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o c an E r o da b a a d i , z s o u a t i c d i e n t p o á s c pr e d s e s t o a re a n r re ei P e n f . i a s d a m m s m g a i v d o a n r a , esta e s p o os ess h os c l l o e e r v d p o r r a m ar c om n c e pensa r e e d p pe s m a a o r m m u r r o ue d q n e a r vas fo d a s, ã iv a z t l a a u i r r m C a r ss fó e e r s o a P onomia m s. r d a o c f i a s g m ó a l u h o l e er ad c c e r r e e com v f m o s , o a e ã c v i ç e n r m e b â t n in a i d m A s r à . o f a a m de e t , o e o r d d i n t e a u t c c e s r di ce a s a ão pr a t m s i e , r v s a e a t d s e o r p os s b t e o n s r o r s p e a e xvõeis nt e o o fl p e a a r z , i l á e r i a t ue t x e d traazdeas varo cotn t a d i riamen iativa seom iv c a i ã n r ç ê i i c r r d , e e C o p x çã A e a . l v s e a o a u d c n t i nomia i c e t lrei rá e é in t s p n , s i a o a l m u a m s t u s i i r p o m a c a d e d e r d mica e o n ab ee o r c e p s u o q m e n s , s ia e a r d ç é a t n d a a i d v m u ti falta para sermos a a i m r N c e O que protagonistas? . d , a a v o u i l paqui as suas ideias: iat m r e C x Registre os de r e a i m ta o o n e n a s o r e c a r E p p s la a e v p i t o a na e a i d r c t s cia i s n e d e õ ç u a u fl l iza l i b i n cios, in xões sobre so o p s r i C d , a i e o s fl s m e i o r d n o c m é E l e duz a A a s. m v i e a t d z i a a i r d m i C a c n a i e i r d d t e s o s t ú s n d a n I ia m s r e c a t i s i g a s o l l ua om c q o s i n ermino a , r m o a s l s u m e g a c t n o i n r s o p c e , s s e o t t mento on ien r c b i p fi r e s t o n e d o o s c i e ét d m o t i m ais áge o u t c n e i r u a o q s e e o p v d e a t , e o u ã ç q a ovação a c i ad ubl tem

imagemrp REVISTA EXPERIMENTAL DO CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS JUNHO / 2016 | UNISINOS | SÃO LEOPOLDO/RS

a i m o n o Ec iativa: Cr


CARTA DA REDAÇÃO

Cíntia Carvalho Editora

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Múltiplos olhares sobre a Indústria Criativa

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A economia criativa e suas possibilidades

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Intervenção Urbana Arte e vida nas ruas

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Criaticidade: soluções inventivas

8

Vamos pra rua?

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O consumo da moda consciente

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HandMade na Era Digital

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Para comer em qualquer lugar

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Coragem e criatividade para se reinventar

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Mobilizações por meio das Redes Sociais

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A Economia Criativa é a temática que permeia as discussões desta edição da Revista Imagem RP. As reflexões que vêm se processando a respeito da Economia Criativa, bem como a inserção desta em diferentes práticas, abrangem um novo modo de pensar processos, novas maneiras de conduzir negócios, novas formas de encarar velhos paradigmas. Pensar numa Economia Criativa requer romper com modelos tradicionais e com velhas formas e fórmulas, dando uma perspectiva nova às dinâmicas mercadológicas. Por essa razão, essa publicação pretende, de forma breve, oferecer uma diversidade de pontos de vista acerca do tema. A intenção não é, necessariamente, apontar respostas, mas discutir o conceito de Economia Criativa e trazer reflexões sobre a relevância acadêmica e suas práticas. A edição contextualiza o assunto, traz matérias que abordam uma série de experiências, como eventos de rua, criatividade, empreendedorismo, intervenção urbana e apresenta exemplo de mudanças nos conceitos de negócios, influenciado pela Economia Criativa. Na sequência, conduz a reflexões sobre soluções criativas para o desenvolvimento de cidades. Além disso, disponibiliza a distinção entre as terminologias Indústria Criativa e Economia Criativa. É um momento singular, no qual sistemas se dinamizam, se tornam mais ágeis e eficientes, contam mais com a criatividade e a inovação do que com métodos prontos e processos engessados. Portanto, a publicação teve o intuito de contribuir para ampliar perspectivas acerca do tema que, apesar da relevância, ainda não tem sido explorado com a intensidade que deveria. Os autores desejam que essa coletânea de textos possa ser útil e que dela os leitores possam se beneficiar para ampliar o entendimento sobre as questões levantadas.

