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SESC guerreiro das alagoas

rodapé

Realização:

sexta-feira | 3 de setembro de 2010 | Ano 3 | nº 08

+ Entrevista com Iris Fiorelli | p. 2 Fica a Dica | p. 3 A intervenção urbana da Cia. LTDA | p. 3 Fotos de ‘Esbórnia’ | p. 4

A debatedora Mérida Urquía abre a maratona de apresentações culturais do Overdoze

Overdoze: Aldeia SESC 2010 encerra suas atividades com maratona cultural Serão doze horas com apresentações teatrais, música, exibição de vídeos, exposições, leitura de poemas e DJ Texto: Morena Melo | Foto: Divulgação

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verdose com “s” é o termo utilizado para se referir ao consumo excessivo de uma droga, causando alterações no metabolismo. Para encerrar a Aldeia Sesc 2010, convidamos você, na noite de sábado (4) até o raiar do dia no domingo, a participar de uma Overdoze de cultura, no Sesc Centro a partir das 20h. Ingressos serão vendidos a 5 reais até às 00h. Como o nome sugere, serão doze horas ininterruptas de programação, compondo uma Overdoze cultural, aqui as substâncias consumidas serão, exposições de artes visuais, espetáculos de dança e teatro, mostra de curtas-metragens e o Palavra Expressa, ponto alto da mostra, um bate-papo reflexivo sobre todas as produções artísticas apresentadas. Madre Coraje, adaptação do texto de Brecht por Mérida Urquia, subirá ao palco do Teatro Jofre Soares às 21h. A peça foi escrita em 1939 na tentativa de evidenciar o fascismo que se instalava na Europa através de nomes como Hitler, Franco e Mussolini. O texto sobrevive até hoje como exemplo da dramaturgia política

- através de inúmeras e diferentes montagens. A atriz Mérida Urquia, formada em História da Arte pela Universidade de Havana, também é contadora de histórias e diretora de teatro. Em 1997, ela integrou a Ista (Escola Internacional de Antropologia Teatral), dirigida por Eugenio Barba. Em 1998, por seu trabalho em “Madre Coraje”, recebeu convites para participar de festivais em vários países. Além das exposições “Jogo”, de Fabrício Casado/AL e “Movimentos”, de Natalhinha Marinho/AL, teremos a exposição dos trabalhos construídos durante a oficina Ateliê Aberto à Comunidade, realizada durante a Aldeia. Também compõem a programação os espetáculos de dança Deixar Ir (PE), Amarrados e Eu sou (AL), às 02h será servido um banquete Dionisíaco no bar panorâmico, a partir das 02h teremos DJ. O Palavra Expressa está previsto para as 06h, às 08h será servido café da manhã. As substâncias componentes do Overdoze são altamente recomendáveis e causam alterações intelectuais.


entrevista

Texto: Renato Medeiros | Fotos: Felipe Daniel

Iris Fiorelli I

ris Fiorelli é atriz e uma das integrantes da Cia. O Mínimo, de Sergipe. Seu espetáculo, ‘Sim, Salabim’ (que será apresentado hoje, às 16h30, na Praça Deodoro), foi o primeiro de fora de Alagoas a ser selecionado para o projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas.

Rodapé: Como a Cia. O Mínimo conheceu o projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas? Iris Fiorelli: Soubemos através de uma amiga, que nos repassou um e-mail. Então enviamos o projeto e fomos selecionados. R: O nome da companhia, de certa forma, sintetiza o que o grupo faz? IF: O nome surgiu através da idéia (compartilhada pelos componentes da Cia.) de que, no atual momento, quase todas as pessoas e grupos buscam grandes estruturas, recursos e com isso precisam também manter grandes equipes. Mas como alternativa e forma de auto-sustentabilidade, acreditamos ser possível realizar um trabalho de qualidade com o mínimo, tanto em pessoas quanto em recursos, sem que com isso o trabalho perca qualidade. R: Do que se trata o espetáculo Sim, Salabim? IF: O Sim, Salabim é um espetáculo circense, que utiliza um dos primeiros elementos

estéticos do circo: a pantomima. O espetáculo conta a história de dois palhaços que se conhecem e compartilham emoções e

