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NOSSAS EXPERIÊNCIAS COMO ALUNOS DE AUDIOVISUAL – PARTE 1

nossas experiencias NOVEMBRO/2013

Prefácio ........................................................................................ 1 Renan Ramiro ............................................................................. 2 Mariana Vieira ............................................................................. 5 Carolina Kimi ............................................................................... 8 Henrique Figueiredo ................................................................ 10 Alcides Moreno Siqueira .......................................................... 13 Vanessa Silva ............................................................................ 15 Victor Miaciro ........................................................................... 17 Lorena Duarte ........................................................................... 19


´ PREFACIO ntes de iniciada a atual greve estudantil, os alunos da turma de 2011 propuseram um debate acerca de questões estruturais do curso e do aprendizado de Audiovisual, dentro da disciplina Análise da Produção Audiovisual Contemporânea, ministrada pelo Professor Rubens Machado. A paralização das atividades regulares representa um período de reflexão, debate e formação de opinião, além de exercício político e reinvindicatório. O debate foi aberto a todos os alunos, que foram então convidados a produzir textos a partir do tema "Minha experiência como aluno do Curso Superior do Audiovisual" Os textos aqui reunidos não têm a intenção de dar conta do conjunto de opiniões dos alunos. São fragmentos de reflexão que buscam levantar inquietações justamente a partir de um coro de vozes. Se as vezes são pessoais e subjetivos, apontam, em contrapartida, para uma reflexão a cerca da realidade concreta de nosso curso. Que alunos, professores e funcionários possam usar em benefício desta instituição os frutos das nossas produções de greve.

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RENAN RAMIRO ingressou no Audiovisual em 2011

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omos bombardeados desde a infância com os modelos de perfeições impossíveis do capitalismo: a propriedade perfeita, o parceiro perfeito, o trabalho perfeito, onde perfeito é sempre aquilo que dá mais lucro pra gente. Além da insatisfação de acreditar que sempre podemos/devemos obter mais, somos induzidos a perder o nosso tempo de vida, porque é com ele que nós fazemos o dinheiro de que precisamos cada dia mais. Fora dessa lógica, sempre achei que o trabalho ideal fosse aquele em que eu pudesse ter tempo de viver e dinheiro para sobreviver. Induzido pela cultura inerente ao nosso sistema, às vezes acredito que pra sobreviver eu preciso de buscar "propriedades perfeitas", que são caras, e me fazem concluir que eu preciso ganhar muito pra poder viver de verdade. Acredito que isso seja comum entre nós, maioria classe média, estudamos o mínimo de história e sociologia para termos alguns flashes de lucidez e bom senso sem conseguirmos efetivar um plano de ação. Oscilamos entre a consciência, a vontade de mudar e a alienação, por estarmos já tão absorvidos. Conheci umas pessoas que têm um restaurante que abre umas 5 vezes por semana, mas não com certeza e onde o cliente paga o quanto puder e/ou quiser pela comida. Quando a comida que o cozinheiro fez acaba, eles fecham porque têm a filosofia de respeitar os limites deles. O pratos de comida que eles fazem, rendem um dinheiro suficiente para a vida que eles querem levar, sem que sejam taxados com "vale X reais" e sem que alguém pague o que não pode. Claro que comer em determinado restaurante é uma opção, mas quando temos a opção de não sermos explorados? No cinema, não sou da teoria, mas a prática muitas vezes me repele porque me faz sentir explorado. Mesmo na faculdade, sem receber nada (embora saiba que o governo está pagando o ensino - que tende a ser negligente, nós sabemos), trabalhando pelo aprendizado, muitas vezes não

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acho justo nosso método de produção. A perspectiva de trabalhar 12 horas por dia, 6 dias por semana em qualquer período da vida (seja por um mês apenas) me parece uma violação, sobretudo porque em São Paulo precisamos de pelo menos 1 hora pra se locomover de volta até em casa. O total seria 14 horas de 6 dias da nossa semana voltados para apenas um foco: um filme, que muito provavelmente vai virar um produto, em que os eforços de todos os envolvidos foram submetidos à figura de uma só pessoa, com valor descrito num ingresso "quarta-feira - R$9 - meia". Todo esse percurso me incomoda... Passar por esse dias obsessivos, em que vou dormir preocupado com pepinos de um filme que dizem ser de outra pessoa, de um diretor, de um roteirista. Na minha experiência com direção, estive mais disposto a passar as 12 horas porque eu acreditava no que eu queria dizer, mas em casa eu pensava sobre o resto da equipe que acreditava que a prateleira deveria ser de outra cor, que o enquadramento poderia ser diferente, que o filme poderia dizer mais se a gente fizesse de outra forma. Me senti um explorador todas as vezes não me importei com as opiniões daqueles que também estavam perdendo todas as horas dos seus dias para submeter o trabalho à minha palavra final. Quando tive uma oportunidade, tentei propôr um modo mais tranquilo de fazer um filme. Diárias de 8 ou 10 horas. Mas acho que já estamos tão acostumados com a mesquinharia do número 12 que não conseguimos enxergar como ele se insere numa lógica de mercado que é violenta. Como alguns de vocês, assombrado pelo que dizem ser o PTO, acho que comecei a pensar no TCC precocemente. Não sei o que quero fazer, rejeito logo teórico (porque me pouco apto para isso, não li muito, embora talvez fosse legal fazer justamente pra eu ler). Não sei o que eu faria como prático: tentar me encaixar como montador ou propor um para dirigir? Pensei em propostas de filmes que eu diria mais tradicionais e uma outra que seria mais a proposição DE UM MÉTODO DE PRODUÇÃO experimental (mais coletivista e com uma hieraquia pelo menos mais suavizada) do que a proposição de um filme. Esta última tem me dado mais ânimo quando penso sobre como quero viver a vida no AV. Posso estar viajando, me iludindo, ou podem me chamar de vagabundo também: Eu acho que a gente devia aprender a respeitar nosso limite e o dos outros. Ou pelo menos tentar descobrir quais são eles pra ver se é possível.