ÍNDICE


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CREATIVE WEBSITE SOLUTIONS

Múltiplos olhares sobre a Indústria Criativa Andressa Ayako Camila Ritter

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ara entender o que é a Indústria Criativa (IC) é preciso voltar no tempo, mais especificamente para Austrália, em 1994 com o lançamento do relatório Nação Criativa. Este relatório trouxe conceitos que foram difundidos na Inglaterra em um evento com foco no estudo da economia criativa, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em 1997. Neste evento, a UNCTAD mapeou a economia britânica e identificou uma relação entre a economia e a criatividade, como geradores de produtos e serviços criativos com ações que não se enquadravam no modo de produ-

ção capitalista. Mas, que da mesma forma, geravam crescimento e desenvolvimento social, cultural, econômico e tecnológico. Assim, definiu-se a Economia Criativa, baseada em meios criativos que visam a impulsionar o crescimento econômico e o progresso das indústrias, conceito que se tornou uma referência mundial. Este contexto revelou a Indústria Criativa como um dos setores desta economia. O novo segmento caracteriza-se pela produção de capital intelectual, no qual a criatividade, inovação e sustentabilidade conduzem economicamente o desenvolvimento. Assim, foram definidas áreas que compõem a IC, tais como: publicidade, artes, artesanato, design, moda, produção audiovisual, internet, rádio

e TV, teatro. Ou seja, atividades que abrangem criação e distribuição de produtos e serviços que exploram o conhecimento, a criatividade e o talento intelectual. No Brasil, esses conceitos chegaram há pouco e estão sendo explorados gradativamente por pesquisadores, que começam a perceber a IC como uma forma de valorizar ideias. Além disso, a FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) mapeou este setor criativo no país, constatando que no ano de 2013 haviam 892,5 mil profissionais trabalhando nele, o que é um aumento expressivo comparado ao ano de 2004 com 469,8 mil profissionais criativos. A criatividade, na verdade, não é fator limitante para determinadas áreas sociais.

Ela está presente e é exigida nas tarefas diárias, bem como a inovação e a sustentabilidade de cada projeto. Nesse sentido, percebe-se quão a economia e a Indústria Criativa estão presentes no cotidiano e por que se faz necessário entendê-las. Nas classificações estabelecidas pela UNCTAD, a atividade de Relações Públicas não está inserida. Mesmo assim, conseguimos enxergá-la em diversas práticas deste setor dinâmico, visto que apresenta características de produção criativa, como a solução de problemas a partir do pensamento inovador e sustentável. Ao aceitar o desafio de pensar diferente para solucionar problemas cotidianos, o profissional estará apto a fazer parte desse contexto da Indústria Criativa.


A economia criativa e suas possibilidades REPRODUÇÃO

Camila Lewis Isadora Silva

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novas oportunidades de empreendedorismo, tornando necessário pensar em ideias fora do lugar-comum. Esse é o caminho da economia criativa, que procura revelar modelos de negócios inovadores e empreendedores. A criatividade hoje, ligada à inovação, à tecnologia e à produção, é vista para muito além do simples pensar e do criar, é um elemento indispensável à economia. Nesse ponto, o entendimento da economia criativa deve ser aquele que promove o desenvolvimento sustentável e humano, de forma inclusiva social, ou seja, não se trata de uma visão de mero crescimento econômico. Isto porque os novos conceitos inerentes à economia criativa alcançam

interfaces com a educação, a arquitetura, o design, a comunicação, entre outros. Neste contexto, o profissional de Relações Públicas precisa estar atento à essa necessidade de ser inovador na construção das suas propostas. Cabe a ele pensar fora da lógica capitalista, fazendo com que a economia cresça por meio de soluções que não tenham, necessariamente, um valor tangível. O profissional precisa atuar estrategicamente, usando a comunicação na contramão do convencional. Enquanto tradicionalmente, tende-se a promover a convergência entre públicos afins, a iniciativa do profissional inserido na economia criativa deve ser propor o diferente.

Muitas vezes unir o improvável em torno de um ideal comum, pode produzir um resultado inimaginável. Unir jovens de classe média, com idosos carentes, por exemplo, pode parecer incoerente, mas a realidade tem mostrado que a sinergia deste tipo de troca, produz resultados satisfatórios. Tudo depende da estratégia que o profissional adota na condução do projeto, e do propósito que almeja alcançar. É grande a polivalência do profissional inserido na economia criativa, não somente visando o ganho de imagem para alguma organização, mas, sim, muito mais do que isso, o retorno social que tanto agrega à sociedade.

