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De Iniciante a Trader em cinco lições

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Imagine ter o controle do seu próprio futuro... Imagine não ter chefe senão você mesmo... Imagine trabalhar quando e onde quiser, por quanto tempo você bem entender. Em algum momento da sua vida, você começa a questionar como o mercado opera, como as forças do mercado interferem nos preços dos ativos e como usar essas informações para ganhar no mercado de capitais. É por essa razão que você está lendo este especial. Logo que você alcançar o conhecimento que estamos prestes a compartilhar com você, haverão apenas alguns detalhes separando-o da possibilidade de começar a ter retornos nesse mercado. Você decidiu se juntar à nós nessa jornada em direção à independência. Na realidade, você já completou o primeiro passo: a leitura deste especial e o entedimento dos conceitos básicos dos gráficos, indicadores técnicos e psicologia do investidor. Você está prestes a entender como a análise técnica enxerga o mundo de uma forma diferente. Deixamos de lado os pensamentos de massa, para utilizar o nosso conhecimento de como o mercado funciona para gerar ganhos consistentes nas operações. Para continuar a sua jornada, tudo o que você precisa fazer é acompanhar os nossos alertas,relatórios e operações. Nós estamos aqui para guiá-lo e orientá-lo a cada passo nesse caminho. Nós contruímos um sistema de trading que será o seu guia inseparável nesse percurso. É por essa razão que nós passamos tanto tempo explicando cada operação que realizamos, e é por esse motivo que nós gastamos tanto tempo na confecção deste material. Nós te informaremos quando estivermos visualizando determinado setup (estratégia de trade) e porquê. Nós te informaremos qual o ponto exato de entrada, incluindo o potencial da operação e o risco envolvido na mesma. E finalmente, nós te diremos quando vender - independente do trade ser lucrativo ou não. Nossa principal função é ajudá-lo a melhorar sua vida através dos trades. Nós queremos que você conquiste as ferramentas que precisa para um dia tornar-se o seu próprio chefe ou para complementar sua renda através de retornos consistentes no mercado.

Nossa Promessa para Você... Nós estamos lhe prometendo uma coisa hoje: Prometemos que você se tornará um trader melhor e mais independente em apenas doze meses sem a necessidade de qualquer diploma ou certificação. Simplesmente siga as nossas análises e alertas por doze meses e coloque em prática os conceitos que nós iremos introduzir neste especial. Leia os nossos relatórios e procure

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entender os prós e os contras de cada operação que mencionarmos. Apenas leva alguns minutos por semana para se tornar um trader independente. Da mesma forma que um médico realiza seus diagnósticos mediante análise dos sintomas e exames, um trader tem a obrigação de reconhecer os padrões que mais lhe agradam à simplesmente seguir recomendações às escuras ou aguardar que alguém decida por você. Infelizmente a maioria é imediatista. Prefere resultados prontos à desenvolver seu senso crítico. Buscam pelas operações perfeitas, mas na realidade elas são decorrência da capacidade individual de análise e de aplicação do conhecimento adquirido à sua forma de operar. Esteja você começando a trabalhar agora, aposentando-se ou mirando a aposentadoria em um futuro próximo, você terá tempo para vencer no mercado de ações com a nossa metodologia. Nós estamos nos concentrando nos primeiros doze meses da sua vida de trader por um motivo importante: Seu primeiro ano operacional é vital para o seu sucesso de longo prazo no mercado de ações. Durante esse ano, é crucial que você tenha exposiçao integral às mais diversas estratégias e à todas as técnicas que os profissionais utilizam. Operar no mercado é um processo evolutivo em que você progride passando por diversos estágios, desde o iniciante até o avançado, competente, proficiente e finalmente para poucos, o especialista. Digo isso porque o principal erro de muitos traders, iniciantes ou não, é pensar que ficarão ricos da noite para o dia. No entanto, essa mentalidade "get-rich-quick" é uma das razões que determinam o término precoce ou a diminuição da longevidade de um trader na bolsa. O sucesso no longo prazo é o resultado de pequenas vitórias acumuladas ao longo do caminho. Portanto, deixe as dicas dos oráculos de plantão de lado e confronte seus erros. A transformação de um trader medíocre em um trader consistente é resultado da análise rigorosa de cada operação, meticulosamente dissecada à procura de falhas passadas. Acreditamos que a partir dessa leitura você terá uma experiência dinâmica e interativa, com acesso completo ao nosso sistema de trading que irá tranformar a maneira como você enxerga o mercado. Com tudo isso em mente, vamos colocar a mão na massa...

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Seção 1: Repensando os Investimentos O mercado está bullish or bearish neste momento? De verdade. Pense nisso por um segundo. Com o conhecimento que você tem, quem está ganhando a briga - os touros ou os ursos? Essa é uma pergunta capciosa cuja resposta depende do tempo gráfico a ser analisado. O problema em abordar a situação de ativos, índices, commodities, etc utilizando esses dois conceitos é a generalização do cenário independente da periodicidade analisada. Ainda assim, são basicamente estes termos e idéias prontas que você encontra lendo notícias ou assistindo programas especializados no assunto. Na próxima vez que você se deparar com uma situação em que o apresentador questiona o convidado a respeito de determinado ativo, preste atenção como o primeiro tenta a todo custo fazer com que o analista escolha uma dessas duas opções como se tudo se resumisse à condição bullish or bearish. Quebrar esses paradigmas e romper qualquer conexão com esse tipo de pensamento é o primeiro passo em direção à um crescimento próspero e consistente. Neste especial, nós queremos te mostrar como isso pode ser feito. A melhor prova de que disciplina e bons resultados podem ser alcançados independentemente da situação macroeconômica ou dos fundamentos de uma empresa ocorreu em 2008. Para a maioria dos profissionais do mercado, aquele ano retratou um dos ambientes mais hostis e complicados para se investir que já se viu. De uma hora para outra, o buy and hold não aparentava ser a maneira mais atrativa ou efetiva de ganhar dinheiro... Mas eis aqui um fato importante: Se você olhar pra trás e questionar quem saiu vitorioso durante o crash da bolsa naquele ano, chegaremos a conclusão que ambos touros e ursos - ficaram abatidos com o resultado final. Os primeiros nunca sequer perceberam a crise chegar e os outros esperavam que as coisas ficassem bem piores do que realmente ficaram. Alguns investidores contaram com a sorte e conseguiram ganhar muito dinheiro entre 2008 e 2009, mas foram a exceção. Conhecemos apenas um grupo que foi capaz de ganhar dinheiro de forma consistente durante a crise: os grafistas. Nosso objetivo é lhe ensinar a pensar como um analista técnico e te oferecer oportunidades de trades lucrativos ao longo da jornada.

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Sobre o nosso Sistema de Trading A principal razão deste material é oferecer à você as ferramentas necessárias para que tenha sucesso com os nossos relatórios, operações e sugestões. É bastante comum - e isso podemos encontrar em qualquer lugar - especialistas fazendo diversas recomendações fora de contexto - “Compre XPTO!!” Mas essa operação faz sentido pra você? Quantas ações você deve comprar? Quanto é interessante pagar por elas? Com tantas informações, critérios, tendências e requisitos, quando se trata de grana, o investidor não se permite analisar outras possibilidades senão aquelas lidas e aceitas sem contestação pela maioria. Porém, como já dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Como em qualquer outra área, antes de tomar decisões - principalmente de investimento - é necessário compreender o cenário, verificar as opções e traçar um plano de ação. De Iniciante a Trader foi desenvolvido para responder e esclarecer todas essas dúvidas. Também foi elaborado com a intenção de lhe oferecer um curso de análise técnica - e especificamente, detalhes a respeito dos métodos e estratégias utilizadas nas recomendações presentes nos nossos relatórios. Se você tem alguma experiência no mercado, você sabe que enviar uma ordem de compra ou de venda através do Home Broker é a parte mais fácil. Para ter sucesso a longo prazo, você precisar de toda a base de conhecimento para entender os sinais oferecidos diariamente pelo mercado. Nós te oferecemos isso nesse relatório. Honestamente, entendemos que essa seja uma leitura obrigatória. Seja você um trader sem experiência alguma, seja alguém com anos de bagagem no mercado, nós apenas estamos pedindo que você disponha de uma parte do seu tempo para ler todo o conteúdo na íntegra. Nas próximas páginas você irá encontrar respostas para as perguntas mais frequentes que recebemos - e o mais importante, a lógica por trás destas respostas. Faça dos próximos capítulos o seu guia de cabeceira e sua principal referência para os trades que realizar. Ao final deste material disponibilizaremos um glossário com os principais termos, bem como uma lista dos livros mais interessantes de serem lidos por aqueles que querem se aprofundar ainda mais no tema ou nas estratégias de análise técnica.

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Seção 2: Introdução à Análise Técnica Se você quiser ter sucesso realizando trades no mercado de ações, você precisa aprender os fundamentos básicos de análise técnica. Esta é uma das ferramentas mais poderosas que você pode usar para conquistar ganhos consistentes. Com um bom domínio dos princípios essenciais de análise técnica você deixará de ser prisioneiro do acaso e dos movimentos do mercado. Além disso, você passará a ter maior liberdade para colocar em prática as mais diversas estratégias operacionais independente da situação em que o mercado se encontra. Mas antes de nos aprofundar em técnicas específicas, nós temos que responder o que é a análise técnica propriamente dita... De forma bastante simples, análise técnica é o estudo do mercado baseado nas leis de oferta e demanda. Essas duas forças são responsáveis pelo movimento de todo e qualquer ativo negociado no mercado e, através dos gráficos, os analistas técnicos tipicamente são capazes de antecipar os pontos em que ocorrem mudanças no equilíbrio dessas forças. A coisa mais importante para você se lembrar: Oferta e demanda são os únicos fatores capazes de impactar diretamente o comportamento dos preços. Ainda que bons fundamentos de uma empresa possam gerar um aumento na demanda (e nos preços), vez ou outra - como na crise de 2008 por exemplo - não serão suficientes para manter a procura pelo papel. Quando isso ocorre, a análise técnica continua nos alimentando com informações preciosas. Utilizando todos os rastros e dados históricos disponíveis, a análise técnica busca identificar as principais oportunidades do momento. Sim, estamos falando de preços passados, um fato que cria uma das grandes objeções contra AT. Porém, não se deixe influenciar pelo barulho daqueles que irão argumentar que utilizar referências passadas é inútil uma vez que não podem prever movimentações futuras. Ledo engano. É importante entender que Misticismo não tem absolutamente nada haver com análise técnica. Para a maioria dos investidores, a coisa mais natural a ser feita depois de comprar uma ação é acompanhar o seu comportamento em relação ao seu ponto de entrada. Todos já estivemos nessa situação. Observar a ação caminhando à nosso favor ou derrapando no sentido contrário tem um grande impacto na decisão de continuarmos na operação ou não. Lembre-se que os preços de entrada são preços históricos. Lembre-se que

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esses preços foram aceitos por dezenas de milhares de investidores individuais. Como resultado, a decisão a ser tomada por eles é baseada quase que totalmente nos preços passados. Um dos principais objetivos da análise técnica é identificar e explorar as marcações pscicológicas deixadas pelos players envolvidos nas negociações, o que transforma os gráficos em um componente chave na percepção dos movimentos. Analisando as formações impressas nos gráficos de uma ação, podemos identificar as regiões que os traders julgam ser as mais importantes. É dessa maneira que as oportunidades operacionais nascem. Aqui o ponto que muita gente não entende: Nós não utilizamos a análise técnica para fazer previsões. Para nós, análise técnica é utilizada como ferramenta de interpretação das sinalizações que o mercado produz diariamente. É o meio que utilizamos para identificar as principais alterações estruturais e de fluxo em cada tempo gráfico pesquisado. É o instrumento que nos permite identificar as melhores oportunidades e produzir os melhores resultados. O que mais nos fascina no estudo e aplicação da análise técnica é a quantidade de informação que você consegue absorver em tempo real em apenas um candle - e isso veremos mais adiante. Agora, quando temos a combinação desses candles ao longo do tempo, temos à nossa disposição um mapa que nos permite inferir como os preços poderão movimentar-se a partir de determinado ponto em diante. Além disso, vamos ser sinceros. Previsões são para as pessoas que querem olhar para trás e dizer, "Eu estava certo". Trading é para as pessoas que querem olhar para trás e dizer, "Eu ganhei dinheiro". E há uma grande diferença aí. Os traders bem sucedidos são reacionários. Então, ao invés de tentar prever para onde o mercado vai, preferimos potencializar nossa capacidade analítica para perseguir as evidências que os preços oferecem. Essa sessão foi elaborada para ser uma introdução à análise técnica independente do seu nível de experiência ou expertise no assunto. Nós estabelecemos as principais diretrizes e definimos tudo o que você precisa saber para começar analisar gráficos de linha, de barra, de candlestick, mesmo que você ainda não saiba exatamente a diferença entre eles. Existem algumas ferramentas e conceitos básicos que você precisará dominar para compreender e extrair o máximo dos nossos relatórios. Assim que você estiver familiarizado com os princípios básicos, passaremos a abordar estruturas mais complexas que incluem alguns padrões gráficos específicos. Nós sabemos que é muita informação para ser digerida - então não se preocupe se as peças ainda não se encaixam e você se sente um pouco perdido. Entretanto, para o seu sucesso nesta trajetória que estamos iniciando juntos, exigimos apenas uma coisa: comprometimento e disciplina.

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Ganhar dinheiro no mercado de ações poder ser tão complicado quanto simples. Além das suas habilidades analíticas, tudo depende da forma como você encara os fatos. A verdade é que traders realmente bons e proficientes são espécies raras. Mas a arte de executar bons traders regularmente não é um dom divino, mas o resultado de muito esforço e dedicação. Não há mérito sem transpiração. Em linhas gerais, todos irão aprender, mas a velocidade do seu aprendizado será proporcional à sua exposição ao conhecimento e experiências práticas. Não se contente com o senso comum, pois este é o primeiro passo para se tornar um trader medíocre.

A Caixa de Ferramentas do Trader: O que Você Precisa Saber para Começar a Operar Hoje. Para começar a operar hoje, você apenas precisa acompanhar nossos relatórios. Através deles nós conseguiremos guiá-lo ao longo de todas as etapas. Você saberá porquê estamos comprando determinado ativo, quais são os riscos envolvidos nessa operação e como nós esperamos que os preços se comportem. .

