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Workshop do Projeto de P&D Mexilhão Dourado na Bacia do Alto Uruguai – Efeitos e Controle

CADERNO TÉCNICO Resultados do Seminário Florianópolis - Outubro 2018

2018

Projeto P&D 00403-0043/2017


REALIZAÇÃO

EXECUÇÃO

SUPERVISÃO

ORGANIZAÇÃO E EDITORAÇÃO

Grasiela Fagundes Minatto Cardoso Sérgio Luiz de Souza Engie Brasil Energia | Itá Energética

Alex Pires de Oliveira Nuñer LAPAD

Damião Maciel Guedes Marcus Vinícius Ferreira de Santana CSC Energia (Baesa | Enercan) Roberto Linhares Moritz Foz do Chapecó Energia

Evoy Zaniboni Filho LAPAD Samara Hermes Silva LAPAD Luis Augusto Reginato Costa ORTUS CONSULTORIA Eduardo Hermes Silva ORTUS CONSULTORIA


COLABORADORES EXTERNOS Cláudia Tasso Callil Universidade Federal de Mato Grosso

Jose Luis Soler Ecowater Technologies

Daercy Maria Monteiro de Rezende Ayroza Instituto de Pesca

Marcelo Knoff Fundação Oswaldo Cruz

Daniel Cataldo Universidade de Buenos Aires

Marcio Roberto Pie Universidade Federal do Paraná

Daniel Pereira Faculdade Dom Bosco

Mônica de Cássia Souza Campos Centro de Inovação e Tecnologia SENAI

COLABORADORES INTERNOS Janaína dos Santos Pedron LAPAD

Maurício Laterça Martins AQUOS

José Luiz Pedreira Mouriño AQUOS

Mauricio Melo Petrucio LIMNOS

Josiane Ribolli LAPAD

Nei Kavaguichi Leite LIMNOS

Jurandir Joaquim Bernardes Junior LAPAD

Sunshine de Ávila Simas LAPAD

Kennya Addam Gomes Silva AQUOS

Renata Maria Guereschi LAPAD

Luciano Augusto Weiss LAPAD

Tamiris Henrique Ferreira AQUOS

Marcos Caivano Pedroso de Albuquerque LMM

Vinícius Muller Buratto LAPAD

PROJETO GRÁFICO

REVISÃO ORTOGRÁFICA

Renato Cardoso ORTUS CONSULTORIA

Laura Tajes ORTUS CONSULTORIA


PREFÁCIO

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APRESENTAÇÃO

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O MEXILHÃO DOURADO

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O PROJETO

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O SEMINÁRIO

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A REUNIÃO TÉCNICA

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A REDE DE COLABORADORES

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Laboratórios parceiros do Projeto

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Pesquisadores e colaboradores externos

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STATUS DOS CONHECIMENTOS COMPARTILHADOS

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Biologia e ecologia da espécie e seus impactos no Brasil (Claudia Callil)

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Métodos moleculares no estudo e monitoramento do mexilhão-dourado (Marcio Pie)

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Formas de controle e importância do bivalve mexilhão-dourado como praga e transmissor de doenças (Marcelo Knoff)

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Modelagem da distribuição potencial do mexilhão-dourado (Mônica Campos)

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Experiências com a invasão do mexilhão-dourado em tanques-rede (Daercy M M Rezende Ayroza)

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Efeitos do mexilhão-dourado sobre o ecossistema

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(Daniel Cataldo)

Histórico de invasão e o Plano Nacional de Combate (Daniel Pereira)

Estratégias de controle da espécie na Argentina

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(Daniel Cataldo)

Alternativas e tecnologias inovadores de controle na Europa e Estados Unidos (Jose Luiz Soler)

PANORAMA DOS DEBATES E DISCUSSÕES TÉCNICAS Mesa redonda do Seminário

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38 39

Grupos de trabalho da Reunião Técnica

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UTILIZADAS E COMPILADAS SOBRE A ESPÉCIE

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Rio Aguapé


PREFÁCIO Este caderno técnico apresenta uma síntese dos resultados do Seminário realizado em outubro de 2018, dentro do projeto de P&D ANEEL intitulado “A invasão do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) nos reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Alto rio Uruguai: efeitos colaterais e mecanismos de controle biológico”. Neste Seminário os especialistas no tema apresentaram palestras buscando retratar o estado atual do conhecimento sobre o mexilhão-dourado, explorando temas de biologia e ecologia da espécie, o histórico da invasão e o plano nacional de combate, estratégias utilizadas para o controle, métodos inovadores de monitoramento e controle, além do impacto desta invasão sobre o ecossistema. Uma síntese destas palestras está apresentada na primeira parte deste caderno técnico. Ao término do Seminário, foi realizada uma mesa-redonda composta pelos palestrantes, que responderam a perguntas dos demais participantes, resultando numa profícua discussão sobre os avanços científicos e tecnológicos na área e os limites do conhecimento. Parte dessas perguntas e respostas foram transcritas para este caderno técnico. Posteriormente, foram montados grupos de trabalho para discussão de temas norteadores pré-estabelecidos sobre a biologia e ecologia da espécie, caraterísticas de monitoramento, manejo e controle, e aspectos relacionados à saúde pública. O conhecimento consolidado foi detalhado em discussões específicas de cada tema, e a partir daí foram identificadas as lacunas de conhecimento e produzida uma lista das principais referências bibliográficas sobre os temas. O resultado produzido nestes grupos de trabalho aparece sumarizado na parte final deste caderno técnico.

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APRESENTAÇÃO O projeto A invasão do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) nos reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Alto rio Uruguai: efeitos colaterais e mecanismos de controle biológico é uma iniciativa de 42 meses que está sendo desenvolvida no âmbito do Programa P&D-ANEEL. O projeto tem foco na análise ampla do ecossistema, buscando entender os impactos que o mexilhão-dourado provoca nos reservatórios e em seu entorno, além de prospectar formas de controle biológico dessa espécie invasora que há mais de 20 anos tem trazido dificuldades para o setor de energia elétrica em particular, bem como para a região onde ela ocorre. Este é o primeiro Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Cooperado envolvendo as cinco usinas hidrelétricas da região do Alto rio Uruguai: Barra Grande, Campos Novos, Machadinho, Itá e Foz do Chapecó, que irão investir aproximadamente cinco milhões de reais em seu desenvolvimento, que estará sob responsabilidade do Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce da Universidade Federal de Santa Catarina. O presente Caderno Técnico é produto da primeira atividade realizada dentro do Projeto, o Seminário “Mexilhão-dourado no Alto rio Uruguai: Efeitos e Controle”, no qual foram reunidos especialistas da área para debater o conhecimento já existente sobre a espécie e apontar as lacunas a ele relacionadas. Dessa forma, convidamos todos a conhecer um pouco mais sobre o projeto A invasão do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) nos reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Alto rio Uruguai: efeitos colaterais e mecanismos de controle biológico, e sobre esse tema tão desafiador. Alexandre Nunes Zucaratto Gerente de Estratégia e Inovação ENGIE BRASIL ENERGIA José Lourival Magri Gerente de Meio Ambiente e Responsabilidade Social ENGIE BRASIL ENERGIA

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Reservatório de Itá

O MEXILHÃO-DOURADO

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O Mexilhão-dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) Limnoperna fortunei, conhecido popularmente como mexilhão-dourado, é uma espécie de macro-invertebrado filtrador que vive em ambientes de água doce ou com baixa salinidade. É uma das duas espécies de água doce da família Mytilidae (classe Bivalvia, filo Mollusca), pois todas as demais ocorrem exclusivamente em ambientes marinhos ou estuarinos. A espécie é nativa da China, porém, atualmente, se encontra mundialmente distribuída. É um molusco pequeno com tamanho médio de 3,0 cm. A espécie apresenta comportamento gregário e crescimento rápido. É epifaunal e apresenta alta capacidade de fixação em diferentes tipos de substratos rígidos, como troncos (Figura 2a), pedras (Figura 2b), plantas aquáticas, e até mesmo outros animais aquáticos, como outros bivalves, gastrópodes ou crustáceos.

Figura 2a

Figura 2b

O ciclo de vida do mexilhão-dourado inclui uma fase larval planctônica, na coluna d’água, e outra juvenil-adulta bentônica, em um substrato. A espécie apresenta sexos separados, sendo que os gametas femininos e masculinos são liberados na água, onde ocorre a fecundação. O ovo fertilizado e os demais estágios larvais se desenvolvem no plâncton, até a formação do pé funcional que aparece no estágio pedivéliger (penúltimo estágio larval). Nessa fase, a larva busca um substrato para a fixação e consegue se deslocar sobre um substrato rígido. No último estágio larval, conhecido como larva plantígrada, a larva começa a apresentar a forma do mexilhão adulto e o pé passa a ser o único meio de locomoção. No entanto, apenas após a fixação no substrato com o bisso é que os indivíduos passam a ser considerados juvenis. A partir de 5,0 mm de comprimento (em torno de três ou quatro meses de vida), os indivíduos atingem a maturidade sexual, sendo que o adulto vive em torno de 2 a 3 anos. A espécie foi registrada inicialmente na América do Sul em 1991, na região inferior do rio Uruguai e posteriormente na hidrelétrica de Salto Grande, em 2001. Na região do Alto rio Uruguai, a presença do mexilhão-dourado foi referenciada pela primeira vez em junho/2012 entre as instalações das usinas hidrelétricas de Barra Grande e Machadinho.

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Rio Canoas

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O PROJETO A invasão do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) nos reservatórios das Usinas Hidrelétricas do Alto rio Uruguai: efeitos colaterais e mecanismos de controle biológico.

P&D Cooperado Março 2018 – Setembro 2021

OBJETIVOS Definir a situação da espécie invasora em reservatórios de Usinas Hidrelétricas na região do Alto rio Uruguai.

Testar a eficiência de métodos biológicos para o controle da população de mexilhão-dourado, tanto com potenciais predadores quanto com biopesticidas. Identificar outros organismos que apresentem potencial para o controle do mexilhão-dourado.

Identificar organismos associados ao mexilhão-dourado que possam atuar como vetor de zoonoses relacionadas à saúde pública.

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O SEMINÁRIO Mexilhão-Dourado no Alto Rio Uruguai EFEITOS E CONTROLE Objetivou compartilhar com setor acadêmico, órgãos ambientais, membros do setor elétrico, dentre outros o estado da arte sobre a biologia, casos de invasão e experiências de controle do mexilhãodourado. Para tanto, contou com uma rodada de palestras e uma mesa redonda, com os coordenadores do projeto e outros pesquisadores que desenvolvem trabalhos de referência sobre a espécie.

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A REUNIÃO TÉCNICA Aproveitando a presença dos palestrantes e de outros especialistas no Seminário, foi organizado e promovido um evento interno com os pesquisadores e técnicos do Projeto. A ideia foi criar uma rede de colaboradores para pesquisa e controle do mexilhãodourado e compartilhar experiências e lacunas de conhecimento sobre a espécie. O evento seguiu metodologia própria de intenso debate, por meio de um ciclo de grupos de trabalho e plenária, seguindo questões norteadoras e protocolos de sistematização e compartilhamento dos resultados.

18 de outubro de 2018

Sala de eventos Hotel Slaviero Baía Norte Integração dos participantes e orientação de trabalho Termos de colaboração e autorização Palestras de nivelamento Grupos de trabalho - debate e resposta de questões comuns e específicas aos temas dos GTs, com lacunas e referências Plenária - apresentação e debate de validação e sistematização das contribuições Avaliação do evento e resultados alcançados Debate interno de desdobramentos e contribuições ao Projeto

Grupo de Trabalho A :: Distribuição e Recrutamento

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A1

A2

• Márcio R. Pie • Mônica C. S. Campos • Josiane Ribolli • Sophia Cassol • Nei K. Leite • Jurandir J. Bernardes Jr.