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entro do empreendedorismo, vem sendo destaque o setor voltado para a economia criativa, que é a nova economia do século 21, da demanda inteligente, que utiliza da criatividade para gerar empregos melhores, produtos inovadores e crescimento econômico. Há evidências de que as atividades desenvolvidas impactam a economia local, seja diretamente, ao oferecer empregos e aumento de produtividade, ou indiretamente, gerando uma gama de possibilidades relacionadas a ideias e conhecimentos. O empreendedorismo por sua vez, é um dos temas que está associado com os profissionais que atuam nesse segmento da economia, em função da necessidade cada vez maior de que eles assumam uma orientação empreendedora em seu ambiente de atuação. A economia criativa é uma poderosa força do empreendedorismo mundial. É um dos setores da economia que mais crescem no mundo, se forem observados os índices de geração de renda, de criação de empregos e de ganhos com exportação. O Brasil está entre os grandes produtores mundiais de criatividade, o que traz


Intervenção Urbana Arte e vida nas ruas Carolina HERRMANN Letícia Gedrat

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anifestações artísticas com ideais, geralmente ligados às causas humanas e sociais. Assim podemos definir as intervenções urbanas. Mas, mais do que uma definição, a intervenção urbana consiste em um propósito, simples e tangível, para a realização dos que a contemplam e para uma melhoria estética no meio em que está inserida. As intervenções urbanas realizam-se em interações com objetos artísticos ou com um espaço público, inserindo nestes meios a manifestação que se deseja abordar. Desta forma, a intervenção urbana utiliza o princípio da arte como intermediário para in-

dagar, interpretar e transformar a vida urbana cotidiana. Seja por pontos de vista ideológicos, sociais ou políticos, normalmente é realizada a céu aberto e por ter um caráter crítico, possui características incomuns que se destacam no meio da paisagem urbana comum. O estilo e formato variam, mas todas possuem algo em comum: são feitas para comunicar algo para um propósito final. Ou seja, as intervenções também podem ser consideradas uma estratégia de comunicação. A prática é a união de forças comunitárias ou mesmo por uma única pessoa, e pode ser sintetizada por quatro pontos básicos, realizados consciente ou inconscientemente pelos artistas, profissionais ou aspirantes. O

primeiro ponto é que as intervenções estão ao alcance de todos, independentemente de classe social, gênero, raça ou ideologias. O segundo ponto é que, assim como a arte criada exposta em museus ou espaços artísticos, a intervenção procura expressar os sentimentos ou o ponto de vista de seus autores. O terceiro é o objetivo de reivindicar um problema: a poluição visual, a vida corrida ou o governo, por exemplo. E finalmente, o que difere a intervenção urbana de outras artes é o fato de que elas precisam de uma dose considerável de irreverência, provocação ou humor. Hoje percebe-se um grande aumento na quantidade de ações de intervenções urbanas, realizadas com as mais diversas intenções, e SHOOT THE SHIT

elas costumam ganhar muita visibilidade na internet, o que aumenta esta cultura e instiga mais pessoas a se expressarem desta maneira. A empresa Shoot the Shit, de Porto Alegre é um exemplo de como essas ações podem gerar impactos significativos. Por meio de iniciativas simples, como um adesivo nas paradas de ônibus onde as pessoas podem anotar quais transportes coletivos passam por ali, gerando uma atitude colaborativa; as intervenções deste grupo de publicitários têm ganhado visibilidade. Algumas outras ações como um caça-palavras em uma parede de construção para entreter os pedestres e a criação de placas que auxiliem um pedestre a chegar a pé aos principais pontos turísticos da capital gaúcha também reforçam esta ideia da intervenção para uma construção coletiva. Mais do que tudo, percebe-se que as intervenções urbanas têm sido bem recebidas não apenas por conta de seu caráter acessível e natural, mas também pela maneira como aborda alguns objetivos e causas que atingem a todos. Em uma sociedade em que as pessoas têm rotinas agitadas e relacionamentos que muitas vezes beiram a superficiais, ações que representam um desejo ou sentimento comum precisam ser valorizadas.


