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COPA DO MUNDO • World Equestrian Games reúne a elite do hipismo mundial

R E V I S TA H O R S E | E D I Ç Ã O 1 0 6 | T U D O S O B R E CAVA L O S : D O M A • M A N E J O • T R E I NA M E N TO • V E T E R I N Á R I A • N U T R I Ç Ã O E M U I TO M A I S

revista

www.revistahorse.com.br • edição 106

MERCADO

QUARTO x MANGALARGA DE MILHA MARCHADOR Nacionais evidenciam o crescimento de duas das maiores raças de cavalo no Brasil

ÁRABE Luciano Cury diz como pretende recuperar negócios

CRIOULO FICCC destaca melhores da América Latina no Brasil

NUTRIÇÃO Como equilibrar a quantidade de proteínas do animal

TREINAMENTO O significado do horsemanship na prática


sumário

Fotos: Gerson Verga/Julio Oliveira/Marcelo Mastrobuono/Eduardo Borba/Divulgação/Aluiso Alves

2018 | nº 106

Capa Nacionais mostram o crescimento do Mangalarga Marchador e Quarto de Milha

30 36 44 46

Enapêga Nacional de Jumentos e Muares bate recorde de inscrições

Treinamento Veja o significado do verdadeiro horsemanship

Veterinária Equilíbrio entre proteína e energia são fundamentais 4 ( revista horse ) 2018

WEG 2018 Depois do futebol, vem aí a Copa do Mundo dos Cavalos

22

Seções 6

Expediente/carta ao leitor

8

Cartas/agendas

10

Entrevista Luciano Cury

14

Circuito

24

Turfe – GPs Rio e São Paulo

26

FICCC - Crioulo

40

Palavra do Tropeiro

42

Consulta profissional

44

Projeto Doma

48

Gente

56

Crônica

62

Flagrante


GuabiTech Protect é um complemento nutricional balanceado para uso com forragens, que previne contra as possíveis contaminações por micotoxinas e contra ataques de radicais livres, contém selênio levedura, e ajuda a prevenir problemas de diferentes naturezas, inclusive relacionados à fertilidade de machos e fêmeas. Tudo com resultados assegurados pelos mais de 20 anos de pesquisa cientifica Alltech: uma das cinco maiores do mundo em nutrição animal e a única com laboratório próprio de Nutrigenômica. GuabiTech Protect. A prevenção que você quer para os seus animais só poderia ter a marca Guabi. Linha


carta ao leitor Por Marcelo Mastrobuono

Editor responsável Marcelo Mastrobuono marcelo@revistahorse.com.br Redação Claudio Rostellato e Marcelo Mastrobuono editorial@revistahorse.com.br Revisão Rosimary Tuani Arte e Diagramação Eduardo A. de Carvalho Fotografia: Fagner Almeida, Marcelo Mastrobuono, Fabio Cabrera, Gerson Verga, Miguel Oliveira e Julio Oliveira Foto de capa: Montagem com fotos de Fabio Cabrera e Júlio Oliveira Colaboradores: Eduardo Borba, Emílio Fontana Filho, Martin Frank Herman, Daniel Zacaris Zago, Rodrigo Rodrigues de Lucca Rocha, Ruth Araújo e Solange Mikail Jurídico: José Maria da Costa Projeto Gráfico: Hiro Okita Capa: Hiro Okita Fale com a Redação editorial@revistahorse.com.br Distribuição Nacional DINAP S/A DISTRIBUIDORA NACIONAL DE PUBLICAÇÕES Rua Dr. Kenkiti Shimomoto, 1678 - Jardim Belmonte - CEP. 06045-390 - Osasco - SP

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6 ( revista horse ) 2018

No Brasil e no mundo O

mês de julho abre a temporada de Puxados pelo Salto, no qual Brasil já conexposições nacionais de cavalos quistou importantes medalhas, inclusive o no Brasil, com duas das maiores raças re- Ouro com Rodrigo Pessoa em 1998, outras alizando, simultaneamente, seus maiores modalidades vêm em processo evolutivo. eventos. Paralelamente, a comunidade Temos até um Crioulo, raça originalmenequestre está com todas as atenções fo- te latina e criação brasileira, que pela terceicadas no World Equestres Games (WEG), o ra vez consecutiva irá representar nosso país mais importante campeonato internacio- disputando com a raça Quarto de Milha, que nal de esportes equestres, que ocorre en- originou a modalidade de rédeas. tre os dias 10 e 23 de setembro, em Tryon, E não vai por acaso. Em 2010, em KentuCarolina do Norte (EUA). cky, também nos EUA, o crioulo SJ Rodopio No âmbito do mercado interno, a Horse abriu caminho e fez história com o melhor traz nesta edição um comparativo de merca- desempenho brasileiro entre os conjuntos do entre o Mangalarga Marchador e o Quar- brasileiros em Rédeas. Neste ano, F5 Licurto de Milha. Apesar de se go Tapajós conseguiu sua tratar de duas raças com classificação desbancan“Para quem aptidões bem diferentes, do nomes importantes acompanha os o objetivo é mostrar, em da modalidade no Branúmeros, como elas vêm esportes equestres, sil, com uma nota de 74 conquistando fatias impontos, que o deixa muiportantes do mercado, todas as atenções to próximo à hegemonia com foco em proprietáamericana. Ou seja, o Bratambém estão rios e usuários de cavalos. sil está evoluindo e mosEm comum, ambas voltadas ao World trando a força da criação descobriram o potennacional, independente Equestrian Games de raça de cavalo. cial do mercado nordestino, onde o cavalo faz parGanhar ou perder, é (WEG), conhecido só um te da cultura local e tem detalhe. O fundaum grande espaço de exmental, como vimos recomo a Copa do pansão. Se por um lado o centemente o futebol, é Quarto de Milha ganhou Mundo dos Cavalos” que fomento pode promercado na Vaquejada, porcionar resultados surpor outro, o Mangalarga Marchador perce- preendentes, mesmo àqueles que não têm beu que poderia aglutinar uma fatia imensa tanta tradição no esporte. Mais importande simpatizantes e associados ao reconhe- te ainda é o incentivo e apoio de toda a cocer a Marcha Picada entre uma de suas quali- munidade equestre nacional, que cada vez dades, principalmente para os apaixonados mais tem motivos para torcer. por passeios e cavalgadas. A Revista Horse, a exemplo do que Para quem acompanha os esportes fez em 2010, nos EUA, e 2014, na Franequestres, todas as atenções também es- ça, fará uma cobertura exclusiva do WEG tão voltadas ao World Equestrian Games 2018. Juntos, estaremos na torcida por (WEG), conhecido como a Copa do Mun- um desempenho cada vez melhor. O do dos Cavalos. Trata-se, sem dúvida, do crescimento do mercado interno nos faz maior evento esportivo equestre do mun- acreditar que é possível, sim, sonhar com do. São mais de 70 países disputando os pódios cada vez mais altos. Contamos pódios em oito modalidades, com a expec- com você, leitor, apaixonado por cavalos tativa de receber mais de 500 mil pessoas. e pelo Time Brasil.


espaço do leitor Fotos: Reprodução

Templo Chinês

Que rico o texto sobre complexo equestre da China. É digno de reconhecimento do mundo todo a visão empresarial e valorização dos cavalos demonstrados por esse grupo Heilan, de Jiangyin. Dá uma vontade danada de conhecer essa maravilha. Quiça pudéssemos ganhar um espaço próximo desse dos chineses! Antenor Bueno, União da Vitória (PR).

Templo Chinês II Não é à toa que a Horse é a mais completa revista de cavalos do Brasil. A reportagem sobre o “Templo Chinês” da edição 105 está simplesmente fantástica. Que vontade de conhecer esse local! Nunca imaginei que na China existia um espaço dedicado exclusivamente à cucltura equestre. Parabéns à Horse e para a China por valorizar tanto nossa paixão. Maria Tereza Caldeira, Pirassununga (SP) ... Emilio Fontana I Gostaria de deixar meus parabéns à Revista Horse pela entrevista maravilhosa com o veterinário Emilio Fontana. Assim como nas crônicas que prende a atenção, sua história profissional e sua franqueza nas respostas, impressiona o leitor. Esse nasceu para encantar os cavalos e os leitores. Arminda Ribeiro, Barra do Garça (MT). 8 ( revista horse ) 2018

Emilio Fontana II Sou assinante da Horse há muitos anos e aguardo com expectativa a chegada de cada nova edição. Eis que a de nº 105 mais uma vez me surpreendeu pelo conteúdo. A reportagem com Emilio Fontana ficou o máximo. Muito interessante conhecer um pouco mais desse

grande profissional que aprendemos a admirar pelas ótimas crônicas que escreve na Horse. Parabéns. Milton A. Maranhão, Ribeirão Preto (SP). ... Consulta profissional Registro aqui meus cumprimentos à Revista Horse por manter em seu corpo editorial a coluna Consulta Profissional. Os assuntos ali abordados, quase sempre advindo de dúvidas e perguntas de leitores como eu, discutem temas dos mais relevantes para quem cria ou trabalha com equinos. Tenho mais de 40 anos de lida com cavalos e a cada mês aprendo um pouco mais pelas páginas da Horse. Muito obrigado. Paulo Renato de Albuquerque, Francisco Beltrão (PR). ... Cavalos pampa Muito interessante a reportagem de capa da edição 104 sobre “A Evolução dos Pampas”. Sempre


agenda

gostei desse tipo de cavalo colorido, mas nunca passou pela minha cabeça que estivessem em baixa. Vejo, no entanto, que é inegável a contribuição que o Haras Lagoinha fez para o melhoramento genético dos pampas. Já tinha ouvido falar no Monteblanco do PEC, mas não sabia que ele era o progenitor dessa nossa safra de pampas, que realmente evoluíram muito em termos de beleza estética e andamento. Fernanda Gouveia de Amaral, Rio Verde (GO) ... Treinamento Gostaria de dar os parabéns ao domador e treinador Eduardo Borba. Acompanho seus artigos mensalmente e acho superinteressante a analogia que faz das filosofias orientais com o treinamento de cavalos. Seus artigos me forçam, no bom sentido, a pensar cada vez mais sobre os procedimentos. Tenho tentado aplicar algumas coisas no meu dia a dia e os resultados são fantásticos. Como tudo funciona de verdade. Sinto-me muito mais preparado para entender como funciona a mente dos cavalos e vejo que eles também me entendem melhor. Não é fácil, mas vale a pena investir nesta parte interna nossa e dos nossos animais. João Paulo de Andrade, Cruzilha (MG) Conte sua história! Este espaço é dedicado aos leitores da Horse. Envie suas críticas, dúvidas, sugestões e compartilhe conosco os momentos inesquecíveis que viveu com os cavalos. Se tiver uma boa foto, melhor ainda. Não deixe de escrever seu nome, sua cidade e qual sua relação com os cavalos. Envie para editorial@revistahorse.com.br

Super Semana Tambor

Apartação

A 5ª Super Semana do Tambor, inicialmente marcada para junho e cancelada por causa da greve do caminhoneiros, será realizada entre os dias 8 a 11 de Agosto, no Haras Raphaela. O evento, organizado pela Associação Brasileira de Tambor e Baliza (ABTN) e a National Barrel Horse Association (NBHA), reunirá várias provas, entre elas a 7ª edição da Copa Brasil ABTN. Entre as novidades, terá, pela primeira vez no Brasil, a participação de Kim Thomas, competidora americana, campeã de vários títulos na categoria Potro do Futuro, que ministrtará uma clínica. O Haras Rafaela fica na Rodovia Marechal Rondon, km 146, Tietê (SP). Informações: 11. 99880-2159.

O Haras Recanto Marina, de Ribeirão Bonito (SP), recebe entre os dias 3 e 4 de agosto, a I Etapa do Campeonato Paulista de Apartação. O evento, que tem a chancela da Associação Nacional do Cavalo de Apartação (ANCA), faz parte do calendário 2018/2019 e para mais informações: (19) 3651-5362 / (19) 99904-1191.

Jogos Equestres Mundiais Está chegando o maior evento para o hipismo mundial no ano de 2018. Os Jogos Equestres Mundiais, em sua 8ª edição, acontecem entre 11 e 23 de setembro, em Tryon, Carolina do Norte (EUA). São disputados títulos por equipe e individual em oito disciplinas: Salto, Volteio, Concurso Completo de Equitação, Adestramento, Atrelagem, Enduro, Rédeas e Paraquestre. O Brasil manda representantes em todas as modalidades, exceto Atrelagem. A fase agora é de seletivas e definição das equipes. Os interessados em ir aos Estados Unidos assitir às provas podem comprar ingressos pelo site official do evento: https://tryon2018.com/

Três Tambores Com chancela da Associação Nacional dos Três Tambores (ANTT), a cidade de Catalão (GO), realiza entre os dias 3 e 5 de agosto a 12ª Etapa do 15° Campenato Nacional da categoria. O evento que faz parte da competição nacional, promete movimentar um grande número de competidores. Para mais informações: Associação Nacional dos Três Tambores Site: http://antt.org.br/

Mangalarga Marchador A 37ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador será realizada entre os dias 17 e 28 de julho, em Belo Horizonte. Evento maior da ABCCMM, a festa do Mangalarga Marchador acontece mais uma vez no Parque de Exposições Bolivar de Andrade (Gameleira). Para mais informações: (31) 3379-6100. Site:abccmm@abccmm. org.br

Vaquejada Com premiação de aproximadamente R$150 mil, a 8ª Vaquejada de Itupitanda (PA), promete movimentar os melhores competidores da modalidade. O evento, que acontece entre os dias 3 e 5 de agosto, será no Parque J. Lucena e para mais informações, os telefones são: (94) 99166.2751/ 99107.7778.

Manejo reprodutivo A Escola do Cavalo de Pompeia (SP) promove, entre os dias 20 e 22 de julho, o curso de Manejo Reprodutivo em Equinos. O curso apresenta bases fisiológicas e anatômicas importantes para otimização do desempenho reprodutivo equino, demonstra medidas de manejo que podem influenciar o sucesso das diferentes técnicas reprodutiva; discute sobre os principais tipos de criatórios e as instalações utilizadas e acentua a importância da escrituração zootécnica no haras, entre outras abordagens. Mais informações: (14) 9681-6657.