• Claudia T. Callil • Daniel Pereira • Renata M. Guereschi • Marcos C. P. Albuquerque • Maurício M. Petrucio • Alex P. O. Nuñer


Grupo de Trabalho B :: Controle e Manejo B1

B2

• Jose Luis Soler • Daercy M. M. R. Ayroza • Edilene Cotrim • Luciano A. Weiss • Vinícius M. Buratto • Evoy Zaniboni Filho • Kennya A. G. Silva

• Daniel H. Cataldo • Marcelo Knoff • Maurício L. Martins • Sunshine Á. Simas • Tamiris H. Ferreira • Janaína S. Pedron

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REDE DE COLABORADORES LABORATÓRIOS PARCEIROS DO PROJETO

Criado em 1995, o Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (LAPAD) está vinculado ao Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina. O grupo de pesquisadores do LAPAD desenvolve estudos ligados à Biologia e ao Cultivo de Peixes de Água Doce, com ênfase para as espécies migradoras da bacia do alto rio Uruguai. As linhas centrais de pesquisa do grupo são o desenvolvimento de Tecnologias para a Produção de Peixes nativos do rio Uruguai e a Conservação de Ecossistemas Aquáticos, no tocante à manutenção dos recursos pesqueiros e à qualidade ambiental. Composta por doutores, mestres e graduandos, a equipe do LAPAD compõe o Grupo de Pesquisa em Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce, registrado no Conselho Nacionalde Desenvolvimento Científico e Tecnológico. PESQUISADORES Evoy Zaniboni Filho http://lattes.cnpq.br/3345219295470240

Renata Maria Guereschi http://lattes.cnpq.br/1538223375124040

Alex Pires de Oliveira Nuñer http://lattes.cnpq.br/5156937542968631

Samara Hermes Silva http://lattes.cnpq.br/5548273131830239

Josiane Ribolli http://lattes.cnpq.br/2274944075694023

Sophia Cassol http://lattes.cnpq.br/7082457553090683

Jurandir Joaquim Bernardes Junior http://lattes.cnpq.br/2944746197802834

Sunshine de Ávila Simas http://lattes.cnpq.br/9689837738459473

Luciano Augusto Weiss http://lattes.cnpq.br/8544280840274259

Vinícius Muller Buratto http://lattes.cnpq.br/9170823669617294

Janaína dos Santos Pedron http://lattes.cnpq.br/2490133843202003 www.lapad.ufsc.br

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O Laboratório de Ecologia de Águas Continentais (LIMNOS) está vinculado ao Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina e desenvolve pesquisas com ênfase em qualidade de água, diversidade de organismos aquáticos e processos metabólicos em ambientes lóticos e lênticos. Os projetos visam principalmente compreender os diversos aspectos da Ecologia de ambientes aquáticos, em escala populacional, de comunidades e ecossistemas com vistas à conservação. O intuito é de compreender os processos naturais com o propósito de prever como ações antrópicas podem impactar a estrutura e funcionamento desses ecossistemas. Tem como linhas temáticas principais a caracterização dos ambientes, o fluxo de energia, a ciclagem de nutrientes e a conservação de ecossistemas aquáticos continentais. PESQUISADORES Mauricio Mello Petrucio http://lattes.cnpq.br/2740849187057682

Nei Kavaguichi Leite http://lattes.cnpq.br/7131548965236037

www.limnos.ufsc.br

O Laboratório de Patologia e Sanidade de Organismos Aquáticos (AQUOS) está vinculado ao Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, e está inserido no Núcleo de Estudos em Patologia Aquícola (NEPAq). Desde 2003 vem atuando no diagnóstico do estado de saúde de organismos aquáticos por meio de análises parasitológicas, hematológicas e qualidade de água em propriedades do estado de Santa Catarina e em animais de ambiente natural. Em conjunto com o Laboratório de Camarões Marinhos, UFSC, desenvolve pesquisas de infecções experimentais em camarões e peixes cultivados e imunoprofilaxia. PESQUISADORES José Luiz Pedreira Mouriño http://lattes.cnpq.br/8824794070182176

Maurício Laterça Martins http://lattes.cnpq.br/0229235513357607

Kennya Addam Gomes Silva http://lattes.cnpq.br/7014548465763426

Tamiris Henrique Ferreira http://lattes.cnpq.br/2168319696501850

http://aquos.ufsc.br

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Criado no início da década de 1990 o Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) está vinculado ao Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina. Em conjunto com a Epagri e com pescadores artesanais, desenvolveu uma forma alternativa não extrativista de subsistência: o cultivo de moluscos marinhos. Essa atividade permitiu que Santa Catarina se tornasse o maior produtor nacional de moluscos bivalves marinhos. O laboratório produz, sob demanda específica de produtores, larvas de mexilhão Perna perna e sementes de ostras nativas de mangue. Mais recentemente, a equipe obteve grande desenvolvimento na produção de vieiras, equivalentes aos melhores resultados obtidos no nível mundial e que já estão em produção em Santa Catarina. Sempre atuando na vanguarda da tecnologia de produção, o laboratório está realizando trabalhos com duas novas espécies nativas, o asa-de-anjo e a ptéria, que são moluscos que podem ser utilizados para alimentação, ornamentação e, até mesmo, para produção de pérolas. PESQUISADOR Marcos Caivano Pedroso de Albuquerque http://lattes.cnpq.br/0543451909204875 www.lmm.ufsc.br

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PESQUISADORES E COLABORADORES EXTERNOS Cláudia Tasso Callil Instituto de Biociências - Universidade Federal de Mato Grosso http://www1.ufmt.br/ufmt/un/secao/6319/ppgzoo http://lattes.cnpq.br/5915247742582175 Daercy Maria Monteiro de Rezende Ayroza Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Secretaria da Agricultura e Abastecimento. http://www.pesca.sp.gov.br/produtos-e-servicos/portifolio http://lattes.cnpq.br/1357498328399937 Daniel Hugo Cataldo Laboratorio de Hidrobiología - Departamento de Ecología Genética y Evolución de la Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Universidad de Buenos Aires. http://www.bg.fcen.uba.ar/cataldo.htm Daniel Pereira Faculdade Dom Bosco http://lattes.cnpq.br/2380775671315902 Lótica Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria Ambiental, Escritório de Projetos - EPRO Jose Luis Soler Ecowater Technologies http://ecowatertechnologies.weebly.com/ Marcelo Knoff Laboratório de Helmintos Parasitos de Vertebrados. Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz - IOC/FIOCRUZ, RJ http://lattes.cnpq.br/0947649134691016 www.chioc.fiocruz.br Márcio Roberto Pie Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, Departamento de Zoologia. http://lattes.cnpq.br/1103162946522572 https://gia.org.br/portal Mônica de Cassia de Souza Campos Centro de Inovação e Tecnologia SENAI - Campus CETEC, Instituto SENAI de Tecnologia em Meio Ambiente - ISTMA. http://lattes.cnpq.br/7293051737869894

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STATUS DOS CONHECIMENTOS COMPARTILHADOS


CLÁUDIA TASSO CALLIL Instituto de Biociências - Universidade Federal de Mato Grosso

A intensa capacidade reprodutiva do mexilhão-dourado, Limnoperna fortunei (DUNKER, 1857), tem facilitado a rápida disseminação e altas densidades desde a sua introdução acidental na América do Sul. Informações detalhadas relacionadas a aspectos populacionais, em especial às flutuações reprodutivas sazonais, são essenciais para prever mecanismos de propagação e são fundamentais para a produção de estratégias adequadas de controle e mitigação dos impactos. O mexilhão-dourado é dioico, machos e fêmeas geralmente estão presentes em iguais proporções, apesar de ocasionalmente ocorrer um ou outro caso de hermafroditismo. A produção de gametas ocorre em estruturas acinosas que se distribuem naturalmente pelo manto e ocasionalmente na massa visceral. Ovócitos e espermatozoides apresentam produção cíclica, culminando em um ou mais momentos de desova, comumente associada a fatores ambientais. A fecundação da espécie é externa e todas as fases de desenvolvimento larval (mórula, trocófora, larva D, véliger, pedivéliger e plantígrada) são planctônicas, até a fase de recruta colonizar novos locais.

(A) Diferenciação sexual em indivíduos de mexilhão-dourado, Limnoperna fortunei ativos reprodutivamente. (B) Vista superficial externa em microscópio estereoscópico, do manto de um indivíduo feminino em início de maturação. As estruturas na ponta das setas são os folículos em desenvolvimento. Fotos: A, A. L . T. Gomes e B, C. T. Callil.

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É importante ressaltar que, em função da expansão da matriz energética no Brasil, houve inúmeras ações afirmativas, tal qual o incremento da piscicultura em tanques-rede, influenciando direta e indiretamente o aumento populacional e a dispersão do mexilhão-dourado. O controle bem-sucedido desta espécie invasora deve obrigatoriamente considerar o monitoramento da dinâmica populacional, a detecção dos agentes facilitadores e os fatores limitantes da atividade reprodutiva a fim de predizer alcance de invasão bem como os impactos ambientais e econômicos causados em detrimento de tal ocupação.

Frequência de publicações por ano no Banco de Dados Bibliométricos de Bivalves Límnicos da América do Sul. O incremento de publicações a partir de 1998 está relacionado com os primeiros registros de ocorrência de Limnoperna fortunei. FONTE: ECOBIV, 2018.

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Métodos moleculares no estudo e monitoramento do mexilhão-dourado MÁRCIO ROBERTO PIE Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, Departamento de Zoologia.

O passo inicial para qualquer programa de monitoramento de organismos de interesse em ambientes aquáticos é a sua detecção em condições de campo. No caso do mexilhão-dourado, o método mais tradicional de monitoramento envolve coleta, filtragem e identificação de larvas em amostras de água. Embora esta abordagem seja capaz de detectar o mexilhão-dourado em condições iniciais de colonização, ela é demorada, trabalhosa e frequentemente envolve um extenso treinamento para discriminar a larva do mexilhão de outros organismos do plâncton. Metodologias alternativas são necessárias para melhorar a eficiência do processo, e uma delas envolve o uso de DNA ambiental (eDNA), material genético que os organismos liberam constantemente e que se acumula no ambiente. O eDNA não só é mais eficiente e sensível do que a abordagem tradicional, como também permite o processamento de um grande número de amostras em pouco tempo e de maneira completamente replicável. Para detectar o organismo alvo utilizando o eDNA é necessário desenvolver um marcador molecular. Esta apresentação descreve um marcador desenvolvido para um ensaio de PCR de tempo real (rtPCR) usando sonda tipo TaqMan, que amplifica um fragmento de 100 bp do gene mitocondrial COI do mexilhão-dourado. Este ensaio oferece maior sensibilidade e acurácia na detecção, menor custo, menor impacto ambiental nas coletas, proporcionando melhor desempenho do que o método molecular anterior baseado apenas em PCR com primers de espécie-específicos. Além disso, o marcador por rtPCR permite uma medida indireta da biomassa do mexilhão-dourado no local de coleta, o que pode trazer subsídios valiosos para seu monitoramento e manejo.

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Formas de controle e importância do bivalve mexilhão-dourado como praga e transmissor de doenças MARCELO KNOFF Pesquisador Titular do Laboratório de Helmintos Parasitos de Vertebrados, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz - IOC/FIOCRUZ, RJ Curador da Coleção Helmintológica do IOC/FIOCRUZ

Muitos bivalves, principalmente marinhos, são apreciadas como alimento. Os impactos na saúde humana estão relacionados à ingestão destes organismos crus ou mal cozidos, podendo provocar enfermidades em humanos, tendo como principais causadoras as bactérias, mas também através de vírus e biotoxinas. A salmonelose é uma das zoonoses mais prevalentes causada por bivalves. Em geral está associada a mudanças de hábitos alimentares nos países ocidentais. Para o caso do bivalve mexilhão-dourado, L. fortunei, isto nunca foi registrado, por não estar na lista de moluscos comestíveis. Muito pelo contrário, tem sido relatado paladar desagradável da espécie ao consumo humano. Duas espécies de trematódeos digenéticos da família Bucephalidae são conhecidamente parasitos em sua fase larval e usam o mexilhão-dourado como primeiro hospedeiro intermediário, tendo peixes como segundo hospedeiro intermediário e outros peixes ictiófagos como hospedeiro definitivo. Forma adulta do trematódeo digenético Prosorhynchoides ozakii. A. Fotografia do verme, vista ventral; B. Desenho do verme, vista ventral; C. Detalhe mostrando parte do ovário, oviduto, glândula de Mehlis, viteloduto e ínicio do útero, preenchido com alguns ovos; D. Detalhe da genitália terminal, na porção posterior do corpo. Modificado de Baba & Urabe (2015).

