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Maha Yoga O Caminho da Não Dualidade Dedico este livro aos Mestres da Verdade Suprema, aos discípulos e a todos os seres do Universo. Os ensinamentos nele contidos são a revelação da Verdade Absoluta para despertar a Perfeita Felicidade naqueles que procuram a conscientização do divino. Aqueles que sentirem e viverem estes supremos ensinamentos terão os corações limpos e puros. Terão abandonados os prazeres mundanos e estabelecido a união consciente com o Divino Ser Universal. Autocontrolando-se e procurando a libertação, deleitar-seão no néctar da Verdade Suprema que revela o Eterno. Aqueles que andam pelos desertos do mundo, sedentos, cansados, oprimidos e esgotados pelos ciclos dolorosos de renascimentos e mortes alcançarão a paz infinita do Divino Ser. Estes ensinamentos que provêm do Supremo Ser Universal conduzem à autoconscientização. SMKS

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ÍNDICE

FALSOS VALORES .................................................................. 09 APEGOS ..................................................................................... 20 MAHA YOGA, O CAMINHO DA NÃO DUALIDADE .......... 24 O MESTRE ................................................................................. 35 ENSINAMENTOS UNIVERSAIS ........................................... 40 RAMANASHRAM .................................................................... 65

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O Mestre SRI MAHA KRISHNA SWAMI nasceu na Índia e desde muito pequeno teve como único interesse a auto pesquisa: descobrir, ampliar e se estender até o Ser Universal. Foi levado à presença de BHAGAVAN SRI RAMANA e dele recebeu a Sagrada Iniciação. Durante o período em que permaneceu com Ramana, Sri Maha Krishna Swami absorveu tudo da Força Silenciosa que esse Sad Guru lhe transmitia através da Sagrada Upadesa. Aprendeu como controlar a mente e, como consequência, controlar o corpo e os sentidos. Através da prática da meditação profunda tomou consciência do Ser Universal, que é a própria essência do homem. Passados alguns anos surgiu a necessidade de viajar para o Ocidente, e Bhagavan Sri Ramana disse-lhe: “No Ocidente ensinará o Caminho Direto da autoconscientização espiritual a todos”. Após viajar por vários países, Sri Maha Krishna Swami fundou no Brasil o BHAGAVAN SRI RAMANASHRAM. A MAHA YOGA foi codificada para que ela pudesse ser revelada a todos, de acordo com a preparação psicológica, mental e espiritual de cada um. Ela é a união consciente com o Divino Ser e com todas as coisas da manifestação. Seu objetivo é a autoconscientização espiritual. A Maha Yoga é uma prática essencialmente espiritual. Ela não é um paliativo para os problemas da vida. Vai à raiz do mal e procura remover suas causas. Pode ser praticada por todos, independente de condições e circunstâncias e está à disposição de todos aqueles que querem viver o estado natural de ser.

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SUTRA MAHA DEVI é a Mãe no Bhagavan Sri Ramanashram. Dedica-se desde muito jovem ao trabalho de divulgação dos sagrados ensinamentos da Maha Yoga. Recebeu a UPADESA (iniciação silenciosa) de Bhagavan Sri Ramana e tornou-se consciente de sua missão junto aos Mestres da Maha Yoga. Sua tarefa no Bhagavan Sri Ramanashram é zelar pelo bom funcionamento do trabalho em todos os seus aspectos, desde os mínimos detalhes práticos até as mais elevadas técnicas de autoconscientização espiritual. Ao lado do Mestre, transmite, diária e incessantemente, os ensinamentos da mais pura espiritualidade, tanto nos afazeres do dia-a-dia quanto em ocasiões específicas. Ensina de maneira clara e simples, porém bastante incisiva, a Verdade de todos os Mestres, sua aplicação diária, a vigilância constante que se deve ter, alerta sobre as artimanhas do ego, que vai pouco a pouco infiltrando-se, muitas vezes mascarado de espiritual, de humilde. Os ensinamentos de “MÃE SUTRA”, como é chamada pelos adeptos, têm uma característica inconfundível: são diretos, sem atenuantes, atingem seu objetivo de forma precisa, sem permitir apelações. Cabe a ela a tarefa de revelar a cada um onde está a dificuldade, o ponto fraco, puxá-lo para fora, torná-lo visível, para que possa, assim, ser elaborado, transcendido.

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FALSOS CONCEITOS A fonte de toda tristeza, lamentação e sofrimento é encontrada na má informação que os homens têm sobre a verdade de ser. Assim, criam discriminações, estão sempre formulando pensamentos errados, emitindo falsas opiniões. Consequentemente eles se afundam cada vez mais no mar das ilusões. Enquanto o Ser Supremo está aparentemente oculto pela inconsciência espiritual, o poder da ilusão causa muitos problemas a quem se deixa envolver por ela. Estando o homem apegado à ilusão, a sua identificação com o irreal é a semente que produz inúmeras insatisfações. Por isso ele deve exterminá-la com a prática da sagrada meditação e devoção para que tudo seja visto claramente. Assim será desfeito o tenebroso labirinto dos dogmas, permitindo que o amor supremo nele resplandeça cada vez mais. Muitos passam grande parte de suas vidas imaginando como será o futuro que nunca chega e recordando o passado que nunca existiu. Falam de verdades que eles mesmos não vivem e nem respeitam quem as segue. Outros matam e morrem em defesa de verdades que nada têm a ver com a Verdade dos Mestres. Gostam de ser notados pelos homens, mas de seus conhecimentos pouco ou nada se aproveita no caminho do autoconhecimento. E insensato é aquele que se ocupas de coisas que não conduzem à autolibertação. E assim se autoenganam, preparando para si mesmos maus dias no planeta Terra. É mais sábio quem vive no estado natural de meditação que o grande filósofo preocupado com teorias intelectuais totalmente inúteis ao conhecimento de si mesmo.

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O saber pode ser dividido em dois aspectos: o aprender e o conhecer. O aprender vem da razão. Mas há um conhecer-sentido que não pode ser explicado pelas pessoas chamadas instruídas. Estas possuem uma mente muito analítica, e o intelecto desenvolvido não lhes permite ter uma ideia exata das coisas da grande manifestação. Não lhes permite sentir, conhecer ou ver a Verdade, pois cada um tem opinião diferente sobre determinado assunto. Sempre foi assim a respeito do conhecimento exterior, mas em relação ao conhecimento central e essencial, nunca houve e nunca haverá diferença ou desarmonia. Todo homem tem desejo natural de saber, mas verdadeiramente sábio é aquele que renuncia a esse impulso, porque nele há muita distração e ilusão. O autoconhecimento é o caminho para se chegar à perfeição. Muitos estudam para saber e não para bem viver, e por isso erram. Seria muito mais proveitoso se empregassem tanta diligência em aniquilar os vícios e implantar virtudes. Chegará um dia em que não nos será perguntado o que sabemos, mas o quanto estamos conscientes da verdade de ser. O homem deve pôr fim à construção de imagens mentais, que é a causa de todo mal, pois delas surge a ação, e da ação resultam novas imagens mentais. Se em todos os lugares, de todas as maneiras e em todas as coisas o homem fixar seu olhar somente no Eterno, livrar-se-á das imaginações e das ações. Na medida em que a mente pensante se submete ao Ser, o homem livra-se das atrações exteriores. Quando ele se liberta completamente dos desejos, surge a conscientização da Verdade Suprema. Qualquer movimento do corpo é percebido e discriminado pela mente. Ela discrimina as imaginárias diferenças criadas pela cobiça e outras disposições do ego. A mente está sujeita às causas e condições, é vazia de toda substância e está em constante mudança. Desde que os homens acreditam que eles são a mente, a 9


ilusão passa a ser parte integrante das causas e condições que produzem o sofrimento. Os sentimentos temporários do bem e do mal, do amor e do ódio, que foram criados pelo ambiente e pelas mutáveis condições externas, são apenas reações momentâneas que têm sua causa nos erros acumulados pela mente e que abriga os desejos e as paixões mundanas. De todos os perigos que podem afastar a pessoa do caminho do autoconhecimento, os pensamentos são os piores, pois eles compõem a mente usurpadora. É necessário cuidar para que nenhum pensamento possa nos afastar do sagrado objetivo. Nada que nos impede sentir a essência divina vale a pena. Nada pode ser mais forte que nossa determinação de seguir sempre em frente no caminho direto da autoconscientização. A mente é um aglomerado de pensamentos que não permite ao homem sentir a sua unidade com o divino. Ela é a causa de ligações e consequentes sofrimentos. Primeiro cria no homem o apego ao seu corpo e a outros objetos dos sentidos, sejam eles densos ou sutis; depois produz continuamente as diferentes atividades, qualidades, meios e resultados. Quando em atividade, conduz o homem aos apegos e, quando purificada, leva-o à libertação. Por isso ela é a única causa de ligação ou libertação do homem. A realidade do Ser é extremamente sutil e não pode ser percebida pela mente pensante. Fazendo de seus atos um campo de satisfações, nutrindo a mente pelas discriminações, fertilizando-a com os desejos, os homens acrescentam em si mesmos o conceito do mal, e com isso carregam consigo mais este fardo de ilusão. Na realidade o ego nada mais é do que o produto da própria mente, assim como o são a tristeza, a angústia, a lamentação, o sofrimento e a agonia. Tudo 10


isso provém da inconsciência espiritual. Dessa forma, aquele que medita e devociona sabe que tudo o que reside no ego e na mente pensante nada tem de divino. Portanto, não tema a dor. Antes, renuncie a ela. Quando a mente não é dominada pelo poder da meditação iniciática, ela é moldada pelos desejos que surgem das circunstâncias peculiares a cada pessoa. Essa mente não é a verdadeira essência do homem: é algo que lhe foi acrescentado, como um intruso ou mesmo um hóspede numa casa. A Lua é, muitas vezes, escondida pelas nuvens, mas por elas não é movida e sua pureza permanece inturvável. Não se deve, portanto, estar iludido com o pensamento de que a mente pensante faz parte da natureza essencial do ser humano. Quem se deixa dominar pela mente pensante fica preso por suas ilusões. O dia e a noite obedecem a um determinado ciclo. Por isso podemos dizer que a luz se vai com a ausência do Sol e que a escuridão vem com a noite. Mas o mesmo não se pode dizer da mente que percebe as mudanças entre claridade e escuridão, de acordo com o nascer e o pôr do Sol. Ela tem diferentes sentimentos, de momento a momento, com as mutáveis circunstâncias da vida. Apenas o Ser Supremo é que permanece imutável diante dos acontecimentos. A mente pensante produz tudo o que é falso. Ela obriga o homem a temores, lembranças e lamentações, não só do passado, como também do presente e do futuro. Assim como o carro segue o boi que o puxa, o sofrimento segue aquele que insiste em envolver-se com a mente pensante. Ela leva o homem a cambalear em uma áspera e íngreme estrada, onde há muitas quedas. Quem se deixa dominar pela mente vive de maneira desnorteada. 11