DEFENDER.ORG.BR

Daniela de Assis Luan Maciel

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evido ao crescimento acelerado dos grandes centros urbanos, é cada vez mais necessário (re)pensar e (re)criar lugares que garantam ao cidadão um momento de interação e convívio social que ofereçam, em conjunto com infraestruturas ou equipamentos coletivos, um suporte para viver em sociedade. É daí que surgem as expressões: cidade criativa, inteligente, inovadora e criaticidade - termos que significam a reurbanização de um local, aproveitando sua estrutura e respeitando sua história, para uso de novas

propostas de cunho social, cultural e econômico, visto que economia criativa, atualmente, é um dos pilares mais importantes que sustentam os conjuntos de atividades produtivas do mundo e muitas cidades vislumbraram novas possibilidades de desenvolvimento econômico dentro deste cenário. O poder público, em conjunto com a sociedade civil, deve buscar soluções para problemas das cidades e, dessa forma, reinventa-la, gerando mais qualidade de vida aos seus habitantes. Em Londres, por exemplo, para transformar um trecho de uma passarela ao lado de um rio em um lugar mais atraente e acessível aos pedestres, a prefeitu-

ra usou o site institucional para saber a opinião pública e, assim, criou um projeto que atendeu as solicitações dos cidadãos. Já, em Porto Alegre, o projeto proposto pela Prefeitura para revitalização da área do Cais Mauá – a maior área pública aberta da cidade - é questionado pela população quanto a forma que está sendo conduzido, pois não há participação popular. Segundo Adalberto Heck, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisinos, revitalizar um espaço público requer a participação popular e se for usado com finalidade de empreendimento comercial, de privatização, não se caracteriza como uma cidade criativa.

O diálogo entre poder público e população deve ser equilibrado e despertar a consciência de um novo comportamento de uma relação positiva com o cidadão, pois um governo que se vê cercado de pessoas conscientes, não encontra outra saída a não ser responder às cobranças. Nesse panorama, o profissional de relações públicas encontra um ambiente propício a sua atuação, na promoção e busca por soluções criativas e alianças estratégicas para o desenvolvimento de projetos inovadores, visto que a transformação de um espaço requer a participação popular, ainda mais na condição convergente e integrada de uma sociedade pós-moderna.

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Criaticidade: soluções inventivas


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AUGUSTO LAUXEN DE OLIVEIRA

Vamos pra rua? Giulia Rodrigues Silvestre

Eventos de rua Marcas locais, comidas diferenciadas e artesanato. Os eventos de rua estão, cada vez mais, animando os finais de semana na capital gaúcha. Os locais mais escolhidos são praças, áreas públicas e cafés. “Há vida fora dos shoppings”, brinca a publicitária Fernanda Richter Trindade, 27 anos, idealizadora do Café com Bazar, um encontro mensal de marcas locais que acontece em espaços criativos. Além de contemplar os espaços ao ar livre, esses eventos ainda reúnem apresentações artísticas e culturais, exposições, food trucks, cervejas artesanais, arte, moda, brechós e muita música.

Os eventos de rua surgiram para aliar a necessidade do consumidor de explorar espaços ao ar livre e de consumir de maneira consciente. Cientes dessas necessidades do mercado, os inquietos profissionais da economia criativa aproveitam esses espaços para buscar uma maneira de aproximar os consumidores com produtores locais. Consumo consciente Os hábitos de consumo estão sendo repensados. Aumenta a necessidade de saber de onde vem o produto ou o alimento consumido. “Ao invés de comprar algo produzido em série, feito sabe-se lá por quem e onde, as pessoas estão optando por comprar algo que seja de quem faz”, ex-

plica Fernanda. Os eventos de rua buscam ir contra as correntes de grandes empresas, como fast fashion e franquias alimentícias. Por isso, as marcas locais são reunidas por meio de curadorias. A busca é por pequenas empresas que aliam criatividade, ideias e inovação na criação dos seus produtos. E tudo, claro, produzido de forma artesanal e local. “A cada mês é feita uma curadoria caprichada a fim de encontrar marcas bacanas que se enquadram nessa categoria do autoral e ainda atendam alguns critérios como originalidade, apresentação e presença ativa nas redes sociais”, explica Fernanda. Os consumidores têm a oportunidade de comprar um produto que tenha um valor agregado. “Os peque-

nos empreendedores sustentam sonhos e famílias com essa renda, o que é bem mais próximo do que aumentarmos as fortunas de grandes empresas ou mesmo comprarmos roupas as quais nem sabemos a procedência, com salários muito baixos, trabalho escravo”, defendem Aline Ebert e Jade Primavera, ambas com 33 anos, organizadoras do Mercado Vintage, uma feira para amantes de garimpo e peças vintage. É uma maneira de o produtor local ter um relacionamento próximo e diferenciado com os consumidores. Os eventos de rua surgem, então, para tornar a economia criativa mais solidária, sustentável e favorável aos produtores locais.