2018 ( revista horse ) 9


entrevista Por Marcelo Mastrobuono

Luciano Cury assumiu pela terceira vez o comando da ABCCA

A INVESTIDA ÁRABE Presidente da associação, Luciano Cury, antecipa Nacional e diz como pretende superar a “depressão” do mercado

O

empresário Luciano Cury voltou ao comando da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Árabe (ABCCA), pela terceira vez, com uma missão bem definida: buscar o reaquecimento das relações comerciais com compradores internacionais. Sua primeira e mais importante iniciativa foi mudar a Exposição Nacional da raça, tradicionalmente realizada em novembro, para julho, mês de férias em várias partes do mundo. Dentro da programação, também está o Brazilian Farm Tour, a nova atração que levará criadores estrangeiros para conhecerem alguns haras de cavalos árabes brasileiros. “Queremos retomar as relações internacionais, que sempre foram um forte da raça”, afirma. Cury fala do mercado internacional com conhecimento de causa. Ele mesmo começou a criar cavalos na California, nos Estados Unidos, na década de 80. Foi lá, também, que teve a experiên10 ( revista horse ) 2018

cia de gerenciar cinco grandes fazendas, antes de começar sua criação de cavalos árabes no Brasil, em 1996, trazendo alguns exemplares da criação que mantinha nos EUA. Ainda hoje, divide seu tempo entre os criatórios que mantém no Brasil e também no Texas e Arizona (EUA), com um plantel de aproximadamente 150 cavalos árabes. De sua criação, também saíram nove campeões, que estão espalhados em nove países diferentes, entre eles os EUA. Nesta entrevista à Revista Horse, Luciano Cury fala de seus objetivos frente à ABCCA e não poupa críticas à política agrícola do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), principalmente no que se refere às políticas de controle sanitário, com regras que vêm dificultando o mercado internacional, e o segmento equestre como um todo. Confira!


Fotos: Arquivo pessoal

Por que decidiu criar cavalo árabe? Morei no final da década de 70 na Europa. Na França, conheci o cavalo de sela, que é o anglo-árabe e gostei muito. Quando voltei para o Brasil decidi criar também o cavalo árabe, pois já criava o Puro Sangue Inglês e o Mangalarga Paulista. Fiquei apaixonado pelo anglo-árabe, mas aqui só haviam dois criadores na época, que eram o Haras Santa Gertrudes e o Haras das Flechas. Fui conhecer o Haras Santa Gertrudes e não tive dúvida. Logo em seguida retornei para os EUA e comecei a criar lá, porque não queria ser um concorrente dos dois haras no Brasil. Por que decidiu reassumir o comando da ABCCA? Uma das questões que me levou à presidência foi justamente essa das barreiras sanitárias, mas o principal objetivo é trazer de volta os compradores estrangeiros. Nos últimos anos, eles sumiram e são raríssimos os que vêm aqui fazer negócios. O cavalo Árabe é a única raça criada nos cinco continentes, depende do mercado externo para poder subsistir. O Brasil é considerado entre os melhores criadores do mundo em termos de qualidade e esse esvaziamento dos compradores estrangeiros desestimulou muito os nossos criadores. Penso que a única coisa que pode fazer com que retomem a produção é a volta dos compradores estrangeiros. Para isso, mudamos a Exposição Nacional de novembro para julho, que é mês de férias tanto no Brasil quanto na Europa, no Oriente Médio, Estados Unidos, então a possibilidade de recebermos mais estrangeiros que apreciam o cavalo Árabe brasileiro é bem maior. O Brazilian Farm Tours também tem esse objetivo? Sim, é uma das grandes novidades, juntamente com a mudança da data de realização. Voltaremos ao início da década de 80, quando a exposição do cavalo Árabe era realizada no Parque da Água Funda, em arena ao ar livre. Este ano, depois de quase três décadas, a gente volta a promover essa grande festa em arena ao ar livre, em Indaiatuba. A nossa Nacional deverá receber muita gente do exterior, por conta dessa maior facilidade da data, e queremos aproveitar para fazer essa aproximação entre criadores. Como vê o mercado de cavalos no Brasil como um todo? O Brasil, por força das barreiras sanitárias, vem perdendo fôlego nos últimos anos. Nem tanto pela crise mundial, mas muito mais pelas barreiras sani-

tárias impostas pelo país. A falta de controle sanitário que existe aqui dificulta bastante, principalmente para o cavalo da raça Árabe, que é a única criada no mundo todo e com muitas negociações internacionais. O Puro Sangue Inglês, por exemplo, está presente no mundo inteiro, mas não é criado em todas as regiões do planeta. O Árabe é o pai de todas as raças. A partir do cavalo Árabe se formaram todas as demais raças. Justamente por essa história e sua força genética que o Árabe é criado em mais de 130 países e o Brasil já foi considerado como o segundo maior criador. Mas, por conta dessas barreiras sanitárias, vem perdendo fôlego nos últimos tempos. As barreiras sanitárias a que se refere é por causa do mormo? Não só o mormo. Tem a Piroplasmose, que é um dos grandes problemas que o Brasil teve. Os EUA montaram um sistema de verificação, por meio do exame Elisa, que é muito mais rigoroso. Sem dúvida nenhuma, quando você vislumbra o mercado europeu, o Mormo trouxe muitos prejuízos para os criadores brasileiros. O que podemos ver como positivo é que já tem um bom tempo que não há registros de casos. O Ministério da Agricultura (Mapa) está para declarar o Brasil livre do Mormo, mas quem necessita realmente saber disso são as autoridades sanitárias dos países da Europa, para poder tornar o Brasil livre do Mormo e liberar as importações. Um dos pontos mais polêmicos do Mormo é a precisão dos exames. Como analisa isso? De fato, a imprecisão dos exames é um absurdo. Na verdade, esse é só mais um ato onde o governo não contribui em nada para que possa ajudar os (tirar produtores e) criadores, que se esforçam em busca da excelência na criação. Todos são prejudicados. Não só pelo governo, mas também por aqueles poucos irresponsáveis. Como analisa o mercado interno atualmente? Muito ruim. Tivemos uma redução sensível no número de nascimentos. Nos últimos anos, pelo menos 50% parou de produzir. E isso tem muito a ver com todas essas dificuldades, desestímulos e a própria situação do Brasil. A Associação sentiu bastante isso. O quadro de associados caiu para cerca de 800 entre as várias categorias, como sócio remido, contribuinte, usuários e competidores. Já chegamos a ter 3.000. Para se ter uma ideia, na primeira gestão como presidente, entre 2003 e 2006, tínha2018 ( revista horse ) 11


entrevista

O cavalo Árabe é a única raça criada nos cinco continentes e o Brasil é considerado entre os melhores criadores do mundo em termos de qualidade”

Cury: “o criador brasileiro é muito antenado e tem um olho clínico por aquilo que é belo”

mos 2.000 associados só contribuintes. Na realidade, todas as raças sentiram e muito essa recessão econômica. A única exceção é o Quarto de Milha, porque soube fazer uma grande base de cavalos desenvolvidos para o esporte. O QM foi muito inteligente em fortalecer e criar uma grande base para isso. Tem até hoje muita dinâmica. Você cita como meta a atração de compradores do exterior. Mesmo com essas barreiras sanitárias isso é possível? Sim, existe essa possibilidade. Porque para os EUA o mercado está liberado. De lá, passando um período, consegue comércio para qualquer lugar. Muitos criadores têm estabelecido uma criação ou base de apoio nos EUA, pois aí fica bem mais fácil. O criador brasileiro de cavalo Árabe é diferenciado pela própria natureza. Temos uma fartura de pastagem, boa alimentação, seja ela vegetal ou industrial. O brasileiro é meio que alquimista, consegue fazer alguns cruzamentos que dão certos, é mais arrojado. De uma certa maneira, o criador brasileiro é muito antenado e tem um olho clínico por aquilo que é belo. O cavalo Árabe sempre foi referência no Enduro. Como estão as iniciativas para incrementar a parte esportiva da Associação? 12 ( revista horse ) 2018

A Associação é voltada para os criadores, então tem as suas atribuições mais focadas para a criação e as exposições que aferem a qualidade dessa criação. A parte esportiva tem de ser cuidada pelos próprios criadores ou pela Associação Nacional do Cavalo Árabe Funcional (Ancaf), que cuida da parte esportiva, que desenvolve o Tambor e Baliza, entre outras. Entendo que o trabalho, como por exemplo o Haras Rach Stud, da família Saliba, é o grande exemplo de um criador completo. Está no Enduro, está na corrida... Organizam corridas com apoio e patrocínio de alguns xeiques que promovem bastante corridas de cavalo árabe. É uma grande força no mundo inteiro. Não só o Enduro tem suas equipes de provas, mas tem também a sua criação voltada para o cavalo árabe. Os Haras Vila dos Pinheiros, de Indaiatuba (SP), e JM de Monte Mor (SP), também desenvolvem esse caminho, fazendo um trabalho voltado para isso. Sem dúvida, entendo que o grande esporte para o cavalo Árabe, pelo menos aqui no Brasil, é o Enduro. Realmente ele precisa ser muito incentivado aqui. O cavalo Árabe tem que focar naquilo em que ele é muito bom. Como está a parceria com o Jockey Club de São Paulo? Muito boa, cada vez melhor. Os prêmios em dinheiro são cada vez maiores e gradativamente vem


Fotos: Fotos: Paulo Henrique Arquivo pessoal Baldini

aumentando o número de cavalos participantes dos páreos no JC de São Paulo. Como estamos depressivos na criação, não há um aumento grande de criadores enviando cavalos para corrida. Acredito que conforme o Brasil for melhorando e os criadores voltarem a se entusiasmar pela criação, negociando com os estrangeiros, certamente tornarão a investir em outros segmentos. As associações, de maneira geral, investem muito na atração de novos criadores, deixando de lado o fomento ao usuário. Como vê isso? Diante das dificuldades que o Brasil vem passando, a prioridade é atrair o estrangeiro de volta para o nosso mercado, no qual hoje a participação é muito pequena. Para que volte a aquecer o mercado interno daquilo que é o mais básico: a criação. Uma vez que este pequeno mercado de criação volta a se entusiasmar, retoma o crescimento e, aí sim, é hora de pensar no usuário. Não dá para inverter essa ordem, porque o próprio usuário hoje tem muita dificuldade não em adquirir o cavalo, mas de mantê-lo, de participar das provas. No Brasil de hoje tudo ficou mais difícil, mais caro. Então, se você não tiver uma melhora para os criadores, uma reação na economia do país, penso que a coisa vai ficar estagnada. Não adianta querer ser uma realidade diferente do que a gente vive. Com 8 títulos de campeão nacional em montaria de cavalo Árabe, posso garantir que sei do que estou falando. Hoje, realmente é muito difícil como usuário você bancar as contas na manutenção de um cavalo. Os EUA são o grande mercado internacional para o cavalo Árabe brasileiro? Como compara a criação de cavalo do Brasil com outros países? Hoje o mercado para o cavalo Árabe brasileiro está dividido entre Europa e Estados Unidos. Sei disso porque crio também nos EUA e o próprio mercado de lá vem gradativamente retomando o crescimento. Penso que com exceção do Oriente Médio e Europa, tanto os EUA como os países da América Latina e Austrália sofreram bastante nos últimos anos. Tivemos problemas com a globalização, que trouxe muitos benefícios, mas quando passa por dificuldades é meio generalizada. Houve depressão nos EUA, na Austrália e América Latina e só agora vem começando a se recuperar. Além da Nacional, quais os grandes eventos do Árabe este ano? Qual a expectativa com relação as visitas do exterior?

A Brazilian Breeders Cup, que será realizada este ano nos dias 1 e 2 de dezembro, é a segunda maior e melhor exposição do cavalo Árabe no Brasil. É difícil prever o volume de visitantes estrangeiros na Exposição Nacional . Estamos promovendo, divulgando bastante... Eu mesmo estive nas principais exposições internacionais, convidando criadores e simpatizantes. Já temos xeiques e vários europeus e americanos confirmados, mas é difícil prever quantos estrangeiros virão e qual será a repercussão disso. Só após a Nacional poderemos ter uma resposta mais precisa. Criar cavalo é um hobby ou negócio? Hoje em dia é muito difícil alguém ter hobby. Você tem de ter muito dinheiro sobrando para poder ter barco, um avião ou helicóptero que não justifique tê-lo. Não é uma questão de prazer apenas, não dá mais para ter só prazer, porque as dificuldades são tantas, que deixou de ser hobby faz tempo. Todo mundo que cria, pelo menos quer empatar, seja a raça que for. O cavalo é uma das melhores opções para ter os filhos perto de você, ou seja, é uma atividade familiar. Você tem um barco, toda a família tem que gostar do mar. Cavalo é uma coisa que remete pelo menos uma parte da história dos mais antigos, voltando naquela história onde tudo começou na área rural, férias no campo. O fato é que o cavalo une muito a família e aí você tem um motivo muito maior do que hobby, porque com o cavalo, em vez de dar uma motocicleta ou um carro possante a um filho, ele vai poder competir e assim, de alguma forma, toda a família estará torcendo por ele. Aí está uma razão muito forte que justifica você investir em cavalos. Você já foi presidente por duas vezes e, agora, como pretende entregar a Associação no final de seu mandato? Sim, por duas vezes, entre 2003 e 2006. Assumi em janeiro para minha terceira gestão, encerrando em dezembro de 2019. Já estamos trabalhando nisso, formando a próxima diretoria que dê continuidade ao trabalho que estamos realizando. A diferença é que pretendo constituir uma diretoria mais jovem, com pessoas que tenham entusiasmo, com novas ideias, mais arrojadas. Costumo olhar o criador de igual forma, seja ele pequeno, médio ou grande. Tenha uma ou 300 éguas, nessa nova diretoria para mim pouco importa o tamanho do criador. 2018 ( revista horse ) 13


circuito Giro pelo mundo do cavalo

Fotos: Porfírio Menezes/Divulgação

zoonose

Febre do Nilo preocupa entidades sanitárias A

Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) confirmou, em 5 de junho, por meio de publicação no site oficial Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), a ocorrência de casos de infecção em equídeo pelo vírus da Febre do Nilo, uma doença neurológica. O problema foi registrado em uma propriedade em São Mateus e o Idaf teve conhecimento a partir da notificação de óbito em cavalos na região, o que chamou atenção dos técnicos responsáveis na Sesa e desencadeou o trabalho de investigação dos casos. O exame confirmatório foi realizado pelo Instituto Evandro Chagas, laboratório oficial do Ministério da Saúde.