A Evolução dos Gráficos Existem diversos tipos de gráficos e nada impede de você utilizar aquele que você melhor se adaptar. Talvez você já tenha visto em outras oportunidades um gráfico de linhas simples que considera apenas os preços de fechamento das ações e índices:

Figura 1: Gráfico de Linhas

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Esses gráficos não trazem muitas informações, senão uma idéia geral do comportamento e performance dos preços em um determinado período. Porém, analistas técnicos precisam de mais dados do que apenas o fechamento de cada dia para identificar as oportunidades e tomar as melhores decisões de trade. Por essa razão a maioria dos grafistas prefere um gráfico de candlestick como esse:

Figura 2 : Gráfico de Candlestick

... ou um gráfico de barras como este aqui:

Figura 3: Gráfico de Barras

Nós vamos utilizar os gráficos de candlesticks em todas as nossas análises e relatórios. Este tipo gráfico oferece cinco vezes mais informação do que um simples gráfico de linha. Eles registram o preço de abertura, fechamento, máxima, mínima e direção do movimento em qualquer periodicidade que você escolher.

As Mensagens por Trás dos Candles Embora mais densos e com maior quantidade de informação, gráficos de candlestick são fáceis de ler e compreender.

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Nestes gráficos, cada barra representa uma unidade de tempo - no gráfico diário, por exemplo, cada barra vertical representa um dia. A distância entre o preço de abertura e o de fechamento é conhecida por corpo real do candle. Os candlesticks raramente serão iguais uns aos outros. Há uma grande variedade de formas e tamanhos dependendo da maneira como os preços se movimentarem no tempo gráfico analisado. Em um candle de baixa (preço de fechamento menor que o preço de abertura) a distância entre a máxima e a abertura, bem como a distância entre a mínima e o fechamento constituem as “sombras” destas barras.

Figura 4: Anatomia de um Gráfico de Candlestick

Da mesma maneira, nos candles de alta (preço de fechamento maior que o preços de abertura) a distância entre a máxima e o fechamento, bem como a distância entre a mínima e a abertura também compõem as “sombras” destas barras. Contudo, quando a abertura ocorre na mínima do dia e o fechamento na máxima ou vice-versa, teremos candles cheios, sem sombras. Embora simples, esta representação gráfica carrega consigo dados essenciais para compreendermos como se deu o embate entre oferta (vendedores) e demanda (compradores). Podemos ainda verificar quão volátil (rapidez com que um ativo percorre as distâncias de preço) e direcional foi o movimento representado por cada uma destas unidades. Se um candle isolado já nos passa uma boa idéia do que ocorreu no tempo gráfico analisado, já imaginou como podemos enriquecer nossas análises à medida que verificamos um conjunto ou uma sequência de candles? Não teríamos neste caso uma amostra maior de como os preços tem se movimentado para identificarmos tendências? Nesta introdução, não iremos nos aprofundar nos tipos de candles, nem nos padrões que eles podem formar individualmente ou em conjunto, mas iremos abordar aspectos

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não menos importantes que servirão de introdução à próxima sessão (“Tudo o que você Precisa Saber Sobre Suportes e Resistências”). À primeira vista pode parecer desnecessário gastar tanto tempo estudando a morfologia e semântica dos candles, mas entendemos que eles são peças fundamentais que irão nos auxiliar a identificar as forças predominantes, bem como pontos de inversão em qualquer tempo gráfico. Entender a mensagem de cada candle é como aprender o alfabeto. Primeiro estuda-se as letras para depois conseguir ler as palavras e, por fim, toda uma história. As primeiras letras - ou sinais - que você deve aprender a identificar são os pontos de mínima e máxima da periodicidade analisada, mais conhecidos como topos e fundos. Se você conseguir compreender plenamente esse conceito, toda a estrutura restante de como o mercado se comporta irá se encaixar de forma mais natural. Por definição, um fundo pode ser entendido por qualquer unidade (candle) que apresente mínima inferior às mínimas dos candles formados à direita e à esquerda. Isso ocorre porque os preços caíram, atingiram uma mínima em relação ao fechamento anterior, mas no dia seguinte falharam em marcar uma nova mínima.

Figura 5: Fundo formado pelo conjunto de candles

De forma análoga, um topo é caracterizado por qualquer unidade (candle) que apresente máxima superior às máximas dos candles formados à direita e à esquerda. Os preços estavam subindo, marcaram uma nova máxima em relação ao fechamento anterior, mas no dia seguinte falharam na tentativa de marcar uma nova máxima.

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Figura 6: Topo formado pelo conjunto de candles

Ao entender esse conceito adequadamente, podemos começar a montar o quebracabeças. A essa altura você já deve ter percebido que os mercados se movimento de um fundo em direção à um topo e vice-versa. Sem truques, sem conhecimento prévio em análise técnica, você já é capaz de identificar topos e fundos a partir da observação dos gráficos.

Podemos Extrair mais Informações dos Candles? Sim. Inicialmente não tínhamos a intenção de nos alongar tanto nesse assunto, mas não podemos deixar de compartilhar mais um conceito. Mesmo que não faça muito sentido agora, será de grande valia quando começar a colocar em prática todos os seus conhecimentos. Qual o princípio básico de passarmos tanto tempo estudando candles? Não acabamos de dizer que o conjunto de vários candles em sequência nos ajudarão a identificar tendências, topos e fundos? Não estamos atrás de movimentos direcionais e contínuos para decidir se iremos operar um ativo na compra ou na venda? Pois bem, os candles tem fundamental importância neste contexto. Apenas por curiosidade, note como os movimentos mais fortes são geralmente precedidos por um período de calmaria. Os preços sobem, descem, sobem de novo. É a famosa “patinada”. Não saem do lugar, nem vão a lugar algum. Movimentos laterais não chamam a atenção de ninguém. Com as forças de oferta e demanda convivendo em pleno equilíbrio e harmonia, não há variação de preços e, portanto, não há lucro. Traders não gostam de estabilidade, mas o mercado se comporta dessa forma na maior parte do tempo.

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De volta aos candles ... Se em períodos de calmaria a oscilação dos preços tende a diminuir, é correto pensarmos que a amplitude dos candles (distância entre a mínima e a máxima desta unidade) também será menor. Com isso em mente, sempre estaremos monitorando todo e qualquer ativo que estiver trabalhando dentro de uma faixa lateral por um período de tempo prolongado. Nosso objetivo é identificar o primeiro sinal de ruptura do equilíbrio estabelecido, por acreditar que essa sinalização atrairá a atenção das massas e, consequentemente, movimentos mais fortes ocorrerão. De mesma maneira, traçados direcionais contarão com a presença de candles mais amplos e fortes. Entretanto, a presença de candles cada vez menores, ou com fechamentos mais próximos da mínima do que da máxima da unidade analisada sugere enfraquecimento do movimento vigente.

Tudo o que Você Precisa Saber sobre Suporte e Resistências Agora que você já conhece as noções básicas de como os gráficos são compostos, vamos dar uma olhada no que você pode fazer com eles. Inicialmente você quer encontrar quais regiões concentram os maiores índices de oferta e demanda - e como elas estão influenciando o comportamento dos preços. Essas linhas são chamadas de suportes e resistências. Resistências residem em regiões onde há um excesso de oferta. Isso pode ocorrer, por exemplo, em função da abundância de vendedores querendo realizar e garantir seus lucros nesse patamar de preços. Do mesmo modo, suportes serão encontrados em áreas onde há uma grande demanda apenas aguardando o momento para absorver toda a oferta que ali existir. Isso decorre, por exemplo, pelo fatos dos investidores de alguma forma entenderem que os preços estão baratos nos níveis atuais. O gráfico abaixo é um exemplo que retrata bem esses níveis de suporte e resistência:

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Figura 7: Suporte e Resistência

O ativo acima testou a faixa de resistências por volta dos R$20,00 pela primeira vez em Abril de 2010. Nas oportunidades seguintes em que os preços se aproximaram dessa região, esse patamar mostrou-se intransponível e comprovou a sua validade. Psicologicamente, isso ocorre porque muitos vendedores interpretaram que o teste dos R$20,00 consistia em uma boa oportunidade para o encerramento de suas posições, e inundaram o mercado com com uma quantidade de ações que superaram a demanda. É basicamente dessa forma que níveis de suporte e resistência produzem impacto nos preços dos ativos. São regiões valiosas às quais devemos estar constantemente atentos, pois elas podem nos dizer um pouco sobre o movimento que os preços poderão realizar - o caminho de menor resistência. Por sua vez, também podemos usar essa informação para reduzir o nosso risco e aumentar a probabilidade de encontrarmos um ponto de entrada ideal. Vamos supor que você conseguiu identificar os principais níveis de suporte e resistência de um determinado ativo. Se a cotação começar a mover-se para baixo, faz sentido aguardarmos os preços alcançarem uma região de suporte antes de pensarmos em compras. Por outro lado, se estamos à procura do melhor ponto de saída, o melhor a fazer é aguardar pelo teste de uma região de resistência para encerrar a operação. Antes de encerrarmos essa primeira etapa, volte a observar a Figura 7 e perceba que a resistência em questão encontra-se em uma faixa onde topos foram formados. Da mesma maneira, o suporte desenhado está unindo os últimos fundos formados no tempo gráfico analisado.

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Consideramos que nós já sabemos identificar topos e fundos através dos conceitos apresentados anteriormente, a partir de agora a representação dos níveis de suporte e resistência tornaram-se mais simples. O que nós acabamos de apresentar nas páginas anteriores são os fundamentos e alicerces que nós utilizamos em todas as nossas análises e trades que sugerimos à vocês. Nas próximas sessões, iremos abordar alguns conceitos técnicos mais avançados que poderemos utilizar. Se você ainda não tem muita experiência em Análise Técnica e está se sentindo um pouco sobrecarregado pelos conceitos que nós já introduzimos, faça uma pausa de uma ou duas semanas até você absorver o conteúdo apresentado. Além disso, depois de ver nossas análises e acompanhar alguns trades, você estará pronto para seguir adiante.

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Seção 3: Como Definir a Tendência de um Ativo. No primeiro episódio da série De Iniciante a Trader, abordamos alguns princípios fundamentais de análise técnica que serão importantes no seu processo de aprendizado. Conversamos um pouco sobre a estrutura e morfologia dos candles e, em última análise, de que forma eles podem nos ajudar a identificar topos e fundos. Por último, expusemos um dos principais conceitos de AT ao tratar sobre suportes e resistências, regiões psicológicas do mercado onde há uma concentração de topos e fundos anteriores. Absorvidas as noções iniciais, já poderemos adicionar novos ingredientes às nossas análises para dar continuidade à nossa caminhada. Se já somos capazes de localizar topos e fundos, bem como determinar os principais níveis de oferta e demanda de uma determinada ação, precisamos agora identificar a sua tendência. Basicamente, a tendência de um ativo indica qual a força predominante, ou seja, aquela que é responsável por estabelecer um fluxo direcional que os preços tendem a seguir. Se você compreendeu as ideias do primeiro episódio, não terá dificuldades para determinar a tendência de um papel. Afinal, uma tendência é estabelecida observando como os topos e fundos previamente identificados se distribuem na periodicidade analisada. Dependendo da forma como estão organizados nos gráficos, poderemos verificar se a tendência é de alta, de baixa ou lateral. Neste ponto precisamos fazer uma pequena pausa para evitar qualquer tipo de confusão ou má interpretação no futuro. De acordo com os estudos clássicos postulados por Charles Down, o mercado conta com três tendências: - Tendência Primária: de grande duração e ocorre, em geral, durante mais de um ano. - Tendência Secundária: representa variações importantes que interrompem, temporariamente, a tendência primária. Geralmente tem duração de três semanas a três meses - Tendência Terciária: definida como pequenas oscilações de preços, reforçando ou contrariando o movimento principal. Tem duração curta, normalmente inferior a três semanas. Ou seja, além da necessidade de estar preparado para diferenciar se determinado ativo encontra-se em tendência de alta, de baixa ou lateral, o investidor também precisa estar atento à qual horizonte está se referindo no momento de sua análise. Por definição, utilizamos o gráfico mensal para identificarmos a tendência primária, o gráfico semanal para identificar a tendência secundária e o gráfico diário para identificar a tendência terciária.

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Em suma, o que estamos querendo dizer é que um ativo pode estar em tendência de alta no curto prazo, mas em tendência de baixa no médio e longo prazo. Obviamente, quando as tendências primária, secundária e terciária estiverem alinhadas e na mesma direção da nossa operação, teremos maiores chances de ter sucesso. Porém, a não ser que o mercado esteja extremamente bullish ou bearish, dificilmente teremos a conjunção das tendências na mesma direção. Por essa razão, se o seu objetivo são operações mais curtas, busque por ativos que estejam em tendência de alta no diário. Se tem em vista um horizonte maior, busque papéis em tendência de alta no semanal e assim por diante. Feitos esses comentários, que particularmente considero de extrema importância, podemos partir para a prática. Conforme comentado anteriormente, as tendências dependem da forma como os topos e fundos estão distribuídos no gráfico analisado. Se os fundos e topos estiverem ascendentes, temos uma tendência de alta definida. Se estiverem descendentes, a tendência estabelecida é de baixa. Por último, se os topos e fundos estiverem paralelos uns ao outros, temos uma tendência lateral ou indefinida. Agora, outro conceito importante. A partir da união de pelo menos três fundos ascendentes, poderemos traçar uma reta de baixo para cima que passaremos a chamar de Linha de Tendência de Alta ou LTA.

Figura 8: Linha de Tendência de Alta - LTA

Da mesmo forma, quando conseguirmos unir pelo menos três topos descendentes, poderemos traçar uma reta de baixo para cima denominada Linha de Tendência de Baixa ou simplesmente LTB.

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Figura 9: Linha de Tendência de Baixa - LTB

Especialmente aqueles que estão começando agora podem sentir-se desconfortáveis traçando as linhas de tendência, colocando em dúvida se estão fazendo da forma correta. Há uma forma bastante intuitiva de fazer isso. Em ambos os casos, contanto que sua linha esteja tocando a maior quantidade de pontos possíveis, você deve ficar tranquilo com relação ao posicionamento da mesma. Além disso, quanto maior o número de toques, mais forte é a validade das linhas de tendência e, portanto, mais significativo se tornará o rompimento das mesmas. Da mesma forma, quanto maior a duração dos níveis de suporte, resistência e de linha de tendência, mais confiáveis elas se tornam. Resumindo, as linhas de tendência são duplamente importantes. Além de nos oferecer boas referências de oferta e demanda, também sinalizam em que direção um movimento sustentável está se desenvolvendo. Por trabalhar como um elemento auxiliar na busca por fluxos, não abrimos de mão de utilizá-las em nossas análises. Talvez você não tenha percebido, mas neste momento você já domina uma estratégia operacional que muitas pessoas usam para ganhar dinheiro em Bolsa. Ou seja, compra-se ativos negociados sobre regiões importantes de suporte para vendê-los quando os preços se aproximarem de suas respectivas resistências. Contudo, embora nos ajude a entender determinados contextos, raramente utilizaremos essa tática de forma tão simplista.