O consumo da moda consciente Jéssica Kosczepa

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Outra tendência encontrada nos eventos de rua foi o sapato reciclado. A marca Villaget vende tênis, mochilas e acessórios ecossociais. Os produtos utilizam tecidos e couros descartados da indústria calçadista da região de Novo Hamburgo, lona reciclada e algodão orgânico. A coleção traz a mensagem “um outro mundo é possível”. A Villaget deseja disseminar seus valores, batalhando por um comércio mais justo e uma sociedade mais igualitária. É uma empresa alinhada às tendências atuais de negócio que tratam de economia criativa, colaborativa e social.

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do Povo, “a sociedade está caminhando em direção a um ato de compra mais consciente, relacionado à sustentabilidade e que envolve esse sentimento mais independente em relação a se vestir”. Agregado a isso, emerge a possibilidade de customização, que possibilita que as peças se tornem ainda mais exclusivas. Costurando botões, tachinhas, miçangas, desfiando peças em jeans, é incrível o que a criatividade pode fazer com uma peça que seria considerada “velha”. Esse tipo de reciclagem faz com que a roupa fique diferente e criativa, agregando mais valor do que imaginaríamos.

RICHARD MEDEIROS

uem circula pelos eventos de rua de Porto Alegre, certamente já percebeu que há muitas opções de brechós espalhadas por aí. Inseridos em um conceito de desapego, esses espaços deixaram de ser vistos como um abrigo de roupas velhas e usadas e se tornaram “cool”. As feiras e bazares, como a Me Gusta e o Brick do Desapego, buscam além de ocupar espaços públicos ou bares da cidade, promover o troca-troca, a reciclagem e o consumo consciente. E essa ideia criativa vem mostrando que a moda dos brechós não é algo passageiro. Roupas antigas, coloridas e acessórios simpáticos, estabelecem um elo entre a moda do fundo do baú e o estilo das vitrines atuais. Com peças modernas e a preços acessíveis, os brechós se tornaram a melhor opção para aqueles que estão preocupados em fazer seu próprio estilo de maneira mais econômica e consciente. A proposta desses eventos é motivar as pessoas a pensarem na moda de maneira mais crítica. O consumo desenfreado em redes de fast fashion, com parcelamento em até 10 vezes, pode estar cedendo espaço para uma relação mais profunda do que o simplesmente vestir. Agregar valor à imagem daquela peça, mostrar que ela tem

uma história, que você não encontrará outra igual e ainda mais por um preço muito acessível. Ninguém utiliza as mesmas roupas a vida inteira, engordamos, emagrecemos, mudamos de estilo. Muitas roupas ficam no armário sem uso. Por isso, reutilizar peças também ajuda a conservar o meio ambiente. Você sabia que a cada camiseta de algodão produzida é gasto em torno de 2.500 litros de água, e para produzir uma calça jeans é gasto em torno de dez mil litros? Inovar é reutilizar! Segundo as amigas Natalia Guasso e Sara Cadore Luz, idealizadoras do Brick de Desapegos, em entrevista ao Correio


HandMade na Era Digital Maria Righetto

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artesanato é uma das atrações mais presentes nas feiras de rua. De forma criativa e inovadora, diversas marcas estão se destacando nas feirinhas e no mercado dos produtos feitos à mão. No Brasil, os mais diversos ramos de artesanato valorizam a identidade cultural de comunidades, gerando empregos e sendo fonte de

renda para muitas pessoas, além de promover a melhoria da qualidade de vida e contribuir para o desenvolvimento local. A Vennice, por exemplo, é uma das muitas marcas que vendem de forma criativa e apostam na venda, não somente do produto, mas, sim, do conceito que ele traz. A empresa, que produz colares e outros artigos de pedras naturais, vende mais do que os colares, vende energia. Os criadores da Vennice, Bernardo Winck