Ao todo foram seis notificações de mortalidade de equídeos por síndromes neurológicas nos municípios de Baixo Guandu, Nova Venécia, Boa Esperança e São Mateus, todas entre abril e maio deste ano. Apenas uma coleta indicou caso positivo para o vírus em questão. Em 2017, foram 25 notificações em todo o Estado, mas nenhuma com diagnóstico dessa doença. A Sesa, em parceria com o Idaf, mantém o trabalho de investigação epidemiológica nos municípios onde houve notificação, acompanhando as propriedades, verificando novas ocorrências, assim como realizando a vigilância em relação à mortalidade de aves silvestres, entre outras ações.

Como se trata de uma zoonose, ou seja, a doença pode ser transmitida aos seres humanos, a Sesa tem acompanhado o caso, juntamente com o Idaf. Dessa forma, caso haja ocorrência em humanos, o diagnóstico e o tratamento poderão ser feitos em tempo oportuno. Não há registro da doença em humanos no Espírito Santo. No Brasil, o Piauí foi o primeiro estado a registrar um caso da doença, em 2014. A comunicação é essencial para detectar a ocorrência de possíveis casos da doença e adotar as medidas sanitárias necessárias. A notificação pode ser na Secretaria Estadual de Saúde, pelo telefone (27) 99849-1613 ou pelo e-mail notifica. es@saude.es.gov.br.

turfe

quarto de milha

Ricardinho continua insuperável

Mega race dá o maior prêmio do turfe

A

cada disputa, o jóquei brasileiro Jorge Ricardo, o Ricardinho, continua reescrevendo a sua história como maior vencedor do turfe. Depois de entrar para o livro dos recordes ao atingir 12.846 vitórias em fevereiro deste ano, superando o canadense Russel Baze, o brasileiro tem agora como desafio chegar às 13.000 vitórias. A vitória de número 12.885 da carreira do brasileiro aconteceu no dia 15 de junho, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. Venceu o Clássico Ômega, Grupo II, com 1.600 metros, montando Carta de Amor, do Stud Las Monjitas. Ricardinho só depende agora de mais 115 triunfos para chegar aos 13.000 triunfos. Aos 56 anos, Jorge Antonio Ricardo diz que não pretende parar antes do final do ano e tem como objetivo ampliar a galeria de vitórias para se distanciar ainda mais na liderança. Dificilmente poderá ser ultrapassado ainda neste século. Isso porque, entre os dez primeiros colocados da lista de jóqueis que mais ganharam, sete já abandonaram as disputas. 14 ( revista horse ) 2018

O

Jockey Club de Sorocaba, vitrine do Quarto de Milha, realizou no primeiro sábado de junho mais uma edição do seu já tradicional GP Mega Race, que homenageou Gianni Franco Samaja. Miracle For Me PK venceu a prova que é a maior dotação da temporada. O alazão de 2 anos liderou de ponta a ponta, marcando um tempo de 21,434 segundos para os 402 metros da prova. Em segundo lugar ficou One Famous London MV. O filho de One Famous Eagle largou com prejuízos e vinha descontando nos metros finais. Em terceiro ficou Zidorf Verde (Hail Corona) e, em quarto, ficou Black Granite PK (Granite Lake). Esta foi a primeira edição do tradicional GP Megarace com antidoping laboratorial, fazendo com que o ano de 2018 fosse o primeiro com 100% das corridas testadas. A disputa final do Grande Prêmio, pagou nada menos do que R$ 623,000,00, sendo a maior premiação do Brasil. A próxima grande atração do Jockey de Sorocaba, que fica no Km 86,5 da Rodovia Castello Branco, é a final do GP Criação Nacional, no dia 28 de julho, que vai pagar R$ 150.000,00 em prêmios.


circuito Fotos: Royalty free / reprodução

educação

Belo Horizonte sedia seminário de reprodução Equina B

elo Horizonte sedia, em setembro, o Simpósio Mineiro de Clínica e Reprodução Equina (SIMCRE). Com edições anuais, o evento reúne os melhores profissionais acadêmicos da área, numa programação diversificada que acontece das 8h às 18h. Este ano, os temas abordados serão especificamente voltados para clínica e reprodução equina, tais como: novas perspectivas no tratamento de degeneração testicular em garanhões; seleção de éguas receptoras: ciência

e sensibilidade; atualidades sobre a fertilidade do sêmen criopreservado de equinos; odontologia equina no Brasil; cuidados perinatais e neonatais no equino; técnicas de laparotomia a campo e anestesia para procedimentos a campo. Também serão abordados: principais patologias entéricas no potro: etiologia, diagnóstico e estratégias de prevenção; análises de pontos críticos e comprometimentos nos índices de Transferência de Embrião; organização social e comportamento reprodutivo

de equinos e asininos e coleta e preservação de espermatozóides da cauda do epidídimo de garanhões. O evento será no dia 2 de setembro e as inscrições devem ser realizadas até o dia 31 de julho, ao custo de R$260 para estudantes e R$280 para profissionais.Mais informações: www. simposioequino.com.br

evento

Com impedimentos judiciais em Avaré, ABQM leva Nacional para Londrina (PR) A

Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto Milha (ABQM) anunciou no início de junho a transferência do Campeonato Nacional da raça, há anos realizado em Avaré (SP), para Londrina (PR), no Parque Governador Ney Braga, de 14 a 22 de julho.. A mudança já era reivindicada havia tempo por criadores da região e ganhou força com a recente decisão judicial, por meio de liminar, que impediu a realização de provas de laço em Avaré durante o Congresso Nacional, realizado em Abril. A ABQM divulgou que a decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho Administrativo da entidade. Em nota, o diretor Régis Fatri apresentou os motivos que levaram à mudança e não escondeu o descontentamento com a postura de políticos e representantes públicos da cidade de Avaré diante do impasse criado por uma ONG (Organização Não Governamental ) ligada ao “Bem-estar” animal 16 ( revista horse ) 2018

e abraçada pela Justiça local. “A razão principal para não podermos realizar o Nacional de 2018 em Avaré foi determinada pela Justiça baseada na cidade, ao proibir as provas de Laço”, destaca. Segundo ele, a razão secundária, mas não menos importante, foi a incapacidade do poder público e empresários de não conseguirem se articular para sensibilizar o Ministério Público e a Justiça de que essa decisão judicial era ruim para a ABQM e péssima para a economia do município. “Principalmente para o setor de serviços e até para os empregos eventuais gerados diretamente pelo evento”, enfatizou. Fatri também lembrou todo o investimento que foi realizado pela ABQM no parque de Avaré, que previa, inclusive, a construção de mais mil baias no recinto. “Infelizmente, essa posição dos pústulas que nos atacam de ferirmos os bons tratos animais sensibilizaram a Justiça de

Avaré, que não se convenceu de nossos argumentos e até da solicitação que colocassem fiscalização oficial da proteção animal em qualquer uma das nossas 19 modalidades, não somente do Laço”, acrescenta. Durante a semana, o assunto tomou conta de redes sociais e até virou notícia na imprensa local (reprodução acima), que já prevê prejuízos maiores à cidade, inclusive com algumas ações paralelas que já correm o risco de serem canceladas. Uma delas é o curso de equoterapia da Apae local, custeado pela ABQM. Com relação a esse caso específico, a associação soltou uma nota de esclarecimento sobre os procedimentos que serão adotados.


circuito Fotos: Divulgacão/Fagner Almeida-Arquivo Horse

salto

Éguas do Haras Rosa Mystica se destacam no Road Show nos EUA D

uas éguas Brasileiro de Hipismo de criação do Haras Rosa Mystica vêm chamando a atenção em competições internacionais. Zambia Mystic Rose, 9 anos, e Magnolia Mystic Rose, 8 anos, embarcaram em janeiro para os EUA e vêm demonstrando a qualidade da criação brasileira com grandes performances em pista no continente norte-americano, conseguindo, inclusive, qualificação para o World Equestrian Games (WEG). Foram expressivas participações e vitórias nos concursos de Wellington (Florida), Tryon (Carolina do Norte), Aiken (Carolina do Sul), Upperville

(Virginia), Lexington (Kentucky), Jackson (Tennessee), Great Lakes (Michigan) e ainda Spruce Meadows, no Canadá. As duas éguas disputaram CSI´s 2*,

3*, 4* e 5*, sendo que as duas se qualificaram para os Jogos Equestres Mundiais (WEG) em Tryon, que ocorrerá em setembro. Como se tratam de animais de pouca idade e pouca experiência em grandes concursos, os proprietários do Rosa Mystica preferem trabalhar com mais estratégia e dificilmente elas participarão do WEG. O certo é que a égua Magnolia Mystic Rose segue para Colômbia nos próximos dias, onde disputará os Jogos Equestres Centro Americanos, que é seletiva para os Jogos Pan Americanos, que ocorrerá no próximo ano, 2019, em Lima, Peru.

“sangue impuro”

Operação apura fraude de R$ 160 milhões e prende suspeitos O

Ministério Público Federal (MPF) em Campinas deflagrou no dia 4 de julho a operação “Sangue Impuro” para desarticular um esquema de importação de cavalos de competição com preços subfaturados. Alguns animais chegam a valer mais de R$ 1 milhão. A Receita Federal estima prejuízos que podem chegar a R$ 160 milhões, entre 2011 e 2015. Segundo o MPF, uma das pessoas investigadas é fortemente ligada ao hipismo, sendo conhecida competidora de provas nacionais e internacionais, mas o nome não foi revelado. Os investigadores descobriram que 18 ( revista horse ) 2018

muitos cavalos que foram importados disputaram competições internacionais e tinham preço superior a 100 mil euros cada, mas eram declarados à Receita Federal brasileira por valores bem menores, geralmente entre 1,5 a 8 mil euros cada. Foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e outros dois de prisão temporária expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas contra integrantes da quadrilha. De acordo com o procurador da República Fausto Kozo Matsumoto Kosaka, o esquema era orquestrado por doleiros, que eram responsáveis pelas transações

de pagamento diretamente aos exportadores em outros países, sem que os valores e a negociação fossem declarados à Receita Federal e ao Banco Central.


circuito Fotos: Perigo

weg 2018 - rédeas

evento

Crioulo conquista vaga para a Copa do Mundo do cavalos P

ela terceira edição consecutiva, a raça crioulo conseguiu classificar um representante para o World Equestrian Games (WEG), considerado o maior evento esportivo equestre do mundo. Na última seletiva brasileira realizada no dia 23 de junho em Avaré, interior de São Paulo, o cavaleiro Roberto Jou conduziu F5 Licurgo Tapajós, da Cabanha Marca dos Santos, para o primeiro lugar do pódio, com 74 pontos, garantindo uma vaga no Time Brasil de Rédeas para a competição que será realizada este ano, de 10 a 23 de setembro, em Tryon, na Carolina do Norte, nos EUA(Veja matéria na página 22). A seletiva também garantiu vaga para o cavaleiro Marcelo de Almeida, com Mahogany Whiz. A conquista de F5 Licurgo Tapajós foi muito comemorada pela proprietária da Cabanha Marca do Santos, Gilvane Marca dos Santos, que viu um sonho se realizando. “Sempre acreditamos no potencial da raça crioulo. É um projeto que começou lá trás, disse que faria, faço, farei e estarei lá. Isso é ponto”, afirma ela, que há cerca de dois anos perdeu o marido de forma precoce e, desde então, vem dedicando todo trabalho em sua homenagem. A classificação de F5 Licurgo abre um novo capítulo da história do crioulo na modalidade de Rédeas, que pela terceira vez consecutiva consegue classificar um representante da raça para a disputa do World Equestrian Games, conhecida como a Copa do Mundo dos Cavalos, realizada a cada quatro anos. A primeira vez foi em 2010, em Lexington, Kentucky, nos EUA, quando SJ Rodopio, na sela de Wellington Teixeira, fez o melhor tempo da equipe brasileira na disputa com os melhores do mundo, ficando em 14º lugar na classificação geral. Em 2014, na Normandia, na França, o conjunto conseguiu novamente a classificação, integrando o Time Brasil de Rédeas, mas acabou sendo desclassificado 20 ( revista horse ) 2018

devido a uma punição regimental, minutos antes de entrar em pista. A disputa da última seletiva em Avaré foi acirrada, com pelo menos cinco conjuntos buscando duas vagas. Entre eles, F5 Licurgo Tapajós era um dos crioulos que enfrentou grandes concorrentes quartistas em pista, entre eles dois integrantes do Time Brasil de 2014: Paulo Koury, com Custom Whiz Kid, e Gilsinho Diniz, com A Son Ofa Gunner, que acabaram ficando de fora. Os demais três representantes do Brasil serão definidos por seletivas disputadas nos Estados Unidos. Vários cavaleiros brasileiros disputam as vagas entre os que obtiverem os índices. Deles, dois serão escolhidos para integrar o Time Brasil, e um disputará apenas na categoria individual. Entre os favoritos, estão João Felipe Lacerda, Franco Bertolani e Thiago Boechat, todos montando Quarto de Milha.