Funcionamento das Linhas de Tendência, Suporte e Resistência Nada no mercado é estático. As linhas de tendência que você desenhou hoje - independente da quantidade de pontos que ela conecta - não serão válidas para sempre. Com o passar do tempo,

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alguma mudança drástica no sentimento dos players resultará no desequilíbrio das forças vigentes, podendo determinar o rompimento dessas linhas de tendência. E quando esses movimentos ocorrem, temos que ficar atentos às mensagens que estão sendo entregues a nós. O gráfico indicado na figura 10 é um ótimo exemplo. Quando a linha de tendência de alta perdeu sua capacidade de sustentar os preços, temos uma clara evidência de que o resultado da equação entre oferta e demanda está mudando. Se por alguma razão estivéssemos comprados quando essa ruptura ocorreu, certamente teríamos que encerrar a operação imediatamente para limitar nossas perdas.

Figura 10: Quebra da Linha de Tendência - Alerta

O rompimento de resistências ou a quebra de estruturas de suporte são evidências que nunca devem ser desprezadas. De uma olhada no exemplo da figura 11.

Figura 11: Rompimento de Resistência - Alerta

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Quando rompimentos de qualquer natureza ocorrem, os preços passam a ter maiores chances de seguir movimentando-se no mesmo sentido do movimento estabelecido. Imaginem o tamanho da demanda que não foi necessária para que os preços fossem capazes de superar uma região que, historicamente, era dominada por vendedores. Como em qualquer batalha, os vencedores assumem o posto de controle. Esse é o real significado de um rompimento. Forças até então reprimidas, orquestrando um movimento uniforme, direcional e forte o bastante para eliminar qualquer obstáculo que se coloque à sua frente. Nesse sentido, como analistas técnicos, entramos em ação para estudarmos e mensurarmos as evidências expostas nos gráficos e, assim, avaliarmos se o rompimento realizado nos oferece condições satisfatórias para nossas operações. Além do aspecto prático - maior demanda sobre oferta e vice-versa - os rompimentos também expõem como os fatores psicológicos colaboram para que os preços dêem sequência ao movimento iniciado. Em momento de grande excitação do mercado, os sentimentos ficam à flor da pele, as descargas de adrenalina se intensificam e muitos players se deixam levar por uma motivação que os cega. Atualmente, existem diversos estudos de finanças comportamentais que buscam avaliar os impactos pscico-sociais do homem sobre a flutuação dos preços. Em condições extremas, o trader abandona a razão e passa a agir exclusivamente por impulso ou instinto. Nestas situações, fica vulnerável e altamente influenciável pelo comportamento das massas por não admitir ser o único a ficar de fora de um movimento promissor. Não é preciso ser psicólogo ou antropólogo para chegar a tais conclusões. Basta começar a olhar para o alto de um prédio em uma rua movimentada da sua cidade que outros passarão a se comportar da mesma forma. Em instantes, uma multidão estará olhando na mesma direção, enquanto boatos e burburinhos se espalham com uma velocidade surpreendente. No mercado é a mesma coisa. Basta um ativo ter uma alta relevante no dia anterior para as pessoas mergulharem de cabeça nesse trade no dia seguinte. Motivados pela ganância, medo, sonhos e frustrações é que os preços reagem e se comportam da maneira como estamos acostumados a observar. Se as operações fossem realizadas por robôs, não haveria volatilidade. Em suma, os rompimentos representam um aumento substancial dos preços que tende a provocar altas adicionais, na medida que o primeiro movimento gerou uma alimentação positiva entre os investidores. Ainda não vamos detalhar nenhuma estratégia ou método operacional. Teremos tempo para fazermos isso mais adiante. Apenas queríamos deixar claro quão importantes são

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as linhas de tendência, suporte e resistência, bem como os seus respectivos rompimentos. Fora isso, a partir de agora,você também já passa a ter ciência da existência de padrões psicológicos repetitivos no comportamento humano. No final das contas, sabemos que são as expectativas das pessoas para o futuro, e não fatores externos, que fazem os preços subirem. Para encerrarmos esse tema, Benjamim Graham, autor do livro Investidor Inteligente, expõe sua percepção sobre o assunto, reforçando ainda que indiretamente as premissas da Análise Técnica: “Na maior parte do tempo as ações estão sujeitas a flutuações de preços irracionais e excessivas em ambas as direções como consequência de uma tendência, impregnada na maioria das pessoas, abrindo espaço para ganância, esperança e medo”.

Entendendo e Utilizando as Médias Móveis Você já deve ter ouvido alguém empregando o termo “médias móveis” por aí, ou até mesmo já teve a oportunidade de utilizá-la nas suas análises. A partir de agora vamos conversar um pouco sobre elas e a melhor forma de utilizá-las. Muito analistas - nós inclusive - usam as médias móveis como referências de suporte e resistência. Essas médias representam o preço médio negociado por um ativo em um determinado período e, assim como as demais linhas de suporte e resistência, também são marcações psicológicas importantes do mercado. As médias de 21,50 e 200 períodos são as mais utilizadas. Existem uma série de variações de como essas médias podem ser plotadas ou aplicadas nas plataformas gráficas, mas para o nosso interesse apenas precisamos ficar atentos à:

- Média Móvel Aritmética (MMA) - Médio Móvel Exponencial (MME)

Uma média móvel aritmética considera todos os preços de fechamento dos últimos n dias, determinando para cada um, o mesmo peso no cálculo da média. Ou seja, o seu cálculo é feito dividindo-se a soma dos valores do período escolhido pela quantidade de períodos.

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Em contrapartida, as médias móveis exponenciais dão aos fechamentos mais recentes um peso maior do que os conferidos aos fechamentos mais antigos. A ideia da MME é a de que a movimentação recente dos preços tem maior influência sobre os níveis de oferta e demandas atuais. Na figura abaixo podemos visualizar as duas médias em ação. Nota-se que a diferença é mínima, razão pela qual podemos optar por aquela que acompanha os preços mais de perto e que, consequentemente, oferece sustentação mais adequada aos mesmos. Neste caso, a mais escura, isto é, a MME.

Figura 12: MME x MMA

Como você deve imaginar, o período de tempo de uma média móvel tem muito a ver com a sua utilidade. Mencionamos anteriormente que, por convenção, as mais utilizadas são as de 21, 50 e 200 períodos, cada qual representando o curto, médio e longo prazo. (assim como as tendências). São essas as médias que você irá encontrar nos nossos relatórios e análises. Existem outras e cada analista tem a sua preferência. Tudo depende dos métodos operacionais de cada um. Portanto, não fique preso à isso. Faça as experiências necessárias, bem como os ajustes que lhe convir. Apenas tenha em mente que, por serem mais difundidas, umas são mais populares e, consequentemente, psicologicamente mais relevantes em relação à outras. Precisávamos fazer essa explanação introdutória a respeito das médias antes de entrar no que realmente interessa. Assim você pôde ir se familiarizando com os termos, com a forma de cálculo e seus princípios básicos. Mas além disso, se dedicamos uma seção inteira para falar das médias, certamente há uma razão. Portanto, aproveitaremos as próximas páginas para dissecar um pouco mais esse assunto.

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Em estatística a média é o valor que aponta para onde mais se concentram os dados de uma distribuição. Em outras palavras, a média pode ser considerada o ponto de equilíbrio das frequências. Então, com base nessa definição, nada impede de utilizarmos as médias como referências válidas para comparações. Dessa forma, teremos um benchmark confiável que servirá de base para definirmos se determinado valor está acima ou abaixo do padrão em dado período. Contextualizando esse conceito no mercado de ações, nota-se, portanto, que além de representar o comportamento dos preços ao longo do tempo, as médias móveis também são parâmetros importantes para determinarmos se um certo ativo está caro ou barato no tempo gráfico analisado. Imagine a seguinte situação. Um determinado ativo está cotado a R$10,00, região exata pela qual a média móvel de 21 períodos (MM21) está passando no gráfico diário. Independente da motivação, de uma hora para para outra, surge uma grande demanda pelo ativo que sobe quatro dias seguidos. Se você já sabe de antemão que o preço justo daquele papel gira em torno dos R$ 10,00, você seria um comprador potencial se tivesse que pagar R$ 11,00 apenas quatro dias depois, ou você aguardaria os preços caírem um pouco antes de comprá-lo? Caso você tenha decidido aguardar um pouco, terá sucesso utilizando nossas táticas operacionais, pois realmente essa seria a coisa mais sensata a ser feita. Algumas pessoas pensarão diferente e tentarão aproveitar o momento especulativo, motivando uma uma alta ainda mais acentuada do papel e, consequentemente, gerando um maior afastamento da cotação atual em relação à média. Contudo, em determinado momento, os investidores começarão a encerrar suas posições e a demanda já não será capaz de absorver toda a oferta, resultando no retornos dos preços à patamares em que encontrará maior demanda novamente. Usualmente isso ocorre quando o ativo alcança uma região de suporte ou, por exemplo, o valor médio daquele período. Isso não aplica-se somente ao mercado de capitais. Há pouco tempo muito se falou do preço dos tomates. Em determinado momento o valor pedido ficou tão desproporcional ao preço médio que houve escassez de demanda. O resultado, como sabemos, foi a queda dos preços ao valor habitual. Queremos que você crie a consciência e disciplina que o mercado exige. Se você perdeu o ponto de entrada de um ativo que ontem estava barato, mas hoje está caro, paciência. Haverão outras oportunidades para você investir o seu capital nesse ou em

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outro papel. E sem dúvidas alguma, as médias oferecem informações valiosas quanto ao timing das entradas. Não se preocupe, por enquanto, em mensurar quão afastado ou próximo das médias os preços têm que estar para gerar ou não possibilidades de compra e venda. No momento certo, quando estivermos detalhando nossos sistema de trading voltaremos a abordar esse assunto. Antes de passarmos adiante, temos outro ponto importante para tratar. Partindo do princípio que o mercado é fluído e que os preços se movem, obviamente tais médias não serão estáticas. Ao identificarmos os suportes, resistências, linhas de tendência, topos e fundos de um determinado papel, chegamos rapidamente a conclusão da tendência que o mesmo se encontra. Se entre um impulso e outro a média continua avançando na mesma direção e sentido em que os preços estão se movendo, teremos a média trabalhando como suporte aos preços (imaginando que a tendência é de alta) pelos motivos mencionados anteriormente. Entretanto, se por alguma razão que não nos interessa, os preços apresentarem um padrão comportamental diferente do que vinham demonstrando e passarem a ser negociados à um valor inferior ao preço médio daquele período, teremos um alerta importante. Ou seja, a partir daquele momento o mercado estará informando que não tem mais condições de sustentar o avanço progressivo dos preços. É o fim de um ciclo. Quando uma média móvel, que antes oferecia sustentação (demanda) aos preços passa a pressioná-los, temos boas evidências da alteração de sentimento e expectativa dos participantes envolvidos nas negociações. Além disso, é sempre complicado bater uma média seja lá o que ela estiver medindo. Portanto, dentre outros pontos importantes que destacamos, devemos buscar por operações à favor da média (da tendência ) e ficar atentos à qualquer mudança de direção da mesma, especialmente quando tivermos alguma operação aberta no sentido contrário.

As Bandas de Bollinger e a Volatilidade Inicialmente não tínhamos planejado falar à respeito das Bandas de Bollinger, mas como estamos comentando sobre todos os elementos que usamos nas nossas análises, seria um contra senso não abordar sua utilização e importância sob o nosso ponto de vista.

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Aos que tiverem interesse em aprofundar-se ainda mais no assunto, boas referências poderão ser encontradas no livro que o próprio Bollinger escreveu, Bollinger on Bollinger bands. Neste momento não temos a intenção de discutir ou abordar os cálculos, variações e fórmulas que resultaram nessa poderosa ferramenta gráfica. Todos os os detalhes para a sua implementação, bem como os ajustes que cada trader pode fazer estão muito bem descritos no livro mencionado. As Bandas de Bollinger são polivalentes, podendo oferecer múltiplas informações aos analistas de forma isolada ou em conjunto com outros indicadores. Existem, inclusive, algumas estratégias que utilizam puramente as Bandas de Bollinger para determinar pontos de entrada e saída. Não seremos tão simplistas. Nossa proposta para vocês, como tem sido até agora, é fazê-los aplicar as diversas técnicas para que possam interpretar os resultados obtidos sob a ótica de oferta demanda, e assim, serem capazes de identificar fluxo e desequilíbrios. Lembrem-se que são estes desvios comportamentais refletidos nos preços que movem os mercados. Desde 1999, nosso governo, por meio do Conselho Monetário Nacional, trabalha com o regime de metas para a inflação. Eles estabelecem um valor médio ideal e, posteriormente, determinam limites de tolerância para acomodar bons e maus momentos da economia. Tais limites são conhecidos por teto da meta ou piso da meta da inflação. Porém, não haveria problema algum em chamá-los banda superior e inferior da meta. Quando ocorrem surtos inflacionários como os que estamos presenciando nos últimos meses, a meta da inflação é ultrapassada com folgas, alcançando o seu teto. Se em algum momento, mesmo que temporariamente, a banda superior da meta é superada, o alerta vermelho é disparado e governo central age imediatamente para impedir que um evento fora da média se confirme. Nos mercados, a utilização das Bandas de Bollinger tem o mesmo princípio. Ou seja, trata-se de duas linhas, uma superior e outra inferior, traçadas a partir de uma determinada distância de uma média (MM20). Bollinger usou o desvio padrão como base de cálculo para determinar essa distância. Entrando novamente na parte estatística da coisa, desvio padrão é uma medida de dispersão, ou seja, busca demonstrar quanta variação existe em relação à média. Ao utilizar fator 2 para calcular o desvio padrão em relação à linha base, entende-se que 95% dos elementos do conjunto de dados estarão trabalhando no intervalo definido pelas bandas superior e inferior. Daí temos a seguinte situação. Se 95% dos preços encontram-se limitados pelas Bandas superior e inferior, podemos, portanto, inferir que elas trabalham como resistência e suporte respectivamente, exercendo função parecida às linhas de tendência, suporte, resistência e médias móveis.

