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a entrevista: Claudia Raia Sonhos, verdades e mentiras sobre a Diva

Distribuição Gratuita w w w. r e v i s t a r m c . c o m . b r


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revista RMC/1o semestre 2014


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região metropolitana de campinas/ano 11/ no 6 EDITOR EXECUTIVO Renato Leodário JORNALISTA RESPONSÁVEL Berna Lopes Mtb. 19303/78/88/SP CONSELHO EDITORIAL Achilli Sfizzo Júnior Alessandro Andreo Claudia Garcia Cleber Poli Eduardo Rodrigues Hélio Soares da Silva Luiz Carlos Schlaschta Milton Morila Bonadio Ricardo Ribeiro Sérgio Castro Sônia G. Faraco Pires EDITOR DE ARTE & CULTURA Marcos Rizolli REVISÃO Marcelo Felix CONSELHO JURÍDICO Daniel Pinto COMERCIAL Renato Leodário renato@revistacampinas.com.br INTERNET e EDIÇÃO ON-LINE www.revistarmc.com.br cultura@revistacampinas.com.br Facebook: RevistaRmc Twitter: @revistarmc Flickr: RevistaRMC DESIGN GRÁFICO Sueli Rojas COLABORADORES Alberto Nasiasene, Alcinéia Barão Martins Ana Lúcia Freitas, Ana Paula Silva Cárita Abdal, Célia Gonzalez Pinto Cláudio Bernardo, Darcy Misa Edivaldo Gonzalez, Edivaldo Alves Edlene Rodrigues, Elana Garofo Gabriel Zanardelli Vince Esgalha Isabel Pagano, Jorge Santos José Roberto Silva, Karla Ehrenberg Leandro B. Peixoto, Leda Vasconcelos Loly Demercian, Lucy Ribeiro Margarete Lopes, Maria Lúcia Ribeiro Monyca Kühl, Paulo Cesar Nascimento Renata Maccimo, Ricardo Orsi, Rodrigo Lins Rogério Oliveira, Rogério Parros Cappia Sônia Maria Rodrigues e Renato Ferreira da Silva (in Memoriam)

Os artigos assinados e a publicidade são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores e não refletem necessariamente a opinião da revista. Acesso livre pela Internet e, quando impressa, possui 30 mil exemplares e Distribuição Gratuita nas 19 cidades da RMC. Projeto Revista RMC, reconhecido como Produto Cultural por:

EDITORIAL Revista RMC é uma publicação voltada para a Arte & Cultura e é comprometida com a informação de qualidade. Acreditamos na convergência entre as artes visuais e a tecnologia, ativando um olhar abrangente sobre a criação e a expressão do ser humano. Por isso acompanhamos essa integração atentamente, sempre abertos a novidades. A Cultura ganha muito com a digitalização da Arte pois eleva a capacidade de discernimento no século 21, algo premente neste tempo de excesso de informações. Como exemplifica bem um trecho do texto de João Marcos Coelho, que extraímos do Caderno ALIÁS, do Estadão: “Dois peixes jovens encontram-se casualmente com um peixe mais velho que nada na direção contrária. Este cumprimenta-os com a cabeça e lhes diz: “Bom dia, rapazes, como está a água?”. Os dois peixes jovens nadam mais um pouco; depois um olha para o outro e pergunta: “Que diabos é água?”. Nuccio Ordine Diamante, 55 anos, professor de literatura italiana da Universidade da Calábria e colaborador do jornal Corriere della Sera, costuma abrir suas aulas a cada ano contando essa historinha do escritor norte-americano David Foster Wallace. A intenção é ilustrar o papel e a função da cultura. Com os alunos meio “boiando”, Ordine explica a parábola: “Como acontece com os dois peixes jovens, não nos damos conta de que é na água que vivemos cada minuto de nossa existência. Não temos consciência de que a literatura e os saberes humanísticos, a cultura e o ensino constituem o líquido amniótico ideal no qual as ideias de democracia, liberdade, justiça, laicidade, igualdade, direito à crítica, tolerância e solidariedade podem experimentar um vigoroso desenvolvimento”. É nesse sentido de desenvolvimento que a Revista RMC foi criada, com ênfase na exposição e difusão das artes e da educação, em todas as suas formas. Citando George Bernard Shaw, sintetizamos em um exemplo: “...se dois indivíduos têm uma maçã cada um e fazem uma troca, ao voltar para casa cada um deles terá uma maçã. Mas, se esses indivíduos possuem cada um uma ideia e a trocam, ao voltarem para casa cada um deles terá duas ideias...”. Então, vamos à Cultura! Não deixe de ler nossa matéria de Capa, um especial com a fantástica artista Cláudia Raia. Em Meio Ambiente o assunto do momento: ÁGUA. Em Cultura tem o MIS-Campinas, um museu vivo perto de nós, o Museu do Futebol e o Museu da Língua Portuguesa para serem visitados R e v i s t a em SP. Em Fotografia você vai encontrar dicas de como ser um empreendedor / fotógrafo e as entrevista: belas imagens da São Paulo Companhia de Dança Claudia Raia Sonhos, (SPCD). E pra arrebatar, tem o Salão de Humor verdades e mentiras sobre a Diva de Piracicaba com ótimos trabalhos e um resumo das maravilhas de todas as 19 cidades da Região Metropolitana de Campinas. É por acreditar em tudo isso que a Revista RMC aposta suas fichas em uma cultura e educação livres, pois acreditamos que esse é o único meio de nos tornar não só mais humanos, como também mais sábios. Leia e Aprecie sem Moderação. região metropolitana de campinas/ano 10/ no 6

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Renato Leodário Editor Executivo

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Revista RMC UM Á R I O

3 .........................Editorial/Expediente 6 .........................Meio Ambiente (Água) 10 .........................Cinema 16 .........................Automóveis (carro elétrico NISSAN – Leaf) 20 .........................Agronegócios 24 .........................MUSEU da Língua Portuguesa 28 .........................MIS-Campinas 32 .........................Museu do Futebol 36 .........................Americana 40 .........................Artur Nogueira 44 .........................Campinas 49 .........................Cosmópolis 52 .........................Engenheiro Coelho 54 .........................Holambra 58 .........................Hortolândia 60 .........................Indaiatuba 64 .........................Itatiba 67 .........................Monte Mor 68 .........................Jaguariúna 70 .........................Nova Odessa 75 .........................Paulínia 78 .........................Pedreira 84 .........................Santa Bárbara D’Oeste 87 .........................Santo Antonio de Posse 90 .........................Sumaré 92 .........................Valinhos

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95 .........................Vinhedo 98 .........................CAPA – Claudia Raia 106 .......................Fotografia 114 .......................Dança 120 .......................Teatro 124 .......................Música – Projeto Guri 130 .......................Negócios - Coca-Cola/FEMSA 134 .......................Esporte & Lazer 136 .......................Moda & Beleza 138 .......................Vida Urbana 140 .......................CRAÓS (escoteiros) 142 .......................Saúde - Dermatologia 144 .......................Humor 145 .......................Frases

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MEIO AMBIENTE

ÁGUA: Racionamento de

resultado da falta de chuva? Engº Ricardo Ribeiro.

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Entramos no período de estiagem em várias regiões do Brasil. Nos últimos anos, estamos sentindo cada vez mais os impactos das ações do homem sobre a Natureza. A mídia, com frequência, relaciona o racionamento de água com a escassez de chuvas. É comum vermos reportagens mostrando as represas de captação de água para o consumo humano (mananciais), onde os jornalistas mostram que o nível da água está cada vez mais baixo, e o abastecimento público ficará comprometido, se não chover nos próximos (n) dias. As reportagens não estão equivocadas, porém não são relatadas de forma completa, passando a falsa sensação ao cidadão de que a “culpa” é da chuva. Se olharmos por esse espectro, bastaria o governo contratar o maior número de índios para realizar a dança da chuva, ou contratar uma grande quantidade caminhões pipa,...Com isso, o problema estaria resolvido! (seria cômico se não fosse trágico). Ou contratar inúmeros caminhões pipa para encher a represa. É preciso que fique claro que os mananciais não são como um grande balde, onde você liga a torneira (chuva) e ele enche.


O que está, de fato acontecendo, é o resultado direto da ação do homem nos sistemas naturais. Observe a figura 1 mostra alguns dos principais fenômenos naturais envolvidos no ciclo da água, ilustrando a interação e a maneira como essa água chega para o nosso consumo. Agora, observe a mesma figura, porém com a indicação dos pontos críticos em vermelho. As interferências nesses pontos significam uma interferência no ciclo hidrológico que, dependendo do grau e do período, resultarão no comprometimento do abastecimento público de água. O desmatamento (D) indica uma redução da troca de vapores d’água e consequentemente mudança no microclima da região. Outro efeito importante nesse ponto, é que ausência da vegetação de cobertura do solo (solo sem proteção) faz com que ocor-

ra o aumento excessivo do escoamento superficial e consequentemente, o carreamento da camada de solo até o curso d’água (Rio) onde, teremos o início do assoreamento (areia no fundo do Rio, redução da calha de escoamento d’água). Adicionalmente, a redução da cobertura vegetal compromete a permeabilidade do solo (infiltração), bem como desencadeia os processos erosivos (retenção de água no solo). A interferência nas Áreas de Preservação Permanente (APP), (C) também possui efeito direto no volume

de água disponível no curso d’água (Rio), bem como o assoreamento, e possível desaparecimento do referido curso d’água. A retenção de água no solo (B) e infiltração (A), estão diretamente relacionadas com o tipo de solo, bem

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MEIO AMBIENTE

Figura 1 -

Ciclo Hidrológico

D C

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E F

B

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como com as técnicas agrícolas aplicadas na exploração do solo. Ressaltando a importância da adoção, por parte dos agricultores, de técnicas preservacionistas. Por isso, o Governo precisa investir mais em extensão rural, onde os produtores recebem as orientações corretas de utilização do solo, contando com o suporte técnico necessário para o incremento da produção. No ponto (E) temos o reflexo da falta de uma política habitacional adequada, e ausência (ou omissão) de fiscalização ambiental. A ocupação irregular representa um sério risco a qualidade (contaminantes) da água utilizada para o abastecimento público, uma vez que o não controle do que é lançado no reservatório, pode resultar no alto custo de tratamento dessa água e, sério risco de consumo de contaminantes desconhecidos. 8

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Outro ponto importante e bastante significativo é a condição precária da rede de abastecimento público de água (F). Os motivos podem ser os mais variados, tais como: tubulação antiga, furto, desgaste, sobrecarga do sistema, dentre outros, que podem comprometer o abastecimento público. Segundo informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o indicador cujo valor corresponde à diferença entre o volume de água disponibilizado para distribuição e o volume de água consumido, registrou um índice médio de 41,6% em 2009. Por outro lado, analisando a evolução da eficiência geral dos prestadores de serviço, o índice médio em 2003 era de 42,9%, ou seja, uma evolução média de 3,0%. Isso é bom, mas ainda é pouco. A exploração indiscriminada de

poços artesianos (G), também representa uma situação crítica, já que a exploração indiscriminada implicará no esgotamento das reservas de água do subsolo, assim como na contaminação desses reservatórios. Percebe que o problema não pode se “resumir” em falta de chuva? Conseguem enxergar que o sistema é, totalmente, interligado? Se interferirmos em um Ponto Crítico, afetamos todo o ciclo d’água, ou seja, pode chover initerruptamente, ou até mesmo vir uma estiagem prolongada, e que o recurso ÁGUA continuará disponível, se o sistema for preservado e, racionalmente explorado. n Seja consciente! Agora, é com você! www.ecomvoce.com.br


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CINEMA

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A arte de fixar e de reproduzir  imagens

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inema (do  grego:  κiνημα - kinema  “movimento”) é a  técnica  e a  arte  de fixar e de reproduzir  imagens que suscitam impressão de movimento, assim como a  indústria  que produz estas imagens. As obras cinematográficas (mais conhecidas como filmes) são produzidas através da gravação de imagens do mundo com câmeras (câmaras) adequadas, ou pela sua criação utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais específicos. Os filmes são assim constituídos por uma série de imagens impressas em determinado suporte, alinhadas em sequência, chamadas  fotogramas. Quando essas imagens são projetadas de forma rápida e sucessiva, o espectador tem a ilusão de observar movimento. A cintilação entre os fotogramas não é apercebida devido a um efeito conhecido como persistência da visão: o olho humano retém uma imagem durante uma fração de segundo após a sua fonte ter saído do campo da visão. O espectador tem assim a ilusão de movimento, devido a um efeito psicológico chamado movimento beta. O cinema é um artefato cultural criado por determinadas culturas que nele se refletem e que, por sua vez, as afetam. É uma arte poderosa, é fonte de entretenimento popular e, destinando-se a  educar  ou  doutrinar, pode tornar-se um método eficaz de influenciar os cidadãos. É a imagem animada que confere aos filmes o seu poder de comunicação universal. Dada a grande diversidade de línguas revista RMC/1o semestre 2014

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existentes, é pela dublagem  (dobragem) ou pelas legendas, que traduzem  o  diálogo  noutras línguas, que os filmes se tornaram mundialmente populares. A origem da palavra “cinema” deve-se à circunstância de ter sido o  cinematógrafo  o primeiro equipamento utilizado para filmar e projetar. Por metonímia, a palavra também se refere à  sala  onde são projetadas obras cinematográficas. O uso da película para a produção de filmes encontra-se em recessão. O cinema digital está em plena expansão desde meados da primeira década do séc. XXI, tanto na tomada de vistas como na projeção. O digital permite, além disso, que os filmes circulem fora dos circuitos tradicionais de distribuição, entre particulares e instituições.

adquirir um aparelho semelhante na Inglaterra, fabricado por Robert William Paul, tornando-se assim o primeiro grande produtor de filmes de ficção, com narrativas sedutoras e truques aliciantes, destinados ao grande público: os primeiros efeitos especiais da história do cinema. Foi ele o criador da fantasia na produção e realização de filmes. Logo depois, nas duas primeiras décadas do século XX, o diretor estadunidense  David W. Griffith, um dos pioneiros de  Hollywood, realizou filmes que o levaram a ser considerado pela historiografia cinematográfica o grande responsável pelo desenvolvimento e pela consolidação da  linguagem  do cinema, como arte independente, apesar das polêmicas (polémicas) ideológicas em que se envolveu. Foi ele o primeiro a fazer filmes em que se utilizou a montagem e em que certos movimentos de câmera (câmara) foram usados com maestria, estabelecendo assim os parâmetros da linguagem cinematográfica, que a partir de então se universalizou. Destaque para “Intolerância”, admirado até hoje por cineastas e cinéfilos de todo o mundo. Seguidamente, certos agentes do  Construtivismo russo, Dziga Vertov no documentário e Sergei Eisenstein na ficção, darão uma importante e decisiva contribuição para o desenvolvimento das técnicas narrativas e de montagem no cinema.

Inovações: arte e comércio Nesta mesma época, um certo mágico ilusionista, chamado Georges Méliès, dono de um teatro nas vizinhanças do local da primeira exibição dos Lumière, quis comprar um cinematógrafo para o utilizar em seus espetáculos. Os Lumière não quiseram vender-lhe o aparelho: o pai dos irmãos inventores argumentava que o cinematógrafo tinha unicamente finalidade científica e que o mágico teria, por certo, prejuízo se gastasse dinheiro com a máquina para fazer entretenimento. FrustraEm suma, os irmãos Lumière do, Méliès conseguiu no entanto e Meliès deram origem a dois  gé12

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neros fundamentais de cinema: o  cinema documental  e o  cinema de ficção. Como forma de registrar (registar) acontecimentos ou de  narrar  histórias, o cinema é considerado uma  arte, denominada sétima arte, desde a publicação, em 1911, do  Manifesto das Sete Artes do teórico italiano Ricciotto Canudo. Capturando imagens e som para efeitos de comunicação, o cinema também é mídia. Desde a sua origem que é arte e comércio. A indústria cinematográfica cedo se transforma em negócio lucrativo em países como a Índia e os Estados Unidos, respetivamente o maior produtor em número de filmes por ano e o que possui a maior economia cinematográfica, tanto no mercado interno quanto no volume de exportações. No suporte em película, a projeção de imagens estáticas em sequência para criar a ilusão de movimento terá de ser de no mínimo 16 fotogramas (quadros) por segundo, para que o cérebro humano não detete que são simples imagens isoladas. Desde 1929, juntamente com a universalização do cinema sonoro, as projeções cinematográficas no mundo inteiro foram padronizadas em 24 quadros por segundo. O cinema digital  alterou este padrão. Em  vídeo  digital é comum o uso de 25 frames (fotogramas) por segundo e de 30 nos EUA. A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em  8 de julho  de  1896, no  Rio de Janeiro, por iniciativa do exibidor itinerante belga Henri Paillie. Naquela noite, numa sala alugada do  Jornal do


Commercio, na Rua do Ouvidor, foram projetados oito filmetes de cerca de um minuto cada, com interrupções entre eles e retratando apenas cenas pitorescas do cotidiano de cidades da Europa. Só a elite carioca participou deste fato histórico para o Brasil, pois os ingressos

italiano Afonso Segreto (irmão de Paschoal) em 19 de junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil - mas este filme, se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, desde os anos 1970, 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro. Hoje em dia, os pesquisadores consideram que os primeiros filmes realizados no Brasil são “Ancoradouro de Pescadores na Baía de Guanabara”, “Chegada do trem em Petrópolis” , “Bailado de Crianças no Colégio, no Andaraí” e “Uma artista trabalhando no trapézio do Politeama”. Em dezembro de 1992, ainda no governo de Itamar Franco, o Ministro da Cultura Sérgio Rouanet cria a Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual, que libera recursos para produção de filmes através do Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro e passa a trabalhar na elaboração do que viria ser a Lei do Audiovisual, que entraria em vigor no governo de Fernando Henrique Cardoso. A partir de  1995, começa-se a falar numa “retomada” do cinema brasileiro. Novos mecanismos de apoio à produção, baseados em incentivos fiscais e numa visão neoliberal  de “cultura de mercado”, conseguem efetivamente aumentar o número de filmes realizados e levar o cinema brasileiro de volta à não eram baratos . Um ano depois cena mundial. O filme que inicia já existia no Rio uma sala fixa de este período é  Carlota Joaquina, cinema, o “Salão de Novidades Princesa do Brazil (1995) de Carla Paris”, de Paschoal Segreto. Camurati, parcialmente financiado Os primeiros filmes brasileiros pelo Prêmio Resgate. No entanto, foram rodados entre 1897-1898. as dificuldades de penetração no Uma “Vista da baia da Guanabara” seu próprio mercado continuam: teria sido filmado pelo cinegrafista a maioria dos filmes não encontra revista RMC/1o semestre 2014

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salas de exibição no país, e muitos são exibidos em condições precárias: salas inadequadas, utilização de datas desprezadas pelas distribuidoras estrangeiras, pouca divulgação na mídia local. Em 1997, para alcançar o mercado cinematográfico, as  Organizações Globo  criaram sua própria produtora, a Globo Filmes, empresa especializada que veio a reposicionar o cinema brasileiro em, praticamente, todos os segmentos. Isto porque, em um curtíssimo tempo, a produtora Globo Filmes viria a se tornar um grande monopólio ocupante do mercado cinematográfico brasileiro. Ainda que para a escala de operação da  rede de televisão, o seu braço cinematográfico possa vir a ser considerada uma empresa pequena. Dessa maneira, através do cinema, o conglomerado foi capaz de atingir um dos últimos segmentos tradicionais do mercado audiovisual brasileiro, nicho no qual ela ainda não apresentava nenhuma participação realmente direta. Entre 1998 e 2003, a empresa se envolveu de maneira direta em 24 produções cinematográficas, e a sua supremacia se cristalizaria definitivamente no último ano deste período, quando os filmes com a participação da empresa obtiveram mais de 90% da receita da bilheteria do cinema brasileiro e mais de 20% do mercado total. Alguns filmes lançados na primeira década do novo século, com uma temática atual e novas estratégias de lançamento, como  Cidade de 14

Deus(2002) de Fernando Meirelles, Carandiru (2003) de Hector Babenco e Tropa de Elite (2007) de José Padilha, alcançam grande público no Brasil e perspectivas de carreira internacional.

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Segundo o crítico Luiz Zanin Oricchio, “Cidade de Deus”, por sua importância, teria sido o marco final do período conhecido como “a retomada do cinema brasileiro” n Fonte: Internet Wikipédia


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com muita satisfação que podemos afirmar que o veículo elétrico está mais próximo de ser uma realidade no Brasil. Com um protocolo de intenções, assinado em junho deste ano pela a Aliança Renault-Nissan, o governo do estado do Rio de Janeiro e quatro outros parceiros, iniciamos os estudos para verificar a viabilidade de produção do primeiro veículo 100% elétrico no país. Mas essa importância vai além, já que temos como plano principal a aplicabilidade da emissão zero, que resultará em benefícios para todo o planeta. Dos mais de 60 milhões de veículos vendidos no mundo anualmente, estimamos que cerca de 10 milhões sejam usados preferencialmente em áreas urbanas. E normalmente conduzidos por distâncias relativamente curtas. Esse é um dos principais fatores que favorecem o aquecimento global,

que tem impactado diretamente na qualidade de vida do planeta. Ao mesmo tempo existe demanda reprimida na mobilidade pessoal em mercados emergentes. A China, por exemplo, tem menos de 100 carros por mil pessoas contra 800 por mil nos EUA. Em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente global da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, disse acreditar que o futuro da indústria automobilística está nos jovens que nunca dirigiram, principalmente aqueles dos países emergentes. Esses consumidores de Brasil, China, Índia e outros países, que estão crescendo e se tornando potências globais, são os que desejam mobilidade cada vez mais individualizada. É natural que esta busca por conforto e mobilidade gere impactos sobre o meio ambiente. Em contrapartida, muitas cidades já legislam rigorosamente as emissões causadas por veículos, restringindo-os

UTOMÓVEIS

UMA NOVA ERA COM EMISSÃO ZERO Anderson Suzuki* revista RMC/1o semestre 2014

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RMC automóveis

*Anderson Suzuki é Gerente de Novos Negócios da Nissan

em áreas urbanas e buscando cada vez menos dependência do petróleo como fonte primária de energia. São Paulo é o melhor exemplo no Brasil com seu sistema de rodízio. Foi a solução encontrada para reduzir as emissões e possibilitar maior fluidez no trânsito da maior cidade do país. Além de rodízios e outras regulamentações do tráfego urbano, governos locais e globais também estimulam cada vez mais os fabricantes de automóveis a conseguir reduzir as emissões de CO2, tanto nos veículos quanto no processo de produção. Neste contexto, a Nissan é uma das companhias que se

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mostra mais engajada com esta causa. O resultado de mais de 60 anos de pesquisas para a produção do carro elétrico, uma realidade em países como Japão, Estados Unidos e em algumas regiões da Europa, é o Nissan LEAF, o primeiro veículo 100% elétrico produzido em larga escala no mundo. O LEAF comporta cinco passageiros, e possui uma autonomia de 160 quilômetros em uma única carga - na linha 2013, o modelo passa a atingir 220 km nesse quesito. É exclusivamente elétrico e não provoca emissões como os veículos à combustão. Seu sistema é alimentado por

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uma bateria avançada de íon lítio, capaz de se recarregar em oito horas, além de ter a opção de carga rápida, restabelecendo 80% da bateria em 30 minutos. Ou seja, um “carro de verdade”, que proporciona conforto e segurança com autonomia de carga suficiente para as necessidades urbanas. Rodando em São Paulo desde junho de 2012 e no Rio de Janeiro desde março deste ano, as frotas de táxis elétricos Nissan LEAF circulam pelas duas maiores cidades do país, e confirmam que é possível trafegar no meio urbano com veículos desta natureza. Para além das parcerias e assinaturas de protocolos de intenções, a Nissan é um dos únicos grupos automotivo que vem pensando formas para entender a infraestrutura, os incentivos e as políticas necessárias para estimular os consumidores a adotar veículos elétricos. A aceitação difundida de carros com emissão zero requer esforços maiores do que os fabricantes de automóveis podem fornecer. No entanto, estamos certos de que é o sistema ecológico dos veículos elétricos, como o Nissan LEAF, que fazem parte da solução para as economias da nova era verde. n Fonte: www.nissan.com.br


Temos uma abordagem holística para o desenvolvimento e aplicabilidade do carro elétrico: l estudos demonstram que a autonomia de 160 quilômetros do Nissan LEAF atende mais de 90% dos motoristas em necessidades médias de condução em perímetros urbanos; l a eficiência de um motor elétrico é muito maior do que um motor de combustão interna (um carro elétrico pode conduzir cerca de 60 km com a energia equivalente a 1 litro de gasolina), um impacto enorme sobre o consumo de energia; l as baterias de íon-lítio utilizadas nos carros elétricos da Nissan requerem a mínima quantidade de matéria prima. São necessários 4 kg de lítio para 300 kg de baterias, uma relação muito eficaz em comparação a outras tecnologias. As baterias Bollore, de metal de lítio polímero, por exemplo, consomem 40 kg de lítio para cada 300 kg de bateria; l estimamos que os recursos mundiais de lítio estejam na ordem de 11 para 14 milhões de toneladas. O mercado de veículos elétricos deve chegar a torno de 10 milhões de unidades até 2020. Considerando que cada veículo elétrico exige 4 kg de lítio, o consumo será de cerca de 40.000 toneladas por ano. Ou seja, temos estoque de manufatura para 350 anos ou mais, pois esperamos que as baterias sejam ainda mais eficientes no futuro.

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RMC agro negócios

XVI Congresso ABRAVES: Uma chance à suinocultura Por Vânia M. Arantes

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Em 2012, nos deparamos com uma forte crise que atingiu toda a cadeia produtiva de suinocultura. Produtores pensaram em abandonar a atividade e o preço do suíno, assim como o de sua alimentação, subiram exponencialmente no ano passado. Foi o pior cenário de toda a história da suinocultura nacional e, mesmo com a previsão de estabilidade para 2013, os produtores ainda se recuperam dos reflexos da crise. Na esperança de elevar a atividade suinícola e qualificar profissionais relacionados a este segmento, proporcionando, assim, mais oportunidades de trabalho, a As-

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RMC agro negócios

sociação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES) promoveu o XVI Congresso ABRAVES, que é realizado a cada dois anos em cidades diferentes desde sua fundação, em 1983. Considerado o maior evento técnico científico da suinocultura brasileira, o Congresso ABRAVES caracteriza-se pela excelência dos temas propostos e apresentados pelas maiores autoridades do Brasil e do mundo. É onde são apresentados também os resultados das mais recentes pesquisas e atividades científicas sobre a espécie suína. Podemos destacar ainda a participação das instituições governamentais e privadas que direta ou indiretamente se relacionam com a produção, industrialização e comercialização de suínos. Tais

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eventos, ininterruptos há 30 anos, vêm oportunizando a atualização e qualificação de milhares de profissionais de diversas áreas de formação ligados à atividade suinícola. Temos como objetivo atrair médicos veterinários, zootecnistas, agrônomos, estudantes das ciências agrárias, técnicos e produtores que atuam na cadeia produtiva da suinocultura, entre outros profissionais relacionados à atividade. Em 2013, tivemos aproximadamente 1000 congressistas. No âmbito internacional, a ABRAVES relaciona-se com a American Association of Swine Veterinarians (AASV) nos Estados Unidos, a International Pig Veterinary Society (IPVS) na Europa e com todas as demais sociedades de especialistas em suínos no mundo.