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Estudos recentes no Japão, registraram a diminuição do crescimento populacional do mexilhão-dourado devido ao hiper-parasitismo por metacercárias (larvas) de P. parasiluri. Esta mesma espécie de trematódeo foi registrada em peixes (segundo hospedeiros intermediários) de água doce no Japão, causando hemorragias nas nadadeiras, pelee olhos, acarretando prejuízos a ictiofauna local e ao comércio destes peixes (Baba & Urabe, 2015). Várias outras espécies de trematódeos bucefalídeos tem sido registradas em peixes no Brasil e Argentina (Kohn et al., 2007) demandando pesquisas acerca da presença no mexilhão-dourado e nos peixes visando estabelecer um conhecimento sobre estes helmintos e suas influências na ecologia de nossas bacias hidrográficas. Um outro aspecto relevante a ressaltar é que estas espécies de trematódeos bucefalídeos registrados no mexilhão-dourado não são transmitidas aos humanos.

Forma adulta do trematódeo digenético Parabucephalopsis parasiluri. A. Fotografia do verme, vista ventral; B. Desenho do verme, vista ventral; C. Detalhe mostrando parte do ovário, oviduto, glândula de Mehlis, viteloduto e ínicio do útero, preenchido com alguns ovos. Modificado de Baba & Urabe (2015).

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Modelagem matemática da distribuição potencial global do mexilhão-dourado MÔNICA DE CASSIA DE SOUZA CAMPOS Centro de Inovação e Tecnologia SENAI - Campus CETEC, Instituto SENAI de Tecnologia em Meio Ambiente - ISTMA.

Modelos de Distribuição de Espécies (SDMs) têm como objetivo caracterizar o nicho ecológico de uma espécie e projetá-la dentro do espaço geográfico. Neste estudo aplicamos quatro diferentes algoritmos: Distância Mahalanobis, Domain, GARP e MAXENT, usando-os para prever a distribuição potencial de Limnoperna fortunei, espécie de mexilhão de água doce nativo do sudeste da Ásia que se tornou praga dos sistemas de abastecimento de água em Hong Kong, Japão bem como na América do Sul. Para a entrada do modelo, compilamos dados de ocorrências nativas e de áreas invadidas da Ásia (71 pontos) e América do Sul (248 pontos) obtidos da literatura, associadas às camadas ambientais do BIOCLIM correspondentes à temperatura do ar e precipitação pluviométrica. Para avaliar a qualidade dos modelos, usamos diferentes conjuntos de dados de “treino” e “teste”. Comparando as respostas dos quatro tipos de algoritmos

utilizados, verificou-se que MAXENT foi o modelo mais conservador (ou seja, produziu uma área menor de habitats adequados), seguido por GARP, Domain e Distância Mahalanobis, que provou ser o mais flexível. Um mapa “ensamble” da distribuição global da invasão da espécie foi produzido com base nos melhores cenários sobrepostos de cada algoritmo. Mesmo tendo sido gerado a partir de variáveis macroclimáticas, sem o uso de variáveis abióticas específicas locais, que são mais difíceis de obter, os modelos utilizados mostraram um bom desempenho na avaliação da distribuição global potencial de L. fortunei revelando o grande potencial invasivo desta espécie em nível mundial. Os SDMs para espécies invasoras podem ser utilizados em diferentes escalas espaciais servindo como ferramenta de baixo custo operacional para minimizar ou mesmo impedir os impactos econômicos, ambientais e sociais decorrentes das bioinvasões.

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A

Mapas das médias (A) e desvios (B) dos melhores cenários da distribuição potencial gerados pelos quatro algorítimos: Mahalanobis Distance, Domain, Garp and Maxent. Campos M.C.S., de Andrade A.F.A., Kunzmann B., Galvao D.D., Silva F.A., Cardoso A.V., Carvalho M.D., Mota H.R. Modelling of the potential distribution of Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) on a global scale(2014) Aquatic Invasions, 9 (3) , pp. 253-265.

B

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Experiências com a invasão do mexilhão-dourado em tanques-rede DAERCY MARIA MONTEIRO DE REZENDE AYROZA Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Secretaria da Agricultura e Abastecimento.

A criação de peixes em tanques-rede nos reservatórios tem sofrido prejuízos econômicos com a infestação do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei). Em função disso, elaboramos o projeto “Padrões ambientais associados ao desenvolvimento do mexilhão-dourado em áreas com piscicultura”, sob a coordenação do Instituto de Pesca e financiamento da FAPESP. A pesquisa abrangeu aspectos biológicos (densidade larval, estado fisiológico, ciclo reprodutivo e alimentação associada à piscicultura) e econômicos. Os resultados analisados indicaram que: o pico reprodutivo da espécie ocorreu no verão e no início do outono; nas pisciculturas, o estado fisiológico do mexilhão foi favorecido; o sinal isotópico indicou que a interferência da piscicultura na alimentação é indireta (aumento da produtividade primária); a reprodução iniciou com os indivíduos entre 4,5 mm (área com piscicultura) e 7,2 mm (áreas sem piscicultura); a maior frequência de indivíduos em atividade gametogênica ocorreu no comprimento de 6,0 a 7,0 mm; o aumento no custo de produção do pescado foi de até 40%, sendo depreciação e manutenção dos tanques-rede os fatores mais impactantes no custo incremental.

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Efeitos do mexilhão-dourado sobre o ecossistema DANIEL HUGO CATALDO Laboratorio de Hidrobiología - Departamento de Ecología Genética y Evolución de la Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Universidad de Buenos Aires.

O alto potencial biológico, as altas taxas de filtração, larvas planctônicas, rápido crescimento e alta fecundidade converteram rapidamente a espécie Limnoperna fortunei no componente dominante da fauna bentônica dos ambientes invadidos. A presença do mexilhão-dourado afeta de maneira significativa tanto fatores físico-químicos da água (transparência e nutrientes) como comunidades biológicas (fitoplâncton, bacterioplâncton, perifíton, zooplâncton e peixes). Dependendo do tipo de ambiente colonizado, produz efeitos específicos. Sem sombra de dúvida, o impacto mais negativo deve-se à promoção de florações de cianobactérias tóxicas como Microcystis spp. Experimentos de campo, realizados no reservatório da represa de Salto Grande no Rio Uruguai (Argentina-Uruguai), demonstraram que o mexilhão atua por intermédio de quatro fatores complementares. Eles provocam mineralização de nutrientes, mudanças na proporção de nitrogênio e fósforo na água, predação seletiva sobre o fitoplâncton e liberação de substâncias químicas, cuja presença na água estimula a formação de colônias de bactérias do gênero Microcystis. INTERAÇÕES COM O ECOSSISTEMA Limnoperna fortunei ENGENHEIRO DE ECOSSISTEMAS

Reciclagem de nutrientes

Herbicidas (Glifosato e 2,4 D)

Fitoplâncton e Picoplâncton

Ictiofauna

Floracões de Cianobacterias

Fauna bentônica

Perifíton

Zooplâncton

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EFEITOS DO MEXILHÃO-DOURADO SOBRE O ECOSSISTEMA ALIMENTA-SE DE SESTON (Fitoplâncton Zooplâncton, bactérias )

AUMENTO AMONIA; NITRATO; FOSFATO Favorecem os produtores primários que não podem ser predados pelo mexilhão

Reservatório Río III (Córdoba)

Reservatório de Salto Grande

Lagos rasos

perifíton

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• Macrófitas submersas

• Cianobacterias

• Metafiton

• Perifíton

• Perifíton

• Perifíton


Histórico de invasão e o Plano Nacional de Combate DANIEL PEREIRA Faculdade Dom Bosco Lótica Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria Ambiental, Escritório de Projetos - EPRO

A palestra “PLANO NACIONAL DE PREVENÇÃO, CONTROLE E MONITORAMENTO DO MEXILHÃO-DOURADO (Limnoperna fortunei) NO BRASIL” apresentou aspectos gerais sobre a biologia, a ecologia e o cenário atual de distribuição da espécie invasora no País. L. fortunei foi originalmente restrita a certas bacias da China, sendo posteriormente transportada para outras áreas da Ásia, em países limítrofes e, posteriormente, para o Japão. A introdução inicial do molusco na América do Sul ocorreu na Argentina via água de lastro. De lá ele se dispersou para o Brasil encrustado principalmente aos cascos das embarcações continentais. Atualmente, encontra-se disperso pelas bacias do Uruguai, Paraguai, Paraná e São Francisco, com risco eminente de atingir a bacia do Tocantins e do Amazonas devido à construção de hidrovias. Em 2018, o Plano de Nacional do MexilhãoDourado foi aprovado em portaria, visando conter a dispersão e a invasão de novas áreas, por meio de ações de controle, monitoramento e prevenção.

Actual distribution of Limnoperna fortunei in South America, including the old sitings (black dots) and new sitings related in this paper (red dots inside the dashed circle). The basins are indicated on the map by the numbers: 1) Caribbean Coast, 2) Magdelena Basin, 3) Orinoco Basin, 4) Atlantic North Coast, 5) Amazon Basin, 6) Tocantins Basin, 7) Atlantic Western Northeast, 8) Parnaíba Basin, 9) Atlantic Eastern Northeast Coast, 10) São Francisco Basin, 11) Atlantic East Coast, 12) La Plata Basin (Paraná Basin), 13) Atlantic Southeast Coast, 14) Colorado Basin, 15) Negro Basin, 16) Atlantic South Coast, 17) Central Patagonia Highlands, 18) Pacific Coast - Colombia/Ecuador, 19) Pacific Coast - Peru, 20) Pacific Coast -North Chile, 21) Pacific Coast - South Chile, 22) La Puna Region, 23) Salinas Grandes Basin, 24) Mar Chiquita Basin, and 25) Pampas Region. Fonte: CBEIH 2015, Oliveira et al. 2015

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Estratégias de controle da espécie na Argentina DANIEL HUGO CATALDO Laboratorio de Hidrobiología - Departamento de Ecología Genética y Evolución de la Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Universidad de Buenos Aires.

Existe uma ampla variedade de estratégias voltadas à mitigação das incrustações de bivalves de água doce em instalações industriais, incluindo materiais e revestimentos antifouling, tratamentos químicos, limpeza manual e mecânica, choque térmico, anoxia e hipoxia, secagem, luz ultravioleta, ultrassom, etc. O tratamento químico é uma das estratégias mais difundidas no controle de moluscos incrustantes. Em nossos laboratórios, temos realizado vários ensaios com substâncias oxidantes e não oxidantes com tendência a controlar o mexilhão-dourado. Embora o cloro seja frequentemente usado para esse fim, apresenta sérias desvantagens, pois requer o pré-tratamento da água clorada para minimizar a produção de substâncias orgânicas cloradas (como trihalometanos), cancerígenas, e dificilmente degradáveis. Além disso, no caso particular do Limnoperna fortunei, o cloro é ineficaz porque o animal percebe a presença da substância nociva no meio ambiente, fechando hermeticamente suas valvas por longos períodos de tempo, de forma a evitar a exposição ao componente tóxico. Entre as substâncias não oxidantes, os compostos quaternários de amônio têm demonstrado bons resultados, tanto em testes de laboratório quanto em experiências em instalações industriais usando biobox. Com base em nossos trabalhos, observamos que o mexilhão-dourado é mais resistente às substâncias testadas do que outros moluscos invasivos (Dreissena polymorpha e Curbicula fluminea) e, uma vez que a toxicidade dessas substâncias depende dos fatores intrínsecos (o organismo da espécie) e extrínsecos (ambientais), não podemos extrapolar diretamente as doses normalmente utilizadas para outras espécies de moluscos aplicando-as para controlar o mexilhão-dourado.

