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ano 1 > # 4 > 2011 > www.renergybrasil.com.br

Energia que vem da terra • •

ISSN 2178-5732

MAIS NESTA EDIÇÃO ::: Vocação brasileira para ampliar produção de insumos energéticos provenientes da biomassa Ambiente Izabella Teixeira em entrevista

Ministra do Meio

Turismo e práticas sustentáveis


índice Como navegar pelo conteúdo Localize os temas do seu interesse através dos ícones abaixo relacionados:

Eco A relação direta do homem com o meio ambiente

Energia Entrevistas, eficiência energética e energias alternativas e renováveis

Sustentável Ações que colaboram com o desenvolvimento sustentável

“entre vista

IZABELLA TEIXEIRA Em entrevista exclusiva, a ministra do Meio Ambiente discute a importância da integração do meio ambiente com outras áreas, fala sobre os avanços na sustentabilidade dos recursos naturais do país, a Política Nacional de Mudanças Climáticas e biocombustíveis

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Ambientalista e empresária Vitória da Riva fala de seu projeto ecológico de preservação da mata Amazônica

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Fundo Nacional sobre Mudança do Clima investirá R$ 226 milhões no combate ao aquecimento global e queimadas 8 Uma compilação de práticas de sustentabilidade urbana é apresentada para inspirar outras cidades 10 Programa federal vai construir casas populares com energia solar para aquecimento de água 18 São Francisco quer se tornar modelo, para o mundo, em responsabilidade ambiental 26

Biomassa promete ser forte candidata na matriz brasileira de energia elétrica

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Considerado o “pai do biodiesel”, Expedito Parente discute sobre as novas matérias primas para biomassa e o bioquerosene nacional 60 Opinião: Dr. Manoel Regis Lima Verde Leal fala sobre a sustentabilidade do etanol brasileiro 64 Aportou em terras brasileiras o primeiro navio do mundo com propulsão híbrida, a partir de energia eólica e diesel-elétrica 66 Primeira usina de energia solar comercial do Brasil está prestes a entrar em operação 68

Experiências mostram que é possível conciliar turismo, preservação e práticas sustentáveis

80

Expansão do uso de plásticos começa a preocupar. Saiba como reduzir, reutilizar e reciclar este material 92 Como economizar com iluminação e contribuir para o orçamento corporativo e familiar, ajudando ainda o meio ambiente 93 Eventos, conferências, livros, filmes e produtos ligados a energias renováveis e sustentabilidade 96 O artista Assis reflete sobre petróleo e biocombustíveis em sua obra para a seção “O Último Apaga a Luz” 98


editorial

“Colhendo” energia egundo o engenheiro químico Expedito Parente, considerado o “pai do biodiesel”, estamos começando a preparar o mundo para uma “fase pós petróleo energético”. E não é de hoje que o Brasil enxerga este futuro e busca alternativas como a biomassa, para compor sua matriz energética. Quando estourava a primeira crise mundial do petróleo, idos dos anos 70, já havia esforços brasileiros voltados para a produção do álcool e o país mostrava sua capacidade no setor de agroenergia. No contexto atual - com o aumento dos preços do petróleo, mudanças climáticas e riscos de segurança energética - enxerga-se na biomassa uma solução concreta para a conservação do meio ambiente e produção de insumos energéticos. Em nossa matéria especial, um levantamento sobre esta fonte, que se baseia principalmente na vocação agrícola no Brasil. Cerca de 6,5% da matriz de energia elétrica do país é originada deste recurso. E possivelmente irá crescer, com o primeiro leilão exclusivamente de biomassa, que poderá ser realizado ainda este ano. Por falar em leilões, o mercado se prepara para mais dois deles no segundo trimestre. O Leilão A-3 e o de Reserva vão contratar energia de parques eólicos, além de biomassa, gás e PCHs. A Renergy conversou com alguns investidores e fornecedores sobre o prazo para participação, que tem dividido opiniões do setor. A entrevistada desta edição é a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que por sua participação efetiva como “ponte” entre as áreas ambiental e econômica teve a aprovação da presidenta Dilma Rousseff para permanecer no cargo. A ministra fala sobre os avanços na sustentabilidade dos recursos naturais no país e na redução de desmatamento e emissão de gases. Comenta também sobre o uso de combustíveis e matriz limpa. Tratamos também nesta edição sobre o crescimento do ecoturismo. Do desafio de preservar áreas naturais e de como fornecer para as comunidades dos destinos uma forma de vida sustentável do ponto de vista econômico, cultural e social. Boa leitura. E não se esqueça: recicle esta revista, passando-a para um novo leitor.

S

No contexto atual, enxerga-se na biomassa uma solução concreta para a conservação do meio ambiente e produção de insumos energéticos

expediente DIREÇÃO GERAL

Joana Ferreira

joana@renergybrasil.com.br

Mário Acioli

mario@renergybrasil.com.br EDIÇÃO

Ana Naddaf

editor@renergybrasil.com.br REDAÇÃO

Carol de Castro e Paola Vasconcelos redacao@renergybrasil.com.br PROJETO GRÁFICO

Gil Dicelli

DIREÇÃO DE ARTE

Aldonso Palácio

aldonso@renergybrasil.com.br EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Gerardo Júnior

Estalo! Comunicação + Design REVISÃO

Eleuda de Carvalho

CONSULTA TÉCNICA

Gustavo Rodrigues

gustavo@renergybrasil.com.br COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ivonice Campos Dias (texto), Manoel Regis Lima Verde Leal (artigo) e Assis - Coletivo Base (ilustração) DEPARTAMENTO COMERCIAL Meiry Benevides (85) 3023 2002 comercial@renergybrasil.com.br IMPRESSÃO Gráfica Santa Marta TIRAGEM 10 mil exemplares RENERGY BRASIL EDITORA Ltda. Av. Senador Virgílio Távora, 1701 sala 1404 - Aldeota CEP 60170-251 Fortaleza CE Brasil www.renergybrasil.com.br JORNALISTA RESPONSÁVEL Ana Naddaf MTB CE01131 CAPA Max Uchôa Estalo! Comunicação + Design Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos ou ilustrações, por qualquer meio, sem a prévia autorização.


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preservar

Preparação para as mudanças climáticas O Governo Brasileiro regulamentou o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, que vai investir R$ 226 milhões no combate ao aquecimento global e queimadas


Ilustração: Gerardo Júnior

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Brasil reduziu em um terço as suas emissões de gases do efeito estufa nos últimos cinco anos, combatendo o desmatamento e queimadas, e praticamente já atingiu sua meta de cortes para 2020. Em posição de vantagem, em relação a outros grandes emissores no mundo, o país sai na frente em busca da sua liderança ambiental. Um dos últimos acertos desta política foi a criação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, o Fundo Clima. Criado por lei em 2009 e regulamentado por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2010, o Fundo Clima é o primeiro no mundo a utilizar recursos dos lucros da cadeia produtiva do petróleo para financiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e seus efeitos. Com um importante papel na

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promoção do modelo de desenvolvimento sustentável de baixo carbono no país, o Fundo Clima já conta com um total de R$ 226 milhões para serem aplicados no combate ao aquecimento global e desmatamento em 2011. Os recursos serão administrados por um comitê gestor, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e composto por representantes governamentais, comunidade científica, empresários, trabalhadores e organizações não governamentais. Do total de recursos, R$ 200 milhões serão utilizados para empréstimos e financiamentos reembolsáveis para a área produtiva, cujo agente financeiro será o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os outros R$ 26 milhões serão administrados pelo MMA para investir em projetos de pesquisa, mobilização e ava-

liações de impacto das mudanças do clima, com a possibilidade de serem repassados para estados e municípios por meio de convênios e termos de cooperação. Com custo zero para o bolso do cidadão brasileiro, o fundo ainda poderá receber recursos de outras fontes, como doações internacionais. Mesmo sem ter compromisso legal com a redução das emissões de gases, o Brasil aprovou sua Política Nacional sobre a Mudança do Clima e assumiu voluntariamente o compromisso em reduzir, até 2020, as emissões projetadas de gases do efeito estufa, entre 36% e 39%. Com o Fundo Clima instituído e levado como trunfo debaixo do braço para a 16ª Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP 16), em Cancún, no México, a nação brasileira mostrou que quer ser exemplo para o resto do mundo.


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inspirar

Sustentabilidade na prática spacingmontreal.ca/ Divulgação

A Plataforma Cidades Sustentáveis apresenta uma compilação de múltiplas práticas de sustentabilidade urbana em vigência no mundo para inspirar cidades e seus gestores omo se constroi uma cidade sustentável? É possível a harmonia entre os espaços públicos urbanos e as necessidades do mundo moderno? As experiências de várias cidades do mundo e do Brasil mostram que é possível, sim, encontrar uma alternativa viável para que áreas urbanas tenham mais qualidade de vida. Uma iniciativa que pode ajudar as cidades e seus gestores a se inspirarem em busca de uma melhor convivência urbana é a Plataforma Cidades Sustentáveis, uma pesquisa que apresenta um compilado de múltiplas práticas de sustentabilidade urbana em vigência em diversas cidades do mundo. Idéias que até então aconteciam do outro lado do mundo ou na cidade ao lado, podem servir de base para construir cidades mais saudáveis. A plataforma traz informações e detalhes de experiências exitosas, como o Plano de Mobilidade Urbana de Lyon, na França, que privilegia a locomoção a pé e de bicicleta, até a unificação de duas partes da cidade de Seul, na Coréia do Norte, separadas pelo rio Cheonggyecheon, criando uma nova cultura de lazer para seus moradores. Fruto de uma parceria entre a

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Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, a Rede Nossa São Paulo e a Fundação Avina, a ideia da plataforma surgiu em 2009. Conforme o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, partiu da necessidade urgente de se construir uma agenda de desenvolvimento justo e sustentável para as cidades brasileiras, vislumbrando inserir o tema na pauta e propostas de candidatos nas eleições de 2010. A estrutura da publicação, disponível no site www.cidadessustentaveis.org.br, foi inspirada nos compromissos da “Carta de Aalborg”, lançada em 1994, na cidade

dinamarquesa de mesmo nome, durante a I Conferência sobre Cidades Européias Sustentáveis. A plataforma é dividida em 12 eixos temáticos - dez deles provenientes da carta de Aalborg - além de outros dois novos eixos agregados em razão da realidade brasileira. Os gestores de cidades brasileiras que tiverem interesse podem assinar a carta compromisso da plataforma, e adotar medidas e práticas sustentáveis. “Claro que isso traz a responsabilidade de prestar contas e cumprir com todos os compromissos assumidos”, explica Broinizi. Mais de 2.700 municípios brasileiros já assinaram essa carta.

Para Broinizi, a busca da sustentabilidade não é uma ação isolada do poder público, é importante que a população participe e se mobilize. “O conteúdo da plataforma está aberto para todo o mundo e pode ser muito útil para estabelecer um diálogo qualificado com o poder público e tentar pautar a sustentabilidade nas cidades. Os dois são responsáveis pela mudança. Os gestores públicos precisam incorporar a sustentabilidade como eixo transversal nas políticas públicas, e a população precisa participar e se corresponsabilizar na governança e tomada de decisões”, disse.

12 eixos da Plataforma Cidades Sustentáveis ● Governança ● Do Local para o Global ● Ação Local para a Saúde ● Melhor Mobilidade, Menos Tráfego ● Consumo Responsável e Opções de Estilo de Vida ● Economia Local, Dinâmica e Sustentável

● Educação para a Sustentabilidade e Qualidade de Vida ● Cultura para a Sustentabilidade ● Planejamento e Desenho Urbano ● Gestão Local para a Sustentabilidade ● Equidade, Justiça Social e Cultura de Paz ● Bens Naturais Comuns


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Samsung/ Divulgação

consumir

Celulares movidos a energia solar Apesar dos consumidores de celulares no país ainda priorizarem os smartphones, fabricantes e operadores começam a ofertar aparelhos de energia limpa noção de preservação do meio ambiente chegou na inovação tecnológica. Na comunicação móvel, alguns aparelhos tem recursos alinhados com a consciência ambiental, mas ainda não viraram febre de vendas no Brasil. Os consumidores de celulares no país estão priorizando a compra dos smarthphones, no lugar dos aparelhos de energia limpa. A noção de preservação do meio ambiente chegou na inova-

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ção tecnológica. Na comunicação móvel, alguns aparelhos tem recursos alinhados com a consciência ambiental, mas ainda não viraram febre de vendas no Brasil. Os consumidores de celulares no país estão priorizando a compra dos smarthphones, no lugar dos aparelhos de energia limpa. Por aqui, apenas uma fabricante oferece o modelo com um painel solar para recarga de bateria. É o Blue Earth da Samsung. Feito com plástico reaproveitado

a partir de garrafas PET - ajudando a reduzir as emissões de carbono e óleo que são utilizados na fabricação de aparelhos convencionais - este produto full touch tem carregador solar e diversas funcionalidades. “O Blue Earth é mais um resultado do quanto o investimento em pesquisa e desenvolvimento pode contribuir com a criação de soluções sustentáveis também no mercado da comunicação móvel”, comentou Silvio Stagni, vice presidente da


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Divisão de Telecom da Samsung.

 O Samsung Blue Earth possui um painel solar em sua parte traseira, que gera energia suficiente para que o usuário faça ligações a qualquer momento e em qualquer lugar. Cada hora de carregamento solar pode gerar até duas horas de funcionamento no modo stand by e 16 minutos de conversação (2,5G), economizando gastos com eletricidade. Além disso, um alarme indica ao usuário que é hora de desconectar o carregador da tomada.

Nesse modelo, a interface abre espaço para o perfil “Eco”, que ajusta automaticamente o aparelho para economizar mais energia (diminuição de brilho, tempo de backlight, meios de conectividade, entre outros). O Blue Earth oferece o “Pedômetro Ecológico”, um aplicativo que incentiva o usuário a andar, mostrando o quanto a emissão de CO2 é reduzida e quantas árvores são salvas ao não usar meios de transporte convencionais. Um “Calendário Ecológico” também faz parte desse conjunto de funções e informa o usuário datas importantes para o planeta e o meio ambiente (ex: Dia do Planeta Terra), que aliás pode contar com o “Desbloqueio Ecológico” de tela.

Compacto, o Samsung Blue Earth tem visor TFT LCD de 3 polegadas, câmera de 3 me-

gapixels (com a função detector de sorrisos), serviço de identificação de música e acesso rápido e fácil às mais diversas redes sociais com os Online Widgets, além de upload descomplicado de fotos para blogs (Share Pix) e GPS, por meio de conexões 3G e Wi-Fi. Sua embalagem é feita em papel reciclado e seu kit básico traz fone de ouvido estéreo e cartão de memória microSD de 1GB.

 Com o Blue Earth, a Samsung ampliou a oferta de aparelhos sustentáveis que podem ser carregados com energia solar. Em agosto do ano passado, a empresa trouxe para o mercado o modelo Samsung Solar (E1107), com formato barra, design ergonômico e autonomia de conversação de voz ininterrupta, entre 5 e 10 minutos, após ser carregado por uma hora com energia solar. Além disso, integra rádio FM, lanterna e oferece toques MP3. Este modelo, no entanto, está fora de linha. Outros modelos no Mercado A Nokia e a Sharp já apresentaram modelos de celulares movidos a energia solar, mas ainda não estão disponíveis no Brasil. Além dos aparelhos, os fãs de “novas tecnologias com sustentabilidade” também podem optar pelos carregadores que funcionam com a luz do sol para seus

celulares e outros gadgets (como MP3, MP4). No Brasil, entre as marcas disponíveis estão a Elgin e a Guepardo, mas o consumidor pode encontrar um amplo leque em sites de compras. Com o carregador solar Elgin, o usuário poderá carregar a bateria de celulares, ipods, mp3, fones bluetooth e outros eletrônicos sem precisar de energia elétrica. Portátil e fácil de usar, o aparelho é ideal para carregar baterias em caso de falta de energia elétrica, como em viagens ou durante a realização de atividades externas. Além de prático, o carregador é econômico e ecológico, pois dispensa o gasto com energia elétrica, armazenando energia apenas pela ação dos raios solares. O carregador possui chip de energia solar de alta performance e sistema inteligente de transformação de energia, que é armazenada em uma bateria de lítio. O tempo de carregamento solar é de 10 a 15 horas e ele ainda possui sistema de proteção contra curto circuito. O aparelho também pode ser carregado através de energia elétrica ou USB e acompanha 11 diferentes conectores para garantir a compatibilidade com qualquer aparelho eletrônico, seja celular, ipod, mp3, fone bluetooth ou outros equipamentos. Seu led brilhante funciona como lanterna em caso de emergência.


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projetar

Edifício que economiza água www.designboom.com/ Divulgação

Projeto de dois estudantes de arquitetura alia a necessidade de economizar água à forma do edifício, captando a água da chuva

magine uma forma de aproveitar a água da chuva. Muitas ideias surgiram na sua cabeça? Ou foi difícil achar uma solução? Este desafio foi resolvido por dois estudantes de arquitetura. Os

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poloneses Ryszard Rychlicki e Agnieszka Nowak apresentaram o Rain Collector Skyscraper, um projeto de edifício que capta a água da chuva que cai no telhado e, também, a que escorre pelas paredes externas do prédio.
 A maior vantagem é a garantia de água sem custo para os moradores e, também, para o planeta. Os idealizadores afirmaram que em um momento de grandes inovações tecnológicas é possível pensar em inúmeras maneiras de integrar forma e função aos projetos mais inusitados. Eles aliaram a necessidade de economizar água à forma do edifício, E fizeram a seguinte comparação: a média diária de consumo de água por pessoa pode chegar a 150 litros e cerca de 85 litros desse total podem ser substituídos pela água da chuva. O projeto revela um sistema de canais e um funil que percorre a parte central do edifício e captam a água. O líquido passa por um sistema de tratamento e é distribuído para os apartamentos. Essa água pode ser usada para lavar roupa, na descarga do banheiro, para plantas e na limpeza da casa. O excesso de água fica guardado em reservatórios na

parte inferior do edifício. O projeto ganhou menção honrosa este ano pela proposta num concurso para estudantes de arquitetura. Apesar de ficar apenas no papel, a ideia está em sintonia com o cenário atual. O aquecimento global tem elevado o consumo de água, o que, por sua vez, exige políticas públicas que garantam água para a população e regulem seu uso. De acordo com o relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos, triplicou a prospecção de água potável nos últimos 50 anos e dobrou o número de áreas irrigadas. A ONU atribuiu isso ao crescimento da população mundial. São cerca de 80 milhões de nascimentos por ano. O aumento demográfico resulta num incremento anual de 64 bilhões de metros cúbicos na demanda por água. A agricultura é o principal consumidor, respondendo por 70% do uso da água. Caso não sejam tomadas medidas para conter o uso dos recursos hídricos pelo setor agrícola, diz o relatório, a procura mundial por água vai crescer entre 70% e 90% até 2050. Bem, o Rain Collector Skyscraper é uma ideia. Qual a sua?


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viajar

Barcos Verdes Dois projetos prometem futuras viagens marítimas ecologicamente corretas. Um deles é o catamarã Plastiki, desenvolvido com material reciclado. O outro é o Tûranor PlanetSolar, movido por energia solar rante no casco. O mastro é uma velha tubulação de água. O pano da vela foi feito com mais plástico reciclado. Quase tudo foi aproveitado com uma nova cola, feita de castanha de caju e açúcar. A intenção era que o barco fosse construído da maneira mais “verde” possível. A energia é fornecida por painéis solares, uma turbina de vento e geradores de bicicleta. Há ainda uma estufa em miniatura no convés para cultivar alimentos para os seis membros da tripulação.

 Outro catamarã, totalmente movido a energia solar, foi construído na Alemanha e está dando a volta ao mundo. É a primeira "expedição solar" ao redor do planeta. Batizado como Tûranor

PlanetSolar, a embarcação mostra que é possível inovar utilizando materiais reciclados e tecnologia para energia renovável. A tripulação é formada por seis físicos e engenheiros. O Tûranor tem 31 metros de comprimento, 15 metros de largura, pesa 95 toneladas e tem uma superfície de 537 m² coberta por painéis solares. É silencioso e não poluente. O idealizador é o suíço Raphaël Domjan. “A ideia é provar que as tecnologias na área de energia renovável estão avançadas, são seguras e confiáveis. Nossa viagem quer mostrar que a navegação pode funcionar sem combustível”, disse Domjan.

 A viagem tem o objetivo de defender o uso de energias renováveis, principalmente, a solar.

The Plastiki/ Divulgação

uer viajar pelos mares em uma embarcação ecologicamente correta? Isso ainda não é possível. Mas alguns grupos de idealizadores estão desenvolvendo projetos para esta viagem. Um deles é um catamarã desenvolvido com material reciclado. O outro é movido por energia solar.