Árabe antecipa exposição Nacional A

trás do fomento do mercado internacional, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Árabes (ABCCA) resolveu antecipar de novembro para julho a 37ª edição de sua exposição. O objetivo principal é conciliar o evento com o período de férias em vários países do mundo e atrair investidores e criadores de cavalos árabes de outros países, considerado o principal nicho de mercado de cavalo da raça. O evento será, a exemplo de anos anteriores, o Helvétia Rider Center, em Indaituba, interior de São Paulo, com algumas novidades. Entre elas, a Brazilian Farm Tour, que ocorre na sequência da Nacional, de 22 a 25 de julho, levando criadores estrangeiros para conhecer haras de cavalos árabes na redondeza. “O mercado de cavalos de forma geral sofreu um depressão nos últimos anos, mas o árabe brasileiro continua sendo referência da raça internacionalmente e vamos tentar recuperar o potencial das exportações”, afirma o presidente da ABCCA, Luciano Cury (leia entrevista na página 10). O Helvétia Rider Center fica na Estrada Municipal 2, Indaiatuba (SP). Informações Tel.: (11) 3674-1744.


especial especial weg 2018 weg 2018 Da Redação Da Redação

OOHIPISMO HIPISMOQUE QUEL Brasil Brasil se prepara se prepara para apara World a World Equestrian Equestrian Games Games (WEG),(WEG), a Copa a Copa do Mundo do Mundo dos Cavalos, dos Cavalos, evento evento que reúne que reúne oito modalidades, oito modalidades, com 70 com países 70 países e público e público de mais de de mais 500 demil 500pessoas mil pessoas epois da epois Copa da do Copa Mundo dode Mundo futebol, de futebol, ção da Confederação ção da Confederação BrasileiraBrasileira de Hipismo de Hipismo (CBH), (CBH), o Brasil agora o Brasil se agora prepara separa prepara o maior para o em maior parceria em parceria com as entidades com as entidades representantes representantes de de evento esportivo evento esportivo equestre equestre do mundo. do mundo. cada modalidade. cada modalidade. O World Equestrian O World Equestrian Games (WEG), Gamesco(WEG), coEstádio deEstádio Caen, na de Caen, na Cada modalidade Cada modalidade é disputada é disputada individualmenindividualmenNormandiaNormandia (FRA), (FRA), nhecido como nhecido a Copa comodoa Mundo Copa dodos Mundo Cavalos, dos éCavalos, re- teéereem equipes, te e em equipes, cada umacada comuma quatro comconjuntos. quatro conjuntos. com capacidade com capacidade alizado pela alizado Federação pela Federação Equestre Equestre Internacional Internacional (FEI) Este (FEI) ano, Este diferente ano, diferente das edições dasanteriores, edições anteriores, cada paíscada país para 25 milpara pessoas: 25 mil pessoas: a cada quatro a cada anos quatro e nesta anos 8ª e nesta edição 8ª será edição realizaserá realizapoderá levar poderá até cinco levar até conjuntos, cinco conjuntos, sendo quatro sendo por quatro por palco do WEG palco 2014 do WEG 2014 do em Tryon, do em naTryon, Carolina na do Carolina Norte do (EUA), Norte de (EUA), 10 a 23de 10 a 23 e equipe equipe uma para e uma as disputas para as disputas individuais. individuais. O Salto O Salto de setembro. de setembro. Ao todo são Ao todo oito modalidades são oito modalidades (Salto, é(Salto, onde oéBrasil ondetem o Brasil maiores tem chances maiores de chances medalha, de medalha, Dressage,Dressage, ConcursoConcurso CompletoCompleto de Equitação de Equitação -CCE, como -CCE, ocorreu como com ocorreu Rodrigo com Pessoa Rodrigoem Pessoa 1998,em em1998, em Rédeas, Enduro, Rédeas,Volteio, Enduro,Atrelagem Volteio, Atrelagem e Paraequestre), e Paraequestre), Roma (Ita). Roma Entre(Ita). os melhores Entre os melhores resultados, resultados, o Salto peo Salto pecom representantes com representantes de 70 países de 70 e um países público e umestipúblico estigou o quarto gou olugar quarto individual, lugar individual, também também com Rodricom Rodrimado de mado 500 mil depessoas. 500 mil pessoas. go Pessoa, goePessoa, por equipe, e por em equipe, Lexington, em Lexington, KentuckyKentucky O Brasil, aOexemplo Brasil, a exemplo de edições deanteriores, edições anteriores, par- (EUA), par- em(EUA), 2010. em 2010. ticipará em ticipará pelo em menos pelosete menos modalidades, sete modalidades, fican- ficanPara a edição Para deste a edição anodeste as equipes ano as ainda equipes estão ainda estão do de fora doapenas de forana apenas Atrelagem. na Atrelagem. O processo O processo de em de processo em processo seletivo, com seletivo, previsão com para previsão ser conclupara ser concluseleção das seleção equipes das vem equipes sendo vemrealizado sendo realizado ído no final ído de no julho final de e início julhode e início agosto. deOagosto. certo éO certo é desde o ano desde passado, o ano passado, sob a coordenasob a coordenaque os atletas que ose atletas cavalosedo cavalos salto deverão do salto ser deverão sele- ser sele-

22 ( revista22horse ( revista ) 2018 horse ) 2018


Fotos: Fagner Fotos: Almeida Fagner Almeida

ELOTA LOTAESTÁDIOS ESTÁDIOS cionadoscionados entre conjuntos entre conjuntos que disputam que disputam as seletivas as seletivas despertando despertando mais interesse mais interesse do público do que público apre-que apreno Exterior. no A Exterior. composição A composição final da equipe final daserá equipe de- será ciadecavalos, cia cavalos, tanto presencialmente tanto presencialmente quanto pela quanto pela finida pela finida CBH.pela CBH. mídia. Osmídia. interessados Os interessados em mais em informações mais informações sosoA equipe Adeequipe Rédeas, deúnica Rédeas, modalidade única modalidade western western bre o WEG bre2018 o WEG podem 2018obtê-las podem pelo obtê-las site:pelo https:// site: https:// a participar a participar do WEG, do é a WEG, que jáé definiu a que jápelo definiu menos pelo menos tryon2018.com tryon2018.com dois conjuntos dois conjuntos que integrarão que integrarão o Time Brasil. o Time NasBrasil. se- Nas seletivas organizadas letivas organizadas pela Associação pela Associação nacional dos nacional Ca- dos Cavalos de valos Rédeas de(ANCR), Rédeas Roberto (ANCR), Jou Roberto classificou Jou classificou o o cavalo crioulo cavaloF5crioulo Licurgo F5Tapajós, Licurgo da Tapajós, Cabanha da Cabanha MarMarRevistaa Horse, exemplo a exemplo do trabalho do trabalho exexca dos Santos, ca dose Santos, MarceloeAlmeida, Marcelo Almeida, o Quarto odeQuarto Milha de MilhaA RevistaA Horse, clusivo que clusivo realizou queem realizou 2010, no emKentucky 2010, no Kentucky (EUA), e (EUA), e Mohagany Mohagany Whiz. As demais Whiz. Astrês demais vagastrês (umvagas individu(um individuem 2014, na emNormadia 2014, na Normadia (Fra) fará (Fra) a cobertura fará a cobertura total total al e dois por al eequipe) dois porserão equipe) compostas serão compostas por conjuntos por conjuntos evento, equipe com própria. equipeNeste própria. ano,Neste a noviano, a novibrasileirosbrasileiros que disputam que disputam as seletivas as nos seletivas EUA. nos EUA. do evento,docom dade dade os boletins serão osdiários boletins direto diários de direto Tryon, de porTryon, por Para o presidente Para o presidente da ANCR,da Francisco ANCR, Francisco Moura, o Moura, o serão meio do site meio e redes do sitesociais, e redescom sociais, informações com informações exexBrasil vai Brasil para Tryon vai para este Tryon ano este para ano “disputar para “disputar meda- medaclusivas clusivas evento,doem evento, especial emdas especial performances das performances lha”, mesmo lha”, tendo mesmo como tendo concorrentes como concorrentes diretos osdiretos os do dos dos brasileiros. Os leitoresOsdaleitores Horseda também Horse potambém poamericanos, americanos, soberanos soberanos na modalidade na modalidade original de original debrasileiros. derão acompanhar derão acompanhar toda a definição toda a definição das equipes das equipes seu país. Moura seu país. afirma Moura que afirma seu otimismo que seu otimismo se justifica se justifica brasileiras e todas aseinformações todas as informações sobre a Copa sobre doa Copa do pelas boas pelas notas boas quenotas os brasileiros que os brasileiros têm obtidos têmem obtidosbrasileiras em Mundo dos Mundo Cavalos dosnas Cavalos próximas nas próximas edições. edições. campeonatos campeonatos nos EUA, nos que EUA, os colocam que os em colocam posição em posição de igualdade. de igualdade. “Na eletiva “Naaqui eletiva tivemos aqui um tivemos empate um empate dos dois primeiros dos dois primeiros conjuntosconjuntos com 74 pontos, com 74dados pontos, dados por um juiz poreuropeu”, um juiz europeu”, comparou. comparou. Independe Independe de resultados, de resultados, o Brasil vem o Brasil evoluinvem evoluindo cada vez do cada mais vez e a Copa mais edo a Copa Mundo dodos Mundo Cavalos dos Cavalos

Revista Revista Horse Horse no WEG no WEG

2018 ( revista 2018 horse ( revista ) 23horse ) 23


turfe Por Claudio Rostellato No Hipódromo de Cidade Jardim, Euquemando chegou na frente na sela de André Luiz Silva

Principais provas do ano turfístico reúnem grande público e os melhores cavalos e jóqueis em disputas acirradas

Grandes Prêmios movimentam hipódromos de São Paulo e Rio O

turfe viveu mais uma vez o seu momento máximo no Brasil com as performances dos jockeys nos Grandes Prêmios São Paulo Black Opal 2018 e Brasil (RJ). No Hipódromo da Gávea, no Rio, realizado no dia 10 de junho, nem mesmo a presença do multicampeão e recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, intimidou Quarteto de Cordas, montado por Luan Silva Machado, que venceu com autoridade o principal Grande Prêmio do Hipódromo carioca. Já em Cidade Jardim, na capital paulistana, no Grande Prêmio realizado no início de maio, as emoções também foram das mais fortes: o vencedor, Euquemando, propriedade do Haras Chello, foi o vencedor da 64ª edição do maior evento paulista do turfe, realizado no Hipódromo Paulistano. Com uma bela atropelada no final, o cavalo montado por André Luiz Silva superou Fantastic Boy e cruzou o disco com meio corpo de vantagem. Sammy terminou em terceiro. Euquemando tem 4 anos e é 24 ( revista horse ) 2018

filho de Public Purse e FIrst Birth (Stormy Atlantic), de criação do Haras Anderson e propriedade do Haras Chello. Essa foi a primeira vitória do treinador Mário André, na principal prova de Cidade Jardim, enquanto que Euquemando conquistou a sua sexta vitória em 23 saídas. O caminho para suas vitórias mais importantes veio na capital paulista, depois de ter iniciado campanha no Hipódromo da Gávea, passando também pelo turfe gaúcho. Euquemando precisou de apenas 2:25.45 para completar os 2.400 metros. O momento mais emocionante foi a atropelada sensacional de Euquemando na reta final. Depois de não conseguir ultrapassagem e ter que ser colocado pela linha um, o vencedor foi superando um após outro, os seus rivais e colocou seu nome na lista dos ganhadores do icônico Grande Prêmio São Paulo Black Opal. Uma das provas mais importantes do calendário nobre nacional e o ponto alto do turfe paulista-


Fotos: Porfírio Menezes/Sylvio Rondinelli

Espaço social do Jockey Clube de São Paulo ficou lotado

Equipe do Haras Chello, do treinador Mário André, comemorou a vitória de Euquemando

no, o 94º GP São Paulo foi realizado em uma pista de 2.400 metros, de grama leve, no primeiro domingo de maio, no Hipódromo de Cidade Jardim. Fantastic Boy chegou em segundo, enquanto que Sammy terminou em terceiro deixando para Future Queen e First Fighter no complemento do marcador. Ao rítmo de Quarteto de Cordas O nome é clássico e o desempenho só poderia ser a mais fina harmonia. Como em uma orquestra, Quarteto de Cordas, sim, esse é o nome da fera, não desafinou, e merecidamente venceu o Grande Prêmio Brasil de turfe. O Hipódromo da Gávea vivia uma tarde de festa, do dia 10 de junho, havia grande expectativa com a participação do campeão mundial e recordista de vitórias J. Ricardo. Mas, quem roubou a cena e recebeu os apláusos do grande público no “gran finale”, foi Quarteto de Cordas, montado por L. S. Machado. Multicampeão e favorito no páreo, montando Arrocha, Ricardinho, que vive em Buenos Aires, não conseguiu segurar a arrancada final do grande vencedor. Essa foi a 86ª edição do GP Brasil, sendo que Quarteto de Cordas conseguiu surpreender todas as expectativas, conquistando o páreo mais importante. A vitória coroa o trabalho realizado pelo Haras do Morro, desenvolvido por toda equipe, sob o comando de Sinval Domingues de Araújo. Com o triunfo, a montaria ficou com o prêmio principal em dinheiro e deixou para trás Ricardinho, o recordista mundial de vitórias em corridas de cavalos. O terceiro lugar foi de Or Noir, montado por A. Correia. Um dos fatores mais emocionantes é que

o páreo foi disputado em um percurso de 2.400 metros, na grama, e Arrocha, a montaria de Ricardinho, liderou em grande parte do percurso. Na reta final, Quarteto de Cordas encostou e conseguiu a vitória por uma pequena diferença. Ao todo, 19 cavalos participaram do sétimo páreo da tarde no Jockey Club do Rio de Janeiro, na Gávea, Zona Sul da cidade. O grande vencedor do GP Brasil tem 3 anos de idade, é filho de Rock of Gibraltar e New Hampshire (Punk), de criação de Beverly Hills Stud. A prova ofereceu R$ 300 mil ao ganhador e um lugar no partidor da Breeders’ Cup Turf (gr.I) de novembro, nos Estados Unidos. A vitória marcou o bicampeonato consecutivo do treinador Luiz Esteves, que também vai escrevendo seu nome na história do turfe. 2018 ( revista horse ) 25