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Daí penso no Paulo Emílio, naquele texto que tínhamos que ler no primeiro ano, "Trajetória no Subdesenvolvimento" que o Brasil nunca conseguiu consolidar uma cultura cinematográfica consistente, ou algo assim. Desconfio que me falte mais conhecimento pra afirmar com certeza, mas acho que seguindo o que já fizeram, principalmente fora do nosso país, a gente não vai consolidar nada. Apesar do desejo, quando pude produzir estive longe de conseguir inovar no conteúdo, na forma menos ainda, mas se espero realizar, pensei que devia começar desde o começo. Minha proposta de TCC começaria sem um roteiro, porque ela pensaria o processo coletivo desde o início. Para além de um coletivo ou um argumento único (todos fazem tudo) mais maduro, a gente deveria pensar como a função do diretor de dar uma unidade ao filme não serviria a uma proposta individualista. Como todos no filme conseguiriam conciliar os seus limites com a produção. Como o envolvimento de todos afeta os limites de cada um. Seria uma forma de encontrar novos meios... E eu não tô falando isso no mesmo tom de um texto que li outro dia, em que um cara meio que se gabava por ter feito mil coisas de humanas que não dão dinheiro. Assim como é um absurdo um professor de escola pública ganhar o que ganha outras funções relacionadas a humanas sofrem um desvalorização injusta. Na minha opinião o desprezo da sociedade às humanas é causador de misérias do pensamento e materiais. As desigualdades sociais são fortemente acentuadas pelo descaso com a educação, focada em tópicos alienantes. Se nos gabarmos pela desvalorização do que nós fazemos estamos sendo coniventes com isso. Claro que eu acho que ninguém vai aceitar isso no CTR, muito menos no PTO. Viajando muito pensei que se fosse uma grande ação coletiva da sala (divisão de todos que querem fazer tcc prático em 5 grupos, com a proposta inicial de encontrar um novo método) talvez a banca não tivesse outra opção. Logo realizei que muita gente não vai comprar isso, que pra conseguir fugir do tcc teórico eu terei que entrar como montador no projeto de um colega ou tentar propôr algo muito menos ousado, um filme gay que eu acharia legal ver ou alguma outra pira aí. Se der certo, vou dirigir 12 horas por dia e ver o que posso fazer pra me sentir menos mal quando lembro que não me importei com a cor das prateleiras que eram importantes para alguém.

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MARIANA VIEIRA ingressou no Audiovisual em 2010

entarei aqui não me deter nas amarguras e frustrações que o curso acaba tendo efeito sobre quase todas as pessoas com quem tenho contato. É preciso fazer tanto uma análise do ser que me formei ao ser ensinada no pensar e no fazer audiovisual no curso, como das suas produções mais condecoradas.

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A forma do curso, tanto de matérias práticas e teóricas, definem uma ideologia que é incorporada quase inconscientemente por nós. Esta forma rígida também provoca alguma insurgência, algum desejo de transgressão, em vista das limitações que me vi repetindo. Primeiramente, o sistema das ênfases. No segundo ano, ainda novos, somos obrigados a escolher ênfases e nos digladiar entre as turmas para preencher o número de vagas limitadas. Desde o começo, gera-se uma sensação de concorrência, que tentamos driblar abandonando o mérito por notas (caso que ocorre em cursos com especializações, como a Letras) – embora, vez ou outra, este método volte a assombrar alunos e professores como funcional. Esta sensação de concorrência se intensifica nos antigos exercícios de quinto semestre (quem faz o filme melhor) e vai desembocar no PTO. Embora os professores dizem que são ênfases e não especializações e que podemos nos embrenhar em outras áreas, acostumamos-nos a pensar o audiovisual como uma atividade extramente dividida e hierarquizada. O roteirista escreve, o diretor cria em cima disto, as funções técnicas se alinham ao pensar do diretor. A equipe, então, sente-se subordinada às ideias do diretor, e não à ideia do filme. Penso que dois anos exercendo sua ênfase e acostumado à sets desse tipo é o suficiente para nos convencer que essa é a melhor maneira de produzir um filme. Que reproduziremos, neste Brasil, um sistema industrial quase hollywoodiano. É claro: as ênfases colocam cada um em seu lugar, tornam o set mais ágil e descomplicado. Aqueles que não fizeram 5


