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Realização:

sábado | 22 de agosto de 2009 | Ano 2 | nº 02

Uma linda mistura das artes

As fotos abaixo mostram apenas um pouco do que o pólo de artes visuais da Aldeia oferece:

Pólo de artes visuais da Aldeia 2009 conta com uma programação que promete atrair gostos variados |Por Jacqueline Pinto Fotos: Divulgação

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m verdadeiro mix cultural está acontecendo durante a Aldeia. Além da programação diversificada todas as linguagens estão presentes e as artes visuais enchem de cor esse belíssimo projeto. O pólo de artes visuais também está com uma programação atrativa para todos os gostos e acontece em lugares distintos simultaneamente para atender a todos de forma bem democrática. Para quem estiver no centro poderá apreciar a exposição "Uma Mudança Pela Manhã" do artista plástico arapiraquense Marcône Macedo que ficará aberta a visitação na Galeria SESC Centro a partir das 12h. Em suas obras, nossa rica cultura nordestina é exposta em telas coloridas e repletas de traços e formas diversas que nos remetem ao cubismo, expressionismo e surrealismo com ar de contemporaneidade. Para quem estiver um pouquinho mais distante, partindo para o litoral norte, uma paradinha no SESC Guaxuma será muito bem vinda! Lá a exposição "Imaginário" dos artistas Zezinho (Arapiraca/AL) e Antônio de Dedé (Lagoa da Canoa/AL) estará aberta a visitação da 09h às 17h. A exposição é um encontro de dois mestres que expõem obras esculpidas em madeiras, cada um com seus traços distintos, repletos de cores, expressões e movimentos. Segundo Kelcy Mary, técnica em Artes Visuais do SESC Alagoas, os objetivos da mostra são incentivar a produção, pesquisa e experimentação artística, democratizar espaços expositivos e proporcionar o encontro entre o artista que reside no interior e o público. Nas ruas, a arte urbana vai também estar presente através dos grafiteiros Alan Lima e Daniel Melro que farão a intervenção “De Passagem”, grafitando a céu aberto. Das 10h às 12h e das 14h às 17h, a ação artística acontecerá na Vila dos Pescadores, em Jaraguá, onde haverá uma integração com os arte-educadores Lúcia Galvão e Rosivaldo Reis e os alunos do projeto “Ateliê SESC Aberto à Comunidade”. Agora é só fazer o seu roteiro! Aprecie sem moderação!!!!

Ainda nesta edição:

Entrevista com Jorge Bweres

Novo Boca de Mateu

Marcos Filipe Sousa

Galeria: fotos da abertura

Lis Paim fala sobre audiovisual


entrevista Jorge Bweres fala sobre teatro, arquitetura e sua experiência em Pernambuco

Barbara Esteves

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orge Bweres é natural de São Luís, mas mora em João Pessoa há muito tempo. É arquiteto e trabalha com teatro há quase vinte anos, embora a peça Diário de Um Louco seja o primeiro espetáculo de seu Grupo de Teatro Lavoura, que está circulando o Brasil no projeto Palco Giratório do SESC. Em entrevista ao Rodapé, ele comenta sobre a participação do grupo nesse projeto.

|Por Renato Medeiros

Rodapé: Como foi o processo de criação de Diário de Um Louco? Jorge Bweres: Olha, não teve nada muito cerebral não. Teve mesmo muito trabalho, mão na massa. A gente não ficou fazendo pesquisas e mais pesquisas sobre loucura o u re a l i s m o r u s s o. N a d a mu i t o intelectualizado. Foi parar pra fazer e ensaiar sem hora pra acabar. R: Quanto tempo durou os ensaios? JB: A gente ainda está ensaiando, sempre ensaiando. Mas para a estreia foi uns quatro meses, por aí. A estréia foi em João Pessoa, em um teatro bem pequenininho e muito simpático. R: A formação em arquitetura contribui de que maneiras no seu trabalho com o teatro? JB: A arquitetura me mune de algumas ferramentas, como o desenho, a visão tridimensional... Enfim, são ferramentas que me ajudam a criar cenários, iluminação e até já fiz figurinos. Eu sempre tive um pé na

produção. Já cheguei a atuar também, mas isso foi logo no começo, agora prefiro ficar por trás dos palcos. Mas o cenário de Diário de Um Louco, especificamente, não é meu, é de André [Moraes]. Quando eu fui ajudar o André na peça, o cenário já existia. Era de outra forma, outra composição, mas nós rearrumamos, fizemos uma releitura, mas o material é exatamente igual. R: Você considera que o texto é o elemento principal da peça? JB: O texto interpretado pelo André Moraes é realmente o carro chefe do grupo, mas o público também recebe outros tipos de estimulo também, como a luz, a música... Esses elementos estimulam muito. R: Como foi pensado o contato com o p ú b l i c o ? Fo i p e n s a d o m a i o r proximidade com ele? JB: Não foi pensado, foi uma necessidade que o próprio espetáculo parece ter dito: “olha, desse jeito não tá dando certo”. A gente encenava num palco italiano, mas