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DAI DIETZMANN

e Maria Righetto, acreditam na sustentabilidade e na reciclagem para inovar. Já utilizaram sacos de batata reciclado para confeccionar os pacotes dos produtos e as entregas são realizadas por meio de bicicletas na cidade de Porto Alegre. “Vendemos mais que produtos, vendemos energia. E é isso que queremos passar aos nossos clientes”, afirmam os artesãos. Há mais de dois anos no mercado, a empresa já participou de feiras e acredita que elas são porta de entrada para novos clientes, sendo uma forma inovadora de apresentar o trabalho feito à mão para o público. Além disso, acreditam que as redes sociais são essenciais para divulgar os produtos e conteúdos relacionados à marca. “A Vennice passou para o meio digital um tipo de trabalho que sempre foi feito no mundo físico. A nossa empresa, utilizando a internet, conseguiu outros caminhos e formas criativas de interagir com os clientes e pensar em inovação” diz Bernardo, que confecciona os colares de pedra. De forma simples e organizada, os artesãos precisam se dedicar mais ao mundo online, utilizando plataformas como Facebook, Instagram e Youtube, para divulgação dos produtos e, também, geração de conteúdos relacionados ao conceito da marca ou demais assuntos que possam envolver e interessar o público. Existe uma mudança no pensamento e no segmento de artesanato de uns anos para cá. Muitas pessoas procuram pelos produtos feitos à mão, principalmente quando se trata de artesanato, que é algo único, personalizado e muitas vezes simbólico. Cada vez mais vemos experiências de pessoas que são bem-sucedidas nessa área e que conseguem viver da arte. Mas, para isso acontecer, é preciso investir na criatividade e na inovação, para se destacar no mercado e buscar a valorização do trabalho de artesão. É possível transformar o hobbie, paixão ou dom em negócio, e, só assim, fazer dele uma atividade criativa, prazerosa e rentável.


Para comer em qualquer lugar Mariana Balbinotte

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churros, crepe, pizza, cozinha e, até mesmo, sushi. Formado em Engenharia e Administração de Empresas, Eduardo Hintz Mallmann, morou, a partir de 2011, em New York, durante dois anos e, após um ano desde a sua volta, percebeu um nicho de mercado em aberto. Com isso, inaugurou o restaurante de comida mexicana Pueblo, em Porto Alegre. Em uma viagem para Califórnia, ele e a esposa perceberam uma forte tendência de food trucks e trouxeram, então, essa inovação para a marca da rede deles. O investimento inicial do caminhão, de tamanho 8x3, foi alto, com capacidade para trabalhar até oito pessoas dentro do carro, bem como podem ser

produzidas 4 mil refeições para um evento. Conforme Eduardo, em dois anos, o caminhão foi pago com o lucro obtido. Sendo assim, o caminhão tem vantagens como o custo fixo baixo, livre de gastos com aluguel, o que permite com que possam ocorrer investimentos em outros setores, de forma a auxiliar no fortalecimento da marca no mercado. A configuração do food truck, passou por etapas como a elaboração de um plano de negócios, a busca por uma boa organização, entre outras, o que tornou o negócio bem sucedido. Por fim, não podemos deixar de recomendar os churros que são maravilhosos! Mas essa parte ficará para outra matéria...

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hamativos e com comida de qualidade: assim podemos apresentar os food trucks espalhados por aí. São carros bem projetados e preparados para circularem nas ruas das cidades, além de venderem comidas “gourmet” através de feiras e eventos. Os food trucks têm várias qualidades, como a preferência dos consumidores e o fato de não ficarem reféns de apenas um local, mas principalmente, a variedade de alimentos que podem ser comercializados a partir deles. Os primeiros carros de food trucks foram fabricados por Thomas H. Buckley

nos anos de 1880. Além disso, eles já vinham de fábrica com a cozinha composta por refrigeradores e fogões acoplados e, claro, eram bem coloridos. Só no ano de 2012, inicialmente, em São Paulo, eles começaram a aparecer no Brasil. Em 2014, a alimentação fora de casa movimentou R$ 140 bilhões de reais, segundo o Ibope de Inteligência, fazendo com que os food trucks ganhassem destaque. Para a realização da Me Gusta, feira mensal que ocorre em Porto Alegre, são convidados food trucks da cidade e região metropolitana, com o propósito de se contemplar uma grande variedade de comidas: comida mexicana, hambúrgueres,

EDUARDO MALLMANN


Coragem e criatividade para se reinventar

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desenvolvimento das tecnologias intensificado pela internet possibilitou novas ferramentas e formas de comunicação, novos modelos de negócios e diferentes configurações de mercados, o que fomentou a economia criativa. Para exemplificar esse modelo, abordamos a mudança histórica empreendida no último semestre pela Rádio Farroupilha, do Grupo RBS. Fundada há 80 anos, conhecida pela rádio da comunidade e líder no segmento AM, iniciou uma nova fase ao ser transmitida também no FM, investindo em tecnologia digital e interação. Com um novo estúdio, mais moderno e espaçoso, novos equipamentos e uma arquibancada interna para participação de ouvintes, intensificou a relação com o público. A direção da emissora foi assumida por Alexandre Fetter, que acrescentou novos comunicadores e alterou a programação da rádio. Para falar dos resultados alcançados, entrevistamos a Relações Públicas Amanda Schenkel, coordenadora de produto das rádios de entretenimento do Grupo RBS. IMAGEM RP – De que forma a arquibancada potencializa a participação do ouvinte?