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Alternativas e tecnologias inovadoras de controle na Europa e Estados Unidos JOSÉ LUIZ SOLER Ecowater Technologies

A empresa Ecowater Technologies, sediada na Espanha, é especializada em tecnologia de controle de espécies invasoras. A sua tecnologia de combate às espécies invasoras consiste na utilização de inibidores dinâmicos e estáticos que impedem a fixação do mexilhão no substrato tratado. Como exemplo de produto estático pode-se citar a Ecowater Ceramics (cerâmica líquida) e de produto dinâmico, o Zequanox. O Zequanox é um moluscicida totalmete inócuo, à base de bactérias mortas de Pseudomonas protegens. Na década de 1990, realizou-se um estudo para o controle biológico dos mexilhões Zebra e Quagga, e a cepa CL 145A da bactéria P. protegens foi descoberta. A exposição dos mexilhões às células P. protegens CL145A, sejam vivas ou mortas, resultam em sua mortalidade. A descoberta ocorreu de certa forma acidental, pois na época do estudo grande quantidade de mexilhões estava morrendo, mas não se sabia que a grande mortalidade era causada pela ingestão de bactérias do gênero Pseudomonas. Os mexilhões filtram o Zequanox e processam o ingrediente ativo como uma fonte de alimento. Atualmente, utilizam-se exclusivamente bactérias mortas, o que deixa o Zequanox inócuo.

Comprometida com os interesses e o bem-estar da natureza aquática e de saúde pública, a Ecowater realiza testes de inocuidade em bioboxes (caixas de amostragem) para verificar se os produtos e equipamentos utilizados não afetam a fauna e flora e as propriedades da água antes de indicar qualquer tipo de tratamento. Atualmente, há um acordo com a EDF, maior distribuidora e produtora de energiada França, para controlar os mexilhões nas suas unidades geradoras de energia. Os bioboxes estão sendo utilizados para monitorar espécies autóctones durante 21 dias (até o momento, os EUA e a Espanha já testaram o seu efeito em 222 spp), somente depois disso são iniciados os testes com os mexilhões para avaliar a taxa de mortalidade e quais os tratamentos serão indicados. Outra tecnologia apresentada e que está sendo desenvolvida é o sistema de detecção de colônias de mexilhão por um cruzamento de análises batimétricas e aspectos físico-químicos da água. O objetivo é desenvolver sistemas de aplicação em ambientes abertos onde se possa direcionar a aplicação para os locais com maiores infestações.

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PANORAMA DOS DEBATES E DISCUSSÕES TÉCNICAS

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MESA-REDONDA DO SEMINÁRIO Apresenta-se, na sequência, um extrato das principais perguntas e respostas realizadas durante a mesa-redonda de encerramento do primeiro dia do evento. O conteúdo da mesaredonda está disponível na íntegra no endereço www.projetomexilhaodourado.com.br

A coordenação foi realizada por Evoy Zaniboni Filho e Alex Pires de Oliveira Nuñer, do LAPAD, que orientaram a todos como a mesa iria funcionar e fizeram a moderação dos debates. OS PALESTRANTES QUE PARTICIPARAM DA MESA-REDONDA FORAM: Dr. Daniel Pereira, Dra. Cláudia Callil, Dr. Daniel Cataldo e Sr. Jose Luis Soler.

Evoy: Que bom que teremos um tempo mais elástico para fazer esta sessão. Normalmente é a parte rica de uma discussão dessas. Fico pensando que nos seminários e congressos em que participamos quase sempre fica aquele gostinho de quero mais depois das apresentações, naquela limitação de uma pergunta ou duas e, por sorte, aqui teremos um prazo mais elástico para conversar. A dinâmica é bem simples, a ideia é que as dúvidas que ficaram durante as apresentações, durante as reflexões, durante as conversas do café, possam vir a público. [...] PERGUNTAS 1. José Lavaquial (Bio Bureau): Nossa empresa está desenvolvendo biotecnologia para combater a infestação do mexilhão-dourado. Estamos conscientes que ainda está distante o dia em que vamos prestar um serviço. Pela apresentação vista, fiquei com a impressão de que a rota seguida atualmente também mostra certa distância, que se está longe de prestar serviço, pois muito ainda precisa ser estudado. Pergunta: Qual a melhor expectativa que vocês têm - uma data no futuro ou um ano no futuro – de que possamos contar para combater o mexilhão-dourado? Resposta: Jose Soler – Eu sofri esse processo da “regulatória”, de introduzir o produto na Espanha e na França. [...] Então, o procedimento que se faz: primeiro tratar da documentação base permitindo que o produto fique no mercado, não importa que país, neste caso é os EUA, é uma documentação que deve ser aportada. [...] O tempo médio para que o processo seja finalizado dependerá de um país para outro. [...] Mas o processo é de dois anos, dois anos e meio, três anos. 2. Evoy: Queria só aproveitar uma pergunta, já que falamos do produto, pois fiquei um pouco em dúvida na sua apresentação e só queria alguns detalhes em termos da sua eficiência para o ‘zebra mussel’ e se há informação ou teste do produto com o mexilhãodourado. [...] Percebi na sua apresentação que apenas em parte do processo é que entra o Zequanox® e é combinado com outros tratamentos, mais especificamente com o Zequanox®. Fiquei curioso para saber dos testes de eficiência de eliminação, dose letal, coisas assim.

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Resposta Jose Soler: Eu disse, na primeira parte, que nós fazemos habitualmente as provas com todos os elementos que utilizamos, mas evidentemente o Zequanox® tem seu nome próprio, tem seu território, tem sua capacidade, seu próprio cenário. [...] Mas evidentemente, nós temos que utilizar outros apoios. [...] no caso do Zequanox® [...], você tem um limite de 50mg de produto, que é o que se usa por litro. Essa seria a medida para o meio - sabendo que, na realidade, esses 50mg no peso são 100. Há outros 50% do produto in loco para fazer massa. Bom, dependendo das condições dessa água, se ela é mais mole, se é mais dura, se a água tem pH mais ou menos elevado, [...] você tem que fazer um cálculo em função dessas características da água crua. Ou seja, tem uma fórmula em que os elementos numéricos fazem parte do conteúdo de cada elemento físico/químico da água. [...] Tenha em conta, o teste de Zequanox® dura 3 dias. 3. Josiane (LAPAD/UFSC): Tenho duas perguntas para o Soler, vou aproveitar a oportunidade, não é mesmo?! O Sr. falou que fizeram testes com o mexilhão-zebra nos USA. Há algum teste que não seja em laboratório, seja no ambiente? E a segunda pergunta é se essas informações estão disponíveis em algum livro ou documento? Como fazemos para ter acesso, para poder ler? Resposta Jose Soler – (Pediu contato para poder encaminhar todos os dados técnico/ científicos do produto e das pesquisas.) Todas as provas que fizemos até agora foram no campo. Até hoje, a Marrone Bio Innovations tem um laboratório maravilhoso. E mesmo o produto estando no mercado, continuamos trabalhando na melhoria dele. Atualmente o produto é servido em pó. Há 3 anos, fizemos um teste para fazer um gel, que poderia acelerar o processo da mistura, mas não deu muito certo. Agora, retomamos as pesquisas para tentar apresentar o produto em gel. Assim, não precisaria fazer a mistura com o pó, já que é um processo demorado. 4. Daniel Pereira pergunta para Jose Soler: Esses testes que estão sendo feitos são com o mexilhão-zebra e quagga, e com mexilhão-dourado não? Resposta Jose Soler – Só vou dizer uma coisa, se o dono do Zequanox® fosse brasileiro, tenho certeza que já teríamos atingido. Mas é americano e o que aconteceu: ele gastou muito dinheiro, a Marrone Bio Innovations gastou muito dinheiro. Em 11 anos, foram 40 milhões de dólares gastos para lançar o produto no mercado. Quando eles conseguiram atingir o objetivo - porque veja bem, nos EUA e Canadá não tem dourado, tem quagga e basicamente o zebra -, eles começaram a vender para recuperar esse investimento frente à pressão de acionistas e investidores. Fizeram alguns testes com dourado, mas não suficientes. Porém, tenho certeza que se no Brasil seguirmos fazendo um trabalho destes, iremos atingir um nível igual ao do quagga. Em minha modesta opinião, uma das razões é que o zebra e o quagga têm um nível de mortalidade muito alto. O que até agora fizemos com o mexilhão-dourado serviu para atingirmos uns 48% porque o sistema alimentar de um e de outro é diferente. Enquanto um está sugando o alimento pelos sifões o outro, como a outra palestrante bem descreveu, tem um processo alimentar bem diferente. Nós precisamos trabalhar nesta linha. Daniel Pereira – Voltamos à biologia básica...

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5. Cláudia: Em relação à eficiência, existe uma variação em relação ao gradiente temporal do bicho? O produto é mais eficiente nas fases mais jovens ou no bicho mais adulto? Há dados disponíveis, publicações relacionadas a respeito. [...] de quanto em quanto tempo deve ser reaplicado? Resposta Jose Soler – O nível de eficiência total é “véligers” e adultos 60%. Em todas as fases etárias, ele é 100% letal. No caso da larva, depende do sistema utilizado, [...], pois, num sistema fechado, nós os confinamos por duas horas e eles morrem. Nas águas abertas, o problema é maior. [...] Mas isso é a limitação que temos. No caso de controle direto de campo aberto, como nas hidrelétricas, etc., nós temos um período que vai de zero a 21 dias. Este é um processo mais longo em que adultos e alevinos morrem, sendo que na primeira fase a maior cota de mortalidade está em 48 horas (morrem até 48-50% dos adultos). As larvas morrem muito antes, mais rapidamente. Logo vai descendo a curva, o gradiente, até o dia 21. [...] Cláudia: Então, aquela sugestão de fazer o monitoramento, para entendermos toda a dinâmica de crescimento e de reprodução do bicho, tem que estar sempre associado à inoculação do produto. Com isso saberemos quando o bicho está numa fase reprodutiva e o produto talvez sejá mais eficiente - para minimizar custos. Resposta Jose Soler : Temos dois tratamentos. O de 12 semanas e o tratamento de choque (quando a instalação está realmente em crise, está com problemas sérios [...]). Dependendo do tamanho da central, do número de turbinas, etc. tem um tempo. Mas ele pode durar duas semanas. Em duas semanas de tratamento, tudo que está no sistema é arrasado. Agora o que vem depois. O sistema de manutenção ao longo do ano são 12 semanas. Atingindo esse último nível de 12 semanas, vem o período preventivo, para evitar que esse processo seja cíclico. Tratamos de prevenir que o ciclo seja cada vez mais longo. [...] Aí o que temos que fazer é o tratamento com a cerâmica líquida para evitar que as colônias fiquem inseridas. [...]. [...] O que nós procuramos fazer na usina é evitar que a espécie se instale (pois o que está infectado não tem jeito), precisa trabalhar - o que ainda não está infectado com um trabalho defensivo para que os elementos não comecem a entrar no sistema.