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Por essa razão, quando os preços conseguem romper a Banda Superior de Bollinger ou quebrar a Banda Inferior de Bollinger temos várias mensagens sendo disparadas para o trader: - Um evento excepcional à média está ocorrendo. - Aumento significativo de demanda ou oferta - Desequilíbrio das forças que regulam os preços - Mudança significativa de expectativa e sentimentos dos players. - Aumento da volatilidade - Ganância, excitação, frustração, medo controlando as ações dos investidores. - Fluxo direcional sendo estabelecido Note como esses fatores estão encadeados e como são causa e consequência de seus adjacentes. Aliado aos outros conhecimentos técnicos previamente discutidos e outros que ainda iremos aprender, sentem como podemos começar a identificar com maior precisão o momento em que certas mudanças ocorrem ? Com base no que foi exposto até agora, podemos concluir que as Bandas de Bollinger estão intimamente relacionadas com a volatilidade, pois se o desvio padrão é uma medida de dispersão, o rompimento das Bandas sugere períodos de maior variação dos preços. Se conseguirmos aproveitar uma fração desses movimentos, teremos vida longa no mercado. No outro lado da moeda, sabemos que movimentos consistentes de alta ou de queda tendem, em determinado momento, a perder força. E neste sentido teremos novos eventos encadeados: - Grande afastamento dos preços em relação à sua média (linha base) - Investidores realizando lucros - Ausência de demanda - Exaustão do movimento - Inversão das forças dominantes - Mudança de sentimento do mercado em relação ao movimento vigente - Expectativa de reaproximação dos preços da média. (região de maior demanda)

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Neste caso, da mesma forma que queremos identificar o momento em que os preços apresentarão uma explosão de volatilidade para iniciar nossas operações, também queremos ser capazes de identificar o enfraquecimento da trajetória para encerrarmos nossos trades, ou para operarmos no sentido inverso. Com boa parte dos conhecimentos adquiridos até aqui você já é capaz de fazer isso. Por exemplo: -qual o aspecto dos candles formados ultimamente? Continuam sendo fortes e sólidos ou apresentam sombras? - Existe uma região de resistência (suporte) próxima da cotação atual? - Existem outras médias passando pela região alcançada ou próximas dos preços? - Existem linhas de tendência oferecendo resistência (suporte) aos preços? - Os candles estampados encontram-se fora das Bandas de Bollinger, sugerindo o retorno dos preços à média? - A distância percorrida pelos preços (levando em consideração o último fundo ou topo formado) durante o movimento realizado é superior ao padrão de volatilidade do papel ? - E por último, quão distantes estão os preços da sua linha base (média) para o período analisado? Por definição, para mensurarmos os dois últimos items, utilizamos a volatilidade histórica do papel. Essa ferramenta, disponível nas plataformas gráficas, representa o potencial de variação de um ativo em um determinado intervalo de tempo. Então, a partir do momento que percebermos que determinado papel avançou ou recuou, mais ou menos do que o seu habitual, devemos ter em mente em que dado momento os preços tenderão a diminuir a intensidade desse movimento e, muito possivelmente, passarão a mover-se no sentido contrário. Com isso nós vamos encerrando por hoje. Esse certamente é um dos capítulos mais importantes da nossa minissérie. Não basta conhecer as estratégias que iremos explicar mais adiante se você não entender como os elementos gráficos estão relacionados ou se você não souber como aplicá-los. Estude, analise, releia tudo o que foi dito e fique a vontade para entrar em contato com a gente se tiverem dúvidas.

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De Iniciante a Trader em cinco lições

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Seção 4: O Elemento Fundamental: Volume No episódio anterior da série De Iniciante a Trader abordamos vários conceitos que utilizamos diariamente nas recomendações que fazemos nos nossos relatórios: tendências, linhas de tendência, médias móveis e Bandas de Bollinger. Em especial, ressaltamos como esses elementos podem trabalhar como suporte e resistência, indicando ao investidor regiões importantes de demanda e oferta. Ou seja, pontos importantes de inflexão aos quais devemos estar sempre atentos. Com o conhecimento que você está adquirindo nas últimas semanas, aliado às leituras e estudos complementares, certamente já possui uma compreensão mais refinada acerca dos movimentos que o mercado apresenta, bem como um melhor entendimento das operações que compartilhamos com vocês em nossos relatórios. Esperamos que ao longo dessa minissérie você seja capaz de desenvolver seu senso crítico e habilidades analíticas que lhes permitirão avaliar as melhores oportunidades. Nas próximas páginas iremos introduzir um dos principais conceitos utilizados em análise técnica. Por essa razão, propositadamente encerramos o episódio anterior antes de abordar esse tema. Dessa forma, descansados e com as informações prévias digeridas, teremos a certeza que o tópico receberá toda a atenção que merece. Entretanto, antes de entrarmos nos pormenores técnicos, imaginem a seguinte situação: Você está a procura de um bom restaurante para almoçar e se depara com dois deles lado a lado. Ambos possuem um cardápio variado, ambiente aconchegante e preços razoavelmente parecidos. O primeiro está cheio, o segundo não. Considerando que você nunca esteve em nenhum dos dois restaurantes, certamente irá questionar por qual razão um dos restaurantes está sendo preterido em relação ao outro. Será a qualidade da comida ou do atendimento? Independente da razão, nota-se uma clara preferência do público pelo primeiro restaurante que, estando cheio, confirma que possui os requisitos necessários para que você tenha uma boa refeição. A mesma lógica aplica-se ao mercado: TODA e QUALQUER sinalização acompanhada de VOLUME ACIMA da MÉDIA tem maior validade e importância em relação às demais. De forma geral, quando estamos analisando um gráfico de preços, estamos essencialmente tentando identificar quais as expectativas e sentimentos dos players em relação ao mercado ou determinado ativo. Portanto, quanto maior for o número de participantes caminhando na mesma direção, maior será a força do movimento apresentado. Em meados de 2013, por exemplo, tivemos uma série de manifestações que começaram com um grupo de estudantes pleiteando uma redução nos preços das passagens no transporte público. A princípio, o movimento foi encarado pela mídia e pelas autoridades com naturalidade. Porém, a partir do momento que o quórum

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aumentou consideravelmente, as manifestações passaram a ser encaradas com um enfoque diferente. Com um número de adeptos cada vez maior, o movimento mostrou sua capacidade de ação, corroborando para que o seu objetivo fosse alcançado. Vamos transportar essa situação para os gráficos. Supondo que você não conhece nada de análise técnica, na sua opinião, qual dos dois rompimentos abaixo oferece uma mensagem mais forte, mais convicta e mais contundente?

Figura 13: Rompimento sem volume

Figura 14: Rompimento com volume

Embora o candle e a margem do rompimento representados na figura 13 sejam maiores do que na figura 14, uma minoria foi responsável por provocar essa sinalização. Ou seja, podemos identificar indícios de um rompimento falso que não reflete a expectativa da maioria dos investidores, o que naturalmente diminui a capacidade do movimento desenvolver-se.

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Em contrapartida, no segundo cenário observamos um volume crescente que acompanha e confirma o sentido em que o movimento está se desenvolvendo. Nota-se portanto, um apetite cada vez maior dos investidores pelo papel, sugerindo que a demanda existente será suficiente para produzir o rompimento eficaz desse patamar de resistência. Quando estudamos mais a fundo os princípios da Teoria de Charles Down, o pai da análise técnica moderna, vemos que ele já salientava a importância do volume como forma de confirmar uma tendência. Neste sentido, em uma tendência de alta, por exemplo, o volume negociado deve aumentar conforme os preços sobem e diminuir quando descem. Já em uma tendência de baixa, os giro financeiro diminui nos repiques e aumenta nas quedas. Se observarmos situações em que o o volume financeiro se comporta de forma inversamente proporcional ao movimentos dos preços, temos as chamadas divergências de alta ou divergências de baixa. Neste contexto, o volume é apenas um dos indicadores que podem ser utilizados para esse fim. No cenário exposto pela figura 13, por exemplo, temos uma clara situação de divergência baixista. Nesta situação, os preços romperam uma congestão, mas não contaram com a confirmação do volume para validar a sinalização. Ou seja, embora o ativo tenha alcançado um patamar de preços mais elevado, o movimento não ocorreu de forma unânime ou motivado pela expectativa da maioria.

Comparação Giro Financeiro x Quantidade de Negócios O volume, ou giro financeiro, representa o nível de atividade do mercado. Baixo volume demostra baixa participação dos investidores e pequeno comprometimento financeiro com o movimento em si. Alto volume demonstra que os investidores estão atentos e ativos, oferecendo validade aos sinais que avaliamos. Contudo, especialmente em papéis de liquidez reduzida, nem sempre esse raciocínio poderá ser aplicado. Portanto, quando verificarmos um volume financeiro que destoa do seu padrão ou média, temos a obrigação de verificarmos também se a quantidade de negócios registrada aumentou na mesma proporção. E por qual razão devemos fazer isso? Bom se estamos analisando o volume para identificar a expectativa geral dos players em relação à dado movimento, essa análise não fará nenhum sentido se o aumento de volume observado tiver sido resultado de uma operação casada ou um único player operando forte.

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Afinal, nestas condições, o candle formado e o giro financeiro registrado não representarão a ação de vários players simultaneamente, mas de apenas um ou poucos investidores. Portanto, é fundamental não aceitarmos de imediato todo e qualquer aumento exponencial de volume como uma manifestação válida para as nossas operações.

A Verdade sobre os Padrões e Figuras em Análise Técnica “A necessidade de aprender a identificar padrões ou figuras indicam a falta de conhecimento ou capacidade de entender como e porquê eles se formaram” Jeremy du Plessis, The definitive Guide to Point and Figure

Você provavelmente já se deparou com gráficos que contém estruturas e padrões de análise super elaborados. Talvez os nomes dados à esses padrões também tenham chamado a sua atenção: “triângulos ascendentes”, “ombro-cabeça-ombro”, “flâmula” e “bandeiras”. Entretanto, este é um conceito que a maioria das pessoas não compreende. Aliás, é surpreendente a quantidade de traders que baseiam suas operações única e simplesmente em padrões que sequer são unanimidade. As pessoas ficam tão presas à um conceito sem importância, que enxergam figuras nos gráficos com a mesma facilidade e ingenuidade que reconhecem desenhos nas nuvens. O fato é que os padrões gráficos, que são difundidos na maioria dos livros e cursos de análise técnica, constituem um desfavor à formação do trader. Na realidade trata-se de uma dúzia de figuras que desestimulam os investidores a pensar e, consequentemente, a entender a razão dos preços estarem se movimentando daquele jeito. Ou seja, a figura torna-se mais relevante que o movimento em si. É a consequência tendo prioridade frente à causa. Eu tive um professor de Cálculo na faculdade que mudou a minha forma de enxergar as coisas. As pessoas estão acostumadas com os “facilitismos” e com os atalhos, carregando o péssimo hábito de querer as coisas mastigadas à fazer jus a massa encefálica que carregam em suas cabeças.

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Naquela ocasião, revoltado com minha performance mesmo depois de ter passado noites em claro debruçado sobre meus livros, fórmulas e teoremas, expus à ele todo meu descontentamento com a situação. Foi quando tive uma lição que foi além da Matemática, pois pude aplicá-la em todas as áreas e atividades que desenvolvi posteriormente. Com toda a experiência e serenidade que um senhor daquela idade já carregava, ele me disse que não estávamos ali para aplicarmos as fórmulas, mas para desenvolver o raciocínio que nos permitisse chegar à ela. Apenas desse modo, independente da situação ou da aplicação, não ficaríamos presos à conceitos, mas teríamos flexibilidade para expandir nossos conhecimentos. Vez ou outra vocês irão encontrar menções à um ou outro tipo de figura nos nossos relatórios, mas quando as fizermos, serão apenas para descrevermos uma situação à qual você deve estar atento. Por essa razão, não iremos perder tempo explicando ou descrevendo o que cada padrão representa. Ao invés disso, preferimos que você concentre-se em aplicar os seus conhecimentos para entender a razão pela qual os preços estão formando determinado padrão para ganhar dinheiro com isso. Ademais, se você parar para analisar os padrões mais conhecidos e começar a quebrálos em partes menores, certamente chegará a conclusão de que são resultado da combinação de elementos que nós já estudamos como suporte, resistência, linhas de tendência etc. Um triângulo ascendente, por exemplo, é simplesmente uma linha de resistência associada à uma linha de tendência de alta.

Figura 15: Triângulo Ascendente em Partes

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Obviamente que um triângulo ascendente como o que temos representado na figura 15 não tem nenhum poder mágico sobre os preços de uma empresa, ou seja, no final da contas tudo se resume a oferta e demanda. Lembre-se, resistência é uma região de preços em que há uma maior disponibilidade de papéis. Em outras palavras, um patamar onde os vendedores estão mais dispostos a se desfazer dos seus papéis do que os compradores em comprá-los. Foi esse o motivo pelo qual os preços recuaram em três oportunidades ao se aproximarem dessa faixa de resistência. Ao mesmo tempo, como já sabemos, suporte pode ser uma faixa ou linha abaixo da qual existe uma grande demanda, indicando que os compradores possuem o controle do mercado nessas regiões. Portanto, enquanto os preços oscilam entre esses dois níveis de suporte e resistência, nota-se que os preços começam a ficar cada vez mais espremidos entre a resistência e a linha de tendência. Tal fato ocorre pois apesar dos investidores saberem de antemão que existe uma região importante de resistência logo a frente, continuam dispostos a pagar preços cada vez mais altos com base em suas expectativas. O rompimento desse patamar de preços, termo utilizado para descrever qualquer movimento que se consolida acima de uma região de resistência, indica que os compradores foram capazes de absorver totalmente o excesso de oferta de papéis que se tinha naquela faixa.

Qual a Importância de Aguardamos por Sinais Concretos? Como analistas técnicos, boa parte das operações que recomendamos nos nossos relatórios derivam de estratégias de rompimento. Isso decorre do fato da relação riscoretorno aumentar consideravelmente quando uma ação é impulsionada para cima de uma zona de resistência. Ou seja, ao se tornar um comprador de rompimentos, estará iniciando uma posição no momento em que uma barreira importante não existe mais. Ou seja, o obstáculo que até então tentava impedir o avanço consistente dos preços foi derrubado, abrindo espaço para movimentos mais tranquilos no sentido do rompimento até que os preços voltem a esbarrar em outra região de oferta.

