparelho de DVD, ou até mesmo um computador com internet, enfim, possuem esses recursos introduzidos pelo avanço da tecnologia. Talvez o motivo do desinteresse pelas aulas seja justamente este contraste do cotidiano com a realidade escolar. Sobre isso Kenski (1996), diz que: “O mundo desses alunos é polifônico e policrômico. É cheio de cores, imagens e sons. Muito distante do espaço monótono, monofônico e monocrático que a escola costuma lhes oferecer.” (p.133). Nesse contexto, percebe-se então a importância da inclusão dos recursos tecnológicos como auxílio na didática do ensino de geografia, pois, se tratando de uma disciplina que precisa estar em completa harmonia com a realidade local e/ou global, essa poderia ser uma das formas de atrair a atenção e o interesse dos alunos. Porém, o grande problema é, que boa parte das escolas públicas não possuem esse tipo de recursos, ou quando possui o professor não os utiliza, por não ter conhecimento de seu funcionamento, ou por julgá-los impróprios. Desse modo, a aplicação de “novos” recursos didáticos fica cada vez mais distante, e para tanto é preciso abandonar as influências tradicionais e os pré-conceitos, para que o ensino da geografia comece a se modificar. 883


Este estudo teve como base os seguintes objetivos: Analisar a aplicação dos “novos” recursos nas aulas de Geografia do nível Médio Básico; Perceber a reação e aceitação dos professores e alunos, a respeito da utilização dos “novos” recursos didáticos; Observar a influência da utilização dos aparelhos no interesse dos alunos pelas aulas de Geografia.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensino de Geografia é tema muitos estudos, no entanto, na prática existe uma grande dificuldade de realizar as intervenções propostas. Alguns professores atribuem essa dificuldade à falta de tempo principalmente porque o plano de ensino é muito extenso e a carga horária na maioria das vezes não é suficiente, assim a utilização de novos métodos (nesse caso os recursos tecnológicos) poderia prejudicar o andamento da disciplina. O uso das novas tecnologias no ensino da Geografia é um fator que requer muita atenção, pois, a utilização das mesmas causa profundas modificações no processo de ensino aprendizagem, e deve considerar-se que toda e qualquer mudança no âmbito do ensino deve ser analisada e estudada com a merecida cautela. A presente pesquisa teve como procedimento metodológico a consulta bibliográfica a respeito do tema abordando a problemática do ensino de Geografia no tocante às dificuldades de uso e aplicação dos novos recursos tecnológicos. A análise e observação das relações: 1) Professor-aluno; 2) Professor - “novos” recursos didáticos; e 3) Alunos - “novos” recursos didáticos; assim como a entrevista com alguns alunos e professores de Geografia também fizeram parte dos métodos aplicados. Essas observações e análises foram realizadas em algumas escolas públicas da cidade Porto Nacional estado do Tocantins. Para atingir os objetivos e os resultados foi preciso analisar a aceitação, tanto dos professores, quanto de seus alunos a respeito da utilização dos “novos” recursos didáticos nas aulas de Geografia. Também foi de fundamental importância manter um diálogo cauteloso a respeito da relação professor-aluno, e da opinião do professor sobre a relevância da utilização desses recursos em suas aulas. Pois, existem professores que possuem uma didática excelente, capazes de proporcionar uma aula bastante atrativa, apenas com o uso do livro, quadro e giz, que por sua vez 884


não deixam de ser recursos didáticos, dispensando assim, o uso dos “novos” recursos tecnológicos. Para garantir uma análise mais objetiva foram realizadas entrevistas com alunos e professores de Geografia. No questionário aplicado aos professores foram utilizadas as seguintes questões: 1) Você utiliza os recursos tecnológicos disponíveis nesta instituição de ensino? Sim ( ), Não ( ). Por quê?_____. 2) Você considera que o uso destes recursos melhora a qualidade da aprendizagem e o interesse dos alunos? Sim ( ), Não ( ). Por quê?_____. 3) Seus alunos aprovam o uso dos recursos auxiliares nas aulas de Geografia? Sim ( ), Não ( ). Por quê?_____. 4) Você considera que uma boa relação professor-aluno influencia na aplicação de novos métodos? Sim ( ), Não ( ). Por quê?_____. 5) Quanto tempo de atuação em sala de aula você possui? No questionário aplicado aos alunos foram utilizadas as seguintes questões: 1) Você considera que a aula fica mais atrativa com o uso de equipamentos tecnológicos como: TV, DVD, computador ou data-show? Sim ( ), Não ( ). Por quê?____. 2) Fica mais fácil aprender quando se usa esses recursos? Sim ( ), Não ( ). Por quê?____. 3) Você aprova o uso dos equipamentos auxiliares nas aulas de Geografia? Sim ( ), Não ( ). Por quê?___. 4) Seu professor utiliza os recursos tecnológicos disponíveis nesta unidade de ensino? Sim ( ), Não ( ). 5) Como é a sua relação com seu professor de Geografia? Ruim ( ), Regular ( ), Boa ( ), Ótima ( ).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