Em 1985, a ABRAVES organizou o 1º Congresso Latino de Veterinários Especialistas em Suínos e, em 1988, o 10º Congresso IPVS, ambos no Rio de Janeiro, o que possibilitou um estreito e forte intercâmbio de informações científicas. ABRAVES no Mato Grosso Conhecida como “cidade verde”, Cuiabá registra, de acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um PIB de R$ 6,67 bilhões, tendo como principal economia o agronegócio. Já o Estado do Mato Grosso ocupa no ranking o 5º lugar do maior rebanho brasileiro, com aproximadamente 6% da produção nacional, além de possuir cerca de 120 mil matrizes e disponibilidade em grãos e projetos para instalação de plantas, o


que gera mais empregos e maior desenvolvimento da atividade na região. A Abraves Regional Mato Grosso foi criada em 1993 e atualmente é a sede da ABRAVES Nacional. A ABRAVES-MT já promoveu eventos de atualização técnica na área da suinocultura, com apoio da da Universidade Federal de Matro Grosso (UFMT), do CRMV-MT, da Associação de Criadores de Suínos do Mato Grosso (ACRISMAT), e de outras instituições governamentais e empresas privadas participantes da cadeia suinícola.

O XVI Congresso ABRAVES consistiu em minicursos no pré-congresso e palestras magistrais no congresso sobre temas de especialistas na área técnica, apresentação de trabalhos científicos e novidades tecnológicas, como também debates, painéis e feira com balcão de negócios na área da suinocultura. Além do mais, o evento foi palco do I Fórum de Discussões da Suinocultura do Centro-oeste, idealizado pelas Associações dos Criadores de Suínos dos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

A realização deste evento no Mato Grosso foi um momento histórico no desenvolvimento da suinocultura do Estado, pois representou seu amadurecimento na evolução produtiva tanto de grãos quanto de suínos, apesar das dificuldades de logística e tributária locais. O XVI Congresso ABRAVES aconteceu no período de 5 a 7 de novembro de 2013, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá-MT. n Fonte: www.abravesmt.com.br

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RMC cultura

MUSEU DA LÍNGU CELEBRA A LÍNGUA E A CULTURA NACIONAL NA ESTAÇÃO DA LUZ

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naugurado no centenário prédio da Estação da Luz no dia 20 de março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria

de Estado da Cultura de São Paulo, já recebeu a visita de mais de 3 milhões de pessoas. Primeiro espaço museológico no mundo exclusivamente dedicado a

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um idioma, o Museu da Língua Portuguesa tem como missão preservar, valorizar e divulgar a língua portuguesa, compreendendo que ela é um bem cultural dinâmico e em


A PORTUGUESA constante mutação. O Museu mostra que a língua é elemento formador e unificador de nossa cultura brasileira, apresentando-se como um lugar de celebração e valorização de nossa pluralidade cultural. O Museu da Língua Portuguesa apresenta em seu segundo e terceiro pavimento uma exposição de longa duração que aborda aspectos históricos, sociológicos e antropológicos do nosso idioma. Já o primeiro pavimento da instituição é dedicado às gran-

des mostras temáticas temporárias que celebram obras e personalidades do mundo literário e outros temas relacionados ao universo da língua portuguesa. São exposições que devido aos temas abordados e escrita expositiva inovadora, marcaram o cenário cultural do país, como aquelas dedicadas às vidas e às obras de nomes como Guimarães Rosa (2006/2007), Clarice Lispector (2007), Gilberto Freyre (2007/2008), Machado de Assis (2008/2009), Cora Corali-

na (2009/2010) Fernando Pessoa (2010/2011), Oswald de Andrade (2011/2012) e Jorge Amado (2012) e, também as instigantes mostras O Francês no Brasil em Todos os Sentidos (2009) e Menas, o certo do errado, o errado do certo (2010). Utilizado por mais de 245.000.000 de pessoas, sétimo idioma mais falado do mundo, terceiro mais falado do Ocidente, presente nos cinco continentes, o português é, atualmente, mais usado do que os idiomas revista RMC/1o semestre 2014

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italiano, francês, japonês e alemão e o seu número de falantes cresce constantemente ao redor do mundo, mesmo em países onde o idioma não é a língua oficial. A visita – O grande sucesso do Museu está diretamente ligado ao seu conteúdo e, também, à forma expositiva adotada, que utiliza recursos inovadores de tecnologia e interatividade, induzindo o visitante a ser um agente extremamente ativo. Já na chegada, elevadores panorâmicos mostram ao visitante a Árvore da Língua, uma enorme escultura em metal de 16 metros de altura. É no segundo andar do Museu que 26

a maior parte da exposição de longa duração está instalada. Lá o visitante irá encontrar a Grande Galeria, uma tela de 106 metros de comprimento onde 11 filmes sobre as diferenças culturais de nosso país são projetados simultaneamente. No centro desse pavimento, estão oito totens que formam as “Palavras Cruzadas”: cada totem se dedica a um idioma e suas relações com o português. Ainda no segundo andar o Museu apresenta três instalações: a Linha do Tempo, o Mapa dos Falares e o Beco das Palavras. A primeira apresenta histórico detalhado da nossa língua a partir das raízes portuguesa, ameríndia e africana. Na segunda, o visitante

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pode escolher uma localidade e assistir depoimentos de diversas pessoas, percebendo, assim, os diversos “falares” do brasileiro. Já a terceira instalação é a mais lúdica do Museu, onde o visitante é convidado a interagir com as sílabas diversas, formando palavras e assim conhecendo mais sobre suas origens. Finalizando a visita ao segundo andar, o visitante tem a chance de conhecer mais sobre a história da Estação da Luz: painéis mostram um pouco do passado do edifício sede da Estação da Luz e os trabalhos de restauro realizados antes da implantação do Museu da Língua Portuguesa. A visita à exposição de longa du-


ração ainda reserva uma surpresa: a Praça da Língua. No terceiro andar, com 280 lugares, o auditório do Museu é o palco para a exibição de um filme e apresentação de grandes efeitos visuais, com projeção de palavras, versos e imagens na arena que forma a Praça da Língua. Histórico - A ideia da criação do Museu da Língua Portuguesa surgiu no ano 2000 e o trabalho de concepção do projeto, pesquisa, reforma e restauração do edifício sede, desenvolvimento de novas tecnologias e implantação efetiva aconteceu de dezembro de 2002 a março de 2006.

O investimento foi de R$ 37 milhões: R$ 6 milhões do Governo do Estado de São Paulo e o restante captado junto a empresas privadas e estatais. Todo o trabalho de criação e implantação do importante espaço museológico ficou sob a responsabilidade da Fundação Roberto Marinho. Mais de 40 profissionais do cenário nacional trabalharam para a criação do museu, entre eles, linguistas, literatos, comunicadores, historiadores, arquitetos, artistas, antropólogos e sociólogos. Através de um Contrato de Gestão firmado com a Secretaria de Estado da Cultura, o Museu da Língua

Portuguesa é administrado desde 1º de julho pelo Instituto da Arte do Futebol Brasileiro (IFB). O IFB também é responsável pela administração do Museu do Futebol desde sua inauguração, em 2008. Durante seus mais de seis anos, o museu realizou uma série de atividades paralelas (palestras, cursos, seminários, apresentações de contadores de histórias, entre outras) e recebeu inúmeros prêmios, entre os quais o primeiro lugar em 2011 do Prêmio Darcy Ribeiro conferido pelo IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, pela qualidade de suas ações educativas n

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA Endereço: Praça da Luz s/n; tel.: (11) 3326-0775 Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h (a bilheteria fecha às 17h). Fechado às segundas. Às terças, o museu fica aberto até as 22h. Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (meia entrada), com entrada gratuita aos sábados Fonte: www.museulinguaportuguesa.org.br

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MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE CAMPINAS: UM “MUSEU VIVO”PERTO DE VOCÊ Texto: Gabriel Zanardelli Vince Esgalha Fotos: Alberto Nasiasene

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riado por um grupo de fotógrafos, cineastas e cineclubistas de Campinas e região, o Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas vem desde 1975 engajado em captar, organizar, preservar e divulgar o acervo de memória audiovisual da cidade. O fundação do espaço foi liderada por Dayz Peixoto Fonseca e Henrique Oliveira Junior, um cineasta com mais de 80 filmes e trabalhos premiados em Festivais do Brasil e do Exterior. Acervo O espaço, hoje localizado no Palácio dos Azulejos, um dos mais importantes monumentos arquitetônicos da cidade, vem tornando acessível a população de Campinas um vasto acervo de fotos, filmes, negativos, vídeos, slides, discos, fitas e objetos sobre a história social e cultural da cidade de Campinas e região. O acervo do Museu se apresenta em cinco diferentes linguagens: Audiovisual (cinema e vídeo), Fotogra-

fia, Música, Tecnologia e Biblioteca, atraindo pesquisadores de todo o país. O acervo de música é constituído por cerca de 600 CDs, 900 gravações em fitas de rolo e aproximadamente 20.000 discos, dentre os quais, discos antigos de 78 rotações, LPs de Vinil em 33 1/3 rotações, compactos, discos gigantes, discos curiosos, com vários furos, de diversos materiais, etc. Seus conteúdos se enquadram em diversos segmentos que vão de música popular brasileira até óperas, árias e Jazz, além de discos de grupos de Campinas. O MIS também possui um significativo acervo tecnológico com aproximadamente 400 peças, correspondentes a objetos de imagem e som. Formado através de doações ou obsolescência de seus materiais de uso, tornou-se um acervo histórico de tecnologia. A maioria está na exposição de longa duração (no piso superior), possibilitando o conhecimento da evolução de câmeras e materiais fotorevista RMC/1o semestre 2014

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gráficos, projetores cinematográficos, gramofones, aparelhos de TV, entre outros. Um Museu Vivo Fugindo um pouco do estereótipo de Museu, o MIS Campinas possui atividade intensa. Não apenas pelas exposições temporárias que ocorrem com frequência no espaço, mas também atividades semanais, cursos gratuitos. Entre as atividades semanais destaca-se o Circuito MIS de Cinema, há mais de 15 anos, como uma das mais populares do local. São exibições e debates de filmes, um verdadeiro cineclube. A programação, feita com a participação do público, busca trazer aos espectadores diferentes linguagens e olhares cinematográficos e é sempre gratuita. Para conhecer melhor o espaço visite www.miscampinas.com.br .n

Serviço Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas Palácio dos Azulejos - Rua Regente Feijó, 859 - Centro - Campinas (SP) Horário de visitação: 09:00 - 20:00 Aberto de Terça a Sábado.

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MUSEU

Fotos de Divulgação: Rogério Alonso

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DO FUTEBOL INAUGURA EXPOSIÇÃO FUTEBOL DE PAPEL A

paixonados e curiosos por futebol tem acesso a mais de 700 itens como álbuns, postais, selos, figurinhas e ingressos de Copas do Mundo. Mostra foi inaugurada no dia 30 de novembro de 2013 e vai até abril de 2014, com entrada gratuita até as 12h  O Museu do Futebol - instituição da Secretaria de Estado da Cultura, localizado no Estádio do Pacaembu - dará voz às memórias do futebol guardadas em papel.  Desde o dia 30 de novembro de 2013, figurinhas, postais, cartazes, selos, embalagens, documentos, carteirinhas de clubes e álbuns estão expostos em cenografia, assinada pelo designer Jair de Souza, composta por caixas de papelão. Essas caixas empilhadas de maneira  lúdica funcionam ao mesmo tempo como estruturas e expositores. O design visual impresso representa de forma gráfica os 21 principais clubes brasileiros. A oitava exposição temporária do Museu do Futebol terá como tema “Futebol de Papel”.  “Vamos promover uma grande

homenagem às coleções e aos colecionadores de impressos, responsáveis por preservar relíquias, histórias dos clubes, atletas e campeonatos”, afirma Luiz Laurent Bloch, diretor executivo do Museu do Futebol. “Somos um museu que fala de futebol, mas também de história, de paixão, de tecnologia e de arte. Buscamos explorar temas relacionados ao esporte de um ponto de vista diferente, transformando conteúdos do universo da bola em experiências sensoriais, inovando na expografia e apresentando, a cada mostra temporária, uma obra de um artista convidado”, completa. O objetivo da exposição, em cartaz até abril de 2014, é mostrar ao público histórias do futebol brasileiro contadas a partir de objetos de 12 colecionadores, 5 clubes (Portuguesa, São Paulo, Botafogo – RJ e os clubes de várzea Associação Atlética Açucena e Santa Marina Atlético Clube), além de documentos da  Biblioteca Nacional e do Instituto Von Martius. São mais de 200 itens originais, dispostos em vitrines. Além desses ori-

ginais, há outras coleções que foram digitalizadas e são apresentadas em um totem multimídia. Verdadeiras relíquias que recontam curiosidades e “causos” de atletas, clubes, campeonatos regionais, seleção brasileira e Copas do Mundo. E mais: cerca de 80 álbuns, mais de 100 figurinhas e 40 ingressos de Campeonatos Mundiais e partidas históricas. Por exemplo, ingressos das Copas do Mundo, de 1930 até 2010, e o ingresso da cerimônia de inauguração do Estádio do Pacaembu, de 1940. O visitante também poderá conferir uma homenagem a João Batista dos Santos, que por mais de 20 anos foi o responsável pela confecção do “Nosso Jornal”, um manuscrito semanal, cuja primeira edição nasceu em 1962 e versava contos sobre os times e campeonatos amadores do bairro de Perdizes, em São Paulo. O acervo foi doado pelo próprio João Batista e o Museu realizou um trabalho de recuperação dos documentos, por meio de higienização e digitalização. “A ideia desta mostra é antiga. revista RMC/1o semestre 2014

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A segunda exposição temporária do Museu, “Mania de Colecionar”, realizada em 2009, trouxe coleções de camisas, flâmulas e botões. Já nesta época, a equipe do Museu conheceu colecionadores de inúmeros itens feitos em papel. Desde então, e, pela riqueza desse material, aguardamos a oportunidade de realizar uma exposição como essa”, conta Daniela Alfonsi, coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Documentação e Exposições do Museu do Futebol. Pais e filhos também se divertirão com jogos e brincadeiras: há um espaço para o “jogo do bafo”, realizado com figurinhas, mesas de pebolim e o game “Futpixel”, no qual o visitante constrói o seu próprio mosaico animado, como um videogame. A exposição também traz uma obra inédita do artista Marcelo Jácome, composta por uma instalação de 15 metros de comprimento, feita por 500 pipas. A intervenção de Jácome ocupará o avesso das arquibancadas do estádio, no hall de entrada do Museu. “Pipa tem tudo a ver com futebol, é só olhar para os campinhos aos finais de semana e encontrar meninos e meninas jogando bola e empinando seus papagaios de papel”, diz Daniela Alfonsi. 34

A pesquisa sobre esses acervos foi aprofundada a partir da implantação do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), inaugurado em outubro de 2013, espaço composto por uma biblioteca/videoteca exclusiva com o tema futebol, além de uma plataforma online que pode ser acessada de  qualquer lugar através do link  www.museudofutebol.org. br/crfb. De 2011 a 2013, durante a concepção do CRFB,  os pesquisadores também tinham como missão descobrir as relíquias feitas em papel, já visando uma exposição temporária. A mostra foi planejada em 2012 e sua concepção e execução teve início em julho de 2013. Foram mais de quatro meses, entre pesquisa, digitalização, tratamento de acervos, desenvolvimento dos projetos cenográficos, de vídeo e trilha sonora. No dia da inauguração da mostra Futebol de Papel, das 13h às 17h, os visitantes também visitaram gratuitamente na área externa, o 11° Encontro de Colecionadores de Camisas de Futebol, com o tema “3ª Camisa e impressos”. O evento proporcionou a todos maior conhecimento entre os times, além de troca de camisas e de outros materiais feitos de papel.  

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Exposição Futebol de Papel Endereço: Museu do Futebol Local: Praça Charles Miller, s/n Quando: 30 de novembro de 2013 até abril de 2014 Horário de abertura da exposição: 10h (até as 12h, a entrada no Museu será gratuita) Curadoria: equipe de conteúdo do Museu do Futebol Concepção curatorial: Leonel Kaz Cenografia e direção de arte: Jair de Souza Design Apoio: EPSON e Gráfica Studio 4   Colecionadores: Moacir Andrade Peres,  Giacomo Albanese, Marcos Túlio Nastrini, Cláudio Pinto Gonçalves, Antonio Munhoz, Antonio Fiaschi, Leonardo Romano, Família Corrêa,  Marco Antonio Lopes da Silva, Walter Salton e Marcelo Monteiro. Times: Botafogo de Futebol e Regatas, São Paulo Futebol Clube, Associação Portuguesa de Desportos, Santa Marina AC e Associação Atlética Açucena. Horário de Funcionamento do Museu: 9h às 18h (bilheteria até às 17h) Entrada: R$6, sendo que estudantes, professores e idosos pagam meia-entrada *Pessoas com deficiência não pagam entrada *Todas as quintas a entrada é gratuita *Estacionamento na Praça Charles Miller, sendo necessário o uso de Zona Azul. Cada folha vale por três horas, e pode ser adquirida a preço oficial na bilheteria do Museu. Tel.: 11.3664.3848 www.museudofutebol.org.br


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AMERICANA

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imigração norte-americana para o Brasil, iniciada após o término da Guerra Civil Americana foi amplamente incentivada pelo governo imperial brasileiro. Este via na vinda e fixação dos norte-americanos - pessoas com conhecimentos agrícolas, profissionais liberais, boa formação moral e intelectual e sobretudo famílias desejosas de se estabelecerem na zona rural - uma oportunidade de impulsionar o desenvolvimento no interior do país. Foram estabelecidos vários núcleos, mas o que realmente se desenvolveu foi o de Santa Bárbara D’Oeste, no interior de São Paulo. Construído a partir de 1.866 com a chegada do primeiro Coronel Willian Hutchiinson Norris, ex-combatente da guerra Civil e ex-senador do estado do Alabama, o núcleo de Santa Bárbara D’Oeste teve rápido desenvolvimento. Logo ao chegar, o Coronel Norris, passou a ministrar cursos práticos de agricultura aos fazendeiros da região, interessados no cultivo do algodão e nas novas técnicas agrícolas. O núcleo de Santa Bárbara D’Oeste, pelo seu progresso passou a atrair famílias que tinham se instalado em outras regiões. Inúmeras propriedades agrícolas foram fundadas pelos norte-americanos que cultivavam e beneficiavam o algodão. Estabeleceram um intenso comércio, notadamente a partir de 1.875 com a instalação da Estação de Santa Barbara pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Devido a presença constante desses imigrantes, o povoado que foi sendo

formado nas imediações da Estação, passou a ser conhecido como Villa dos Americanos, Villa Americana, e deu origem a atual cidade de Americana. Data dessa época também a instalação, por um engenheiro norte-americano associado a brasileiros, da primeira fábrica de tecidos de algodão - a Fábrica de Tecidos Carioba- distante 3 km da estação ferroviária. Esta indústria teve realmente papel para a fundação e desenvolvimento de Americana. A educação das crianças era uma das prioridades para as famílias americanas que constituíam escolas nas propriedades e contratavam professores vindos dos EUA. Os métodos de ensino desenvolvido pelos professores americanos se revelaram tão eficientes que foram posteriormente adotados pelo ensino oficial brasileiro. Os cultos religiosos eram celebrados nas propriedades por pastores que se deslocavam entre várias propriedades e os vários núcleos de imigração americana. Em 1895 foi fundada a primeira Igreja Presbiteriana no povoado da Estação. Devido a proibição de se enterrarem pessoas de outros credos nos cemitérios das cidades administradas pela Igreja Católica, os imigrantes americanos começaram a enterrar seus mortos próximo a um sede de fazenda. Este cemitério passou a ser conhecido como Cemitério do Campo. Até hoje os descendentes das famílias americanas são aí enterrados. É nesse local que se reúnem periodicamente os descendentes para cultos religiosos e festas ao redor da capela fundada no século passado. revista RMC/1o semestre 2014

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Jardim Botânico

ao apogeu de seu desenvolvimento têxtil, arquitetônico e paisagístico sob a administração da família Müller. Estes proprietários, de origem alemã, transplantaram para a localidade toda a concepção de urbanização baseada no estilo europeu que se materializou nas edificações das fábricas, residências patronais, hotel, escola, cooperativa e moradias dos operários. Carioba ao lado da importante atividade têxtil que atraía a mão de obra dos imigrantes estabelecidos na região, oferecia também inúmeras possibilidades de educação e lazer em meio a uma intensa participação cultural. Tornou-se um cartão de visitas Carioba para numerosos visitantes tanto do A Fábrica de Tecidos Carioba Brasil como do Exterior. Por várias décadas foi o centro da é considerada como berço da inatividade têxtil que depois se irradiou dustrialização de Americana. Local de características ímpares por sua para a Vila Americana, principalmenprivilegiada situação geográfica, um te a partir de 1940. As pessoas que aí nasceram e virecanto de rara beleza natural chegou Por ocasião do centenário da imigração norte-americana, foi organizado um museu em Santa Bárbara D’Oeste, o qual reúne grande número de objetos e documentos dos pioneiros da imigração. O resgate da história dessas famílias e sua contribuição ao desenvolvimento das localidades de Americana e Santa Bárbara D’Oeste foi magistralmente relatado pela historiadora Judith Macknight Jones em sua obra: O soldado descansa; uma epopéia norte-americana sob os céus do Brasil”.

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veram se empenham até o presente pela preservação de todo o conjunto arquitetônico de Vila Carioba. Durante os anos 80, após o pedido de tombamento junto ao Condephaat sido arquivado, acabou tendo grande parte de seus prédios demolidos, notadamente as construções da vila operária. O acervo remanescente que hoje é de propriedade do Poder Público Municipal uma vez preservado contará às futuras gerações um pouco de nossa história, resgatando para as pessoas que lá viveram um pouco “de seu paraíso”. n Fonte: www.amerciana.sp.gov.br


Fรกbrica Carioba

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ARTUR NOGUEIRA

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território do Município de Artur Nogueira pertenceu, até o começo deste século, as tradicionais famílias paulistas, como João e Matheus Ferreira de Camargo, conhecidos por ” Doricos”, estabelecidos no Bairro Guaiquíca, hoje Distrito de Engenheiro Coelho: Francisco Pinto Adorno, estabelecido com seus irmãos no Bairro Mato Dentro; João Sertório e Dona Maria Glória Sertório, estabelecidos no Bairro Sertório; os Irmãos Magalhães, estabelecidos no Bairro da Fazendinha; Pedro da Cunha Claro , estabelecidos no BairroTaperão; os Cotrins, estabelecidos no Bairro do mesmo nome; os Amarais, estabelecidos no Bairro Amarais; Jorge Tibiriça, estabelecido no Bairro Ribeirão; Fernando Arens, estabelecido no Bairro Sítio Novo; os Rosas, estabelecidos na Fazenda Palmeiras e Artur Nogueira & Cia, empresa da Usina Esther, estabelecida em Cosmópolis. Constituiu parte deste terrirório, a partir de 22 de Agosto de 1904, com a doação de terras de Artur Nogueira & Cia, ao Governo do Estado, por força do Decreto nº 1.300, da mesma data, a secção “Artur Nogueira”, anexa ao Núcleo Colonial “Campos Salles”. Ao território da sede municipal, primitivamente chamado “Lagoa Seca”, chegaram em 1907 os trilhos da Estrada de Ferro Funilense, sendo a Estação construída no mesmo ano. Nessa época, já estava estabelecido aqui o Senhor Francisco Cabrino, com armazém, cujo prédio foi o primeiro a ser edificado e ainda hoje

existe na atual Rua 15 de Novembro. Já se achavam, também, radicados na zona rural os Irmãos Tagliari. No ano seguinte é que vieram os verdadeiros fundadores da povoação, ocupando os lotes do patrimônio doado por Fernando Arens à secção “Artur Nogueira”, do Núcleo “Campos Salles”. Entre eles José Sanseverino; Júlio Caetano; João Pultz; Henrique Steckelberg, os Andrades, os Mauros, etc. Pela Lei nº 1.542, de 30 de dezembro de 1916, foi criado o Distrito de Paz, subordinado à Comarca de Mogi Mirim. A Instalação do Cartório deu-se no ano seguinte, a 18 de outubro de 1917, com a presença do Dr. Artur Cesar C. Whitacker, Juíz da Comarca de Mogi Mirim, tendo sido o senhor João Quintino de Brito o primeiro Oficial de Cartório e o senhor Henrique Steckelberg o primeiro Juíz da Paz. Data, também, de 1916, o início da construção da primeira Capela, tendo o Cônego Nora, de Mogi Mirim, dado a bênção à pedra fundamental do referido templo. Trabalharam nessa obra, Daniel da Cruz Andrade, João da Cruz, João Pulz, Manoel Fernandes, José Sanseverino, Octávio Miranda e outros. Nessa época predominavam os elementos estrangeiros no povo do então Distrito, Espanha, os quais cultivando a terra e criando gado, iam, aos poucos, adquirindo as terras dos primitivos donos em pequenas glebas, acabando-se, assim, os grandes latifúndios. Depois, com a valorização do café, formaram-se nessas glebas grandes cafezais, chegando mesmo o território do Distrito a construir,

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em 1929, um verdadeiro oceano de cafeeiros. A Paróquia foi criada em 25 de novembro de 1934, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, e em 5 de janeiro de 1935, recebeu seu primeiro vigário – o Padre Cecílio Cury. O ensino primário representava, à época do Distrito, um sério problema, pois não havia prédio próprio para o funcionamento das duas escolas mistas, uma municipal e outra estadual, que tinham como professoras as senhoras Aninha da Cunha e Eugênia de Carvalho, respectivamente. Com a doação feita pelo senhor Henrique Steckelberg de um lote de sua propriedade, foi construído o Grupo Escolar, por volta de 1920. A crise do café, ocorrida em 1929 e com os seus reflexos mais agudos em 1930, não deixou de repercurtir no progresso do Distrito, o qual permaneceu estacionado até 1937, quando foi inaugurada a iluminação pública e domiciliária, sendo a Companhia de Força e Luz de Mogi Mirim a encarregada do serviço. Em 1938, na interventoria do Dr. Adhemar de Barros, houve a retificação de divisas entre os Distritos de Artur Nogueira e Cosmópolis, este pertencentes à Comarca de Campinas, ficando para o primeiro o Bairro Floriano Peixoto, que vizinhava com a Vila, causando sérios embaraços à sua administração. Com essa retificação, o território do Distrito ganhou considerável área de terras. Emancipação Político Administrativa Em 1948, teve início o movimento 42

para a emancipação do Distrito, com assinaturas em listas de todos os habitantes da Vila e povoados, que desejassem a emancipação. Sendo estas em grande número, foi requerido o plebiscito, o qual deu a vitória à emancipação. Para tratar de tão importante assunto, foi nomeada uma comissão encabeçada pelos senhores Raul Grosso, Elysio Quinteiro, Rodopho Rossetti, Humberto Rossetti, José Amaro Rodrigues Filho, Reynaldo Germano Stein, Severino Tagliari, Atilio Arrivabene, Jacob Stein, Santiago Calvo e Roberto do Amaral Green, a qual obteve da Assembléia Legislativa do Estado o parecer favorável à criação do município. Pela Lei nº 233, de 24 de dezembro de 1948, foi criado o município de Artur Nogueira, sendo que a eleição acusou a vitória do senhor Severino Tagliari para o primeiro prefeito, empossado no cargo a 10 de abril de 1949. Supõe-se que a origem do nome deste município de ” Artur Nogueira” esteja ligado ao fato de, à epoca, ser o senhor Artur Nogueira membro de uma família radicada no vizinho município de Cosmópolis – família Nogueira – proprietária de uma vasta extesão de terras, no território deste então Distrito. Calcula-se que essas terras naquele tempo, já eram mais exploradas e cultivadas pelos moradores desta localidade do que membros da família Nogueira, que não se opunham a isso. Estima-se assim, que os moradores desta localidade já tinham como sua tais terras e que a família Nogueira aceitava essa situação como fato consumado, premiando aqueles que realmente bem aproveitavam as terras.

