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Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso: Cem Anos de História Prof. Drª. Valéria Aparecida Schena

Gráfica e Editora Kaygangue Palmas (PR) - Outubro de 2017


Todos os diretos autorais reservados © 2017

Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso: Cem Anos de História Prof. Drª. Valéria Aparecida Schena

Revisão: Zuleica Cabral

Capa e Diagramação: Tiago Jaime Machado / Editora Kaygangue

ISBN 000-000-00000-00 Gráfica e Editora Kaygangue Avenida Coronel José Osório, 673 Centro - Palmas - PR 85555-000 (46) 3263-8777 www.kaygangue.com.br vendas@kaygangue.com.br www.facebook.com/grafica.kaygangue

Ficha Catalográfica


Dedico este livro aos professores, alunos e funcionários que ao longo deste Centenário imprimiram sua força e sua marca nas páginas da história da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso.


Sumário 07 09

Apresentação Introdução Capítulo I

Dialogando com a história do município de Porto União 15 Movimento histórico de Porto União 16 Capítulo II

Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso: Expressão da Educação no Cenário Municipal Patrono da Escola: Professor Balduíno Antônio da Silva cardoso Letra do Hino da Escola Galeria de Diretores Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso Escola Complementar Anexa ao Grupo Escolar Livro de Matrícula Secção Feminina Escola Complementar Curso Normal Regional Marcelino Ramos Ginásio Normal “Marcelino Dutra” 1969 Expansão do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso Comemoração Cinquentenário do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso Sessão Solene em Comemoração ao Cinquentenário

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27 28 29 39 42 43 45 47 52 64 67

Capítulo III

Representações da Formação Docente: Magistério Desempenhado com Amor Histórias e Memórias Construídas na Profissão Docente Professora Jandira Domit Professora Astrogilda de Mattos Professor e Inspetor Escolar Germano Wagenführ Professora Araceli Rodrigues Friedrich Professora Aldair Wengerkiewicz Muncinelli

71 72 74 77 82 85 89


Representação de Professores e Funcionários que Atuaram no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso 91 Representações de Alunos que Estudaram no Grupo Escolar Professor Balduíno, Curso Complementar e Escola Normal Professor Balduíno Cardoso 92 Registro Escolar: Matrícula, Professores e Aparelhamento Escolar do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso 96 Documentos e Discursos que Representam a Cultura Escolar da Escola Planos de Aula Livro Termo de Visita 104 Livro de Honra Associações Escolares 110 Relatórios Anuais Ata de Reuniões Pedagógicas 118

100 100 107 115

Capitulo IV

Escola de Educação Básica Professor Balduino Cardoso: Ano do Centenário Equipe Pedagógica, Administrativa e Professores de 2017 124 Turmas de Alunos de 2017 Logo do Centenário 128 Museu do Centenário 128 Cursos e Turmas em Funcionamento no Ano de 2017 129 Atividades Comemorativas ao Centenário - 2017

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Considerações Finais

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Referências

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Apresentação Recebi um presente maravilhoso da amiga, professora doutora Valéria Schena, que se trata da incumbência de fazer a apresentação do seu livro, que conta a história dos cem anos do BALDUÍNO CARDOSO. Um Educandário público estadual que ensinou/educou/ formou várias gerações da nossa cidade e da região. Ao visualizar a história contada pela autora, o leitor terá a oportunidade de viajar no tempo, de despertar lembranças, de vivenciar emoções, de lembrar dos colegas de classe, dos nossos dedicados professores, dos diretores, enfim, de todas as pessoas que formaram a família BALDUÍNO CARDOSO. Pessoas que deram credibilidade à esta Casa de Ensino. O Balduíno Cardoso abrigou alunos de todas as classes sociais; informou seus educandos na busca da formação do cidadão. Nasceu como Escolas Reunidas e, ao longo dos anos, sofreu transformações no espaço físico, na didática/estrutura pedagógica, na clientela, nos formadores e até no seu nome, hoje, denominada Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso. A Escola do meu coração onde cursei da primeira à quarta série do “primário”, fui professora do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, orientadora das Atividades Complementares e Secretária, por 25 anos. “Nós somos a história, fazemos a história, vivemos a história, modificamos a história e abençoados os  que registram a história; grata à amiga Valéria pelo belo registro”. “Que a luz do Pai todo poderoso que manteve a qualidade da educação, por cem anos no Balduíno Cardoso, perdure pela eternidade”.   Primavera de 2017. Aldair Wengerkiewicz Muncinelli

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Introdução Ao produzir uma obra, deve-se investigar as representações1 e apropriações2 que estão presentes no contexto histórico da investigação. Neste caso em particular, ao falarmos sobre o Centenário da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso, refletimos sobre o sentido histórico e material do significado de “centenário”. Centenários são ocasiões propícias para reavivar a memória coletiva, celebrar e comemorar, mas constituem também excelentes oportunidades para a reflexão crítica, realização de balanços necessários e para empreender novas interpretações históricas. Esta obra foi inspirada na caminhada como pesquisadora3 e professora ao longo de quase duas décadas. Não obstante, por ter sido aluna do Colégio Balduíno Cardoso no curso de Magistério —, onde através de seus ensinamentos foi possível aprender a caminhar rumo às trilhas do conhecimento e da formação docente. 1 Problematiza-se o uso das representações e das apropriações no espaço escolar catarinense, em especial no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, na medida em que os diferentes atores escolares (professores e diretores) apropriavam-se das recomendações pedagógicas elaboradas pelos Inspetores Escolares como forma de reorganizar as práticas escolares. 2 A noção de apropriação pode ser, desde logo reformulada e colocada no centro de uma abordagem de história cultural que se prende com práticas diferenciadas, com utilizações contrastadas. Para Chartier (1990, p. 136) “[...] a apropriação tal como a entendemos, tem por objetivo uma história social das interpretações, remetidas, para suas determinações fundamentais, que são sociais, institucionais, culturais, e inscritas nas práticas especificas que as produzem”. As representações são variáveis segundo as disposições dos grupos ou classes sociais, aspiram à universalidade, mas são sempre determinadas pelos interesses dos grupos que as forjam. O poder e a dominação estão sempre presentes. As representações não são discursos neutros, produzem estratégias e práticas tendentes a impor uma autoridade, uma deferência, e mesmo legitimar escolhas. Ora, é certo que elas colocam-se no campo da concorrência e da luta. Nas lutas de representações tenta-se impor a outro ou ao mesmo grupo a concepção de mundo social, conflitos que são tão importantes quanto às lutas econômicas, são tão decisivos quanto imediatamente materiais. (CHARTIER, 1990, p.17). 3 Programa de Pós Graduação em Educação da UEPG, resultando a tese: “Representações E Apropriações da Pedagogia Moderna no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso de Porto União-SC (1918-1957)”. Membro do NUCATHE (Núcleo de Catalogação Estudos e Pesquisas em História da Educação ) está cadastrado junto ao CNPQ, como um Grupo de Pesquisa em História da Educação. O Núcleo de catalogação teve como principais resultados a catalogação das fontes escolares localizadas no interior dos antigos Grupos Escolares, criados no início do século XX, na região do interior do Estado. Foram localizados e catalogados documentos escolares no Arquivo Municipal de União da Vitória-PR, e em seis Instituições Escolares dos municípios de Porto União-SC e União da Vitória-PR: a) Arquivo Municipal (283 obras); b) Colégio Túlio de França – União da Vitória (228 obras); c) Colégio Santos Anjos – Porto União (60 fontes primárias e 53 fontes secundárias); c) Externato Santa Terezinha (19 fontes primárias e 5 caixas com materiais relevantes sobre a avaliação escolar); d) Colégio Astolpho Macedo de Souza – União da Vitória (14 fontes primárias); e) Colégio Balduíno Cardoso - Porto União (350 fontes de 1919 a 1969, divididas em Atas de Autoridades Escolares, Relatórios Anuais, Livro de Honras, Livro Ponto, Livros de Chamada, Termo de Posse, Ata de Exames, Acervo Icnográfico contendo formandos do Grupo Escolar) entre outros; f ) Grupo Escolar Professor Serapião – União da Vitória (12 Atas Escolares, 1 Livro com Acervo Icnográfico do Grupo Escolar)). Estes materiais fazem parte do acervo do NUCATHE sendo organizados ao longo de 2009 a 2016.

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O percurso de elaboração desta obra constituiu-se a partir da apresentação da trajetória da cidade de Porto União-SC, destacando a cultura do município, bem como a constituição de seu território, a fim de redesenhar alguns aspectos da educação constituída numa região de fronteira com o Estado do Paraná, que almejava alcançar o desenvolvimento regional com base na formação humana, utilizando-se dos princípios republicanos que estavam em voga em todo o país. Nesse sentido, partiu-se do pressuposto que a educação ao pretender cumprir as finalidades determinadas pela sociedade, apresenta os discursos e as teorias pedagógicas que objetivam materializar-se no cotidiano da escola, constituindo a chamada cultura escolar. Apresenta-se como suporte para discussão, a legislação educacional catarinense que foi instituída no início do século XX, assim como os Relatórios, Decretos, as Atas e fontes icnográficas para evidenciar o movimento de modernidade da região pesquisada, bem como para problematizar a ideia de desenvolvimento do Estado Catarinense do século XX. Dessa forma, o questionamento volta-se para os aspectos internos da instituição educativa, a distribuição do tempo e dos espaços escolares, a organização das práticas escolares, os quais são elementos imprescindíveis para compreender a construção social e cultural dos grupos escolares. A trajetória deste educandário de ensino completa 100 anos de história juntamente com o Município de Porto União. Inicialmente funcionando como Escolas Reunidas voltadas para o ensino primário público, “Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso” em 1918 e, elevado a Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso em 1927, atendendo também como Escola Complementar e Escola Normal Marcelino Dutra em 1947, cuja representação pública presente nas fontes impressas era de um modelo de escola primária na região, tendo alunos dos diversos grupos sociais. Uma das representações destacadas pelo Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso foi sua criação em 1917, justamente correlacionado após o Acordo dos Limites, proveniente da Guerra do Contestado, dividindo os territórios entre os estados do Paraná e de Santa Catarina, quando o Grupo Escolar Professor Serapião passou a pertencer ao Paraná, mais especificadamente a cidade de União da Vitória. O Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso ocupou seu lugar não apenas como estrutura física, mas também o lugar de formação dos alunos do ensino primário. Uma primeira constatação das representações vivenciadas no cenário educacional de Porto União está no discurso de renovação educacional, que começava a ser apontada no século XX para uma maior racionalização das questões sociais no Brasil, sobretudo, com a implantação de um regime republicano em substituição ao regime imperial, a modernização da sociedade e a busca pelo progresso material.

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Além disso, outro ponto a se destacar são os grupos escolares que ao assumirem um papel de destaque na sociedade do século XX, apresentam-se como um signo da modernidade devido ao seu caráter organizacional como um todo. Eles se constituíam como escolas graduadas, aglutinando-se em um mesmo edifício às antigas escolas isoladas, organizando à docência em torno das séries escolares que passavam a corresponder ao ano civil e eram concluídas pela aprovação ou retenção em exame final. (SOUZA, 1998). A rigor, as fontes são aspectos integrantes da pesquisa histórica. Para produzir este livro, teve-se acesso a inúmeras fontes que retrataram o processo de ensino-aprendizagem na escola primária catarinense no início do século XX e, em particular, do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Entre elas se destacam: a) Relatórios Anuais e Pareceres dos Inspetores de Ensino nos livros de visitas ao Grupo Escolar; b) Planos de Aula enviados para o Estado (Atas de Visitas das Autoridades Escolares contendo o parecer dos Inspetores Escolares (1919-1933; e de 1940-1959). c) Relatórios Anuais enviados para o Departamento de Educação, (1944, 1945, 1946, 1948, 1949, 1950,1951, 1952, 1953, 1954, 1955, 1957, 1958, 1959); d) Atas de Reunião Pedagógica - 1951-19574; e) documentos localizados na Prefeitura Municipal de Porto União (Ata de Instalação da Comarca do Município de Porto União; f ) fontes iconográficas, contendo fotografias do Grupo Escolar Balduíno Cardoso, da cidade no início de sua fundação. Além de notícias da época publicadas pelos Jornais O Comércio, A Voz do Oeste e Missões. g) Mensagens apresentadas ao Congresso Representativo do Estado e os Relatórios do Governo Catarinense nos períodos de 1910 a 1914; - Regimento Interno dos Grupos Escolares do Estado de Santa Catharina (aprovado e mandado observar pelo decreto nº 588 de 22 de abril de 1911); - Regulamento da Escola Normal Catarinense (Aprovado e mandado observar pelo Decreto nº 593 de 30 de maio de 1911); - Decreto nº 796 de 02 de maio de 1914; - Colleção de Leis, Decretos, Resoluções e Portarias, de 1917; - Regulamento das Escolas Reunidas sob o Decreto nº 962 de 05 de abril de 1916; - Decreto nº 2017 de 01 de janeiro de 1927; c) Programa dos Grupos Escolares e Escolas Isoladas do Estado de Santa Catarina, (Aprovado e mandado observar pelo Decreto nº 587 de 22 de abril de 1911); Programa dos Grupos Escolares e Escolas Isoladas de Santa Catarina (Aprovado e mandado observar pelo Decreto nº 1.322 de 29 de janeiro de 1920); - Programa dos Grupos Escolares de Santa Catarina (Decreto nº 2.218 de 24 de outubro de 1928); Essas fontes são um importante veículo de informações e, ao mesmo tempo, contemplam as narrativas que eram elaboradas em forma de Decretos, Leis e orientações pedagógicas, como os programas de ensino, dos balanços econômicos, fontes que provém de um conjunto de dados que auxiliam 4 Os relatórios anteriores que compõem a fundação do Grupo Escolar não foram encontrados, mesmo após minuciosa busca nos arquivos.

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na composição do Estado em conformar o aparelho escolar. O Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso se apropriava das determinações legais e orientações pedagógicas para organizar sua prática escolar, já que os Relatórios dos Inspetores Escolares demonstravam a presença da aplicação dos preceitos pedagógicos indicados pelo Estado, assim como a readequação de planejamento e metodologia docente que não seguissem as normatizações do ensino catarinense. As fontes provenientes das práticas escolares5 discutem sobre os elementos da cultura escolar. A escola é produtora de uma cultura escolar específica, produzindo um espaço de convivência de culturas. A cultura escolar é entendida como a forma em que a situação histórica concreta e particular são articuladas e representadas pelos sujeitos escolares, as dimensões espaço-temporais do fenômeno educativo escolar, os conhecimentos, as sensibilidades e os valores a serem transmitidos e a materialidade e os métodos escolares. (FARIA FILHO, 2007, p. 195). Nesta investigação, utiliza-se da fotografia como uma das fontes de pesquisa para análise e interpretação da expansão dos grupos escolares catarinenses, em especial o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, abrindo assim novos horizontes de descobertas. Igualmente, cabe ressaltar que não pode-se desvincular a imagem fotográfica analisada de suas condições de produção, deslocada do momento histórico-social em que aconteceu seu registro. As fontes escritas e a fotografia devem estabelecer uma relação dialógica na construção de uma análise, pois as duas são complementares na construção do material histórico a ser interpretado. (TONON, 2012, p. 73). A relação documento/monumento de Jaques Le Goff6 (1984) deixa bem clara a importância de cada um deles: “Os materiais da memória podem apresentar-se sob duas formas principais: os monumentos, herança do passado, e os documentos, escolha do historiador” (LE GOFF, 1984, p. 95). Cabe ao historiador identificar e definir as suas fontes, porque o documento é, segundo o próprio Le Goff, “uma montagem consciente ou inconsciente, da história, da época, das sociedades que o produziram esforço para as sociedades históricas para impor ao futuro determinada imagem de si próprio” (LE GOFF, 1984, p. 103). 5 As regras inscritas nos sistemas de pedagogia que regulam as práticas de representação das práticas escolares e sua normatização, regulam também a pluralidade dos dispositivos materiais da cultura escolar, através da produção, circulação e apropriação dos saberes pedagógicos. (CARVALHO, 2001, p.138). 6 Para o historiador Jacques Le Goff, documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro voluntária ou involuntariamente, determinada imagem de si próprias. Oque transformaria o documento em monumento seria a sua utilização pelo poder: o monumento não é qualquer coisa que fica por contado passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a análise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa. LE GOFF, Jacques. Documento/ Monumento. Enciclopédia Einaudi. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1984. Vol.1 p.103.

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A presente obra se divide em quatro partes. No primeiro capítulo discute-se a história e o movimento de urbanização do município de Porto União como uma representação da modernidade e a escola como símbolo desse movimento no campo pedagógico. No segundo capítulo destaca-se prescrições sobre o contexto de criação deste educandário, o cotidiano educativo da escola apresentando os modos de organização didático-pedagógica e objetivos pedagógicos organizados pelas autoridades de ensino. No terceiro capítulo apresenta-se personalidades locais que construíram a história da escola a partir da docência, bem como através de outras funções desempenhadas com louvor e que imprimiram ao longo deste centenário o carinho, amor e dedicação à formação de exímios cidadãos para a sociedade de Porto União. Citamos também neste capítulo, fragmentos dos Documentos Escolares que constituíram a cultura escolar da época, mostrando através das escritas dos Relatórios, das mensagens e orientações pedagógicas as indicações da Direção e Inspetores Escolares indicações estas que serviram para nortear a prática docente. O quarto capítulo organizou-se com a apresentação das fotos de professores e alunos dos períodos matutino, vespertino e noturno que compõem o universo da escola no ano letivo de 2017. Apresenta-se também as atividades desenvolvidas pela Equipe do Centenário e realizadas ao longo do ano letivo.

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CAPÍTULO I

Dialogando com a História do Município de Porto União

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Movimento Histórico de Porto União O presente texto apresenta apontamentos sobre o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, citando a trajetória da cidade Porto União, que juntamente com a Escola comemoram o ano de seu centenário. A cidade de Porto União da Vitória - PR constituiu-se as margens do Rio Iguaçu por onde transitaram pessoas e riquezas, estruturando-se com base nos tropeiros, sertanejos e imigrantes7 possuidores de raízes socioculturais. A seguir visualiza-se a imagem da passagem do gado sob o Rio Iguaçu. O lado deste ponto de travessia, servia também como ponto de embarque e desembarque, constituindo o primeiro povoado da região de Porto União da Vitória. FIGURA 1 - Passagem do Vau no Rio Iguaçu (1905)

Fonte: (Arquivo Municipal de União da Vitória-PR)

Após o Acordo dos Limites entre Paraná e Santa Catarina, que ocorreu em 20 de outubro de 1916, os catarinenses incorporaram a área do território do Contestado que pertenceu ao Paraná e nela criaram os Municípios de Mafra, ao sul do Rio Negro- PR e de Porto União, ao sul de União da Vitória. Em 7 Mimoso Ruiz, no jornal A voz do Oeste, edição de 25 de abril de 1926, escreveu que os primeiros imigrantes teriam chegado a União da Vitória em 08 de junho de 1880. O escritor Cleto da Silva, em seu livro Apontamentos Históricos de União da Vitória (1933), afirmou que os primeiros colonos estrangeiros chegaram a 08 de junho de 1881, naturais da Alemanha e da Áustria; depois chegaram os poloneses e russos, em 1892. A imigração italiana teve início em 1897. (MILLIS 2002, p. 26). Segundo Thomé (2006, p. 325), o afluxo de imigrantes para as colônias de União da Vitória era constituído pela a maioria de imigrantes europeus e descendentes de imigrantes egressos das colônias velhas do Rio Grande do Sul, do sul do Paraná e do sul e norte de Santa Catarina. Foram estas levas humanas que desbravaram as florestas e começaram a gerar riquezas na região.

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consequência, a cidade de União da Vitória foi dividida pelos trilhos da ferrovia São Paulo – Rio Grande do Sul. A realidade histórica do Paraná e de Santa Catarina está inserida na Região do Contestado. As vinculações estão na base pioneira da economia, calcada inicialmente no pastoreio, na erva-mate e no tropeirismo e, em seguida, na madeira. As duas cidades irmãs, Porto União e União da Vitória, constituíram uma única cidade. (TONON, 2012). Cabe ressaltar que o Contestado, como fruto da questão política da época, tinha como um dos eixos a luta dos sertanejos desarraigados do seu espaço e de seus valores éticos e morais fundamentais, que passaram a formar um enorme contingente de sujeitos sociais que perambulavam pelas estradas em busca de sobrevivência material. As primeiras casas de habitação foram levantadas na proximidade do Porto Iguaçu. Durante o tempo em que o principal fator da vida econômica da povoação consistia quase que exclusivamente em comércio de erva-mate, era o ancoradouro que ficava situado a pouca distância da atual ponte ferroviária, assiduamente movimentada por vapores e grandes lanchas que faziam o transporte para outros centros do Paraná até o Porto Amazonas. (MILLIS, 2002, p. 23). Na figura 2 visualizam-se as primeiras habitações na Vila de Porto União da Vitória. FIGURA 2 - Vila de Porto União da Victória (1905)

Fonte: (ALVI - Academia de Letras de Vale do Iguaçu de União da Vitória-PR).

Através desta imagem visualiza-se o crescimento da cidade com base no número de casas e pelo formato das ruas; isso era resultado da inserção das etnias e colonizadores locais, assim como da constituição das particulari-

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dades arquitetônicas e topografia local. Do mesmo modo, afirma-se que cada cidade, desde os seus primórdios, possui as suas particularidades em relação ao desenvolvimento, em especial nas construções, na localização dos prédios públicos, igrejas, traçados nas vias e praças. Segundo Monarcha (1999, p. 64), o espaço urbano é pensado como um conjunto formado por partes ligadas entre si e que não podem ser examinadas unicamente em suas particularidades. A diferenciação e hierarquização desse espaço promovem a especialização das funções, além de permitirem o fluxo e a circulação de pessoas e mercadorias. Para estimular o crescimento da região, foi construída a estrada de ferro, sendo inaugurada em 1906, o que favoreceu a instalação de serrarias e a intensificação da exportação de madeira, transformando-a na principal atividade econômica da região. Constata-se, portanto, que a inauguração das estações ferroviárias marcou nova época para as cidades, modificando o espaço social, além de favorecer o desenvolvimento regional, contribuiu também para a economia local com a entrada e saída de produtos, ampliando-se as oportunidades de trabalho nos diversos setores como nos restaurantes, hotéis, lojas e no serviço ferroviário. A ponte metálica da Estrada de Ferro8, construída sobre o Rio Iguaçu, foi outro exemplo de busca pelo desenvolvimento da região, servindo, posteriormente, como um dos marcos da divisa entre Porto União e União da Vitória, juntamente com a linha da estrada de ferro numa extensão de quatro quilômetros que separa Paraná e Santa Catarina. Essas obras alteraram o panorama sociocultural da cidade, pois foram construídos hotéis, centro comercial e praça, exercendo sua função socializadora ao servir de ponto de encontro entre moradores e visitantes da região. Ao se fazer uma retrospectiva histórica, considera-se importante registrar o contexto econômico e social da região, no caso rica em madeiras nativas. Na figura 3, apresenta-se a imagem do marco divisório das cidades de Porto União e União da Vitória. Este monumento foi representado em forma de pilar de seção quadrada, feito de concreto e medindo cerca de 3 metros de altura. Está localizado à margem esquerda do Rio Iguaçu, embaixo da ponte da Estrada de Ferro, instalado no ano de 1919. Havia inserido no monumento uma placa com a seguinte inscrição: PARANÁ, no lado de União da Vitória, na parte superior e na parte inferior SANTA CATARINA: Este Marco foi inaugurado no Governo do Dr. Delphin Moreira Urbano Santos; sendo Ministro da Justiça, Dr. Urbano Santos; Presidente do Paraná, o Dr. Affonso Camargo; Governador de Santa Catarina, o Dr. Hercílio Luz, no lado de Porto União. (RIBEIRO, 1967, 8 A existência de extensas florestas naturais de araucárias, ao longo da ferrovia fez com que esta atividade se tornasse a base da economia local. 35 anos mais tarde atingiu qualidade para exportar o produto da região. Inaugurou-se o trecho da linha férrea da estação de Paulo Frontin à estação de Porto União da Vitória (Vila de União da Vitória) no dia 26 de fevereiro de 1905, e em 1906 foi inaugurada a ponte provisória sobre o rio Iguaçu, para a passagem dos trens da Companhia Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande. (SILVA, 1933, p. 84).