ênfase em direção costumam nos acusar de autoritários. A minha experiência de direção, nesses termos, foi angustiante. Fiz mea culpa na época, mas hoje vejo que era quase impossível tentar outro jeito. Não só diretores, todos nós estávamos embolados nessa teia, fazendo o ofício conforme nos ensinaram, sem pestanejar. É no PTO que quis tentar, junto de Adriana, outro processo de fazer filme. Influenciadas por exemplos de outras formas de produção, todas já do lado de fora do CTR, ficávamos a discutir como construir um filme coletivamente. Não deu certo. Se não conseguimos entregar o roteiro, pedido tantas vezes pelos professores, se não no projeto, é porque em cada reunião do filme nos perguntávamos o que queríamos com o filme, como o faríamos. Não queríamos estar preocupadas com o roteiro, mas sim em amadurecer as ideias, formá-las coletivamente com as pessoas envolvidas na sua escrita. Entregamos papéis que explicavam nossa vontade de produzir de outra forma. A impressão que me fica é que isso foi levado como balela, coisa de adolescente. Com o tempo apertando, os colegas de sala avançando em tratamentos de roteiro, a sensação mais aguda de concorrência do curso se instaurou e escrevemos um roteiro que, no fim das contas, para nós duas, já não preenchia nossas expectativas. Gostaria de poder dizer, sem ser rechaçada, que o nosso filme não tinha roteiro, não era para ter neste momento, que ele poderia ser feito de maneira barata, e que ele era importante do mesmo modo que os outros projetos apresentados em sala. A sensação era de ter se vendido, no final do processo, para perder. Fomos punidas por “não ter um roteiro avançado”, por ideias confusas, pela hesitação. A punição de não ter o TCC financiado e apoiado pelo CTR enraizou-se de maneira violenta: se você não faz como eles querem, não fará nada. Em certo momento da discussão do projeto, averiguamos que ele era muito mais moderno que contemporâneo. Atribuo isso ao fato de que só temos matérias obrigatórias de história que vão até o período moderno do cinema; além de um culto, por parte de professores e alunos, que nos impulsiona para a crença da verdade deste período. Nossas referências, em sua maioria, são

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modernas. Os TCCs condecorados que saem do CTR tem referências claramente modernas. O nosso projeto do PTO, em certo momento, tornou-se apenas uma vontade de rechaçar estes TCCs condecorados. De rechaçar nossas referências modernas. Hoje vemos que era um projeto imaturo, não por não ter um bom roteiro, mas por ser só uma birra com o microcosmo CTR. Não farei mea culpa. Essa provocação, a fagulha de ódio por tudo que nos ensinaram nesta escola, fora canalizada em um filme que não vai ser rodado. Fruto de uma insurgência adolescente, rebelde, sem causas. O nosso projeto era sobre musas – as musas do período moderno; as musas dos tantos TCCs dirigido e fotografado por homens. A transgressão que queríamos realizar era uma transgressão somente para com os nossos professores e colegas. Era um filme extremamente umbilical. Talvez por isso os professores não o tenham compreendido completamente. (Tantos filmes umbilicais saem do CTR: talvez porque não tenhamos dimensão do mundo de fora.) Mas o reflexo sobre si mesmo não pode ser ignorado, não é inválido. É sintomático. Minha experiência no curso tem a ver com tentar sair do embutido onde me enfiaram (e que fui aceitando sem saber). O CTR produz filmes e latas embutidas. Na minha descrição: Mariana, ênfase em direção, som e produção, não trabalha com as áreas que escolheu. No fim das contas, se formar no CTR é uma questão de entrar no jogo (fazíamos várias referências ao BBB em época de CTR) e aceitar suas regras; ou se refugiar. Hoje, dou aulas e escrevo críticas; não me sinto com energia nem maturidade intelectual para dirigir um filme. Maturidade técnica, sim.