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Julga-se que isto teria estimulado a família Nogueira a doar essas terras ao Estado, que, por sua vez, manteve-as no território do Distrito de Artur Nogueira, surgindo, assim, o nome do município como de “Artur Nogueira”, dada a influência que referido Clã exercia na época. n Fonte: www.arturnogueira.sp.gov.br


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CAMPINAS

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Observatório

área em que hoje se acha instalada a cidade de Campinas surgiu como um bairro rural da Vila de Jundiaí. Território ocupado por matas fechadas e campos, foi com a abertura da Estrada dos Goiases, em 1722, que se formou um núcleo mais adensado de povoamento, constituído por um pouso de tropeiros, pelas primeiras sesmarias e por um número progressivo de lavouras de subsistência. O crescimento do comércio, somado à presença de terras férteis promoveu, no final do século XVIII, a instalação de engenhos de açúcar e lavouras de cana transformando-se o antigo bairro rural em freguesia de Nossa Senhora da Conceição (1774) e, em poucas décadas, na Vila de São Carlos (1797). Caracterizada pela produção açucareira e pelas atividades de comércio, a Vila de São Carlos viu-se transformar na cidade de Campinas (1842) na proporção em que os cafezais substituíram as lavouras de cana, ampliando-se a riqueza do município com o crescimento e complexificação da economia cafeeira. Conhecida como “princesa do oeste” em alusão à marcha cafeeira pela porção oeste da Província de São Paulo, a cidade de Campinas experimentou uma importante modernização entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX, constituindo-se nesta ocasião as bases infra-estruturais do município nos campos de energia, saneamento, transporte, comunicações, saúde pública, indústria e educação. Com a crise da economia cafeeira, no curso dos anos 1930, Campinas as-

sumiu uma fisionomia mais industrial e de serviços, procurando conferir às estruturas herdadas do passado, novas perspectivas e caminhos de desenvolvimento. No plano econômico, a cidade buscou aliar a abertura/ ampliação de novas frentes agro-industriais às tradições centenárias de comércio e serviços, somando-se no curso dos anos 1960, novos centros de educação, pesquisa e tecnologia, entre eles, a Universidade Estadual de Campinas (1966), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (1969) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (1976). Nos anos 1980, já na posição de segundo pólo industrial do país em valor de produção (após a Região Metropolitana de São Paulo), Campinas viveria a instalação do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (1982), do Laboratório Nacional de Luz Síncontron (1984) e da Embrapa Informática Agropecuária e Embrapa Monitoramento por Satélites (1989), instituições que fortaleceram uma nova modalidade de desenvolvimento industrial nos campos de informática e telecomunicações. No plano urbanístico, o crescimento e diversificação produtiva somados a um progressivo fluxo migratório permitiram à cidade crescer 15 vezes em território e 5 vezes em população no curso de quatro décadas (1950/1990); processos que na atualidade se traduzem numa malha urbana de 800 km² e numa população de pouco mais de 1 milhão de habitantes, distribuída por quatro distritos (Joaquim Egídio, Sousas, Barão Geraldo, e Nova Aparecida) e revista RMC/1o semestre 2014

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Lagoa do Taquaral centenas de bairros. A cidade de Campinas, maior pólo tecnológico da América Latina, alia na atualidade diferentes competências e dinâmicas: cidade de serviços, de comércio tradicional, de produção agrícola, de geração de ciência e tecnologia, seu vigor social e econômico conferem-lhe seu destacado lugar político: o de capital da Região Metropolitana de Campinas (com 19 municípios e uma população de 2,8 milhões de habitantes) e também da Região Administrativa de Campinas (com 90 municípios e uma população de 6,2 milhões de habitantes). Na sua porção rural, a cidade guarda também importantes processos e testemunhos de desenvolvimento, entre eles, áreas agrícolas rema46

nescentes, populações e tradições centenárias, processos tecnológicos, saberes e fazeres únicos, num conjunto patrimonial surpreendente e rico. Bairro FRIBURGO Na zona sudoeste de Campinas encontram-se presentes dois bairros rurais de origem centenária: a antiga colônia alemã de Friburgo e uma parte da colônia suiça de Helvetia denominada “Bairro Fogueteiro”. A pequena colônia agrícola de Friedburg (Friburgo) surgiu em Campinas entre 1864 e 1877, período no qual se reuniram famílias procedentes da região do Reno (que haviam se fixados originalmente na Fazenda Ibicaba/Limeira em 1847) com duas famílias suiças originadas do Cantão de Berna e, entre os anos de 1870/1877,

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a outras famílias alemãs de Schleswig-Holstein (norte da Alemanha) recém saídas da Fazenda Sete Quedas. Foi desta Fazenda, na verdade, que se originaram a maior parte das famílias de Friburgo. Então de propriedade do Visconde de Indaiatuba (produtor de café e político liberal aclamado como o introdutor da mão de obra livre no município), a Fazenda Sete Quedas deu possibilidades para que os imigrantes alemães honrassem suas dívidas (contraídas na viagem e para sua sobrevivência) e conseguissem o pecúlio necessário para adquirir e abrir os seus sítios. Desta trajetória nasceu um calendário de eventos (de festas típicas alusivas à dinâmica agrícola, produtiva e cultural, animadas com música alemã, cerveja e pratos tradicionais), além


Vista do Castelo. de grupos folclóricos, em particular, um grupo de danças formado por descendentes e também por filhos de associados, o Tanzgruppe Friedburg, que passaria a contar com pessoas de várias faixas etárias. A Sociedade também passou a promover cursos relacionados com a cultura e especialidades da gastronomia alemã, e com atividades rurais, em alguns casos, em parceria com o Sindicato Rural de Campinas, orientando-se sempre pelo propósito de manter laços como condição de manter viva a história de Friburgo. Na atualidade, o bairro conta com aproximadamente 25 famílias diretamente envolvidas com a produção de leite, carne, madeira, uva, milho, além de atividades turísticas em etapa preliminar (pesqueiro, educação ambiental e lazer); atividades que encontram nas

estradas e caminhos centenários, as bases de conexão e sobrevivência. Na verdade, é preciso considerar, a presença de cerca de dois terços da comunidade localizadas em terras hoje dos municípios de Monte Mór e Indaiatuba confere um significado ainda maior às vias de circulação, levando-nos a constatar que as mesmas estradas e caminhos de Friburgo se constituem elementos estruturais de sua paisagem cultural. A parceria hoje estabelecida entre o DETUR e o bairro de Friburgo já desenvolve o turismo na região, como a Caminha Ecológica Friburgo- fogueteiro, com apresentações de danças e comidas típicas, além das festas da comunidade ao longo do ano. Bairro FOGUETEIRO À semelhança de Friburgo, o núcleo

rural do “Fogueteiro” foi formado por famílias de origem suíça, em sua maioria, reunidas na colônia de Helvétia, em Indaiatuba. Entre as famílias, os Abacherly dão continuidade as tradições rurais no Sítio São José cultivando uva, morango, café, milho doce (variedade americana), criando animais e produzindo doces e queijos; a rotina diária só é interrompida em função dos cultos religiosos, atividades e festas tradicionais da colônia de Helvetia. A fazenda Estiva também pertence há mais de cem anos à família Ming; o Sr. Leão Ming chegou da Suíça em 1887 e adquiriu a fazenda em 1895, então com 60 alqueires formados basicamente de café. Nela criou lavouras (milho, feijão, arroz) e com um único cavalo, passou a comercializar, com sua família, o excedente da produção na cidade. No curso do tempo e em meio às geadas (que em 1919 destruiu metade da colheita), crises econômicas (em particular, a de 1929) e dificuldades, os Ming conseguiram preservar cerca de 30 mil pés de café, bem como manter de forma contínua a produção de batatas, cereais e criação de gado. Na atualidade, esta família – já em sua terceira geração – conta com 115 alqueires (sendo 20 de café) e produz uva de mesa (Niagara), milho, feijão, batata e gado. DISTRITOS DE SOUSAS E JOAQUIM EGÍDIO Com aproximadamente 222 quilômetros quadrados de extensão (correspondente a 27% do território), a APA Campinas é a área de maior concentração de água e matas naturais do município, registrando 60% da Mata Atlântica remanescente e uma vegetarevista RMC/1o semestre 2014

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ção típica de ambientes rochosos (hoje em dia de rara presença). Com fauna e flora diversificada, além de uma paisagem diferenciada pela presença de serras e morros, a região conta com 250 espécies de aves, 68 de mamíferos, 45 de anfíbios e 40 de répteis, podendo-se encontrar em suas matas, macacos, tatus, tucanos, maritacas, capivaras, sabiás, além de animais ameaçados de extinção como a jaguatirica, a sussuarana, o sagüi, a lontra e a paca. Nestes Distritos acham-se preservadas também parte das antigas fazendas de açúcar/café que outrora configuraram o município como centro do complexo

cafeicultor paulista. Além das fazendas, dois núcleos urbanos - outrora arraiais – continuam a manter arruamentos e casarios das últimas décadas do século XIX, ou ainda, monumentos remanescentes (estação, ponte, instalações) do antigo Ramal Férreo Campineiro, a “cabrita”, estrada de ferro criada em 1889 e substituída em 1918 por bondes elétricos que perduraram até 1956. Na atualidade, seu leito abriga um “caminho de lazer” entre os dois Distritos. São distritos muitos visitados, principalmente aos finais de semana, pela variedade de atividades encontradas. Oferecem opções de diversos restau-

rantes e bares, desde a gastronomia de fazenda até a internacional, com ambientes aconchegantes e prazerosos, com mesas nas calçadas,podendo se sentar também nos famosos caixotes enquanto aguarda a mesa degustando petiscos, nos remetendo a uma genuína cidade interiorana, com edificações rústicas; diversidade de esportes: como trilhas para caminhadas,jipes e motos, passeios a cavalos, pesqueiros, clube do remo, feiras de artesanatos; festas típicas e Caminhadas Ecológicas promovidas pela própria prefeitura, ocorrendo duas vezes ao ano. n Fonte: www.campinas.sp.gov.br

DADOS GERAIS * Uma das cidades que mais gera empregos no País * A Região Metropolitana de Campinas(RMC) é o terceiro maior centro industrial do país (atrás da região metropolitana de São Paulo e Rio de Janeiro), gerando 3% do PIB brasileiro. * PIB de Campinas: US$ 18 bilhões * População: 1.050 milhões * Renda per capita: US$ 17.100 * 50 das 500 maiores companhias no mundo tem filiais instaladas na região metropolitana de Campinas * Rede de hotéis com mais de 8.900 leitos * Gastronomia Variada: mais de 220 restaurantes e mais de 300 bares e locais de alimentação * Mais de 6.000 eventos ( corporativos, esportes, cultural) por ano * 11ª cidade do Brasil no ranking da ICCA ( (International Convention and Conference Association) * Em 2011, 2.2 milhões de pessoas se hospedaram em hotéis de Campinas * 1,5 milhões pessoas vieram para eventos corporativos * Aeroporto Internacional de Viracopos: o maior aeroporto de carga na América Latina Passageiros: em 2009: 3,30 milhões em 2010: 5,40 milhões em 2011: 7,10 milhões * 15% da produção científica nacional é gerada pela UNICAMP * Campinas se destaca como centro industrial e tecnológico, com 20 institutos de pesquisa e tecnologia. * US$ 300 milhões em P & D (setor privado) na RMC * 30.000 de empregos diretos na RMC * 6.000 de empregos em P & D 48

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COSMÓPOLIS

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topônimo é homenagem à diversidade cultural encontrada na cidade que congregou grande número de imigrantes de várias procedências. Daí a denominação promocional

de “cidade universo”, dada por seus cidadãos. A área do atual município foi povoada a partir de um programa da Câmara Municipal de Campinas que estabeleceu ali uma colônia (Núcleo

Campos Sales) criada para receber imigrantes suíços. Alguns anos mais tarde, novos imigrantes chegaram ao povoado, principalmente italianos, alemães e austríacos. Ainda no início do século XX, foi revista RMC/1o semestre 2014

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construída a primeira igreja na cidade, a Matriz de Santa Gertrudes. Erguida com o esforço e dedicação do povo com a ajuda da família Nogueira. A primeira imagem de Santa Gertrudes chegou em Cosmópolis, no começo do século passado, trazida da França pelo Major Artur Nogueira, grande devoto à santa padroeira dos agricultores. A santa foi mais tarde nomeada padroeira da cidade. Em 1905 chega à vila, a Usina Ester, trazendo a força do trabalho industrial para o povo, que já produzia o alimento para o próprio sustento. Logo, passaram a exportar açúcar e álcool para maiores centros e para o exterior. Em 1906, criou-se o distrito de Cosmópolis e em 30 de novembro de 1944 quando havia aproximadamente sete mil habitantes, 73% vivendo na zona rural, a Lei Estadual n°14334 registrou o Município de Cosmópolis.

que enriquecem a cidade e seu povo: das praças bucólicas às indústrias químicas, das estradas rurais de chão batido às rodovias do movimento intenso, tudo na mesma paisagem. “O plano de colonização da região do Funil ocorreu em 1892, por iniciativa do Coronel José de Sales Leme que conseguiu um empréstimo da Câmara Municipal de Campinas, para construção de uma estrada de ferro denominada Carril Agrícola Funilense, iniciando, assim, a formação de uma colônia Suíça. Em 1898, chegaram as primeiras famílias de imigrantes que se fixaram no núcleo Campos Sales, cujas terras foram doadas ao Estado, pelo seu fundador. Inicialmente denominada Funil, pas-

Já na década de 50, através dos trilhos da estrada de ferro da Funilense, que passou a ser a Sorocabana, Cosmópolis via o desenvolvimento chegar. A cidade servia de oficina à Sorocabana, e lá se consertavam e revisavam as locomotivas e até fabricavam vagões de madeira. Nesta época, a consolidada cidade oferecia emprego, terra e muitas oportunidades de uma vida melhor. Cosmópolis tem contrastes 50

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sou a região a ser chamada Palmeiras, depois Burgo e, para homenagear seu incentivador, Núcleo Campos Sales. A seguir foi batizada como Barão Geraldo, em homenagem ao diretor-gerente da empresa e proprietário da fazenda Santa Genebra. Algumas famílias não se adaptaram e o Governo abriu oportunidade a outras de nacionalidade diferentes, vindo a seguir, Alemães, Austríacas, Russas, Italianas, Portuguesas etc. Esse fato provocou a mudança na denominação para Cosmópolis: cidade universal(do grego “Kosmo”= universo, “polis” =cidade ). O grande impulso progressista deu-se em 1904, quando a família Nogueira constituiu a Sociedade Anônima Usina Ester, atual Usina Açucareira


Ester S/A, que fomentou a lavoura de cana-de-açúcar, principal atividade sócio-econômica, que deu base à elevação do Distrito de Paz, em 1906.

trito, Cosmópolis, nos quadros terri- Assim permanecendo em divisão toriais fixados pelas Leis Estaduais nos territorial datada de 15-07-1999. n 233, de 24-12-1948 e 2456, de 30-12- Fonte: www.cosmopolis.sp.gov.br 1953 para vigorar, respectivamente, nos períodos 1949-53 e 1954-58. Formação Administrativa Em divisão territorial dataDistrito criado com a denomina- da de 01-07-1960, o município ção de Cosmópolis por Lei Estadual é constituído do Distrito Sede. no 1024, de 27 de novembro de 1906, figura no Município de Campinas. Em divisão administrativa do Brasil referente ao ano de 1911, figura no Município de Campinas o Distrito de Cosmópolis. Assim permanecendo em divisão administrativa referente ao ano de 1933. Em divisões territoriais datadas de 31XII-1936 e 31-XII-1937, o Distrito de Cosmópolis é apenas judiciário e figura no Município de Campinas. No quadro anexo ao Decreto-lei Estadual nº 9073, de 31 de março de 1938, o Distrito de Cosmópolis permanece no Município de Campinas. No quadro fixado, pelo Decreto Estadual nº 9775, de 30 de novembro de 1938, para 1939-1943, o Distrito de Cosmópolis permanece no Município de Campinas. Elevado à categoria de município com a denomianção de Cosmópolis, por Decreto-lei Estadual nº 14334, de 30 de novembro de 1944, desmembrado de Campinas, Mogi Mirim e Limeira. Constituído do Distrito Sede. Sua instalação verificou-se no dia 01 de janeiro de 1945. Fixado o quadro territorial para vigorar no período de 1945-1948, o Município é constituído do Distrito sede. Permanece composto apenas de 1 Disrevista RMC/1o semestre 2014

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ENGENHEIRO COELHO

Biblioteca

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m meados de 1908/10, a terra onde se encontra o município de Engenheiro Coelho era conhecida como Guaiquica, e pertencia a Joaquim Cardoso de Moraes. Com a intensificação da imigração no inicio do século, instalou-se nas terras Pedro Hereman, imigrante belga que as adquiriu e passou a chamá-la de Fazenda São Pedro. Dinâmico, Pedro 52

Hereman, a cada ano que passava, mais construía e produzia na fazenda, aumentando as colônias existentes e dando-lhes equipamentos necessários a sua manutenção. Em 2 de Junho de 1912 foi inaugurada a Estação da Estrada de Ferro na Colônia da Guaiquica, que passou a ser conhecida por Estação de Engenheiro Coelho do Bairro da Guaiquica. O nome Engenheiro

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Coelho foi uma homenagem ao Engenheiro José Luiz Coelho que, na época, era inspetor de estrada de ferro e representante da Fazenda Estadual. Com a construção da estrada que liga Limeira a Mogi Mirim em meados de 1939 a colônia começa a se desenvolver. Em 14 de maio de 1980 Engenheiro Coelho é elevado à categoria de distrito pela Lei Estadual nº 2343.


Estufa.

Fonte Luminosa

tropolitana de Campinas). Comparando os dados dos últimos dois censos, Engenheiro Coelho foi a segunda cidade que mais cresceu na RMC e a oitava no Estado de São Paulo, com um aumento de 56,7%, passando de 10.033 pessoas para 15.719. Engenheiro Coelho possui uma área de 109,94 km². A economia do município está baseada na agricultura, destacando-se a produção de laranja, de cana-de-açúcar, mandioca, hortaliças, etc. A cidade também abriga indústrias de grande e médio porte. A composição do setor de serviços é diversificada, com a maior participação a cargo das atividades imobiliárias e serviços prestados às empresas, assim como o comércio está em franco desenvolvimento. Creches e escolas compõem o quadro educacional, junto com o campus da UNASP (Centro Universitário Adventista de São Paulo). Mantendo as características de cidade pequena e administrando ordenadamente seu crescimento, Engenheiro Coelho tem se destacado entre as cidades da região, sendo considerado um ótimo lugar para se viver. O município ostenta bons níveis nos indicadores sociais, segundo o IPRS – Índice Paulista de Responsabilidade Social. Fonte: www.pmec.sp.gov.br

Em 3 de outubro de 1991 a cidade passa a ter administração própria com a eleição dos primeiros vereadores e do primeiro prefeito.

política, o município de Engenheiro Coelho não para de crescer. Além do grande avanço nas áreas, agrícola, industrial, serviços públicos e de infra-estrutura, a cidade apresenta UMA CIDADE QUE NÃO PARA DE CRESCER - uma das maiores taxas de crescimento Com apenas 21 anos de emancipação populacional da RMC (Região Merevista RMC/1o semestre 2014

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HOLAMBRA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL PROVOCOU A IMIGRAÇÃO HOLANDESA PARA O BRASIL

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Holanda foi parcialmente devastada pela Segunda Guerra Mundial. Nas áreas urbanas havia o problema da falta de alimentos e, para incrementar a produção, seriam necessários grandes investimentos. Nessa situação pós-guerra muitos holandeses não tinham sequer onde morar e estavam abalados pela perda de amigos, parentes e bens. Temia-se ainda a ocorrência de outra guerra na Europa e uma possível ocupação comunista. Não havia perspectivas para as novas gerações, inclusive em virtude do reduzido tamanho do território holandês que, comparativamente, é 250 vezes menor do que o território brasileiro. O Brasil era o único país que aceitava imigração em grupos O Brasil foi escolhido porque era o único país que aceitava a imigração em grupos, tinha identificação religiosa com os holandeses (catolicismo) e terras disponíveis para aquisição. Assim, os holandeses vieram apoiados pela Liga de Agricultores Católicos, entidade que se encarregou de orga54

nizar parte do projeto de imigração. Diferentemente de outros grupos migratórios, os holandeses, desde o início, tinham em mente fazer do Brasil sua nova pátria. Fazenda comprada pelos holandeses era o “Deserto de Mogi” A Comissão de Representantes da Liga de Agricultores Católicos, cuja missão era adquirir terras e fundar uma Cooperativa de Produtores Rurais, chegou em 1947 e adquiriu uma gleba de terra, na região de Mogi Mirim, de 5 mil hectares, na antiga fazenda Ribeirão, que pertencia a Cia. Armour do Brasil S/A (Frigorífico Armour). A idéia inicial era criar gado. Em maio de 1948 chegaram os dois pioneiros com os primeiros animais e equipamentos para a colonização da nova terra. Um mês depois eles já haviam fundado a Cooperativa Agropecuária Holambra (o nome é a junção das palavras Holanda, América e Brasil). Em novembro, vieram três outros imigrantes com a missão de construir casas de alvenaria para abrigar as famílias. As réplicas das casas

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de pau-a-pique desses construtores e as de alvenaria foram preservadas e podem ser visitadas ao lado do Museu de Holambra. Em janeiro de 1949 chegaram as primeiras famílias para tornar aquelas terras produtoras de trigo, arroz, milho e adequá-las à pastagem do gado de leite. Mas, para que o sonho se realizasse, os holandeses tiveram que enfrentar, antes, alguns pesadelos: o gado holandês, de linhagem pura (aproximadamente 800 cabeças), foi quase dizimado pelas doenças tropicais e pela febre aftosa; o idioma transformou-se em uma grande barreira para os negócios e as terras adquiridas estavam exaustas pelo cultivo de outras culturas, como o café, erradicadas depois da grande crise de 1929. O solo, embora não estivesse exaurido, apresentava baixa concentração de componentes minerais, ocasionando, assim, uma baixa produtividade das lavouras. Os holandeses não sabiam, mas, localmente, a fazenda adquirida por eles era conhecida como o Deserto de Mogi. Para solucionar o problema das terras áridas, os imigrantes holandeses enviaram um representante à Holanda para buscar novos recursos e reiniciar os trabalhos na lavoura. Eles pediram um refinanciamento das dívidas contraídas com o Crédito Rural ao governo brasileiro e dividiram a terra em lotes de 15 a 20 hectares, sendo que cada um cuidaria da produção do seu pedaço de chão. Foi criada a Cooperativa Holambra para a comercialização de tudo que fosse produzido: trigo, arroz, batata, milho, leite etc. Pode-se dizer que foi uma reforma agrária realizada com revista RMC/1o semestre 2014

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amplo sucesso.

