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domingo | 23 de agosto de 2009 | Ano 2 | nº 03

Barbara Esteves

Onze anos de Palco Giratório Em 2009, Alagoas serve de território flutuante para quatro espetáculos que integram este projeto |Por Fabrício Alex Barros

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O espetáculo Diário de Um Louco, apresentado na abertura da Aldeia 2009, Integra o Palco Giratório

m 1998, cinco Estados brasileiros começaram a compor um território flutuante e grupos artísticos estabeleceram vôos pela rede SESC. Iniciava então um fluxo das possibilidades cênicas, cada grupo com seus processos e métodos vai de encontro a públicos e artistas diversos. Hoje , todo o Brasil serve de origem e desembarque para estas trocas e construção do conhecimento, a exemplo de cidades como Palmeira dos Índios em Alagoas, que não dispõem de grandes Centros Culturais. Representantes de todos os Departamentos Regionais do Serviço Social do Comércio se reúnem anualmente para debater e selecionar espetáculos que irão participar do projeto no ano seguinte. Cada selecionado compõe um circuito de Estados que vai percorrer por vias aéreas e terrestres durante todo ano num total de quatro etapas. “Diário de Um Louco”(PB) está na terceira etapa de Alagoas e já vem de São Paulo, Minas Gerais e daqui vai para o Paraná. Na Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas deste ano, o Grupo de Teatro Lavoura da Paraíba é o selecionado do Palco que visita a mostra. Em cada etapa os grupos desenvolvem

Ainda nesta edição:

atividades permanentes do projeto, que promovem a difusão de conceitos e agregam a pluralidade cultural das regiões que recebem os grupos, aspectos que vão além da formação de platéia. Além das quatro etapas os grupos podem participar dos Festivais Nacionais do Palco Giratório, atualmente são 10 festivais, e das Aldeias SESC – mostras locais de artes cênicas e cultura que pelo Brasil já trazem um total de 32 aldeias. Ao término das apresentações, os artistas conversam com os espectadores, falam quais meios percorreram até chegar aos resultados, fazem o feedback das impressões, tudo em clima de descontração e sem grandes protocolos. Outros momentos de bate-papo são com artistas locais por meio do Trocando em miúdos, intercâmbio feito quando o grupo visitante assiste a uma apresentação local e os dois grupos se reúnem para expor pontos de vista, outro momento é Pensamento Giratório: uma mesa-redonda aberta a todos os interessados em algum assunto pertinente ao fazer artístico. O Pensamento Giratório que acontece segunda-feira, dia 24, tem como tema “Produção Teatral: Cena Nordestina” e será com Jorge Bweres(PB) e

Quantos livros você leu?

E tenho dito! Literatura

Waneska Pimentel(AL). Acontecem também as Oficinas que os grupos visitantes aplicam e as Intervenções Urbanas que são feitas por algum grupo local convidado. Este ano, já passaram aqui a Cia Pé de Marcos Filipe por Sousa Vento, de Santa Catarina, com “De Malas Prontas”, comédia com técnicas de clown e outras linguagens não-verbais; Grupo XIX de Teatro, de São Paulo, com “Hysteria”, que segue a opção de um espaço cênico não convencional e a interação direta com o público; na abertura do Aldeia, vimos o Grupo de Teatro Lavoura da Paraíba com “Diário de um Louco”, monólogo inspirado nos textos do russo Nicolai Gogol; e em outubro, na última etapa desde ano, o Grupo Coletivo Angu de Teatro de Pernambuco com “Rasif, Mar que Arrebenta”, que através dos contos de Marcelino Freire, levam a cena os “desesperos” humanos na fusão entre cênicas e literatura. O espetáculo “Alegria do Sol com a Lua” da Companhia Teatral Turma do Biribinha, da cidade de Arapiraca, foi o primeiro espetáculo alagoano selecionado para o Palco Giratório, em 2008 levantaram vôo para o território flutuante passando pelas quatro etapas, Aldeias e Festivais na maior rede de Teatros da América Latina.