 A equipe britânica, liderada pelo ambientalista David de Rothschild, navegou, durante quatro meses, pelo oceano Pacífico em um barco feito de garrafas plásticas recicladas, chamado de “Plastiki”. Da Califórnia a Austrália, o catamarã de 60 pés resistiu a tempestades e ondas gigantes durante a travessia de 9.000 milhas. O barco é mantido por 12.500 garrafas pet de refrige-

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movimentar

Nova ideia para transporte público Engenheira chinesa apresenta solução para ajudar a minimizar os problemas de trânsito e qualidade do ar: um veículo largo, alto e que pode transportar até 1,2 mil passageiros tem tomado tempo das pessoas.
 Uma solução para fugir ao trânsito engarrafado foi apresentada pela engenheira Karen Li, da empresa chinesa Shenzhen Huashi. Para ajudar a minimizar os problemas de trânsito e qualidade do ar, ela desenvolveu um veículo largo, alto e que pode transportar até 1,2 mil passageiros. Entre os benefícios apontados, está o baixo custo. A implantação requer a ampliação da faixa de rodagem de 60 centímetros e a construção das estações, o que representaria apenas 10% do custo de construção por quilômetro de um metrô. Isso para ocupar duas faixas de rolagem

em uma rua comum. O ônibus tem 2,2 metros de vão livre e 4,5 metros de bitola (com largura total de 6 metros), para permitir que dois carros rodem abaixo dele. Ele é movido a eletricidade, o que torna sua manutenção mais barata que a de um ônibus comum. Outra vantagem do novo veículo é a rapidez na implantação da infraestrutura. Construir 40 quilômetros de metrô pode levar até seis anos, com a obstrução de diversas vias. Para o "ônibus tridimensional" rodar nos mesmos 40 km, o tempo gasto é de um ano. O reabastecimento é feito na estação. Shenzhen Hashi/ Divulgação

a primeira quinzena de novembro do ano passado, a venda de carros cresceu 14,52% em relação a igual período do mês anterior no Brasil, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos). Em relação aos 15 primeiros dias de novembro de 2010, o incremento foi de 29,07%. Foram 127.514 carros a mais na frota do país em 15 dias de vendas. O principal reflexo das boas vendas nas concessionárias é o trânsito caótico nas grandes cidades. Os engarrafamentos são frequentes a toda hora do dia. Seja em veículo próprio, seja no coletivo, o transporte

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morar

Luz do sol para todos COHAB-MG/ Divulgação

Nos próximos quatro anos, o programa federal “Minha Casa, Minha Vida” vai construir de 300 mil a 400 mil casas populares com energia solar para aquecimento de água

ais de 90% das casas de Israel e Chipre usam os aquecedores solares. Na Áustria, uma em cada oito residências usa a tecnologia, apesar de condições de insolação bem inferiores a qualquer local do Brasil, que tem somente 1% de seus domicílios com aquecedores solares. Com a meta de construir de 300 mil a 400 mil casas populares que utilizam a energia solar para aquecimento de água, o Programa Minha Casa, Minha Vida, nos próximos quatro anos, quer começar a mudar esse cenário. Com o objetivo de atender as necessidades de habitação da população de baixa renda

M

nas áreas urbanas, garantindo o acesso à moradia digna com padrões mínimos de sustentabilidade, segurança e habitabilidade, o “Minha Casa, Minha Vida” vai contar com energia solar para aquecimento de água nas construções da região Sudeste. A expectativa é que cerca de 40 mil unidades do programa já estejam utilizando aquecimento solar no final de 2010. O engenheiro mecatrônico Carlos Faria, diretor do Studio Equinócio e criador e coordenador técnico da Iniciativa Cidades Solares, cuja atuação vem causando impactos positivos no desenvolvimento ener-

gético, social e ambiental do Brasil, explica que, somente nos últimos 10 anos, o setor de habitação de interesse social começou a receber atenção dos diferentes atores do mercado e, hoje, estima-se que mais de 25 mil domicílios desta modalidade já usem os aquecedores solares. A inserção dos aquecedores solares em habitações de interesse social, conforme Faria, iniciou-se dentro dos programas de eficiência energética das companhias de eletricidade do Brasil, já que eram obrigadas a investir uma parte mínima de seu faturamento em projetos como este. “O Minha Casa, Minha Vida é uma nova oportunidade de aprendizado e criação de novas tecnologias e soluções inovadoras que permitam um desenvolvimento ainda maior do setor”, explica. Carlos Faria auxiliou o Ministério do Meio Ambiente sobre a utilização da energia solar no programa social e considera que os benefícios são de grande relevância para os futuros moradores e para o Brasil. “A tecnologia solar é justa socialmente em seu próprio conceito, pois permite que utilizemos uma


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energia que chega gratuitamente em nossos telhados todos os dias e, com um programa de governo inteligente, poderia ajudar a erradicar a pobreza de nossos cidadãos”, disse. Os brasileiros que recebem os aquecedores solares em suas casas, para Faria, tem de forma inédita uma oportunidade de se tornarem “sócios de sustentabilidade” do governo na melhoria da matriz energética, pela redução dos investimentos federais na ampliação da geração de energia, da emissão de poluentes na atmosfera e ainda pelo aumento de renda pela economia do gasto energético.

“Pesquisas realizadas em diferentes conjuntos habitacionais do Brasil tem apontado para economias mensais entre R$ 300 e R$ 500. Para famílias que ganham entre um e três salários mínimos, o valor é muito representativo e um efetivo aumento da qualidade de vida”, destaca. Com uma visão ampla do negócio, Carlos Faria considera que o aquecedor solar é uma solução social importante para o Brasil. “Todos podem produzir sua energia nos seus telhados e ainda ajudar o governo em seus planos de geração de empregos, proteção do clima do planeta e aumento de renda”.

No entanto, o caminho não é tão simples. Apesar de considerar que a fama de alto custo da energia solar é “puramente fictícia e, muitas vezes, explorada por grupos econômicos que se sentem falsamente e ingenuamente ameaçados com a prevalência da tecnologia solar”, o engenheiro destaca que talvez o maior desafio do Brasil esteja na formatação de um programa de governo que dissemine eficazmente a cultura solar e facilite o acesso à tecnologia por grande parte da população. Isso passa, conforme ele, por uma educação generalizada de arquitetos e construtores.


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fazer o bem

Felicidade, do papel para a realidade O movimento Mais Feliz tem a proposta de estimular, incentivar e valorizar o capital social como fator determinante para a melhora do Brasil. E foi o idealizador da PEC da Felicidade

Mauro Motoryn, idealizador do Movimento Mais Feliz, deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS), senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e Luciano Borges, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos Nacionais (ANADEF)

escritor russo Leon Tolstoi disse que “a alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira”. Imagine um grupo de pessoas, empresas, instituições que se deram as mãos para buscar a felicidade. Não a felicidade indi-

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vidualista, mas coletiva, nos moldes de Tolstoi. É o que faz o movimento Mais Feliz, apartidário e não-governamental, que nasceu da idéia de que quanto maior o esforço e envolvimento de todos para a melhoria da educação no

país, mais feliz será a sociedade. Com a proposta de estimular, incentivar e valorizar o capital social como fator determinante para a melhora do Brasil, o Mais Feliz, que foi criado pelo publicitário e administrador de


Imagens: projeto Mais Feliz / Divulgação

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empresas Mauro Motoryn, vem atuando no sentido simbólico, da busca da felicidade, e também no incentivo de ações que melhorem efetivamente a qualidade de vida da população. Foi iniciativa do Mais Feliz a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Felicidade, que tramita no Congresso Nacional e que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. O objetivo da proposta é ressaltar os direitos sociais do cidadão - educação, saúde, moradia, emprego, entre outros - uma vez que eles são essenciais à busca da felicidade. Além disso, visa também fazer com que a felicidade da sociedade norteie as políticas públicas. O movimento entende que a busca da felicidade é um dever do Estado. Com a mudança no texto, o artigo 6º da Constituição Federal passaria a ser o seguinte: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à

maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”. O diretor do movimento, Alexandre Sayad, explica que essa é ainda uma grande luta do movimento, já que a PEC vai para o plenário do Senado, onde precisa ser votada duas vezes antes de ir para a Câmara dos Deputados. Outras ações, que Sayad intitula “de ponta”, incentivam a mudança de realidade de comunidades, como o projeto BairroEscola, realizado pela Cidade Escola Aprendiz, que começou na Vila Madalena, em São Paulo, mas já está sendo reproduzido em outras cidades, como Belo Horizonte (MG) e Nova Iguaçu (RJ). “O movimento tem duas facetas, uma é mais simbólica, não menos importante, que é a questão da PEC da Felicidade, e tem outra que é mais prática, mais efetiva, que é uma série de ações que a gente está fazendo para garantir não só a palavra na Constituição, mas algo acontecendo na vida real, no dia a dia das comunidades e das organizações”, explica Alexandre Sayad. Outra iniciativa lançada no

último mês de dezembro foi a Biblioteca Mais Feliz, um portal de troca de livros que vai proporcionar democratização de cultura. “Quando existe uma ação real, que muda a realidade das organizações e das pessoas, fica mais fácil articular e todo muito sai ganhando”, disse. Um dos papéis do movimento é a articulação, junto à sociedade, empresários, trabalhadores, artistas, instituições, para captação de recursos, sejam eles materiais ou não, para incentivar iniciativas que visam a transformação social. Trata-se de uma troca, na qual Sayad explica como “cruzar os caminhos”, na medida em que o movimento serve como ponte entre doadores e essas iniciativas. “O Mais Feliz é um movimento em que todos doam e todos recebem”.

Para saber mais sobre Estes e outros projetos do Movimento Mais Feliz, no site: www.maisfeliz.org


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economizar

Pequena grande economia

Com o objetivo de dar mais segurança ao funcionamento do sistema elétrico nacional do que de economia, o horário de verão muda a rotina da população e mostra a necessidade de geração de outras fontes energéticas horário de verão é adotado no Brasil desde 1931, com alguns hiatos em sua aplicação desde esse período. O costume de adiantar uma hora no relógio, que atinge alguns estados brasileiros e muda completamente a rotina da população, não se restringe somente à economia de energia, mas inclui também a segurança na operação do sistema elétrico nacional. Conforme o Operador Nacional do Sistema (ONS), a motivação do horário de verão 2011/2011, que começou no último dia 17 de outubro de 2010 e acaba em 20 de fevereiro de 2011, é a redução da demanda no horário de ponta, entre 18h e 20h, e uma operação mais segura e de menor custo do sistema elétrico nacional. A previsão do Ministério de Minas e Energia (MME) para esta edição é reduzir a demanda no horário de maior consumo em torno de 5%, o que corresponde a uma redução de 62% no consumo de uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro, ou duas vezes a demanda máxima de Brasília,

nos horários de maior consumo (das 18h às 21h). A redução total no país deve ser de 0,5%, o equivalente a 10% do consumo mensal de Vitória (ES) ou de Porto Alegre (RS). “Parece pouco, mas não é, representa alguma coisa”, comenta o físico Raul Fritz, pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Conforme Fritz, cerca de 50% © Pgangler | Dreamstime.com

O

da energia brasileira é proveniente das usinas hidroelétricas e, do ponto de vista de uma economia, o país começa agora a criar novas fontes energéticas, daí a necessidade de ainda optar por outras alternativas que possam dar segurança ao sistema. “A oferta de energia não tem crescido, através da construção de novas usinas ou de fontes alternativas. Como a demanda é muito grande, o horá-


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rio de verão permite economizar mais um pouco, evitando um colapso”, explica. O horário de verão proporciona que consumidores residenciais acionem sua energia elétrica em horário que não coincide com os picos da indústria, do comércio, distribuindo melhor o uso dessa energia no horário de maior demanda, por causa dos dias mais longos de verão. “Isso equilibra a distribuição e evita blecautes”, disse Fritz.

Adotado em toda a Europa, na maior parte da América do Norte e na Austrália, o horário de verão é mais eficaz nas regiões distantes da linha do Equador, já que nesta estação os dias são mais longos e as noites mais curtas. Nas regiões próximas ao Equador, o horário de verão traz poucos benefícios, pois os dias e as noites tem duração igual ao longo do ano. Por isso, somente ficam de fora as regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde os dias

e as noites tem praticamente a mesma duração e não há definição das quatro estações do ano. O pesquisador vê a geração de energias alternativas, a longo prazo, como uma opção à adoção do horário de verão. No entanto, apesar de desagradar a população e também causar certa instabilidade no organismo humano, a medida, conforme Raul Fritz, ainda é utilizada para evitar o caos energético e o retorno de períodos restritivos.

Projetos contra o horário de verão tramitam na Câmara Três propostas que acabam com o horário de verão em todo o Brasil tramitam na Câmara dos Deputados. São os projetos de lei 5066/09, 2540/07 e 397/07, apresentados, respectivamente, pelos deputados Mário de Oliveira (PSC-MG), Armando Abílio (PTB-PB) e Valdir Colatto (PMDB-SC). Elas tramitam em conjunto e aguardam pareceres das comissões técnicas. Uma das propostas afirma que não foi constatada vantagem técnica na mudança de horário, já que a energia produzida nesse período que não é consumida simplesmente se perde e as pessoas acordam ainda no escuro e começam a consumir energia mais cedo. Além disso, os projetos utilizam também o argumento dos prejuízos ao metabolismo do corpo humano pela mudança no horário. RR

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11 12 1 10 2 9 3 8 4 7 6 5

MG ES MS SP

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SC RS

RJ

Estados com horário de verão Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal


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incentivar

GE investe US$ 200 milhões para alavancar projetos de energia renovável A empresa General Eletronic lançou um desafio para encontrar alternativas e novas tecnologias para a geração de matrizes energéticas. O GE Ecomagination Challenge recebeu mais de 70 mil projetos, oriundos de 150 países, no ano passado. A segunda fase, lançada em 2011, foca em ideias para gerenciamento de energia em uma casa


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desenvolvimento de tecnologias para a geração de matrizes energéticas mais limpas é um dos desafios da sustentabilidade. A General Eletronic é um exemplo de empresa que busca alternativas para esta realidade. A GE e suas parceiras vão investir US$ 200 milhões em empresas de tecnologias. Os recursos fazem parte do programa “GE Ecomagination Challenge” (Desafio GE Ecomagination). Em 2010, cinco participantes foram selecionados pela GE, que vai buscar inserir estes projetos em seus negócios e no de seus fornecedores. Foram 70 mil inscritos, oriundos de 150 países. Os vencedores foram selecionados por um juri independente, formado pelo editor da revista Wired, Chris Anderson, executivos da GE e líderes do mundo acadêmico ligados à tecnologia. Os premiados são projetos de uma turbina eólica inflável de peso leve, uma tecnologia que instantaneamente degela as pás da turbina eólica, assim elas não diminuem de velocidade, da empresa Ice Code - da cidade americana West Lebanon, em New Hampshire; um medidor de água que gera energia própria desenvolvido pela Capstone Metering, localizada em Carrollton, no Texas; uma rede de comunicação segura para sistemas elétricos da Electric Route, situada em Salem&Hollis, também em New Hampshire; um progra-

O

ma de controle de qualidade de redes elétricas, da empresa israelense Grid On; e turbinas eólicas infláveis da também israelense Winflex. O desafio gerou 4 mil ideias ao longo de dez semanas, que além da GE, também contou com a parceria, no âmbito financeiro, da Emerald Technology Ventures, Foundation Capital, Kleiner Perkins Caufield & Byer e RockPort Capital. Cada vencedor recebeu US$ 100 mil para desenvolver seus projetos. Desde julho do ano passado, a GE trabalha com 12 parceiros em tecnologia e em investimentos para comercializar estas ideias inovadoras. Os 12 parceiros são a ClimateWell, de Estocolmo, na Suécia, que trabalha com eficiência energética; a Consert, de Raleigh, na Carolina do Norte, a JouleX, em Atlanta, a Opower, em Arlington, Virginia, e a Scientific Conservation, San Francisco, nos EUA, que desenvolvem sistemas e softwares para gerenciamento de energia; a FMC-Tech Ltd., em Shannon, Irlanda, e a Sentient Energy, de Burlingame, Califórnia, ambas de tecnologias

inteligentes; a The Fu Foundation School de Ciências Aplicadas e Engenharia, da Universidade de Columbia University, em Nova York, que colabora com estudos sobre veículos elétricos; a SecureRF Corporation, de Westport, Connecticut, de planos de seguridade; a Soladigm, Milpitas, Califórnia, de construções eficientes, a SustainX, em West Lebanon, New Hampshire, de conservação de energia; e a SynapSense Corporation, em Folsom, Califórnia, que trabalha com serviços de data centers para medir e gerenciar as condições climáticas. Uma nova fase do concurso acaba de ser lançada. O desafio é encontrar novas ideias de como casas podem “capturar” e utilizar melhor energia solar, eólica ou qualquer outro tipo de recursos renováveis. O GE Ecomagination Challenge - Powering Your House pretende investir em cinco projetos e/ou tecnologias inovadoras que possam mudar drasticamente o gerenciamento de energia em uma casa. Cada projeto também receberá US$ 100 mil para desenvolvimento.

Para saber mais sobre Os vídeos sobre os projetos escolhidos estão disponíveis no site www.ecomagination.com/announcements. Para saber mais sobre o novo concurso, submeter uma ideia ou conhecer os projetos que já estão concorrendo, visite o site: www.challenge.ecomagination.com


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cidade renovável RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Verde São Francisco Considerada a cidade que menos desperdiça nos Estados Unidos, São Francisco possui nova meta: a de se tornar modelo, para o mundo, em responsabilidade ambiental. Ao apostar na sustentabilidade, movimentou diversas áreas e promoveu ganhos para o turismo, economia e qualidade de vida


© Christian De Grandmaison | Dreamstime.com

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São Francisco

ão Francisco mais verde. Este ideal move moradores, empresas, governo e organizações não governamentais em busca de tornar a cidade californiana um exemplo de sustentatilidade, em vários aspectos: ar, água, esgoto, saúde, alimentação, parques, transporte, moradia, energia, economia. A meta é tornar a cidade um modelo, para o mundo, em responsabilidade ambiental. Com a quarta maior população da Califórnia e a 12ª dos Estados Unidos, São Francisco abriga mais de 815 mil pessoas. Os desafios da sustentabilidade possibilitam uma sociedade mais educada e gentil, um ambiente limpo e modos de vida mais conscientes. São Francisco é reconhecida como líder em implementar políticas para promover uma boa qualidade do ar, oferecendo a seus moradores e visitantes os benefícios de um ar puro e um meio ambiente saudável em casa, no trabalho e nos momentos de lazer. Os veículos são uma das principais causas de poluição do ar na Califórnia, por isso medidas são tomadas para reduzir a dependência em gasolina

S

no transporte. Os avanços alcançados referem-se a veículos movidos com energia alternativa. Mais da metade dos táxis de São Francisco, por exemplo, são híbridos ou utilizam gás natural como combustível. A cidade aprovou uma lei dando às companhias de táxis um prazo até 2012 para reduzir as emissões de gases em 20% em relação aos níveis de 1990. O consumo de gasolina e petróleo foi reduzido em aproximadamente 11 milhões de litros por ano e as emissões de gás tiveram queda de 35 mil toneladas ao ano, o equivalente a tirar aproximadamente 4.700 carros das ruas. Outra característica "verde" do transporte urbano é que a maioria dos habitantes utiliza diariamente o serviço público, evitando tirar o carro da garagem. Além disso, a fumaça de cigarros, de queimadas e churrascos, certas práticas de construção, prédios com ventilação imprópria e a atividade industrial também impactam negativamente na qualidade do ar. Para estes problemas, soluções como energia solar para


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cidade renovável

© Jiawangkun | Dreamstime.com

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

mover indústrias, empresas e casas. Um exemplo é a Academia de Ciências da Califórnia, um dos principais pontos turísticos e que atrai anualmente 1,6 milhões de visitantes. A estrutura do prédio foi planejada para utilizar energia solar e reduzir a quantidade de resíduos produzidos. O teto abriga cerca de 1,7 milhão de espécies nativas da região. Essas plantas tornam o interior do prédio mais arejado e fresco e cooperam com a absorção do gás carbônico e captação da água das chuvas. Os hotéis também buscam alternativas ecologicamente corretas. Para os hábitos diários, a cidade também oferece alternativas mais verdes, como ciclovias; mais saudáveis, como os mercados orgânicos, e mais sociáveis, como cafés com mesas comunitárias. Nos diversos pontos turísticos, nas famosas ladeiras, lojas, univer-

sidades e parques, os visitantes também são atraídos por ações que promovem a sustentabilidade. No quesito alimentação, os restaurantes, bares e cafés preferem ingredientes frescos, orgânicos e regionais. A famosa Farmers Market é um dos locais escolhidos por aqueles que buscam uma alimentação mais saudável e livre de agrotóxicos. A feira reúne barraquinhas com produtos orgânicos, queijos, pães, frutas e até alguns restaurantes vendem seus pratos na feirinha. Um dos pontos valorizados pelos chefes de cozinha locais é a preferência por produtos da região, que podem ter sua procedência comprovada. Mais do que os cuidados com a qualidade do ar e meios de transporte menos poluentes, o departamento de meio ambiente da cidade desenvolve programas nas áreas de lixo (redução do desper-

dício e reuso de objetos, incluindo reciclagem, que é obrigatória por lei), resíduos tóxicos (voltados para serviços de lavagens a seco, controle de pestes, agricultura), energia (referem-se a mudanças climáticas, eficiência energética, fontes renováveis, crédito de carbono), além de propostas para as construções, serviços e produtos ecologicamente corretos e preservação da natureza no meio urbano. Tudo isso orientado pela "justiça ambiental", que consiste no tratamento igual para todas as pessoas sem distinção de raça, etnia, nível de educação. Esses são alguns dos motivos que levaram São Francisco a ser escolhida como a cidade que menos desperdiça nos Estados Unidos. Ao apostar na sustentabilidade, a cidade movimentou diversas áreas e promoveu ganhos para o turismo, economia e qualidade de vida.