Emancipação política aconteceu Crianças transformaram-se em in- há 20 anos térpretes para os negócios Em março de 1982, um grupo de A grande diferença das línguas moradores formou a Comissão Prófez com que a comunicação entre -Emancipação de Holambra, pois brasileiros e holandeses fosse feita por eram muitas as dificuldades enfrentamímica. Os nomes holandeses são de das pelos produtores e moradores pelo difícil pronúncia e, por isso, muitos fato de a Fazenda Ribeirão, onde vivia foram abrasileirados: Johannes W. H. a Comunidade Holambra, pertencer Eltink, o atual presidente do Museu territorialmente a quatro municípios de Holambra, é chamado até hoje, (Jaguariúna, Artur Nogueira, Santo simplesmente, de seo João. Antônio de Posse e Cosmópolis). Como as crianças tinham maior O objetivo desse grupo era reter os facilidade para aprender, pois estu- impostos gerados por suas atividades davam nas escolas da região e foram produtivas para realizar as obras de alfabetizadas também em português, saneamento, asfalto e melhoria das elas eram levadas por seus pais para condições de vida de seus moradores, servirem de intérpretes e interme- atendendo de maneira prioritária aos diarem os negócios, que nem sempre interesses da comunidade. saiam como eles imaginavam. Em 27 de outubro de 1991, no Cultivo de flores começou no final plebiscito pela autonomia de Holamda década de 1950 bra, 98% dos votantes disseram sim à emancipação. Em outubro de 1992 O cultivo de flores teve início em 1957 aconteceu a primeira eleição para a com a produção de gladíolos (palma escolha do prefeito, vice-prefeito e de Santa Rita). No entanto, foi entre vereadores. O espírito comunitário 1958 e 1965 que a cultura se expandiu. prevaleceu até para a montagem da Em 1972, criou-se o Departamento nova estrutura administrativa do de Floricultura, dentro da Cooperati- município. A comunidade colaborou va, para a venda de grande variedade cedendo móveis, máquinas e outros de flores e plantas ornamentais. Hoje materiais, ajudando os órgãos púsão várias cooperativas para a comer- blicos a iniciarem as suas atividades. cialização de diferentes produtos e que Em abril de 1998, Holambra recebeu também atuam de diversas formas, o título de Estância Turística. Hoje, como televendas, intermediação e firma-se no cenário nacional e interinternet e até mesmo por um moderno nacional como Cidade das Flores. sistema de leilão diário (Cooperativa Veiling de Holambra), hoje responsá- Fonte: Ateliê da Notícia www.ateliedanoticia. vel pela comercialização entre 35% e com.br n 40% das flores e plantas ornamentais produzidas no país. 56

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HORTOLÂNDIA

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ortolândia tem origem entre o final do século XVIII e o começo do século XIX, quando a região incluía as sesmarias de Joaquim José Teixeira Nogueira, um dono de engenho de cana-de-açúcar. O local era ponto de parada para tropeiros, colonos e escravos que costumavam descansar à beira de um riacho, onde, atualmente, é o bairro Taquara Branca. Era ali que os viajantes preparavam um pirão feito de farinha de mandioca, cachaça, açúcar e mel, o Jacuba, que acabou batizando o vilarejo. O marco definitivo para Jacuba veio com a inauguração da estação ferroviária de Campinas, em 1872. Os trens passavam pelo povoado sem parada. Somente 45 anos depois se instalou um ponto na região, a Estação Jacuba. A característica urbana começou em agosto de 1947, quando a Prefeitura de Campinas autorizou o primeiro loteamento, o Parque Ortolândia, empreendimento de João Ortolan. Foi ele, também, o proprietário da Cerâmica Ortolan, depois chamada de Cerâmica Sumaré, a primeira fábrica instalada em Jacuba. Outro empreendimento importante para a consolidação urbana da região foi o Colégio Adventista. Até esse período, o vilarejo integrava a área do distrito de Sumaré, pertencente a Campinas. Foi em 1953, por meio da Lei Estadual 2.456 que Sumaré recebeu status de município e Jacuba adquiriu o título de Distrito de Paz. A mudança do nome do distrito ocorreu, no ano seguinte, em virtude


do nome Jacuba já batizar um distrito da região de Arealva. O Projeto de Lei, do então deputado Leôncio Ferraz Júnior, batizou a antiga Jacuba como Hortolândia, uma homenagem a João Ortolan. A letra “H” teria sido um erro de escrita, segundo contam antigos moradores. Emancipação: uma conquista do povo O crescimento relâmpago de Hortolândia resultou no crescimento dos recursos gerados pelo distrito. Na década de 1980, Hortolândia era responsável pela maior parte da arrecadação de Sumaré, ultrapassava os 60%. No entanto, o distrito era carente de investimentos na áreas de infraestrutura e social. Nasce o movimento popular pela emancipação política administrativa do então distrito. Os moradores queriam autonomia para definir o futuro de Hortolândia. Foi em 19 de maio de 1.991, que 19.081 mil eleitores votaram “sim” no plebiscito que decidiu pela emancipação político-administrativa do distrito. Nascia, assim, da vontade popular, o município Hortolândia, formado por 110 mil habitantes que escolheram a região para morar, vindas de várias partes do país, em pleno êxodo rural, quando o Estado de São Paulo era o destino daqueles que buscavam oportunidades de trabalho e qualidade de vida. Uma das cidades que mais crescem no Brasil Localizada na RMC (Região Metropolitana de Campinas), a 115 qui-

Dados de Hortolândia Fundação: 19 de maio de 1991 População: 192.225 habitantes (IBGE 2010) Temperatura média no verão: 25º Temperatura média no inverno: 18º Taxa de Alfabetização: 94% Economia Indústrias:435 Comércios: 2.346 Prestadores de Serviços: 2.610 Agências Bancárias: 13 Renda média per capita: R$ 1.200,00 PIB: R$ 5,5 bilhões Arredação Municipal: R$ 505 milhões (previsão 2011) Principais indústrias: IBM, EMS, Wickbold, Dell Computadores, GKN, Mabe, Dow Corning, Magnetti Marelli, CAF Brasil, Amsted Maxion, Lanmar, Gonvarri. lômetros de São Paulo, Hortolândia vive o melhor momento da sua história nos setores econômico e social. A cidade cresce com planejamento e qualidade de vida. O município é a cidade média que mais cresce no País, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado pela Revista Veja. Nos últimos seis anos, foram criados 16 mil empregos na cidade, a partir da instalação de mais de 200 novas empresas no município. Logística Privilegiada Hortolândia está localizada na Região Metropolitana de Campinas, a 115 quilômetros de São Paulo, próxima ao Aeroporto de Viracopos e de grandes universidades a exemplo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Puc-Campinas

(Pontifícia Universidade Católica). O município possui uma posição estratégica entre os grandes pólos de desenvolvimento. Confira: Malha Rodoviária Hortolândia conta com uma rede rodoviária privilegiada. Através das rodovias Anhanguera e Bandeirantes liga a cidade à capital paulista; pela Rodovia D. Pedro I com o sul de Minas Gerais, municípios do Vale do Paraíba e ao eixo Rio – São Paulo. Possui também fácil acesso à Sorocaba, através das interligações da Anhanguera e Bandeirantes com a Rodovia Castelo Branco e ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Principais Rodoviais Rodovia dos Bandeirantes Rodovia Jormalista Aguirre Francisco Proença (SP-101) que interliga o município à Rodovia Anhanguera   Hidrografia O principal rio que corta o município é o Ribeirão Jacuba, inserido na Bacia do Rio Piracicaba e TietêSorocaba. Integra o Consórcio das Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.   Malha Ferroviária A malha existente em Hortolândia é administrada pela empresa ALL (América Latina Logística). Possibilita o transporte de cargas para outras cidades do interior do Estado e sul de Minas Gerais. n Fonte: www.hortolandia.sp.gov.br revista RMC/1o semestre 2014

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INDAIATUBA

O ESBOÇO DE UMA HISTÓRIA Adriana Carvalho Koyama Marcelo Alves Cerdan Arquivo Público Municipal Fundação Pró-Memória de Indaiatuba

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uitas histórias podem ser contadas sobre Indaiatuba, algumas mais vivas nas memórias, outras mais documentadas nos papéis dos arquivos, outras ainda imaginadas a partir de indícios mais ou 60

menos eloqüentes. Faremos aqui um breve relato de nossa história urbana, econômica e política, sabendo que esse quadro será apenas esboçado e incompleto. A província de São Paulo quase não tinha núcleos urbanos até o século

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XVIII, e em nossa região existiam apenas as Vilas de Itu e Jundiaí. Então, o governo português implementou uma vigorosa política de incentivo à produção de açúcar na província, na segunda metade do século XVIII. Essa iniciativa, deslanchada pelo governador Morgado de Mateus, visava estimular o povoamento do interior de São Paulo. Seu objetivo era incentivar o surgimento e crescimento de novas Vilas, criando núcleos de população para enfrentar um possível avanço dos espanhóis no sul do país. Em seu início, o povoado de Indaiatuba foi um dos bairros rurais da Vila de Itu, no caminho que era passagem de tropas para o sul do Brasil, passando por Sorocaba, e do sul para as vilas mineradoras de Mato Grosso e Goiás, passando pelo mesmo caminho. No século XVIII os caminhos para o interior eram estreitos, sendo percorridos com o auxílio de mulas, burros e cavalos, que transportavam todo o comércio regional e de exportação. O arraial aparece como Indayatiba já nos registros do censo de 1768. Com uma pequena população que vivia, sobretudo, de suas roças de milho e feijão, esse arraial também é chamado de Cocaes, por causa dos seus campos de palmeiras Indaiá1. Encontramos, nos séculos XVIII e XIX, referência aos bairros de Piraí, Itaici, Mato Dentro, Buru e Indaia-


tuba. Como aconteceu também com outros povoados próximos, a dinâmica econômica trazida pela produção de açúcar e aguardente mudou a vida dos pequenos bairros rurais que formaram Indaiatuba: em cem anos cresceu o número de engenhos de tal modo que, por volta de 1850, já não havia aqui um só córrego com queda suficiente para mover uma roda d’água que não tivesse já a sua “fábrica de fazer açúcar”. Desse primeiro período de ocupação temos preservada a sede da Fazenda Engenho D’Água, patrimônio histórico de nossa cidade. Embora a referência mais antiga a esse engenho esteja no “Livro de Registros de Terras da Freguezia de Indaiatuba”, datado de 18 de setembro de 1855, acredita-se que ele foi erguido por volta de 1770, antes da existência do núcleo urbano que inclui a Igreja Matriz, a Casa Número 1 e o Casarão. Sua construção é de taipa-de-pilão, e suas paredes têm espessura de 0,64m a 0,75m. Construído com a frente para o Córrego Barnabé, o prédio serviu de sede para a fazenda, produtora de açúcar e, posteriormente, de café. Na segunda metade do século XIX, o café substituiu aos poucos o açúcar como principal produto de nossa agricultura de exportação. Sabemos que Joaquim Emígdio de Campos Bicudo, cafeicultor dono da Fazenda Pau Preto, comprou a propriedade do

espólio do padre Roriz, agrupando então a antiga fazenda Pau Preto a uma chácara vizinha que já possuía e à chácara onde estava o Casarão. Transferiu para lá a sede da fazenda e construiu uma nova área, feita conforme o padrão das indústrias inglesas do século XIX, de tijolo à vista. Lá instalou a primeira máquina de beneficiar café da cidade, movida a vapor. Em nove de dezembro de 1830 Indaiatuba tornou-se, por decreto do Imperador, sede de uma das Freguesias da Vila de Itu, englobando também os bairros de Itaici, Piraí, Mato Dentro e Buru. Em 1835 havia na sede da Freguesia, Indaiatuba, 142 habitantes, em Mato Dentro eram 454, em Itaici 625 e, em Piraí, 805 habitantes. Sua elevação à condição de Vila ocorreu em 24 de março de 1859. Com esse novo estatuto Indaiatuba ganha autonomia política em relação a Itu, passando a ter sua própria Câmara de Vereadores. A Câmara é, desde o período colonial até o final do Império, responsável pelo poder político local no Brasil. A função de Prefeito só passou a existir a partir da República. O Largo e a Igreja da Candelária, para além de seu caráter religioso, têm em sua arquitetura a marca histórica das formas de vida cotidiana e civil do século XIX, nossa mais antiga dimensão urbana. Nele vemos a Casa número 1, também do século XIX, o muro de

taipa do beco da matriz e, a poucos metros de caminhada, nos deparamos com o Casarão do Pau Preto, antiga chácara urbana que já pertenceu ao pároco da Candelária e à família Bicudo. No Largo da Matriz funcionou também o primeiro grupo escolar da cidade, no início do século XX. O projeto urbano da cidade inicia-se no século XIX, com um traçado quadriculado, feito “a cordel”, conforme a tradição racionalista já implantada nas cidades portuguesas e em algumas Vilas brasileiras desde o século XVIII. Esse traçado mantém-se no centro histórico da cidade até hoje, sendo parte de nosso mais antigo patrimônio urbano. No final do século XIX um acontecimento veio mudar a vida urbana de Indaiatuba: a estrada de ferro. O primeiro trecho da Estrada de Ferro Ituana foi feito entre Jundiaí e o nosso bairro rural de Pimenta, na fazenda do mesmo nome, inaugurado em 1872. Em 1873 iniciou-se o trecho Itaici-Piracicaba, passando por Indaiatuba. A estação primitiva de Indaiatuba não foi erguida pela Ytuana. A Câmara Municipal de Indaiatuba fez uma arrecadação publica de fundos e construiu por conta própria a primeira Estação, doando-a para a Ytuana. Essa primeira estação, inaugurada em 1880, fica à esquerda da Estação principal, funcionando hoje como uma oficinarevista RMC/1o semestre 2014

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-escola de liuteria. A “nova” Estação, onde hoje está o Museu Ferroviário, foi construída em 1911. Todo o conjunto da Estação Indaiatuba manteve suas principais características originais, que têm sido conservadas como parte da memória de sua época. Com a Estação de trem Indaiatuba viveu muitas mudanças. A ferrovia ligou a cidadezinha a São Paulo, possibilitou a ida e vinda cotidiana de pessoas e de mercadorias, o telégrafo, a chegada diária do correio.... Por ela chegaram os imigrantes, e por ela saíram as batatas, a madeira, todo comércio, enfim. Nela embarcaram nossos soldados na Revolução de 32. Nos trilhos da estrada de ferro, Indaiatuba recebeu, a partir do final do século XIX, muitos imigrantes da Suíça, Alemanha, Itália, Espanha e, já no século XX, imigrantes do Japão. Esses homens e mulheres dedicaram-se principalmente à agricultura, mas também ao comércio, às oficinas e manufaturas. O abastecimento de água também mudou no início do século XX. Havia, próximas ao povoado, duas “aguadas”, lugares de onde a população retirava água. Uma delas fica na nascente do córrego Belchior, perto da Estação de trem e da estrada para Itu. Em 1869 foi feita ali uma caixa d’água, coberta de tábuas, com paredes de pedras forradas de ladrilhos. Lá havia também um chafariz. Em 1915 foi feita uma nova caixa d’água vizinha ao Largo da Cadeia. Essa água vinha por bombeamento da aguada da Estação, 62

e não era potável. Dessa caixa a água era distribuída para oito torneiras públicas no centro, de modo que a população pudesse cuidar de seus afazeres cotidianos sem o esforço de ir ao rio. Muitos meninos da cidade trabalhavam pegando água em latas e vendendo-a nas casas. O projeto de captação de água realizado em 1915 foi a primeira obra de engenharia sanitária da cidade. Também previa a construção de uma lavanderia pública. A população usava a água da outra aguada, do chafariz que ainda existe _embora muito modificado_ para beber, e a água das torneiras para cozinhar, tomar banho, etc. Algumas casas também tinham poços artesanais, para retirar sua própria água. Nessa época o chafariz era muito freqüentado, seja para pegar água, seja para lavar as roupas. A água das torneiras públicas e do chafariz era levada em latas para as casas, e um serviço de entregas foi criado pelos meninos, que levavam as latas em carrinhos de mão até as casas, ganhando um dinheirinho. Ainda existe um desses carrinhos no museu do Casarão. Nesse período foram criados os primeiros jornais locais e nossos primeiros cinemas. Os jornais eram ligados aos grupos políticos locais, da situação ou da oposição. O grupo de oposição ao Major ascende ao poder durante o governo Vargas, quando os prefeitos passaram a ser nomeados pelo governador do Estado, sob intervenção federal. Com sua economia dividida entre as culturas de café,

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algodão, milho e batata, com algumas manufaturas e oficinas artesanais, a vida urbana concentrava-se nas lojas, armazéns, cinemas e na vida religiosa. A cidade cresceu pouco na primeira metade do século XX, voltada para a economia agrária. O Hospital Augusto de Oliveira Camargo foi construído por iniciativa do casal Augusto de Oliveira Camargo e Leonor de Paula Leite Barros Camargo, e inaugurado em 1933. A fachada do hospital “olha” para a Matriz e vice-versa, e junto com seu grande parque compõe uma bela paisagem urbana. Quando foi feito, o hospital era muito superior, em tamanho, equipamentos e logística a todos os demais equipamentos urbanos da pequena cidade. Sua área era de 4.500 metros quadrados e possuía o triplo de iluminação de toda Indaiatuba, que na época tinha 3 mil habitantes. O suporte financeiro do casal Camargo foi fundamental também para que a cidade ganhasse seu primeiro serviço de saneamento e para a construção do prédio novo do Grupo Escolar. Em 1937, no momento em que se iniciava o Estado Novo de Getúlio Vargas, o Grupo Escolar, que funcionava em um casarão no Largo da Candelária, ganhou uma sede especialmente construída para ele. A partir daí a praça Dom Pedro II, arborizada, bem cuidada, com seu Grupo Escolar, tornou-se o centro da vida estudantil da cidade, mas só tinha salas de primeira à quarta série. A maioria dos alunos acabava o Grupo e ia para o trabalho na lavoura ou na


indústria. O Randolfo foi a primeira a escola central da cidade, onde os melhores professores queriam lecionar, e todos os alunos almejavam estudar, com sua localização privilegiada, sua praça e tradição. Atualmente seu prédio abriga a Secretaria de Cultura, e é parte fundamental da memória e do patrimônio histórico edificado de Indaiatuba. Nos anos 60 e 70 também foi implantado o primeiro plano diretor de Indaiatuba, assinado por Jorge Wilheim em 1968. Esse desenho guiou a expansão urbana até a década de 80, quando, com seu crescimento acelerado por grandes ondas de migração, o projeto encontrou seu limite. A zona sul da cidade começou a ser ocupada sem planejamento, criando problemas urbanos e de circulação. No final dos anos 80 o arquiteto

A cidade vem ocupando primeiros lugares constantes nos índices de crescimento econômico com qualidade nos últimos anos, e está ligada por rodovias modernas a toda a região, e pelo aeroporto de Viracopos aos centros econômicos mundiais. Essa posição traz um crescimento urbano e populacional acelerado, com todos os riscos e benefícios que o acompanham. O início da ocupação de Indaiatuba, como ocorre em muitas outras cidades, é povoado de mistérios e suposições. Uma história bastante difundida é a da existência de um povoado perto da foz do córrego Barnabé, chamado Votura, que teria sido abandonado após uma epidemia de varíola, em meados do século XVIII. Outra história bastante divulgada diz respeito a uma capela em devoção a Nossa Senhora da Candelária, que teria sido criada e cuidada por José da Costa, também no século XVIII. Infelizmente é preciso dizer que essas duas histórias não têm nenhum registro nos documentos do século XVIII sobre nosso povoado, assim, não podemos considerá-las de fato como parte de nossa história. Relatamos então, neste texto, apenas os fatos que se encontram de acordo com os documentos abrigados pelos diversos arquivos de São Paulo. Encontramos, nos séculos XVIII e XIX, referência aos bairros de Piraí, Itaici, Mato Dentro, Buru e Indaiatuba. n

e urbanista Ruy Ohtake apresentou à cidade um projeto ousado, que propunha o traçado do Parque Ecológico como principal vetor urbanístico para o crescimento futuro da cidade. Este projeto, que iria nortear a expansão urbana de Indaiatuba até os dias atuais, ligou a cidade antiga, hoje na zona norte, à recém criada zona sul da cidade, conhecida como Morada do Sol, criando uma bela paisagem urbana e ampliando sobremaneira a qualidade de vida de toda a comunidade. Em 1991 o censo registrou 92.700 habitantes em Indaiatuba, número que em 2000 saltou para 146.829, e continua crescendo. O plano de Ruy Ohtake previa uma cidade com qualidade de vida urbana para até 250 mil pessoas, limite que se aproxima de nossa realidade urbana já no final da primeira década do século 21. Fonte: www.indaiatuba.sp.gov.br

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ITATIBA A PRINCESA DA COLINA

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m 1786 teve início a história da ocupação com a existência de 12 famílias pioneiras, vindas na sua maioria de Atibaia e Bragança Paulista, estabelecendo-se nas margens do Rio Atibaia. A partir de 1823 começou-se a delimitar a cidade e abrir as primeiras ruas, largos e praças e em 1º de novembro de 1857, ocorreu a emancipação político-administrativa. A primeira grande riqueza foi o café, na segunda metade do século XIX tal fato proporcionou um enorme desenvolvimento econômico para a cidade que devido sua grande produção, possuía inclusive uma ferrovia, a “Estrada de Ferro Carril Itatibense”. Na década de 1960, Itatiba obteve o codinome de “Capital do Móvel Colonial”, hoje apesar de manter a preferência dos consumidores que buscam mobiliário diferenciado e a preços adequados, a cidade oferece grande gama de lojas nas ruas 29 de abril, Luiz Scavone e no Shopping Móveis Itatiba. Atualmente, a indústria e a agricultura são as principais economias, destacando-se na produção de vagem e caqui. A cidade é reconhecida, como “Princesa da Colina”, por estar construída incrustada em colinas. Itatiba junto com mais nove cidades faz parte do Circuito das Frutas uma região repleta

de história, natureza, aventura e lazer. Itatiba Princesa da Colina ocupa a terceira posição no estudo realizado pela Firjan, que acompanha os municípios do Brasil, com base em estatísticas públicas oficiais em Trabalho, Educação e Saúde. A excelente colocação da cidade equivale a dizer que Itatiba é a terceira melhor cidade do Brasil para se viver. “Essa conquista é fruto do trabalho da administração, da visão diferenciada que temos da Saúde e da Educação e do intenso trabalho na atração de empresas para o município. Nos dá muito orgulho ocupar essa posição. É uma confirmação de que nosso trabalho está no caminho certo. Se esse estudo levasse em conta ainda outros fatores, como o clima, a localização e principalmente o caráter e o calor humano do povo itatibense, tenho certeza que estaríamos na primeira colocação”, disse o Prefeito João Fattori. O setor hoteleiro vem crescendo para atender demandas de áreas, terrestre como o turismo de eventos e negócios. Em Itatiba o mercado de hotelaria esta mais voltado para o turismo de negócios, e nos finais de semana turismo histórico, cultural, eventos e rural. Hotéis = 04

Resort = 01 Resort/Spa = 01 Hotel Fazenda Histórico = 02 Pousada = 06 Itatiba já não é aquela cidadezinha pequena do interior, pacata e sossegada. Principalmente na região central, durante a semana convivemos com o movimento intenso e o corre-corre característico das grandes metrópoles. A quantidade de restaurantes, lanchonetes, self-services, pizzarias e afins vem crescendo de forma representativa nos últimos anos em Itatiba. As opções de preço, muito elásticas, ajustam-se a qualquer orçamento, sem falar na variedade de tipos de comidas. Data de fundação: Emancipação Política 1857 Numero de Habitantes: 101.471 (IBGE – 2010) Alguns dos principais atrativos turísticos são: Praça da Bandeira, que fica na Rua Quintino Bocaiúva, antes denominada como Largo da Matriz, a atual Praça da Bandeira é o principal logradouro da cidade. Já foi palco de grandes acontecimentos como a antecipada libertação dos escravos no município, revista RMC/1o semestre 2014

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ocorrida nos dias 28 e 29 de abril de 1888, semanas antes da assinatura da Lei Áurea. Remodelada em 1914, o seu projeto seguia as linhas (em miniatura) dos Jardins de Versailles. Vale a pena ver: um dos detalhes marcantes daquela época, e que ainda permanece na paisagem, é o seu coreto. Com base em alvenaria, a sua estrutura em ferro foi fabricada em São Paulo pela Fundição do Braz e seguia o estilo dos coretos de início do século XX. Paço Municipal Prefeito “Roberto Arantes Lanhoso”, Praça XV de Novembro, nº 1, o Paço Municipal ‘Prefeito Roberto Arantes Lanhoso’ foi construído em 1927 em estilo eclético para ser utilizado como sede da Câmara Municipal. Posteriormente, passou a abrigar o gabinete do Prefeito e algumas Secretarias. Em 1995 o prédio passou por uma completa restauração que lhe devolveu os detalhes dos afrescos originais e as pinturas decorativas das paredes. Hoje, o prédio abriga o Centro de Capacitação Solidária um espaço do Fundo Social de Solidariedade que oferece cursos gratuitos de capacitação para a população. Vale a pena ver: em seu salão principal encontra-se exposto o antigo mobiliário utilizado pelos vereadores itatibenses, incluindo uma mesa bastante original com repartições para cada um dos oito edis, bem como a mesa utilizada pelo presidente da Câmara.n Fonte: www.itatiba.sp.gov.br

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MONTE MOR M

uito tempo antes do Brasil ser descoberto pelos Portugueses, a área do Município de Monte Mor já era conhecida e habitada por Índios da tradição Tupi-Guarani. Vestígios desta cultura, como fragmentos de cerâmica e material lítico foram encontrados em escavações sistematicamente realizadas nos sítios Tapajós e Rage Maluf a partir de 1971. Fatores como a boa qualidade do solo e a água em abundância, através dos rios, ribeirões e córregos, contribuíram para atrair e fixar o homem neste local. Os primeiros a se fixarem, em razão destes fatores, foram os Índios, como mencionamos acima; bem mais tarde os cargueiros, que vindos de Piracicaba, conduziam suas mercadorias agrícolas para serem comercializadas em centros maiores como São Paulo e Santos, encontravam aqui condições adequadas para um pouco de descanso. Já no final do século XVIII, temos a informação de que o Coronel Modesto Antonio Coelho Neto e o Alferes Luis Teixeira de Tolledo, receberam por sesmarias terras nesta região, estabeleceram-se aqui com suas famílias e escravos com o propósito de cultivá-las. Em épocas posteriores, famílias vindas de Itú, Porto Feliz, passaram a adquirir, através de compra, suas propriedades, cultivando-as, tendo assim iniciado o desenvolvimento de Monte Mor. O núcleo urbano era pequeno

Natalinas e Feira de Artesanato Mensal, com espaço aberto para os artistas da cidade. Vale ressaltar as festas religiosas com uma organização social incipiente. que mantém tradições há muitas décaComo católicos fervorosos, em 1820 das e festas juninas como a da Associação as famílias Ferreira Alves, Bicudo de Assistencial Montemorense (Asilo) e da Aguirre e Aguirre Camargo, doaram Escola Municipal Coronel Domingos terras para a construção e sustentação de Ferreira. uma Capela sob a invocação de Nossa Senhora do Patrocínio. Nesta época o Aspecto Esportivo – A Prefeitura manlocal era denominado Capela Curada tém: Escolinha de Judô, Escolinha de de Nossa Senhora do Patrocínio de Karatê, Escolinha de Natação, Escolinha de Futebol, Escolinha de Skate. A Capivari de Cima. Diretoria de Esportes do Município coAspecto Cultural – A Prefeitura man- ordena o funcionamento de cinco locais tém: 2 Bibliotecas, Museu, Fanfarra de práticas esportivas de médio porte, Municipal, Clube da Melhor Idade, sendo Ginásio Poliesportivo – Centro, Grupo de Hip Hop, Projeto Guri e Ginásio de Esportes no Jardim Paulista, Grupo Jovem de Violão. Os principais Conjunto Desportivo Joaquim Batista eventos são – Encontro de Motociclistas Alves, o Joaquinzão, várias áreas de lazer e e Triciclos, Carnaval de Rua, Festivi- de práticas esportivas particulares como dades do Aniversário da Cidade, Festa Monte Mor Country Clube (Clube de da Costela Fogo de Chão, Gincamor, Campo), Sopé Camping, 3 academias Festa do Peão, Semana Cultural, Desfile Esportivas, Nosso Clube (atual Recinto de 7 de setembro, Festival de Música da Festa do Peão), Lyllis Eventos (Casa Sertaneja, Miss Monte Mor, Concurso Noturna) e Kauai Bar. n de Fanfarras e Bandas, Comemorações Fonte: www.montemor.sp.gov.br

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JAGUARIรšNA

Maria Fumaรงa

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um município da Região Metropolitana de Campinas, no estado de São Paulo, no Brasil. Sua população aferida em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística era de 41 107 habitantes. A primeira ocupação humana da região de Jaguariúna, como a de todo o continente americano, foi de povos ameríndios. A partir do século XVII, a região passou a ser frequentada por bandeirantes a caminho de Goiás e Mato Grosso, provenientes de São Paulo. Na mesma época, começou a ser plantada cana-de-açúcar na região. Os canaviais cederam lugar às plantações de café, no século XIX . Em 3 de maio de 1875, foi inaugurada a estrada de ferro ligando Campinas a Jaguari, margeando o Rio Jaguari . Na região então denominada Jaguari, existia uma grande fazenda de propriedade do coronel Amâncio Bueno chamada Fazenda Florianópolis. Na década de 1880, o coronel loteou a fazenda e propiciou a instalação, no local, de imigrantes portugueses e italianos. Em 19 de fevereiro de 1892, foi criada a Paróquia

É

Rodeio de Jaguariúna

de Santa Maria, em Jaguari. A Lei 433, de 5 de agosto de 1896, criou o distrito de paz de Jaguari, pertencente a Mojimirim. Pelo Decreto-lei 14 344, de 30 de novembro de 1944, foi acrescido, ao nome do distrito, o sufixo de origem tupi “una”, que significa “preto”. Em 30 de dezembro de 1953, a Lei 2 456 tornou Jaguariúna emancipada de Mojimirim, passando a constituir um município autônomo. “Jaguariúna” é um vocábulo tupi que significa “rio preto das onças”, através da junção dos termos îagûara (onça), ‘y (água, rio) e un (preto). Vale destacar que o brasão da cidade, que mostra uma onça preta ao lado de um rio azul, incorre num erro em relação à etimologia tupi do nome da cidade: o correto, do ponto de vista etimológico, seria o brasão mostrar uma onça comum ao lado de um rio negro. Fica no município de Jaguariúna o terminal da Viação Férrea Campinas-Jaguariúna, uma linha turística com locomotivas a vapor (“marias-fumaça”), mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. n Fonte: www.jaguariuna.sp.gov.br

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NOVA ODESSA

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desenvolvimento da região que circunda Nova Odessa teve as suas origens nas sesmarias, concedidas no fim do século XVIII. A primeira referência: “de possuidores de glebas de terras por aquelas paragens. . .” - “ na paragem de Salto Grande, há mais de 50 anos (1771), ali cultivando e residindo com fábrica de açúcar e sua manufatura...(História da Cidade de Campinas, de Jolumá Brito, vol. 18, pág. 9). Logo deparamos com a concessão de sesmarias no Quilombo, nos anos de 1798, 1799, 1802 e 1822. As sesmarias e a subdivisão de terras: Uma sesmaria abrangia áreas de grandes proporções e era geralmente concedida a várias pessoas À medida que a terra ia sendo ocupada, grandes fazendas se formavam, aos poucos subdivididas entre descendentes e agregados. Depois vinham os pequenos núcleos e os vilarejos. E a venda e revenda de propriedades torna-se praticamente impossível documentar em detalhe essa evolução. As sesmarias concedidas no Quilombo foram as seguintes: Em 20 de abril de 1798, a Joaquim

José Teixeira Nogueira e Ignácio Caetano Leme, nas margens do Ribeirão do Engano - Barra do Quilombo. Em 20 de abril de 1799, a Maria Tereza do Rosário, Joaquim da Silva Leme e Rafael de Oliveira Cardoso, Ribeirão do Engano Barra do Ouilombo. Em 2 de abril de 1802, a João do Prado Câmara, João de Souza Azevedo e Maria Ferraz Quilombo. Em 6 de agosto de 1822, a Gerónimo Cavalheiro Leite, Pedro Antunes de Oliveira e Capitão André de Campos, terras no Quilombo. Somos levados a assumir que a sesmaria de Joaquim José Teixeira Nogueira (1798) abrangia terras que hoje compõem Nova Odessa e municípios vizinhos. É fácil seguir a descendência do Sargento Mor (depois Capitão) Joaquim José Teixeira Nogueira, desde as grandes propriedades do século XIX, às fazendas e sítios do século XX. Os córregos São Francisco, Palmeiras (hoje Palmital) e Capoava, levam o nome de propriedades suas ou de seus descendentes. Devemos também presumir que os limites de outras sesmarias também atingissem áreas que hoje fazem parte do nosso município.