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Desse modo, podemos concluir que traders bem sucedidos são reacionários. Ao invés de tentar prever para onde o mercado vai, é melhor esperar que o mercado nos dê a luz verde antes de enviarmos nossas ordens de compra e venda. No exemplo da Figura 15, não havia nenhuma garantia de que os preços não perderiam o suporte oferecido pela linha de tendência de alta, destruindo o padrão ali existente. Ao reagir à ação dos preços e dos ativos, estaremos sempre um pouco atrasados nas entradas e saídas programadas. Porém, ao abrir mão de uma pequena parte dos ganhos teóricos em cada oportunidade, diminuímos drasticamente o risco em cada posição que assumimos. No longo prazo, isso significa lucros bem maiores que aqueles que teríamos obtido se tivéssemos tentado adivinhar com antecedência o que determinado papel teria feito. Obviamente, é importante termos perspectivas em mãos, pois nossas estratégias dependem de um contexto para confirmarmos se as operações sugeridas e os movimentos apresentados estão em concordância com o cenário vigente. Mas, definitivamente preferimos aguardar por sinais concretos à prever o que irá ocorrer Por esse motivo, nossos relatórios possuem análises diárias de ativos que passam a fazer parte do nosso radar. Adicionalmente, comentamos a razão pela qual o papel passou a fazer parte do nosso monitor, qual o gatilho que estamos aguardando e como poderemos atuar se a sinalização esperada for confirmada. Uma objeção comum às estratégias de rompimento é a falsa ideia de que estamos pagando mais caro por um papel que poderia ser adquirido mais barato se não tivéssemos aguardado pela superação de uma faixa de resistência importante. O que todos precisam entender é que não estamos à procura de barganhas. Estamos caçando oportunidades de trade com a maior possibilidade de acerto que nossas técnicas permitem. Portanto, não pense como um investidor. Pense como trader.

O Conceito da Confirmação A essa altura, como você já pode ter percebido, os preços não são os únicos inputs para os analistas gráficos. Existem um sem número de outros indicadores que também podem fornecer evidências adicionais que podemos usar para termos uma ideia mais clara e ampla do que está acontecendo com determinado ativo. Isso nos leva ao conceito de confirmação.

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Para os traders, confirmação é qualquer sinalização extra que reitera o comportamento que está sendo apresentado pelos preços. Um rompimento, por exemplo, torna-se muito mais forte quando outros indicadores técnicos apontam na mesma direção. Do contrário, como visto anteriormente, teremos alternativas para identificar eventuais divergências que nos deixem cientes e alertas em relação à possibilidade dos preços não reagirem como esperamos. Nas primeiras páginas desse episódio, nos antecipamos e demos o devido destaque ao principal elemento de confirmação: volume. A seguir, iremos adicionar novos ingredientes à sua caixa de ferramentas, tornando-o apto a aplicar diversos filtros antes de executar as entradas que tiver selecionado. Quando falamos sobre confirmação, estamos reforçando que o protagonista da história ainda são os preços em qualquer estratégia. Ou seja, pouco nos importa se os indicadores estão apresentado determinado comportamento se os preços não estiverem movimentando-se de forma análoga. Tenha isso sempre em mente para não colocar a carroça na frente dos bois.

Medindo o Momentum do Mercado Momentum de mercado é outro termo que você certamente já ouviu por aí. Trata-se de uma ferramenta fundamental para aqueles que querem assegurar-se quão forte realmente são os movimentos realizados pelos preços. Em Física, Momentum é a medida utilizada para identificar a força (Impulso) com que o objeto se movimenta. No mercado, essa definição não fica tão atrás. Para os analistas técnicos, Momentum representa a aceleração ou a velocidade com que os preços se movimentam. Trata-se portanto de um elemento chave nas nossas análises à medida que traz uma outra perspectiva acerca dos movimentos apresentados pelos preços. Em outras palavras, se uma determinada ação encontra-se em tendência de alta, demonstrará algum sinal de fraqueza antes da reversão se confirmar. Ou seja, Momentum irá começar a cair a partir do momento que os preços subirem com menor intensidade (velocidade).

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Traders usam algumas ferramentas para medir o Momentum de um determinado ativo. Dentre os mais populares podemos destacar o Índice de Força Relativa (IFR), MACD (Moving Average Convergence Divergence) e Estocástico. Nesta minissérie, nós iremos nos concentrar em especial naquele que nós utilizamos mais, IFR, cujo exemplo de aplicação você pode ver na Figura 16:

Figura 16: Índice de Força Relativa

O Índice de Força Relativa mede a evolução da relação de forças entre compradores e vendedores ao longo do tempo. Sua utilização, como mencionado há pouco, nos possibilitará observar o enfraquecimento de uma tendência, rompimentos, suportes e resistências antes de se tornarem aparentes nos gráficos. Seu cálculo baseia-se na relação existente entre os ganhos e perdas de dado período. Ativos que encontram-se em uma situação extremamente bullish, terão ganhos superiores às perdas. Em contrapartida, ações em tendência de baixa terão perdas maiores. Ao observar a Figura 16, certamente pode notar que o IFR oscila dentro de uma faixa cujos valores máximos e mínimos não passam de 100 e 0 respectivamente. Por esse motivo, quando o IFR alcança ou aproxima-se de uma desses extremos, temos um forte indício de que o Momentum vigente está se esgotando e, portanto, maior a probabilidade de termos uma inflexão nos preços. Geralmente, quando o IFR alcança valores superiores a 70, a ação pode ser considerada “sobrecomprada”. Por outro lado, quando o IFR estiver abaixo de 30, o papel encontra-se “sobrevendido”. Entretanto, não se apegue tanto à esses valores, pois estatisticamente teremos sinais de compra e venda falsos à medida que papéis sobrecomprados tendem a ficar ainda mais sobrecomprados no curtíssimo prazo. Por essa razão, o objetivo principal da ferramenta é confirmar movimentos, não antevê-los.

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Ademais, embora esses valores sejam padronizados, níveis de sobrecompra e sobrevenda variam entre um papel e outro e, da mesma forma como os preços, também possuem níveis de suporte e resistência. Portanto, para identificar os níveis de sobrecompra e sobrevenda de uma determinada ação de forma mais eficiente, iremos traçar uma linha de resistência e outra de suporte nos limites extremos do indicador onde houverem poucos toques. Neste sentido, quanto maior o tempo analisado, maior será a validade dessas regiões.

Figura 17: IFR(9) USIM3

Na figura 17, por exemplo, estamos analisando o comportamento do IFR(9) ao longo dos últimos 10 anos em USIM3. As linhas azuis na parte superior e inferior do gráfico indicam as regiões que realmente representam níveis de sobrecompra (92,04) e sobrevenda (11,50) para esse papel em específico. Outra forma de trabalharmos com o IFR é buscando por divergências de baixa ou de alta. Ou seja, se o indicador não confirmar o movimento que os preços estão desenhando nos gráficos, teremos de antemão um alerta indicando a possibilidade de uma reversão no sentido da trajetória vigente. No exemplo indicado na Figura 18, notamos claramente que os preços apresentam topos ascendentes, os quais estão unidos pela linha verde. Em contrapartida, o IFR apresenta topos descendentes (unidos pela linha vermelha), gerando uma divergência de baixa que poderá se confirmar em determinado momento. Portanto, com relação ao conceito de confirmação que estamos estudando, é importante estarmos atentos se os movimentos dos preços e dos indicadores estão em plena sincronia.

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Figura 18: Divergência de Baixa pelo IFR

Estamos Apenas na Superfície... Como dissemos nos episódios iniciais dessa minissérie, não temos a pretensão de aprofundarmos em Análise Técnica. Existem uma série de outros conceitos e estratégias que poderíamos abordar, mas que fogem do escopo dessas lições. Todo modo, nossos relatórios diários são uma valiosa fonte de informação à medida que estão sempre trazendo detalhes técnicos e novas ferramentas de análise. De qualquer maneira, o mais importante é que com apenas três episódios você já domina os conhecimentos fundamentais para começar encadear as ideias previamente apresentadas, e assim, construir sua própria opinião acerca das oportunidades que aparecem no mercado. Mais do que isso, usufruindo apenas da sua capacidade analítica e da sua disponibilidade de continuar estudando, certamente começará a colher os frutos desse aprendizado em breve. Aqueles que tiverem o interesse de ler bibliografias complementares, separamos uma lista de livros que poderão reforçar as bases apresentadas nas últimas lições. Dentre eles podemos destacar:

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- The Master Swing Trade, Alan Farley - Come Into My Trading Room, Alexander Elder - Trading for a Living, Alexander Elder - Reminiscences od a Stock Operator, Jesse Livermore - Bollinger on Bollinger Band, John Bollinger - Mark Douglas, The Diciplined Trader

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Seção 5: O Sistema de Trading Empiricus O Trader Gráfico, sistema de trading da Empiricus, foi projetado com o propósito de combinar técnicas de análise para identificar operações atrativas sem abandonar a necessidade de manejo de risco. Esse sistema é o responsável por fornecer todas as recomendações que são compartilhadas diariamente nos nossos relatórios. Além das peculiaridades individuais, cada um dos elementos que compõem o Trader Gráfico é essencial para para o funcionamento do sistema como um todo. Apesar das sugestões serem apresentadas de forma simples ao leitor, a construção do sistema é um processo bastante complexo. Com base em métricas quantitativas e cálculos matemáticos, o sistema está habilitado a identificar os ativos que atendem as necessidades e os pré-requisitos determinados em cada uma das estratégias utilizadas. É aí que nós entramos em cena. Seremos o seu guia para ajudá-lo a interpretar exatamente por qual razão o sistema está emitindo alertas ou sugerindo entradas. A princípio os relatórios irão destacar os ativos que estão chamando a atenção pela presença de algum componente técnico importante para que possam ser monitorados. Posteriormente, a partir da confirmação do gatilho necessário para iniciar a operação, iremos oficializar as sugestões de trade informando os pontos de entrada e saída. Nestes casos, além de apresentar qual ativo está merecendo uma entrada, também faremos um acompanhamento diário do andamento de cada trade, atualizando nossas perspectivas a cada novo pregão ou sinalização. O quarto capítulo dessa minissérie é o último antes de apresentarmos efetivamente quais são as estratégias que nós utilizamos. Entretanto, no nosso ponto de vista tudo o que foi apresentado anteriormente é mais importante do que os setups em si. Consideramos que o conhecimento adquirido, aliado à experiência prática, poderão torná-los traders proficientes. Nas próximas páginas abordaremos alguns aspectos importantes do sistema e de que maneira podem servir de filtro para você selecionar ativos potenciais dentre tantos que estarão disponíveis na tela do Home Broker. Executar uma operação perfeitamente é apenas uma parte do processo, mas com disciplina, qualquer um pode realizar. Portanto, sem dúvidas, escolher a melhor opção, o melhor ponto de entrada e a hora certa de se desfazer de uma posição é o que classifica um trader. É a capacidade analítica de cada indivíduo em identificar oportunidades lucrativas diante de contextos distintos que determinará o nível de acerto e, consequentemente, de sucesso que cada um terá.

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Além da escolha de um ativo e da execução precisa da operação, ainda falta responder uma pergunta - quanto alocar da minha carteira no trade? Resposta fundamental para evitarmos exposição desnecessária do nosso capital ao risco, razão pela qual utilizaremos as últimas páginas desse capítulo para ajudá-los nessa decisão.

1. Stock Picking Consiste em uma funcionalidade do sistema em encontrar padrões, mudanças ou sinalizações relevantes que atendam aos pré-requisitos estabelecidos. Essencialmente, esse sistema nos permitirá visualizar os papéis que estão em conformidade com as premissas técnicas determinadas. Com base em alguns inputs, poderemos eliminar rapidamente ativos com pouca liquidez, pequeno número de negócios ou papéis que estejam negociando abaixo de um determinado valor de mercado. Fora isso, o sistema conta com a colaboração de algoritmos que nos auxiliam a identificar papéis com maiores chances de enquadramento nas estratégias utilizadas. Importante mencionar que esses algoritmos não são estáticos. Estamos constantemente realizando ajustes e modificações para potencializar a sensibilidade do sistema com o objetivo de obter as melhores escolhas.

2. Tendência Como você já deve saber, na sua forma mais simples, a tendência de um papel é a direção na qual os preços estão movimentando-se ao longo de um determinado período. Duas das três estratégias que utilizamos são empregadas em ativos que estejam trabalhando dentro de tendências bem definidas ou que estejam prestes a determinar o início de um nova tendência a partir do rompimento de uma região importante de suporte e resistência. Observando atentamente as linhas de tendência, bem como qualquer outra referência de suporte e resistência que mencionamos em capítulos anteriores, poderemos ter uma ideia mais clara acerca da possibilidade dos preços continuarem movendo-se em uma determinada direção ou de alguma sinalização interromper a manutenção da trajetória vigente. Obviamente que a tendência de um papel independe da tendência em que o mercado está trabalhando. Entretanto, por conveniência, queremos tirar proveito da tendência do índice de referência (como o Ibovespa) para explorarmos a tendência de um determinado papel com maior propriedade e chances de acerto. Em suma, embora

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alguns papéis não tenham uma correlação íntima com o mercado, é preferível buscarmos por aqueles que estejam alinhados com a tendência geral do mercado. Dessa maneira, poderemos evitar algumas armadilhas conhecidas por “bull traps”, ou seja, sinalizações de compra ou venda duvidosas que surgem em momentos de fragilidade do mercado. Daí a importância do trader utilizar a maior quantidade de ferramentas que tiver à sua disposição para validar ou confirmar as sinalizações identificadas.

3. Pivot No próximo capítulo da nossa minissérie iremos nos aprofundar nas possibilidades operacionais geradas a partir de rompimentos de suportes ou resistências. Todo modo, se estamos focando nossas análises em papéis que encontram-se trabalhando dentro de tendências bem definidas, é fundamental termos a capacidade de identificarmos a formação de pivots na periodicidade analisada. O acionamento de um pivot, seja ele de baixa ou de alta, é um dos melhores indicativos de tendência. Afinal, esse padrão gráfico representa o início ou a continuidade de uma tendência. Conforme visto anteriormente, uma tendência de alta é definida quando existem topos e fundos ascendentes, ao passo que uma tendência de baixa consiste em topos e fundos descendentes. Também já mencionamos que topos e fundos trabalham respectivamente como resistência e suporte por se tratarem de faixas de preços onde existe maior oferta ou demanda de papéis. Por essa razão, a superação de uma resistência ou a ruptura de um suporte indica que uma das forças passou a ter maior relevância perante à outra, forçando a movimentação dos preços na direção do rompimento. Portanto, todas as vezes que você identificar um pivot como os que estão sendo mostrados na figura 19, esteja certo de que uma nova tendência está sendo estabelecida ou a tendência vigente está sendo mantida. Contudo, um pivot apenas será efetivamente acionado quando os preços confirmarem a superação do topo (ou perda do fundo) anterior em fechamento. Ou seja, não basta violar esse patamar de preços durante o pregão, é preciso encerrar o dia acima (abaixo) dos patamares de resistência (suporte) estabelecidos.

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Figura 19: Acionamento Pivot de Alta e de Baixa

Note que para um pivot ser considerado de alta, o ativo necessariamente tem que apresentar dois fundos ascendentes ou paralelos quando o rompimento do topo anterior se confirmar. Se o segundo fundo violar o primeiro em algum momento, não haverá formação de pivot ainda que o topo anterior seja superado em fechamento. De forma análoga, para um pivot ser considerado de baixa, o ativo necessariamente tem que apresentar dois topos descendentes ou paralelos quando a perda do fundo anterior se materializar. Se o segundo topo violar o primeiro em algum momento, não haverá formação de pivot ainda que o fundo anterior seja quebrado em fechamento. Neste contexto, mais uma vez aproveitamos a oportunidade para reforçar a ideia de utilizarmos outras técnicas para confirmarmos a validade das sinalizações apresentadas. Neste sentido, vale a pena reler a última seção do capítulo anterior para relembrar como podemos identificar divergências de baixa ou de alta quando os preços estão se movendo em uma determinada direção.