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na

construção

de

torres

eólicas

à

proximidade

da

implementação de novos parques eólicos na região. Com parcerias assim, seus negócios estão sempre na direção certa.


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rg verde PERFIL

Senhora da floresta Com seu amor pela floresta, a empresária e ambientalista Vitória da Riva Carvalho é a responsável pela preservação de sete mil hectares de mata Amazônica, em Mato Grosso


1

2

3

1. Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis)  2. Macaco-aranha (Atelis marginatus)  3. Anta (Tapirus terrestris)

uando a empresária e ambientalista Vitoria da Riva Carvalho, presidente da Fundação Ecológica Cristalino, decidiu criar o Cristalino Jungle Lodge, um hotel no meio da floresta, o município de Alta Floresta, no Mato Grosso (MT), não existia nem no mapa. “Acharam que eu era louca, porque para os moradores aquilo não era floresta, era mato”, conta ela. Pioneira no ecoturismo no Brasil, a história de Vitória se confunde com a do município de Alta Floresta. Em 1976, seu pai saiu de Jequitaí, norte de Minas Gerais (MG), e comprou terras na parte da floresta Amazônica do Mato Grosso para plantar cacau, guaraná, café e fazer extrativismo de castanha do Brasil, e acabou fundando a cidade. A agricultura familiar na terra distribuída a colonos ia de vento em popa, até que a chegada da inflação fez com que os produtos agrícolas

Q

perdessem espaço no mercado. Foi quando descobriram que debaixo daquela terra tinha ouro. E instalou-se o garimpo na área, mudando perfil das pessoas, trazendo problemas sociais como prostituição, doenças e muita degradação ambiental. Nessa época, Vitória morava em São Paulo, para onde foi estudar inglês, já era casada e com filhos pequenos. Vendo a situação da cidade que o pai ajudou a fundar e a destruição herdada pelo garimpo do ouro, Vitória decidiu que queria fazer algo para manter a floresta em pé. Nessa mesma época, surgiu no Brasil o movimento de turismo ecológico, do qual participou desde o início. Fez treinamentos, seminários, cursos e foi uma das 42 pessoas escolhidas para receber capacitação da ONG Conservação Internacional para o chamado “ecoturismo”. “Foi a primeira vez que se falou em planejamento estratégico em ecoturismo”, relembra Vitória.

Entre idas e vindas entre a capital paulista e Alta Floresta, Vitória comprou uma linda área, de 700 hectares, no Rio Cristalino, em 1990. Somente dois anos depois, em 1992, construiu um acampamento com redes para receber seus ainda poucos hóspedes. Dividindo-se entre os cinco filhos, família e trabalho, passou cinco anos convivendo com todo tipo de dificuldades: o avião não chegava à cidade, a operadora não queria vender pacotes, o local não existia sequer no mapa. Em 1997, com os filhos independentes, resolveu passar mais tempo em Alta Floresta. Foi quando o projeto do Cristalino Jungle Lodge começou de fato. Treinou funcionários, fez melhorias na estrutura, implantou “o conceito”. Devagar, o hotel foi sendo descoberto. Seu primeiro cliente foi um ornitólogo, que foi trazendo mais um e mais outro. Hoje, lá é o principal local da Amazônia para observação de aves.

Cristalino Jungle Lodge/ Divulgação

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rg verde PERFIL va áreas de terra que estavam na iminência de serem desmatadas ou que já estavam sendo degradadas. Hoje, o hotel está em uma área de sete mil hectares de Reserva Particular do Patrimônio Natural, equivalente a quatro vezes o tamanho do arquipélago de Fernando de Noronha e duas ilhas de Manhattan. “Eu comprei para não destruírem”, conta. O Cristalino Jungle Lodge tem 16 apartamentos, trilhas ecológicas e práticas totalmente sustentáveis, em harmonia com a floresta. Utiliza aquecimento de água por energia solar, faz tratamento de efluentes, utiliza produtos biodegradáveis, faz coleta seletiva e mantém uma turbina hidrocinética na corredeira do rio para gerar energia. Vitória conta que, apesar disso, ainda é dependente de gerador, mas planeja, “quando os custos baixarem”, investir na energia fotovoltáica.

E não é só. Um dos projetos da Fundação Ecológica Cristalino é a Escola da Amazônia, que faz educação ambiental para crianças e jovens locais e também para visitantes. Mais de dois mil alunos já aprenderam a importância daquele lugar e de muitos outros. Outro projeto é a recuperação de nascentes. Durante muito tempo sofrendo com desmatamento, algumas áreas foram degradadas e agora estão sendo recuperadas. “No projeto piloto recuperamos 26 nascentes, mas já passamos de 120”, relata. Aos 66 anos, Vitoria da Riva Carvalho já tem parte dos seu cinco filhos trabalhando com ela, planeja consolidar o hotel de selva, proporcionando aos visitantes “uma experiência autêntica”, e se dedicar mais à fundação, sem perder de vista o mais importante, manter viva a chama da natureza e a floresta protegida.

Cristalino Jungle Lodge/ Divulgação

Por causa da grande quantidade de pesquisas científicas que eram realizadas na área e da qual participava indiretamente, por abrigar os estudiosos, decidiu criar em 1999 a Fundação Ecológica Cristalino. Mas, somente em 2003, a fundação funcionaria de fato. Hoje, o trabalho que realiza na instituição é que praticamente mantém a floresta em pé. A população de Alta Floresta não via com bons olhos o seu sonho nem a sua atividade. “Como muita gente vivia de desmatamento, venda de madeira, tudo que acontecia de fiscalização, eles achavam que eu estava por trás, porque já trabalhava com a questão da preservação da floresta. Hoje, não vejo mais dificuldade e acho que eles admiram o meu trabalho”, conta. A paixão pela floresta também fez com que Vitória ampliasse o seu patrimônio, na medida em que compra-


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personagem ENTREVISTA

IZABELLA TEIXEIRA

“Desenvolvimento e preservação dos recursos naturais são perfeitamente compatíveis” A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, fala dos avanços na sustentabilidade dos recursos naturais no país, comemora os resultados na redução de desmatamento e emissão de gases e destaca que o setor também é estratégico para a erradicação da pobreza. Em entrevista exclusiva, ela mostra a importância da integração do meio ambiente com outras áreas e diz que a política ambiental brasileira conquistou um novo espaço na sociedade

{ por Paola Vasconcelos


Fotos: Jefferson Rudy/MMA

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personagem ENTREVISTA

IZABELLA TEIXEIRA

inda do meio técnico, já que é funcionária de carreira do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a nova ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, não é novidade no novo governo brasileiro. Ela assumiu o comando da pasta em abril de 2010, ainda no Governo Lula, quando o então ministro Carlos Minc (PV) deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Sua participação no governo é considerada por especialistas como responsável pela ponte entre as áreas ambiental e econômica. Antes de assumir o comando do ministério, atuou como secretária executiva da pasta. Tratando política ambiental como “uma política de Governo e não uma política do Ministério do Meio Ambiente (MMA) ou de seu titular”, Izabella Teixeira teve a aprovação da presidenta Dilma Rousseff para permanecer no cargo. É justamente por essa política que as ações do ministério, conforme Izabella Teixeira, não perdem de vista a meta maior do governo, que é a erradicação da pobreza extrema, cuja causa também é a degradação ambien-

tal. “A convergência entre meio ambiente e qualidade de vida é total. A política ambiental é inclusiva nesse sentido”, explica. Para a ministra do Meio Ambiente, a política ambiental brasileira conquistou um novo espaço na sociedade. Foram conquistas importantes: a queda nos índices de desmatamento na Amazônia -- de 27 mil km² para 6,4 mil km², em seis anos; ampliação do diálogo com o setor

E, do ponto de vista internacional, a tendência é que o Brasil continue sendo um importante interlocutor. Em 2012, o país será palco da Rio+20, quando as Nações Unidas discutirão e adotarão medidas para a sustentabilidade do meio ambiente. “O Brasil está empenhado para que a Rio+20 seja um símbolo de reconhecimento de todas as nações de que o atual modelo de desenvolvimento encontra-se

A emergência da questão ambiental no mundo inteiro faz com que, hoje, economia e meio ambiente sejam complementares e integrados. A convergência das agendas, tanto no setor público quanto no setor privado, é cada vez maior.

produtivo, com as ONGs e com as populações afetadas; redução das emissões de gases poluentes; protagonismo ambiental no mundo, entre vários outros. No entanto, Izabella Teixeira lembra que ainda há muito a fazer para que se tenha desenvolvimento com sustentabilidade. Um importante desafio, para ela, é fazer com que o Brasil consiga reduzir 80% de desmatamento até 2020, compromisso assumido perante a Convenção do Clima. Além disso, reforçar a atenção para outras áreas, como cerrado e caatinga, vegetações que também estão sendo desmatadas; e aprofundar os estudos sobre o desenvolvimento de energias alternativas também são metas do MMA.

exaurido”, disse Izabella Teixeira. Renergy:: A participação da senhora no MMA é apontada como a responsável pela mediação do debate entre as áreas ambiental e econômica. Quais os segredos para conciliar áreas ora complementares, ora tão diferentes? Izabella Teixeira:: A emergência da questão ambiental no mundo inteiro faz com que, hoje, economia e meio ambiente sejam complementares e integrados. A convergência das agendas, tanto no setor público quanto no setor privado, é cada vez maior. Quanto às diferenças, acho que já não são tão gritantes quanto em um passado recente. A necessidade de preservação


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R:: O Brasil tem conseguido aliar desenvolvimento econômico e tecnológico com sustentabilidade? IT:: Em partes do Estado, existem avanços significativos com as novas políticas de mudanças climáticas, resíduos

corda que é preciso analisar ecologia sob o prisma social? IT:: Ao preservamos os recursos naturais do planeta estamos assegurando ao homem melhores condições de vida no presente e no futuro. Uma das metas do governo é a erradicação da pobreza extrema e uma de suas causas é a degradação ambiental. A convergência entre meio ambiente e qualidade de vida é total. A política ambiental

leis ou defesa de direitos consagrados na Constituição brasileira, como direitos econômicos, culturais, sociais e ambientais. A erradicação da pobreza e o desenvolvimento do Brasil tem que se dar com o uso sustentável da nossa biodiversidade, das nossas florestas, do mar e dos rios. As ONGs participam desse esforço de muitas formas: fiscalizando, sugerindo modelos, avançando projetos demonstrativos que

sólidos e conquistas importantes para biodiversidade, como a queda do desmatamento e a ampliação das áreas protegidas, mas precisamos avançar bem mais. O setor privado do país está à frente das políticas públicas e já vê na sustentabilidade um poderoso instrumento para ampliar a produção e impulsionar o desenvolvimento.

é inclusiva nesse sentido. Povos indígenas, populações tradicionais e em risco social estão em áreas vulneráveis, degradadas ou em processo de degradação. Todas as ações do Ministério do Meio Ambiente são direcionadas para o bem estar dessas pessoas e a necessidade de desenvolvimento com sustentabilidade em suas comunidades.

R:: O teólogo e ecologista Leonardo Boff, em uma entrevista para a Revista Renergy, apontou que, devido às mudanças climáticas, temos nos concentrado demasiadamente na ecologia ambiental. Mas que não deveríamos esquecer do que ele chama de ecologia social. A senhora também con-

R:: Como a senhora analisa o trabalho das ONGs em defesa da preservação ambiental no Brasil? Como o ministério trabalha com estas organizações? IT:: A preservação ambiental é tarefa de todos, do Estado e da sociedade. As ONGs são uma forma de livre associação de cidadãos para a proposição de

possam gerar políticas públicas e ações na escala dos desafios do Brasil. O Ministério conta com a participação e ajuda dessas entidades na formulação de políticas e no fomento de práticas sustentáveis de desenvolvimento. Esta participação se dá de maneira formal nos conselhos, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e o Conselho de Política para o Desenvolvimento Sustentável (CPDS), e é prevista na lei, ou por meio de outras formas de parceria.

dos recursos naturais já é consenso e o consenso entre essas áreas tem que ser olhado a partir do conceito de sustentabilidade.

R:: E o trabalho do poder público? Como o governo de Lula atuou em relação à política ambiental? Quais foram os principais sucessos e fracassos ambientais?


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personagem ENTREVISTA

IZABELLA TEIXEIRA e vários outros órgãos públicos, além da iniciativa privada e do cidadão. A meu ver, isso é transversalidade. Veja, por exemplo, a operação Arco Verde, que leva políticas de sustentabilidade aos municípios campeões do desmatamento. Ela é comandada pela Casa Civil e envolve 14 ministérios. Isso já existe e terá continuidade. Minha expectativa, e basta atentar para o discurso de posse da presidente Dilma, é de que meio ambiente e as demais políticas públicas caminhem juntas. Nosso papel sempre foi e continuará sendo o de assegurar crescimento sustentável do ponto de vista ambiental. Desenvolvimento e preservação dos recursos naturais são perfeitamente compatíveis. A pauta ambiental estará cada vez mais integrada às demais políticas.

IT:: Seguramente, a política ambiental brasileira conquistou um novo espaço na sociedade. Avançamos em todas as áreas e elevamos a gestão ambiental a um novo patamar dentro das políticas públicas. Ampliamos o diálogo com o setor produtivo, com as ONGs e com as populações das áreas afetadas por ações que inibem a economia tradicional, sem bases sustentáveis. Eu destacaria como uma das ações mais eficazes o combate ao desmatamento na Amazônia. A queda nos índices foi surpreendente até para os gestores governamentais envolvidos. Em seis anos, a área desmatada, que era de 27 mil km², caiu para 6,4 mil km², superando as metas estabelecidas nos nossos acordos internacionais. Além disso, aprovamos as Políticas de Mudanças Climáticas e Resíduos Sólidos, o Plano Amazônia Sustentável e já estamos monitorando todos os biomas brasileiros. Isso, fora os avanços pontuais em políticas específicas, a ampliação das áreas protegidas, hoje o maior território sob proteção do mundo. R:: A senadora Marina Silva explicou que a chamada transversalidade, ou seja, estender os critérios ambientais a todo governo - foi um dos grandes desafios quando esteve à frente do MMA. Quais são as expectativas com o novo governo? IT:: A Política Ambiental é uma política de governo e não uma política do Ministério do Meio Ambiente ou de seu titular. Nela estão previstas ações que envolvem todos os ministérios

A Política Ambiental é uma política de governo e não uma política do Ministério do Meio Ambiente ou de seu titular. Nela estão previstas ações que envolvem todos os ministérios.

R:: Com relação ao Protocolo de Kyoto, a partir de 2012, cada país fica livre em matéria de clima. O Brasil foi o único entre os emergentes a fixar um teto voluntário para as emissões de carbono, com decreto presidencial como força de lei? IT:: O Protocolo está em vigor e a única coisa que acontece em 2012 é o final do primeiro período de compromisso de redução de emissões, período esse que vai de 2008 a 2012. Nesse período, os países desenvolvidos se comprometeram em reduzir suas emissões em média 5% em relação a 1990. O que se está negociando no momento é um segundo período de compromisso. Em Cancún ficou decidido que a negociação continua e que deve ficar assegurado que


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R:: Como o Brasil vai cumprir o compromisso, em todos os setores? IT:: Com relação ao cumprimento das metas, já estamos avançando nos nossos compromissos. O exemplo mais emblemático é a meta de redução das emissões provenientes do desmatamento da Amazônia, que deverá ser alcançada antes do prazo previsto. Em 2010, já

A meta de redução das emissões provenientes do desmatamento da Amazônia deverá ser alcançada antes do prazo previsto.

SXC.hu

não haja um intervalo entre o primeiro e o segundo período de compromisso. O Brasil, assim como outros países que não tem limitação de emissões pelo Protocolo de Kyoto, ofereceu reduções de emissões não no âmbito do Protocolo, mas no âmbito da Convenção. Aliás, muitos países ofereceram reduções voluntárias de emissões, chamadas NAMAs (Nationally Appropriate Mitigation Actions). De fato, a redução de emissões apresentada pelo Brasil em Copenhague no ano passado faz parte da Lei 12.187/2009. Esta lei estabelece para 2020 uma redução mínima de 36,1% das emissões em relação a um cenário de referência e também lista uma série de planos setoriais a serem desenvolvidos para que se atinja essa meta. No ano de 2010, cinco desses planos foram detalhados e serão concluídos ainda no início deste ano e outros planos serão iniciados. Todos esses planos serão integrados num processo de revisão do Plano Clima. Também estamos desenvolvendo os instrumentos necessários para implementar esses planos, como por exemplo o Fundo Clima, que acaba de ser instalado.

tínhamos reduzido mais do que 60% dessas emissões e nossa meta é atingir 80% de redução em 2020. Mas temos ações em todos os setores, como o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) etc. Também iremos regulamentar o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE), previsto na mesma lei, que poderá criar condições de flexibilização das metas setoriais. Resposta objetiva à sua pergunta: sim, o Brasil vai cumprir as suas metas internamente e internacionalmente e envidará todos os esforços para que todos os países possam contribuir de forma significativa e justa nesse esforço mundial para combater o aquecimento global. R:: Do ponto de vista de resultados, que projetos viabilizados pelo Fundo Amazônia podem ser considerados destaque? IT:: O Fundo Amazônia analisa rigorosamente os projetos de conservação florestal e promoção do desenvolvimento sustentável, apoiando aqueles que abranjam o fortalecimento de instituições que atuem na conservação florestal e na redução do desmatamento. Projetos de apoio ao manejo florestal comunitário e ações inovadoras, como o pagamento de benefícios a comunidades para a conservação florestal, também tem acesso aos recursos do Fundo. O programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) também é contemplado. Além disso, merece ser ressaltada a importância do Fundo Amazônia para a capacidade dos estados implementarem seus programas


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personagem IZABELLA TEIXEIRA

de prevenção e combate ao desmatamento. Exemplos são os estados do Amazonas, Pará e Acre. O Fundo é, portanto, um importante instrumento para assegurar a redução das emissões de gases de efeito estufa assumida pelo Brasil. R:: O Brasil, como a senhora citou, já conseguiu ganhos inquestionáveis com a redução do desmatamento na última década. No entanto, como a maior fonte de emissões de gases, o desmatamento não é um problema só na Amazônia. IT:: De fato, o Brasil vem apresentando uma performance internacionalmente reconhecida no que se refere ao combate à perda da Floresta Amazônica. Basta lembrar que iniciamos o século 21 com taxas anuais acima dos 20 mil km², cujo ápice foi em 2004, quando se chegou a 27 mil km² de corte raso. E, após isso, conseguimos, por meio de uma ação coordenada do governo consubstanciada no Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia (PPCDAm), reverter essa tendência a ponto de tanto 2009 quanto 2010 registrarem os dois maiores recordes de queda substantiva do desmatamento: 7.464km e 6.450km, respectivamente. Mas ainda temos muito a fazer para atingir o compromisso assumido pelo Brasil perante a Convenção do Clima, ou seja, chegarmos em 2020 com redução de 80% do desmatamento. Eu diria que outro mérito nosso nos últimos anos foi o de demonstrar que não é apenas a Amazônia a merecedora de nossa atenção.

Embora ela seja a principal fonte das emissões brasileiras de gases de efeito estufa, nós sabemos que o Cerrado e os demais biomas também têm uma parcela significativa de contribuição no setor de florestas e uso da terra. E, quanto mais se reduz a taxa na Amazônia, proporcionalmente aumenta a importância relativa das demais emissões.

De fato, o Brasil vem apresentando uma performance internacionalmente reconhecida no que se refere ao combate à perda da Floresta Amazônica SXC.hu

ENTREVISTA

R:: Qual o plano do governo para reduzir o desmatamento do Cerrado e da Caatinga e evitar a desertificação dessas áreas? IT:: O Cerrado é a segunda fonte de emissão dentro do cômputo do desmatamento. E, por isso, partindo-se dos pilares da intervenção bem sucedida na Amazônia, o governo lançou em setembro de 2009 um plano totalmente dedicado a enfrentar o problema do desmatamento e das queimadas nesse bioma. Trata-se do PPCerrado, cujo decreto presidencial determina que o conjunto do governo deve agir em favor da redução do corte raso, da criação de áreas protegidas e de várias medidas a fim de favorecer o desenvolvimento sustentável. Para o seu sucesso, é fundamental primeiro criar um sistema de monitoramento, o que já estamos fazendo numa parceria com o Ibama e o Inpe. Em segundo lugar, é fundamental o engajamento da sociedade e do setor empresarial, notadamente o do setor agropecuário. E vamos ampliar a nossa intervenção para os demais biomas. Estamos nesse exato momento discutindo dentro do Governo Federal um plano


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nais. Dentro da Política Nacional de Mudanças Climáticas, há um plano setorial exclusivamente dedicado à energia. Ou seja, o compromisso é o de garantir energia para o desenvolvimento nacional sem implicar descuido com as emissões de gases de efeito estufa. Os biocombustíveis tem um papel relevante nesse sentido.

também para a Caatinga, cujos eixos norteadores já foram definidos. Acreditamos que em 2011 tenhamos condições de avançar ainda mais nessa direção. R:: A produção de biocombustíveis no Brasil, como a do etanol, está ligada a culturas que ainda utilizam as queimadas para preparar as safras. O que a senhora acha desse fator, uma vez que a grande vantagem dos biocombustíveis é a matriz limpa? IT:: O Brasil se destaca neste aspecto exatamente porque possui como principais fontes de sua matriz energética o uso de recursos renováveis. E os biocombustíveis estão cada vez mais adquirindo importância, dada a longa experiência brasileira na produção do etanol. Estamos avançando rapidamente em evitar que a produção dos biocombustíveis esteja associada a queimadas. Por exemplo, em São Paulo, os próprios produtores de cana de açúcar se comprometeram a eliminar o uso da queima no processo produtivo até 2015, e a maioria já o vem fazendo. Em 2009, o Governo Federal também assinou um decreto instituindo o Zoneamento Agroecológico da expansão da cana de açúcar, e impede que as queimadas façam parte da produção. Também nesse decreto fica proibido que a expansão ocorra em áreas sensíveis como a Amazônia, o Pantanal e as cabeceiras do rio Paraguai. Assumimos que será possível expandir a produção de cana de açúcar sem prejudicar nossos ecossistemas considerados patrimônios nacio-

Dentro da Política Nacional de Mudanças Climáticas, há um plano setorial exclusivamente dedicado à energia. Ou seja, o compromisso é o de garantir energia para o desenvolvimento nacional.