Pensar sobre os objetos externos somente intensifica as tendências egoísta. Conhecendo isso, o homem deve evitar o demasiado pensar. Com a mente, o corpo e os sentidos acalmados, ele toma consciência de sua própria essência divina. Ainda que seja inteligente, culto, hábil, penetrante no estudo de si mesmo, plenamente bem informado, um homem não poderá ser verdadeiramente sábio se estiver envolvido no poder da obscuridade que provém da mente pensante, pois ele estará vendo como real aquilo que foi forjado pela ilusão e se apoia em qualidades criadas por essa ilusão. Quando a mente pensante for dominada pelo poder da meditação, o Ser Supremo se tornará evidente. A mente pensante deve ser acalmada e controlada para que emerja o estado natural de meditação. Quando o homem apercebese dessa possibilidade, é como se ele renascesse. Esse é o momento genuíno do despertar para a verdadeira vida. Quando o homem não se dedica às práticas espirituais, ou seja, à meditação e devoção, ele nunca põe fim ao terrível ciclo de nascimentos e mortes, e dessa forma expõe-se constantemente ao mundo inseguro do ego profano e da mente pensante, o qual é composto pelo turbilhão de prazer, glória, miséria, cobiça, inveja, ambição, vaidade, melancolia, riqueza, pobreza, ódio... Enquanto essas tendências egoístas não forem eliminadas, só resta ao homem envolver-se cada vez mais com o sofrimento. O conceito de ego é algo criado pela mente, mas que deve ser abandonado quando se está seguindo o caminho da autolibertação. O apego ao ego conduz os homens às ilusões e aos seus consequentes sofrimentos.

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Enquanto houver a mais leve percepção da individualidade é preciso entregar-se sinceramente às práticas espirituais ensinadas pelo Mestre, sem dar a mínima oportunidade a preocupações com assuntos mundanos. O homem não deve identificar-se com nomes e formas, porque tudo isso pertence ao ego escravizante. Luxúria, inveja, ira, avareza, rancor são qualidades do ego profano. Aqueles que expressam essas tendências são dominados pelas paixões e por isso não se desapegam facilmente dos sofrimentos. Não conseguem sentir ou compreender a natureza do Ser Absoluto. O que é uma ilusória projeção, eles consideram como real e confundem-se com seus efeitos. Quem assim percebe o mundo e a si mesmo, alimenta dúvida, e o poder dessa projeção causa-lhes inquietantes sofrimentos. A força das ações passadas alimenta a personalidade. Por isso, é preciso apoiar-se na autoconfiança e pôr fim à sensação do ego, rejeitando tudo aquilo que não é eterno. A verdadeira essência do homem é o Ser Universal e não o ego, que é formado pelo jogo das aparências enganadoras. Renunciando às ações do ego, o homem permanece no silêncio, em busca da bemaventurança, livre do sentimento de separatividade. Mesmo quando o ego for destruído, se ele for evocado um só momento pela imaginação, voltará à vida e causará perturbações. Por isso não se deve nunca permitir que a imaginação do ego permaneça nas coisas dos sentidos. Somente pondo fim à mente pensante, ao ego profano e às muitas formas por eles criadas, poderá o homem alcançar a libertação. Deve rejeitar completamente a ideia que origina o desejo de recompensa, a qual impede sentir a Verdade. A mente e o ego impõem ao homem a interminável aflição da decadência e da dor. 13


No esforço de conscientizar-se do Ser Supremo, o homem deve rejeitar a ilusão do corpo, o qual é apenas um instrumento de autoconscientização. É preciso abandonar, portanto, a atribuição do ego a essa forma de carne, porque o ego é apenas um pensamento. É necessário despojar-se da autoidentificação com a raça, clã, nome, forma e posição social que estão ligados à decadente investidura física. Até que um homem não renuncie à identificação com o corpo, com a mente e com os sentidos, não há possibilidade de autoconscientização para ele, mesmo que seja muito versado nas escrituras sagradas. Os homens praticam o ritual funesto de nascer e morrer porque estão apegados ao sofrimento, apegados ao nascimento e à morte. É preciso sentir que tudo isso é ilusório, pois só existe a Verdade Suprema, a verdade de ser. E a única razão de se estar no físico é para que tomemos consciência do divino que somos. Aquele que se negar como ser divino, nega a si mesmo e está apegado ao sofrimento. As características do corpo são o nascimento e a morte. Suas condições são infância, juventude e velhice. Há várias restrições a respeito da posição social e está sujeito a enfermidades. Também recebe diferentes tratos como adoração, insultos, honrarias. Sente-se alegre quando são agradáveis os objetos dos sentidos e triste quando são desagradáveis. Por isso, alegria e tristeza são características do ego profano. Quando ele for destruído pelas constantes práticas da meditação e da devoção ensinadas pelo Mestre, o Ser Supremo manifestar-se-á por si só, pois ele é a própria essência do homem. Aquele que se livra dos desejos do ego está preparado para tornar-se consciente da Verdade Absoluta. O corpo é formado de alimentos, existe pelo alimento, vive pelo alimento, perece sem o alimento. É composto de água, 14


sangue, ossos, músculos, pele. É estranho que alguém, mesmo sabendo que seu corpo lhe pertence, pois é apenas um veículo de autoconscientização, age como escravo dele. O Ser é a Consciência Suprema, o corpo é limitação. O Ser é iluminador, o corpo é opaco e denso. O Ser é eterno, o corpo é transitório, porque em sua essência é inexistente. O corpo, a mente, os sentidos, a personalidade, todos são atributos do ego. Aquele que se identifica com o corpo, pensando que o efêmero é real, fica preso pelo poder dos sentidos, porque é na falta de discernimento que se origina a ilusão. Estando apegado ao corpo, o homem entrega-se à alegria ou à tristeza, proporcionadas pelos objetos dos sentidos. Muitos afirmam que manter-se numa disciplina espiritual é fanatismo. Porém, essas pessoas dedicam muito tempo ao cuidado do seu próprio corpo. Imaginam ser isso útil, importante. Outros mantêm hábitos estranhos de alimentação, acreditando que com isso manter-se-ão esbeltos e livres de doenças. É preciso sempre buscar o equilíbrio nas ações. Quem se ocupa somente em alimentar o corpo, esquecendo que este é apenas um instrumento de autoconscientização, não se esforça para libertar-se da ignorância espiritual. Pensa no corpo como: “Isto sou eu”. Mas aquele que se conscientiza do Ser Supremo percebe a sua unidade com esse Ser, a afirma: “Sou o Ser Eterno”. O pensamento de que o corpo é o Ser é a semente da qual brotam o nascimento, a dor e a morte. Aquele que vive no estado natural de meditação não vê diferença entre si mesmo e o Ser Supremo.

Sri Ganesha e Dhanya Laskami -> 15


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O corpo físico é apenas uma morada que pode ser utilizada para a emancipação espiritual ou para a perdição. Tudo depende dos apegos de cada um. Apenas quem medita e devociona pode viver no estado natural do Ser Supremo. Dessa forma ele não será atingido pelo mal do mundo profano. Os que são apegados às coisas do mundo, serão arruinados pelas suas próprias ações. Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir. Portanto, é necessário desapegar-se das coisas visíveis. Toda vez que o homem deseja algo, torna-se inquieto. Se não há consciência do divino, a vida física nunca terá repouso, por mais que se pratique uma quantidade enorme de atividades benéficas e de ações caridosas. Enquanto forem sentidos o prazer e a dor, as antigas obras estarão ainda produzindo seus efeitos. Pelo pleno discernimento são dissolvidas as obras acumuladas e o homem livra-se de se prender a obras futuras. Há muitas cadeias que prendem o homem e que são a causa dos repetidos nascimentos e mortes, mas na raiz de todas elas está o ego usurpador da realidade divina. Ele faz o homem acreditar que deve sofrer para ser feliz. Essa identificação do homem com o ego é a causa da ignorância espiritual. É o fato de ele confundir sua essência, o Ser, com o ego. Por essa ignorância, o homem considera como real o corpo transitório e, identificando-se com ele, preserva-o com objetos agradáveis e, assim, torna-se prisioneiro dele. Quem está dominado por essa ignorância está sempre em confusão porque tenta viver através das coisas ilusórias. A personalidade sujeita ao desejo forma-se pela identificação com o corpo, e essa é a causa da escravidão ao mundo. Jamais o homem deve confundir sua essência, que é divina, com o corpo físico, o qual é constituído por um agregado de elementos transitórios. Embora alguém seja muito rico e poderoso, 17


não pode evitar a decrepitude do corpo físico nem a velhice. A sua fortuna e desejos nada podem fazer para evitá-las. Ninguém pode evitar a velhice, quando se está envelhecendo; evitar a doença, quando o corpo está predisposto à enfermidade; negar a dissolução do corpo; negar a extinção, quando tudo deve extinguir-se. Deve-se vencer a ilusão do ego profano, do corpo físico, da mente pensante, dos sentidos. O corpo, por exemplo, é algo que nasce e apodrece ainda em vida se não cuidarmos dele. Pode ficar cego, surdo, ter enfermidades e deformações. Ele não é nada além de músculos, sangue, vísceras, ossos, e há muitos maus pensamentos, muitos desejos ligados a ele. Somente com a meditação e a devoção é possível cortar em nós a vibração dos apegos, de posses, de prazeres de todos os tipos, que atualmente a humanidade experimenta em grande escala e afirma que é evolução, emancipação, liberdade. Mas se isso fosse algo positivo para os homens, não seria necessário virem Mestres ensinar sobre como libertar-se de tudo isso. A Yoga física trata inteiramente do corpo físico. Ensina métodos pelos quais podem purificar os diferentes sistemas do corpo e melhorar a saúde. Ensina também como conquistar vários poderes das energias vitais dos músculos, órgãos e nervos do corpo. Um hata-yogue, por exemplo, pode possuir vários poderes, como a levitação. Mas tudo isso são meras manifestações físicas, carecendo da Verdade Suprema que conduz o homem à perfeição e que é o verdadeiro objetivo da Yoga. O ignorante identifica-se com o corpo, mas aquele que medita, que transcende o corpo, conhece o Divino Ser, independente de seu corpo. Identificandose com o Ser, o homem alcança a paz.