Em 1873 foi iniciada acolocação dos trilhos que ligariam Campinas a Rio Claro, atravessando as terras que hoje são Nova Odessa. Começaram a chegar os trabalhadores, que acampavam ao longo da faixa de terra por onde os trilhos iam passar. A maioria era de imigrantes portugueses.Todo o trabalho era feito com enxadões e pás. A terra transportada em carroças. Pedras eram quebradas para revestir o leito da estrada e dormentes assentados. As matas margeando a estrada forneciam boas madeiras. Depois de dois anos de intenso trabalho, a 27 de agosto de 1875, a linha foi aberta ao tráfego. Era uma sexta-feira e o trem inaugural partiu de Campinas às seis e quinze, fazendo o percurso até a Estação de Santa Bárbara (que em 1900 passaria a chamar-se Villa Americana), em hora e meia, inaugurando se no caminho a Estação de Rebouças (Sumaré, desde 1944). Na Estação de Santa Bárbara foi servido um delicado lanche. No trem, viajaram como convidados especiais, o Imperador Pedro II, o

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Conde D’Eu, Príncipe Consorte, o padre Vicente Pires da Motta, Presidente da Província, Secretários de Estado e a diretoria da Companhia Paulista de Vias Férreas e Fluviais. Durante trinta anos passaram os trens pelas terras do Pombal (Nova Odessa) sem que houvesse uma parada no local. A Colônia possuia estrada de ferro, cujos trilhos já haviam chegado em 1873. Em 1912 foi construído o ramal de Piracicaba que aumentou sobremaneira o movimento de viajantes e permitiu à estação ser um dos pontos de parada. A ferrovia foi inaugurada por Dom Pedro II em 1875. A estação de Nova Odessa foi construída em 1929. A de Recanto foi aberta ao tráfego em 1916. Origens da Criação do Núcleo Colonia Durante três séculos o Brasil viveu quase que exclusivamente da mão-de-obra escrava, de origem africana. No início do século passado, ativou-se um movimento mundial de repúdio à escravidão, que viria modificar toda a estrutura de trabalho no mundo ocidental. O Brasil, em 1870, era o único país do ocidente que ainda não abolira a

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escravatura. Dentro desse contexto, o governo brasileiro logo começou a incentivar a vinda de imigrantes estrangeiros, não só para substituir o “braço escravo”, mas também como forma de apressar o desenvolvimento da agricultura no seu imenso e pouco explorado território. Sempre que algum fator político, econômico ou social afetava outros países ou regiões, originando um movimento migratório, o Brasil procurava atrair esse fluxo para as suas terras. Assim vieram os suíços-alemães, os alemães, os norte-americanos, os italianos, poloneses, russos, húngaros, letos e outros. Em 1904, quando Carlos Botelho assumiu a Secretaria da Agricultura, era política vigente a criação de núcleos coloniais para imigrantes de mesma origem étnica. O governo tinha por norma comprar terras de particulares e, dividindo-as em lotes, revendê-las aos imigrantes, a prazo de cinco anos. Num despacho de Carlos Botelho, de 1º de julho de 1905, lê-se: “interessa ao governo, somente as propriedades à vista das estradas de ferro e de grande extensão”. Nessa época a maior imigração era de italianos. Para exemplificar a importância que tinha o movimento de imigrantes, citamos o fato do governo da Itália começar a dificultar a emigração para o Brasil, canalizando-a para as suas possessões na África. Carlos Botelho convidou o cônsul da Espanha para visitar os núcleos coloniais e as terras disponíveis, com vistas a atrair imigrantes espanhóis, o que logo conseguiu em larga escala. Isso criou tal ambiente na Itália que obrigou o governo italiano a re-

considerar sua decisão e a levantar as restrições impostas. No caso de Nova Odessa, deu-se o fato de estar havendo um grande movimento migratório na Rússia, em razão de graves conturbações políticas e sociais. Como resultado dos reveses militares da guerra russo-japonesa (1904/5), agrava-se a situação interna da Rússia. Em janeiro de 1905, a fuzilaria do “domingo vermelho” destruiu a confiança do povo no czar. Greves, motins, revoltas e atentados se sucedem. Milhares de famílias russas abandonam o país e espalham-se por toda a Europa. Muitos emigram para os Estados Unidos. Carlos Botelho logo instruiu o seu auxiliar e amigo Augusto Ferreira Ramos (que estava em Nova York em missão do governo), para estudar a possibilidade de canalizar parte desse movimento para o Brasil. Em princípios de março de 1905, Augusto Ramos assistia em Nova York o desembarque de imigrantes russos, que lhe causaram ótima impressão. Ainda em março, em Londres, informava-se sobre a melhor forma de trazer esses colonos. Em 13 de abril, assinava contrato com a companhia de navegação Royal Steam Packet Company, para esse efeito. E em maio já chegavam a Santos e a Nova Odessa (Pombal) os primeiros onze russos. (Relatório da Hospedaria dos Imigrantes do mês de maio de 1905 - Arquivo do Estado São Paulo, ordem 4680). Paralelamente, no Brasil, Carlos Botelho, em fevereiro de 1905, providenciava a compra da primeira fazenda do novo núcleo, a Fazenda Pombal, cuja escritura foi lavrada em 11 de março.

Em seguida foram estabelecidas as bases para a instalação do novo núcleo, demarcados os lotes e, a 24 de maio de 1905, criado oficialmente o Núcleo Colonial de NOVA ODESSA, pelo decreto nº 1286. A primeira referência a “camaradas russos” trabalhando no Núcleo, é o dia 29 de maio, e encontra-se no “diário” mantido pelo administrador, Cândido de Albuquerque. (Arquivo do Estado - São Paulo, ordem 4681) Também na prestação de contas do Núcleo, do mês de maio, encontramos o pagamento feito a seis trabalhadores, cujos nomes são obviamente russos e de origem judaica. (Arquivo do Estado - São Paulo, ordem 7196)”. Colonização - Os Primeiros Imigrantes Em 2 de agosto, desembarcaram em Santos, procedentes de Southampton, trazidos pelo vapor Aragon, mais 379 judeus russos. Foram enviados para vários núcleos, entre eles o de Campos Salles e o de Nova Odessa. Achamos também uma anotação de 4 de setembro, da Hospedaria dos Imigrantes, informando que estavam mandando mais quatro famílias de russos para Nova Odessa, fora as três que já tinham ido dias antes. Examinando a relação de imigrantes chegados em 2 de agosto, verificamos que quase não havia agricultores entre eles. Anotamos as seguintes profissões: sapateiro, pedreiro, cocheiro, caixeiro, padeiro, serralheiro, funileiro, pintor, carregador, lavador de roupa, mascate, acróbata, tecelão, cozinheiro, ferreiro, foguista, tanoeiro, carniceiro, maquinista, prestidigitador, revista RMC/1o semestre 2014

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sem profissão, curtidor, chapeleiro, vendedor de frutas, tapeceiro, negociante, alfaiate, eletricista etc. (Arquivo do Estado, ordem 4682). Somos levados a crer que as primeiras levas de russos, enviados pela agência da companhia de navegação, ao preço de 135 shillings por adulto e de 77 por menor de doze anos, eram de imigrantes desqualificados para a agricultura, que estavam deslocados pelos países da Europa, principalmente na Inglaterra, e que a agência mandou sem maiores cuidados. Foram enviados para os núcleos coloniais e, não estando afeitos a trabalhos rurais, logo abandonaram essas colônias, dispersando-se pelas cidades maiores. Entretanto, o Núcleo Colonial Nova Odessa havia sido criado, especificamente para a localização de imigrantes russos. O governo fez gestões junto à Legação do Brasil em São Petersburgo, procurando trazer imigrantes diretamente do Império Russo e pre74

tendendo lá iniciar uma propaganda a favor da migração para o Brasil. Em resposta, por carta de 31 de agosto de 1905 (Arquivo do Estado, ordem 4682), o Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro, informa que o governo russo era contrário à emigração de seus súditos. Que apenas os israelitas tinham a saída sempre facilitada. Dificultava-se assim a emigração de russos qualificados para a lavoura e também fica esclarecido que nunca veio nenhum grupo de emigrantes da cidade de Odessa. Em fins de 1905, poucas famílias russas permaneciam no núcleo e o governo começou a fazer diligências para a vinda de imigrantes letos, enviando João Gutmann a riga, capital da Letônia, então província da Rússia. Também levava em consideração os esforços de Júlio Malves para trazer famílias letas de Santa Catarina. Datados de 8 de janeiro de 1906, encontramos ainda os processos de

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compra de lotes, em Nova Odessa, de lvas Zuk (lote 24), Marck Pipman (lote 30), Mendel Bendernsky (lote 13) e Mark Shwarzman (lote 31). Todos esses processos tem despacho de Henrique Ribeiro, em 9/1/1906, de Carlos Botelho, em 15/1/1906 e, aos três primeiros, foram dados títulos provisórios de propriedade, em 20/1/1906. Após isso, apenas encontramos referências à colonização leta, que se deu a partir de junho de 1906 e que consolidou a implantacão do núcleo. n Fonte: www.novaodessa.sp.gov.br


PAULÍNIA A

história da cidade de Paulínia remonta à época colonial, quando o governo português doava sesmarias (grandes extensões de terra) a pessoas interessadas em cultivá-las. Em nossa região, há notícias de duas

grandes sesmarias doadas em 1796 e 1807 que, pela localização (entre os rios Atibaia e Jaguari) ficavam onde hoje está Paulínia. Barreto Leme, que havia chegado a Campinas em 1739 recebeu, 34 anos depois, de Morgado Mateus o título de “Fundador, Admi-

nistrador e Diretor” daquela cidade. Paulínia era um sertão inculto, nos arredores de Campinas, com flora e fauna exuberantes, habitado por índios. Em 1885 o Comendador Francisco de Paula Camargo comprou a Fazenda São Bento, enorme propriedade de terra, para produzir café, cujas primeiras mudas, seu avô materno, homônimo, havia trazido do Rio de Janeiro para Campinas em 1817. Além da São Bento, outras grandes fazendas da região da atual Paulínia eram: A Morro Alto (de José

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Guatemozin Nogueira), a São Luís (de Francisco da Rocha), a Fortaleza (de Domingos de Salles Júnior), a São Francisco (de Heitor Penteado e seus irmãos), a Santa Genebra (pertencente ao Barão Geraldo de Rezende que localizava-se onde hoje está aquele distrito), e a maior de todas, em terras onde hoje está a cidade de Cosmópolis, chamada de Fazenda do Funil ( pertencente a José Paulino Nogueira, seus irmãos: Artur, Sidrack e seu genro Paulo de Almeida Nogueira).Interessante destacar que as atuais cidades de Paulínia, Sumaré, Valinhos e Cosmópolis eram, na época, bairros periféricos de Campinas, afastados do centro e sem nenhum tipo de melhorias ou benefícios. Em 1903 é inaugurada, em terras da Fazenda São Bento, uma capela em honra ao mesmo santo. Ao redor dessa capela, ainda hoje existente no centro de Paulínia, começa a desenvolver-se um vilarejo, também conhecido como “São Bento”. Esse santo era muito popular por essas bandas devido ao poder a ele atribuído de proteger seus devotos contra picadas de cobras, abundantes na região (“São Bento, livrai-me desse bicho peçonhento...”). Por volta de 1880, houve um intenso movimento entre fazendeiros da região visando a construção de uma estrada de ferro, que viesse facilitar o escoamento da produção agrícola das fazendas, enormemente prejudicado pela presença dos rios Atibaia e Jaguari, que dificultava sobremaneira a comercialização dos produtos. Esse movimento culmina com a aprovação de empréstimos para a construção da Cia. Carril Agrícola Funilense, ligando Campinas à Fazen76

da do Funil. Iniciam-se nessa mesma década, vários projetos de imigração, visando substituir a mão de obra escrava, recém-liberta, por estrangeiros que, fugindo da miséria da Europa, buscavam no Brasil novas chances de sucesso. Imigrantes, na maioria italianos, começam a chegar a Paulínia para trabalhar nas fazendas por volta de 1887. A chegada dos imigrantes e a inauguração da Estrada de Ferro (em 18/09/1899) estabeleceram uma nova ordem econômica e social no bairro de São Bento, mesclando aos costumes dos habitantes das fazendas novos hábitos, músicas, cultura e religião. Em 18 de setembro de 1899, foi inaugurado não só o trecho carroçável da Cia. Carril Agrícola Funilense, mas também as várias estações ao longo do percurso, todas elas recebendo nomes de diretores e membros da própria Companhia: “Barão Geraldo”, “José Paulino Nogueira”, “João Aranha”, “José Guatemozin Nogueira” e “Artur Nogueira”, dentre outras que levaram o nome da fazenda onde estavam situadas: “Santa Genebra”, “Deserto”, “Santa Terezinha” e “ Engenho”. Obviamente, os bairros onde estavam essas estações foram sendo conhecidos pelos mesmos nomes. Surge, assim, a vila “José Paulino”. Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto-lei 14334, a vila de “José Paulino” foi elevada à condição de Distrito, com o nome de PAULINIA.Esse Decreto impedia que localidades usassem nomes de pessoas. “Cosmópolis”, no mesmo ato, foi elevado à condição de município; “Rocinha”, elevado a município com o nome de “Valinhos”; “Rebouças” elevado a vila com o nome de “Sumaré” e “Arraial dos Souzas” elevado a Vila

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com o nome de “Souzas”. Desde 1942 Paulínia vinha aumentando a arrecadação de impostos para Campinas devido à implantação, naquele ano, de uma unidade da Rhódia Indústrias Químicas e Têxteis. Essa empresa, pioneira na cidade, alterou consideravelmente a economia não só do Distrito, mas de toda a região. Em 1956 chega a Paulínia o funcionário aposentado da Assembléia Legislativa do Estado José Lozano de Araújo. Consciente do potencial econômico do Distrito, funda a entidade “Amigos de Paulínia” e arregimenta vários homens das famílias mais antigas do local. Começa um movimento emancipatório que culmina com um plebiscito realizado em 06 de novembro de 1963, decidindo dessa forma a autonomia política do Distrito. Em 28 de fevereiro de 1964 o Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou a Lei 8092, criando o município de Paulínia. As primeiras eleições foram realizadas em 07 de março de 1965, tendo sido eleito Prefeito o candidato único do PSP (Partido Social Progressista)


José Lozano de Araújo. Os primeiros vereadores, cuja função era voluntária, foram: Hélio José Malavazzi (presidente da Câmara pelos quatro anos consecutivos), Angelino Pigatto, Anízio Perissinotto, José Motta, João Beraldo, Hélio Ferro, José Improta, Mário Gervenutti Ferro e Orlando Trevenzolli. Em 4 anos Paulínia transformou-se: Tinha 6000 habitantes e uma renda per capita gerada (gerada pela Rhódia e outras empresas de menor porte) invejável: todas as ruas calçadas, isenção de impostos municipais para todos os habitantes, água encanada e rede de esgotos em todos os bairros, pavimentação das estradas de acesso, tendo sido construído o prédio da Prefeitura Municipal, que

res pólos petroquímicos da América Latina, Paulínia teve seu desenvolvimento acelerado que encaixou-se de forma harmoniosa aos esforços de um perfeito planejamento. Além de benefícios como transporte municipal, serviço médico, odontológico, obras sociais, escolas e moradias, seus moradores são unânimes em afirmar que a cidade foi contemplada pela abundância do verde e flores que se fazem presente nas ruas, praças e parques, formando um ecossistema de milhares de exemplos de flora, fauna e fonte de águas minerais que proporcionam ao visitante um constante e agradável convívio com a natureza. Dentro de um raio de 200 km a partir de Paulínia, situam-se cidades como: São Paulo, a capital do Estado, Santos, Campinas, Piracicaba, Americana, Limeira, Rio Claro e São Carlos. Ainda dentro desta área, há que se destacar o Aeroporto Internacional de Viracopos, que possui um permanece até hoje. “Paulínia - dos Trilhos da dos mais importantes terminais aéreos Carril às Chamas do Progresso” de carga do país. Nesta pequena fatia Autoras: Maria das Dores Soares Ma- do Estado de São Paulo, é gerada a ziero e Meire Terezinha Müller Soares parte mais importante do produto nacional bruto do Brasil. Fonte: www.paulinia.sp.gov.br Localização Localizada a nordeste do Estado de São Paulo, dista apenas 118 km da Capital, possuindo por isso situação geográfica e clima privilegiados. Suas raízes remontam originalmente de uma velha sesmaria dos fins do século XVIII, sendo que por volta de 1919 era conhecida como a Estação de José Paulino, Foi distrito de Campinas emancipando-se a 28 de fevereiro de 1964. Com a instalação de um dos maiorevista RMC/1o semestre 2014

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PEDREIRA

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P

edreira nasce do sonho de um homem. Um dia, o Cel. João Pedro de Godoy Moreira acordou determinado a transformar a sua fazenda em uma cidade e arregaçou as mangas: loteou os terrenos, fez arruamentos, doou terrenos para a construção da Capela de Sant’Ana, localizada no largo da antiga Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, da Delegacia e da Cadeia, localizadas na Praça Cel. João Pedro, o hospital para o isolamento de doentes de moléstias contagiosas, conhecido como “Hospital de Isolamento” ou “Lazareto”, o cemitério, a escola. Fez demandas à Comarca de Amparo para a elevação da vila em Município. Encontrou resistências; não desistiu, pelo contrário, insistiu até obter o que queria. Foi a São Paulo, também enfrentou a burocracia. Elevou a vila à Capela Curada, depois à cidade.Fez festa, comemorou e o Bairro dos Pedros transformou-se em Santana de Pedreira, mais tarde, Pedreira. A Fazenda Grande como era chamada foi dividida na partilha de bens de seu pai, o Tenente Cel. João Pedro de Godoy Moreira em 1864, cabendo a seu filho, João Batista de Godoy Moreira a área conhecida como Fazenda Triunfo, onde até abril de 2007, encontrava-se a casa que pertenceu ao fundador de Pedreira. Após a partilha dos bens, João Batista foi adquirindo as terras que foram herdadas pelos seus irmãos e passou a ser o dono do terreno onde hoje se encontra a praça que tem seu nome e que foi o núcleo originário da cidade. Após a morte de seu pai, João Batista assume o seu lugar na família e na política local, adotando também o nome de seu pai, Cel. João Pedro de Godoy Moreira e torna-se um dos mais prestigiosos chefes políticos de Amparo. Foi fazendeiro, industrial, negociante, banqueiro e construiu um patrimônio considerável. Mas também foi várias vezes vereador, Juiz de Paz, Subdelegado. Era maçon, fundando a Maçonaria em Pedreira. Lutou pela estrada de ferro passar em Pedreira revista RMC/1o semestre 2014

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e pela emancipação da cidade que ele ajudou a construir. Descendia de uma família quatrocentona, que se iniciou com a vinda do primeiro patriarca na expedição de Martin Afonso de Souza. Esta família fez parte da história de São Paulo, Mogi das Cruzes, Atibaia e Amparo, onde seu avô já se encontrava instalado como fazendeiro em 1801. Descende, assim, de bandeirantes, fundadores de cidades em São Paulo, Minas e Goiás. Talvez estivesse em seu sangue o empreendedorismo que tanto o caracterizou em vida. Casou-se em primeiras núpcias com Francisca Eugênia Alves Moreira e em segundas núpcias com Virgília Silveira de Arruda, sua sobrinha. Na atual Praça Cel. João Pedro localizava-se a sede da Fazenda Grande da qual fazia parte a casa conhecida como “Casa do Coronel”, como se 80

pode verificar pelas fotos da antiga rua da estação no início do século XX. A propriedade ocupava quase todo o lado esquerdo da antiga rua, que a estrada de ferro cortava ao meio. Esta região, denominada Fazenda Sant’Ana, havia sido herdada por Joaquim Pedro de Godoy Moreira no inventário de Anna Franco da Cunha. Ao morrer herda a propriedade seu único filho, José Pedro de Arruda de Godoy Moreira, esposo de Virgília Silveira de Arruda de Godoy Moreira, sobrinha e segunda esposa do Cel. João Pedro de Godoy Moreira. Em 13 de dezembro de 1887, o Cel. João Pedro de Godoy Moreira compra esta propriedade da viúva Maria Luiza de Arruda e de seu sobrinho por 16 contos de réis. De posse deste terreno, mais uma área de 29 hectares e quatro ares, que possuía e que fazia limites com a fazenda comprada, re-

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solve lotear e arruar estas terras e dar início à cidade de Pedreira, que por seu esforço pessoal torna-se Distrito Policial em 1890, Capela Curada em junho de 1892, Distrito de Paz e Freguesia em 22 de dezembro de 1890 e Município em 31 Nesta época, Pedreira já estava povoada pelos imigrantes italianos que haviam vindo para trabalhar na lavoura do café. Mas muitos deles já eram proprietários de estabelecimentos comerciais e industriais que deram a configuração ao município de uma cidade industrial e moderna, vindo a destacar na industrialização a produção de porcelana que teve seu início em 1914, com a instalação da Fábrica de Louças Santa Rita, dos irmãos Ângelo e Antonio Rizzi, além da Cerâmica Santana em 1941 e a Nadir Figueiredo em 1943, que sobressaem entre as primeiras indústrias do gêne-


Antonio PEDRO, José PEDRO, Joaquim PEDRO e Bento PEDRO, e seu pai que também se chamava João PEDRO de Godoy Moreira.

ro, vindo a seguir dezenas de outras que configuraram o parque industrial da cidade. O traçado e a extensão da cidade podem ser visto no mapa que está anexo ao inventário do Tenente Cel. João Pedro de Godoy Moreira, pai do fundador da cidade e que está exposto no Museu Histórico e da Porcelana de Pedreira, na Sala da Fundação de Pedreira. Por ele pode-se ter uma noção da extensão e dos limites do povoado na sua origem. No início da cidade, Pedreira tinha poucas ruas e casas. Em 1889, a cidade contava com 70 habitações. Mas era um povoado bastante dinâmico, possuindo padarias, açougues, ferrarias, casa de negócios para fazendas, gêneros da terra e estrangeiros, ferragens, calçados, armarinhos, etc. Possuía também um hotel, chamado Hotel Galli, com restaurante e que servia de

local para a sociedade promover festas e encontros aos domingos. Em 1889, a cidade sofre uma ampliação de seus limites geográficos e do traçado original da cidade, algumas ruas desapareceram, outras surgiram, muitas mudaram de nome. Assim, em 2011, 115 anos após a emancipação do município, Pedreira conta com mais de 47 bairros e uma população de mais de 41 mil habitantes. Por que Pedreira? Apesar das muitas pedras desta região, principalmente dentro do Rio Jaguari para onde a multimilenar erosão as carreou, o topônimo PEDREIRA tem outra origem, não das pedras, mas dos muitos PEDRO existente na família do fundador da cidade, o Cel. João Pedro de Godoy Moreira, que teve como irmãos,

Daí então o lugar se denominar inicialmente de “Sertão do Jaguary”, anos após, “Bairro do Cascalho”, em seguida, “Bairro dos Pedros”, “Estação Pedreira”, quando da construção da Estação Mogiana de Estradas de Ferro em 1875. Em 1890 é elevada à categoria de “Freguesia de Pedreira” e finalmente PEDREIRA, quando foi emancipada em 31 de outubro de 1896, através da Lei n.º450 sancionada pelo Presidente do Estado de São Paulo, Dr. Manoel Ferraz de Campos Salles que elevou o Distrito de Paz de Pedreira a Município pertencente à Comarca de Amparo. História da Porcelana em Pedreira A fabricação de porcelana em Pedreira inicia-se com a fabricação de utensílios domésticos feitos de cerâmica tradicional (somente de argila), como moringa, talha, potes de barro, panelas, pratos e canecas. Essas peças eram fabricadas por um grupo de portugueses nas propriedades da família Rizzi. Sendo nessa família, dois irmãos, Ângelo e Antonio Rizzi, possuíam além das fazendas Areia Branca, Pirajá, Ingatuba e São João Baptista, comércio de secos e molhados e uma Casa Bancária. Anteriormente à instalação da primeira indústria de porcelana dos irmãos Rizzi, havia uma família de italianos, os Bonadio, que trabalhavam junto ao rio Jaguari, onde atualmente se encontra instalada a Unidade II da revista RMC/1o semestre 2014

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Cerâmica Santa Terezinha (antiga São Sebastião), no qual aqueles imigrantes começaram a fabricar peças como vasos, jarras e travessas em cerâmica vermelha. Porém, o Sr. Emílio Bonadio tomou um empréstimo na Casa Bancária dos Rizzi e não podendo saldá-la, entregou seus equipamentos aos irmãos Rizzi que assim, começaram oficialmente a produzir porcelana na Cerâmica Santa Rita em 1914. Como os dois irmãos não possuíam experiência no ramo, contrataram os técnicos italianos, José Zappi e Mário Zappi, que foram contratados pelo Consulado Italiano para ensinar as técnicas da produção de porcelana em 1913 na indústria Fagundes & 82

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Ranzini em São Paulo, vindo então para Pedreira a fim de aprimorar o processo da fabricação desenvolvido por alguns portugueses na olaria dos Rizzi, onde esses já fabricavam utensílios em cerâmica. Os técnicos italianos Zappi, vieram do Vale do Pó, na Itália, onde as indústrias não possuíam chaminés altas, por isso, quando implantaram seus conhecimentos em Pedreira, eles encontraram dificuldades com os fornos. Porém, os Rizzi saíram de Pedreira e foram visitar outras empresas, e designando-se como compradores, constataram que os fornos tinham chaminés altas. Ao retornar para Pedreira, eles só tiveram o trabalho de aumentar o

tamanho das chaminés e daí, o sucesso foi total. A Fábrica de Louças Santa Rita, dos Rizzi, inclui-se, portanto, entre as primeiras indústrias do gênero no Brasil e na América Latina. Desta fábrica, outras surgiram na cidade, onde os funcionários aprendiam as técnicas e acabavam montando suas próprias fábricas, e assim nasceram a Cerâmica Santana, Cerâmica São Sebastião, Porcelana São Jorge, Cerâmica São José, Cerâmica Santa Terezinha, Cerâmica São Joaquim, Porcelana São Paulo, Porcelana Santa Isabel, Cerâmica Sagrado Coração de Jesus, Cerâmica São Gabriel, Porcelana São João, Cerâmica Pedreirense, Santa Luzia,


pio de Pedreira, cortado pelo Rio Jaguari, tem sua economia respaldada no setor industrial. Sua beleza paisagística começa atrair o interesse de empresas de alta tecnologia.