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p. 40). FIGURA 3 - Marco de Limites - Paraná - Santa Catarina, sob a Ponte de Ferro (São Paulo- Rio Grande) passagem entre Porto União-SC e União da Vitória-PR (1919)

Fonte: (Coletânea Cinquentenário de Porto União)

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Esse marco simbolizava a divisão territorial entre os Estados do Paraná e Santa Catarina e, ao mesmo tempo pela sua localização, afirmava que as duas cidades mesmo separadas geograficamente, permaneceriam unidas pelo Rio Iguaçu, pelos trilhos da estrada de ferro, enfim pela própria constituição de sua história. Segundo Millis (2002, p. 27), os limites foram uma questão delicada e de difícil solução no Paraná, ou seja, a disputa pela posse na região era de cunho mais político que econômico, sendo que ambos tinham por objetivo garantir seu território. No entanto, para chegar ao Acordo de Limites, houve toda uma ideia em evolução, considerando o desenvolvimento da sociedade atrelado a fatores culturais e educacionais da região, bem como ao início da Escola Pública, propiciando transformações. Em 1916, foi assinado o acordo de limites entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, encerrando a pendência instaurada no decorrer do Conflito do Contestado, dando fim ao problema de limites de territórios. Nesse viés de divisão territorial, em virtude do Acordo dos Limites, o município de Porto União foi incorporado ao território catarinense, a 25 de agosto de 1917, pelo Decreto nº 1.147, sendo criado como município em 05 de setembro do referido ano; nesse ato esteve presente o Secretário Geral do Estado de Santa Catarina, Dr. Fulvio Aducci que empossou o primeiro prefeito, Dr. Cesar de Almeida e os primeiros conselheiros municipais. Diante do exposto, visualiza-se a criação das cidades como fruto de um movimento sócio histórico. Febvre (2004, p. 35) afirma que a reorganização das cidades se dá na diversidade, com “[...] pedaços e entulhos arrancados de unidades históricas anteriores, elas mesmas feitas de pedaços, de entulhos, de fragmentos de unidades anteriores.” A figura 4 é um exemplo disso, pois demonstra a divisão territorial entre os municípios de Porto União e União da Vitória. Ao fundo está a ponte férrea, sinônimo de progresso para a sociedade local e a área urbana ainda pouca habitada, sendo neste período iniciado a abertura de ruas, travessas e organização da estrutura arquitetônica da cidade.

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FIGURA 4 - Cidade de Porto União em 1917. No ano de sua criação, quando suas terras passam a pertencer ao Estado de Santa Catarina

Ponte

Fonte: (ALVI- Academia de Letras Vale do Iguaçu de União da Vitória-PR).

No desenvolvimento do município de Porto União destaca-se o seguinte acontecimento: a primeira Escola de Porto União da Vitória. Esse Grupo Escolar teve uma particularidade, pois foi construído pelo Governo do Estado do Paraná em território que, em 1917, passaria a pertencer ao Estado de Santa Catarina. As instalações físicas do lado de Santa Catarina foram ocupadas pelas Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso, pertencendo então a Santa Catarina. É nesta direção que o município de Porto União percorria logo após sua criação em 1917, sendo o espaço urbano fortemente marcado pela intervenção direta do poder público, que operou grandes mudanças na infraestrutura da cidade, dentre as quais se podem destacar: a remodelação do perímetro urbano, nas ruas e praças, a instalação de luz elétrica, abastecimento de água e a padronização da fachada dos prédios na área central. A cidade, após sua criação, contava também com o desenvolvimento da ferrovia que servia de acesso aos centros coloniais de Porto União, demonstrando o traço do progresso: a variante da Rede Viação Paraná-Santa Catarina que ligava a São Paulo e a ampla estrada de rodagem ligava a sede àquela mesma localidade. Além da ferrovia, neste período, também se destacava em Porto União a produção de cereais que abasteciam a cidade. (MILLIS, 2002, p. 23). Destaca-se também a instalação de energia elétrica no município e territórios vizinhos, trazendo dessa forma um dos símbolos da modernização para o distrito de Valões, pertencente a Porto União; este acontecimento foi de grande importância para a comunidade local, teve seu contrato de instalação assinado em 01 de setembro de 1924. Acontecimento este que sinalizava indícios de modernização para um município recém-criado.

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A introdução da energia elétrica dinamizou a produção industrial com novos equipamentos, iluminou praças, ruas e residenciais, ampliou a comunicação com o telefone; os meios de transporte aceleraram os ritmos de vida, pois os trens, os bondes e automóveis ganharam espaços privilegiados nas cidades, permitindo o rápido e grande fluxo de pessoas e mercadorias. De acordo com estudos de Gaspari (2011, p. 160), concluída em 1941, a construção da nova Estação Ferroviária sob o projeto do Engenheiro João Wenceslau Ficinski Dunin e construída pela firma Irmãs Thá de Curitiba a direção técnica do Engenheiro Civil Dr. Algacyr Guimarães, foi então inaugurada a Estação Ferroviária9, mais precisamente em 15 de agosto. A “Estação União”, como foi nomeada, prestava serviços ferroviários para a região dos municípios de Porto União e União da Vitória e se tornou ponto de referência dos principais eventos da época, sob o influxo da necessidade de se criarem alternativas urbanas para melhorar o transporte e o entorno da Estação. O seu elo em forma de um arco conforme denota-se na figura 5 sinaliza a união dos dois Estados, principalmente por sua arquitetura demonstrar que as suas bases de sustentação são divididas entre as cidades de Porto União e União da Vitória. A construção apresentava sala de ambos os lados, assim como guichês para venda de passagens, salas de espera para passageiros, salas de escritórios, plataformas de embarque e desembarque em ambos os lados. E em cima havia várias salas de escritórios, gabinetes dos chefes, sala de espera para atendimento de clientes e funcionários, banheiros, etc. De uma plataforma (PR) para outra plataforma (SC) foi construído um túnel para os transeuntes e passageiros. (GASPARI, 2011; WEIGSDING, 2007).

9 Após o Acordo de Limites, estruturaram-se duas cidades em dois estados diferentes, portanto houve a preocupação de construir mais uma estação férrea. Havia duas estações pequenas em construção de madeira, a estação de Santa Catarina localizava-se no centro da cidade de Porto União, e a do Paraná, estava distante apenas 500 metros, o trem parava nas duas estações, uma servia para transporte de cargas e encomendas e outra para passageiros. [...] nos boletins da RVPSC, dos anos 1930 aparecem duas estações, muito próximas, tão próximas que o trem saia de União da Vitória e chegava a Porto União em dois minutos. (GASPARI, 2011, p. 150).

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FIGURA 5 - Divisa dos municípios de Porto União e União da Vitória (1942)

Fonte: (Acervo Fundação da Cultura de União da Vitória-PR)

A esse respeito Carlos Monarcha (1999, p. 30) descreve que essa concepção organizativa das cidades almejava a racionalização do espaço urbano, formulando como rede de conexões que viabilizassem a circulação, ou seja, o traçado das ruas e avenidas, pontes, jardins e praças públicas e quando possível o centro urbano estiver próximo às estações de trem. Estas inovações estavam intimamente ligadas com o princípio estruturante da sociedade moderna.

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FIGURA 6 - Praça Hercílio Luz em Porto União em (1920) (Anteriormente denominada de Praça Matos Costa)

Fonte: (Gaspari, 2008). Segundo Gaspari (2008, p. 141), com a construção da nova Estação Ferroviária em 1942, a Praça Hercílio Luz segundo a figura 6, foi alvo de atenções por parte dos dirigentes municipais da época. Esta preocupação em modificar o espaço físico da praça fica evidente na matéria do jornal local O Comércio. Motivado pela ereção da Estação-férrea da Rede Viação Paraná-Santa Catarina, a qual tomou a denominação União, está passando por grande reforma a Praça Hercílio Luz, desta cidade, tendo já sido dali removida a maior parte de árvores, que formavam o Jardim Benjamim Constant, bem como demolido o Coreto municipal. Segundo o traçado pelo competente profissional Dr. Algacir Guimarães, se bem que fique menor terá todavia, aspecto moderno, com o que lucrará a cidade, no seu principal centro. (O COMÉRCIO, 1941, p. 1).

Observa-se que ao modificar-se a praça da cidade, retirando a grande arborização existente em seu entorno, desejava-se obter um espaço maior para circulação, ou seja, considerando que com a Estação Férrea a movimentação de pessoas tanto da comunidade quanto viajantes seria maior, o espaço físico deveria se adequar às novas necessidades urbanísticas da cidade em desenvolvimento. A história é fruto da mudança; e a história do município de Porto União nos permite observar as transformações ocorridas ao longo de sua trajetó-

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ria, uma vez que apresenta uma peculiaridade, pois teve seu inĂ­cio atrelado a outro Estado, passou por uma disputa territorial no conflito do Contestado e, entĂŁo se constituiu municĂ­pio pertencente ao Estado de Santa Catarina.

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CAPITULO II

Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso: Expressão da Educação no Cenário Municipal

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Patrono da Escola: Professor Balduíno Cardoso O nome do Grupo Escolar foi uma homenagem ao Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso que nasceu na cidade de Desterro, em três de fevereiro de 1838. Foi educado no antigo Colégio de Padres Jesuítas, onde recebeu sólida instrução cívica e religiosa, ingressou no magistério como professor particular e foi lecionar em Vila Nova do Mirim, indo mais tarde para São Pedro de Alcântara, onde continuou a exercer sua profissão de educador. Aos 30 anos foi nomeado professor público para reger uma Escola Isolada na capital. Depois foi removido para o Distrito de Santo Antônio na Ilha e, em seguida, para Laguna onde permaneceu por poucos meses retornando a Florianópolis, local em que se aposentou continuando a ensinar particularmente. Mais tarde foi convidado pela diretoria da Liga Operária para dirigir a escola noturna dessa associação. Faleceu em 21 de junho de 1911 (COLÉGIO BALDUÍNO CARDOSO, s/d).

Figura 7 - Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso

Fonte: (Acervo da Escola)

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Letra do Hino da Escola Marcha: Colégio Estadual Professor Balduíno Cardoso Letra: Diva de Oliveira Música: Felício Domit Cantemos ó mocidade Elevemos a nossa voz O mais sublime ideal Da Pátria vejamos nós Do estudo sejam os frutos Nosso constante aspirar Do saber serão as armas Que haveremos de terça Vibrantes num hino ardente Pleno de entusiasmo e amor Celebremos do Brasil A glória imensa e o valor Vibrantes num hino ardente

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Galeria de Diretores

Fonte: (Acervo da Escola)

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Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso O Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso traz em seu contexto histórico a particularidade de ser fundado juntamente com o município de Porto União no ano de 1917. Na gestão do Governador de Santa Catarina Coronel Felippe Schimidt foram criadas as “Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio da Silva Cardoso”, que no decorrer dos anos passou por diversas alterações nominativas. A inauguração desse educandário ocorreu no dia 28 de setembro de 1918. Anterior à sua instalação, o prédio foi ocupado pelo Grupo Escolar Professor Serapião10, sendo construído pelo governo do Paraná, em território que em 1917 passou a pertencer ao Estado de Santa Catarina. O Grupo Escolar Professor Serapião foi inaugurado em 02 de junho de 1913, conforme demonstra-se na figura 8, na Praça Prudente de Brito, alto da Igreja Matriz de Porto União, foi o local escolhido para ser edificado o Prédio do Grupo Escolar, que em virtude do acordo dos limites com Santa Catarina, ficou pertencendo a este Estado, tomando a denominação de “Balduíno Cardoso”. As aulas eram ministradas pela professora Amasília Pinto de Araújo, normalista vinda da capital do estado paranaense para residir em Porto União da Vitória. O referido Grupo funcionou até 1916, neste prédio, por conta do Acordo dos Limites, sendo, mais tarde, construídos dois novos prédios escolares, um para o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso em Porto União-SC, em 1938, e outro para o Grupo Escolar Professor Serapião em União da Vitória-PR. No ano de 1917, o Grupo Escolar Professor Serapião recebeu autorização do governo paranaense para a construção de um prédio próprio em União da Vitória-PR. O antigo Fórum de Porto União utilizou-se deste espaço a partir de 1939 até 1977. E dessa data em diante é ocupado pelo Grupo Escoteiro Iguaçu. As Escolas Reunidas foram implantadas no Estado de Santa Catarina no ano de 1915 no Governo de Fellipe Schimidt (1914-1918), sob a Lei nº 1044 de 14 de setembro. Essa modalidade de escola foi criada no estado com o objetivo de reunir duas escolas num só prédio. Isto gerava uma economia para os cofres públicos, porque as turmas eram menores e os horários de aula reduzidos. Portanto, para instalação das Escolas Reunidas era necessário cumprir alguns critérios para sua implantação:

10 [...] A Escola “Professor Serapião” foi fundada em 1913, e se apresenta como um dos marcos da implantação da cidade de União da Vitória após o Acordo de Limites entre o Paraná e Santa Catarina; possui notável importância histórica e constitui patrimônio cultural a ser preservado. [...]” (EDITAL DE NOTIFICAÇÃO, CURITIBA: 27 DE OUTUBRO DE 1988).

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Art. 3 – As Escolas Reunidas serão instaladas, de preferência, nas sedes dos municípios e districtos, onde a municipalidades, associações particulares, offereçam ao Estado: 1. Prédio convenientemente adaptado ou de fácil adaptação; 2. Prédio arrendado por dez annos no mínimo; 3. Terreno próprio para a construção de Escolas Reunidas; Art. 4 – Em qualquer hypotheses referidas no artigo anterior, os terrenos dos predios, ou terrenos oferecidos, deverão ter a area suficiente para comportar mais tarde, a transformação em Grupo Escolar. (SANTA CATARINA, 1915, p. 11).

Pode-se inferir que as Escolas Reunidas representavam uma mola propulsora na expansão das Escolas Isoladas. Como foi criada similar ao grupo escolar, a escola reunida era economicamente mais viável, pois exigia menor investimento por parte do governo e, quando conseguisse ampliar sua clientela com a divisão dos alunos em oito classes, seria então classificada como grupo escolar.

FIGURA 8 - Sede do Grupo Escolar Professor Serapião - PR (1913); a partir de 1918 passou a ser sede das Escolas Reunidas Professor Antônio Balduíno Cardoso

Fonte: (Acervo do Museu Municipal de Porto União-SC)

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Nesta imagem identificamos a fachada das Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso, contando com a estrutura física de 04 salas de aula, uma sala para direção, 01 sala para secretaria, 02 sanitários, um masculino e um feminino, e um pátio de terra para o recreio. Seu horário de funcionamento era nos períodos matutino e vespertino, com 13 classes.  Este prédio ocupava um local de destaque da cidade, no local denominado “Alto da Glória”, centro da cidade, próximo à Igreja Matriz. Um destaque importante é para a planta do primeiro grupo escolar11 da região de Porto União da Vitória, o Grupo Escolar Professor Serapião. Na planta do prédio aparecem as dimensões espaciais, que foram alteradas quando o prédio passou ao Fórum do município. Enquanto grupo escolar não havia porta na entrada do prédio; apenas nas laterais e, onde se lê, Sala do Júri, funcionava a Direção do Grupo Escolar, com corredor e 04 salas de aula. A imponência do prédio estava na beleza de sua arquitetura e o terreno interno da escola não aparecia para a rua, pois a fachada era repleta de janelas, com uma construção que ocupava grande parte da frente da escola, além dos muros que destacavam a sua fachada. FIGURA 9 - Planta Baixa do Prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: Acervo de Aniz Domingos.

A planta baixa do prédio foi elaborada pelo Juiz de Direito e pelo pro11 O Tombamento do Prédio como Patrimônio Histórico se deu em 1981. A Comarca do Patrimônio Histórico e Artístico de Santa Catarina pela solicitação do Professor Aniz Domingos, deu-se o tombamento do prédio onde funcionou o primeiro Grupo Escolar da região de Porto União-SC, a pretensão do Professor Aniz Domingos, era a fundação de um Museu Histórico do município de Porto União – SC, para funcionar no prédio.

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fessor Aniz Domingos, sendo que a descrição do terreno bem como da edificação foi realizada no Registro de Imóveis de Egon Udo Koerner de Porto União–SC, contendo os seguintes apontamentos: Um terreno urbano situado entre as Ruas Frei Rogério, Rua 13 de Maio e Coronel Amazonas, no Centro com área total de 2.360, 54 m² (Dois mil, trezentos e sessenta metros e cinquenta e quatro decímetros quadrados), com as seguintes medidas e confrontações: frente, com 76,00 metros, com terras das irmãs catequistas Franciscanas e parte com terras de Nelson Antonio Sicuro; Lado direito com 33 metros com a Rua Coronel Amazonas, e Lado Esquerdo, com 32,52 metros, com a Rua 13 de maio, localizado no cadastro municipal no setor 06, quadricula 53, quadra 02, Lote n.º 0178. [...]. (PORTO UNIÃO, 1981, p. 01).

Segundo Bencostta (2005, p. 111), é interessante perceber como o jogo combinatório entre interior e exterior da escola era imposto ao observador, como um limite à liberdade visual e espacial. E desse modo, através desta linha divisória do que se observa e do que se oculta, surgia a admiração do observador com relação à arquitetura escolar. Com referência às Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso, os primeiros professores e o Diretor que dela fizeram parte: primeiro Diretor foi o senhor Antenor Cidade (1919) e os primeiros professores foram: Martha Tavares Alves, Eduardo Monteiro, Ernesto Augusto Gomes, Gustavo Gonzaga, Manoel Donato Luz, Estevão Juck, Antônio Gasparello, Gertrudes Cidade, Alice Araújo e Maria Clara Araújo. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1919, p. 08). Com base nos Registros do Livro de Visitas de Autoridades (1919), no qual os Inspetores Escolares faziam anotações sobre a escola, é possível dizer que no ano de sua criação, o corpo docente era composto por dez professores e, destes apenas quatro professoras, sendo em sua maioria os homens a comandar a escola, ocupando cargos ou exercendo a docência. Isto se explica em decorrência do discurso que permeava na sociedade brasileira no início do século XX, no qual as mulheres estavam iniciando sua presença com maior representação na profissionalização docente. Segundo Priori (1997, p. 13): [...] A profissionalização da mulher no magistério público deu-se em meio ao entendimento de que a educação escolar era uma extensão da educação dada em casa. Logo, a função de mãe na família era

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estendida à escola pela pessoa da professora. Estava assim criado o círculo que permitiria a profissionalização do magistério feminino.

O Inspetor Escolar João Romário Moreira, em visita as Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso no primeiro ano de seu funcionamento, relatou no Livro de visitas que durante as visitas dos dias 26, 28 e 29 de abril de 1919 observou o seguinte: I- Do prédio e suas dependências: o prédio apresenta diversas goteiras que muito prejudicaram o madeiramento caso em breve não façam os necessários reparos. O pátio de ambas as secções apresentava um aspecto desagradável parecendo terreno de uma casa abandonada, tal era a grande quantidade de hervas daninhas nelle contidas a 26 de abril. Alem disso por ser um terreno de argila vermelha e muito liguenta nos dias de chuva a criançada conduz grandes quantidades de terra para o interior do estabelecimento, impressionando mal aos visitantes e condemnando a hygiene das salas. II- Da hygiene das salas de aula. Do que ficou exposto deduz-se que nos dias de chuva é bem desagradável entrar no estabelecimento e não havendo uma pessoa que sujeite ao ordenado de 25$.000 mensais ocupando o cargo de servente. A limpeza é feita pelas professoras, conforme o mês pelas professoras contratadas. Porém esta limpeza, não satisfaz porque é feita somente com a vassoura e não tira toda a terra que fica no assoalho. Condenáveis são os bancos por não terem as dimensões proporcionaes. Estreito o espaço entre o assento entre a carteira. Obrigando as creanças a se virarem com podem para acompanhar as aulas. Seria importante que o senhor Diretor solicitasse a Secretaria da Instrução, fazendo acompanhar um orçamento do mobiliário necessário para que em cada classe fique uma serie de mesas e bancos. É necessária mais graduação de luz, nas salas de aula. IV- Das medidas a tomar: mandar concertar as calhas, a caixa da agua e os dejectorios, forrar os pátios do recreio com areia, e devido a inclinação do terreno necessita-se fazer um muro no acesso a secção feminina, e nivelar com grama. Mandar reformar os bancos e mesas, e os transparentes; E por fim mandar arborizar os pátios de ambas as secções. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1919, p. 18).

É possível afirmar por meio deste discurso que tanto no interior do estado como nos grandes centros urbanos existiam problemas estruturais e, no caso de Porto União, mesmo com estas dificuldades, a escola precisava funcionar, pois era a única Escola Reunida pública do município. No entanto, a recorrência e o volume de problemas existentes nas escolas distantes dos gran-

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des centros ganhavam dimensões muito maiores. Assim, a visão do Inspetor como representante do Estado, revelava o desejo do bom funcionamento do estabelecimento escolar e desvelava as contradições entre as representações oficiais e as condições concretas das escolas públicas catarinenses. A justificativa de criar Escolas Reunidas em Santa Catarina fica evidenciada na descrição do Relatório Anual do Governo de Santa Catarina de 1917 (p. 33): Estas Escolas, que são uma creação do actual Governo, destinam-se, quando sufficientemente disseminadas por todos os núcleos de população, a prestar grande serviço à causa da instrução popular dada a convivência, já por todos reconhecida, de reunir num mesmo edifício e sob uma só direção, certo número de escolas.

Essa prerrogativa legal se aplicava também à implantação das Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso, no recém-criado município de Porto União. De acordo com Millis (2002, p. 79), iniciou-se também em 1917, o curso feminino, no Colégio Santos Anjos, mantido pela Ordem Religiosa das Servas do Espírito Santo, vinculada à Igreja Católica12, sob a jurisdição do Estado do Paraná, iniciando suas atividades com o curso primário com jardim de infância. Em 1929, era o colégio dotado de um curso de Ensino Normal equiparado e, mais tarde (1937), o Governo de Santa Catarina autorizou o funcionamento do Curso Fundamental, regulado pela legislação Estadual, que naquela época instituía esta modalidade no aparelhamento da instrução secundária, sendo seu nome alterado para Instituto de Educação Santos Anjos. Este educandário contribuiu para a formação docente de Porto União e da região, pois o colégio era uma referência no quesito educacional e enquanto internato pela qualidade de suas instalações. Esta escola particular permitia às famílias com poder aquisitivo dos municípios de Porto União-SC, União da Vitória-PR e da região que matriculassem suas filhas para realizar seus estudos. Pode-se afirmar que 1917 foi um ano simbólico para o setor educacional catarinense, já que houve um movimento de expansão de novas escolas no interior do estado de Santa Catarina:

12 Outra escola vinculada à Igreja Católica no município de Porto União teve início em 1932, o ensino primário denominado Escola Paroquial São José organizado pelo Frei Clemente, destinado à educação de meninos e incialmente funcionando na casa do próprio Pároco. Pela sua equiparação funcionou como ensino estadual, e, em pouco tempo já contava em 1938 com novo prédio e os cursos: Curso Normal Primário e Escola Complementar, que também pela qualidade de sua equiparação, formou diversas turmas de alunos. (MILLIS, 2002, p. 75).

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Decreto n. 1069, de 04 de dezembro, Creando escolas nos municípios de Mafra, Canoinhas e Porto União. O Coronel Felipe Schimidt, Governador do Estado de Santa Catarina, no uso de suas atribuições Decreta; Art. Único: Ficam creadas as seguintes Escolas Isoladas: §1. No município de Mafra: duas escolas na sede do districto de Itayopolis, sendo uma do sexo masculino e uma do sexo femino, e uma mixta em cada um dos seguintes logares: São Lourenço, Imbuial, Espigão do Bugre, Butiá, Turvo, Bela Vista, Colonia Augusta Victoria, Saltinho do Canivete, Estiva, Avencal, Rio Preto, Porto Castilho, Paraguássú, Moema, Linha Polônia, Linha São Pedro e Linha São João. § 2. No município de Canoinhas duas na sede do districto de Três Barras, sendo uma do sexo masculino, uma do sexo feminino e outra mista no logar Papanduva. § 3. No município de Porto União: uma mixta em cada um dos seguintes logares: Colonia Antonio Candido, Nova Galícia, São João e Vallões. Palácio do Governo, Florianopolis, 4 de dezembro de 1917. (FELIPPE SCHIMIDT. FULVIO C. ADUCCI. SANTA CATARINA, 1917, p. 70).

O referido Decreto autorizava a criação de Escolas Isoladas nos Municípios mencionados e, no caso específico de Porto União, foram inauguradas várias escolas no interior do município e no centro da cidade com a implantação das Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso. O panorama de expansão das escolas catarinenses demonstrava com base nos dados de matrículas referentes a 1917, nas diferentes modalidades escolares oferecidas pelo estado, a existência de uma disparidade com relação ao ideário da Pedagogia Moderna, proposta pelo Reformador Orestes Guimarães, quando segundo ele, por meio da alfabetização e da educação moral e cívica, a escola deveria formar o aluno nos conhecimentos científicos básicos e instrui-lo para servir a sociedade. Alicerçado nesse pressuposto, os grupos escolares seriam o modelo de escola ideal para a prática pedagógica moderna, uma vez que ofereciam condições de aplicabilidade dos princípios modernos de ensino. Ou seja, como as escolas isoladas detinham o maior número de matrículas, verifica-se que a aplicabilidade da Pedagogia Moderna em todo o estado não foi tão eficaz como apregoavam as representações do agente do Estado. Além disso, a falta de materiais pedagógicos e a própria formação docente que era incompleta constituem-se elementos consistentes para relativizar as representações ufa-

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nistas propaladas pelo discurso oficial do governo catarinense. No quadro 1, identifica-se a distribuição de matrículas por escolas em Santa Catarina:

QUADRO 1 - Número de alunos matriculados nas escolas no Estado de Santa Catarina - 1917

ESCOLAS

MATRICULAS

Escolas Isoladas

9.138 alunos

Grupos Escolares

2.261 alunos

Escolas Reunidas

627 alunos

Escolas Complementares

195 alunos

Escola Normal

85 alunos

Total:

12.306 alunos Fonte: FIORI (1991).