As observações demonstraram que a relação professor-aluno é muito importante, pois, ao tentar um novo método de ensino, o professor que não alimenta uma boa relação com seus alunos, pode não ter sucesso na aplicação da nova proposta. Quanto à relação dos professores com o material tecnológico, percebeu-se um aspecto muito interessante: o tempo de atuação em sala de aula. Os que possuem mais tempo de serviço, tendo se formado a mais de 15 ou 20 anos, apresentam maior dificuldade em aceitar e/ou utilizar os novos recursos tecnológicos, isso se deve pela sua pouca relação com esses equipamentos, principalmente quando se trata do computador com internet. No tocante à relação dos alunos com os recursos tecnológicos, a maior parte destes aprova com a alegação de que assim fica mais fácil aprender e que é muito difícil assistir as aulas monótonas, baseadas apenas na leitura de texto e reprodução mecânica de conteúdos. 885


Algumas observações demonstraram que, nas escolas que possuem recursos como computadores com internet e data-show, a utilização destes equipamentos raramente ocorre, isso se deve ao fato de que a maioria do professores não sabe como utiliza-los. Além disso, esses materiais são caros e necessitam de manutenção de alto custo, por esse motivo, são tratados como preciosidades no ambiente escolar, sendo guardados em salas reservadas e de acesso restrito dificultando a remoção para a sala de aula. Alguns dos resultados desta pesquisa foram semelhantes aos do trabalho de Roig (1997), que analisou a utilização de material áudio visual como: TV e vídeo VHS, em sala de aula. O estudo da autora demonstrou que a maioria dos professores não utilizava os equipamentos por não saberem para que servissem e também por essa atividade lhes exigir um grande esforço no planejamento. Segundo Roig (1997), uma pesquisa realizada, em 1979, pelo Instituto Latino-Americano de Comunicação Educativa (ILCE, México), que investigou o que ocorreu com os equipamentos áudio visuais (TV e vídeos VHS) inseridos nas escolas latino-americanas nas décadas de 60 e 70, demonstrou que, “mais de 70 ou 80% daqueles equipamentos estavam em desuso, guardados e ocultos em depósitos, estragados, carentes de manutenção.” (Prieto Castillo, 1988,p. 13. apud. ROIG, 1997. p. 59.). Essa realidade apesar de apresentar-se em um contexto histórico um pouco diferente do atual, considerando-se os recursos didáticos mencionados (TV e vídeo VHS), é muito semelhante à da maioria de nossas escolas que possuem acesso aos equipamentos tecnológicos. Nossas escolas já utilizam, mesmo que em baixa escala, a TV e o aparelho de DVD em sala de aula. Agora a dificuldade é a utilização do computador ligado à internet que normalmente fica em laboratórios, e do data-show durante as aulas na própria classe. Esse ultimo é considerado por alguns dos professores entrevistados como impróprios, pois, segundo eles, “sua instalação toma muito tempo da aula”. Mesmo com todas essas dificuldades encontradas na inserção das novas tecnologias na escola, ainda se vê necessária essa adaptação, pois, quanto mais rápido as inovações transformam a sociedade o ambiente escolar se torna monótono e pouco atrativo. Segundo Ligouri (1997), A escola, na sociedade atual, perdeu o papel hegemônico de transmissão e distribuição do conhecimento. Hoje os meios de comunicação, especialmente o rádio e a televisão, ao alcance da maioria da população, apresentam de um modo atrativo informação abundante e variada. As crianças e os adolescentes –

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predominantemente nas regiões mais desenvolvidas – interagem cotidianamente com os novos sistemas de comunicação (televisão, jogos eletrônicos, etc.), [...] Chegam à escola com um abundante capital de conhecimentos, concepções ideológicas e pré-conceitos sobre os diferentes âmbitos da realidade. (LIGOURI, 1997. p. 85).