R:: De que maneira o Brasil está se preparando para efetivar o uso de energias alternativas, como a gerada pela biomassa? IT:: Todas as energias renováveis estão sendo objeto de estudos para melhorar a eficiência e eficácia dos procedimentos de licenciamento ambiental. Na área de biocombustíveis, o MMA tem atuado na cooperação com o Ministério das Relações Exteriores na definição de indicadores de sustentabilidade ambiental dos biocombustíveis brasileiros. Considerando a atribuição endereçada ao MMA, de proposição de políticas públicas voltadas a uma matriz sustentável de energia, várias medidas estão sendo implementadas. No que se refere aos Sistemas de Aquecimento Solar (SAS), o MMA instituiu, por meio da Portaria no 238/2009, o Grupo Técnico Energia Solar Térmica. O objetivo do GT é apresentar propostas para o estímulo à utilização de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) de água no programa habitacional “Minha Casa Minha Vida”, proporcionando economia de energia elétrica e a melhoria da qualidade de vida dos moradores. Segundo o Ministério de Minas e


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personagem ENTREVISTA

IZABELLA TEIXEIRA

Energia (MME), um milhão de residências com SAS do programa “Minha Casa Minha Vida” evitariam a emissão de aproximadamente 18.171 toneladas de CO2 por ano. Até o final do ano passado, 40 mil unidades habitacionais já tinham o SAS em seus projetos. Ainda sobre eficiência energética, o MMA está coordenando um projeto que busca o aumento da eficiência energética em edificações públicas e privadas. O projeto denominado Transformação de Mercado para a Eficiência Energética conta com recursos de doação do Global Environmental Facility (GEF) para a capacitação da mão de obra atuante na área e ainda para a disponibilização de dados e informações por meio de um sítio a ser implementado em articulação com o Procel/MME. No que se refere à biomassa, o MMA tem atuado nos estudos sobre potencial de geração elétrica por várias fontes, como resíduos de madeiras e o próprio lixo. R:: O Ibama é visto como um órgão lento. Por que ocorrem atrasos em emissão de licenciamento ambiental que prejudicam obras no setor elétrico, a exemplo de Belo Monte, e outras obras em energia? IT:: O Ibama é responsável e zeloso com suas atribuições legais relativas ao meio ambiente. O zelo é erroneamente confundido com lentidão. Essa falsa imagem foi construída a partir da necessidade de se obter uma rápida liberação dos projetos. Ocorre que, muitas vezes, os projetos precisam ser revistos ou adequados, visando a uma

redução dos impactos, o que demanda tempo dos empreendedores. O Ibama não pode ser penalizado pelas deficiências dos projetos e pelo tempo consumido em suas revisões. Deste modo, a fim de publicizar também esse resultado do trabalho técnico, o Ibama tem publicado no Diário Oficial a devolução dos estudos ambientais incompletos para obtenção da licença. R:: A participação do país em eventos internacionais,

O Ibama é responsável e zeloso com suas atribuições legais relativas ao meio ambiente. O zelo é erroneamente confundido com lentidão. Essa falsa imagem foi construída a partir da necessidade de se obter uma rápida liberação dos projetos. como as COPs, vem sendo um destaque, por consolidar a vanguarda e liderança ambiental brasileira. Em 2012, o Brasil vai realizar a Rio+20. Qual o legado que o Governo Brasileiro quer deixar para o mundo após o evento? É possível prever? IT:: Em 1992, ano da realização da Rio-92, houve um grande consenso internacional a respeito da gravidade dos problemas ambientais globais. Foram aprovados diversos documentos que referenciam até

hoje a discussão internacional sobre meio ambiente e desenvolvimento, com destaque para as Convenções sobre Mudança do Clima e sobre Diversidade Biológica, a Agenda 21, a Declaração sobre Florestas e a Carta do Rio. Vinte anos depois, dentro de uma nova realidade social, econômica e ambiental, e diante da constatação de agravamento das disparidades sociais e econômicas e da crescente degradação do meio ambiente global, o Brasil entendeu ser necessária uma revisão e reflexão em torno desses problemas, que possam prover o impulso político para as mudanças que se fazem necessárias. A Rio+20 será, assim, uma oportunidade para que as Nações Unidas adotem as medidas e decisões requeridas para reforçar o papel do sistema multilateral nas soluções dos problemas globais.Espera-se alcançar decisões que proponham mudanças no arcabouço institucional do sistema das Nações Unidas, no que se refere ao desenvolvimento sustentável, bem como criar uma atmosfera propícia para o estabelecimento de processos de desenvolvimento, baseados numa economia verde associada à redução da pobreza. O Brasil é, naturalmente, apenas o país sede da Conferência e todos os resultados serão negociados por todos os países, mas desde já o Brasil está empenhado em que a Rio+20 seja um símbolo de reconhecimento de todas as nações de que o atual modelo de desenvolvimento encontra-se exaurido, necessitando de um compromisso político de alto nível que promova sua revisão.


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capa Bionergia

ENERGIA DA

TER Por conta de sua vocação agrícola e florestal e abundantes recursos naturais, o Brasil tem capacidade para ampliar sua produção de insumos energéticos provenientes da biomassa. Cerca de 6,44% da matriz de energia elétrica do país é originada deste recurso por Carol de Castro


RRA

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capa Bionergia pesar da descoberta da camada de óleo e gás na camada pré-sal da bacia de Santos, a tendência natural é o esgotamento das reservas de combustíveis fósseis. Além disso, a demanda por independência e segurança energéticas e a necessidade de redução de emissão de gases do efeito estufa na atmosfera levam o Brasil a buscar por alternativas de energia renovável para compor sua matriz energética. Com seu vasto território, abundantes recursos naturais e por sua vocação agrícola e florestal, o país tem capacidade para ampliar a produção de insumos energéticos provenientes da biomassa. Cerca de 6,44% da matriz de energia elétrica do Brasil é originada da biomassa. Este tipo de fonte de energia tem potência para gerar, atualmente, aproximadamente 7.900 MW (megawatt) a partir de 392 usinas. A principal contribuição vem de empreendimentos baseados no bagaço da cana de açúcar, com 319 unidades, com capacidade para 6,6 mil MW (5,13% da matriz elétrica brasileira). O líquor negro (resíduo da indústria de papel e celulose) é a segunda principal fonte entre as usinas de biomassa. São 14, com capacidade instalada para 1,2 mil MW (1,04%). As outras contribuições são as 41 usinas movidas a madeira, cuja produção é de 359,5 MW (0,30%), 12 de biogás (68,4 MW e 0,02%) e seis de casca de arroz (18,9 MW e 0,02%). Os dados são da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A biomassa é a terceira maior fonte de geração de energia no

A

país, atrás da hidreletricidade, que tem uma participação de 67,21%, e do gás, com 10,33%. A produção de energia por meio da biomassa representa um estímulo à diversificação da matriz, ampliando a participação das energias renováveis em detrimento de fonte fóssil. Estimula também a agricultura familiar e a sustentabilidade do meio rural. O setor energético representa, no entanto, apenas 18,8% do consumo final de biomassa no país. Seu maior aproveitamento é feito no setor industrial, que é responsável por 47,5% da biomassa utilizada para energia, segundo dados do Balanço Energético de 2010 do Ministério de Minas e Energia (MME).

Em terceiro lugar, está o setor de transportes (17,7%), seguido do residencial (12,2%), agropecuário (3,6%) e comercial e público (0,2%). Esta parcela de contribuição da bioenergia faz o contrário do que fazem os combustíveis fósseis, que são responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa na atmosfera e não são renováveis. As emissões de dióxido de carbono (CO2), principal agente do aquecimento global, não caíram, apesar da crise econômica global que começou em 2008. Esta conclusão é de um estudo feito por pesquisadores do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e França. O texto é uma atualização anual do Global Carbon


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proveniente de biomassa. O secretário de Planejamento Energético do MME, Altino Ventura, ressalta que a tendência da matriz energética do Brasil é diminuir a importância do petróleo, elevando a participação das fontes renováveis. “Quando olhamos a matriz energética brasileira, ou seja, todas as formas de energia, em primeiro lugar está o petróleo. Cerca de 37% da energia total que os brasileiros utilizam vem do petróleo. No mundo, este percentual é de 34%. Este número deve se reduzir ao longo do tempo. No horizonte do PDE, até 2019 vai para 31%, até 2030, para 28%”, projeta. “A segunda fonte, e quase não existe no mundo, são os derivados energéticos da cana de açúcar, para produção de etanol, um programa energético vitorioso em tecnologia

A segunda fonte, e quase não existe no mundo, são os derivados energéticos da cana de açúcar, para produção de etanol, um programa energético vitorioso em tecnologia desde 1970, com utilização em veículos leves, de caráter socioambiental e de baixa emissão de gases

Project e destaca que as emissões de CO2 não dão sinais de que estejam caindo globalmente e poderão atingir um nível recorde em 2010. Os autores concluíram que as emissões de dióxido de carbono em 2009 foram apenas 1,3% menores do que as do ano anterior, mesmo com a crise. A queda é menos da metade do que se estimava há um ano. O crescimento de geração de energia também é demandado pelo número crescente de con-

sumidores, sobretudo dos que saíram das faixas D e E para a classe média (C). O governo terá de licitar mais usinas - hidrelétricas, a gás natural, térmicas baseadas na bioenergia e eólicas. Em seu primeiro encontro com a imprensa em 2011, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que ainda este ano deve ser realizado pelo menos um leilão para a contratação de energia eólica e, possivelmente, um exclusivo para energia

desde 1970, com utilização em veículos leves, de caráter socioambiental e de baixa emissão de gases. A cana não ocorre em conflito com a produção de alimentos, nem com ecossistema, preservando a Amazônia, o Pantanal e outras reservas. O bagaço tem valor energético, serve para ser queimado na indústria para produzir vapor e também como fonte para geração de energia elétrica”, complementa. Segundo Altino, a participa-


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capa ção das fontes renováveis deve crescer 3,7% ao ano, até 2030. Para isso, deve-se incentivar a utilização de etanol e substituição de derivados do petróleo por outras fontes, como o gás natural. Para o secretário, a perspectiva de ampliação do uso de biomassa, principalmente da cana, recebe sinais positivos do mercado interno e internacional. “O Brasil é reconhecido no exterior pelo seu etanol, tem tecnologia, os custos são competitivos”, enumera as vantagens para o desenvolvimento da agroenergia no país. No contexto atual de aumento dos preços de petróleo, mudanças do clima e deterioração da segurança energética, há uma necessidade de implementar soluções. A bioenergia representa uma direção oportuna para colaborar na solução dos desafios para produção de energia, conservação do meio ambiente, suportando o crescimento e oferecendo uma maior segurança energética. Energia vinda da terra A bioenergia tem a sua origem na terra. Vem da agropecuária (plantações e animais), das florestas e da gerência de resíduos. É a energia solar armazenada durante a vida das plantas, originalmente capturada através do processo da fotossíntese. A bioenergia é classificada em três setores: sólido, líquido e gasoso. Florestas, produção de papel, processamento da madeira e resíduos agropecuários fornecem combustíveis sólidos para calor e energia. Plantações de oleaginosas e outras geram combustíveis

líquidos como o biodiesel e o álcool para o transporte. O metano é capturado como combustível gasoso a partir da digestão anaeróbica dos resíduos agrícolas, produzindo calor e eletricidade combinados (além de refrigeração), assim como para o transporte ou uso doméstico. A bioenergia deve ser vista muito além do abastecimento de energia. Ela também serve para reduzir a ameaça das mudanças climáticas. Significa também desenvolvimento rural, levando mais empregos, novas oportunidades para diversificar a agricultura e a silvicultura e fortalecer a atividade familiar no meio. Desde a fonte original do combustível até o ponto de saída da energia, a cadeia de abastecimento da bioenergia é um motor para a economia. A gerência da terra, tecnologias da colheita e ceifa, conversão de combustível, armazenamento e transporte, tecnologias de combustão e geração de energia criam oportunidades para o desenvolvimento local. De acordo com dados da pesquisa sobre fontes de energia 2010 (Survey of Energy resources 2010), do Conselho Mundial de Energia (World Energy Council - WEC), hoje, a biomassa fornece cerca de 50 EJ (um exajoule equivale a 1.018 joules) no mundo, o que representa 10% do consumo anual de energia. A maior parte é usada para aquecimento e cozinha doméstica. Segundo ainda o WEC, a potência energética da biomassa deve alcançar 1.500 EJ por ano em 2050, embora o cenário de fornecimento da maior parte da biomassa indique um potencial entre 200 e 500 EJ.

O Brasil é reconhecido no exterior pelo seu etanol, tem tecnologia, os custos são competitivos

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Bionergia


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Bons tempos para a agroenergia Aproveitando a agricultura como fonte de energia limpa e renovável, o Brasil vive o desenvolvimento da agroenergia, principalmente nas regiões sul, centro oeste e sudeste. Segundo a Embrapa, os marcos regulatórios brasileiros para a matriz energética renovável, especialmente de biomassa, acumulam melhorias estratégicas e operacionais nestas últimas quatro décadas, especialmente nestes últimos seis anos, e tomou importância devido às ações público privadas, nos campos econômico, social, ambiental, diferenças regionais e inclusão global. Esta agenda positiva para o negócio da agroenergia no Brasil abriga quatro grandes plataformas (etanol, biodiesel, florestas energéticas, coprodutos e resíduos), definidas no Plano Nacional de Agroenergia (PNA 20062011). Pelo PNA, foi criada a Embrapa Agroenergia, focando em soluções na produção de biomassa e na energia da biomassa. A estatal direciona seus principais esforços para as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em processos de transformação, conservação e utilização de energia de biomassa; o que contribui para potencializar as ações de produção e desenvolvimento de matérias primas de qualidade para o aproveitamento energético, em parceria com outras unidades da Embrapa e pelos parceiros tradicionais e novos. As pesquisas e resultados atuais em agroenergia concentram-


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capa se, basicamente, em caracterização de matérias primas para fins energéticos; processamento e conversão de matérias primas; tecnologias de aproveitamento de coprodutos e serviços; e métodos e técnicas de gestão e suporte do negócio da agroenergia. E, de forma coordenada e compartilhada em redes e facilidades de PD&I, as primeiras contribuições técnico científicas da agroenergia estão focadas em cana de açúcar e sorgo, para bioetanol; palma de óleo (dendê), outras palmeiras oleíferas (macaúba, por exemplo) e pinhão manso, para óleos. E em destoxificação de tortas de pinhão manso e subprodutos de glicerina para alimentação animal. E ainda em processos especialistas críticos para etanol lignocelulósico (tecnologia de segunda geração). O chefe da Embrapa Agroenergia, Frederico Ozanan Machado Durães, explica que a unidade visa coordenar e executar ações dentro do tema. “É uma unidade científica para dar sustentação tecnológica às plataformas etanol, biodiesel, floresta energética e coprodutos e resíduos”. De acordo com Durães, um dos objetivos é a diversificação das espécies e a adaptação genética com o ambiente. “Qual espécie terá uma boa adaptação para se estabelecer ali?”, explica. “O agronegócio deve ter um fluxo contínuo no ano, apesar da sazonalidade em função do regime de chuvas e temperatura, associando agricultura, arranjos e indústria. O gerenciamento é integrar estratégias complexas”, complementa.

Para a plataforma etanol, são três tipos de fontes de matéria prima, os sacarídeos (cana de açúcar e sorgo sacarino), as amilácias (cereais, milho e outros cereais de grão). “Não há interesse em milho, pois a rede está consolidada para cana de açúcar e 80% do milho são utilizados na cadeia produtiva de proteína animal”, explica Durães. E as tuberosas, que são os tubérculos, como a mandioca, batata doce e a beterraba açucareira. “Os processos são tecnologias de primeira geração, que usa a matéria prima diretamente para fazer etanol de resíduos, de material lignocelulósico, e tecnologia de segunda geração, que aproveita bagaço de cana e restos florestais. A densidade de energia e a eficiência energética derivam dos processos de conversão, a depender da matéria prima”. Segundo o chefe da Embrapa Agroenergia, o Brasil produz, por ano, 2,5 bilhões de litros de biodiesel e 30 bilhões de litros de etanol. “São os combustíveis mais importantes na matriz de transporte, substituindo dois insumos, o diesel mineral e a gasolina, que são derivados do petróleo”. Em valores médios, diz Durães, da cana de açúcar são 85 toneladas por hectare, por ciclo, o que pode levar entre 12 ou 18 meses, que resultam em 8 mil litros de etanol por hectare. No total, são 9 milhões de hectares de cana plantados no país. “Uma política pública ordenada visa expandir essa área de cultivo da cana, considerando que 92% do território nacional está proibido para plantar cana pelo marco regulatório. Cerca

de 64 milhões de hectares estão disponíveis e mapeados pelo ZAE, zoneamento agroecológico. Os principais pólos são São Paulo, Alagoas, Pernambuco e a expansão se orienta para o centro oeste”, explica. Os produtos tradicionais da cana são açúcar, álcool, além da linhaça, bagaço, e servem também para cogerar energia, calor nas caldeiras, como bioeletricidade. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção nacional de biocombustível quadriplicou nos últimos três anos, passando de 400 milhões de litros em 2007 para 1,6 bilhão de litros em 2010. Para 2011, estão previstos 2,4 bilhões de litros. Para o coordenador de Agroenergia do Ministério da Agricultura e Pecuária, Denilson Ferreira, o mercado de biodiesel no Brasil está consolidado por conta de uma política do governo federal centrada na sustentabilidade da produção, promoção da inclusão social, garantia de preço, qualidade e suprimento e diversificação de matérias primas. De acordo com ele, estão concluídos zoneamentos de risco climático para sete oleaginosas: algodão, amendoim, canola, dendê, girassol, mamona e soja, e já está programada a divulgação do estudo sobre o gergelim. O zoneamento indica os melhores períodos e as regiões mais aptas para o plantio, prevenindo perdas por eventos climáticos. As instituições financeiras e o programa de subvenção ao seguro rural usam o estudo como base para concessão de crédito.

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Bionergia


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Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de biomassa renovável, que pode ser obtido por diferentes processos, tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 5% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B5 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.

Biodiesel: ampliando a oferta de matéria prima No caso do biodiesel, é aproveitado, segundo Durães, “aquilo que o Brasil tem de alta produção em larga extensão do território”: a soja. “Há um programa amplo de pesquisas para domesticar várias espécies e ampliar a oferta de matéria prima para produzir biodiesel”, comenta. Há o domínio técnico para produção a partir da soja,

girassol, mamona, amendoim, dendê, e há pesquisas com outras espécies, como pinhão manso, palmeira, macaúba, tucumã e outras duas dezenas de plantas. Da soja, a produção nacional é de 3 mil kg de sementes por hectare ao ano, referentes a um ciclo de 140 dias. “18% da semente contém óleo, resultando em cerca de 500 kg de óleo por hectare de soja”, afirma. No mundo, 80% dos óleos são

provenientes de quatro espécies: dendê, soja, girassol e canola, além da gordura animal, da qual se tem a maior contribuição. A plantação de soja se estende do sul do país ao Maranhão, passando pelo centro oeste, e somando 23 milhões de hectares. O dendê está na região norte, principalmente no Pará, mas também na Bahia, totalizando 100 mil hectares. O girassol é cultivado em 70 mil hectares no sul, sudeste,


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capa Bionergia centro oeste e parte do nordeste. A canola, em 45 mil hectares, vai do sul até o centro oeste. O 20º Leilão de Biodiesel, promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP) em novembro, terminou com 600 milhões de litros negociados. O volume leiloado garantirá a mistura B5 (5% de biodiesel no diesel fóssil) ainda no primeiro trimestre deste ano. A movimentação financeira foi de aproximadamente R$1,38 bilhão. O preço médio atingiu R$2,296 por litro (deságio de 1,04% em relação ao preço de referência). Do total de 55 usinas habilitadas a participar do certame, 45 foram vencedoras. O leilão também garantiu que 89% do volume arrematado serão originados de unidades produtoras detentoras do Selo Combustível Social, um certificado concedido pelo governo a empresas que asseguram a efetiva participação da agricultura familiar na cadeia produtiva deste combustível renovável. Para o setor sucroenergético, que inclui a produção de etanol e energia a partir de bagaço da cana, os desembolsos, via BNDES, para financiamento da atividade cresceram 12,3% de 2008 a 2010. Há três anos, foram destinados R$ 6,5 bilhões para o setor, sendo R$ 3,6 para o estado de São Paulo, R$ 782 milhões para Goiás e R$ 690 para Mato Grosso do Sul. No ano passado, o volume de recursos passou para R$ 7,3 bilhões. A maior fatia foi para São Paulo (R$ 3,7 bilhões), seguido por projetos interestaduais (R$ 1,3 bilhão) e para Goiás (R$ 672 milhões).

