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Ano V N.º 26 Preço: 0,50 •

Escola Secundária

de

Casquilhos - Barreiro

jan 11

Diretor: Renato Albuquerque

44 autores

Reflexão

Números

São 44 os alunos da nossa escola que falam sobre o tema Estudar: o que é, como se estuda, vale a pena? Vale com certeza a pena ler o que dizem.

Pedimos à professora Sofia Freire, do Instituto de Educação da Faculdade de Ciências de Lisboa, a sua reflexão sobre o tema de capa. Uma visão diferente a não perder.

Partindo das respostas a um inquérito, analisámos o tema estudar entre os alunos da nossa escola. Vê as turmas em que estes mais gostam de estudar.

páginas 4 a 6

páginas 7 a 9

página 10


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ESCrito

Fotos 1 e 2: Orlando Nunes

Aposentações

Beatriz

Clementina Mais 2 funcionárias se juntaram à lista de aposentados desta escola. Claro que fazem parte da memória desta escola e, por isso são insubstituíveis mas o ministério da educação sempre podia mandar alguém para ajudar a tirar fotocópias... A D. Clementina estava colocada há vários anos na reprografia da escola e, para além dos trabalhos que aí executava, nunca deixando de fazer “em cima da hora” os testes que os professores lhe levavam, era também uma das maiores frequentadoras da biblioteca escolar; por isso, esta leitora compulsiva já tinha sido alvo de um artigo no nosso jornal (número 14, out.2006).

Desde que se reformou, em junho de 2010, que deixou de se ouvir música clássica (outra das suas paixões) quando se vai para o bloco C. Também a D. Beatriz passou à aposentação em julho de 2010. Nos últimos anos a D. Beatriz desempenhava as suas funções na portaria da escola, recebendo e encaminhando todos os que aqui trabalham e estudam e todos os que aqui tinham de se deslocar. A D. Beatriz era, sem sombra de dúvida, a melhor vendedora do ESCrito, divulgando-o persistentemente junto dos pais e encarregados de educação quando

António Augusto estes se deslocavam à escola. Muitos dos ex-alunos se referem carinhosamente à D. Beatriz, no blog dos antigos alunos, como a loira. O professor António Augusto Silva, de matemática, passou também à situação de aposentado em outubro de 2010. Durante vários anos atraiu para esta disciplina, quer de dia, quer de noite, muitos alunos. Dono de uma curiosodade enorme e de vastos e ecléticos conhecimentos, impressionou todos os que com ele privaram. No final dos anos 80 foi também, durante 4 anos, vice-presidente do conselho diretivo desta escola.

Casquilhos na net Para elém do blog da associação de estudantes (vê a notícia na página 15) também podes consultar: www.esec-casquilhos.rcts.pt - o site oficial da escola, com todas as novidades atualizadas; bescasquilhos.blogspot.com - o blog da biblioteca escolar;

escsex.wordpress.com - o blog sobre educação sexual da equipa de educação para a saúde da nossa escola; asspaisescasquilhos.blogspot.com - o blog da associação de pais cessante.

Ficha técnica

ESCrito Proprietário: Escola Secundária de Casquilhos – Barreiro Diretor: Renato Albuquerque (prof. G. 400) Colaboraram neste número: Ana Silva (10ºF); Ana Sofia Freire (IE-FCL); Daniela Moutinho (10ºF); Guilherme Jotapê Rodrigues (Brasil); Marco Moreira (10ºF); Mária Correia (Prof. G. 500); Mestre Coelho (ex-Prof. G. 510); Mónica Freire (10ºF); Neuza Ribeiro (10ºF); Raquel Prata (10ºF) Fotos: João Patrão (Prof. G. 500); José Vaz (Prof. G. 300); Orlando Nunes (Prof. G. 420). As fotos não identificadas são de Renato Albuquerque Maquetagem: ReAL Impressão: Serviços de Reprografia da Escola Capa: ReAL sobre desenho de Raquel Prata. Garfield é uma criação de Jim Davis. Correspondência: Jornal ESCrito. Escola Secundária de Casquilhos. Quinta dos Casquilhos. 2830-046 BARREIRO Telef.: 212148370 Fax:212140265 E mail: jornal@esec-casquilhos.rcts.pt Tiragem desta edição: 350 exemplares Os textos não assinados são da responsabilidade da Direção. O ESCrito adota a ortografia do Acordo de 1990.


ESCrito 27 de janeiro: vem aí a

6ª Festa do chocolate A escola pediu e ela aí vem de novo: a 27 de janeiro a festa do chocolate promete reunir, pela 6ª vez, toda a comunidade em torno desta doce tentação. Alguns talvez ainda se lembrem da primeira edição surgida em 2006 para comemorar o 1º aniversário do ESCrito. Muito do que aí fizemos definiu a matriz desta festa: virada para os pequenos visitantes das escolas primárias e dos infantários, incluiu sempre os concursos de doçaria com chocolate para amadores e profissionais, m u i t a animação, decorações espetaculares e a colaboração de empresas, órgãos

Cartaz da 1ª edição: Pedro Brito; cartaz da 2ª edição e seguintes: professor Miguel Brinca

autárquicos e dezenas e dezenas de alunos, professores, pais e funcionários. Em cada edição fomos introduzindo novidades, sem nunca desvirtuar esta matriz. Em 2011 vamos apelar ainda mais à solidariedade: nestes tempos difícieis que estamos a viver, sem a solidariedade de todos, a festa não se conseguirá realizar. E, apesar de todo o esforço que ela envolve, a festa do chocolate assume-se já como uma das memórias que alunos e professores associam à Escola Secundária de Casquilhos. Dia 27 contamos contigo, contamos com todos.