Com base nessa afirmação percebe-se a importância da inclusão dos meios de comunicação na escola. No entanto, para conseguir concretizar esse objetivo é necessário enfrentar um desafio burocrático quanto ao apoio institucional. Em um trabalho publicado na revista brasileira de educação em 2006, Nelson PRETTO relata, com base em outros estudos, que o problema da utilização das novas tecnologias não está no computador, mas sim nos objetivos nada educativos e utilitários da educação. A proposta de utilização dos artefatos tecnológicos no ensino também sofre algumas críticas no que se refere às mudanças que este uso causa e os verdadeiros benefícios que trás. Paulo Gileno CYSNEIROS em seu artigo intitulado: Novas Tecnologias na Sala de Aula: Melhoria do Ensino ou Inovação Conservadora, discute os insucessos da aplicação das novas tecnologias na educação, ele afirma que: Em escolas informatizadas, tanto públicas como particulares, tenho observado formas de uso que chamo de inovação conservadora, quando uma ferramenta cara é utilizada para realizar tarefas que poderiam ser feitas, de modo satisfatório, por equipamentos mais simples (atualmente, usos dos computadores para tarefas que poderiam ser feitas por gravadores, retroprojetores, copiadoras, livros, até mesmo lápis e papel). (CYSNEIROS, 1999. p. 15-16.)

Na verdade, o que o autor citado transmite é a realidade vivida por muitas escolas onde o mau uso dos equipamentos tecnológicos ao invés de contribuir para a melhoria do ensino, termina por prejudicá-lo. Cysneiros (1999, p. 18), conclui que, “a presença da tecnologia na escola, mesmo com bons software, não estimula os professores a repensarem seus modos de ensinar nem os alunos a adotarem novos modos de aprender”, segundo ele, isso poderia, por outro lado estimular os alunos à prática do plágio com o uso da internet. No entanto, é preciso ressaltar que uma fala do autor referido a pouco que diz: “não quero com isso afirmar que tais tecnologias de exposição não são úteis. São sim, nas mãos de mestres criativos, dentro de contextos apropriados.”. Cysneiros (1999, p. 16). Cysneiros (1999), atribui grande parte da responsabilidade da aplicação das novas tecnologias 887


na educação ao professor. Kenski (2006), também manifesta essa preocupação segundo ela, para utilizar recursos como: TV e DVD em sala de aula ou computador no laboratórios de informática, é preciso que o professor planeje bem a aula e também que tenha conhecimento da forma mais apropriada dessa aplicação. Sobre isso ela afirma que: Com o mesmo cuidado com que o professor planeja a sua aula e seleciona os textos e autores mais adequados para serem lidos pelos alunos, também devem selecionar os programas e os vídeos apropriados, para explorá-los didaticamente em sala de aula. Como ferramentas auxiliares do professor, esses recursos não funcionam por si sós. [...] É preciso também que a exibição do vídeo seja enriquecida com atividades orientadas, definidas previamente, complementadas com conversas e discussões amplas sobre o tema, após sua apresentação. (KENSKI, 2006, p. 236).

Ainda tratando da responsabilidade dos profissionais de ensino e da importância da utilização dos recursos mencionados ao longo deste trabalho, o artigo de autoria de Vandeir Robson da Silva Matias, intitulado: Implicações das Novas Tecnologias Na Educação Geográfica: para quem? E para que? defende a presença da tecnologia no ambiente escolar. Neste trabalho publicado na revista online Caminhos da Geografia, Matias (2005, p. 242) afirma que, “as novas tecnologias são recursos do nosso tempo que podem ser empregados de forma inovadora na mediação. [...] Mudanças significativas ocorrem quando a aprendizagem é mediada pelas novas tecnologias.”. Matias (2005) considera ainda que, “o que será inovador não é a presença desses recursos no ensino, mas sim o uso que se fará deles, uma vez que não é fácil a sua utilização.”. (p. 251)

No final de contas, para trabalhar com as novas tecnologias na educação é necessário um grande esforço por parte de todo o conjunto de membros que forma a instituição de ensino. Isto é, o apoio dos órgãos federais e estaduais de educação, a colaboração e o incentivo da unidade de ensino e principalmente, o esforço do professor. Pois ele será o responsável por se adequar à nova didática e pela procura da forma mais conveniente da utilização destes novos métodos para essa atividade traga benefícios para a educação e, sobretudo para o ensino de Geografia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio das entrevistas com alguns professores de Geografia do nível médio de escolas públicas de Porto Nacional, estado do Tocantins, percebeu-se que uma das maiores dificuldades 888


