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SUPERESPORTES

❚ OLIMPÍADA DE INVERNO A única atleta do Brasil garantida em Sochi nasceu nos Estados Unidos e mal fala o português, mas escolheu o país da mãe, que é mineira casada com norte-americano

O sonho de uma brasuca de coração

ARQUIVO PESSOAL

EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS

RENAN DAMASCENO

À

A pequena atleta em dois momentos: na curta passagem por Belo Horizonte (acima) e competindo na pista, onde sofreu para conquistar a última vaga na competição russa

primeira vista, a timidez e a idade escondem o feito da jovem Isadora Williams, de apenas 17 anos, norte-americana nascida em Atlanta, que escolheu representar o Brasil em um esporte no qual o país não tem nenhuma tradição: a patinação no gelo. Mas bastam alguns minutos de conversa para que a atleta explique, com as poucas palavras que sabe em português, o orgulho de ser a única representante brasileira com vaga assegurada nos Jogos Olímpicos de Inverno, em fevereiro, na cidade russa de Sochi. “É um sonho representar o Brasil. Apesar de vir pouco aqui, tenho uma relação muito forte com a cultura, a música, a comida”, explicou a patinadora, em curta passagem por Belo Horizonte na semana passada, antes de receber o Prêmio Brasil Olímpico de Melhor Atleta de Esportes no Gelo. Isadora é filha de Alexa Williams, mineira que mora nos Estados Unidos há mais de duas décadas, e do norteamericano Charles Williams. Ela começou a patinar aos 8 anos, e quando a família percebeu que o sonho poderia se tornar um futuro promissor, surgiu a ideia de a garota representar o Brasil, uma vez que tem dupla cidadania.

É um sonho representar o Brasil. Apesar de vir pouco aqui, tenho uma relação muito forte com a cultura, a música, a comida

■ Isadora Williams, patinadora no gelo

Em 2009, Isadora e a família enviaram um pedido de filiação à Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBGD). Diante da aprovação, ela passou a receber apoio. Mas o caminho não foi fácil: por causa de problemas judiciais que culminaram no afastamento do presidente da CBDG, Eric Maelson, a atleta ficou sem apoio e foi preciso recorrer à criação de um site para arrecadar fundos que lhe permitissem continuar a competir. “Não consigo calcular o quanto já gastamos para a Isadora continuar patinando. Não é barato. Mantemos uma equipe, com nutricionista, técnico (o russo Andrey Kryukov), e pagamos alu-

guel da pista para que ela treine”, explicou Alexa, que mora com a família em Ashburn, no distrito de Columbia.

CONQUISTA DA VAGA A classificação para Sochi também veio com sacrifício. Em março, Isadora ficou em 25º lugar no Mundial do Canadá, mas apenas as 24 melhores estariam habilitadas a competir na Olimpíada de Inverno. Na última chance para se classificar, no Troféu Nebelhorn (Alemanha), um susto por pouco não pôs tudo a perder. Depois de ficar em terceiro entre as patinadoras que concorriam às seis vagas restantes no primeiro dia, ela sofreu uma queda no programa longo no segundo, o que diminuiu suas chances de se classificar. “Quando terminei a apresentação, achei que não ia conseguir. Mas uma rival me gritou e disse: ‘Olhe sua nota, você conseguiu’. Eu me virei para o telão e vi que estava classificada”, lembra Isadora, que conquistou a 30ª e última vaga. Com a classificação para a Olimpíada, ela espera por reconhecimento. Quer aproveitar o momento para se tornar uma espécie de embaixadora da modalidade no país que escolheu. Alguns investidores já demonstraram interesse em construir pistas no Brasil. “Meu sonho é que a patinação no gelo se torne popular aqui. É claro que não vai ser fácil, mas minha classificação foi um passo muito importante.”

O sonho de uma brasuca de coração  

A história de Isadora Williams, que vai representar o Brasil na Olimpíada de Inverno de Sochi

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