Rio Ibicuí

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6. Alex: Pergunta para a mesa – Sobre a experiência que têm com os impactos do mexilhão sobre o ambiente, sobre a fauna local, o que vocês viram pelo Brasil, pela Argentina? [...] Resposta Daniel Cataldo – A respeito dos impactos sobre o ambiente, existem vários. Alguns são positivos e outros, claramente negativos. Dentro dos positivos, as larvas da maioria de espécies ícticas, como dos “sábalos” (= curimbatá ou grumatão Prochilocus lineatus) ou Pseudoplatystoma spp. (= surubim-pintado ou surubim-cachara), se alimentam de larvas de L. fortunei e, em geral, nos estágios mais iniciais de desenvolvimento, as larvas de L. fortunei são mais abundantes nos seus estômagos do que o seu alimento natural (copépodos e cladóceros), no que tange aos efeitos, [...] em especial relacionados sobre as larvas de peixes há um benefício muito importante sobre a abundância e qualidade de alimento, uma vez que a densidade de larvas de L. fortunei varia de 4.000, e nós chegamos a contar até 1.000.000 de larvas por m3 de água. Nas larvas de peixes, o consumo de L. fortunei é bem maior. Algo similar ocorre com os adultos. Nós contabilizamos 50 espécies de peixes que, na fase adulta, consomem L. fortunei, ou seja, há um alimento muito abundante e fácil de acessar para aquelas espécies que podem chegar a incorporá-lo. Dentro dessas 50 espécies, temos basicamente Megaleporinus obtusidens (piavas), muitas espécies de armados, muitas de Siluriformes. Em relação aos aspectos negativos, o principal é em relação às florações de cianobactérias. De onde vem este efeito? Por um lado, o que o L. fortunei faz é consumir fitoplâncton em geral e aumentar a quantidade de nitrogênio e fósforo no ambiente. Em geral, nos ambientes que estudamos, o fósforo é limitante, e o que ocorre é que essas cianobactérias

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têm a capacidade de fixar nitrogênio, de forma que a quantidade de nitrogênio não é importante e sim a de fósforo, que estimula a floração de cianobactérias que podem regular sua flutuabilidade. Assim, uma vez que formam colônias, podem se distanciar da predação do mexilhão, podendo gerar florações que produzem toxinas que são um grande problema. Por um lado, a presença do mexilhão estimula o desenvolvimento de cianobactérias, por outro, a produção de toxinas acaba bloqueando a reprodução do mexilhão durante as florações. Isto está relacionado aos fenômenos “El Niño" e "La Niña”. Durante o “El Niño", temos um grande fluxo de água entrando nos reservatórios e menos eventos de floração de cianobactérias, as quais demandam águas mais paradas, de forma que os mexilhões se reproduzem apenas 9 meses ao ano. Em anos de "La Niña”, temos águas mais paradas, com maiores concentrações de nutrientes, promovendo florações de cianobactérias. Há um ciclo, um feedback negativo e positivo entre o mexilhão e as cianobactérias. Depois teríamos outros exemplos, mas estes são os mais destacados. Resposta Daniel Pereira: Eu posso falar mais sobre a fauna bentônica que é a minha especialidade maior. Quando o mexilhão coloniza os substratos rochosos, várias espécies raspadoras que se alimentam de perifíton somem. Até porque o mexilhão ocupa todo o substrato e compete por espaço. Como ele libera muitas pseudofezes e fezes - com muitas bactérias e matéria orgânica, abre espaço para várias espécies detritívoras. Então há toda uma mudança da composição e organização estrutural da fauna bentônica. Bivalves são infaunais, portanto, eles são escavadores e se alojam no pacote sedimentar dos reservatórios, rios e lagos, são incrustrados, as conchas acabam atuando como substrato alternativo e esses mexilhões crescem ali e acabam obstruindo, fechando, impedindo que a válvula se abra novamente para filtrar. Assim, várias espécies nativas de bivalves grandes, com até 15 ou 20 cm, sofrem um declínio populacional que não é muito bem estudado [...]. [...] As macrófitas têm dois efeitos, um positivo, quando vem matéria orgânica das fezes liberam-se muitos nutrientes e elas podem aumentar em densidade e em cobertura. Mas também o mexilhão cresce sobre rizomas de macrófitas emergentes como o junco. No Guaíba, nos primeiros anos da invasão, ele [o junco] praticamente sumiu. E como eram habitats para várias espécies nativas bentônicas bivalves e muitos peixes usavam aqueles juncais para se alimentar, forragear e se reproduzir, houve um declínio na fauna de peixes também. Portanto, além da redução drástica do junco, peixes declinaram e a pesca foi totalmente afetada. Alguns pontos vão de encontro ao que o Professor Daniel Cataldo comentou. Resposta Cláudia: Lá no laboratório, a gente orientou alguns alunos em relação à fauna fitófila - que são aqueles organismos que ficam associados a raízes de macrófitas. Uma [...] dissertação de mestrado avaliou a questão da diversidade enquanto riqueza e abundância em áreas com e sem a presença de mexilhão. E a gente não conseguiu demonstrar um efeito significativo. O primeiro pressuposto foi que o mexilhão iria diminuir drasticamente a diversidade dessa fauna. E a gente conseguiu desenhar um experimento bem bacana, bem robusto. Nós amostramos em 20 baias adjacentes ao rio Paraguai, lá no Parque Nacional do Pantanal. Nós não conseguimos demonstrar. Aí a gente começou a refinar taxonomicamente essa fauna [...]. A menina ficou 4 anos e identificou em nível de família e gênero cerca de 178 mil [...] organismos.

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Rio Aguapé

O grupo que mais respondeu foi o tricóptera, porque é um grupo relativamente fácil de fazer refinamento taxonômico [...] e é um grupo que tem uma diversidade funcional muito grande. Nessa diversidade funcional, na presença de mexilhão, alguns grupos se favoreceram e outros declinaram, conforme o grupo funcional ao qual pertenciam. Então, [...] os tricópteras [raspadores] [...] - que têm um requisito de oxigênio maior, que têm as brânquias expostas e tudo mais - precisam do perifíton que fica em volta das raízes para se nutrir de oxigênio, como micro-habitat local. Os tricópteras, que são mais coletores e filtradores, se dão bem com os mexilhões porque além de gerar refúgios, eles têm uma disponibilidade de recursos. A gente ainda está muito incipiente em relação a conseguir descrever os efeitos do mexilhão sobre a fauna, principalmente de invertebrados. Mas há um mundo de pesquisa a ser explorado, e o organismo fitófilo é um mundo desconhecido dentro da água doce. Porém, é um grupo superimportante porque, devido à diversidade funcional e taxonômica, ele presta serviços para o meio ambiente que são fundamentais à manutenção da saúde desses ambientes. Resposta Evoy: Nessa mesma linha, só para passar informação, infelizmente não tenho a informação precisa, mas um pessoal aqui do Uruguai, trabalhando no trecho inferior do baixo Uruguai, está fazendo alguns estudos de ecologia trófica com marcação, com marcador radioativo tentando ver a importância do mexilhão. E tem um número mágico que recebi por e-mail, cujo artigo não está nem publicado, mas citando algo como 10% de sustentação da comunidade de peixes. [...] Nesse sentido, a gente entrou em parceria com esse grupo e estamos fazendo coleta de peixes aqui no trecho superior da bacia. Outro colega do RS está fazendo coleta no trecho médio do Uruguai, e a ideia é fazer uma avaliação com relação à

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evolução longitudinal na bacia, considerando que o rio Uruguai é muito distinto [...]. Então a ideia é [...] ter alguma informação [...] sobre a importância do mexilhão-dourado na comunidade de peixes em geral. Resposta Daniel Pereira: Só para complementar sobre peixes, o professor João Vieira, na Furg no RS, fez um estudo sobre a dieta de peixes. Algumas espécies mudaram 100% de sua dieta, agora se alimentam de mexilhão, deixando de predar outros organismos e eram espécies onívoras. Então, o impacto certamente acontece. [...] 7. Acho que talvez o Cataldo possa falar um pouquinho sobre a experiência deles com o mexilhão-dourado. Alguns grupos já coletaram a espécie na natureza e não conseguiram reproduzir em laboratório. Mas me parece que o seu grupo já desenvolveu algumas atividades com o mexilhão-dourado em laboratório, não? Resposta Daniel Cataldo: Temos realizado tudo sobre desenvolvimento embrionário em laboratório. Temos a técnica para fazer a indução, obter os ovos e chegar até os juvenis. Nossa intenção inicial era conhecer todo o desenvolvimento embrionário e ver os tempos/momentos em que o desenvolvimento muda em relação à mudança de temperatura. Nosso objetivo nunca foi o cultivo de produção industrial, mas o passo mais delicado, que é desde a fecundação/indução até a geração de juvenis. Nós já temos bem resolvido, mas não devemos descartar a importante mortalidade que existe, sobretudo, quando ocorre a mudança entre as larvas trocóforas (desnudas) até que as larvas valvadas (velígeras), tanto o gênero Limnoperna como em trabalhos com o gênero Dreissena é neste estágio que se produz a maior mortalidade. Quanto a obter indução de adultos e todo processo de obtenção de juvenil, sim nós o fizemos em laboratório, mas nossa intenção era, repito, toda indução do desenvolvimento, pois manter juvenis ou adultos em laboratório é muito fácil. Claro que existem alguns cuidados, mas é possível fazê-lo. 8. Alex pergunta para o Daniel Pereira: Você falou sobre o plano de ação nacional, que ele estaria em fase de aprovação. Depois do plano aprovado, o que vem em seguida, o que se espera? Resposta Daniel Pereira: Bem, como falei, o plano foi criado por muitas pessoas que estavam em Brasília, com aquele cenário de futuro, com objetivo geral de conter a entrada na Amazônia do mexilhão-dourado que está presente em outras bacias hidrográficas. Depois da oficina, um documento foi gerado, foi passado para o Ibama, foi assinado e foi para o departamento jurídico. [...] Após ser publicado no Diário Oficial, o plano começa a acontecer. Assim, as pessoas que compõem o Grupo de assessoramento técnico (5 pessoas + o ministério) são pessoas que se comprometeram em acompanhar o cumprimento daqueles objetivos e daquelas ações durante um ano. Cada objetivo tem um conjunto de ações e cada ação tem orçamento específico, tem uma série de colaboradores e atores que vão atuar de forma a exercer aquela ação. [...] todas as ações serão documentadas, sistematizadas, e será gerado um relatório anual. [...] A cada ano a gente revê essas ações, se o plano está andando, ou seja, o que foi colocado em prática, o que precisa ser mudado, se faltam recursos, se precisa conversar com o setor elétrico, universidades, etc. [...] E caso a implantação de alguma

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ação não ocorra, essas pessoas podem mudar, vão buscando outros parceiros. O processo é dinâmico [...]. [...]. Isso faz parte de uma estratégia nacional que prevê a questão do controle das espécies invasoras. Há um plano nacional de controle de espécies invasoras que já foi publicado e tem 3 espécies prioritárias que precisam de ações emergenciais: uma delas era o mexilhão-dourado, a outra era o javali, por causa da importância dos impactos na agricultura e no setor econômico, e a outra espécie era o coral-sol, que tem ocasionado uma série de impactos. [...] Queremos otimizar os recursos, fazer com que as pessoas conversem, com que as informações circulem e com que se busquem alternativas de forma conjunta, porque nem sempre chega alguém que tenha uma alternativa para solucionar tudo. E não é bem assim, então vamos conversando e trocando experiências que só enriquecerão toda a iniciativa de pesquisa. 9. Claudia pergunta para Daniel Pereira: Eu acredito que uma vez existindo um plano nacional, a pesquisa vai se aproximar ainda mais da gestão, por que nós, enquanto pesquisadores, podemos gerar demandas para os gestores e o caminho inverso também, os gestores podem gerar demandas para a gente. Um plano nacional diminui a distância entre pesquisador e gestor? Ele tem espaço para virar legislação?