Observa-se que a grande maioria dos alunos estavam matriculados em escolas isoladas. Os estudos de Fiori (1991, p. 87), ao apresentarem estes dados, indicam ainda que da matrícula total de 12.306 alunos, 8605 alunos efetivamente frequentavam as aulas, o que demonstra o alto índice de evasão escolar. Portanto, esta realidade refletia que a educação não se fazia de fato tão importante quanto se mostrava nas representações estabelecidas pelos discursos dos agentes políticos. O Governo de Santa Catarina almejava que a instrução elementar prosperasse nas escolas do interior do Estado, como pode ser observado na Mensagem enviada ao Congresso Representativo, na gestão do Governador Vidal Ramos: O Governo não tem descurado das escolas isoladas que representam papel importante nas zonas do interior do Estado, onde a população é pouca densa. Além disso, o governo tem procurado, tanto quanto lhe permitem os nossos recursos, difundir o ensino em todo o territó-

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rio do Estado. (SANTA CATARINA, 1913, p. 28).

Esse problema se fazia atual e presente ainda na década de 1930: Visando alargar mais o campo da alphabetização a Directoria da Instrução vem de tomar medidas tendentes à reforma do nosso ensino primário. Pelas novas determinações baixadas foram creados vários grupos escolares e escola complementares que deverão funccionar de acordo com o decreto nº. 2.176, que tornou o ensino primário obrigatório nas zonas ruraes. [...] O Estado ficou dividido para effeitos de inspecção, em 5 zonas com sede respectivamente, em Florianópolis, Blumenau, Porto União, Lages e Tubarão. (SANTA CATARINA, 1933, p. 25).

Esta obrigatoriedade na matrícula e frequência era uma tentativa de que os alunos frequentassem as aulas e, assim, diminuísse o número de discentes desistentes dos bancos escolares antes da idade permitida; via-se a necessidade de que os alunos terminassem na idade certa e, principalmente, que concluíssem os estudos, pois a educação era considerada de suma importância para um indivíduo, sendo este transformado em cidadão apto ao trabalho e cumpridor de seus deveres patrióticos, de tal modo como poderia adquirir os capitais considerados fundamentais para sua formação cultural. Essa realidade outrora vivenciada no município de Porto União. A imprensa local por meio do Jornal Missões (09/01/1930, p. 4) e nas palavras do jornalista Hermínio Millis manifestava a preocupação com a falta de interesse dos pais em matricular os filhos na escola primária, publicando a seguinte matéria, intitulada Nótulas Ligeiras Instrucção Pública. Entretanto para que se possa enriquecer a páttria com sucessivos contingentes de filhos instruídos não basta somente os termos muitas escolas e, com ellas, gastarem-se avultadas somas, senão também e mui principalmente o fazermos com que estes grandiosos templos sejam frequentados por todos que se acharem em idade escolar própria para receber os ensinamentos do mestre de primeiras letras. O Governo cônscio da sua missão tem resolvido em parte o seu problema, pondo a instrucção ao alcance de todos, dando-nos um número já elevado de escolas gratuitas e de mestres capazes de muito fazer pela educação infantil. Neste aspecto o jornalista enfatiza que apesar de o Estado ter a oferta de escolas, os alunos em idade escolar não a frequentavam, torando-se um problema, pois sem alunos não existe escola! (...), mas esse mesmo Governo, não pode descer de suas altas funcções para ir implorar a gente rustica, ou aos paes remissos que

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mandem seus filhos à escola, é claro. A escola deve ser vista pela comunidade, como um meio para que possamos somar junto a nação, pois ao sabermos, ler, escrever e contar, estaremos aptos para auxiliarmos no desenvolvimento da pátria.

Sob um aspecto geral dessa análise, pode-se destacar que a escola catarinense desta época, tinha como pressuposto acentuado o controle social da comunidade escolar pela rigorosa disciplina que se exigiam nos bancos escolares, tanto por parte dos professores, como por parte dos alunos, sobretudo dos professores, que eram constantemente cobrados pela figura dos Inspetores Escolares para conduzir o ensino com eficiência e controle social. Nessa direção, faltavam alunos matriculados na escola primária catarinense, mesmo com a oferta de vagas para o ensino primário, reflexo de uma sociedade que não reconhecia legitimidade na escola que, em geral, sua cultura escolar prescrita estava muito distante das experiências do cotidiano da grande maioria da população. Além disso, o Estado manifestava muita dificuldade para garantir aquilo que os agentes políticos apregoavam em suas prescrições, porquanto as estruturas físicas, o contingente de materiais, o número de professores não atendia aos preceitos estabelecidos pela Pedagogia Moderna que estava em vigor. De acordo com a concepção de Rosa Fátima de Souza (2008, p. 37), à escola primária foram atribuídas inúmeras finalidades, como por exemplo, caberia a ela moldar o caráter das crianças, futuros trabalhadores do país, incluindo-lhes especialmente valores e virtudes morais, normas de civilidade, o amor ao trabalho, o respeito pelos superiores, o apreço à pontualidade, pela ordem e pelo asseio. E, de modo muito especial, deveria a escola popular colaborar na importantíssima obra da consolidação da nação brasileira, veiculando valores cívico-patrióticos por meio das quais cultivaria nas novas gerações amor à pátria.

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Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso13 Em 19 de janeiro de 1927, sob o Decreto nº 2017 as Escolas Reunidas Professor Balduíno Antônio Cardoso, foram elevadas à categoria de Grupo Escolar14, passando a denominar-se Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, sendo oferecidas à população estudantil das gêmeas do Iguaçu, quatro primeiras séries do curso primário elementar. Nessa época, era diretor do Departamento de Educação do Estado o professor Luís Sanches Bezerra da Trindade e o Inspetor Escolar designado para fiscalizar as Escolas Reunidas de Porto União, o professor Germano Wagenfhür. O Diretor da escola, Prof. Gregório Brekenbrock, sendo prefeito Municipal de Porto União o Sr. Helmuth Muller. De acordo com Saviani (2008, p. 175), o grupo escolar tratava-se de um modelo, que foi sendo disseminado por todo o país, tendo conformado a organização pedagógica da escola elementar que se encontrava em vigência no século XX, nas quatro séries do que hoje se denomina ensino fundamental. O significado pedagógico da implantação do modelo dos grupos escolares cumpre observar que, por um lado, a graduação do ensino levava a mais eficiente divisão do trabalho escolar, ao formar classes com alunos de mesmo nível de aprendizagem. E essa homogeneização do ensino possibilitava um melhor rendimento escolar. Com o crescimento da população no município de Porto União, consequentemente aumentou o número de alunos e se tornou necessária a construção de um novo prédio, com um espaço mais amplo e mais moderno, atendendo às necessidades de expansão física, construção esta que logo se iniciou. O significado da instrução pública catarinense foi traduzido pela publicação do jornal A Voz do Oeste15. O ano de 1927 havia sido um período extremamente profícuo para a educação local com a publicação em 19 de janeiro do Decreto nº 2017, convertendo as Escolas Reunidas da cidade de 13 A inauguração do primeiro grupo escolar em Santa Catarina aconteceu em 1911, no dia 15 de novembro, na cidade de Joinville; na escolha do nome homenageou-se Manuel da Silva Mafra, um influente político que defendeu o Estado nas questões territoriais do Contestado no início do século XX. Assim, o referido grupo ficou denominado: Grupo Escolar Conselheiro Mafra A Escola da República: Os grupos escolares e a modernização em Santa Catarina (1911-1918) de Teive e Dallabrida (2011). 14 Com base na Lei nº 1448 de 29 de agosto de 1923, estabeleceu-se a reorganização do serviço de Instrução Pública. No ART. 1 constava a seguinte prerrogativa: Ficam convertidas as Escolas Reunidas em Grupos Escolares de 2ª classe, considerando que desde 1921, os referidos estabelecimentos funcionam de acordo com o Regimento Interno dos Grupos Escolares, seguindo os mesmos Programmas e Horários. Sendo o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso pertencente aos Grupos Escolares de 2ª classe. 15 O Jornal A Voz do Oeste, editado na cidade de Porto União, lançou sua primeira edição em 12 de dezembro de 1919. O referido Jornal era partidário da caravana de Victor Konder, tendo como redator e secretário o professor Estevão Juck e gerente Leonidas Menel. Os diretores do jornal foram os senhores Luiz A. Corrêa e Hermínio Millis. Sua ênfase era voltada para notícias de caráter político, notícias em geral e de caráter literário, suas publicações eram semanais.

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Porto União em Grupo Escolar. E, em 11 de outubro de 1928, foi publicado o Decreto nº 1599, criando a Escola Complementar anexa ao referido Grupo Escolar. A imprensa local parabenizava pelo bom desempenho das atividades no segundo ano de funcionamento da Escola Complementar anexa ao Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso. Em outra matéria publicada no Jornal O comércio (1932, p. 02), solicitava-se o aumento do prédio do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, em virtude da demanda de alunos: Segundo estamos informados, a Diretoria da Instrução Pública atendendo ao justo pedido do Sr. Professor Celso Rilla, esforçado diretor do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, desta cidade já concluiu no plano dos trabalhos a serem executados no próximo ano, é necessário aumento do prédio, em que funciona esse creditado estabelecimento de ensino.

A matéria supracitada demonstrava que era necessário aumentar o referido prédio escolar porque a estrutura física estava insuficiente para atender ao número de turmas. Esta solicitação vai ao encontro do crescente movimento de difusão do ensino primário nos grupos escolares em todo estado catarinense e no país de modo geral. Outro destaque voltado à expansão do ensino primário em Porto União foi divulgado no espaço do Jornal O Comércio, com a matéria: O Ensino Primário em Santa Catarina: Organizado pela Diretoria da Instrução Publica de República Florianópolis, há pouco tempo um quadro demonstrativo do movimento educacional neste Estado, realiza ao ano de 1932. Por esse quadro, vê-se que, naquele ano, de 1932, existiam nos 35 municípios catarinenses, 770 escolas estaduais, 284 escolas municipais, e 456 escolas particulares, sendo: 05 escolas de ensino gratuito, 03 subvencionadas pelo Governo da União, 111 pelas respectivas municipalidades. Porto União figura, no aludido quadro, com 12 escolas estaduais, 05 municipais e 10 particulares, num total de 27. Pelo último Relatório da Secretaria do Interior, publicado em 1930, no nosso município contava-se 14 escolas de ensino primário, sendo 08 estaduais, e 06 particulares, inclusive o Grupo Escolar, onde havia quatro classes. Actualmente cremos, exceda de 27 o número das nossas escolas, e, verdade seja dita, ainda não satisfaz a população em idade de alfabetizar-se. (O COMÉRCIO, 1933, p. 01).

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Diante do exposto, percebe-se que por mais que a escola primária estivesse em processo de expansão no estado catarinense, como nota-se na referida matéria, ainda no município de Porto União era insuficiente o número de escolas existentes. Estes dados indicam as representações que emergiam do novo modelo de organização escolar, o qual preconizava práticas educativas mais elaboradas, materiais escolares modernos para os alunos e estrutura física condizente com o número de alunos. Segundo Souza e Faria Filho (2006, p. 28), a inserção dos grupos escolares representou inúmeras transformações na organização e na constituição dos sistemas estaduais de ensino público no país. A implantação deste novo modelo escolar exigia um alto investimento do governo, já que para o funcionamento dessa modalidade escolar seria necessário ter uma estrutura física, com mobiliário e material didático moderno, além de professores habilitados. Todos esses elementos corroboravam para que de certa forma, não fosse possível ter a expansão de grupos escolares em todos os municípios do Estado.

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Escola Complementar Anexa ao Grupo Escolar A Escola Complementar, anexa ao Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, foi criada pelo Decreto nº 2135, de 12 de março de 1928, tinha duração de três anos, permanecendo até 1935, quando foi transformada em Escola Normal Primária (SANTA CATARINA, 1929). Esse curso muito contribuiu para a boa formação dos estudantes de Porto União. De acordo com Millis (2002), o número de alunos é anualmente bem elevado, tendo-se em vista os demais cursos existentes não só na cidade, como na de União da Vitória (PR). O corpo docente na época foi formado pelos professores: Araceli Rodrigues Friedrich, Alba Assis Rêgo Barros, Astrogilda de Matos, Clotilde Costa, Jandira Domit, Sofia de Oliveira. As Escolas Complementares funcionavam junto aos Grupos Escolares, os quais foram instituídos pela mesma Reforma no cenário educacional catarinense. (FIORI, 1975, p.100). Com duração de três anos, o curso deveria preencher uma lacuna de escolarização entre o Grupo Escolar e a Escola Normal, facilitando a “habilitação de candidatos ao professorado [...] aproveitando as vocações” daqueles jovens que não tinham condições de residir na Capital do Estado para estudar, mas que poderiam ser professores. A seguir cita-se um fragmento de texto do autor Hermínio Millis da obra Monografia de Porto União, retratando o papel deste educandário para a sociedade local. O edifício está situado na zona urbana, numa colina, parte leste da cidade, em terreno amplo e em condições recomendáveis pela natureza, topografia e vizinhança. Pela sua altura, oferece ventilação e a insolação um acesso franco; pela área mede 1.310 metros quadrados, toda gramada ao centro, onde está instalado o pórtico de Educação Física, que está em ótimo estado de conservação.

A existência da Escola Complementar esteve condicionada a experiências possibilitadas pela necessidade da demanda de alunos estudantes do Grupo Escolar, e também serviu como estratégia da base política à comunidade para suprir a necessidade de professores para as Escolas Isoladas, Reunidas ou mesmo Grupos Escolares, durante o processo de escolarização na região.

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FIGURA 10 - Alunas da Escola Complementar (1960)

Fonte: (Acervo da Escola)

Livro de Matrícula Secção Feminina Escola Complementar Termo de abertura: Servirá o presente livro para matricula da secção feminina da Escola Complementar anexa ao Grupo Escolar “Prof. Balduíno Cardoso”. Porto União, 28 de abril de 1928. Manuel Donato da Luz (Diretor)

Turma: 1ª ano Feminino Ano: 1928 Aurora Silva, Aracy Huergo, Amélia Corrêa, Alice Dias, Anizia Conceição, Dulce Oliveira, Divia Oliveira, Edith Mello, Francisca Bittencourt, Hilda Rolla, Inah Oliveira, Jandira Santos, Jandyra Capriglioni, Laura Kisner, Maria Corrêa, Marion Müller, Maria L. Huergo, Maria da Silva, Rosa Guerios, Synira Grossenbaker, Sophia Yuk, Zamia Pimpão, Noemia Schultz. Turma: 1ª ano Feminino Ano: 1929 Sophia Yuk, Antonia Lube, Alice Dias, Anna Kaminska, Dalissa D’ Oliveira, Ednah Oliveira, Yalis Bichara, Ayá Gonzaga.

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Turma: 1° ano Masculino Ano: 1945 Atanásio Souza Bueno, Cezar Silva Borges, Helmuth Thiel, Luftala Farah, Afonso Teixeira, Airton Baby, Albertino Pereira, Alvaro Sass, Carmino Kormann, Edgar Alves Correia Filho, Germano H. Echterhoff, Guilherme Lampe, Hari Neumann, Hilário Rubens Moraz, Horst Bach, Jacob Kormann, Joaquim Schurgelis, José Trindade Góis, Milton Quadros, Orlando Teixeira, Lávio Rufino, Neri Blasi, Raul Silva Wolff, Albérico Aires Ribas, Breno Allet Filho, Carlos Osvaldo Geyer, Carlos Henrique Koschky, Ernesto Holz, Ivo Luiz Fantin, João Furlan, José Meszka, José Silveira, Nilton Albano Silva, Salvio Edson Silva, Silvio Poloveis, Simão Berbetz, Valdomiro Schmyz, Valmor Goia. Turma: 1ª ano Masculino Ano: 1955 Alberto Eloi Alves, Altair Almeida, Antonio Belinski, Arlindo Bloot, Aristides Vieira, José Maringne, José Dalfrides Klodzinski, Jundeli Soares Varela, Lauro Galle, Osvaldo Rodrigues. Turma: I série B (5° ano) Masculino Ano: 1964 Antonio Carlos de Almeida, Celso Paulek, Francisco Wilmar Bostelmam, João Veneses Scrock, José Schwab, Luiz Carlos Zavaski, Luiz Vicente Kroetz, Nelson Rogério Joslni de Oliveira, Paulo Fernando Jung, Paulo José da Cunha Marques Filho, Valdevino Mendes, Willy Erich Baran, Wilson Roberto Mtzembacher, Paulo Reinbold, Edemir Tadeu Hacbarth, Adir Ribeiro Farias.

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Curso Normal Regional Marcelino Ramos O Curso Normal Regional Marcelino Dutra foi criado com a finalidade de formar docentes para as áreas rurais do Município de Porto União (SC) e região. Sua criação ocorreu no ano de 1947, funcionando em anexo ao prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. As atividades exercidas pela Escola Normal demarcaram a sociedade pela formação e pela profissionalização docente. Em especial, para as cidades de Porto União e União da Vitória. Este marco obteve um mérito de respeito ao mesmo tempo em que proporcionava uma oportunidade de profissionalização para as mulheres da região. Dentre as disciplinas que integravam o currículo básico da formação para o professor primário, além de conhecimentos da Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Psicologia, Pedagogia, Didática, Desenho, Caligrafia, Canto Orfeônico e Educação Física presentes em Porto União (1963), havia aquelas que se voltavam praticamente para cuidados do lar, como Trabalhos Manuais e Economia Doméstica. Descreve Almeida (1998, p. 181) que: os manuais de Economia Doméstica utilizados nas escolas davam conselhos sobre higiene da habitação, arranjo da casa, conservação das roupas, preparo dos alimentos, contabilidade doméstica, noções de puericultura, conselhos às donas de casa e às mães. A organização didático-pedagógica desenvolveu-se no decorrer do século XX, no qual conteúdo e método de ensino fizeram parte do intenso debate sobre a questão política da educação e os meios para efetivá-la, entre eles, a melhor organização pedagógica para a escola primária. Em geral, difundiu-se a crença no poder da escola como fator de progresso, modernização e mudança social. A ideia de uma escola nova para a formação do homem novo articulou-se com as exigências do desenvolvimento industrial e o processo de urbanização. Por essas razões, o referido século ficou identificado como o “Século da Instrução Primária”. (SCHELBAUER, 2005, p.222). O corpo docente do Grupo Escolar Balduíno Cardoso expressava-se, quer pelos relatórios ou planos de ensino, a compreensão dos métodos de ensino indicados pelo Estado de Santa Catarina para aplicar na prática pedagógica.

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FIGURA 11 - Corpo Docente e Alunos do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso – Prédio da primeira Sede da Escola

Fonte: (Acervo da Escola) FIGURA 12 - Formandas do Curso Normal Regional do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: Acervo Srta. Francisca de Mattos

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Ginásio Normal Marcelino Dutra, 1969 1ª Série A Alcione dos Santos, Alcione Terezinha da Silva, Brígida Lúcia Pindeak, Célia Regina Laubatch, Dilmar Galle, Dirma Estácio de Paula, Edel Regina Schaefer, Elfried Finsterbusch, Fátima Maria Lidwinski, Gilda Freire de Menezes, Helena Paffrath, Ilza Inês Lecchin, Irene Farias, Irene Nepanuceno, Irene de Souza, Ivanise de Fátima Cavalheiro, Joana Prezysiesny, Judite Alves Valente, Lúcia Reisdoerfe, Lucia Schavalla, Lucilia Padilha de Oliveira, Lídia Joana Kuczarski, Lindarci Maria Przjsiesny, Margarida de Lima, Maria Froelich, Maria de Lourdes Biga, Maria Nilda de Souza, Maria Madalena Stachva, Maria Oracelina Ramos, Mary Salete Cordova, Nelci Muller, Nermi Francisca Amarantes, Regina Célia de Freitas, Rita Maria Stelmak, Rosa Bonatto, Rosa Maria Zipperer, Rosemary Farias Paes, Rosenete Laura Riolo, Roseni Pereira dos Santos, Schiley Daniel Vieira, Soeli Aparecida Azevedo, Sônia Maria Collita, Sônia Maria Sans. 1ª Série B Ademir Adjalma Aleixo, Ademir Olimpio Lusa, Altamir Moreira de Castilho, Antônio Carneiro Araujo, Antonio Sergio Picolis, Aurélio Fortéa, Ezequel Moreira de Castilho, Helmuth Finsterbusch, Hilário Ilbiu, João Jairo Canfield Filho, João Koloszuk, João Maria Lourenço, Jorge Tadeu Soares de Lima, José Carlos de Araujo, Laertes de Jesus Costa, Levino Soares Filho, Luis Carlos Machado, Newton Soares Backes, Paulo Roberto Schulz Passarini, Roberto Bona, Roberto Daniel Vieira, Samuel de Andrade Canfield, Valério Antonio Fritzen, Vilmar Gomes de Oliveira, Wilmar Figueiredo de Mello, Vilson Romério Rucinski, Selito Luis Bonotto, Alceu Portes, Almeri Vareli, Carlise Cecília Slamski, Cirlei Maria Pacheco, Frida Schuck, Ivete Maria Grebinskil, Leacir Wolf, Otilia Soares dos Santos, Rita Witiuk, Rozeni Cochak, Sirlei Terezinha Weningkamp, Sônia Maria Sales, Vera Lúcia Fischer, Vera Lucia Ribeiro Marcondes, Ieni Julieta Knapick, Filda Maria Knapick, Nair Jaskiw. 1ª Série C Ana Seledes, Ângela Maria Bernardini, Anita Bloot, Elci dos Santos, Elinete de Pol, Glaci Terezinha Reczcki, Iracy de Cássia Carneiro, Isabel Maria do Prado, Jandira Pereira, Juliana Martins, Leila de Fátima Longo, Leocardia Ribeiro, Lizete Martins, Marcilda Luiza Kranholdt, Margarida L. Alves Lourenço, Maria de Fátima Picolis, Maria Ferreira, Maria Helena Topolski, Maria Terezinha Widiuk, Maria Zélia Rethinski, Marli Hoffmann, Marisa Dias, Marisa Veneri, Nanci Maria Serafini, Nilcy Marques Ferreira, Neusa Maria Hunhewicz, Neuza Maria Boguta, Nilce Maria Bolardini, Regina Golarça e Silva, Regina Guimarães, Re-

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gina Maria Suck, Romilda Klein, Roseli de Loudes Andreolli, Silvia Margareth Guzinski, Silvia Maria Klein, Sonia Maria Kolinski, Sonia Regina Lindnen Guerra, Taísa Honesko, Tânia Maria Lucia Santi, Terezinha Bralini, Waldomira Tonkio, Jará Isolina Brito Fanona, Roseli de Souza. 2ª Série A Anália Klak, Catarina Aparecida Gaspar, Ciberla Clopass, Dalzi Mara Galle, Edicler Terezinha Coelho, Elza Maria Livelinski, Ereni Reutes, Eurotilde Bernardes, Eunice da Silva Porto, Ida Margareth de Souza, Iris Adelina Morais, Joana Marinice Chastalo, Joaninha de Fátima Martins, Laudelina Jungles Pagogelski, Lindaura Seraiska, Lúcia Bernadete kuczarski, Maria de Fátima Stratnann, Maria Holovaty, Maria de Lourdes dos Santos, Marlene Andrucho, Marlene Diogo da Silva, Marita Aparecida Ribeiro, Neusa Lúcia Schmidt, Rainilda Freisleben, Sitamar Luzia Brittes, Sueli Terezinha Bojars, Vera Aparecida Pinto, Vera Lucia Eggers, Vilma de Fátima Retcheski, Zenita Maria Ilbiw, Roseli Claudete Radünz. 2ª Série B Antônio Rogério Wagurniak, Armando Mariano Sales, Carlos Adalberto Jacyntho, Ciro Cabral da Luz, Galdino Menegasso, Osni Chagas Maçaneiro, Paulo Kovalski, Vanderlei Candido, Almeri Denise Pereira, Anésia de Fátima Colomena, Aparecida Irani Komar, Carmen Zita Komar, Dalva Alves da Maia, Erica Vergutz, Eunice Brandel, Eva Sueli Moreira de Castilho, Ivanilde Camargo de Moura, Ivanete Saul, Jucelei Helena de Oliveira, Lidia Maria Millezi, Mara Beatriz Serafini, Maria Joana dos Santos, Marlene Grebinski Machado, Marli Mazurechen, Marli Graciliano de Araújo, Maria Elizabeth Bianco, Nair Elaine Mesquita Muller, Rosemarie Barsch, Sônia Maria Koguta, Sueli Mariuse Domborovski, Vera Lucia Santos, Izabel Terezinha Ghizani. 2ª Série C Agnes Terezinha Nepamuceno, Aldete Maria Leandro, Catarina Soares, Cláudia Rebeika, Clotilde Cezimba Barcellos, Cristiane Alves Pereira, Damaris Wiltenburg, Dorati Schmurznski, Eliane Daniel Viera, Eliane Aparecida Olivetti, Ester Bauer, Geni Gomes, Helena Cleci Morangoni, Heliane Bernardan, Inajara Sueli Cadrignani de Assis, Isanete Marisa Dalpra, Johnny Isabel Machado dos Santos, Kátia Crestani, Maria Aparecida Silva, Marlene Castilho Scheffer, Nanci Mirian Codrignani de Assis, Nelci Terezinha Jovariski, Nelci Maria Back, Rosangela de Fátima Silva, Sirlei Aparecida Michels, Sônia de Fátima Nascimento, Terezinha Vezaro, Vera Lucia Goslar, Vera Lucia Nogueira, Vilma de Fátima de Sene, Leila Maria Silva Mendes, Sitamir Luzia Brittes.