4. Manejo de Risco A despeito de estarmos focados em identificar as melhores oportunidades de trade, não podemos ignorar que eventualmente as operações não irão confirmar as nossas expectativas e se movimentarão do sentido contrário. Independente da razão pela qual o papel apresentou uma mudança inesperada de comportamento, um trade bem sucedido sabe como limitar suas perdas e a hora certa de pular fora de posições perdedoras.

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Por esse motivo, as recomendações de compra ou venda presentes nos nossos relatórios sempre trazem sugestões de saída que o investidor poderá utilizar para realizar os ganhos conquistados ou encerrar uma posição perdedora. Não fazemos isso à toa, portanto, jamais ignore a realidade ou confronte uma sinalização negativa quando ela ocorrer. Aceite perder e se tornará um trader de sucesso.

5. Momentum Por último, momentum é outra métrica essencial a qual devemos estar sempre atentos quando estivermos pensando em novas operações. De forma geral, indicadores de momentum oferecem ao investidor uma ideia acerca da convicção e perspectiva dos players em relação ao mercado. Com base nessa informação, o trader poderá identificar previamente o esgotamento de algum movimento, a reversão de uma tendência ou a confirmação de continuidade da mesma. Em um ambiente totalmente inóspito, onde o futuro é absolutamente desconhecido, é essencial buscarmos a maior quantidade de confirmações ou elementos favoráveis que sirvam de base para nossas decisões operacionais. Iniciar uma operação é um processo minucioso e realizado em etapas. Cabe ao trader, portanto, analisar e extrair os prós e os contras antes de executar uma entrada. Quando você participa de algum fórum ou chat onde se discute investimentos e trades, nota-se que a grande maioria das pessoas não leva em consideração nenhum dos pontos discutidos até aqui. Neste contexto, é impressionante a simplicidade e a dinâmica com que esses investidores estão operando no mercado. Ou são extremamente desprendidos ou não tem conhecimento suficiente para operar. Com sorte, eventualmente terão retornos, mas por quanto tempo? Se você não tem uma estratégia ou um sistema de trade bem definido, como poderá aplicá-las nos mais diversos cenários? Obviamente que ganhar sempre é bom. Porém é ainda melhor quando você consegue alcançar os resultados esperados de forma estruturada, não por acaso.

Aprendendo a Utilizar a Análise Técnica Claramente, existe uma curva de aprendizado pela qual todos precisam passar. Uns optam por preparar-se primeiro para depois iniciar a jornada. Outros iniciam a jornada sem estarem preparados. Seja lá como for, todos irão trilhar os mesmos caminhos e encontrar as mesmas dificuldades. Entretanto, a seleção natural proposta dor Darwin também aplica-se no mercado e, neste caso, apenas os mais preparados ou adaptados conseguirão sobreviver.

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Por enquanto, apenas demonstramos de forma resumida os principais aspectos que compõem o nosso sistema de trading. Reconhecemos que é muita informação, razão pela qual não esperamos que você compreenda integralmente todos os conceitos que foram apresentados. Porém, com o tempo e acompanhando diariamente nossos relatórios, certamente desenvolverá a percepção e capacidade analítica necessária para caminhar com as próprias pernas. Todo modo, independente das habilidades e técnicas que você domina, a sua permanência no mercado por tempo indeterminado depende da forma como você cuida do seu dinheiro. Quando ingressamos no mercado de renda variável temos conhecimento prévio da existência de um componente que não pode, em hipótese alguma, ser ignorado: Risco. Por esse motivo, utilizando análise técnica ou qualquer outra metodologia com a qual você se identifique mais, jamais invista seu capital de giro, ou a grana que você utiliza periodicamente para pagar sua contas e liquidar seus compromissos. Ademais, independente de quão promissor uma oportunidade de trade possa parecer, não iremos comprometer todo o capital disponível em uma única operação. Nas próximas páginas iremos discursar um pouco sobre Manejo de Risco, tarefa inerente a qualquer trader e obrigatória antes de efetuarmos qualquer entrada. Nós iremos mostrar algumas técnicas e cálculos que você poderá utilizar para encontrar a quantidade de papéis que você poderá adquirir sem expor-se demais. À isso damos o nome de Position Sizing. Se você é assinante do Trader Gráfico, já sabe que cabe a nós fazer a seleção das melhores oportunidades de trade que são apresentadas nos relatórios (Stock Picking). Entretanto, a forma como você conduz uma operação e a disciplina empregada no exercício dessa tarefa é o que diferencia um trader do outro, bem como os retornos conquistados por cada um. Ao final de um dia, ninguém se importa com a situação do seu portfólio mais do que você. Desse modo, o tamanho ideal de uma posição aliado à uma boa estratégia de controle de risco, garantirá bons retornos e perdas limitadas caso os preços não se movimentem conforme esperado.

Porque Você Pode Ficar Rico Mesmo Perdendo? Vamos te contar uma coisa que provavelmente o seu gerente ou consultor de investimentos insiste em contrariar: Você irá perder dinheiro ... as vezes. Por algum motivo as pessoas tentam ignorar suas perdas. Elas fingem que as operações falhas nunca ocorreram ou, se tivessem uma segunda chance, não executariam determinada

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entrada novamente. Se você tem esse perfil, terá mais dificuldades para prosperar nesse mercado. Afinal, uma das principais qualidades de um bom trader é saber perder. Conheço um trader que se autodenomina “o rei das perdas” e, de fato, ele é um grande perdedor. Mais de 50% das entradas que realiza acabam mal. Por outro lado, ele ganhou alguns milhões de reais nos últimos anos especialmente pelo fato dele ser tão bom em aceitar as perdas. Com a disciplina necessária para estancar operações perdedoras rapidamente, ele consegue perder pouca grana quando é estopado ao passo que conquista ganhos substanciais nas operações que movem-se ao seu favor. Considerando o histórico dos últimos três anos, temos uma média de acerto de aproximadamente 66%. Ou seja, dois terços das operações sugeridas geram lucros. Nestas condições, quando os trades positivos são ainda mais frequentes, você pode imaginar quão importante é tornar-se um bom perdedor. Portanto, mantendo-nos fiéis à uma simples regra, teremos a capacidade de potencializar os retornos ao longo do tempo ainda que possamos acumular algumas perdas no caminho. É dessa forma que construímos riqueza durante a caminhada. Determinamos objetivos simples e factíveis, sendo um pouco lucrativo neste mês, depois no outro e no outro. Com o tempo iremos perceber que agregar objetivos de curto prazo é estabelecer a rotina que precisamos para alcançar resultados compostos. Mas qual a diferença entre uma “boa perda” e uma “perda ruim” ? Uma boa perda é aquela que provém de um bom processo. Quando você obedece o seu sistema e se livra integralmente de qualquer emoção. Dessa maneira, independente do que aconteça, você segue as regras e mantém-se fiel ao plano de trade. Uma perda ruim não é necessariamente a maior, mas aquela que se origina quando você fere as regras e burla o sistema que em última instância existe para te proteger. Quando o mercado se move contra as suas expectativas, é importante que você seja capaz de dizer a si mesmo: “Esperei ganhar um bocado de dinheiro nesta posição, mas não está funcionando, portanto, estou saindo fora”. Ser um trader bem-sucedido requer coragem para tentar, para vencer, mas principalmente coragem para falhar. Não conteste o óbvio, siga em frente e leve consigo apenas o conhecimento e experiências, nunca as perdas. Infelizmente, é surpreendente que poucas pessoas entendam a importância de ser um bom perdedor. Não por menos, dentre tudo o que expomos até aqui e o que ainda está por vir, não temos dúvida que essa é a maior lição que a minissérie irá apresentar. Tome isso como a regra número 1 e não tente sabotá-la. Em última análise, seguir o plano independente do resultado final, é uma vantagem mental que separa os bons dos maus traders. De qual grupo você fará parte?

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Qual o Tamanho Ideal da Minha Posição? Uma das questões mais comuns que chegam até nós é, “Quantas ações eu devo comprar?” Honestamente, essa é uma questão complicada de ser respondida. A situação de cada investidor é única, então o tamanho da posição para alguém que tem 1 milhão para operar certamente não será igual aquele que possui 10 mil para montar suas posições. Por essa razão, apesar dos vários pedidos, não fazemos nenhuma sugestão neste sentido nos nossos relatórios. Todo modo, utilizando técnicas padrões que são referenciadas em diversas bibliografias e utilizadas por administradores de fundos, qualquer investidor, independente do capital que tem disponível, poderá chegar a conclusão acerca do tamanho ideal de sua posição. Um erro bastante comum entre os investidores é avaliar a quantidade de papéis que podem comprar em relação ao capital que tem disponível para investimentos. Lembrem-se que jamais devemos colocar todos os ovos dentro de uma mesma cesta. Portanto, é melhor definirmos o tamanho da nossa posição em termos de risco. A partir do momento que identificarmos o risco máximo que estamos disposto a correr (valor determinado pelo posicionamento do seu stop loss), é fácil descobrir quantos papéis adquirir. Se você tem, por exemplo, R$ 10 mil para investir e uma potencial operação carrega um risco de 5%, não gostaríamos de ver você dispondo mais do que R$ 4 mil nesse trade. Você não deve aceitar expor (ou perder) mais do que 2% do seu capital disponível em nenhuma operação. Portanto, o cálculo mais simples que você poderá utilizar no início é:

0.02 x ( Capital Disponível )

= Position Sizing Stop Loss %

Ao calcular sua posição dessa forma, poderá garantir bons retornos ao passo que as perdas não terão grande impacto no capital total disponível. Conforme for ganhando mais experiência e aumentando sua margem de acertos, poderá flexibilizar a base de cálculo. O que importa é você operar da forma que se sinta mais confortável. Em uma conta de R$ 10 mil, uma posição de R$ 1 mil ou R$ 4 mil irá depender de você, mas é importante seguir o cálculo para não exceder os limites estabelecidos.

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Por conta disso, vale a pena aproveitarmos a oportunidade para fazermos uma recomendação importante. Não tente fazer preço médio (comprar mais ações conforme os preços caem) em uma operação que já está te trazendo dores de cabeça. Não desperdice dinheiro bom em uma operação que já se mostrou avessa às suas expectativas. Nós somos traders, não value investors. Portanto, conforme os preços se movem na direção oposta àquela esperada, estaremos alertas para encerrar essa operação no preço estabelecido, e não comprar outros lotes mais baratos.

O Poder dos Juros Compostos Anteriormente mencionamos que nossa média de acerto dos últimos três anos é da ordem de 66% (para o relatório diário). Isso significa que podemos conquistar ganhos substanciais operando as estratégias que serão apresentadas no próximo episódio. E se eu te falasse que você poderia aposentar-se caso conseguisse ganhos de aproximadamente 1% em cada trade? Embora possa parecer absurdo, isto se deve ao poder dos juros compostos. Logicamente que tudo depende do tamanho da sua posição, bem como o tempo que você a manterá em carteira. Mas para ilustrar melhor esse cenário, pense da seguinte maneira: Se você pudesse garantir retornos de 1% em cada dia de trade, seu retorno médio ao fim de um ano seria 1%. Porém, como o período de investimento é bastante curto (apenas um dia), em um único ano, seu portfólio teria ganho 252% no total (considerando que, em 252 dias, houve um trade em cada um deles com retorno de 1% cada). Por sua vez, se fizermos o mesmo cálculo utilizando juros compostos, essa média de 1% de ganhos por trade transformaria sua carteira de R$10 mil em R$ 112.740,02. É verdade que estamos abordando um cenário fictício e sem os devidos descontos de taxa e impostos, mas a ideia é mostrar como ganhos pequenos, porém consistentes, são capazes de transformar uma carteira modesta com o passar do tempo.

Ganhando Dinheiro Sem Operar Certamente você já ouviu alguém dizendo que ganha-se dinheiro quando você fica de fora do mercado. A frase é utilizada para explicar que, as vezes, o melhor trade é abster-se de qualquer possibilidade de trade. Infelizmente a maioria dos investidores

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acredita que é preciso realizar alguma operação todos os dias. Acabam operando por operar e, na maioria das vezes, trades pouco interessantes. Como resultado da necessidade incondicional de estar comprando ou vendendo alguma ação todos os dias, o trader acaba perdendo as melhores oportunidades, pois quando elas aparecem, parte ou todo capital está alocado em outra posição. Ademais, a falta de sinalizações de compra ou venda em dados períodos, já é uma sinalização por si própria. É o mercado indicando que a melhor opção disponível é ficar de fora para preservar o seu capital. Pode até ser frustrante apenas observar a movimentação frenética dos preços sem poder fazer nada, mas acostume-se com essa ideia. Preze pela paciência e será recompensado. Afinal, mercados indefinidos ou erráticos são os piores para serem operados. Falta tendência, falta fluxo e sobra volatilidade, cenário em que operações promissoras acabam sendo estopadas prematuramente.

Simulando os Investimentos Estamos nos aproximando do final de mais um episódio. No próximo mês, estaremos finalmente apresentando as três estratégias de uso recorrente nos nossos relatórios. Apesar da ânsia por conhecê-las melhor e da ansiedade para começar operar, sugerimos um pouco de cautela especialmente se você está começando agora. Existem diversas plataformas e serviços gratuitos na internet que permitem simulações de investimento. O modus operandi é basicamente o mesmo e o usuário acompanha a evolução da sua carteira à medida que realiza as operações recomendadas. A diferença é que em um ambiente de testes, você será capaz de raciocinar, analisar e estudar os diversos cenários sem qualquer compromisso ou responsabilidade. Ademais, aproveite os simuladores disponíveis para identificar com qual das estratégias sugeridas você se identifica mais, ou qual delas encaixa-se melhor à sua forma de operar. Com mais confiança, experiência e técnica estará melhor preparado para dar o pontapé inicial à sua jornada como trader.