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Editorial Manter a sanidade 1. Diziam os romanos que o Homem devia desejar mens Renato sana in corpore sano,ou seja, Albuquerque uma mente sã num corpo são. Neste ano de 2011 que agora começa só se ouve falar de uma coisa: crise, crise, crise! Infelizmente, não podemos fazer como na televisão quando um programa não nos agrada: clicar no botão e mudar de canal. A maioria de nós não pode mudar de país em que vive nem de situação económica. Infelizmente, não há botão para carregar; a crise bate-nos à porta quotidianamente, sob a forma de desemprego dos pais ou, (continua na última página)


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ESCrito

Estudar em palavras e imagens A palavra aos alunos dos Casquilhos Lançámos o desafio aos professores de português e de artes: em cada turma, em cada ano de escolaridade, podiam apresentar como tema para a elaboração de trabalhos, em sala de aula ou em casa, a ideia de estudar. Para ajudar, avançámos algumas abordagens possíveis: - O que é estudar? Estudar é… - Como se estuda? Decoro as frases do livro… leio os apontamentos… vou à net…

- Quando se estuda? Só para os testes… todos os dias… - Há lugares ideais para estudar? A sala… o quarto… a cama, a biblioteca… - Estudar com música? Sim, claro… Não, nunca… Só com certas músicas… - Com quem se estuda? Sozinho… depende… na explicação… com os pais… com os amigos… - Vale a pena estudar? Sim… não… estudei tanto e não serviu para nada…

- Uma história engraçada que me aconteceu quando estava a estudar… Dos trabalhos escritos que recebemos transcrevemos a seguir alguns excertos; das imagens que recebemos selecionámos diversas para ilustrar os textos dedicados a este tema (capa e páginas 6 a 10). O nosso obrigado aos alunos do 7º B, 7º C, 8º C, 10º B, 10º D, 10º E e 10º F e aos respetivos professores.

Mónica Freire

O QUE É ESTUDAR? Estudar?! A palavra é-me familiar mas já me esqueci do seu significado. Eu não sei bem o que é estudar, só sei no que se baseia. Por exemplo, eu sei que é pegar nos livros e cadernos e ver a matéria das aulas passadas, mas o que acontece no meio disso tudo? Sabem a resposta? Ou é mesmo preciso estudar para saber a resposta? Estudar é… Não consigo ainda dizer o que é! É decorar matéria ou entendê-la?! Desisto. Estudem vocês e depois avisem-me como foi! João Lima, 10º E

Estudar é... Estudar é tudo o que se precisa para tirar boas notas. (1)

Estudar é aprender sobre os mais variados temas, preparando-nos, assim, para resolver questões na vida. (10)

Estudar não é apenas querer memorizar algo ou compreender algo, é aprender algo de novo. (14)

… estudar é o passaporte para chegar onde quero… (2)

Estudar é aprender e aprender é saber. (11)

Estudar é apostar no nosso futuro. (12)

Estudar não é apenas decorar mas sim perceber. (3)

…estudar é aprender a dar horizontes ao nosso cérebro. (15)

Estudar para mim é conhecer ou perceber e aprender mais sobre um assunto… (16)

Estudar é reler as coisas que aprendemos na aula. (4)

Soluções da página 16 Voltas à cabeça

Sudoku

Estudar não é interessante… é mais uma obrigação. (8) Estudar é o caminho para a cultura. (13) Algumas matérias, como a história, geografia, são matérias para decorar, a matemática é para compreender. (9)

No primeiro caso basta alterar o primeiro dígito de 2 para 3, ficando 3x3=9. No segundo caso deves alterar a igualdade para 5+3=8. O número mínimo de lápis necessários é de 7. Se reparares, é esse o número de leds utilizados, por exemplo, nos relógios digitais ou nos números dos elevadores. O algarismo que necessita de mais lápis é o 8:

Estudar é um passo para se ser inteligente, para se tornar mais culto; pode, por vezes, parecer uma seca mas pode ser uma grande vantagem. (5)


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Como estudar?

… se a pessoa tiver capacidade para decorar deve-se decorar mas é muito mais fácil perceber… (17) Eu estudo com o caderno, livros e em algumas disciplinas procuro informações na net. Quando estudo tento sempre perceber a matéria. (7) … às vezes costumo gravar aquilo que estudo e oiço porque o som entra diretamente dentro da cabeça… quando estou sozinha pareço uma parva a falar sozinha e a tentar entender a matéria perguntando a mim própria. (18) Tento estudar todos os dias mas isso raramente acontece. (38) … há pessoas que passam horas e horas agarrados aos livros, não sei como, mas conseguem. (19) Há lugares ideais onde podemos estudar como, por exemplo, as bibliotecas das escolas, um jardim, sentado num banco sossegado e sozinho, na explicação e também no Espaço Jovem que existe na minha localidade… (20)

Costumo estudar na cozinha com a minha mãe. Não é que me ajude mas faz-me companhia. (23)

Estudar para mim é … em casa a ouvir música ambiente, com o meu gato ao colo: com ele fico mais calma e concentro-me mais facilmente. (28)

Não há um método específico para se estudar pois nem todos aprendem da mesma forma, cada um tem o seu método de estudar. (1)

Não consigo estudar no silêncio, é muito constrangedor. (25)

… quando se estuda não é com a cabeça na Lua … a música deixa-me aluado quando estudo. (20)

[Um dia] fui para casa das minhas colegas estudar com música e começámos a cantar. Não estudámos para o teste e tivemos positiva. Somos bons! (19)

Estudo no meu quarto, o sítio mais agradável em todo o mundo. Música é essencial para o estudo, a mim põe-me mais concentrado. (21)

Não estudo com música nem com … barulho e, sinceramente, não sei como há pessoas que conseguem. Costumo estudar sozinha mas, por vezes, estudo com o meu cão porque é o único que fica deitado a ouvir-me. (22)

… estudar com amigos é bem melhor porque rimos e inventamos palhaçadas para decorarmos as coisas e no momento dos testes lembramo-nos. Acho que assim é bem mais fácil. (24)