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3ª Série A Ana Maria Martinuv, Alcioni Salete de Araujo, Aldamara Márcia Leão, Carmen Regina Telck, Célia Regina Collita, Dalmira Estácio de Paula, Elenice Teixeira de Araujo, Elizete da Silva Porto, Elisabeth Terezinha Fellippe, Hilda Adamio, Iara Maria Zipperer, Iracema Labas, Isaura Nedachetto, Isalete Deusita Dalpra, Isolde Terezinha Andreoli, Ivone Sander, Leonice Wirschum, Lidia Krutkevicz Maciel, Luci Cardoso Boico, Marga Beatriz Woeltje, Neusa Jarentchuk, Pedrolina Nascimento de Souza, Roseli Schmidt, Ruth Fátima de Souza, Silvia Luzia Zavaski, Suzete Aparecida Dombrovski, Terezinha de Jesus Zipperer, Vera Maria Bueno Carneiro, Vera Maria Berkes, Maria Helena de Andrade Franca. 3ª Série B Altamiro Beckert, José Amauri Fernandes, Luis Antônio Soares, Pedro Kornyluk, Aracy Cristina Ilkiw, Beatriz Prestes, Celina Labas, Clarice Azambuja, Edilcéia Terezinha K. Weber, Eledir Terezinha Jurck, Eunice Adad, Glaci Beckert, Hélia Dorau, Ivanira Tereza Dias, Ivone Pereira, Lenira Maria Cordeiro, Laura Okonski, Lucimara Silanava, Maria Ivone Miranda, Maria da Conceição Metlski, Maria de Fátima Silvestre, Maria Tereza Costa, Maremi Ermínia Bianco, Mariolanda Beckert, Nilva Maria Kuhn, Raquel Canfield, Ruth Amália Holz, Maria Cândida Carneiro de Paula. 3ª Série C Celina Stablosa, Diane Maria Patruni, Eliane Raquel Codrignani de Assis, Elza Edith Bulek, Elizabeth Bostelmann, Isolina Edil Machado, Julia Ferreira, Jucelei Maria Amarantes, Juraci de Fátima Amarante, Jurema Corrêa da Maia, Maria Edi da Silva, Maria Luiza Moléri, Maria Glória da Silva, Maria José Pereira, Maria Zenilda da Silva, Marisa de Aquino, Marize Herzog, Nadia Zabczuk, Neli Raquel Morais, Nedi Aparecida Prsysiny, Roseli Amarante, Roseli Boico, Salete Rodrigues de Ramos, Sonia Maria Costa, Vera Amália Wiltenburg, Sara Maria Mansani, Cecília Scharalla. 4ª Série A Almi Vera Carbonar, Ana Avani Jatiskoski, Ângela Canellas, Clotilde do Rocio Costa, Diomar Carneiro de Campos, Dirlete de Fátima Wolanski, Dulcemar Aparecida de Oliveira, Francisca Evelize Rocha, Geni Maria Taborda, Hildegard Krug, Ilse Maria Hütner, Iolanda Rüdnicki, Inês Holovaty, Leila Bernadete de Aquino, Lilia das Graças Colomeno, Lilian Londarin, Luizilinda Landarin, Margareth Lucy Bianco, Marines de Jesus Ribeiro, Marlene Tâmara ciby, Marlice Côas, Marli Terezinha Andrucha, Marli Rosalina de Freitas, Matilde Bernar-

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des, Natalia Mase, Rita Menegasso, Roseli de Fátima Angelov, Salete Aparecida Lubatch, Sofia Kotvski, Sônia Regina da Maia, Tânia Eliza Bueno Elkiw. 4ª Série B Alvir Moreira de Castilho, Osvaldo de Jesus Corrêa, Valdevino de Jesus, Acirema Luiza Huergo, Alice Ferreira de Moraes, Arlete Leandro, Beatriz Gomes da Silva, Carmen Schmidt, Catarina Vezaro, Creuza Maria Sales, Divair Wolf, Eanina Jaci Machado, Elizabeth Ribeiro Marcondes, Elóide Scherer, Glaci Ribas de Oliveira, Ilda Kinak, Ione Aparecida dos Santos, Isabel Cristina Silva, Ivete Michels Wemes, Lúcia Cleusa Bertolotti, Lúcia Pagliosa, Mari Celeste Borille, Maria Belenice de Azevedo, Maria Terezinha Barbosa Pereira, Marlene Schama, Neusa Ientz, Suely Aparecida de Araújo, Suely Ferreira da Fonseca, Sumari Terezinha R. dos Santos, Tânia Mara Stori, Valquíria Fátima de Jesus, Walderis Micalichen, Walquiria Ehl Machado. 2ª SÉRIE U, ANO 1972/Profª ALZIRA DOMINGOS - Ensino Primário Antônio Celso Schimidt, Claudinei Franco, Daniel Pereira Duarte, Joacir Gabriel Rodrigues, Lauro Vieira, Marcos Acácio de Camargo, Mario Norberto Slomp, Pedro Laércio de Lara, Percy Stork, Ricardo Schmartz, Valdemar Luiz Ferreira, Vilson Ribeiro dos Santos, Alciomara Buch, Ana Paula Bona, Ângela Maria de Sene, Claudete Malinoski, Cleci Bostos, Damares Loucenço, Eliziane Aparecida Teodovicz, Eva da Luz Alcântara, Janita Cristina Buchveitz, Juracy de Fátima Pinheiro Cardoso, Laura Lucia da Silva, Margarete Aparecida dos Santos, Margareth de Lara, Margareth Regina Wolf, Roseli Amélia Brancaleone, Terezinha Gonçalves de Camargo, Valdeci Schlenert, José Olivio Fernandes, Roberto Domit de Oliveira. 3ª SÉRIE S, ANO 1972/Profª ALDAIR MUNCINELLI - Ensino Primário Alexandre Barbosa, Ambrósio Sloboda, Antonio Berejuk Jr., Antonio S. Carulak, Antonio Soares, Coniberto Merss, Domingos Chaves Neto, Edson Caesar, Elizeu Mibach, Fernando José Vieira, Gabriel Ossis Bonka, Hélcio Rodrigues dos Santos Jr., Itamar Mário Pitweak, Jair Aurélio Miranda, João Basílio Pereima, João Batista de Lara, Luiz Cesar Mussilini, Marcio O. R. do Prado, Marco Aurélio Stefani, Marco Vinicios Grazziatin, Ronald F. Bindermann, Aline Maura Vieira, Ângela Mori, Bernadete de F. Stacechen, Débora Holtz, Glaci Janete de Lara, Jaqueline Samagaia, Maria Clarice Sarturi, Maria Elizabeth S. Teixeira, Mariane Sohn, Marilda Bloot, Marileuza Lusa, Marise D. Araujo, Marlene Galvão, Rosa Matzenbacher, Roseli Dickel, Rosemari Pereira, Sandra M. bier Loss, Sebastiana M. dos Santos, Solange S. Mendes.

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FIGURA 13 - Desfile Civico do Grupo Escolar Professor Balduino Cardoso 1970

Fonte: (Acervo da Escola)

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Expansão do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso O ensino primário fazia-se cada vez mais importante, e necessário, para o município de Porto União, assim a propaganda da escola no jornal local da cidade corroborava com o ensejo do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso em expandir a oferta de vagas para os alunos da região. GRUPO ESCOLAR PROF. BALDUÍNO CARDOSO E ESCOLA COMPLEMENTAR ANEXA EM PORTO UNIÃO-SC: Aviso, aos senhores paes, tutores ou responsáveis, que as aulas do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso e Escola Complementar Anexa já se acham em pleno funcionamento, e que a matrícula em ambos esses cursos se acha ainda aberta. As aulas do Grupo funcionam em dois períodos: das 9 às 11:30 e das 12:30 as 2:30 da tarde; as aulas da Escola Complementar funcionam das 2:30 as 5:30 horas da tarde. Todos os alumnos devem possuir pelo menos um uniforme, cujo modelo será fornecido no Grupo. (VOZ DO OESTE, 1930 p. 06).

A citação acima mostra que a propaganda no Jornal era um forte veículo de comunicação e, desta forma, o Grupo Escolar também se utilizava deste importante instrumento para realizar a propaganda da escola. Além dessa questão, o que se pretendia era convencer as famílias de que a escola era o lugar onde poderiam entregar seus filhos para que recebessem conhecimentos. Essa ideia fazia parte do cenário nacional, quando colocava a escola no centro de uma grande discussão em torno do desenvolvimento do país para alcançar a senda do progresso. Além das atividades escolares, os pareceres dos Inspetores Escolares também serviam como um veículo de comunicação entre o município e a capital do Estado, no sentido de solicitações e encaminhamentos de recursos para as escolas. Em Inspeção ao Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso em 1935, o Inspetor Escolar Germano Wagenführ relatava no livro de Visitas de Autoridades Escolares sobre a falta de espaço físico para atender a demanda de alunos e solicitava a construção de um novo prédio para o Grupo Escolar do município. Este já não satisfaz mais as exigências locais principalmente para poder rivalizar com os demais estabelecimentos de ensino destas duas

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cidades gêmeas e rivais. Além disso, a matrícula já alcançou 233 alunos no curso preliminar e 35 no curso Normal Primário. Funcionando pois 6 classes preliminares sendo quatro no período da manhã e duas no período da tarde no prédio e 3 classes do curso normal primário também no período da tarde o que perfaz num total de 9 classes, tendo entretanto o prédio escolar só 4 salas de aula por isso foi-se obrigado a instalar o 3º ano do curso Normal Primário com 8 alunos numa sala de 2m por 3m, do que se resulta numa falta de conforto tanto aos alunos como aos professores além de dificultar a todo o ensino. Construir mais algumas salas de aula seria contraproducente por diminuir ainda mais as áreas dos recreios que já são excessivamente pequenos. Reitero, pois, novamente com mais insistência a minha proposta de ser construído um prédio apropriado como se tem feito em outras localidades de menos importância do que está para esta florescente cidade para que o mesmo represente com dignidade o nosso querido Estado na tocante instrução catarinense. (TERMO DE VISITA AUTORIDADES ESCOLARES, 1935, p. 23-24).

Frente ao exposto do Inspetor Escolar, afirma-se que o referido Grupo Escolar encontrava-se numa situação complicada devido à falta de espaço que acabava por atrapalhar o desempenho das atividades escolares e a aprendizagem dos alunos. Ressalta-se o valor atribuído ao Grupo Escolar devido à sua localização e por fazer fronteira com a cidade vizinha onde já havia escolas melhores instaladas. Em se tratando da expansão dos grupos escolares catarinenses, no início da década de 1930, a Prefeitura Municipal de Porto União fez a doação de um terreno para a construção de nova sede do então Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, devido à falta de espaço e de salas de aula para suprir a demanda de alunos. Citamos um fragmento do Decreto que faz a doação de um terreno urbano para a construção do Grupo Escolar para o Estado. Decreto nº. 2, de 05 de novembro, de 1935. Autorizando o Ilmo. Sr. Prefeito Municipal, a adquirir por compra um terreno de posse sito a Avenida General Bormann, que deverá ser doado ao Estado, para nelle ser construído um Grupo Escolar. O cidadão Helmutt Muller, Prefeito Provisório de Porto União, no uso de suas atribuições, e reunido o Conselho Consultivo do Município, Decretta: Art.1 - Fica o Prefeito Municipal adquirir por compra um terreno de posse com área de 2.284m², (dois mil duzentos e oitenta e quatro metros quadrados) de propriedade de Coronel Hermegenildo Mar-

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condes, pelo preço de 6:000f000 (seis contos de reis) que deverá ser doado ao Estado, para nelle ser construído um Grupo Escolar. (DECRETOS MUNICIPAIS, 1935, p. 01-02).

Essa doação foi de grande valia para a expansão do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, uma vez que o terreno tinha excelente localização e seu espaço físico bem distribuído, segundo Fagundes e Ribas (2002, p. 82): “[...] O terreno está situado na zona urbana, numa colina, para leste da cidade, em terreno amplo em condições recomendáveis pela sua natureza, topografia e vizinhança. [...]”. Desta forma, o Decreto nº. 03 de 30 de novembro de 1935 complementava o Decreto nº. 02 citando as dimensões do terreno bem como a divisa das futuras instalações escolares: Art. 01 Fica o Prefeito Municipal, Provisório a assinar a escritura de doação ao Estado, sito a Rua José Boiteux, com 33 metros com fundos a Rua Jeronimo Coelho, e confrontando pelo lado esquerdo com terrenos de Antônio Domit e Prefeitura Municipal, e pelo lado direito com terrenos de Holevy, Juracy e Francisca Bittencourt, e Prefeitura Municipal, única área total de 2.613 metros quadrados para o Grupo Escolar a ser construído (PORTO UNIÃO, 1935).

Com o aumento da área a ser doada para o Estado, foi elaborado novo Decreto para que a comunidade tomasse conhecimento. A repercussão da doação do terreno junto à sociedade local foi grande e noticiada no jornal O Comércio; a imprensa elogiou através de sua divulgação o benefício deste feito para o progresso do município de Porto União. A doação do terreno (figura 14) significou para o município receber a construção da obra por parte do Estado; assim, através deste feito beneficiaria a sociedade com a oferta de mais vagas para o ensino primário do município.

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FIGURA 14 - Foto do Terreno16 doado pela Prefeitura Municipal de Porto União-SC em 1935 ao Estado de Santa Catarina

Fonte: (Acervo da Prefeitura Municipal de Porto União-SC)

A inauguração do novo prédio escolar ocorreu em 08 de agosto de 1938; a nova estrutura arquitetônica do prédio tinha forma de U, na parte frontal ficavam as salas de Direção, secretaria, salas dos professores e almoxarifado. Nas alas laterais; as salas de aula, quatro de cada lado; circulando o prédio localizavam-se o jardim local para as comemorações cívicas e sociais do Grupo Escolar; havia também o campo de Educação Física, localizado à esquerda do edifício e ao lado a horta da escola. Na figura 15, observa-se a entrada do prédio e o pátio onde aconteceu a cerimônia de inauguração do novo prédio escolar do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Conforme a figura 15, localizam-se na ordem de leitura as seguintes autoridades: Germano Wagenführ – Inspetor Escolar; Hortêncio Batista - Solicitador; Celso Rilla - Ex-diretor da Escola; Frei Clemente Tombozzi Vigário de Porto União; Dr. Carlos Bandeira de Mello - Bispo de Palmas Comandante do Batalhão; Helmuth Müller - Prefeito Municipal; Luiz Trindade - Diretor do Departamento de Educação do Estado; Clodoaldo Naumann- Diretor do Grupo Escolar Professor Serapião; Elpídio Barbosa- Superintendente Escolar e Gregório Berkenbrock - Diretor do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, naquele período.

16 A referida imagem data de 1910, e retrata os arredores do terreno onde se localizavam casas de moradia, e o Clube Italiano do Município de Porto União-SC.

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FIGURA 15 - Inauguração do Prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso (1938)

Fonte: Acervo da Escola FIGURA 16 - Inauguração do Prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso (1938)

Fonte: Acervo da Escola

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FIGURA 17 - Inauguração do Prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso (1938)

Fonte: Acervo da Escola

Nas figuras acima colacionadas, referentes à inauguração do prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, fazem-se presentes alguns elementos que merecem ser destacados como, por exemplo: os alunos devidamente paramentados, a escola decorada e a bandeira nacional hasteada. Por conseguinte, o que estava sendo representado para a sociedade por meio da escola eram os símbolos nacionais, a bandeira e o canto do hino nacional, compondo a figura de formação da escola. Observa-se também que as reformas dos espaços escolares estiveram carregadas de pressupostos pedagógicos, a referência à necessidade de educação sob todos os aspectos era constante nos mais diferenciados discursos e práticas; reformar o povo, modernizar, civilizar eram ações importantes para a compreensão do papel do cidadão.

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FIGURA 18 - Prédio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso (Fachada, Pátio e Salas de Aula)

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina)

FIGURA 19 - Pátio do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina)

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FIGURA 20 - Fachada do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina)

No entanto, com o intuito de completar essa discussão sobre o cenário escolar, citam-se as palavras do historiador Bencostta (2011, p. 400), que aponta em seus estudos a relevância dos cenários escolares: As cenas representadas trazem informações sobre a cultura material escolar, como os arranjos espaciais (arquitetura), as relações sociais, os contextos humanos (professores, alunos, diretores e suas respectivas posturas) e sobre as práticas escolares (festas de encerramento do ano letivo, entrega de diplomas, desfiles e comemorações cívicas, solenidades, etc.).

A esse respeito, observa-se que as fotografias são importantes documentos, pois não traduzem unicamente a representação da leitura visual; vão além, estando implícitos nelas valores, ideias, tradições e comportamentos, ou seja, formas de ser e agir dos sujeitos sociais no espaço-temporal da escola primária. E ainda, estes registros expressavam a relação existente entre a memória da escola e seus personagens, representando esta configuração de história e memória, pois assim como os documentos escritos, os registros icnográficos servem como testemunho do passado e são presentes na construção da identidade da instituição escolar.

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A criação de um novo prédio não representou a descontinuidade de reclamações a respeito de problemas com o grupo escolar de Porto União. Esse aspecto pode ser visto no início do Relatório de 1944: O prédio onde funciona este Grupo Escolar, por ordem do Exmo. Snr. Interventor Federal, quando de passagem por esta cidade, em novembro de 1.943 foi todo pintado e, renovado no que necessitava de consertos, apresentando assim, o aspecto de novo e muito asseado. Possúe oito salas de aula e quatro gabinetes, para diretor, dentista, museu e portaria. As salas de aula funcionam no período da manhã com uma lotação aproximada de 40 alunos para cada uma e a tarde cinco salas são ocupadas pelo curso preliminar com lotação semelhante e, mais três pelo curso complementar com uma média de 25 alunos para cada uma. (RELATÓRIO ANUAL GRUPO ESCOLAR BALDUÍNO CARDOSO, 1944, p. 3).

Ressalta-se que a estrutura existente nos grupos escolares seguia um padrão do Estado, sendo que o tamanho do prédio e das salas de aula era determinado pelo número de alunos e pela localidade, destacando que nos grandes centros urbanos a visibilidade era maior e, desta forma, os Grupos tinham uma arquitetura de maior destaque que os grupos localizados no interior do Estado. No Grupo Escolar estudado, sobressaem-se além das salas de aula, os gabinetes de dentista e o museu e a biblioteca para o uso dos alunos. Estes elementos reforçam a presença da Pedagogia Moderna no referido Grupo, porque o uso desses espaços tinha como principal objetivo incutir nos professores e alunos o apreço à educação racional e científica, valorizando uma simbologia estética e cultural. Segundo Diana Vidal (2006), em sua maioria, os grupos escolares eram edificados simetricamente em torno do pátio central onde ofereciam espaços distintos para o ensino de meninos e meninas, a divisão da planta, às vezes era acrescido de muro afastando e evitando a comunicação entre as duas seções, masculina e feminina, além de ter entradas laterais para o acesso de cada sexo; apesar de terem a padronização em planta, os edifícios possuíam características diversas, apresentando alterações nas fachadas, como é caso do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Ainda sobre a estrutura do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, observam-se a seguir dois fragmentos dos Relatórios Anuais elaborados em 1945 e 1948, que apontavam os problemas na infraestrutura da escola: O campo de educação física continúa sem o muro, e, confirmando o que já disse no relatório do ano passado, continúa êle servindo de

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pasto aos animais e passeio público, não podendo assim, apresentar bom aspecto. Deixamos de anexar o orçamento para a construção do referido muro, visto o snr. Prefeito Municipal comprometer-se a inicia-la em janeiro do ano próximo vindouro. (RELATÓRIO ANUAL GRUPO ESCOLAR BALDUÍNO CARDOSO, 1945, p. 5). O prédio, embora em boas condições de conservação e asseio, não satisfaz, atualmente, à necessidade de acomodação aos alunos porquanto faltam uma sala onde possa funcionar a biblioteca e, no mínimo, mais duas salas de aula.” Neste ano, 5 classes funcionaram no Ginásio “São José”: o 1° ano do Curso Primário Complementar e as 4 Séries do Curso Normal Regional. Os inconvenientes são inúmeros pois não temos permissão, mesmo não seria próprio, que os alunos ocupem os aparelhos sanitários e que os recreios sejam nos páteos do Ginásio. Sem falar nos incômodos que temos com giz, apagador, tinta, mapas, etc., que precisam ser levados e trazidos diariamente. Solicito, com empenho, os bons ofícios dêsse Departamento junto aos poderes competentes para que seja iniciada a construção das salas que há tanto tempo se vem pedindo. (RELATÓRIO ANUAL GRUPO ESCOLAR BALDUÍNO CARDOSO, 1948, p. 5).

A infraestrutura do referido Grupo Escolar enfrentava problemas estruturais no ano de 1945, com relação ao campo de Educação Física que necessitava de um muro para melhorar as atividades práticas. No entanto, como esclarece a diretora, a Prefeitura Municipal ficou responsável pela construção dele, não sendo mais necessário o Estado enviar verbas para esta construção. E, em 1948, o problema da falta de salas de aula na escola que afetava o bom andamento das atividades docentes, obrigando a contar com o auxílio do Ginásio São José para que algumas turmas do Grupo Escolar conseguissem estudar.

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FIGURA 21 - Campo de Educação Física do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, em aula prática (1938)

Fonte: Acervo da Escola

Estas questões, segundo Fiori (1991), resultavam devido à falta de recursos para a manutenção dessa infraestrutura, tanto no Estado como no município, levando em ambos os espaços a busca de soluções na comunidade escolar e, em alguns casos, ao fechamento das escolas. As contradições no processo de criação e expansão dos grupos escolares em Santa Catarina são contínuas. Nesse texto, deu-se visibilidade aos problemas relacionados especificamente à organização dos grupos escolares, particularmente às representações que se constituíam em torno desse novo modelo de educação primária que foi importado dos países europeus. Apesar das incongruências entre as representações advogadas pelos agentes do Estado e as dificuldades de criação dos grupos escolares nas cidades do interior e a predominância de escolas isoladas, ainda é possível sustentar que os grupos escolares são produtos de um movimento de valorização da escola e de uma ação mais efetiva do Estado no campo educacional, e, ao mesmo tempo, são produtores de um novo ethos que contribuiu para ampliar o reconhecimento social da escola. As observações encontram eco na historiografia da educação, pois conforme Diana Vidal (2005, p. 25), a partir da última década do século XIX foi se reforçando a representação de que a construção de prédios escolares seria imprescindível para uma ação eficaz na educação das crianças. Essa representação era articulada na confluência de diversos fatores, dentre os quais se destacaram os de ordem político-cultural, pedagógica, científica e administrativa. A educação primária, nos moldes da Pedagogia Moderna e de um plano uniforme de direção comum, tinha na equidade, no controle do acompa-

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nhamento, na regulação e na normalização os seus pressupostos básicos. Em vista de tais pressupostos, o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, tornar-se-ia, no ensino público de Porto União, uma instituição modelar à medida que assumia seu papel de destaque na sociedade local. A representação que a escola assumia diante da sociedade, colocava-se no ensino primário grandes expectativas e, uma delas seria a formação intelectual e moral das crianças. O ensino público da cidade ganhou sua valorização no interior do movimento nacional de estatização da educação escolar e a comunidade local passou a depositar confiança no trabalho de alfabetização e de formação de seus filhos. Para Souza (2008, p. 37), a crença no poder da escola tornou-se representação amplamente disseminada e compartilhada na sociedade brasileira a partir do início do século XX. À escola primária foram atribuídas inúmeras finalidades e grandes expectativas, cabendo a ela moldar o caráter das crianças, futuros trabalhadores do país, com lições de civilidade, amor ao trabalho, pontualidade, ordem e asseio. Nesse contexto sociocultural, as escolas passaram a ocupar lugar de destaque, uma vez que foram consideradas pelos grupos modernizadores como lócus ideais para o desenvolvimento da nação, capaz de estimular o surgimento de novos sujeitos, aptos ao trabalho e sensíveis às demandas da sociedade. A Pedagogia Moderna no Estado de Santa Catarina se materializou mediante o uso de métodos e materiais, mas também através dos grupos escolares que, como em todo país, representaram novo tipo de escola, constituindo-se como um signo da modernidade que se perpetuou por décadas. O estado catarinense também se apropriou deste desenvolvimento ao se inserir na modernização da sociedade e, como extensão desta, a reforma escolar emergiu contribuindo para a expansão da escolarização no Estado. Assim sendo, após o debate sobre a criação e expansão dos grupos escolares em Santa Catarina, torna-se relevante discutir sobre as representações da formação docente, destacando alguns personagens que foram os precursores desta sólida instituição de ensino.

