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Occupy Together

P&R Maeghan Linick Activista do Occupy Wall Street Nova Iorque

“Todos foram muito respeitosos com os empregados bancários”

Imagens de um vídeo sobre a detenção dos manifestantes no Citibank de La Guardia, Nova Iorque

EUA. “Não podem ser manifestantes e clientes” de um banco Polícia nova-iorquina deteve 24 pessoas na filial do Citibank quando tentavam levantar o seu dinheiro e fechar as suas contas bancárias durante o protesto OccupyWall Street RENATA HOSTINSKÁ

renata.hostinska@ionline.pt Duas dúzias de manifestantes foram detidos por invasão de propriedade numa filial do Citibank, perto do Washington Square Park, em Nova Iorque, depois de entrarem no banco para levantar dinheiro e fechar as suas contas. O incidente ocorreu no passado dia 15 de Outubro, dia dos protestos globais denominados Occupy Together, e as imagens andam agora a circular pela internet. De acordo com a polícia de Nova Iorque, os manifestantes recusaram-se a cumprir o pedido do gerente de banco para que saíssem das instalações e, por isso, foram detidos, apesar de todos eles serem clientes da instituição. O incidente, que foi gravado por várias testemunhas, iniciou um grande debate na web sobre a legalidade das detenções e sobre a actuação policial. O Citibank declarou na sua página oficial na internet que “os manifestantes, em grande número, foram muito perturbadores e recusaram sair da agência”. “Depois de terem repetidamente solicitado aos manifestantes que saíssem, os empregados do banco chamaram a polícia e pediram aos seguranças para fechar a agência até os manifestantes puderem ser removidos.” Uma das pessoas detidas no Citibank foi o fotógrafo independente e actor Marshall Garrett que contou a história ao “Village Voice”. Contactado pelo i, desculpou-se

por não poder dar mais entrevistas, a conselho dos seus advogados, visto que o processo ainda está a decorrer. De acordo com Marshall, na referida entrevista ao “Village Voice”, o grupo de 27 manifestantes que entrou no banco foi muito ordeiro, o problema, que ninguém sabia, é que havia entre eles um polícia infiltrado que falou mais alto que todos os outros e perturbou o ambiente. “Os seguranças do banco anunciaram que iriam fechar as portas e, nesse mesmo momento, fecharam-nas e empurraram todos para trás e não nos permitiram sair, o que é ilegal, dizendo que a polícia estava a chegar para nos prender,” explicou. Marshall passou 31 horas na prisão e a seguir – tal como todos os que ficaram dentro do banco – foi acusado por invasão da agência do banco. Para ele trata-se de uma acusação ridícula porque são clientes do Citibank que foram acusados de invasão de propriedade numa agência do Citibank. E só queriam retirar o seu dinheiro e encerrar as suas contas no banco. O fotógrafo acredita que há uma quantidade enorme de polícias infiltrados no movimento Occupy Wall Street, facto que “torna os protestos menos seguros por que eles interferem no movimento, orientam as pessoas de maneira errada, e isso são maneiras ilegais de tentar enviá-los para a prisão”. Maeghan Linick, outra testemunha dos acontecimentos, contou a sua his-

D.R.

tória ao i. Chegou ao banco no momento em que os seguranças fecharam as portas e foi ela quem gravou as imagens, a partir do exterior, e as colocou no YouTube onde, à hora do fecho desta edição, mais de 600 mil pessoas já as tinham visto. Nas imagens é visível o agente da polícia infiltrado a forçar violentamente uma jovem que está à porta do banco a entrar para ser detida com os outros. “A mulher estava lá dentro com os manifestantes. Fechou a sua conta bancária e depois saiu quando os empregados pediram aos manifestantes para saírem. E estava cá fora, ao pé de mim, quando o polícia veio lá de dentro para a levar, dizendo que ela estava ali com todos os outros,” explica Maeghan. A mulher repetiu várias vezes “sou uma cliente” antes de ser levada à força para dentro, acrescenta Maeghan. O i contactou o Departamento de Polícia de Nova Iorque para recolher a sua versão dos factos mas a resposta obtida foi de que a polícia “não vai fazer nenhuma declaração sobre o que aconteceu no sábado ou em qualquer outro dia”. No mesmo dia, em Santa Cruz, na Califórnia, duas jovens entraram numa agência do Bank of America para encerrarem as suas contas bancárias mas não o puderam fazer. A gestora da sucursal mandou-as sair e não lhes permitiu sequer falar, ameaçando chamar a polícia para as deter. “Não podem ser clientes e manifestantes ao mesmo tempo”, justificou a gerente. Os agentes de polícia chamados ao local pelas manifestantes disseram-lhes que não sabiam se o comportamento do banco era legal ou não e que não podiam fazer nada antes de consultarem um advogado. Nesse mesmo dia 15 de Outubro, várias pessoas encerraram as suas contas bancárias noutros bancos americanos sem qualquer problema. A iniciativa Bank Transfer Day está a planear uma acção semelhante para 5 de Novembro. “Todos aqueles que têm contas bancárias devem retirar todo o dinheiro das suas contas excepto alguns dólares para enviar uma mensagem aos banqueiros de que não vamos aguentar mais o sistema bancário.”

Estava com o grupo de manifestantes dentro do Citibank? Não estive dentro do banco. Cheguei ao local no momento em que o segurança os trancou lá dentro. Assistiu a actos dos manifestantes que possam ser considerados agressivos ou perigosos? Não. Foram todos muito respeitosos com os empregados bancários e com os seguranças e comportaram-se de uma forma calma e pacífica. O que é que aconteceu quando a polícia chegou ao Citibank? A polícia disse à multidão que estava na rua que tinha de sair dali. Todos se desviaram para o passeio. Foi dali que vimos como a polícia trouxe os detidos e os carregou nas carrinhas da polícia. Vai continuar a protestar? Sim, ficamos em Wall Street porque queremos que os grandes bancos e o capital financeiro sejam responsabilizados pelo que fizeram ao nosso país e ao nosso mundo. Construímos, em pequena escala, uma comunidade democrática directa que pratica os ideias de sociedade ideal onde gostaríamos de viver. Já foi presa ou interrogada pela polícia? Fui presa durante as detenções em massa na ponte de Brooklyn, juntamente com 700 pessoas, no âmbito dos protestos do Occupy Wall Street.

—24 Outubro 2011

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