Biocombustíveis são derivados de biomassa renovável que podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de energia. Os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil são o etanol extraído da cana de açúcar e, em escala crescente, o biodiesel, que é produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo em proporções variáveis. Fonte: ANP


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Players do setor agroenergético A Petrobras Biocombustível (Pbio) é um dos principais players do setor agroenergético. A estatal estabeleceu as biorrefinarias como prioridades de P&D (pesquisa e desenvolvimento), segundo o gerente de Tecnologia da PBio, João Norberto Noschang. De acordo com Noschang, a diretriz estabelecida para a estatal é de considerar que as unidades de produção de biocombustíveis devem ser consideradas “biorrefinarias”, onde todas as matérias primas precisam ser completamente utilizadas, sem sobras ou resíduos. “Na biorrefinaria, o que não é matéria prima é produto, que deve ter valor e demanda no mercado nacional ou internacional”, ressaltou. Devido a essa nova concepção, a Petrobrás Biocombustível está priorizando pesquisas com etanol, biodiesel, novas matérias primas e com novos combustíveis. Segundo Noschang, a empresa investirá US$ 477 milhões em pesquisa e desenvolvimento até 2014, o que representa 13,6% do orçamento total do período. “É um porcentual bastante elevado, pois precisamos, rapidamente, fazer o ‘scale-up’ de algumas tecnologias que já foram desenvolvidas em laboratório e devem ser levadas a plantas de demonstração,” explica o gerente de tecnologia. A Petrobras Biocombustível atua no segmento de produção de biocombustíveis desde julho de 2008. Possui atualmente três usinas próprias de biodiesel no semiárido brasileiro. Em Can-

deias, na Bahia, com capacidade de produção de 217,2 milhões de litros/ano. Em Quixadá (Ceará), com geração de 108,6 milhões de litros/ano. E em Montes Claros (MG), onde produz 108,6 milhões de litros/ano. Além de uma usina em parceria no estado do Paraná, no município de Marialva, com capacidade para 27 milhões de litros/ano. Também foram iniciados projetos no Pará, para produzir biodiesel a partir de óleo de palma, voltado para atender à região norte do país, bem como atender à produção de biodiesel na Europa. No negócio de etanol, tem participação em dez usinas nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, e uma em Moçambique. A empresa produziu o primeiro etanol Petrobras em abril de 2010, a partir da usina de Bambuí (MG). Neste setor, foram firmadas parcerias com empresas do setor, como a Guarani, com unidades em São Paulo e Moçambique, o Grupo São Martinho, em Goiás, e a Total Agroindústria Canavieira, em Minas Gerais. Com isso, a Petrobras Biocombustível tem hoje participação em capacidade de moagem superior a 24 milhões de toneladas de cana de açúcar por ano, com capacidade para produzir mais de 900 milhões de litros de etanol/ano. A Petrobras Biocombustível avalia as potencialidades de diferentes oleaginosas e trabalha para diversificar as fontes de suprimento agrícola para o biodiesel. Para isso, constitui redes de pesquisa e investe em tecnologia

para aumentar a produtividade por hectare e a produção de oleaginosas. Entre elas, temos a mamona e o girassol no Nordeste e semiárido, a palma no norte do país, a canola no Paraná e a macaúba em Minas Gerais, além de pesquisar o pinhão manso. A estatal tem como estratégia produzir biodiesel de forma sustentável, desenvolver os mercados agrícolas nas regiões onde estão localizadas suas usinas e incluir a agricultura familiar nesta atividade. Alinhada a esta estratégia, a empresa incentiva a diversificação de culturas, considerando as peculiaridades regionais, respeitando as experiências dos agricultores familiares e transferindo tecnologia e conhecimento sobre aquela cultura. As usinas de biodiesel da empresa também têm flexibilidade para processar diferentes tipos de matérias primas. O uso das oleaginosas alternativas à soja trata-se de uma questão de escala de produção, produtividade e preço. Atualmente, a Petrobras Biocombustível trabalha para desenvolver o mercado agrícola regional nas regiões onde atua, envolvendo a agricultura familiar, ampliando a produtividade por hectare e a produção. Com relação à participação de matérias primas na produção de biodiesel, cerca de 80% é soja e os demais 20% se dividem entre sebo bovino e óleo de algodão, seguindo a média brasileira, conforme dados da ANP. Outros investimentos previstos para o setor de agroenergia


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capa devem vir da Eletrobras, que prevê investir em cinco anos cerca de US$ 45 bilhões em energia eólica, biomassa e continuar no setor nuclear, conforme os planos do governo federal. Outros players do setor são a CPFL, onde a biomassa representa 6% da energia vendida pelo grupo, e a Tractebel. A Tractebel estabeleceu como prioridade sustentar seu crescimento por meio de fontes renováveis de energia, tais como hidráulicas, biomassa e eólicas, minimizando os impactos ambientais decorrentes da queima de combustíveis fósseis. Com esta política, a diretoria espera ter, nos próximos anos, mais de 85% de sua geração total obtida a partir destas fontes. Segundo o diretor de Implantação de Projetos, Miroel Wolowski, a empresa tem estudos para implantar outros projetos de geração de energia a partir de biomassa, na medida em que estas plantas possam ter demanda de sua energia no mercado, o que tem sido criado pelos leilões de energia deste tipo de fonte, promovidos pelo governo federal. A empresa é líder no ranking das geradoras de energia privadas no país, e opera um parque composto por 21 usinas, sendo três construídas em consórcio. No total, a capacidade instalada é de 7.543 MW. Estas unidades estão distribuídas em 11 estados do Brasil, e são responsáveis por cerca de 7% do suprimento do mercado nacional. Das 21 usinas, duas são movidas a biomassa. Wolowski lembra que, em março de 2003, a Tractebel Energia iniciou as obras físicas

da Unidade de Cogeração Lages (UCLA), localizada em Santa Catarina. “No final de 2003, esta planta entrou em operação comercial, como a primeira usina movida a biomassa de Santa Catarina e, na época, a maior da iniciativa privada no Brasil”, destaca. “Este empreendimento foi fruto de um investimento de cerca de R$ 80 milhões, e um de seus benefícios é reduzir o equivalente a até 220 mil toneladas/ano a emissão de dióxido de carbono, por meio da queima de material orgânico que antes se decompunha no meio ambiente, gerando gás metano. Por este motivo, esta usina foi certificada pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto, para comercializar créditos de carbono. Este processo de registro no MDL foi obtido em 2006 e, desde então, a usina está autorizada a negociar créditos de carbono, também chamados de Redução Certificada de Emissões. Em março de 2010, entrou em operação a Termelétrica Ibitiúva Bioenergética, construída em parceria com a Andrade Açúcar e Álcool S.A., e que utiliza como combustível o bagaço de cana de açúcar, com investimento da ordem de R$ 103 milhões, sendo R$ 82 milhões financiados pelo BNDES”, detalha. A Unidade Cogeração Lages (UCLA) utiliza resíduos de madeira gerados por indústrias da região. Sua capacidade instalada é de 28 MW, quantidade equivalente ao consumo médio de uma cidade de 160 mil habitantes, e 25 t/h de vapor para uso industrial. Já a Termelétrica Ibitiúva Bioenergética está localizada na

© Ulrich Mueller | Dreamstime.com

Bionergia

cidade de Pitangueiras, em São Paulo, e utiliza bagaço da cana de açúcar para gerar energia. Sua capacidade instalada é de 33 MW. A UCLA vende sua energia em contratos bilaterais, assinados antes da legislação atual, e a Termelétrica Ibitiúva vendeu sua energia por meio do Leilão de Energia de Reserva (LER), realizado em 2008. A CPFL Energia começou a produzir energia a partir de biomassa em agosto de 2009. Ano passado, a empresa gerou 38.185


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Biocombustíveis em números

MWh pela UTE Baldin, situada em Pirassununga, interior de São Paulo. Para 2011, está prevista a geração de 84.878 MWh (UTE Baldin), além das três usinas que entram em operação, a UTE Buriti (107.960 MWh), a UTE Ipê (42.903 MWh) e a UTE Baía Formosa (72.000 MWh), totalizando 307.761 MWh. Todas as usinas a biomassa na CPFL Energia utilizam o bagaço da cana de açúcar como combustível para seu funcionamento. A usina UTE Buriti tem capacidade

Biodiesel • Estabelecida a obrigatoriedade do B3 no 2º sem/2008, do B4 no 2º sem/2009 e do B5 no 1º sem/2010 • Produção 2007-2010 - 5,2 bilhões de litros • Produção em 2010 - 2,4 bilhões de litros, crescimento de 48% em relação a 2009 • Realização de 20 leilões de biodiesel pela ANP para o abastecimento entre 2006 e 2010, com a aquisição no acumulado de 6,5 bilhões de litros (inclui

o abastecimento do 1º trimestre/11) • 20º Leilão - 17/11/2010 - abastecimento do mercado a partir de 01/01/2011 - volume comercializado de 600 milhões de litros

para processar 294.000 toneladas de bagaço/safra, a UTE Ipê, 118.000 tb/safra, a UTE Baía Formosa, 200.000 tb/safra e a UTE Baldin, 232.000 tb/safra. O total de bagaço necessário para a geração de energia, em 2011, será de 844.000 tb/safra. A participação da biomassa em 2010 na CPFL Energia foi de 1,97%. Este ano, saltará para 6,37% a participação da bioeletricidade na sua matriz energética. A CPFL Energia investiu R$ 232 milhões em ativos de gera-

ção, a partir de biomassa, ano passado. Sendo realizados os investimentos nos seguintes empreendimentos: UTE Baldin (R$ 33 milhões), UTE Pedra (R$ 27 milhões), UTE Buriti (R$ 83 milhões), UTE Ipê (R$ 5 milhões) e UTE Baía Formosa (R$ 84 milhões). Em 2011, a empresa investirá um total de R$ 266 milhões distribuídos nos projetos UTE Pedra (R$ 150 milhões), UTE Buriti (R$ 52 milhões), UTE Ipê (R$ 21 milhões) e UTE Baía Formosa (R$ 43 milhões).

Etanol • Produção 2007-2010 - 100,5 bilhões de litros • Produção em 2010 - 28,5 bilhões de litros, crescimento de 9,6% em relação a 2009 • Exportações de etanol 20072010 - 13,3 bilhões de litros


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capa Bionergia

A evolução dos biocombustíveis no Brasil Rio 92: assinatura do marco sobre mudanças climáticas Preços do petróleo caem e gasolina se equipara ao álcool Percentual de álcool adicionado à gasolina chega a 22%

1989

Carros a álcool representam mais de 90% do total de vendas

1985 1983

Segundo choque do petróleo

Adição de 15% de álcool à gasolina

Álcool passa a representar de 20% a 25% da gasolina Lançamento dos carros bicombustíveis Lançado Programa Nacional do Biodiesel

1992 Anos 90 2003

Terceiro choque do petróleo

2005 2007

1980

Jan 2008

1979

Mar 2008 Abr 2008

1977 Adição de 4,5% de álcool à gasolina

1974 1973

Primeira crise mundial do petróleo

Vigência do B4 Vigência do B5

CNPE determina obrigatoriedade do B3 a partir de julho de 2008 Consumo de álcool equipara-se ao de gasolina

Jul 2009 Jan 2010

Brasil cria o pró-álcool

Início da obrigatoriedade do B2


Agricultura familiar e os Arranjos Produtivos Locais © Ilka-erika Szasz-fabian | Dreamstime.com

Infográfico: Gerardo Júnior

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Alinhado ao conceito de biorrefinaria, diz José Manuel Cabral, chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, está o desenvolvimento dos Arranjos Produtivos Locais (APL), em que a Embrapa vem trabalhando. Os APLs têm o intuito de otimizar o aproveitamento das matérias primas e garantir o suprimento contínuo delas para as usinas. “O trabalho conjunto da biorrefinaria com os APLs no entorno da mesma poderão criar sistemas de produção sustentáveis e de grande importância para o desenvolvimento socioeconômico regional”, explica Cabral. Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa

Agroenergia, Esdras Sundfeld, o pequeno produtor não deve parar de produzir alimentos para produzir matérias primas utilizadas na fabricação do biodiesel. “É importante que o pequeno produtor continue produzindo alimentos, que vão garantir o sustento da sua família”, salienta. De acordo com Sundfeld, a produção de matérias primas para biodiesel é viável para aumentar a renda do pequeno produtor, para investir na sua própria propriedade. Sundfeld ressalta que as indústrias exigem uma quantidade de matéria prima bastante elevada e que nenhum produtor sozinho pode garantir. “É importante um arranjo produtivo

local”, enfatiza. Normalmente, os pequenos produtores se juntam em cooperativas para garantir o volume de produção que a indústria requer. A fazer isso, também adquirem um poder maior de preço com a indústria. Para conciliar a agricultura de alimentos e a de geração de energia, o chefe da Embrapa Agroenergia, Frederico Ozanan Machado Durães, destaca como argumentos a questão ambiental, o tamanho do país e a tecnologia disponível. “Para produzir e distribuir alimentos precisa-se de energia, cuja matriz mundial é estruturada em combustíveis fósseis. Mas vivemos tempos de mudanças climáticas, emissão de

É importante que o pequeno produtor continue produzindo alimentos, que vão garantir o sustento da sua família gases de efeito estufa. O mundo requer energia limpa, a substituição da matriz fóssil pela renovável. Dar ênfase à biomassa é estratégico para o Brasil, que é um pais de tamanho continental. Tem que produzir mais alimento e mais energia limpa. Temos tecnologia competitiva para o negócio em agroenergia”.


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capa Bionergia

Divulgação

O uso de biocombustíveis na aviação brasileira

Em novembro do ano passado, foi realizado o primeiro voo experimental da América Latina utilizando biocombustível para a aviação a partir do óleo do pinhão manso. O teste foi realizado pela empresa aérea TAM, com o Airbus A320 decolando do aeroporto Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, e sobrevoando o oceano Atlântico por 45 minutos, retornando ao ponto de partida. Este voo representa uma tentativa de diminuir a poluição causada pela aviação. O transporte aéreo mundial é responsável por cerca de 2% dos gases de efeito estufa liberados na atmosfera. O uso de combustível renovável é uma opção para reduzir essas emissões. Segundo a Associação

Internacional do Transporte Aéreo (IATA), o pinhão manso é uma das três matérias primas mais promissoras do mundo para a aviação. A previsão é de que esse biocombustível possa ser incorporado ao cotidiano aeronáutico do Brasil dentro de cinco anos. O bioquerosene foi elaborado pela empresa UOP LLC, do Grupo Honeyweel, dos Estados Unidos, transformando óleo de pinhão manso em bioquerosene e realizando a mistura com o querosene convencional de aviação, na proporção de 50%. “Temos interesse em conhecer o processo”, salientou o gerente de Energia da TAM, Paulus Figueiredo. A empresa, em parceria com a Associação

Brasileira de Produtores de Pinhão Manso (ABPPM), pretende adquirir a matéria prima brasileira e utilizá-la na produção desse biocombustível. Esse trabalho está em andamento no país, sob a coordenação da Embrapa Agroenergia em parceria com outras unidades da TAM e com instituições públicas e privadas, como é o caso da ABPPM. Bruno Laviola, pesquisador da Embrapa Agroenergia, ainda destaca que o pinhão manso não concorre com a agricultura de alimentos. Em relação aos voos comerciais, Paulus adianta que a possibilidade de utilização dependerá de estudos de viabilidade, visando garantir o ciclo de vida de emissões e custos compatíveis.


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especialista ENTREVISTA

EXPEDITO PARENTE

“O bioquerosene tem que ser nacional”

Drawlio Joca/ Divulgação

Considerado o “pai do biodiesel”, Expedito Parente é referência mundial em combustíveis alternativos. O engenheiro químico explora agora a área do bioquerosene de aviação e coloca todos os esforços em testes para o uso do combustível no Brasil uando estourava a primeira crise mundial do petróleo, Expedito José de Sá Parente começava suas pesquisas para a criação de um combustível alternativo. Era final dos anos 70 quando o engenheiro químico, natural de Fortaleza, fez positivos ensaios de combustão e conseguiu fazer rodar pela primeira vez um motor com óleo vegetal, nascendo assim o biodiesel. Mesma época em que os esforços brasileiros estavam voltados para a produção do álcool e o país mostrava sua capacidade no setor agroindustrial energético. O projeto do biodiesel, no entanto, foi engavetado durante décadas. Na verdade, ganhou força novamente no Brasil há apenas alguns anos, quando foi lançado o Programa Nacional do Biodiesel, em 2005. Pouco tempo antes do terceiro choque do petróleo. Otimista, Parente acredita que, agora, a agroenergia veio para ficar. “Existe uma certeza na minha cabeça e na de algumas pessoas que o petróleo vai migrar do setor energético para o setor

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químico, por razões econômicas e por questões ambientais”, comenta o engenheiro químico, pós-graduado em tecnologia química na França e na Alemanha, e dono da Tecbio, referência mundial em combustíveis alternativos. Na avaliação de Parente, o programa do biodiesel no Brasil possui três missões: ambiental, social e a mais evidente, que é a parte econômica e estratégica, “para a preparação do mundo para uma fase pós petróleo energético”. Pensando neste novo mundo, Parente começou a explorar uma outra área: a de bioquerosene de aviação. Os primeiros estudos, feitos a partir do babaçu, renderam inclusive parceria com a Nasa e a Boeing. Ao passar por testes com outras matérias primas tropicais - como amêndoas, coco e palmácia - o engenheiro químico está se redirecionando a parceiros brasileiros, como FAB, CTA e Embraer. “O bioquerosene tem que ser nacional”, afirma. Renergy - Existe uma atual busca em suprir as demandas energéticas com base em processos mais sustentáveis. Uma demanda de soluções múltiplas, como o uso da energia eólica, solar e biomassa. Como o senhor avalia a posição da agroenergia em relação a outras fontes, na matriz energética? Expedito Parente - Existe uma certeza na minha cabeça e na de algumas pessoas de que o petróleo vai migrar do setor energético para o setor químico, por razões econômicas e por questões ambientais. O mundo árabe tem o petróleo como única fonte

de riqueza e está motivado a valorizar o petróleo. Em 2008, chegou a US$ 150 o barril e recuou por conta da crise. Foi um ensaio de que está diminuindo a oferta, uma freada. O mundo não vai aceitar o petróleo poluente, por questão ambiental, e também em relação aos efeitos de aquecimento global. E o petróleo migrando tem que ser ocupada esta lacuna e, para isso, deve haver a participação de outras fontes de energia, como a eólica, a solar direta e indireta, que são os biocombustíveis, e até a nuclear vai ter seu espaço. São energias limpas. Essa é nossa sorte. O Brasil tem também as hidrelétricas. O

o petróleo vai migrar do setor energético para o setor químico, por razões econômicas e por questões ambientais. Brasil está entrando na era solar. As energias alternativas vão ser valorizadas. A biomassa é uma das fontes importantes. É limpa e tem um plus: agrega mão de obra no campo. Esta é uma questão necessária. No mundo, há um bilhão de pessoas que vivem no campo em estado de miséria. A biomassa é uma saída para emprego e ganhos no campo. Além disso, capta CO2. Retirao da atmosfera pela fotossíntese das plantas. É preciso avançar na biomassa para ter combustíveis industriais, para caldeiras. A biomassa é uma realidade para o

mundo energético. Isso vai acontecer. R - E o momento de exploração do petróleo da camada présal? EP - O Brasil pensa no petróleo energético, mas algum dia, dado o aquecimento global, deve haver uma cota e restrições ao uso do petróleo. O petróleo do pré-sal poderá atingir outros mercados, como o setor químico. R - Como o senhor enxerga o debate da biomassa em relação à produção de energia e de alimentos? Pode haver algum conflito? EP - Não. No Brasil, há área para tudo. A área para biocombustíveis é pequena, é ínfima. Há áreas para expandir a agricultura em relação ao que está sendo usado. Sobre o biodiesel, falaram que era contra a agricultura, mas vai fomentar a produção de alimentos. Eu fiz uns cálculos econômicos, considerando três oleaginosas: soja, girassol e mamona. Para soja, que eu pensava que era campeã em produção de alimento, mostrou-se que uma tonelada de soja produz 200 litros de biodiesel, considerando o preço na bomba, apura-se uma receita de R$ 400 e 80% da soja produz farelo que vai gerar alimento para frango. Este frango, vendido no supermercado, vai render R$ 850, ou seja, duas vezes mais que a receita no posto de combustível. A soja, no biodiesel, é um subproduto da produção de frango. Para o girassol, o farelo é bom para gado leiteiro. 40% do girassol é de óleo, o que apura na bomba R$ 400, e a venda de leite, R$ 2 mil. Já a mamona tem 40% de óleo e vai apurar R$ 850 de biodiesel na


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especialista ENTREVISTA

EXPEDITO PARENTE

bomba. A mamona também pode ser utilizada como fertilizante em cultivos de frutas e verduras. Na venda de bananas, apura-se R$ 3 mil. O biodiesel da mamona é um subproduto na produção de frutas e verduras. Fomenta a produção de alimentos básicos e fundamentais, como frango, leite, frutas e verduras. Não existe conflito entre produção de alimentos e biocombustíveis. R - Há estudo para o uso de microalgas para energia? EP - A microalga é uma grande saída. É uma matéria prima produzida em qualquer parte do mundo, em diversos climas. A produtividade é bastante promissora, mas está em fase de desenvolvimento. Em cinco anos, devemos ter soluções de aplicação industrial para microalgas. Aproveita-se óleo e resíduos da microalga. Estamos fazendo uma parceria com um grupo europeu que tem know how nessa área de cultivo e vai ensejar em produção de biocombustível a partir do óleo e do resíduo da microalga. Estamos em pesquisa. R - O senhor uma vez afirmou que o “biodiesel é, antes de tudo, um remédio social”. Quais são as missões do biodiesel, do ponto de vista econômico, social e ambiental? EP - Quando o biodiesel foi idealizado para ser um programa no Brasil, pensamos em três missões. Ambiental, para contribuir com a diminuição dos gases do efeito estufa e da poluição. Social, para gerar emprego e renda no campo, principalmente no Norte e Nordeste. E estratégica,

para a preparação do mundo para uma fase pós petróleo energético. Com o programa, antecipamos metas. Uma delas era alcançar 5% de biodiesel na mistura em 2013. E, em 2010, já praticamos o B5, ou seja, antecipamos a meta em três anos. O biodiesel cresceu mais do que o programa do álcool, que surgiu em 1975. Em 1980, o álcool atingiu dois mi-

“Estamos mudando a estratégia de teste do bioquerosene brasileiro. E também estamos estudando uma proposta global para produção de um bioquerosene a partir de resíduos orgânicos. O estudo está em estágio de laboratório, mas muito avançado. lhões de litros em cinco anos. O biodiesel alcançou este volume em menos de três. Em uma análise quantitativa, o programa do biodiesel é espetacular. Em termos qualitativos, a meta social não foi atingida. Fala-se em 650 mil empregos na agricultura familiar. O biodiesel está migrando para regiões da soja, como o Centro Oeste, Sudeste e Sul do país, e largando o Norte e Nordeste. Do ponto de vista social, considero um fracasso. O governo precisa mexer no programa para aperfeiçoá-lo. R - Como está o projeto “Amazonização do biodiesel”?