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Comemoração do Cinquentánario do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso FIGURA 22 - Cinquentenário do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: Acervo da Escola

Neste momento do texto apresentam-se excertos das comemorações do Cinquentenário do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. As comemorações realizadas pela escola contaram com a seguinte programação: Festa Interna para os alunos, Missa para os alunos no próprio estabelecimento, Feira Esportiva no Campo de Educação Física, Abertura da Exposição de Trabalhos Manuais na Rádio Colmeia, Sessão Solene para as crianças no Clube Aliança, Retreta na Praça Hercílio Luz, Alvorada com Banda, Foguetes por alunos e ex-alunos, Missa solene na Igreja Nossa Senhora das Vitórias e, para encerrar as atividades uma Sessão Solene no Clube Concórdia. O livro de registro da Sessão Solene do Cinquentenário do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso e Relatório das demais atividades festivas foram organizadas pela Diretora Dorothéa Knippschild e professores, e redigido pela professora Aldair Wengerkiewicz Muncinelli. A seguir cita-se na íntegra o texto da Ata de Sessão Solene do Cinquentenário do Grupo Escolar: Ata da Sessão Solene do Cinqüentenário do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”, realizada num dos salões do Clube Concórdia, aos vinte e oito dias do mês de setembro de mil novecentos e sessenta

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e oito, com a presença das autoridades civis, militares e eclesiásticas de Porto União e União da Vitória, professores atuais, ex professores, ex alunos e demais convidados. A diretora, Dorothea Knippschild, iniciando os trabalhos, convidou a professora Dalila Correia Pimpão, uma das mais antigas professoras do estabelecimento, que veio acompanhada pelas princesas do Cinqüentenário e saudada pela rainha, aluna Carmem Regiane Pereira. A seguir, a diretora passou a presidência dos trabalhos ao M.M. Dr. Juiz de Direito da Comarca, Mário Gonzaga da Costa, o qual, em conclamação, solicitou que todos os presentes, em pé, entoassem o hino Nacional, iniciando assim a primeira parte do programa: a parte cívica. Prosseguindo, convidou a professora Jandira Domit, ex diretora, que discorreu sobre o histórico do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”. Como parte alegórica, ao histórico apareceram em cena crianças representando alunos, professor, professora e Inspetora Escolar, com indumentárias, em alegoria ao trajar dos alunos, de época em época e também das autoridades. A seguir, o presidente da sessão, convidou a proferir a oração o Sr. Prefeito Municipal de Porto União, Dr. Vitor Buch Filho, na qualidade de ex aluno o Educandário Jubilar, o qual com belas palavras, prestou homenagem à direção e atual corpo docente do Estabelecimento. O orador falou também em nome dos ex alunos e por eles fez a entrega de uma lembrança à Diretora, a qual comovida agradeceu. Dando continuidade aos trabalhos, Sr. Presidente convidou a professora Diva Correia da Rosa, Inspetora Regional de Ensino, a qual falou representando S. Exa., o D.D. Secretário da Educação e Ensino do Estado de Santa Catarina. Finalizando, a oradora parabenizou-se com o Estabelecimento Jubilar e em sua homenagem, declamou belíssima poesia de sua autoria. Prosseguindo, o presidente deixou a palavra livre para quem dela quisesse fazer uso. Como ninguém dela fizesse uso, deu início à segunda parte do programa, parte esta, lítero musical. Para apresentá-la, convidou o professor Ivan Vidal Portella. Este como primeiro número apresentou o Conjunto de Câmera de Porto União, o qual brindou a platéia com duas obras musicais de renomados mestres. A seguir o apresentador convidou a acordeonista Erica Breyer que solando seu instrumento recebeu a ovação da platéia. Dando prosseguimento, foi convidado para declamar uma poesia de Guilherme de Almeida, o Frei Eduardo Cani, fazendo fundo musical a professora Djanira Amim Pasqualim e o Sr. José Kretchek na apoteose final. Em sequência, ex alunas do Educandário Jubilar, ora cursando a Escola Normal Santos Anjos apresentaram o “Jogral” “Ao Balduíno Carsos” numa solene exaltação. Uma componente do “Jogral” ofertou à Diretora uma “Corbeille” de flores. Prosseguindo, o apresentador anunciou o dueto composto pela professora Djanira Amim Pasqualim ao piano e o Sr. José Kretchek ao violino, que brindaram a platéia com belíssimo número musical. Continuando apresentou-se para

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Gaudio do público, o maestro Felício Domit, que execultou ao piano, um “pout –pourri” de músicas populares. Em prosseguimento, o Dr. Ivonich Furlani, acompanhado ao piano pelo maestro Felício Domit, adentrou ao palco, interpretou duas páginas do cenário musical. O apresentador, em seguida, convidou as Sras. Célia Buch e Neuza Kroetz, para prestarem uma homenagem ao Educandário Jubilar, na pessoa da Sra. Diretora. E com este intuito fizeram-lhe a entrega da linda “corbeille”, a qual sensibilizada e profundamente emocionada agradeceu. O Dr. Ivonich Furlani, prestando homenagem ao Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”, declamou uma poesia com afundo musical “Cidade Amiga”, hino do Cinqüentenário de Porto União. O fundo musical foi feito novamente pela professora Djanira e o Sr. José. Durante este número, à meia luz, foi trazido aos salões pela professora Dalila Pimpão, acompanhada das princesas, o bolo do cinqüentenário. O bolo alusivo à comemoração, ao som dos acordes do “Parabéns ao Grupo”, numa adaptação ao motivo comemorado por todos os presentes, enquanto, enquanto que a professora Dalila Pimpão cortou a primeira fatia do bolo. Finalizando a diretora externou agradecimentos em nome do corpo docente e discente, a todos que colaboraram e aos presentes. Nada mais lido e achado conforme, lavrei a presente ata que foi por mim assinada e pelos demais presentes. Porto União, 28 de setembro de 1968. (LIVRO DOURADO DO CINQUENTENÁRIO, COLÉGIO BALDUÍNO CARDOSO, 1968).

Durante as festividades escolares, a comunidades escolar rompe com a rotina do cotidiano escolar. É por sua vez um ato coletivo com significados distintos para os que dela participavam. De acordo Souza (2006) as festas escolares fazem parte de “uma ação pedagógica [...] quanto mais conseguir manifestar, recuperar, sintetizar um capital cultural que faz parte do repertório de experiências do povo”. A ação pedagógica pode ser percebida quando a população participa dos momentos festivos captando o sentido e significado da festa de forma ativa ou passiva.

Sessão Solene em comemoração ao cinquentenário Nesta parte transcrevemos do livro Dourado do Cinquentenário, o texto elaborado pelo Dr. Odilon Muncinelli, em comemoração ao Aniversário do Grupo Escolar.

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“Momentos há, na vida dos homens, das instituições dos povos, que simbolizam, marcos expressivos, acentuando a vitória de suas lutas, tecidas de sonhos e de idealismo.” Naquela noite de 28 de setembro, e naquele instante da Sessão Solene, que emolduravam os cinquenta anos do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”, vivemos uma destas horas tão cheias de significação, que não se esquecem jamais. Na iluminada atmosfera daquele ambiente de festa, qual pássaro vibrátil librado à luz do sol, pairava um frêmito de límpida alegria, de pura fúbilo, nos corações dos pais, das professoras, ex professores, alunos e ex alunos, a enlaçar-se em maravilhosa comunhão de sentimentos. Todos os corações batiam uníssonos, na mesma emoção, na mesma vibração, daquele áureo momento. “Circunstâncias as mais eloquentes hão de ficar sempre gravadas na memória de todos, assinalando, indelevelmente, através do tempo, a festa do cinqüentenário do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”, principalmente a solenidade de encerramento.”

Segundo Muncinelli, foi uma solenidade, que embora sem artifícios e sem pompas, não se apequenou. Pois diante do significado, viu-se envolvida de beleza, de idealismo, de magnificência e de comunhão de sentimentos. Entre a abertura da solenidade feita pela diretora, Sra. Dorothéa Knippschild, com posterior transmissão da Presidência da Sessão, ao M.M. Dr. Juiz de Direito da Comarca de Porto União, Dr. Mário Gonzaga da Costa e o ponto culminante, a apoteose, com a professora Dalila Corrêa Pimpão cortando a primeira fatia do bolo alusiva à comemoração, sob os acordes maravilhosos de “Parabéns a Você”, entremearam-se. 1ª PARTE Cívica 1. Abertura da Sessão com o hino nacional, por todos os presentes. 2. Histórico do Grupo Escolar pela ex diretora Jandira C. Domit 2ª PARTE 1. Palavra de um ex aluno pelo Dr. Victor Buch Filho D.D. Prefeito Municipal. 2. Palavras da Sra. Inspetora Regional Drª Diva C. da Rosa, representante do Exmo. Sr. Secretário da Educação. 3. Palavra livre.

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Poesia pela Inspetora Regional Drª Diva Correa da Rosa. 3ª PARTE Lítero Musical 1. Marcha: À Porto União de autoria do Sr. Odilo Schmidt para Conjunto de Câmera. 2. Califa de Bagdá de Francisco Boieldeire número de acordeom pela Sta. Erica Breyer. 3. As Três Coroas de Guilherme de Almeida declamação pelo Revmo. Frei Eduardo M. D. Vigário. 4. Dicas Guitarras, arranjo de Alvin Grooms, dueto piano e violino pela professora Djanira Amim Pasqualim e Sr. José Kretschek. 5. Poutpourri pelo maestro Felício Domit ao piano. 6. To Ti Daró Di Pill de M. Remigi e Terra Seca de Ori Barroso pelo cantor Dr. Ivonnich Furlany e Felício Domit ao piano. (LIVRO DOURADO DO CINQUENTENÁRIO, COLÉGIO BALDUÍNO CARDOSO, 1968).

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No desenvolver da solenidade, todos os que se fizeram ouvir, sob o calor dos mesmos afetos, sob os impulsos dos mesmos sentimentos, e sublimados no mesmo ideal, ergueram hinos de glória, numa exaltação ao nome do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, em reverência perene por tudo quanto essa Casa de Ensino significa e fez em prol da Cultura de Porto União, em extensão, de Santa Catarina. Aquela solenidade significou aos presentes todo um largo pretérito, pontilhado pela vontade, pelo altruísmo, pelo desejo de diluir empecilhos, não importa a custa de que sacrifícios. Significou o entrosamento daquela Casa de Ensino à atualidade do presente, mostrando que se distingue por relevantes realizações. E coloriu, com as tonalidades vivas e verdes da esperança, a amplidão promissora do porvir. O Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, desde a sua fundação seguiu sempre avante em marcha ascensional. Progressivamente, escalou degraus, que o conduziram à situação privilegiada de nossos dias. E rolados os anos, mostrou de modo decisivo, cabal, peremptória a sua influência benéfica dentro de Porto União, por extensão, dentro de Santa Catarina e do próprio Brasil. Escutou-se o eco de suas realizações. Notou-se a capacidade de suas professoras através de suas atividades didáticas. Percebeu-se a posição da grande maioria dos ex-alunos, distinguindo-se em todos os caminhos. Verificou-se o valor dos alunos que ainda não completaram o currículo. Viu-se transformar em pérolas as lágrimas dos sacrifícios. Toda influência do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, para com a cultura, manifestou-se naquela solenidade. O presente honra o seu passado e o futuro acena ainda com novas e mais belas esperanças. Na festança do dia 28, todos indistintamente, sentiram um raio de luz voltando para Jubilar a Casa de Ensino. E em muitos dos presentes, dos seus corações emanava uma onda de suave afeto pelo estabelecimento que viram nascer, desenvolver-se e se impor, que viram atingir o clímax a que novas gerações podem assistir, e que todos naquele momento, fundindo o respeito ao passado, a confiança no presente e a esperança no amanhã fraternalmente comemoraram. E sob o signo da magnificência de ensinar, há de respeitar sempre no coração de todos à chama alentadora do ideal que não morre nunca. Sempre com os olhos voltados para o Alto e para Deus. (escrito pelo Dr. Odilon Muncinelli).


CAPITULO III

Representações da Formação Docente: Magistério Desempenhado com Amor

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Histórias e Memórias Construídas na Profissão Docente As incursões pelo campo da história da profissionalização docente ajudaram-nos a elucidar algumas indagações: como ocorreu a escolarização no município de Porto União, como estava direcionado o ensino para a formação da normalista. Evidencia-se que ao longo deste estudo, identifica-se inúmeros fatores que contribuíram para a construção da relação didático-pedagógica no cotidiano escolar, no grupo escolar, de nossa região, bem como do Estado de Santa Catarina. Um dos efeitos mais importantes da formação docente em nossa região foi o fato de poder produzir uma identidade profissional selada pela competência e pela excelência no ensino. Desta forma, apresenta-se a seguir as histórias e memórias de seis professores que contribuíram para a consolidação do ensino de qualidade em nossa região, lapidando seus discípulos com competência e entusiasmo, incutindo os saberes com louvor e amor. Ao longo destes cem anos, a Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso contou com inúmeros ilustres mestres que não mediram esforços para deixar sua marca impressa na formação dos alunos que por ali passaram. Portanto citou-se ao longo do texto representações17 de professores e alunos, utilizando-se de uma amostragem por décadas, até o aniversário de Cinquenta Anos da Escola. Ao cursar o magistério nesta casa de ensino, posso afirmar que esta formação me proporcionou compreender o verdadeiro sentido de ser “Professor”, buscando através dos estudos e dos exemplos docentes compreender a essência do processo ensino-aprendizagem, que me conduziram com maestria nas trilhas da formação docente. Experiência ímpar para a vida acadêmica, pois nesta escola desvelei o ofício de mestre que me inspirou a buscar sempre o conhecimento, a buscar novas perspectivas profissionais na carreira docente, iniciando com a Educação Infantil, no Magistério no Colégio Balduíno Cardoso, Palestras e Oficinas na área Educacional e o Ensino Superior no Curso de Pedagogia da UNESPAR, Campus de União da Vitória - PR.

17 Os professores citados neste momento representam uma amostra de todo corpo docente ao longo destes cem anos de história dedicados a educação de qualidade.

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FIGURA 23 - Formatura Magistério Colégio Professor Balduíno Cardoso

Fonte: (Acervo Pessoal)

FIGURA 24 - Formanda Valéria Schena

Fonte: (Acervo Pessoal)

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FIGURA 25 - Professora Jandira Domit

Fonte: (Acerco da Escola)

Em 1943, a professora Jandira Caprillone Domit assumiu e permaneceu no cargo de Diretora do Colégio Professor Balduíno Cardoso durante quinze anos consecutivos. Somente com a aposentadoria da Prof.ª Jandira, quem assumiu a Direção, foi a Prof.ª Araceli Rodrigues Friedrich. A figura 25 representa o livro de homenagens da Escola. Cita-se a seguir um excerto do Relatório Anual do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, com o discurso da senhora Diretora Jandira Domit: O êxito do trabalho escolar depende, em parte, da bôa distribuição do tempo. “Ensinar sem ordem é frequentemente o mesmo que ensinar mal”. Acato ésta opinião, e comentei com meus professores. Agindo ao contrário, o professor desenvolverá certas disciplinas, aquelas que mais lhe agrada, às vezes, menosprezando umas e esquecendo outras. Daí a distribuição dos programas e horários pelo Departamento. Como no ano anterior, fiz meu corpo docente sentir a necessidade do estudo do programa, a sua divisão em etapas, e sua maleabilidade de acordo com a idade mental do aluno. A meu ver, mesmo nas classes fracas, o programa pode ser todo explicando e recapitulando. Para tal, só é necessário que o méstre esteja senhor do programa e procure, como, aliás, manda a metodologia, associar uma

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matéria a outra. Todas as disciplinas serão facilmente assimiladas e a classe, no início do ano, fraca, tornar-se-á apta aos exames tanto quanto às médias e às vezes, às fortes. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1945, p.10).

Essa fala traz a interlocução de que somente obterá êxito no trabalho docente o professor que organizar sua classe com uma boa distribuição do tempo para cada tarefa. Além do tempo, a Diretora enfatiza que cabia ao mesmo ensinar por completo os conteúdos, não escolhendo um de maior preferência, pois isso acarretaria numa aprendizagem insuficiente, ou seja, caberia ao professor ter flexibilidade na aplicação dos conteúdos, não prejudicando o desenvolvimento do aluno. O tempo escolar não estava apenas condicionado aos dispositivos de regulamentação, mas, principalmente, na capacidade de cada criança em aprender o que lhes era ensinado. Em outro momento, em Reunião Pedagógica, cita-se a orientação da Diretora Jandira Domit do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso quanto aos trabalhos manuais: [...] Aos professores que além dos trabalhos de agulha previstos no plano de trabalho, cada professor apresente, na reunião seguinte, uma sugestão qualquer para melhorar nossa exposição no fim do ano. Que cada professor, com sua classe comece a trabalhar já pelo mês de abril, para que a nossa escola possa apresentar no fim do ano, algo interessante. Solicito que os trabalhos de agulha devem começar nos primeiros anos, além de outros trabalhos como cartonagens, dobraduras, que são trabalhos próprios destas classes. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1953, p. 20).

Segundo Souza (2008, p. 65), os trabalhos manuais foram inseridos nos programas de ensino primário com a finalidade educativa de caráter geral. Pois, tratava-se menos de aprender um trabalho específico e mais os princípios gerais do ofício. Assim, como as demais matérias do currículo escolar, os trabalhos manuais deveriam desenvolver nas crianças as faculdades intelectuais, físicas e morais. E ainda através desta atividade, as crianças aprenderiam ter amor ao trabalho, aos estudos e, sobretudo, aos trabalhos manuais. Os materiais pedagógicos eram vistos como algo de grande valia e seu uso deveria ser frequente a fim de contemplar a orientação do Estado para o ensino primário: Orientou a Sra. Diretora da maneira seguinte mapas, quadros e Cen-

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tros de Interesse, todos estão guardados nos armários do museu, mas são para ser usados antes de iniciar as aulas, e levar as suas salas e depois de usados devem ser mandados colocar no seu lugar. A ordem é a melhor auxiliar do trabalho! (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1951, p. 33).

Pode-se inferir a necessidade do uso de materiais pedagógicos pelo Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso com o objetivo de auxiliar na transmissão do conhecimento, uma vez que estes materiais orientavam a aprendizagem e permitiam a apropriação do conteúdo de forma mais concreta. [...] o uso de materiais didáticos, era um dos princípios da Pedagogia Moderna. (SOUZA, 2008). A Professora Jandira dedicou-se com profissionalismo e brilhantismo durante sua passagem com Diretora deste Educandário e, também como professora. Desempenhou um importante papel na expansão do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, através das inúmeras atividades desenvolvidas em sua gestão em prol do bom desenvolvimento da escola como um todo.

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Professora Astrogilda de Mattos FIGURA 26 - Formatura da Escola Normal no Colégio Santos Anjos em 1936

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca Mattos)

Astrogilda de Mattos, curitibana nasceu em 24 de junho de 1917, filha de Anacleto Pompêo de Mattos e Floriza Dias Menezes de Mattos, descendentes de espanhóis e italianos, respectivamente. Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso – 1ª e 2ª séries. Sua primeira professora foi Aracy Huergo Coquerel. Todos os seus irmãos concluíram seu curso primário no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Astrogilda cursou a escola Normal do Colégio Santos Anjos e, após sua formatura em 1936, foi nomeada professora em Tangará – SC. Em 1943 retornou ao município de Porto União, como professora primária do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. A seguir, trazemos as imagens 27 e 28 sobre a formatura do magistério e a primeira turma em que lecionou na cidade de Tangara - SC.

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FIGURA 27 - Formandas da Escola Normal no ColĂŠgio Santos Anjos, em 1936

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca de Mattos)

FIGURA 28 - Primeira turma de alunos da Professora Astrogilda, na cidade de Tangara

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca de Mattos).

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Em 1948, prestando concurso, foi nomeada secretária do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso e, em 1957, diretora da escola. Assumiu o cargo de inspetora de ensino em 1968 e, logo em seguida, de coordenadora Local de Educação. Em 1987, aposentou-se, marcando os seus 50 anos de magistério. A professora Astrogilda foi uma profissional exemplar e incansável no seu aperfeiçoamento. Normalista, cursou Pedagogia e fez pós-graduação em Belo Horizonte. Tem também o diploma de Geografia e pós-graduação na área. Além de ter participado de mais de 30 cursos de capacitação nas mais diversas áreas. (CORREIO DO PORTO, p.18, 1995). A professora Astrogilda foi diplomada “Cidadã Honorária de União da Vitória, como testemunho de gratidão e de reconhecimento do povo desta comunidade.” Também a Câmara de Vereadores do Porto União prestou semelhante homenagem a esta ilustre personalidade no ano de 1993, como “[...] reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Município”. Tendo uma trajetória marcante, principalmente junto à “Escola Normal Regional Marcelino Dutra” e ao “Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso”. FIGURA 29 - Grupo de Professoras do Colégio Balduíno Cardoso (1957)

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca de Mattos)

Em 26 de agosto de 1952, através da lei n° 159, foi criado o Escudo do Município de Porto União, realizando-se nesta época somente a sua parte des-

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critiva. Na década de 1960, foi feito o desenho, este elaborado pela professora Astrogilda de Mattos, por ocasião do cinquentenário do Município de Porto União, a Prefeitura incluiu o escudo na Bandeira. Tanto a Bandeira do Município, quanto o Hino, do cinquentenário de Porto União, foram oficialmente legalizados pela Lei orgânica do Município em 1990. (COLEÇÂO VALE DO IGUAÇU, p.110, 2013) A simbologia representada no escudo é a seguinte: a torre representa a unidade da comuna; a mão com as três espigas de trigo representa o esforço dos colonos na produção agrícola; o pinheiro representa a produção industrial, a madeira a cabeça de Minerva em cima da estrela dos quatro pontos cardeais, representa ser este Município o mais setentrional do Estado de Santa Catarina, onde convergem todas as rotas do Sul do País; o azul do escudo representa os rios e as águas do Município; os dois ramos de erva mate representa riqueza relativa a illex; a âncora representa a navegação fluvial do Rio Iguaçu e Timbó; a secção de trilhos da Estrada de Ferro representa o entroncamento ferroviário do Norte, Sul e Leste; o avião representa o entroncamento aeroviário do Sul do País; faixa com o dístico SEMPER, representa o idealismo dos Munícipes em manter as tradições da Comuna. (COLEÇÂO VALE DO IGUAÇU, p. 110, 2013).