No Hipódromo da Gávea, no Rio, Quarteto de Cordas, montado por Luan Silva Machado, venceu com autoridade


internacional internacional Da Redação Da Redação

Prova é realizada Prova éarealizada cada a cada três anos em trêspaíses anos em quepaíses que integram aintegram Federação a Federação

Brasil Brasilsedia sediaCopa Copadodo

MUNDO MUNDOCRIOULO CRIOULO C

C

onhecidaonhecida como a Copa como doaMundo Copa dodos Mundo cavalos dos cavalos Freio de Ouro, Freio de no Ouro, ParquenodeParque Exposições de Exposições Assis Brasil, Assis Brasil, Crioulos, Crioulos, a exposição a exposição da Federação da Federação Interna- Internaem Esteioem (RS), Esteio com(RS), muitas comdisputas muitas disputas acirradas.acirradas. Nas Nas cional de cional Criadores de Criadores de Cavalos deCrioulos Cavalos(FICCC) Crioulos foi(FICCC) re- éguas, foi re- AM éguas, Gaita,AM da Gaita, Cabanha da Cabanha Sol Brilhante, Sol Brilhante, de Fre- de Frealizada este alizada ano no este Brasil anoeno movimentou Brasil e movimentou os melhores os melhores derico Westphalen derico Westphalen (RS), montada (RS), montada pelo ginete pelo Cláuginete Cláuexemplares exemplares da raça durante da raçaos durante dias 14osa 24 diasde14maio. a 24 dedio maio. dos Santos dio dos Fagundes, Santos Fagundes, foi a grande foi acampeã. grande Já campeã. na Já na A Expo FICCC A Expo é um FICCC evento é uminternacional evento internacional e itineran-e itinerandisputa entre disputa os machos, entre osGabriel machos,Marty Gabriel conquistou Marty conquistou o o te, ocorrendo te, ocorrendo a cada três a cada anos três em um anos dos empaíses um dos que países queprincipal lugar lugar principal do pódio,do montando pódio, montando Colibri Matrero, Colibri Matrero, integram integram a entidade a entidade máxima, reunindo máxima, reunindo participantes participantes propriedade propriedade da La Pacifica, da Lade Pacifica, Paysandu, de Paysandu, no Uruguai. no Uruguai. dos quatro dos países quatro membros países membros do Mercosul: do Mercosul: Argentina,Argentina, Organizada Organizada pela Associação pela Associação Brasileira Brasileira de Criado-de CriadoBrasil, Uruguai Brasil,eUruguai Paraguai. e Paraguai. Associações Associações de paísesde eu-países reseude Cavalos res deCrioulos Cavalos (ABCCC), Crioulos (ABCCC), a competição a competição prepreropeus – ropeus Alemanha, – Alemanha, Itália e França Itália –e também França – foram também miou foramos miou campeões os campeões do últimodotriênio, últimoconsistindo triênio, consistindo reconhecidas reconhecidas como sócias como aderentes. sócias aderentes. A Expo FICCC A Expo na FICCC prova na mais prova concorrida mais concorrida da raça Crioula. da raçaDurante Crioula.oDurante o deste anodeste ocorreu ano no ocorreu mesmo nopalco mesmo do palco tradicional do tradicional evento, foievento, realizada foi realizada também atambém Classificatória a Classificatória Aberta Aberta 26 ( revista26horse ( revista ) 2018 horse ) 2018


Fotos: Fagner Fotos: Almeida Fagner Almeida

EdiçãoEdição da FICCC da FICCC reuniureuniu melhores melhores exemplares exemplares da da tradicional tradicional raça latina raça latina no no parque parque de exposição de exposição de de EsteioEsteio (RS), com (RS),destaque com destaque para Brasil para Brasil e Uruguai e Uruguai

Competição Competição segue o mesmo segueformato o mesmo doformato do Freio de Ouro, Freiocom de Ouro, provascom de Mangueira provas de Mangueira e Paleteadae (abaixo), Paleteadaentre (abaixo), outras entre queoutras que reproduzem reproduzem atividades atividades do campo do campo

para o Freio para deoOuro Freio2018, de Ouro quando 2018,foram quando conhecidos foram conhecidos mais 16 classificados mais 16 classificados para a final. para a final. Sérgio Amaral, Sérgioexpositor Amaral, expositor da AM Gaita, da AM agradeceu Gaita, agradeceu a todos pela a todos conquista, pela conquista, destacando destacando principalmente principalmente o empenho o empenho da famíliadae família às pessoas e às que pessoas trabalham que trabalham tanto na tanto parte na clínica partequanto clínicana quanto parte na de parte orientade orientação na cabanha. ção na cabanha. Este foi o Este segundo foi o segundo título importantítulo importante da égua, te que da égua, foi Bocal que de foi Ouro Bocalem de Ouro 2016. em “Trata-se 2016. “Trata-se 15ª diedição15ª da edição da de uma égua de uma muito égua nova muito quenova provavelmente que provavelmente será di- será FICCC, organizada FICCC, organizada recionadarecionada para a reprodução. para a reprodução. Estamos muito Estamos felizes muito felizes pela ABCCC, pela contou ABCCC, contou por uma conquista por uma conquista tão importante tão importante em meio em a tantos meio a tantos com representantes com representantes animais de animais qualidade de qualidade elevada”, elevada”, afirmou. afirmou. da Argentina, da Argentina, Brasil, Brasil, Uruguai e Paraguai Já o expositor Já o expositor de Colibride Matrero, Colibrivencedor Matrero, vencedor entre Uruguai entre e Paraguai os machos, os Juan machos, Salustiano Juan Salustiano Peirano, revelou Peirano,que revelou o que o animal vem animal participando vem participando há cerca de háum cerca ano dede um proano de provas da raça vasCrioula. da raçaQue Crioula. o resultado Que o resultado obtido em obtido Es- em Esteio é umateio recompensa é uma recompensa à aposta no à aposta cavalono escolhido cavalo escolhido pela cabanha pela para cabanha as provas para as que provas estãoque sendo estão realizasendo realizadas. “É muito das. importante “É muito importante esta conquista. esta conquista. Estávamos Estávamos buscandobuscando este título,este é um título, cavalo é um decavalo muito de valor muito e o valor e o resultadoresultado nos deixanos muito deixa orgulhosos”, muito orgulhosos”, salientou salientou PeiPeirano, ressaltando rano, ressaltando ainda o trabalho ainda o do trabalho ginetedo brasileiginete brasileiro GabrielroMarty. Gabriel Marty. ConformeConforme estimativaestimativa da ABCCC, dapelo ABCCC, menos pelo30menos 30 mil pessoas milpassaram pessoas passaram pela Expopela FICCC, Expo confirmando FICCC, confirmando 2018 ( revista 2018 horse ( revista ) 27horse ) 27


internacional Fotos: Fagner Almeida

AM Gaita, com o ginete Cláudio dos Santos Fagundes: grande campeã entre as fêmeas. Ao lado, comemorando o título que ficou no Brasil

o sucesso do evento que já está em sua 15ª edição e depois de nove anos sendo realizada em outros países, voltou ao Brasil. A programação da Expo FICCC envolveu disputas do Freio de Ouro, Morfologia, Paleteada Argentina, Paleteada Nacional e Movimiento a La Rienda. A Marcha da Resistência, modalidade que integra o evento, será realizada em 2019, na cidade de Jaguarão (RS). O presidente da ABCCC, Eduardo Suñe, contou que, além de Brasil, Argentina e Uruguai, que vieram para a competição, também foram registradas presenças de delegações do Paraguai, Itália e Alemanha. “A ExpoFICCC nos surpreendeu positivamente. A competitividade dos animais tanto do Brasil, quanto do Uruguai e da Argentina fez com que tivéssemos provas muito acirradas. Vieram os melhores animais, melhores ginetes, melhores treinadores”, afirmou. O resultado completo e mais informações podem ser conferidos no site http://ficcc2018.com Freio de Ouro 2018

O ginete brasileiro Gabriel Marty, com o crioulo Colibri Matrero. Abaixo, comemorando o título dos machos, que foi para o Uruguai

Na Classificatória Aberta de Esteio, a primeira colocada entre as fêmeas foi a égua Umauá do Infinito, da Cabanha Rota do Tropeiro, de Caxias do Sul (RS), com o ginete Libamar Novello, nas fêmeas. E nos machos foi o cavalo PP Saudade de um Amigo do Renascer, da Estância Renascer, de Uruguaiana (RS), montado pelo ginete Gabriel Marty. Os resultados, fotos e outras informações da Classificatória podem ser conferidos no site da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) www.abccc.com.br O mais importante evento da raça Crioula no Brasil, o Freio de Ouro, acontece no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), entre os dias 22 e 26 de agosto. 28 ( revista horse ) 2018


capa Por Claudio Rostellato

Fotos: Divulgação ABCCMM/ Marcelo Mastrobuono

Eventos da ABQM vêm quebrando sucessivos recordes

TEMPORADA DE NACIONAIS Nacional do Marchador: estrutura para receber mais de 200 mil pessoas

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Fotos: Divulgação ABQM e ABCCMM/Julio Oliveira/Aluiso Alves

Nacionais do Mangalarga Marchador e Quarto de Milha evidenciam, com números superlativos, o crescimento de dois dos maiores plantéis no Brasil

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a pista da esquerda, o Mangalarga Marchador (MM), com um plantel de mais de 600 mil cabeças no Brasil, maior número de associados e gerando cerca de 240 mil empregos diretos. Pela direita, vem forte o Quarto de Milha (QM), com mais de 107 mil criadores e proprietários, somando mais de 550 mil animais devidamente registrados, cujos haras e propriedades somam aproximadamente 1 milhão de hectares, avaliados em cerca de R$ 20 bilhões. Não é exatamente um páreo em busca do primeiro lugar no pódio, já que se tratam de raças com aptidões diferentes. Enquanto o MM tem entre suas principais qualidades o andamento marchado e confortável, ideal para passeios e cavalgadas, o QM se consolidou no Brasil como o cavalo de esporte para diversas modalidades. Ambas, entretanto, se destacam pelo crescimento vultoso dos últimos anos e com expectativa de buscar uma maior fatia do mercado equestre nacional. Um bom demonstrativo da projeção dessas duas raças pode ser constatado nas chamadas Nacionais, que ocorrem no mesmo período de julho. Embora em formato e características diferentes, os eventos são um bom termômetro para aferir o patamar que alcançaram, reunindo cada vez mais criadores, animais inscritos, patrocinadores e, em especial, o público usuário de cavalos. Neste ano, a Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Quarto de Milha (ABQM) resolveu realizar a 41ª edição do Campeonato Nacional de Trabalho e Conformação, um de seus três grandes eventos do ano, com uma mudança bastante significativa. Deixou sua antiga sede

Vaquejada ajudou a projetar o Quarto de Milha no Nordeste

Provas de Marcha ainda são o grande atrativo da Nacional do Mangalarga Marchador

de Avaré, no interior de São Paulo, e será realizada em Londrina (PR), de 14 a 22 de julho, no Parque de Exposições Governador Ney Braga. O motivo foi ocasionado pela Justiça local, que no último evento da raça, em maio, proibiu, por meio de liminar, provas de laço, gerando muitos transtornos e prejuízos aos participantes e organizadores. “Não foi uma decisão fácil mudar o Campeonato Nacional para outro estado, mas os resultados demonstram a força da raça no Brasil”, justifica o diretor conselheiro Régis Fatri. 2018 ( revista horse ) 31


capa Fotos: Fabio Cabrera/Nelson Verga/ Miguel Oliveira-Divulgação ABQM

Modalidades esportivas têm atraído cada vez mais participantes nos eventos da ABQM

O novo endereço foi bem recebido pelos participantes, como comprovam os números divulgados pela ABQM, que registrou a expressiva marca de 7.914 inscrições, precisamente 39% a mais que em 2017. Segundo dados da associação, ao todo são 1.191 competidores e 32 ( revista horse ) 2018

1.991 animais, que concorrerão em 19 modalidades esportivas. Um novo recorde da raça. O presidente da ABQM, Edilson de Siqueira Varejão Júnior, vê com bastante otimismo a mudança de Avaré para Londrina. “Será um grande evento! Os quartistas abraçaram a causa com a gente. A cidade é muito boa, seu povo hospitaleiro, tem ótimos hotéis, com preços mais acessíveis para os participantes, além de um dos melhores parques do país, que ainda está recebendo, por conta da ABQM, uma estrutura ainda melhor”, afirma ele. A aptidão para as atividades esportivas foi o grande propulsor da raça americana no Brasil. As modalidades de Tambor e Vaquejada, por exemplo, foram as que tiveram maior adesão e ajudaram a raça a ampliar ainda mais o seu campo de atuação, oferecendo opções a novos criadores e, também, para proprietários ou usuários de cavalo para o esporte. Conforme dados do Stud Book da ABQM, atualmente o plantel nacional é de 555.000 animais registrados, pertencentes a 107.891 proprietários. Deste total, 54.007 são criadores e 33.546 são associados ativos, que ajudam a tornar o Quarto de Milha uma das raças que mais avança no país. Outros dados interessantes: apenas os cavalos desta raça são responsáveis pelo consumo de 918 toneladas de ração/ano, demandando investimento de aproximadamente R$ 730 milhões. Segundo dados da ABQM, o trabalho de cuidar desses animais envolve mais de 300 mil empregos diretos (média de 3 funcionários para cada propriedade), sem contar profissionais especializados como veterinários, agrônomos, zootecnistas, ferradores, centros de treinamento, centros de reprodução, leiloeiras, carpinteiros, pedreiros, eletricistas, marceneiros, transportadores de cavalos, fabricantes de equipamentos e indústria de ração e produtos veterinários, entre outros. Marchador Se os números até aqui impressionam, os do Mangalarga Marchador são de encher os


