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Capítulo 5 A penseira das penseiras Isso até podia não significar muito para Rony, mas para Harry fazia muita diferença, pois ele se sentia como se um peso em suas costas tivesse desaparecido. Gostava e gosta ainda muito de Dumbledore, foi como um pai que nunca teve e pelo fato de saber que ele tentou ajudar sua irmã ao invés de ajudar sua mãe e seu irmão, o satisfez em muito. Dumbledore sempre apoiou todas as raças, sempre. Não tomava por diferente ou inferior àqueles que eram bruxos, trouxas, abortos ou qualquer outro tipo de raça. - Eu sabia Rony – Harry disse dando um leve soco na borda da penseira que chegava a altura de seus ombros – Dumbledore não ficou simplesmente assistindo seu irmão e sua mãe esconderem Ariana, sua irmã aborta. Ariana, filha de Kendra e Percival nasceu com um caso muito raro, uma filha de bruxos que nasceu sem poderes mágicos. É muito mais fácil um bruxo nascer de trouxas do que nascer sem magia de pais bruxos. - Era de se esperar – Rony apoiou o grande amigo com certo pesar pela morte de Dumbledore – Era um excelente bruxo e de um ótimo coração. Harry começou a andar por volta da grande penseira observando todos os detalhes da borda até o chão. Rony sentou--se no piso frio desanimado. - O caso de sua mãe foi muita sorte – Rony disse ainda sentado para o atento observador Harry – Nascer em uma

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família trouxa e mesmo assim ter poderes mágicos. Acho isso incrível. Harry assentiu com a cabeça ainda dando voltas pela penseira. - Coitada da Petúnia – Rony recomeçou se levantando e indo em direção à escada da penseira. – Mesmo exibindo que não gostava da magia eu acho que ela quis ser uma bruxa, como a irmã. Rony parou no último degrau da escada e viu o nome de Alvo Dumbledore sumir como poeira e o de Petúnia Dursley surgir no mesmo local. Ele encarou a incrível mudança e logo chamou Harry. - Harry sobe aqui. Olha isso! O que significa exatamente? Harry correu subindo a escada da penseira e olhou curioso para a nova inscrição no último e largo degrau de acesso a penseira. Quando o nome de Dumbledore estava ali viram as lembranças dele, as lembranças que Harry tinha pensado mesmo antes de entrar. Será que agora, como Rony tinha pensado e comentado sobre Petúnia, as lembranças seriam dela? Não podia ser porque Petúnia não era uma bruxa, não poderia guardar memórias em uma penseira, ainda mais numa penseira grande em Hogwarts, cujo local nunca visitou. A não ser que essa seja uma penseira especial que revelava memórias de qualquer pessoa em quem pensassem antes de entrar. Rony estava falando sobre Petúnia e o fato de não ser uma bruxa, subiu na escada da penseira e o nome mudou. Só pode ser isso, tudo faz sentido.

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- São as memória de tia Petúnia – Harry disse meio surpreso – Você pensou nela e a sua vontade de ser bruxa, e até a inveja que sentia pela irmã. Se entrarmos, veremos como tudo era para ela. - Harry você está compreendendo a complexidade de tudo isso? – disse a voz de Hermione Granger um pouco distante. Os dois, de cima do último degrau, viraram suas cabeças rapidamente para Hermione que vinha andando mancando e ofegando em direção a eles e a gigante penseira. - Hermione? – Rony indagou surpreso com a inesperada aparição de sua mulher. - Então ela realmente existe – Hermione disse admirada a poucos metros deles olhando a penseira gigante. – A penseira das penseiras... - Como você sabe? – Harry perguntou intrigado – Como... como você sabia da existência dela? - Horas, onde mais – disse Hermione – É claro que foi em... - Hogwarts uma história – Rony interrompeu-a com sarcasmo. Os três riram da situação. Há muitos anos atrás Hermione sempre sabia coisas que até então eles desconheciam e a sua constante fonte de notícias era o seu precioso livro: Hogwarts uma história. Hermione subiu pelos largos degraus da escada e abriu caminho entre Harry e Rony no último e mais largo degrau. Fixou o olhar na inscrição em pedra com o nome de Petúnia.