Um dos fatos marcantes em sua carreira de magistério era seu carinho e devoção por São Francisco, sendo que na data em homenagem ao Santo, ela organizava com as crianças atividades com animais, educando pela devoção, o cuidado com a natureza e a fé. O destaque nas atividades locais levou ao reconhecimento de suas atividades e veio o convite para o aperfeiçoamento profissional, pois o professor necessita estar sempre estudando, em constante atualização. Assim, de março a dezembro de 1965, a professora freqüentou cursos ministrados pela Divisão de Aperfeiçoamento de Professores (DAP), do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos e Centro Regional de Pesquisas de Minas Gerais. Seus conhecimentos serviram para dinamizar a educação local e regional. A professora Astrogilda teve uma intensa relação com a história de Porto União e a memória desse povo, tendo atuado também na elaboração do brasão do município de Porto União. Na área social fundou um grêmio para jovens no Clube Concórdia, onde tinham acesso à biblioteca e lazer. Trabalhou na “Campanha do Ouro”, realizada em nível nacional. Participou também da criação da APAE de Porto União e trabalhou pela APADAF do mesmo município. Entre suas especialidades residia a escrita em letras góticas, com as

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quais bem ilustrou os relatórios do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso como responsável pela Direção e são reconhecidas como forma de organização das Escolas e da Organização didático/pedagógica, serviu de exemplo pelo modelo de organização e referencial que os professores lá formados levavam para sua prática nas escolas primárias. Enquanto exímia artista, a professora Astrogilda homenageou sua mãe, dona Floriza Dias da Costa, recebendo o diploma com a seguinte inscrição: “A Associação Mater Puríssima de Proteção a Maternidade e a Infância confere o presente título à senhora Floriza Dias de Mattos, que significa: uma mãe carinhosa” (1970). FIGURA 30 - Cinquenta anos de profissão da professora Astrogilda

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca de Mattos)

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FIGURA 31 - Professor e Inspetor Escolar Germano Wagenführ

Inspetor Escolar homenageado na Formatura do Ensino Normal Regional (1960). Fonte: (Acervo da Escola)

O professor Germano é natural de Aquídaban, município de Blumenau, nasceu no dia 27 de março de 1901. Aos onze anos de idade concluiu o ensino primário. Como na época era difícil encontrar-se no Estado escola para prosseguimento dos estudos, Germano Wagenfuhr deslocou-se de Blumenau para Lages, a fim de começar o curso complementar, ao mesmo tempo em que trabalhou com os irmãos mais velhos. Embora lhe custasse sacrifícios, concluiu os estudos. Em 1919, venceu mais uma etapa em demanda de sua carreira: terminou o curso complementar e se dirigiu a Florianópolis, onde já em 1921, foi diplomado professor normalista. Iniciou a carreira lecionando em Indaial. Em 1923, interrompeu o magistério para prestar o serviço militar no 14º batalhão de Caçador, em Florianópolis. Voltou em seguida ao magistério, na qualidade de diretor do Grupo Escolar Orestes Guimarães, de São Bento do Sul. Removido, exerceu o mesmo cargo no Grupo escolar Felipe Schmidt de São Francisco Do Sul. Em meados de 1932, foi nomeado inspetor escolar. Com exercício na cidade de Blumenau, no ano seguinte foi removido para Porto União, continuando com a mesma dedicação de seu trabalho de assistir e de orientar o professorado primário. Passou a lecionar na Escola Normal Santos Anjos. Germano Wagenführ passou a responder pela inspeção na Circunscrição Escolar após a saída do Inspetor Elpídio Barbosa. Em março de 1934,

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rubricou as atas de exame da Escola Complementar. Em 1927, participou da I Conferência Estadual do Ensino Primário de Santa Catarina, apresentou a Tese nº 4, questionando: há vantagens em descongestionar o Ensino Normal e Complementar no Estado do acervo de disciplinas que os compõem. Ponderou sobre o excesso de disciplinas que ele próprio havia cursado quando foi aluno complementarista, defendendo a redução, pois, entendia que o excesso, prejudicava o aprendizado. (WAGENFÜHR, 1927, p.460-462). A inspeção escolar no Estado de Santa Catarina, no início do século XX, tinha como pressuposto manter a unidade dos métodos e processos de ensino e, através da visita de inspeção colocavam-se em prática as técnicas de fiscalização. O principal papel desempenhado pelo Inspetor deveria ser a orientação e o controle da organização do ensino. Inspecionar as escolas significava verificar tanto a ação docente como os comportamentos das crianças. As visitas administrativas realizadas pelos inspetores poderiam consistir em estadas breves para proceder a um apanhado geral da escola inspecionada ou de acordo com o que o inspetor julgasse necessário. Porém, isso não retirava o detalhamento das suas observações. As visitas dos Inspetores Escolares tinham como finalidade versar desde as questões legais e administrativas até a de ministrar aulas às crianças para que os professores apreendessem o modo considerado adequado de encaminhar suas ações educativas. Sua atuação foi marcada pelo criterioso acompanhamento que realizava na estrutura física do estabelecimento, nos documentos escolares e salas de aula. Em 1934, quando fez sua primeira visita, asseverou que embora o mobiliário das salas de aula estivesse novo, as dependências onde funcionavam as salas de aula eram insuficientes para atender a demanda por escolarização na cidade, especialmente porque havia aumentado a matrícula de estudantes no estabelecimento. Em 1957, finalmente, alcançou o apogeu da sua carreira, quando recebe a nomeação de delegado de ensino de Porto União. Todos os seus 42 anos de atividades didáticas, Germano, exerceu com invulgar capacidade e dedicação. Há que ressaltar ainda que nos decênios passados o inspetor encontrava pela sua frente a dificuldade das distâncias. Assim, por muitos e muitos anos, viajava o mês todo de animal, em carroça ou a pé, permanecendo, via de regra, 3 a 4 dias do mês com a família, a fim de reiniciar nova viagem de inspeção. Outras vezes ficava até dois meses distantes dos seus. E nessa caminhada percorria o estado todo, de leste a oeste, norte a sul. Segundo Therezinha Wolff, o Professor Germano Wagenfuhr ocupou o lugar de destaque na galeria dos maiores mestres catarinenses. Emprestou seu nome a uma escola em Porto União. Por sua dedicação ao magistério foi escolhido para ser patrono da cadeira de número 13 (cadeira ocupada pela Professora Therezinha Thiel Mo-

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reira) da Academia de Letras do Vale do Iguaçu. Homenagem que perpetuará seu nome na história de nosso povo. FIGURA 32 - Professora Araceli Rodrigues Friedrich

Fonte: (Acervo da Escola)

No município de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, nasceu a menina Araceli Rodrigues, filha de Jacinto e Hilda Rodrigues, em 25 de julho de 1916. Vindo para Santa Catarina, estudou no Colégio das Irmãs da Divina Providência, de São Bento do Sul, SC, onde foi matriculada na 2ª série do Curso Primário, pois já sabia ler e escrever, o que aprendera no regaço materno. Mudando-se para Porto União, em 1927, aqui permaneceu durante 50 anos. Concluídos seus estudos primários, ingressou como aluna fundadora, na Escola Normal “Santos Anjos”. Dedicando-se devotamente aos estudos, conseguiu terminar o Curso Normal, distinguindo-se, quase sempre, com o 1º lugar. Aos 15 anos, tornou-se Secretária do Grêmio Literário da Escola Normal. E, no concurso de poesias, instituído pelo professor de literatura, Dr. Carlos Guerreiro Kruger, foi laureada. Foi também colaboradora e redatora do Jornal “O Vagalume” e colaboradora da Revista Escolar “Musa Colegial”. Concluída a Escola Normal, Araceli Rodrigues, foi nomeada professora do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”, a que dedicou toda sua capacidade física e intelectual, com fito de que seus alunos se tornassem homens e mulheres úteis à família e a sociedade. E muito conseguiu, pois hoje, encontra seus ex-alunos destacando-se como capitães de indústria, médicos, advogados, vereadores, professores, deputados, engenheiros, sacerdotes, entre ou-

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tros. Com grandes elogios de seus superiores, lecionou durante 28 anos nos Cursos Primário, Complementar, Normal Primária e Escola Normal “Marcelino Dutra”. Lecionou, também, no Colégio “São José” (Matemática e História). As matérias que mais lecionou foram Matemática, História, Ciências Naturais e Desenho. Desempenhou, durante 15 anos, o cargo de Auxiliar de Direção do Grupo Escolar “Professor Balduíno Cardoso”. Além de professora, foi com outras senhoras, fundadora da Associação “Mater Puríssima” de proteção à Maternidade e à Infância. Foi 24 anos sua Secretária e conseguiu construir a Maternidade de Porto União, hoje, São Braz. A batalha foi dura, levou anos, pois os recursos eram poucos, mas, graças a um esforço reiterado e nobre, conseguiu construí-la. Exerceu várias vezes o papel de mesária em eleições municipais e, em 1947, conseguiu eleger-se vereadora da cidade, sendo a primeira mulher de Porto União e a segunda de Santa Catarina a exercer esse cargo. Nada fácil para uma mulher naquela época. Conquistou a simpatia e a amizade de seus companheiros pelo modo sensato e justo com que se conduziu. Foi oradora oficial da Câmara e participou da elaboração do Código de Posturas do Município. No comércio, auxiliou seu esposo nos trabalhos da loja que lhes pertencia. HONRARIA18 Por iniciativa da então vereadora Aldair Wengerkiewicz Muncinelli, a Câmara Municipal de Vereadores de Porto União concedeu o título de Cidadã honorária de Porto União (SC) à Sra. Araceli Rodrigues Friedrich, nos termos da Resolução n.º 004/1988, datada de 16 de agosto de 1988. DISCURSO DE SAUDAÇÃO “Digníssimas Autoridades Presentes; Senhores e Senhoras; Nossa querida homenageada ARACELI RODRIGUES FRIEDRICH. Coube-me a honra de dirigir-lhe algumas palavras. Falar àquela que tão bem representou a Câmara de Vereadores de Porto União, como ORADORA OFICIAL; homenagear a quem se tornou a MULHER... a mulher esposa, mãe, pro18 A honraria foi entregue em Sessão Solene, realizada no dia 11 de setembro do mesmo ano, nas dependências do Clube Concórdia, em Porto União. Na ocasião, a vereadora proponente, Aldair Wengerkiewicz Muncinelli, usou da palavra, em nome próprio e em nome da Câmara de Vereadores. (Odilon Muncinelli, - REVISTA DA ACADEMIA DE LETRAS DO VALE DO IGUAÇU – 2013, n.).

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fissional... e política. É difícil traçar, em poucas linhas, o perfil de uma vivência tão abrangente produtiva. Mas, é fácil discorrer sobre a MULHER que foi capaz de crer, ousar e criar; a mulher que acreditou em si mesma, lutou, alicerçou um lar e legou à sociedade uma família bem estruturada e coesa... hoje, seu orgulho, a recompensa merecida. Querida MESTRA, ainda hoje, retrocedendo no tempo, visualizo aquela figura bondosa e firme nas salas de aula, e corredores do Grupo Escolar, atualmente, Colégio Estadual Professor Balduíno Cardoso; onde, por meio do seu trabalho, deixou marcas indeléveis, a professora que formou gerações, ensinando, desde as primeiras letras aos mais diversos ramos do aprendizado, de uma juventude sequiosa de saber; a educadora que tão bem soube transmitir as qualidades que cultivou durante todo a sua vida: - TRABALHO, HONESTIDADE, BONDADE, EQUILÍBRIO, BOM SENSO, FIDELIDADE, MODÉSTIA, SIMPLICIDADE E MUITA GARRA; a precursora que ousou somar a todas as suas atividades a participação efetiva da mulher no contexto político-socioeconômico de Porto União, como a PRIMEIRA Vereadora de nossa Edilidade e a SEGUNDA Mulher a ocupar tão nobilitante missão no cenário estadual barriga-verde. Um trabalho árduo e difícil, porque se uma mulher comum é exigente com os outros, uma mulher superior é exigente consigo mesma. Essa batalha custou-lhe, sem nenhuma sombra de dúvida, um notado desgaste físico e, ás vezes, incompreensões; porém foi realizado dentro de uma linha previamente traçada, de retidão e denodo, numa conquista diária para a realização do seu IDEAL. O ideal foi, inegavelmente, o ponto de apoio e de sustentação para a sua afirmação perante esta Comunidade. Ela sempre foi e é uma mulher idealista que colocou o seu coração e toda a força do seu conhecimento a serviço do ensinamento, da saúde, da literatura, e da difusão da cultura e civismo. Professora ARACELI, se hoje a mulher enfrenta sérias dificuldades ao conciliar esses elevados atributos (de ESPOSA, MÃE, PROFISSIONAL E PARTICIPANTE ATIVA DA VIDA POLÍTICA), sem preterir qualquer dever, ENALTEÇO, mais uma vez, o valor da mulher que, há 41 anos passados,

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desempenhou com raro brilhantismo a sua missão. A mulher de Porto União lhe será grata, eternamente, pela sua coragem de iniciar, nesta pacata cidade, um processo novo, conquistando um lugar no Legislativo Municipal, que até então, era reservado exclusivamente aos homens. Seu exemplo dignificante é incentivo e estímulo na busca contínua de um futuro progressista para a nossa Porto União. Nossa gratidão e respeito. Tenho dito”. (HONRARIA, Prefeitura Porto União, 1988).

Os dados biográficos foram escritos e fornecidos pela própria professora Araceli Rodrigues Friedrich e o Discurso de Saudação foi escrito e proferido pela então vereadora Aldair Wengerkiewicz Muncinelli, ambos aqui reproduzidos com a redação original. FIGURA 33 - Festa de aposentadoria da Professora Araceli Rodrigues Friedrich

Fonte: (Acervo da Escola)

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FIGURA 34 - Professora Aldair Wengerkiewicz Muncinelli

Fonte: (Acervo particular da Professora Aldair)

A professora Aldair natural de Porto União (SC), nasceu em 30 de dezembro de 1945. Sua família é formada por imigrantes italianos, sendo que seu avô materno Vitório Tarlombani saiu de Conselicce em Ravena na Itália e o avô paterno, José Albino Wengerkiewicz saiu da Cracovia para o Brasil, construindo aqui suas famílias em nosso país. Sua formação escolar iniciou-se no Ensino Primário do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, no período de 1953 a 1956, cursando em seguida o Ginasial, no Colégio Santos Anjos, e o Curso Normal, também no Colégio Santos Anjos, ambas as escolas se localizavam na cidade de Porto União. Após formação como normalista, buscou o curso de Pedagogia para aprimorar seus estudos na área docente, colando grau em 29 de novembro de 1975. Iniciou sua carreira no magistério público catarinense em 15 de fevereiro de 1965, no Grupo Escolar Horácio Nunes, em Irineópolis (SC), hoje denominada Escola de Educação Básica Horácio Nunes. Lecionou para a terceira série do Curso primário, noturno, matutino e vespertino, ministrando as disciplinas de Canto Orfeônico, Atividades Econômicas do Município e Economia Doméstica no Curso Normal Regional. Neste mesmo ano foi removida para o Colégio “Professor Germano Wagenfuhr”, em Porto União. No ano de 1966, iniciou como professora no Colégio “Professor Balduíno Cardoso”. Durante sua docência nesta escola foi regente de classe, na maioria das terceiras séries do antigo primário, orientadora das Atividades Complementares. Também atuou como Secretária e, algumas ve-

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zes, na Direção da Escola em caráter de substituição. Durante o ano de 1985, a professora Aldair ausentou-se de sala de aula para assumir o cargo de Supervisão Local de Educação do Município de Porto União, como na época a demanda de Escolas Isoladas era muito grande no interior do município, o trabalho era muito intenso. Ao retornar para sala de aula no Colégio Balduíno Cardoso, conseguiu junto ao Conselho Estadual de Educação, a autorização para o funcionamento do Curso de Magistério, lecionando as seguintes disciplinas: Didática, Prática de Ensino, Educação Artística e Religião. Concomitantemente à jornada de trabalho na Rede Pública de ensino, a professora Aldair atuou como docente nas Escolas da Rede Particular de Ensino de Porto União: Colégio Santos Anjos e Colégio São José. No primeiro colégio trabalhou com a disciplina Educação Moral e Cívica e Português até o ano de 1974. E no Colégio São José, ministrou por muitos anos, Educação Moral e Cívica, Educação Artística e OSPB. Aposentou-se da carreira docente, em abril de 1991. Foram 27 anos de dedicação à Educação do Estado de Santa Catarina. Além da docência exerceu os seguintes cargos: Conselheira Estadual de Educação no Estado de Santa Catarina de 1993 a 2005. Foi conselheira da Federação das APAEs de Santa Catarina, FEAPAEs/SC, representando a região do Planalto Norte (dez municípios). Secretária da 15.a URE (União Regional Espírita)-sul do Paraná. Presta serviço como voluntária na Associação Família Zalewski, mantenedora da Casa de Apoio Amor Fraterno, em apoio aos cancerosos, sendo secretária. Assume também a secretaria do Centro Espírita Amor e Caridade de União da Vitória. E o cargo de Relações Públicas da Associação dos Artistas Plásticos “Amadeu Bona”, de Porto União e União da Vitória, além, de ministrar Palestras Espíritas.  Atualmente, ocupa com maestria e competência o cargo de Secretária de Educação no Município de Porto União-SC. Primando pelo ensino de qualidade.

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Representação de Professores e Funcionários que Atuaram no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso Os professores nominados a seguir, representam uma amostra de todo corpo docente ao longo destes cem anos de história dedicados a educação do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Utilizou-se da seleção de alguns livros contendo a relação de professores, iniciando na década de 1930. Relação de professores do Grupo Escolar - 1937 Gregório Brekenbrock, Dulce Luiza de Oliveira, Jandira Capriglioni, Azize Yared, Araceli Rodrigues, Malque Guerios Edith Mello, Dagny Caesar, Alba Assis, Nisea Assis, Pequena Guérios. Professores que lecionavam nos Períodos Matutino e Vespertino - 1959 Período Matutino - Vins Pimpão, Sophia Maria D’Oliveira, Lecy Corrêa, Ana Antônia Nogara, Maria Aparecida Rosa Godinho, Francisca Maria Weinand, Cléria Kruger Rodrigues, Astrogilda de Mattos, Alzira Domingos, Lilia Yared, Lulméia Christónam da Silva, Vera Wangenfuhr Rulf, Olga Hunheiscz, Paulina Babiretzki, Darcy de Mattos, Paulino Babireski, Eugênia C.Magalhães, Terezinha Horandina Correia, Iracema Seifert, Araceli Rodrigues Friedrich, Dorothea Knippschild, Mirian da Luz, Ondina S. Chinkevicz, Francisca Atello Freyeslelen, Eugênia C. Magalhães, Carmen Lia Snich, Djanyra Amim Pasqualin, Leoni Willunsen, Maria da Luz Araujo de Oliveira, Maria José Martins, Ingrid Koschky. Período Vespertino - Vins Pimpão, Iracema Seifert, Carmen Lia Snich, Maria José Martins, Neusa Martins, Maria da Luz Araujo de Oliveira, Leoni Will Gulicz, Araceli Rodrigues Friedrich, Djanyra Amim Pasqualin, Edvirges D.Araújo, Antonia Lili, Cléa Rosende e Souza, Eugênia C. Magalhães, Francisca Atello Freyesleben, Paulina Babiretzki, Mirian da Luz, Ondina S. Chinkevicz, Meroslava Holuk, Cléria Kruger Rodrigues.

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Representações de Alunos que Estudaram no Grupo Escolar Professor Balduíno, Curso Complementar e Escola Normal Professor Balduíno Cardoso Os alunos citados a seguir representam uma amostra de todo o corpo discente que frequentou os bancos escolares desta casa de ensino, ao longo dos cem anos de história, no Grupo Escolar Professor Balduino Cardoso. Preconizando as décadas de 1930 a 1960, contemplando assim o cinquentenário da Escola. Turma do Curso Complementar - Formandos, 1937 Delmira Guimarães, Mirte Mafalda da Luz, Mercedes Marcondes Miroslava Litwinski, Emília Tomal, José da Luz, Afonso Ari Medeiros, Helio Correa Pereira, Alcides Oliveira, Miguel Bichara. Turma do Curso Normal Regional Marcelino Dutra, 1962. Ana Rita Pacheco, Cecília Greskiw, Clemair Trindade Góes, Cleusa Aríete Goncho Donita Maria Nunes, Elfrida Gohl, Eliane Magali Ramos, Eriane Suzane de Christo, Eranice Solange Schwartz, Inês Valéria Velozo, Irani Mallaf, Iria KeckerIvone Carvalho de Albuquerque, Leonice Magalhães, Luiza Nívea Kroetz, Magali Terezinha Oliveira, Maria Elizabet Sampaio Azevedo, Maria Eudalécia Ramos, Maria Ester Quieroz, Maria Ivone da Silva Gomes, Marilene de Lourdes Passos, Mary Célia Venante, Mirian Milis, Norma Hobi, Olga Jarentchuk, Olga Sembai, Regina Maria Solarewicz, Rosecler Schroh, Rubia Eleonora Zaleski, Ruth Mary Rewai Paraná, Salete Aparecida Thiel, Sebastiana de Jesus de Lima, Schirlei Teixeira, Soeli de Lurdes Gasfar, Sueli Terezinha Sant’Anna de Morais, Vera Lucia Pacheco, Vera Maria Borges, Vilma Moreira, Maria Aparecida Oliveira, Lourdes Gleide Rocha, Rocilda Hultmann, Eurico Nelson Muller, Joel Moreira Branco, Osni José Balardini.

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Livro de Matrículas Nos livros de matrículas do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso estava a seguinte descrição (a cada ano alterava-se a redação, turma e a direção da Escola, quando da nova eleição): Termo de abertura Servirá o presente livro para a matricula do Grupo Escolar Balduíno Cardoso de Porto União da seção masculina. Porto União, 28 de fevereiro de 1936 Gregório Brekenbrock

Turma 1ª série Ano: 1936 Ivo Geisler, Iraí Blasi, José Jesus da Silva, José da Silva, José Vieira, José Corrêa, José Neumann, José Amaral, José Lell, João Ruley, João Amaral, João M. de Castro, João dos Santos, Jorge Jared, Lauro Damaceno, Luiz de Oliveira, Luiz Titon, Francisco de Castro, Júlio Castilho, Jamacarú Corrêa, Osmar Tecci, Olegário Marcondes, Odaviano de Oliveira, Pedro M. de Jesus, Plinio Chaves, Rubens Savi, Ranulfo Ramos, Rubens Guaita, Sebastião Guaita, Sebastião Magdal, Orivaldo Melo. Turma 1ª série Ano: 1937 Agenor Quadros, Antônio Domingues, Antônio Valter, Alfeu Bernet, Adalberto Matos, Arlindo Kasburg, Airton Santos, Arivaldo Melo, Alfredo Neumann, Cláudio Golemba, Carlos Falk, Cícero Machado, Dorval Maia, Elísio Rosa, Flaviano Almeida, Fabrício D’ Oliveira, Florisval Keppen, Gerl Wagenführ, Gilberto Paiva, Hilton Dias, Haroldo Jorge, Iraí Blasi, João Funke, José Mansur, Júlio Castilho, Júlio Andrade, José Amaral, João F. Alves, João Sass, João Almeida, João Lautes, Leocádio Comandulo, Leodoro dos Santos, Nabor Agaps, Natalino Slomp, Oscar Lima, Paulo Cristovam, Pedro Andrade, Romulo Ramos, Salvador Irineu, Romeu Rabelo, Samuel Savi, Silvio Martins, Sebastião Magdal, Salmão Wkury, Sandival Keppen, Valdomiro Ramos, Valdir Ramos, José Amaral, Sebastião Maia, Eugênio Andreassi. Turma: 4ª ano Masculino Ano: 1938 Antonio Ramos, Arnaldo Fanchi, Bawerg Machado, Bolivar Boular, Clodomiro Rernew, Eugenio Domingues, Francis Pimpão, Glidrio Baby, José Turokyfy, José Domingues, João Dirceu Blasi, Luiz Bauer, Milton Hirsch, Macir

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Heismann, Nelson Dias Juviar, Nilsen Ichual, Peri de França, Valdomiro Luly, Valdomiro Wrgky, Osvaldo Havis, Carlos Bahle. Turma: 4ª ano Masculino Ano: 1939 Aristeu Melo, Artur Itrauzula, Bertier Bacelar, Boris Charan, Carlos Nigoski, Daniel dos Ramos, Dionísio Schmal, Domit Neto, Edmundo Dambroski, Elias L. Alves, Eraclides Almeida, Eurides Santos, Ivo Teixeira, João Klauseu, Jorge Iared, José Lell, José Santos, Julio Teixeira, Léo Dunke, Luiz Mallat, Moacir Ferreira, Miguel Talárim, Munir Guerios, Nestor D’Auino, Olegário Marcondes, Osmar Tecci, Ranulfo Lell, Sebastião Pereira, Valter Schäfer, Vinício Tereska, Vladimir Keppeu, Juraci Amaral, Levino Maraz, Valdemar Buch, Nicolau Marininski, João Shileppfer, Kurt Reinwer, Ralf Koerner, Pedro Contarski, Adilon Bertolotti, Carmelo Mente, Nelson Feliciano. Turma: 4ª ano Masculino Ano: 1940 Gregório Miquilyta, Hélio Farias, Hilton Dias, Iraí Blasi, Ivo Falk, João F. Alves, João Mallat, Jorge Mansur, Juraci do Amaral, Júlio Andrade, José Lell, Jorge Iared, Luiz Mallat, Leocádio Comandolli, Nestor D’Aquirio, Paulino Rabelo, Pedro A. Dunkliaysen, Romulo Beller, Romeu Rabelo, Rodolfo Bohn, Samuel Savi, Valdomiro Romero, Wolfgang Bach, Zanoni Santos, Valdir L. de Camargo, Claudinor Taques, Vinicius Tereska, Basílio Fatarin, Vilando Wenderlich, Airton Santos, Alvaro Parra, Afonso Poehrig, António Martins, António dos Santosm Arivaldo Mello, Armine do Gfaffenzeller, Basílio dos Santos, Darci Parra, Constante Cragoski, Edgar Cardoso, Engelberto Schovab, Ernesto Winter, Eugênio Andreassy, Francisco Rosa, Henrique Heiss, José Trindade. Turma: 3ª ano Masculino Ano: 1940 José Cosetim, João Sass, João Sanza, João Brites, João Olinger, Job Luz, Jacumassú de Araujo, Jacó Balin, Lino Rocher, Lauro Noeuberg, Luiz C. de Oliveira, Manoel Chagas, Manoel Fagossa, Manoel Silveira, Marcolino Amaral, Nei Baby, Nilo Matzenbacher, Nabor Tecci, Osvaldo Miquilisa, Alfeu D’Avila, Ademar Ferreira, Oscar Lima, Pedro Valesko, Pedro F. de Sanza, Plínio Chaves, Renato Zarantorielli, Rodolfo Neumann, Rubens Siqueira, Reinaldo Boch, Raul Quadros, Sebastião Dellega, Sebastião da Maia, Sebastião Magdal, Sandoval Keppen, Valdir Ramos, Vitor Buch, Zacarias Valeski, Alfredo Neumann, Fridoleiro Holey, Nelson Rothen. Turma: 2ª ano Masculino Ano: 1941 Alceu Allet, Albertino Pereira, Aleixo Dembesky, Antônio Santiago, Arnoldo Tesseroly, Aures Santos, Aroldo Roque, Adalberto de Matos, Afonso

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Koch, Alípio Gonçalves, Bernardo Dresch, Celso Moreira, Carlos Fagundes, Cláudio Neto, Cesar Borges, Darci Biz, Eleumar Schterhoff, Euclides Silveira, Francisco Araujo, Feliz Fuilek, Guilherme Lamp, Hilário Moraz, Hari Schterhoff, João Lemes, José Silveira, José Oliveti, João Furlan, João Alves, José Barbosa, José Ossak, João Santos, José D. Piluski, Lorair Bez, Leonides Bayer, Milton Quadros, Milton Luider, Miguel Zasnoski, Manoel Rodrigues, Nicanor de Paula, Nery Falk, Genuário Silveira, Osvaldo Machado, Osvaldo Rabelo, Pedro Dembeski, Pedro Fantin, Raul Oliveira, Roberta Holy, Rômulo Savi, Silvio Paleroeir, Pedro Postuy, Vitor Holiveti, Valmir Lell, Valter Müller, Vinicius Gomes, Zeferino Moreira. FIGURA 35 - Professoras do Grupo Escolar Balduíno Cardoso e Inspetor Escolar

Fonte: (Arquivo particular da Srta. Francisca de Mattos)