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Resposta Daniel Pereira: O último objetivo apresentado bem rapidamente foi sobre o arcabouço legal. Há um espaço para revisar essa legislação e ver quais são as lacunas, se ela atende à demanda em si. Pode-se tratar até da questão da [...] RET (Registro Especial Temporário), de como é o processo, se ele funciona, se é eficiente, se tem algo a ser melhorado. [...] Então há esse espaço sim no arcabouço legal para uma série de questões que envolve todas as ações das barreiras sanitárias, do controle, da prevenção, do monitoramento, enfim, de tudo. [...] 10. Sunshine UFSC/LAPAD para Daniel Cataldo: Vocês já fizeram testes de predação de peixes em ambiente natural. Em laboratório já foi feito algo sobre consumo de mexilhões por peixes? Nos estudos em ambiente natural, vocês têm dados sobre intensidade de predação por espécies, quais valores de consumo, etc.? Resposta Daniel Cataldo; Os primeiros estudos que fizemos com peixes foram de seletividade alimentar, comparando os alimentos disponíveis no ambiente com aqueles nos conteúdos estomacais, que permitiram comparar as proporções de disponibilidade no ambiente com as proporções nos conteúdos estomacais. Trabalhamos com várias espécies nos reservatórios de Salto Grande e no Rio Paraná. Quanto aos estudos de laboratório, fizemos um especificamente com sábalos (= curimbatá ou grumatão Prochilodus lineatus) em relação à eficiência de crescimento tanto em peso quanto em taxas de comprimento, dando a eles distintos alimentos, como larvas de L. fortunei exclusivamente; uma mistura de L. fortunei com cladóceros e copépodos (que é seu alimento natural); e uma com cladóceros e copépodos exclusivamente. Vimos que as larvas de sábalo cresciam mais rapidamente tanto em peso como em taxa (no caso do tratamento 01 só com L. fortunei). O que fizemos foi avaliar a quantidade de proteínas, lipídios e carboidratos de L. fortunei, cladóceros e copépodos, e a conclusão foi que L. fortunei tinha mais lipídios e proteínas que cladóceros e copépodos, o que poderia explicar que o crescimento consumindo somente larvas de L. fortunei seria muito mais rápido. Uma coisa interessante que nós vimos também nos trabalhos em campo foi qual dos estágios de desenvolvimento de peixes e de larvas de peixes que consome maior quantidade de L. fortunei do que de cladóceros e copépodos. Dentro do que é o desenvolvimento embrionário de peixes, nós temos aqueles estágios larvais com alimentação endógena (vitelo) que passam a uma alimentação exógena. Em geral, este momento (estágio) é muito sensível, pois as espécies têm uma alimentação muito limitada e podem apenas enxergar sombras. Víamos que particularmente no conteúdo alimentar desses estágios, eles consumiam muito mais L. fortunei do que cladóceros e copépodos. Se observarmos a mobilidade que uma larva de L. fortunei tem em relação aos cladóceros e copépodos é muito mais fácil de capturar uma larva com mobilidade mais restrita, explicando esta hipótese de maior predação das larvas de L. fortunei nesses estágios das larvas dos peixes.

ENCERRAMENTO DO EVENTO

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GRUPOS DE TRABALHO DA REUNIÃO TÉCNICA Divididos em temáticas relacionadas às áreas de atuação, interesse e/ou potencial de colaboração, os 25 participantes foram organizados em dois grupos de trabalho com dois subgrupos cada. O debate foi orientado a partir de 19 questões norteadoras previamente elaboradas pela equipe do Projeto, sendo duas delas comuns e todas as demais específicas aos subgrupos. Além das respostas encontradas, os grupos sistematizaram ainda lacunas de conhecimento, referências relevantes e as contribuições apontadas durante a plenária. Para facilitar o compartilhamento, os resultados são aqui apresentados na forma de temas-chave relacionados às perguntas norteadoras. Como esperado, questões complementares foram também levantadas pelos grupos, sistematizadas ao final deste capítulo.

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TEMA 1 Fatores limitantes à reprodução e dispersão do mexilhão-dourado no ambiente natural e formas de investigação. CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO _____________________________________ A zonação e a caracterização trófica (eutrófico, oligotrófico, heterotrófico, mesotrófico) dos ambientes dos reservatórios, devem ser levados em consideração para analisar os fatores limitantes de mexilhão-dourado no ambiente natural e, dessa maneira, permitir identificar os fatores limitantes à reprodução e dispersão dessa espécie invasora. _____________________________________ Durante a discussão deste tema, os grupos elencaram alguns fatores que atuam na dispersão e reprodução do mexilhão-dourado em ambiente natural: • FATORES QUÍMICOS DA ÁGUA: redução do oxigênio e pH e sua sinergia; cálcio, alcalinidade, turbidez e substâncias básicas; condutividade, temperatura e aumento dos ácidos húmicos; • FATORES FÍSICOS: disponibilidade de substratos consolidados, vazão, turbilhonamento, decoada (função da retração da área alagada), hidrodinâmica e sólidos suspensos; • FATORES BIOLÓGICOS: cianotoxinas e predação.

LACUNAS DO CONHECIMENTO _____________________________________ Segundo debate dos pesquisadores há carência de testes em laboratório para investigar fatores limitantes à reprodução e dispersão do mexilhão-dourado no ambiente natural, principalmente aqueles relacionados a: • Avaliação de velocidade de corrente; • Exploração de ensaios fatoriais; • Verificação de relações entre condutividade, sólidos e turbidez; • Definição de modelos de dispersão por meio de simulações com base no conhecimento existente para previsão de padrões.

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REFERÊNCIAS RELEVANTES _____________________________________ ANGONESI, L. G.; ROSA, N. G.; BEMVENUTI, C. E. Tolerance to salinities shocks of the invasive mussel Limnoperma fortunei under experimental conditions. Iheringia, Série Zoologia, v. 98, n. 1, p. 66-69. 2008. Artigo disponível em: www.scielo.br/isz BOLTOVSKOY, D.; CORREA, N.; CATALDO, D.; SYLVESTER, F. Dispersion and ecological impact of the invasive freshwater bivalve Limnoperna fortunei in the Río de la Plata watershed and beyond. Biological Invasions, v. 8, n. 4, p. 947-963. 2006. BOLTOVSKOY, D. Limnoperna fortunei: The ecology, distribution and control of a swiftly spreading invasive fouling mussel. London: Springer, 2015. CAMPOS, M. C. S. Fatores determinantes da ocorrência de Limnoperna fortunei no Baixo Rio Paranaíba: bases para uma avaliação de risco. 2013. 193p. Tese (Doutorado em Evolução Crustal e Recursos Naturais) – Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, 2013. CAMPOS, M. C. S.; LANZER, R.; CASTRO, P. T. Hydrological stress as a limiting factor of the invasion of Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) in the Upper Paraná River (Brazil). Acta Limnologica Brasiliensia, v. 24, n. 1, p. 64-82. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S2179975X2012005000027 CAMPOS, M. C. S.; PEIFER, D. CASTRO, P. T. The shear stress importance on the spatial distribution pattern of the invader Limnoperna fortunei in the Upper Parana River Basin: an assessment based on the spatial distribution models. Biota Neotropica, v. 16, n. 1, p. 1-12. 2016. http://dx.doi.org/10.1590/1676-0611- BN-2014-0164 CLAUDI, R.; MACKIE, G. L. Practical manual for zebra mussel monitoring and control. Boca Raton: Lewis Publishers, 1994. 227 p. MANSUR, M. C. D. et al. (org.). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção e controle. Porto Alegre: Redes, 2012. 412 p. OLIVEIRA, M. D.; CALHEIROS, D. F.; JACOBI, C. M.; HAMILTON, S. K. Abiotic factors controlling the establishment and abundance of the invasive golden mussel Limnoperna fortunei. Biological Invasions, v. 13, p. 717-729. 2011. DOI: 10.1007/s10530-010-9862-0 SYLVESTER, F.; CATALDO, D. H.; NOTARO, C.; BOLTOVSKOY, D. Fluctuating salinity improves survival of the invasive freshwater golden mussel at high salinity: implications for the introduction of aquatic species through estuarine ports. Biological Invasions, v. 15, p. 1355–1366. 2013. DOI: 10.1007/s10530-012-0373-z

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TEMA 2 Relação entre abundância de mexilhão-dourado e de espécies de microalgas. CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO _____________________________________ Os pesquisadores relataram a existência de relação entre a abundância de mexilhãodourado e a presença de espécies de microalgas em ambiente natural.

LACUNAS DO CONHECIMENTO _____________________________________ Foi discutido que há necessidade de estudos sobre a relação entre a presença de microalgas associadas à reprodução do mexilhão-dourado em laboratório. De modo geral, para moluscos marinhos, diatomáceas e flagelados são ricos em ácidos graxos e, por este motivo, são ideais para a maturação gonadal. _____________________________________ Adicionalmente foi abordado que existe a necessidade de avaliar a relação entre a abundância de mexilhão-dourado e de espécies de microalgas no reservatório de Campos Novos (Rio Canoas), para relacionar os picos de flutuação na abundância da microalga do gênero Ceratium e e das larvas de mexilhão-dourado.

REFERÊNCIAS RELEVANTES _____________________________________ BOLTOVSKOY, D.; CORREA, N.; BORDET, F.; LEITES, V.; CATALDO, D. Toxic Microcystis (cyanobacteria) inhibit recruitment of the bloom-enhancing invasive bivalve Limnoperna fortunei. Freshwater Biology, v. 58, n. 9, p. 1968-1981. 2013. doi.org/10.1111/fwb.12184 BOLTOVSKOY, D.; SYLVESTER, F.; OTAEGUI, A.; LEITES, V.; CATALDO, D. H. Environmental modulation of reproductive activity of the invasive mussel Limnoperna fortunei: implications for antifouling strategies. Austral Ecology, v. 34, n. 7, p. 719-730. 2009. doi. org/10.1111/j.1442-9993.2009.01974.x CATALDO. D.; VINOCUR, A; O´FARRELL, I.; PAOLUCCI, E.; LEITES, V.; BOLTOVSKOY, D. The introduced bivalve Limnoperna fortunei boosts Microcystis growth in Salto Grande Reservoir (Argentina): evidence from mesocosm experiments. Hydrobiologia, v. 680, p. 25–38. 2012. DOI: 10.1007/s10750-011-0897-8

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TEMA 3 Principais dificuldades na detecção do mexilhão-dourado. CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO _____________________________________ Os grupos de discussão informaram a necessidade de utilizar luz polarizada em microscópio para identificar a larva valvada presente no plâncton, além da utilização de microscópio invertido com o uso de cubeta para a contagem das larvas de mexilhão-dourado. _____________________________________ Os pesquisadores apontaram que apesar de ser possível avaliar o comportamento reprodutivo do mexilhão-dourado ao longo do ano a partir de um monitoramento mensal, é indicado que a coleta de amostras também ocorra em frequências semanais e diárias, permitindo assim identificar o momento exato da reprodução em ambiente natural. _____________________________________ Em relação às amostragens, os pesquisadores discutiram a necessidade de realizar repetições em coletas de plâncton para análises moleculares, devido à sua distribuição ocorrer em formato de “nuvens”, e assim, aumentar as chances de amostragens nos pontos de coleta. _____________________________________ Além disso, também foi discutida a importância de se avaliar a existência de bancos de mexilhãodourado (adultos) no entorno do local que se está realizando as amostragens de plâncton, tendo em vista que esses bancos atuam como fontes de larvas da espécie para o plâncton. _____________________________________ Tendo em vista a possibilidade de contaminação durante a coleta e processamento das amostras, é recomendado utilizar hipoclorito de sódio, sempre que possível, para esterilizar redes e evitar contaminação em análises de DNA ambiental. _____________________________________ Além de análises moleculares, que permitem a detecção de mexilhão-dourado no plâncton, recomenda-se um acompanhamento microscópico do material amostrado, permitindo a aferição e quantificação da presença do mexilhão-dourado.

LACUNAS DO CONHECIMENTO _____________________________________ Os grupos de discussão apontaram problemas relacionados com a ocorrência de falsos positivo e negativo em análises de eDNA (DNA ambiental); _____________________________________ Outra dificuldade elencada foi a detecção do mexilhão-dourado no plâncton nos primeiros estágios de desenvolvimento em microscópio, devido a grande dificuldade de identificação dos estágios larvais da espécie.