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APEGOS

Quando o homem se preocupa apenas com os lucros de seus negócios, seu coração se esfria, endurece. Ganhando muito, alegra-se. Perdendo mesmo que pouco, entristece-se. É preciso viver evitando a más ações e nunca apegar-se a nada, seja o que for. Apegar-se a uma coisa por causa de sua forma é envolverse com a fonte das ilusões. Se não houver apego à forma, esta imaginação não ocorrerá. Desapego é firmeza em se abandonar interiormente os prazeres, que começam com o primeiro pensamento “eu sou o corpo”. O apego sempre traz sofrimentos e, por reconhecer essa desvantagem, o sábio procura desapegar-se dos frutos das ações. O desapego é perfeito quando os objetos dos sentidos não mais despertarem desejos. A perfeição do conhecimento é a ausência total dos impulsos egoístas, e é alcançada quando não mais aparecem a funções mentais negativas. Somente aquele que é extremamente desapegado alcança o estado do supremo conhecimento. O mundo manifestado deve ser usado como instrumento de autoconscientização. Jamais se deve apegar a ele. É preciso libertar-se do sentimento de dualidade e viver na essência divina. Mesmo vivendo numa época materialista é preciso identificar-se com o Ser-Sem-Forma. 19


Muitos se apegam às posses materiais, às pessoas, à natureza, ao divino, à ideia de céu, de inferno, de nirvana, de samadhi. Qualquer apego, por mínimo que seja, prende o homem ao mundo da dualidade, impedindo-o de viver a autolibertação. Quem se livra deles, vive de acordo com a Verdade Suprema. Realiza todas as tarefas naturalmente e é capaz de perceber que a única realidade é o Ser Supremo e que tudo o mais é mera ilusão temporária. Não há conscientização do divino para quem está apegado a qualquer aspecto da manifestação. O método de desapegar-se é sentir-se um com o Ser Supremo. Disso resulta o afastamento de qualquer ilusão, o que leva o homem à experiência direta com a Verdade Absoluta. Custoso é deixar os costumes para quem está apegado a eles. Mais custoso ainda é contrariar a vontade do ego e da mente. Aquele que ainda está propenso à sensualidade, por exemplo, só a muito custo poderá desapegar-se dos desejos. Daí a sua frequente tristeza e fácil irritabilidade. Se a pessoa alcança o que deseja, sente logo o remorso da consciência porque obedeceu à paixão. Mas isso de nada vale para se viver em paz. A verdadeira paz é encontrada quando se desapega das paixões. Se não se vencem obstáculos pequenos e leves, será muito difícil triunfar nos maiores. O mundo aparece igualmente ante o sábio e o ignorante. O sábio considera o mundo como irreal e permanece indiferente diante de suas atrações; mas quem julga o mundo real é arrastado por suas atrações. A virtude do desapego nasce do perfeito discernimento.

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Para evitar ser apanhado pela corrente dos desejos, deve-se aprender, desde o princĂ­pio, a nĂŁo se apegar a nada. NĂŁo se deve

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apegar nem à existência nem à não-existência, nem a qualquer coisa interior ou exterior, nem ao certo, nem ao errado. A vida de ilusão começa a partir do momento em que houver apego às coisas. Quem segue o caminho do autoconhecimento não deve nutrir tristes recordações daquilo que passou, nem apegar-se àquilo que o futuro lhe traria de bom. Deve, isto sim, viver em paz no momento presente e aceitar tudo de bom grado. Os homens, porque nutrem a ideia de um ego, apegam-se à ideia de posse, mas, como não há um “eu”, não pode haver um “meu”. Se puderem compreender esta verdade, poderão, então, compreender a verdade da não-dualidade.

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MAHA VOGA - O CAMINHO DA NÃO-DUALIDADE Os Mestres da Grande União Universal estabelecem um método simples que procura despertar a consciência do divino no homem. Se esse método for seguido sincera e cuidadosamente, serão liberadas energias e potencialidades que o homem jamais suspeitou existirem nele mesmo, e lhe darão como fruto o despertar do amor eterno a ponto de poder viver em plena harmonia com tudo e com todos. Empenhando-se energicamente nas práticas espirituais, em pouco tempo a pessoa terá domínio poderoso 'sobre a mente pensante, o corpo denso e os sentidos; tornar-se-á mais calma e as pequenas contrariedades da vida não mais a afligirão ou irritarão; permanecerá mais equilibrada e será capaz de transmutar as suas emoções. Dessa forma poderá exercer as mais elevadas técnicas espirituais e conscientizar-se de sua unidade com o Cristo Universal. O caminho direto da autoconscientização ensinado pelos Mestres da Grande União inicia-se com alguns conhecimentos práticos para que, gradualmente, o homem possa desenvolver a capacidade de expressar toda a sabedoria espiritual. Não há moral estrita que um Mestre da Grande União imponha a uma pessoa, pois esse trabalho pertence às religiões de todo o mundo e pertence à moral externa. Mas a essência da moral é praticada por aqueles que estão seguindo o caminho da autoconscientização. Seus princípios são: - evitar ofender os sentimentos dos outros. 23


- evitar que a própria pessoa se deixe afetar pelas influências constantemente destoantes que são encontradas na vida. - manter o equilíbrio em todas as diferentes situações que tentam perturbar o estado tranquilo, de paz. - amar incessantemente a todos que merecem amor e dar aos outros, que não merecem seu perdão, em nome do Cristo Universal. - desligar-se do meio da multidão. Desligar-se significa elevar-se acima dos laços que prendem o homem ao mundo profano e o retardam na sua viagem para o estado natural de ser. Embora na aparência muitos mostrem alguma inclinação espiritual, somente os equilibrados são capazes de experimentar a vida interior tão plenamente quanto a vida exterior, sentir a felicidade tanto quanto o êxtase, repousar tão bem quanto agir. O centro da vida é o ritmo e o ritmo causa o equilíbrio. Quem mantém o equilíbrio é dono de si mesmo. Aquele que se propõe trilhar o caminho da autoconscientização deve verificar se ainda deseja algo do mundo material. Todo desejo, toda ambição na vida devem ser satisfeitos ou desfeitos. Se houver algum remorso ou arrependimento, algum rancor contra alguém ou alguma queixa contra qualquer pessoa que o tenha prejudicado, tornar-se-ão carga muito perigosa no caminho da divina conscientização. Nessa situação ainda não entrará no caminho nem alcançará o objetivo supremo, pois a carga que carrega o empurrará para trás. A jornada é bastante difícil se se tentar carregar o' peso do desgosto, da insatisfação, da frustração, do desconforto. Quando o homem deixa de seguir os caminhos do mundo, de satisfazer as vontades do corpo, da mente ou dos sentidos, a sabedoria suprema nasce nele. Aquele que está no caminho do autoconhecimento deve evitar os extremos e permanecer no centro, isto é, no estado 24


natural de ser. Deve evitar o extremo da indulgência para com os desejos do corpo, e o "extremo oposto que o leva a renunciar a esta vida”, isto é, praticar a disciplina ascética e torturar-se sem razão alguma. O caminho do meio ensinado pelo Mestre conduz o homem à sabedoria, à paz, ao equilíbrio perfeito. Cinco fatores são necessários para se viver no estado natural de meditação. Eles constituem o começo da jornada espiritual: 1º dominar de forma integral a mente pensante. 2º confiar totalmente no Mestre e seguir seus ensinamentos. 3º receber o conhecimento espiritual e desaprender o que já se tem aprendido nessa área, pois não' se pode conciliar o que se recebe nesse caminho com as ideias que se tinham anteriormente, já que não produziram no homem o autoconhecimento. 4º ponderar sobre que benefícios esse conhecimento trouxe a si mesmo e aos outros, e como torná-lo prático na vida. 5º conscientizar-se do Ser Supremo meditando e devocionando. r Ao controlar a mente pensante, o homem desenvolve o amor universal e, como consequência, transforma e purifica sua vida. Se ele tiver plena confiança no Mestre, se desaprender toda falsa teoria a respeito da verdade de ser, se receber o real ensinamento, a meditação iniciática e a devoção param bhakti é o caminho. O passo seguinte é conceber a ideia de meditação em todas as ocasiões do dia, e assim, essa meditação continua se processando de maneira automática. A pessoa, então, atinge a meditação correta, natural. A meditação não é apenas um exercício a ser praticado. Nela o homem recebe uma carga de nova luz e vigor interior. Se uma pessoa senta-se e fecha os olhos sem nada fazer ou sem ser instruída pelo Mestre em como meditar, é o mesmo 25


que dormir, isto é, continuará sempre inconsciente da verdade de ser. As teorias intelectuais e as indagações mentais não são importantes. A meditação é o principal. Este é o verdadeiro treino que levará automaticamente o homem à conscientização espiritual. Para a jornada espiritual necessitamos de um veículo, o qual é a atitude silenciosa, a meditação iniciática. Este veículo possui duas rodas e constitui o equilíbrio da cabeça e do coração; o equilíbrio do poder sutil, do sentir e do saber; o equilíbrio da atividade e do repouso. Aquele que mostra falta de equilíbrio não pode progredir muito no caminho da autoconscientização. Também nessa viagem necessitamos de provisões. As provisões são a "Luz, a Vida e a Verdade", a tendência ao silêncio, pois o silêncio é o idioma da espiritualidade. A autoconscientização é uma jornada que antes de ser empreendida exige uma certa preparação. Se não estivermos devidamente preparados corremos o risco de ter que voltar depois de já termos vencido uma certa distância. Discernindo entre o real e o irreal e determinando a verdade pelo conhecimento supremo, o homem se liberta dos obstáculos que impedem a autolibertação. Se a pessoa não se dá ao trabalho de identificar-se com a verdade de ser e ainda insiste na especulação mental-intelectual, a recomendação é prosseguir com tais especulações até sentir-se satisfeita ou cansada delas, pois ninguém deve correr atrás do alimento se não sente fome. Muitos, descuidados da tarefa de conhecerem-se a si mesmos, perdem-se em estudos inúteis. Dão especial importância à especulação mental e intelectual. Sentem o maior prazer em explorar montanhas imensas, ruínas e túmulos em busca de mistérios sem olhar para a realidade divina em si mesmos. Ao se falar de qualquer mistério exterior, terão prazer imediato em 26


explorá-lo; porém, ao se pedir que olhem para si mesmos, que procurem os verdadeiros tesouros em si mesmos, criam milhões de desculpas e dificuldades. Levantam complexidades porque sua própria inteligência é complexa em todos os seus aspectos. Não gostam do caminho direto. Apreciam o caminho tortuoso, repleto de mistérios e dificuldades. Inútil é o estudo dos livros sagrados se a Verdade Suprema não é sentida, pois a libertação não é obtida pela simples alusão ao Eterno, mas sim pela experiência direta dele. Sem se conhecer a realidade do Ser, nenhuma libertação pode ser obtida por meras palavras. Os textos religiosos ou qualquer classe de erudição trazem um pouco de alegria ao instruído, mas isso não serve em absoluto para a autolibertação. A conscientização do divino deve ser procurada com sinceridade, sob a orientação do Mestre. A estruturação da filosofia ou ciência espiritual ou qualquer outro nome que se queira dar, cria ramificações que conduzem as pessoas à confusão e à desorientação. Em cada um dos ramos ou caminhos, um certo número de conhecimentos teóricos têm que ser adquiridos e assimilados, geralmente tanto mais tortuosos e indiretos quanto maior for a exigência apresentada. O caminho trazido pela União dos Grandes Mestres é a espada flamejante que corta as raízes da filosofia e rompe, com um golpe certeiro, o emaranhado de teorias que escravizam o homem. De nada serve a sutil especulação sobre questões misteriosas e obscuras. Aquele que se conscientiza do Ser Supremo desembaraça-se de muitas questões, porque dele procede a inteligência absoluta. Sem essa conscientização não há discernimento perfeito. Através do pleno discernimento cessa o Shankaracharya - "O sábio discerne entre o real e o irreal, conscientiza-se do Ser Supremo e conhece a verdadeira paz." 27