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Registro Escolar: Matrícula, Professores e Aparelhamento Escolar do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso Turma 1ª série: 1951 Marival Bruno Testi, Pedro Fernandes, Pedro Paulo Sava, Rademiro Edmundo Chibior, Renato Ibsch, Rudolf Paveu, Sergio Burak, Eloi Cachoeira Clementino, Ilso Nascimento, Eloir Rodrigues de Lara, João Leão, Antonio Bernardino Soares Silva, João Alves Batista, Alice Beim, Amelica Trenke, Darcy Felício dos Reis, Deair Holub, Dolores Iglesias, Gertrudes Jüngermann, Gilce Wotroba, Hedi Margarida Bach, Júlia Baron, Luci Lurdes Ramos, Maria Dione Pizzato Joslin, Maria Hilda Rodrigues, Pedrina Hujiv, Schirley Soares, Therezinha Ferreira Zavaski, Wilma Wolf, Arcida Maria Reisdoerfer, Dilma Andruchevitz. Turma 1ª série Feminino Ano: 1952 Niva Godofredo, Reni Savi, Sinira Zavaski, Vilmarize Borges Hey, Yolanda Rodrignes, Zenaide Wastsik, Marlene Longo, Natália Ivonete Strivicri, Josefa Toick, Almir Lemos, Dalcila Wolf, Dilonir Cognesel, Elenir Wosiacki, Ilse Wastsik, Ilvina Juka, Isolede Maria Silva, Ivete Aliot, Ivone Mello, Jandira Maros, Josefa Tack, Maria Castilho, Maria da Luz Campos, Marlene Longo, Natalia Ivonete Strivicri, Odete Machado, Therezinha Berton Bueno, Sonia Maria Dinhkysen, Verônica Reppa, ivahyr Parbombassi. Turma 1ª série Feminino Ano: 1952 Adazilma de Castro, Carmem Seifest, Cibele Pedroso Machado, Edviges Ginko, Elma Lucy Müller, Euleni Gorsses da Silva, Irene Polegatcz, Joana Ferreira, Leonil Tereza Schorok, Lonri Venâncio de Oliveira, Maria de Jesus Gomes, Maria do Carmo Schipitoski, Marlene Venâncio de Oliveira, Noemia Buchveitz, Osmarine Pendink, Sálna Farah, Soeli Soares de Lima, Tereza Cechin, Tereza Foroteski, Terezinha Thisel, Terezinha Joskin Pizzato, Verônica Picksel, Therezinha M. Thiel, Arminda Hensigne, Conceição Morais, Jacira Rosa, Jacira Stori, Josepha Bittner, Maria Darci Stroka, Maria Gessi Kavalkevicz. Turma 1ª série Masculino Ano: 1952 João Maria dos Santos, José Maurício Pessoa, Luiz Alberto Vellozo, Mauro Perez, Pedro Paulo Bueno de Camargo, Regis Pedro Paixão, Romeu Treuke, Siegfried Werle, Silvio Mello, Waldomiro Bradoski, Wallés Erich Achnlze, Odilon Quadros da Silva, Alberto Saraiva Assef, Alcides de Paula, Antonio Amora, Ari Alvino Sava, Eleuthério Olivette, Gentil Simplicio Guimarães, Hélio José de

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Souza, Ismail Pacheco, Juderli Soares Varela, Junclesci Soares Varela, Julio Baninski, Luis Witek, Miguel da Silva Borges, Nelson Straube, Nery Allan Kardec Bussi, Odilon Quadros da Silva, Olinda Pereira Santos, Savério Pucci. Turma 1ª e 2ª série Masculino Ano: 1953 Clovis Pacheco, Eleutherio Olivette, Erico Clementino da Silva, Gerson Grobe, Gustavo Costosky, Hugo Ernesto Scholze, Ivo Nascimento, Irineu Kolinski, João Maria Sebastião da Silva, José Alberto Araujo, José Fernandes de Oliveira, Julio Baninski, Luiz Albani de Paula, Mário Müller, Nelson de Oliveira Cabral, Orlando Ribeiro, Pyrené Tamille, Reinaldo Feizer, Reinhold Hens Kunze, Wilson Fagundes, Walmir Dinarte de Oliveira, Walter Augusto Alves, Wilson Civiero, Pedro de Jesus Padilha, Ricardo Krinski, Nereu Ramos de Oliveira, Alcides de Paula, Argeniro Almeida, Aloíso dos Santos Silva, Augusto Cesar Trickes, Adilson Wergenkievicz, Benedito Rodrigues, Bruno Tietjen, Elcio Fernandes de Souza.

Livro de Matrícula Feminina 1958 – 1963 Turma: 1ª série Feminino Ano: 1958 Alaide Tavares da Maia, Alice Emilia Stasiak, Alice Tibeletti Milão, Anita Kopp, Anizia Klineznk, Carmem Iracy Seifert, Carmen Lúcia Moreira de Oliveira, Catarina Grinko, Clarice Ballei, Daria Larissa Gruba, Dulce Maria Kliemann, Hilda Hereçai, Iêda Ferreira de Lima, Ilse Maria Pickhardt, Iara Ribas, Irene Nedochetko, Irene Rucinski, Josefa Blachenchen, Lays Testi, Maria da Luz Silva, Maria de Lourdes Sidor, Maria, Helena Pinheiro, Maria Liszcyzync, Marlene Côas, Marlene Stoklos, Neizila Edir Hoff, Nilcéia Regina Pereira, Noemi Ruth Seifert, Olga Bach, Rocilda Hultmann, Sebastiana Célia Faguundes, Sueli Carmen de Oliveira, Terezinha Evanir Tarbombani, Vera Sueli Ferreira, Walmy Rosa Simm, Yara Aparecida Novakoski, Zelinda Maria Ballei, Zuleika Guaraciaba da Sabaya. Turma: 4ª série Feminino Ano: 1963 Alice Zulmeira Bukieta, Elfrida Müller, Ericléa da Luz Cândido, Florentina Juk Burjarka, Glacy Marlene Razzolini, Irene Przybysz, Janete Passos, Lidia Pysklyvicz, Lindamir Machado, Lorelary Bretzki, Loreni Mª de Oliveira, Maria Bracati Sass, Maria Julia de O. Moura, Marly Terezinha Rotta, Mirian da G. Feixe, Nadir Nedochetko, Nair Ivone Winkefmann, Onilse Skibinski, Shirley Carneiro Bueno, Walterni Sass.

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Livro de Chamada Professor: Miroslava Litvinski Turma: 3° ano Mês: Julho Ano: 1946 Agenor R. da Luz, Amadeu Batista, Anselmo Leão, Antonio Martins, Ari Alves Junior, Eduardo Eslavip, Estevão Sosnóski, Ceber Farah, Job Caneparo, José Bachinski, José Martins, José Tomaz, Kleber Silvério, Milton Acir Zenff, Leocrides Sabbadini, Osmari de Lara, Osni Costa, Szires Guérios, Vitor Tietjen, João M. Fernandes, Admir Nogara, Catarina Bachinski, Clara Thiel, Dolores de Paula, Donatila Kroetz, Edelira Betega, Eloy Polati, Elzi de Almeida, Berandina Carneiro, Ingrid Malycha, Leila Simplício, Leocádia Vitali, Lindamir Lesorzdi, Lindóia Pereira, Maria Banak, Maria C. Machado, Maria Leonor Fiutech, Stília Müller, Veronica Domborowski, Yone Mello, Terezinha Jonson.

Professora: Araceli Rodrigues Friedrich Turma: 3° ano Médio Mês: Fevereiro Ano: 1947 Amadeu Batista Ferreira, Antenor Machado, Antônio Briski, Antônio Neumann, Armando Ferreira, Arquiro Costa, Darci Hobi, Djalma Gonzaga, Germano Thomaz, Guilherme Neumann, Ivo Tavares, João Alves da Silva, João Maria Fernandes, José Hermínio Pedroso, José Santos, Lauro Moacir Theodorovitcz, Lauro Tereski, Lourenço Ferreira, Manoel Olavo Quadros, Orlando Kavalquevicz, Paulo Marcondes, Reginaldo José Ribas, Rubi Goia, Teodoro Bannach, Valfrido Zipperer.

Livro de Chamada Professora: Alba A. Rêgo Barros Turma: 1ª ano Médio Secção Masculina Ano: 1943 Aquiro Costa, Artur Fuchs, Antenor Mansur, Aurélio Modesto, Aroldo Lauro Senff, Antônio Teles, Alfredo Wunderlik, Basilio Stinisk, Cláudio Zarantoniello, Demétrio Noss, Esmalní de Lara, Ernesto Neumann, Eugênio Szpak, Ivo Tavares, Lourival Lechi, Luiz Prezguski, Lori Testi, Miguel Serotnik, Noel Batista Duarte, Nilo Silveira, Nerêu Venâncio, Orlando Kovalcheroski, Pedro Alexandrino P. de Melo, Wilson Nadolny.

Livro de Chamada Professora: Lilia Yared Turma: 3° V ano Mês: Julho Ano: 1946 Acir Pioli, Alcides F. Assunção, Americo Maia, Antonio B. Ribas, Arival Matzembakei, Arnaldo Wergenkievz, Aroldo Senf, Germano Tomas, Gilberto

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Zazatzki, Guilherme Neumann, Lori Testi, Luiz Projurski, Manoel O. Quadros, Mario Bernardini, Mario Bernardini, Oliverio Veguin, Orlando Kavalqueses, Reinaldo Neumann, Zeucles Levek.

Registro Escolar Matrícula, Professores e Aparelhamento Escolar Turma: 1ª série Ano: 1953 Aldair Wergenkievicz, Alzira Lisboa, Carmen Lange, Dalila Costa, Eugênia Daniel Vieira, Inês Gomes, Irene Chunskin, Isabel Passos Puzzina, Isolda Longe, Marlene Côas, Nair Tarbombani, Nerci Ricardo, Olga Bach, Sonia Maria Borges Hey, Terezinha de Jesus Ribeiro, Maria Nerina de Mattos.

Professora Lilia Yared Turma: 3° ano Mês: Julho Ano: 1958 Alba Pioli, Beatriz Farias, Arise Gabardo, Diva Alves, Edenir Rasseli, Elza B. Monte, Eunice Tereska, Frida Ell, Geni Fahr, Heli Silveira, Hilda Carraro, Iracema Istori, Iraci Sacha, Irene Guaita, Leonir Trindade, Ligia Schmall, Lili Matzenbaker, Maria And. Pereira, Maria C. Eschterhalf, Maria de L. Andrade, Maria Z. Chimanski, Nivea Schartz, Rosina Kroetz, Schirley Müller, Tereza Batista.

Documentos e Discursos que Representam a Cultura Escolar Planos de Aula A fim de ampliar a discussão sobre o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, expõe-se também alguns fragmentos de Plano de Aula19 do Grupo Escolar, enviado para o Departamento de Educação do Estado (1941-1945). Estes planejamentos continham informações sobre a aula, enfatizando o método utilizado, o processo de ensino, a forma e o material. Fica clara a utilização dos materiais pedagógicos modernos, verificando que todas as escolas 19 Os Planos de Aula do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, apresentavam em sua composição a metodologia de ensino baseando-se no processo intuitivo. Estes Planos de Aula foram elaborados no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, sob supervisão da Direção. Eles contemplavam pontos sorteados nas Reuniões Pedagógicas, e cabia ao professor responsável pela elaboração do Plano a organização e boa redação, pois estes seriam arquivados no Departamento de Educação do Estado, tendo uma cópia arquivada no Grupo Escolar para a verificação da didática empregada pelos professores.

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que enviavam seu planejamento, também mencionavam o processo intuitivo como ferramenta didática. A seguir traz-se três figuras que retratavam o modelo de plano de aula. FIGURA 36 - Planejamento utilizando o método intuitivo

Fonte: Arquivo Público de Santa Catarina (1941)

Ainda neste Plano, na argumentação teórica, a professora discute sobre a Pedagogia Moderna enfatizando que: “aprender de acordo com a Pedagogia Moderna consiste em ver, observar e comparar, concluir e realizar todas as faculdades individuais, na medida em que estas forem se definindo”. Neste sentido, segundo aponta a professora, cabia ao professor encaminhar a aprendizagem que surge, despertando a curiosidade do aluno, estimulando sua vontade, encaminhando-o pelas vias da observação, obrigando-o assim a pensar e a trabalhar. Esse discurso evidencia o uso do método intuitivo, uma vez que traz a preocupação com o desenvolvimento dos sentidos, do contato com o conhecimento pelo sensorial, conforme citado no fragmento do Plano de Aula de 1941, do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. [...] Aprender, de acordo com Pedagogia, consiste em ver observar,

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comparar, concluir entrando em jogo todas as faculdades individuais a medida que estas se forem definindo. Cabe ao mestre, como cita ainda o mesmo autor encaminhar o entendimento que surge, despertando a curiosidade do aprendiz, estimulando a sua vontade, encaminhando-o pelas vias da observação e do raciocínio, obrigando-o a pensar a trabalhar. [...] (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, PLANO DE AULA, 1941, p.15).

FIGURA 37 - Comunicado Escolar e Planos de Aula

Fonte: Arquivo Público de Santa Catarina (1941)

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FIGURA 38 - Plano de Aula

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina)

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FIGURA 39 - Descrição de tarefas Plano de Aula

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina).

FIGURA 40 - Parecer do Inspetor Escolar

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina).

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As prescrições sobre os conteúdos, eram emitidos pelos Inspetores Escolares, que tinham como função servir de orientação, de referência ao método de ensino, indicados para nortear a ação docente nas escolas primárias catarinenses. Estas orientações significaram a introdução de modos de organização específicos que se referiam aos ideais de educação pretendidos pelo Estado, ou seja, por um lado, expressavam objetivos pedagógicos organizados pelas autoridades de ensino e, por outro lado, indicavam ideias e propostas em circulação internacional e no país, sobre conhecimentos, conteúdos escolares e perspectivas de escolarização.

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Livro Termo de Visita O termo do livro de Visitas20 de Autoridades Escolares que passaram das Escolas Reunidas Professor Balduíno Cardoso teve sua abertura em setembro de 1918 e foi utilizado em abril de 1919. O inspetor João Romário Moreira, em visita à Escola Reunida da cidade, nos dias 26, 28 e 29 de abril, de 1919 registrou o seguinte: III- Do Funcionamento das aulas e da matricula: As aulas funcionam em dois turnos o 1º. Funciona das 9 as 12 e o 2º funciona das 14 as 17 horas. Estão matriculados nos 1º. turnos os 1 º anos; (1ª Escolas masculina=19; 2ª Escola masculina= 13; 2ª Escolas feminina=32). O 2 º turnos com o 2º e 3º annos funciona: (1ª Escolas masculina com 4 alunos, no 2º e 3º anos também 4 alunos, na 2ª Escola masculina 5 alunos e na 1ª e 2ª Escola feminina 6, e 3 na 1ª escola feminina e na 2ª 2 alunos). O total de alumnos é de 87 alumnos. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1919, p. 4-6).

A passagem descrita acima, relata a respeito do funcionamento da escola, dos horários das aulas, do número de alunos, da metodologia empregada. As prescrições e orientações descritas nas Atas de Autoridades Escolares e nos Relatórios Anuais mostravam indícios do discurso renovador da educação e, ao mesmo tempo, mostravam a força do Estado na cobrança do cumprimento das atividades escolares e no zelo pela organização das dependências do prédio escolar. Nesse sentido, os relatórios elaborados a partir das visitas de inspeção poderiam conter indicações tanto referentes às ações dos professores quanto àquilo que era observado relativo às condutas dos alunos. Percebe-se que os pareceres emitidos pelos Inspetores Escolares fundamentavam-se no rigor da aplicação dos preceitos metodológicos indicados pelo Estado, visando, desta forma, padronizar o ensino nos grupos escolares, incutindo nos alunos um comportamento voltado para os moldes do civismo com ênfase nos métodos científicos, no ensino moral e higiênico da época. E para encerrar o seu parecer, o Inspetor João Romário Moreira tratou dos aspectos pedagógicos: Assisti a diversas aulas, quer num turno quer em outro turno, muito 20 As Atas de Autoridades Escolares localizadas no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso circunscrevem o período de 1919 a 1950.

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me agradou das aulas ministradas pelo professor Antenor Cidade, e pela professora Martha Tavares Alves. Contra o regulamento o professor Sr. Antenor Cidade juntou as classes masculina e feminina dos 1º e 2º anos. E não apresentando uma justificativa plausível para tal medida, recomendo que a separação incontinente destas duas escolas, para que se torne regular a assiduidade de seus professores. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1919, p. 18).

As representações em torno da questão de gênero existente na escola primária eram recorrentes em todos os estados da federação; tinha-se como pressuposto a moralização e a virilidade, em que meninos e meninas deveriam ser ensinados em classes separadas para se incutir o discernimento do papel do homem e da mulher na sociedade. Especificamente, o Inspetor João Romário reforça esta ideia ao relatar na Ata das Escolas Reunidas Professor Balduíno Cardoso, cujo professor havia feito uma atividade juntando meninos e meninas, não sendo admitido tal princípio nas escolas do Estado. Ressalta-se que no mesmo ano letivo, a Escola Reunida Professor Balduíno Cardoso recebeu a visita do então Deputado da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Sr. Edmundo da Luz Pinto, que em 09 de outubro de 1919 teceu seu parecer e impressão a respeito da escola: De todas as Escolas Reunidas que tenho visitado até agora nestes districtos. Esta foi a que deixou melhor e mais completa impressão. Os mestres assim os Srs. Professores como as exemplares professoras, revelam um verdadeiro zelo pedagógico; Os alunos meninos e meninas aprendem o que se nota com prazer, e tem uma louvável affignidade no responder as perguntas e as questões sempre satisfatoriamente. Deixo aqui os meus cumprimentos aos educacionistas, a cujo espaço foi de fazer e proclamar a pátria. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1919, p. 04).

Nessas palavras, compreende-se que as representações do cenário educacional diferenciavam-se daquelas assinaladas pelos inspetores. No parecer do representante do poder legislativo, este teceu elogios à orientação dos professores diante do processo ensino-aprendizagem. A observação do referido parlamentar indica que a apropriação dos conhecimentos se mostrava presente na Escola Reunida Professor Balduíno Cardoso, ao destacar que os alunos respondiam as lições de modo satisfatório, mas sem entrar em detalhes do processo de ensino-aprendizagem. Os estudos de Marta Carvalho (1986) apresentam elementos que evidenciam as articulações entre pretensões metodológicas e políticas: baseados

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nos sentidos de que o método de ensino demanda objetos e espaços adequados para a aprendizagem por meio da observação que, por sua vez, tornavam visíveis as realizações políticas, os futuros professores poderiam ver as diretrizes metodológicas serem praticadas e, todos, juntos, poderiam comprovar pelos sentidos as realizações republicanas. FIGURA 41 - Livro de Termo de Visita (1919)

FONTE: (Acervo da Escola)

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Livro de Honra A premiação dos alunos em destaque era uma prática muito utilizada pela escola como forma de incentivar e ressaltar o valor dos estudos para a boa formação dos alunos. Ao mesmo tempo que demonstrava a força simbólica da cultura escolar presente nos Regimentos Escolares, como forma de conformação de professores e alunos à normatização do sistema escolar. Cita-se a seguir três figuras que demonstram a organização do Livro de Honra do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Nas páginas deste documento estavam contidas as seguintes informações: Desenho Temático escolhido pela Professora responsável pelo registro do nome dos alunos e da turma com as respectivas premiações, ao final da página, para dar visto, a Direção e o Inspetor Escolar assinavam a página do livro correspondente ao ano letivo. FIGURA 42 - Livro de Honra (1933)

FONTE: (Acervo da Escola)

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FIGURA 43 - Termo de Abertura livro de Honra

FONTE: (Acervo da Escola) FIGURA 44 - Livro de Honra

FONTE: (Acervo da Escola)

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FIGURA 45 - Honra ao Mérito

Fonte (Acervo da Escola)

Segundo Teive e Dallabrida (2011), os dispositivos disciplinares, como por exemplo, o controle do tempo, a realização de exames regulares e a introdução da premiação dos melhores alunos seriam viáveis de aplicar com o auxílio do diretor e de inspetores escolares para garantir o bom desempenho da estrutura pedagógica. Completando-se esta questão, Teive (2009, p. 64) descreve que os alunos dos grupos escolares catarinenses deveriam se habituar, desde o primeiro ano escolar, à ordem e à disciplina, na execução de pequenas tarefas, seguindo os preceitos do artigo 166 do Regimento Escolar. Desse modo, as práticas escolares deveriam ser cumpridas com rigor e disciplina para que dentro do espaço escolar houvesse um sujeito obediente e disciplinado.

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Associações Escolares As descrições das atividades desenvolvidas pelas Associações Escolares21 eram anexadas aos Relatórios Anuais do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, sendo relatadas através do professor coordenador de cada Associação descrevendo além das tarefas desempenhadas, o movimento de arrecadação que essas Associações tinham em caixa, um valor em dinheiro arrecadado entre os alunos e, em outras havia materiais, como no caso da Biblioteca e Clube do Livro que arrecadavam livros durante o ano para contribuir com a disseminação de novos livros na escola. E do Clube Agrícola que recebia sementes do Ministério da Agricultura para o a plantio da horta escolar. Como era obrigatória a remessa das cópias das atas ao Inspetor Geral do Ensino, tal elaboração demandaria um maior capricho na preparação e organização destes documentos. Nos relatórios constavam o nome dos alunos que compunham cada associação, o nome do professor coordenador e o relato das atividades desenvolvidas. O relato sobre as atividades pedagógicas desenvolvidas pelas Associações do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso inicia-se com a apresentação da Biblioteca do Grupo Escolar, esta foi organizada em 1933, pelo professor Antônio Gasparello, recebendo a denominação de: “Biblioteca Professor Orestes Guimarães”. Naquele mesmo ano foi instituída a Campanha Pró-Livro, numa inciativa da professora Jandira Domit, sendo possível formar o I acerco local, com obras da literatura, e clássicos nacionais, segundo descrição abaixo: Como professora orientadora da Biblioteca Escolar Prof. Orestes Guimarães, anexa ao Grupo Escolar, venha apresentar o relatório da referida Biblioteca, durante o ano letivo de 1945.A biblioteca Escolar foi fundada no dia três (3) de março de mil novecentos e trinta e três (1933), sob a direção do professor Antônio Gasparello iniciada com trinta (30) volumes tendo como patrono, “Prof. Orestes Guimarães e sob a minha orientação desde fevereiro de mil novecentos e quarenta e três (1943). A Diretoria desta Biblioteca trabalhou muito durante o presente ano letivo e de pleno acordo com a Diretoria do 21 As associações auxiliares já estavam legalmente previstas desde o ano de 1944, com a vigência do Decreto-Lei nº 2.991/44. Esta normatização as denominava “associações auxiliares” e as subdividia da seguinte forma: liga pró-língua nacional; biblioteca; jornal escolar; clube agrícola; círculo de pais e professores; museus escolares; centros de interesse; liga da bondade; clube de leitura e pelotão de saúde. O Ofício Circular nº 42, que acompanhava o decreto e vinha assinado pelo próprio diretor do Departamento de Educação, professor Elpídio Babosa, enfatizava os objetivos dessas associações, voltados à preparação de futuros cidadãos para a sociedade moderna. (TEIVE, 2012, p. 04). As Associações existentes no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso eram as seguintes: Liga Pró-Língua Nacional; Biblioteca Escolar Professor Orestes Guimarães; Clube Agrícola Alberto Torres; Liga da Bondade; Clube de Leitura; Pelotão de Saúde; Todas as Associações tinham como responsável uma professora que coordenava juntamente com sua classe as atividades desta Associação junto ao Grupo Escolar. (RELATÓRIO ANUAL GRUPO ESCOLAR PROF. BALDUÍNO CARDOSO DE 1945).

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Clube da Leitura. A Diretoria angariou livros para a Biblioteca Escolar. Os livros estão muito bem conservados, e distribuídos nas diferentes prateleiras dos armários bibliotecários com uma boa ordem, sob côr uniforme de acôrdo com o catálogo geral da Biblioteca. Os livros necessários à construção da biblioteca estão muito asseados e jus a ordem nada deixa a desejar. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO).

Ressalta-se a importância que a escola atribuía a leitura através da matéria publicada no jornal Voz do Oeste22, em 27/02/1930 sobre a Bibliotheca Infantil, matéria escrita pelo Professor Estevão Juk, do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, lançando uma campanha para doações de livros, ou de quantias para a compra de livros para o referido estabelecimento escolar, visto da necessidade de haver livros para a formação intelectual dos alunos do ensino primário. Desta forma para ilustramos tal questão, citamos um fragmento da notícia: Em 1945, segundo relato da professora Profª Lilia Yared, também traz esta representação da relevância da leitura e de atividades relacionadas: “[...] no mês de julho, o Clube de Leitura fez um programa para festa no sábado, usando das aulas de leitura para apresentar os números. Durante o ano letivo, muitos alunos do curso primário reuniram-se para aulas de leitura. Com o curso complementar não pode haver a mesma programação, por causa de inconvenientes, sendo o 1°: não combinam os horários dos dois cursos; o 2°: não há sala disponível para leituras no nosso grupo”. Portanto, é notável que as atividades do Clube de Leitura tivessem a função de trazer bons exemplos de leitura, como por exemplo, a leitura das biografias dos “grandes homens”. E também, ao buscar trazer o hábito da leitura como lazer, tornou-se uma poderosa fonte para sua cultura e desenvolvimento social. Na Associação Escolar Pelotão da Saúde o lema a ser seguido era: “Saúde, Força, Alegria”, esta Associação exercia forte influência no direcionamento das atividades práticas do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso como nota-se nas descrições a seguir: Saúde, Força, Alegria é o lema da associação tão necessária como útil na educação. Graças ao Pelotão de Saúde foram impedidas inúmeras retiradas de alunos acometidos de males passageiros. Tendo socorrido com presteza e prazer pelos membros da associação. O Pelotão de Saúde no decorrer do ano letivo de 1945, têm prestado relevantes 22 O jornal A Voz do Oeste, editado na cidade de Porto União, lançou sua primeira edição em 12 de dezembro de 1929. O referido Jornal era partidário da caravana de Victor Konder, tendo como redator e secretário o professor Estevão Juk e gerente Leonidas Menel.