EP - Está parado. Muita gente pensa na Amazônia como uma fachada. Levar uma máquina, para produzir em áreas isoladas para acender luz. Isso não funciona assim. É pouco uso para muito trabalho. Extrair óleo, produzir biodiesel para acender lâmpada não funciona. Era para integrar produção de energia com desenvolvimento econômico e social da região. Não vou trabalhar jamais em projeto sem que tenha sustentabilidade. Falta organização social das comunidades para receber unidades de biodiesel. R - Do biodiesel ao bioquerosene. Como surgiram as pesquisas neste campo? E qual a posição atual do bioquerosene na aviação? EP - O bioquerosene está sendo estudado. Estamos testando para empresas de aviação. Vai devagar, porque o bioquerosene é feito com matérias primas tropicais, como amêndoas, coco e palmácia. Outras propostas na Europa e EUA não utilizam matérias primas tropicais. Então, as empresas estão dando preferência a essas outras propostas. O bioquerosene tem que ser nacional. Então, estamos redimensionando, reconceituando os esforços de teste para combustível de uso no Brasil. Estamos nos redirecionando para parceiros brasileiros, como FAB, CTA e Embraer. Estamos mudando a estratégia de teste do bioquerosene brasileiro. E também estamos estudando uma proposta global para produção de um bioquerosene a partir de resíduos orgânicos. O estudo está em estágio de laboratório, mas muito avançado.


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em ação ARTIGO

Manoel Regis Lima Verde Leal

A sustentabilidade do etanol brasileiro crescimento rápido da produção e uso dos biocombustíveis neste século, motivado principalmente pela elevação e volatilidade dos preços do petróleo, tem causado preocupações e críticas sobre seus possíveis impactos negativos. A produção total de etanol e biodiesel passou de 32 bilhões de litros em 2004 para 93 bilhões de litros em 2009. Todavia, o cultivo das matérias primas usadas hoje na produção de etanol e biodiesel ocupa menos de 2% de toda terra cultivada no mundo. As críticas quanto à sustentabilidade dos biocombustíveis, de um modo geral, colocam todos na mesma vala comum, o que indica a falta de conhecimento ou pura má intenção de quem critica, pois os biocombustíveis não são iguais: há diferenças significativas de matérias primas e processos produtivos que resultam em diferentes custos de produção, demanda por terras e água, balanço energético e capacidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelo deslocamento de combustíveis fósseis. Quando estas características são levadas em conta, o etanol da cana de açúcar produzido no Brasil surge como a melhor opção, fato este reconhecido pela Agência Internacional de Energia (IEA), que o considera como o único biocombustível de primeira geração que sobreviverá no longo prazo. O alto nível de sustentabilidade do etanol brasileiro decorre da escolha da matéria prima (alta produtividade e baixo custo de produção) e das melhorias tecnológicas e polí-

SXC.hu

O

ticas públicas adequadas introduzidas nos últimos 35 anos. Do início do Proálcool até hoje, a produtividade do etanol brasileiro passou de 2700 para 6200 litros por hectare e o custo de produção foi reduzido em cerca de 70%; os subsídios passaram a ser reduzidos a partir de 1986, até serem zerados completamente no início deste século. Nos outros aspectos da sustentabilidade, vale notar que o etanol brasileiro apresenta o melhor balanço energético (relação entre energia renovável produzida e energia fóssil consumida na cadeia produtiva acima de 9), redução de emissões de gases de efeito estufa estimado em mais de 80% quando usado no Brasil, 71% na Europa (inclui emissões produzidas no transporte até o consumo final) e 61% nos Estados Unidos (incluindo também os efeitos indiretos de uso do solo). Nestas condições, o nosso etanol foi classificado como biocombustível avançado nos Estados Unidos e atende os limites de redução de emissões

da EU-27 para 2013 e 2018, assim como atende os outros requisitos de sustentabilidade das legislações americana e europeia. O Zoneamento Agroecológico da Cana de Açúcar, produzido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), vai orientar a expansão da cana de açúcar, preservando a biodiversidade, protegendo as áreas ecologicamente sensíveis, limitando o uso da água e reduzindo o impacto na produção de alimentos. Manoel Regis Lima Verde Leal é diretor do Programa de Sustentabilidade do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol - CTBE, Campinas - SP e diretor de P&D do Centro de Energias Alternativas e Meio Ambiente - CENEA, Fortaleza - CE. O Dr. Leal é formado em Engenharia Aeronáutica (ITA), é Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica pelo ITA e PhD em Engenharia Mecânica pela Kansas State University (EUA).


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ondas

Ceará vai retirar energia do mar Revista Portuária/ Divulgação

Projeto de baixo impacto ambiental prevê gerar energia elétrica a partir do movimento das ondas do mar. Somente na fase experimental, a usina de ondas deve gerar 100 kW

m projeto piloto deve gerar energia elétrica a partir do movimento das ondas do mar. A ideia é instalar uma usina experimental em um quebramar do Porto do Pecém, no Ceará. Do quebramar partem braços mecânicos acionados por flutuadores que acompanham o movimento das ondas. Quando a onda se forma, os braços mecânicos são acionados e bombeiam a

U

água do mar para reservatórios dentro da usina. Uma câmara hiperbárica aumenta a pressão da água ao ponto de o jato movimentar a turbina com a força equivalente a uma queda d'água de 500 metros de altura. A energia gerada no movimento das turbinas será repassada para o sistema de distribuição. Somente na fase experimental, está prevista a geração de

100 kW, o suficiente para abastecer 60 casas de padrão médio de consumo de energia. No projeto estão sendo investidos R$ 12 milhões pelo Governo do Estado do Ceará, pelas universidades federais do Ceará (UFC) e do Rio de Janeiro (UFRJ), pela administradora do Pecém Cearaportos e pela empresa multinacional Tractebel. Além da energia elétrica, o projeto prevê o aproveitamento da água do mar no próprio Porto do Pecém. Um protótipo de usina de dessalinização será acoplado à usina de energia elétrica. Divulgada como reforço para a autossuficiência na geração de energia do Estado do Ceará, a usina de ondas do mar segue o mesmo apelo dos parques eólicos: baixo impacto ambiental, se comparado às demais formas de produção de energia já existentes. As obras de preparação do quebramar do terminal do Pecém para abrigar a usina piloto já foram feitas, mas o início das operações já foi adiado várias vezes. A primeira data era final de 2009. Hoje, a coordenação do projeto prefere não estabelecer prazos.


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eólica

Limpo, moderno e sustentável Aportou em terras brasileiras o primeiro navio do mundo com propulsão híbrida, a partir de energia eólica e diesel-elétrica. O E-Ship 1, da Enercon GmbH, foi criado para transportar o material produzido pela fabricante de turbinas eólicas e também ser um garoto propaganda da tecnologia inovadora da empresa

Brasil recebeu, no último mês de janeiro, a visita do primeiro navio do mundo com propulsão híbrida a partir de energia eólica e diesel-elétrica. É o E-Ship 1, da fabricante de turbinas eólicas Enercon GmbH, que foi criado com a finalidade de transportar o material produzido pela indústria e também de ser um garoto propaganda da tecnologia inovadora da empresa, cuja

O

sede é na Alemanha mas tem como subsidiária brasileira a Wobben Windpower, com unidades em Sorocaba (SP) e Pecém (CE). Vindo de Emden, na Alemanha, o navio aportou no porto de Pecém, no Ceará, com a missão de fazer entregas e também transportar os produtos da indústria no Brasil. Nesta primeira viagem em mares brasileiros, trouxe componentes e segmentos para

produção de torres que, primeiramente, foram descarregados no Ceará. De lá, levando uma carga de 18 pás para aerogeradores modelo e-48, de 24 metros de comprimento cada, fabricadas na unidade de Pecém, seguiu para o Rio Grande do Sul, onde descarregou geradores e outros tipos de pás e foi para o porto de Santos (SP). No último destino, antes de voltar para a Alemanha,


J. Wagner da Silva

também carregou pás produzidas em Sorocaba. Por onde passa, o navio eólico, que chama a atenção pelas quatro torres gigantes, vai divulgando a sua inovação tecnológica. Com 130 metros de comprimento, 22,5 metros de largura e peso de 12,8 mil toneladas, o cargueiro foi preparado para reduzir em até 40% o consumo de combustível fóssil e as emissões de gás carbônico, em comparação a uma embarcação convencional do mesmo porte. A propulsão do navio pode ser feita tanto a partir da energia gerada pelo vento como pela convencional, através de diesel. A gerente geral da unidade da Wobben Windpower no Pecém, Ludmilla Campos, destaca que o grande diferencial do navio é a sua vertente limpa. “O sistema

da propulsão do navio pelo vento reduz o consumo de combustível em até 40%. Além disso, reduz também a emissão de gases na atmosfera”, disse. Campos explica que o navio faz uso do chamado “Efeito Magnus” para propulsão. As quatro torres cilíndricas de 27 metros de altura por quatro metros de diâmetro são acionadas por um motor elétrico e, quando o vento incide na superfície delas, são rotacionadas em velocidade, criando uma diferença de pressão entre as estruturas. “Um lado fica com pressão positiva e o outro com pressão negativa. É justamente essa diferença de pressão que origina uma força perpendicular que propulsiona o navio para frente. No momento em que o vento entra para propulsionar a embarcação, há redu-

ção do consumo de combustível imediatamente”, informa. Para a gerente geral da Wobben no Ceará, o E-Ship 1, apesar de ser privado e estar a serviço da Enercon, é um exemplo para a indústria naval do mundo, que pode adotar a tecnologia em novas embarcações. “É o ponta pé inicial para mais uma utilização do vento de forma sustentável. Com essa tecnologia, há redução do consumo, da emissão de gases. É um avanço”, considera. “A primeira ação pioneira da Enercon foi ter um aerogerador assíncrono, que não é de engrenagem, composto de rotor e estator. Agora temos um navio de autopropulsão. É mais uma vez a Enercon e Wobben inovando, com outras facilidades e oportunidades para o uso do vento”, finaliza.

Como funciona Torres cilíndricas

Rotor parado

Rotor girando impulso

pressão igual

pressão menor

pressão igual

pressão maior

rotação

• O navio faz uso do “Efeito Magnus” para propulsão • As quatro torres cilíndricas de 27 metros de altura por quatro metros de diâmetro são acionadas por um motor elétrico • Quando o vento incide na superfície das torres, elas são rotacionadas em velocidade, o que cria uma diferença de pressão entre as estruturas • Um lado fica com pressão positiva e o outro com pressão negativa • Da diferença de pressão entre as torres, origina-se uma força perpendicular que propulsiona o navio para frente • Quando o vento entra para propulsionar a embarcação, há redução do consumo de combustível


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solar

MPX estreia nova fonte em Tauá Prevista para entrar em operação em abril de 2011, a primeira usina brasileira de energia solar comercial já está em sua terceira fase de construção. Localizada em Tauá, no Ceará, o empreendimento da MPX inicialmente terá uma capacidade instalada de 1 MWp primeira usina de energia solar comercial do Brasil tem previsão para entrar em operação em abril deste ano. Localizada no município de Tauá, a 344 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, o empreendimento da MPX, empresa do grupo EBX, de Eike Batista, vai gerar inicialmente 1 MWp (megawatt pico), energia suficiente para abastecer, em média, 1.500 residências. O investimento é da ordem de R$ 10 milhões. Em dezembro, começou a construção do projeto com a implantação da casa dos inversores, responsáveis pela conversão da corrente contínua gerada nos painéis solares em corrente alternada para fornecer energia ao sistema elétrico da Coelce. Também estão sendo edificados mais dois prédios: a Casa de Apoio (onde ficará a sala de controle e o centro de recepção a visitantes) e a Guarita de Controle de Acesso. As obras civis, realizadas pela Cortez Engenharia, empregam até 90 trabalhadores, sendo metade deles moradores do município de Tauá. O serviço

A

começou após a conclusão da terraplanagem e drenagem da via de acesso da área destinada à implantação dos painéis solares. Uma nova fase do projeto foi iniciada em fevereiro. Uma estação meteorológica começou a ser instalada no local. Os equipamentos serão responsáveis por fornecer todas as informações climáticas que interfiram no desempenho dos 4.680 painéis fotovoltaicos, que captarão a luz do sol para a transformação em energia elétrica. Os dados de radiação solar, temperatura ambiente e temperatura na superfície dos painéis solares serão, imediatamente, transferidos para os computadores da MPX, que farão análises da relação entre a energia elétrica gerada na usina solar e as diversas variantes climáticas. A instalação da estação meteorológica obedece rigorosamente a padronização estabelecida pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e é considerada um item fundamental do projeto, pois permitirá a geração de conhecimento


Imagens: Divulgação

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específico que servirá de base para a expansão da usina, a qual já possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semace) para a ampliação da capacidade da planta para 5 MW. Painéis A fabricante Kyocera vai fornecer os 4.680 painéis solares, que serão distribuídos por uma área de 12 mil metros quadrados. A manutenção será realizada por empresa local a ser contratada especificamente para esta atividade. A MPX Tauá é um projeto de pesquisa e desenvolvimento da empresa. O objetivo é operar a planta piloto de 1 MW para conhecer a tecnologia e expandir a geração, a partir do conhecimento adquirido e do aproveitamento de mecanismos de incentivos adequados ao crescimento da energia solar no país. A usina ainda está em fase de implantação e, até o momento, ainda não foram fechados contratos de comercialização da energia.

A MPX atua também em projetos de geração térmica e energia renovável, que a posicionam estrategicamente para se tornar uma geradora privada líder no setor elétrico brasileiro. A companhia possui quatro empreendimentos em construção no Maranhão e no Ceará, com investimentos de mais de R$ 4 bilhões e contratação direta de mais de 8 mil pessoas. Detém, ainda, sete novos projetos no Brasil e no Chile, totalizando mais de 10 GW de capacidade, além de ativos de classe mundial de carvão e gás natural na Colômbia e no Brasil, com flexibilidade para suprir as plantas próprias ou o mercado internacional.


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solar

Embaixada com energia verde Projeto piloto utiliza teto da sede diplomática da Itália, em Brasília, para pesquisa e geração de energia através de fonte alternativa e limpa

por Ivonice Campos Dias


Ricardo Stuckert/ Secretária de Imprensa/Divulgação

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surpresa com a despesa em energia elétrica que a Embaixada da Itália despendia todos os meses foi um dos principais incentivadores para a criação de um projeto pioneiro no país. O teto da sede diplomática se tornou um espaço para pesquisa e exploração de fontes renováveis e limpas. Chamado de “Embaixada Verde”, o projeto piloto conta com 405 painéis solares, com uma capacidade instalada de aproximadamente 50 kW. O diferencial é que o sistema não armazena energia e, sim, repassa a energia excedente e não consumida para a Companhia Energética de Brasília (CEB). No final de cada mês há um “acerto econômico” pela diferença entre o que foi gerado e o que foi consumido. “Não estamos desenvolvendo tecnologias limpas, mas estamos demonstrando como estas tecnologias podem ser aplicadas. Usar este sistema de produção de energia elétrica que não vai substituir, mas pode aliar e diminuir o impacto sobre a produção de energia com outras fontes”, explica Gherardo La Francesca, embaixador italiano no Brasil. Em entrevista exclusiva à revista Renergy, o embaixador fala sobre esta proposta pioneira, acordos bilaterais na concepção de novos projetos de tecnologias inovadoras e investimentos italianos no setor de energias renováveis no Brasil.

A

Renergy - Como foi concebida esta proposta pioneira da Embaixada Verde? Gherardo La Francesca

- Quando um embaixador chega tem que, digamos, recolher informações de todo tipo, de cunho político, econômico, cultural. Mas também administrativo. Então, eu perguntei: Quanto a gente paga de eletricidade? E quando me disseram, levei um susto. E pensei, como é possível isso num lugar que tem condições ideais? Primeiro, a embaixada tem um teto plano de 4 mil m²; segundo, Brasília está a 1000m de altura e tem uma quantidade de horas de sol/ano seguramente maior do que acontece na maioria

Neste momento, criar um sistema de acumulação é muito caro. É muito mais conveniente ceder energia para ter outra em troca dos países. Então, pensei que podíamos explorar e pesquisar como utilizar esta fonte de energia. R - Quais as empresas e governos que participam da parceria? GLF - Eu pedi a Enel Green Power, maior empresa de energia elétrica italiana, também em energias renováveis. Começamos a recolher dados e a resposta que me deram é que dava para realizar um projeto sustentável. Do ponto de vista econômico, era possível. Fazer esta troca de energia,

ceder o excesso de produção do dia para obter um encargo de energia elétrica nas horas nas quais não é possível produzir. Isso porque, neste momento, criar um sistema de acumulação é muito caro. É muito mais conveniente ceder energia para ter outra em troca. E, por isso, falamos com a CEB (Companhia Energética de Brasília) e a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). A reação foi muito positiva, viram a embaixada como centro de pesquisa. O papel da embaixada tem que ser este, de facilitador. E mais, por um objetivo, como o problema do meio ambiente, procurar novas fontes (de energia) é um dos grandes desafios desse século. E ficamos entusiasmados pela reação das autoridades brasileiras. Eu mesmo tive a oportunidade de falar brevemente com o ministro Lobão, no ano passado. Ele me encorajou. Os painéis chegaram, começou a produção de energia elétrica e a ANEEL colocou um medidor para calcular a quantidade de energia que não é consumida. Estamos nesta fase experimental. A ANEEL está outorgando uma legislação normativa para permitir àqueles que também queiram seguir o mesmo caminho, porque justamente a troca de energia é a condição. Senão, não é economicamente sustentável. Com estas condições, a gente vai reembolsar a Enel Green Power e, em alguns anos, até sobra receita da eletricidade. Não estamos desenvolvendo tecnologias limpas, mas estamos demonstrando como estas tecnologias podem ser aplicadas. Usar


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solar este sistema de produção de energia elétrica que não vai substituir, mas pode aliar e diminuir o impacto sobre a produção de energia, com outras fontes. R - A Embaixada da Itália pretende incentivar novos projetos como este? GLF - Vamos colocar a nossa experiência à disposição. Eu recebi visitas de funcionários de governadores que estão interessados em adotar o mesmo sistema. R - O acordo de cooperação, firmado entre a Embaixada da Itália e os Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia e das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, poderá vir a ser instrumento para estimular a concepção de novos projetos de tecnologias inovadoras? GLF - O que a embaixada está tratando de fazer é individualizar prioridades para setores e estados. Estamos vivendo um momento no qual a Itália tem grande interesse pelo Brasil. Os empreendedores italianos estão olhando com grande interesse. Não somente para exportar, mas para parcerias. Porque a Itália tem um patrimônio enorme de capacidade tecnológica, se calcula entre 5 e 6 milhões de empresas. Então, é preciso individualizar prioridades porque o Brasil é um país enorme, para tomar iniciativas bem focadas e estabelecer onde e o que temos que fazer. Mas prioridade, seguramente, em energias renováveis. Acabo de visitar a Bahia, por exemplo, e lá tem um porto tecnológico

com grandes possibilidades para energia eólica. Os recursos energéticos renováveis estão bastante distribuídos no Brasil. Na costa tem mais vento e na região mais árida não tem chuva, mas tem incidência solar. É interessante também verificar a aplicação dos dois tipos de energia, simultaneamente. R - A Embaixada da Itália poderia incentivar a cooperação e os investimentos conjuntos para implementação de projetos com tecnologias de destinação final de resíduos para geração de

Estamos vivendo um momento no qual a Itália tem grande interesse pelo Brasil energia, no contexto da nova Lei e do Decreto de regulamentação de resíduos, que pretende eliminar os lixões até 2014? GLF - Ainda que o território seja imenso, não é ilimitado. Acho muito importante ter sabedoria na decisão para enfrentar esses problemas do lixo, da coleta diferenciada, da utilização. Hoje pode ser possível, porque o Brasil ainda tem espaço. Mas dentro de 10, 20 anos pode não ser mais assim. Então, é bom enfrentar esses problemas agora para identificar soluções que sejam economicamente viáveis. A Itália tem tecnologia avançada nesse setor, e também no de biomassa, que

também tem muitas oportunidades no Brasil. R - Quais as universidades italianas que oferecem oportunidades de pesquisas neste setor de energia de fontes renováveis? GLF - Por exemplo, a Universidade de Parma, especializada em biomassa, porque Parma é uma região muito agrícola. Na Universidade de Bari tem o Conselho Nacional de Pesquisa, que tem uma sessão de competência em energias renováveis. R - Diante das perspectivas de expansão da geração de energia no Brasil para o período até 2014, cujas estimativas, divulgadas pela ANEEL, prevêem a implantação de 27 mil MW, sendo cerca de 6848 MW em fontes alternativas renováveis, os empresários italianos tem buscado a Embaixada para tratar de investimentos no setor de energias renováveis no Brasil? GLF - Temos várias empresas interessadas. A mesma Enel Green Power já participou de um leilão e venceu. O que estamos fazendo é indicar onde há maiores oportunidades para estimular a chegada de empresas. Brasil e Itália tem um acordo de parceria estratégica, que foi assinado em 2010. Este acordo realça as relações dos dois países a 360 graus: cultura, turismo, defesa, esporte, cooperação de pequenas e médias empresas, e também de energias renováveis. Temos uma base de referência para os entendimentos. Agora temos que trabalhar, porque o caminho já está aberto.