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poder que envolve o homem nas coisas ilusórias, segue-se a destruição da falsa percepção e o fim do sofrimento causado pelas distrações que dele se originam. Para se seguir o caminho espiritual não é necessário que a pessoa seja versada nas escrituras sagradas ou que possua qualquer outra qualificação especial. Abrir o coração aos ensinamentos dos Mestres e segui-los é a única condição exigida. Sintonizando-se com o Ser Onipotente o homem começa a ter uma concepção exata da Eterna Consciência do Cosmo e dos fenômenos da onipotência. Todo ser humano pode entrar em sintonia com essa força mas jamais conseguirá, enquanto cultivar diante de si sua pequena e falsa personalidade. Enquanto ele não conseguir libertar-se de tudo que a ela está relacionado, encontrará sempre limitações. E somente por um caminho entra-se em sintonia com esse 'poder, e esse caminho é a atitude silenciosa aplicada pela União dos Grandes Mestres. Quando o discípulo pratica com sinceridade o que o Mestre lhe ensina, começa a perceber como o ego e a mente são uma ilusão. Verifica que toda manifestação é temporária e que cultuando falsos valores prende-se cada vez mais aos ciclos de sofrimentos. Percebe também que cada expressão do ego que é eliminada resulta em crescimento espiritual. A firme convicção de se ter como verdadeira identidade o Ser Universal é adquirida pela constante prática da meditação e da devoção. Meditando e devocionando orientado pelo Mestre, o adepto purifica-se e, dessa forma, ele será livre de todos os resultados das ações passadas. Sua vida passará a ser repleta das virtudes divinas, para que corresponda o interior ao que fora veem os homens; e ainda mais perfeito deve ser no interior do que fora parece. A cada dia renova seu propósito de autolibertação e 29


exercita-se cada vez mais nas práticas espirituais. A medida de sua dedicação será o seu progresso na conscientização da Verdade Suprema. Quanto mais simples de coração for o homem, tanto mais coisas entenderá sem esforço, porque do Ser Supremo ele recebe a luz da inteligência. Não se distrai no meio das múltiplas ocupações porque faz tudo como ato de devoção, sem buscar em coisa alguma o seu próprio interesse. Sabe que nas sagradas escrituras deve buscar a verdade, não a eloquência. Sabe também que tudo o que é manifestado passa, mas que a Verdade permanece eternamente. Para aquele que procura a liberdade, não há outro caminho senão o conhecimento da verdadeira natureza do Ser Supremo. Estando sintonizada com o Ser Supremo a pessoa sente fortaleza, aspiração, entusiasmo, energia e um espírito vivaz que a faz jovem, qualquer que seja a sua idade. Ela é meiga e ansiosa por servir, pronta para rir, feliz entre os seus semelhantes. Mostra em si traços de pureza peculiar às crianças que não possuem aborrecimento algum, ansiedade ou sentimento de amargura contra ninguém. É amistosa para com todos, sem orgulho ou presunção, cultivando a atitude de associar-se a alguém, seja qual for sua classe, casta, nação ou raça. Seu coração é iluminado pela sabedoria. É feliz sobre todas as coisas e sob todas as condições. Não se importa com honras e responde ao insulto com um sorriso. À medida que essa pessoa prossegue mais além do transcendental, começa a mostrar os verdadeiros traços de bondade. Há nela uma tendência para apreciar todo ato bom de alguém, para admirar o bem, para simpatizar, tendência ao respeito, gratidão, paciência, felicidade. Quem se identifica com a Verdade não é enganado pela crença de que a essência divina seja algo separado dele mesmo. 30


Sente-se verdadeiramente em harmonia com todas as formas da criação e não se incomoda com o que é, com o que não é, com o que tem, com o que não tem. Sabe que não há nenhuma sabedoria em apegar-se seja ao que for. Os que se libertam de todo apego, os plenamente controlados, os que se dedicam sinceramente à prática da meditação e da devoção conscientizam-se da verdade de ser. Neles não há distinção entre o conhecedor, o ato de conhecer e o objeto conhecido. Transcendem a mente e as palavras. Demonstram sinais de sabedoria e não se preocupam em recordar o passado, desvendar o futuro e são indiferentes ao presente; contemplam com olhos de igualdade a todos nesse mundo; mantêm-se serenos diante de coisas agradáveis ou desagradáveis; são indiferentes às ideias de "eu" e "meu" e, pelo conhecimento supremo, não veem diferença entre o universo e o Ser, nem entre o Ser e a si mesmos; não têm ligação alguma com as obras que executam, pois se tornaram livres dos conceitos de aceitar ou rechaçar. O grande princípio daquele que se conscientiza do Ser Supremo é vir a ser todas as coisas para todos os homens no transcurso de sua vida. Em todas as situações, em qualquer momento ele responde à solicitação. Age exteriormente conforme a ocasião, de acordo com as circunstâncias e fala a cada um na sua linguagem. Mantém-se no mesmo nível e todavia realiza e amplia a cada dia sua voltagem divina. Não há ocupação na vida que lhe seja demasiado difícil. É diferente de todos os aspectos que o povo sabe dele e vê nele. Tal como o ator que não sente as emoções do personagem que representa, o homem espiritualizado preenche convenientemente o lugar em que a vida o colocou. Desempenha tudo perfeita e corretamente a fim de cumprir sua missão na vida externa. Aquele que vive a, verdade de ser é um enigma para 31


todos. Ninguém sabe o que se passa no íntimo dessa pessoa, exceto que promete e faz sentir sinceridade, emite amor eterno, impõe confiança, espalha bondade e faz sentir o Cristo Universal. Cada ato é sua meditação, porque já sintonizou-se com o divino. Sua meditação tornou-se um estado natural. Somos divinos em essência e toda manifestação tem origem nessa essência divina. Ela é. o eterno e incriado princípio da ação, do qual tudo emana. A vida, a força sustentadora do amor universal, a plenitude da sabedoria, a paz suprema, a felicidade perfeita, têm origem na essência divina. Os homens precisam reconhecer plenamente que tudo depende de eles se abrirem a esse poder infinito. Só assim emergirá nos seres da Terra a consciência de que não há dualidade entre eles e o divino, que todos são um. Quem está decidido a eliminar completamente o sofrimento provocado pela ignorância espiritual dedica-se firmemente à tarefa de meditação e devoção sem perder um momento em divagações, em esquecimentos e em opiniões mundanas. Une-se definitivamente ao Ser Supremo que é sua verdadeira essência e procura entrar para sempre no silêncio que traz a sabedoria universal. Mesmo não possuindo riquezas, está sempre contente; mesmo desamparado, é sempre muito forte; mesmo que atue, é inativo, porque não possui nenhum conceito de dualidade, mesmo que experimente os resultados das ações passadas, é desapegado; mesmo estando em um corpo, não se identifica com ele; mesmo que pareça limitado, é onipresente. Vive sem nenhuma ideia corpórea e jamais se afeta pelo prazer, dor, bem ou mal. Está sempre em plenitude de conhecimento porque é totalmente consciente de sua real natureza.

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O MESTRE

Os homens vivem num mundo de injustiça e falsos padrões, prendendo-se a ciclos imensos de sofrimentos. O Mestre, sabendo dessa tendência humana, procura mostrar-lhes o caminho da libertação. Não ensina somente através de palavras, mas principalmente pelo silêncio e pelo exemplo de sua própria vida. O silêncio é a mais poderosa forma de ensinamento transmitido de Mestre a discípulo. A voz sem som é a intuição pura, é a voz do som espiritual que fala no mais íntimo do Ser Supremo e nos' revela a essência da Verdade Absoluta. O Mestre se manifesta no mundo com um corpo físico e ensina aos homens segundo as suas naturezas particulares, mostrando-lhes o caminho da autolibertação. Porém, não procure reconhecer o Mestre por sua forma e atributos, pois nem a forma nem os atributos são a sua essência. A verdadeira maneira de reconhecer o Mestre é buscar a autoconscientização através de seus sagrados ensinamentos. O Mestre não é o corpo físico, mas sim a essência divina. Portanto, aquele que se apegar ao corpo físico do Mestre e lamentar seu desaparecimento não será capaz de ver e sentir o Mestre. A verdadeira forma do Mestre não aparece nem desaparece. Quem apenas vê o corpo do Mestre não o vê realmente. Somente aquele que pratica sinceramente seus ensinamentos consegue vê-lo. O Mestre não é o corpo físico, ele é a essência divina. O corpo físico perece, mas a essência subsistirá para sempre na Verdade Suprema. 33


A essência do Mestre é a grande compaixão e benevolência. Suas virtudes divinas o levam a ensinar aos homens o caminho da autolibertação para que eles não sejam mais vítimas do sofrimento. Não se deve pensar que a compaixão do Mestre se limita a seus discípulos. Ela é infinita, e existe desde que a humanidade começou a se enredar pelos caminhos da ignorância espiritual. O Mestre é o próprio Ser Eterno, cuja substância é a sabedoria suprema. Sendo assim, ele desperta os homens para a divina conscientização, ensinando-os a afastarem-se das fantasias, alertando-os de que não existe nenhuma diferença entre o Mestre e eles, nem entre eles e o Ser Supremo. Tanto o Mestre quanto o discípulo são divinos em essência. É preciso apenas que se tome consciência dessa unidade. O Sol dissipa a noite sem detrimento ou favoritismo para determinada região. Assim a compaixão do Mestre a todos abarca, encorajando-os a seguir o caminho do bem e a evitar todo o mal. Pleno de compaixão, o Mestre usa de todos os artifícios para emancipar espiritualmente todos aqueles que estão prontos para a emancipação. Como o fogo que, uma vez aceso, não se apaga até que o combustível se esgote, a compaixão do Mestre não vacilará enquanto as ações egoístas dos homens não forem extintas. Raramente um Mestre se manifesta no mundo. Quando isso acontece ele acolhe seus discípulos, rompendo-lhes as malhas da dúvida, eliminando-lhes os engodos dos desejos e destruindo a fonte de todo mal. Quer o Mestre se manifeste ou não, a sua essência permanece sempre a mesma. Conhecendo esse princípio, o 34