dica d’lucca

|Por Elizandra Lucca

sentia que tinha alguma coisa errada. Então fomos participar de um festival no Espírito Santo e lá nos deparamos com um palco gigantesco e tivemos a idéia de trazer publico para cima do palco. Desse dia pra cá tentamos fazer sempre assim. R: Que tipo de dificuldades e boas aventuranças vocês têm encontrado pelo Brasil nessas apresentações do Palco Giratório? JB: A gente nunca consegue a perfeição e isso é bom, pois exercita a nossa capacidade de adaptação a diversos palcos. Mas acho que a experiência mais rica que tivemos foi em Pernambuco. Há pouco tempo nos apresentamos em 12 cidades pernambucanas e foi uma experiência proveitosa porque sentimos que a obra em si ficou num segundo plano para nós, pois o que valia mais era se deparar com um público que nunca havia tido contato com o teatro, gente muito pobre, que trabalha muito. A gente não tinha o direito de ta fazendo doce. Enfim, nessa turnê de Pernambuco aconteceu alguma coisa especial.

enquete:

Divulgação

Solampião Sábado, dia 22/08, às 19h30, no Teatro Jofre Soares, SESC Centro. Entrada: R$ 2 + 1kg de alimento ou R$ 4

Contar a história do cangaceiro famoso não é novidade, porém, Nega Fulô nos traz essa história com destaque para a sonoplastia e a iluminação que estão a todo o momento no espetáculo. Este, por sua vez, tem um bom desempenho do ator. Devemos estar atentos ao ritmo desse espetáculo, pois sem ele, não resiste. 02

Qual gênero de espetáculo teatral você prefere? A pergunta foi feita para 60 pessoas, durante a abertura da IV edição do Projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas, que ocorreu ontem no SESC Centro. Entre as respostas obtivemos os seguintes resultados: Drama – 28% Comédia – 40% Musical – 24% Romance - 6% Infantil - 2%


seu jofre falou

na boca de mateu*

Dose de comédia e drama na medida certa cultiva a platéia do Jofre Soares |Por Renato Medeiros

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urante a abertura da IV Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas, ocorrida na noite de ontem, muito da cultura popular foi celebrado, em parte por conta dos festejos em comemoração ao dia do folclore. O público teve a oportunidade de ver as apresentações da tribo Kariri-Xocó e da Banda de Fanfarra Edson Bernardes enquanto se deliciava com as comidas regionais postas à degustação. Mas a abertura da Aldeia também teve espaço para situações mais introspectivas e um sutil tom de comédia inteligente com a apresentação de Diário de Um Louco, monólogo do Grupo de Teatro Lavoura (PB) que integra a 3ª etapa do Palco Giratório. Baseado em conto do russo Nicolai Gogol, a peça levou a platéia à atmosfera do século XIX e à intimidade de um funcionário público perturbado das idéias, que chega a proclamar-se Rei da Espanha. Embora esteja pontuada de sutis passagens cômicas, Diário de Um Louco está mais para o drama do que para a comédia, com abordagens que sugerem temas como a solidão, a psique e a condição humana em si. Mas claro que a interpretação segura de André Moraes também foi fator primordial para que a peça estivesse na medida certa entre esses dois gêneros teatrais, que na maioria das vezes são antagônicos. Porém, muito se deve também à sonoplastia e à iluminação do espetáculo que, assim como a interpretação de André Moraes, estão em constante processo de aprimoramento. Aliás, para Jorge Bweres, integrante do Grupo de Teatro Lavoura, Diário de Um Louco está em constante construção. A trajetória da peça começou há cerca de seis anos, quando ainda fazia parte do Grupo Bigorna. Em 2008, seus criadores resolveram fundar o Grupo de Teatro Lavoura, assim tanto eles quanto o Grupo Bigorna teriam mais liberdade para criar e fazer suas obras circularem por aí. Sobre o nome do grupo, André Moraes fala que está relacionado à idéia de cultivo. Foi isso que o Lavoura fez no palco do teatro Jofre Soares: cultivou e cativou a platéia. Barbara Esteves

O que você espera da IV edição da Aldeia SESC? Fotos: Maryana Hayko

Espero muita coisa. Espero que a Aldeia funcione como um difusor da cultura regional que está muito escassa. Aliás, além da Aldeia, está acontecendo a abertura de outro projeto e quando isso acontece acaba dividindo o público. Isso é comum aqui em Maceió. Ou seja, você vai ter que se dividir em pelo menos dois para ter acesso à cultura, você vai ter que escolher o que fazer. Então , eu acho que em Alagoas está faltando essa difusão cultural, estamos vendo muita coisa que não “presta” e não vê o que tem de bom para mostrar. Acho que a Aldeia funciona bem e consegue traduzir isso. Amanda Santos estudante de Letras da Ufal

Espero que supere as expectativas, que seja melhor que as edições passadas e que o projeto não acabe nunca. Acho muito interessante a iniciativa de envolver outras linguagens artísticas. É bom ter diversidade, eu me identifico mais com o teatro, lógico, mas também gosto muito de literatura. Lúcio Lima ator e integrante da Cia Teatral Raízes da Terra, de Arapiraca *Mateu (ou Mateus) é o cara pintada que anuncia as boas novas no Guerreiro.