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CAROLINA KIMI ingressou no Audiovisual em 2010

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inha decisão por ser aluna do Audiovisual é decorrente da minha vontade de estudar e entender melhor as emoções e os efeitos que o Cinema proporciona ao espectador. Dessa forma, a teoria era o que me chamava mais a atenção. Quando entrei no curso, percebi que tinha que percorrer tanto o prático quanto o teórico, o que a primeiro momento me deixou um pouco desanimada, uma vez que não havia conhecimento algum sobre uma produção prática audiovisual. Minha impressão foi de que aprendi mais sobre esta parte através de colegas e por conto do que as próprias aulas. Após o primeiro ano passei a me interessar pela parte de fotografia, o que me levou a optá-la como uma de minhas ênfases. Apesar de haver cinco cursos de fotografia na grade horária curricular, me intristece o fato de reconhecer que não domino muita coisa da área. Ao meu ver, faltou muito uma base didática ao longo do curso. Temas básicos como lentes, medição de luz foram simplesmente ignorados no primeiro ano, como se já tivéssemos que ter tal conhecimento previamente. Tive a oportunidade de realizar um intercâmbio de um ano nos Estados Unidos, onde cursei dois semestres acadêmicos no departamento de Cinema de Vassar College, e dois cursos práticos na New York University. Em ambas as instituições prezavam-se tanto a parte teórica quanto a prática, e ambas haviam bases didáticas que se sustentavam. Nas aulas práticas, (como as do CTR) apoiavam a ideia de que o aluno cresce muito através das experiências, sejam elas boas ou ruins. Apesar disso, não focavam o aprendizado do aluno apenas nisso. As aulas eram dotadas de boas exposições didáticas básicas, com o intuito de que o aluno estivesse devidamente preparado para operar o aparato cinematográfico e, mais importante, seguro e confiante de que pudesse realizar os trabalhos.

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Infelizmente não me recordo de ter tal confiança nos exercícios realizados no CTR, e o que mais lamento é a carência dessa base o a quantidade de tempo e energia gastos para a produção de um só exercício. Decidi em realizar um TCC teórico e estou seriamente pensando em seguir a área acadêmica. Esse caminho não recai apenas ao fato de gostar mais da área teórica, mas também pelo fato de não ter confiança o suficiente nos meus conhecimentos práticos para atuar no Mercado atual.

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HENRIQUE FIGUEIREDO ingressou no Audiovisual em 2011

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exercício de pensar sobre minhas atividades como aluno de audiovisual é algo que me provoca um mal estar profundo. Com efeito, não me lembro de ter cometido em outra oportunidade erro tão crasso como este de prestar a prova de transferência. Este curso, desde seus primeiros dias, tem se revelado algo deveras embrutecedor. Confesso que às vezes, nessas rodas de botequim, fico constrangido em admitir para os colegas que estudo neste departamento. Tenho receio de que alguém saiba o que ocorre dentro destes muros, e que me confundam com esta picaretagem. O pior é que nem consigo mais lembrar porque resolvi prestar a transferência, tamanho o abismo existente entre o que eu esperava do curso, e sua triste realidade. Não vou nem comparar os departamentos pelos quais passei nesta universidade, pois seria deveras injusto, talvez até leviano. Ainda assim, não posso deixar de dizer que o depto. de filosofia ao menos cumpre o que promete: se esforça para formar professores do ensino médio. Dificilmente, ao término do curso um aluno da filosofia não saberá o “bê-a-bá” – para o bem e para o mal, visto terem os que não ultrapassam o degrau mais elementar. Todavia, ao contrário, no caso do CTR nem mesmo a tão alardeada formação para o mercado chega até o aluno. Temos professores que sequer sabem utilizar as câmeras do próprio departamento, ou que julgam os trabalhos práticos dos alunos de acordo com seu gosto pessoal. Já os alunos... ah, os alunos! Dentre os queridos colegas, temos alunos do 3º ano que dizem em alto e bom som – sem corar, pasmem – que o importante é um filme “ser bonito”, ou “ser legal, mêêêu”. Visto esse posicionamento “a-crítico” ser quase hegemônico entre os colegas, penso ser representativo a respeito do tipo de profissional que está sendo formado aqui dentro. Além disso, é importante dizer que os alunos que se destacam nas disciplinas técnicas ou são autodidatas, ou fizeram cursos pagos fora da universidade. Há também aqueles que se destacam por serem mestres na arte 10


da ordenha – categoria a qual o “puxa-saquismo” foi elevado neste departamento; mas isso é tema para outro texto, e não é um fenômeno exclusivo do CTR. Quanto aos métodos de produção, o assustador é que dentro de uma universidade sejam reproduzidos os dispositivos do mercado na “cara larga”, isto é, sem ruborização ou constrangimento. Isso acontece sob o pretexto de nos preparar para as condições de selvageria que regem o mercado audiovisual no BR. Todavia, nossos doutos mestres, que nos empurram goela abaixo tais lógicas, esquecem-se de que a universidade não é o espaço para reprodução das “leis do mercado”; ao contrário, deveria ser um espaço de reflexão, de produção de saber científico-cultural. Em outras palavras, transformar o CTR em um reles colégio técnico é simplesmente desconhecer a função de uma universidade. Além disso, é ignorar que não estamos em qualquer universidade, mas sim em uma universidade pública – que possui um compromisso com a sociedade que a financia. Isso posto, como aceitar que se forme dentro deste espaço mão de obra para empresas como a Globo? A sociedade brasileira precisa da manutenção desta empresa, ou de qualquer outro conglomerado das comunicações? Duvido muito. Ao menos não nos termos em que estas empresas se posicionam no mercado, cuja lógica é o lucro a qualquer preço. No entanto, este maravilhoso futuro profissional é propagado como o norte a ser seguido, sem nenhum questionamento. O importante é entreter as massas! (Ainda que isso as perpetue enquanto “massas”). Para encerrar, pois não quero me estender muito, gostaria de lembrar que certa feita, durante seu quadro no programa Abertura da TV Tupi, Glauber Rocha afirmou: “não podemos esquecer que também há muita chantagem dentro das universidades [de cinema]”. Não sei exatamente a que tipo de chantagem ele se referia. Mas, provavelmente, falava desta subserviência aos “padrões mercadológicos” que atravancam o desenvolvimento de novas práticas e saberes. E isso já nos anos 70, onde a situação histórica permitia, sem dúvida, um debate mais elevado – sobretudo o estético. Talvez seja exatamente esta submissão a interesses que não os acadêmicos o elemento