Amanda Schenkel – Por se tratar de um perfil de rádio que gera essa identificação maior com seu ouvinte, sempre recebemos muitas pessoas no estúdio. Sendo assim, ao pensarmos em um novo ambiente, nada mais natural que criarmos um espaço especialmente para receber nossa audiência com conforto. Eles se sentem parte da família Farroupilha, independente da arquibancada, porém, acredito que ter esse local aberto e destinado à eles, aumenta e muito a sensação de pertencimento. IRP – O aplicativo da rádio foi lançado em 2013, ou seja, antes da transmissão no FM. O número de downloads aumentou após o período de mudanças? Amanda – Não somente aumentou, ele quintuplicou. Hoje temos uma base de downloads diários maior do que alguns meses inteiros na época de lançamento do app. Esse é um movimento natural, pois o perfil de ouvintes que agregamos à rádio com a entrada no FM é justamente um público mais jovem, o mesmo que lida muito bem com as redes sociais e smartphones. IRP – O crescimento dos ouvintes nas plataformas digitais é perceptível? Após as mudanças, foi identificado a renovação de perfil do público?

ARQUIVO PESSOAL

Monique Matos Rodrigo Silva

Amanda – Certamente. Para se ter uma ideia, nossa fanpage no Facebook tinha 30 mil curtidas antes do FM, agora são 280 mil fãs. Recentemente tivemos uma situação bastante nova em si tratando de Farroupilha, postamos um vídeo na página e ele teve, organicamente, mais de quatro milhões de visualizações. O estilo de programação também foi adaptado para agradar ao público consumidor do FM, ou seja, trabalhamos mais entretenimento, humor e música na grade de programação. IRP – De que forma a abordagem do setor comercial com os anunciantes/patrocinadores mudou após a inserção no FM? Amanda – A Farroupilha sempre teve o poder de engajamento com a sua audiência como o seu carro chefe no quesito comercialização de mídia. Sendo assim, já tínhamos um ticket médio de investimento na rádio bastante alto. Ao agregarmos uma fre-

quência no FM, obviamente aumentamos nossa base de ouvintes ao mesmo tempo que diversificamos o perfil. Agora conseguimos abordar clientes que antes não se enquadrariam no estilo da rádio. IRP – Como inovar sem perder a identidade de ser “a rádio da comunidade” e como renovar o perfil do público sem afetar aquele que já fidelizado? Amanda – Mudamos o foco e, dessa forma, a maneira como somos percebidos tanto por nosso público ouvinte quanto por nossos anunciantes. Não somos mais uma rádio assistencialista, mas continuamos uma rádio com atitude social. Isso quer dizer que seguimos preocupados em melhorar a vida da comunidade, mas agora tentamos buscar ações maiores, onde realmente seja possível ajudar mais pessoas. Acreditamos que dessa forma, conseguimos manter fiel nossa audiência do AM e agregar um novo perfil de público do FM. Especialmente o público mais jovem, que já possui em sua essência um traço solidário, jovens gostam de ajudar, gostam de fazer parte de uma causa nobre. O que estamos fazendo é aos poucos mudar o foco. Estimular a atitude social e não mais simplesmente o assistencialismo puro. Essa é a ideia, essa é a pegada e tá aí nossa reinvenção do mesmo.


Mobilizações por meio das Redes Sociais Priscila Casagrande Ferst ANA ALICE MEIRELES

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vam presentes na imprensa naquela época, assim como acontece agora, as pessoas resolveram ir às ruas não somente por 15 centavos de aumento na tarifa do transporte público de grandes cidades brasileiras, mas também resolveram lutar por mudanças em um âmbito bem maior. E o que começou por iniciativa de algumas poucas pessoas, logo reuniu milhares delas, em cenários históricos, como a Avenida Paulista em São Paulo. O Governo recuou e o aumento do imposto foi revogado e junto com ele também surgiu a necessidade de que a presidente da república, Dilma Rousseff, viesse a público e anunciasse uma série de medidas para responder ao “grito das ruas”.