Fotos: Julio Oliveira/Marcelo Mastrobuono

Provas funcionais, cavalgadas e marcha são os atrativos da ABCCMM

olhos de qualquer economista. Afinal, a raça é responsável, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), por gerar cerca de quase 240 mil empregos diretos e indiretos, uma boa parcela de todo o segmento. Só para efeito comparativo, o volume de mão de obra ocupada nas mais diversas funções na criação do cavalo Mangalarga Marchador equivale a uma prefeitura do porte de São Paulo. A ABCCMM conta atualmente com 15 mil sócios ativos, espalhados por 70 Núcleos por todas as regiões do país, além de países como: Alemanha, Itália, Estados Unidos e Argentina. No ano passado, foram 352 leilões, com um total movimentado, com base na média, de R$ 349,8 milhões, resultado da comercialização de 6.944 animais. Sua exposição nacional detém o maior público de uma única raça, chegando a receber mais de 200 mil pessoas em 11 dias de provas, com uma média de 20 mil pessoas/dia. Neste ano, sua 37ª Exposição Nacional será entre os dias 18 e 28 de julho, no tradicionalíssimo Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, com a expectativa de um público ainda maior. A estimativa é de que o evento conte com mais de 2.000 inscrições de animais, devendo movimentar R$ 25 milhões com leilão e nas vendas diretas entre os criadores. Os animais, incluindo os de pista, esporte e para remate, advindos de todas as regiões do país irão participar do evento. Maior da América Latina, o MM conta atualmente com um plantel de aproximadamente 600 mil cabeças e apontando crescimento na faixa dos 10% ao ano. O estado de Minas Gerais, berço da raça, reina absoluto no número de cavalos registrados, com 210 mil. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Espírito Santo também mantém plantéis expressivos. A receita para manutenção dessa estrutura de criação provém de leilões, exposições, campeonatos, cavalgadas e concursos de marchas, além da venda direta, entre outras. O presidente da ABCCMM, Daniel Borja, quer mais e afirma que trabalha para ampliar

ainda mais esses números. Juntamente com sua diretoria, desenvolve ações para expansão da raça, principalmente nos estados onde não é tão expressiva. A ideia é trabalhar junto aos proprietários de cavalos para que tenham acesso a informações e cursos e se tornem futuros 2018 ( revista horse ) 33


capa Fotos: Julio Oliveira/Fabio Cabrera

larga Marchador é usado em praticamente todas as atividades esportivas e de trabalho, além do passeio”, diz o presidente Borja. Nordeste

Eventos do Mangalarga Marchador e Quarto de Milha contam com competições em várias modalidades e um número cada vez maior de inscrições

criadores. Com as ações em prática, a estimativa inicial é de um crescimento de 50% do plantel em três anos. A expansão do Mangalarga Marchador se deve, essencialmente, a seu tipo de andamento confortável e ideal para passeio e cavalgadas. O grande atrativo da raça, entretanto, são as provas de marcha, ponto forte da Nacional, com criadores e proprietários vindos de várias regiões do Brasil, em especial do Nordeste. Para representantes da raça, porém, as qualidades de MM vão muito além da marcha. “Hoje o Manga34 ( revista horse ) 2018

O crescimento acelerado dos últimos anos do Mangalarga Marchador e Quarto de Milha tem em comum o mercado nordestino, onde mais se desenvolveu nos últimos anos, seguindo caminhos diferentes. No caso do MM, isso se deu por meio dos criadores de chamada “Marcha Picada”, um tipo de andamento onde fica mais evidente o tríplice apoio, que até anos atrás era renegado pela própria ABCCMM. Desde que incorporou e oficializou a categoria nas provas de marcha, dividindo o terreno com a “Marcha Batida”, a adesão de novos criadores cresceu e se consolidou de forma significativa. Hoje, criadores de estados nordestinos como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, entre outros, formam uma das áreas mais movimentadas e badadalas da Nacional do MM no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, na conhecida “Alameda dos Núcleos”. Cada estado monta seu estande, com a participação de amigos, familiares e simpatizantes, e promove uma grande festa em praticamente todos os dias na exposição nacional. Já o Quarto de Milha contou com a adesão dos praticantes da Vaquejada. Na última década, os nordestinos descobriram o potencial dos cavalos da raça para a modalidade, utilizando cavalos com genética para as corridas de cancha reta e começaram a reforçar o plantel nordestino com produtos de primeira linha. A demanda fez com quem os animais fossem valorizados e abrissem uma nova frente de mercado. Ou seja, animais antes desvalorizados e com mercado restrito ganharam um novo campo para proliferar e formar uma genética específica para a modalidade. A raça seguiu o mesmo ritmo de crescimento da Vaquejada, que se tornou um dos principais eventos equestres dessa parte do Brasil, movimentando milhões e ajudando a projetar o Quarto de Milha para o topo.


asininos Da Redação

Provas de muares voltaram a contar com grande número de conjuntos em pista

ENAPÊGA bate recorde

de participantes 36 ( revista horse ) 2018


Fotos: Marcelo Mastrobuono

33ª edição do maior evento de jumentos e muares teve grande participação de criadores, com 270 inscrições de animais de várias partes do Brasil

A

33ª Exposição Nacional do Jumento Pêga (Enapêga), realizada entre 22 e 27 de maio no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, registrou recorde no número de animais inscritos, com 200 asininos e 70 muares. E não foi só a participação que melhorou com relação aos últimos anos. O clima de harmonia e confraternização entre criadores de jumentos e muares de várias partes do Brasil foi um ponto alto da exposição. O evento fez parte da programação da 58ª Exposição Estadual de Agropecuária, atraindo criadores que andavam afastados do maior evento da raça. O presidente da Associação Brasileira de Criadores do Jumento Pêga (ABCJPêga), Márcio Campos, ressaltou o sucesso do evento, mesmo com o país enfrentando um período de muitas dificuldades na economia. “Claro que a gente fica feliz. Foi muito importante para nós esse recorde no número de animais, demonstra o interesse e o esforço dos criadores prestigiando a exposição”, afirmou. O número de expositores também superou o do ano passado, sendo 15 de jumentos e 27 de muares. Proprietário do criatório Campeãs da Gameleira, de Itapetininga (SP), Martin Frank Herman, levou 39 animais para expor, sendo duas mulas para as crianças montarem na categoria mirim e 37 asininos. Entre vários títulos conquistados, Herman levou para casa mais dois troféus importantes de: melhor expositor e melhor criador, confirmando o tricampeonato como Melhor Criador e Melhor Expositor. “É uma alegria imensa você fazer novamente a dobradinha no maior campeonato da raça, que representa todo o Brasil. Graças a Deus a equipe foi coesa, lutou e venceu”, disse. Quem também teve bons resultados na Enapêga foi o Haras do Paschoal, de Lucas Radel, que também ganhou vários títulos, entre eles quatro grandes campeonatos, com o Grande Campeão Nacional Jovem

Exposição reuniu animais dos principais criatórios de jumentos do Brasill

Ditão, de 3 anos, e Maria Izabel, de 7: crianças mostraram em pista a nova geração de muladeiros do Brasil

2018 ( revista horse ) 37


asininos Fotos: Marcelo Mastrobuono

Criatório Campeãs da Gameleira recebendo um dos títulos: Melhor Criador e Melhor Expositor, pela terceira vez

Equipe de Lucas Radel, do Haras Paschoal (ao centro): quatro grandes campeonatos e muitos troféus Tieta do Kako Barros, campeã Mula Adulta

38 ( revista horse ) 2018

da Raça, Grande Campeão Nacional Adulto da Raça, Grande Campeão Nacional Jovem da Raça e Grande Campeão Nacional Adulto da Raça. “Fizemos o que se pode chamar de barba, cabelo e bigode, com quatro grandes campeonatos. É uma alegria enorme. A paixão é antiga, todo mundo que se dedica a alguma ocupação tem que procurar fazer bem feito e é isso que fazemos no Haras”, disse o criador. Participando pela primeira vez, o criador Donizeti Aparecido dos Santos, Tamarana (PR), elogiou a qualidade da Enapêga, levando para casa vários prêmios. Marco Antonio Andrade Barbosa, um dos tradicionais criadores de jumento, conquistou mais um troféu para sua imensa galeria, com MAAB Nicole, Grande Campeã na categoria Fêmea Adulta. Outro momento de destaque da Enapêga foram as provas dos muares, que voltaram a ser concorrida em todas as categorias: Pelagem Padrão, Variedade de Pelagem, Copa Pêga Nacional de Marcha de Muares, Mula Jovem, Burro, Mula Adulta e Marcha Diagonal, inseridas este ano. Entre os ganhadores, destaque para Kako Barros, do Haras Três Barras, de Iapu (MG), que conquistou o título de Campeão Nacional Mula Adulta, com Tieta do Kako Barros. Na categoria Burro Adulto, quem levou a melhor foi o Haras EAS, de Edilson Aparecido Soares, com Apolo do Ozorinho. As crianças, representadas pelos filhos do criador Martin Frank Herman, com Ditão, de 3 anos, e Maria Izabel, de 7 anos, mostraram aos participantes como vem sendo formada a nova geração de muladeiros. “É uma satisfação muito grande ver nossos filhos dando continuidade ao trabalho que desenvolvemos. Não sabem o que vai ser no futuro, porque cada um é dono de sua cabeça, mas o incentivo nós fazemos”, diz ele. As provas sociais ainda contaram com a categoria Amazonas, com a jovem Ana Clara Moraes, de 15 anos, ficando com o título pela terceira vez. E Enapêga 2018 ainda voltou a contar com um disputado leilão de jumentos e muares, com um público que lotou o salão onde foi realizado o pregão. Os 35 lotes oferecidos registraram uma média de R$ 15 mil, considerado muito bom pelos organizadores. Para Samuel Andrade Pinto, superintendente da ABCJPêga, a 33ª edição da Enapêga foi um sucesso total, coroada pela grande participação e a qualidade dos jumentos e muares expostos. No site da ABCJPêga é possivel conferir todos os participantes e respectivas premiações, acesse https://abcjpega.org.br/


palavra do tropeiro Por Martin Frank Herman

Foto: Marcelo Mastrobuono

A retomada de um GRANDE EVENTO Enapêga 2018 conseguiu resgatar o clima de disputas com harmonia Evento elegeu os melhores exemplares da raça Pêga no Brasil, em clima de harmonia entre criadores

D

epois de muitas expectativas, cabe agora parabenizar a todos os envolvidos pela maravilhosa Nacional do Jumento Pêga, ocorrida no final de maio. O grande palco foi o Parque da Gameleira, concomitantemente com a Exposição Estadual de Minas Gerais. Foi um trabalho realizado a muitas mãos. O público, lotando o recinto, ajudou a valorizar mais ainda a festa. Todos os criadores, lutando por boas colocações, apresentaram ótimos animais, o que obviamente devemos também aos tratadores. As famílias, em perfeito clima de harmonia e união, abrilhantaram todos os momentos, dando um ar de felicidade durante a exposição inteira. A ABCJPêga, cumpriu seu papel, alicerçada pela sinergia da diretoria com seus empenhados colaboradores.

Como anualmente ocorre, o governo mineiro promove sua exposição agropecuária. Isso não ocorre meramente por uma tradição antiga, mas sim porque é o estado que desenvolveu a maioria das raças brasileiras de marchadores, sendo duas delas de equinos e uma de asininos, nesta última onde nos encaixamos com o Jumento PÊGA. Notem que além das fronteiras mineiras só houve, em Santa Catarina, a criação de uma única raça: o Campeiro das Araucárias. Por este motivo temos que ser gratos ao Estado por manter vivo o certame! Cabe, igualmente, enaltecer o empenho da ABCJPÊGA em organizar todos os aspectos da festa. Não podemos esquecer que além dos julgamentos da tropa, promoveram outros eventos, o leilão dos associados, um churrasco de confraternização e a deliciosa queima do

Martin Frank Herman é proprietário do criatório Campeãs da Gameleira e comentarista da Revista Horse TV e-mail: herman@campeasdagameleira.com.br

40 ( revista horse ) 2018

alho. Tudo com organização, profissionalismo e muita qualidade. Até os cozinheiros deixaram sua marca positiva, um sabor a mais nos dias de julgamento. Criadores e tratadores , com seus bons e belos animais, mostraram que sempre é possível melhorar. Melhoraram os andamentos, aspectos zootécnicos , a apresentação e o volume de animais. A melhora no aspecto corpóreo da tropa, se percebe também por um leve aumento de tamanho dos animais, tanto na altura como na estrutura física. Os familiares, da mesma forma, vem crescendo em número , ano a ano, dando-nos um indicador de perenização dos Criatórios. Vejam que nas provas de marcha de muares, houve uma categoria social mirim, onde se inscreveu, inclusive um participante com três anos de idade. Óbvio que o pequeno não reunia nenhuma condição para ser vitorioso, sem regularidade na apresentação, sem sequer entender direito o que estava acontecendo e , deslumbrado, até batendo papo com os espectadores ao redor da pista de julgamento. Por outro lado foi um vitorioso, mostrando a todos que o importante é o Amor à tropa e o prazer em montar, tanto que além da prova, também participou da cerimônia de abertura da ENAPÊGA, em meio aos muladeiros adultos, aos quais parabenizamos pelo carinho com a criança. Os juízes, por sua vez , fizeram um bom trabalho. Sabemos ser impossível agradar a todos , mas deram sinais claros de que estavam imbuídos em fazer o melhor trabalho possível. Outro aspecto interessante foi o surgimento de novos criadores, muito interessados em desenvolver um trabalho constante de aprimoramento de seus plantéis. Como conclusão, acreditamos ter sido realmente a melhor exposição de todos os tempos. Obrigado a todos que contribuíram para este grande passo da raça e até a próxima exposição...


consulta profissional Pierre Barnabé Escodro responde

Foto: Arquivo Revista Horse

Meu cavalo está se coçando no início da sua cauda, o que pode ser e qual o tratamento? Roberto Alexandre, Florianópolis (SC)