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que impede, por exemplo, que os alunos desenvolvam novas técnicas, ou novos modelos de produção que não os já estabelecidos. Seja como for, o que me conforta é que estou na reta final deste curso. O último que apague a luz.

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ALCIDES MORENO SIQUEIRA é aluno de Ciências Sociais*

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empre acreditei que para fazer cinema era preciso conteúdo, uma visão crítica do mundo e de toda sua complexidade, e que só assim seria possível desenvolver uma linguagem com fortes raízes na sociedade e com imagens dialogar com ela. Porém, dentro do curso de Ciências Sociais percebi que os alunos se mantêm engessados a reproduzir autores clássicos e que nosso objeto de estudo (o mundo, suas relações e o espaço em que vivemos) ficou restrito a apenas citações em alguns poucos textos que devemos desenvolver para nos tornarmos bacharéis no assunto. Enquanto estudantes da área das humanas acabamos presos a uma lógica de repetição/reprodução de teorias onde o espaço de criação é nulo, não se pode arriscar dizer qualquer coisa sem referência bibliográfica tornando o discurso autorreferente onde seu próprio conteúdo acaba se esvaziando. As avaliações buscam medir o quanto foi lido do programa do curso e não o entendimento do aluno ou suas próprias conclusões sobre o tema proposto. Idas a campo para coleta de dados ou até mesmo para complementar as discussões sobre determinado autor são quase nulas e muitas vezes desmotivadas pelos professores que defendem apenas o acumulo de referências para, quem sabe, futuras citações. Acabamos fechados em uma bolha onde não nos preparamos para um possível mercado de trabalho fora do meio acadêmico, e passamos pelo curso nos degladiando por um possível ingresso no corpo docente da universidade onde, provavelmente, continuaremos presos a essa lógica de reprodução acadêmica que não dialoga com a sociedade a qual estudamos e que acaba sempre reescrevendo o que já fora dito antes. Por fim, não acredito que o simples acumulo de citações consiga formar um cidadão capaz de repensar a sociedade. Acredito que é importante discutir autores clássicos durante o curso de ciências sociais, porém busco refletir que se prender a apenas uma forma de apropriação do conhecimento não é válida 13


para construir uma visão da complexidade do todo que é a sociedade em que vivemos. Trabalhar com o material teórico é importante, mas sem a pratica esse exercício só tem importância dentro dos meios acadêmicos. Os alunos de ciências sociais, em sua maioria, optam pelo curso por alguma insatisfação com o mundo e desejam de alguma maneira mudar algo na ordem estabelecida. É frustrante perceber que a universidade se interessa em expandir o conhecimento até um certo ponto e acaba aprisionando os alunos em convenções e temas, impedindo que novas ideias sejam criadas. Primeiro se aprisiona o aluno num certo discurso especifico, que é aceito pela academia, depois em um formato, em uma temática e assim por diante. A maior reclamação dos alunos é quanto a extensão universitária, pois nos encontramos em um curso que não tem nenhuma relação com o mundo exterior e nem se interessa em ter. Isso tudo acontece, pois faz parte de uma visão, de uma proposta/um modelo de universidade. Uma universidade de elite e para elite, que não tem consciência que esta inserida num estado e que há uma comunidade ao redor. Já que somos mantidos por dinheiro de impostos que todos contribuem, a universidade não pode ser vista como uma ilha, como algo distante da realidade das pessoas. Ela deveria ser algo acessível, vista como uma possibilidade/uma realidade próxima para toda a comunidade, o lógico seria que essa instituição se preocupasse com quem a mantém, e revertesse parte do que e produzido para a comunidade externa.