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Seção 6: As Estratégias Passados cinco meses do seu lançamento, chegamos ao último episódio da minissérie De Iniciante a Trader. Os primeiros capítulos trouxeram pontos básicos, porém fundamentais para um melhor entendimento dos movimentos e sinalizações que o mercado nos oferece diariamente. Procuramos não limitar as explicações apenas aos conceitos estritamente técnicos que você pode encontrar em qualquer site de busca. Lógico que é importante termos conhecimento de todas as ferramentas disponíveis para combiná-las da forma que nos convir, mas nosso principal objetivo desde o princípio foi mostrar que todos podemos ser proficientes se compreendermos nossas atitudes e explorarmos nossa disciplina. Apesar de todo o ceticismo e misticismo sobre o tema, tentamos despertar em cada leitor a ideia de construção de riqueza e a possibilidade de utilização da Análise Técnica para esse fim. Nossos relatórios e, consequentemente, nossos resultados são a prova real de que podemos ganhar dinheiro no mercado a partir do uso consciente dessa ferramenta e das técnicas associadas à ela. Obviamente que, assim como em qualquer outra profissão, não existe mágica. Eu particularmente não conheço nenhum médico ou advogado que tornou-se referência naquilo que faz sem que tivesse passado por um longo processo de estudo e especialização. Não há motivos para pensarmos que a situação é diferente com os analistas técnicos e traders. Aprende-se diariamente com os erros e acertos. A maturação dos nossos conhecimentos, o auto-conhecimento e as experiências práticas acumuladas nos tornam melhores e, os resultados, mera consequência da união harmoniosa de diversas variáveis. Com o episódio de hoje encerramos nossa minissérie e, para ser sincero, dentre todos os capítulos entendemos que este é o menos importante. Lógico que é importante o acesso às estratégias que servirão de guia a partir de agora. No entanto, conhecer os detalhes do modelo não é garantia de êxito. Se você ignorar tudo o que foi dito anteriormente, não souber controlar as próprias emoções e não conseguir identificar o momento certo de iniciar ou encerrar uma operação, não há estratégia no mundo que fará você alcançar os resultados esperados. Antes de nos aprofundarmos nos detalhes de cada setup, nos colocamos à disposição para esclarecer qualquer dúvida ou pergunta que tenham a respeito de tudo o que fora abordado nesses cinco episódios. Nosso email de contato é at@empiricus.com.br

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1. Setup de Rompimento Durante os primeiros capítulos da série, deixamos claro que os mercados não se movimentam de forma randômica ou aleatória. Na verdade, toda sinalização de alta ou de baixa nasce do desequilíbrio entre as forças de oferta e demanda. Por sua vez, tais forças estão intimamente relacionadas ao comportamento humano e às nossas emoções. Afinal, são os nossos sentimentos e expectativas, e não nossa razão, que motivam muitas das entradas realizadas. Sabemos também, que oferta e demanda estão associados à ideia de resistência e suporte, marcações psicológicas do mercado que oferecem referências importantes que não podemos ignorar. Daí a importâncias de estarmos constantemente observando o comportamento histórico dos preços. É verdade que muitos economistas e financistas criticam essa prática, como se estivéssemos tentando prever o futuro com base em movimentações passadas. Não trabalhamos com previsões. Apenas tentamos identificar pontos de inflexão dos mercados com base nas reações comportamentais que os players tiveram em determinadas circunstâncias. Portanto, tendo em mente que uma resistência é conhecidamente uma região de maior oferta de papéis, o seu rompimento naturalmente é resultado do desequilíbrio entre as forças que atuam nos preços. Ou seja, neste caso específico, a demanda foi grande o suficiente para absorver toda a disponibilidade de ativos existente, gerando uma alimentação positiva nos indivíduos. De forma análoga, o rompimento de um suporte, região de maior demanda, é reflexo de um aumento significativo da oferta de papéis e da ausência de compradores dispostos a pagar determinado preço pelo ativo em questão. Independente da motivação, é a partir do evidente desequilíbrio das forças de oferta e demanda que os movimentos mais fortes e voláteis acontecem. E a verdade é que, motivados pela necessidade de lucro e pela ideia de enriquecimento momentâneo, muitos players não aceitam ficar de fora desses movimentos. Por essa razão, diante de altas consideráveis ou sinalizações importantes, veremos muitos participantes abrindo posições sem qualquer questionamento, contribuindo para que os preços continuem avançando na direção do movimento anterior. E quando os preços sobem (ou descem), sempre achamos que ainda pode ir além. Diversos estudos em finanças comportamentais avaliam o impacto psico-social do homem na flutuação dos preços. Em condições extremas, os traders ficam mais

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vulneráveis e expostos à todo tipo de influência, razão pela qual nosso objetivo é utilizar esse momento de maior agitação à nosso favor. Em suma, queremos reforçar a ideia de que oferta e demanda são reflexo do comportamento humano, de suas expectativas, sentimentos e irracionalidade. Portanto, com o objetivo de explorar desvios absurdos ou desequilíbrios dessas forças, estaremos atentos aos rompimentos das zonas de suporte e resistência para avaliar quais deles atendem aos pré-requisitos do modelo.

Critérios a) Volume Acima da Média Dedicamos uma seção inteira de episódios anteriores para ressaltar a importância e significado de uma sinalização que vem acompanhada de volume acima da média. É uma forte representação da forma como os players estão atuando no papel. Um rompimento com volume acima da média demonstra o apetite dos investidores e a maior possibilidade de determinado movimento continuar se desenvolvendo. Em contrapartida, rompimentos sem volume demonstram ausência de convicção, falta de apetite dos investidores e geram muitas dúvidas acerca da possibilidade de continuidade de dado movimento.

b) Aspecto do Candle Não introduzimos todos os tipos de candles que existem ao longo da nossa minissérie, mas ressaltamos a importâncias que cada um deles possui individualmente e em conjunto. São fontes preciosas de informação à medida que podemos mensurar a intensidade com que dado movimento ocorreu. Quando falamos de rompimento, falamos da superação de barreiras importantes (resistências e suportes), razão pela qual esperamos pela formação de barras sólidas, amplas, com fechamento na máxima do dia (ou pelo menos próximo da máxima) e sem presença de sombras superiores ou inferiores. Rompimentos gerados por barras que não preenchem essas características devem ser ignorados, pois não inspiram confiança capaz de reforçar a validade do movimento produzido.

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c) Margem de Rompimento Galvão Bueno tem uma frase célebre que usualmente utiliza durante a cobertura das corridas de fórmula 1: “Uma coisa é chegar, outra é ultrapassar”. Adequando essa frase ao nosso contexto, eu sempre digo que “Uma coisa é romper uma resistência, outra é romper como se espera”. Veremos frequentemente rompimentos que não valem a pena ser operados. Pode até ser que o ativo alcance patamares de preços mais altos nos dias subsequentes. Porém, partindo do pressuposto que não temos bola de cristal, nos resta apenas avaliar em que condições determinado rompimento ocorreu. Além da morfologia das barras mencionadas no item b, também esperamos que todo rompimento ocorra por uma margem mínima. Ou seja, considerando que determinado papel tem uma resistência em R$20,00, estaremos atentos aos rompimentos que superarem essa região com margem de 1% ou mais. Ou seja, a barra formada deverá ter fechamento por volta dos R$ 20,20. No nosso entendimento, não basta que uma faixa de resistência ou suporte sejam rompidos. É preciso nos convencer que tal rompimento terá forças e capacidade suficiente para dar continuidade ao movimento prévio. Rompimentos com margem igual ou superior a 1% é a forma que utilizamos para filtrar aqueles que nos interessam.

d) Rompimentos não Esticados Se a sinalização já passou pelo crivo dos critérios anteriores, é hora de avaliar se o rompimento conquistado ocorreu por meio de uma trajetória esticada ou não. Em outras palavras, não teremos interesse em rompimentos precedidos por vários dias de forte alta em sequência. Afinal, diante de um traçado prolongado de alta, aumenta-se a expectativa por realização de lucros, ou seja, um leve movimento contrário à tendência estabelecida. Portanto, se executarmos uma entrada após um movimento esticado, maiores serão as chances de ficarmos amarrados no trade durante o processo de retração. Com base em estudos estatísticos, observou-se que os papéis tendem a corrigir parte dos movimentos prévios (de alta ou de baixa) após percorrerem uma distância superior a 30% da sua volatilidade histórica, conceito que explicamos em detalhes em episódios anteriores e presente na maioria das plataformas gráficas existentes. Neste caso, se o movimento é de alta, o movimento deve ser mensurado a partir do último fundo formado na periodicidade analisada. Se o movimento for de baixa, o início da trajetória ocorre a partir do último topo formado.

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Neste contexto, o melhor rompimento é aquele precedido por movimentos laterais e que, preferencialmente, ocorrem rente às faixas de resistência ou suportes analisadas. É como se o papel estivesse preparando o ambiente e esperando pelo melhor momento para entrar em ação.

e) Preços não sobrecomprados (sobrevendidos) Dizemos que um ativo está sobrecomprado quando avançou demasiadamente nas sessões anteriores, tornando a trajetória esticada. De forma análoga, dizemos que um ativo está sobrevendido quando recuou demais em pregões anteriores e tornou o movimento vigente muito esticado. Ainda que a tendência seja preservada, se um ativo está extremamente sobrecomprado ou sobrevendido, maiores serão as chances dos preços apresentarem um movimento no sentido contrário para aliviar um pouco os indicadores Para ilustrar melhor essa condição, imagine a seguinte situação. Se você começar a encher os pulmões de ar, em dado momento já não conseguirá mais inspirar. Da mesma forma se comportam os preços. Depois de uma subida muito forte, o papel perde potência e apresenta sinais de esgotamento. Neste momento, dizemos que os preços estão sobrecomprados e, portanto, precisam de um movimento corretivo antes de voltar a subir. Por outro lado, se esvaziarmos todo o ar dos nossos pulmões, apenas conseguiremos colocar mais alguma coisa pra fora a partir do momento que inspirarmos novamente. Ou seja, se os preços caem subitamente e com grande intensidade, terão grandes chances de subir um pouco antes de voltar a cair. Com o objetivo de avaliarmos se determinado papel encontra-se ou não em uma dessas condições, voltamos a utilizar os conhecimentos adquiridos em outros capítulos da minissérie. Neste caso, a média móvel de 21 períodos (MM21) servirá como parâmetro para mensurarmos a distância percorrida pelo papel. Utilizando o fechamento da barra responsável pelo rompimento como ponto de partida, mediremos a distância que os preços se encontram da MM21 para determinar se os preços assumem ou não esse estado. Se a distância percorrida for superior a 20% da volatilidade histórica do papel, não iremos realizar essa operação.

f) Validade da Resistência ou Suporte Algumas regiões de suporte e resistência tem maior validade e relevância em relação às outras dependendo de quantas vezes foram testadas e respeitadas no passado. Em outras palavras, quanto mais topos estiverem aglomerados em uma faixa de resistência, maior será o significado do seu rompimento. Da mesma forma, quanto

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mais fundos existirem sobre uma região de suporte, maior será a importância da quebra desse patamar de preços. Isso não quer dizer que não devemos iniciar uma operação se a região rompida contiver apenas um topo (ou fundo), mas devemos dar preferências aos rompimentos de múltiplos topos (ou fundos).

g) Resistências ou Suporte Intermediários Quando identificar um rompimento, verifique se os preços estão próximos de uma nova faixa de resistência (suporte). Do contrário, ainda que tenha conquistado um rompimento importante, sabemos que o papel voltará a encontrar maiores dificuldades em função da presença de novos obstáculos à sua frente. Portanto, dê preferência aos rompimentos que terão maior liberdade gráfica para dar continuidade ao movimento prévio de alta.

h) Médias Móveis Ao longo da minissérie destacamos a importância das médias móveis, bem como a sua utilidade prática como suporte ou resistência. Por essa razão, quando identificar um rompimento verifique se não existem médias descendentes (ascendentes no caso de vendas) muito próximas dos preços que possam impedir a continuidade do movimento estabelecido.

i) Tendências alinhadas Ainda que você esteja operando pelo gráfico diário e seus objetivos sejam de curto prazo, você potencializa as chances de sucesso quando opta por papéis cujas tendências estejam alinhadas. Em outras palavras, ao operar na ponta compradora, é interessante focar nos papéis que estejam em tendência de alta nos gráficos diário, semanal e mensal. Da mesma forma, ao operar na ponta vendedora, priorize ativos que encontram-se em tendência de baixa em todas as periodicidades.

j) Confirmação pelo IFR(9) Outro assunto que abordamos em episódios anteriores foi a utilização do Índice de Força Relativa. Além de utilizarmos esse indicador para determinar se os preços estão muito sobrecomprados (acima de 70 e próximo de resistências) ou sobrevendidos (abaixo de 30 e próximos de suporte), também o utilizamos como elemento de confirmação. Ou seja, quando os preços acionam um pivot de alta ou de baixa na periodicidade analisada, espera-se que o IFR desenhe o mesmo movimento. Se os preços fazem um topo mais alto ou um fundo mais baixo, espera-se que o indicador se comporte da mesma maneira. Do contrário, conforme explicado anteriormente, teremos sinais

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divergentes que nos alertam sobre a possibilidade de um dado movimento não se confirmar.

Exemplo BRFS3 Rompimento ocorrido no dia 03 de Julho, determinando a presença deste call de compra nos nossos relatórios.

Todos os critérios mencionados anteriormente foram atendidos, razão pela qual nossa operação na ponta compradora foi executada a partir da superação da máxima da barra responsável pelo rompimento em R$ 54,40. Após o rompimento, o papel realizou um movimento de pullback (retorno à linha rompida) nos dias subsequentes, mas posteriormente alcançou a projeção 100% de Fibonacci aplicado ao pivot de alta formado, bem como a próxima resistência do gráfico diário em R$ 56,43.

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Determinando os pontos de entrada, stop e alvo. a) Entrada: A partir da superação da máxima da barra responsável pelo rompimento. No exemplo de BRFS3 a máxima daquele candle foi R$54,40, portanto nossa ordem de compra será colocada em R$ 54,41. b) Stop: Se por alguma razão a sinalização apresentada na véspera não se confirmar e o ativo perder forças depois de executada uma entrada, temos que nos prevenir e encerrar a operação para limitar as perdas. Essa é a importância do stop que NUNCA deverá ser ignorado. Seja um bom perdedor. É possível utilizar diversos pontos gráficos para alocar o stop de proteção em uma operação dependendo do seu perfil operacional. Obviamente que stops curtos limitam nossas perdas, mas na maioria das vezes são acionados de forma prematura, podando o potencial de uma operação. Isso ocorre especialmente em ativos mais voláteis. Abaixo destacamos algumas possibilidades de stop para o exemplo comentado em BRFS3: - Stop abaixo da mínima do candle responsável pelo rompimento: R$ 52,74 (Risco de aproximadamente 3%) - Stop abaixo da MM21: R$ 52,35 (Risco de 3,75%) - Stop abaixo do último fundo formado: R$ 51,74 (Risco de 5%) - Stop considerando 10% da volatilidade histórica do papel: R$53,44 (Risco de 1,8%). Importante que essa opção esteja contida nas anteriores.