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Projeto P&D 00403-0043/2017 REFERÊNCIAS RELEVANTES _____________________________________ BOEGER, W. A.; PIE, M. R.; FALLEIROS, R. M.; OSTRENSKY, A.; DARRIGRAN, G.; MANSUR, M. C. D.; BELZ, C. E. Testing a molecular protocol to monitor the presence of golden mussel larvae in plankton samples. Journal of plankton Research, v. 29, n. 11, p. 1015-1019. 2007. DOI:10.1093/ plankt/fbm075 CATALDO, D.; BOLTOVSKOY, D.; HERMOSA, J. L; CANZI, C. Temperature-dependent larval development rates of Limnoperna fortunei (Mollusca, Bivalvia). Journal of Molluscan Studies v. 71, p. 41-46. 2005. http://dx.doi.org/10.1093/mollus/eyi005 CATALDO, D.; BOLTOVSKOY, D. Yearly reproductive activity of Limnoperna fortunei (Bivalvia) as inferred from the occurrence of its larvae in the plankton of the lower Paraná River and the Rio de la Plata estuary (Argentina). Aquatic Ecology, v. 34, n. 3, p. 307-317. 2000. http://dx.doi. org/10.1023/A:1009983920942 DARRIGRAN, G.; BOEGER, W.; DAMBORENEA, C.; MAROÑAS, M. Evaluation of sampling and analysis techniques for early detection of Limnoperna fortunei (Mytilidae) in limit areas of its distribution. Brazilian Journal of Biology, v. 69, n. 3, p. 979-980. 2009. PIE, M. R.; BOEGER, W. A.; PATELLA, L.; FALLEIROS, R. M. A fast and accurate molecular method for the detection of larvae of the golden mussel Limnoperna fortunei (Mollusca: Mytilidae) in plankton samples. Journal of Molluscan Studies, v. 72, n. 2, p. 218-219. 2006. https://doi. org/10.1093/mollus/eyi070

Florianópolis - Outubro 2018

Resultados do Seminário

SANTOS, C. P.; WÜRDIG, N. L.; MANSUR, M. C. D. Fases larvais do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (Dunker) (Mollusca, Bivalvia, Mytilidae) na bacia do Guaíba, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 2, n. 23, p. 702-708. 2005.

CADERNO TÉCNICO

Workshop do Projeto de P&D Mexilhão Dourado na Bacia do Alto Uruguai – Efeitos e Controle

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TEMA 4 Relação entre características do ambiente e presença do mexilhão-dourado. CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO _____________________________________ Os grupos de discussão elencaram a necessidade de considerar a zonação dos reservatórios, a fim de verificar a relação existente entre as características tróficas dos ambientes (ambientes eutrofizados, oligotróficos, heterotróficos, mesotróficos), as características físicas (corredeiras, barreiras ou outras características do entorno) e a densidade do mexilhão-dourado. _____________________________________ Foi discutido que parece haver correlação entre a liberação de vazões e a redução temporária de densidades de mexilhão-dourado à montante das Usinas Hidrelétricas. LACUNAS DO CONHECIMENTO _____________________________________ De acordo com o que foi discutido pelos pesquisadores, não existe um padrão claro entre as características do ambiente e sua relação com a presença do mexilhão-dourado.

TEMA 5 Relação entre abundância de peixes e de mexilhão-dourado. CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO _____________________________________ Os pesquisadores debateram que são escassos os trabalhos que comprovem a relação direta entre abundância de peixes e abundância de larvas do mexilhão-dourado. No entanto, avaliações preliminares em ambientes invadidos pelo mexilhão-dourado sugerem que pode haver relação inversa entre estes dois fatores. _____________________________________ Relatos sobre o consumo de mexilhão-dourado por parte dos peixes vêm sendo verificados desde o início da invasão deste molusco na América do Sul. Atualmente, ao menos 60 espécies de peixes já foram descritas consumindo o mexilhão-dourado em diferentes bacias hidrográficas (Bacia do Paraná, Paraguai, Uruguai) e lagoas (Lagoa Mirim e Lagoa dos Patos, ambas no estado do Rio Grande do Sul). Algumas espécies de peixes possuem a capacidade de ingerir e digerir grandes quantidades de mexilhão-dourado, podendo atuar como potenciais predadores e contribuir para o controle desta espécie invasora nos ambientes.

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LACUNAS DO CONHECIMENTO _____________________________________ Os pesquisadores enfatizaram a importância de realizar testes avaliando a predação de mexilhão-dourado por peixes em laboratório, com as principais espécies consumidoras desse molusco. _____________________________________ Os grupos de trabalho concluíram que há carência de maiores informações a respeito do impacto direto da predação dos peixes sobre a abundância do mexilhão-dourado nos ambientes ocupados por este molusco invasor. REFERÊNCIAS RELEVANTES _____________________________________ ÁVILA-SIMAS, S. Interações e recursos alimentares para a comunidade de peixes: a invasão mexilhão-dourado no Alto rio Uruguai. 2018. 106p. Tese (Doutorado em Aquicultura) – Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-graduação em Aquicultura, Florianópolis, 2018. CATALDO, D. Trophic relationships of Limnoperna fortunei with adult fishes. In: BOLTOVSKOY, D (Ed.) Limnoperna fortunei: the ecology, distribution and control of a swiftly spreading invasive fouling mussel. London: Springer, 2015. p. 231-248. LOPES, M.; VIEIRA, J. 2012. Predadores potenciais para o controle do mexilhão-dourado. In: MANSUR, M. C. D.; SANTOS, C. P.; PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; ZURITA, M. L. L.; RODRIGUEZ, M. T. R.; NEHRKE, M. V.; BERGONCI, P. E. A. (Org). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção, controle. Redes Editora, 2012. p. 357–363. PAOLUCCI, E. M.; ALMADA, P.; CATALDO, D. H.; BOLTOVSKOY, D. Native fish larvae take advantage of introduced mussel larvae: field evidence of feeding preferences on veligers of the introduced freshwater bivalve Limnoperna fortunei. Hydrobiologia, v. 745, p. 211–224. 2015. DOI: 10.1007/s10750-014-2108-x SANTOS, C. P.; WÜRDIG, N. L.; MANSUR, M. C. D. Fases larvais do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (Dunker) (Mollusca, Bivalvia, Mytilidae) na bacia do Guaíba, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, v. 2, n. 23, p. 702-708. 2005.

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TEMA 6 Fatores limitantes à produção e manutenção do mexilhão-dourado em laboratório CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os grupos mencionaram a importância de cuidados relativos à manutenção da qualidade da água para o cultivo e reprodução do mexilhão-dourado, principalmente em experimentos realizados em laboratório, onde há necessidade de padronização dos parâmetros de qualidade da água em todos os testes. _____________________________________ Segundo a expertise dos pesquisadores, há necessidade de cultivo de alimento vivo para manutenção do mexilhão-dourado em laboratório, assim como ocorre com outras espécies de moluscos que são cultiváveis. Adicionalmente, discutiu-se que, em laboratório, os mexilhões devem ser alimentados com microalgas e caldo de ração (algas mais ração de peixe com alto valor proteico). _____________________________________ Foi sugerido que os aquários utilizados para manter os mexilhões possuam dimensões de 90x45x30 cm, com vazão de 3 L/min e densidade de 50 indivíduos por colônia. _____________________________________ Como o transporte dos mexilhões adultos e vivos do ambiente natural para o laboratório é um dos gargalos para a manutenção e reprodução da espécie em laboratório, tal transporte deve ser feito por meio de um frasco estéril, sem tampa. Os exemplares de mexilhão-dourado devem ser colocados sobre uma “cama” de algodão umedecido com água mineral e mantidos em ambiente refrigerado para evitar oscilações bruscas de temperatura. _____________________________________ Os grupos de debate sugeriram que o tamanho mínimo ideal para capturar reprodutores de mexilhão-dourado é de 23 mm. _____________________________________ Segundo relatos de alguns pesquisadores, para o sucesso da reprodução do mexilhão-dourado em laboratório, é indicada a alimentação com a microalga Chlorella sp. Alguns produtos comerciais, como por exemplo, ALGAMAC também foram recomendados para serem administrados durante o período reprodutivo. _____________________________________ Foram pontuados pelos grupos de discussão alguns cuidados para o cultivo em laboratório: • Reduzir ao máximo a manipulação dos exemplares de mexilhão-dourado para evitar o estresse; • Utilizar o fotoperíodo natural; • Garantir que haja boa renovação de água para a produção de larvas véliger; • Utilizar preferencialmente sistemas de recirculação de água; • Aplicar antibióticos para controle de doenças quando houver necessidade; • Separar as larvas dos adultos assim que ocorrer a desova, mantendo-as aglomeradas, evitando assim o canibalismo dos adultos sobre as larvas de mexilhão-dourado. Um indicador da ocorrência da desova é o fato de a água ficar esbranquiçada ou turva.

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LACUNAS DO CONHECIMENTO: _____________________________________ Uma questão debatida foi a falta de conhecimento sobre o fato de o fotoperíodo ser um aspecto limitante à reprodução do mexilhão-dourado em laboratório. _____________________________________ Os grupos de discussão elencaram a necessidade de se saber qual a fecundidade do mexilhãodourado, informação que ainda é desconhecida. REFERÊNCIAS RELEVANTES: _____________________________________ CATALDO, D.; BOLTOVSKOY, D.; HERMOSA, J. L.; CANZI, C. Temperature-dependent rates of larval development in Limnoperna fortunei (Bivalvia: Mytilidae). Journal of Molluscan Studies, v. 71, n. 1, p. 41-46. 2005. DOI:10.1093/mollus/eyi005 CORDEIRO, N. I. S.; ANDRADE, J. T. M.; MONTRESOR, L. C.; LUZ, D. M. R.; ARAÚJO, J. M.; MARTINEZ, C. B.; PINHEIRO, J.; VIDIGAL, T. H. D. A. Physiological response of invasive mussel Limnoperna fortunei (DUNKER, 1857) (Bivalvia: Mytilidae) submitted to transport and experimental conditions. Brazilian Journal of Biology, v. 77, n. 1, 191-198. 2017. https://dx.doi.org/10.1590/1519-6984.15315

Workshop do Projeto de P&D Mexilhão Dourado na Bacia do Alto Uruguai – Efeitos e Controle

MACKIE, G. L.; BRINSMEAD, J. K. A risk assessment of the golden mussel, Limnoperna fortunei (DUNKER, 1857) for Ontario, Canada. Management of Biological Invasions, vol. 8, n. 3, p. 383-402. 2017. https://doi.org/10.3391/mbi.2017.8.3.12

CADERNO TÉCNICO Resultados do Seminário Florianópolis - Outubro 2018

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TEMA 7

Workshop do Projeto de P&D Mexilhão Dourado na Bacia do Alto Uruguai – Efeitos e Controle

Produtos já testados em UHE CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Segundo os pesquisadores, diversos testes com o objetivo de evitar e/ou reduzir a fixação do mexilhão-dourado nas estruturas das UHEs já foram realizados. Tais testes já avaliaram a utilização de diferentes produtos (amônio quaternário, dicloro, hipoclorito de sódio, dióxido de carbono, cerâmica líquida, MXD100, Zequanox, tintas antincrustantes, ionização com alumínio e sódio), bem como a adoção de medidas com a finalidade de diminuir a fixação do mexilhão em suas estruturas (ultrassom, campo elétrico e alteração da velocidade da água). LACUNAS DO CONHECIMENTO: _____________________________________ Discutiu-se que apesar de existirem potenciais produtos para o controle do mexilhão-dourado, muitos deles ainda não foram testados especificamente para o seu combate; _____________________________________

CADERNO TÉCNICO

Outra importante questão debatida é a necessidade de comprovar que os produtos utilizados para impedir a incrustação do mexilhão também não causem problemas para as demais espécies que se encontram no ambiente aquático.

Resultados do Seminário Florianópolis - Outubro 2018

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Projeto P&D 00403-0043/2017


TEMA 8 Fatores que devem ser avaliados para se criar um modelo que permita inferir se o Zequanox gera impacto nas espécies, reservatórios ou bacias hidrográficas CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os grupos de discussão apontaram a importância de avaliar a eficiência do uso do Zequanox em juvenis de mexilhão-dourado; _____________________________________ Elencou-se a necessidade de realizar testes toxicológicos padronizados, com protocolos já existentes; _____________________________________ Foi recomendado que os parâmetros de qualidade de água (DBO e turbidez) e a fauna exposta devam ser avaliados ao longo dos 21 dias de exposição do mexilhão-dourado ao Zequanox; _____________________________________ Os pesquisadores propuseram selecionar algumas espécies bioindicadoras para avaliar os efeitos do produto, como por exemplo, moluscos nativos e outros representantes-chave de diferentes grupos. LACUNAS DO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os pesquisadores não têm informações a respeito de testes com Zequanox na fauna sulamericana. _____________________________________ Foi consenso entre os pesquisadores que há necessidade de realizar testes específicos com Zequanox e a fauna nativa do reservatório ou da bacia onde se pretenda utilizar este produto. REFERÊNCIAS RELEVANTES: _____________________________________ ECOWATER TECHNOLOGIES. Disponível em: <http://ecowatertechnologies.weebly.com/>. Acesso em: 3 out. 2019. WALLER, D. L.; BARTSCH, M. R. Use of carbon dioxide in zebra mussel (Dreissena polymorpha) control and safety to a native freshwater mussel (Fatmucket, Lampsilis siliquoidea). Management of Biological Invasions, v. 9, n. 4, p. 439-450. 2018.