Na maioria das vezes faço cábulas em vez de estudar. (26)

Geralmente aborrece-me o facto de ter de estudar e tento fazê-lo o mais rapidamente possível. (27)

Eu quando estudo, faço uma espécie de teste a mim mesma com perguntas e depois dou respostas de acordo com as informações. (29)

Para estudar, eu não decoro, tento sempre compreender: se decoro, pode-me dar uma “branca” no teste e vou-me esquecer; se compreender, posso ir por vários tópicos no teste e chego lá. (30)

Trabalho coletivo do 7º C feito no quadro da sala. Foto: José Vaz

Estudo fazendo um pequeno resumo da matéria que irá sair no teste e depois leio tudo o que escrevi até me entrar na cabeça. (6)


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Vale a pena? Estudar não é muito agradável mas, se pensarmos bem, sem estudos não vamos a lado nenhum… (31) As aulas não são o suficiente para obter bons resultados. Estudar é uma maneira de tirar dúvidas, perceber melhor a matéria e melhorar a vida escolar. (3) Os meus amigos dizem que estudar é uma perda de tempo… mas sem estudo não havia médicos, cientistas, bombeiros… (32) Vale a pena estudar para ter positiva no teste. (33) Só com estudo é que sabemos as dúvidas que temos e damos conta do que não compreendemos. Vale a pena estudar pois só assim obtemos bons resultados. (34) Até agora estudar tem valido a pena e tenho tido boas notas graças a isso. (10) Vale a pena estudar? Sim, pois eu agora estive um tempo sem estudar e positivas nem vê-las… (16)

Uma vez estudei 4 horas para um teste de história e tirei negativa. Fiquei um pouco desiludido e disse a mim mesmo: “Vou tirar Excelente no próximo teste.” Depois, no teste seguinte, estudei durante 2 semanas, fui ao apoio, respondia sempre certo, fazia resumos e a conclusão foi… “Excelente!” Claro, fiquei mesmo muito surpreendido e valeu bem a pena ter estudado aquelas 2 semanas e ser recompensado daquela maneira. (21) Estudar vale mesmo a pena porque, se não estudarmos, nunca vamos ter grandes notas e depois, para arranjar trabalho, vai ser muito difícil. (35) … estudar é importante, melhora a nossa vida e abre novas oportunidades. (32) Por vezes é muito frustrante quando estudo durante muito tempo e depois o resultado não é o esperado. (36)

Vale a pena estudar? Há quem diga que sim. Apesar de não gostar, vou ter de o fazer. (24)

Conheço pessoas que estudaram durante vários anos e de nada lhes serviu pois não conseguiram encontrar emprego. (38) É claro que vale a pena estudar mas a preguiça fala sempre mais alto. Já adormeci muitas vezes enquanto estudava. (6) Vale a pena estudar pois, não só traz conhecimentos, como abre as portas para um futuro melhor em termos pessoais e profissionais. (40) … temos a possibilidade de ter os nossos pais a trabalhar para pagar os nossos estudos, por isso devemos aproveitar muito bem os estudos para, mais tarde, sermos alguém na vida. (17) … sem estudo, o mundo não evoluirá. (39) Os 44 autores

Histórias... A história mais engraçada que me aconteceu foi estar no meu quarto a estudar em voz alta, o meu cão entrar, sentar-se e ficar a olhar para mim muito sério, a ouvir-me estudar. (22)

Não gosto de estudar. Uma vez estava a estudar, acabei por adormecer e babei o livro todo. (25)

Lembro-me perfeitamente, no 9º ano, tive a ideia de estudar com a minha irmã que andava no 2º ano e conforme eu estudava a matéria, explicava-a a ela. Ela estava com muita atenção mas não devia perceber nada daquilo. No fim de tudo, perguntava-lhe: percebeste? (11)

Enquanto não estudar não posso ter uma história engraçada em relação ao estudo. (42)

Uma vez quando estava a estudar para história com o meu primo trocamos, por acidente, de apontamentos. Eu tinha decorado os dele e fui fazer o teste. Surpreendentemente, tive um Satisfaz Bastante mas o meu primo teve má nota. Quando reparamos no que tinha acontecido, ele quase me matou. (43)

… estudar, só o faço para ter boas notas e para os meus pais ficarem contentes e orgulhosos. Não gosto muito de estudar porque preferia gastar mais tempo com os meus amigos. (37)

Uma história engraçada não posso contar porque estudar não tem nada de engraçado. (44)

Não houve nenhuma história engraçada enquanto estudei, só tragédias… (41)

(1) Andreia Martins, 8º C; (2) Jéssica da Silva, 8º C; (3) Catarina de Castro, 8º C; (4) Nádia Cruz, 7º B; (5) Samuel Jorge, 10º E; (6) Mariana Luciano, 10º B; (7) Carla Costa, 10º B; (8) Ana Rita Oliveira, 10º B; (9) Ana Cristina Libório, 10º B; (10) Ricardo Gonçalves, 10º B; (11) Roxane Ximenes, 10º D; (12) Patrícia Nunes, 10º D; (13) Guilherme Remédios, 10º D; (14) Inês Dórdio, 10º E; (15) Ana Rita Pereira, 8º C; (16) Daniel Silva, 8º C; (17) Janine Delgado, 8º C; (18) Inês Fernandes, 8º C; (19) Ruben Amaral, 7º B; (20) David Fortes, 8º C; (21) Carlos Guerreiro, 10º E; (22) Patrícia Frescate, 10º B; (23) Diogo Ramos, 10º B; (24) Nuno Almeida, 10º B; (25) Sónia Jin, 10º B; (26) Élton Fernandes, 10º B; (27) Nuno Caiadas, 10º B; (28) Tânia Branco, 10º E; (29) Inês Torres, 10º D; (30) Inês Dias, 10º E; (31) Maria Inês, 8º C; (32) Ana Carolina, 8º C; (33) Pedro Segurado, 7º B; (34) Alice Martins, 10º B; (35) Alexandre Alves, 10º B; (36) Sara Matos, 10º B; (37) Duarte Santos, 10º B; (38) Érica de Freitas, 10º B; (39) Ana Paula Oliveira, 10º B; (40) Tiago Moreira, 10º B; (41) Ricardo Leitão, 10º D; (42) João Cancelo, 10º D; (43) Ana Catarina Lascas, 10º E; (44) Eduardo Pedroso, 10º B.


