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“Occupy Wall Street não é um protesto, é muito mais que isso” O pequeno protesto tornou-se global em quatro semanas. Alexandre Carvalho está lá desde o início Brasileiro e cidadão de Nova Iorque, Alexandre Carvalho foi um dos primeiros participantes no movimento Occupy Wall Street. Um grupo pequeno que se transformou num movimento à escala global e que já reúne em Nova Iorque mais de 20 mil pessoas.

Marchas como a de Wall Street repetem-se hoje em todo o mundo LUCAS JACKSON/ REUTERS

saúde. As famílias têm grandes dívidas, enquanto os bancos têm grandes lucros e o sistema político é incapaz de corrigir esses problemas. A situação é totalmente intolerável e só pode ser alterada se forçarmos as autoridades a aceitar a sua responsabilidade. Precisamos de líderes responsáveis que pensem no povo comum.” ESLOVÁQUIA

Cidades em protesto 1 Organização Occupy Slovakia “Recusamos participar no sistema financeiro em permite que 1% da população cometa abusos à nossa custa. Vamos protestar porque não queremos tolerar a injustiça, a corrupção e o desemprego no nosso país. Vamos lutar por uma vida digna e livre e contra uma classe política que não se preocupa connosco. Queremos, não só na Eslováquia, mas em todo o mundo, ajudar a construir uma democracia real.” SUÉCIA

Cidades em protesto 6 Organização Occupy Sweden “No movimento há muitos grupos e vozes

sob o mesmo guarda-chuva; todos reconhecem que somos 99% e que o poder colectivo pode mudar o mundo para o tornar mais sustentável e humano. A corrupção não é um grande problema no nosso país – um dos dois menos corruptos do mundo – mas vamos protestar porque as pessoas com muito dinheiro usam o sistema para obter mais lucros. A raiz do problema é uma crise global que indica que o nosso sistema não funciona. O sistema económico está em crise global, porque o dinheiro não vai para o povo mas só para algumas pessoas das empresas e dos bancos. Queremos acordar as pessoas para o facto de vir aí uma revolução.”

Quais são as principais ideias do movimento? Não posso falar por todos, mas posso dizer porque eu estou aqui. Estou aqui para me manifestar pela democracia e pela mudança cultural e social. O pequeno grupo de manifestantes transformou-se num grande movimento. Imaginavas isso há quatro semanas? Não, ninguém esperava isso no princípio. A manifestação ficou complemente fora do nosso controlo. É bonito não ter o controlo. Tentamos mantê-lo honesto e evitar que as pessoas retirem vantagem desta coisa maravilhosa. Quem são as pessoas que agora se manifestam em Wall Street? Todo o mundo está aqui. Pessoas de todas idades, orientação sexuais, profissões… até há animais aqui! É muito plural e esta multiplicidade de vozes faz-nos mais fortes.

As pessoas noutros países vão participar no protesto… É simplesmente incrível. A próxima tarefa é interligar todos os manifestantes e tentar resolver conjuntamente os problemas globais. Temos de fazer com que o diálogo aconteça. O que tem de acontecer para pararem os protestos? Isto não é um protesto. É muito mais do que isso. É a criação de uma maioria para representar a democracia. Nós não confiamos nos políticos, eles falharam. Vivemos numa desigualdade de poder. Portanto, levantámo-nos e estamos a oferecer democraticamente uma alternativa. Que tipo de alternativa? Uma rede de democracia directa participativa. Para resolver questões políticas. Já não estamos à espera que o governo ou os políticos nos escutem. Mesmo que nos ouçam, uma só exigência não é suficiente. Estamos a mudar a sociedade e isso é muito melhor. Que ideia deste movimento poderá levar as pessoas noutro lado a participarem nos protestos? A mensagem global é simples: precisamos de mudança e precisamos que as pessoas façam ouvir a sua voz.

POLÓNIA

Cidades em protesto 5 Organização Okupacja Polska “Vamos protestar contra a ganância humana, a ignorância e a estupidez, que só levam à guerra global e ao cataclismo. Queremos eliminar as leis, os políticos e o sistema monetário e construir uma economia sustentável. Também queremos fazer algo em relação a Fukushima antes que seja tarde.”

Alexandre Carvalho a ser detido em Nova Iorque

D. R.

“Isto pode vir a ser a faísca que provocará a segunda revolução dos EUA. Se houver derramamento de sangue, isso separará as águas.”

“Sendo dos anos 60, deixem que vos diga: a polícia está connosco, mas precisam dos empregos. Não cuspam neles nem lhes chamem porcos.”

“Uma economia sustentável é a melhor solução que vi até agora. Parece lógico pôr as necessidades básicas de todos em primeiro lugar”.

“Os governos é que não são credíveis, nenhum oferece soluções sem nos encostar à parede. Denunciamos um sistema económico aberrante.”

“É tempo de travar o que já não aguentamos. É tempo de avançar e evoluir. Não merecemos opressão e exploração mas liberdade e democracia.”

Andrew Horton

Elizabeth Murphy

Thomas Asp

Denis Muckensturm

Xavier Le Guyader

EUA

EUA

SUÉCIA

FRANÇA

CANADÁ

—15 —15 Outubro Outubro 2011 2011

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