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TEMA 9 Saúde pública versus mexilhão-dourado CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os grupos discutiram o assunto e aparentemente as doenças nos humanos não têm relação direta com o mexilhão-dourado. No entanto, alguns problemas, como intoxicação alimentar ou irritações cutâneas, podem ocorrer por uma contaminação indireta, como por exemplo, pela ingestão de peixes que tenham se alimentado de mexilhão-dourado contaminado com a cianobactéria do gênero Microcystis. LACUNAS DO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os pesquisadores não conseguiram elencar lacunas específicas de conhecimento por causa da escassez de pesquisas sobre o tema. Assim, sugere-se o aumento de estudos relacionados aos potenciais riscos do mexilhão-dourado à saúde pública.

TEMA 10 Bactérias já testadas no controle do mexilhão-dourado CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os grupos de discussão apontaram que algumas espécies de Bacillus, Aeromonas e Pseudomonas já foram testadas e apresentaram eficácia potencial no controle da espécie invasora, porém, ainda há carências de testes que comprovem esses resultados. LACUNAS DO CONHECIMENTO: _____________________________________ Foi apontada a necessidade de desenvolver mais pesquisas tomando-se por base o isolamento de bactérias e de seus metabólitos, e com o auxílio de testes com bactérias ativadas e inativadas, para assim ser possível utilizá-las no controle do mexilhão-dourado.

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REFERÊNCIAS RELEVANTES: _____________________________________ PAZ, I. C. P.; PEREIRA, D.; SOUZA, A. M. S. Controle microbiano. In: MANSUR, M. C. D.; SANTOS, C. P.; PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; ZURITA, M. L. L.; RODRIGUEZ, M. T. R.; NEHRKE, M. V.; BERGONCI, P. E. A. (Org). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção, controle. Redes Editora, 2012. p. 351–356. PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; SOUZA, A. M. S.; LIEDKE, R. B. S.; SUZUKI, M. T.; AZEVEDO, J. L.; MANSUR, M. C. D.; RAYA-RODRIGUEZ, M. T. Atividade moluscicida de Bacillus thuringiensis sobre o mexilhão dourado, Limnoperna fortunei. In: XII Simpósio Brasileiro de Controle Biológico, 2011. Anais do XII Simpósio Brasileiro de Controle Biológico. São Paulo: 2011.

TEMA 11 Lesões observadas em mexilhões-dourados parasitados ou infectados por bactérias CONTRIBUIÇÕES AO CONHECIMENTO: _____________________________________ Os pesquisadores apontaram que já existem estudos mostrando que os mexilhões-dourados parasitados ou infectados por bactérias podem apresentar lesões pelo platelminte bucefalídeo, promovendo nos peixes que os ingerirem sintomas como hemorragias nos olhos, pele e brânquias. Esses sintomas são provocados pelas cercarias, seu segundo hospedeiro intermediário. _____________________________________ Outro ponto levantado pelos grupos de discussão foi sobre algumas bactérias presentes na espécie invasora Dreissena polymorpha, conhecida como mexilhão-zebra, que também pode estar presente no mexilhão-dourado. Essas bactérias causam infiltração hemocítica e degradação da glândula digestiva. GARGALOS APONTADOS DURANTE AS DISCUSSÕES: _____________________________________ 1. Estudos são necessários para investigar a possibilidade de ocorrer alterações genéticas no mexilhão-dourado, tanto dentro de uma bacia hidrográfica quanto entre diferentes bacias hidrográficas na América do Sul. 2. Além disso, também há a necessidade de investigar o potencial de invasão do mexilhãodourado e sua origem por intermédio da expressão gênica. 3. Outro gargalo apontado foi na utilização de outras estratégias de controle populacional, como por exemplo, com a produção de indivíduos inférteis. Apesar de haver projetos que buscam a produção de organismos geneticamente modificados, seria relevante avaliar a possibilidade de produção de indivíduos triploides ou tetraploides (inférteis) que pudessem auxiliar no controle populacional no ambiente.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UTILIZADAS E COMPILADAS SOBRE A ESPÉCIE Abaixo são apresentadas as principais referências vinculadas a cada uma das palestras proferidas pelos pesquisadores convidados. Foram compiladas não apenas aquelas referências utilizadas no documento da apresentação, mas também aqueles citadas pelos pesquisadores ou indicadas como importantes para estudo do tema abordado.

Histórico de invasão e o Plano Nacional de Combate - DANIEL PEREIRA _____________________________________ BARBOSA, N. P. U.; SILVA, F. A.; OLIVEIRA, M. D.; SANTOS NETO, M. A.; CARVALHO, M. D.; CARDOSO, A. V. Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Mollusca, Bivalvia, Mytilidae): first record in the São Francisco River basin, Brazil. Check list, v. 12, n. 1, p. 1-6. 2016. DOI: 10.15560/12.1.1846 BOLTOVSKOY, D.; CORREA, N. Ecosystem impacts of the invasive bivalve Limnoperna fortunei (golden mussel) in South America. Hydrobiologia, v. 746, p. 81-95. 2015. DOI: 10.1007/s10750-014-1882-9 CAMPOS, M. C. S.; ANDRADE, A. F. A.; KUNZMANN, B. Modelling of the potential distribution of Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) on a global scale. Aquatic Invasions, v. 9, p. 253-265. 2014. CARDOSO, C. D. C. Predadores ou dispersores? A relação do mexilhão-dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Bivalvia, Mytilidae) com quatro espécies de quelônios (Reptilia, Testudines) da planície costeira do Brasil subtropical. 2014. 82p. Dissertação (Mestre em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais) - Universidade Federal do Rio Grande, Pósgraduação em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais, Rio Grande, 2014. DARRIGRAN, G.; DAMBORENEA, M. C. Ecosystem engineering impacts of Limnoperna fortunei in South America. Zoological Science, v. 28, p. 1-7, 2011. DARRIGRAN, G.; EZCURRA DE DRAGO, I. Distribución de Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Mytilidae) em la cuenca del Plata, Región Neotropical. Meio Ambiente, v. 13, n. 2, p. 75-79. 2000. ESTRATÉGIA NACIONAL SOBRE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS - CONABIO. Resolução nº 5, de 21 de outubro de 2009. FACHINI, A.; GAZULHA, V.; PEDROSO, C.S. Os impactos do mexilhão-dourado sobre a comunidade planctônica. In: MANSUR, M. C. D.; SANTOS, C. P.; PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; ZURITA, M. L. L.; RODRIGUEZ, M. T. R.; NEHRKE, M. V.; BERGONCI, P. E. A. (Org). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção, controle. Redes Editora, 2012. p. 255-261.

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Métodos moleculares no estudo e monitoramento do mexilhão-dourado - MÁRCIO PIE _____________________________________ BOEGER, W. A.; PIE, M. R.; FALLEIROS, R. M., OSTRENSKY, A.; DARRIGRAN, G.; MANSUR, M. C. D.; BELTZ, C. E. Testing a molecular protocol to monitor the presence of golden mussel larvae (Limnoperna fortunei) in plankton samples. Journal of Plankton Research, v. 29, n. 11, p. 1015–1019. 2007. PIE, M. R.; BOEGER, W. A; PATELLA, L.; FALLEIROS, R. M. A fast and accurate molecular method for the detection of larvae of the golden mussel Limnoperna fortunei (Mollusca: Mytillidae) in plankton samples. Journal of Molluscan Studies, v. 72, p. 218-219. 2006. PIE, M. R.; STRÖHER, P. R.; AGOSTINIS, A. O.; BELMONTE-LOPES, R.; TADRA-SFEIR, M. Z; OSTRENSKY, A. Development of a real-time PCR assay for the detection of the golden mussel (Limnoperna fortunei, Mytilidae) in environmental samples. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 89, n. 2, p. 1041-1045. 2017.

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Estratégias de controle da espécie na Argentina – DANIEL CATALDO _____________________________________ CATALDO, D.; O'FARRELL, I.; PAOLUCCI, E.; SYLVESTER, F.; BOLTOVSKOY, D. Impact of the invasive golden mussel (Limnoperna fortunei) on phytoplankton and nutrient cycling. Aquatic Invasions, v.7, n. 1, p. 91-100. 2012. DOI: 10.3391/ai.2012.7.1.010 GATTÁS, F., VINOCUR, A., GRAZIANO, M., SANTOS, A. M., PIZARRO, H.; CATALDO, D. Differential impact of Limnoperna fortunei-herbicide interaction between Roundup Max® and glyphosate on freshwater microscopic communities. Environmental Science and Pollution Research, v. 23, n. 18, p. 18869-18882. 2016. DOI: 10.1007/s11356-016-7005-6 Formas de controle e importância do bivalve mexilhão-dourado como praga e transmissor de doenças - MARCELO KNOFF _____________________________________ BABA, T.; URABE, M. Parasites of Limnoperna fortunei. In: Boltovskoy, D. (ed.) Limnoperna fortune: Ecology, distribution and control of a swiftly spreading invasive fouling mussel. London: Springer, 2015. p. 55-65. https://doi.org/ 10.1007/ 978-3-319-13494-9 BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. Invertebrates. Sunderland: Sinauer Associates, 2003. 936 p. DARRIGRAN, G.; ARCHUBY, F.; MANSUR, M. C. D. Manejo integrado de espécies invasoras. In: MANSUR, M. C. D.; SANTOS, C. P.; PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; ZURITA, M. L. L.; RODRIGUEZ, M. T. R.; NEHRKE, M. V.; BERGONCI, P. E. A. (Org). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção, controle. Redes Editora, 2012a. p. 383-388. DARRIGRAN, G.; DAMBORENEA, M. C. D.; DRAGO, E. C.; DRAGO, I. E.; PAIRA, A.; ARCHUBY, F. Invasion process of Limnoperna fortunei (Bivalvia: Mytilidae): the case of Uruguay River and emissaries of the Esteros del Iberá Wetland, Argentina. Zoologia, v. 29, n. 6, p. 531-539. 2012b. DARRIGRAN, G.; DAMBORENEA, M. C. D. Ecosystem engineering impacts of Limnoperna fortunei in South America. Zoological Science, v. 28, p. 1-7. 2011. DARRIGRAN, G.; DAMBORENEA, M. C. D. Introdução e dispersão do Limnoperna fortunei. In: DARRIGRAN, G.; DAMBORENEA, C. (Org.) Introdução a Biologia das Invasões. O Mexilhão Dourado na América do Sul: biologia, dispersão, impacto, prevenção e controle. São Carlos: Cubo Editora. p. 89-110. 2009. EDWARDS, D. D. Department of Biology. University of Evansville, Evansville, Indiana, EUA. Power Point presentation about Phyllum Mollusca. http://faculty.evansville.edu/de3/ b10802/PPoint/Mollusca/sld034.htm. Acesso em: 1 de out. 2018. FACHINI, A.; GAZULHA, V.; PEDROSO, C. S. 2012. Os impactos do mexilhão-dourado sobre a comunidade planctônica. In: MANSUR, M. C. D.; SANTOS, C. P.; PEREIRA, D.; PAZ, I. C. P.; ZURITA, M. L. L.; RODRIGUEZ, M. T. R.; NEHRKE, M. V.; BERGONCI, P. E. A. (Org). Moluscos límnicos invasores no Brasil: biologia, prevenção, controle. Redes Editora, 2012. p. 255-261.

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