Primeiro passo é identificar que tipo de distúrbio pode estar ocorrendo

A

coceira ou prurido na inserção da cauda apresenta várias causas, desde simples alergias até síndromes mais complexas. Primeiro você deve observar alguns detalhes sobre o início dos episódios: quando e como começou? Sobre a localização: só existe lesão na base da cauda ou há outros sinais dermatológicos?; o manejo e sanidade do animal: sempre fica na baia? É solto? Se sim... tem contato com outros animais? Qual a frequência de desverminação? É realizada em todos animais? Há mais episódios de lesões dermatológicas em outros animais? As vacinas estão em dia? Apresenta mania ou esteriotipia?; época do ano: Todo ano tem? Em qual estação? Aparece e some sozinha? Óbvio que não esperaremos você responder todas elas para te dar um “norte”. Então vamos tentar destacar as três mais comuns causas que temos visto e tratado. Já de início, porém, o aconselhamos a chamar um médico veterinário especializado em equino para prestar assistência mais detalhada e eficaz! Parasitoses: O controle parasitológico de seu animal é de fundamental importância, pois parasitas, como o Oxyurus equi, po-

Pode ser síndromes ou alergias dem causar coceira no ânus, levando às lesões na cauda pelos movimentos bruscos em superfícies ásperas e irregulares, que podem evoluir para feridas extensas. Ao entrar em contato com um ambiente contaminado, o equino ingere o ovo contendo uma larva na fase L3 (forma infectante). Estes, ao chegarem ao intestino delgado, liberam as larvas L3 que vão para intestino grosso, tornam-se L4. Antes de atingir o estado adulto, as larvas em fase L4 emergem e se nutrem da mucosa. Ao atingir a fase adulta, macho e fêmea se reproduzem e a fêmea migra para o reto dos equinos, onde irá realizar a oviposição. Nessa migração para o reto que ocorrem o prurido perianal e as lesões de base de cauda. O próprio diagnóstico da oxiurose é baseado na presença da massa de ovos na região perianal, queda de pelos, escarificações na cauda (“cauda de rato”) e, ainda, os animais altamente parasitados podem mostrar-se inquietos e sem apetite. Mas só o exame coproparasitológico (de parasitas nas fezes) irá fornecer o diagnóstico definitivo! Os tratamentos devem contar com anti-helmínticos de amplo espectro, entre eles ivermectina, benzimidazóis e pirantel; higiene do ambiente e

Dr. Pierre Barnabé Escodro é professor de Clínica Médica e Cirúrgica de Equídeos da Universidade Federal de Alagoas. Ex- Diretor Clínico do Hospital Vetpolo em Indaiatuba-SP. E-mail: pierre.vet@gmail.com

42 ( revista horse ) 2018

programas coletivos de desverminação. Sarnas: As sarnas são dermaticoses contagiosas, no cavalo são mais comuns as causadas por Sarcoptes scabiei e Chorioptes bovis (variedades equi), além da Psoroptes equi, que nesse caso tem mais importância, pois acomete regiões mais providas de pelos como crina e cauda, causando prurido intenso. O diagnóstico é por raspado de pele e tratamento com acaricidas, entre eles: permetrina, triclorfon e outros. Fotossensibilização: Essa dermatite já é caracterizada pela ação de agentes fotodinâmicos que são ingeridos pelos cavalos. Está associado a exposição solar e ingestão de determinadas pastagens, já bem estudada a Brachiaria humidícola. Quando acomete cauda, o prurido é menor em relação às duas primeiras doenças, sendo mais comum em equinos de pelagens tordilhas, brancas ou claras. Normalmente não é isolada à cauda. Além destas três doenças, não podemos esquecer as tinhas ou dermatofitoses, causadas por fungos (que normalmente acometem base da cauda, face, corpo e nádegas); e as dermatofiloses, que são bacterianas e podem ser secundárias e complicar todas as anteriores!! Assim, sugiro a consulta urgente a um médico veterinário de equinos, exames coproparasitológicos, raspados de pele e instauração do melhor tratamento!! Valeu meu amigo!


projeto doma Por Eduardo Borba

Horsemanship e seus Significados A “Consciência de Si” é a principal ferramenta para se construir a linguagem entre cavalo e cavaleiro

A

tualmente, o termo Horsemanship vem apresentando inúmeros significados. Na maioria das vezes, as pessoas o definem de acordo com as suas próprias referências. No entanto, para que os envolvidos com esse assunto possam se compreender mutuamente é fundamental que o termo seja definido da mesma maneira para todos. Só assim vamos conseguir diminuir as ambiguidades e confusões inerentes ao tema. Sem isso, todo o discurso perde a qualidade, porque as pessoas pensam que estão se referindo à mesma coisa, quando na verdade não estão. É como falar Natureza e o outro entender Ana Tereza. No meu entender, Horsemanship tem um único significado: Controle e Segurança. Num primeiro momento isso pode parecer até simplório. Mas o fato é que, para que esses dois princípios possam ser compreendidos no seu verdadeiro sentido, eles exigem um Programa muito específico para serem colocados em prática. Nesse Programa não existe a menor possibilidade de haver algum desenvolvimento daquele que pratica se ele não considerar a “Consciência de Si” como sua ferramenta principal. Isso porque, na verdade, estamos construindo uma linguagem entre espécies diferentes: ser humano e cavalo. Para que o cavalo possa compreender o que é esperado dele, aprender como ele pensa, como opera 44 ( revista horse ) 2018

Acionando suavemente o cabo do cabresto, no campo do olho direito. O pescoço alto da potra mostra uma certa preocupação. O pé direito saindo do chão mostra que ela já está pensando em ceder a garupa

Momento que antecede a troca de olhos. Expressão mais relaxada, pescoço procurando a horizontalidade, o pé esquerdo entrando na frente do direito

sua própria vida e o que, para ele, é realmente importante, é fundamental. Para que isso seja possível, precisamos aprender algumas lições fundamentais no que diz respeito a esse significado de Horsemanship. Precisamos de disciplina e atenção para entrarmos na realidade do cavalo, quanto à nossa capacidade de traduzi-lo e como nos manter praticando, indepen-

dente do resultado. Como lidar com as dualidades inerentes à nossa vida interna. É muito fácil confundir intensidade com ansiedade e estar relaxado com largado, sem foco. E mais: como lidar com a humildade e arrogância, ser firme sem ser grosseiro, não confundindo ser bonzinho com ser justo, ser ego centrado e ser generoso. O que entendemos por compaixão, prontidão, concentração, capacidade de escuta e inteligência.


Fotos: Eduardo Borba

Aqui, a potra já está com a Dudi no campo do olho esquerdo. O pé esquerdo indo para a direita e a mão direita se encaminhando para a esquerda. O pescoço abaixo da cernelha indica um grau de relaxamento maior

Na verdade, tudo isso faz parte de um treinamento específico, que nada mais é do que o Zen Budismo traduzido para o dialeto do Horsemanship. Minha experiência Ter encontrado os irmãos Dorrance e o Ray Hunt só veio confirmar a realidade da minha prática. Desde o inicio, percebo que isso tudo sempre esteve presente na minha vida. No inicio, eu não tinha consciência, mas me lembro bem de como eu ficava matutando em como resolver os problemas que apareciam nos meus cavalos. Dormia e acordava pensando naquilo. Agora percebo claramente quando o Ray Hunt fala a respeito da “Fundição de Cuca, de Arrancar os Cabelos”. Mesmo sem perceber, sempre vivi esses dramas. Quando olho para trás, percebo que a solução vinha ao mesmo tempo que a dualidade do certo e errado desaparecia. Exatamente como no Zen. Quando paramos de correr atrás do resultado, ele aparece. Atualmente, percebo claramente que esse Horsemanship que venho praticando nunca perseguiu um resultado exterior, mas uma experiência interior. Na verdade, isso tudo não pode vir de outro lugar senão do fundo do nosso ser. Percebo que venho evoluindo, mas também percebo o tanto de estrada que ainda tenho pela frente. Também fico feliz ao perceber que, desde o inicio dos meus cursos, a ênfase sempre foi colocada no “Despertar do Aluno”. Desde aquela época, acreditava ple-

Nesta imagem, a conclusão da mesma série de exercícios, agora do lado direito

namente que, para termos uma boa relação com o cavalo, seria necessária uma tomada de Consciência de Si Próprio. Na década de 80, criei o Doma Sensibilização, com exercícios lúdicos que, inconscientemente, estava lidando com o trinômio: Sensibilidade, Timing & Equilíbrio. Atualmente, com a popularização da internet, a maioria das pessoas que pratica Horsemanship já ouviu falar dos irmãos Dorrance e do Ray Hunt. Também é um fato notório que o Horsemanship praticado por eles tem a ênfase na leitura das necessidades internas dos cavalos. E essa leitura só consegue ser eficiente se o cavaleiro tiver a sensibilidade para percebê-la e tomar as suas decisões a partir dela. Quer dizer: é de dentro do ser humano para o de dentro do cavalo. Evidentemente que essa proposta fica muito longe desse Horsemanship especulativo que vem sendo difundido de maneira Mecânica há mais de 30 anos. Mesmo aqueles que leram seus livros, ou escutaram pessoas dizerem maravilhas a respeito, estão tentando compreendê-los a partir de experiências baseadas nos órgãos habituais da compreensão. Na verdade, não conseguem captá-los, pois eles não são uma simples especulação, mas uma “experiência única” que o intelecto não pode conceber.

Meu objetivo sempre foi praticar esse Horsemanship e poder vivenciar essas experiências e, principalmente, estimular as pessoas a vivê-las também. Percebo claramente que para conseguir esse tipo de experiências, isto é, estar ali Presente e de repente sentir aquele AH!!!!!, que a gente não sabe dizer de onde veio. Mas veio. Isso só é possível a partir de um “recolhimento interno disciplinado”. Tenho percebido que quanto mais fundo eu vou em mim, mais fundo consigo chegar no meu cavalo e também nos meus alunos. Já faz 45 anos que venho procurando me aperfeiçoar nessa prática. Esse tem sido o meu trabalho e o meu estilo de vida. Zen é a presença no Fazer Ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, o Zen que acontece nas culturas orientais, principalmente na japonesa, e que fazemos analogia com o Horsemanship que trabalhamos, não tem nada a ver com o que podemos chamar de “estado letárgico”, que se restringe a simples contemplação e indiferença com os fatos que nos rodeiam. Pelo contrário, é a concentração que aguça todos os sentidos do Fazer.

Eduardo Borba é titular do Projeto Doma e Consultor de Capacitação e-mail: doma@doma.com.br site: www.doma.com.br

2018 ( revista horse ) 45


veterinária Por Leonir Bueno Ribeiro

ENERGIA OU PROTEÍNA: QUAL A MELHOR?

Quantidade de ração deve ser balanceada e controlada com rigor

É preciso muito cuidado para mudar a quantidade de ração. Equinos precisam ter boa relação de volumoso e concentrado para evitar principalmente problemas de cólicas e laminites

T

odos em algum momento já ouviram ou se depararam com alguém falando de ração para equinos. E nesse sentido, muitas das vezes dando ênfase para o teor de proteína bruta que estas rações contém, como se fosse algo milagroso para o desempenho do animal. A proteína é importante, de fato, para o correto metabolismo do animal e responsável pela manutenção da massa muscular, hormônios, enzimas, pele e pelo, dentre outros. Porém, mais importante que o teor proteína bruta em si, é o quanto desta é disponível para o animal e qual o perfil de aminoácidos ela dispõe. Apenas para entendimento, aminoácido é a menor fração de uma proteína, e ao todo temos 22 moléculas que, combinadas, formam qualquer proteína do organismo. Alguns aminoácidos já são bem conhecidos no meio equestre, tais como glutamina, isoleucina, leucina, valina, taurina, lisina e metionina. No entanto, o excesso de proteína acarreta em sobrecarga metabólica para o fígado e rins do animal. Ao contrário do que muitos pensam, que a proteína é a chave importante 46 ( revista horse ) 2018

para o desempenho e se colocado em uma dieta com maior teor de proteína, o cavalo responde melhor, na verdade essa proteína está sendo convertida em energia. Ou seja, todo o excesso de proteína ingerida não vai se transformar em músculo, e sim será metabolizada para transformação de energia. Energia esta utilizada para atividade física, por exemplo. É justamente essa energia gerada através da ingestão das proteínas que é chamada “energia alto custo”. A analogia mais simples é se perguntar: “quanto custa um quilo de bife em relação a um quilo de arroz?”, ou “uma tonelada de farelo de soja em relação a uma tonelada de milho?”. O bife, para nós, é a fonte principal de proteína, enquanto o arroz, rico em amido e açúcares, é nossa fonte principal de energia. Para os equinos, o farelo de soja é a fonte principal de proteína e o milho a fonte principal de energia. Outra analogia bem didática que utilizamos é correlacionar a construção muscular, por exemplo, com a construção de um muro ou uma parede, no


Foto: Arquivo

Atividade Física

Energia Digestível1 (kcal/dia)

Proteína Bruta2 (gramas/dia)

Consumo diário3 (kg/dia)

Feno4 (kg/dia)

Ração4 (kg/dia)

Feno de Ração6 Tifton5 (kcal/ (kcal/dia) dia)

Total7 (kcal/dia)

Feno de Tifton8 (g/dia)

Ração9 (g/dia)

Total10 (g/dia)

Leve

21000

734

11,25

9,00

2,25

13500

7200

20700

1035

270

1305

Moderado

24465

806

11,25

9,00

2,25

13500

7200

20700

1035

270

1305

Pesado

27930

905

12,50

10,00

2,50

15000

8000

23000

1150

300

1450

Muito Pesado

36225

1054

12,50

10,00

2,50

15000

8000

23000

1150

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1 - Exigência diária de energia digestível, considerando um ajuste de 5% de acrescimento. 2 - Exigência diária de proteína bruta, considerando um ajuste de 5% de acrescimento. 3 - Consumo de alimento diário considerando 2,25% do peso vivo para animais em atividade leve e moderada e 2,5% do peso vivo para animais em atividade pesado e muito pesado. Trabalho com gado, provas de laço podem ser classifica-

das como moderado a pesado. Provas de corridas longas, enduro ou polo, são classificados como muito pesado. 4 - Relação de consumo volumoso (80%) e concentrado (20%). 5 - Quantidade de Energia Digestível, fornecida por um feno de Tifton padrão de boa qualidade com 1,50 Mcal/kg. 6 - Quantidade de Energia Digestível, fornecida por uma ração comercial, contendo 3,20 Mcal/kg.