Santo Antonio, São Luís, São Benedito, Broglio Cerâmica, Horacílio Rodrigues, Bela Vista, Santa Inês, Nossa Senhora de Fátima, Santa Clara, Joana d’Arc, Nadir Figueiredo, Santa Cecília, Corcovado, Santa Rosa, Rocha, Cerâmica Nery, Louças Ganzarolli, Porcelana Lu, Porcelana Panger, Valetti, Eleida Porcelanas, Cerâmica Moratori, Porcelana Bárbara, Geni Porcelana, Porcelana R.M., Porcelana Pozza, entre outras, o que proporciona o desenvolvimento de outras atividades que dão suporte para as fábricas do setor, como as fábricas de máquinas, de equipamentos, de fornos, de decalques, estamparia, além de atividades comerciais de diversas áreas. Na década de 1980, começam a se instalar na Praça Cel. João Pedro as primeiras lojas vendendo seus produtos direto das fábricas, fato que culminou com o grande e extenso comércio instalado atualmente ao longo da Via Marginal da cidade, comercializando não somente as peças

Como Chegar Pedreira está localizada em uma região privilegiada, próxima ao Aeroporto Internacional de Viracopos, principal corredor de exportação. É de relevância destacar que se situa numa órbita de Campinas, não se constituindo em simples prolongamento desta importante cidade, condições que a afasta das altas concentrações, poluição e congestionamentos. Acrescenta-se que Pedreira é o caminho obrigatório para o mais importante circuito das águas do Estado, condições ambientais e de lazer essenciais para atividades voltadas à pesquisa e a processos de alto valor de transformação. Situa-se à 33 quilômetros de Campinas, com acessos pela SP340 e SP-95. Dista da Capital 130 quilômetros, com fácil acesso pelas Rodovias Bandeirantes e Anhanguera. O acesso ao Rio de Janeiro é feita pela Rodovia Dom Pedro, cujo trevo encontra-se a 33 quilômetros. Região geograficamente inadequada para o desenvolvimento da agricultura mecanizada, o Município de Pedreira, cortado pelo Rio Jaguari, tem sua economia respaldada no setor industrial. Sua beleza paisagística começa atrair o interesse de empresas de alta tecnologia. n

de porcelanas, o que deu à cidade o cognome de “Flor da Porcelana”, em 1953, por iniciativa do Sr. Lázaro Alves de Oliveira; que difundiu o nome de Pedreira a todo o cenário nacional, como a “Capital da Porcelana”, mas há também peças em gesso, resina, ferro, vidro, alumínio, madeira, cristais, plástico, faiança, além de uma infinidade de peças artísticas e artesanais. No piso superior do Museu, encontram-se salas dedicadas a expor as peças de porcelanas produzidas pelas fábricas de porcelanas de Pedreira. Situa-se à 33 quilômetros de Campinas, com acessos pela SP340 e SP-95. Dista da Capital 130 quilômetros, com fácil acesso pelas Rodovias Bandeirantes e Anhanguera. O acesso ao Rio de Janeiro é feita pela Rodovia Dom Pedro, cujo trevo encontra-se a 33 quilômetros. Região geograficamente inade- Fonte: www.pedreira.sp.gov.br quada para o desenvolvimento da agricultura mecanizada, o Municí-

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SANTA BĂ RBARA

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D’OESTE A

fundação de Santa Bárbara d’Oeste remonta ao início do século XIX, com a abertura de uma estrada entre Campinas e Piracicaba. A partir daí, sesmarias começaram a ser vendidas, o que atraiu para a região Dona Margarida da Graça Martins, a fundadora da cidade. O município cresceu e se desenvolveu especialmente em função da agricultura, mas a partir da década de 1970 começou a deixar para trás a tradição agrícola. Parques industriais foram implantados, criaram-se distritos especialmente para essa finalidade e o desenvolvimento acentuou-se na indústria e comércio. Com uma população que se aproxima de 200 mil habitantes, Santa Bárbara d’Oeste, definitivamente, ocupa seu espaço e assume o papel como uma das cidades médias que mais se destacam no Estado de São Paulo. A busca do crescimento sustentável, a preservação da história e a manutenção da qualidade de vida não são apenas objetivos, mas síntese de uma realidade na qual estão inseridos seus cidadãos. Dona Margarida da Graça Martins, viúva do sargento-mor Francisco de Paula Martins, comprou uma sesmaria de duas léguas quadradas, delimitada a norte com o rio Piracicaba e a nordeste com o ribeirão

Quilombo. Na época, começavam a ser demarcadas sesmarias para a venda, aproveitando a abertura de uma estrada ligando a Vila de São Carlos de Campinas (atual Campinas) à Freguesia de Santo Antônio de Piracicaba. A estrada permitiu conhecer uma região fartamente banhada por cursos de água, com terras do tipo massapé, próprias para plantação de cana-de-açúcar e cereais. O interesse aumentou e, entre as pessoas que vieram para a região, estavam a fundadora e sua família. Dona Margarida, junto com seus filhos, parentes e agregados, mudou para suas terras em 1817, formando uma fazenda de engenho de açúcar, doando terras para construção de uma capela sob a invocação de Santa Bárbara. Como a capela foi erguida em 1818, a data de fundação é considerada 4 de dezembro daquele ano. A região foi sendo povoada e novos lavradores chegaram. As sesmarias acabaram divididas em sítios e fazendas, dedicando-se à cultura de cana e cereais. Os moradores urbanos limitavam-se às profissões liberais, trabalhando como comerciantes, ferreiros, carpinteiros, latoeiros e curadores homeopatas. A capela foi elevada à categoria de “curada” em 16 de abril de 1839 e nomeado um cura para dar assistência revista RMC/1o semestre 2014

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aos fiéis. O progresso acentuou-se ainda mais com novos engenhos de açúcar, mais lavouras de cereais e fumo, mais comércio e mais tropas cargueiras surgiram. A região começou a receber imigrantes norte-americanos a partir de 1867. Eram sulistas sobreviventes da Guerra da Secessão, um violento confronto que dividiu os Estados Unidos e deixou centenas de milhares de mortos. Esses imigrantes trouxeram novos métodos agrícolas, contribuindo muito para o progresso da agricultura. Vieram ainda colonos de origem européia, principalmente italianos, que também passaram a trabalhar na agricultura. Aos poucos, o povoado foi crescendo com a abertura de oficinas, fabricação de implementos agrícolas e desenvolvimento de outras atividades artesanais. O grande impulso da indústria açucareira surgiu a partir de 1877, quando o major João Frederico Rehder comprou, de Prudente de

Moraes, a Fazenda São Pedro, iniciando o cultivo da cana em larga escala. Em 1883, montou o primeiro grande engenho do município. Seis anos depois, em 1889, inaugurou a destilaria de álcool. Esse processo culminou com a escolha da Fazenda São Pedro para instalação da usina

açucareira, inaugurada em 25 de julho de 1914 (posteriormente, Cia. Industrial e Agrícola Santa Bárbara – Usina Santa Bárbara). Na seqüência, foram surgindo outras grandes usinas, como Furlan, Cillos e Galvão. Apenas a primeira continua em atividade. Novas indústrias surgiram com o passar dos anos, produzindo tecidos, implementos agrícolas e tornos mecânicos. Em 1956 começou a produção do primeiro automóvel brasileiro: o “Romi-Isetta”. Com o desenvolvimento da indústria (máquinas operatrizes computadorizadas, injetoras de plásticos, fiação e tecelagens, usinas de açúcar e álcool) foi acelerado o crescimento urbano. Essa expansão ocorreu de tal forma que, atualmente, Santa Bárbara d’Oeste e Americana formam apenas um núcleo urbano em vários bairros, com as cidades sendo separadas apenas por ruas. n Fonte: www.santabarbara.sp.gov.br

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SANTO ANTÔNIO DE POSSE

(votos) e econômicos dos proprietários rurais da região: trabalhadores.

T

extos extraídos da dissertação de pós-graduação “História Local – História de Santo Antônio de Posse”, de Ezequiel Nascimento da Silva, (Faculdade de Educação, São Luiz, Núcleo de Apoio – Poços de Caldas – Jaboticabal – 2006). Ezequiel Nascimento da Silva é historiador, professor, teólogo, filósofo, pós-graduado em história e morador da cidade. O SURGIMENTO DO BAIRRO RESSACA Em 1725, foi construída a estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás por Luís Pedroso de Barros. Assim se deu o início do bairro Posse de Ressaca e, posteriormente Santo Antônio de Posse. Aos poucos surgem, às margens da Estrada que ligava São Paulo às Minas de Goiás - por volta de 1833, pequenos pontos de parada. Nesta estrada transitavam muitos proprietários de fazendas de café com destino às Minas de Goiás, em busca

de um futuro melhor e paravam para descanso no “bairro” que, aos poucos, ia se formando em torno da estrada. O maior desenvolvimento dessa região se deu com o florescimento do café. Os donos das terras, que eram políticos influentes na Província, determinaram a construção de uma estrada de ferro que ligasse Campinas a Mogi-Mirim, construtora de propriedade da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (CMEF). E, em 27/08/1875, cria-se o marco da “Estação da Ressaca”. Esta Estação facilitou muito o escoamento dos produtos, tornando-o mais rápido e prático, e isto ocorreu, também, com o transporte de imigrantes, de acordo com os relatórios da CMEF. Nesses relatórios consta que no período de 1877 á 1889 desembarcaram na Estação da Ressaca 880 imigrantes, talvez intencionalmente encaminhados para a região a fim de atender aos interesses políticos

O SURGIMENTO DO POVOADO A economia brasileira do século XIX foi marcada pela expansão da lavoura cafeeira que transformou o Sudeste na região mais importante do país. A expansão deste agronegócio trouxe um problema sério: a falta de uma mão-de-obra. O número de escravos estava cada vez mais escasso em razão da Lei Eusébio de Queiroz em 1850 e essas dificuldades levaram os cafeicultores a pressionar o governo no sentido de promover a migração. Atendendo a anúncios publicados no jornal “A Gazetinha”, após a abolição, muitos estrangeiros vieram para o Brasil à procura de trabalho, inclusive na nossa região. A maioria absoluta foi de imigrantes italianos, como algumas famílias que se instalaram no bairro Ressaca: Aldemani, Beltrami, Becari, Bergo, Bianchi, Biazotto, Bocaleto, Buglia, Bruneli, Cavalaro, Cavenagui, Constantino, Cacheli, Ciluzzo, Degrande, Falseti, Ferrari, Ferro, Ferreti, Foroni, Furgeri, Furegatti, Gardinalli, Grimaldi, Grela, Jacobussi, Lala, Loli, Lucon, Masoti, Masssone, Menegueti, Menuzzo, Meschiari, Milani,

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nossa população e até hoje há uma grande herança e influência deles. O NOME “RESSACA” Com o florescimento do café na região de Mogi Mirim e Campinas houve a necessidade de se construir uma estação de Ferro – Estação Ferroviária – para o escoamento do café até os portos. Em 27/08/1875 criou-se a Estação de Ferro. Todo o café da região era trazido para esta estação e, nela, REENSACADO para depois ser transportado pelo trem de ferro para os portos. Esta Estação de Ferro foi construída no bairro que deu origem à cidade, que recebe o nome RESSACA - vindo exatamente a ser denominado assim pelo processo de REENSACAMENTO do café. Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”.

Momesso, Murer, Nizoli, Padovan, Pavanello, Pelincer, Picolomini, Pierini, Romio, Restani, Russi, Romanini, Santini, Sartori, Savi, Selingardi, Semeghini, Siste, Simionato, Cimadon, Solera, Torezan, Trentin, Trolesi, Turolla, Vidolin, Vicençotte e Zonzini. Algumas famílias libanesas também se instalaram: Baracat, Chaib, Hensse, Lian, Marum e Zidan. Algumas famílias portuguesas também vieram para a região: Coimbra, Coelho, Felippe, Teixeira e Vasconcelos. 88

O NOME “POSSE” Não há uma confirmação precisa, mas tudo leva a acreditar que o nome POSSE é devido ao “Sítio da Posse”, como consta no Cartório de Registros de Imóveis de Mogi Mirim onde, entre 1878 e 1889, foram lavradas escrituras A região, mais particularmente a de compra e venda de terras. No início, cidade, foi favorecida por causa das esse sítio talvez tenha sido de diversos inúmeras fazendas de café: Fazenda proprietários e, aos poucos, foi sendo Ressaca, Fazenda Nova Esperança, dividido. Acredita-se que ele tenha sido Fazenda Sesmaria, Fazenda Santa fundamental para o nome POSSE. Bárbara, Fazenda Jequitibá, Fazenda Em 1893 o povoado do bairro Ressaca Pedra Branca, Fazenda Aurora e Fa- foi elevado a Distrito de Paz com a denominação de “Posse de Ressaca”. zenda Peixe. Os imigrantes desempenharam um papel importante para a forma- O SURGIMENTO DO COMÉRção e o desenvolvimento da cidade, CIO LOCAL Foi durante a época de 1880 a 1890 pois houve um período em que os imigrantes eram a maioria da que pequenos comerciantes se instala-

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ram às margens da Estrada Vicinal de Amparo e da Estação de Ressaca que, hoje é a atual Rua Dr. Jorge Tibiriçá, corta todo o Centro de Santo Antônio de Posse. E a outra margem da Estrada Vicinal que ligava Mogi Mirim a Jaguariúna é a atual Rua Santo Antonio na qual se situa a Igreja Matriz. O SURGIMENTO DA IGREJA MATRIZ As vias de transportes possibilitaram o desenvolvimento das atividades comerciais e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento do povoado da Ressaca. Em 1892 os moradores deste povoado nomearam uma comissão de moradores da casta região para tratar da construção de uma igreja. A construção desta igreja cristã se deu para atender aos anseios religiosos do povo. Ficou decidido que o Santo Padroeiro escolhido pelos moradores, tanto pelo povo do povoado como o das fazendas vizinhas, seria “Santo Antônio”. A benção do lançamento da primeira pedra fundamental realizou-se no dia 25 de março de 1893, sendo doadores do terreno os senhores: Major Francisco Domingues de Magalhães e An-

tonio Manoel Saraiva que também atuaram como fabriqueiros. Em 1894 a Comissão, sob a presidência do Cônego João Evangelista Braga, vigário de Mogi Mirim, coordenou o trabalho ativamente na conclusão das obras entregues aos construtores João D. Araújo Braga e Servilho Finoti. O acabamento em madeira e o revestimento ficaram aos cuidados de Belmiro. Em 1895 inicia-se a formação da primeira Irmandade de Posse a Santo Antônio, tendo por presidente o Sr. Antonio Ferreira de Camargo e secretário Ernesto Chiarini de Hugo. Nesta mesma época foi criada, pela comunidade local, a irmandade de São Benedito, cujos membros ainda não haviam se reunido até 1904. Após meses de trabalho árduo, a aludida comissão viu concretizada a edificação da pequena igreja, para júbilo da população da época.

de 16/8/1893, passando a pertencer ao Município e Comarca de Moji Mirim (hoje Mogi Mirim). Até a data, o povoado pertencia ao Distrito Policial de Ressaca, pequena estação à beira da Estrada de Ferro Mogiana, com meia dúzia de casas habitadas por negociantes. Em virtude da revolta de 06 de Setembro de 1893, o Distrito de Paz recém-criado pôde ser instalado somente em 09 de junho de 1894, com grandes festejos da população, quando as duas ruas principais da localidade receberam a denominação de Rua Ezequiel de Paula Ramos e Rua Dr. Jorge Tibiriçá, como reconhecimento pelos serviços prestados por aqueles cidadãos à coletividade, nomes que ainda hoje pertencem àquelas vias públicas. A primeira eleição aconteceu no dia 10/05/1904, na casa do Coronel David Batista da Silva Parez, tendo sido eleitores: 1° - Juiz de Paz Augusto Elias de Toledo Lima, 2° - Manoel Andrade Cotrim e 3° - José Ivo de Souza Pinto. Em 17/06/1895 foi nomeado pela Câmara o primeiro zelador do cemitério e dos lampiões de Posse, Paulo José Marques. Em 25/02/1869 foi criado o cargo de fiscal de Posse. Durante um longo período da história de Santo Antônio de Posse o Capitão Pedro Antonio de Morais, estimado lavrador, administrou importantes fazendas em Ressaca e, como subprefeito, prestou ao distrito bons serviços públicos ligando seu nome ao progresso da localidade. n

LIDERANÇAS ANTES DA EMANCIPAÇÃO Em 1893 o povoado do bairro Ressaca foi elevado a Distrito de Fonte: www.pmsaposse.sp.gov.br Paz com a denominação de Posse de Ressaca, pela Lei Estadual N° 79,

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SUMARÉ

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m meados do século XVIII, surge nesta região a Vila de São Carlos das Campinas. Ao seu redor vão surgindo as sesmarias, grandes porções de terras incultas e devolutas que o governo imperial concedia a pessoas que gozavam de prestígio pelo império português no Brasil. Sumaré tem a sua origem vinculada as sesmarias. As mais antigas referências à região 90

do Quilombo, há mais de 200 anos, são encontrados em documentos de doação das sesmarias. Com o desmembramento das sesmarias, a região passa a ser formada por fazendas. Em suas culturas, destaque para o café. Com fazendas e povoado formados, no dia 26 de julho de 1868 foi construída uma capela dedicada à Nossa Senhora de Sant’Ana, marco da fundação de Sumaré.

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Em 1875, com a inauguração da estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o povoado progrediu rapidamente. A Estação recebeu o nome de um dos maiores engenheiros brasileiros, Antonio Pereira Rebouças Filho. Em 1920, em franco desenvolvimento, o povoado já contava com energia elétrica, posto policial, iluminação pública, cartório, escola,


serviço telefônico, igreja matriz, subprefeitura e pronto socorro. O serviço de abastecimento de água foi inaugurado em 1934. Sumaré, em seus primordios era conhecida como Quilombo. Com a passagem da estrada de ferro, Quilombo passou a ser chamado Rebouças. A denominação Sumaré, nome de uma orquídea originária desta região, se deu em 1945, por meio de um plesbicito. A escolha do nome se deu em face que a legislação brasileira impedia dois povoados ter o mesmo nome. Na época, existia uma cidade, com nome de Rebouças, no Paraná. O nome da orquídea Sumaré foi escolhida dez anos antes da emancipação politico administrativa do município, que conquistaria a sua independência de Campinas no 1° de janeiro de 1953. Sumaré é elevado à condição de Comarca no ano de 1964. A partir da década de 60, a população sumareense passou a registrar um crescimento vertiginoso. Na década de 70, o crescimento demográfico chegou a quase 400%. O crescimento populacional se deu, basicamente, pela grande oferta de terrenos, a preços acessíveis, e pelo desenvolvimento industrial. Sumaré passou a ser visto como uma terra de oportunidades, atraindo migrantes de todas as regiões do Brasil.

quando o café chegou a Campinas na segunda metade do século XIX. A produção cafeeira avançava para o oeste paulista deixando para trás as terras cansadas e as antigas fazendas retalhadas em pequenos sítios, agora ocupadas pelos imigrantes. Eles compravam terras, praticavam a agricultura nas imediações de Sumaré ou abriram comércio na zona urbana. O vilarejo crescia ao redor da Estação de Rebouças, impulsionado pelo comércio, pela incipiente indústria de sabão, de tijolos, de bebidas e pela atividade extrativa da madeira. Em 1907 o povoado tinha perto de 300 habitantes, em 1912 pouco mais de 400, em 1940 o distrito tinha perto de 5.000 e em 1950 chegava a 6.000. Coincidido com a industrialização do Sudeste, as indústrias alcançaram Sumaré nos anos 50 e a partir de então o

município vivenciou um crescimento vertiginoso a cada década. Em 1943 veio a 3M do Brasil e, de lá para cá, dezenas de outras indústrias seguiram o mesmo caminho, impulsionando o desenvolvimento do município. Em 1991, o distrito de Hortolândia conquistou a emancipação político-administrativa de Sumaré. Na agricultura, atualmente, o seu forte é a produção de tomate, que exporta para os países do Mercosul, e a cana-de-açúcar, sendo esta cultura, a que concentra a maior área de cultivo.n Fonte: www.sumare.sp.gov.br

IMIGRANTES E MIGRANTES A história de Sumaré se divide nitidamente em duas partes: até 1950 sua população era basicamente formada por imigrantes italianos e portugueses; depois de 1950, pela presença de migrantes de todos os estados do Brasil. Os imigrantes vieram revista RMC/1o semestre 2014

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VALINHOS

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primeiro marco na história de Valinhos registra a concessão de uma sesmaria ao sesmeiro Alexandre Simões Vieira no dia 2 de dezembro de 1732, que foi outorgada pelo presidente de São Paulo, Antonio Luiz de Távora, o conde de Sarzedas. Conta a história que Alexandre Simões Vieira abriu um caminho novo de Jundiaí aos Goiazes, tendo como paragem um ribeirão chamado Pinheiros. O Pouso de Pinheiros é o primeiro marco oficial de uma área dentro do atual município de Valinhos e, conforme os historiadores, teve existência quase centenária. Segundo o professor Mário Pires, em seu livro “Valinhos: Tempo e Espaço”, a localização deste chamado Pouso de Pinheiros provavelmente é o atual bairro Capuava, o qual o historiador considera a “célula mater” de Valinhos. No período em que a sesmaria foi outorgada, Campinas ainda era chamada de bairro de Mato Grosso das Campinas, pertencente ao município de Jundiaí. Em 1741, Francisco Barreto Leme, juntamente com sua família, fixa-se na região e dá início a um povoado. Em 1774, o então bairro de Jundiaí é elevado à categoria de Distrito e, em 16 de novembro de 1797, Campinas torna-se município. A partir daí, não se sabe precisar quando foi fundada a vila de Valinhos.

Porém, na área onde está localizado o município hoje, já naquele período se constata o desenvolvimento através de grandes fazendas. A fazenda Dois Córregos, onde atualmente se localiza o bairro Dois Córregos, pertenceu ao Brigadeiro Luiz Antonio, tido como o homem mais rico da capitania, que chegou a possuir, só em Campinas, 16 engenhos de açúcar. Outro dado importante sobre nossas origens aconteceu durante a epidemia de febre amarela que arrasou Campinas no ano de 1889. Segundo cálculos feitos pelos médicos da época, a população de Campinas, que era de 20 mil pessoas, foi reduzida a quatro mil. Não que a maioria tenha morrido, mas sim que as mesmas fugiam da cidade com medo da doença. Foi em função da epidemia da febre amarela de 1889, que a Sexta Secção Eleitoral de Campinas foi transferida para Valinhos, pois muitos dos campineiros buscaram refúgio em Valinhos. Com isso, o futuro distrito de Valinhos começa a ser desenhado. No ano de 1893, o Diário Oficial do Estado do dia 1º de setembro publica, em sua página 7840, dentro do Expediente da Secretaria dos Negócios da Justiça, ato de criação do “Distrito Policial de Valinhos”. O tráfego ferroviário pela Cia. Paulista de Estrada de Ferro de Jundiaí a Valinhos teve início em 28 de março de 1872. Com a precariedade das esrevista RMC/1o semestre 2014

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tradas, as cargas sendo transportadas no lombo de mulas e burros, os trens passaram a ter grande importância, servindo inicialmente para o transporte das sacas de café em grãos, com destino ao Porto de Santos. Conforme relato do historiador Benedito Otávio, em 1907, ao inaugurar-se a Cia. Paulista o tráfego ainda era pequeno na Vila de Valinhos, crescendo após a lei de 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão. Com a abolição, havia falta de mão-de-obra e os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar em 1888, dando um novo impulso na agricultura.

sendo eleito Jerônymo Alves Corrêa o primeiro prefeito. O município é oficialmente instalado no dia 1º de janeiro de 1955, quando tomam posse o prefeito e os 13 vereadores. No dia 18 de março de 2005, Valinhos foi elevada à condição de Comarca, em cerimônia realizada no Fórum Municipal. Agora, a cidade está autônoma no que diz respeito aos serviços judiciários. Antes, os moradores da cidade tinham que ir até Campinas para obter alguns serviços, como protestos de títulos, registros de imóveis, de títulos e de documentos.n Fonte: www.valinhos.sp.gov.br

As inúmeras fazendas cafeeiras, que proliferavam em toda região, motivaram a construção da ferrovia. Em 28 de maio de 1896, a pequena, mas próspera vila de Valinhos foi elevada à categoria de Distrito de Paz, que utiliza as mesmas divisas do Distrito Policial, criado em 1893, para definir os limites do novo distrito. Se Valinhos teve projeção nacional e, por que não, internacional, isso se deve a seu principal produto agrícola, o Figo Roxo, introduzido em terras valinhenses pelo imigrante italiano Lino Busatto, no ano de 1901. A partir de 1910, o Figo já é produzido em escala comercial, o que torna Valinhos conhecida nacionalmente como a Capital do Figo Roxo. No dia 30 de dezembro de 1953, o Governo do Estado promulga a lei 2456, criando o município de Valinhos. A primeira eleição acontece no dia 3 de outubro de 1954, 94

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VINHEDO

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m 1620, aproximadamente, época do ciclo do ouro, surgiu um pequeno povoado na Estrada da Boiada (estrada que até hoje corta a cidade de Vinhedo). A chamada rota dos bandeirantes e também dos tropeiros, que transportavam gado e produtos, acabou desenhando o desenvolvimento do país. E a história de Vinhedo não é diferente.

Em 31 de outubro de 1908, o governador do Estado de São Paulo, Albuquerque Lins, promulgou a Lei nº1138, criando o Distrito de Paz de Rocinha, no município de Jundiaí e, pela proximidade com aquela cidade, acabou atraindo novos moradores. O Distrito, antes simples pousada daqueles bandeirantes e tropeiros, tornou-se um dos principais locais da região.