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homem deve viver no estado natural de meditação, sem se perturbar com as condições do mundo ou com as flutuações do pensamento humano. O Mestre apenas obedece a intuição pura, o divino, e por isso os homens podem confiar nele. Quando a Lua se põe, costuma-se dizer que ela desaparece; quando ela desponta, diz-se que aparece. Mas na realidade a Lua não aparece nem desaparece. Ela brilha imutavelmente no firmamento. O Mestre é exatamente assim: não aparece nem desaparece; apenas parece fazê-lo para que possa guiar os homens no caminho do autoconhecimento. Costuma-se chamar uma fase da Lua de cheia, a outra, crescente. Mas, na realidade, a Lua é sempre igual, sem minguar nem crescer. De igual forma, aos olhos dos homens, o Mestre pode parecer que muda de aspecto, mas, na realidade, ele é imutável. A Lua aparece em todos os lugares, sobre uma populosa cidade, uma sonolenta aldeia, uma montanha, sobre um rio. Ela é vista nas profundezas de um açude, numa jarra de água, numa gota de orvalho que pende numa extremidade de uma folha. Por mais que o homem caminhe, a Lua o acompanha. Ao homem a Lua parece mudar, mas na realidade ela é imutável. O Mestre, o Ser Supremo, assemelha-se à Lua, seguindo os homens deste mundo com todas as suas variáveis circunstâncias, manifestandose em aspectos vários, mas em sua essência, ele não muda. O Mestre não existe apenas porque os homens pensam que ele exista, nem desaparece porque os homens dele se esquecem. Ele não está sujeito a nenhuma obrigatoriedade de aparecer, quando as pessoas estão felizes e tranquilas, nem é necessário delas se afastar, quando estão descuidadas e indolentes. O Mestre transcende todos os caprichos do pensamento humano. Em sua 36


essência ele atinge a todos os lugares e existe eternamente, quer os homens acreditem ou duvidem da sua existência. Aquele que negligencia os ensinamentos do Mestre é porque nunca realmente o encontrou. Isso significa que está ainda longe do Mestre, mesmo que esteja com ele. Porém, se praticar seus sagrados ensinamentos, então, estará bem próximo do Mestre, ainda que se encontre distante dele.

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ENSINAMENTOS UNIVERSAIS As pessoas querem ser felizes, possuir virtudes divinas, sentir muito amor. Porém elas já são aquilo que tanto almejam, já são divinas em essência. Só é preciso que tomem consciência dessa sua verdadeira identidade e isso só é possível quando se acalma a mente pensante através das técnicas espirituais. É preciso disciplinar em si mesmo a natureza inferior com o objetivo de purificação, removendo toda escória de fraqueza, impureza, complexos e distorções, para poder viver de maneira harmoniosa e submissa à vontade suprema. Deve-se despojar de toda presunção intelectual; livrar-se dos preconceitos, crenças e opiniões que apenas obscurecem o caminho da perfeição e fecham as portas para que a Verdade não entre. Quem cultiva ações egoístas jamais consegue viver no estado natural de meditação, de bem-aventurança, pois permanece preso pelas barreiras erguidas pelo próprio ego. O único meio de alguém libertar-se delas é seguir o caminho indicado pelo Mestre, pois quem atribui ao ego qualquer mérito divino está em erro. Esse erro gera o orgulho, e o orgulho o arrasta para onde há todo tipo de apego, toda escória de mesquinharias e vícios. Feliz aquele que pratica a lei divina e faz dessa lei regra para a sua conduta diária. Quem assim age permanece sempre em harmonia consigo mesmo e com todos os aspectos da sublime manifestação. Jamais imita os hipócritas que andam atrás de elogios com a aparência de modéstia. A autossegurança proporciona a coragem no meio da pobreza e da opulência. Essa virtude divina é adquirida quando se seguem as sagradas leis espirituais. 38


Os sábios videntes, santos, profetas e místicos de todos os tempos, em qualquer parte do mundo, quando alcançaram o domínio do conhecimento, concordaram todos. É por isso que eles chamam a isso de Verdade. É nesse conhecimento que deve ser encontrada a realização do objetivo da vinda do ser humano ao planeta Terra. A humanidade deve compreender que este planeta é uma escola de evolução apenas temporária, e que durante o curto espaço de tempo em que o homem o habita, deve viver na mais alta de suas potencialidades. Quanto mais o homem se identifica com o Ser Supremo, mais poder adquire sobre o ego profano e a mente pensante, e assim terminam as ilusões. É preciso livrar-se delas para poder fortificar cada vez mais a consciência de unidade com o Ser Todo Penetrante. Não se preocupe com as pessoas que se recusam a seguir o caminho da autoconscientização, com aqueles que estão fazendo o mal ou com aqueles que estão fazendo o bem. Elabore seu próprio mundo interno, conscientizando-se da verdade de ser. Semeie a paz e lembre-se de que o que for semeado aqui será colhido em outra parte. Jamais permita que os falsos valores bloqueiem seu caminho rumo à autoconscientização. Não proceda como os hipócritas que se inclinam nos lugares públicos para serem observados pelos homens, mas que oram com o coração repleto de tendências egoístas. Portanto ore, medite, devocione livre de qualquer expressão egoísta. Cuidado com aqueles que se comprazem nos prazeres mundanos, que colocam sua felicidade na posse das riquezas e do mando, que anunciam em voz alta que fazem boas obras e afirmam serem bons religiosos. Cuidado com os que buscam as honras do mundo ao invés de buscarem a essência que neles habita. Cuidado com aqueles que gostam de atar fardos pesados nas costas dos simples e mansos de coração, mas eles não 39


levantam um dedo para ajudá-los. Cuidado com aqueles que só têm doçura nos lábios e ódio no coração, que falam de justiça enquanto fazem transbordar a injustiça em suas ações. Afaste-se daqueles que chamam a si mesmos de sacerdotes de Deus, mas que predicam sua lei sem praticá-la. Esses condenam os vícios dos pobres e guardam em segredo o excesso de escândalo dos ricos; incensam os déspotas e desprezam os simples e puros de coração. Amontoam riquezas às custas do sacrifício da comunidade, Porém a lei suprema prevalecerá na Terra, apesar dos falsos profetas, dos falsos messias, inconscientes da verdade de ser. Não há proveito algum em se discutir, mesmo, que sabiamente os ensinamentos espirituais. É necessário praticá-los. Mesmo que alguém soubesse de cor todas as sentenças dos filósofos, isso em nada contribuiria para sua autoconscientização. É preciso seguir os exemplos dos Grandes Mestres, nos quais brilha a perfeição espiritual. Os homens não devem entorpecer em si mesmos as virtudes divinas, já que conhecem tantos exemplos de perfeição. Evite a mentira e conheça a tranquilidade que advém do cultivo da Verdade. Evite a falsidade e assim poderá viver em paz com os outros. Evite as conversas frívolas e conheça a mútua e harmoniosa compreensão. Evite a avareza e conheça a paz que advém por se estar livre de toda cobiça. 40


Evite a ira e ame a todos os seres, sem exceção. Transcenda a ignorância espiritual e viva na paz suprema. Não alimente vãos desejos de que as coisas mutáveis se tornem imutáveis. Se uma víbora morar em seu quarto, não poderá você ter um sono tranquilo, se, não a expulsar. Livre-se das paixões assim como se livra da víbora. Nunca esteja de todo desocupado, mas leia ou escreva, ou medite, ou devocione ou faça alguma outra coisa de proveito comum. Não tenha esperança nos homens que não se dedicam à tarefa do autoconhecimento, nem confie na sagacidade da ciência. 'Não se apegue à pobreza nem à riqueza, nem se vanglorie dos amigos por serem poderosos. Não se envaideça com a formosura do seu corpo, que com pequena enfermidade se desfigura. Não se orgulhe das suas habilidades e talentos nem se considere melhor nem pior que ninguém. Viva em companhia dos que têm o mesmo objetivo, ou seja, a conscientização da verdade de ser. Tome consciência da essência divina através da meditação iniciática e da devoção que enternece. A dor e o prazer são causa de sofrimento. Sabendo disso, jamais seja conivente com os desejos. Nunca caia em ilusão nem alimente o orgulho e o egoísmo, pois tudo isso termina em sofrimento inevitável. Siga os sagrados ensinamentos e, por consequência, estará livre dos sofrimentos. Aniquile a mente pensante, abandone a cobiça e mantenha o corpo calmo e controlado. Resista à ganância, à ira, pratique todo o bem e evite todo o mal. Dessa forma as suas palavras serão as palavras da verdade de ser. 41


Desapegue-se da corrente constante de pensamentos, não só durante a prática da meditação, mas em toda a sua vida diária. Só a pureza, a verdade e a beleza devem achar lugar em seu coração. Perpetue em si mesmo os sagrados ensinamentos. Não há segurança no mundo material, nas expressões egoístas, nas falsas promessas da mente pensante. Se quiser ajudar seu semelhante, ajude-o a sentir a essência divina. Jamais se desespere por qualquer motivo. Todos os sofrimentos são ilusórios e transitórios. Somente o caminho da meditação e da devoção pode lhe oferecer a possibilidade de viver em harmonia. Refreie as atividades do ego e livre-se da ideia de dualidade, permanecendo em constante identificação com o Divino Ser. Embora a natureza divina seja a essência de todos os homens, ela permanece por longo tempo desconhecida. Essa é a razão por que o sofrimento está sempre presente em suas vidas. Os homens perambulam pelos ciclos de nascimentos e mortes, inconscientes de que em si mesmos encontra-se a possibilidade de autolibertação, que é a tomada de consciência da essência divina. O nascimento, a velhice, a doença e a morte são sofrimentos, assim como o odiar ou lutar para satisfazer os desejos. De fato, a vida que não está livre dos desejos e paixões está sempre envolta em angústia, e o homem perambula 42


interminavelmente no desconcertante labirinto das ilusões da vida. A causa do sofrimento humano encontra-se, sem dúvida, na inconsciência da verdade de ser. É tolice uma pessoa continuar sofrendo simplesmente porque não alcança a "iluminação". A falha reside no fato de querer alcançar aquilo que já somos: divinos em essência. Basta apenas que se torne, pela meditação e devoção, consciente dessa natureza divina. A ideia de se querer atingir a "iluminação" advém do acumulo de ilusões que a mente pensante produz. Assim como há causa para todo sofrimento humano, existe também um meio pelo qual ele pode findar, porque tudo no mundo é o resultado de uma grande confluência de causas e condições; e todas as coisas desaparecem quando estas causas e condições deixam de existir. Sendo o mundo do ego repleto de sofrimentos, dele se pode escapar com o romper dos vínculos das paixões que são a causa única das agonias. A verdadeira vida somente é conhecida através do caminho direto da autoconscientização. Somente os puros de coração conseguem meditar e devocionar profundamente. A meditação é muito difícil para os que insistem em apegar-se àquilo que é ilusório. Para estes, o propósito de autolibertação está encoberto pelos apegos. Muitos se ocupam demasiadamente com suas próprias paixões e cuidados com coisas transitórias. Raramente vencem sequer um vício perfeitamente. Não se decidem em seguir o caminho da perfeição e, assim, sofrem. Basta pequeno contratempo para desalentarem-se completamente e voltarem a procurar consolações nas coisas terrenas. Como avaliam seus 43