Índios Kariri-Xocó marcam presença na abertura da Aldeia |Por Jacqueline Pinto Barbara Esteves

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stá aberta mais uma Aldeia, uma grande jornada artística onde todas as tribos se encontram.

A abertura do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas emocionou a todos os presentes do início ao fim. Os olhos atentos da platéia se misturaram aos olhos marejados dos índios Kariri-Xocó que estavam lançando seu CD “Cantos Indígenas”, resultado de um trabalho de pesquisa realizado pelo SESC Alagoas dentro do projeto Memórias Musicais. A cerimônia de abertura foi feita por Guilherme Ramos, Coordenador Artístico-Cultural do SESC Alagoas, que falou aos presentes sobre a importância desse projeto que já está no calendário cultural da cidade e é uma referência para o cenário das artes locais. Mesmo sendo um projeto originalmente das artes cênicas, hoje se transformou em uma grande mostra de artes. Para fechar esse momento, os índios da tribo Kariri-Xocó contagiaram a todos com sua musicalidade e as pessoas se embalaram pela sonoridade dos instrumentos, das pisadas e da cantoria indígena.03

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e tenho dito! Divulgação

Caminho de bicicleta |Por Lis Paim*

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á pouco tempo, o cineasta Fernando Meirelles afirmou que quando pensa em fazer um trabalho para o público brasileiro, ele faz televisão. De fato, a maioria dos brasileiros, principalmente por restrições financeiras, consome mais audiovisual através dos canais abertos de TV que , minimamente absorvem aqueles que muitos dizem fazer “TV como se fosse cinema”, como Meirelles e Luiz Fernando Carvalho. Prefiro acreditar que eles nos mostram como deveria ser a boa televisão. A sensação da boa televisão é simplesmente complexa e rara. De início, há o espanto de sentir partes adormecidas de seu corpo esboçarem alguma reação. Olhos, ouvidos, pele, algo sem n o m e p a s s e a n d o d e nt ro d o p e i to e c u t u ca n d o, surpreendentemente e contra os hábitos cotidianos, as suas idéias. Conexões são estabelecidas, a produtividade se coloca à prova e em constante estado de alerta – é comum sentir vontade de escrever, ler, cantar, desenhar e fazer declarações de amor. Por vezes, há certo ar de revanche: a caixa retangular nos dando o antídoto contra o seu próprio veneno! O intervalo comercial não nos atinge, nossas engrenagens permanecem a todo vapor na dura tarefa de organizar gavetas internas. Tudo parece alimentar nossa esperança e sentimento de coletividade. Vontade de dar telefonemas e enviar mensagens de celular para desavisados que não estejam compartilhando a experiência. Falar sobre ela é uma necessidade. E logo, em mesas de jantar e de bares, conexões poderão ser feitas com o todo e suas partes: artes, glóbulos

brancos, o feijão queimado no fogão e nós. Por vezes, há certo ar de revolta: as rochas igualmente escuras devem ser destruídas para revelarem os nossos diamantes! Diamantes gratuitos e a poucos centímetros dos olhos, pedras diversamente verdadeiras. Preenchidas e resistentes, suportam terremotos, enchentes, seqüestros e assassinatos. Se bem administradas, riscam e perfuram peitos siliconados, bundas calibradas, sorrisos clareados e afins. Diamantes imprescindíveis e independentes, um par de patins para a liberdade. A sensação da boa televisão é simplesmente rara e complexa. E como um comprimido de vitamina C ou pedalar de bicicleta, inevitavelmente, nos faz melhor. *é cineclubista, videomaker, produtora cinematográfica e jornalista. Tem escrito em www.geladeiranasala.blogspot.com

galeria

Fotos: Barbara Esteves

Coordenador ArtísticoCultural: Guilherme Ramos Técnico de Teatro: Thiago Sampaio Técnico Assistente: Fabrício Alex Barros Estagiária de Teatro: Joelle Malta Informativo produzido pelo Serviço Planejamento Gráfico e Social do Comércio de Alagoas - Diagramação: Renato Medeiros SESC para o projeto Aldeia SESC Textos: Guerreiro das Alagoas 2009 Barbara Esteves MTE 1081/AL Fabrício Alex Barros Jacqueline Pinto O s t e x t o s a s s i n a d o s s ã o d e Joelle Malta responsabilidade dos autores e não Maryana Hayko refletem, necessariamente, a opinião do Renato Medeiros SESC Alagoas. Thiago Sampaio

expediente

O que vai rolar amanhã? Oficina de Cenografia com Jorge Bweres, do Grupo de Teatro Lavoura (PB). A oficina faz parte da 3ª etapa do projeto Palco Giratório. Horário: 9h às 12h e de 13h às 16h Local: Sesc Centro Entrada: 1kg de alimento

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Rodapé | 02 | 2009  

Segundo número do segundo ano do jornal Rodapé, que tem como objetivo fazer a cobertura dos 9 dias do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alag...

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