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O que é aprender? Aprender para quê? O nosso jornal convidou a Professora Sofia Freire, do Instituto de Educação da Faculdade de Ciências de Lisboa, a partilhar connosco a sua experiência sobre o tema deste número: “estudar”. Este pedido foi acolhido com o entusiasmo que a carateriza, resultando na reflexão que aqui reproduzimos com o nosso público agradecimento.

O que é estudar? Esta é uma pergunta complexa, para a qual não existe uma resposta simples. E a razão porque não existe uma resposta simples é porque o modo como estudamos depende da nossa conceção sobre o que é aprender. Há inúmeras conceções teóricas distintas sobre o que é aprender. Do mesmo modo, alunos, professores e encarregados de educação têm ideias diferentes sobre o que é aprender. No entanto, o modo como estudamos depende do modo como entendemos o que é aprender. Se quero aprender para memorizar, mecanicamente, termos e factos para, posteriormente, os reproduzir numa situação de avaliação, então terei que optar por certas estratégias de estudo. Se pretendo, por outro lado, aprender para compreender termos, factos e processos, para usar em diversas situações de ensino-aprendizagem, então terei que optar por uma outra estratégia. Se pretendo, numa outra perspetiva, aprender para reapreciar a sociedade, os outros e a mim mesmo, então terei que escolher ainda uma outra estratégia de estudo… e poderíamos continuar… Assim, antes de responder à questão sobre o que é estudar, é pertinente refletir sobre o que é aprender e sobre aprender para quê? Vivemos numa sociedade dinâmica, imprevisível e extremamente complexa. Para podermos participar nesta sociedade é necessário apropriar certas

na escola e não se resume ao saber escolar. Isso não quer dizer, que a escola não tenha um papel essencial a desempenhar! É na escola que os alunos irão desenvolver competências únicas que lhes permitirão lidar com situações, nomeadamente, de aprendizagem que ocorrem fora do espaço/ tempo - escola. Saber estudar é uma dessas competências.

competências. Não chega conhecer uma série de termos, factos e conceitos que não se sabe utilizar. Por exemplo, de que me serve saber resolver muito bem equações matemáticas, se não sei interpretar um quadro complexo, com os horários das partidas e chegadas dos aviões, preços, e itinerários e tomar uma decisão sobre qual a viagem que me convém mais? De que me serve saber ler, se não consigo

Sofia Freire *

interpretar a informação do banco relativa ao empréstimo para comprar uma casa? Aprender para quê, então? Face às características da sociedade atual é essencial que os alunos consigam dar um sentido aos acontecimentos e situações do seu dia a dia, que reflitam

Marco Moreira

As características da nossa sociedade colocam grandes desafios aos nossos alunos, à escola, aos professores e aos encarregados de educação... Um dos grandes desafios dos sistemas educacionais é, precisamente, criar nos alunos o gosto por aprender, de aprender sempre, ao longo da vida e fora da escola. A aprendizagem, de facto, não se esgota


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criticamente acerca desses acontecimentos e situações, que tomem decisões fundamentadas e participem com iniciativas refletidas. Assim, aprendizagens que equipem os alunos com recursos cognitivos, meta-cognitivos e afetivo-motivacionais, que criem neles o gosto por aprender ao longo da vida e a possibilidade de aprenderem autonomamente em contextos não formais de educação e de, assim, participar de forma responsável e informada na sociedade complexa dos dias de hoje, devem constituir verdadeiras finalidades dos sistemas educativos. -Tendo em conta esta noção sobre o que é aprender e sobre aprender para quê, estudar é qualquer atividade e processo que possibilite ao aluno compreender termos, factos e processos, de forma a saber utilizá-los para resolver problemas, tomar decisões, interpretar a experiência quotidiana, refletir criticamente sobre situações do seu dia a dia. Mas, deve

necessários (regular) e, no final, avaliar todo o processo, de forma a tornar o seu estudo cada vez mais eficaz (avaliar). Este é um processo iterativo, segundo o qual o aluno anda para trás e para diante, analisando e procedendo a modificações e a reajustamentos necessários e exige, sobretudo, um grande autoconhecimento do aluno, podendo, no final, contribuir para um aprofundamento do conhecimento que o aluno tem de si mesmo.

constituir-se também como um processo que lhe possibilite aprender autonomamente. De que forma o estudo pode facilitar o desenvolvimento destas competências? Para responder a esta questão, há que olhar não tanto para as atividades em si (por exemplo, leitura do manual escolar, pesquisa na internet, escrita de relatórios, organização de apontamentos, discussão com pares e professores, etc.), mas mais para o processo, para aquilo que o aluno faz, no ato de estudar, com vista a aprender.

1. Planificar É essencial que o aluno esteja ciente dos seus objetivos. Estou a estudar para quê? Para obter boas notas? E o que implica “obter boas notas”? Para resolver os exercícios do livro? Porque tenho um interesse no tema e gostaria de saber algo mais? Para agradar aos pais? Para compreender melhor um aspeto específico da realidade em que me encontro? Os objetivos com que o aluno estuda irão determinar, por um lado, as estratégias que ele deve adotar para estudar e, por outro lado, os recursos que necessita para estudar. · Se estudo para compreender um tema que me interessa, cingir-me ao manual escolar pode limitar o tipo de conhecimento que vou obter. Neste caso, a pesquisa de informação variada e relevante sobre o tema pode ser útil e os recursos que necessito terão que ser bem mais amplos e diversificados que o manual escolar. · Se estudo para compreender melhor um aspeto específico da realidade envolvente, então poderá ser importante questionar outros mais sabedores, observar a realidade envolvente, usando o conhecimento recentemente construído, discutir com outros sobre esses aspetos. Aqui os outros constituem recursos fundamentais, bem como o acesso a uma gama ampla de dados e informações.