Palmeira dos Índios no Aldeia

Baldroca está chegando


entrevista Daniela Beny avalia o cenário das artes cênicas em Maceió

Erick Baker

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atural de Alagoas, Daniela Beny é atriz e dramaturga. Após temporada de um ano em São Paulo, onde integrava o elenco de Os Possessos, sob direção de Antonio Abujama, retorna à Maceió com o monólogo Voo ao Sol. Em entrevista ao Rodapé ela comenta sobre o processo de amadurecimento de seu trabalho e sua participação na Aldeia.

|Por Jacqueline Pinto

Rodapé: Como você começou e há quanto tempo está no mundo das artes cênicas?

órgãos do governo, enfim, falta comprometimento com a classe artística e com a população.

Daniela Beny: Comecei a fazer teatro como a maioria das pessoas, no colégio mesmo, por causa de uns festivais de poesia que tinham, terminando o colégio fui pra o curso de formação do ator da Ufal, e aí já entrando na Companhia que eu fazia parte. Como amadora comecei em 1998 – nossa! onze anos então! (risos) e como profissional de fato estou trabalhando tem seis anos.

R: Na abertura do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas assistimos ao espetáculo Diário de Um Louco, que é um monólogo.Você t a m b é m v a i a p re s e n t a r u m monólogo, como é essa experiência? É melhor atuar sozinha ou em grupo?

R: Como você avalia o cenário das artes cênicas local? DB: Acho que a melhor palavra pra avaliar a cena local seria ‘diversidade’ por parte dos grupos, hoje em dia a gente consegue identificar estéticas, temáticas e métodos muito específicos dos grupos, até mesmo dos mais novos. E isso mostra inclusive uma aber tura dos grupos para experimentos, intercâmbios e até mesmo para o diálogo. Quanto a postura dos

DB: Monólogo é sempre um desafio, independente de ser cômico ou dramático, porque quem está em cena tem que ter o maior cuidado pra não se desconcentrar, é um trabalho de apropriação muito forte pra conseguir fazer o público embarcar naquilo que você está contando. Não tem como dizer o que é melhor ou pior, são experiências muito diferentes, eu vi de dois espetáculos com muita gente em cena, um aqui em Maceió "A Casa de Bernarda Alba" com 12 pessoas em cena e o outro em São Paulo "Os Possessos" com 29 pessoas no palco,

dica d’lucca

|Por Elizandra Lucca

é outra energia, outra construção. R: O que você acha do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas? DB: O SESC é um grande parceiro nosso então o projeto ALDEIA se torna uma forma de confraternizar, de vermos o que os colegas produzem, de trocarmos com as oficinas, e, sobretudo de formar platéia por causa da acessibilidade no valor dos ingressos. Considero hoje em dia a ALDEIA como o evento teatral mais importante do estado. R: O que o público pode esperar do espetáculo Voo ao Solo? DB: Pergunta difícil! Pode esperar um espetáculo bonito e tocante, por falar de coisas que são muito próximas às pessoas, muito comuns. Sem pretensões de exibição ou de espetacularidade, mas mostrar mesmo essa questão de amadurecimento profissional, tanto como dramaturga quanto como atriz.

enquete:

Divulgação

Baldroca Terça-feira, dia 25/08, às 16h, na Pça. Dois Leões - Jaraguá. Aberto ao público. Reinventar um espetáculo já tão premiado é o que se propõem a Associação Teatral Joana Gajuru, antes um espetáculo com um trabalho de ator/atriz bem preparado e sustentado em cena, onde todos ali estavam cumprindo seu papel enquanto atores/atrizes. Apreciemos este que é o que nos propõem novamente o Gajuru, e esperamos que essa encantadora história nos seja contada com tanto habilidade e autoridade como nos foi encenado em 2004.

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Quantos livros você leu nos últimos seis meses? A pergunta foi feita durante todo o dia de ontem (Sábado, 22/08). Entre as respostas obtivemos os seguintes resultados: Li nem o título – 0% Li apenas a capa – 0% Li ½ livro – 28% Li um livro inteiro - 0% Li de 2 a 4 livros - 43% Perdi a conta - 15%


seu jofre falou

na boca de mateu*

Espetáculo Solampião leva o lado humano de Virgulino ao SESC |Por Barbara Esteves Barbara Esteves