qual, cada tijolo é um aminoácido e o muro ou a parede é a proteína final. Para levantar esse murém, é preciso que alguém gaste energia para empilhar os tijolos. Então, a energia é tão importante quanto a proteína ingerida e, ainda mais, específico e a relação energia x proteína de uma dieta. A saber, a exigência nutricional de proteínas para equinos, segundo o Nutrient Requirements of Horses (NRC, 2007), não são tão elevadas como se pensa e facilmente são atendidas com dietas bem equilibradas, contendo bons volumosos (fenos). Na Tabela 01, montamos um exemplo rotineiro para demonstrar como são falhos os atendimentos de energia digestível de uma dieta para equinos e como são facilmente atendidas as exigências de proteína. Nosso exemplo se baseou em animais de atividade física, com peso vivo de 500 kg. Se observarmos as demandas energéticas e proteicas diárias e fizermos uma relação de consumo de volumoso (80%) e ração (20%), observando quanto cada um desses componentes da dieta fornece, teremos um déficit energético de 300 kcal para atividade leve, 3765 kcal para moderado; 4930 kcal para pesado e 13225 kcal para atividades muito pesado. Enquanto para proteína bruta, teremos um superávit de 571 gramas para atividade leve, 499 gramas para moderado; 545 gramas para atividade pesada e 396 gramas para atividade muito pesada. Então, se o que falta é energia, quais as medidas a serem tomadas? Aumentar a relação de ração e diminuir o volumoso? Às vezes, como nutricionistas, mudamos e aumentamos as quantidades de rações,

7 - Quantidade total de Energia Digestível, advindo da dieta de Feno de Tifton + Ração concentrada. 8 - Quantidade de Proteína, fornecida por um feno de Tifton padrão de boa qualidade com 11,5% de Proteína Bruta. 9 - Quantidade de Proteína, fornecida por uma ração comercial, contendo 12%. 10 - Quantidade total de Proteína, advindo da dieta de Feno de Tifton + Ração concentrada.

porém é preciso ter cuidado. Os equinos precisam ter boa relação de volumoso e concentrado para evitar principalmente problemas de cólicas e laminites. Cabe uma ressalva: o Feno (silagem) em “bags”, onde o capim vem com alta concentração de umidade, não é feno e, sim, “silagem de capim”. Esse precisa ter um ajuste da quantidade consumida. Feno ideal para cavalos é o tradicional desidratado em fardos. Outro pensamento é usar um feno de alfafa, que é melhor, porém, nesse exemplo, poderia aumentar as quantidades de energia, mas quase dobraria a quantidade de proteína bruta fornecida. Ou seja, para atender o que está faltando, teríamos de aumentar a concentração energética da dieta, principalmente pela ração. Rações com maiores teores de energia ou com incremento de óleo à dieta seriam alternativas viáveis nutricional e economicamente. Para um procedimento mais adequado, recomendamos: observe o rótulo de sua ração, refaça os cálculos de fornecido e poderá escolher melhor a ração para seus animais, e aumentar as chances de melhores desempenhos. Contudo, o nosso objetivo era despertar o interesse por esse assunto controverso, mas fica a dica. Havendo dúvidas maiores, não deixe de consultar um nutricionista de equinos.

Leonir Bueno Ribeiro é professor de Equideocultura do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá e Consultor Técnico (Nutrição Animal e Agronegócio – Equídeos). Contato: ribeiro.leonir.bueno@gmail.com

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gente Fotos: Marcelo Mastrobuono

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2 3 1. As veterinárias Simone, Cristina e Natália, no Leilão Celebridades do Haras Lagoinha 2. Fatima Medeiros, Doutora Clélia e Guto Perrone, representantes dos Lusitanos no pregão dos cavalos Coloridos do Lagoinha 4

3. Marcelo Pardini, entrega seu livro ao editor da Horse, Marcelo Mastrobuono 4. Gabriel Gullotto, Caroline, Regina e Salvador Gullotto, do Haras Gullotto, no Leilão Celebridades, em Jacareí (SP) 5. Stefan, Bianca e Matina Iorio, no

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concorrido leilão de pampas do Haras Lagoinha 6. Os anfitriões do Lagoinha, Marisa Iorio e Paulo Eduardo da Costa, receberam os convidados no Leilão Celebridades 7. Tininho, Sergio Lopes e Orlando Fresarini, acompanhando os lances do maior leilão de usuários do País, em Jacareí (SP)

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gente Fotos: Marcelo Mastrobuono

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1. Criadores de Campolina, em clima de confraternização na volta das exposições da raça no estado de São Paulo 2. Emídio e Vera Annechino, do Haras Mandala, do Rio, curtindo o friozinho de Jacareí, no Vale do 3

Paraíba (SP) 3. Equipe do Haras JAR, de Cordeirópolis, na exposição do Campolina no estado de São Paulo 4. Marcelo Patrus, Felipe Angelin e Lucas Ardito, em tarde de exposição de Campolina em Jacareí (SP)

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5. Os criadores Rodolfo, Henrique, Silvio, Edmilson e Josué, na Exposição do Núcleo São Paulo em Jacareí (SP) 6. Paulo Maia Filho, Gustavo Andrade e André Moura, na exposição de Campolina em Jacareí (SP) 7. Plínio Siqueira, José Henrique Salvador e Nathaliam do JHR, na exposição dos campolinistas em Jacareí (SP)

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5 1. Julio, Adriane e Joel, na exposição Nacional de Jumentos e Muares 2018 2. Maria Rackel, José Humberto, Franck Duarte e José Carlos, em tarde de exposição de jumentos em Belo Horizonte (MG) 3. O juíz Elísio, com José carlos Cardoso Filho, do Rancho JC4, de Macaé (RJ), na noite de leilão de jumentos e muares 4. O criador Caco Barros, do Haras 3 Barras, come-

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morou a conquista da Melhor Mula Adulta, com os amigos Ricardo Fabrício e Nairo Contijo, na Gameleira, em BH 5. Os criadores Lucas Radel, do Haras do Paschoal, com Vicente Rezende, na Enapêga 2018, no Parque de Exposição da Gameleira, em Minas 6. Os criadores Herman e Luis Haddad, em noite de leilão de jumentos e muares na Enapêga 2018

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7. Luis Haddad e Natali (ao centro) com amigos Lilian, Mariana, Fátima, Roberta e Silvestre, no Leilão da Pêga, na Gameleira 8. Renato Resende, Mauro Paixão, Luiza Paixão e Yolanda Resende, acompanharam juntos o leilão da Enapêga 2018, em Belo Horizonte (MG) 9. Miriam, Eduardo, Antonio Carlos, Adilson e Fabrício, na Nacional dos Pôneis e Piquira de 2018, na Gameleira, em Belo Horizonte (MG)

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1. Angela, Rosi, katia e Toninha, acompanhando a eleição dos melhores jumentos do Brasil em Belo Horizonte (MG) 2. Aysllan e Marcio Campos, da diretoria da ABCJPêga (ao centro), com Flavio Assis, Marcio Junior Filho e Paulo Cesar Junior, em noite de leilão de Jumentos e Muares na Gameleira

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3. Fernando Abate e Danilo Vilhena, acompanhando a Enapêga 2018, em BH 4. Edilson, Dilson e Edilson (pai), do Criatório EAS, acompanhando o Leilão da Pêga na Gameleira, em BH 5. Elcio, com Nilson Soares, do Jumento Bizsa, e Calu, do criatório Ximbó,na Enapêga 2018 6. Gabriela, Bárbara e Marcio, Fazenda São Joaquim, do Paraná, presentes na Enapêga 2018 7. Davi Padilha, Paulinho, Dan, Elísio e Rafael Cabelo, no leilão da raça Pêga na Gameleira, em Belo Horioznte (MG)

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5 1. Anderson Morales e a esposa Miriam França, em noite de comemoração da Associação dos Criadores de Pônei no Brasil, na Exposição Nacional 2018 da raça 2. Eduarda Oliveira, Fernanda, Luiza Lourenço e Julia Bernanos, acompanhando a exposição de Pôneis e Piquiras em Belo Horizonte (MG)

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3. Guto Figueiredo, com François Denis, Camila e Maria Antonia Figueiredo, em tarde de exposição nacional dos Pôneis e Piquiras 4. Angela, Toninha, Calu, Lucas Radel, Ricardo Fabrício (sentados). Elcio e Fred, em pé, no Leilão da Enapêga 2018 5. LiLian e Marli Machado, da Cachaça Aiuruoca, na Exposição do Campolina em São Paulo

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6. Eduardo e Elbert, com Lucas Radel, do Haras do Paschoal, ao lado dos troféus conquistados na Enapêga 2018, em Belo Horizonte 7. Willian, Bruno, Kamila e Talita, da equipe da Casa do Fazendeiro de São Paulo, na Exposição do Campolina 8. Criadores de Pôneis e Piquiras, no encerramento da exposição no Parque da Gameleira, em BH

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crônica Ilustração: Villa

Por Emílio Fontana Filho

Envelhecer, sin; perder la coragem, jamás! N

o início do mês, cumprindo minha agenda de assistências veterinárias semanais, estive em um criatório de cavalos Quarto de Milha que já atendo há uns dez anos. Visita de rotina, vacinação contra aborto equino no lote de éguas prenhes. Trata-se de uma vacina preconizada por nós técnicos, que deve ser realizada no quinto, sétimo e nono mês de gestação. Normalmente, peço para recolher as éguas nas baias, pois, além da vacinação, é possível fazer um exame clínico e inspeção visual de cada fêmea detalhadamente. Desta vez, porém, foi diferente. Por um problema de manejo e desinfecção das baias que o haras estava realizando, tive que vacinar as éguas no pasto. O pasto fica distante das cocheiras e próximo a uma pista de treinamento de corrida. Sim, criamos potros e antes de enviarmos ao jockey para correr, damos um “talento” nestes animais. O haras conta com dois ex-joquéis, já aposentados, que se encarregam deste serviço. Ao descer para vacinar as éguas, elas estavam casualmente pastando dentro desta pista de treinamento e, para minha surpresa, o proprietário tinha comprado um “partidor de verdade” para treinar os animais. Claro que todos já conhecemos um partidor, aquela estrutura metálica onde os cavalos corredores ficam antes da largada nas corridas. Às vezes, se debatem, ficam agitados, controlados pelo jóquei às duras penas. A adrenalina é absurda neste momento da largada. Do cavalo e do jóquei, bom que se diga. Os riscos são grandes e tudo que não se quer é que os atletas se machuquem nesta fase que antecede à largada propriamente dita. É um dos momentos mais delicados e que sempre me encantou. Mistura habilidade, tensão, experiência e um alto índice de autocontrole por parte do jóquei. 56 ( revista horse ) 2018

Depois que vacinei as éguas prenhes contra o aborto equino, fiquei um tempo conversando com os jóqueis do haras, ouvindo um pouco das suas aventuras de quando estavam na ativa. Cara, me deu uma coceira, um comichão e uma ruindade no coração...rs...E neste momento...voilá! Tive uma legítima ideia de jerico. E se? “Não Emilio, não faça isso”, disse o anjinho do lado direito do meu ombro. Mas o diabinho do outro lado, espírito de porco, disse: “vai, vai, vai, cagão. Você é um homem ou um pé de “arface”? Pois vocês, acreditem ou não, o doidão aqui resolveu experimentar a sensação de uma largada de dentro do partidor montado no potro “world war three” (olha o nome do bicho). A peãozada safada me estimulou. “Vai lá, doutor. vai lá!” E o trouxa aqui não quis dar parte de fraco e... foi. Prepararam o potro, me deram instruções rudimentares e lá se foi o veínho pra dentro do partidor, montado no bicho. Entrando lá já dá uma claustrofobia; o bicho já ficou desesperado...No meu, então, não passava uma agulha. Taquicardia, medo, cagaço total. Mas eu já estava lá e não podia mijar pra trás...ia ficar feio pro meu currículo.

Meu, quando abriram o portão do partidor, alguém gritou: segura fiiiiirme doutor!!! Bicho, na arrancada vuuuff! Eu já fiquei... Caí a um metro do partidor... tchblum!!! Vocês não fazem ideia do arranque desses bichos. E os p...dos peões ainda deram risada. Faz parte...Tirar sarro e gostar de ver o outro se fu...é inerente ao ser humano. Enfim, cai do cavalo. Tomei um tombo homérico, porém, “Santa Maria protetora da terceira idade” me protegeu e eu só torci o pé , esfolei um pouco o rosto e a bunda. Nada grave diante da jeriquice do meu ato insano. Sou um velho que se nega a envelhecer, mesmo passando vexame. Terceira idade ... “Vem ne mim”, sua linda!

Emílio Fontana Filho é veterinário formado pela UNESP Botucatu em 1982, dramaturgo e colunista da Revista Horse. Consulte o autor sobre palestras e coaching sobre assuntos veterinários e afins. E-mail: emiliofontanafilho@globo.com


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flagrante Fotos: Fagner Almeida

OS OLHOS NÃO MENTEM Muito se fala em bem-estar animal, mas poucos se dão conta de como isso ocorre no dia a dia das atividades equestres. A melhor resposta vem nos detalhes dos próprios cavalos. Reparem as expressões dos dois animais na disputada paleteada gaúcha, com dois conjuntos em alta velocidade apartando o boi. Mesmo com toda a força empenhada, percebe-se os olhos serenos, bocas fechadas e rédeas soltas, como registrou o repórter-fotográfico Fagner Almeida, nas disputas da FICCC (Federação internacional de Criadores de Cavalos Crioulos). A imagem reforça que é possível, sim, performances de alto desempenho explorando o ponto mais forte da naturalidade dos cavalos: a velocidade! 62 ( revista horse ) 2018


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