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Capítulo 1 Um cogumelo encantando O sinal para o fim das aulas na faculdade deixou Jane ainda mais estressada, odiava aquele ressoar irritante e profundo. As provas finas deixavam-na nervosa, eram pilhas de livros e deveres para ler e resolver em curtos prazos de tempo. Não havia mais final de semana, todo dia eram estudos e seu entediante trabalho. Para pagar sua estadia em uma pequena casa perto de sua faculdade, Jane trabalhava de meio período em uma minilivraria da Sra. Pensil. Para a jovem, não havia pessoa mais irritante no mundo que chegasse ao nível da senhora. O único ser que gostava dela, era o seu próprio gato. E olha que ainda se há dúvidas. Quando abriu a porta para o seu último dia de trabalho da semana, sexta-feira, Jane teve vontade de sumir. Os novos livros haviam chegado e isso queria dizer, dia de reorganização na livraria. Na verdade eram apenas novos títulos no estabelecimento, pois suas folhas estavam tão amareladas que pareciam que com um toque se quer se desintegrariam em pó. Pela primeira vez em todo o seu ano de trabalho, Jane achou a porta da Livraria dos Pensil útil. Sempre quando a abria um longo e penetrante rangido tomava conta de sua adição, e logo, vinha o som do enferrujado sino que anunciava quem saia e quem entrava. Graças às pequenas e empoeiradas janelinhas de vidro, Jane pode avistar os “novos” livros sobre o balcão antes mesmo de entrar. Antes mesmo de que a porta se abrisse o suficiente para o sino tocar. Jane correu sobre a calçada para atravessar a esquina mais próxima antes que fosse avistada pela Sra. Pensil. Não ligou para as pessoas que a olhavam e muito menos para os que saíam de sua frente assustados, era um favor que faziam. Dirigiase a floresta mais encantadora que já visitara. Uma onde se ouvia somente os sons naturais, aqueles que a relaxavam. Depois de um bom tempo deitada na grama fofa e confortável da floresta, um de seus passa tempos preferidos, Jane acha que já é hora de voltar e encarar o mundo real. Quando se senta para levantar, vê ao fundo da floresta uma luz que logo lhe chamou a atenção. O tempo nublado fez com que ela se atraísse por aquela clareira iluminada por uma luz perfeita, o Sol. Adentrando na floresta, que ficava cada vez mais escura a cada passo, Jane finalmente chega a grande clareira. De espreita nas árvores ao redor, olhava para trás procurando decorar o caminho da volta. Após constatar que não seria uma tarefa difícil, dá o seu primeiro passo a clareira. O calor agradável do Sol a revigorou. Toda frieza e negatividade sumiram no mesmo instante, como se não tivesse que se preocupar com mais nada. Jane caminhou


