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Radar Mundo

Estados do Pacífico lutam por se manter à tona Ilhas do Pacífico estão em perigo de desaparecer no oceano O presidente de Quiribati, arquipélago de quase 100 mil pessoas no oceano Pacífico, está a ponderar a hipótese de transformar o país numa série de ilhas flutuantes para combater a subida das águas do mar devido ao aquecimento global. A ideia de Anoto Tong foi apresentada no Fórum das Ilhas do Pacífico, que começou ontem em Auckland, Nova Zelândia, e conta com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Quiribati, situada no meio do oceano Pacífico, tem mais de três dezenas de atóis, onde vivem cerca de 103 mil pessoas. O presidente Tong pediu ajuda à comunidade internacional para evacuar o país antes que ele desapareça, devido aos estragos causados pelo aquecimento global. As opções para combater a subida das águas incluem a construção de estacas costeiras, num projecto de mil milhões de dólares (716 milhões de euros), ou a deslocação da população para outras ilhas. As autoridades consideram ainda a solução de se criar uma ilha flutuante. De acordo com as propostas, a ilha seria semelhante a uma plataforma de petróleo gigante, mas custaria duas vezes mais. O afundamento não é um problema exclusivo dos arquipélagos do Pacífico. Também o Bangladesh pode estar condenado a desaparecer sob as ondas até o fim do século. O cientista Atiq Rahman, natural do país, refere que “não há dúvida que esta ameaça é causada principalmente pela acção humana. Este é o marco zero do aquecimento global.” O secretário-geral da ONU, presente no fórum de discussão sobre os países do Pacífico, prometeu incluir o problema na agenda da ONU e disse ao Fórum, em Auckland, que reconhecia que “o nosso actual modelo de desenvolvimento económico é algo fundamentalmente errado”. R.H.

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—9 Setembro 2011

Afeganistão Testemunha diz que Mubarak nunca ordenou disparos CAIRO Um ex-militar egípcio testemunhou ontem na quarta audiência ao presidente deposto, Hosni Mubarak, dizendo que, durante os protestos, as forças de segurança do regime receberam ordens para usar gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes, mas nunca para disparar contra eles. O testemunho do ex-general Hasssan AbdelHameed é mais um numa lista de testemunhas que têm defendido Mubarak em tribunal.

Soldado mata cinco em distribuição de alimentos na Somália MOGADÍSCIO Pelo menos cinco

civis foram ontem mortos depois de um soldado somali ter aberto fogo durante uma distribuição de ajuda alimentar na capital. De acordo com uma testemunha à AFP, o soldado “foi detido por forças policiais somalis após o incidente”. Mais de 100 mil pessoas estão deslocadas em Mogadíscio há dois meses devido à fome que ameaça 12 milhões no Corno de África.

Resistência em Bani Walid dispara rockets BANI WALID Forças leais a Muammar Kadhafi dispararam ontem rockets a partir de Bani Walid, um dos poucos locais na Líbia ainda sob o controlo do antigo regime. “Até lá não nos vamos mexer, vamos defender-nos se formos atacados, mas é só isso”, afirmou um membro do CNT, quando as forças do coronel têm até sábado para se renderem. Ontem Kadhafi garantiu numa gravação que não fugiu para o Níger.

Cinco detidos por atentado na Índia NOVA DELI Cinco pessoas foram ontem detidas para serem interrogadas, após um email que reivindicava o atentado de quartafeira em Nova Deli ter chegado às autoridades. De acordo com a polícia, um dos detidos é o proprietário de um café com internet, na região de Kishtwar, de onde o email foi enviado. O atentado fez 12 mortos e dezenas de feridos, sendo que 19 estão em estado grave.

NATO admite ter morto jornalista ADMISSÃO O ISAF, a equipa da NATO no Afeganistão, admitiu ontem que foi um soldado ao serviço da missão que matou o jornalista da BBC Ahmed Omed Khpulwak, num incidente ocorrido em Julho deste ano. CONFUSÃO De acordo com a NATO, um soldado americano terá confundido o jornalista com um membro dos talibãs no terreno. RELATÓRIO No relatório, a aliança explica que o repórter da BBC desde 2008, de 25 anos, parecia estar a segurar um dispositivo detonador, daí que tenha sido alvo dos disparos pelas tropas da NATO. TALIBÃS Na altura dos disparos, na cidade de Tarin Kowt, província de Uruzgan, os talibãs chegaram a admitir que participaram no confronto com as forças da NATO, mas negaram ter morto o jornalista. Ontem, a aliança atlântica pediu desculpa pelo acontecimento “trágico”, sublinhando, contudo, que as tropas agiram de acordo com “as circunstâncias e as leis do conflito armado”.

Iraque. Inquérito mancha forças britânicas por morte “brutal” de iraquiano

Luso-descendente que dirigia batalhão em questão é criticado no relatório,ainda que tenha sido ilibado de tortura em 2010 JOANA AZEVEDO VIANA

joana.viana@ionline.pt Um inquérito independente ordenado pelo governo britânico à morte de um iraquiano sob custódia do exército do Reino Unido no Iraque apurou que “houve uma grave falha de disciplina” e que os soldados foram protagonistas de um “chocante episódio de violência grave e gratuita”, que levou à morte “brutal” de Baha Mousa, em 2003. Entre as várias referências no relatório de 1366 páginas, depois de uma investigação de três anos levada a cabo pelo jurista William Gage, salta à vista o nome do então chefe do Primeiro Batalhão do Regimento do Lancashire da Rainha, o tenente-coronel Jorge Mendonça. No relatório, o militar é criticado por Gage pela falta de supervisão dos soldados. Foi este caso de tortura que levou ao fim de uma “carreira brilhante” do luso-descendente, em 2010. Mendonça, filho de uma inglesa e de um português, tinha recebido uma medalha de honra das mãos da rainha pelo serviço prestado ao país no Iraque. Porém, o aparecimento de provas de tortura por soldados sob o seu comando levou ao seu afastamento do exército britânico, tendo sido o primeiro alto cargo das forças britânicas em muito tempo a ser julgado por um tribunal marcial. Mas Mendonça não é o único alvo de críticas no relatório. Também pela falta de supervisão dos métodos de interrogatório usa-

dos por militares britânicos durante a invasão do Iraque, Gage critica o Ministério da Defesa, culpando-o de “falha corporativa”. Baha Mousa era um funcionário de hotel iraquiano, de 26 anos, que foi detido por soldados britânicos juntamente com outros nove “suspeitos” de terrorismo no país; os dez homens foram levados para um bloco de detenção numa base militar britânica na cidade de Bassorá, no Sul do Iraque. A morte de Mousa chocou o país e o mundo, depois de várias fotografias mostrarem o iraquiano encapuzado e algemado e com ferimentos visíveis. Durante as 36 horas em que esteve na base, Mousa foi pontapeado e espancado, ficando com 93 ferimentos visíveis, segundo o relatório, incluindo um nariz partido, costelas partidas e contusões em todo o corpo, aponta o inquérito. A investigação refere que um dos soldados responsáveis pela tortura, o cabo Donald Payne, se vangloriou em frente aos colegas de ter dirigido um “coro” ao bater em Mousa e nos restantes detidos até estes chorarem. Payne foi julgado. Um outro soldado disse aos investigadores que, na manhã a seguir à detenção, os iraquianos

Jorge Mendonça foi julgado em tribunal marcial, no Reino Unido, pelo caso de tortura


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