*Apesar do relato dizer respeito ao curso de Ciências Sociais, acreditamos que a crítica dialoga com as questões do curso de Audiovisual, além de trazer um aspecto da Universidade em geral

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VANESSA SILVA ingressou no Audiovisual em 2010

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iferentemente de muitos colegas, não compartilho da visão pessimista de que o Curso Superior do Audiovisual caminhe para a decadência cruel de vender a si próprio e a seus alunos ao mercado. Sobretudo não compartilho da visão de que isto se deva à valorização de um ensino tecnicista em detrimento do ensino de um pensamento crítico. Chateia-me, inclusive, ouvir que o ensino da técnica, sobretudo em um curso de artes, seja degradante; soa-me às vezes até classista, como se se tratasse de apenas “apertar parafuso”, atividade relegada a estudantes de outros cursos que não este (já que alguém precisa fazê-la), estudantes que passaram ao largo da Universidade de São Paulo, talvez a universidade pública mais elitista do Brasil. Reservado, com toda sua complexidade, o já tão discutido papel da universidade pública, não há porque nos preservarmos de uma funcionalidade que o curso possa ter aos alunos que prefiram se inserir “no mercado” em vez de continuarem se submetendo aos funis da academia. E acredito que tenha sido este o argumento levantado pelos próprios estudantes nas décadas passadas que deram origem a este curso de hoje. Sinto que o curso sofra, no entanto, de uma crise de modelo, que não é de agora. Inseridos numa Escola, parecemos estar sempre em busca de um modelo de produção, de criação, o qual nossos mestres dominam e nos pretendem ensinar. Parece que mais do que vítimas do mercado, somos vítimas da secular maldição do cinema paulista: a perseguição de uma forma industrialista, necessariamente tecnicista, normativa e padronizadora de seus produtos. Parece desconsiderar e inclusive marginalizar o sucesso não apenas “de mercado” que outras formas de produção e criação tem atingido em outros lugares do país. O termo “mercado” às vezes me parece inapropriado, já que não é novidade para ninguém que não há propriamente um mercado para curta-

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metragens, a não ser que consideremos, assim como me parece que o fazem nossos professores, um certo “mercado de festivais". O curso literalmente divide em semestres a realização da reflexão; os exercícios práticos estruturam o curso, e seguem necessariamente um protocolo de criação e de produção eleitos mais adequados pelos professores, que é em geral muito restritivo: ou escreve ou dirige, ou vai pro set ou monta, ou faz curta-metragem de ficção ou não faz. Tudo isso ao mesmo tempo em que vemos nossos mestres, os mesmos que nos ensinam, fazendo justamente o oposto no dito mercado, no mercado que, mais velhos, vemos ser muito mais heterogêneo e anômico do que sua porção que lhes serve de modelo. Os TCCs, que seriam a oportunidade mais sólida de aliarmos uma pesquisa teórica à realização, na verdade corroboram esta cisão institucionalizada. A proposição de projetos está cada vez mais restritiva, devem necessariamente contar com um produtor, um roteirista e um diretor, necessariamente pessoas diferentes. Não é que não haja espaço para projetos audiovisuais de outras naturezas (instalações, animações, videoartes). Mas aquilo que para nosso departamento possa se apresentar futuramente como um “produto”, retomando o “mercado de festivais”, deve passar necessariamente pelo controle de qualidade do Projeto Temático Orientado. A disciplina se baseia no processo de seleção de editais, numa política cultural em que uns poucos decidem o que deve ou não ser produzido e visto. A aprovação destes projetos é a conclusão com mérito desta escola, e o coroamento do bom aluno, aquele que aprendeu bem o ofício do bom cinema.

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VICTOR MIACIRO ingressou no Audiovisual em 2012 “O sentido é o movimento total da fala, eis porque o pensamento arrasta-se na linguagem. Por isso também ela o atravessa como o gesto ultrapassa seus pontos de passagem. No instante preciso em que sentimos o espirito repleto de linguagem, quando todos os pensamentos são tomados por sua vibração e justamente na medida em que nos abandonamos a ela, passa além dos signos para seu sentido. E, deste sentido, nada mais nos separa: a linguagem não pressupõe sua tábua de correspondências, ela mesma desvela seus segredos, ensina-os a qualquer criança que venha ao mundo, é toda mostração. Sua opacidade, sua obstinada referencia a si mesma, suas voltas e redobros sobre si são precisamente o que faz delas um poder espiritual: com efeito, torna-se por sua vez algo como um universo, capaz de abrigar em si as próprias coisas, após tê-las mudado para seu sentido.” (Merleau-Ponty. A Linguagem indireta e as vozes do silêncio, p. 144. Originalmente citado nas pgs. 59/60 da tese de mestrado de Beatriz Machado, Sentidos do Caleidoscópio)

enho a impressão de que a noção de linguagem enunciada por Merleau-Ponty pode ser uma excelente ferramenta para lidar com as questões atuais do curso. Uma ferramenta que pode permitir a liberdade e a autonomia indispensáveis a qualquer tipo de aprendizado verdadeiro. Conheço muito pouco sobre o estruturalismo e menos ainda sobre o ensino da linguagem audiovisual. Sinceramente, acho que comecei a pouco tempo a enxergar o que significa aprender cinema (no sentido amplo). Então essas observações são algumas impressões pessoais, apesar da citação extravagante. Vou começar concretamente, ainda me surpreende como existe uma postura extremamente infantilizadora do CTR como instituição. Existem momentos de exceção em algumas aulas e em certas atitudes, mas o que predomina é um pensamento sobre o aluno como incapaz de se responsabilizar pelo próprio aprendizado. E isso tem evidências claras, a cobrança punitiva da presença em aulas, as inúmeras tarefas burocráticas (como as resenhas de verificação de leitura) e a fixidez do currículo, de filmes e de textos. Essa tendência de buscar resultados em notas e cumprir etapas formais de aprendizado já é reconhecida como indesejável, se o que se pretende é a formação de pessoas adultas e autônomas, ou seja, capazes de