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serviços como: 1°). Após organizada a Diretoria receberam as instruções referentes aos curativos, uso conservação dos medicamentos, presteza de socorro sem perda de tempo, organização de cartazes com frases, adequadas à saúde, higiene asseios do corpo e vestuário. Os membros do Pelotão de Saúde incluído os monitores sobressaíam-se, dos demais pelo uso do distintivo – Cruz de Malta – 2°) Foram atendidos durante o ano inúmeros e vários casos como: dor de cabeça, de dente, ferimentos machucaduras, desmaios etc...3°) Semana Pró Pelotão de Saúde – Foi organizada a Semana do Pelotão de Saúde com o fim de abastecer a pequena farmácia. A coleta de medicamentos feita entre alunos que de boa vontade ofereceram foi numerosa. A classe que mais doou maior oferta permaneceu durante uma semana com a bandeira do Pelotão de Saúde em classe. 4°). Paradas – Nos dias determinados o Pelotão de Saúde apresentou-se com garbo. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR Balduíno CARDOSO, 1946).

As atas do Pelotão de Saúde no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, preconizavam em suas descrições as atividades realizadas, citando os relatos das instruções dadas aos monitores, suas funções e a arrecadação de remédios para a farmácia escolar. O papel dos monitores era cuidar da revista semanal em seus colegas, observando o asseio nas unhas e cabelos, bem como “cuidar” para que seus colegas mantivessem o ambiente devidamente limpo e higienizado. O direcionamento do Pelotão de Saúde estavam em: “inculcar hábitos e orientar a criança na aquisição de conhecimentos práticos, fornecendo-lhe um cabedal de costumes favorável à sua saúde.” (TEIVE, 2012, p.10). Segundo consta no Relatório do Clube Agrícola Alberto Torres do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso, as atividades desenvolvidas por esta Associação beneficiavam a todos os alunos. As atividades desenvolvidas pela Associação da Caixa Escolar Padre Anchieta do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso visavam arrecadar fundos para auxiliar os alunos que necessitassem de materiais escolares para continuar os estudos. Além dos alunos, algumas empresas da região auxiliavam a escola com pequenas doações, que serviam de apoio para os recursos pedagógicos da escola. Os sócios da caixa somam um total de 354. São os Srs. pais dos alunos que frequentam o grupo. Há, entretanto muitos que não pagam as mensalidades. Em compensação há almas caridosas que contribuem para o bem das crianças necessitados. A firma Cantergione todos os anos tem ajudado, este ano a sua contribuição foi de Cr$ 300,00. A situação de vida do momento atual, não nos permitiu fazer uma fes-

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ta de renda em benefício da caixa. Receberam os alunos socorridos, uniformes e material escolar durante o ano letivo. Os alunos socorridos somam um total de 86 entre masculinos e femininas. Tem a caixa Escolar contribuído para que as aulas não sejam interrompidas pela falta de canetas, lápis e cadernos etc. Há os alunos esquecidos, há os que no momento esperam pelo ordenado dos pais que estão em atraso. Assim em todas as ocasiões está êla auxiliando os alunos necessitados, para o bem da disciplina e aproveitamento dos mesmos. Foram distribuídos prêmios entre os alunos que alcançaram as normas estabelecidas pela sua Diretora- Atividade – Pontualidade – Aplicação; Mensalidades recebidas durante o ano: 2596,50. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1945).

Entretanto, a finalidade desta Associação para a escola era fornecer materiais escolares como forma de prestar assistência aos alunos carentes, além de roupas e calçados doados para este fim. A receita era constituída pela contribuição dos sócios, bem como de todos os alunos que tivessem condições financeiras para contribuir. Em 1943, o Inspetor Germano Wagenführ fez menção às associações escolares existentes nos Grupos Escolares, o que se pode verificar no seguinte registro: [...] A Liga Pró-Língua Nacional é orientada pela senhora professora X, que está organizando nas diversas classes álbuns, distribui pastas para nelas serem registradas as biografias de homens ilustres e patristas da nacionalidade. Aos sábados tomam parte nas solenidades à Bandeira e à Pátria. Pretende organizar também a diretoria, a fim de realizarem pequenas solenidades e manter a correspondência com alunos de outros estabelecimentos e com o seu professor. Todos os alunos que matricularam, neste Grupo, conhecem a língua nacional, o que é resultante deste estabelecimento. (RELATÓRIO ANUAL 1940, p. 16).

Assim como as datas cívicas, a história dos feitos de grandes personalidades brasileiras foi inclusa no calendário da escola pública. A associação escolar Liga Pró-Língua Nacional tinha como objetivo primeiro fortalecer a aquisição e o desenvolvimento da língua nacional. Em segundo lugar se propunha a ressaltar o culto à Pátria e seus desdobramentos. Como observa Carvalho (2003), reformadores, políticos, intelectuais, e profissionais da educação pública voltaram-se, no início do século XX, para o movimento de modernização e disseminação da educação pública, sendo

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esta possibilidade vislumbrada como superação do atraso e como elemento de constituição da nacionalidade, ressonâncias de um amplo projeto civilizador, de ordenação social, moralização dos costumes, disciplinarização da classe trabalhadora e inculcação de valores cívico-patrióticos. Em 1946, a Diretora do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, a professora Jandira Capriglioni Domit, descreveu seu parecer no Relatório Anual sobre o bom desempenho das Associações Auxiliares na escola: As Associações Escolares já vêm colhendo os frutos de seu trabalho. É com admiração e orgulho que vemos nossos alunos, antigamente tão acanhados, tratarem hoje, de um módo desembaraçado, com pessôas de idade, organizarem e ensaiarem féstas que mostram bem a capacidade e capricho dos mesmos. Os alunos procederam sempre com boa disciplina. Costumamos dar aos alunos uma liberdade relativa, que não prejudicando a disciplina em geral, dá a criança confiança em si e facilita o contacto de aluno e professor, tornando-se ambos os amigos sinceros o que é um grande passo dado na educação da criança. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1946).

Este discurso nos faz compreender que havia um forte interesse por parte da Direção do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso de que os órgãos governamentais tomassem conhecimento das práticas materializadas pelas associações auxiliares em sua cultura escolar. A imagem que se queria passar era de inovação dessa cultura e da sintonia com as prescrições legais. Ao encerrar o ano letivo de 1950, a Diretora Jandira Capriglion Domit afirmou que as Associações Escolares sempre tiveram de professores e alunos a atenção que mereceram como auxiliares da vida escolar e do ensino em geral. E reitera completando que “[...] tanto quanto possível, a vida escolar do nosso estabelecimento tem trabalhado com carinho e dedicação para o bem das nossas crianças e o engrandecimento de nossa Pátria.”

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FIGURA 46 - Atividades Desenvolvidas pelas Associações Escolares

Fonte: (Arquivo Público de Santa Catarina)

Relatórios Anuais Os Relatórios Anuais23 elaborados pela Direção do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso desvelam vestígios do uso da Pedagogia Moderna na escola, além de revelar a estrutura física do prédio, o material escolar existente na escola e a disciplina a ser seguida. Fatores estes que apresentavam as condições da escola e, ao mesmo tempo, as condições de trabalho. A sequência organizacional do Relatório seguia um modelo padronizado pelo Estado, documento datilografado, contendo os seguintes itens: apresentação do Prédio com descrição de reformas e materiais adquiridos, o Mobiliário e Material Escolar, relatava-se sobre os materiais adquiridos no ano letivo e os materiais necessários para o bom desempenho em aula e, em seguida, descrevia-se como deveria ser a disciplina, já que deveria ser o principal fator para o aprendizado. As prescrições sobre os conteúdos, bem como as referências ao método de ensino, indicados para nortear a ação docente nas escolas primárias catarinenses, significaram a introdução de modos de organização específicos que se referiam aos ideais de educação pretendidos pelo Estado, ou seja, por um lado, expressavam objetivos pedagógicos organizados pelas autoridades de ensino e, por outro lado, indicavam ideias e propostas em circulação internacional e no país, sobre conhecimentos, conteúdos escolares, e perspectivas 23 Os Relatórios Anuais localizados do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso correspondem ao período de 1944 a 1960. Na década de 1930 após a criação do Grupo Escolar não foram encontrados estes documentos na escola. E os relatórios da década de 1940 estão incompletos, tendo apenas dos anos: 1944, 1945, 1946, 1948.

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de escolarização. Em primeiro lugar, destacavam-se as saudações ao Diretor do Departamento de Educação Catarinense, ressaltando que a escola tinha como base servir à pátria e formar assim cidadãos preparados para atuar na vida social. Em seguida, a diretora citava as palavras de Olavo Bilac24, destacando que educar devia estar além da aprendizagem e que o processo da aprendizagem deve ser construído com amor. Deste modo, ao usarem deste discurso preconizavam orientar o aluno para a devoção à pátria. Após a apresentação, elaborava-se a descrição do prédio, da estrutura física, dos reparos e consertos executados na escola, bem como no mobiliário, realizados durante o ano letivo, prática seguida como padrão por todos os estabelecimentos de ensino como forma de manter informado o Diretor do Departamento de Educação do Estado, da situação em que se encontrava a sua escola e, assim pleitear melhorias e ressaltar as conquistas da escola. Com relação ao professor, este deveria ser um exemplo de virtude, moral e exercer com zelo e abnegação o seu ofício de professor, ficando sempre atento ao tempo de ensinar e as lições que favorecessem a otimização da aprendizagem. Essa determinação imposta pelo Estado pode ser observada no Relatório Anual do Grupo Escolar Prof. Balduíno Cardoso que traz essa ideia por meio do discurso da senhora Diretora Jandira Domit: O êxito do trabalho escolar depende, em parte, da bôa distribuição do tempo. “Ensinar sem ordem é frequentemente o mesmo que ensinar mal”. Acato ésta opinião, e comentei com meus professores. Agindo ao contrário, o professor desenvolverá certas disciplinas, aquelas que mais lhe agrada, às vezes, menosprezando umas e esquecendo outras. Daí a distribuição dos programas e horários pelo Departamento. Como no ano anterior, fiz meu corpo docente sentir a necessidade do estudo do programa, a sua divisão em etapas, e sua maleabilidade de acordo com a idade mental do aluno. A meu ver, mesmo nas classes fracas, o programa pode ser todo explicando e recapitulando. Para tal, só é necessário que o méstre esteja senhor do programa e procure, como, aliás, manda a metodologia, associar uma matéria a outra. Todas as disciplinas serão facilmente assimiladas e a classe, no início do ano, fraca, tornar-se-á apta aos exames tanto quanto às médias e às vezes, às fortes. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1945, p. 10).

O parecer elaborado sobre o desempenho do professor durante o ano 24 Olavo Bilac mostrava através de suas crônicas, as representações dos ideais da modernidade e da modernização bem como os impactos produzidos pela modernidade na sociedade no limiar dos séculos XIX e XX. (GARCIA SCHERER, 2009, p. 88).

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letivo, descrevendo o rendimento da turma era documentando pela Direção no Relatório Anual. A escrita era elaborada pela ordem alfabética dos nomes dos professores, contendo o cargo, a categoria a que pertencia e a turma que lecionou. Verifica-se, nesse ínterim, que o parecer da Diretora estava atrelado diretamente ao desempenho que o professor havia alcançado com a turma, independentemente de a turma ser fraca ou forte, ou de ter alunos repetentes. Todos deveriam ter êxito no trabalho pedagógico. No Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, observa-se que a avalição tinha uma dupla finalidade: primeiramente a finalidade pedagógica e num segundo momento a finalidade disciplinar, como ocorria de modo geral no cenário educacional nacional. Desta forma, os exames aplicados pelo Grupo Escolar representavam o sistema de classificação dos alunos em classes e séries e se tornavam mecanismos de punição, controle e hierarquização, utilizando-se da finalidade disciplinar. FIGURA 47 - Relatório Anual Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso - 1945

Fonte: (Acervo da Escola)

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FIGURA 48 - Impressão sobre o Ano letivo do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso

Fonte: (Acervo da Escola)

Atas de Reuniões Pedagógicas Este documento tinha como função registrar os diferentes contextos vivenciados no dia a dia da Escola. Segundo consta na Ata de Reunião Pedagógica de 1951, a Diretora Ivone Fellipe informava aos professores: “[...] É importante para nosso aperfeiçoamento à participação em cursos de capacitação, e estes devem ser realizados pelo professor a fim de construir sua base pedagógica [...]”. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1951, p. 12). Conforme levantamento documental do período estudado referente à formação dos docentes que atuavam no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, localizou-se nos Relatórios Anuais, elaborados pela Direção um total de 21 professores efetivos que lecionavam no Grupo Escolar, sendo que 08 destes também lecionavam no Curso Complementar anexo ao Grupo Escolar. Porém, não há registro sobre a formação específica do corpo docente, apenas citam-se nos Relatórios Anuais a categoria a que pertenciam os professores, a classe que lecionavam no referido ano letivo, bem como a descrição do desempenho do professor, como se verifica nos fragmentos: Professora Efetiva. Lecionou o 2° ano. (Fraco) [...] Esta professora é muito esforçada, trazendo sua classe sempre em constante trabalho produtivo. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1945 p. 23). Professora Efetiva-Regeu o 3° ano (forte). [...] É uma professora consciente de seus deveres, tendo alcançado bons resultados, não só em classe forte como tinha neste ano, como também em classe fraca como tinha no ano passado.

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Com relação à aplicação dos programas de ensino, refletiu-se nos pareceres dos professores onde o resultado dos saberes e fazeres ensinados aos alunos aparecia na escrita dos relatórios os pontos positivos e negativos que deveriam ser melhorados por parte dos professores no decorrer do ano letivo. Portanto, o professor, deveria ser um exemplo de virtude, moral e exercer com zelo e abnegação o seu ofício de professor, ficando sempre atento ao tempo de ensinar e as lições que favorecessem a otimização da aprendizagem. Durante a participação em Reunião Pedagógica do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, o Inspetor Escolar Germano Wagenführ referia-se à orientação metodológica do método de ensino e como deveria ser empregado no ensino da leitura. [...] Ensino da Leitura no 1º ano – o professor deverá ter cuidado em não ensinar a consoante separadamente, mas sim englobada nas Palavras-Chave. Neste ensino deve ter muito cuidado e procurar intensificar a silabação o mais que puder. Apesar de o nosso método adotado ser o analítico sintético, não descuidar da silabação, pois ela é o esteio da aprendizagem da leitura. Depois que as sílabas estiverem bem sabidas, ou quanto mais forte for à classe, então poderá se aplicar a formação de novas palavras. (GRUPO ESCOLAR PROFESSOR BALDUÍNO CARDOSO, 1954, p. 27).

Evidencia-se aqui uma forma de apropriação do uso do método intuitivo, feita pelos professores do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso; era diferente dos métodos propostos pelo Estado de Santa Catarina, pois mesmo se tratando do processo de silabação, a memorização não deveria ser metodologia empregada na aprendizagem. Este procedimento se tornava o processo de ensino oposto ao indicado nos preceitos modernos de aprendizagem.

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FIGURA 49 - Ata de Reuniões Pedagógicas do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso - 1951

Fonte: (Acervo da Escola) FIGURA 50 - Ata de Reuniões Pedagógicas do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso - 1951

Fonte: (Acervo da Escola)

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CAPITULO IV

Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso: Ano do Centenário

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Equipe Pedagógica, Adminstrativa e Professores de 2017 Figura 51 - Professores da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso - 2017

Fonte: (Acervo da Escola)

Figura 52 - Professores da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso - 2017

Fonte: (Acervo da Escola)

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Figura 53 - Equipe Pedagógica e Administrativa da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso - 2017

Fonte: (Acervo da Escola) Figura 54 - Funcionárias da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso - 2017

Fonte: (Acervo da Escola)

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Turmas de Alunos de 2017 Figura 55 - Alunos e Professores do perĂ­odo Matutino

Fonte: (Acervo da Escola)

Figura 56 - Alunos e Professores do perĂ­odo Vespertino

Fonte: Acervo da Escola

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Figura 57 - Alunos e Professores do perĂ­odo Noturno

Fonte: Acervo da Escola

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Logo do Centenรกrio

Museu do Centenรกrio Figura 58 - Museu do Centenรกrio

Fonte: Acervo da Escola

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Cursos e Turmas em Funcionamento no Ano de 2017 No corrente ano letivo a escola, conta com cerca de 630 alunos distribuídos em um total de 18 turmas, sendo 07 turmas no período matutino, 01 turma e Projeto desenvolvido no período vespertino e 10 turmas no período noturno. Os alunos estão matriculados nos seguintes níveis de ensino: a) Ensino Fundamental – 9º ano (matutino), b) Ensino Médio – 1º e 2º ano (matutino), c) Magistério Habilitação em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, d) 3ª série (matutino, vespertino e noturno), e) 4ª série (matutino e noturno), F) Magistério Habilitação em Educação Especial – D.M. – 4ª série (noturno); A Escola conta também com o Projeto: Mais Educação destinado a alunos do 9º ano no período vespertino. As equipes que regem o direcionamento estudantil e pedagógico da escola estão assim organizadas: A) Equipe Gestora Diretora: Alice Vogel Viliczinski Assessora de Direção: Léia Orfa Paul Comnisky B) Equipe Administrativa Assistente de Educação: Cláudia Beatriz Muniz Zimichut Administradoras Escolares: Elsa do Rocio Pugsley, Vilela Sachweh

Mônica

C) Equipe Pedagógica Assistentes Técnicas Pedagógicas: Daniele Moreira, Jucélia Terezinha Gotardo

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D) Equipe Docente Professores Efetivos: Ademir José de Lima, Alois Fudal, Celso da Silva, Deny John Jakymiu, Dilce Gregório, Dircélia Aparecida Senff Nicoluzzi, Gelson Tabizs, Giovani de Cristo Bade, Ita Marcia de Lima, Jacilda Queiroz de Santana Banaszeski, Léia Orfa Paul Comnisky, Maria Alcenir de Carvalho, Regiane Sepanhaki de Morais, Roselany Maria Grando dos Santos.  E) Professores Efetivos Complementando Carga Horária: Aramis Wolf, Valdeci José de Oliveira   F) Professores ACT (Admitidos em Caráter Temporário): Adriana Lopes de Miranda, Ana Maria Fonseca de Paula, Ani Elvira Eliseo, Andressa Euzébio de Paula, Angela Cristina da Silva Ferraz, Carmen Lucia Farias, Elaine Maria Bunhak, Fernando Pereira da Silva, Isolde Kozowski, Hedy Stefani Gonçalves da Silva, Janete Ribas da Silva Godoy, João Paulo Dalmas, Karin Aparecida Vidal de Souza, Karine Fatima Fleitux, Marcia Aparecida Pereira, Marcia Regina dos Santos, Marcia das Graças Mello, Marcio Andre Madeira, Marisane da Silva Leite Zytkowski, Milene Andreia de Sousa Milanez, Rafaela Geschonke, RozineI Alves Kranholdt, Sibele dos Santos, Sirlei da Rocha Dobler, Soeli Andrukiu Koch, Sonia de Fátima Damasceno, Sonia Viero Stacechen, Sueli Taiane Vicentim, Viviane Regina Arcega de Souza.   G) Serventes Elza Maria Teixeira Franke, Maria de Lourdes Reisdorfer, Lourdes Pileco Cardoso, Doralice da Silva Cardoso H) Funcionário Valmir Vier  

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Atividades Comemorativas ao Centenário - 2017  Fevereiro • Vídeo Comemorativo Filmagem Drone (externas) • Relatos de alguns Alunos e alguns Professores atuais. https://www.youtube.com/watch?v=OKUgChVi5q0 • Lançado nas redes sociais para a abertura das atividades dos “100 ANOS”.   Março • Concurso Logotipo dos 100 ANOS. • Lançamento do Slogan Abril • Elaboração de um Banner  -  Galeria de Diretores   Maio • História dos Uniformes ao longo dos anos   Junho/ julho • Exposição do acervo histórico da escola   Agosto • Roda de Chimarrão: Encontro com ex alunos, ex professores e alunos e professores atuais, para compartilharem de suas histórias e experiências. • Cápsula do tempo: neste dia será enterrada uma cápsula do tempo com textos, frases músicas, desejos dos participantes para que seja aberta daqui a 3 anos.   Setembro • Desfile Cívico • Inauguração da Fachada e Placa Comemorativa. • Encontro na Escola de ex Supervisores Escolares, Orientadores Educacionais, Administradores Escolares, Secretários e Professores Aposentados. • Inauguração do Espaço de Exposição Permanente do Acervo Histórico da Escola.   Outubro • Jantar Comemorativo  no Clube 25 de Julho (por adesão) • Lançamento do Livro no Jantar: E.E.B. Prof. Balduíno Cardoso: Cem Anos de História -  Autora: Professora Dra. Valéria Schena.   Novembro • Show de Talentos dos ex-alunos, professores e os alunos e professores atuais.

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Considerações Finais O livro “Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso: Cem anos de História”, é composto por imagens e textos sobre a cidade de Porto União e o Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso. Estas imagens e documentos representam a essência da educação em nossa cidade, oportunizando ao leitor o contato com a história da consolidação do município e da expansão da educação Escola Primária, Educação da Escola Complementar, e da Escola Normal deste Educandário. Ao longo da história dos grupos escolares, coube aos órgãos de ensino organizar os programas adotados pelas disciplinas da escola primária. No início da implantação dessa nova modalidade de ensino nos grupos escolares, a distribuição do conhecimento escolar nos quatro anos primários de formação e a transmissão do conhecimento se dava nas seguintes áreas do conhecimento: aritmética, linguagem desenho, música, geometria, trabalhos manuais, história geografia, ciências físicas e naturais, educação moral e cívica. Os programas de ensino, os manuais escolares e os materiais didáticos sinalizavam as indicações metodológicas em acordo com a Pedagogia Moderna, enfatizando o uso do método intuitivo. Prescrevia-se que o ensino deveria ter como base essencial a observação e a experimentação. E, com relação ao desenvolvimento do aprendizado, determinava-se que o professor deveria respeitar o desenvolvimento do educando. Além do mais, os materiais didáticos eram caracterizados como centros de interesse, já que os quadros Parker, globos, livros de leitura desempenhavam um importante papel na disseminação do currículo escolar prescrito pelo estado. Os cem anos de criação do Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso, trazem à tona os múltiplos sentidos que envolveram o processo de expansão da escola pública no início do município de Porto União. Este estudo proporcionou uma reflexão acerca da importância do Grupo Escolar para a sociedade, uma vez que adquiriram especificidade por meio de sua arquitetura, dos profissionais, do material didático, do uniforme das regras e normas que estão presentes em diferentes contextos, atestando o modelo de escola e de aluno que deveria ser formado pela escola do século XX. O acervo documental, em sua maioria, da presente obra é composto por materiais garimpados no acervo da Escola de Educação Básica Professor Balduíno Cardoso, além do Arquivo Público de Santa Catarina e Acervos Municipais, cuja preservação contribuiu para o bom andamento da escrita e do registro da história da escola, articulando assim a análise das fontes de pesquisa (documento/fotografias) a interpretação da realidade vivenciada pela cultura escolar ao longo do Centenário.

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Observa-se, através da escrita dos diários de classe, das Atas de Reuniões Pedagógicas, dos Relatórios de Ensino, como estavam presentes os sentimentos de amor, de valorização da condição de “ser professor”, muitas vezes empregados nas anotações das professoras e professores, utilizavam deste material para imprimir a marca da qualidade de ensino deste importante educandário. Pode-se inferir que em meio a tantos documentos que retratavam a essência do funcionamento escolar, evidenciamos uma instituição cuidadosamente organizada para atender as exigências de uma escola primária, cujos saberes e práticas eram medidos pelos critérios de concentricidade, de praticidade, inspirados nos preceitos pedagógicos indicados pelo Estado de Santa Catarina. Na condição de pesquisadora, tornou-se um desafio desbravar-se no campo documental, pois assume-se como compromisso alavancar, por meio das descobertas, os aspectos do construtor da história e dos diferentes olhares possíveis referentes ao objeto investigado. Esta obra foi produzida como uma forma de homenagear esta instituição de ensino que ao longo do seu centenário construiu uma sólida formação educacional em nossas cidades. Grande parte de seus alunos trilharam carreiras brilhantes, utilizando–se do embasamento teórico recebido para orientar sua jornada, tanto pessoal, quanto profissional.

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Balduino alterado em pdf 2 1  
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