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omo contar a história do cangaceiro mais famoso do Brasil? Uma proposta ousada. Mostrar esse homem nos seus mais diversos momentos: alegria, sofrimento, tranqüilidade, dor e conflitos. A Cia Nega Fulô trouxe aos palcos a vida de quem era considerado por muitos um sanguinário, mas que carregava consigo sentimentos comuns aos seres humanos. A sintonia perfeita entre os intérpretes e o cenário lúdico compôs o clima para essa viagem aos pensamentos de Virgulino Ferreira da Silva, o vulgo Lampião. As curiosidades de sua vida e sua história foram reveladas através de Regis de Souza, sonoramente acompanhado por Tércio Smith. Duas versões foram desvendadas: o mito, a lenda, que sobrevive na memória do povo e o Lampião humano, de carne e osso, que sente, sofre, ri e ama. O público interagiu com o espetáculo. Em um momento de intercâmbio os espectadores se sentiram parte da peça. Os debatedores Flávio Rabelo e Djalma Thüler elogiaram a cumplicidade da dupla e confessaram estar emocionados com o resultado da peça. “Mesmo quando alguma coisa saia do lugar ou caia o Regis conseguia contornar a situação e prender o espectador na emoção da cena”, revelou Barbara Esteves Flávio. Os grupos locais participantes da Aldeia SESC e da 3ª etapa do Palco Giratório também comentaram sobre a desenvoltura dos intérpretes em cena. A segurança de palco de Regis durante toda a apresentação foi um dos pontos mais comentados no debate.

Qual sua opinião sobre a integração das linguagens artísticas no projeto Aldeia? Fotos: Jacqueline Pinto

Sinto-me privilegiado em participar de um projeto assim. É como se eu fosso um artista que estou em um palco, me sinto famosos. É um momento de grande importância estar com outros artistas. José Cícero da Silva, o Zezinho artista plástico

Eu acho importante porque tenho visto em estudos que as artes estão cada vez mais integradas e está ficando mais difícil definir até que ponto é artes visuais, artes cênicas, performance... Acredito que participando de um momento como este estamos dentro de um conceito de arte universal que está se integrando cada vez mais entre as linguagens. Kelcy Mary Ferreira Técnica em Artes Visuais do SESC/AL Pa ra m i m é m u i t o importante como artista. Acho que não importa se é teatro, cinema, l i t e ra t u ra o u a r t e s visuais, tudo é arte. Antonio de Dedé artista plástico *Mateu (ou Mateus) é o cara pintada que anuncia as boas novas no Guerreiro.

Palmeira dos Índios tem representação garantida na Aldeia |Por Maryana Hayko

O

espetáculo “Bocas que Murmuram”, encenado pela Companhia Mestre da Graça, de Palmeira dos Índios se apresentou no segundo dia dessa maratona artística. Apesar das dificuldades de produzir teatro no Interior do estado e, com apenas 02 (dois) anos de fundação, a Companhia trouxe para o palco a discussão de problemas cotidianos que envolvem, dentre outras coisas, as desigualdades sociais, a ética e, principalmente, a corrupção. A trama se dá numa redação de jornal, onde são expostas situações em que os personagens principais, os jornalistas

Alexandre e Wlademir, mostram como se dá a manipulação da informação através dos meios de comunicação de massa, em especial, do jornalismo impresso. O ponto importante do espetáculo é a crítica feita à maneira como as notícias são veiculadas de acordo com o interesse político, como acontece em diversas cidades e estados onde, infelizmente, essa é uma prática comum. Até que ponto vai e quanto vale as nossas convicções? Ter um diploma significa ser profissional? Dinheiro é o que realmente importa? O medo do desemprego, a chance do dinheiro fácil, a possibilidade de galgar cargos sem muito esforço, a ausência de valores morais e a fragilidade 03 de caráter são motivos

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que levam o expectador a analisar o contexto local, o próprio comportamento e, claro, as atitudes alheias no âmbito profissional e pessoal. Sobre a participação dos grupos do interior, ela ainda é tímida. Nesta edição do Aldeia , apenas dois grupos estão participando da mostra, o que demonstra bem a dificuldade enfrentada pelos artistas e a carência por parte do público de apresentações e programações culturais de qualidade. Esses grupos teatrais existem, todavia, anseiam por mais investimentos, incentivos, capacitações, criação de espaços físicos e investimentos em re q u a l i f i ca çã o p ro f i s s i o n a l d e s e u s integrantes.


e tenho dito!