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fazer escolhas e se responsabilizar por elas. Me agrada a tentativa da nova grade de enxugar a carga horária de tarefas e aulas, ela me parece um reconhecimento dessa necessidade dos alunos serem senhores do seu tempo e consequentemente da sua formação. Assim aqueles que sentem falta de uma reflexão teórica ou política mais profunda podem buscá-la (sozinhos ou nas faculdades com esse propósito), aqueles que anseiam por realizar alguma produção extracurricular e aprender por meio dela podem fazê-lo e as outras necessidades também têm seu espaço. O que o conceito de linguagem implica é que cada sujeito pode ter e efetivamente tem um percurso singular de aprendizado. Não existe um conteúdo básico (de textos e de filmes) que precise ser percorrido por todos. Nem é necessário que se leia e veja tudo. A linguagem não é quantitativa, ela se abre pela qualidade da relação que se tem com sua estrutura. “Ela mesma desvela seus segredos”. O mais importante é reconhecer nossas portas para a linguagem, que são os filmes e os textos que nos tocam. Não concordo que tenhamos que conhecer uma estrutura (a palavra mais apropriada seria norma) para desconstruí-la. Porque nesse nível não existe nada que escape a estrutura da linguagem, qualquer realização só é possível pela linguagem. É uma manifestação dos possíveis. E aqui se faz importante uma distinção, não estou falando da linguagem cinematográfica como estabelecida por essa ou aquela escola, mas da linguagem que torna o cinema capaz de existir. A chamada “linguagem clássica”, por essa perspectiva, é mais uma gramática do que uma linguagem. O que eu gostaria que o departamento adotasse como postura e como princípio é tornar-se um lugar capaz de abarcar os diversos percursos de vida e de aprendizado. E isso constituiria o espaço público por excelência, o espaço que recebe a todos e que permite o encontro entre todos os possíveis. Nele poderíamos contemplar a riqueza da linguagem, na realização de todos os colegas, e por meio dela aprender. “Com efeito, torna-se por sua vez algo como um universo, capaz de abrigar em si as próprias coisas”. Não significa que dessa forma não aconteçam erros ou que todos sairiam ótimos cineastas, críticos, políticos e pensadores, mas que o CTR como espaço público permitiria a emancipação de seus ocupantes. É preferível cometer os próprios erros em uma busca por autonomia do que replicar os acertos de outras pessoas e de outros tempos. 18


LORENA DUARTE* ingressou no Audiovisual em 2010

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uito se discute no Departamento de Cinema Rádio e Televisão sobre as implicações da paralisação dos estudantes, em greve desde o dia 3 de outubro. As turmas têm se organizado para construir uma luta política efetiva no curso e os professores manifestam-se dizendo que não vão repor aulas, ou seja, já adiantando as consequências da greve para os alunos, em tom de represália. Em contrapartida, muito pouco ou quase nada do discurso dos docentes toca as reais questões levantadas pelo movimento estudantil. Em 15 de outubro, após uma reunião dos alunos com a chefe do departamento, profª Dora Mourão, ficou acordado que haveria uma plenária departamental (alunos, docentes e funcionários presentes) para se discutir a “Filosofia e a Política Pedagógica do CTR”. Em e-mail enviado a todos, a professora Dora afirma que a pauta seria: “Apresentação das diretrizes pedagógicas da nova estruturar curricular do curso superior do audiovisual”. No mesmo dia 15 de outubro, três de nossos calouros foram presos pela Polícia Militar, após violenta repressão a uma manifestação que contava com cerca de 2 mil estudantes da USP, em conjunto com DCEs de outras faculdades, professores, movimentos sociais, cursinhos populares e ativistas. O ato era pela democratização das universidades e em defesa da educação. A polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, que haviam sido banidas após as manifestações do mês de junho. A própria diretora da ECA, Margarida Kunsch, deu um parecer oficial quanto à repressão sofrida pelos alunos: "A ECA USP manifesta publicamente seu repúdio à repressão policial e à prisão de alguns dos seus estudantes na manifestação do dia 15.10, na cidade de São Paulo, a saber: Fernando Margarian (calouro de jornalismo) Amanda Carvalho (caloura de áudio visual)