Apesar de existirem muitas companhias em Sergipe, observamos uma grande carência de espaços e incentivo para as artes cênicas em geral. Falta também informação e comunicação entre os grupos. Iris Fiorelli Integrante da Cia. sergipana O Mínimo

na boca de mateu

trapalhadas. Uma comédia regida a sons, malabares e elementos de contato improvisação. R: A Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas tem procurado facilitar o intercâmbio entre as artes e entre outras aldeias. Dessa maneira, como você enxerga o teatro produzido em Sergipe? IF: Apesar de existirem muitas companhias em Sergipe, observamos uma grande carência de espaços e incentivo para as artes cênicas em geral. Falta também informação e comunicação entre os grupos. Sendo assim, a cena sergipana torna-se muito frágil, carente de público e de trocas e reciclagens com outros estados. R: Sergipe e Alagoas estão tão próximos geograficamente. Quais peças ou companhias daqui você tem conhecimento? IF: Infelizmente não conhecemos nenhuma companhia ou espetáculo, mas temos contato com um artista circense, o palhaço Biribinha.

Mateu (ou Mateus) é o cara pintada que anuncia as boas novas no Guerreiro.

O que você acha da participação dos debatedores nos espetáculos?

Ana Paula Montenegro

Produtora cultural

Acho muito importante a presença dos debatedores no final das peças , pois nós começamos a ver as peças com outros olhos. Eu não sou da área e não conheço bem as artes cênicas, então, me considero um público normal. Para mim a presença deles pode ter despertado em mim esse fascínio pelos detalhes, como áudio, figurino e etc.

Adriana Calumby

Atriz

É interessante. O artista tem uma visão mais ampla sobre o trabalho. Quando estamos envolvidos, alguns excessos passam desapercebidos. Muitas vezes ela fica redundante e sem ritmo. Dentro do processo, a gente não sabe discernir o que é melhor para o espetáculo. São pessoas qualificadas com visão nova. Fazem comentários pertinentes.

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Fotos: Renato Medeiros, JoelleMalta e Barbara Esteves

Clesiane Faustino

Professora de teatro A participação é de fundamental importância, pois vem a somar na busca do resultado ideal. Os comentários contribuem para uma pesquisa contínua.


seu jofre falou

fica a dica

Quando o corpo fala: espetáculo 'Esbórnia' expõe Texto: Jacqueline Pinto o cotidiano da vida noturna Foto: Barbara Esteves

Intercâmbio Literário Aldeia de Histórias Trupe Gogó da Ema de Contadores de Histórias do SESC Alagoas O que é?

Momento do espetáculo ‘Esbórnia’, da Cia. de Dança do SESC Petrolina (PE)

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ança, expressões corporais, expressões... foram elementos utilizados pela Cia. de dança do SESC Petrolina/PE para mostrar o cotidiano de uma Esbórnia. Tudo representava o que o mundo da noite apresenta, seja com bebidas, baladas e a sensualidade dos relacionamentos momentâneos que acontecem de forma cada vez mais constante. O grupo é formado por jovens da comunidade que são alunos de dança do SESC Petrolina. Durante as aulas são estimulados a participarem da montagem de espetáculos anualmente. É um processo intenso de pesquisa musical e das histórias que os temas propostos abordam. Segundo Jailson Lima, Coordenador de Cultura do SESC Petrolina, o espetáculo é resultado de um trabalho do grupo que foi nas ruas e trouxe referências individuais que foram diluídas em cada cena apresentada. “A direção acontece de forma auxiliar na construção das cenas, mas deixar os alunos a vontade e compartilhar as experiências” afirmou. Logo após a apresentação o público participou de um bate-papo com o grupo onde puderam expor suas opiniões sobre o espetáculo e compartilhar ideias para acrescentar durante o processo de pesquisa e aprimoramento do espetáculo. Os debatedores também contribuíram com comentários técnicos. Mérida Urquia falou sobre a importância de expressar-se através do corpo e rosto, que ambos devem estar em sintonia. “Não podemos ter uma linha que separe corpo e rosto na dança, temos que usar o corpo e o rosto responder de forma expressiva” comentou. Consuelo Maldonado complementou a discussão falando sobre a importância de explorar mais a temática abordada. Um comentário foi unânime: o espetáculo é rico em expressões corporais e demonstra amadurecimento com perspectivas riquíssimas, pois é um grupo composto por jovens que têm um futuro brilhante no mundo da dança.