Renato Medeiros

diVERSOS. e PROSAS |Por Nilton Resende*

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ivemos há pouco a primeira edição do Prêmio LEGO de Literatura, e já nos encaminhamos para a divulgação do resultado da edição de 2009 ? bons ventos. E falando disso, de vento, lembro-me de uma ótima frase-clichê: às vezes, passa à nossa frente um belo cavalo selado e é preciso que subamos nele e tomemos o mundo, porque não se sabe quando ou se ele passará novamente. A publicação dos livros contemplados com a primeira edição do concurso deu-nos textos da melhor qualidade (trato apenas dos que li): a morte de paula d., de Brisa Paim; Os moinhos, de Milton Rosendo; Retráteis, de Tázio Zambi ? respectivamente, romance, poemas, contos. Uma leitura atenta desses textos dá-nos a alegria de sabermos que não temos ali pessoas-que-gostariam-de-serescritores, que-gostariam-de-expor-seus-sentimentos, quegostariam-de-mostrar-se-ao-mundo, mas temos autores. E autores-leitores, porque nas entrelinhas do que produziram pode-se perceber ecoando a voz de diversos outros criadores. Isso poder ser discutido, claro (e o que não pode ser discutido?). Mas o fato é que os três livros inserem-se de algum modo em alguma tradição (mesmo que se insira na tradição daqueles que dizem/julgam não pertencer a qualquer tradição). E aqui já tento distribuí-los em dois tipos, ambos em luta com a linguagem: divido-os em aqueles que assumem a falência da palavra e aqueles que não a aceitam. Outro dia, conversando com Rosendo, eu lhe disse algo

A morte de paula d. e Retráteis foram vencedores do Prêmio LEGO de Literatura em 2007

como: “eMe (trato-o por eMe e ele me trata por eNe), acho que percebi uma coisa (e me inclui nessa coisa percebida): os textos da Brisa e do Tázio são plenos de lacunas, de elipses; eles assumem que a palavra não dá conta da coisa, em prosa ou em verso. Os nosso são encharcados, ficam se derramando desesperados, ficam rodeando tudo; parece que a gente quer brigar com isso de não se poder dar conta”. E ele concordou com isso da diversidade na identidade: distintos, mas todos sob o signo da falência, da finitude. E porque tudo é falível e finito, por isso mesmo, tomamos de nossos cavalos. Pois hoje já é ontem; e domar a fera, subir nela, é sempre. *Nilton Resende é ator, escritor e doutorando em Estudos Literários

Barbara Esteves

Jacqueline Pinto

galeria

Barbara Esteves

Coordenador ArtísticoCultural: Guilherme Ramos Técnico de Teatro: Thiago Sampaio Técnico Assistente: Fabrício Alex Barros Estagiária de Teatro: Joelle Malta Informativo produzido pelo Serviço Planejamento Gráfico e Social do Comércio de Alagoas - Diagramação: Renato Medeiros SESC para o projeto Aldeia SESC Textos: Guerreiro das Alagoas 2009 Barbara Esteves MTE 1081/AL Fabrício Alex Barros Jacqueline Pinto O s t e x t o s a s s i n a d o s s ã o d e Joelle Malta responsabilidade dos autores e não Maryana Hayko refletem, necessariamente, a opinião do Renato Medeiros SESC Alagoas. Thiago Sampaio

expediente

O que vai rolar amanhã? Mostra de cinema “Sonoridades na Tela”. A partir das 12h, no Teatro Jofre Soares, SESC Centro. Entrada franca. Pensamentos Giratórios: “Produção Teatral: Cena Nordeste” – palestra com Jorge Bweres (PB) e Waneska Pimentel (AL). A partir das 15h, no SESC Centro. Entrada Franca. Espetáculo Vida Imunda, cai a bunda, da Cia Raízes da terra. Às16h, na Pça. Dois Leões - Jaraguá. Entrada: R$ 2 + 1kg de alimento ou R$ 4 Espetáculo Vôo ao solo, com Invisível Cia. de Teatro. Às 19h30, no Teatro Jofre Soares, SESC Centro. Entrada: R$ 2 + 1kg de alimento ou R$ 4

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Rodapé | 03 | 2009  

Terceiro número do segundo ano do jornal Rodapé, que tem como objetivo fazer a cobertura dos 9 dias do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Ala...

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