Estudar envolve, primeiramente, tomar um conjunto de decisões. No ato de estudar, o aluno tem que pensar sobre o que pretende atingir e como atingir (planificar), tem que ir acompanhando o processo de estudo e monitorizando os seus progressos (monitorizar), tem que tomar decisões para proceder aos ajustes

Ana Silva

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2. Monitorizar À medida que o estudo progride é essencial que o aluno se questione sobre os seus progressos (Onde estou? O que me falta ainda fazer?), que analise o recurso tempo (Que tempo ainda me resta? Tenho tempo de fazer aquilo que me propus?), que analise barreiras e dificuldades (O que está a complicar todo o processo? É a estratégia que não se está a mostrar eficaz? São os recursos que não são adequados? É o tema que é aborrecido e desinteressante? Há algo no ambiente que me está a distrair? Já estou a ficar muito cansado? Onde é que estou a


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3. Regular Uma dessas ações poderá passar, mesmo, pelo reajustamento dos objetivos e das estratégias (pelo facto de, por exemplo, em face do tempo disponível, os objetivos se terem mostrado irrealistas e as estratégias inadequadas). Outras ações poderão ser: · M o b i l i z a r conhecimento para corrigir os erros (O que é que eu sei que me pode ser útil para compreender onde estou a errar?); · P r o c u r a r conhecimento adicional (O que é que eu preciso saber mais para compreender melhor este aspeto? Que recursos necessito?); · Pedir ajuda ao professor ou aos colegas (Quem é que me pode esclarecer sobre esta minha dúvida?); · Gerir emoções negativas, tais como aborrecimento, falta de interesse, frustração, sentimentos de incapacidade (Por exemplo, procurando adiar os reforços: Não gosto nada desta matéria, mas eu sei que se estudar vou ter boa nota, o que vai ser muito importante para entrar no curso que pretendo. Ou, por exemplo, intercalar o estudo de uma tema de que se gosta menos com outro tema mais desafiante. Ou procurar informação complementar acerca do tema, informação essa mais complexa e mais enquadrada, que permita dar um sentido ao tema e encontrar-lhe um propósito, tornando-o mais interessante); · Gerir a distração e o cansaço (Por exemplo, fazer um intervalo, conversar com colegas, pais ou irmãos, desligar a televisão ou a música).

4. Avaliar E no final do estudo, qual foi o resultado alcançado. Aprendi? O que aprendi? Tive boa nota? Fiz um bom relatório? Fiz uma boa apresentação? Discuti bem o tema? Que fatores foram determinantes para os resultados alcançados? É essencial que o aluno compreenda se os objetivos que estabeleceu para si foram realistas, se as suas estratégias de estudo foram adequadas, se usou de forma eficiente os recursos ou se houve recursos que poderia ter utilizado e não utilizou. É essencial que o aluno identifique as barreiras e dificuldades e se a forma como lidou com estas foi eficaz. Por último, é essencial que o aluno se questione sobre a sua própria experiência emocional: Gostei? Valeu a pena o esforço? Fiquei mais

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interessado pelo tema? Gostei de debater o tema? Sinto-me mais confiante? … A avaliação do modo como decorreu o estudo e dos seus resultados é importante pois pode contribuir para que o aluno construa um melhor conhecimento sobre quem é que poderá ser importante utilizar noutras situações de estudo, tornando-as mais eficazes. Intimamente associado, o seu autoconhecimento, permitindo-lhe tomar decisões mais acertadas em relação ao estudo em geral e, logo, viver situações de maior sucesso, é um fator essencial para que o aluno desenvolva o gosto por aprender. Afinal, aprender é algo que eu posso controlar, que consigo fazer com sucesso e autonomamente.

Neuza Ribeiro

errar? Porque estou a errar? Há conhecimentos base que me faltam?). Estas questões são essenciais para que o aluno compreenda se se está a afastar daquilo que delineou inicialmente e que identifique que aspetos estão a provocar esse afastamento. Só assim poderá desenvolver um conjunto de ações que lhe permitam novamente controlar toda a situação.

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* Sofia Freire, nascida em Lisboa, em 1970, estudou Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, tendo realizado o seu estágio académico no Hospital de Santa Maria com a equipa do Professor Daniel Sampaio. Face às necessidades de atualização que sentiu, na altura do estágio, iniciou um mestrado em Psicologia Clínica, no ISPA. Dedicou-se desde muito cedo, no seu percurso académico, à investigação, tendo participado enquanto tarefeira em projetos de investigação ligados ao antigo Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (hoje, parte integrante do Instituto de Educação). Esta participação, em vários projetos ligados à educação, despertou-lhe o interesse pela área da educação e, posteriormente, veio a fazer o seu doutoramento nesta área, mais especificamente na área das necessidades educativas especiais, que concluiu em 2006. Participou em alguns projetos nacionais e internacionais. Atualmente, faz parte do grupo de Educação em Ciência do Instituto de Educação, encontrando-se a investigar temáticas relacionadas com a aprendizagem nas aulas de ciências, e integra um projeto que tem como objetivo avaliar o currículo de ciências do 3º ciclo do ensino básico.