pelo espaço, que agora, era a mais nova maravilha do mundo. Mas quando olhou para o Sol, não imaginando sua tamanha intensidade, sua visão fora ofuscada e caiu estatelada no chão. Adormeceu. Com o tempo a clareira começou a ser invadida pela escuridão da floresta, passando agora a ser iluminada por uma estranha luz verde esmeralda. Jane acordou, mas não quis abrir os olhos, preferiu respirar o ar puro. O brilho da curiosa luz passou por suas pálpebras e decidiu abrir os olhos para ver o que achava ser o Sol. Na verdade a luz não vinha do Sol, e sim, de um estranho cogumelo que parecia ser transparente. Era inacreditável que a luz verde esmeralda era dele. Jane chegou a pensar que podia haver um vagalume, bem em cima daquela forma de vida, já que aparentava ser transparente. Levantando-se e chacoalhando a poeira de sua roupa, seguiu em direção a ele lentamente. Ficou com medo quando percebeu que ao seu redor só havia a escuridão da floresta, mas mesmo assim quis tirar suas dúvidas. Ajoelhando-se no gramado a poucos centímetros do cogumelo, Jane olhou ao redor dele e se assustou. Seu coração, que agora batia disformemente, queria sair pela boca. Não era um vagalume que projetava toda aquela luz, nem nenhum outro ser. A luz verde esmeralda era do próprio cogumelo. Era muito lindo e deixava-a sem ar. Com a mão trêmula, quis tocar o curioso cogumelo. Lentamente foi aproximando-a do chapéu transparente e brilhante dele. Sua íris deixou o breu do castanho escuro e passou a ser iluminada também pela luz verde-esmeralda. E quando seu dedo o toca algo incrível acontece: Jane Louis havia sido sugada por ele em um deslocamento rápido de ar. O cenário ao redor de Jane mudara completamente, estava mais uma vez caída em um gramado. Mas esse era diferente, na verdade, tudo ali era diferente. Não estava mais escuro ao seu redor, não havia árvores e também não estava mais naquele cenário escuro de filme de terror. Era tão... mágico! O gramado era de um verde bem claro e tinha leves ondulações que lembravam muito pequenas montanhas. O céu estava impecavelmente azul e limpo, contrastando com um Sol leve e agradável. Jane adormecia sob uma parte do chão que era plana, as ondulações do lindo terreno só existiam um pouco mais aos lados. Repousava na sombra fresca de um cogumelo, o mesmo que tocara há segundos atrás, só que ampliado várias e várias vezes. Era estranhamente gigante, mas não possuía aquela mais aquela luz. - Mais um apagão desse e não sei o que será de mim – reclamou Jane, para si mesmo, levantando-se.


Quando se espreguiçou, olhou para todos os cantos e ficou realmente assustada. Onde estava a clareira? Onde estava o caminho entre a floresta que marcara mentalmente para não se perder? Todas essas perguntas a invadiram com um súbito impacto devastador. Parando para pensar um pouco no que havia acontecido, finalmente lembrouse do tudo. Tocara em um pequeno cogumelo que projetava uma estranha luz verde esmeralda e apagara. Depois de um tempo se deu conta do que projetava aquela grande sombra e suas emoções mudaram repentinamente de surpresa a esperança. Desesperada em voltar para a Livraria dos Pensil e em inventar uma desculpa pelo atraso, correu bem em direção ao pé do cogumelo e começou a bater e pressionar. A repugnância veio em poucos segundos quando seus murros começaram a deixar cavidades profundas de onde escorria lentamente um líquido azul muito brilhoso, cujo cheiro, não era nada agradável. Sem falar de sua consistência pegajosa. - Ah! Que maravilha, você chegou. Em menos de uma batida de coração, que agora pulsava demasiadamente rápido, Jane virou-se e se deparou com uma figura jamais vista em todo a sua vida. Um jovem de um porte físico forte e de olhos vermelhos vivos, mas um tanto anormal. Tinha nas costas um par de asas pretas de pontas avermelhadas que se destacavam em sua pele muito pálida. - Q-quem é você? – engasgou-se Jane com tamanha beleza – E onde estamos? - Brian – respondeu cordialmente. Enquanto se aproximava de Jane, Brian parou de repente como se fora lembrado de algo muito importante. Com uma jogada de ombros para trás, guardou suas incríveis asas e voltou a caminhar até ela. - Pensei que vampiros não precisassem de asas... - CALADA! – ordenou Brian furioso. O tempo começou a fechar, mas somente em cima deles. Ao redor o céu continuava com a mesma claridade de antes e era como se fosse apenas uma nuvem revoltada e chuvosa. Graças ao cogumelo não se molhavam e Brian voava a poucos centímetros do chão, as asas batiam suavemente. - Não grite com ela! – exigiu uma mulher de vestes roxas longas. A mulher aparecera do nada, como magia! Os cabelos loiros pendiam do chapéu, também roxo com leves listas pretas, até seus ombros. - Jane Louis não pode ser tratada assim. – exclamou – É a nossa esperança!


Capítulo 1 - Jane Louis e o Cogumelo Encantado - RAC