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virá em assuntos políticos e de segurança nacional. Até à hora de fecho desta edição, o tribunal ainda não se tinha pronunciado sobre os pedidos. A troca acordada entre Israel e o Hamas também não agrada a Avihai Rontzki, o ex-chefe dos rabis das Forças de Defesa de Israel. Ontem, em entrevista a um jornal israelita, Rontzki disse que todos os soldados do país devem “matar os terroristas nas suas camas” para não serem libertados depois, acrescentando que “um país normal destruí-los-ia”. Tudo isto acontece numa altura em que as tensões estão a aumentar entre Israel e a Palestina, que quer ser reconhecida como Estado pela Organização das Nações Unidas. O representante do Quarteto, o ex-primeiroministro britânico Tony Blair estará no dia 26 na região para se encontrar com representantes dos dois lados, em separado, para tentar reactivar as conversações de paz. Mas nem a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) nem o Hamas parecem estar muito convencidos e o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, afirmou publicamente que o Quarteto “não é necessário” e que israelitas e palestinianos devem negociar directamente.

Em resumo

Tropas do Quénia entram na Somália ACÇÃO Soldados do Quénia, veículos blindados, tanques e força aérea, cruzaram no domingo a fronteira do Somália em perseguição dos guerrilheiros islamitas do Al-Shabab, um grupo que controla parte do país e tem ligações à AlQaeda. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Moses Masika Wetangula, anunciou que o seu país tem o direito de defender os seus cidadãos contra. SOBERANIA O activista e membro da missão diplomática somali na ONU, Omar Jamal, disse à BBC que se as notícias são verdadeiras, a acção pode ser entendida como um acto de violação de soberania da Somália. O porta-voz de Al-Shabab, Ali Mohamud Rage, disse à estação britânica: “Vamos defender-nos. O Quénia não conhece a guerra. Nós conhecemos a guerra. Os edifícios altos de Nairobi serão destruídos.” SEQUESTROS A decisão queniana surge depois de dois trabalhadores humanitários espanhóis dos Médicos Sem Fronteiras terem sido raptados no campo queniano de refugiados de Dadaab na quintafeira. Outras seis pessoas foram raptadas no mês passado em território queniano, facto que poderá afectar uma das principais indústrias do país, o turismo. O grupo Al-Shabab negou envolvimento nos sequestros. R. H.

MOHAMAD TOROKMAN/REUTERS

Líbia. Forças do novo regime conquistam Bani Walid TRÍPOLI Um dos dois últimos

bastiões das forças leais a Muammar Kadhafi foi ontem completamente tomado pelas forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), já reconhecido internacionalmente como o novo governo da Líbia. O anúncio foi feito ontem pelo executivo interino, depois de seis semanas de confrontos em Bani Walid. Sirte, a cidade-natal de Kadhafi, é agora o último reduto do regime deposto.

Rei da Jordânia nomeia novo primeiro-ministro AMÃ O rei Abdullah da Jordânia

nomeou ontem Awn al-Khasawneh, juiz do Tribunal Internacional de Justiça, como primeiro-ministro do país. A nomeação surge depois de o anterior, Maarouf al-Bakhit, se ter demitido sob acusações de ter fracassado na implementação de reformas exigidas por milhares de jordanos que se manifestaram nas ruas.

Um homem com uma concha (shell) na zona poluída de Ogoni

Iémen: 18 mortos e 30 feridos em novos confrontos SANAA As autoridades do regi-

me iemenita disseram ontem que 18 pessoas morreram e pelo menos 30 ficaram feridas em novos confrontos entre as forças de segurança e os opositores. Os confrontos aconteceram na capital, que foi abalada por explosões e fortes trocas de tiros ao longo de todo o dia, entre forças leais ao presidente Ali Abdullah Saleh e manifestantes pró-democracia e opositores de zonas tribais.

AKINTUNDE AKINLEYE/REUTERS

Supremo dos EUAvai analisarabusos dos direitos humanos da Shell na Nigéria Grupo de cidadãos de Ogoni acusam petrolífera britânica de “cumplicidade” com governo nigeriano A denúncia apresentada contra a petrolífera britânica Royal Dutch Shell no início deste mês está a ser levada a sério pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, tendo este anunciado ontem que vai analisar o processo por abuso de direitos humanos e promoção da violência armada na Nigéria. A acusação foi inicialmente feita pela organização não-governamental Platform, que se dedica à fiscalização da actividade da indústria petrolífera em todo o mundo. Um dos vários casos denunciados pela ONG resultou na morte de 60 pessoas e na des-

truição de uma cidade inteira naquela nação africana. No relatório que está na base do processo legal lê-se que, em 2010, a Shell transferiu 159 mil dólares para um grupo associado à violência de milícias na Nigéria. “Embora a principal responsabilidade pelas violações de direitos humanos recaia sobre o governo nigeriano e outros agentes nos conflitos, a Shell tem desempenhado um papel activo na promoção dos conflitos e da violência”, disse em comunicado a organização britânica no início deste mês. As denúncias por esta e outras ONG presentes na Nigéria não são contudo o que levou o Supremo Tribunal a analisar o caso. De acordo com a edição de ontem do “Wall Street Journal”, o processo foi interposto por um gru-

po de cidadãos da região de Ogoni, que alegam que a gigante petrolífera foi cúmplice de abusos de direitos humanos no país entre 1992 e 1995. Os queixosos alegam que as empresas subsidiárias da Royal Dutch Shell na Nigéria contaram com a ajuda do governo do país para reprimir a oposição à exploração de petróleo em território Ogoni, com as forças de segurança a matarem e abusarem de inúmeros residentes e destruindo as suas propriedades. O processo que o Supremo vai agora julgar surge graças a uma lei de 1789 aprovada pelo primeiro Congresso dos EUA, a Alien Tort Statute, que autoriza cidadãos estrangeiros a levantar processos legais nos EUA com base em alegadas violações do direito internacional. J.A.V.

—18 Outubro 2011

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SOBERANIA Oactivistaemembroda missãodiplomática somalinaONU,Omar Jamal,disseàBBCque seasnotíciassão verdadeiras,aacção podeserentendida como...

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