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Estudar em números

O que pensam os alunos dos Casquilhos Todos os anos é a mesma coisa no início do ano: O quê? Outro inquérito? Temos mesmo que responder? Isto não serve para nada!... Claro que os inquéritos que os diretores de turma distribuem no início do ano permitem recolher informação preciosa para caracterizar a turma e para definir estratégias diferenciadas logo desde o início do ano. Por isso os inquéritos têm tantas e tão variadas questões. Daí que pensámos em aproveitar as respostas que os alunos já tinham dado e tratá-las para o tema desta edição do jornal. Os resultados mostram diferenças significativas entre os alunos do 3º ciclo do ensino básico/CEF (a que vamos chamar básico por facilidade de escrita) e os alunos do cursos científicohumanísticos/profissionais (secundário). Vejamos essas diferenças e o que pensam os alunos dos Casquilhos sobre a atividade de estudar.

Daniela Moutinho

Gostas de estudar? No básico as respostas estão empatadas: 27,1% dos alunos dizem que sim e 27,1% dizem que não. Como no básico havia uma 3ª hipótese de resposta,

foi esta a mais escolhida: 45,9% dos alunos gostam de estudar às vezes. No secundário só havia duas hipóteses e os que gostam de estudar ganham dificilmente aos que afirmam não gostar: 53 e 47%, respetivamente.

ciências e tecnologias dos cursos científico-humanísticos) que são, tradicionalmente, as que obtêm classificações mais elevadas na escola.

Estudas regularmente? Esta questão foi colocada de uma forma ligeiramente diferente aos alunos do básico: a estes foi perguntado se estudas todos os dias? As respostas são coerentes com o gosto expresso anteriormente: no básico mais de 2/3 dos alunos (69,4%) afirmam que não estudam diariamente; no secundário os que estudam regularmente perdem também, embora à tangente, para os que não o fazem (48,6 e 51,4%, respetivamente).

Estudas habitualmente em casa? Esta questão foi colocada apenas aos alunos do básico e as respostas indicam sem sombra de dúvida que a maioria (87,2%) prefere estudar em casa. Em relação aos restantes as respostas não permitiram apurar os locais alternativos: a escola? a casa dos amigos? o café?

Tens ajuda nos estudos? As respostas são coincidentes nos dois ciclos de estudo: mais de 2/3 dos alunos (68,2% no básico e 68,8% no secundário) afirmam não ter qualquer ajuda nos estudos. Dos que afirmam ter ajuda, os inquéritos não permitem saber mais pormenores: se a ajuda vem dos pais ou de explicadores, por exemplo. Ao contrário do que se poderia pensar, não se encontra qualquer tipo de correlação entre os que afirmam ter ajuda e o ano de escolaridade que frequentam. Contudo, quer no 10º, quer no 11º anos as turmas em que os alunos têm mais ajudas são as turmas A ou B (do curso de

Preferes estudar sozinho ou em grupo? Esta questão também só foi colocada nos inquéritos do básico e revela que 71,2% de alunos afirmam preferir estudar sozinhos.

FICHA TÉCNICA As respostas dos alunos foram recolhidas a partir dos inquéritos distribuídos pelos diretores de turma no início do ano letivo. Das 12 turmas do 3º ciclo/CEF recebemos dados de apenas 4 (85 alunos); das 21 turmas dos cursos científicohumanísticos/profissionais recebemos dados de 14 (270 alunos). Estes 355 alunos representam cerca de 50% do total da escola.


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Concurso de conto de ficção científica Entrega dos prémios Foram entregues no passado dia 7 de junho os prémios do concurso de conto original de ficção científica em língua inglesa, que se realizou na escola a propósito do 90º aniversário do nascimento de Isaac Asimov, tendo sido dirigido aos alunos do 9º e 10º anos de escolaridade.

Isaac Asimov (1920-1992), apesar de ser de origem russa, emigrou muito cedo para os Estados Unidos onde se celebrizou como cientista e, principalmente, como um dos mais produtivos escritores de ficção científica. A sua data de nascimento não pode ser comprovada mas comemora-se o dia 2 de janeiro de 1920 por este ter sido adotado pelo próprio autor.

Neste concurso, promovido pelos professores de inglês, foram premiados os seguintes alunos (entre parêntesis as turmas a que pertenciam): 1º prémio: Marta Filipe (10º F); 2º prémio: Carlos Guerreiro (9º A); 3º prémio: Déulio Matoso (10º D).

Marta Filipe. Prémio entregue pela professora Conceição Nunes

Carlos Guerreiro. Prémio entregue pela professora Célia Soares

Déulio Matoso. Prémio entregue pela professora Edite Jubilot

Olha p’la saúde - come fruta A coordenadora do projeto de educação para a saúde da nossa escola, professora Isabel Lopes, entregou no passado dia 2 de julho uma bicicleta ao aluno Tiago Reis que, no passado ano letivo, pertencia ao 10º E. Este foi o aluno que em 2009/2010 consumiu mais fruta no bar da escola, correspondendo ao apelo que foi lançado por aquele projeto com a intenção de melhorar os hábitos alimentares na nossa escola. O Tiago completou 2 cartões e, como dizia a professora Isabel Lopes, com a bicicleta que ganhou, pode aliar a prática de exercício físico a uma alimentação saudável. Este foi o segundo ano consecutivo que esta iniciativa se desenvolveu na nossa escola.

Tiago Reis e a sua nova bicicleta


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Semana da Ciência e da Tecnologia 2010

Cartaz de Adriana Miranda - 12º H

A Semana da Ciência e Tecnologia deste ano foi interrompida, a meio, pela greve geral convocada pelas duas centrais sindicais que impediu que a escola estivesse aberta a 24 de novembro. Assim, as atividades foram planificadas para os restantes dias da semana, entre 22 e 26 de novembro. Como de costume, a semana coincidiu com a Minerália, feira de minerais, fósseis e pedras preciosas, sempre aproveitada para antecipar algumas compras de Natal.