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leilões

Prazo preocupa setor Inicialmente, a data para participar do Leilão A-3 e Leilão de Reserva, no segundo trimestre, provocou preocupação. Mas há otimismo e a expectativa é que os certames contratem 2 GW de energia gerada pela força dos ventos

ia 18 de março. Este é o prazo para participar do Leilão de Compra de Energia Elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração e/ou do Leilão para Contratação de Energia de Reserva, denominados respectivamente de Leilão A-3 de 2011 e Leilão de Reserva de 2011. A data provocou certa preocupação no setor, mas a expectativa é de que sejam contratados 2 GW a partir de energia eólica, segundo projeção da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Os leilões vão contratar energia de parques eólicos, além de usinas a biomassa, gás e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

D

A Abeeólica está otimista e acredita que cerca de 10.000 MW (megawatts) em empreendimentos eólicos tem interesse para se cadastrar na licitação, mas inicialmente considerou “curto” o prazo de habilitação para os empreendedores. Para a entidade, “um prazo maior seria bom por conta de vários ajustes que precisam ser finalizados nos projetos”, como sinalizaram diversos associados. Entretanto, eles reconhecem que a EPE já declarou que não tem a intenção de alterar o prazo de habilitação. “De uma forma geral, o setor encontra-se preparado para os leilões em que participarão propostas de diver-

sas fontes renováveis”, declarou a associação por meio de nota. “O importante é que o anúncio de novos leilões atende o interesse do setor, de haver continuidade de leilões anuais com a comercialização de pelo menos 2 GW de energia éolica. O melhor cenário seria termos leilões exclusivos. As conversas com a EPE neste sentido serão contínuas”. O CEO da Braselco, Armando Abreu, que é também um dos diretores da Abeeólica, diz, no entanto, que o prazo está “correto”. Ele lembra que o governo estava indicando que haveria leilões todos os anos. “Os investidores tem que estar preparados para o ca-


SXC.hu

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dastro”, afirma. “É que há o mau hábito de contar sempre com o adiamento”. Para ele, deve ser mantida a data atual. Do lado dos fabricantes, as opiniões também divergem. A Impsa, por exemplo, segue igual linha de opinião de Armando Abreu. O vice presidente executivo da empresa, José Luis Menghini, diz que a Impsa está preparada para participar do leilão. “Não há preocupações”, afirma, em relação ao prazo. “Sempre nos adaptamos às necessidades dos investidores”. O superintendente comercial da Wobben Windpower, Eduardo Leonetti Lopes, explica o cenário: “Esse prazo é importante para os investidores que devem informar os dados dos projetos para a EPE, porém, como os equipamentos podem ser mudados depois, o envio das propostas e otimizações dos projetos irão ocorrer após essa data até as vésperas da realização do leilão. Em alguns casos, o envio de propostas continua após a realização do leilão. Cada investidor tem sua própria estratégia, ou seja, uns optam pela escolha do fabricante antes da realização do leilão, outros preferem pré contratos, e ainda existem alguns que escolhem o fabricante após ganharem o leilão. Sendo as-

sim, o fluxo de envio de propostas pelo fabricante é pouco afetado pelas datas de cadastramento do leilão. Vale lembrar que muitos projetos que irão se cadastrar no leilão de 2011 já participaram dos leilões anteriores, estão em processo de otimização e sendo negociados há algum tempo. Sendo assim, teremos condições de atender as demandas de nossos clientes dentro do prazo, com segurança e com qualidade”. Já o presidente da Suzlon no Brasil, Artur Lavieri, considera o tempo para o cadastro nos leilões “curto”. A empresa, além de fabricante, também assume a engenharia dos projetos e, atualmente, atende a cerca de 40 clientes. Para ele, a data ideal seria o fim de junho deste ano. “Estamos estabelecendo acordos prévios para unir força e conseguir atender. A situação é delicada, se não houver um prazo maior”, avalia. “São projetos complexos. Não é somente fornecer turbinas, mas também as vias de acesso, sub estação e infraestrutura elétrica”. Para participar dos leilões Os agentes interessados em participar do Leilão A-3 de 2011 e Leilão de Reserva de 2011, conforme disposto na Portaria MME

nº 113, de 1º de fevereiro de 2011, deverão inscrever os respectivos empreendimentos no Sistema de Acompanhamento de Empreendimentos Geradores de Energia - AEGE, que está disponível para preenchimento desde 14 de fevereiro. Para tanto, é necessário que os empreendedores façam adesão ao AEGE, que pode ser feita por meio do site http://sistemas. epe.gov.br/AEGE/adesao, onde se acessará um formulário eletrônico para este fim. Finalizada e validada com sucesso a solicitação de Adesão, será encaminhada ao solicitante uma senha para acesso ao sistema AEGE, onde se poderão inserir os dados dos empreendimentos e solicitar a inscrição à habilitação técnica para participar dos leilões de energia. Conforme o disposto na Portaria MME nº 113, de 1º de fevereiro de 2011, os empreendedores que pretendem propor a inclusão de projetos de geração nos Leilões A-3 ou de Reserva deverão requer, até as 12 horas do dia 18 de março de 2011, o Cadastramento e Habilitação Técnica dos respectivos projetos à EPE. Os empreendedores que já estão cadastrados no AEGE poderão acessá-lo utilizando a respectiva senha.


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cobertura WIND FORUM BRAZIL

Fórum trata de viabilização de projetos eólicos Maior fórum de energia eólica do país discutiu os desafios e soluções para a implementação de parques eólicos brasileiros e levantou debate sobre a inserção e o crescimento do setor nos leilões mentação dos parques eólicos, outros temas e soluções foram abordados durante os três dias do evento, como a comercialização de energia eólica e as perspectivas de investimento na América Latina. BNDES, The World Bank, BNB e Itaú BBA trataram sobre financiamento de projetos. E um painel ambiental discutiu os impactos e os riscos das variações climáticas, com representantes da Bio Energy e do Greenpeace. Foi realizado também um seminário técnico que contou com a participação de Armando Abreu, da Braselco, Mark Argar, da Paci-

fic Hydro, Ronaldo Custódio, da Eletrosul, e Paulo Cezar Coelho Tavares ,da CPFL, além de representantes da Garrad Hassan. O fórum contou ainda com um painel tecnológico sobre a aplicabilidade das novas tecnologias para energia eólica. E com um debate sobre a inserção e o crescimento do setor nos leilões de comercialização de energia renovável. A próxima edição do Wind Forum Brazil está programada para acontecer entre os dias 07 e 09 de fevereiro de 2012, também em São Paulo, com uma estimativa de mais de 250 participantes. Divulgação

s dificuldades de viabilização de projetos eólicos no Brasil foi o principal tema de debate na terceira edição do Wind Forum Brazil, realizado no início de fevereiro, em São Paulo. Com a participação de importantes nomes do setor de energia eólica do país, como Ricardo Simões, presidente da ABEEólica, Steve Sawyer, secretário geral do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC), e Mauricio Tolmasquim, atual presidente da EPE, o evento reuniu mais de 230 participantes. Além dos desafios na imple-

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evento ENERGEN LATAM

Congresso discute energia na América Latina

Divulgação

Primeiro congresso regional a colocar o mercado latinoamericano em contato com a totalidade de sua matriz energética, o Energen Latam reuniu mais de 480 participantes e 130 palestrantes nos três dias do evento

íderes executivos da América Latina, bem como o alto escalão da geração, engenharia e construção dos setores eólico, hidrelétrico, solar e termelétrico se reuniram para tratar da matriz energética do continente. A primeira edição do Energen Latam - Energy Generation Latin America proporcionou tratar desde o foco da geração energética e oportunidades regionais como debates sobre comparativos de preço, tecnologia e investimento nas diversas fontes em

L

países latinoamericanos. Importantes tomadores de decisão do mercado participaram de rodadas de negócios focadas na construção de parcerias e oportunidades para o desenvolvimento da geração de energia por fontes alternativas e renováveis. E representantes governamentais explicaram sobre questões regulatórias, entraves ambientais, captação de recursos e financiamentos para o setor. Um total de 480 participantes, 26 patrocinadores e mais de 130 palestrantes

estiveram reunidos nos três dias do evento. Os quatros congressos também trouxeram a vanguarda tecnológica da engenharia, construção e projetos de geração de energia solar on-grid e off-grid, de energia térmica, eólica e da engenharia hidrelétrica e PCHs. A segunda edição do Energen Latam já tem data confirmada e irá ocorrer entre os dias 31 de janeiro e dois de fevereiro do próximo ano, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro.


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balanço energético Biodiesel no carnaval carioca

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Biodiesel é utilizado como combustível no carnaval do Rio de Janeiro. A escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, que escolheu a agricultura como tema para o desfile deste ano, fez com que todos os seus carros alegóricos fossem movidos com o biocombustível. A iniciativa é resultado de um acordo entre a agremiação e as empresas produtoras do óleo, organizadas por meio da União Brasileira de Biodiesel (Ubrabio).

Programa franchising de baixo carbono

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A Associação Franquia Sustentável, entidade da Associação Brasileira de Franchising, lançou o Programa Franchising de Baixo Carbono. O objetivo do programa é reduzir e compensar gases causadores do efeito estufa (GEEs) provenientes do consumo de água, energia e efluentes líquidos de 75 unidades franqueadas. Serão cinco unidades de cada uma das 15 marcas que inicialmente participam da iniciativa, como a Rei do Mate, a Vivenda do Camarão e a Yázigi Internexus.

Duke Energy Brasil/ Divulgação

Geradora privada de energia ingressa nas mídias sociais para potencializar diálogo

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Uma das maiores geradoras privadas de energia do país, a Duke Energy International Brasil, aposta nas mídias sociais para potencializar o relacionamento com seus stakeholders. A empresa acaba de lançar três novos canais de comunicação institucional: Twitter (@dukeenergybr), Blog Corporativo (www.duke-energy.

com.br/blog) e YouTube (DukeEnergyBr). As ferramentas de comunicação irão abordar assuntos relacionados ao setor de energia, sustentabilidade, oportunidades de emprego, além dos programas socioambientais desenvolvidos na bacia do Paranapanema - região onde a Duke Energy é concessionária de oito usinas hidrelétricas.


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CAPACIDADE

PREVISÃO

AUMENTO

É a estimativa de capacidade instalada de eólicas, que poderão ser cadastrados nos próximos leilões A-3 e de energia de reserva, segundo cálculos da EPE.

Será o possível faturamento das empresas do setor eólico no Brasil até 2014, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica.

9 mil MW R$ 3 bi

Segundo levantamento da ANEEL, a média de geração de energia de alguns parques eólicos, já em operação no país, ficou abaixo do esperado. Entre 2008 e 2010, deveria ser produzido algo em torno de 4.300MW médios, mas estes parques geraram cerca de 1.500MW médios, abaixo do que indicam suas garantias físicas.

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Grupo, liderado pela CPFL Energia e organizado pela Abeeólica, está trabalhando em um projeto para preparar a fonte eólica para a negociação no mercado livre de energia. Uma consultoria será contratada para fechar a versão final das análises e propostas. O projeto deverá ser entregue ao governo ainda este ano.

Bahia quer montar complexo eólico Em 2011, o BNDES prevê que colocará à disposição cerca de R$ 2,5 bilhões para financiamento no segmento eólico. Segundo o gerente do departamento de Energia Elétrica, Luiz André Sá d´Oliveira, o valor previsto é pelo menos três vezes maior do que o destinado pelo banco, no ano passado, para as usinas eólicas. Atualmente fazem parte da carteira eólica do BNDES 128 projetos eólicos, que somam capacidade de 3.650 MW.

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O preço do aço no Brasil tem levantado algumas questões entre os empreendedores de energia eólica. O material - que tem um único fornecedor no mercado nacional, a Usiminas - chega a representar 25% do preço de um aerogerador. Segundo levantamentos da Impsa, o aço importado ainda sairia 15% mais barato do que o nacional.

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Segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a capacidade instalada, nas empresas do setor eólico, aumentará em quase oito vezes nos próximos cinco anos, alcançando 4,2% da matriz energética brasileira.

Foi quanto aumentou a capacidade mundial de energia eólica em 2010, segundo dados divulgados pelo Conselho Global de Energia Eólica.

RN terá centro de tecnologia eólica

9 SENINT/ Divulgação

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22%

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Benito Gama, o Estado terá um Centro de Tecnologia de Energia Eólica. Parte do lucro obtido com a geração de energia eólica no RN será investido na construção do centro, uma vez que 1% de todo faturamento deve ser aplicado em pesquisa.

“aspas "Possivelmente, temos no Brasil os preços de eólica mais baixos do mundo. O resultado dos leilões mostra que a tendência de baixa nos preços vai ser estável." Miguel Setas, CEO da EDP Renováveis, que atua na geração de energia eólica em diversos países

EPE quer obter medições com histórico de mais de 50 anos

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A A EPE quer ampliar sua base de dados sobre energia eólica para guiar a expansão do setor no Brasil. O órgão está negociando com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Marinha e a Aeronáutica para obter suas medições anemométricas. Estas entidades poderiam ter registros com histórico de mais de 50 anos.


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destaque ECOTURISMO


Pedro Paulo Capelossi/ Divulgação

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Explorando

e conservando

a natureza

Em crescimento em todo o mundo, o ecoturismo tem o desafio de preservar áreas naturais e também de fornecer para as comunidades dos destinos uma forma de vida sustentável do ponto de vista econômico, cultural e social. Experiências mostram que é possível conciliar turismo e preservação

por Paola Vasconcelos


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destaque ECOTURISMO

uase oito mil quilômetros de praias, serras, selvas, florestas tropicais, cerrado e muita natureza. Uma exuberância natural tão diversificada como poucos países possuem. Estes são os principais motivos que fazem do Brasil um dos países do mundo com maior potencial para o ecoturismo. Mas como se utilizar de tanta riqueza sem destruir ou causar danos ao meio ambiente e às suas populações? A busca pela conciliação entre o interesse exploratório, o econômico e também o social e cultural é o que move o setor do ecoturismo no mundo, que já representa 5% do turismo mundial e deve chegar a 10% nesta década. O ecoturismo foi introduzido no Brasil no final dos anos 80, seguindo tendências internacionais. Em 1992, com a Rio 92, o termo ecoturismo ganhou maior visibilidade, entrou para a vida do brasileiro e criou um mercado promissor que, desde

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então, vem se desenvolvendo com muito sucesso. Segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o turismo convencional tem crescimento de 7,5% ao ano, o ecoturismo ultrapassa 20%. Em termos de impacto, isso seria o fim dos destinos, certo? Negativo, muitos lugares do mundo e principalmente no Brasil já tem o ecoturismo como forma de sustentabilidade não só das áreas naturais, mas também de suas comunidades. A visão idealista e utópica de que a preservação de áreas naturais só seria possível sem a presença exploratória humana não se sustenta mais. Fórmulas desenvolvidas no próprio país, como o que acontece na Amazônia (AM), Fernando de Noronha (PE) e Bonito (MS) são alguns exemplos de que é possível conciliar turismo com preservação. Isso porque o ecoturismo impôs o conceito de sustentabilidade. Cada vez mais as áreas estão sendo ex-

ploradas de forma responsável. Não é possível manter atrações que não protegem o ambiente ou que não respeitem as populações que fazem parte do seu entorno. É o turismo sustentável, que divide a natureza com aqueles que fazem parte dela, gerando a sua preservação, continuidade das tradições sociais e culturais e, principalmente, recursos financeiros estruturantes para as comunidades. A Sociedade Internacional de Ecoturismo define a atividade como “viagem responsável para áreas naturais que conserva o meio ambiente e melhora o bem estar da população local”. E, de fato, não é possível fazer ecoturismo sem que seja sustentável e sem deixar lucros, sejam eles econômicos, sociais ou culturais, para quem mora no destino. O diretor fundador do Instituto EcoBrasil, Roberto Mourão, que acompanha desde a criação do instituto, em 1993, o desenvolvimento do


setor, é categórico ao dizer que “sem inclusão social e respeito às comunidades não há ecoturismo”. “É condição sine qua non”, destaca. O Instituto EcoBrasil é uma organização não governamental cuja finalidade é fazer do turismo um instrumento eficaz de desenvolvimento econômico e conservação dos recursos naturais e culturais do Brasil. Além disso, atua promovendo capacitação e treinamento de profissionais e empresários para atender o mercado e elabora e implementa estudos, pesquisas e projetos. Conforme Roberto Mourão, pela diversidade ambiental e cultural do país, o ecoturismo ou, mais amplamente, o turismo de natureza no Brasil ocorre em mais de uma centena de destinos. Desde a década passada, ele

explica que houve um boom de operadores e tours sendo oferecidos. Foi a experiência brasileira em planejamento para utilização dos recursos naturais de forma sustentável que consolidou o ecoturismo no Brasil. Mourão aponta como pilares desse processo a elaboração da Política Nacional do Ecoturismo, em 1994, que é o “o marco legal do ecoturismo no Brasil” e, em seguida, a partir de 2002, normas técnicas que definem requisitos mínimos para o turismo sustentável para meios de hospedagem e sistema de gestão da sustentabilidade. Ecoturistas e sustentabilidade

Atualmente, o Brasil tem cerca de meio milhão de ecoturistas, que

são atendidos por 250 operadores e agências especializadas. O mercado brasileiro de ecoturismo movimenta R$ 500 milhões por ano e gera 30 mil empregos diretos. E a tendência é aumentar. Conforme a Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), o Brasil espera ampliar o número de turistas estrangeiros de cinco milhões para oito milhões até a Copa de 2014. Como fazer isso com sustentabilidade? O então ministro do Turismo, Luiz Barretto, disse que toda atividade turística deve ter, como princípio, a sustentabilidade ambiental, econômica, sociocultural e político-institucional. Ele explica que o Programa de Regionalização do Turismo (PRT) - Roteiros do Brasil, criado há seis Daniel De Granville/ Divulgação

David Rego Jr./ Divulgação

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destaque ECOTURISMO anos, é a linha condutora das políticas desenvolvidas pelo Ministério do Turismo e seus parceiros do setor privado e público que auxiliarão o país a cumprir essa meta de quase duplicar o número de turistas estrangeiros. “Por meio da criação de um novo mapa turístico, o Programa de Regionalização do Turismo organizou espacialmente os destinos e introduziu a sustentabilidade como conceito fundamental, que orienta nossas ações. Segundo o programa, o fomento ao turismo deve ser feito de forma responsável: produtivo, do ponto de vista econômico; justo, do ponto de vista social, e correto do ponto de vista ambiental”, explica Barretto. O Ministério do Turismo, conforme Barretto, trabalha para superar dois grandes desafios. O primeiro deles é buscar formas de fazer o Brasil crescer e se consolidar como destino turístico, produtivo economicamente, preservando os recursos naturais e

a identidade das comunidades locais. O segundo é fazer com que o turismo contribua com a construção de uma ordem social mais justa, para que as divisas advindas do turismo possam contribuir para a distribuição da riqueza, redução da pobreza e das desigualdades regionais e promover a inclusão social. “Para alcançarmos esses objetivos, a questão da sustentabilidade perpassa todas as nossas ações”, destaca. Como exemplos dessa política, ele citou o Programa de Desenvolvimento Regional do Turismo (Prodetur), o Programa Turismo Sustentável e Infância (TSI) e o Projeto de Fomento ao Turismo no Entorno de Unidades de Conservação. No entanto, especialistas ainda apontam um caminho longo para que os níveis de excelência sejam atingidos, principalmente no que se refere à estrutura das atrações e à qualidade dos serviços oferecidos. O diretor do

Instituto EcoBrasil, Roberto Mourão, destaca que o Brasil avança no sentido de adequar infraestruturas e capacitar e treinar profissionais, como o próprio EcoBrasil faz, mas acredita que os obstáculos serão superados na medida em que surgem, como se tem feito nos últimos 20 anos de desenvolvimento do ecoturismo no país. Entre os obstáculos para que o país consiga ampliar os números do turismo externo, Mourão aponta o fortalecimento do real como moeda e os custos de deslocamentos aéreos internos, ainda muito caros. “Em um país de dimensões continentais, com uma malha aeroviária deficiente e voos caros, fica difícil, até porque houve uma estabilidade no fluxo de turismo internacional. Mas, caso a meta de chegar a oito milhões de turistas estrangeiros seja atingida, cremos que os operadores responsáveis poderão manter a sustentabilidade de seus produtos”, finaliza.