aproveitamentos espirituais somente nas observâncias exteriores, sua paz é de pouca duração. O primeiro passo para se livrar dos desejos mundanos é eliminar a mente pensante através da meditação e da devoção e não envolver-se com conversações frívolas. Os homens gostam tanto de falar porque pretendem, com isso, ser consolados uns pelos outros. Sentem prazer em falar e pensar naquilo que muito amam ou em coisas que os contrariam. Muitas vezes é em vão e sem proveito, pois essa consolação exterior é prejudicial à paz interior. Não ter muitas consolações é mais útil e mais seguro para o homem. Se o homem não sente o consolo divino é porque não procura seguir a voz silenciosa do Divino Ser e busca apoio apenas nas consolações externas. O homem pode sentir muita paz se não se, ocupar com fatos alheios. Não pode ficar em paz por muito tempo aquele que se importa com assuntos que não lhe dizem respeito. É preciso renunciar às curiosidades e escolher ações que sirvam para o crescimento espiritual e não simplesmente para distrações. Se o homem se abstiver de conversações supérfluas e passeios ociosos, achará tempo suficiente para se dedicar às práticas espirituais. O descuido no seu cotidiano concorre em muito para o desenfreamento da língua. Portanto, evite as conversas frívolas. É preciso meditar e devocionar para não se viver inutilmente. Bemaventurado aquele que está livre de toda distração e recolhe-se nas práticas espirituais. É preciso, antes de tudo, não se entregar à falsa alegria. Dificilmente o homem está livre de tentações porque nele mesmo está a fonte de onde procedem: a mente e o ego. Mal acaba uma tribulação, outra sobrevém. Sua vida é uma guerra constante para não se deixar influenciar pelas tribulações. Ele sente-se como 44


se tivesse perdido o dom da felicidade perfeita. Procura fugir das dificuldades e encontra outras piores. Não basta a fuga para vencêlas; é pela paciência, verdadeira simplicidade, prolongadas meditações que o homem se torna consciente de sua natureza divina. .Pouco adianta somente se evitarem as ocasiões exteriores, se não se arrancarem as raízes do ego. Aquele que se identifica com coisas ilusórias está em desacordo com os mandamentos universais, e se torna vítima da ilusão. O poder adquirido na vida por esforços exteriores, por maior que pareça no momento, demonstra-se fatal, pois um homem com a intoxicação do poder exterior é contrário ao cultivo das virtudes divinas em si mesmo. Encontra-se na dependência do domínio que não lhe pertence e um dia torna-se vítima do próprio domínio que possui. Enquanto o homem lutar pelo poder, sempre haverá um desapontamento, porque só encontrará a limitação. Um homem sábio ordena primeiro em seu interior as obras exteriores. Nenhuma obra o arrasta aos impulsos de alguma inclinação negativa porque ele a submete ao arbítrio do perfeito discernimento. Não há combate mais digno do que procurar vencer em si mesmo as tendências inferiores. Qualquer coisa que tenta afastar o homem do sagrado caminho espiritual deve ser rechaçada imediatamente. É pela reta ação que o homem segue o caminho neutro, longe dos extremos, onde não há sofrimentos. O homem deve viver de maneira natural, buscando sempre a essência de ser. 45


Se o homem não quiser morrer, ele deve nascer de verdade, isto é, nascer para o estado de consciência espiritual. Não há medo onde existe consciência de ser. O Ser Supremo é a essência divina. Ele é incorpóreo, desapegado, pacífico. Não é o autor nem o experimentador das obras executadas. É diferente daquele que vê, ouve, sente, fala, atua. O Ser Supremo é ilimitado, sem princípio nem fim. Está além dos conceitos. É desprovido de nome, forma, méritos, deméritos. Transcende tempo e espaço. Não é tocado pela tristeza, alegria, doença, saúde, fome, sede. É livre de nascimento, crescimento, desgaste, vida, morte. Mesmo sendo único, é a causa de muitos. É livre de dualidade, é infinito, imutável, diferente do universo e da ilusão. É eterno, invariável, imaculado, eternamente dinâmico. O Ser Supremo existia antes do nosso nascimento e existe agora. Portanto, sendo nós mesmos o Ser Supremo, não podemos nascer ou morrer. Esses fenômenos acontecem ao corpo, apenas. O Ser não pode ser contemplado como um recipiente, pois ele subsiste a todas as modificações das formas. Ainda que sem o corpo, ele é a verdadeira vida porque seu poder é indestrutível. Ele é o manifestador e não o objeto manifestado. O Ser Supremo manifesta-se claramente nos estados de vigília, sonho e sono profundo. Faz sentir-se como existência, conhecimento e bem-aventurança. É preciso conscientizarmo-nos desse Ser, pois ele é nossa real essência. Budha Maitreya - "Quando os homens retomarem à consciência do divino, conhecerão o real significado do amor supremo."

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Grande parte dos homens tem predisposição para ser ego sta; não sabe como amar e respeitar uns aos outros. Argumentam, iscutem e se batem por banalidades, apenas para o pró rio mal e sof Não importando se são ricos ou pobres, os homens se preocupam com os valores materiais; sofrem com a pobreza e sofrem com a riqueza. Nunca estão contentes ou satisfeitos, porque suas vidas são controladas pela cobiça. Com o passar dos anos, os homens, vendo quão fortemente estão presos à cobiça, ao hábito e ao sofrimento, entristecem-se e se desanimam. Em seu desencorajamento, muitas vezes, discutem com os outros, mergulham cada vez mais profundamente nos erros e desistem de trilhar o caminho do autoconhecimento. Esta queda no desânimo, devido aos infortúnios e sofrimentos, é contrária à Suprema Lei Universal. É bem verdade que nesta vida tudo é transitório e pleno de incertezas, mas também é lamentável que alguém ignore este fato e continue a buscar a satisfação de seus desejos. Neste mundo de sofrimento, os homens pensam e comportam-se egoisticamente; em contrapartida, porque assim agem, o sofrimento e a infelicidade os seguem. Os tempos de luxúria não perduram muito, passam rapidamente. Portanto, os homens devem abandonar toda a cobiça e apegos mundanos, e seguir seriamente o caminho da autolibertação, pois não há nenhuma esperança nem felicidade duradoura fora do estado natural de ser. Muitos não creem ou ignoram a lei de causa e efeito. Continuam com seus atos de cobiça e egoísmo, esquecendo-se do 48


fato segundo o qual a boa ação traz felicidade e a má ação, infortúnio. Nada no mundo é permanente. Tudo muda, é transitório e imprevisível. Mas os homens são egoístas, preocupam-se somente com os desejos e sofrimentos no momento presente. Não dão atenção aos sagrados ensinamentos, que trazem a autoconscientização. Simplesmente se entregam aos interesses pessoais, ignorando a lei da comunidade perfeita. Muitos se submetem às suas paixões mundanas, acumulando erros sobre erros, carregando pesados fardos de atos intoleráveis, e se veem incapazes, com sua própria inteligência, de romper os hábitos da cobiça e indulgência para com os desejos. São incapazes de superar e remover de si mesmos as paixões mundanas. É impossível ao homem seguir o caminho da perfeição, do equilíbrio, sem a ajuda do Mestre. Os homens cultivam paixões mundanas que os levam somente às ilusões e sofrimentos. Para libertarem-se dessas paixões é preciso meditar e devocionar orientados pelo Mestre. Devem também discernir corretamente entre o certo e o errado e aprender o significado da lei de causas e efeitos. Desde que a causa do sofrimento se acha arraigada nos desejos e apegos, e desde que estes são frutos das errôneas observações do ego e da mente, só poderá haver paz para aquele que eliminar em si mesmo a atuação da mente pensante e do ego profano através da constante prática da meditação e da devoção. Dessa forma é possível se evitarem todos os desejos que surgem das sensações provenientes dos órgãos de percepção. Por apegar-se demasiadamente a qualquer um dos sentidos, os homens são apanhados por ciladas que a mente pensante lhes prepara, como um cervo é apanhado pela armadilha do caçador. 49


Os desejos que surgem das diferentes sensações são as mais perigosas armadilhas. Nenhum dos sentidos possui maior ou menor grau de perigo. Todo e qualquer apego aos objetos dos sentidos deve ser evitado. Não se deve apegar às coisas atraentes nem alimentar repulsa pelas coisas desagradáveis. Muitos anseiam pela fama e pelo louvor. Mas isso são coisas ilusórias, passam rapidamente. Aquele que persegue as honras e aclamações, corre sério risco de em muito breve ter motivos para se lamentar. Quem se apega a qualquer expressão egoísta é como aquele que lambe o mel na lâmina de uma navalha, ou que carrega uma tocha contra o vento forte. Os homens têm a tendência de se moverem na direção de seus pensamentos. Se cultivam pensamentos de ganância, tornamse gananciosos; se alimentam pensamentos de ódio, tornam-se rancorosos. Se nutrem pensamentos de vingança, tornam-se vingativos. Essa é a razão da necessidade de se desenvolverem as virtudes divinas. Deve-se conhecer a lei da compensação, da harmonia e do amor supremo. No relacionamento entre os homens deve haver a lei da compensação, isto é, cada um retribuindo ao outro por algo feito. Quando o homem deixou de praticar a lei da compensação, passou a considerar a moeda o mais importante e a permuta foi deixada de lado. Todos os momentos podem ,ser vividos intensamente, desde que seja obedecida a lei da compensação, a qual está presente em toda a natureza. A árvore deixa o pássaro nela pousar, construir seus ninhos, e ele, para compensá-la, come os insetos que a perturbam, leva 50


suas sementes para outro lugar onde nascerão novas árvores e frutos. Cada órgão do nosso corpo tem sua função específica. Cada um deles não é mais importante que outro. O considerar algum órgão especial é que torna a pessoa desequilibrada. Cada um deles tem sua energia própria. Não se deve impedir que cada órgão desempenhe sua função. Da mesma forma que não se pode reprimir o instinto sexual, não se pode alimentá-lo. Essa é a grande preocupação das pessoas. Não se deve fazer votos de castidade porque a pessoa estaria agredindo sua própria natureza. É preciso ser natural em tudo o que se fizer, principalmente em relação ao sexo e nunca cair em degeneração. . O homem deixou de ser feliz porque ele se esqueceu de viver naturalmente, porque se esqueceu da lei da harmonia. Um filho gerado em desarmonia será desarmonizado. Cuidado para não criar desarmonias. No mundo há uma mistura de bem e de mal. Os homens bons e os homens maus se diferenciam uns dos outros por sua natureza. Os maus não reconhecem nas ações erradas um erro; e se esse erro for trazido à sua atenção, eles continuarão a praticá-lo e desprezarão todo aquele que os advertir sobre os seus atos. Os homens bons são sensíveis ao que é certo e ao que é errado, param de fazer algo tão logo percebam que estão errados; são gratos a todos aqueles que lhes chamam a atenção sobre suas ações erradas. De um modo geral, pode-se classificar o ser humano de acordo com as quatro salientes diferenças: 1- há homens que, por causa dos ensinamentos errados, praticam austeridades e por isso são levados ao sofrimento. 51