Doutora Margarida Carvalho

renhidas e revelaram alguns novos e velhos campeões. Também nesse dia 25 o laboratório de química esteve aberto toda a manhã para que os alunos pudessem realizar um sem número de experiências maioritariamente ligadas à eletricidade: efeito magnético da corrente elétrica, produção de energia elétrica a partir de um (mini) painel fotovoltaico, uso de galvanómetros, potenciómetros, eletroímans, etc. Novidades este ano eram os ensaios de chama que permitiam obter chamas de variadas cores e a experiência das forças de tensão superficial de fluidos em que, com farinha Maizena e água, se faziam e desfaziam bolas como por magia. Ainda nesse dia, o Doutor Pedro Abreu, do Instituto Superior Técnico de

Lisboa e do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Particulas (LIP), veio à nossa escola falar sobre o Universo, as partículas e as suas interações.

Foto: João Patrão

Partida de ouri

Cartaz de Wilson Santos - 12º H

Minerália 2010

Também ao longo da semana esteve presente no bar dos alunos uma exposição sobre a Matemática em diversas áreas do globo: África, Península Árabe, Europa medieval, Japão e Índia. Dia 22, ao final da manhã, a Doutora Margarida Gama de Carvalho, da Faculdade de Medicina de Lisboa, veio falar com os alunos sobre Ser investigador em Ciências. Tudo valeu, desde os desenhos de crianças até às fotos dos seus amigos no Facebook, para desmistificar as ideias preconcebidas sobre o que é investigar em Portugal e no resto do Mundo. A tarde foi a altura certa para colocar os sensores a trabalhar no bar dos alunos e, ligando-os às calculadoras gráficas,

obter experimentalmente os gráficos necessários aos alunos de matemática. O dia 23 esteve reservado aos jogos online dinamizados pelos alunos e professores de informática. Depois da interrupção de dia 24, a semana prosseguiu com jogos matemáticos: ouri, hex, rastros e abalone. Como de costume, as partidas foram

Doutor Pedro Abreu

No final, o Doutor Pedro Abreu visitou demoradamente as experiências proporcionadas aos alunos durante esta semana de divulgação da cultura científica na nossa escola.

Experiências com transformadores


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Festa de Natal Se não posso realizar grandes coisas, posso pelo menos fazer pequenas coisas com grandeza. Foi com este espírito que os alunos do 12º F deitaram mãos à obra para organizar a festa de Natal da Escola Secundária de Casquilhos que decorreu na manhã do dia 15 de dezembro. Já há muito tempo que se sentia a falta de uma festa de Natal onde os alunos pudessem comemorar esta ocasião e, de certa maneira, despedirem-se do 1º período. Mas os organizadores quiseram juntar a esta quadra a solidariedade que lhe devia estar sempre associada, alertando para o consumo excessivo que se verifica nesta época.

Por isso, para além da festa, os alunos organizaram também uma recolha de roupas, brinquedos e alimentos que, juntamente com a receita da venda de bolos e sumos, foram entregues à representante do Lar de Jovens do Instituto dos Ferroviários. A festa foi realizada no âmbito da disciplina de Operações Técnicas em Empresas Turísticas do Curso Profissional Técnico de Turismo (12º Ano, professora Rosa Gomes) permitindo aos alunos adquirir conhecimentos suficientes para planear, gerir e controlar a organização de um evento. Um animadíssimo Pai Natal

Dança

Bar aberto durante toda a festa Pormenor da decoração do palco

O 12º F com a professora Rosa Gomes no momento da oferta à representante do Instituto dos Ferroviários


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Galeria d’Arte A Galeria d’Arte mostra os projetos desenvolvidos pelos alunos de artes, renovando periodicamente o espaço da nossa escola situado em frente da sala de professores.

out.2010 | Coisas lá de casa | professores de artes visuais

out.2010 | The Dark Side Of the Pumpkin (a Halloween tale) | 11º E

Coordenadora: professora Cristina Silva

Coordenadores: professores Conceição e Paulo Nunes

COISAS LÁ DE CASA podem ser objetos, imagens, materiais, utensílios ou máquinas... coisas que nos ajudam a viver, que nos dão prazer, que nos ensinam a usar. COISAS LÁ DE CASA são objetos de Design, projetados para solucionar um problema, para facilitar o quotidiano, para dar mais qualidade à nossa vida. Cada objeto conta uma história, é resultado de uma experiência criativa, transporta consigo uma ideia que mudou o mundo. O nosso mundo. Aí estão, então, as COISAS LÁ DE CASA temporariamente transfiguradas em coisas cá da escola. Professores intervenientes: Ana Rita Oliveira, Carmen Luís, Cristina Silva, Fernanda Martins, Helena Oliveira, Ilídio Pina, Miguel Brinca e Paulo Nunes.

Once upon a scary time there was no grass, not even any meadows, there was no sun and surely no happiness. There were no children playing and all windows were shut in the village. The doors were locked and they were all hidden. Cowering in fright, they awaited. Rather than birds and crickets, the pumpkins lit up and chanted. They were a tribute and hopefully she would take no child this year. Emilie, she was. Abused and hurt, hung and her body disfigured by a maniac in the village. He was protected and she never rested. And every year one shall face the same fate as she did, and pain shall forever haunt! From her grave she rose and the pumpkins sang louder. [Texto de Marta Silva - 11º E]

nov.2010 | Coisas lá de casa (mas que não queremos mostrar) | alunos do 12º H e professores de artes visuais Coordenadora: professora Cristina Silva

Algumas COISAS LÁ DE CASA fascinam, não pelo seu valor estético ou qualidade inquestionável, mas antes pelo contrário: seduzem-nos pela sua vulgaridade, pelo sentido mundano e por uma representação estereotipada. Este é o mundo do KITSCH, o mundo de objetos que a partir de meados do século XIX foram absorvidos por uma classe burguesa pretensiosamente culta que acabou por banalizar objetos sem qualidade estética ou funcional. O KITSCH ficou assim associado ao piroso, foleiro ou mau gosto mas que, precisamente por isso, ganhou um encanto muito especial nos meios culturais mais eruditos. Professores intervenientes: Ana Rita Oliveira, Cristina Silva, Fernanda Martins, Helena Oliveira, Ilídio Pina e Paulo Nunes.