Esses acontecimentos revelam o quanto as redes sociais se tornaram significativas tanto para o exercício da cidadania, quanto para a cobrança de consumidores insatisfeitos e demonstração de desagrado. Percebe-se, com isso, o potencial democrático existente nestes ambientes e um rompimento com uma séria de conceitos que a comunicação de massa traz consigo. Neste cenário, insere-se a economia criativa, onde projetos podem ser delineados por meio de conexões e mobilizações nas redes de relacionamento, agregando valor e contribuindo com a busca de propósitos que possam ser capazes de produzir e construir transformações.

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s redes sociais acabaram virando uma parte do dia a dia das pessoas. Observa-se que com as interações e possibilidades de compartilhamento oportunizadas por essas plataformas digitais, houve um crescimento de mobilizações populares. Esse fenômeno pode ser observado em situações que pedem mudanças estruturais na política, na economia,na sociedade; em casos de reclamações de direitos de consumidores ou, ainda, em pedidos de solidariedade . É muito comum que as pessoas se reúnam via redes sociais, mesmo sem se conhe-

cerem, marcando encontros, reivindicações ou reuniões com amigos. Essas plataformas digitais acabaram virando uma forma de obter informações e de chegar a pessoas que seria praticamente impossível. Quem não se recorda das grandes manifestações realizadas em 2013, onde o Brasil parou? Esse foi o primeiro grande exemplo aqui no país de manifestações expressivas organizadas por meio da internet. O Passe Livre iniciou nas redes sociais um movimento através da criação de um evento no Facebook, convidando pessoas a aderirem ao protesto contra o aumento das passagens de ônibus. Diante das muitas denúncias de corrupção que esta-

ALEXANDRO AULER / O GLOBO


Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) ENDEREÇO: Avenida Unisinos, 950. São Leopoldo, RS CEP: 93022-000 Telefone: (51) 3591.1122 INTERNET: www.unisinos.br E-mail: unisinos@unisinos.br

ADMINISTRAÇÃO REITOR: VICE-REITOR: PRÓ-REITOR ACADÊMICO: PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO: DIRETOR UNIDADE DE GRADUAÇÃO: GERENTE DE BACHARELADOS: COORDENADORA CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS:

Marcelo Fernandes de Aquino José Ivo Follmann Pedro Gilberto Gomes João Zani Gustavo Borba Vinicius Souza Erica Hiwatashi

imagemrp | junho de 2016 / 14

imagemrp A revista Imagem RP é uma produção dos alunos da disciplina de Redação em Relações Públicas IV do Curso de Relações Públicas da Unisinos

TEXTOS ORIENTAÇÃO: Cíntia Carvalho (cintiascarvalho@unisinos.br) Textos: Ana Alice Meireles, Andressa Ayako, Camila Lewis, Camila Ritter, Carolina Herrmann, Daniela de Assis, Giulia Rodrigues Silvestre, Isadora Silva, Jéssica Kosczepa, Letícia Gedrat, Luan Maciel, Maria Righetto, Mariana Balbinotte, Monique Matos, Priscila Casagrande Ferst e Rodrigo Silva

PROJETO GRÁFICO REALIZAÇÃO: Turma 2010/2 da disciplina de Projeto Experimental em Planejamento Gráfico ORIENTAÇÃO: Everton Cardoso (evertontc@unisinos.br) PROJETO: Gabriela Schuch

DIAGRAMAÇÃO REALIZAÇÃO: Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) SUPERVISÃO TÉCNICA: Marcelo Garcia DIAGRAMAÇÃO: Mariana Matté e Luiz Fasolo

PUBLICIDADE REALIZAÇÃO: ORIENTAÇÃO: SUPERVISÃO: ATENDIMENTO: REDAÇÃO: DIREÇÃO DE ARTE: ARTE-FINALIZAÇÃO:

Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) Vanessa Cardoso (vsilvac@unisnos.br) Robert Thieme (robertt@unisinos.br) Djover Bock Fernando Fries (Minha Unisinos Mobile e Relações Públicas Unisinos) Caique Agulla (Minha Unisinos Mobile e Relações Públicas Unisinos) Sara Müller (Unisinos FM)


Imagem RP 2016/1  

Revista experimental produzida por alunos do Curso de Relações Públicas da Unisinos (campus São Leopoldo/RS). Edição 2016/1. Junho de 2016.

Imagem RP 2016/1  

Revista experimental produzida por alunos do Curso de Relações Públicas da Unisinos (campus São Leopoldo/RS). Edição 2016/1. Junho de 2016.

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