encontradas pela maioria deles é a falta de tempo para a utilização dos equipamentos auxiliares, alguns alegam que levaria tempo para instalar equipamentos como em computador conectado à internet e ligado a um data-show e com essa demora seria perdido muito tempo da aula. A instalação de laboratórios de informática nas escolas poderia diminuir essa dificuldade, é certo que já existem muitas instituições que possuem laboratórios, no entanto, alguns não são utilizados. É necessário observar que essa alegação feita pelo professor, pode ser apenas uma forma de evitar o uso dos equipamentos disponíveis não instituição de ensino. Uma vez que possuem pouca relação com estes. Outra alegação do professor é que, os alunos se dispersam muito quando se utiliza, por exemplo: filmes ou quando se utiliza o laboratório de informática. Esse problema deve ser sanado com a capacidade de controle e persuasão da turma pelo educador. É preciso levar em consideração ao promover a aplicação destas novas técnicas em sala de aula, que, o surgimento de novidades não significa que se devam abandonar às técnicas anteriores. Ou seja, o fato da utilização do computador com internet e o data-show não descarta o uso do livro didático. Deve-se ressaltar ainda, que a utilização dos recursos tecnológicos não deve estar presa apenas à aplicação mecânica dos conteúdos, porque assim não haveria nenhum avanço em relação ao modelo tradicional de ensino. Para proporcionar o rompimento das ideologias tradicionais, é preciso utilizar esses elementos auxiliares com a finalidade de facilitar a compreensão dos alunos a respeito das relações sociedade-natureza na construção do espaço. A didática e a criatividade do professor é algo muito relevante para que se promova a correta utilização dos recursos tecnológicos. Uma comparação com o uso do livro didático permite a reflexão sobre a temática. A citação de Lajolo (1996, p 8) citado por Schäffer (2003 p. 136) diz que: “O caso é que não há livro que seja à prova de professor: o pior livro pode ficar bom na sala de um bom professor e o melhor livro desanda na sala de um mau professor. Pois o melhor livro, repita-se mais uma vez, é apenas um livro, instrumento auxiliar de aprendizagem.” O mesmo poder ser atribuído à aplicação dos recursos tecnológicos em sala de aula, pois, não é suficiente que uma escola possua laboratórios de informática e vários equipamentos disponíveis, se os professores não são capacitados para o uso de destes. Por meio da análise em outros estudos relacionados ao tema deste trabalho, principalmente no que se refere às novas técnicas, percebe-se que, levando em consideração a escala nacional, o surgimento destas novas técnicas e com elas as inovações tecnológicas não ocorrem de igual forma em todas as partes do país. (SANTOS, 2008). O mesmo acontece com a inserção dos equipamentos 889


auxiliares no ensino de Geografia e também de outras disciplinas. Deve-se então destacar, que já existem muitas unidades educacionais no Brasil que utilizam esses novos métodos, no entanto, há outras que não possuem nem mesmo estrutura e materiais básicos, como o livro didático e quadro verde ou branco. É com base nesse ultimo fato, que se fortalece a necessidade da realização de estudos como este, que visam o desenvolvimento da educação brasileira e do ensino da Geografia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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KENSKI, Vani Moreira. O ensino e os recursos didáticos em uma sociedade cheia de tecnologias. In: Didática: o ensino e suas relações VEIGA, Ilma Passos Alencastro (org.). – Campinas, SP: Papirus, 1996, 10 ed. – (Coleção Magistério Formação e Trabalho Pedagógico). p. 127-147.

LIGOURI, Laura M. As Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação no Campo dos Velhos Problemas e Desafios Educacionais. In: Tecnologia Educacional, Política, Histórias e Propostas. LITWIN, Edith (org.) – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p. 78-97.

MATIAS, Valdeir Robson da Silva. Implicações das novas tecnologias na educação geográfica: para quem? E para que? Caminhos de Geografia 22 (16) 242 - 253, out/2005.

PRETTO, Nelson; PINTO, Cláudio da Costa. Tecnologias e novas educações. Revista Brasileira de Educação v. 11 n. 31 jan./abr. 2006.

ROIG, Hebe. Uma Análise Comunicacional da Televisão na Escola. In: Tecnologia Educacional, Política, Histórias e Propostas. LITWIN, Edith (org.) – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p. 58-77.

SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização do pensamento único à consciência universal. 890


Rio de Janeiro: Record, 17ª ed., 2008.

SCHÄFFER, Neiva, Otero. O livro didático e o desempenho pedagógico: anotações de apoio à escolha do livro texto. In: Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. (org.) – 4. ed. – Porto Alegre: Editora da UFRGS/Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Porto Alegre, 2003. p. 136-150.

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a lenda do papagaio