Programa Turismo Sustentável e Infância (TSI) - Objetiva a prevenção

Meio Ambiente e desenvolve ações para valorizar a cadeia produtiva do turismo em torno de cinco parques nacionais, em todas as regiões do país. Além de guias, condutores e operadores de turismo, os meios de hospedagem, restaurantes, as transportadoras, lojas de produtos orgânicos e artesanais são alvo do projeto. O objetivo é integrar os parques a todos os setores ligados ao turismo na região, visando o desenvolvimento de ações cooperadas e a valorização da conservação natural da área e competitividade da atividade turística nesses espaços. A criação de valores e a identidade local com o parque também são fomentadas.

Saiba mais Prodetur - Programa desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e com a Corporação Andina de Fomento que investe na melhoria da gestão e no desenvolvimento de infraestrutura turística - como a construção de pontes, a implantação de sinalização turística, a melhoria de orlas e calçadas, construção de estradas, pavimentação de acessos, revitalização de centros históricos, entre muitas outras ações. A sustentabilidade é um dos critérios observados para que os projetos, encaminhados por estados e municípios, sejam aprovados.

e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nos equipamentos do turismo. Os princípios do programa são o desenvolvimento sustentável, a responsabilidade social corporativa e os direitos da criança. O TSI tem quatro eixos de atuação: campanhas de sensibilização, formação de multiplicadores, ações de sensibilização do trade turístico e capacitação profissional. Fomento ao Turismo no Entorno de Unidades de Conservação -

Realizado pelo Ministério do Turismo em parceria com o Ministério do


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Imagine uma pousada onde a energia utilizada é captada pelo sol; a água para banho e higiene pessoal é proveniente de um rio; a água para cozinhar e lavar louça é armazenada através da chuva; os dejetos são decompostos de forma natural, sem sujar o meio ambiente; a ventilação é natural e não utiliza ar condicionado. Mais sustentável, impossível. E não é só. A comunidade local acompanha, participa e decide todos os rumos desse lugar, que fica numa reserva ambiental de mais de 1,12 milhão de hectares, a 600 Km a oeste de Manaus (AM) e 30 quilômetros da cidade de Tefé. Trata-se da Pousada Uacari, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, que agrupa lagos, igapós e matas. Com a Reserva de Amanã e o Parque Nacional de Jaú, a RDS Mamirauá forma a maior área de florestas inundadas protegida do mundo.

Desde 1999, a reserva, que foi eleita o melhor destino de ecoturismo pela revista americana Condé Nast Traveler, é modelo para a proteção de vastas extensões de florestas mundo a fora. Isso porque lá tudo foi pensado e planejado para garantir a preservação do local e manutenção de suas comunidades, que antes sofriam com a pesca indiscriminada de peixes, caça de jacarés e desmatamento. A história de Mamirauá começou a mudar em 1983, quando o biólogo José Márcio Ayres, procurando uma área para estudo do macaco Uacari Branco, encontrou a região do Lago Mamirauá. Ele percebeu a necessidade de criação de uma reserva, uma vez que o macaco é endêmico daquela região. Através de uma proposta encaminhada ao Estado do Amazonas, em 9 de março de 1990, foi criada a Estação Ecológica Mamirauá, posteriormente transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável.

Imagens: Divulgação

Exemplo para a proteção de florestas

A Pousada Uacari é ligada ao Programa de Ecoturismo do Instituto Mamirauá. Seu planejamento e desenvolvimento foram realizados ao longo dos 10 últimos anos pelas comunidades locais, pesquisadores e técnicos do Instituto. Criada para oferecer serviços de lazer e hospedagem para ecoturistas que tem grande interesse em conhecer a Amazônia e contribuir com sua conservação, a pousada tem um conjunto de sete estruturas flutuantes de madeira e cobertas com palha. As estruturas flutuam porque foram construídas em cima de toras de madeira flutuantes. Todos os edifícios são ligados entre si através de passarelas flutuantes. Serviço Com apenas 10 suítes e uma capacidade de hospedar até 20 pessoas, a pousada tem um flutuante central com recepção, restaurante, bar, sala de TV, sala de apresentações e um deck com vista para o Lago Mamirauá. Para mais informações: www.uakarilodge.com.br.


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destaque ECOTURISMO

Destinos turísticos

Marajó (PA) Ao passear entre rios e igarapés (cursos de água que nascem na mata e deságuam nos rios) você avista a fauna e flora da região. O passeio inclui também sol e praia, adornados por coqueiros e areia branca.

Bonito (MS) É um dos principais destinos de ecoturismo e do turismo de aventura do país. A cidade é conhecida pelas suas águas extremamente límpidas e pela fauna aquática diversificada. è possível fazer rafting, trekking, cavalgada, visitar cachoeiras, cavernas, fazer flutuação pelos rios da região, mergulho, rapel.

Monte Roraima (RR) Quem é fã das trilhas ecológicas e tem muito fôlego não pode perder o Monte Roraima. Simboliza um dos pontos mais antigos do planeta e possui formações da Era PréCambriana, bem antes do homem aparecer no planeta. O Monte Roraima é um espetáculo de cenários singulares.

Chapada dos Guimarães (MT) Uma das principais atrações do cerrado brasileiro, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães oferece uma ampla visão da planície pantaneira e muitas quedas de água. A cachoeira do Véu de Noiva é o cartão de visita da Chapada. O local também abriga 50 locais arqueológicos com pinturas rupestres e fósseis de animais pré-históricos.

Foz do Iguaçu (PR) São 275 quedas d'água localizadas na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. É a terra do Parque Nacional do Iguaçu, tombado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. Entre essas atrações estão o Parque das Aves, um dos passeios obrigatórios de quem chega por lá.


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Lençóis Maranhenses (MA) Os 155 mil hectares do litoral do Maranhão que recebem o nome de lençóis maranhenses são talvez um dos cenários mais fantásticos do mundo. Suas dunas, rios, manguezais e lagoas que parecem se perder no infinito.

Fernando de Noronha (PE) São 21 ilhas espalhadas em uma área de 26 quilômetros quadrados de puro êxtase e recebeu o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. Entre suas muitas atrações estão os mirantes, rochedos, grutas, cachoeiras e recifes de corais. Abriga um santuário de golfinhos rotadores e outras muitas espécies marinhas.

Atibaia (SP)

Ilha Grande-Angra dos Reis (RJ)

As flores e as frutas de Atibaia são o maior cartão de visitas da cidade. A cidade possui dois especiais circuitos de passeios para os turistas, o das Frutas e o Rural, com atividades culturais que contam um pouco mais sobre a história desse belíssimo lugar.

Com suas 365 ilhas, Angra dos Reis tem um litoral privilegiadíssimo. Há opções para todos os gostos. Se você quer sol e praia, lá tem sol e praia. Se você procura aventura, lá tem aventura. Já a Ilha Grande, com193 km², boa parte cobertos de mata atlântica, tem 106 praias, grutas, cachoeiras, morros, trilhas, ruínas históricas, pontos de mergulho e vilas de pescadores.

São Joaquim (SC) As cidades da região têm muitas opções para o ecoturismo e a prática de esportes radicais. O visitante pode fazer rapel em cachoeiras de mais de 100 m de altura, canoagem, cavalgadas por caminhos deslumbrantes, caminhadas ecológicas, vôo livre (asa-delta e parapente), pesca esportiva de trutas, tirolesa, arvorismo, montain bike, montanhismo e expedições.

Fonte: Ministério do Turismo


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destaque ECOTURISMO

Planeje sua viagem com responsabilidade ambiental e social Uma viagem sustentável começa a partir do seu planejamento e não somente na chegada ao destino. Você pode escolher a forma de se relacionar com o meio ambiente na sua viagem. Veja as dicas. Antes de viajar: • Reduza o impacto das viagens de avião • Informe-se sobre a cultura e as tradições do destino • Leve o Brasil na bagagem, através de lembranças para quem você vai conviver • Evite excesso de bagagem

Ao fazer suas compras • Consuma artigos produzidos localmente • Prove sabores locais • Não compre produtos feitos com peles de animais ou espécies em extinção • Evite embalagens em excesso • Pechinche com humor

Durante a viagem • Explore a cultura local • Respeite a cultura local e suas tradições • Viva a diferença • Participe de excursões com guias locais • Respeite o meio ambiente local • Ajude a reduzir a poluição • Prefira veículos híbridos • Pratique a reciclagem • Evite o desperdício • Reduza o impacto das suas atividades de recreação

Em sua acomodação • Opte por acomodações ambientalmente responsáveis • Economize energia e água, desligando os equipamentos que não estão em uso, tomando banhos rápidos e reduzindo a troca de toalhas e roupas de cama

Na natureza • Procure opções de ecoturismo • Visite uma área protegida • Faça uma trilha • Não explore animais silvestres

Fonte: Passaporte Sustentável, da WWF Brasil e Central de Intercâmbio-CI

Ao voltar de viagem • Recicle os materiais de viagem, como brochuras e outros informativos • Divulgue o destino que visitou divulgando sua opinião sobre ações responsáveis


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3r’s

reduzir, reutilizar, reciclar

resíduos PLÁSTICOS

Plásticos Os materiais plásticos estão sendo utilizados em grande escala em diversas áreas da indústria, substituindo outros materiais, como o metal, vidro e madeira. Esta expansão se deve, principalmente, segundo o Sindicato das Indústrias de Material Plástico de São Paulo, pelas suas principais características: baixo custo, peso reduzido, elevada resistência e variação de formas e cores. O elevado uso de plástico anda despertando preocupação com seu destino final, já que é um dos itens mais encontrados no lixo. Veja alguns exemplos que podem reduzir este impacto no meio ambiente.

REDUZIR Uma das líderes do segmento de utilidades domésticas em plástico com design, a OU também produz itens a partir de novas matérias primas sustentáveis, o chamado plástico verde. A novidade da temporada é uma linha em fibra de madeira, proveniente de áreas de reflorestamento, com manejo sustentável. Obtido a partir de resíduos da madeira, esse biopolímero é agregado ao plástico polipropileno convencional, reduzindo o impacto sobre o meio ambiente. Além da contribuição ao planeta, a solução confere um estilo diferente à linha. As fibras da madeira ficam evidentes na superfície das peças, conferindolhes um charme extra. As peças são atóxicas.

REUTILIZAR A Electrolux dá continuidade ao projeto ambiental Vac From the Sea e exibe os primeiros modelos de aspiradores de pó produzidos com plástico reciclado recolhido de mares e oceanos. O material que compõe os eletroportáteis foi coletado em parceria com instituições voltadas à preservação ambiental. Durante a coleta, voluntários retiraram o plástico do Oceano Pacífico, Mar do Norte, Mar Mediterrâneo, Oceano Índico e Mar Báltico. O objetivo da ação é alertar as pessoas sobre a contaminação dos mares e oceanos, com a quantidade de material plástico descartado indiscriminadamente nesses lugares. Cada um dos cinco modelos de aspiradores apresentados pela Electrolux representa um dos mares e oceanos onde o projeto já está em andamento. A empresa já possui modelos com plástico reciclado no Brasil.

30 A 40 ANOS É O TEMPO QUE LEVA UMA EMBALAGEM DE PLÁSTICO PARA SER ABSORVIDA PELO SOLO

REnovAR A Braskem inaugurou, no Polo Petroquímico de Triunfo (RS), a maior unidade industrial de eteno derivado de etanol do planeta, que vai permitir a produção de 200 mil toneladas de polietileno verde por ano. A empresa irá fornecer plástico de origem renovável. A resina é feita de CO2, capturado da atmosfera na fotossíntese da cana de açúcar. O que significa retirar até 2,5 toneladas de carbono da atmosfera para cada tonelada produzida de polietileno desde a origem da matéria prima. "É o mais competitivo entre todos os plásticos de origem renovável, e isto tem sido amplamente reconhecido pelo mercado, que registrou demanda para três vezes a capacidade da planta”, afirmou o presidente da empresa, Bernardo Gradin. Produtos destinados a embalagens de alimentos, brinquedos e utilidades domésticas estão entre as primeiras aplicações do plástico de origem renovável.


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Como?

guia verde

redução de consumo

Mais eficiência e menos custo O gasto com iluminação produzido pelas lâmpadas representa no Brasil de 15 a 20% de toda a conta de energia elétrica doméstica. As lâmpadas incandescentes, que são as mais baratas e as que mais causam impacto negativo no meio ambiente, ainda são as mais usadas no país. Em países da Europa e em outros como a Austrália, as incandescentes estão com os dias contados. Ao economizar com iluminação, você contribui para o orçamento familiar e também ajuda o meio ambiente. Veja as vantagens e desvantagens de cada tipo de lâmpada:

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INCANDESCENTES. É a que mais contribui para o aquecimento global e também a mais usada no Brasil. Pode custar até cinco vezes menos que as fluorescentes. Porém, gastam 80% mais energia do que as fluorescentes, já que apenas 5% da sua energia são revertidas em iluminação, o resto se dissipa em forma de calor, daí o maior consumo. Dura 10 vezes menos do que uma fluorescente e tem vida útil, em média, de um ano. Reciclagem mais simples que as fluorescentes.

FLUORESCENTES. Têm baixo consumo de energia e estão substituindo cada vez mais as incandescentes comuns. Utiliza menos energia e proporciona a mesma quantidade de luz que a incandescente. Representa uma economia na conta de energia de cerca de R$ 25,00 cada lâmpada, por ano. Com vida útil às vezes grande, algo em torno de sete mil horas, são indicadas para casas ecológicas. Encontradas em formas tubulares, circulares e compactas. Poucas empresas fazem a reciclagem dessas lâmpadas que, por causa do mercúrio e do aumento do uso, podem contaminar o ambiente.

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HALÓGENAS. São lâmpadas incandescentes às quais se adiciona internamente ao bulbo elementos halógenos como iodo ou bromo. Produzem uma luz branca e brilhante, indicada para realçar objetos no ambiente. Por isso, são muito usadas no comércio em vitrines, mostruários, e também para realçar decorações em residências. Em termos de economia, oferecem mais luz com potência menor ou igual à das incandescentes comuns, além de possuírem vida útil mais longa, variando entre duas mil e quatro mil horas.

LED. A maioria das pessoas conhece LEDs somente como aquelas pequenas “luzinhas” encontradas nos diversos equipamentos eletrônicos de hoje. Representam a nova promessa da indústria para reduzir o consumo de energia com iluminação. O uso dessas lâmpadas proporciona uma economia que varia de 60% a 90% na conta de luz. Não geram calor, pois 95% da força é destinada à geração da luz. Ainda são muito caras, em comparação aos outros tipos, mas compensam pelo baixo consumo e pela altíssima durabilidade.


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se ligue agenda

Dicas de livros, sites, filmes e muito mais

Diferente de outros tipos do documentário, que geralmente denunciam e exploram problemas, o Carbon Nation é um projeto otimista que se baseia em soluções criativas para fazer parte da nova economia de baixo carbono. Através de personagens que são verdadeiros empreendedores e visionários - sejam eles cientistas ou um pequeno agricultor - o filme aponta que combater as mudanças climáticas pode ser um bom negócio, incentiva questões ligadas à segurança energética e ainda o quanto pode melhorar a saúde e o ambiente.

filme

Estimular a transformação de ambientes urbanos em espaços propícios à inovação, à criatividade e à sustentabilidade é o ponto central da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras. Nesta segunda edição o foco principal está nas cidades ideais para o futuro, como cidades digitais, cidades empreendedoras, cidades inteligentes e cidades geradoras de energia limpa. Quando: 17 a 20 de maio. Onde: CIETEP - Curitiba, PR. Mais informações: www.cidadesinovadoras.org.br/cici2011

conferência

No Fórum de Financiamento de Projetos para os Setores de Energia e Infraestrutura serão discutidas alternativas de financiamento para viabilizar os grandes empreendimentos e o arcabouço regulatório destes dois setores no início do ciclo 2011-2014 do novo Governo. O pano de fundo será os recentes avanços em projetos de energia renovável e o cumprimento do cronograma de obras para a realização dos grandes eventos esportivos de 2014 e 2016. Quando: 11 e 12 de abril. Onde: São Paulo, SP. Mais informações: atendimento@vxa.com.br

evento

O Banco Mundial produziu um importante volume sobre uma das questões mais urgentes e atuais a serem discutidas: a mudança climática. O 32 º Relatório Sobre o Desenvolvimento Mundial - Desenvolvimento e Mudança Climática traz um impressionante conjunto de dados e análises sobre o tema. No prefácio, o presidente do banco, Robert Zoellick, lembra que "um mundo inteligente com relação ao clima é possível em nosso tempo - ainda assim, como argumenta este Relatório, para efetuar este tipo de transformação, precisamos agir agora, agir juntos e agir de modo diferente". Editado pelo Banco Mundial. Da Editora Unesp.

livro


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Uma mini-estação de energia verde que cabe na palma da mão. Você mesmo pode gerar correndo, andando de bicicleta ou apenas deixando o aparelho sob o sol. Este é o HYmini, um carregador/adaptador universal portátil que aproveita energia eólica e solar para recarregar quase todos os atuais gadgets digitais, como celulares, MP3, câmeras digitais e até PDAs. O pacote completo sai por US$ 74.98. Mais informações: www.hymini.com

novidade

O Renewable Energy Forum abre plenária para discutir, dentre outros assuntos, alternativas para geração de energia, licenciamento ambiental e crédito de carbono. Sessões paralelas sobre oportunidades de negócios relacionadas às fontes primárias, tais como biomassa, eólica, hídrica e solar, também serão discutidas nos painéis. Assuntos como comercialização de energia e créditos de carbono a partir de geração de energia renovável são pautas de workshops que acontecem paralelos durante o evento. Quando: 12 e 13 de abril. Onde: Blue Tree Premium (Fortaleza, CE). Mais informações: www.informagroup.com.br

fórum

A segunda edição do Fórum Mundial de Sustentabilidade terá como tema principal “Sustentabilidade Econômica, Ambiental e Social da Amazônia e do Planeta”. O evento pretende reunir 600 lideranças empresariais, políticas e ambientais em defesa das práticas e mecanismos bem sucedidos para o desenvolvimento sustentável mundial. E contará, entre outros, com a presença de Bill Clinton, Arnold Schwarzenegger e o fundador do grupo Virgin, Richard Branson. Quando: 24 e 26 de março. Onde: Hotel Tropical (Manaus, AM). Mais informações: www. forumdesustentabilidade.com

evento

The Age of Stupid (A Era da Estupidez) é um mix de ficção, documentário e animação que trata sobre a destruição da Terra, causada pela insensatez humana. O filme da diretora Franny Armstrong se situa no ano de 2055 e tem como personagem central o Arquivista, que cuida de todo o conhecimento e arte a salvo da desolação do mundo. A questão central gira em torno do porquê a humanidade não fez nada para impedir a mudança climática. Praticamente independente, o filme ganhou uma distribuição inovadora, transmitido por link de satélites para 700 cinemas, simultaneamente, em mais de 50 países.

filme


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o último apaga a luz

Visite projetos do artista e do Coletivo Base/Baião Ilustrado: www.flickr.com/photos/assisfilho/ ou www.baiaoilustrado.com.br

Quero uma luta limpa, rapazes, de Assis - Baião Ilustrado. Escultura e fotografia, 2011



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