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- Hermione? – Rony começou – Como você chegou aqui? - Ah... foi simples – Hermione disse displicentemente – Desci pelo túnel, entrei na câmara escura e acabei caindo num buraco. Não tinha chão na Câmara Secreta, estranho. Antes de espatifar no chão lancei o Alesco Momentum e vi essa luz de lá de trás e um leve e distante som do eco de suas vozes. - Você quis dizer então que essa penseira tem algo de especial não é? A penseira das penseiras vê o que a pessoa quiser. - Não exatamente. – Hermione explicou – A penseira das penseiras só mostra as memórias de alguém que queria muito que elas fossem vistas. E a pessoa tem que ser bruxa ou ter um grau parentesco com um. - Então Petúnia queria que vissem como ela realmente se sentia tendo uma irmã que era melhor que ela, uma irmã com dons especiais. – Harry concluiu e sem dizer mais nada pulou na penseira seguido pelos surpresos Rony e Hermione. A densa água escura os envolveu no momento em que tocaram seus pés no fundo da penseira e tudo começou a aparecer aos seus redores. Petúnia e Lílian estavam no jardim da casa onde viviam com seus pais fazendo um castelo de areia. As irmãs estavam se divertindo muito trabalhando juntas para construir um lindo castelo, aqueles dos contos de fadas. Lílian ergue uma das mãos sobre o ainda pequeno castelo fazendo grãos de areia subirem e fazendo-o ficar mais alto até que sua irmã Petúnia berrou. Harry Potter e a Historia Continua | Renan Agostinho de Carvalho (RAC) | http://livroharrypotter8.blogspot.com.br/


- Para Lílian – Petúnia pediu – Vamos fazer do jeito certo. - Lílian! – chamou a mãe saindo pela porta da cozinha – Chegou uma carta para você. - Carta? Para você? – perguntou Petúnia curiosa – Quem iria escrever pra você? - Não sei Pe – disse Lílian se levantando e chacoalhando a areia de suas roupas e corpo – Vem comigo, assim abriremos juntas... Lílian e Petúnia entraram na cozinha e em cima da mesa estava uma estranha carta sem selos. A carta era cinza com uma elegante caligrafia em verde berrante cujo remetente era desconhecido. Tinha na carta um adesivo que a selava com quatro animais juntos a um H, um leão e uma serpente se destacaram em seus olhos. Lílian leu a legenda do adesivo com a palavra Hogwarts a cima e ficou ainda mais curiosa. Pegou a carta e se sentou junto com Petúnia no sofá da sala logo ao lado da ajeitada cozinha trouxa. Petúnia olhava da carta para o rosto da irmã com muita curiosidade e certo medo enquanto Lílian lia em voz alta. “Prezada Sra. Lílian Temos o prazer de informar que vossa senhorita tem uma vaga na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa no dia primeiro de setembro, estamos aguardando sua coruja até 31 de julho. Enviaremos o nosso melhor guarda caças, Hagrid, para lhe ajudar em breve. Atenciosamente, Minerva McGonagall – Diretora substituta.” Harry Potter e a Historia Continua | Renan Agostinho de Carvalho (RAC) | http://livroharrypotter8.blogspot.com.br/


- Mas que escola maluca é essa? – exclamou Petúnia revoltada – Por que não recebi uma carta dessas também? - Petúnia – Lílian tentou explicar delicadamente a sua irmã – V-você sabe... Sabe que eu sei fazer algumas coisas mágicas acontecerem... - Mágicas? Você chama aquilo de magia? – Petúnia se levantou a frente de Lílian – Você é uma aberração. Isso sim é o que você é... Uma ABERRAÇÃO!!! - Petúnia! – A mãe exclamou – Pare já com isso. Petúnia ficou muito sem graça e se sentou no outro sofá procurando se afastar de Lílian. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as segurou com intenso esforço pois queria se sentir superior a irmã. - Lílian que carta é essa? – quis saber a mãe. - É uma carta de Hogwarts mamãe. – Lílian explicou – Eu sou uma bruxa como aquele nosso vizinho, o Severo. - Mais que legal filha! Lílian e a mãe comemoraram muito com a chegada da carta de aprovação para a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, a melhor das escolas de magia segundo Severo. Sem que percebessem, Petúnia saiu da sala chorando para o seu quarto e pulou na cama. Chorava descontroladamente com a cabeça sobre o travesseiro. De repente ela parou de chorar alto e pegou o seu diário na mesa de canto ao lado da cama e escreveu soluçando.

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“ Minha irmã se acha melhor que eu só porque foi aceita naquela escola de loucos. Se diz ser uma bruxa e virou o centro das atenções, principalmente de minha mãe. Eu gostava dela quando era normal, mas quando começava a fazer aquelas coisas de loucos e a odiava. Ela é uma aberração e vai me abandonar aqui sem ao menos se importar. O amigo dela Severo, que ela chama de Sev, disse que eu sou uma trouxa e isso me deixou muito triste. Eu queria ser uma bruxa, não era a minha culpa se não fui escolhida sei lá por quem.” A cena foi se dissolvendo e Harry sabia que naquele momento estavam voltando ao mundo real, para o presente. Enquanto voltavam, Harry pensava no que viram e até entendeu a repulsa que tia Petúnia sentia por ele. A mãe de Lílian e Petúnia, e Severo tiveram certa culpa por ela ser assim, por ela ter tanto nojo dos bruxos. Harry sentiu pena dela e emergiu pela água da penseira das penseiras.

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Capítulo 5