O caçador de relações

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a tarde desta quinta-feira (2), o Centro de Maceió teve um encontro com o inusitado. A intervenção urbana 'Despacho', da Cia. LTDA, provocou o estranhamento e chamou a atenção dos transeuntes que passavam pela Praça Deodoro. Era o bailarino Jorge Schutze procurando estabelecer relações de instantes com os que passavam. Nas palavras de Coco Maldonado, Jorge “é um verdadeiro caçador de relações, que faz de tudo para se aproximar e, ao mesmo tempo, procura ser cauteloso para não afugentar as pessoas”.

Durante o debate ocorrido após a experiência, Henrique Fontes sugeriu que o performer se apropriasse mais dos objetos que circundam a cena para que essa aproximação fluísse com mais facilidade. Ainda sobre o debate, Jorge disse que é muito raro acontecer essas discussões construtivas em festivais. “Eu fiquei muito agradecido porque me ajudou a entender melhor o que eu faço. Achei a percepção dos debatedores muito aguda e sensível, me ajudou a procurar um caminho para o futuro do trabalho”, acrescentou. 03

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A Trupe Gogó da Ema de Contadores de Histórias do SESC Alagoas e os participantes do módulo I do curso Um Conto Atrás do Outro (NUFOPES) irão contar histórias para o grande público. As histórias escolhidas foram baseadas em uma pesquisa sobre contos da mitologia e serão apresentadas como forma de troca de experiência entre os grupos e o público ouvinte. Por que assistir? Será uma oportunidade única de sentir as histórias de forma lúdica, aguçando e estimulando o interesse pela leitura.

A Trupe A Trupe é composta por bibliotecários, educadores e técnicos, lotados em diversas unidades do SESC, na capital e no interior do Estado. No projeto, pessoas da comunidade em geral podem se inscrever para participar de cursos, pesquisas e capacitações em contação de histórias. Quando e onde? sábado | 4 de setembro | 15h Auditório do SESC Poço Aberto ao público

Texto: Renato Medeiros

Eu não criei uma estrutura, não irei repeti-la, não é um espetáculo pronto. É arriscado porque eu nunca sei como as relações vão se dar. Jorge Schutze Bailarino


galeria

cruzadinha

Fotos: Renato Medeiros e Barbara Esteves 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.

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Espaço da Ufal para exposições de arte em Maceió. Conhecida como A Dama do Teatro Alagoano. Escreveu o livro de poesia A Ilha. Gravou o disco Terceiro Mundo Festivo, em 2008. Primeira peça de teatro da Cia. Ganymedes. ____ Schutze. Integrante da Cia. LTDA. Escreveu Invenção de Orfeu.

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Abaixo a solução da cruzadinha do sétimo número do Rodapé 2010: 1

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H E R M E T O U

Informativo produzido pelo Serviço Social do Comércio de Alagoas - SESC para o projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas 2010 Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do SESC Alagoas.

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Confira a solução da cruzadinha desta edição amanhã, no nono número do Rodapé 2010.

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Coordenador Artístico-Cultural: Guilherme Ramos Técnico de Teatro: Thiago Sampaio Técnico Assistente: Fabrício Alex Barros Estagiário de Teatro: Gustavo Félix Estagiária de Jornalismo: Morena Melo Planejamento Gráfico e Diagramação: Renato Medeiros Textos: Barbara Esteves | Fabrício Alex Barros | Gustavo Félix | Jacqueline Pinto | Joelle Malta | Morena Melo | Renato Medeiros | Thiago Sampaio

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Intercâmbio Literário Aldeia de Histórias, pela Trupe Gogó da Ema de Contadores de Histórias. Às 15h, no Auditório do SESC Poço. Aberto ao público. Espetáculo De Dentro, da Qualquer Um dos Dois Companhia de Dança (PE). Às 19h, no SESC Poço. Entrada: R$ 2,00 + 1kg de alimento ou R$ 4. Oficina O Silêncio, a Precariedade e o Drama, por Henrique Fontes (RN). De 8h às 11h e das 12h às 15h, no SESC Poço. Inscrições: 1kg de alimento não perecível, no SESC Centro. 20 vagas. Palestra Mitologia: O Reino dos Contos, por Marcos Henrique Rego (RJ). Às 9h, no Auditório do SESC Poço. Aberto ao público. Pensamentos Giratórios As Linhas que Desenham a Aldeia. Às 15h, no SESC Centro. Aberto ao Público.

Rodapé | 08 | 2010  

Oitavo número do terceiro ano do jornal Rodapé, que tem como objetivo fazer a cobertura dos 9 dias do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alag...