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c) Alvo: Os objetivos de uma operação dependem do stop utilizado. Afinal, não queremos montar uma operação em que o risco é superior ao retorno. Por esse motivo, para mantermos essa relação proporcional, o alvo sempre será estabelecido em função do stop. Neste caso, se optar por um stop de 3%, seu objetivo inicial será a projeção desses 3% a partir do ponto de entrada (R$56,04 para o exemplo em BRFS3). Alcançado o objetivo inicial, o segundo objetivo pode ser alocado a 6% do ponto de entrada, tornando a relação risco/retorno mais interessante.

2. Setup de Correção Dentro de uma tendência sempre teremos movimentos de impulso e movimentos de correção. Vimos que, em dado momento, a trajetória responsável pelo movimento vigente fica bastante esticada e os preços sobrecomprados ou sobrevendidos. Diante dessa condição, aumenta-se a expectativa por um movimento corretivo no sentido contrário ao da tendência. Na realidade, tais movimentos também passam a ter maior probabilidade de ocorrerem à medida que os preços aproximam-se de uma região conhecida de suporte ou resistência. Ou seja, sabendo que os preços poderão encontrar maiores dificuldades para dar sequência imediata aos movimento vigente, os players começam a realizar os ganhos conquistados, ofertando papéis no mercado. Com maior disponibilidade de ativos em relação à demanda existente, gera-se pressão vendedora que tende a empurrar os preços de volta ao suporte mais próximo. Quando os preços atingem essa região de suporte (demanda), os investidores voltam a se interessar pelo ativo, aceitando a condição de pagar determinado valor para tê-lo em carteira novamente. Os movimentos corretivos são, portanto, uma forma natural e saudável de manutenção da tendência vigente. Afinal, com novos players e capital sendo injetado constantemente no papel, cria-se novamente desequilíbrios entre oferta e demanda que resultam na retomada do movimento prévio de alta. ( ou baixa no caso das operações na ponta vendedora) Esse padrão comportamental determina a formação dos topos e fundos que vimos anteriormente. Dependendo da forma como eles se organizam e se distribuem na

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periodicidade analisada, poderemos classificar a tendência, bem como supor em que sentido os preços tem maiores chances de continuar movimentando-se. Se os topos e fundos estiverem ascendentes, a tendência é de alta. Se os topos e fundos estiverem descendentes, a tendência é de baixa.

Critérios Estaremos focando em operações na ponta compradora, mas a mesma lógica e raciocínio servirá também para as operações na ponta vendedora.

a) Teste de Suporte Durante um movimento corretivo estaremos sempre atentos aos próximos suportes, pois queremos que essas regiões de sustentação sejam respeitadas quando os preços as testarem. Pelo princípio da inversão de polaridade, em que uma resistência torna-se suporte e vice-versa, usualmente o suporte mais próximo dos preços será exatamente a linha rompida que rompera anteriormente.

b) Correção Adequada do Movimento Prévio Se um papel passou a recuar por conta do movimento vigente estar esticado ou os preços estarem sobrecomprados, queremos garantir que boa parte da trajetória prévia tenha sido corrigida antes de pensar em novos posicionamentos. Por essa razão, mais uma vez utilizaremos as projeções de Fibonacci para mensurarmos se a correção da última pernada de alta já é suficiente para estruturarmos em novas entradas. Ao selecionar essa ferramenta na plataforma gráfica, você irá apontar o mouse para o último topo e arrastá-lo até o último fundo na periodicidade analisada. Essencialmente, vamos priorizar todos os recuos que alcancem a retração de 50% de Fibonacci, embora em algumas circunstâncias correções até a retração de 38,2% de Fibonacci também atendam as exigências. c) Morfologia do Candle Formado Assim como na primeira estratégia, o aspecto da barra formado também tem grande relevância no setup de correção. Afinal, ao testar uma região conhecida de suporte

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depois de ter corrigido boa parte do movimento prévio de alta, espera-se por uma nova sinalização de força que demonstra presença majoritária de compradores. Portanto, quando as duas primeiras condições forem satisfeitas, é importante priorizarmos as operações que apresentem candles ou padrões de reversão sobre essa faixa de sustentação. Em última análise, candles de indefinição também são aceitos, à medida que colocam em dúvida a possibilidade de continuidade do traçado corretivo, aumentando as chances de que sejam interrompidos.

d) Volume Acima da Média De nada adiante todos os critérios anteriores terem sido satisfeitos se a barra formada sobre a região de suporte analisada não vier acompanhada de de volume acima da média. Não buscamos simplesmente por uma sinalização positiva sobre essa faixa de sustentação. Queremos uma confirmação mais contundente que deixe explícita a vontade do mercado e o apetite dos players em relação ao papel. Se o ativo está testando uma região conhecida de demanda, não esperamos menos que um volume médio que demonstre a intenção e as expectativas dos players em relação ao comportamento futuro dos preços. e) Médias Trabalhando como Suporte Dependendo da intensidade de um processo corretivo, os preços podem perder a sustentação oferecida pelas médias móveis da periodicidade analisada. Como vimos anteriormente, as médias podem trabalhar como suporte aos preços e, por essa razão, são referência importantes que devem ser utilizadas para medir a capacidade de preservação de uma tendência. Dessa forma, ainda que todas as condições anteriores estejam sendo satisfeitas, não começaremos uma operação na ponta compradora sabendo que a média, anteriormente suporte, passará a exercer função de resistência, tentando impedir ou atrapalhar a retomada do movimento prévio de alta. Portanto, a perda da sustentação oferecida pelas médias (especialmente a MM21 em operações pelo gráfico diário) é uma sinalização ruim que nos fará abortar uma entrada.

f) Proximidade dos Preços em Relação à MM21 Ferramenta complementar àquilo que mencionamos no item b para determinar se os preços já abandonaram o seu estado sobrecomprado.

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Utilizando o fechamento da barra formada sobre o suporte imediato como referência, mensuramos a distância desse ponto em relação à MM21 assim como fizemos no item e da primeira estratégia. Neste caso, espera-se que os preços não estejam à uma distância superior a 20% da volatilidade histórica em relação à MM21 ascendente.

g) Volume Decrescente Um movimento corretivo saudável à manutenção da tendência vigente é aquele que vem acompanhado por volume decrescente. Afinal, à medida que os preços se aproximam de uma zona de suporte, queremos ver a intensidade da queda diminuindo e não aumentando. Portanto, ainda que regiões de suporte estejam sendo testadas e respeitadas, fique sempre atento com qual intensidade os preços aproximaram-se dela. Preferencialmente, traçado corretivos dentro de uma tendência de alta precisam ser brandos ou moderados. Qualquer outra coisa que fuja dessa padrão, representa entrada contundente de maior pressão vendedora.

Exemplo TERI3 No dia 14 de maio TERI3 rompeu o topo anterior em R$ 1,88. Entretanto, conforme visto na estratégia anterior, vários pontos não foram satisfeitos, anulando qualquer possibilidade de posicionamento no papel dentro de uma estratégia de rompimento.

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Com a trajetória esticada, os preços sobrecomprados e distantes da MM21 ascendente, o papel não teve condições de dar sequência imediata ao rompimento conquistado, tendo iniciado um processo corretivo que se arrastou nos dias subsequentes. Além do volume abaixo da média, nota-se que o traçado corretivo foi colocado em xeque a partir do momento que o papel estampou uma barra de indefinição bastante ampla sobre o suporte imediato em R$ 1,88 (último topo rompido). Naquela oportunidade, os preços já estavam próximos da MM21 ascendente que permaneceu trabalhando como suporte e a trajetória prévia de alta já havia sido corrigida adequadamente, tendo retraído até a região dos 50% de Fibonacci. Trabalhando dentro de uma tendência de alta de curto prazo e com todas as condições satisfeitas, TERI3 teria sido uma boa oportunidade de posicionamento na ponta compradora dentro de um setup de correção. A entrada poderia ter sido executada a partir da superação da máxima da barra formado sobre o suporte imediato em R$ 1,98. O stop do trade poderia ter sido posicionado abaixo da mínima do mesmo candle em R$ 1,86. Utilizando a mesma regra que traçamos na primeira estratégia, o objetivo da operação ficaria em R$2,09 (Risco de 5,45% projetados para cima a partir do ponto de entrada).

Obs: Note que além de ter dado continuidade do movimento prévio de alta, TERI3 ainda ofereceu pelo menos duas novas entradas dentro de um setup de rompimento nos dias 30 de maio e 30 de junho. Neste exemplo, o papel registrou valorização de quase 50% desde o ponto de entrada original. Sem bem conduzida, a operação ofereceu retornos muito interessantes em apenas algumas semanas.

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3. Setup Contra a Tendência As operações contra a tendência merecem mais cuidado e sua aplicação precisa ser mais criteriosa. Afinal, como o próprio nome já diz, são operações contra o fluxo mais forte. Ou seja, iremos comprar um papel em tendência de baixa ou vender um ativo em tendência de alta. Por essa razão, naturalmente a carga de risco é maior. Todas as estratégias são flexíveis. Com o tempo e experiência, você desenvolverá um “feeling” maior para montar uma operação ainda que algum critério não esteja sendo totalmente satisfeito. No entanto, em operações contra a tendência, a ideia é mantê-la engessada, pois ainda que apresente todas as características do modelo, terão maiores chances de não darem certo. As operações contra a tendência consistem na tentativa de aproveitarmos um movimento de respiro ou repique dos preços após intensa queda. Lembram-se da história dos pulmões se enchendo de ar? Em suma, nosso objetivo é aproveitar essa fração de um movimento corretivo que o papel tende a apresentar após ter alcançado um estado absolutamente sobrevendido. Vamos aos critérios:

Critérios a) Trajetória Esticada Mesma sistema que utilizamos nas outras estratégias. Utilizando o fechamento do dia como ponto de partida, mensuramos a distância percorrida pelo papel até o último topo formado. Se essa distância for superior a 30% da volatilidade histórica, podemos considerar que a trajetória está esticada.

b) Preços Sobrevendidos Também não difere em nada do que já abordamos nas duas estratégias anteriores. Tomando o fechamento do dia como referência, mensuramos a distância que os preços se encontram em relação à MM21 descendente. Se a distância for maior que 20% da volatilidade histórica podemos considerar que o papel está sobrevendido.

c) Confirmação de Sobrevenda pelo IFR Para termos certeza que o papel encontra-se naquele ponto em que não é mais possível puxar ar para dentro dos pulmões, utilizamos o IFR como confirmação. Neste caso, preferencialmente buscaremos por IFR abaixo de 10,

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mas quanto menor for este valor ou quão mais próximo estiver de uma zona de suporte de IFR, melhor. c) Teste de Suporte É fundamental que os preços estejam testando uma forte zona de suporte (demanda) para pensarmos em estruturar operações contra a tendência. De nada adianta o papel estar atendendo todos os demais requisitos se a barra formada estiver “flutuando” no gráfico. Suportes funcionam como alicerce e base para o início de um repique mais agudo. d) Formação de Candle ou Padrão de Reversão Além de alcançar uma faixa de suporte, é preciso que os preços demonstrem força e pressão compradora ao testá-lo. Poderemos obter essa informação a partir do aspecto do candle formado sobre essa faixa de sustentação. Priorizaremos sempre barras ou padrões de reversão, embora alguns candles de indefinição também possam ser utilizados. e) Bandas de Bollinger Em episódios anteriores demos uma pincelada sobre as Bandas de Bollinger e as diversas interpretações que podemos obter a partir da forma como os preços se comportam perante à ela. Quando o item d for satisfeito, automaticamente precisaremos confirmar se a barra ou padrão de reversão formados encontram-se totalmente ou pelo menos com uma boa parte do seu corpo fora das Bandas de Bollinger. f) Volume Novamente, um dos critérios mais importantes. Ao testar uma região de suporte de forma esticada e estampar uma barra de reversão sobre ela e totalmente fora das Bandas de Bollinger, queremos identificar a presença de volume acima da média. É a sinalização capaz de dar um “basta” no movimento acentuado de queda, demonstrando a possibilidade imediata de um movimento de repique mais agudo capaz de reaver parte das perdas anteriores.

g) Ausência de Topos ou Médias à Frente É importante ter certeza que os preços não terão nenhum topo, médio ou resistência intermediárias à sua frente que eventualmente poderão atrapalhar a possibilidade de

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um movimento de repique desenvolver-se. Quanto mais espaço houver entre a cotação atual e os próximos obstáculos, maior a probabilidade de sucesso.

h)Risco Priorizar as operações em que o candle de reversão formado não seja muito amplo. Do contrário, o trade teria uma exposição maior ao risco, fato que queremos evitar em operações contra a tendência.

Exemplo EZTC3 As ações da Eztec trabalham dentro de uma tendência de baixa de curto, médio e longo prazo. Entre o final de maio e início de junho o ativo caiu por praticamente oito sessões consecutivas e acumulou desvalorização de aproximadamente 11% no período.

Em função da performance negativa apresentada nesse período, a trajetória de baixa ficou bastante esticada para o seu padrão de volatilidade e os preços sobrevendidos por conta da distâncias que estavam em relação à MM21 descendente. No entanto, após testar uma região de suporte (fundo de Agosto de 2012) em R$ 22,65, o papel demonstrou presença de força compradora e estampou uma barra de reversão fora das Bandas de Bollinger e com presença de volume acima da média.

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Para completar, naquela ocasião os preços alcançaram o suporte do IFR em 3, corroborando por um movimento imediato de correção que acabaria se confirmando nos dias subsequentes. Neste caso, nossa entrada na ponta compradora contra a tendência começou a partir da superação da máxima da barra formada sobre essa região de suporte em R$ 23,22. Importante observar que o candle em questão não é muito amplo, reduzindo o tamanho do nosso stop. O stop do trade foi alocado abaixo da mínima do candle formado e um pouco abaixo dessa região de fundos anteriores em R$ 22,59, resultando em um stop inferior a 3%. Visando um trade mais rápido em que o objetivo era aproveitar parte do impulso corretivo que poderia ocorrer, o alvo da operação ficou em R$ 23,94. Dali para frente, tivemos a possibilidade de conduzir a operação, elevando o stop móvel pela mínima de cada candle nos gráficos diários. No entanto, as técnicas de condução das operações ficam para uma próxima minissérie ou para as aulas que estaremos disponibilizando nos próximos meses.

Observe como o ativo volta a perder forças e o ímpeto comprador à medida que os preços se aproximam da MM21 descendente e do fundo anterior perdido (resistência imediata) em R$ 24,41. Dentro de uma tendência de baixa, após o movimento de repique, a expectativa não poderia ser outra senão pela retomada do traçado descendente em direção ao fundo em R$ 22,65.

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