2- há aqueles que, por crueldade, por roubar, por matar ou por outros maus atos, fazem os outros sofrer. 3- há aqueles que levam os outros a sofrer junto com eles. 4- há homens que não sofrem e salvam os outros do sofrimento. Seguem os sagrados ensinamentos trazidos pelo Mestre. Vivem tranquilamente, jamais dando vazão à mente pensante e ao ego profano . Há três tipos de homens no mundo: 1- são como letras entalhadas na rocha; dão facilmente margem ao ódio e retêm pensamentos irados por muito tempo. 2- são como letras escritas na areia; também sentem ódio, mas seus pensamentos irados rapidamente desaparecem. 3- são como letras escritas em água corrente; não retêm pensamentos. Vivem sempre de maneira imperturbável. Há ainda outros tipos de homens: 1- existem aqueles que são orgulhosos, agem temerariamente e nunca estão satisfeitos. 2- há aqueles que são corteses e sempre agem com consideração. 3- há aqueles que dominaram completamente os desejos. Entre os homens há vários tipos de consciência: uns são sábios, outros tolos; uns são de boa índole, outros de má índole; uns são facilmente levados, outros difíceis de serem levados; uns possuem a mente purificada, outros a possuem corrompida. Mas estas diferenças são perfeitamente desprezíveis quando se vive o estado natural de ser. A essência divina é a característica mais notável do homem. Embora na natureza humana possa haver infindáveis distinções, entre as quais classe social, credo, cor ou sexo, não há 52


discriminação alguma quanto à sua natureza divina. Todos somos divinos em essência. Quando os homens se sujeitam ao desejo pela existência, o sentimento de posse e o apego a tudo inevitavelmente os seguirão. E este constante apego a tudo, seja visto, ouvido ou sentido, que os levam a viver de maneira ilusória. Desta fonte surgem todas as paixões mundanas como cobiça, ira, tolice, equívoco, ressentimento, ciúme, lisonja, fraude, orgulho, desprezo, egoísmo. A cobiça surge da errônea ideia a respeito da satisfação; a ira surge do estado insatisfatório dos negócios ou circunstâncias; a tolice advém da inabilidade de julgar qual é a conduta correta .. A tríade - cobiça, ira e tolice - é chamada de os três fogos do mundo. A cobiça consome aqueles que perdem o bom senso no querer possuir as coisas do mundo; a ira consome aqueles que perderam o bom discernimento e vivem no ódio; a tolice consome aqueles que deixam de praticar os sagrados ensinamentos de libertação. A cobiça surge em virtude da satisfação, a ira por causa da insatisfação; a tolice é o fruto da corrente constante de pensamentos. O homem pode transcender estas expressões pondo em prática os sagrados ensinamentos do Mestre. Quando se está pleno no caminho espiritual, não há lugar para as paixões mundanas fazerem ninho. A cobiça, a ira e a tolice são como a febre. Se um homem estiver com essa febre, será atormentado pela insônia, mesmo estando em um quarto confortável. A cobiça, a ira e a tolice são, portanto, a fonte de todas as aflições humanas. Para se livrar dessa fonte de aflição, deve-se praticar a meditação iniciática e a devoção suprema ensinadas pelo Mestre. 53


Os desejos humanos são infindáveis. São como a sede de um homem que bebe água salgada, não se satisfaz e sua sede apenas aumenta. Assim acontece com o homem que procura satisfazer seus desejos; apenas consegue o aumento da insatisfação e a multiplicação de suas aflições. A satisfação dos desejos nunca é completa; ela deixa atrás de si a inquietude e a irritação que nunca podem ser atenuadas. Para satisfazer seus desejos, os homens se empenham, até matam e lutam uns contra os outros, rei contra rei, vassalo contra vassalo, pai contra filho, irmãos contra irmãos, amigo contra amigo. Os homens, muitas vezes, arruínam suas vidas na tentativa de concretizar os desejos. São perfeitamente conscientes de que, no final, a satisfação dos desejos lhes trará infelicidade e sofrimento. A luxúria fertiliza o solo em que outras paixões florescem. É como víbora oculta na flor do jardim que envenena aqueles que vêm à procura da beleza. E a trepadeira que se enreda na árvore, sufocando-a. A luxúria insinua seus tentáculos nas emoções humanas. É como isca atirada pelo mal: o tolo se deixa por ela pescar e é arrastado para as profundezas do mundo ilusório. Se um osso coberto de sangue for dado a um cão, ele o roerá até ficar cansado e frustrado. A luxúria é para o homem exatamente como o osso é para o cão: ela apenas o cansará e não o satisfará. Se um único pedaço de carne for atirado a duas feras, elas lutarão entre si para consegui-lo. Um homem se queimará se segurar uma tocha contra o vento. Assim como estas duas feras e este tolo, muitos se ferem e se queimam por causa dos seus desejos mundanos. 54


Aquele que é atacado pela cobiça, pela ira e pela tolice, trapaceia, mente, abusa. Do desejo nasce a ação; da ação surge o sofrimento. O desejo, a ação e o sofrimento são como uma roda que gira sem cessar, condicionando o karma. A rotação dessa roda não tem princípio nem fim. Como pode o homem escapar dos ciclos de nascimentos e mortes, a não ser pelas técnicas de autolibertação ensinadas pelo Mestre? A água não tem nenhuma forma particular, mas se amolda à forma do recipiente que a contém. Mesmo compreendendo isso, os homens se esquecem deste fato. Distinguem existência da nãoexistência, consideram isso bom e aquilo mau, gostam disso e desgostam daquilo. Se os homens pudessem abandonar seus apegos a estas imaginárias e falsas discriminações, estariam livres dos conceitos mentais de aceitar ou rechaçar. Dessa forma, permaneceriam em paz, a paz que advém do estado natural de ser. A maioria dos homens negligencia os sagrados ensinamentos, e por causa disso se apegam à discriminação entre o bem e o mal. Por que, tendo acesso aos ensinamentos puros e de salvação trazidos pelos Grandes Mestres, ainda se apegam às divagações e se condenam a vagar num mundo de ilusões? Submergem-se em várias atividades e comprometem-se acumulando responsabilidades. O espaço do dia torna-se insuficiente. O beber, o comer, o caminhar, sentar-se, odiar, chorar, adular, rir, entristecer-se, vangloriar-se, ter esperanças, desenvolver-se, são atividades que preenchem o espaço da vida e estão intimamente ligadas à mente pensante. E dessa forma a vida torna-se uma simples coleção de impressões que a todo momento produz impacto no caráter de cada pessoa.

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O mundo é como um sonho. Suas atrações são uma sedutora miragem. Como as aparentes distâncias numa gravura, as coisas do mundo não têm realidade em si mesmas. Estando o homem hipnotizado pela mente pensante, ele faz arbitrárias distinções entre a existência e a não-existência, entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, apenas para satisfazer a sua própria conveniência. Acreditar que as coisas criadas por uma série de causas possam perdurar para sempre, é um grave erro. A perenidade da vida e da morte, da existência e da não-existência não se aplicam à natureza essencial das coisas. Referem-se apenas às suas aparências que são observadas pelos equivocados olhos humanos. Impelidos pelo desejo, os homens se apegam a estas discriminações. Todas as coisas aparecem e desaparecem motivadas por uma infindável série de causas. Aqueles que insistem em permanecer na ignorância espiritual, nos extremos, consideram a vida como existência ou não-existência, mas quem sinceramente medita, que permanece longe de qualquer extremo a considera como algo que transcende a existência e a não-existência. Muitos fazem distinção entre pureza e impureza, mas na natureza das coisas não existe tal distinção. Ela é criada pela imaginação humana. Da mesma maneira, não pode haver distinção entre o bem e o mal, pois não há nenhum bem ou mal existindo separadamente. Aquele que estiver trilhando o caminho do autoconhecimento deve reconhecer esta não-dualidade, a fim de que não seja levado a louvar o bem e condenar o mal, ou a desprezar o bem e cultivar o mal.

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Sabendo-se que as coisas nem existem e nem são nãoexistentes, lembrando-se da natureza onírica de tudo, deve-se evitar todo o orgulho pessoal ou a exaltação dos bons atos, ou ainda, ser apanhado e envolvido por qualquer ilusão. Aquele que insiste em afirmar que tudo é vazio e transitório incorre em erro, assim como errará aquele que insistir em afirmar que todas as coisas são reais e imutáveis. O apego ao ego, fonte do descontentamento é sofrimento, é um erro, assim como o é a crença na não-existência do ego. Tudo isso é inútil para aquele que trilha o caminho do autoconhecimento. A afirmação de que tudo é sofrimento é um erro; assim como o será a afirmação de que tudo é felicidade. O Mestre ensina o caminho onde a dualidade se funde em unidade e se transcendem estas preconceituosas teorias. No firmamento não há distinção entre o leste e o oeste; são os homens que criaram esta distinção e a julgam como verdadeira. No universal processo da criação não há, inerentemente, distinções entre o processo da vida e o da extinção. Os homens fazem uma distinção, chamando a um de nascimento e a outro de morte para atender às suas conveniências. É preciso afastar-se destas discriminações e considerar o mundo como algo passageiro. O homem deve saber que aquilo ao qual a mente se apega é sem substância. Dessa forma ele evita as ciladas das aparências. Os homens temem, naturalmente, o infortúnio e almejam a felicidade. Mas, se observarem cuidadosamente esta distinção, verificarão que o infortúnio, muitas vezes, se torna felicidade e que a ventura se torna infelicidade. O sábio aprende a encarar as cambiantes circunstâncias da vida de maneira a mais neutra possível, não se exaltando com o sucesso nem se deprimindo com o fracasso. Assim se compreende o princípio da não-dualidade. 57


Todas as palavras que expressam relações de dualidade, como a existência e a não-existência, paixões mundanas e o verdadeiro conhecimento, pureza e impureza, o bem e o mal todos estes termos de contrastes não são expressos nem conhecidos em sua verdadeira natureza. Se os homens se afastarem destas palavras e das ilusões por elas causadas, poderão sentir a verdade de ser, a qual compreende uma vida em comunhão com a perfeição, a harmonia, a beleza e o amor eterno. É a identificação consciente com o Cristo Universal. A autoconscientização consiste em ação com plenitude, de conhecimento universal da mais alta espiritualidade e a sintonização com a Eterna Consciência do Cosmo. Quando um homem é invadido pelas paixões mundanas e quer combatê-las em si mesmo, deve averiguar-lhes a origem e logo após desapegar-se delas. Quem se apega à vaidade sempre busca riquezas perecíveis, ambiciona honras, deseja posição elevada, dá vazão a todos os sentidos, deseja longa vida e ama o que passa tão rapidamente. Se se fizer um estudo de todos os fatos, verificar-se-á que na base de todo sofrimento reside o desejo. Assim, se a cobiça for removida, o sofrimento humano terminará. Quem se deixa enganar pela ignorância espiritual nunca se liberta do sofrimento, pois insiste em ver diferença entre si mesmo e o Ser Supremo. Quanto mais o homem elaborar seu mundo interno, mais capacidade terá de ajudar àqueles que querem viver a Verdade Suprema.