PARTICIPA ! O jornal está aberto a todos os que queiram participar: envia-nos o relato da visita de estudo, a notícia do que a tua turma está a fazer, a foto do colóquio, o desenho que fizeste. Este jornal é de todos os que estudam e trabalham nos Casquilhos. Colabora connosco!

Dez.2010 | Sem nome


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Dia do Diploma e Prémios de Mérito 2010 Pelo 3º ano consecutivo o Ministério da Educação entendeu premiar, em cada escola, os melhores alunos do passado ano letivo. Nos Casquilhos, esta cerimónia, que coincidiu com a entrega de diplomas a todos os alunos que terminaram o ensino secundário em 2009/2010, teve lugar no passado dia 8 de setembro, no bar dos alunos, após as 21:00. Os prémios de mérito foram entregues aos alunos João Rodrigues, do Curso de Ciências e Tecnologias (12º A), por ter a média mais alta entre os alunos dos Cursos Científico-Humanísticos, e Sílvia Curto, do Curso Profissional de Marketing (12º E), por ter a média mais elevada entre os alunos de Cursos Profissionais. Este ano a cerimónia contou ainda com a presença da professora Rosária Arroja,

Luta contra a SIDA Comemorouse, no passado dia 1 de dezembro, mais um dia mundial de luta contra a SIDA. Para lembrar esta data e não deixar esquecer essa doença que continua a infetar milhares de pessoas em todo o Mundo, a nossa escola adotou o cartaz elaborado pelo Wilson Santos, do 12º H.

Da esquerda para a direita: João Rodrigues, professor Jorge Paulo Gonçalves (diretor), professora Rosária Arroja e Sílvia Curto

coordenadora da equipa de apoio às escolas - Península de Setúbal Norte, e da banda musical Fast Eddie and The Riverside Monkeys composta, quase totalmente,

por ex-alunos da escola que animaram os finalistas e as famílias durante parte da noite.

Associação de estudantes Não é apenas um ritual apesar de se repetir todos os anos: para muitos alunos é a primeira campanha eleitoral e a primeira eleição em que participam, iniciando assim a sua participação cívica. Infelizmente, os vícios dos adultos parecem espalhar-se já entre os mais novos e registou-se também nestas eleições uma elevada abstenção. Contudo, originais como sempre, os alunos dos Casquilhos conseguiram algo de inédito: dar às duas listas (L e M) exatamente o mesmo número de votos (88 para cada lista). Assim, só a 30 de novembro, na segunda volta, ficou decidida a vitória da lista L que reuniu 116 votos contra os 91 da lista opositora. O presidente da direção passou a ser o Déulio Matoso, do 11º C. Uma das primeiras medidas já implementadas foi a construção do blog da associação de estudantes que pode ser consultado em aeesc-casquilhos.webnode.pt

Déulio Matoso


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Editorial (continuação da página 3) já no próximo ano, de alguns dos atuais professores, os ordenados vão ser reduzidos para valores ainda incertos, as verbas para a escola (que já mal chegavam para as despesas correntes) vão ser reduzidas enquanto a eletricidade, a água e as comunicações vão sofrer aumentos muito significativos, as exigências do Ministério da Educação são cada vez maiores mas os recursos são cada vez

Voltas à cabeça fornecido por Mária Correia

brutais que sofremos não vão resolver nada. 2. As iniciativas que ocorreram neste 1º período na escola diminuiram significativamente. Sinal dos tempos? A energia dos que as organizavam está-se a esgotar? 3. Já que não vale a pena desejar um ano mais próspero, esperemos conseguir manter a nossa sanidade, física e mental. São os objetivos mínimos possíveis para 2011. „

Sudoku

fornecido por Mestre Coelho

No Sudoku* é preciso preencher os espaços em branco de forma a que cada um dos quadrados possua os 9 algarismos (de 1 a 9) apenas uma vez. Depois de preenchidos, cada linha, vertical ou horizontal, também terá os mesmos 9 algarismos, sem repetições. Grau de dificuldade: difícil. * Abreviatura da expressão japonesa suuji wa dokushin ni kagiru que significa os dígitos devem permanecer únicos.

Desenho do artista gráfico brasileiro Guilherme Jotapê Rodrigues [http:// verborragiagrafica.blogspot.com/] usado pelo ESCrito com autorização do autor

Fomos buscar os velhinhos lápis de cor para brincar às contas. O problema é que alguém resolveu passar pelo quarto e alterou a posição de vários lápis, ficando como se vê nas figuras. Claro que nós vimos logo o que tinha acontecido mas resolvemos dar hoje a volta à vossa cabeça com estes problemas. No primeiro caso, basta mudar de posição 1 lápis a 2x3=9 para que se transforme numa igualdade verdadeira. Impossível? Claro que não. No segundo caso (8+2=5) é preciso mudar 3 lápis para obtermos uma igualdade verdadeira. Não acreditas? Olha que é verdade! E já agora: qual é o número mínimo de lápis necessários para representar qualquer dígito? E o algarismo que necessita de mais lápis? „

menos, os funcionários são insuficientes, os professores vão ser de novo avaliados sem que se antevejam benefícios de tal acto... Como se não bastasse, até a grafia de diversas palavras vai mudar já em setembro. Entretanto, as notícias de desorganização ou esbanjamento, aliadas ao sentimento de inutilidade e descrença na Justiça, criam a ideia de que as medidas

Soluções na página 4 O nosso jornal é reproduzido em fotocopiadoras Nashuatec fornecidas pela empresa Beltrão Coelho


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