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Leandro Paiva Cardoso (calouro áudio visual)) Mariane Nunes (caloura de áudio visual) O melhor caminho para solucionar os conflitos sociais e políticos é a busca do diálogo e da negociação entre as partes envolvidas. Enfatizamos a necessidade de abertura do diálogo e da negociação entre a reitoria da USP e movimento estudantil. Diretora da ECA - Margarida Kunsch Vice diretor da ECA - Eduardo Medeiros" Enquanto isso, no CTR, a discussão se manteve à margem do cenário político que vivemos. Os professores apresentaram aos alunos e funcionários a reestruturação da grade curricular do curso, debate que deve ser contínuo e não extraordinário, como foi o caráter da plenária que aconteceu em 21 de outubro. Mais tarde, os próprios professores, em reunião da CoC, afirmam que a grade por ora não sofrerá novas mudanças, pois está em período de aplicação e análise dos resultados práticos. Ou seja: uma plenária departamental (em vez de uma plenária de curso) foi convocada com um propósito declaradamente expositivo e mostrou-se alienada à real situação da expressiva maioria dos alunos, que têm seus trabalhos paralisados. Entre outras questões a respeito da grade, discutiu-se a necessidade de haver aulas com duração de quatro horas. Porém em nenhum momento se cogita a possibilidade da criação de um curso noturno por exemplo, o que contemplaria as necessidades dos alunos que precisam trabalhar durante o dia. Mesmo quando se fala em “tempo livre” na grade dos alunos de audiovisual, é no sentido de permitir o lazer e as vivências acadêmicas e de produção, mas nunca se fala naqueles que trabalham para tirar seu sustento. Essa postura revela o caráter marcadamente elitista do curso, que começa no processo seletivo e se reafirma de forma velada na necessidade de cada aluno desembolsar ao menos cem reais a cada produção desde os JOBs. Essa questão está diretamente ligada à pauta da permanência estudantil e é tão pungente quanto o debate sobre a moradia e o acesso à Universidade. Isso sim é discutir política pedagógica! A aparente disposição do departamento em “punir” os alunos grevistas só revela como a criminalização dos movimentos sociais está profundamente 20


engendrada nas instituições. A vulnerabilidade dos muitos alunos que arriscam sua vida acadêmica em defesa da construção democrática da Universidade, no entanto, não significa que não haja perfeita clareza quanto à legitimidade das reivindicações. Legitimidade esta que foi atestada pela Justiça em texto no qual ela nega a reintegração de posse da reitoria solicitada por João Grandino Rodas. “Certamente, é muito mais prejudicial à imagem da USP, sendo a universidade mais importante da América Latina, a desocupação de estudantes de um de seus prédios com o uso da tropa de choque, sem contar possíveis danos à integridade física dos estudantes, ratificando, mais uma vez, a tradição marcadamente autoritária da sociedade brasileira e de suas instituições, que, não reconhecendo conflitos sociais e de interesses, ao invés de resolvê-los pelo debate democrático, lançam mão da repressão ou da desmoralização do interlocutor. Aqui, não se olvide que sequer escapa desse "pensamento único", infelizmente, a maioria da mídia e da própria sociedade, amalgamada, por longos anos, nessa tradição de pensamento autoritário.” A reestruturação do poder na Universidade é um debate necessário e ignorar esse fato é ser conivente com um estatuto arcaico, imposto à comunidade da USP durante a ditadura militar. Ainda na carta emitida pela Justiça, lê-se: “O próprio Poder Judiciário do Estado de São Paulo sofre as agruras de normas editadas em regime de exceção, absolutamente antidemocráticas, para a eleição de sua cúpula administrativa. (...) Outrossim, frise-se que nenhuma luta social que não cause qualquer transtorno, alteração da normalidade, não tem forca de pressão e, portanto, sequer poderia se caracterizar como tal.” Estamos cientes dos prejuízos com que a greve deve arcar e mantemos nossas reivindicações por democracia na USP, pelo fim da repressão, por uma justa política de cotas, por moradia, pela defesa dos espaços estudantis e, no contexto do CTR, pela decisão conjunta das três categorias quanto ao acesso ao prédio e pela abertura das comissões de graduação à presença e à voz de todos os alunos interessados. Expressamos aqui nossa disposição para validar o semestre ao fim da greve, com reposições de aulas e retomada das produções.

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Se por um lado a democratização da Universidade pode parecer uma pauta distante de nós, se há quem queira nos fazer crer que não se devem medir forças com o industrioso Governo do Estado de São Paulo, por outro lado não podemos permanecer inertes frente às atrocidades cometidas pelo poder instituído.

*O texto foi escrito pela aluna com o objetivo de representar o corpo discente no debate sobre a presente greve. Foi avaliado em assembleia dos estudantes de audiovisual e preterido em relação a uma carta de tom menos pessoal – esta foi lida em plenária do CTR no dia 31 de outubro. A aluna então resolveu assinar o texto e incluí-lo nesta coletânea.

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Nossas experiências - Parte 1