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Todos aqueles que são irreverentes aos ensinamentos dos Mestres ficam confusos, desequilibrados. Para atingir um estado de tranquilidade, deve-se praticar sinceramente a meditação iniciática e a suprema devoção ensinadas pelo Mestre. Pela constante identificação com o Ser, é dominada a mente daquele que procura a unidade consciente com a Essência Divina. Pelo discernimento entre o real e o irreal o homem livra-se de todas as ações egoístas. Desde que tudo no mundo é causado pela lei de causas e efeitos, não pode haver nenhuma distinção básica entre as coisas. As aparentes distinções são criadas pelos absurdos pensamentos discriminadores. A grande doença dos homens é a inconsciência espiritual que os emaranha cada vez mais nos ciclos intermináveis de nascimentos e mortes. Deve-se curar essa doença acalmando o corpo, a mente e os sentidos através da meditação e devoção. A essência divina é a natureza de todos os homens, não importando quão profundamente eles a tentam ocultar com a cobiça, a ira, a tolice. Tão logo a ignorância espiritual é eliminada pela constante prática da meditação e da devoção, a essência divina vem à tona, não importando quão variadas possam ser as condições e as circunstâncias dos homens. Pela constante prática da meditação o homem preserva em si mesmo a paz, a tranquilidade, a compaixão, a felicidade perfeita. Aquele que medita afasta-se dos extremos, onde há sofrimentos, e conserva a moderação em todas as suas ações, autolibertando-se. 59


A autolibertação é um estado onde se é completamente livre de dualidades entre si mesmo e o Ser Supremo. Esse estado só pode ser sentido quando se está livre do alcance das palavras e dos pensamentos. Ainda que as pessoas estudem as escrituras sagradas ou façam cultos de adoração, não terão consciência do estado de libertação. Para isso, é preciso meditar e devocionar seriamente. Os ensinamentos sagrados afirmam claramente que os meios de libertação são a prática da meditação e da devoção. Deve-se procurar a identificação com o divino no coração espiritual, no lado direito do peito, e na devoção que enternece. Da prática das orientações espirituais contidas nos sagrados ensinamentos, surge a autoconscientização. O essencial é trazer à tona a luz do Ser Supremo, porque quem faz uso de sua própria luz para retornar à sua própria claridade veste-se de eterna duração. As práticas espirituais, como a meditação e a devoção, auxiliam o homem a emergir na essência divina. A cada um de nós é dada a possibilidade dessa conscientização. Depende de cada um permanecer perseverante nos ensinamentos dados pelo Mestre. Depende de cada um ser seu colaborador, ser discípulo do Cristo Universal. Depende de cada um ser escolhido e receber o diadema da sabedoria. Todos tiveram suas oportunidades e as rejeitaram. Alguns foram escolhidos e responderam à chamada. Muitos foram chamados e não atenderam. Muitos foram chamados e poucos os escolhidos. As pessoas devem tomar consciência de que o Criador Eterno lhes deu dons maravilhosos, e que através desses dons alcançarão a perfeita harmonia. Virá um dia em que conhecerão a suprema experiência de unidade com a Verdade Suprema. O 60


homem deve lembrar-se de que cada um que atinge a conscientização do divino torna-se uma força para o bem do mundo. Um só conscientizado do divino, estando presente no mundo, influenciará e beneficiará todo o mundo e não apenas os seus discípulos. É preciso, então, esforçar-se por conseguir a conscientização espiritual e o Eterno-Criador e o mundo lhe serão gratos. É preciso sentir a Verdade que nos liberta, pois quem encontra a si mesmo é senhor de si e transcende pela sabedoria os efeitos de suas ações. Nada mais o prende e as dúvidas se dissipam à luz da plenitude do conhecimento universal. Preparem-se, pois os valores do mundo serão todos transformados. A Terra se dividirá em mil geografias. Tudo o que de falso os homens construíram, irá ruir. As pessoas estarão como ébrias, sem orientação, não saberão como conduzir-se. Aquele que tem a índole má e insiste em cultivá-la, essa sua característica aumentará cem vezes mais. E aquele que é de boa índole, suas virtudes também se multiplicarão. Que a paz esteja com todos os seres do universo. Que todos possam ouvir e praticar os sagrados ensinamentos dos Mestres. Que possam esclarecer-se cada vez mais sobre a verdade de ser. Em verdade, eu venho da Luz. Sejam felizes. Agora os seres precisarão de Luz, pois os poderes dos céus serão abalados. Há uma voz silenciosa, eterna e presente, que o ego profano não quer aceitar. Agora todos devemos meditar, porque o único objetivo é a conscientização do Ser Universal. 61


Agora preciso de discípulos sutis, pois a suprema meditação transformou-me em Luz.

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RAMANASHRAM – BRASIL Os momentos difíceis que vivemos provocam tensões, angústias e medos. Esse estado de insegurança se reflete em nosso organismo gerando doenças físicas e toda espécie de sofrimentos. A falta de informação faz com que esses sofrimentos se multipliquem numa cadeia infinita. Mas para todo mal há uma solução e o melhor caminho é aquele que conduz à serenidade, ao autodomínio e à perfeita felicidade. O Ramanashram-Brasil é um lugar de paz e harmonia. Sob a orientação segura do Mestre Sri Maha Krishna Swami todos encontram o caminho direto da autoconscientização, através das técnicas de: . - Meditação Iniciática - Devoção Param Bhakti - Maha Yoga - Exercícios físicos - Técnicas de respiração - Relaxamento - Controle das energias vitais Os livros editados pelo Ramanashram-Brasil são extraídos da convivência diária com o Mestre. Em cada página estão vivos, dinâmicos e claros os ensinamentos universais sobre o Ser Supremo.

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RAMANASHRAM - BRASIL SÃO PAULO - SP R. Toneleros, 1276 - Alto da Lapa Tel.: (0 11) BRASÍLIA - DF SHIS- QI 28 - Conjunto 18 - Casa 1 Tel.: (061) 3367-2203 RIO DE JANEIRO - RJ Tel.: (021)

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VERDADE SUPREMA Neste livro são encontrados os ensinamentos iniciáticos de Grandes Mestres, como Bhagavan Sri Ramana, Krishna, Jesus Cristo e Budha, que mostram que as coisas grotescas e temporárias não têm importância, pois o Amor Universal, a compaixão e a devoção são possíveis em todos os seus aspectos. É a mais pura mensagem transmitida de Mestre a discípulo. 65


EMANCIPAÇÃO

Emancipar-se não é libertar-se de tradições morais, de costumes antigos, nem tampouco adquirir muitos bens materiais ou conhecimentos em todas as áreas. Emancipar-se é libertar-se dos falsos valores que a humanidade cultua atualmente em grande escala. Emancipar-se é adquirir a verdadeira sabedoria que provém do perfeito conhecimento de si mesmo. 66


SER Agora é possível ater-se à essência de cada ensinamento, àquilo que está nas entrelinhas, que o Cristo realmente ensinou, pois está sendo explicado detalhadamente o que foi mantido como segredo para a humanidade. Com os ensinamentos contidos neste livro, cai por terra a teoria de que é impossível conscientizar-se do divino. Acabaram-se os estudos inúteis, os textos complicados. 67


MAHA GITA PURUSHAM DO BEM-AVENTURADO Em cada página estão vivos, dinâmicos e claros os ensinamentos universais sobre o Ser Supremo. É apresentada de maneira simples a unidade cósmica, a evidência do não-dualismo. Os temas da autoconscientização, da verdade simples que "somos o Ser", a desmistificação dos falsos valores, a unidade de tudo o que existe estão presentes em todos os Gitas, constituindo cada um deles um ensinamento precioso acerca da eterna procura do ser humano.

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MAHA VOGA - A VERDADE UNIVERSAL Nesta edição especial está sendo feita a revelação do Supremo Ser Universal para despertar alegria no coração daqueles que procuram a autolibertação espiritual. Estes se deleitarão no néctar desses sagrados ensinamentos. A Maha Yoga não é religião, ordem social ou filosófica, nem tampouco orienta as pessoas nos caminhos já existentes. Seu objetivo é abrir caminho àqueles que estão procurando ir além das filosofias e religiões.

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O CONSOLADOR É época de grande transformação e o Consolador esta presente. Sua palavra sábia é o bálsamo que conforta os aflitos, encoraja os fracos, enche de esperança os oprimidos. Seu consolo não se restringe a soluções paliativas ou temporais. Ele revela o caminho seguro e direto para a conscientização da verdade. Obra artisticamente ilustrada.

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O CÍRCULO DE LUZ Os ensinamentos contidos nesta obra são como raios de um círculo de Luz, frequentado pelos Grandes Mestres. Eles afirmam a autossegurança no amor e dissipam as desarmonias. Eles veem do silêncio dourado. Eles falam da Verdade: da Verdade sentida, da Verdade conscientizada, da Verdade repleta de felicidade. Falam da devoção íntima cheia de compaixão e ternura.

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O HOMEM DE AQUÁRIO Chega de dor, basta de adiamentos. É agora, no eterno presente, que a voz do Homem de Aquário se faz ouvir, inquestionável, anunciando um novo tempo, onde a verdade de ser é o maior valor. De sua boca brota eternamente o licor celestial que se transforma na doçura da param bhakti. O Homem de Aquário anuncia que a Força da Justiça Divina está chegando. É hora de trabalho, de verdade, de moral, de compaixão, de meditação, de devoção.

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RAMANA MEU MESTRE Nesta obra somos levados a Arunachala, a montanha sagrada da Índia. Aí permanecemos aos pés do Mestre Bhagavan Sri Ramana e aprendemos diretamente com. ele. Nesta viagem somos conduzidos por Sri Maha Krishna Swami que, após ter vivificado em si mesmo todos os ensinamentos, transmite-os com fidelidade e plenitude absolutas. Transportamo-nos para junto de Ramana e sentimos que seus ensinamentos não podem jamais ser restritos a um espaço e a um tempo. Ele fala a cada um de nós em qualquer época, em qualquer lugar. 73


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Maha yoga nãodualidade