A população, formada principalmente por imigrantes europeus, transformou a agricultura, bastante diversificada, na base da economia local, caracterizada, principalmente, pela grande quantidade de videiras predominantes em seus vales e encostas. Rocinha não parou de crescer. As ruas foram surgindo e o Distrito ganhou condições urbanas de um povoado em desenvolvimento. revista RMC/1o semestre 2014

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Na década de 20, a agricultura deixou de ser o principal ramo de economia, quando foi construída a primeira indústria do Distrito, a Fiação e Tecelagem Sant’Anna, inaugurada em 1925. Em 1947, foi fundada a Cerâmica Jatobá, e em 1953, 96

a Carborundum. O povoado prosperava e os problemas começavam a surgir. Diversas pessoas influentes na cidade, como médicos, jornalistas, famílias tradicionais etc, captando o anseio da população em se desligar de Jundiaí,

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iniciaram o processo de emancipação do Distrito. Este grupo de emancipadores era liderado pelo médico Abrahão Aun e composto por Alcides Guarido, Aristides de Paula, Antônio Medeiros Júnior, Antônio Elias, Antônio Vendramini, Agenor


Rocha, Luiz Rotella, Manoel de Sá Fortes Junqueira Júnior, Manoel Fernandes, Odilon de Souza e Epiphânio Salustiano de Souza. O plebiscito foi marcado para 24 de outubro de 1948, plenamente democrático e simples, onde todos podiam votar. Eram homens e mulheres acima de 18 anos, que viviam no Distrito, no mínimo há dois anos. Dos 1.666 eleitores que compareceram à votação, 1.563 lutaram pela emancipação, oficializada no mês de dezembro do mesmo ano.  Em 2 de abril de 1949, aconteceu a escolha do primeiro prefeito, tendo como candidato único, o médico Abrahão Aun. Vinhedo foi o nome escolhido para homenagear o principal produto agrícola da cidade – a uva.  O progresso chegou, mas Vinhedo continua resgatando a cultura de uma cidade do interior. Em proporção adequada, a qualidade de vida e crescimen-

to são características do município. A Festa da Uva  Antes mesmo da emancipação de Vinhedo, um grupo de agricultores celebrava a colheita dos frutos ao som de músicas tradicionais e muita alegria. Era um momento mágico, em que os produtores comemoravam o fruto de seu trabalho com a comunidade local. Oficialmente, a primeira Festa da Uva aconteceu na Praça Sant’Anna no ano de 1948. Com o passar do tempo e à medida em que prosperava a cidade, o evento também cresceu. Hoje, Vinhedo não é mais uma cidade agrícola, mas fica evidente na população a preocupação com a preservação das tradições e da cultura daqueles que ajudaram a construir o município. n Fonte: www.vinhedo.sp.gov.br

de Mattos, Antônio Zechin, Antônio Maria Torres Filho, Milton de Souza Meirelles, Monsenhor Favorino Carlos Marrone, Carmelo Consolo, Humberto Pescarini, Henrique de Barros Leite, Júlio Francisco de Paula, Jacob Matenhauger, Gumercindo revista RMC/1o semestre 2014

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CLÁUDIA RAIA e JARBAS HOMEM DE MELLO vivem par romântico em “Crazy For You”

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CLÁUDIA MOTT


eu primeiro trabalho profissional foi aos dez anos de idade, como manequim do costureiro Clodovil Hernandes. Aos onze anos fez um tratamento para controlar o excesso de crescimento; aos treze anos de idade já estava com 1,70 metro de altura, e isto a fazia se considerar “desengonçada” , porem mesmo assim , namorou com João Henrique , um astrofísico muito conhecido e admirado na epoca. No início de carreira de bailarina dançou profissionalmente nos Estados Unidos e na Argentina. Aos treze anos, ganhou uma bolsa para estudar balé em Nova York, onde ficou por por quatro anos. Aos 15 anos de idade participou da versão brasileira do musical A Chorus Line, fazendo o papel de Sheila, uma personagem dezoito anos mais velha. Estreou aos dezessete anos na televisão brasileira como a personagem Carola, contracenando com o ator Jô Soares no quadro “Vamos Malhar” do programa Viva o Gordo, na Rede Globo. Em 1984, posou pela primeira vez para a edição brasileira da revista masculina Playboy, ainda com o nome de Maria Cláudia. Posou novamente em 1985 e 1986, já como Cláudia Raia. Em 1987, fez a feirante Tancinha da novela Sassaricando e depois em 1988, surpreendeu como a presidiária Tonhão, no quadro “As Presidiárias”, no programa TV Pirata. O enorme

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RAIA revista RMC/1o osemestre 2014 revista RMC/1 semestre 2014

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sucesso das personagens lhe garantiu o reconhecimento como atriz. Em 1984 começou a namorar o humorista Jô Soares. O romance durou dois anos. Casou com o ator e modelo Alexandre Frota em dezembro de 1986 e com ele permaneceu até 1989. Foi casada durante 17 anos com o também ator Edson Celulari, por quem se apaixonou durante as gravações da telenovela Deus nos Acuda, na qual faziam par romântico em 1992. Os dois anunciaram a separação no dia 26 de julho de 2010, de forma amigável. No inicio do ano de 1997, com quatro anos de casamento, Edson e Cláudia, tiveram o filho Enzo Motta Raia Celulari. Cláudia foi convidada para fazer a vampira Mina da novela O Beijo do Vampiro, quando estava grávida pela segunda vez da filha Sophia Motta Raia Celulari. O autor usou a gravidez da atriz e a inseriu na história de sua personagem. Mina daria à luz no capítulo 109, no ar em 30 de dezembro de 2002, uma segunda-feira. Cláudia, então, deixou a trama e teve Sofia no início de 2003. Depois retornou à novela só nos últimos capítulos para finalizar o desfecho da personagem Mina. Em 2012 Cláudia anunciou seu namoro com o também ator Jarbas Homem de Mello. Claudia atuou como Donatella Fontini da telenovela A Favorita, uma mulher que é acusada de um crime que a sua ex-melhor amiga Flora (Patrícia Pillar) cometeu. Foi sua primeira protagonista no horário nobre. Seu sofrimento era tão grande na história que causou comoção nacional. Em 2010, a atriz participou da 100

“DE REPENTE O AMOR COLORIU ESSA PAISAGEM. E EU JURO NÃO É MIRAGEM. AH! DE REPENTE O AMOR... ELE SORRIU PARA MIM!”

telenovela “Ti Ti Ti” como a madame Jaqueline. De 2012 a 2013 interpretou a vilã Lívia Marini, a antagonista central da novela Salve Jorge. Lívia é uma mulher sofisticada, estilosa e inteligente, acima de qualquer suspeita. O que fica na sombra é a atividade de agenciadora para tráfico de pessoas.

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“De repente o amor coloriu essa paisagem. E eu juro não é miragem. Ah! De repente o amor...ele sorriu para mim!”. Os versos, cantados pelo sonhador Bobby Child, dão o tom da comédia romântica “Crazy for you”, primeiro musical de sapateado da Broadway a ser produzido no Brasil.  O espetáculo ficou em cartaz até


o dia 22 de dezembro de 2013, no Teatro do Complexo Ohtake Cultural, em Pinheiros, São Paulo, com patrocínio máster do Bradesco. No musical, Jarbas Homem de Mello é Bobby Child, um herdeiro playboy de Nova York, que, apesar da insistência da mãe, não tem o menor interesse pelos negócios da família

e só quer saber de cantar e dançar. A contragosto, é enviado à pequena e pobre cidade de Pedra Morta, no oeste americano, para cobrar uma dívida e fechar o teatro local. Mas, ao chegar lá, se apaixona perdidamente pela durona Polly, interpretada por Cláudia Raia, filha do proprietário do estabelecimento. “É uma história

leve e divertida, para a família inteira”, adianta a atriz, que também produz “Crazy for you” em parceria com Sandro Chaim. A direção-geral é de José Possi Neto. As músicas têm as melodias originais do lendário compositor George Gershwin com versão brasileira assinada por Miguel Falabella, que traduziu as letras em inglês de Ira Gershwin para o português. Sob direção musical de Marconi Araújo, “Crazy for you” conta com uma grande orquestra, composta por 14 músicos, regida em cena pela maestrina Beatriz de Luca. Com a coreografia original da Broadway, criada pela americana Susan Stroman (ganhadora de um Tony Award por essa obra), o musical conta com um elenco de 26 atores, bailarinos e sapateadores. Esse grupo foi ensaiado por Angelique Ilo, artista com 27 anos de experiência em musicais americanos, enviada por Susan especialmente para esse projeto. Angelique contou ainda com a ajuda da coreógrafa residente, a sapateadora, Chris Matallo.  Situado parte em Nova York e parte no estado de Nevada, na pequena e fictícia cidade de Pedra Morta, “Crazy for you” une o requinte e o glamour da Broadway com o mais puro estilo country do velho oeste. Essa mistura está representada nos cenários de Duda Arruk, no figurino de Fábio Namatame e na iluminação de Wagner Freire. O espetáculo permanecerá em São Paulo até março e em abril desembarcará no Rio de Janeiro. Depois da temporada carioca, o espetáculo viajará pelo Brasil e será apresentado em cinco capitais. revista RMC/1o semestre 2014

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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS/CLÁUDIA RAIA

2 1 1 - AOS 5 ANOS SAMABANDO NO CLUBE SEMANAL DE CULTURA ARTISITCA EM CAMPINAS 2 - CHORUS LINE 3 - AOS 8 ANOS FAZENDO AULA 4 - 5X VEZES COMEDIA 5 - SPLISHSPLASH 6 - O BEIJO DA MULHER ARANHA

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Um antigo desejo Montar “Crazy for you” no Brasil é uma vontade antiga de Cláudia Raia. Ela conta que desde que assistiu à versão original da Broadway, em 1992, ficou completamente envolvida pelo espetáculo. “Depois que a sessão acabou, permaneci lá sentada, encantada, imaginando o sucesso que um musical daquela qualidade faria no meu país. Mas àquela época pensei que não tínhamos um ator e sapateador aqui que conseguisse dar vida ao Bobby Child. A ideia ficou na minha cabeça muitos anos até que conheci o trabalho do Jarbas. Quando soube o quanto ele sapateava, imediatamente pensei: encontrei o Bobby!”, conta a atriz. Bobby &  Polly Bobby Child e seu intérprete, Jarbas Homem de Mello, têm em comum o gosto pelos musicais e o talento para cantar e dançar. “Ele é um bon vivant, um sonhador, que vive o tempo todo como se estivesse em um musical. É delicioso interpretá-lo”, descreve Jarbas. “Estou muito feliz em participar de um projeto desse tamanho, o primeiro do gênero no Brasil, e mais feliz ainda por estar fazendo isso ao lado da Cláudia, uma das responsáveis pela consolidação do teatro musical brasileiro”, acrescenta.   Par romântico de Bobby, Polly Baker, vivida por Cláudia Raia, é uma mulher que foi criada por homens e só convive com eles. Uma mocinha durona, do interior, que por causa do amor começa a despertar seu lado feminino e romântico. “Com a Polly estou tendo que trabalhar uma atitude masculina que é o meu oposto”, explica Cláudia, que comemora a revista RMC/1o semestre 2014

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realização de mais um sonho musical. “Estou sentindo um orgulho danado por termos conseguido reunir um elenco de altíssima qualidade, que canta, dança e sapateia. Quando comecei, há 30 anos, isso era inimaginável”, comemora. Palavra de diretor José Possi Neto, diretor-geral, explica que quando “Crazy for you” estreou na Broadway, em 1992, toda a crítica americana se rendeu. “Ali surgiu um ícone do musical verdadeiramente americano, ou seja, não mais uma criação nos moldes do musical inglês”, explica o diretor que garante “Assim como foi considerada um divisor de águas na história dos musicais da Broadway, a produção brasileira de ‘Crazy for you’ também será um marco para a história dos musicais no

nosso país”, sentencia. Ele acrescenta ainda que todas as coreografias são pura dramaturgia. “Nenhum passo de dança é meramente estético. As coreografias contam a própria história da peça, não são apenas números musicais”. Uma maratona de preparação O elenco passou três meses inteiramente dedicado à preparação para o espetáculo. Os protagonistas Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello viveram uma rotina que compreendia 10 horas diárias de trabalho de segunda a sábado. Além dos ensaios, eles fizeram aulas de canto, ballet, sapateado, pilates e musculação para estarem preparados física e vocalmente.  Uma trajetória de sucesso   “Crazy for You” é inspirado no clássico musical “Girl Crazy”, de 1930,

CLÁUDIA RAIA EM DEZEMBRO DE 2013. NOME COMPLETO: Maria Cláudia Motta Raia NASCIMENTO: 23 de dezembro de 1966 (47 anos) em Campinas, São Paulo NACIONALIDADE: brasileira OCUPAÇÃO: atriz CÔNJUGES: Alexandre Frota (1986–1989); Edson Celulari (1993–2010); Jarbas Homem de Mello (2011-presente) PRÊMIOS: 1985 - Prêmio APCA/revelação feminina por Roque Santeiro 1986 - Troféu Imprensa/revelação do ano por interpretar Ninon em Roque Santeiro 2005 - Prêmio Contigo/melhor atriz coadjuvante por Belíssima 2005 - Prêmio Qualidade Brasil/melhor atriz coadjuvante por Belíssima 2010 - Prêmio Contigo/melhor atriz coadjuvante por Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas 2011 - Melhores do Ano/melhor atriz por Ti Ti Ti 2011 - Prêmio Contigo/melhor atriz por Ti Ti Ti

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com melodias de George Gershwin e letras de seu irmão Ira Gershwin. O musical foi adaptado três vezes para o cinema. A versão mais famosa nas telas é a de 1943, protagonizada por Judy Garland e Mickey Rooney. Em 1992, “Crazy for you” estreou na Broadway e fez tanto sucesso que no ano seguinte foi indicado a nove categorias do prêmio Tony (o Oscar dos musicais) ganhando três delas, incluindo a de melhor musical. Ainda em 1993, ele foi montado em Londres e indicado a sete categorias do “Laurence Oliver Awards” também faturando três delas, novamente levando o prêmio de melhor musical. Em 2011, “Crazy for you” ganhou nova montagem em Londres e mais dois prêmios “Laurence Oliver Awards”. n 


O PRIMEIRO MUSICAL DE

SAPATEADO DA BROADWAY A SER MONTADO

NO BRASIL

“Crazy for you” em números 130 figurinos (um dos vestidos usados por Cláudia tem cinco camadas de mousseline e 10 mil cristais) 7 figurinos para cada protagonista (Cláudia e Jarbas trocam de roupa seis vezes) 30 perucas (cada uma tem cerca de 32 mil fio de cabelo natural e leva 50 horas para ser confeccionada) 25 músicas 32 microfones sem fio 12 microfones específicos serão colocados nas pernas dos sapateadores para a captação do som de seus pés 5 toneladas de cenário Onde: Teatro Bradesco Data(s): De 15 de fevereiro a 30 de abril de 2014 Horário(s): Sex ta-feira, às 21h; Sábado, às 17h e 21h; Domingo, às 18h Preço(s): De R$20 a R$200 Rua Turiassú, 2100, Bourbon Shopping São Paulo, 3° piso - Perdizes  Ficou em car taz de 23 de novembro até 22 de dezembro de 2013 no Teatro do Complexo Ohtake Cultural Rua Coropés, 88 - Pinheiros.

Fon te: In ternet Wi k i p édi a e J uma tto ni D i vu l g a çã o revista RMC/1o semestre 2014

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SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA A

São Paulo Companhia de Dança foi criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo e é dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, documentarista e escritora. Ao longo desse período já foi assistida por um público superior a 340 mil pessoas em seis diferentes países, passando por 55 cidades, num total de mais de 360 apresentações. A SPCD apresenta um repertório variado, que vai do clássico ao contemporâneo. Em 2013 sua marca de inovação e tradição se manteve com seis novas estreias. Destaque para uma peça inédita criada especialmente pela SPCD pelo renomado coreógrafo alemão Marco Goecke, além da primeira montagem de um clássico de repertório – Romeu e Julieta.Figuram também as remontagens de Por Vos Muero, de Nacho Duato e Petite Mort, de Jiri Kylián, e a segunda edição do Ateliê de Coreógrafos Brasileirevista RMC/1o semestre 2014

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roscom obras de Luiz Fernando Bongiovanni e Ana Vitória Freire. Além das apresentações em cidades do Estado de São Paulo (Piracicaba, Caraguatatuba, Araçatuba, Praia Grande, Indaiatuba, Ilhabela, Mongaguá, São Paulo, e outras) em 2013, a São Paulo Companhia de Dança circulou também por capitais brasileiras e em solo europeu, com uma temporada por cidades da Alemanha e Áustria. A dança tem muitas histórias, e para revelar um pouco delas a Companhia criou a série de documentários  Figuras da Dança  que traz para você essa arte contada por quem a viveu. A série conta hoje com 21 episódios: Ady Addor, Ismael Guiser (1927-2008), Ivonice Satie (1950- 2008), Marilena Ansaldi, Penha de Souza, Antonio Carlos Cardoso, Hulda Bittencourt, Luis Arrieta, Ruth Rachou, Tatiana Leskova, Angel Vianna, Carlos Moraes, Márcia Haydée, Décio Otero, Sônia Mota, Célia Gouvêa, Ana Botafogo, Ismael Ivo, Lia Robatto, Marilene Martins e Edson Claro (1949-2013). Este ano iremos conhecer a trajetória de mais quatro personagens: Cecília Kerche, J.C Violla, Eva Schul e Hugo Travers.  Os Programas Educativos e de Formação de Plateia para a Dança, outra vertente de ação da SPCD, vem no movimento da Companhia – a cada cidade por onde nos apresentamos encontramos pessoas que apreciam e praticam a arte da dança. Na Palestra Para os Educadores temos a oportunidade de diálogo sobre os bastidores dessa

arte; nas Oficinas de Dança, um encontro para vivenciar o cotidiano dos bailarinos da SPCD e no Espetáculo Aberto para Estudantes e Terceira Idade a proposta é de ver, ouvir e perceber o mundo da dança.  A SPCD busca uma conexão com a plateia pela paixão, curiosidade e percepção do mundo da dança em movimento. n Fonte: www.spcd.com.br

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A Companhia | Direção Artística Inês Bogéa é diretora da São Paulo Companhia de Dança. Doutora em Artes (Unicamp, 2007), é professora no curso de especialização em Linguagens da Arte da Universidade de São Paulo|Maria Antônia, documentarista e escritora. De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança daFolha de S.Paulo de 2001-2007. Autora dos livros infantis: O livro da dança; Contos do balé e Outros contos do balé. Organizadora de: Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo; Sala de ensaio - textos sobre a São Paulo Companhia de Dança, entre outros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (2007-2008). É autora de mais de trinta documentários sobre dança, entre eles Renée Gumiel, a vida na pele(2005), Maria Duschenes - o espaço do movimento (2006), e da série Figuras da Dança. É consultora da Revista de Dança.

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SP Escola

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Teatro

A Escola – A SP Escola de Teatro –

Centro de Formação das Artes do Palco é um projeto institucional e sem fins lucrativos. Gerida pela Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), a Instituição propõe novos desafios para o ensino das artes cênicas no Brasil, sob o prisma das sensibilidades e potencialidades artísticas, humanas, críticas e cidadãs.   Lançada em novembro de 2009, na capital do Estado de São Paulo, a Escola teve origem em um movimento teatral de apropriação do espaço público proposto por coletivos de artistas vinculados à Praça Roosevelt, região drasticamente alterada pela presença de grupos de teatro que, ao ocuparem salas alternativas, transformaram o local no pólo de cultura que é hoje. Estimulados pela proposta de verticalizar ações que visassem à transformação por meio da arte, coletivos teatrais e profissionais do palco paulistano, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, formaram a equipe de criativos que se debruçou por mais de dois anos para criar uma Escola detentora de sistema pedagógico único no Brasil. A constatação do grande hiato entre o surgimento de inúmeros espaços teatrais no País e a falta de profissionais aptos a trabalhar neles foi o ponto de partida para a criação da SP Escola de Teatro. Entretanto, a Escola não foi pensada somente para suprir a carência do mercado, mas, fundamentalmente, para oferecer formação artística de excelência.

Ancorada nos conceitos de algumas das principais correntes contemporâneas da formação do pensamento e da cultura, a SP Escola de Teatro tem como principais pressupostos pedagógicos o ensino não hierárquico, o ensino não acumulativo e o sistema modular, para que o conhecimento não seja encorajado por meio de mecanismos de acumulação, mas de expansão. Desta forma, a Instituição oferece formação técnica em Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Drama-

turgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco, nos períodos matutino e vespertino. Além dos Cursos Regulares, o projeto da SP Escola de Teatro se orienta a partir de outros dois pilares – Cursos de Extensão Cultural e Programa Kairós – que alicerçam o funcionamento sistêmico dos setores da Instituição, contemplando diferentes ações artístico-pedagógicas. n Eric Vecchione www.spescoladeteatro.org.br

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T e a t r o C a r l o s G o m es ( e m C a m p i n a s ) O Governador Geraldo Alckmin acompanhou a assinatura do convênio entre a Secretaria da Cultura do Governo do Estado e a Prefeitura de Campinas para a construção do Teatro Carlos Gomes, no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Sallim. Ao todo serão destinados R$ 80 milhões para a implantação do equipamento. A previsão inicial é de que as obras sejam finalizadas em até 45 meses (2018). Projetado pelo arquiteto Carlos Bratke, o Teatro Carlos Gomes ocupará cerca de 4.800 m², em uma área envoltória de 12 mil m², no Parque Ecológico. Com projetos de acústica, iluminação, cenografia e climatização, a sala será equipada para receber grandes espetáculos de teatro, dança,

música e, inclusive, óperas. Para a primeira etapa do processo, o Governo de São Paulo vai liberar R$ 9,8 milhões. Por meio do Convênio, o dinheiro será repassado à Prefeitura de Campinas, que ficará responsável por todas as etapas da implantação do projeto: desde a abertura da licitação à execução, que será acompanhada pela Secretaria de Estado da Cultura. Quando o Teatro estiver pronto, seu gerenciamento também será de responsabilidade do Município. O espaço terá, ainda, capacidade para abrigar cerca de 300 espetáculos por ano, em uma sala ampla e moderna, com 1.230 lugares. Em sua estrutura física está prevista a instalação de quatro elevadores – o

que também garantirá o acesso de pessoas com deficiência a todos os espaços do complexo. O projeto do lobby prevê ainda a montagem de exposições temporárias. Ao final dessa construção, a Prefeitura de Campinas estima que mais de 3 milhões de pessoas serão atendidas por ano, vindas de toda a Região Metropolitana de Campinas. Dessa forma, o Governo do Estado de São Paulo dá continuidade a suas ações de descentralização do acesso a produções artísticas de qualidade e oferece à população mais um espaço cultural.n Fonte: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo

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P rojeto G uri completa 18 anos e comemora ‘ maioridade ’ como instituição referência em educação pela música

Gratuito, programa já beneficiou cerca de 500 mil jovens em todo o Estado de São Paulo ontribuir com o desenvolvimento humano, estimular a criatividade e o trabalho em equipe de jovens por meio da música. Esses são alguns resultados que o Projeto Guri comemora 18 anos de existência. Maior programa sociocultural brasileiro, a ação é mantida pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo e oferece, com excelência, cursos de educação musical nas modalidades de coral, instrumentos de cordas dedilhadas e

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friccionadas, sopro, teclados e percussão para crianças e adolescentes com idade entre 6 e 18 anos incompletos. O projeto é administrado por duas organizações sociais que fazem a gestão compartilhada com a Secretaria da Cultura: Santa Marcelina Cultural, responsável pela administração do programa na capital paulista, e a Amigos do Guri, que responde pelo

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interior, litoral e pela Fundação Casa (370 polos distribuídos em 316 municípios). Ao todo, mais de 49 mil crianças e adolescentes aprendem música de graça no Estado de São Paulo. “O objetivo do projeto é unir educação e lazer por meio da música em uma missão sociocultural que desenvolva comportamentos positivos nos participantes”, afirma Alessandra

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Costa, diretora executiva da Amigos do Guri. Para comemorar 18 anos de sucesso, recentemente o Guri lançou um videoclipe da música “O Trenzinho do Caipira”, de Heitor Villa-Lobos, gravado com os Grupos de Referência do projeto, criados em 2010 para estimular e intensificar a formação e a qualificação musical. O grupo é cons-


um trem, e naquele percurso também faz uma viagem subjetiva, poética, de crescimento, desbravando novos territórios, tudo aquilo que a prática musical pode proporcionar. Por isso, ela foi escolhida para representar o projeto e os talentos que fazem parte dele”, explica Alessandra Costa. Assista ao vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Os493xUJcRU Trajetória de sucesso – O primeiro polo do Projeto Guri – o Amácio Mazzaropi, em São Paulo - foi criado em 1995 com 180 vagas. No ano seguinte, foi implantado o espaço educacional na Fundação Casa, na Unidade do Complexo do Tatuapé. Em 1997, ano de fundação da Amigos do Guri, surgiu o primeiro polo do interior, em Indaiatuba. Dois anos depois, o projeto gravou seu primeiro CD, intitulado Guri, com o pianista Arthur Moreira Lima, no Theatro São Pedro, em São Paulo. A partir de 2004, os polos do interior e do litoral do Estado passaram a ser administrados pela Amigos do Guri, desde 2012 afiliada à Jeunesses Musicales International, associação sediada na Bélgica que reúne diversas organizações musicais em cerca de 70 tituído pelos alunos que se destacam países. Já os polos da capital contam com a gestão da Santa Marcelina dentro do Projeto. “A canção faz parte da peça Bachia- Cultural, desde 2008. Além de já terem se apresentado nas Brasileiras II, uma série de nove composições de  Villa-Lobos. Nessa com grandes nomes da música braobra, ele mescla a cultura do folclore sileira – como Milton Nascimento, brasileiro e da música caipira com Arnaldo Antunes, Toquinho, Crioa música erudita. A letra apresenta lo, Yamandú Costa, Jair Rodrigues, imagens que têm muito a ver com o Rappin Hood, Naná Vasconcelos, Projeto Guri, um menino viaja em entre outros – o projeto já realizou

performances com nomes internacionais como Roger Waters (2007) e Neil Young (2011), durante o festival SWU. Os alunos também já participaram de concertos fora do país – em Buenos Aires (2011) e em Detroit (2012) –, e em eventos com dimensão internacional, como a apresentação feita para o Papa Bento XVI, no Campo de Marte, em São Paulo (2007) e na Rio+20 (2012). Entre os materiais produzidos para documentar esse conhecimento dos alunos estão os CDs Guri (1999); o Herdeiros do Futuro (2000), reconhecido como o Melhor Projeto de Fomento à Cultura pelo Prêmio Multicultural Estadão e o Projeto Guri convida (2009), finalista do Prêmio da Música Brasileira na categoria Álbum Infantil. Há também o DVD Calungá – O Mar que separa é o mar que une (2012), o livro Guri 15 anos (2010), os Livros Didáticos para alunos e professores, e o software interativo Mixer Guri www.mixerguri.org.br (2011), lançado com o envolvimento de Naná Vasconcelos e Arnaldo Antunes, no qual interessados podem criar e adquirir suas composições, além de compartilha-las. Os valores arrecadados são doados ao Projeto. Depoimentos de artistas que já tocaram os Guris nesta trajetória – “Eu desenvolvo trabalhos com crianças há muito tempo, por isso posso afirmar: os alunos do Projeto Guri têm uma qualidade musical ímpar. Completar 18 anos pra mim significa também assumir mais responsabilidades, sair pro mundo. Espero que o Guri con-

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tinue desenvolvendo a educação e a cidadania, e se espalhe cada vez mais. O Brasil necessita de projetos como esse.” Naná Vasconcelos, percussionista  “Ao completar 18 anos eu queria muito tirar a carteira de motorista. E consegui na primeira tentativa, enquanto os meus amigos só conseguiram depois. Nesta idade também entrei na faculdade de comunicação... Espero que o Projeto se desdobre ainda mais e que cada envolvido seja um agente do bem através da música. Fiquei realmente feliz quando compus uma canção exclusiva para os guris e depois pude vê-los tocar e cantar com alegria e empenho máximos!” Fernanda Takai, cantora   “18 anos é a idade almejada por todos jovens, pois possibilita a realização de sonhos e vontades. Ao mesmo tempo, a liberdade nos exige responsabilidade. Este equilíbrio é o grande desafio desta nova fase. Desejo sucesso ao Projeto Guri e que o investimento na capacitação e Grupos de Referência tenha sua continuidade assegurada, onde professores e alunos sejam o espelho do conceito da democratização com qualidade das artes em nosso Estado.” Carlos Eduardo Moreno, maestro

Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Nelson Mandela -, o polo oferece 93 vagas nos cursos de violão, viola caipira e percussão. O Projeto Guri mantém outros quatro polos em funcionamento no município de Campinas, sendo um, fundado em junho de 2005, na Associação de Educação Homem de Amanhã (AEHDA) que oferece os cursos de canto coral, cordas agudas, cordas graves, madeiras, metais e percussão e outros três localizados dentro da Fundação Casa (San Martim, Jardim São Vicente e Jardim Aeroporto). O programa já atende aproximadamente 200 alunos por ano na cidade. n

Sobre o Projeto Guri em Campinas – No dia 27 de setembro, a cidade de Campinas ganhou um novo polo do Projeto Guri, resultado da parceria firmada entre a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Prefeitura de Campinas e a Amigos do Guri. Com o nome de um grande líder africano, Nelson Mandela – por funcionar dentro do 128

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Projeto Guri www.projetoguri.org.br

In Press Porter Novelli Assessoria de Comunicação www.inpresspni.com.br Carolina Bessa – carolina.bessa@inpresspni.com.br Tel.:(11) 3323-3766 Clarissa Avelar – clarissa.avelar@inpresspni.com.br Tel.: (11) 3323-1529 Juliana Annunciato – juliana.annunciato@inpresspni.com.br Tel.:(11) 3323-1591

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C oca -C ola FEMSA B rasil , uma década de história e pronta para o futuro Grupo expande operações, constrói Centro de Distribuição em Sumaré (SP) e fábrica em Itabirito (MG).

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ntegrante do Grupo FEMSA (Fomento Econômico Mexicano), a Coca-Cola FEMSA Brasil inicia 2014 com a experiência acumulada de uma década de presença em território brasileiro. Ao longo de profícuos dez anos, comemorados em 2013, consolidou-se como a maior operação do Sistema Coca-Cola Brasil, reconhecida como uma empresa completa de bebidas, que envasa e distribui produtos das marcas do portfólio Coca-Cola Company (composto por refrigerantes, água, chás, sucos, bebida láctea, energéticos, isotônicos e bebidas esportivas) e cervejas da Heineken. Especialmente no ano passado, reforçou sua posição de liderança ao efetivar a aquisição de duas novas engarrafadoras, preparando-se agora para novas expansões em suas atividades, como as inaugurações de

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uma nova fábrica em Itabirito (MG) e de um Centro de Distribuição em Sumaré, na região de Campinas (SP). Uma cervejaria fundada em 1890 na cidade de Monterrey (México) originou o grupo FEMSA, que expandiu suas atividades em diversos ramos de negócios por toda América Latina, sempre priorizando a excelência de seus serviços e constantes inovações de mercado. O grupo aportou no Brasil em 2003, quando assumiu o controle da Panamco. Cinco anos depois, a companhia demonstrou a determinação em ampliar sua presença no mercado brasileiro, adquirindo a Remil, franquia com atuação em Minas Gerais. Houve ainda a compra da Sucos Mais, da Sucos Del Valle, e da Matte Leão, empresas que hoje fazem parte da Leão Alimentos, da qual a Coca-Cola

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FEMSA Brasil é acionista. Em 2013, duas novas aquisições tornaram ainda mais significativo o décimo ano de atuação da FEMSA no país: em junho, a empresa adquiriu a Companhia Fluminense de Refrige-


rantes, engarrafadora com atuação em parte dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais; e, em agosto, houve a compra de 100% do controle acionário da Spaipa S.A. Indústria Brasileira de Bebidas, que

atua em todo o Paraná e em mais da metade do Estado de São Paulo. Os novos negócios, com investimentos da ordem de 2,2 bilhões de dólares, permitiram à Coca-Cola FEMSA Brasil ampliar sua capacidade

produtiva no país, que passou de 680 milhões para mais de 1,1 bilhão de caixas unitárias por ano. O número de colaboradores diretos cresceu cerca de 40% (são mais de 14 mil funcionários) e o total de consumidores atendidos

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saltou de quase 50 milhões para 66 milhões, distribuídos nos estados de São Paulo, Estado de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro e em parte dos estados de Goiás. “Graças ao árduo trabalho de nossos colaboradores e aos constantes investimentos realizados ao longo desses dez anos, sobretudo na manutenção da altíssima qualidade de nossos produtos, desfrutamos hoje no Brasil, com muito orgulho, de um excelente reconhecimento em nosso segmento de mercado. A união do talento e dos esforços de nossa equipe ao nosso sólido sistema de negócios tem como objetivo principal a plena satisfação de nossos consumidores 132

brasileiros”, enfatiza Eduardo Lacerda Fernandes, vice-presidente Jurídico e de Assuntos Corporativos da Coca-Cola FEMSA Brasil. Outros investimentos – Além das recentes aquisições, a estratégia da Coca-Cola FEMSA Brasil para atender ao crescimento da demanda por seus produtos nos próximos anos inclui investimentos de mais de 340 milhões de dólares em ampliação de capacidade de produção e logística. Um desses empreendimentos é o novo Centro de Distribuição em construção na cidade de Sumaré. Sua localização oferece fácil acesso à ma-

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lha rodoviária, formada pelas rodovias Anhanguera, Dom Pedro e Bandeirantes, bem como à mão de obra qualificada da região. O novo centro atenderá Sumaré e municípios vizinhos. Na unidade de Jundiaí, investimentos de 53 milhões de dólares compreendem a construção de um armazém vertical totalmente automatizado e a instalação de uma nova linha de PET, com capacidade de produzir 72 mil garrafas PET por hora. A fábrica de Jundiaí, maior da Coca-Cola no mundo em volume de produção, possui capacidade produtiva de 300 milhões de caixas unitárias por ano. Em Itabirito (MG), o grupo cons-


trói uma nova fábrica, que terá capacidade anual para produção de 2,1 bilhões de litros de todos os refrigerantes da marca Coca-Cola, em todas as embalagens existentes, para atender parte do mercado de Minas Gerais e Região Serrana do Rio de Janeiro. Será a 10ª unidade fabril do grupo no país, que já opera fábricas em Bauru, Jundiaí, Marília e Mogi das Cruzes (SP); Campo Grande (MS); Belo Horizonte (MG); Porto Real (RJ); e Curitiba e Maringá (PR). Com ousadia, determinação e confiança no país a Coca-Cola FEMSA construiu dez anos de história no Brasil. E é assim, arrojada e confiante no futuro, que a empresa antecipa-se aos desafios das próximas décadas. n Fonte: PCN Comunicação - (19) 3291-2420

Responsabilidade e desenvolvimento social Ao estabelecer uma bem sucedida cultura de negócios, focada na geração de valor econômico, a Coca-Cola FEMSA Brasil preocupou-se em também gerar simultaneamente valor social por meio de suas atividades no país. Esse compromisso se manifesta por meio de um sólido conjunto de ações que envolvem seus colaboradores e suas famílias, as comunidades onde opera, a preservação do meio ambiente e o fomento à cultura. Exemplos dessas iniciativas de responsabilidade e desenvolvimento social são: o Dia da Família, criado para homenagear uma das instituições mais valorizadas pela FEMSA, a família, e celebrar o ano de trabalho, reunindo colaboradores da empresa; o Prêmio FEMSA de Teatro Infantil, um dos maiores reconhecimentos teatrais do Brasil e único na América Latina da categoria, que em 2013 comemorou 20 anos de existência (era realizado anteriormente pela Panamco); e a Caravana Social de Natal, para levar a magia do Natal a crianças que geralmente não tem oportunidade de desfrutar de uma comemoração natalina, estar perto do Papai Noel e receber presentes. Destacam-se ainda nessas ações o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias, para conscientizar a população sobre os eminentes problemas de depósito de lixo nos mares, rios e nas matas; e a Praça da Cidadania, evento social e itinerante que já levou a mais de 30 mil pessoas informações sobre consumo responsável, cuidados com o meio ambiente, importância da coleta seletiva e vida saudável. O programa foi contemplado com o título de “Reconhecimento a Melhor Prática em Responsabilidade Social 2013”, na categoria Alianças Entre Empresas, concedido pelo Centro Mexicano para a Filantropia. n

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PROGRAMA CARTÃO VIDATIVA PARA IDOSOS GOVERNO DO ESTADO OFERECE BENEFÍCIO MENSAL PARA ATIVIDADES FÍSICAS EM CLUBES E ACADEMIAS PAULISTAS

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Secretário de Esporte, Lazer e Juventude, José Auricchio Junior, senhora contemplada com o programa, e a Primeira Dama, Presidente Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin. Foto: Gustavo Linzmayer

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Programa VidAtiva é uma ação do Governo do Estado de São Paulo, que visa dar oportunidade de acesso aos idosos as atividades físicas, desportivas e de lazer, priorizando os casos de baixa renda e vulnerabilidade social, e de prescrição médica indicando a prática esportiva como medida preventiva ou curativa. Trata-se de um cartão magnético que será utilizado no pagamento de Academias e Clubes inscritos, com um valor pré-pago de R$ 57,00 por mês. O Governo de São Paulo, através da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (SELJ) e do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), com essa iniciativa, disponibiliza mais uma ferramenta fundamental para os idosos melhorarem a qualidade de vida. O projeto foi lançado na cidade de São Paulo, em dezembro de 2013, e

possui cinco grandes polos, cada um com 600 vagas destinadas: Santos, São José do Rio Preto, Bauru, Grande São Paulo e São Paulo (Capital). No mês de fevereiro, foram contemplados 200 idosos na cidade de Bauru, e 220 na cidade de Santos. Condições para participar do VidAtiva: I - ter no mínimo 60 (sessenta) anos de idade; II - ter renda familiar mensal não superior a 3 (três) salários mínimos (R$2.172,00); III - não ser proprietário, titular de aquisição, herdeiro, legatário ou usufruir de bens móveis, imóveis ou direitos, cujos valores ultrapassem a quantia equivalente a R$ 96.850,00. IV - não possuir recursos financeiros em aplicações ou investimentos em valor superior a 12 (doze) salários mínimos federais (R$ 8.688,00).

Os interessados deverão apresentar-se nas Inspetorias ou Diretorias de Esporte e Lazer de sua cidade, portando originais e cópias do RG, CPF, e comprovantes de renda e residência. Clubes e Academias interessados em participar do Programa: Os centros esportivos e academias de ginástica interessados em participar do programa devem realizar inscrição junto a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (ficha disponível no site www.selj.sp.gov.br), e enviar documentação necessária para realização do convênio. - Cartão de CNPJ; - Cópia simples do contrato social ou estatuto; - Cópia simples do RG e CPF do responsável legal pela Academia ou Clube que consta no contrato social/estatuto; - Ficha cadastral preenchida. n revista RMC/1o semestre 2014

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moda SOSSEGA MADALLENA MULTIMARCAS www.sossegamadallena.com.br Fotos: NEW PEOPLE DENIm / FOUR ONE

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ntra ano e sai ano e o jeans é, sem dúvida, uma das únicas tendências que nunca sai de moda. Desde 1853, quando Levi Strauss criou o jeans para atender garimpeiros, até agora, o jeans vem se transformando, se renovando e voltando às origens, mas sempre está presente em todas as coleções, todas as estações e por todo o mundo.

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Não há quem não tenha um jeans “preferido” no guarda-roupa, porém, passamos a ter como peças chaves não apenas as calças jeans, mas sim camisas, shorts, casacos e outras que se adaptaram ao material e passaram a ser nobres e aparecerem até em desfiles de alta costura. Suas variações, adaptações, lavagens e padronagens são tantas, que hoje é possível sair com looks total denim e estar incrivelmente bem vestida. Pela característica predominante de ser atemporal, fazer investimento em peças jeans é sempre uma excelente dronagens essa tendência está muito opção, afinal elas não serão jogadas em alta e com certeza deve seguir por fora nunca, pois até mesmo quando algumas estações. rasgadas estão em alta! TREND BARRA VIRADA/BOYFRIEND: Uma TREND TOTAL DENIM: Desde que o jeans das febres na Europa, as calças croppevem aparecendo com frequência nos ds que são feitas através das barrinhas desfiles de alta costura, surgiram mui- dobradas são as mais usadas por lá. tas dúvidas de como usar jeans com Em várias modelagens: boyfriend, jeans. Na verdade, existem inúmeras skinny e fit as barrinhas viradas são possibilidades fazendo dessa uma uma boa opção quando se está usando tendência fácil de ser adaptada ao um sapato incrível, pois o mesmo fica guarda-roupa. Para não errar tenha inteiro à mostra. algumas na cabeça como diretriz: Combinar lavagens semelhantes TREND MACACÃO: Muita gente fica em - é mais fácil pois o look vira quase dúvida quando cogita a hipótese de um conjunto. usar macacão jeans. Sim, ele está Texturas diferentes - camisas e de volta com força total e em várias blusas de jeans bem leves, soltos e mais modelagens.  finos ficam perfeitas com saias, shorts Para quem fica insegura em relação e calça. Enfim... vão bem com tudo. à modelagem anos 90 por receio de ficar infantil está enganada, pois essa TREND PATCHWORK: Adoramos essa modelagem voltou muito forte, com tendência, afinal há  muito tempo lavagens e apliques em metal e bolsos que se vê o patchwork aplicado com incríveis. Também novas modelagens misturas de estampas em roupas e em jeans (e também em alfaiataria) decoração, mas patchwork de denim tornaram o macacão mais fácil de usar é uma novidade. e o transformaram numa peça trend. Em várias cores, tamanhos e paTem coisa melhor do que vestir ape-

nas uma peça e ficar linda e bem vestida? Independentemente do tipo ou da lavagem, o jeans compõe looks comunicativos do lifestyle básico com conforto e estilo. Use e abuse desta tendência fortíssima para o OUTONO/INVERNO 2014. n revista RMC/1o semestre 2014

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modernidade trouxe grandes facilidades ao homem encurtando distâncias, ampliando a acessibilidade à tecnologia e disseminando conhecimento. Em contrapartida, gerou comodismos e excessos, deixando a agenda de muitos invariavelmente lotada. Mudou a relação das pessoas com Deus e com o próximo, bem como a percepção delas sobre os valores realmente importantes da vida. Não é sem razão, portanto, que uma das grandes indagações do momento diz respeito ao bem-estar, isto é, o que é viver bem? Para Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), “viver bem envolve as dimensões física, emocional, social e até mesmo espiritual (buscar sentido na vida e nas coisas que se faz).” Sobre os cuidados com a saúde e o corpo, por exemplo, já se observa desde Levítico, no Antigo Testamento, leis sanitárias, dietéticas, e regulamentos sobre a teologia moral e sexual, provendo instruções que, além de revelarem quem Deus é e como ele age, ofereceram prevenção contra as mais variadas formas de doenças e proporcionaram todas as condições de bem-estar físico, levando em conta as precariedades da época. No Novo Testamento, a preocupação com o corpo e a saúde não deixou de ser menos rigorosa. Paulo nos informa que a glória de Deus deve ser levada em conta desde o café da manhã, quando comer e beber se transformam em um ato de culto e celebração ao Senhor (1Co 10.31). Quando se reflete no bem-estar emocional à luz da Bíblia, descobre-

-se que ela também se preocupa em oferecer instruções acerca do que significa viver bem. Quem pertence a Jesus Cristo crucificou sua natureza pecaminosa, com as suas paixões e os seus desejos (que tantas vezes perturbam nosso estado de alma) e, pelo poder do Espírito Santo, desfruta de uma qualidade de vida que o mundo seria capaz de pagar fortunas em troca do que Deus, tão somente e exclusivamente, pela graça, por meio da fé, nos derrama abundantemente, isto é, “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22-24). A Palavra de Deus também apresenta um caminho para o bem-estar social. Aqueles que buscam ser cheios do Espírito encontram sabedoria e adquirem habilidade para viver em comunhão na igreja, na família, no trabalho e na sociedade (Ef 5.18-6.9). Paulo revela o segredo de viver bem socialmente quando escreve: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.” (Cl 3.16; 3.22-23). Quanto ao bem-estar espiritual, não há o que discutir. Deus sempre deixou claro o sentido da vida e para tudo o que fazemos, ou seja, “quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. Portanto, lembre-se: viver bem é viver para a glória de Deus. n Pr. Leandro B. Peixoto, MDiv Igreja Batista Central Campinas, SP www.ibcentral.org.br revista RMC/1o semestre 2014

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scotismo, continua vivo nos jovens e antigos Quando se fala em escotismo, embora todos já tenham ao menos ouvido falar, muitos acham que não há mais escoteiros em atuação. Pois estão equivocados! O movimento escoteiro em Campinas hoje está muito forte, ao todo são 140

16 grupos escoteiros em Campinas e Região. Um dos grupos mais antigos de Campinas, o Grupo Escoteiro Craós, situado no Clube Círculo Militar de Campinas, conta hoje com cerca de 100 membros, entre jovens e adultos . O Escoteiro mais antigo do Brasil – Um dos membros do Craós, o chefe José

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dos Santos Marques, carinhosamente chamado de Chefe Zé é considerado hoje o escoteiro mais antigo do Brasil, com 84 anos de atividade escoteira. Com seus 98 anos de idade foi condecorado recentemente com a Medalha Tiradentes, uma das mais elevadas que um escoteiro pode receber por serviços prestados. Ainda


CRAÓS CAMPINAS assim seu espírito jovial é muito de destaque na nossa sociedade, envolvente, sempre brincalhão e com sendo isso motivo de orgulho para muita disposição serve de exemplo o movimento escoteiro. para os mais jovens. Sobre o Escotismo – O escotismo é um Formação de cidadãos pelo exemplo – movimento educacional de jovens, que “Não existe ensino que se compare valoriza a participação de pessoas de ao exemplo.” Esta famosa frase de todas idades, crenças, raças e origens soBaden-Powell, fundador do esco- ciais, conforme os Princípios e Método tismo, é um norte até hoje para o Escoteiro. É uma instituição mundial escotismo. que hoje conta com aproximadamente O próprio Grupo Escoteiro Cra- 150 nações engajadas; o movimento ós, ao longo dos 44 anos de sua foi fundado na Inglaterra pelo Lord história já teve a oportunidade de Baden-Powell, seus princípios estão ajudar na formação moral, cívico baseados no dever para com Deus, patriota de centenas de jovens que para com a Pátria e o próximo, além passaram pelo Grupo. Muitos já dos deveres para consigo mesmo. n adultos desempenham hoje funções www.craos.com.br revista RMC/1o semestre 2014

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SAĂšDE

dermatologia

O uso de Protetores Solares e a CarĂŞncia de vitamina D 142

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m nosso país a intensidade de radiação ultra violeta é muito elevada, já que estamos num país topical. A exposição ao sol nestas condições traz um grande risco de desenvol vimento de lesões de pele tumorais. As exposições muito intensas, com formação de bolhas de queimadura solar principalmente,estão mais ligada ao desenvolvimento de melanomas, que são tumores de pele graves, com grande risco de invadir o corpo (as chamadas metástases). As exposições mais prolongadas estão mais associadas ao risco de outros cânceres de pele, os carcinomas basocelular e espinocelular, que tem menor risco de sofrer metástases, mas tem grande potencial de destruir os tecidos ao seu redor.

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Entre as medidas para evitar o surgimento dos cânceres de pele estão a exposição ao sol apenas nos horários de menor incidência da radiação ultra violeta (pela manhã até as 10 horas e após as 16 horas), o uso de barreiras (sombrinhas, guarda-sóis, roupas, etc) e o uso de protetores solares. Sabemos que para produzir a Vitamina D em nosso organismo precisamos de luz ultra violeta, mas não há comprovação científica que os protetores solares impeçam a síntese pela pele desta vitamina tão importante para a manutenção do cálcio em nossos ossos. Um dado objetivo a este favor é que mesmo usando filtros elevados nos bronzeamos quando expostos

Dra. Suzy Rabello

com os protetores solares. Não se consegue bloqueio de 100% das radiações solares mesmo com filtros elevados. No dia a dia nossas atividades de trabalho ou atividades domésticas impedem que recebamos quantias suficientes de vitamina D, fazendo com que a suplementação oral desta seja necessária, pois mesmo dos alimentos não conseguimos a quantia necessária. Num país onde o risco de câncer de pele é elevado se desaconselha a exposição semos filtros solars portanto.n Fonte: www.drasuzyrabello.com.br

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humor “Obras do acervo do CEDHU - Centro Nacional de Documentação, Pesquisa e Divulgação do Humor Gráfico de Piracicaba”.

Rafael Correia

Centro Nacional do Humor Telefone: (19) 3403-2615 (19) 3403-2620 (19) 3403-2621 (19) 3403-2623 E-mail: contato@salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br

Endereço: Avenida Maurice Allain, 454 CEP 13.405-123 Piracicaba-SP www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br

Alfredo Martinera

Moises de Macedo Coutinho

José Antonio Costa (Jota) 144

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frases “Ajuda o teu semelhante a levantar a carga, mas não a levá-la.” Pitágoras - Pitágoras de Samos (580 a.C. - 497 a.C.) foi um filósofo e matemático grego. É considerado um dos grandes matemáticos da Antiguidade. “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.” Platão - Um dos pensadores mais influentes de todos os tempos. (427 a.C. - 347 a.C. Atenas/Grécia). Platão foi discípulo de Sócrates. Escreveu obras que são conhecidas até hoje, como “A república”. “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” Confúcio - Confúcio, filósofo chinês (551 a.C. - 479 a.C.) “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Voltaire - Voltaire, pseudônimo de François-Marie Arouet (Paris, 21 de Novembro de 1694 - 30 de Maio de 1778), foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês. Ele defendia a liberdade de ser e pensar diferente. “A esperança é o sonho do homem acordado.” Aristóteles - Influente filósofo grego, discípulo de Platão. (384 a.C em Estagira/Grécia - 322 a.C em Cálcis/Grécia). Dedicou sua vida ao desenvolvimento de conceitos fundamentais de ética, lógica, política, e outros, que são usados até hoje. “A paciência é amarga, mas seu fruto é doce.” Rousseau - Jean-Jacques Rousseau, (28 de Junho de 1712, Genebra/Suíça - 2 de Julho de 1778, Ermenonville, perto de Paris/França). Escritor e filósofo suiço. “O mal que os homens praticam sobrevive a eles; o bem quase sempre é sepultado com eles.” William Shakespeare - Dramaturgo e poeta inglês. (23 de abril de 1564 - 23 de abril de 1616 Stratford-upom-Avon, Reino Unido). William Shakespeare é reconhecido como o maior dramaturgo de todos os tempos. “Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.” Charles Chaplin - Charles Spencer Chaplin (1889 - 1977), foi um ator e diretor inglês, também conhecido por Carlitos no Brasil. “Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.” Clarice Lispector - Clarice Lispector (1920 - 1977), escritora brasileira de origem judia nascida na Ucrânia. “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.” Friedrich Nietzsche - Filósofo alemão do século XIX. (15 de outubro de 1844, Röcken/Alemanha e 25 de agosto de 1900, Weimer/Alemanha). “Ah! o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.” Luís de Camões - Luís Vaz de Camões (1524 em Coimbra/Portugal – 10 de junho de 1580 em Lisboa/Portugal), poeta português, considerado o maior poeta de língua portuguesa. Autor dos Lusíadas, maior obra literária portuguesa. “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.” Fernando Pessoa - Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português. (13 de junho de 1888 - 30 de novembro de 1935 – Lisboa/Portugal). É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal. “Autodidata é um ignorante por conta própria.” Mario Quintana - Mario de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Nasceu em Alegrete/RS em 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre/RS, em 5 de maio de 1994.

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frases “Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la.” Augusto Cury - Augusto Jorge Cury (1958), psiquiatra e escritor brasileiro. “A imaginação é mais importante que o conhecimento.” Albert Einstein - Albert Einstein foi um físico e humanista alemão (14 de março 1879 – 18 de abril 1955), autor da teoria da relatividade e de importantes estudos. “Creia em si, mas não duvide sempre dos outros.” Machado de Assis - Machado de Assis foi um escritor e poeta brasileiro. (21 de junho de 1839 - 29 de setembro de 1908, Rio de Janeiro, RJ). Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras e é famoso por muitos de seus livros, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e O Alienista. “A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte.” Oscar Wilde - Oscar Wilde foi um dramaturgo, escritor e poeta irlandês. (16 de outubro de 1854, Dublin, República da Irlanda - 30 de novembro de 1900, Paris, França). Expoente da literatura inglesa durante o período vitoriano. “O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.” Cora Coralina - Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889 - 1985) foi uma poeta goiana. “Primeiro vem o estômago, depois a moral.” Bertolt Brecht - Bertolt Brecht. (10 de Fevereiro de 1898 – 14 de Agosto de 1956) foi um influente dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. “Muitas pessoas são bastante educadas para não falar com a boca cheia, porém não se preocupam em fazê-lo com a cabeça oca.” Orson Welles - Orson Welles (Kenosha, Wisconsin, E.U.A. 6 de maio de 1915 - Hollywood, 10 de outubro de 1985) foi um cineasta e actor norte-americano. Iniciou a sua carreira no teatro, em Nova Iorque, em 1934. “O homem que empenha todo o seu trabalho e imaginação em oferecer por um dólar o mais possível, em vez de menos, está condenado ao sucesso.” Henry Ford - Henry Ford (30 de Julho de 1863, Wayne County, Michigan, EUA - 7 de Abril de 1947, Dearborn) foi o fundador da Ford Motor Company e o primeiro a aplicar a montagem em série de forma a produzir, em massa, automóveis a um preço acessível. “Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.” Carlos Drummond de Andrade - Carlos Drummond de Andrade foi um poeta brasileiro (1902 - 1987), também cronista, contista e tradutor. “A democracia não corre, mas chega segura ao objetivo.” Johann Goethe - Johann Wolfgang von Goethe (28 de Agosto de 1749 em Frankfurt – 22 de Março de 1832 em Weimar). Escritor, cientista e filósofo alemão. “A arte é um dos meios que une os homens.” Leon Tolstoi - Leon Nikolaievitch Tolstoi. (9 de setembro de 1828 - 20 de novembro de 1910). Foi um novelista, pacifista e pensador moral, notável por suas idéias de resistência a não violência. “As pessoas costumam dizer que a motivação não dura sempre. Bem, nem o efeito do banho, por isso recomenda-se diariamente.” Zig Ziglar - Zig Ziglar (6 Novembro 1926) é um escritor e orador americano.

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